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Neste número, não percas:

• Entrevista ao Professor Doutor Taborda Barata • Projeto Champimóvel 1


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Editorial Esta revista, reeditada agora num novo e ampliado formato, não pretende ser apenas uma realização de circunstância, mas prolongar-se no futuro e memória desta faculdade e curso. Aqui espero que todas as pessoas afetas à nossa casa encontrem um pouco do seu percurso, espelhado nos muitos e tão díspares momentos que fizeram este último ano. Não sei se a seleção de artigos que se segue será a mais verosimilhante com a realidade, mas espero que eu, a minha fantástica equipa de colaboradores e todos aqueles que se dispuseram a colaborar com a concretização deste projeto tenhamos conseguido proporcionar-vos uma visão o mais abrangente, precisa e pertinente possível. Fica também o apelo a quem quiser colaborar connosco para que este projeto possa crescer ainda mais. Falem diretamente connosco ou através do mail diagnostico@medubi.com. Findo este curto editorial resta-me apenas congratular o MedUBI pelo seu 10º aniversário ao qual é dedicado este número da Diagnóstico. O Diretor, David Teixeira

Índice •

Avemus Praxis: Baptismo e Latada

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Antes que te Queimes

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Curso de Língua Gestual Portuguesa na FCS

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“Quando o corpo trai a alma...”

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Associação Raríssimas: não pode ser raro apoiar 

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Hospital Faz de Conta 

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Projecto Champimóvel: Fundação Champalimaud aposta nas regiões do Interior 

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Abril, talentos mil 

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A toca dos Cinéfilos – Cineclube Claquete  

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8ª Gala de Medicina 

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Retalhos da Clínica de um Médico: Cirurgia Geral 

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Sai da Cova! 

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Os Representantes de Ano 

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10 Anos, 10 Presidentes 

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Entrevista ao Professor Doutor Taborda Barata 

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De pés descalços...

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Avemus Praxis Avemus Praxis: Baptismo e Latada

Seis semanas…seis semanas de muito sacrifício, seis semanas de muito trabalho. Muitas noites sem dormir, preocupações, stress, medo, muito medo sem dúvida… enfim, seis eternas semanas para os nossos Caloiros. Ter sido chefe de latada este ano permitiume ver e compartilhar muitos momentos com os “meus caloiros”. Foi incrível testemunhar neles as mesmas emoções, expressões, sentimentos que muitos de nós demonstramos outrora noviços nesta academia. As primeiras semanas foram duras. As subidas à Cantina de Santo António, longas e frias noites de “sermões e ensinamentos” e as primeiras Reuniões de Latada. Foi preciso dividir cerca de 120 caloiros em vários grupos de trabalho, onde todas as aptidões individuais poderiam ser utilizadas em prole do curso. Com os objectivos delineados por grupo, iniciou-se o trabalho. Era necessário construir um carro (com dimensões apropriadas à do nosso curso), pintar centenas de garrafões e latas, elaborar uma coreografia para o baptismo, para a latada e para o discurso, desenhar e coser fatos, criar uma faixa do curso e vários cartazes, etc. Tudo isto concretizado entre inúmeras Reuniões de Latada e especiais domingos, dividindo o seu tempo de sono com os Ex.mos milicianos, executadores da elaborada praxe, trajados de negro e irreconhecíveis na obscuridade da noite. Comprovei o efeito da praxe Ubiana entre os caloiros. No seu primeiro dia, o colega ao lado era um mero estranho, mais um que entrou em medicina e que também não sabia o porquê de estar encostado à parede e a olhar para o chão. Passaram semanas e o colega passou a ser um camarada, um amigo, alguém com a mesma ideologia: HONRAR O CURSO! Dia 2 de Novembro de 2012, dia do Baptismo.

O chão do nosso armazém tremeu com as vozes e passos da nossa recém-formada tropa. Nem a água gelada do Jardim do Lago arrefeceu a alma e o espírito dos nossos caloiros que perceberam a dimensão que teria o dia da Latada. Véspera da Latada, a chuva não cessou e só os mais resistentes (aqui entre nós, mais elas que eles) permaneceram no armazém para terminar os últimos preparativos. Estávamos ansiosos e era importante não falhar. Infelizmente, o único facto que nessa noite não se controlou foi a chuva, que trazia ameaças ao nosso carro e espírito. Qual a solução? Tomar um Benuron e aproveitar a Latada ao máximo. Manhã de dia 9 de Novembro, manhã abençoada com chuva, mas nada nem ninguém nos ia parar de demonstrar todo o trabalho realizado. Foi um desfile muito animado, onde diversão e música não faltaram. Quem esteve nas ruas da nossa cidade, certamente se irá recordar nos próximos anos do enorme carro de Medicina! Como é tradição, terminámos frente à Câmara Municipal, local onde demonstrámos o nosso Discurso ao jurado da Latada, com dedicatória especial aos destruidores do nosso sistema de saúde, ao grandioso curso de Medicina e aos honrosos finalistas 2011/2012. Sem dúvida que ficou muito por contar e quem participou a 100% na Latada tem essa noção. Mas essas histórias ficam entre nós, para serem partilhadas em noites de reencontros entre caloiros e praxantes. Momentos que com todo o orgulho contaremos, vezes e vezes sem conta, aos nossos familiares que tanto sofreram durante as seis semanas. Restame agradecer o empenho de todos, caloiros e comissão de latada. E falando pela comissão, é muito gratificante ver-vos, Caloiros 2011/2012, finalmente… trajados. Paulo Marchante César – Chefe de Latada 2011/2012

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Antes que te Queimes Durante a Semana Académica 2012, que decorreu entre os dias 6 e 12 de Abril, teve lugar mais uma edição do “Antes Que Te Queimes”, uma iniciativa já famosa entre os Ubianos. Original da Escola Superior de Enfermagem de Coimbra e adoptado pelo MedUBI há 4 anos, tanto na Recepção ao Caloiro como na Semana Académica, este projecto visa promover a diversão sem risco nos contextos festivos académicos. O grupo de trabalho do “Antes Que Te Queimes” contou, este ano, com a ajuda de mais de 30 voluntários que participaram na prevenção de danos associados ao consumo excessivo de álcool, drogas, e a comportamentos sexuais de risco. O projecto utiliza o método da “Educação pelos Pares”, que se baseia num diálogo

informal e personalizado guiado por um pequeno inquérito, com a ajuda do qual se elucidam questões pertinentes e se esclarecem dúvidas aos entrevistados. Para além disso, cada par de voluntários do “Antes Que Te Queimes” activo no recinto possuí alcoolímetros para medição da taxa de alcoolémia, presta assistência a casos de intoxicação aguda alcoólica, distribui preservativos, tanto masculinos como femininos, bem como os apelativos chupa-chupas, a assinatura deste projecto. O “Antes Que Te Queimes” vai cada vez mais assumindo a sua importância no âmbito da Educação para a Saúde e assegurando o seu lugar nas noites académicas do Pavilhão da Anil. Como tal, faz jus à iniciativa o seu balanço final bastante positivo, com um total aproximado de cerca de 70 pessoas abordadas por noite, pelos 8 pares em acção no recinto. Artigo por Sofia Carvalho, aluna do 3º ano

Grupo de Voluntariado do AQTQ.

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Curso de Língua Gestual Portuguesa na FCS Uma língua é o conjunto de elementos que constituem a linguagem falada ou escrita peculiar a uma colectividade. Assim, a Língua Gestual Portuguesa é o idioma utilizado pela comunidade de surdos portugueses e, tal como todas as outras línguas, tem pequenos dialectos que a tornam ligeiramente diferente, dependendo da região original do indivíduo. Esta Língua surgiu como uma das línguas oficias de Portugal em 1997, tal como a Língua Portuguesa e o Mirandês. Dado que esta é uma Língua que, infelizmente, ainda permanece no desconhecimento para a maioria da comunidade e um dos principais factores de sucesso para

um médico é um bom poder de comunicação, o MedUBI organizou um Curso de Língua Gestual Portuguesa, nível I. Teve lugar entre Outubro e Abril, na Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior, para um total de trinta e cinco alunos de Mestrado Integrado em Medicina. Esta formação foi leccionada pela

Dra. Catarina Pinto, licenciada em Química, no Ramo Científico pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, Mestre em Química Avançada pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra e 4º Ano do Curso de Língua Gestual Portuguesa pela Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Coimbra. Este Curso teve imenso sucesso e superou as expectativas dos alunos que no final da formação, e já com alguma nostalgia, propuseram à Professora Catarina Pinto a apresentação da música Promessa da artista Paula Teixeira, em Língua Gestual Portuguesa no III Sarau Cultural do MedUBI. Catarina Pinto generosa e disponível, como sempre, aceitou de imediato o convite e, assim, esta apresentação foi o culminar de um projecto que encheu de orgulho todos os que nele estiveram envolvidos e que

promete não ficar por aqui, deixando adivinhar num futuro próximo a formação do nível II desta Língua, nesta mesma Faculdade. Artigo por Mariline Ribeiro, aluna do 5º ano

