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r e v i s t a

Ano 1 - NÂş 1 - outubro 2010 - www.medicando.com.br

Chegou o melhor portal para profissionais de saĂşde e pacientes


expediente Diretor Geral

Adauto Meneses

Jornalista Responsável Elizângela Isaque

Gestor de TI Marcelo Thiéle

Projeto Gráfico Wagner Ribeiro

Equipe de Desenvolvimento Maurício Silva Gustavo silva Renato Mendes

Coordenação

Gustavo Lourenço

Web Designer Wagner Ribeiro

Analista de Testes Talita Campos

Endereço Comercial Sistema M de Comunicação SHIS Q 11 Bl. M Loja 24 Lago sul - Brasília/DF

Telefone

61 3248-0000 61 3246-0000

E-mail

medicando@medicando.com.br

Endereço do Portal

www.medicando.com.br

editorial O Medicando surge como a solução completa para integrar profissionais e pacientes ao universo da Saúde de maneira simples e rápida. O portal possibilita ao

usuário localizar um profissional de saúde de qualquer região do país, utilizando, para isso, o buscador de profissionais. Por meio deste sistema é possível escolher o agente de saúde mais próximo, ao realizar a busca pelo CEP, convênio, especialidade ou, ainda, pelo nome do profissional.

No Portal Medicando o paciente pode armazenar, por meio do Espaço Pronto,

todos os seus dados clínicos, como resultado de exames, receituários e medidas antropométricas (peso, altura, Índice de Massa Corpórea - IMC, Medida da Circun-

ferência Cintura/Quadril – CCQ), permitindo a visualização pelo seu profissional de saúde, sempre que necessário.

Ao agente de saúde o Portal oferece uma área para divulgação de um minicurrí-

culo, contendo, por exemplo, sua formação, titulações, especializações, locais em que atende, telefone e endereço de contato, seus artigos pessoais e científicos, bem como qualquer outra informação que contribua para uma efetiva interação social. O principal objetivo do Medicando é conectar pessoas e proporcionar a

comunicação entre seus membros, fortalecendo a relação social do profissional com seus colegas e pacientes. Adauto Meneses Diretor Geral


sumário DESTAQUES MEDICANDO O parto humanizado e a saúde psicológica para a gravidez - 06 A importância do sorriso para a tereceira idade - 07 Conheça a importância de realizar os exames ginecológicos - 12

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DICA DE SAÚDE Vitamina D: solução para doenças autoimunitárias e neurodegenerativas - 08 Veja como se prevenir contra a perigosa salmonela - 14

ARTIGOS

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Amor também vai para o divã - 10 Monitoramento neurofisiológico reduz riscos pós-operatórios - 16 Punir ou não punir, eis a questão - 18

NOTÍCIAS MEDICANDO Neurofeedback ganha popularidade e chama a atenção dos laboratórios - 20

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Movimentos estimulam mulheres a realizarem exame de câncer de mama - 22 Remédio mais vendido para diabetes é proibido no país - 24

SAÚDE EM MOVIMENTO O que são Drogas Psicotrópicas - 26

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Carboidratos, Gorduras e Proteínas - 28


O parto humanizado e a saúde psicológica para a gravidez Dra. Clarissa Telles Kahn

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Política Nacional de Humanização do Ministério da Saúde é entendida como a valorização dos diferentes sujeitos implicados no processo de produção de saúde. Os valores que norteiam essa política são: autonomia e o protagonismo dos sujeitos, a co-responsabilidade entre eles, o estabelecimento de vínculos solidários, a participação coletiva no processo de gestão e a indissociabilidade entre atenção e gestão. Seguindo esta definição, o Ministério da Saúde (MS), em 2000, instituiu o Programa de Humanização no Pré-natal e Nascimento (PHPN), para assegurar acesso e qualidade do acompanhamento pré-natal, da assistência ao parto, do pós-parto e do neonatal. “Este programa tem como intuito incentivar o parto normal, reduzir as intervenções cirúrgicas e a quantidade de medicamentos”, informa a psicóloga Clarissa Telles Kahn, do Espaço Acalanto. Para que o programa aconteça, uma das ações do MS é o incentivo aos Centros de Parto Normal. O ambiente nesses locais procura proporcionar bem-estar às pacientes, com paredes coloridas e músicas relaxantes. Os quartos têm espaço suficiente para que a mulher se movimente à vontade, buscando posições que aliviem a dor, e banheiros para que possa tomar banhos quentes e relaxantes, o que proporciona alívio e atenua a espera. “A maioria dos Centros de Parto Normal tem a filosofia de atendimento humanizado, baseado em evidências cientificas”, diz Dra. Clarissa. Segundo uma pesquisa realizada na UNB em 2009, os profissionais de saúde ainda consideram a mulher vulnerável, pois ela ainda não se sente protagonista de suas ações, por falta de informações. “Atualmente, há um crescimento no que se refere às medidas de humanização, mas é pouco. Muito ainda tem que se melhorar, visto que a lei de acompanhante de parto ainda não é totalmente cumprida, os profissionais ainda não estão qualificados, e as mulheres

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Informação e atendimento feito por profissionais qualificados garantem mais segurança emocional para pais de primeira viagem ainda não se sentem protagonistas de suas ações”, atenta a psicóloga. O conhecimento detalhado das características psicológicas que envolvem a gestação auxilia o acompanhamento, diagnóstico e tratamento precoce de possíveis quadros do ciclo gravídico-puerperal, como a depressão. O psicólogo tem possibilidade de agir preventivamente, bem como exercitar ações diagnósticas e terapêuticas, promovendo a prevenção da saúde mental e física da mãe e do bebê, a relação mãe x filho x pai, com o objetivo de estimular uma ligação mais saudável entre os três. A gravidez, embora seja um fenômeno natural, ainda é vivenciada cheia de dúvidas e tabus. Mesmo que programada e desejada, quando confirmada, causa sempre muita insegurança, medo e ansiedade. “Esses sentimentos tendem a aumentar com falta de informação por parte do casal envolvido. Sendo assim, muitos casais chegam ao cenário do nascimento como meros espectadores, sem saber que exatamente naquele momento eles são os protagonistas de toda a história”, diz Dra. Clarissa. Dentro deste contexto, destacamse as oficinas que são direcionadas para parto e pós-parto, sem tantas inseguranças. A finalidade é de fornecer informações e orientações durante e após o parto, para diminuir medos,

anseios e preocupações que envolvem a parentalidade. A oficina de preparação para o parto natural, por exemplo, dá um enfoque especial ao parto natural e nas dicas de como ter uma experiência de parto positiva, numa época em que a cesárea parece ser a única opção para a maioria das mulheres. São explicadas as vantagens e desvantagens de cada procedimento médico no parto como a anestesia, o soro, a episiotomia, fórceps e a cesárea. “O ideal é que o casal assista esse módulo entre a 20ª e a 32ª semana de gestação, para que possam ser tomadas a tempo todas as providências para um parto tranqüilo”, informa Dra. Clarissa. Na oficina de cuidados com o bebê, além de banho e troca de fralda, são discutidas várias questões que a maioria das mães de primeira viagem só se dão conta na prática, como sono, rotina do bebê, linha de puericultura, escolha do pediatra, primeiros socorros e estado emocional da mãe. Já a oficina de amamentação traz informações de como a mãe deve se cuidar durante a gestação, o que ela pode fazer depois que o bebê nasceu em casos de fissuras, peito muito cheio, preferência de um peito a outro, ordenha. “Antecipando todas essas possíveis dificuldades, fica mais fácil lidar com elas, sem tantas inseguranças, tornando mais prazerosa a maternidade e paternidade”, conclui Dra. Clarissa.


A importância do sorriso na terceira idade

Com o aumento da expectativa de vida aliado ao avanço da medicina, idosos procuram cada vez mais profissionais na área de saúde bucal em busca de uma melhor qualidade de vida

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conceito de que a perda total dos dentes é algo natural devido ao avanço da idade de uma pessoa e que essa é uma situação irreverssível vem perdendo força nos últimos anos. Essa mudança tem sido promovida pelos avanços alcançados na área de implantes, que tem sido alimentada, sobretudo, pela crescente conscientização da importância da saúde bucal para o bem-estar de todos os indivíduos, e que, portanto, repor um dente perdido vai além da questão estética. Segundo o cirurgião-dentista Cristiano Caetano, as técnicas avançadas de implantes dentários e a regeneração óssea constituem as melhores opções para evitar e corrigir problemas funcionais, estéticos e psicossociais que a perda de um dente pode ocasionar. “Mundialmente podemos observar o aumento da longevidade do ser humano e, consequentemente, sua preocupação com a qualidade de vida. Os implantes são recomendados e bem aceitos pela terceira idade. Para se ter uma idéia, o índice de sucesso é superior a 97%”, informa. Dr. Caetano explica que a ausência parcial ou total de dentes leva a problemas de diferentes naturezas, que vão desde o aspecto funcional, como dificuldade na mastigação, digestão e fala, aos de estética, como a desarmonização do rosto, rugas de expressão, boca murcha, nariz e queixo caído. Em outra vertente há os efeitos psicológicos, ocasionados pelo sorriso comprometido, como a falta de auto-estima que leva às dificuldades de convívio social. De acordo com Dr. Caetano, os implantes dentais proporcionam conforto e eficiência similar aos dentes naturais, de forma superior ao uso de dentaduras ou outras próteses removíveis, devido à qualidade das raízes artificiais que são instaladas nos ossos da mandíbula ou da maxila (cada um dos dois ossos que formam a parte central da face e constituem as arcadas dentárias superiores). “Hoje a tecnologia permite corrigir a maioria dos casos. Não existe tratamento que a implantodontia não resolva”, afirma.

A estética facial depende diretamente da estabilidade dos tecidos e da musculatura da face, o que, por sua vez, não acontece sem os dentes. Por isso, os implantes dentários são importantes aliados em um tratamento de rejuvenescimento facial. Embora os procedimentos convencionais sejam os mais utilizados em pacientes idosos, em alguns casos o implante zigomático (implantes de titânio fixado no osso zigomático) se faz necessário. “São cirurgias simples, mas que não descartam cuidados. A indicação do tratamento está condicionada à condição integral de saúde do paciente”, esclarece. Para que o procedimento mais adequado para cada paciente seja adotado, exames de rotina como hemograma sempre é solicitado. “Muitos apresentam doenças crônico-degenerativas, advindas do sistema cardiovascular como diabetes, osteoporose, artrite, entre outras. Porém, uma vez que o acompanhamento médico esteja sendo feito e as enfermidades controladas, a princípio, não há contra-indicação para a realização do implante”, explica o cirurgião-dentista.

Cuidados clínicos Dr. Cristiano Caetano também destaca os cuidados a serem tomados pelos profissionais. Para ele, trabalhar em um ambiente apropriado e equipado com centro cirúrgico e, ainda, contar com a assistência de uma equipe multidisciplinar faz a diferença. Nesse âmbito, estudos da forma da face e testes antes da cirurgia são indispensáveis, bem como as consultas com o fonoaudiólogo no pósoperatório. “O auxílio de um médico anestesista durante a cirurgia, por exemplo, torna o procedimento seguro e confortável para o paciente”, enfatiza.

Limitações Não há limitação quanto à idade e nem risco de rejeição em relação ao implante, uma vez que o material é feito de titânio, que é biocompatível com os tecidos bucais. Outra informação importante é que a orientação pós-implante é praticamente a mesma dos cuidados que devem ser tomados com a dentição natural, sendo ela a terceira ou não: manter a higiene e visitar o dentista regularmente a cada seis meses. Cientificamente comprovado, o implante é a solução para prevenir atrofias ósseas e musculares. Voltar a sorrir na terceira idade e retomar a atividade produtiva e social, não só mantêm a saúde física e mental, mas também aumenta consideravelmente a porcentagem de expectativa de vida.


