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Conheça as diversas tribos de Frederico

Furtos na cidade

Com a chegada do CESNORS, pessoas do todo o país ditam o perfil da cidade. Pág. 8

Crimes em série tiram sono da população. Pág. 6 Jornal­laboratório do Curso de Jornalismo do CESNORS/Universidade Federal de Santa Maria, RS, Brasil.

Frederico Westphalen, fevereiro de 2009. Ano 2, nº 2.

Nossas repórteres acompanham um dia de polícia

O que muda na grafia?

Prof. Elias explica. Pág. 9

MPB com muito estilo

Show Brasileiros cantam Brasileiros no Salão de Atos da URI. Pág. 9

Os problemas das praças de Frederico Westphalen

Pág. 5


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Geral

Se come menos, mas se come! Fevereiro de 2009

Frederico Westphalen

Os reflexos da crise econômica no setor alimentício em Frederico Westphalen Franciele Vitali e Juliana Pedroso

FOTO FRANCIELI VITALI

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vitali9@hotmail.com, juddy_pedroso@hotmail.com

crise econômica mundial já vem se refletindo no Bra­ sil, e o setor alimentício também já mostra alguns sinais de retração. Frederi­ co Westphalen é uma cida­ de onde predomina a suino­ cultura, responsável por uma parcela significativa da economia. O grande frigorífico da região, a empresa Mabella Carnes, já sente alguns re­ flexos da crise. Ela expor­ ta para muitos países, na Europa, mas principalmen­ te para a Rússia. Lá, com a falta de financiamento pa­ ra o importador, se criam sérias dificuldades finan­ ceiras, tendo como con­ sequência a suspensão pe­ lo menos temporária das importações. Segundo Dar­ ci Mariotti, gerente­comer­ cial da Mabella, a empresa não deixou de exportar mas reduziu significantemente sua exportação por falta de compradores. Cerca de 40% da produção da em­ presa é destinada à expor­ tação.

Exportações Existe no Brasil uma pro­ dução superior ao consumo interno, e para equilibrar a oferta e a demanda, preci­ sa que se exporte esse ex­ cedente. A produção de suí­ nos, este ano, segundo previsão da Associação Bra­ sileira da Indústria Produ­ tora e Exportadora de Car­ ne Suína, ABIPECS, deverá situar­se perto dos 3 mi­ lhões de toneladas, um pe­ queno acréscimo com rela­ ção ao ano passado, em que forão produzidas 2,99 mi­ lhões. De janeiro a setembro, o Brasil exportou 423,941 mil toneladas de carne suína, num montante de US$ 1,18 bilhão. Esse resultado mos­ tra uma queda de 3,60% em toneladas, em relação ao mes­ mo período do ano passado.

4000 suínos saindo da Mabella para exportação

A gente sempre tem a esperança que o a indústria de alimen­ tação sofra menos Darci Mariotti

Se a exportação for menor, a oferta interna aumenta e é preciso baixar o preço para alargar o consumo. O abate é de 2.100 cabeças por dia em Frederico Westphalen e 1.600 em Itapiranga, sua fi­ lial.

Esperança Mesmo com o mercado fragilizado, não se pode dei­ xar de abater imediatamen­ te, uma vez que a produção precisa diminuir, um pro­ cesso que leva cerca de 6 a 8 meses para ser suspenso. A pouca venda gera dificul­ dades de armazenamento e aumento de estoques. “Isso nos deixa em situação difí­ cil porque, com o abate que está planejado e está estru­

Jornal Laboratório do Curso de Jornalismo do Cesnors/UFSM ­ campus em Frederico Westphalen, RS, Brasil. Ano 2 – Número 2 ­ Fevereiro de 2009 Publicação produzida pelos alunos do 5º semestre na disciplina de Laboratório de Jornalismo Impresso I –

turado para acontecer, vo­ cê termina aumentando o estoque”, aponta Mariotti. “A gente sempre tem a es­ perança que o a indústria de alimentação sofra menos porque uma coisa é deixar de comprar um carro, mas não se pode deixar de co­ mer”, argumenta.

nômica que vai determinar se o ‘plantel’ (ou seja, as matrizes e reprodutores) continuarão com sua pro­ dução. Otimista, Alessan­ dro almeja que para o pró­ ximo ano o ‘plantel’ re­ produtivo permaneça es­ tável e siga produzindo. En­ tretando, “se a crise con­ tinuar se agravando a ten­ Plantel dência é que se retraia o Alessando Vicari, chefe número de animais aloja­ dos produtores da empresa, dos e se diminua a produ­ salienta que o que afeta re­ ção”, observa. almente é o preço pago pe­ lo quilo do suíno, porque Mercado interno esse suíno que está sendo Além das carnes, o setor abatido hoje consumiu um de alimentos como um todo milho que chegou a custar sofre um processo de queda até R$28,00. Então, o cus­ – ainda lento, mas perceptí­ to de produção deste suíno vel – devido à turbulência em é maior do que está sendo que o mercado se encontra. pago por ele hoje. “Tu está Os consumidores, grandes entregando um animal mais interessados, sentem esse re­ barato do que ele te custou flexo quando se deparam nos pra ser produzido. Neste mercados com o aumento sentido, ele afeta o setor pri­ dos preços dos alimentos, mário”. A tendência é que principalmente da carne. Do­ de uma acalmada e que o na Maria Candaten, sente dólar estabeleça, pois a ofer­ quando chega ao mercado ta do suíno para abate con­ para fazer suas compras. “Eu tinua. pagava 7 reais e pouco um A extensão da crise eco­ salame agora eu pago 8 e pou­

2º semestre de 2008. Professor responsável, edição: prof. MS. José Antonio Meira da Rocha. Redação, Fotografia, Diagramação: Aline Josiane Schuster, André Bottezini Piovesan, Angelo Henrique de Moraes Lorini, Bruna de Lima Wandscheer, Camila Fernanda Tomazoni Zachow, Daniel Corrêa Espiña, Daniela Polla, Diego de Oliveira Dos Santos, Duane dos Reis Löblein, Eledineia Luza, Eliana de

Souza, Franciele Vitali, Gustavo de Campos Farezin, Heloise Chierentin Santi, Janini Letícia Schmitz, Josiane Aparecida Canterle, Juarez Paulo Braga Zamberlan, Juliana da Rocha Pedroso, Leticia Cunha da Costa, Nilson Luiz Rosa Lopes, Philipe Gustavo Portela Pires, Priscila Devens, Roscéli Kochhann, Roselaine Caratti, Thais Schauenberg Garcia. Impressão: Imprensa Universitária da UFSM. Tiragem: 300 exemplares.

co”. Outra consumidora, Sô­ nia Piaia, acrescenta que, mesmo com a alta nos pre­ ços, não deixou de consumir produtos de origem animal, pois são de essencial impor­ tância na alimentação da fa­ mília. Empresas de pequeno porte da cidade, e que são voltadas ao mercado inter­ no, não apontam sofrer os efeitos da crise diretamen­ te. É o que diz Vanderlei Piovesan, dono da Frangos Piovesan. Porém, ele sente que a longo prazo, em ter­ mos de preço, haverá uma desvalorização muito gran­ de em função das empresas que exportam, uma vez que estas voltarão seus produ­ tos ao mercado interno, afetando assim as empresas que sobrevivem da venda local. “Eu não descarto a possibilidade de baixar até 30% os preços das carnes”, observa. A Ragalli Carnes, que exporta para 900 mer­ cados na região, salienta que muitos temperos para as carnes subiram em fun­ ção do dólar.