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“Quando o corpo trai a alma...” No seguimento do conjunto de palestras organizadas pelo MedUBI, no dia 13 de abril às 14 horas surge um tema controverso e com um lado desconhecido por muitos, a transexualidade. Ou porque tem o sufixo “sexual” na sua constituição, ou porque a origem de todo este fenómeno não esclarece as mentes mais agarradas aos ideais que outrora adquiriram, como se fossem verdades absolutas: nasce-se assim e assim se tem de ficar para sempre. Veremos. Uma mesa composta por oradores bastante entendidos no assunto, o Dr. João Décio Ferreira (Cirurgião Plástico), o Prof. Pedro de Freitas (Médico e sexologista clínico), a Prof. Iris Monteiro (Psicóloga e Sexologista Clínica), a Sra. Júlia Pereira (Coordenadora do GRIT) e o Prof. Filipe Fialho (Prof. Assistente do IPS), feznos perceber que essa velha máxima não tem de ser cumprida, até porque já ficou no ouvido um tal “Muda de vida, se não vives satisfeito”. Foi este o objetivo da palestra, mostrar que é possível ser feliz e em harmonia com o nosso corpo, apesar do que herdámos biologicamente. Foi feita uma introdução com explicação do tema, distinguindo termos que se confundem tais como transexual, orientação sexual, travestismo, ou comportamentos “drag queen”, por exemplo. De ressalvar que uma pessoa transexual exibe uma gama de orientações sexuais como alguém que é cissexual, isto é, não transexual e que, por outro lado, travestismo e comportamentos “drag queen” dizem respeito a transgéneros, pois não há um desejo real de mudança de sexo. Após esclarecimento e debate sobre todos estes vocábulos, tentaram-se perceber os primeiros sinais alusivos à existência de um desconforto relativamente ao corpo. Meninos excessivamente femininos, ou “MariasRapazes”, tanto podem querer dizer muita coisa, como não, sendo casos perfeitamente aceitáveis, tendo em conta a panóplia de gostos diversos de cada um. Isto encaixa-se ao nível do diagnóstico, processo precoce nalguns casos,

mas tardio noutros, pelas tentativas de evitar a consciencialização do problema. Psicólogos e sexologistas trabalham em conjunto na deteção destes casos, pela delicadeza que exige desprender um homem de um corpo de mulher, ou vice-versa. Não esqueçamos que, por de trás de um corpo que trai, está uma família, um emprego, uma sociedade nem sempre amável no que toca a aceitar a diferença. Foi sobre este assunto que nos debruçámos. A circunstância. Toda a teia emaranhada de pessoas, pensamentos, críticas e decisões que envolve quem tem um transtorno de identidade de género. Quando alguém, após longo período de tempo, consegue aceitar-se a si próprio, percebendo que o que realmente quer é proceder à transição do sexo do nascimento para o sexo oposto, são várias as etapas que devem ser respeitadas, nomeadamente no que toca ao apoio psicológico constante e à terapia hormonal. É importante esclarecer que nem todo o transexual faz cirurgia de mudança de sexo, precisamente pela insegurança demonstrada ao longo deste percurso. Após 2 anos de terapia hormonal, pode proceder-se, então, à cirurgia, sempre que assim se queira. Nesta palestra tivemos a oportunidade de observar fotografias de cirurgias de mudança de sexo bem como da sua evolução ao longo dos anos, algo que deixou todo o auditório de olhos colados ao ecrã pelo conteúdo das imagens. A surpresa da tarde deu-se quando o Dr. Filipe Fialho testemunhou a sua própria mudança de sexo, para surpresa de muitos que desconheciam este facto. Contámos com um auditório cheio e atento num clima agradável e com bom humor à mistura, disposto a contribuir para o bom desenvolvimento do tema. Aprendemos a não denunciar alguém que tenha alterado o normal percurso da vida, dado que é imensa a dor daqueles que estão presos num corpo que sentem não ser seu. Artigo por Jeniffer Jesus, aluna do 3º ano

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Associação Raríssimas: não pode ser raro apoiar Decorreu no dia 12 de Maio, na Faculdade de Ciências da Saúde, a Tertúlia intitulada “Doenças Raras: “Síndrome de Angelman”. Estima-se que existam entre 5.000 e 8.000 doenças raras diferentes e que existirão até 800.000 pessoas com estas patologias em Portugal. Torna-se pois necessário contribuir para a sensibilização e divulgação desta realidade, com o objectivo de minimizar o atraso no diagnóstico, adequar formas de actuação e melhorar a orientação/ apoio a estas pessoas e núcleo envolvente. A Raríssimas – Associação Nacional de Deficiências Mentais e Raras, fundada em 2002, foi a Associação convidada para partilhar com os estudantes as experiências que concretiza neste campo tão complexo em termos de abordagem, nas pessoas de Joaquina Teixeira (Vice Presidente da Raríssimas), Sara Vilaça (Fisioterapeuta da Associação) e Anabela Soares (mãe do Rafael, portador de Síndrome de Angelman). A intervenção das três convidadas abordou diversos pontos: esclarecimento de aspectos respeitantes às doenças raras (significado, origem, sintomas, desenvolvimento); origem, funcionamento e projectos/ parcerias da Associação (muitos com o apoio da Direcção Geral de Saúde); papel dos profissionais de saúde no âmbito da reabilitação e melhoria da qualidade de vida destas pessoas e orientação das pessoas significativas; relato de casos de pessoas

portadoras, nomeadamente do Rafael, de 7 anos, portador de Síndrome de Angelman, um distúrbio genético-neurológico e caracterizado pelo atraso no desenvolvimento intelectual, dificuldades na fala, distúrbios no sono, convulsões, movimentos desconexos e sorriso frequente. Do período de partilha entre oradores e público, fica a convicção de que é necessário e urgente o assumir de uma postura de cidadania interventiva, de consciência solidária e de responsabilidade perante uma sociedade que nos colocará casos raros nas mãos, esperando uma resposta adequada, humana e o mais célere possível. Um verdadeiro desafio a todos os níveis. Artigo por Fabíola Figueiredo, aluna do 2º ano

Durante a Tertúlia.

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Hospital Faz de Conta Na semana de 23 a 27 de Abril, decorreu a V Edição do Hospital do Faz de Conta, uma iniciativa do MedUBI original do projecto europeu “Teddy Bear Hospital”, criado pela EMSA (European Medical Students Association). Nessa semana, a Faculdade de Ciências da Saúde transformouse num “hospital” e recebeu 13 escolas da região com um total de cerca de 500 crianças, que, fazendo o papel de “pais”, trouxeram o seu bonequinho doente para ser cuidado e tratado. Este projecto visa combater o medo da bata branca e do ambiente hospitalar tido pelas crianças. Para tal, são recriadas todas as etapas do tratamento da doença num contexto lúdico e pedagógico. O primeiro passo consiste na Consultório, onde o boneco é observado, “auscultado” e é passada uma receita de beijinhos e miminhos, aviada depois na Farmácia. Mas antes há que passar pela

Sala de Imagiologia e Sala de Tratamentos, onde se analisam os Raios-X e se coloca gesso nas pernas e braços partidos dos bonequinhos. Finaliza-se então o percurso no Internamento e Bloco Operatório, onde os mais novos são vestidos a rigor como pequenos cirurgiões. Este ano o V Hospital do Faz de Conta contou com mais de 150 voluntários dos cursos de Medicina, Biomédicas, Ciências Farmacêuticas e Psicologia, e apoios que permitiram o sucesso desta edição, entre eles o já assíduo Centro Hospitalar Cova da Beira e, claro, todo o suporte da nossa Faculdade. Como novidade, e no âmbito da Educação para a Saúde, o V HFC contou com a participação da Fundação Champalimaud, que trouxe até à FCS o Champimóvel, um simulador 3D do corpo humano. Foi uma edição cheia de sucessos, com um excelente feedback por parte de toda a equipa e, claro, escolas participantes. Artigo por Sofia Carvalho, aluna do 3º ano Algumas das crianças visadas pelo HFC na companhia de dois dos Voluntários.

