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CANDY COLORS

HALLOWEEN

A tendência royal

Nem Freddy, nem Jason: o Theatro São Pedro tem suas próprias histórias de terror

EDITORIAL My milkshake brings all the boys to the yard

MEIA-CALÇA furada


K EQUIPE MAL ASSOMBRADA matheus chucri cristina fragata

Marina Teixeira e Priscila Leal

alice silveiro

pedro veloso

clarissa wolff


K CARTA DAS EDITORAS

o

EXPEDIENTE

#3 - MY MILKSHAKE BRINGS ALL THE BOYS TO THE YARD

o Editoras-chefes

(também conhecidas como meninas más)

Marina Teixeira

marina@meiacalcafurada.com

Priscila Leal

priscila@meiacalcafurada.com

Colaboradores dessa edição Alice Silveiro, Clarissa Wolff, Cristina Fragata, Lola, Matheus Chucri, Pedro Veloso Design gráfico, diagramação e finalização Marina Teixeira Fotografia Priscila Leal Gerente de mídias sociais (lobinha)

Clarissa Wolff Para falar com a gente, manda e-mail para comercial@meiacalcafurada.com A edição não foi o suficente? Nos segue em twitter.com/meiacalcafurada e curte nossa página facebook.com/ revistameiacalcafurada

Certa vez, uma sábia pensadora chamada Kelis disse: my milkshake brings all the boys to the yard. E assim como a montanha foi à Maomé, milhares de homens apareceram no quintal de Kelis, loucos para provar de seu delicioso milkshake sabor chocolate, com cobertura de chantilly e uma deliciosa cereja no topo. E é nesse clima de doces e travessuras que vem a terceira edição. Se por um lado temos uma matéria de dar água na boca sobre cupcakes e macarons, por outro fizemos um especial de Halloween com histórias de assombração ocorridas no Theatro São Pedro. E para completar, um editorial com a musa Giulia Bonotto, uma loira de dar inveja. Mas não faz cara feia, nossas fotos estão um doce! Ainda temos a colaboração de Clarissa Wolff, Pedro Veloso, Matheus Chucri, Cristina Fragata e Alice Silveiro. Mas vamos deixar de conversa. Vira essa página e começa a lamber os dedos!

Marina e Priscila


K SUMÁRIO

5

Especial Halloween

29

Literatura

7

Música

31

Tem que conhecer

32

Coluna

33

Coluna

My milkshake brings all the boys to the yard

35

O que rolou na nossa fan page

27

Coluna

Clube do livro da balada: Lauren Conrad, por Pedro Veloso

37

No ar

28

Coluna

39

Pornô chic

Os mistérios do São Pedro

A Tulipa do meu jardim

11

Comportamento

Culinária Fashion

13

Moda

Candy Colors, a tendência royal

15

Editorial de moda

Every move you make, every step you take..., por Matheus Chucri

Ressaca da Pele, por Clarissa Wolff

Hamburgueria Bife

Geração Regina, por Clarissa Wolff

Será que ele é?, por Alice Silveiro

facebook.com/revistameiacalcafurada

As novas temporadas das nossas séries preferidas

Eu não tenho medo da morte, por Lola


HALLOWEEN

5

7

11

13

15

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Q MCF Q


os mistérios do theatro são pedro s Texto e fotos por Marina Teixeira e Priscila Leal “O senhor já viu algum fantasma por aqui?”. Ir atrás de fontes para a matéria principal dessa edição foi complicado. Além de não ser um assunto comum, passávamos por loucas cada vez que entrávamos num lugar fazendo esta pergunta. Não nos importava se a história era verídica. Nosso interesse era achar pessoas que acreditassem no que estavam contando, afinal, é assim que lendas urbanas são perpetuadas. Foi desse modo que descobrimos Oscar Siqueira e suas aventuras no Theatro São Pedro. Em 37 anos de trabalho e moradia no teatro, viu passar os mais diversos artistas e espetáculos por aquele palco, aos quais assistia das coxias ou dos camarotes. O teatro era sua casa - e ele conhecia todos os seus segredos. Apesar de ter falecido no início deste ano, suas histórias continuam vivas através dos funcionários com quem conviveu. E são elas que iremos contar a seguir. Perdoem a liberdade poética.


o fantasma inoportuno Cinco da manhã. Seu Oscar dormia em seu pequeno apartamento nos fundos do teatro. A campainha tocou. Preocupado, o senhor levantou-se, pegou o molho de chaves na cômoda, atravessou o corredor enorme revestido de carpete, desceu a escadaria de madeira velha, rangendo a cada degrau pisado. Finalmente, chegando à porta pesada, destrancou-a com cuidado; abriu. Não havia ninguém ali, apenas o frio cortante de inverno, que batia em seu rosto envelhecido pelo tempo. Procurou a sua volta. Nada. A partir daquele dia, a história se repetiu inúmeras vezes. Seu Oscar já nem se importava. Sabia que eram apenas espíritos brincando com ele.

A dama de branco Ao final do espetáculo, uma linda jovem de cabelos escuros e pele clara, usando um vestido branco tão longo que arrastava no chão, saiu pelos corredores do terceiro andar do teatro, quando as poucas pessoas que restavam no recinto encaminhavam-se para a saída. Passou pelo segurança, um rapaz de terno, parado ao lado da pequena porta do camarote, indo em direção ao banheiro. “A casa está fechando, senhorita”, gritou ele. Em resposta, recebeu um olhar profundo e um leve sorriso de canto de boca. Depois de um bom tempo, o rapaz procurou pelo zelador: “Uma moça entrou no banheiro, Seu Oscar. Pode chamar alguém para conferir se está tudo bem?” O velho zelador riu baixinho, balançando a cabeça em negação: “Entrou e não sairá mais hoje, rapaz. Não se preocupe, isso acontece todos os domingos”.