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dica de saúde

Vitamina D: solução para doenças autoimunitárias e neurodegenerativas Estudos revelam e comprovam que nutriente é fundamental para prevenção e controle eficaz de moléstias graves

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sabedoria popular nos ensina que é sempre melhor prevenir do que remediar. Felizmente, em algumas circunstâncias, especificamente nas ligadas à saúde, a forma de prevenção é a mesma que proporciona a cura ou, no mínimo, um controle eficaz de determinados problemas. Esse é o caso da vitamina D, substância que tem sido fonte de constantes estudos e de importantes descobertas, no que se refere às doenças autoimunitárias e neurodegenerativas, como esclerose múltipla, depressão, artrite reumatóide, Parkinson, mal de Alzheimer, lúpus e vitiligo, entre outras. De acordo com a literatura médica clássica, a vitamina D exerce um papel fundamental para a manutenção do equilíbrio de determinadas funções do organismo humano, como a inibição de problemas como o

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raquitismo em crianças e a osteoporose em adultos. Entretanto, de acordo com as novas descobertas, as doses diárias recomendadas até hoje, de 400 UI (Unidades Internacionais), que equivale a um micrograma, estão longe do ideal necessário para prevenir, estabilizar ou mesmo anular sintomas relacionados à carência dessa substância. Embora alguns alimentos sejam fonte de vitamina D, a forma natural mais eficiente de obtê-la é por meio da exposição diária ao sol. “Cerca de 10 minutos, todos os dias, com 90% do corpo exposto ao sol matinal, é suficiente para que maioria das pessoas obtenha a quantidade aproximada de 20.000 UI”, explica o neurologista e professor do Departamento de Neurologia e Neurocirurgia da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESPI) Dr. Cícero Galli Coimbra.

No entanto, Dr. Cícero lembra que algumas pessoas apresentam maior dificuldade de transformar em ativa a forma da vitamina D produzida pela exposição solar, devido às particularidades de cada organismo. Por isso, alguns indivíduos, mesmo com hábitos que os exponham diariamente ao sol, podem apresentar deficiência desta substância e, consequentemente, desenvolverem algum problema proveniente dessa carência. Como forma de prevenção, o médico recomenda a ingestão diária da vitamina D em forma de cápsula ou gotas, em pessoas portadoras dessa característica genética, ou que tenham uma rotina diária caracterizada por baixa exposição solar. O engenheiro ambiental Marcelo Palma está entre as pessoas que, embora sempre levasse uma rotina de práticas esportivas ao ar livre, como o surfe, começou a apresentar sintomas como paralisia facial, formigamento de membros e alteração da sensibilidade do abdômen. Após alguns diagnósticos equivocados e tratamentos que não impediam o surgimento de outros sintomas que eram de fato decorrentes da esclerose múltipla, o jovem que também dava aulas de capoeira tomou conhecimento do tratamento proposto por Dr. Cícero. Iniciado o tratamento, Marcelo confiou sua saúde ao Dr. Cícero que o convenceu de que não só poderia utilizar apenas a vitamina D em seu tratamento, como a doença diagnosticada como esclerose múltipla (EM) viraria passado em sua vida. Hoje, o jovem afirma levar uma vida normal, sob acompanhamento médico, feito de uma a duas vezes por ano. “Estou com a vida totalmente ativa, trabalhando, surfando muito, dentre outras atividades físicas. Posso dizer que minha vida hoje é até melhor do que antes de tudo isso acontecer, pois despertei para simples valores que não enxergava, e minha disposição é maravilhosa. Sinto-me privilegiado por ter acesso a um tratamento tão eficiente e recomendo a todos que possuem essa enfermidade”, relata Marcelo Palma. Maior autoridade brasileira sobre os benefícios da vitamina D, o nome de Dr. Cícero Coimbra é relacionado ao crescente número de pacientes que, a exemplo de Marcelo Palma, uma vez submetidos ao seu tratamento, têm apresentado quadros de regressão de sintomas, bem como a estabili-


dade em doenças como a esclerose múltipla. Em todos os casos, a vitamina D sintetizada, ministrada em doses que variam de acordo com a necessidade de cada paciente, é a protagonista que atua de forma decisiva no combate aos graves sintomas apresentados pela doença. Na internet, há centenas de artigos científicos acerca dos benefícios da “vitamina D”, relacionados às doenças neurodegenerativas como Alzheimer, e às autoimunitárias, como a esclerose múltipla, miastenia gravis, lúpus, artrite reumatóide, psoríase e diabetes do tipo 1. No entanto, segundo Dr. Cícero, a utilização deste nutriente nos tratamentos destas moléstias ainda não chegou aos consultórios do país.

“Cerca de 70% das pessoas que sofrem de esclerose múltipla apresentam níveis muito baixos de vitamina D, o que se correlaciona com uma frequência maior de exacerbações (surtos) e com a sustentação de sequelas neurológicas mais acentuadas após cada surto. A simples percepção disso remete qualquer profissional que se depare com esse quadro à obrigação ética de administrar essa substância como parte fundamental do tratamento” Explica Dr. Cícero. Conforme expõe o neurologista, a falta de informação sobre o assunto começa pelo ambiente acadêmico e culmina na pressão mercadológica que a indústria farmacêutica exerce sobre a sociedade. Hoje, cada ampola de Tysabri (natalizumab), medicação vendida em mais de 45 países para o tratamento de esclerose múltipla, custa, em média, cerca de R$ 9.000,00. Só em 2009, o Tysabri proporcionou ao seu fabricante a receita de um bilhão de dólares em vendas, fazendo com que, em janeiro deste ano, a empresa

viesse a público declarar que busca, em 2010, como estratégia de marketing, maximizar o valor de suas ações por meio do crescimento do consumo desse remédio. De acordo com dados da Federação Internacional de Esclerose Múltipla (MSIF, na sigla em inglês), cerca de 2,5 milhões de pessoas sofrem de EM, em todo o mundo. No Brasil, a estimativa da Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM) é de que existam mais de 35 mil portadores no país. Além disso, a entidade alerta para as constantes faltas da medicação disponibilizada pelo governo, nos postos de saúde do Brasil. As medicações comumente prescritas em terapias (interferons), geralmente, expõem os pacientes a efeitos colaterais tão comuns quanto desagradáveis. Esses remédios podem desencadear reações – observadas em mais de um, em cada 10 doentes – como dores de cabeça, sintomas do tipo gripal e febre. O que remete às vantagens da utilização da vitamina D nos tratamentos de doenças neurodegenerativas e autoimunitárias. Além da ausência de efeitos colaterais, desde que as doses sejam ajustadas conforme as necessidades individuais, bem como de acordo com os exames laboratoriais, a utilização da vitamina D possibilita a regressão de sequelas recentes e previne a progressão da doença. O que torna esse nutriente mais eficaz que a medicação tradicional e uma alternativa, no mínimo, considerável, se comparada à medicação até hoje ministrada. O ajuste das doses, realizados por meio de exames laboratoriais, tem por objetivo evitar a hipervitaminose por vitamina D, já que o excesso deste nutriente no organismo pode provocar problemas graves como danos permanentes nos rins, retardo do crescimento, calcificação de tecidos moles e até mesmo a morte. Entre os sintomas leves de intoxicação estão: sede excessiva e eliminação de grande volume de urina, náuseas, fraqueza, prisão de ventre e irritabilidade. Entretanto, para alcançar essas reações, seria necessário o consumo muito superior aos recomendados pelas recentes pesquisas. De acordo com os estudos mais recentes, para que uma pessoa adulta, com níveis normais de tolerância à vitamina D, apresente um quadro de super dosagem

deste nutriente é necessária a ingestão diária, por um período de um a dois meses, de 2,5 mg (100.000 IU), aproximadamente. Já para as crianças, a quantidade considerada tóxica varia de 0,5 mg (20.000 IU) a 1,0 mg (40.000 IU), números superiores às doses mais altas indicadas para prevenção e tratamento de doenças. “No entanto, esses limites tóxicos podem variar conforme a quantidade de alimentos ricos em cálcio, especialmente os laticínios, presentes na dieta, conforme o peso e características genéticas do indivíduo”, esclarece Dr. Cícero. Conforme explica o neurologista, os riscos de uma hiperdosagem são praticamente nulos, se o tratamento é feito com acompanhamento médico, em âmbito clínico e laboratorial. “A quantidade de vitamina D que cada paciente necessita em seu tratamento varia de acordo com o estágio da doença e com os níveis de carência deste nutriente em cada organismo, por isso é muito importante a avaliação do profissional”, explica.

Divulgação Como a eficácia da vitamina D, em relação aos medicamentos tradicionais, ainda não é um consenso entre a comunidade científica, a difusão desta nova alternativa tem ocorrido por meio do famoso “boca a boca”. Nesse contexto, a internet tem sido a principal ferramenta utilizada pelos pacientes do Dr. Cícero, que utilizam a web para discutirem seus casos clínicos entre si e, ao mesmo tempo, propagarem resultados como a estabilização e o controle de suas enfermidades.

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dica de saúde Com cerca de 300 membros a comunidade “Esclerose Múltipla Tem Solução” funciona em um dos mais famosos sítios de relacionamentos da web e reúne tanto pacientes sob o tratamento do Dr. Cícero, quanto pessoas que sofrem de EM e estão em busca de tratamentos com resultados mais eficazes e menos agressivos que os tradicionais. “Após descobrir a existência do Dr. Cícero e obter resultados fantásticos com minha sobrinha achei que seria importante difundir esse protocolo de tratamento”, explica Sergio Vinagre, fundador da comunidade. Na página inicial da comunidade, criada há dois anos, Vinagre conta que sua sobrinha iniciou o tratamento com Dr. Cícero em 2006, cinco anos após receber diagnóstico de esclerose múltipla. Na época da primeira consulta a moça já se encontrava em cadeira de rodas, devido o estágio no qual se encontrava a doença. “Dois meses após o início do novo tratamento, baseado na reposição dessa vita-

mina, ela estava dirigindo. Hoje leva uma vida normal, sem surtos, e sem o uso da medicação convencional, que é bastante agressiva. E continua apresentando melhoras”, relata.

