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Tradução e Revisão: The Rose Tradução & Butterfly Traduções Formatação : Juuh Allves


Play List Kiss by Kiss - Brett Young Got It - Marian Hill All The Way - Timeflies I Will Wait - Mumford & Sons At Last - Etta James Breathe You In - Dierks Bentley They Don’t Know About Us - One Direction Trumpets - Jason Derulo Jealous - Nick Jonas Thinking Out Loud - Ed Sheeran Say You Love Me - Jessie Ware I Want You - Nick Jonas Waiting Game - Banks


Sinopse Você já sentiu como se a sua vida estivesse sendo encaminhada para um futuro pré-determinado? Como se tivesse o vislumbre de uma imagem muito maior, então você reza para poder enxergá-la claramente, algum dia? Essa imagem está clara para mim desde que tenho idade suficiente para reconhecê-la apenas pelo que ela era. Ou, melhor dizendo, reconhecê-lo por quem ele era. Eu amo Cohen Cage desde que era pequena. Ele tem sido tudo para mim nos últimos vinte e dois anos. Eu o amo apesar de cada namorada que ele já trouxe para casa. Através dos seus anos na faculdade e, então, dos meus. Eu o amei enquanto ele estava fora, em suas missões. E, desde o dia em que disse a ele como me sentia, ele agia como se eu fosse uma estranha. Meu nome é Danielle Reid, e é hora de agarrar o meu homem. Nosso futuro é um destino inesperado e não importa o que os nossos pais, irmãos e amigos dizem ... vai valer a pena cada segundo dessa luta para que isso aconteça.


Prólogo —Axel Reid, não se atreva!— Minha mãe exclama. Então, dá um gritinho agudo quando meu pai caminha até a porta da frente. —Não me atrevo a que, Princesa? De jeito nenhum que esse garoto vai chegar perto da minha menina. Olhe para ele! Parece que mal pode esperar para rastejar sobre a minha filha!— —Bem, não há necessidade de assustá-lo até a morte!— Ela zomba. Minhas bochechas aquecem, instantaneamente, quando vejo o Dane começar a recuar pela varanda. Minhas esperanças de conseguir, realmente, ir para o meu baile de formatura estão começando a ficar em chamas. Poof. Desse jeito. Não que eu deva estar surpresa com isso. Mamãe se esforçou para acalmar o papai, mas já devíamos conhecê-lo melhor. Ele deu uma olhada em mim e saiu, parecendo zangado, só para voltar dez minutos depois, do jeito que estava, agora. É tão embaraçoso. —Você precisa parar com esse absurdo, agora, seu grande tolo, ou você vai dormir no sofá—, mamãe o repreende. —O diabos que eu vou, mulher!— Papai ruge para a mamãe. Vi o seu rosto ficar afiado. Parou tempo suficiente para ajeitar, rapidamente, um dos - isso mesmo, UM dos - rifles que está carregando no ombro, ao lado do outro que já está no outro ombro.


Só a minha mãe é corajosa o suficiente para lidar com ele quando está no modo —Proteger a Dani de tudo que tem um pênis—. Ele parece absolutamente ridículo. Tem dois rifles de caça pendurados por tiras de couro sobre cada ombro. Duas pistolas amarradas às coxas grossas, mais duas de cada lado do cinto e várias facas ao longo do caminho. Sua camisa, que ele acha que é divertida de usar quando tento sair em um encontro, diz eu mato coisas... e como elas. Eu sei que é um camisa que se refere à caça - de animais, não de adolescentes – mas o Dane, não. Mamãe se coloca na frente dele, em pé na porta da frente, bloqueando seu caminho, onde o Dane ainda está, lentamente, se retirando. Ela já lida com isso antes mesmo de eu nascer. Ele é ... protetor. Acho que é a maneira mais agradável de se colocar. Bem, ela o chama de protetor. No entanto, eu o chamo de possessivo, autoritário, controlador, exigente e idiota. —Este é o baile de formatura dela, Ax. Você não a deixou ir no ano passado.— Faz uma pausa enquanto ele dá uns grunhidos. —E eu sinto muito, mas você não vai impedi-la, este ano. Ela tem o direito de desfrutar este. E o Dane é um bom garoto. Certo, Dane?— Ela grita por cima do ombro. —Uhh...— Ele gagueja, fazendo meu pai grunhir um pouco mais. —O menino ainda nem sabe como falar, Izzy. Aposto que não vai ser nada, além de uma mão boba, e só vai pensar com o seu pau pequeno. Não. De jeito nenhum. Não perto da minha menina.— Oh. Meu. Deus. Desejava

poder,

simplesmente,

cair

em

um

buraco,

agora. Tento ver além dos meus pais para descobrir se o Dane ouviu isso, mas como o papai, basicamente, é um gigante, não consigo. —Você não acabou de dizer isso!— Grito para as costas dele. Papai se vira, os movimentos desajeitados pela quantidade de armas que tinha amarradas ao corpo. Seus olhos verdes, assim como os meus, se estreitam e endurecem. Ele olha para o meu vestido pela milésima vez desde que eu desci


e não se incomoda, nem mesmo, em esconder o desagrado por estar mostrando muito do meu corpo. Mesmo sendo tão elegante. Meu vestido tomara que caia, vermelho, tem um decote em forma de coração e tudo o que ele chama de —meus pedaços femininos— está coberto. Não mostra, realmente, nada da fenda entre os seios. Bom, tudo bem, um pouco, mas certamente, com a minha falta de peito, não se pode nem falar que estava mostrando a fenda. Seu primeiro problema foi o quanto das minhas pernas estavam à mostra. Então, cometi o erro de me virar sem a minha estola. Foi quando ele viu que o vestido era completamente sem costas, até a linha do sutiã. Bem, o que seria, se estivesse usando um. O que foi, claramente, o que fez com que ele perdesse a cabeça. —Você está parecida com a sua mãe, naquela noite, há vinte anos, quando finalmente olhamos um para o outro. Até a ponta dos dedos, nessas sandálias de tiras. E garanto a você, Danielle Reid, qualquer adolescente que não joga no outro time vai ter aquele tipo de pensamento e eu vou cortar o seu pau fora. Não. Você não vai com aquele garoto, e ponto final —. Endureço o olhar e ele estreita os olhos ainda mais. Coloco as mãos nos quadris e ele endireita os ombros, os rifles balançando juntos. Levanto uma sobrancelha e ele copia a ação. —Papai.— —Dani.— —Eu vou chorar.— —Não, você não vai. Você tem mais bolas do que isso.— —Quer apostar?— Tento reunir algumas lágrimas, sabendo que ele não seria capaz de lidar com elas, mas antes que eu possa forçar a primeira a sair, meu irmão pula na minha linha de visão e interrompe nosso impasse.


—Ei, Dane! Você acabou vindo até aqui à toa. A Dani está, infelizmente, se sentindo um pouco mal. Ebola. Ou gripe. Não sei. Está mal e você, provavelmente, não vai querer ficar por perto. As bolhas podem estourar a qualquer momento.— —Você não acabou de fazer isso—, sussurro acaloradamente, fervendo de raiva. Nate se vira e sorri para mim. —Oh, acabei de fazer.— —Não posso acreditar em vocês dois!— Me viro para olhar para a única pessoa que pode me ajudar. —Mãe, sério?— Sua expressão se suaviza e ela só balança a cabeça. —Sinto muito, Dani. Eu tentei.— —Vocês dois—, começo, apontando para o meu irmão mais velho e depois, para o pai. —Vocês, simplesmente, não podem me deixar em paz? Vou fazer dezoito anos em poucos meses. O que vocês vão fazer, então?— —Você não vai namorar, Danielle. Nunca.— —Ah é, papai? E quão realista é essa porcaria?— —Cuidado com a boca, princesinha.— —Mãe?— —Sinto muito, Dani.— Ela se aproxima e me envolve nos seus braços pequenos. Eu, provavelmente, podia chorar de verdade, agora, muito mais fácil do que quando estava tentando fingir, mas nunca fui uma dessas meninas que choram à toa. Seria mais fácil, simplesmente, ir lá para cima, tirar o vestido que eu e a mamãe passamos horas procurando, arrancar a maquiagem leve que ela me ajudou a aplicar e fingir que esta noite não aconteceu. ***


Uma hora mais tarde, sentada no meu quarto, ainda usando o vestido perfeito. Minha maquiagem ainda está feita e meu cabelo ainda está fluindo em ondas longas. E não estou menos brava com os homens da minha vida do que estava antes. Considerei subir pela janela. Considerei pedir às minhas melhores amigas, Lyn e Lila, para virem me ajudar a escapar. Mas qual seria a vantagem? Papai Rambo já assustou o meu par, o único menino na escola que estava disposto a me convidar, embora seus amigos o tivessem alertado sobre o meu pai. Deito na cama e olho para o teto. Talvez, devesse ir embora para a faculdade. Planejava morar em casa, enquanto estivesse estudando no Instituto de Tecnologia da Geórgia, mas de maneira nenhuma ia conseguir lidar com essas coisas por mais tempo. Se o meu pai fizesse as coisas à sua maneira, gostaria de me despachar para um convento, para me tornar freira. Ou ia comprar uma ilha e transformá-la em um refúgio só para meninas. —Urhggggg!— Grito para o quarto vazio. —Sério, Danizinha, as coisas não podem não ser tão ruins assim.— Salto para cima quando ouço a voz profunda e grave, insanamente sexy, que vem da porta do meu quarto. Aquela voz. Meu Senhor. As coisas que ela faz comigo deviam ser classificadas como ilegais. Meu cabelo estapeia meu rosto e um bom punhado cai na minha boca aberta, então, apressadamente, eu o puxo antes de me virar para onde ele está, de pé. Meu senhor, ele é lindo. Sempre foi. Meu coração acelera quando vejo seu rosto sorridente e a travessura nos olhos castanhos. —O gato comeu sua língua?— Balanço a cabeça. —Sem palavras?—


Eu a balanço novamente. —Você realmente comeu carne estragada, está com febre ou com Ebola?— Ele ri. Estreito os olhos e sua risada gostosa enche o quarto. —Só estou brincando, Danizinha. Vamos. Prepare-se e vamos abalar aquele baile.— Meu queixo cai novamente. —O quê?— Pela primeira vez, noto que ele está usando um smoking feito sob medida. Meus olhos viajam para baixo, pela sua forma enxuta, até os brilhantes sapatos pretos. No caminho de volta para cima, meus olhos batem no bracelete de flores pendurado no seu dedo antes de olhar para cima, dentro daqueles olhos lindos. —Vamos, linda.— —O papai sabe que você está aqui?— Pergunto, sem me mover do lugar. Ele suspira e entra no meu quarto. Seu perfume, Gucci Black, me envolve. Ele usa o mesmo perfume há anos. Perversamente, eu o experimento toda vez que vou ao shopping com a Lyn e a Lila. Este cheiro - é a minha perdição. Pega uma das minhas mãos e dá um beijo nos meus dedos antes de colocar o bracelete no meu pulso. Dá um aperto na mão, antes de soltá-la. Coloca as mãos fortes nos meus ombros e me empurra para baixo até eu ficar sentada na cama. Se ajoelha diante de mim, levanta os meus pés, um de cada vez, e prende as tiras das sandálias pretas antes de se levantar e pegar as minhas mãos, novamente, para me colocar de pé. O tempo todo, ajo como uma aberração e fico, apenas, olhando de boca aberta para ele. Que diabos está acontecendo?


—Pronta?— Pergunta. —Humm...— —Certo. Você está pronta—, ele ri, pega minha mão e me puxa pela casa, desce as escadas e vai até a porta de entrada da casa, onde os meus pais estão à espera. Mamãe está com a câmera pronta e nos obriga a tirar algumas fotos, e tudo o que tenho certeza é que estou parada lá, em transe. Acho que sorri, mas estou muito ocupada tentando descobrir o que diabos está acontecendo. Papai exibe um sorriso grande e triunfante o tempo todo, como se tivesse ganho alguma batalha. —Oh, que bom. Você chegou—, Nate murmura com a boca cheia com um sanduíche que está enfiando goela abaixo. Me sacudo para fora do meu estupor atordoado e olho para ele. —Você fez isso?— Pergunto com descrença. —Bem, humm. Não posso deixar a minha irmã perder o seu baile por causa de algumas espinhas. Além disso, sei que esse cara—, disse ele, apontando para o nosso pai —não ia se incomodar com ele—. Dá mais olhada no seu lanche antes de olhar por cima do ombro. —E eu sei que ele não vai tentar te bolinar.— —Nathaniel Gregory!— Mamãe suspira. —O quê? Por que você concorda com os atos do pai e a maneira como ele age? Só porque estou disposto a dizer as palavras não significa que você tem que perder o bom senso.— Olho para minha mãe, que fica vermelho escarlate. Papai ri do seu embaraço e a puxa para os seus braços. —Tem certeza que não o deixou cair algumas vezes quando ele era bebê?—


Ela dá um tapa no seu estômago rígido e balança a cabeça. —Você está linda, querida. Divirta-se, ok?— Sorrio para ela e movo os olhos para o papai, para julgar o seu estado de espírito. Ele apenas sorri para mim. —Eu confio nele. Não vai deixar qualquer um desses adolescentes com a cara cheia de espinhas tocar em um fio desse cabelo bonito. Divirta-se, querida.— Caminho até eles para lhes dar um abraço e fico na ponta dos pés para sussurrar minha gratidão no seu ouvido. Ele é irritante, super protetor e possessivo com as suas meninas, mas eu o amo e sei que ele tem boas intenções. —Humm, com licença? Nenhum agradecimento aqui para o irmãozinho? Fui o único a orquestrar este show, sabia?— —Você é um idiota, Nate,— eu rio e lhe dou um abraço antes de me voltar para o meu par. Ele está de pé ao lado da porta, conversando em voz baixa com o meu pai. Não consigo ouvi-lo, mas ele ainda está sorrindo, então suponho que não há nenhuma conversa sobre desmembramentos, acontecendo. Ele olha para cima,

seu

sorriso

se

aprofunda

e

as

linhas

ao

redor

dos

olhos

enrugam. Alguma coisa se insinua por trás do seu olhar, que escurece um pouco, mas ele olha para trás, sobre o papai, encerrando a conversa. —Pronta, Danizinha?— Pergunta ele, poucos segundos depois, fazendo meu coração acelerar novamente. Santa. Porcaria. —Sim. Estou pronta.— Ou, pelo menos, tão pronta quanto jamais fiquei. ***


Naquela noite, enquanto dançava ao som de —Kiss by Kiss— do Brett Young, soube que nunca mais seria a mesma. Podia sentir as ondas de inveja saindo de todas as mulheres no local, enquanto ele me segurava em seus braços. Claro, eu tinha um homem e não um menino, como meu par. Cinco anos mais velho do que eu e, muito obviamente, não um adolescente. Ser segura pelos seus braços era um sonho se tornando realidade. Seu perfume invadia meus pulmões a cada inalada. Seus olhos brilham enquanto seu sorriso me mantém refém. Sabia que nunca iria amar um homem tanto quanto eu o amo. Sim. Essa foi a noite que confirmou o que eu sempre soube. O que eu sempre senti. Cohen Cage é o dono do meu coração e eu não o quero de volta, jamais.


Capítulo 1 Dani Quatro anos mais tarde URGH. Eu juro por Deus, se ele me acordar mais uma vez, vou matá-lo. Tipo, realmente matá-lo. Jogo as cobertas para o lado, pulo da cama, tremendo quando meus pés descalços batem no frio piso de madeira e o ar frio acerta minha pele febril. Em seguida, marchei - porque quando estamos irritados de verdade, não andamos somente. Como uma criança pisoteando o chão, fazendo pirraça. Abro a porta e a arremesso contra a parede, fazendo um barulho alto. Então, como um furacão, pisoteio pelo corredor até chegar à sua porta. Então, porque esse é um comportamento completamente normal para uma garota de vinte e um anos de idade, levanto ambas as mãos e soco a porta. —Você, seu sujo e pervertido!— Juro por Deus, Nate, espero que você pegue uma DST e que o seu pinto caia!— Ouço ele rindo de mim através da porta. O maldito psicopata. —Abaixa essa porcaria, Nate!— Grito, antes de começar a tossir e tenho que fazer uma pausa enquanto parece que vou cuspir um pulmão... ou os dois. Ele estava abaixando o volume? Não, não tão baixo, seu cão sujo. Ele o abaixa completamente e sons de gemidos femininos, grunhidos viris e tapas na pele ecoam através da porta até o corredor. —Você é nojento!— Grito, redobrando os esforços para arrombar sua porta, para que eu possa matar o bundão viciado em filmes pornôs, chutar suas bolas e golpeá-lo com os punhos. —Quando eu entrar aí, vou acertar sua cabeça


com a sua coleção de pornografia. Quando for para a cidade, seu cabeça dura, leve os seus DVDs antes que eu exploda todos eles! Saco de merda, nojento!— —Minha pequena princesa, o que está fazendo?— Me viro e marcho até onde o meu pai está de pé. Seu cabelo está espetado para todos os lados, o olhar cansado e sua expressão, uma mistura de confusão e cansaço. —É por isso, exatamente que eu preciso da minha própria casa. Sabe o quanto é nojento acordar com os sons do seu próprio irmão tocando punheta? Juro, pai, eu vou matá-lo!— Termino meu desabafo e instantaneamente me curvo, tossindo algumas vezes. —Eu só quero dormir um pouco. Estou me sentindo um lixo, literalmente, acabei de adormecer, e agora, o rei da masturbação está de volta. Podemos pagar uma prostituta para ele? Por favor, papai! —Vamos levá-lo até uma prostituta.— Seus lábios se levantam e ele descruza os braços, abrindo-os completamente para eu me afundar neles. O que eu, claro, faço. Não me envergonho de ser a menininha do papai, ainda. —Nós não vamos conseguir uma prostituta para o seu irmão. Elas são muito elegantes para aquele bundão.— Eu rio e o abraço mais apertado enquanto suas risadas ásperas vibram através do seu peito. —O que há de errado com a minha garota?— Pergunta, me afastando e olhando nos meus olhos. —Nada. Um pouco de frio. Eu vou ficar bem... se conseguir dormir um pouco!— Grito na direção do quarto do Nate. E, claro, me desfaço em um ataque de tosse que faz com que o meu pai super protetor, estreite os olhos. —Volte para a cama, princesinha.— Deixe que eu lido com o seu irmão. Vou pedir para sua mãe subir e vir dar uma olhada em você.— Me dá um abraço forte e me vira na direção do meu quarto. Então, quase como se as minhas


palavras o tenham acertado somente agora, ele diz, —E não fale mais em se mudar. Isso não vai acontecer.— Urgh. Fala sério. Ele me fala... desde que eu era garotinha que nunca deixaria sua casa porque eu era a sua princesinha e, se ele não mantivesse um olho em mim, então, todos os homens obscenos, espertinhos e malvados do mundo iriam querer colocar as mãos em cima de mim. Dizer que crescer com o Axel Reid como pai foi ... um pouco difícil, seria um eufemismo. Não me interpretem mal. Eu amo meu pai. Mas ele é protetor com P maiúsculo. Possessivo com as —suas meninas—, que é como ele chama a mamãe e a mim - ao ponto de querer matar um homem que olhasse para nós. Eu o amo mas, às vezes, quero estrangulá-lo. Mas que fique claro, sei que se precisar de alguém ao meu lado, sem fazer perguntas, essa pessoa é o meu pai. Me arrasto de volta pelo corredor. Agora que sei que ele vai lidar com o Nate e a urgência de tentar matá-lo começa a se desvanecer, percebo quão mal eu me sinto. Vim para casa mais cedo, ontem, do que seria o fim de semana das meninas no apartamento da Lyn e da Lila, junto com a Maddi Locke. Tínhamos planejado o melhor fim de semana com transformações - e com isso, quero dizer, eu me matando para cortar os seus cabelos - comida não saudável e uma maratona de Gossip Girl. Não fazia nem uma hora que tinha anoitecido quando me senti como se tivesse sido atropelada por um caminhão. Maddi se certificou que eu chegasse em casa bem, e me senti esgotada, instantaneamente. Caí na cama, puxando as cobertas sobre a cabeça e tentei ignorar o quanto meu corpo doía. —Qual o problema, Dani?— Mamãe sussurra pouco tempo depois, entrando no meu quarto e fechando a porta, suavemente, atrás dela.


Ainda ouço o pai gritando com o Nate no corredor, mas ao menos os malditos sons do filme pornô, finalmente, pararam. Ela se senta e pressiona a mão fria contra a minha testa. —Querida, você está ardendo em febre. Diga-me o que está sentindo.— —Estou bem, mãe. Só preciso dormir—, murmuro e me afundo ainda mais nos travesseiros. —O que você precisa é um médico, princesinha,— o pai resmunga lá da porta, agora aberta. —Vá embora—, murmuro e tento ignorá-los, para poder dormir. —Vá embora, o meu rabo—, ele surta. Ouço-o se inclinar e beijar a mãe antes de sussurrar baixo o bastante para que eu não consiga entendê-lo. Outro beijo - bruto - e os sons dele indo embora. Finalmente começo a divagar com o toque suave da minha mãe, esfregando as minhas costas, e começando a cantarolar baixinho. Claro que durou pouco, porque apenas dois minutos mais tarde, estou sendo... embrulhada como um burrito no meu cobertor e sou levantada da cama. Não preciso abrir os olhos para saber que o papai está abrindo caminho. O cheiro de couro e canela acerta o meu nariz e ouço sua queixa áspera. —Vá embora, você disse?— Não sabia que você podia ler minha mente, princesinha. Eu vou... levá-la embora... mas para a clínica de atendimento de emergências.— O que eu disse? Protetor no último grau. —Qualquer coisa—, resmungo, com um pequeno sorriso e me permito adormecer novamente, sabendo que ele vai cuidar de mim.

Algumas horas mais tarde, estou de volta na cama com um pai carrancudo em cima de mim e segurando minha medicação. Carrancudo, porque ele sabe que,


se não tivesse forçado a questão, eu teria ficado com a bunda na cama o fim de semana inteiro e ficaria pior. O lado positivo, no entanto, foi a promessa do médico de que um remédio para tosse e também um analgésico fariam com que me sentisse melhor, em breve. Engulo os comprimidos e então alcanço o xarope para tosse que está na mão dele. Sua carranca se aprofunda instantaneamente quando começo a tossir. Vamos lá, entretanto. Tentei tomar aquela porcaria como se fosse champanhe. É nojenta. —Durma—, ele fala asperamente. Coloca o copo de remédio vazio na minha mesinha de cabeceira e começa a me cobrir como se eu tivesse cinco anos, novamente. Cada parte do meu corpo até o pescoço está coberta, e o cobertor é puxado apertado quando ele o enrola em volta de mim. —Isso é realmente necessário?— Juro que eu vou me mudar. Em breve, você vai querer me dar comida com uma colher, novamente.— Seus olhos verde claros olham para cima, de onde ele está, enrolando o cobertor ao redor dos meus pés. —Não me tente, menina—, ele diz, com toda a seriedade. Eu tenho que sair daqui. A Lyn e a Lila disseram que seu contrato está quase acabando. Podemos ter brincado sobre a ideia de alugar uma casa antiga e grande. O pai delas, o Greg Cage, é quase tão ruim quanto o meu, mas ele as deixou sair de casa. Elas acham que é doce que o meu seja tão protetor, mas quando o papel é invertido, e é o pai delas fazendo alguma coisa maluca, ou os seus irmãos - todos os três - não achavam nada engraçado. —Nada de se mudar, Danielle.— —Você não pode me impedir, você sabe—, eu o lembro enquanto bocejo, me afundando na cama quente. —Durma—, ele manda, antes de deslizar para fora do quarto. Tão. Irritante.


Mas serĂĄ que daria o fora se pensasse sobre o assunto uma segunda vez? NĂŁo. Sorrio, tusso, sorrio novamente e, em seguida, caio em um sono infernalmente profundo.


Capítulo 2 Dani —OLÁ, DANIZINHA—. Eu sorrio. —Ai está esse sorriso lindo—, diz a voz, e meu sorriso se aprofunda. —Jesus Cristo. O que diabos te deram? Izzy!— Outra voz chama. —Diabos o que aquela embalagem diz? Ela está fora do ar, como se estivesse em um maldito coma!— Eu franzo a testa quando a voz do meu pai entra no meu sonho celestial. Meu Deus, o que ele está fazendo no meu sonho? Papai não deveria estar aqui. Não quando, finalmente, tenho o Cohen Cage em minha cama. Bem, apesar do fato que estou doente, ele vai matar o Cohen se o pegar colocando a mão em mim. Literalmente. Cohen estará morto. —Tenho certeza que ela está bem, Axel—, Cohen diz suavemente. —Minha mãe me mandou com um pouco de sopa e as meninas mandaram algumas coisas que as deixam enlouquecidas. Não me importo de ficar com ela.— Ha! Sim, certo. Ficar com ela significava que o meu pai ia confiar em alguma coisa que tem um pau perto da sua filha. Independentemente de quem seja, isso nunca ia acontecer. Sim – estava, definitivamente, sonhando. —Sim, com certeza, meu filho—, ele gagueja. Só consigo posso imaginá-lo esfregando a parte de trás do pescoço com um olhar desamparado.


—Deixe-me ir ligar para o médico novato e ver o que diabos ele fez com a minha princesinha. Eu sabia que ele não parecia velho o suficiente para estar fora da escola de medicina.— —Certo—, ouço ele murmurar, e a cama afundar. Escuto o som dos passos do meu pai bater para fora do quarto e a porta fechar suavemente atrás dele. Ah. Finalmente. Meus sonhos com ele nunca duram o tempo suficiente e, de jeito nenhum, quero compartilhar momentos de um sonho bom com o meu pai na imagem. Tenho a sensação de que, mesmo em meus sonhos, ele seria como um escudo gigante contra qualquer homem que respirasse na minha direção. —Danizinha—, ele sussurra em meu ouvido.— Eu trouxe a sua sopa favorita, feita pela minha mãe, bem aqui. Por que que você não abre esses belos olhos verdes e toma um pouco? Se você fizer isso, prometo que vou mesmo ficar sentado aqui e assistir a alguns episódios de Game of Thrones com você.— —Você é de verdade?— Falo meio enrolado e abro um pouco os olhos, antes de fechá-los rapidamente quando a luz brilhante do sol atinge meus olhos cansados. —Você não pode ser real. Você está na minha cama em sonhos, Cohen!— Eu o alcanço e apalpo seu rosto barbado algumas vezes, tentando fazer com que os meus olhos abertos foquem no seu rosto. —Você não pode estar aqui. E se o papai te pega? Espera. Por que você está vestido? Você, normalmente, não está vestido na minha cama, quando sonho.— Minha mão desce de onde eu estava esfregando seu rosto e começa a vagar sobre o peito coberto pelo tecido. —Você pode tirá-la. Eu não mordo.— Eu rio e começo a baixar a mão para tirar essa camisa estúpida dele. Deus, ele parece o paraíso. Um ruído surpreso, em algum lugar entre um suspiro de asfixia e uma gagueira chocada, sai da sua boca, que é seguido por um gemido que ressoa contra a palma que ainda mantenho encostada no seu peito.


Mordo meu lábio, pensando que posso, pelo menos, tentar fazer algo sedutor. Estão sempre fazendo isso nos livros que adoro ler. Mesmo que eu nunca tenho entendido o que há de quente sobre mordiscar os lábios, posso, muito bem, fazer isso. —Você é tão quente—, sussurro com admiração, enquanto a minha mão continua a apalpar seu peitoral, abdômen e tudo que há entre eles. —E quente—, acrescento, chegando mais perto. Minha cabeça se move para o seu ombro, minha mão ainda esfregando o estômago duro e levanto uma perna para envolve-la em torno dos seus quadris. —Jesus Cristo—, ele geme quando minha perna acerta sua virilha. —Você é duro... em todos os lugares? Meu sonho vai acabar, em breve. É sempre assim. Você tem que me dizer, agora. Então, quando eu acordar, não vou ficar desapontada porque, mais uma vez, perdi todas as coisas boas.— Suspiro profundamente. —Aposto que você é enorme—, sorrio. —Foda. Me—, ele sussurra em uma súplica. —Isso seria muito bom.— —Danizinha, o que, inferno, te deram?— Ele levanta o corpo e se move para sair de baixo de mim, dando tapinhas leves nas minhas mãos quando tento ir atrás dele. —Eu estou apenas... uh... Eu vou ao banheiro.— Ele levanta da cama. Eu caio para trás, fazendo beicinho. —Mas nós íamos fodafagar — reclamo. Ele se vira bruscamente para perguntar: —O que, infernos, é fodafagar?— —Dã. É uma foda aconchegante,— Sorrio e me aproximo dele de novo, só para parar quando ele se afasta e começa a andar. —Jesus.Caralho.Cristo.—


Estava tendo um sonho tão bonito. Bem, todo sonho que envolve o Cohen Cage é lindo - esmagadoramente lindo. E confiem em mim. Já houve um monte de sonhos durante todos esses anos, sendo ele a o único astro. Cada um e todos eles terminam em decepção, entretanto, quando acabam antes da parte boa começar. Este, mesmo que não tenha o conteúdo erótico que geralmente tem, quando é um sonho sexy com o Cohen, é diferente, parece tão real. Deus, o que eu daria para tê-lo em meus braços dessa maneira, na vida real . —Você vai voltar para a terra dos vivos agora, Danizinha?— Eu congelo instantaneamente. Puta merda. —Humm...— Gaguejo. —Sim. Essa é a minha garota—, ele ri. —Deixe eu ligar para o seu pai e deixálo saber que você está acordada. Pensei que ele ia se trancar no quarto antes, quando sua mãe disse que eles tinham que sair. Ela tentou dizer que você ficaria bem, mas sabe como o seu pai é.— Por que não consigo clarear as ideias? —De qualquer forma—, ele continua, —eles tinham aquele compromisso de caridade com os Guerreiros Feridos locais que Maddox organiza. Se tivesse sido qualquer outra coisa, não acho que ela teria sido capaz de levá-lo para fora da porta. Você devia ter visto isso, Dani. Nunca vi o seu pai sair tão rapidamente.— Ele ri para si mesmo, e eu sinto os lençóis se moverem quando o seu peso é removido da cama. Oh. Meu. Deus!


Cohen está na minha cama. Tipo, de verdade, na minha cama. E não acho que o meu nível de pânico poderia ficar maior do que está agora. Freneticamente procuro as profundezas escuras das minhas memórias para ver se consigo reconstituir as últimas horas juntos. Só me lembro do Nate e da sua forma repugnante de me despertar, papai me arrastando para o médico, e o meu sonho com o Cohen. Caramba. Foi um sonho, certo? Abrindo os olhos, olho para o lugar onde ele está, em pé, com o telefone contra a orelha. Ele olha para cima, me dá aquele sorriso de derreter e me sinto leve imediatamente. Coro como uma estudante inocente. Quão. Embaraçoso. Ele balança a cabeça algumas vezes e desvia sua atenção para o meu armário cheio de fotos enquanto aguarda a chamada ser completada. Uso esse tempo para estudar seu rosto bonito. Ele sempre foi uma pessoa atraente. Quando era criança, tinha uma perfeição juvenil. Sua pele parecia sempre impecável e ele carregava um belo bronzeado o ano todo. Seu cabelo castanho, até se alistar nos Marines, tinha aquela aparência emaranhada e sexy, que qualquer mulher de verdade, ficaria com comichão nas palmas das mãos para entrelaçar, completamente, os dedos nele. Agora, ele o mantém um pouco mais longo do que o regulamento permite, um pouquinho mais comprido nas laterais. Realça os ângulos agudos da sua mandíbula e das maçãs do rosto. Não quero soar como uma anormal - Olá, talvez eu seja, mas tenho estudado este homem por tanto tempo que, provavelmente, poderia descrevê-lo com exatidão só com a memória. E o que todas essas coisas fazem, na realidade, é com que ele pareça um homem deliciosamente sexy que me deixa em um estado de excitação constante quando está por perto. Seus olhos marrom escuros olham para mim novamente, e ele levanta uma sobrancelha quando vê que ainda estou olhando para ele, mas desvia o olhar rapidamente quando, suponho, o meu pai atende. —Axel—, ele só começa a falar e para, revirando os olhos. —Ela está bem. Acordou, cansada, e tenho certeza que está ficando cada vez mais


irritada com cada segundo que tenho que relatar ao seu pai... Sim senhor...Positivo. Vou aceitar a bronca... Não senhor... Vou levá-la para comer alguma coisa assim que sair do telefone... Não, ela não tomou os remédios ainda. Ela acabou de acordar, humm... Ela acabou de acordar.— Ele olha para mim quase que desconfortavelmente, antes de desviar o olhar. Estranho. Começo a tossir, e ele revira os olhos. —Foi apenas uma tosse, Axel. Ela já está de volta à cara feia para mim. Sim, vou servir a sopa, os remédios e o que mais precisar para ela não mover um músculo indefinidamente. Não, senhor, não estou tirando sarro de você.— Quando rio, Cohen me atira um outro olhar. Desta vez, está me alertando para abafar o som antes que o meu pai vá à loucura. —Sim, senhor. Ela está bem. Tenho certeza que ela vai me ouvir, porque ela sabe que é o melhor também. Ok. Sim, senhor. Tchau.— Enfia o telefone de volta no bolso e balança a cabeça. —Seu pai. Juro que o homem ainda pensa que você tem seis anos e vai andar de bicicleta pela primeira vez. Lembra quando ele não queria nem mesmo deixar você tentar andar sem as rodinhas auxiliares, antes que ele tivesse abastecido completamente o kit de primeiros socorros que carregava nas costas?— Nós dois rimos com a memória de apenas um dos seus momentos do auge da paternidade, —O que você está fazendo aqui?— Pergunto, acenando com a mão ao redor da área do meu quarto. —Nate. Bem, o Nate, indiretamente. Ele me ligou mais cedo.— Levanta um ombro em um encolher de ombros como se fosse suficiente. —Sim? E isso explica o que, exatamente?—


—Oh, cala a boca, moleca—, ele brinca. —Ele mencionou, entre as suas crises de hilaridade, sobre a loucura que foi a manhã na casa dos Reid, que você estava doente, e percebi que tinha que trazer para você a sopa da mamãe e lhe fazer companhia. Sabe, como nos velhos tempos.— —Velhos tempos?— Questiono, confusa. —Você sabe. Eu costumava me sentar com você sempre que estava doente.— —Cohen, a última vez que fiquei doente, eu tinha, tipo, dez anos e você não teve escolha, uma vez que apenas nós dois pegamos a gripe e os nossos pais não queriam que a transmitíssemos aos nossos irmãos.— O que diabos está acontecendo aqui? Por alguns anos ele me tratou com uma indiferença amigável. Não rude, mas nada ... como isso. —Ainda assim, isso ajudou—, ele sorri. —Sim, ajudou.— Claro, ele provavelmente acha que isso ajudou por uma razão completamente diferente da que realmente foi. Eu fiquei fora de mim toda a semana, porque fomos, basicamente juntos, para quarentena. Eu estava doente como o inferno, mas estava no céu. Euforia absoluta porque estava sozinha com o Cohen - só ele e eu, por uma semana inteira. Há algo de errado comigo, sério. Para além do óbvio. No caso de vocês não terem adivinhado, sou loucamente apaixonado pelo Cohen Cage desde que eu era uma menina - acho que tinha uns seis anos quando percebi o quanto eu o amava e ele tinha dez anos. Essa paixão de infância cresceu ao longo dos anos em algo que é tão grande, que consome tanto a minha alma - que até mesmo eu sinto que ela vai me esmagar, às vezes. E a pior parte é que ele é completamente cego a isso.


Capítulo 3 Eu, definitivamente, estou ficando fora de mim, aqui. Olho para a Dani, que está em paz, agora - graças a Deus - dormindo de novo, e largo a cabeça de volta nos travesseiros empilhados nas minhas costas. Que diabos estava pensando quando vim correndo para cá? Assim que o Nate ligou, rindo pra caralho sobre a forma como acordou sua irmã, e me contou quão doente ela estava, não conseguia me conter em vir para cá, tão rapidamente quanto possível. Mamãe nem sequer pestanejou quando lhe perguntei como fazer a sopa, a mesma sopa que ela fazia para cada um dos meus irmãos, e para mim, cada vez que ficávamos doentes. Ela perguntou por que eu precisava saber e me deixou sozinho quando tudo o que eu disse foi: — Dani—. Não perdi o olhar no seu rosto, entretanto. Curioso, mas esperançoso. Realmente deve ser uma preocupação. Como ela poderia aceitar o fato que eu estava correndo para ajudar a Dani? Alguém que é quase cinco anos mais jovem que eu, e nunca fez segredo, mesmo que ela ache que sim, sobre como se sente sobre mim. Claro, houve aquela vez. Acho que as gêmeas, Lyn e Lila, tinham acabado de completar dezesseis anos - Dani tinha quinze - quando ela sussurrou seus sentimentos em relação a mim com uma intensidade que nenhuma menina que acaba de entrar na adolescência, deve entender. Nunca vou esquecer isso. Nunca. É claro que foi um momento decisivo para a nossa relação - não que ela saiba disso. —Vou sentir sua falta, Cohen. Eu sei que você não me olha como eu olho para você, mas um dia, você vai voltar e ainda estarei esperando por você. Esperando por você para que me veja como eu vejo você. Marque


minhas palavras, Cohen Cage. Um dia desses, você vai ser meu. E até você estar pronto... Estarei aqui. Estarei esperando.— Seu sussurro rouco se repete na minha mente como aconteceu, apenas, momentos atrás. Não esqueci nem uma única palavra. Nem uma única. Ao longo dos anos, elas voltavam para mim nas piores ocasiões possíveis, inúmeras vezes. Quando eu estava em um encontro - bum, lá estavam elas. Instantaneamente, a garota se transformava na Dani, uma visão tão clara que me esforçava para não me inclinar e passar as pontas dos dedos pelo seu rosto. Quando estava no meio de um dos maiores jogos na minha carreira no futebol, lá estavam eles - um sussurro que ultrapassava o rugido que a multidão fazia. E ela nunca decepcionava. Olhava por cima do amontoado de pessoas e lá ela estava com a minha família, gritando mais alto do que qualquer outra pessoa no estádio. E, mais recentemente, quando estava no meio de uma zona de guerra, tiros voando ao redor de nós, bombas explodindo e a poeira queimando nossos olhos e pulmões. Bem no meio do caos desse inferno na terra, gostava de ouvir suas palavras trilharem através dos meus pensamentos bem quando eu precisava de um empurrão extra de força ou, Deus que me livre, de esperança. Acho que foi o momento em que descobri a enormidade da confissão sussurrada há tantos anos atrás. Certo ou errado, tudo o que há entre nós sempre seria maior do que eu conseguiria entender. Foi algo tão inesperado esse sentimento, a ânsia, o desejo de fazê-la minha. Algo pelo qual quase me senti culpado, ao longo dos anos. Não somente por causa de quão próximas as nossas famílias são, mas porque, até os últimos anos, era uma coisa muito inadequada para se sentir em relação a alguém tão jovem. Quando ela acordou mais cedo - ou, pelo menos, acho que ela estava acordada - e começou a esfregar seu corpo contra o meu, achei que ia gozar na calça. Isso não acontece comigo desde que eu era apenas um adolescente, aprendendo a controlar minhas aleatórias ereções espontâneas.


Não tenho dúvida que foram os remédios para dor e o xarope para a tosse que a fizeram agir desse jeito. Ela sempre fica estranha quando toma analgésicos. Mas quando seu corpo quente esfregou contra a minha lateral, tive dificuldade em me lembrar que ela não estava no seu juízo perfeito. Tentar me convencer a não reagir foi quase impossível. Em seguida, seus peitos pequenos, mas firmes, pressionaram minhas costelas e quase entreguei o jogo. Os seios dela esticavam até o limite, a parte superior do pequeno top branco desde que entrei pela porta. Seus mamilos estavam duros, as pontas firmes apenas implorando para envolver meus lábios em torno deles. Será que ela tem mamilos pequenos, que combinam com o tamanho ou são grandes? São rosados ou um tom mais bronzeado? Será que seu gosto é tão bom quanto a promessa que ela insinuava, quando finalmente eu os tomasse em minha boca, profundamente, e a provocasse com a minha língua e os dentes? Sim. Desde aquele momento, estou tão duro quanto o aço e pronto para invadir o seu corpo pequeno. Sim. Estou a caminho de perder a cabeça aqui - e até agora estou mais do que chocado que ainda não me afoguei nela. —Foda. Me—, murmuro e pressiono a palma da mão contra o meu pau, tentando colocar a porra para baixo. Se o seu irmão - ou pior – o seu pai, aparecem aqui e agora, não tenho nenhuma dúvida que vou parar em um hospital com a força da sua pancada. Ela se mexe e eu desvio o olhar para Game of Thrones, onde o menino – ou o —imp—, como ela e as meninas o chamam - ela é sempre adorável, mesmo brincando com o seu lado vadia. Jesus, todo mundo está transando? Depois de me certificar que ela tomou os remédios, aqueço a sopa da mamãe e ligo para o seu irmão para ver se ele vai chegar em casa, em breve. É claro


que ele disse que estava muito ocupado com o seu encontro com as gêmeas Carver para voltar para casa e cuidar da irmã doente. Uma coisa sobre o Nate, ele ama a sua irmã, mas ama uma boceta ainda mais. Axel e Izzy haviam saído para a sua noite do evento de caridade, a mesma que meus pais e todos os outros pais do nosso grupo estariam. Axel já havia planejado ficar fora a noite toda com a Izzy, algo sobre um motel, então disse a ele que gostaria de ficar aqui com a Dani e me certificar que ela estava bem. Nem pense em dizer ao Axel Reid que a sua filha adulta pode cuidar de si mesma. Se ele tivesse alguma ideia sobre os pensamentos que tinha com a sua filha, não haveria nenhuma maneira do caralho que ele me deixaria sozinho com ela. De. Jeito. Nenhum. —Coh—, ela geme e se move dormindo. Ela mexe as pernas geme, novamente. Foda-se! Como diabos eu vou ficar confuso sobre isso? Pulo para fora da cama e ando pelo quarto. Olhando em volta, tento encontrar algo para me concentrar que vai me ajudar a superar o fato que ela está, claramente, tendo algum sonho quente. Uma foda aconchegante. Foi isso que ela falou? Uma Fodafago? Balanço a cabeça e estremeço, quando o meu pau incha ainda mais. Fodafago. Que diabos isso quer dizer, de qualquer maneira? Concentre-se, Cohen. Concentre-se em algo que não seja o seu desejo de enterrar as bolas profundamente na doce boceta da Dani. Olho ao redor do quarto procurando qualquer coisa que seja uma forma de distração. Sua cômoda está cheia de fotos. Há algumas dela com as minhas irmãs. Algumas fotos da Maddi e da Dani, sozinhas. Algumas da Maddi, das gêmeas e da Dani juntas. Mais fotos dela com o Liam Beckett - seu melhor amigo além das minhas irmãs. Meus olhos passam para as pinturas em tela que estão penduradas ao redor das paredes azul claras, e sei, sem precisar


verificar, que algumas são da Ember, a irmã mais nova da Maddi. Ela tem uma cadeira tipo chaise longue no canto das janelas que vão do chão ao teto com vista para o quintal e o lago. Estava um pouco desgastada na parte das costas, e um livro estava jogado no assento. Aquela seria a cadeira perfeita para tomá-la, devaneio. Iria colocá-la de joelhos, de frente para a parte do encosto, os cotovelos apoiando seu corpo contra o dele, e fodê-la duramente. Deus, ia afundar profundamente no seu corpo pequeno. Ok... desviando, rapidamente, meus olhos da cadeira, olho para trás, para a forma adormecida. Sua pele bronzeada está corada, os lábios carnudos estão ligeiramente

entreabertos,

e

seu

peito

está

subindo

e

descendo

lentamente. Parece um anjo, a minha Danizinha. Um anjo enviado do Paraíso que, sem dúvida, será sempre a minha maior tentação.


Capítulo 4 Dani Cohen me acordou duas vezes enquanto eu dormia para tomar mais remédio. Não lembro de muita coisa daquela noite, só que não se afastou do meu lado, quando eu acordava por conta própria e afagava os meus cabelos até que eu fosse capaz de voltar a dormir depois de uma crise tosse. Bem, isso é uma mentira. Me lembro de sonhos tão vívidos, que ainda estou quente e confusa por causa deles. Ele já tinha ido embora quando acordei na manhã seguinte e, pela primeira vez, não sou obrigada a acordar com o Nate batendo punheta vendo os seus pornôs com o som alto. Foram quatro dias dormindo e acordando. Toda vez que fecho meus olhos, no entanto, só penso no Cohen. Lentamente, me levanto da cama, tomo um banho rápido e me preparo para o dia. Perdi, de qualquer maneira, muitos trabalhos e apesar de ter o chefe mais legal

do

mundo,

não

posso

me

dar

ao

luxo

de

perder

muito

mais. Especialmente agora que, depois de tudo isso, estou ainda mais convencida que tenho que dar o fora da casa dos meus pais. Pego meu telefone, desbloqueio a tela, pressiono uma tecla e espero a Lyn atender. Metade da minha melhor amiga, gêmea desde o nascimento, Lyndsie Cage tem sido a minha melhor amiga em tudo - e eu digo tudo. Ela ama o fato de que eu tenho uma queda ridícula pelo seu irmão inatingível. Ela incentiva o meu amor por ele. Deus, eu amo a cabecinha nas nuvens daquela sonhadora. —Ei, cadela!— Ela ri e eu também.


—Tudo bem, vadia?— Respondo. —Não muito. Lila acabou de sair para a faculdade. Eu juro que ela nunca vai se formar—, ela brinca. —Sim, bem, isso é o que acontece quando se está correndo atrás do doutorado, Lyn. Acho que ela vai ter que esquecer que tem vida própria pelos próximos vinte anos ou algo assim—, dou uma risadinha. Não poderia estar mais orgulhosa da Lila, entretanto. Ela sempre nos disse que ia ser médica; Acho que todos nós apenas supomos que ela quis dizer, tipo, clínica geral. Até o verão do nosso primeiro ano na escola, quando estávamos todas trabalhando em uma creche local, que decidiu que tinha encontrado a sua vocação. Ela não queria, apenas, trabalhar com crianças. Não. Não a nossa Lila. Ela queria construir, administrar e se especializar em uma creche para crianças com necessidades especiais. Desde então, tinha um objetivo em mente. Sua dupla licenciatura em educação especial e gestão de negócios só permitiam com que ela comesse, dormisse e respirasse, até a graduação. —Não está longe disso, tenho certeza. Enfim, o que você está fazendo?— Ouço-a mexer em coisas, ao fundo, e a visualizo se arrumando no banheiro, preparando-se para o trabalho, também. Provavelmente, tem os espessos cabelos pretos enrolados em um coque no topo da cabeça, enquanto se assegura que a maquiagem está cem por cento perfeita. —Nada demais. Apenas me preparando para o trabalho. Sinto que estive fora por muito tempo. O lugar se consumiu em chamas desde a semana passada?— Pergunto, apenas uma meia brincadeira. —Não, de verdade—, ela ri. Ah. Merda. —Lyn—, eu advirto. —O que ele fez agora?— Pergunto, temendo sua resposta. A última vez que tirei uma semana de férias, meu trabalho parecia uma casa de loucos.


—Bem, por onde você quer que eu comece? Você já devia saber que, só porque ele se acalmou um pouco ao longo dos anos, quando ele fica selvagem, não há como pará-lo.— —Comece do início—, falei através de meus dentes. Usando o ombro para segurar o telefone, puxo a calça preta sobre os quadris, enfio meus sapatos favoritos – pretos, de camurça, com salto de dez centímetros - com uma gravata borboleta dourada adornando a parte superior. São absurdamente fabulosos, e com a exigência que —devemos usar pelo menos um item que é dourado— no trabalho, eles encaixam perfeitamente. É claro, os meus pés estarão gritando antes do final do dia, mas pelo menos vão agradar o babaca. Tenho trabalhado para o Dilbert Harrison nos últimos dois anos. Dilbert Harrison também, amorosamente, conhecido como Tio Sway. Ele é o melhor, o homem mais desencanado, divertido e mais extravagante que eu conheço. Já ouvi histórias sobre como, quando eram mais jovens, antes dele e do seu parceiro adotarem sua filha, Stella, ele desfilava por ai, usando uma peruca loira longa e saltos mais altos do que qualquer uma das nossas mães usavam. Nem mesmo a tia Dee, que sempre tem os sapatos mais descolados, usaria. Mas a sua personalidade descolada e divertida também pode ser um pouco excessiva, às vezes. Quero dizer, alôôô. Por causa dele, toda a calçada em frente ao salão de beleza e de algumas outras empresas locais, incluindo a Corps Security (a empresa de segurança do meu pai), é pintada de dourado com toques de glitter. —Bem, em primeiro lugar, ele decidiu que era necessário retocar o piso. Desde que tivemos que fechar porque o cheiro da tinta foi um pouco demais para a clientela que tentava relaxar, na última vez que ele o retocou, ele resolveu isso em partes, e colocou um enorme circulador de ar perto da cadeira da recepção. Então, a Samantha quase quebrou o pescoço quando tropeçou na extensão do fio, então eu o convenci a esperar até que fechássemos e ficamos


até as quatro da manhã ajudando-o a retocar o maldito piso. Eu disse que ele precisava pensar em contratar uma empresa de pisos e laminados que fizesse um piso dourado com glitter, sob medida, para ele e, talvez, não seria mais necessário retocá-lo. Acredito que ele está considerando a ideia.— Ela para e eu a ouço se movendo em torno da casa. —Só isso?— Pergunto, sabendo que, de jeito nenhum, seria só aquilo. —Não—, ela afirma, mas não prossegue. —Ok?— —Então, ele decidiu que precisávamos usar um tema nas sextas-feiras. Dani, um tema fodido toda sexta-feira. Você vai se cagar toda. Esta semana, ele quer um tema burlesco. Na verdade, ele quer que todas nós, as meninas, além do Jonathan - o cara novo que começou enquanto você estava fora – usem roupas e toda aquela parafernália burlesca. Se pudesse, acho que ele poderia até mesmo incorporar algum tipo de número de dança ao fim de cada hora —. —Você está brincando?— Filho da puta. Eu sabia que não devia deixar o Sway sozinho por muito tempo. Sempre fui capaz de manter uma coleira em suas ideias mais selvagens do que o normal. —De jeito nenhum. Ele até mencionou algo sobre uma aula de pole dance para aprendermos a nos mexer antes do dia do show de stripper de Las Vegas. Dani, ele mencionou cocares. Co-ca-res!— Ela grita no meu ouvido. —Vou falar com ele quando eu chegar. Talvez eu consiga fazer ele desistir disso.— —Eu não apostaria nenhum dinheiro nisso. Ele já está vendo um anúncio no jornal local. Ele foi ao fundo do poço, desde que terminou as filmagens do reality show para a temporada passada e começou a pré filmagem da próxima temporada. O Sway All The Way, definitivamente, está deixando ele mais louco do que o normal, e você sabe, que quando o show for ao ar só vai piorar.—


—Deus, Lyn. Você pode acreditar na fodida loucura que está, realmente, acontecendo? Vou morrer quando o primeiro episódio for ao ar.— Bato a palma da mão contra a testa quando lembro o que aconteceu durante as filmagens do primeiro episódio. —Bem, é sua própria culpa por não ter reagendado o corte de cabelo do meu irmão para um dia que não tivesse filmagens—, ela ri. —Jesus, ele vai ver, não é? Você acha que conseguimos quebrar todas as televisões onde ele pode ver, antes que vá ao ar? Felizmente, o papai já disse que não vai ver aquela ‘porcaria’, então ele vai continuar sem saber.— —Você só pode torcer por isso, Dani. Não sei o que é o grande problema, entretanto. Não é tão ruim assim.— —Humm. Basicamente, está estampado no meu rosto 'Estou sonhando que estou passando as minhas mãos pelo seu cabelo enquanto você me fode' e, em seguida, estupidamente, admito os meus sentimentos para os produtores durante a entrevista filmada!— Eu grito. —Ei. Não seja tão dramática, perdedora. Você não parecia tão óbvia, e eu tenho certeza que eles não vão mostrar esta parte da entrevista. É o primeiro episódio. Eles têm que... Não sei...apresentar o lugar e tudo o que é o Sway primeiro. Eles não vão começar pela lunática cobiçando o meu irmão.— —Você não sabe— Desafio. —Sim, e você não sabe se eles vão fazer alguma coisa diferente. Acalme seus nervos. Olha, tenho que ir e terminar a minha maquiagem. Tenho uma festa de casamento com cinco damas de honra, hoje, e se quiser me firmar nesse negócio todo de —damas de honra promissoras—, tenho que parecer super sexy para que elas saibam que eu sou competente, para que, quando chegar a hora delas, não sejam as coadjuvantes mal vestidas no casamento. Marketing é uma merda, às vezes.—


Ela nem sequer me dá a chance de dizer adeus. Apenas desliga o telefone. Posso imaginá-la checando tudo na maquiagem, não que ela precise. Lyn é impressionante. Mas sempre fica um pouco lunática, quando se trata de maquiagem de casamento. Ela está convencida que as damas de honra vivem em uma espécie de nevoeiro ciumento e, quando chegam ao altar, produzidas por ela, encontram seu príncipe encantado, em seguida, por sua vez, fazem os planos para o seu casamento, e vão se lembrar, de alguma forma, da garota que as deixou impressionantes e criou aquele efeito bola de neve. Sim, Lyn também é a pessoa mais confiante que já conheci, e está convencida que pode fazer muita coisa. Desde que já está contratada para vários casamentos de damas de honra, tenho que, tipo, concordar com a sua lógica. Burlesque e dias temáticos? Meu Deus, esse vai ser um longo dia.


Capítulo 5 Dani Como previsto, é insano desde o segundo em que coloco o pé dentro do Sway’s. A loucura começa com Sway e termina com Sway. Loucura e insano são as palavras-chave. —Doce céu, é você, minha pequena belle! Estava imaginando você no seu leito de morte! Quando o seu pai bonitão - pare de me olhar assim, teria que ser cego para não ver como ele é bonitão! De qualquer maneira, quando ele me disse

que

a

minha

Danielle-Belle

estava

doente,

fiquei

tão

preocupado. Querida, parece que você perdeu peso. Peso, vou lembrar a você, que você não pode perder. Tal qual um pequeno duende.— Ele me gira com as duas mãos sobre os meus ombros, e tenho que me esforçar para não estatelar a bunda quando luto para manter o equilíbrio com o movimento rápido. —É uma coisa boa que você tenha o traseiro exuberante da sua mãe ou você estaria parecida com um graveto. Do jeito que está, parece um pedaço de pau com uma bunda grande.— Ele me gira de volta e olha para o meu peito. Oh, aqui vamos nós. Alcançando a blusa preta, ele abre os dois primeiros botões, que me mantinham decente, e acena com a cabeça para si mesmo quando meu sutiã vermelho aparece através da abertura. —Perfeito. Agora vamos dar uma chacoalhada nas meninas, e estamos prontos. Vou me assegurar que você ganhe um pouco mais de peso, Belle.— —Percebe que isso seria considerado assédio sexual na maioria dos ambientes de trabalho—, eu o lembro. Mais uma vez. —Seria. Mas para a sua sorte, nunca me animei com uma xaninha, a vida inteira. Acho que, para configurar assédio sexual, eu teria que ter um desejo


real de entrar na sua calça, querida. Mas as calças que eu quero entrar, entretanto, carregam equipamentos muito diferentes do que os você tem, doce menina.— Ele ri e bate no meu traseiro quando me viro e caminho até a minha estação de trabalho. —Meu Deus, Papi! Não fale assim!— Ouço a Stella gritar enquanto sai da parte de trás da sala, onde fazemos a mistura de tinturas. —Isso é só... Não, isso é muito baixo, até mesmo para você. Não quero nunca mais pensar no lixo do meu pai ou o meu Papi cobiçando isso.— Ela revira olhos e caminha para me dar um abraço. —Ei. Senti a sua falta aqui neste circo —. —Ouvi falar, Stella!— Sway ri e o vejo caminhar, todo empertigado, para a frente do salão com seus sapatos dourados brilhantes - com saltos que, como disse, são mais altos do que os meus. —Eu nem tentei esconder isso, Papi!— Ela grita para as suas costas. Ha. Nada de tédio com o Sway. Estava ocupada fazendo o cabelo da Karen Oglethorpe fazia mais ou menos vinte minutos quando os câmeras entraram. É claro. Dia de filmagem. Devo estar completamente fora do ritmo se já tinha esquecido a escala de filmagem. Detesto dia de filmagem. Não são apenas as câmeras sempre no meu caminho quando eu estou tentando fazer o cabelo, aplicar a tintura e me mover entre a estação de lavagem e a estação de secagem, mas o produtor e o povo dele são pirados e irritantes. Devon Westerfield. Ele tem sido presença constante no salão desde o ano passado, e acho que poderia, realmente, odiá-lo mais do que já odiava, em seguida. Não, porque ele é uma pessoa má. Ele, realmente, não é. Está fazendo o seu trabalho da mesma forma como eu. Mas é por causa dele que eu posso publicamente, na frente de milhões de pessoas, me fazer de idiota por conta própria, quando o reality show for ao ar. —Ah! Danielle Reid. Você é um colírio para os olhos—, ele fala e se inclina para me dar um abraço leve. —Você conhece o Don e o Mark?— —Ei, Dev. Não, acho que não tive o prazer—, respondo com falso entusiasmo.


—Humm. Oh, está certo. Você não estava aqui no outro dia, quando eu os trouxe para conhecer todo mundo. Eles são os meus assistentes nessa viagem. Para ajudar a equipe e também com algumas coisas de pequeno a grande porte que eu posso estar demasiadamente sobrecarregado para resolver.— Ele começa a olhar ao redor, e posso dizer que já se esqueceu de mim. —Ok, Devy.— Voltar a minha atenção para a Karen é suficientemente eficaz para tirá-lo do meu pé, mas as suas pretensas sombras ficam por aqui. Faço uma pausa na aplicação da tintura no cabelo e olho para cima. —Alguma coisa que vocês dois precisem?— Pergunto, com aborrecimento. —Bem, o Devon disse que você era a pessoa a acompanhar, aqui. Gerente e estilista do Sway’s. Nós achamos-— o mais baixo - Don, eu acho - começou, mas eu o interrompo antes que ele possa começar a cruzada para eu lhe dizer como ele deve fazer o seu trabalho. São todos iguais. Devon já teve mais assistentes do que consigo contar no ano e meio que o conheço. —Uma coisa para saber e lembrar, rapazes: Não tenho tempo para vocês, se pensarem com a bunda , em vez da cabeça. Prazer em conhecê-los e tudo mais, mas por favor, não ajam como os últimos idiotas que lambiam o chão que o Dev ali, pisava. Vocês não vão ganhar pontos com ele. Caso não tenham notado, ele tem uma visão meio restrita quando está de bruços, e garanto que não vai fazer nenhum bem para vocês, ficarem grudados em mim.— Ignorando os rostos chocados, olho no espelho e dou uma piscadela para a Karen, ganhando uma risadinha dela, em troca. Ela adora quando as meninas são atrevidas. Eles murmuram algo sob a respiração entrecortada, e me viro para lhes dar um olhar afiado, que, é claro, eles não viram porque moveram o rabo, de novo, correndo, após o último latido do Devon.


