Issuu on Google+


2011

MEDIA N.º 9

EDITORIAL

SUMÁRIO Editorial

2

A Mediateca Com Vida…

3

Hoje Há Intervalo

5

Personalidade do Mês

6

Semana da Leitura

7

Clubes

8

Clube de Teatro

9

Oficina da Palavra

10

Ver para Crer

10

Literacia da Informação

11

Entre Palavras

12

Parlamento dos Jovens

12

Euroscola

14

Concursos: Poesia

16

Conto

19

Fotografia

22

Marcadores de livros

23

Fala-barato

24

Como manda a tradição do mês de julho, eis a revista Media, já na sua nona edição. Mais uma vez procuraremos levar à comunidade um pequeno aroma do que foi a intensa atividade dinamizada pela Mediateca da Escola Secundária Eng.º Acácio Calazans Duarte. Se muitas das atividades destacadas nesta revista não são mais do que a continuidade de um trabalho desenvolvido há muitos anos, outras foram este ano novidade absoluta para a nossa equipa e sem dúvida, em alguns casos, um sucesso inolvidável. O Hoje Há Intervalo merece destaque, pois tivemos no espaço da Mediateca, ao longo de todo o ano, num total de 21 sessões, excelentes momentos de declamação/representação e música. Também os projetos Euroescola e Parlamento dos Jovens, que não tendo relação direta com as bibliotecas escolares têm sido, ao nível do secundário, dinamizados pela equipa da Mediateca, merecem o nosso destaque. Em virtude dos resultados obtidos em 2009/2010, uma delegação parlamentar de 25 alunos da Calazans Duarte deslocou-se ao Parlamento Europeu para discutir com delegações de 18 outros países vários assuntos de interesse para a União Europeia. A Personalidade do Mês foi outra das novidades deste ano, onde procurámos dar a conhecer, aos nossos alunos, nomes de vários quadrantes da vida pública, sendo de salientar o facto de em sete personalidades em destaque ao longo do ano, três dos nomes terem sido propostos por turmas da escola. A Mediateca Com Vida…, o sarau promovido pela Mediateca, este ano na sua segunda edição, foi outra vitória alcançada. Depois da primeira edição, era preciso, acima de tudo, melhorar. E quem assistiu não deu o seu tempo por perdido. Muito mais poderão encontrar ao longo das 24 páginas desta revista, que procuram espelhar em pouco espaço o muito trabalho desenvolvido, não apenas pela equipa da mediateca, mas fundamentalmente por toda a escola, pois sem a participação de todos nada aconteceria. Boas férias, boas leituras e até para o ano.

Ficha técnica: Capa: José Nobre Produção Gráfica: António Santos, Tony Silva Redação: António Santos, Cristina Trovão, Helena Pires, Jorge Alves, Tony Silva

2

Conversor novo acordo ortográfico: Lince


MEDIA N.º 9

2011

A MEDIATECA COM VIDA… Um sarau de artes e afetos

Para assinalar o término de mais um ano de múltiplas atividades, a Mediateca da Escola Secundária Eng.º Acácio Calazans Duarte organizou, no passado dia 1 de junho, um espetáculo de música, poesia e teatro, no qual foi bem visível toda a dinâmica de algumas das inúmeras atividades implementadas, ao longo de um ano letivo em que a Mediateca se abriu, ainda mais, à participação de toda a comunidade escolar. Realçando apenas alguns dos momentos mais relevantes desta riquíssima mostra cultural, devemos começar por destacar a colaboração dos alunos do Curso Profissional de Instrumentos de Sopro e Percussão, que, com humor e harmonia, abrilhantaram de sobremaneira o espetáculo, tal como já o haviam feito em várias ocasiões, numa das iniciativas mais inovadoras e marcantes realizadas pela equipa da Mediateca, durante o ano letivo que finda: “Hoje Há Intervalo”. Também foi a partir desta atividade que surgiram neste sarau outras surpreendentes presenças, como foram os casos das professoras Ermelinda Pinto e Fátima Roque, que disseram, com imensa sensibilidade e talento, os poemas

“Fim” de Mário de Sá Carneiro e “Lágrima de Preta” de António Gedeão, respetivamente, para além das excelentes execuções musicais da Joana Antunes e da Mariana Lagoyda. Se o “Hoje Há Intervalo” marcou muito positivamente o ano letivo e este sarau, também foram bem visíveis as participações dos clubes associados à Mediateca: o “Clube de Poesia”, por exemplo, foi superiormente representado pela Beatriz Polido e pela Beatriz Figueiredo, que, com as suas doces vozes declamaram belos poemas, para além do prazer de sermos presenteados pela irreverente Carla Daniela Ramos, que disse, com a garra que a caracteriza, um poema de sua autoria. Por seu lado, o “Clube de Teatro” foi protagonista de dois supremos momentos da noite: o primeiro, através da sempre surpreendente Carla de Jesus, que nos apresentou uma leitura muito pessoal e muito original do poema de Ary dos Santos, “Poeta Castrado”; o segundo, com um conjunto de pequenos quadros dramáticos, cheios de humor e alegria, que constituíram um belo encerramento para a participação dos elementos da comunidade escolar neste evento. A este propósito, não queremos deixar de agradecer a

3


2011

MEDIA N.º 9

organizados por esta equipa, alguns dos quais já com larga tradição no nosso universo escolar (poesia, conto, marcadores de livros, fotografia, fala barato), outros ainda a dar os primeiros passos (passaporte de leitura, ortografia).

valiosa colaboração da Prof.ª Sandra José, que muito ajudou a que este clube singrasse e chegasse a este resultado. Por fim, a “Oficina da Palavra”, apesar de não ter uma participação tão evidente, teve três das suas utilizadoras com participações de realce neste espetáculo: duas, dizendo poesia, e uma, recebendo um dos prémios dos concursos. Refira-se ainda, que este sarau não teria o mesmo brilho, se não houvesse a tradicional entrega de prémios dos diferentes concursos

