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TRUST in me A NOVELLA Jennifer L. Armentrout WRITING AS J. LYNN

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-1 Jase Winstead é um filho da puta cruel. Ir para “Asstronomy 101” 1 é a última coisa que eu queria estar fazendo, às nove da manhã, caramba! Especialmente porque tudo que a classe faz é me lembrar da primeira vez que entrei na aula do Professor Drage, e do porque eu tinha feito uma apressada saída não planejada no meu ano de calouro. E eu realmente não precisava de um texto com insultos de Jase sobre como agendar aulas antes do meio dia não era saudável. Considerando que eu estava a passar, -oh, eu não sei, duas horas com sono- e eu ainda podia sentir o gosto da tequila e outras coisas que eu realmente não queria sequer pensar sobre ontem à noite, eu estava atualmente sendo o garoto-propaganda de como não ter um primeiro dia saudável e feliz de classes de Outono. Eu assisti a porta para a astronomia balançar fechando-se e, em seguida, olho para trás, para o meu celular. O texto de Jase zombava de mim: “Cabule. Eu tenho cerveja. Xbox. FIFA13.” Bom, merda. Isso era extremamente tentador. Ollie tinha estragado nosso Xbox uma semana atrás durante uma partida brutal de Call of Duty. Eu estava alguns minutos atrasado para aula. Astronomia ou futebol no Xbox? Não é uma decisão muito difícil. Decisão feita, dei meia volta e comecei a responder o texto de Jase quando as portas foram arremessadas abertas, como se um tornado tivesse passado pela escadaria. Minha cabeça virou bem a tempo de ver algo pequeno e algo vermelho vindo à minha direção. Não tinha como evitar a colisão. Um pequeno corpo colidiu direto comigo e tropeçou para trás, braços agitados como se a vítima estivesse se afogando. A bolsa, que parecia pesar mais que o dono, derrubou-a. Reagindo a pleno instinto, me movi para frente, deixando cair minha própria mochila e passando meu braço ao redor de sua cintura, mas a bolsa foi em uma direção e, os livros, em outra. Ela ainda estava ofegante, como um daqueles sacos para vômito2. Eu apertei meu abraço, segurando-a antes que ela fizesse algum dano sério a si mesma. Ela ficou de pé. Cabelos castanhos profundos voaram batendo no meu rosto. O aroma de frutas e algo almiscaro, e bom, me preencheu. Oh merda, Moranguinho3 acabou de me atropelar. Eu ri e coloquei meu celular no bolso, preste a solta-la, mas a garota estava tensa. Cada músculo seu parecia estar rígido. Tão pequena como ela era, mal chegando à altura dos meus ombros, ela parecia ficar cada vez menor. Será que estava machucada? E será que ela confundiu Shepherd por uma escola primária próxima? “Whoa”, eu disse. “Você está bem, querida4?” Sem resposta pelo que parecia ser um minuto, comecei a ficar realmente preocupado. Tomando um grande fôlego, fazendo que seu peito inflasse contra o meu. Consegui contra a sensação de sentir suas curvas. Definitivamente não é uma colegial, a não ser que elas começaram a se desenvolver de maneiras diferentes de quando eu estava lá. E se for este o caso, eu estava com inveja desses meninos. Okay, agora sinto que preciso de uma ducha, porque até isso me perturbou. Será que eu ainda estava bêbado de ontem à noite? Eu diria que sim. “Hey”, eu tentei novamente, com a voz mais baixa. “Você está bem?”. Quando ainda assim não tive resposta, coloquei dois dedos abaixo de seu queixo. Sua pele era macia e extremamente gelada. Divagando sobre a possibilidade de uma pessoa desmaiar e ainda continuar de pé, eu gentilmente levantei a sua cabeça, minha boca abrindo para perguntar algo a ela novamente, mas as palavras morreram em algum lugar entre meu cérebro e minha boca.

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Trocadilho com “Ass” e “Astronomy”. 101 é referente a coisas básicas, para iniciantes Aqueles sacos marrons onde, as vezes, as pessoas usam para respirar dentro, com movimento de inflar e desinflar. 3 No original, Strawberry Shortcake, nome da personagem ‘Moranguinho’ em inglês. 4 No original “Sweetheart”. Achei que “querida” ficava melhor que algo como “docinho” 2


Eu pisquei porque, como um idiota total, eu pensei que isso iria mudar o que eu estava vendo. Não que eu quisesse que o que eu estava vendo mudasse, mas merda... Qual homem não tem uma quedinha por uma ruiva? Bonita é uma palavra muito fraca para descrevê-la. Seus olhos eram grandes da cor de uísque. Sardas pontilhavam a ponta do seu nariz pequeno e suas bochechas eram bem definidas. Lábios eram cor de cereja e grandes no seu rosto, cheios e volumosos. O tipo de lábios que pertenciam a uma boca que podia, e iria, levar um homem... “Me. Solta.” 5 A aspereza na sua voz, amarrada com um péssimo controle de pânico, causou que eu a soltasse imediatamente e desse um passo, saudável, para traz. Ela ficou na beira do seu equilíbrio e eu quase corri para segura-la novamente, mas eu valorizava minhas bolas. Um dia eu gostaria de ter uma criança ou algo e eu tinha o pressentimento que se eu a tocasse de novo, isto não estaria em meu futuro. Afastando algumas mechas de cabelo de seu rosto, ela cautelosamente se afastou de sua bolsa. Grossos cílios salpicados de vermelho levantaram e, por um momento, nenhum de nós dois se mexeu, e então seu olhar foi para meu rosto e depois para baixo. A garota estava descaradamente ‘me checando’. Talvez minhas bolas não estivessem em perigo. Um lindo tom de rosa se espalhou por suas bochechas. “Desculpe-me. Eu estava com pressa para chegar a minha aula. Eu estou atrasada e...” Eu resmunguei enquanto me ajoelhava, juntando alguns dos itens espalhados. Como uma única garota poderia ter tantas canetas estava além de minha compreensão. Azul. Roxo. Preto. Vermelho. Laranja. Mas que porra? Quem escrevia com uma caneta laranja? Ela se juntou a mim, pegando o resto de suas canetas enquanto sua cabeça se mexia de um jeito que seu cabelo cobre ficava na frente de seu rosto. “Você não precisa me ajudar.” “Não tem problema.” Eu pequei um papel que viria a ser seu cronograma. Uma rápida olhada em suas classes e pude confirmar que ela era uma novata6. “Astronomia 101? Eu estou indo nessa direção também.” Jase e cerveja e FIFA’13 teriam que esperar. “Você está atrasado.”. Ela ainda estava se escondendo atrás de seu cabelo. “Realmente, me desculpe.” Pegando seu último caderno, eu enfiei em sua bolsa e esperei. Entreguei-a de volta a ela, esperando que ela olhasse para cima. Eu não sei por que, me chame de “filhinho da mamãe”, mas eu gostava das minhas garotas sorrindo, e não com aparência de quem está à beira das lágrimas. “Está tudo bem. Eu estou acostumado a ter garotas se jogando em mim.”. Ela levantou seu queixo só um pouco e meu sorriso de espalhou. “Agora tentar pular nas minhas costas é novo. Eu meio que gosto disso.” Sua cabeça bruscamente levantou e todo seu cabelo deslizou para traz. “Eu não estava tentando pular nas suas costas ou me jogar em você.” “Você não estava?”. Meu celular vibrou em meu bolso. Eu ignorei. “Bem, isso é uma pena. Se fosse o caso, eu teria feito este o melhor primeiro dia de classe na história.” Ela me estudou enquanto segurava a bolsa contra seu peito e meu olhar foi direto para o pedaço de papel que eu segurava. “Avery Morgansten?” “Como você sabe meu nome?”, ela retrucou. Que coisa mais fofa. “Está no seu calendário.” “Oh”. Ela colocou seu cabelo para traz e um pequeno tremor acontecia em suas mãos enquanto ela pegava seu calendário. Quando eu era pequeno, minha mãe dizia que eu tinha um carinho especial pelos renegados 7. Pombos machucados. Cachorros de três patas. Porcos magros. Minha irmã era do mesmo jeito. Nós tínhamos um sexto sentido quando se tratava de descobri-lo e, eu talvez sim talvez não saiba nada sobre esta garota, mas ela era obviamente nova nesta escola, obviamente não estava confortável, obviamente tendo um péssimo começo de dia e eu me senti mal por ela. “Meu nome é Cameron Hamilton”, eu disse a ela, “Mas todos me chamam de Cam.”

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No original, “Let.Go.Of.Me.” No original “Freshman”. 7 No original “Underdog” 6


Seus lábios se moveram como se ela estivesse repetindo meu nome, e eu meio que gostei de como isso parecia. “Obrigada de novo, Cam.” Abaixando-me, pequei minha mochila e joguei sobre meus ombros. Tirando o cabelo do meu rosto, eu sorri o tipo de sorriso que, normalmente, me dava o que queria. “Então, vamos fazer nossa grande entrada.” Eu fui até a porta da aula de astronomia quando percebi que ela não tinha se movido. Olhando sobre meu ombro, eu franzi quando ela começou a andar para traz. “Você está indo na direção errada, querida.” “Não posso.” ela resmungou. “Não pode o que?” eu a encarei. Os olhos de Avery encontraram os meus por um segundo e então ela se virou e correu. Sua bolsa batendo em seu quadril, seu cabelo voando como uma capa. A garota fugiu de verdade. Minha boca caiu aberta. Mas que inferno acabou de acontecer? A porta atrás de mim se abriu e uma voz grossa com um pequeno sotaque chamou. “Sr. Hamilton, você estará se juntando a nós hoje?” Merda. Eu fechei meus olhos. “Ou você está planejando ficar em pé no corredor o resto do tempo?” Professor Drage perguntou. Vagarosamente, eu me virei. “Me juntando a classe, óbvio.” “Óbvio”, o professor repetiu, segurando uma pilha de papeis. “Glossário8.” Eu dei um passo, e um segundo depois, outro. Só no caso de Avery Morgansten aparecer de novo.

Jase encostou contra a traseira do meu carro, uma mão passando sobre seu cabelo castanho, retirando-o de sua testa suada. Alguns fios presos entre seus dedos. “Está quente como bolas.” Para fim de Agosto, estava abafado. Nem as sombras providas pelos grandes carvalhos que rodeavam o estacionamento, do outro lado de White Hall, conseguiam aliviar. Eu estava protelando em abrir a porta para a sauna. “A coisa mais verdadeira que você já falou” Ollie apareceu no meio das árvores. “Está tão quente que a única alternativa é ficar pelado.” Meu olhar foi diretamente para ele. “Você já está tão pelado quanto poderia mano” Ollie olhou para si mesmo e sorriu. Sem camisa. Shorts pendurados baixo. Chinelos. Nada mais. “Você sabe muito bem que eu poderia ficar mais pelado.” Infelizmente, isso era verdade. Nós compartilhávamos um apartamento de três quartos em University Heights9 pelos últimos três anos. Com apenas uma semana de convivência, Ollie tinha dado adeus à modéstia. Eu já tinha visto suas ‘partes’ mais vezes do que eu poderia pensar. Ele estaria se formando na primavera, como eu deveria também, e eu iria sentir falta do idiota. “Multa.” Jase apontou para meu para-brisa. Eu suspirei, olhando por cima. Um papel cor de creme estava estrategicamente colocado em baixo do meu limpador. O estacionamento era reservado para funcionários, mas pela falta de vagas por essas bandas, eu me dava o luxo de estacionar em qualquer vaga que encontrasse. “Vou colocar na minha coleção.” “Que é enorme.” Ollie retirou um elástico de seu pulso e amarrou seu cabelo loiro na altura de seus ombros em um rabo-de-cavalo. “Então, festa hoje à noite em seu apartamento?” Minhas sobrancelhas levantaram. “Hum?” Jase sorriu enquanto cruzava os braços sobre o peito. “É uma festa de ‘volta às aulas’”. Ollie se esticou, estalando suas costas enquanto bocejava. “Só uma pequena reunião.” “Oh Deus.” 8

No original “Syllabus”, que é uma espécie de resumo com os tópicos mais importantes e seus significados. 9 Achei melhor não traduzir o nome do local. Mas é um prédio de estudantes universitários, onde cada um tem seu próprio apartamento.


O sorriso do Jase aumentou e eu queria socar ele fora de seu rosto. Da ultima vez que Ollie teve uma ‘reuniãozinha’, tinha sido gente em pé em nosso apartamento. Policiais podem ter sido envolvidos. “Peça algumas pizzas. Eu preciso ir-“ Ollie parou no meio da frase e virou em direção à morena curvilínea que estava passando. Em um piscar de olhos, ele tinha nos deixado colocando um braço ao redor dos ombros da garota. “Hey, menina, hey.” A morena deu um risinho, colocando um braço ao redor da cintura de Ollie. Eu virei, levantando minha mão “O que?” “Causa perdida” Jase revirou os olhos. “Esse fudido tem olhos atrás da sua cabeça quando o assunto são meninas.” “Totalmente verdade.” “Como ele consegue sexo com regularidade está além da minha compreensão.” “É o grande mistério da vida.” Eu dei a volta pela frente do meu carro, pegando a multa, e então abrindo a porta do motorista. Bafo quente foi soprado em meu rosto. “Merda.” Jase se inclinou em minha direção. “O que aconteceu com você hoje? Você nem respondeu minha mensagem. Achei que FIFA despertava sua atenção.” “Aw, você sentiu minha falta?” Eu retirei minha camiseta, enrolei e joguei ela no carro. “Talvez eu tenha.” Rindo, peguei meu boné do assento e coloquei-o, protegendo meus olhos. “Eu nem sabia que a gente estava saindo.” “Meus sentimentos estão feridos agora.” “Eu te pago uma cerveja na próxima vez que sairmos.” “Isso funciona. Sou fácil.” Eu sorri. “Como se eu não soubesse.” Jase riu enquanto virava, colocando o braço sobre o acento. Seu sorriso fácil sumiu enquanto ele colocava seus óculos de sol. EU conhecia essa expressão. Nada bom vinha dela. Poucas pessoas sabiam o quão volátil a vida era para Jase. Era fácil para todos assumirem o contrário, já que Jase era o cara a ser chamado para arrumar a merda dos outros, incluindo a minha. Eu liguei o ar-condicionado e fechei a porta, me juntando a ele dentro do carro. O metal ainda estava quente enquanto apoiava meu braço nele e esticava minhas panturrilhas. “O que aconteceu?” Uma sobrancelha levantou de trás dos óculos. “Você está indo para a academia ou algo do tipo?” “Era no que eu estava pensando.” Estiquei minhas pernas. “Quer ir comigo?” “Nah,” ele disse “Eu tenho que ir para a fazenda. Cuidar de algumas coisas.” “Como está o Jack?” Um grande sorriso apareceu no rosto de Jase, fazendo que uma jovem professora que passava pelo carro no momento tropeçasse nos seus saltos. “Ele está ótimo,” ele disse com aquela voz leve como sempre ficava quando ele falava sobre seu irmão. “Ele me disse ontem que, quando crescer, ele quer ser o Chuck Norris.” Eu ri. “Não tem como errar assim.” “Nope.” Ele olhou para mim, por cima de seus óculos escuros. “Como você está?” “Bem.” Eu respondi batendo minhas mãos no volante. “Por que você pergunta?” Jase levantou os ombros. “Apenas checando.” Alguns dias aquele comentários me irritava. Outros, isso não fazia nenhum efeito. Para a sorte de Jase, hoje era um desses dias que isso passava direto por mim. “Eu não estou prestes a acabar em um canto, sussurrando ‘para sempre’ em nenhum futuro visível. Está tudo bem.” “Bom ouvir isso.” Jase sorriu enquanto se afastava, sua cabeça virando para o lugar que a jovem professora havia desaparecido. “Festa no seu apartamento, certo?” “Porque não?” Eu caminhei em direção ao lado do motorista. “Metade do campus estará lá, tenho certeza.” “Verdade” Jase se virou. “Te vejo depois.” Eu entrei no carro, já gelado, e fui embora do estacionamento. Meu rabo preguiçoso precisava chegar ao ginásio do West Campus10, mas meu rabo também queria ir para o sofá tirar um cochilo. Virando à esquerda no sinal de ‘Pare’, eu passei pelos sobrados, que ficam a direita, enquanto uma bola de futebol11 voava direto de uma das portas, acertando um cara atrás da cabeça. Rindo, eu me inclinei para... 10

Campus Oeste. Achei melhor não traduzir o nome.


Algo vermelho chamou minha atenção. Meus olhos estavam afiados, procurando pela origem e, minha nossa. Forcei meu olhar. Era essa a Moranguinho? Uma arvore ficou na frente do campo de visão mas ela logo reapareceu, o sol refletindo o grande bracelete em seu pulso. Inferno, era ela. Eu não pensei duas vezes sobre o que fiz a seguir. Sorrindo, virei meu boné para trás e fiz uma curva rápida e fechada a direita, bloqueando a rua. Avery deu um pulo para trás, seus grandes olhos procurando. Quando pressionei o botão da janela do passageiro para abri-la, seu queixo caiu. Eu ri, feliz em ver que Moranguinho tinha conseguido terminar o primeiro dia viva. “Avery Morgansten, nos encontramos de novo.” Ela olhou ao seu redor, como se eu pudesse estar falando com outra pessoa. “Cameron Hamilton... oi.” Eu me inclinei para frente, usando o volante como apoio. Ela parecia uma graça parada ali, mexendo inquietamente em seu bracelete. “Precisamos parar de nos encontrar assim.” Mordendo aquele seu grande lábio inferior, seu olhar caiu, focando em minha tatuagem enquanto ela trocava o peso do corpo de um pé para o outro. Moranguinho, com certeza, era o que eu poderia categorizar como ‘estranha’. Talvez, por eu ter uma irmã mais nova, eu precisava fazer ela se sentir confortável, mas isso parecia como lutar uma batalha perdida. “Você esbarrando em mim, eu quase atropelando você?” eu disse. “É quase como se nós fossemos uma catástrofe prestes a acontecer.” Silêncio. Tentei mais uma vez. “Para onde você está indo?” “Meu carro.” Ela respondeu, provando que podia falar. “Eu estou prestes a ficar sem tempo.” Ela novamente trocou o peso do corpo. “Então...” “Bem, suba querida. Eu posso te dar uma carona.” Ela me encarou como se eu tivesse pedido para ela entrar numa van de sequestro. “Não. Está tudo bem. Eu estacionei logo acima da ladeira. Não precisa.” “Não tem problema.” Nunca tinha conhecido uma garota tão resistente a uma cortesia. “É o mínimo que posso fazer por quase te atropelar.” “Obrigada. Mas...” “Yo! Cam!” Kevin surgiu do nada, passando correndo por Avery. “E ai, cara?” Estranhamente irritado, eu mantive meu olhar na Moranguinho para resistir à vontade de passar com meu carro sobre o rapaz. “Nada Kevin. Só tentando ter uma conversa.” Avery levantou sua mão, acenou com seus dedos e se virou, passando por Kevin e meu carro. Meu olhar a seguiu enquanto Kevin continuou falando sobre algo que eu não dava a mínima importância. “Merda.” Eu murmurei me ajeitando no banco. Avery tinha fugido de novo. E eu tinha essa ideia louca de ir atrás dela.

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Nesse caso serial futebol americano. Aquela bola ovalada marrom.


-2 As coisas ficavam verdadeiramente interessantes nas nossas festas no momento que Ollie retirava Raphael de seu habitat. Toda maldita vez. Em pé, no meio da sala, eu observei ele, balançando minha cabeça. “Por quê?” Jase perguntou, apoiando sua garrafa de cerveja. Eu ri. “Você não acha que se eu soubesse o porquê, não acharia um jeito de impedir ele?” “Eu acho que é fofo.” Disse uma voz suave, e feminina. Jase e eu viramos em direção ao sofá. Ninguém sentava do mesmo jeito que Stephanie Keith. Uma longa, fina e bronzeada perna estava apoiada no joelho de outra perna igualmente. Mas sua saia jeans era tão modesta quando Ollie depois e um banho. Se eu movesse minha cabeça só um pouquinho para a direita e meu queixo um pouco para baixo, o que eu já tinha feito há uns três minutos atrás, eu poderia ver a curva de suas nádegas. Steph era do tipo fio dental. Ou nem calcinha mesmo, dependendo do seu humor, e parecia que ela estava nesse humor. Steph se inclinou para frente suavemente, cruzando seus braços torneados abaixo de deus peitos, dando a mim e a qualquer outro que estivesse olhando – uma checada rápida me disse que Jase estava olhando – uma boa visão de seus seios. E eles eram bons. Eu já os tinha visto de perto e pessoalmente algumas vezes. Aqueles seus olhos azul claros prometiam um final feliz, e eles estavam olhando para mim. Surpreendentemente, não havia nenhuma pressão no meu shorts na área da virilha, o que era um péssimo desperdício de seios e bunda. Metade da fraternidade de Jase daria sua bola esquerda para estar recebendo a atenção de Stephanie. Houve uma época que eu daria a minha bola direita, tempos que eu não conseguia manter controle sobre quem era quem, mas isso parecia como eras atrás. Época que pensar em estar com uma garota me dava vontade de mastigar meu braço direito. Agora? Bem, merda. Eu não sabia o que eu queria mais. Não sabia já havia há algum tempo, o que provavelmente explicava o porquê eu não estava ‘checando’ a Steph, e então levando-a para meu quarto e tirando minhas calças. Steph era uma boa garota, mas o tempo de dar minha bola direita havia passado. Mudando meu olhar para onde o Ollie estava dançando em frente à TV, apertando um Raphael que estava se contorcendo, eu dei um gole em minha cerveja. “Ele está molestando minha tartaruga.” Ela riu enquanto se levantava. “Eu não acho que seja isso que ele está fazendo.” Um braço se envolveu ao meu e ela apoiou o queixo em meu ombro. Uma mecha de cabelo preto escorregou sobre a pele nua de meu peito. “Mas eu não me importaria em ser molestada.” Acima da música, eu ouvi o aviso do timer do fogão disparar. Gentilmente desatando a mim dela, eu olhei para Jase. Uma feição não simpática passou por seu rosto. Bastardo. “Já volto.” Desviando de alguns meninos, eu corri em direção à cozinha antes que Steph pudesse responder. Aquela garota não ficaria tão desapontada sobre a minha falta de interesse. Eu aposto 10 pratas que ela teria ido pra cima de Jase ou algum outro quando eu voltasse. Eu deixei a garrafa de cerveja no canto e abri a porta do forno, inalando o aroma de recémassados cookies de gotas de chocolate. E não eram aquelas porcarias semi prontas. Esses eram feitos do começo. E eles seriam de arrasar. Colocando a assadeira de lado, desliguei o forno e peguei um cookie. Estava tão quente que a massa comprimia os pedaços de chocolate junto com as nozes. Quebrei o cookie na metade e coloquei na boca. Queimava como a porra do inferno, mas valia a pena. Ajudando a empurrar com cerveja, eu sai da cozinha bem a tempo de ver Ollie indo em direção à porta da frente. Com Raphael. “Oh, mas que inferno.” Eu abaixei a cerveja. “Seja livre meu pequeno amigo verde.” Ele gritava, beijando o casco de Raphael. “Seja livre.” “Traga Raphael de volta!” Eu gritei, rindo enquanto Ollie, bêbado, dava golpes de karatê na porta, abrindo o restante que faltava. “Seu imbecil!” Ollie colocou Raphael no chão e gentilmente acariciou seu casco. “Livre.” Agarrando seu braço, eu o empurrei de volta para dentro do apartamento. Rindo, Ollie segurou a amiga de Steph e a colocou sobre seu ombro. Uma confusão de risadas começou.


Eu peguei de volta a tartaruga. “Desculpa Raphael. Meus amigos são fodidamente...” Um formigamento estranho começou no meu pescoço. Olhei para a minha esquerda, vendo Avery parada no corredor, com seus olhos castanhos arregalados. “Cuzões. Mas que...?” EU não tinha bebido o suficiente para estar alucinando, mas eu não podia acreditar no fato que Moranguinho estava no meu prédio. O apartamento da frente foi esvaziado em algum momento no verão, mas alguém, obviamente, poderia ter se mudado. E baseado no que ela estava vestindo, era alguém com quem ela era bem familiar. Os shorts eram curtos, terminando na coxa e minha visão ficou presa em suas pernas. Elas eram longas, não muito magras e perfeitamente torneadas. Quem poderia imaginar que Moranguinho poderia ter um par de pernas assim? Sangue fluiu diretamente para minha virilha. A blusa de manga cumprida que ela estava usando cobria tudo, mas era fina. Inferno, ela era fina. Seus seios eram curvas suaves em baixo da camiseta, mais cheios do que pareciam ser quando foram pressionados contra meu peito mais cedo, e aquelas pontas... Suas bochechas ficaram alguns tons mais rosa. “Hey...” Eu pisquei e quando ela não desapareceu, e nem minha recente ereção, eu assumi que ela era real. “Avery Morgansten? Isso está virando um hábito.” “Yeah” ela disse “Está.” “Você mora aqui ou está visitando...?” Raphael começou a se contorcer. Ela limpou a garganta, observando a tartaruga. “Eu... eu moro aqui.” “Não brinca?” Puta merda, eu fiz meu caminho ao redor do corrimão da escada, em direção a sua porta. Eu não deixei passar quando seus olhos foram direto para meu abdômen. Eu gostei, assim como meu pênis. “Você realmente mora aqui?” “Sim eu realmente moro aqui.” “isto é... Eu nem sei o que.” Eu ri, meio atordoado. “De alguma forma, loucura.” “Por quê?” confusão marcava seu lindo rosto, enrugando a pele entre as suas delicadas sobrancelhas. “Eu moro aqui.” Sua boca caiu aberta. “Você está brincando, certo?” “Não. Eu tenho morado aqui por um tempo – um par de anos com meu colega de quarto. Você sabe, o idiota que colocou Raphael para fora.” “Hey” Ollie gritou. “Eu tenho um nome. É Señor Idiota!” Eu ri. “De qualquer jeito, você se mudou no final de semana?” Ela concordou. “Faz sentido. Eu estava em casa, visitando a família.” Eu pressionei Raphael contra meu peito antes que ele caminhasse em direção a ter um casco quebrado. “Bem, inferno...” Avery levantou sua cabeça para me encarar. Por um momento, ela segurou meu olhar no dela, antes de voltar sua atenção para Raphael. Seus olhos... eles me lembravam de algo. “Este... um, sua tartaruga?” “Yeah.” Eu levantei ele. “Raphael, conheça Avery.” Ela mordeu seu lábio inferior e deu Raphael um oi enquanto eu sorria. Moranguinho ganhou uns pontos por isso. “Esse é um animal de estimação bem interessante.” “E esses são shorts muito interessantes. O que são?” eu dei outra longa olhada naquelas pernas. Eu não pude evitar. “Pedaços de pizza?” “São casquinhas de sorvete.” “Huh. Gostei deles.” Eu levantei meu olhar, levando meu tempo. “Muito.” Ela finalmente abrandou seu aperto mortal em sua porta e cruzou seus braços sobre seu peito. Seus olhos estreitaram enquanto eu ria. “Obrigada. Isso significa muito pra mim.” “E deveria. Eles tem meu selo de aprovação.” Eu assisti enquanto ela corava. “Eu preciso levar Raphael de volta para seu pequeno habitat antes que ele faça xixi nas minhas mãos, o que ele está prestes a, e isso seria uma merda.” Seus lábios viraram em um pequeno sorriso. “Eu posso imaginar.” Teria Moranguinho sorrido? Isto teria de ter sido a primeira vez. Eu imaginei como ela deveria parecer quando ela realmente sorrisse. “Então, você deveria vir. Os rapazes estão prestes a ir embora, mas aposto que eles ainda ficarão um pouco mais. Você pode conhecê-los.” Eu me aproximei, abaixando meu tom de voz. “Eles não são tão interessantes quando eu, mas não são ruins.”


O olhar de Avery foi diretamente sobre meu ombro. Indecisão estampada em seu rosto. Vamos Moranguinho. Saia para brincar. Ela moveu a cabeça. “Obrigada, mas eu estava indo para cama.” Desapontamento pinicou na minha pele. “Tão cedo?” “Tem de ser mais de meia noite.” Eu sorri. “Isso ainda é cedo.” “Talvez para você.” “Você tem certeza?” eu estava prestes a puxar as grandes armas. “Eu tenho cookies.” “Cookies?” suas sobrancelhas levantaram. “Yeah, e eu que os fiz. Sou meio que um cozinheiro.” “Você assou cookies?” O jeito que ela perguntou era como se admitisse que assar cookies fosse como uma bomba caseira na minha cozinha. “Eu asso muitas coisas e, tenho certeza que você está morrendo de curiosidade sobre isso. Mas hoje à noite, foram cookies de gotas de chocolate com nozes. Eles são um estouro, se posso comentar.” Seus lábios levantaram novamente. “Tão bom quanto isso parece, eu tenho que recusar.” “Talvez depois então?” “Talvez.” Ela deu um passo para trás. “Bem, foi bom ver você de novo Cameron.” “Cam” eu corrigi. “E hey, nós nem nos atropelamos dessa vez. Olhe para gente mudando o padrão.” “Isso é uma coisa boa” ela inspirou profundamente. “Você deve voltar antes que Raphael faça xixi na sua mão.” “Teria valido a pena.” Confusão passou por sua expressão. “Por quê?” Eu, com certeza, não iria explicar isso. “Se você mudar de ideia, eu estarei acordado por um tempo.” “Eu não irei. Boa noite Cam.” Ouch. Merda. Moranguinho tinha acabado de me rejeitar. Por alguma razão, isso me fez sorrir. Talvez porque eu não conseguia me lembrar da ultima garota que tinha me mandado embora. Interessante. E eu aqui pensando que era incrivelmente charmoso. Eu dei um passo para trás enquanto Raphael colocava sua cabeça para fora do casco. “Te vejo amanhã.” “Amanhã?” “Aula de Astronomia? Ou você está cabulando essa também?” “Não,” ela suspirou, corando e eu não pude evitar imaginar o quanto aquele corado poderia viajar sul. A possibilidade deu descobrir parecia remota. “Eu estarei lá.” “Ótimo.” Eu forcei a me afastar porque eu, com certeza, poderia ficar ali mais uma hora só para mexer com ela. “Boa noite Avery.” Moranguinho se enfiou atrás da porta como se Raphael estivesse prestes a fazer xixi em sua cabeça. Eu tremi quando ouvi o barulho da fechadura. Não sei por quanto tempo eu fiquei lá, enquanto as pequenas pernas de Raphael se movimentavam em direção a porta fechada. “O que você está fazendo Cam?” Eu me virei ao ouvir o sim da voz de Steph. Ela estava apoiada no batente da porta, cabeça inclinada, sorrindo parecendo à vontade. Diferente de outra garota do outro lado de portas que estavam na minha frente. “Eu não sei.” Eu disse, indo em direção ao meu apartamento. Eu realmente não tinha a mínima ideia.


-3 Eu nunca fui uma pessoa matutina, mas hoje eu acordei com o nascer do sol, tendo dormido apenas algumas horas. Ollie ainda estava desmaiado no sofá, um braço caindo em direção ao chão. Cozinhei quatro ovos, os comi e peguei alguns cookies para viagem. Ollie ainda não tinha se mexido quando eu bati a porta fechada atrás de mim. Cheguei ao campus, estranhamente cedo pela primeira vez na minha vida e fui em direção ao Robert Byrd Building12. Uma vez dentro da sala de astronomia, meu olhar imediatamente começou a vasculhar o lugar. Se eu fosse a Moranguinho, onde eu sentaria? Provavelmente no fundo da sala. Eu procurei pela familiar cabeça inclinada. Na classe mal iluminada, seu cabelo não era tão vermelho quanto era na luz do sol. O porquê eu reparei nisso estava além da minha compreensão. E porque eu fui direto em sua direção, passou direto por minha cabeça. No ensino fundamental, eu tinha uma queda por essa menina da minha classe. Ela era bem parecida com a Moranguinho – pequena, mal falava, tímida como um cachorro pequeno que tremiam o tempo todo. Mas quando ela sorria, o maldito sol parecia surgir. Ela nunca me deu nem um minuto do seu dia, mas, como um total idiota, eu aguardava ansiosamente para vê-la. No final das contas, no colegial, soube que ela gostava de meninas e não de meninos, o que provavelmente explicava sua falta de interesse em mim. Passando minha mão pela alça de minha mochila, eu poderia admitir que seria totalmente frustrante se esse fosse o caso da Moranguinho. Eu sentei ao lado de Avery e ela nem percebeu que eu estava lá. Ombros inclinados para frente. Mão direita brincando com seu bracelete. Ela estava encarando diretamente sua frente, a sua expressão me dizia que apesar dela estar fisicamente presente, ela não estava naquela sala. Alguma vez Moranguinho relaxava? Não era o que parecia. Eu olhei para a frente da sala, onde algumas pessoas estavam se sentando. Lá era onde eu deveria ir. No lugar, eu foquei na fileira de bancos. Moranguinho ainda não tinha percebido que eu estava ali. “Dia, querida.” Eu disse, relaxando sentado em meu lugar. Moranguinho parecia um gatinho agitado, se mexendo em seu lugar. Sua boca abriu quando seus olhos fizeram contato com os meus. Ela não disse nada enquanto eu me ajeitava no lugar ao seu lado. “Você parece meio desconfortável essa manhã.” Eu comentei. Seus lábios se mexeram “Obrigada.” “De nada. Feliz em ver que você conseguiu chegar a tempo dessa vez.” Eu me inclinei para baixo, apoiando meu pé no acento da frente. “Apesar de que eu senti falta daquele atropelar-um-ao-outro, Proporcionava uma grande emoção.” “Eu não sinto falta daquilo.” Ela começou a vasculhar em sua bolsa, pegando um caderno novinho. Eu não conseguia me lembrar da ultima vez que comprei um caderno para uma aula. Eu acreditava em recicla-los. “Isso foi realmente embaraçoso.” “Não deveria ter sido.” “Fácil você dizer. Você foi o amassado. Eu que estava dando os amassos13.” Minha boca caiu aberta enquanto uma rizada se formou em minha garganta, mas ai meu cérebro processou a palavra ‘amasso’ diretamente para minha virilha e eu tive que abrir um pouco minhas pernas para ficar mais confortável. Teria tantas respostas que eu poderia dar a seu comentário. Todas elas voaram diretamente para a ponta da minha língua. Algumas poderiam até queimar orelhas de strippers, mas uma olhada na Moranguinho e eu sabia que isso não iria acabar bem. 12

Prédio Robert Byrd. No original “plowing”. A tradução literal serial algo como plantar ou arar. Mas esse verbo também tem sua conotação sexual no fato de “plantar algo dentro”. 13


Seu rosto ficou tão vermelho como a capa do caderno que ela estava encarando. A menina... merda, ela era tão desajeitada – adoravelmente desajeitada. Eu me perguntei se ela passou o colegial tendo aulas em casa. Enquanto o seu jeito desajeitado era fofo e divertido, eu procurei por alguma coisa fora do tópico da conversa para dizer. “Raphael está bem, por sinal.” Um pequeno sorriso apareceu em seus lábios. “Bom ouvir isso. Ele fez xixi na sua mão?” “Não, mas foi por pouco. Por sinal, trouxe algo para você.” “Xixi de tartaruga?” Eu ri, impressionado pela sua audácia enquanto pegava o glossário, observando os cookies que trouxe comigo. “Desculpe desaponta-la, mas não. É o glossário. Eu sei. Uma coisa emocionante, mas eu imaginei que desde que você não veio para a aula na Segunda, você iria precisar de um. Pequei ele com o professor.” “Obrigada. Isso foi realmente atencioso.” “Bem, se prepare. Eu estou atencioso em vários níveis essa semana. E eu te trouxe outra coisa.” Ela olhou, mastigando a ponta de sua caneta enquanto eu pegava um guardanapo. “Cookie para você. Cookie para mim.” Abaixando a caneta de vagar, ela virou a cabeça “Você não precisava ter feito isso.” Eu não tinha trazido para ela nenhum anel de ouro. “É só um cookie, querida.” Sua cabeça inclinou novamente enquanto ela me encarava. Você poderia pensar que eu estava entregando a ela uma pedra de crack ou algo do tipo. Rindo, eu embrulhei um dos cookies em um guardanapo e deixei cair em cima de seu caderno. “Eu sei que todos falam que você não deve aceitar doces de estranhos, mas um cookie não é tecnicamente um doce e, eu, não sou, tecnicamente, um estranho.” Ela me encarou. Observando-a por baixo de meus cílios, eu mordi o outro cookie e fechei meus olhos. Eu inclinei minha cabeça para trás enquanto as nozes cobertas de chocolate dançavam em minha boca. Eu gemi, sabendo exatamente o que estava fazendo. Meus cookies eram muito bons, então o próximo som que fiz não foi um exagero. “Eles são realmente bons?” “Oh, yeah, eles são fantásticos. Eu te disse ontem à noite. Seria melhor se eu tivesse um pouco de leite.” Eu dei outra mordida. “Mmmm, leite.” Seguido por um silêncio, abri um olho e vi um sorriso. Ela estava me observando, lábios levemente abertos. “É a combinação de nozes e chocolate. Você mistura os dois juntos e é como uma explosão de sexo em sua boca, mas não tão sujo. A única coisa melhor seriam aqueles pequenininhos pedaços de Reese’s14. Quando a massa está morna, você suga aquele negócio... Em fim, você precisa provar. Pegue uma mordida.” Seu olhar caiu para o cookie em seu colo e ela deixou sair um suspiro. Pegando o cookie, ela deu uma mordida. Eu não podia deixar de observa-la. “Bom? Certo?” Ela concordou. “Bem, eu tenho um monte deles em casa. Só dizendo...” Meu olhar estava fixo nela. Quem diria que observar uma garota comer um cookie poderia ser tão interessante? Quando ela abaixou aqueles seus dedos magros, eu me movi sem pensar. O calor do meu joelho pressionando os dela subiu pela minha perna enquanto eu virava no banco, pegando o guardanapo dela. “Migalha.” “O que?”

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É um doce em formato de copinho recheado de pasta de amendoim que, quando aquecido, a pasta derrete sem abrir o copinho.


Com minha mão vazia, eu passei meu dedão sobre seu lábio inferior. Um raio de alguma coisa passou direto pelo meu braço e foi direto para meu pênis. Ela se acalmou, seu peito subindo de forma acentuada e os olhos arregalados. Minha mão demorou mais que deveria, mas não tanto quanto eu queria. Seu lábio era macio contra meu dedo, seu queixo delicado contra minha palma. Eu forcei a me afastar. Não tinha uma maldita migalha em seu lábio. Eu era um mentiroso. Mas eu queria toca-la. “Peguei.” Eu sorri. Ela acenou corada. Não brava, mas tensa. Eu tentei sentir algum tipo de culpa por ter tocado ela mas não conseguia. Eu não tinha certeza sobre o que isso dizia sobre mim. Mas então o Professor Drage finalmente entrou na sala. Drage era um cara velho. O seu terno verde de poliéster era sua marca. Quando tive essa aula da primeira vez, ele costumava misturar seu guarda roupa com um laranja. O Vans15 xadrez e a gravata borboleta não haviam mudado em anos. Eu me mexi em meu lugar, olhando para Moranguinho. A expressão em seu rosto não tinha preço. Eu ri. “Professor Drage é uma pessoa... única.” “Posso perceber.” Ela murmurou. Professor Drage começou uma lição. Eu não tinha certeza exatamente sobre o que era. Honestamente, eu não estava prestando atenção. A maior parte dessas coisas eu já sabia e ouvir essa merda de novo me lembrava do meu ano de calouro e era algo que eu não gostava. Uma noite tinha fudido completamente o caminho da minha vida. Tirando isso da minha cabeça, eu comecei a desenhar. Antes que eu percebesse, eu tinha desenhado Big Foot16 e a classe estava chegando ao fim bem no estilo de Drage. Ele começou a distribuir mapas estrelares. “Sei que hoje ainda é quarta feira, mas aqui está sua primeira lição para o fim de semana. O céu deve estar tão limpo quanto bumbum de neném no Sábado.” “Limpo como bumbum de neném?” Avery murmurou. Eu ri. “Eu quero que vocês achem Corona Borealis17 no céu – o atual, real, verdadeiramente céu noturno.” Professor Drage explicou. “Vocês não vão precisar de um telescópio. Usem seus olhos ou óculos ou lentes de contato ou qualquer coisa. Vocês vão conseguir ver tanto na Sexta quanto no Sábado à noite, mas o tempo parece estar instável na Sexta então escolham sabiamente.” “Espere,” alguém disse lá na frente. “Como se usa esse mapa?” Eu entreguei para Moranguinho um mapa de a folha guia. Professor Drage parou e encarou a pessoa com um olhar que perguntava se ela era estúpida. “Você olha pra ele.” O estudante resmungou. “Eu entendi isso, mas tem que segurar contra o céu ou algo do tipo?” “Claro, você pode fazer isso. Ou você simplesmente pode olhar para cada constelação, ver o que elas parecem e então usar seus próprios olhos e cérebro para acha-la no céu.“ Drage pausou. “Ou use Google. Eu quero que todos vocês fiquem acostumados com observação estrelar...” Eu me desconectei pela metade do que ele estava dizendo voltando apenas no final. “Então peguei seu parceiro e escolha uma hora. O mapa deve ser entregue de volta na Segunda. Isso é tudo por hoje. Boa sorte e que a força do universo esteja com você hoje.” “Parceiro?” Avery encarou toda a classe. “Quando nós escolhemos parceiros?”

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Marca de tênis. Personagem de um desenho animado. ttp://en.wikipedia.org/wiki/Bigfoot_and_the_Muscle_Machines 17 Nome de uma constelação. http://en.wikipedia.org/wiki/Corona_Borealis 16


“Na segunda,” eu expliquei, guardando meu caderno na mochila. “Você não estava aqui.” Moranguinho parecia que ia desmaiar enquanto se inclinava no seu lugar. “Avery?” Ela inalou várias vezes, como se ela estivesse quase tendo um ataque de pânico. Eu levantei uma sobrancelha. “Avery?” Seu olhar foi direto para a porta que Drage tinha desaparecido. Suas juntas estavam brancas de tão forque que ela estava segurando seu caderno. “Avery.” “O que?” ela retrucou, se virando pra mim. “Nós somos parceiros.” Uma fenda funda se formando entre suas sobrancelhas. “Huh?” “Nós. Somos. Parceiros.” Eu ri. “Aparentemente, Drage tinha pedido para a classe escolher parceiros logo no começo da aula de Segunda. Eu entrei depois e no final ele me disse para fazer par com qualquer pessoa que se juntasse a aula na Quarta ou eu ficaria sem parceiro. E como eu não gosto da ideia de ficar sem parceiro, nós somos parceiros.” Ela me encarou como se eu tivesse acabado de falar latim. “Nós temos a escolha de fazermos sozinho?” “Yeah, mas quem quer sair e ficar olhando pro céu de noite sozinho?” Levantando, eu joguei a mochila sobre meu ombro e olhei para baixo das fileiras. “De qualquer modo, eu sei o lugar perfeito onde nós podemos fazer nosso trabalho. Tem que ser sábado porque eu tenho planos para Sexta.” “Espere.” Ela correu na minha direção. “Eu faço.” “Você tem planos no Sábado?” Espere. O que ela poderia estar fazendo sábado à noite? Eu não poderia pular a Sexta, mas... “Bem, eu poderia...” “Não. Eu não tenho planos no Sábado mas nós não precisamos ser parceiros. Eu posso fazer isso sozinha.” Eu parei em frente às portas, sem certeza se a tinha escutado corretamente. “Por que você gostaria de fazer todas as tarefas – e se você olhar na grade desta aula tem várias – sozinha?” Ela deu um passo para trás. “Bem, eu realmente não quero mas você não precisa ser meu parceiro. Quero dizer, você não me deve nada.” “Não entendo o que você está falando.” Eu honestamente, 100%, não entendia o que ela estava falando. “O que quero dizer é que...” Ela parou, sobrancelha formando o mesmo V profundo. “Por que você está sendo tão gentil comigo?” Minha boca se moldou em torno das palavras “Mas que porra.” “Isso é uma pergunta séria?” Moranguinho abaixou seu olhar. “Sim.” Eu olhei para ela e esperei ela dizer que estava brincando, mas ela não o fez. Um nó se formou no meu peito, vindo do nada. De repente era dolorosamente óbvio para mim, e eu digo realmente doloroso. Moranguinho não era só desajeitada, ela também estava no lado sem amigos e, não sei por que isso estava me afetando. Não deveria. Eu mal conhecia a garota e guia-la em uma conversa era tão fácil quanto desarmar uma bomba com os dentes, mas isso não me incomodava. Síndrome dos renegados ataca novamente. Eu tomei fôlego. “Tudo bem. Eu acho que sou apenas um cara legal. E você é obviamente nova – uma caloura. Você parecia estar meio fora de si na Segunda e então você fugiu, nem veio para a aula e eu...” “Eu não quero sua piedade”. Ela falou com uma voz estridente. Fiz uma careta com sua insinuação. “Você não tem minha piedade, Avery. Só estava dizendo que você parecia meio fora de si na Segunda e que poderíamos ser simplesmente parceiros.”


Dúvida passou pela sua expressão. “Eu posso ver que você não acredita em mim. Talvez tenha sido o cookie? Bem, você não os quis na noite anterior e, na verdade, eu iria comer o outro também, mas, você parecia tão cansada e triste sentada aqui que imaginei que você precisava do cookie mais do que eu.” O que poderia muito bem ser mentira. Tinha uma boa chance que eu trouxe dois cookies porque Moranguinho poderia aparecer. Mas, novamente, eu poderia estar esperando muito. Ela estava me observando como se eu fosse um quebra-cabeça e, honestamente, não era tão complicado. “E você é bonita” eu adicionei. Ela piscou. “O que?” Tendo e falhando em esconder minha surpresa, eu virei e abri a porta a guiando para o corredor. “Não me diga que você não sabe que é bonita. Se for isso, eu estou prestes a perder toda a fé na humanidade. E você não quer ser responsável por isso.” “Eu sei que sou bonita – quero dizer, não foi isso que quis dizer.” Ela pausou, resmungando. “Eu não acho que sou feia. Isso que...” “Bom. Agora esclarecemos isso.” Eu peguei em sua bolsa a guiando para as escadas. “Cuidado com a porta, pode ser perigosa.” “O que o comentário sobre eu ser bonita tem a ver com tudo?” “Você perguntou o porquê sou tão bom com você. É mutuamente benéfico.” Moranguinho parou bruscamente atrás de mim. “Você é bom pra mim porque acha que sou bonita?” “E porque você tem olhos castanhos. Eu sou caidinho por grandes e velhos olhos castanhos.” Eu ri. “Eu sou um rapaz egoísta, muito egoísta. Hey, ajuda que você é bonita. Isso libera a boa pessoa em mim. Faz com que eu queira compartilhar meus cookies com você.” “Então, se eu fosse feia você não seria bom pra mim?” Me virando, eu a encarei. “Eu ainda seria legal se você fosse feia.” “Okay.” Eu ri enquanto abaixava meu queixo, trazendo nossas bocas próximas. “Eu só não te ofereceria meu cookie.” Ela cruzou os braços. “Estou começando a pensar que ‘cookie’ é um código para outra coisa.” “Talvez seja.” Eu segurei na sua bolsa novamente enquanto descíamos um degrau. “E pense nisso. Se ‘cookie’ fosse um código, o que quer que ele simbolize, acabou de estar em sua boca, querida.” Por um momento ela me encarou e, então ela riu. O som era inexperiente e rouco, como se ela não risse muito, o que causou aquele nó estranho no meu peito a apertar. “Você é realmente...” “Incrível? Impressionante?” Eu queria ouvir sua risada novamente. “Surpreendente?” “Eu estava pensando mais como estranho.” “Bem, inferno, se eu tivesse sentimentos isso poderia ter magoado.” Ela riu, o que significava que estávamos perto do sorriso novamente. “Acho que é uma boa coisa que você não tem sentimentos então, huh?” “Acho que sim.” Eu pulei na calçada. “Melhor você correr ou vai estar atrasada para sua próxima aula.” Seus olhos se arregalaram e, eu ri, saindo do caminho para que Moranguinho não passasse por cima de mim quando ela descia alguns degraus. “Merda, se pelo menos você se mexesse tão rápido assim pelos meus cookies, eu seria um rapaz feliz.” “Cala boca!” “Hey!” Eu passei para o topo do próximo lance de escadas. “Você não quer saber o que é o código do ‘cookie’?” “Não! Bom Senhor, não!”


Eu tombei minha cabeça para trás e ri enquanto as ultimas mechas de cabelo ruivo saiam de minha visão. Eu não sabia o que era sobre Avery Morgansten, mas ela era melhor do que a garota no ensino fundamental que viria a gostar de garotas. Muito melhor.


-4 Tinha alguns momentos em minha vida que eu não tinha ideia de como tinha chegado onde estava. Como, o que exatamente tinha criado a situação que eu estava? Steph, usando outra saia que mal cobria sua bunda, deslizou uma mão pelo meu braço. Ela disse algo, sussurrou em meu ouvido mas eu realmente não estava prestando atenção. Meu olhar vagou da TV para o elástico de cabelo que estava na mesinha. Oh, foi assim que tudo isso começou. Uma mensagem de Steph dizendo que ela tinha esquecido algo ‘super importante’ no meu apartamento na noite da festa. Um elástico de cabelo. E se pelo menos eu soubesse que era isso que ela estava procurando, eu teria movido minha bunda para Rite Aid18 e comprado pra ela um pacote cheio deles. “Quer que eu pegue uma cerveja da geladeira?” ela perguntou. Ela era realmente a mulher perfeita. “Não. Estou bem.” Eu podia sentir seus olhos em mim enquanto levantava o copo e tomava outro gole de água. Cerveja. Eu. Steph. Ninguém mais no apartamento. Não era uma bora combinação. Ou, talvez, uma boa combinação dependendo de como você encarasse isso. Se aconchegando ao meu lado, seus seios pressionaram contra meu braço. Então eu precisava olhar para isso como uma boa coisa em vez de pensar em como um sofá que eu podia me esticar, de repente, ficou tão pequeno. “Então, você está virando uma nova página ou algo do tipo?” ela perguntou, seu olhar fico na TV enquanto ela passava a ponta de suas unhas sobre meu braço. Eu estava assistindo a reprise de uma luta de Boxe e eu duvidava que ela estava interessada. “Você não está bebendo mais?” Eu ri sobre meu suspiro. “Nah. Apenas não estou com vontade hoje.” “Oh.” A mão de Steph moveu do meu braço para meu peito. “O que você está com vontade hoje?” Pergunta capciosa, então eu não disse nada enquanto uma mão enluvada acertava um maxilar. Steph entendeu meu silencio do jeito que queria, deslizando sua mão para baixo, sobre a pele nua do meu abdômen. Sangue corria junto à ponta de seus dedos quando eles passaram pelo meu umbigo, chegando a barra do meu shorts. Meu corpo estava gostando do que estava prestes a acontecer, enrijecendo e transpirando, esforçando-se para conhecer seus dedos. E meu corpo conhecia seus dedos bem, lembrando exatamente o quão habilidosa eram suas mãos. Mas minha cabeça não estava no mesmo navio que meu pênis. Inclinando minha cabeça para trás junto ao sofá, eu expirei devagar. Não tinha nada de errado com o que estava acontecendo. Seus dedos rápidos deslizaram sobre minha mão mole, acariciando meu quadril. Meus músculos pularam em resposta. O mesmo aconteceu com outra coisa. Eu fechei meus olhos, inspirando profundamente. Meu coração não estava saltitando. Eu estava pensando sobre a reunião que eu deveria ir na Sexta a noite. E eu estava pensando sobre Sábado a noite e estrelas quando sua mão enrolou em meu pênis, me segurando sob meu shorts de nylon. Um calafrio atirou diretamente para minha espinha enquanto ela movia sua mão para cima. Prazer rolou pelo meu interior, e eu sabia que se deixasse ela continuar, eu teria apreciado. Já estava bom. Sempre era, mas eu não iria retribuir o ato. Semanas atrás, eu teria, por instinto. Dar. Receber. Mas agora eu não me importava o suficiente em fazer isso e não era certo. “Hey,” eu disse, voz rígida enquanto eu pegava seu braço, tirando sua mão do caminho. 18

Cadeia de farmácias. https://www.riteaid.com/


Seus lábios perfeitos formaram um perfeito O. “O que?” “Eu não estou sentindo isso.” Eu levei sua mão a minha boca, beijando sua palma antes de colocar de volta na sua coxa. Meu pênis já estava macio. “Okay?” Surpresa passou pelo seu rosto, e parte de mim estava realmente em choque. Teria eu, realmente, recusado sua mão? Eu tinha. Rosa passou por suas bochechas bronzeadas enquanto ela voltava sua atenção para a TV e eu me senti como um idiota. Merda. Endireitando-me, eu apoiei minhas mãos nos meus joelhos. “Você quer algo pra comer?” Silenciosamente, ela rejeitou com sua cabeça. Merda dupla. “Veja, Steph, não é você e eu estou sendo sincero sobre isso. Eu só estou me sentindo estranho hoje a noite. Tudo bem?” Steph se virou vagarosamente em minha direção e concordou. “Okay.” Eu soltei meu fôlego com alívio. Como eu disse antes, Steph era uma boa garota e nós tínhamos uma história. As coisas só eram diferentes agora. Ela ficou mais um pouco e então ela estava pronta para ir. Eu me levantei para acompanha-la. Na porta, ela virou e se esticando, deu um beijo em minha bochecha. Eu ri. “O que foi isso?” Steph deu de ombros enquanto eu fechava a porta atrás de nós. “Você está indo para a festa da fraternidade?” ela perguntou. “Tenho planos.” Eu respondi. Ela fez um lindo beicinho. “Você não pode pular essa sexta?” Indo para frente, eu tirei do caminho uma mecha de cabelo preto. “Você sabe que não posso, querida. Talvez na próxima vez.” “Você é um merda.” Mas ela sorriu enquanto me acertava com seu quadril. “Isso sou mesmo”. Nós fomos em direção ao seu carro e quando ela prendeu seu salto no chão gramado, eu a segurei pelo braço, a equilibrando. “Você não esteve bebendo essa noite?” eu perguntei, estreitando meu olhar. “Certo?” A luz da lua refletiu em seu rosto enquanto ela reclinava a cabeça para trás e ria. “Não.” Ela bateu em meu peito. “E se eu tivesse? Você iria deixar eu passar a noite?” “Eu colocaria sua bunda pequena no meu carro e te levaria para seu dormitório.” Seus olhos rolaram. “Isso parece realmente muito divertido.” Nós paramos ao lado do seu sedam e eu a puxei para um pequeno abraço. “Mande-me uma mensagem quando você chegar ao dormitório.” Ela rio novamente indo para trás. “Sério?” Eu a encarei. “Você sabe que eu estou falando sério. Está tarde. Várias pessoas no mundo são péssimas então me mande uma mensagem.” “E seu eu não mandar?” Meu olhar se estreitou. “Você vai.” “Okay. Eu vou.” Steph riu enquanto ela abria a porta do motorista. “Vejo você depois, Cam.” Indo para trás, eu a observei ir embora do estacionamento antes deu voltar. No meio do caminho do estacionamento, eu olhei em direção ao apartamento da Moranguinho. Não tinha nenhuma luz acesa e eu apostava que ela já estava enfiada na cama. Será que ela usava manga cumprida de pijama? Ou ela dormia nua? Uma imagem dela nua, seu cabelo cor de cobre espalhado em sua volta como um halo, invadiu minha cabeça. Meu pênis voltou a vida novamente. “Merda” eu gritei. Essa seria uma noite realmente longa.