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Projecto Champimóvel: Fundação Champalimaud aposta nas regiões do Interior Na semana de 23 a 27 de Abril de 2012 decorreu a V Edição do Hospital Faz de Conta da Faculdade de Ciências da Saúde. E desta vez trouxe consigo uma novidade em forma de simulador móvel transportado num camião: o Champimóvel, um dos projectos considerados mais originais e interactivos na área da ciência educativa para crianças e jovens, proposto pela Fundação Champalimaud. A Revista “Diagnóstico” falou com Maria Marinho, uma das técnicas dinamizadoras deste projecto que nos acompanhou nesta semana, que nos esclareceu sobre alguns pontos desta iniciativa. Revista “Diagnóstico”: Qual a origem deste projecto? Maria Marinho: Este projecto teve a sua origem na Alemanha (construção) e foi adquirido posteriormente pela Fundação Champalimaud como parte integrante dos seus projectos na área da educação para a ciência de jovens e crianças. RD: Resumidamente, em que consiste? MM: Consiste na transmissão de um filme tridimensional, de forma interactiva, lúdica e divertida, com a duração aproximada de 25 minutos, onde é efectuada uma viagem a nível microscópico através das estruturas e funcionamento do corpo humano (acompanhada pelo boneco animado denominado “Champi”) a fim de testemunhar os problemas mais relevantes e actuais na ciência médica. Nomeadamente é efectuada uma abordagem das células estaminais, das nanotecnologias e

do ADN e a terapia genética. São igualmente apresentados os mecanismos da visão, a célula e seu material genético e a forma e consequência de acção dos vírus. As crianças e jovens, viajando em movimento por alguns dos caminhos mais íntimos do corpo humano são chamados a participar, através da manipulação de um joystick que atribuirá pontuações às respostas solicitadas. RD: Qual o público-alvo? MM: Este projecto consiste na primeira acção integrante de um projecto mais abrangente, o Programa de Divulgação e Motivação da Fundação Champalimaud, dirigido aos alunos do segundo e terceiro ciclos de escolaridade (9-14 anos), tendo começado a percorrer as escolas a partir de Março de 2008. No entanto, nomeadamente nas escolas das regiões do Interior, como neste caso, devido ao menor número de alunos, alargamos a participação a crianças de faixas etárias inferiores (a partir dos 5 anos), com algumas adaptações adequadas para a visualização da experiência (não utilização dos óculos e do movimento, por exemplo). RD: Principais objectivos deste projecto? MM: A Fundação Champalimaud pretende sobretudo contribuir para que as crianças descubram de forma agradável e natural os temas científicos anteriormente referidos, motivando-as para a ciência e investigação biomédicas, podendo inclusive contribuir para a descoberta e incentivo de talentos precoces a este nível. RD: Qual a origem e que tipos de apoios suportam este projecto? MM: Os apoios ao nível de financiamento provêm da Fundação Champalimaud e do Ministério da Educação (de forma a garantir o acesso a todas as escolas do país),

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através da Direcção Geral de Investigação e Desenvolvimento e a deslocação às cidades é efectuada igualmente através de protocolos estabelecidos com as Câmaras Municipais e das Direcções Regionais de Educação, que contactam e envolvem as escolas e que têm efectuado um óptimo trabalho de divulgação, disponibilização de espaço e logística. Os Centros de Ciência Viva Nacionais, Hospitais e outras instituições também têm tido um papel importante a este último nível, por exemplo, nas visitas fora dos períodos escolares e abertos à comunidade em geral.

têm aderido imenso. Muitas cidades, como o que aqui foi feito, propõem que exista um dia aberto à comunidade, sempre com grande receptividade. A gratuitidade da experiência também é um ponto-chave a realçar. RD: Parece-nos que esta iniciativa tem igualmente uma componente social implícita. MM: Sim, é igualmente um dos pontos essenciais. Pretende-se, salvo casos considerados excepções, como por exemplo, portadores de patologias como Epilepsia (a utilização de flashes luminosos constantes Durante uma das sessões no Champimóvel.

RD: A adesão tem sido significativa? MM: Tem sido extremamente positiva e com um aumento assinalável. Desde o início desta iniciativa já percorremos cerca de 10 distritos e 67 concelhos. Mais de 65 Câmaras se associaram à iniciativa. E já ocorreu a internacionalização, na Extremadura Espanhola em 2009. Além disso, sendo uma exposição itinerante, o Champimóvel permite levar a ciência até às crianças, independentemente da área da sua escola ou de onde vivem. Igualmente o público adulto, que acompanha os seus filhos ou alunos,

na exibição do filme poderia contribuir para o desencadear de crises) e crianças muito pequenas (mais irrequietas e demonstram mais medo), que esta experiência seja adaptável a todas as crianças e jovens dentro da faixa etária referida, sem qualquer entrave relativo a condições das crianças, nomeadamente físicas (por exemplo, peso), o que muitas vezes contribui para a selecção dos alunos a participar pelos próprios professores, como temos observado... Temos inclusive uma rampa de acesso ao Champimóvel para quem possua dificuldades

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de locomoção. A nossa própria equipa tem formação especializada para poder dinamizar este projecto, transmitindo sempre as regras de segurança aos envolvidos. Pretende-se igualmente que este projecto desperte a curiosidade dos alunos, professores, encarregados de educação e autarquias pelo tema da ciência, de forma a que posteriormente à participação nesta iniciativa, se continuem a desenvolver actividades dentro da área e nas quais a Fundação poderá inclusive participar. Outros dos pontos a destacar é a aposta nas regiões do Interior, onde estas iniciativas não são tão recorrentes como desejável, sendo que a Fundação Champalimaud desde sempre demonstrou com este projecto a sua preocupação em abranger o maior número de crianças e jovens em regiões mais descentralizadas,

MM: É extremamente gratificante verificar que uma Faculdade, nomeadamente através dos seus alunos, promove iniciativas em prol da desmistificação dos medos e inseguranças das crianças perante o Hospital e seus profissionais. Tal demonstra desde já um sentido de responsabilidade a nível social tão importante, mas igualmente tão esquecido actualmente nestes contextos académicos e mesmo profissionais. Entrevista conduzida por: Fabíola Figueiredo, aluna do 2º ano.

O Champimóvel na nossa Faculdade.

no âmbito de uma política de promoção de igualdade de oportunidade de acesso a novas formas de ensino-aprendizagem. RD: Quer deixar algumas palavras acerca da iniciativa do Hospital do Faz de Conta na nossa Faculdade?

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Abril, talentos mil Eu tenho dois amores, como diz a música, e guardo ambos como o primeiro. Um deles, que vi nascer e crescer na Faculdade de Ciências da Saúde e acompanho com especial atenção, tem como nome de baptismo “Sarau Cultural”. É um projecto iniciado pela aluna Rita Ivo – que o encara como “uma forma de trazer a arte à casa da ciência” - com assinatura MedUBI, que apesar dos tenros três anos de vida, desde muito cedo falou e deu que falar. Surge, evento após evento, ano após ano, desde há três, e, geralmente no mês de Abril, no contexto da semana cultural, desenvolvida pelo Departamento Cultural do núcleo de Medicina. Desde artistas très renommès a completos anónimos, este projecto tem vindo a contar com participações de uma enormidade de backgrounds, cuja principal e, arrisco-me a dizer, quase única, linha em comum é o gosto

Imagem vencedora do Concurso Fotográfico, versão original a cores. Título: “Oudezijds Kolk”.

pelas artes. São eles alunos de ciências que intervalam o estudo das teorias atómicas e da farmacologia com o exercício dos dedos no piano ou a declamação de trechos de Pessoa. São eles também, ainda que não só, grupos

de teatro, cinema e, para finalizar o leque de exemplos, música, com a presença anual, quase em jeito de tradição, de alguns habitués, como é caso da banda da Covilhã. A formação, embora muito presente, não é pré-requisito e muitas das actuações contam com elementos descobertos por simples acasos, pelo “diz que disse” dos corredores, por sítios na internet, enfim. Aqui, onde as almas não são pequenas, tudo vale a pena para que esta criação, 100% a custo zero todos os elementos envolvidos, sem excepções a confirmar a regra, vestem a camisola – tenha o seu lugar. As entradas, embora pagas, contam com preços simbólicos e que revertem na íntegra para a instituição de caridade que a organização do ano vigente entende premiar. Este ano o sarau baixou as luzes, pôs os ritmos de jazz no volume máximo e embarcou na insanidade da altura a que pretendeu aludir: os loucos anos 20. O teatro com as cigarrilhas e predomínio de vozes femininas, quase histéricas de tão emancipadas, o quickstep, a poesia e cinema de época, entre outros pormenores maiores, já que que de pequeno só tiveram as vestes, fizeram com que até a pessoa mais orientada no tempo e no espaço se perdesse e desse por si a reviver um ambiente de há quase um século. É um projecto que não desilude pela probidade do formato e cujas provas dadas são mais do que suficientes para que continue. Contudo e porque à semelhança da perspectiva de Orson Welles em relação ao teatro, o sarau é um acto social, muito carente do seu querido público. Por isso, leitores e leitoras da primeira edição do novo formato do Diagnóstico (outro dos meus amores) e respectivos avós, tio-avôs, primos, amigos e periquitos, façam o obséquio de marcar presença no próximo ano, sim?

Artigo por Amélia Pita, antiga aluna

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Texto vencedor do Concurso Literário

Espelho esquizofrenia: nome feminino (Do grego skhízein, «fender» +phrén, «mente; espírito» +-ia) MEDICINA doença mental caracterizada pela dissociação entre o pensamento do paciente e a realidade física do seu próprio corpo ou do ambiente em que ele se encontra. Sobe. Uns pisos acima entra uma rapariga. Sobe. A luz intermitente do elevador, a piscar a uma cadência não muito regular, prestes a fundir, certamente. Parece que pestaneja, a lâmpada, cedendo ao calor húmido que se faz sentir. Espelhos que enchem por completo as paredes que confinam o elevador, de forma que aparecem reflectidas num dos espelhos uma senhora de meia-idade e uma rapariga. A senhora encara os pés, com severidade, como se esperasse deles uma justificação pelas dores que causam. A rapariga deposita, fascinada, toda a sua atenção no pestanejo da lâmpada.