Toda esta noite de artes e emoções foi rematada com a participação da escritora e atriz Isabel-Victória da Motta, que, de uma forma muito breve, mas muito esclarecida, apresentou algo da sua vasta obra, revelando a sua total disponibilidade para futuras participações noutros eventos a realizar na nossa Escola. Sem dúvida que este agradável serão, superiormente apresentado pelos animadores, Mariana Moura e Daniel Carreira, serviram para demonstrar toda a dinâmica que a equipa da Mediateca da Escola conseguiu implementar, através das iniciativas que realizou, abrindo cada vez mais este espaço à Escola e à comunidade. Desta forma pudemos comprovar que, na nossa Escola, a Mediateca é um espaço vivo e com vida. Jorge Alves

A MEDIATECA ESTÁ ON-LINE http://biblioteca.esc-calazans.ccems.pt/ http://pt-pt.facebook.com/people/Mediateca-Eseacd/100002182851645

4


MEDIA N.º 9

2011

HOJE HÁ INTERVALO Um fresco respirar de música e poesia Sem dúvida que esta terá sido a atividade da equipa da Mediateca que terá tido mais impacto no quotidiano da nossa Escola: primeiro foi a novidade, o arrojo e o imprevisto desta iniciativa, que terão deixado alguns um pouco renitentes e duvidosos da sua exequibilidade; depois, foi o empenho, a criatividade e o bom gosto patentes na generalidade das participações dos alunos e professores que a ela aderiram, que fizeram dela um momento de grande impacto na vida escolar, deixando em muitos a vontade de ver esta atividade repetida e melhorada nos próximos anos, para que se consolide e se transforme numa instituição e num hábito cultural da nossa Escola. Sem dúvida que, quem apostou nesta iniciativa teve a sua aposta ganha, pois, ao longo deste ano letivo, muita gente esperava pelas quintas-feiras às 15h, para ver que surpresas os alunos ou professores lhes haviam preparado: seria uma representação teatral? Um conjunto musical pontuando uma declamação poética? Seria um professor que declamava? Seriam alunos que mostravam os seus trabalhos sobre literatura? etc. etc. Mas tudo isto não seria possível sem a abnegação de muitos alunos e professores da nossa Escola, que fizeram de alguns dos intervalos das quintas-feiras (e em todos os dias da Semana da Leitura) momentos sublimes de arte.

Seria fastidioso enumerarmos aqui todos os participantes nesta atividade e injusto salientar alguns; no entanto, devemos referir e agradecer a colaboração dos professores e alunos do Curso Profissional de Instrumentos de Sopro e Percussão que, em muitas ocasiões, abrilhantaram com a sua presença estes nossos intervalos. Como achamos que esta iniciativa deverá prosseguir futuramente, já estamos ansiosos por saber, que outras surpresas os membros desta dinâmica comunidade escolar nos trarão, quando novamente dissermos: “Hoje há Intervalo”! Jorge Alves

5


2011

MEDIA N.º 9

PERSONALIDADE DO MÊS

Novembro

Dezembro

Mário Vargas Llosa

Fernando Pessoa

Janeiro

Fevereiro

Andrei Sakharov

Rosa Lobato Faria

Março

Abril

Aung San Suu Kyi

José Saramago

Quantas personalidades veneram os nossos alunos? Cristiano Ronaldo, Angelina Jolie, Lady Gaga… sem dúvida personalidades em grande destaque, no desporto, no cinema, na música; com certeza outras haverá, em outras áreas do seu interesse, que lhes servirão de exemplo e modelo de vida. Conhecerão eles: Andrei Sakharov, físico nuclear, prémio Nobel da Paz em 1975, que dá nome ao prémio de Liberdade de Pensamento atribuído todos os anos pelo Parlamento Europeu? Mário Vargas Llosa, escritor peruano e prémio Nobel da Literatura em 2010? Eduardo Souto Moura, excelente arquiteto português que em 2011 foi distinguido com o mais importante prémio atribuído nesta área, considerado o Nobel da arquitetura, o Prémio Pritzker, que antes só um português tinha tido a honra de receber, Álvaro Siza Vieira? Aung San Suu Kyi, prémio Nobel da paz, pela sua luta em favor dos direitos humanos na Birmânia? Saberão eles da existência de muitas outras personalidades com um grande papel na nossa sociedade, muitas vezes simplesmente ignoradas pelo cidadão comum? Foi com esta ideia de dar a conhecer algumas importantes personalidades, do nosso país e não só, que desenvolvemos esta atividade, que adquiriu uma maior dimensão pela participação de algumas turmas na execução, nomeadamente, de 3 exposições: Fernando Pessoa (12º C); Aung San Suu Kyi (12º E) e José Saramago (12º C e G) António Santos