Versão On Line em http://www.cesnors.ufsm.br/dahora . Ministério da Educação do Brasil Universidade Federal de Santa Maria Centro de Educação Superior Norte­RS Departamento de Ciências da Comunicação Curso de Jornalismo


Geral

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Na trilha da preservação ambiental Frederico Westphalen

Fevereiro de 2009

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Felipe Zibell

felipezibell@gmail.com

m cima de suas motos eles percorrem o interi­ or dos municípios da re­ gião noroeste do Rio Grande do Sul, Brasil. A interação social e a preocupação com a natureza são os fatores que movem estes amantes do motociclismo off ro­ ad. As trilhas esburacadas e chei­ as de lama soam como convite para deixar estampada a marca dos pneus e a satisfação de se fazer o que gosta. Os Trilheiros do Barril per­ correm estradas que hoje estão abandonadas. Estes antigos aces­ sos, abertos há muito tempo atrás em meio à floresta nativa da região, oferecem desafios ainda maiores. Se por um lado a beleza conquista, principal­ mente porque a natureza tenta, aos poucos retomar o seu espa­ ço, por outro, os riscos aumen­ tam. “Acidentes acontecem, isto é inevitável. Principalmente em trilhas apertadas. Uma pedra fo­ ra do lugar, uma escorregada e você cai. Aí, quem vem atrás não tem o que fazer”, relata Eli­ as Dalla Nora, arquiteto e tri­ lheiro, que já sofreu vários acidentes, nenhum sufi­ cientemente grave para que ele aban­ donasse o es­ porte. Em casos de acidentes mais graves, em que o motociclista não con­ segue se recompor para voltar pilotando, um membro da equipe volta para a cidade em busca de ajuda. Ge­ ralmente com uma caminhone­ te, eles trazem a moto e o com­ panheiro de volta sem maiores

Equipamentos necessários

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ara praticar o motociclismo fora­de­estrada, além de gos­ tar de aventura e da interação com a natureza, você precisa to­ mar alguns cuidados e adquirir al­ guns equipamentos de segurança pessoal: capacete, óculos ou visei­ ra, colete, luvas, cotoveleiras, joe­ lheiras, botas, camisa e calças re­ forçadas. Estes são os equipa­ mentos mínimos, obrigatórios e exigidos pelo grupo. Além destes, ainda existem os protetores cervicais e lombares.

problemas. O amor por este esporte fez despertar inicia­ tivas que tor­ nam os Trilhei­ ros do Barril motociclistas diferentes. “Além de gos­ tar do esporte e do contato com a natureza, é fundamental que haja intera­ ção, tanto com o meio ambiente, quanto com as comunidades do interior por on­ de a gente pas­ sa”, afirma Elias Dalla Nora. A preocupa­ ção ambiental sempre fez par­ te do grupo. Se­ gundo Silvio de Souza, empre­ sário e motoci­ clista, “os tri­ lheiros não der­ Por trás dos capacetes, Trilheiros do Barril despertam curiosidade rubam uma ár­ vore sequer e ninguém leva lixo descobrem, às vezes nem acre­ Os encontros acontecem no para as trilhas. É uma questão ditam”, ressalta. posto 34, na BR 386. É ali que se de consciência”. Por esta proximidade com a definem as rotas a serem percor­ Pra quem acompanha de natureza e com as pessoas que ridas. Quem vai na frente é o “pu­ longe, os Trilheiros do dependem diretamente dela é xador”, uma pessoa mais experi­ Barril parecem heróis que surgiram várias iniciativas ente e que conhece a trilha. que, por trás de seus para a preservação e recupera­ “Ás vezes a gente vai indo, capacetes, escon­ ção do meio ambiente. Desde por trilhas que demandam mai­ dem suas perso­ campanhas de reflorestamento or concentração e, quando per­ nalidades e atra­ a um mutirão para a limpeza de cebemos, já estamos em Vicen­ em admiradores um rio que nasce na cidade de te Dutra”, município vizinho de por onde passam. Frederico e corre rumo ao inte­ Frederico Westphalen, confes­ “As crianças correm rior, o rio Pedras Brancas. sa Silvio de Souza. para esperar a gente pas­ “A gente percebe a necessida­ O grupo, que começou em sar por um lugar difícil só de deste tipo de ação porque nós 2004, conta hoje com 48 inte­ para ficar olhando”, comenta passamos por lá, vimos este li­ grantes, estatuto bem definido Silvio. “Tem pessoas que nós xo e temos esta preocupação”, e sede própria, no parque de ex­ conhecemos, mas elas não têm conta Elias. “Fizemos quase posições da cidade. nem idéia de quem somos por cinco quilômetros dentro do rio Mas não dá para generalizar baixo do capacete, e quando e achamos muito lixo: plástico, quando o assunto é Trilheiros garrafas, e até um pára­choque do Barril. São níveis sociais de automóvel, enfim, coisas que bem diversificados, desde pa­ nunca imaginamos encontrar troleiro, mecânico de moto, ad­ dentro do rio e tiramos quase vogados, arquitetos e médicos. 500 quilos de lixo”, contou Pau­ “A posição social e a qualida­ lo Dalmolin, trilheiro, em uma de da moto não importam na entrevista na época do mutirão hora da trilha, o que importa é Para adquirir todos eles, você vai de limpeza do Pedras Brancas. a experiência de cada um”, fi­ gastar, em média, 2 mil reais. Mas apesar de toda esta pre­ naliza Elias. ocupação com o meio ambien­ Para quem quiser ingressar As motos são preparadas para te, um motoqueiro nunca deixa no mundo do motociclismo off o esporte e variam desde 250 ci­ de lado a liberdade. É desta ma­ road, eles prometem não abu­ lindradas a 450cc, com 56 cava­ los de potência. neira, no melhor estilo Easy Ri­ sar demais dos iniciantes. Mas, Uma moto específica para tri­ der, que os Trilheiros do Barril preparem­se para um tradicio­ se reúnem todo sábado, sem des­ nal batismo: parece que o ba­ lhas custa de 11 mil até 30 mil tino definido. nho de lama é inevitável. reais. Mas você adquire motos mistas (para estrada e trilha) usa­ das por até 6 mil reais. A adequa­ ção custa em torno de mil reais. Depois de tudo isto é mão no acelerador e olho na trilha.

Mais informações e dicas básicas de pilotagem no site dos Trilheiros do Barril: http://www.trilheirosdobarril.com.br

FOTO FELIPE ZIBELL

Grupo organizado de aventureiros desbrava trilhas


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Política

Dois prazos, duas medidas Fevereiro de 2009

Frederico Westphalen

Na véspera da eleição, vereadores aumentam próprios salários em 34,65%.

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FOTO JORNAL YUCUMÃ

Juarez Braga Zamberlan zamberlan.braga@gmail.com

m abril de 2008, fun­ cionários munici­ pais de Três Passos realizaram passeata em ple­ na FEICAP (feira regional). Protestaram pela perda do prazo legal para concessão de reposição salarial, após trapalhadas do Executivo e Legislativo. O Prefeito Be­ to Canova­PMDB e o Pre­ sidente da Câmara, Vateri Neckel­PSDB acusam­se mutuamente pelo embro­ glio. Mais de quinhentos servidores amargaram rea­ juste zero. A lei eleitoral proíbe aumentos acima dos índices inflacionários após o prazo limite: seis meses antes da eleição. Ao reajustar os próprios salários e dos secretários municipais, os prazos fo­ ram observados minuciosa­ mente pelos vereadores. Servidores públicos protestam em Três Passos FOTO JORNAL YUCUMÃ

Projeto, emenda, parecer Em 28 de fevereiro de 2008, a Mesa Diretora da Câmara composta pelo pre­ sidente e as vereadoras Lur­ des Dresch­PMDB ­ vice e Lelia Müller­PMDB ­ se­ cretária, apresentou Proje­ to de Lei Legislativa 003/08 que fixava os subsídios dos vereadores em R$ 2.079,66. O Presidente da Casa rece­ beria R$ 3.119,49. O proje­ to ficou seis meses “em es­ tudo” nas Comissões per­ manentes da Casa. Em 2 de setembro oito dos nove ve­ readores assinaram Emen­ da Modificativa passando para R$ 2.800,00 os própri­ os subsídios. O presidente da Câmara receberia R$ 4.200,00. O aumento foi ge­ neroso: 34,65%. O parecer se baseia nas seguintes justificativas: 1) os valores ficam abaixo do teto constitucional de 30% dos subsídios dos de­ putados estaduais (para mu­ nicípios entre 10.001 e 50.000 habitantes); 2) não houve majoração dos sub­ sídios nos últimos três man­ datos, embora a legislação determine repasse obriga­ tório, nas mesmas datas e percentuais, dos reajustes concedidos aos servidores municipais do Poder Exe­ cutivo para os servidores do Poder Legislativo, inclusi­ ve vereadores. Subscrito pelos mes­ mos oito vereadores, o pa­