Duas horas mais tarde, finalmente, tenho a chance de ir fazer um lanche rápido. Bem, teria, se o Sway não tivesse gritado lá da frente que eu tinha uma reserva de emergência, que estaria aqui em quinze minutos. Odeio essas reservas de última hora. Já que eu sou uma das melhores estilistas na área, meus compromissos semanais são agendados. Mas há um punhado de pessoas que eu sempre permito que marquem em cima da hora, e o Sway não teria dito sim, se não fosse um dos poucos escolhidos. Mentalmente, enquanto enfio o máximo do sanduíche que a Stella fez para o lanche na boca, tento descobrir quem poderia estar chegando. Sei que não é o Nate ou o Liam; Cortei o cabelo deles na semana passada. Papai não precisa de um corte, uma vez que eu o fiz, outro dia. E os outros, vi recentemente. Faço uma pausa, enquanto dou a última mordida, quando descubro a única pessoa que eu não tinha atendido. Cohen.Fodido.Cage. Filho da puta. Tenho certeza que disse para o Sway não agendá-lo ou, nem mesmo, permitir que ele entrasse em dia de filmagem. —Respira, Srta. Elegância—, Lyn sussurra no meu ouvido a caminho da área de descanso. —Ele não morde mais ninguém desde que era criança.— Ela prossegue em seu caminho, deixando escapar uma risada. Eu vou matar o Sway, penso comigo mesma antes de ir me lavar para poder preparar minha estação. Acabo de organizar meus utensílios para cortar cabelos quando sinto. Essa carga magnética que flutua sobre a minha pele, aquecendo cada centímetro e deixando um rastro de consciência atrás de si. Essa atração que sempre esteve ligada a um único homem. Tremo e penso comigo mesma, em uma conversa encorajadora sobre como tratá-lo com indiferença amigável enquanto há câmeras ao redor. É claro que estavam filmando várias coisas que


as câmeras montadas por todo o salão não podiam capturar perfeitamente. Já tropecei em um dos assistentes idiotas duas vezes, hoje. —Danizinha.— Sua voz, um rico e profundo som de excelência masculina, escorre sobre mim e eu tremo novamente, antes de amaldiçoar baixinho. O retumbar da sua risada baixa me diz que ele, definitivamente, não perdeu esse pequeno movimento. Me matem agora. —Olá, Coh—, digo com um sorriso. —O que o traz aqui? De última hora, podia acrescentar.— Dou uma pancadinha na cadeira enquanto me movo e seguro a parte de trás, enquanto ele se senta. Quando o cheiro dele acerta o meu nariz, quase gozo ali mesmo. Senhor, ele cheira muito bem. Me pergunto como ele cheiraria, enquanto seu corpo cobria o meu, todo suado, depois de várias horas fazendo amor. Corro meus dedos através das mechas mais longas na parte superior e sinto um pouco de calor no rosto, pensando em fazer o mesmo enquanto seu rosto está enterrado entre as minhas pernas. —... precisava de um corte.— Merda. Perdi o que ele disse, porque, naturalmente, estava pensando nele, nu. Nu e penetrando meu corpo. Nu e fazendo uma festa entre as minhas coxas. —Está se sentindo bem? Achei que o Nate disse que você estava melhor?— —Humm, estou bem. Apenas - não está muito quente aqui?— Abano meu rosto e evito seus olhos. Ele está em silêncio, então tomo isso como um sinal de que é seguro trazer minha atenção de volta para ele.


Grande erro. Seus olhos sábios estão olhando direto para mim. O chocolate profundo brilha de uma forma que deixa claro que tem uma boa ideia sobre onde a minha mente estava indo. —Você ouviu o que eu disse, Danizinha?— —Claro que sim, Cohen. O que você acha, que estava aqui sonhando?— Piada. —Bem, sim, isso é exatamente o que eu penso.— Seus olhos escureceram e ele deu um sorriso diabólico. —Sabia que você fala enquanto dorme, Dani?— Ele pergunta, e eu deixo o pente cair. Oh, Deus. Cale-se, cale-se, cale-se. Isso não está acontecendo. De jeito nenhum. —Não, eu não sabia—, infantilmente, eu respondo. —Dani, você fala. Então, sim, acho que você estava sonhando acordada. Sabe por quê?— Ele usa a bota para girar a cadeira, para ficar de frente para mim, e, então, se inclina, de modo que o seu rosto fica perigosamente perto do meu. Mesmo quando está sentado, sua cabeça fica quase na mesma altura que a minha. Amaldiçoo meu caráter desafiador. —Enquanto estava vagando no espaço com os dedos correndo pelo meu cabelo, tinha esse sorriso nos lábios. O mesmo sorriso teve outro dia, quando estava sonhando. Comigo, Dani. E não negue, porque você não gemeria o meu nome, se estivesse sonhando com outro homem. Sim, Dani, você fala muito, no seu sono.— Ele sorri novamente antes de se inclinar para trás e olhar para o seu telefone. —Corte na altura do pescoço, por favor, tire o comprimento no topo e dê uma aparada nos lados. Depois disso, claro, pode continuar com os seus pensamentos.—


Devia estar lá, parada como uma idiota, porque ele olha para cima, desviando o olhar do telefone, ri para si mesmo e, com uma mão bronzeada, estende a mão e fecha a minha boca. —Você vai engolir moscas desse jeito, Danizinha. Um dia, talvez, você possa me dar um indício do que esses sonhos são.— Me deixa louca, o controle que ele tem sobre mim. Não há uma única pessoa no mundo, exceto o Cohen, que pode me transformar em uma ridícula, estúpida, tola e caótica. Minha confiança natural, desaparece. E, claramente, ele não é tão alheio aos meus sentimentos, como eu pensava inicialmente. Como diabos devo lidar com isso? Espere um minuto. Cohen ou não, eu não vou deixá-lo me manipular quando sei que ele está fazendo isso, apenas, para me fazer sentir desconfortável. Então, é hora de responder ao seu blefe. —Por quê? Está pensando em fazer algo sobre isso?— Ele olha para cima bruscamente, claramente não tinha esperado que eu, realmente, dissesse alguma coisa em resposta, uma vez que estava mostrando tamanho choque. —Tente-me—, ele exige, a voz grossa ainda mais profunda do que o normal. Inclino a cabeça e estendo a mão, correndo meus dedos pelo seu cabelo, novamente, mal suprimindo os arrepios. Enrolando os dedos levemente para poder agarrá-los, puxo sua cabeça para trás, ao mesmo tempo. Com o meu nariz apenas, há um fio de cabelo distante do seu e nossa respirações se misturando, eu digo, —Cohen, você não conseguiria lidar com a verdade dos meus pensamentos quando se trata de você, e nós dois sabemos disso. Assim, me deixe saber quando estará pronto para mim.— Dou um leve puxão no seu cabelo e sorrio, quando ele engole em seco e viro seu assento. —Pronto para colocar as coisas em ordem?—

Pergunto, com uma piscadela, e sou

recompensada com o seu gemido. Não faço a mínima ideia de como faço isso, mas consigo executar o corte sem entrar em colapso. E posso ver a Lyn tentando chamar a minha atenção do


outro lado do salão. A Stella teve que sair depois que ouviu as minhas palavras para o Cohen porque seus risos estavam levando a melhor sobre ela. Cohen permaneceu em silêncio o tempo todo. Seus olhos, entretanto... Estão falando mais alto do que as palavras jamais poderiam. Não se desviaram do meu reflexo no espelho, desde que comecei. Posso sentilos cada vez que me mexo. Quando parei e fui pegar outro pente, depois que deixei cair o quarto, senti seu olhar me seguindo até o outro lado do salão, até a estação da Stella. Nas poucas vezes que parei de cortar, encontrei seus olhos, a promessa aquecida estampada em seu rosto quase me fazendo gozar. Quase disse, apenas, —foda-se— e subi no seu colo para tentar a sorte, independentemente

das

pessoas

poderem

assistir

todos

os

nossos

movimentos. Termino de aparar os cabelos em volta da sua orelha direita e pego a escova para limpar os fios caídos. —Pronto—, falo baixinho e tiro a sua capa. Ele levanta, enfia o telefone no bolso de trás da calça jeans, e caminha até ficar na minha frente. Continuo a fingir que estou ocupada com a capa, escovando os cabelos dispersos aqui e ali, quando ele levanta a mão, o indicador e o polegar seguram o meu queixo, e meu rosto é levantado, até que não tenho escolha, a não ser olhar em seus olhos. —Não me provoque, Dani. Não é um jogo que você quer jogar, se não pretende prosseguir com ele.— —Eu não estava... Eu não—, gaguejo. —Você provocou, e não tenho nenhuma dúvida que vai ter a brilhante ideia de fazê-lo novamente. A próxima vez que você tiver esses pensamentos pervertidos, que eu sei que você tem comigo, não pense nem por um segundo que não vou arrastá-la para a cama mais próxima e lhe mostrar o quão fodidamente pervertido posso ser.— Ele se inclina mais ainda, o cheiro dele invadindo minhas narinas e, involuntariamente, inspiro profundamente, ganhando uma retumbante risada de volta. —O que você não sabe, Dani porque ao contrário do que pensa - não me conhece bem o suficiente para


assumir o que eu realmente gosto. Mas te prometo isto: cada pequeno pensamento que você tiver, vai fazer você gemer meu nome, enquanto essas pernas perfeitas se abrem e se fecham, implorando para gozar – vai ser muito mais quente do que você jamais vai conseguir imaginar.— Ele dá um beijo doce e suave na minha testa, o que faz com que o fogo comece a partir daquele ponto por todo o meu corpo, até terminar com a consciência que, certamente, gozei dentro da calça.


Capítulo 6 Dani —Você não ia acreditar, mesmo que tivesse visto com seus próprios olhos.— Lyn ri e aponta, através da sua sala de estar, para mim. —Eu não estou brincando, não mesmo, Lila. Foi ridículo. Até eu estava ficando quente e ele é meu irmão, porra! É claro que não por causa dele, mas por toda aquela química sexual tomando conta de cada grama do espaço do salão. Podia ter abalado um monge.— Ela ri novamente e toma um grande gole do seu vinho. —Eu sabia que eles dois seriam explosivos—, Lila brinca. —Você não faz a mínima ideia, irmã. Foi maravilhosamente insano. O tempo todo, ela cortando o cabelo e o ignorando - devo acrescentar - e ele só ficava olhando para ela como se quisesse jogá-la sobre o ombro e arrastá-la para fora do salão.— —O Cohen fez isso?— Maddi perguntou, em estado de choque. —Sim. Juro. Mas não se preocupe. Se você não acredita em mim, basta esperar até que esse episódio vá ao ar. Que merda que você não viu, o Devon estava prestes a ter um ataque cardíaco. Ele achou o pote de ouro televisivo com aquilo lá.— Lyn toma mais um gole e ri para si mesma. —Jesus Cristinho. Jesus Cristinho! Merda. Lyn! Como você deixou eu agir assim quando estavam filmando? Como eu pude esquecer? Oh não, oh não. Isso não é bom, absolutamente.— Levanto do sofá, tirando as pernas da


Maddi de cima da mesinha de centro, onde as tinha apoiado, e começo a andar pela sala. —Lyn! Ele vai ter a chance de ver isso de novo. Pessoas que conhecemos vão me ver falando aquilo para ele.— —E daí?— Diz ela, confusa. —Qual é o seu problema, Dani? E daí? Você, finalmente, abriu a boca e lhe deu um alguma coisa para pensar. Você não deveria estar envergonhada com isso—, Lila, sempre a voz de razão, argumenta. —Eu não deveria ter vergonha ?! Estamos falando do Cohen. Seu irmão, o melhor amigo do meu irmão, o mesmo Cohen pelo qual tenho estado, irremediavelmente, em um estado de luxúria ao longo de toda a minha vida!— Grito. —Alguém está um pouco dramática, hoje—, diz a Maddi com um suspiro. —Não estou sendo dramática! Estou sendo realista. E se as coisas ficarem estranhas?— As coisas estão se encaminhando para ficarem bem estranhas. A próxima vez que eu o ver, vou, apenas, correr para a direção contrária. Vai ser mais seguro do que tentar agir como se eu não me sentisse completamente humilhada. Ou que estou me humilhando completamente. —Realista, seria você fechar a boca e perceber que talvez, apenas talvez, o meu grande irmão, finalmente, está com os olhos bem abertos quando se trata de você—, Lila acrescenta. Olho para ela, vendo a Lyn acenando enfaticamente com o canto do olho. Maddi suspira, novamente, e expressa a sua concordância. —Vocês todas pensam desta maneira?— Pergunto, e obtenho três sim. — Ok. Digamos que eu acredito em você. Agora, o quê?— —Fácil!— Lyn grita, quase caindo do seu assento com a excitação. —Agora vamos fazer com que ele seja aquele que a deseja.— Balança a cabeça para si mesma, como se este fosse o melhor conselho do mundo.


—E como é que eu vou fazer isso?— Pergunto à sabe tudo, neste momento se embebedando com espumante. —Basta deixar isso comigo, Dani. Basta deixar tudo comigo.— Se estivesse no meu juízo perfeito, talvez, ficasse alarmada, mas porque já estamos na terceira garrafa de espumante, tenho que concordar com ela e acreditar que este é um plano brilhante. Pronto ou não, Cohen. Pronto. Ou. Não.

—Esta é uma ideia estúpida—, reclamo baixinho e olho para a Lyn. —Não é uma ideia estúpida. É uma ideia incrível. Tão sexy quanto você é, e sempre escondendo sua própria sexualidade. Você se veste para a festa, está pronta para a festa, mas no segundo em que a festa está na sua cara, começa a duvidar de si mesma. Eu entendo disso. Anos tentando chamar a atenção de alguém faz com que você sinta que está faltando alguma coisa, mas garanto que não é o caso. Então... isso vai ajudar a aumentar um pouco essa confiança. Eu iria levá-la para o caminho errado, Dani?— Ela termina o discurso e coloca as duas mãos na cintura com um resmungo. —Pole dance, Lyn?— —O quê? É, tecnicamente, um exercício de academia. Eu lhe disse que estávamos vindo para a academia. Só não lhe disse o porquê. Não importa. O Sway me falou sobre isso e, depois de pesquisar um pouco, descobri que pode ser o treino da sua vida, essas aulas, então pense nisso pelo lado positivo da coisa. Mesmo que não possa abrir sua mente brilhante, e admitir que estou certa.— —Vamos acabar logo com isso.—


Ela me dá um sorriso brilhante e sai do carro. Tenho outra conversa incentivadora comigo mesma e tento me convencer de que isso não vai ser um erro. Ela

está

certa

sobre

uma

coisa:

Sempre

posso

aproveitar

a

academia. Minúscula ou não, não vou ficar durinha com todos os doces que eu como. —Tem certeza que é, mesmo, algo que vou ser capaz de fazer, Lyn? Quero dizer, nem todas nós podemos ser como as princesas, altas e guerreiras, da Amazônia, como você e a sua irmã.— Sorrio, mas estou falando sério. Tenho um metro e sessenta e três usando saltos altos. As gêmeas são muito mais altas do que eu. Sempre foram. Elas têm membros superiores fortes, que podem rivalizar com um homem adulto, e os meus são mais parecidos com os de uma criança pequena. —Nunca vou ser capaz de sair do chão—, murmuro para mim mesma enquanto atravessamos a porta do estúdio. A primeira coisa que noto é que está muito frio lá dentro. Instantaneamente, meus mamilos endurecem. Envolvo os braços cruzados em volta do meu corpo, rezando para que

ninguém

veja

meus

faróis

altos. Lyn

marcha

à

minha

frente,

confiantemente, e acena para a Lila, a Maddi e a Stella. Aceno para elas e, rapidamente, volto a me cobrir. Como eu sou a única que está congelando pra caramba, aqui? —E aí, meninas, prontas para aprender alguns movimentos?— Lyn pergunta ao grupo com um enorme sorriso. —Eu só estou aqui para treinar. Mãe diz que é uma forma incrível para manter seu corpo tonificado de uma forma divertida—, diz a Maddi com um sorriso. — É claro que ela pode pensar, já que ela fazia strip tease.— Ela ri quando todas nós olhamos para ela, em estado de choque. —Emmy? A tia Emmy? A pequena e doce Emmy, que tem um marido tão protetor e possessivo, que faz o meu pai parecer um coroinha? Essa Emmy?— Pergunto, fazendo-a rir ainda mais. —Sim. Difícil de acreditar, não é? Ela não fala muito sobre isso, mas eles nunca mantiveram segredos de nós. Nos contaram há alguns anos atrás,


quando estávamos recebendo uma palestra sobre o que as escolhas na vida podem fazer com as pessoas. Ou, melhor ainda, como algumas escolhas podem te deixar na merda, e ainda pior do que isso. Tanto Faz. Esqueço o ponto principal, e quando penso sobre isso, foi o que fez a mamãe e o papai se reencontrarem, então é meio que romântico.— Ela acena as mãos e se vira, para caminhar até o que, presumo eu, será a sala de aula. —Você acabou de dizer que tirar a roupa... é romântico?— Lila ri atrás da Maddi. —Oh, cale a boca, Doutora. Na verdade, é. Vou lhe contar toda a história mais tarde, mas, basicamente, algumas coisas aconteceram e a mamãe ficou toda estranha e fugiu. Papai a encontrou em um clube de strip, entre todos os lugares, e quando ela foi, sabe, tirar a roupa, ele pulou no palco e a tirou de lá, jogada em cima do ombro. Viu? É romântico.— —Humm, Maddi... se você acha romântico, odiaria ver o que vai acontecer quando alguém lhe enviar rosas.— Lyn provocou. —Rosas são chatas. E superestimadas—, Maddi responde. Deus, amo minhas amigas estranhas.

Vinte minutos mais tarde, odeio minhas amigas estranhas. Nós, é claro, fomos as primeiras a chegar. A sala, um longo retângulo branco tem dez barras alinhadas, todas voltados para o enorme e assustador espelho, que vai do chão ao teto. Após nos apresentarmos, fomos encaminhadas para as instrutoras, Sarah e Felicia, que nos pediram para sentarmos, um pouco, enquanto esperavam as outras senhoras que se inscreveram para a classe. Que, claro, estavam atrasadas.


E agora, aqui estamos nós. Depois de esticar todos os músculos possíveis em nossos corpos, a música ainda baixa, Sarah e Felicia ensinam algumas instruções básicas. Instruções que o meu rabo estava, apenas, demorando para seguir. —Você quer que eu faça o quê?— Pergunto à Sarah, novamente. —Querida, tire da sua cabeça que você não consegue fazer isso. Não se trata de força na parte superior do corpo, não tanto quanto sobre a força do seu centro. Você está usando os braços para puxar, mas está empurrando com os pés, ao mesmo tempo, usando o seu núcleo para se manter. Não se concentre tanto na parte mecânica. Deixe o seu corpo fazer o trabalho, e, logo, sua mente vai segui-lo.— —Como é que o meu corpo vai subir nesta coisa de novo?— Pergunto, observando a Lyn, a Lila, e a Stella, vendo, lentamente, elas subirem até a metade das suas barras. Maddi - aquela pequena vagabunda - pendurada no teto. É claro que, para ela, seria natural. —Observe—, Sarah diz e segura a barra com uma mão. Então, se aproxima e agarra a barra bem em cima da outra mão. Ela continua a alternar as mãos até que está de pé, apoiada sobre ela. Em seguida, imita os movimentos com os pés. E, exatamente assim, a instrutora-macaca de pole dance, está no ar. Elegantemente, desce da barra e, com um gesto, diz, —Agora, você.— Tento algumas vezes, mas na próxima vez que eu reparo, estou na metade da barra. ——Uhuuuu!— Grito e, estupidamente, removo as mãos da barra. Meus olhos se arregalam cerca de dois segundos antes do meu traseiro bater no chão e, mais uma vez, xingo a barra. —Da próxima vez, não fique tão entusiasmada—, Maddi ri do outro lado da sala, ainda girando e girando, como se tivesse sido feita para estar grudada em um poste de metal. Ok, já que estou sem juízo, isso realmente não é tão ruim. Treino mais algumas vezes antes de me sentir confiante para tentar algo novo.


—Muito bem, senhoras! Agora é a hora das coisas boas.— Oh, inferno. Mais dez minutos e estou me divertindo mais do que jamais pensei que fosse possível. Estou coberta de suor, mas os movimentos que aprendemos contra a barra - e alguns fora dela – fazem meu corpo vibrar com confiança. Ok, a Lyn estava certa. Não que eu vá admitir isso para ela. Dou risada quando vejo a Lyn girar o corpo e quase cair do salto. Depois de cerca de trinta minutos de aula, nos mandaram trocar os sapatos de ginástica pelos sapatos de salto alto que nos pediram para trazer. Olhando para a frente, para o espelho, tenho que dizer que pareço quente como o inferno. Meu corpo parece mais alto com os saltos de treze centímetros, minhas pernas longas, bronzeadas e tonificadas. Meu short de ginástica está parecendo mais sensual, agora, uma vez que mostra todo o caminho até a minha vagina. Normalmente, não tenho orgulho dos meus seios menos do que espetaculares, mas os meus peitos pequenos estão sendo empurrados para cima pelo top esportivo, e do jeito que estou inspirando, esses tops estão me deixando peituda (Ok, não tão peituda). Minhas bochechas estão coradas por causa de todo o esforço que tive que colocar para fora, meus olhos verde claros brilhando e reluzindo de emoção, e o meu cabelo, que antes estava preso em um longo rabo de cavalo, perfeitamente estilizado, agora está parecendo mais bagunçado, mas de um jeito sexy. —Tudo bem, senhoras. A aula está quase no fim, então agora é hora da parte divertida. Cada uma de vocês, pegue uma cadeira lá na parede oposta. Quero que vocês usem essa cadeira e finjam que ela é quem quer que vocês queiram que ela seja. Lidando com ela como se fosse real. Rolem os quadris, enpinem o bumbum e tornem isso significativo. Pole dance não é apenas uma dança de sedução. É uma forma de arte, em como ter um homem a implorar por você, como se você fosse o ar que ele precisa para respirar. Como se ele não puder


colocar as mãos em você neste segundo, ele vai morrer. Façam essa cadeira ansiar por vocês, senhoras.— Quando ela se vira e muda a música, olho e leio o nome da tela do iPad Marian Hill, —Got It—. A música começa com a batida perfeita para aquecer o meu corpo. Uma voz sensual e sedutora alimenta a minha nova confiança. Não demora muito, e estou perdida no som que pulsa através da sala. Me movo com facilidade e ignoro a queimadura nos músculos quando me curvo e envolvo os tornozelos com as mãos, balançando a bunda no ar...direto onde o rosto do objeto do meu desejo estaria, se estivesse sentado lá. Com essa nova imagem no meu cérebro, termino a dança dando tudo o que eu tenho. Meus quadris estão rolando e ondulando em uma natureza febril, por isso, quando vejo meu reflexo no espelho, até eu tenho que admitir que estou sexy. Levantando, corro as mãos do meu pescoço, ao longo dos lados dos meus seios e para baixo, até as minhas coxas. A música é a minha dona. Quando a música termina e as meninas ao meu redor começam a bater palmas é que me lembro onde estou e levanto rapidamente. —Muito bem, Dani! Eu sabia que tinha uma putinha dentro de você!— Exclama a Maddi do canto onde ela está em pé, junto com a Stella e a Lila, que estão rindo. —Muito bom, Dani. Se eu não soubesse, teria pensado que você não estava mesmo vendo essa cadeira, certo?— Lyn brinca com conhecimento de causa e joga o braço por cima do meu ombro suado. Eu não digo nada. Nem mesmo quando a Maddi prossegue fazendo gracinhas. Stella ri algumas vezes, mas seu foco é rapidamente desviado quando saímos da sala e ela vê que a academia ficou lotada de rapazes quentes, depois que entramos na aula, quase duas horas atrás. —Oh meu Deus—, Lila ri.


—Humm, oh—, Maddi ri. —Isso vai ficar fodidamente bom—, Lyn ri, apenas alguns segundos antes do meu cotovelo ser agarrado e eu ser virada, para olhar para um muito irritado Cohen Cage. —Merda—, murmuro.

Capítulo 7 Devia ser um exercício fácil. Chance, meu companheiro de quarto e irmão exMarine, disse que eu precisava acabar com a irritação e sair do sofá desde que eu estaria embarcando em duas semanas. O lado positivo de se estar em uma unidade que era tão secreta é que não precisamos nos reportar a uma base todos os dias e lidar com merda, dia após dia. Relatamos, mas não para uma base no meio dos olhos do público. Não, a nossa merda está enterrada nas profundezas. Temos, uma vez por mês, um treinamento de missões, que pode durar até duas semanas. Aquele que mantém as nossas habilidades afiadas e os nossos corpos prontos. Tivemos sorte desta vez. Normalmente, quando somos necessários no exterior, as coisas ficaram piores, além do que eles podem controlar. Então nós chegamos e limpamos a casa. Desta vez, estamos sendo enviados com aviso prévio, o que sempre significa que vamos ficar fora por um longo período de tempo, sem data para o final da missão. Nós podemos ficar lá por alguns meses, ou mais de um ano. Mamãe está em seu estado normal, pirando mas ficando forte e suportando. O pai, eu sei, está preocupado, mas não vai falar uma palavra. Ele já esteve lá. A


unidade de Forças Especiais na qual estou é quase uma cópia da que ele atuou, quase 30 anos atrás. Ele tem mais consciência da realidade que eu posso não voltar para casa, mais do que ninguém. Mas também sabe que isso é uma grande parte de mim e não sonho em ser nada menos do que favorável. Chance serviu comigo durante a nossa última missão, mas quando fomos emboscados e, por sua vez, ele foi ferido, foi dispensado com honrarias e assumiu a liderança da parte mais importante da Corps Security, desde então. Temos sido companheiros de quarto nas frentes de batalha sempre, desde o início dos treinamentos, e não gostaria que fosse de forma diferente. Ele é um irmão para mim, tanto quanto o Cam e o Colt. Ele tem estado tão ocupado nesses dois anos, desde que se mudou para a cidade, muitas vezes ficando fora por longos períodos, que raramente consegue sair com toda a equipe. —Ei, Cohen. Não é a filha do Maddox?— Pausa. —Humm... e as suas irmãs? E a caçula do Axel?— Minha cabeça já estava virando quando ele mencionou uma das meninas do Maddox, em seguida, um pouco mais rápido quando ele mencionou as gêmeas, mas no segundo em que ele mencionou a Dani, minha cabeça se virou tão rápido que foi um choque eu não ter quebrado o meu próprio pescoço. —Que diabos?— Pergunto, mas não esperava uma resposta. —Porra, você não me disse que as meninas estavam com essa aparência, hoje em dia—, ele resmunga e deixa escapar um profundo —Uhhhhh—, quando enfio o cotovelo no seu estômago. —Cala a boca—, eu atiro. —Foi na porra da sala de pole dance que elas entraram?— —Estou na mesma, irmão—, ele ri com uma exalação afiada. —Você tem que me bater com toda a sua força, seu fodido?— —Não seja um bebê. Quase não encostei em você.—


—Quase não me tocou. Bem, Super Homem, você não conhece a sua própria força.— Passo a próxima hora fumegando, imaginando o que está acontecendo por trás daquelas portas. Quanto mais penso nisso, mais me irrito. Despejo isso para fora em cada equipamento que eu uso. Forço meu corpo até o limite, apenas para extravasar um pouco da raiva, antes das meninas saírem. Para piorar a situação, o que pensei que seria uma boa ideia para matar a minha curiosidade saiu pela culatra em grande forma. Dez minutos atrás, pensei que era brilhante apenas dar uma espreitada. Apenas uma olhadinha para me certificar que não havia nada louco acontecendo. Mas essa espiadinha ficará para sempre marcada na minha memória, como uma das coisas mais quentes que eu já presenciei. Dani estava desvairada, fodendo o ar entre ela e uma cadeira preta de metal. Venho lutando contra um tesão furioso desde que um dos funcionários da academia veio e fechou a porta, dando-me um aviso sobre indiscrição e que eu seria expulso se fosse pego novamente. Desde

então,

seu

corpo

e

a

forma

como

ela

se

parecia,

se

movia... Caralho. Fiquei imaginando todas as maneiras com as quais vou possuí-la quando, finalmente, ouço a voz do Chance através da minha fantasia. —Não olhe agora, Homem de Ferro, mas as meninas estão saindo, e agora, estão todas quentes, coradas e suadas—, sussurra baixinho para mim, de onde ele está observando o meu levantamento de peso. Sento e pulo para fora do banco, fazendo uma pausa para socá-lo no estômago, novamente, antes de caminhar através da academia. —Oh meu Deus—, minha irmã, Lila, ri. —Humm, oh—, ouço a risadinha da Maddi. Nem sequer olho para elas.


—Isso vai ser fodidamente louco—, Lyn ri, exatamente quando a minha mão envolve o pequeno cotovelo da Dani e a forço a se virar, até que os seus olhos assustados estão olhando para os meus próprios. —Merda—, ela murmura. —Que. Caralho. É. Isso?— Eu me agito. —Isso o quê?— Ela revida. —Não jogue este jogo fodido comigo. Você foi lá para fazer o quê? Tricotar um blusão de lã?— Ela estreita os olhos, mas não fala nada. Ouço as minhas irmãs rirem e olho para elas, para lhes dar uma cortada dura com o olhar. Nunca falaria com as minhas meninas assim, mas agora, elas estão forçando os limites da minha paciência. —Eu sei o que se passa lá dentro, Danizinha—, falo e aponto na direção da sala de pole dance. Todo homem neste edifício sabe o que se passa naquela sala. Temos observado, bem pra caralho, franguinhas entrarem e saírem de lá há anos. As instrutoras, sozinhas, já são suficientes para manter alguns desses babacas fantasiando e se masturbando, por vários anos. —O que eu quero saber é que porra você está pensando sobre o que vai fazer com o que aprendeu lá, Dani? Hein? Quem, diabos, é ele?— Não posso parar a merda que sai da minha boca agora. Desde aquela noite na sua cama, tomando conta dela quando estava doente, com febre, sonhando a noite toda, com o meu nome escapando dos seus lábios, tudo o que sou capaz de pensar é sobre a Dani. A única coisa que quero é jogá-la sobre o meu ombro e tomar o que o meu corpo continua gritando: é minha. Mas ela não é minha. Ainda não.


Se não estivesse prestes a ser enviado em uma missão para um futuro desconhecido, gostaria de deitá-la e fodê-la, exatamente, agora. O único problema é que, tanto quanto eu a quero, não tomarei algo quando não posso lhe dar nada em troca. E, infelizmente, neste momento, não posso lhe dar qualquer coisa, apenas as próximas duas semanas. Para uma mulher como a Dani, isso nunca seria o suficiente. No entanto, isso não significa que vou ficar parado, sem fazer nada e deixá-la mostrar aquele corpo doce, trabalhando em se preparar para outra pessoa. Eu não vou. —Isso não é da sua conta—, ela bufa e puxa o braço para fora do meu aperto. —Você acha?— Pergunto, estreitando os olhos até virarem fendas. —Eu não acho. Eu sei.— —É aí que você está errada, baby.— Dou um passo para a frente e invado seu espaço, esperando que ela dê o próximo passo. —Eu não estou errada, Cohen. Sou realista. Eu não sou a única que está com medo. Tive medo de admitir o que eu sinto por um longo tempo. Você, por outro lado, bem... Estou farta de esperar você chegar a um acordo com isso. Hora de seguir em frente.— Ela cruza os braços, e quero gemer quando isso chama a atenção para os seus peitos. Sempre fui um homem que gosta de peitos, mas mesmo que os dela não sejam enormes, há mais do que o suficiente para se encaixarem perfeitamente nas minhas mãos e venho pensando sobre isso por um tempo muito longo. —Eu não tenho medo de você—, zombo. —Você está aterrorizado—, ela desafia. —Você está delirando.—


—Ah! Até parece. Tenha um bom treino, Cohen.— Ela se aproxima e dá um tapinha na minha bochecha, ainda tentando demonstrar indiferença. Se a palma da mão não tivesse demorado um pouco demais na minha barba por fazer, então, possivelmente, ia acreditar nela. O que aconteceu com a minha doce Danizinha? Vejo, com a mandíbula cerrada, quando ela se vira, seu longo rabo de cavalo me batendo na cara, e caminha para fora da academia. Minhas irmãs, a Maddi, e a Stella, todas andando atrás dela, rindo.


Capítulo 8 Dani Meu corpo está tremendo tanto que, uma vez que atravesso as portas da frente da academia e saio do campo de visão das janelas, quase entro em colapso. —Estou tão orgulhosa de você—, diz a Lyn, se aproximando e pegando os sapatos pretos da minha mão para eu não deixar eles caírem. Você nunca deixa um Louboutin cair no chão. Nunca. —Caramba, que sentimento... incrível! Quero dizer, meio que sinto que vou vomitar, mas, caramba!— —Eu te disse. Confiança. Significa tudo quando se trata de homens.— —Quando você ficou tão inteligente?— Pergunto a ela, tentando acalmar meu coração, depois do confronto com o Cohen. —Quando você começou a deixar os seus hormônios dominarem o seu bom senso.— —Cadela—, sorrio. —Vagabunda—, ela ri.


Naquela noite, tenho certeza que ainda estou sentindo a adrenalina do meu confronto com o Cohen. Ele me enviou um texto curto pouco depois daquilo, que dizia simplesmente: —Precisamos conversar—, ao que eu respondi com um muito maduro, —Não, nós não precisamos.— Ele não respondeu, mas, pensando bem, esse não é o estilo de Cohen. Quando ele quer alguma coisa, ele a toma. Tenho a sensação que, na próxima vez que me deparar com ele, haverá um monte de coisa a ser tomada. Papai subiu para o quarto quando cheguei, mas eu tinha deixado o sapato no carro e colocado uma calça e um moletom com capuz sobre a minha roupa de ginástica habitual. Ele estreitou os olhos, mas não disse nada. Eu juro que esse homem sabe de tudo. Definitivamente, é hora de dar o fora daqui. —Dani?— Ouço a mamãe gritar da cozinha. —Ei, mãe! E aí?— —Nada demais, querida. Só queria te avisar que o seu pai e eu estamos indo para as montanhas no próximo fim de semana.— Desvia o olhar da preparação do jantar e me dá um sorriso. Minha mãe, mesmo na sua idade, com alguns cabelos brancos misturados aos cabelos vermelho escuros, é linda. Você jamais ia imaginar que ela tem dois filhos. É apenas um pouco mais alta que eu, mas onde eu tenho tudo magro e pequeno, ela tem curvas. Sou, praticamente, uma réplica exata da minha mãe - e é por isso que o papai me chama de sua princesinha desde o dia em que nasci. A mamãe é a sua princesa, por isso faz sentido. —E você está me avisando porque você está preocupada que o Nate morra de fome?— Ela me dá um outro sorriso. —Não, minha filha sabichona. Estou avisando sobre isso e aproveitando para lhe dizer que há muitas caixas no sótão que


você pode usar e aproveitar que vou ter o seu muito amoroso, mas super protetor pai, há horas de distância e sem saber de nada por quatro dias. Bastante tempo para que você e as meninas arrumem suas malas e se mudem para a sua nova casa na cidade. Melissa e eu a verificamos esta tarde, e é em um condomínio fechado, de modo que, quando seu pai ficar ciente de que você se mudou, em um ataque furtivo, ele só ficará perturbado por um tempo.— Olho para a minha mãe e tenho que controlar a emoção. Não porque ela está, basicamente, me expulsando - amorosamente, é claro - mas porque ela está me dando a única coisa que eu venho implorando, basicamente. —Você está me ajudando a fugir?— Eu sussurro. —Não estou ajudando você a fugir, querida. Isso implicaria que estamos mantendo você refém—, ela ri. —Gostaria de mantê-la em casa por tanto tempo quanto pudesse, mas sei que você precisa voar. E, se não puder me assegurar, pelo menos, que vai ser feito de uma forma que o seu pai não pode argumentar quando descobrir, então você nunca vai convencê-lo que não é a sua criancinha, apenas aprendendo a andar. Ele foi feito para proteger você, baby. Ele te ama e só pensa no seu bem, mas até mesmo eu tenho que admitir que já é hora.— —E o Nate?— Pergunto. —O que tem ele? Aquele bebezão não saberia o que fazer se não tivesse a mim, para lavar suas roupas e alimentá-lo.— Eu sorrio, porque ela não está errada. Ela se vira e vai até a pia para lavar as mãos. Após secá-las, se aproxima de mim e me dá um grande abraço. Absorvo a força do seu amor e me inclino para trás, para olhar nos seus olhos. —Você está bem com isso? Ele vai ficar tão louco—, sorrio.


—Estou muito bem com isso. E seu pai louco não é uma coisa ruim, se você sabe como acalmá-lo—, ela brinca dando uma piscadela. —Deus, mãe! Isso é tão nojento.— Nós duas rimos, e agradeço à minha estrela da sorte por ter esses pais surpreendentes. —Por que você não vai tirar essas roupas de ginástica e lavar esse suor que você acha que disfarça. Depois, pode vir aqui e me dizer o que está acontecendo entre você e o Cohen.— Suspiro e olho para ela em estado de choque. —O quê? Como?— —Oh, menina boba—, diz ela e enfia uma mecha de cabelo que se soltou do meu rabo de cavalo, atrás da minha orelha. —Não só tenho observado isto acontecer há anos, mas eu o vi voar para fora do aqui, na manhã seguinte, depois de ter cuidado de você. Não só isso, mas as gêmeas conversam bastante com a mãe delas, e ela conversa muito comigo.— —Oh, Deus. Isto é tão embaraçoso.— —Eu não vejo o porquê. Só porque não saio gritando isso por aí, não significa que eu não sou a maior líder da torcida quando se trata de você acabar com o Cohen. Vá se trocar e vem contar tudo para a sua mãe. Acho que ainda temos cerca de uma hora, antes dos homens virem à procura de comida.— Caminho até o meu quarto e penso em tudo o que ela acabou de me dizer. Obviamente, as meninas não sabiam ou teriam dito alguma coisa hoje. Mal posso acreditar que ela e a Melissa vão passar por todos estes problemas. Especialmente, sabendo que o papai vai pular até a porra do telhado quando chegar em casa e descobrir que eu me mudei. Isso vai ser divertido. Talvez eu possa falar com a equipe de filmagem lá do trabalho para me seguir até em casa. Você sabe, para ter provas em vídeo se ele explodir e começar com toda aquela fúria louca de Hulk.


—Comece a partir do início, Dani. Eu estou tendo dificuldade em seguir, aqui. A Lyn disse o quê, agora?— A mãe me pergunta e me entrega a colher para mexer o molho. —Ok, então, poderíamos já ter tomado muito vinho, mas ela teve a ideia brilhante que tudo o que eu preciso fazer é trabalhar a minha confiança quando se trata do meu... lado sexual, e depois o resto vai se encaixar com o Cohen.— —E ela disse isso, por quê? Porque você está um pouco tímida com ele, ultimamente?— —Mãe! Sim. Está sendo terrível. Desde que ele ficou aqui comigo, quando eu estava doente, as coisas acabaram ficando estranhas. É como se meu corpo ficasse hiperativo quando ele está ao redor. Em seguida, bum, e me transformo em uma muda esquisita.— Ela ri, mexe o macarrão e se move para trabalhar na salada. —Querida, isso tudo o que você está sentindo - é completamente normal. Você e o Cohen traçaram caminhos diferentes até chegarem a este ponto, por tanto tempo, que faz sentido que só um confronto direto vai fazer vocês, finalmente, se conectarem. Você deve ouvi-la. Ela está certa.— —Estou ouvindo. Por isso nós fomos para a aula de pole dance—, murmuro. —Você fez o quê?— Pergunta ela, chocada. —Fomos a uma aula de pole dance e de fortalecimento sensual na academia. Foi muito divertido, mas realmente funcionou. E... humm, o Cohen estava lá quando saímos.— —Oh, uau. E o que aconteceu?— —Acho que meu coração ainda está prestes a saltar pela boca.— Ela ri, se aproxima e me puxa mais para perto do seu corpo. —Isso, minha doce menina, é a calmaria antes da tempestade. Se você acha que é poderosa, espere até ser atingida por ela com toda a força.—


Eu estremeço e ela ri. —O que as minhas meninas, aqui, estão fofocando?— Papai fala, entrando na cozinha e dando a volta no balcão para me dar um beijo na testa e outro na mamãe, que me fez desviar o olhar. —Vocês dois, realmente, precisam lembrar que algumas coisas não podem ser exibidas—, eu falo. —Princesinha, como é que você acha que veio para este mundo?— Pergunta ele e, em seguida, solta uma risada quando me encolho. Olho para minha mãe, que me dá uma piscadela e balança a cabeça quando o meu pai continua a rir. Observo os dois um pouco e rezo, não pela primeira vez, que um dia eu tenha o que eles têm. Esperançosamente, um dia, em breve.


Capítulo 9 Dani —O pai vai chutar o seu traseiro—, Nate resmunga sob do peso da minha cadeira de leitura favorita que ele e o Liam estão levando para o meu quarto novo. A casa no condomínio, que a mamãe e a Melissa escolheram para as gêmeas, a Maddi e para mim, é muito mais do que apenas isso. É um sobrado impressionante. A casa, enorme, tem cinco quartos, três andares - localizada em um dos condomínios mais exclusivos ao redor. A mamãe, claramente, facilitou tudo. Esperava que elas colocassem a casa em seu nome, o que, para mim, teria sido um enorme problema, mas ontem de manhã, recebi um telefonema do corretor de imóveis me pedindo para encontrá-lo no seu escritório no meu horário de almoço. Parece que a minha mãe e a Melissa tinham ido acima e além. Elas tinham combinado que os primeiros alugueis seriam um adiantamento e nem sequer aceitaram argumentações. Emmy estava lá com elas. Três contra quatro davam boas chances para nós – mas, em seguida, usaram suas maiores armas e começaram a falar sobre quando 'nossos pais' descobrirem e o que diriam se não estivéssemos no melhor dos melhores. Tanto. Faz. Assinamos o contrato de aluguel, todas as quatro e, em menos de 30 minutos, nos entregaram as chaves.


Foi incrível! Já se passaram dois dias desde que a mãe levou o pai até as montanhas, e eu recrutei o Nate e o Liam para me ajudarem a trazer a mobília pesada para fora do meu quarto. Mamãe me disse para trazer todos os móveis, mas me senti muito mal com isso, sabendo que, se o pai chegasse em casa e visse o quarto vazio, ele podia, muito bem, ter uma insuficiência cardíaca. A mobília da minha nova suite será entregue amanhã. Maddi e eu cuidamos do mobiliário e dos equipamentos eletrônicos da sala de estar. Lyn e a Lila ficaram com a cozinha e os eletrodomésticos e o quintal. —Se ele chutar a minha bunda, o que vai acontecer com você? Você é o único que está me ajudando a me mudar!— Sorrio quando seu rosto empalidece. —Não seja criança, Nate—, diz o Liam, continuando a levantar a cadeira enquanto sobe as escadas. Sorrio para ele. Liam Beckett, filho da tia Dee e do tio Beck, é meu melhor amigo por tanto tempo que não consigo imaginar eu me mudando e não tê-lo aqui, testemunhando este momento. Tenho implorado para ele me ajudar a convencer o meu pai a me deixar me mudar, por anos. Sempre me dei bem com o Liam. Nossas mães são amigas desde sempre, e já que temos quase a mesma idade, nós meio que nos tornamos gêmeos. Nascemos quase juntos, então demos a sorte de crescemos juntos e fazer cada série na mesma turma. Houve um ano – a terceira série, eu acho - que não estávamos na mesma sala. Mamãe e a tia Dee contam o tempo todo como eu chorei por semanas, até que perceberam que eu não iria parar até que a escola colocasse o Liam na minha sala. Não acredito nisso nem por um segundo. Mesmo que houvesse um vídeo caseiro em algum lugar. —Lee, onde você colocou as chaves do meu carro?— Pergunto, no pé da escada, onde ele e o Nate subiram com a minha cadeira de leitura.


—Não sei, Dani. Olhe naquela coisa perto da porta da frente!— Ele grita para baixo. —É uma mesa de canto, idiota!— Gritei de volta. —O que quer que seja.— Ouvi ele resmungar. Passo os próximos minutos procurando, por toda parte, pelas chaves do carro. Preciso delas para pegar a última leva das minha roupas e sapatos para poder começar a organizar o meu armário. As bolsas da primeira, segunda e terceira prateleiras do meu closet e os sapatos vieram mais cedo, esta manhã. As meninas chegaram há pouco tempo para jantar, então sabia que não seriam de nenhuma ajuda. —Onde diabos elas estão?— Resmungo, olhando no armário de casacos, antes de passar para a sala de estar, que fica ao lado da porta da entrada e me curvo para olhar embaixo do sofá. —Procurando por isto?— Pulo quando ouço o Cohen falar em um tom ríspido, logo atrás de mim. Levantando do chão com um grito, pouso direito nos seus braços, as costas pressionadas firmemente contra o peito dele, os seus braços apertando os meus para manter o meu equilíbrio. —Seu otário! Está tentando fazer com que eu tenha um ataque cardíaco!?— Grito quando o empurro de volta e tento me afastar. Percebo o meu erro, instantaneamente, quando sinto ele ficar imóvel como uma estátua e sua inspiração áspera contra o meu ouvido. Então eu o sinto, realmente sinto, duro e quente contra a minha bunda, e é a minha vez de gemer. —Eu não estava tentando te assustar.— Seus quadris se movem, quase como se tivessem vida própria. —Você, simplesmente, não me ouviu chamar o seu nome.— —Você pode me soltar?— Pergunto.


—Por que, Danizinha? Assustada?— Ele geme quando eu o empurro para trás levemente e remexo os quadris. —Dificilmente. Só depende de você, querer que o Nate e o Lee te vejam me tratando dessa maneira quando descerem.— Estou apenas meio brincando. Eu não diria que o que estou sentindo é medo. Bem, não medo dele. Assustada com a enormidade destes sentimentos? Completamente. —Vou ouvi-los chegando—, ele responde. Suas mãos se movem, então ele me vira para podermos ficar frente a frente. Olho para cima até que os nossos olhos se encontram, e minha respiração sai em um assobio. —Você é tão bonita—, ele murmura. —Obrigada—, respondo sem convicção. Obrigada? Ele ri e abaixa a cabeça um pouco, seus olhos castanhos ficando tão escuros que estão quase pretos. E é quando eu ouço o Débi e o Lóide, com o pior timing possível do mundo, discutindo sobre peitos reais contra peitos falsos, pisoteando e descendo as escadas. Cohen encosta a testa contra a minha, dá um aperto nos meus braços, e depois recua. Assisto, perplexa, quando ele levanta a mão e mostra as chaves do carro. Em silêncio, eu as pego do seu dedo dobrado e o observo, enquanto ele caminha na direção do meu irmão e do Lee e começa a participar da conversa. Humilhada o suficiente, ele concorda com os peitos falsos.


Eu podia estar concordando que o céu é verde e a grama é azul. Não tenho a mínima ideia de que porra aqueles dois estão falando. Entro e finjo que estou avaliando o tema, grunhindo quando sinto que seria apropriado, e lançando olhares sobre a Dani quando ela deixa cair os ombros, abaixa cabeça e seus olhos focam o chão à sua frente. Ela parece tão arrasada. Só quero puxá-la para os meus braços, novamente, e tomar aquele beijo que ficou há apenas alguns segundos de distância de, finalmente, acontecer. Pegá-la nos meus braços e lhe prometer o mundo. Mas, então, me lembro por que me afastei e percebo que fiz a escolha certa. Ela me dá um olhar triste antes de endireitar os ombros e sair pela porta da frente. Finalmente, entro em sintonia com a conversa em torno de mim e agito minha cabeça quando eu percebo o que eles estão falando. —Se preferir peitos falsos, então algo está errado com você, Nate—, falo e suspiro. —Há algo a ser dito sobre sentir uma mulher, qualquer mulher, nas palmas das mãos e você, simplesmente, não consegue obter os mesmos sentimentos quando sente um saco cheio de fluido rolando entre os seus dedos.— Ambos olham para mim como se eu fosse um idiota, e eu olho de um para o outro enquanto reproduzo minhas palavras na cabeça, novamente, tentando descobrir que diabos é o problema deles. —Cara, há dois segundos, você concordou comigo quando eu disse peitos grandes, enormes e falsos são o caminho a seguir.— Nate estende a mão e a coloca na minha testa antes de continuar. —Você está se sentindo bem, garotão?— Tardiamente, me acerta o fato que a Dani podia ter me ouvido, e eu gemo. Merda.


—Estou bem, idiota. Só tenho um monte de coisas na cabeça.— O que não é uma mentira. Tem uma porrada de coisas que preciso fazer antes de partir e, ainda por cima de tudo isso, essa coisa, seja o que for, entre a Dani e eu, está me fazendo andar em círculos ao redor de mim mesmo. —Claro que tem, Coh. Precisa de alguma coisa?— Nate pergunta, nenhum traço de humor no seu tom. —Não. Apenas a necessidade de trabalhar em algumas coisas por mim mesmo. Tenho algumas pontas soltas que preciso para amarrar antes de ir. Mamãe e as meninas estão passando por um momento difícil com isso. Cam e o Colt não falaram, mas sei que eles estão preocupados, e o meu pai é o meu pai.— Tudo isso é verdade. Deixo de fora, que também preciso descobrir o que diabos vou fazer com a Dani, também, antes de embarcar. Se deixar as coisas do jeito que estão, sabendo que vou estar afastado por um tempo, ficarei, constantemente, pensando nisso. No mínimo, preciso sentar com ela e, pelo menos, explicar por que eu estou me segurando quando está claro que nós dois queremos isso. Bem, está claro para mim que eu a quero e ela me quer. Suponho que ela nem suspeita da profundidade do meu desejo por ela. —Faz sentido. Não se preocupe. Vamos ver as meninas—, Lee, sempre o soldado da paz e benfeitor, diz. Se a Dani fosse melhor amiga de qualquer outro cara, provavelmente, estaria possesso de ciúme, mas não com o Liam. Ele me ajudou a afugentar mais caras do que me lembro, e não tenho nenhuma dúvida que vai continuar quando eu sair. —Obrigado, Lee.— Dou um tapa no ombro dele e um aceno de cabeça antes de ir para a porta em busca da Dani. Quase corro, quando ela volta com uma pilha de caixas de sapatos mais alta do que ela. —Calma, Dani!— Alcançando a parte de cima, pego algumas caixas e sorrio quando o seu rosto corado aparece. —Me mostra o seu quarto?—


Ela balança a cabeça, passa por mim e caminha na direção das escadas. Observo o rabo firme, com arrebatamento, a cada passo que subo atrás dela. Sim... definitivamente, precisamos ter uma conversa.

Capítulo 10 Dani Não posso mais fazer isso. Apenas não consigo. Esta merda de esquentar e esfriar com ele. Me esquecendo de como agir como uma adulta normal em torno dele. Tudo. Estou tão cansada de tudo. Sempre soube que seria uma estupidez, amá-lo. Sabia disso desde antes de cair de quatro e acabar em pedaços. Sabia, antes da queda, que seria um tombo doloroso mas, ainda assim, me aventurei e me apaixonei por ele, de qualquer maneira. —Dani, olha para mim—, ele implora quando entramos no meu quarto e coloca as caixas no chão do meu closet. —Por favor—, acrescenta. Com uma inspiração profunda, me viro e olho nos olhos dele. O desejo ardente se foi e o que tomou o seu lugar foi a aceitação de que não é para ser, jamais. —Fala comigo—, ele implora. —O que você quer que eu diga? Você sabe como eu me sinto, Cohen. Eu já lhe disse antes. Sei que você ouviu, enquanto eu dormia, quando estava doente. Além disso, é mais do que essa... coisa entre nós. Fim da linha - você sabe como eu me sinto e não é culpa sua não retribuir esses sentimentos.— Suspiro e me sento na espreguiçadeira, que o Nate e o Lee acabaram de colocar no meio do meu quarto.


—Estou cansada de sentir que preciso fugir ou agir de determinada maneira em torno de você. Era mais fácil esconder o que eu sinto.— —Não quero que você se esconda. Não de mim.— Sinto minhas sobrancelhas arquearem com as suas palavras, atrapalhada pelo sinal confuso. —Não quero que você seja nada além de si mesma, perto de mim—, ele continua. —Apenas não sei o que fazer sobre isso, Dani. Eu sei o que é certo aqui. Sei o que devo e o que não devo fazer quando se trata de você. Está ficando mais difícil manter as linhas definidas.— —O que você está querendo dizer, Cohen? Desembucha em termos simples para que eu não fique confusa com suas palavras, buscando esperança quando não há nenhuma para ser encontrada.— Seu rosto endurece, e ele dá um passo na minha direção, inclinando-se, colocando as mãos sobre ambos os lados dos meus quadris, e não para até que o seu rosto está no nível do meu. Sua respiração áspera acerta os meus lábios, e me inclino para trás, só para parar quando o seu corpo segue meu movimento. —Quando você tinha quinze anos, se sentou no porão da casa dos meus pais, e me disse que, um dia, eu ia enxergar você do mesmo jeito que você me vê. Você me disse que estaria esperando, Dani. Esperando para me tornar seu e você, minha. Eu não estava pronto, mas isso não quer dizer que não te vejo e não te enxergo todos os dias, desde então, e penso sobre o que seria ter você. Você me disse que estaria esperando. Você se sentou lá, com toda a coragem do mundo, e me entregou isso, Dani. Está me dizendo, agora, que vai retirar o que disse?— —Você lembra disso?— Suspiro. Quando ele começa a falar, em seguida, juro que o meu coração para. Choque. Mas, de completa admiração. Sua voz, um tom mais alto,


sussurra as palavras que eu disse a ele há quase dez anos. Devia saber pratiquei durante semanas no espelho antes de tomar coragem e, realmente, dizer a ele. Palavras que eu nunca iria esquecer. Especialmente, desde que ele me tratou com a indiferença de um bom amigo depois disso - até recentemente. —Eu vou sentir sua falta, Cohen. Sei que você não me vê como eu o vejo, mas um dia, você vai voltar e ainda estarei esperando por você. Esperando que você me veja como eu vejo você. Marque minhas palavras, Cohen Cage. Um dia desses ... você vai ser meu. E até você estar pronto ... estarei aqui. Estarei esperando.— Puta merda. —Puta merda—, repito em voz alta quando ele para de falar. —Não consigo acreditar que você se lembra disso.— —Eu nunca vou esquecer—, ele promete. —O que isso quer dizer?— Devolvo. Mais uma vez, lá vai ele com a merda de esquenta e esfria. —Quer dizer exatamente isso. Nunca vou esquecer. Só porque não tomei nenhuma atitude com esta química entre nós, não significa que eu não te quero. Naquela época, eu não podia. Você sabe que não teria sido adequado, por causa das nossas idades. E agora ... agora, nem mesmo sei o que fazer porque a minha cabeça está em um milhão de lugares diferentes. Mas uma coisa que eu sei é que estou me preparando para partir em uma missão. Estou me preparando para partir e, Dani, simplesmente não posso colocá-la na posição de ficar no limbo durante meses, anos, quem sabe, apenas para que eu possa sentir o que você sente.— Ele abaixa sua cabeça contra a minha e suspira. —Nunca quis alguém tão ferozmente como eu quero você, Danizinha —. O tom da sua voz é tão desolador que o meu peito aperta.


—Gostaria que fosse um mundo diferente. Um mundo em que não estivesse indo embora e nosso futuro não fosse desconhecido. Se fosse, você já teria sido minha.— Ele me dá um beijo leve, triste, contra a minha testa, demorando por algumas batidas do meu coração. Me olha nos olhos, novamente, antes de se levantar e sair pela porta. Bom, se isso não acabou comigo, não sei mais o que o faria. Podia estar me agarrando a uma ninharia aqui... mas o que ele não disse foi que não tínhamos um futuro, absolutamente. Só que não tinha certeza de quando seria. Isso não é muito animador - mas é alguma coisa. Mas era mais do que eu tinha, há uma hora atrás.


Capítulo 11 Dani Duas semanas mais tarde —Dani!— O Nate grita, subindo as escadas, sua impaciência clara como o dia. Ele acabou de chegar, há dois minutos atrás, para me pegar e já chegou ao seu nível máximo de paciência. —O quê?— —Você precisa parar de colocar toda essa merda no rosto, para podermos seguir em frente.— —Não estou ‘colocando essa merda’ no meu rosto, Nate!— Grito para trás, retocando o rímel e passando sobre os lábios, novamente, o batom vermelho vivo, dando mais uma olhada para me certificar que tudo está perfeito. Tenho que parecer perfeita hoje. O verão chegou para ficar na Geórgia. Se meu pai me visse agora, tenho certeza que iria colocar uma roupa sobre a minha roupa. Vou ter que lidar com ele mais tarde, mas não será capaz de fazer qualquer coisa além de reclamar sobre ela. Meu short jeans é, apenas, um pouco mais apertado do que eu considero normal. Ele cobre tudo, mas mostra um monte - e quero dizer um


monte - de pernas. Meu top vermelho é apertada e mostra apenas um pouco do busto. Eu pareço quente. Muito quente. Minhas pernas parecem magníficas. Extraordinárias, maraaavilhosas. O short, combinado com os saltos altos, faz com que elas pareçam mais longas do que são. Semanas de trabalho diário na academia e mais algumas aulas de pole dance as deixaram perfeitamente tonificadas e, graças ao sol, meu bronzeado está com o tom perfeito. Meus cabelos longos, castanhos, estão soltos, caindo sobre as minhas costas em ondas suaves, dando-lhes aquela aparência de — Acabei de acordar—, aparência essa que levei quase uma hora para alcançar, cada cacho perfeito. Mas a minha maquiagem pode levar o troféu. Maddi a fez antes de sair, realçando-a nos olhos, para que os meus olhos verdes deixassem qualquer um, louco. Não sou vaidosa, mas posso admitir, com segurança, que pareço quente como o inferno. É, realmente, uma pena eu parecer tão bem e saber que ele pode não fazer nada. Estou frustrada. Desde aquele dia no meu quarto, Cohen tem sido como um fantasma. Qualquer chance que imaginei que poderia ter, para tentar continuar a nossa conversa foi, apenas, esmagada como um inseto. Ele, simplesmente, desapareceu. Ok, não desapareceu, mas isso não fez exatamente com que conseguíssemos ficar sozinhos, para ter uma conversa privada. Não. Quando eu tentava, ele não colaborava. Era ele que teimava em manter distância, e esta merda vai acabar hoje à noite. *** Nate faz uma pausa antes de entrarmos no salão de eventos – uma cabana antiga e rústica –soltando alguns grunhidos quando olha para mim, claramente, tentando me dizer com seu discurso de homem das cavernas, que não está feliz com o meu traje.


—Qual é o seu problema?— Pergunto, cruzando os braços sobre o peito. Seus olhos se estreitam, e ele resmunga novamente. Eu lhe dou alguns grunhidos. Que diabos? Talvez ele vá entender o que estou tentando expressar verbalmente, se tentar falar na linguagem alfa. —O que você está fazendo?— Ele pergunta, inclinando a cabeça como um cão confuso quando eu solto mais alguns grunhidos. —Bem, querido irmão, estou tentando ver se consigo falar como você e o nosso pai fazem e, talvez, você consiga me responder. Claramente, não faço a mínima ideia do que está se retorcendo na sua cueca, hoje. Você está todo chato e mal humorado desde que saímos de casa.— —Você.— —Humm... podemos acrescentar algumas palavras a isso, talvez uma pausa dramática, para expressar um pensamento coerente que é bem pensado e planejado para fazer sentido, de modo que ele possa ser entendido e processado?— —Deus, às vezes, você pode ser uma vadia.— Eu sorrio. —Oh? Você diz isso como se fosse uma coisa ruim.— Ele suspira e olha pelo vidro da frente. —Sério, Nate, o que está acontecendo?— —Não é nada, Dani. Estou despejando o meu mau humor em você. Não ajuda o fato de você estar vestida como uma vagabunda só para ganhar a atenção do Cohen.— Olho

para

a minha

roupa,

novamente. Não

acho

que pareço

uma

vagabunda. Claro, está mostrando minhas pernas e o meu top é apertado, mas dificilmente pareço indecente.