Maio

Eduardo Souto Moura

6


MEDIA N.º 9

2011

SEMANA DA LEITURA Em todas as atividades promovidas pela equipa da mediateca da Escola Secundária Eng.º Acácio Calazans Duarte houve sempre o propósito de se entabular um diálogo criativo e profícuo com a Literatura, promovendo a leitura, a escrita criativa e todas as artes que a ela se podem associar. Se isso foi verdade ao longo de todo o ano letivo, houve uma semana muito especial em que verificámos que toda a nossa Escola viveu, respirou e sentiu Literatura: a Semana da Leitura. Foi estimulante para toda a equipa ver como a comunidade escolar respondeu muito positivamente aos desafios lançados, participando com entusiasmo em todas as iniciativas propostas, provocando um contínuo fervilhar de emocionantes acontecimentos, desde as exposições temáticas “Dia Mundial da Poesia” e “Gostei de Ler/ Livros em Caixa”, até ao (Ler Para Crescer), ou o “Hoje há Intervalo”, que muito marcaram essa semana de atividades. Se todas estas iniciativas são de realçar, devemos dar algum destaque, pela sua originalidade e pelo seu ineditismo, ao “Ler para Crescer”, espaço em que foi possível uma interação entre alunos da nossa Escola e crianças do infantário “Arco-íris”, com o intuito de proporcionar a meninos em idade pré-escolar um primeiro contacto com a literatura e com um possível futuro espaço escolar. Do mesmo modo, foi bastante interessante a visita da professora e escritora Manuela Ribeiro, que veio falar sobre a sua experiência literária e sobre a escrita criativa, num convite sugerido pelos elementos do “Clube de Leitura”.

nova página na Internet e a criação de uma conta no FacebooK. Queremos estar mais próximos de quem nos procura e, desse modo, melhor servir a comunidade escolar. Por fim, não poderemos esquecer o “Hoje Há Intervalo”, momento imprescindível em todos os dias dessa Semana, onde pudemos assistir a inesquecíveis atuações, quer de alunos, quer de professores, havendo mesmo, num desses dias, uma associação cúmplice com o grupo de Matemática, em que se aproveitou o “Intervalo”, não só para se ouvir música e declamar poesia, como também para se comemorar o “pi”, aquele número tão importante para a existência da roda, afirmando algumas das vozes críticas de todas estas coisas, que o mais interessante desse “intervalo” tinham sido as rodelas de “pi” (saborosas fatias de salame de chocolate) confecionadas pelos alunos do Curso de Cozinha. Mas isto são ditos de quem só sabe viver pelo estômago e não entende que a arte é um alimento muito mais importante, porque alimenta o espírito. E como de alimentos falamos, prometemos que não vos deixaremos passar fome, para o próximo ano letivo, pois, nesta equipa de ideias por vezes meio loucas, já se sentem a germinar novas ideias para encher de Arte e Literatura toda a nossa Escola, porquanto, como diz a nossa grande poetisa Natália Correia: “a poesia (a literatura) é para comer”. Helena Pires Jorge Alves

Refira-se ainda: o concurso, de ortografia, com a colaboração das professoras do grupo de Francês, a concorrida feira do livro realizada nos últimos dois dias da Semana, a qual só foi possível com a colaboração da livraria “Livros e Companhia”, e as exposições “Gostei de ler” e “Dia Mundial da Poesia”. Simbolicamente, esta semana foi ainda palco de outra aventura da Mediateca: o lançamento da

7


2011

MEDIA N.º 9

CLUBES O que é um clube? Como o definimos? Para tentar responder a estas questões, fizemos uma rápida pesquisa pelos dicionários. Queríamos tentar perceber o que se entende por “clube”. Para José Pedro Machado (Grande Dicionário da Língua Portuguesa), um clube é uma “sociedade, geralmente recreativa, de pessoas que se juntam regularmente em certo local, para jogo, conversação, dança, etc.”.Sim, o Clube de Poesia e o Clube de Leitura da Calazans, são constituídos por um grupo de pessoas que se divertiam juntas, de forma regular (às Quartas-Feiras), num mesmo local (1A3) O Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa apresenta a seguinte definição de “clube”: “associação de pessoas que têm por objectivo a consecução de determinado propósito ou fim comum (c. de poesia, de brídege, de leitura, do uísque) ”. Sim, podemos dizer que os nossos Clubes são uma associação de pessoas, unidas por um objectivo comum, em torno da poesia e da leitura, e que procura cumpri-lo (fizemo-lo no Grupo Desportivo da Amieira, no final do 1º período; na Semana da Leitura, na escola; e no Sarau da Mediateca, no final do ano lectivo...) Mas é o “velho” Dicionário da Língua Portuguesa, da Porto Editora, que na sua edição de 2006 melhor define o que foram estes Clubes: “associação criada para ajudar os seus membros na prática de actividades recreativas, desportivas ou culturais”. Quer o Clube de Leitura, quer o Clube de Poesia são “associações” criadas pela vontade expressa de alguns alunos que, nas suas tardes livres de Quarta- Feira (e até meio do 2º período também à Sexta-Feira), quiseram ajudar-se uns aos outros, divertir-se e enriquecer-se culturalmente. Foi esta tripla vertente que alimentou e deu corpo a esta associação de professores e alunos. Contudo, nenhuma das definições caracteriza cabalmente o nosso “clube”. Pessoas que não se conheciam, alunos de turmas e de anos diferentes,

8

jovens entre os 12 e os 18 anos, foram construindo entre si relações que ultrapassaram em muito a simples presença conjunta num local a uma determinada hora. Os clubes são um espaço de contribuições mútuas e múltiplas, um espaço de partilha e de entreajuda, de afirmação individual e colectiva, de descontracção mas também de rigor. Um espaço onde sabe bem estar, onde se está bem. E esta dimensão, que não está presente em nenhum dicionário, é afinal a mais importante. É o prazer de contribuir, de partilhar, de concretizar. Para nós, da equipa da Mediateca, foi uma experiência riquíssima e um privilégio reencontrar, semana após semana, jovens que connosco foram construindo a “alma” do Clube de Leitura e do Clube de Poesia. Até para o ano! Helena Pires


