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Ă€ conversa com o Dr. JĂşlio Machado Vaz


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CULTURAl


À TUA BEIRA O À Tua Beira leva-te a olhar 40 Kms para Este, junto à fronteira do concelho de Sabugal com Espanha, onde persiste a quase milenar aldeia de . Bom, perdoem-me tratar séculos como dias, mas uma aldeia cuja remota fundação remonta ao tempo de D. Sancho I – para os mais esquecidos, o nosso 2º Rei de Portugal – e cuja carta de foral foi outorgada pelo seu homónimo neto no ano de 1228, não pode deixar de ser olhada como quase milenar. Guarnecida em todo o perímetro com uma muralha aproximadamente circular e com um castelo em estilo românico-gótico (para os mais interessados, uns retoques numa das janelas durante o reinado de D. Manuel I fazem com que o monumento também seja avaliado dentro do conjunto das obras manuelinas), Sortelha foi construída num tempo em que a nossa fron-

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teira carecia de proteção contra os inimigos de Castela; contudo, foi igualmente importante na Guerra da Restauração que terminou com o reinado dos Filipes e nas Invasões Napoleónicas (uma prova de que à altura já se fazia melhor planeamento para o desenvolvimento suste ntável do que agora). O peculiar deste local é ser construído integralmente em granito: cada casa, cada rua, cada muro, cada fonte, cada praça. Dentro de algumas casas reaproveitadas sobrevivem pequenas atrações turísticas, como lojas para venda de licores e doces da zona, passando pela costura local e, claro, para os mais sequiosos, algumas casas de pasto pitorescas e aconchegantes. Quem quiser mais informações dispõe dum posto turístico à entrada do centro histórico, até porque Sortelha naturalmente pertence ao

“O peculiar deste loca tegralmente em gran rua, cada muro, cada


al é ser construído innito: cada casa, cada a fonte, cada praça.”

roteiro das aldeias históricas da Beira Interior. Mas chega de tutoria sobre esta matéria, até porque não sou igualmente o professor indicado para vos dar a aula. Se falo de Sortelha é simplesmente porque gosto da paz daquele sítio, de refugiar-me lá numa tarde solarenga e beber uma cerveja com uns amigos nas muralhas, vendo Espanha lá ao fundo, ouvindo o rumor dum vento que quando atravessa as muralhas entra num espaço intemporal, sentindo que a nossa Nação resiste há quase um milénio e que por outro aqui vai permanecer, intacta, granítica (se não tivermos de vender as pedras). O caminho não tem nada que enganar, basta seguir a estrada nacional desde a Covilhã até Belmonte e aí seguir para Caria até que uma tabuleta dizendo “Sortelha” apareça. Nessa estrada, quase a chegar a Sortelha, reparem no

enorme edifício arruinado que está do vosso lado esquerdo; antes que me chamem de doido, quem reparou nele sabe inequivocamente do que estou a falar. Fica aqui uma acendalha para o meu próximo “À Tua Beira“. David Teixeira, 5º ano MIM

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VERDADE OU MITO Alimentação Saudável = Alimentação Dispendiosa?

Não, na verdade não tem de ser assim! No seguinte artigo damos-lhe a conhecer uma campanha que prova o contrário... Todos nós já nos deparamos com a triste realidade que assola alguns dos lares portugueses, uma nutrição pobre e pouco cuidada. Todos já vimos, ouvimos ou soubemos de casos de desnutrição e conhecemos os graves problemas que podem ser causados por um aporte deficiente de vitaminas e minerais, proteínas e aminoácidos. É uma realidade frequente em idosos, especialmente no interior do nosso país e em famílias carenciadas por todo o Portugal. Podemos associar esta

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situação quer ao isolamento, quer à parca renda de alguns idosos. Quantos de nós já se questionaram se não podiam fazer algo mais por estas pessoas? E, na verdade, podemos... A pensar nesta realidade e para incentivar as famílias a retomar os hábitos alimentares tradicionais (mais saudáveis e mais custo efectivos), foi criada a campanha “Comer Bem é + Barato”, promovida pelas Fundações Gulbenkian, EDP e pela SIC. Esta campanha contou com a participação da Associação Portuguesa de Nutricionistas, a Associação para a Defesa do Consumidor, e teve a orientação científica da Professora Isabel do Carmo. Entre os meses de Maio e Junho de 2011, Esta campanha percorreu Portugal para promover o seu ideal de refeições saudáveis a um baixo preço! Esteve em sete capitais de distrito, entre as quais Lisboa, Porto, Coimbra, Faro, Santarém, Viana do Castelo e Évora. Além da divulgação em todos os meios de comunicação social, foram distribuídas pelas famílias portuguesas cerca de 150.000 brochuras. Sugerimos então que apresentem esta simples e eficaz brochura aos pacientes que apresentem fraca ingestão relacionada a problemas económicos e baixa renda. É fundamental debater a

eficácia de cozinhar bem, de forma acessível e equilibrada, conhecendo os benefícios para a saúde do paciente. Devemos, ainda, lembrar que, muitas vezes, com um aporte nutricional adequado, conseguimos resolver muitos problemas de saúde e reduzir ainda o total a ser pago na farmácia! Esta brochura, que poderá ter acesso de forma gratuita através do link disponível na Página da Diagnóstico, é de simples compreensão e pode, efetivamente, ser útil na luta contra o défice nutricional. Lembre-se que pode fazer uma diferença significativa na vida de muitas famílias e na sua qualidade de vida. Os nosso agradecimentos pela disponibilidade da Fundação Calouste Gulbenkian na pessoa da Exma Senhora Helena Vaz da Silva.

Micael Diniz, 4º ano


TESTEMUNHOS DE UM FINALISTA Ok, este é o último ano da nossa passagem pela Covilhã. Dito assim, parece nostálgico, ou até tristemente saudosista. Se lhe acrescentarmos o pormenor de ser o 6º ano, torna-se também aterrador. Mas, calma, Colegas, não é caso para desanimar! O melhor e mais sincero testemunho que vos posso transmitir é de que este é um ano bom e tem tudo para que vocês possam aproveitá-lo por completo!Vou tentar ser breve, para não vos maçar com lamúrias de falta de tempo para as coisas e de saudade e pena de ir “embora”. Primeiro, ou talvez por último, a Covilhã é aquele local do qual nunca nos vamos mesmo embora. As ligações à cidade e às pessoas que vocês fizeram, até agora, vão vos marcar para sempre, e crescem ainda mais neste último ano em que os sentimentos andam à flor da pele. Um desses sentimentos é o de finalista do curso. É uma experiência

única, pois não é todos os dias que terminamos uma etapa tão importante na nossa vida, ou que temos um ano inteiro para festejar a conquista de um sonho. E nenhuma das peripécias do sexto ano deve impedir-vos de comemorar este marco como deve ser. Além disso, ao chegar a esta fase, a experiência que temos também nos permite aproveitar o melhor de cada momento. Isso também inclui o dito “Sexto Ano”. Sim, é um ano difícil e cansativo. Sim, é muito complicado gerir o tempo para estudar e para outras actividades. Sim, o Harrison é chato quanto baste. E um último sim para a tese, que efectivamente dá trabalho. Mas esta parte académica também tem o lado bom! Na sua maioria, os estágios são bons e proveitosos; aprende-se bastante e ganham-se bases para a vida profissional. No meio das peripécias e entre o duelo tese/Harrison até se consegue fazê-la e ir estudando. Também se consegue ter

vida social. Não tenho nenhuma fórmula mágica, para o sexto ano, que vos possa dar… acho que o segredo é mesmo conseguir gerir o tempo, pois com paciência dá fazer para tudo. Note-se que este testemunho é apenas um ponto de vista; por isso, espero que vos seja útil nalguma coisa! Desejo a todos um excelente ano de finalista! Muito boa sorte! Ah, quando forem embora não se esqueçam da Covilhã nem da Faculdade, pois tenho a certeza que estes são os melhores anos da vossa vida! Marta Matos Pereira

“E ser finalista é mesmo isso: aproveitar e viver todas as oportunidades que este ano traz!” 9


CRÓNICA

“O Espírito Académico” Em tempos controversos, como estes que se têm vivido, em que notícias mais ou menos demagógicas têm sido expostas ao público, e em que a Praxe Académica já não tem como se esconder de tamanho debate e de tantas m anchas no seu conceito e na sua história, decidi, como um mirone de auto estrada que gosta de ir comentando o que por lá viu e o que se passou, mandar a minha “posta de pescada” em relação a um tema que já vai tresandando, quase como na peixaria do Bolhão (perdoem-me, desde já, se apresentar demasiadas analogias à minha terra de origem, mas fiquem sabendo que a peixaria do Bolhão cheira a qualquer outra peixaria, e usem isso como base de comparação). Consultando a Wikipédia como referência, a praxe académica consiste, e passo a citar “um conjunto de práticas que (…) visa a recepção e integração dos novos estudantes nas instituições de ensino superior que ingressam.” Escusado será dizer que qualquer estudante, ao limitar as suas fontes de pesquisa à Wikipédia, geralmente acaba por chumbar nos trabalhos e, portanto, caloiros e praxantes que apresentem como única razão para estar na Praxe o factor de agregação e integração, embora não chumbem a nada, provavelmente não serão as pessoas mais elucidadas em relação ao que a praxe se propõe e quais os seus desígnios (isto para não dizer que serão menos elucidadas, ponto). E quais serão os seus desígnios? De que serve, afinal, estas calças, saias, sapatos e batina pretas, esta capa negra e pesada, cada vez mais pesada por carregar consigo cognomes como “morcegos”, “assassinos”, “bêbados”, “fascistas” e tantos outros termos de reduzido interesse para o curriculum vitae de um futuro trabalhador? Muitos afirmam que a hierarquia da praxe é uma preparação à hierarquia de trabalho que se vai viver no futuro, e que é a submissão à ordem superior que se vê na praxe que nos tornará melhores trabalhadores,

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melhores indivíduos nesta sociedade dura e competitiva… Lambe-botismo, vá. É isso que me tentam dizer que a Praxe que fiz defende. Oh, quão triste fico, quando me insultam dizendo que fiz a Praxe para ser cão de pessoas mesquinhas e sem respeito pelos seus empregadores, que fiz a Praxe porque quero ser o bom lacaio, o humilde escravo que vai sempre ter sopa no fim do dia porque se portou bem. Que fiz a Praxe para ser um português resignado ao seu destino, quando o português original era o que viajava pelos sete mares à procura de novas formas de ser próspero e feliz. Mas haverá, afinal, assim tantas dúvidas em relação à verdadeira razão inerente à existência da Praxe e ao facto de ser praticada há tanto tempo pelo pessoal que faz a Praxe? Não estiveram lá? Estarão os praxantes a transmitir ideais tão errados e desviados dos originais, que já nem se sabe o que é que raio se anda a fazer ali? Será que agora o que importa é continuar a fazer, como uma espécie de “jogo do telefone estragado”, que começa com uma frase, e acaba um caos de palavras aleatórias e risos? A Praxe existe pelo Espírito Académico. É a única razão que encontro para ser um acérrimo defensor da Praxe, e repudiar ao mesmo tempo tanta Praxe que se faz por este país fora, e tantos praxantes que não o deveriam ser. E o que é este “Espírito Académico” de que tanta gente fala? Cada um tem a sua definição, provavelmente dirão. Embora concorde até a uma certa extensão, creio que é mesmo importante delinear do que se trata o espírito académico. Para mim, Espírito Académico não é “beber, cair e levantar”, não é berrar pelo curso até lhe saírem os pulmões na Latada, não é trajar nas serenatas e publicar no Facebook com hashtags à mistura, não é, sequer, queimar as fitas! O Espírito Académico que a praxe promulga começa por ser uma vontade, um desejo e uma missão de ser melhor, de ser mais, mais que uma só pessoa. De se ver reconhecido numa Academia, de perceber que


esta o acolheu para se tornar um individuo mais culto, mais preparado para o mundo de trabalho por ter mais conhecimentos académicos e profissionais (e não por se pôr de quatro quando lhe mandam) e que lhe cabe também a ele ajudar essa academia e contribuir por ela, em forma de agradecimento por toda a experiência que vai vivenciar durante os anos de curso. De se reconhecer igual, um estudante, que veste o negro como todos os outros estudantes, com a sua própria história, a sua própria capa, mas que, no entanto, é único, e vai crescer de forma incrivelmente diversificada com tudo o que o período universitário lhe trará. E surge assim o desejo de conhecer toda a gente, de ajudar a sentir-se bem nessa instituição e de manter a Academia associada a uma época de diversão, novas amizades, amores (e desamores), cantigas, desesperos pela nota do exame (ou pela ressaca de uma noite de exageros) que se amparam muitas vezes em mais noites de exageros, e, por fim, mas não menos importante, lágrimas. Lágrimas de despedida, por ter sido espectacular, e por tudo o que é espectacular passar demasiado depressa aos nossos olhos. É aí que concordo que praxe é integração e recepção, pois queremos, de facto, que os caloiros saibam que a Praxe não é vingança e mesquinhez de pessoas com complexos de superioridade (principalmente os que mais reprovam, é espantoso o quanto o ego aumenta se substituirmos o termo “o que mais reprovou” por “o maior número de matrículas”), é o que já por mim foi referido, uma missão que se dá a conhecer aos caloiros, e um desejo de que não morra esta vontade de contribuir para uns anos de faculdade bem passados, com brincadeiras e jogos que não pretendem humilhar, e só devem ser feitos com consentimento mútuo. Porque ambos caloiros e praxantes, no momento que entram na faculdade, estão em pé de igualdade numa coisa importantíssima: são Academia, e merecem todo o respeito. Isto se o facto de serem seres humanos não valesse já respeito por si, mas pronto, é apenas para afirmar a falácia desta nova Praxe que por aqui se vê de vez em quando, que não incute nem ensina nada, só humilha. Mas, como toda a gente sabe, também a Democracia se afirma democrática, e a nossa contudo está longe de ser controlada pelo povo, mesmo 40 anos depois de nos desabituarmos do fascismo e da ditadura. Ditaduras financeiras são mais democráticas aos olhos do povo. Dá-se a este a hipótese de eleger a marioneta,

ignorando que o ventríloquo é sempre o mesmo. Também a Praxe Académica devia ser praxística e com fins académicos, mas têm vindo a surgir discordâncias. Contudo, enquanto houver vontade de lutar por uma Democracia justa, com fins puros e a lutar por um Bem Comum, serei sempre um democrata assumido, e, da mesma forma, por ter sido bem praxado, e por acreditar que nem todos os praxantes se aproveitarão da Praxe, mas em vez disso lutarão pelo Espírito Académico, manterei sempre, com orgulho, o vínculo à Praxe. André Laiginhas, 3 ºAno

