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2010 MEDIA EDITORIAL Após um ano de interregno da publicação da revista Media, eis que surge agora o número 8, em formato digital, abandonando assim o habitual formato de papel.

SUMÁRIO:

Apesar da mudança, os objectivos mantêm-se: divulgação da actividade da Mediateca ao longo do ano, bem como dos melhores trabalhos produzidos pelos alunos.

Editorial

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Saramago: morrerá o homem, não a obra

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Passaporte de leitura

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A Mediateca Com Vida…

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O que lêem os nossos alunos? Quando lêem? Quantos livros lêem?...

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Dia do autor português

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Literacia da Informação

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Clube de Amigos

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Ler para crescer

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Semana da leitura

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Concursos: Poesia

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Conto

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Fotografia

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Marcadores Livros

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Fala Barato

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Este foi um ano cheio de novidades: primeiro ano com professor bibliotecário; imagem renovada, com um novo logótipo; nova arrumação do fundo documental, agora organizado pela Classificação Decimal Universal; novas instalações, mais amplas e atraentes, apesar de ainda com mobiliário e equipamento antigos; colocação da base de dados on-line; … Para além de todas as alterações organizativas, procurámos que este fosse também um ano com novas actividades. Assim, apesar da manutenção dos habituais concursos: poesia, conto, fotografia e marcadores de livros; implementámos diversas actividades nunca antes realizadas na escola, a que não foi alheia a integração da escola no Plano Nacional da Leitura ao nível do 3º ciclo e do C.N.O. Destaque-se, neste editorial, o trabalho realizado pela equipa da Mediateca, na Área Projecto das turmas do Ensino Básico, de formação no âmbito da literacia da informação. A abertura à comunidade foi outra aposta, em nossa opinião ganha com o projecto “Ler para Crescer”, o sarau “Mediateca com vida” e a criação do “Clube de Amigos da Mediateca”. Assinale-se o facto de a constituição do Grupo de Trabalho Concelhio das Bibliotecas do Concelho da Marinha Grande ir ser finalmente formalizado, no próximo dia 9 de Julho. Por fim, gostaríamos de assinalar que todo o trabalho desenvolvido só foi possível pela existência de uma equipa coesa de profissionais a trabalhar na Mediateca, professores e Assistentes Operacionais, sem esquecer a colaboração de outros professores que não pertencendo à equipa da Mediateca deram uma colaboração imprescindível, Célia Pires, José Nobre, Rita Bispo e Selma Santos. António Santos

Ficha Técnica: Capa: José Nobre Produção Gráfica: António Santos, Cristina Trovão, Tony Silva Redacção: António Santos, Helena Pires, Jorge Alves, Tony Silva, Wilson Francisco

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MEDIA 2010 SARAMAGO: MORRERÁ O HOMEM, NÃO A OBRA Houve um grande silêncio. Depois Caim disse, Agora já podes matar-me, Não posso, palavra de deus não volta atrás, morrerás da tua morte natural na terra abandonada e as aves de rapina virão devorar-te a carne, Sim, depois de tu primeiro me haveres devorado o espírito. A resposta de deus não chegou a ser ouvida, também a fala seguinte de Caim se perdeu, o mais natural é que tenham argumentado um contra o outro uma vez e muitas, a única coisa que se sabe de ciência certa é que continuaram a discutir e que a discutir estão ainda. A história acabou, não haverá nada mais que contar. José Saramago (Caim)

Estas foram as últimas palavras da última obra publicada em vida de José Saramago e, ao contrário do que elas dizem, “agora é que a história tem tudo para contar”! Agora, esquecidas as intrigas, desvanecidas as mesquinhas querelas de quem, pela sua pequenez, cairá no esquecimento do anedotário nacional, diluídas as invejas e os odiozinhos de quem nunca teve consciência da grandeza do artista, apagadas as pequenas prepotências de quem só vê no poder uma arma de censura e opressão, Saramago e a sua obra ficarão muito mais livres e livres voarão como os sonhos, como a “passarola” de Baltasar, Blimunda e Bartolomeu, ou navegarão por mares infinitos, entre ilhas e continentes, como a “jangada de pedra”, nossa nau comum, que muitos poderosos teimam em amarrar a uma Europa que muito pouco nos diz e só nos oprime e descaracteriza. Agora é que a história começa. Agora é que, da nossa ancestral “cegueira” podemos partir para a revelação luminosa da nossa “lucidez”, reconhecendo-nos nas nossas fraquezas e grandezas, como aquelas cinquenta mil “formigas” que, num esforço titânico e épico, levantaram o sonho dum rei déspota, só para satisfação de sua vaidade e para agrado de um deus feito à sua imagem e semelhança; o mesmo deus que deixou sofrer até à morte, todos esses “escravos” que, a troco de um pouco de nada, erigiram uma das maiores inutilidades do nosso país; o mesmo deus que destruiu sodoma e gomorra; o mesmo deus por que se mataram tantos, numa luta cruel e fratricida, todos em seu nome “in nomine dei”, nas monstruosas guerras religiosas que assolaram a Europa cristã; o mesmo deus que se

