Page 4

OPINIÃO

Oportunidade única

Abril de 2012 - 2ª quinzena

Roy Taylor

4

A realização das Olimpíadas em Londres, que acontecem entre julho e agosto deste ano é mais uma oportunidade para que o Brasil, sede do próximo evento, em 2016, possa realizar uma grande promoção junto ao mercado internacional. Até o momento apenas o Rio de Janeiro programou ações específicas na capital londrina para divulgação do destino. Em eventos anteriores, como a Copa do Mundo de 2010, realizada na África do Sul, a própria Embratur teve a iniciativa de realizar este trabalho de promoção na Casa Brasil, uma ação que mereceu destaque na mídia internacional. Em Londres não há até o momento nada mais previsto a não ser a participação de representantes das diretorias da Embratur e do Ministério do Turismo. É pouco, muito pouco. Não existe ao longo de toda a história esportiva nenhum país do mundo que tenha tido a oportunidade de realizar em tão curto espaço de tempo eventos da magnitude da Copa do Mundo e as Olimpíadas, em 2014 e 2016, respectivamente, como acontece com o nosso país. Neste sentido é fundamental que o Brasil não deixe passar esta oportunidade para divulgar e promover toda a sua diversidade de atrativos e até mesmo mostrar os investimentos em infraestrutura que estão sendo realizados para estes megaeventos esportivos. Não se pode deixar passar em branco uma chance destas. Da mesma forma que é papel também do Ministério do Turismo fomentar políticas que estimulem o setor doméstico. Até este mês de abril não se registrou nenhum tipo de medida por parte do MTur neste sentido, ou seja, estamos já próximos das férias de

julho e não há qualquer registro de iniciativas por parte do MTur para fomento do turismo doméstico. As promessas de resgatar programas como Viaja Mais Melhor Idade e Vai Brasil feitas na posse do atual ministro Gastão Vieira estão ainda em compasso de espera. Do mesmo jeito se encontra a Lei Geral do Turismo, que por falta de um modelo de fiscalização permanece apenas como letra morta. A única ação concreta prevista deve ocorrer durante a Rio + 20 em junho, fato que levou o MTur a cancelar o Salão do Turismo – Roteiros do Brasil que recebia a cada edição um público de 100 mil visitantes. Diante deste quadro, e levando-se em consideração que os estados não poderão fazer muito, em função de estarmos em pleno ano eleitoral, a expectativa é que a exemplo do ano passado, pouca coisa avance. Promessas por parte do Governo existem, como a de uma desoneração fiscal do setor, mas nada de concreto ainda. O dado preocupante é o fato de estarmos há dois anos da Copa do Mundo e não mais do que um ano de eventos como a Copa das Confederações e a Jornada Mundial da Juventude, que deve atrair ao Rio de Janeiro dois milhões de jovens católicos de todo o mundo. Torna-se urgente colocar em práticas as ações de promoção e medidas que possam fomentar a indústria do turismo e melhorar a qualidade do nosso turismo receptivo. Sem isso, corre-se o risco de deixar passar oportunidades únicas que poderiam colocar o país entre os destinos mais visitados nesta próxima década. Roy Taylor é jornalista, publicitário e vice-presidente executivo da Folha do Turismo e Mercado & Eventos

Iguais, porém diferentes Mario Brizon A visita da presidente Dilma Rousseff ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, no início de abril, revelou alguns pontos importantes de nossa política externa e do sentimento que atualmente os países do chamado “primeiro mundo” nutrem pelo Brasil, um país forte e pujante, respeitado e admirado por todos. A “Brasilmania” tem sido um termo utilizado pelos economistas para denotar o quanto os estrangeiros hoje, mais do que nunca, nos admiram. Quando no exterior perguntam de onde você é e você diz, sou do Brasil, quase que imediatamente vem a expressão que reflete admiração, “Ah, do Brasil”. Pois bem, se superamos com resiliência as crises mundiais de 2008 e 2011, se nossa economia tornouse uma das maiores do mundo, se nossos turistas viajam por todo globo terrestre gastando os tubos, tudo isso chama a atenção. E quando falamos de brasileiros gastando em viagem, temos que dar um destaque especial aos Estados Unidos, afinal, lá estão os paraísos de compras e os grandes parques temáticos que atraem milhares de brasileiros. E usando de sua diplomacia, os americanos sabem que hoje o Brasil é um parceiro estratégico, não apenas nas questões que envolvem o turismo, claro, mas em questões comerciais e de política internacional. Quando Dilma e Obama sinalizam claramente que a questão da exigência de vistos pode vir a ser abolida, é sinal de que os players deste mercado