Não trocam olhares, nem entre elas, nem com elas próprias, pelo espelho. Uma tem a cabeça dirigida para baixo, a outra para cima. O espelho intermitente reflecte-as friamente. Bruscamente, o elevador parou num estremecimento metálico. A senhora estendeu os braços num ápice para readquirir o equilíbrio. Está nervosa e impaciente. O espelho não vê quase nada, uma vez que agora só a fraca luz de presença subsiste. A rapariga, que viu interrompido o seu fascínio pela lâmpada, acorda e dirige-se à senhora. - Que horas são?, pergunta. - Que horas são? Não vê que estamos aqui presas? Só pode estar louca… Isto só a mim! Alguém que… que está num elevador avariado, ter a distinta lata de… - Eu sou louca, eu não sou louca, eles dizem que sou louca, esta diz que sou louca, aquele também. Não sei ao certo. - O que é que está pr’aí a dizer, garota? - Perguntei se tem horas… (...) Anónimo (o texto continua em www.medubi.pt)

Banda desenhada criada por Joana Pedrosa, 4º ano.

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A toca dos Cinéfilos – Cineclube Claquete A comissão organizadora do cineclube conta com Catarina Rodrigues, Cláudia Pinho, Joana Neto, Marta Bernardo e Rita Félix. Aideia da sua formação surgiu da necessidade de criar um espaço que concilie lazer e cultura e pensámos que a 7ª arte seria um bom ponto de partida. Apesar de estarmos sempre sujeitos a uma vida cheia de compromissos e afazeres não devemos descurar a cultura e paixão por outras artes que não a medicina. Tal como refere Abel Salazar no seu tão famoso lema “quem só sabe de medicina, nem de medicina sabe”, é vital investirmos na formação de espaços que alimentem a nossa cultura, vivência e espirito crítico. O público-alvo estende-se a todos os interessados, estudantes ou não estudantes, que partilhem o gosto pelo cinema. Os filmes a exibir devem responder a uma dualidade de critérios, devem ser filmes marcantes cinematográfica e historicamente mas que não sejam produtos comerciais instigando a curiosidade dos espectadores. A escolha dos filmes contará com a participação activa dos seguidores através de votações no facebook. A estreia será a 15 de Maio num anfiteatro da faculdade e a exibição terá uma periodicidade quinzenal. Para além destas frequentes sessões, pretendemos também realizar um festival cinematográfico anual, no qual iremos dedicar uma semana a individualidades e obras desta arte, organizar sessões de cinema drive-in e ainda convidar individualidades relacionadas com o cinema para comentar os filmes de cada sessão. Achamos importante este tipo de iniciativas pois torna a faculdade mais activa e proporciona

aos alunos um local onde podem praticar outro tipo de actividades importantes na formação pessoal e aumento da cultura geral. Apelamos então para que apoiem o projecto participando.

Entrevista

O Cineclube Claquete é uma iniciativa dos alunos de Medicina da FCS-UBI, que pretende proporcionar a todos os alunos da UBI momentos de lazer e convívio, conjugando com os estudos, a possibilidade de alargar os horizontes no mundo cultura cinematográfica. A diagnóstico quis conhecer na primeira pessoa as responsáveis por este projeto digno de óscar. D: Começando por uma breve apresentação, quais os elementos que constituem o clube? CC: A comissão organizadora do cineclube conta com Catarina Rodrigues, Cláudia Pinho, Joana Neto, Marta Bernardo e Rita Félix, todas alunas do 2ºano. D: Muitas cabecinhas a pensarem juntas ou uma iluminação momentânea? Afinal, como surgiu esta iniciativa? CC: A ideia da formação do clube surgiu da necessidade de criar um espaço que concilie lazer e cultura e, portanto, pensámos que a 7ª arte seria um bom ponto de partida. Apesar de estarmos sempre sujeitos a uma vida cheia de compromissos e afazeres, não devemos descurar a cultura e paixão por outras artes que não a medicina. Tal como refere Abel Salazar no seu tão famoso lema, “Quem só sabe de Medicina, nem de Medicina sabe”, é vital investirmos na formação de espaços que alimentem a nossa cultura, vivência e espirito crítico. Digamos que, muitas cabecinhas a pensar juntas para uma iluminação momentânea!

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D: Todos podem usufruir desta iniciativa, ou a quem se dirige o clube? CC: O público-alvo estende-se a todos os interessados, estudantes ou não estudantes, que partilhem o gosto pelo cinema. D: Relativamente à passagem de filmes, quais serão agendados? CC: Os filmes a exibir devem responder a uma dualidade de critérios, devem ser filmes marcantes cinematográfica e historicamente, mas que não sejam produtos comerciais, instigando a curiosidade dos espectadores. A escolha dos filmes contará com a participação ativa dos seguidores através de votações no facebook. D: Qual será o local, como será o funcionamento e o horário do clube? CC: A estreia do clube será a 15 de Maio, num anfiteatro da faculdade e as exibições terão uma periodicidade quinzenal. Para além destas frequentes sessões, pretendemos também realizar um festival cinematográfico anual, no qual iremos dedicar uma semana a individualidades e obras desta arte, organizar sessões de cinema drive-in e ainda convidar individualidades relacionadas com o cinema para comentar os filmes de cada sessão. D: De que modo consideram relevante a criação deste clube num meio académico? CC: Achamos importante este tipo de iniciativas pois torna a faculdade mais ativa e proporciona aos alunos um local onde podem praticar outro tipo de atividades importantes na formação pessoal e no aumento da cultura geral. Apelamos, então, para que apoiem o projecto, participando, para que todos possamos beneficiar desta iniciativa.

Entrevista conduzida por Jeniffer Jesus, aluna do 3º ano

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8ª Gala de Medicina No dia 29 de Maio de 2012 cerca de 350 pessoas vestiram-se a rigor para o evento de glamour mais prestigiado da nossa faculdade que já conta com a sua 8ª edição consecutiva e sem parecer ter um fim à vista. Com a organização e apresentação do evento a cargo da Joana Neto e do Pedro Carvalho do Departamento Recreativo e Cultural do MedUBI, a Gala deste ano fica marcada por uma espécie de regresso às origens quanto ao espaço escolhido para o evento, visto que após um hiato de dois anos em que a mesma se organizou em Quintas das redondezas esta voltou a dar-se no Hotel Tryp, local de muitas das edições anteriores. O que não sofreu alterações foi mesmo o formato do evento, que voltou a primar por um sofisticado jantar e dress code, repleto de bom ambiente e de boa-disposição. Foram apresentados os característicos vídeos dos Caloiros, dos Finalistas e o vídeo do MedUBI,

uma paródia de bom-tom à nossa faculdade e ao que de bem e de mal acontece cada ano na UBI. Não faltou também um fotógrafo profissional para eternizar as poses, os vestidos e os fatos de todos aqueles que queiram mais tarde recordarse de uma fantástica noite. Como é já tradição realizou-se simultaneamente a cerimónia da entrega dos prémios da Gala, distribuídos em diversas categorias para alunos, professores e funcionários. Este ano o prémio de Mérito foi atribuído ao Professor Doutor Lourenço Marques pelo seu trabalho pioneiro na Unidade de Cuidados Paliativos do Hospital do Fundão e pelo seu contributo enquanto tutor e mentor na nossa faculdade, nomeadamente na disciplina de Arte da Medicina e Cuidados de Saúde Primários. Após o jantar, os participantes puderam ainda contar com uma festa na Discoteca Companhia onde a noite se prolongou ao gosto e vontade de cada um. Artigo por David Teixeira, aluno do 4º ano A Direção do MedUBI marcou presença na 8ªGala.