o elevador Os equipamentos de iluminação da peça precisavam ser transportados ao segundo andar até o final da noite. Para isso, havia um elevador de carga nos bastidores do palco. Era um daqueles antigos, com portas de grade, que precisavam ser fechadas manualmente para fazê-lo funcionar. As correntes, já gastas, rangiam sempre que começavam a se movimentar. Paulo fazia parte da produção da peça, que já passara pela maioria das capitais do país. Aquela seria a última apresentação do ano. Depois disso, a equipe voltaria para São Paulo, onde passaria as festas de fim de ano. Era uma das últimas pessoas dentro do teatro àquela hora. Para ser sincero, o lugar lhe dava calafrios. Quantas pessoas já tinham passado por ali durante os anos? Tudo tinha cara de velho, de antigo. Lustres de cristal, espelhos com molduras douradas, carpetes vermelhos. Daria um ótimo cenário de filme de terror. Enquanto empilhava as caixas de madeira dentro do elevador, percebeu que deixara uma no caminhão. Respirou fundo. Graças a Deus as férias estavam chegando. Saiu do cubículo e caminhou em direção à porta dos fundos. Foi quando escutou o barulho das correntes enferrujadas ganhando vida e levando o elevador a funcionar mesmo com as portas abertas e o botão desativado. Além dele, não havia ninguém no local. Ao menos ninguém que pudesse ver. Quando contou a história ao resto dos colegas na manhã seguinte, todos riram e disseram que ele estava maluco. Perguntaram o que tinha fumado. O único que ficou quieto foi o zelador, que possuía um sorriso nos lábios. Paulo só sabia de uma coisa: jamais voltaria a trabalhar naquele lugar.


K MÚSICA

A tulipa do meu jardim

T

s

Por Priscila Leal

Foto: Rodrigo Schmidt

ulipa Ruiz é louca. Esquizofrênica. Completamente fora da casa. A moça se enforca e se esgana no microfone durante o show, entre os carinhos trocados com o público. Talvez seja o espírito de artista. E que espírito. Não sei se o que encanta mais é sua alma ou sua loucura. O fato é que a ordem das árvores não altera os passarinhos, como já diria a própria. Há uma criança dentro dela. Também, cresceu entre brincadeiras no mato, cachoeiras e rodas de violão à beira da fogueira. Esse ambiente musical influenciou suas decisões, e hoje, além de cantar, ela é compositora e ilustradora. Seus desenhos, inclusive, são exibidos em um telão durante os shows. E a natureza certamente também influencia sua música, que é muito orgânica e puxa elementos deste meio várias vezes em suas letras. A recompensa pelo esforço veio este ano, quando recebeu o prêmio de Melhor Disco pelo Superjúri da Multishow, tendo sido lançado, na época, há apenas um mês. Em Porto Alegre, Tulipa foi convidada pela Natura Musical, um programa de apoio e difusão da música brasileira, para apresentar seu novo disco ao público gaúcho no dia 19 de setembro. Não precisou de muita apresentação. A plateia já sabia as músicas todas decor, e acompanhou, entusiasmada, a cantora durante o show. Ela lotou o Opinião de fãs que vibravam e batiam palmas ao final de cada música, encantados pela simpatia da paulista. Aliás, gostaria de iniciar aqui a campanha “Tulipa, aqui tudo o que se planta cresce, volta pro RS”. Agora que virei fã, quero um show para cantar e ser louca, junto com ela.


Show em Porto Alegre, no Bar Opini達o, dia 19 de outubro.


K COMPORTAMENTO

Culinária fashion

T s

Por Priscila Leal

udo que é novidade se torna moda. No mundo da culinária, não é diferente. Os cupcakes viraram febre há alguns anos quando blogueiras de moda os publicavam sempre que podiam. Recentemente, os macarons, uma receita clássica francesa e igualmente deliciosa, foram trazidos para o Brasil e tem chamado atenção por aqui. Os pequenos “sanduíches” divinos de farinha de amêndoa e recheio doce podem ter o sabor que você imaginar. A verdade é que bolos em pequenas porções nós já conhecemos há muito tempo. As avós faziam para os netinhos que iam visitá-las nos finais de semana e sempre estiveram disponíveis como os antigos bolos de laranja ou de fubá nos supermercados. No Reino Unido, são chamados de muffins, e já existem como “cupcakes” há séculos nos Estados Unidos, disfarçados como simples bolos em porção de xícara. A novidade é que no Brasil tornaram-se sinônimo de celebração, de bolinhos coloridos e confeitados, e são cada vez mais usados pela praticidade. Cortar e distribuir uma torta inteira entre os convidados está ficando ultrapassado. Quem anteviu o sucesso em Porto Alegre foi a Cupcake e Cia., de Aline Selistre, uma arquiteta que deixou o compasso para se dedicar exclusivamente aos bolinhos que viraram sua paixão. Hoje, a empresa já oferece aos clientes mais de 35 sabores doces, além de quatro salgados. Aline gosta de doces desde cedo. Tinha paixão por usar a cozinha para recriar receitas anti-

gas. Sua formação é em arquitetura, mas quando se viu por um mês sem poder trabalhar por conta de um problema grave na coluna, começou a pesquisar receitas na internet, até que se deparou com os pequenos bolos confeitados. Iniciou fazendo para os filhos, que adoraram a novidade. Em seguida, foi convidada pela própria irmã para cozinhá-los para sua cafeteria. O sucesso foi imediato e o Natal daquele ano foi uma loucura. As encomendas não paravam. Quando a confeiteira percebeu a onda, aliás, tsunami que os tais cupcakes estavam se tornando, resolveu investir. Fez um curso de Cake Design e tornou-se então uma das pioneiras no negócio em Porto Alegre. Com o argentino Diego Andino, a história é diferente. A impressão que todos tem é de que o confeiteiro sempre foi famoso na cidade pelos seus doces lindos de ver e melhores ainda de comer. Mas o macaron é novidade por aqui, apesar de ser um doce clássico e muito popular na França. De acordo com o confeiteiro, apesar de serem biscoitos, sua massificação não é possível, pois envolvem muita química e tempo de preparo na confecção. Há pouco tempo, nem se encontrava os ingredientes necessários no país. A farinha de amêndoa era encomendada da França ou do Chile. Mas quem quer, contorna a situação. O colorido cardápio de Andino conta, hoje, com os biscoitos franceses nos sabores de manga, frutas vermelhas, menta e baunilha, entre outros. Modismos vem e vão, mas o fato é que Andino e Aline concordam que quem é bom no mercado, não perde a validade no final da estação.