mostrou tão indiferente a tantas outras barbaridades! Mas também, o mesmo deus feito homem que os homens não entenderam e, hoje, como há dois mil anos censuraram e maltrataram. Agora é que a história começa, pois, os explorados de sempre têm “estrelas” ou “pirilampos" que os guiam até à felicidade possível e os “Mau-Tempo” já podem ser “BomTempo”, sendo donos das terras que trabalham, sendo recompensados com justiça pelo suor derramado. Agora já podemos ver as grandes façanhas da “arraia-miúda”, durante o “cerco de Lisboa” e recolhermo-nos à paz da eternidade – se é que ela existe – ao seguirmos a figura austera de Ricardo Reis, acompanhando o seu criador, aos covis mais secretos da “morte” que, nesse ano de 1935, ainda não tinha descoberto que tinha qualquer coisa mais que o dom de retirar a vida, talvez sentimentos, pois, ainda não se tinha feito mulher e amante dum violoncelista. Agora é que a história começa, na questão angustiada do grande épico, olhando a sua obra terminada: “Que Farei com Este Livro?” não se apercebendo o grande poeta que, só ali, é que a sua obra estava a começar! Agora é que a história começa e podemos regressar à “noite”, aquela noite do dia mais luminoso, do dia de todas as esperanças que os carrascos e algozes de sempre teimam em tentar apagar, oprimindo e maltratando aquela liberdade tão arduamente conquistada! Agora é que a história começa e, enquanto Caim e deus – e, quem sabe, estando a assistir o próprio Saramago – continuam na eterna discussão das culpas de todos nós, esta obra de “todos os Nomes”, de todos os espelhos humanos, é realmente nossa, porque nos revela, porque nos relembra a nossa humanidade, porque nos faz acreditar que um outro mundo é possível, com mais paz, mais justiça, mais igualdade e respeito entre todos os povos, porque nos inspira a lutar contra os novos déspotas dos dinheiros e da usura, das burocráticas e absurdas instituições que nos governam, e contra os poderes cada vez mais corrompidos que nos oprimem no nosso dia-a-dia. Jorge Carreira Alves

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2010 MEDIA PASSAPORTE DE LEITURA completamente abandonadas. Por fim, pareceu-nos que o conceito de leitura como uma viagem seria o mais apelativo para a faixa etária a que se destina o passaporte. Por outro lado, o grafismo deveria ser suficientemente formal para credibilizar o passaporte enquanto documento institucional. Conciliar estes dois aspectos, o lúdico e o formal não foi uma tarefa fácil. E não teria sido de todo possível sem a colaboração do Gabinete de Imagem da escola: o professor José Nobre concebeu um “Passaporte de Leitura” que, mantendo um aspecto formal, permite uma abordagem lúdica.

O “Passaporte de Leitura”, tal como acontece noutras escolas, deve ser um instrumento de incentivo à leitura. A integração da nossa escola no Plano Nacional de Leitura foi o estímulo necessário para que a Mediateca propusesse, neste ano lectivo, a implementação deste projecto, que poderemos designar por simbólico. Não é certamente com o “Passaporte” que os nossos alunos vão ler mais. Mas o registo das suas leituras, a validação destas pelos respectivos professores de Língua Portuguesa e a desejável dinâmica que poderá introduzir nos conteúdos curriculares, serão certamente meios potenciadores de novas e diversificadas leituras. O processo de concretização deste documento, apesar da simplicidade da ideia, foi demorado e passou por várias fases. O regulamento conheceu diversas versões, das quais algumas chegaram mesmo a uma f a s e f i n a l p a r a d e p oi s s e r em

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Finalmente, e aproveitando as comemorações da Semana da Leitura, o passaporte foi distribuído aos alunos do 7º e 8º ano que participaram nas actividades dinamizadas pela Mediateca. No início do próximo ano lectivo será oferecido a todos os alunos do 3º Ciclo, permitindo, assim, a sua rentabilização pelos docentes de Língua Portuguesa, que o poderão integrar nas suas actividades curriculares. No passado dia 25 de Maio, aquando das comemorações do Dia do Autor, foi entregue um prémio simbólico ao aluno que mais registos efectuou no seu passaporte sinónimo de outras tantas viagens pelo mundo dos livros... Helena Pires


MEDIA 2010 A MEDIATECA COM VIDA… Após o primeiro momento, tivemos uma verdadeira lição sobre a importância da Leitura em Família na formação das crianças desde tenra idade, proporcionada pela professora Rita Bispo e devidamente ilustrada pela educadora Aida Mira, que nos encantou com algumas histórias maravilhosamente contadas.

Vêm os pais à escola? Os pais vêm só quando são chamados? A escola também pode “ensinar” os pais? Eis algumas interrogações colocadas antes da concretização do sarau “Mediateca Com… Vida”. Sendo os pais os grandes responsáveis pela educação dos seus filhos e sendo a escola um importante parceiro, as pontes deverão ser cada vez mais consolidadas. Um dos grandes objectivos da Mediateca é a criação de hábitos de leitura nos alunos. E porque entendemos que o sucesso deste objectivo passa muito pela educação familiar, procurámos criar condições para os pais dos alunos do 3º Ciclo, bem como os adultos que frequentam a escola no âmbito do Centro de Novas Oportunidades, se deslocarem à escola para assistirem a uma sessão que, além da sensibilização para a importância da leitura em família, fosse também um momento de entretenimento e uma ocasião agradável, que deixasse vontade de regressar em situações semelhantes.

Posteriormente o Atelier de Cordas, da responsabilidade do GAAF, apresentou cinco músicas: Homem do leme; How to save a life; Zombie; Boa sorte / Good luck e The scientist muito bem interpretadas pelos nossos alunos: Gonçalo, Beatriz, João, Catarina, Pedro, Tiago e André Couceiro. A finalizar a noite foi oferecido ao público um momento de dança, por parte do grupo de Hip-Hop, também da responsabilidade do GAAF, e por fim o teatro a cargo do grupo Fora de Prazo, constituído por alunos da escola, na peça "O cheiro...do dinheiro". António Santos

O Sarau, apresentado pelo André Couceiro, aluno do 12º ano, abriu com um momento de poesia proporcionado pelos alunos das turmas A e C do 10º ano e música com alunos da Escola de Música do Sport Operário Marinhense.