—Ok, vagabunda pode ser demais, mas você não podia ter usado algo que, sei lá, sabe, abrange tudo isso sob o seu pescoço?— Ele gesticula freneticamente para o meu corpo. —Você está sendo ridículo. E não estou usando nada para o Cohen. É verão na Georgia e, tipo, está quase quarenta graus. Tenho certeza que isto é considerado um agasalho por muitos.— Ok, estou mentindo. E ele sabe disso. Pode ser considerado um pouco maníaco o meu desespero em obter algum tipo de reação dele. —Você só vai se machucar, Dani—, ele sussurra tão baixo que eu quase não ouço, e o fato dele confirmar o meu maior medo, traz lágrimas aos meus olhos. —Você não sabe.— Defendo, fracamente. Ele sabe, entretanto. Cohen é o seu melhor amigo. Independentemente do fato de que, provavelmente, não gosta que eu esteja sempre me humilhando por causa dele, nunca tentou me impedir. Até agora. —O que você sabe, Nate?— Ele não disse nada por um bom tempo. Apenas continua a olhar para fora da janela, observando nossa extensa família enchendo o estacionamento do local do evento. Sigo o seu olhar quando sinto que ele relaxa um pouco, e vejo a Ember Locke acenando na nossa direção. Seu rosto murcha quando o Nate não a cumprimenta e ela olha para mim. Dou-lhe um fraco sorriso, mas trago a minha atenção de volta para o meu irmão. —Ele vai trazer uma acompanhante, Dani.— E o meu coração para de bater. Isso me acerta bem no meio do estômago. Nesses anos todos em que amei o Cohen Cage de longe, ele nunca, nem uma vez, trouxe uma das suas acompanhantes em eventos no qual a família


participava. Eu não sou idiota. Sei que ele tem encontros. Praticamente, tem meninas se despencando para chamar a atenção dele. Mas ao longo dos anos, nunca trouxe nenhuma delas ao redor. E, com tudo o que está acontecendo entre nós, há mais de um mês, agora, realmente não acho que ele ia se rebaixar só para conseguir que eu o deixasse em paz. Talvez, não queria deixar um rastro de esperança sobre o seu pequeno discurso de despedida no outro dia. —O quê?— Suspiro. —Você ouviu, Dani. Não me faça dizer isso de novo.— —E isso... é sério?— —Está trazendo ela, não é?— Ele olha para cima, e posso afirmar que odeia estar me machucando, agora. —Só me encontrei com ela algumas vezes. Ela é legal o suficiente. Honestamente, não conheço o relacionamento deles bem o suficiente para lhe dizer mais nada. Ele está trazendo o Chance, também.— —Oh—, eu falo, olhando para o lado, para fora da janela. —Sim, oh—, ele repete, aproximando-se mais e agarra minha mão para me dar um aperto forte e tranquilizador. —Vamos, princesinha. Vamos acabar com isso.— Quando fazemos isso, as coisas ficam, previsivelmente, insanas. Sempre que estamos todos juntos, as coisas tendem a ir por esse caminho. Eu amo a minha família, mas às vezes, como agora, eles são, apenas, demais. O salão é enorme, criado dessa forma para garantir muito espaço para um número enorme de convidados. Várias mesas estão espalhadas por todo o centro do salão, com algum espaço para as mesas de comida, o DJ, um bar, e um enorme palco montado na frente do salão. É, normalmente, usado para shows de artistas locais e algumas recepções de casamento. Acho que você pode considerá-lo country chique, parecendo uma cabana de madeira do lado de fora e por dentro. Eles adicionaram lustres de cristal nos tetos abobadados


e capricharam na decoração das mesas. Vasos cheios de flores silvestres estão sobre cada mesa, bandeiras americanas apontando no centro de cada um, com o tema vermelho-branco-e-azul para cada mesa. Minha atenção se volta para o grande palco, que ocupa toda uma parede do salão. Está coberto por uma espessa cortina vermelha - e decido, oficialmente, que vai ser o meu esconderijo, mais tarde. Obviamente, a Mamãe, a Dee, e a Melissa estão planejando alguma coisa. Observo a minha mãe do outro lado do grande salão, conversando com a Dee e a Emmy. Ela está agitando os braços ao redor como um moinho de vento, por isso está, claramente, arquitetando alguma coisa. Papai está de pé junto ao bar com o Beck e o Asher. Ele olha para cima quando entramos. Como sempre, ele sabe quando uma das suas garotas está perto, e não tenho nenhuma dúvida, a julgar pela maneira como seus olhos estão duros, que ele sabe que estou chateada. Ou reparou o meu traje. Dou-lhe um sorriso brilhante, que não o convence nem por um segundo, e caminho com o Nate para ir encontrar a Maddi. Ela saiu de casa quase uma hora antes, para vir ajudar a montar as coisas. As gêmeas tinham passado a noite anterior na casa dos pais para poderem passar mais tempo com o seu irmão, então sabia que elas não estariam aqui, ainda. Liam me para, antes mesmo de eu ter dado dois passos na minha busca pela Maddi, e me dá um grande abraço. —Você está bem?— Ele pergunta, antes mesmo de dizer um olá. Outro efeito colateral irritante de estar rodeada de machos alfa super protetores é a sua incapacidade me deixar muito tempo sozinha. Eles sentem que uma das

fêmeas

no

grupo

está

chateada

e,

simplesmente,

não

conseguem não tentar consertar isso. —Para, Lee. Não comece com o seu lixo protetor, agora. Já tenho o suficiente do Nate e do papai. Estou bem. Muito bem—, declaro.


—Humm, certo. Estou apenas... Só vou encontrar o Zac e o Jaxon.— Levanta as mãos para cima em uma rendição simulada e caminha, lentamente. Para longe de mim e do meu tipo especial de loucura. Eu o observo caminhar, até que para onde os meninos do Asher e da Chelcie estão, com o Cam e o Colt. —Por que você não parece feliz? Você estava bem, até uma hora atrás. Como pode o seu humor ter mudado tão rapidamente?— Maddi ri, chegando ao meu lado e envolvendo um braço sobre meus ombros. Permito-me dois segundos suportando o seu abraço, antes de me soltar do seu braço, agarrar sua mão e arrastá-la por entre as mesas até a porta dos fundos. —Inferno—, ela murmura, lutando para me acompanhar. O que é risível, realmente, com suas longas pernas contra as minhas, curtas. Deixo a porta bater atrás de nós e puxo-a mais para trás do prédio e das latas de lixo. De jeito nenhum, vou arriscar que alguém consiga nos ouvir. —O que deu em você, Dani?— Maddi pergunta quando, finalmente, solto a mão dela. —Você sabia que o Cohen ia trazer uma acompanhante?— —Fazer o quê? Está brincando, né?— —Estou falando mortalmente sério—, quase grito. —Nate acabou de me dizer, no carro, que ele estava trazendo alguém. Isso é tudo o que eu sei. Mas, Maddi... certamente é sério, se ele a está trazendo para cá! Oh meu Deus, oh meu Deus. Preciso ir embora. Isso é o que eu preciso fazer.— —Na verdade, provavelmente, deve apenas tentar se acalmar e parar de agir como se o mundo tivesse acabado. É o Cohen. Tenho certeza que ela é apenas uma amiga ou algo assim. Não sei, talvez seja uma sem-teto e está trazendo ela para poder conseguir uma refeição. Talvez seja parte alienígena e


está usando-o para conhecer a nossa cultura. Seja qual for o caso, pirar sobre isso não vai te trazer nada de bom.— —Por que você tem que fazer tanto sentido?— Pergunto, sarcasticamente, depois que ela para de falar. Ela, por sua vez, dá-me um olhar que deixaria o seu pai orgulhoso. —Aliens? Sério?— Sorrio. —Oh, cale a boca. E você sabe que faz sentido, porque sou a única inteligente. Além disso, como as gêmeas não estão aqui, entretanto, alguém tem que manter o seu rabo no caminho certo. Oh! Já sei. Vamos ligar para a Lyn. Ela deve saber o que está acontecendo.— Pega o celular no bolso de trás, e depois de alguns segundos manuseando-o, pressiona-o no ouvido. —Oi—, diz ela ao telefone. —Você está sozinha?— Isso é ridículo. Devia, apenas, ir embora agora e me poupar da dor esmagadora no estômago ao vê-lo com outra mulher nos seus braços. —É verdade que o Cohen está trazendo uma acompanhante?— Ela sussurra e olha ao redor das lixeiras. —Ninguém está vindo para cá, Maddi—, sussurro de volta. —Então por que você está sussurrando também, senhorita sabe tudo?— Ela responde e volta sua atenção ao telefonema. —Eu sei, Lyn, mas o Nate contou para a Dani e agora ela está enlouquecendo... Não sei onde ele ouviu... Não... Bem, então quem é ela?— Ah, merda! É verdade. Definitivamente, devo ir embora. Talvez se cortasse caminho através da floresta até o parque industrial, alguns agradáveis caminhoneiros vão me levar para o México.


—Oh, verdade? Oh... sim... não... merda. Ok. Tchau.— Ela olha para o telefone antes de olhar para mim. Seus olhos carregam nada além de simpatia. —É verdade?— —Parece que sim—, sussurra antes de me puxar para os seus braços. —Ok, plano B. Vamos reverter isso. Então, ele está trazendo uma amiga com ele. Nós não sabemos de mais nada, então, vamos apenas fingir que são amigos e apenas amigos. Lyn não sabia muito. Só o que a mãe dela contou, que ele a levou para casa algumas vezes, nesta última semana. Isso é tudo o que ela sabe. Vamos tentar não nos estressar com isso, ok? Você, minha amiga, está muito sexy, por isso vamos apenas desfrutar o dia. Você continua a parecer quente, e além de ser educada, vai ignorá-lo e à sua amiga especial. Vai ter uma abundância de outros caras aqui, hoje à noite, por isso é hora de ativar o seu lado paquerador. Precisa de mim para ir surrupiar alguma bebida para você?— —Maddi, tenho idade suficiente para beber. E não preciso de você para surrupiar mais nada—, eu rio. —Certo. Bem, é hora de agir como se você nem se importasse e se divertir um pouco. Não deixe que isso afete você - não esta noite. Esta noite é sobre assegurar ao Cohen que a sua família o ama, antes dele partir. Nada de rostos tristes ou olhares ciumentos. Essa coisa entre vocês dois vai ser resolvida, eu prometo.— —Sim, senhora, Maddi, senhora.— Faço reverências para ela e, depois de algumas risadas, entramos em uma missão para praticar minha atuação. Sempre fui boa em atuar. Mesmo que sinta como se o meu coração estivesse quebrando por dentro. Não é culpa dele que me sinta assim e ele, não. Ou, devo dizer, que me sinta assim e ele não está disposto a se deixar levar.


Uma coisa é certa, porém. Se Cohen Cage me quisesse como eu o quero, nunca teria deixado passar tanto tempo sem me tomar. Me tomar e nunca mais me largar. Em vez disso, está apenas jogando mais jogos na sua missão em me manter à distância de um braço. Porque ele está tomando decisões sobre o futuro, mesmo sem considerar que, talvez, eu acredite que vale a pena esperar por ele. Hora de colocar a calcinha de menina grande e fingir que a outra metade do meu coração não vai estar nos braços de outra mulher.

Capítulo 12 Dani —Princesinha, que diabos você está vestindo?— Papai ruge, tomando minha cerveja das minhas mãos. —Não—, brincando, finge dar um tapa na minha mão e toma um gole. —Nada disso—, sorrio e a pego de volta. Ele levanta uma sobrancelha escura, mas não faz nenhum movimento para pegar a minha bebida novamente. Foi um dos seus piores momento, aquele no qual completei vinte e um anos e podia beber, legalmente. Continuamente, ele trocava as minhas cervejas por suco de maçã, a noite toda. —Quer me dizer porque você está tão para baixo para que eu possa resolver isso?— —Não há nada de errado, papai—, murmurei contra a garrafa. —Certo. Você não acha que eu nasci ontem, não é?— —Ah, sim, claro que eu sei disso. Você nasceu, tipo, há cinquenta anos atrás.— Eu dou uma risadinha para mim mesma quando ele começa a se


irritar. Ele odeia ser lembrado que já soprou mais de cinquenta velinhas. Já vi fotos dele quando ele tinha a minha idade, e, honestamente, se não fosse por uns fios grisalhos, você nunca imaginaria que ele tinha cinquenta e um anos. Ele ainda é um dos homens mais fortes que já conheci. Ele parece uma torre perto da mamãe e eu, com seus quase dois metros de altura, com músculos que só têm ficado cada vez maiores e mais volumosos ao longo dos anos. Está claro, não só para mim, mas para todos os amigos que tive ao longo dos anos, que meu pai não era quente só quando era mais novo - ele ainda é. —Não pense que não percebi que você olhou feio para as gêmeas, quando chegaram. Vocês brigaram? Será que isso significa que você vai precisar voltar para casa, agora?— Reviro os olhos e sorrio. Ele está tentando encontrar razões para me fazer voltar para casa sempre, desde que voltou de viagem e percebeu que eu tinha ido embora. Por um dia inteiro, ele ficou na minha sala de estar. Acho que ainda estaria lá se a mamãe não tivesse aparecido. Bastou ela sussurrar no seu ouvido e, apenas com isso, eles se foram. Claro que a primeira conclusão a qual ele chega é que as meninas e eu brigamos. Ele, provavelmente, deseja que sim. O que é, realmente bobo, porque existe uma coisa sobre a Lyn, a Lila e a nossa amizade – sem brigas. Nós nunca brigamos e não vejo isso acontecendo tão cedo. Ok, bem, hora de desviar sua atenção. —Não. Nós

estamos

bem. Era... humm,

cólicas,

papai. Sabe,

aquele

período.— Ele parece horrorizado. Que era o objetivo. Papai não fala sobre questões femininas. Pedi a ele, uma vez, para comprar absorventes na loja de conveniência. Ele ameaçou tirar o carro do Nate, se não fosse no seu lugar. Nate voltou trinta minutos depois e jogou a caixa na minha cabeça, me cortando logo acima da sobrancelha e perdeu o carro de qualquer maneira, por me machucar. Desde este dia, gosto de deixar caixas de absorventes no carro do Nate.


—Humm... tá. Vou até ali falar com os caras sobre futebol e boxe. Você sabe, coisas de homens.— Sorrio para mim mesma quando ele se afasta. Deus, ele é muito fácil. —Cólicas, minha bunda—, Liam ri, jogando o braço em volta dos meus ombros e me puxando para perto. A força em seu abraço deixa claro que não vou fugir sem falar com ele. Tomo um gole da minha cerveja e olho para os seus olhos cor de chocolate. —Não acho que eles estão namorando, se faz diferença. Ele mal disse uma palavra para ela, e ela está quase colada no Chance. O Chance, que suponho não estar namorando com ela, porque parece que preferia estar em qualquer outro lugar do que sentado ao seu lado.— Olho através do salão para onde o Cohen está conversando com os seus irmãos, Camden e Colton. Como se sentisse o meu olhar sobre ele, seus olhos encontram os meus, e ele franze a testa quando vê o braço do Lee em torno de mim. Seus olhos se desviam dos meus, olham atrás de mim e, mesmo de longe, posso vê-los queimar. Aquele fogo que queima toda a minha pele. Ok, então ele ainda me quer. Que diabos. —Sim, é isso aí mesmo. Um homem não fica com ciúmes de alguém que ele conhece e sabe que é apenas um amigo, se não há outra coisa lá, Dani. Eu já lhe disse isso um milhão de vezes: ele está com medo. Pense nisso e você sabe que estou certo. Seus pais, os pais dele, todas essas relações misturadas ficarão loucas se vocês dois se unirem. Claro, ele poderia ter um final feliz, mas não vai perturbar o rebanho. Não quando pode, facilmente, acabar mal.— —Não acabaria mal, Lee.— E não ia. Sei, com tudo o que eu sou, que seria um amor perfeito.


—Você

não

pode

saber

disso. Não,

com

certeza,

de

qualquer

maneira. Independentemente do que o seu pequeno coração teimoso lhe diz, você não pode prever essas coisas.— —Você está me dizendo que eu devo desistir? Me dar por vencida?— —Nunca, Dani. Nunca iria lhe dizer para se dar por vencida ou os seus sentimentos por ele. Você conhece a história dos meus pais. Papai nem uma única vez desistiu da mamãe, mesmo quando parecia inútil. O que estou tentando dizer, mas claramente fazendo um trabalho terrível, é que se você acredita, com cem por cento da sua alma que ele é a sua outra metade, não se atreva a parar até provar um pouco.— Oh, merda. Minha garganta está queimando. Engulo em seco e balanço a cabeça, não confiando em minhas palavras. —Você acha que ele sabe quão ruim isto é?— —Que você é apaixonada por ele e que não quer, apenas, que ele te foda?— Liam adivinha corretamente. —Sim.— —Ele não é estúpido, Dani. Claro que sabe. Ou, pelo menos, tem uma ideia. Olha, antes, não teria sido bom, até mesmo, ele entender o pensamento. Você era muito jovem. Eu não estou dizendo que não é um problema para ele agora, mas você está com quase vinte e dois, então não acho que é isso. Você o conhece. Você sabe quão importante a sua família... esta família... é para ele. Tudo o que posso dizer é para conversar com ele. Ele parte amanhã. Basta falar com ele. Sei que vocês conversaram antes, mas, obviamente, você não falou o suficiente. Faça-o ouvir os seus pontos, e não deixe nada de fora. Você diz que ele nega, porque está partindo... bem, não deixe que isto te impeça. Se for realmente tão simples, então, corra atrás disso.—


—E quanto à garota?— Questiono, minha boca tendo dificuldade em colocar a pergunta para fora. Deus, ele está certo. Estou devorada pelo ciúme por causa dela. Ela é linda. Loira, peituda, e alta. Tudo o que eu não sou. Ela é o meu oposto completo em todos os sentidos. —Quem? A acompanhante dele? Sim... algo me diz que, realmente, não precisa se preocupar com ela. Sério, Dani. Ela mal parou na mesa em que ele estacionou o traseiro dela quando chegaram. Se uma garota chega aqui com um homem como ele, é melhor acreditar que ela não sairia do seu lado. E, caso você não tenha notado, existem alguns homens excessivamente cheios de tesão nesta sala.— —Você é tão doente.— Sorrio e olho para o rosto bonito e sorridente do Liam. —O que eu faria sem você, Lee?— —Provavelmente, se perderia na vida, Dani. O que seria trágico. Apenas confusa e andando em círculos em torno realidade, todo o tempo.— Jogo a cabeça para trás e dou uma gargalhada. Com o absurdo desse pensamento. Ele sabe que sou tão independente quanto pareço. Mas está meio certo. Assim como sem as gêmeas, estaria perdida sem o Lee na minha vida. Minha pele formiga, e eu paro de rir para olhar ao redor do salão. Cohen parou de conversar com os seus irmãos e está olhando de cara feia para mim e para o Lee. A mão que está segurando a cerveja está ficando branca nas pontas dos dedos. —Humm, oh. Será que o urso acabou de sair da hibernação? Olhando para a sua presa pela primeira vez desde o começo de um inverno frio e solitário?— Sussura o Liam. —Cala a boca—, respondo, socando-o com força no estômago, só para puxar minha mão de volta quando seu abdome duro causa milhões de pequenas agulhadas subirem pelo meu braço. —Será que o seu abdômen apenas quebrou minha mão!?— Guincho, quando sinto que a dor não vai parar.


—Que inferno!— Ouço um grunhido e, antes que eu possa reagir, papai me envolve em seus braços e olha a minha mão. Deixo o cheiro familiar de couro e canela me acalmar, e luto para conter as lágrimas pungentes e a queimação na minha garganta. —Liam Beckett, você quebrou a minha filha?!— —Oh, vamos lá. Ela que me bateu! Eu não. Bem, o meu corpo perfeitamente esculpido pode ter machucado um pouco. Mas isso não seria um problema se ela aprendesse a manter suas mãos fora de mim.— —Seu merdinha—, sorrio sobre os ombros do meu pai. Liam ri alto, —Vou pegar um pouco de gelo para o bebezão.— —Não chame minha princesinha de bebezão!— Papai grita para o Liam. —Eu estou bem, eu só o acertei de mau jeito—, falo para acalmar sua preocupação. —Quantas vezes eu tenho

que lhe dizer para não bater

desse jeito? Consegui ver sua

postura errada do outro lado

do salão. Devia ter acertado a

virilha. Sempre

para

a

virilha, Dani.— Oh senhor, aqui vamos nós. Ele vem me ensinando a chutar o traseiro de um homem

desde

que

eu

tinha

cinco

anos

e

o

Zac

roubou

minha

boneca. Naturalmente, sua primeira aula era sempre acertar a virilha. —Papai,

não

estava

tentando

machucá-lo. Nós

estávamos

apenas

brincando.— —Brincando sobre o quê? Você não deveria brincar com meninos. Preciso verificar isso. Mexa esse seu traseiro—, resmunga baixinho. Vai ser uma longa noite.


Quatro horas longas pra caralho depois, todos os pais tinham ido embora. O que foi um alívio. Não que não fosse divertido ter todos ao seu redor, mas sei que estamos todos prontos para relaxar e curtir a noite. Queriam manter o início da noite apenas com os familiares mais próximos. Mais intimista, de maneira que todos nós podíamos passar algum tempo com o Cohen. Com o passar das horas, mais amigos nossos chegaram – alguns da escola do Cohen e alguns do Treinamento Básico da Marinha. Todos prontos para assegurar que ele desfrute da sua última noite em casa pelo próximo ano. Esta é a sua segunda missão, e não acho que isso vá ficar mais fácil, nunca. Cohen se juntou aos Marines depois que encerrou sua carreira no futebol na Universidade da Geórgia. Provavelmente poderia ter se tornado jogador profissional, mas sempre quis seguir os passos do pai e se juntar aos Fuzileiros Navais. Assim, para um menino que usava capa na maior parte da sua infância, faz sentido que o herói dentro dele ia ganhar. A primeira vez que ele foi

para o exterior, fiquei deprimida por

meses. Preocupada, triste, e com coração quebrado. Era difícil assistir seus pais lidando com a preocupação e os seus irmãos, com o medo e todos, em geral, tivemos momentos difíceis sabendo que ele estava lutando no meio de uma zona de guerra. Como o seu pai, o meu, e o resto das figuras paternas em nossa família unida, Cohen fazia parte das Operações Especiais e, quando foi implantado, ficamos no escuro com a comunicação. Demorou meses até que, finalmente, tivemos uma atualização sobre ele. Nos treze meses em que ficou fora, conseguiu ligar para casa duas vezes. Desta vez, ele já avisou à sua família que, muito provavelmente, seria uma viagem mais longa. Uma viagem mais longa e chances menores ainda de que ele conseguiria entrar em contato com a gente, muitas vezes. Estaria mentindo se dissesse que não estava em pânico por causa dele. Não porque tenho dúvidas sobre suas habilidades, mas por causa do medo muito


real de que, não importa quão treinado ele seja, algo terrível poderia acontecer com ele. —Por que tem esse olhar severo em seu rosto, Danizinha?— Deus, aquela voz. Inspiro profundamente quando sinto o Cohen se sentar ao meu lado. Seu cheiro, instantaneamente, envolve o refúgio escuro para o qual escapei. Pensei que estava fazendo um bom trabalho me escondendo aqui atrás. A

festa

tinha

começado

a

ficar

agitada

quando

os

pais

foram

embora. Normalmente, estaria lá com eles – mas, com palavras do Liam ainda flutuando na minha cabeça - só precisava de um momento para mim mesma. Para organizar meus pensamentos e descobrir uma maneira de pegálo sozinho, então, poderia forçá-lo a falar. Quando ninguém estava olhando, fui para trás das cortinas do palco, me sentei no meio do chão, me deitei e deixei que as vibrações da música do DJ me acalmassem e as trevas me envolvessem como um abraço reconfortante. —Nada, Cohen. Apenas pensando.— —Pensando sobre o quê?— Ele força. —Você está com medo?— Pergunto, me apoiando sobre os cotovelos para olhar para ele. Ele vira a cabeça, mas não fala. Dada esta oportunidade, não perco um segundo. Seus olhos escuros estão olhando diretamente nos meus. Buscando o quê, não tenho certeza, mas uma coisa que tenho certeza é que ele não está olhando para mim como um homem que tem namorada, deveria. Ou o que quer que ela seja. Seu cabelo está aparado nas laterais e no alto da cabeça, o que me faz imaginar quem cortou para ele, já que sei que não fui eu. Geralmente, ele o mantém um pouco maior, perfeito para todos as horas. Imagino como deve ser correr os dedos por ele


quando não estou cortando-o. A barba que estava usando ultimamente se foi, o que permite que sua mandíbula forte apareça. Amo quando ele faz a barba por causa disso, mas também amo sua aparência com barba. Toda vez que ele engole, sua mandíbula se flexiona de uma forma sexy. Nunca fui capaz de controlar essa cobiça. Mandíbula pornográfica. Com o Cohen, isto é uma coisa muito possível. Estou olhando para os seus lábios cheios e exuberantes quando me dou conta que estou estudando o seu rosto desde que ele se sentou. Merda. Quando meus olhos encontram os dele, espero ver humor, acabando comigo, mas tudo que vejo é o reflexo da fome que está dançando atrás dos meus olhos verdes. Seu olhar é quente, um fogo profundo ardendo atrás deles. Ele não está, nem mesmo, tentando esconder o desejo por mim. Prendo a respiração, esperando enquanto o mundo para de girar à minha volta e vou até ele. Claramente, ele é tomado de surpresa quando levanto a bunda do palco e pulo no seu colo. Minhas pernas repousam em ambos os lados dos seus quadris, minhas mãos mergulham no cabelo recém aparado contra minhas palmas - e meus lábios estão sobre os dele um segundo antes dele descobrir quais são as minhas intenções. Ele fica rígido e imóvel. Se não fosse por suas mãos fortes segurando meus quadris no lugar, provavelmente, teria me levantado e fugido. Afastando meus lábios dos seus, imóveis, vejo o seu olhar chocado e sinto um rubor de vergonha me invadir. —Oh, meu Deus. Eu sou... eu... eu não devia ter feito isso.— Ele não disse nada, mas também não me deixou levantar os quadris quando tentei sair de cima dele. Demora um segundo para a realidade me acertar estou sentada nas sombras, abraçando um muito chocado Cohen Cage. Caramba. Ok, talvez, realmente, esteja lendo muito nas últimas semanas. —Eu... Eu nem sei o que dizer. Sinto-—


O pedido de desculpas nem deixa os meus lábios porque, em uma fração de segundo, um aperto das suas mãos me puxa com mais força contra o seu corpo e seus lábios grossos desabam sobre os meus. Senti-lo, a realidade do beijo que sonhei desde que tinha idade suficiente para desejar, é tão esmagadoramente perfeita que sinto percorrer todo o caminho até a minha alma. —Não devíamos estar fazendo isso aqui—, suspiro contra os seus lábios, sabendo que não quero dizer essas palavras. Se ele parasse, eu poderia, simplesmente, morrer. —Não posso parar, Danizinha. Agora que finalmente sei o gosto que você tem... não posso parar—, ele geme quando me mexo no seu colo. Posso sentir a verdade em suas palavras contra o meu núcleo, e não consigo parar de empurrar meus quadris contra o seu pau rígido. —Jesus. Eu sabia que você seria a minha perdição.— Seus lábios voltam para os meus. Acariciando, mordiscando entre seus dentes, antes da língua deslizar ao longo da fenda e solicitar acesso à minha boca. Nossas línguas dançam juntas, quase como se fossem feitas uma para a outra. Minha respiração dança com a sua em um tango aquecido. Isso. É. Maravilhoso. —Sua namorada—, falo, tentando me afastar, mas sabendo que será impossível deixar isso pra lá. —Não é minha namorada.— Me inclino para trás e olho em seus olhos enevoados, —Ela veio com você, Cohen.—


—Ela não está comigo. Veio porque é viúva de um dos homens da minha unidade, Danizinha. Ela está aqui porque não tem mais ninguém e passou por momentos difíceis, recentemente. Mas não é ela que eu quero nos meus braços. Bom Deus, mulher. Cala a boca e me beija.— Bem, certo, então. Quando ainda não me movo, suas mãos deslizam para cima, pelas minhas laterais. Esfrega os polegares sobre os lados dos meus seios, fazendo com que meus mamilos endureçam dolorosamente, antes das suas mãos se dirigirem para o meu rosto. Seus dedos vão até o meu cabelo, os polegares acariciam levemente as minhas bochechas, enquanto ele estuda meu rosto. Não faço ideia do que ele vê, mas deve ser suficiente, porque segundos depois, puxa meu rosto para ele e devora os meus lábios. Não há outra palavra para isso. Ele toma os meus lábios em um beijo brutalmente perfeito. Sua língua duela com a minha com um controle sem esforço. Leva

alguns

segundos

para

a

minha

mente

lerda

dar

início

ao

planejado. Segundos, minutos, horas - Não faço a mínima ideia. Não muito depois estou arrancando a camisa sobre sua cabeça e sua mão está percorrendo o caminho até o meu short. —Dani, temos que parar—, ele geme enquanto seus dedos esfregam contra a minha fenda, pressionando levemente o clitóris inchado, antes de empurrar dois dedos grossos para dentro da minha vagina molhada. —Não posso—, suspiro contra sua boca e afundo meus dedos nos seus ombros. —Não quero.— —Aqui não. Qualquer um pode nos encontrar.— Ele está certo. Odeio isso, mas ele está certo. —Cohen Cage... Juro por Deus que vou ficar louca se você me deixar assim—. Ele não diz nada. Se inclina para trás, seus olhos procurando os meus.


—Espero desde sempre por isso—, sussurro. Seus olhos se fecham, e ele encosta a testa contra a minha. —Desde sempre—, repito. —Merda—, ele geme. Em seguida, tira os dedos de dentro do meu short, me ajuda a ajeitar roupa, e me auxilia a ficar de pé com as mãos contra os meus quadris. Observo-o, confusa, quando ele pega a camisa e a enfia sobre a cabeça antes de começar a andar ao redor, na escuridão. Bom trabalho, Dani. Bela maneira de assustá-lo com a admissão bizarra que sempre esperou que ele enfiasse as mãos dentro das suas calças. Aposto que ele está tentando descobrir a melhor maneira de escapar o mais rápido que puder, sem ferir meus sentimentos. Bem, tarde demais para isso. —Escute, eu vou...— Em poucos segundos estou de volta aos seus braços, minha cabeça encaixada sob a dele. Ele me prende, fortemente, contra o seu corpo. Quando começa a balançar com a música que atravessa a espessa cortina do palco, me esforço para entender suas mudanças de humor. Até que eu ouço a música que o DJ está tocando. —Kiss by Kiss— do Brett Young. A mesma música com a qual dancei com ele pela primeira vez, há quatro anos. A mesma música que sempre fazia com que eu me lembrasse dele, dia após dia, ano após ano. Os lábios dele vão até a minha testa, depositam um beijo suave nela e, então, descansa seu queixo no meu ombro. A respiração dele contra o meu ouvido


está ofegante, quando eu o ouço cantando a letra da música. Letra essa que terá, para sempre, um novo significado para mim. —E cada vez que você olha para mim eu só quero te abraçar. Toda a minha vida eu estive esperando por você. Pouco a pouco, me apaixonando por você.— Oh. Meu. Inclino a cabeça para trás e olho para o seu rosto bonito. Seus lábios estão curvados ligeiramente em um sorriso que parece dizer, Bem, acho que você descobriu o meu segredo. Seu olhar segura o meu enquanto espera para ver o que vou fazer com a sua admissão, e ele me puxa mais forte contra o seu corpo. Como se tivesse medo que eu fosse correr. Como se eu fosse idiota! —Me apaixonei por você há muito tempo, Cohen Cage. Eu te amei por toda a minha vida.— Seu rosto relaxa, e ele solta a respiração. Quando sua testa encosta na minha, me preparo para a sua rejeição. —Danizinha—, ele geme, como se estivesse rezando, pedindo para ter força. E então, acontece. Quando percebe quem está em seus braços. E ele começa a se afastar. Isso vai mudar tudo entre nós. Esta última rejeição. Se nossas famílias descobrirem – meu irmão, os irmãos dele... Oh, Deus, Liam estava certo. Vai ser terrível. —Tenho que ir ver a Megan. Me certificar que o Chance possa levá-la para casa.— Com isso, ele se afasta de mim, puxa a cortina para o lado e pula do palco.


Não achei que isto ia machucar tanto. Mas ter algo que eu queria, desejava, ansiava em meus braços, só para ser arrancado apenas alguns momentos depois, é mais doloroso do que nunca tê-lo. Porque não importa os obstáculos que teríamos que enfrentar, perceber que nós somos realmente tão perfeitos como sempre imaginei e saber que eu nunca vou ter isso de novo, faz com que pareça que alguém acabou de morrer. Além de tudo isso, fiquei muito perto do que prometia ser o mais poderoso orgasmo que sequer imaginei que ia experimentar. —Merda—. Depois de sentar a bunda de volta no chão, dobro as pernas e as envolvo com os braços, antes de colocar a cabeça contra os joelhos. Bem, isso não é o suficiente para ganhar a medalha dos resultados de merda?

Capítulo 13 Poderia dizer que tive um momento de insanidade. Uma Experiência Fora do Corpo

que

fui

impotente

para

impedir

e

apenas

tive

que

deixar

acontecer. Talvez, pudesse dizer que foi a cerveja? Não. Não importa o quanto eu tente desculpar o que aconteceu entre mim e a Dani, seria uma mentira. Ela estava exatamente onde eu queria. Ela parecia tão linda quando eu cheguei. Exibindo o seu corpo naquele short curto-como-o-inferno. Aqueles peitos empinados que eu amo tanto se destacando no top apertado. E aqueles saltos. Deus, o que eu não daria para saber qual era a sensação de tê-los cravados nas minhas costas enquanto eu a fodia.


Custou todo o esforço que eu tinha, não tomá-la, ali mesmo. Mas fiz a coisa certa e mantive a determinação de me afastar. Se as coisas ainda estiverem assim, quando chegar em casa, então vamos explorar isso. —O que estou fazendo?— Murmuro para mim mesmo, pulando do palco e caminhando ao seu redor, com cuidado de esconder o fato que o meu pau está prestes a se soltar do meu corpo para correr de volta para a Dani. Cam me vê e balança a cabeça. Colt, que está em pé ao lado dele, me mostra o dedão levantado, que respondo com o dedo do meio. Ele e o Cam riem tão alto que consigo ouvi-los através do salão e sobre a música. Demora um segundo para passar através de todos e chegar na mesa onde deixei a Megan. Ela parece quase tão miserável quanto esta manhã, quando dei uma parada na sua casa para me certificar que ela estava bem. Jack deveria estar embarcando com a gente, e sei que esse é um fato que não escapou do seu conhecimento. Tem sido difícil desde que o perdemos, mas ninguém sofreu mais do que a Megan. Bem, talvez sua filhinha de quatro anos de idade, que continua perguntando pelo pai. Pouco mais de uma semana atrás, ela me ligou, porque precisava de ajuda com algum problema na casa. Quando cheguei lá e vi quão ruim as coisas estavam, entrei em cena e continuei a fazer visitas – basicamente, só para ela ter certeza que não estava sozinha. —Ei, Megs—, falo, com um sorriso. Me jogo na cadeira ao lado dela e olho para o Chance, que ficou mantendo-a entretida ou, como ele gosta de falar, —prestando atenção.— Chance, como eu, serviu com o marido de Megan. Acho que sempre soube que iria me juntar à Corps Security. Quando minha tia Melissa conseguiu a minha custódia depois que a minha mãe morreu, então, logo depois, conheceu o Greg - não demorou muito, depois de eu ser adotado


por ambos, para chamá-los de mamãe e papai. Eles são uma enorme parte da minha vida e, sinceramente, olho para eles como se fossem os meus pais verdadeiros. Eu tinha por volta de três anos quando eles começaram a namorar. Ele ajudou a me moldar no homem que hoje sou. Desde então, percorri um longo caminho, do menino que usava uma capa em todos os lugares até aquele que não tinha medo de piercings penianos. —Olá, Coh.— Ela olha para mim, brevemente, antes de voltar sua atenção para as pessoas ao nosso redor. Me inclino para trás e dou uma olhada no salão. Uma vez que os mais velhos correram para fora antes das coisas ficarem um pouco loucas, a pista de dança improvisada está lotada com os corpos pulsantes dos meus familiares mais próximos e amigos. Um salão cheio de pessoas aproveitando a vida. Isso é tudo o que ela vê. Uma felicidade que ela não tem mais. —Você está pronta para ir embora? Acho que o Chance está pronto há algumas horas, já—, sorrio quando ele acena com a cabeça, em um enfático sim. —Estou, mas não quero afastá-lo da sua família, agora. Você deve apreciar seu tempo em casa, antes de partir.— —E eu vou, Megs. Posso voltar para cá, depois, ou o Chance pode levá-la para casa.— Demora um pouco mais de tempo do que eu gostaria, até conseguir que a Megan concorde em ir para casa com o Chance. Ele vai se assegurar que, ao chegar em casa, ela tome um comprimido para dormir, e que ficará tudo bem, antes de voltar para o nosso apartamento. Paro junto às minhas irmãs para que eles saibam que eu estou indo embora com a caminhonete e para elas pegarem uma carona com o Cam e o Colt. Não dão a mínima atenção para mim, mas balançam a cabeça. Depois de falar com os meus irmãos, uma última vez, para me certificar que eles lembrem que


devem levar as meninas para casa, vou para a minha última parada onde a cortina vermelha esconde o prêmio está ao meu alcance. Posso ser considerado louco por causa disso. Inferno, se o Axel desconfiasse que estou a ponto de arrastar sua princesinha para o meu apartamento para uma noite de devassidão, ele iria cortar o meu pinto fora. Ou, talvez, me acorrentar à parte traseira da sua enorme caminhonete pelo meu piercing. Não é, exatamente, um pensamento agradável. Me encolho e esfrego meu pobre brinquedo com o pensamento. —Você tem certeza disso?— Ouço, exatamente antes de subir as escadas laterais que irão me levar de volta para a escuridão camuflada atrás da cortina. Olho para cima e vejo o Liam encostado na parede, os braços cruzados sobre o peito, mas não tenho dúvida de que vai tentar chutar a minha bunda se achar que estou a ponto de machucar a Dani. —Liam, cuida da sua vida.— —Humm, isso não vai acontecer. Aquela menina lá atrás, a que você deixou há dez minutos, não acha que você vai voltar. Teria sabido disso, mesmo que não tivesse olhado atrás da cortina e visto que ela não estava bem. Vou te dar essa chance porque vi que você tinha toda a intenção de voltar para ela, mas se você a machucar novamente, amigo ou não, da família ou não, eu vou te matar.— Ele encerra o discurso invadindo o meu espaço pessoal, tomando cada grama de controle que tenho pra não lhe dar um soco na cara. —Ela é a minha melhor amiga, Cohen—, sussurra. —Você não é estúpido. Sabe quão profundo é o que ela sente por você, e se não demorasse dois segundos para se sentir aterrorizado, seria capaz de admitir que se sente da mesma maneira. Faça algo sobre isso ou a deixe sozinha para que ela possa superar isso.— —Não é assim tão fácil, Liam. Estou indo embora amanhã. Partindo. Sei que você sabe, tão bem quanto eu, que posso não voltar desta vez. Certo ou errado, as consequências que se dane, não há muita coisa que poderia me fazer parar agora. Se eu esperava isso? Não. Mas não significa que não é


bem-vindo. Eu tentei manter distância. Eu neguei nós dois, mas não aguento mais. Eu não vou machucá-la. Nunca poderia machucá-la.— —Tudo bem. Retiro a minha avaliação anterior. Você pode ser um idiota, afinal de contas. Tenha certeza de que ela sabe o que está prestes a acontecer e o que isso significa para você, Cohen. Porque se não fizer isso, você estará alimentando suas esperanças, e quando sair sem fazer alguma coisa, qualquer coisa, claro, isso vai esmagá-la, mais do que se você, apenas, fosse embora.— Ele se vira e sai, agarrando a Maddi pela cintura, em seu caminho, jogando-a, alegremente, por cima do ombro antes de marchar para a pista de dança lotada. Deve ficar registrado que estou longe de ser estúpido. Pensei que estava fazendo a coisa certa, negando isso. Pensei que seria mais fácil para nós dois, se não deixasse esta atração ir mais longe. Uma coisa, apenas uma coisa está clara agora. Quero a Danielle Reid. E, certo ou errado, eu vou tê-la. Só preciso ter certeza que ela saiba que não posso fazer quaisquer promessas sobre o nosso futuro. Não com o futuro muito desconhecido que está em nosso caminho. Quando voltar para casa, podemos sentar e descobrir, mas, por agora, preciso saber se a fantasia faz jus à realidade. Tenho a sensação de que ela vai ser ainda maior do que eu jamais poderia imaginar. Não sei o que esperava quando voltei para onde deixei a Dani, mas, vê-la sentada, em uma atitude protetora, enrolada como uma bola, definitivamente, não era isso. Minha Dani é forte. Ela não iria, nunca, sentir necessidade de se isolar dentro de si mesma. Inferno, se ela não estivesse feliz comigo, teria marchado lá para fora e chutado minha bunda, por si mesma. —Danizinha?— Eu chamo, caminhando até ela, ainda curvada, e me agacho ao seu lado. —Fale comigo, baby.—


Ela fica quieta por um segundo e, quando me inclino para baixo, para puxá-la para os meus braços, ela me pega de surpresa com uma cotovelada no estômago. —Seu otário. Eu lhe disse para não me deixar assim. Estou prestes a enfiar minha própria mão dentro da calcinha para terminar o que você começou.— O brilho súbito no seu olhar me deu tempo suficiente, apenas, para me preparar quando ela levanta da sua posição. Meus braços a envolvem, segundos antes de eu cair para trás. Então eu rolo até que a tenho presa debaixo de mim, sem nenhuma maneira de fugir. Inclinando-me, me asseguro que ela está completamente focada em mim, antes de falar. —Não sei o que você pensou, Danizinha, mas eu disse que ia voltar.— —Não, você não fez isso, seu babaca. Você disse que você tinha que ir ver a Megan. Você disse que precisava se certificar que o Chance a levaria para casa. Agora, me diga, como eu ia saber que, no mundinho do Cohen, isso significa que você ia voltar? Sabe o que mais? Esquece... Saia de cima de mim, então vou encontrar o meu irmão e pedir para ele me levar para casa.— Ela perdeu a maldita cabeça. —Isso não vai acontecer.— Empurro meus quadris contra os dela para que não haja dúvida sobre o que vou dizer. —Durante anos, anos, Dani, você ficou desfilando este corpo impecável e me provocando com algo que eu não podia ter. Durante semanas, ficamos dançando em torno desta atração. Tive um gostinho e, agora, preciso da refeição completa. Então, o que nós vamos fazer é levantar deste chão maldito, sair pela porta dos fundos, e vou ter a sua bundinha doce na minha cama, rapidamente. Falo sério, Dani. Tenho pensado, por anos a fio, sobre como seria sua boceta com o meu pênis enterrado profundamente dentro dela e não vou desistir, agora.— Seus olhos se arregalam, de maneira hilária. Aquelas esferas verde claras, impressionantes, olham para mim com tanto choque que, se não estivesse tão


frustrado, iria rir. Ok, talvez devesse ter lidado um pouco melhor com isso. Sim, eu não sou suave. —O quê?— Ela exala. —O que aconteceu com você dizendo que isso não ia acontecer?— —Sou homem o suficiente para admitir que estava errado e eu estou aberto a discutir isso, de novo. Agora, se apronte, baby. Vai ser uma longa noite.—

Capítulo 14 Todos os vinte minutos da viagem até o meu apartamento são feitos em silêncio e com uma tensão sexual tão espessa que está me sufocando. Meu pau está testando a força do seu confinamento. A cada inspiração, posso sentir o cheiro da sua excitação, do seu desejo por mim, e isso está me deixando louco de tesão. —Você acha que devemos conversar sobre isso, Cohen?— Pergunta ela, fracamente, como se preferisse falar sobre qualquer outra coisa, mas sabe que é inteligente que, pelo menos, iniciássemos algum tipo de comunicação.


—O que você quer que eu fale, Danizinha?— —A verdade, seria bom. Isto é apenas um jogo para você? Ou é mais do que isso? Não estou pedindo o mundo, Coh... mas não acho que consigo me entregar, se isso não significa algo para você. Estou tão confusa com os seus jogos de não-e-depois-sim.— Não respondi, de imediato. Preciso ter certeza que ela me entende e, de maneira nenhuma, vou conseguir que entenda o meu ponto de vista, se ela está olhando para fora da janela e surtando, em vez de olhar para mim. Preciso ver seus olhos, saber que ela está aqui, comigo, e não correndo dentro da sua cabeça para se esconder. Depois de estacionar a pick-up, tiro o cinto de segurança antes de me aproximar e tirar o dela. Ela olha para mim, bruscamente, antes de eu agarrá-la e puxá-la para o meu colo. Minhas mãos vão, instantaneamente, para o seu rosto para que eu possa manter sua atenção. Meus dedos dançam contra o seu cabelo sedoso, suas bochechas estão quentes contra as palmas das minhas mãos e aqueles olhos deslumbrantes se desviam dos meus - ela parece aterrorizada. —Sua bobinha—, sorrio. —Do que você está com tanto medo? Eu não sou o lobo mau. Embora, não me oponha a te comer.— —Oh, Deus, que coisa brega—, ela ri. —Você gostaria, não é? Quer que eu te coma primeiro, ou quer ser minha Chapeuzinho Vermelho e ir para um passeio longo e duro?— —Oh. Deus. Pare, Cohen. Essas frases... São terríveis.— Dou uma risadinha antes de me inclinar e lhe dar um beijo duro, marcante. Não demoro, mas tenho certeza que, com aquele beijo, domino sua mente. —Você queria falar, baby, então vamos conversar.— Agora que eu melhorei um pouco o seu humor, é hora de colocar tudo para fora, para que ela não tenha nenhuma dúvida do que eu quero com ela.


—Não acho que posso. Não com você... com o seu... Jesus Cristo.— Ela começa a se esfregar contra minha ereção e inclina a cabeça para trás para descansá-la em minhas mãos, que ainda estão segurando seu rosto. —Que tal isso?— Solto um gemido quando ela começa a se esfregar com mais força contra o meu pênis latejante. —Que tal a gente chegar lá em cima antes que eu te foda dentro do carro? Estou pronto para brincar, Danizinha, e não haverá nada rápido nisso. Você pode começar a falar agora ou chutar tudo para o alto e ir para a cama.— —Cama—, ela diz, me dando uma outra rebolada forte dos seus quadris contra o meu colo. Esmago meus lábios nos dela e a ajudo a sair do meu colo, depois de mais algumas reboladas dos seus quadris, empurrando para cima, contra ela, para dar, apenas, atrito o suficiente para deixá-la louca, antes de abrir a porta e agarrar a sua mão. —Última chance. Assim que você entrar por aquela porta, garanto que não vou ser capaz de parar.— —Se você parar agora, Cohen Cage, vou morrer.— Eu rio, me abaixo até sua cintura e, encostando um ombro na sua barriga, subo os quatro lances de escada com ela sobre o meu ombro, o mais rápido que posso, suas risadinhas ecoando atrás de nós.


Capítulo 15 Devo dizer que tenho fantasiado com este momento há anos. Certo ou errado, é a verdade nua e crua. Queria essa mulher em todos os sentidos possíveis e, hoje à noite, vou finalmente começar a parar de desejar e tomar. Dani Reid tem sido o centro das atenções de cada sessão de punheta que eu já tive. Recentemente, aquelas sessões têm acontecido com muito mais frequência. Ela está consumindo minha mente. Fico imaginando a cor dos seus mamilos. Como sua boceta iria brilhar com os seus fluidos, quando eu abrisse suas pernas completamente. Como seria provar e afundar minha língua entre aqueles lábios inchados. Que tipo de boceta ela tem? Seria depilada? Talvez tivesse uma pitada daquele


mesmo cabelo castanho que mal posso esperar para envolver em torno do meu punho quando eu estiver fodendo-a por trás. Cada imagem que criei na minha mente empalidece em comparação com a realidade. Ver seu corpo espalhado contra os lençóis negros, cada centímetro da sua pele bronzeada coberto por um ligeiro rubor, que sei que não é de vergonha por estar nua diante de mim, mas por causa da sua excitação. E Cristo, o cheiro dela. Quando parou na minha frente e tirou a roupa, como se não tivesse um pingo de inibição, quase engoli a língua. Em seguida, se deitou na minha cama, abriu as pernas e deixou que eu tomasse o quanto quisesse. Foi quando seu cheiro - o cheiro de dar água na boca, da sua excitação - tocou meus sentidos. Inspiro profundamente e dou um gemido, quando minha boca se enche de água. —Estava me preparando para ir devagar e aproveitar cada segundo disso, mas se não sentir o seu gosto agora, vou ficar louco. Preciso de sua vagina contra a minha língua e gozando na minha boca. Diga-me que posso ter você, Dani.— Eu lambo meus lábios e espero ela responder. Seus olhos escurecem, aquele belo verde claro ficando com um tom esmeralda, e ela acena com a cabeça. —Acho que você está um pouco vestido demais—, diz ela, confiante. Sinto meu pau inchar, dolorosamente duro, quando vejo suas mãos agarrarem os seios pequenos e beliscar os mamilos. Se não fosse pelo ligeiro tremor nas mãos, acreditaria que era um ato corajoso. —Baby, pare de fazer isso ou vou gozar, antes de começar.— Solto um gemido quando ela murcha contra o colchão. —Deus, isso está quente.— Seus olhos brilham. Minhas palavras lhe dão o impulso que ela precisa. — Parar de fazer o quê?— Ela ri. Em seguida, arrasta uma mão para baixo, pelo estômago magro e não perde tempo em mergulhar o dedo do meio em seu núcleo. —Puta que pariu—, eu rosno, estendendo a mão para o cinto.


Seus olhos ardem de desejo a cada movimento dos meus dedos, fazendo com que eu, habilmente, remova o cinto, puxe a camisa sobre a cabeça, e comece a desabotoar os botões do jeans. Lentamente. Tão dolorosamente lento. Tão lentamente que posso sentir cada segundo como se fosse a batida de um tambor através do quarto. Ela continua a mergulhar o dedo para dentro e para fora da boceta molhada. Desafiando-me, a cada impulso, para tomá-la, terminar o que ela começou. A fome dentro de mim está começando a assumir, escurecendo minha visão com um objetivo em mente. Tomá-la. Levá-la e tomá-la até que não sobre mais nada para ela me dar. Seus olhos se arregalam quando puxo o pênis para fora da calça e a deixo cair pelas pernas. Aqueles lindos olhos dela se movem do meu pau até encontrar meus olhos. Uma vez, duas vezes e uma última vez, antes dos movimentos pararem e ela jogar a cabeça para trás e rir. Rir do meu pau. Nunca me aconteceu isso, antes. Olho para baixo, para me certificar de que nada aconteceu com ele desde que eu, tão cuidadosamente, o coloquei dentro da cueca hoje à tarde, mas não vejo nada de errado. Mesma espessura, cor da pele. Mesmo asseio. E, então, descubro. Abaixo a cabeça e, com o calor do rubor de constrangimento sobre a minha pele já febril, sei o que está passando por sua cabeça, e é tão engraçado quanto ela pensa que é. —Você... Meu Deus. Você fez isso. Oh, uau—, ela assobia, engasgando com as palavras, dando risadas.


—Não posso dizer que alguma garota já riu do meu pau antes, Danizinha—. —Bem, não sou qualquer garota! Não é minha culpa... que... Jesus, Cohen, nossos pais contam histórias sobre você, sempre falando sobre... Bem, sobre ISSO!— Ela termina apontando para o meu pau, que ainda estou acariciando mesmo que ela esteja, basicamente, rindo do pobre coitado. —Quantos você tem, Cohen?— —Chega.— Sorrio afetadamente e ela fica sóbria, instantaneamente, quando ela vê a intenção em meus olhos. —É suficiente saber que, de nenhum jeito fodido, você vai estar reclamando quando eles estiverem dentro de você. Você vai amar, Dani. Cada vez que eu penetrar profundamente, você vai sentir todos os quatro contra as suas paredes apertadas. Você estará me implorando para enfiá-los mais fundo, para que este aqui—, falo, apontando para a base do meu pau, —esfregue seu clitóris inchado e o aro acerte o seu núcleo. Cada vez que eu empurrar, você vai senti-los se esfregando nas suas paredes apertadas. Eu terei você implorando por mais, mas por agora, é suficiente.— Me curvo, agarrando seus tornozelos enquanto puxo seu corpo para a beira da cama, e abro suas pernas. Murmuro a minha aprovação quando eu vejo quão molhada a boceta dela está. Ela está, praticamente, chorando sua necessidade pelo meu pênis. —Danizinha. Você quer a minha língua ou o meu pau?— Pergunto, enquanto arrasto as duas mãos para baixo das suas pernas e ainda estou me controlando. Meus dedos provocam, levemente, a pele atrás dos joelhos, viajando mais para perto de onde quero enterrar meu rosto e, em seguida, o meu pau. Ela revira os olhos para trás e geme, mas não me responde. Isso é bom. Vou dar a ela, ambos. Puxando-a pelos quadris, me ajoelho no chão. Então sorrio para ela quando ela se apoia sobre os cotovelos para me observar.


—Vou te comer até você gozar na minha boca. Então, vou te comer um pouco mais. E, só então, vou subir nessa porra de corpo perfeito e lhe dar o meu pau. Uma coisa que você precisa lembrar, porém, Danizinha.— Ela segura o meu olhar, a pele corada, mas os olhos alertas. —Quando eu socar o meu pau dentro do seu corpo, quando as minhas bolas baterem contra o seu rabo, quando eu finalmente tomá-la, isso significa que você é minha. Entende isso?— —Deus, sim—, ela respira ruidosamente. —Sim, qualquer coisa... sim.— —Isso é bom, baby—, murmuro e abaixo o rosto para a sua boceta. O primeiro golpe da minha língua faz com que o seu sabor exploda contra as minhas papilas gustativas, e dou um grunhido, antes de grudar sobre o seu clitóris e sugá-lo profundamente dentro da minha boca. Depois de brincar com ela, até que esteja gritando e faltando pouco para gozar, recuo, amando a sensação da sua tentativa de empurrar minha cabeça de volta para baixo com as mãos. —Você tem um gosto bom pra caralho—, sussurro, beliscando os lábios e mordendo o interior das suas coxas com os dentes, fazendo-a gritar. —Mal posso esperar para ter o meu pau dentro desta boceta—. E com isso, volto a minha boca até o seu corpo e não paro até que ela está gritando o meu nome e gozando de encontro à minha língua. Ainda a faço gozar mais três vezes antes de levantar do chão, agarrar seu corpo lânguido - pelos ombros - e puxá-la comigo para o meio da cama. Não lhe dou um segundo sequer para se afastar antes de abaixar a minha boca sobre a dela e espalhar seus sucos contra o queixo e lábios. Ela me beija com uma fome que coincide com a minha, e não tenho certeza se é porque ela está tão excitada quanto eu, ou se o gosto dela mesma na minha boca parece tão quente para ela, quanto para mim. —Você quer o meu pau?— Pergunto.


—Não—, ela retruca. —Eu preciso do seu pênis—, diz ela, sem fôlego. —Caralho, sim, você precisa.— Completamente perdido no êxtase da Dani, distraidamente, estico um preservativo sobre o meu pau, tendo cuidado com os piercings, dos quais ela estava rindo mais cedo e, então, me acomodo mais para baixo, alinho nossos corpos,

e

empurro

minhas

bolas

profundamente,

com

um

único

impulso. Quando ela grita, de dor e não prazer, que percebo o que eu fiz. Ou melhor ainda, o que não fiz, porque se eu soubesse que eu era o primeiro, tenho certeza que teria tido um pouco mais de finesse. —Merda, Danizinha. Porra. Por que você não me contou?— Tomo sua cabeça entre as mãos e desejo que ela abra os olhos, que havia fechado quando meu pau entrou em seu corpo, e olhasse para mim, dizendo que está bem. Meu pau, ainda duro dentro da sua boceta apertada, está implorando para eu começar as estocadas. Exigindo que eu comece a levá-la do modo como o meu corpo anseia. Mas agora, preciso ter certeza de que ela está bem, e de maneira nenhuma, o meu corpo vai transar com ela como um animal, sendo que não está bem. —Baby, olhe para mim.— —Eu estou bem—, ela sussurra, revirando os quadris experimentalmente. —Só precisava passar por isso, mas de verdade... Estou bem.— —Por que você não me contou?— Observo seu rosto, sabendo que ela está varrendo a dor para debaixo do tapete. —Se eu soubesse...— Balanço a cabeça, porque, na realidade, estava tão embriagado por ela que não tenho certeza se conseguiria ter parado. —Baby, você tem que falar comigo.— Ela bufa um suspiro, o rosto ficando vermelho de vergonha. —O que você gostaria que eu dissesse? 'Ei, Cohen... antes de você finalmente me foder, acho que você deveria saber que sou uma patética virgem de vinte e um anos de idade.— Você sabe, aquelas estúpidas novelas românticas estereotipadas onde a garota se entrega ao cara só para ele enlouquecer quando percebe que ela é —inocente.— Em seguida, ele corre o mais rápido que pode, porque mal pode esperar para virar a página. Notícias de última hora, babaca! Eu queria


que você abrisse as páginas do meu livro. E queria que elas fossem viradas por você!— Seu peito arfa quando ela para de falar, e seus olhos se arregalam. —Acabei de dizer tudo isso?— —Sim, Danizinha. Você, com certeza, disse.— Dou uma risada e ajusto meus quadris. Meu pau, ainda enterrado profundamente dentro do seu corpo, se contorce com o movimento. —Só para esclarecer as coisas aqui, eu não teria corrido. Gostaria de ter sido mais cuidadoso quando fudi você.— —Certo. Bem, você pode calar a boca e me foder, agora?— Ela geme quando me mexo de novo, e sinto o anel na cabeça do meu pênis contra o seu ventre. Eu sorrio, e seus olhos se estreitam. —Ainda está doendo?— Pergunto com toda a seriedade. —Estará se você não se mover!— Seus olhos estão enevoados e sua respiração está ofegante no momento em que ela termina a frase. Sua vagina se contrai quando me movo novamente e inclino a cabeça até o seu pescoço para lhe dar uma mordidinha. Ela me recompensa cruzando as pernas em volta da minha cintura, enganchando os tornozelos e cravando as unhas em meus ombros com um gemido. Recuo e descanso a testa contra a dela para poder olhar nos seus olhos e tomá-la. Pegar o que é meu e só meu. Deus, é melhor do que pensei que seria, saber que nenhum outro homem jamais esteve aqui. Recuo apenas alguns centímetros antes de empurrar de volta e ela não se mexe. Está olhando para mim com amor. Puxo de volta, um pouco mais a cada vez, e não demora muito para o meu corpo estar penetrando o dela em sucessões rápidas. Gostaria de tornar isso melhor para ela, mas sua boceta é tão apertada, que está ordenhando o meu pau antes mesmo de começar a me mover, e agora que já estou, sei que não vai demorar muito. Estendo a mão para baixo, entre nós e começo a fazer pressão sobre o clitóris. Em um segundo, meus dedos começam a se mover em sincronia com


os meus golpes, seus gritos ficando mais altos, e leva apenas alguns segundos antes dela jogar a cabeça para trás e meu nome deixar os lábios inchados enquanto ela goza longa e fortemente, contra o meu pau. Quatro estocadas depois, minhas bolas contra a sua bunda e meu pau tão profundo quanto posso ir, eu gozo, e com seus olhos fixos nos meus, percebo que fui um tolo em pensar que poderia ter vivido sem isto.

Capítulo 16 —E agora, Cohen?— Ela sussurra através da escuridão que nos rodeia. Ela tem uma perna enganchada sobre os meus quadris, enquanto repousa a coxa contra o meu pau gasto, a outra deitada sobre a cama. Seu peito está pressionado contra o meu, sua testa descansando contra o meu pescoço. A mão que ela estava usando para desenhar círculos no meu peito durante os últimos vinte minutos se acalma com a pergunta, e eu uso o braço que estava mantendo-a perto, para aumentar o aperto. Sabia que ela estava trabalhando as coisas na sua cabeça, assim eu a deixei ter o seu tempo e esperei as perguntas que sabia que viriam. Tenho algumas próprias, que me atingiram com uma explosão de clareza enquanto olhava em seus olhos e sentia o corpo dela tomar cada centímetro do meu. Coisas que pensei que seria capaz de esperar. Coisas para as quais não tenho a mínima fodida ideia de como vou ser capaz de virar as costas e partir, amanhã de manhã.