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Retalhos da Clínica de um Médico: Cirurgia Geral Inaugurados a Junho de 2011 com uma sessão sobre Nefrologia, os “Retalhos” surgiram em estreita relação entre o MedUBI e a FCS, através da Prof. Dra. Assunção Vaz Patto. A quinta e última sessão dos retalhos foi dedicada à especialidade de Cirurgia Geral, tendo ocorrido no Anfiteatro Amarelo no dia 02 de Maio pelas 18 horas. O orador convidado foi o interno do 6º ano de Cirurgia Dr. Pedro Serralheiro que nos apresentou dois casos clínicos que ocorreram no CHCB, Centro Hospitalar ao qual é médico associado. Dada a grande desenvoltura e confortável à-vontade com que se exprimia, o orador conseguiu que as apresentações primassem pela interatividade, permitindo que a cada novo dado clínico os alunos interviessem com a sua opinião sem receio de errarem, o que acabou por se revelar irrelevante devido à própria natureza excecional dos casos que nos foram apresentados, capazes de deixar toda a plateia presente (incluindo docentes) atónita. Ambos os casos – “Uma Estranha Forma de Ser no Pescoço” e “O Estranho Caso do Tumor Gigante” – são relatos verídicos de patologias com baixa probabilidade de ocorrência, difíceis de corrigir pela sua sintomatologia aberrante e com problemas acrescidos no tratamento pelas muitas complicações que surgiram desafiando a própria lógica. Conduzidos pelo Dr. Pedro Serralheiro,

os alunos presentes puderam testar as suas hipóteses, treinando assim a sua astúcia clínica e ganhando prática numa área que segundo o próprio precisa de ser bem aprofundada em ordem a tornarmo-nos melhores médicos. Por outro lado, reforçou-se a ideia que nem todos os livros de medicina combinados nos podem preparar em absoluto para a realidade, só surgindo a tekné com a vivência dos casos. Citando a Leonor Leão, nossa colega criadora do conceito dos retalhos “Esta é uma atividade com muito potencial (…) que acreditamos ter dado um bom contributo para a formação científica e humana dos alunos. Se, por um lado, foi explicado aos alunos a patologia presente em cada um dos casos apresentados, por outro foi enunciada a situação psicológica e social dos doentes em causa. Recomenda-se que esta atividade continue a ser realizada dado o impacto positivo que acreditamos ter na formação dos nossos estudantes.” Artigo por David Teixeira, aluno do 4º ano

O cartaz da última sessão dos Retalhos.

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Sai da Cova! WOOL FEST – Street art na Covilhã De setembro a dezembro do ano passado, esteve tudo de olhos postos nos andaimes, a acompanhar com entusiasmo a evolução dos graffiti na primeira edição do Wool Fest – o primeiro festival de Arte Urbana na Covilhã. Esta ideia partiu de Pedro, da irmã, Lara Seixo Rodrigues, e de Elisabet Carceller, todos ligados a este meio artístico. O evento contou com a participação dos ARM collective (Miguel Caeiro aka RAM (Sintra, 1976) e Gonçalo Ribeiro aka MAR (Seixal, 1974). Com estilos bastante diferentes (RAM pratica um graffiti freestyler, experimental e psicadélico e MAR trabalha com motivos figurativos surgidos de um imaginário particular), ambos pintaram diretamente na parede, à mão livre, o que proporcionou um resultado muito espontâneo, essencial na adaptação da pintura ao espaço. Tentaram trabalhar a história da Covilhã e a sua importância industrial, visto que, depois do 25 de Abril, mais de 200 fábricas fecharam. Assim, de sprays e tintas na mão, estes artistas reabilitaram a cidade de forma a que todas os trabalhos preservassem a identidade local. O Wool Fest foi a prova de que Covilhã e street art podem surgir na mesma frase. Mantém-te atento quando saíres à rua!

FORA DE SERVIÇO – “Espalha o Vírus” Carolina Lopes e Gonçalo Paiva, dois antigos alunos da UBI ligados ao Design Multimédia e ao Design Têxtil, são os dois mentores de um novo conceito de empreendorismo, ao abrir o seu negócio baseado na reciclagem de materiais. O gosto pelo artesanato e pela utilidade dos objetos levaram-nos a criar um espaço dedicado a coisas que, à partida, as pessoas pensavam já não ter utilidade. Não se trata de uma loja de antiguidades, a Fora de Serviço é uma loja de moda, artigos em segunda mão, instrumentos musicais, livros, entre outros acessórios, que lembram épocas e estilos muito peculiares. Aqui, transformam-se, por exemplo, discos de vinil em malas de senhora, tijolos em obras de pintura e ainda existe uma linha de roupa própria. Além disto, também são divulgados trabalhos de outros artistas e, com montras expressivas e exposições que mostram talentos, conseguem difundir e valorizar diferentes tipos de arte. Continuar a conquistar as pessoas com o seu estilo vintage e tornar a Fora de Serviço uma marca própria é o grande objetivo. Podes encontrar mais informações em https://www.facebook.com/foradeservico.loja. Não fiques tu Fora de Serviço e descobre esta iniciativa! Jeniffer Jesus, Aluna do 3º de Medicina

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OsOsRepresent Represent

Fabíola Maria de Almeida Figueiredo Representante do 1º ano

Decorrente da opinião da maioria dos alunos do 1º Ano: Relativamente a aspectos positivos, é destacado o incentivo à autonomia do aluno (no entanto nem sempre correctamente “monotorizada”) e a promoção da interacção/ diálogo aluno-docente. Igualmente é de realçar a introdução de estágios de índole observacional logo no primeiro ano (embora carecendo de ajustamento em vários aspectos), assim como de conteúdos não tão comuns nos currículos académicos em Medicina no primeiro ano, como os Cuidados Paliativos. O LAAC é um conceito inovador e muito relevante, embora a sua optimização possa ser aprimorada. No que concerne a aspectos que decorreram menos bem, considera-se o facto da metodologia de ensino-aprendizagem instituída na Faculdade ter sido distorcida em vários módulos pelos docentes, o sub-aproveitamento dos recursos materiais (modelos anatómicos, por exemplo), o sistema de pedido de revisões de perguntas ser desajustado e o sistema de avaliação existente ser penalizador de forma incongruente, na medida em que não valoriza o verdadeiro conhecimento do aluno. Emanuel Esgaio - Representante do 2º ano No actual 2ºano, são vários os aspetos que se apresentam bem estruturados e organizados, no entanto, há ainda muito para fazer, quando o objetivo final é a excelência. O bloco de Corpo Humano II, o “cadeirão”, encontra-se bem organizado e estruturado. A matéria abordada neste ano baseia-se na continuação do estudo dos vários sistemas orgânicos funcionais do corpo humano iniciados no 1ºano, sem esquecer o estudo das ciências sociais e humanas através

do módulo de sociologia. Não posso deixar de referir que um dos pontos mais marcantes deste ano é o estágio clínico dedicado aos cuidados primários de saúde, onde os alunos têm a oportunidade de realizar uma primeira consulta e de perceber a importância dos cuidados primários como suporte para um sistema de saúde funcional e sustentável. Uma possível redução da carga horária e a alteração do esquema da 1ª fase das tutorias neste ano curricular são pontos que deveriam ser revistos e melhorados. Rúben Raimundo - Representante do 3º ano O 3º ano do Mestrado Integrado em Medicina da FCS sempre foi muito temido por todos devido à carga de trabalho exagerada que se verificava. E com razão! Felizmente a faculdade tem continuado a insistir em melhorias e os resultados têm sido bastante positivos. Todos os contributos dos representantes dos anos anteriores e o esforço dos professores tornaram o ano muito mais organizado e interessante. Pode afirmarse que o 3º ano renasceu! A l g u m a s mudanças ainda devem ser feitas, principalmente na integração dos vários blocos no sentido de tornar a ponte que os interliga mais sólida e mais próxima da realidade da nossa futura profissão. No entanto, cada ano que passa, as melhorias têm sido significativas

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tantes de Ano tantes de Ano

Não enviou a informação necessária até à data do fecho da edição.

e tenho a certeza que todos os coordenadores envolvidos vão continuar a trabalhar para colmatar algumas falhas ainda existentes e para tornar o 3º ano ainda melhor que este ano que cessou. Pedro Vilas - Representante do 4º ano O 4º ano, o 1ºano clínico, é quando realmente vemos que há “muita gente nos hospitais”. Desde serviços com 3 médicos para 18 alunos a alunos de 6º e 4º a lutar pelos mesmos pacientes, os problemas do 4ºano prendem-se maioritariamente com a incapacidade actual dos hospitais absorverem tantos alunos – o que faz precipitar problemas de comunicação preexistentes (marcação de aulas para quando os médicos estão de ferias) ou mesmo falta de uniformidade no ensino dos diversos blocos. Por outro lado há que louvar o esforço organizativo da faculdade que procura fazer o melhor com os recursos possiveis, sendo que em aspectos organizativos apenas nos preocupamos com marcação de exames (o que por si não é linear). Em geral o ano corre sem grandes problemas, as materias são no geral asseciveis e interessantes e os periodos de (bom) estagio são altamente motivadores para o estudo dos conteudos. Nuno Tomás - Representante do 5º ano

Leonor Leão - Representante do 6º ano Vamos começar pelas más (e óbvias) notícias: Harrison, Harrison, Harrison, Harrison, Harrison. E ainda a falta de tempo para cumprir todas as obrigações dos estágios e da faculdade e aproveitar devidamente o último ano de faculdade! Pontos positivos? Vão descobrir que têm muito mais experiência clínica que  a  maioria dos vossos colegas de outras faculdades. Vão também começar a ter alguma autonomia e

responsabilidade

sobre

alguns

doentes

e a vossa opinião já começa a ser tida em conta. A maior parte dos alunos consegue entrar no bloco operatório várias vezes, entrar nas cirurgias e dar uns pontinhos. Para quem não aprecia a vertente cirúrgica, podem contar com muitas histórias clínicas para fazer, muito contacto com doentes, muitas gasimetrias, às vezes uns cateteres centrais ou uns pacemakers temporários. Cool, hein? A  tese é uma coisa positiva, que tem  a  virtude de nos introduzir à investigação e ao método científico e que nos permite aprofundar conhecimentos numa área de que gostamos. Mas é também aquela coisa que dá tanto trabalho quanto aquele que quisermos ter com ela. Se começarmos  a  pensar na tese com antecedência, temos tempo para fazer uma coisa interessante sem prejudicar-mos o nosso estudo para o exame da especialidade (meninos do 4º ano comecem a MEXER OS RABOS!). É uma óptima sensação entregar um trabalho em que acreditamos ter contribuído um bocadinho para o avanço de uma área de que gostamos. (Nota: Informação referente ao último ano lectivo.)