Fatores psicológicos Para quem o organismo apresenta dificuldade de sintetizar a vitamina D, estresses emocionais, ou fortes traumas podem contribuir para que se desencadeiem algumas doenças. Dr. Cícero destaca que, cerca de 85% dos surtos de esclerose múltipla, por exemplo, surgem após estresses emocionais. “Imagine quantos surtos seriam evitados se fosse possível retirar ou diminuir o nível de estresse dessas pessoas”. Foi após vivenciar um forte trauma emocional que Marcelo Palma começou a apresentar os primeiros sintomas de esclerose múltipla. Sintomas que, posteriormente, voltaram mais fortes e frequentes após uma

segunda experiência que lhe acarretou novo trauma. “Na primeira consulta, que durou cerca de quatro horas, ele me explicou como seria a utilização da vitamina D, aliada à B e a óleos de peixe (ômega 3) DHA, para ‘desativar’ a auto agressão do sistema imunológico no meu próprio organismo”, relembra. Hoje, o maior empenho do neurologista é tornar a utilização da vitamina D comum nos tratamentos das doenças neurodegenerativas e autoimunitárias. “Meu objetivo é fazer com que os demais profissionais conheçam os benefícios dessa substância e passem a ministrá-la aos pacientes em tratamento”, diz o neurologista, que acredita que, no futuro, as informações acerca da importância desse nutriente estarão ao alcance de todos. “Não há como impedir que esse conhecimento se torne comum. Pode ser que demorem mais dois, três ou vinte anos. O fato é que, cedo ou tarde, todos vão saber dos benefícios da vitamina D”

O Amor também vai para o divã

Quando a terapia é a solução para a harmonia entre um casal e para a saúde individual

Dra. Alessandra Rodovalho

“O mundo sempre dará boasvindas aos amantes, com o passar do tempo”, diz a famosa canção “As time goes by”, composta por Herman Hupfeld em 1931. Imortalizada como tema do clássico sucesso hollywoodiano “Casablanca”, de 1942, a canção ganhou várias interpretações, sempre na voz de grandes astros da música mundial, como Frank Sinatra. Muitas décadas depois, seus versos continuam a embalar namorados de várias partes do mundo, provando que o amor ainda não saiu de moda. Mas se, com todas as constantes transformações às quais a sociedade está submetida, amar e ser correspondido ainda é o desejo da maioria das pessoas, por outro lado, a forma como cada relação se estrutura esbarra em necessidades contemporâneas. Nesse contexto, a terapia de casal

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passa a exercer um papel fundamental, por permitir que as pessoas compreendam melhor a dinâmica do amor da era moderna. Para a psicóloga Alessadra Rodovalho Nascimento Ramos, a falta de tolerância é hoje a grande vilã da maioria das crises conjugais. “O enfoque individualista é cada vez mais forte dentro das relações. As pessoas estão menos pacientes quanto ao que lhes incomoda no outro”, relata. De acordo com ela, uma vez no consultório, as questões passam a ser tratadas de forma sistêmica, onde o contexto é analisado como um todo. “Um comportamento é sempre responsável por outro comportamento. Ou o sistema funciona ou não funciona. Não existe culpado nem vítima”, explica a terapeuta. No entendimento de Alessandra, as diferenças, que no início da relação, são geralmente encaradas como aspectos complementares entre os casais, muitas vezes tornam-se motivo de brigas constantes,

com o passar dos anos. “Dentro da visão sistêmica focamos na busca por encontrar o que está doente na relação e trabalhamos aspectos como a comunicação e a aceitação das diferenças”, detalha. Sob essa óptica, a terapia faz com que o casal relembre o que havia de bom no início do relacionamento e tente resgatar a anterior capacidade de lidar com os conflitos. “Geralmente o casal chega ao consultório trazido pelas diferenças, ou seja, o que antes era visto como complemento passa a ser considerado aversivo, com um querendo mudar o outro”, relata Alessandra. Embora a grande maioria dos casais procure uma terapia como tábua de salvação, atrás da última tentativa de salvar seus relacionamentos, Alessandra explica que o papel da terapia não é, primordialmente, fazê-los permanecer juntos, mas, sobretudo, ajudá-los a identificar seus problemas. Da mesma forma, o tratamento terapêutico pode contribuir para que o ca-


sal encontre uma forma de solucionar suas controvérsias, o que muitas vezes só ocorre com uma separação que, com a ajuda do profissional, pode ser menos dolorosa e sem maiores traumas. “A terapia não junta e nem separa ninguém”, frisa Alessandra, que continua: “O casal pode chegar à conclusão de que as diferenças são realmente insuportáveis. Nesses casos, a terapia ajuda a fazer com que a separação seja mais equilibrada, principalmente, quando há filhos envolvidos, fato que leva todo o processo a ser desenvolvido com mais cuidado”, explica. Filhos, frutos de casamentos mal estruturados, podem se constituir um importante termômetro para a identificação de eventuais problemas conjugais. “A criança pode apresentar sintomas como depressão, ansiedade, agressividade, dificuldade na escola e outros. Tudo depende do grau e intensidade que ela vive o conflito conjugal”, esclarece. De acordo com Alessandra, que também é terapeuta infantil, muitas vezes, já na primeira sessão de uma criança, é possível identificar que, na verdade, os pacientes devem ser os pais. “Geralmente fazemos trabalhos paralelos, onde cuidamos da tríade: mãe, filho, casal”, detalha. Em face desta realidade, Alessandra afirma que cada casal, independente do conflito que os afligi, apresenta particularidades inerentes aquele relacionamento em si, e que, por esse motivo, cada caso recebe o tratamento terapêutico que melhor se adéque à sua situação. “Todo relacionamento tem aquelas características que são exclusivas do casal, e, também, é importante que dentro do matrimônio sejam preservadas as individualidades. Por isso, o terapeuta tem que ter o “feeling” de perceber qual a melhor proposta de tratamento”, diz.

Segundo Alessandra, há etapas da vida de um casal nas quais é natural que se instale uma crise conjugal. Entre os vários motivos que podem ocasionar desequilíbrios nos matrimônios encontram-se: doenças, perdas, nascimento dos filhos, ou mesmo quando estes saem de casa e o casal volta a “viver sozinho”. Neste último exemplo, muitos cônjuges se deparam com a realidade de não estarem mais habituados a uma vida somente do casal, circunstâncias nas quais os conflitos podem se tornar frequentes. “Por esses motivos a terapia de casal é importante, pois ajuda a identificar e a lidar com essas e outras questões”, afirma.

Resgate Foi justamente por querer resgatar o tão desejado equilíbrio da relação que, ao completar 13 anos de casada, a ginecologista Sônia Maria Serri Gallina decidiu que ela e o marido, o dentista Adelar Gallina, deveriam procurar um terapeuta. “Percebi que da forma como as coisas estavam, se não procurássemos a ajuda de um profissional nosso casamento iria acabar”, conta a médica. Em casos como o de Sônia, a psicóloga Alessandra chama a atenção para o fato de que reconhecer a necessidade e estar aberto ao tratamento faz toda a diferença. “A primeira coisa é desejar fazer a terapia. Resistências até podem ser quebradas, mas é extremamente importante que, em princípio, já exista a vontade de receber auxílio profissional”, alerta. Alessandra destaca, ainda, que em casos nos quais apenas uma das partes faz o tratamento, as chances de eficácia são reduzidas, embora existam. “É difícil fazer o trabalho com um só, mas é possível ajudar em muitos aspectos”, assegura.

Os cerca de dez meses de terapia ajudaram Sônia e seu marido a restabelecerem o diálogo e, consequentemente, a compreenderem um ao outro. “Antes não conseguíamos nos comunicar e, por isso, estávamos ficando distantes. Hoje nos conhecemos melhor e passamos a entender nossas atitudes, que antes eram constantes motivos de divergências”, revela Sônia, que complementa: “Voltamos a ter prazer em fazer certas coisas juntos. Voltamos a namorar”, comemora. Ao reconhecer a importância da terapia de casal para a continuidade de seu casamento, Sônia afirma que a ajuda profissional é fundamental em momentos de crise, por contribuir com a identificação do problema. “Se sairmos de uma relação sem sabermos o que motivou a crise é provável que venhamos a vivenciar os mesmos conflitos nas relações subsequentes”, avalia.

Entre os muitos benefícios atribuídos à terapia de casal destaca-se o fato de marido e mulher conseguirem resgatar aspectos importantes tais como o diálogo, a tolerância e o prazer de fazerem juntos, coisas que lhes proporcionavam alegrias nos primeiros anos de envolvimento. O que remete ao fato de que, se o mundo sempre dará boas vindas aos amantes, como diz a canção de Hupfeld, profissionais terapeutas como Alessandra existem para ajudar os casais a tentarem concretizar, de forma sadia, o sonho do “Até que a morte os separe”.

Prevenção Muitos problemas de saúde são ocasionados por questões emocionais mal resolvidas ou por conflitos constantes. A decisão de procurar um especialista acaba sendo um importante passo rumo à prevenção e, também, para a manutenção da saúde, uma vez que identificada a origem do problema, o casal passa a ter a oportunidade de encontrar a solução que irá restaurar o equilíbrio emocional de ambos.

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destaques medicando

Conheça a importância de realizar

os exames ginecológicos

Consultas podem começar ainda na infância, mas devem se tornar regular a partir da adolescência

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realização de exames ginecológicos é de extrema importância para a saúde feminina. Seja como prevenção contra determinadas doenças ou para controle de natalidade, a rotina de ir ao consultório médico deve fazer parte da vida de toda mulher, ao longo de sua vida. Além das eventuais necessidades que, ocasionalmente, levam uma paciente a marcar uma consulta, a periodicidade com que cada exame ginecológico deve ser feito relacionase, diretamente, às fases de sua vida. “Como algumas doenças são mais comuns em determinadas faixas etárias, o tipo de exame deve ser direcionado pelo médico”, explica o profissional especialista em ginecologia e obstetrícia Marcelo F. de C. Fagundes. Segundo ele, a ida ao ginecologista pode ter início ainda na infância, caso surjam problemas como sangramento transvaginal, corrimento vaginal, puberdade precoce entre outros. “Esses sinais não devem ser ignorados, uma vez que podem ser sintomas de alguma patologia”, alerta.

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Já a adolescência – momento em que a mulher vive a transição entre a infância e a vida adulta – é uma fase na qual é de extrema importância que a menina seja introduzida à rotina de consultas com o médico ginecologista. A vinda da primeira menstruação, por exemplo, pode vir acompanhada de sintomas como cólicas menstruais, que podem ser decorrentes de tais mudanças fisiológicas ou ser o indício de problemas como a endometriose. E a irregularidade menstrual, por sua vez, pode ser ocasionada pela imaturidade do aparelho reprodutor feminino ou da síndrome de ovário policístico. De acordo com Dr. Marcelo, a consulta com o ginecologista também é muito importante para que a adolescente receba informações que a ajudem a prevenir problemas como corrimento, que podem surgir devido a hábitos de higiene ou tipo de vestuário. Nessa fase a consulta também é importante para que a menina seja orientada acerca dos estímulos sexuais provenientes da idade. “Muitas vezes, a chegada da matur-

idade física acontece paralela à imaturidade psicológica, o que deixa as adolescentes expostas a riscos, como as doenças sexualmente transmissíveis ou mesmo à gravidez precoce”, alerta Dr. Marcelo. Além dos diversos exames laboratoriais (sangue, fezes e urina), comumente realizados em qualquer idade, a ecografia pélvica abdominal, que é mais indicada para meninas virgens, e a transvaginal são imprescindíveis para auxílio do acompanhamento ginecológico das adolescentes. Ambos os procedimentos devem ser realizados de acordo com a necessidade e, em qualquer idade, para controle de menstruação irregular, massa abdominal, sangramento vaginal na infância e dor pélvica abdominal. Na vida adulta, que compreende o intervalo entre as fases jovem e tardia, além dos exames de rotina, eventuais sinais de anormalidade exigem que a mulher faça de sua ida ao ginecologista um hábito ainda mais freqüente. “Na juventude é comum o aparecimento de problemas gerais como transtorno pré-menstrual (TPM), disfunções na área da sexualidade, como falta de orgasmo, cistos de ovário, cistos mamários, irregularidade menstrual, dor nos seios, corrimento e dificuldade de engravidar. Esses casos devem ser acompanhados pelo ginecologista, que indicará e ministrará o tratamento adequado”, afirma Dr. Marcelo. A chamada fase tardia marca a vida da mulher, sobretudo, devido à menopausa, que é o período fisiológico caracterizado pelo encerramento dos ciclos menstruais e ovulatórios da mulher, com a interrupção da menstruação por um ano ou mais. Nessa etapa, que, geralmente, ocorre entre os 40 e os 55 anos, é comum o aparecimento de sintomas como ondas de calor, diminuição da libido, secura vaginal e doenças correlatas, a exemplo de tendência a osteoporose e aterosclerose. “Esses estão entre os problemas mais frequentes, a serem diagnosticados por exames específicos”, elucida Dr. Marcelo. Devido a determinados problemas de saúde, provenientes da fase tardia, é muito importante que a mulher que se encontre nesse período de sua vida realize exames de Densitometria Óssea, geralmente de Fêmur Direito e de Coluna


Lombar, que refletem a ossificação de todo o corpo. “Esse exame é realizado, geralmente, no período da menopausa, onde é mais comum encontrar descalcificação óssea (osteopenia ou osteoporose) e, ainda, a aterosclerose, por aumento do colesterol e/ ou triglicerídeos”, explica Dr. Marcelo.