K MODA

Candy colors, a tendência royal

E s

Por Cristina Fragata

ntre vestidos, doces e sapatos, a jovem rainha passava manhãs, dias e noites na ociosidade. Por inércia, fez de Versalhes sua passarela. Ditou moda em cada canto de Paris. “Que comam brioches”, colocaram em sua boca para aumentar a sede por revolução. Hoje, suas cores invadem as vitrines e ruas do Brasil. Anacrônica e sem fronteiras: Maria Antonieta e suas candy colors são a cara do verão 2013. Rosa-bebê, violeta, amarelo e azul-claro. Se os tons pastéis já foram considerados sem graça, esses dias acabaram. Desde o lançamento da coleção primavera/verão Louis Vuitton, os tons viraram febre nas vitrines do mundo todo. Não demorou muito para que a doçura também agradasse o gosto refinado dos estilistas da Prada, Chanel e Diane Von Furstenberg. A moda é democrática, mas para não errar, vale ficar atenta a dois detalhes: silhueta e cor da pele. Os tons mais claros tendem a chamar mais atenção para o que passamos preciosos minutos na frente do espelho tentando esconder. Por isso, aposte em combinações monocromáticas. O resultado será a silhueta mais alongada. Peles que compartilham dos tons da tendência ficam bem com rosa e lilás. Para as morenas, graças ao fator contraste, as candy colors são verdadeiras coringas. Roupas, sapatos, acessórios, esmaltes, maquiagem e até cabelos. Neste verão, a indiscrição cede lugar à delicadeza e à sofisticação. As temperaturas da estação mais quente do ano podem não ser amenas, mas suas cores serão. Alguma dúvida? Não é difícil encontrar a resposta com a doce tendência confirmada nos cabides e manequins.

Foto: Divulgação

ANTAGONISMO: se ano passado as peças minimalistas em neon fluorescente eram très chic, a nova tendência traz para o guarda-roupa suavidade e romantismo. Antes de abandonar aquela saia verde-bandeira, lembre que os tons delicados não apontam o fim do Color Block. As vitrines das mais renomadas grifes não nos deixam mentir.


PRADA

LOUIS VUITTON

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

CHANEL

ELIE SAAB Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

ELIE SAAB Foto: Divulgação


My milkshake brings all the boys to the yard


Fotos: Priscila Leal Vestuário: Espaço Fashion Sapatos: Santa Lolla Produção: Marina Teixeira Modelo: Giulia Bonotto


K MUNDINHO POP

Foto: Reprodução

A ARTE DA GUERRA, POR LAUREN CONRAD: dez lições de vida extraídas de LA Candy 1) Ela acreditava fervorosamente em uma vida da mente e do corpo - ou seja, ser inteligente e transar sempre que pudesse; 2) Nada de caras com tatuagem de cobra ou quantidade ofensiva de Old Spice; 3) Eu não saio nos finais de semana. É coisa de pessoas desesperadas; 4) É sempre melhor largar do que ser largada; 5) Lembre-se da regra número 1: o único jeito de fazer parte é fingir que faz parte; 6) Não que ele não gostasse de estereótipos: tinham sua utilidade; 7) Você tem que pensar que eles vão te ligar. Chama-se pensamento positivo, é como naquele livro “O segredo”; 8) A maioria dos homens é idiota e a maioria das mulheres também, mas elas usam maquiagem; 9) Nada melhor pra curar um coração partido do que alguém novo - ou vodka; 10) SOU SUPERFICIAL, MAS VOCÊ É FEIO.

Clube do livro da balada: Lauren Conrad

A s

Por Pedro Veloso

ntes de começar a a ler esse texto, mentaliza o seguinte: todos nós temos uma mina de 15 anos dentro de nós. É aquele pedaçin que curte a Katy Perry e é meio a fim do Ryan Gosling. E pra uma mina de 15 anos, não existe maior ídola que a Lauren Conrad. Ex-estrela daqueles realitys shows fakes, aka melhores programas de TV do mundo: The Hills e Laguna Beach, exibidos por aqu no Multishow. Iniamiga da Heidi Montag, estilista de #modas, e aquariana, nos últimos tempos tem atacado de romancista de sucesso. Eu te explico: Lauren escreveu uma série de livros - ficcionais! - sobre o mundo da fama de Hollywood, intitulada L.A. Candy (lançado por aqui pela editora Galera Record). Na história, as duas amigas Jane e Scarlet se mudam pra Los Angeles (L.A. do título, dã). No começo elas são meio losers, do tipo que ficam uma hora e meia na fila da boate. Mas assim que são descobertas por um produtor de TV e convidadas para estrelar uma “versão real de Sex And The

City”, ficam famosíssimas. Claro que com o lado bom da fama – pegar fila e pagar por drinques, nunca mais! – vem também tem o lado maligno – fofoquinhas e boys-lixo. Apesar da história em um momento descambar pra trama de algum episódio bem ruim de Malhação, Lauren tem uma ironiazinha e uma certa sabedoria de vida que vale pena a ser compartilhada. Além disso, ela dá uma avacalhada na logística dos reality shows americanos. Perfeito pra quem não entende como que a Kim Kardashian acorda maquiada daquele jeito e já tem uma câmera lá filmando. A empreitada de LC (#íntimas) deu certo: o livro entrou pra lista dos mais vendidos do NY Times, e ela atualmente se prepara pra lançar o quinto da série - o segundo chega nesse mês no Brasil. Lauren virou tipo uma JK Rowling, só que gata e bronzeada. E pra provar isso, a contra-capa de todos os livros são fotos dela com a escova em dia e make impecável. Se isso não é vencer na vida literária, eu não sei o que é.


Foto: Internet

Every move you make, every step you take...