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SAI DA COVA

O objetivo desta crónica no geral (e necessariamente deste artigo em si) é publicitar atividades culturais de interesse realizadas na Covilhã. Assim, “Sair da Cova”, em sentido metafórico, é uma espécie de réplica da catchphrase do Turismo de Portugal, o célebre “Vá para fora cá dentro”; contudo, este artigo é motivado por duas razões concretas: a eminência da estreia da 3ª Oficina de Teatro (OT) e a discussão (antiga) sobre a criação dum Grupo de Teatro da FCS (GTFCS). A OT vai já na sua 3ª edição (passe a redundância do parágrafo anterior) e foi até agora organizada e praticada no Teatro das Beiras, tendo desde sempre a participação de estudantes de Medicina: no primeiro ano, a peça escolhida foi “Bodas de Sangue” de Federico García Lorca, e teve a participação da Catarina Ribeiro (Bibas) e do Luís Alves, ambos alunos do 5º ano; da segunda vez, a peça escolhida foi “A Visita da Velha Senhora” de Friedrich Durrenmatt, e teve a minha própria participação e a da Iolanda Santos, do 4º ano; este ano a peça escolhida foi “Seis Personagens à

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procura dum autor” de Luigi Pirandello, com a participação repetida da Bibas e da Iolanda. A organização da oficina estritamente dita está a cargo do Pedro da Silva, ator profissional e ensaiador meticuloso. A peça deste ano já tem estreia agendada para 6 a 10 de Junho, no Teatro das Beiras, com entrada grátis (a par dos outros anos), convindo sempre reservarem bilhete com a Bibas ou a Iolanda para não esbarrarem com uma sala cheia. Podia falar mais sobre a peça deste ano – afinal tenho acesso a informação privilegiada – mas prefiro deixar o maravilhamento da descoberta todo para vocês e prognósticos, bem, depois do jogo. Agora, algumas ressalvas: este não é um projeto universitário nem nunca pretendeu fazer concorrência a um; a OT não tem público específico e ninguém precisa de preencher um requisito (ser estudante universitário, por exemplo) para participar; a variedade etária compreende pessoas dos 10 aos 60 anos de idade; este não é um projeto cultural subsidiado ou que dê habilitações curriculares: quem partici-


pa, fá-lo construindo amizades e entregando-se. Ponto? Ponto! Quanto ao GTFCS, há muitos anos que venho insistindo na sua formação e agora que a sua concretização parece estar tão próxima (novamente, prognósticos só no fim do jogo, ou melhor, para meados do próximo trimestre) a minha única lamentação é ser praticamente finalista. Novamente, algumas ressalvas: uma oficina de teatro não é um grupo de teatro; o GTFCS não abrangerá público exclusivamente universitário, podendo aderir ambos alunos, funcionários e professores agregados à FCS; o GTFCS será da responsabilidade e gestão dos Núcleos de Estudantes da FCS e das pessoas que dele fizerem parte; o GTFCS não é a Oficina de Teatro. O que une estes dois assuntos no mesmo artigo, além da cidade e da cronologia, é obviamente o teatro, e suprema arte definidora dum povo e dum momento. Serve o primeiro motivo para introduzir o segundo, servirá o segundo para criar mais um elemento de inovação e qualidade dentro da FCS, para podermos ler, pensar e interpretar a nossa própria sociedade, porque citando Abel Salazar, aliás, citando García Lorca: “Um povo sem teatro é um povo morto”. Fiquem atentos! David Teixeira, 5ºano.

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MAIS CULTURA

Cronologia dos Grande 865-925 a.C

Muhammad Ibn-Zakariyya al-Razi

200 -130 d.C

Galeno

Foi dos primeiros, contra as regras do seu tempo, a adotar Um dos maiores médicos do o exame direto (dissecação e Islão vivesseção). Foi o primeiro a identificar e a Foi responsável por uma descotratar a Varíola. Utilizou o mercúrio, pela primeira berta incrível: nas artérias circula sangue e não ar, como até aqui vez, como purgativo. se acreditava Deu um enorme contributo no estudo dos ossos e nervos cranianos.

1511-1568

1514-1564

Amato Lusitano

Versálio

1578-16

Harvey

Descreveu, pela primeira vez, a Fundador da Anatomia Moderna Principiou a verdade existência de válvulas venosas Redigiu “De Humanis Corporis moderna Redigiu sete Centúrias, que eram Fabrica”. Explicou, quase defin constituídas por casos clínicos Descreveu a anatomia indepena circulação san com descrição da doença e do dente da função. tratamento. Explicou a origem de alguns erros da anatomia galénica.

Hipócrates, o Pa V a.C

Jeniffer Jesus 4º ano Paulo Pinheiro 3º ano

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Se viajarmos até ao século V a.C, a mesma época dos grandes filósofos gregos Sócrates e Platão, apercebemo-nos que, na Grécia, nasceu um homem que veio revolucionar todo o conceito de Medicina do seu tempo: Hipócrates. Hipócrates de Cós. A escola (Cós) juntou-se-lhe ao nome, pelo percurso inexoravelmente brilhante, resultado de uma mentalidade muito à frente da maioria dos Homens do seu tempo. Passou também pela escola de Cnidos, um dos maiores centros médicos da época. Dotado de um excelente espírito de observação, como já se sabe, estudou Medicina, completando a sua formação com Retórica e Filosofia, destacando-se por rejeitando as superstições e as práticas cientificamente inexplicáveis. A sua fama como clínico começou durante a grande peste que assolava Atenas. Hipócrates mandou acender fogueiras, por toda a cidade, após observar que os artesãos pareciam imunes ao contágio da doença, por estarem obrigados, pela profissão, a estar próximo ao fogo. Outro dos conceitos inovadores, foi a distinção entre sintomas e doenças. Posteriormente, desenvolveu a teoria dos quatro humores corporais (sangue, fleugma, bílis amarela e bílis negra), através da sua


es Médicos

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y

1821-1902

1856-1939

1874-1955

1821-1902

Virchow

Freud

Egas Moniz

Flemming

eira fisiologia Considerado o pai da patologia Criador da Psicanálise a. moderna Criou diversas teorias acerca nitivamente, Deu a conhecer o mecanismo do da cognição, pugnando para nguínea. tromboembolismo (através da “cientificar” o conceito de subtríade de Virchow) consciente Foi o primeiro a publicar um Foi dos primeiros médicos a usar trabalho sobre leucemia a cocaína como analgésico, estuPercebeu que a doença resultava dando as suas propriedades. de alterações ao nível celular.

Desenvolveu duas técnicas: LeuDescobriu a lisozima e a cotomia pré-frontal e angiografia Penicilina. cerebal Ganhou o prémio Nobel de FisioÉ o único médico português logia em 1945. galardoado com o prémio Nobel da Fisiologia ou Medicina (1949).

ai da Medicina forma de entender o funcionamento do organismo humano, incluindo a personalidade. Segundo Hipócrates, a quantidade destes fluídos corporais era a principal responsável pelo estado de equilíbrio ou de doença. Para além disto, e dos seus estudos terem influenciado outro ilustre Mestre, de seu nome Galeno, Hipócrates é também recordado pelo seu legado ético, resumido no Famoso “Juramento de Hipócrates”, paradigma que, ainda hoje, guia, inspira e ensina, todo o médico que se forma: Juramento de Hipócrates “Eu juro, por Apolo, médico, por Esculápio, Higeia e Panacea, e tomo por testemunhas todos os deuses e todas as deusas, cumprir, segundo meu poder e minha razão, a promessa que se segue: estimar, tanto quanto a meus pais, aquele que me ensinou esta arte; fazer vida comum e, se necessário for, com ele partilhar meus bens; ter seus filhos por meus próprios irmãos; ensinar-lhes esta arte, se eles tiverem necessidade de aprendê-la, sem remuneração e nem compromisso escrito; fazer participar dos preceitos, das lições e de todo o resto do ensino, meus filhos, os de meu mestre e os discípulos inscritos segundo os regulamentos da profissão,

porém, só a estes.Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém. A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho que induza a perda. Do mesmo modo não darei a nenhuma mulher uma substância abortiva. Conservarei imaculada minha vida e minha arte. Não praticarei a talha, mesmo sobre um calculoso confirmado; deixarei essa operação aos práticos que disso cuidam. Em toda a casa, aí entrarei para o bem dos doentes, mantendo-me longe de todo o dano voluntário e de toda a sedução sobretudo longe dos prazeres do amor, com as mulheres ou com os homens livres ou escravizados. Àquilo que no exercício ou fora do exercício da profissão e no convívio da sociedade, eu tiver visto ou ouvido, que não seja preciso divulgar, eu conservarei inteiramente secreto. Se eu cumprir este juramento com fidelidade, que me seja dado gozar felizmente da vida e da minha profissão, honrado para sempre entre os homens; se eu dele me afastar ou infringir, o contrário aconteça.”

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POST-IT

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ACONTECEU

Introdução ao Mês Cultural Maio,mês mêsdas dasflores flores dos amores, mas também aquele em o Maio, ee dos amores, mas também aquele em que que o Núcleo de Estudantes de Medicina da UBI (MedUBI) Núcleo de Estudantes de Medicina da UBI (MedUBI) dedicou àdedicou cultura, à cultura,atornando FCS palco de emblemáticos eventos. Dos tornando FCS palcoade emblemáticos eventos. Dos mais discretos aosgrandiosos mais grandiosos e memoráveis, eles mais discretos aos mais e memoráveis, todostodos eles fofocaram a Arte várias suas vertentes: a música e o especaram a Arte emem várias dasdas suas vertentes: a música e o espetátáculo atravésdada Sessão Fados e Sarau do Sarau Cultural de Mediciculo através Sessão dede Fados e do Cultural de Medicina; na; o cinema, por sessões organizadas pelo Cineclub Claquete; o cinema, por sessões organizadas pelo Cineclub Claquete; e até ae

II Sessão de Fados “Uma atividade que, homenageando património da humanidade, incute um espírito culturalmente patriótico à comunidade da FCS. Mais uma prova dos bons eventos que a faculdade é capaz de organizar.” “As altivas e cristalinas vozes, o fluente percorrer dos dedos pelas cordas, o aconchegante caldo verde e… uma lágrima ao canto do olho ao som de tão boa música feita por jovens talentos. Uma noite memorável, simplesmente portuguesa!” Marisa Ferreira, André Alexandre, Vanessa Fraga, Carolina Quintela – 2º ano

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até a cozinha e literatura, abordadas em workshops. Não esquecendo, ainda, a 10ª Gala de Medicina, que viu reunido todo o charme e bom gosto de funcionários, alunos e docentes do curso de Medicina. Sem dúvida, um mês enriquecedor do espaço e, especialmente, das vivências pessoais de quem por esta faculdade passa. Aqui segue uma descrição mais detalhada de cada atividade deste Maio Cultural.

Exposição Artística Como a vida de um estudante nem sempre se restringe apenas ao estudo, entre 13 e 16 Maio, teve lugar na FCS uma exposição que deu a conhecer outros talentos escondidos em alguns alunos de medicina. Entre as diversas expressões de arte, estiveram representadas a literatura por Ana Cruz do 1º ano, com um texto em prosa de índole sobretudo introspetiva, alusivo à melancolia de esperar por aquele “que foi demasiado” e “não volta”; a pintura e o desenho por Fábio Magueta e Miguel Lucas do 1º ano, evidenciando o ser humano através de retratos, reproduções de personagens e de outros estilos mais alternativos; e, por fim, as artes plásticas através das fotografias e representações de duas guitarras construídas, decoradas e personalizadas por Emanuel Seiça do 3º ano. Uma iniciativa que torna o trabalho, e o dom natural destes alunos, recompensados, pela sua divulgação ao resto da comunidade da FCS.