Quinta era uma manhã de IHOP19, ou, pelo menos, foi o que Ollie ordenou quando ele rolou de sua cama e invadiu meu quarto. Pegando meu boné do braço do sofá, eu vi o elástico da Steph ainda na mesinha e revirei os olhos. Tão importante. Ollie já estava do lado de fora e, enquanto eu me aproximava da porta, senti cheiro de chuva no ar. No momento que fechei a porta atrás de mim, percebi que ele não estava sozinho. “Avery,” Ollie disse. “Cam me disse seu nome.” Nota mental: chutar as bolas de Ollie mais tarde. Teve uma pausa e então, “Oh, Então... um, você está indo...” “Ei idiota, você deixou a porta aberta!” Eu enfiei o boné, dando a volta nas escadas antes deu pegar uma vista de como os jeans de Avery se agarravam em sua bunda. Bom. “Hey, o que você está fazendo com minha garota?” Ollie sorriu para mim, mas minha atenção estava voltada para Moranguinho. A menina devia estar usando pouca, ou nenhuma maquiagem pois seu rosto era... fresco. Natural. Eu gostava disso. Seu olhar encontrou o meu e então ela mudou. “Eu estava explicando a ela como eu respondia por dois nomes.” Ollie disse. “Ah é?” Eu me aproximei deles, colocando meu braço sobre seus ombros. Seus pés escorregaram e eu apertei ela ainda mais contra a minha lateral. No fundo da minha mente eu pensei que ela se encaixava perfeitamente. “Whoa, querida, quase te perdi aqui.” “Olhe para você.” Ollie pulou pelas escadas como um sapo. “Tem a garota tropeçando toda por você.” Eu ri, mantendo meu braço nela enquanto virava o boné ao contrário. “Não posso fazer nada. É o meu charme natural.” “Ou pode ser seu cheiro.” Ollie riu. “Não tenho certeza se ouvi o chuveiro essa manhã.” Eu engasguei. “Eu estou cheirando mal, Avery?” “Você está cheirando ótimo,” ela disse e então um tom de vermelho subiu para suas bochechas. “Quero dizer, você não cheira mal.” Instinto me disse que ela queria dizer algo totalmente diferente. “Indo para aula?” Moranguinho não disse nada enquanto andávamos escada abaixo, mas seu rosto estava tranquilo, como se ela estivesse perdida em pensamentos. “Avery?” Ela se contorceu e meus olhos se estreitaram enquanto ela se apressava. “Yeah. Eu estou indo para aula de arte. E vocês?” A alcançando no terceiro andar, eu estaria condenado se ela fugisse tão fácil. “Nós estamos indo tomar café da manhã. Você deveria pular a aula e se juntar a nós.” Ela aumentou o aperto em sua bolsa. “Acho que já cabulei aula suficiente essa semana.” “Eu estou cabulando.” Ollie anunciou, “mas Cam não tem aula até essa tarde, então ele é o bom garoto.” Minha pele se eriçou enquanto eu atirava a Ollie um olhar. “Yeah, como péssimo em escrever, matemática, Inglês, limpar suas coisas, falar com pessoas e eu poderia continuar.” “Mas eu sou bom em coisas que contam.” Ollie respondeu. “E o que são essas coisas?” Eu perguntei enquanto andávamos sob as nuvens cheias de chuva. Esse seria um daqueles dias. Ollie nos encarou, andando para trás. Um caminhão vermelho começou a sair, mas ele continuou, forçando o caminhão a parar, e ele a tropeçar. Eu abaixei minha cabeça. Ele

19

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levantou uma mão bronzeada e começou a balançar seus dedos. “Beber, socializar, snowboard e futebol – lembra desse esporte, Cam? Futebol?” Eu o encarei. “Yeah, eu lembro disso, cuzão.” Ollie provavelmente não tinha ideia do que tinha acabado de fazer, se virando e indo para meu carro. Um músculo começou a enrijecer na minha mandíbula. Eu limpei minhas mãos em meu jeans enquanto olhei para Moranguinho. “Vejo você por aí, Avery.” A deixando para trás, eu me juntei a Ollie ao lado do meu carro. Em vez de apertar o botão e destrancar todas as portas, eu só fiz isso a minha e entrei, batendo a porta fechada atrás de mim. “Oi,” veio uma voz abafada de Ollie. Ignorando ele, eu liguei o carro. Uma grande gota de chuva caiu no vidro da frente e eu sorri, olhando para o céu. “Hey!” Vagarosamente, eu levantei minha mão dando a ele um dedo. Ollie pulou quando o céu desabou e uma chuva torrencial, uivando como um animal ferido. Somente quando seu cabelo estava grudado em sua cabeça, eu destranquei sua porta. Ele entrou, tremendo. “Mas que porra?” “Você mereceu.” Eu engatei a ré, andando. Um olhar para a testa enrugada de Ollie me disse que ele estava procurando em seu cérebro pelo que ele tinha feito. “Você realmente precisa aliviar um pouco o baseado.” “Como se não bastasse uma vez, eu já ouvi isso um milhão de vezes, mas Mary Jane me ama e ela é a única que eu amo.” Passando a mão pelo meu boné, eu inclinei minha cabeça. “Maldito hippie.” Ollie balançou sua cabeça como um cachorro molhado, espirrando gotas de agua pelo interior todo. Ele deve ter soltado algo no seu cérebro porque ele relaxou contra o acento. “Merda, cara. Eu não estava pensando.” Eu tossi uma risada enquanto saia do estacionamento, um carro atrás de Moranguinho. “Essa é uma grande surpresa.” Ollie encarou sua frente, o sorriso que ele normalmente tinha, indo embora. “Eu esqueço as vezes, você sabe? Parece como eras atrás.” Merda, eu desejei que eu pudesse esquecer, especialmente agora enquanto assistia o carro da Moranguinho virar a esquerda, indo em direção ao campus. Ele me encarou. “Desculpa cara. De verdade. Eu sei o quanto o futebol significava para você.” Eu assenti roboticamente, enquanto virava a direita, indo para o cruzamento que nos levaria a Charles Town. Futebol sempre tinha sido a minha vida desde o momento que meu pai me inscreveu na liga infantil local e durante os anos eu tinha honrado minha posição como atacante, uma posição de média pontuação. E eu era realmente bom, e não tinha sido nenhum segredo que, quando eu entrei em Shepherd, consegui uma vaga no time há três anos atrás. Eu não tinha planos de ficar aqui. Eu estava ganhando tempo antes de poder participar da seletiva para o D.C. United. Futebol era como eu tinha conhecido Jase e Ollie. Futebol tinha sido minha sanidade. Mas a única coisa que eu estava fazendo com futebol agora era treinando um time durante o verão como serviço comunitário. Não haveria mais futebol. Pelo menos num futuro próximo e um ato de raiva tinha garantido isso.

A maioria das pessoas da minha idade passavam Sexta a noite bebendo e saindo com os amigos. Eu passava a noite das minhas Sexta-feira sentado em um círculo – sim um maldito círculo – escutando o problema das pessoas. Alguns caras no grupo não eram maus. Como Henry. Ele ficou bêbado uma noite e entrou numa briga de bar. Ele não era um psicopata. Aron


também não, que aparentemente, tem problemas no controle da raiva. Mas alguns dos caras, e aquela menina pálida com um delineado preto, eu já não tinha tanta certeza. Eles eram meio amedrontadores. Uma merda era que eu não era a pessoa mais nova aqui. Nem de longe. Eu tinha... dez mais malditos meses disto. Eu posso fazer isso. Com certeza. Eu posso facilmente fazer isso. “Cameron?” Dr. Bale limpou a garganta, e eu queria me socar. “Tem alguma coisa que você gostaria de compartilhar hoje a noite?” Essa era a parte que eu não aguentava. Ter de falar de mim mesmo para um monte de estranhos que ficavam me encarando. Olhei para cima e um olhar compreensivo passou pelo rosto de Henry antes dele desviar. “Não,” eu disse “não realmente.” A menina gótica, que aparentemente tinha uma queda por facas, se jogou de volta em sua cadeira e cruzou seus braços. “Ele nunca compartilha nada.” Eu pressionei meus lábios juntos para me impedir de ser esfaqueado. “Isso é verdade.” Dr. Bale ajustou seus óculos. “Você mal contribui para o grupo Cameron.” Dando de ombros, eu me acomodei na cadeira, puxando meu boné de Baseball mais para baixo. “Estou apenas absorvendo tudo.” Henry interrompeu, ainda bem, desviando a atenção e eu voei abaixo do radar até o fim da sessão mas, quando estava prestes a sair, Dr. Bale me chamou. Ótimo. Enquanto todos deixavam a sala, eu me sentei novamente na cadeira dobrável de metal e me inclinei para frente, apoiando meu cotovelo no meu joelho. “O que foi?” Dr. Bale se inclinou para frente, pegando uma pasta de plástico ao seu lado. “Eu queria ter certeza que você estava tendo algo bom desses encontros, Cameron.” Uh. Não. Não. Eu não estava. “Estou sim.” Ele me encarou enquanto cruzava as pernas. “Você mal falou sobre o incidente.” “Não tem realmente o que dizer?” “Tem muito a se dizer.” Ele sorriu, pausou, e a pele ao redor de seus olhos se enrugou. “Eu sei que falar na frente de várias pessoas é complicado no começo, mas você tem coisas em comum com eles.” Eu enrijeci. “Não sei se tenho muito em comum com eles.” “Tem certeza?” Suspirando, eu me forcei a não olhar para o único relógio na sala, atrás de mim. “Bom, eu odiaria que você não pegasse essa ótima oportunidade e usasse para seu benefício.” Eu mantive meu rosto sem emoção. “Você tem noção do quão sortudo é, Cameron?” Dr. Bale perguntou e eu não respondi. “O que aconteceu com aquele rapaz poderia ter te colocado na cadeira por um bom tempo.” “Eu sei.” Eu disse, realmente entendendo. Eu sabia bem o quão sortudo tinha sido. E por um tempo eu acreditava que minha bunda deveria estar apodrecendo na cadeia. E teria estado se não posse pelo meu pai nos tribunais criminais e meu registo impecável. Eu sou realmente uma pessoa calma Dr. Bale. “O que aconteceu...” “A surra que você deu naquele menino infelizmente discorda.” Seu olhar caiu para meu arquivo. “Contusões na cabeça severas, mandíbula, nariz e globo ocular quebrados, junto com várias costelas.” Ele olhou para cima, encontrando meu olhar. “Isso não parece algo que um cara ‘calmo’ fosse fazer, não?” Meu estômago doeu, mas eu não desviei o olhar. “Eu não estou orgulhoso do que fiz. Olhando para trás, eu sei que poderia ter feito várias outras coisas.” “Mas?”


Mas eu não tinha nenhum tipo de problema com minha raiva. E por mais fodido que isso soe, eu ainda não tinha certeza que me arrependia do que tinha feito. O filho da puta tinha batido na minha irmã e, bem, eu tinha perdido o controle. E falando a verdade, se eu tivesse na mesma situação novamente, eu não tinha certeza que faria diferente. Você machuca minha irmã, você está mexendo comigo. Era simples assim.


-5 Quando se tratava da minha pequena Moranguinho, ter paciência compensava. No começo, a viagem para Antietam National Battlefield20 para fazer nosso trabalho de astronomia tinha começado tão dolorosa como as reuniões de controle de raiva. Ela sentou no meu carro como se eu a tivesse chantageado com a oferta de filhotes grátis, puxando as mangas de seu suéter e sentando reta como uma tábua. Seus nervos aumentaram quando entramos na Bloody Lane, pegando um lugar que nos daria uma vista clara do céu... e do milharal. Eu aprendi que ela era fascinada por história, o que era ótimo já que seus pequenos olhos castanhos acenderam quando ela começou a falar do campo de batalha. E eu também aprendi que ela estava com uma puta pressa de acabar logo com isso. Nunca na minha vida eu duvidei das minhas habilidades em atrair garotas como eu duvidava com Avery. Ela agia como se passar tempo comigo era equivalente há passar dois semestres seguidos na aula de apreciação musical. Por mais confiante que isso soe, eu sabia que poderia andar pelo campus e conseguir um encontro com a garota solteira mais próxima. Provavelmente até com uma que não estivesse disponível, mas com a Avery era como dar em cima de uma freira. E não uma freira safada. “Quanto tempo você acha que isso vai levar?” ela perguntou. “Por quê?” Pausei enquanto uma ideia vinha em minha cabeça. Talvez meu charme não estivesse me escapando. Puta merda, como eu não tinha pensando nisso antes? “Você tem algum encontro quente essa noite?” Ela riu secamente. “Uh, não.” Parte de mim estava feliz em ouvir isso. A outra parte pensava confusa. “Você diz isso como se fosse uma ideia insana. Como se ninguém saísse sábado a noite para um encontro.” Dando de ombros, ela soltou a mecha de cabelo que estava brincando. “Eu não estou saindo com ninguém.” Eu continuei caminhando, tirando minhas mãos da minha calça enquanto soprava uma brisa pelo caminho entre o milharal, causando elas a enrijecerem como ossos. “Então, qual a pressa?” Quando não tive uma resposta, eu olhei para ela sorrindo. “Você está preocupada que eu te trouxe aqui para meus próprios planos nefastos?” Moranguinho parou, seu rosto ficando pálido de um jeito que destacava suas sardas. “O que?” Whoa. Eu virei em sua direção, sentindo o nó atrás de meu peito e algo mais. Sua reação foi muito rápida, muito real. Um gosto ruim surgiu em minha boca. “Hey, Avery, estou só brincando. Realmente.” Ela virou em minha direção, desviando seu olhar, bochechas corando. “Eu sei. Só estou...” “Apressada21?” “Yeah, isso.” Eu esperava – merda – eu rezava que fosse só isso. Observando como ela sempre brincava com o bracelete em seu pulso esquerdo, eu não podia deixar o pensamento ir mais longe. Raiva sobre a possibilidade de algo pior ter acontecido já me incomodava. Eu tinha certeza que estava exagerando. “Venha. Vai anoitecer logo.” Eu comecei a andar, indo em direção a torre, acenando para dois estudantes da nossa classe. Pegando um lugar na colina, eu peguei a lanterna antes de me sentar. A grama estava seca e naquele pequeno silêncio, o barulho dos grilos estava quase tão alto quanto a batida do meu coração. Eu não tinha ideia do porque meu pulso estava acelerado, mas parecia que eu tinha corrido do carro até aqui. 20

http://en.wikipedia.org/wiki/Antietam_National_Battlefield No original “jumpy”. Vem da expressão “jump into conclusions”, que seria como tirar conclusões precipitadamente. 21


Olhando para cima, eu vi Moranguinho pairando alguns metros atrás de mim. Eu acariciei o lugar ao meu lado. “Junte-se a mim. Por favor? Estou me sentindo tão sozinho aqui.” Ela sugou seu lábio inferior entre seus dentes e os músculos em meu estômago enrijeceram. Finalmente, ela se moveu e sentou... a três metros de distância de mim. Quantas sardas ela tinha no seu nariz? Nove. Nove e meio. Uma delas estava desbotada. Seus lábios estavam afastados, como se ela estivesse esperando por um beijo. A urgência em beijá-la me atingiu fortemente. Seria essa a primeira vez? Quando limpei a migalha de seus lábios eu tinha tido vontade de beijá-la e provar de seus lábios. E qualquer outra garota teria dado uma indireta. Mas não Moranguinho. E foi assim que algo estranho aconteceu. Eu queria ir de vagar. Como eu poderia ir mais devagar nessa relação não existente estava além da minha compreensão. Mas meu coração ainda estava palpitando. Avery abaixou seu queixo, estudando seu caderno enquanto limpava a garganta. Deixando sair um suspiro que não sabia que estava segurando, eu perguntei “Qual constelação supostamente devemos mapear?” “Um, a Corona Borealis, eu acho.” Ela disse passando por suas anotações enquanto eu segurava a lanterna. “Ah, a Northen Crown22.” Suas sobrancelhas levantaram. “Você sabia isso de cor?” Eu ri de sua expressão duvidosa. “Eu posso não fazer anotações, mas eu presto atenção.” Ela enrugou o nariz. “Eu realmente não entendo como alguém consegue ver formas nas constelações.” “Mesmo?” eu me movi para perto, vagarosamente, espiando sobre seus ombros. “As formas são bem obvias.” “Não para mim. Quero dizer, são só um monte de estrelas no céu. Você pode, provavelmente, ver qualquer coisa que quiser.” “Olhe para a Borealis.” Eu aprontei no mapa. “É obviamente uma coroa,” Ela riu – uma risada verdadeira, e o nó se apertou em meu peito. “Ela não parece uma coroa. Parece mais um meio círculo irregular.” Sorrindo, eu balancei minha cabeça. “Veja. Você pode ver mais facilmente agora. É uma coroa. Vamos, veja as sete estrelas.” “Eu vejo as sete estrelas, mas eu também vejo várias outras se infiltrando.” Ela pegou uma caneta. “Eu também vejo o Cookie Monster23.” Eu ri. “Você é ridícula.” Enquanto a observava, seus lábios se curvaram formando um sorrido enquanto ela descansava a caneta sobre a borda. Era óbvio que ela não sabia em qual latitude começar enquanto ela encarava a Borealis. Finalmente, ela conectou dois pontos. “Você sabe da onde seu nome vem?” eu perguntei. Moranguinho balançou a cabeça, negando, então eu me inclinei e peguei sua caneta. No processo, meus dedos encostaram nos dela. Um raio passou pelo meu braço e ela se afastou imediatamente. “Representa a coroa que Dionísio deu para Ariadne.” Eu disse a ela. “Quando ela casou com Bacchus, ele colocou a coroa dela nos céus em honra a seu casamento.” Ela me encarou, franzindo suas sobrancelhas. “Professor Drage não ensinou isso na aula.” “Eu sei.” “Então como você sabe isso?” 22 23

Traduzindo, seria como a Coroa do Norte. Personagem da família Sésamo. http://en.wikipedia.org/wiki/Cookie_monster


“Como você não sabe isso?” Ela inclinou a cabeça para o lado, lábios tencionando. “Okay. Talvez a maioria das pessoas não saibam isso de cor.” Eu girei sua caneta. “Na verdade eu tive essa aula no meu ano de calouro, mas eu tive que largar.” Curiosidade passou por seus olhos. “Verdade?” Eu assenti. “Você está, o que, no primeiro ano?” “Yep.” Eu pausei, sem certeza do quanto poderia falar. “Tive que tirar um ano de folga, o que me deixou atrasado.” Ela ficou quieta por alguns momentos. “Por que você está refazendo astronomia? Faz parte da sua graduação?” “Não. Eu só gosto da aula de do professor Drage.” Eu desliguei a lanterna. “Eu estou estudando educação física. Quero focar em reabilitação para esportistas.” “Oh. Você...” Quando ela não terminou a frase, eu a olhei e segui seu olhar. No banco, os dois da nossa aula de astronomia pareciam que estavam prestes a praticar como se faz bebês. “Agora essa é realmente uma forma interessante de observar estrelas.” Eu disse. Ela os observou por alguns momentos, seus olhos arregalados como se ela estivesse tentando entender o que eles estavam fazendo. O que era óbvio. Tinha muita língua envolvida. Eu a cutuquei com a caneta. “O que?” “Nada. É só que...” eu não tinha ideia de como falar isso. “Você os está observando como... se nunca tivesse visto um casal fazer isso antes.” “Eu estou?” Eu assenti. “Então a menos que você tenha sido criada em um convento, eu imagino que você já tenha estado em um colo uma vez ou duas, certo?” “Não, nunca!” Ela se encolheu, focando novamente na trilha. “Quero dizer, eu nunca estive no colo de um rapaz.” Um sorriso apareceu em meus lábios. “E sobre o colo de uma garota?” Sua boca caiu aberta. “O que? Não!” Eu sorri largamente, imaginando ela no colo de uma menina. Uma imagem ainda melhor foi imagina-la em meu colo. “Eu estava brincando, Avery.” Seu queixo se fechou em teimosia. “Eu sei, é só que...” “O que?” eu cutuquei seu braço com a caneta novamente. “Você o que?” “Eu nunca tive um namorado.” Nunca? Nunca como em nunca? Impossível. Agarrando seu caderno, ela olhou para mim. “O que? Não é nada importante.” Eu abri minha boca, mas não disse nada. Eu pisquei e então balancei a cabeça enquanto a inclinava para trás para olhar o céu. “Você nunca teve um namorado?” “Não.” “Nenhum?” “É isso que quer dizer.” Eu não tinha ideia do que falar. “Quantos anos você tem?” Ela revirou os olhos. “Tenho dezenove.” “E você nunca teve um namorado?” “Não. Meus pais... eles eram rígidos.” Ela engoliu. “Quero dizer, realmente rígidos.” “Posso perceber.” Eu prendi a caneta no caderno, curioso, na verdade, além de curioso e como alguém tão bonita quanto Avery tinha chegado até aqui sem ter estado em uma relação. “Então você já esteve em um encontro ou algo do tipo?” Um grande suspiro veio dela. “Eu pensei que tivéssemos que estar mapeando estrelas?” “Nós estamos.”


“Não, não estamos. Tudo que tenho é essa linhazinha e você tem nada.” “Essa linhazinha está entre Delta e Gamma.” Eu me inclinei, ligando os pontos. “Aqui está a Theta e essa é a Alpha – a estrela guia. Viu, estamos na metade.” Ela franziu a testa, lentamente balançando a cabeça enquanto virava seu olhar para o céu. Enquanto ela estava distraída, porque eu estava farto dessa merda de astronomia, eu me inclinei anda mais, meu ombro pressionado com o dela enquanto terminava o mapa, completando nossa lição de casa. Eu virei minha cabeça. “Agora nós terminamos de mapear as estrelas...” Nossos rostos estavam a centímetros de distância. Ela não se moveu e seu sorriso subiu um degrau. “Viu? Não foi tão difícil.” O olhar de Avery caiu e eu sabia que ela não estava prestando a mínima atenção no que estava saindo da minha boca mesmo que ela estivesse a encarando. Não que eu estava reclamando. Ela poderia encarar minha boca o quanto quisesse. Aqueles cílios grossos subiram e nosso olhares se encontraram novamente. Uma sensação subida, mas tangível, pareceu se espalhar entre nós. Ninguém se moveu, mas eu queria. Queria puxar ela para meus braços. Mas aonde todo o negócio de ‘ir devagar’ foi, eu não tinha ideia. Ela se moveu, visivelmente inconfortável, e a parte descente de mim disse para olhar para longe, falar uma piada e a fazer se sentir melhor, mas eu não podia resistir ao seus olhos. No escuro, eles eram como piscinas pretas. Eu me forcei a dizer algo. “Você realmente acha que aprendeu algo sobre as estrelas?” Não tinha resposta, o que provavelmente era uma boa coisa, porque isso foi idiota. Então eu segui com o que realmente queria saber. “Você realmente nunca esteve em um encontro?” “O que?” Eu ri. “Você realmente não estava me escutando. Você estava muito ocupada me encarando.” “Eu não estava!” “Sim, estava.” Eu empurrei deus ombros. A expressão que ela fez foi como se ela tivesse provado algo ruim. “Você está acima do nível aceitável de arrogância.” “Arrogância? Eu só estou dizendo a verdade.” Eu joguei meu caderno para o lado e apoiei meus braços atrás de mim, a observando. Eu não podia resistir em provoca-la. Era como se tivesse encontrado um novo hobby. “Não tem nada de errado em me encarar. Eu gosto.” Ela ficou de boca aberta. “Eu não estava te encarando. Não realmente. Eu meio que... viajei. Isso é o quão emocionante é falar com você.” “Tudo sobre mim é emocionante.” “Tão emocionante quanto observar sua tartaruga cruzar a estrada.” “Uh-huh. Continue dizendo isso a si mesma, querida.” “Continue me chamando de queria e você vai estar mancando.” Ah, eu gostei disso. “Oh, olhe para você.” “Que seja.” “Nós deveríamos fazer isso.” Seus lábios de afastaram. “Fazer o que? Ir para casa? Eu sou toda sobre ir pra casa, tipo, agora mesmo.” Eu sorri. “Ir em um encontro.”


-6 Moranguinho me encarou como se eu tivesse acabado de sugerir que nós corrêssemos nus pelo milharal. Ela fechou seu caderno e pegou sua bolsa. “Eu não tenho certeza se estou seguindo essa conversa.” “Não é realmente nada complicado.” Eu ri sobre seu olhar cheio de ódio. “Nós deveríamos ir a um encontro.” Ela me encarou por um momento e então enfiou o caderno em sua bolsa com uma força letal. “Eu não entendi.” Por que eu não estava surpreso que ela não tinha entendido? Deixando de costas, eu estiquei meus braços acima da cabeça, sentindo meus ossos estalarem. Eu senti seu olhar abaixar para mim, se focando no pedaço de pele exposto entre o cinto e a camiseta. Meu sorriso aumentou. “Normalmente ir a um encontro é quando duas pessoas saem a noite ou, algumas vezes, durante o dia. Realmente, pode ser a qualquer hora do dia ou da noite. Normalmente envolve um jantar. Algumas vezes, um filme ou uma caminhada no parque. Apesar de que eu não faço caminhadas no parque. Talvez em um banco, mas desde como não há nenhum...” “Eu sei o que um encontro é.” Ela pulou em pé, olhos como pedaços de gelo na escuridão. “Você disse que não entendia. Então eu estou explicando o que um encontro quer dizer.” Seus lábios se curvaram enquanto cruzava seus braços. “Essa não é a parte que não entendi e você sabe disso.” “Eu só queria ter certeza que estávamos no mesmo nível.” “Não estamos.” Rindo sem vergonha, eu abaixei meus braços mas não arrumei minha camiseta. “Então agora que nós dois sabemos o que um encontro é, nós deveríamos ir em um.” “Uh...” Eu ri enquanto me levantava. A confusão em seu rosto era adorável de um jeito estranho. “Essa não é realmente uma resposta, Avery.” “Eu...” balançando a cabeça, ela deu um passo para trás. “Você não tem uma namorada?” Da onde Moranguinho tinha tido essa ideia? “Namorada? Não.” “Então quem era aquela morena desastrada que saiu do seu apartamento na Quarta a noite?” ela retrucou. Enquanto eu absorvia suas palavras, um sorriso se formou de orelha a orelha. “Você esteve me vigiando, Avery?” “Não. Não!” Seu rosto empalideceu. “O que? Eu não estava te vigiando. Eu realmente tenho uma vida.” Eu levantei uma sobrancelha. “Então, como você sabe sobre a Stephanie?” Moranguinho trocou seu peso de pé. “Esse é o nome dela?” “Bem, sim, ela tem um nome e não, ela não é minha namorada. E ela não estava tropeçando. Meio se jogando.” Ela revirou os olhos. “Então como você a viu se você não estava me vigiando?” Eu cruzei meus tornozelos. “E eu não me importo com a ideia de você me observando. Lembre-se. Eu gosto disso.” Seu peito se inflou com um grande suspiro e eu pude dizer que sua paciência estava se esgotando. “Eu não estava te vigiando. Eu não conseguia dormir e estava olhando pela janela da sala. Eu só acabei vendo você levando-a para o carro.” Eu não acreditei nela. Claro que não. Quem somente estaria olhando pela janela aquela hora da noite? Mas o quanto eu gostaria de provoca-la, parecia que ela estava prestes da dar um chute na minha cabeça mas, eu era um homem de apostas. “Bem, isso faz sentido.


Mas nem tão divertido quanto você observando pela janela, esperando pegar um vislumbre meu.” Ela me encarou. Eu pisquei. “Steph não é minha namorada. Não somos assim.” Sua mão foi para seu bracelete no pulso esquerdo. “Eu não sou assim.” “Assim como?” Virando para encarar as estrelas, ela levantou a mão. “Não sou como ela.” “Você a conhece?” “Eu só não fico com caras por diversão, okay? Eu não vejo nada de errado com isso. Não estou julgando ninguém aqui, só não sou eu. Então não estou interessada. Desculpa.” “Espere um minuto. Estou confuso. Você não está julgando ela mas fez a suposição que ela gosta de ficadas aleatórias? Que ela é minha parceira de foda? Isso não é julgar alguém baseado em suposições?” Sua teste se enrugou. “Você está certo. Eu não sei se vocês são assim. Talvez sejam somente amigos de infância ou algo do tipo.” “Nós não somos.” Eu ri. “Nós ficamos de vez em quando.” A boca da Moranguinho caiu no chão. “Eu estava certa! Então por que você me acusou de ser crítica?” “Eu só estava dizendo.” Eu não podia parar de provoca-la. O carrossel de emoções que passava em seu rosto era fascinante. “E para deixar gravado, nós não ficamos na Quarta a noite. Não pela falta de tentativas da sua parte mas eu só não estava no humor.” “Tanto faz. Essa é uma conversa estúpida.” Ela tentou alcançar sua bolsa mas fui mais rápido. Um grande e aborrecido suspiro saiu dela. “Me dê.” Me esquivando, eu disse. “Eu estou tentando.” Eu coloquei a tira sobre seu ombro, passando com meus dedos pela lateral de seu pescoço. Não foi de propósito dessa vez e quando ela deu um salto, meu coração foi junto. Me afastando, eu peguei a lanterna. “Viu? Eu só estava sendo cavalheiro.” “Eu não acho que você é um cavalheiro mas, obrigada.” Suas palavras eram um mix estranho de sinceridade e confusão e ela não disse mais nada enquanto caminhávamos pela trilha estreita sob a luz da lanterna. “Esse lugar é meio estranho a noite, não acha?” Ela assentiu e encarou a sobra dos monumentos na escuridão. “Bom, eu acho que se é pra existir algum lugar assombrado no mundo, seria um lugar como esse.” “Você acredita em fantasmas?” Moranguinho deu de ombros. “Não sei. Nunca vi um.” “Também não.” Um lado de seus lábios se curvou para cima. “Isso é uma coisa boa, eu acho.” Eu parei do lado do passageiro do meu carro. “Milady.” “Obrigada.” Como havia menos frustação em sua voz, eu decidi testar a minha sorte. Eu me inclinei sobre a porta aberta, olhado como a luz do interior vagava sob seu rosto. “Então, o que você acha?” “Acho sobre o que?” Eu inclinei minha cabeça para o lado. “Ir a um encontro comigo.” Ela enrijeceu. “Por quê?” “Por que não?” “Isso não é uma resposta.” Ela pegou o sinto de segurança, passando ao seu redor. “Que tipo de pergunta é essa? Como eu sou...hey, é só um cinto de segurança. Não é tão difícil.” Eu me inclinei, pegando o cinto de sua mão. Quando nossas mãos se tocaram, ela se espremeu contra o acento. Era uma reação tão estranha que os pequenos cabelos atrás de


seu pescoço se levantaram enquanto eu levantava meu olhar. “Por que não deveríamos ir em um encontro.” Suas mão se fecharam, em volta de seu quadril. Eu queria deixar a porra do cinto de segurança, pegar suas mãos nas minhas e ajudar a desfazer essas bolas. “Por que... porque nós não nos conhecemos.” Eu sorri descaradamente enquanto movia meu olhar, me concentrando em sua boca. “É exatamente isso que um encontro faz. Conhecer um ao outro. Vá a um encontro comigo.” “Não tem nada para saber sobre mim.” Ela sussurrou. “Eu tenho certeza que há muito que saber sobre você.” “Não tem.” Eu me inclinei mais perto, inalando seu cheiro doce. “Então podemos passar o tempo comigo falando.” “Isso parece divertido.” “Oh, vai ser mais emocionante do que ver Raphael cruzar a estrada.” “Há.” Entretenimento passou por seus olhos escuros. “Achei que você fosse gostar.” Seu olhar foi para o lugar que sua bolsa descansava entre suas pernas e de volta para o meu. “Podemos ir?” “Podemos ir a um encontro?” Um som de frustração veio dela. “Bom senhor, você não desiste.” “Nope.” Moranguinho riu e eu não pude parar o sorriso que estava se formando em meus lábios. Eu gostava do som da sua risada, quando ela realmente ria. “Tenho certeza que há varias garotas que gostariam de ir em um encontro com você.” “Tem.” “Wow. Modesto, não?” “Por que deveria ser? E eu quero ir a um encontro com você. Não com elas.” Ela balançou sua cabeça levemente. “E eu não entendo o porquê.” E eu não entendia como ela não entendia isso. “Eu posso pensar em algumas razoes. Você não é como a maioria das garotas.” Verdade. “Isso me interessa.” E realmente interessava. “Você é desajeitada nesse sentido... realmente adorável. Você é inteligente. Quer que eu liste mais?” “Não. Não precisa.” Ela respondeu. “Eu não quero ir a um encontro com você.” Eu não podia acreditar. Pode chamar de intuição, experiência ou a boa e velha confiança. Eu não acreditava mesmo nela. “Eu imaginei que você diria isso.” “Então por que perguntou?” Eu me encostei, pegando a lateral da porta. “Porque eu queria.” “Oh. Bem. Okay. Bom que tirou isso de dentro de você.” O que ela achava que isso era? Merda, nem eu sabia o que isso era. “Eu não tirei isso de dentro de mim.” Seus ombros caíram. “Não?” “Nope.” Eu sorri. “Tem sempre o amanhã.” “O que tem amanhã?” “Eu vou perguntar de novo.” Ela balançou a cabeça. “A resposta vai ser a mesma.” “Talvez sim. Talvez não.” Eu encostei na ponta de seu nariz, seus olhos se estreitando. “E talvez você diga sim. Eu sou um homem paciente, e como você mesma disse, eu não desisto tão fácil.” “Ótimo.” Ela murmurou. Mas havia um brilho em seus olhos, o mesmo brilho que tinha estado quando ela estava me ‘checando’. “Sabia que você veria isso desta forma.” Eu belisquei a ponta de seu nariz e retirei minha mão. “Não se preocupe. Eu sei a verdade.”


“A verdade sobre o que?” Eu me movi para trás no caso dela se virar novamente. “Você quer dizer sim, mas você ainda não está pronta.” Moranguinho me olhou como se ela realmente tivesse visto um fantasma. “Está tudo bem. Eu sou muito para se lidar mas eu posso te garantir que você vai se divertir ‘me lidando’.” Ates que ela pudesse responder, eu encostei em seu nariz e então fechei a porta, rindo de mim mesmo enquanto dava a volta no carro.

Eu assisti Avery entrar em seu apartamento. Ela parou no meio do caminho, colocando uma mecha de seu cabelo cobre atrás de sua orelha enquanto olhava para mim. Um pequeno, e tímido sorriso apareceu em seus lábios enquanto ela acenava dando tchau para mim, indo para dentro e fechando a porta silenciosamente atrás dela. Ficando parado lá, como um estranho, eu finalmente virei em direção a minha porta. Quando eu alcancei a maçaneta, a porta voou aberta. Jase apareceu, bloqueando a porta. Um olhar curioso em sua expressão. “O que você está fazendo parado no corredor do seu apartamento como um idiota?” “O que você está fazendo em meu apartamento como uma aberração?” Ele deu de ombros. “Eu estava fazendo companhia para Ollie mas ele correu até o Sheetz 24para pegar alguns nachos.” “Ah, noite de nachos.” O que significava que Ollie estaria acordado a noite toda. Mudei meu pé de apoio. “Você vai me deixar entrar?” “Bem, desde que este é seu apartamento,” ele virou sua cabeça para o lado, deixando metade de seu rosto coberto em sombras. “Eu acho que sim.” Jase deu um passo para o lado, permitindo que eu me espremesse para passa-lo. Eu fui direto para a geladeira, pegando uma cerveja e me jogando no sofá. “Você não está na fazenda?” Ele balançou a cabeça negativamente enquanto se juntava a mim no sofá, pegando uma garrafa da mesinha. “Não. Jack está com seus avós.” “Ah...” Isso explicava. Jase estava normalmente com sua família na fazenda nos finais de semana. Jase virou seu olhar para mim. “Entããããão, você saiu com a ruivinha?” “Moranguinho?” Suas sobrancelhas escuras levantaram, saindo do alcance de seus cabelos ondulados. “Huh?” “Avery, a ruiva. E não. Nós estávamos fazendo nosso dever de astronomia. Somos parceiros.” “oh.” Ele deu um gole em sua cerveja e fez uma carranca. “Entãããão,” ele disse de novo e eu rolei meus olhos. “Por que você estava encarando a porta de seu apartamento?” “Como você sabe?” “Eu o observei pelo ‘olho-mágico’.” “Ótimo.” Eu ri, tomando um gole. Alguns minutos se passaram e então eu disse. “Eu a convidei para sair.” Jase não parecia tão interessado. “Okay.” “Ela me rejeitou.” Sua cabeça se moveu bruscamente, virando em minha direção, com seus olhos cinzentos brilhando com interesse. “O que?” “Yep.” Eu me aconcheguei no sofá, rindo. “Me rejeitou direto.”

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Se inclinando na direção do braço do sofá, Jase riu tanto que eu achei que ele poderia ter machucado seu estômago. “Gosto dessa menina.” “Eu também.” Eu disse, rindo. “Eu também.”


-7 Pão de banana com nozes esfriava no balcão, empesteando o apartamento com seu cheiro. Eu olhei para o relógio no fogão. Cinco pras oito. Passando minhas mãos pelo meu cabelo úmido, eu desisti da ideia de realmente dormir. Na sala de estar, Ollie tinha desmaiado no chão, roncando, e da ultima vez que tinha checado meu quarto, Jase estava esparramado no pé da cama. E não tinha nenhum jeito que alguma parte da minha pele ou roupa fosse encostar em alguma parte da cama de Ollie. Não era nada de mais que Jase e Ollie tinham me mantido acordado. A qualquer momento daquela noite infinita eu poderia ter me trancado em meu quarto, mas minha mente não tinha se desligado. Uma parte disso tinha a ver com a reunião de Sexta e como Dr. Bale tinha dito tudo. Eu não poderia parar de pensar em como Jase iria fazer tudo funcionar, porque depois que Ollie havia desmaiado e Jase estava mais bêbado que uma fraternidade inteira, ele tinha começado a falar e eu não sabia como ajuda-lo. E eu não podia parar de pensar na garota a algumas portas de distância. Moranguinho tinha me recusado. Eu ri pensando em como poderia fazer aquele ‘não’ virar um ‘sim’. Vagueando, andei em direção a geladeira e parei. Era isso? O desafio? Desde o momento que eu conheci Avery, ela estava me correndo de mim, e meninas corriam para mim. Mas o que eu disse para ela ontem a noite, sobre querer sair para um encontro era verdade. Avery realmente me interessava. Ela não era como todas as garotas que eu costumava sair – aquelas realmente atraentes, nada tímidas e paqueradoras. Nada que tivesse algo de errado com elas, mas Avery era diferente. Ela me fazia rir. Talvez não de propósito, mas eu amava assistir ela corar sobre coisas simples. E quando ela sorria? Moranguinho brilhava mais que qualquer garota que eu conhecia. Talvez fosse tudo isso junto, combinado com o desafio. Eu realmente não sabia e naquele momento, enquanto eu abria aporta da geladeira, eu realmente não me importava. Eu gostava dela. E eu não iria dormir tão cedo então, porque o objeto de minha insônia deveria estar dormindo numa manhã de Domingo? No momento que a ideia passou em minha cabeça, eu não pensei duas vezes. Moranguinho provavelmente não ficaria feliz com a ideia mas, ninguém, nem mesmo ela, poderia resistir ao meu pão de banana com nozes. Juntando todos meus itens, eu corri em direção a porta. Nesse momento eu ouvi Ollie murmurar. “Sem tomate. Bacon extra.” “Mas que...?” Eu olhei sobre meu ombro para ele. Ele ainda estava deitado sobre seu estômago, jogado sobre um travesseiro que minha mãe tinha me dado, morto para o mundo. “Anormal.” Eu murmurei, passando pela porta do apartamento. Chegando na frente do apartamento da Avery, eu bati levemente na porta, não querendo acordar os vizinhos. Mas quando um minuto inteiro se passou e não ouvi passos, eu bati mais forte e continuei batendo. Depois do que pareceu uma eternidade deu batendo em sua porta como se fosse a polícia e olhando para trás para ver se ninguém iria querer atirar na minha bunda, eu finalmente ouvi passos e então a porta abriu. “Está tudo bem?” ela perguntou no que poderia ser a voz mais sexy que eu já tinha ouvido. Eu me virei para a porta, pegando uma visão toda de uma Avery recém acordada. Cabelo cobre caiam em emaranhados, sob seus ombros e tocando na pele dourada de seus braços. Eu acho que nunca a vi em uma camiseta de manga curta antes. Meu olhar, como se tivesse vida própria, vagou pela sua lateral e parou, devorando o jeito que aquela camiseta


fina se esticava sobre o inchaço de seus seios. Com uma vontade que não sabia que tinha, forcei meu olhar de volta para seu rosto corado. De repente, sem certeza do que eu estava fazendo, eu ofereci um sorriso convencido e mandei todo o resto pro inferno. “Não, mas vai estar em, mais ou menos, quinze minutos.” “O-o-que?” ela se moveu para fora do caminho enquanto eu passava por ela. Todos os apartamentos eram os mesmos, então eu sabia onde a cozinha ficava, mas dei uma pequena observada em sua sala. Os móveis pareciam novos, o sofá e a mesinha. Uma poltrona preta em forma de lua descansava em frente a TV. Sem fotos penduradas nas paredes. A poltrona era provavelmente o item mais pessoal em toda a sala. “Cam, o que você está fazendo? São oito da manhã.” “Obrigada pela atualização do tempo. Essa é a única coisa que nunca consegui dominar: dizer as horas.” Ela me seguiu e eu conseguia sentir seu olhar nas minhas costas. “Por que você está aqui?” “Fazendo café da manhã.” “Você não pode fazer isso na sua própria cozinha?” “Minha cozinha não é tão interessante quanto a sua.” Eu coloquei os ovos e o pão no balcão e olhei para ela. Esfregando seus olhos, ela parecia extremamente fofa e eu gostaria que eu estivesse usando algo mais decente que calças de moletom e uma camiseta que nem tinha certeza se estava limpa. “E Ollie está desmaiado no chão da sala.” “No chão?” “Sim. Com a cabeça para baixo, roncando e babando um pouco. Não é uma atmosfera muito apetitosa.” Seus lábios se curvaram em um pequeno sorriso e então desapareceu. “Bem, nem o meu apartamento.” Eu cruzei meus braços e quanto me encostava no balcão. “Oh, eu não sei sobre isso...” eu deixei meu olhar vagar sob ela toda. Seus mamilos estavam duros, pressionando contra a camiseta, implorando para serem tocados, lambidos, beijado e só Deus sabe o que mais eu poderia fazer com eles. Luxúria passou por mim e eu quase dei um passo em direção a ela. “Sua cozinha, neste segundo, é realmente apetitosa.” Ela corou. “Eu não vou sair com você, Cam.” “Eu não perguntei isso nesse momento, perguntei?” eu sorri. “Mas você vai, eventualmente.” “Você está delirando.” “Estou determinado.” “Mais como aborrecendo.” Ela retrucou, olhos marrons brilhando. “A maioria diria espetacular.” Ela revirou os olhos. “Só na sua cabeça.” “Em várias cabeças é o que você quis dizer.” Eu virei em direção ao fogão. “E também eu trouxe pão de banana com nozes feito em meu próprio fogão.” Houve uma pausa. “Sou alérgica a bananas.” Eu me virei. “Você está brincando comigo?” “Não. Não estou. Eu sou alérgica a bananas.” “Meu, isso é realmente uma pena. Você não tem ideia no que está perdendo. Bananas fazem do mundo um lugar melhor.” “Eu não saberia.” Bem, merda. Aparentemente ela poderia resistir ao meu pão de banana. “Algo mais que você seja alérgica?” “Além de penicilina e caras que invadem meu apartamento? Não.” “Muito engraçado.” Eu me virei, abaixando para o armário mais próximo. “Quantos caras mais fracos você já matou com essa sua língua afiada?” “Aparentemente, não o suficiente.” Seu suspiro era audível. “Eu já volto.”


Eu não tinha ideia do que ela estava fazendo, mas eu duvidava que ela fosse deixar o apartamento. Murmurando sob minha respiração, eu achei um pote para cozinhar os ovos e o enchi com água, colocando no fogão e o ligando. Eu podia ouvir seus passos leves em seu quarto, mais pesados do que achei que seriam. Um momento se passou e eu me virei em direção a porta. Era realmente possível que ela poderia se trancar em seu quarto. Merda. “Hey! Você está se escondendo aí?” eu gritei. “Por que eu vou ir aí atrás e te arrastar daí.” “Não se atreva a vir aqui!” ela gritou. Eu ri calmamente. Por mais tentador que seria ver em primeira mão o que ela estava fazendo, eu não queria terminar no hospital por tentar. “Então se apresse. Meus ovos não esperam por ninguém.” Quando ela voltou, eu já tinha encontrado queijo ralado e tinha decidido que ela iria comer seus ovos fritos. Eu não disse nada mesmo sabendo que ela estava ali, me encarando. “Cam, por que você está aqui?” ela finalmente perguntou. “Eu já te disse.” Eu coloquei os ovos em um prato e os coloquei sob a pequena mesa encostada na parede. “Você quer torrada? Espera. Você tem pão? Se não eu posso...” “Não. Não preciso de torrada.” Ela me observou, com os olhos arregalados. “Você não tem ninguém mais para perturbar?” “Tem uma vastidão de pessoas que eu poderia presentear com a minha presença, mas eu escolhi você.” Sua boca se moveu, mas não tinha som quando ela se moveu, sentando em uma cadeira, colocando seus joelhos para cima contra seu peito, enquanto ela pegava um garfo. “Obrigada.” Ela murmurou. Eu ergui uma sobrancelha. “Eu escolho acreditar que você realmente quis dizer isso.” “Eu quis.” Eu me virei de volta para o fogão. “Eu duvido disso por alguma razão.” Teve vários segundos de silêncio e então. “Eu gostei dos ovos. Eu só estou surpresa por ver você aqui... as oito da manhã.” Enquanto esperava meus ovos terminarem de cozinhar, eu me vi a observando. “Bem, para ser honesto, eu estava esperando surpreender você com meu pão de banana, mas essa merda não está acontecendo agora. Então tudo que me sobra são meus ovos deliciosos.” “Estão realmente bons, mas você não está me impressionando.” “Oh, eu estou.” Fui até sua geladeira e achei um pouco de suco de laranja. Pegando dois copos, eu coloquei um pouco neles e me sentei de frente para ela. “É tudo sobre ser discreto. Você só não percebe isso ainda.” Ela virou seu olhar para o prato. “Você não vai comer?” “Eu vou. Eu gosto de ovos cozidos.” Sentado de frente a ela, eu descansei meu queixo em minha mão. Seu cabelo caiu para frente, quase encostando no prato. Ela continuava tirando as mechas da frente. Ela era tão malditamente fofa. “Então, Avery Morgansten, sou todo seu.” Seus cílios levantaram. “Eu não quero você.” “Que pena. Me conte sobre você.” Moranguinho pressionou seus lábios em um alinha. “Você faz isso frequentemente? Entrar em apartamento de garotas aleatórias e fazer ovos?” “Bem, você não é aleatória, então não.” Me levantando, eu dei uma olhada em meus ovos. “E eu posso ser conhecido por surpreender algumas garotas sortudas de vez em quando.” O que não era exatamente verdade, quero dizer, se eu me encontrasse no apartamento de alguém e tivesse acordado, eu faria o café da manhã mas isso? Isso foi a primeira vez. Mas ela não precisava saber disso. “Sério? Quero dizer, você costuma fazer isso?”


Eu a olhei sobre meu ombro. “Com amigos, sim e nós somos amigos não Avery?” Ela me estudou por alguns momentos e então abaixou seu garfo. “Yeah, somos amigos.” “Finalmente!” eu gritei. “Você finalmente admitiu que nós somos amigos. E só levou uma semana.” “Nós só nos conhecemos a uma semana.” “Ainda levou uma semana.” Enquanto a encarei comendo meus ovos, ela tinha me questionado quanto tempo levava para alguém ir para o status de melhores amigos. Eu encontrei sua expressão curiosa. “Normalmente me leve cerca de cinco minutos antes de irmos para o status de melhores amigos.” Um pequeno sorriso apareceu em seus lábios. “Então acho que eu sou a estranha.” “Talvez.” “Eu acho que é diferente para você.” “Humm?” eu descasquei o ultimo pedaço da casca do ovo. “Eu aposto que você tem dezena de garotas se empoleirando em você. Dezenas provavelmente se matariam para estar no meu lugar e eu sou alérgica a seu pão.” Eu olhei para cima. “Por que? Por causa da minha aparência de um Deus?” Ela riu descaradamente e aquele maldito nó estava de volta em meu peito. “Eu não iria tão longe.” Dando de ombros, eu ri. “Eu não sei. Eu realmente não penso sobre isso.” “Você nunca pensa sobre isso?” “Nope.” Eu coloquei o ovo em minha boca e limpei minhas mãos em um guardanapo. “Eu só penso sobre isso quando importa.” Seu olhar desviou do meu enquanto ela brincava com seu copo. “Então você é um galinha reformado?” “O que te fez pensar isso?” “Eu ouvi que você era assim quando estava no colegial.” “Mesmo? De quem você ouviu isso?” “Não é da sua conta.” Eu dei um longo suspiro. Sua língua sempre fiada. “Com essa sua boca, você não tem muitos amigos, não?” Moranguinho se encolheu. “Eu não era multo popular no colegial.” Aw merda, agora eu me sentia como um idiota. Coloquei meus ovos no prato. “Merda. Eu sinto muito. Isso foi uma coisa idiota para eu dizer.” Ela balançou a cabeça. Eu a observei enquanto pegava um ovo e o descascava, sem conseguir compreende-la. “Difícil acreditar que você não era. Você consegue ser realmente engraçada e gentil quando não está me insultando e você é uma garota bonita. Na verdade, você é realmente ‘quente’.” “Ah... obrigada.” Ela se mexeu em seu lugar. “Estou falando a verdade. Você disse que seus pais eram rígidos. Eles não deixavam você sair na época do colegial?” Eu comi mais um ovo. Precisava da minha proteína. “Eu ainda não consigo imaginar você não sendo popular no colegial. Você preenche os três requisitos: inteligente, engraçada e ‘quente’.” “Eu não era, okay?” Colocando seu copo para baixo, ela começou a brincar com a barra de deu shorts. Eu já tinha a visto pelo campus com uma menina da minha turma do colegial e com Jacob Massey. Não era como se ela fosse incapaz de fazer amigos. “Sinto muito Avery. Isso... é uma merda. Colegial é uma grande coisa.” “Yeah, é. Você tinha muitos amigos?” Eu assenti. Eu tinha um ônibus cheio deles. “Ainda fala com eles?”


“Alguns. Ollie e eu éramos da mesma turma, mas ele passou seus primeiros dois anos na WVU25 e foi transferido para cá e eu vejo alguns dos outros pelo campus e em casa.” Ela se encolheu, parecendo incrivelmente pequena. “Tem irmãos ou irmãs?” “Uma irmã.” Eu peguei o último ovo. “Ela é mais nova que eu. Acabou de completar dezoito. Ela se forma este ano.” “Vocês são próximos?” “Yeah, somos.” Eu gostava que ela estava me fazendo perguntas, mas falar sobre minha irmã me fazia pensar em outras coisas. “Ela significa muito para mim. E você? Algum irmão mais velho que eu tenho que me preocupar em ter minha bunda chutada por estar aqui?” Um lado de seus lábios se curvaram para cima. “Não. Eu sou filha única. Tenho um primo que é mais velho que eu mas eu duvido que ele vá fazer isso.” “Ah, bom.” Eu terminei meu último ovo, inclinei para trás e passei a mão sobre meu estômago. “Da onde você é?” Quando ela não respondeu, eu decidi que não estava deixando essa passar. Eu queria conhecer ela. Troca de informações era necessária. “Okay. Você obviamente sabe da onde sou e você ouviu sobre minhas atividades extra curriculares no colegial, mas eu vou apenas confirmar. Sou de Fort Hill. Nunca ouviu falar? Bem, a maioria das pessoas não conhecem. Fica perto de Morgantown. Porque não fui para WVU? Todo mundo quer saber isso. Eu só queria fugir, mas de alguma forma ficar perto da minha família. E sim, eu era... muito ocupado no colegial.” “Não é mais?” “Depende de quem você está perguntando.” Eu ri. “Yeah, eu não sei. Quando eu era um calouro, aqueles primeiros meses estando em volta de garotas mais velhas? Eu provavelmente coloquei mais atenção nelas no que em minhas próprias aulas.” Ela sorriu. “Mas não agora?” Eu concordei com a cabeça e voltei para aquilo que queria saber. “Então da onde você é?” Moranguinho suspirou. “Eu sou do Texas.” “Texas?” eu me apoiei na mesa. “Mesmo? Você não tem sotaque.” “Eu não nasci no Texas. Minha família é originalmente de Ohio. Nós nos mudamos para o Texas quando eu tinha onze anos e eu realmente nunca peguei o sotaque.” “Texas para West Virginia? Essa é uma diferença bem grande.” Seus olhos encontraram os meus por uma fração de segundos e então ela se levantou, pegando os pratos. “Bem, eu vivia na parte populosa do Texas mas tirando isso, é praticamente a mesma coisa daqui.” “Eu deveria limpar.” Eu comecei a me levantar. “Eu fiz uma bagunça.” “Não.” Ela me olhou séria. “Você cozinhou, então eu limpo.” A observando enquanto ela cuidava da louça, eu não podia deixar de pensar o quão íntimo isso era – eu cozinhando, ela limpando. Enquanto eu já tinha feito café da manhã para algumas garotas antes, nada tinha sido como isso. E eu não tinha certeza de como processar isso. Me virando para pegar o pão, eu tirei o papel. “O que a fez escolher aqui?” Ela terminou de lavar a pequena frigideira que eu trouxe antes de responder a pergunta. “Eu só queria fugir, como você.” “Deve ser difícil então.” “Não. Foi incrivelmente fácil tomar a decisão.” Tinha sido? Eu não poderia me imaginar me mudando para tão longe da minha família. Eu tinha certeza que minha mãe me caçaria se eu tivesse feito. Eu cortei o pão ao meio. “Você é um enigma, Avery Morgansten.” Ela se encostou na bancada. “Na verdade não. Mas como você fosse.” 25

West Virginia University


“Como isso?” Ela apontou para mim e meu meio-comido pedaço de pão. “Você acabou de comer quatro ovos cozidos, está comendo metade de um pão e tem um abdômen que parece que pertence a um anúncio da Bowflex26.” Meu sorriso era do tamanho de uma cratera. “Você andou me ‘checando’, né? No meio dos seus infames insultos? Eu me sinto como um doce.” Ela riu e o som era leve e doce. “Cala a boca.” “Eu estou em fase de crescimento.” Suas sobrancelhas levantaram e eu ri. No silêncio que se seguiu, eu me encontrei contando a ela mais do que eu provavelmente já tinha dito a qualquer garota que eu conheço há anos. “Meu pai é um advogado, tem seu próprio escritório lá na cidade. Então ele provavelmente queria que eu fizesse direito.” Ela continuou apoiada no balcão. “Por que você não fez?” “Direito não é meu negócio. Minha mãe é médica, cardiologista, e antes que você pergunte, medicina também não era meu negócio.” Sua mão direita foi novamente para seu bracelete, um habito de nervosismo que eu estava começando a perceber. “E educação física é sua ‘coisa’?” “Futebol é minha ‘coisa’. Então, se eu posso ir para frente com um time, ajudar seus jogadores, então estou feliz.” Eu pausei, trocando o peso do corpo. “Ou eu realmente gostaria de ser técnico, talvez num time de colegial ou algo do tipo.” Seu olhar foi para o chão enquanto ela andava para frente. O nó em meu peito aumentou e aquela sensação ruim voltou, me contando algo que eu não queria ouvir. “Por que você não joga futebol?” ela perguntou. E esse era um assunto que eu não gostaria de falar mas ela estava fazendo perguntas e não tinha como eu poder para-la. “É uma longa... e complicada história, mas não é algo que eu possa fazer agora.” Ela estava perto da mesa, se apoiando na cadeira. “E mais tarde?” “Mais tarde... mais tarde pode funcionar.” E isso era verdade. Se eu me mantivesse em forma, e continuasse treinando quem saberia? Só não era algo que eu me permitia pensar muito. “Então, voando de volta para p Texas para a pausa de outono ou Thanksgiving?” “Provavelmente não.” “Tem outros planos?” Avery deu de ombros e então começou a me perguntar sobre futebol. Horas se passaram e eu tinha certeza que ela agora sabia mais sobre futebol do que poderia. Era quase meio dia quando me levantei. Eu não queria ir embora, mas eu tinha sugado toda a sua manhã. Pegando a frigideira com uma mão e o pão com a outra, eu parei de frente para a porta. “Então, Avery...” Ela se apoiou no sofá. “Então, Cam...” “O que você vai fazer na Terça a noite?” “Eu não sei.” Uma preocupação apareceu em sua expressão. “Por que?” “Que tal sair comigo?” “Cam,” ela riu. “Isso não é um não.” “Não.” “Bem, isso é um não.” Eu admiti. “Sim, é.” Ela moveu do sofá, pegando a porta. “Obrigada pelos ovos.” Eu me afastei, não comovido. “E que tão Quarta a noite?” “Adeus Cam.”

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Marca de aparelhos de ginástica domésticos.


Moranguinho fechou a porta, mas n達o antes deu ver seu sorriso e eu sabia que, n達o demoraria muito antes que ela dissesse sim.


-8 Aparentemente eu julguei mais o tempo que iria levar. Dias se tornaram semanas enquanto o verão finalmente passou e as folhas em todos os carvalhos viraram douradas e vermelhas. O céu tinha começado a ficar mais escuro um minuto mais cedo a cada dia e as nuvens passaram com o vento que vinha de Potomac anunciava que o inverno estava próximo. Eu chamei Avery para sair pelo menos duas vezes por semana. Cada vez, ela disse não. Eu me tornei cada vez mais determinado. Em algum ponto no meio da aula de astronomia, enquanto ela tomava notas freneticamente, e eu desenhava o Chevy Impala dos Winchesters27, eu reconheci que todo o aspecto da perseguição não estava mais na equação. Me virando para ela enquanto ela observava o Drage voar de um lado para o outro na plataforma, um sorriso apareceu em meu rosto. Quanto mais tempo eu passava com a Avery, mas tempo eu queria passar com ela e, tudo que fazíamos era conversar. Passar tempo com uma garota só relaxando, sem contato físico era um território desconhecido para mim. Enquanto eu gostaria de ter mais, muito mais, eu estava contente com somente estar com ela. E isso era novidade para mim. Todo Domingo eu aparecia em seu apartamento com ovos e algum tipo de coisa assada nova, aprendendo rapidamente que qualquer coisa com chocolate era seu favorito. Da segunda vez que fui, ela estava tão feliz em me ver como da primeira vez mas logo cortou a encenação. E era realmente uma encenação porque o jeito como seus olhos castanhos se iluminavam a me ver me dizia o que ela não estava disposta a dizer verbalmente. Ela estava sempre tensa, toda vez que estávamos juntos mas depois de algum tempo ela começou a relaxar e era quando a verdadeira Avery aparecia. Professor Drage deu uma pausa em sua matéria e Moranguinho parou, torcendo seu pulso direito como se ela tivesse tentando tiara algo dele. Colocando minha caneta no colo, eu nem pensei no que estava fazendo. Quando se tratava da Moranguinho, eu dificilmente pensava. Talvez esse fosse o problema. Moranguinho suspirou quando eu peguei a caneta de seus dedos e coloquei sob seu caderno. Sua cabeça se virou bruscamente em minha direção, sobrancelha erguida. “O que você está fazendo?” ela perguntou com sua voz baixa. “Nada.” Eu murmurei, virando em sua direção. O peito de Avery levantou quando eu curvei minhas mãos em volta da sua mão direita. “Você está fazendo alguma coisa.” “Shh.” Eu pressionei meus dedões na sua mão gentilmente, passando eles pela lateral, até seu dedo mindinho e entre ele. Seus olhos se arregalaram enquanto vagavam de suas mão para meu rosto. “O que... o que você está fazendo?” “O que parece?” eu sussurrei, movendo meus dedões sob o dedo anelar até seu dedo médio, seguindo o caminho dos seus ossos delicados. “Sua mão parecia que estava com caibra. Eu estou fazendo a minha boa ação do dia.” “Mas...” “Shiu.” Meus dedos corriam sob a pele entre seu dedo indicador e seu dedão e Avery suspirada. “Você vai nos colocar em problemas.” Uma mancha rosa cobriu suas bochechas. “É você que está tocando em mim.” “E é você que está fazendo barulho.” Ela fechou sua boca bruscamente enquanto eu virava a sua mão, trabalhando na sua palma. Ela tomou um grande fôlego e então relaxou na cadeira, seus braços e corpo não tão rígidos. Eu a observei e quando ela sugou seu lábio inferior entre seus dentes fez com que um raio passasse direto por mim. Meu pênis pulou e eu, de repente, percebi que o que estava 27

O carro usado pelos irmãos Winchesters em Supernatural.


fazendo não era uma boa ideia. Nada seria mais estranho do que ter uma ereção no meio da aula. Mas sua pele esquentou sob a minha, suave como cetim, e David Beckham poderia chutar uma bola em minha cabeça e eu não seria capaz de parar. Minhas mãos vagaram sob seu pulso, escorregando para dentro da manga de seu suéter. Sua pele era ainda mais macia ali, uma fina veia azul formando uma linha delicada, e eu queria traçar essa linha com meus lábios e minha língua. Deus, eu queria provar sua pele. Meu jeans parecia que tinha encolhido três tamanhos na virilha. Não tinha dúvidas que eu estava atraído por ela, mas, as vezes, como agora, era quase doloroso. Eu me perguntava se poderia beija-la, se alguém perceberia que eu havia trazido sua mão para meus lábios? Nós estávamos longe o suficiente que Drage não tinha ideia do que estávamos fazendo, mesmo que eu a beijasse... ou escorregasse minha mão entre suas lindas coxas. Mas algo... aquela maldita sensação estranha ao longo do meu pescoço me segurou. Não tendo ideia de onde tinha surgido tanto autocontrole, eu me fiz colocar sua mão para baixo e me afastar antes que eu fizesse algo estúpido. E nesse momento, eu seria capaz de fazer várias coisas estúpidas. Alguns segundos se passaram antes que minha respiração diminuísse e eu pudesse olhar para ela. Moranguinho estava me encarando, seus olhos uma poça de segredos. Nosso olhar travou e algo infinito se passou, um raio que eu podia jurar que poderia ver com meus olhos. Deus, eu soava como uma vagina. “Obrigada,” ela disse, um pouco sem fôlego enquanto pegava sua caneta. Escorregando um pouco para baixo em minha cadeira, eu abri minhas pernas, esperando eu aliviasse a dor, mas eu imaginei que iria andar até Butcher Center com a maior ereção. “Avery?” eu sussurrei. “Cam?” ela respondeu, igualmente baixo. “Saia comigo.” Sua garganta trabalhou, engolindo, e seus lábios se contorceram em um sorriso. “Não.” Encostando minha cabeça na parte de traz da cadeira, eu resmunguei.