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2010 MEDIA O QUE LÊEM OS NOSSOS ALUNOS? QUANDO LÊEM? QUANTOS LIVROS LÊEM?... Foi para estas, e para outras questões, que o inquérito distribuído a todas as turmas do 3º Ciclo procurou encontrar respostas. Este ano lectivo, e pela primeira vez, a escola Calazans Duarte foi abrangida pelo Plano Nacional de Leitura, cujos objectivos visam a promoção de actividades relacionadas com a escrita e a leitura junto dos alunos do 3º Ciclo.

Também é um facto que a maioria dos alunos convive com os livros e a leitura desde a infância (só 7% afirmou que nunca lhes leram histórias quando eram pequenos). Afinal, os nossos alunos lêem, mas fazem-no d e f o rma es p or ádi c a , a o sabor das férias, dos tempos livres; só 10% respondem que têm por hábito ler todos os dias.

Sendo este o “ano zero” da implementação deste projecto, da responsabilidade do Ministério da Educação, pareceu-nos importante proceder à caracterização dos hábitos de leitura dos alunos deste ciclo de estudos. Assim, integrado nas comemorações da Semana da Leitura, foi distribuído a 90 alunos (cerca de um terço do total de alunos do 3º Ciclo) um inquérito, muito elementar, mas cujos dados permitiriam:

Mas este inquérito revelou outros dados que nos parecem preocupantes: 10% dos inquiridos nunca leu um livro até ao fim, outros 10% responde que nunca leu um livro (o que é estranho, estando estes jovens inseridos na escolaridade obrigatória...), a média de livros lidos, de entre os que dizem ler de vez em quando, não ultrapassa um livro a cada dois meses...

1. Conhecer os hábitos de leitura dos nossos alunos e das suas famílias. 2. Delinear estratégias de incentivo à leitura em situação escolar e fora dela. Os dados recolhidos revelaram algumas surpresas. Assim, 42% dos alunos encaram a leitura como um outro passatempo qualquer; se não a valorizam, também não a rejeitam enquanto ocupação dos tempos livres. Aliás, só para 17% é que ler é uma obrigação. Quererá este resultado indicar que, afinal, os nossos alunos sempre lêem, ao contrário do que muitos de nós pensamos? É um facto que lêem. Mais: à data do inquérito 59% afirmou estar a ler um livro.

O que importa alterar neste panorama? Que menos alunos afirmem que não leram nunca nenhum livro; que haja uma maior percentagem de alunos a ler de forma contínua, e não apenas nas férias; que os nossos estudantes leiam mais livros por ano? Sim, certamente estas serão algumas das metas que o Plano Nacional de Leitura procurará atingir, mas, sobretudo, esforçar-seá para colocar a leitura, dita recreativa, no quotidiano dos alunos. As actividades a desenvolver terão, necessariamente, que passar pela sedução para e pela leitura, sem o constrangimento de “ser obrigado a...”, até porque é preciso descobrir o “Prazer de ler”... Helena Pires

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MEDIA 2010 DIA DO AUTOR PORTUGUÊS Como já começa a ser uma instituição indispensável no normal decurso dos anos lectivos da Escola Calazans Duarte, a comemoração do Dia do Autor Português, organizada pela equipa da Mediateca, constituiu mais uma vez uma grande festa das palavras.

Neste evento, como já é tradicional, a equipa da Mediateca aproveitou também para distribuir os prémios relativos aos concursos de poesia, de conto, de marcadores de livros e de fotografias, sendo de realçar ainda as leituras das poesias vencedoras, pelos seus autores, não se fazendo o mesmo em relação aos contos, devido à extensão dos textos; contudo, é de realçar que, nesta edição, tivemos contos e poesias de bastante qualidade, embora em menor número que em anos anteriores.

Nesta edição, realizada no dia 25 de Maio (já que o dia 22, dia dedicado a esse evento, calhou a um sábado), no novo auditório da nossa Escola, tivemos como convidada especial a prolixa, fecunda e versátil escritora Isabel Ricardo que, duma forma bastante animada, apresentou muitos dos exemplares da sua vasta obra, fazendo interessar os diversos públicos a quem se destinam os seus incontáveis livros. Na demonstração da sua versatilidade, Isabel Ricardo não só mostrou e resumiu vários dos seus livros, como leu algumas passagens, contou algumas histórias que lhes estavam associadas, indo ao ponto de “cantar” uma lengalenga infantil, não demonstrando qualquer cansaço, após duas sessões contínuas de apresentação da sua obra (a primeira, para o Ensino Secundário, a segunda, para o básico), mantendo atento e interessado o vasto público que esteve presente em ambas as sessões.

Estas sessões foram ainda mais abrilhantadas pelas excelentes actuações de alunos do 10º ano, que leram e interpretaram alguns poemas dos maiores poetas portugueses, nomeadamente, Fernando Pessoa, Florbela Espanca (com a tocante interpretação – à capela – de Beatriz), não esquecendo a original e ousada interpretação da “Calçada de Carriche” de Gedeão, por Carla de Jesus, nem o grupo de alunos do 7º ano que dramatizou um pequeno excerto do conto “À Beira do Lago dos Encantos”. Sem dúvida que, desta forma, na Escola Secundária Calazans Duarte se homenagearam devidamente e com o brilho merecido, os autores de Língua Portuguesa. Jorge Carreira Alves