Marisa Ferreira, 2º ano

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ACONTECEU V Sarau Cultural MedUBI No passado dia 29 de Abril decorreu, na Faculdade de Ciências da Saúde, o V Sarau Cultural do MedUBI, subordinado ao tema “Um mundo de povos, um mundo de culturas”. Esta quinta edição foi marcada pela inovação envolvente, a qual se traduziu numa noite repleta de cultura, surpresas e muita animação. De uma forma divertida foram destacados os vários tipos de arte dos quatro cantos do mundo: desde a música à literatura e desde a dança à representação, dando a conhecer diversos talentos internos e externos à nossa faculdade.

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Esta noite cultural teve início com um ‘’Vinho do porto’’ dos Donna Maria, interpretado por Ana Pedro, seguido de um momento literário em que se declamou a mais sublime forma lírica: a poesia portuguesa. A noite prosseguiu com um momento de dança ao cargo da Academia ‘’ALL ABOUT DANCE’’, a qual surpreendeu com a sua peculiar forma de expressão corporal. Passando da dança à música, seguiu-se um espetáculo de Jazz e uma atuação dos Trovadores. Jéssica Silva, aluna do 1º ano, atuou conjuntamente aos Trovadores e, segundo a própria: “Participar neste Sarau foi


uma experiência muito agradável e produtiva, que me permitiu entrar um pouco mais no espírito cultural que completa a nossa faculdade. Atuar com os Trovadores foi muito especial e estou muito grata pela oportunidade’’. A Jéssica soube mais tarde que estava nomeada para a categoria ‘’Revelação do Ano’’. A noite continuou com a atuação da C’a Tuna aos Saltos (Tuna Médica Feminina da UBI), cuja garra e união foram uma constante máxima em cima do palco. Para além do reportório característico, a plateia teve a oportunidade de ouvir a sua nova ‘’Músiquinha’’ (original dos Deolinda). Sempre com muita animação,

houve uma demonstração de Taekwondo/Kickboxing e um espetáculo de Ballet: a dança clássica por excelência. Prometendo satisfazer os mais díspares gostos, os momentos musicais que se seguiram contemplaram a diversidade do Rock Inglês, passando pelo africano Kizomba e por num melodioso espetáculo de Piano. A noite culminou com a atuação da Tuna-Mus (Tuna Médica da UBI), cuja energia envolvente contagiou toda a plateia. Durante a noite foram ainda conhecidos os nomeados para os prémios da Xª Gala de Medicina, a decorrer no próximo dia 28 de Maio.

Este V Sarau Cultural caracterizou-se pela originalidade e versati lidade tendo, certamente, cumprido as expetativas de todos os que assistiram e participaram. Não abdicando do lado mais solidário, os fundos obtidos nesta noite reverteram a favor do Centro Social Jesus Maria José. Catarina Gonçalves, 1º ano

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ACONTECEU Hospital Faz De Conta

Magia. Surpresa. Desconfiança. Descoberta. Alegria. Curiosidade. Atenção... A força das palavras é por vezes insuficiente para estar ao nível do momento que pretendem descrever. Há sensações, olhares, sorrisos e lágrimas aos quais elas não conseguem chegar. Todavia, as palavras são dotadas de uma grande força para reviver memórias, histórias e lugares. E é a essa capacidade que nos devemos prender para relembrar ou dar a conhecer um dos pequenos – grandes projetos da Faculdade de Ciências da Saúde: O Hospital do Faz de Conta. No dia 23 de abril abriram-se as portas para a sua VII Edição. Durante cinco dias, 724 crianças visitaram a Faculdade e tornaram-se pais, acompanhando os seus bonecos num percurso clínico que os fez viajar numa aventura pelo mundo da bata branca. Este ano o HFC recebeu 24 escolas da Covilhã, Fundão e Guarda, uma conquista importante para o contínuo desenvolvimento do projeto. Num ambiente de animação mas com uma finalidade muito nobre, os alunos de Medicina, Optometria, Ciências Farmacêuticas, Ciências Biomédicas e Psicologia trouxeram o Mar à Serra e mergulharam no mundo fantástico das crianças. Durante o seu percurso pelo Hospital os “pais” acompanharam os seus bonequinhos doentes. No consultório explicaram as suas queixas e o “médico”, perante cada caso, direcionou-os à Farmácia, Sala de

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Tratamentos, Sala de Imagiologia ou Sala de Optometria. Os mais doentes foram levados ao bloco operatório e/ ou Internamento. No espaço dedicado à educação para a saúde, o tema escolhido foi a vacinação. Sendo este, para a maioria das crianças, um problema pelo medo que traz, torna-se fundamental, de uma forma divertida, transmitir a importância de cada “pica” para a sua saúde. Durante todo este percurso houve sempre o cuidado de não mentir às crianças, ou seja, deixá-las conscientes de que há procedimentos que causam dor. Houve também a preocupação especial de incutir nelas uma participação ativa, para que entendessem o propósito e a finalidade destes procedimentos. Só desta forma é possível atingir a finalidade máxima desta iniciativa: transformar o medo da bata branca em tranquilidade e confiança na equipa de saúde. À semelhança do ano passado, o Serra Shopping endereçou um convite à Comissão Organizadora para a realização do evento nas suas instalações, nos dias 30 de Maio a 1 de Junho, comemorando o Dia Mundial da Criança de uma forma diferente. O evento esteve sob o comando da comissão organizadora constituída pelos alunos Paulo Pinheiro, Sofia Pimenta, Rita Ferreira, André Fernandes e


Telma Reis, que iniciou os preparativos para o projeto em janeiro. A Diagnóstico foi ao seu encontro para que nos respondessem a algumas questões. Diagnóstico: Conseguem definir numa palavra esta experiência? Telma: Efeito Boomerang : tivemos imenso trabalho mas no final foi tudo recompensado! Rita: Gratificante! Sofia: A experiência foi fabulosa / Inesquecível / Marcante. A verdade é que, para mim é impossível descrever esta experiência apenas numa palavra. Paulo: (silêncio) … a melhor forma de definir o Hospital do Faz de Conta é o silêncio, porque, no fundo, nos faltam as palavras para descrever toda a envolvência deste projeto. É claramente, um dos maiores eventos desta faculdade. Diagnóstico: Que aspetos negativos realçam desta atividade? Telma: Essencialmente os imprevistos, porque é algo para o qual ninguém está preparado. Rita: Para mim foi o facto de não conseguirmos aceitar todas as inscrições das escolas interessadas em participar. Sofia: Todos os incidentes inesperados. Foi necessária uma grande ginástica mental, mas acabou por correr tudo muito bem. Paulo: É algo que nos transcende, mas os atrasos na chegada das crianças são, talvez, os problemas mais complicados, porque necessitam de uma posterior reorganização que, por vezes, se torna quase impossível pelo número elevado de crianças que nos visitam. Diagnóstico: Qual foi o momento mais especial / que destacam mais do VII HFC? Sofia: Na verdade foram vários, desde o sorriso das crianças ao chegar ao HFC como ao abraço apertado aos seus bonequinhos. Mas acho que os desenhos que nos deram da Escola Nossa Senhora de Fátima superaram as nossas expectativas e deixou-nos sem palavras. Rita: Todos os dias aconteciam pequenos grandes momentos marcantes. Desde um (simples) beijinho de uma criança, uma pa lavra de felicitação pelo excelente projeto por parte das professoras ou até mesmo uma visita dos membros das comissões organizadoras das primeiras edições com um sor-

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ACONTECEU riso ao ver a evolução desta grande atividade. Telma: A surpresa da Casa de Nossa Senhora de Fátima também foi, para mim, o momento mais especial e marcante. Paulo: Numa semana, muitos momentos podiam ser destacados, até porque certamente o mereciam. Mas sublinhamos um, pela forma como nos tocou. E transcrevemos o que publicámos, na nossa página de facebook, nesse dia: “Hoje fomos surpreendidos! Na chegada da “Casa de Nossa Senhora de Fátima” do Fundão, as crianças entregaram-nos estes desenhos por elas pintados e disseram-nos São para vocês. Obrigado por nos terem recebido”.Ficámos sem palavras… ainda não as temos! Procurámos algumas que pudessem traduzir, ao menos, o que nos enchia o coração… mas foi em vão… foi ENORME o gesto para a nossa pequenez.Todos eles seguirão connosco para sempre e hoje sabemos como se pinta o amor de uma criança… sem palavras. Talvez o momento mais bonito… Ainda hoje não temos palavras. Diagnóstico: Que mensagens deixam aos participantes do próximo HFC? Sofia: É necessário muito “amor à camisola” e muito trabalho, mas na semana do HFC é tudo recompensado, por isso vale mesmo a pena. Rita: Trabalhem em equipa e aproveitem todos os momentos. Telma: Tenham imaginação, as crianças adoram ver sempre algo novo. Paulo: O HFC é um projeto com 7 anos, que tem vindo a crescer de forma exponencial. A cada edição novas ideias surgem, mais escolas são acolhidas e maior se torna a experiência do Hospital do Faz de Conta. Acreditamos que no futuro, só há um caminho – subir mais alto, dar mais um passo no sentido de tornar melhor este evento. Também do outro lado, a comunidade só espera de nós o melhor e esse aspeto eleva bastante a fasquia para os próximos participantes. Foi assim que terminou esta VII edição do Hospital do Faz de Conta: Com novas conquistas, novas ideias para os próximos anos, mas sobretudo com a mesma entrega e paixão que tem sido a imagem de marca deste projeto desde a sua primeira edição.Resta-nos aguardar, com expetativa, pelo VIII HFC. Até lá! Sofia Sá, 3º ano

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Feira de Saúde de Belmonte

Nos dias 12 e 13 de Abril decorreu em Belmonte a II edição da Feira de Saúde. Com as expetativas estavam em patamares bem elevados, pelo grande sucesso da anterior, o certame abriu as portas, a um sábado, da melhor maneira. Com inúmeras atividades ligadas ao desporto, a população aderiu em massa e abriu boas perspetivas para concretizar um fim de semana congruente com as expetativas. No Domingo, o MedUBI esteve presente com o seu espaço, onde teve a oportunidade de falar com os visitantes acerca do curso e aproveitou, também, para educar para a saúde, numa verdadeira atividade “oportunista”. Às 16h, a organização preparou um ciclo de palestras que versavam sobre temáticas no âmbito da saúde. O MedUBI escolheu a prevenção do cancro como o tema central da sua apresentação, da qual sublinhamos a mensagem principal: “É necessário ultrapassar barreiras, para que a

população acredite verdadeiramente nos valores da prevenção. Porque embora devamos parabenizar toda a luta contra o cancro, sabemos que, tal como em todas as guerras, até podemos sair vencedores, mas não o faremos sem sofrimento, que, neste caso, pode ser evitável. A prevenção do cancro é possível!” Na próxima edição, a organização conta, novamente, com a participação dos alunos de Medicina, por isso, mantém-te atento.

Paulo Pinheiro, 3º ano

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ACONTECEU Vencedores do Concurso Literário e Fotográfico I Am Justice. Dentro de mim há o Bem e o Mal. Há um génio e um louco, um libertador e um déspota, um justiceiro e um criminoso, um pacifista e um assassino, um amante e um traidor, um sorriso amarelo e uma lágrima de alegria. Há um mentiroso que diz a verdade, E uma pessoa sincera nas suas mentiras. Há um racista discriminado, Há uma criança envelhecida, Apagada e esquecida por uma sociedade que lhe foi imposta à nascença. Há sonhos por concretizar, Há pesadelos por destruir, Há feridas que curam, Há cicatrizes que nos lembram. Há ódio em amar, e amor pelo ódio. Há vida, na sua mais completa (im)perfeição. André Laiginhas 3º Ano 26


José Costa, 1º Ano 27


ACONTECEU Diagnóstico 2014 No passado dia 28 de Maio decorreu, na Quinta das Flores, a 10ª edição da Gala de Medicina organizada pelo MedUBI. Como seria de esperar, foi um serão recheado de classe e glamour, com a presença dos estudantes de Medicina do 1º ao 6º anos, professores, funcionários e acompanhantes de fora da faculdade que tiveram o oportunidade de estar presentes. Dos aperitivos à sobremesa, a noite contou com vários momentos únicos. Entre eles, de nostalgia, quando nos ecrãs passou um vídeo dedicado aos finalistas. Vários episódios – desde a praxe, à faculdade, a serões e noites juntos – relembrados com um sorriso na cara e muita emoção. Amizades que começaram há 6 anos e perduram hoje e para a vida, culminando com o final de um curso tão intenso como o nosso. Como não há final sem início, a noite foi também marcada por uma compilação de fotografias dos novos membros da nossa FCS! Um ano de novidades que passou: nova casa, novos amigos, novos conhecimentos, novas memórias! Pairou no ar o espírito de partilha, curiosidade e partida à descoberta, vincados num novo grupo de futuros médicos no início da sua viagem. Outro grande momento deste evento foi o vídeo realizado pelo MedUBI, com os créditos para o fotógrafo Pedro Lopes e os vários participantes estudantes da FCS. Com muita sátira e humor à mistura, a faculdade foi retratada, incluindo episódios caricatos e situações que tão unicamente a caracterizam! No final da noite, ocorreu o mais esperado: a entrega dos prémios! Após duas fases de votações, foram revelados os vencedores: Melhor Caloiro: João Faia Melhor Praxante: Pedro Mota (4º ano) Prémio Revelação: Catarina Rodrigues (4º ano) Prémio Simpatia: António Novais (5º ano) Prémio Colega: Catarina Gonçalves (1º ano) Prémio Humor: Carlos Vidal (6º ano) Prémio Notívago: Paulo Fernandes (2º ano) Prémio Originalidade Feminina: Andreia Certo (2º ano) e Carmo Gonçalves (4º ano) Prémio Originalidade Masculina: António Novais (5º

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ano) Melhor Funcionário: Magda Cassapo Melhor Tutor: Cláudio Maia (1º ano), Eduardo Cavaco (2º ano), Luís Bronze (3º ano), João Correia (4º ano), Pedro Abreu (5º ano) e Luís Patrão (6º ano) Melhor Módulo/Bloco: Aparelho Locomotor (1º ano), Cardio-Respiratório (2º ano), Farmacologia (3º ano), Endocrinologia e Ginecologia (4º ano), Psiquiatria (5º ano) e Medicina Interna (6º ano) Prémio MedUBI: Joana Ferreira Prémio Finalista: Mário Salvador Vencedor do Concurso Literário: André Laiginhas Vencedor do Concurso Fotográfico: José Costa Foi também feita homenagem à equipa de Nefrologia do Hospital Amato Lusitano de Castelo Branco, pela excelência do serviço. Para o próximo ano ansiamos por mais uma edição deste evento de sucesso!


