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Megaph Cultne ural

Fernando Pineccio/Megaphone

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Distribuição Gratuita

“Desconhecimento é principal barreira para adesão de empresas aos editais e leis de incentivo à cultura” Página 5

Atenção

Biblioteca de Itapira alerta para golpe

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Mr. Speed reúne convidados em Itapira

Intercâmbio

Empresários conhecem projeto turístico

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Ajuda

Grana de tattoo garante ração para Uipa

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Fernando Pineccio/Megaphone

Ano IV – Nº 17 – Edição Quinzenal | 28 de novembro de 2014

A

banda itapirense Mr. Speed (Hard Rock) novamente vai receber convidados, em evento agendado para o dia 6 de dezembro, no Vip Eventos, em Itapira. O grupo formado por Everton Coraça (voz/baixo), Fernando Bazani (guitarra/voz) e Rafael Coradi (bateria/voz) aposta no mesmo formato que já deu certo em julho do ano passado, quando celebrou cinco anos de atividades e recebeu diversas bandas e músicos.

Desta vez, estarão presents integrantes das bandas Céu em Chamas (matéria nesta edição), 70 e Tal, Wild Star, Máfia do Blues, The Rolling Pappers, Exorcizm, Planeta RadioAtivo, Sex Drive, Zoraise e Love Gun (Kiss Cover). Segundo a organização, além de composições presentes nos dois álbuns do Mr. Speed, o repertório do show terá covers variados de diversos nomes do Rock and Roll. “Devido à ótima experi-

ência obtida no ano passado com a nossa festa de cinco, resolvemos fazer mais uma apresentação no mesmo formato, garantindo muito Rock, diversão e muitas surpresas”, comenta Coraça. “É sempre um prazer fazer um som com os amigos e para nossos amigos, nesse caso toda a galera do Rock, de todas as idades. Independente do estilo musical, o amor ao Rock and Roll faz parte da vida de cada um”, acrescenta o vocalista.

O início do show é previsto para 21h00, e a entrada custa R$ 10,00 diretamente na portaria. Vale lembrar que o site da banda foi totalmente reformulado e agora apresenta o repertório do grupo, com links de vídeos das músicas originais. Na página também estão disponíveis os videoclipes de músicas próprias do trio, além de fotos, cartazes de shows e outras informações. O acesso deve ser feito pelo link http://mrspeed. xpg.uol.com.br.

Realismo

Esculturas realistas em exposição na capital

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Retorno

Tio Mandrake tem show no Jazz Café, dia 6

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Atitude

Luana Hansen: ‘Rap feminista’ na luta contra o machismo

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Sonzeira

Anote aí

Resgate

Agência Kinkan apresenta casting de artistas em evento autoral em Mogi Guaçu

Casa das Artes divulga datas de Recitais e Cantata de Natal

Material bélico encontrado no Ribeirão da Penha reforça acervo da Revolução de 1932

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Editorial

S

Chega de produções irresponsáveis

em sombra de dúvidas, o segmento da promoção de eventos é um dos mais prejudicados pela atuação de aventureiros. Não raramente ocorrem cancelamentos de eventos em cima da hora, ou mudanças não muito bem justificadas. Reflexo do amadorismo que vê nos eventos uma forma de ganhar dinheiro fácil e rápido – sem saber como funciona o mercado. No meio de tudo isso fica o público que espera por produções de qualidades e os produtores sérios e responsáveis, que acabam sendo lançados à mesma vala comum da picaretagem. Recentemente, no cenário regional, mais um ótimo exemplo do que o despreparo, falta de capacidade, de seriedade e de compromisso podem fazer. Foi imenso o estrago causado pelo cancelamento de um evento previsto para ocorrer em Mogi Guaçu neste

Crítica

mês, mas que desde a primeira divulgação já se mostrou totalmente instável por inúmeras falhas visíveis aos olhos de quem está acostumado a produzir. E a cada mês a coisa parecia mais fora de controle, com o resultado mais que óbvio vindo à tona praticamente na semana do suposto grande show: o cancelamento, feito da pior forma possível, sem transparência e sem atenção com o público. Nada mais que esperado, já que os insistentes contatos de imprensa nunca eram retornados – nem mesmo no início, quando a intenção era pela divulgação. Semanas antes da data anunciada, fontes confiáveis ligadas aos artistas que supostamente participariam do evento já informaram à reportagem do Megaphone a quebra contratual. E, disso pra derrocada total foi apenas um pulo.

Que - mais uma vez – sirva de exemplo. Aos pretensos produtores que acham que evento é brincadeira, e também a diversos meios de comunicação que abraçam qualquer informação sem a devida checagem. A responsabilidade envolta na produção de um evento não se limita à contratação de banda e venda de ingresso. Há muita coisa em jogo, e o simples fato de uma pessoa comprar ingresso e agendar o compromisso já demanda o mínimo de seriedade. E envolve responsabilidade, demanda experiência, pede contatos confiáveis, parcerias duradouras e, principalmente, credibilidade – que só se conquista unindo todos esses fatores a uma proposta bem modelada e que, claro, se cumpra. E, principalmente, sem querer culpar o mundo pela incompetência exclusiva.

Onagra Claudique Lira Auriverde (2014)

Leia ouvindo  http://onagra.bandcamp.com/ Um álbum de estreia é sempre um salto no escuro. Ainda mais quando o que se quer fazer é algo original. Na história da nossa música, eu me lembraria de discos como Chega de Saudade (1959), Os Mutantes (1968) e Clara Crocodilo (1980), magníficos álbuns de estreia. É um mérito raro quando o álbum de estreia de algum artista soa relevante, representativo, marcante, paradigmático, ou mesmo (e não somente) bom. Mostra que o artista já parte de um conceito razoavelmente definido, que houve certo estudo, que tem algumas diretrizes de antemão determinadas. Parece muito audacioso, tanto nas comparações quanto nos apontamentos, incluir um álbum recém-lançado no cânone da música brasileira. A intenção aqui não é essa. A finalidade, na verdade, é garantir a legitimidade crítica de um álbum de estreia, desconstruir o preconceito pelo novatismo e julgar tal obra como se julgaria qualquer outra. A diferença é que o álbum de estreia não pode ser comparado com outras obras produzidas pelo artista, já que é a primeira, e até agora a única coisa que o artista tem para mostrar. É o início de uma gênese. Cabe ao crítico, logo, ao analisar um álbum de estreia, desnudar e descrever os aspectos da obra. Esse será o esforço dispendido aqui. Onagra Claudique é um duo paulistano de raiz interiorana. Os dois integrantes, Diego Scalada e Roger Valença, nasceram em Dracena (SP). Talvez por isso haja a mistura da temática urbana com um lirismo quase pastoral em algumas músicas. Essa e muitas outras especificidades tornam a Onagra Claudique uma banda de difícil classificação. A sonoridade flerta entre a Nova MPB, o indie e o folk, numa mistura no mínimo incomum, quiçá nova; as letras, por sua vez, exploram demasiadamente os limites da língua portuguesa, alcançando um raríssimo lirismo, extinto entre os novos conjuntos que circulam pelo mercado musical. Lira Auriverde (2014), álbum de estreia da Onagra Claudique, inicia-se com “Urtica Ardens”, canção de estrutura próxima à das cantigas de amor trovadorescas, porém tratando de um casal contemporâneo incapaz de viver junto; indo mais fundo, trata da impossibilidade de se viver junto, do grilhão dos relacionamentos. Que fazer? Deixar livre, livre para voltar. “Teses Taxistas”, segunda faixa, é um dos pontos altos do álbum. Opera como uma crítica social de beleza ímpar, que vale a pena ser em parte reproduzida. É a crítica da ideologia, desmistificando o senso comum; do discurso de ódio da classe média, violento e intolerante por essência. Crítica precisa, profunda, substancial. A terceira faixa, “Rosa Ferrugem”, usa a imagem do café expresso para falar da perda da sensibilidade, do refinamento do gosto, do caráter de distinção. O café amargo age como representação da melancolia, sem doçura, mas com uma aura de delícia. “De doce, basta a vida”. “Empirimístico” demonstra a contradição