Câncer De acordo como o Ministério da Saúde, ao menos uma vez por ano a mulher com vida sexual ativa deve realizar o exame de Papanicolau, para prevenção de câncer de colo uterino. Se, com essa frequência, a paciente tiver diagnósticos normais, consecutivos, o exame pode ser realizado a cada dois anos. A exceção seria para as pacientes de maior risco, com a presença de HPV, por exemplo, onde a avaliação deve ser semestral.

Embora essa seja a rotina orientada pelo Ministério da Saúde, para o sistema público, Dr. Marcelo relata que, na clínica privada, a realização do exame Papanicolau ocorre com uma freqüência ainda maior, devido ao fácil acesso a esses serviços de saúde. “Comumente a paciente pode apresentar corrimento e necessitar de nova coleta de material vaginal, já que o exame não é só preventivo de câncer, mas também detecta bactéria ou fungo na análise desta secreção”, argumenta. A ecografia mamária na mulher se faz necessária quando existe uma suspeita de nódulo mamário no auto-exame, o qual a paciente deve fazer todos os meses, uma semana após a menstruação, ou no exame ginecológico periódico. Já a Mamografia só é realizada na mulher com menos de 40 anos, nos casos

em que o nódulo mamário é bem definido pela Ecografia ou pelo exame físico realizado pelo médico. Na faixa etária dos 35 aos 40 anos, havendo ausência de suspeita de nódulo, a rotina estabelecida pelo Ministério da Saúde deve ser de uma única Mamografia neste período. Mas, acima dos 40 anos, mesmo sem a suspeita de nódulo, a frequência da Mamografia passa a ser de dois em dois anos, até o início da menopausa ou dos 50 anos. Após esse período, esse exame volta a ser anual, mesmo que não haja suspeita de nódulos. “O resultado da mamografia não define bem se o tumor é de conteúdo sólido ou líquido (cístico), por exemplo. Além disso, a presença de uma densidade mamária aumentada pode camuflar a existência de um nódulo existente não visualizado, o que torna imprescindível a realização de uma ecografia mamária complementar”, esclarece Dr. Marcelo.

Dicas de saúde Oito cuidados que as mulheres devem tomar

antes de uma consulta ginecológica Ir ao ginecologista ainda é um “tabu”, algumas mulheres sentem pavor dessa

palavra, mas essa prática é de extrema importância para a saúde feminina. Uma

dica para que as consultas sejam mais cômodas é procurar um profissional de sua confiança e com quem se sinta liberdade para dizer tudo o que sente. E, para que

corra tudo bem, tambem é necessário realizar alguns procedimentos simples, mas que garantem o sucesso do atendimento. 1- Ao contrário do que muitas mulheres pensam não é necessário estar depilada para ir ao ginecologista. Os pêlos protegem e indicam ao médico a quantidade de hormônios femininos e masculinos. Mas, se achar melhor, você pode sim depilar-se, mas sem excesso, evitando, por exemplo, opções artísticas como formatos de borboletas. 2- Esqueça a ideia de usar ducha vaginal, porque ela prejudica o exame de papanicolau. 3- Você pode, e deve, tomar banho, pois eles não atrapalham os exames. Siga as dicas anteriores e use regularmente sabonetes com pH ácido entre 3,5 e 5.

4- Se possível urine antes da consulta. Isso porque o instrumento que abre a vagina pode causar desconforto na bexiga, o que torna o exame mais “chato”. O papel higiênico ou lenço úmido não deve ser esfregado, mas apenas tocar o local para absorver o líquido, caso o contrário, os fragmentos do papel ficam grudados e é preciso usar uma solução de soro para retirá-los, o que pode deixar a mulher constrangida. 5- Não tenha relações sexuais no dia anterior e, menos ainda, no dia da consulta com seu ginecologista. O esperma e a camisinha alteram o pH, e o contato sexual promove descamação da pele.

6- Se possível, agende a consulta entre cinco e sete dias após a menstruação, quando as mamas estão mais macias. A menstruação pode atrapalhar a coleta de alguns exames. 7- Não use cremes vaginais por dois ou três dias consecutivos. 8- Não se esqueça de informar tudo ao médico, todos detalhes são importantes, inclusive o uso de pílula e de antibióticos, contato com doenças sexualmente transmissíveis, cirurgias ginecológicas, parto, aborto, desconforto sexual, entre outras dúvidas frequentes.

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Dicas de saúde

Veja como se prevenir

contra a perigosa salmonela

Cozimento Inadequado A bactéria Salmonela está frequentemente presente nas carnes cruas, principalmente nas carnes de aves. Se, ao ser preparada para consumo humano, a carne não for cozida adequadamente, a bactéria poderá sobreviver e infectar quem comer a carne.

Cuidados básicos para evitar a Salmonela Lavar as mãos cuidadosamente com sabão e água quente e corrente por pelo menos dez segundos:

Espetinho de churrasco, sorvete, salada de frutas, acarajé, salgadinhos e sucos estão entre os muitos alimentos encontrados pela rua que, se não manuseados e armazenados com determinados cuidados podem fazer muito mal à saúde. Seja e um quiosque, em barracas ou em isopor nas mãos de ambulantes, essas guloseimas tão agradáveis aos olhos que instigam o apetite podem esconder perigos como a salmonela. Embora a vigilância sanitária frequentemente faça vistorias, é importante que o consumidor tome certos cuidados na hora e ingerir esses alimentos, para evitar, sobretudo, o perigo se contaminar com bactérias como a salmonela, a principal vilã nos casos de intoxicação alimentar.

Salmonelose - Salmonela Salmonelose é um tipo de gastro (gastroenterite) causada pela bactéria Salmonela que pode afetar qualquer pessoa, embora ela seja mais comum em crianças com menos de cinco anos de idade e em jovens adultos. Os sintomas são mais graves nos idosos e em pessoas com outros problemas de saúde.

Sintomas da Salmonelose Os sintomas mais comuns da Salmonelose são: diarréia (que poderá conter sangue ou muco), febre, cãibras estomacais, náusea, vômitos e dores de cabeça. Depois de a bactéria ser ingerida pela boca, leva normalmente entre 12 a 36 horas para você ficar doente. A doença normalmente dura alguns dias, mas a bactéria Salmonela pode ficar presente nas fezes do infectado por várias semanas ou mais.

Onde a Salmonela é encontrada? A bacteria Salmonela é encontrada em seres humanos, em animais de estimação, selvagens e de criação (em fazendas), assim como em aves, particularmente nas galinhas.

Como é transmitida a Salmonelose? A Salmonelose ocorre se a bactéria for ingerida pela boca, o que pode acontecer em qualquer uma das seguintes maneiras:

• antes de cozinhar; • antes de manusear alimentos crus ou prontos para comer; • antes de comer; • depois de ir à casa de banhos ou trocar fraudas; • depois de fumar; • depois de usar um lenço de papel ou de pano; • depois de trabalhar no jardim; • depois de brincar com os animais de estimação. Pessoas que manuseiam alimentos devem usar toalhas de papel descartáveis ou secador a ar para enxugar as mãos.

Armazenar e Manusear Alimentos com Cuidado • Não manuseie alimentos cozidos com os mesmos utensílios (facas, tábuas) utilizados com alimentos crus, a menos que eles tenham sido lavados cuidadosamente após o uso; • Mantenha todas as superfícies e utensílios da cozinha limpos; • Descongele alimentos colocando-os nas prateleiras mais baixas do refrigerador ou usando um forno de micro-ondas; • Cozinhe bem todos os alimentos crus; • Coloque alimentos cozidos no refrigerador dentro de uma hora após o cozimento; • Refrigere alimentos crus abaixo dos alimentos cozidos ou prontos para comer para evitar a inter-contaminação; • Mantenha os alimentos abaixo dos 5° C ou acima dos 60° C para evitar o crescimento de bactérias

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A

artigo

Monitoramento neurofisiológico reduz riscos pós-operatórios Procedimento permite acompanhar o passo a passo de operações que envolvem estruturas neurológicas Dra. Karina Alécio

D

Elizâgela Isaque, da equipe Medicando

realizar a monitoração já poderíamos ter uma

das em áreas que envolvam ou

mente com o neurofisiologista José Alberto

monitoração neurofisiológica intraoperatório

tumores medulares e intracranianos e trau-

ocasionadas por cirurgias realizaestejam próximas ao sistema ner-

voso é o papel da monitoração neurofisiológica intra-operatória. Essa técnica permite o acompanhamento contínuo de cada passo

executado durante um processo operatório, a fim de localizar áreas ou detectar lesões que,

posteriormente, venham a progredir e causar danos irreversíveis.

As neurocirurgias e as cirurgias or-

topédicas estão entre os procedimentos que

envolvem estruturas do sistema nervoso central (SNC) ou do periférico (SNP) e que, por esse

motivo, necessitam de acompanhamento mo-

nitorado para diminuir os riscos que elas oferecem aos pacientes. Contudo, para garantir a redução mínima de 50% de chance de uma

boa resposta”, afirma Dra. Karina que, juntaSobrinho compõe os únicos especialistas em da região centro-oeste.

çada por esse procedimento – o profissional

neurologista e neurofisiologista deve ter, obri-

A possibilidade de acompanhar a

evolução de uma cirurgia em tempo real e, com isso, diminuir os riscos de uma lesão grave e irreversível foi o que motivou Dra. Karina

a especializar-se na técnica de monitoração neurofisiológica

intra-operatória.

“Cirurgias

que envolvem o sistema nervoso ou estruturas próximas a ele, como a coluna vertebral, por só serão percebidos pelos profissionais quan-

do não há mais o que ser feito”, explica Karina que ampliou seus estudos no Canadá.

Prática

Várias publicações acadêmicas tra-

gatoriamente, habilitação comprovada para a

zem os dados que comprovam a eficácia da

que consiste no acompanhamento realizado por

realização desse tipo de monitoramento.

Atualmente, menos de dez profis-

sionais, distribuídos em menos de dez regiões

do país, estão devidamente aptos a realizar esse procedimento. Contudo, segundo a neurofisiologista Karina Alécio, essa quantidade

não é necessariamente ruim, considerando

que esse é o número próximo ao de países como o Canadá, onde o monitoramento intra-

monitoração neurofisiológica intra-operatória,

meio de gráficos que fazem o papel de captores das atividades das áreas de risco. Desta forma, músculos, nervos, cérebro e até a medula são ligados a aparelhos médicos, por meio de ele-

trodos que, por sua vez, são lidos e interpretados por meio de registros gráficos.

lificados para sua realização já se assemelha ao

problema da má distribuição de médicos pelo território nacional. “Se em cada estado brasilei-

ro houvesse ao menos dois médicos aptos a

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extremamente importante. Nesse e nos de-

mais casos, a ausência de um mapeamento em tempo real viabiliza a ocorrência de lesões que,

se não forem detectadas a tempo, tendem a progredir sem o conhecimento do cirurgião.

Custo benefício

Embora os custos de uma monito-

ração intraoperatória ainda sejam dispendio-

sos para o paciente que se submeta a esse procedimento na rede particular de saúde,

seus benefícios justificam sua utilização. “Os gastos que uma pessoa portadora de uma

lesão permanente tem ao longo de sua vida são muito altos para o estado, para ela e,

muitas vezes, para terceiros. Mas a possibilidade de ser submetido a uma cirurgia com

o acompanhamento monitorado, o que di-

minui no mínimo em 50% a chance de uma sequela pós-cirúrgica, não tem preço”, argumenta Dra. Karina.