continuam sendo os mesmos de antes, mas agora são iguais, mesmo sendo diferentes. O Brasil ganhou o respeito que merece. Como disse a secretária de estado norte-americana, Hillary Clinton, “estamos confiantes que o estreitamento das relações entre os dois países servirá para estabilizar o hemisfério e também para as duas economias”. Além do visto, outros acordos comerciais anunciados também foram importantes para a indústria brasileira, como o acordo entre Boeing e Embraer e o reconhecimento da cachaça como um bebida legitimamente brasileira. Há ainda que se destacar os esforços que os americanos têm feito para agilizar a liberação dos vistos e o anúncio muito positivo de abertura de mais dois consultados dos EUA no Brasil, em Belo Horizonte e Porto Alegre. A vitória da diplomacia brasileira, aliada aos bons resultados da política externa e da economia nos aproximam cada vez mais do maior player global do mundo, um vizinho próximo, cujo mercado é altamente consumidor. Temos muito a ganhar com isso, mas temos que cuidar dos nossos problemas principais, como a infraestrutura, para suportarmos com elegância e maturidade o crescimento que já nos impulsiona. Mario Brizon é jornalista, publicitário, professor de Turismo, pós-graduado em Marketing e em Política e Estratégia, e diretor de Redação do Mercado & Eventos e da Folha do Turismo

Citações e Reflexões “A consistência é o último refúgio dos sem imaginação” (Oscar Wilde, 1885)

Marketing da experiência estimula turismo de aventura Sérgio Franco Nos dias de hoje, a tendência mais forte em relação ao marketing relacionado a qualquer serviço ou produto, no Brasil e no mundo, é o chamado marketing da experiência. O objetivo é levar as pessoas a conhecerem algo novo e despertar nelas a vontade de uma nova prática. Em relação a isso, a Adventure Sports Fair foi pioneira em aplicar esse conceito numa feira de turismo, criando oportunidade para que visitantes experimentem as atividades de aventura e se sintam estimulados a praticar a cultura da vida ao ar livre. Prova de que isso dá certo, são os 14 anos de existência do maior evento de ecoturismo e turismo de aventura da América Latina, que ocorre de 18 a 21 de abril na Bienal do Ibirapuera, em São Paulo. No evento, é possível sentir um pouco da experiência de aventura, assim como receber orientações dos especialistas em cada modalidade, conhecer os equipamentos corretos, as roupas, os calçados e tudo o que vai ser necessário para a viagem. Até mesmo saber mais sobre o destino que se quer visitar e de que forma interagir com ele por meio de uma atividade outdoor. Também é possível assistir palestras com os aventureiros que já visitaram diversos destinos e com isso obter dicas preciosas antes do embarque. Ou seja, tem-se a experiência do que pode ser uma viagem de ecoturismo e turismo de aventura, se conhece as opções mais atraentes e estimula-se, a vontade de tornar toda essa bagagem em vivência real. Mas não basta apenas falar de aventura, é preciso vivenciar isso para saber que esse tipo de turismo é muito acessível e prazeroso.Para isso, ampliamos a quantidade de clínicas e palestras, além de manter todas as possibilidades de experimentação como tanque de canoagem, a pista de gelo, o tanque de mergulho, as pistas off-road, parede de escalada, arvorismo, entre outras atividades. A feira, a cada ano, tem-se tornado mais abrangente,

pois os turistas que hoje viajam para a natureza não são mais apenas pessoas ousadas, que o fazem de forma autônoma, mas sim famílias inteiras, com adultos, crianças e até idosos. E os destinos estão preparados para oferecer atividades para pessoas de todas as idades. Todo o apelo do evento hoje é levar as pessoas para a “Vida ao Ar Livre”, principalmente os jovens, que hoje são massacrados com os apelos publicitários para que fiquem em frente ao computador na internet, nos games ou mesmo na TV. Aprofundando essa tendência de se tornar cada vez mais abrangente, este ano teremos pacotes que vão desde uma simples caminhada na Serra da Cantareira, no município de São Paulo, até viagens espaciais, oferecidas pela nova operadora do astronauta brasileiro Marcos Pontes. E para estimular ainda mais o público, a Adventure Sports Fair foi antecipada para abril o que facilitou o lançamento de equipamentos dentro da feira e já facilita a programação das próximas férias. Novos modelos de roupas, mochilas e calçados das principais marcas, até equipamentos como um ultraleve, que pode ser transportado no porta malas do carro, que não necessita de brevê e leva os viajantes para locais onde não chegariam de carro, estarão no evento. Até mesmo as grandes discussões sobre o futuro do turismo serão discutidas no FITS (Fórum Interamericano de Turismo Sustentável), que tem inscrições gratuitas. Tudo isso dentro de um mesmo espaço para proporcionar uma experiência que estimule o ecoturismo e o turismo de aventura. No Brasil, a prática das atividades ao ar livre vem crescendo a cada ano e por meio da Adventure Sports Fair tornaram-se até um case de sucesso para quem fala em marketing e experiência da marca. Sérgio Franco é idealizador e organizador da Adventure Sports Fair.