P

COLUNA K Por Matheus Chucri

ara você que vive numa realidade paralela e não sabe o que stalker significa... Não, eu não vou explicar, vai dar um Google, descobre e volta pra ler o resto. O que eu posso adiantar é que você já foi, é, ou será um dia, nem que seja um pouco, porque à parte do que é “psicologicamente incorreto”, essa é a grande verdade: todos nós já fomos, somos ou seremos stalkers, em algum grau. Eu poderia falar da origem de tudo isso, mas eu não sei onde começou. O que posso falar é que atualmente ser stalker é muito mais fácil do que antes, de certa forma inevitável e o melhor: você pode fazer do conforto do seu lar, sem ninguém saber. Sabe aquela pessoa bonitinha que você viu por acaso em uma festa? Então, antigamente, você teria que sair perguntando pra todo mundo quem a pessoa era, o que ela fazia e por aí vai. O único problema é que todo mundo sacaria que você estava interessado na pessoa. Você poderia também perseguir a pessoa para descobrir, mas já aviso que isso pode terminar em uma ordem de restrição. Acontece que hoje vivemos na era da tecnologia, onde somos bombardeados por informação, e obtê-la chega a ser muito fácil, basta que você tenha um perfil no Facebook, muita paciência e uma tesoura sem ponta. Digo, a tesoura será desnecessária. O que importa é que se você foi em uma festa e achou alguém bonito, a probabilidade dessa pessoa estar entre as pessoas que deram attending no evento do Facebook é, sei lá, 80%. E por aí vai. Meu ponto é que está tudo na internet e, com isso, você tem a chance de conhecer (unilateralmente) muitas coisas sobre uma pessoa por quem está interessado. Se o mistério se perdeu? Se a possibilidade de sentir o frio na barriga de ir conhecendo alguém ao longo do tempo e dos encontros acabou? Não sei. O que eu sei é que muitas vezes, quando se stalkeia alguém – e aqui, especificamente, eu me refiro quando isso se torna algo mais prolongado e constante –, é porque essa é a única forma de se sentir próximo do outro, que podemos nem mesmo chegar a conhecer. Deixando de lado o fato de que as razões para isso são bem profundas e circunstanciais, temos que admitir que todos estamos sujeitos a ser um pouquinho stalker em algum momento da vida. Seja porque o ex atualizou o status de relacionamento e você simplesmente não pode evitar ver quem é, ou porque você viu que aquela sua crush irá em alguma festa que você estava em dúvida se ia ou não. Somos todos curiosos demais pra conseguir impedir esse impulso, ou até mesmo evitar que as informações cheguem acidentalmente a você, o que é o meu caso. Concluindo, em doses homeopáticas, stalkear um pouco não faz mal a ninguém. Só tomem cuidado para não curtirem por acidente aquele status de cinco meses atrás.

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K LITERATURA

a ressaca da tua

PELE


A

tua pele, o teu quadril estreito, os teus gemidos roucos e as tuas unhas afundando nas minhas costas, tua respiração quente no meu ombro, no meu pescoço, tua voz falhando, a seqüência de sorrisos, teus olhos fechados e eu me sentindo o cara mais foda do mundo, enquanto Porto Alegre inteira se movia pelas ruas às sete da noite, o sol ainda iluminando os carros, o ar condicionado ligado e os acordes de jazz saindo do som, escorregando pela tua cintura, marcados pelos meus dedos e todas as minhas digitais na tua pele. Tua voz falhando ia me pedir um copo de água, teu corpo cansado ia se refugiar pelos lençóis e eu ia mergulhar por horas na ressaca da tua pele, das tuas mãos mansas, dos teus movimentos lânguidos e preguiçosos, do teu cheiro delicioso, do teu coração batendo contra mim. Do teu coração batendo contra mim. Comigo. O relógio marca quatro horas quando acordo e tua insônia te faz sentar encostada na parede vermelha com um caderno azul nas mãos, o lápis de gravite HB correndo pela página branca, as pernas nuas dobradas servindo de apoio. - Bom... boa madrugada? - murmurei e teus

olhos se viraram para mim, surpresos por perceber que eu também me encontrava acordado, e tuas mãos repousaram o lápis no meio do caderno e o fecharam com rapidez, deixando que ele caísse no chão ao lado da cama. - Bom dia - tua boca se curvou em um sorriso, os cabelos desarrumados e meio loiros caindo desordenados pela camiseta minha que vestia o teu corpo. - O que você tinha nas mãos? - Um caderno de... - mordeu teu lábio enquanto parecia tentar decidir o que continha aquele caderno - de várias coisas. Um ou outro desenho, meia dúzia de citações, pedaços de música. - Posso ver? - pedi, correndo as mãos para a tua cintura, tuas pernas entornando meu corpo, teu corpo caindo sobre o meu. - Não - tua respiração perto da minha antecedendo o beijo que aconteceu, minhas mãos testando limites de tecido entre a camiseta e a calcinha, teu quadril testando todas as minhas respostas. - Por quê? - Porque não - foi o que tu respondeu, meio desiludida com a insistência. - Porque daí você vai me ter na palma da tua mão - foi o que tu disse em tom de brincadeira, de provocação de inocência dissimulada, de lolita de 20 anos. - E qual é o problema disso? - eu perguntei, em

tom de provocação nem um pouco inocente, de culpa nada dissimulada - Eu já to na palma da tua. Eu pude jurar ouvir teu coração pular uma, duas, meia dúzia de batidas, teus olhos se encheram de lágrimas e tu, arisca, saiu de cima de mim pra cair na cama, as costas na parede gelada, tua garganta apertada e teu orgulho todo impedindo que qualquer uma das lágrimas caíssem, fazendo com que ficassem na prisão dos cílios pretos de rímel. - Não fala nada - foi o que tu disse, sentindo que as palavras quase me escapavam pelos lábios, porque eu iria, precisava, queria falar alguma, qualquer coisa. Uma lágrima escorreu pela tua bochecha, teu rosto se virou para mim e, subindo de volta no meu colo, tu repetiu: - Não fala nada - antes de me beijar. Tu tirou a minha camiseta que te vestia e encostou a pele na minha, teu corpo inteiro coberto apenas pela renda preta nos quadris, pela tinta do rímel um pouco borrado no olho direito, e pelas minhas mãos. Horas depois, quando minhas mãos nada tinham do teu corpo, era um cigarro que distraía minha boca, que enuviava o meu cérebro, que me matava aos poucos, o veneno se arrastando pelas minhas veias com lentidão quase passível de apreciação.

30


KK LITERATURA TEMPorQUE CONHECER Viktoria Liebold

BIFE

Nada de três hambúrgueres, alface, queijo e molho especial. É hora de deixar o McDonalds para aqueles finais de feriado em que todo mundo está voltando da praia e tem preguiça de cozinhar. Dos mesmos donos do barzinho Nossa Senhora do Ó, o restaurante Bife tem um cardápio de hambúrgueres para americano nenhum botar defeito. Além da comida deliciosa, a decoração tem um estilo low profile bacana, com cores fortes e paredes feitas de quadros negros. Ah, e seguindo o tema da revista, vale a pena reservar um espacinho no estômago para tomar um milkshake de sobremesa. Kelis aprova.