Segundo a neurofisiologista, a ten-

passem a disponibilizar esse procedimento

compreendem algumas das técnicas de moni-

divulgados. Mas a média de profissionais qua-

nas quais o acompanhamento monitorado é

(contínua e estimulada) e eletroencefalogramas

siológico durante cirurgias tem sido praticado

apesar de haverem relatos anteriores menos

procedimentos que envolvem áreas neuronais

dência é que a medicina de grupo, represen-

miografia, potenciais evocados, eletromiografias

de forma mais ampla há mais de cinco anos,

matismos de nervos periféricos estão entre os

Procedimentos como a eletroneuro-

operatório é realizado há quase trinta anos.

No Brasil, o monitoramento neurofi-

Cirurgias para tratamento de Mal de

Parkinson, epilepsia, hérnia de disco, escoliose,

exemplo, podem apresentar problemas que

sequela pós-cirúrgica – estatística média alcan-

Indicações

iminuir a incidência de sequelas

toramento neurofisiológicas que permitem o

acesso contínuo às informações das estruturas

alvo, em tempo real. No entanto, para que o

procedimento seja realizado de forma segura e, principalmente, traga o benefício de detectar, de

forma precoce, possíveis danos, ele deve ser realizado por um corpo clínico habilitado.

tada pelas operadoras de planos de saúde,

nos seus pacotes de serviços. A médica explica também que, na outra esfera, profissionais

habilitados movimentam-se para que haja uma reestruturação que permita a implantação definitiva da monitoração intra-operató-

ria na rede pública de saúde do Brasil. “Isso provavelmente será feito em âmbito federal, por meio do Ministério da Saúde”, explica.


A

artigo

PUNIR OU NÃO PUNIR

Eis a questão Dra. Karina Alécio

Emprestamos a célebre frase de W. Shakespeare para trazer à baila assunto há muito questionado por filósofos, professores, psicólogos e outros, no que se refere a como impedir uma atitude indesejada por parte de indivíduos, tomando por parâmetro os conceitos de bom convívio preconizados pela sociedade. Trata-se de evitar que estes indivíduos desobedeçam a leis, normas, códigos, convenções benéficas e respeitem os demais membros da sociedade. O quadro hoje apresentado é que a infração de leis, ordens sociais e convenções em geral, têm como conseqüência maciça a punição; ou como forma de coerção ou, meramente, para oferecer exemplos a outros que tenham o desejo de incorrer no mesmo delito, a fim de diminuir a atitude indesejada ou anular sua intenção. A coerção, que envolve processos comportamentais como punição e até mesmo reforçamento negativo, está muito presente na vida do ser humano, mesmo sem que ele a perceba. Mas a pergunta que não quer calar: Coagir/punir de forma leve ou severa, levará ao resultado esperado? O indivíduo aprenderá a “lição”, modificando o seu comportamento e o seu cotidiano? Evitará que cometa erros no futuro? As opiniões de estudiosos e profissionais são díspares; alguns acreditam que a coerção é a melhor forma de resolver todos os problemas, que deve ser adotada em todas as áreas. Outros, porém, dentre eles o psicólogo B. F. Skinner, são contra; por terem estudado o fenômeno e verificado que a punição pode ser apenas uma forma paliativa de resolver problema, pois os indivíduos podem, de imediato, evitar emitir o comportamento já punido, o que não significa mudança permanente. Neste processo é possível que o indivíduo passe a buscar formas de evitar ser punido, como o desenvol-

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vimento de técnicas para não ser descoberto e, em conseqüência, não sofrer sanções. O comportamento punido não é esquecido, é suprimido. Essa supressão, apenas temporária, geralmente reforça (negativamente) o comportamento do punidor, pois elimina um comportamento com propriedades aversivas logo após a intervenção do agente punidor. Em outras palavras, a punição para o comportamento que se deseja suprimir, é reforçadora para quem a aplica. Como exemplo, temos a seguinte situação cotidiana: A criança diz um palavrão, o pai ou a mãe repreendem ou dão uma palmada e a criança pára, momentaneamente, de falar palavrões. O efeito imediato da punição pode fazer parecer que a palmada foi um procedimento bem sucedido, reforçando o comportamento do punidor; porém, o comportamento punido pode reaparecer em cenários “seguros”, longe dos pais ou outros agentes punidores. O indivíduo deixa de realizar aquele ato em circunstâncias semelhantes, ou seja, na presença do punidor e fica à espera de uma chance para fazer

o mesmo numa circunstância na qual a probabilidade de ocorrência da conseqüência indesejada (a punição) seja diminuída. Obviamente que o fato depende do que cada indivíduo tem como visão do que é certo e errado, o que nem sempre impede do comportamento ser emitido. Para crianças, por exemplo, “matar aula” para ir brincar, não é um problema. Para a criança, o que importa é que ela vai poder brincar, apesar de, eventualmente, saber que é errado e que, ao ser descoberta, provavelmente, será punida. Em suma, as pessoas de qualquer idade podem ter consciência de que determinada atitude é errada e, ainda assim, executá-la. É claro que não se pode estabelecer uma sociedade, uma ordem, com preservação da integridade e direito dos cidadãos, se não existir uma forma de controle. O que se coloca em discussão é qual seria a melhor maneira de controle, e de evitar o descumprimento de tal ordem, de modo a não solapar os direitos dos cidadãos, tal como comumente ocorre. O que se observa é que a coerção não muda o indivíduo,


apenas o obriga ou o ensina a discriminar/ diferenciar em que situações a ordem pode ser burlada. As mudanças ocorridas ao longo das gerações, a modernidade, a observação do cotidiano e a mídia relatando a todo o momento que muitas pessoas cometem erros muito graves e que muitos, apesar de não agirem dentro da lei, conseguem “status”, prestígio e conforto, mostra que tais indivíduos conseguiram maneiras eficazes de evitar a punição. Indo além, fornecem exemplo para que muitos busquem encontrar benesses utilizando a mesma fórmula. Qual a vantagem em viver com o ideal de honestidade, de respeito ao próximo, agindo de forma ética e correta, sem pesos e medidas diferenciados para diferentes indivíduos; se tantos fazem o contrário e obtém benefícios, estando a salvo de qualquer conseqüência aversiva ou punição? Ao contrário, obtém reforço positivo! O que pode ser feito para conseguir, eficazmente, mudar este quadro? É necessário que a ética e o comportamento ético sejam reforçados positivamente e não o seu contrário! O indivíduo deve ter seu comportamento valorizado ao ter atitudes corretas, para aumentá-las em frequência e para respeitar os demais, dentro dos preceitos preconizados pelo bom senso, pelas leis e pela sociedade. Civilidade, urbanidade e altruísmo devem passar a obter mais conseqüências positivas do que o arrivismo, o egocentrismo, as falsas denúncias e as “armações” contra cidadãos que se insurgem contra uma ordem “às avessas”. Exemplos de ética que seja bem sucedida (ao invés de punida) terão mais chances de serem seguidos se obtiverem

mais “recompensas” do que os exemplos de sua ausência, como bem esclarecem ditos populares tais como: “salve-se quem puder”; “manda quem pode e obedece quem tem juízo”; “em terra de cego quem tem um olho é rei”; “os fins justificam os meios”; entre outros. Buscar evidenciar exemplos bem sucedidos de um modo de vida correto e com realizações, êxito, sucesso, reconhecimento perante a sociedade, aumenta a chance de outros, que buscam o reconhecimento dos mesmos valores, emitam comportamentos da mesma classe. Trata-se de mostrar, voltando a utilizar outra frase popular, que “o crime não compensa”. Isso pode ocorrer em todos os níveis da sociedade, na vida, no lar, no trabalho, na escola, no convívio cotidiano com os demais e em qualquer lugar onde existem pessoas. No que tange à educação, estes métodos, conhecidos na psicologia científica como “reforçamento positivo” e “modelação” de comportamento (comportamento ético, no caso) podem ser um dos princípios a serem integrados no mundo do professor e demais membros de instituições educacionais, bem como, em qualquer esfera da sociedade. É necessário reforçar positivamente o aluno de forma contingente às suas ações. As crianças, tal como os demais seres humanos, compreendem com mais facilidade as instruções claras e as consequências positivas a ações específicas, do que as nebulosidades, contradições e os métodos educacionais coercitivos, baseados em reforço negativo e punição. É muito mais eficaz e agradável trabalhar com o reconhecimento, com o elogio sincero, pa-

rabenizando a atitude correta, alimentando a crença de que pode ser mais gratificante agir dentro da ética, no que diz respeito ao ambiente escolar ou em qualquer outro. É necessário deixar de dar atenção somente ao que é inadequado e dar atenção contingente à adequação. Flagre as pessoas fazendo alguma coisa certa, boa, adequada e as elogie por isso! É muito mais eficaz que apenas dar atenção ao que é considerado errado por um determinado grupo ou pela sociedade em geral. Os indivíduos reforçados positivamente tendem a repetir as ações que foram reforçadas no passado, simples assim! Ter este reconhecimento “aquece os corações”, pois se ganha em função de algo que se mereceu ganhar. Isto é o que deveria ser considerado, divulgado e praticado por aqueles que hoje têm ou que tiveram a oportunidade de ler, discutir, enfim; ter acesso a esse conhecimento cientificamente validado, a ser espalhado aos quatro ventos. Uma medida simples como essa contribui para que a sociedade e as pessoas que dela fazem parte possam ter a chance de acreditar na possibilidade de mudança e contribuir para um futuro de homens com atitudes éticas, onde o respeito ao outro e às leis prevaleça. Isso é possível, apesar de muito estarem convencidos do contrário. Mais vale respeitar para ser respeitado, para ver comportamentos pautados em valores saudáveis, do que conseguir o que ser quer ou precisa por meio de punição, sabendo que o que se consegue, neste caso, é medo e não respeito; evitação de conseqüências aversivas e não mudança de comportamento e de valores.


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notícias medicando

Neurofeedback ganha popularidade e chama a atenção dos laboratórios

Sente-se em uma cadeira, de frente para a tela de um computador, enquanto o médico coloca eletrodos em seu couro cabeludo, fixados por uma gosma viscosa que levará dias para sair do cabelo. Os fios presos aos sensores estão conectados a um computador programado para responder à atividade de seu cérebro. Tente relaxar e se concentrar. Se o seu cérebro se comportar conforme desejado, aparecerão sons suaves e efeitos visuais, como imagens da explosão de estrelas ou um campo de flores. Caso contrário, você obterá o silêncio, uma tela escura e flores murchas. Isso é neurofeedback, uma espécie de biofeedback para o cérebro o qual, segundo os médicos, pode tratar uma série de doenças neurológicas - entre elas o transtorno de déficit de atenção por hiperatividade, a depressão, a ansiedade e o autismo - permitindo que os pacientes alterem suas ondas cerebrais através da prática e repetição. O procedimento é polêmico, caro e demorado. Um período médio de tratamento, composto por pelo menos 30 ses-

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sões, pode custar US$ 3.000 ou mais, e são poucos os planos de saúde que oferecem cobertura. Apesar disso, sua popularidade vem crescendo. Cynthia Kerson, diretora executiva da Sociedade Internacional de Neurofeedback e Pesquisa, um grupo de apoio aos profissionais deste campo da medicina, estima que 7.500 profissionais de saúde mental nos Estados Unidos já oferecem o procedimento e que mais de 100.000 americanos experimentaram o tratamento na última década. O tratamento também tem chamado a atenção de pesquisadores renomados, inclusive alguns que já foram céticos sobre o assunto. O Instituto de Saúde Mental dos Estados Unidos patrocinou recentemente seu primeiro estudo de neurofeedback para o TDAH (transtorno de déficit de atenção por hiperatividade): um estudo de meta-análise com 36 indivíduos. Os resultados serão anunciados no dia 26 de outubro, durante o congresso anual da Academia Americana de Psiquiatria Infantil e Adolescente.