>> Continuação da página 3

alguns navios na Europa podem ter algum impacto negativo na temporada 2012-2013? E quanto aos problemas sanitários a bordo dos navios na costa brasileira? Como os brasileiros reagiram a esses episódios? Ricardo Amaral - Os acidentes na Europa sem dúvida impactam de forma negativa o segmento, mas quem já viajou de navio sabe o quanto eles são seguros. Acidentes de navio impactam da mesma forma que um acidente de avião ou de carro. A pessoa fica preocupada, mas continua viajando. Seja por necessidade ou não. No decorrer do tempo essa preocupação diminui e se dissipa. Num primeiro momento houve um impacto no volume de reservas, mas já houve recuperação em relação ao mesmo período do ano anterior. Cruzeiro marítimo é uma coisa boa para o hóspede e para a economia, pois gera emprego e é isso que precisa ser divulgado. Além disso, o Relatório de Inspeções em Cruzeiros Marítimos garante que todos os navios de cruzeiros das associadas Abremar possuem plenas condições de salubridade e segurança e por esse motivo, viajar em quaisquer deles não representa risco à saúde pública. M&E - Em 2009, o MTur criou o Grupo de Turismo Náutico e disse que este setor teria prioridade. Como anda a relação da Abremar com o MTur? E como andam as negociações do governo com as armadoras para termos navios durante a Copa? Ricardo Amaral - O GT Náutico

existe e as pessoas que o conduzem têm muito interesse no segmento. Temos o apoio do Ministério do Turismo, mas a minha percepção é talvez o governo não dê muita sustentação ao MTur. Não acredito que o problema seja o ministro ou o ministério e sim as prioridades do governo: saúde, educação, e justiça. O plano estratégico do governo é Copa do Mundo e Olimpíadas? E dentro de tudo isso tem os cruzeiros, que eu acho que são uma grande oportunidade. Em relação a termos ou não navios na Copa, acho que não teremos. Há muito tempo venho falando que não haverá navios na Copa e nas Olimpíadas por falta de tempo. Se não fretar o navio agora ou se não se flexibilizarem as condições de operações, não haverá navios nesses períodos. As companhias estão muito interessadas, mas no atual cenário não é viável. Porque o custo de operação na Europa é muito mais baixo e a receita é muito mais alta. O deadline para a Copa, por exemplo, é no máximo até julho deste ano porque já estamos vendendo navios para temporada 2013-2014. M&E - Quando será o Cruise Day deste ano e quais as novidades do evento? Ricardo Amaral - Neste ano, toda a coordenação do Cruise Day esta a cargo de William Hirsch, um dos diretores da Abremar. O que posso adiantar é que mudaremos um pouco o formato e voltaremos a focar mais no agente de viagem. No decorrer do tempo o evento se

tornou híbrido com o Fórum Abremar, que envolvia as autoridades. O que foi importante para demonstrar a importância do segmento. Agora, separando os três eventos, manteremos o Seatrade como atividade regional dos cruzeiros – que este ano acontece em Buenos Aires; o Cruise Day voltado a capacitação e divulgação; e o Fórum com foco na relação governamental. Ao fazer tudo junto, de certa forma um ou outro acabava não sendo tão desenvolvido por conta de um objetivo maior. Ainda não sei dizer quando será realizado o Cruise Day, que já tinha uma data prevista, mas fiquei sabendo há pouco que ela foi reagendado. M&E - Junto com sua reeleição na Abremar foi anunciado também o novo presidente executivo Aurélio Maduro, no lugar de André Pousada. Por que a troca? Ricardo Amaral - A Abremar tem um foco muito grande nas ações governamentais. Quando o André Pousada veio, trouxe seu conhecimento do trade turístico que era necessário naquele momento, que era unir o trade com o governo. A chegada do Aurélio é uma evolução pois ele tem um background de ciências políticas e relações governamentais. O André cumpriu uma etapa muito importante, mas também tinha interesse em voltar para o mercado de trabalho. Ele pediu para sair em novembro e desde então estávamos procurando alguém para assumir o seu lugar. Ele já tem diversas propostas e em breve deve estar voltando.

Mercado & Eventos Edição 198  
Mercado & Eventos Edição 198  

Abril de 2012 - 2ª quinzena - Ano IX - Número 198Moscou - Capital da Rússia quer mais brasileiro

Advertisement