Na Quarta, eu deveria estar na aula de ‘Princípios de Nutrição para Esportistas’, junto com Ollie e Jase mas eu não estava com vontade de andar até Butcher Center. Se eu dirigisse, eu perderia meu lugar no estacionamento e isso seria como uma puta. E eu estava do lado de fora do Den, o que era coincidentemente no mesmo horário que Avery almoçava com seus amigos. Não que minha presença ali tinha algo a ver com a Moranguinho. Oh, quem eu estava enganando? Eu sabia exatamente o porque minha pequena bunda branca estava fazendo em frente ao Den. Eu encarei a escadaria quando a porta da loja de livros se abriu. “Cam!” Eu olhei em direção ao grito estridente somente para ver Susan e Sally. Ou elas eram Molly e Mary? EU não tinha ideia. Elas eram iguais para mim. Uma tinha cabelo loiro platinado e da outra era castanho claro. Com mechas platinadas. Ambas eram bronzeadas. Ambas tinham corpos definidos e eu acho que pude ter saído com uma delas em alguma época. Ou as duas. “Hey,” eu disse sorrindo. “O que estão fazendo?” “Nada.” Respondeu a loirona. Ela balançou pelas escadas a cima, seguindo sua amiga. Foi quando eu percebi que ela era Susan, o que significava que a outra deveria ser Sally. “Faz tempo que não te via.”


“Há anos.” Sally continuou. “Você não esteve em nenhuma das ultimas festas.” Isso era verdade. Faziam semanas, se não meses, que eu tinha ido a alguma das festas da fraternidade. Eu comecei a subir as escadas. “Tenho estado ocupado.” Susan fez biquinho enquanto jogava seu cabelo sob seus ombros. “Isso não tem graça. Todos sentem sua falta.” Eu me perguntava quem seria esse ‘todo mundo’ enquanto passava pelo balcão e abria uma porta dupla azul e dourada, entrando no Den. “Tenho perdido muita diversão?” “Muita.” Susan de alguma forma terminou na minha frete e paramos em frente aos sofás lotados junto a TV. Ela colocou uma mão em meu peito enquanto meu olhar se movia além dela, passando pelas fileiras de mesas. “Tenho certeza que podemos te atualizar, Sally e eu.” “Verdade?” O topo de uma cabeça sobre apareceu em minha visão e eu reconheci o rapaz moreno e magro sentado em frente a ela. As meninas disseram alguma coisa mais, mas eu não estava prestando atenção. Me afastando, eu sorri para as garotas. “Olhe, eu preciso correr. Vejo vocês depois.” Eu nem esperei por uma resposta, saindo de perto delas e cortando um grupo de pessoas que estavam indo em direção ao sol de outono. Um grande sorriso apareceu no rosto de Jacob quando ele me viu. Ele disse algo para Moranguinho, e seus ombros ficaram tensos. Isso não era surpresa. Eu esperava isso. Toda vez que estávamos juntos, tínhamos que começar tudo de novo. Até eu mesmo estava admirado com minha paciência quando se tratava dela. “Hey, Cameron!” Jacob disse, estranhamento animado. “Como vai?” “Hey, Jacob, Brittany” eu me sentei ao lado de Moranguinho e cutuquei seu braço. “Avery.” Ela murmurou um oi e perguntou “O que você está aprontando?” “Oh, você sabe, o mal e o caos28.” “Isso me lembra tanto de Harry Potter29,” Brit disse, sorrindo descaradamente. “Preciso de uma releitura.” Todos olharam em sua direção. Vermelho cobriu suas bochechas enquanto ela percorria seu cabelo com sua mão. Eu não conhecia Brittany muito bem, mas eu sabia que tínhamos estudado na mesma escola e que ela era bem legal. “O que?” ela disse. “Eu não tenho vergonha de admitir que coisas aleatórias me lembram de Harry Potter.” “Aquele cara ali me lembra do Snape.” Eu apontei com meu queixo para a mesa atrás de nós. “Então eu te entendo.” Um sorriso agradecido surgiu no rosto de Brittany. “De qualquer modo, o que vocês estão fazendo?” eu me virei de modo que minha perna pressionasse na da Moranguinho. “Brincando com M&Ms e Skittles?” “Sim, isso e estamos estudando para a prova de história na próxima semana. Nós temos que mapear a Europa.” Jacob explicou. “Ouch.” Eu bati minha perna na dela. Ela retornou o favor. “Mas Avery, incrível Avery...” O sorriso de Jacob se espalhou enquanto o espanto de Moranguinho aumentava. “Ela tem nos ajudado.” “Isso ela tem.” Brittany trocou um olhar com Jacob e meu interesse aumentou. Jacob se inclinou para frente, apoiando sua cabeça em suas mãos. “Antes que começássemos a estudar, eu estava falando para Avery que ela deveria usar mais a cor verde. Deixa ela mais sexy por causa de seu cabelo.” 28

No original “mischief and mayhem”. Ela se refere ao Mapa do Maroto. Em inglês se fala a frase: “I solemnly swear that I am up to no good” para abri-lo. Para fechá-lo se diz: “Mischief managed”. 29


“Você gosta dele de verde, Cam?” Brit perguntou. Eu não tinha percebido o que ela estava vestindo mas, eu me virei para ela, movendo meu olhar para o suéter verde. “A cor fica ótima nela, mas ela está bonita todo dia.” Moranguinho corou enquanto exalava. “Bonita?” Brit sorriu. “Bonita,” eu repeti, passando o joelho contra o dela de novo. “Então vocês aprenderam algo enquanto estudavam?” Moranguinho respondeu. “Acho que entendemos tudo.” “Graças a você” Jacob compartilhou outro olhar com Brittany. “Avery bolou uma música para nos ajudar a lembrar onde os países ficam.” “Cante para ele sua música.” Brittany a cutucou com o ombro, fazendo que ela batesse em mim. “Que música?” eu perguntei. Ela balançou a cabeça. “Não vou cantar essa música de novo.” Jacob sorriu. “É a música da Croácia.” O olhar de Avery poderia matar. Eu ri. “A música da Croácia? O Que?” “Não” ela disse “Não vou cantar novamente. Não tenho talento para isso.” “Que tipo de talentos você tem?” eu perguntei e ela me encarou, olhos impossivelmente grandes. “Avery?” “Conte.” Jacob persuadiu. Brit interrompeu. “Talentos são divertidos.” “Eles podem ser.” Eu estava pensando sobre talentos que eu tinha que estava mais que disposto a compartilhar com ela enquanto inclinava minha cabeça. Tinha apenas um ou dois centímetros de distância entre nossas bocas, e seu olhar infiltrou em meu sangue. “Conteme seus talentos, querida.” “Querida.” Jacob murmurou, suspirando. “Dança.” Ela disse. “Eu dançava. Eu costumava dançar.” Curiosidade me percorreu. Quais as chances? “Que tipo de dança?” “Eu não sei.” Ela pegou um pacote de Skittles, colocando alguns em sua palma. “Ballet, Jaz, Sapateado, Contemporâneo... essas coisas.” “Não brinca?” As sobrancelhas de Jacob atiraram para cima. “Eu fiz sapateado quando tinha uns seis anos por um mês, então decidi que queria ser um bombeiro ou algo do tipo. Aquela coisa era difícil.” Brit se intrometeu. “Eu tentei dançar e descobri que não tinha coordenação ou graça além de balançar a bunda. Você era boa nisso?” Moranguinho deu de ombros, seu olhar caindo para um pedaço de doce. “Eu tive aulas por uns dez anos, participei de algumas competições e fiz vários recitais.” “Então você é boa!” Brit exclamou. “Aposto que você fazia todos aqueles movimentos e rodopios malucos.” Eu não podia acreditar enquanto eu a encarava. Ela era uma dançarina. Eu nunca poderia pensar nisso porque todos os que eu conhecia giravam em confiança, mas isso explicava os músculos de suas pernas, aquele tipo que nunca ia embora. “Minha irmã dança desde que ela tinha em torno de cinco.” Eu disse a ela, de alguma forma impressionado. “Ainda faz. Eu acho que ela mataria alguém se a fizessem parar.” Ela terminou os Skittles, concordando. “Dança pode ser viciante se você realmente gosta.” “Ou é boa nisso.” Brit interrompeu. Eu bati em seu ombro como meu, chamando sua atenção, Para alguém que dançou por tanto tempo eu estava surpreso que ela falasse disso no passado. “Por que parou?”


Um olhar vago apareceu em seu rosto e eu sabia que, onde quer que ela estivesse, ela não estava aqui neste momento. Eu já tinha visto esse olhar estranho nela várias vezes e eu sempre perguntei aonde ela ia nesses momentos. Finalmente, ela deu de ombros de novo e foi para os M&Ms. “Eu acho que me cansei disso. Sua irmã compete?” Eu não acreditava nela. Nem um pouco. Dança estava no sangue, mas eu não a pressionei. Não agora. “ela já viajou por todos os lugares e passou o verão na Joffrey Ballet School, com uma bolsa.” “Puta merda!” sua boca caiu. “Ela deve ser realmente boa.” Cheio de orgulho, eu sorri. “Ela é.” Avery sorriu para mim, mas quando os minutos se passara, seu sorriso se desfez enquanto seu olhar viajava para o pacote vazio de doces. Ela realmente não disse muito depois disso, não importando o que eu e seus amigos fizéssemos para coloca-la de volta na conversa. Algo estava acontecendo com ela e eu sabia que tinha algo a ver com aonde ela ia quando ficava quieta. Quando ela se levantou para sair, eu disse tchau e a segui em direção a brisa fresca e o sol brilhante. Eu estava quieto enquanto íamos em direção a colina, sem ter certeza de como aborda-la. Eu já tinha descoberto muito sobre Avery, mas ainda tinha muito que eu não sabia. Ela guardava seu passado e seus pensamentos para ela. Alguém gritou meu nome perto de Byrd Center, mas eu estava ausente enquanto cruzávamos a rua. Paramos perto dos bancos vazios em frente a Knutti e eu dei um longo suspiro. “Você está bem?” Levantando seu queixo, ela respondeu. “Yeah, estou ótima. E você?” Não sentindo um sorriso em meu rosto, eu concordei. “Ainda estamos combinados para amanhã a noite?” “Amanhã a noite? Oh, a tarefa de astronomia. Yeah, funciona para mim.” “Ótimo.” Eu me afastei, sabendo que eu precisava levar minha bunda para a aula. “Vejo você então.” Moranguinho se virou para mim e disse. “Cam?” O nó pulsou em meu peito. “Yeah?” Ela brincou com seu bracelete enquanto seu olhar se afastava antes de voltar ao meu. “O que você estava fazendo no Den? Você normalmente não tem aula, tipo, agora?” Eu sorri enquanto segurei seu olhar. “Yeah, normalmente eu tenho classe agora mas queria ver você.” Uma expressão assustada passou por seu rosto, e então eu vi um sorriso acender em seu olhar antes mesmo de tocar seus lábios. Sentindo aquele nó fazer coisas engraçadas, eu me movi antes que virasse e a beijasse. Porque eu estava realmente próximo a fazer isso. Eu cheguei do outro lado da rua antes que o assovio baixo chamasse minha atenção. Olhando para a esquerda, eu vi Jase encostado em uma árvore, celular na mão. Ele deve ter pegado sua bunda e corrido para cá do West Campus. “Matando aula sem mim?” ele perguntou enquanto eu fazia meu caminho em sua direção, seus olhos escondidos atrás de óculos tipo aviador. Poucas pessoas podiam usar esses óculos escuros sem parecer idiota. Eu não era uma dessas. Eu dei de ombros enquanto minha atenção ia além do ombro do Jase, do outro lado da rua, pegando um último lampejo da Moranguinho antes que ela desaparecesse entre as portas de Knutti Hall. Jase suspirou. “Você está obcecado.” “Hum?” Ele balançou a cabeça em direção a Knutti. “Eu não acho que você alguma vez matou aula para ficar com uma menina antes.”


Eu franzi. “Como você sabe que eu matei aula para ficar com a Avery?” Suas sobrancelhas se ergueram além dos óculos. “Não sou idiota.” “Isso está aberto para discussão.” Jase me cortou. “Bem, vamos ver. A classe foi liberada mais cedo então eu chego aqui bem a tempo de ver você andando ao lado dela como um bom menininho. Eu chamei seu nome. Você acenou para mim e continuou andando – ou a encarando.” Minhas sobrancelhas se ergueram enquanto eu me virava, indo em direção as portas. “Era você gritando meu nome?” “Exatamente.” Ele disse dando de ombros. Ele olhou para mim, e tudo o que vi era meu rosto no reflexo de seus óculos. “Ela já aceitou em sair com você?” “Nope.” Jase balançou a cabeça. “Mano, você está tão fudido quando se trata dessa garota.”


-9 "Torta de maçã para você." Eu entreguei o pequeno deleite para Avery e, em seguida, peguei o outro para fora do saco de Mcdonalds. "E a torta de maçã para mim." Moranguinho abiu a caixinha. "Você acha que eles usam maçãs reais?" "Deus, eu realmente não quero saber." Eu mordi a crosta, gemendo com a doçura. "Ah, essa merda é tão boa." Seus olhos pousaram em mim. "Eu juro. Cada vez que você comer alguma coisa, você soa como se estivesse prestes a ter um orgasmo." Ela corou quando ela disse isso. "Ou o que seja." "Bem, agora você sabe como eu vou soar quando gozar." Ela torceu o nariz quando ela pegou uma parte da crosta. "Isso é algo que eu venho morrendo de vontade de saber." "Sabia." Moranguinho riu e, em seguida, bateu a crosta em sua boca. "Você é terrível." "Eu sou perfeito." Fixei meu olhar pelo para-brisa. Estávamos sentados no estacionamento atrás do prédio de ciência. O azul escuro do céu foi rapidamente voltando-se para a noite, mas as nuvens espessas que rolavam pareciam ameaçadoras. "Nós deveríamos ter, provavelmente, escolhido uma noite diferente de fazer isso." Ela pegou a embalagem, raspado todas as maçãs cortadas para ela, deixando a crosta inferior vazia. "Isso é um desperdício." Seus olhos eram quentes enquanto ela me lançou um olhar. "Você quer desenterrá-los para fora da embalagem e comê-los? Parece que você ainda tem mais alguns gemidos guardados". "Querida, você não ouviu nada..." Fiz uma pausa, piscando para ela. "Ainda." Ela revirou os olhos. "Mais como nunca." “Será que a senhora protesta muito, eu penso?” “Seu idiota.” Moranguinho riu e o som era leve. “É ‘a senhora, por acaso, protesta muito, eu penso30’.” Eu a alcancei, afastando uma mecha grossa de cabelo de seu ombro. Ela não se contorceu para longe, o que era um grande avanço. “O fato que você pode corrigir é mais uma prova.” Mais uma risada surgiu de seus lábios enquanto ela limpava seus dedos. “Tanto faz. Pronto?” “Nasci pronto, mas você teve que parar para comprar torta de maçã.” “O que?” ela se virou no banco ao meu lado. “Essa foi sua ideia.” Eu pisquei inocentemente. “Esse não é como eu me lembro dos últimos vinte minutos.” Ela me perfurou com um olhar seco. “Você estava toda como ‘Eu preciso de uma tortinha de maçã’ e o que eu poderia fazer? Eu vivo para te servir.” Enrolando o saco, ela jogou em minha direção, mas eu a peguei. “Na verdade, era você dizendo algo como ‘preciso de comida na minha barriga’.” Eu ri. “Não é assim que eu lembro dessa pequena aventura.” Ela bateu em meu braço mas, quando a afastava, eu peguei sua mão. Seus lábios se afastaram enquanto eu levantava sua mão pressionando um rápido, 100% casto beijo no centro de sua palma. “Pronta?”

30

No original, Cam fala: “Does the lady protest too much, methinks?” e a Avery corrige para “he lady doth protest too much, methinks.”


Olhos arregalados, ela puxou sua mão de volta para seu peito e assentiu. Enquanto saíamos do carro para ir em direção ao prédio, ela estava corada. Esse lindo tom de rosa me fazia querer persegui-la com meus lábios, mas então ela surgiu na minha frente. Não que eu estava reclamando. Eu observei o lindo balançar da bunda de Avery enquanto ela subia as escanas na minha frente e quando chegamos na cobertura, ficando de frente para o telescópio Philips, eu estava com as pernas bambas. Isso estava ficando ridículo. Tinham se passados meses desde que eu tinha me aliviado com outra coisa que não fossem minhas mãos e eu sabia que Jase diria para eu ir foder qualquer uma só pelo alívio mas eu não podia pensar em ninguém mais que não fosse a Avery. Jase tinha estado certo ontem. Eu estava fudido quando se tratava dela, e não do jeito que eu gostaria. “Você tem certeza que sabe como usar esta coisa?” ela perguntou, virando a cabeça para o lado. Me movendo para sua frente, eu a encarei. “O que? Você não sabe?” “Nope.” “Você não estava prestando atenção na aula quando Drage falou sobre isso e sobre as câmeras?” Ela inclinou seu quadril enquanto cruzava seus braços. “Você estava desenhando o elenco de Duck Dynasty 31quando ele estava falando sobre isso.” Eu ri, contente porque ela sabia exatamente o que eu estava fazendo quando Drage estava falando sobre como operar um telescópio. O que significava que Moranguinho estava prestando muita atenção em mim. Eu ajustei os controles. “Eu estava ouvindo.” “Uh-hum.” Ela se aproximou bem quando o vento aumentou, passando pela cobertura, pegando mechas de seu cabelo e jogando em seu rosto. Cristo, ela parecia linda parada ali. Eu balancei minha cabeça, focando no telescópio novamente, mas era duro – eu estava duro. “Você é, na verdade, um artista incrível.” Ela disse. “Eu sei.” Ela fez um som que não era exatamente amigável. Eu mudei o assunto. “Eu já usei um telescópio uma ou duas vezes na vida.” “Isso é aleatório.” “Okay. Eu o usei quando tive essa aula antes.” Eu joguei para ela uma pequena carranca, checando o posicionamento da lente. “Meu, não sei se vamos conseguir ver alguma coisa antes daquelas nuvens chegarem aqui.” “Bem, melhor você se apressar.” “Mandona.” Moranguinho sorriu. “Venha aqui e vou lhe mostrar como usar isso.” Dando a ela apenas espaço suficiente para entrar, eu mordi o interior de minha bochecha quando seu quadril encostou no meu, passando fodidamente perto de onde realmente doía. “Você vai prestar atenção?” “Não realmente.” Ela ainda estava sorrindo. “Pelo menos você é honesta.” Eu estava realmente a fim de autotortura. Essa era a punica razão deu ter me inclinado para frente, enjaulando ela com meus braços. Seu cheiro, a mistura etérea de cerejas e amadeirado, causou que várias partes do meu corpo se contorceram. Eu mal percebi que ela não estava tensa. Isso era bom. “Esse é um ToUcam Pro II da Philips.” Eu limpei minha garganta. “Isso prende ao telescópio. Com essa configuração você deve poder ver uma imagem limpa de Saturno. Pressione este botão que ele vai capturar uma imagem.” 31

Reality show. http://en.wikipedia.org/wiki/Duck_Dynasty


“Okay.” Ela colocou a lateral de seu cabelo atrás de sua orelha. “Eu não acho que devemos pegar uma imagem de Saturno.” “Huh”. Mas que porra era Saturno? Tudo que conseguia pensar era o quão perto estávamos, como eu podia sentir seu calor saindo de seu corpo. Eu nem sabia mais o por que estávamos na cobertura. “Hey.” Ela virou sua cabeça, causando que fios de seu cabelo passassem por minha bochecha. Meu pulso se acelerou enquanto eu imaginava esse cabelo deslizando sobre outras partes de meu corpo. “Hey, o que?” “Saia comigo.” “Cale a boca.” Um sorriso apareceu enquanto ela inclinava para frente, espiando pelo telescópio. Seu copo esfregou novamente no meu e eu mordi um gemido. “Eu não consigo ver nada.” Minha risada soou estranha. “isso é porque eu ainda não tirei a proteção da lente.” Ela me acertou no estômago com seu cotovelo, o que me fez rir novamente. “Cuzão.” Eu estava passando dos limites hoje. Eu nem sabia o porque mas eu não pude me segurar enquanto alcançava as lentes, pressionando contra suas costas. Ela se acalmou e sua respiração suave entrou em mim. Eu esperei por ela se mover para longe, porque ela poderia se quisesse, mas ela não foi. Eu a olhei e percebi que seus cílios encostavam em suas bochechas. “O que?” “Teria sido mais fácil se você tivesse se movido para o lado para fazer isso.” Ela disse, com sua voz soando diferente, mais pesada. “Verdade.” Eu me inclinei o suficiente para que minha boca estivesse ao lado de sua orelha. “Mas que graça isso teria?” Avery tremeu e meu corpo inteiro ficou tenso. “Vá ter alguma diversão por si mesmo.” Ela não tinha ideia do quão frequente este era o caso. “Bem, isso não tem muita graça.” Eu pausei, sem me mexer. “Tente novamente.” Hesitando por um momento, ela se inclinou para frente, pressionando seus olhos no telescópio. Alguns segundo se passaram. “Wow.” “Você consegue ver?” Ela se endireitou. “Yeah, isso é realmente legal. Eu nunca tinha visto um planeta na minha vida. Quero dizer, tendo tempo de realmente fazer isso. É bem legal.” “Eu também acho.” Eu peguei algumas mechas de seu cabelo, antes deles quase atingirem meus olhos. “O que nós deveríamos estar observando?” “Sagittarius e então Teapot Asterism e suas ligações, algo assim...” Uma gota gelada de chuva caiu em sua testa e ela tremeu em minha direção. “Oh, merda.” Moranguinho guinchou enquanto outra gota descia e ela se encolheu, seus olhos encontrando os meus. Nós estávamos prestes a ficar encharcados. Amaldiçoando sob meu respirar, eu peguei sua mão, puxando ela através da cobertura. Nós estávamos quase em terra firme quando o céu desabou, chuva gelada nos acertando. “Meu Deus.” Ela tremeu. “Está malditamente gelada.” Rindo, eu parei e me virei, puxando ela contra meu peito. Teve um pequeno segundo onde seus olhos encontraram os meus enquanto a chuva caía. Meu sorriso foi meu único aviso. Eu passei um braço atrás de sua cintura fina enquanto a levantava, a jogando sob meu ombro. Seu grito de surpresa me fez rir, e essa pressão tipo um balão – era o único jeito que eu sabia explicar – expandiu no meu peito e isso me fez sentir bem, como se eu tivesse marcado um gol. “Você estava correndo muito devagar.” Seus dedos cravaram na parte de trás de meu suéter. “Ponha-me no chão, seu filho da...” “Se segura!” eu passei meu braço sobre seu quadril e corri.


Escorregando nas poças fundas, nós quase comemos cimento enquanto eu corria através da cobertura. As palavras que estavam saindo de sua boca diretamente para mim teriam queimado orelhas de soldados. Eu parei bruscamente, abrindo a porta, me curvando enquanto escapávamos da chuva. Me virando para que ela não estivesse encarando a parede, eu a coloquei no chão. Um raio passou diretamente por mim enquanto ela deslizava sob minha frente. Minhas mãos apertaram em seu quadril e ela inclinou sua cabeça para trás. Seus olhos escureceram para um marrom chocolate e meu cérebro disparou quando eu, de algum jeito, a trouxe mais pra perto. Eu sabia que ela podia sentir minha excitação e, considerando que nós nem tínhamos nos beijado, algo que parecia errado, mas eu não podia deixa-la ir. Suas mão pressionaram contra meu peito e eu pensei que ela iria me afastar e eu jurei a Deus naquele momento que, não importava o quão difícil fosse, eu iria deixa-la ir se esse fosse o caso. Mas não foi. As mãos da Avery estavam achatadas contra meu peito, em cima do meu coração, e ela deve ter sentido isso. Minhas mãos se moveram por sua conta, curvando contra sua cintura e então sob seu braço, até sua garganta e então em sua bochecha. Ela suspirou quando meus dedos acariciaram seu rosto, pegando o cabelo que estava preso em sua teste. Eu coloquei essa mecha atrás de sua orelha, minhas mãos tremendo. “Você está ensopada.” “Tanto quanto você.” Eu alisei meu dedão sob a lateral de sua bochecha. “Acho que teremos que tentar novamente outra noite.” “Yeah,” ela sussurrou enquanto seus olhos se fechavam, e então, abriam novamente. “Acho que nós deveríamos ter olhado a previsão do tempo antes de sair.” Quando ela sorriu, eu movi meu quadril em resposta. Seu corpo estremeceu de um jeito inimaginável e seus cílios abaixaram. Seus lábios se abriram ainda mais e eu não queria deixar ela ir. Ela era tão boa tão perto. Seu peito se mexeu em pequenos e curtos suspiros enquanto eu abaixava a cabeça, querendo e precisando beija-la. Só uma vez. Era tudo o que queria. Meus olhos começaram a se fechar. Avery se afastou bruscamente, pressionando uma mão no seu peito. “Eu acho que... devemos acabar essa noite.” Por um momento eu não puder me mover e então me inclinei para trás, apoiando minha cabeça na parede. Precisou de alguns momentos antes que eu pudesse falar. “Yeah, devemos.” A viagem para fora do prédio e de volta ao apartamento não foi fácil. Eu ainda estava tensionado como um arco. Nada parecia conseguir aliviar. Eu tentei recitar o alfabeto ao contrário, tentei pensar a senhora que vivia em um prédio próximo que, algumas vezes, saia para passear com seu cachorro em um vestido de noite branco. A visão não era bonita, mas ainda assim não funcionou. Ainda estava chovendo quando estacionei sobre o toldo. Eu balancei minha cabeça, jogando agua em todos os lugares. Avery parou na base da escadaria que levava para nossos apartamentos e eu pensei que ainda fosse por causa da agua que eu tinha espirrado nela. Estava prestes a me desculpar quando ela se virou, seu rosto pálido enquanto me encarava. Um tipo bem diferente de dor se formou em meu peito, apertando aquele nó, quando vi confusão e medo em seu olhar. Medo. EU não entendia isso. Eu tinha feito isso a ela? Não. Eu não podia acreditar nisso. Não do jeito que ela reagia a mim. Eu tinha visto isso em seus olhos. Ela tinha querido que eu a beijasse, provavelmente tanto quanto eu queria beija-la, mas ainda assim ela tinha se afastado... o porque eu não sabia. Passei minha mão pelo cabelo, o tirando da testa. “Saia comigo.”


“Não.” Ela sussurrou. Eu sorri levemente e seu peito abaixou, seus ombros relaxaram, como se ela precisasse ouvir isso. “Sempre tem o amanhã.” Ela me seguiu pelas escadas. “Amanhã nada vai ser diferente.” “Vamos ver.” “Não tem nada para se ver. Você está perdendo seu tempo.” “Quando se trata de você, nunca é perda de tempo.” E essa era a porcaria da verdade.


- 10 Quarta, antes da pausa de outono, eu pulei a aula de nutrição novamente e procurei por Avery, a encontrando onde ela sempre ficava nesse horário: no Den, junto de Brittany e Jacob. E foi uma boa coisa que eu tinha ido. Eu tinha descoberto três coisas importantes. Moranguinho havia falado de mim para seus amigos, porque eles sabiam que eu vinha pedindo para ela sair comigo. Ponto. E ela também havia me comparado a um serial killer. Não que eu estava ofendido, mas não era todo mundo que um dia se descobria mencionado na mesma frase que Ted Bundy32. Mas seus amigos eram a favor de um encontro. Eu totalmente gostava deles. “De qualquer maneira,” Brittany estava dizendo, seus olhos brilhando com uma diversão enquanto ela encarava uma Avery totalmente vermelha. “Isso não é sobre mim e meu vasto conhecimento em serial killers. Eu posso impressionar você depois com isso. Isso é sobre você, Avery. Esse bom e jovem cavalheiro, que não é um serial killer, está chamando você para sair. Você é solteira. Você é jovem. Deveria dizer sim.” “Oh meu Deus.” Ela gemeu, colocando suas mãos contra seu rosto. “Não está na hora de vocês todos irem embora, não?” Eu ri profundamente. “Saia comigo, Avery.” Ela se virou para mim, com um olhar assustado. “Não.” “Viu?” eu perguntei para Brittany e Jacob. “Continua me rejeitando.” Jacob parecia estar de boca aberta. “Você é uma idiota, Avery.” “Que seja.” Ela se levantou, pegando sua bolsa. “Estou indo para aula.” “Nós te amamos!” Jacob gritou. Ela murmurou, “Uh-hum.” Mas parou para dizer tchau. A pausa de outono começava amanhã e eles iriam para casa. EU ainda estava surpreso que Avery ficaria aqui. Viajar para o Texas serial corrido para uma viagem de quatro dias, mas ela poderia ter ido para casa de algum deles. Para falar a verdade, eu não gostava da ideia dela ficando sozinha aqui. EU esperei enquanto ela se despedia deles e então a segui pelo Den. Ela levantou uma sobrancelha pra mim. “Me seguindo?” “Como um verdadeiro serial killer.” Eu respondi. “Você sabe que não estávamos falando sério, certo? E me desculpa por dizer a eles sobre isso. Eles simplesmente começaram a me perguntar sobre você e a próxima coisa que sabia...” “Tudo bem.” Eu passei meu braço sobre seus ombros, a guiando para o aglomerado de árvores do lado de fora do prédio. Estava gelado e ela estremeceu, se pressionando mais perto, tendo ela percebido ou não. “Eu não ligo.” “Você não liga?” Eu balancei a cabeça. Talvez isso tivesse que me incomodar, que tinha uma audiência na minha rejeição repetida, mas só não incomodava. Eu olhei para ela e sorri. Sua atenção estava focada em uma das vans azuis que sempre estavam pelo campus. “Uh-oh.” Eu murmurei. “O que?” ela olhou para mim Eu abaixei meu braço, pegando uma mecha de cabelo que tinha voado, cruzando seu rosto e colocando atrás de sua orelha. Desde aquela noite na cobertura do Byrd, eu aproveitava cada oportunidade para toca-la e ela deixava. “Você está pensando.” “Estou.” “Sobre?”

32

Um dos maiores serial killers norte americanos. http://en.wikipedia.org/wiki/Ted_Bundy


“Nada importante.” Ela sorriu vagamente. Não era um grande sorriso, mas ela estava sorrindo mais. “Está indo pra casa esse final de semana?” “Estou.” Me movi mais perto dela, pegando seu cabelo e separando em duas partes. Eu sorri pensando que ela ficava linda desse jeito. “Estou indo amanhã de manhã bem cedo. Não estarei voltando até domingo a coite. Então, sem ovos para você essa semana.” “Boo.” Seu rosto caiu um pouco. “Não chore muito sobre isso.” Eu penteei a ponta de seu cabelo contra sua bochecha e tentei de novo ver se ela iria fazer algo esse final de semana em vez de ficar sozinha. “Você vai aceitar a oferta da Brit e ir com ela para casa?” Ela balançou negativamente a cabeça. “Só vou ficar por aqui e me atualizar em minha leitura.” “Nerd.” “Idiota.” Eu sorri enquanto espalhava seu cabelo sobre seus ombros. “Sabe o que?” “O que?” Tomando um grande fôlego, eu dei um passo para trás enfiando minhas mãos no bolso. “Você deveria sair comigo essa noite já que estarei fora o final de semana todo.” Ela riu. “Eu não vou sair com você.” “Então passe um tempo comigo.” Sua sobrancelha levantou. “Como isso é diferente de sair com você?” “Como eu perguntar sobre você passar um tempo comigo essa noite é diferente sobre passarmos tempo juntos no domingo?” O nó entre suas sobrancelhas começou a desaparecer. “O que você quer fazer?” Eu dei de ombros casualmente, mas meu coração estava batendo como uma bateria. “Pedir alguma comida e assistir um filme.” Ela trocou o peso do corpo de apoio. “Isso soa como um encontro.” “Isso não é um encontro comigo, querida.” Eu ri. “Eu iria leva-la para sair, em público. Isso é apenas dois amigos passando um tempo juntos, vendo um filme e comendo comida.” Seus lábios formaram uma linha reta enquanto ela olhava para longe. Alguns momentos se passaram e eu me preparei para mais uma rejeição. Por alguma razão, se ela dissesse não para isso, iria machucar mais que as outras vezes. EU não sabia o porque, mas se eu não pudesse convencê-la a isso, eu iria realmente pensar no que eu estava fazendo. Moranguinho sorriu. “Yeah, claro. Venha.” Puta merda. Ela disse sim? Eu tive que me forçar a ficar calmo porque eu estava prestes a socar o céu ou algo do tipo. “Wow. Se acalme antes que fique muito excitada.” “Eu estou excitada.” Ela alegremente empurrou meu ombro. “Quando você estará vindo?” “Que tal as sete?” Ela sorriu enquanto brincava com seu bracelete. “Tudo bem por mim. Vejo você então.” EU a deixei chegar na calçada antes que pudesse para-la. “Avery?” “Yeah?” ela respondeu, se virando. Meus lábios se curvaram para cima, um raio de nervosismo passando por mim. “Vejo você hoje a noite.”

“Você está passando muito tempo com essa garota.” “Whoa!” Eu sai do chuveiro, totalmente pelado, para encontrar Ollie parado na porta do banheiro. “Mas que porra cara?” “O que?” ele deu de ombros. “Nada que eu já não tenha visto antes.”


Balançando minha cabeça, eu peguei uma toalha e enrolei no meu quadril. “Mas que porra você está reclamando? E isso pode esperar? Eu tenho coisas para fazer.” Mais precisamente pegar o jantar e filmes. Ollie me seguiu para meu quarto. “Eu estava pensando na Avery. Você tem passado muito tempo com ela.” Eu não respondi enquanto pegava uma calça jeans, abotoando e então deixando cair a toalha. “Vai deixar ele livre hoje a noite?” Ollie riu enquanto esmagava sua mão no batente da porta. “Planejando em transar?” Eu atirei a ele um olhar sombrio enquanto me virava e pegava uma camiseta. “Você não tem nada melhor pra fazer?” Ele se inclinou para frente, esticando seus braços. Seu cabelo caiu para frente, protegendo a maior parte de seu rosto. “Nope. Nada nesse momento.” “Ótimo.” Eu coloquei a camiseta. “Steve irá dar uma festa hoje a noite. Você vai?” “Não.” “Claro que não.” Eu levantei uma sobrancelha enquanto o tirei do caminho, indo para a sala para pegar meu tênis. “Se você não está surpreso, por que perguntou?” Ollie deu de ombros. “Você costumava ir a todas as festas.” Sorrindo, eu coloquei meu tênis e o amarrei. Essa parte era verdade. Tanto quanto o fato que minha cara tinha ficado fora disso desde Agosto. “Eu vou na festa de Halloween. Não vou perder essa.” “Uh-huh.” Ollie se jogou no sofá. Eu o olhei por um momento e então balancei minha cabeça enquanto pegava alguns filmes do rack. Algumas vezes me perguntava se Ollie sabia sobre o que ele estava falando. “Cam?” “Yeah?” Ele deixou sua cabeça cair para trás e sorriu. “Eu acho que é bem legal que você está passando seu tempo com a Avery. Ela é bem legal. Gosto dela.” “Obrigado.” No momento que essas palavras saíram da minha boca, eu não tinha ideia do porque as tinha dito. Minhas bochechas se esquentaram enquanto Ollie ria. “Vá se foder.” A risada de Ollie me seguiu enquanto saia no corredor em direção ao meu carro. Obrigado? Isso nem fazia sentido. O que eu estava agradecendo ele? Mas enquanto eu ia em direção ao restaurante chinês mais próximo pedir o favorito de Avery – Camarão Empanado – eu percebi que eu me sentia grato. A coisa mais estranha, porque tudo que Moranguinho tinha feito era dizer sim para passar um tempo comigo, e eu sabia que ela não deixava as pessoas se aproximarem dela. Isso... isso era um grande passo para ela. Avery era um mistério para mim, um paradoxo entre inocência e encantamento – um mistério que eu estava determinado a resolver.


- 11 “Vamos com Resident Evil”, Avery disse enquanto ela estava em pé perto do balcão, pegando alguns camarões empanados. Seu cabelo caia solto em ondas até o meio de suas costas. Ela estava vestida bem simples, uma calça de ginástica e uma camiseta larga, que escorregava sob um ombro, revelando um pedaço de uma pele dourada macia, e uma fina tira. A menina não tinha ideia do quão bem ela ficava assim e eu tive a urgência de me mover para perto dela. Quando eu tinha andado perto dela na cozinha antes, ela tinha reagido estranho, ficando tensa e empalidecendo. “A garota dos meus sonhos.” Eu respondi pegando dois DVDs e os levando para a sala. “Zumbis comandam33.” Um brilho repentino me alertou de sua presença. “O que você quer beber?” ela perguntou. Eu olhei por cima de meu ombro. “Você tem leite?” Seu nariz enrugou. “Você quer isso com comida chinesa?” “Preciso de meu cálcio.” Ela fez uma carena e desapareceu na cozinha, retornando com um copo de leite e uma lata de refrigerante. “Isso é meio nojento, você sabe?” ela sentou, enfiando suas pernas em baixo de si mesma. “Combinação estranha.” “Você já experimentou?” eu sentei, encarando o controle remoto. “Não.” “Então como você sabe que é nojento?” “Eu vou com a suposição que é.” Ela pegou seu prato, enviando-me um grade sorriso. “Antes do final do ano eu terei que fazer você provar leite com comida chinesa.” A expressão em seu rosto dizia algo como ‘nem por cima do meu cadáver’, e eu ri. Quando Resident Evil começou, nos atacamos nosso jantar e passamos mais tempo discutindo como uma mulher em um apocalipse zumbi conseguia ser tão atraente. Quando Alice enfrentou os Dobermanns zumbis, eu peguei nossos pratos e os levei para a cozinha. Enquanto estava lá, peguei outro copo de leite e uma lata de refrigerante para ela. “Obrigada” ela disse, sorrindo enquanto colocava a lata na mesinha. Eu me sentei mais perto dela. “Vivo para te servir.” Moranguinho riu e nós continuamos a comentar o filme e sua sequência. Em um ponto, seu celular tocou. Meu olhar se moveu para a tela em seu iPhone onde dizia ‘Chamada Não Identificada’. “Não vai atender?” eu perguntei. Ela rapidamente se inclinou para frente, pegando o telefone e desligando o som. Parecia meio estranho como ela ficou tensa quando ela viu isso. “Acho que é indelicado atender o telefone quando você tem companhia.” Tudo que estávamos fazendo era criticar de mais o filme. “Eu não me importo.” Moranguinho se sentou novamente, roendo sua unha do dedão enquanto voltava sua atenção para a TV. Pensando nisso, eu não me lembrava de ter visto ela no celular, não antes das aulas ou ao redor do campus. Maioria das garotas tinha seu celular colado a suas mãos e ao lado de seus rostos. Ela disse que não era popular na escola e era obvio que ela não era próxima a sua família, mas... Bem, tinha algo estranho nisso mas eu não sabia o que. Minutos se passaram e ela ainda estava roendo suas unhas, algo que eu nunca tinha visto ela fazer a não ser agora. Eu me inclinei, pegando seu pulso com minha mão. Seu queixo levantou e seu olhar foi para a minha mão. “O que?”

33

No original “for the win”, também conhecido como “FTW”.


“Você tem mordido suas unhas pelos últimos dez minutos.” Eu abaixei seu braço para sua coxa, mas deixando minha mão em volta de seu pulso. Meus dedos conseguiam se encontrar. Isso era o quão pequeno seu pulso era. “O que foi?” “Nada,” ela inalou bruscamente. “Estou assistindo o filme.” “Eu não acho que você está realmente vendo o filme.” Nosso olhar se encontrou. “O que está acontecendo?” Ela puxou sua mão livre, e eu deixei. Relutantemente. “Nada está acontecendo. Volte para o filme.” “Uh-huh.” Eu deixei o assunto, sabendo que forçar a Moranguinho não me levava a nada. Ela ficou quieta, e eu olhei as horas no relógio digital abaixo do DVD. Era bem depois das 10 e eu esperava que ela me expulsasse a qualquer minuto agora, mas quando me virei no sofá, atirando meu braço direito atrás, o lado esquerdo todo dela acabou do meu lado. Eu congelei e eu acreditava que meu correção literalmente tinha parado enquanto eu esperei ela se contorcer de volta ao seu lugar, mantendo a distância obrigatória de seu espaço pessoal. Mas ela não o fez. Puta merda, ela não o fez. Quando não houve resposta, eu determinei que ela, de fato, havia dormido em cima de mim. Tinha um grande inchaço em meu peito, maior e mais apertado que qualquer nó que aparecia do nada quando eu estava perto dela. E a merda mais estranha aconteceu quando olhei para baixo, para ela. Partes de meu corpo enrijeceram por nossa proximidade, mas meu interior derreteu como manteiga no sol. Você está tão fudido quando se trata dessa garota. Essas palavras continuavam vindo para mim, de tempos em tempos. Talvez eu era fudido, mas eu não trocaria esse momento por nada. Cuidadosamente, para que eu não a acordasse, eu tirei meu braço da parte de trás do sofá e gentilmente a guiei para baixo para que sua cabeça descansasse na minha coxa. E algo não muito para norte aumentou. Talvez isso não fosse a melhor das ideias, porque era muito tentador ter ela tão perto, mas isso... bem, parecia certo em um sentido que nunca pareceu com nenhuma outra garota. Meu peito deu uma guinada enquanto Moranguinho se aconchegava, dobrando suas mãos em baixo do seu queixo. Eu a observei por um momento, absorvendo a linha suave de sua mandíbula, a curva de sua bochecha e aqueles lábios rosados. Merda, eu estava fodido em todos os sentidos certos. Eu tentei prestar atenção no resto do filme, mas eu nem tinha percebido quando ele terminou e o canal regular voltou. Meus olhos estavam na Avery mais uma vez. Eu nem tinha certeza que minha atenção tinha saído dela. Eu pensei que o cômodo estava gelado, então eu puxei a manta marrom e verde de patchwork da parte de trás do sofá e coloquei sob seu corpo. A grande proporção de pele exposta no seu ombro chamou minha atenção. Sua camiseta tinha escorregado para baixo do seu braço direito e não tinha nada a não ser aquela tira fina. O brilho suave de sua pele me hipnotizou e eu estava totalmente perdido em resistir. Abaixando minha mão, minha respiração presa enquanto eu tocava a elegante curva de seu ombro. Avery murmurou em seu sono e se mexeu um pouco, mas ela não acordou. Provavelmente não era legal continuar tocando nela, mas eu arrastei a ponta dos meus dedos para baixo em seu braço, sentindo a sensação de sua pele. Parando na borda de sua camiseta, fiz meu caminho para cima, até a macia pele de sua bochecha. Eu estava aliviado que ela continuava dormindo porque o pensamento dela sabendo o quanto minhas mão tremiam provavelmente seria embaraçoso pra caramba. Outras coisas estavam tremendo também, como se eu nuca tivesse tocado em uma garota antes.


Avery... merda, ela me desfez completamente. Deixando minha cabeça cair para trás contra o sofá, eu fechei meus olhos e engoli mais forte quando encostei minha mão na curva de seu quadril. Eu poderia contar com dois dedos quantas vezes eu tinha passado noites assim com garotas bonitas dormindo enroladas em mim, quando eu estava feliz por estar somente ali com ela. Parte de meu cérebro estava me dizendo que tinha uma palavra para isso, mas isso soava tão louco que eu ignorei essa parte. “Não.” Ela murmurou e meus olhos voaram abertos. Sua sobrancelha enrugou, mas ela parecia ainda estar dormindo. “Não é por isso que estou aqui...” Eu inclinei minha cabeça para o lado, tenteando ouvir melhor o que ela dizia, mas somente entendi ‘desculpa’ antes que ela se enrijecesse. Meu coração estava disparado enquanto eu absorvia essas palavras. Elas não faziam sentido e provavelmente não queriam dizer nada mas uma bola dentro de mim. Tempo passou e eu ainda não tinha dormido, não realmente. Eu estava perdido entre meio acordado e meio ausente. Mas eu sabia o momento que ela acordou. Seu corpo enrijeceu e ela deu um grande suspiro. Alguns momentos se passaram e ela não se moveu ou falou. Eu cortaria meu dedão fora para saber o que ela estava pensando. Moranguinho vagarosamente virou em suas costas, me surpreendendo e não deixando tempo para reação. Minha mão escorregou de seu quadril indo parar abaixo de sua barriga, dedos tocando na beirada de sua calça. Deus sabia que eu deveria ter tirado minha mão, mas eu não o fiz. Minha mão tinha uma mente própria e fez algo totalmente por sua conta. Meu dedão se moveu vagarosamente, em movimentos circulares, logo abaixo de seu cós. Eu a observei sob meus cílios, quase gemendo quando ela sugou seu lábio inferior. Então meu olhar foi pra cima e eu poderia ver seus mamilos endurecidos, empurrando pelo material fino. Eu estava duro de novo. Nenhuma surpresa ai. Eu virei minha cabeça para o lado, um meio sorriso se formando enquanto ela inalava fortemente. Eu pressionei minha mandíbula quando ela pressionou sua cabeça para trás na minha coxa, chegando perto de minha ereção. “Cam.” Eu abri meus olhos. “Avery?” “Você não está dormindo.” Ela disse, em uma voz meio grogue mas totalmente sexy. “Você estava.” Eu virei minha cabeça para o lado. “e eu estava dormindo.” Mentira total, mas eu duvidava que ela ficaria feliz sabendo que eu fiquei sentado lá o tempo todo a observando. Ela umedeceu seus lábios, e porra, como eu queria me abaixar e pegar a ponta daquela língua. “Me sinto mal por ter dormido em você.” “Eu não.” Suas bochechas coraram. “Que horas são?” “Depois da meia noite” eu disse encarando seus lábios. “Você nem olhou para o relógio.” “Eu só sei essas coisas.” “Sério?” ela sussurrou. “Sim.” “Esse é um talento incrível.” Sua mão se curvou em uma bola suave em suas pernas. “Que horas você vai sair de manhã?” “Você vai sentir minha falta?” Ela fez uma carena, mas seus olhos brilharam em minha direção. “Não foi isso que perguntei. Só estava curiosa.” “Eu disse a meus pais que estaria em casa para o almoço.” Usando minha outra mão, eu tirei alguns fios de seu cabelo que estavam em seu rosto e deixei minha mão no topo de sua cabeça. “Então eu, provavelmente, tenho que sair entre oito ou nove.”


“Isso é cedo.” “É.” Quando seus olhos se fecharam, eu queria beija-la. “Mas o caminho é tranquilo.” “E você não vai voltar até domingo de noite?” “Certo.” Eu tomei um grande fôlego. “Você tem certeza que não vai sentir a minha falta?” Ela sorriu, mas com ansiedade. “Isso vai ser como férias para mim.” Eu ri. “Isso é totalmente rude.” “Não foi?” “Mas eu sei que você está mentindo.” “Você sabe?” “Yep.” Eu movi minha mão, gentilmente tocando sua bochecha. Seus olhos se abrindo bruscamente e eu sorri para baixo, para ela. “Você vai sentir minha falta, mas você não vai admitir.” Moranguinho estava quieta enquanto eu passava meus dedos sob sua mandíbula até seu queixo, chegando perto de seu lábio inferior. “Eu vou sentir sua falta.” “Mesmo?” “Yeah.” Seus olhos se fecharam enquanto ela relaxava contra mim mais uma vez. Eu continuei a traçar o caminho entre sua bochecha e seu lábio, assombrado pelo que ela tinha dito em seu sonho. “Você fala dormindo.” Seus olhos se abriram e eu jurei que ela empalideceu. “Eu falo?” Eu concordei. “Você está brincando comigo? Porque eu juro a Deus que se estiver, eu vou te machucar.” Aquela sensação estava de volta e eu não sabia o porque. “Eu não estou brincando com você, querida.” Ela se levantou, se virando no sofá para me encarar. “O que eu disse?” “Nada, na verdade.” “Sério?” sua expressão era tão tensa e séria que eu gostaria de não ter dito nada. Eu inclinei para frente, passando a mão em meu rosto. “Você só estava murmurando alguma coisa. Eu não pude entender o que estava dizendo.” Eu olhei para ela. “Isso foi meio fofo.” Ela segurou meu olhar, parecendo acreditar no que disse antes de olhar para o relógio. “Puta merda, você é muito ruim na sua habilidade de saber as horas.” Eu dei de ombros. EU sabia que já se passavam das três da manhã. “Eu acho que devo ir para casa.” Ela abriu sua boca, fechou e então abriu de novo. “Cuidado quando for dirigir.” Levantando, eu estiquei minhas costas. “Terei.” E, antes que ela pudesse endoidar, eu me inclinei e a beijei na testa. “Boa noite. Avery.” Seus olhos estavam fechados, mãos juntas em seu peito. Quando ela falou, parecia que ela estava rezando, sussurrando. “Boa noite, Cam.” Eu fui em direção a porta antes que ela tivesse se encolhido, mais apertando a parte de trás do sofá. “Cam?” Meu coração batia ferozmente quando parei. “Sim?” Ela deu um grande suspiro e aquela expressão sincera estava de volta. “Eu tive uma boa noite hoje.” Eu sorri e estava impressionado em ver seus lábios fazerem o mesmo. “Eu sei.” Eu abri a porta, parando no meio do caminho enquanto me virava para ela. Ela ainda estava ali, ajoelhada no sofá, me esperando. “Te vejo na Segunda.” “Okay.” Eu não queria ir. “Cedo e claro.” Seu sorriso chegou a seus olhos, os iluminando. “Combinado.”


E pela primeira vez no que pareceu uma eternidade, eu não queria ir para casa. Eu queria ficar ali. Tive que me forçar pela porta a fora.


- 12 Jase me chocou com uma mensagem antes deu sair da cidade perguntando se ele poderia ir junto. Ele indo para casa comigo não era nenhuma surpresa, mas eu achava que nesse feriado de quatro dias, ele estaria na fazenda. Ele estava esperando por mim na casa onde ficava quando ele não estava na fazenda – uma casa de fraternidade não muito longe do campus. Eu já passei várias noites lá, nenhuma recente, desmaiado em algum dos quartos distribuídos pelos três andares. Entrando no carro, Jase bateu suas mãos juntas, as esfregando. “Deus, está ficando realmente frio.” “Verdade.” Eu tirei meu carro da garagem e virei, fazendo uma curva brusca em U. “Você não está passando tempo...?” Ele passou uma mão por seu cabelo, deixando ele desajeitado. “Tem um boné extra?” “Só o que está na minha cabeça. Você quer?” “Não.” Deslizando no acento, ele deu de ombros em quando balançava o cabelo. “Eles decidiram ir para Pensilvânia para visitar alguns primos ou algo.” Eu dei uma olhada nele enquanto entrava na estrada principal, indo para a interestadual. “E você não quis ir?” “Nah.” Definitivamente tinha algo por traz disso, porque não tinha como Jase dispensar passar esse tempo todo com Jack mas, se eu sabia algo sobre Jase, ele só falava dessas merdas quando ele estivesse pronto. No meio do caminho, Jase desmaiou e só acordou quando eu fiz uma curva fechava a direita na entrada que levava a casa de meus pais. Raios de sol cortavam pelas árvores, lançando rotas de luz no meio do caminho. Quando éramos crianças, minha irmã e eu brincávamos de esconde-esconde nessa mata. Eu segui pela entrada de carros para a parte de trás da casa, estacionando perto da garagem que eu ajudei meu pai a construir durante minha, uh, longa estadia. A casa estava silenciosa e aquecida quando entramos pelo pátio de traz. Tinha um leve cheiro de abóboras no ar e eu sorri. Minha mãe deve ter cozinhado. Era logo o começo da tarde e nem meus pais nem minha irmã estariam em casa por um tempo. Jase e eu comemos a recém assada torta de abóbora junto com uma cerveja. Ele tinha um olhar apreensivo em seu rosto e quando ele desapareceu no andar de cima, indo para o quarto de hospedes que ele normalmente ficava, eu o deixei quieto e fui para meu antigo quarto. Minha mãe tinha deixado exatamente igual a quando eu ainda morava aqui, somente mais organizado. A mesma cama estava colocada contra a parede, no meio do quarto. Troféus alinhados nas prateleiras que meu pai tinha instalado na parede. A TV na cômoda e a mesa que eu raramente usava não tinham nem um pouco de poeira. Eu sorri enquanto seguia para a cama, tirando meu tênis. Havia tido um tempo, logo após o incidente com o ex namorado de Teresa, que eu havia odiado essas quatro paredes. Eu havia odiado essa casa, essa cidade, esse estado e eu mesmo. Me jogando na cama, eu me estiquei e fechei os olhos. As coisas estavam... diferentes agora, melhores. O único problema em voltar para casa é que era impossível não pensar o que aconteceu aqui há quase três anos atrás, naquela manhã de Thanksgiving, quando Teresa finalmente nos disse a verdade. O tipo de raiva que se espalhou por mim era algo que eu nunca havia experimentado antes, somente lido sobre. Raiva assassina. Realmente existia e era como provar sangue na sua boca. E aquela raiva não tinha diminuído nas horas seguintes em que eu descobri a verdade, nem quando eu descobre onde aquele idiota morava e retornado o favor com meus punhos. Depois, aquela raiva tinha se embrulhado em algo inimaginável e tinha me consumido como um câncer.


Desde aquele dia eu tinha desejado ter feito algo diferente naquela noite, mas ainda havia aquele pedaço de arrependimento em minhas veias. O juiz, o advogado, o serviço comunitário e as reuniões semanais não tinham feito nada para mudar isso mas, quando eu pensava na Avery, eu desejava que me sentisse assim. Eu duvidava que ela ainda iria querer ficar ao meu lado se soubesse de tudo.