CIENTÍFICO


(IN) FORMA-TE Perspectivas. Todos temos diferentes perspectivas sobre diversos assuntos, e é essa diversidade que nos possibilita sermos únicos e, às vezes, entrarmos em confronto. Mas e quando entramos em confronto connosco mesmos porque não conseguimos colocar-nos em perspectiva no dia-a-dia? O In4Med, Congresso Médico-Científico organizado pelo NEM/AAC, decorrido nos dias 22 e 23 de Fevereiro, na Universidade de Coimbra, aborda o tema da Medicina no Limite. Este tema tenta retratar a pertinência de algumas componentes médicas pouco consideradas ao longo da formação médica como a Escassez de Recursos em Medicina, a Investigação para uma Medicina de Vanguarda, os limites do Médico e os Cuidados Paliativos. Logo na primeira palestra, intitulada “Medicina sem Fronteiras”, foi discutida a chamada moral que leva diversos médicos e enfermeiros a viajar para locais de guerra e catástrofes, para defender e assegurar os direitos humanos. O palestrante, Dr. António Gaspar, no enquadramento militar, conta que viajou para a Bósnia, onde entre paisagens lindas e sob temperaturas que rondam os -5⁰ celcius, realizou cirurgias oftálmicas “in loco”. É aterrador o cenário de miséria: “Uma miúda, órfã de guerra, chegou ao quartel descalça”. A menina tinha estrabismo, e o médico teve de aguardar cerca de uma semana para receber todo o material necessário à cirurgia. “Há muitas pessoas que vêm comer às unidades” – relatou o médico. “O papel do médico é tentar aproveitar o melhor que a instituição lhe

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pode dar”, afirma, recordando que estes cenários já estiveram mais longe de se passarem em Portugal. Com o stress, físico e emocional que se vive nos dias de hoje, a profissão médica não está longe de sofrer do Síndrome de Burnout. É uma profissão que pelo mediatismo e misticismo, pode ir desde o céu até ao pior do inferno. Há cada vez mais estratégias de coping que nos ajudam a lidar com este problema. Como referido na palestra “Fragilidade Médica – Burnout vs. Coping”, é necessário pôr em perspectiva, relativizar, “há mais vida para além da medicina”, aprender com os mais experientes, ser capaz de fazer da relação médico-doente uma arma terapêutica e, acima de tudo, perceber que a morte não é uma falha médica. Uma alternativa para superar este problema é o Psicodrama, uma técnica holística, não dirigida à doença, mas sim à pessoa integralmente. Ajuda a melhorar a nossa vulnerabilidade às crises e aos colapsos. Durante o workshop, verificamos que cada sessão é dirigida apenas a um indivíduo, mas feita por um grupo de figurantes que interpretam o drama da personagem central. “Eu começo onde o senhor acaba, o senhor tenta resolver o passado, eu tento ajudá-lo para o futuro”- explica o Dr. Pio Abreu. Este congresso abriu horizontes em relação às alternativas à Medicina tradicional, disponibilizando o Workshop de Acupunctura, que demonstrou formas de alterar a modulação da dor, controlando a chegada ao cérebro da informação proveniente das fibras periféricas. Uma outra palestra, intitulada

“Cuidados paliativos na criança”, relembra que estes são tratamentos holísticos e proactivos, para crianças e jovens que não têm perspectiva de melhorar da sua doença, e não apenas destinados a doentes terminais. Por último, tivemos a oportunidade de conhecer duas associações, a Acreditar e a Missão Arco-íris, que apoiam os doentes desde o momento do diagnóstico, sempre em articulação com os serviços clínicos e a assistência social. “Foi por pouco tempo mas valeu a pena”.(Criança apoiada pela Missão Arco-Íris) Cláudia Pinho Inês Caldas Margarida Santos

É uma profissão que pelo mediatismo e misticismo, pode ir desde o céu até ao pior do inferno.” “Uma alternativa para superar este problema é o Psicodrama, uma técnica holística, não dirigida à doença, mas sim à pessoa integralmente.” “Mas e quando entramos em confronto connosco mesmos porque não conseguimos colocar-nos em perspectiva no dia-a-dia?”


V Congresso MedUBI Nos dias 9 e 10 de janeiro teve lugar na Faculdade de Ciências da Saúde o já apelidado de “maior evento científico da Beira Interior”, o Congresso MedUBI na sua quinta edição, dedicado, desta vez, inteiramente à Imunologia. A Diagnóstico esteve presente e, mesmo que tu não tenhas estado, contamos-te como foi.

Workshops Na véspera do congresso, o MedUBI possibilitou aos alunos que, integrados neste evento, participassem em diversos Workshops. O Workshop de Suturas e Pequenas Cirurgias consistiu numa parte teórica em que os alunos exploraram os conceitos ligados ao tema. Já na parte prática, os alunos tiveram oportunidade de aplicar em modelos animais as técnicas que haviam aprendido anteriormente. Sofia Sá, aluna do terceiro ano de Medicina da FCS, disse em entrevista à Diagnóstico: “Para mim, o curso de suturas rep-

resentou o tão esperado momento em que aprendemos a dar “o nosso primeiro ponto”. Caracterizado por uma ótima organização e um excelente trabalho de interajuda entre professores e alunos, este dia constituiu não só uma mais-valia a nível pessoal, mas também um ponto forte a assinalar na qualidade do Congresso MedUbi.” Já no Workshop de Imunocitoquímica e Fluorescência, que teve o apoio técnico e científico do CICS da FCS-UBI, os alunos tiveram a oportunidade de aprofundar este tipo de técnicas, quer de forma teórica, quer de forma

prática em pequenos grupos de dois ou três alunos. Ana Cruz, aluna da FCS no primeiro ano de medicina, participante pela primeira vez num congresso do MedUBI, adorou o Workshop, referindo que, para ela “O workshop foi muitíssimo interessante e foi sem dúvida uma mais-valia, uma vez que nos ajudou a compreender o processo de marcação de proteínas de modo a estudar a presença ou não de diferentes proteínas nas estruturas do corpo, o que me parece que me irá ajudar nos estudos futuros” No Workshop de Entubação Orotraqueal, da competência do LaC, os alunos exploraram esta técnica de suporte de vida. Na perspetiva de Catarina Rodrigues, aluna do quarto ano de medicina da FCS, “foi uma experiência muito enriquecedora, uma vez que incluiu uma componente teórica bastante interessante e muito bem exposta pelos formadores e uma componente prática muito divertida sem nunca descurar a parte pedagógica.” Outro dos Workshops propostos era o de Oxigenoterapia no SU. Com o apoio técnico e científico da Linde, os alunos exploraram o conceito de “Oxigénio como medicamento”. Nas palavras de Diana Duarte, aluna que frequenta o quinto ano em medicina na FCS, “um workshop fortemente orientado para a prática clínica, foi uma boa lufada de ar fresco”. Já Mariana Simplício, aluna do terceiro ano do mesmo curso, disse à Diagnóstico: “Considero que este Workshop de Oxigenioterapia me abriu horizon-

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(IN) FORMA-TE

tes para um conceito que me era completamente desconhecido: o oxigénio como medicamento. Fiquei com uma visão mais nítida sobre esta terapêutica e uma vontade de descobrir ainda mais!”. Por último, o Workshop de Emergências Alergológicas, também proporcionado neste congresso pelo LaC, abordou temas como: urticária, angioedema, anafilaxia e choque anafilático, quer teoricamente, quer de forma mais prática explicando aos alunos como proceder nestas situações. Bárbara Santos, aluna do terceiro ano de medicina na FCS, participou neste congresso e, na sua opinião “o workshop foi muito proveitoso, na medida em que me elucidou acerca dos passos a realizar numa situação real. Os conceitos básicos e essenciais sobre uma reação anafilática e tudo o que a ela está subjacente foram muito importantes.”

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Primeiro dia de congresso No dia 9 de janeiro, começou o Congresso propriamente dito. Tendo como Presidente o Exmo. Sr. Professor Doutor Luís Taborda Barata,Presidente da FCS-UBI, e como principais responsáveis pela Comissão Organizadora a Dr.ª Leonor Leão, antiga aluna da FCS, e o aluno do quinto ano do mestrado integrado em medicina na FCS, António Novais. Este primeiro dia foi marcado por diversas palestras, ao cargo de oradores competentes provenientes de todas as faculdades médicas do país e do Instituto de Medicina Molecular, dividiu-se em dois temas centrais, ligados à imunologia, que constituíam os dois painéis de discussão: Reumatologia e Autoimunidade, e Alergologia. Inseridas nessas temáticas, as palestras abordaram especificamente assuntos pertinentes e atuais. Por exemplo, para falar aos participantes de Imunidade, inflamação e doenças reumáticas, o Prof. João Eurico Fonseca do Centro Hospitalar Lisboa Norte (CHLN), dirigiu-se ao público com uma mensagem peculiar, este orador pediu aos participantes: “façam qualquer coisa de útil para vós e para os outros, todos os dias”. Apresentou o exemplo de Pierre-Auguste Renoir, pintor francês que, sofria de artrite reumatoide e que apesar das suas graves limitações físicas nunca deixou de pintar, tendo mesmo de, para isso, amarrar os pinceis às mãos por não ser mais capaz de os segurar. Mencionou também Gregório Marañón e a sua obra: 11 lições sobre o reumatismo, onde são exploradas etiologias pos-

síveis para a artrite reumatoide e curiosidades sobre a história e evolução destas duas doenças. O prof. João Fonseca falou também da doença em si e, da multiplicidade de aspetos que tornam a artrite reumatoide muito difícil de erradicar levando à importância extrema da identificação de subtipos da doença e da atuação com base no subtipo específico. O Dr. Carlos Lozoya, da ULS-CB abordou o tema: alergias alimentares. Este palestrante informou os participantes no congresso de que nos EUA 20% da população altera a sua dieta devido a alergias alimentares. Referiu ainda que nas crianças as principais alergias são ao leite, ovos, trigo e soja, 80% das quais desaparecem nos primeiros 10 anos de vida. Já nos adultos a frequência é permanente. Segundo o Dr. Carlos Lozoya o processo que explica as alergias alimentares baseia-se na expressão de um antigénio pelos alimentos em questão, que através das células


apresentadoras de antigénio é reconhecido pelos linfócitos T que medeiam a libertação de células T efectoras ou reguladoras, este processo ocorre em indivíduos com propensão genética para o reconhecimento do tal antigénio, devido a condições ambientais ou, até mesmo, por uma falha da tolerância. O Dr. Carlos referiu ainda que, apesar de tudo isto, hoje em dia já é possível induzir-se tolerância alimentar em indivíduos alérgicos. Ainda dentro do mesmo tema o Dr. Manuel Branco Ferreira, do CHLN, falou de anafilaxia. Explicou, entre outras coisas, como é possível distinguir uma reação anafilática de uma síncope. Referiu que em ambas a tensão arterial se encontra baixa por isso, a primeira coisa a avaliar deve ser o pulso, na síncope encontramos uma bradicardia nos primeiros 2 a 3 minutos, seguida de uma taquicardia compensadora, enquanto na anafilaxia encontramos sempre taquicardia. A segunda avaliação a fazer é a pele, a anafilaxia tem frequentemente atingimento cutâneo. Por último avalia-se o broncospasmo, já que na anafilaxia encontramos

uma diminuição do murmúrio e possivelmente sibilos. Este primeiro dia foi encerrado com um momento musical por parte da Tuna Médica da UBI, que animou os participantes deste congresso e deu a conhecer a todos os que vinham de fora o talento dos alunos da FCS. No final do primeiro dia, Jeniffer Jesus esteve, em nome da Diagnóstico, à conversa com Raphael Leal – Presidente da IFMSA-Brazil e participante do congresso: Quais as tuas expetativas em relação ao congresso e de que forma estão a ser cumpridas? Estou a gostar muito do congresso, aborda um tema muito importante e com grande evidência hoje em dia – a imunologia – e estão a fazer uma abordagem centrada na clínica, o que se torna ainda mais interessante para todos. Trouxe muita informação nova, relativamente, por exemplo, aos imunomodeladores, por isso, parece-me que correspondeu perfeitamente às minhas expetativas, aliás, atrevo-me a dizer, até, que estas foram superadas. Consegues salientar uma apre-

sentação ou tema, dentro do que assististe até agora? Gostei particularmente da palestra sobre imunomodelação. Falando, agora, um bocadinho sobre a tua história: sabemos que és presidente do IFMSA do Brasil, o que te levou a escolher a Covilhã para fazer intercâmbio? Só há três comités a receber alunos em Janeiro, em Portugal. Inscrevi-me em todos e fui colocado aqui, e em nenhum momento pensei em cancelar. Vi que era uma cidade pequena, no entanto sei que são as cidades pequenas as que melhor recebem as pessoas. O comité local está a acolher-me perfeitamente bem, não só a mim, mas também às outras pessoas do intercâmbio, dando um bom suporte a todos. A Covilhã tem-me surpreendido bastante pela positiva. Tem paisagens lindíssimas e as pessoas são maravilhosas. Segundo dia de congresso No dia 10 de Janeiro de manhã, voltamos à carga com mais palestras sobre imunologia. Desta vez os dois painéis tiveram como temas: Défices Imunitários