apontada no próprio título. O cientista é aquele que parte da empiria, da realidade concreta. O cientista é o arquétipo do homem da modernidade, racional e calculista. O empirimístico, ao mesmo tempo em que investiga as origens de sua personalidade, dá vazão às mudanças constantes, aos impulsos internos. “Sagração” me remete à Sagração da Primavera, balé composto por Stravinsky e coreografado por Nijinski. Também é parecida com as cantigas de amor. Por seu alto grau de sutileza, é uma das canções mais bonitas do álbum. Já em “Estélio Prates, O Literato”, é evidente a inadequação do artista na sociedade, e mais concretamente, na própria rotina. Fala da vergonha por não saber comer com hashis num encontro no restaurante japonês; da dificuldade em verbalizar as paixões; da questão de classe, por não conhecer o melhor restaurante. Todavia, isso tudo é supostamente compensado pelo bom gosto por poesia, vinho e música. Vale notar o teor bem paulistano da letra: a busca por diversão mesmo num versão sem praia ou dia frio. Eu particularmente me identifico muito com essa canção, na posição de um aspirante a intelectual que tenta se refinar nos gostos, mas gosta mesmo é de um prato feito. O desafio é eliminar a falsa contradição entre essas duas coisas. “Po xa”, com sua pegada meio country, é uma caricatura do sujeito incapaz de se declarar. “Abafado” é a mais interiorana entre as faixas. O violão carrega algo de originário, além da temática do calor, que ganha destaque em contradição com o clima ameno e chuvoso da capital. Em “Irresoluto”, o tema é o dos planos, planos que quando não realizados geram frustrações. Esse ideal projetual é criticado, pois às vezes precisamos voltar para seguir em frente. No final, o sujeito antes tão focado, termina irresoluto dos próprios problemas, irresoluto de si mesmo. “Arrebol”, la dernière chanson, faz jus à sua posição no todo do álbum. Angustiante, fala da impossibilidade da vida na cidade grande: o trânsito, o estresse, a vida dura e diária do anonimato. Ainda assim, algo de bonito: o arrebol por entre os arranha-céus. No fim, Lira Auriverde na verdade mostra a impossibilidade das relações. Em todo lugar uma barreira: o preconceito, a posse, o projeto, a cidade, a linguagem, a classe social, o clima, os imperativos de gosto. É nessa exploração dos limites, nas brechas que essas barreiras dão para que possamos ao menos dizê-las, é que a arte se manifesta. O grande mérito da Onagra Claudique é o de apreender esses últimos rasgos de beleza deuma sociedade danificada, de uma vida danificada. Explicitar as contradições, descrever a miséria, isso já é apontar para outra coisa. • Alberto José Colosso Sartorelli, 20, estudante de filosofia, poeta nas raras inspirações, tem inclinações antiburguesas, mas na maior parte do tempo é um diletante. Itapirense de nascimento e de coração, paulistano por vontade própria. Contato via sartorelli-alberto@hotmail.com

PONTOS DE DISTRIBUIÇÃO O Jornal Megahone circula quinzenalmente, sempre entre os dias 10/15 e 25/30 de cada mês. A distribuição é gratuita e você pode retirar o seu exemplar em alguns postos fixos nas cidades de Itapira, Mogi Mirim e Mogi Guaçu: ITAPIRA

Banca Estação | Praça João Sarkis Filho – Centro Banca da Praça | Praça Bernardino de Campos – Centro Banca Santa Cruz | Rua da Saudade – Santa Cruz Jazz Café |Rua José Bonifácio, 365 – Shopping Sarkis Mil Mídias |Rua 24 de Outubro, 166 - Centro Costa Maneira|Rua Alfredo Pujol, 190 - Centro

MOGI MIRIM

Spookshow Rock Store |Rua Voluntário Chiquito Venâncio, 267 – Centro Bancas do Sardinha | Praça Rui Barbosa (Centro) e Rua Pedro Botesi (Tucura) School Skate Store | Rua Padre Roque, 284 - Sala I - Centro Rogatte Tattoo Rua XV de Novembro, 133 - Centro

MOGI GUAÇU

Choperia Tradição | Avenida Luiz Gonzada de Amoedo Campos, 31 – Planalto Verde Riff Lord Stúdio | Rua Waldomiro Martini, 63 – Centro Disco Tem | Avenida Nove de Abril, 90 - Centro Banca da Capela |Praça da Capela - Centro

Quer ser um distribuidor? Entre em contato: (19) 9.9836.4851 ou contato@portalmegaphone.com.br

Expediente Megaphone Cultural Textos: Fernando Pineccio*

Impressão: Jornal Tribuna de Itapira

Vendas: Alexandre Battaglini (9.9836.4851)

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Projeto Gráfico: Cássio Rottuli (9.9946.9027) Cidade-sede: Itapira/SP

Circulação na Baixa Mogiana e Circuito das Águas imprensa@portalmegaphone.com.br

facebook.com/megaphonenews *Exceto matérias assinadas. Os artigos assinados não refletem necessariamente a opinião do Megaphone Cultural.


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Divulgação/Agência Kinkan

a t n e s e r p a l a Festiv a i c n ê g a e d g n i cast u ç a u G i g o M em A Agência Kinkan, sediada em Mogi Guaçu, promove no dia 6 de dezembro a primeira edição do Festival Kinkan de Bandas Autorais. O evento reúne os grupos Tanto Herói Canalha (THC), I n s p i ra d o s e I n d i g o Frequency – todos in-

tegrantes do casting da agência. Também é prevista a participação de outras bandas convidadas. Na ocasião, a THC fará o lançamento do single ‘Boa Nova’; enquanto que a Inspirados também lançará seu single ‘Felicidade. O evento

acontece na Estação do Chopp, à Praça Duque de Caxias, 81, ao lado da antiga estação ferroviária. Os convites antecipados custam R$ 10,00, sendo R$ 15,00 na hora. As vendas acontecem no próprio local e também no Beer Fest (Avenida Mogi Mirim, 730) ou com

xandre Godoy. A edição anterior, em setembro registrou a presença de aproximadamente 150 pessoas. A iniciativa independente visa abrir espaço para bandas locais. A programação teve início com algum atraso, por volta das 17h00. Ao todo, oito bandas subiram ao palco: New Heaven, Estado Livre, Wild Star, Sex Drive, Ilusão de Óti-

Rodrigo Peguin (contato via 99740-3076). A Agência Kinkan foi fundada em 2013 e desde então atua na produção audiovisual e na venda e produção de shows de artistas e bandas, além de prestar assessoria de imprensa e ser um selo musical. Maiores informações pelo email contato@agenciakinkan. com ou pelos telefones (19) 9.9740-3076 e (11) 9.8693-7068. Divulgação/Prefeitura de Itapira

