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Junho de 2013

Número 002

GURIZADA!

PORTAS  ABERTAS     E  A  EXTENSÃO   UNIVERSITÁRIA   Texto inédito do GTUP para esta edição. Para quê e para quem serve a universidade? PÁGINA 1

ACONTECE  NA   UFRGS  POPULAR     Confira as atividades de Extensão da ESEF gratuitas e abertas à comunidade, o Colóquio Marx e os Debates organizados pelo GTUP PÁGINA 2

SINTONIZANDO  UP   Saiba mais sobre: Coletivo Negração, Comitê pela Memória e Verdade na UFRGS e Grupo de Assessoria Justiça Popular(GAJUP) CONTRACAPA

Ano I

Nosso grupo tem montado uma sequência de debates que pretende discutir não apenas as origens e alicerces da nossa Universidade, mas também sua função dentro da sociedade atual e as possibilidades de mudança perante um projeto verdadeiramente popular. Além disso, nossa intenção foi (e ainda é), refletir sobre as alterações impostas ao longo da história (dentro das Reformas de Base, durante o Regime Militar, etc.), e, por fim, contribuir para o debate sobre qual tipo de Universidade estamos planejando, quem participa deste planejamento e em que tipo de sociedade ela estará inserida. Desta forma, queremos des-cobrir a Universidade, começando por algo que é pouco falado, mas que deu origem à instituição que existe hoje: a indissociabilidade entre Ensino-Pesquisa-Extensão.

gtup.wordpress.com gtuniversidadepopular@gmail.com www.facebook.com/grupodetrabalho.gtup

Esse palavrão, que parece unir tudo que é feito, dito e pensado, serve para quê? (e a quem?) Por que nem todos os estudantes acessam experiências de pesquisa e extensão? Buscamos uma reflexão sobre essas e outras questões, que definem o lugar onde estamos agora, mas nosso convite não se resume aos debates, à reflexão e à crítica, ele é um convite à AÇÃO.

DUAS ATIVIDADES JÁ OCORRERAM, MAS ESTAMOS ORGANIZANDO MAIS. SE LIGA E PARTICIPA!


O Portas Abertas é uma atividade que anualmente a UFRGS realiza, com o objetivo de deixar os portões da Universidade abertos em um sábado do ano, para que as pessoas conheçam os prédios e projetos que apresentam a UFRGS a seus efêmeros visitantes.

que passou pela UFRGS no Portas Abertas pode, talvez, se perguntar: O   que   será   que   essas   pessoas   pensam,  fazem  ali  dentro?  Será  que  eu  posso  entrar  hoje?  

Uma universidade, centro de produção e reprodução de conhecimento, não pode estar descolada da realidade: é necessário criar perguntas e soluções Eu e meus colegas do PET Conexões Políticas para o conjunto da sociedade que a sustenta. Para Públicas de Juventude fizemos oficinas nesse dia, tanto, é preciso um espaço de construção da compartilhando experiências com estudantes que universidade com a sociedade. A tal espaço é dado o vinham principalmente do interior do estado, a nome de Extensão ; porém, existem diferentes maioria de escolas particulares, e vários entendimentos de como essa relação deve questionamentos permanecem sobre o se dar, que vão desde a prestação de Portas Abertas: o quão válida é essa visita serviços, qualificação de mão de obra e Quem só é dos estudantes, que, na ânsia de conhecer convidado a divulgação científica, até a construção de os vários campi, pouco discutem sobre as entrar em um meios solidários entre a universidade e questões da universidade? O debate único dia, o que setores populares que possuem perguntas acaba prendendo-se ao inevitável “papo mais pode e respostas que necessitam de estrutura e vestibular”! O vestibular faz com que os querer da conhecimento para se concretizar. jovens somente pensem em “superar a universidade? barreira”, apreendendo os conteúdos de O Portas Abertas é resultado de um forma angustiante, sob pressão da entendimento tecnicista de Extensão: família, da sociedade capitalista, da TV, que só apresentamos aos membros da sociedade seu espaço entendem a formação universitária como uma de qualificação para o mercado de trabalho, onde necessidade para melhor colocação na sociedade, um serão ensinados a como fazer (mas não por que diferencial no mercado. É naturalizado o pensamento fazer) ciência, tecnologia e inovação. Nesse de que o vestibular tem de selecionar os “mais aptos” entendimento, as relações entre a universidade e os a sentar suas bundas em bancos universitários. Mas, setores produtivos (as empresas) são as melhores! se estudar é um direito, porque existe tal exame a Basta utilizarmos a estrutura pública como prestação separar 97% dos jovens entre 18 e 24 de serviço privado. E, para o povo (e anos de uma instituição de educação apenas parte dele), temos o Portas superior pública? Por que é publicizado Abertas! Um dia de show para ver essa É preciso um em “outdoors” o mérito dos primeiros maravilha funcionar! Aproveite:   ainda   não   espaço de se  paga  entrada.   colocados no vestibular a cada ano? São construção da nesses momentos que fica evidente o universidade Pergunta-se: e como fazer diferente? com a sociedade quanto a juventude fica apartada das Basta pensarmos numa universidade que questões políticas, como aquelas a se proponha a construir as perguntas e respeito do Ensino Superior no país. respostas juntamente com o povo. Nas edições desse Pode ser generalização, mas as escolas públicas de jornal você poderá acompanhar diversas iniciativas Porto Alegre não são as mais organizadas para de diferentes grupos dentro da universidade que trazerem seus estudantes para conhecer a instituição. tentam quebrar com essa hegemonia. As iniciativas Quem conhece algumas delas percebe que os populares, a desconstrução do produtivismo estudantes não sonham com a UFRGS. É hipócrita científico com a “vendabilidade” de “produtos por parte dessa Universidade abrir num único dia os inovadores”, são o início dessa longa caminhada. E, seus portões: quem   só   é   convidado   a   entrar   em   um   único   claro, manter sempre as portas abertas para quem dia,   o   que   mais   pode   querer   da   universidade? Cerram-se os quiser passar. Ou melhor, quebrar de uma vez esses portões. E nos dias seguintes só entrarão servidores,   portões! BEM-VINDO À REVOLUÇÃO! estudantes e trabalhadores terceirizados. Um jovem Guilherme Rolim, mestrando em Microeletrônica Ricardo Ferreira da Silva, estudante de Educação Física