MEDIA N.º 9

2011

CLUBE DE TEATRO Depois de algumas tentativas frustradas, a Calazans Duarte, finalmente, teve este ano letivo o seu Clube de Teatro. Fruto da insistência dos alunos, das diligências da equipa da Mediateca, da vontade do Diretor e da coordenação da atriz Sandra José, o clube surgiu para dar resposta a uma lacuna que há muito se fazia sentir. Frequentado por alunos do 7º ao 12º ano, este clube foi verdadeiramente um espaço onde cada um deu o melhor de si, onde cada aluno sentiu que contribuía para algo maior do que si próprio. O espírito que se gerou na construção deste clube é bem a prova de que quando “o homem sonha, a obra nasce”; cada um de nós sonhou um pouco, este pouco agigantou-se e a obra aconteceu. As tardes de segunda-feira, e depois de quartafeira, nunca mais foram as mesmas. Era com ansiedade que as esperávamos porque sabíamos que qualquer coisa de novo iria acontecer. A Sandra guiou-nos por caminhos nunca antes desvendados, sempre com uma confiança que nos tranquilizava, sempre com uma atividade diferente que nos preparava para o grande momento do encontro com o público. Cada ensaio foi uma aventura, cada apresentação um tormento!

Mediateca! Mas que alegria quando ouvimos as palmas, quando percebemos que o público gostava de nós, quando sentimos que, juntos, tínhamos dado tudo por tudo! Foi difícil gerir os horários, garantir que todos estivessem presentes nos ensaios, que ninguém se esquecesse da sua fala ou de trazer o adereço necessário... Foi difícil gerir os medos e as inseguranças de cada um, atribuir a cada elemento o papel mais adequado, mas a Sandra tudo superou e o resultado final não deixou ninguém envergonhado. Para o próximo ano haverá mais. Faremos melhor, sem dúvida, porque aprendemos com os erros que cometemos este ano. E desde já fica o convite para que se juntem a nós, porque vale realmente a pena! Helena Pires

Como estávamos nervosos no dia da nossa estreia, no Clube Desportivo e Cultural da Amieira! Que corrupio no dia da apresentação dos Prémios Calazans! Que confusão no dia do Sarau da

9


2011

MEDIA N.º 9

OFICINA DA PALAVRA Quando as palavras se fazem arte Ao longo deste ano letivo, a equipa da mediateca continuou a patrocinar o espaço “Oficina da Palavra”, onde alguns alunos puderam dar largas à sua imaginação e criatividade poéticas, recebendo as críticas e sugestões do professor que, há três anos, tem promovido este espaço de partilha e cumplicidade. Reconhecemos que a participação nesta iniciativa não tem sido tão numerosa quanto esperaríamos; contudo, o trabalho produzido tem sido muito encorajador, nascendo deste diálogo alguns muito meritórios textos poéticos, que muitas vezes são divulgados em concursos ou em outros eventos significativos, como ainda aconteceu no último sarau organizado pela mediateca da Escola. Como este espaço funciona apenas através das ligações eletrónicas (por e-mail) e se processa de forma quase anónima, é difícil quantificar os

resultados obtidos. Não obstante, é com agrado que verificamos que algumas das participantes nesta “oficina” são as mesmas que concorrem aos concursos e em outras iniciativas de cariz cultural, com assinaláveis resultados. Fazendo um balanço de todo este ano letivo, achamos por bem manter esta iniciativa, reforçando a sua divulgação, a fim de incentivar ainda mais à participação de todos os alunos neste salutar espaço da criatividade poética. Por isso, fica prometido que continuaremos disponíveis no e-mail: oficinadapalavra@hotmail.com, assim como em qualquer ocasião, na Mediateca da Escola. Fica o encontro marcado. Saudações poéticas

VER PARA CRER Como escolhem um livro? Pelo título? Pela capa? De cinco títulos (Bum!; Os livros que devoraram o meu pai; Sam e a maldição de sangue; A vida nas palavras de Inês Tavares; Ulysses Moore, a porta do tempo) quais escolheriam? Agora que viram a capa, ainda fazem a mesma escolha? Eis alguns dos desafios da mediadora de leitura, Andreia Brites, aos alunos do 7ºA e 7ºB, numa atividade promovida em pareceria com a Biblioteca Municipal e a Direção-Geral das Bibliotecas e do Livro, que decorreu com um enorme sucesso na Mediateca da nossa escola, no dia 23 de novembro.

10

Jorge Alves


MEDIA N.º 9

2011

Foi colocando vários desafios que a Andreia promoveu a leitura e em particular os títulos aqui referidos e entretanto adquiridos pela Mediateca de forma a fazer face à curiosidade despertada em sua volta. Mas nem só de leitura constou este atelier, pois a escrita também esteve presente, tendo sido possível ouvir textos interessantíssimos, escritos pelos nossos jovens alunos, perante os desafios que lhes eram sucessivamente colocados, pois, escrever não é necessariamente difícil. António Santos

LITERACIA DA INFORMAÇÃO

Atualmente, a informação e o conhecimento são fatores fundamentais para o sucesso profissional. O uso de informação escrita é imprescindível. Vivemos hoje numa sociedade, onde existe um novo tipo de analfabetismo, que revela dificuldades no domínio da leitura e da escrita em particular. As bibliotecas contribuem para o desenvolvimento da literacia de informação, pois possuem recursos de informação diversificados e equipas competentes, que permitem aos seus utilizadores usufruírem de informação de qualidade e em quantidade. Já nas novas instalações, a equipa da Mediateca voltou a dinamizar no início do ano, algumas atividades com alunos do 3º ciclo, integradas nas aulas de Área Projeto, tendo nas turmas de 7º ano, à semelhança do ano passado, desenvolvido temas relativos à forma como realizar

uma pesquisa e como elaborar um trabalho corretamente. No 8º ano o tema trabalhado foi Como fazer uma Apresentação Oral. As sessões com as turmas decorreram com um grande envolvimento por parte dos alunos, permitindo-lhes ultrapassar alguns obstáculos que se lhes deparam na elaboração dos muitos trabalhos que realizam ao longo do ano e aprender algumas estratégias a utilizar numa apresentação oral, perante plateias que é preciso cativar para que a comunicação seja um sucesso. Como complemento, foram divulgadas informações periódicas na Mediateca sobre as etapas de uma apresentação oral. Concluída com sucesso esta atividade, a equipa promete voltar no próximo ano com outro tema e novas competências, dirigidas aos alunos do 9º ano, que permitam o enriquecimento de cada indivíduo de forma a ultrapassar com êxito os obstáculos da sociedade da Informação. Tony Marcus Silva