Tenho uma batalha interna se travando dentro de mim, agora. Um dos lados sabe, sem dúvida nenhuma, que prefere estar aqui com ela - nua nos meus braços, o coração batendo contra a minha pele. Depois, há o outro lado. O lado lógico. Aquele que tem medo de acabar com isso, esta noite, sabendo quantas outras vidas irá afetar. Não é apenas o show do Cohen e da Dani. São nossas famílias, irmãos e todos os outros no círculo estreito. Batalha ou não, o lado que vai ganhar só vai depender da mulher que está em meus braços. —Me deixe ver os seus olhos, Danizinha.— Abaixo o queixo e espero que ela levante os olhos para mim. O rosto dela está vazio de emoção, mas seus olhos não conseguem esconder uma coisa de mim. —Diga-me, honestamente, o que você quer que aconteça agora.— —Honestamente?— Ela questiona. —Completamente. Uma coisa que você precisa entender sobre isso, de agora em diante, é que, se você está pensando em me dizer o que eu penso e espero que seja, então, honestidade é a mais coisa importante. Não posso entrar nisso sem saber o que está se passando nessa linda cabeça.— Ela fica em silêncio por uma batida; durante todo o tempo, seus olhos nunca escondem o pedido esperançoso. —Eu não quero, nunca, deixá-lo ir—, ela suspira, e lhe ofereço um sorriso triste, porque nós dois sabemos o que virá de manhã e ela vai ter que entender. —Não quero que você vá embora, mas vou apoiá-lo em tudo e de todas as maneiras que puder. Quero ser capaz de ser sua, mesmo quando você não estiver aqui, mas sei que, quando você voltar, vai voltar para mim. Quero que você seja capaz de partir com a confiança que estarei esperando por você se... se for isso que você quer, é claro.— Deus, ela não poderia ser mais perfeita.


—Mais alguma coisa?— Pergunto, movendo uma mão para correr os dedos pela sua bochecha. —Não acho que temos tempo suficiente para entrar em detalhes sobre tudo o que eu quero de você, Cohen. Vamos apenas colocar desta forma. Eu te quero. Eu quero você e tudo que vem com isso.— —Dani—, suspiro. —Parto amanhã, baby. Parto amanhã e não posso, nem mesmo, lhe dar uma estimativa de quando voltarei para casa. Não é justo, para mim, fazê-la minha e exigir esse tipo de compromisso, quando não posso estar aqui com você. Não vou, nem mesmo, ser capaz de entrar em contato com você, Dani... Como é que isso vai funcionar? Como isso é justo para você? Eu não quero que você tenha que se sacrificar por mim, por nós.— —Quando se trata de amor, vale sempre a pena o sacrifício. Sempre. Uma coisa que os meus pais me ensinaram foi que, quando você encontra a razão para o seu coração bater, não pode nunca deixá-la ir embora e se, por algum motivo além do seu controle, tem que fazer isso, você luta a cada respiração do seu corpo para tê-la de volta. Você vale isso para mim. Você não está me pedindo para abrir mão de nada, Cohen. Eu te amei toda a minha maldita vida... O que serão mais alguns meses de espera, se eu sei você está voltando para mim?— Cada vez que ela diz que me ama, está na ponta da minha língua retornar as palavras para ela. Eu as sinto, mas tenho certeza que não quero que ela pense que eu estou a dizê-las, apenas para repetir de volta para ela. Sabendo como é a Dani e as reservas que já possui sobre os meus sentimentos em relação a ela e sobre nós, ela provavelmente iria pensar assim, também. —E sobre as nossas famílias?— Medito, em voz alta. Eles têm que ser avisados. Não quero que se transforme em um enorme problema. Ou, Deus me livre, ela querer esconder essa coisa entre nós. Primeiro de tudo, com a quantidade de vezes que todos estão juntos, seria quase impossível. E eu quero ser capaz de exibi-la como minha garota. Exibi-la e deixar o mundo saber que ela é minha. Não posso fazer isso se ela estiver


preocupada com o que vai acontecer quando nosso relacionamento vier a público. —O que tem eles? Suas irmãs estão torcendo para ficarmos juntos há vários anos. O Nate já sabe ou, pelo menos, sabe sobre o que eu sinto por você, e nunca disse nada além de eu ter cuidado. Eu não tenho certeza de que o Cam e o Colt se importem, para ser honesta. Assim como os nosso pais... bem, não sei sobre eles. O que você acha?— Eu lhe dou um sorriso e sou, instantaneamente, recompensado quando seus lábios carnudos se curvam para cima e ela me retribui. —Baby, acho que, quando eu chegar em casa, seu pai vai chutar a minha bunda, porque de jeito nenhum vou desistir disso. Aqui vai a minha honestidade. Está pronta?— Ela acena com a cabeça. —Quero que você pense sobre isso a partir de todos os ângulos, porque é isso que tenho tentado fazer. Ficaria muito orgulhoso de tê-la ao meu lado, na minha cama e de partilhar a minha vida com você. Entendo que vai ser uma luta quando se trata do seu pai, mas essa é uma luta que vou enfrentar se você estiver ao meu lado. Nossas mães, sim... isso não é algo que você precisa se preocupar. Confie em mim, baby. Elas vão começar a planejar um casamento no segundo em que deixarmos eles saberem em que ponto estamos. Meu pai só quer que eu seja feliz. E garanto que ele vai cuidar da minha retaguarda quando eu for falar com o seu pai. Com o Nate, não precisamos nos preocupar, também. Vou lidar com ele. Parece que, com as minhas irmãs, não vamos ter problemas, e os meus irmãos vão estar lá, nos apoiando, com a Lyn e a Lila.— Faço uma pausa e movo nossos corpos para que ela fique sob o meu corpo, as pernas abertas e os quadris dando boas-vindas à pressão do meu próprio. —O único problema que tenho aqui é saber que eu estou indo partindo amanhã, e ao fazê-lo, eu estou deixando você e o que está, definitivamente, começando entre nós. Não sou o tipo de homem que gosta de saber que sua mulher está sozinha, e se você precisar de mim, não estarei aqui. Não gosto de saber que, se você estiver triste, não posso fazê-la se alegrar. Se você estiver doente, não


vou estar lá para fazê-la melhorar. Se estiver com medo, não posso afastar os seus pesadelos. Mas a questão é, não vou estar lá para você, e isso não é algo que um homem como eu, consiga digerir facilmente.— Abaixo a cabeça, doulhe um pequeno beijo e me afasto, olhando para os seus olhos, brilhantes e esperançosos. —Mas, Danizinha, também sou um homem egoísta, porque mesmo sabendo de tudo isso, não faz diferença. Somos eu e você, baby. Você e eu contra o mundo.— Limpo a lágrima que cai do seu olho antes que ela possa trilhar o caminho pela sua bochecha até o sorriso radiante e muito feliz que estica todo o seu lábio. Mesmo quando solto a minha mão da sua, o sorriso permanece. E, mais tarde, muito mais tarde, quando ela está gemendo meu nome, ele ainda não deslizou. Minha garota, a minha Danizinha, é feliz. —Você é meu?— Ela pergunta. —Sim, baby. E você é toda minha.— Com o coração cheio, mas pesado, eu a seguro durante toda a noite. Meus olhos jamais se fecham e observo sua face sorridente. Memorizo cada centímetro dela, a forma como ela fica em meus braços, como cheira a flores silvestres na chuva. Quando ela geme em seu sono e sussurra meu nome, sei que, quando partir, amanhã, estarei lutando com cada instinto meu. Tenho que voltar correndo para ela. Vai ser uma batalha difícil, mas valerá cada segundo de saudade, porque no final, quando voltar para casa e ela estiver de volta nos meus braços, vou ser o bastardo mais sortudo do mundo.


Capítulo 17 Dani É difícil enxergar através das lágrimas que nublam minha visão. Ver através da tristeza que o meu coração sente ao vê-lo se vestir. Observá-lo arrumar suas coisas. Enfiando as botas ou abotoando o casaco. Todas as coisas que não vou poder assistir, novamente, por vários meses. Pequenas tarefas cotidianas. Estou tentando marcá-las em minha mente para que eu nunca esqueça. Como olhar seus dedos quando ele está passando o cinto através do jeans. Como sua testa se franze quando ele está tentando descobrir como conseguir um pouco mais de espaço na sua bagagem de mão. Mesmo que eu saiba que ele vai voltar para mim, saber que estamos começando algo tão bonito com um nevoeiro grande e feio nos rodeando, me deixa em pedaços. Ele olha para mim quando termina, fechando o último zíper e me dá um sorriso triste. Tenho certeza que meus olhos estão olhando para ele, exatamente, como os dele estão olhando para mim. Da maneira como é, se não pudermos nos ver outra vez, então, devemos fazer esse segundo durar uma vida.


Levanto a mão e, com raiva, limpo uma lágrima. Odeio chorar. É um sinal de fraqueza, mas não consigo detê-las. Meu coração, mesmo completo e cheio com o conhecimento de que ele é meu, está quebrando. —Danizinha—, diz ele com um suspiro. —Você está me matando com essas lágrimas.— Ele se senta na cama e me puxa para o seu abraço. Quando seus braços fortes me envolvem e o conforto que sempre vem quando sua proximidade penetra minha pele, só consigo chorar mais. —Isto não é um adeus—, ele promete. —Nunca a-adeus—, gaguejo. —É vejo você em breve—, ele sussurra. —Toda vez que eu fechar meus olhos—, prometo. Não precisamos de mais palavras depois disso. Quais são as outras necessidades a serem ditas? Tenho que acreditar que, mesmo sendo nova, temos o tipo de conexão que pode derrubar qualquer coisa. Ele me segura em seus braços por mais dez minutos. Dez minutos inteiros, nos quais me sinto completa. Quando seu telefone emite um bipe, deixando-o saber que seus pais estão a caminho, ele me dá um profundo beijo antes de se levantar e ficar ao pé da cama. —Pode ficar o tempo que quiser, Danizinha. Gosto de saber que você está na minha cama, mesmo que eu não esteja aqui.— Ele para quando solto um grande soluço. Inclinando-se sobre o local onde ele me deixou, no meio do colchão, me dá um outro beijo longo e profundo. —Vejo você em breve, meu coração.— Depois de mais um beijo, ele se levanta, pega suas coisas e sai pela porta.


Não sei quanto tempo fiquei no meio de sua cama, cercada pelo seu aroma e a lembrança da noite anterior. Somente quando o Liam aparece e me envolve em seus braços, fazendo com que meus soluços dobrem em vigor, que percebo que o sol já está firme no céu há muito tempo e o Cohen, provavelmente, já embarcou neste momento. —O-o que você está fazendo aqui?— Pergunto, quando finalmente sou capaz de me acalmar. —Cohen me enviou uma mensagem de texto um pouco depois das nove da manhã. Disse-me que, se eu não te visse até a hora do almoço, eu tinha que ir encontrar o Chance e pegar a chave do apartamento. O almoço chegou e a Dani não, assim aqui estou eu. Vamos, princesinha. Vou levá-la para casa.— Lee se vira de costas quando me movo tirando as cobertas de cima do meu corpo nu, jogando meu short e uma das camisas do Cohen sobre o ombro. Quando puxo a camiseta de algodão sobre a cabeça, noto imediatamente que deve ser aquela que ele usou na noite anterior. O cheiro dele, tão fresco e poderoso, quase me deixa de joelhos. Tenho que morder o lábio para impedi-lo de tremer e vitoriosamente conter as lágrimas. —Aqui—, diz o Lee com um sorriso. —Peguei um sabonete e a merda do vidro de perfume que ele deixou no banheiro.— Quando olho para ele como tivesse perdido o juízo, ele ri, jogando o sabonete, o perfume e três camisas que estava segurando em seus braços. —O quê? Você está parada aí cheirando, como se quisesse esfregá-la todinha em você. Melhor fazer isso de modo que dure algum tempo.— Ele encolhe os ombros, pega minha bolsa no chão, ao lado da mesa de cabeceira e pega a minha mão antes de me levar para fora do apartamento. Chance está guardando um pouco de comida nos armários da cozinha, quando saímos. Ele dá ao Lee um daqueles acenos de cabeça de macho e me dá um pequeno sorriso.


—Vejo você por aí, Dani.— Concordo com a cabeça, mas sei que não vou vê-lo por aí, muito. Não agora que o Cohen se foi. Deus, ele realmente se foi. *** —Você acha que ela está morta?— Pergunta a voz, e sinto algo afiado espetando o meu quadril. —Não, mas acho que ela cheira como uma—, outra voz responde. —Tem um cheiro... podre aqui. Me pergunto, se nós a movermos, o que vai estar crescendo entre essas cobertas.— —Urgh, Maddi – você é tão grosseira!— Lila exclama. —Calem a boca, vocês duas—, murmura a Lyn. Sinto a cama afundar, mas puxo as cobertas sobre a cabeça. —Vá embora.— —Sem chance disso acontecer. Tempo de amores difíceis, cadela,— Lyn estala antes de puxar o edredom do meu corpo. —Sério, Dani. É hora de tirar essa camisa.— —Não.— —Ah, sim, isso vai acontecer. Ou você a tira por sua própria vontade ou vou ser obrigada a cortá-la. Você quer me ver cortar essa camisa? Hein, Dani? Quer que eu a corte em pequenos pedaços?— Lyn ladra, de pé ao lado da cama com as mãos nos quadris. —Você não ousaria!—


—Me tente. Já se passaram três dias desde que o Cohen se foi. Você vê a Lila e eu nos lastimando pela casa? Não. Você está agindo pateticamente, e é hora de acabar com essa merda.— Que diabos? Quem ela pensa que é? —Que diabos, Lyn! Quem você pensa que é para me dizer que eu não devo ficar chateada?— —Vou te dizer o que eu acho que sou! Sou a sua melhor amiga, mas também sou irmã dele. Consigo passar por isso junto com você, mas tenho o benefício adicional de ver você desmoronar o tempo todo enquanto controlo a minha preocupação com ele porque não quero te deixar mais chateada do que você já está.— Oh. —Eu amo você, Dani. Estou tão feliz que você e o Cohen ficaram juntos antes dele partir, mas agora, você tem que parar de agir como se ele não fosse voltar para casa, porque ele vai. Ele vai, Dani. Eu juro.— Seus olhos começam a lacrimejar, e eu quero me chutar por fazê-la se sentir pior quando devia ter engolido minha tristeza e estar lá para apoiá-las. —Sinto muito—, ofereço fracamente. E eu estou. Ainda dói, ter a memória da sua exploração pelo meu corpo, tão fresca dentro de mim, mas ela está certa. Eu estou de luto, como se ele nunca mais fosse voltar. —Vá tomar um banho e mexa esse rabo para o trabalho, hoje, então não preciso lidar com o Sway enlouquecendo sobre você faltar a mais um dia de filmagem.— Aceno com a cabeça e levanto da cama. Quando vou tirar a camisa do Cohen, olho por cima do ombro, até onde ela está, de pé. Maddi e a Lila devem ter corrido porta afora, enquanto nós estávamos conversando. Ela levanta uma das sobrancelhas pretas, perfeitamente esculpidas e olha para a minha mão na


bainha. Estreito os olhos e, instantaneamente, decido que esta camisa e as outras, que tenho certeza que ela não tem ciência, vão ficar bem escondidas. Nem escondo o sorriso que tenho, quando deixo cair uma gota sabonete líquido Cohen na minha vagina e começo a me perder em memórias. Memórias que vão me manter até ele chegar em casa. Sim... totalmente normal. *** Dez horas infernais depois, estou pronta para matar alguém. Estou sentindo falta do Cohen terrivelmente, mas esse sentimento estava agravado dez vezes mais pelo Devon, seus dois idiotas, e - Deus o ama - o Sway. Devon queria saber quando —o galã do drama romântico— viria novamente, que trouxe à tona quando ficou claro que não haveria nenhum espetáculo digno acontecendo no salão de beleza, hoje. Lyn enlouqueceu e jogou uma das suas paletas de sombras nele. Os —assistentes— do Devon – e uso essa palavra vagamente porque eu não os vi, na verdade, ajudando em nada - não deixam de ser nojentos. O baixinho que eu vi, realmente, com o dedo no nariz, duas vezes, e a segunda vez quase me fez vomitar o almoço quando o vi lamber o dedo. E o outro... Não posso apontar com exatidão o que tem nele que eu não gosto, mas está lá. E ficar olhando abertamente para todas as mulheres no salão, não lhe dava, exatamente, pontos no lado positivo. E, em seguida, o Sway. Eu poderia, realmente, matá-lo. Realmente. Estava na sala dos fundos fazendo uma mistura de tinta cor de rosa para retocar o cabelo da Jenna Nixon, quando ele veio por trás de mim e tentou


medir o meu busto. Tipo, jogou uma daquelas fitas ao redor do meu corpo e me disse para eu parar de me mexer para que ele soubesse o tamanho que precisaria encomendar para o dia burlesco no salão. Eu acho que não, porra. E tudo bem, podia ter sido um pouco menos dramática quando lhe dei uma cotovelada no estômago, mas ele ultrapassou o limite com a fita métrica. Inútil dizer que, no momento em que a jornada de trabalho acabou, estava mais do que pronta para encerrar a noite. Se estou tão ruim depois de apenas três dias, odeio pensar em como vou me sentir quanto mais o tempo passar.

E é com esse pensamento que eu encontro aquilo. Encontrei a razão que eu precisava para solidificar a força que eu precisava. Um motivo para sorrir novamente. Não sei como não o vi antes, mas não estava pensando, exatamente, direito na manhã em que ele partiu – ou a cada dia depois daquilo - por isso faz sentido que não o tenha visto antes. Enfiado em um dos bolsos laterais da minha bolsa está um envelope branco, lacrado, com o meu nome rabiscado com uma letra masculina do lado de fora. Não apenas o meu nome. O nome com o qual apenas uma pessoa me chama.

Danizinha Meu queixo treme quando pego a carta que o Cohen deve ter escondido lá, em algum momento da noite, antes de partir. Parte de mim quer rasgá-lo e devorar


cada palavra. Mas a parte sensível de mim quer saborear cada palavra, sabendo que vão ser as palavras que preciso, para me manter. Danizinha - minha doce Danizinha. Você não tem ideia de quanto tempo estive observando você dormir. Sinto que olhar para você pelo resto da noite, pode ser o suficiente para me fazer aguentar até que eu chegar em casa, Mas, mesmo enquanto escrevo isso, sei que não é suficiente. É engraçado como aguentei quase vinte e seis anos sem saber o que era sentir o gosto de ter você em meus braços. Tive o seu corpo nu contra o meu por uma noite e soube que era um sentimento que eu vou lutar para ficar sem. Não sei a melhor maneira de explicar que não faz sentido, como se você sempre devesse ter estado lá. Meu pai costumava me dizer que o seu pai costumava ficar tão chateado quando éramos crianças, porque onde quer que eu fosse, você não estava muito atrás e, sempre que estávamos na mesma sala, eu estava sempre observando você. Ele me disse isso uma vez, que era como se tivéssemos algum cabo invisível nos puxando um para o outro. Não acho que entendia isso, até ontem à noite. Sempre usei desculpa após desculpa para manter os sentimentos que tinha por você de lado. De qualquer forma, meu ponto é que, enquanto estava sentado aqui no escuro, velando o seu sono, me atingiu o quanto vai me rasgar em dois quando tiver que ir embora, amanhã de manhã. Vê-la na minha cama, saciada e corada pelo fato de tê-la tomado de novo, vai ser algo sobre o qual vou pensar nas noites que virão. Foi inesperado, baby, mas foi o destino. O nosso destino inesperado, e não tenho nenhuma dúvida na minha cabeça que isso aconteceu no momento perfeito para nós, mesmo que siga sabendo que não posso mantê-la em meus braços por muito tempo, vou levar as memórias de ontem à noite comigo a cada segundo de cada dia em que estiver fora. E quando voltar casa, tenho certeza que não vou deixar você partir.


Danielle Reid, você enterrou sua bela alma direto no meu coração. Fique forte, minha linda Danizinha, e saiba que, onde quer que eu esteja e onde quer que você esteja, vou estar pensando em você. Saiba que, quando chegar em casa, não se passará um segundo sem que eu mostre o quanto você significa para mim. Fui um tolo em negar esta conexão que temos por tanto tempo e por isso, sinto muito, mas agora, somos você e eu contra o mundo e não há nada que poderá afastar esse sentimento de nós, agora. Lembre-se, vou te ver em breve - a cada vez que fechar os meus olhos. Amor, Cohen

Quando termino de ler a carta, meus olhos estão molhados de lágrimas, mas, desta vez, são lágrimas de aceitação de que posso e vou superar o tempo da missão do Cohen e, quando ele chegar em casa, vamos ser ele e eu contra o mundo. E mal posso esperar.


Capítulo 12 Dani Dois meses mais tarde —Dani!— Ouço a Lila gritar e subir as escadas. Sorrio para mim mesma, porque sei o que está por vir. A mesma coisa que acontece todo sábado às nove horas da manhã, nos dois últimos meses. Olho para as rosas vermelhas que estão no canto da minha mesa e sorrio. Faço o mesmo quando olho para a outra dúzia na minha cabeceira e


depois, novamente, quando chego ao final do corredor e veja outra dúzia que vai ser substituída, hoje, na mesa de canto bem em frente às escadas. Nos últimos dois meses, como um relógio, tenho recebido uma dúzia de rosas vermelhas. Nunca vem com um cartão, mas não preciso de um. Há apenas uma pessoa que iria me enviar tal presente extravagante toda semana. Quando a primeira entrega apareceu, foi na manhã depois que li a carta do Cohen, e foi o fortalecimento que eu precisava. As meninas não falavam muito, não a princípio. Então, quando ficou claro que não ia acabar no fundo do poço, elas acabaram com o olhar suicida e começaram com as perguntas. Eu lhes contei o que pude, sem lhes dar os detalhes íntimos do relacionamento entre o Cohen e eu. Estávamos juntos e gostaríamos de permanecermos juntos até que ele voltasse para casa. Expliquei que não ia contar para qualquer

outra

pessoa,

além

delas

e

do

Lee. Não

quero

causar

problemas. Elas não entenderam ou concordaram, mas por enquanto, me deixaram em paz. Acho que a parte que ainda está me preocupando é que isto seja um sonho. Que o Cohen vai voltar e mudar de ideia ou perceber que não era o que ele pensou que sentia. Mas, também, estou egoisticamente esperando até que tenha a sua força ao meu lado antes de contar para todos os outros. E para todos os outros, quero dizer, o meu pai. —Fui em frente e assinei por você. Esse cara da entrega é assustador pra caralho.— Lila me entrega as flores revirando olhos. —Juro que o meu irmão está ficando mole—, ela murmura sob a respiração quando vai embora. —Aonde você está indo hoje?— Pergunto ao cheirar profundamente as flores. —Peguei uma matéria no sábado para ter alguns créditos extras.— —Porra, Lila! Você não tem medo que vai se torrar um destes dias?— Flores

esquecidas,

bem,

quase

esquecidas,

olho

para

ela

com

preocupação. Ela se esforça tanto, há vários anos que, realmente, nunca parei


para pensar que, talvez, ela esteja se forçando um pouco demais. —Qual é a pressa, gata?— —É apenas uma coisa que eu preciso fazer, Dani. Não sei como explicar isso de outra maneira. Eu apenas imagino todas as crianças que precisam da minha ajuda e não quero lhes dar nada menos do que cem por cento.— Eu lhe dou um sorriso, antes de colocar as flores sobre a mesa de canto na porta da entrada. Caminho até onde ela está, cutucando o esmalte da unha, envolvo meus braços em torno dela e lhe dou um grande aperto. —Você vai ser incrível, Lila. Você já seria fantástica, mesmo sem todos estes anos extras de cursos, mas com eles, você vai ser incomparável.— Ela sorri, mas não dá bola para as minhas palavras. —Quer tomar um café da manhã antes de sair para se encontrar com o Lee?— —Gostaria

disso. Sinto

que

tudo

que

tenho

feito

ultimamente,

está

funcionando. Desde que o Devon correu de volta para Los Angeles e deixou o Don e o Mark no comando, as coisas ficaram um pouco intensas.— Andamos pelo corredor e entramos na cozinha. Lila se estatela na banqueta enquanto vou direto para a geladeira e começo a pegar os ingredientes que preciso para fazer torradas. Lila não cozinha sempre. Não, a menos que a gente queira vomitar durante semanas. A última vez que ela tentou fazer o jantar em casa - quando tivemos a brilhante ideia que devíamos fazer uma rotação, para que uma única pessoa não tivesse que fazer toda a comida, ela iniciou um pequeno incêndio com gordura, queimou macarrão e fez torradas sem retirar a película plástica das fatias de queijo. Inútil dizer que, com todos os seus dons, cozinhar não é uma coisa que ela consiga fazer. —Como você está se aguentando com as coisas?— Pergunta ela, quebrando o silêncio.


—Estou bem, Lila. Realmente, estou. Sei que fiquei um pouco louca quando ele partiu e me desculpe por isso. Não era certo eu fazer isso e não estar lá para apoiar você e a Lyn. É só - não consigo nem descrever isso. Nós nos conhecemos um ao outro, desde sempre. Já estivemos tanto tempo na linha — apenas amigos— que nunca imaginei como seria diferente, finalmente têlo. Mesmo que fosse apenas por algumas horas. Aquelas horas...— Faço uma pausa, lembrando de cada segundo da minha noite nos braços do Cohen. —Quando estava com ele, foi como se tudo estivesse certo no mundo.— —Você parece um cartão romântico brega—, ela ri. Eu sorrio. —Você está certa. Deus, sou patética.— —Não, você não é. Entendo o que você está dizendo, mesmo que seja brutal pensar nisso com ele sendo meu irmão.— —Você acha que é loucura? Esta conexão instantânea entre nós?— Eu não acho que ele é louco, mas quero saber como os outros podem enxergar a rapidez do nosso relacionamento. Venho desejando-o há tanto tempo que tenho certeza que pareço patética para a maioria. Sei que nunca sonhei que ele retribuiria os meus sentimentos. Lila estuda o meu rosto por um instante, sua expressão não demonstrando nenhuma graça, antes de falar. Não sei por que, mas entre ela e a Lyn, sempre pensei que a Lila não gostaria, exatamente, que o Cohen e eu ficássemos juntos. —Não acho que ele é louco, Dani. Mas estou preocupada com você. Ele é meu irmão, mas você também sempre foi como uma irmã para a Lyn e eu. Estou preocupada que as coisas possam ficar... grudentas.— —Significado?— Forço, hesitante. —O que vai acontecer quando ele chegar em casa?— Pergunta ela, sem responder a minha pergunta.


—A mesma coisa que teria acontecido se ele ainda estivesse aqui. Nós vamos contar a todos juntos e depois, espero que com a sua bênção, continuemos a ver para onde nosso relacionamento vai.— —Ok. Bem, o que a está impedindo de contar para todos, agora? Vou ser honesta, não concordo com o seu desejo de manter isto abafado.— Estou tentando manter meu temperamento sob controle. Sei que ela está, apenas, tentando pensar logicamente, mas isso não significa que não estou autorizada a ficar frustrada com a sua falta de fé. —Você está com medo que ele vá mudar de ideia, não é?— Ela pergunta quando eu não digo nada —Nunca—, falo venenosamente. —Olha, não quero brigar com você, Lila, mas tenho fé em seu irmão, que ele nunca teria sequer mexido nesse vespeiro se ele não estivesse falando sério. Mas vou admitir que posso ver onde você está querendo chegar. Pode ser mais fácil para mim falar alguma coisa agora e ir acalmando o meu pai, enquanto o Cohen não está em casa. Sei de uma coisa certa: quando ele chegar em casa, quero ser capaz de me concentrar em nos tornarmos um casal, sem ter que me preocupar em esconder nada e ficar com medo do que os outros podem pensar. Então, acho que eu não vou manter isso em segredo.— Suspiro e tento empurrar para baixo o pequeno pânico que tenho por saber o tipo de bate-papo que vou ter com o meu pai. —Vou contar para os meus pais na semana que vem, no jantar.— Aceno algumas vezes antes de parar. Deus, devo parecer uma idiota. Seus olhos se arregalam. —Você vai contar ao seu pai - o mesmo pai que estava preso em casa quando o Toby Gilbert tentou levá-la ao cinema quando tinha dezessete anos e perseguiu o garoto para fora da casa com uma serra elétrica - que você e o Cohen estão juntos?— —Ei - não era uma serra elétrica,— sorrio, lembrando de como fiquei envergonhada.


—Dani... ele ainda perseguiu um homem com uma motosserra idiota e o Toby só queria levá-la para ver um filme. Estamos falando de contar ao seu pai que você e o Cohen estão juntos juntos, e tenho certeza que ninguém vai acreditar que vocês dois têm algo que não envolve tocar.— —Eu sei, eu sei—, suspiro. —Mas acho que seria melhor contar para ele agora e lhe dar um tempo para se acostumar com isso, antes do Cohen chega em casa.— —Oh, Deus. Ele vai matá-lo. Você sabe disso, certo?— —Ele não vai matá-lo sabendo que iria me machucar. Olá! O que há com esta porcaria de vai-e-vem aqui? Cinco minutos atrás, você estava questionando a minha lógica em não dizer nada. Agora você acha que eu não deveria.— —Acho que isso foi antes de perceber que dizer ao Axel que você está namorando o filho do seu melhor amigo irá fazer ao referido filho do melhor amigo.— —Vai ficar tudo bem. Você vai ver.— Ela me dá um sorriso fraco, o que me diz que nem mesmo ela acredita na mentira que estou contando para mim. Deus, isso vai ser um pesadelo. *** Lee veio mais tarde naquela noite, com o meu irmão. Nós deveríamos ter ido a um bar local para jantar, mas no momento em que chegaram lá, estava tão cansada que tudo o que queria fazer era me largar. Sinto como se estivesse correndo no vazio nas últimas semanas, me agarrando a qualquer tipo de sono que pudesse encontrar. Estamos todos acampados na sala de estar. Lee e eu sentados no sofá, eu com a cabeça no seu colo enquanto seus dedos acariciam os meus cabelos,


me tirando do meio do caminho da terra dos sonhos, quando meu telefone toca pela segunda vez, em cinco minutos. —Diz que é ‘privado’ Dani—, fala o Nate da poltrona ao nosso lado. —Quer que eu atenda?— —Sim, quero—, murmuro, acenando com a mão, realmente não me importando. Qualquer pessoa que precisasse muito de mim, poderia, simplesmente, ligar para casa. —'Alô?— Nate fala em meu telefone. —Que porra é essa?— Algo em seu tom de voz me chama a atenção, e olho para ele. Seus olhos estão fixos em mim, mas em vez do olhar penetrante que sempre lança no meu caminho, parece estar relaxado. —Sim. Claro, qualquer coisa, mano. Acho que você pode querer atender, Dani.— Nate estende o braço com o meu telefone e espera que eu o pegue, olhando para mim como se não fizesse a mínima ideia do que está acontecendo. —Alô?— Pergunto, tentando me livrar do cansaço persistente à distância. —Danizinha—, ouço, e meus olhos se atiram para o Nate antes de fechá-los com força, deixando sua voz me inundar. Meu Deus! —Como... como você está me ligando? Ligou para os seus pais? Os seus irmãos ou irmãs? Oh, meu Deus! Você está bem? Você está ligando porque aconteceu alguma coisa, não é?— —Devagar, baby—, ele ri. —Senti sua falta. Isso é tudo.— Bem, demorou bastante manter a minha merda encoberta. Essas três palavras quase fazem com que eu me desfaça. Dou ao Nate um outro olhar, implorando-


lhe para não surtar até que eu possa falar com ele. Ele me dá um olhar duro de volta, mas não diz nada. —Eu sinto falta de você, também—, suspiro enquanto levanto do sofá e saio da sala. Bem quando estou prestes a fechar a porta do banheiro da frente para ter um pouco de privacidade, ouço o Nate bradar para o Lee, —Você sabia sobre essa merda?— —Suponho que tenho algumas explicações a dar para o seu irmão, quando eu chegar em casa—, ele diz aos risos, completamente despreocupado com a tirada do Nate. —Isso é um eufemismo, no momento—, sorrio quando ouço algo como uma pancada no outro lado da porta seguido por um lamento de dor do Lee. —Não se preocupe. Vou falar com o Nate —. —Você não devia ter que lidar com isso sozinha, Dani. Odeio ter deixado você nessa posição —. Ele faz uma pausa, e posso ouvir sua respiração aumentar. —Foda-se, odeio isso. Se você quiser esperar para dizer alguma coisa, não vou usar isso contra você. Eu quis dizer isso, quando falei que éramos eu e você contra o mundo—. —Eu posso lidar com isso.— E vou. Além disso, não estava brincando quando disse à Lila, anteriormente, que seria melhor para mim, suavizar um pouco o golpe, quando se trata do meu pai. —Para responder à sua pergunta anterior, não. Não liguei e não poderei ligar para mais ninguém. Estou no escuro, baby, e sei que essa pode ser a última chance que tenho para ligar para casa – mas eu precisava falar com você. Não conseguiria partir sem ter a certeza de te dizer algumas coisas. Coisas que deveria ter dito antes de partir. Deus, estou falando como uma porra de um molengão. Não consigo explicar melhor, do que a necessidade de arrumar a


minha cabeça antes da nossa próxima missão e que a única maneira de conseguir isso era falando com você.— Ô-Meu-Deus. —Oh...— —Isso é um 'oh' bom?—, Ele ri, a ligação ficando um pouco confusa. —Se suas irmãs descobrirem, elas vão me matar.— —Não, não vão. Se fizerem isso, você apenas diz para elas que o seu irmão ama as suas meninas, mas ama mais a sua mulher.— Espere um minuto. —Fazer o quê?— Ele ri novamente, o som como um bálsamo para a minha alma. —Dani, o que você acha que estamos fazendo aqui?— —Huum, conversando?— —Sim, baby. Conversando. Você não vai me dizer o quanto me ama?— —Você já sabe o quanto eu te amo—, brinco. —Sei. E agora você sabe que eu te amo.— —Mesmo que não falasse, as flores semanais, com certeza, estão fazendo um bom trabalho em me mostrar isso.— Ele fica silencioso. Silencioso por tanto tempo que afasto o telefone da orelha para me certificar que a ligação não tinha caído. —Dani. Eu não te mandei nenhuma flor.—


—Não seja bobo, Cohen. Claro que mandou. Elas têm chegado todos os sábados desde que você partiu. Quem mais poderia enviá-las?— Sinto o que só pode ser descrito como um flash de medo passando pelo meu corpo. Meu Deus. Se Cohen não as está enviando, então quem está? —Flores... sim, aquilo que não faz o meu tipo, Dani. São lindas por pouco tempo e, então, começam a cheirar mal antes de morrer. Quando te mostrar o quanto eu te amo, tenha a maldita certeza não vai ser com algo que vai morrer em uma semana.— Oh. Meu. —Coloque o seu irmão no telefone. Agora—, ele ladra. Me assusto com o seu tom, o medo que comecei a sentir apenas alguns segundos, correndo sobre mim, e quase deixo o telefone cair porque as minhas mãos estão tremendo muito. Corro para fora do banheiro e quase caio sobre o meu irmão, que está de pé lá, parecendo culpado, com um copo na mão. Um copo que tenho certeza, foi pressionado contra a porta como o lixo de pequeno espião que ele é. Entrego o telefone sem falar nada para o Nate e recuo até topar com o Lee. Ele olha para mim com preocupação, e eu apenas balanço a cabeça, não confiando em minhas palavras. Escuto através do rugido em meus ouvidos quando o Nate responde ao que Cohen está dizendo, em tons entrecortados. Seus olhos desviam para mim algumas vezes, a raiva que estava lá no primeiro momento, agora se tornando preocupação. —Eu vou cuidar dela—, ele diz e me entrega o telefone novamente. —Oi?— —Não se preocupe, baby. Seu irmão sabe o que fazer, e vai cuidar de tudo. O Lee está aí, também?—


Aceno com a cabeça, mas, em seguida, me lembro que ele não pode me ver. —O Lee está aqui.— —Deus. Pergunte se ele pode ficar com você, por um tempo.— —Farei isso.— —Eu te amo, Danizinha. Ninguém vai ferrar com isso. Ninguém. Não se preocupe, ok?— —Não estou preocupada.— E, realmente, não estou preocupada. Não. Estou apavorada. —Mentirosa—, sussurra. —Deus, odeio não poder estar aí para protegêla. Isso está me matando, Dani. Vai contra tudo o que eu sinto não correr até você—. Meu coração se parte, o medo que senti, imediatamente, diminuindo. —Eu vou ficar bem. Prometo. Vou me certificar de não ficar sozinha e os rapazes vão cuidar de mim. Eu vou... Vou contar ao papai sobre nós e, bem, isso. Ele não vai deixar que nada aconteça comigo, Coh.— —Essa é uma boa ideia. Posso afirmar que ele vai chutar minha bunda um pouco mais duro quando eu voltar, com todo esse tempo que terá para se remoer, mas vai valer a pena saber que você está segura.— Ele nem sequer hesita. Nem um segundo, o que teria feito eu pensar que ele não gostou daquilo. —Diga que você me ama, baby. Eu tenho que ir.— —Eu amo você, baby.— Sorrio. —Sim—, ele suspira. —E eu amo você.— —Vejo você em breve—, sussurro. —Toda vez que eu fechar os meus olhos.—


Não tiro o telefone da minha orelha. Nem quando ouço o clique ou quando o Nate começa a fazer perguntas. Apenas sorrio para mim mesma.

Capítulo 19 Dani


Previsivelmente, as coisas ficaram um pouco insanas depois dessa ligação. Nate exigiu saber o que estava acontecendo entre o Cohen e eu. Fui honesta com ele, e no final, não foi um problema para ele, mais ou menos, só que eu tinha escondido dele. Ok, isso pode ser um eufemismo. Ele sabia como eu me sentia, é claro, mas estava chocado que o Cohen tinha ido tão longe sem ao menos falar com ele, primeiro. Então, tive que explicar para o meu irmão mais velho irracional que ele não é o meu guardião. Não, nunca diga a um homem que foi criado por um bando de machos alfa que ele não é o guardião da sua irmãzinha. Não é bonito e geralmente há algo que se quebra no processo. Desta vez, foi a minha mesa de café quando empurrei o grande macaco quando acabou de me dizer que eu devia ser mantida longe, em uma ilha de Barbies. Sim. Sempre vou ser sua irmãzinha. Dito isto, justificadamente, tinha o problema com o remetente, inesperado e desconhecido, das flores semanais. Disse a ele tudo o que sabia sobre o entregador e quantos tinham vindo, mostrando as que ainda estavam pela casa. Cada um dos vasos pretos exibia um grande arco, amarrado no centro do vaso de vidro. Preto não teria sido a minha primeira escolha, mas quando pensei que eram do Cohen, não tinha me incomodado. Agora, me dão arrepios. E isso foi antes do Nate encontrar a primeira câmera microscópica sem fio, no arranjo. —Você está se mudando de casa—, ele propaga através da sala. —Que merda, isso. Não, você não vai ficar aqui nem mais um segundo, Danielle!— Ele começa a andar ao redor do meu quarto, com as mãos cerrando os punhos apertados ao seu lado. Falar o meu nome completo é a sua maneira de me mostrar que ele está falando sério. Eu acho que não. Não. Finalmente consegui sair de baixo da asa do meu pai, e de jeito nenhum, vou voltar. Especialmente agora, que seria apenas, um milhão de vezes pior.


—Eu não vou sair da minha casa, Nate.— —Não seja irracional, Dani!— Ele grita na minha cara. Lee, que estava quieto até agora, fica entre nós. —Ficar chateado, eu entendo, mas não se atreva a falar com ela assim.— Eu lhe dou um aperto antes das coisas ficarem muito intensas entre ele e o Nate. Não seria a primeira vez, e tenho a maldita certeza, que não será a última. —Olha—, começo e dou a volta ao redor do Lee para me assegurar que o Nate entenda que estou falando a sério, cada palavra que estou prestes a dizer. — Eu não vou me mudar. Primeiro, se quem está enviando as flores está me assistindo, vai ver isso e vai me seguir. Me sinto confortável aqui. Nós estamos seguros, aqui. Lee pode ficar por um tempo, certo, Lee?— Dirijo-me a ele e espero até ele acenar. —E vou contar ao papai o que está acontecendo. Não vou ser posta para fora da minha própria casa por causa de algumas flores estúpidas.— —Flores com malditas câmeras nelas, Dani!— Ele grita. —O tom, Nate,— Lee o adverte. —Cala a boca, Lee—. —Você quer calar a boca ?!— Grito. —O que diabos está acontecendo aqui?— Oh, grande. Olho para a minha mãe e sorrio docemente. Ela estreita os olhos, e sei que não a convenci nem por um segundo. —Você quer me contar agora ou prefere esperar até o seu pai chegar, depois de descarregar o carro? Ele sempre me assustou com aquele sexto sentido que tem quando se trata dos seus filhos. Imagina o meu choque quando estou tentando desfrutar de um copo de vinho e um bom jogo de Candy Crush


quando o seu pai entra correndo no quarto e pede para sairmos neste segundo, porque sabe que você precisa de alguma coisa. É claro que ele não sabia me dizer o que você precisava, então tivemos que parar e, praticamente, comprar tudo o que podíamos no Walmart, a única maldita loja que está aberta às onze, aos sábados. Então... antes que ele chegue aqui e tenha que ouvi-lo se regozijar sobre estar certo, por que não me diz por que é que o seu irmão está fazendo sua melhor interpretação de Axel Reid? Olá, Liam—, ela termina com um sorriso. —Você está muito bonito, hoje.— Jesus Cristo, vai ser uma longa noite, e tudo que eu quero fazer é ir para a cama. —Não se preocupe. Sua casca vai ser muito pior do que a sua mordida —, sussurra o Lee no meu ouvido com uma risada. Ele se apressa em se afastar antes do meu pai entrar na sala. —Ei, pai,— Sorrio quando ele entra na sala. —Você não deveria estar na cama, a essa hora? Sabe, já passou da sua hora de dormir e tudo o mais?— —Não banque a espertinha comigo. O que está acontecendo?— —O que faz você pensar que está acontecendo alguma coisa? O Nate e o Lee estavam apenas assistindo a um filme comigo. Uma noite chata e normal.— —O que me faz pensar que algo está acontecendo? Além do fato de que um pai sempre sabe quando a sua princesinha precisa de alguma coisa? Que tal o seu irmão, lá?— Afirma e aponta para o Nate. Nate, que está de pé, mais afastado, no meio da sala de estar, andando para lá e para cá, resmungando para si mesmo. Seus punhos estão cerrados e seu rosto está vermelho de raiva. —Oh... pobre rapaz. Eu disse a ele que o 'N Sync não vai voltar a ficar juntos. Isso o acertou muito, muito duro.— Lee deixa escapar uma gargalhada. Minha mãe ri em silêncio e esfrega a palma da mão nas costas da mão do pai.


—Dani—, Nate adverte. —Conte a eles ou eu conto.— —Não acho que-— Mal comecei e fui interrompida pelo Nate quando ele solta a bomba no meio da sala. —Por que você não começa com a merda entre você e o Cohen e depois chega às flores e às câmeras, Danielle.— —Que diabos ele está falando?— Papai estrondeia. —Huum, sobre isso.— —É melhor que não seja qualquer uma das coisas que estou pensando—, ele ruge. —O que isso quer dizer?— Pergunto. —Não banque a esperta comigo. Comece a falar.— Suspiro e olho para a minha mãe pedindo alguma ajuda, apenas para obter um pequeno aceno e um sorriso. Lee não parece querer ajudar muito. Caminha até o sofá, se senta ao lado do Nate - a pipoca esquecido em suas mãos. —Merda—, murmuro. —Olha a boca!— Papai explode. Estreito os olhos e tenho que resistir à vontade de bater os pés. —Comece. A. Falar.— —Urgh! Isso é ridículo. Bem, definitivamente não foi assim que planejei isto. Obrigada, Nathaniel. Fique à vontade, papai.— —Não quero me sentar—, argumenta ele. —Agora, quem está agindo como se fosse uma criança—, brinco.


Seu rosto suaviza por um segundo antes dele se lembrar porque está chateado. —Ok. Então, talvez seja melhor fazer isso como se estivesse, simplesmente, arrancando um Band-Aid, certo?— Ninguém fala. —Então... Cohen e eu conversamos antes dele partir e decidimos que, quando ele voltar para casa, vamos ver em que pé estamos.— Papai olha para mim, seus olhos piscando algumas vezes enquanto minhas palavras flutuam em sua mente. Posso vê-lo tentando entender o que eu disse, e então vejo quando, finalmente, a ficha cai. A pele bronzeada do seu rosto fica vermelha como uma beterraba e suas narinas começam a inflar. Seus olhos ficam ainda mais duros antes que ele exploda. —QUE MERDA VOCÊ DISSE?— Oh, garoto. —Axel, baby, acalme-se.— —Não vou me acalmar.— —Ela é adulta. Você conhece o Cohen, e sei que ele nunca faria nada para machucá-la. Nunca. Assim, suas desculpas normais de eles não serem bons não vão funcionar. Não com ele. Você conhece o menino desde que ele tinha três anos de idade. Se há alguém com quem você não deve se preocupar, seria o Cohen Cage.— —Também me lembro que tudo o que o menino falava era sobre o pau dele, também!— —Acho que você está torcendo essas memórias ligeiramente. Além disso, era o pau do pai dele.— Mamãe estoura a rir quando Lee e Nate parecem engasgar com sua pipoca. —Izzy—, meu pai adverte.


—Bom Deus, Ax. Você nunca superou isso, desde que tínhamos a idade deles.— Ela ri e em seguida vai até onde estou. Seus braços me envolvem e sua boca vai até a minha orelha. —Ele vai superar isso, não desista.— Recebo um grande abraço antes dela caminha até o Nate e lhe dar um tapa na cabeça. —Não ria da sua irmã.— —Onde estão as meninas?— Papai pergunta quando ninguém faz nenhum movimento para prolongar a conversa. —Maddi está passando um tempo com a sua irmã. Disse que tem sentido muita está falta dela, ultimamente. As gêmeas saíram. E antes mesmo de perguntar sobre isso, sim, elas sabem e estão completamente bem com isso.— —Não gosto disso—, resmunga. —E não precisa. Mas isso não vai mudar nada, papai. Acho que é hora de me deixar viver minha própria vida e parar de agir como se eu fosse uma menininha.— —Isso não vai acontecer. Vou lidar com isso, mas não vou prometer que não vou ter uma conversa com ele, quando sua bunda estiver de volta, em casa. Uma conversa longa, Dani. Palavras que, envolvem ou não, lhe mostrar a minha coleção de armas. Agora sente-se e me conte o resto.— —Na verdade... Acho que você pode querer se sentar para ouvir esta parte.—

Capítulo 20 Dani


Há duas noites atrás, tive que contar ao meu pai, vagamente, que estaria namorando o Cohen quando ele voltasse para casa. Acho que, se tivesse sido qualquer outra pessoa, ele não teria aceitado tão bem quanto o fez. Bem, eu digo, —aceitou—, mas o ouvi quando ele foi para a cozinha para —pegar uma cerveja— e gritou ao telefone, só posso imaginar que fosse o pai do Cohen, que seu filho —ia violar a minha filha e era melhor essa merda não acontecer. Essa conversa foi muito melhor do que a das flores e das câmeras. Dizer que meu pai perdeu a sanidade seria um grande eufemismo. Fez com a minha mãe lhe oferecesse Deus sabe o que, até que ele finalmente saiu. Tento acompanhá-los até lá fora quando ela começa a sussurrar no ouvido dele, para conseguir o que quer. Não é algo sobre o qual quero pensar. Não. Nunca. Então aqui estou eu, dois dias depois, e sinto que estou prestes a explodir. Papai decidiu nomear a si mesmo como meu guarda-costas pessoal. E se isso não fosse suficiente, o esgotamento persistente que tenho sentido durante semanas atingiu a maior alta de todos os tempos. Ou seria baixa? Andava adormecendo no trabalho. No chuveiro. Estava comendo o jantar, que foi feito pela Maddi e estava delicioso, outra noite com as meninas e caí dormindo, sobre o meu prato! No. Meu.Prato! Quem faz isso? Já superei isto. Pelo menos ele concordou em deixar o Chance acompanhar as meninas e eu para um show do Loaded Replay hoje à noite, em Atlanta. Deus, eu o teria matado, se tivesse aparecido. Ele mexeu alguns pauzinhos e nossas entradas de merda foram trocadas por ingressos VIP, na primeira fila. E, naturalmente, sua condição foi que, o nosso grupo de cinco - Lyn, Lila, Maddi, Stella e eu - se transformasse em um grupo de seis. Chance iria junto ou não sairíamos.


Para esta noite, Chance será um encontro honorário, porque eu não estou faltando a esse show. O Loaded Replay fez sua enorme aparição, há alguns anos. Eles são uma mistura da velha escola do rock clássico mesclada com a nova escola. Não há uma única banda por aí, atualmente, que tem o que eles têm. É claro, não faz mal nenhum, que a vocalista seja uma garota com aparência quente e seja apoiada por três homens que deveriam ser considerados ilegais. Maddi tem estado apaixonada pelo baterista, Jameson Clark, desde o primeiro dia que viu uma foto dele. Alto, forte, loiro, um Adonis. Realmente, se parece com um deus do rock. O guitarrista, Weston Davenport, irmão do vocalista Wrenlee Davenport, é o favorito das fãs, entretanto. Ele parece a versão rockand-roll do Liam Hemsworth, até o sorriso matador. Sempre pensei que o baixista, Luke Madden, era divertido de observar. Tem aquele olhar de vizinho bonzinho, mas seus olhos só gritam problemas e travessuras. O mais importante – pode-se dizer que há alguma coisa sobre o Loaded Replay que exala foda. Dizer que estamos animadas seria o eufemismo do ano. —Obrigado por concordar com isto—, falo para o Chance quando dirige a caravana até o ginásio. As meninas estão no banco de trás, discursando sobre o que vão fazer para ganhar a atenção de um dos membros da banda. Deixo-as de lado e me concentro em olhar para os buracos desgastados na minha calça de brim. Enquanto a Lyn, a Lila, a Maddi e a Stella decidiram ir parecendo umas Barbies vagabundas, optei por ir com um jeans, uma camisa de chiffon confortável e minhas botas de cano alto, de couro, favoritas. Pareço bem, mas também tenho a aparência de quem quer ficar confortável e não pular em uma cama. —Sim—, ele responde com sua voz retumbante. —Você não fala muito, não é?—


Ele me olha brevemente, antes de voltar a atenção de volta para a estrada. — Não acho que você tem estado perto de mim o suficiente para fazer essa suposição.— —Verdade. Mas, até agora, hoje à noite, eu disse olá e tive como resposta uma daquelas saudações masculinas, na qual os homens levantam o queixo um para o outro. Perguntei como você estava e recebi um grunhido. Perguntei se você gosta do Loaded Replay e ganhei outro grunhido, e quando você estava pronto para sair, tudo o que disse foi: 'Caminhonete', e saiu. Então, você está certo, não te conheço muito bem, mas acho que, na verdade, posso fazer essa suposição correta, com segurança.— Ele me olha de novo. Desta vez, o rosto fechado está sorridente. —Posso ver o porquê da atração, agora.— Que coisa estranha de se dizer. —Desculpe?— —Nunca consegui entender por que o Cohen se apaixonou por você, sem querer ofender, mas agora eu sei. Você tem fogo sob toda essa inocência.— Oh. —Espere. O Cohen falava sobre isso e sobre mim?— —Ignore—, ele ri. —Você está certa sobre uma coisa: eu não falo muito. Mas isso não quer dizer que não observo. Aquele cara ficou te secando durante todo o tempo que estou por aqui. E não significa, apenas, olhar para você algumas vezes, quando você andava através de uma sala - no segundo que você entrava, seus olhos nunca a deixavam. Sempre pensei que ele era louco, mas agora entendo.— —Humm, devo ficar feliz?— O que é que eu vou dizer aqui? Obrigado por entender por que ele se sente atraído por mim? Ele balança a cabeça e continua a dirigir, com um sorriso no rosto. Homem estranho. ***


Desde que saímos um pouco atrasados, quando finalmente chegamos à arena, já começaram a deixar as pessoas entrarem. Cada centímetro, dos verificadores de ingresso na entrada, até os lanterninhas, de pé nas portas de entrada, estava abarrotado de fãs. Não, abarrotado era uma palavra amena. Não tinha, literalmente, um centímetro extra para se mover. Todo mundo está gritando, cervejas são derramadas, e o ar à nossa volta está carregado de emoção por ver uma das bandas mais - se não for a mais quentes do país. A maior parte das garotas estão em vários estágios de piriguetes. Porque o Wrenlee Davenport, com sua inegável beleza, combinando perfeitamente com um infernal conjunto de músculos, parece fazer com que homens e mulheres se espremam ao redor. Um grupo de adolescentes de merda quase me fazem cair no chão quando saem correndo no meio da multidão. Se não fosse pelo Chance me segurar, no último segundo do meu tropeço, teria caído no chão. Ninguém se incomodou em reclamar. Não ia adiantar. Chance agarra a minha mão, me viro e agarro a da Lyn, e esperto até estamos todos conectados. Isso vai ser divertido. Lyn me dá um olhar que me diz que ela não vai me soltar, mesmo que eu caia. Ela também, não. Se caísse, a vaca vai levar todos juntos com ela. Dez minutos depois, finalmente estamos a caminho dos nossos assentos –os melhores lugares da casa - e isso só porque o Chance, finalmente, teve a paciência esgotada e começou a abrir caminho através da multidão. Ele não é um cara tão musculoso quanto o meu irmão, mas é alto, e o que lhe falta em grandes quantidades, compensa com a atitude. Provavelmente, eu teria saído do caminho, também. —Estou bombando!— Maddi grita, agitando o punho no ar. —Eu também! Meu Deus. Você acha que consegue chamar a atenção dos caras? Provavelmente, vou me mijar se o Weston olhar na minha direção. Tipo, me mijar toda—, Lyn começa a abanar-se com a mão, e seus olhos vagueiam em torno do palco apenas os pés na frente de nós.


—Isso é nojento—, sorrio. —Não. Não iria me mijar. Provavelmente gozaria dentro das calças!— Ela exclama. —Jesus Cristo—, resmunga o Chance. Dou uma risada e continuo a olho ao redor do local superlotado. Todo mundo que nos rodeia está vibrando com a mesma energia louca que sinto desde que entrei na arena. É difícil conter a emoção que se sente quando você sabe que está prestes a ver um grupo tão grande se apresentar. Entro em sintonia com as meninas, ignorando o Chance, que parece desconfortável, e apenas absorvo tudo. Minha exaustão anterior, há muito esquecida. As luzes se apagam trinta minutos mais tarde, e o ato de abertura, uma banda de rock só de mulheres chamada Carnage está, agora, tocando no palco. Não sou muito fã, mas as meninas são, por isso, enquanto elas pulam e gritam, participo da diversão. Honestamente, mal posso esperar para ver o Replay Loaded. —Puta merda! Aí vêm eles!— Gritam a Maddi e a Lyn. Como se ouvissem seus gritos, todas as luzes se apagam, e depois de uma pequena pausa, há uma batida pesada que enche o ar. Apenas o thump, thump, thump preenche o espaço e leva a excitação no meio da multidão para níveis explosivos. Não demora muito tempo, como um solo de bateria, até que ouço o som do baixo que faz minha pele se arrepiar. E, segundos depois, o dedilhar da guitarra elétrica que preenche o ar à nossa volta, faz as meninas agirem como se estivessem dominadas pelos hormônios. Em segundos, as luzes se voltam para o palco, iluminando os quatro membros da LR, e a Lyn e a Maddi têm lágrimas escorrendo pelo rosto – as loucas. Stella está balançando a cabeça em sintonia com as batidas, os cabelos longos e castanhos balançando ao redor do rosto angelical. Lila está rindo das palhaçadas da sua irmã e da Maddi mas continua olhando para o palco.


Dou umas cotoveladas no Chance, tentando chamar sua atenção, para que ele saiba que preciso ir ao banheiro, mas seus olhos estão grudados no palco. Bem, não no palco. Está olhando, deslumbrado, para a vocalista principal. A mesma vocalista que está segurando seu olhar com um brilho malicioso nos olhos brilhantes. Devo ser a única, em todo esse maldito lugar, que não está agindo como uma cadela no cio. Tanto faz. Não quero perder mais desse show do que preciso, mas se não fizer xixi agora, vou estar seguindo as palavras da Maddi e, realmente, me envergonhando. Chance nem percebe que estou saindo até que já estou atravessando a fila de fãs histéricos e me viro para subir a rampa. Olho para trás e vejo seus olhos irritados antes de balançar os ombros atrevidamente e caminhar para fora. Alôôô, quando uma menina tem que ir ao banheiro, não dá para esperar. Ok, largar o homem que, supostamente tem que ficar de olho em mim a noite toda, não foi minha mais brilhante jogada. Tenho certeza que vou ter que lidar com sua irritação quando voltar, ou pior, vou ter que lidar com o meu pai se contar para ele. Sempre fui uma pessoa independente, assim, ter que confiar em alguém para tomar conta de mim não é o meu passatempo favorito. Volto para o meu lugar, tendo perdido, apenas, uma canção, mas previsivelmente, o Chance está fumegando. —Não faça essa merda de novo, Dani. Gosto das minhas bolas exatamente onde elas estão. Seu pai me quis aqui por uma razão, portanto, não aja como uma criança e ignore isso.— Ele está certo. Sei que está. Sabiamente, aceno com a cabeça antes de desviar minha atenção de volta para o palco.


Mas, também, não menciono a estranha sensação que tive enquanto estava andando sozinha pela arena.


Capítulo 21 Caralho, odeio estar aqui. Odeio todos os dias que estou longe de casa e preso nesta porra deserta. A cada dia que permaneço aqui, sinto como se perdesse uma parte da minha alma. Minha preocupação com as coisas em casa, tinham atingido um ponto mais alto e, se não fosse pela minha formação, teria sido morto dias atrás, quando nos deparamos com uma emboscada, enfrentando atiradores e bombas. A única coisa que me faz seguir em frente é o conhecimento que pode acabar em breve. Recebemos a notícia há poucas horas que, se as coisas começarem a mudar, poderemos estar em casa, no máximo, em dois meses a partir de agora. Dois meses é muito melhor do que os sete meses para os quais esta missão foi planejada. Deus, mal posso esperar para chegar em casa. Sinto esse buraco no meu estômago desde que a Dani me contou sobre as flores que estavam sendo enviadas para a sua casa. Este sentimento que não consigo evitar. A sensação que grita para eu levar a minha bunda para casa o mais rápido possível, porque algo está errado. Minha menina precisa de mim e estou completamente impotente.


Capítulo 22 Dani A última coisa com a qual quero lidar em uma manhã de segunda-feira é com equipes de filmagem e com o maníaco do Sway. Não. Isso não está certo. Não quero lidar com eles todos os dias, mas, hoje, estou no modo cadela e, simplesmente, não consigo me livrar dele. Cada olhar que alguém me dá, até mesmo apenas um sorriso, me faz querer socar alguma coisa. Não consigo decidir se eu só preciso de mais horas de sono ou se eu deveria matar a Maddi por me manter acordada a noite toda com os ruídos que vinham do quarto dela. Tinha, até, considerado ir para a casa do Cohen e do Chance. Escapei para a cama do Cohen mais vezes do que gostaria de admitir, desde que ele se foi. Ainda mais depois do show do Loaded Replay, há duas semanas. Tenho certeza que a minha família e os meus companheiros de trabalho estão começando

a

perceber

a

minha

falta

de

atendimento,

aqui,

ultimamente. Chance não é exatamente a melhor companhia, mas nos tornamos bons amigos, o suficiente para que, entre os seus grunhidos e parecer durão, ele seja meio divertido de estar por perto. Ok, diversão não é exatamente a palavra certa para descrever como ele é. Ele preenche

o

vazio

da

solidão

que

as

meninas,

simplesmente,

não

conseguem. Ele fala comigo sobre minhas preocupações quando se trata do Cohen e de suas —missões no escuro— e, uma vez que viveu essa vida, é reconfortante ouvir dele que isso apenas significa que o Cohen está em missão e precisa manter o foco. Então, aqui estou eu. Depois de uma noite sem dormir, pensando se conseguiria escapar de um assassinato. Estamos no dia de filmagem número dois mil e setenta e cinco - ok, estou brincando - mas estou a ponto de enfiar aquelas câmeras no cu do Sway. É


claro que não ajudou que a Lyn decidiu me ligar, porque esteve festejando a noite toda, fazendo-me ter de gastar quase uma hora reagendando todas as suas clientes. A nova assistente, Samantha, não apareceu, e o Sway está dando cambalhotas ao redor do salão de beleza por causa de alguns sapatos que foram colocados em liquidação na Saks. Sim. Estou, oficialmente, apenas tendo uma segunda-feira de merda. E o Devon ainda está desaparecido, assim, o Don e o Mark estão atrás da minha bunda o dia todo. Ok, retribuo isso sendo sarcástica. O Don também. Ele não me incomoda tanto quanto o dia em que nos encontramos pela primeira vez, há dois meses, mas isso não significa que sempre me irrita profundamente. Mark, por outro lado, é silencioso e depressivo e, geralmente, faz com que seja a missão da sua vida, me deixar ciente que não estou trabalhando com a câmera do jeito que deveria estar e de como o show depende de todos nós seguirmos os pontos com o texto que o Devon quer. Isso é, geralmente, precedido pelo meu comentário, lembrando o idiota que isso é um reality show, não uma comédia escrita. Mas, juntos, eles me dão as sensações arrepiantes de sempre. Não consigo decidir se o Mark e sua silenciosa atitude de —Eu odeio o mundo— e suas vibrações são piores do que o Don e suas pequenas piscadelas e sorrisos assustadores. Hoje, os idiotas, estão uma merda. Olho para o Mark, carrancudo, e penso, mais uma vez, de quantas maneiras posso fazer a sua morte parecer um acidente. Sua mais recente cara feia é porque não pedi ao meu último cliente do sexo masculino para sair em um encontro e fazer parecer que estava ansiando há meses por ele. Como se eu fosse idiota. —O que deu em você, doce menina?— Sway pergunta quando, finalmente, consegue parar de dançar ao redor.