Público recorde marca quarta edição do Rock n’ Paz A quarta edição do Rock n’ Paz foi marcada por um público expressivo, considerado recorde entre todas as edições do evento. Segundo a organização, perto de 250 pessoas acompanharam as atividades abrigadas na Concha Acústica ‘Paulino Santiago’, na tarde do dia 15. “Foi o melhor que tivemos até agora”, comentou um dos organizadores, Ale-

Tanto Herói Canalha lança single no evento

Banda retorna a Itapira

ITAPIRA 28/11 - Batercussão Casa das Artes – Rua Campos Salles, 4 - Centro 20h00, entrada franca (retirar convites com antecedência, 80 lugares) 28/11 – Ed Campos O Chopinho – Rua Dr. Noberto da Fonseca, 240 – Nova Itapira 20h30. R$ consulte. 29/11 – Tio Mandrake Jazz Café – Rua José Bonifácio, 365 – Centro 19h00, R$ 12 29/11 – Luana Camarah & Banda Turnê Capitão Black – Avenida Jacareí, 64 – Santa Cruz 23h00, ingressos antecipados a R$ 20 (primeiro lote) e R$ 30 (segundo lote) Vendas no local. Dose dupla de Tequila a noite toda 30/11 – Grupo Desenhando – Música Instrumental Brasileira Parque Juca Mulato - Centro 10h00, aberto ao público 30/11 – Espetáculo Teatral ‘Quimera’ Anfiteatro do Instituto ‘Américo Bairral’ 18h00, ingresso deve ser trocado por uma especiaria para cestas de natal Ponto de troca: Casa da Cultura e Centrão 01/12 – Recital de Piano Casa das Artes – Rua Campos Salles, 4 - Centro 20h00, entrada franca (retirar convites com antecedência no local, 80 lugares) 02/12 – Recital de Bateria e Percussão Casa das Artes – Rua Campos Salles, 4 - Centro 20h00, entrada franca (retirar convites com antecedência no local, 80 lugares) 04/12 – Recital de Clarineta e Saxofone Casa das Artes – Rua Campos Salles, 4 - Centro 20h00, entrada franca (retirar convites com antecedência no local, 80 lugares) 05/12 – Cantata de Natal Praça Bernardino de Campos – Centro 19h30, aberto ao público 06/12 – Mr. Speed & Convidados VIP Eventos – Rua Baptista Venturini, 36 – Santa Fé 21h00, R$ 10

Evento superou expectativas

ca, Zoraide, Breaking The Sorrow e Led On. As atividades se estenderam até por volta das 23h00. O lado beneficente do evento favoreceu a ONG ‘Anjos sem Asas’, que atua no segmento de proteção animal.

Componentes do grupo comercializaram comes e bebes, além de objetos promocionais, para arrecadar fundos que subsidiem suas ações. A próxima edição do Rock n’ Paz ainda não tem data definida.

Tio Mandrake desembarca no Jazz Café Divulgação

PROGRAME-SE

Agenda dos melhores eventos de 28/11 a 15/12

A banda Tio Mandrake desembarca mais uma vez em Itapira, desta vez para show no Jazz Café. A apresentação acontece no dia 6 de dezembro, a partir das 19h00, com entrada ao preço de R$ 12,00. O grupo de Cosmópolis (SP) mostra seu repertório cravado no Classic Rock, além de composições autorais que já lhe garantiram premiações em diversos concursos na região – inclusive os

Festivais de Rock de Itapira de 2012 e deste ano. No m e s c o m o L e d Zeppelin, Black Sabbath, Deep Purple, Ozzy Osbourne e Lynyrd Skynyrd são alguns que compõe o setlist do grupo formado por Rod Colt (voz/gaita), Lelly Walker (guitarra), Eddie Cobra (baixo) e Tony Coyote (bateria). O Jazz Café fica na Rua José Bonifácio, 365 – Centro. Reservas e informações pelo telefone (19) 3863-3141.

06/12 – T-Ale Capitão Black – Avenida Jacareí, 64 – Santa Cruz 23h00, ingressos antecipados a R$ 25 (primeiro lote) e R$ 30 (segundo lote). Vendas no local. 08/12 – Recital de Violão Casa das Artes – Rua Campos Salles, 4 - Centro 20h00, entrada franca (retirar convites com antecedência no local, 80 lugares) 09/12 – Recital de Flauta Casa das Artes – Rua Campos Salles, 4 - Centro 20h00, entrada franca (retirar convites com antecedência no local, 80 lugares) 10/12 – Cantata de Natal Casa da Cultura ‘João Torrecillas Filho’ 19h30, aberto ao público 11/12 – Cantata de Natal Igreja Matriz de Nossa Senhora Aparecida - Prados 20h00, aberto ao público 12/12 – Recital de Viola Caipira Casa das Artes – Rua Campos Salles, 4 - Centro 20h00, entrada franca (retirar convites com antecedência no local, 80 lugares) 12/12 – Folk You & Fernando Piasecki Country Band VIP Eventos – Rua Baptista Venturini, 36 – Santa Fé 21h00, R$ 10,00 14/12 – Cantata de Natal Igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha 20h00, aberto ao público 15/12 – Recital de Violino e Viola Casa das Artes – Rua Campos Salles, 4 - Centro 20h00, entrada franca (retirar convites com antecedência no local, 80 lugares) 16/12 – Recital de Metais Casa das Artes – Rua Campos Salles, 4 - Centro 20h00, entrada franca (retirar convites com antecedência no local, 80 lugares) 17/12 – Cantata de Natal Centro Espírita ‘Luiz Gonzaga’ 20h00, aberto ao público MOGI MIRIM 28/11 – Cashback Zaferano – Rua Sergipe, 47 - Saúde 20h30, R$ consulte 30/11 – III We Crush Your Mind With Noise Inside Bar do Juca – Avenida Padre João Vieira Ramalho – Mirante Bandas: Institution, Negative Side e Nervo. 17h00, R$ 10 MOGI GUAÇU 28/11 – Lina & Renata Choperia Tradição – Avenida Luiz Gonzaga de Amoedo Campos Jardim Vasconcelos - 21h30, R$ consulte 29/11 – Mac Brodie Choperia Tradição – Avenida Luiz Gonzaga de Amoedo Campos Jardim Vasconcelos - 21h30, R$ consulte 29/11 – Acid/C – AC/DC Cover Dinossaurus Rock Bar – Avenida Mogi Mirim, 472 – Centro 23h00, R$ 10 antecipado e R$ 15 na hora 29/11 – Mr. Speed O Profeta Pub Rock – Rua Vereador João da Rocha Franco, 39 - Centro 23h00, R$ 10 30/11 – Mogi Brutal Fest O Profeta Pub Rock – Rua Vereador João da Rocha Franco, 39 - Centro Bandas: MetalMad, Mortal Hate, Chaoslace e Morfolk. 16h00 Entrada a R$ 10 ou doação de um brinquedo novo ou seminovo 06/12 – 1º Festival Kinkan de Bandas Autorais Estação do Chopp – Praça Duque de Caxias, 81 – Centro Bandas: Indigo Frequency, Tanto Herói Canalha e Inspirados + convidados. 19h30. Ingressos antecipados a R$ 10. Na hora, R$ 15. Vendas no local. 07/12 – 3º Mogi Guaçu é Rock! Choperia Tradição – Avenida Luiz Gonzaga de Amoedo Campos Jardim Vasconcelos. Bandas: Major Rank, Máfia do Blues, Paul Stone, Fernando Piasecki, Don Juanna, TMB, Triotopia e Projetos Engavetados. 15h. Entrada: 1 kg de alimento não perecível. 13/12 – 1º Rock Mad Vida Dinossaurus Rock Bar – Avenida Mogi Mirim, 472 – Centro DJ Ed Padovan, Paul Stone, Clube do Blues, Wild Star, Tio Mandrake, The Legend’s, Major Rank, Rotta do Som e Valvulados. 14h00. Entrada: 1 kg de alimento não perecível.