11


2011

MEDIA N.º 9

ENTRE PALAVRAS Foi no passado dia 4 de maio que os alunos Catarina Santos, Filipe Jesus, Inês Costa e Teresa Alves, alunos da turma A do 9.º ano, depois de passarem por uma primeira seleção a nível de escola, participaram na sessão distrital do concurso “Entre Palavras”, promovido pelo Jornal de Notícias. Este concurso, que procura incentivar as atividades de leitura e de debate de ideias, propunha a elaboração de uma tese argumentativa sobre um dos seguintes temas: “O que é importante na escolha de um Governo ou de um Presidente”, “Emprego/Desemprego” e “Informação Mobile”. A Catarina, o Filipe, a Inês e a Teresa escolheram trabalhar e defender o tema “Emprego/Desemprego” e foi, com este tema, que

foram selecionados para a sessão distrital, na Maceira. Conscientes das dificuldades que surgem ao nível da empregabilidade, quer na população jovem, que sente necessidade de emigrar, quer na população mais velha, que se vê na iminência de ser despedida, a precariedade do emprego é cada vez mais uma realidade. Já o alemão Reinhard Naumann afirmava que “o trabalho cria a nossa identidade social. Viver no medo de perder o emprego é algo contrário à liberdade. Numa conjuntura de crise, ficamos constrangidos e há tendência para o autoritarismo”. Estas foram algumas questões abordadas pelos alunos da nossa escola, que pela primeira vez participou neste concurso. Cristina Trovão

PARLAMENTO DOS JOVENS SECUNDÁRIO A participação da nossa escola no projeto Parlamento Jovem, promovido, a nível nacional, pela Assembleia da República, em parceria com o Instituto da Juventude, tem sido uma constante, nos últimos anos. Este ano, mais uma vez, tivemos a presença de um deputado, Heitor de Sousa, no lançamento do projeto para o ano letivo; e se esta presença não foi especialmente mobilizadora, em contrapartida, tivemos um conjunto de alunos candidatos a deputados na sessão escolar com uma grande

12

entrega na divulgação e promoção do projeto, com o qual se candidatavam, conseguindo uma adesão record nas eleições escolares, com 306 alunos do ensino secundário a participar como votantes. Com a lista A a eleger 8 deputados para a sessão escolar e a lista F os restantes 7 deputados, previa-se uma sessão bem animada, tal como veio a acontecer, com a escolha das medidas que representariam a escola na sessão distrital, bem como os deputados, com o Gonçalo Coutinho, da Lista A, e o Micael Jorge, da lista F, a serem os eleitos, para além do André Couceiro (lista A), a ser o suplente. Na sessão distrital, com a presença de 22 escolas, os deputados eleitos pela nossa escola


MEDIA N.º 9

2011

tiveram uma prestação brilhante, obtendo o primeiro lugar na eleição para a escolha dos deputados que representariam o distrito na sessão nacional, ao que se acrescentaria a cereja no topo do bolo, com o Gonçalo Coutinho a ser eleito o porta-voz do distrito.

Na noite do primeiro dia, sem programa oficial, mas naturalmente com um programa não menos aliciante, entabulou-se um são e espontâneo convívio entre os elementos das diferentes delegações, no INATEL de Oeiras, onde as comitivas se encontravam instaladas.

Esta longa participação iniciou-se ainda em dezembro, com a abertura do processo eleitoral para a sessão escolar, tendo culminado nos dias 30 e 31 de maio, com a sessão nacional realizada na Assembleia da República.

No segundo dia houve novamente uma sessão animada, primeiro, pelas questões colocadas pelos jovens deputados aos verdadeiros deputados da Assembleia da República, depois, pela discussão e escolha das propostas para a recomendação final do Parlamento dos Jovens, a decorrer em plenário, na sala do Senado, com os 126 deputados eleitos.

No primeiro dia dessa memorável sessão, tivemos a discussão das moções dos diferentes distritos, em comissões, estando o distrito de Leiria na 4ª comissão, onde veria o seu projeto ser considerado projeto base da comissão, para além de ter tido a oportunidade de assistir a um excelente espetáculo proporcionado pelo grupo Os Paganinus – Orquestra de Violinos do Conservatório Regional de Setúbal, após o que se seguiu um excelente jantar nos claustros da Assembleia.

Esta é apenas uma breve abordagem do que foi esta participação, que muito trabalho deu aos nossos alunos, ao longo do ano, e que levou a Escola Secundária Eng.º Acácio Calazans Duarte a ser uma das representantes do distrito de Leiria na Sessão Nacional, pelo 3º ano consecutivo, única escola do distrito a consegui-lo, nestes últimos anos. António Santos

13


2011

MEDIA N.º 9

EUROSCOLA

No passado dia 17 de dezembro, um grupo de 25 alunos, acompanhados de 3 professores, deslocou-se a Estrasburgo para representar a delegação portuguesa no Parlamento Europeu, integrado no projeto Euroscola. Com passagem por Paris, Estrasburgo e Baden-Baden, os locais a visitar foram muitos.