Presidente da Câmara deixa sessão rindo e escoltado pela BM. Nervosismo ou sarcasmo?

recer destaca a “importân­ cia da matéria”, solicita a “costumeira atenção de seus nobres pares” (eles mes­ mos) para aprovação da emenda, pois desta forma “a Câmara estará dando mais um passo firme para o desenvolvimento do mu­ nicípio”. O Presidente da Casa não opina sobre pro­ jetos em tramitação. Con­ sultado por telefone, afir­ mou que não subscreveria a emenda e que promulgou as leis em respeito à vonta­ de da maioria dos colegas, mas será beneficiado por­ que se reelegeu. Após aprovação, os pro­ jetos foram remetidos ao

Poder Executivo para san­ ção ou veto em 15 dias, con­ forme artigo 72 da Lei Or­ gânica. Silêncio do prefeito O Prefeito Municipal não se manifestou. Neste caso, é considerado sanção, abrin­ do prazo de 48 horas para promulgação. Isso também não foi feito. Cabe, então, ao Presidente do Poder Le­ gislativo promulgar as leis. Isso ocorreu no prazo fatal (3/10/2008), último dia útil antes da eleição, sob núme­ ros 4.176/08 (secretários) e 4.177/08 (vereadores). No­ te­se que os prazos foram rigorosamente observados.

Gasto A vigência das novas leis elevará os gastos dos Pode­ res Executivo e Legislativo em mais de 500 mil nos pró­ ximos quatro anos. Neste cálculo considera­se a drás­ tica redução no número de secretarias para apenas cin­ co, segundo informa o pre­ feito eleito, Cleri Camilotti. Os eleitores não sabi­ am das novas leis antes de decidir seu voto em 5 de ou­ tubro. Quando o assunto to­ mou as ruas, o voto já esta­ va contabilizado. Cinco dos nove vereadores se reelege­ ram. Afirmam os cidadãos que compareceram em gran­ de número nas sessões le­ gislativas de 13 e 20 de ou­ tubro que “se soubessem do que havia sido feito na sur­ dina pelos representantes do povo, nenhum teria sido reeleito”. O valor atual do subsídio para os vereadores é R$ 2.079,66. O presidente per­ cebe um montante de R$ 3.119,49 (2.079,66 mais 1.039,83). Desde janeiro de 2005 não há mais diferen­ ciação no valor das diárias dos vereadores. Tanto para dentro ou fora do Estado o valor é o mesmo: R$ 292,85. Sabe­se que o gas­ to em diárias tem sido ge­ neroso na colenda Câmara tres­passense.

Revolta e frustração Entidades representati­ vas de empresários e traba­ lhadores, inicialmente se mobilizaram para reverter o aumento. As medidas em estudo eram: projeto de lei de iniciativa popular, com a coleta de mais de 5.000 assinaturas; e Ação Popu­ lar na Justiça, por iniciati­ va de qualquer cidadão. Na manhã de 27 de outubro, os vereadores recepciona­ ram os representantes das entidades para “explica­ rem” o aumento. Após a reunião, o assunto caiu no esquecimento. Dois jornais noticiaram o “encerramento da polê­ mica”. Os representantes das entidades empresari­ ais afirmam não desejar in­ gressar em juízo para re­ verter o aumento. “Con­ fiamos no compromisso de redução drástica dos valo­ res gastos em diárias, assu­ mido pelos vereadores" ­ afirma Jaime Dressler, pre­ sidente da Câmara de Agri­ cultura, Comércio, Indús­ tria e Serviços ­ CACIS. Apesar dos protestos dos servidores, que fez os vere­ adores solicitar ajuda da Brigada Militar para sair da sala de sessoes, os vereado­ res e secretários da próxi­ ma gestão têm o Natal ga­ rantido.


Ambiente

Fevereiro de 2009

5 FOTO DE ANDRÉ LOPES

Frederico Westphalen

Praças da cidade têm problemas Na Pracinha da Uri. jovens reivindicam banheiros e churrasqueiras

Gustavo Farezin e André R. Lopes

A

gfarezin@hotmail.com, andre.fiapo@gmail.com

conservação de pra­ ças públicas é uma das maiores preo­ cupações das prefeituras re­ gionais. Tidas como cartão postal, elas embelezam a ci­ dade e também servem co­ mo espaço de encontro de pessoas, para tomar um chi­ marrão e conversar. Reali­ dade que a prefeitura de Fre­ derico Westphalen gostaria de estar passando. Considerada pelos funci­ onários públicos como a principal área de lazer da cidade, a Praça da Matriz é um exemplo de infra­estru­ tura, conta com banheiros bem localizados, bancos, mesas de jogos, brinquedos infantis e uma ampla área de passeio. Mas infelizmen­ te, essa é a única praça do município que recebe a de­ vida atenção dos atuais ad­ ministradores. Enquanto ela passa por constantes obras, Santa reclama que o banheiro da praça do bairro Barril está muito próximo da sua casa as outras duas principais praças da cidade não rece­ popularmente conhecida ras por falta de educação. bem a devida atenção. como “Pracinha da Uri”, é A enquete “uq falta na Vocês a praça mais utilizada por pracinha?” (sic) realizada Sem banheiros jovens para festas e lazer, no Orkut por Kelly Bisog­ gostari­ Segundo a secretária do sendo outro percalço da nin na comunidade “Praci­ am de ter um banheiro prefeitura. Enquanto o pro­ nha da Uri ­ FW”, que teve setor de meio ambiente da prefeitura e bióloga, Ana jeto para implantação de a participação de 119 vo­ na porta da casa de Cláudia da Silva, a praça da banheiros e lixeiras da alu­ tantes, apontou a falta de vocês? Matriz é a única com espa­ na de ciências biológicas banheiro como maior rei­ ço adequado para banhei­ da URI, Kelly Bisognin, é vindicação, seguido de chu­ Santa de Freitas, moradora ros, tendo em vista que em reprovado pela câmara de rrasqueiras e por último, insatisfeita um recente esforço da pre­ vereadores, a atual admi­ cestas de lixo. feitura em agradar os mo­ nistração insiste em dizer O vereador eleito na úl­ radores do bairro Barril, a ponde com outra pergunta: que o local não comporta tima eleição, Roberto Felin má localização de um ba­ “Vocês gostariam de ter um obras desse porte, e que Jr., o Betinho, em uma ten­ nheiro na praça do bairro, banheiro na porta da casa mesmo havendo banheiros tativa de amenizar os danos gerou discussão. Como é o de vocês?”. públicos e lixeiras adequa­ ambientais, comentou so­ caso de Santa Freitas, que No Bairro Itapagé, um das, os jovens ainda assim bre o seu projeto “vira­la­ quando perguntada sobre o dos mais movimentados da iriam urinar em local ina­ ta”, que pretende conscien­ que achou da obra, nos res­ cidade, a Praça da Fesau, dequado e quebrar as lixei­ tizar os moradores de

FOTO GUSTAVO FAREZIN

Banheiros das praças de Frederico Westphalen causam dores de cabeça população

Frederico a manter a cida­ de limpa. A idéia é espalhar pelas praças e por toda a ci­ dade, pequenas lixeiras de polietileno para todo o tipo de lixo de mão. O futuro prefeito de Fre­ derico, José Antônio Pa­ nosso, acredita que as pra­ ças possuem muito con­ creto em sua estrutura. Para o político a arborização significa, além de tudo, preservação ambiental. Ele ainda revelou que possui projetos para as praças da cidade, inclusive pretende construir uma praça total­ mente nova, com muita ilu­ minação e área verde.