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I

Monik Ungaratti

TAPIRA - A Casa das Artes anunciou as datas de sua tradicional Cantata de Natal, evento que neste ano acontece em dois formatos distintos. As apresentações ocorrem nos dias 5 (Praça Bernardino de Campos, Centro); 10 (Casa da Cultura ‘João Torrecillas Filho, Centro); 11 (Igreja Matriz de Nossa Senhora Aparecida, Prados); 14 (Igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha, Centro) e 17 (Centro Espírita ‘Luiz Gonzaga’, Centro). Nas quatro primeiras ocasiões, o formato adotado será o tradicional, já conhecido do público, reunindo a Banda da Casa das Artes aos alunos do Projeto Batutinha que acontece na própria instituição e nas unidades escolares municipais, além de coro adulto. “Neste caso , o repertório será formado pelas canções populares da época natalina”, comenta o maestro César Lupinacci, diretor artístico da Casa das Artes. Já a apresentação do dia 17 terá caráter inovador, de acordo com o maestro. “Tendo em vista que abrimos nosso curso de cordas (violino, viola, violoncello e contrabaixo), vamos fazer essa apresentação com uma orquestra, contando com a experiência dos professores e de alguns músicos convidados”, destacou Lupinacci.

Léo Santos

Cantata de Natal terá cinco apresentações Lupinacci comanda nova edição da Cantata

O evento também conta com coro infantil e adulto, mas o repertório será formato por uma peça que concentra cinco movimentos em meia hora de duração. “É uma peça do compositor Robson Cavalcante, que inclusive estará presente no coro adulto”, informou o maestro. Segundo ele, ao todo as apresentações deverão mobilizar perto de 350 pessoas. “Estamos ensaiando praticamente todo dia e preparando tudo, e a expectativa é muito boa”, finalizou. A entrada é franca em todos os eventos.

Recitais também já têm datas Pa r a l e l a m e n t e à programação da Cantata de Natal, a Casa das Artes também se prepara para a apresentação dos recitais de seus alunos. Os eventos envolvem todos os 280 aprendizes que atualmente freqüentam os cursos de musicalização na instituição sediada à Rua Campos Salles, 4, no Centro de Itapira. Na prática, os recitais encerram o ano letivo da Casa das Artes, representando a

Confira a programação: DIA

HORA

RECITAL / INSTRUMENTO

01, SEGUNDA 20H00

PIANO

02, TERÇA

20H00

BATERIA E PERCUSSÃO

04, QUINTA

20H00

CLARINETA E SAXOFONE

08, SEGUNDA 20H00 09, TERÇA 20H00 12, SEXTA

20H00

Ao todo, serão oito eventos entre os dias 1 e 16 de dezembro, abrigados no auditório da instituição. Todos têm

FLAUTA VIOLA CAIPIRA

16, TERÇA 20H00

oportunidade dos alunos demonstrarem seu aprendizado e evolução do último semestre aos pais, familiares e amigos.

VIOLÃO

METAIS

entrada franca, mas demandam retirada antecipada de ingressos, dada a capacidade máxima de 80 lugares.

‘Tattoo solidária’ beneficia Uipa de Itapira

Lopes promove evento pela segunda vez

Acontece nos dias 20 e 21 de dezembro – sábado e domingo - a segunda edição do evento ‘Faça uma Tattoo Por Seu melhor Amigo’. O evento beneficente à Uipa (União Internacional Protetora dos Animais) é realizado pelo estúdio Tóts Tattoo, do tatuador José Evaristo Lopes. Na prática, todas as tatuagens feitas no dia 20, no estúdio, terão seu valor integralmente investido na aquisição de ração canina, que por sua vez será revertida à instituição. Para isso, os agendamentos já foram feitos

por meio da página do evento no Facebook. Ao todo, foram 15 adesões de pessoas que deverão optar por desenhos, símbolos ou frases relacionados ao tema animal. Os valores variam entre R$ 60 e R$ 100, segundo Lopes, já que são tatuagens pequenas e simples devido à grande demanda em tão pouco tempo. “A adesão surpreendeu, foi muito rápido e até superou o limite que havia estabelecido”, comentou o tatuador que receberá os clientes-participantes entre 9h00 e 17h00 no

estúdio situado à Rua Manoel Pereira, 406, no Centro. No dia seguinte, 21, as atividades serão abrigadas no Parque Juca Mulato, com apresentações musicais das bandas 70 e Tal, Ilusão de Ótica e Solara, entre 9h00 e 15h. A ocasião também reunirá barracas beneficentes à Uipa e haverá brinquedos para crianças. Um lote de 50 camisetas alusivas ao evento também estará à venda, ao preço de R$ 20,00 cada. A estampa frontal remete ao evento, enquanto que os patrocinadores são exibidos nas costas –

entre eles o Megaphone, que apóia o evento desde sua primeira edição. No ano passado, as tatuagens e vendas de camisetas se reverteram em 45 sacos de ração com 15 quilos cada. Além disso, a agropecuária Agro Dél também colaborou e doou mais alguns. Para maiores informações, aquisição de camisetas e outras formas de colaborar com a iniciativa é possível entrar em contato com o estúdio pelo telefone 3813-4590, ou diretamente na página do evento no Facebook, pelo link http://bit. ly/tattoosolidaria.


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rincipal ferramenta para estimular o apoio da iniciativa privada ao setor cultural, as leis de incentivo ainda são pouco difundidas entre aqueles que poderiam fazer uso constante de seus benefícios. Especialmente nas cidades pequenas, o desconhecimento sobre a o funcionamento desses mecanismos acaba por dificultar o desenvolvimento de projetos que poderiam culminar em maior oferta cultural à população e, de quebra fomentar a participação social de empresas na localidade em que atua. Tudo sem representar custos a mais, já que o patrocínio cultural por meio das leis de incentivo, na prática, apenas destina o imposto devido aos governos estadual ou federal para a execução e/ ou manutenção de projetos aprovados pelos órgãos competentes. Em São Paulo, a opção é o ProAc (Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo), gerido pela Secretaria de Estado da Cultura. Há também a opção mantida pelo governo federal, através do Ministério da Cultura, que é a Lei Rouanet (Lei de Incentivo à Cultura). No primeiro mecanismo, o valor do patrocínio concedido pela empresa é deduzido de seu ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços), enquanto que na segunda lei a dedução ocorre por meio do Imposto de Renda devido. “Todas as empresas tributadas em lucro real podem financiar projetos culturais pela Lei Rouanet, enquanto que todas as empresas que pagam ICMS, independente de lucro real ou presumido, podem financiar pelo ProAc”, explica o diretor da Wooz Arte & Cultura, Ricardo Pecego, 38. Alguns municípios também já se organizaram e criaram leis próprias de incentivo à cultura. “Neste caso, as cidades definem parâmetros próprios que podem oferecer dedução do patrocínio, por exemplo, no IPTU (Imposto Predial Territorial Urbano) ou no ISS (Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza)”, acrescenta Pecego. Em Itapira, por exemplo, instituições como Casa das Artes e Banda Lira Itapirense já possuem projetos financiados por meio do ProAc. A cidade e a região também já receberam di-

Fernando Pineccio/Megaphone

Esclarecimento deve ser atrelado a projetos consistentes, diz Pecego

Desconhecimento ainda restringe adesão a leis de incentivo cultural versos shows e eventos subsidiados pelas leis de incentivo cultural em âmbito federal ou estadual. Em Itapira, por exemplo, um dos projetos mais recentes entre os financiados pelo ProAc foi a Mostra Tropé de Circo, Bonecos e Teatro de Rua, organizado pela Cia Talagadá. Neste caso, o grupo foi premiado em um edital aberto pela Secretaria de Estado da Cultura especificamente para a realização de festivais do gênero. Apesar dos avanços, contudo, o desconhecimento e a falta de interesse ainda representam grandes obstáculos aos produtores que buscam financiar seus projetos através das leis de incentivo. E o problema é geral.