—Só me sentindo um pouco para baixo, hoje—, murmuro e continuo a repor os produtos na minha estação. —Você precisa que eu chute as câmeras para fora, hoje?— Olho para ele, chocado, porque o Sway nunca iria chutar as câmeras para fora. Ele adora cada segundo desta porcaria de reality show. Sua pele bonita, cor de caramelo, está franzida, com preocupação. As sobrancelhas escuras, perfeitamente esculpidas, estão levantadas e seus olhos mostram amor e compaixão. Corre uma das mãos - perfeitamente cuidadas, é claro - sobre o meu cabelo e espera pela minha resposta. —Estou bem. Juro. Basta afastá-lo de mim—, falo para ele e aponto para o Don. —Assim será, querida. Apenas prometa ao Tio Sway que, se piorar, vai levar essa sua bunda magra para casa.— Envolve os braços à minha volta, a blusa de seda fresca contra a minha bochecha. —Prometo—, suspiro, absorvendo o conforto que nem sabia que queria ou precisava. Com toda honestidade, nas duas últimas semanas, só comecei a me sentir... estranha. Acho que uma boa parte disso tem a ver com o fato que posso perder o Cohen e comece a nutrir um ressentimento em relação à vida, porque foi tirado de mim quando tínhamos, finalmente, chegado a algum lugar. Todo mundo parece estar lidando com isso muito bem e eu sou a pequena miss emburrada. Odeio me sentir assim, mas é quase como se eu fosse impotente para impedir esses pensamentos. Só quero que ele volte para casa. —Bem, olá, minha doce criança.— Sorrio para mim mesma quando a voz suave da minha mãe entra no salão.


—Olá,— suspiro e deixou todo o estresse fugir do meu corpo quando ela envolve os braços ao meu redor e me dá um abraço apertado. —O que você está fazendo aqui? Perdi um agendamento?— —Desde quando preciso marcar hora para vir buscar a minha única filha para almoçar?— Sorri. —Oh, sinto muito—, retribuo o sorriso. —O Sway te ligou, hein?— Acho que agiu corretamente. Esse homem não pode evitar. Odeia ver qualquer uma das suas meninas chateada. —Com certeza. Também me disse que vai cuidar dos seus próximos dois clientes e que não preciso trazer você de volta até verificarmos as novidades na Lenox Mall. Também disse me que, se você argumentar sobre faltar ao trabalho, perturbar os clientes ou seja qual for a sua desculpa, devo lhe informar que ele tem o número do seu pai na discagem rápida e não hesitará em chamá-lo.— O sorriso dela é enorme e os olhos cor de jade piscam com humor. Olho por cima do ombro e vejo um Sway sorridente. Ele me dá uma piscadela antes de girar sobre os calcanhares e retomar sua conversa com o Don. Deus, ele é um intrometido. —Bem, acho que, uma vez que o chefe mandou, tenho um dia livre para aproveitar com você.— Ela ri baixinho. —Vá em frente e se apronte, baby. Estou indo incomodar o Sway um pouquinho.— —Fique longe das câmeras, mãe. Você sabe que o papai vai ficar puto se você acabar em alguma trama falsa e retorcida. Sabe como esses idiotas trabalham, você acabaria sendo a nova amante do Sway e o motivo pelo qual ele está deixando o marido e a filha. Coisas escandalosas. Apenas, francamente, indecentes!— Coloco a mão sobre o meu peito e debocho, ultrajada.


Trabalho rapidamente, limpando a minha estação e me asseguro que tenho tudo pronto para os clientes de amanhã. Mamãe ainda está ocupada rindo e conversando com o Sway quando vou até a recepção. Don está longe das vistas, mas o Mark está de pé ao lado de um dos câmeras da equipe, com os braços cruzados e uma carranca firme na cara. Tenho certeza que está chateado porque estou saindo no meio de um dia filmagem. Bem, que diabos. Sei que é infantil, mas não consigo evitar de esticar a língua para fora. Ganhei esta rodada. *** —Deus, estou estufada— sorrio, empurrando o prato de asinhas de frango para longe de mim, antes que possa pegar outra. Isso acontece toda vez que a mamãe me convida para vir para o Heavy, sua churrascaria favorita na cidade. Do jeito que o meu pai fala, ela já era viciada em coisas como estas desde antes do Nate nascer. —Bem, me dá aqui. Não há sentido em deixar essas asinhas irem para o lixo.— Sorrio quando ela puxa o prato descartado para ela e termina em tempo recorde. —Não tenho a mínima ideia de como você continua tão pequena.— Ela olha para cima, os olhos brilhando. —Isso é porque me exercito todas as noites.— —Sim, certo! Nunca vi você colocar um pé na academia... Oh. Meu. Deus. Não diga mais nada. Algumas coisas não podem ser faladas, mãe!— Urgh! Nem quero imaginar como ela queima todas aquelas malditas calorias. Não. Nem pensar nisso. —O quê?— Diz ela, parecendo chocada, mas ainda tem aquele sorriso diabólico no rosto. —Seu pai me comprou uma daquelas coisinhas que imitam subir escadas.— —Um elíptico?—


—Sim?— —Você não sabe nem mesmo como se chama! Aposto que nem mesmo tirou da caixa—, dou uma risadinha. Ela limpa os dedos no guardanapo úmido e ri para mim. —Seguindo em frente, querida. Por que não me diz o que está acontecendo com você? Liguei para sua casa, outro dia e a Lyn disse que você tinha saído. Pensei... Bem, pensei que você e o Cohen... Acho que estou, apenas, querendo saber o que está acontecendo.— —Por que todo mundo fica me perguntando o que está acontecendo? Estou bem. Estava um pouco chateada - ok, muito chateada quando o Cohen partiu, mas estou bem. De verdade.— —Dani, você não está bem.— Olho para ela, realmente olho para ela, e percebo como ela parece preocupada. Todo o humor que tinha em seu belo rosto está muito longe e ela está me olhando como se pudesse ver através de mim. Suspiro. —Sinto a falta dele, mãe. Apenas isso, simples assim.— —Entendo.— —Sei que não falamos sobre isso desde que o papai pirou, mas você está, realmente, bem com isso? Com o Cohen e eu?— Ela estende a mão e pega a minha que deixei descansando contra a mesa. — Querida, não podia ter ficado mais entusiasmada. Só estou perguntando porque parece que você não está lidando bem com essa separação e, confie em mim, eu entendo.— Eu lhe dou um sorriso triste, porque sei tudo sobre o quão bem ela não lidou com a separação do meu pai todos aqueles anos atrás.


—É só que... As meninas mencionaram que você não tem dormido em casa e, mesmo que eu saiba que não é problema meu, acho que estou apenas preocupada e sendo intrometida.— Uma coisa que eu amo sobre a minha mãe é que ela é super fácil de conversar. Sei que, quando disser que tenho dormido no apartamento do Cohen, ela pode não gostar da ideia, sabendo que o Cohen não mora sozinho, mas se alguém vai entender onde minha cabeça está em tudo isso, esse alguém vai ser ela. —Você promete não contar para o papai? Você vai entender, mas ele? Não, definitivamente, não vai.— Sua testa se franze, mas ela acena com a cabeça. Sei que ela não gosta de esconder coisas dele, mas espero que ela possa manter isso para si mesma. —Eu tenho dormido na casa do Cohen.— Ela não disse uma palavra. —Na sua cama. É apenas... Ok, sei que isso vai soar insano, mas há apenas algo dentro de mim que me faz ter que estar perto dele. Nunca imaginei que iria sentir falta dele tanto assim, e estar no seu espaço, na sua cama, cercada pelas suas coisas... Só faz com que esse vazio que sinto constantemente, fique um pouco mais fácil de suportar.— —Oh, querida.— Seus olhos começam a lacrimejar, e sei que vai demorar apenas alguns segundos antes que ela se transforma em uma cachoeira. —Por favor, não fique chateada. Eu, realmente, estou bem. Tem sido um pouco difícil. Não tenho conseguido dormir bem, e isso só está me atingindo neste último mês, mas quando estou na sua cama, durmo como se estivesse morta. Eu juro que não faz sentido. Nós tínhamos acabado de nos unir e decidimos fazer uma tentativa com esse relacionamento. Nosso tempo foi tão limitado antes dele embora, que poderia muito bem ter sido, apenas, por alguns segundos. Como é possível sentir tanto a sua falta?—


Ela não perde um segundo. Meu queixo começa a tremer um pouco, e ela já está, imediatamente, ao meu lado, me puxando para perto dela. —Sabe quando o seu pai teve que partir em uma missão? Eu estava uma bagunça, Dani. Não apenas por tudo o que aconteceu depois - a perda dos meus pais, o nosso primeiro filho - mesmo que isso já fosse motivo suficiente para me enviar para o fundo do poço. Eu estava uma bagunça, porque não tinha uma pessoa que desse ao meu coração uma razão para bater. Nem por um segundo minimize esse sentimento ou o seu significado. Deixe lhe perguntar uma coisa. Se você acha que está passando por um momento difícil, sem ele, como acha que ele está lidando com tudo? Você acha que lhe faria algum bem saber que você está sofrendo quando ele não está aqui?— —Não, mãe, eu não acho.— E, honestamente, não faria. Se soubesse como estou chateada por ele ter partido - sabendo que essa foi uma das principais razões por ele não querer começar isto entre nós - isso não levaria a nada, além de ser uma causa de distração. —É claro que ele não sabe, porém, e não tem nenhuma maneira de saber o que estou passando.— —Ah, minha menina boba. Tenho certeza que não percebe isso porque é, realmente,

a

primeira

vez

que

você

ama

alguém

com

tanta

intensidade. Quando a sua outra metade está com dor, você sempre sabe.— —Como é que eu vou, simplesmente, não sentir falta dele?— Pergunto. —Ninguém espera que você pare de sentir falta dele, Dani. Mas não pode deixar que o desejo de tê-lo por perto, controle a sua vida. Você está afastando os seus amigos, não está vindo para os jantares de família e, inferno, nem fala com o seu pai há dias. Algo que, prometo a você, ele não deixou de reparar. Você tem que continuar a viver a sua vida, mas vivê-la de uma forma que saiba que ele está voltando para casa, para você, e essa separação não é para sempre. Eu vivi doze anos pensando que nunca mais ia ver o rosto do seu pai, Danielle. Eu sei que dor é, e sei o que se sente quando não se tem mais esperança. Esses sentimentos que você tem, não chegam nem perto. Você e o


Cohen, menina querida... Vocês dois estão predestinados desde o começo, e não há absolutamente nada que possa tirar isso de vocês.— —O que isso significa? Estamos predestinados desde o começo?— Ela inspira profundamente, estremecendo e solta a respiração ruidosamente. —Deixe-me contar um pouco da história. Uma que esperava nunca ter que lhe contar, mas acho que vai ajudá-la a entender por que tenho certeza que essa coisa entre você e o Cohen é muito maior do que você consegue entender.— Ela leva os próximos trinta minutos para me contar tudo sobre o seu primeiro casamento, que eu sabia que ela teve, mas nunca soube os detalhes terríveis. Papai não gosta de falar sobre ele, o primeiro marido dela e, agora que sei o inferno que a minha mãe viveu durante todos aqueles anos, entendo completamente. —Veja bem, quando finalmente deixei o meu ex, realmente não acho que tinha alguma esperança, Dani. Eu tinha a Dee na minha vida e ela, provavelmente, é a salvadora do resto dos meus dias, mas ainda me sentia vazia. Então, quando nos mudamos para cá, para Hope Town, foi que o Greg entrou em nossas vidas. Ele havia conhecido a Dee há pouco tempo, e como você sabe, trabalhou com o seu pai. Sempre costumava perguntar por que Deus tinha sido tão cruel para me fazer passar todos esses anos sem o seu pai, levar o nosso primeiro filho e me fazer passar por toda aquela dor. Somente anos e anos mais tarde, quando estava sentada na varanda de trás, durante uma das nossas festas familiares, que percebi a enormidade daquela imagem. E, permita que eu diga, teria passado por tudo isso de novo se acabasse tendo o mesmo resultado.— —Não entendo—, falo para ela. —Deixe-me terminar, querida.— Ela se move para o seu assento e puxa algo do bolso da aqueta. —Tirei essa foto, aquele dia. O sol estava tão bonito que eu só queria tirar uma boa foto dele. Ele estava se pondo sobre o lago e


delineando o cais e as árvores ao redor e, Deus, era impressionante. Aqui—, diz ela e estende algo para mim. Olho para baixo, não sabendo o que esperar, e suspiro. Não me lembro do momento. Eu era muito jovem, mas nos reconheço instantaneamente. Ela está certa. A imagem descreve o cais e as árvores que circundam a propriedade com perfeição. Também destaca as duas figuras sentadas no final da doca. Devo ter em torno de seis ou sete anos nesta foto. Foi ano em que convenci a minha mãe que seria uma ideia brilhante cortar meu cabelo comprido e grosso na altura do queixo. Cohen, com onze anos, era muito maior do que a minha figura minúscula. Estamos sentados, juntos, nossas cabeças encostadas, têmpora com têmpora, e seu braço esquelético está enrolado em volta dos meus ombros. Não tenho ideia do que estávamos fazendo ou falando, mas fica claro na imagem que havia algo muito amoroso sobre nós dois. —Mesmo em uma idade tão jovem—, continua ela, —ele sempre foi atraído por você. Se você estava ferida, ele estava lá. Quando o Nate estava sendo... bem, o Nate, ele estava sempre por perto para ter certeza do que quer que aborreceu você fosse corrigido. E o mesmo acontecia com ele. Mesmo quando bebê, se você sabia que ele estava por perto, seu rosto doce e redondinho se iluminava. Você e o Cohen demoraram um tempo para se acertarem, e sei que tudo o que já aconteceu no passado foi para certificar que esse momento, cada momento, desde então e até agora, iria acontecer. É o destino, baby. Eu costumava pensar que Deus me odiava, mas percebi que ele trabalha em uma imagem maior. Nunca teria conhecido o Greg se não fosse por tudo que passei, mas também não seria capaz de ser a mãe que você precisa - com o conhecimento de tudo o que você está passando - se não tinha vivido por mim mesma.— —Oh, mãe,— suspiro e sufoco o soluço que tão desesperadamente quer escapar. —Acho que o meu ponto é, você pode não se sentir inteira agora, e, querida, entendo isso, mas você vai, em breve. O destino não irá manter vocês dois separados quando foi tão claro na imagem que você está destinada a


pertencer. Mantenha-se forte e não deixe que essa saudade que sente por ele faça você afastar todas as pessoas que te amam.— Agarrando a foto no meu peito, deixo as palavras dela penetrarem em meu coração e prometo lidar melhor com essa coisa de —sentir falta de alguém—.


Capítulo 23 Dani Depois de todo o peso emocional na hora do almoço, decidimos passar o resto da tarde fazendo compras. Mesmo que seja um passatempo que sei que minha mãe detesta ao extremo, ela sabe que é algo que eu amo. Não percebi o quanto precisava de algum tempo entre mãe e filha, e agora que abriu meus olhos para quão bem ela sabe o que estou passando, é mais fácil saber que posso conversar com ela sobre tudo o que eu estou sentindo com o Cohen. O sol está começando a cair atrás das árvores quando voltamos para o conjunto onde o salão do Sway estava localizado. Mesmo com a hora tardia, o estacionamento está longe de estar vazio. Mamãe estaciona o seu carro ao lado do meu e me dá um grande abraço. — Quero que você venha até mim se começar a se sentir assim, novamente, Dani. Não deixe que isso te envenene, até que esteja sendo sugada pela exaustão. Sinta falta do seu homem, mas não fique de luto por alguém que vai voltar para você.— —Prometo. Eu te amo—, respondo, sentindo-me mais leve, pela primeira vez, em semanas. Não acho que percebi o quanto precisava disso. Só não sinto que consigo falar com as meninas sobre isso, sabendo que elas estão sentindo a falta do seu irmão tanto quanto eu. O Lee não consegue entender, embora saiba que ele tenta. E o Chance é apenas... o Chance. —Vou dar uma parada no seu pai antes de ir para casa. Quer vir comigo? Sei que ele adoraria ver você.— —Estarei lá daqui a pouco. Deixe eu guardar essas bolsas todas e vou avisar ao Sway que vou tirar uma folga, amanhã. Acho que só preciso de um dia normal. Um dia longe daquelas malditas câmeras.—


—Ok, baby.— Ela vai embora, acenando para o Sway através das janelas, que vão do chão ao teto, do salão de beleza e se encaminha para a porta da Corps Security, empresa na qual o meu pai é coproprietário, juntamente com os seus amigos. Não passou despercebido por mim que ele, provavelmente, adorou quando comecei a trabalhar bem próxima à sua porta, para que ele pudesse manter seus olhos em mim. Distraidamente, caminho até a mala do meu carro e atiro dentro dela as sacolas que armazenam as roupas que não precisava comprar. Minha mente ainda está na tarde que passamos juntas e em tudo o que a minha mãe e eu conversamos. Somente quando caminho entre os carros, que percebo o pedaço de papel saindo da porta do lado do motorista, batendo contra a janela com a brisa leve. Estendendo a mão, pego o papel fino e olho ao redor. Ignorando a sensação de estar sendo observada que rasteja pela minha espinha, abro o papel e quase perco o meu almoço.

VOCÊ DEVIA SER MINHA, VADIA. VOCÊ RECEBE AS MINHAS FLORES COM UM SORRISO NO ROSTO. MAS GASTA SEU TEMPO CHORANDO POR UM FILHO DA PUTA QUE NUNCA ESTÁ AQUI. EU OUÇO VOCÊ TODOS OS DIAS! VOCÊ É MINHA, DANIELLE! SE VOCÊ PENSA QUE ALGUM OUTRO FILHO DA MÃE A TERÁ , SENDO QUE VOCÊ PERTENCE A MIM – VOCÊ ESTÁ MORTALMENTE E FODIDAMENTE ERRADA. Eu devo estar gritando. Essa é a única coisa que faz sentido, porque nem mesmo segundos após minhas mãos chocadas e aterrorizadas soltarem a nota, vejo o meu pai, seguido pelo Greg e o Maddox, atravessando a porta do seu escritório, carregando espingardas através do estacionamento. Assim que bato a cabeça contra o chão, sinto meu corpo sendo levantado e embalado em


braços fortes enquanto ele corre para longe daquele pedaço de papel, que agora está sendo amassado pelo punho do Greg, enquanto ele e o Maddox olham entre si com a preocupação estampada em seus rostos. *** —Ela vai para a porra do hospital e fim de conversa, Izzy. Você não viu, Izzy! Sua cabeça bateu contra o chão, porra!— Porra, minha cabeça dói. Me esforço para levantar do sofá no escritório do meu pai e olho em volta, para os rostos preocupados. Meu pai está agachado de joelhos na frente do sofá, e minha mãe está sentada no braço do sofá, onde minha cabeça estava apenas encostando, sua mão descansando no ombro do meu pai. Tenho certeza que está tentando acalmá-lo. Maddox está encostado na mesa, e o Greg está andando pela sala. —Estou bem—, falo, mas sai como um gemido quando a minha cabeça começa a girar. —Eu acho.— —Viu! Ela nem sabe se está bem. Vamos, princesinha. Hora de ir ver o médico.— Ele salta sobre os seus pés e se prepara para me pegar antes da minha mãe estender uma mão fina para detê-lo. —Calma, Ax. Deixe-a falar por si mesma, antes de enlouquecer.— Ela se vira para mim, com preocupação estampada em seu rosto. —Querida, sua cabeça está incomodando você?— —Um pouco.— Me viro e olho para o Greg, a última pessoa que viu a mensagem. —Você o pegou?— Pergunto. —Sim, menina. Não se preocupe com nada, ok?— Um olhar, que nem sequer tento processar, é trocado entre ele e o meu pai. —Acho que ele pode, realmente, estar me seguindo,— dou um gemido. Então, me inclino e coloco todo o meu almoço para fora, nos pés do meu pai.


Papai enlouquece. Ele está convencido que eu estou quebrada e alguém precisa me consertar. Minha cabeça dói ainda mais por causa dos seus gritos para a equipe da clínica para emergências. Minha mãe apenas se senta e o deixa fazer as coisas ao seu modo. Ela me disse, há muito tempo atrás, que aprendeu a lição quando ele ficava assim. Ele vai do pai zeloso e super protetor até o ponto em que fica incômodo e, simplesmente, não há absolutamente nada, que vá mudá-lo. —Olá, Srta. Reid. Ouvi dizer que você levou um tombo feio esta tarde—, a jovem médica diz quando entra na sala. Sorri docemente para mim antes de olhar em volta e ver os meus pais. Seu rosto fica, instantaneamente, rígido. —Senhor Reid, presumo?— Ao ver seu aceno em concordância, ela continua. —Ouvi dizer que você fez a minha equipe passar por momentos difíceis, hoje.— Eu sorrio e mamãe solta uma risadinha. —Olá, Dra. Webb—, falo, depois de ler o nome no jaleco e cortando, efetivamente, o meu pai antes que ele possa iniciar o seu discurso. —Não foi tão ruim assim. Apenas uma pequena colisão quando bati no chão. E uma dor de cabeça persistente.— —Não esqueça que você vomitou, Dani. Lembre-se.— —Sim, papai, eu sei. Eu estava lá.— Reviro os olhos e olho para a médica. —Isso foi o que eles disseram. Seus exames estão bons e, além da contusão, é óbvio, eu diria que você está bem. Vou prescrever uma receita com alguns analgésicos fracos, que são seguros para tomar, na sua condição.— —Jesus, Doutora. Você faz parecer que estou morrendo.— Eu sorrio e depois estremeço, quando a minha cabeça palpita. —Oh, me desculpe. Mau hábito, eu acho. Sei que mulheres grávidas não costumam gostar que a gente se refira a elas como doentes.— Ela ri, olhando para a prancheta, e nem percebe que a sala ficou elétrica.


—Com licença?— Sussurro. —O que você disse?— Ela olha para cima, percebendo a minha expressão antes de olhar para os meus pais. Não sei o que ela viu, já que estou absolutamente aterrorizada olhando para o meu pai. —Oh, sinto muito. Eu não percebi. Com o exame de laboratório e a data listada como o seu último ciclo menstrual... desculpe. Presumi.— —O que você está dizendo, doutora?— Meu pai ruge. Posso, literalmente, ouvir a força que ele teve que usar para conseguir pronunciar as palavras através dos lábios. —Preciso falar com sua filha em particular e, em seguida, quando ela estiver pronta, pode optar por compartilhar essas informações e discutir o que vai fazer. Peço desculpas, Sr. e Sra. Reid.— Não tiro os olhos do meu colo. Mantenho a cabeça abaixada, mesmo com o esforço que a minha mãe faz para tirar o meu pai da sala. Não me mexo quando eu o ouço gritando no corredor ou quando ouço algum tipo de acidente. Nem mesmo quando a porta se fecha, fazendo um som alto quando a médica se tranca no quarto comigo. O tempo todo, minha mente está girando. Grávida? Certamente, ela está errada. Deve ser o resultado do exame de outra pessoa. Lembro-me da pergunta sobre o meu último período. Acabei de abrir o aplicativo no meu telefone e coloco o que ela disse. Meus períodos sempre foram irregulares, então nem sequer dei um segundo pensamento a isso. —Danielle? Tudo bem que eu te chame de Danielle?— —Dani—, murmuro. —Desculpe?—


—É

Dani. Sempre

odiei

Danielle. Soa

muito

elaborado,

então

prefiro

Dani. Funciona. Não tenho nenhum outro apelido irritante. Sou apenas a Dani. Dani Reid. Essa sou eu. Puta merda, estou ficando louca com a gravidez?!— Encerro o meu vômito verbal com um grito que me faz estremecer. —Acho que isso é uma surpresa?— —Sim, muito—, digo a ela, começando a surtar um pouco. —Que tal eu ir buscar a máquina de ultrassom portátil e damos uma olhada? Pode clarear a sua mente e fazer parecer um pouco mais real. Bem, assim que o choque for assimilado.— Aceno com a cabeça, mas não falo. Grávida. Puta merda. O Cohen vai pirar. E o meu pai vai ficar chateado.


Capítulo 20 As noites são intermináveis aqui. Não sinto mais nada, além do desejo de estar em casa com a minha família e com a Dani nos meus braços. Isso me dá mais tempo para sentar e pensar. Pensar sobre o tempo que perdi com a Dani, porque estava muito ocupado me afastando dela. Tempo que perdi, porque agora estou nesta merda, caçando terroristas. E o pior sentimento de todos é aquela dor crescente no meu estômago, que me diz que tenho que chegar em casa o mais rápido possível. Não consigo explicar isso de outra maneira. É uma luta diária empurrar o sentimento de lado para poder me concentrar no meu trabalho e me certificar de que não vou acabar fodidamente explodido no processo. Uma coisa é certa em tudo isso. Este tempo longe da Dani provou uma coisa para mim. Aquela noite que a tive em meus braços nunca será suficiente. Rolo no chão duro, fecho os olhos e, assim como na noite anterior, e cada uma delas desde que estou aqui, vejo seu rosto sorridente.


Capítulo 25 Dani A médica volta ao quarto, arrastando alguns computadores estranhos atrás dela. Ela apaga a luz antes de me pedir para deitar na mesa de exames e puxa a minha

camisa

sobre

o

estômago, antes que

eu

possa superar o

choque. Minhas leggings são abaixadas até que descansam apenas acima da minha virilha. E então, solto um grito quando ela esguicha um gel em mim. —Desculpe, Dani. Não costumo me apressar para fazer ultrassonografias, então devo ter agarrado o gel que não estava aquecido—, ela murmura, mais para si mesma do que para mim. Olho para baixo, onde sua mão está movendo alguma coisa com aparência de um bastão em torno daquele gel nojento. Isto é tão desagradável. Todo esse trabalho para ela me dizer que interpretou algo errado. Quase convenci a mim mesma que, de jeito nenhum, ela poderia estar certa. Inferno, Cohen utilizou preservativo todas as vezes, por isso, certamente, não há nenhuma maneira possível de eu estar grávida. Não tenho vomitado. Tudo tem estado normal. Só porque não tenho um período regular não significa que estou grávida. Estou prestes a abrir a boca e lhe dizer isso, quando os mais estranhos ecos sonoros atravessam o pequeno quarto. —Que diabos é isso?— Questiono por causa do barulho. Parecem batidas trovejantes. —Isso, Dani, é o seu bebê.— Parece tão satisfeita que eu não posso evitar que meus olhos se fechem antes que o choque me atinja novamente. Jesus, esta é a noite dos choques.


Hesitante, olho para o monitor que ela está apontando quando meu coração falha uma batida antes de acelerar. Não tenho ideia do que diabos estou olhando. Só só sei que é a mais coisa bonita que já vi em toda a minha vida. Meu bebê? Meu pequeno milagre e do Cohen. A médica começa a apontar para tudo e explicar o que estou olhando. A cada palavra que ela fala, absorvo como uma mulher que está morrendo. Com a cabeça de pernas para o ar, já amando aquela criança que apenas alguns segundos antes, não imaginava sequer ser possível. Caramba. Vou ser mãe? Mesmo através do medo que atravessa a minha mente por causa do que isso significa para o meu futuro - meu futuro com o Cohen - deixo o amor por esta criança me inundar e sorrio o sorriso mais brilhante que, provavelmente, já tive. —Então... surpresa, mas feliz?— Ela pergunta. —Muito.— E estou. Realmente, estou. —E o pai do bebê? Posso imprimir essas imagens para você.— —Ele está no exterior. Mas adoraria ter algumas cópias para poder lhe mostrar quando ele voltar para casa.— —É claro. Sabe quando ele vai retornar? Se quiser, basta entrar em contato quando ele estiver voltando e vou me assegurar que vocês possam dar uma espiada neste pequeno. Pelas medições, você está exatamente, com doze semanas, então, infelizmente, ainda é muito cedo para saber o sexo. Mas volte daqui a algumas semanas e vamos ver se o pequenino quer lhe dar uma mostra adiantada.— —Obrigada—, respiro profundamente quando ela me entrega as imagens do meu bebê e se move para acender as luzes. —Ei, Doutora?—


—Sim?— Olha para mim depois de lavar as mãos. —Você sabe se há uma saída nos fundos pela qual você possa me esgueirar para fora?— Ela joga a cabeça para trás dando uma risada e balança a cabeça. —Sinto muito.— —Está tudo bem. Ele é só um pouco... super protetor.— —Percebi.— Ela ri. —Vou sair e lhe dar um minuto. Parabéns, Dani. Quero que você seja cuidadosa. Não deve ficar sozinha hoje à noite por causa da concussão. Também precisa fazer o pré-natal com o seu ginecologista ainda esta semana. Quer que eu chame os seus pais, agora?— —Huum, sim. Pode mencionar ao meu pai sobre a minha dor de cabeça ou algo assim? Deve manter seu temperamento sob controle se ele souber que não pode surtar. Me dá um ou dois dias para tentar entender a dimensão disso tudo.— Ela ri, mas concorda. Quando a porta se abre, cinco minutos depois, e a minha mãe entra, imediatamente envolve os braços em volta de mim. Posso dizer que ela está chorando, mas não estava esperando ver aquele sorriso enorme em sua face quando ela se levanta. Se inclina e dá um beijo na minha testa. —Eu te amo—, ela fala, emocionada. Olho por cima do ombro dela e vejo o meu pai. Todos os seus um metro e noventa e oito centímetros, os braços tatuados cruzados sobre o peito e cada veia saliente no seu pescoço. Seu rosto está vermelho como uma beterraba, e sua respiração é irregular. Papai está chateado. —Eu te amo, papai.—


—E eu te amo, minha princesinha—, diz ele, relaxando. Então, quase como se tivesse se lembrado por que estava tão excitado, se estica todo novamente e suas veias estouram de volta. —Mas eu vou matar aquele filho da puta que tocou em você.— Mamãe me dá um aperto, e eu fico em silêncio. Porque, realmente, o que é que eu vou dizer sobre isso?

Previsivelmente, papai não me leva para casa. Não disse uma palavra, mesmo depois de todas as minhas reclamações. Mamãe apenas ria, no banco da frente. Minha cabeça está me matando, então não estou disposta a encarar essa luta. Mas não vou ficar hospedada lá. Meu plano era ligar para o Lee no segundo que chegamos lá, mas foi frustrado quando ele não pôde e disse que estava em um encontro. Meu pai desfrutou em me apreciar fervendo na minha própria raiva por ter sido mantida refém por ele. —Tudo bem. Vou ligar para uma das meninas, então.— —Uma porra que vai, Dani! Você pode não se lembrar de como esta noite começou, mas vou me assegurar que se lembre. Até descobrirmos o que está havendo com aquelas flores e, agora, com aquele bilhete - você não fica fora das minhas vistas.— —Não vou ficar aqui, papai. Estou perfeitamente segura em casa. E se isso é um problema, então o Lee pode ficar comigo.— —Liam não possui o mesmo número de armas que eu—, ele responde, cruzando os braços sobre o peito, novamente, em sua postura Axel —não mexa comigo.— —O Lee também é faixa preta e poderia até chutar a sua bunda.—


—Liam não seria capaz de fazer merda alguma contra uma faca ou uma arma, Dani. Você está segura aqui. Eu posso mantê-la segura.— —Estou segura em casa!— Grito. —Sei que você não vai discutir comigo, seu pai, que, por acaso, possui uma porra de empresa especializada em segurança, que você vai estar melhor sem mim cuidando de você. Novidade, princesinha: não existe uma única pessoa na qual eu confie para manter a minha menina e o meu futuro neto seguros.— Seus olhos suavizam um pouco quando ele menciona o bebê, e só sei que, apesar da sua raiva, que tenho certeza que vai fazer uma outra aparição, ele vai amar este bebê, simplesmente, tanto quanto ele ama o Nate e eu. —Não me olhe assim, Dani. Ainda vou matar esse merdinha que nocauteou a minha menininha.— Não tenho certeza do que há no seu tom de voz, que me faz olhar para trás, para ele. —O quê? Sinto que você tem mais a dizer.— —Não queria chegar a isto, enquanto tudo o que aconteceu hoje ainda está tão fresco, mas tenho que dizer... Estou decepcionado com você, Dani. Nunca pensei que você faria algo como isso para o Cohen. Só espero que, quem quer que seja o bastardo, valha a pena o problema que ele causou. Não podia dizer isso para você, mas não poderia ter escolhido um homem melhor para você acabar do que com o Cohen e, quando ele descobrir que está grávida de outro homem, não vejo como isso pode acabar bem.— Ele se vira e sai da sala. Suas palavras me acertam direto no estômago, antes de bater diretamente em meu coração. Filho de outro homem? Que diabos! Nem sequer tenho um segundo para processar a minha raiva. Agarro o celular na bolsa e pesquiso o número que preciso. Não demorou muito para a chamada ser atendida.


—'Alô?— —Chance? Você pode, por favor, me pegar?— Soluço através do choro alto.


Capítulo 26 Dani Chance não fez nenhuma pergunta. Ele para na entrada de carros da casa dos meus pais trinta minutos mais tarde e toca a buzina. Nem sequer vacilo. Pego a minha bolsa, a sacola com os remédios e saio pela porta da frente. Posso ouvir o meu pai gritando quando pulo no banco do passageiro e bato a porta antes de trancá-la. Chance olha para mim com perguntas no olhar antes de olhar atrás de mim, onde, tenho certeza que o meu pai está, bufando. —Se eu sair daqui, agora, ele vai me matar?— Pergunta. —Possivelmente.— —Certo. Bem, já que eu gosto de estar vivo e pretendo manter a respiração por mais algum tempo, vou sair do carro e ter uma conversa com o seu pai.— Antes que eu possa impedi-lo, ele abre a porta e sai. Merda! Posso ouvi-los conversando, mas não o que está sendo dito, porque a janela está fechada e o barulho do motor abafa o som. Hesitante, me aproximo mais e pressiono o botão para baixo até abrir, ligeiramente, a janela. —... só vim porque ela me ligou e parecia chateada. Eu devo isso ao Cohen, me certificar que ela está bem, senhor. Sem ofensa, mas se ela não está bem aqui, então vou me meter.— —É seu?— Meu pai ladra. —O que é meu?—


—O bebê.— Chance olha por cima do ombro para mim. Seu rosto está impassível, mas seus olhos piscam em advertência. Advertindo o que, não tenho certeza. —Não sabia que a Dani estava grávida, senhor.— —Corta a enrolação, Chance. Você está dormindo com a minha filha? Com a garota do seu companheiro de quarto? Você acha que não sei sobre as noites em que ela se esgueirando até a sua casa?— Puta merda. Isto é ruim. —Axel!— Olho entre os dois homens que estão se encarando, de igual para igual, na frente da casa dos meus pais para ver a minha mãe descendo os degraus da varanda. —Você precisa se afastar, agora. Isto, tudo isso, não é problema seu, e por mais que isso te mate, é hora de calar a boca antes de fazer com que a sua filha sinta mais dor. Conversaremos mais tarde sobre o que você a está acusando.— Deus, eu amo a minha mãe. Chance não lhe dá nem um segundo para responder. Se afasta, se vira, e caminha de volta para o banco do motorista. Mamãe chama o seu nome e fala, antes dele fechar a porta. —Ela precisa ser vigiada esta noite, depois da sua queda. Acorde-a algumas vezes. Posso confiar em você para cuidar dela?— —Sim, senhora.— Ele fecha a porta e sai com o carro. Posso afirmar que ele tem muito a dizer, mas se mantém tranquilo. —Sinto muito, Chance—, sussurro.


Ele não fala nada, mas alcança e agarra a minha mão, segurando-a firmemente na dele, dando, exatamente, aquilo que preciso neste momento. Alguém para ser a minha força. *** No segundo em que entramos no apartamento, corro para o quarto do Cohen. No momento em que a minha cabeça atinge o travesseiro, estou pronta para desabar. Chance me dá o tempo que eu preciso - e quero - ficar sozinha. As únicas vezes em que o vi foram as duas vezes que ele me acordou no meio da noite. Não consigo acreditar que meu próprio pai pensaria algo tão baixo sobre mim. Mesmo através da minha mágoa por ele dizer uma coisa dessas, posso ver de onde o pensamento brotou. Cohen estava fora e, por sua própria conta, ele sabe que tenho vindo para cá. Faz sentido, mesmo que a sua falta de fé em mim seja desoladora. Não percebo que estou chorando até que sinto a cama afundar. —Você quer falar sobre isso? Não sou bom com essas merdas, mas posso tentar ajudar.— —Acho que você deduziu que eu estou grávida?— —Calculei isso, quando o seu pai estava prestes a arrancar minha cabeça fora, achando que eu tinha dormido com você. Pensei que ele soubesse que você e o Cohen estavam juntos?— Suspiro. —Você deve conhece-lo bem o suficiente para saber que, quando enlouquece, ele fica...irracional. Acho que ele não considerou que isso foi algo que aconteceu antes do Cohen ir embora. E, depois de tudo o que aconteceu hoje, com o bilhete e, em seguida, a bomba do bebê, acho que ele só deixou as emoções levarem a melhor sobre ele.—


—Não vou te insultar, questionando se é do Cohen ou não, mas percebe que estará no topo das fofocas de todos, que esse bebê não é dele?— —Esperei por ele toda a minha vida, Chance. Todo mundo que me conhece sabe disso. Não consigo acreditar que o meu próprio pai...— Eu paro e deixo aquilo suspenso no ar. Não faz sentido depois do que ele fez, além disso, não há nenhuma vantagem em falar mais sobre o assunto. —Por que você não me conta sobre o bilhete? Em seguida, ligue para as meninas ou para o Liam. Você precisa dos seus amigos à sua volta e, honestamente, Dani, gosto de você, bastante, mas não sei como ser o ombro no qual você vai ter que chorar, em algum momento.— Sorrio e respiro fundo, desejando que os meus sentimentos feridos não acabem em lágrimas. —Sim, tudo bem.— Eu lhe conto tudo sobre bilhete e o que lembro que estava escrito, o que não é muito, mas ele promete verificar com os rapazes, no trabalho, para obter mais detalhes. No final, me sinto um pouco melhor apenas por ter alguém com quem conversar, mas decido que ele está certo e que eu preciso dos meus amigos. Sem saber o que dizer para as gêmeas, ainda, ligo para o Lee, sabendo que ele pode me ajudar a organizar a cabeça antes de ligar para elas. Ele concorda em ir em para o apartamento, assim que o seu encontro terminar. Sinto que ele quer fazer perguntas, mas desliga com a promessa de ir o mais rápido que puder.

—Bem, você realmente conseguiu se enfiar de cabeça no drama hoje à noite, Dani—, Lee diz, inclinando-se para trás contra a cabeceira da cama e abrindo os braços para que eu possa descansar no seu peito. —Você acredita que estou grávida, Lee?—


—Honestamente? Não posso dizer que estou chocado. Quero dizer, é o Cohen.— —O que diabos isso quer dizer?— Dou um sorriso. —O homem usou uma capa por uns... tipo, 20 anos. Ele é algum oficial super secreto da Marinha. Tenho certeza que ele pode me matar de um milhão de maneiras diferentes - o homem, apenas, nasceu para ser super tudo.— —Nós usamos camisinha, Lee—. Ele tampa minha boca. —Eu amo você, Dani, mas não quero falar sobre essa merda. Vamos, apenas, imaginar que essa merda aconteceu por causa do seu super esperma furador de camisinhas.— Dou um tapa no seu estômago. —Deus, você é nojento.— Resolvo me recostar novamente, por um segundo apenas, antes de me levantar e me virar para olhar para ele. —Você acha que o Cohen vai pensar a mesma coisa que o meu pai?— Lee não disse nada, o que não ajuda a trepidação que eu já sinto. —Não vou mentir para você, Dani. Do lado de fora, sem todos os fatos, parece suspeito. Mas você mesma disse. Seu pai nem sabia o quão longe vocês foram.— —Eu nunca trairia o Cohen assim.— Ele sorri. —Sim, eu sei disso. É uma situação de merda, Dani. Espere até que o Cohen esteja de volta, antes de começar a se preocupar com isso. Eu não esconderia isso das meninas.— —Eu não planejei isso. Só preciso processar as coisas. Vou chamá-las hoje à noite.— —Claro, querida. Vamos. Vamos descansar um pouco. Vim direto para cá depois de uma noite com a Stacy. Eu estou fodido.—


Lee e eu conseguimos descansar umas boas horas antes das batidas na porta soarem. Chance deixou uma nota que dizia que estava indo ver a Megan e que voltaria

mais

tarde. Está

dedicando

muito

tempo

para

ela,

recentemente. Brinquei com ele sobre, finalmente, estar namorando, algo que nunca o vi fazer, mas ele me disse que não fazia outra coisa, senão ajudá-la com a filha. Afasto a vergonha e a culpa quando penso sobre a primeira impressão que tive sobre ela. Agora, depois que a conheci, sei que é apenas uma mulher de luto que precisa dos amigos. Saio do quarto do Cohen e caminho até a porta. Quando olho pelo olho mágico, sorrio e balanço a cabeça com o barulho que quatro punhos podem produzir contra uma porta. Bem, não demorou muito. Abro a porta quando a Lyn está prestes a bater nela de novo e mal consigo me desviar do seu punho. —Porra, Lyn!— —Ainda bem, cadela—, ela responde. —Olá, Dani.— Lila me dá um abraço e segue sua irmã para o apartamento. —Onde está o Lee?— Lyn pergunta, olhando ao redor. —Aqui mesmo. Deus, você poderia falar um pouco mais baixo. Estava vindo para cá quando ouvi você berrar, e Deus, minha cabeça dói.— Todas nós olhamos para o Lee e ficamos de boca aberta. —Não posso acreditar que você saiu com aquela louca, novamente—, Lila esbraveja. —A última vez que saiu com ela, não soube que ela não parava de repetir sobre quantos bebês ela queria ter com você, detalhar os nomes de cada um deles e como eles iriam parecer?— —Cristo, você deve amar aquela louca—, murmura a Lyn.


—Oh, cala a boca. Não foi tão ruim assim. Além disso, eu estava com tesão.— —Você é nojento,— Lila suspira. —Tudo bem. Chega dessa merda. O que está acontecendo com você?— A Lyn pergunta. —O que faz você pensar que algo está acontecendo?— Pergunto, vagamente. —Não me tire por idiota. Primeiro de tudo, você não voltou para casa na noite passada. Você não atendeu o telefone. Seu carro ainda está lá no salão de beleza! E se isso não é suficiente, quando fomos para casa, jantar com a mamãe e o papai, Cam não parava de falar sobre o que tinha acontecido, como ele e o Colt ouviram o pai dizer para a mãe sobre como você recebeu alguma carta fodida depois do trabalho. Então, ele disse que você teve que ir para a sala de emergência. Se isso não é o suficiente para saber que alguma coisa está, definitivamente, acontecendo com você, então você está ficando louca.— Ela respira fundo, e, pela primeira vez, vejo através da sua raiva, a preocupação que ela deve ter tido toda a noite comigo, imediatamente, fazendo com que eu me sinta culpada. Inspirando profundamente, aponto para o sofá. —Vocês duas podem querer se sentar.—


Capítulo 27 Dani —Então deixe-me ver se entendi. Você recebeu algum tipo de bilhete fodido no trabalho e começou a passar mal. Você foi ao médico, descobriu que o meu irmão te engravidou e, em seguida seu pai ficou cheio de merda e, basicamente, a acusou de ser uma vagabunda?— Lyn termina de descrever as minhas últimas 24 horas com um suspiro dramático. —Uau. Quando você decide ir para o fator de choque, realmente, dá tudo de si.— —Eu vou ser titia?— Lila diz, ofegante. —Puta merda, vamos ser titias!— Lyn grita, e estremeço quando suas vozes altas ressoam nos meus ouvidos. —Você acabou de registrar essa pequena preciosidade? Que parte do 'meu irmão te engravidou' você não registrou?— Lila banca a espertinha. —Oh, cai fora, Lila! Estou em choque, aqui.— —Então... Imagino que vocês duas não compartilham a mesma reação imediata do meu pai, então?— Ambas olham para mim com um misto de indignação e tristeza. Como se eu tivesse perdido a razão, que é um sentimento que compartilho com as duas no momento. —Você já está apaixonada pelo meu irmão há anos, Dani. Mesmo se esse não fosse o caso, você não é o tipo de pessoa que se desvia quando está em um relacionamento. Independentemente de onde a outra pessoa está, você é leal na sua essência.—


Sorrio com as palavras da Lila. Não percebi o quanto precisava ouvir que elas acreditavam em mim. —Tenho certeza que ele vai se arrepender, Dani. Você conhece o seu pai. Ele é impetuoso, e tão protetor quanto ele é com você, tenho certeza de que ‘tudo sobre o bilhete no carro, você cair e se machucar, e, em seguida, descobrir que está prestes a ser avô cobrou um alto preço sobre ele. Sim, acho que é seguro dizer que ele está, provavelmente, além do ponto de ebulição.— Lyn se aproxima e afaga a minha mão. —Isso não é desculpa. Você tem todo o direito de estar chateada. Simplesmente, não consigo descobrir por que você não ligou para nós.— Ela me dá um sorriso triste, mas não há julgamento em seu olhar. —Precisava me sentir próxima do Cohen. Nem sei se eu percebi, naquele momento, mas no segundo em que cheguei aqui - rodeada pelas suas coisas nem sei como explicar. Senti como se eu estivesse... em casa.— Lila tem um grande sorriso estúpido no rosto, e Lyn está olhando para mim em completa compreensão. —Você ainda poderia ter ligado para nós, Dani. Teríamos vindo para cá em um segundo. Será que você pensou que ficaríamos chateadas ou algo assim?— Lyn forçou. —Não tem nada a ver com isso. Prometo. Ainda estava tentando chegar à uma conclusão dentro da minha cabeça, em torno disso tudo. Eu queria ficar aqui, sozinha, e passar um tempo com Cohen da melhor maneira possível, sem ele estar aqui. Meu Deus, pareço uma completa idiota—, dou um gemido e apoio a cabeça em minhas mãos. —Ele saiu daqui pensando que tinha um tipo de garota e vai voltar para casa e ver que sou um caso perdido. Quem vem para a casa do namorado para cheirar suas coisas e abraçar o seu travesseiro?— Ambas jogam a cabeça para trás e riem. A tensão é quebrada. Minhas meninas enxergam o melhor de mim. Sempre, e isso nunca vai mudar.


—Que tal passar o resto da noite fazendo coisas de meninas e cair na farra assistindo a episódios antigos de OneTree Hill?— Lila pergunta enquanto se levanta e me dá um grande abraço. —Correndo o risco de soar ainda mais louca... podemos fazer isso aqui?— pergunto. —Certo. Quer dizer, não acho que sentir o cheiro do meu irmão fedido será tão confortante para mim quanto é para você, mas estou de acordo.— Lyn ri. — Precisamos pedir um pouco de comida, também. Engordar você! Mal posso esperar para ver você com uma barriguinha bonita. Meu Deus! Ainda não consigo acreditar que meu sobrinho ou sobrinha está aí.— Eu paro, Fazendo com que elas esbarrem em mim no meio do corredor. Meu queixo cai e os meus olhos se arregalam. —Puta merda. Eu vou ficar gorda!— Giro, agarro o corpo mais próximo, e sacudo os ombros. Posso ouvir a Lyn rindo pra caralho atrás de uma Lila igualmente chocada. —Eu vou ser uma grande porcaria de baleia no momento em que ele chegar em casa. Ele me deixou toda magra, tonificada e gostosa, e vai voltar para casa e vou estar tipo, 'Oh, olá, garotão, adivinha? Eu comi uma baleia e você me engravidou'!— Por que elas estão rindo tanto? Não conseguem entender o quanto estou pirando aqui? De jeito nenhum ele vai me querer toda gorducha. —Isso vai ser terrível—, dou um gemido e viro as costas para as minhas duas melhores amigas, que estão perdendo a sanidade com o quanto estão rindo. Quando chego no quarto do Cohen, rastejo de volta para o centro da cama e envolvo meus braços em torno de um dos seus travesseiros. —Você está uma bagunça, Dani. Cohen não vai parar de amar você, só porque tem uma barriga. Além disso, ouvi que alguns caras acham, na realidade, mulheres assim mais atraentes. Pare de surtar sobre algo que você não tem o mínimo controle. Aviso, porém, que ele ficará chocado. Conheço o meu irmão, e ele pode até ter um colapso quando descobrir.—


Suspiro e me apoio sobre os cotovelos para olhar para a Lila. —Fazer o quê?— —Você realmente acha que ele não vai, nem mesmo, ficar um pouco chocado quando

lhe

contar

que

ele

lhe

deixou

um

pequeno

presente

de

despedida? Nenhum homem é capaz de receber esse tipo de notícia, sem um pequeno choque, Dani. Não se preocupe com isso. E tudo vai ficar bem. Uma coisa sobre o Cohen, e você sabe disso, é que o cara foi feito para ser pai. Ele sempre sonhou com o futuro, quando sossegasse e começasse uma família. Acho que ele sempre idolatrou essa coisa de ser pai.— —Sobre o que diabos você está falando?— Eu a questiono. —Basta perguntar para a Lyn. Quando estávamos ocupadas planejando nossos casamentos e quão grande e brilhante nosso futuro seria quando tivéssemos nossas crianças, o Cohen sempre nos contava sobre como ele mal podia esperar para ficar mais velho. Ele seria um herói como o seu pai e teria uma casa cheia de crianças e uma mulher que o amasse para aquecer sua cama. Claro, eu nunca entendi a última parte.— Lila termina e se senta ao meu lado, puxando o travesseiro de cima do meu corpo e colocando-o atrás de sua cabeça. —Ele vai ficar tão feliz por ser com você, Dani.— Olho para ela por um instante, deixando suas palavras me invadirem, antes de sentir um sorriso grande e louco esticar os meus lábios. Bem, isso tudo soa como um sonho se tornando realidade.

Horas mais tarde, ainda estamos sentadas na cama do Cohen. A comida que pedimos está espalhada por todo o edredom e a segunda temporada de One Tree Hill está, apenas, começando na televisão do Cohen. Obrigado, Netflix, por fazer a noite das meninas muito mais fácil.


Lyn e Lila fazem o que sabem fazer melhor. Tiraram aqueles pensamentos da minha cabeça e me fizeram parar de enlouquecer. Toda vez que fico muito silenciosa, elas afastam todas as dúvidas que tenho na cabeça. Passamos horas olhando para as fotos da ultrassom e falando sobre nomes de bebês e com quem ele ou ela seria parecido. Espero que seja um menino, que terá os traços fortes do seu pai e lindos olhos castanhos. As garotas esperam que seja uma menina para poderem vesti-la com todos aqueles acessórios adoravelmente bonitos que já começaram a procurar. —Olha este, Lila—, Lyn grita e vira o telefone para mostrar uma roupinha qualquer que encontrou online. —Olá, Dani—, ouço vindo lá da frente do apartamento e quase caio da cama com o susto. —Puta merda, ele me assustou pra caralho—, diz a Lyn com a palma da mão apertada contra o peito. —A mim, também.— Desvio da Lila e caminho pelo corredor até onde acho que ouvi a voz do Chance. Exatamente quando saio do corredor para a grande sala de estar, paro repentinamente e sinto meu corpo enrijecer com a tensão. Chance anda até mim e me dá um aperto reconfortante no ombro antes de prosseguir pelo corredor. Me viro e o vejo entrar no quarto do Cohen e fechar a porta atrás dele. Bem, acho que isso significa que as meninas não virão em meu socorro. Com um suspiro profundo, cheia de medo, me viro, endireitando os ombros e enfrento meu pai. —Parece que você está pronta para uma batalha, princesinha—, diz ele, solenemente.


—Isso é porque sinto como se estivesse me preparando para uma.— —Dani-— ele começa, dá um passo na minha direção... até que levanto a mão para fazê-lo interromper o seu movimento. —Acho que é melhor deixar para lá, papai. Isto não pode ser corrigido com um abraço.— Seus olhos se fecham, e posso sentir o quanto está lhe custando manter-se afastado. Não tenho nenhuma dúvida que ele lamenta o que disse, mas a verdade é que, por mais fugaz que fosse, o pensamento passou por sua cabeça. —Você só me chamou de prostituta, papai. Sua própria filha. Aquela que você criou para acreditar no poder do amor e, apesar do seu cuidado super protetor, encontrei o amor. Aquela conexão entre almas gêmeas que acontece uma vez na vida, assim como você e a mamãe. Nunca, nem em um milhão de anos, esperava isso de você.— Seu rosto se suaviza, —Baby—, sussurra. —Eu sinto muito.— —Você realmente acredita que, depois de amar o Cohen durante todo esse tempo, diante do primeiro obstáculo com o qual a nossa relação é confrontada, eu iria correr para outro homem?— Ele balança a cabeça, seus olhos nunca se afastando dos meus. —Posso entender que você está passando por um momento difícil com o fato de que eu não sou um bebê lindo. Não sou mais há muito tempo, mas sempre soube que você iria lutar para me deixar ir, até você literalmente não conseguir me segurar mais. Mas o que não consigo entender é por que você reagiu da maneira que o fez.— —Por favor, minha doce princesinha, deixe eu te abraçar.— Não tenho certeza se é o leve tremor na sua voz profunda que faz com que surja a primeira lágrima ou se é por causa das que deslizam pelo rosto dele,


mas quando a segunda lágrima cai, não há nada que eu possa fazer para impedi-lo de cruzar a sala. —Eu precisava do meu pai—, choro encostada no seu peito. —Eu precisava de você e tudo que recebi foram acusações que nunca, na minha vida toda, pensei que você ia jogar sobre mim. Eu precisava que você me abraçasse e dissesse que tudo ficaria bem e que me amava. Mas você me afastou e quebrou o meu coração.— —Deus, Dani. Por favor, pare.— Seus braços se apertam em torno de mim e sinto meus pés levantando do chão. Sua cabeça encosta no meu ombro e sinto ele inspirar profundamente. —Eu não consigo respirar—, suspiro e me contorço contra ele. Ele me dá outro aperto antes de colocar, levemente, meus pés no chão. Quando se inclina para trás e olho, pela primeira vez, seus olhos avermelhados, meu coração se quebra um pouco. —Não sei como esquecer o que você disse para mim, papai—, suspiro. — Esperava o seu estado de choque. Esperava a sua raiva pelo Cohen. Mas, acima de tudo, eu esperava o seu amor.— Ele limpa a garganta. —Sente-se, princesinha. Acho que, talvez, posso ajudar com isso.— Caminhei atrás dele e me sentei sobre a gasta poltrona de couro. Papai sentou na outra, e esperei que ele falasse. Não tenho ideia do que ele pensa em me falar – talvez, algumas dicas sobre como ele reagiu à minha gravidez - mas eu espero. —Não acho que consigo explicar com exatidão como é crescer com pais de merda, Dani, mas os que eu tinha, eles eram os mais merda possíveis. Nunca quis que você ou o seu irmão soubessem como foi ruim para mim, enquanto eu estava crescendo. Nunca quis que você soubesse disso, mas acho que precisa saber um pouco sobre eles...para entender por que eu sou do jeito que sou.—


Me inclino para trás e espero ele continuar. É o seu show, agora. —Meus pais... eles nunca estavam sóbrios. Nunca deixaram de estar chapados com alguma droga. Nunca falavam comigo com outra coisa, que não ódio. Essa foi a minha vida até que o Serviços Social me pegou e acabei no sistema. Isso não foi muito melhor, mas não estava sendo espancado e comia o suficiente para não morrer de fome. Mas era solitário, Dani. Terrivelmente solitário. Até que conheci a sua mãe. Confie em mim quando digo que sei exatamente o que você quer dizer quando fala em encontrar a sua alma gêmea, uma vez na vida. Isto é o que a sua mãe foi, e ainda é, para mim.— —Você conhece a história de quando eu estava infiltrado e o que aconteceu comigo e com a sua mãe durante todos aqueles anos que se seguiram. Mas não acho que já contei a ninguém, além da sua mãe, o que senti quando, anos mais tarde, descobri que nosso primeiro bebê não vingou. Deus, Dani... Ouvir como a sua mãe sofreu me matou, mas saber que parte de nós tinha morrido me rasgou. Conheci o lado irracional daquilo. Fui a algumas sessões de terapia com sua mãe para que aqueles charlatões me explicassem em termos que eu pudesse entender. Para uma criança que cresceu do jeito que eu cresci, viver aquela vida solitária, sem amor, ter um filho com a mulher que eu amava mais do que a minha vida, era como uma segunda chance. Me lembro do dia que a sua mãe me contou, anos depois, sentada no cais atrás da casa e prometi a Deus que, se eu fosse abençoado com mais filhos, nunca iria parar de protegêlos. Quero dar-lhes o amor, a segurança e a vida que nunca tive.— Ele para e limpa uma lágrima que escapa dos meus olhos. Não falo nada. Ficamos sentados em silêncio, enquanto espero ele organizar os pensamentos. —Eu sei que levo isso para um outro nível quando se trata de você, Dani. Eu olho para você, vejo tanto da sua mãe e me lembro daquela doce mulher com olhos brilhantes, que deixei todos aqueles anos atrás. Que deixei por uma vida de inferno, por vários anos. Sinto a dor por não ter podido protegê-la, e isso me faz te segurar um pouco mais apertado. Acho que racionalizei comigo mesmo


que, se apenas pudesse mantê-la o máximo que eu pudesse, você nunca conheceria esse tipo de dor.— —Ainda não entendo como você pode, até mesmo, pensar que eu poderia fazer algo assim com o Cohen, papai. Como eu poderia traí-lo?— —Eu não acho, baby. Não achei naquela hora e não acho isso agora. Não há desculpa para o que eu disse. Não estou decepcionado com você. Estou desapontado comigo. Estava com medo, Dani, e essa é a verdade, simplesmente. Fiquei apavorado quando ouvi que você estava grávida. Todas aquelas velhas feridas foram abertas, e o que senti todos aqueles anos atrás, voltou dez vezes maior. Só que desta vez, era a minha menina, a minha princesinha, e fiquei apavorado, profundamente.— Nunca, nem um milhão de anos, esperaria isso dele. Meu pai? O grande e malvado Axel Reid com medo? Não. Nunca. —No segundo em que você saiu e percebi que o que eu disse, queria vir atrás de você, mas a sua mãe disse que eu tinha que te dar um tempo. Bem, na verdade, ela gritou comigo por ser um idiota. Sempre vou olhar para você como a minha menina, Dani, e não há nada que possa mudar isso. Estou muito orgulhoso da mulher que você se tornou, e te amo mais do que a minha própria vida. Nunca vou conseguir expressar o quanto estou triste por deixar minhas as emoções e o meu temperamento levarem a melhor sobre mim.— —Você me magoou—, falo. —Eu sei, e isso me mata.— Depois de ouvir o que ele falou, meu coração se acalma um pouco e entendo de onde ele estava vindo. Mesmo que ainda doa, sei que é mais porque as palavras ainda estão frescas na minha mente. Ele sempre era acolhedor e sentia as coisas profundamente. Isso é apenas como ele é. E, sinceramente, se eu estivesse pensando claramente, provavelmente, teria antecipado uma reação como a dele. Não faz com que tudo fique bem, mas não consigo guardar rancor porque ele foi cegado pela dor do seu passado.