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Cotidiano

Furtos em série na cidade Fevereiro de 2009

Frederico Westphalen

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Letícia Costa

lecdacosta@gmail.com

FOTO DE LETÍCIA COSTA

Apartamentos e galeria sofrem com a ousadia dos ladrões

FOTO DE LETÍCIA COSTA

ois furtos em apar­ tamentos e um nu­ ma galeria são os resultados de um pouco mais de 24 horas na cidade. Todos com provável parti­ cipação de mais de uma pes­ soa e em situações que dei­ xam a população com medo dentro de suas próprias ca­ sas. Esses casos ocorreram num residencial, no bairro Itapagé, e no centro, local onde a ronda policial está bastante presente. Registra­ dos no final do mês de ou­ tubro de 2008, os casos não tiveram finais felizes para as vítimas que sentiram os prejuízos financeiros e psi­ cológicos. Nenhum dos sus­ peitos foi preso. O primeiro furto ocorreu numa segunda­feira, por volta das 2h45min, no es­ critório da empresa de ôni­ bus Reunidas, situado na Rua Arthur Milani. O local, até então considerado segu­ ro, não resistiu aos golpes dados com barras de ferro. “Rasgaram a porta”, com es­ sa expressão o funcionário Marcelo Galvan definiu o assustador arrombamento, que resultou em furtos de blocos de passagens e de uma quantia alta de dinhei­ ro presente no cofre, que não foi revelada. Além de muita bagunça causada pe­ lo rompimento de malotes Na galeria, fechaduras foram danificadas e pela atitude do meliante em defecar numa sala pró­ foram furtados objetos pes­ xima. soais considerados de pe­ queno valor. No outro, de Câmeras Genesio Mario da Rosa, pro­ Marcelo conta que as ima­ fessor e diretor do CES­ gens da câmera da empre­ NORS, foi furtado seu com­ sa de vigilância mostram putador notebook. Genesio uma pessoa entrando e sain­ atribui o ocorrido ao cres­ do do local através da por­ cimento acelerado de Fre­ ta antifogo, mas, segundo derico Westphalen. “Todo ele, o uso de um cigarro pe­ desenvolvimento gera um lo ladrão teria dificultado o subdesenvolvimento”, re­ reconhecimento. Neste ca­ sume o professor. Além dis­ so, o prejuízo financeiro foi so, ele comenta que anteri­ grande, pois, fora o conser­ ormente o local passou por to das fechaduras da porta, algumas reformas, tendo algumas passagens vendi­ uma grande circulação de das custam em torno de R$ pessoas diferentes, e que 400,00. atitudes como deixar os por­ A segunda ocorrência sur­ tões e as portas abertas fa­ preendeu a população por cilitaram a ação do ladrão. ter ocorrido em um condo­ “Precisa aumentar a segu­ mínio no bairro Itapagé e rança nos condomínios e ter por volta das 16h30min. mais rondas policiais no Dois apartamentos foram bairro”, comentou Genésio. Situação sob controle, segundo Cap. Mendonça invadidos no mesmo pré­ O terceiro furto assusta dio, pelas portas das saca­ por ter acontecido com a noite, num apartamento lo­ temporal em Frederico das que estavam com fres­ presença dos moradores. calizado na Rua do Comér­ Westphalen, L. S., 40 anos, tas. Em um apartamento Ocorreu por volta da meia­ cio. Numa terça­feira de sua esposa e seu filho pe­

queno dormiam na hora em que o ladrão invadiu seu apartamento por uma jane­ la que fica a mais de 4 me­ tros do chão. Deixando ras­ tros pelo apartamento, o ladrão levou o computador notebook e a câmera digital da família. “Nós ouvimos um barulho, mas entre tan­ tos barulhos provocados pe­ lo temporal, não demos atenção”, desabafou a espo­ sa. A causa do som só foi re­ conhecida às 9h, quando, ao levantar, encontraram o apartamento bagunçado e a vassoura, antes encostada na janela, caída no chão. O casal alerta para que a po­ pulação tome cuidado em dias de temporal, nos quais os barulhos muitas vezes passam despercebidos, e de­ monstram supresa com o ocorrido: “eu achava que estava seguro, ainda mais no apartamento”, diz L. S., que já reforçou a segurança das janelas e pretende colo­ car arames farpados em lo­ cais de acesso.

Descuidismo Para o Capitão Mendon­ ça, da Brigada Militar de Frederico Westphalen, a si­ tuação na cidade está con­ trolada. Todos esses furtos tiveram os boletins de ocorrência registrados e o imediato atendimento por parte dos policiais. Em al­ guns casos a Brigada Mili­ tar tem realizado uma pe­ quena investigação, tarefa que não é atribuída a ela. Todos os registros são pos­ teriormente encaminhados a Polícia Civil. Mendonça classifica a maioria dos fur­ tos ocorridos na cidade co­ mo furto descuido. “É quando, por exemplo, uma pessoa deixa a porta da sua casa aberta porque já vai voltar, ou quando não fecha toda janela do carro porque está num local próximo”, explica. Nesses casos, Mendonça alerta que é fun­ damental a ajuda da popu­ lação, pois nem sempre ha­ verá um policial por perto para prender em flagrante o ladrão. Os furtos, segun­ do o Capitão, são executa­ dos em 90% dos casos por usuários de drogas e meno­ res de idade que são usados pelos maiores. E alerta: “não acontece porque é in­ terior, não é bem assim, ho­ je em dia estão acontecen­ do aqui também”.


Cotidiano

24 horas de Polícia Frederico Westphalen

Fevereiro de 2009

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Repórteres passam um dia no 37º Batalhão da Polícia Militar e revelam o que viram.

Duane Loblein e Roscéli Kochhann

FOTO DE DUANE LÖBLEIN

N

duaneloblein@hotmail.com, rosceli.ko@hotmail.com

Para comunicação pelo rádio a BM utiliza códigos de letras e palavras FOTO DE DUANE LÖBLEIN

ossa equipe acompanhou 24 horas de trabalho junto ao 37º Batalhão da Polícia Militar de Frederico Westphalen. Profissionais ligados diretamente aos dois lados do crime, a vítima e o criminoso, os policiais militares têm que batalhar diariamente para manter a ordem pública. “A gente não trabalha com as coisas boas do ser humano, só com os problemas”, afirma o soldado Vanelli, com quem passamos as primeiras horas do dia. Chegamos ao quartel da Polícia Militar às 23h54min da noite de 10 de novembro de 2008. A sala de onde acompanharíamos o trabalho do batalhão é um lugar simples e barulhento. Nas paredes, encon­ tram­se instrumentos de trabalho como um mapa de localização, mu­ ral com escalas de trabalho e códi­ gos internos de comunicação. Os trabalhos burocráticos – como re­ gistro de boletins de ocorrência ­ são realizados em dois computado­ res antigos. De um dos dois telefones sobre a mesa principal, onde também en­ contra­se o rádio que faz a comu­ nicação entre a sede e as viaturas, chega a primeira ocorrência do dia. À meia­noite, um cidadão denun­ cia a presença de indivíduos sus­ peitos mexendo em seu contador de energia. Enquanto a viatura foi até o lo­ cal para averiguar a denúncia (não encontraram nada), um dos solda­ dos em serviço prepara o relatório das ocorrências do dia anterior. Es­ se relatório é enviado ao Comando Geral da Brigada Militar. Nosso primeiro contato com os códigos internos foi às 0h34min. Depois de um telefonema o solda­ do Silva declara: “tem uma ‘12’ na Miguel Couto”. Uma “12” é o có­ digo para briga de rua. Imediata­ mente a equipe se dirige ao local. Quando a viatura chega, já está tu­ do calmo. Os soldados descem da viatura para averiguar a situação. Segundo o Capitão Mendonça, a função principal da Brigada Mi­ litar é “garantir a segurança públi­ ca dentro do Estado”. Mas a cor­ poração também atende a pedidos da população mesmo quando estes não se enquadram em suas funções oficiais. Foi o que aconteceu du­ rante a madrugada que acompanha­ mos. Pelo telefone 190, um indivi­ duo que estava passando mal pediu para que o veículo da brigada o con­ duzisse até o hospital. Durante a madrugada, foram vá­ rios os telefonemas com algum ti­ po de ocorrência. Denúncias de per­