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2010 MEDIA LITERACIA DA INFORMAÇÃO Vivemos actualmente numa sociedade onde a informação faz parte do nosso dia-a-dia e o seu volume aumenta a um ritmo vertiginoso. Nas bibliotecas escolares, a evolução das tecnologias de informação e comunicação permitiu, nos últimos anos, avanços significativos, dando aos utilizadores maior autonomia na pesquisa, selecção e organização da informação. Sendo a literacia de informação a capacidade de cada indivíduo aceder, avaliar e usar a informação de forma eficaz, a equipa da Mediateca, dinamizou no início do ano, algumas actividades com alunos do 3º ciclo ( integradas nas aulas de Área Projecto ), com o objectivo de desenvolver esta competência. As sessões foram feitas recorrendo ao uso de alguns powerpoints, que permitiram aos alunos adquirir competências e conhecimentos, que serão benéficos para aplicar nos trabalhos que ao longo do ano desenvolvem nas diversas disciplinas. Estas sessões tinham uma componente prática, onde os alunos, recorrendo ao uso de uma ficha, seguiam várias etapas de trabalho, que os orientava

na selecção recolhida.

e

validação

da

informação

Quinzenalmente foram divulgadas informações na Mediateca, sobre as diferentes componentes da realização de um trabalho escrito Os alunos manifestaram curiosidade e interesse ao longo das sessões, colocando questões pertinentes, o que enriqueceu ainda mais esta actividade dinamizada pela primeira vez pela Mediateca. Tony Marcus Silva

CLUBE DE AMIGOS

voar no mundo da fantasia. Entramos na porta da Biblioteca e vimos as funcionárias ao balcão a trabalhar. Os livros voam das estantes e alguns contam histórias; os computadores ficam “marretas” de tanto trabalhar.

A BIBLIOTECA MÁGICA Entramos na escola, neste caso chama-se “Escola do Futuro”, viramos à esquerda e a partir daí subimos as escadas e começamos a

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Nas janelas vêem-se as casas e as pessoas contentes e cá dentro (na BE) é o mundo da leitura; toda a gente lê, joga, trabalha e voa no mundo da leitura, “na escola do futuro”. O professor que comanda na biblioteca faz de conta que é o feiticeiro dos livros e toda a gente o respeita. Wilson Francisco, 7º A


MEDIA 2010 LER PARA CRESCER

No âmbito do Plano Nacional de Leitura, a Mediateca dinamizou uma actividade de expressão criativa envolvendo três turmas do 10º ano (A, C e E) e três professores. Os alunos da turma E, do Curso de Artes Visuais, de acordo com os conteúdos curriculares da disciplina de Desenho A, leccionada pelo professor José Nobre, adaptaram, redigiram e ilustraram alguns contos do nosso imaginário infantil. Outros alunos optaram por ser eles próprios os autores e os ilustradores das suas histórias, num exercício de criatividade e originalidade invulgares. A qualidade dos trabalhos realizados no 1º período por esta turma determinou o interesse da Mediateca. Estas “histórias com imagens” deveriam ser divulgadas junto do seu público natural: as crianças. Daqui à ideia de fazer a dramatização destes pequenos contos foi um pequeno passo que conduziu a outro: a constituição de um “Clube de Teatro”. O programa de Português do 10º ano contempla o desenvolvimento de competências de expressão oral, e foram as

professoras de Português, Helena Varela e Célia Pires, quem se encarregou de dinamizar este “Clube de Teatro”, dando voz e gesto às palavras e às imagens dos alunos do 10º E. Assim, no âmbito da disciplina de Português, os alunos do 10º A e C associaram-se a este projecto: foram eles a voz e o gesto. Faltava o público. Mas estava aqui bem perto... O projecto foi apresentado à Directora do Centro Infantil Arco-Íris, Dr.ª Catarina Leite, que logo o acolheu com enorme entusiasmo. E, integrado nas comemorações da Semana da Leitura, o espectáculo aconteceu. As crianças da sala dos 4/5 anos, acompanhadas pelas suas educadoras, vieram à “escola dos grandes”. No espaço da Mediateca assustaram-se com o Lobo Mau; sorriram com o Coelhinho que viu as suas orelhas transformadas num enorme nó, para que não esquecesse os recados da mãe; apanharam o “milho” que o Rafa distribuiu pelas galinhas da quinta; ouviram a história da Cinderela e deliciaram-se com as imagens projectadas no ecrã; admiraram a esperteza do Gato das Botas e ficaram a conhecer a família dos Três Ursinhos. Depois, ainda houve tempo para uma visita guiada à escola e para um lanche oferecido pela Direcção, durante o qual actores e público puderam confraternizar... Um dia inesquecível para os mais pequenos, mas também para os “mais grandes”; todos crescemos um pouco com a realização desta actividade. Helena Pires

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2010 MEDIA SEMANA DA LEITURA Afinal não foi uma semana, mas uma quinzena... O constrangimento dos horários e o leque de actividades propostas obrigou ao alargamento para duas semanas, de 3 a 17 de Março, abrangendo três quartas-feiras, dia em que a partir das 16.35 não há actividades lectivas. Na primeira semana a escola foi invadida por cartazes (da autoria do professor José Nobre e com slogans publicitários elaborados por alunos do 11º ano) que apelavam à leitura e ao prazer de ler. O mote estava dado: a escola iria “viver” os livros. E os principais destinatários desta campanha de sensibilização, os alunos do 3º Ciclo, sentiramno bem quando, para responder ao inquérito que lhes foi distribuído, tiveram que se confrontar com a sua relação com os livros e com a leitura. Os alunos do 8º A viveram-no de forma particular quando assistiram ao workshop, dinamizado pela professora Rita Bispo, sobre escrita criativa. Os professores também não foram esquecidos. Convidados a escolherem o “Livro da minha vida”, viram as suas opções divulgadas numa exposição organizada pela colega Cristina Trovão. A segunda semana foi dedicada aos mais pequenos e aos alunos do Secundário. Os mais pequenos, do infantário Arco-Íris, foram convidados a vir à escola assistir à dramatização de histórias infantis. Acompanhados pelas suas educadoras, foram um público receptivo às surpresas que os alunos do 10º ano lhes prepararam. E se é preciso “Ler para crescer...”, quando se é crescido também é preciso ler. Foi por isso que o Clube de Amigos da Mediateca organizou um concurso destinado aos alunos do 11º ano:”Vamos ler... Os Maias”. Não foram muitos os participantes, mas os que concorreram revelaram conhecer muito bem a obra de Eça de Queirós.