“Hoje, 70% do empresariado nacional não utiliza (as leis de incentivo) por falta de conhecimento. Na esfera estadual, esse patamar gira em torno de 60%. Estão pagando para o governo e deixando de incentivar a cultura em suas regiões, ou em nível nacional mesmo”, enfatiza o diretor. De acordo com ele, é importante esclarecer que de qualquer forma o dinheiro deixará o caixa da empresa. Para quitar os impostos ou para destinar os recursos aos projetos culturais. E a empresa patrocinadora ganha visibilidade nas mídias de divulgação do evento. “O governo abre mão dessas verbas e ainda oferece a possibilidade de grande divulgação, pois a

marca da empresa vai aparecer em todas as mídias”, frisa Pecego. DESAFIOS Para o diretor da Wooz, um dos grandes desafios está mesmo na questão do esclarecimento acerca dos mecanismos oferecidos no contexto das leis de incentivo. Contudo, o conhecimento e o convencimento à adesão devem ser atrelados à existência de bons projetos. “Na nossa região já ocorreram bons projetos, mas que foram pontuados no evento em si, que aconteceu e acabou. Penso que o incentivo fiscal deva ser empregado a médio e longo prazo, explorado de forma a capacitar, formar público e

Biblioteca de Itapira alerta sobre falsa campanha de arrecadação de fundos A Biblioteca Municipal ‘Dr. Mário da Fonseca Filho’ emitiu um alerta a toda a população sobre uma falsa campanha de arrecadação de fundos para sua ampliação. Segundo comunicado enviado ao Megaphone, a suposta campanha está sendo divulgada na cidade – especialmente em estabelecimentos comerciais – pedindo fundos para a pasta municipal. “A Biblioteca não faz este tipo de coleta de recursos e não tem pes-

soas autorizadas a pedir dinheiro para qualquer atividade sua”, informa o texto. Para fazer a ampliação de seu acervo, a Biblioteca conta com doações de livros dos governos estadual e federal, bem como da população. Neste caso, porém, os doadores particulares devem procurar a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, instalada no segundo piso da Casa da Cultura ‘João Torrecillas Filho’ – mesmo prédio que abriga a Biblio-

gerar intercâmbio entre os artistas”, comenta Pecego. Como exemplo de um projeto bem definido, ele cita o próprio Tropé, que fomenta exatamente a proposta da formação de público, intercâmbio e desenvolvimento cultural da comunidade. “É preciso apresentar projetos consistentes, e é interessante para as próprias empresas que a cidade em que estão estabelecidas tenha uma vida cultural rica. Muitas vezes, seus funcionários não possuem um campo cultural amplo, mas fazem definições globais no ambiente corporativo”, ilustra. “É fundamental que o empresário se preocupe com o bem estar de sua cidade e seu entorno”,

emenda. Segundo Pecego, existe também um receio por parte de empresários de que a destinação de recursos a projetos culturais possa atrair ações fiscalizadoras mais rígidas. O que não é verdade. “A participação em leis de incentivo não gera nenhuma fiscalização adicional ou olhar diferenciado dos órgãos do Estado ou da União. O que existe é uma prestação de contas que deve ser feita pelo produtor que executa o projeto. A empresa patrocinadora não precisa prestar contas, a responsabilidade é toda do produtor que assina o projeto”. Como forma de fomentar o conhecimento acerca do assunto, Pecego sugere realização de palestras junto ao empresariado, bem como reuniões nas próprias empresas. Outra marca do desconhecimento reflete diretamente nas pequenas e médias empresas – que acreditam que somente grandes empresas podem aderir às leis de incentivo. “Na verdade, isso acontece nas duas partes. Muitos produtores também acham que somente as grandes empresas podem patrocinar projetos culturais”, frisa Pecego. Da parte do Poder Público, o diretor acredita que Itapira caminha para que possa ter sua própria lei de incentivo nos próximos anos. É que, conforme já noticiado pelo Megaphone, o Conselho Municipal de Política Cultural está mobilizado na criação do Plano Municipal de Cultura, o que deverá levar à edição da legislação. “Nesse contexto, o ideal é que a lei determine que os recursos sejam destinados ao Fundo Municipal de Cultura; que poderá gerir projetos e criar editais próprios e transparentes que serão avaliados e assessorados por pessoas capacitadas. Isso permite que a cultura se movimente como economia”, sugere o diretor. As empresas também podem abrir editais próprios, como fazem os governos. “Mas, é necessário que as empresas facilitem o acesso dos produtores às áreas que cuidam dessa parte, tudo, claro, com muito critério e transparência dos dois lados”, finaliza Pecego. Interessados em obter mais informações sobre o tema podem entrar em contato diretamente com o diretor através do email rpecego@wooz.org.br. Fernando Pineccio/Megaphone

teca – preferencialmente levando os volumes que pretendem entregar ao acervo público. “Em nenhuma hipótese a Biblioteca ou a Secretaria nomeiam terceiros ou mesmo funcionários para coletar dinheiro no comércio ou nas residências”, reforça o comunicado. Caso alguém tenha informações sobre os autores da fraude, elas deverão ser repassadas à PM (Polícia Militar), pelo telefone 190, ou à GCM (Guarda Civil Municipal), pelo número 153.

Biblioteca funciona na Casa da Cultura

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Pinacoteca de São Paulo expõe esculturas realistas de Ron Mueck cado por uma navalha; e ‘O náufrago’, com um homem nu em um barco à deriva. Além das obras, a exposição conta com o documentário ‘Natureza Morta: Ron Mueck no Trabalho’, filme

que apresenta o artista enquanto produzia suas obras. A exposição começou no último dia 20 e permanece em cartaz até 22 de

fevereiro de 2015. Nos dois primeiros dias da mostra, as pessoas chegaram a passar até três horas na fila. Segundo a Pinacoteca, o primeiro dia atraiu 7.105 visitantes – número considerado um recorde pela instituição.

Praça da Luz, 02 – Luz – São Paulo (SP) - Tel.: (11) 3324-1000 Terça a domingo das 10h às 17h30 com permanência até as 18h. Quintas até as 22h. Ingresso combinado (Pinacoteca e Estação Pinacoteca): R$ 6,00 (inteira) e R$ 3,00 (estudante) Grátis as quintas, após as 17h, e sábados. Crianças com até 10 anos e idosos maiores de 60 anos não pagam. Classificação livre.