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(IN) FORMA-TE e Terapêuticas Imunológicas. Tal como no primeiro dia, palestrantes qualificados, de todas os centros hospitalares do país, do Instituto de Medicina Molecular e do IPO de Lisboa, subiram ao palco para abordar diversos assuntos relacionados com as temáticas propostas nos painéis. De entre as palestras deste dia destacaram-se por exemplo a do Prof. Dr. Luís Taborda Barata, do CHCB, que subiu ao palco para falar aos participantes neste congresso sobre a recuperação de uma imunodeficiência primária (IDP). Explicando inicialmente o conceito de IDPs, “falhas congénitas quantitativas e/ou qualitativas no sistema imunitátio, referiu que estes têm um forte impacto na vida do doente, em termos familiares e financeiros. Explicou ainda as diversas formas de tratamento objetivo, que se dividem em: tratamento de substituição, de inserção (como o transplante cuja missão é reconstruir a população linfocitária a partir de células estaminais do dador ou a terapia genética) e, de recuperação. Já o Dr. Nuno Miranda do IPOFG Lisboa, falou do transplante de Medula Óssea como terapia imunológica e, por último, o Prof. Doutor João Taborda Barata do IMM, abordou a perspetiva inversa e, deu a conhecer aos participantes no congresso a fronteira entre imunologia e oncologia. O Congresso foi encerrado com um momento musical à semelhança da véspera mas, desta vez, proporcionado pelo Conservatório de Música da Covilhã e os seus pequenos grandes músicos. No final do Congresso, quise-

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mos fazer o balanço desta V edição e representados pela Jeniffer Jesus, entrevistamos a Comissão Organizadora. Qual o porquê da escolha do tema “Imunologia” para o congresso? Leonor: Para escolher um tema para um congresso, partimos sempre de alguns pressupostos. Um deles, é tentar encontrar algo que seja importante aprofundar, para melhorar a formação dos nossos alunos. Neste caso, apesar de ser um tema com bastante informação envolvente, e que até é

relativamente bem dado na faculdade, tem havido bastante desenvolvimento na área, o que pode ter muito interesse. Outro, é que a imunologia é horizontal a todas as áreas, sendo importante acompanharmos a sua expansão. Temos, por exemplo, a imunoterapia, as células dendríticas, os transplantes de medula óssea, que, a cada dia, estão a ser mais procurados e desenvolvidos. Então, a escolha do tema prende-se muito com o que consideramos necessário e pertinente aprofundar, aliando, se possível, ao sentido de inovação, para que seja bom para a formação de todos Qual o balanço que fazem destes dois dias de congresso? António: Em geral, o congresso correu bem. Tivemos um número de participantes bastante satisfatório, pois superou o do ano passado. No entanto, o nosso objetivo não é contabilizar apenas o número de participantes, mas o número de participantes que estão interessados. Neste sentido, apesar de ser um tema diferente, tivemos as pessoas ainda mais atentas. A atenção é fundamental em eventos como este. Porque é que consideram que isso aconteceu? A: Talvez pela dificuldade e pertinência do tema. Este tema é um desafio. É uma área que é dada no 2º ano do curso de Medicina na FCS e era fundamental que as pessoas prestassem atenção nas palestras, desde o início, para conseguirem acompanhar e perceber as seguintes. Qual o segredo para mobilizar um número tão grande de estudantes para um congresso? L: Não sei! Acho que as inscrições aumentaram em relação


ao ano passado, o que significa que estamos a crescer. O tema das Vias Verdes atrai sempre muita gente e houve um bom feedback do congresso passado. Então, este ano, penso que as pessoas quiseram repetir, porque o tema mostrou-se igualmente interessante, o que levou a que as inscrições aumentassem e o número de assistentes na plateia também. Qual vos parece que foi o principal entrave na organização do congresso? A: Nós queremos fazer sempre um congresso para os alunos, tentando superar os efeitos da crise atual, o que é sempre difícil, por causa dos preços praticados neste tipo de atividades. O nosso congresso, de todas as associações de estudantes e núcleos do país, ainda consegue ser dos mais baratos. Por isso, o principal entrave é tentar manter a qualidade com o menor custo possível, pois o nosso objetivo não é lucrar com o congresso. Qualquer aluno que tivesse dificuldades e não conseguisse pagar o congresso, que se manifestasse junto de nós,

dizendo que não o conseguiria pagar, fazíamos uma procura, uma pesquisa para verificar e tentar resolver essa situação. Qual a importância que atribuem à adesão dos alunos a este tipo de iniciativas? Consideram que, por exemplo, um aluno do 1º ano, que ainda não teve a disciplina de Imunologia, conseguirá aproveitar o congresso? L: Provavelmente, um aluno do 1º ano nunca esteve num congresso científico, os temas são um bocadinho mais complexos que os conhecimentos que têm até então e, por isso, vai ter mais dificuldades na perceção das apresentações. Evidentemente, nós informamos sempre os oradores que há alunos de todos os anos a assistir e pedimos sempre que se adaptem e expliquem algumas das bases. De qualquer forma, isto não é impeditivo, e é sempre importante que venha, para começar a entrar na área, para ganhar bases, porque grande parte da sua formação vai ser feita também por assistências e participações em eventos como este. Para os alunos em geral, é

um hábito importante que se comece a criar. As palestras servem para consolidar e preencher alguma lacuna que possa haver na formação. António, qual a importância que atribuis, enquanto estudante e membro da CO, para a participação neste género de atividades? A: Enquanto estudante, refiro a aprendizagem adquirida. Ficar a saber ainda mais. Sabemos pouco ou nada de patologia e de clínica, relativamente a imunologia. Não temos estágio de imunologia na nossa faculdade, e, penso que, em nenhuma faculdade dos pais. Então, esta foi uma forma de aproximar os alunos deste tema. Enquanto CO penso que qualquer aluno que esteja envolvido no associativismo ganha muito com a organização deste tipo de eventos, tanto ao nível de maturidade, como responsabilidade, e “time management”, pelo compromisso que se assume, para organizar um evento que represente a nossa faculdade. Leonor, o que te motiva, sendo já médica, para continuares fazer parte da comissão organizadora

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(IN) FORMA-TE

do congresso? L: Como ajudei a organizar o congresso do ano passado e correu bem, e uma vez que fiquei na Covilhã a fazer o Ano Comum, aceitei a proposta para dar aqui uma mãozinha. Como eu não sou de dar só uma mãozinha, e como adoro o MedUBI, entreguei-me por completo em mais uma organização do congresso Para além disto, a imunologia sempre foi um tema que me interessou imenso. Querem dar algum conselho às gerações mais novas de alunos? L: Aos mais novinhos de todos: vir para a Covilhã pode custar um bocadinho no início a todos, no entanto é do género, “primeiro estranha-se e depois entranha-se”! Às outras gerações, a célebre frase de “Quem só sabe de medicina nem de medicina sabe”, tem que vos acompanhar sempre. Toda a gente precisa de se envolver em atividades e interagir com os demais, porque, assim, conseguem-se criar bases para se ter em-

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patia com os pacientes. É preciso viver e ter experiências, cada um à sua maneira. Enquanto profissionais, nossa vida é de relação com os outros, e, portanto, não nos podemos preparar para ser bons médicos, se não nos soubermos relacionar com as pessoas. É preciso estudar, mas é preciso também tudo o resto. Maria Helena Silva


HIATOS MÉDICOS Entrevista - Dr. Eduardo Doutel Haghighi Dr. Eduardo Doutel Haghighi especialista em Medicina Interna no Centro Hospitalar da Cova de Beira e docente da Módulo de Geriatria no curso de Medicina na Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior. 1 – Como especialista de Medicina Interna, qual é a sua formação na área da Geriatria? Como recém-especialista em Medicina Interna, posso afirmar que esta especialidade, per se, pouco ou nada me “ofereceu” na área da Geriatria. A formação que tenho nessa área foi totalmente por mim construída e suportada. Para tal, tentei aproximar-me do máximo de meios disponíveis e, ao meu alcance, nomeadamente: frequentando um estágio de 3 meses num Serviço de Geriatria de um Hospital Universitário em Paris, aquando do 5º ano de licenciatura em Medicina; realizando uma pós-graduação no âmbito de um Mestrado em Gerontologia na Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior (FCS-UBI);

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integrando a convite a docência do Módulo de Geriatria da FCS-UBI desde 2011 – dirigida aos alunos do 3º ano; assim como lecionando a alunos do Mestrado previamente citado; associando-me como Membro do Grupo de Estudos de Geriatria da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (GERMI); sendo convidado como formador em cursos locais (hospital/faculdade) e nacionais (organizado pelo GERMI); realizando “campanhas de sensibilização” em diferentes meios hospitalares através de sessões clínicas; apresentando casos clínicos de doenças mais frequentes em idosos em reuniões científicas; participando em Reuniões Científicas internacionais e nacionais dedicadas à área; frequentando diversos cursos pós-graduados; participando em projetos a nível hospitalar, universitário e comunitário; consultando, adquirindo e atualizando-se frequentemente com bibliografia especializada; contactando com pessoas da área da saúde, entusi-

astas e conhecedoras da Geriatria. 2 – Como é que esta formação se reflecte na sua actividade profissional? Uma pergunta tão simples como esta, acarreta uma resposta algo complexa. Tive a oportunidade de me educar e desenvolver “em paralelo” em duas áreas que, terei que o dizer desde já, são muito distintas – a Medicina Interna e a Geriatria. E deixo já bem claro que ambas, muito me fascinam, cada uma pelas suas características inerentes. No entanto, a sensação que me assolou diversas vezes foi a de que para uma considerada “melhor prática” numa das áreas, teria que ser “menos correto” na outra – e vice versa – tudo isto, claro, num âmbito puramente teórico. Com o amadurecimento e aquisição de cumulativos conhecimentos e experiência, constatei haver a possibilidade de complementar, de uma forma muito ténue e limitada, uma com a outra. Tratando-se de


HIATOS MÉDICOS um conceito ainda desconhecido e por vezes mal compreendido (relembro que a Medicina Interna “não é, nem tem”, Geriatria), quase que germinal e pioneiro em muitos locais, considero benéfica a partilha de conhecimentos geriátricos com os outros elementos prestadores de cuidados de saúde bem como com alunos, no ambiente hospitalar, um pouco à semelhança do que se faz em “marketing de guerrilha”. Sempre que possível, aplico pequenas nuances tanto a nível da urgência, do internamento como da consulta externa. No entanto, tal tem sido, e é muito difícil de aplicar pois toda a organização, ideologia, infraestrutura e avaliação do doente no(s) hospital(ais)-tipo existentes em Portugal são consideradas “adversas” ao desenvolvimento de uma abordagem puramente geriátrica. Mas, como se costuma dizer, pouco é melhor que nada, sobretudo quando se trata de fornecer a melhor qualidade possível na prática médica – tudo em prol do doente. 3 – Quando surgiu o gosto por esta área? Surgiu de uma forma totalmente inesperada. Aquando da minha deslocação a Paris no âmbito do programa Erasmus, foi-me comunicado que para obter equivalência na unidade curricular de Medicina Interna, não poderia estagiar no respetivo Serviço pois este, se bem me recordo das palavras mencionadas, “se dedicava a doentes com doenças raras - tendo assim um internamento com poucas camas – e à consultoria de outros serviços”. Encaminharam-me para o Serviço de Geriatria. Conheci uma especialidade até então com-

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pletamente desconhecida. Desta “aventura fascinante”, realço os seguintes aspetos: - neste enorme Serviço, com vários pisos, lia-se logo à entrada: “cabeleireiro, ginásio, piscina, reabilitação, biblioteca, serviços religiosos, dietista, psicólogo, serviço social, salas de enfermagem, hospital de dia, unidades de curta, média, longa duração, refeitório, jardim, salas de repouso, de jogos, de convívio, de aulas”, etc. - na atividade diária, destacavam-se as múltiplas e diárias reuniões multidisciplinares - médicos, enfermeiros, psicólogos,