Finalmente, a última quarta-feira foi dedicada ao 7º ano: “Ler com... O Cavaleiro da Dinamarca”. Os alunos e a convidada deste dia, a colega Aida Mira, leram alguns excertos desta obra, proporcionando aos presentes uma deliciosa hora dedicada, exclusivamente, à leitura. No final, cada aluno recebeu um exemplar do “Passaporte de Leitura”, no qual poderá registar as leituras que vai fazendo. Ainda durante esta semana foi ultimado o “Breviário de Autores”, que viria a ser distribuído a alunos e encarregados de educação já no final do ano lectivo. Trata-se de um pequeno livro contendo o essencial sobre a vida e a obra de alguns escritores de língua portuguesa, resultado da pesquisa realizada por alunos do 10º ano. As turmas do 9º ano, que não foram abrangidas por nenhuma actividade durante este período, puderam, no final do ano lectivo, assistir à dramatização de excertos do “Auto da Barca do Inferno”, pelo Grupo de Teatro da escola. Pela primeira vez, a equipa da Mediateca procurou concentrar num curto período de tempo, duas semanas, actividades que envolvessem alunos do 7º ao 11º ano. Representou um enorme esforço, mas achamos que valeu a pena e prometemos, depois da experiência adquirida este ano, fazer melhor no próximo. E estão, desde já, todos convidados a participar... Helena Pires

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MEDIA 2010 1º Lugar

Ode à criação

CONCURSOS

(Imagine-se o mundo mudo e ensaie-se nele um dedilhar violento, como pulsação.) Começou o Homem o seu solo, então. Eis quando senão, o tocou o suave elemento, O espírito, a razão. Olhou o céu e contemplou a imensidão; De estrela um fragmento apercebeu-se que nada mais era, senão Naco do corpo celestial que lhe deu mar e chão 2º Lugar E ar. (...) Sei de céus verdes de inveja, E no ar a água em ebulição, De planícies brancas como folha de papel Da esfera o gás e a enxofração, E de gestos tingidos de sangue No solo, em espera, a terra em convulsa erupção, Com gargantas roucas de escuridão e brilho. O quente! „Que se forme o cosmos‟! E o vapor fez-se água, e choveu, de repente, Imensamente. Choveram rios e mares, Sei dos teus dedos de pianista; que com eles Nascentes e glaciares... Tocas o céu, o mar e o segredo. Choveu o sol e a sua luz precipitou-se na escuridão Conheço as palavras que voam dos teus lábios, E, no mar iluminou a vida, convidando-a à expansão. Se entrançam na tua noite e afagam E, então, o mar tomou a terra, As estrelas caídas pelas planícies. A ave o céu, a árvore o chão! E o ciclo tomou forma, e a forma fraqueza: E eu sei de tudo isto, Equilíbrio perpétuo, não fosse a humana mão Sentada na minha lua de faz-de-conta E a sua abrupta vileza. Brincando com areia de prata (...) E no joelho uma coroa de lata. Os Deuses imploram a sua ressurreição, E a do valor e do princípio, Carla Daniela Ramos, 11º H Pois este solo de incompreensão Que toca o mundo primeiro em conjunto, Como uma nação, lhes parece inerte, E quando assim o não é - Quando os não move uma causa, uma fé Abusa o Deus-Homem da sua casa-sé, De tal forma que o copo verte. E então, admira-se o Homem, nosso irmão, Que durou de mais a monção, que está seco o chão, Surpreende-o o furacão, o maremoto, e da terra o abanão! Isto é senão, o pedido/ultimato, Severo ou lacrimoso, revoltoso ou suplicante, Do nosso lar, outrora harmonioso, Que pede/exige à humanidade, No seu sentido lato, introspecção, Consciencialização do que em nós existe, Do que nos é semelhante. Não é negro ouro, nem gás, nem carvão, É mescla do cosmos, Que é pensamento e sentimento, que é matéria, Que é a vida na sua suprema e, não obstante, Frágil representação. É o pináculo de uma história que, Sendo esquecidos Eva e Adão, Descreverão os epitáfios de lamentável existência Onde os actores improvisaram, sem guião nem realização, A um ritmo angustiante em intensidade e intenção, Restringindo o Teatro à infértil, ainda que bela, decadência. Micael Jorge , 11º H

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2010 MEDIA escusadamente. Continuava sem visão de coisa alguma. No entanto, ouvira perfeitamente. Ela estava muito perto, sabia-o pelo ruído metálico que detectara. E tinha encontrado a sua espada, a espada que ele deixara pousada no chão. O seu plano resultara: agora sabia a posição dela e iria afastar-se o mais que conseguisse. O mais silenciosamente que conseguisse. O mais depressa que conseguisse.