Minha mãe dava os melhores abraços. Tinha um brilho em seu olhar e ela deu um passo para trás, segurando meus ombros. Ainda vestida em seu jaleco de laboratório, ela tinha vindo para casa direto da cirurgia. “Eu vi que você achou a torta que eu deixei para você.” “Eu tive ajuda.” Seu sorriso aumentou. “Jase está aqui?” Eu assenti enquanto me apoiava no balcão. “Ele está lá em cima, dormindo.” Ela arrumou alguns fios de cabelo que haviam se soltado de seu coque. “bem, tenho certeza que alguém vai estar animada em saber que você trouxe ele com você.” Minhas sobrancelhas levantaram enquanto eu gemi. “Por favor não me diga que ela ainda está apaixonada pelo Jase.” Mãe riu enquanto, gentilmente, dava de ombros, retirando seu casacão, colocando ele no encosto da cadeira. “Eu acho que ‘apaixonada’ é a palavra errada nesse caso.” Revirando meus olhos, eu gemi. Quando tinha ficado confinado em casa, Jase tinha passado a maior parte do seu tempo livre aqui, tirando minha cabeça de minha bunda. E Teresa tinha passado cada segundo possível nos espionando e perseguindo Jase. Mãe foi em direção a cafeteira, pegando uma jarra vazia. “Jase é realmente um bom menino. Eu acho...” “Nem pense em ir nessa direção.” Eu avisei, dobrando meus braços. Jase era um bom rapaz – um ótimo rapaz, mas com uma merda de bagagem e vários corações partidos, que não chegaria a 10 metros da minha irmã mais nova. “Onde está o Pai?” eu perguntei mudando de assunto. “Ele ainda está no escritório, mas ele vai estar em casa daqui a pouco.” Ela encheu a jarra com água. “Eu estava pensando que poderíamos todos ir jantar no Joe’s. Eu acho que tanto você quanto Jase gostam daquele lugar e, enquanto servirem carne vermelha...” “Pai ficará feliz.” Eu sorri, me desapoiando do balcão. “Está ótimo por mim.” “Quer uma xícara?” “Claro.” Eu cheguei por trás dela, passando meus braços pelos seus ombros, a apertando. “Eu já te disse que você é a melhor mãe do mundo?” Ela riu enquanto acariciava meus braços. “Eu sou a única que você tem, menino.” “Ainda,” eu respondi. “Melhor mãe.” Eu a deixei ir enquanto ela balançava a cabeça e estava no caminho para subir as escadas e acordar o preguiçoso do Jase quando Teresa entrou pela porta da frente. “Cam!” Ela deixou sair um alto e estridente grito quando ela me viu, deixando cair sua mochila. O terror em miniatura dei um passo a frente e se lançou para mim. Rindo, eu a peguei antes que ela nos derrubasse. “Bem, oi pra você também.” “Quando você chegou aqui?” ela perguntou depois que a coloquei no chão. “Essa manhã.” Ela bateu em meu braço. “Você deveria ter me mandando uma mensagem! Eu teria pulado minhas aulas da tarde e chegado mais cedo em casa.” “Eu ouvi isso!” Mãe gritou da cozinha. Teresa revirou os olhos e eu ri. Em algum lugar nos últimos dois anos ela tinha crescido de uma criança barulhenta para ela incrível jovem mulher. E toda vez que eu a via, eu queria


puxar um saco de papel sob sua cabeça. Todo lugar que ela ia, os rapazes olhavam, e eles realmente olhavam. Ela tinha herdado o cabelo escuro e os olhos azuis do Pai, mas tinha as feições delicadas da Mãe. Sua beleza e seu corpo pequeno eram encantadores, porque ela também tinha desenvolvido a mesma sagacidade da Mãe. Quando elas se juntavam, ninguém estava a salvo. “Eu vou pular o ensaio hoje a noite,” ela disse, prendendo seu cabelo. Parecia que tinha crescido durante a noite, passando da linha de seus ombros. “Você não tem que fazer isso.” Eu disse. “Vou ficar todo o final de semana.” “Yeah, mas eu quase nunca o vejo!” Ela fez beicinho, me dando aquele olhar que a garantia várias coisas. “Você é ocupado demais, e popular demais para sair com sua irmã.” “Exatamente” eu disse rindo. Ela bateu em meu braço forte. “Idiota.” Virando para as escadas, eu vi Jase descer antes de Teresa. Ele era quieto como um maldito ninja e ele parou quando chegou ao final, seu cabelo úmido e as roupas desamassadas. Ele não tinha feito nenhum som, mas Teresa ficou tensa na minha frente. Seus olhos, como os meus, se arregalaram um pouco. Meu olhar voltou para ela. Teresa deu a volta em mim com a elegância de uma dançarina e eu gemi quando ela gritou “Jase!”. O olhar pensativo que estava no rosto de Jase, desde o momento que eu o peguei, desapareceu como um pesadelo. Ele terminou de descer as escadas no momento que minha irmã se atirou nele, o cumprimentando do mesmo jeito que havia feito comigo. Seu olhar estava concentrado nela e, enquanto eu confiava plenamente em Jase, nem ele estava imune a ela. Eu também não gostei quando ele passou seus braços em volta dela, impedindo que os dois caíssem para trás. Jase sorriu para o topo da cabeça de Teresa – cabeça que estava agora apoiada em seu peito. “Yeah, eu ficarei aqui até Cam voltar.” Eu sabia que nesse momento Teresa não iria só faltar no treino de dança hoje a noite, mas também em todas as outras noites do final de semana. Eu suspirei. Teresa disse algo que só Jase pode ouvir e seu sorriso aumentou de um jeito que me fez suspirar ainda mais. Então, ele olhou para cima, seu olhar encontrando com o meu. Ele me mandou um olhar desesperado e eu revirei meus olhos, andando para frente. “Okay.” Eu peguei em seu braço, fisicamente a tirando de Jase. “Eu acho que você pode deixar ele ir agora. Ele provavelmente quer respirar alguma hora.” Jase riu enquanto Teresa me atirava um olhar que prometia morte e desmembramento e eu soltei seu braço. Dei um passo para trás, só no caso dela tentar me bater novamente. Minha irmã tinha músculos. “Acho que a Mãe quer te ver na cozinha.” Eu disse, a empurrando naquela direção. Um franzido empurrou a ponta de seus lábios para baixo. “Para que?” “Provavelmente tenha algo a ver com todas as aulas que você está pensando em pular.” Eu provoquei. “Você vai matar aula?” Jase perguntou, cruzando seus braços. “Você não deveria estar fazendo isso, Tess. É seu ultimo ano.” Tess? Duas surpresas acabaram de acontecer. Quando esse apelido surgiu? Eu sabia que eles tinham ficado próximos mas porra. E aquele conselho estava vindo de Jase? Entre todas as pessoas? Uma mancha rosada manchou suas bochechas. “Eu não costumo fazer isso.” Minhas sobrancelhas se arregalaram. Jase piscou para mim.


Finalmente, Teresa nos deixou e eu arrastei Jase para o porão. Meu Pai tinha criado uma baita de uma caverna para homens aqui em baixo. Mesa de sinuca, um bar, air hockey e uma TV do tamanho da parede. Pegando um taco de sinuca, Jase levantou uma sobrancelha para mim. “Quem te aborreceu?” “Teresa tem uma queda por você.” Eu disse, sabendo que eu soava como se tivesse provado algo ruim. Jase riu enquanto olhava para mim. “Verdade?” Eu atirei um olhar a ele e peguei um taco. “O que?” ele riu novamente. “Você está surpreso? É meu charme irresistível e minha ótima aparência. É difícil resistir.” “Bem, melhor ela resistir.” Jase me observou enquanto eu estourava as bolas. “Cara, por mais quente que sua irmã seja – desculpa.” Ele levantou suas mãos enquanto eu o encarava. “Por mãos bonita que sua irmã seja, ela é sua irmã. Eu nem sonharia com o que você está preocupado.” Eu sorri tensamente. “Bom ouvir isso.” “Você realmente acha que eu iria? Ela é só uma criança.” “Ela acabou de fazer dezoito, Jase. Ela não é uma criança mais.” Fiz uma careta enquanto acertava uma bola. Meu estômago revirou. “Merda, ela realmente não é mais uma criança.” “Mas ela ainda é sua irmã.” Jase disse apontando para mim com o taco. “E isso nunca vai mudar.”

Saia comigo Sorrindo, eu coloquei o telefone na mesa e esperei pela resposta de Avery. Na minha frente, meu pai estudava suas cartas. Tinha mais fios cinza em seu cabelo, mas seu rosto não tinha uma ruga. “A qualquer hora, meu velho.” Eu me encostei na cadeira. “Não vou ficar mais novo.” “Não é verdade?” meu Pai olhou para mim, seus olhos se estreitando. “Você não pode apressar a perfeição.” Jase riu sob sua respiração. Ao seu lado, Teresa que estava com a cabeça pendendo para o lado. Ela não tinha sido capaz de escapar do treino de sábado e isso tinha sido um evento durante todo o dia. Ela já teria ido dormir, como tinha feito Mãe na sala, mas eu sabia o porque ela ainda estava acordada. Eu olhei para Jase, ele levantou uma sobrancelha para mim enquanto dava um gole em sua cerveja. Meu celular vibrou. Me perguntar por mensagem não é diferente de perguntar pessoalmente. Meu sorriso aumentou enquanto eu respondia. Pensei em tentar. O que você está fazendo agora? Estou ganhando de meu Pai no pôquer. Enquanto meu Pai atirava duas cartas para frente, ela respondeu com um Me preparando para ir dormir. Queria estar ai eu mandei e então Espere. Você está nua? Não!!! Veio uma resposta imediata. Eu poderia até imagina-la, seu rosto ficando vermelho e seus olhos arregalando. E eu sorri. Mesmo a milhas de distância, eu não podia resistir em provoca-la. Inferno, eu não conseguia parar de pensar nela. Parecia estranho não ter a visto na Sexta e encarar um Domingo sem ovos somente não parecia certo. Nós trocamos mais algumas mensagens e então eu joguei meu celular para o lado antes que meu Pai tivesse um ataque e o jogasse pela janela.


Na próxima rodada Jase desistiu e Teresa desapareceu rapidamente e então o jogo de pôquer foi junto. “Como está a escola?” Pai perguntou enquanto estávamos sozinhos. Tomando conta da minha cerveja, me inclinei para trás na cadeira. “Está indo bem. Esse semestre está bem simples.” Ele assentiu enquanto retirava o rótulo de sua garrafa. “E as reuniões? Você está indo?” Eu coloquei minha cerveja para baixo. “Pai, você seria o primeiro a saber se eu não estivesse indo. E eu conversei com o Dr. Bale sobre este final de semana. Ele concordou com isso.” “Só queria ter certeza.” Ele se encostou, cruzando suas pernas. Quem visse meu Pai agora em sua camisa de flanela e jeans rasgados, não poderiam dizer que ele era um advogado de sucesso. “E sobre futebol? Pensou nisso para o ano que vem?” “Pai... Eu não poderei me juntar ao time de Shepherd no meu último ano.” Eu passei minha mão no meu cabelo e então abaixei o braço. “e eu terei vinte e dois até lá.” “E depois?” ele perguntou, sem deixar isso passar. Meu olhar foi para seu ombro, fixando na geladeira. Fotos minhas marcando gols e de Teresa dançando cobriam quase a porta toda. “Eu não dei Pai.” “Não dá para falhar enquanto você não tentar.” Ele disse, tomando mais um gole. Minhas sobrancelhas se enrugaram. “Não seria tipo você não tem sucesso se não tentar?” “E isso importa?” ele me atirou um sorriso. “Cam, você era um ótimo jogador. Futebol é, ou no mínimo foi, a sua paixão. Nós temos vídeos para mandar para treinadores. E você sabe que o técnico de Shepherd ajudaria você a filmar novos.” “Eu sei.” Eu suspirei, balançando minha cabeça devagar. “E eu tenho mantido meus treinos e musculação cos os rapazes quando eu posso mas... eu não sei. Talvez ano que vem, quando eu tiver prestes a me graduar...” “Uh-huh.” Seu olhar estava aguçado. “Cameron ... Cameron...” Balbuciar sobre futebol era difícil para mim. Não era como se eu não tivesse pensando em jogar no futuro. Era por isso que eu mantinha os treinos, mas não havia nada que eu pudesse fazer agora. “Tem alguma jovem na sua vida agora?” ele perguntou. Talvez eu deveria ter deixando ele perguntar sobre futebol. “Pai...” “O que?” Ele sorriu de novo e terminou sua cerveja. “Eu gostos de ter um quatro contra um na vida de meu filho.” Minha cabeça caiu para trás. “Quatro contra um? Você está bêbado?” “Estou tonto.” Eu ri realmente alto. “Bom.” “Você não respondeu minha pergunta.” Alcançando minha garrafa, eu olhei para meu pai e então ri para mim mesmo porque eu sabia que palavras estava se formando na minha língua antes mesmo de falar. “Tem... tem alguém.” “Me conte.” Interesse passando por seus olhos. Eu sorri enquanto tomava um gole da garrafa. “Nós somos amigos.” “Amigos em como...” “Ah, por favor Pai.” Eu resmunguei, balançando minha cabeça. “O que?” Ele inclinou sua cabeça para o lado. “Como se eu não soubesse o que minhas crianças estão fazendo. Como se eu não tivesse feito a mesma coisa quando tinha a sua idade.” Eu poderia vomitar. “Nós não somos assim. Avery não é assim.” “Ela tem um nome? Avery?”


Merda. Eu não podia acreditar que eu até tinha dito seu nome. Eu estava tonto também? “Nós somos amigos, Pai. E ela é... ela...” Sua sobrancelha levantou. “Ela é...?” Perfeita. Bonita. Inteligente. Engraçada. Orgulhosa. Raivosa. A lista poderia continuar. “Eu a convidei para sair algumas vezes.” E ‘algumas vezes’ era literalmente o eufemismo do ano. “Ela me rejeitou todas.” “E você continuou pedindo?” Eu concordei. “E você acha que ela eventualmente vai concordar?” Sorrindo um pouco, eu concordei. Meu Pai se inclinou para frente, cruzando seus braços sob a mesa redonda de carvalho. “Eu já te falei quantas vezes sua mãe me rejeitou antes que ela concordasse em sair comigo? Não? Muitas.” “Sério?” eu não sabia disso. Pai concordou. “Eu era meio que... um idiota na faculdade. Tinha uma reputação.” Um lado de sua boca foi para cima, revelando uma covinha em sua bochecha. “Sua mãe não facilitou.” “Então o que mudou isso?” Ele deu de ombros. “Ah, ela estava secretamente apaixonada por mim desde o começo, mas você sabe o que? Eu tive que persegui-la, para ser honesto. Se você não tem que perseguir uma mulher, ela provavelmente não vale o esforço. Você entende o que estou falando?” Na verdade não. Tinha uma boa chance que meu pai estivesse vagueando do álcool desde o começo mas eu concordei e então ele disse algo que meio que ligou algo em minha cabeça. “Surpreenda.” Ele disse, piscando. “Surpreenda a garota. Faça algo que ela não está esperando. Sempre faça algo que ela não está esperando.” Surpreender ela? Teriam varias coisas que eu poderia fazer para surpreender Moranguinho, mas eu duvidava que ele tivesse falando dessas coisas. Mas quando eu disse boa noite e fui em direção as escadas, eu sabia o que tinha que fazer. E eu queria fazer isso. Eu sorri enquanto subia os degraus, dois de cada vez. Quando cheguei no segundo andar, espiei Teresa entrando em seu quarto. Eu abri minha boca para chama-la mas a porta se fechou quietamente antes que eu pudesse dizer uma palavra. Okay. Balançando minha cabeça, eu continuei em direção ao quarto de hospedes que Jase estava – o quarto verde. Ou, pelo menos, era assim que Mãe o chamava, porque as paredes eram pintadas de um verde oliva profundo. A porta estava entreaberta e eu a empurrei. Jase estava sentado no pé da cama, meio inclinado para frente, seus braços descansando em suas coxas, mãos no seu rosto. “Hey, cara.” Eu entrei no quarto, preocupado. Tinha acontecido algo na casa dele? “Você está bem?” “Yeah. Yeah.” Ele disse, levantando e passando as duas mãos no seu cabelo. Ele andou para onde sua mala estava e puxou um shorts de nylon. “Eu só não estou me sentindo... bem. Parece que a cerveja não caiu bem. O que foi?” Não tinha ele bebido somente duas cervejas? Eu o assisti jogar o shorts na cama, suas costas tensas. “Eu estava pensando em mudar os planos.” “É mesmo?” Ele foi até a cômoda, pegou seu celular e jogou ele ali. “O que você estava pensando?” “Eu estava pensando em ir embora realmente cedo de manhã.” Eu disse. “Provavelmente perto das cinco ou algo do tipo. Tudo bem por você?” Seus ombros relaxaram. “Yeah, cara, isso funciona perfeitamente. Só me acorde.”


“Beleza.” Eu fui para trás e parei perto da porta. “Você tem certeza que está bem?” “Perfeito.” Ele respondeu, sentando novamente na cama. “Te vejo de manhã.” Enquanto eu fechava a porta atrás de mim, eu percebi que Jase não tinha me olhado nos olhos o tempo todo que eu estava lá.

Era um pouco antes das nove da manhã do dia seguinte quando eu parei na frente do apartamento de Avery e bati. Esperando que o conselho de meu pai de surpreendê-la não se tornasse em “assusta-la”. Dúvida passou por mim, como fogo em uma casa de madeira, e eu me virei, prestes a lançar uma bomba em meu apartamento. Mas a porta abriu como se ela tivesse tentando entender as coisas. “Cam?” Tomando um grande fôlego, eu a encarei e sorri descaradamente. Eu estava segurando uma sacola de compras. “Então eu acordei hoje por volta das quatro da manha e pensei que eu poderia realmente comer alguns ovos. E ovos com você são realmente melhores que ovos com minha irmã ou meus pais. Além disso, minha mãe fez pão de abóbora. Eu sei que você gosta de pão de abóbora.” Olhos arregalados e lábios separados, ela vagarosamente foi para o lado, me deixando entrar. Ela não estava assustada. Pelo menos isso era bom. Mas ela também não estava dizendo nada. Eu carreguei a sacola para a cozinha e coloquei ela no balcão. Fechando meus olhos, eu xinguei sob minha respiração. Talvez isso não fosse a melhor ideia. Aquela dor estava de volta em meu peito, mas dessa vez um sentimento perfurante diferente. Eu me virei, prestes a me desculpar quando eu não havia me desculpado por nenhuma das outras vezes que eu havia entrado em seu apartamento, mas ela estava na cozinha, praticamente teleportada. Vindo para mim do mesmo jeito que Teresa tinha quando me cumprimentou. Do mesmo jeito que minha irmã havia se lançado para Jase. Eu a peguei, passando meus braços em volta de sua cintura enquanto cambaleava para trás, batendo no balcão. Susto irradiava de mim, seguido por um calor que acendeu minhas veias. Meus braços se apertaram em sua volta enquanto ela pressionava sua bochecha no meu peito e me segurava tão forte quanto eu a segurava de volta. Eu deixei meu rosto cair para o topo de sua cabeça, inalando seu cheiro e absorvendo sua resposta, segurando ela perto do meu coração. Avery deu um grade suspiro e disse. “Senti sua falta.”


- 13 Uma onda de frio atingiu nosso pequeno lugar no mundo um pouco antes do Halloween. Ar gelado serpenteava entre o campus, criando uma camada gelada entre os prédios. Jase estava encarando o Ollie com uma cara de interrogação. Mesmo frio, Ollie estava vestindo shorts e sandálias. Pelo menos ele tinha um casaco, mas eu duvidava que ele estivesse usando algo além disso. Ou até mesmo sentisse o vento. Mas Moranguinho era uma história diferente. Nós quatro estávamos entre Whitehall e Knutti, esperando pela próxima classe. Ela estava encolhida em seu suéter que abraçava sua fina cintura e seu quadril. “Eu estou fazendo isso.” Ollie disse. “ninguém pode me impedir.” Eu si. Moranguinho arrumou uma mecha de seu cabelo que havia se soltado de seu coque para seu pescoço. “Isso vai parecer estranho.” Jase acenou. “Tenho que concordar.” “Eu não ligo.” Ollie anunciou. “Eu acho que é perfeito.” Vento chicoteava a nossa volta, batendo na Moranguinho. Ela pressionou seus lábios juntos em uma linha apertada enquanto calafrios percorriam ela. “Eu não acho que já tenha visto alguém colocar uma coleira em uma tartaruga.” “Não significa que não possa ser feito.” Ollie respondeu, se apoiando nos calcanhares. “E eu meio que gosto da ideia de ser o primeiro.” Jase revirou os olhos enquanto eu ia em direção a Moranguinho, esperando conseguir bloquear um pouco do vento brutal. “Como você pretende passar uma coleira em volta de Raphael?” Jase perguntou, soando realmente curioso. Outra rajada de vento gelou nossos ossos e os lábios de Moranguinho começaram a tremer. Eu já tinha tido o suficiente de ficar apenas observando. Por trás dela, eu passei meus braços em volta de seus ombros e a puxei contra minha frente. Ela enrijeceu e sua respiração saiu grossa. Jase e Ollie não perceberam porque estavam ocupados discutindo se era ou não considerado crueldade contra animais amarrar uma bola de lã em volta do casco de Raphael. “Não brigue comigo.” Eu disse com a voz baixa em sua orelha. “Você está congelando. Eu também. Se você não gosta disso então vá para dentro.” Suas costas estavam rígidas contra mim. “Por que você não vai para dentro?” “Eu vou se você for.” Ela murmurou algo bem desagradável sob sua respiração, mas ela não me afastou e meu sorriso aumentou, a cada segundo que se passava seus músculos relaxavam. “Essa é provavelmente a conserva mais estupida que eu ouvi.” Ela disse, observando Jase e Ollie. “Eu tenho que concordar.” Meu corpo reagiu quando ela se apoiou em mim. Não tinha como evitar isso. “A coisa é, eu aposto cem pratas que quando eu for para casa hoje a noite, vai haver uma corda em volta de Raphael.” Ela riu. “Eu quero uma foto disso.” “Tenho certeza que serei capaz de fazer isso por você.” Eu fechei meus olhos, sabendo que se Ollie e Jase olhassem para nós, eu não sobreviveria a isso. Mas ter ela em meus braços era bom de mais que valia o risco. “Eu espero que ele não o leve para passear.” Ela disse gentilmente “Está muito frio para aquele rapazinho.” Surpreso, eu abri meus olhos e inclinei a cabeça para o lado. “Como você sabe disso?” Ela deu de ombros enquanto virava sua cabeça para mim, colocando seus lábios a um beijo de distância dos meus. “Raphael é uma tartaruga Rússia, certo?” quando eu concordei, ela mordeu seu lábio inferior e quase gemeu. “Eu estava entediada uma noite e pesquisei sobre ele. Ele tem que ser mantido em um ambiente quente, certo?”


“Certo.” Por alguma razão estranha, aquilo me agradou infinitamente, saber que ela tinha pesquisado sobre isso. “Eu não vou deixar Ollie leva-lo para fora.” Moranguinho deixou sair um suspiro. “Preciso ir para aula.” “Eu também.” “Não quero ir.” Eu sorri. “Nós devíamos pular.” “Você é uma má influência.” “Eu sou o tipo de influência que você precisa.” Quando ela riu sobre isso, eu me senti mais leve de alguma maneira. “Então você vai mesmo a festa de Halloween?” “Entre você e Brittany, eu não sei como não ir.” Ela começou a querer afrouxar, mas eu apertei meu abraço. “Eu te disse que iria. Eu vou.” Não tinha certeza se eu acreditava nela. Eu tinha a sensação que chegaria amanhã a noite e ela iria inventar algum tipo de desculpa para não poder ir, então eu não estava ansioso. Avery não tinha ido a nenhuma das festas desde que as aulas começaram, mesmo que eu soubesse que Brittany e Jacob tinham ido. Suspirando, eu deixei ela ir e dei um passo para trás. Minha aula era em Byrd. “Tem certeza que não quer que eu te de uma carona amanhã a noite?” A cabeça de Ollie se moveu em nossa direção tão rápido que você poderia pensar que eu disse nachos. “Seria uma carona 34inesquecível, Avery.” Eu o dei um olhar sombrio. “Não foi isso que quis dizer.” Suas bochechas coraram, tanto pelo que Ollie tinha dito quanto pelo frio. “Eu sei. E está tudo bem. Eu não preciso de carona, mas eu estarei lá.” Eu realmente não acreditava nela.

Tinham vários anjos e gatos em saltos altos, tantos que eu tive um péssimo tempo não querendo separar as meninas em dois grupos: as caídas e as maliciosas35. Brittany, amiga da Avery, estava no grupo das caídas, seu vestido branco totalmente sem proteção contra o vento gelado. Ela estava com Jacob, que parecia muito com Bruno Mars, mas eu ainda não tinha visto Avery. Imaginei. Eu tinha passado uma boa parte da tarde pensando se ela iria realmente aparecer e, se aparecesse, o que ela estaria vestindo. Iria ela ser um anjo? Um gato? Realmente idiota, considerando que eu tinha melhores coisas para pensar. Irritado, eu vaguei de cômodo em cômodo. A casa estava cheia, dando para ficar apenas de pé, com pessoas espalhadas até pela entrada e garagem. Se policiais não aparecessem a qualquer momento para acabar com a festa, eu ficaria surpreso. Tinha muita coisa acontecendo dentro da casa para mim. Música tocava alta, mas não o suficiente para abafar os gritos e risos. Casais estavam em todos os cantos, alguns aparentavam ter se esquecido de quem eram seus namorados/namoradas. Eu costumava amar essa cena, mas agora fazia minha pele coçar. Eu tinha ido para a garagem com Jase, no meio de um jogo de cerveja-pong. “Você parece animado por estar aqui.” Jase disse, estreitando os olhos enquanto segurava a bolinha branca, a alinhando com os copos de plástico. “Não estou sentindo a noite.”

34

No original, Cam fala “give you a ride.” E quando Ollie responde “a ride you’ll never forget” ele se refece a posição sexual que a mulher fica por cima. 35 No original “catty” referêntia a “kitten” que seria o filhote de gato.


“Uh-huh.” Jase quicou a bolinha direto dentro de um dos copos na primeira fila. Os caras do outro lado da mesa reclamaram. “Isso é porque você ainda não viu Moranguinho por aqui?” Por que eu tinha cometido o erro de chama-la assim na frente de Jase estava além da minha compreensão. Eu não respondi enquanto a bola vinha do outro lado e quicava para fora da mesa. Jase sorriu. “Amadores.” Ele se virou para mim. “Mas sabe o que eu vejo? Steph. E ela tem perguntado de você.” “E?” “Só pensei que eu poderia compartilhar esse conhecimento com você.” Ele me jogou a bola. “Vamos chutar algumas bundas.” Com nada melhor para fazer e querendo ficar foda da minha cabeça, eu entrei no jogo. Jase tinha estado certo. O grupo do outro lado de nós eram realmente amadores. Quinze minutos jogando e nossos oponentes estavam cambaleando como folhas no vento. “Isso é na verdade vergonhoso.” Eu murmurei, focando em um deles, que tinha socado a ponta da mesa para se segurar, derrubando os copos. Jase sorriu maleficamente. “Eles deveriam saber melhor do que me desafiar.” Eu ri, dobrando meu braço e passando minha mão sob meus bíceps. Jase fez mais uma jogada perfeita e o outro lado gritou maldições. Se endireitando, Jase levantou suas mãos para os lados e então parou, olhos arregalados. Ele me deu uma cotovelada, abaixando a voz. “Bem, veja que, está vagando por aqui.” Minhas sobrancelhas levantaram enquanto eu seguia seu olhar, olhando além de um grupo que estava dançando. Ar fugiu de meus pulmões. Eu não podia acreditar. Desdobrando meus braços, eu encarei por um segundo, absolutamente chocado. Avery estava aqui. Parada ao lado de Brittany e Jacob, ela se destacava, não porque não estava de fantasia. Sua blusa justa de gola alta revelava um pedaço de seu estômago liso. Era a primeira vez que eu via seu estômago. Loucura. Minha boca secou. Um grande, velho e idiota sorriso surgiu em meu rosto enquanto eu colocava meu copo para baixo. Eu nem disse nada para Jase quando cruzei a garagem lotada. Jacob disse algo para ela que causou suas bochechas corarem e, um segundo depois, eu a tinha em meus braços. Levantando ela, eu a girei enquanto ela segurava meus ombros. “Puta merda, eu não posso acreditar que você realmente está aqui.” Seus olhos castanhos acolhedores encontraram os meus. “Eu disse que viria.” Eu a coloquei de volta no chão, mas a mantive perto. Deus, ela estava maravilhosa com seu cabelo cobre caindo em ondas sobre seus ombros, enrolando sobre a volta de seus seios. “Quando você chegou aqui?” “Não sei. Não faz muito tempo.” “Por que não veio dizer oi?” “Você estava ocupado e eu não queria interromper.” Ela estava encarando meus lábios, o que era totalmente perturbador até que aquelas ultimas palavras saíra de sua boca. Eu inclinei minha cabeça, meus lábios passando levemente por sua orelha enquanto eu falava. Eu não perdi o jeito que ela estremeceu. “Você nunca é um incomodo para mim.” Quando levantei minha cabeça, nossos olhares se encontraram e se firmaram. A íris de seus olhos aumentaram, quase se mesclando com sua pupila. Tinha uma conexão entre a gente. Dava para sentir a eletricidade brilhando no espaço entre seus lábios. E quando eles se afastaram mais, eu estava tentado em beija-la. “Yo, Cam!” Jase gritou, obliterando o momento. “É sua vez.” Eu sorri forçadamente. “Não vá muito longe.” “Okay.” Ela disse, suas mãos se afastando.


Voltando para a mesa, eu dei um olhar sujo para Jase. “Timing perfeito.” “O que?” ele assistiu eu pegar a bola de ping-pong. “Eu interrompi Avery te rejeitando de novo?” “Engraçado.” Eu joguei a bola, errando meu alvo. Xingando, eu peguei o copo. “Fodamse vocês.” Jase deixou sair uma grande risada e disse algo, mas minha atenção estava na Avery. Eu mal podia vê-la. Seus amigos a rodeavam e um copo vermelho terminou em suas mãos. Ela realmente não estava bebendo e, por alguma razão, eu estava feliz em ver isso. Seu grupo aumentou e de vez em quando ela sumia da minha vista, voltando alguns minutos depois. Uma vez que esse jogo estúpido havia terminado, era só eu e ela, sem interrupções. E Merda, hoje a noite ela iria dizer sim pra mim quando a chamasse para sair. “Chegando.” Jase avisou. Eu não percebo sobre o que ele estava falando no começo, mas braços me pegaram por traz. Eu sabia imediatamente que não era Avery. Eu não seria tão sortudo. “Do que você está fantasiado?” Steph perguntou. “Eu mesmo.” Eu respondi, virando. Ela estava vestida como se a Chapeuzinho Vermelho tivesse acabado em um set de filme pornô. Ela sorriu, enrolando a ponta de uma de suas chuquinha. “Ela não é realmente uma fantasia.” “Nós somos legais de mais para usar fantasias.” Jase disse, olhando para a amiga de Steph. Eu gentilmente soltei os braços de Steph. “Vocês estão quentes.” “Eu sei.” Steph riu. “Podemos jogar?” ela perguntou apontando para o jogo. Jase deu um passo para o lado, e eu sabia que pelo jeito que ele prestava atenção na amiga de Steph, ele não estaria passando a noite sozinho. Minha atenção foi em direção a Moranguinho e, pela segunda vez na noite, fiquei surpreso com o que ela estava fazendo. Ela estava dançando. Isso não deveria ser muita coisa, mas eu tinha a suspeita de que, o que quer que tenha feito ela parar de dançar profissionalmente, havia parado tudo. Deus, ela era... eu não tinha palavras. A música era rápida, com muitas batidas, e seu quadril acertava todas. Segurando a mão de Brittany, as duas dançavam juntas. Um sorriso quando Jacob se juntou a elas. Sua cabeça estava jogada para trás, braços levantados e ela estava rindo. Naquele momento eu percebi que estava vendo um lado totalmente diferente de Avery. Um que eu nunca havia visto antes, onde ela era viva e livre, e fodidamente perfeita. “Eu vou casar com aquela garota um dia.” Eu me ouvi dizendo. Jase engasgou com a sua cerveja e inclinou para frente, tomando grandes fôlegos. “Puta merda.” Eu ri. Mas isso imediatamente começou a ir embora quando um cara aleatório apareceu atrás dela, passando suas mãos em seus quadris. Avery pulou um bom meio metro do chão enquanto olhava sobre seu ombro. Tony. Esse era seu nome. Um calouro que tinha acabado se ser iniciado na fraternidade de Jase. Ele tinha feito parte do primeiro grupo que ganhamos no cerveja-pong – aquele que quase acabou caindo de cara na mesa. Eu não o conhecia, mas não gostava dele. E eu com certeza não gostava do que ele estava fazendo com seus quadris. Avery se virou para o lado e Tony ainda estava preso a ela como um maldito polvo. Ele estava, obviamente, chapado e era, também obvio, que Avery não queria dançar com ele. Toda vez que ela tentava se afastar, ele voltava.


Raiva explodiu em meu peito como um tiro. Eu andei para frente, ignorando Jase quando ele me chamou. Eu estava no meio do caminho pela garagem quando Tony escorregou sua mão pelo estômago dela. “Me solta!” ela gritou. Cabelo na base de meu pescoço se arrepiou com o medo real me sua voz. Eu tropecei – porra de tropeço – e então corri para frente, empurrando qualquer um que estivesse no caminho. Eu nem estava os vendo. Raiva tinha gosto de sangue na minha boca quando peguei o braço de Avery, puxando ela para longe. Seu suspiro assustado era como um trovão em meus ouvidos enquanto eu empurrava Tony para trás. O filho da puta tropeçou ao recuar, batendo na parede. Eu estava em cima dele num piscar de olhos.


- 14 Eu iria quebrar a cara desse filho da puta. Era simples assim. Ele estava tocando nela e era óbvio para todos, mesmo os com um cérebro do tamanho de uma ervilha, que ela não queria ser tocada. Empurrando minha mão em seu peito, eu o esmaguei de volta a parede enquanto minha outra mão se curvava em punho. “Mas que porra, cara? Você tem algum maldito problema de audição?” “Me desculpa.” Tony levantou sua mão, tremendo “Nós estávamos apenas dançando. Não tinha a merda de intenção nenhuma com isso.” “Cam” Avery chamou. Eu empurrei Tony de volta quando ele começou a falar novamente e, de repente, Jase estava nas minhas costas, me segurando. Ele me afastou, e Tony cambaleou contra a parede. “Você precisa se acalmar.” Jase disse. Eu tentei me livrar do aperto de Jase. “Me deixe ir, porra.” “Porra nenhuma.” Ele estava em meu rosto, mãos em meu peito. “Você não precisa disso, se lembra? Entrar em uma briga é a ultima coisa que você fodidamente precisa agora. Então se acalme.” Meu sangue fervia com a necessidade de colocar meu punho no meio da cara do garoto, mas Jase... merda, Jase estava certo. Eu não podia entrar em uma briga. Minha condicional seria retirada e eu não podia fazer minha família passar por isso. Nem Avery. Avery. Eu me virei. Uma multidão tinha se juntado entre a gente enquanto ela estava com a Brittany, rosto pálido e olhos brilhando com lágrimas não derramadas. Eu andei em sua direção mas Jase me bloqueou. “Você precisa se acalmar antes de fazer qualquer coisa.” Ollie apareceu ao meu lado, colocando uma cerveja em minha mão. “Jase está certo, cara. Avery vai estar bem, mas você...” Por uma vez na vida ele estava sério. “Você precisa se acalmar um pouco.” Eu o deixei me puxar em direção a porta e quando eu olhei de volta, não pude encontrar Avery na multidão. Ela tinha ido embora.

Sentado na beirada da cama que Jase dormia quando ele ficava nessa casa, Eu peguei meu celular, mandando Avery uma mensagem rápida. Jase bateu a porta mas eu ignorei, esperando uma resposta. Eu não deveria ter deixando ele me arrastar para cá. Agora, Ollie estava do lado de fora, bancando o guarda. Eu deveria estar junto da Avery, tendo certeza que ela estava bem. “Mas que merda você se meteu cara?” Eu encarei Jase. “Ela costumava dançar.” Suas sobrancelhas arregalaram. “Mas que porra?” ele exigiu de novo. “Mas que porra isso tem a ver com tudo?” Deixando minha cabeça cair em minhas mãos, eu dei de ombros. Eu não tinha ideia do que isso tinha ver com tudo, mas eu tinha esse sentimento que dança para Avery – para ela fazer isso – tinha sido uma coisa importante. Jase amaldiçoou enquanto se virada e então, voltava na minha direção. “O que está acontecendo com você, Cam? Você não fica irritado assim. Você não sai do prumo por...” “Não se atreva a dizer ‘por’ ninguém.” Meu queixo levantou, olhos estreitos em Jase, raiva serpenteando ao meu redor como um trem fora de controle. Eu me levantei. “Ele estava tocando nela, Jase. Ele estava segurando em sua mão e...” Eu me interrompi antes que falasse o que não queria, o que estava se formando em minha língua.


“Então?” “Você está falando sério?” Eu andei para frente, mas Jase não se intimidou. Ele ficou ombro a ombro comigo. “Então? Você ficaria feliz com um cara...” “Porra, não, eu não sou, mas Jesus H. Cristo em uma manjedoura, Cam, ele era um calouro idiota bêbado e você e eu já vimos coisas piores acontecerem aqui.” Seus olhos brilharam um prata intenso, um indicador claro que ele estava prestes a perder sua paciência. Bom. Eu também estava. De novo. “E antes que você diga que você interveio nessas situações também, eu sei. Nós dois fizemos isso, mas você nunca tentou arrancar a cabeça de um cara antes.” Ele tinha um bom ponto. Mais que merda. “Isso é diferente.” “Por que é ela?” O jeito que ele disse ‘ela’ me fez querer socar a parede. “Melhor você ser cuidadoso, cara, quando você falar suas próximas palavras.” Suas pupilas dilataram enquanto ele levantava suas mãos. “Olhe, Avery parece ser uma ótima garota. Ela parece, mas da última vez que eu vi, vocês não estavam juntos.” “E?” Eu joguei de volta a palavra a ele. Jase parecia que queria passar seus punhos por mim. “Ela te rejeitou quantas vezes? E você está agindo como um namorado chateado e possessivo e, a ultima coisa que você precisa é entrar em uma briga. Ou eu tenho que te lembrar que, se você fizer isso, você viola sua condicional e vai para prisão? Não na cadeia, mas...” “Você não precisa me lembrar.” Eu me virei, passando minhas mãos pelo meu cabelo. “Você não entende.” Ele não respondeu imediatamente. “Você está certo. Eu não entendo como essa garota está fazendo você pensar com seu pau. Você já pensou que ela pode estar brincando com você por razão nenhuma?” Eu me virei para ele, mãos fechadas em punhos. Se ele não fosse meu amigo mais próximo, aquele que tirava minha cabeça de minha bunda quando eu estava confinado em casa, eu teria quebrado sua mandíbula. Eu dei vários suspiros profundos antes de responder. “Ela não é assim Jase. Eu sei que é difícil de acreditar. Eu entendo isso. Você está errado de um jeito que nem consigo começar a explicar, mas ela não é assim.” Balançando sua cabeça, Jase se virou e foi em direção a porta. “Isso é o que todo cara diz antes de estar fodidamente dócil.” “Avery é diferente.” Eu disse a ele, pegando meu celular de novo. Sem resposta. Uma bola de um mal-estar se formou em meu estômago. “Você não a conhece como eu. Você realmente não conhece ela." Ele me encarou enquanto passava sua mão pelo sei queixo. “Eu não te conheço agora.” Eu não sabia como responder isso. “O que tem sobre ela?” ele perguntou, soando como se ele realmente quisesse entender a minha atração que eu mal poderia entender também. “Ela não é como nenhuma das outras garotas que você saiu. Ela é fodidamente estranha e quieta. Ela é bonita, mas...” “Ela é realmente bonita.” Eu o interrompi, duvidando que ele discordasse. Ele não o fez. “Ela vale a pena?” “Sim,” eu disse, olhando para meu celular novamente. Ainda nada. “Sim, ela vale e eu preciso ter certeza que ela está bem.” “Cam...” “Eu estou saindo dessa merda de quarto agora e você não vai me impedir.” Quando Jase não se moveu, eu amaldiçoei sob minha respiração e fiz uma nota mental que ele só estava fazendo isso porque ele era meu amigo. “Eu não vou espancar ninguém. Eu vou encontrar Avery. É tudo que me importa agora.” Jase desviou o olhar, um musculo tenso em sua mandíbula e então ele balançou a cabeça. “Eu tenho certeza que ela está bem, Cam.”


“Você não...” eu pausei, esfregando um ponto em meu peito enquanto as paredes do quarto pareciam ficar embaçadas. Meu peito se apertou. “Você não entende Jase. Eu acho... eu acho que algo aconteceu com ela antes.” Compreensão passou por seu rosto e ele saiu do caminho. “Aw, merda.” “Yeah” eu murmurei, sentindo essa sensação horrível em meu pescoço. “Merda.”

Meu coração estava acelerado enquanto eu encarava Brittany. “Você não a viu?” “Não.” Ela balançou a cabeça, fazendo com que suas asas de anjo caíssem. “Depois que você foi para dentro com Jase e Ollie, ela disse que iria para fora para pegar um ar, mas ela nunca voltou.” “Merda.” Eu olhei de novo para meu celular enquanto pressionava seu nome novamente. Andando para fora da garagem, eu xinguei quando ninguém atendeu. Eu não tinha visto Tony lá dentro ou em lugar algum, mas eu duvidava que ele tinha indo atrás dela. Jase estava certo. O cara era só mais um idiota bêbado, mas isso não me dizia onde Avery estava. E eu tinha procurado em todos os lugares. Brittany me seguia. “Ela não atendeu nenhuma das minhas chamadas nem de Jacob. Eu nem acho que ela ainda está aqui.” Ela pausou, tirando o cabelo de seu rosto. “Eu vou ir para ela...” “Não.” Eu disse, apertando meu celular. “Eu vou.” “Mas...” “Vou deixar você saber se eu a encontrar.” Eu já tinha começado a andar e então eu estava correndo para onde meu carro estava estacionado. Batendo a porta fechada, eu liguei o motor e acelerei pela rua residencial. O mal estar formou uma bola gelada na boca do estômago. O medo em sua voz... ela havia estado apavorada quando Tony a segurou. Aquele sentimento estranho estava de volta. Tanto quanto eu gostaria de negar isso, tirar isso dos meus pensamentos, eu não podia mais. Algo tinha acontecido a ela. O que, para ser exato, eu não tinha certeza. Eu tentei ligar para ela no meu caminho para casa mas, como esperado, ela não atendeu. Minhas mãos estavam agarradas ao volante, minhas juntas esbranquiçadas. Eu estacionei no primeiro lugar que achei no University Heights e corri pelo estacionamento. Não havia tempo de procurar pelo seu carro. No escuro, seria como procurar uma agulha em uma pilha de agulhas. Meu estômago estava revirado quando eu cheguei no nosso andar e estuprei meus dedos na sua porta. Se ela não respondesse, eu iria arromba-la. E, se ela não estivesse ali, eu iria viajar por esse maldito pais para encontra-la. Então a porta abriu e Avery estava ali, olhos vermelhos inchados, marcas de rímel e lágrimas formavam trilhos em suas bochechas. Mas ela estava bem. Ela estava bem. Com meu coração chegando a minha garganta, eu entrei e passei meus braços ao seu redor, pressionando ela contra meu peito. Estendendo a mão, eu a embalei, deixando meu queixo no topo de sua cabeça. Eu não confiava em mim mesmo para falar no começo, e quando consegui, meus dedos se enrolaram na ponta de seu cabelo. “Jesus Cristo, por que você não atendeu o celular?” Ela não levantou sua cabeça quando falou. “Eu deixei meu celular no carro, eu acho.” “Merda, Avery.” Eu a afastei um pouco, colocando minhas mãos em suas bochechas. “Eu venho enchido seu telefone – tanto como Jacob e Brittany.” “Desculpe-me. Eu não...”


“Você esteve chorando.” Raiva subiu novamente. “Você esteve malditamente chorando.” “Não, não estive.” “Você se olhou no espelho?” Quando ela balançou a cabeça, eu fechei a porta atrás de mim e peguei em sua pequena mão. “Vamos.” Ela engoliu forte, mas me deixou leva-la. Eu a levei para o banheiro e liguei a luz. Ela prendeu um afiado suspiro quando se viu no espelho. “Oh Deus...” nosso olhar se encontrou no espelho e então ela deixou cair seu rosto em suas mãos. “Perfeito... somente perfeito.” “Não está tão ruim assim, querida.” O nó em meu peito doeu enquanto eu, gentilmente, puxava suas mãos para longe. “Sente-se.” Avery se sentou no acento fechado da privada e encarou seus dedos. “O que você está fazendo aqui?” Pegando uma talha, eu a umedeci e então me sentei na sua frente. Descrença me impediu de falar no começo. “O que eu estou fazendo aqui? Isso é uma pergunta séria?” “Acho que não.” Ela ainda não tinha levantado seu olhar. “Olhe para mim. Merda, Avery, olhe para mim.” Seu queixo levantou, olhos tão estreitos até que só uma linha de marrom escuro aparecesse. “Feliz?” Meus molares rangeram quanto eu fechei minha boca. “Por que eu viria aqui? Você saiu da festa sem dizer uma palavra para ninguém.” “Eu disse...” “Você disse a Brittany que iria pegar um pouco de ar. Isso foi a três horas atrás, Avery. Eles pensaram que você estava comigo mas quando me viram depois descobriram que não estava. Depois do que aconteceu com aquele idiota, você os assustou.” Seu rosto caiu. “Não foi minha intenção. Eu só deixei meu celular no carro.” Silenciosamente, eu passei a toalha sob suas bochechas, limpando a maquiagem manchada. “Você não precisava ir embora.” “Eu reagi mal. O cara... ele realmente não fez nada de errado. Ele só me surpreendeu e eu reagi mal. Eu estraguei a festa.” “Você não estragou a festa. E aquele filho da puta não deveria estar te agarrando. Merda. Eu ouvi você dizer ‘me solta’ e eu sei muito bem que ele também. Talvez que não devesse ter reagido tão... bruscamente como fiz, mas foda-se. Ele estava te agarrando e eu não gostei disso.” Seus ombros inclinaram para frente. “Você não precisava vir aqui. Você deveria ter ficando na festa, ter aproveitado.” Eu honestamente não conseguia acreditar que ela pensou que eu deveria ter ficado na festa enquanto ela estava aqui chorando. Ela me observou, sua expressão confusa. “Nós somos amigos, certo?” “Sim.” “É isso o que amigos fazem. Eles cuidam um dos outros. Brittany e Jacob também estariam aqui, mas eu os fiz ficarem lá.” “Eu preciso pegar meu celular e ligar...” “Eu vou mandar uma mensagem para Brittany. Eu tenho seu número.” Eu me encostei, a observando. “O fato que você não esperava que ninguém viesse te ver é... eu nem sei o que é.” Sua boca abriu e então ela balançou a cabeça e desviou o olhar. Eu coloquei minha palma em sua bochecha, parando-a. Usando meu dedão, eu empurrei a ultima lágrima que ainda havia lá. Seus cílios se levantaram e eu faria de tudo para apagar todas as lágrimas que ela havia derramado. “Por que você estava chorando?” eu perguntei. “Espere. Aquele idiota te machucou? Porque eu juro que...” “Não! Nem um pouco!”


“Então por que?” eu segurei minha respiração enquanto ela apoiava sua bochecha na minha palma “Fala comigo?” “Eu não sei. Eu acho que só estava sendo uma menina.” Minhas sobrancelhas se levantaram “Você tem certeza que isso é tudo?” “Sim” ela sussurrou. Tinha mais, tinha que ter, mas como alguém pergunta algo assim? Eu não sabia. “Você está bem?” Moranguinho concordou. Eu abaixei minha mão, passando meu dedão por seus lábios por acidente, mas quando o fiz, ela inalou gentilmente. Nosso olhar se encontrou. Aquele mesmo sentimento que eu tive quando estávamos na festa me acertou no peito. Eu queria beija-la. EU queria faze-la esquecer de Tony e da festa e de todas essas lágrimas. Mas a primeira vez que eu a beijasse eu não queria que ela sentisse o gosto de suas próprias lágrimas. Diminuindo o espaço entre nós, eu pressionei minha testa contra a dela e deixei sair um suspiro cansado. “Você me deixa louco as vezes.” “Desculpa.” EU a afastei, procurando por seu rosto. “Não fuja mais desse jeito, okay? Eu estava totalmente preocupado quando não consegui te encontrar e ninguém sabia onde você estava.” Moranguinho me encarou e então se inclinou para frente, pressionando um beijo em minha bochecha, surpreendendo cada merda de célula em meu corpo. Meus olhos se arregalaram enquanto eu me inclinava para trás, sem poder desviar meu olhar dela. Eu comecei a pensar em ignorar a parte de não beijar agora, mas me impedi. “Avery?” “Cam?” Com toda a seriedade, eu segurei seu olhar “Saia em um encontro comigo.” Houve um pequeno segundo de hesitação em seus lábios e então dois pontos rosados suaves apareceram em suas bochechas, mas quando ela falou primeiro, eu não pensei que a tivesse ouvido direito. Mas ouvi. “Sim.” Ela disse.


- 15 Quando Brittany me encurralou do lado de fora de Gestão Esportiva na Quarta seguinte, eu realmente não tinha ideia do que ela poderia querer. “Podemos conversar?” ela perguntou, encolhendo em seu moletom pink neon. Mechas de cabelo loiro emolduravam seu rosto. “Claro.” Eu a guiei em direção aos bancos vazios. “Avery está bem?” Seus lábios ficaram tensos enquanto ela se inclinava para frente. O fino traço de cigarro impregnava suas roupas. Na sua mão, ela brincava com um isqueiro. “Ela está tão bem quanto ela sempre está.” Eu virei minha cabeça em sua direção, franzindo levemente. “O que isso quer dizer?” Seus olhos correram os meus. “Vamos lá, Cam. Tanto quanto você passa tempo com ela...” ela cortou, balançando a cabeça e juntando seus lábios. “De qualquer maneira, ela disse que finalmente disse sim para você? Que ela iria sair com você?” Meu franzido se desfez, mas eu realmente não tinha ideia da onde essa conversa estava indo. “Sim, ela disse. Nós vamos sair sábado a noite.” Ou então era nisso que eu acreditava. “A não ser que ela tenha mudado de ideia e está planejando em me dar um cano.” Brittany balançou a cabeça. “Não. Eu não acho que ela vá te dar um cano.” “Acha?” Ela riu. “Bem, você nunca pode ter certeza com ela.” “Isso é verdade.” Eu pausei, me virando em sua direção. “Então, eu duvido que você queria confirmar que ela disse sim.” “Não.” Ela tomou um grande fôlego enquanto encostava para traz, brincando com o isqueiro azul entre os dedos. “Eu vou ser direta com você, okay?” “Okay.” Ela olhou para cima, seus brilhantes olhos pousando em mim e eu combati uma risada da expressão séria que estava em seu rosto. “Avery realmente gosta de você. Eu sei que ela provavelmente não mostra isso, mas ela gosta.” Eu relaxei. “Eu sei que ela gosta.” Ela levantou uma sobrancelha, “Mas você realmente gosta dela?” Outra classe tinha sido dispensada e uma correria de pessoas encheram o caminho, bloqueando o vento. “Porque eu sei como você era no colegial e você poderia realmente ter qualquer menina aqui, mas você quis aquela que ficou te rejeitando.” “Então?” eu cruzei meus braços. “O que isso tem a ver com tudo?” “Isso é por que ela é um desafio para você?” ela perguntou, não desviando o olhar. “Porque se você está saindo com ela porque ela não é fácil, eu vou cortar você fora.” Eu cai na gargalhada. “Me cortar?” Seus olhos estreitaram. “Não estou brincando.” Forçando parar de rir, eu concordei na esperança que conseguir colocar um olhar sério em meu rosto. “Eu acredito em você.” “Bom.” Ela concordou. “Mas você não respondeu minha pergunta.” Eu mordi a parte interna da minha bochecha. “Eu gosto dela, Brittany. E isso não tem nada a ver com nenhum desafio ou merda parecida. E o jeito que eu era no colegial não é, obviamente, o que eu sou hoje.” Eu tomei um grande fôlego, deixando ele sair lentamente. “E eu sei que ela é... diferente.” Brittany assentiu novamente e ela não disse nada sobre isso. Parte de mim estava aliviado que alguém tinha percebido alguns hábitos da Avery também, ou tinha sido sua confidente, mas outra parte estava inquieta. Eu olhei para ela. “Ela te disse alguma coisa?” “Sobre você?” “Não.” Eu ri. “Ela te disse algo...” Merda, eu não tinha ideia de como perguntar isso. Por sorte, Brittany entendeu o que eu não estava com vontade de falar.


“Foi pelo jeito que ela reagiu na festa, então eu perguntei a ela outro dia.” Brittany levantou, guardando o isqueiro no bolso de seu jeans. Meu estomago se apertou enquanto eu esperava. Ela segurou a tira de sua bolsa. “Ela me disse que nada aconteceu a ela.” Ar parou em algum lugar na minha garganta. “Você acredita nela?” Ela deu um passo para trás e então outro para frente, abaixando sua voz. “Ela olhou diretamente em meus olhos e disse que nada aconteceu. EU não sei no que acreditar. E você?” “Eu não sei, mas você é sua amiga, ela deveria ter te contado.” Eu esperava que esse fosse caso. “Certo?” “Eu acho,“ ela respondeu, sorrindo tensamente. “Eu preciso correr antes que me atrase para aula de História. Yay.” “Hey.” Eu levantei. Brittany se virou. “O que?” “Você é uma boa amiga.” Ela sorriu enquanto pegava um cigarro de sua bolsa. “Eu sei.”

Um certo nervosismo tinha me amarrado apertado enquanto eu passava um suéter preto por minha cabeça e então sai a procura de meus sapatos. Eu não conseguia me lembrar da ultima vez que eu estava assim tão nervoso, mas fazia sentido. Quantas semanas – inferno, meses – tinham se passado antes que Moranguinho dissesse sim? Eu tinha motivo para estar nervoso. Eu escorreguei para fora do apartamento antes que Ollie pudesse aparecer. Meu coração estava batendo rápido demais e minha cabeça cheia de ter de aturar seus comentários. Quando eu bati na porta da Moranguinho, ela abriu quase imediatamente, e o nervosismo virou algo totalmente diferente quando eu a vi. Uma blusa verde profunda misturada com a suavidade de seus cabelos e curvas. Parte de mim nem poderia acreditar que eu notei isso e estava prestes a recitar poemas em minha cabeça. O sempre presente bracelete estava no lugar. Meu olhar viajou pelo seu jeans skinny colocados para dentro de um par de botas pretas e então para cima, encarando onde as suaves curvas avermelhadas contornavam seus seios. Eu limpei minha garganta. “Você está... realmente, muito bem.” Ela abaixou seu queijo enquanto eu entrava no apartamento. “Obrigada. Você também.” Sorrindo, eu me inclinei contra as costas de seu sofá. “Você está pronta? Pegou um casaco?” Moranguinho se virou, praticamente batendo suas costas na parede. Ela voltou com um casado preto e encarou o chão. Eu peguei a sua bolsa e passei para ela. “Obrigada” suas bochechas inflamaram e então ela adicionou, sem fôlego. “Pronta.” “Ainda não.” Eu a acalmei, tirando mechas de seu cabelo de seus ombros e então abotoei sua jaqueta. “Está congelando lá fora.” Moranguinho me encarou enquanto eu terminava de abotoar seu casado. Minhas juntas acariciaram onde a jaqueta inchou docemente e ela estremeceu de uma maneira que me fez querer puxá-la para perto. “Perfeito.” Eu murmurei, forçando minhas mãos a abaixarem. “Agora estamos prontos.” Eu segurei sua porta aberta e, no momento que saímos para o corredor, Ollie apareceu de dentro do apartamento, celular em uma mão e sacudindo Raphael com a outra. Mas que...? “Sorriam!” Ollie tirou uma foto. “É como se minhas duas crianças estivessem indo para o baile.”


Meu. Deus. “Vou colocar isso no meu álbum. Se divirtam!” Rindo, Ollie balançou de volta para o apartamento, fechando a porta atrás de si. Moranguinho olhou para mim. “Um...” Eu ri alto. “Meu Deus, isso foi diferente.” “Ele normalmente não faz isso?” “Não.” Eu coloquei uma mão na parte inferior de suas costas. “Vamos sair logo daqui antes que ele tente ir com a gente.” Ela sorriu. “Com o Raphael?” “Raphael seria bem vindo. Ollie, por outro lado, não.” Eu ri enquanto chegávamos a escada. “A ultima coisa que eu quero é que você se distraia do nosso encontro.”

“Por que eu?” Avery deixou escapar e então, fechou seus olhos. “Okay. Não responda isso.” A pequena vela na mesa vestida com uma toalha de linho tremeu entre nós. Nós tínhamos feito nosso pedido com o garçom e Avery tinha pulado de assunto em assunto, nervosamente, enquanto beliscava seu pão. O que tinha provocado essa pergunta havia sido a verdade. Eu tinha dito ela que ela não precisava se preocupar em me impressionar. E ela tinha me encarado como se eu fosse um idiota, e agora havia feito essa pergunta. Eu não podia acreditar que ela realmente havia perguntado isso. Algumas vezes as mulheres realmente me deixavam embasbacado. O garçom chegou com nossa comida, me distraindo por dois minutos. “Eu vou responder essa pergunta.” Ela gemeu. “Você não precisa.” Eu peguei meu copo, a olhando sobre a borda. “Não, eu acho que preciso.” “Eu sei que é uma pergunta estupida a se fazer, mas você é incrível Cam.” Seus dedos apertaram os talheres. “Você é legal e é engraçado. Você é inteligente. Eu venho te recusando por dois meses. Você poderia sair com qualquer pessoa, mas está aqui comigo.” Um sorriso surgiu em meus lábios. “Sim, eu estou.” “Com a garota que nunca foi a um encontro antes.” Ela olhou para cima, encontrando meu olhar. “Isso só não parece realidade.” “Okay. Eu estou aqui com você porque eu quero estar – porque eu gosto de você. Ah, me deixa terminar.” Um olhar de dúvida que passou em seu rosto era obvio. “Eu já te disse isso. Você é diferente – em um bom sentido, então tire esse olhar do seu rosto.” Ela estreitou seu olhar na minha direção. “E eu tenho que admitir que algumas vezes que eu pedi para você sair comigo, eu sabia que você não iria dizer sim. E, talvez, enquanto eu não estava sempre sendo sério quando eu perguntava, eu sempre estava sendo sério sobre querer te levar para sair. Você entende isso? E eu gosto de passar meu tempo com você.” Eu coloquei um pedaço de bife na minha boca. “E hey, eu acho que sou uma ótima conquista para seu primeiro encontro.” “Meu deus.” Ela riu, enrugando a pele em torno de seus olhos. “Eu não posso acreditar que você acabou de dizer que era uma ótima conquista.” Eu dei de ombros. “Eu sou. Agora coma seu frango antes que eu o faça.” E ela fez. Mais importante, ela finalmente relaxou o suficiente para estar bem com si mesma. E não era esse todo o sentido de um encontro? Eu gostava de pensar que sim. “Então, o que você vai fazer no Thanksgiving?” eu perguntei. “Vai voltar para o Texas?” Ela fez uma careta. “Não.” “Você não vai pra casa?”


Moranguinho terminou o ultimo pedaço de seu frango. “Eu vou ficar aqui. Você vai pra casa?” “Eu vou, só não tenho certeza ainda de quando.” Eu não gostava da ideia dela ficando sozinha. “Você realmente não vai mesmo pra casa? É mais de uma semana – nove dias. Você tem tempo.” “Meus pais... vão estar viajando, então vou ficar por aqui.” Seu olhar desvirou. “Seus pais fazem o grande jantar de Thanksgiving?” “Yeah,” eu disse distraído. Quando a conta chegou e nós fomos em direção a noite fria, eu deixei cair um braço sob seus ombros, aconchegando ela mais perto enquanto andávamos no estacionamento. Ela não resistiu, no lugar, ela ficou pressionada contra minha lateral. “Você teve um bom jantar?” eu perguntei uma vez, dentro do carro, batendo minhas mãos juntas e as esfregando. “Sim. E obrigada pela comida. Eu quero dizer, jantar. Obrigada” Ela fechou seus olhos e, mesmo estando muito escuro para eu ver, eu sabia que ela havia corado. “Obrigada.” “De nada.” Eu ri. “Obrigado por você finalmente ter concordado em me deixar te levar para sair.” Ela me mandou uma tentativa de sorriso, e um silencio confortável caiu entre nós, o que era bom. Meus pensamentos ficavam indo e voltando no fato que ela não estava fazendo nada no Thanksgiving. Parecia errado e solitário e mais um milhão de coisas em passar um feriado sozinho. Uma ideia se formou em minha cabeça, uma que eu duvidava que Avery iria aceitar, mas eu tinha que tentar. Quando voltamos para University Heights, paramos em frente a sua porta e o momento mais estranho de qualquer encontro estava prestes a acontecer. Parte de mim mal podia esperar para ver como ela iria lidar com isso. Moranguinho se virou para mim, olhar fixado em meu peito enquanto brincava com a tira de sua bolsa. “Então...” eu comecei a dizer alto, silenciosamente orando para que ela não dissesse adeus. “Você quer entrar?” ela perguntou, e eu, internamente, dei um soco no ar. “Para beber algo? Eu tenho café ou chocolate quente. Eu não tenho cerveja ou algo mais...” “Chocolate quente seria bom.” Até agua seria bom demais. “Mas só se você tiver aquele tipo que vem com os pequenos marshmellows.” O grande sorriso de Moranguinho fez algo estranho com meu peito. “Eu tenho.” “Então guie o caminho, querida.” Enquanto ela entrava na cozinha, eu fui para sala. Ela se juntou a mim no sofá com duas canecas de chocolate quente. Ela tirou suas botas e colocou seus pés embaixo dela. Eu decidi que não havia ninguém mais fofa que ela. Nunca. “Obrigado.” Eu peguei uma, observando o vapor saindo do topo. “Tenho uma pergunta para você.” “Okay.” Pequenos marshmellows rasparam em meus lábios quando tomei um gole. “Então, baseada na sua primeira experiência de encontro, você iria em outro?” Ela sorriu levemente. “Como um segundo em geral?” “Em geral.” “Bem, esse foi um bom primeiro encontro. Se o segundo for igual a esse, então eu acho que sim.” “Humm.” Eu a observei. “Com qualquer um ou...?” Seus cílios se abaixaram. “Não com qualquer um.” “Então teria de ser alguém em especial?” eu perguntei. “Eu acho que teria de ser.”