Equipe da Brigada verifica denúncia

turbação ao sossego, tentativas de arrombamento, furto a residência e indivíduos suspeitos, movimen­ taram o batalhão. A manhã foi, segundo o soldado Cadore, atípica. Logo no início, às 6h37min, uma denúncia de furto de madeira em residência dá indí­ cios de que a manhã será movimen­ tada. Após o telefonema, os solda­ dos iniciam as buscas e, às 7h30min, o flagrante acontece. O suspeito foi encaminhado à dele­ gacia da Polícia Civil onde perma­ neceu até que o processo de regis­ tro de queixa, de flagrante e os trâmites da prisão fossem concluí­ dos. Abatida e calada, a mãe do sus­ peito aguardou que um advogado

fosse encontrado para tratar do ca­ so. Uma hora e meia depois, o pro­ cesso burocrático é finalizado e os Policiais Militares deixam o local. A partir daí, o suspeito fica a car­ go da Polícia Civil que o desloca para o presídio. Três policiais participaram do flagrante, mas somente dois parti­ cipam da burocracia. Enquanto os dois davam seus testemunhos, a po­ licial se deslocou até o centro para efetuar o policiamento de rotina. De volta ao batalhão, na sala on­ de os telefones não param de tocar, comenta­se vários assuntos. A prisão do suspeito, salário e fatos do cotidi­ ano fora do quartel, como futebol. Por volta das 11h, a viatura sai

para mais uma ronda e, poucos mi­ nutos depois, o rádio informa um furto de bolsa no centro da cidade. A equipe inicia a busca pelo sus­ peito. Nada foi encontrado pela pouca clareza das informações so­ bre o paradeiro do autor do delito. Quando chegamos ao batalhão, fomos informadas de que, normal­ mente, as manhãs são mais tranqui­ las e as tardes e noites, um pouco mais movimentadas. Mas, como nos disse o soldado Ferrari, “nenhum dia é igual ao outro, nenhuma ocor­ rência é igual a outra”. Parece mes­ mo que naquela segunda­feira o rit­ mo se invertera: depois de tes­ temunharmos uma prisão e da adrenalina de uma perseguição, a tarde e a noite seguiram calmas, com ocorrências mais leves. Durante a tarde e a noite os sol­ dados realizam rondas pelo centro e bairros cumprindo sua função de policiamento ostensivo. Entre as rondas, os PMs atendem a ocorrên­ cias como briga com lesão corpo­ ral e perturbação de sossego. Um senhor que precisou ser escoltado até a sua casa, onde havia sido es­ faqueado dias antes, para retirar seus pertences. Movimentação, barulho, estres­ se, descontração, correria. Inúme­ ros telefonemas mudos ­­ trotes. Tudo isso é parte do dia­a­dia des­ ses profissionais que hora são vis­ tos com bons olhos pela socieda­ de, hora são tratados com pre­ conceito, mas que trabalham duro para garantir a segurança do cida­ dão rio­grandense.


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Cultura

Dançando conforme a música Fevereiro de 2009

Frederico Westphalen

As peculiaridades dos estudantes aparecem através do gosto musical

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FOTO DE PRISCILA DEVENS

Priscila Devens

pridevens@gmail.com

riundos de diversas partes do estado e do país, os univer­ sitários do Cesnors, em Fre­ derico Westphalen, se ca­ racterizam pela sua hete­ rogeneidade. Notável aos olhos e ouvidos de quem frequenta a universidade, o gosto musical dessas pes­ soas é muito particular e di­ ferenciado. São gaúchos de todas as querências, roquei­ ros de todas as garagens.

FOTO DE PRISCILA DEVENS

Rock Lucas Wirt, acadêmico de Jornalismo, que se iden­ tifica mais com o rock al­ ternativo dos anos 80 e 90, ouviu pela primeira vez um rock aos oito anos, quando encontrou uma fita K7 dos The Beatles no carro da fir­ ma que seu avô trabalhava. Esse tipo de experiência vai aos poucos tecendo a per­ sonalidade das pessoas, e influenciando no estilo que Saimon Stival da Costa, acadêmico de Engenharia Florestal, emociona­se com as letras gauchescas ela terá, muitas vezes pelo resto da vida. Segundo Wirt, que é vocalista e gui­ Tocar tarrista da banda Superfo­ rock é a nics, não há nada melhor que tocar um rock. “É a me­ melhor coisa que tem lhor coisa que tem pra se pra se fazer vestido fazer vestido”, sugeriu ele. Pesquisando a opinião Lucas Wirt, vocalista da dos estudantes foi possível banda Superfonics levantar dados sobre esses vários gostos musicais. Fo­ ram ouvidos 200 acadêmi­ de diversos rappers é o que cos do Cesnors, resultando mais lhe atrai. Além de gos­ em duas maiores preferên­ tar da música, ele ainda cias. 29% gostam mais de compõe letras falando da re­ músicas tradicionalistas ga­ alidade social de quem vive úchas, enquanto 26% pre­ em Frederico Westphalen. ferem rock n‘roll, seguidos Sobre o rap não cair muito da música eletrônica com no gosto das pessoas, Álva­ 10% e reggae com 9%. Nes­ ro defende que existe ainda ta pesquisa foram aponta­ certo preconceito com as le­ dos 12 gêneros musicais di­ tras. “Eu sei que existem le­ ferentes, mostrando então, tras que são de baixo nível. essa diversidade de gostos. Mas eu sugiro que as pesso­ as não deixem de ouvir o Gauchesco rap, por causa dessa primei­ Instituindo tribos, o gos­ ra impressão, pois também to musical passa a fazer par­ Lucas Wirt (direita) e seus amigos, todos devidamente vestidos para o rock existem letras que tratam de te do comportamento, do protestos sociais”, disse Ál­ modo de se vestir e andar se naturalmente, que apre­ eu te dou a gaita’”, contou dêmicos do Cesnors. varo. de cada uma dessas pesso­ cia música gaúcha. A mes­ Saimon. Segundo ele, que Desta forma, o gosto por as. A música influencia no ma coisa com o rock, no foi classificado entre os dez Rap determinado gênero musi­ estilo de vida que se leva e guarda­roupa de um roquei­ melhores gaiteiros do esta­ Diante desses dois gêne­ cal é capaz de traçar o per­ também nas companhias ro o item indispensável, é do, o sonho de sua avó era ros tão escutados, rock e mú­ fil de seus adeptos. Cada rit­ que se tem. Modificando o sem dúvida o tênis All Star. ter um neto “tocador de gai­ sica gauchesca, não se pode mo compõe as nuances que ditado: “diga­me com quem Com um empurrãozinho ta”. O gosto pela música deixar de falar da minoria. identificam em que tribo ca­ andas, que te direi que som do tio, Saimon Stival da gaúcha é despertado em Sai­ Álvaro Leonel José da Sil­ da um está incluído. E dife­ ouve”. As roupas são mui­ Costa, acadêmico de Enge­ mon pelas histórias conta­ va, acadêmico de Jornalis­ renças a parte, todas as ver­ to importantes para carac­ nharia Florestal, aprendeu das nas letras, que chegam mo, é o único na pesquisa tentes da música devem ser terizar um estilo musical. a tocar gaita de ponta há até emocioná­lo. Saimon que se identifica com o rap. respeitadas, pois fazem par­ Quando se vê uma pessoa quatro anos. “Meu tio me faz parte do grupo Alma de Para Álvaro, as críticas so­ te da cultura e da essência vestindo bombachas, sabe­ disse ‘se tu quer aprender Andejo, formado por aca­ ciais estampadas nas letras de um povo, de um lugar.


Cultura

A história do samba à bossa nova Frederico Westphalen

Fevereiro de 2009

'Brasileiros Cantam Brasileiros' revive a MPB com espetáculo de luzes e imagens.