Eis o registo diário do dia 17 de Dezembro:

Mas, o melhor desta viagem foi o dia 17 - o dia da sessão parlamentar, no Parlamento Europeu, em Estrasburgo! Foi o dia de defender as ideias em que acreditam, em temas diversificados como: “Dinamizar a Europa”, “2010, Ano Europeu de luta contra a pobreza e exclusão social”, “Ambiente, alterações climáticas, energia”, Política de emprego”, “Democracia e cidadania” e “Futuro da Europa”. Os alunos da nossa escola representaram muito bem Portugal.

E muito, muito ORGULHO!

14

“Nervosismo Ansiedade Alegria Felicidade Cansaço (algum) O dia começou cedo, pelas 7 horas da manhã. Todos os alunos estavam preparados: medidas prontas e fatiota a condizer! Depois da chegada ao Parlamento Europeu, separados dos professores, começaram os trabalhos no Hemiciclo. Neste momento, já se adivinhava alguma supremacia da comitiva portuguesa, uma vez que vários alunos tiveram intervenções pertinentes.


MEDIA N.º 9

Depois do almoço, começaram os trabalhos nas respetivas comissões parlamentares. Nós, os professores, expectantes, íamos tomando conhecimento do andamento dos trabalhos. Rejubilávamos! Mais uma vez, em sessão de plenário, a emoção tomou conta de nós, ao constatarmos o que os nossos alunos conseguiram: 3 Presidências das comissões (André Cabral, André Couceiro e Gonçalo Coutinho) e 2 Redatoras das comissões (Filipa Silvério e Maria Miguel Silva).

2011

No entanto, o melhor estava para vir: em todos os temas trabalhados, as medidas apresentadas pelos alunos portugueses foram aprovadas nas respetivas comissões e aprovadas em plenário. O orgulho encheu-nos a alma! Os jovens da Escola Secundária Eng. Acácio Calazans Duarte surpreenderam os presentes e conquistaram a Europa!” Cristina Trovão

15


2011

MEDIA N.º 9

X CONCURSO DE POESIA Ensino Básico 1º Classificado Calmamente, ando pela rua Observo as pessoas a caminhar Crianças, adultos e adolescentes A rirem, a passear e a gargalhar. Relanceio um olhar para a multidão na frente, E vejo seus olhos a encarar-me Olhos escuros e perigosos Fogo ardente num só olhar. O sangue esquente, acelera a respiração As pupilas dilatam, bate mais forte o coração.

2º Classificado O que é a amizade?

Sinto-o golpear no meu peito, Ruidosamente nos meus ouvidos Porque olhas? Fico sem jeito. Não entendo, não compreendo… Nas profundezas dos teus olhos, Vejo segredos e mistérios escondidos Vens a andar lentamente, Fico nervosa, tantos segredos incompreendidos. O que faço? Fujo, fico, olho? Petrificada, observo atentamente O que fazes, estranho? O que tens em mente? Não sei, não quero, não vou, não posso Hipnotizada, vejo-te a caminhar O que queres, estranho? O que esperas com esse olhar? Silencioso que nem um puma, Vejo o fim anunciado. Tudo ao redor desaparece, Tudo escurece numa bruma.

A amizade é a razão do meu viver o porquê da existência que me ajuda a vencer Amigos são aqueles que querem o nosso bem pois sem eles não somos ninguém Da amizade posso falar porque tenho conhecimentos com os meus amigos posso contar para todo o meu tormento Amigos é alegria é vontade de viver é ter a magia de algo a resplandecer Rita Melanda, 7º C

Maryana Lagoyda, 9º A

TOP Literatura Portuguesa

16


MEDIA N.º 9

2011

Sobre a avó de Anne Ensino Secundário 1º Classificado

O meu nome é Anne. A minha avó costumava contar-me, em pequena, uma história que eu hoje gostaria de ouvir, lembrar com detalhe… ou lembrar-me sequer. O meu nome é Anne E a minha avó costumava sentar-se num sofá velho O dia inteiro a rezar o terço. Ela dizia-me “Deus te ajude” muitas vezes. Às vezes arrepio-me só de me lembrar o quanto ela me queria bem. Às vezes enojo-me quando imagino ver-me da dimensão que ela agora me vê e me vejo uma escrava do relativismo, e me vejo este despojo, este cachimbo vazio, este livro de capa dura e conteúdo desinteressante. A minha avó chorava às vezes, assim do nada, sentada no seu sofá e rezar o terço, e levantava-se e vinha dar-me um abraço e muitos beijos, e dizia muitas vezes, no seu aniversário, “para o ano já não cá estou”. Mas esteve. E vai estar. O meu nome é Anne e tenho pena de saber da minha avó pouco mais que o nome. A melhor pessoa para contar-me a sua história teria sido ela. Pergunto-me como pude e posso eu andar a divagar pelas histórias do mundo e não saber as histórias dos meus, que são a minha história.

A minha avó contava-me que quando morresse iria ter com Jesus, com os anjos e santos. Sinceramente, preferia que assim fosse. Não obstante, reconforta-me a alma sabê-la no sopro do vento, no silêncio trémulo reluzente do fundo do mar, no conforto convulso da terra e na luz distorcida e no vácuo do cosmos. Reconforta-me a alma ter na minha pele gravada esta ideia de renovação, de constante presença, ter em mim uma alegoria a esse eterno ciclo material ao qual todos pertencemos. Um dia está minha alma reconfortada acabará por abandonar o meu paradoxal e errante corpo, e eu irei à barca, não à do anjo nem à do diabo; embarcarei sim na mitologia absurda, talvez ainda por desenhar, e deixarei o vento levar-me até às pérolas do atlântico. E na sua virgindade, no seu suave estalar das ondas, encontrarei o meu paraíso onde o sol é poente. Eternamente. Micael Jorge, 12º G