Ron Mueck nasceu em Melbourne, Austrália, em 1958. A partir do ano de 1996, em colaboração com sua sogra Paula Rego, produziu uma série de pequenas figuras como parte de uma exposição que ela estava realizando na Galeria Hayward de Londres. Começou a abandonar gradativamente

Divulgação

N

ove esculturas gigantes e hiper-realistas do artista contemporâneo Ron Mueck chegaram a São Paulo e estão em exibição na Pinacoteca do Estado, na Luz. Concebida pela Fondation Cartier pour l’art contemporain, de Paris, e com curadoria de seu diretor Hervé Chandès e de sua curadora associada Grazia Quaroni, a mostra vem a São Paulo após exposição no Museu de Arte do Rio de Janeiro e na Fundación Proa, em Buenos Aires. As esculturas de Mueck, de grande dimensão, impressionam pelo realismo dos personagens e pelo perfeccionismo do artista. Mueck usa materiais como resina, fibra de vidro, silicone e acrílico para reproduzir cada detalhe do corpo humano. Algumas das obras que fazem parte da exposição são ‘Máscara 2’, um autorretrato do artista; ‘A Vítima’, em que um garoto exibe um ferimento provo-

SERVIÇO Exposição das esculturas de Ron Mueck na Pinacoteca do Estado

Esculturas gigantes impressionam pelo realismo e riqueza de detalhes

a produção de maquetes e modelos para o cinema e televisão. A transição de artesão a artista se completou ao ser descoberto por Charles Saatchi, que passou a colecionar suas obras e o consagrou com grande valor no mercado de arte. Saatchi elegeu ‘Dead Dad’, uma escultura de pequena escala do pai de Mueck morto e desnudo para a exposição Sensation en el Royal Academy, em 1997. Em 2001, Mueck obteve grande aceitação internacional e se destacou como um dos artistas mais originais da arte contemporânea com ‘Boy’, um enorme menino de 5 metros de altura, agachado, que foi exibido no Milenium Dome e na 49 ª Bienal de Veneza. Ron Mueck não concede entrevista, nem mesmo antes de novas exposições. Atualmente, vive e trabalha em Londres.

Quatro filmes brasileiros podem concorrer ao Oscar 2015 O curta-metragem O Caminhão do Meu Pai, dirigido pelo paulista Mauricio Osaki, foi anunciado como um dos finalistas ao Oscar 2015 em sua categoria. O anúncio foi feito pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Ao todo, segundo a instituição, 141 filmes de curta-metragem foram inscritos na competição., dos quais nove foram pré-selecionados. Os membros da Academia agora devem escolher de três a cinco filmes entre os pré-selecionados. Os mais votados entram na disputa pela estatueta. Na categoria Documentário, disputam uma vaga as produções Elena, de Petra Costa, e This Is Not a Ball, do artista plástico Vik Muniz. Na categoria Melhor Filme Estrangeiro, Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, de Daniel Ribeiro e que conta com o itapirense Fabio Audi no elenco; já havia sido anunciado como um dos escolhidos pelo Ministério da Cultura para concorrer a uma vaga na premiação. No caso destas três últimas produções, os finalistas ainda não foram divulgados. Coprodução feita entre Brasil e Vietnã e premiada

em festivais internacionais, O Caminhão do Meu Pai foi produzido por uma equipe técnica brasileira e tem elenco vietnamita. Filmado em Hanói, ele conta a história de uma menina que passa um dia inteiro acompanhando o pai, que é caminhoneiro. Na sinopse oficial do filme, aos poucos, ela percebe que certo e errado são conceitos amplos. O filme foi exibido em diversos festivais internacionais, inclusive no Festival Internacional de Cinema de Berlim, no ano passado. Na categoria documentário, duas produções brasileiras disputam uma indicação para o prêmio concedido pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Os documentários em longa-metragem Elena, de Petra Costa, e This Is Not a Ball, do artista plástico Vik Muniz, podem concorrer ao prêmio. Elena, premiado em festivais nacionais e internacionais, conta a história da irmã mais velha de Petra, que viajou para os Estados Unidos para tentar a sorte como atriz. Duas décadas mais tarde, Petra também se torna atriz e embarca para Nova York em busca de Elena. Tem apenas pistas: filmes

caseiros, recortes de jornal, diários e cartas. This Is Not a Ball é dirigido por Muniz, ao lado de Juan Rendon, foi produzido para a rede de TV por internet Netflix e mostra como diferentes povos de nove países encaram o futebol. O documentário também acompanha a concepção de uma das mais recentes obras do artista, apresentada no México, que foi feito com 20 mil bolas de futebol. Por enquanto, os dois documentários concorrem com outras 132 produções. A lista de filmes que disputarão o prêmio de Melhor Documentário deve ser reduzida para 15 em dezembro. O longa-metragem de ficção Hoje Eu Quero Voltar Sozinho disputa com produções de 83 países uma das cinco vagas na categoria Melhor Filme Estrangeiro. O filme, que venceu prêmios em diversos festivais internacionais de cinema, mostra a história de um adolescente cego que se apaixona por um colega de escola. No dia 15 de janeiro, os finalistas de todas as 23 categorias serão divulgados. A premiação será no dia 22 de fevereiro, durante a 87ª edição da Oscar. Reprodução

Cena do curta O Caminhão do Meu Pai, finalista do maior prêmio do cinema mundial

Divulgação

Barbaria lança novo videoclipe A banda mogimiriana Barbaria (Pirate Metal) lançou o videoclipe da música ‘Blackbeard’, faixa que abre o disco autoral ‘Watery Grave’. O curta foi dirigido pelo vocalista Draco Louback, em parceria com a produtora Into Chaos. “Foi realizado um grande trabalho em cima da música. A letra faz uma abordagem sobre Edward Teach, mais conhecido como Barba Negra, o corsário mais te-

mido da época, que costumava acender pavios sob sua barba para afrontar os inimigos nas guerras”, comenta. A bordo do Queen Anne’s Revenge, navio que continha 40 canhões, Barba Negra era temido por todos navegantes. O clipe foi publicado na página oficial do Barbaria no Facebook no dia 20 e, em menos de cinco dias, chegou à marca de 1,3 mil visualizações. Além de Louback, o grupo

Grupo mogimiriano divulga novo trabalho

conta atualmente com Renan Toniette e Marcelo Louback (guitarras) e Marcelo Niero (bateria). Paralelamente ao lançamento do videoclipe, o baixista Murilo Barim deu lugar a Edson Athanasio (ex-Tio Mandrake). A recepção do novo trabalho entre o público e outros músicos foi das mais positivas, a julgar pelos comentários publicados na rede social. Assista aqui: http://bit.ly/ clipebarbaria.