“interessante.” Quando ela levantou seu olhar para o meu, seus olhos eram suaves e infinitos. “Teria esse alguém, em particular, esperar outros dois meses se ele te chamasse?” Um sorriso se formou em volta da beirada da caneca. “Depende.” “Do que?” “Meu humor.” Eu ri. “Se prepare.” “Okay.” “Eu vou te chamar para sair novamente – não jantar, porque eu gosto de variar. É para o cinema.” Ela colocou seus dedos em sua bochecha. “Cinema?” “Mas é um cinema tipo drive-in, um dos últimos na região.” “Do lado de fora?” Excitação brilhava em seu olhar. “Yep. Não se preocupe. Vou te manter aquecida.” Ela balançou sua cabeça rindo. “Okay.” “Okay para o cinema?” Sugando seu lábio inferior entre seus dentes, ela concordou. Espere. O que? Seria assim tão fácil? “Sério que isso não vai levar outros dois meses?” Ela balançou a cabeça, dizendo não. Eu ri sob minha respiração, sabendo que a pior parte esperava. “Okay. Que tal Quarta?” “Próxima Quarta?” ela perguntou. “Nope.” Ela se ajeitou contra o sofá. “Na outra Quarta?” “Yep.” Seus olhos castanhos se tornaram um franzido. “Espere. Essa não é a Quarta antes do Thanksgiving?” “É.” “Cam, você não está indo pra casa?” “Estou.” “Quando?” ela perguntou. “Depois do cinema, no meio da noite ou na manhã de Thanksgiving?” “Veja, o cinema drive-in é logo fora da minha cidade natal. Por volta de dez milhas.” Avery me encarou, seus olhos arregalados. “Não estou entendendo.” Bebendo o resto do chocolate quente, eu coloquei ele para o lado e me virei até que pouco espaço nos separasse. “Se você está indo nesse encontro comigo, então você vai ter que ir para casa comigo.” “O que?” ela quase estourou minha audição enquanto se levantava. “Ir para casa com você?” Para me impedir de rir, eu pressionei meus lábios juntos e assenti. “Você está falando sério?” “Tão sério quanto minha audição furada.” Eu disse. “Venha para casa comigo. Nós vamos nos divertir.” “Ir para casa com você – para a casa de seus pais? Basicamente para o Thanksgiving?” Eu assenti e ela bateu em meu braço. “Não seja idiota, Cam.” “Eu não estou sendo idiota. Estou falando sério. Meus pais não vão se importar.” Eu pensei no que eu havia dito a meu pai. “Na verdade, eles provavelmente ficarão felizes em ver alguém além de mim. E minha mãe gosta de cozinhar muita comida. Quanto mais bocas para comer, melhor.” Ela continuou me encarando, boca aberta. Não estava indo bem. “Nós podemos ir quando você quiser, mas claro antes de Quarta a tarde. Você pretende terminar o resto do seu chocolate?” Eu peguei a caneca quando ela balançou a cabeça. “E podemos voltar quando quiser também.”


Avery me observou terminar. “Eu não posso ir com você.” “Por que não?” “Por centenas de razões óbvias, Cam. O que seus pais irão pensar...” “Eles não vão pensar nada.” Essa era provavelmente uma mentira, mas ela não precisava saber. Eu suspirei. “Okay. Veja por esse lado. É melhor do que ficar sentada em casa, sozinha, por uma semana. O que você vai fazer? Ficar por ai e ler? E sentir minha falta, porque você vai sentir. E então eu terei que passar a maior parte do meu tempo mandando mensagem e me sentindo mal que você está em casa, sozinha, e nem pode ir ao McDonalds porque eles fecham no Thanksgiving.” “Eu não quero que você sinta pena de mim. Não tem nada demais. Eu não tenho problema nenhum em ficar aqui.” “Eu não quero você sentada aqui sozinha e você está transformando isso numa coisa grande. Eu sou um amigo perguntando um amigo para vir passar um tempo comigo no feriado de Thanksgiving.” “Você é um amigo que acabou de levar o amigo em um encontro!” ela protestou. Eu coloquei a caneca próxima a minha. “Ah, esse é um bom ponto.” Pegando uma almofada, ela segurou próximo a seu peito como um escudo. “Eu não posso fazer isso. Visitar a família no feriado? Isso é muito...” “Rápido?” “Sim.” Ela assentiu furiosamente. “Muito rápido.” “Bem, então eu acho que é uma boa coisa que nós não estamos saindo, porque sim, seria muito rápido se esse fosse o caso.” Sua cabeça inclinou para o lado. “Mas o que?” Eu peguei a almofada dela e coloquei atrás de mim. “Você e eu somos dois amigos que saíram em um encontro. Talvez dois se você vier comigo. Nós não estamos namorando. Somos apenas amigos que saíram em um encontro. Então estaremos indo a minha casa como amigos.” “Você não faz sentido.” “Faz total sentido. Nós nem nos beijamos, Avery. Somos apenas amigos.” Seu queixo caiu no chão. “Venha para casa comigo, Avery. Eu prometo que não vai ser desconfortável. Meus pais vão estar tão felizes em ter você. Você vai ter um bom tempo e vai ser melhor do que você vai acabar fazendo aqui. E nada, absolutamente nada, vai ser esperado de você. Okay?” A palavra ‘não’ estava facilmente se formando nos seus lábios, mas ela desviou seu olhar enquanto se virava, encarando as canecas vazias na mesinha. Alguns momentos se parraram e então ela se virou para mim, seus cílios levantando. Ela engoliu. Isso era bom. “Seus pais realmente ficaram contentes com isso?” Ela não estava dizendo não para mim agora. Isso era bom. “Eu já trouxe amigos antes.” “Meninas?” Quando eu balancei a cabeça, ela bateu suas mãos juntas. “E seus pais realmente vão pensar que somos somente amigos?" “Por que razão eu diria a eles que estamos namorando se não estamos? Se eu digo amigos, é isso que vão pensar.” Eu encontrei seu olhar e segurei minha respiração. “Okay. Eu vou para casa com você.” Ela disse de pressa. “Essa é uma ideia insana.” Por um momento eu não conseguia processar nada além do fato que ela tinha dito sim. “É a ideia perfeita.” Desde que ela estava de tão bom humor... “Vamos nos abraçar para confirmar.” Uma sobrancelha levantou. “O que?” “Nos abraçar. Uma vez que nos abracemos, não há volta.”36 Avery rolou os olhos. “Oh meu deus. Você está falando sério?” “Muito sério.” 36

No original: “Once you hug on it, you can’t back on it.”


Avery resmungou enquanto se levantava sob seus joelhos e esticava seus braços. “Muito bem, vamos nos abraçar para selar nosso acordo antes que eu...” Meus braços foram direto para sua cintura e eu a puxei para perto. Sua perna enrolou na minha enquanto eu a abraçava. Em segundos, seu cheiro me rodeou. “Acordo está selado, querida. Thanksgiving nos Hamiltons.” Ela murmurou algo incoerente enquanto levantava sua cabeça. Nossas bocas se alinharam e um sentimento de entendimento passou por seu rosto. “Você...” Eu ri e seus lábios se afastaram. “Movimento suave, huh? Trouxe você até aqui. Eu não teria acreditado em sua palavra.” “Você está tão errado.” Seus olhos brilharam, e antecipação passou numa corrida. “Eu sou errado em todos os sentidos certos. Eu tenho que admitir algo.” Abaixando minha cabeça, eu passei meus lábios sobre sua bochecha suave, momentaneamente fechando meus olhos a sensação doce que passou por meus lábios. “Eu menti antes.” “Sobre o que?” Cuidadosamente, para que eu não fizesse ela sair gritando pelas montanhas, eu vagarosamente deslizei minhas mãos para a parte inferior de suas costas. “Quando eu disse que você estava bem? Eu não estava sendo completamente honesto.” “Você não acha que eu pareço bonita?” “Não.” Eu caminhei com minha mão subindo sua espinha, parando logo abaixo do seu cabelo enquanto pressionava minha testa contra a sua. “Você está linda hoje à noite.” Seu respirar suave me alertou. “Obrigada.” Beija-la provavelmente era abusar da sorte, mas ela estava tão perto e não estava me afastando. Eu tenho esperado eras para provar de seus lábios. Meu coração acelerou, aumentando a corrente de sangue em minhas veias. Avery ficou tensa quando meus lábios passaram sob sua bochecha e então suas mãos pararam nos meus bíceps. Enquanto chegava mais perto de seus lábios, eu podia praticamente sentir o gosto de chocolate que eu sabia que ainda estaria lá. “Avery?” “O que?” Meu pulso disparou, pulsando em várias partes de meu corpo. “Você nunca foi beijada antes, certo?” “Não.” Ela sussurrou. “Só para ficarmos claros, isto não é um beijo.” Antes que ela pudesse falar alguma coisa, eu passei meus lábios sobre os dela. Mal era um beijo, mais como um cumprimento, mas o raio viajou em mim, tirando o ar de meus pulmões. “Você me beijou.” Os dedos de Avery se apertaram em meu braço; “Isso não foi um beijo.” Ela tremeu quando meus lábios passaram sobre os dela. “Lembra? Se nós tivéssemos nos beijado, então você ir para casa comigo poderia significar algo mais sério.” “Oh,” ela sorriu. “Okay.” “Isso também não é um beijo.” Eu a beijei para valer dessa vez, traçando o desenho de seus lábios, aprendendo a sensação deles. Eles eram tão suaves quanto eu imaginei, absolutamente perfeitos contra os meus. Quando ela se inclinou para mim, fazendo um pequeno som ao respirar, luxúria aumentada por algo muito mais profundo me atingiu. Isso era o seu primeiro – Eu era seu primeiro beijo. Ninguém poderia tirar isto de nós. E não importava o que acontecesse daqui a uma semana ou um mês, nós sempre teríamos isso. Um primário orgulho masculino me envolveu. Perto – eu precisava dela perto, sentir seu corpo sob o meu. Eu a virei para suas costas, mantendo apenas minha boca na dela, e seus lábios se moveram contra os meus. Ela estava me beijando de volta, pequenos beijos que eram desajeitados, mas totalmente sexy em seu jeito único.


Um som veio de dentro de mim e meu corpo demandou que eu me afundasse nela, mas eu me mantive sobre ela, guiando seus lábios abertos. Ela gemeu abaixo de mim, e eu me surpreendi com uma necessidade que nunca senti antes. Sua boca se abriu e eu entrei, passando minha língua na dela, aprofundando o beijo. Suas costas se curvaram e quando seus seios passaram sobre meu peito, eu tive que puxar o freio. Levantar minha cabeça foi à coisa mais difícil que eu já tive que fazer. Parecia ir contra a natureza e ficou ainda mais difícil quando um gemido escapou dela quando eu mordisquei seu lábio inferior. Ela estava respirando pesadamente, como eu, olhos sem foco. “Ainda não foi um beijo?” Sentando, eu a puxei de volta. Meu olhar passava sobre ela, procurando por algum sinal que ela não tivesse gostado do beijo. O que encontrei foi exatamente o oposto. Suas bochechas estavam coradas, seus olhos ferviam e seu peito subia e descia rapidamente. Eu diminui a distância entre nós, passando meu dedão sobre seu lábio inferior enquanto me inclinava. “Não. Isso não foi um beijo.” Eu passei meus lábios sobre os dela, inalando sei cheiro doce. “Isso foi um ‘boa noite’.”


- 16 “Uma menina?” Eu encarei o teto do meu quarto. “Sim, mãe, uma menina.” Houve uma Paula do outro lado da linha. “Uma senhorita?” “Sim.” “Uma menina de verdade, viva?” ela perguntou. “O oposto a uma menina falsa, morta?” Mãe fez eu me calar. “Você está realmente trazendo uma menina para casa?” Eu comecei a franzir a testa. “Por que você soa tão chocada?” “Você nunca trouxe uma garota para casa, Cameron. Você – espere querido!” Um farfalhar interrompeu e então, “Querido, Cameron está trazendo uma garota real, e viva, para casa no Thanksgiving! Você pode acreditar? Não. Eu não posso – o que...?” “Ai meu Deus,” eu gemi, apertando meus olhos fechados. Talvez isso não tenha sido uma boa ideia. Sua vós soava perto do bocal. “Seu pai quer saber se o nome dela é Avery?” Eu bati minha mão sobre meus olhos. “Sim, é, mas ela é só uma amiga. Eu falo sério, mãe. Ela é só uma amiga então não aja como uma louca quando você a conhecer e comece a planejar nosso casamento.” “Isso foi meio que um insulto.” Ela bufou. “Eu só começaria a planejar seu casamento se você a trouxesse no Natal.” Eu ri. “Vou manter isso em mente.” Depois de um tempo absurdo convencendo Mãe e Pai que Avery era apenas uma amiga, e não forçando eu a cometer parricídio, eu desliguei o telefone e joguei-o no travesseiro ao meu lado. Um pequeno sorriso surgiu nos meus lábios enquanto imaginava Moranguinho em casa com meus pais. Uma risada estridente veio da sala de estar, misturada com a risada profunda de Ollie. Eu nem precisava adivinhar o que estava acontecendo lá fora. Resmungando, eu arranquei o travesseiro de baixo de minha cabeça e esmaguei sobre meu rosto, tentando diminuir o som. Já era mal o suficiente que eu estava em constantemente duro. Eu não precisava de um pornô amador acontecendo na sala. Eu fui seu primeiro beijo. Orgulho inflou em meu peito e outras partes do meu corpo estavam sofrendo com a mesma reação, o que não estava ajudando em nada. Depois do nosso encontro, eu passei a maior parte da noite com a mão em volta do meu pênis. E, praticamente, todas as noites após isso. Ficar perto dela não deixava as coisas mais fáceis, mas eu não poderia ficar longe. Não beija-la novamente estava me deixando louco. Quando as coisas na sala se acalmaram um pouco, eu tirei minha cabeça de baixo do travesseiro. Eu realmente esperava que o que fosse o que Ollie estivesse fazendo lá, não estivesse sendo feito no sofá. Eu teria que sentar naquilo. Me virando de lado, eu peguei meu celular. Eu disse a mim mesmo para não fazer isso, que eu a veria amanhã, mas eu era um perdedor, então não consegui me impedir de lhe mandar uma mensagem. Hey. A resposta chegou quase imediatamente. Hey você. Meus lábios se curvaram para cima. O que está fazendo? Lendo sua mensagem. Houve uma pausa e outro texto chegou. Também lendo as matérias seguintes de História. Eu ri. Nerd. Idiota.


Virando-me novamente, eu mandei outra mensagem. Admita. Admitir o que? Você está ansiosa para amanhã. Um minuto se passou e eu me sentei, franzindo a sobrancelha. Finalmente uma resposta chegou. Estou. Demorou tudo isso? Eu respondi. Que vergonha. LOL. Desculpa. Achei que poderia te fazer suar. Balançando a cabeça, eu tirei minhas pernas da cama e fui em direção à porta, espiando o lado de fora. A sala estava escura, mas não vazia. Dois vultos estavam entrelaçados em uma cama feita de travesseiros e lençóis. Fazendo careta, eu desviei deles. Eu enviei um ultimo texto. Knock. Knock. Arrepios passaram pelo meu peito enquanto eu ia para o corredor. Meu telefone tocou e eu olhei. Suspiro. Quem é? Rindo que nem um idiota, eu corri para sua porta, batendo. Mais ou menos dez segundos depois, a porta se abriu. Avery estava ali, seu iPhone apertado em sua mão direita. Sua boca abriu, então se fechou, seus lábios tensos. Eu me inclinei no batente, um sorriso sem vergonha enquanto seu olhar vagava sobre meu abdômen, meu peito, parando na tatuagem em forma de sol. “Hey, menina, hey...” Ela caiu na gargalhada enquanto dava um passo para trás. “Você é... ó meu Deus.” “Eu sou um Deus do sexo, eu sei. De qualquer maneira, tem outra coisa que eu queria que você admitisse.” Puxando seu cardigã em sua volta, ela me encarou enquanto pressionava seus pés um sobre o outro. “Você não está com frio?” “Eu sou muito quente para sentir frio.” Ela revirou os olhos. “O que você quer que eu admita?” Eu a lancei um pequeno sorriso e então andei para frente, me movendo rápido. Seu peito levantou rapidamente e seus lábios se abriram, como se ela estivesse esperando um beijo. Enquanto me aproximava, eu vi seus cílios se fecharem e uma fome passou por mim. Mas eu não beijei seus lábios. Merda, eu queria isso mais que qualquer coisa, mas eu sabia que eu tinha que ir devagar com a Moranguinho. Então eu beijei a ponta de seu nariz. Avery cambaleou para trás, seus olhos arregalados, com um sorriso surgindo em seu rosto. Uma risada suave surgiu dela e eu sabia que faria várias coisas terríveis só para ouvir isso novamente. “Admita.” Eu disse, minha voz rouca. “Você gostou disso.” Olhos dançantes e bochechas coradas, ela inclinou a cabeça para o lado. “Eu gostei.” Foi só depois, quando eu já estava de volta em minha própria cama, que eu percebi que o bracelete que ela sempre usava em torno do seu pulso esquerdo estava ausente.

A garota sorridente de ontem a noite não podia ser encontrada hoje. Pelas últimas quatro horas de viagem, ela tinha roído suas unhas que eu imaginava se havia sobrado algo. “Você tem certeza que seus pais estão bem com isso?” ela perguntou pela milésima vez, e eu concordei pela milésima vez. “E você realmente ligou para eles e avisou, certo?” Olhando de relance para ela, eu não pude me controlar em não provoca-la. “Não.” “Cam!” ela gritou. Eu ri. “Estou brincando. Fique calma, Avery. Eu disse a eles no dia depois que você disse que iria. Eles sabem que você está vindo e eles estão animados por conhecê-la.” Ela me encarou enquanto voltava a roer sua unha. “Isso não foi engraçado.” “Sim, foi.” “Idiota” ela murmurou.


“Nerd.” Um lado de seus lábios se curvou para cima. “Cadela.” “Oh.” Eu assobiei. “Brigando com palavras. Continue assim e eu dou meia volta neste carro.” “Parece como uma boa ideia.” “Você estaria triste e em lágrimas.” Eu a alcancei, tirando sua mão da boca. “Pare de fazer isso.” “Desculpa. É um mau hábito.” “Realmente é.” Eu entrelacei meus dedos com os dela e trouxe nossas mãos juntas para minha coxa, segurando elas ali. Para distrair ela, eu comecei a falar sobre o recital que minha irmã estaria fazendo hoje à noite. Teresa não estaria em casa até amanhã de manhã cedo. A mudança de assunto pareceu funcionar. Verdade seja dita, quando chegamos às ruas estreitas da minha cidade natal, eu estava nervoso. EU não havia trazido uma garota para casa desde o colegial e, honestamente, aquelas vezes não contavam. Não desse jeito. Eu olhei para Avery enquanto parávamos num sinal vermelho. Ela estava observando a bandeira da WVU balançar com o vento, sua mão ainda entrelaçada com a minha. “Você está bem ai?” eu perguntei, apertando sua mão. “Yep.” Ela apertou de volta. Minha garganta estava seca enquanto eu chegava à rua que levava a minha casa. Com o canto dos olhos, eu observei sua reação. Seus olhos se arregalaram enquanto ela libertava sua mão e inclinava para frente. Mãe já tinha começado a decoração de natal. Grandes grinaldas verdes estavam penduradas na porta da frente e nas janelas no segundo e terceiro andar. Eu parei perto da garagem e me virei para Moranguinho. “Você está pronta?” Um leve flash de pânico passou em seu rosto me fazendo ter medo que ela corresse para a floresta mas então ela concordou e saiu do carro. Quando ela se virou para pegar sua bolsa, eu peguei antes. “Eu posso carregar.” Ela disse. Eu olhei para baixo, para a bolsa e joguei-a sobre o ombro. “Eu vou carregar. Por sinal, acho que a estampa de flores rosa e azul fica maravilhoso em mim.” Ela riu, nervosa. “É realmente a sua cara.” “Foi o que pensei.” Eu esperei Moranguinho fazer seu caminho em minha direção e então andei para a entrada. Nós passamos pelo pátio coberto, passando pela mobília de vime que Pai ainda não havia guardado. Uma olhada em Avery, e eu pisquei. “Você parece estar prestes a ter um ataque cardíaco.” “Tão ruim assim?” “Perto.” Me movendo para perto dela, eu arrumei uma mecha de seu cabelo enquanto me inclinada, pegando seu olhar. “Você não tem razão para ficar nervosa, okay? Eu prometo.” Seu olhar passou de meus olhos para minha boca. “Okay.” A urgência para capturar sua boca e sentir o seu gosto doce e único era difícil de resistir, mas eu tinha. Me virando, eu abri a porta e fui recebido por um cheiro de maçã. Meu estomago resmungou. Melhor que esse cheiro seja de uma torta. Eu guiei uma Avery assustada entre as mesas de sinuca e de air-hockey, em direção à escadaria. Seu olhar vagou por tudo, não perdendo um item sequer. Eu me encontrei esperando que ela gostasse do que via, o que era estranho, porque nada disso era meu. “Essa é a caverna dos homens.” Eu disse a ela, a guiando pela escada. “Meu pai passa muito tempo aqui em baixo. Ali está a mesa de pôquer que tive minha bunda chutada.” Um pequeno sorriso passou em seus lábios. “Eu gosto daqui.” “Eu também.” Eu hesitei no primeiro degrau. “Minha mãe e meu pai estão provavelmente lá em cima...”


Ela assentiu enquanto se afastava, me seguindo pela escada a cima e dentre a sala. Revistas estavam espalhadas na mesinha. Significando que Teresa trouxe alguns amigos em algum momento. “Sala de estar.” Eu disse , passando por um arco. “E essa é uma segunda sala de estar, ou alguma outra sala que ninguém se senta. Talvez uma sala de sentar? Quem sabe? E essa é a sala de jantar formal que nunca usamos mas tem...” “Nós usamos a sala de jantar!” Mãe gritou. “Talvez uma ou duas vezes ao ano quanto temos companhia.” “E usamos a ‘louça boa’.” Eu disse, olhando para Avery. Ela parou completamente no final da mesinha, seu rosto pálido. Eu me virei, querendo fazer isso ficar mais fácil para ela, mas sem saber como. Então Mãe veio na sala, ajeirando uma mecha de cabelo de volta em seu rabo de cavalo. Mãe fez um caminho mais curto me minha direção, me pegando em um abraço antes que pudesse me mover. “Eu nem sei onde a ‘louça boa’ está, Cameron.” Eu ri. “Onde quer que elas estejam, provavelmente estão se escondendo dos pratos de papel.” Mãe riu enquanto se afastava, segurando em meus ombros. “Bom ter você em casa. Seu pai está começando a me irritar com toda essa conversa em ‘ir caçar’.” Seu olhar se moveu para Avery e seu sorriso se espalhou. “E essa deve ser Avery?” “Oh, Deus não.” Eu disse. “Essa é Candy, mãe.” Cor subiu por suas bochechas enquanto ela se afastava, deixando cair seus braços. “Uh, Eu...” “Eu sou Avery.” Moranguinho disse, me atirando um olhar que me fez querer beija-la. “Você acertou.” Mãe girou, me batendo no braço. Minha pele estalou. “Cameron! Meu Deus, eu pensei...” Ela me bateu novamente, e eu ri. “Você é terrível.” Balançando a cabeça, ela se virou para Avery novamente. “Você deve ser uma menina muito paciente por ter sobrevivido a uma viagem até aqui com esse idiota.” Moranguinho piscou e, então, disparou uma risada. Claro que ela iria rir disso. “Não foi tão ruim.” “Oh.” Mãe olhou sobre seus ombros para mim. “E ela é bem educada. Está tudo bem. Sei que meu filho é um... prato cheio. Por sinal, você pode me chamar de Dani. Todos fazem.” Mãe abraçou Moranguinho antes que a pobre garota pudesse ver chegando e, não sei o porquê, mas velas juntas assim fez acionou algo estranho em meu peito. Meu coração começou a palpitar quando Avery pareceu relaxar, passando seus braços em torno de minha mãe. “Obrigada por me deixar vir.” Moranguinho disse. “Não tem problema. Nós amamos ter companhia. Venha, vamos conhecer o homem que acha que é minha melhor metade. E por Deus, eu peço desculpas antecipadas se ele começar a conversar com você sobre quanto ele está planejando caçar esse final de semana.” Eu observei Mãe assumir o controle, guiando Moranguinho pela casa, meu coração ainda não tinha parado de palpitar como um martelo em um prego teimoso. Moranguinho olhou sobre seu ombro, seu olhar encontrando o meu, e ela sorriu quando eles se encontraram. Eu pisquei e... Seu sorriso aumentou.


- 17 Observar Avery com minha irmã foi doloroso no começo. Moranguinho quase totalmente tímida e, minha irmã, por Deus, teve que leva-la por quase todas as conversas, gentilmente a introduzindo. Mas, eventualmente, ela relaxou, falando com Teresa sobre dança e ela até se voluntariou em ajudar minha irmã a preparar os acompanhamentos para o jantar. O momento em que eu e meu Pai estávamos sozinhos, ele se virou para mim em sua poltrona, sorrindo levemente. “Ela é uma boa menina, Cameron.” “Eu sei.” “Quero dizer, ela realmente é uma boa menina.” Eu olhei para ele, sobrancelhas levantadas. “Eu sei.” Pai me observou de perto, aquele sorriso estranho ainda brincando em seus lábios. “Ela acabou indo a um encontro com você?” Meus lábios se curvaram. “O que você acha?” “Eu acho que sei a resposta.” Pai colocou sua cabeça para trás. “Vocês estão juntos?” “Não. Eu disse a você e mãe a verdade. Ela não é minha namorada.” Eu pausei, pensando sobre a conversa que eu tinha ouvido esta manha entre minha Mãe e Avery. Eu estaria trazendo ela para o Natal e ela seria minha namorada até lá. “Ainda.” Pai olhou para mim como se ele estivesse prestes a rir mas não o fez. Abrindo seus olhos, ele virou sua cabeça e disparou um olhar matador. “Você contou a ela sobre o que aconteceu?” Músculos tencionaram em meu estômago. Eu sabia sobre o que ele estava conversando, mas não respondi. Pai suspirou. “Menino, você sabe como eu me sinto sobre o que aconteceu. Era a coisa mais certa a se fazer? Não. Mas se você não tivesse feito isto, eu teria. Mas você precisa contar a ela se vocês pretendem ficar sérios. Segredos são... bem, algumas vezes são necessários e outras, matam coisas antes que tenham chances de crescer. Você entende o que estou dizendo?” Eu me encontrei concordando, mas meu olhar desviou para o lugar que Avery e minha irmã haviam desaparecido. Eu senti os nós de inquietação se contorcer em meu estomago. Eu sabia que não era o único com segredos.

Eu estava a dez segundo de pegar o celular da minha irmã e jogar ele do outro lado do cômodo durante o jantar de Thanksgiving. Joguei outro monte de inhame em meu prato. “Quem você continua mandando mensagem?” Teresa sorriu. “Isso não é da sua conta.” Eu levantei uma sobrancelha. “Eu sou seu irmão, isso é da minha conta. Mãe...” eu pausei, olhando do outro lado da mesa. “Você deveria contar a sua filha que é falta de educação ficar mandando mensagem durante o jantar.” Mãe me lançou um olhar seco. “Não está machucando ninguém.” Bem, esse não foi de nenhuma ajuda. Eu cutuquei Moranguinho com meu joelho, e não pela primeira vez. “Está machucando meus sentimentos”, eu murmurei para ela. Avery revirou os olhos enquanto ela me chutava de volta. “Isso é triste.”, Teresa colocou o celular em seu colo. “Então, Avery, como você terminou aqui em West Virginia?” Ela passou sua colher no purê de batatas. “Eu queria ir a um lugar diferente. Minha família é originalmente de Ohio, então West Virginia parecia um bom lugar para ir.” “Eu tenho que ser honesta, eu teria escolhido New York ou Florida ou Virginia ou Maryland ou...” ela olhou para baixo quando seu celular vibrou, pegando-o.


Meu olhar se estreitou enquanto eu cutucava o joelho de Avery. Curioso para com quem minha irmã estava conversando, eu agi como se estivesse indo pegar mais peru, mas fui para seu celular no lugar. “Hey!” Teresa gritou. “Devolva!” Desviando de suas mãos, eu me inclinei para Avery enquanto meu olhar ia para a tela. Murphy? Mas que merda? “Quem é Murphy?” “Ele não é da sua conta! Deus.” Teresa tentou pegar sei celular. “Devolva meu celular.” “Eu vou devolver quando você me contar quem Murphy é. Namorado?” Suas bochechas vermelhas foram resposta suficiente. De verdade, eu não esperava que minha irmã ficasse solteira para sempre, mas ela não tinha tido ninguém sério desde aquele idiota. Ela bateu com suas costas na cadeira, cruzando os braços. “Mãe.” “Cam, devolva o celular para ela.” Ela ordenou, e quando eu não me movi, seu sorriso ficou tenso de um jeito que era raro para ela. “Nós conhecemos Murphy. Ele é um bom rapaz.” Eu tenho certeza que isso era o que todos diriam sobre o idiota. “Ele é bem legal e eu realmente gosto dele.“ Teresa disse baixo. Eu bufei. “Isso não é...” “Ele não é como Jeremy.” Pai interrompeu. “Devolva seu celular.” Avery tinha ficado encarando seu prato e quando sua mão pousou em minha coxa, eu parei de pensar em Jeremy, o idiota, ou o celular de Teresa. Sua mão estava na minha coxa, tão perto de onde eu gostaria que estivesse e, naquele momento, me chame do que quiser, eu não dava a mínima que estávamos tendo um jantar de Thanksgiving. Se ela somente escorregasse sua mão um pouco para cima... Avery pegou o celular de minhas mãos. Filho da puta. “Hey, isso não é nem um pouco justo.” Ela riu para mim enquanto se esticava em minha volta, entregando o celular de volta para Teresa. “Desculpa.” “Obrigada,” ela disse, sorrindo para Moranguinho como se ela fosse um messias dos celulares. Eu atirei nela um olhar promissor antes que me virasse para Teresa. “Eu quero conhecer esse Murphy.” Minha irmã suspirou mas cedeu. “Okay. Me deixe saber quando.” Eu não tinha ideia do que Moranguinho pensou sobre isso só foi quando a conversa acabou que eu percebi que toda essa situação deveria ser estranha para ela. Eu pensei no que Pai disso sobre segredos antes e haviam tido vários momentos hoje para trazer isso à tona, mas nenhum deles pareceu certo. Como se explica para a menina que levou meses para que eu conseguisse levar em um encontro que você espancou um adolescente até o coma? Não era algo que se falasse em um jantar. Mas Pai estava certo. Eu preciso contar para ela. Eu tinha que.

Quando eu deixei meu quarto naquela noite para ir para o de Avery, eu tinha toda a intenção de conversar com ela. Eu me senti como na época em que eu costumava jogar futebol, antes de um jogo começar e meu estômago estava agora em algum lugar entre meu joelho e minha bunda. Fechando a porta do meu quarto atrás de mim o mais silenciosamente possível como um rato em véspera de Natal, eu pulei um bom meio metro quando ouvi meu nome. “Cam.” Teresa sussurrou, colocando sua cabeça para fora da porta a alguns metros de distância no corredor. “Você tem um segundo?”


“Claro.” Eu olhei para a porta de Moranguinho e então me forcei a me afastar. “O que foi?” “Eu só queria dizer para você que Murphy não é realmente meu namorado.” Teresa cruzou seus braços na altura do seu estômago. “Ele é só um bom amigo e nós saímos em alguns encontros, mas não é assim.” Alívio correu por mim. Eu queria que Teresa esperasse até os trinta anos e soubesse manejar uma arma antes que ela começasse a namorar novamente. “Estou aliviado em ouvir isso.” Ela concordou, deixando sair um pequeno suspiro. “Mas se você ainda quiser conhecelo, eu posso arrumar tudo.” “Eu gostaria disso.” Não havia nenhuma razão para não colocar o medo nesse seu ‘bom amigo’. Ela andou em seus saltos cobertos por uma meia enquanto me olhava. “Eu gostei da Avery, por sinal. Ela é tão doce e bonita. E inteligente, o que me faz duvidar do por que ela está aqui com você.” Ela disparou um pequeno sorriso. “Eu realmente gosto dela.” A mudança de assunto me aqueceu. “Ela é. Fico feliz que você gostou dela.” “Bem, ela tem meu selo de aprovação.” Teresa deu mais uns passos para trás, para dentro de seu quarto, pausando. Ela me olhou como se quisesse dizer mais alguma coisa, mas então balançou a cabeça. “Boa noite.” Eu esperei até ter 100% de certeza que minha irmãzinha não iria me pegar entrando escondido no quarto da Moranguinho antes de bater. Bati o mais silenciosamente possível e então entre abri a porta. Todos os pensamentos em ter uma noite de confissões voaram pela janela. Apoiada em seus cotovelos, Avery Morgansten estava uma maldita visão para se admirar. Seu cabelo caia pelos seus ombros e seu rosto estava inclinado para o lado. Havia uma qualidade meio brincalhona no olhar que ela me lançou parte sedutora, parte inocente. EU sabia que ela não tinha ideia de quão bem ela estava só por estar ali, o que a fazia ainda mais quente. “Hey.” Eu disse. “Oi.” Sua voz era mal um sussurro. “Eu queria dizer boa noite.” Essa não era a verdade, mas eu não podia me lembrar do porque eu estava procurando por ela fora querer vê-la. Ela apertou a colcha. “Você já me disse boa noite.” “Eu disse.” Eu entrei no quarto, fechando a porta atrás de mim. Eu estava atraído por ela como um lápis estava pelo papel. “Mas eu não fiz. Não do jeito que eu quero dizer boa noite.” Seu suspiro suave foi minha perdição, mas enquanto fazia meu caminho para sentar na cama ao seu lado, eu sabia que eu estaria sempre perdido ao seu redor. E ela não fazia a mínima ideia. Meu olhar foi para seu rosto erguido, absorvendo o pequeno rosado em suas bochechas e seus lábios afastados até o pequeno inchaço sob a fina camiseta que ela usava. “Estou feliz que você decidiu vir aqui.” Seus olhos estavam incrivelmente grandes quando encontraram os meus. “Eu também.” “Verdade?” Eu me inclinei para ela, colocando minha mão ao lado de seu quadril. “Você acabou de admitir isso?” O canto de seus lábios se curvaram para cima. “Yeah, eu meio que fiz.” O meu corpo seguiu aquele seu quase sorriso, me puxando para ela até que a parte superior de mim estava sobre a dela. “Eu gostaria que estivesse com meu celular para gravar esse momento.” Seu peito levantou contra o meu enquanto ela encontrava meu olhar. “Eu tive... um ótimo tempo aqui.”


“Eu também.” Eu pequei um grande fôlego que não precisava. “Então o que você está pensando em fazer durante a pausa de inverno?” Ela umedeceu seu lábio inferior e um raio selvagem passou por mim. “Eu não sei. Pensei em ir até D.C. um dos dias. Quero ver o Smithsonian37 e o National Mall38. Eu nunca estive lá.” “Humm, isso pode ser divertido.” Minha mente estava imaginado várias outras coisas que poderiam ser divertidas também. “Eu poderia ser seu guia.” Seu sorriso disparou o meu nó. “Isso... isso seria divertido.” “Seria.” Sem perceber, eu me movi para perto o suficiente para que minha respiração passasse em suas bochechas coradas. “Escolha uma data.” “Agora?” “Agora.” “Dois de Janeiro.” Ela disse imediatamente, e por alguma razão, seu corado se aprofundou. “Você estará disponível?” Meus lábios se curvaram. “Eu estarei disponível quando você quiser que eu esteja.” Meu coração estava palpitando em meu peito quando seu sorriso aumentou, ficando estonteante. Eu sabia que não tinha vindo aqui por isso, mas eu iria beija-la. Não havia como me impedir. “Adivinhe o que, Avery?” “O que?” “Se lembra de como você disse que estávamos tendo um bom tempo?” Eu inclinei minha cabeça para que minha boca ficasse sobre a dela. “Está prestes a ficar melhor.” “É mesmo?” ela sussurrou. Meu nariz encostou com o dela. “Oh, yeah.” “Você não vai me beijar de novo?” “Isso é exatamente o que vou fazer.” Longos cílios salpicados de vermelho se abaixaram enquanto meus lábios passavam sobre os dela. Era um beijo tão gentil, mas era como um choque em minhas veias. Colocando o peso de meu corpo apoiado no outro braço, eu passei meus dedos por sua bochecha enquanto pressionava um beijo no canto de seus lábios e então do outro lado. Deslizando minha mão pelo contorno de seu pescoço, eu provei da pele de seu maxilar, abaixo de sua orelha. Uma risada profunda saiu de mim quando ela tremia. Quando pressionei meus lábios abaixo de sua orelha novamente, passando minha língua, ela fez um som que espantou qualquer pensamento de minha cabeça. “Boa noite, Avery.” Eu a beijei, pressionando meus lábios dos dela, trabalhando na costura de sua boca até que ela a abrisse, permitindo que eu entrasse. O gosto da sua pele disparou um fogo dentro de mim, mas a sensação de sua boca começou um incêndio. Eu não poderia ter o suficiente de seus lábios, de seus beijos ou dos sons suaves ao respirar que ela estava fazendo. Eu gemi enquanto deslizava minha mão para fora, guiando-a para ficar em suas costas. Seu corpo imediatamente ficou tenso e eu sabia que precisava diminuir o ritmo. A ultima coisa que queria era assustar ela. Deus, isso era a última coisa. Envolvendo sua bochecha, eu a beijei gentilmente até que seu corpo relaxasse sob o meu e então, assustando o inferno de mim, sua pequena mão terminou sob minha camiseta, pressionando a pele nua de meu abdômen. Era como se eu tivesse sido marcado. Calor correu por minhas veias enquanto meu corpo sacudiu em reflexo. Ar foi retirado de meus pulmões. Ela queria me tocar? Puta merda, ela podia me tocar. Eu fui para traz e tirei minha camiseta. 37 38

Museu localizado em Washington D.C. http://en.wikipedia.org/wiki/Smithsonian_Institution Parque nacional. http://en.wikipedia.org/wiki/National_Mall


A boca de Avery se abriu enquanto seu olhar se movia sobre meu peito, a tatuagem, e então para baixo. Era como ser tocado, mas melhor. Meu corpo queimava para sentir o dela. Eu puxei o edredom para traz e coloquei uma mão de cada lado de sua cabeça, entrelaçando elas em seu cabelo. Havia uma parte mais primal que tomou conta quando suas mãos achataram na parte de baixo do meu estomago. Meu corpo inteiro enrijeceu. Eu encostei minha testa na dela. “Você não tem ideia do que faz comigo.” Ela deu um grande suspiro enquanto eu abaixava meu corpo sobre o dela. A sensação da sua suavidade sob mim fazia meu pulso disparar como se eu tivesse corrido uma milha na areia. Eu apertei minha mandíbula fechada enquanto ela se movia de baixo de mim, abrindo suas coxas, permitindo que nossos corpos se encontrassem. “Merda.” Eu gemi enquanto um tremor corria por mim. Reivindicando seus lábios em um beijo que ardeu em minha pele, eu vagarosamente rolei meu quadril contra o dela. Merda grande, prazer correu por minha espinha. Eu queria me afogar nela, me perder completamente nela. Suas mãos agarraram minha lateral enquanto eu investia contra ela, traçando o caminho abaixo de seu pescoço, para o inchaço de seus seios e mais para baixo com minha mão. Eu coloquei sua perna em volta de meu quadril, me encaixando mais fundo nela. Nossos corpos se mexiam e seu doce, suave gemido ecoava em meu pensamento. “Eu gosto desse som.” Eu investi meu quadril para frente e ela gemeu novamente. “Correção. Eu amo esse maldito som.” Eu não sei o que havia sobre ela, talvez fosse tudo, mas nunca tinha sentido assim tão bom antes, tão forte e intenso com ninguém mais. Nem como na minha primeira vez onde eu senti como se tivesse pulado de um prédio de cem andares. Meus dedos se entrelaçaram com os dela enquanto sua língua se entrelaçava na minha, me levando a um ponto quase doloroso onde eu pensei que haveria uma boa chance deu me embaraçar. Mesmo sabendo disso, eu não podia parar. Eu deslizei minha mão sobre a dela, sob a manga de sua camiseta, sobre a delicada pele e... Minha mão parou quando encontrou um caminho de uma pele elevada e áspera. Metade de meu cérebro estava existindo no nível de meu pênis mas a outra parte tomou controle. Eu segui esse caminho, silenciosamente percebendo que formava uma linha fina, reta para baixo do centro de seu pulso – o pulso que ela sempre cobria com o bracelete. Não. De jeito nenhum. Meu coração literalmente parou enquanto eu levantava minha cabeça, encarando seu olhar sem foco. “Cam?” ela disse gentilmente, se contorcendo sob mim. Eu virei seu braço e olhei. Não havia nenhum erro sobre a cicatriz profunda que corria alguns centímetros para cima de sua veia. Meu dedão seguiu seu caminho enquanto eu percebia que esse corte – oh Deus, o corte – havia de ser severo. Uma dor se formou em meu peito, penetrando em minhas veias. Músculos enrijeceram e nós se formaram. Eu queria apagar essa cicatriz, apagar o que quer que houvesse causado isso, porque eu sabia que ela havia feito isso a si mesma. “Avery...?” meu olhar se moveu para o dela, se ficando. Eu mal conseguia respirar. “Oh Avery, o que é isso?” Um momento ou dois se passaram e quando ela me olhou de volta, o sangue deixando seu rosto, e então ela soltou seu braço. Ela cambaleou de baixo de mim, puxando sua manga para baixo com tanta força que eu achei que ela iria arranca-la. “Avery...” eu me virei em sua direção, tentando alcança-la. “Por favor,” ela sussurrou, subindo na ponta da cama. “Por favor, saia.” Estomago afundado, eu puxei minha mão. “Avery, fale comigo.” Seu corpo inteiro tremia enquanto ela balançava a cabeça. “Avery...”


“Saia!” Ela se atirou da cama, andando para traz como um animal ferido em uma gaiola. “Só saia.” Cada instinto meu demandava que eu não fosse, mas seu olhar selvagem e assustado era mais que eu poderia aguentar. Eu fui em direção da porta e então parei, tentando novamente. “Avery, nós podemos conversar...” “Saia.” Sua voz se quebrou. “Por favor.” Os músculos nas minhas costas ficaram tensos ao som de sua voz quebrada. Eu fiz o que ela me pediu. Não porque eu queria, mas porque era sua vontade. Eu sai.


- 18 O momento que eu percebi que Avery nunca mais iria para aula de Astronomia, eu literalmente não podia acreditar. Mas teria de ser verdade. Desde a volta da casa de meus pais, na sexta após o Thanksgiving, eu não tinha ouvido nada sobre ela. Nenhuma resposta as minhas ligações ou mensagens. Às vezes em que eu bati em sua porta, não havia resposta, mesmo que seu carro estivesse no estacionamento. Ela nem mesmo atendeu a porta para meus ovos. Quando o final de semana chegou novamente e então a Segunda passou sem Avery vindo para aula de Astronomia, eu sabia que ela havia recebido uma ‘incompleta’39. Uma maldita ‘incompleta’. Era insano para ela ir tão longe só para me evitar, e pelo que? Por que eu havia visto a cicatriz? Eu não entendia mas não era tão estúpido. Ela estava obviamente embaraçada e havia ido bem longe para esconder sua cicatriz mas ela não era nova. Era algo que ela havia feito a anos atrás, então por que esconder de mim agora? Eu conversei com Brittany e até com Jacob, desde que Avery não havia aparecido no Den para o almoço. Nenhuns dos dois sabiam o que estava acontecendo com ela. Eu não havia mencionado a cicatriz. Eu nunca iria, mas eu havia esperado que eles tivessem uma ideia. Eles não tinham nada. Isso estava me deixando louco – o silencio e a confusão. E quanto mais tempo se passava, mais ácido parecia se formar na boca de meu estômago, pior ficavam os nós e a dor em meu peito. Fora acampar do lado de fora de sua porta, havia pouco o que eu pudesse fazer mas, eu estava determinado a falar com ela. E isso aconteceu no ultimo dia das provas finais, no começo da pausa de inverno. Como um total perseguidor, eu vinha encarando o lado de fora da janela, esperando Ollie retornar com a pizza quando a vi cruzar o estacionamento com suas mãos cheias de compras. Quando ouvi os passos do lado de fora, no corredor, eu abri a porta com tudo. Avery estava em frente a sua porta, seu cabelo puxado para traz em um rabo de cavalo bagunçado, e o peso das compras puxavam seus ombros para baixo. Não havia dúvidas que ela estava tentando desaparecer pela porta como um fantasma antes que eu a visse. Machucou. E isso me deixou muito irritado. “Avery.” Suas costas ficaram tensas como se ela tivesse sido baleada. Ela não se virou ou me olhou, e, enquanto meu olhar a percorria, eu podia ver a ponta rosada de deus dedos, estrangulados pelas sacolas que ela carregava. Uma parte da minha raiva foi embora. Eu suspirei. “Deixe-me te ajudar.” “Pode deixar.” “Não é o que me parece.” Eu dei um passo para perto. “Seus dedos estão ficando roxos.” “Está tudo bem.” Ela andou para dentro de seu apartamento e eu corri para frente. Inferno não. Ela não ia desaparecer de mim. Eu peguei uma sacola dela e ela pulou como se tivesse levado um choque. Ela deixou cair a sacola. Itens caindo. “Merda.” Ela disse, parando. Eu ajoelhei, pegando itens que nem mesmo estava vendo. Sua cabeça estava abaixada enquanto ela pegava um frasco de condicionador e então sei queixo levantou. Nosso olhar se encontrou. Sombras escuras tinham se formado em baixo de seus olhos, borrões que não

39

No sentido de não terminar uma matéria. Algo como a nossa ‘DP’.


estavam aí antes. Ela estava dormindo? O que ela estava fazendo nesse tempo? Ela tinha sentido a minha falta do mesmo jeito que eu sentia dela? Avery olhou para longe quando pegou uma caixa de absorventes de mim. “Se você rir, eu vou te dar um soco no estômago.” “Eu não ousaria pensar em rir.” Também não havia jeito deu deixar ir qualquer outra coisa porque eu estava indo entrar naquele apartamento e ela iria falar comigo. Parecendo perceber que ela não iria se livrar de mim, ela suspirou pesadamente, como se o mundo inteiro estivesse prestes a entrar em colapso, e foi em direção a cozinha. Ela apoiou as sacolas no balcão, tirando itens de dentro. “Você não precisava ajudar, mas obrigada. Eu realmente preciso...” “Você realmente acha que vai se livrar de mim tão facilmente agora que estou aqui dentro?” “Eu poderia esperar.” Ela bateu a porta da geladeira. “Há. Engraçado.” Eu a observei voltar para o balcão. “Nós precisamos conversar.” Ela empilhou os jantares congelados e voltou para a geladeira, antes que falasse. “Nós não precisamos conversar.” “Sim, nós precisamos.” “Não, não precisamos.” Ela não olhou para mim nenhuma vez. “E eu estou ocupada. Como você pode ver. Eu tenho compras para guardar e eu...” “Okay. Eu posso ajudar.” Eu andei para frente, indo para o balcão. “E nós podemos conversar enquanto te ajudo.” “Eu não preciso da sua ajuda.” “Yeah, eu acho que você meio que precisa.” Deixando a porta da geladeira aberta, ela se virou para mim. Seu olhar estreitando e frio como o ar que saia perto dela. “O que isso deveria significar?” Da onde essa merda havia vindo? “Isso não é o que você está pensando, Avery. Jesus. Tudo que eu quero é falar com você. É tudo que eu venho tentando fazer.” “Obviamente eu não quero falar com você.” Ela retrucou, pegando um pacote de hambúrguer e jogando no congelador. “E você ainda está aqui.” Whoa. Raiva começou a transbordar sobre minha pele e eu lutei para manter meu temperamento sobre controle. “olhe, eu entendo que você não está feliz comigo, mas você precisa me atualizar no que eu fiz para aborrecer você tão mal que você nem quer falar comigo ou mesmo...” “Você não fez nada Cam! Eu só não quero falar com você.” Ela se virou, indo em direção a porta da frente. “Okay?” “Não, não está bem.” Eu a segui para a sala. “Não é assim que as pessoas agem Avery. Elas simplesmente não ignoram uma pessoa ou se escondem dela. Se tem...” “Você quer saber como as pessoas não agem?” ela recuou, e por um momento, ela não falou. “Pessoas também não perseguem ou ligam constantemente para pessoas que não querem que eles a vejam! O que acha disso?” “Perseguir você? É isso que venho fazendo?” eu ri honestamente, incapaz de entender onde essa conversa havia ido. “Você está brincando comigo? Eu estar preocupado com você é perseguição?” Ela deu um passo para trás, seus olhos se arregalando. “Eu não deveria ter dito isso. Você não está me perseguindo, eu só...” ela parou, passando sua mão em sua cabeça. “Eu não sei.” Minha pulsação se acelerou enquanto eu a encarava. “Isso é sobre o que eu vi, não é?” eu fiz um gesto para seu braço. “Avery, você pode...” “Não.” Sua mão direita imediatamente foi pra o bracelete, como se de alguma maneira ela pudesse esconder o que eu já sabia. “Não é sobre isso. Não é sobre nada. Eu só não quero fazer isso.”


“Isso o que?” “Isso!” ela apertou seus olhos fechados e os reabriu, cobertos com uma fina película. “Eu não quero fazer isso!” Ar escapou de meus pulmões como se eu tivesse levado um soco. “Bom Deus, mulher. Tudo que eu estou tentando é falar com você!” Ela balançou sua cabeça de vagar. “Não tem nada para se falar, Cam.” “Avery, vamos lá...” eu comecei a dar um passo em sua direção mas parei quando ela se moveu para trás, para longe de mim. A expressão que passou em seu rosto, parte medo parte confusão, mas foi a parte do medo que me fez parar. Eu não podia acreditar no que estava vendo. Não tinha como ela estar com medo de mim, mas a expressão em seu rosto foi como ser atingindo no coração com uma UZI. Aquela reação era mortífera. Eu a tinha machucado? A pergunta se foi rapidamente enquanto pensamentos corriam e eu sabia a resposta. Eu não tinha machucado ela. Avery virou seu rosto e olhou para longe. Minha paciência se esgotou. “Okay, você sabe o que? Eu não vou andar sobre carvão quente aqui. Que se foda.” No momento que essas palavras saíram de minha boca, parte de mim queria pega-las de volta. A outra parte queria gritar elas de novo bem alto. Eu fui em direção a porta e então parei, xingando sob minha respiração. O que saiu de minha boca me fez perguntar se eu tinha tendência a gostar de dor. “Olhe, eu estou indo para casa para a pausa de inverno. Eu vou estar indo e voltando, então se você precisar de algo...” ela continuou me encarando, e eu ri novamente, percebendo que tudo que eu estava fazendo era me humilhar. “Yeah, você não precisa de nada.” Eu pisei no corredor e então meu corpo pareceu precisar me fazer um idiota ainda maior. Eu a encarei. Avery não havia se movido. “Você vai ficar aqui durante toda a pausa sozinha, não?” Eu perguntei. “Mesmo no natal?” Seus braços se cruzaram e ela não disse nada. Eu fechei minha boca, me mantendo longe de descarregar um monte de merda que não ajudaria em nada nessa situação. Mas era isso. Eu percebi então. Não havia nada que eu pudesse fazer nessa situação. E não era como se eu não tivesse tentado. Avery estava ali, na minha vida, e então ela havia ido, como se ela nunca estivesse estado ali. E era isso. Uma dor percorreu meu peito, e com uma claridade assustadora, pareceu real. Muito real. “Que seja,” eu disse, minha voz diminuindo. “Tenha um bom Natal, Avery.”

Eu nunca tive tanta vontade de sair de casa e voltar para meu apartamento tanto quando eu senti durante o Natal. Normalmente eu ficava direto até o começo do próximo semestre, mas eu não poderia fazer isso com todas essas perguntas. Onde estava Avery? Como ela estava indo? Ela tinha ido para casa? Elas ficavam indo e vindo, e eu me perguntei essas mesmas perguntas um milhão de vezes durante as férias. Eu não tinha resposta e, toda vez que eu pegava meu celular para mandar uma mensagem para ela, eu me impedia. Ela tinha feito tudo o mais claro possível que ela não queria ter nada comigo. O que quer que nós tivéssemos, havia terminado. Meu humor estava em algum lugar entre merda e realmente merda no dia depois do Ano Novo. Eu empacotei minhas coisas cedo naquela manhã e estava colocando no meu carro quando Teresa me seguiu para fora.


Parando ao meu lado de frente para o carro, ela puxou seu suéter perto de seu corpo enquanto o vendo corria entre a casa e a garagem. Sono nublava seus olhos azuis. “Você está saindo sem dizer tchau?” Eu dei de ombros enquanto fechava a porta do passageiro. “Não queria acordar ninguém.” Ela deu um passo para traz enquanto eu dava a volta no para-choque. “Isso nunca te impediu antes.” Eu não disse nada. “O que está acontecendo com você Cam?” ela perguntou. “Eu não sei o que você está falando.” Eu olhei em sua direção. “Você não deveria estar usando um sapato? Está congelando aqui fora.” “Chinelos são sapatos.” Ela cambaleou para frente e para trás, apertando seus braços contra seu corpo. “E você não respondeu minha pergunta.” Tirando meu boné, eu passei minha mão em meu cabelo e então o coloquei de volta. Eu abri minha boca mas eu não tinha ideia do que falar. O buraco em meu estomago, o vazio e a sensação de dormência haviam crescido e agora estavam pulsando de um jeito que não havia como ignorar. Minha irmã olhou para cima, ficando vesga por causa do sol. “É a Avery, não é? Você não tem falado nada sobre ela. E Mãe realmente achava que ela estaria vindo pra casa com você desde que...” “Eu não quero falar sobre isso.” Eu a cortei, e seus olhos arregalaram. A ultima coisa que eu queria pensar era no fato que Avery tinha passado o Natal – o Natal pelo amor de Deus – sozinha. Eu não queria me sentir mal por ela. Eu não queria sentir nada. “Olhe, me desculpe. Eu não queria fazer isso com você. Eu só preciso voltar para a escola.” “Para que?” ela perguntou, franzindo a sobrancelha. “Você ainda tem dias antes das aulas voltarem.” “Eu sei.” Eu dei um passo para frente, abraçando minha irmã. Por um momento, ela não se moveu e então ela me abraçou de volta. Enquanto eu andava para trás e abria a porta, eu olhei sobre meu ombro para ela. “Avise Mãe e Pai que eu vou mandar uma mensagem ou ligar mais tarde.” Ela não respondeu imediatamente mas concordou. “Você vai ficar bem? Certo?” Eu entrei no carro enquanto latia uma risada curta. Claro que eu estava bem. Não era como se Avery e eu tivéssemos uma longa história e não era como se eu tivesse sentimentos fortes por ela. Minha atração tinha que ter sido um exagero, porque ela era algo novo. Ela era algo diferente. Isso era tudo. “Yeah.” Eu disse, sorrindo de um jeito que fez eu me sentir esquisito. “Eu estou okay.” Teresa me observou com um olhar que dizia que ela não acreditava em mim, e nem eu mesmo acreditava em mim.

Eu tinha acabado de sair do banho e colocado uma calça de moletom quando eu ouvi uma batida forte na porta. Sabendo que não poderia ser Ollie, porque ele ainda estava na casa dele, eu esperava ver Jase ou alguma outra pessoa quando abri a porta. Brittany estava ali, seu cabelo loiro puxado para trás em um rabo de cavalo, mãos presas juntas em baixo de seu queixo. Parecia que eu tinha interrompido ela no meio de uma oração. “Hey.” Eu disse, se conseguir esconder minha surpresa. Eu me perguntei como ela poderia saber qual apartamento era o meu mas então lembrei que ela já havia estado aqui com o Ollie, como metade da população feminina. “O que está acontecendo?”