Em uma entrevista recente, Eugene L. Arnold, diretor do estudo e professor emérito de psiquiatria na Universidade Estadual de Ohio, disse que já foi observada “uma boa melhora” no comportamento de muitas crianças, conforme relatado por pais e professores. Arnold afirmou que se os resultados provarem que o neurofeedback faz a diferença, ele vai buscar financiamento para um estudo mais amplo, com cerca de 100 indivíduos. John Kounios, professor de psicologia da Universidade de Drexel, publicou um pequeno estudo em 2007, sugerindo que o tratamento acelera o processo cognitivo em idosos. “Não há dúvida de que o neurofeedback funciona, de que as pessoas podem alterar a atividade cerebral”, diz. “As grandes questões ainda não respondidas dizem respeito ao modo como ele funciona e como ele pode ser usado para tratar doenças.” Russell A. Barkley, professor de psiquiatria na Universidade de Medicina da Carolina do Sul e especialista em déficit de atenção, negou por muito tempo que o neurofeedback pudesse ajudar. Barkley diz que foi convencido a reconsiderar depois que cientistas holandeses publicaram uma análise de estudos internacionais recentes, em que foram encontradas reduções significativas na impulsividade e falta de atenção. Mesmo assim, o médico afirma que ainda precisa de provas mais convincentes de que tais benefícios sejam duradouros ou permanentes. Outro conhecido especialista desaprova ainda mais o neurofeedback. William E. Pelham Jr., diretor do Centro para Crianças e Famílias da Universidade Internacional da Flórida, considera o neurofeedback um “charlatanismo maluco”. Ele adverte que as alegações exageradas em favor deste tipo de tratamento podem levar os pais a favorecê-lo em detrimento de opções comprovadas, como a terapia comportamental e a medicação.


História O neurofeedback foi desenvolvido nas décadas de 60 e 70 por pesquisadores americanos. Em 1968, M. Barry Sterman, neurocientista da UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles), relatou que o tratamento fez com que gatos resistissem a ataques epilépticos. Mais tarde, Sterman e outros cientistas afirmaram terem conseguido benefícios semelhantes com seres humanos. As descobertas despertaram o interesse de médicos de diferentes graus de respeitabilidade, o que causou alegações sem provas sobre curas milagrosas e manchou a reputação do tratamento entre especialistas acadêmicos. Ao mesmo tempo, pesquisadores da Alemanha e da Holanda continuaram a explorar os benefícios potenciais do neurofeedback. Um dos grandes atrativos da técnica é a esperança de que ela possa ajudar os pacientes a evitarem as drogas, as quais geralmente causam efeitos colaterais. Em vez disso, os pacientes seguem procedimentos parecidos com exercícios musculares. Os neurônios se comunicam uns com os outros através de constantes impulsos elétricos. Seus padrões aparecem em um eletroencefalograma, ou EEG, mostrando as ondas cerebrais em diferentes frequências. Os especialistas em neurofeedback dizem que as pessoas têm problemas quando suas frequências de ondas cerebrais não são adequadas para determinada tarefa, ou quando algumas partes do cérebro não se comunicam adequadamente com outras. Estes casos podem ser demonstrados em um “mapa do cérebro”, as leituras ini-

ciais de EEG que servem como um guia para o tratamento. Posteriormente, um médico vai ensinar o paciente a desacelerar ou acelerar as ondas cerebrais, através de um processo conhecido como condicionamento operante. O cérebro começa a gerar padrões aleatórios, enquanto o software responde com incentivo sempre que a atividade atinge a meta.

Norman Doidge Psiquiatra do Centro de Treinamento e Pesquisa Psicanalítica da Universidade de Columbia e autor do livro “The Brain That Changes Itself ” (Viking, 2007), diz que considera o neurofeedback “um poderoso estabilizador do cérebro”. Outros médicos fazem declarações ainda mais entusiasmadas. Robert Coben, neuropsicólogo em Massapequa Park, Nova York, disse ter tratado mais de 1.000 crianças autistas durante os últimos sete anos e realizou um estudo clínico em que observou grandes reduções nos sintomas, observadas também pelos pais das crianças. Enquanto os médicos fazem lobby para a aceitação do neurofeedback, inclusive junto aos planos de saúde, um sinal claro da popularidade crescente do tratamento é o número de empresas que passaram a vender supostos sistemas de alteração da mente para uso doméstico. Através do uso de marcas como “SmartBrain Technologies” e “Learning Curve Incorporated”, as empresas oferecem equipamentos para “bombear neurônios” e “provocar mudanças permanentes de atenção, memória, humor, controle, dor, sono e muito mais.” A FDA (agência americana que controla alimentos e medicamentos) considera todos os equipamentos de biofeedback dispositivos médicos. No entanto, eles são

aprovados apenas para o “relaxamento”. Peter Freer, ex-professor de escola primária e diretor executivo de uma empresa da Carolina do Norte chamada “Unique Logic and Technology”, diz que desde que iniciou as atividades em 1994 já vendeu milhares de sistemas “Play Attention”, que prometem melhorar a concentração, o comportamento e o desempenho social e acadêmico das crianças.

O equipamento US$1.800, é anunciado como “um avanço sofisticado de neurofeedback”. Freer conta que mais de 600 escolas fazem parte de seus clientes. Ele diz que o sistema, diferente do neurofeedback “clínico”, não visa alterar as ondas cerebrais, e sim colocar o usuário em “estado atento”, que facilita a aprendizagem.

O neurofeedback

Em geral não é bem regulamentado. Os médicos muitas vezes seguem seus próprios protocolos sobre onde colocar os eletrodos no couro cabeludo. Os resultados variam amplamente e os pesquisadores advertem que é extremamente importante a escolha de um bom médico. Em relação aos dispositivos atuais, Kerson adverte que eles nunca devem ser usados sem a supervisão de especialistas. “Muitas vezes o que as pessoas fazem é encontrar uma maneira de conseguir uma dessas máquinas no eBay e usá-las em casa”, explica ela, acrescentando que o uso não qualificado pode interferir com medicamentos, causar ataques de ansiedade ou até mesmo convulsões. “Neurofeedback é uma terapia poderosa. E é assim que deve ser tratado”, diz.


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notícias medicando

Movimentos estimulam mulheres a realizarem

exame de câncer de mama As campanhas de conscientização têm sido as principais armas utilizadas na luta contra o câncer de mama. Por meio delas as mulheres são orientadas acerca da importância de realizar periodicamente o exame que detecta a doença que, se tratada em seu estágio inicial, propicia melhores resultados às pacientes. O movimento internacional “Outubro Rosa”, iniciativa que surgiu na Califórnia, nos Estados Unidos, em 1997, é uma dessas ações que, felizmente, já estão presentes em várias partes do mundo. Ao iluminar com holofotes cor-derosa alguns dos principais monumentos internacionalmente famosos, o movimento Outubro Rosa visa chamar a atenção para alertar a população mundial acerca da importância de se obter um diagnóstico precoce do Câncer de Mama, assim como da necessidade de se garantir o acesso ao seu tratamento a todas as mulheres. No Brasil, o movimento vem ganhando cada vez mais espaço e já conta com o importante reforço do “Dia Rosa”, evento que antecede as ações de outubro e lança oficialmente a campanha em diferentes datas de várias capitais, dentro e fora do país. Nesse dia, palestras são ministradas por médicos especialistas que, além de falar sobre as formas de tratamento da doença, explicam a importância do diagnóstico precoce. No último dia 17 foi a vez de Brasília receber o movimento pela primeira vez, cujo evento de abertura foi realizado na multimarcas “Magrela”, localizada no bairro Lago Sul. Recepcionados pelas madrinhas do movimento da cidade, Maria Pia Marcondes Ferraz Venâncio e Mara Amaral, o ginecologista e mastologista Ruffo de Freitas Junior, juntamente com o cirurgião plástico Múcio Porto, falaram sobre os últimos estudos relacionados ao câncer de mama no Brasil. “É uma grande honra para nós termos recebido o convite do patrocinador do evento para sermos madrinhas desse movimento aqui em

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Brasília”, comemora Mara Amaral, que teve sua opinião endossada pela amiga Maria Pia. “Abraçamos a causa porque entendemos que é necessário, uma vez por ano, realizarmos o exame. Não podemos ter medo, pois ele pode salvar nossas vidas”, diz. De acordo com o Dr. Ruffo de Freitas, as estimativas apontam que só este ano cerca de 50 mil mulheres serão diagnosticadas com câncer de mama. Segundo o mastologista, dentre os casos levantados, cerca de 90% têm chances reais de cura. “Esse número é altíssimo, considerando, é claro, que esse é o tipo de câncer com maior possibilidade de cura. Por isso afirmo que mobilizações como esta estão salvando vidas”, considera. Embora admita que, apesar dos avanços, ainda é preciso melhorar as técnicas de tratamento da doença, o mastologista comemora o fato de os procedimentos atuais permitirem que um número significativo de mulheres não apenas sejam curadas, mas que sofram menos com as cirurgias de remoção do tumor. No entanto, o mastologista lembra que quanto mais cedo o diagnóstico da

doença é feito, maiores são as chances de um tratamento bem sucedido. “Há lugares do país onde a escassez de aparelhos para detecção da doença contribui para que em muitos casos a doença seja descoberta em estágios muito avançados”, alerta Dr. Ruffo. Para ele, essa ausência de estrutura enfrentada por alguns estados dificulta tanto a descoberta do tumor quanto a realização de um tratamento apropriado para muitas mulheres. “Hoje dispomos de tecnologias suficientes para detectar a doença em seu estado inicial, por isso é inadmissível que ainda tenhamos tantas mulheres sendo diagnosticadas quando os tumores já se encontram muito desenvolvidos”, afirma. A possibilidade de ter números cada vez maiores de diagnósticos precoces da doença e, em decorrência disso, diminuir o número de mulheres que tenham de enfrentar a temida reconstituição mamária, está entre as expectativas de profissionais, cujo campo de atuação engloba esse tipo de cirurgia. “Vou adorar quando chegar o dia em que eu não tiver mais pacientes em busca da reparação de um dano”, afirma o cirurgião plástico, Múcio Porto.


N

notícias medicando

Remédio mais vendido para diabetes

é proibido no país

Após ser banido na Europa e sofrer várias restrições nos Estados Unidos, no início deste mês, o medicamento Avandia tem sua venda proibida no Brasil. A determinação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), anunciada ontem, baseia-se em estudos que demonstraram que o medicamento, utilizado em tratamento de diabetes do tipo 2, traz sérios riscos para a saúde. O Avandia hoje é a droga mais vendida para tratamento da diabetes tipo 2 no mundo. A agência reguladora europeia proibiu sua comercialização devido às evidências de que ela aumenta riscos de infarto. Pelo mesmo motivo, a FDA (órgão regulador norteamericano), condicionou sua venda com algumas restrições.

Após uma junta de especialistas norte-americanos votarem pela permanência do Avandia no mercado, sob restrições, a FDA determinou que os pacientes só recebam uma receita do remédio se conseguirem controlar os níveis de taxa de açúcar no sangue por meio de outros medicamentos. Além disso, para prescrever o Avandia, o médico responsável deve emitir um documento ates-

tando ciência dos riscos a que o paciente está submetido ao fazer uso desta medicação. A exemplo da Europa, a Anvisa decidiu proibir a venda do Avandia no Brasil, que deve ser recolhido em todo o país pelo laboratório fabricante. Além dos riscos de infarto do miocárdio, que motivou as medidas adotadas nos demais países, a determinação da agência brasileira é orientada por estudos que também associam a medicação a outros problemas, como insuficiência cardíaca e derrame. Com o fim da comercialização do Avandia, a Anvisa orienta que os pacientes que fazem uso deste medicamento procurem seu médico para que seja realizada a mudança no tratamento.