Geração Regina

A

s pessoas dizem que somos da geração Y, mas eu acho que somos da geração Regina. Para contextualizar aqueles para quem a referência não fez sentido: Regina é uma personagem histórica do clássico do cinema Meninas Malvadas, personificada por uma Rachel McAdams pré-filmes do Nicholas Sparks. A gente aprendeu lá na nossa pré-adolescência que era legal elogiar a pulseirinha horrível da amiga, dar em cima de caras compromissados e passar todo mundo pra trás. Ficamos mais velhas, mais sábias, e recebemos outra musa para inspirar nosso dia-a-dia nessa escola que chamamos de vida: Blair Waldorf, que antes de esquecer a personalidade por um cara abusivo costumava ser a rainha do Ensino Médio. A Queen B. nos ensinou a atuar, a planejar vinganças e, a lição mais importante: a esperar o momento certo para soltar a fofoca, buscando o maior poder de destruição. Bom, verdade seja dita, estou exagerando. Não acredito que alguém aqui realmente tenha Regina ou Blair como maiores inspirações para vida ou que realmente leve adiante de forma consciente os comportamentos doentios que as duas demonstram durante as histórias de que fazem parte (e se alguém realmente faz isso, peço desculpas e por favor procure uma psicóloga). Mas ser filho da puta é kinda cool since always. Mesmo quando ser legal é que é legal. Não sei bem quando a moda que dizia que ser legal era vanguardista chegou, mas de repente todo mundo estava lutando por seus direitos, andando de bicicleta e pedindo a paz mundial (vai rir da cara das antigas misses, vai). Não que eu seja contra: quem me conhece sabe que eu sempre fui team Serena, que, embora deslize de vez em quando (todo mundo é humano!), sempre foi a favor do perdão e de fazer o bem para si mesma, para os amigos e para a família. Tá, vou deixar essas referências de seriado adolescente pra trás. Aqui tá o negócio: sempre fui boazinha. Sempre acreditei que ser bem educada e gentil com as pessoas era o melhor a fazer, e sempre busquei fazer o bem - mas veja bem, o “bem”, bem longe do politicamente correto. E agora a galera toda tá entrando na onda. Sabe qual é o problema? Fazer post bonitinho no Facebook é fácil. Andar de bicicleta é fácil. Ser gentil com pessoas gentis, então, é coisa de jardim da infância! A gente se ilude acreditando que dizer que a gente quer o bem é suficiente. Mas vou contar aqui um segredo chocante: não é. Ser com-

preensivo é entender que alguém pode estar estourando em cima de você por causa do estresse acumulado. Não justifica, é lógico, e dá muita raiva também. Mas se a gente percebe que a agressão não é exatamente contra nós, por que não respirar fundo, engolir a raiva, e ser realmente doce? Às vezes, tudo o que a pessoa precisa é de um abraço para acabar o dia bem. Não é legal dar em cima de cara compromissado só porque não foi você quem firmou compromisso. Não é legal falar mal da amiga pelas costas só porque ela fez algo que você considerou chato. Fazer o bem é engolir o orgulho, aliás, esquecer que ele existe. Fazer o bem é ser gentil quando são estúpidos pra você. A gente aprendeu que isso é fraqueza, mas eu acredito que isso é ser humano. Não estou dizendo que devemos relevar qualquer erro e engolir qualquer coisa que nos machuque, é só que eu acho que tem coisas que nem precisariam machucar em primeiro lugar. A gente acaba buscando sofrimento e motivos para complicar a vida e minar os relacionamentos, já percebeu? Eu acho também que a honestidade é o caminho de tudo e que palavras são mágicas. Não estou falando de feitiços de Harry Potter, gente, porque aprendi dolorosamente aos 11 anos quando não recebi minha carta que Hogwarts na verdade é apenas ficção, e que as únicas palavrinhas mágicas a que todo mundo se referia são “obrigado”, “por favor”, “com licença”, essa coisa que aos 7 anos a gente devia ter decorado já. Eu acho que a gente pode falar absolutamente qualquer coisa que quiser, se escolher as palavras certas. Qualquer crítica que for expressa de forma cuidadosa e genuinamente construtiva, buscando consenso em vez de vitória, é positiva. Dá trabalho? Pra cacete. Mas ser legal é realmente legal, e vale a pena fazer isso de verdade. Com o coração, com a alma, não apenas com o perfil em redes sociais. (Mas se você quiser se exibir um pouquinho, e tudo bem, entra em www.facebook.com/BabsSM: a agência em que eu trabalho criou uma campanha institucional há pouco chamada “Be kind. Be social.”, em busca de uma timeline melhor.) E já que meu negócio é música, vou deixar aqui pra vocês a música de onde saiu minha primeira tatuagem, e que deve embalar esse negócio lindo que eu chamo de ser doce (até porque só assim your milkshake will bring all the boys to the yard!): 11th Dimension, do Julian Casablancas. Porque ser legal mesmo é levar pra vida essa frase: forgive them, even if they are not sorry.

COLUNA K Por Clarissa Wolff


Por Alice Silveiro

Foto: Disney/Pixar

K COLUNA


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Será que ele é?

T

em gosto para tudo. Tem mulheres que amam caras com jeito de sujinhos, cabelos bagunçados, que parecem mais chegados em erva do que em higiene. Ou aquelas que gostam de surfistas, com parafina no cabelo, dialeto próprio e só querem saber se vento mudou no Rosa Norte e não está bom para “dar o banho”. Mas há mulheres - eu, por exemplo - que preferem os arrumadinhos. Eles sabem como se vestir, usam perfume até para passear com o cachorro e ficam mais tempo na frente do espelho do que eu, o que não é pouco. Para este último grupo, existe apenas um porém: é provável que ele curta a mesma fruta que você - ou seja a fruta, vai saber. *** Sábado à noite. Renata colocou o melhor vestido que tinha no armário, fez uma maquiagem escura e misteriosa que aprendeu com sua blogueira preferida no Youtube e foi com as amigas, virando a champagne no carro, para a festa que certamente seria a melhor do fim de semana. Chegando lá, foi ao bar, pediu dois Jägerbombs e virou de costas para observar o movimento. Foi aí que passou aquele cara alto, moreno de olhos claros. Ele usava uma camisa azul-marinho, levemente justa nos braços, só o necessário para identificar o corpo malhado. O perfume era Hugo Boss, podia sentir de longe. Renata resolveu atacar. O seguiu até a cabine do DJ, onde ele parou. Dançou ao lado da presa até o fim daquela musica, observando-o, tentando chegar mais perto. Quando finalmente resolveu dar o bote, o gato se inclinou para o amigo que estava discotecando, sussurrou algo em seu ouvido e deu