TOP Literatura Estrangeira

17


2011

MEDIA N.º 9

2º Classificado A minha voz esvai-se como a cor do vento Por entre os dedos para um mundo de silêncio intocável E de céu de prata. Sabes criar risos com lágrimas falsas? Comédia e tragédia estão demasiado perto E cai na solidão o dia brando daquele passado desconhecido Esvoaçante como os teus cabelos. O teu corpo é uma duna, mutável e seca, Perdido o rio de flores que cantaste para a Primavera. Deste-me o teu sopro de fogo e a tua vontade. E eu quedei num espaço vazio demasiadamente perto de ti: Noite fria e opaca, voo de pássaro num qualquer fim. Ao longe estão a cair notas musicais com cheiro a sangue, morangos, a ti e a mim E o seu perfume afunda-se no mar celeste e profundo: Abismo insondável de mistério. O vento é brisa que afaga os meus membros Sussurrando os seus segredos no seu caminho De peso em busca do limite da imaginação. Ganha cor, peso e forma, ganhando ao silêncio o seu lugar Nas almas da treva e no teu corpo de feiticeira. Ergues-te, ensandecida, farta da tua pele de areia E sacodes o manto da sonolência que te envolvia; caminhas então, para o futuro Que vês mas não desejas e chamas um nome Que não pode ser dito porque já foi esquecido: pecado, fatalidade, Desgraça, saudade. E juntas a tua voz à minha, transformando as palavras em pétalas dançando por este mundo, Sem sítio onde pousar nem lábios para beijar. Carla Ramos, 12º G

TOP Filmes

18


MEDIA N.º 9

2011

3º Classificado

Memórias No vento. Na chuva. Acontecia No teu sono. Nos teus gestos. Nas tuas mãos. Nos teus afectos.

Atravessa essa margem a minha alma, Caminha por terras perdidas e sem cor, Onde tudo pára ao encontro da tua calma Como um anjo que esconde a sua dor.

No teu compasso. Nos teus passos. Acontecia Nos teus braços. Nos teus olhos quase aflitos E nos beijos infinitos. Na tua noite. No teu dia. No teu sol acontecia.

Hoje a noite está apressada, Corre e tapa tudo quanto pode, Com um manto negro que desvenda As sombras que o dia esconde.

Agora, sentada aqui, na pedra do pensamento Vejo o rio que atravessei, Águas escuras fogem como o vento De memórias que jamais esquecerei.

Esconde a vida que acontecia Na tua boca. No teu rosto. Nas tuas palavras. No teu fogo posto.

Karolina Kincharouk, 12º H

X CONCURSO DE CONTO 1º Classificado 9h50min Tudo estava perfeito. O dia solarengo, a temperatura amena, a mulher mais bonita do universo sentada ao seu lado, nem um cabelo fora do lugar. Em breve o seu melhor amigo, que apesar de ser o melhor conseguia ser muito irritante, sairia para uma qualquer festa e o outro homem que os ajudava a pagar a renda da casa deixaria o seu assento no alpendre para mais um dos seus longos passeios. Então a perfeição evoluiria.

"Vou andando, pombinhos" disse ao casal sentado no sofá, piscando-lhes um olho. Saiu da casa pela porta principal e preparava-se para descer os degraus do alpendre quando se virou para o seu outro companheiro de casa, um homem catado de cabelo escuro sentado numa cadeira de baloiço. "Que estás para aí a fazer?." perguntoulhe. O homem nem sequer olhou para ele. "Nada." Habituado àquela criatura misteriosa e muitíssimo

TOP Música

19


2011

MEDIA N.º 9

estranha, desceu os degraus e entrou no carro. Tinha beldades para engatar. Sentado na cadeira de madeira, viu um dos seus companheiros de habitação seguir a estrada em direcção à praia. O outro estava dentro de casa com a namorada. A esse, invejava-o. Tinha alguém que o compreendia e amava, alguém que podia abraçar. Ele não. Através da cortina formada pelo cabelo que normalmente lhe escondia a face observou a sua vizinha da frente, uma rapariga pouco mais nova que ele, entrar em casa com os braços carregados de sacos. Talvez um dia fosse capaz de se levantar e oferecer-lhe ajuda. Com esforço, abriu a porta e entrou em casa. Pousou os sacos no chão e preparava-se para fechar a porta quando o seu olhar caiu sobre a figura sentada no alpendre da casa em frente à sua. Nunca, nem durante a sua vida como menina da aldeia, tivera conhecimento de alguém que ficasse tanto tempo sentado na rua sem uma manta nos joelhos como aquele seu vizinho. Todos os dias, sem falhar, antes de ir dar o seu passeio nocturno, ele observava o bairro no conforto da sua cadeira, com uma caneca de um qualquer líquido fumegante nas mãos, balançando-se suavemente. Ele não era feliz, ela sabia-o, e custava-lhe vê-lo tão miserável no seu próprio jardim. Apercebendo-se subitamente que demorara semanas para reunir coragem para aquele momento, pegou num pacote de bolachas de dentro de um dos sacos, atravessou a estrada, disse `olá' à senhora mais idosa do bairro e entrou no pequeno jardim. Velhota, como era conhecida, sorriu perante a imagem da jovem simpática e bem-disposta a falar