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10 Anos, 10

1a Presidente Alexandra Martins Soares Pina, nascida a 29/04/1981 no Porto entrou para a FCS no ano lectivo de 2001/2002 sendo a primeira presidente do núcleo, corria o ano de 2003. Os principais objectivos que planeava alcançar com o mandato foram a criação do núcleo, a filiação na AAUBI e ANEM, a construção do logótipo e ainda a promoção do diálogo com a direcção da FCS. Encontra-se a tirar a especialidade de Medicina Geral e Familiar e trabalha na USF Horizonte em Matosinhos. O evento mais marcante enquanto presidente foi, está claro, a criação do núcleo. 2o Presidente Vitor José da Costa Simões, nascido a 16/03/1983 em Braga entrou para a FCS no ano lectivo de 2001/2002 e foi dirigente do núcleo em 2004. Os principais objectivos que planeava alcançar com o mandato foram a adesão à ANEM, a criação das Primeiras Jornadas (brilhantemente organizadas pela Leonor Troni), a publicação regular do Boletim do MedUBI e a organização do transporte entre a Covilhã e os hospitais da Guarda e Castelo Branco, dedicado aos alunos. A especialidade que se encontra a tirar é Cirurgia Geral e está a trabalhar no Centro Hospitalar do Porto, Hospital de Sto. António O evento mais marcante enquanto presidente afirma ter sido a adesão à ANEM. 3a Presidente Leonor Troni, nascida a 11/01/1982 em Lisboa. O seu ano de entrada na FCS foi 2002 tornando-se dirigente do núcleo em 2005. Os principais objectivos que planeava alcançar com o mandato foram divulgar o curso de medicina da UBI a nivel nacional, integrar a vida academica da UBI e dinamizar os colegas com outras actividades para além da faculdade A especialidade que se encontra a tirar é MGF e trabalha na USF Rodrigues Migues - CS Benfica - Lisboa. Enquanto presidente, afirma ter como momentos mais marcantes as I Jornadas MedUBI e I Gala MedUBI. 4a Presidente Matilde Padrão Dias (nº aluno 14839!), nasceu a 07/05/1983 em Lisboa. Decorria o ano de 2002 quando ingressou na FCS e tornou-se dirigente do núcleo em 2006. Afirma: “Nessa altura queriamos integrar-nos na dinâmica da ANEM e desenvolver actividades científicas, culturais e recreativas. Como eramos um curso novo, também quisemos integrar-nos na dinâmica académica da UBI, pelo que desenvolvemos inúmeras actividades com outros núcleos.” Encontra-se a tirar Medicina Geral e Familiar trabalhando na USF Dafundo. Quanto ao evento mais marcante como presidente diz: “Foram todos!! Eramos poucos e os financiamentos não abundavam por isso tudo era feito com imensa dedicação pessoal! E regra geral corria tudo super bem... Quase todas as actividades eram totalmente novas para nós! Desde as Jornadas, ao Luau, o fim-de-semana na neve, as misses no Companhia, as tertúlias, MedCine, o concurso de fotografia, a participação na reunião da EMSA, e claro, a Gala! Entre tantas outras... Não consigo escolher!” 5o Presidente Luís Patrão, nascido a 14/11/1985 em Aveiro, ingressou na FCS em 2003. Em 2007 tornou-se dirigente do núcleo com os principais objectivos de alcançar maior representação na ANEM, integração na EMSA, maior autonomia financeira face à AAUBI e apostar na formação dos representantes dos alunos. É interno de Medicina Interna no Centro Hospitalar Tondela-Viseu. O evento que considera mais marcante foi a saída dos primeiros finalistas, “os primeiros embaixadores do curso de medicina da UBI”, afirma. 6a Presidente Maria João Lima, nascida a 30/03/86 é natural de Vilar Formoso, na Guarda. Entrou para a FCS em 2004 e

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Presidentes

em 2008 foi dirigente do núcleo. Quanto aos principais objectivos que planeava alcançar com o mandato refere: “Internamente, uma re-estruturação da direcção e órgãos do MedUBI; a nível de actividades, todos os projectos contemplados no nosso plano de actividades foram metas igualmente importantes a atingir, embora muitos esforços do mandato tenham sido absorvidos pela organização do ENEM.” Está a tirar a especialidade de Cirurgia Geral, trabalhando no Hospital Sousa Martins. Refere que o evento mais marcante enquanto presidente foi o Encontro Nacional de Estudantes de Medicina, “pelo impacto nacional e por toda a logística implicada”. 7o Presidente Valter Rocha nasceu a 01/03/83 e é natural de Paredes. Entrou para a FCS em 2008 e logo em 2009 tornou-se dirigente do núcleo. Quanto aos objectivos que planeava alcançar refere: “Tenho de destacar o esforço realizado por todos os membros da direcção no sentido de contenção financeira. Algo que não estava inicialmente previsto, mas que por fruto de várias condicionantes acabou por acontecer. (...)Apesar disso, o Núcleo fez várias actividades e, de uma forma ou de outra, os vários departamentos foram cumprindo o plano de actividades. Destaco o Departamento Local de Saúde Publica da ANEM que realizou todas as actividades previstas no plano de actividades local e nacional, feito apenas igualável por uma outra associação a nível nacional. Na fase final do mandato organizamos a 1ª edição do Congresso MedUBI, subordinado ao tema: “Dor: do Neurónio à Pessoa”. (...) Um autêntico êxito, com cerca de uma dezena de empresas associadas e um número recorde de inscrições. Relembro que, durante o ano do nosso mandato, a FCS-UBI teve três presidentes (...), fruto das eleições que ocorreram para os órgãos sociais da UBI. Apesar disso, a comunicação estreita entre o Núcleo e a Faculdade esteve sempre presente. (...)”. Este nosso colega, quanto ao evento mais marcante, diz ainda: “Todos! Seria injusto para com as pessoas que me acompanharam destacar um evento em detrimento de outro. Estou certo de que todos deram o seu melhor nas actividades a que se propuseram. Todas as actividades, momentos e pessoas foram marcantes!” 8o Presidente Juliana Sá, nascida a 17/01/1988 é natural de Barcelos e entrou para a FCS em 2007. Foi dirigente do núcleo em 2010 e tinha como principais objectivos reforçar a relação dos estudantes com o seu Núcleo, fazer uma representação activa e eficaz dos estudantes de Medicina da UBI a nível local (na AAUBI), nacional (na ANEM) e internacional (nas EMSA), intervir junto da Universidade no sentido de mostrar os problemas pedagógicos que estão a acontecer devido ao aumento crescente do número de vagas o ingresso dos estudantes, remodelar o espaço do MedUBI criando um espaço que pudesse funcionar como sala de convívio para todos os estudantes, organizar eventos culturais na Faculdade para aproximar o estudantes desta e aproveitar as potencialidades do edifico, criar o Departamento de Educação Médica e renovar a imagem do MedUBI através da criação de um site e da produção de novo merchandising. Esta nossa colega refere ainda: “O evento mais importante penso que foi I Sarau Cultural do MedUBI, por ter sido uma inovação. Mas a batalha ganha mais importante para os estudantes foi a implementação do Menu Social, anteriormente não existia no Snack da Faculdade de Ciências da Saúde.” 9o Presidente Diogo Abreu Pereira nasceu a 30/ 08/1989 em Cinfães.Em 2007 ingressou na FCS e em 2011 foi dirigente do núcleo Os seus objectivos prediam-se com uma alternativa ao estacionamento pago da FCS, com o transporte para hospitais da Guarda e Castelo Branco, com o aumento do horário da biblioteca da FCS, com o pedido de alargamento da discriminação positiva nas Scut’s a estudantes da UBI, com a criação do Gabinete de Apoio ao Estudante de Medicina, com a participação na reorganização do currículo do MIM e do 6º ano, com a Criação do Regulamento dos associados, com a criação de protocolos de vantagens para sócios MedUBI, com a criação de novo merchandising e do Novo site MedUBI, com a organização da I Medicina FacFest, dos Retalhos da Clínica de um médico, do Curso de Língua Gestual e do Abril Cultural.Este nosso colega do 6o ano refere como evento mais marcante a implementação de transporte para os Hospitais de Castelo Branco e Guarda e ainda a I Medicina FacFest.