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FOTO DE ELIANA DE SOUZA

Eliana de Souza

elianalji@gmail.com

projeto cultural Brasileiros Cantam Brasileiros tem ob­ jetivo de resgatar a história musical brasileira. Ele mos­ tra a evolução do samba à bossa nova, através do jo­ go de luzes e evidencia ins­ trumentos característicos da música brasileira, como a cuíca, o pandeiro e o berim­ bau. O Sesc trouxe o espe­ táculo para Frederico West­ phalen dia 27 de Outubro de 2008, após a entrega do Prêmio Comerciário do Ano, no Salão de Atos da URI. Uma das peculiaridades do espetáculo está no jogo de luzes e imagens sincro­ nizadas com a música, pa­ ra facilitar a contextualiza­ ção do período histórico e o entendimento dentro da cronologia musical estabe­ lecia pelo projeto. O show inicia com Chi­ co Buarque preparando o público para viagem que a música irá levá­lo, pela cul­ tura de vários estados bra­ sileiros.“O meu pai era pau­

Apresentação no Salão de Atos da URI

pela iniciativa de Felipe Te­ desco e Roberto Farina.O Músicos de “Brasileiros Cantam Brasileiros” repertório é composto por 19 músicas. “A gente bus­ Felipe C. Tedesco (violão, voz, arranjos musicais cou contar a história da mú­ e direção de imagens) sica brasileira em ordem Daniel C. Tedesco (vocalista) cronológica através da mú­ Guilherme Krein (bateria e percussão) sica em si e do vídeo”, dis­ Roberto Farina (violão de sete cordas, bandolim e se Ronald Franco Filho, in­ voz) tegrante do grupo. Ronald Franco Filho (saxofones, flauta transversa O espetáculo leva ao pal­ e percussão) co músicas consagradas po­ lista. Meu avô, pernambu­ ano”. pularmente como “Com cano. O meu bisavô, mi­ O grupo surgiu em Abril Que Roupa” de Noel Rosa, neiro. Meu tataravô, bai­ de 2006, em Porto Alegre, “Asa Branca” de Luiz Gon­

Unindo países pela grafia

A partir de 2009, as novas regras de ortografia começam a ser implantadas

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janinischmitz@yahoo.com.br

acordo ortográfico da língua portugue­ sa tem como obje­ tivo principal buscar a uni­ ficação do idioma e também o prestígio interna­ cional. O acordo foi assina­ do pelos oito países que tem o português como língua oficial (Brasil, Portugal, An­ gola, Guiné­Bissau, São To­ mé e Princípe, Moçambi­ que, Cabo­verde e Timor Leste), em Lisboa no ano de 1990, e depois de várias tentativas foi ratificado em julho de 2004. No Brasil, o decreto 6583 foi assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em outubro de 2008. A reforma que começará a ser implantada no início de 2009 e terminará seu pe­ ríodo de adaptação no final de 2012, ocorrerá somente na escrita e afetará cerca de 0,5% das palavras no Bra­ sil. Nos outros países, a mu­

mas palavras compos­ tas o hífen (­) deixará de ser usado, e essas passarão a ser escritas juntas. Para o profes­ sor Elias José Men­ garda, doutor em Lin­ guística do Cesnors, alguns problemas fi­ caram pendentes, co­ mo o uso do hífen. Ele acha que as difi­ culdades em relação a isso vão continuar. “Outra dificuldade que iremos enfrentar é que pessoas que convivem nesse sistema por 30, 40 anos terão que se reciclar, ficarão inse­ guros na hora de es­ crever. Teremos bas­ tante trabalho por alguns anos até termos familiari­ dade com as novas regras. Muito custo, muito gasto para uma reforma que se es­ perava mais, pelo menos mais contundente. Com re­ lação à hifenização, tere­ mos problemas sérios”, co­ mentou o professor. FOTO DE JANINI SCHMITZ

Janini Letícia Schmitz

Professor Elias mostra as novas regras.

dança será maior, afetando aproximadamente 1,5% das palavras. Algumas mudanças na ortografia brasileira ocor­ rerão na acentuação. As pa­ lavras com ditongo aberto, como jibóia e estréia, pas­ sarão a ser escritas sem o acento. O acento circunfle­

xo (^) deixará de ser usado em palavras terminadas em êem e ôo(s), como vêem e perdôo. O alfabeto passará a ter 26 letras com a incor­ poração das letras K,W,Y. O trema (¨) não será mais usado, assim a palavra lingüiça passará a ser lin­ guiça, sem trema. Em algu­

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zaga, “Garota de Ipanema” de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, entre outras. Se­ gundo Felipe Tedesco, o show foi montado a partir de uma pesquisa teórica pa­ ra encontrar músicas, datas, compositores, informações que eles pudessem trazer para tornar educativo e pra­ zeroso ao mesmo tempo. Então tentaram num peque­ no recorte fazer uma histó­ ria, mostrar a história da MPB. O espetáculo Brasileiros cantam Brasileiros termi­ na com “O Bêbado e a Equilibrista” de João Bos­ co e Aldir Blanc que tra­ duz muito a idéia do pro­ jeto em seus últimos ver­ sos “. sabe que o show de todo o artista, tem que continuar”. O que está ex­ presso na fala do baterista Guilherme Krein: ­ Muita gente de mais idade vai ao nosso show e canta as músicas junto, mas quando a gente vê ali jovens buscando conheci­ mento... A nossa música não pode morrer, o Brasil hoje em dia tá muito pobre nesse sentido.

Até o final de 2012, es­ sas mudanças irão compor a grafia oficial da língua portuguesa, aproximando os oito países que falam es­ te idioma.

Algumas modificações que ocorrerão com a Reforma ortográfica Trema

Agüentar ­ Aguentar

Acento agudo

Alcatéia ­ Alcateia Acento circunflexo Abençôo ­ Abençoo

Hífen

Anti­social ­ Antisso­ cial


10 Fevereiro de 2009

Tecnologia

Software livre baixa custos

Frederico Westphalen

Os softwares livres e abertos conquistam a preferência das pessoas por seu baixo custo

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FOTO DE CAMILA TOMAZONI

Camila Tomazoni

camilatomazoni@gmail.com

oftware livre é um software que pode ser usado, copiado, mo­ dificado e redistribuído sem nenhuma restrição. Além de ser gratuito, o código­fonte, que são as linhas de progra­ mação formadoras do pro­ grama, é acessível. Isso per­ mite que o programa seja aprimorado e redistribuído por qualquer pessoa que te­ nha conhecimentos de pro­ gramação. De acordo com a Free Software Foundation (Fun­ dação para o Software li­ vre) o software é livre se atender a quatro liberdades fundamentais: liberdade de executar o programa para qualquer propósito, de es­ tudar o programa e adaptá­ lo as suas necessidades, de redistribuir cópias, e de aperfeiçoar e liberar seus aperfeiçoamentos, isto é, além de melhorar o progra­ ma, quem o fizer poderá dis­ ponibilizar a qualquer pes­ soa que queira utilizá­lo. Os programas livres são gratuitos ou possuem um

Sistema operacional Linux

 Menos exigência de hardware (parte física); baixo custo; alta segurança; permite adequar o sistema a suas necessidades; é mais estável; qua­ se imune a vírus.  algumas incompatibilidades com o sistema da Microsoft; falta de padronização; ausência de al­ guns drivers.

Sistema operacional Windows

 mais aplicativos; maior disponibilidade de dri­ vers.  alto custo; ampla gama de vírus; exigência de muita memória RAM; cada versão exige mais hardwares. Luiz Júnior utiliza apenas softwares livres para trabalhar

custo mais acessível que os prioritários. Isso tem leva­ do muita gente a optar pe­ los programas livres. O provedor de internet Tche Turbo, de Frederico Westphalen, utiliza apenas softwares livres para ope­ rar. Luiz Bastian Júnior, só­ cio­gerente da empresa, diz que utiliza esses softwares principalmente pelos cus­ tos, pois faz uso de diver­ sos aplicativos e se optasse

pelos prioritários o custo se­ ria mais elevado. Também acrescenta que em vários anos de uso desses softwa­ res não encontrou dificul­ dades na disposição de pro­ gramas aplicativos para o seu ramo de trabalho. Confira quadro ao lado com algumas vantagens e desvantagens dos principais sistemas operacionais e na­ vegadores mais utilizados em todo o mundo.