—Te amo, papai.— —Eu também te amo, princesinha.— —Você tem que me deixar voar agora—, sussurro. —Eu sei que tenho. Eu sei. Não quero deixá-la ir, Dani, mas, pelo menos, se tiver que fazer isso, sei que você vai estar em boas mãos.— —Você está realmente bem? Com o Cohen e eu... e o bebê?— —Sim, querida. De verdade, estou. Também estou com medo, não vou mentir sobre isso, mas vou trabalhar em não projetar isso sobre você. Só não espere que eu mude da noite para o dia. Minha menina tendo seu próprio bebê? Jesus, Dani.— Ele faz uma pausa, levanta, e me puxa para cima para poder dar um beijo na minha testa antes de me envolver em seus braços fortes, em outro abraço. —Eu ainda vou chutar a bunda dele. Você sabe disso, certo?—, Ele diz, sua voz ressoando contra o meu ouvido, que está pressionado contra o seu peito. —Não, você não vai.— —Sério? E por quê?— Pergunta e me afasta, para olhar para mim, os olhos verdes brilhando. —Porque você não vai me machucar desse jeito.— —Eu ainda vou gritar com ele. Talvez, até mesmo, falar algumas merdas—, ele contrapõe. —Sim, posso aceitar isso.— Ele não demora muito tempo, depois disso. Sei que as meninas estão, provavelmente, prestes a derrubar as portas para se certificarem que estou bem. Eu o acompanho até a porta, me sentindo muito melhor do que quando ele chegou. Com a promessa de vir para o jantar na noite seguinte, ele se despede com um abraço.


Com um sorriso no rosto, ando de volta pelo corredor, me sentindo muito mais leve do que quando o fiz, anteriormente. As coisas não estão se encaminhando para ser magicamente mais fáceis a partir de agora. Há o pequeno fato do Cohen ainda não saber que está prestes a ser pai, mas não tenho nenhuma dúvida em minha mente que ele será capaz de enxergar esse milagre pelo que é. Pelo menos, essa é a esperança na qual vou me segurar até que ele volte.


Capítulo 28 A cada dia do caralho, começo a me ressentir da vida que sempre pensei que eu queria. Travar uma guerra que não vejo terminar nunca está começando a cobrar o seu preço sobre a minha sanidade mental e meu coração está começando a ficar mais pesado a cada segundo que estou longe de casa. Sinto falta da minha família. Meus pais, irmãs e irmãos. Odeio saber que eles estão em casa se preocupando comigo e com a minha segurança. Sei que toda vez que estou longe, em alguma missão, minha mãe não dorme bem e meu pai tem pesadelos. Minhas irmãs aceitam melhor, sua crença de que sou invencível ajudando com isso. E meus irmãos escondem a sua preocupação na cerveja e no sexo. Mas o pior de tudo, sinto falta da Dani. É difícil acreditar que algo que nunca soube que estava faltando criaria raízes e tornaria impossível imaginar deixá-la novamente. Sei, sem sombra de dúvida que esta será a minha última missão. Quando chegar a hora de me realistar, não vou me arrepender da decisão de ficar em casa e começar a minha vida com ela. Parece uma coisa louca, mas depois de todo esse tempo longe, sei onde o meu futuro está, e maldição, com certeza não está em uma grande merda de deserto, me arriscando a levar um tiro diariamente. No segundo em que chegar em casa, vou puxar o seu pai de lado e pedir a mão dela em casamento. Em seguida, torná-la minha mulher para sempre. Sorrio quando penso sobre o futuro que nós vamos ter. Essa tem sido a única coisa que me mantém são. Anos, tantos anos malditos, nos quais afastei esses


sentimentos e, de jeito nenhum, vou perder mais um segundo antes de me assegurar que ela saiba como me sinto. —Ei! Cage, o chefe me disse para me assegurar que você receba isso. Chegou na remessa urgente, há um segundo atrás.— Olho para cima quando o Ferguson me estende um pedaço de papel dobrado. Percebo que é um envelope, apenas meu nome escrito nele. —Que merda é essa?— Pergunto, querendo nada mais do que dormir um pouco. —Nenhuma pista. Ele recebeu um telefonema, fez algumas anotações, então o enfiou aqui e me disse para encontrá-lo O MAIS CEDO POSSÍVEL. Então, te encontrei e fiz o que me foi ordenado. Agora, pegue essa merda para que eu possa arranjar alguma gororoba.— Arrebato o envelope e ele vai embora. Nunca dei muita atenção para o Ferguson, mas ele é um bom soldado. Estávamos com sorte, esta noite. As coisas ficaram meio enroladas, mas finalmente voltamos para o acampamento base, depois de ter partido há três semanas em outra missão do inferno. Vou conseguir tomar um banho e comer uma comida que não tenha gosto de merda seca. Fugindo do refeitório, olho rapidamente para o edifício que estávamos usando como controle da missão para a nossa unidade. Depois de fechar a porta e desfrutar de um segundo de silêncio, abro a carta. Esperava que você já estivesse em casa agora, mas suponho que esta foi uma múltipla missão que lhe foi atribuída e está perto de completar um ano. Que merda, irmão. Dê um jeito e volte para casa. Sua menina precisa de você. Não quero foder com a sua cabeça, mas não posso tornar isso menos difícil. Não estaria

incomodando

com

isso,

se

não

achasse

que

fosse

necessário. Faça o que precisa fazer. Espero que saia logo e se apresse,


ligue ou escreva, porra. Mas ela precisa de você e existe algo que deve ser resolvido mais cedo ou mais tarde. Vou mantê-la na minha mira o melhor que eu puder, Cohen. Fique seguro. Chance Com as mãos trêmulas, dobro a nota e tento me acalmar. Conheço quando alguma coisa está errada. Sinto isso desde o dia em que parti. Esse sentimento se transformou em uma dor constante no meu estômago. Sentir que sou necessário em casa é nada, comparado a saber que sou necessário e não ser capaz de fazer nada sobre isso. —Foda-se!— Eu rujo e bato a porta com força suficiente para que as próprias fundações sobre as quais a sala está construída, com certeza, sintam a dureza do golpe. Vou até o meu comandante e rezo para que ele possa me dizer como posso acelerar essa merda para poder chegar em casa, para chegar até a minha garota. Não tenho certeza do que pareço quando me aproximo do meu comandante, mas ele é mais do que receptivo ao fato de que preciso ligar para casa. Normalmente, não temos a oportunidade de entrar em contato com qualquer um dos nossos familiares. Nossas missões são assim. Precisamos do nosso foco concentrado na missão. Qualquer distração resultaria em uma coisa. Nossa morte. Ficamos fora, —caçando—, por semanas, até meses, às vezes. Estudando nosso alvo, dormindo com as costas um contra o outro, nos escondendo sempre que podemos. Rastejando

no

deserto

em

condições

tão

ruins

quanto

conseguimos. Comemos, dormimos e respiramos com um foco único, o espírito de um guerreiro. Uma máquina de matar. Quando temos problemas em casa nosso foco pode vacilar, e eles estão dispostos a fazer o que for preciso para apontar o nosso foco de volta para a visão afunilada da mentalidade de um robô. Que é, essencialmente, o que somos treinados para ser.


E com a mente girando com uma mensagem vaga pra caralho, as coisas acabariam muito mal, se eu estivesse —caçando—. Chance conhece essa porra melhor do que ninguém, sabendo o que acontece ao enviar uma mensagem fodida como esta. Sabe que a única coisa que vai acontecer, é desviar

o

foco

da

minha

missão

e

me

deixar

consumido

pela

preocupação. Algo que não posso me dar ao luxo de deixar acontecer. O Comandante Krajack me leva para uma sala, para fazer uma ligação para casa, logo após a entrega da carta do Chance, minutos depois. Apreensivo, minha primeira ligação é para a Dani. À cada toque que fica sem resposta, meu coração começa a disparar, e minhas mãos ficam tão molhadas pelo pavor que sinto o suor escorrendo por elas, quase derrubando o telefone. —Puta que pariu!— Trovejo, através do silêncio que me cerca. —Respire, soldado. Tente outra pessoa e, porra, faça a ligação—, Krajack esbraveja do lado de fora da porta. —Não faz sentido ficar aí todo agitado como uma menina. Tente ligar para o seu pai.— O Comandante Krajack e o meu pai serviram juntos. Eles lideraram nossa unidade e o Krajack tomou como o objetivo da sua vida, me transformar no pior dos piores. Ter conhecido o meu pai não fez com que a vida fosse mais fácil para mim, quando chegou a hora do treinamento. Pelo contrário, me forçou além dos limites. Mas também é o único que me conhece bem o suficiente – para presumir, corretamente, que estou fodidamente perto de jogar essa merda toda para o alto a fim de descobrir o que há de errado com a minha garota. Concordo com a cabeça, pegando o telefone por satélite e pressionando os botões para ligar para o celular do meu pai, rezando para que ele atenda. —Cage—, ele fala. —Pai—, falo de uma maneira que sei que ele vai saber, instantaneamente, que preciso dele.


—Filho?— Seu tom fica, instantaneamente, alerta. —Me conta por que eu recebi uma carta do Chance me dizendo para voltar para casa porque a Dani precisa de mim? Você sabe que não posso lidar com essa merda. Se ela precisa de mim em casa, estou amarrado aqui e – Deus, caralho! Você me conhece, pai. Você sabe como a porra da minha cabeça vai ficar se não me disser o que está acontecendo.— Sinto o Krajack colocar a mão no meu ombro e dar um aperto firme. —C, eu não sei. Mamãe e eu acabamos de voltar da cidade. Sei que algo aconteceu quando ela saiu do trabalho, outro dia, mas o Axel não me falou nada, ainda.— —Merda—, murmuro. —Você tem que ligar. Ligue para o Axel, filho. Por mais que eu perca a oportunidade de conversar com o meu menino, o que eu adoraria, você precisa colocar a cabeça no lugar para conseguir voltar para casa. Eu te amo, meu filho.— —Eu também te amo, pai.— Ele recita o número do celular do Axel e, após me fazer prometer que vou manter o foco, se despede. Desligo, dou uma olhada estressada para o Krajack, e faço outra ligação, esperando e rezando para ele atender a esta hora. Demora apenas um toque para o celular do Axel se conectar. Como se estivesse esperando a minha chamada. O pavor no meu estômago se intensifica, instantaneamente. —Cohen.— Não é uma pergunta. Ele está esperando. —O Chance ligou há uma hora atrás. Imaginei que iria chamar mais cedo do que isso—.


—Não brinca comigo, Axel. Sei que você tem os seus problemas comigo agora, mas não fode comigo. Não te devo nenhuma explicação, mas a minha primeira ligação foi para a Dani – para onde ela devia estar. Em seguida, para o pai, que não pode me informar merda nenhuma, por isso estou aqui, ligando para você e espero que você não use a porra boca para me fazer advertências sobre a sua filha e me fale o que eu preciso saber. Minha menina está bem?— Ele não perde um segundo. —Te respeito pra caralho, agora, Cohen. Não é segredo que a Dani significa o mundo para mim e, se eu pudesse mantê-la sob a minha asa pelo resto da minha vida, eu o faria, porra. Mas—, suspira, — lembrei-me que é hora de deixá-la voar. Estou satisfeito pra caralho que ela está indo para um homem que admiro e que acredito que é homem o suficiente para a minha menina. Apenas se lembre, merda, que ela era minha menina antes de ser sua. Há coisas acontecendo aqui que são muito maiores do que você e eu. Coisas que não tenho o direito de contar para você, e não consigo enfatizar o suficiente que você precisa voltar para casa ou falar com a Dani.— —Ax-— —Eu sei como é estar aí, Cohen. Certifique-se que o seu foco não seja desviado e que você não acabe morto. Já vivi essa merda, então, porra, eu sei. Mas não teria falado nenhuma palavra sobre isso para você, se não sentisse que é necessário. As ameaças à Dani tomaram um novo rumo. As flores pararam, mas ela recebeu uma carta outro dia que me faz acreditar que isso é coisa de muito mais do que, apenas, um admirador. Por mais que isso me mate, ela não precisa ou quer o seu pai, agora. Eu sei como o Krajack trabalha. Você vai ficar aí por anos se ele não encerrar essa merda. Ele escolhe suas missões com sabedoria. Algumas para manter o seu treinamento afiado e outras que são mais do que necessárias para ajudar a acabar com esta guerra de merda. O que não posso enfatizar suficientemente bem, é que o que não serve a este propósito precisa ser abandonado, para você poder voltar aos EUA. Resolva suas missões por ordem de importância e volte para a minha garota. Ela está segura e não vou deixar que isso mude, de fato. Nem agora, nem nunca.—


—Que merda! Como é que isso não vai mexer com a minha cabeça, Axel?— —Esse não era o objetivo, mas você precisava saber que essa merda está piorando e não parece que vai acabar tão cedo. Você precisa saber que o seu relógio não vai parar de correr e que é hora de voltar para casa, porra.— —Você está me dizendo que eu não deveria ficar preocupado por algum louco desgraçado estar atrás da minha menina e que eu deveria estar em casa?— —O que estou dizendo é que você precisa se transformar naquele merdinha invencível que você era, quando criança. Faça o seu trabalho e faça rápido. Em seguida, volte para casa, porra.— —Você deve saber que isso não fez merda nenhuma, além de me deixar preocupado com ela.— —Eu não vou deixar merda nenhuma acontecer com ela—, ele promete. —É melhor não, Axel. Eu sei que você a ama. Isso não pode ser discutido, mas eu morreria por essa menina. Eu morreria por ela e mataria qualquer filho da puta que prejudicasse um fio de cabelo dela. Vou falar com o Krajack e ver o que precisa ser feito para reduzir o nosso tempo aqui.— —Faça isso—, diz ele, e a ligação cai. Largo o telefone em cima da mesa, mais confuso do que estava antes de ligar para casa. Todos aqueles indícios vagos e meias palavras significam alguma coisa. Nenhuma coisa na qual possa me agarrar para me deixar confiante de que ficará tudo bem com ela, até eu chegar em casa. —Ele está certo, sabe?— Diz o Krajack ao meu lado. —Nós escolhemos entre as missões que têm apenas o propósito de afiar as suas habilidades, daquelas que servem para eliminar os nossos inimigos. Estava esperando ter de quatro a sete meses ainda, com você por aqui, mas com este telefonema, vou me esforçar para cortar esse prazo pela metade. É o melhor que posso fazer. Mantenha sua cabeça onde ela precisa estar, Cohen. Não posso pagar por você perder o foco.—


—Agradeço, senhor.— Suspiro com resignação por estar preso aqui e a minha garota precisar de mim. Estes serão os próximos meses mais difíceis da minha vida.


Capítulo 29 Dani Três meses mais tarde As coisas têm sido um pouco mais fáceis nestes últimos três meses. Ainda sinto falta do Cohen, mas logo depois que descobri sobre o bebê, ele conseguiu enviar um e-mail avisando que estaria em casa em breve. Claro, seu em breve podia significar alguns meses, mas que era melhor que o período de tempo desconhecido com o qual vínhamos lidando desde que ele partiu. Com a força que o seu e-mail breve me deu, senti que poderia enfrentar o mundo. Ainda não sabemos, exatamente, quando ele voltará, mas sabemos que será em breve. As coisas no trabalho têm sido mais fáceis, também. Quando voltei, depois da minha queda, Sway estava, previsivelmente, em seu modo ‘mãe’ extremo. Só me deixava trabalhar meio período, e esses trabalhos eram sempre leves. Nenhuma coloração ou tratamentos químicos. Estava restrita a cortes e similares. Na verdade, agora que penso nisso, ele não me deixa fazer uma coloração há quase um mês. Todas as vezes, ele atende a minha cliente. Devon não estava muito feliz com a perda da sua estrela do drama, mas trabalhou em como estou demasiadamente deprimida para trabalhar, pelo fato do meu amante ter quebrado meu coração. Tanto faz.


Surpreendentemente, Don tem sido um pentelho o tempo todo. Ele parece pensar que o meu único objetivo na vida é tornar o seu trabalho mais fácil se assegurando que eu faça as coisas com credibilidade. Ele quer certas tomadas, ou que eu fale um texto que escreveu para dar mais drama ao show, como aquela vez que ele me pediu para fingir uma briga com a Stella e dar um tapa falso nela. Eu acho que não, porra. Mark está, realmente, sendo a voz da razão, desta vez. Ele se juntou a mim no intervalo do almoço algumas vezes, antes de voltar para a Califórnia, e gosto de pensar que temos algum tipo de amizade. Eu lhe dei algumas dicas sobre como conquistar uma garota pela qual ele é apaixonado. Acho que se pode dizer que tenho um fraquinho pelo cara, agora. Já estavam ausentes há quase dois meses, mais ou menos. Houve, aparentemente, um grande problema com a equipe do Devon e a produção teve que voltar para casa. Alguma coisa sobre um grande desfalque e, até que eles pudessem recuperar uma parte do que foi roubado, tiveram que fazer uma pausa nas filmagens. Por último, ouvimos do Sway que hoje seria o seu primeiro dia de volta. Estou esperando eles chegarem. Espero que o Mark tenha conseguido usar algumas das minhas dicas para se aproximar da sua garota. Infelizmente, uma coisa que não parou nos últimos três meses foi a entrega semanal das flores. Elas voltaram a ser entregues cerca de duas semanas após o bilhete que foi encontrado no meu carro. Até agora, foram impossíveis de rastrear, sempre pagas com um cartão Visa pré-pago, e o pedido feito online. Maddox, o guru da computação da Corps Security, tem se esforçado para determinar uma localização pois quem está, realmente, fazendo os pedidos está sendo inteligente em cobrir seus passos. Até agora, os pedidos foram feitos em diferentes locais, em todo o globo. Bem, de acordo com os endereços de IP, é isso.


Desnecessário dizer que as coisas ficaram um pouco no limite, sem essas respostas. Entre o Lee e o meu irmão, sempre havia alguém dormindo na nossa casa. Papai substitui o que já era um sistema de segurança top de linha, por um que eu ainda precisava de um manual para poder usar. Ele ficou ainda pior desde que minha barriga começou a aparecer. Como se a minha barriga crescendo - o sinal de que o bebê é, de fato, muito real - tornasse suas tendências protetoras muito maiores. Aquela visão tangível foi o suficiente. Ele, inclusive, roubou as chaves do meu carro duas semanas atrás e exigiu que eu o deixasse me levar e trazer do trabalho daquele dia em diante. Aquilo durou pouco e ele acabou encrencado com a mamãe por quase uma semana. Nunca havia um momento de tédio com ele. Outra coisa que mudou foi a minha nova amizade com a Megan. Realmente me sinto terrível sobre a minha primeira impressão dela, quando pensei que ela estava namorando o Cohen. Ela se tornou um apoio enorme - a pessoa que me aconselha. Chance me disse que a minha amizade e o vínculo com os conselhos sobre a minha gravidez deu a ela algo para se concentrar, e ele acha que isso está ajudando-a a melhorar. Ela ainda tem seus momentos difíceis, mas acho que ele está certo. —O que você vai vestir hoje? Planejando mostrar essa pequena barriguinha adorável para as câmeras?— Megan pergunta, da espreguiçadeira onde está descansando, no canto do meu quarto. Olho para ela através do espelho que estou usando para aplicar a maquiagem. Ela está com a Molly, sua adorável filha de quatro anos de idade, saltando sobre os seus pés com um sorriso dançando em seu rosto bonito. —Acho que sim. Agora, isso é mais do que estranho. Eu não estou gorda, estou grávida, e me encontro vestindo as coisas mais apertadas que posso encontrar apenas para poder mostrá-la—.


—Dani?— Ouço a Molly falar com sua voz melodiosa. Ela soa como um anjinho. —Posso brincar com as suas joias?— —Claro que sim.— Afago seus cachos loiros quando ela pula em direção ao meu armário. —Você sabe que ela vai destruir a sua caixa de joias de novo—, Megan ri. —Ah, deixe ela brincar. Guardei as peças mais valiosas, depois da última vez. Juro que ela quebrou o meu coração com aquelas lágrimas. Eu quase disse que ela podia ficar com as pérolas da minha avó!— Eu provoco. —Nem me diga isso. Eu, provavelmente, daria qualquer coisa que essa menina quisesse, apenas, com uma mínima lágrima. Deus me ajude, ela está ficando mimada.— —Não, só está sendo bem amada.— Eu lhe dou um sorriso e pego o meu vestido preto, apertado. Ele abraça a minha barriga perfeitamente, e a saia lápis faz minhas pernas parecerem maravilhosas. Ganhei um pouco de peso e minhas coxas engrossaram um pouco, mas agora que olho de perto, só pareço mais curvilínea. Os seios, por outro lado, têm realmente sido beneficiados com a gravidez. Na verdade, não consigo mais usar decotes sem ter um maldito sutiã caro para contê-los. —Como você está indo, Megs?— Pergunto. Hoje é o aniversário do seu marido, o segundo, desde que faleceu. É uma prova de quão longe ela chegou desde a menina triste que foi à festa com o Cohen. Ela está sorrindo hoje, quando esperava que ela fosse estar trancada em casa, chorando. —Eu estou muito melhor, Dani. Realmente estou. Fica mais fácil a cada dia que passa. Ainda sinto sua falta loucamente, mas estou tentando prosseguir e ver as coisas bonitas da vida e focar menos sobre as coisas que não posso mudar. Eu fiquei uma bagunça, quando ele foi enviado para uma missão durante a gravidez da Molly. Ainda não sei como você é capaz de acordar todos os dias com uma perspectiva positiva.—


Olho para ela com um pequeno sorriso. —Não sei se é tanto uma perspectiva positiva ou o conhecimento de que, independentemente do que a vida jogar em mim, fui abençoada com a vida que eu tenho que viver. Não posso passar a minha vida me preocupando com o que poderia ter sido. Perdi um monte de tempo com o Cohen. Tivemos uma noite magnífica, que abriu os nossos olhos, e pode parecer ridículo, mas se aquela foi a última noite que passei com ele, vou valorizar para sempre.— Ela me dá um aceno de cabeça, e sei que entende. Nós conversamos sobre manter as memórias mais felizes e deixar ir as difíceis. Ela entende onde estou querendo chegar. Sei que soa estúpido. Uma noite de para sermos um —nós— era tudo o que tinha para mim. Poderia ter sido uma hora e o resultado teria sido o mesmo. Ele é a outra metade do meu coração. É assim durante o tempo que o conheço, e não há prazo que pode mudar isso. Olho na direção da minha cama, para a foto que eu tinha ampliado e enquadrado, uma grande exibição do quanto eu sinto falta do homem. A imagem que minha mãe me deu meses atrás – uma do Cohen e eu sentados na doca da casa dos meus pais há quase vinte anos. O que prova que viemos construindo esta conexão por mais tempo do que poderíamos imaginar. Gasto um pouco mais de tempo com a Megan e a Molly antes de me dirigir para o trabalho. Depois de odiar aqueles câmeras na minha cara por tanto tempo, vai ser estranho abraçá-los hoje. Megan estava certa. Agora que minha barriga é cem por cento reconhecível, quero que o mundo saiba sobre o meu bebezinho. —Olá, Sway—, falo, quando entro no salão. Ele gira sobre os imensos saltos com enfeites dourados e brilhantes e me dá um grande sorriso.


—Oh, querida menina, venha e deixe o Sway fazer um carinho nessa barriga! Meu Deus, eu amo bebês. Stella!— Ele grita, e eu a vejo estremecer. Afasto as mãos dele quando ele tenta abrir os botões da parte de cima do vestido. —Sim, papai?— Ela responde com um revirar de olhos. —Deus, deixe as mamas dela em paz! Às vezes, me pergunto se você não está virando hétero.— —Não me responda assim! Seu pai está na porta ao lado, e vou me assegurar de lembrá-lo que você deveria ser um doce comigo. Só estava tentando ver se a mamãezinha não queria mostrar um pouco dos peitos. Ela tem quatro clientes do sexo masculino para atender hoje.— Me dá uma piscadela. —Eu sou sempre doce com você, seu esquisito.— Eu rio deles e me desvio do Sway, entrando na loucura do salão. Parece que casa está cheia hoje, também. Todas as oito estações estão ocupadas - menos a do Sway e a minha, é claro. —Onde estão as câmeras, Sway?— Pergunto por cima do ombro virando a cabeça, enquanto dou uma parada para jogar a bolsa no meu armário. —A caminho, mamãezinha.— Consigo me organizar e estou bem adiantada nas luzes da Sra. Cartwright sem o Sway me ver mexendo na tintura - antes de ouvir o Devon fazer o seu caminho através da porta. —Ah! Se não é a minha casa favorita longe de casa! Minhas abelhinhas estão prontas para zumbir hoje?— Reviro os olhos no espelho, fazendo com que a Sra. Cartwright ria. —Olá, Dani—, Don diz à direita por cima do meu ombro. —Nós vamos precisar que você dê uma olhada por cima deste texto.—


Eu giro sobre os meus incrivelmente idiotas saltos pretos e olho para o Don. Sim, direto para ele. Meus saltos me fazem ter talvez um metro e sessenta e cinco e ele ainda é mais baixo. —Eu já disse a você, Don. Eu não atuo. Se você quiser que alguém reforce o seu show, contrate um ator.— —Puta merda, você engoliu uma bola de praia?— Oh não, ele não fez isso. Eu poderia estar mais gorda e minha barriga parecia, visivelmente, com a de uma grávida, mas não estou assim tão grande! Ele está olhando para mim com um olhar estranho no rosto. Como se ele estivesse louco por eu estar grávida. —O que você-— paro de falar quando ouço um estrondo na frente e viro a cabeça para ver o que aconteceu. Mark está inclinado, ajudando o cinegrafista que, parece que tinha tropeçado, e derrubou o equipamento. —Filho da puta, Troy! Você tem alguma ideia de quão caras essas câmeras são?— Don grita e se afasta de mim. —Deus, o que será que deu no rabo dele hoje?— Diz a Maddi, esgueirando-se para o meu lado. Ela deixa cair um pincel e se agacha para pegá-lo antes de me dar sua atenção. Sua mão, como de costume - é sempre a sua primeira reação quando está perto de mim - vai até a minha barriga para fazer um pequeno afago. —Talvez esteja preocupado sobre a câmera te acrescentar uns cinco quilos e você ficar parecendo uma baleia—, ela brinca, e eu lhe dou um empurrão. —Cala a boca. Pare de usar a minha paranoia e mexer comigo.— —Chegando—, diz ela, estranhamente, e se move de volta para a sua estação.


Dou à Sra. Cartwright uma olhada, antes de olhar no espelho e ver o Mark caminhando na minha direção. —Ei, Mark—, digo com um sorriso. —Dani. Uau, você está grávida?— Ele está olhando para o meu estômago, como se ele estivesse prestes a pular do meu corpo e sufocá-lo. —Tudo indica que sim, Mark—, sorrio. —Não tive a chance de compartilhar a notícia com você, antes de ir embora.— Ele limpa a garganta, parecendo aflito. Tão estranho. —Tudo certo?— —O quê?— Ele balança a cabeça. —Oh, desculpe. Só um monte de coisas na cabeça. As coisas na volta para casa foram um pouco loucas. Aquela garota que eu te falei? Bem, não tenho certeza se isso vai dar certo. Ela queria...bem...— Ele aponta para o meu estômago, e entendo. Ela quer ter filhos e ele não deve querer. —Oh, sinto muito, Mark. Não se preocupe. Há toneladas de peixes no mar. Ei, que tal pagar o almoço hoje? Você me busca?— O tempo todo que estou falando, seus olhos ficam vagando de volta para o meu estômago. Porra, o cara deve realmente ter um problema com crianças. —Provavelmente, hoje não. Muitas coisas que precisamos fazer para recuperar o atraso, uma vez que estivemos longe por um tempo. Ei, o Don falou com você sobre as linhas da história? Queremos tentar um foco nesta rodada de filmagens. Provavelmente, aumentar o drama, o que é bom para a audiência e tudo mais.— Que diabos? Ele sabe como me sinto sobre essa porcaria. Quando não respondo, ele olha para o meu estômago outra vez, antes de trocar um olhar com o Don e ir embora sem dizer mais nada.


Tão. Fodidamente. Estranho. Olho para a Maddi, e ela parece tão confusa quanto eu. Ela encolhe os ombros, em seguida, se volta para a jovem a qual está dando dicas de maquiagem. Volto minha atenção para o meu trabalho. Não demora muito antes de perceber que o dia está definhando e eu ainda não comi nada. —Maddi? Vou pedir um pouco de comida chinesa. Você quer?— Caminho por ali e anoto as encomendas de mais algumas pessoas antes de ligar para o restaurante. Se não comer logo, provavelmente vou ficar sem força nos braços na frente dos clientes. Preferia, simplesmente, sair e comprar eu mesma, mas meu pai foi claro que em dizer que não devia deixar o salão sozinha, para nada. Estou no meio da limpeza dos meus pincéis e limpando a área em frente ao meu espelho, quando eu ouço o barulho da porta e olho para cima para ver o entregador do alimento abençoado. —Eu poderia dar-lhe um beijo. Estou com tanta fome—, falo para o jovem chinês. Ele não diz nada, apenas empurra o saco pesado na minha mão e o recibo nas minhas mãos. Eu assino, adiciono a gorjeta, e devolvo para ele. Talvez um pouco mais forte do que precisava, mas maldição. O que é preciso para obter um pouco de simpatia? —Tenha um bom dia—, murmuro. É claro que sou ignorada e ele está saindo pela porta, um segundo depois. Olho em volta, pensando que talvez eu tenha algum tipo atitude de —não fale comigo— desde que não tem ninguém perto de mim, exceto pela nossa recepcionista, a Kat.


—Vou estar na sala de descanso, se alguém precisar de mim. Acho que tenho cerca de quarenta e cinco minutos antes do meu próximo cliente chegar.— —Ok, Dani.— Deposito o saco no meio da mesa da sala de descanso e trabalho rapidamente, retirando os grampos e abrindo o grande saco marrom. Com a expectativa de encontrar o nosso pedido de almoço, fico momentaneamente chocada com o que vejo lá dentro. Então, quando olho mais fundo, coloco as mãos sobre a minha barriga. Sinto que estou me afogando. O som do meu sangue bombeando ferozmente pelo meu corpo faz meus ouvidos zumbirem. Meus olhos lacrimejam e minha visão fica nublada. Devo estar gritando ferozmente, porque a próxima coisa que vejo é a porta sendo aberta e o Sway entrando, junto com a metade dos outros estilistas que vem se esbarrando. Sway agarra os meus ombros e tenta fazer com que eu fale através da histeria. —Criança! Bom Deus. O que deu em você?— Me sinto mole, e o sinto ajustando o aperto para impedir meu corpo de cair no chão. —Stella? Fale comigo!— Olho para a Stella, sobre o ombro do Sway, e o olhar de terror no seu rosto não faz nada para ajudar a diminuir o meu pânico. Começo a ofegar e lutar para me soltar do Sway. Eu tenho que sair daqui. —Alguém tem que ir ali ao lado na Corps Security e obter alguma ajuda.— Não ouço mais nada depois disso. Meu corpo decide que já teve o bastante e se acalma. Meus gritos silenciam, minhas lágrimas secam e fico mole. Meus olhos miram a frente, mas não enxergo nada. Minha mente está muito ocupada com o que vi dentro daquele saco.


O boneco quebrado com letras vermelhas sobre o torso. Suas palavras, para sempre marcadas na minha cabeça. Uma imagem que nunca, enquanto viver, esquecerei. VOCÊ VAI PAGAR COM A VIDA DESSE BEBÊ BASTARDO!


Capítulo 30 DEUS, é bom estar em casa. Estou de volta aos EUA desde a semana passada, mas tive que passar por um interrogatório no Norte antes de ser capaz de colocar a bunda na Geórgia. Foi uma semana incrivelmente difícil, porque sabia que poucas centenas de quilômetros me separavam da minha menina. Não tive tempo para ligar e avisar a Dani. Sabia que, no segundo que ouvisse a voz dela, o jogo acabaria, então me mantive no curso e chequei com o meu pai e o Axel, tanto quanto podia. Até agora, nada mudou. Minha primeira parada deveria ter sido na casa da Dani, mas acho que ela está no trabalho, e isso me dá algum tempo para tomar um banho, trocar a roupa com a qual viajei durante todo o dia e me encontrar ela, para o que eu espero seja uma surpresa bem-vinda. Estaciono a caminhonete em frente ao apartamento e me inclino para trás com um profundo suspiro. Caralho, meu corpo relaxa segundos depois que estaciono o carro. Especialmente agora, que sei que não haverá mais essa merda de partir. Fui, oficialmente, demitido do programa. Não viajarei mais durante meses, partindo no escuro sem nenhuma chance de falar com aqueles que eu amo em casa. E, mais importante, não vou mais deixar Dani. Podemos,

finalmente,

nos

concentrar

no

crescimento

do

nosso

relacionamento. Fazê-la minha. E nunca vou deixá-la ir. No fundo da minha mente, tive medo que se ela tivesse de esperar muito, desistiria de nós, antes mesmo de poder até mesmo decolar, mas empurrei isso de lado e mantive a esperança. De jeito nenhum, depois desse tempo todo, quando finalmente temos a oportunidade, acabará antes mesmo de começar.


Alcançando o banco de trás, pego a mochila bolsa e desço

da

caminhonete. Faço uma pausa para me alongar e subo as escadas de dois em dois degraus. Largo a bolsa para pegar as chaves e abro a porta. O sorriso no meu rosto morre, instantaneamente, quando entro na sala de estar. Cada medo que tive desde que a deixei retorna, mas com uma força de esmagar a alma. Minha garota. A porra da minha Danizinha está embrulhada nos braços do homem que eu considerei um dos meus amigos mais próximos durante anos. Suas costas estão viradas para mim, a cabeça escondida no seu peito, e seus braços estão enrolados, apertados. Ele olha para cima, quando a porta se abre, e não consigo nem olhá-lo nos olhos, por causa da nuvem vermelha que nubla a minha visão. Não acho que poderia ficar pior. Não. Nunca, nem nos meus piores pesadelos, achei que haveria algo pior do que vê-la nos braços de outro homem. Mas quando ela se vira com o barulho e dou uma boa olhada nela, o meu mundo para de girar. Bem aqui, ele para com uma intensidade que balança minha base. —Que porra é essa?— Eu grito, o som ecoando através da sala, batendo nas paredes, e a Dani estremece. —Hein?— Olho para o seu estômago - ligeiramente arredondado e muito obviamente grávido - e sinto meu lábio se curvar, com desgosto. —E eu aqui, achando que você estaria esperando com os braços abertos.— Largo a mochila no chão e viro as costas para os dois. Eu a ouço suspirar assim que a porta bate atrás de mim. Nem mesmo faço uma pausa. O nó na minha garganta está queimando e meus olhos estão lacrimejando. Pisco, desejando que o show de emoção pare e pisoteio o


caminho de volta para baixo a passos largos até a caminhonete, com uma rapidez que não devia ser possível, dada a maneira como estou me sentindo, agora. Apenas deixei meu coração no chão, lá em cima, enquanto o meu futuro desabava em torno de mim. *** Depois de horas dirigindo por aí, olho o sol se pôr no meu espelho retrovisor, e me vejo dirigindo para o único lugar que sei que vai me dar um pouco de paz. A casa dos meus pais. Os carros do Cam e do Colt não estavam assim, pelo menos, sei que não vou ter que lidar com eles. Tanto quanto gostaria de ver os meus irmãos, agora, com a mente tão volátil como está, seria um reencontro que não mereciam. A caminhonete do meu pai está estacionada junto à minivan da mamãe. As luzes

estão

brilhando

para

fora

das

janelas,

até

o

gramado

da

frente. Permaneço sentado no carro por mais tempo, ainda tentando acalmar minha mente. Minha garganta ainda está bloqueada com um caroço do tamanho do Texas. Nem sei como processar o que vi quando entrei no meu apartamento. A Dani parecia tão perdida, até que se virou para me olhar e eu ainda não consigo identificar as emoções que cruzaram seu o rosto, mas ela parecia quase culpada. A sensação que nunca pensei que iria ter com ela. Lutei por tanto tempo com o que sentia por ela por tanto tempo, mas, nenhuma vez, me senti culpado. Então, quando vi a barriga... Mesmo com a imagem da traição, não pude deixar de notar o quão bonita ela estava com aquele sinal de vida crescendo em sua pequena figura.


Todos os sonhos que sonhei, para passar por aqueles quase sete meses de missão, com o futuro que iríamos viver juntos me deu o foco que eu precisava para superar a dor de perde-la. Tudo isso, assim como o nosso início, acabou antes de começar. Pulo quando ouço uma batida na minha janela e olho para cima para ver o meu pai, seus olhos azuis. Não sei como a minha mente sabia que era ele o que eu precisava, mas no segundo em que eu o vejo, deixo as emoções que estavam ameaçando explodir através de mim, estourarem em lágrimas. —Pai—, lamento tanto. Meus ombros começam a tremer, e não me importo que as lágrimas começam a cair dos meus olhos cansados. Seus olhos se estreitam e ele abre a porta. Eu saio, colocando meus braços à sua volta e, pela primeira vez desde que saí de casa, ele está sendo a minha força. —Jesus, C. O que, diabos, está acontecendo?— Ele recua, passa a mão sobre os cabelos grisalhos e espessos e, em seguida, pega o meu queixo, forçando os meus olhos a encontrarem os dele. —Eu só saí do apartamento,— Suspiro, conseguindo controlar, um pouco, as emoções. —Sinto muito. Estava fazendo um bom trabalho em manter as coisas.— Ele só olha para mim, confuso, antes de um lampejo de compreensão piscar através dos seus olhos. —Entendo. Sei que você deve estar muito chocado. Devo admitir que sua mãe e eu ficamos surpresos.— Seu tom não dá pistas, deixando, claramente, que eu executasse este show. —Não entendo. Não posso expressar o que está passando pela minha mente depois de tudo o que vi e, muito menos, com tudo o que estou sentindo agora.— Ele dá uma risada suave. —Sim, foi um choque para mim, também, quando aconteceu com a sua mãe e eu.—


Ia começar a explicar o que vi e o que a Dani fez para mim quando registro suas palavras. —O quê?— —Quando descobri que ela estava grávida, o choque foi a minha primeira sensação, fiquei de quatro, mas então, quando percebi o que o nosso amor tinha criado... Caralho, foi um dos sentimentos mais incríveis do mundo. Admito que até me fez chorar, filho. Não tenha vergonha da forma como você está se sentindo.— —O quê?— Repito, chocado. —Cristo, Cohen. Saber que está prestes a ser pai deixou você estúpido?— —O quê?— Falo, sem jeito, aquele sentimento que tinha se alojado no fundo do meu estômago, retornando. —Huum, então imagino que você não apenas viu a Dani?— —Sim, porra, eu vi - embrulhada nos braços do Chance—, grito. Suas sobrancelhas se levantam e ele olha para mim, esperando eu continuar. —Envolvida nos braços dele, pai. O que mais eu preciso lhe falar. Pareciam tão acolhedores que eu não quis ficar por perto.— Seus olhos endurecem, e ele balança a cabeça. Não estava esperando o golpe duro contra a minha cabeça. —Merda!— Grito com ele. —Merda é um resumo. Nunca pensei que diria isso para você, mas, porra, você com certeza fodeu as coisas com esse movimento idiota.— —Que diabos você está falando?— Pergunto, esfregando a cabeça. —Isso dói, meu velho.— —Você, realmente, pensou que ela está com o Chance? Tinha estado com o Chance? Filho, ela está gravida de seis meses. Faça o caralho das contas.—


—Sim? Eu a deixei quase sete meses atrás.— —Será que você prestou atenção na escola?— Minha mente começa a girar, tentando lembrar o pouco que sei sobre o sistema reprodutivo feminino. Quando a verdade me acerta duramente e tenho que apoiar um braço no caminhão. —Sim, meu filho. Algumas merdas sobre adicionar duas semanas, que é o tempo da concepção, em seguida, adicionar mais algumas semanas, realmente não sei como diabos isso funciona, mas lhe asseguro que ela está muito grávida do seu bebê. Confie em mim. Foi um choque para nós também, mas nenhuma vez perdemos a fé que você fez isso com a sua garota.— —Eu fodi tudo—, expiro profundamente. —Tenho certeza que sim. Vamos. Estou chocado que a sua mãe ainda não saiu por aquela porta para ver você, e precisamos dar à Dani algum tempo, para ela esfriar a cabeça antes de você correr para lá. Garanto a você, se ela é parecida com a mãe dela, a falta de confiança que você demonstrou para ela irá irritá-la, talvez mais do que machucá-la. De qualquer forma, você tem alguns sérios reparos a fazer.— Ele vai embora, murmurando alguma coisa sobre ter me criado melhor do que para eu agir como um babaca.


Capítulo 31 —Meu menino bonito!— Minha mãe grita quando entro pela porta. Ela se aproxima de mim e me dá um abraço apertado o suficiente para tirar o ar dos meus pulmões. Então, em seguida, me dá um tapa no lado da minha cabeça que rivaliza com o do meu pai, em dor. —Droga, mãe!— Exclamo e me afasto das suas mãos cruéis antes que ela possa me dar outro tapa. —Eu ouvi cada palavra, seu garoto bobo. Como você pôde, até mesmo, pensar isso?— Ela coloca as mãos nos quadris estreitos e me dá um olhar duro. — Não posso nem imaginar o que ela está sentindo agora. Não depois do dia que ela teve.— —O que quer dizer com isso?— Pergunto. —Ah, não, você não vai se safar. Ela está bem, onde está. Agora, você vai me dizer como pôde pensar que ela tinha sido infiel.— Jesus. Por onde começar? Sigo os meus pais até a cozinha, onde mamãe pega um bule de café. Trinta minutos mais tarde tenho tudo esclarecido. A minha pressa de chegar em casa, a exaustão dos meses de estresse e a preocupação que tinha sido colocada nos meus ombros e os sentimentos de vê-la com outro homem haviam rompido a superfície.


—Eu errei. Não é uma desculpa, mas, caralho. Deixei o ciúme levar a melhor sobre mim.— —Não é uma desculpa, mas é perdoável, Cohen. Pode não ter sido fácil estar longe quando você sabia que você era necessário em casa. Entendo o que você está dizendo, mas isso ainda não explica como você correu para o pensamento de que ela estava com outro homem—, diz a mamãe com um suspiro. —Não foi certo, mas depois de tudo o que você passou, entendo.— —Você precisa falar com ela, filho. Não deixe que isto fique pior—, acrescenta o meu pai quando ela termina. —Eu sei. Eu sei.— Já se passaram quatro horas desde que entrei e assumi que fiz merda. O fato de que estou prestes a ser pai nem sequer se estabeleceu, mesmo agora, que o alívio de estar terrivelmente errado ainda está fresco no meu sistema. —Você quer falar sobre isso, filho? Como está se sentindo? Eu sei que é uma responsabilidade muito grande.— Olho para o meu pai e suspiro. Não pela primeira vez, percebo quão sortudo eu sou e por encontrar o que ele e a minha mãe têm. Ele tem sido a minha rocha desde que eu tinha três anos, meu herói e - o homem que esperei poder ser, pelo menos metade, tão bom quanto. —Eu vou ser pai—, suspiro, segurando a bancada com um aperto que deixa os nós dos meus dedos brancos. —Puta merda—, inspiro. Papai sorri e a mamãe também. Não passa despercebido por mim que eles estão animados com esta notícia. —Vocês sabem se é menino ou menina?— Questiono.


Papai abre a boca para responder, mas a minha mãe dá um tapinha nele. —Eu conversei com a Izzy sobre isso na última semana e ela disse que a Dani tinha se recusado a saber. Ela disse que não queria saber a menos que você estivesse lá com ela, para saberem ao mesmo tempo. Ela foi firme em dizer que não queria saber até que você estivesse em casa ou, obviamente, se ela entrasse em trabalho de parto. Izzy disse que a Dani acreditava que você já estava perdendo tanto que ela não queria ter que saber longe de você.— Minha mãe sorri e se inclina contra o meu pai. —Merda—, eu sopro, mais uma vez sentindo os extremos do meu julgamento apressado. Mesmo através de tudo o que está passando por si só, ela ainda coloca meus sentimentos à frente dos seus. Tenho certeza que ela quer saber o que nós vamos ter, e que ela me queria tanto para esperar por algo que é enorme, é humilhante. E me faz sentir como um idiota ainda maior em sequer pensar que ela tinha estado com outro homem. A menina esperou por mim por quase vinte e dois anos. —Acho que eu preciso ir ver a minha garota—, afirmo. —Merda. E se ela está tão chateada que não está, nem mesmo disposta a me ouvir?— —Filho, a única coisa que eu sei, por experiência própria, é que não há problema tão grande que o amor verdadeiro não consiga conquistar. Basta dar uma olhada ao seu redor. Todo mundo que você conhece foi confrontado com um desafio em seus relacionamentos. Desafios que, mesmo na época, pareciam imbatíveis, mas se o que vocês tiveram, ainda que breve, deixou até mesmo um pedaço da promessa que acho que fez, em seguida, você não para até que conserte o que está quebrado —. Quando não falo nada, mamãe continua onde ele parou. —Você ficou se afastando dela durante anos, meu doce menino. Sei que você lutou com o que sentia por ela, por isso não foi um choque para mim quando descobri que vocês dois, finalmente, tinham ficado juntos. E me machucou tão duramente quando você teve que partir, antes mesmo de vocês dois começarem, mas eu


sabia, tinha certeza, que vocês tinham 'o poder da permanência, o tipo de amor que eu senti quando conheci o seu pai. Nada, e quero dizer, nada mesmo, pode mudar isso. Você vai estragar as coisas, eu juro, mas o que importa é que você faça o seu melhor para corrigi-las.— Ela se aproxima e envolve os braços em torno de mim. De pé, na ponta dos pés, ela me beija na bochecha com a barba por fazer. —Você, meu querido menino, precisa parar de pensar que não tem permissão para sentir o que sente pela mulher que você ama. Foi apenas um choque para o seu pai teimoso, mas de acordo com a Izzy, ele admitiu que estava no mundo da lua, e está feliz que o seu bebê tenha encontrado um homem que ele, realmente, acha que é digno de seu amor —. Aquele sentimento que eu tinha na minha garganta, anteriormente, volta, mas desta vez, sou capaz de limpar a garganta e empurrá-lo para baixo. A esperança está florescendo no meu peito com as suas palavras. —Sei que você está ansioso para ir encontrá-la, mas acho que precisamos resolver algumas coisas antes de você sair, filho... sozinhos.— Ele dá uma olhada para a mamãe, e ela retorna seu olhar com um pequeno aceno de cabeça, preocupada. —Vou deixar vocês dois a sós. Eu te amo, Cohen. Estou muito feliz que você esteja em casa, a salvo.— Eu lhe dou um abraço, me inclino para beijar sua bochecha, e sigo o meu pai até o seu escritório. Ele fecha a porta atrás de si e caminha para se encostar na mesa. —Você não vai gostar disso, Cohen.— —Percebi, quando você mencionou que isso precisava ser feito longe da mamãe. Estou supondo que ela não sabe?— —Ela

sabe

o

suficiente,

tem

consciência

dos problemas que

vêm

acontecendo. No entanto, não tem a mínima ideia de quão difíceis eles se tornaram a partir de hoje. Tenho que dizer, você chegou na hora certa, meu filho.—


Ele respira fundo e, sem pensar, me preparo para receber as notícias que ele tem para compartilhar comigo. Suponho que tem tudo a ver com aquela mensagem sinistra do Chance e a conversa com o Axel. Aquela que foi fundamental em fazer com que o Krajack apressasse minhas atribuições e mandasse minha bunda de volta para casa em tempo recorde. —Você sabe sobre as flores. A primeira nota que ela recebeu foi chocante o suficiente para que todos ficassem em alerta. Ela não ficou sozinha, nem mesmo por um segundo.— Ele anda em torno da mesa, bate em algumas teclas, e vira o computador para que eu possa ver o documento digitalizado. VOCÊ DEVERIA SER MINHA, VADIA. VOCÊ PEGA MINHAS FLORES COM UM SORRISO NO ROSTO. MAS GASTA SEU TEMPO CHORANDO POR UM FILHO DA PUTA QUE NUNCA ESTÁ AQUI. EU OUÇO VOCÊ TODOS OS DIAS! VOCÊ É MINHA, DANIELLE! SE VOCÊ PENSA QUE ALGUM FILHA DA MÃE A TERÁ, SENDO QUE VOCÊ PERTENCE A MIM – VOCÊ ESTÁ FODIDA E MORTALMENTE ERRADA. Minha pele se agita com indignação e raiva quando leio as palavras. Quando penso sobre como a Dani deve ter se sentido quando viu isso, meu coração começa a bater descontroladamente. Porra. Eu devia ter estado aqui para ela. Eu devia ter estado aqui para protegê-la do mal e não estava. Essa é o fardo que vou ter que carregar e vou trabalhar todos os dias da minha vida e, em seguida, alguns mais, para compensar. —Este foi o último?— Pergunto, com os dentes cerrados. —Não chega, nem mesmo, perto.— —Explique—, eu ladro, minha mente entrando no modo de sobrevivência, e o caçador que fui treinado para ser toma o controle. —Após a nota, ela desmaiou.— Ele levanta as mãos quando abro a boca para explodir.


—Pare e escute, Cohen. Não vá sair atirando até saber todos os fatos. Agora que você está em casa, precisa saber o que está enfrentando.— —Continue—, eu o apresso. —Depois, as flores não voltaram imediatamente, mas não pararam. Fomos capazes de interceptar um número suficiente delas para que a Dani não saiba o quão ruim ele continuou a ser. Axel ficou preocupado por ela estar nos primeiros estágios da gravidez e o que o stress podia fazer com ela e com o bebê. Compreensível, considerando o seu passado e da Izzy. Nós tentamos, mas até agora, não tivemos sucesso em rastrear a origem das compras.— Posso me sentir cada vez mais e mais furioso. A necessidade de proteger o que é meu está começando a se manifestar em um desejo de matar quem está ameaçando sua segurança. —Eu prometo a você, Cohen. Ela nunca esteve sozinha. Ou havia alguém na casa das meninas ou ela estava no trabalho. As poucas vezes que ela saiu com todo mundo, sempre havia o Liam, o Nate, ou Chance com ela. Por mais que o Axel tenha odiado, para começar, ela quis ficar na sua casa para que pudesse estar perto de você, o que significa, que nos deu um pouco de paz de espírito, porque todos nós sabemos que o Chance é mais do que capaz de protegê-la. Eles formaram uma amizade desde que você partiu e isso é tudo o que é: uma amizade.— —Entendo isso agora. O que mais aconteceu?— —Hoje ela estava no trabalho e pediu o almoço. Acho que ela estava lá por cerca de cinco horas antes de fazer o pedido. De acordo com as câmeras de vigilância que colocamos na porta e no chão do salão, não havia ninguém alarmante. Os clientes que o Sway tinha agendado são regulares e não há novos. Os estilistas e a equipe. Os câmeras e a equipe de produção da filmagem do reality show do Sway. É isso aí. Dani pediu comida chinesa e, quando o pedido chegou, o entregador trouxe a comida, pegou sua assinatura, a gorjeta e foi embora. Perdemos quando ela entrou na área de descanso para


comer, mas eu vi o que ela encontrou quando abriu a sacola... e o que isso fez com ela. Você não vai gostar disso—, alertou. —Apenas me conte, porra, para que eu possa ir até ela, pai.— Minha raiva se torna uma coisa palpável. —O que você precisa fazer é se acalmar, porque isso vai te chatear e você precisa estar lá para apoiá-la. Não tenho nenhuma dúvida de que o que você viu foi uma mulher apavorada sendo consolada. O Sway enviou alguém para pedir ajuda, mas com o Axel e o Beck fora da cidade, o Maddox está até os cotovelos em caso acumulados, Chance e eu éramos os únicos que estavam lá. O Chance a levou de lá enquanto eu esperava a polícia e preservava a cena.— —O. Que. Ela. Encontrou?— Pergunto, fazendo força para as palavras saírem. Ele suspira e retorna a atenção para o computador. Em poucos segundos, o monitor é virado na minha direção e tenho que lutar contra a vontade de vomitar. Meu Deus! Que porra é essa? —Alguém tem vigiado ela, Cohen. Esta foi uma das primeiras vezes que ela estava, na verdade, vestida para mostrar a barriga. Normalmente, ela usa roupas largas e, honestamente, não teria sido capaz de ver, até hoje. Ela se vestiu - de acordo com a Megan, que estava lá mais cedo para encontrar o Chance - para mostrar sua gravidez, porque ela sabia que as câmeras estariam, hoje, de volta depois de uma pausa de dois meses. Quem quer que seja, eles sinceramente não sabiam sobre o bebê até hoje. O que eu tenho quase certeza.— —Estão vigiando a minha mulher, pai. Observando-a o suficiente para que isto seja uma clara ameaça. Você leu a primeira carta. Estamos lidando com uma porra de um lunático. Alguém que a vê como sendo dele. O que você acha que vai acontecer, agora que estou em casa? Apenas por estar com ela, estou colocando ela e o meu filho em perigo.—


Ele estuda meu rosto por um segundo. —Mas o que está acontecendo está matando-a. Pura e simplesmente, Cohen. Não tem sido fácil, apesar da cara forte que ela tem mantido. Você pode protegê-la. Você vai protegê-la. Não deixe que algum pensamento estúpido que ela está melhor, mesmo sem você, comande o seu cérebro, filho. Eu te criei para você ser melhor que essa merda.— Não deveria estar surpreso por ele conseguir me ler tão claramente. —Eu preciso ir até ela.— Falo. —Você precisa ir até ela—, ele concorda. Dou-lhe um abraço e tudo mais, mas me apresso para fora da porta. Com um senso renovado de confiança e um sentimento de medo avassalador por ela e pela nossa criança, corro pelas ruas e me dirijo para a mulher com a qual, apenas algumas horas antes, fui injusto. Tenho muito para compensar, mas meus pais estão certos. Quando você sente algo tão poderoso como o que a Dani e eu compartilhamos, você nunca para de lutar por isso. Serei amaldiçoado se permitir que algum porra louca ameace o futuro que vou ter com Danielle Reid.


Capítulo 32 Dani Nem sequer chorei quando o Cohen saiu do apartamento. O choque do dia ainda mantinha as minhas lágrimas controladas. Eu queria. Deus, como eu queria. Mas consegui me manter inteira. Quando a porta se fechou, me afastei do Chance e, sem dizer uma palavra, me tranquei no quarto do Cohen. Eu devia estar com raiva. Devia estar tão louca que devia sair e nunca mais olhar para trás. Eu devia estar um monte de coisas, mas o que eu estou é insensível. Nunca esperei ter esse tipo de recepção do Cohen, quando ele voltasse. Tinha previsto na minha cabeça muito mais. O regresso à casa que eu daria a ele. Quão feliz me sentiria quando fosse capaz de contar a ele sobre o nosso filho. O amor que eu sentia por ele. Não sei por que nem sequer parei para pensar que ele ia olhar para mim com desconfiança e acusações. Acho que acreditava que ele era melhor do que isso. Suspiro e viro de lado, o nariz ardendo de emoção, mas os olhos ainda secos. Minha mão, carinhosamente, esfrega contra o chute que vem da minha barriga. Mantenho os olhos fechados, disponho as memórias desta tarde na minha cabeça quando, mais uma vez, penso sobre a terrível imagem que encontrei na embalagem do almoço. Quando abro os olhos, novamente, percebo que devo ter adormecido. O sol que estava se pondo quando deitei a cabeça, está muito longe e, através da janela, a lua está lançando um brilho suave ao redor do quarto. Posso ouvir o


Chance caminhando ao redor, do lado de fora do quarto. Eu devia ir falar com ele. Pedir para, pelo menos, me levar para casa. Mas, mesmo com os eventos anteriores, não quero deixar o único lugar onde me sentia perto do Cohen. Ouço o chacoalhar da maçaneta, alguns ruídos. E, em seguida, a luz que vem da sala se infiltrar pelo quarto, através das sombras. Parece que o Chance ficou preocupado me esperando aparecer. Mantenho o corpo imóvel, esperando para ver o que ele vai fazer em seguida. Chance não é exatamente um homem de muitas palavras, então suponho que vou conseguir um rápido —Vamos—. Quase salto para fora da minha pele quando sinto a cama afundar. Tento pular para fora da cama quando duas bandas de aço envolvem cuidadosamente o meu corpo e eu estou sendo puxada de volta contra um corpo duro e quente. Me esforço, entrando em pânico com os pensamentos do Chance estar na cama do Cohen comigo. Isto é, até o cheiro familiar do Cohen invadir meus sentidos e meu corpo, instantaneamente, se soltar. As lágrimas, que estava fazendo um trabalho muito bom em manter afastadas, correm para a superfície quando sinto aquele corpo, o corpo que senti falta por tanto tempo, me segurando ainda mais perto. —Danizinha—, ele geme. Sua cabeça se inclina até o meu pescoço, e sinto os lábios contra a minha pele antes de seus braços me soltarem, ligeiramente. Mas, apenas o tempo suficiente para viajar do meu peito, com as palmas das mãos quentes para se esticar contra a pequena protuberância que mantém a nossa criança em seu interior. —Deus, Dani—, ele exala com um leve tremor. Isso é tudo o que é preciso para me fazer soluçar mais uma vez, duas vezes, e uma terceira vez antes de um enorme soluço vibrar através do meu corpo.


—Baby—, ele exala. —Estou tão arrependido, Dani. Mais arrependido do que você jamais vai poder imaginar.— Demoro um segundo para me acalmar, mas quando o faço, me viro em seus braços, de imediato, perdendo a sensação das suas mãos contra a minha barriga. —Você pensou que eu... que o Chance e eu... Cohen, você acreditou no pior, em segundos. Eu não o vejo por meses e, no segundo em que o faço, você realmente acredita que eu tinha estado com outro homem - e o Chance entre todas as pessoas —. Ele encosta sua testa na minha e não fala por mais algum tempo. Dirige as pontas dos dedos pelo meu cabelo, pelo meu rosto, e sobre os meus lábios. Seus olhos seguem cada movimento que sua mão faz. Ele não para até que seus dedos estão entrelaçados no meu cabelo e ele está segurando minha cabeça em suas mãos. Espero até que ele trava os olhos nos meus, sem vontade de voltar atrás sobre como a reação dele me fez sentir. —Você não tem ideia do que tem sido ficar sem você por tanto tempo, Cohen. Meu coração parecia que estava batendo só meias batidas. Senti como se estivesse faltando uma parte de mim por tanto tempo. Desejava todos os dias que você voltasse para eu me sentir inteira, novamente. Tinha esse sentimento após ter estado com você por uma noite - uma noite, Cohen! Soube, nas horas que estive com você, que pararia o Céu e a Terra se isso significasse que eu poderia ter, apenas, mais um segundo. Não duvidava do poder disso... o poder de nós dois. Então, por favor me diga como, no mundo, você pode dar uma olhada em mim depois de tudo isso e pensar o que você pensou.— Seus olhos se fecham, apertados, antes dele os abrir e olhar para mim, suas pálpebras se enchendo de lágrimas não derramadas. Minha boca cai, em estado de choque. Eu nunca o vi chorar. Nunca. Ele sempre foi alguém que mantém suas emoções sob controle, mas não de uma forma fechada. É exatamente como ele é. Então vê-lo me deixar entrar tão


facilmente e me deixar ver, fisicamente, o quanto isso está lhe custando é uma coisa enorme. —Não posso justificar como eu me sinto, pedindo desculpas, Dani. Isso é tudo o que seria - uma gigante e, porra, desculpa estúpida. Estou andando exasperado desde que soube que havia problemas em casa. Exasperação que me trouxe para casa, para você, baby. Tinha o conhecimento de que, se eu apressasse e terminasse aquelas merdas, você estaria nos meus braços, onde eu poderia mantê-la segura. Foi a única coisa que eu pude ver por meses. Meses. No segundo em que cheguei, fiz o que eu precisava fazer para que eu pudesse chegar logo em casa, para você. Dirigi durante noite e dia com um pensamento na cabeça. Você. Quando entrei e a vi nos braços do Chance, nem sequer vi nada além do que alguém, que não fosse eu mesmo, tocando em você quando não tinha sido capaz de fazer esse caralho há meses. Meu ciúme levou a melhor sobre mim e não posso me desculpar o suficiente por isso —. Estreito os olhos para ele. —Eu vi o seu rosto, Cohen. Você olhou para mim, viu a minha barriga e pensou o pior. Nem mesmo negue. Eu recebi o mesmo olhar do meu próprio pai, então confie em mim quando digo que eu sei exatamente como parece. Nem sequer sonhei que você ia ficar como ficou.— Um brilho em seus olhos e vejo o remorso dançando atrás de sua tristeza. — Eu não tenho orgulho disso, Dani. Estou me fodendo de vergonha porque deixei esse pensamento, ainda que breve, passar pela minha cabeça. Nada do que eu diga fará você se sentir melhor. Nada. Mas eu juro, baby, que não acho que você foi infiel a mim.— —Sim, Cohen, você achou. Em algum lugar dentro de você, você sentiu isso.— Ele balança a cabeça. —Não, querida. Não achei. Eu juro para você. O que eu senti era cada emoção e sentimento de desamparo que tive quebrando em mim, de uma vez só. A dor de estar longe de você quando sabia que você precisava de mim. A preocupação por não estar aqui quando você precisava de mim.