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Alexandra Pina (Interna MGF USF Horizonte) – Presidente da 1ª Direcção do MedUBI e Vitor Simões (Interno Cirurgia Geral CHPHGSA) – Vice-presidente da 1ª Direcção do MedUBI e Presidente da 2ª Direcção do MedUBI , escrevem: O 1º Curso de Medicina da Universidade da Beira Interior teve início em Setembro de 2001 na Covilhã. À desconfiança em relação à localização, aliouse a estranheza associada à inovação no método de ensino e de avaliação, que se distanciava do modelo tradicional de ensino universitário. As aulas lecionadas pelos alunos e facilitadas pelos docentes, as avaliações intermédias quinzenais, a assiduidade obrigatória, os exames informatizados de escolha múltipla, os estágios precoces em ambiente hospitalar e nos Cuidados de Saúde Primários – nada ainda tinha sido visto ou “validado” em Portugal. A ideia de constituir um grupo para representar os alunos de Medicina da UBI surgiu pouco depois de inaugurarmos o curso, com o objectivo de dialogar de forma organizada com a Faculdade e o Gabinete de Educação Médica, transmitindo as ideias ou preocupações dos estudantes no que respeitava à construção do mesmo. Isto porque o caminho ía sendo construído à medida que o íamos trilhando. Era ainda necessária a representação dos estudantes de Medicina na Academia e nas suas atividades (Recepção ao Caloiro, Latada,…), bem como nos órgãos da Universidade. Foi portanto criada uma comissão instaladora, que serviu de rampa de lançamento para o núcleo, tendo redigido os primeiros estatutos, posteriormente aprovados por unanimidade e aclamação na Assembleia Geral da AAUBI, e tendo sido responsável pela organização das primeiras eleições. O nome, MedUBI, procurou refletir a nossa vontade de integração na Universidade que nos acolheu. As primeiras atividades do núcleo incluiram a promoção da participação na Latada de 2002/2003, a criação do logotipo e de um Boletim e a integração na ANEM. Em simultâneo, procurámos disponibilizar ou apoiar actividades lúdicas que ajudassem a integrar os estudantes na cidade e na universidade, assim como outras que permitissem envolver a comunidade na qual nos integrámos. E foi para servir um grupo de apenas 60 estudantes que se iniciou a vida do MedUBI, sem instalações físicas nem fundos monetários e

sobretudo sem grande noção de como seria o futuro do curso, mas criado por um grupo de pessoas que procurou acreditar e lutar activamente por este futuro. Pedro Oliveira, aluno 4º ano - Presidente da 10ª Direcção do MedUBI (a actual), escreve: São já 10 anos de história. Sim, 2012 é ano de festa para o MedUBI. É o ano em que completamos 10 anos de vida. Foram os primeiros 10 anos de uma história que promete ser bastante longa, e com muitos capítulos ainda por escrever. Desde o ano de 2002 que o MedUBI é o legítimo representante dos estudantes de Medicina da Universidade da Beira Interior. Defendemos o presente e futuro de cerca de 800 estudantes, o maior curso da UBI. Temos representação marcada em termos internos, junto da direcção da Faculdade de Ciências da Saúde, mas também em termos externos, junto da Associação Nacional de Estudantes de Medicina, onde os assuntos de maior importância em termos nacionais são discutidos. Ao longo destes 10 anos implementamonos como um dos núcleos mais activos de toda a academia. Iniciativas por nós organizadas têm já grande impacto regional e, arrisco-me a dizer, nacional. Congresso MedUBI, Antes Que te Queimes, Medicina FacFest, Hospital Faz de Conta, Sarau Cultural, Gala de Medicina e Master Class Fitness são apenas algumas das actividades que organizamos, entre tantas outras. Como não poderia deixar de ser, 2012 é ano de festa. Estamos de momento a organizar a iniciativa “10 anos, 10 conferências”, em que 10 personalidades reconhecidas na área da medicina virão à nossa faculdade falar com os estudantes que tão orgulhosamente representamos, numa demonstração de que o curso de Medicina da Covilhã está cada vez mais implementado e tem cada vez mais importância em termos nacionais. Em forma de conclusão, só me resta desejar que muito mais décadas se sigam. O MedUBI e o curso de Medicina da Universidade da Beira Interior continuarão, com toda a certeza, a conquistar ano após ano o reconhecimento que merecem. Para isso contamos com todos, antigos e actuais estudantes. Bem-vindo à “Diagnóstico”!

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Entrevista ao Professor Doutor Taborda Barata Licenciado em Medicina pela Universidade de Coimbra em 1987, doutorado em Medicina Interna (Ramo de Imunologia Clínica), pelo Imperial College da Universidade de Londres, em 1998, especialista em Imunoalergologia pelos Hospitais da Universidade de Coimbra, também desde 1998. Em 2000, depois de vários anos em

TB: Fui o primeiro presidente de departamento, na faculdade, em 2000, pelo que já acompanho este projeto desde o início. Assim, e perante a necessidade de eleger um novo presidente da nossa faculdade, o que me levou a candidatar-me a tal cargo foi ter a possibilidade de continuar o modelo de progressão pedagógica e científica que se tem vindo a implementar nesta casa, mantendo a filosofia e o trabalho de excelência que tem vindo a ser desenvolvido.

O Professor Doutor Taborda Barata.

Inglaterra, voltou para Portugal, acabando por envolver-se na criação da nossa faculdade. No tempo livre gosta de ler, praticar râguebi, assim como de caminhadas e de diversas ações de voluntariado, inclusive em África, continente pelo qual se confessa um apaixonado. D: Quais os motivos que o levaram a candidatar-se à presidência da faculdade?

D: Tem algum projeto em mente que considere inovador para implementação? TB: Estão pensados vários projetos de índole científica mas gostava de nomear alguns de índole social e pedagógica: O “Observatório Solidário da FCS” que é uma multi-parceria com os núcleos dos cursos da nossa faculdade, com a AAUBI, com a capelania da UBI, com os SASUBI e com beneméritos, e que vai servir para agilizar o processo de apoio e orientação para alunos em dificuldades. Este

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projeto já teve resultados práticos com a ajuda de um aluno. O projeto “1 estudante - 1 idoso”: vai ser implementado para o próximo ano letivo começando de raiz para os alunos do 3º e será realizado em articulação com os Centros de Saúde e as unidades curriculares de Geriatria dos 3º e 6º anos. A cada aluno será atribuído um idoso e depois, durante os três anos seguintes os alunos terão de cumprir diversos objetivos, culminando na entrega de um relatório no 6ºano. O objetivo principal é o promover o acompanhamento e a educação para a saúde a nível dos idosos, e que pode mesmo permitir o o estabelecimento de uma amizade com alguém mais velho. Voluntariado Móvel na Região: poderá permitir complementar visitas domiciliárias dos Centros de Saúde, mas neste caso a pessoas desfavorecidas e isoladas, em conjunto com alunos de Medicina, Ciências Farmacêuticas e de cursos de outras faculdades como Psicologia. Este projeto ainda está em fase conceptual mas, se avançar, terá de envolver uma estreita articulação com centros de saúde. D: Quais os três momentos que considera mais marcantes nos 10 anos de história desta faculdade? TB: Bem, para mim o momento mais marcante foi a entrada dos nossos primeiros alunos. Como presidente de departamento (ainda não havia presidente de faculdade, nessa altura), recebi e interagi com os primeiros alunos e foi extremamente emocionante. Outro momento muito marcante foi a mudança de instalações. Não que a mudança de instalações em si traduza um melhor desempenho da nossa casa dado que as pessoas é que fazem as instituições, mas as melhores condições encontradas no edifício atual, bem como a maior proximidade em relação ao hospital facilitam o

trabalho de ensino-aprendizagem para docentes e discentes. Por último a conclusão de curso dos nossos primeiros alunos e a sua iniciação na vida profissional. D: Quais os desafios que considera primordiais para o futuro próximo da faculdade? TB: Fazer com que a faculdade seja cada vez mais apelativa e aliciante para quem vem de fora, valendo-nos das nossas qualidades formativas, e que não seja somente apenas mais um sítio onde se pode fazer Medicina. Isto implica um forte comprometimento com uma contínua melhoria das nossas estratégias e metodologias de ensino-aprendizagem, para além de consolidarmos a nossa área de investigação fundamental, clínica e de translação. Em relação a investigação, um desafio será contribuirmos de forma decisiva para o alargamento e aprofundamento da investigação clínica nesta região. Um outro desafio, este mais filosófico, será o de se conseguir manter um equilíbrio entre o aumento progressivo da nossa dimensão e interação com outras instituições e o espírito familiar, de proximidade entre discentes e docentes, que nos caracteriza. A questão do número de vagas em Medicina também nos preocupa, não devendo estas ser nem a mais nem a menos mas sim adequadas à nossa realidade. Um número demasiado baixo pode ser prejudicial ao desenvolvimento da faculdade mas, por outro lado, um número demasiado elevado também traz malefícios à qualidade do ensino. Para além disso, perante a possibilidade de vir a ocorrer desemprego médico significativo em Portugal, no futuro, torna-se ainda mais crucial saber gerir muito bem o número de vagas. Para mim, a manutenção do número atual de vagas ou mesmo uma certa redução desse número poderiam ser a melhor