Navegador Mozilla

 alta velocidade; possibilidade de encontrar si­ tes digitando apenas seu título na barra de ende­ reços; possui bom gerenciador de downloads; possui recuperação de páginas.  consome mais memória; sua inicialização é mais lenta; incompatível com alguns sites.

Navegador Explorer

 consome menos memória (minimizado, apenas 5 MB); a compatibilidade com a maioria dos sites é grande.  possui brechas na segurança que permitem a entrada de vírus; não possui com gerenciador de downloads.

Portabilidade: ela está chegando Gaúchos terão acesso a portabilidade a partir de Janeiro de 2009 portabilidade nu­ mérica já está dis­ ponível para mais de 48,9 milhões de brasi­ leiros. No Rio Grande do Sul, ela está prevista a par­ tir do dia 8 de janeiro de 2009 nas áreas com o DDD 51 e 55, e a partir do dia 19 de janeiro para área de abrangência do DDD 54. Mesmo com a chegada do benefício, usuários como a assistente social Josiane Ritter não entenderam qual é a grande mudança com a portabilidade. “Eu ainda não entendi qual a vanta­ gem”, diz ela. Com este serviço dispo­ nível, o usuário de telefonia fixa e móvel poderá trocar de operadora e manter o mesmo número do telefo­ ne. Segundo o empresário de telefonia celular Nilson Rosa Lopes, “Muda basica­

ra a nova operadora. Este pedido será encaminhado e avaliado pela Associação Brasileira de Recursos em Telecomunicações (ABRT), que administra a implanta­ ção da portabilidade no País. Se o pedido estiver den­ tro dos critérios estabeleci­ dos, em cinco dias o proces­ so de transferência é efetuado. Caso o usuário de­ sistir da troca de operado­ ra, é possível voltar para ope­ radora antiga, o processo é semelhante ao anterior e du­ ra até dois dias. O custo para a transição não será cobrado por algu­ No caso dos celulares, só se pode manter o mas operadoras, mas a número dentro um mesmo DDD Agência Nacional de Tele­ comunicações (Anatel) fi­ mente a relação entre o var o seu número para qual­ xou uma taxa de R$ 4,90 usuários e as operadoras. quer operadora que achar reais, caso haja operadoras Vai dar uma liberdade que mais conveniente, segundo que cobrem pela portabili­ até agora não havia”. o seu perfil de uso, e essa é dade. Antes, o preço esti­ O empresário afirma ain­ a diferença”. mado era de R$ 10 reais. da que o grande beneficia­ Para solicitar a troca do Também pode ter que pa­ do com a portabilidade é o número do telefone, o usuá­ gar multas, aqueles usuári­ consumidor, que “pode le­ rio deve fazer um pedido pa­ os que mantêm contratos FOTO DE BRUNA WANDSCHEER

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Bruna Wandscheer brujornalismo@hotmail.com

de permanência com sua operadora. A assistente social Josi­ ane Ritter está satisfeita com sua operadora e não vê na portabilidade muitas mudanças. ”Eu tenho mi­ nha operadora que me dá muitas vantagens”, diz ela. Mas a situação depois des­ te benefício será diferente, segundo Rosa Lopes “A implantação da portabili­ dade que a princípio só é interessante para o consu­ midor, acaba se tornando um elemento de marketing das operadoras”. De acor­ do com a ABRT, desde o início da implantação até o mês de Novembro de 2008, 82.040 clientes so­ licitaram o serviço nas re­ giões a portabilidade já é uma realidade.

Pelo cronograma da Anatel, até Março de 2009, cerca de de 97 milhões de brasileiros terão o direito à portabilidade numérica.


Tecnologia

Blu­Ray, cresce no mercado Frederico Westphalen

Fevereiro de 2009

High Tech

O disco que armazena e reproduz HDTV começa a conquistar fãs.

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FOTO DE PHILIPE PORTELA

Philipe Portela

epilihp@hotmail.com

Blu­ray Disc (BD) é um disco óptico da nova geração de 12 cm de diâmetro (a mes­ ma do DVD), para vídeo de alta definição e armazena­ mento de dados de alta den­ sidade. O BD tem capacidades muito superiores a do DVD, tanto em armazena­ mento ­ sua capacidade va­ ria de 25 (camada simples) a 50 (camada dupla) gigaby­ tes ­ quanto de qualidade de imagem e som ­ armazena filmes de até 1080p (1080 linhas verticais progressi­ vas) Full HD (alta qualida­ de de imagem e som) de até quatro horas sem perdas de qualidade. Mas para se atin­ gir o máximo de qualidade deste aparelho é necessário uma televisão de alta qua­ lidade, plasma ou LCD. O nome Blu­Ray se ori­ ginou devido a coloração do laser utilizado para ler o disco. Ele é de um tom azul­violeta, e se utiliza de comprimento de onda de 405 nanômetros (enquanto o DVD utiliza 650nm), is­ so permite gravar mais in­ formações em um disco do mesmo tamanho. Nos Estados Unidos o no­ me “raio azul” (blue ray) já era de uso comum. Porém, como alguns países não aceitam o registro de pala­ vras comuns, o “e” caiu do nome, e a mídia foi rebati­ zada como “Blu­Ray”. De acordo com a Blu­ Ray Disc Association (BDA) ­ órgão responsável pela ampliação do merca­ do e gerenciamento da dis­ tribuição do BD ­, um quin­ to (20%) da população norte americana já aderiu à nova mídia. No Brasil tam­ bém já existem fãs do Blu­ Ray Disc. É o exemplo do funcionário público Assis Amador dos Reis Portela, que há dois meses adquiriu um aparelho de Blu­Ray da marca Sony. — Eu comprei um Player Blu­Ray da Sony, ele custa menos da metade do valor nos Estados Unidos com­ parando com os poucos apa­ relhos que tem aqui no Bra­ sil. Lá está em torno de 350 dólares um bom aparelho —, confirmou Portela em­ polgado com o aparelho. Marcel Bastian Severia­

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GooglePhone finalmente chega ao mercado, com nave­ gabilidade identica a do iPhone o G1 da HTC deixa muito a desejar quanto a ve­ locidade da internet e o design do aparelho, porém o grande dife­ rencial deste celular é o sistema operacio­ nal Android, que per­ mite aos usuários cri­ arem e difundirem programas para o aparelho. Preço: de R$ 1300 a R$ 2000. Assis está contente com os avanços do Blu­Ray.

no, gerente da Vitrola (ví­ deo­locadora e maior dis­ tribuidora de CD's e Dvd's da região de Frederico Westphalen), salien­ tou: “o Blu­Ray será um grande avanço para as locadoras, pois além de melhor quali­ dade, é mais difícil de ser pirateado”. Ele ainda des­ taca que dentro de al­ guns meses, quando a loja trocar de endereço, irá dis­ ponibilizar um stand na sua loja somente com filmes em Blu­Ray, divulgando e in­

formando as pessoas sobre a nova mídia. — O valor de um disco ainda é bem alto devido a pouquíssima deman­ da, pois como é uma tecnolo­ gia muito no­ va, pouca gente conhe­ ce, e é bem difícil de en­ contrar —, destacou Assis Portela. Ele alega que en­ coutrou o BD somente pe­ la Internet, no site da livra­ ria Saraiva (www .saraiva .com.br). E além da dificul­ dade de encontrar o disco,

Guerra dos formatos

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té o dia 19 de feverei­ ro de 2008, existia um combate entre o Blu­Ray (Sony & Panasonic) e o HD­ DVD (Toshiba), neste dia a HD­DVD parou de ser fabri­ cada, de acordo com Atsu­ toshi Nishida, o presidente da Toshiba, eles só desisti­ ram de dar segmento a produ­ ção, por que a Warner Bros, a MGM e a Microsoft opta­ ram pelo Blu­Ray. Além cla­ ro de um dos consoles de ví­ deo game mais famoso do

mundo pertencer a uma das idealizadoras do BD (o Playstation 3 que se utiliza de discos Blu­Ray paa distri­ buir seus jogos). Já o CH­DVD foi uma proposta feita pela China em 2008, para não pagar os royalties para a Sony. Po­ rém a indústria de entreteni­ mento mundial ignora essa mídia porque o país tem grande consumo de produ­ tos piratas.