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Achado traz à tona novos objetos de 1932

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m 1932, Itapira viva um cenário de cidade sitiada, com frentes de batalha, presença de revolucionários e militares, e outras situações causadas pela revolução separatista. Com o País versus Estado o óbvio aconteceu e os paulistas foram caindo. Agora, 82 anos depois, uma parte dessa história emerge do Ribeirão da Penha e traz novas revelações. O Museu de História Natural ‘Comendador Virgolino de Oliveira’, apresentou no último dia 13, nada menos que 70 cápsulas de munição calibre 757, fabricadas entre 1904 e 1930, e uma garrucha, encontradas em abril e doadas oficialmente neste mês ao município. O material bélico foi encontrado pelo empresário Jorge Luiz Paschoal de Oliveira, 33, cuja equipe realizava um trabalho de desassoreamento no Ribeirão. A descoberta ocorreu debaixo da popular ‘Ponte dos Riboldi’, às margens da Avenida dos Italianos, na região dos Prados. Uma caixa com as balas e a arma foi ‘sugada’ pela draga da empresa. Oliveira

parou, recuperou o material, e, mais tarde, decidiu doá-lo. O presidente-fundador da do Núcleo MMDC de Itapira, órgão que faz pesquisas sobre a revolução na cidade, Eric Apolinário, 25, e o historiador Rodrigo Ruiz, 44, também membro do grupo, contaram que as munições dão apoio a um fato relatado por Aureliano Leite, um dos mentores da revolução, e presente em Itapira durante a retirada dos soldados paulistas. “Outro incidente revoltante passara-se com o cabo Antonio José Angeli, chofer do (batalhão) General Osório, que em certo momento foi obrigado a despejar num riacho de Itapira, por ordem do seu comandante, 5.000 tiros”, descreve em seu livro ‘Martírio e Glória de São Paulo’. “O importante desse achado é exatamente isso. Aureliano cita que um soldado tinha jogado esse material no Ribeirão da Penha, só que a gente não sabia onde. Não sabia até que ponto era verídico ou não”, relatou Apolinário. “Esse achado confirma principalmente os apon-

tamentos do Aureliano, que era uma bússola que nos ajudava a enxergar a revolução no âmbito de Itapira de outra forma”, complementou Ruiz. O material inclui três ‘pentes’ de munição, além de balas soltas, junto com a arma, uma garrucha de dois canos; e será exposto no Museu com detalhes da história e do f a t o n a r ra d o por Aureliano. Os dois pesquisadores relataram que a descoberta auxiliará a continuar a procura por mais materiais em Itapira. “A importância desse achado para pesquisa da Revolução é gigantesca. Justamente porque a gente tem um ponto a mais para pesquisar, que é todo o entorno dos Prados e esse outro lado do Cubatão que a gente não tinha tanta informação”, disse Apolinário. “É um achado sensacional para a história de Itapira porque nos ajuda a ir

Empresários de MG visitam Roteiro Turístico ‘Caminhos da Baixa Mogiana’ Divulgação

Grupo foi recepcionado por integrantes do projeto turístico Um grupo formado por 27 empresários mineiros desembarcou em Itapira e em Mogi Mirim nos dias 18 e 19 de novembro para conhecer de perto os projetos ligados ao turismo na cidade. Os visitantes, membros do segmento de alimentação fora do lar da cidade de Viçosa (MG) foram apresentado às inovações desenvolvidas em diversas áreas ligadas ao turismo, nas duas cidades, pelo projeto ‘ Roteiro Turístico Caminhos da Baixa Mogiana’, desenvolvido pelo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) em conjunto com os municípios. Os empresários visitaram estabelecimentos de ali-

mentação e atrativos turísticos, além de conhecer mais a programação cultural da região. “Nossa missão foi apresentar aos empresários o trabalho que temos realizado desde 2008 no Roteiro Turístico Caminhos Baixa Mogiana. Foi possível realizar a troca de informações e experiência”, explicou a presidente do COMTUR (Conselho Municipal de Turismo) de Itapira, Wanella D’Ávilla Bitencourt. O grupo saiu da cidade localizada na Zona da Mata mineira e viajou 750 quilômetros, chegando a Itapira no dia 18 e sendo recepcionado na Luli Padaria Caseira, onde conheceram o Núcleo Gastronômico de Itapira. Eles também visitaram outros estabele-

cimentos e participaram de reuniões para conhecer os resultados dos trabalhos regionais do Sebrae. No dia seguinte, a agenda dos visitantes foi cumprida em Mogi Mirim, onde também participaram de encontros técnicos e visitaram estabelecimentos. “Esta visita fortaleceu ainda mais o nosso grupo, que acaba de constituir uma Associação. Em todos estes anos de projeto nós nos organizamos e agora pretendemos trabalhar a representação comercial do Turismo de Mogi Mirim e Itapira no Estado” destacou André Almeida, presidente da ADETUR (Associação para o Desenvolvimento Turístico Caminhos da Baixa Mogiana).

Léo Santos

Apolinário, Oliveira e Ruiz durante apresentação do material montando esse quebra-cabeça da revolução em Itapira. Muito foi escrito sobre a Revolução, mas sobre a Revolução em Itapira há muito pouco material. A nossa orientação é traçar todo o percurso aqui. Desde a chegada dos primeiros contingentes na cidade, até o chamado desastre de Eleutério e o processo de retirada”, reiterou Ruiz. DOAÇÃO A doação foi feita pelo empresário depois de seis meses. “Foi achado em abril deste ano. Acabei

esquecendo isso em casa. Passei na sexta-feira aqui (Museu) e falei que ia doar, pois acho que isso (o material) é da cidade, para todos verem. Serve também como incentivo para que outras pessoas que tenham alguma coisa possam doar”, contou Oliveira. O empresário contou ainda a peculiaridade pelo fato da caixa (que se desfez ao ser removida) ter suportado todo este tempo no Ribeirão. “Foi feito um serviço de aprofundamento do Ribeirão. Essa (caixa) só não foi perdida porque estava embaixo da ponte. Elas (munições) estavam em uma caixa todas unidas. Isso era para ter sido var-

rido com a enchente. E ficou lá. Eu creio que estava enterrada”, contou. “Se chamava de cunhetes (as caixas de munição). É possível que esse cabo (citado por Aureliano), tenha despejado, no rio, diversos cunhetes. Isso ocorreu em 30 de agosto de 1932, já era data em que as tropas paulistas estavam abandonando Itapira porque não tinham capacidade de resistência. Para não deixar munição para trás, para aproveitamento do inimigo eles largavam no rio. Creio que existem outros pontos na cidade em que a gente vai se deparar com equipamentos”, explicou Ruiz. (Colaborou: Tribuna de Itapira)

Passeio explora palcos da Revolução de 1932 Entusiastas da história ligada à Revolução Constitucionalista de 1932 têm uma boa oportunidade para conhecer mais sobre o assunto. A Via Prado Turismo agendou para o dia 14 de dezembro um passeio que levará os interessados aos principais palcos de batalha da guerra paulista. A visita, na verdade, é uma adaptação do Roteiro de 1932, lançado no final do ano passado e que tem duração de três dias, cujo público alvo é formado por moradores de cidades mais distantes. Como houve interesse de pessoas residentes em Itapira e cidades próximas em participar da iniciativa, foi criada uma versão reduzida do passeio, com duração de um dia, ideal para quem quer fazer o passeio, mas não precisa de hospedagem. A partida ocorrerá em Mogi Mirim às 10h00. O grupo passará por Itapira, onde se juntará a outros visitantes. A programação envolve o ‘Brunch Constitucionalista’ na Luli Padaria Caseira, em Itapira, onde os participantes do passeio terão a oportunidade de saborear a receita original do popular e saboroso sanduíche ‘Bauru’. A visitação aos pontos de confronto inclui passagens por Eleutério, na

divisa entre São Paulo e Minas Gerais, Sapucaí – já em Minas; e pelo Morro do Gravi, na estrada interna entre Itapira e Mogi Mirim. Parada ainda na cervejaria artesanal Sauber, em Mogi, onde haverá degustação da cerveja ‘1932’, criada especialmente para homenagear o fato histórico. As vagas são limitadas e as reservas podem ser feitas através do e-mail receptivo@viaprado.com.