um beijo carinhoso no canto da boca. Ó, que romântico. Só não para Renata, que sempre gostava do cara mais gay da noite. *** Mariana estava na casa do namorado, sentada no sofá da sala de estar, esperando “a noiva” se arrumar. Ficara pronta há quase uma hora, enquanto o “amorzinho” ainda estava no quarto. O que ele tanto fazia lá dentro? Talvez estivesse falando com uma piranha no Facebook. Precisava conferir. Pedro se arrumava “rapidamente”, pensando que Mariana devia estar impaciente ouvindo a sogra contar sobre suas histórias de criança. Já tomara um bom banho, com sabote esfoliante, shampoo para cabelos mechados e condicionador para definir os cachos. Sua barba estava perfeitamente feita e ele já aplicara o creme para pele oleosa. Após alguns minutos encarando o closet, conseguiu escolher a pólo mais casual para uma tarde no clube com a namorada. Ao encarar o espelho para ver se estava tudo dentro dos conformes, notou alguns pelos nascendo entre as sobrancelhas. Nem pestanejou; pegou uma pinça e arrancou os três que incomodavam. Mariana entrou no quarto e percebeu que o namorado não estava no Facebook, mas fazendo seu ritual diário de beleza. Sentiu-se frustrada. Por que escolhera um metrossexual para namorar? *** As chances de um homem vaidoso jogar no seu time são altas, mas existem exceções. Como identificar, então, se aquele cara que se depila, faz as unhas e passa hidratante é chegado na mesma coisa que você? Bota Village People

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no volume máximo e vê se ele dança. Mentira. Na verdade, não tem como. O único jeito é perguntando - mas, vamos combinar, isso não é algo simples de se fazer. Um bom começo é ter em mente o David Beckham. Não, safada, não é para imaginar ele a la Cinquenta Tons de Cinza, mas para botar na cabeça que tudo é possível. Como o nosso amigo David, os metrossexuais amam se cuidar, vão na academia sete dias por semana, estão sempre com as roupas da moda, se depilam, cuidam da pele e, se duvidar, usam até maquiagem para esconder as olheiras. Só que não são gays, apenas preocupados com a própria imagem. Nós, melhor do que ninguém, devíamos entendê-los. Outro tipo de homem que não dispensa um bom perfume e pode gerar dúvidas são os ubersexuais. Aqui, esquece o marido da Victoria e visualiza o George Clooney. Parecido com os metrossexuais, este belo espécime do sexo masculino mantém características mais “rústicas”, como barba e pêlos no corpo, mas também gosta de cuidar da aparência. É o estereótipo do macho alfa, “lindo por natureza”, mas na verdade se esforçando muito para isso. Para ser sincera, hoje em dia o mundo é uma selva diversa e nós ainda estamos esperando o Discovery Channel fazer um documentário esclarecedor sobre o assunto. Se aquele cara que você gosta se encaixa num dos tipos descritos acima, sinto muito, colega, mas terá que enfrentar o mistério. Rótulos são frágeis e difíceis de definir. Enquanto não encontra o seu príncipe encantado, faça como aquele ditado e tente a sorte no jogo. Um dia o amor aparece - com cutículas ou não.

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K O QUE ROLOU NA NOSSA FAN PAGE facebook.ccom/revistameiacalcafurada

Não dizem que artista é teimoso como criança?

os looks de nina dobrev.

para refletir.

quando a vilã se dá bem.


Parece foto, mas é, na verdade, desenho: as obras do artista Diego Fazio são feitas apenas com lápis.

penn Badgley (Dan), Chace Crawford (Nate) e Michelle Trachtenberg (Georgina) nas gravações do último episódio da última temporada de Gossip Girl.

de época: keira knighley no papel de anna karenina.

lugar de mulher é na cozinha vendo um gato desses cozinhar.


K NO AR

As novas temporadas das nossas séries preferidas Estamos naquela época do ano em que nossas amadas séries norte-americanas voltam do hiatus para roubarem o tempo livre que nos resta. São tantas opções, né? Mas calma que, para você não ficar perdido, separamos as melhores promessas dessa temporada. Por Marina Teixeira

SÉRIES MAIS AGUARDADAS POR CAUSA DOS ÚLTIMOS ACONTECIMENTOS ONCE UPON A TIME

THE VAMPIRE DIARIES

DEXTER

MAGIC IS COMING! Depois de uma primeira temporada sensacional, Once Upon A Time volta cheia de novos recursos para mostrar que o que já era bom pode melhorar. Se por um lado, todos lembram do passado, novas perguntas vieram para ser respondidas: o mundo dos contos de fadas ainda existe? Como a magia afetará Storybrooke? O que aconteceu com Bae, o filho do Rupelstinkin? Quem é o pai do Henry? E quem diabos é o Doctor Whale? Além disso, novas personagens vieram para causar, incluindo Aurora, Mulan e um dos vilões mais legais da Disney — Capitão Gancho. Mas o melhor de tudo é a família Charming. David como vovô e Mary Margaret sendo super-protetora com a filha que tem a mesma idade que ela é impagável.

Desde o episódio cinco da primeira temporada, The Vampire Diaries mostrou ser muito mais do que uma produção interessada em lucrar com o sucesso de Crepúsculo. Sim, tem um triângulo amoroso. Sim, se passa no ensino médio. Mas as personagens quase não vão para a aula e os roteiristas cumprem a cota imposta pela emissora (CW) de “uma festa a cada três episódios”, então a gente só se lembra que eles tem dezoito anos quando chega o dia da prom. Mas vamos ao que interessa: Elena finalmente entrou para o time dos vampiros. E apesar de ter escolhido Stefan na última vez que a vimos, sua vida entrou numa nova fase, fase na qual Damon parece se encaixar melhor. A questão é: será que isso finalmente a aproximará do irmão mais velho dos Salvatore?