Ela mordeu sei lábio inferior enquanto ela olhava em direção ao apartamento de Avery. Nós se formaram em meu estômago. Eu sabia que Avery estava em casa. Seu carro estava do lado de fora e não tinha saído de lá desde que eu retornei. “Eu odeio te atrapalhar e você parece... ocupado.” Seu olhar foi em direção ao meu peito nu, e eu levantei uma sobrancelha. “Mas eu preciso de sua ajuda. Bem, Avery precisa de sua ajuda.” Uma sensação de várias agulhas enfiadas em minha espinha começou enquanto eu dava um passo para fora. “O que você quer dizer com ‘Avery precisa da minha ajuda’?” “Ela está realmente doente. Eu acho que ela tem gripe” ela explicou correndo. “Ela não tinha retornado nenhuma das minhas ligações então eu vim visita-la e a encontrei desmaiada na cozinha e ...” “O que?” eu passei correndo por ela, indo em direção a porta de Avery. “Você chamou uma ambulância?” “Não.” Brittany correu atrás de mim. “É só uma gripe e eu preciso ir buscar alguns remédios para ela, mas eu não consigo levar ela para sua cama. Ela é muito pesada. Então eu estava pensando que você poderia carrega-la e talvez...” Eu realmente não estava ouvindo mais. Eu estava focado em Avery enquanto entrava no apartamento. O cheiro de doença estava forte – muito forte – e eu podia ver sua calça jeans e seus pés descalças. Indo para a cozinha, eu inalei profundamente. Avery estava enrolada de lado, comprimida em uma posição fetal com uma bochecha grudada no chão. Cabelo escuro encharcado de suor caia grudado em um lado de seu rosto. A cada poucos segundos, seu corpo tremia e um pequeno suspiro saia dela. Preocupação aumentou bruscamente. Brittany suspirou. “Eu fiz com que ela se sentasse antes de sair.” “Você tem certeza que não precisamos chamar uma ambulância?” eu perguntei, me ajoelhando. Cuidadosamente, eu afastei mechas de cabelo encharcado de seu rosto. Seus cílios se mexeram, mas seus olhos não abriram. “Eu liguei para minha mãe – ela é enfermeira. Ela me disse que Avery vai ficar bem assim que a febre abaixar e ela beber algo, mas eu preciso ir buscar alguns medicamentos para ela.” “Eu fico com ela enquanto você vai.” Brittany disse mais alguma coisa, mas eu não ouvi. Eu estava apenas vagamente consciente de Brittany pegando sua bolsa de trás do sofá enquanto eu passava um braço em baixo de Avery. “Não” ela resmungou, se contorcendo no chão. “Frio... faz bem...” “Eu sei mas você não pode dormir no chão.” Eu a levantei, estremecendo quando sua bochecha quente encostou-se a meu peito. Deus, ela estava queimando. Eu me virei, com ela em meus braços, percebendo que Brittany já tinha saído. Avery murmurou algo quando virou seu rosto mas eu não tinha ideia do que dizer. “Você vai se sentir melhor logo.” Ela não respondeu enquanto eu a carreguei para sua cama. Quando a apoiei, eu me sentei perto e dei uma boa olhada na blusa que ela usava. Partes de tecido suado se agarravam em sua pele. Haviam algumas partes suspeitas o que me fez pensar em trilhas de doença. “Merda.” Eu disse. Eu dei uma olhada no quarto, achando uma calça de pijama e uma camiseta de dormir dobrada em sua cômoda. Dando uma ultima olhada nela, eu me decidi. Várias vezes desde que eu conheci Avery eu tinha imaginado tirar a sua roupa. A simples fantasia em fazer isso tinha me mantido acordado várias noites. Eu odiava admitir que ainda fazia, mesmo sabendo que isso nunca aconteceria do jeito que queria.


Tirar sua roupa arruinada aconteceu mais rápido que um ataque cardíaco e foi tão divertido quanto um. Especialmente considerando que ela estava praticamente inconsciente e não era mais nada que peso morto. Eu não espiei. Okay. Eu posso ter espiado seu sutiã de renda rosa, mas foi rápido e totalmente inocente. Uma vez que ela estava em roupas limpas, eu coloquei suas pernas de baixo do cobertor. Foi só então que eu percebi que ela não dormia com seu bracelete. Querendo que ela ficasse confortável, eu o tirei de seu pulso e coloquei no criado do mudo. Eu peguei duas toalhas do banheiro e passei elas na agua gelada. Quando voltei, ela não tinha se movido, mas ela dei um grande suspiro quando coloquei um pedaço delas em sua testa. Eu não sei quanto tempo se passou, mas a primeira toalha ficou quente e eu troquei pela segunda. Avery se virou de lado, passando seu braço em volta do meu. Era como se ela tivesse me segurando ali, mas a garota estava febril e provavelmente delirando. Ela não sabia o que estava fazendo. Varias vezes ela murmurou coisas que eu não entendi. Uma vez ela sorriu, e meu peito apertou. “Eu sinto falta disso” eu disse com a voz rouca. Ela se aproximou, e eu passei a toalha molhada em sua bochecha. Enquanto o sorriso fugia de seu rosto, os nós em meu peito diminuíam. Brittany voltou e entre nós dois, conseguimos empurrar antigripais e água pela garganta de Avery. Não foi bonito. Uma Avery doente conseguiu ser uma Avery bem desagradável. “Eu vou abrir as janelas para arejar esse lugar. Limpar a cozinha e coisas assim.” Brittany acenou da porta. “Você não precisa ficar, você sabe, se não quiser.” Eu não deveria ficar. Eu já tinha feito minha boa ação do dia, e se Avery acordasse e me visse ali, ela provavelmente me acusaria de ser um tarado. Mordendo o interior de minha bochecha enquanto mais um suave murmúrio atingia minha orelha, eu me virei para ela. Em baixo da toalha quase morna, sua sobrancelha estava enrugada em desconforto. Seu corpo ainda estava enrolado em minha direção e aquele braço ainda estava entrelaçado ao meu. Arrumando a toalha, eu sabia que não podia ir a nenhum lugar. “Eu vou ficar.”


- 19 Eu só sabia que Avery estava melhor porque ela tinha passado em meu apartamento. Eu não tinha certeza do porque e não estava com vontade de descobrir. Eu disse a Ollie para dizer a ela que eu não estava lá. Em um momento de rara seriedade, ele me perguntou se eu tinha certeza. Eu tinha. A tarde que eu havia passado com ela enquanto ela estava doente não tinha feito nada de bom para mim. Tudo o que tinha feito era revirar merda que eu não queria ter de lidar. Uma vez que o semestre começou, eu a vi no campus. Eu queria falar com ela, saber como ela estava indo, mas não havia um ponto nisso. Pelo menos nenhum que eu conseguia ver mas, foi em uma sexta que isso aconteceu – quando eu não pude evita-la. Eu estava travessando a rua, indo em direção a Knutti, quando eu ouvi meu nome sendo gritado por uma voz rouca, quase irreconhecível. Foi por isso que parei e me virei. Avery correu pela ladeira, tossindo tanto que seu corpo todo tremia com a força. Preocupado, eu enfiei minhas mãos em meu casaco me mantendo longe de agir como um príncipe em um cavalo branco e pegando ela em meus braços. Sem fôlego, ela parou na minha frente. Seu rosto ainda estava pálido, mas suas bochechas estavam coradas. Ainda havia sobras abaixo de seus olhos e o suéter que ela usava, a envolvia. “Desculpa” sua voz tinha um som horrível. “Preciso de um segundo.” “Você parece péssima.” “Yeah, é a Peste Negra e isso não vai embora.” Ela limpou a garganta e então engoliu antes que levantasse seu queixo. Nosso olhar se encontrou e eu pensei... eu pensei ter visto algo em seus olhos. Um espelho do que eu sentia, mas havia uma boa chance que a caixa de cerveja que eu tinha bebido na noite anterior ainda estava agindo em minhas veias. Eu desviei o olhar, cerrando minha mandíbula. “Eu tenho que ir para aula então...?” O olhar de medo passou por seu rosto mas ela continuou na minha frente. “Eu só queria agradecer por ajudar Brit quando eu estava doente.” Mudando meu olhar para a lanchonete no final da ladeira, do outro lado da rua, eu inalei. “Não foi nada.” “Foi para mim, então, obrigada.” Eu concordei e ousei olhar para ela. Foi um erro. O vendo tinha soprado uma mecha brilhante de cabelo através de sua bochecha e foi muito difícil não pega-la e coloca-la atrás de sua orelha. “Sem problema.” “Bem... “ suas sobrancelhas se contorceram para ficarem juntas. “Eu preciso ir.” Eu disse novamente, me virando para a entrada. “Te vejo por ai.” “Me desculpa.” Vagarosamente, eu me virei. Aquelas duas palavras foram como ter levando um chute nas bolas, porque o que ela se sentia culpada? Eu balancei minha cabeça. “Eu também.” Eu estava provavelmente mais arrependido do que ela.

“Eu estou começando a pensar que Ollie está no estacionamento bebendo nossa cerveja.” Jase disse, inclinando contra a parede. Ao meu lado, Steph concordou. “Bem, quem acho que era uma boa ideia mandar ele até Sheetz é quem deve ser culpado.” Ela tinha um bom ponto mas eu nós não poderíamos termos nos preparado melhor para a noite de luta. Nosso apartamento estava lotado como sempre ficava nesses eventos.


Steph se sentou ao meu lado, pressionando seus seios contra meu braço e eu suspeitei que ela não estivesse usando sutiã. Ela não deveria ter vindo aqui com Jase? Virando meu boné ao contrário, eu me inclinei para frente e olhei para ele. Ele deu de ombros e então se virou para Henry quando uma das lutas começou. A porta da frente se abriu, deixando entrar uma rajada gelada bem quando Canadian deu um contra ataque brutal. O lugar virou uma mistura de aplausos e vaias. “Olha quem eu encontrei.” Ollie gritou. Eu o ignorei enquanto os dois lutadores se estudavam na arena, mas então Steph sussurrou. “Você tem visita.” Distraído, eu olhei para minha esquerda e quase precisei fazer isso de novo. Minhas sobrancelhas atiraram para cima quando meus olhos encontraram aqueles olhos marrons quentes. Ela nunca tinha estado em meu apartamento antes. Nunca. E eu não podia acreditar que ela estava aqui agora e eu não tinha ideia do por que mas... vê-la... bem, foi como ver o sol em um dia de chuva. Eu sorri um pouco. “Hey.” “Hey.” O tom em suas bochechas se aprofundou. Por alguns momentos eu era incapaz de desviar meu olhar dela e eu não era o único. Vários outros caras, incluindo Henry, estavam encarando ela de um jeito que todos os caras faziam quando havia carne nova no pedaço. Eu voltei minha atenção para a TV, mas eu estava ciente que Ollie estava guiando ela para a poltrona vazia. Meus olhos estavam na tela, mas o resto de meu corpo e meus pensamentos estavam a minha direita. Um milhão de perguntas passaram por minha cabeça. Ver ela em meu apartamento era a última coisa que eu tinha esperado. Eu havia sido pego totalmente com a guarda baixa. “Você quer uma cerveja, babe?” Steph perguntou, envolvendo uma mão pelo meu braço. Eu virei minha cabeça me focando em Henry. O idiota tinha vagarosamente se movido para onde Avery estava sentada. Não havia nada de errado com o cara. Eu continuei dizendo isso a mim mas quando ele disse algo sobre as meias dela, eu comecei a imagina-lo como o próximo serial killer. Avery estava bebendo, para minha surpresa, e eu digo realmente bebendo. Shots de tequila e pelo menos duas cervejas para alguém que não bebia era um jeito bem estranho de se começar. Sua risada suave me atingiu direto no peito. Meus olhos se estreitaram enquanto Henry ria e Avery sorria. “Parece que sua amiga gosta do Henry.” Steph disse rapidamente. “Desenvolvimento interessante.” Meu coração disparou novamente contra minhas costelas em protesto. Ela estava flertando com ele? Minhas mãos agarraram meus joelhos enquanto Avery ria novamente. Mas que porra? Ciúmes – quente, feio, ciúmes – atingiu minhas veias com a consistência de afundara minha cabeça em ácido. Eu olhei para a tela e então Jase me cutucou, seu olhar indo em direção a Avery. Eu apoiei minha cerveja na mesinha quando Henry disse. “Velha o suficiente para saber melhor.” Com certeza ele era velho o suficiente para nem querer estar pensando o que eu sabia que ele estava. “Hey, Henry.” Eu chamei enquanto minha pele se esticava. “Vem aqui um segundo.” “Jesus,” Steph murmurou, cruzando seus braços enquanto ela se inclinava para trás no sofá. Henry se abaixou enquanto eu o trazia mais para perto. “E ai, cara?” “Deixe aquela garota em paz.” Eu disse a ele com a voz baixa enquanto eu encontrava seu olhar. “Eu estou fodidamente sério. Ela não é para você nem para ninguém nessa sala.”


A sobrancelha de Henry levantou como o canto de seus lábios. “Mensagem recebida cara.” Eu o observei fazer seu caminho até Jase, e me senti um pouco melhor. Não muito, porque eu não podia acreditar que depois de tudo com Avery, ela iria aparecer em meu apartamento, começaria a beber e a flertar com Henry, o cão excitado. EU estava em estado de absoluto choque. “Você foi totalmente um bloqueador de pau.” Steph disse, colocando sua mão em meu braço novamente. “O que?” eu me virei para ela. “O que você quer dizer?” Ela revirou os olhos. “Eles estavam se conhecendo melhor e você totalmente o bloqueou.” Se conhecendo melhor? Merda nenhuma, isso não estava acontecendo na minha frente. “Você acha que eu dou a mínima no que eu parei?” Steph puxou sua mão de volta, mas honestamente, eu não dava a mínima para ela nesse momento também. Avery estava sorrindo para Henry. Seus sorrisos eram tão raros e ela estava sorrindo para ele. Eu nem poderia lembrar a ultima vez que senti ciúmes mas eu reconheci o gosto amargo na minha boca. Ele se misturava bem com a raiva. Avery olhou para mim e seu sorriso começou a desaparecer. “Isso não está acontecendo.” Eu disse. Steph se levantou e eu não tinha ideia do porque ela estava tão puta, mas eu realmente não me importava. Me levantando, eu andei em direção a Avery. Um sorriso grande, longo e idiotamente bêbado surgiu em seu rosto. “Venha comigo por um segundo?” Eu disse, surpreso por como minha voz saiu. Avery pulou da cadeira como se alguém tivesse colocado fogo em sua bunda. Ela cambaleou para o lado. “Whoa.” Eu peguei seu braço, segurando ela firme. Eu não podia acreditar que ela estava assim tão bêbada. “Você está bem para andar?” “Sim, claro.” Ela esbarrou em mim, rindo. “Eu estou bem.” Imaginando exatamente quantos shots ela tinha bebido, eu mandei um olhar de morte a um Ollie rindo e a guiei para cozinha. “O que você está fazendo Avery?” Ela levantou uma garrafa. “Bebendo. O que você está fazendo?” “Não era isso o que estava dando a entender e você sabe disso. O que você está fazendo?” Ela fez uma careta que era uma mistura entre fofa e esquisita e deu de ombros. “Eu não estou fazendo nada, Cam.” “Não está?” eu levantei uma sobrancelha. “Você está bêbada.” “Não estou!” “As famosas ultimas palavras do bêbado antes dele cair de cara no chão.” “Isso não aconteceu... ainda.” Eu balancei minha cabeça enquanto segurava seu braço. Nós precisávamos conversar e o fato que ela estava aqui provavelmente queria dizer que ela queria estar aqui mesmo. Ou ela queria dormir com qualquer cara aleatório. Eu não sabia, porque quem sabia o que se passava na cabeça dessa garota, mas nada iria acontecer. Ela iria levar essa sua bunda bêbada para seu apartamento. Qualquer um dos caras na sala iria adorar terminar entre suas pernas e eu não sabia exatamente o qual longe ela já havia ido. Eu não era sua babá. Merda, eu não era nada para ela. “Um... “ ela disse, franzindo quando eu a guiei para a escadaria e fechei a porta atrás de nós. Ela olhou para mim, confusa. Eu apontei para sua porta. “Você precisa ir para casa, Avery.” Sua boca caiu aberta enquanto me encarava. “Você está falando sério?” “Sim, fodidamente sério. Você está bêbada e aquela merda não vai acontecer na minha frente.”


“Que merda?” Ela deu um passo para trás. “Me desculpe. Ollie me convidou e...” “Yeah, e eu vou chutar a sua bunda depois.” Eu tirei meu boné e passei minha mão em meu cabelo. “Só vá para casa Avery. Eu converso com você depois.” Avery engoliu pesadamente. !”Você está bravo comigo...” “Eu não estou bravo com você Avery.” Eu estava bravo com a merda do resto do mundo nesse momento. Ela olhou para mim e então rapidamente desviou o olhar, mas não rápido o suficiente. Eu vi o rápido brilho em seu olhar. Merda. Merda. Merda. “Eu não quero ir para casa. Não tem ninguém lá e eu...” Aquele lugar em meu peito inflou. “Eu vou passar lá mais tarde e vamos conversar, okay? Mas vá pra casa. Por favor, só vá pra casa.” Sua boca abriu e então se fechou rapidamente. “Okay.” Aquela dor aumentou. “Avery...” “Está tudo bem.” Ela sorriu, mas não era um sorriso real. Ele estava cheio de dor – dor que eu sabia que tinha colocado ali. Ela se virou e cambaleou para sua porta e, com uma maldição baixa, eu voltei para o apartamento. “Está tudo bem?” Jase perguntou enquanto eu andava até a cozinha para outra cerveja. Ou três. “Não.” Eu tirei a tampa e a joguei no lixo. Sua sobrancelha escura levantou. “Você não está bem por que ela estava aqui ou por que ela foi embora?” “Eu a fiz ir.” Jase olhou para Ollie enquanto ele entrava na cozinha. Eu lancei um olhar ao idiota. “Eu deveria dar um chute nas suas bolas.” Ollie não riu disso. Ele me olhou com profundidade. “Você acabou de fazer a pobre garota ir embora?” “Pobre garota?” eu retruquei. “Yeah, você sabe, a garota que você esteve obcecado desde Agosto? Ela finalmente vem aqui e você a chuta para fora.” Eu o encarei enquanto tirava meu boné, jogando no balcão. “Você está drogado? Você não tem ideia do que se passou entre a gente.” “Ollie.” Jase alertou. “Você está certo. EU não sei o que está acontecendo, mas...” “Cale a boca Ollie.” Eu passei rápido por ele indo em direção a sala. A luta principal estava para começar. EU parei perto da porta, percebendo que tinha deixado minha cerveja na cozinha. Eu comecei a voltar mas não me movi. Eu havia falado a verdade para Avery quando disse que passaria depois para conversar com ela, mas eu planejava esperar até amanhã, quando ela estivesse sóbria e eu não estivesse tão chateado com tudo. Mas eu fiquei ali, e tudo que eu podia ver eram lágrimas que estavam se formando em seus olhos. Amanhã não era muito distante, mas... “Vá.” Eu ouvi Jase dizer atrás de mim. Eu já estava do lado de fora da porta.


- 20 Parte de mim não estava surpreso quando eu abri a porta de seu apartamento, depois de ter batido, e descobri que ela não estava ali. Esperar que Avery escutasse o que eu dizia pelo menos uma vez era esperar muito. Não tendo ideia de onde ela poderia ter ido, eu andei pela sala até a janela e a abri. “Mas que porra?” Havia uma sombra dentada na calçada, curvada por causa do frio. Mas que porra Moranguinho estava fazendo? Eu corri para fora, tremendo quando o vendo levantou meu cabelo de minha testa. “Avery!” eu gritei. Ela olhou, deixando de lado sua garrafa de cerveja. Eu passei pelo carro mais próximo enquanto ela se virava para mim. Aquele olhar embaçado, que eu não podia culpar totalmente na cerveja, me rasgou por dentro. “Mas que porra você está fazendo aqui?” Ela piscou, e seus cílios se levantaram. “Eu... eu estava olhando as estrelas.” “O que?” eu ajoelhei ao seu lado. “Avery, está praticamente zero graus aqui fora. Você vai ficar doente novamente.” Um ombro levantou enquanto ela olhava para longe. “O que você está fazendo aqui?” “Eu estava te procurando, sua pequena idiota.” Ela me olhou abusadamente. “Desculpa? Você também está aqui, então você também é idiota, seu idiota.” Eu lutei contra uma risada. “Eu te disse que iria voltar para falar com você. Eu fui a seu apartamento antes. Eu bati e não teve resposta. Sua porta estava destrancada então eu entrei.” “Você entrou em meu apartamento? Isso é meio rude.” “Yeah, eu te vi sentada aqui por sua janela.” Houve uma pausa e então ela perguntou. “A luta já acabou?” Como não parecia que ela iria se levantar, eu me sentei ao seu lado. O frio do cimento congelou minha bunda em um nano segundo. “Não. A luta principal acabou de começar.” “Você está perdendo.” Passando minha mão em meu cabelo, eu deixei sair um grande suspiro. “Deus, Avery...” eu lutei com o que dizer. A reação em vê-la ainda estava crua, muito confusa. “Ver você hoje a noite? Eu fiquei realmente surpreso.” “Por causa da Steph?” “O que?” eu olhei para ela. “Não. Jase a convidou.” “Me pareceu que ela estava lá por você.” “Talvez ela estivesse, mas eu não ligo.” Me virando em sua direção, eu apoiei minhas mãos em meus joelhos. “Avery, eu não sai com Steph desde que eu te conheci. Eu não saio com ninguém desde que te conheci.” Ela inalou profundamente. “Okay.” “Okay?” eu quase ri e então a merda saiu. “Veja, você não entende. Você nunca entende. Você tem me evitado desde o Thanksgiving. Largou a maldita aula e eu se que foi por minha causa e, toda vez que eu tentei falar com você, você simplesmente correu de mim.” “Você não quis conversar comigo no dia que fui te agradecer por me ajudar.” Eu a encarei. “Gee, E eu não sei o por quê? Talvez seja porque você dolorosamente deixou claro que não queria ter nada comigo. E então você simplesmente aparece hoje a noite? Do nada e fica bêbada? Você não entende.” Ela umedeceu seus lábios. “Desculpe-me. Eu estou bêbada, um pouco, e me desculpa, porque você está certo e... eu estou divagando.” Eu deixei sair uma curta, risada estranha. No que eu estava pensando? “Tudo bem, não é a melhor hora para essa conversa, obviamente. Olhe, eu não queria ser um total idiota lá dentro, fazendo você sair mas...”


“Está tudo bem. Eu estou acostumada a pessoas não me querer nas festas.” Ela se levantou, meio instável. “Nada de novo.” Minha pele arrepiou como um aviso enquanto eu levantava. “Não é que eu não queria você ali, Avery.” “Um... mesmo?” Ela riu, mas não havia humor ali. “Você me pediu para sair.” “Eu...” “Correção.” Ela levantou uma das mãos. “Você me mandou sair.” “Eu fiz. E foi um movimento idiota, mas foi a primeira vez que você foi a meu apartamento, e você começou a beber e então...” eu tomei um grande fôlego. “Henry estava todo em cima de você e você estava sorrindo...” “Eu não estou a fim dele!” “Não parecia desse jeito Avery. Você estava bêbada e eu não queria você fazendo algo que pudesse se arrepender. Eu não sei o que se passa na sua cabeça metade do tempo e eu não tenho ideia do que você estava fazendo lá hoje a noite, mas eu nunca a vi beber e eu não sabia o que você iria fazer. Eu não queria que alguém se aproveitasse de você.” “Já estive lá, já fiz isso.”40 No momento que essas palavras saíram de sua boca, ela cerrou seus lábios. Um olhar de horror passou por seu rosto e tudo – meu Deus – tudo sobre ela começou a fazer sentido. “O que?” eu sussurrei, e ela começou a ir embora. Eu a peguei pelos ombros. “Oh, inferno, não. O que você disse?” “EU não sei o que disse okay? Eu estou bêbada, Cam. Duh. Quem sabe o que sai da minha boca? Eu não sei. E eu realmente não sei o que estou fazendo aqui fora.” “Merda. Avery...” meus dedos se apertaram em seus ombros. “O que você não está me contando? O que você não me contou?” “Nada! Eu juro. Eu te prometo. Eu não estou falando nada com nada, okay?” Ela piscou furiosamente. “Então pare de olhar para mim como se houvesse algo de errado comigo.” “Eu não estou te olhando desse jeito, querida.” Eu procurei em seu rosto pela verdade, pela seriedade do que aconteceu a ela, mas a punica coisa que vi em sua expressão era medo e desespero. Ela não queria que eu investigasse mais a fundo e eu entendi isso. De todas as pessoas, eu entendia a necessidade de manter algumas coisas em segredo, mas eu iria descobrir eventualmente. Seus olhos se arregalaram, e eu pensei que ela havia murmurado a palavra ‘por favor’. Havia muita merda entre nós. Coisas que precisávamos esclarecer, mas tudo isso podia esperar. Eu a aproximei de mim, passando meu braço em volta dela firmemente. Ela ficou tensa por um segundo e então colocou suas mãos na minha lateral enquanto pressionava seu rosto em meu peito. A sua sensação correu diretamente por mim. “EU senti sua falta.” Ela sussurrou. Naquele momento, tudo que aconteceu entre nós depois que eu havia visto sua cicatriz pareceu não importar. Eu enterrei minha mão em seu cabelo, pressionando-a mais perto. “Eu senti sua falta, querida.” Eu me segurei nela, a levantando no ar e então de volta para baixo, emocionado em poder estar somente a segurando novamente. Eu envolvi suas bochechas com minhas mãos, rindo ao sentir ela. “Você parece um pequeno cubo de gelo.” “Eu me sinto quente.” Nosso olhar se encontrou e ela sorriu. “Seus olhos são realmente bonitos, você sabia?” “Eu acho que são os shots de tequila falando agora. Vamos lá, vamos te levar para dentro antes que congele.” Abaixando minha mão, eu alcancei seus dedos, entrelaçando eles com os meus. A ultima coisa que eu queria era que ela caísse e quebrasse o pescoço. Uma vez em seu apartamento quente, seus dedos espasmaram em volta dos meus. 40

No original “Been there, done that”. Não achei melhor forma de traduzir.


“Você está perdendo a luta, ela disse.” “Eu estou.” Eu a guiei para o sofá e a sentei. “Como você está se sentindo?” “Okay.” Ela passou suas mãos em suas coxas. “Seus amigos provavelmente estão se perguntando onde você está.” Eu me ajeitei, ficando confortável. “Eu não ligo.” “Não?” “Nope.” Um pequeno sorriso apareceu em seus lábios enquanto ela sentava para frente e então me olhando. Eu não estava planejando ir a nenhum lugar. A luta e os amigos não eram tão importantes quanto aquela que estava sentada ao meu lado. Além disso, eu estava um pouco preocupado com o nível de álcool que ela bebeu, especialmente quando ela pulou e quase comeu a mesinha. “Talvez você deva se sentar, Avery.” “Eu estou bem.” Ela tropeçou em volta da mesinha. “Então... o que você quer fazer? Eu posso, um, ligar a TV ou colocar um filme, mas eu não tenho nenhum filme. Eu acho que posso pedir um...” “Avery, apenas se sente um pouco.” Ela pegou uma almofada e colocou no sofá. Será que ela estava pensando em começar a arrumar a casa? Mas então, ela foi em direção a poltrona em formato de lua. “Você não acha que está quente aqui?” “O quanto você bebeu?” “Um...” seu rosto virou para cima. “Não muito – talvez dois ou três shots de tequila e duas cervejas? Eu acho.” “Oh, wow.” Eu ri enquanto me inclinava para frente. “Quando foi a última vez que você realmente bebeu?” “Noite de Halloween.” Eu inclinei minha cabeça para o lado. “Eu não vi você bebendo no Halloween.” “Não no Halloween passado.” De volta em pé, ela começou a puxar as mangas de seu suéter. “Foi a... cinco anos atrás.” “Whoa. Faz bastante tempo.” Oh, isso não ia terminar bem. Eu levantei. “Você tem agua aqui? De garrafa?” “Na cozinha.” Eu fui em direção a sua geladeira, peguei uma garrafa e então voltei. “Você devia beber isso.” Quando ela pegou a garrafa, eu me sentei na beira do sofá. “Então você tinha o que? Quatorze? Quinze?” “Quatorze.” Ela sussurrou, abaixando o queixo. “Isso é realmente muito nova para estar bebendo.” Colocando a garrafa para baixo, ela arrumou seu rabo de cavalo. “Yeah, você não bebia quando tinha quatorze?” “Eu roubava uma cerveja ou duas aos quatorze, mas eu pensava que seus pais eram rígidos?” Ela riu enquanto se largava na poltrona. “Eu não quero falar sobre eles ou bebida ou Halloween.” Não precisava de nenhum cientista para saber que aquelas coisas estavam relacionadas. E também não precisava de uma imaginação fértil para imaginar uma pequena Avery ficando bêbada em uma festa e fazendo algo que ela veio a se arrepender depois. Pelo menos, eu esperava que fosse isso. “Okay.” Moranguinho me observou por um segundo e então tentou tirar seu suéter. Uma risada se formou em minha garganta mas ficou presa quando ela deixou cair o agasalho. Ela usava uma regata por baixo, mas o material era fino e expunha muita pele corada. Seu nervosismo pareceu aumentar ou pela cerveja ou porque eu estava ali depois de toda a merda que aconteceu entre nós.


Ela levantou novamente e começou a caminhar. Quando ela parou, entre a cozinha e o hall, ela enrolou seus dedos de baixo de sua regata. “O que você está fazendo?” eu perguntei. Ela não respondeu enquanto seu olhar sem foco encontrou o meu. Eu não tinha ideia do que ela estava pensando, eu nunca realmente tinha, mas ela sugou seu lábio inferior entre os dentes. Um aviso se formou em meus ossos. Ela definitivamente estava... Avery tirou sua regata. Puta. Merda. Eu inalei fortemente. “Avery.” Merda. Puta. Merda. Merda. Era tudo no que eu conseguia pensar enquanto encarava ela em seu sutiã preto. Eu já a tinha visto quando ela estava doente, mas não tinha realmente visto. Não como agora. Seus cheios estavam inchados, apertados contra a renda enquanto ela dava um respiro profundo depois do outro. Quando ela se inclinou contra a parede e deixou seus braços caírem ao seu lado, eu cerrei minha mandíbula fechada enquanto respirava profundamente. Meu olhar caiu de seu rosto, para seus seios e então para a linha rígida de seu estômago. Seu jeans estava baixo e sua barriga torneada acima do cós. A suave linha de sua barriga implorava para ser tocada. Ela estava obviamente bêbada e se eu fosse um bom homem, eu não estaria olhando para ela como se quisesse come-la, mas eu não podia desviar o olhar. Eu não me lembro de ter me levantado, mas eu tinha e de algum modo me movido em volta do sofá. Calor aumentava entre minhas pernas, endurecendo. “Cam?” ela disse sem fôlego. Meu corpo implorava para eu ir em sua direção e eu quase fui, mas parei, fechando minhas mãos. “Não.” “Não o que?” Eu fechei meus olhos, mas a visão dela estava estampada em minha mente. “Isso... não faça isso, querida.” “Não é isso que você quer?” ela perguntou com uma voz cheia de incerteza. Meus olhos voaram abertos. O que? “Eu não espero isso, Avery.” Ela engoliu um suspiro. “Você não me quer.” Não querer ela? Eu mal podia me lembrar da época que eu não a queria, pelo amor de Deus. Meu pênis estava empurrando contra o zíper de meu jeans, inchado ao ponto de quase explodir. Isso era o quanto eu a queria. Mas o olhar de autodepreciarão tinha estampado seu rosto. Eu andei para frente, batendo minhas mãos na parede em cada lado de sua cabeça. Eu me inclinei para baixo pare que estivéssemos com o olhar no mesmo nível. “Merda, Avery. Você acha que eu não a quero? Não há nenhuma parte de você que eu não quero, você entende? Eu quero estar dentro de você. Eu quero você contra a parede, no sofá, na sua cama, na minha cama e em todo o maldito lugar que eu consigo pensar e, acredite em mim, eu tenho uma imaginação vasta quando se trata dessas coisas. Nunca tenha dúvida que eu não quero você. Não é disso que se trata.” Confusão cravou em seus grandes olhos. Eu pressionei minha testa contra a dela. “Mas não assim – nunca assim. Você está bêbada, Avery e, quando nós ficarmos juntos – porque nós vamos ficar juntos, você estará totalmente consciente de tudo que eu fizer com você.” Ela segurou meu olhar e então fechou seus olhos, virando seu rosto para o lado, causando nossa pele a ficar junta. “Você e um bom rapaz, Cam.” “Não. Não sou.” Eu inalei seu cheiro, fazendo uma promessa silenciosa que eu iria estar onde quer que ela precise de mim. “Eu só sou bom com você.”


- 21 Foi quase uma hora depois que eu tinha convencido Avery a se cobrir com um cobertor que tudo que ela tinha bebido resolveu fazer uma nova aparição. Jogando para o lado a colcha que eu tinha embrulhado ela como se tivesse coberta com cobras, ela correu pela sala direto para o banheiro. Eu a segui rapidamente, esperando por isso, considerando que ela normalmente não bebia. Isso foi terrível. Sem poder fazer mais do que segurar seu cabelo e massagear suas costas enquanto ela vomitava horrores, eu nunca me senti mais sem poder. Quando finalmente acabou, eu a encostei contra a banheira e peguei uma toalha. Foi bem parecido quando ela esteve doente, com a exceção que dessa vez ela estava consciente. “Se sentindo melhor?” eu perguntei. “Mais ou menos.” Ela apertou seus olhos fechados. “Oh Deus, isso é tão embaraçoso.” Eu ri sob minha respiração. “Não é nada, querida.” “É por isso que você ficou certo?” ela murmurou dolorosamente. “Você sabia que eu ficaria ruim e aqui estava eu tirando minhas roupas.” “Shh.” Eu arrumei a mecha solta de cabelo atrás de sua orelha. “Por mais charmoso que foi ver você vomitar suas tripas, não foi por isso que eu fiquei e você sabe disso.” Seus olhos se fecharam novamente. “Por que você me quer mas não quando eu estiver bêbada e nem vomitando por todo o lugar?” Eu deixei sair uma risada alta. Avery doente era uma Avery engraçada. “Yeah, você sabe, é exatamente isso.” “Só tendo certeza que estamos na mesma página.” “Não estamos.” Um olho abriu. “Há.” “Pensei que gostaria disso.” Eu passei a toalha pelo seu queixo. Ela sorriu levemente. “Você é realmente... muito bom nisso.” “Tive muita prática.” Jogando a toalha para o lado, eu peguei uma nova e comecei tudo de novo. “Já estive no seu lugar algumas vezes.” Eu trouxe a toalha para baixo, pelo seu pescoço e sobre seus braços, forçando meu olhar a continuar em seu rosto e não ir direto para seus seios, tão lindamente expostos. “Quer ir para cama?” Ela me encarou com os olhos arregalados. Eu ri. “Tire sua mente do lixo.” “Oh,” ela murmurou, com um olhar contrariado. “Yeah, oh.” Eu me virei e peguei sua escova de dente. Colocando pasta, eu a encarei. “Pensei que você gostaria de tirar o gosto de sua boca.” “Você é maravilhoso.” Ela disse, pegando a escova. “Eu sei.” Quando ela terminou, eu ajoelhei novamente e abri meu casaco. Tirando-o, eu peguei a barra da minha camiseta passando por minha cabeça. “Eu venho tentando fazer você falar que sou maravilhoso desde a primeira vez que você esbarrou em mim. Se eu soubesse se tudo que precisava era te entregar uma escova de dente, eu teria feito isso a muito tempo atrás. Minha perda.” “Não. Isso foi...” ela conseguiu se sentar. “Minha perda – o que você está fazendo?” “Eu não seu onde suas roupas estão.” O que era uma mentira. Eu tinha encontrado suas roupas antes. “Uh-huh.” Eu sorri enquanto via seu olhar se mover pelo meu peito, se fixando na minha tatuagem. “E eu imaginei que você gostaria de tirar suas próprias roupas.” “Yeah,” ela murmurou. “Então a coisa mais fácil a se fazer é te emprestar minha camiseta.”


Ela deu uma inspirada profunda. “Okay.” “Então você vai ficar mais confortável.” Eu tinha a suspeita que ela não estava ouvindo uma palavra do que eu estava falando. Multo menos quando seus olhos viajaram para o sul, causando meu corpo a reagir. “Claro.” Ela murmurou. “Você não ouviu nada do que eu disse.” “Nuh-uh.” Eu ri enquanto segurava seu quadril, levantando ela para a beira da banheira. “Não levante seus braços ainda, okay?” eu disse a ela. Ela ficou parada enquanto eu colocava minha camiseta sobre ela. “Mantenha seus braços para baixo.” Eu soltei a camiseta e tateei suas costas, habilmente soltando seu sutiã. “O que você está fazendo?” ela disse com a voz estridente. Eu ri enquanto deslizava as tiras de seu sutiã para baixo de seus braços, mas morreu quando ela tremeu. Eu acho que eu realmente gostava de me desafiar, porque eu queria soltar seu sutiã e puxa-la em meus braços. “Como eu disse antes, tire sua mente do lixo. Sua virtude está a salva comigo.” “Minha virtude?” Eu olhei para ela sobre meus cílios. “Por agora.” “Por agora?” ela sussurrou. Eu assenti. “Passe seus braços pelas mangas.” Ela obedeceu, e eu enrolei as mangas. Encostando-me, uma sensação de possessão quase me derrubou. Eu gostava dela em minhas roupas. Realmente gostava. Passando minha mão pelo seu braço, eu parei acima do bracelete. “Não...” Pânico encheu sua voz enquanto eu desabotoava o pequeno fecho. Eu reforcei meu aperto, me recusando a deixa-la puxar o braço. “Eu já vi isso, Avery.” “Por favor, não.” Seu olhar se abaixou. “É embaraçoso e eu não posso voltar no tempo e retirar o que você viu. Eu gostaria de poder, mas não posso.” Minha suspeita anterior finalmente se confirmou. Eu passei minha mão em volta do bracelete e seu pulso. “é por causa disso, não é? Que você enlouqueceu comigo? Não queria falar comigo? Abandonou a aula?” Quando ela não falou, eu fechei meus olhos momentaneamente. “Oh, querida. Nós todos fizemos coisas que não sentimos orgulho. Se você soubesse...” Agora não era a hora daquilo. “O ponto é, eu não seu o porque você fez isso. Eu só espero que qualquer que tenha sido o motivo seja algo que você já tenha superado. Eu não penso menos de você por isso. Nunca pensei.” “Mas você parecia tão...” ela não conseguiu terminar. Eu tirei o bracelete com minha outra mão e coloquei na pia. “Eu só estava surpreso e eu estava preocupado. Eu não sabia quando você tinha feito isso e não vou perguntar. Não agora, okay? Só saiba que você não precisa esconder quando estiver comigo. Tudo bem?” Ela concordou, mas dúvida e desconfiança passaram em seus olhos marrons. Querendo provar que o que eu havia dito era verdade, eu inclinei minha cabeça enquanto virava seu braço e pressionei meus lábios sobre a cicatriz. Um tremor abalou Avery. “Eu tinha acabado de fazer dezesseis.” Sua voz ela baixa e terrivelmente jovem. “Foi quando eu fiz isso. Eu não sei se realmente queria isso ou se eu só queria que alguém...” ela balançou a cabeça. “É algo que me arrependo todo dia.” “Dezesseis?” “É algo que eu nunca faria novamente. Eu juro. Eu não sou mais a mesma pessoa que eu era.” “Eu sei.” Eu coloquei meu braço em sua perna, querendo afastar o olhar escuro e doloroso que havia em seus olhos. “Agora é hora de tirar essas calças.” Ela piscou e então riu. “Ótimo.”


Eu a ajudei a ficar de pé. Minha camiseta alcançava seu joelho e eu acho que ficava melhor nela do que em mim. Quando eu alcancei o botão de sua calça, ela bateu em minhas mãos. “Eu acho que consigo fazer isso.” Ela disse. “Você tem certeza?” eu provoquei. “Porque eu estou aqui a seu serviço e tirar seu jeans é algo que eu posso ser excepcional.” Seus lábios se contorceram. “Tenho certeza que você seria. Coloque seu casaco de volta.” Eu me apoiei na pia, esticando minhas costas. “Eu gosto quando você olha.” “Eu lembro.” Ela se virou e balançou sua bunda de um jeito extremamente excitante, tirando seu jeans. Olhando para o lado, eu peguei meu casaco do chão. “Você acha que vai ficar bem fora do banheiro?” “Espero que sim.” Uma vez que eu a tinha de volta na sala, eu encontrei aspirina e peguei outra garrafa de agua. Depois que ela bebeu, eu sentei no sofá e cutuquei gentilmente seu braço. “Senta aqui comigo.”. Quando ela começou a subir sobre minhas pernas, eu a parei. “Não. Senta comigo.” Confusa, ela balançou sua cabeça. Eu a inclinei, a guiando para baixo. Ela estava dura como uma nota de um dólar por um segundo e então seu corpo se ajustou a meu colo. Eu peguei a manta, jogando sobre suas pernas nuas. “Você deveria tentar dormir.” Eu passei meus braços em volta de sua cintura enquanto a TV jogava sombras pelo cômodo. “Vai ajudar de manhã.” Moranguinho deixou sair um pequeno suspiro enquanto ela se ajeitava em meu peito. “Você não vai embora?” “Nope.” “Não mesmo?” Abaixando meu queixo, eu passei meus lábios sobre sua testa. “Eu não vou a lugar nenhum. Estarei bem aqui quando você acordar, querida. Eu prometo.”

Eu acordei na manhã seguinte do mesmo jeito que tinha ido dormir. Avery ainda estava enrolada em meu colo, mas ela estava acordada agora e continuava se contorcendo. Eu gemi, apertando meu abraço enquanto seu quadril continuava pressionado em minha ereção. “Desculpa.” Eu disse. “É de manhã e você está sentada em mim. Essa é uma combinação fatal para qualquer homem.” Eu abri meus olhos a tempo de ver as bochechas de Moranguinho corarem. Eu movi uma mão para seu quadril, observando sua expressão sonolenta pelos olhos pesados. “Você quer que eu saia de cima de você?” ela perguntou. “De forma nenhuma.” Eu passei minha mão por sua espinha, entrelaçando meus dedos por seu cabelo. “Absolutamente de maneira nenhuma.” Ela sorriu. “Okay.” “Finalmente, eu acho que finalmente concordamos em algo.” Jogando sua cabeça para o lado, ela me estudou por um longo momento. “A noite de ontem realmente aconteceu?” Eu ri. “Depende do que você acha que aconteceu.” “Eu tirei minha blusa para você?” Na menção disso, meu olhar caiu. A ponta endurecida de seus seios estavam bem visíveis. “Sim. Momento adorável.” “E você me rejeitou?” Minha mão foi para a lateral de sua coxa. “Só porque nossa primeira vez juntos não iria ser quando você estivesse bêbada.”


“Nossa primeira vez?” Eu sorri preguiçosamente. “uh-hum.” Ela ficou um rosa lindo. “Você está realmente confiante sobre existir uma primeira vez entre nós.” “Eu estou.” Eu inclinei para trás, para o travesseiro, observando ela enquanto passava minha mão para cima e para baixo, do quadril para a coxa. “Nós conversamos, certo?” ela olhou para seu pulso nu. “Eu te contei quando fiz isso?” “Sim.” Seus cílios caíram. “E você não me acha uma puta idiota?” “Bem...” Ela me perfurou com um olhar de areia seca. Eu sorri enquanto movia minha outra mão para a base de seu pescoço. “Você quer saber o que eu acho?” “Depende.” Eu guiei sua cabeça para baixo para que nossos lábios quase se tocassem. “Eu acho que precisamos conversar.” “Nós precisamos.” Ela sussurrou. Mas, quanto mais tempo ela passasse sentada em minhas pernas, menos provável seria que conversássemos. Eu segurei seu quadril e a levantei, a apoitando na almofada do meu lado. “Eu pensei que precisávamos conversar.” Ela perguntou enquanto eu me levantava. “Precisamos. Eu já volto.” Confusão passou por seu rosto. “Só fique aí, okay?” eu andei em direção a porta. “Não se mecha desse lugar. Não pense sobre nada. Só fique sentada ai que eu já volto.” Ela apoiou seu queixo no encosto do sofá. “Okay.” “Eu quis dizer exatamente isso, não pense sobre nada.” Eu abri a porta. “Não sobre os últimos minutos nem sobre a noite anterior. Nem o último mês. Ou o que virá depois. Só fique sentada aí.” “Tudo bem” ela sussurrou. “Eu prometo.” Eu segurei seu olhar por um momento e uma vez que eu tinha certeza que ela não iria se trancar no seu quarto, eu corri para meu apartamento. Estava quieto lá dentro, mas havia um par de saltos perto do sofá. Sorrindo, eu rapidamente escovei meus dentes e então peguei os itens necessários da cozinha. Me levou cinco minutos inteiros e quando eu voltei ao seu apartamento, ela estava exatamente onde a deixei. Seu olhar caiu para o que eu segurava em minhas mãos e então ela sorriu. “Ovos... você trouxe ovos.” “E minha frigideira.” Usando meu quadril, eu fechei a porta. “E eu escovei os dentes.” “Você não colocou uma camiseta.” Eu joguei nela um longo olhar. “Eu sei que quebraria seu coração não me ver sem camisa.” Enquanto colocava os ovos no balcão, eu ouvi um grito abafado e me virei em direção a porta. “Avery, o que você acha que está fazendo?” “Nada” foi a resposta. Eu sorri para mim mesmo enquanto voltava para o balcão. “Traga sua bunda aqui.” Quando ouvi seus pés atingirem o chão, eu franzi a sobrancelha. “E não ouse se trocar.” Eu pausei. “Porque eu realmente gosto de te ver em minhas roupas.” “Bem, quando você fala desse jeito...” ela apareceu na porta. “O que?” eu olhei sobre meu ombro. “Você sentiu tanta falta assim de meus ovos?” Ela piscou vagarosamente. “Eu não achei que teria você na minha cozinha fazendo ovos novamente.”


Aquelas palavras me afetaram mais do que ela sabia. Eu ajustei o controle do fogão. “Você sentiu tanta falta assim de mim?” “Sim.” Eu me virei em sua direção, passando uma mão em meu cabelo. “Eu senti sua falta.” Moranguinho respirou profundamente. “Eu quero dizer desculpa por como eu reagi quando... bem, quando você viu minha cicatriz. Eu nunca deixei ninguém vê-la.” Ela se inclinou para frente, mordendo seu lábio inferior. “Eu sei que não é uma desculpa, porque eu fui uma puta terrível mas...” “Eu vou aceitar suas desculpas com uma condição.” Eu cruzei meus braços. “Qualquer coisa.” Ela disse passionalmente. “Que você confie em mim.” “Eu confio em você, Cam.” “Não, você não confia.” Eu andei para a mesa e puxei uma cadeira. “Sente-se.” Uma vez que ela se sentou e ajustou a camiseta emprestada, eu voltei para o fogão e quebrei um ovo. “Se você confiasse em mim, você não teria reagido do jeito que você fez. E isso não sou eu te julgando ou qualquer coisa desse tipo. Você tem que confiar em mim que eu não serei um idiota e que nem vou surtar por causa desse tipo de coisa, Você tem que confiar que eu me importo o suficiente com você.” Ao som de sua respiração suave, eu me virei. “Tem muito que eu não sei sobre você e eu espero que nós possamos concertar isso. Eu não vou te forçar, mas você não pode me desligar assim. Okay. Você tem que confiar em mim.” Seu olhar encontrou o meu. “Eu confio em você. Eu vou confiar em você.” “Eu aceito suas desculpas.” Eu terminei os ovos e voltei para a mesa com suco de laranja antes que eu trouxesse o problema a tona. “Então o que fazemos agora? Me diga o que você quer.” Ela parou com um garfo cheio de ovos macios. “O que eu quero?” “De mim.” Eu coloquei um ovo em minha boca. “O que você quer de mim?” Moranguinho se encostou, colocando se garfo no prato. Ela abriu sua boca e então encolheu os ombros. “Você.” Meu peito espasmou por um momento e eu não consegui falar. “Eu?” “Eu quero você.” Ela disse, corando. “Obviamente, eu nunca estive em um relacionamento e eu nem sei se é isso que você quer. Talvez não seja...” “É.” “É?” ela perguntou. Eu ri, me sentindo mais leve do que me sentia em semanas enquanto pegava outro ovo. “Você soa surpresa, como se você não pudesse acreditar. É realmente adorável. Por favor, continue.” “Continue...?” ela balançou a cabeça. “Eu quero estar com você.” Eu mastiguei meu ovo devagar. “Essa é a segunda coisa que concordamos essa manhã.” “Você quer estar comigo?” Meus lábios se curvaram para cima. “Eu venho querendo estar com você desde a primeira vez que você me rejeitou. Eu só vinha esperando você mudar de ideia. Então, se nós vamos fazer isso, existem algumas regras básicas.” “Regras?” Acenando, eu descasquei o terceiro ovo. “Não há muitas. Não me desligar. É só eu e você e ninguém mais. E finalmente, continue parecendo extremamente sexy em minhas camisetas.” Uma risada saiu dela, profunda e real. “Eu acho que todas elas são razoáveis.” “Bom.” Eu me perguntei se ela tinha percebido o quanto minhas mãos tremiam enquanto eu descascava o ultimo ovo.


“Eu nunca fiz nada disso antes, Cam. E eu não sou uma pessoa fácil de conviver todo o tempo. Eu sei isso. Eu não posso prometer que vai ser fácil para você.” “Nada que é legal na vida é fácil.” Enquanto eu terminava o copo de leite, eu havia terminado de falar por agora. Eu precisava contar a ela sobre o que tinha acontecido três anos atrás e o que eu fazia toda sexta a noite, mas isso tinha que esperar. Eu precisava fazer o que estava com vontade desde a noite de Thanksgiving. Eu levantei e fui para seu lado. Pegando suas mãos, eu a levantei e coloquei meus braços em volta de sua cintura. Eu abaixei minha cabeça, passando meus lábios contra sua bochecha. “Eu estou falando sério com você Avery. Se você me quiser mesmo, você me tem.” Moranguinho pressionou sua palma contra meu peito. “Eu quero você de verdade.” “Bom saber.” Eu esmaguei meus lábios contra os dela. “Porque, se não, isso está prestes a ficar muito estranho.” Ela riu mas o som foi perdido quando eu pressionei minha boca na dela. O contato pareceu certo, tão necessário como respirar. O beijo era leve e calmo, mas enquanto ela deslizava suas mãos em meu cabelo, eu aprofundei o beijo, dando a ela o que ela silenciosamente pediu. Meus lábios passaram contra os dela, indo e voltando, empurrando e puxando, e então os guiando abertos com a minha língua. Seu gemido colocou fogo em meu sangue, e ela tinha gosto de suco de laranja e algo doce. Minhas mãos caíram em seu quadril e eu a pressionei contra mim, a levantando. Surpresa passou por mim quando suas pernas se enrolaram em torno da minha cintura. Eu pressionei suas costas contra a parede, encaixando nossos corpos juntos. Beijar ela era tudo que eu havia planejado, mas a sensação de seus seios achatados contra meu peito e seu cento quente contra mim foi minha perdição. Eu estava perdido nela. Moranguinho era tímida e ela era inocente em várias coisas, mas ela também era muito passional e sua reação era natural e muito sensual. Eu gemi quando ela moveu seu quadril, pressionando contra mim daquele seu jeito sem querer. Seus dedos se firmaram em meu cabelo enquanto ela segurava minha boca com a dela. Eu estava tão duro e tão inchado, e a pequena peça de roupa que a cobria entre suas coxas não era uma barreira suficiente. Eu queria nada mais que ter ela bem aqui, contra a parede, e eu duvidava que ela iria protestar, mas não era o certo. Com um grande esforço, eu levantei minha boca. “EU preciso ir.” Sua mão escorregou para minha bochecha. “Você está indo agora?” “Eu não sou um santo, querida.” Minha voz estava presada, cravada com desejo. “Então se eu não for agora, eu não foi estar indo por um bom tempo.” Ela tremeu e meu corpo inteiro ficou tenso. “E se eu não quiser que você vá?” “Merda.” Eu segurei suas coxas, momentaneamente fechando meus olhos. “Você está dificultando eu conseguir ser o bom homem que você disse que eu era ontem a noite.” Seus lábios acariciaram minha bochecha. “EU não estou bêbada.” Rindo calmamente, eu pressionei minha testa na sua. “Yeah, eu posso perceber isso e por mais que a ideia deu possuir você aqui, agora, contra a parede, seja suficiente para me fazer perder o controle, eu quero que você saiba que eu estou sério. Você não é uma trepada. Você não é uma amiga com benefícios. Você é mais que isso para mim.” Seus olhos se fecharam enquanto seu peito se levantava contra o meu. “Bem isso foi... meio que realmente perfeito.” “Eu sou meio que realmente perfeito.” Eu provoquei, desenrolando suas perdas e a deixando em pé. “Todos sabem disso. Você só é meio lerda em perceber as coisas.” Ela riu, aquecendo seus olhos. “O que você vai fazer?” “Tomar um banho gelado.” “Sério?” “Yep.” Outra risada voou dela. “Você vai voltar?” “Sempre.” Eu a beijei gentilmente, colocando tudo que eu sentia naquele beijo rápido.


“Okay.” Seu sorriso se espalhou pelo seu rosto e foi a coisa mais divina que eu já vi. “Eu vou esperar por você.”


- 22 “Você não vai vir hoje a noite, não?” Jase perguntou, sua voz mal audível sobre a música alta. Escorregando meus pés em meu sapato, eu segurei meu celular entre meu ombro e minha bochecha. “Nah. Eu vou levar Avery para jantar fora. Eu acho que se chegarmos...” “Não precisa de explicação. Eu não culpo você.” Ele soava entediado, não comigo, mas com toda a situação. Houve uma pausa. “Sua garota não parece ser do tipo que curte festas.” Eu fiquei preso na parte da “sua garota” e um orgulho passou por mim pelo que pareceu um segundo muito longo. “Yeah, eu acho que não.” Jase riu calmamente. “Ela te transformou em outro homem, não?” Eu sorri enquanto pegava minhas chaves. Jase poderia ter razão. Desde que eu conheci Avery em Agosto, vários hábitos meus haviam mudado, mais ainda durante as semanas depois da noite de luta. “Algo assim.” “Bem, se divirta. Não a deixei grávida.” Uma rizada saiu. “Jase, cara, vamos lá...” Ele riu de novo. “Estou brincando.” Revirando meus olhos, eu disse tchau e fui em direção ao apartamento da Avery. Nós tivemos um jantar rápido no Martinsburg e então voltamos para seu apartamento. Eu fiz um pit-stop e peguei Raphael, o deixando andar pela cozinha de Avery um pouco. O pequeno cara precisava de seu exercício no final. E Moranguinho parecia gostar de ficar pegando-o e o virando para outra direção, para que ele ficasse indo e voltando entre nós. Isso nunca fui algo que me imaginei fazendo em um sábado a noite, mas eu não estava entediado ou animado para estar em outro lugar. Que a verdade seja dita, eu estava me divertindo mais fazendo isso do que já tinha me divertido em qualquer festa da fraternidade. “É um terrário.” Eu a corrigi quando ela chamou seu habitat de aquário. “E ele tem um terrário de pedras. Comprei um novo para ele no seu aniversário.” “Você sabe quando é seu aniversário?” ela sorriu. “Yep. Vinte e seis de Julho.” Falando no assunto... “Quando é seu aniversário?” “Uh, você ainda tem tempo antes de ter que se preocupar com isso.” Ela cruzou seus tornozelos. “Quando é o seu?” “Quinze de Junho.” Eu não me daria por vencido. “Quando é o seu, Avery?” Ela suspirou. “É dois de Janeiro.” “Eu perdi seu aniversário?” Minhas sobrancelhas se arregalaram enquanto me inclinava para frente. “Não é nada de mais.” Ela deu de ombros. “Eu fui até o Smithsonian e fiquei doente, então provavelmente foi uma boa coisa que você não estava por perto.” Ir ao Smithsonian...? Isso me atingiu e eu me senti como um idiota. “Aw, cara, era por isso que você disse que queria ir lá no dia dois. Você foi sozinha? Merda. Eu me sinto...” “Não.” Ela disse levantando sua mão. “Você não precisa se sentir mal. Você não fez nada de errado.” Eu sabia que n tinha feito nada de errado. Eu teria a levado se ela tivesse deixado mas isso ainda não me desceu bem. “Bem, tem sempre o ano que vem.” Seus lábios se abriram em um grande sorriso que causou meu coração a gaguejar. Precisando de um momento para mim antes que eu fizesse algo incrivelmente estúpido, como ficar todo emocionado, eu peguei Raphael e o levei de volta para casa, prometendo a voltar logo. Eu havia planejado conversar com ela quando voltasse, sobre o que eu tinha feito, mas quando voltei, eu encontrei Moranguinho parada no hall que ia até seu quarto com um olhar em seu rosto que fez coisas estranhas com meu peito. Sua expressão era parte antecipação, parte incerteza e maior parte era uma inocente curiosidade que literalmente espantou qualquer pensamento da minha cabeça. Eu não tinha mais ideia do porque era importante conversar com ela sobre coisas sérias agora. Desde o


Domingo em que acertamos as coisas, eu estava levando as coisas devagar, tão devagar que eu imaginava se havia como ir mais devagar ainda. Toda noite, eu terminava indo um a um comigo mesmo até o ponto que minha mão estava começando a ficar dormente enquanto eu fazia anotações nas aulas. Mas valia a pena. A ultima coisa que eu queria era apressar ela, mas agora... Avery umedeceu seus lábios enquanto eu tirava meu suéter, colocando nas costas do sofá. Seu olhar foi na direção da faixa de pele exposta entre minha camiseta e meu jeans e suas bochechas ficaram coradas. Yeah, Moranguinho parecia que queria ser apressada. Eu sentei no sofá enquanto ela continuava no hall, mexendo com a ponta de seu vestido no brilho suave da TV. Quando ela tinha tirado suas meias depois de voltar do jantar, eu havia passado muito tempo olhando para suas pernas nuas como um adolescente que nunca havia visto tanta pele antes. “Você vai vir pra cá ou vai ficar me encarando pelo resto da noite?” Eu perguntei, rindo enquanto ela tomava um grande fôlego e andava calmamente para o sofá. Eu levantei uma mão e a puxei para meu lado, mas pequena Moranguinho tinha algo diferente planejado. Meu sorriso saiu quando ela colocou um joelho de cada lado de minhas coxas e sentou no meu colo. A resposta de meu corpo foi imediata. Eu endureci enquanto colocava meus dedos em seu quadril. “Hey, querida.” “Hey.” Ela sussurrou. “Você sentiu tanta falta de mim assim? Eu só fiquei fora uns minutos.” Ela colocou as mãos em meu ombro enquanto se sentava, trazendo nossos corpos juntos em todos os lugares certos. “Talvez.” Movendo minhas mãos para sua lateral, eu envolvi sua bochecha. Ela tinha de estar me sentindo entre suas coxas. Não havia como esconder isso. “O que você está fazendo?” Sua língua passou sobre seus lábios e eu mordi um gemido. “O que parece?” “Eu posso pensar em algumas coisas.” Eu alisei meu dedão em suas bochechas, querendo ver o que ela estava planejando. Na verdade, onde quer que ela estivesse levando isso, eu gostaria de pular de cabeça. “Todas elas me fizeram extremamente interessado.” “Interessado? Isso é bom.” Seus olhos encontraram os meus por um momento e então seus cílios se abaixaram, protegendo seus olhos enquanto ela diminuía a distância entre nós. Ela passou seus lábios nos meus, vagarosa e docemente. Então ela aumentou a pressão. Eu a deixei guiar, levando seu tempo enquanto o beijo se aprofundava. Minhas mãos estavam grudadas em suas bochechas enquanto sua boca abria. Eu passei minha língua na sua e ela devolveu o gesto ternamente. Algo sobre isso me deixou louco. Talvez era o fato que ela estava aprendendo tudo isso comigo. Eu passei minhas mãos para baixo, pelas suas costas e ela se curvou em resposta. Minhas mãos se firmaram em sua cintura enquanto ela trabalhava com seus lábios. Bom Deus, do jeito que ela estava se movendo em meu colo iria me matar. Eu tremi enquanto fazia meu caminho com minha mão direita por baixo de seu vestido, deslizando em sua coxa. Eu precisava toca-la. Passando minha outra mão pela sua frente, eu segui o caminho de suas costelas e peguei um de seus seios em minha mão. Aprendendo as curvas de seu corpo, eu acariciei a ponta. Avery quebrou o beijo, gemendo enquanto eu circulava meu dedão sobre seu mamilo. “Você gostou disso?” “Sim” ela disse sem fôlego. Ah, era isso que eu queria ouvir. Eu a provoquei enquanto trilhava seu pescoço abaixo dando pequenos beijos. Ela pressionou seu seio em minha mão enquanto seu quadril se movia novamente. Prazer intenso subiu pela minha espinha. Com um som baixo saindo de minha garganta, eu a afastei um pouco, observando enquanto ela ficava toda corada. Merda, ela era linda.