Tudo o que tem me assombrado dia a dia e semana a semana. Isso e a queda da adrenalina que estava alta desde que voltei aos EUA só levou a melhor sobre mim. Meu ciúme tomou o melhor de mim e me transformou em alguém que não tenho orgulho. Eu nunca senti isso por alguém, Dani. É tudo novo para mim e garanto que vou foder tudo de novo, mas vou passar a minha vida tentando compensar isso para você. Deus, Dani... por favor me diga que eu não deixei o meu temperamento levar a melhor sobre mim e nos arruinei.— Um lagrima escapa do seu olho, que é seguida por uma outra, e outra. Sua respiração é ofegante, e seu peito está sobe e desce rapidamente sob as palmas das minhas mãos, onde estão descansando. —Você me machucou.— —Eu sei, Baby. Eu sei—, ele suspira. —Estive sonhando com o dia em que você voltaria para mim e eu me sentiria inteira novamente. Sonhando com isso, Cohen. A cada noite que você estava longe de mim, eu implorava a Deus para trazê-lo para casa inteiro.— —Porra, Danizinha—, ele engasga, os olhos se fechando de novo e as lágrimas escorrendo pelo seu rosto bonito até desaparecerem em sua barba. —Foi a única coisa que me impediu de cair aos pedaços com essa merda que a vida tem me jogado. Você e o seu amor.— Ele não olha para cima, mas seus braços me abraçam ainda mais apertado em e ele me puxa para mais perto do seu calor. —Mesmo que você e eu, Deus como dói... você me feriu, a única coisa que eu desejava era estar vendo o seu rosto novamente e este sentimento aqui. Este sentimento dos seus braços em volta de mim, o seu coração batendo forte e saudável contra a palma da minha mão, e a vida que criamos se movimentando entre nós. Através de toda essa dor, a única coisa que eu queria, mesmo assim, era a única pessoa que a tinha causado.— —Pare, por favor, Dani—, ele implora.


—Eu te amei por toda a vida, Cohen. Uma vida inteira não acaba apenas quando a outra parte comete um erro. A vida pega esse erro e o transforma em um bloco de construção para formar uma base ainda mais forte —. Seus olhos se abrem e me olham com um olhar esperançoso diante da minha declaração. —Baby?— —Eu te amo, Cohen. Isso nunca vai mudar. Mas nunca mais me machuque desse jeito de novo. Eu sou forte, baby, e vou criar o maior número de blocos de construção que precisarmos até o dia que o último suspiro sair do meu corpo, mas não me faça construí-los por causa da dor.— Seus olhos brilham e, em questão de segundos, seus lábios estão contra os meus. Rígidos e exigentes. Ele toma a minha boca com uma necessidade que me marca e que rouba o fôlego dos meus pulmões. —Eu te amo, minha Danizinha. Prometo a você que nunca vou duvidar do que nós temos. Nunca mais, baby—, ele murmura contra os meus lábios inchados antes de tomar o controle da minha boca, mais uma vez. Suas mãos correm pelas minhas costas, agarrando meus quadris, quando ele rola de costas, me levando para cima dele. Minha saia se amontoa, instantaneamente, quando minhas pernas se abrem para acomodar os quadris dele. Uso as minhas mãos contra o seu peito para me levantar, assim, fico montada no seu colo, olhando para os seus olhos castanhos, que estão tão cheios de amor. Me sento de frente e solto um leve gemido quando sinto, de primeira, a sua ereção contra a minha calcinha. Seus olhos piscam quando pego suas mãos, que estavam descansando nos meus quadris, e movo-as até a frente da minha barriga.


—Isto—, insisto, pressionando as mãos contra o chute que nosso filho está dando contra a minha barriga. —Este é o nosso filho, Cohen. Um filho que foi feito com um amor tão poderoso, que até mesmo eu me esforço para compreendê-lo. Um amor que se formou ao longo da vida e se solidificou em uma noite, que vou lembrar para sempre como uma das melhores da minha vida. Fomos predestinados para este momento desde antes de termos nascido, baby, e estou muito feliz com esse destino inesperado que está sendo dado a nós.— Seus olhos escurecem a cada palavra que falo. Observo o segundo que minhas palavras são processadas e ele percebe as palavras que usei. As mesmas palavras que ele escreveu na carta que ele me deixou todos aqueles meses atrás. —Eu te amo, Cohen.— —E eu te amo, Danizinha. Eu amo você.— Abaixo a minha cabeça e tomo seus lábios em um beijo lento e profundo. Nossas

línguas

se

movem

quando

nossas

respirações

se

misturam. Tornamos o beijo tão profundo quanto podemos, sem nos fundirmos fisicamente. Ele nos vira, de modo que está por cima, e seus quadris balançam suavemente contra o meu núcleo. Ele é cuidadoso, para não colocar todo o seu peso na minha barriga, mas garante que cada centímetro que pode tocar é comovente. —Enrole suas pernas em volta de mim, baby—, ele exige, quebrando o beijo por apenas alguns segundos até eu fazer o que ele pediu. —Só assim—, diz ele, e eu o sinto crescer ainda mais contra mim. Ele se move contra mim até que eu estou há poucos segundos de me desfazer. Meu corpo inteiro sente como se estivesse queimando quando o meu clímax lentamente começa a engatinhar pela minha espinha. Exatamente


quando afasto os meus lábios para gritar, no que promete ser um poderoso orgasmo, ele para. —Oh, Deus! Não pare. Por favor, não pare—, imploro com um soluço. —Nunca—, ele declara. Seus lábios começam a deixar um rastro de fogo por toda a minha mandíbula e no meu pescoço até que atingir o tecido da blusa sobre o meu peito. Ele se inclina para trás, sobre os joelhos, e trilha ambas as mãos ao longo da minha clavícula, enquanto as descansa no V do meu decote. Percebo suas intenções segundos antes de ele tomar um punhado da seda em cada mão, e com um puxão firme, minha blusa é rasgada diretamente no centro. Seus olhos escurecem ainda mais quando ele tem o primeiro vislumbre do sutiã cobrindo o meu peito. Ele não diz uma palavra. Seus dedos continuam a acender o fogo ao longo dos bojos do meu sutiã e ao longo das auréolas de cada mama. Ele passa a mão rapidamente pelo fecho da frente, mas não se move para abri-lo. Seus dedos dançam em carícias gêmeas pelo meu estômago até que ele está segurando a barriga arredondada entre as palmas fortes. —Isso aqui me faz o homem mais feliz do mundo, Dani. Vendo você preenchida com o meu filho. Saber que uma parte de mim está dentro de você, agora, é uma das coisas mais quentes de sempre. Deus, eu te amo, porra—, ele geme. Suas mãos rolam sobre o meu estômago antes que aqueles dedos pecaminosos voltam para o meu sutiã. Em um movimento hábil, o fecho abre e os meus seios se derramam livres. —Esses peitos. Foda-se, Dani. Eu vou foder estes peitos—, ele promete, antes de se abaixar para tomar um mamilo entre os dentes em um aperto leve, antes de acalmar a dor com a língua.


—Vou fodê-los até gozar sobre todo o seu peito, baby. Então vou te comer até seus sucos estarem escorrendo pelo meu queixo. E quando você estiver me implorando por ele, vou te dar meu pau.— Sua boca retorna ao meu outro mamilo, e passa rapidamente a língua sobre ele antes de pressionar os lábios ao redor do botão apertado e sugá-lo profundamente. —Merda—, dou um gemido, sentindo minha boceta apertar e, literalmente, chorar por ele. —Eu preciso de você—, imploro. —Ainda não—, diz ele em volta do meu mamilo sensível. Sua respiração me faz estremecer. —Vou foder estes peitos em primeiro lugar.— Ele se inclina para cima e aperta cada globo juntos algumas vezes, pressionando-os bem juntos antes de soltá-los e lambe os lábios quando eles saltam para o lado. —Sim, vou foder esses peitos.— Eu choro quando sinto seus quadris se afastarem dos meus. Meus olhos se arregalam quando ele pula da cama e rasga suas roupas. Quando coloca as mãos na cintura e empurra o jeans e a cueca para fora em um movimento rápido, o seu pau brota e colide contra o estômago. Seu longo comprimento está inchado com a necessidade, e posso ver a gota de sêmen rolando pelo arco através da cabeça. Ele bombeia o pênis grosso enquanto seus olhos correm sobre mim. —Você precisa estar nua, baby. No segundo que sentir seu corpo contra o meu, não vou ser capaz de parar. E essas coisas— - aponta para minha saia e a calcinha – —estarão no meu caminho—, ele rosna. Grito quando ele pula em cima da cama , o que me faz sacudir. Seus dedos vão para a minha cintura, e o sinto mais ou menos puxando o tecido do meu corpo. Ele dá ao meu monte um beijo rápido, que me deixa me implorando por mais, antes de começar a subir pelo meu corpo. Seu pênis está apontado, faminto, para o meu rosto quando ele se move com cuidado sobre a minha barriga arredondada, as mãos segurando a cabeceira para garantir que nenhum peso extra caia sobre mim. Levanto a cabeça e lambo o topo de seu pau, e ele geme baixa e longamente.


—Sim, vou foder estes belos seios—, diz ele. —Junte-os, bem apertados, baby.— Faço como ele pediu e empurro-os juntos para que o seu pênis fique situado entre eles. Ele fecha os olhos e deixa cair a cabeça para a frente. Gotas de suor rolam pelo seu rosto e caem do seu queixo no meu peito. Seus quadris começam o movimento, lentamente no início, até que ele pega o ritmo. —Aperte os seios mais forte—, ele grunhe. —Caralho. Faz tanto tempo—, diz ele, com outro grunhido. Nunca imaginei que ter meus peitos fodidos seria tão quente, mas a cada impulso, os piercings no seu pênis duro esfregam contra o interior dos meus seios e a ponta do seu pênis está a um sopro de distância da minha boca, e encontro minha boca se enchendo de saliva e, apenas, implorando para tomar o seu comprimento profundamente. Quanto mais rápido ele se move, mais meus dedos espremem em cada mamilo até que estou perto de gozar. —Maldição—, ele respira. Inclino a cabeça e abro minha boca para que, a cada impulso para cima, a cabeça do seu pau esteja dentro da minha boca. Seus movimentos começam a vacilar depois disso, e com um poderoso gemido, ele recua e toma o pênis em sua mão. Depois de algumas bombeadas, sinto seu sêmen quente revestindo cada peito e batendo no meu queixo. Eu me estico, passo o dedo em seu gozo, e o coloco no fundo da minha boca, observando seus olhos arderem enquanto eu lambo, limpando cada gota. —Quero o meu sêmen nos seus peitos, enquanto eu como você, Dani—, ele exige, antes de mover o corpo para baixo e trancar a boca com firmeza sobre o meu clitóris inchado. —Foda-me!— Eu grito.


—Eu vou—, ele faz um barulho contra o meu núcleo. —Eu vou, porra, e você vai estar implorando por ele até que seus gritos estejam chacoalhando minhas janelas, Dani.— —Agora, por favor—, lamento, nem mesmo envergonhada com o tom patético que meu desejo trouxe adiante. —Deus, por favor... Preciso ser preenchida por você.— —Foda-se, que boca. Agora quero o meu pau na sua boca.— Ele move a boca até o clitóris sensível e me dá uma longa lambida antes de mordiscar ao longo dos lábios inchados. Cada mordida dos seus dentes me faz choramingar mais alto. —Me dê ele... Me dê ele... Por favor— Ofego. Ele ignora minha mendicância, chupando ao longo da fenda e lambendo a umidade que vaza da minha boceta. Ele se alimenta do meu corpo como um homem faminto. Quando sua língua invade o meu corpo, minhas paredes se contraem, à procura de qualquer coisa para agarrar. —Tão apertada—, ele murmura com um gemido. —Eu vou golpear esta boceta, Dani. Triturá-la até o seu rabo ficar vermelho por causa das minhas bolas batendo contra ele.— Oh, Deus. Vou morrer. Se ele não me foder agora, vou morrer. Meu corpo está contraído, apertado, cada músculo apenas esperando para relaxar e os nervos disparando esporadicamente ao longo de todo o meu corpo. Estou contra o colchão, meus punhos segurando os lençóis quando meu corpo se aquece com uma excitação tão forte que minhas costas se arqueiam sobre colchão e um grito de lamentação, gemidos e ruídos saem da minha boca. Seus dedos, que estavam mantendo meus joelhos afastados, trilham para cima até estar agarrando as minhas coxas e seus polegares estão esfregando em cada lado do meu núcleo molhado. Posso sentir minha umidade escorrendo pela minha fenda e sobre o colchão, embaixo. Devia ter vergonha do que o meu corpo está fazendo, mas me excita mais.


—Por favor, Deus, por favor!—, Grito. Ele mergulha dois dedos grossos profundamente na minha boceta e os dobra, me acertando em um local que faz meus olhos revirarem e um grito romper tão alto dos meus lábios quando não aguento e gozo em seus dedos. Meu corpo está contraído quando grito seu nome uma e outra vez. Quando, finalmente, desço de volta para a Terra por causa da intensidade do orgasmo, olho para baixo e meus olhos encontram os dele. Eles estão cheios de uma promessa pecaminosa, e meu corpo treme quando ele levanta sua boca um pouco para que eu possa vê-lo rolar a língua sobre o meu clitóris, fazendo com que pequenos terremotos avancem através dos meus membros. —Você vai me dar outro, Dani. Você vai gozar novamente e encharcar o meu queixo. Quero sentir seu corpo clamar pelo meu.— Ele se inclina, suga, e olha para mim. —Quando foder você com essa porra de umidade revestindo sua bunda virgem, você vai me implorar para ter isso também. Não é, baby?— Ele não me dá tempo para responder. Inclina a cabeça e me faz gozar novamente com todo o seu foco até que, assim como ele disse que eu ia fazer, choro, grito e agarro o seu pescoço e nos ombros para fazê-lo parar. —Porra, eu preciso de você... Preciso tanto de você—, falo, ofegante. — Preciso do seu caralho, Cohen. Por favor, me dê ele, me preencha e me fode duro. Faz tanto tempo, baby, por favor...— Paro, resmungando quem sabe o que, sobre quão desesperadamente preciso dele. Ele me dá outra lambida antes de trilhar beijos sobre o meu corpo. Quando sua boca toma a minha em um beijo faminto, o gosto de mim mesma em sua boca, me faz implorar suavemente. —Por favor—, murmuro contra sua boca, pronunciando a palavra. —Você está pronta para o meu pau?— Pergunta com um grunhido enquanto esfrega a cabeça do seu pênis contra a minha boceta.


A sensação dos seu piercings esfregando contra a minha pele febril me faz gemer. —Você me quer aqui?— Pergunta, empurrando apenas a ponta na minha fenda encharcada. —Ou você quer me aqui?— Sua mão deixa o pênis, e sinto as pontas dos dedos contra o meu cu. Eu fico tensa, e seus olhos se aquecem até que estão quase pretos. —Será que a minha menina quer o meu pau na bunda dela?— —Foda-se, sim... em qualquer lugar. Eu preciso disso, baby,— Suspiro quando ele rola um dedo na umidade que está se infiltrando do meu corpo. Seu dedo embebido trilha para baixo da minha boceta, e sinto uma pressão contra a minha bunda, novamente. —Relaxe—, ele ofega. —Relaxe e deixe-me entrar—, diz com um sorriso maligno. —Estou tão duro para você. Tão duro que dói.— —Sim—, suspiro e depois grito quando seu dedo viola meu cu apertado. — Preciso!— Suspiro. —Foda-se, sim, você precisa.— Ele continua a empurrar o dedo até que eu o sinto parar, o nó do dedo enfiado profundamente, causando uma deliciosa queimadura. —Mais—, imploro, sem nem mesmo saber o que estou pedindo. Minhas unhas se cravam nos ombros dele e quase desmaio com as sensações que se derramam sobre o meu corpo quando ele empurra mais profundo. Ele se move de forma que está virado contra o meu lado, seu pau duro como pedra empurrando a minha coxa e, depois de tirar o dedo do meu buraco apertado, retorna para minha boceta encharcada, não enfiando um, mas dois dedos. Quando ele os arrasta para baixo, para a borda novamente, estou pronta para ele e empurro para fora quando as pontas dos dedos tocam meu buraco apertado.


—Foda-me. Minha menina está implorando por ele. Implorando pelo meu pau na sua bunda virgem. Eu quero sua boceta, baby, mas preciso disso, também. Eu preciso tomá-la aqui.— Aceno com a cabeça, ofegando com a necessidade que é tão grande que rouba o meu discurso. —Como você está molhada, quase poderia pensar que você não precisa de lubrificação, mas não há nenhuma maneira do caralho que vou tomar este cuzinho sem estar pronto. Eu quero ouvir você gritar, Dani. Mendigar. Eu. Quero. Isso.— Ele não espera que eu responda. Rola para o lado dele, ouço-o vasculhar a gaveta, e, em seguida, ele está de volta. Seu sorriso malicioso faz seu rosto bonito brilhar com uma promessa pervertida. —Grite, Dani. Grite até meus ouvidos tinirem—, diz ele e, sem aviso, me vira, de forma que meus joelhos estão no colchão. Ele está atento em manter meu estômago levantado da cama, colocando um travesseiro entre o meu corpo e os lençóis macios. Ouço um barulho e, em seguida, sinto um líquido frio rolando a partir do topo da minha bunda até que rola sobre o colchão. Seus dedos se movem de onde ele estava mantendo meus quadris no lugar, e sinto ele esfregando o lubrificante até que seus dedos e minha rachadura estão escorregadias. Seus dedos, lentamente, mergulham profundamente na minha bunda, a abrem como uma tesoura e esticam meu buraco para tomar o seu pênis. O sentimento abrasador de prazer me faz sentir uma deliciosa plenitude. Sua outra mão esguicha mais lubrificante, desta vez, mantendo um pouco em seus dedos. Me inclino em minhas mãos e olho por cima do ombro, para ver a cabeça jogada para trás, os dentes mordendo o lábio inferior, e sua outra mão – a que não está enfiando dois dedos na minha bunda – acariciando seu pênis.


Ele olha para baixo, gruda os olhos nos meus e puxa os dedos do meu buraco escuro. Quando sinto o aço de seus piercings contra o meu corpo, fico tensa e seus olhos brilham. —Não faça isso. Porra me implore, Dani—, ele comanda. Respiro fundo, e antes que eu possa pronunciar as palavras, sinto a palma da sua mão contra a minha bunda, um sentimento surpreendente, não desagradável. Gemo e faço o que ele disse, implorando-lhe para me penetrar. —Sim. Isso é o que eu quero ouvir. Mai alto, Dani—. Suas palavras são luxuriosas, e sinto ele imprensar mais duro contra o meu corpo. —Faça-me acreditar em você.— Faço como ele disse, meu corpo mais uma vez sentindo-se como uma bobina que está sendo enrolada, muito apertada. —Apenas. Amo. Isso!—, Ele ruge antes de, lentamente, penetrar o meu corpo. —Empurre para fora, baby. Empurre contra mim e contra o meu pau.— A queimadura é quase demais. Posso sentir cada um dos piercings que revestem o seu pênis, até que ele está penetrando tão profundo quanto pode ir, penetrando o que resta e pressionando contra o meu buraco. Dói de uma forma que me consome, e grito com o prazer que essa dor me traz. —É bom pra caralho—, ele diz, recuando apenas alguns centímetros antes de penetrar meu corpo novamente. —Feito para o meu pau.— Eu grito, grito assim como ele previu, e me seguro, como se fosse para salvar a minha vida, quando ele aumenta a velocidade até que está golpeando o meu corpo em um ritmo que me faz sentir como se eu não pudesse respirar. —Tão cheia do meu pau, Danizinha. Sua bunda está implorando por isso.—


Puxando para fora e empurrando. A cada vez, ganhando velocidade, até que não tenho certeza se estou até mesmo respirando, de qualquer forma. —Deus. Porra.— Seus dedos afundam nos meus quadris antes de senti-los circulando o meu clitóris, e apenas assim - com que um toque - simplesmente explodo no mais poderoso orgasmo que meu corpo já sentiu. Minha cabeça é jogada para trás e seu nome é a última coisa que sai dos meus lábios enquanto meu corpo derrama em seu pau, cada grama do meu orgasmo.


Capítulo 33 Não sei o que deu em mim. Em um segundo, estava implorando para a minha menina para me perdoar. No próximo, estava exigindo que ela implorasse pelo meu pênis. Fodi a minha mulher grávida áspera e duramente. E eu não queria apenas foder. Não, dei uma olhada no seu corpo, maduro com a gravidez do meu filho, e perdi a porra da cabeça. Saio detrás dela, com cuidado, para que o seu corpo não cai sobre o estômago, e deito ao seu lado. Depois de pular para fora da cama, caminho até o banheiro para me limpar. Enquanto lavo o meu pênis com uma toalha quente, me olho no espelho, para a minha pele corada. O suor está escorrendo pelo meu peito e meu pênis ainda está incrivelmente duro, mesmo depois de ter acabado de gozar duas vezes. Depois de me certificar que me limpei, coloco um pano limpo sob a água morna e caminho de volta para a cama. Seus olhos estão fechados, e seu peito está se movendo para cima e para baixo em um lento ritmo. Meus olhos se arrastam pelo pescoço corado e, quando vejo meu gozo seco em sua pele - sobre o seu pescoço longo e os seios - meu pau salta. Porra, isso é quente. Levo o pano até sua pele e quase odeio que tenho que me limpar do seu corpo. Ela nem sequer pestaneja quando limpo seu queixo, pescoço e peitos. Nem mesmo uma contração muscular quando eu esfrego o tecido quente sobre o cuzinho que eu apenas comi duramente. Ela faz ‘hum’ em seu sono, mas além disso, nada.


Uso esse tempo para observar o seu corpo. Sua barriga parece tão grande, agora, que estou dando uma boa olhada. Seu corpo magro faz com que pareça que ela tivesse engolido uma bola. Quando penso novamente sobre a nossa criança, que cresce dentro dela, quero transar com ela mais uma vez. É como se isso acordasse algum desejo primitivo de reclamá-la, que estava adormecido até agora. Depois de lançar o pano sujo em direção ao cesto, subo na cama e puxo as cobertas sobre o seu corpo. Minha mão vai direto para sua barriga e, quando sinto os pequenos solavancos contra a palma da minha mão, meus olhos se estreitam. Aquilo. Aquilo ali é o meu filho. A criança que eu fiz com a Dani. Aquele impulso primitivo me acerta novamente, lembrando-me que agora ela está ligada a mim para sempre. Eu sei que ela me ama. Não há como negar isso. Mas esta criança? Esta criança nos conecta de forma que isso nunca vai mudar. Nosso bebê continua a querer tornar sua presença conhecida, fecho os olhos e deixo aquela paz que lava a alma, contentar meu coração. —Eu vou me casar com você, Danizinha—, me comprometo ao silêncio em torno de mim. —Ok, baby—, ela murmura. Pensei que ela estava dormindo, por isso, quando ouço sua voz sonolenta me responder, meus olhos disparam para os dela e quando vejo seu lindo sorriso e os brilhantes olhos verdes cheios de lágrimas, balanço a cabeça e me viro para beijá-la profundamente. —Por que as lágrimas?— —Eu amo você—, diz ela, não me respondendo. —Dani. As lágrimas.—


—Eu amo você. Por isso, as lágrimas. Mas se você está pensando em se casar comigo, é melhor não fazer o pedido quando acabou de ter me fodido selvagemente—, observou. Eu rio, beijando-a de novo —Senti sua falta—, ela suspira. —Eu sei, Danizinha. Nunca mais. Não vou deixar você de novo, baby.— Ela se move, de modo que os seus olhos vêm de encontro aos meus. —Você não pode prometer isso, Cohen. Você não sabe quando vão chamá-lo de volta.— Ela não diz, mas ouço o medo em sua voz, e eu odeio isso estar lá. —Na verdade, posso prometer isso. Estou fora, baby. Eu disse a eles que estava saindo do programa há dois dias. Ainda tem algumas merdas que preciso terminar com eles, mas não vou partir mais.— Seus olhos se estreitam e ela olha para mim em estado de choque antes de para minha enorme surpresa - soltar um ruído de lamento e abaixar a cabeça, envolvendo os braços em volta do meu corpo e me segurando tão apertado quanto podia, ao mesmo tempo que desaba. —Danizinha, você precisa se acalmar.— Ela não para, apenas soluça mais forte ainda. Impotente e incapaz de impedi-la de se afogar em tantas lágrimas, trago seu corpo para perto e espero ela chorar até o fim. —Você não vai nos deixar?— Ela questiona, depois de alguns minutos. Nós. Ela e o nosso filho. —Nunca.—


—Meu Deus—, ela chora. Olha para mim com admiração, aqueles olhos que eu tanto amo tomam cada centímetro do meu rosto. —Você não tem ideia de como isso me deixa feliz.— —Sim, as lágrimas eram um pouco questionáveis—, brinco. —Você vai estar aqui...todos os dias?— —Todos os dias, a partir de agora em diante.— Ela sorri e abraça meu corpo mais apertado, relaxando instantaneamente nos meus braços. —Precisamos falar sobre o que aconteceu hoje, Dani.— Provavelmente, poderia ter arranjado uma hora melhor, mas a calma que estava rolando pelo seu corpo como um cobertor, evapora quando abro minha boca. —Você não tem que repetir toda aquela merda, baby. Eu sei de tudo, mas nós precisamos falar sobre o que você acha. O que você pensa e o que o seu instinto está dizendo a você sobre essas coisas que estão acontecendo. Não estou gostando dessa merda nem um pouco, e até descobrir quem está por trás dessas ameaças, não quero que você saia da minha vista —. Ela abre a boca para reclamar, estou certo, mas a impeço antes que ela tenha a chance. —Não vou vacilar sobre isso, Dani. Simplesmente, não vou. Não quando se trata de você e da segurança do nosso filho. Você pode apenas pensar nisso como nós, recuperando o tempo perdido. Goste você ou não, sou sua nova sombra, baby.— Seu rosto se volta para cima e espero que ela fale, meus dedos acariciando sua pele macia.


—Eu odeio isso. Odeio me sentir impotente e aterrorizada, até para olhar para fora da janela, Cohen.— —Eu sei que você odeia. Mas essa merda vai acabar. Não vou parar até descobrir quem tem feito você sentir que não estão seguros. Não vou deixar ninguém tirar você de mim.— Ficamos deitados em silêncio até que ela fala, novamente. —Quem você acha que está fazendo isso?— Ela sussurra para a escuridão. —Não tenho certeza, mas fica tranquila que vou descobrir.— Ela acena com a cabeça no meu ombro e se acomoda mais profundamente, como se o seu corpo precisasse estar o mais próximo possível para se sentir seguro. Sinto-a imprensar o estômago contra o meu lado e sorrio para a escuridão. —Um bebê, né?— —Sim—, ela inspira. —Sei que nós não planejamos isso, mas não poderia estar mais feliz. Saber que uma parte de nós está sendo gerada me dá a maior sensação de realização que eu já senti. Ele me ajudou a preencher o vazio que a sua partida deixou, mas não foi até que tive os seus braços em torno de mim, mais uma vez, que percebi o quão certo isto parece.— —Minha Danizinha vai ter o meu bebê.— Deixo aquilo pairar sobre nós antes de outro pensamento, rapidamente, tomar o seu lugar. —Seu pai, realmente, vai chutar a minha bunda.— Seu riso flutua em torno de nós e, com um sorriso, adormeço. E, pela primeira vez em quase sete longos meses, durmo em paz.


Capítulo 34 Dani Cohen não me deixa sair da sua cama por dois dias. É claro, me manteve bem alimentada e hidratada, mas fora isso, passamos os dois dias que seguiram seu regresso para casa trancados no seu quarto, os nossos corpos ligados em todos os sentidos possíveis. O telefone parou de tocar há muito tempo e parece que a nossa família e amigos resolveram esperar e nos dar o tempo que fosse necessário após tanto tempo afastados. Perguntei-lhe uma vez, entre uma das nossas longas sessões de fazer amor, se ele sentia que era estranho que ficássemos juntos tão rapidamente. Ele riu e me disse que se eu não estivesse dançando em torno dele por tanto tempo, isso teria acontecido nos atrás. Não havia nenhuma dúvida na minha cabeça que eu estava exatamente onde eu estava destinado a estar. —Dani—, eu o ouvi chamar do outro lado da cortina do chuveiro. —Acho que eles nos deram tanto espaço quanto possível. Seu irmão me ligou para avisar que os nossos pais devem estar aqui em cerca de vinte minutos.— Urgh. Tanta coisa para me manter envolvida. —Estou surpresa que durou tanto tempo,— murmuro e enxaguo o shampoo do cabelo. —Eu também—, diz ele, e pulo quando percebo que ele entrou no chuveiro comigo. —Você já tomou banho—, digo, sem jeito.


—Sim—, ele responde e tira o condicionador da minha mão. —Vire.— Faço o que ele diz e giro, dando-lhe as costas. Eu o ouço gemer com a palma da mão livre na bochecha da minha bunda. —Eu amo essa bunda—, diz ele e lhe dá um tapa leve. —Então, eu notei.— —Nós temos vinte minutos, baby.— Olho por cima do ombro para ele e levanto minha sobrancelha questionando, perguntando onde ele está querendo chegar com isso. —Me pergunto quantas vezes posso fazer você gritar o meu nome nesse tempo.— Ele deixa cair o condicionador, esquecido no fundo da banheira, e me puxa contra o seu duro corpo, nu. Trinta minutos depois, ele me fez gritar seu nome quatro vezes e, mesmo quando a porta da frente está sendo socada pelos nossos visitantes esperados, ele toma meu corpo até que eu grite mais uma vez. *** Olho para o meu pai e continuo a tentar escovar os nós do cabelo molhado. Já que não usei o condicionador, os cabelos longos tornaram-se quase incontroláveis. Meu pai, que reparou que nós dois estávamos molhados quando abrimos a porta, não tirava os olhos do Cohen. Cohen, que pressionado, não me deixe sair do seu lado. Quando nossos pais entraram pela porta, dei a cada um deles um abraço, e então ele colocou o braço em volta dos meus ombros, meu corpo pressionado contra o seu. Me ofereci para trazer algo para todos beberem e ele apenas disse que não e me puxou para o seu colo quando caiu sobre a cadeira de grandes dimensões na sala. Onde, atualmente estou sentada, olhando para o meu pai.


—A Dani concordou que é melhor se ela ficar fora do trabalho por um tempo—, diz o Cohen e eu viro minha cabeça para a dele. —Eu concordei?— —Claro que sim—, diz ele, olhando para mim como se eu tivesse perdido a cabeça. —Eu não me lembro disso.— —Isso é porque você estava ocupada—, diz ele com uma piscadela. Estalo os olhos para o canto onde o meu pai está, em pé, com os braços cruzados sobre o peito quando eu o ouço rosnar. —Será que você realmente só faz isso?— Provoco. —Axel— A mãe avisa. Cohen coloca o braço em volta da minha cintura e repousa a palma da mão no meu estômago, e não posso desfrutar disso porque, mais uma vez, meu pai está agindo como um cão, rosnando para todos, e espumando pela boca. —Sério, papai!— Exclamo. —Isso é um pouco demais.— —Axel:— Mamãe tenta novamente, caminhando, colocando as mãos em ambos os lados do seu rosto, e a tentando trazer seu olhar para o dela. Ele não se move, entretanto; seus olhos estão trancados no Cohen. —Sério?— Ela bufa. —Você está agindo como um homem das cavernas, Axel Reid. Hora de parar.— Cohen parece ter o desejo de morrer, porque a outra mão se move de onde ela estava, deitada contra o braço da poltrona e os dedos longos envolvem uma das minhas coxas vestidas em jeans. Papai se move como se estivesse prestes a esmurrar a parede só para fazê-lo para quando minha mãe empurra o seu peito. Olho para os pais do Cohen e


meus olhos se arregalam quando vejo sua mãe piscar para mim e rir baixinho, que ganha um apertão do Greg. —Como eu estava dizendo—, Cohen continua. —Dani vai ficar algum tempo fora do trabalho. Já falei com o Sway, e à luz dos acontecimentos do outro dia, ele concorda que é o melhor movimento. Já falei para o Chance e deixei-o saber que, assim que a Dani encontrar uma casa na qual ela se sente bem e que funcione para o bebê, nós vamos estar nos mudando. Eu digo nós, porque não planejo ir a qualquer lugar até esta casa ser encontrada. Ele também vê a sabedoria neste plano.— —Que porra você disse!— Papai diz, finalmente, chegando ao seu limite. Ele empurra a minha mãe tão rapidamente, que ela quase cai. Ele estende o braço e a ajuda a se equilibrar, sem tirar uma única vez o olhar aquecido do Cohen. —Que. Porra. Você. Disse!— Ele caminha para a frente e, quando chega na metade do caminho até nós, Cohen dá um tapinha na minha coxa e indica que ele quer que eu levante para que ele possa ficar de pé. Faço isso, em silêncio, e espero para ver como este jogo acabará, sabendo que tem que ser jogado, para que sejamos capazes de avançar. —Você engravida a minha menina. Exige que ela se mude. E nem mesmo pensa em fazer dela uma mulher honesta?— Ele questiona. Cohen está de igual para igual com ele, seus olhos quase nivelados, mas, mesmo com o papai tendo uns alguns centímetros a mais que o Cohen, ele não recua. Seu peito se ergue, mas na maior parte, ele permanece calmo. —Eu não disse isso, Axel. Estou pensando em me casar com sua filha na primeira chance que tiver, mas isso é algo que entre nós dois. Respeito você o suficiente para que eu tenha planejado conversar com você, em particular, para pedir sua bênção, mas tenho que ser honesto com você, vou casar com a minha garota se você a der ou não. Com todo o respeito, amo a sua filha e poderia, realmente, não dar a mínima se você quiser nos abençoar ou não.—


—O que você acabou de dizer?— Papai se vira e olha para a minha mãe. —O que ele disse para mim?— —Você ouviu, querido—, ela diz com um sorriso. —Acho que está na hora de você diminuir a arrogância desse macho alfa, garotão.— Meu olhar vai da minha mãe para o meu pai para ver sua reação e, em seguida, vai para a Melissa quando ela joga a cabeça para trás e ri alto. —Silêncio, linda—, Greg diz para a esposa. —Filho, acho que você precisa ir com cuidado aqui. Eu gosto da sua cabeça exatamente onde ela está.— Melissa ri ainda mais alto ao ouvir isso. —Você não se importa com a minha bênção?— Papai responde para o Cohen, e não há dúvidas na sua linguagem corporal, ele está pronto para matar. Suas mãos estão se flexionando e seu rosto está vermelho como uma beterraba. —Ax.— Mamãe tenta. —Não se atreva a falar 'Axel', Izzy. Não se atreva. Você o ouviu? Ele, apenas, disse que não dá a mínima!— Ele ruge. —Você está andando em uma linha estreita aqui, Cohen.— Isso está ficando fora de controle. Sei que não vai ter um bom resultado deixar os dois homens que eu mais amo lutarem por isso. Levanto com cuidado do meu assento, dou um sorriso vacilante para a Melissa quando ela balança a cabeça em encorajamento antes de ficar na frente do Cohen e enfrentar o meu pai. Sinto o Cohen se mover e, antes que eu posso falar, estou atrás dele e ele está, mais uma vez, entre meu pai e eu. Meus olhos vão das costas sólida para as duas únicas pessoas que eu posso ver, que são seus pais. O movimento do Cohen, de domínio protetor não passou despercebido pelo meu pai, porque vejo o Greg acenando e a Melissa com um sorriso tão grande que não parece natural. Puxo sua camisa com a mão e tento chamar sua atenção.


—Cohen—, começo. —Agora não, Dani. Entendo que você acha que precisa me proteger do seu pai, mas isso precisa acontecer e precisa acontecer, agora.— Suspiro, solto minhas mãos da sua camisa e faço a única coisa que posso. Envolvo minhas mãos em torno do seu estômago, espalhando minhas palmas contra o seu abdômen. É mais um movimento que sei que não passa despercebido, porque o sorriso da Melissa fica ainda maior e, quando movo os meus olhos para o Greg, vejo que os dele estão brilhando e o seu sorriso se compara ao da Melissa, em tamanho e felicidade. —Você não vai fazer alguma coisa?— Pergunto. —Não. Meu filho sabe o que está fazendo.— Ele se inclina para trás e puxa a mulher contra o seu peito, e eles apenas assistem com aqueles sorrisos grandes e malucos, enquanto o Cohen enfrenta o meu pai. O pai que eu sei que poderia matá-lo com as próprias mãos. Engulo em seco. —Vou te dizer isso apenas uma vez, Axel. Eu amo a sua filha. Eu a amava antes que fosse direito de me sentir assim. Lutei contra esses sentimentos até ela estar pronta para mim. Nunca foi uma questão de eu estar pronto para ela. O que temos é algo sobre o qual nunca vou me sentir digno. Não do seu amor. Algo que ela me dá, sem hesitação. Sei que ela merece o melhor que a vida pode ofercer. Você não precisa me lembrar disso. Mas, mesmo que eu não ache que sou bom o suficiente para ela, vou passar minha vida me certificando de que ela saiba que é a melhor coisa e que nunca terei nada igual. Você entende isso? Vou ter certeza que não haja um dia que passe que ela não saiba o quanto eu a amo. Vou passar cada segundo que me resta nesta Terra dando a ela tudo o que eu puder. Eu esperei, por respeito a você e por ela, até que não pude esperar um segundo a mais, e não - nem mesmo por você – desistirei, até mesmo, de um mínimo pedaço de tempo com ela, agora que é minha.—


Prendo a respiração e espero. Mantenho os olhos sobre os pais de Cohen para ter algum tipo de pista do que está acontecendo, além da parede sólida do corpo do Cohen. Sinto como se uma vida inteira passasse antes de ouvir a explosão de riso do meu pai através da sala. Que diabos? —Bem. Por que você não disse apenas isso, para começar?— Eu repito: Que diabos? —Você realmente não me deu uma chance, Axel—, diz Cohen. —Certo. Bem, agora que isso está fora do caminho, vamos conversar.— Jesus Cristo. Devo ter entrado no programa Além da Imaginação. Não demorou muito para que pudéssemos nos acalmar. Cohen se vira e me dá um beijo, e quando ouço um rosnado do meu pai, de novo, recuo e olho para ele. Ele joga os braços para cima e me dá um olhar cansado de volta. —O quê? Você não espera que eu, simplesmente, vire uma chave e desligue isso, não é?— —Velho louco—, murmuro. Cohen toma seu lugar, novamente, e me puxa de volta para o seu colo. Uma mão vai para a minha barriga e a outro está descansando em cima da minha coxa. Sem pensar, envolvo meus braços em torno dos seus ombros e me acomodo pelo que promete ser uma longa conversa. —Meu pai me contou sobre tudo o que aconteceu entre o bilhete, as flores, e... ontem.— Ele faz uma pausa para olhar para mim. —Quero ser informado de tudo, de modo que seja capaz de entender isso de todos os ângulos, que tenho certeza que você trabalhou. Meu instinto me diz que é alguém que ela conhece. Alguém que ela confia. Mas até que junte todos os pontos, não me


sinto confortável para matar essa charada. Sei que a polícia também não conseguiu nada, mas acabou?— Ele olha entre o meu pai e o seu e ambos balançam a cabeça. —Este bastardo é escorregadio, mas vou lhe dar o que...,— murmura o Cohen. —Escorregadio, mas ele vai se ferrar. Ouvi do meu contato no departamento, que conseguiram uma impressão no pacote. Não é da Dani, então estão verificando através do seu banco de dados, para ver se conseguem identificála.— Cohen acena com a cabeça ao ouvir as palavras do meu pai, mas não fala. —Concordo com você, filho. Este ataque é muito pessoal para ser alguém que ela não conhece.— Tremo quando as palavras do Greg me acertam. Alguém que eu conheço? Não posso nem pensar em quem pode ser. —Você acha que poderia ser um cliente?— Pergunto. —Tenho uma abundância de clientes do sexo masculino, mas, até ontem, ninguém realmente sabia sobre a gravidez. Até recentemente, realmente, não estava mostrando muito e fui capaz de escondê-la bem. Eu... bem, ontem, com as câmeras de volta, eu queria mostrar minha barriga.— —Cliente, ou alguém com quem você já esteve em contato. No entanto, breve ou não, não importa. Ele se agarrou a isso e, a julgar por tudo o que foi dito nas duas mensagens, não está feliz que você está em um relacionamento com o meu filho, bem, com qualquer, um na verdade. Você sempre foi reservada, Dani, e até o Cohen, você realmente não namorou a sério. Não acho que essa pessoa viu uma ameaça até o Cohen —. Eu tento ver sentido no que o Greg disse, mas simplesmente não consigo envolver minha mente. —Princesinha—, meu pai diz rispidamente. —Pense sobre isso. As flores começaram quando o Cohen partiu. Não quero saber detalhes, mas se essa


pessoa estava vigiando você, é razoável acreditar que ela viu a conexão entre vocês e, quando o Cohen saiu, ela atacou e tentou fazer seus sentimentos serem notados através das flores. Quando isso não funcionou, algo desencadeou o primeiro bilhete. Já verifiquei isso com a sua mãe, e ela me disse que vocês duas haviam passado aquela tarde discutindo a seriedade do seu relacionamento com o Cohen. Não tenho nenhuma dúvida de que, se ele tão perto, não lidou muito bem ao ouvir isso.— Concordo com a cabeça, entendendo até o momento. A respiração do Cohen está ficando selvagem e olho para os olhos dele, para ver que ele está tendo dificuldade em manter a calma depois de ouvir tudo isso. —Depois disso, as coisas se acalmaram, mas as flores continuaram—, Greg acrescenta. —Certo,— Papai começa e olha do Greg para o Cohen. —Dani, você não sabe disso porque, entre todos nós, seu irmão, e o Liam, fomos capazes de interceptar a maior parte das entregas, antes mesmo que você soubesse que elas tinham vindo... mas elas nunca mais pararam. Acho que iriam, provavelmente, continuar até o Cohen chegar em casa e, mais uma vez, aquela ameaça contra tudo o que ele vê em sua mente doente, de você ter com ele estaria de volta. Isto é, até que você apareceu com a barriga em foco e ele percebeu que algo que considerava seu, tinha sido tocado por outro.— —Oh meu Deus—, suspiro. —Digo a você, querida, este filho da puta vai pagar. Não só ameaçou você, como agora, está ameaçando meu netinho.— —Concordo—, diz Greg, com força. —Concordo com o que disse o Cohen. Você precisa parar de trabalhar por algum tempo. Fique em casa e desfrute o resto da sua gravidez. Depois que o bebê nascer, então, você pode decidir o que fazer sobre o trabalho, mas até este filho da puta ser pego, Faria com que todos se sentissem muito melhor se pudéssemos limitar as pessoas que você tem por perto. Estar no Sway, com


tudo que está acontecendo com os clientes entrando e saindo e aquele show que está sendo filmado, apenas não é seguro.— Concordo com a cabeça, vendo razão nisso. —Não vou dizer que concordo com vocês dois morando juntos, mas sei que o Cohen é bem treinado, para ser capaz de cuidar de você e está provando que está disposto a fazer o que for preciso para mantê-la segura, aos meus olhos. Me mata, baby, admitir isso, mas é melhor você ficar exatamente aqui.— Oh, uau. —Isso deve ter sido difícil de dizer—, falo, tentando trazer à luz quão grande este momento é. —Você não tem ideia.— Ele sorri. Olho para o Cohen e lhe dou um sorriso antes de me mexer, para sair do seu colo. Ele me deixa ir sem discussão, eu caminho, me inclino e envolvo os braços ao redor do pescoço do meu pai. —Você sempre será o primeiro homem que eu amei, papai.— —Eu sei, princesinha. Eu sei.— Engulo o caroço na minha garganta, beijo seu rosto bronzeado, e caminho de volta para o Cohen. Quando sinto seus braços envolver o meu corpo de novo, deixo a sua força me invadir, e escuto como os homens na sala discutem sobre qual é o melhor curso de ação, de agora em diante. Não acho que vá me sentir segura até que a ameaça invisível em torno de mim se vá, mas, agora mesmo, neste momento, me sinto mais segura do que já me senti a vida inteira, porque estou nos braços do homem que eu amo.


Capítulo 35 —Você quer o meu pau ou a minha boca, Dani?— Pergunto e passo os dedos para baixo, no centro da sua clavícula e entre o vale dos seus peitos. —Seu pau, baby—, ela implora. —Você quer meu pau na sua boceta ou no seu cuzinho?— Questiono, continuando o meu caminho para baixo em seu corpo, até que meus dedos dançam sobre a pele lisa em seu monte. —Minha vagina?— —Você não parece tão certa sobre isso, baby,— murmuro e mergulho meu dedo em seu corpo. —Apesar da sua boceta estar implorando por ele. Sua bunda vai ordenhar meus dedos se eu mergulhá-los profundamente?— Pergunto, bombeando meus dedos em seu centro molhado. —Si-sim—, ela gagueja. —Tenho certeza que ela o faria, mas agora, quero o meu pau bem aqui—, falo, e dobro ss dedos até que acerto aquele ponto que deixa seus sucos escorrendo pelos meus dedos e para baixo, na sua fenda. —Tão receptiva.— Puxo meus dedos para fora do seu corpo e ela vê, com os olhos aquecidos, quando eu os coloco na boca e hum.


—Caralho, que gosto bom.— Empurro meus dedos de volta e lhe dou algumas bombadas rígidas antes de puxá-los e oferecê-los à sua boca, limpando seus sucos ao longo da fenda dos seus lábios antes que ela os abra e chupe, deixando-os limpos. —Caralho—, gemo e me movo para que o meu pau esteja se esfregando contra ela. Suas pernas se abrem e ela começa a balançar os quadris. O círculo do meu pau e os piercings a fazem gemer cada vez que rolo sobre o seu clitóris. —Você me quer duro ou quer suave?— Pergunto, balançando ainda mais forte quando aquela porra de choramingos quentes soam, começando a subir até a garganta. —Suave... e —, ofega forte. —Sim—, falo, puxo meus quadris para trás e quando os alinho, empurro em um impulso lento. Seus olhos estão brilhantes e seu gemido é longo. —Sim, baby. Suave e duro.— Lhe dou o que ela quer. Estocadas suaves até minhas bolas não poderem tomá-las por mais tempo. No segundo em que sinto suas paredes começarem a se contrair e sei que ela está perto de desmoronar em meus braços, começo a golpear duro o suficiente para bater a cabeceira contra a parede. Ela aproveita cada impulso que dou e, bem antes de eu sentir minhas bolas se apertarem, ela joga a cabeça para trás e grita meu nome tão alto que o som penetra meus ouvidos dolorosamente. Meu orgasmo dispara pelo meu corpo, e meu pau é ordenhado por suas paredes apertadas. Depois de mais algumas estocadas, para sentir suas paredes tremendo contra o meu pau sensível, recuo e me inclino para trás, de joelhos, para assistir nossos fluidos, combinados, escorrerem do seu corpo.


—Foda-se se isso não é quente. Gostaria que você pudesse ver a porra saindo do seu corpo—, falo para ela. Trago minha mão até a sua boceta e enfio o dedo profundamente, enquanto ela ainda estremece. Quando puxo meu dedo, ele está brilhando com a nossa mistura, e passo meus olhos rapidamente pelo seu peito até seus olhos arregalados. —Você vê quão quente nós somos, juntos?— Ela balança a cabeça e seus olhos escurecem, aquela cor verde escura que eles sempre tomam quando ela está excitada. —Minha menina gosta disso?— Pergunto e movo minha mão de volta para a sua boceta. Esfrego minha mão através da sua fenda e esfrego nossa mistura sobre a sua pele. —Abre—, exijo e espero ela entender o que quero dizer. Meus dedos, molhados e pingando de nós, começam a se mover em direção à sua cabeça, e sem pergunta, ela abre a boca e espera por eles. Quando os lábios quentes se fecham em torno de dois dos meus dedos molhados e chupam com força, quase gozo novamente. —Puta que pariu—, solto um gemido. —Humm,— ela geme em resposta, e olho para baixo, para vê-la esfregar as pernas juntas. —Já?— Questiono. —Sempre—, ela retruca. Puta que pariu, de fato. *** Horas mais tarde, com a Dani exausta sobre a cama, coloco uma bermuda e caminho até a sala.


Chance me vê indo até sua cadeira perto da janela e retira os fones. —Acho que posso removê-los agora?— Pergunta ele, com uma sobrancelha levantada. —Ela está dormindo, se é isso que está perguntando.— —Ela não está gritando, então essa é a minha resposta.— —Você descobriu alguma coisa?— Eu questiono, ignorando seu comentário. —Nada que você vai gostar.— —Bem, porra, conte para mim.— Falo, na sua direção. —Questionei cada pessoa que estava no salão quando aquele pacote chegou. Até agora, consegui conversar com todos, exceto por duas pessoas. Don W. Johnson - assistente pessoal do Devon Westerfield - e um dos seus cinegrafistas. Isso foi tão longe quanto consegui. Procurei fundo e verifiquei com o Axel o que tinha acontecido quando eles começaram a andar por aí, mas, até agora, nada está saindo. Devon, o produtor, está sendo tão útil quanto pode. Meu instinto me diz que ele não é uma ameaça. Seu outro assistente, Mark Seymour, também. Ele e a Dani criaram uma amizade e ele estava muito preocupado sobre como ela está, diante de tudo isto. Mencionou que o Don não estava muito feliz com o fato da Dani estar grávida. Algo sobre prejudicar sua filmagem.— —Entendo—, digo-lhe, tendo o cuidando de me acalmar antes de me atirar sobre alguns Idiotas que estão perto da Dani. —Vou continuar a cavar.— —Faça isso—, digo a ele. —Vou levar a Dani para ver algumas casa na semana que vem. Tem certeza que você está bem com isso?— Pergunto, sabendo que, mesmo que ele esteja solitário ultimamente, não é algo com o qual lida bem. Chance tem seus próprios problemas, mas sei que a fachada que ele mostra para o mundo ver não é o homem que eu conheço.


—Não vou engolir um frasco de comprimidos ou cortar os meus pulsos, porque o meu amigo está se mudando, Cohen. Vou ficar bem. Além disso, não estarei por perto, tanto assim, de qualquer maneira. Pegamos alguns grandes clientes na Corps Security e vou estar fazendo algum trabalho de guarda-costas até que possamos treinar mais homens.— —Você vai me deixar saber se os pesadelos voltarem?— Pergunto. —Caralho—, ele suspira e esfrega a parte de trás do pescoço. —Sim, tudo bem, vou deixar você saber.— Ele sai da cadeira e caminha até a mesa no canto da sala, pega alguns papéis e os joga para mim. —Folhetos impressos sobre o que achei que vocês dois necessitam. Algumas são um pouco maiores do que vocês vão precisar de imediato, mas da forma como vocês dois estão indo, vão precisar de bastante espaço.— Olho para baixo, confuso, e sorrio quando vejo o punhado de anúncios de casas à venda que ele me deu. —Obrigado, irmão.— —Sim—, ele resmunga e caminha pelo corredor. Espero até ouvir sua porta clicar, sendo fechada, antes de rir de mim mesmo e jogá-las sobre a mesa de café antes de voltar pelo corredor e subir de volta na cama, com a Dani em meus braços.


Capítulo 36 Dani —Não estou vendo como uma casa ser tão grande seja algo que precisamos, Cohen.— Olho para a grande casa colonial e meus olhos examinam todas as janelas, e há muitas, e olho para minha esquerda, para a garagem para quatro vagas de carros que formam um ângulo com a casa. —Quatro carros parece um exagero.— —Nada—, Cohen diz e pega a minha mão antes de me puxar para cima, pelos degraus da frente. Estamos procurando uma casa nas últimas três semanas e estou cheia disso. Fiel à sua palavra, ele não me deixou por um segundo. Ele conversou comigo alguns dias depois e decidimos que eu iria morar com ele. Ele ajudou meu irmão e o Lee a trazer todas as minhas coisas do condomínio que compartilhei com as meninas, para o seu apartamento. Lee achou divertido e, depois, o Nate se superou tentando agir como nosso pai quando veio até o Cohen e eu, achando que eu estava, basicamente, sendo sequestrada, quando virou a coisa mais engraçada que eu já tinha visto. Claro, depois que dei uma joelhada nas suas bolas. Lyn e a Lila estavam no mundo da lua, pirando sobre o novo status do Cohen e o nosso relacionamento. Maddi estava feliz e eu estava feliz. Elas achavam que era a melhor coisa do mundo. Megan era a única voz da razão que eu tinha, mas até isso tinha durado pouco, quando ela testemunhou, em primeira mão, como o Cohen ficava, perto de mim. Seus olhos ficaram molhados e, depois que me mudei, ela me disse que


aquilo a fazia lembrar como seu marido tinha sido com ela, quando ficaram juntos, pela primeira vez. É claro que isso me comoveu, mas ela foi capaz de lidar com suas emoções e, após isso, tornou-se outra fã do Cohen. Depois disso, aproveitei para mandar tudo para o inferno e aproveitar o que viesse. Estamos prestes a ser pais, por isso, faz sentido. Além disso, há aquela coisa toda com o meu coração, sentindo como se estivesse se quebrando em dois, quando ele não está perto. Considerando tudo, a convivência com o homem dos meus sonhos e o amor da minha vida, não é exatamente uma dificuldade. Passamos as últimas três semanas procurando o nosso lar e ficamos mais próximos do que nunca. Entre jantares de família em uma ou outra casa, dos meus pais ou dos seus, passamos a maior parte do tempo na cama, fazendo amor ou falando sobre tudo o que podemos pensar. Tem sido uns dos melhores momentos da minha vida. —Vamos lá, Danizinha. Há algo que eu quero que você veja—, ele diz e dá ao meu braço outro puxão. —Ok, Ok... Jesus—, sorrio e o sigo pela porta da frente. Ele me leva, passando pelo agente imobiliário sorridente e indo até a enorme escadaria que domina a entrada da frente. Ele não para até nós dois estarmos em frente a uma das muitas portas fechadas no andar de cima. —Vá em frente—, ele insiste e acena para a porta. Eu lhe dou uma olhada, mas me aproximo e abro a porta. Quando meus olhos examinam ao redor do quarto, meu lábio treme. —Oh, Cohen.— —É perfeito, hein?— Diz ele, vindo por trás de mim e envolvendo os braços em volta do meu corpo até que tem as mãos sobre a minha barriga. Seus lábios


pressionam a minha têmpora. —Imaginei que, como decidimos não descobrir o sexo, que esta cor seria perfeita. Você pode combinar tudo o que quiser com um verde como este. Isso me lembra seus olhos, o que me fez pensar sobre o bebê ter os mesmos olhos verdes que você, e isso pareceu ser, apenas, um sinal.— —É perfeito.— E é. O grande quarto tem paredes verde claras e acabamento de madeira escura. A parede traseira tem uma enorme janela que vai do chão ao tet,o com vista para o quintal arborizado. Entro no quarto e noto um enorme closet atrás de uma porta. A outra porta leva a um banheiro. Imagino onde cada item que, cuidadosamente, planejo comprar para a nossa criança, e vejo que o quarto combina, instantaneamente. —É esta, Cohen—, digo para ele e assisto seu belo rosto se iluminar, com felicidade. —Eu esperava que você dissesse sim desde que fiz uma oferta, na semana passada.— —Você fez o quê?— Sorrio. —Então por que temos estado a procurar casa após casa, desde então?— —Mesmo no papel, era perfeita, Dani. Há mais do que espaço suficiente para nós e para nossa família crescer. Não tive nenhum problema em colocar o nosso futuro por escrito. Queria que você visse suas opções antes de lhe mostrar a minha. Se você tivesse gostado de algo melhor, teria retirado a minha oferta e faria na outra.— Ele se aproxima e esfrega minha barriga. — Você, eu, e o bebê contra o mundo.— Aceno com a cabeça e me inclino sobre as pontas dos pés para lhe dar um beijo. —É isso mesmo, Super Homem— Dou uma risadinha. ***


Não tenho certeza que tipo de pauzinhos o Cohen mexeu para nos ter instalados em nossa casa tão rapidamente, mas nem mesmo uma semana depois que me mostrou a bela casa com o berçário perfeito para o nosso filho, estamos nos mudando. Contra o seu melhor julgamento e muito convincente da minha parte, que estaria perfeitamente bem no apartamento com o Chance, o Liam e o meu irmão, sem mencionar as meninas, que estavam a caminho para ajudar, ele saiu para se reunir com o corretor de imóveis e contratar alguém para levar o que tínhamos no porão e aguardar a empresa de mudanças para entregar noventa por cento das nossas coisas. Teria um dia agitado na casa nova, e com todos nós ocupados com o resto das minhas coisas e do Cohen, foi melhor para ele me deixar aqui e se certificar de que estava tudo sendo feito. —Chance!— Grito para fora do quarto do Cohen. —Onde está a fita de embalar?— Quando ninguém responde, levanto meu corpo com quase oito meses de gravidez do chão e entro na sala de estar, onde os deixei discutindo sobre qual jogos de PlayStation pertenciam ao Cohen e os que ele tinha roubado deles. Às vezes, me pergunto se eles, realmente, cresceram. —Ei, onde estão vocês?— Pergunto, olhando ao redor. —Danielle.— Salto e giro na direção da voz familiar. —Estive esperando por você.— Meus olhos se arregalam quando vejo o sangue manchando a faca em suas mãos, e quando movo meus olhos de volta para os seus, percebo que eles estão selvagens. Oh. Meu. Deus. Isso não está acontecendo. Rapidamente, olho ao redor e procuro os rapazes. O sangue na faca só podia significar uma coisa, e meu estômago afunda quando percebo o que é.


—Onde estão os meus amigos?— Questiono. Mantenha-o falando... Acho que isso é o que meu pai disse para fazer em uma situação como esta. Mantê-lo falando até poder descobrir uma maneira de conseguir ajuda. —Seus amigos—, diz ele, como se as palavras tivessem um gosto ruim contra seus lábios. —Esses homens para quem você se prostituiu não vão ser um problema. O grandão e o seu irmão saíram um segundo atrás, e cuidei daquele outro filho da puta, assim como cuidei do Don e do Clint.— —Don e Clint? Clint, o cinegrafista? Sobre o que você está falando, Mark?— —Eu vi o jeito que olhou para você. Sempre olhando para você. E você deixando. Você não deveria ter feito isso, Danielle.— Ele ri, um som que faz minha pele se arrepiar. —Você não deveria incentivá-los a achar que tinham uma chance com você. VOCÊ é minha e estou cansado de ver você agir como uma puta quando você sabe, VOCÊ SABE, o que temos.— Olho boquiaberta para ele, pasma. —Não tenho ideia do que você está falando, Mark.— A sensação de medo começa a tomar conta do meu corpo e tento pensar em uma maneira de sair dessa bagunça. Até que ele fala de novo e fico chocada em minha essência. —Eu vi o jeito que você olha para mim. Sei que você também sentiu. Todos os nossos encontros que tivemos. Quando você me dizia o que gostava em mim como um namorado. Lembro-me de tudo, Danielle. Mas você foi uma garota malvada. É hora de cuidar de todas essas... complicações.— Ele acena a faca ao redor, até que a ponta está apontando para baixo. Para a minha barriga. —Não—, engasgo e seguro meu estômago. —Não!— Meu grito passa despercebido por ele, quando dá um passo à frente. —Mark, aqueles não eram encontros. Nós tivemos um almoço, com cerca de cinco outras pessoas - na sala de descanso do Sway. Foi isso. Você estava me pedindo conselhos sobre a garota que você estava namorando. Mark, nós não somos nada.— Minha tentativa de raciocínio com ele, só o irritou ainda mais.