Cirurgia para redução de estômago

na adolescência pode ser prejudicial à saúde

O

crescente número de cirurgias bariátri-

da Silva, que, no entanto, reconhece a neces-

das em adolescentes no Brasil tem sido

cas (para redução de estômago) realiza-

alvo da preocupação de muitos profissionais. Di-

ante desse cenário, médicos alertam para os peri-

gos decorrentes desse procedimentos que, nos jovens, pode acarretar problemas irreversíveis.

Além dos riscos cirúrgicos, disfunções nutricio-

nais e psiquiátricas englobam a lista dos possíveis malefícios decorrentes desta prática.

De acordo com a Sociedade Brasileira

de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, cinco por cento das 30 mil cirurgias para redução de es-

tômago realizadas no país são feitas em jovens com menos de 20 anos. Isso porque, de acordo com a legislação brasileira, esse procedimento só é autorizado em pacientes a partir dos 16 anos de

idade, com Índice de Massa Corporal (IMC) acima

de 40 e acompanhado, obrigatoriamente, de doenças como diabetes e hipertensão.

Muitos especialistas não apenas de-

fendem a prática dessas cirurgias como acreditam que a tendência é que elas aumentem, sobretudo devido ao constante aperfeiçoamento

das técnicas. Na outra esfera, contudo, encontram-se médicos preocupados com os sérios

problemas que essas intervenções podem resultar em jovens que ainda se encontram em fase de crescimento.

“Podemos estar trocando uma doen-

ça crônica, por outra, sem saber o que vai acon-

tecer mais tarde”, pondera Rosana Radominsk, presidente da Associação Brasileira para Estudos da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso). Mas a falta de dados em relação aos efeitos em longo prazo contribui tanto para a polêmica

da questão quanto para o aumento de indicações dessas intervenções em adolescentes.

Em meio às dúvidas, o avanço das

técnicas, o crescente aumento de obesos no país e a falta de referência quanto aos possíveis problemas provenientes dessa prática contribuem para os argumentos de defesa desse procedimento. “Sabemos dos riscos da obesidade. A cirurgia é uma opção que vale a pena”,

defende o integrante da Sociedade Brasileira

de Endocrinologia pediátrica Paulo César Alves

sidade de se discutir diretrizes.

Do outro lado, profissionais defen-

dem a adoção de tratamentos menos agressivos como forma de evitar as intervenções

cirúrgicas. “Mutilar o aparelho digestivo em que está em crescimento não é bom. Antes de

partir para a cirurgia, eu tentaria o tratamento clínico para emagrecer pelo menos duas vezes”, afirma o pediatra e nutrólogo Fábio An-

cona Lopes, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

De acordo com os especialistas,

em decorrência da cirurgia bariátrica, podem

ocorrer complicações como broncopneumonia, embolia pulmonar, vazamento do tubo digestivo, dentro da cavidade abdominal –

caso algum ponto não cicatrize direito – e até hemorragia. Há riscos também de reações

pós-cirúrgicas tais como depressão, transtorno bipolar e bulimia, que se enquadram entre os

riscos psiquiátricos, além dos que podem ser mascarados pelas cirurgias como distúrbios alimentares e de ansiedade.

Riscos neurológicos também são

apontados pelos médicos, que se preocupam com problemas como a ocorrência de deficiência de nutrientes no organismo. A pos-

sível falta de vitamina B1, por exemplo, pode causar alteração ocular, como visão dupla que,

se não tratada, provoca alterações irreversíveis

da memória recente. Já a falta de vitamina B12 prejudicaria o sistema nervoso cerebral, causando apatia, falta de coordenação motora, déficit de memória e demência.

Outras

disfunções,

igualmente

prejudiciais, que podem surgir em decorrência da prática da redução de estômago, são a

diminuição do ácido fólico (B9) e da vitamina B6, que pode levar à ocorrência de neuropatia

periférica (perda sensorial) e fraqueza muscular

nas extremidades do corpo. Também há o risco da insuficiência de proteínas, que prejudica a

construção e regeneração dos tecidos e a deficiência de vitamina D que, dentre outros graves

malefícios, acelera a perda de massa óssea e o desenvolvimento de anemia crônica

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saúde em movimento

O que são Drogas Psicotrópicas Todo mundo já tem uma idéia do significado da palavra droga. Em linguagem comum, de todo o dia (“Ah, mas que droga”, ou “logo agora, droga...” ou ainda, “esta droga não vale nada!”) droga tem um significado de coisa ruim, sem qualidade. Já em linguagem médica, droga é quase sinônimo de medicamento. Dá até para pensar porque uma palavra designada para apontar uma coisa boa (medicamento; afinal este serve para curar doenças), na boca do povo tem um significado tão diferente. O termo droga teve origem na palavra droog (holandês antigo) que significa folha seca; isto porque antigamente quase todos os medicamentos eram feitos à base de vegetais. Atualmente, a medicina define

Mais complicada é a seguinte palavra: psicotrópico. Percebe-se claramente que ela é composta de duas outras: psico e trópico. Psico é fácil de se entender, pois é uma palavrinha grega que significa nosso psiquismo (o que sentimos, fazemos e pensamos, enfim o que cada um é). Mas trópico não é, como alguns podem pensar, referente a trópicos, clima tropical e, portanto, nada tem a ver com uso de drogas na praia! A palavra trópico aqui relaciona-se com o termo tropismo que significa ter atração por. Então psicotrópico significa atração pelo psiquismo e drogas psicotrópicas são aquelas que atuam sobre o nosso cérebro, alterando de alguma maneira o nosso psiquismo.

Mas estas alterações do nosso psiquismo não são sempre no mesmo sentido e direção. Obviamente elas dependerão do tipo de droga psicotrópica que foi ingerida. E quais são estes tipos? Um primeiro grupo é aquele de drogas que diminuem a atividade do nosso cérebro, ou seja, deprimem o funcionamento do mesmo, o que significa dizer que a pessoa que faz uso desse tipo de droga fica “desligada”, “devagar”, desinteressada pelas coisas. Por isso estas drogas são chamadas de Depressoras da Atividade do Sistema Nervoso Central (SNC - sistema nervoso central é a parte que fica dentro da caixa craniana; o cérebro é o principal órgão deste sistema.

droga como sendo: qualquer substância que é capaz de modificar a função dos organismos vivos, resultando em mudanças fisiológicas ou de comportamento. Por exemplo, uma substância ingerida contrai os vasos sangüíneos (modifica a função) e a pessoa passa a ter um aumento

de pressão arterial (mudança na fisiologia). Outro exemplo, uma substância faz com que as células do nosso cérebro (os chamados neurônios) fiquem mais ativas, “disparem” mais (modificam a função) e como conseqüência a pessoa fica mais acordada, perdendo o sono (mudança comportamental).


Num segundo grupo de drogas psicotrópicas estão aquelas que atuam por aumentar a atividade do nosso cérebro, ou seja, estimulam o funcionamento fazendo com a pessoa que se utiliza dessas drogas fique “ligada”, “elétrica”, sem sono. Por isso essas drogas recebem a denominação de Estimulantes da Atividade do Sistema Nervoso Central. Finalmente, há um terceiro grupo, constituído por aquelas drogas que agem modificando qualitativamente a atividade do nosso cérebro; não se trata, portanto, de mudanças quantitativas como de aumentar ou diminuir a atividade cerebral. Aqui a mudança é de qualidade! O cérebro passa a funcionar fora do seu normal, e a pessoa fica com a mente perturbada. Por esta razão este terceiro grupo de drogas recebe o nome de Perturbadores da Atividade do Sistema Nervoso Central. Resumindo, então, as drogas psicotrópicas podem ser classificadas em três grupos, de acordo com a atividade que exercem junto ao nosso cérebro: 1. Depressores da Atividade do SNC; 2. Estimulantes da Atividade do SNC; 3. Perturbadores da Atividade do SNC.

Esta é uma classificação feita por cientistas franceses e tem a grande vantagem de não complicar as coisas com a utilização de palavras difíceis, como geralmente acontecem em medicina. Mas se alguém achar que palavras complicadas, de origem grega ou latina tornam a coisa mais séria ou científica (o que é uma grande besteira) abaixo estão algumas palavras sinônimas: 1. Depressores - podem também ser chamadas de psicolépticos; 2. Estimulantes - recebem também o nome de psicoanalépticos, noanalépticos, timolépticos, etc; 3. Perturbadores ou psicoticomiméticos, psicodélicos, aluginógenos, psicometamórficos, etc. As principais drogas psicotrópicas, e que são usadas de maneira abusiva, de acordo com a classificação mencionada aqui, estão relacionadas abaixo:

Depressores da Atividade do SNC - Álcool; - Soníferos ou hipnóticos (drogas que pro-

movem o sono): barbitúricos, alguns benzodiazepínicos; - Ansiolíticos (acalmam; inibem a ansiedade). As principais drogas pertencentes a essa classificação são os benzodiazepínicos. Ex.: diazepam, lorazepam, etc; - Opiáceos ou narcóticos (aliviam a dor e dão sonolência). Ex.: morfina, heróina, codeína, meperidina, etc; - Inalantes ou solventes (colas, tintas, removedores, etc.).

Estimulantes da Atividade do SNC - Anorexígenos (diminuem a fome). Principais drogas pertencentes a essa classificação são as anfetaminas. Ex. dietilpropriona, femproporex, etc; - Cocaína.

Perturbadores da Atividade do SNC - de origem vegetal: mescalina (do cacto mexicano) THC (da maconha) psilocibina (de certos cogumelos) lírio (trombeteira, zabumba ou saia branca) - de origem sintética:LSD-25.

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saúde em movimento

Carboidratos, Gorduras e Proteínas CARBOIDRATO

São moléculas compostas de carbono, hidrogênio e oxigênio, em proporções constantes de 2:1 desse dois últimos átomos, daí seu nome: carbo (carbono) + hidrato (água). Esse macronutriente tem sua digestão iniciada na boca e é absorvido no intestino em suas formas mais simples, caindo na circulação sangüínea. Diante de altos índices de glicose (forma mais abundante de carboidrato) é iniciada a liberação de insulina, a qual vai mediar o processo de absorção de algumas moléculas, dentre elas a glicose e os lipídios, vê-se então a primeira maneira através da qual a ingestão de carboidratos pode levar a hipertrofia e ao aumento do acúmulo de gordura. Todos os 3 macronutrientes (carboidratos, gorduras e proteínas) são compostos basicamente de carbono, hidrogênio e oxigênio, à exceção das proteínas, que também possuem nitrogênio. O que dá a cada substância propriedades únicas é a disposição de suas ligações químicas e a proporção entre seus átomos. Após a “quebra” dos alimentos restam moléculas que podem ser usadas na ressíntese de vários tecidos, dependendo da demanda metabólica e da oferta nutricional. É como se seu corpo tivesse limitados tipos de peças e a partir delas montasse

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inúmeros quebra-cabeças. O problema é que seu corpo tem preferência por um tipo de quebra-cabeça e sua capacidade de montar outros tipos é limitada, só ocorrendo quando é estritamente necessário. Agora vêm a má notícia, o quebra-cabeça preferido de seu corpo é a ... (pausa dramática)... gordura. As outras formas, como glicogênio e proteínas musculares, podem ser induzidas pelas atividades físicas, porém sofrem sérias limitações.