“Sigam passos semelhantes, procurem o conhecimento através de todos os meios existentes e imprimam a vossa marca nesta longa e tortuosa jornada que é a criação e o desenvolvimento da Geriatria em Portugal.”

fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, serviço social, dietista, farmacêutico – tomando-se decisões de forma interativa e equitativa. - a não abordagem do doente pela “clássica” história clínica, mas sim através da aplicação por exemplo da Avaliação Geriátrica Global (Comprehensive Geriatric Assessment) - os conceitos teóricos distintos da “Medicina do Adulto” lecionados em sala de aula – a biologia, fisiologia, fisiopatologia, farmacologia, os síndromes e doenças inerentes e próprios do envelhecimento – inexistentes na altura na Faculdade de Medicina que fre-

quentava. Por fim, apercebi-me igualmente da enorme empatia, até então não muito explorada, que tinha com o idoso- este é cativante, distinto, experiente e tem muito para nos ensinar. 4 – Qual é para si a importância da Geriatria num sistema de saúde? Aqui a resposta não terá que ser subjetiva. Nos países/sistemas de saúde onde ela existe, efetuaram-se inúmeros estudos – estes indicam uma auto-percepção de melhor qualidade de vida quando cursando com co-morbilidades, uma maior satisfação com os serviços prestados, menores intercorrências/complicações intra-hospitalares, menores gastos, internamentos de menor duração (ou a não existência dos mesmos), entre outros. Falemos de um problema concreto. Nuns países fazem-se estudos sobre o impacto da fratura do colo do fémur: na saúde do doente, na sua qualidade de vida, na duração do internamento, no número de complicações subjacentes e, financeiramente, para o Hospital e para o Estado/Serviço de Saúde em questão. Noutros países, onde existe a Geriatria, já foram publicadas séries onde se mencionam o quanto se “poupou” ao evitar a queda. Estes dados falam por si e são passíveis de uma séria reflexão. Assim afirmo que a Geriatria é fundamental num sistema de saúde. Relembro ainda que a população portuguesa é mais envelhecida do que a de outros países onde existe a especialidade. 5 – Acha que faz falta, em Portugal, um enquadramento legal ad-


equado para a área? De que tipo? Quais deveriam ser as suas premissas? Vou responder a essa pergunta de outra forma. Noutros países fizeram-se há várias décadas estudos sócio-demográficos prospetivos: concluiu-se que a população iria envelhecer. Montaram-se então, em várias áreas, infra-estruturas físicas e ideológicas, sólidas, para poder acolher, receber, suportar e integrar dita população futuramente envelhecida. Décadas depois, nesses países, presenciámos a existência de uma comunidade adaptada, uma população educada e um sistema de saúde preparado. Neste último, “criava-se” então e desenvolvia-se a Geriatria. Em Portugal, deparamo-nos com a problemática de outra forma: hoje, a população está envelhecida. Será obviamente quase impossível a reestruturação global de toda uma sociedade, mas as soluções têm que existir.Especificamente na área da Saúde/Medicina, torna-se imperativo o “Investimento” (e não “o gasto”, numa perspetiva temporal) na Geriatria. O objetivo final será, à semelhança de muitos outros centros, a existência de Serviços de Geriatrias, polivalentes, dotados e munidos de recursos físicos adaptados e humanos vocacionados, com interligações diretas entre a comunidade e os cuidados hospitalares. Por entre muitos obstáculos e barreiras, propuseram-se vários passos, muitos dos quais se têm vindo a cumprir em diversos pontos do país, através: - do ensino pré-graduado em Faculdades da área da Saúde - do ensino pós-graduado (cursos, pós-graduações, mestrados,

doutoramentos) - do reconhecimento da Geriatria como Competência (em vigor desde Fevereiro de 2014) e posteriormente como (sub e/ou) especialidade autónoma - de campanhas de sensibilização/ensino/educação a nível comunitário, no âmbito da saúde pública, nos cuidados primários e hospitalares - da formação e replicação de grupos de estudos, promovendo a investigação e projetos - da criação a nível hospitalar: de unidades de Geriatria (que poderão ser percursoras dos Serviços supra-citados) e de consultas especializadas. - da aquisição da experiência de outros Serviços em países onde a especialidade se encontra devidamente enraizada. 6 – O que aconselha às pessoas que estão a ler esta entrevista e que querem trabalhar nesta área ou simplesmente saber mais sobre ela? Só posso aconselhar consoante a(s) experiência(s) que tenho tido. Sigam passos semelhantes, procurem o conhecimento através de todos os meios existentes e imprimam a vossa marca nesta longa e tortuosa jornada que é a criação e o desenvolvimento da Geriatria em Portugal.

“toda a organização, ideologia, infraestrutura e avaliação do doente no(s) hospital(ais)-tipo existentes em Portugal são consideradas “adversas” ao desenvolvimento de uma abordagem puramente geriátrica.”

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HIATOS MÉDICOS Geriatria Necessária em Portugal? A Geriatria é a especialidade médica que se foca nos cuidados de saúde às “pessoas idosas”. “Porque é que “pessoas idosas” está entre aspas?” perguntam vocês. A resposta é simples: não há uma idade fixa para um doente ter que estar sobre os cuidados dum geriatra. Ao invés, esta demanda é determinada pelas necessidades do indivíduo e pela disponibilidade de recursos. Breve história da Geriatria Já antes de 1500 A.C., a Medicina Ayurvédica (medicina tradicional indiana) falava de geriatria sob a denominação de Rasayana. Saltando milénios, por volta de 1025, Avicena, com o seu livro “O Cânone da Medicina”, divulga pela primeira vez um conjunto de instruções para cuidar do envelhecimento. Avançando mais uns anos, George Day fez uma das primeiras publicações sobre medicina geriátrica, em 1849. Em 1881, Laza Lazarevic fundou o primeiro hospital geriátrico moderno, em Belgrado, na Sérvia. O termo “geriatria” era proposto, em 1909, por Ignatz Leo Nascher, o pai da Geriatria, nos Estados Unidos da América. No Reino Unido, a mãe da Geriatria, Marjorie Warren enfatizou a necessidade da reabilitação no cuidado às pessoas mais velhas. Também no Reino Unido, Bernard Isaacs descreveu os “gigantes”

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da Geriatria (que afirmava aglomerarem todos os problemas de saúde do idoso): instabilidade, imobilidade, incontinência e falha cognitiva (do inglês “mental impairment”). Estes eram também conhecidos como os Gigantes “I´s” da Geriatria. Mais tarde, foram-se acumulando outros, tais como infecção, redução visual ou auditiva (“visual and hearing Impairment”), isolamento, inanição, iatrogenia, insónia, impotência, empobrecimento (“impecunity”). Com o avançar, estes conceitos foram-se alargando e foram-se estudando outras síndromes próprias da Geriatria, tais como a fragilidade, sarcopénia, etc..Em 1948, Warren e os seus colegas criaram a Avaliação Geriátrica Global, a pedra chave da avaliação multidisciplinar do idoso, que ainda hoje é usada. Apesar desta história já ser longa, esta ainda continua em construção, nos nossos dias. O exemplo britânico Posteriormente ao trabalho desenvolvido por Warren e Isaacs, foi implementado o “National Service Frameworks for Older People”, lançando, definitivamente, em 1945, as bases para a área, no Reino Unido, sendo este ideia concretizada com a criação do “National Health Service”, em 1948. Em 1947, foi fundada a British Geriatrics Society, com o objectivo de “alívio do sofrimento e angústia entre os idosos e enfermos, pela melhoria dos padrões de cuidados médicos para essas pessoas,

A Geriatria tem enquadramento legal em Espanha (desde 1978), no Brasil (desde 1980), nos EUA (desde 1982), em França (desde 2000) e em mais de 60 países por todo o mundo. a realização de reuniões e a publicação e distribuição dos resultados de investigação”. Desde finais dos anos 70, a Geriatria é uma “especialização/ competência” na área da Medicina Geral, depois de já ter sido uma especialidade separada. Apesar desta particularidade formativa e denominativa, a Geriatria é uma área extremamente estimada no sistema de saúde britânico, fazendo parte integrante e fundamental das instituições hospitalares e comunitárias. Actualmente, a British Geriatrics Society tem mais de 2500 membros, nos quais se incluem médicos geriatras, psiquiatras geriátricos, clínicos gerais, enfermeiros, terapeutas, cientistas e quaisquer outros que tenham interesse e contribuam no cuidado e promoção da saúde dos idosos. Como se pode observar, a Geriatria, no Reino Unido, está bastante evoluída, recolhendo contributos essenciais de profissionais de várias áreas, além da Medicina, sendo incomensurável o seu papel


na organização e sustentabilidade do sistema de saúde britânico. Agora A Geriatria tem enquadramento legal em Espanha (desde 1978), no Brasil (desde 1980), nos EUA (desde 1982), em França (desde 2000) e em mais de 60 países por todo o mundo. Em Portugal, já existe formação pré-graduada nas escolas médicas de Coimbra, de Lisboa e da Beira Interior e, desde há algum tempo, formação pós-graduada através de mestrados e cursos pós-graduados de Geriatria e/ou Gerontologia ligados a várias Universidades, como as de Lisboa, Coimbra e Beira Interior. Muitos profissionais adquirem também formação através de estágios e cursos realizados no estrangeiro. Até agora pois, desde Fevereiro de 2014, após muitos anos de esforços por parte dos grandes entusiastas da Geriatria em Portugal, esta foi reconhecida como competência pela Ordem dos

Médicos! No sítio da instituição, já estão disponíveis inscrições para o concurso e mais informações. Os curiosos podem visitar a seguinte página: www.ordemdosmedicos. pt/?lop=conteudo&op=fae0b27c451c728867a567e8c1bb4e53&id=5 0a1a156d7256eddfd747d77931

Na Europa, os únicos países em que a Geriatria não tem espaço legal como competência, subespecialidade ou especialidade são a Estónia, Eslovénia, Grécia, Moldávia e, até agora, Portugal. 41


MAIS DO QUE É NOSSO CICS, Ciência e Medicina A investigação científica é um componente essencial da medicina moderna, fornecendo os conhecimentos e instrumentos à prática clínica e assegurando a resposta mais adequada aos problemas das pessoas que a ela recorrem. As universidades são consideradas vetores privilegiados para a produção científica e os currículos académicos enfatizam-no, propondo aos estudantes atividades de investigação que associam a aprendizagem de competências científicas e a produção de ciência aplicável à prática profissional. O Centro de Investigação em Ciências da Saúde (CICS) é o braço da Faculdade de Ciências da Saúde (FCS) da Universidade da Beira Interior (UBI), vocacionado para investigação científica. A Diagnóstico falou com o seu coordenador, Professor Doutor Ignácio Verde, para perceber melhor a sua atividade e dá-la a conhecer à comunidade estudantil e local. O CICS foi instalado entre 2000-2003, estando assim presente desde a fundação da FCS – demorou este tempo porque a primeira preocupação foi a insta-

lação dos cursos ministrados pela faculdade. Segundo Ignácio Verde o CICS tem procurado desde a sua fundação respeitar o conceito “das pessoas às moléculas”, replicando a abordagem preconizada para o MIM. A investigação desenvolvida parte do estudo dos problemas que afetam as pessoas e procura as causas e os processos subjacentes, com vista ao desenvolvimento de respostas aplicáveis, das ciências médicas básicas à medicina translacional. O trabalho desenvolvido pelo CICS resulta de uma lógica de integração multidisciplinar dos 240 investigadores do CICS (dos quais 51 doutorados e pós-doutorados), divididos em dois grupos principais de investigação: • Hormonas e inflamação na saúde e na doença, que se subdivide nos subgrupos de neuroproteção e neurodegeneração, endocrinologia e reprodução, hipersensibilidade e inflamação e doenças cardiovasculares. • Biotecnologia e ciências biomoleculares, composto dos subgrupos de BBS groups includes biopro-

“As universidades são consideradas vetores privilegiados para a produção científica e os currículos académicos enfatizam-no, propondo aos estudantes atividades de investigação que associam a aprendizagem de competências científicas e a produção de ciência aplicável à prática profissional.”

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cessos e investigação biomolecular, biomateriais e engenharia de tecidos e química biomedicinal e investigação farmacológica. Estes grupos e subgrupos incluem investigadores, com diversas origens científicas que se articulam, de forma a aproveitar sinergias e complementaridades, visando o desenvolvimento de biotecnologias e aplicações diagnósticas e terapêuticas. A sua atividade já rendeu múltiplas descobertas de biomoléculas, mecanismos de ação, fármacos e outras nas áreas de investigação descritas, traduzindo-se em 40 teses de mestrado por ano, 3-6 teses de doutoramento por ano, 315 artigos publicados em publicações peer-review internacionais (com um fator de impacto médio de 1,27-3,32), 21 livros ou capítulos com distribuição internacional e 5 patentes - tudo isto nos anos 2008-2012. O CICS procura integrar a sua atividade com a das instituições de saúde associadas à FCS, com elos de ligação referenciados em cada uma, como facilitadores da eventual participação dos profissionais e das instituições na investigação, agilizando o fluxo de informação entre os diversos agentes. O CICS participa em diversas parcerias com universidades e centros de investigação da própria UBI, nacionais e internacionais, (sobretudo europeus e norte-americanos), uma tendência que pretende reforçar nos próximos anos, até como uma das respostas possíveis à diminuição recente das fontes de financiamento.