“Me diga o que você quer, querida.” Eu trabalhei em seu outro seio, sentindo seu mamilo pelas suas roupas. Não queria que ele se sentisse sozinho. “Qualquer coisa. E eu vou fazer.” Seu peito levantou bruscamente. “Me toque.” Meu corpo ficou tenso e então em choque. Quando eu falei, mal consegui reconhecer minha voz. “Posso?” Eu deslizei ambas as mãos abaixo da linha de seu pescoço, sob seu vestido quando ela concordou, trazendo o material para baixo de seus ombros, a deixando exposta. Eu o puxei para baixo, liberando seus braços, deixando o vestido acumulado em sua cintura. “Linda.” Eu tracei a beirada de seu sutiã de renda. “Olhe esse corado. Malditamente linda.” Abaixando minha cabeça, eu fechei minha boca sobre a ponta de seu seio, a beijando pelo suave cetim. Um choro estrangulado escapou dela enquanto eu segurava seu quadril, suando mais profundamente. Meu coração pulsava contra minhas costelas enquanto seus dedos seguravam mais forte em meu cabelo, me mantendo perto enquanto eu me movia para o outro seio. Eu suguei gentilmente e fui contemplado com mais um choro suave. Seu corpo já estava tremendo contra o meu, mas eu não estava nem perto de ter terminado com ela. Eu deslizei minhas mãos pela barra de sua saia, movendo-as para cima enquanto eu trilhava seus lábios macios e inchados com beijos. “Me diga uma coisa, querida.” Eu fiz pequenos círculos na parte de dentro de sua coxa, me aproximando de seu centro. “Você já gozou antes?” Ela ficou tensa de vergonha e quando ela não respondeu, eu fiz aqueles pequenos círculos para baixo de sua coxa. “Sim.” Ela disse. “Já.” “Sozinha?” eu movi minha mão de volta para cima em sua coxa. Ela se contorceu para perto, pressionando minha ereção enquanto ela descansava sua testa na minha. “Sim.” Eu estava aliviado por ouvir isso, mesmo sabendo que não deveria estar surpreso. Eu passei um dedo pelo meio de sua calcinha úmida. Seu corpo respondeu de um jeito tentador. Eu continuei movendo meu dedo, indo e voltando gentilmente. Eu poderia toca-la para sempre. Talvez eu fosse. Eu poderia ficar aqui, uma mão entre suas coxas e a outra acariciando seus seios. Eu podia lidar com isso. Mas então Avery se moveu. Ela passou sua mão para baixo em meu peito, sobre meu abdômen, parando na barra de meus jeans. Meu pênis inchou pela proximidade. Parte de mim queria pegar sua mão e terminar isso, mas a outra parte estava preocupado que eu perderia o controle no momento que ela me tocasse. Ela sugou sues lábios enquanto eu fazia mais um movimento entre suas coxas, circulando um monte de nervos. Eu estava totalmente a favor de arriscar perder o controle. Mordendo seu lábio inferior, eu pulsei em baixo dela. “O que você quer, Avery?” “Eu quero... eu quero tocar em você.” Um olhar de surpresa passou em seu rosto. “Mas eu não sei o que você gosta.” Oh Deus, eu gemi para suas palavras e prazer borbulhou pela minha ponta. Eu coloquei minha mão sobre a dela. “Querida, qualquer coisa que você fizer eu vou gostar.” “Mesmo?” “Com certeza.” Eu me pressionei de volta contra o sofá, criando espaço entre nós. “O que você quiser fazer comigo, eu vou amar. Você não tem que se preocupar com isso.” Felicidade e calor cruzou seu olhar e então seus cílios abaixaram enquanto ela abria o botão de meus jeans e puxava o zíper para baixo. Eu gemi enquanto ela engasgou. “Fácil acesso.” Eu me ajustei entre nós, me liberando. Os olhos de Avery se mantiveram fixos, e não havia nada mais quente que isso. Meu corpo inteiro estava tenso como uma corda de um arco. EU não podia fazer nada. Eu movi


minha mão para minha ponta e então para baixo na minha base enquanto meus batimentos aceleravam. “Eu penso em você.” Ela sussurrou. Cada musculo em meu corpo congelou. “Como?” Ela hesitou. “Quando eu... me toco. Eu penso em você.” “Puta merda.” Eu rosnei e meu queijo caiu. Eu quase gozei ali mesmo. Ela pensava em mi enquanto se tocava? Bom Deus todo poderoso e o diabo em baixo da terra... “Essa é a coisa mais honesta que eu já ouvi,” Seus lábios se curvaram para cima, e eu a beijei, mais duro e mais áspero que eu provavelmente deveria, mas ela não fugiu. Eu trouxe sua mão para mim, a guiando com meus dedos em volta da minha ereção. Ao primeiro contato, meu corpo inteiro se contorceu. Então ela moveu sua mão para cima e para baixo. O que lhe faltava em habilidade, ela com certeza compensava em esforço. A inocência que ela me ‘batia’ era quase demais. “Você é perfeita.” Eu murmurei contra seus lábios enquanto deslizava minhas mãos de volta para sua coxa. Nossa respiração se misturou, rápida e forte enquanto eu a tocava pela sua calcinha, pressionando minha palma contra seu clitóris enquanto passava meu dedos pela suma humidade, separados apenas por uma barreira ínfima. Eu mantive minha boca na sua, levando sua língua na minha enquanto ela guiava minha mão e eu investia nela. Eu senti seu corpo ficar tenso e então ela gritou em uma liberação rápida. “Cam!” Seu corpo espasmou contra minha mão, onde após onda enquanto eu a acalmava. Tremor percorreu meu corpo quando minha liberação fluía de mim. Eu gozei mais forte do que jamais tinha e estava admirado com isso. Ela se segurou, sua cabeça caída contra meu ombro enquanto eu envolvia um braço em sua cintura. Só quando eu fiquei realmente sensível, eu gentilmente removi sua mão. Ela estava mole em meu abraço enquanto eu a aconchegava em meu peito. Eu sabia que eu precisava deixar ela ir. Eu tinha feito uma bagunça entre nós, mas eu não conseguia me afastar de ser corpo ainda. Estendendo a mão, eu levantei sua cabeça e beijei a pálpebra de seus olhos e então seus lábios. O silencio se prolongou entre nós, confortável até que eu a senti tensa em meus braços. Preocupação passou por mim. Eu sabia que não havia machucado ela mas talvez tenha sido muito. “Hey.” Eu disse, passando meu dedão em sua bochecha. Um olhar confuso passou em seu rosto. “Você está bem? Eu não...” “Foi perfeito.” Ela beijou minha mandíbula, fechando os olhos. “Isso é perfeito.” Avery estava certa. Meu Deus, isso foi o momento mais perfeito mas, uma bola de mal-estar se formou em meu peito. Uma nuvem passou sobre ela. Tinha ido embora agora mas, ela já havia estado ali e eu tinha medo que ela fosse voltar.


- 23 Ollie estava na beira do banco na nossa frente, sobras de comida chinesa de Avery em um pacote. O fato que ele tinha trazido aquilo para o campos era estranho. E aquela comida estava na geladeira a alguns dias. “Tudo que estou dizendo é que o Dia do Presidente é mais interessante que o Dia dos Namorados.” Ele disse, brincando com seu hashi no macarrão. “Além do que, Hallmark 41criou V-Day, Não é um dia real.” Sentada ao lado dele, Brittany balançou a cabeça. “Dia do Presidente é chato. O que acontece nesse dia?” Avery estava sentada no meu colo, enrolada em meu peito. Estava brutalmente frio em Fevereiro e eu tinha aberto meu casaco, colocando as pontas em volta dela. “Aqueles dois transaram em algum ponto?” ela perguntou com a voz baixa. Eu ri baixo sob minha respiração. “Eu honestamente não sei com certeza.” “Há liquidação de carros e móveis no Dia do Presidente.” Ollie disse, sorrindo como se ele tivesse orgulhoso do que havia dito. “E os bancos estão fechados.” “Wow.” Brittany trocou um olhar com Moranguinho e então voltou sua atenção para o Ollie. “Você não transa no Dia do Presidente. Você faz no Dia dos Namorados.” Ollie pausou, macarrão voando no vento, e olhou para ela. “Está oferecendo?” “Wow.” Eu murmurei. “Suave.” Moranguinho riu. Soltando seu braço, Brittany acertou Ollie para fora do banco. “Não. Eu não estou oferecendo.” Ollie aterrissou cambaleando em seus pés. “Isso é uma pena.” Ele se inclinou tão perto de Brittany que seu cabelo se misturou com o dela. “Eu mudaria sua vida, baby.” Sem conseguir se controlar, Avery riu alto e eu deixei cair minha cabeça em seu ombro, escondendo meu rosto quando vergonha passava por mim. Brittany parecia não estar impressionada. “Você provavelmente está certo. Imagino que depois de uma noite com você, eu estarei indo ao hospital pelo resto de minha vida.” “Ouch.” Ele bateu sua mão livre contra seu peito. “Você me feriu.” Ela riu. “Eu duvido disso.” Ollie se jogou a seu lado e levantou seu hashi. “Macarrão?” Sorrindo um pouco, ela balançou a cabeça. “Não, obrigada.” Avery se sentou, ar gelado passou entre nós. Eu me inclinei, puxando ela de volta contra meu peito. “Não vá.” Eu disse, embrulhando meus braços nela. “Você é como se fosse meu cobertor.” Ela se virou em minha direção, pressionando um beijo no canto de meus lábios. “Eu preciso ir para aula.” “Pule.” Eu murmurei, procurando por seus lábios. “Venha para casa comigo.” Eu trilhei sua boca, passando minha língua pelos seus lábios gelados. “Eu vou te aquecer.” Seu corpo tremeu, e eu duvidava que tinha algo a ver com o frio. “Isso é tão elegante quanto a proposta de Ollie em mudar a vida de Brittany.” “Hey!” Ollie gritou. “Não me inclua em seu pequeno ninho de amor.” As bochechas de moranguinho coraram e eu me perguntei se ela tinha esquecido que não estávamos sozinhos. Ela se contorceu livre, como ela já tinha feito uma noite em meu quarto, na minha cama, e eu engoli um gemido. Eu realmente não precisava estar pensando nisso agora. “Eu te vejo jaja?” ela disse para Brittany, dando-a um rápido abraço. Brittany assentiu. “Claro.”

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Empresa de cartões, embalagens para presentes e artigos de festas. http://www.hallmark.com/


Dizendo tchau, eu coloquei meu braço sobre seus ombros, com a intenção de acompanhar ela até Whitehall. Ela sorriu para mim, cruzando os olhos. “Você não deveria estar do outro lado do campus?” “Talvez.” Eu puxei meu boné e coloquei em sua cabeça, a protegendo do sol. “O que você e Brittany vão fazer mais tarde?” “Vamos ao shopping.” Ela puxou a borda do boné um pouco mais enquanto ela dava um passo para o lado. “Nós temos algumas compras especiais para fazer.” “Humm.” Eu entrelacei meus dedos com os dela. “Que tipo de compras especiais?” “É segredo.” Eu sorri e então inalei profundamente. Havia certa umidade no ar. “Isso tem a ver com o dia que não é o Dia do Presidente?” Ela riu, e meu sorriso aumentou. Moranguinho vinha rindo bastante ultimamente. “Eu não vou te contar.” “Estou vendo como isso funciona.” Nós paramos perto da entrada coberta do prédio de Ciências Sociais e eu a puxei para mim. Ela veio bamboleando, se esticando na ponta dos pés. Virando o boné em sua cabeça para trás, eu apoiei minha testa contra a dela. “Você pode sentir o cheiro disso?” Ela riu enquanto colocava uma mão em meu peito. “Meu hálito?” Revirando os olhos, eu abracei sua cintura. “Não sua pequena boba. Tem cheiro de neve.” “Oh.” Ela sorriu. Eu a beijei suavemente. “Bem, tenha cuidado em sua especial e secreta viagem ao shopping.” “Terei.” Ela se esticou, tirando o boné e colocando de volta em mim. “Você vai vir hoje a noite?” “Essa é uma pergunta idiota.” Eu não queria deixa-la ir. Ela fez uma careta para mim. “Achei que não havia perguntas idiotas.” “Isso é mentira.” Abaixando a cabeça, eu a beijei mais uma vez e então a deixei ir. Quando ela se virou, eu dei um tapa em sua bunda fazendo com que ela pulasse e me atirasse um olhar seco. Eu ri. “Você gostou disso.” O corado em suas bochechas me dizia que eu estava certo.

Neve caia do lado de fora, bem rápido. Eu estava feliz que tinha conseguido convencer Moranguinho a faltar amanhã. As aulas ainda estariam acontecendo, mas o campus seria um balde de gelo. Eu olhei para baixo, para ela, e sorri. Depois de comer pizza e ficar um pouco com Ollie, ela estava esgotada. Dormindo profundamente, ela estava curvada de lado, sua cabeça descansando em minha perna. Eu peguei uma mecha de seu cabelo que descansava em sua bochecha e a arrumei. “Ela é uma graça, sabia?” Ollie se inclinou para frente, pegou o ultimo pedaço de pizza e levantou. “Só ela poderia desmaiar na sua enorme presença.” Eu ri gentilmente. “Foi muito para ela. Ela estava sobrecarregada.” Ele sorriu enquanto passava por minhas pernas. “Vou me deixar ir embora.” No silencio que se seguiu, eu tracei a elegante curva de seu rosto com meu olhar, gravando os seus ângulos em minha memória. Mais cedo naquele dia, enquanto eu andava para West Campus com Ollie, ele havia feito um tipo de comentário sobre eu estar amarrado. Por mais engraçado que foi, não me atingiu. Eu ri. Talvez eu estava um pouco amarrado. Talvez eu estava um pouco obcecado. Talvez eu... Na mesinha, o celular de Avery bipou e a tela acendeu e eu olhei antes de perceber o que estava fazendo.


Você é uma puta mentirosa. Como você consegue conviver consigo mesma? Eu me inclinei para frente, lendo a mensagem três vezes antes que a tela apagasse e a mensagem sumisse. O choque me deixou estúpido. Eu devia ter lido errado. Três vezes? Pouco provável. Músculos nas minhas costas e pescoço ficaram tensos. Eu não sei quanto tempo fiquei ali paralisado em silêncio, mas além do choque, raiva desceu por minhas veias como uma lenta queimada. Quem iria mandar uma merda dessas para ela? Puta mentirosa? Eu queria achara a pessoa responsável e arrancar sua espinha. Mas por que alguém mandaria algo assim para ela? Se Avery fosse uma puta, então uma freira seria também, mas por que? Um musculo começou a pulsar em minha mandíbula e não parou quando Avery se agitou. Bocejando, ela se sentou e tirou o cabelo de seu rosto. Um sorriso sonolento se formou em seus lábios. “Desculpa. Eu não pretendia adormecer em você.” Eu a olhei, sem certeza se eu deveria dizer algo. Ela estreitou seus olhos e me encarou. “Está tudo bem?” Merda. Eu não tinha como eu deixar isso passar. Eu olhei para a mesa. “Você recebeu uma mensagem enquanto dormia.” Suas sobrancelhas se arregalaram enquanto ela seguia meu olhar e, então, ela se atirou para frente, pegando seu celular. Ela inalou bruscamente quando pressionava a tela. Eu observei sangue fugir de seu rosto e senti os nós em meu peito aumentarem. “Ascendeu a tela quando chegou.” Vagarosamente, ela apoiou o celular com suas mãos tremendo. Ela não me olhos, mas continuou encarando-o. “Você leu a mensagem?” “Não foi como se eu tivesse feito de propósito.” Tenso, eu me inclinei para frente. “Estava ali, bem na tela.” “Mas você não precisava ter visto!” ela levantou, mãos fechadas ao seu lado. Whoa. Calma aí. “Avery, eu não estava bisbilhotando suas coisas. A porra da mensagem apareceu. Eu olhei antes que pudesse me impedir. Talvez isso tenha sido errado.” “Isso foi errado!” Eu tomei um grande fôlego. “Okay. Isso foi errado. Me desculpe, mas não muda o fato que eu li a mensagem.” Ela parou no meio da sala e não havia erro que era pânico o que estava cravado em seu olhar. “Avery.” Eu disse com cuidado. Seu olhar virou em minha direção. “Por que você receberia um texto como esse?” Ela cruzou seus braços. “Eu não sei.” Eu não acreditei nela. “Eu não sei.” Ela disse de novo e então continuou. “De vez em quando eu recebo uma mensagem como ela, mas não sei porque. Eu acho que é algum tipo de número errado.” Eu ainda não acreditava nela. “Você não sabe de quem são?” “No. Diz ‘número privado’. Você viu isso.” Ela continuou antes que eu pudesse falar. “Me desculpa por ter surtado com você. Eu só fiquei surpresa. Eu estava dormindo e quando acordei eu podia dizer que havia algo errado. Então eu pensei... eu não sei o que pensei, mas me desculpa.” “Pare de pedir desculpa Avery.” Eu odiava quando ela dizia isso. “Eu não preciso ouvir que você está arrependida. Eu quero que você seja honesta comigo. Isso é tudo que eu quero. Se você está recebendo esse tipo de mensagens, eu preciso saber sobre o que são.” Ela deu um passo para trás. “Por que?” Algumas vezes eu me perguntava se falamos a mesma língua. “Porque eu sou seu namorado e eu me importo se tem alguém te chamando de puta!” Avery recuou.


Tomando outro grande fôlego, eu olhei para longe. “Honestamente? Isso me chateia, mesmo que acidentalmente. Ninguém deveria estar mandando uma merda dessas.” Eu pausei, encontrando o seu olhar e o segurando. “Você sabe que pode me contar qualquer coisa, certo? Eu não vou te julgar ou ficar bravo.” No momento que essas palavras saíram de minha boca eu percebi o quão falso eu era. Aqui estava eu falando para Avery que ela podia me contar qualquer coisa, ficando bravo porque eu sabia que ela não estava, e eu estava mantendo meus próprios segredos. “Eu sei.” Ela sussurrou e então mais algo. “Eu sei.” Meu coração acelerou em meu peito enquanto eu olhava em seus olhos. “E você confia em mim, certo?” “Sim, Claro que sim.” “Merda.” Eu gemi, e meus músculos ficaram ainda mais tensos. Uma bola de gelo se formou em meu peito. Contar isso a ela era um risco. Ela poderia pensar que eu era uma pessoa violenta e ir embora, mas eu precisava ser honesto, especialmente se eu esperava isso dela também. Eu estava totalmente assustado. Fechando meus olhos, eu disse. “Eu não fui totalmente honesto com você.” “O que?” Eu passei minha mão por minha mandíbula. Ou tudo ou nada42, certo? “Eu digo a você que você deve confiar em mim e que você pode me contar qualquer coisa mas eu não estou fazendo o mesmo. E, eventualmente, você iria descobrir.” Avery correu em volta da mesinha e se sentou na beira do sofá. “Do que você está falando, Cam?” Eu podia perdê-la, eu percebi, mas eu precisava contar a verdade. “Você sabe quando disse que tinha merda no passado e que não se orgulhava disso?” Ela assentiu. “Sim.” “Eu posso dizer isso por experiência própria. Poucas pessoas sabem sobre isso.” Eu pausei. “E é a ultima coisa que eu gostaria de te dizer.” “Você pode me contar.” Ela disse, chegando mais perto. “Sério, você pode falar comigo. Por favor.” Eu não sabia como começar. Levou-me alguns momentos. “Eu deveria estar me formando esse ano, junto com Ollie, mas não estou.” “Eu lembro que você me disse que precisou tirar um tempo.” “Foi no meu segundo ano. Eu não tinha ido para casa durante o verão porque eu estava como técnico em um acampamento de futebol em Maryland, mas quando eu voltei pra casa, minha irmã... ela estava agindo diferente. Eu não conseguia dizer por que, mas ela estava toda animada e quando ela ficava em casa, passava a maior parte do seu tempo no seu quarto. E, aparentemente, ela mal ficava em casa, de acordo com meus pais. Minha irmã, ela sempre foi essa alma viva, você sabe. Pegando animais abandonados, especialmente os rapazes abandonados. Mesmo quando ela era pequena, ela sempre fazia amizade com as crianças não populares da sala.” Eu sorri pela memória. “Ela conheceu esse rapaz. Ele era um ano ou dois mais velho que ela e eu pensei que sua relação era séria – tão séria quanto pode ser quando você tem dezesseis. Conheci o rapaz uma vez. Não gostei dele. E não tinha nada a ver com o fato que ele estava saindo com minha irmã. Só havia algo sobre ele que não me desceu bem.” Eu deixei cair minhas mãos em meus joelhos, enquanto sentia uma raiva familiar crescer dentro de mim. “Eu estava em casa para a pausa do Thanksgiving, na cozinha. Teresa estava ali e nós estávamos brincando. Ela me empurrou e eu a empurrei de volta, pelo seu braço. Nem foi forte mas ela chorou como se eu tivesse realmente a machucado. No começo eu pensei que ela estivesse só sendo chata, mas haviam lágrimas em seus olhos. Ela brincou

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No original “in for a penny, in for a pound.”


com isso e eu esqueci do fato por aquela noite, mas na manhã de Thanksgiving, Mãe encontrou com ela, quando ela estava só de toalha, e ela viu aquilo.” Avery deu um grande suspiro e eu balancei minha cabeça. “Minha irmã... ela estava coberta em hematomas. De cima a baixo em seu braço, em suas pernas.” Eu fechei minhas mãos em punhos. “Ela disse que era pelo jeito que ela vinha dançando, mas todos nós sabíamos que você não ficava machucada assim por dançar. Nos levou quase a manhã toda para tirar a verdade dela.” “Foi seu namorado?” ela perguntou com a voz baixa. Eu engoli forte. “O pequeno idiota vinha batendo nela. Ele era esperto sobre isso, fazendo em lugares que não eram percebidos facilmente. Ela ficou com ele. Eu não sabia o porque no começo. Vim descobrir depois que ela estava muito assustada para terminar.” Sem poder me sentar direito, eu levantei e caminhei em direção a janela. “ Quem sabe por quanto tempo isso teria continuado se Mãe não tivesse esbarrado nela quando o fez. Teresa teria contado a alguém? Ou aquele bastardo teria continuado batendo nela até uma noite a matar?” Minha cabeça caiu para frente. Tudo isso parecia ter acontecido ontem – a raiva e o desamparo. "Deu“, eu estava tão irritado, Avery. Eu queria matar o idiota. Ele vinha batendo na minha irmã e meu pai queria chamar a polícia, mas o que eles iriam realmente fazer? Os dois eram menores. Ele levaria uma palmada e teria aconselhamento, ou algo do tipo. E isso é uma merda. Eu não estava bem com isso. Eu sai na noite de Thanksgiving e o encontrei. Não precisou de muito, cidade pequena e tudo. Eu bati em sua porta e ele atendeu. Eu o disse que ele não podia chegar mais perto da minha irmã e você sabe o que aquele pequeno punk disse?” “O que?” ela sussurrou. “Ele veio todo cheio de si para mim, inchando seu peito pra mim. Me disse que ele iria fazer qualquer merda que quisesse.” Eu ri, mas não havia humor ali. “Eu perdi. Raiva nem é a melhor palavra para se usar. Eu estava enfurecido. Eu bati nele e não parei.” Pulso palpitando, eu a encarei. “Eu não parei de bater nele. Nem quando seus pais apareceram ou quando sua mãe começou a gritar. Precisou de dois policiais para me tirar dele.” Avery não disse nada enquanto me olhava. Eu esfreguei minhas mãos em minha bochecha. “Eu terminei na cadeia e ele em coma.” Sua boca abriu em choque, e ali estava. Abaixando minha cabeça, eu olhei para longe enquanto me sentava na poltrona. “Eu já havia estado em brigas antes – merdas normais. Mas nada como aquilo. Minhas juntas estavam estouradas e eu nem senti. Meu pai...” eu balancei minha cabeça. “Ele fez sua mágica. Eu deveria ter ficado lá por um bom tempo por aquilo, mas não fiquei. Acho que ajudou que o rapaz acordou uns dias depois.” “Eu sai fácil – nem um dia na cadeia.” Eu sorri estranhamente. “Mas eu não podia sair de casa por vários meses enquanto isso se resolvia. Eu terminei com um ano de serviço comunitário no clube local e então outro ano de controle de raiva. É isso o que eu faço toda sexta. Minha ultima sessão é nesse outono. Minha família teve que pagar indenização e você nem quer saber quanto isso custou. Eu tive que parar de jogar futebol por causa do serviço comunitário, mas... como eu disse, eu saí dessa fácil.” Avery olhou para longe, sobrancelhas pressionadas juntas. Seu rosto estava pálido e quanto mais ela ficava em silêncio, mas eu me sentia doente. O que eu... “Eu entendo.” Ela disse rapidamente. Eu olhei para ela, sem saber se tinha ouvido direito. “O que?” eu disse com a voz rouca. “Eu entendo o que você fez.” Ela tinha ouvido o que eu tinha feito? Eu levantei. “Avery...”


“Eu não sei o que isso diz de mim, mas você estava defendendo sua irmã e bater assim em alguém não é a resposta, mas ela é sua irmã...” ela pausou, procurando pelas palavras certas. “Algumas pessoas merecem um chute na bunda.” Eu a encarei. Ela desdobrou suas pernas. “E tem algumas pessoas que nem mesmo merecem respirar. É uma coisa doentia de se dizer, mas é verdade. Eu cara poderia ter matado sua irmã. Inferno, ele poderia ter batido em outra garota até a morte.” “Eu mereço estar preso, Avery. Eu quase o matei.” “Mas você não o fez.” Eu abri minha boca, mas não haviam palavras. Como ela conseguia ser tão compreensiva? “Me deixe fazer uma pergunta. Você faria de novo?” A pergunta de um milhão de dólares. “Eu ainda teria dirigido até sua casa e eu ainda teria batido nele. Talvez não tanto, mas honestamente? Eu não sei se isso mudaria alguma coisa. O cretino bateu na minha irmã.” Ela inalou profundamente. “Eu não culpo você.” Eu continuei a encarar ela, me sentindo como se fosse cair de joelhos. “Você é...” Um ombro magro levantou. “Perturbada?” “Não.” Eu sorri, absolutamente pasmo. “Você é extraordinária.” “Eu não iria tão longe.” Ela disse, sorrindo levemente. “Sério.” Eu sentei ao seu lado no sofá. “Eu pensei que você ficaria aborrecida ou brava se você soubesse.” Avery balançou sua cabeça, jogando mechas de cabelo cobre para todos os lugares. Meu deus, ela era... não haviam palavras. Deixando minha testa cair na dela, eu envolvi suas bochechas. Parecia que um gorila havia saído de meus ombros. “Sinto bem em tirar isso do meu peito. EU não quero que existam segredos entre nós.” Seus lábios se curvaram para cima e eu beijei os cantos. Superando com alívio, eu me encostei, trazendo ela para meu peito. Essa garota era... ela era perfeita em todos os sentidos que importavam. Eu beijei o topo da sua cabeça e seu peito levantou bruscamente. O alívio que eu sentira era de mais e eu, honestamente não estava preparado para Moranguinho ser tão compreensiva. Suspirando, eu fechei meus olhos e a segurei o mais próximo que eu podia. Avery tinha aceitado meu segredo. Agora, seu eu a fizesse entender que eu faria o mesmo por ela...


- 24 “Você não acha que já foram rosas demais por hoje?” Ollie perguntou, acenando para única rosa que eu segurava em minha mão. E então ele olhou para a nova adição na sala. “Mais aquilo? Você está fazendo o resto dos caras, como eu, parecer ruim.” Jase riu do seu lugar no sofá, uma garrafa de cerveja em sua mão. “Eu realmente não acho que você consegue parecer ‘ruinzaço’43, Ollie.” Ele bufou enquanto apoiava suas pernas na mesinha. “Pelo menos eu sei que ‘ruinzaço’ não é uma palavra.” Jase piscou. “Isso é tudo que você sabe.” Eu deslizei o presente de moranguinho para o corredor e então voltei para eles, sobrancelhas arregaladas. “Vocês vão ficar aqui a noite toda bebendo?” “Yep.” Eles responderam juntos. “Bem, se divirtam com isso.” Os saudando, eu fui para fora e coloquei sue presente perto da porta, contra a parede. Eu bati, lutando contra um sorriso idiota enquanto ouvia os sons abafados vindos de seu presente. Avery abriu a porta, seu olhar caindo para a rosa. “Para mim?” “Claro.” Eu disse, entregando para ela enquanto entrava. “Realmente me desculpa por não poder levar você para sair hoje, mas...” “Não tem problema. Eu sei que você tem as reuniões.” Ela carregou a rosa para o vaso no balcão da cozinha, onde o resto das rosas que eu tinha dado a ela estavam. Olhando sobre um ombro para mim, ela inclinou a cabeça para o lado. “O que você está fazendo?” Eu sorri. “Fique ai onde você está e feche os olhos.” “Eu tenho que fechar os olhos?” “Sim.” Excitação passou por seu rosto, mas ela estava desesperada para bancar a difícil. “Então é uma surpresa?” “Claro que é. Então feche os olhos.” Seus lábios se curvaram. “Suas surpresas são tão assustadoras quando suas ideias.” Eu zombei. “Minhas ideias e minhas surpresas são brilhantes.” “Se lembra de quando você pensou que seria uma boa ideia...” “Feche os olhos, Avery.” Sua risada aumentou em um grande sorriso enquanto ela obedecia. Me virando, eu corri para o corredor e rolei seu presente para dentro. Eu fechei a porta. “Não espie.” Suas sobrancelhas se levantaram. “Cam...” “Mais alguns segundos.” Eu envolvi minhas mãos em seus ombros, a guiando pela cozinha para a sala. “Mantenha seus olhos fechados, okay?” “Eles estão.” Eu apertei sua mão e a deixei ir. Dando um passo para trás dela, eu deslizei um braço em volta de sua cintura, pressionando um beijo em sua testa. Seus dedos se enrolaram em volta de meu braço enquanto ela suspirava. “Você pode abrir seus olhos agora.” Eu beijei sua bochecha. “ou você pode ficar de olhos fechados. Eu gosto disso também.” Ela riu e eu sabia o momento que ela tinha aberto os olhos. “Oh meu Deus, Cam...” Eu tinha decorado um terrário de cinquenta litros, completo com areia e pedras beirando as folhagens. Espiando de um buraco para se esconder, estava uma pequena tartaruga, esticando o pescoço, olhando sua nova casa. Ela fez um pequeno ruído. Eu ri. “Você gostou?” 43

Desculpe, mas eu tive que inventar alguma coisa aqui. No original eles falam “badder” que seria um aumentativo de mal.


“Gostar?” Moranguinho se soltou e colocou suas mãos no vidro. “eu... eu amei.” “Bom.” Eu me movi para seu lado. “Eu pensei que Raphael pudesse ter companhia.” Ela riu enquanto apertava seus olhos fechados e os abria. “Você não devia ter feito isso tudo, Cam. Isso... isso é muito.” “Não é muito e todo mundo precisa de uma tartaruga de estimação.” Eu me abaixei, beijando sua bochecha novamente. “Feliz Dia dos Namorados.” Avery se virou e jogou seus braços em volta de mim. Ela me beijou, roubando meu fôlego. “Obrigada.” Eu passei meus lábios sobre os dela. “Não tem problema.” Ela colocou seus braços em volta da minha cintura e se apoiou. “É um menino ou uma menina?” “Você sabe, eu realmente não sei. Supostamente você consegue dizer pela forma do casco, mas inferno que eu sei isso.” “Bem, menino ou menina, eu vou chama-lo de Michelangelo.” Eu inclinei minha cabeça para trás e ri. “Perfeito.” “Nós só precisamos de mais dois.” Essa garota era fodidamente perfeita. “Verdade.” Ela se soltou, sorrindo. “Já volto.” Antes que eu pudesse dizer uma palavra, ela deu meia volta e entrou no corredor. Enquanto ela se foi, eu empurrei o terrário contra a parede e liguei a lâmpada de aquecimento. Ouvindo ela voltar, eu me virei. “Feliz Dia dos Namorados. Não é tão legal quanto seu presente, mas eu espero que você goste.” Um cartão foi empurrado em meu peito. Sorrindo eu o peguei e olhei para ela. “Tenho certeza que vou.”. Cuidadosamente, eu abri o cartão. Havia uma mensagem escrita dentro. Você significa tudo para mim. Eu encarei a mensagem pelo que foi, provavelmente, muito tempo. Meu coração estava palpitando e um calor fluiu em minhas veias. EU sorri – eu sorri como se tivesse acabado de ganhar um milhão de dólares. E isso foi antes deu ver os ingressos. Eu os seguirei entre os dedos. “Esse é um presente surpreendente, querida.” “Verdade?” Ela colocou suas mãos juntas abaixo de seu peito. “Eu espero que você goste. Quero dizer, eu sei que não jogar futebol é uma merda e eu espero que isso não te deixe triste, ir no jogo, e você não tem que me levar...” Eu peguei o resto das palavras com meus lábios e minha língua. Eu gostei dos ingressos. O presente era ótimo, mas eu nunca poderia contar que aquelas cinco palavras foram o que amei. “Claro que eu vou te levar. O presente é perfeito.” Eu suguei seu lábio inferior e ela gemeu. “Você é perfeita.” Aquelas palavras se repetiram várias vezes em minhas mãos enquanto eu segurava seu quadril e o puxava contra mim. Eu estava totalmente excitado, o que parecia um estado constante estando em volta dela. Meu estômago caiu enquanto ela envolveu seus braços em volta do meu pescoço. Eu não precisei dizer nada enquanto a levantava.. Moranguinho passou suas pernas em volta da minha cintura e eu a beijei profundamente, bebendo-a e recusando a deixa-la ir. Ela gemeu, e uma luxúria intensa bateu em mim. Eu estava no piloto automático enquanto a levei de volta a seu quarto e meu estômago ainda estava baixo enquanto eu a apoiei em suas costas. Eu olhei para baixo, olhando para ela por uns segundos e então me inclinei, tirando meu suéter pela minha cabeça. Meu peito estava subindo e descendo em uma respiração desigual. Eu precisava dela tanto quanto eu precisava da emoção de correr com uma bola pelo campo e marcar. Talvez ainda mais que isso. Ela traçou um dedo delicado pelas chamas em volta do sol em meu peito. “Eu amo sua tatuagem. Porque você a fez?”


“Você realmente quer saber?” Seus grossos cílios levantaram. “Sim.” “É bem idiota.” Ela continuou seguindo o desenho, enviando um raio de eletricidade pelo meu corpo. “Eu irei julgar isso.” “Eu fiz depois da briga com o ex de Teresa.” Eu deslizei minha mão sob sua blusa, sorrindo a sensação de sua pele suave e quando ela levantou para que eu pudesse tira-la. “Eu fiquei meio confuso por um tempo. Não podia voltar a escola, estava preso em casa, e eu tinha feito isso a mim mesmo. Eu estava preocupado que havia algo de errado comigo para ter perdido o controle como eu tinha feito.” Ela abaixou suas mãos para seu lado enquanto eu colocava a minha em seu estômago nu, a meros centímetros antes do tecido fino do seu sutiã. Meu cabelo caiu no meu rosto enquanto eu me inclinava para frente, colocando minha outra mão ao lado de sua cabeça. “Eu estava deprimido. Eu estava bravo comigo mesmo e com o mundo e toda essa porcaria.” Eu passei minha mão por sua barriga, sorrindo quando seus lábios se afastaram só um pouco. “Eu acho que eu bebi praticamente tudo que eu Pai tinha em seu bar no período das semanas seguintes. Eu sabia que meus pais estavam preocupados, mas...” O vão entre seus seios pareciam terrivelmente solitários e me distraíram. Abaixando minha cabeça, eu beijei entre eles, fiz isso novamente quando ela inalou suavemente. “Jase vinha me visitar frequentemente. Assim como Ollie. Eu provavelmente teria perdido a cabeça se não fosse por eles.” Colocando meus dedos na borda, eu levantei meus olhos encontrando os dela. “Posso?” Ela assentiu. “Obrigada.” Eu abaixei meu olhar enquanto abria o fecho, deixando o resto no lugar. Eu nunca a tinha visto sem nada ali antes. Eu queria levar o tempo que quisesse. “Foi algo que Jase disse para mim quando eu estava extremamente bêbado, Eu não sei porque, mas aquilo ficou comigo.” Seu peito se elevou enquanto eu passava um dedo no meio de seus seios. “O que... o que ele disse.?” “Ele disse algo sobre como as coisas não podiam ser assim tão ruins se o sol está brilhando. Como eu disse, isso ficou na minha cabeça. Talvez porque é verdade. Enquanto o sol brilhar, nenhuma merda pode ser tão ruim. Então foi por isso que eu fiz uma tatuagem de um sol. Meio como um lembrete.” “Isso não é idiota.” Ela sorriu. “Humm...” era bem idiota, mas tinha funcionado. Eu coloquei meus dedos sob a borda de seu sutiã e puxei ele para o lado, fazendo o mesmo com a outra taça. Eu a devorei com meu olhar. A ponta rosada de seus seios cheios imediatamente incharam, me implorando. Olhando para baixo, para elas, eu me senti como se nunca tivesse visto seios antes. Eu queria toca-los, lambe-los e suga-los. Tudo de uma vez. “Deus, você é linda, Avery.” “Obrigada.” Ela murmurou. Eu, gentilmente, passei minha mão sobre seu seio, maravilhado com a sensação deles. Suas costas arquearam e meu olhar foi para seu rosto. “Perfeita.” Eu disse, as palavras apressadas, um gemido baixo enquanto eu pegava o seu mamilo endurecido entre meu dedão e meu dedo. Eu queria ver mais dela. Encontrando meu olhar, eu abaixei minha mão para o botão de seu jeans. Quando ela assentiu novamente, eu estava praticamente ganhando a Copa do Mundo. Eu abaixei seu jeans, parando nas suas meias com desenho de caveiras. “Lindas meias. Bem góticas.” Quando seu jeans e suas meias haviam saído, eu deslizei seu sutiã pelo seu braço. Em um segundo ela estava somente de calcinha. Me afastando, eu admirei meu trabalho. A


extensão de sua perna e a curva de sua cintura estava separada por apenas um pedaço de renda. Eu quase fui direto remove-la, mas instinto me disse que não. Não importava o que tinha acontecido em seu passado. De qualquer modo, eu sabia sem sombra de dúvidas que ela não tinha experiência nenhuma nisso. Todas essas coisas – o beijar, o tocar pelas roupas, o estar nua – tudo isso era uma primeira vez para ela. E eu queria experimentar todas essas coisas direito junto dela. Eu a beijei gentilmente enquanto passava uma mão por seu peito, seguindo o inchaço com meus dedos. Ela gemeu suavemente quando eu abandonei seu lábios, fazendo uma trilha de beijos pelo seu pescoço e abaixo. Eu hesitei por um segundo e, então, fechei minha boca na ponta de seu seio. Luxuria pulsava como chuva de verão quando suas costas se arquearam e seu quadril se moveu. Seu gosto foi direto para meu pênis, cravou um buraco em meu peito e então varreu todos meus pensamentos. Eu girava minha língua contra a ponta enquanto deslizava minha mão para a única renda que a cobria. Suas pernas ficaram tensas ao meu lado enquanto meus dedos acariciavam seu clitóris e sua cabeça caiu para trás enquanto eu me movia para seu outro seio, e então fazia meio caminho para baixo, por seu estômago. Eu levantei minha cabeça, meu olhar encontrando o dela enquanto, vagarosamente, deslizava um dedo em sua umidade. Deus, ela era tão apertada, tão úmida. “Isso está bem?” eu perguntei. Ela assentiu. “Sim.” Um sorriso se plantou em meus lábios enquanto eu a empurrei com meu dedo. Seu corpo todo reagiu, tremendo e corando. Eu estava tremendo. Enquanto eu segurava seu olhar, eu comecei leve pressão, investindo meu dedo dentro e fora. “Você é tão apertada.” eu disse. Abaixando minha boca na dela, eu a beijei enquanto seu quadril se movia em minha mão. A sensação de seu peito contra o meu era algo que eu lembraria por muito tempo. Não demorou muito tempo para ela chorar contra minha boca e eu a senti se contraindo contra meu dedo. Eu quase me perdi ali mesmo. Eu apoiei mina cabeça na sua garganta enquanto ela tremia. “Eu amo como você fala meu nome.” Relutante, eu me forcei a aliviar meu dedo para fora dela e afastar, mas antes que eu pudesse chegar muito longe, ela me surpreendeu. Se sentando, ela colocou suas mãos em meu peito, me virando de costas. Um segundo depois, ela me tinha esparramado. Ooooi. Inalando profundamente, eu quase me perdi ali com a sua visão, quase nua enquanto ela se levantava. Totalmente sem saber como sua aparência me afetava, a deixava ainda mais sedutora. Eu tentei alcança-la mas moranguinho era rápida quando queria ser. Ela deslizou para baixo, seus dedos tremendo enquanto ela abria o botão de meu jeans. Eu tentei ajuda-la, mas ela já tinha desabotoado e estava deslizando ele por minhas pernas. Eu mordi o interior de minha bochecha quando sua mão me envolveu e seu hálito suave provocou a cabeça de meu pênis. Meu coração pulou. “Oh merda.” Seu sorriso era puramente feminino. Então sua cabeça se abaixou e seu cabelo caiu para frente. Eu sai da cama, costas curvadas e quadril estremecendo enquanto sua boca molhada se fechava em mim. Fogo correu em meu sangue e eu engoli enquanto ela me sugava e passava sua língua na ponta sensível. Eu entrelacei minha mão na sua e coloquei a outra nas suas costas, segurando seu cabelo para trás. Mas quando ela me levou mais profundo em sua boca, eu não consegui me impedir de a pressionar mais para baixo. Meus gemidos ecoaram pelo quarto e falta muito pouco para que minha liberação fluísse de mim. Eu a puxei para longe antes que eu gozasse, aconchegando-a contra meu peito e a beijando enquanto eu pressionava contra doa barriga.


Fraco e totalmente acabado, eu cai em minhas costas e Avery fez o mesmo. Nós dois com a respiração pesada e irregular. “Esse foi o melhor Dia dos Namorados da minha vida.” Ela riu. “Tenho que concordar.” Eu tateei entre nós até que a encontrei sua mão e a espremi. Alguns momentos se passaram e enquanto eu me perguntava o que falar, a coisa mais estúpida saiu de minha boca. “Com fome?” “Não.” Ela bocejou. “E você?” Eu era um idiota. “Ainda não.” Outro minuto de silencio se passou e então ela perguntou. “Fica comigo? Pela noite?” Me rolando de lado, eu acariciei seu ombro. “Você não precisa perguntar duas vezes.”


- 25 O inverno não queria dar uma trégua em West “por Deus” Virginia. O sol apareceu a maior parte de Fevereiro e Marco, mas a temperatura era brutal. Mesmo na pausa de primavera. Enquanto quase todo mundo foi para o sul, Avery e eu fomos para oeste. Nós passamos a maior parte da pausa na casa de meus pais. Nem preciso comentar que Mãe estava feliz por eu ter trazido uma garota real e viva para casa novamente. Quando o recesso de primavera, ou qualquer que seja o nome que eles estavam chamando o feriado de quatro dias em Abril, chegava próximo, parecia como ontem quando a Avery se sentou do lado de fora, com uma cerveja na mão e nós fizemos nosso caminho para dentro. E não conseguia acreditar como tinha passado tanto tempo. Não conseguia acreditar que Moranguinho estava pulando o resto do dia comigo e tinha me permitido compensar ela por seu aniversário. Na véspera de nossa pequena pausa, nós passamos o dia em D.C. e voltamos tarde. “Adivinhe?” eu escorreguei minhas mãos para seu lado até estarem abaixo de suas costelas. “Tenho outra ideia.” “Ela envolve ovos?” Eu ri enquanto pressionava seu quadril contra o meu. “Não envolve ovos.” Seus olhos ficaram embaçados, sem foco, qualidade que eu havia ficado familiar nos últimos meses. “Não?” “Mas envolve algo igualmente gostoso.” Eu pressionei minha boca na sua testa, traçando sua bochecha com meus lábios. “E envolve você, eu, uma cama e muito pouca, ou nenhuma, roupa.” “Agora?” “Sim.” Eu movi minhas mãos para baixo nas suas costas, meus dedos passando pelos bolsos de seu jeans. Eu beijei sua sobrancelha. “O que você acha?” Ela inclinou sua cabeça para trás, me convidando. O beijo começou de vagar, mas então, como sempre, virou algo diferente. Algo faminto. Algo que sempre pedia mais. Minhas mãos encontraram seu caminho sob sua blusa e eu a afastei o suficiente para retirar sua blusa. Nossas bocas voltaram a se encontrar – lábios, línguas, dentes. Nós esbarramos no sofá e eu quase perdi o equilíbrio. Eu cai para traz, metade no sofá, metade fora. A risada de Avery me atingiu profundamente e eu capturei suas bochechas com minhas mãos. Encarando seus olhos dançantes, as palavras se formaram em meus pensamentos. Eu a amava. Esse sentimento já estava ali por um tempo, provavelmente mais tempo do que eu ousava reconhecer. Talvez desde quando ela me rejeitou pela primeira vez, eu tinha começado a me apaixonar por ela. Eu estava apaixonado por ela nesse segundo. A realização disso me chocou. Eu encarei aqueles olhos cor de whisky e eu queria ver meu futuro ali – nosso futuro. Nunca, na minha vida, eu quis ver isso enquanto encarava os olhos de uma garota, mas com Avery Morgansten, eu não queria nada além. Meu cérebro se desligou e tudo que eu fiz a partir desse momento foi guiado por aquelas palavras. Eu a amava. Minhas mãos tremiam e eu me surpreendi por quão rápido eu retirei seu jeans. Eu acariciei seus seios, passando meu dedão pelo seu mamilo. Seu gemido abafado vibrou por mim. Eu queria – não, eu precisava que ela gritasse meu nome. Merda, eu precisava ouvir ela dizer aquelas três palavras ou, pelo menos, senti-las. Colocando minha mãos sob sua calcinha, eu passei minha mão, esfregando meu dedão pelo ponto que sempre a fazia chorar e ela o fez. Ela desfez o botão de meus jeans e colocou sua mão para dentro, me segurando com seus dedos.


O desejo era quase demais. Eu me contorci contra sua mão. “Avery.” Ela se desfez ao sol de seu nome, jogando sua cabeça para trás, e isso foi realmente lindo. Eu não me lembro de ter levantado, mas ela envolveu suas pernas em volta de mim enquanto eu a carregava para cama. Depois de coloca-la no meio, ela me assistiu tirar a roupa. Seus lábios se afastaram e eu gemi. Engatinhando na cama, sangue pulsando por mim, eu enganchei meus dedos em sua calcinha e esperei para ela me desse um sinal que estava tudo bem. Ela levantou seu quadril. Eu agradeci a Deus e ao bebe Jesus. Finalmente, depois de tanto tempo, não havia nada entre nós. Não é verdade, dizia uma voz dentro da minha cabeça, mas isso ficou de lado enquanto eu a olhava. Eu disse que ela era bonita um milhão de vezes e eu diria um milhão de vezes mais. Desde a ponta rosada de seus seios até a doce curva de seu quadril e a área escondida entre suas coxas, ela era fodidamente bonita. Eu fiz meu caminho para baixo em seu corpo e novamente para cima, a muito tempo perdido para realmente prova-la. Eu me abaixei nela, deixando ela me sentir entre suas coxas. Avery gemeu e eu apertei meus olhos fechados enquanto ela colocava suas mãos em meu peito. Meu corpo precisava estar dentro dela. “Você quer isso?” “Sim.” Ela disse, e era como se anjos estivessem tocando em minha cabeça. Nosso olhar se encontrou enquanto eu abaixava minha cabeça, a beijando enquanto ajeitava meu corpo nela. Pegar uma camisinha era um pensamento distante mas eu não podia parar. A ponta da minha ereção escorregou na sua humidade, causando meus músculos a ficarem tensos. A sensação era incrível. Meu beijo se aprofundou e eu mexi meu quadril... Avery virou sua cabeça para o lado. “Não. Pare.” Ela empurrou meu peito com uma força que me surpreendeu. “Por favor, pare.” Aquelas palavras me cortaram por dentro e eu congelei. “Avery? O que...?” “Saia.” Sua voz era estridente cheia de pânico. “Saia. Por favor. Saia de cima de mim.” Eu não tinha ideia do que estava acontecendo, mas em um instante, eu estava longe dela e ela estava se movendo. Cruzando a cama, ela puxou o edredom e segurou contra seu peito enquanto se levantava. Ela andou para trás até bater na cômoda, derrubando algumas das garrafas. A pele em volta de seus lábios estava pálida e seus olhos arregalados e escuros. “Oh Deus.” Ela sussurrou com a voz rouca. Preocupação e horror se contorciam dentro de mim enquanto eu a encarava. “Eu te machuquei? Eu não...” “Não. Não!” ela apertou seus olhos fechados. “Você não me machucou. Você nem... eu não sei. Me desculpa...” Eu apoiei minhas mãos na cama. “Fale comigo, Avery. O que acabou de acontecer?” “Nada.” Ela disse, rouca. “Nada aconteceu; Eu só pensei...” “Você pensou o que?” Ela balançou a cabeça. “Eu não sei. Não é nada de mais...” “Nada de mais?” minhas sobrancelhas arregalaram. Ela estava falando sério? “Avery, você acabou de me assustar pra cacete. Você me olhou horrorizada como se eu estivesse te machucando ou...” as próximas palavras tinham gosto de cinza e vômito enquanto eu as pronunciava. “Ou como se eu a estivesse forçando a isso.” “Você não estava me forçando, Cam. Eu gostei do que estava fazendo.” Eu não entendia o que tinha acabado de acontecer. “Você sabe que eu nunca iria te machucar, não?” “Sim.” Lágrimas encheram seus olhos.


“E eu nunca a forçaria a nada que você não quisesse fazer.” Eu segurei seu olhar. “Você entende, certo? Se você não está pronta, eu estou bem com isso, mas você precisa conversar comigo. Você precisa me deixar saber antes de chegar nesse ponto.” Ela assentiu, mas isso não me fez me sentir melhor. Tudo que eu conseguia ouvir era o tom assustado em sua voz quando ela me implorou para parar. Ar escapou de meu pulmão e tudo que eu sabia sobre Avery passou como um flash em minha mente, tudo se juntando em algo que eu já presumia, o que eu rezava para que não tivesse acontecido com ela. “O que você não está me contando?” “Nada!” ela gritou. “Não tem nada para se conversar, merda. Só deixe isso.” “Você está mentindo.” Eu tomei um grande fôlego. Tinha chego a hora. Nada de segredos. “Você está mentindo pra mim. Algo aconteceu, sabe.” Eu apontei para cama atrás de mim. “Isso não foi sobre não estar pronta. Isso foi sobre alguma coisa diferente, porque você sabe – você sabe – que eu esperaria por você, Avery. Eu juro, mas você tem que me contar o que está se passando em sua cabeça.” Ela ainda não disse nada, e meu peito começou a doer com a terrível realização do que tinha acontecido. Ela não confiava em mim? Ela não percebia como eu me sentia? Mas será que isso importava se ela não confiasse em mim? A resposta desceu como pedra de gelo pela minha espinha. “Eu estou te implorando, Avery.” Eu me inclinei para frente, agarrando o lençol. “Você tem que ser direta e honesta comigo. Você disse que confiava em mim. Você precisa provar, porque eu sei que há mais nisso. Eu não sou estúpido e nem cego. Eu me lembro de como você agiu quando nós nos conhecemos e eu me lembro muito bem o que você disse naquela noite que estava bêbada. E aquela mensagem que você recebeu? Você está me dizendo que não tem nada a ver com isso? Se você confiasse em mim, você finalmente me diria o que está acontecendo.” “Eu confio em você.” Ela sussurrou. Eu esperei ela dizer mais, dizer qualquer coisa que provasse suas palavras, mas ela não disse nada e havia aquele rasgo enorme no meu peito. Eu atirei os lençóis para o lado e levantei. Pegando meu jeans, eu o coloquei enquanto meu coração palpitava de um jeito que me fez me sentir doente. A encarando, eu passei minha mão em meu cabelo. “Eu não sei o que mais há com você Avery. Eu te contei merda que eu não estou orgulhoso. Merda que quase ninguém mais nesse mundo sabe e você ainda esconde as suas merdas de mim. Você esconde tudo de mim. Você não confia em mim.” “Não – Eu confio.” Ela começou a andar na minha direção mas parou. “Eu confio a minha vida a você.” Raiva cresceu dentro de mim, me envolvendo como uma corrente. “Mas não com a verdade? Isso é besteira, Avery.” Eu andei para fora do quarto. “Você não confia em mim.” Ela me seguiu, edredom arrastrando atrás dela. “Cam...” “Pare.” Eu peguei meu suéter do chão e me virei em sua direção. “Eu não sei mais o que fazer e eu sei que posso não saber tudo sobre o mundo, mas eu sei que uma relação não funciona desse jeito.” “O que você está falando?” sua voz tremeu, e eu me segurei. “O que você acha que eu estou falando, Avery? Há alguns problemas óbvios com você e não, não me olhe como se eu tivesse chutado seu cãozinho. Você acha que eu terminaria com você pelo que quer que seja que aconteceu? Do mesmo jeito que você pensou que eu olharia diferente para você quando eu visse a cicatriz em seu pulso? Eu sei o que você pensa e isso é besteira.” Eu suspirei enquanto dor pura me atingia no peito. As próximas palavras realmente machucaram. “Como pode haver algum futuro para nós se você não consegue ser honesta comigo? Se você não pode confiar realmente que o que sinto é forte o suficiente, nós não temos nada. Essa é a merda que estraga relacionamentos. Não o passado, Avery, mas o presente.”


“Cam, por favor...” “Não, Avery. Eu te disse antes. Tudo o que pedi de você era que confiasse em mim e não me desligasse novamente.” Eu me forcei a andar até a porta. “E você não confia em mim e você me bloqueou novamente.” Eu fechei a porta atrás de mim, ignorando a queimação que aconteceu em minha garganta. A única coisa que pedi dela era a única coisa que ela não poderia me dar. Nada, nem mesmo amor, podia funcionar sem confiança. Estava acabado.