O Que é/O Que são Extensão? DEBATES ORGANIZADOS PELO GTUP Queremos debater o que significa Extensão, quais as suas formas e do que se alimentam... se você também não sabe, ou quer compartilhar o que acredita, venha debater conosco!

Debate I: VALE Dia 13/06 às 18h30 Sala 114 - Letras Debate II: CENTRO Dia 26/06 às 18h30 Sala 601 - FACED

Colóquio Internacional Marx e o Marxismo 2013: Marx Hoje, 130 Anos Depois ABERTO PARA ENVIO DE TRABALHOS até 15/07 Colóquio: 30/09 à 04/10 UFF - Campus do Gragoatá (Niterói, RJ) Informações: www.uff.br/ niepmarxmarxismo

Comitê Ari Abreu Lima da Rosa Pela Verdade e Memória na UFRGS AUDIÊNCIA PÚBLICA "O expurgo de professores na UFRGS durante a ditadura militar” Dia 18/07 às 18h30 Auditório 200 - Engenharia

Atividades de Extensão Gratuitas e Abertas à Comunidade - ESEF INFORMAÇÕES E INSCRIÇÕES: COMEX | Fone: 3308-5866 e 3308-5834 | Email: comex@ufrgs.br Funcionamento: de 2ª à 6ª das 8h às 18h30min TCHÊ  XIRU  –  TERCEIRA  IDADE   A  parVr  dos  40  anos     (preferência  para  casais)   4ª  feira  das  16h  às  17h15   Sala  do  CELARI  –  centro  natatório       DANÇA  PARA  PORTADORES     DE  DEFICIENCIA  VISUAL   A  parVr  de  12  anos   6ª  feira  das  14h  às  15h30   Sala  de  Rítmica  2     BASQUETEBOL  PARA  A   COMUNIDADE   Feminino  –  a  parVr  de  14  anos   Masculino  –  a  parVr  de  16  anos   2ª,  4ª  e  6ª  feira  das  20h  às  23h   Ginásio  1    

DANÇA  PARA  PORTADORES  AVC   A  parVr  de  18  anos   6ª  feira  das  16h30  às  17h30   Sala  de  Rítmica  2       CAMINHADA  ORIENTADA     Comunidade  em  geral   De  2ª  à  6ª  das  8h  às  10h  e  das   16h30  às  18h30   Pista  de  atleVsmo       TREINAMENTO  DE  VOLEIBOL  PARA   UNIVERSITÁRIOS  E  COMUNIDADE   Treinamento  de  alto  nível   15  anos  em  diante   3ª  e  5ª  feira  das  19h15  às  21h   feminino  e  das  21h  às  23h   masculino   Domingo  das  18h  às  21h  feminino   Ginásio  1

INICIAÇÃO  AO  NADO  SINCRONIZADO   Público  alvo:  7  a  10  anos   Não  precisa  saber  nadar   2ª  e  4ª  feira  das  18h30  às  20:30       INICIAÇÃO  AO  PÓLO  AQUÁTICO   Desejável  saber  nadar  crowl  e  costas.     Todos  serão  submeVdos  à  teste.     De  10  a  16  anos   2ª  e  4ª  feira  das  19h  às  20h30       TCHÊ  –  DANÇAS  GAÚCHAS     Iniciantes  e  com  experiência   A  parVr  de  15  anos   2ª  e  4ª  feira  das  21h  às  22h30   Sala  de  Rítmica  1         TCHÊZINHO  INFANTIL   06  a  12  anos   2ª  feira  das  16h  às  16h45   E.E.Leopoldo  Tietbohl  