br. Maiores informações pelos telefones (19) 3843.2421 ou (19) 9.9373-8742. Outras saídas são previstas para o início de 2015, já na versão original com três dias de duração. O Roteiro de 1932 faz parte do Projeto de Desenvolvimento do Turismo Regional ‘Caminhos da Baixa Mogiana’ - mantido pela ADETUR (Associação para o Desenvolvimento Turístico Caminhos da Baixa Mogiana). Fernando Pineccio/Megaphone

Morro do Gravi, palco de sangrenta batalha, é um dos locais a serem visitados


anorama

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Com homenagem à Consciência Negra, Sarau reforça proposta mais politizada I

TAPIRA - Promovido no último dia 22, o Sarau Cultural em homenagem ao Dia da Consciência Negra – celebrado dois dias antes – superou as expectativas dos organizadores e surpreendeu o público. Primeira edição do evento a reunir o Coletivo Voz Popular junto aos organizadores do sarau ‘Por Trás da Rotina Itapirense’, o acontecimento ocupou a Praça Bernardino de Campos com muita arte e resistência cultural na forma de música, fotografia, poesia e desenhos. E reforçou o caráter mais politizado adquirido nas edições mais recentes. As atividades começaram por volta das 14h00 e se estenderam até quase 19h00. A iniciativa independente levou para o Espaço Cultural ‘Maurício José Bazani’ – o palco da praça – o grupo Maracatu Guassu de Baque Virado, a

DJ e rapper feminista Luana Hansen, parte do grupo Inspirados (Rap nacional), além do grupo de capoeira Cordão de Ouro e do músico Alexandre Godoy, responsável por comandar uma verdadeira jam session no palco. As exposições fotográficas – todas retratando a pele negra – ficaram por conta dos fotógrafos convidados Fábio Zangelmi, Fernando Pineccio e Sabrina Brombim. Espaço ainda para distribuição de filmes com temática negra, da estudante de História Aline Fernanda Longo – uma das organizadoras e idealizadoras do Sarau Cultural. “Acredito que de fato tenha superado as expectativas, justamente por se tratar de uma abordagem que buscou trabalhar os pré-conceitos da sociedade e apresentar diferentes manifestações artísticas em torno da temática”, comentou Aline.

De acordo com ela, a participação do coletivo contribuiu para a multiplicação dos resultados que já vinham surgindo dentro da proposta do evento, “colaborando para essa fase de politização que se tornou mais abrangente”. “Sem dúvida, essa parceria deve ser mantida, afinal são interesses e propostas que se complementam e tendem a gerar resultados cada vez mais positivos. Por trás de toda rotina itapirense existe uma voz popular que não se cala”, ilustrou a organizadora. Para Aline, essa fase de politização do Sarau e de parceria é um trabalho mais elaborado que busca atuar em momentos mais específicos, que envolvam temáticas propensas a despertar inquietações. “Vamos nos programar para o mês de março para trabalhar a questão da mulher (pelo Dia Internacional da Mulher).

Fernando Pineccio/Megaphone

Maracatu Guassu se apresentou a recebeu relógios Ainda não há uma data definida para o evento, mas é essa a linha por na qual ele vai se desenvolver”, adiantou. Integrante do Coletivo Voz Popular, a também estudante Jéssica Rosa considerou positiva a iniciativa que, pelas

estimativas da organização, atraiu perto de 200 pessoas em público circulante. “Acho que o sarau foi muito válido na medida em que apresentou estilos musicais diversificados, além de muita poesia, fotos e tal. Vale destacar a

presença da Luana e do grupo de Maracatu que mandaram muito bem e levantaram a galera. Achei que o público recebeu bem as letras da Luana, mesmo elas sendo meio polêmicas, não vi muitas reações negativas”, frisou.

Rap feminista de Luana Hansen encampa luta em favor do aborto Mulher, negra e lésbica. Três palavras que definem muito bem as dificuldades enfrentadas pela paulistana Luana Hansen, DJ e MC convidada especialmente para mostrar sua arte no palco do Sarau Cultural da Consciência Negra. Convidada no sentido prático da coisa, mesmo: sem cachê, apenas com o custeio das passagens de ônibus entre São Paulo-Itapira-São Paulo, ela atendeu o chamado para participar do evento e não titubeou. “É preciso prestigiar o evento e apoiar”, disse em entrevista ao Megaphone. Ao lado da esposa Drika Ferreira – que também responde como assessora e backing vocal – a rapper subiu ao palco e apresentou parte de seu trabalho que vem se tornando cada vez mais forte especialmente no meio feminista. Com letras fortes e diretas, que protestam contra o machismo, homofobia, violência doméstica e desigualdade social, o aborto ganha abordagem impactante especialmente em ‘Ventre Livre de Fato’ – responsável pelo status de “polêmica” gentilmente (ou não) concedido à rapper. “Nasceu! Mais um fruto do acaso / e o mané que não quer nada, o sobrenome é descaso / uma gravidez indesejada, mesmo com a prevenção / não importa sua crença ou religião / e imagina, de uma forma perigosa e clandestina / como é que vai fazer para mudar a sua sina / um direito que em vários países já é estabelecido / e no Brasil quase sempre passa despercebido / hipocrisia, para o desconhecido é punição / mas se for da família, é só tratar com discrição / morre negra, morre jovem, morre gente da favela / morre o povo que é ca-

Fernando Pineccio/Megaphone

Trabalho de Luana é marcado pelo protesto contra machismo e injustiça social rente e que não passa na novela”, diz parte da música que ganhou clipe inclusive com legenda em espanhol para exibição em um festival pelos Direitos Humanos na Espanha. O refrão defende que “lutar pela legalização do aborto é lugar pela saúde da mulher”, mas a letra nem sempre é bem recebida até mesmo pelo público feminino. “Já rolou situação desagradável até mesmo em São Paulo, de eu descer do palco e vir mulher em cima falando que não devia cantar esse tipo de música. E aí a gente tenta explicar que é uma luta pelo direito ao próprio corpo, e não para fazer mais clínicas de aborto, e sim para morrer menos gente, pois só quem morre é o pessoal carente mesmo”, comentou a cantora e compositora após a apresentação em Itapira. De acordo com ela, seja nos grandes centros ou em cidades pequenas, “Ventre Livre de Fato sempre dá um medo de cantar, pois as pessoas ainda não entendem de fato o que quero dizer”. Por outro lado, é justa-

mente o trabalho honesto à própria ideologia que vem lhe proporcionando visibilidade, principalmente por meio de coletivos feministas na internet. A rede mundial de computadores, aliás, é seu principal canal de divulgação e de comunicação com o público. “Comecei em Pirituba, com o pessoal da RZO (Rapaziada da Zona Oeste), como o Sandrão, a Negra Li. Hoje tenho um projeto que é mais a minha cara por ter um estúdio; então incorporo meu trabalho de outra forma. Produzo em casa e coloco na rua”, conta Luana. O que não significa que a coisa ficou fácil. Ao contrário, já que o próprio meio em que circula – o Rap e o Hip-Hop – é potencialmente machista, sem que isso represente uma generalização. “Vivo da minha arte, que faço com amor e falando o que penso. É difícil, mas a gente tenta”, conclui. O clipe de ‘Ventre Livre de Fato’ pode ser assistido no link http://bit. ly/ventrelivredefato.

Megaphone Cultural #17  

Edição publicada em 28/11/2014

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