- 26 “Ah, é bom ver que você finalmente tomou um banho e saiu do quarto.” Eu parei no meio do caminho entre a sala e o banheiro. Vendo Jase no sofá, eu ignorei seu comentário enquanto colocava uma camiseta. “Eu ganhei um novo colega de quarto ou é só o seu hábito em entrar na minha casa?” Seus lábios se curvaram em um sorriso. “Na verdade, enquanto você estava esfregando dois dias de sujeira de sua bunda, Ollie me deixou entrar.” Eu me larguei na outra ponta do sofá, peguei meu boné e o coloquei bem para baixo. “E onde está meu estimado colega de quarto?” “Ele está na fraternidade.” Jase apoiou suas pernas na mesinha, cruzando seu tornozelo. “Está tendo um jogo de Call of Duty hoje.” “O por que você não está lá?” Ele me perfurou com um olhar tão seco quanto a minha garganta. “Realmente? Ollie não te viu em dois dias. Você finalmente saiu do quarto. Ele está preocupado.” Eu revirei meus olhos. “Eu duvido disso.” Jase me observou, e eu conhecia aquele olhar. Eu gemi e ele riu, sem vergonha na cara. “Mas que inferno está acontecendo, Cam?” Como eu podia responder aquela pergunta? E por onde eu podia começar? Eu apoiei minha cabeça contra o encosto do sofá e suspirei. Aquela familiar sensação de queimação estava começando em meu peito. Pensar sobre ela, saber que ela estava tão perto e totalmente fora do meu alcance me matava. “Cam?” Eu balancei minha cabeça, rindo secamente. “Ela não confia em mim.” Houve uma pausa. “Pode explicar um pouco mais?” “Não na verdade.” Eu levantei minhas mãos, passando a palma e minhas bochechas. “Ela não está me contando a verdade... bem, sobre algo que eu sei que é muito importante.” “Isso tem a ver com o que você pensou naquela noite na festa?” ele perguntou. Eu assenti sem dizer nada. “Eu vejo.” Jase suspirou. “Isso tem que ser uma merda pesada para se falar, cara.” “Eu sei. Merda. Eu sei, mas você não entende...” eu parei, engolindo pesadamente. “Eu não iria contar essa merda, Jase. Eu não faria isso com ela.” “Eu entendo isso. Eu entendo.” Jase deixou cair seus pés no chão e se curvou para frente. Ele deixou sair outro suspiro pesado. “Mas o que aconteceu? Eu presumo que vocês brigaram.” “Brigaram?” eu ri novamente, mas isso soou errado. “Eu a deixei.” “Whoa.” Jase fechou a boca. “Merda.” Eu levantei minhas mãos sem esperança. “Eu perguntei – eu implorei para ela me contar a verdade e ela não o fez.” “E você a deixou.” “Eu sei como isso soa.” Eu atirei a ele um olhar. “Eu já me sinto como um grande idiota sem você precisar pensar isso.” Sua sobrancelha levantou. “Eu não disse nada.” “Você estava pensando isso.” Meu olhar se estreitou. “Mas você não entende. Não há nada se não pudermos confiar um no outro – não tem nada se ela não puder confiar em mim.” Jase assentiu. “Concordo. É obvio que você se importa com ela...” “Eu me importo, mas...” Mas eu queria o que meus pais tinham. EU queria algo que pudesse durar com Avery e, como eu poderia construir uma relação quando ela não confiava a mim a verdade sobre seu passado? Quando eu tinha confiado nela? Nós não podíamos. E eu não podia passar pelo que aconteceu com ela na Quarta novamente. EU nunca mais queria ver aquele olhar de horror em seu rosto. Eu nunca queria pensar que eu tinha sido a causa disso. Pensar nisso ainda me fazia


me sentir mal. Não porque o que possivelmente havia acontecido com ela, mas porque o que eu tinha feito tinha, de um jeito ou de outro, assustado ela. E isso nunca iria mudar enquanto ela não fosse honesta comigo. Jase foi embora um pouco depois disso, mas não antes de tentar fazer com que eu fosse com ele. Eu não estava no humor para estar em volta de outras pessoas, especialmente um bando de pessoas bêbadas. Quando uma batida veio da porta uma hora mais tarde, eu imaginei que era ele novamente, mas quando eu abri a porta, fui pego de guarda baixa. Avery estava li, braços enrolados em sua cintura. Seus olhos vermelhos e inchados. Lágrimas frescas traçavam suas bochechas. Eu abri minha boca, mas a fechei. “Podemos conversar?” sua voz estava rachada de um jeito que fez meu peito doer. “Por favor, Cam. Eu não vou pegar muito do seu tempo. Eu só...” “Você está bem, Avery?” preocupação cobriu qualquer outra coisa. “Sim. Não. Eu não sei.” Ela deu uma pequena balançada na cabeça. “Eu só preciso conversar com você.” Pegando um grande fôlego, eu dei um passo para o lado. “Ollie não está aqui.” Um pouco da tensão escapou de seu ombro. Eu a guiei para a sala e sentei no sofá. Eu não tinha ideia do que estava acontecendo, mas eu duvidava que ela estava prestes a confessar. “O que está acontecendo, Avery?” Ela se sentou na ponta da poltrona que havia pertencido ao pai de Ollie. “Tudo.” Tenso, eu virei meu boné para traz. “Avery, o que está acontecendo?” “Eu não tenho sido honesta com você e eu sinto muito.” Seus lábios começaram a tremer e a urgência em pega-la em meus braços era difícil de resistir. “Me desculpa, você provavelmente não tem tempo para...” “Eu tenho tempo para você, Avery, Você quer falar comigo? Eu estou aqui. Eu sempre estive aqui. E eu estou ouvindo.” Eu segurei seu olhar até que ela deixou sair um grande suspiro e então começou a falar – a realmente falar. “Quando eu tinha quatorze, eu fui a essa festa de Halloween. Eu estava lá com alguns amigos. Estávamos todos fantasiados e havia esse cara. Era sua casa e... e ele era três anos mais velho que eu e amigo do meu primo.” O olhar de Avery foi para suas mãos. Elas se abriam e fechavam a cada poucos segundos. “Ele era realmente popular. Eu também.” Ela riu secamente. “Isso pode parecer sem importância, mas tinha. Eu nunca pensei que alguém como ele pudesse... pudesse ser como ele era. E talvez isso tenha sido estúpido da minha parte, como uma falha fatal ou algo. Eu não sei.” Seus cílios levantaram, me perfurando com olhos lacrimejantes. “Eu estava falando com ele e eu estava bebendo, mas eu não estava bêbada. Eu te juro. Eu não estava bêbada.” “Eu acredito em você, Avery.” Deus, eu sabia onde isso estava indo e eu já me sentia mal por ela. “O que aconteceu?” “Nós estávamos flertando e era divertido. Você sabe, eu não achava nada de mais disso. Ele era um bom rapaz e era bonito. Em um ponto, ele me puxou em seu colo e alguém tirou uma foto nossa. Nós estávamos nos divertindo.” A segunda risada foi mais áspera. “Quando ele levantou e me levou a um dos quartos de hospedes vazios, que ficavam no térreo, eu não pensei nada de mais daquilo. Nós nos sentamos no sofá e conversamos um pouco. Então ele colocou seus braços em volta de mim.” Avery pausou, esfregando suas mãos juntas, e eu me preparei. Eu realmente tentei. “No começo, eu não me importei, mas ele começou a fazer coisas que eu não queria. Eu disse a ele para parar e ele riu disso. Eu comecei a chorar e tentei me livrar dele, mas ele era mais forte, e uma vez que me virou de barriga para baixo, eu não podia fazer mais nada para o fazer parar.” Eu parei de respirar. “Ele parou?” Por favor, me diga que ele parou. Por favor. Por favor. Por favor. “Não.” Ela disse com a voz baixa. “Ele não parou , não importando o que eu fizesse.”


Era como ter levado um tiro na espinha. Eu comecei a me levantar, porque eu tinha que me mover, mas eu não conseguia fazer minhas pernas funcionarem. “Ele te estuprou?” Ela fechou seus olhos e então... então ela assentiu e abriu seus olhos, e eu não queria nada além de mudar aquele sim para um não. Mas eu não podia. “Eu ainda sou virgem. Ele não me tocou ali. Não foi assim que ele... me estuprou.” No começo eu não tinha entendido. Talvez tenha sido uma sobrecarga no meu cérebro, porque eu não conseguia entender como ela tinha sido estuprada e ainda ser virgem, mas então isso me acetou. Horror passou por mim. Ele... aquele filho da puta doentio tinha sodomizado ela. Minhas mãos se fecharam em punhos. “Filho da puta, você tinha quatorze e ele fez aquilo com você?” “Yeah.” Eu passei minhas mãos pelo meu cabelo, querendo arrancar ele fora. “Merda. Avery. Eu suspeitava de algo. Eu pensei que algo assim pudesse ter acontecido com você.” “Você pensou?” Eu assenti. “Era pelo jeito que você se portava algumas vezes. Como você ficava tão nervosa, mas eu só esperava que não tivesse chegado tão longe. E quando você me contou que ainda era virgem, eu pensei que fosse esse o caso. Avery, me desculpa. Você nunca deveria ter passado por algo assim, ainda mais nessa idade...” Raiva se aglomerava na minha garganta. “Por favor me diga que esse filho da puta está na cadeia por isso.” “Ele está agora.” Ela virou seu olhar para a TV. “É uma longa história.” “Eu tenho tempo.” Eu a dei um momento, não querendo que ela me desligasse, não depois que tinha vindo tão longe, não quando eu queria cometer um assassinato. “O que mais Avery? Por favor, fale comigo, porque eu estou segundos de marcar um voo pro Texas e matar aquele bastardo.” Ela se inclinou para trás, trazendo seus joelhos para seu peito. “Depois que ele parou, eu realmente não acho que ele sabia que tinha feito algo errado. Ele só me deixou ali no seu sofá e quando consegui me levantar, eu sabia que precisava contar para alguém. Eu sabia. EU precisava ir ao hospital. Eu estava sentindo tanta...” Dor. Ela não precisava terminar a frase, mas eu podia ver isso em seus olhos. “Eu não consegui encontrar meus amigos, mas eu achei minha bolsa e terminei caminhando para fora da casa e continuei caminhando até lembrar que eu tinha meu celular comigo. Então chamei a polícia.” Ela se levantou bruscamente. “Eu terminei no hospital e eles me examinaram. A polícia apareceu e eu disse a eles o que aconteceu e era a verdade.” “Claro que era a verdade.” Eu a observei, seus passos rápidos e agitados. “Quando a polícia deixou o hospital, a festa já tinha acabado, mas Blaine estava em sua casa.” Ela continuou como se não tivesse me ouvido. “Eles o prenderam e o levaram. Eu fui pra casa e fiquei fora da escola pelos próximos dois dias, mas todo mundo descobriu que ele tinha sido preso e o que tinha feito. E então seus pais apareceram.” “O que você quer dizer?” “Seus pais e os meus eram – são - amigos do Country Club. Tudo que eles se importam é com a imagem. Minha mãe e meu pai tem mais dinheiro do que eles podem querer, mas...” sua voz ficou baixa, pesada e rouca. “Os Fitzgeralds ofereceram a meus pais um acordo. Se eu tirasse a queixa e ficasse quieta sobre o que aconteceu, eles iriam me pagar uma enorme quantia de dinheiro.” Eu a olhei, boquiaberto. “E seus pais mandou eles irem se fuder, certo?” Ela riu, mas o som parecia quebrado. “Eles apareceram na casa de meus pais com a foto que tinham tirado de Blaine e eu na festa e disseram que se isso fosse para a corte, ninguém iria acreditar na menina com uma fantasia de puta sentada em seu colo. E meus pais não queriam lidar com o escândalo. Eles preferiam que isso tudo sumisse, então eles concordaram.” “Puta merda.” Eu sussurrei, rouco.


“Tudo aconteceu tão rápido. Eu não podia acreditar no que meus pais estavam falando para eu fazer. Eles nem falaram comigo antes, mas eles... eles tinham estado tão preocupados com o que todo mundo iria pensar se toda essa coisa fosse a público – a foto e o fato que eu tinha bebido. Eu estava tão assustada e confusa e você sabe, eu nem sei se eles acreditaram em mim.” Ela jogou seu cabelo para traz, fechando seus olhos. “Então eu assineis os papeis.” Não só eu queria matar o fudido que tinha feito isso, eu queria adicionar seus pais a lista. “Eu concordei em pegar o dinheiro, metade foi para minha conta para que quando eu fizesse dezoito, eu tivesse acesso a isso, e eu concordei a retirar as queixas e não falar sobre isso novamente.” Ela abaixou suas mãos e me olhou. “Isso faz de mim uma péssima pessoa, não?” “O que? Oh, não... você não é uma pessoa terrível, Avery. Jesus Cristo, você tinha quatorze e seus pais deviam ter dito para eles irem se fuder. Se alguém tem de ser culpado, além daquele fudido que fez isso com você, são eles. Você não tem culpa nenhuma nisso.” Alívio passou por seus olhos, mas enquanto ela se sentava na poltrona eu sabia que havia mais. Merda. Havia mais. “Em alguns dias, todos na escola se viraram contra mim. Aparentemente, não havia nada no acordo sobre Blaine manter sua boca fechada. Ele disse para as pessoas que eu havia mentido. Que eu tinha feito todas aquelas coisas com esse por consenso e então falsamente o acusei. Todos acreditaram nele. Por que não acreditariam? Eu tirei a queixa. Eu não falava sobre isso. A escola foi... terrível depois disso. Eu perdi todos meus amigos.” As coisas começaram a fazer sentido. “Foi por isso que você parou de dançar?” “Sim. Eu não conseguia ficar na frente das pessoas enquanto elas me olhavam e sussurravam sobre o que elas tinham ouvido ou falar sobre isso abertamente na minha frente. E eu fiz isso...” Ela levantou seu braço esquerdo. “Minha mãe ficou tão puta.” Eu não conseguia acreditar no que ela tinha acabado de dizer. “Ela estava brava porque você...” eu balancei minha cabeça. “Não me admiro que você não vá pra casa para os visitar.” “É por isso que eu escolhi aqui, você sabe. Longe o suficiente para ficar longe disso tudo. Eu pensava que era tudo que eu precisava fazer – me distanciar.” “A mensagem que eu vi? Era de alguém que sabe o que aconteceu?” “Quem disse que você não consegue escapar do seu passado sabia muito bem o que estava dizendo.” Eu podia sentir o musculo da minha mandíbula pulsando loucamente. “O que mais está acontecendo, Avery? Você disse que esse Blaine estava preso? Mas quem está te mandando mensagem?” Ela inclinou para frente, pressionando sua cabeça em suas mãos. Seu rosto estava protegido por um véu de cabelo. “Eu tenho recebido essas mensagens desde Agosto. Eu só pensei que era algum idiota e as ignorei. E meu primo estava tentando falar comigo, mas eu o ignorei também, porque... bem, por razoes obvias. EU finalmente falei com meu primo durante a pausa de inverno, na noite anterior deu vir em seu apartamento.” “A noite da luta?” “Yeah... ele estava tentando falar comigo para dizer que Blaine havia sido preso por fazer a mesma coisa com outra menina no começo do verão. Ele realmente se desculpou. Isso significou muito para mim, mas... eu não sabia que essa menina era quem estava tentando entrar em contato comigo esse tempo todo.” Tomando um grande fôlego, ela levantou a cabeça. “Blaine fez isso com outra menina. E ela, aparentemente, tentou entrar em contato comigo porque ela não sabia sobre o dinheiro. Ela chamou a polícia e manteve sua história. Ela colocou ele na cadeira e eu... tudo que ela pensou quando eu não respondi era que ou eu menti sobre Blaine ou algo do tipo. E quanto mais eu não respondia, mais brava ela ficava. Se eu não tivesse assinado aqueles papeis, ele nunca teria sido capaz de machucar ela.”


Eu balancei minha cabeça. “O que aconteceu com ela é fodidamente terrível e eu estou aliviado que aquele bastardo está preso. Melhor ainda, ele deveria ser castrado, mas o que aconteceu com ela não é sua culpa, querida. Você não o fez fazer isso com ela.” Seus olhos se encheram. “Mas eu não falando para ninguém permitiu que ele fizesse isso de novo.” “Não.” Eu levantei. “Não diga essa merda para si mesma. Ninguém sabe o que poderia ter acontecido se você não tivesse abandonado a queixa. Você tinha quatorze, Avery. Você fez o melhor que podia na situação. Você sobreviveu.” “Mas é exatamente isso, você sabe? Tudo que eu venho fazendo é sobreviver. Eu não tenho vivido. Veja o que eu fiz com nós. E sim, eu fiz isso! Eu te afastei, de novo.” “Mas você está me contando agora.” “Eu deixei o que aconteceu comigo a cinco anos atrás ainda me afetar! Quando nós quase fizemos sexo? Eu não estava com medo de você ou que eu poderia sentir dor. Não era isso. Eu tinha medo que uma vez que começasse, que o que Blaine havia feito iria arruinar isso para mim ou que eu iria arruinar isso por mim mesma. Eu sou uma covarde – Eu era uma covarde.” Ela disparou em pé, rosto coberto de lágrimas. “Mas é muito tarde, não é? Eu deveria ter sido honesta com você meses atrás para que você soubesse no que estava se metendo e eu sinto mundo que eu não fui.” Eu fui em sua direção. “Avery...” “Me desculpa, Cam. Eu sei que contar isso a você agora não muda nada, mas eu precisava contar que você não tinha feito nada de errado. Eu foi perfeito – perfeito para mim – e eu te amo. E eu sei que você não consegue me olhar do mesmo jeito agora. Eu entendo.” O que? Meus braços caíram ao meu lado enquanto eu a encarava. E então eu estava na sua frente, segurando suas bochechas. “O que você disse?” “Que você não consegue olhar pra mim do mesmo jeito?” “Não isso. Antes disso.” “Eu te amo?” ela sussurrou. “Você me ama?” “Sim, mas...” “Pare.” Eu disse a ela. “Você acha que eu olharia para você diferente? Eu te disse que sempre suspeitei que algo tivesse acontecido...” “Mas você tinha esperanças que não fosse isso!” ela tentou me afastar, mas eu não estava deixando ela fugir novamente. Não mais. “Você me olhou antes com esperança e agora você não a tem mais.” “É isso o que você realmente acha? É isso que fez você segurar e não me contar nesse tempo todo?” Ela abaixou seu olhar. “Todo mundo me olha diferente depois que sabem.” “Eu não sou todo mundo, Avery! Não para você, não com você. Você acha que eu ainda não tenho esperança? Que você eventualmente supere isso? Que isso não vá te assombrar por mais cinco anos?” Avery parecia assustada de mais para falar enquanto eu guiei suas mãos para meu peito, sobre o coração. “Eu tenho esperança.” Eu seguirei seu olhar. “Eu tenho esperança porque eu te amo – eu estou apaixonado por você Avery. Provavelmente, desde antes que eu conseguisse perceber isso.” Seus olhos se abriram mais. “Você me amou?” Eu pressionei minha testa contra a dela. “Eu te amo.” “Você me ama?” Eu sorri bobamente. “Sim, querida.” Avery segurou meu olhar por um momento e eu vi quando eles se quebraram. Quando as paredes que ela havia construído em volta de si mesma só para conseguir sobreviver dia após dia finalmente sucumbiram. Lágrimas escorriam de seus olhos, muitas que eu


honestamente achei que seria possível alguém se afogar nelas. Com tudo jogado aberto, ela finalmente estava exposta, pela primeira vez em anos. Emoção subiu em minha garganta enquanto eu passava meus braços em volta de sua cintura. Ela veio sorrindo, segurando minha camiseta. E ela continuou soluçando, e eu sabia que não podia fazê-la parar. Ela precisava se livrar disso, Eu a peguei em meus braços e a carreguei de volta a meu quarto. Eu a deitei na cama. Eu subi nela ao seu lado, aconchegando ela contra meu peito, e ela se segurou em mim enquanto continuava a chorar como se tivesse com medo que eu fosse deixa-la. E deixa-la era algo que nunca iria acontecer novamente.


- 27 Ela depois da meia noite quando meu celular vibrou na minha cômoda. Meio dormindo, eu rolei para o lado e tateei até que minha mão encontrou meu celular. O brilho leve na rela revelou uma mensagem de Moranguinho. Chegando. As coisas estavam diferentes nas semanas que seguiram o dia que ela se abriu para mim. EU ri enquanto eu jogava os lençóis para o lado e corria para a sala e abria a porta da frente. Avery estava ali, descalça e usando um pequeno par de shorts de dormir com uma camiseta fina. Ainda na fria noite do começo de Maio, a camiseta deixava pouco para a imaginação. Ela sorriu enquanto eu pegava sua mão e a puxava para dentro, fechando a porta calmamente atrás de nós. “Mas que...?” Ela sussurrou, olhando para o chão entre a mesinha e o sofá. Ollie estava com o rosto para baixo, bochecha contra um travesseiro que eu tinha colocado em baixo de seu rosto antes que eu fosse dormir. Seus roncos suaves logo virariam uma motosserra. “Não pergunte.” Eu sussurrei de volta. Rindo quietamente, ela apertou minha mão. Nós rapidamente fizemos nosso caminho de volta a meu quarto e uma vez do lado de dentro, eu a peguei em meus braços. “O que você está fazendo?” eu perguntei. “Você tem uma prova amanhã às nove.” “Eu sei.” Ela andou para trás, me guiando para a cama. Quando ela se sentou, eu continuei em pé. “Mas é minha ultima prova e eu já estudei tanto que acho que meu cérebro quebrou.” Eu ri. Durante as ultimas semanas, o tempo que passamos juntos foi para estudar para nossas provas. “Mas você não deveria estar dormindo?” “Eu estava sozinha.” Seus lábios se curvaram enquanto ela segurava minhas mãos. “E eu senti sua falta. Senti falta...” Ela não precisava terminar sua frase. Eu sabia no que ela estava pensando, o que ela queria. Saber a verdade sobre o que tinha acontecido era uma benção mas eu não estava certo como... bem, como começar as coisas. A última coisa que eu queria ela forçar ela quando ela ainda não estava pronta. Então eu não havia sugerido nada. “Sentiu minha falta?” eu rapidamente mudei de assunto. “EU sei. Passar mesmo que sejam só algumas horas sem a minha presença pode causar palpitações, suor anormal, e ocasionalmente...” “Eu acho que sua arrogância é realmente uma doença.” Eu dei a ela um sorriso convencido. “Eu gosto de pensar que é um fortificador de caráter.” “Continue dizendo isso a si mesmo.” Soltando suas mãos, ela ficou de joelhos na minha frente. Minha boca se secou enquanto eu olhava para baixo, para seu rosto. “Na verdade, continue dizendo isso a si mesmo quietamente. Agora, tente não falar.” Minhas sobrancelhas levantaram. “Bem...” Ela sorriu, mas eu podia ser a cor se aprofundando nas suas bochechas enquanto ela se inclinava para frente, colocando suas mãos em meu peito nu, e então deslizando seus dedos para minha bochecha. Ela guiou minha cabeça contra a dela. “Eu senti sua falta, Cam.” A ponta de seu nariz passou contra o meu. “Você não sentiu a minha?” Eu fechei meus olhos enquanto passava meus dedos pela sua cintura. “Eu senti.” “Bom.” Ela murmurou. Seus lábios encontraram os meus e ela me beijou suavemente. Não havia nada como seus beijos, especialmente quando as posições estavam invertidas. Ela puxou, trabalhando em


meus lábios até que eu os abrisse. Seu gosto nublou meus pensamentos. Eu não percebi que ela tinha soltado meu rosto até que eu senti seus dedos escorregando pela beira do meu shorts. Meu aperto se intensificou em volta de seu quadril enquanto eu levantava minha cabeça. “Avery, talvez nós...” “Talvez você deva me deixar fazer isso.” Seu peito levantou rapidamente enquanto ela abaixava seu olhar. Não havia como eu esconder que queria que ela fizesse isso. O canto de seus lábios se curvaram em um sorrido enorme. “EU acho que você realmente quer que eu faça isso.” “Eu quero. Deus, eu quero, mas...” Ela me silenciou com um beijo que me disse que eu precisava deixa-la fazer o que quer que ela quisesse fazer. Removendo um dedo por vez, eu deixei cair minhas mãos ao meu lado. Isso seria só ela. Avery quebrou o contato e então me beijou no peito, sobre meu coração. Eu fiquei tenso enquanto ela abaixava meus shorts. Solto, o shorts caiu no chão em um segundo. Eu enrijeci, doendo, enquanto ela colocava suas mãos em meu quadril e beijava seu caminho para baixo, em meu abdômen. Quando a ponta de seus cabelos passaram por mim, minhas mãos curvaram em punhos. E ela continuou indo, deslizando uma mão pela minha frente, causando meu corpo a reagir enquanto ela passava seus dedos em volta de mim. EU pulsei – meu corpo inteiro pulsou. E então seu hálito dançou sobre minha ereção. Eu segurei suas bochechas, a parando. “Avery, você não precisa fazer isso.” Ela levantou sua cabeça. “Mas eu quero.” Minha boca se abriu, mas as palavras – o que quer que elas fossem – morreram na minha língua enquanto ela me levava em sua boca. Várias sensações explodiram em vários pontos. Eu deixei cair minha cabeça para traz, gemendo enquanto sua mão se movia, firme e forte em seu ritmo com sua boca. Eu não queria segurar. Minhas costas se arquearam enquanto ela me trabalhava. Merda. Eu não ia aguentar. Não tinha como. Liberação correu por mim quando meu quadril se mexeu. Eu tentei afasta-la mas ela estava presa a mim. Ela não iria a lugar nenhum. Eu gozei, gritando seu nome. Depois do que pareceu um infinito, ela saiu. Enquanto meu peito subia e descia rapidamente, enquanto eu colocava um beijo sem fôlego em sua testa. “Avery...” “Você gostou?” Eu tossi uma risada. “Eu amei.” “Eu aprendo rápido.” Com certeza ela aprendia. Colocando minhas mãos em seus ombros, eu a guiei para ficar de costas. “Avery?” Ela deixou suas mãos caírem perto de sua cabeça. “Yeah?” “Se prepare.” Um olhar confuso passou por seu rosto. “Me preparar para o que?” Eu peguei sua boca, deixando meus lábios e minha língua falarem exatamente para o que ela deveria se preparar e foi um tempo infinito antes que eu usasse essas duas coisas para outra coisa que não fosse ama-la.

“Cookies. Eu trouxe cookies.” “Oh! De que tipo?” A voz de Moranguinho voou do quarto. Ela havia deixando a porta destravada para mim, algo que eu havia de falar com ela sobre isso mais tarde, mas agora eu tinha um prato de uma entrega especial. Eu fui até o quarto, encontrando ela deitada em sua cama, mãos cruzadas sobre seu estomago. “Cookies de manteiga de amendoim.” Eu disse a ela. “Mas especiais.”


Ela sorriu enquanto esticava seus pés descalços. “Como eles são especiais?” “Bem, além do fato que eu acabei de assa-los em honra de você terminar sua ultima prova, eles não são com qualquer tipo de manteiga de amendoim.” Eu coloquei o prato no criado-mudo. “Mas são cookies com manteiga de amendoim Reese’s.” Sua sobrancelha se levantou. “E isso os faz diferente?” “Claro que sim.” Eu pulei na cama, rindo quando Moranguinho balançava. “O que você está fazendo aqui?” “Sendo preguiçosa.” Eu a estudei de perto. “Você está bem?” “Sim.” Quando ela sorriu até a altura de seus olhos, eu relaxei. “Cookie?” “Cookie...” eu alcancei o prato, procurando por aquele que parecesse mais cremoso. Uma vez que tinha me decidido em um, eu entreguei a ela. Segurando uma mão sobre seu queijo, ela deu uma mordida e gemeu imediatamente. “Oh meu deus, esses são...” ela deu outra mordida. “Tão, tão bom.” “Eu sei, certo?” eu peguei um, colocando ele inteiro na boca. Moranguinho se esticou para pegar outro mas eu peguei o prato, segurando longe dela. Ela me socou no estomago. Eu entreguei um cookie. Depois de comer nosso peso em pasta de amendoim dos deuses, eu me estiquei ao seu lado e peguei uma mecha de seu cabelo, enrolando entre meus dedos. Eu passei a ponta sobre seu nariz e seus olhos se fecharam. “Então como você se sente sendo finalmente um segundo-anista na faculdade?” “Ela tirou seu cabelo de mim. “Eu não ou uma segundo-anista oficialmente. Não até que as aulas comecem novamente no outono.” “Eu a declaro uma segundo-anista agora.” Implacavelmente, eu peguei outra mecha de seu cabelo e passei em sua bochecha. “O que eu digo vale.” “Então como você se sente em finalmente ser um formando? Próximo ano é seu ultimo.” “Surpreendente.” Eu tracei seu lábio inferior. “Me sinto incrível.” Moranguinho virou de lado, passando deus dedos pela gola da minha camiseta. “Me sinto muito bem em ser uma segundo-anista.” “Seria melhor se você não se inscrevesse para aulas de verão.” “Verdade.” Ela concordou. Mas isso iria funcionar. Eu estaria indo para o acampamento de verão de futebol com as crianças, então eu estaria aqui de qualquer modo. Ela de balançou para perto, descansando uma cabeça em meu ombro enquanto ela passava uma perna sobre mim. “Perto o suficiente?” eu perguntei. “Não.” Eu ri enquanto passava meus dedos de cima para baixo em sua espinha em um movimento lento e torto enquanto virava minha cabeça, beijando sua testa. Esses momentos em silêncio eram os melhores. Eu quase cai quando ela rolou de repente, subindo em meu quadril. “Hey.” Ela disse. Eu gostava da onde isso estava indo. Eu passei minhas mãos sobre sua cintura. “Hey você.” “Então, eu estive pensando em umas coisas.” “Oh Deus.” “Cale a boca.” Ela se inclinou para frente, me beijando suavemente. “Na verdade, eu venho pensando muito nisso. Tem uma coisa que eu quero fazer.” “O que?” eu deslizei minhas mãos sobre seu shorts, descansando elas em sua coxa. Ela sugou seu lábio inferior entre seus dentes. “EU quero ir pra casa.” Eu não estava esperando aquilo, nem gostei da ideia. “Para casa, como no Texas?”


“Sim.” “Por quanto tempo?” Ela colocou suas mãos no meu estômago e foi para traz, pressionando contra mim. Eu fiquei tenso, olhos estreitos nela. Algo me dizia que isso foi totalmente de propósito. “Você não vai se livrar de mim assim tão fácil.” Ela disse. “Seria por um dia ou dois.” “Merda. Lá se vai minha ideia de passar meu verão como um solteirão louco por sexo.” Moranguinho revirou os olhos. “O que você quer fazer quando chegar lá?” “Eu quero ver meus pais. EU preciso falar com eles.” Eu afaguei suas coxas. “Sobre o que aconteceu?” “Eu nunca falei com eles sobre o que aconteceu, não depois daquela noite.” Ela marcou seus movimentos com seus dedos pelo meu peito. “Eu preciso falar com eles. EU sei que isso parece uma coisa de puta, mas eu preciso contar a eles que o que fizeram foi errado.” “Não parece como uma coisa de puta, mas você acha que vale a pena?” eu coloquei minha mão sobre a dela. “Quero dizer, você acha que vai te ajudar e não...” “Me machucar?” ela sorriu. “Não tem mais nada que meus pais possam fazer para me machucar, mas eu sinto como se tivesse que confronta-los. Isso faz de mim uma má pessoa?” “Não.” Eu não gostava de como isso soava. Eles ainda poderiam machuca-la. “Eu preciso fazer isso. Também preciso falar com Molly.” Okay. Eu realmente não gostava do som disso. “O que?” “Eu preciso falar com ela e tentar explicar porque eu fiz o que fiz. EU sei que é arriscado e se isso voltar para me morder na bunda, que assim seja, mas se eu conseguir fazela entender só um pouco, então eu posso ajuda-la e ela vai parar de me ligar.” “Eu não sei nada sobre isso. Essa menina não parece ser a pessoa mais estável.” “Ela não é louca.” Ela disse. “Ela só está brava e ela tem razão para estar.” “E você não é o motivo do que aconteceu com ela.” Eu trouxe suas mãos para meus lábios, beijando as juntas. “Você sabe disso, certo? Você não foi responsável.” Ela ficou quieta por um momento. “Eu preciso disso para mim mesma e por Molly. Eu não quero mais fugir, Cam. E eu sei que nunca vou conseguir superar isso totalmente. O que aconteceu... bem, sempre vai ser uma parte de mim, mas não vai ser eu. Não mais.” Não era isso que eu queria que ela fizesse e eu não achava que ela realmente precisava. O que ela não percebia era que ela já tinha começado a fazer as pazes com tudo, mas eu não iria impedi-la. “Você sabe o que eu acho?” “Que eu sou incrível?” seu sorriso era convencido. “Além disso.” “O que?” “Eu acho que você já chegou tão longe, Avery. Eu acho que você já aceitou que isso vai ser uma parte de você, mas não é você. Você só não percebeu isso ainda, mas se você quer fazer isso, então você vai e eu vou estar lá do seu lado.” “Você quer ir com...” Ela guinchou quando eu me virei, rolando ela em suas costas. Eu fiquei sobre ela. “Você não vai fazer isso sozinha. Inferno que não. Eu vou com você. E você não vai me convencer do contrário. Quando você quer fazer isso?” Me encarando por um momento, ela sorriu. “Tem algum plano para esse final de semana?” “Jesus.” Moranguinho colocou a ponta de seus dedos contra meu peito. “EU preciso fazer isso.” Eu dei um beijo na ponta de seu nariz. “EU não acho que você precisa, querida, mas se você acha que sim, então é isso que importa.” “Você realmente quer vir comigo?” ela sussurrou. “Essa é uma pergunta estúpida, Avery. E sim, existe algo como perguntas estúpidas. Essa foi uma delas. Claro que eu vou estar lá com você.”


Seu lábios se curvaram em um grande e lindo sorriso. “Eu te amo.” “Eu sei.” “Convencido.” “Confiante.” Eu beijei ela gentilmente. “Eu te amo, querida.” Ela começou a envolver seus braços em torno de mim, mas eu me movi pra longe, indo para a lateral de sua cama. “Hey!” ela franziu a sobrancelha. “Volte aqui.” “Nope. Nós temos coisas a fazer.” Eu peguei suas mãos, tirando-a da cama. “E se você começar a me deixar excitado, n´s não vamos fazer nada.” A expressão em seu rosto era de surpresa. “O que vamos fazer?” Eu inclinei, jogando-a sobre meu ombro, e então indo em direção a porta. “Nós temos um voo para marcar.”


- 28 Texas estava terrivelmente quente. Como os círculos do inferno. Mesmo dentro do carro alugado com o ar condicionado ligado, o calor entrava por casa minúscula parte. Eu não podia acreditar que eu estava realmente no Texas. Meu olhar vagava da fonte de mármore para a casa monstruosa. Avery não estava brincando quando disse que seus pais eram ricos. Eles eram o famoso 1%. Inferno, talvez até metade disso. Me inclinando para traz no assento do motorista, eu soltei um longo suspiro. “Merda.” Moranguinho estava dentro daquele lugar, com uma mãe que fazia com que a mãe de Anthony Bates44 parecesse estável e amável. E eu estava do lado de fora, esperando no carro, tentado a dirigir sobre as fontes. Ela estava lá dentro por, pelo menos, dez minutos e ela não tinha me deixado entrar com ela. Provavelmente porque ela sabia que eu perdia minha paciência com facilidade. Quando ela havia contato tudo para mim naquele dia, ela não havia dito muito sobre seus pais com a exceção de como eles responderam com o que aconteceu a ela, mas durante as ultimas semanas ela me contou sobre eles. E o que eu sabia, eu não gostava. Depois de quinze minutos contados, eu não conseguia mais ficar sentado. Eu sai do carro e pisei no calor de derreter. Deslizando meu boné, eu puxei a aba para me proteger do sol. Eu andei em volta do sedan alugado, olhando a entrada da casa. As colunas de mármore eram um toque legal. Enquanto me virava, a paisagem extremamente cuidada ia além da onde eu conseguia enxergar, não havia uma pessoa se movendo sobre isso. O lugar estava vazio, e além da ostentação, era gelado. Eu não conseguia imaginar Moranguinho crescendo aqui nesse tipo de atmosfera ou imaginar como ela se tornou tão meiga e amável como ela era. Minha camiseta estava começando a grudar nos meus ombros quando eu voltei em direção a fonte. Fechando meus olhos, eu forcei minhas pernas a não dar meia volta e entrar na casa. Eu sabia que Moranguinho precisava fazer isso sozinha, mas eu odiava que ela estava confrontando seus pais sem eu estar ao seu lado. Eu estiquei minha mão deixando a agua morna correr pela minha palma. O que seus pais pensariam se eu desse um mergulho? Eu estava meio tentado. Eu também estava a cinco segundos de invadir a casa quando eu ouvi a porta se fechar atrás de mim. Me virando, eu vi Avery descendo a grande escadaria de pedra. Ela estava com um sorriso enorme. Eu não esperava isso. Tensão foi varrida de meus ombros enquanto eu corria em volta do carro, pegando-a na metade da entrada de carros. “Como foi?” “Ah...” ela ficou na ponta de suas sandálias, levantou sua cabeça e me beijou. “Foi como esperado.” Eu a segurei pelo quadril, meus dedos apertando enquanto a sensação de luxuria, amor e outros sentimentos complicados passavam por mim. “Quer me contar sobre isso?” “Durante o jantar?” ela começou a se soltar, mas eu capturei sua mão, a mantendo no lugar. “Eu vou leva-lo ao Chuy’s...” “Avery?” Aço perfurou minha espinha ao som de seu nome e intensifiquei o aperto em sua mão. Ela estreitou seu olhar para o homem alto que estava descendo as escadas. Esse era seu pai. Eu sabia imediatamente. 44

Referência ao filme Psicose. Anthony Bates é o protagonista, dono do Motel.


Seu cabelo escuro estava cinzento perto da testa e ele não parecia ter mais do que cinquenta. Ele estava vestido como se ele estivesse indo para o clube de golfe ou algo, calças passadas e uma polo arrumava para dentro. “Se ele disser algo ignorante, eu não posso prometer que não vou derruba-lo bem aqui, agora.” Eu avisei a ela. Ela apertou minha mão. “Espero que isso não seja um problema.” “Só dizendo.” Seu pai parou na nossa frente, seus olhos – iguais o da Moranguinho – olhou para sua filha e depois para onde nossas mãos estavam juntas. Eu desafiava ele a dizer algo. “Esse é Cameron Hamilton.” Ela disse, limpando sua garganta. “Cam, esse é meu pai.” Como seria dar a ele meu dedo médio ou um soco na cara, eu estendi minha mão livre. “Oi.” Ele apertou minha mão. “Prazer em conhecê-lo.” “O que foi Pai?” ela perguntou quando eu não respondi ao seu cumprimento. Sr. Morgansten arrastou seus olhos de mim, seu olhar pousando em sua filha por meio segundo antes dele olhar para longe. Eu podia ver a idade nele agora, cravadas nas rugas em volta de seus olhos e sua boca. Seu peito levantou com um grande suspiro e então disse. “Você sabe o que eu mais sinto falta? Eu sinto falta de vê-la dançar.”

Moranguinho estava lidando com isso tudo melhor que eu pensei que ela iria, o que significava que eu não havida dado créditos suficientes para ela. A garota era mais forte do que eu imaginei. Durante o jantar, ela me disse como tudo tinha ido para baixo, e eu estava bravo e desapontado por ela quando se tratava de como ela tinha sido recebida pela sua mãe, mas Avery tinha feito o que ela tinha vindo fazer. E parecia que seu pai tinha demonstrado um pouco de remorso e aflição. O comentário da dança... eu entendi o que ele queria dizer. Havia tantas coisas que Avery perdeu no caminho, e devido a ignorância, seus pais perderam também. Ela ainda queria ver Molly amanhã, e não importava o que eu tentasse durante o jantar para mudar sua mente, ela estava determinada e eu iria estar ali com ela da melhor maneira que eu pudesse. Mas sendo honesto, eu não queria nada além de leva-la de volta para casa, longe disso tudo. Quando nós voltamos para o hotel aquela noite, Moranguinho imediatamente disparou para o banheiro para tomar um banho rápido. Eu observei sua forma recuando, com uma sobrancelha levantada. Ela vinha agindo de forma estranha desde o final do jantar, apressava para voltar para aqui. Eu não tinha ideia do que ela estava aprontando, mas me forcei a deitar em vez de me juntar a ela no banho, o que era algo que eu queria, realmente, fazer. Eu achei o controle remoto e ainda estava tentando descobrir qual canal assistir quando vapor saiu pela porta aberta do banheiro, uns vinte minutos depois. Eu olhei para cima e ar fugiu dos meus pulmões. Ela estava na porta, seu cabelo vermelho escuro caindo pelos seus ombros. Ela não usava nada além da toalha. Puta merda. Eu sentei, sem palavras enquanto a observava, começando da ponta de seus dedos e terminando na sua bochecha corada. Minha pele ficou tensa enquanto ela andava em direção da onde eu estava sentado, seus dedos enrolados no nó da toalha entre seus seios, Eu fechei meus olhos. “Avery.”


Ela colocou uma mão em meu ombro e subiu em mim, como ela tinha feito naquela noite no sofá, me montando. “Cam?” Um pequeno sorriso surgiu em meus lábios. Era tudo que eu conseguia enquanto segurava em seus quadris. “O que você está tramando?” “Nada.” Ela pausou. “Tudo.” Meu olhar caiu para o nó. “Essas são duas coisas opostas.” “Eu sei.” Ela pressionou minha ereção, mandando um raio de puro prazer por mim. “Me beija?” Ela não me deu uma boa chance para responder, o que estava tudo bem por mim. Seus lábios passaram pelos meus, um gosto doce vindo deles. Meu aperto em seu quadril ficou mais forte quando ela separou meus lábios com sua língua. O beijo acabou quando eu estava dolorido por ela. Inferno, eu estava sempre dolorido por ela. “Me toque,” ela sussurrou. “Por favor.” Quem era eu para recusa-la? EU passei minhas mãos sob a barra da toalha, deslizando por suas coxas, sorrindo quando ela gemia. “O que você quer?” Ela fez um som se frustação. “Eu quero que você me toque.” Trazendo meus dedos para perto da onde ela me queria, eu respondi. “Eu estou te tocando, querida.” Seus olhos brilharam. “Você sabe o que eu quis dizer.” “Eu não.” “Por favor.” Ela pressionou sua testa na minha. “Por favor, me toque Cam.” Eu me inclinei, colocando nossos lábios juntos. “Bem, quando você diz assim, eu acho que entendo o que você quer dizer.” “Finalmente.” Ela gemeu. Eu ri novamente enquanto beliscava seu queixo. Seu corpo reagiu quando eu coloquei minha mão entre suas coxas. “Assim?” “Sim.” Enquanto eu beijava o centro de sua garganta, eu deslizei um dedo em sua humidade. “E assim?” minha voz era rouca, baixa. Suas costas se curvaram. “Uh-huh.” Envolvendo um braço em volta dela para que ela não caísse para traz, eu pressionei seu clitóris. Seu corpo ficou tenso no jeito mais fascinante possível. “E sobre isso?” Ela moveu seu quadril para frente. “Oh, yeah. Definitivamente isso.” “Definitivamente isso?” Eu movimentei meu dedo dentro e fora dela vagarosamente. Avery gemia, e eu podia ouvir um coral disso o dia todo, mas então ela colocou sua mão entre nós e desfez o nó. A toalha caiu esvoaçante pelo chão. Minha mão parou. Meu coração pulou. Meu pênis endureceu e pulsou. Seios rosados apareceram, bochechas coradas, e pernas abertas sobre as minhas... Merda, ela era... ela era incrível. Eu passei minha outra mão pelo seu seio, fixado quando a ponta enrijeceu. “Merda, Avery...” Ela colocou uma mão sobre a minha. “Não pare.” “Eu não estava planejando isso.” “Não o que eu quis dizer.” Com sua outra mão, ela encontrou o zíper do meu jeans. “Eu quero você, Cam.” “Você me tem.” Eu movi para seu outro seio. “Você fodidamente me tem.”


Avery sorriu enquanto ela passava sua mão em volta do meu pulso, puxando minha mão longe de seus seios. “Eu realmente quero você.” Ela abriu minha calça, seus dedos passando por mim e eu gemi. “Você não me quer?” “Mais do que você imagina.” Eu gemi enquanto ela me segurava. “Avery...” Sua mão desapareceu, e eu não sabia se eu deveria ser grato ou se eu deveria começar a amaldiçoar alguém. Mas então ela levantou minha camiseta sobre minha cabeça. “Eu quero isso, Cam.” Quando suas palavras penetraram a nuvem vermelha que envolvia meus pensamentos, eu inalei profundamente. “Você tem certeza, Avery? Porque se não, nós não temos...” Ela me beijou, deslizando suas mãos pelo meu peito. “Tenho certeza.” Eu congelei, mãos no seu quadril, e então a virei de costas. Sobre ela, eu peguei seus lábios, beijando-a com tudo que eu tinha em mim. Talvez outro cara teria perguntando a ela novamente ou feito algo diferente, mas aquelas duas palavras. Tenho Certeza. Elas quebraram a pequena trava que me segurava. Quebrando o beijo, eu levantei e tirei meu jeans. Quando seu olhar caiu, seus olhos aumentaram. Eu não podia fazer nada além de sorrir. Avery parecia praticamente intocável enquanto ela estava deitada ali, me encarando com aqueles lindos olhos marrons. “Eu podia te observar por uma vida. Eu nunca ficaria velho.” “Mesmo quando eu for velha?” “Mesmo.” Sem conseguir esperar mais, eu fui em direção a ela. Eu queria que esse momento fosse perfeito para ela. Eu queria que tudo fosse bonito e queria que ela sentisse o quanto eu a amava. Então eu comecei por aqueles pequenos pés, fazendo meu caminho para cima de suas pernas e sobre seu estomago com beijos. Eu levei meu tempo, sugando e mordiscando o pico de seus seios até que ficassem rígidos e ela estivesse ofegante. Cada parte de mim se sentiu pesada, dura e inchada, mas eu queria que ela estivesse pronta, mesmo que desejo cru me guiasse para entrar fundo nela. Seu corpo se curvou contra o meu quando eu alcancei seus lábios mais uma vez. Mudando o peso do meu corpo para um braço, eu usei o ritmo da minha língua para marchar primeiro um dedo, depois outro nela, esticando-a suavemente. Ela agarrou meus braços, minha lateral enquanto ela se movia e então, quando eu coloquei minha boca nela, ela se desfez de um jeito que quase me levou junto bem ali. Eu estava tremendo como um graveto no meio de uma tempestade quando eu me levantei, me posicionando entre suas coxas. Passando uma mão em volta, eu posicionei nossos corpos. O primeiro contato com sua umidade mandou rajadas de prazer por mim. Havia um ponto onde não se podia parar e eu estava ali, meu corpo tremendo com necessidade, mas eu esperei por ela. Eu a dei tempo. “Eu te amo.” Eu disse a ela, descansando minha mão na sua bochecha. “Eu te amo muito.” Seus braços se enrolaram em volta de mim, me segurando apertado, me puxando para frente. “Eu te amo.” Colocando uma mão em seu quadril, eu aprofundei o beijo enquanto levava meu quadril em direção ao dela. Ela ficou tensa sob mim, e seu gemido de surpresa foi direto para minha alma. Eu travei. “Você está bem?” Ela assentiu. “Sim.” Eu não queria machuca-la e eu sabia que isso devia doer. Eu permaneci parado, profundamente dentro dela. Meu coração batia fora de controle enquanto eu beijava o canto


de seus lábios e então o outro. Sua boca abriu e eu escorreguei para dentro ela, vagarosamente a provando, dando tempo para seu corpo se ajustar. Eu gemi quando ela moveu seu quadril, criando uma pequena fricção entre nós. “Av...” Ela fez novamente e eu fui para trás. Um choro de prazer saiu dela enquanto ela me segurava dentro dela, passando suas pernas em volta da minha cintura. Entre isso e o jeito que ela movia seu quadril, eu me perdi dentro dela do jeito mais glorioso possível. Deus... nada se comparava a ela e nada se comparava ao sentir ela, como ela invadia cada célula do meu ser. Não havia eu. Não havia ela. Enquanto nos movíamos juntos, nossas bocas agarradas uma na outra, nossas mãos explorando e nosso quadril selado junto, só havia nós. Avery quebrou em baixo de mim, jogando sua cabeça para trás e gritando meu nome quando eu deslizei uma mão entre nós, tocando-a enquanto eu investia contra ela. Sentindo os pequenos espasmos, o jeito que ela se segurava em mim era demais. “Avery.” Eu grunhi, enterrando minha cabeça em seu ombro enquanto minha liberação fluía de mim, me chocando na sua intensidade. A liberação parecia que continuava vindo em pequenas ondas. Eu descansei sobre ela, meu corpo tremendo a cada poucos segundos. O infinito passou antes que eu confiasse a mim mesmo para me mover. Um som profundo saiu de meu peito enquanto eu saia dela. Eu a beijei e merda, eu não senti aquela queimação no fundo da minha garganta. Eu balancei minha cabeça, assustado pela força que isso teve. ”Isso foi... não tenho palavras. Você está bem?” Ela colocou suas mãos em minhas bochechas e elas estavam tremendo levemente. Em seu olhar nublado, eu vi um espelho do que ela estava sentindo. “Perfeito. Você é perfeito.” Na verdade, se eu fosse perfeito, eu era por causa dela. Eu sempre seria só por ela.


- 29 Era onde eu precisava estar. Essas eram as palavras que Avery tinha falado para a outra garota. Molly. Eu tinha lutado em não ficar bravo quando eu tinha visto a marca vermelha na sua bochecha. A única coisa que ajudou foi ouvir essas palavras. Moranguinho finalmente entendeu. A cura que ela precisava morava na verdade, em confrontar seus pais e falar com Molly, mas ela tinha começado a se curar desde Fevereiro, e então em Abril. Ir para o Texas era algo que ela sentiu que precisava fazer e ela tinha feito. Então eu a trouxe para casa, e lá estávamos, de volta ao estado incrivelmente mais frio de West Virginia, uma noite antes que Avery começasse suas aulas de verão e eu começasse a trabalhar com as crianças durante o acampamento. Moranguinho estava sentada no chão da cozinha do outro lado de onde eu estava, pernas nuas enfiadas em baixo dela. Ela usava uma de minhas camisetas e era só isso. Eu estava tendo um tempo difícil para pensar em outra coisa além disso. Entre nós, Michelangelo e Raphael estavam atualmente dando cabeçadas um no outro, “É quase a versão com tartarugas de uma simples conversa.” Ela disse, sobrancelhas arregaladas. “Eu não tenho certeza se eles gostam um do outro.” Eu ri enquanto me apoiava contra a geladeira, passando uma mão contra a pele nua de meu abdômen. “Eles ainda precisam de tempo. E Mikey-Mike é territorial.” “Oh, culpe minha tartaruga.” Ela revirou os olhos. “A sua começou com a merda de bater a cabeça antes.” O timer soou, e eu me levantei, indo em direção ao forno. “Ele estava apenas mostrando a sua quem manda.” “Michelangelo é o chefe.” Moranguinho pegou seu carinha, colocando ele a vários pés de distância. Observando os cookies de chocolate para saber se estavam prontos, eu rapidamente lavei minhas mãos, e então peguei uma luva térmica que eu tinha certeza que Moranguinho nunca tinha usado. A etiqueta ainda estava fixada. Sorrindo, eu removi a etiqueta e peguei a assadeira do forno. Os cookies estavam grandes, dourados e realmente apetitosos. “Eles estão prontos?” ela olhou maca cima, olhos brilhando. “Você vai queimar sua língua.” Eu tirei a luva. “Novamente.” Ela riu. “Mas vale a pena.” “Uh-huh.” Eu fui em sua direção, aproveitando o jeito que suas bochechas ainda coravam enquanto ela abaixava seu olhar para minha virilha. Me abaixando, eu beijei seus lábios. “De a eles...” Meu celular tocou da sala. “Já volto.” Ela concordou enquanto eu cuidadosamente evitava em pisar em uma pobre tartaruga, traumatizando a mim mesmo e a Moranguinho. Eu peguei meu celular da mesinha. Um suspiro de alívio passou por mim quando eu vi que era uma mensagem da minha irmã. Sai da cirurgia. Estou bem. Te ligo mais tarde. Fechando meus olhos, eu disse uma pequena oração. Não tinha sido uma cirurgia grande, mas ainda era uma cirurgia e merdas aconteciam em hospitais. Ela estava em casa. Isso era bom, mas... “Era a Teresa?” Colocando meu celular para baixo, eu me virei. Avery estava na porta, segurando suas tartarugas inquietas. Combinando isso com a camiseta onde se lia QUERO SER SEU SANDUICHE HUMANO era uma visão bem atraente. “Sim.”


Ela andou até o habitat das tartarugas e gentilmente as colocou dentro. Enquanto ela fechava a tampa, os dois carinhas imediatamente se observaram cada um em seu canto. “Ela está bem? Como foi a cirurgia?” “Ela disse que está bem. Era apenas uma mensagem.” Eu pausei. “Ela disse que me ligava mais tarde.” Me olhando, sua expressão era pura preocupação. Se alguém sabia melhor o que Teresa estava passando agora, seria Moranguinho, com todos os seus anos de dança. “Ela não disse nada sobre dançar?” Eu balancei minha cabeça enquanto pressionava meus lábios juntos. Teresa havia torcido seu ACL uma semana atrás durante o recital. Para atletas e dançarinos, poderia ser um machucado fatal para suas carreiras. Só o tempo iria dizer se isso serial possível. Mas pelo que Mãe havia dito, não estava tudo bem. Moranguinho desapareceu na cozinha, lavou suas mãos e voltou. Vindo à minha direção, ela envolveu seus braços em volta da minha cintura e pressionou suas bochechas contra meu peito. Sua pele estava quente. “Me desculpa.” Ela disse. “Por que você está se desculpando?” eu cruzei meus braços em volta dela, segurando ela perto. “Porque eu sei que você está preocupado,” ela disse, esfregando sua bochecha contra minha pele. “E eu sei que esse ferimento é sério. Eu só espero que não seja tão sério quanto pode ser.” Eu dei um beijo no topo de sua cabeça, enquanto deslizava minha mão para cima, pela sua espinha. “Eu também.” Ela ficou quieta por uns momentos. “Obrigada.” Rindo gentilmente, eu me inclinei para traz para que pudesse ver seu rosto. “Agora, pelo que você está me agradecendo, querida?” “Obrigada por ir ao Texas comigo.” Eu coloquei uma mão em sua bochecha. “Você já me agradeceu por isso.” “E você me disse que eu não precisava agradecer.” Ela colocou sua mão sobre a minha. “Mas eu preciso agradecer novamente, porque eu não teria conseguido sem você.” “Sim, você teria.” Ela balançou a cabeça. “Talvez eu teria, mas eu realmente não sei. Eu precisava de você lá e você estava, sem perguntar nada. Eu não consigo agradecer o suficiente, por tudo.” “Oh, Moranguinho, você não precisa me agradecer.” “Mas eu...” ela parou, franzindo a sobrancelha. “Moranguinho?” Eu abri minha boca e então percebi meu escorregão. Deixando cair minhas mãos, eu deu um passo para trás e ri. “Eu disse isso em voz alta?” “Yeah, você meio que o fez.” Ela segurou a barra da camiseta emprestada. Curiosidade enchia seu rosto. “O que tem isso?” Fodam-me, mas eu senti minhas bochechas começarem a queimar. Seus olhos se arregalaram enquanto ela sorria. “Você está corando! Oh meu Deus, você está realmente corando!” Ela beliscou minha bochecha. “Eu preciso saber agora porque você está tão corado.” “O que eu ganho se eu te contar?” Ela me encarou com um olhar duvidoso que dizia o que eu não iria ganhar se eu não contasse. Aquele olhar irritado me deixou excitado. Mas novamente, quando ela espirava, ela me deixava excitado. “É realmente meio idiota.” Pegando sua mão, eu a puxei de volta para mim. Uma vez que ela estava perto o suficiente, eu abaixei minha mão e deslizei sobre sua perna. “Hey!” ela bateu em minhas costas. “Pare de tentar me distrair.” Ela gritou quando seus pés saíram do chão. “Cam!”


Pegando-a, eu a segurei perto do meu peito enquanto virava em direção ao corredor. “Eu não estou te distraindo. Eu estou te ajudando a voltar para o quarto.” Ela estreitou seu olhar. “Além do fato deu não precisar de ajuda para voltar para o quarto, por que você está me carregando de volta para lá?” “Você não anda rápido o suficiente.” Eu disse a ela enquanto andava em direção a sua cama. “Hey.” Seu olhar era exasperado. “O que?” Eu pisquei um segundo antes de jogava no meio da sua cama. Seu grito terminou mais grosso quando ela quicou. Ela boca abriu e eu sabia que ela estava prestes a me xingar diretamente. Eu estava nela antes que ela pudesse começar a dizer, deslizando minhas mãos sob a barra da camiseta. Em um segundo eu a tinha tirado e ela estava magnificamente nua. Eu tirei minhas calças. Sua respiração ficou instável enquanto eu subia na cama, admirando meu trabalho. “Então.” Ela disse, sua voz suave. “O que é esse negócio de Moranguinho?” “Bem, é um apelido.” Eu beijei o espaço entre seus seios. “Para você.” “Esse tanto eu imaginei.” Eu dei outro beijo na lateral de um de seus seios e então assoprei a região de suas costelas. “EU inventei isso na primeira vez que te conheci.” “Na primeira – oh!” ela se contorceu quando eu passei a língua pela seu umbigo, agarrando o lençol da cama. Quando ela falou novamente, sua voz estava rouca enquanto eu me movia para baixo. “Na primeira vez que nos conhecemos?” “Yep.” Eu beijei o interior de sua perna esquerda, então a direita. “Foi no dia que você esbarrou em mim do lado de fora da aula de astronomia – a aula que você precisa fazer de novo.” Moranguinho gemeu. “Não me lembre.” Eu não sabia se ela estava falando sobre refazer a aula ou esbarrar em mim. “Quando eu vi seu cabelo pela primeira vez...” eu pausei, beijando-a entre suas pernas. Seu suspiro suave trouxe um sorriso para meu rosto. “Tudo que conseguia pensar era na personagem Moranguinho...” eu pausei novamente, passando minha língua pelo seu meio. “Que a Moranguinho tinha corrido contra mim.” Ela riu enquanto eu levantava minha cabeça, nivelando nosso olhar. “Wow. Eu não entendo como seu cérebro funciona.” “Você o ama.” “Eu amo.” Ela deslizou um pé pela minha panturrilha. “Então você vem me chamando de Moranguinho na sua cabeça esse tempo todo?” Eu assenti enquanto me ajeitava entre suas pernas. “Eu posso ter feito isso... algumas vezes.” “E você nunca escorregou até agora. Wow. Isso é meio impressionante.” Seus olhos dançaram com humor. “E é meio fofo.” “Definitivamente é fofo. É...” eu gemi quando ela mexeu seu quadril, nos trazendo juntos. “Bem, então...” Ela rebolou e então nenhum de nós estava rindo ou falando. Eu deixei sair um gemido rouco pelo encaixar apertado. Eu perdi a noção de tudo exceto seu corpo e como eu queria ir mais perto. Nós nos movemos juntos, nossos corpos tremendo e tencionando. Era loucura, mas eu não podia ter o suficiente dela. Parecia ser o mesmo para ela. Minha boca fechou em volta de seu seio enquanto eu investia contra ela. Ela igualou meus movimentos até que ela arqueou suas costas, gritando. Sua liberação me acertou. Segurando ela amis perto, eu me sentei mantendo-a em meu colo. A nova posição fez com que luxuria corresse por mim. Eu não iria durar. Não quando seu pequeno dente raspou contra meu pescoço.


Minutos se passaram quando tudo que eu podia ouvir era o som de nossa respiração. Eu ainda estava dentro dela. Havia uma paz nesse complemento. E eu segurava tudo com meus braços. Mais tarde, bem mais tarde, nós nos sentamos na cama com o prato de cookies de chocolate entre nós. Uma pequena mancha de chocolate terminou em seus lábios e eu me inclinei sobre o prato, beijando a mancha para longe. E bem, eu a beijei de verdade. Eu a beijei, e era como se beijasse ela pela primeira vez. O primeiro toque, o choque de nossos lábios juntos não tinha desaparecido. Inutilmente, eu percebi que o amor que fazia isso desse jeito, fazendo com que um simples beijo nunca enjoasse, nunca perdesse sua luxuria. Meu peito se inchou enquanto eu me afastava e encarava seus olhos quentes e meu coração fez aquele pular louco. Algo que eu sabia que nunca iria realmente desaparecer. Moranguinho colocou sua pequena mão na minha bochecha. “O que?” No começo, eu não sabia o que dizer. Eu... eu tinha esperado pela Avery – eu tinha esperado ela por meses. Inferno, eu teria esperado por ela por anos, mas ela... Virando minha bochecha, eu pressionei um beijo no meio de sua pal. “Obrigado por confiar em mim.”


TRADUÇÃO: MAHA Tradução livre, sem revisão. CÓPIAS NÃO AUTORIZADAS Críticas? Comentário? Correções? Mande um e-mail para: maha_yuu@hotmail.com

Série wait for you trust in me 1 5 jennifer a armentrout  
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