—Não!— Ele berra, apontando, repetidamente, a faca na minha direção. —Nós somos tudo!— Sua voz assume o tom maníaco da loucura, e ele começa a avançar para mim. —Por Favor... Estou te implorando. Não machuque o meu bebê. Vou fazer o que quiser, mas por favor!— —Isso—, diz ele, asperamente. —Isso é uma abominação e deve ser removido de você. Eu não vou ficar com isso.— Aperto meu estômago e soluço. Minhas lágrimas estão se misturando com os fluidos do nariz e rolam pelo meu rosto. A esperança que eu estava mantendo de que seria capaz de convencê-lo, começa a diminuir. Olho em volta novamente, rezando para encontrar algo que vá me dar uma resposta sobre como escapar desta desgraça iminente. É isso. Vou morrer aqui mesmo, onde o meu futuro começou. Exatamente onde começou, estamos morrendo, e sei que não há nenhuma maneira do Cohen sobreviver a este tipo de perda. Esse conhecimento e o meu amor por ele é a única esperança que me resta. Caminho até o abajur, apenas alguns centímetros distante da minha mão direita quando Mark faz o seu movimento e arremete de frente. Dado o fato de que a minha barriga cresceu muito nas últimas sete semanas, desde que o Cohen voltou para casa, meus movimentos estão mais lentos do que o normal, desvio quando sinto a faca furar meu lado esquerdo, e arremeto o abajur com toda a força que tenho e bato bem na sua têmpora. Mark cai, atordoado, mas não apaga, então trago meu braço para trás – fracamente, agora que o meu lado está me matando - e arremeto contra ele novamente. Ele eleva a faca e a enfia no topo do meu quadril. Desesperada para fazer o que puder para proteger minha barriga, me retorço e luto com tudo o que tenho em mim. Se este for o último momento que tenho nesta terra, não vou levada facilmente.


—Pare de se mexer, merda, para que eu possa tirar essa coisa de você!— Ele berra, e não passa despercebido por mim, quão longe ele está na escala da sanidade. —Você não terá o meu bebê, seu doente de merda!— Eu grito e, com uma força renovada, começo a chutar as pernas e dirigir o abajur pesado para baixo, em seu rosto. —Você não vai ter o meu bebê—, soluço, meu corpo ficando mais fraco. —Nunca!— Coloco para fora e não paro, minha garganta ardendo com os sons crus que saem. Sinto isso antes da minha mente registrar que não há mais nada que eu possa fazer e, quando o meu corpo é puxado para baixo, sem mais nada para dar, uso o último pedaço da minha força para me virar para que, quando cair, meu bebê esteja protegido.


Capítulo 37 —Quão difícil teria sido trazer essa merda para baixo quando o Cohen chegasse aqui e poderia nos ajudar?— Pergunto ao Nate após espanar as mãos no jeans. Passamos a maior parte dos últimos trinta minutos tentando trazer a enorme TV de setenta polegadas do Cohen para baixo, por três lances de escada e tentamos fazer com que a maldita coisa fosse colocada na parte de trás da minha caminhonete, sem quebrá-la. —Parecia mais fácil, quando planejei tudo na minha cabeça. Não é minha culpa que seja mais pesado do que parece. Essa maldita coisa parecia que ia ser mais fácil.— Sim. As famosas últimas palavras do Nate Reid. —Além disso, se o Chance não fosse um foda tão preguiçoso, podia ter ajudado, também.— —Chance— – me aproximo e respondo para o Nate quando começamos a caminhar de volta até as escadas - —está lá em cima mantendo um olho na Dani. Algo que, vou lembrá-lo, nós deveríamos estar fazendo, também.— —Sério, Lee? Ela está lá em cima! Que diabos pode ter acontecido nos dois segundos que levamos para cuidar dessa merda?— Ele tira o boné da Universidade da Georgia e coça o grosso cabelo preto antes de colocá-lo de volta para baixo. —Foda-se, está quente aqui fora.— Exatamente quando a minha bota toca o degrau, ouço um som que paralisa o meu coração. Olho para o Nate, para ver se ele ouviu também e vejo a cor do seu rosto ser drenada.


—Caralho!— Grito e começo a subir as escadas de três em três degraus. — Ligue para o Cohen, Nate. Ligue para o Cohen e, em seguida, ligue para o seu pai.— Continuo correndo, deixando a minha formação assumir e meus instintos liderarem. Nos últimos dois meses, estive em treinamento com o departamento de polícia local e, pela primeira vez, sou grato por cada segundo do treinamento. Não olho para trás, para ver se o Nate está vindo. Pego o celular e disco para a emergência enquanto continuo a subir as escadas. Quando chego no final, o operador atende e lhe dou uma versão curta do que eu sei. Que não é nada. Depois de despejar o endereço do Cohen e lhe dizer para enviar uma ambulância, bem como a polícia, interrompo a conversa e me inclino sobre a porta quebrada. —Senhor, o intruso está ainda em cena?— A voz feminina pergunta, através da ligação. Sinto o Nate vindo atrás de mim e lhe entrego o telefone. Quase não registo a sua resposta para a operadora. Quando não ouço nada dentro do apartamento, lentamente, abro a porta e facilmente entro. O que vejo é uma cena que nunca vou esquecer. Se viver até os cem, esta imagem ainda estará marcada na minha mente. As paredes, o piso e os sofás estão todos manchados de vermelho. Vermelho sangue. Não posso ver sobre o sofá de dois lugares que impede a visão da entrada para a sala de estar, mas vejo a forma jogada do Chance por trás dele, me movo lentamente em direção a ele e verifico se há pulso. Forte e constante, graças a Deus. Ele tem um galo infernal se formando sobre sua testa, e verifico o ferimento à faca que ele tem que no ombro esquerdo, mas é um corte limpo que não está sangrando muito.


Levanto, me afasto da cadeira, e sinto um soluço brotar na minha garganta. —Dani!— Grito e corro em direção a ela. Passo por cima do homem irreconhecível que está deitado imóvel, na frente dela. —Ele tem uma faca—, ouço o Nate falar fracamente, atrás de mim. Ele corre para a frente e a chuta, afastando-a, antes de verificar o pulso do idiota. — Porra! Ela lutou, Lee. Ela lutou enquanto estávamos lá, de brincadeira com uma TV maldita!— Ele se levanta e chuta o corpo atrás de mim. —Ela lutou duro o suficiente para matar um homem que a ameaçava com uma faca, com um maldito abajur.— Não tiro os olhos da Dani e vou até o pulso dela para encontra-lo batendo fracamente contra os meus dedos. —Ajude-me a parar o sangramento até a ambulância chegar aqui, Nate!— Nos apressamos, tendo cuidado com sua barriga, comprimindo as feridas e olho nos olhos do Nate e vejo o mesmo pânico que eu sinto. Esse

pânico

não

diminui. Não,

enquanto

encharca

as

toalhas

que

pressionamos contra o corpo dela e muito menos quando noto que o pulso que seguro para verificar está enfraquecendo. Nem uma só vez, mesmo quando os paramédicos se apressam através da porta e assumem os cuidados. Não para quando nos apressamos atrás deles, enquanto carregam uma Dani imóvel sobre uma maca. Nem mesmo quando estamos acelerando pela estrada atrás deles, no caminho até o hospital. Esse pânico não desaparece e sei que, se a Dani não sair dessa, é um sentimento que nunca vou superar. —Você conseguiu falar com o Cohen?— Sussurro na direção do Nate.


Ele está esfregando as mãos manchadas de sangue e não move os olhos da parte de trás da ambulância que transporta sua irmã. —Não.— Eu olho para longe da estrada, chocado. —Não?— —Ele não respondeu e corri atrás de você antes de ligar de novo. Vou fazer isso agora—, diz ele com uma voz monótona. Seus movimentos são robóticos quando ele pega o celular no suporte entre nós e pressiona a tela até que ouço o toque ecoando por toda a cabine. —E aí, Lee?— O Cohen pergunta quando a chamada é conectada. Ele parece feliz, reparo. —Devo estar de volta em breve. Tenho-— —Coh—, eu digo, com a voz embargada. Ele não diz nada até que o ouço rugir através do telefone. —Onde ela está?— Ele grita. —Onde diabos ela está ?!— Posso ouvir a tensão em sua voz, e imagino que está correndo em direção à sua caminhonete. —Nós estamos indo para o Memorial Grady, Cohen. Ela está na ambulância à nossa frente.— —Ela está-— —Eu não sei, irmão. Sinceramente, apenas, não sei.— Cohen desliga a chamada, mas não antes de ouvir o soluço que rasga para fora da sua garganta. Outra coisa que nunca vou esquecer. Nunca.


Capítulo 38 Minha mente me leva ao Memorial Grady no piloto automático. Cada segundo que leva para chegar lá, parece uma eternidade. Não sabendo como ela está, o estado dos seus ferimentos, é como combustível para o fogo da minha miséria. Depois de colocar a caminhonete no estacionamento, salto para fora e corro em direção à entrada de emergência. Quinze minutos após a chamada do Lee. Quinze minutos desconhecidos, cheios de pensamentos sobre a Dani e o nosso filho. —Coh.— Olho quando ouço o Lee chamar o meu nome e, quando reparo em sua aparência, caio de joelhos e sinto cada segundo desses quinze minutos me empurrando para baixo, quando grito pela minha família. Somente quando sinto duas mãos fortes pressionarem os meus ombros, que olho para cima e vejo, tanto o meu pai quanto o pai da Dani, em pé, um de cada lado do meu corpo caído. —Levante-se, meu filho. Levante-se e acalme-se, você vai precisar estar lá para a Dani e o bebê. Até ter alguma notícia, você não precisa desistir da esperança—, meu pai diz e estende a mão para me ajudar a levantar.


Concordo com a cabeça e aceito sua mão, ficando de pé, e olho para o Axel. Seus olhos estão vermelhos e brilhantes, com a emoção. Ele nem sequer tenta parar as lágrimas que estão caindo. —Sua mãe estará aqui em breve. Ela estava no salão quando recebeu a notícia. Melissa foi buscá-la. Vamos procurar saber sobre a nossa menina para que eu possa dar à minha esposa algo bom para se concentrar, sim?— Ele não espera para ver se eu o sigo. Empurro para baixo o desespero e sigo atrás do pai da minha garota, orando com todas as fibras do meu ser para termos uma boa notícia. *** Quando a Izzy irrompe as portas da sala da emergência com a Melissa, a Dee, e o Sway em seus calcanhares, ainda estávamos esperando por uma palavra do médico. Pouco tempo depois que eles chegaram, minhas irmãs e irmãos correm para dentro. Lyn e a Lila correm para o meu lado e envolvem seus braços ao meu redor. Meus irmãos são os únicos a esconder as emoções, então se aproximam da mamãe, mas me olham com simpatia descarada. Não demorou muito antes que tivéssemos ultrapassado os limites da sala de emergência e fomos levados para uma sala privada. Maddox e o Cooper chegaram com suas famílias a reboque. Beck veio em seguida, e após verificar o Lee, agarra sua esposa e envolve os dois em seus braços, juntos. Megan foi a última a aparecer, explicando que veio tão rapidamente quanto pôde, após conseguir uma babá para a Molly. Chance entrou na sala por último, e não houve um olhar que não pousou sobre ele. Desembaracei meu corpo das meninas e caminhei até ele, agarrando seu ombro e puxando seu corpo na minha direção, abraçando-o com força. —Sinto muito—, ele engasga. —Eu, fodidamente, sinto muito. Nem sequer pude vê-lo— Sua voz falha, e eu o seguro quando ele vacila.


—Não. Ele pulou em você, Chance. Você não pode se culpar por ter um porra louca pulando em você.— —Era o meu trabalho mantê-la segura, Cohen. Meu trabalho, caralho.— —Não, não era o seu trabalho. Era meu trabalho, aquele que, quando ela sair desta, não vou nunca, nem uma vez, fazer uma pausa—, juro. Posso dizer que ele não acredita em mim. Sua culpa e preocupação está levando a melhor sobre ele. Balanço minha cabeça e, depois de vê-lo caminhar para as cadeiras do outro lado da sala, para junto dos outros, que estão se amontoando - caminho de volta para onde a Lyn e a Lila estão soluçando baixinho e as tomo em meus braços. E espero.

—Família Reid?— Meus olhos se levantam do chão, e corro da minha posição contra a parede. —Sim. Sou eu. Bem, nós. Todos nós.— —E você é?— O médico pergunta. —Seu marido—, falo e olho por cima do ombro para ver o Axel chegar ao meu lado. —E eu sou o pai dela. Como está a minha filha?— O médico olha entre o Axel e eu, antes de mover os olhos para a prancheta em suas mãos. —Senhor, sua esposa perdeu um bom bocado de sangue, mas fomos capazes de repor rapidamente e ela teve muita sorte porque seus ferimentos não eram tão profundos quanto pareciam. A lâmina quase perfurou duas grandes artérias


e foi por um fio de cabelo. Ela entrou em trabalho em parto, e após o parto, nossa maior preocupação era conter a hemorragia e a ferida que ela tinha na sua lateral. Não consigo enfatizar o suficiente, quão sortuda sua esposa é.— —Ela está bem?— Questiono. O médico olha entre nós novamente, e pela primeira vez, percebo o ruído em torno de nós quando a família percebe que ela está viva e vai ficar bem. —O bebê?— Axel pergunto. E assim, a sala fica em silêncio. —Ah...— Ele olha para baixo, para as anotações. —Você vai ter que me desculpar. Estava cuidando da sua esposa, e após o parto, ela se tornou minha única paciente.— Folheou algumas páginas antes de parar para ler algumas notas. —Diz aqui que o bebê está na UTI, sendo monitorado no momento, mas para um bebê de trinta duas semanas, os sinais vitais dele são fortes.— —Dele?— Quase sufoco. —Sim, dele. Parabéns. Você tem um menino.— E então, desmaio.


Capítulo 39 Dani Abro meus olhos e me sinto desnorteada quando minhas últimas lembranças me acertam como uma tsunami. Mark. A faca. O abajur. E a minha vontade de lutar para viver. —Ela está acordando, querida.— Mexo minha cabeça e olho para minha mãe, que está de pé no lado esquerdo da minha cama. Meu pai está em pé, bem atrás dela com os braços apertados ao seu redor, seus olhos vermelhos e inchados. Movo meus olhos ao redor da sala e vejo o Nate, com os olhos cheios de lágrimas escorrendo pelo rosto. Lhe dou um sorriso fraco e ele desvia o olhar do meu, enquanto luta para assumir o controle das emoções. Continuo a rotação até que olho para o peso que está pressionando contra o meu quadril. O cabelo castanho escuro vibra na lateral e no alto. Os ombros fortes arfando com emoção. E sinto as lágrimas molhando minha mão, que ele está segurando contra os lábios entreabertos. Meu coração se parte com a dor que ele está sentindo, e sei que não há nada que eu possa fazer para amenizá-la, até que ele trabalhe por conta própria tudo o que está passando através da sua mente. Eu a contraio, ansiosa para ver aqueles olhos castanho escuros. Preciso que ele veja que estou bem - e preciso ver que ele está bem. —Cohen-— Sussurro e limpo a garganta. —Baby—, imploro, sentindo minhas próprias lágrimas rolarem pelas minhas bochechas.


Seus ombros começam a arfar quando minha voz atinge seus ouvidos. Assisto, impotente, quando o homem que eu amo, se quebra. Olho para os meus pais e oro por respostas, mas vejo como minha própria mãe tem lágrimas caindo em sua pele de porcelana. Meu pai está com a cabeça baixa e sua testa descansa contra o seu ombro, o corpo curvado de uma maneira que sei que não pode ser confortável. Ouço a porta dar um clique e vejo que o Nate deixou o quarto. Sem receber qualquer ajuda, volto minha atenção para o Cohen e tento novamente. —Amor, por favor, olhe para mim. Preciso ver seus olhos.— Ele se esforça para controlar as emoções, e vejo quando seus olhos se enchem de lágrimas quando ele levanta a cabeça e eu recebo uma boa olhada do meu homem bonito. Seus olhos cor de chocolate estão cheios de dor e, através do inchaço avermelhado ao redor deles, as lágrimas continuam a cair. Seus lábios estão molhados pelo que, suponho, é o soluço que senti contra a pele. Estendo a mão e corro meus dedos pela sua bochecha. —É você e eu contra o mundo, Cohen. Nunca adeus, lembra?— Ele fecha os olhos diante das minhas palavras e me dá um aceno de cabeça. Vejo como ele se esforça novamente, mas ele vence a dor e, quando abre os olhos novamente, vejo o meu Cohen olhando de volta para mim. —Só vejo você em breve—, ele suspira. —Toda vez que fechar os meus olhos.— Ele sorri. Um pouco vacilante, mas é um sorriso, no entanto, e eu retribuo. —Nós temos um filho—, diz ele, com reverência. —Ele está bem?— Estudo seu rosto em busca de pistas e, quando o pouco de tristeza que havia em seus olhos desaparece e ele me acerta com toda a força do seu sorriso, meu coração explode.


—Ele é perfeito.— —Perfeito—, choro. —Conte-me mais—, imploro. —Ele é grande, considerando que é prematuro. Pouco menos de dois quilos e meio, mas é um lutador, Danizinha. Eles o têm na UTI, sendo monitorado, mas quando falei com a enfermeira, ela disse que podia vê-lo indo para casa em um mês, no máximo. Ele se parece comigo—, acrescenta com um sorriso crescente. —E tem os seus lábios.— Absorvo o fato que temos um filho. Cohen e o meu bebê, juntos. Nosso pequeno lutador. Parece apropriado que o amor que contra o qual lutamos para resistir, superar, e, no final, lutar para manter, produzisse um pequeno milagre que fosse um lutador por si próprio. —Nosso pequeno lutador—, falo, repetindo as palavras que, apenas, pensei. Ele balança a cabeça, e engulo o caroço na garganta. —Pensei que tinha perdido você—, diz ele, depois de estudar o meu rosto por mais algum tempo. —Nunca, baby. Nunca.— —Eu pensei que tinha perdido você e foi uma das experiências mais assustadoras que já senti. Não vou passar mais um segundo sem você ser minha. E falo sério, Dani. Quando chegarmos, você, eu e o nosso menino, em nossa casa, vou arrastá-la direto para um tribunal, mas você vai ser minha.— Estendo a mão, enrolo-a em torno do seu pescoço e o puxo para mim. — Quando você aprender a perguntar, então vamos conversar.— Seus olhos brilham olhos e seus lábios se inclinam para me dar um beijo profundo. Ouço um rosnado do meu lado e sorrio contra os seus lábios.


—Silêncio, Axel.— Sinto o Cohen rindo baixinho contra a minha boca, e me junto a ele apenas alguns segundos depois.

Quatro semanas mais tarde

—Cohen!— Grito, para o alto das escadas. —Nós não precisamos do saco de fraldas. Venha, por favor. Precisamos trazê-lo para casa.— Sorrio quando ele vem saltando, descendo as escadas e me arrebata em seus braços, girando-me em um círculo, antes de me colocar de volta sobre os pés. —Nosso menino vai vir para casa, hoje!— Ele berra através da sala, o som ecoando em cada parede e através da nossa casa. —Pare de agir como louco e me leve até o nosso filho—, imploro, com um sorriso no rosto. Durante quatro longas semanas longas - um mês repleto de idas e vindas passamos cada segundo que tínhamos entre a casa e o hospital. Com a ajuda das nossas mães, das suas irmãs, e da Megan, nossa casa foi totalmente decorada e o berçário do bebê totalmente abastecido, antes mesmo de eu deixar o hospital. Fiquei internada por quatro dias para monitorarem minhas lesões, bem como a recuperação da cesariana e, uma vez que as minhas emoções estavam tão loucas quando cheguei em casa, chorei durante horas enquanto andava de sala em sala, antes de, finalmente, decidir entrar no berçário. Foi difícil voltar para casa sem o nosso bebê, e sofri de um pouco de depressão pós-parto, por isso as coisas aumentaram, depois disso. Precisava do meu filho em casa e, simplesmente, não havia qualquer coisa que faria essa sensação melhorar.


Cohen foi a minha rocha através de tudo isso. Ele me segurou quando precisei chorar e depois, novamente, quando precisei gritar. Ele me falou através de cada segundo de dor que senti ao longo dos acontecimentos que tivemos e me ensinou que não era certo sentir culpa por, nem mesmo, um segundo. Mais fácil falar do que fazer. Por causa de um homem louco que tinha criado uma fixação por mim, tinha entendido que, ao pensar que ele era um amigo, tínhamos quase perdido nosso filho e o Cohen tinha quase perdido ambos. Sei que é irracional sentir culpa, mas é parte do processo de cura. Ou, então, não estaria visitando meu terapeuta. Mas é um sentimento com o qual não estou sozinha para lidar. Nate teve dificuldade em lidar com isso, após o ataque. Ele sentia uma culpa pior do que a minha, porque não estava no apartamento. Lee estava lidando com problemas semelhantes, mas foi capaz de racionalizar sua dor e focar no lado positivo, que ele foi capaz de me salvar. Eles têm tanto em comum que se juntaram a mim por algumas das minhas sessões de terapia, e sei que elas estão ajudando a curar todos nós. Cohen estava lá apoiando a todos. Nós conversamos sobre como se sentia e como ele estava lidando com tudo isso. Não fiquei surpresa, no mínimo, que ele ainda estava sentindo um medo profundo sobre me perder. Está trabalhando em seus problemas, não me deixando fora das suas vistas. Demorou para ir a uma sessão de terapia, finalmente, chegando a um acordo com o fato de que o que tinha acontecido foi uma experiência horrível, traumática e que, se não pudéssemos nos concentrar em seguir em frente e nos curarmos, em seguida, ela iria apenas nos arrastar para baixo até que estaríamos sufocados em memórias. No final, éramos todos impotentes, em uma situação fora do nosso controle. Se não fosse pela resposta rápida, não tenho nenhuma dúvida de que o bebê e eu teríamos morrido em naquele apartamento. Chance é outra parte da razão pela qual estive lutando com tanta dor. Me mata que ele se culpe – provavelmente ainda o faz. Mas até que ele esteja pronto


para lidar com isso e trabalhar sua cura, tenho receio que não há nada que eu possa fazer. Tem sido mais fácil. Ele anda por aí, mas noto que seus olhos nunca deixam os meus. Como se ele tivesse medo de olhar para longe, com medo de que alguém possa atacar. Ele se jogou na investigação sobre Mark Seymour como um homem possuído. Descobrimos, cerca de duas semanas depois de ter sido liberada do hospital, que o Mark tinha ido morar no apartamento diretamente abaixo do de Cohen. Não só estava me observando por mais de um ano, mas também tinha uma coleção doente de fotos dele e minhas que foram horrivelmente montadas com Photoshop. Ele havia criado uma fantasia de vida total - álbuns após álbuns, com fotos de nós. Se isso não fosse ruim o suficiente, tinha montado o apartamento com itens da minha casa que tinha roubado ao longo do ano. Coisas que eu nem sabia que estavam faltando. Ele tinha uma vida inteira composta por nós, e a única coisa que estava faltando era... eu. Após sua morte, a polícia conseguiu localizar os corpos dos dois homens que havia matado antes que ele nos atacasse, naquele dia. Havia deixado notas detalhadas sobre onde jogou seus corpos. Pelo menos, com isso, suas famílias iriam ter um encerramento. Tem sido difícil para todos. Estamos lutando com o homem louco que quase roubou minha vida, antes que pudesse realmente começar, mas todos nós estamos nos curando lentamente. Hoje, será um grande passo nesse processo. —Mal posso esperar para trazê-lo para casa, Cohen. Para mostrar-lhe a casa e tê-lo sob o nosso teto.— Cohen se estica e agarra a minha mão, a que ele colocou um ridiculamente enorme diamante no dedo há três semanas - sem me pedir em casamento. — Agora mesmo, Danizinha. Está tudo muito bem porque teremos toda a família


junta em casa.— Ele beija meus dedos, esfrega meu anel com o polegar, e olha para fora do para-brisa com um sorriso enorme. Nós fazemos o caminho até o hospital em tempo recorde e temos nosso filho entregue e preso à cadeirinha do carro, logo que o último formulário é assinado. Abraço todas as enfermeiras que conheci ao longo do mês passado, e trabalhamos rapidamente para deixar o hospital para trás em nosso caminho de volta para casa. Já passou da hora de chegar em casa. Owen - significa pequeno lutador - James Cage. Nosso filho lindo. Sorrio para mim mesma e olho para o rosto dele, dormindo em seu lugar no banco de trás. Assim como o Cohen disse, Owen se parece com ele. O cabelo escuro, a pele bronzeada e o rosto perfeitamente bonito. Mas aqueles lábios são todos meus.


Capítulo 40 Dani Já faz duas semanas desde que trouxemos o Owen para casa, do hospital, e sair hoje para a minha consulta de seis semanas foi mais difícil do que eu imaginava. Cohen e eu tínhamos concordado que, uma vez que a consulta seria curta, eu poderia usar a máquina para bombear o leite que seria necessário para o Cohen alimentá-lo enquanto eu estiver fora, e ia usar isso como um ensaio para quando tivesse que deixar o bebê. Nas últimas duas semanas, tenho lutado para fazer algo tão simples como tomar banho. O medo que tenho de deixá-lo fora da minha vista é inexplicável. Sei que o Cohen está preocupado comigo, então concordei com ele, mais ou menos, para aplacar suas preocupações. Mas, deitada aqui, as cobertas sobre a minha metade inferior nua enquanto minha bunda está sentada na mesa de exames fria, não está me fazendo sentir como se tivesse atingido algum grande marco. Me faz sentir como se precisasse ter o meu bebê nos meus braços. —Acho que é hora de parar de surtar, Dani.— Olho para cima, encontro os olhos da minha mãe e lhe dou um pequeno sorriso. Nem sequer tento esconder o meu leve embaraço. —Entendo como você se sente, minha menina querida, mas deixar o seu filho por algumas horas não é o fim do mundo. É bom para ele, se relacionar com o seu pai sozinho, ou seus avós. Não estou dizendo que você deve começar a planejar umas férias, mas ficar sentada em casa, dia após dia, enquanto nunca o deixa fora das suas vistas, não é saudável.—


Suspiro. —Eu sei.— E sei. Sei que não é normal, mas não consigo programar o meu corpo para deixá-lo fisicamente. —Se fizer você se sentir melhor, podemos chamar o Cohen. Ele pode lhe dar a garantia que você precisa.— Balanço a cabeça sabendo que, se o chamar trinta minutos depois de ter saído de casa, para verificar o Owen, tudo o que vai acontecer é fazer o Cohen se preocupar comigo ainda mais. —Não. Confio no Cohen, e sei que ele não vai deixar nada acontecer com o Owen. Só preciso superar meus problemas de que algo ruim vai acontecer. Desde que aquela coisa... aquela coisa com o Mark, continuo a pensar que algo vai vir e tirar a minha felicidade —. Mamãe suspira e caminha até mim, agarrando minha mão e me olhando nos olhos. —Não existe garantia sobre coisas como essa na vida, Dani. Nada. Vivi um período assim e posso afirmar com clareza. Mas se você continuar a se manter presa no passado, com preocupação e medo, não vai ser capaz de desfrutar, de maneira nenhuma, a vida e o futuro que tem em suas mãos.— Estudo seu rosto, encontrando um olhar amoroso em seus olhos e a esperança de que eu entenda o que ela está dizendo. —Preciso parar de pensar nisso—, respondo. —Sim, querida. Você precisa parar de pensar nisso—, diz ela com outro grande sorriso. *** Me sinto um pouco melhor depois da visita ao médico. Durante as duas horas que fiquei fora de casa não me senti tão sufocada, quanto no momento em que minha mãe me trouxe de volta para a casa e corri através a porta, ansiosa para ver os meus meninos. Sorrio quando ouço o Cohen resmungando para a televisão, sobre o programa de esportes que ele está assistindo. Quando chego na porta e o vejo sentado na cadeira grande e estofada com o Owen, sobre seu peito nu, meu coração


incha. Ele tem a mão grande descansando sobre a fralda acolchoada do bebê, e sorrio quando vejo os olhos do Owen - no momento, azuis - olhando para o nada. Sua mão está levantada junto à boca, em forma de coração, e ele a está sugando enquanto seu pai lhe explica os pontos mais importantes do futebol. —Vocês parecem confortáveis—, sussurro. Caminhando ao redor do sofá, deslizo no colo do Cohen e passo os dedos sobre a pele suave como seda do Owen. —Como ele ficou?— —Tudo bem, Danizinha. Assim como lhe disse que ficaria. Você está olhando para a extensão do nosso dia de diversão.— —Oh, uma festinha animal, hein?— Brinco. —O que o médico falou?— Cohen pergunta, movendo o corpo para que eu possa recostar na cadeira, ao lado dele. Coloco minha cabeça no ombro dele e olho nos olhos do Owen. Ponho a mão em volta dele e o Cohen coloca a dele sobre a minha. —Tudo parece bem com a cicatrização. Ele ainda quer que eu espere mais algumas semanas antes de retomar qualquer atividade sexual ou física. Acho que, com tudo o que aconteceu, só quer ter certeza que meu corpo tem tempo suficiente para se curar. Especialmente, desde que expliquei que os nossos exercícios tendem a ser um pouco... vigorosos.— —Vigorosos, hein?— Cohen ri. —Todo o resto parece bem, entretanto?— —Sim.— Paro e olho para ele. —Conversei com ele sobre essa minha ansiedade sobre a separação, e ele me deu uma medicação antidepressiva para tomar por um tempo. Depois de tudo que passei, acho que é uma boa pedida. Mas me sinto muito melhor não estando em volta do Owen o tempo todo. Deixá-lo, hoje, ajudou muito.— —Estou feliz, baby. Estava preocupado.— —Sei que estava e sinto muito.—


—Não se desculpe. Amo que você ama tanto o nosso menino que não quer ficar longe dele, mas você tem que se certificar que está cuidando de si mesma, também. Não suporto pensar em alguma coisa acontecendo com você, Danizinha. —Não vou a lugar nenhum—, lhe digo, não pela primeira vez. —Sim, baby, nem o nosso menino.— Olho para ele e acho que, pela primeira vez, realmente sei o que ele está tentando me dizer e tem me impressionado desde a primeira vez que chegamos em casa com o Owen. Aceno com a cabeça e lhe dou um sorriso, antes de recolocar a cabeça no seu ombro, para poder olhar nos olhos do nosso menino. Deixo o amor que sinto por essas duas pessoas me abraçarem, e adormeço enquanto o Cohen nos mantém seguros em seus braços.


Capítulo 41 Owen

foi

levado

de

mudança

do

hospital

para

casa

como

um

campeão. Embora não fique chocado que o meu filho é perfeito. Ele é um bebê calmo, que só reclama quando quer comer. Ou quando quer a atenção da sua mãe, mas não posso culpá-lo por isso. Quando quero a atenção da sua mãe, fico muito exigente também. O primeiro mês em casa foi um ligeiro desafio. Entre Dani não estar querendo e não se sentir como se pudesse deixar nosso filho e o tempo para nos acostumarmos a ter um outro ser humano para cuidar, fomos lentamente nos adaptando em nossa nova vida. Agora, porém? Agora, estamos bobos. Dani ficou muito melhor sobre deixar o Owen. Ela começou aos poucos. A visita ao médico, em seguida, uma corrida rápida até uma loja e, eventualmente, foi capaz de sair sem pensar muito sobre isso. Acho que boa parte disso tinha a ver com o fato dela, finalmente, perceber que, ao deixar seu medo consumi-la, não seria capaz de desfrutar da vida que tinha. Ando pelo corredor em busca da minha mulher. Ela levou o Owen para o quarto dele, para vesti-lo para passar o dia fora, e não a vejo por quase trinta minutos. O que, geralmente, significa que ela está amamentando. Não surpreendentemente, a visão dela amamentando meu filho tem sido um grande estímulo para mim. Já que ela não está pronta para o sexo, ainda, o fato de que quase gozo nas calças quando ela puxa os seios inchados e os vejo vazando leite... Sim, ela começou a sair do quarto quando o Owen precisava comer, depois disso. Não tenho ideia por que acho que é tão gostoso, mas quando vejo os peitos vazarem, tudo o que posso pensar é em empurrá-los juntos e foder os peitos dela, enquanto seu leite funciona como lubrificante.


Deus, preciso ir me masturbar, novamente. Pressiono a mão contra o meu pau, que está, agora, aparecendo em toda sua extensão e continuo minha busca por ela. Já fazem oito semanas; se não tiver minha esposa em breve, posso morrer. Literalmente, morrer. De bolas azuis. —Nossas mães estão a caminho, Dani—, falo, quando a encontro balançando na cadeira de balanço no quarto do Owen. Me inclino para beijá-la, antes de depositar um beijo na cabeça macia do Owen. —E pelo que meu pai disse, elas estão trazendo todas as revistas de noiva conhecidas pelo homem. Já te disse, o fórum está há apenas um segundo de distância, baby.— —Ainda não recebi a proposta. Estou planejando o meu casamento—, ela sorri. —Então, tenho dito. Quanto tempo até que você termine de planejar esta maldita coisa, Dani? Preciso que você seja minha.— Ela sorri, mas não responde. Dou-lhe outro beijo antes de me levantar e sair do quarto do Owen. Fui convocado até o escritório da Corps Security hoje, e foi um pedido que venho adiando durante esse mês, desde que trouxe o Owen para casa. Hora de atender o chamado e sair de casa, mesmo que a ideia de deixar a Dani e o Owen me deixa com o estômago revirado. Sim. Olá, roto. Conheça o esfarrapado. Falo sobre a Dani superar seus medos, mas lido muito mal com isso, também. Desço as escadas e vou até a cozinha para fazer o café para Dani. Ela tem trabalhado muito, ultimamente, desde que o Owen vem passando por algum surto de crescimento e se alimenta mais do que o habitual. Mesmo que não seja muito, pelo menos, é algo que posso fazer para ajudar. —Olá, baby!— Diz a Dani, entrando na cozinha, um pouco mais tarde. — Humm, que cheiro bom.— Ela anda pela cozinha, Owen nos seus braços, e belisca um pedaço de bacon. —Minha mãe mandou uma mensagem e perguntou se você pode me deixar lá, antes de ir para o escritório. Seria mais fácil, pois todo o material de planejamento que tenho coletado para o casamento, está lá, de qualquer maneira.—


Aceno quando ela vai pegar outro pedaço. —Sim, querida.— —Posso dirigir se você precisa ir primeiro para a Corps Security—, ela oferece, inclinando a cabeça, ligeiramente. —Não, Danizinha. Nunca vai ser um problema se estou um pouco atrasado porque estou cuidando da minha família.— E não é. Eles são e sempre serão minha prioridade número um. —Então—, ela começa, e algo em seu tom de voz desvia meu olhar para longe dos ovos que estou fazendo, esperando que ela termine. —Minha mãe falou em ficar com o Owen, hoje à noite. Acho que devemos aproveitar, baby. Posso bombear o suficiente para que ela tenha todo o leite que ele precisa e, assim, podemos celebrar o final das oito semanas.— Sinto minhas sobrancelhas levantarem quando tento entender o que ela está dizendo. —Estou um pouco perdido aqui.— Tento entender, mas o fato dela estar falando em deixá-lo durante a noite é um enorme marco, aqui. —Percebi. Se você tivesse entendido sobre o que estou falando, tenho certeza que o café da manhã seria esquecido e teríamos o Owen fora daqui, já. Já fazem duas semanas desde a minha consulta com o médico, baby. Ele disse para aguardar oito semanas, até que todas as atividades pudessem voltar ao normal. É hora de fazer amor com a sua mulher.— Então desligo o fogão, os ovos esquecidos e corro até as escadas para fazer as malas do Owen. Hoje à noite, vou foder a minha mulher.


Dani —Pensei que você não ia conseguir chegar até aqui—, reclama a Lyn e estende a mão para tirar o Owen dos meus braços. Nem me dá a mínima atenção enquanto caminha até o sofá e começa a fazer sons de bebê olhando para o rostinho do Owen. Lila revira os olhos e pega a mala do Owen. —Venha. O guru da maquiagem está esperando por você.— Seguindo seu exemplo, entro em uma cozinha cheia de insanidade. Minha mãe está correndo por aí com os cabelos em bobs, a Melissa está gritando para um homem mexicano que parece aterrorizado, e a Maddi está de pé, com as mãos nos quadris, claramente infeliz por eu estar atrasada. —Desculpe—, resmungo e me sento na cadeira para a qual ela está apontando. —O quão difícil foi seguir o cronograma, Dani? Como é difícil, hein?— Ela se prepara e começa a aplicar minha maquiagem. Sabiamente, decido manter a minha boca fechada e deixá-la fazer o que ela faz de melhor. Sinto mexerem no meu cabelo, e abro os olhos. A cabeça do Sway, aparece e ele me dá um grande sorriso. —Quase hora do show, mamãezinha.— Estende a mão por cima do meu ombro e dou um tapa nela, quando sinto ele tentando abrir o botão da minha blusa. —Você é um homem louco!— Ele ri, se endireita e começa a trabalhar no meu cabelo. Quase uma hora depois, meu cabelo está puxado para trás em um coque frouxo e minha maquiagem está perfeita, de uma forma natural, que destaca


todas as minhas características. Meus olhos estão marcados fortemente, para realçá-los e a Maddi decidiu pintar meus lábios com um batom vermelho brilhante. Caminho até o quarto dos meus pais e, com a ajuda de Melissa, coloco o vestido. Ela me dá um grande abraço e rapidamente sai do quarto, mas não antes de eu ver a primeira lágrima cair dos seus olhos. —Mãe!— Chamo enquanto caminho através da insanidade. Lyn está tentando entrar em seu vestido sem deixar que a irmã segure o Owen. Maddi está terminando a maquiagem da Stella e fazendo a dela também. Decidiram que o Sway precisava arrumar o cabelo do Owen em algum tipo de moicano para bebê. Megan e a Molly estão rindo quando o Sway começa a fazer caretas, imitando um peixe balão, para o bebê. —Aqui fora, baby.— Sigo o som da sua voz pela porta dos fundos até o deck. Quando meus olhos veem a transformação do seu quintal, respiro fundo e mal posso acreditar que este momento está acontecendo. Hoje, estou surpreendendo o homem dos meus sonhos com o casamento que ele está pedindo. Ele está esperando há tanto tempo e sei que teria esperado mais tempo, mas estou pronta para me tornar Dani Cage. Para a nossa família se tornar um todo. Com a ajuda dos nossos pais, eles o tinham recrutado para alguns casos, nos quais precisavam de auxílio na Corps Security, e tenho a promessa de ambos que não iriam devolvê-lo até mais tarde, esta noite. Eles têm uma missão: deixar o meu homem no final da doca antes do sol se pôr no lago. Bem, devo dizer que o Greg tem uma missão, uma vez que, quando olho para o quintal, encontro os olhos emocionados do Axel Reid e sorrio enquanto meu


pai, visivelmente, se esforça para obter um pouco de controle sobre suas emoções. —Você se parece com uma princesinha,— sua voz sussurra impressionando pela rouquidão. —Mal posso acreditar que este dia chegou. Meu bebê vai se casar.— —Você precisa de um lenço, papai?— Faço piada. —Engraçadinha.— Ele me alcança e, cuidadosamente, me puxa contra o seu corpo. Espano um fio para fora do peito coberto pelo smoking. —Não

importa

onde

você

esteja,

no

mundo,

você

sempre

será a

minha princesinha, Dani. Casada ou não, você foi minha primeira menina. Eu te amo, amor. Sei que não falo isso muitas vezes, porque não gosto de deixá-lo muito convencido, mas estou muito feliz com o homem que ganhou o seu coração.— Luto com o nó na garganta e, no final, me contento com um aceno de cabeça. —Sabia que você iria se transformar em uma bela mulher e tenho muito orgulho de quem você se tornou. Sei, com o Cohen ao seu lado e o Owen em seus braços, que essa beleza só irá florescer, ainda mais.— Ele se inclina e beija minha cabeça antes de se afastar. Eu o deixo ir, sabendo que ele precisa do mesmo momento com os seus pensamentos, quanto eu preciso. Mantenho os olhos sobre a família enquanto eles se movem em torno das mesas dispostas no gramado e sorrio quando vejo as luzes espalhadas ao longo do corrimão do convés. Elas iluminam o caminho que trará o Cohen para mim em poucas horas.


Tarde inútil do caralho. Meu pai e o Maddox me mantiveram até os cotovelos em arquivos de casos antigos. Qualquer coisa, nos últimos dez anos, que passou batido era, de repente, algo que eu precisava ajudá-los com presteza. Finalmente, tive o suficiente, quando percebi que estava ficando mais perto da hora do jantar e que a única coisa que eu tinha em mente começava com levar a minha garota para casa. —Terminei. Podemos pegar isso outro dia? Agora, vou até a casa do Axel para pegar a minha garota e levá-la para casa, para a nossa primeira noite sozinhos.— —Sozinhos?— Pergunta o pai. —Seus pais se ofereceram para ficar com o Owen hoje à noite, para podermos ter algum tempo sozinhos.— Ele me dá um olhar compreensivo. —Ah. Tudo limpo, agora.— Ele joga a cabeça para trás e dá uma risada estrondosa. —Entendo completamente, filho.— —Vou dizer a você—, acrescenta o Maddox. —Uma das melhores noites com a Emmy foi quando o médico finalmente, a liberou depois de ter as nossas meninas. Eu juro que ela se transformou em um animal.— Meu pai vai abrir a boca, mas o impeço levantando a mão. —Nem sequer pense em adicionar qualquer coisa a isso. Não quero saber nada sobre isso e tenho certeza que não quero nem pensar nisso.—


Eles riem, e eu estreito os olhos. Quando levanto da mesa da sala de conferência, papai estende a mão e agarra o meu braço. —Vá até o banheiro de trás. Há algo lá para você.— —Que diabos?— Pergunto, e ele e o Maddox caminham para fora da sala — Velho louco, cara.— Caminho em direção ao banheiro de trás e, quando entro, vejo um smoking perfeitamente passado, sinto meus olhos estreitarem, com confusão. Ao ver o bilhete que está pendurado no cabide, eu o pego e leio as palavras que trazem uma onda de imenso amor ao meu corpo.

Hoje, irei me casar com o meu melhor amigo, Casarei com o meu amor Com o meu coração, eu te amo. Te vejo onde tudo começou.

Viro o papel e sinto o nó na garganta crescer, quando olho para a foto em que a Dani escreveu a mensagem. A imagem que ela tinha ampliado e colocado sobre sua cama quando eu estava no exterior. Ela nos meus braços na beira do cais da casa dos seus pais quando éramos, apenas, crianças. Demoro pouco tempo para tirar a roupa e vestir o smoking. A promessa de me casar com a minha garota é tudo o que preciso para chegar à casa dos Reids o mais rápido possível. Hoje, vou me casar com a minha garota.


Capítulo 42 Não sei o que esperava que acontecesse quando cheguei à casa do Axel e da Izzy. Estava preparado para qualquer coisa. Acho que uma parte de mim esperava que o Axel saltasse sobre a minha bunda no segundo em que eu pisasse na sua propriedade. No entanto, o que vejo, quase me deixa de joelhos. Minha mãe abre a porta com lágrimas escorrendo pelo rosto sorridente e, sem dizer uma palavra, me entrega o meu filho. Eu a vejo ir embora, o vestido azul claro esvoaçando atrás dela, antes de olhar para o meu menino, que se contorcia. Owen está vestido de forma semelhante a mim, o pequeno smoking parecendo fora de lugar no corpo do meu bebezinho e sinto que ele acha o mesmo. —Olá, homenzinho—, digo baixinho e vejo o pedaço de papel saindo do bolso da sua mini jaqueta. —O que você tem para o papai, menininho?— Ele me olha nos olhos, a boca se franzindo com o mais lindo beicinho. Ele está feliz por estar nos braços de seu pai. Ele cresceu tanto nos últimos dois meses que passou a ter as mais adoráveis bochechas rechonchudas. Deus, meu filho é perfeito. Cuidadosamente, acomodo Owen em meus braços e desdobro o papel que peguei da sua pequena jaqueta.


Mamãezinha disse que está pronta para sermos uma família. Oficialmente.

Sorrio quando leio as palavras e sinto o coração bater freneticamente no meu peito. Com meu filho nos braços e um sorriso no rosto, decolo na direção que a minha mãe foi - através da sala ampla, em seguida, através da sua cozinha até o deck, lá atrás. Ainda não vejo ninguém, então continuo andando até o Owen e eu estarmos em pé, contra a grade, olhando para cada membro da família e amigos que amamos. Meu pai está em pé, junto da minha mãe, minhas irmãs e irmãos ao seu lado, todos eles radiantes. Axel está ao lado dele com a Izzy entre seus braços e o Nate ao seu lado. Mais uma vez, em nenhum deles falta um enorme sorriso. Sigo as fileiras de famílias, do Maddox, do Beck, Cooper, e do Sway. Vejo a Megan, a Molly e o Chance antes dos meus olhos seguirem a trilha de flores brancas que me levam à extremidade da doca. Vejo uma visão em branco que deixa os meus olhos ardendo. Lá, esperando com um sorriso no rosto e lágrimas nos olhos, está a minha Danizinha. —Vamos pegar aquela garota, filho.— Sussurro para o Owen. Desço as escadas que levam até o gramado e percorro as fileiras de entes queridos até chegar aos nossos pais. Olho para a minha esquerda e sorrio para os meus pais e irmãos, entregando o Owen para a Lyn quando ela estende os braços. —Eu amo você, filho.— Meu pai diz, com voz rouca.


—Estamos tão felizes por você e pela Dani—, diz a mamãe. —Amo você, menino bonito.— Dou a cada um beijo, antes de me virar para os pais da Dani. A mãe dela envolve seus braços à minha volta, me dando um beijo rápido. Seus olhos estão molhados e brilhando de felicidade. Dou um tapinha nas costas do Nate e sorrio quando ele aperta minha mão. Então, olho para o Axel. Estou preparado para a batalha, mas quando vejo seus olhos, brilhantes de felicidade e não de raiva – fico, momentaneamente mudo. —Você não acha que eu seria capaz de fazer isso, não é?— Ele pergunta. —Nem por um segundo—, sorrio. —Se você fizer ela chorar uma lágrima que não seja de felicidade, vou cortar suas bolas fora—, adverte. —Notável.— —Estou orgulhoso de você, Cohen. Do homem que você cresceu para ser e pelo amor que você tem pela minha menina. Quero dizer, quando digo que não poderia ter escolhido um homem melhor, eu mesmo.— —Obrigado por isso—, eu lhe digo com sinceridade. Não importa o que eu disse no passado, ter a sua bênção era algo que eu desejava, quando se tratava da Dani se tornar minha esposa. —Ela é a minha vida—, eu o lembro. —Eu conheço esse sentimento—, diz ele e olha para a doca. —Vá em frente e deixe de manter a minha filha esperando.— Concordo com a cabeça, tomando algumas respirações controladas antes de me virar e deixar meus olhos se afogarem nela. Ela está usando um vestido longo branco, simples e esvoaçante. Ele é ajustado no seu corpo enquanto ainda ondula, na brisa leve, em torno de nós. Seus


ombros estão nus e, com o cabelo afastado do rosto, ela parece tão angelical com o sol atrás dela, lançando um brilho suave em torno do seu corpo. Dou os passos restantes, que me levam até onde ela está, em pé, ao lado de um homem que presumo ser o ministro. —Surpreso?— Ela pergunta. —Sim, querida.— —Está pronto para ser meu marido?— Sorrio. —Nasci pronto para isso, minha Danizinha.— E com o sol à nossa volta, a família que nos rodeia, caso com o meu destino inesperado.

No momento em que somos capazes de ficar longe da família e sou capaz de puxar a Dani para longe do Owen sem vê-la se derretendo, o sol há muito havia se posto e minha garota tinha se tornado a minha esposa. Nós dançamos e

comemos. Rimos

e

sorrimos. Foi

uma

noite

mágica,

cheia

de

amor. Dançamos nossa primeira dança juntos, como marido e mulher, ao som de —Kiss by Kiss— do Brett Young, e a segurei em meus braços enquanto ela chorava baixinho. Quando meus lábios caíram sobre os o dela e ouvi o rugido tão familiar ao meu lado, ela jogou a cabeça para trás e sua risada choveu sobre mim. Foram partes iguais de alegria e tortura, porque tudo que eu conseguia pensar era em levá-la para casa. Desde o segundo em que os meus lábios tocaram os dela, após o ministro nos declarar marido e mulher, tenho estado duro como uma pedra dura, me


controlando para não levar a minha esposa e fazê-la minha em todos os sentidos que contam. —Devagar, marido—, ela ofega quando eu a levo da caminhonete até a nossa varanda. Seu grito, quando a levanto em meus braços, é como música para os meus ouvidos. —Você está pronta para ser levada até o limite, mulher?— Ela me dá um sorriso radiante e acena com a cabeça. Não perco um segundo. A chave encaixa na fechadura e, em um piscar de olhos, eu a tenho apressada, batendo a porta atrás de nós. Ela estende a mão para as chaves, em seguida teclam o código do nosso alarme e, no segundo que o ouço ser reativado, começo a subir as escadas. Suas risadas brilham feito pérolas, atrás de nós, e não paro até que entro no nosso quarto e a atiro no ar para cair no meio do nosso colchão. Ela se apoia nos cotovelos e olha para mim com os olhos aquecidos. Não vejo seu movimento, até que ela está de joelhos e geme, quando puxa o vestido pela cabeça e o atira, descuidadamente, no chão. —Se eu soubesse que você estava nua, não teria demorado tanto quanto fiz, hoje—, digo a ela. —Eu sei.— As mãos dela vão para cima dos seios. Sorrio quando seus olhos seguem minhas mãos, enquanto as coloco no cinto. É um sorriso que não dura muito tempo porque suas próximas palavras me fazem lutar para não gozar nas calças. —Eu quero o seu pau, marido. Em primeiro lugar, quero te lamber do pescoço até as bolas e, em seguida, vou sugá-las profundamente, até que você esteja


me implorando para tomar o seu pênis na boca.— Faz uma pausa no discurso para lamber um dedo antes de traçar o mamilo enrugando com ele. —Então, eu vou me foder com os dedos. Se você for um bom menino, vou deixar você lambê-los, até deixá-los limpos. E quando suas bolas sentirem como se estivessem prestes a explodir com o poder que esse orgasmo promete, vou montar você, até gozar dentro de mim.— —Caralho, sim, você vai—, rosno e ataco. Ela pula para trás, rindo, e engulo a felicidade quando tomo sua boca em um beijo marcante. —Foda-me, esposa,— Ordeno e me deito na cama.

Dani —Foda-me, esposa—, ele ordena em um tom que está carregado de desejo. —Vou lambê-lo e chupá-lo, em primeiro lugar—, prometo, até que minhas pernas estão montadas sobre os seus quadris e minha boca está depositando beijos ao longo do seu pescoço e clavícula. Sinto os lábios da minha boceta se abrirem para se acomodarem sobre os seus quadris, e o seu pau duro ficar exatamente entre eles. No segundo em que sinto sua pele macia como veludo contra os meus lábios molhados, dou um gemido e começo a me esfregar contra ele. Suas mãos vão para os meus quadris, e o sinto empurrando, para responder a cada rotação dos meus quadris. Sigo com a minha boca sobre o seu peito e, quando alcanço um mamilo, mordo-o, levemente, entre os meus dentes. Seus quadris saltam para fora da


cama, e grito quando sinto a ponta da sua ereção bater contra o meu clitóris inchado. —Faça isso de novo e vai conseguir meu pênis na sua vagina ou na sua bunda e pode esquecer a boca, de vez.— Sorrio contra sua pele e me mantenho movimentando os lábios para baixo do seu corpo. Ele geme e tem contrações musculares toda vez que acerto um ponto sensível que, estou aprendendo, meu marido tem aos montes. —Vou tomar seu pênis na minha boca até engasgar com ele—, sussurro roucamente. —Caralho—, ele geme quando envolvo meus lábios em torno da cabeça do pênis inchado. Me movo lentamente até ter a ponta do seu pênis tocando o fundo da minha garganta. Relaxo minha garganta, respiro pelo nariz e o afundo na minha garganta. —Puta que pariu!— Ele exclama, e arqueia as costas, sobre a cama. Seus dedos vão para o meu cabelo, os quadris empurrando o pênis na minha boca, por conta própria. Meus olhos enchem de água com a força das suas investidas, mas aceito tudo o que ele tem para me dar e amo cada segundo. Quando seus movimentos começam a diminuir, me inclino para trás, sobre os joelhos e lambo os lábios. —Porque me fez parar, baby? Não está bom?— —Muito melhor do que isso e você ia me matar, mas quando gozar pela primeira vez, como o seu marido, vai ser quando o meu pau estiver golpeando essa doce boceta, apertada pra caralho. Sobe aqui e me monta... forte.— Ele acrescenta a última palavra como uma reflexão tardia, e nem sequer hesito. Estou abrangendo seus quadris e descansando meu peso no seu peito com uma mão enquanto uso a outra para guiar seu pau grosso no meu núcleo molhado.


—Foda o meu pau, Danizinha—, ele geme quando começo a me mover. — Foda o seu marido—, continua ele. Eu o fodo o mais forte que posso e, quando meus movimentos começam a vacilar, ele agarra os meus quadris e começa a empurrar, como um pistão, em meu corpo da sua posição de costas. —Isso é tão certo, baby. Foda-me com força.— —Não consigo. Minhas pernas—, lamento, sentindo meu orgasmo se esvaindo. Ele me vira, antes que eu possa sequer pensar, e coloca minhas pernas sobre os seus ombros. —Vou enchê-la quando eu gozar, Dani. Enchê-la com a minha porra e rezar para que outra criança crie raízes. Vou gozar com tanta força que ela vai vazar da sua boceta enquanto meu pênis ainda está enterrado nas suas profundezas. Você quer nos provar quando eu terminar, baby?— Quando ele para de falar, engulo em seco, já desejando o nosso gosto. —Minha menina, minha esposa, você me quer?— Concordo, acenando a cabeça. —Caralho, eu te amo—, diz ele, com os dentes cerrados. Seus quadris começam a foder contra o meu corpo, e ele só leva mais alguns golpes até que estou gritando o seu nome, seguindo-o com um monte sons inarticulados. —Adoro essa boceta. Me fode, Dani. Adoro quando você goza em volta do meu pau. Segure-se, baby. Vou levá-la mais forte.— Meus olhos se arregalam, porque nunca imaginei que ele poderia me levar mais duramente do que já estava. Suas bolas estapeiam tão forte contra a minha bunda que soam como mãos batendo palmas. Ele dobra o meu corpo de modo que meus joelhos estão pressionando sobre meus seios, e o primeiro


impulso poderoso que ele lança no meu corpo me já me faz gritar. O segundo me faz gozar. E tudo aquilo que segue depois, me faz soluçar gozando e gozar soluçando. E uma estranha mistura dos dois. —Amo foder esta boceta.— —Caralho, eu amo este pau.— Ele olha para mim, os olhos em chamas antes de jogar a cabeça para trás e liberar alguns burburinhos em um rugido trovejante e alto. Depois que ele retira o pau gasto da minha boceta, faz verdadeira sua promessa de me dar um gosto de nós. Quando tudo está dito e feito, não demoramos menos de quatro horas fazendo isso - outra longa sessão dele tendo sua esposa – antes de colocarmos nossas roupas e nos dirigir para os meus pais para buscar o nosso menino.


Epilogo Cinco anos mais tarde

Dani —Você sabe onde o seu irmão está?— Pergunto à Lyn. —Ele disse que estava correndo para o supermercado—, diz ela sobre o ombro e volta a atenção para o computador. —O quê? Eu já fui no outro dia.— —Sim, bem, no caso de você não ter reparado, na última vez que você estava grávida, você comeu muito.— Ela ri e volta para a navegação na internet do seu computador. —Bem, onde está a sua irmã?— Pergunto. —Ela está com o Evan nos meus pais. Algo sobre lhe dar algum tempo para descansar antes do seu marido chegar em casa e te manter ocupada durante toda a noite. Acho que ela ainda está com medo da última vez que passou a noite e vocês dois ficaram gemendo a noite toda.— Eu jogo a cabeça para trás e rio, porque ela não está errada. Nos cinco anos que o Cohen e eu estamos casados, o desejo que sentimos um pelo outro não mudou nem um pouco. O que explica por que estou grávida, novamente. Juro que ele fez a missão da sua vida me ver grávida para sempre. Engravidei do Evan quase logo após o nosso casamento.


Cohen estava muito orgulhoso de si mesmo e convencido de que foi na nossa noite de núpcias que ele foi concebido. Consegui mantê-lo longe de mim tempo suficiente para não engravidar por seis meses depois que eu tive o Evan. Infelizmente, a gravidez terminou em aborto que ambos lamentamos duramente. Esperamos um pouco antes de tentarmos de novo, e agora aqui estou eu, grávida de novo. Cohen aceitou um emprego na Corps Security logo após o Owen nascer. Ele disse que o seu pai estava pensando em se aposentar, em breve, e que era hora dele aprender sobre o negócio. Isto foi algo que apoiei cem por cento. Adorei saber que ele nunca mais ia nos deixar para quaisquer outras missões. —O que você acha sobre isso?— Lyn pergunta e gira o computador. Dou risada quando vejo o minúsculo vestido para recém-nascida, que ela comprou para o bebê na Gap. —Você percebe que, provavelmente, vai ser outro menino, certo?— —De jeito nenhum, Dani! Vou ter a minha garota, caramba. Você ouviu isso, bebê? É melhor ser uma menina.— —Tenho certeza que isso não funciona dessa maneira, Lyn—, sorrio. Ela me dá um olhar duro e se volta para o computador. Reviro os olhos e me levanto, andando por aí até encontrar meu telefone e discar o número do Cohen. Ele atende quase que imediatamente. —Olá, Danizinha.— —Onde você está?— —Owen queria ir encontrar ninjas, por isso, estamos na parte de trás procurando ninjas—. Ele explica, como se isso fosse fazer todo o sentido do mundo.


—E por que você está procurando ninjas?— —Porque ele quer lutar com eles—, diz o Cohen. —Isso deveria fazer qualquer sentido para mim, baby?— —Não, provavelmente não. Mas faz sentido para nós e isso é tudo que importa. Além disso, ele começou a perguntar sobre os piercings no meu pau de novo, hoje, e isso é muito para eu aguentar, Danizinha. Foi

a missão

'desviar e distrair’, esta manhã.— No segundo em que ele para de falar, jogo minha cabeça para trás e dou uma risada. Desde o dia em que o Owen viu o Cohen nu e deu uma boa olhada no seu equipamento, não parou por um segundo. Tudo o que ele fala é sobre aqueles piercings malditos no pênis do seu pai. Que é algo que os pais do Cohen acham hilário. Cohen, nem tanto. —Venha depressa para casa, baby. Sinto a sua falta.— —Você só me viu há uma hora atrás.— Ele ri. —Então? Sinto sua falta.— —Vejo vocês em breve, meu coração.— —Toda vez que eu fechar os meus olhos.— Sorrio. Uma hora mais tarde, estou sentada no deck com a Lyn, que ainda está olhando roupas de bebê, quando ouço um barulho nas folhas. Me viro para a grade, e quando vejo meus dois meninos grandes caminhando em direção à casa, meu sorriso vai de normal a vacilante. Cohen carrega o Owen no seu ombro, o pequeno punho do Owen segurando firme no cabelo do seu pai e, por trás de ambos, capas combinando.


Meus heróis. Meu belo destino inesperado. Cohen olha para cima, me dá uma piscadela, e bate no joelho de Owen com a mão que está descansando lá. Owen olha para cima e me dá o maior sorriso cheio de dentes. —Mama! Nós lutemos com maus!— —Todos os caras maus? Estou tão orgulhosa de você, meu homem bonito.— —Eu amo você!— Ele grita. Olho para o seu rosto e sorrio. —E eu amo você, filho.— Eles sobem as escadas, o Owen sai dos ombros do seu pai e corre para o lado da sua tia. Vou até o meu marido, envolvo os braços ao seu redor e lhe dou um beijo profundo. —Eu te amo—, digo para ele. —E eu amo você, minha Danizinha.—

Fim


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