com o rapaz que muitos apelidavam de 'Esquisito'. Fariam um bom par, qualquer dia, ao contrário dos que viviam duas casas mais abaixo. Esses estavam a discutir outra vez. Mas ela não tinha pena deles, não, eram as duas crianças que também viviam naquela casa que a preocupavam. Dois seres tão inocentes não deviam ser obrigados a assistir à destruição da sua família. "Porque é que eles estão a gritar?" perguntou a sua irmãzinha. Ele fechou a porta do quarto e abraçou-a. "Estão zangados um com o outro. Mas não te preocupes, vai ficar tudo bem." Ela olhou-o com os seus grandes olhos brilhantes. "Porque é que eles estão zangados um com o outro?" Ele encolheu os ombros. "Quero que eles parem de gritar." A voz da sua irmãzinha tremia, lágrimas escorriam pelas suas bochechas. Eles tinham-na feito chorar. Eles tinham-na feito chorar e ele jamais lhes perdoaria isso. Vendo um homem acelerar estrada fora no seu skate, abraçou mais a irmã e embalou-a. "Eu também." Estava atrasado, estava tããão atrasado! Prometera-lhe que estaria lá com ela, mas estava a demorar demasiado tempo. Queria estar lá para ver o seu filho nascer mas, àquele ritmo, ia perder o autocarro... Maldita falta de fundos que o impedia de comprar um carro. Ou uma mota. Ou uma simples bicicleta. Ah, que se lixasse; o seu skate era o máximo. Saltou para o passeio, agarrouse ao poste de um candeeiro e quase caiu antes de tropeçar para dentro do autocarro. Tinha conseguido. "Trânsito, não me pares agora!" Algo aliviado, sentou-se atrás de uma senhora vestida de preto. Em breve, se o seu skate não se partisse no entretanto, estaria ao lado da sua amada

TOP CDR

20


MEDIA N.º 9

namorada, segurando o filho recém-nascido. Nada nem ninguém os faria infelizes. Nem a sua família, nem a dela, nem sequer os caprichos da vida. Tirou um lenço da mala que segurava sobre os joelhos e enxugou as lágrimas que teimavam em cair. Nenhuma mãe devia viver mais que um filho. Recordou o funeral mais uma vez enquanto observava a rua desfilar pela janela do autocarro. As flores, as condolências, a campa de pedra... Todas essa memórias eram bem vívidas mas ainda lhe pareciam irreais. Uma nova torrente de gotas salgadas molhou-lhe as faces ao ver um jovem fardado passar de automóvel em sentido contrário. Não sabia o que o esperava, o sofrimento que poderia causar àqueles que lhe eram queridos. Parou num semáforo vermelho e praguejou que nem um marinheiro. Se não conseguisse chegar à lavandaria a tempo de levantar o vestido da irmã estaria feito ao bife. Na verdade, estaria feito ao bife, temperado, cozinhado e servido a uma alcateia esfomeada. Finalmente chegou, estacionou e correu para dentro da loja. Já de vestido nos braços regressou ao carro, deixando uma moeda na caneca rachada de um mendigo. Agora só tinha que conseguir chegar a casa antes da irmã, para que ela nunca sonhasse com a nódoa de café que horas antes ornamentava a sua peça de vestuário favorita. Outra moeda tilintou para dentro da sua caneca e ele agradeceu. Sentava-se naquele sítio todos os dias. Costumava render uns bons trocos mas a verdadeira razão que o levava ali tantas vezes nunca a contara a ninguém. Gostava de ver quem saía da lavandaria e de imaginar histórias para a roupa protegida por sacos transparentes que carregavam. Aquele último jovem com o vestido vermelho, por exemplo, ou era travesti ou tinha uma irmã impiedosa. O homem que trabalhava na fábrica de fogo-de-artifício acabado

2011

de entrar, por sua vez, trabalhava por turnos e, considerando que mandava lavar a farda, tinha uma chefe meticulosa. Geralmente, talvez devido a traumas de infância, aqueles seus devaneios terminavam numa mulher com horror a sujidade. Depois de passar pela lavandaria e vestir o uniforme lavado no banco traseiro do carro, escondido numa viela, encaminhou-se para mais uma noite a misturar químicos na fábrica e fogo-deartifício onde estava empregado. Ao subir a estrada que dava acesso ao complexo fabril compreendeu que algo de errado se passava. Uma pequena multidão de operários aglomerava-se junto à ravina que o tempo abrira na pedra sobre a qual a estrada seguia. Parou perto deles, saiu do carro e informou-se. Então olhou para o homem com as mãos na cabeça e partilhou a sua angústia e desespero. O motorista do camião cujo reboque se havia virado para a ravina observou, incrédulo, as caixas de efeitos pirotécnicos caírem escarpa abaixo, acendendo-se pelo caminho. Não fazia ideia que animara dois casais, uma velhinha e dois irmãos de um bairro dos subúrbios, uma festa na praia, tornara ainda mais especial o nascimento de uma criança, relembrara a uma mãe os maravilhosos momentos passados com o filho perdido, permitira a um jovem soldado escapar à fúria da irmã enraivecida e acordara um pedinte para o espectáculo mais especial em que alguma vez pousara os olhos. Francisca Dias, 11º C

21


2011

MEDIA N.º 9

Rui Vale, 10º E

1º Classificado

VII CONCURSO DE FOTOGRAFIA

2º Classificado Rafaela Lopes, 12º F

3º Classificado Rui Vale, 10º E

22


MEDIA N.º 9

2011

V CONCURSO DE MARCADORES DE LIVROS

1º Classificado

2º Classificado 3º Classificado

Alexandra Alves, 7º C

Isabel Cardoso, 7º B

Carolina Costa, 7º B

23


2011

MEDIA N.º 9

V CONCURSO FALA BARATO

VENCEDOR

“Campeões no desporto e na vida.” André Couceiro, 11º A

”Vamos fugir: eu, ela e ele (cavalo)!!!” Jéssia Santos, 11º J

“ “Descobrimos agora como Jesus Cristo caminhou sobre a água!”

João Fortunato, 12º C

24

“Primeiro as senhoras!” Isabel Castro, Prof.

““I’m different!” Vanessa Maximiano, 11º J

“A união faz a força! Isabel Castro, Prof.

““Só de avião” João Pedro, 12º E


MEDIA