1º Lugar

Par

As paredes espessas da sala escura, cobertas de poeira, abafavam-lhe os passos. Para onde quer que olhasse, escuridão. Aos ouvidos chegava-lhe apenas a respiração acelerada, a sua respiração. E o bater desenfreado do coração, o seu coração. O que estava a acontecer à sua volta? Não sabia. O negrume afogava-o e, no âmago do seu ser, o medo ameaçava esfarrapá-lo. Encontrava-se numa sala apagada e bafienta, quase sozinho, e a companhia que lhe tinham deixado aprontava-se para lhe saltar em cima a qualquer momento. Ela tinha entrado aquando ele, por uma porta diferente. Mas, agora, restavam apenas as paredes. As paredes, ele e ela. E as facas dela. E a espada dele, que não o ajudaria muito. O desfecho daquela experiência? A sua morte, estava confiante. Movia-se silenciosamente, ajudada pela espessa camada de pó. Ia morrer ali dentro. Se não fosse ele a matá-la, seria o medo. E ela preferia mil vezes apagar-se às mãos dele que às do medo. Se ao menos o conseguisse encontrar… O desleixo que lhe permitia manter-se silenciosa também o escondia a ele. Bolas…! Recuou dois passos e baixou-se, tacteando o chão fervorosamente. Que seria aquilo? Um objecto fino e comprido, aguçado numa ponta, estendia-se sob as suas mãos. Poderia ser a arma dele? Sim, era. Poderia, então, estar perto dele? Sim, poderia. E quanto mais depressa o encontrasse, melhor. Ergueu

a

cabeça

e

olhou

em

volta,

Ups! Aquele não era propriamente o plano. A espada era mais pesada que as suas facas, devia sabê-lo. Como pudera esquecer-se e levantá-la de modo tão descuidado? Conseguira apanhá-la antes que caísse ao chão, mas a ponta roçara a pedra fria. Tinha a certeza que ele tinha ouvido. Mais, tinha a certeza que ele fizera de propósito. Estaria assustado? Não. Não, impossível. Que teria um grande guerreiro como ele a temer de uma ignorante como ela? Por outro lado, aquela armadilha… Não. Impossível. Simplesmente. Afastou-se do ruído, da espada, dela. Uma extraordinária guerreira como ela não tardaria a encontrá-lo. Um desastrado como ele. Queria prolongar o seu respirar um pouco mais. Apanhara-o. O restolhar fora tão suave que duvidava que mesmo ele tivesse reparado. Tudo o que tinha de fazer era dirigir-se na direcção que o som lhe indicara. Podia não ter coragem para matar um homem por desporto, mas era boa a seguir pistas. E ele, certamente, teria a coragem que a ela faltava. Sobretudo naquele ambiente tão hostil. Que estava ali a fazer? Uma sala poeirenta, escura e apertada não era lugar para ela. Porque a obrigavam a estar ali? Porquê? Queria desesperadamente sair, de uma forma ou de outra, daquele sítio. Tinha decidido. Ia encontrá-lo custasse o que custasse e pedir-lhe que lhe acabasse com o sofrimento. Não se importava com aquele estúpido jogo. Não queria saber da vergonha que quem quer que fosse teria de aguentar se ela perdesse. E, enquanto o procurava, conseguia ignorar as paredes que se abatiam

TOP Literatura Portuguesa

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MEDIA 2010 sobre ela e o ar que se tornava cada vez mais rarefeito.

crime. Quem diria que uma poderosa assassina podia ser tão delicada?

Continuou a recuar até se deparar com uma parede. E agora? Deixou-se estar. O medo devorava-o. Encostou-se à pedra e sentou-se. Começou a desejar não ter deixado a espada para trás, o seu único meio de defesa. Aquele erro sair-lhe-ia caro. Mas que podia fazer? Não voltaria para trás para a reaver. Também não ganharia o jogo, que nem sabia para que servia. Susteve a respiração, inquieto. Julgara sentir algo roçar o seu pé descalço.

Ele era quente e reconfortante. Um porto de abrigo no meio das muralhas que se fechavam sobre ela e a tentavam esmagar e engolir. Paz no centro daquele ambiente opressivo. No seu corpo não restavam forças sequer para pensar no que fazia, não restavam pensamentos para constatar que se colocara no colo de um assassino. Tudo o que sabia, tudo o que importava, era estar a salvo da pedra e da falta de ar. Terrivelmente aterrorizada, enterrou o rosto na curva do pescoço dele. Porque ela tinha um rosto. Assim como ele.

Avançou, procurando aproximar-se dele. Agachou-se e varreu o pavimento. A melhor maneira de o encontrar era procurar-lhe os pés. Os dedos tocaram algo. Finalmente! Encontrara-o. Agarrou-lhe o pé, expectante. Com um gemido, ele encolheu-se. De que estava à espera? Porque não acabava com ela? Pois, não tinha arma. Lentamente, ela procurou-lhe as mãos. Depositou o cabo da espada que arrastara consigo nos dedos esguios dele e aguardou que reagisse. Nada. Limitava-se a respirar rapidamente. Qual era a dificuldade de a matar? Não saberia onde se encontrava? Que tipo de grande guerreiro era ele se nem a conseguia localizar? Tudo bem, estavam numa sala fria e escura mas… Uma sala apertada, fria e escura. Não conseguiu controlar-se. Sem pensar, com a respiração tão acelerada quanto a dele, atirou-se para a frente, de olhos cerrados. A sua mente ficou em branco quando a sentiu encostada a si. Em que estava ela a pensar? Após um momento de pura surpresa permitiu-se ponderar a situação. Se existissem mais regras naquele jogo, eles estariam a infringi-las. Mas as únicas regras que existiam eram manter-se em silêncio e matar o outro lutador. E ele nunca cumpriria a segunda. Ela era relativamente pequena, muito leve, quente. Todos os músculos do seu aparentemente frágil corpo se contraíam, fazendo-a estremecer. Alguma vez considerar magoar um ser daquela delicadeza devia ser