A criação da UBIMedical, um novo equipamento da UBI que pretende ser um lugar de investigação e incubação de projetos que resultem de sinergias entre as várias faculdades da UBI e agentes da comunidade, com particular ênfase na medicina e na informática, veio associar-se ao CICS como um instrumento de promoção da investigação desenvolvida. Primeiramente, o principal problema do CICS foi a angariação da massa crítica necessária à prossecução dos fins. Este problema tem-se repercutido, desde então, sobretudo entre os mestrandos e profissionais da Medicina. Hoje, apenas 3 dos 240 investigadores são estudantes de Medicina da FCS, pertencendo, a maioria, ao curso de Ciências Biomédicas e Bioquímica (cujos cursos preveem 1 ano dedicado à investigação). O número de Médicos envolvidos é também diminuto, contribuindo o curso de Medicina apenas com 1-2% das teses produzidas. O Professor Doutor Ignácio Verde supõe dever-se a uma formação e profissão médicas, com um forte foco assistencial, que conflitua com a exigência da investigação, em termos de tempo e disponibilidade. O coordenador do CICS alvitra que a solução passe por uma maior disponibilização de tempo, por parte das instituições de saúde para as atividades de investigação dos seus profissionais. Outra dificuldade que o CICS enfrenta prende-se com as fontes de financiamento. Durante a maior parte da sua existência a principal origem de financiamento têm sido as bolsas da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), com cerca de 80% dos apoios, comple-

mentada com algumas parceiras do CICS com outras instituições (ex. Banco Santander Totta) e financiamento pela própria UBI. Recentemente, a crise nacional e a reestruturação dos apoios atribuídos pela FCT vieram comprometer estas formas tradicionais de financiamento, com maior exigência na atribuição das bolsas, cada vez mais restritas a doutoramentos e pós-doutoramentos. Assim, o CICS pretende diversificar a origem do seu financiamento, mediante parcerias com outras instituições, como a prestação de serviços às instituições de saúde e à comunidade, rentabilizando os equipamentos de que o CICS dispõe, por exemplo, nas áreas da ressonância magnética, sequenciação genética e microscopia co-focal. Um campo a cobrir é a colaboração e integração da atividade e serviços do CICS com a comunidade local, sobretudo as empresas. Apesar de algumas colaborações, sobretudo na área farmacêutica, esta é uma vertente ainda pouco explorada, o que, na opinião do Professor Doutor Ignácio Verde, é devido a uma insuficiente publicitação do trabalho desenvolvido e ao pouco interesse e disponibilidade de recursos pelas eventuais empresas interessadas. Assim, como pode um estudante integrar-se no CICS e dar aso à sua vocação de investigador? 1. Identificar uma área ou tema de investigação ou recorrer ao sítio on-line do CICS para tomar conhecimento da investigação desenvolvida e das pessoas envolvidas; 2. Contactar um dos investigadores principais da área ade-

quada e expor a sua ideia, visando obter a sua aprovação e disponibilidade para orientação futura (cada investigador pode colocar diferentes exigências para conceder o seu apoio); 3. Investimento da sua vontade, disponibilidade e talento no caminho traçado, dispondo-se a enfrentar os desafios que, inevitavelmente, se colocarão. O CICS e as instituições associadas constituem, assim, uma via interessante para todos os que pretendem expandir o seu contributo para a comunidade e para a ciência médica, por intermédio da investigação, algo cada vez mais valorizado pela sociedade contemporânea. Adelino Costa

“O trabalho desenvolvido pelo CICS resulta de uma lógica de integração multidisciplinar dos 240 investigadores do CICS”

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MAIS DO QUE É NOSSO Tese de Sara Voss Como prometido a Diagnóstico dá-te a conhecer a tese de uma colega tua da FCS. Nesta primeira edição mostramos-te um pouco da tese da Sara Voss, cujo tema é A influência do Chocolate/Cacau no aparecimento da enxaqueca. A influência do Chocolate/Cacau no aparecimento da enxaqueca A enxaqueca é uma das doenças neurológicas mais frequentes nos países industrializados, afectando cerca de 9% da população geral. É responsável por causar um impacto socioeconómico negativo, pois diminui a produtividade do indivíduo afectado, provoca o absentismo laboral e acarreta custos elevados a nível individual, familiar, comunitário e a nível do Sistema Nacional de Saúde. Por ser uma doença altamente incapacitante, a enxaqueca ocupa actualmente o 19º lugar na lista de doenças que condicionam o maior número de anos vividos com incapacidade, descrita pela Organização Mundial de Saúde. Caracteriza-se por episódios de cefaleias moderadas a severas, tipicamente unilaterais e pulsáteis, agravando-se com actividade física e comumente associadas a náuseas, fotofobia e/ou fonofobia. As primeiras manifestações de enxaqueca começam tipicamente, na puberdade e atingem o pico entre os 35 e os 45 anos de idade e afecta mais as mulheres numa proporção de 3 para 1, em relação aos homens, o que permite considerar a hipótese de que as hormonas

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femininas ocupam um papel importante na etiologia da doença. As enxaquecas estão classificadas em duas grandes classes: enxaqueca com aura e sem aura. A aura é um conjunto de sintomas neurológicos focais, que antecedem e/ou acompanham as crises de enxaqueca. Os sinais mais frequentes durante a são os visuais (80%), geralmente com a presença de pontos cegos (escotomas), fotofobia ou perda de visão, seguidos de sinais somato-sensoriais, perturbações da linguagem e articulação de palavras. Apesar de frequente, a enxaqueca ainda é pouco conhecida, nomeadamente a sua etiologia, fi-

siopatologia e mecanismo, que ainda se baseiam muito em teorias e hipóteses. Pensa-se que o envolvimento de canais iónicos nas membranas dos neurónios, o nervo trigémio, e afectação cortical são os principais componentes da etiopatogenia da doença. O tratamento da enxaqueca pode ser realizado de forma aguda ou preventiva. O tratamento agudo consiste em aliviar a dor durante as crises e os sintomas associados. É classificada como não-específica (AINEs, Paracetamol, Ácido acetilsalicílico) e específica (Triptanos). A terapia não específica abrange a principal opção de fármacos sem prescrição médica, por parte dos doentes, devido ao baixo custo e fácil acesso, no entanto a sua eficácia apenas é demonstrada nas cefaleias de dor leve a moderada. Como terapia específica os Triptanos, agonistas dos receptores de serotonina, são os fármacos de primeira linha no tratamento agu-


do da enxaqueca, pois apresentam melhor eficácia no combate às cefaleias moderadas a graves, quando comparados com os restantes fármacos existentes actualmente. O tratamento preventivo tem o objectivo de diminuir a frequência das crises, podendo por vezes reduzir a duração das crises, como potencializar o efeito da terapia aguda. O fármaco comumente utilizado é o Topiramato. Os factores desencadeantes das enxaquecas estão relacionados com a dieta, stress, alterações o sono e factores hormonais. Dentro dos factores dietéticos os principais causadores são o jejum, álcool, chocolate, vinho tinto e café. O chocolate é um produto alimentar, muito popular e altamente consumido em todo o mundo, cuja base é proveniente das sementes de cacau. Estas sementes são originarias do fruto da árvore Theobroma cacao que seguem um conjunto de manuseamento, transporte e processamento desde os países de produção , Costa do Marfim, Gana, Nigéria, Indonésia, Papua Nova-Guiné e Brasil, até ao restantes continentes. Não se sabe a razão pela qual o chocolate contribui para o desenvolvimento da enxaqueca, no entanto as hipóteses colocadas estão relacionadas com os constituintes do chocolate. O cacau é constituído por compostos nitrogenados como as metilxantinas: teobromina e cafeína, que actuam como estimulantes do Sistema Nervoso Central, diuréticos e relaxantes musculares. É altamente rico em flavonóides, epicatequinas, catequinas e procianidinas, polifenóis com propriedades antioxidantes e vasodilata-

doras importantes. Também possui na sua constituição aminas biogénicas como a serotonina, tiamina, tirosina, tiramina, triptofano, feniletilamina e triptamina. Outros compostos são igualmente encontrados no cacau, como açucares, amido, ácidos gordos, anandamina, salsolinol, ácido valérico, tetrahydro-beta-carbolines (THBCs) e minerais. Pensa-se que as metilxantinas sejam responsáveis pelo desencadeamento da crise de enxaqueca através da excitação cortical média. Os flavonóides, desencadeiam a vasodilatação, a qual também se propõe ser um contribuinte para o aparecimento de enxaquecas. As aminas biogénicas de maior importância, existentes no cacau e relacionadas com o mecanismo de acção da enxaqueca são a serotonina e a tiramina. A serotonina é um neurotransmissor importante com diversas funções no nosso organismo, uma das quais a potente estimulação de dor e de irritação das terminações nervosas dos nervos sensoriais. A tiramina é uma monoamina, subproduto do metabolismo da tirosina, um aminoácido presente no organismo e também encontrado em alguns

alimentos fermentados. Estudos recentes associam alterações no metabolismo da tiramina associadas a uma maior produção de CGRP, um péptido sintetizado em neurónios centrais e periféricos, com importante função vasodilatadora e nociceptiva, ambas presentes no mecanismo da enxaqueca. A relação entre a enxaqueca e o chocolate tem sido questionada, no entanto poucos estudos estão descritos. Ainda não se consegue distinguir claramente o papel do chocolate na enxaqueca, se de facto actua como um factor desencadeante, ao qual afecta pessoas geneticamente predispostas para a enxaqueca, ou se de alguma forma é a causa para o aparecimento e desenvolvimento da doença. Não existe um mecanismo que justifique e que possa esclarecer todas as dúvidas, no entanto pequenos passos são dados diariamente em busca desta questão pertinente. Na minha opinião a percepção e conhecimento acerca deste tema são importantes, pois permitir-nos-á saber lidar melhor com doentes que sofrem de enxaqueca, eliminar um factor desencadeante da doença e deste modo proporcionar uma melhor qualidade de vida. Para além disso, irá permitir a obtenção de maior conhecimento acerca desta doença tão incapacitante que é a enxaqueca. Sara Voss Lima Évora , nº21866

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REVIRAVOLTAS MÉDICAS O tratamento revolucionário do cancro com células dendríticas

O tratamento revolucionário do cancro com células dendríticas Será a imunoterapia uma alternativa fidedigna à quimioterapia? A quimioterapia é um tratamento muito agressivo para o doente oncológico e, por isso, os pacientes procuram a imunoterapia como alternativa. “A imunoterapia celular trata-se de um princípio bi-

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ológico onde a ideia é reprogramar o sistema imunitário dos doentes oncológicos para que as células saudáveis destruam as doentes, que têm a informação tumoral.”. Deste modo, as famosas “células dendríticas, na Alemanha” surgiram acopladas a uma nova esperança que entrou na vida de todos aqueles que estão em permanente

contacto com o cancro e outras doenças do sistema imunológico. O que são estas células? Qual é o seu papel no sistema imunológico? De um modo simples, estas células são responsáveis pela defesa do organismo, visto que identificam possíveis alvos e estimulam o corpo a lutar contra agentes patogénicos invasores. Relativamente ao tratamento, este é feito através duma vacina, que foi desenvolvida por investigadores do Centro Médico de Dartmouth-Hitchcock, nos Estados Unidos, e publicada na revista científica “Clinical Cancer Research”. A vacina é produzida a partir das células dendríticas, que levam o sistema imunitário a agir contra o tumor. As etapas do procedimento para obter estas vacinas englobam extrair os monócitos do doente e fabricar em laboratório células dendríticas que, quando colocadas em contacto com a informação tumoral do doente e, posteriormente, reinjetadas no seu corpo, lançam um alerta ao sistema imunitário que destrói o tumor. A aplicação destas vacinas está a ser feita, por enquanto, em três clínicas na Alemanha e numa em Inglaterra. Os resultados das investigações mereceram o prémio Nobel da Medicina, atribuído ao investigador Ralph Steinman. O oncologista Michael Martin, que


desenvolve esta técnica terapêutica no Instituto do Tratamento do Tumor na Alemanha, sustenta que “a terapêutica com as células dendríticas funciona com os tumores sólidos”, aludindo, então, ao cancro da mama, rim, cérebro, pâncreas, útero e cólon. Após certos procedimentos, os cientistas constataram que a vacina estimula uma resposta imunológica contra o tumor, induzindo a ação de linfócitos T, que destroem as células do indivíduo que tenham sido infetadas e as células alteradas, quer as tumorais quer as adquiridas por transplante. Um caso de êxito com este tratamento foi o da menina Safira Íris, a quem foi diagnosticado em 2010 um tumor raro no rim, designado por Wilms, quando tinha quatro anos de idade. Após a família ter recorrido ao tratamento com células dendríticas, o pai afirma que a sua filha “já não tem a doença”, defendendo também que recorreram às faladas células para fugir à quimioterapia que causaria “problemas cardíacos, infertilidade, entre outros”. No entanto, a INFARMED condena o tratamento experimental na Alemanha, pois o uso de células dendríticas carece de demon-

stração científica e alerta que a participação em ensaios clínicos não pode envolver pagamentos por parte dos doentes ou das famílias, “Os ensaios clínicos são promovidos e financiados por quem produz o medicamento e servem para demonstrar a sua utilidade. A utilização de medicamentos experimentais não deve ser feito fora do ambiente controlado e vigiado de um ensaio clínico”, expõe INFARMED a 30 de Julho. Além disso, a Ordem dos Médicos já tinha posto em causa o tratamento por estar em desenvolvimento, isto é, por ser evidenciada apenas a investigação clínica, contudo reitera que apenas pretende que seja demonstrada cientificamente a eficácia da terapêutica, acreditando que poderá ser muito útil no futuro. A DGS ressalva que: “Os pedidos de autorização para assistência médica no estrangeiro relativos a tratamentos de carácter experimental, de eficácia ainda não comprovada cientificamente, nomeadamente o tratamento com vacinas de células dendríticas, não devem, por razões éticas, ser submetidos a aprovação da Direcção-Geral da Saúde”. Também referiu que a informação transmitida pelos meios de comunicação sobre este assun-

to, não era totalmente explícita, “A informação disponível não permite que a população em geral possa distinguir entre tratamentos inovadores, aqueles que correspondem a uma novidade com valor terapêutico superior ao de terapêuticas mais antigas, e tratamentos experimentais, cujo uso é feito no âmbito de experiência ou ensaios”. Em conclusão, tem havido uma desarmonia entre diferentes frentes acerca da eficácia do tratamento do cancro com células dendríticas, o que faz com que o futuro permaneça como um ponto de interrogação. Porém, apesar de não haver garantias de cura, perdura a expectativa de a encontrar e cada vez mais avanços neste tratamento se fazem, além de se obterem melhorias dos estados de saúde dos doentes que procuram vivamente o tratamento. Mariana Ribeiro, 1º ano