Dicas sobre a ingestão de carboidratos:

Escolha os alimentos pelo índice glicêmico: a magnitude da elevação dos níveis de glicose sangüínea induzida por determinado alimento é denominada índice glicêmico, e quanto maior for o índice glicêmico, maior será a liberação de insulina.

Em diversas ocasiões estes picos de insulina são interessantes, mas dificilmente serão bem-vindos para quem deseja reduzir o percentual de gordura. Frutas e alimentos ricos em fibras geralmente produzem menores respostas glicêmicas, Sears (autor do Ponto Z) é mais radical e recomenda frutas inteiras ao invés de sucos, visto que as fibras se encontram na polpa e não no caldo. Aproveite o momento: depois do exercício temos um período de poucas horas onde os carboidratos podem ser bem absorvidos através de um processo independente da insulina, visto que as contrações musculares induzem a migração da proteína GLUT-4 para a superfície celular, fazendo desta uma boa hora para se ingerir carboidratos (MacLean et al, 2000; . Outro momento favorável é após despertar, pois passamos várias horas em jejum devido ao sono, favorecendo um processo catabólico mediado pelo cortisol, o qual tem sua liberação inibida pelos níveis sangüíneos de insulina. Evite o momento: altas taxas de glicemia inibem a liberação de hormônio do crescimento, o qual tem picos significativos durante o sono. Quando objetiva-se reduzir o percentual de gordura, a recomendação é estabelecer um intervalo maior que quatro horas entre a última refeição composta de carboidratos e a hora de dormir, para que não ocorra prejuízo dos picos de GH. Esta é uma recomendação controversa e muito discutível na prática, porém há quem a defenda com muito afinco. Coma de acordo com suas necessidades: qualquer macronutriente em excesso, seja ele qual for, ocasionará acúmulo de gordura corporal, lembre-se dos quebracabeças, seu corpo é muito limitado para acumular proteínas e carboidratos, mas não para acumular gordura. Existem autores que defendem alta ingestão de carboidratos, outros defendem baixa, ou até mesma nula, e alguns preconizam o equilíbrio, com quantidades equivalentes entre carboidrato e gordura. Paradoxalmente, todos estão certos e errados ao mesmo tempo. Há pessoas mais sensíveis que produzem respostas de insulina


exageradas, portanto devem ter cuidado com carboidratos. Muitos organismos não suportam concentrações elevadas de corpos cetônicos geradas pela “abstinência”, devendo equilibrar a ingestão de glicidios. Por sua vez, dietas ricas em proteínas são desaconselháveis para portadores de disfunções renais. Talvez a propagação destas dietas “revolucionárias” tenha mais interesse financeiro do que humano, tanto que seus gurus são invariavelmente autores de best-sellers e engordam sua conta bancária utilizando poderosas estratégias de marketing. Nem todas as dietas são agradáveis, minha recomendação é que se encontre o método mais conveniente dentro das limitações fisiológicas e psicológicas de cada indivíduo, lembrando de variar o cardápio e até mesmo o tipo de dieta, para evitar a monotonia e o platô desencadeado pela adaptação metabólica.

Gorduras - digestão, absorção e metabolismo Os lipídeos compõem-se de átomos de carbono, hidrogênio e oxigênio, e são indispensáveis à diversas estruturas celulares e vias metabólicas, estando presentes em diversas formas no corpo humano, com destaque para: triglicérides, colesterol e ácidos graxos.

Digestão e absorção

Mais de 90% de nossa ingestão de lipídeos é feita sob a forma de triglicérides (compostos de três moléculas de ácidos graxos e uma de glicerol). Depois de ingeridas, as gorduras chegam ao duodeno praticamente inalteradas. No duodeno libera-se a colicistocinina que induz a contração vesicular, resultando na excreção da bile, e promovendo a liberação do suco pancreático, rico em lipase, enzima que fraciona a gordura em partículas menores.

Os produtos da digestão de triglicérides (ácidos graxos, monoglicerídeos, poucas quantidade de glicerol...) tendem a aglomerar-se e formar micelas, ocorrendo posteriormente sua absorção. Após a absorção, os produtos da digestão de lipídeos, são novamente convertidos em triglicérides e empacotados em partículas de lipoproteínas (quilomícrons e VLDL) que caem na circulação. Ao passar pelos capilares de determinados tecidos, especialmente no tecido adiposo, os triglicérides destas partículas são novamente dissociados em ácidos graxos livres e glicerol. Os ácidos graxos são absorvidos pelos tecidos onde formarão novos depósitos de gordura, enquanto o glicerol é transportado para o fígado ou rins, onde será armazenado ou metabolizado. Em nosso corpo existem células especializadas em armazenar gorduras, são as células adiposas (adipócitos), que chegam a ser compostas de 95% de gordura, na forma de triglicérides.

O processo acima pode ser resumido em quatro estágios: 1. Hidrólise dos triglicérides contidos nos adipócitos em glicerol e ácidos graxos. 2. Aproveitamento do glicerol na glicólise. 3. Beta oxidação dos ácidos graxos, resultando em Acetil-CoA. 4. Entrada da Acetil-CoA no ciclo de Krebs

Estrutura e função das proteínas

METABOLISMO Assim como os carboidratos, os lipídeos são oxidados em gás carbônico (CO2) e água (H2O). Porém seus átomos de carbono têm baixos estados de oxidação, levando a “queima” de gordura a liberar mais que o dobro de energia que a mesma quantidade carboidrato ou proteína. Além disso, por serem compostos apolares, as gorduras são armazenadas em estados anídricos, ao contrário da glicose que requer mais que o dobro de seu peso seco em água. Por esses motivos, os lipídeos nos fornecem mais de seis vezes a quantidade de energia quando comparado ao mesmo peso úmido de glicogênio. O primeiro passo para o uso de triglicérides como energia é sua hidrólise em ácidos graxos e glicerol, mediada pela hormôniosensitivo-lipase, em seguida, estes subprodutos são transportados para os tecidos ativos. O glicerol sofre transformações e é imediatamente aproveitado na glicólise sob a forma de 3-fosfogliceraldeído e degradado a piruvato que pode entrar no ciclo de Krebs A degradação dos ácidos graxos ocorre nos mitocôndrias. Em um processo denominado beta-oxidação as moléculas de ácidos graxos são transformadas em AcetilCoA, que em seguida entra no ciclo de Krebs (ou ciclo do ácido cítrico) onde são totalmente degradas.

O nome proteína tem origem em um termo grego que significa “de primordial importância”. Esse macronutriente é o componente celular orgânico mais abundante, tendo diversas formas e funções. As proteínas fornecem a base estrutural de todos os tecidos e órgãos além de formarem neurotransmissores e hormônios polipeptídicos, tais como Insulina e Hormônio do Crescimento. As proteínas encontradas dentro do núcleo da célula (DNA) transmitem as características hereditárias e são responsáveis pela síntese protéica contínua. As proteínas globulares formam as quase 2.000 enzimas diferentes que são responsáveis por desempenhar funções específicas, acelerando e regulando reações químicas e conferindo a determinados tecidos suas capacidades metabólicas. Além disso, os protídeos são responsáveis por mecanismos contráteis, com destaque para a actina e miosina. As proteínas, assim como os carboidratos e as gorduras, contém átomos de carbono, oxigênio e hidrogênio, porém, diferente deles, as proteínas contém nitrogênio (16% da molécula), enxofre, fósforo e ferro. As moléculas de protídeos são polimerizadas a partir de blocos formadores, denominados de aminoácidos (ver Aminoácidos).

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Apesar das proteínas apresentarem estruturas e funções bastante diversificadas, elas são sintetizadas a partir de apenas 20 aminoácidos diferentes. Todos esses vinte aminoácidos devem estar simultaneamente presentes na célula para que aconteça a síntese proteica. Nove deles não podem ser sintetizados pelo organismo humano, portanto deverão ser obtidos pelos alimentos (dieta), chamando-se por isso aminoácidos essenciais. Além disso o corpo sintetiza cisteína e tirosina a partir de dois outros aminoácidos essenciais, a metionina e fenilalanina respectivamente. Outros nove podem ser produzidos pelo corpo, a partir de compostos intermediários, oriundos do metabolismo de carboidratos e lipídios. Estes nove aminoácidos e os dois que são sintetizados a partir de aminoácidos essenciais são chamados de aminoácidos não-essenciais.

Classificação e fontes proteicas Em geral as proteínas dietéticas podem ser classificadas em: proteínas completas, que contém todos aminoácidos essenciais na quantidade e relação corretas para manter o equilíbrio nitrogenado e; proteínas incompletas possuem uma qualidade inferior e não contém um ou mais dos aminoácidos essenciais. “A qualidade nutricional das proteínas depende da sua digestibilidade e composição” .

Alimento (100 gramas)

Proteínas (gramas)

30

Glicídios (gramas)

bacalhau cozido

34.80

0

0.84

carne de boi cozida

27.50

10.81

0

bife de figado de boi

25.87

9.94

5.72

peito de frango grelhado

23.30

1.75

0

atum envasado

24.20

10.80

0

carne de porco assado

24.00

33.00

0

peixe cozido

22.90

0.70

0

camarao cozido

17.80

0.80

0.80

queijo minas frescal

18.00

19.00

0

ovo de galinha- clara cozida

12.80

0

0

ovo de galinha cozido inteiro

12.80

11.50

0.70

castanha do para

17.00

67.00

7.00

bolacha agua e sal

12.00

7.00

71.00

Tabela de proteínas, lipídios e glicícidos expresa em gramas ou mililitros

a Ingestão recomendada de proteínas Esse assunto já foi bem detalhado anteriormente pelo professor Paulo Gentil (ver Ingestão de proteínas), portanto vamos fazer apenas uma pequena recapitulação tentando abordar o tema de forma mais prática. A Quantidade Dietética Recomendada (QDR) é uma media diária recomendada pelo Departamento de Alimentos e Nutrição do Conselho Nacional de Pesquisa/ Academia Nacional de Ciências (EUA). A QDR representa um excesso liberal, seguro, e capaz de atender as necessidades nutricionais de praticamente todas as pessoas saudáveis.

rECOMENDAção Um dos parâmetros que avaliam a importância de um alimento como fonte protéica é o seu conteúdo proteico, geralmente expresso em gramas de proteína por 100g de alimento (ver quadro 1). Carnes, peixes, laticínios e ovos são os mais ricos em proteínas, seguido de longe por alguns grãos e cereais e por último frutas e tubérculos.

Lipídios (gramas)

A recomendação é de uma ingestão diária de 0,83g de proteína para cada kg de massa corporal (PELLET, 1990). As computações teóricas da proteína necessária para manter a síntese muscular induzida por um treinamento com pesos apóiam a posição que a QDR é suficiente para as demandas anabólicas do exercício e do treinamento (BUTTERFIELD-HODGEN and CALLOWAY,

1977; DURNIN, 1978; HICKSON et al, 1990). Atualmente a recomendação de 1,2g a 1,6g de proteínas por kg de massa corporal para indivíduos que praticam atividade física intensa parece ser segura. Porém se a ingestão energética não for igual ao dispêndio energético, até mesmo uma ingestão de duas vezes a QDR pode ser insuficiente para manter um balanço nitrogenado (BUTTERFIELD, 1987). Fazer uma dieta de restrição calórica pode afetar negativamente os esquemas de treinamento que pretendem aumentar a massa muscular ou manter um alto nível de potência ou força (WALBERG et al, 1988).

PARA UMA aTLETA ATIVO O atleta necessita de aproximadamente 50 calorias de alimento por quilograma de massa corporal por dia a fim de obter calorias suficientes para um desempenho atlético “ótimo”. Uma dieta ideal para o treinamento deveria consistir em aproximadamente 60-65% de carboidratos, 15-20% de proteínas e menos de 25% de gorduras.



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