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opção mas toda esta problemática tem de ser muito bem pensada. D: Quais considera serem as mais-valias formativas da nossa casa em comparação com as de uma faculdade com metodologia “clássica”? TB: Saliento duas qualidades: a exposição a aspetos de interação interpares e integração de várias fontes de conhecimento na realidade clínica. Nesta faculdade procuramos que os alunos se habituem a resolver problemas práticos, a procurar e a gerir informação teórica e a analisar a sua relação com a prática, a interagir com os colegas… Enfim, creio que temos uma melhor adaptação do ensino à realidade clínica. Um outro ponto é o investimento que fizemos no programa de aprendizagem de atitudes e gestos médicos (skills). Há sempre algo a melhorar, claro, mas tem havido uma grande progressão ao longo dos anos e creio mesmo que somos francamente uma referência neste aspeto formativo. Finalmente, também é claro que temos um forte empenho em ajustar a aplicação de novas tecnologias audiovisuais e computacionais ao nosso esquema de ensino-aprendizagem, e isso também pode ser visto como uma maisvalia. D: Qual é sua opinião sobre a atual oferta formativa em Medicina e capacidade de absorção futura do mercado de trabalho? TB: Julgo que é necessário racionalizar recursos através de opções estratégicas e políticas. Atualmente, há bastantes alunos de Medicina a concluírem os seus cursos, em cada ano. Como somos um país pequeno, temos de ponderar bem a nossa capacidade real para absorver estes profissionais recém-formados. Há assimetrias na distribuição de médicos por regiões do país e por especialidades médicas. Assim, necessitamos de aprofundar ainda mais

o conhecimento das nossas reais necessidades em termos de cuidados de saúde. Por exemplo, é necessário enfrentar o problema da interioridade porque o país não pode viver só à custa do litoral. Se desenvolvermos o interior sem dúvida que isso criará novas capacidades e focos de absorção para novos colegas. Em termos futuros, se não houver um ajustamento cuidadoso entre necessidades e oferta, poderá haver problemas sérios de empregabilidade médica. D: Está previsto algum estudo para avaliar o desempenho profissional dos médicos formados na FCS, assim como a opinião dos profissionais que foram seus tutores nos ensinos clínicos/ internato do ano comum? TB: Sim está previsto e foi iniciado quando a faculdade comemorou 10 anos. Já começámos a reunir informação em relação a isso há uns meses, mas não é tarefa fácil. Temos reunido informação sobre como correu o exame de acesso à especialidade (Harrison), que especialidades foram escolhidas pelos alunos da nossa casa e como estão a correr, em que hospitais se encontram a trabalhar, se a nossa formação se coaduna com a experiência do ano comum, entre outras. Para além de todos estes aspetos, já há vários anos que temos informações não oficiais, mas várias fontes, que confirmam um feedback francamente positivo em relação aos graduados em Medicina por esta faculdade. D: O professor é um defensor da importância das atividades extracurriculares na formação médica. Acha que esta ideia está implementada na nossa faculdade? De que forma estas poderiam ser valorizadas no currículo? TB: Sou um defensor, mas com o seu peso correto. Sempre tentámos dar alguma importância a esses aspetos, mas de forma implícita e não explícita. O que temos agora

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pensado é a criação de um portefólio que trace o projeto de cada aluno, sendo que em cada final de ciclo (3º e 6º anos) passem a existir pontos colocados de lado para serem atribuídos a essas atividades extracurriculares. Essas atividades poderão incluir as tunas, serviço de voluntariado, participação em núcleos de estudantes…enfim, todas as atividades que contribuam para a “construção” de uma pessoa e não apenas de um “técnico” de saúde. Quanto aos pontos a serem atribuídos a esta valorização extracurricular é ainda uma questão a ser discutida. D: Os autocarros para os hospitais foram uma importante reivindicação. Qual o feedback que tem recebido deste serviço? TB: Em termos globais creio que tem sido muito bom. De início, fiquei preocupado face à baixa adesão e foram necessários alguns ajustes até o serviço estabilizar. Atualmente, é um serviço com uma excelente adesão por parte dos alunos. Claro que o ideal seria haver dois blocos de viagens por dia mas só é possível termos um. Contudo, devo referir que os autocarros são uma ajuda aos alunos na qual a faculdade está muito empenhada, mas não são uma solução a 100%. Constituem um complemento muito importante mas não total. Isto porque há necessidade, em determinadas rotações clínicas, de haver turnos de alunos de manhã e de tarde. Assim, e como a universidade não tem capacidade de resolver esse assunto a 100%, haverá necessidade de organização entre os alunos para que esses

turnos possam ser levados a cabo, de forma a que se possa manter o máximo de qualidade no ensino. D: O professor é também treinador da equipa universitária de râguebi da UBI. Como consegue conciliar tal função com o seu atual cargo na FCS? TB: Com organização e gestão do tempo. Sempre estive envolvido em vários tipos de atividades. Como aluno, era bastante organizado e tinha capacidade de gestão do meu tempo pelo que também nunca abdiquei de intervir em múltiplos cenários. Estive sempre em Comissões de Curso, Inter-comissões de curso, Assembleia de Representantes, Associação Nacional dos Jovens Médicos, Direção de Centro de Estudos Cinematográficos, etc. Fui presidente do PorMSic apenas uns minutos (risos), porque, ao mesmo tempo, tinha concorrido por uma lista à Direção da Associação Académica de Coimbra. Como, precisamente na altura em que se tinha optado pelo nome para o PorMSic, soube que a minha lista tinha ganho as eleições para a AAC, tive, então de desistir de pertencer à direcção do PorMSic. Claro que frequentemente durmo pouco e os fins-de-semana praticamente não existem, mas ainda consigo arranjar tempo para treinar o CRUBI e jogar râguebi com os veteranos de rugby da Associação Académica de Coimbra, assim como pertenço à direção do Comité Regional de Râguebi do Centro. O próximo desafio é uma escolinha de râguebi para crianças aqui nos

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campos da faculdade. D: Finalmente: Académica de Coimbra ou Sporting da Covilhã? TB: Claro que simpatizo com o Sporting da Covilhã, mas tenho de confessar que o meu espírito está e estará sempre com a Académica de Coimbra. Entrevista conduzida por: David Teixeira, aluno do 4º ano

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De pés descalços... Perguntam o que sinto finalmente. Os pés descalços. Sentir os pés descalços remeterá porventura a pobreza em lendas de avô. Mas conto aqui descalços, não como a lenda conta pobres, antes como imagem figurada de sentidos humanos e prontos, sem barreiras para absorver o mundo e envolver-se com ele pelos poros da pele. Em seis anos de menino, o meu sonho construiuse dessa base e seguiu em mangas arregaçadas até ao final que me perguntam. Julgo que não sei ser mago de vos desvendar o futuro (presumo que seja essa emoção que procuram com um testemunho de finalista), ou sábio de vos mostrar imagens para um déjà-vu quando soltarem as fitas livres e eternas, e chorarem em ombros gigantes de amizades as conquistas. A sabedoria que ambicionam alcançar nesse final ficará aquém, utopias. Serão só sábios de saudade, com impulsos contraditórios de querer ir, querer ficar, ser omnipresente e viver sem conta os contos das fitas que a nossa Covilhã nos cresceu. Serão ainda sábios de recompensa pela meta cumprida graças à vossa essência, vosso empenho e perseverança perante as “surpresas” de uma “casa” a ter de crescer de menina convosco. Mas além das memórias, ser finalista representa isto: descalçar a pressão de cumprir objectivos e premissas académicas, e sentir enfim a terra sob os pés descalços. Sentir o magnetismo a orientar para o que nos propusemos fazer (não vá um mero exame alterar as vontades) e para a sabedoria que agora ainda desejamos mais alcançar (porquê pensar ser utopia?). Perguntam o que sinto finalmente. Os pés descalços sobre o chão irregular que guia agora a saúde. É tempo de escrevermos nós a lenda como uma nova geração a que nem a iminência de calos calçará os pés, mantendo o caminho rumo a um Norte de bússola que sempre terá o nome de pessoas. Assim sem somas, antes nomes e singularidades absorvidos pela pele pronta dos sentidos descalços. Nós apenas vamos indo à frente no caminho. Até já Colegas* Juliana S. Castelo

A nossa sempre colega Juliana, autora do texto à esquerda.

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Referente a: Janeiro - Julho de 2012

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Diagnóstico nº1  

Revista Diagnóstico nº1

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