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REVIRAVOLTAS MÉDICAS Virose para Tratar Cancro. Na sequência do congresso AIMS, em Lisboa, nos dias 8, 9 e 10 de Março de 2014, uma palestra despertou o meu interesse. O tema foi “Viruses to Treat Cancer – Friends or Foes” e foi dada pelo Professor John Bell, do Ottawa Hospital Research Institute, no Canadá. O cancro é, sem dúvida, um dos “monstros” da actualidade. Chega quase a ser uma palavra tabu. E a verdade é que o que nos ocorre quando pensamos em cancro é: sofrimento, morte, magreza, perda de cabelo, dor, quimioterapia… Mas, e se houvesse um tratamento mais específico? Um tratamento que reduzisse todos os efeitos adversos que associamos ao cancro e que temos para além da doença em si? É nesta direcção que surgem as “Cancer Targeted Therapies”. O cancro é uma doença do nosso próprio material genético, mas são exactamente os mesmo mecanismos que controlam a divisão e morte celular e tornam o cancro a “arma assassina” que é, que controlam também a capacidade de combater uma virose. Ou seja, quando somos infectados com um vírus, no nosso organismo pára a divisão e crescimento celular das células infectadas, induz a morte celular, alerta o sistema imunitário e inibe a formação vascular. Se repararmos, todos estes mecanismos estão bloqueados ou invertidos nas células tumorais! Assim surge o concento de vírus oncolítico. Como candidatos, neste

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momento, estão, modificados geneticamente, o Rhabdovírus, por ser um vírus de RNA, muito simples, e o Vaccinia, já chamado de parasita do cancro. Quais as vantagens deste tratamento? Para além dos poucos efeitos secundários conhecidos, comparando com os outros tratamentos actualmente usados para o cancro, que de momento se resumem a alguns sintomas de infecção viral nos primeiros dias, este tratamento também possuí memória. Ainda não se percebendo porquê, o grau de protecção imunológica aumenta para um segundo tumor que ocorra, ou seja, o sistema imunitário fica “treinado”. A forma como se pensa que o vírus infecta as células tumorais em específico é devido à presença de um marcador, o Factor de Crescimento Endotelial Vascular (VEGF). No entanto, parece que este marcador também está presente nas células endoteliais que irrigam o tumor, que também são afectadas pelo vírus. Desta forma, apesar de em 45% dos casos este efeito ser benéfico ao tratamento, em 55% dos casos as células endoteliais são afectadas antes das células tumorais, impedindo o alcance do vírus às últimas. A causa desta variação ainda é desconhecida, e de momento estão a decorrer investigações de forma a encontrar uma via que administração do vírus não intravenosa, com expectativas de uma maior efectividade. Outra desvantagem actual dos

vírus oncolíticos é que são específicos para tumores benignos, devido à variabilidade genética dos tumores malignos. Também se deve referir que apesar de a curto prazo não se terem manifestado muitos efeitos adversos, o mesmo poderá não ocorrer a longo prazo, e só o tempo ditará a sua eficácia e segurança. Assim, os vírus oncolíticos apresentam-se como um tratamento inovador para o cancro, ainda com um longo percurso de investigação e aperfeiçoamento, mas, sem dúvida, uma aposta para o futuro. Queres saber mais sobre este tema? Lê também o artigo “oncolytic Immunotherapy: where are we clinically?” http://www.ncbi.nlm.nih.gov/ pmc/articles/PMC3914551/

“O cancro é, sem dúvida, um dos “monstros” da actualidade. Chega quase a ser uma palavra tabu.” “Ainda não se percebendo porquê, o grau de protecção imunológica aumenta para um segundo tumor que ocorra, ou seja, o sistema imunitário fica treinado.”


SEXO LÓGICO À conversa com o Dr.Júlio Machado Vaz Médico Psiquiatra, licenciado em Medicina e Cirurgia na Universidade do Porto. Nesta cidade, também se especializou em Psiquiatria e, posteriormente, estagiou na Suíça, onde descobriu o gosto pela área da Sexologia. Regressado a Portugal, dedicou-se ao ensino, tendo sido Professor no ICBAS. Para além da sexologia, tem trabalhado na área da toxicodependência há já várias décadas. Tem várias publicações literárias e, ao longo de anos, tem colaborado com os órgãos de comunicação social, onde, para além do mais, se impõe pela sua grande capacidade de comunicação. Actualmente, dirige, também, uma comunidade de apoio a adolescentes grávidas e jovens mães. Entrevista (feita em 28 de Fevereiro de 2014)

2.Os médicos que saem actualmente das nossas Faculdades estarão preparados para exercer a sua actividade com mais humanismo, numa altura em que isso é posto em causa?

talentosos, obviamente, mas aprende-se a escutar e não apenas ouvir, nenhum saber farmacológico, por si só, permite o encontro Sujeito-Sujeito que caracteriza uma boa consulta psicológica.

– Longe de mim generalizar, mas é indiscutível que o cuidar e a escuta não são abordados com a mesma seriedade que os factos ditos “científicos”. O Humanismo nem sequer é apenas uma obrigação ética, mas também parte integrante de uma intervenção eficaz, pela importância de que se reveste a variável relação médico-doente.

4.Uma das vertentes da actividade do psiquiatra é a de lidar com a Loucura. Continua a ser o maior medo do Homem?

3.Nasce-se psiquiatra como se nasce artista? Nessa medida, quais as características indispensáveis? – Não. Alguns de nós são mais

– Não, a morte continua a ser a grande fronteira, a loucura é um conceito demasiado vago e subjectivo, fácil de aplicar aos “outros”. 5.Como vê o estado da saúde mental, no nosso País? – Com preocupação, em termos de recursos humanos e articulação de serviços.

1.A Psiquiatria em geral e a Sexologia deveriam ser mais consideradas nos currículos dos cursos de medicina? – Sem dúvida, mas não no mesmo patamar. Psiquiatria e Psicologia devem ser reforçadas num tempo em que o psicológico é tantas vezes colocado numa posição subalterna perante o biológico, desprezando a abordagem holística do doente. No caso da Sexologia a situação é tristemente básica – falta mais formação sobre a função e a disfunção nos currículos obrigatórios, alguns virgens da matéria.

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SEXO LÓGICO que a fronteira entre adultícia e adolescência se vem esbatendo. 8.Qual a opinião do Professor sobre o fenómeno das redes sociais? Ocorre-me uma frase que li e que passo a citar, da autoria de alguém da área da psiquiatria “a net e as redes sociais, contrariando o seu fabuloso poder de comunicação, também na prática conduzem a este paradoxo seminal: cantam festividades de aproximação enquanto cavam fossos de isolamento.”

6.Hoje ama-se de maneira diferente de há algumas décadas atrás ou «isto do amor» é sempre igual? – Não, não é sempre igual, cada época histórica ama de modo diverso, em virtude da influência do banho cultural. 7.Há uma opinião formada de que a adolescência prolongou-se no tempo. Seria possível explicar esta ideia? - A adolescência cresceu em ambas as direcções: infância e adultícia. No segundo caso, não é coincidência ouvirmos os sociólogos falarem de uma sociedade adolescente. Lembremos Freud: o Homem adulto é capaz de amar e trabalhar. Hoje a precariedade das escolhas, o reinado do efémero, a baixa tolerância à frustração, para apenas citar alguns exemplos, demonstram

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– Completamente de acordo com a frase, mas atenção: a tecnologia não é culpada do uso que dela fazemos, contudo a sua mera utilização está a alterar a própria estrutura de pensamento e linguagem, que se tornam superficiais e sincopados. De resto como a própria leitura... 9.Que conselhos dá aos mais jovens para uma boa saúde mental? – Pensem, vivemos num mundo de estímulos frenéticos que nos incita a reagir e não agir, após a necessária meditação. 10.Está optimista em relação ao futuro da psiquiatria? – Preocupado com o risco de uma deriva farmacológica de que muitos pacientes já se queixam...

João Esteves, 3º ano


“O bom filho a casa torna” – assim, regressa a Diagnóstico aos desígnios de todos, para informar e entreter até os mais distraídos. Para a concretização e melhoria do projeto, vimos aumentada a Comissão Organizadora, que, de espírito revigorado, começou os trabalhos com novas metas definidas: tornar a revista mais interessante para os alunos de Medicina da FCS-UBI, abrangendo um público-alvo mais plural, desde estudantes de Medicina de outras faculdades do país, até jovens médicos, experientes médicos, e os demais interessados por Ciência, Cultura, Medicina, e Vida. Para tal, decidiu-se incluir, pela primeira vez na Diagnóstico, uma secção inteiramente dedicada à área Científica e outra área dedicada à publicação de Teses de Mestrado, elaboradas por estudantes de Medicina da FCS-UBI. Para além disto, prosseguimos com as rúbricas habituais inerentes ao setor Cultural, onde contamos e revivemos a oferta de atividades que a nossa faculdade e o MedUBI têm proporcionado, com o intuito de melhorar a nossa qualidade de vida, enquanto estudantes, e alargarmos os horizontes do saber, informando sobre variados assuntos, em diversos artigos. Em termos da organização interna da revista, reestruturámos cargos e definimos papéis, com o objetivo único de trazer uma maior qualidade a este projeto, tanto em termos de conteúdo, como de organização. Contamos, ainda, nesta e nas próximas edições, com a colaboração da Inês Victorino. A Inês é uma estudante de Design, em Lisboa, no IADE. Deste modo, temos o prazer de apresentar uma Diagnóstico muito mais atualizada em termos gráficos e inteiramente mais profissional. Por fim, gostaríamos de agradecer a todos os Professores, Colaboradores, Estudantes, Investigadores e Profissionais de Saúde, que acrescentaram algo à Diagnóstico e participaram, de algum modo, na elaboração desta revista. Queremos dedicar um agradecimento especial a Augusta Vargas e Piedade Valente, pelo contributo que deu para a concretização desta revista. Esperemos que vos dê tanto prazer a lê-la, quanto trabalho e gosto nos deu a elaborá-la. André Valente, Jeniffer Jesus e Maria Helena Silva A Comissão Organizadora da Diagnóstico

Projeto: MedUBI Morada: MedUBI – Núcleo de Estudantes de Medicina da Universidade da Beira Interior Faculdade de Ciências da Saúde | Rua Infante D. Henrique | 6200-506 Covilhã | Portugal Telefone: +351 275 329 002 E-mail: geral@medubi.pt

Comissão Organizadora Diagnóstico Direção: André Valente Coordenadora Cultural: Jeniffer Jesus Coordenadora Científica: Maria Helena Silva Colaboradora da Direção: Marisa Horta Colaboradora Científica: Sofia Sá Colaborador Cultural: David Teixeira Colaboradores: Adelino Costa, André Alexandre, André Laiginhas, Carolina Quintela, Catarina Gonçalves, Catarina Gonçalves, Cláudia Pinho, Emanuel Seiça, Inês Caldas, João Esteves, José Costa, Mafalda Castro, Margarida Santos, Mariana Ribeiro, Mário João Santos, Marisa Ferreira, Marta Ferreira, Marta Matos Pereira, Micael Diniz, Paulo Pinheiro, Sara Zorro, Sofia Pimenta, Tiago Correia, Vanessa Fraga. Grafismo/Design: Inês Victorino

Contactos: diagnostico@medubi.pt Impressão: Lidergraf - Artes Gráficas, S.A. Tiragem Novembro: 150 exemplares

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A tua opinião é importante! Colabora com a Diagnóstico, enviando-nos os teus próprios artigos, entrevistas, reportagens e fotografias que poderão ser publicados nas nossas edições posteriores para: diagnostico@medubi.pt.

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Diagnóstico nº4  
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