Era agradável segurá-la. Qual seria o seu aspecto? Parecera-lhe jovem e bela no breve vislumbre que tivera quando entrara na sala. Estaria correcto? Subitamente, compreendeu porque era proibido falar. Proibir a partilha pela fala mantinha os lutadores concentrados no objectivo. E a escuridão impedia-os de se distraírem com o semblante do oponente. Só não percebia porque, se naquele jogo só entravam os melhores dos melhores, o tinham enviado a ele. Ajeitou o corpo dela no seu colo e levou uma mão ao bolso. A cortina de negrura devia ser mantida, contudo ninguém se lembrara de incluir esse aspecto nas regras. Logo ele não estaria a infringi-las ao usar a pequena pedra de luz que a avó lhe dera. Sentia-se melhor, mais calma. Se alguma vez se visse longe daquele sítio, iria descobrir quem a propusera para o jogo. Iria fazê-los pagar. Podia não ter o necessário para matar, mas conseguia fazer com que desejassem que tivesse. Evitou o pensamento. Nos braços dele, sem qualquer razão racional, sentia-se no paraíso. A luz suave que a iluminava só ajudava à sensação. Calma lá… Luz? Abriu os olhos, curiosa. Para lá da luminosidade amarelada, olhos doces e um pouco assustados encontraram os seus. Envolvendo-os, um rosto que ela há muito julgara perdido. Francisca Dias, 10º C

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2010 MEDIA 2º Lugar O último adeus a Mariana Imensas pessoas comparecem ao funeral de Mariana, enchem a igreja num silêncio de morte, apenas a voz do padre e algumas fungadelas ecoam pela sacristia. Os olhos de Pedro estão vermelhos e inchados apesar de, neste momento, ele não estar a chorar. As suas mãos estão entrelaçadas uma na outra e os seus dedos contorcem-se violentamente. Ao seu lado esquerdo está o seu melhor amigo e ao seu lado direito encontra-se o pai de Mariana vestido de preto da cabeça aos pés. Este tem o seu braço direito sobre os ombros da sua mulher que, para além de estar bastante pálida, treme ligeiramente, também ela está totalmente vestida de preto.

olha para o céu e quando o faz respira fundo e expira de seguida. Ele fecha os olhos como que para fingir que tudo não passa de um terrível pesadelo, mas o desânimo e a mágoa depressa o invadem e é então que uma gota cai no seu nariz, de seguida outra colide com a sua bochecha e disfarça as lágrimas que começam agora a surgir nos seus olhos. Terminado o funeral as pessoas começam aos poucos a dispersar. Pedro, encostado a um jazigo, olha para a campa da namorada, as suas mãos estão fechadas e é grande o esforço que ele está a fazer para não recomeçar chorar. Os seus pais aproximam-se dele e abraçam-no. “Vamos para casa?” pergunta a sua mãe num tom de voz calmo e solidário.

A missa acaba e o carro fúnebre segue até ao cemitério com Pedro logo atrás agarrando um arranjo de flores, uma coroa de orquídeas cor-de-rosa, as flores preferidas de Mariana. Na mão leva ainda uma foto que eles tinham tirado num dos longos e maravilhosos dias de praia que tinham passado juntos.

“Anda Pedro.” Insiste o seu pai pondo a sua mão no ombro do filho “Ficar aqui só te vai fazer sofrer.”

A fila de pessoas que acompanha o corpo estende-se por mais de 100 metros, toda a gente caminha lentamente em silêncio e de cabeça baixa. Apenas se ouve algum burburinho proveniente de alguns dos amigos e colegas de turma de Mariana.

Quando chegam a casa Pedro fecha-se no seu quarto e deixa-se cair na cama exausto, não dorme há mais de dois dias, pois por mais que tente o tão recente assassinato de Mariana impede a sua alma de descansar e o sentimento de culpa não o deixa fechar os olhos por um minuto que seja.

Chegam ao cemitério poucos minutos depois e Pedro insiste em ajudar a transportar o caixão da namorada até ao local onde vai ficar sepultado. Com a ajuda de Pedro, o Pai de Mariana retira o caixão da carrinha e instantes depois os tios dela agarram a parte traseira da urna. Passam as portas do cemitério e dirigem-se ao local onde o corpo de Mariana vai ficar em repouso. A cova já se encontra aberta e ao pé dela encontram-se dois coveiros que irão ajudar a colocar o caixão na terra. O dia está cada vez mais enublado. Depois de pousar o caixão de Mariana no chão, Pedro

Pedro acaba por seguir ao lado dos pais que se dirigem para fora do cemitério. Em silêncio regressam à igreja ao pé da qual tinham estacionado o carro antes da missa.

Pedro levanta-se da cama e com a chave do seu carro na mão sai de casa dizendo apenas aos pais que precisa de espairecer. Entra no carro e depois de pôr o motor a trabalhar sai de casa e durante algum tempo limita-se a vaguear pelas ruas próximas de sua casa. Sem dar conta acaba por ir parar ao cemitério onde momentos antes estivera. Ele estaciona o carro e encaminha-se lentamente para a enlameada sepultura de Mariana. Assim que a vê, rodeada de terra sente arrepios a percorrerem todo o seu corpo. Durante alguns minutos limita-se a olhar para

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MEDIA 2010 a cova e relembra os melhores momentos que viveu ao lado da namorada.

“Nada me deixaria mais feliz.” Confessa Pedro com um enorme sorriso.

“Porquê?” Pergunta exasperado “porquê ela?” exausto deixa-se cair no chão e começa a chorar. Rios de lágrimas jorram dos seus olhos e parte da dor que sente liberta-se, agora, do seu corpo.