“o valor é alto, varia de 70 R$ a 120 R$ reais”. Um segundo problema de mídias novas, é a falta de filmes com dublagem, Assis declara que “a maio­ ria ainda não tem dubla­ gem”. E isso diminui a pro­ cura pelo Blu­Ray. Para se usufruir do me­ lhor da imagem de alta de­ finição é preciso também uma boa ligação entre o aparelho de BD e o televi­ sor, por isso é aconselhável utilizar um cabo HDMI. Veja o Box: inserir box Blu­Ray Cabos. O Blu­Ray está chegan­ do ao Brasil e criando ex­ pectativas para os fãs de tecnologias áudio­visuais, porém ele ainda não se con­ solidou como a nova mídia para o entretenimento, as­ sim como quando o DVD foi lançado e demorou a se consolidar, o BD também está ganhando espaço . Tanto o gerente da Vitrola, Marcel, quanto o dono de um dos poucos aparelhos de Blu­Ray do Brasil, As­ sis Portela, concluem que o BD ainda vai demorar cer­ ca de três anos para se fixar definitivamente no merca­ do comercial. Para saiber mais sobre o Blu­Ray, acesse: http:// pt.wikipedia.org/wiki/Blu­ ray.

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hega ao mer­ cado o Zeebo, o primeiro vi­ deogame 100% onli­ ne, que não usa CD nem DVD ­ todos os jogos vêm pela rede. O console, que foi de­ senvolvido no Brasil pela Tec Toy, tem embutida uma ante­ na de celular, ou seja, ele está sempre co­ nectado à internet 3G (da operadora Claro). Você não paga men­ salidade, nem tráfego de dados. Só paga pe­ lo download dos ga­ mes, que vai custar de R$ 10 a R$ 30. O console em si custa R$ 600, e vem com seis jogos ­ Fifa, Need For Speed, Quake e mais três. O Zeebo vai chegar ao merca­ do em julho de 2009, com um acessório que promete bastan­ te: um controle sen­ sível a movimentos, copiado do Nintendo Wii.


Ambiente

A cidade que nasceu das águas Frederico Westphalen

Fevereiro de 2009

IMAGEM GOOGLE MAPS

Frederico Westphalen: a cidade que só existe devido às nascentes e olhos d’água

Onde nascem os rios de Frederico

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Mapa de Frederico Westphalen com as nascentes e rios destacados em preto

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Daniela Polla

dani_polla@yahoo.com.br

ascentes e olhos d‘água brotam por toda parte no perí­ metro urbano de Frederico Westphalen. Ao todo, seis rios nascem na cidade. O setor de Meio Ambiente da Prefeitura se esforça para preservar as nascentes pela lei. Mas a maioria da popu­ lação ainda não tem muita consciência do potencial hi­ drográfico que corre sob seus pés. Segundo Vilson Ferigol­ lo, historiador, a cidade ori­ ginou­se devido à grande quantidade de água que exis­ te nestas terras. Conta a his­ tória que um carroceiro dei­ xou cair um dos barris que haviam em sua carroça e a tampa deste barril quebrou. Para dar um destino útil ao barril sem tampa, as pesso­ as enterraram o barril e li­ garam­no com uma taqua­ ra à uma fonte existente onde hoje é o Bairro Barril. Assim, os viajantes que pas­ savam por aqui começaram a parar no barril para beber água e descansar da via­ gem. E nisso muitos foram ficando, formando a cida­

A urba­ nização fez com que nós fosse­ mos fechando, e co­ brindo, e botando tu­ bo, e aí nós vamos empurrando a água pra baixo, uma água suja. Vilson Ferigolo

de. Ferigollo lembra que o primeiro texto sobre a cida­ de dizia: “Frederico foi for­ mada em cima de sete co­ linas, todas elas com alguns pontos e nascentes e olhos d'água”. É pela junção de todas essas fontes que os rios Par­ do, Tunas, Tombo, Perau, Boa Esperança e Pedras Brancas nascem no períme­ tro urbano de Frederico. Fe­ rigollo afirma que muitas dessas nascentes hoje estão canalizadas, drenadas ou mesmo aterradas e não se pode mais vê­las. Porém, elas seguem seu curso sob as ruas de Frederico e emer­

gem para formar esses rios. O licenciador ambiental da Prefeitura Municipal, Al­ cides Felipe Canola, revela que o Setor de Meio Ambi­ ente possui um levantamen­ to, feito para o plano diretor municipal, no qual são ma­ peadas todas as nascentes da cidade. Porém, ele admite que as políticas públicas de conservação dessas nascen­ tes ficam restritas ao licenci­ amento ambiental. Canola ainda deixa claro que proje­ tos específicos de preserva­ ção dessas nascentes não exis­ tem no município. Quando se fala em parti­ cipação da população fre­ deriquense na preservação das nascentes, Canola afir­ ma: “A colaboração é mui­ to pequena ainda, é pouca. A colaboração, na verdade, é pressionada pelo fato da aplicação da lei”. O licen­ ciador ambiental coloca ain­ da que o interesse espontâ­ neo pela manutenção das nascentes não existe. “A urbanização fez com que nós fossemos fechan­ do, e cobrindo, e botando tubo, e aí nós vamos em­ purrando a água pra baixo, uma água suja”, conta Fe­ rigollo a respeito da conser­

vação das nascentes da ci­ dade. Ele revela ainda que a urbanização e, de certa forma, a falta de informa­ ção da população, fez com que a preservação das nas­ centes ficasse em segundo plano. “Nós estamos so­ frendo a poluição”, diz Fe­ rigollo sobre o estado de conservação das nascentes de Frederico. Mas ainda existem pes­ soas com consciência am­ biental. É esse o caso de Waldir Busatto, um frede­ riquense de 56 anos, que abastece sua casa com água de uma nascente que fica no jardim da residência, além de usar um sistema de aproveitamento de água da chuva. Ele conta que os pais deles residiam no mes­ mo local. “Tirava água com balde, com latão”, lembra Busatto, sobre a época em que a nascente não era ca­ nalizada. Conta que o uso da água da fonte se dá há mais de 60 anos. Sobre a importância da preservação das águas ele diz: “É essen­ cial”, revelando detalhes do seu sistema de aproveita­ mento de água e compro­ vando a sua preocupação ambiental.

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as proximidades da Praça da Fonte, da empresa D. Zanco, da Me­ cânica Girardi, do Moinho Barrilense, antigo Clube Operário e onde hoje é o Posto Texaco existem fon­ tes e olhos d'água, que se­ guem até a fábrica Bakof, onde emergem e formam o rio Pedras Brancas. Próximo à Sociedade Aquática nasce o rio Tu­ nas, que recebe as águas de fontes que nascem dentro do próprio parque, no loteamento da Família Manfio, nas proximidades do Itapagé, de fontes loca­ lizadas atrás da URI e em frente à Escola Estadual José Cañellas. O Tunas também recebe as águas do Lageado dos Italianos. O rio Pardo forma­se da junção do Lageado dos Italianos com o rio Tunas, dentro do Parque da Fa­ guense, e segue receben­ do águas de várias nas­ centes nas proximidades do Parque. É o rio Pardo que fornece água à cida­ de. O Boa Esperança nasce atrás do Hospital Divina Providência, na Praça da Corsan, na vertente da rua Brasília, nas proximida­ des da mecânica de Ruvi­ no Binotto, do Pró­Me­ nor, recebe também al­ gumas vertentes da parte baixa do loteamento Boa Esperança e de outras ver­ tentes das proximidades desses locais. Já perto do Aeroclube e nas proximidades da Ma­ bella, da capela do Barril, das terras da família Per­ lin existem fontes que for­ mam o rio Perau. Atrás da escola Sepé Ti­ araju, embaixo do Posto Avenida, do Mercado Sor­ riso, na área do Clube Ipi­ ranga, até passar o viadu­ to, nasce o Lageado Chi­ quinha. Fonte: Vilson Ferigollo.


Curso da Notícia 002