Demorou seis anos para Deb descobrir a verdade sobre o irmão mais velho. “Eu sou a pior detetive do mundo”, constata, assim que começa a ligar os pontos. Vamos dar um desconto: Deb não é ruim — o Dexter é que é um excelente serial killer. Ainda é cedo para dizer, mas acho que essa é uma das melhores temporadas da série. Além de ser pressionado pela irmã, Dexter está na mira da máfia. E da LaGuerta! Para aliviar um pouco a tensão, Yvonne Strahovski (a Sarah, da série Chuck) aparece como possível interesse romântico do psicopata — e possível vítima também. O tipo dele a gente sabe que ela faz (loira, gata... mas talvez essa seja uma preferência universal).

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SÉRIE QUE ASSISTIMOS HÁ TEMPO DEMAIS PARA DESISTIR GOSSIP GIRL

Ele já tentou estuprar duas das personagens principais e trocou a namorada por um hotel, sem falar no comportamento abusivo que sustentou ao longo de cinco temporadas. Mesmo assim, Chuck Bass é considerado pelas fãs o grande herói de Gossip Girl. Todas as suas ações parecem ser justificadas pelos problemas que tem com a mamãe e o papai — que deixam Jesus no chinelo em matéria de morrer e ressuscitar. O roteiro é ruim e a construção das personagens é pior ainda. Então, por que acompanhar essa última temporada? A verdade é que Gossip Girl marcou a adolescência de muitas meninas, que começaram a assistir a série por causa dos livros e logo se encantaram por Nova York, pelas roupas de grife e, claro, pelo elenco maravilhoso (oi, Chace!). O que são mais dez episódios para quem já perdeu cinco anos de vida acompanhando os dramas de Rihanna e Chris Bro—ops, Blair e Chuck?

A COMÉDIA QUE VOCÊ DEVE CONHECER COMMUNITY

Os fãs de Community não tem sorte. Depois do criador da série, Dan Harmon, se afastar por conta de algumas discussões com a emissora, a estreia da quarta temporada, que deveria ocorrer no dia 19 de outubro, foi adiada por tempo indeterminado. Para amenizar a dor, o elenco fez um vídeo tirando sarro da NBC e dizendo que o dia 19 de outubro não é uma data fixa, mas um estado da mente. “As cabeças por trás disso sabem exatamente o que estão fazendo”, afirmaram, para em seguida mostrar que o canal preferiu levar ao ar a série sobre um macaco (Animal Practice). E é por isso que Community é uma das melhores comédias de todos os tempos. Que 19 de outubro esteja no coração de vocês! Link para o vídeo: http://www.youtube.com/ watch?v=7LV7M_WeGX8

ESTREIA MAIS AGUARDADA DA TEMPORADA ARROW

O Arqueiro Verde, na pele de Justin Hartley, era uma das personagens mais queridas de Smallville. Por isso, os fãs ficaram indignados quando o canal CW anunciou que produziria uma série sobre o super-herói com outro ator em seu lugar, a fim de evitar que as pessoas confundissem Arrow com um spin-off. Mas não há com o que se preocupar. A série é, de verdade, bastante diferente daquela do Super-Homem — o estilo sombrio está bem mais próximo de um filme do Batman do Christopher Nolan (quero dizer, para uma série da CW, né?). E Stephen Armell, o novo Oliver Queen, não deixa nada a desejar. Nada. Nada meeeesmo. Viu o pôster acima? Bônus para os fãs de The O.C.: a atriz Willa Rolland (ex-Kaitlin Cooper) encarna Thea Queen, irmã de Oliver que adora uma festinha.


K PORNÔ CHIC Por Lola

Eu não tenho medo da morte


Eu não tenho medo da morte. Ela acontece com todo mundo. É a única certeza da vida. Chega rápida, indolor. Nos põe para dormir em sono profundo, eterno. Depois dela, somos só corpo em putrefação. Não tem céu, não tem paraíso e, infelizmente, não tem cem virgens a nossa espera. Não importa o que fazemos em vida, já que não tem recompensa em morte. Por isso eu vivo o agora; para não morrer esperando o depois.

L

igou o Ipad de capa dourada em busca de algo para se distrair. Nada agradava. Pela janela, um caminhão verde e amarelo com um “BR- Aviation” escrito em toda a extensão da carga parava ao lado da asa do avião. Sentiu um frio subir pela espinha. As estrelas estavam submersas nas nuvens escuras e carregadas do céu. Uma loira de vestido longo, olhos negros e colar extravagante guardou a mala corde-rosa no compartimento de bagagem, tentando ao mesmo tempo equilibrar a bolsa no ombro. Checou o bilhete de embarque, os números e letras acima da cabeça e olhou para a menina de cabelos castanhos, encolhida no acento da janela. Abriu um sorriso iluminado. Uma mãe tentava acalmar o bebê aos berros no acento de trás; Helena tentava se acalmar. O comandante deu um aviso qualquer pelo auto-falante. “Bonita a capa”, disse a loira apontado para o IPad. Se acomodou ao lado da outra e afivelou o cinto de segurança. “Obrigada”. Portas em modo automático, avisou uma voz estridente. Começaram a andar pela pista. Fechou a janela, fazendo um barulho forte. As mãos tremendo. “Está nervosa?”