Mariana olha para ele e sorri. Olham um para o outro intensamente, seria impossível alguém conseguir quebrar aquele olhar. Os segundos parecem passar vagarosamente, mas o coração de ambos bate com o dobro da velocidade habitual. As suas cabeças aproximam-se, os seus olhos fecham-se lentamente e, finalmente, os seus lábios unemse num beijo como nenhum deles jamais havia dado ou recebido. Sem dizerem uma única palavra levantam-se da toalha onde antes estavam sentados. Dão as mãos e dirigem-se para a beira-mar. Pedro beija novamente Mariana não acreditando naquilo que lhe está a acontecer. Mas algo parece estar errado, os lábios de Mariana que minutos antes estavam quentes e doces estão agora gelados e sem sabor. Toda ela está fria, repara. Estranhando o que está a acontecer ele abre os olhos e encara-a. Uma lágrima vinda do olho direito de Mariana percorre timidamente a sua bochecha.

Quando finalmente pára de chorar apercebe-se de que a noite já caiu. A luz do sol, que naquele dia permanecera escondido atrás das nuvens, já dera lugar às luzes dos candeeiros que iluminam precariamente as campas e os jazigos que o rodeiam. Ele olha para o relógio, são oito horas, devia voltar para casa, mas sente que o seu lugar é aqui junto do corpo da namorada. Desamparado, ele apoia a cabeça nas pernas e respira fundo, sentindo o seu corpo cada vez mais mole deixa que os seus olhos se fechem e que o seu pensamento seja levado para uma realidade em que Mariana ainda é viva. Está um dia soalheiro e o sol ainda não atingiu o seu ponto máximo. Mariana e Pedro estão sentados na areia e a praia está quase deserta. “O Verão está quase a acabar.” Comenta Mariana com os seus olhos fixos no mar. “Pois está, e tu ainda não me deste nenhum beijo.” Pedro sorri e com algum atrevimento abraça Mariana, que pela primeira vez, desde que se tinham conhecido, não o afasta. Pedro fica surpreendido e sorri ainda mais. “Não dei, mas também não vou dar.” “Temos até ao final do verão, ou seja, mais uma semana. Isto se quiseres que o nosso beijo seja no Verão, porque depois temos o ano lectivo inteiro, aliás, temos todo o tempo do mundo. Eu vou esperar até que me dês aquilo que mais quero no mundo.” “É mesmo? O que tu mais queres no mundo é um beijo meu?” Pergunta Mariana incrédula.

“Desculpa Pedro. Estou a morrer…” Anuncia com uma voz trémula “Desculpa.” E então, ela começa a afastar-se cada vez mais de Pedro como se estivesse a ser puxada por uma força invisível e Pedro não a consegue agarrar. “Mariana… MARIANAAA!” Grita ao ver a namorada a ser puxada para o mar e a ser de seguida engolida por uma onda. Durante alguns minutos ele fica à espera de a ver aparecer a esbracejar e a gritar por ajuda, mas isso não acontece. De facto ela aparece, mas o seu corpo sem vida bóia sobre as águas ensanguentadas que de repente tinham amansado e transformado na piscina onde Mariana fora encontrada morta dois dias antes. “MARIANA!” Ele abre os olhos repentinamente e põe-se de pé, ficando tonto logo de seguida “Ãh?” olha à sua volta confuso

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2010 MEDIA “onde é que eu estou?” Questiona-se momentos antes de os seus olhos se cruzarem com o amontoado de terra enlameada debaixo do qual a sua namorada se encontra. Uma onda de choque invade-o e a desilusão volta a assolar o seu interior. Ele retira o seu telemóvel do bolso e vê que tem 10 chamadas não atendidas, 8 dos pais e 2 do seu melhor amigo. Olha para o relógio do telemóvel e a sua boca entreabre-se ao ver que já passa das duas da manhã.

Menção Honrosa João Ferreira, 9º A, n.º 16

“Bolas, já é tão tarde.” Ele olha para o amontoado de terra que cobre o caixão onde repousa o corpo de Mariana e suspira “Desculpa-me por não te ter salvo, por não ter visto a tua mensagem, por não te ter dito todos os dias quão bonita és e quanto te amo.” Assim que acaba de falar reza as duas únicas orações que conhece, o Pai nosso e a Avé Maria “Adeus Mariana…” Despede-se com a voz trémula e com os olhos repletos de lágrimas e lentamente regressa ao carro onde acaba por adormecer de tão exausto que está. Acorda quatro horas depois com a luz do sol a bater-lhe na cara anunciando o começo de um novo dia, um novo dia sem Mariana, apercebe-se assim que abre os olhos e vê a porta do cemitério. “E agora, Mariana? O que é que eu vou fazer sem ti?” Diana Pina, nº8, 12ºC

3º Lugar 1º Lugar Letícia Cruz e Pedro Costa 7º B

2º Lugar EFA, Turma C

Cintia Catarina João Ângela 7º A

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MEDIA 2010

Hugo

João Fortunato 11ºC, N.º9

Matos, 2ºB

Só te falta um bocadinho assim! Luís Manso 12º B

“ Há sempre espaço para mais um…”

“Sorriam e digam! OOONNNDDDAAAA!!!”

“ Novo TGV nas Arábias”

“Mudança de pneus no ar!? Não devia ser nas boxes?”

Marco Reis 12.º D, n.º 19

VENCEDOR

Ricardo Carvalho 10.º H, n.º 13

A fibra óptica vai mesmo a sua casa!

Rafael Cardeira 12ºD, N.º22

“Novo BMW X5 (novo extra: mangueira de abastecimento)” Rafael Cardeira 12ºD, N.º22

“Não sigas as pisadas de ninguém, escolhe o teu próprio caminho” Ricardo Carvalho, 10.º H, n.º 13

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Media  

Revista síntese da actividade da Biblioteca Escolar da Escola Secundária Eng.º Acácio Calazans Duarte em 2009/10

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