Comitê Ary Abreu de Lima pela Verdade e Memória na UFRGS

"As  únicas  pessoas  que  realmente  mudaram  a  história     foram  os  que  mudaram  o  pensamento  dos  homens     a  respeito  de  si  mesmos."  Malcon  X  

O Coletivo NEGRAÇÃO vem com o intuito de afirmar a produção negra na sociedade, confrontando o racismo estabelecido no Brasil mascarado pelo mito da mestiçagem e da democracia racial, além do racismo institucional, que se apresenta na ausência ou mesmo na ineficácia de leis e políticas públicas que deem conta das necessidades da população negra. Através de um caráter político, vemos o negro como sujeito e não sujeitado de sua história. Sendo assim, por meio da poesia, música, teatro, culinária, produção intelectual, mobilização social, trazemos o negro como protagonista, autores de sua própria constituição. O Coletivo Negração é formado, basicamente, por estudantes da UFRGS, e está aberto para quem queira somar nessa luta!

Em uma iniciativa alavancada pela Associação dos Pósgraduandos, com a Seção Sindical do ANDES, a Associação dos Servidores e o Diretório Central dos Estudantes da UFRGS, foi criado este Comitê. Seu nome deve-se ao estudante de engenharia que em 1970 foi morto nas instalações da Base Aérea de Canoas enquanto cumpria pena de prisão por sua atividade política antagonista ao regime militar no movimento estudantil na universidade. Com a indicação na Aula Magna de 2013, por parte do seu Reitor, de que a UFRGS deve ter sua "Comissão da Verdade", o Comitê – composto não apenas pelas entidades mencionadas, mas também por membros de diferentes áreas da comunidade acadêmica e ex-professores e alunos expurgados da UFRGS pela repressão ditatorial – discutiu estratégias e características dessa comissão para levar à administração central da Universidade. O Comitê pretende ser um promotor de atividades que visem à preservação da memória sobre a repressão na UFRGS e de ações no sentido de responsabilizar os patrocinadores dos crimes cometidos durante a ditadura. Nesse sentido, os principais pontos que serão levados ao Reitor são: 1.  que  seja  constituída  uma  Comissão  da  Verdade  paritária,  com   representantes  de  todos  os  segmentos  da  comunidade  acadêmica  e   ex-­‐professores  e  alunos  que  sofreram  com  a  repressão    na  UFRGS;  

“Querem  que  a  gente  saiba  que  eles  foram  senhores     e  nós  fomos  escravos.  Por  isso  te  repito:  eles  foram   senhores  e  nós  fomos  escravos.  Eu  disse  fomos.”     Oliveira  Silveira  (1941-­‐2009)  

2.  que  a  UFRGS  disponha  de  pessoal  e  estrutura  necessária  para  que   a  Comissão  possa  realizar  seus  trabalhos  investigativos  e  de   publicização  de  resultados;  

Contatos: negracao@gmail.com facebook.com/coletivo.negracao

3.  que  a  Comissão  estabeleça  cronograma  de  atividades  com  prazos   para  realização  das  pesquisas  e  ações  públicas;  

Grupo de Assessoria Justiça Popular (GAJUP)

Com esse espírito o Comitê Ary Abreu de Lima pela verdade e memória na UFRGS chama sua Primeira Audiência Pública (confira as informações na seção Acontece na UFRGS Popular - pág. 3).

O GAJUP é um grupo de extensão vinculado ao Serviço de Assessoria Jurídica Universitária (SAJU) da UFRGS. Possui como temática a educação e assessoria populares, trabalhando atualmente com a Vila do Chocolatão. O trabalho e as lutas, iniciados em 2009, são organizados a partir de três eixos: geração de renda, representatividade e habitação. Da experiência acumulada pelo GAJUP, em sua interação com a comunidade da Vila Chocolatão, desenvolveu-se também uma proposta de projeto alternativo de Universidade, que segundo o próprio grupo, deve ser baseado na ação e reflexão. Quer dizer, defende-se uma universidade “que se coloque ao lado do povo para trabalhar conjuntamente em soluções para problemas que atentam contra a dignidade humana e o pleno desenvolvimento de nossas potencialidades”. As reuniões do GAJUP são semanais, realizadas todas as quartas-feiras, das 11h30 às 14h na sede do SAJU. Todas as pessoas são bem-vindas, seja para conhecer o trabalho ou para contribuir de alguma forma. Para mais informações: viladochocolatao.blogspot.com e gajup.rs@gmail.com.


Jornal GTUP 2ª ed