Helena a encarou com mau humor. O estômago embrulhado. A loira continuava ali, sorrindo com seus olhos de buraco negro. Finalmente, fez que sim com a cabeça. “Sabe, pode ser que o avião caia”, disse, claramente divertida com a situação. “Por quê?”, franziu o cenho. “É um fato”. A loira colocou uma mexa rebelde atrás da orelha. “Corremos risco de vida o tempo todo. Por isso não deixo de fazer o que quero quando quero. Vivo o momento.” “Carpe Diem”, falou Helena baixinho, quase para si mesma. Ficaram um tempo sem trocar palavras. Com a janela aberta novamente, não se enxergava nada lá fora. Estavam imersas na escuridão. Os outros passageiros dormiam. A garota ao lado usava algum aplicativo inútil no iPhone de última geração. “Ei, não pode usar o celular aqui!”, sussurrou impacientemente. “E quem vai me impedir?”, respondeu a loira perfeita, sorrindo com os olhos desafiadores e estufando o peito. Helena não pode deixar de notar aqueles seios. Fartos e arrepiados pela baixa temperatura. Podia ver os mamilos duros pelo tecido do vestido. Uma batida no fundo do avião desviou

seus pensamentos. Tudo sacodiu. Um senhor há alguns bancos de distância bateu forte com a cabeça no teto. Helena encolheu os ombros e checou o cinto. Pôs as mãos tremulas embaixo das coxas, tentando conter-se. “Não precisa ter medo”, falou a outra com o celular ainda na mão. O tom de voz não era de quem tentava acalmar. Ela realmente não via motivos para preocupação. “Como pode ficar tão calma?” “Não tenho medo da morte. Por isso, faço a minha vontade acontecer. Quero ter certeza de que fiz tudo o que queria quando chegar a minha hora.” “E fez?” Ela pensou um pouco. “Bom, tem algo que quero fazer agora”, falou baixinho, aproximandose lentamente. Podia sentir os lábios latejantes, o rosto corando.  “O que?”, indagou Helena, respondendo timidamente ao estímulo. O corpo da outra se inclinou em sua direção, até os lábios febris encostarem em sua orelha esquerda, sussurrando a palavra sexo. Ela continuou ali, com a respiração pesada, o hálito quente no pescoço da menina, que olhava comedida para seus seios expostos. “Você é... gay?”

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K PORNÔ CHIC Por Lola

As duas riram. “Só estou com vontade. E se morrermos, não vai importar se somos gays ou não. Porque você também quer. Eu sei”. “É, eu acho”. Não tinha certeza. As mãos delicadas da outra encostaram em sua nuca. As unhas compridas acariciaram seu cabelo, causando um leve arrepio. As respirações fortes encontraram uma a outra ao mesmo tempo que os olhos, brilhantes. “Eu quero”. Sorrindo, tirou devagar a mão da nuca de Helena e segurou sua mão, sem desviar o olhar, puxando-a para fora do banco.  “Cuidado para não cair”, disse ela. A essa altura, Helena já havia esquecido as turbulências. Seu corpo latejava e podia sentir o rosto queimar. Seguiram para o fundo da aeronave, cambaleando entre os acentos. Alguns voltaram a dormir agora que os solavancos diminuíram. Outros, ainda estavam assustados. Helena não pode deixar de pensar que estaria assim se não fosse ela. Chegaram a porta de metal e o sinal verde indicava que estava livre. Helena empurrou a porta e checou. Não havia ninguém. Foi atacada de súbito e jogada em cima da pia. As respirações cadenciadas eram abafadas pelo barulho das turbinas. Os corpos estavam colados

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quando começaram se beijar, um beijo que começou lento e foi acelerando. Helena viu sua blusa ser tirada sem afastar os olhos da loira. Os seios estavam agora colados. Os de Helena na outra, clamando por liberdade. De uma, presos pelo vestido; da outra, pelo sutiã rosa de renda, quase inocente. A língua da loira agora passeava pelo seu pescoço, enquanto as mãos baixavam o bojo do sutiã e contornavam os bicos duros. Sentiu a boca quente fazer seu caminho até ali, mordendo levemente sua carne, até alcançar seus mamilos. Podia sentir o seu interior ficando encharcado. A língua fazendo o mesmo movimento da mão. Mas ela não parou por ali. Levantou a saia jeans de Helena até a barriga e começou, com a ponta das unhas a acariciar as suas pernas, subindo aos poucos, torturando-a. Podia sentir os espasmos aproximando-se. Sua calcinha foi abaixada até a altura dos joelhos e a partir dali mesmo aquela boca safada subia pelo interior de suas coxas, lentamente, lambuzando tudo no caminho. Um lado depois do outro. Contorcia-se de forma suplicante, implorando pelo gozo. A língua invadiu aqueles lábios rosados e sempre que estava quase chegando a cume, a outra


diminuía a velocidade. Havia dedos dentro dela e nem sabia ao certo quantos, mas era demais, era incrível. Mas não lhe era permitido o gozo. Helena implorou. “Não, eu também quero”, recebeu em resposta. A outra agarrou sua mão e a levou até a própria região íntima. “Quero gozar com você”. Não tirava aquele sorriso glorioso do rosto. Um sorriso de conquista. Era a primeira vez tocava outra garota. Mas era bom. Era ótimo. Tão delicado, úmido. Repetia os movimentos circulares da outra. Rápidos. Enfiavam dentro de si quantos dedos coubessem. Colaram novamente os seios, agora nus e molhados. Os bicos duros em um duelo magnífico. Os corpos se esfregavam descontroladamente, as bocas coladas uma no pescoço da outra, beijando, mordendo e gemendo. As duas juntas tremeram, com os dedos vilões de uma dentro da outra, perdendo totalmente o controle, tornando-se uma só. A sensação mais doce, a agonia mais deliciosa. O gozo. Helena abriu os olhos ainda em êxtase, buscando as mãos quentes da loira. Não estavam mais ali. Como assim? Lavou o rosto na pia e encarou o espelho a sua

frente. Seu cabelo estava mais claro do que lembrava. Buscou o sutiã caído ao seu lado na pia e pôs a blusa e a saia de volta no lugar. O que aconteceu? Olhou mais uma vez no espelho e se viu, como se não fosse ela mesma. Olhos profundos demais para serem dela. O que está acontecendo? Onde ela foi? Saiu do cubículo apertado. No caminho até seu acento encontrou a aeromoça. Resolveu perguntar pela outra. Só aí percebeu que ainda não sabia seu nome. “Desculpa, a sua fileira está vazia. Só você estava ali”. A aeromoça a encarou por um tempo, como se fosse louca. Helena voltou para seu acento, ainda sem entender o acontecido. Estava confusa, mas ficou ali, olhando a vasta escuridão pela janela. Pôs os fones de ouvido. I got an angel on my shoulder, but a devil in my back, ecoava Kaskade no shuff le do Ipad dourado. Fechou os olhos e viu sua loira sorrindo, gloriosa. A aeronave sacodiu um pouco. Pensou na morte novamente, mas dessa vez, sem medo.

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Meia-calรงa

furada

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Meia-Calça Furada #3 - My milkshake brings all the boys to the yard