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Município aprova terceira unidade de produção de Pág. 6 Cannabis

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/ Diretora Patrícia Seixas SETEMBRO 2021 / Edição nº 5607 Mensal / ANO 121

Pelourinho de Atalaia regressa à freguesia Pág. 8

Sete irmãs que são sete locais de culto religioso ligados entre si por meio visual ou auditivo. Há a história e também as lendas. Duas continuam a ter celebrações regulares, duas anuais, duas são privadas, uma já não existe outra está abandonada. Este verão fomos à procura das Sete Irmãs. Págs. 15 a 18

ENTREVISTA

A situação dos afegãos em entrevista a Bruno Neto Págs. 3 e 4

Grupo

uma nova forma de comunicar. ligados por natureza. 241 360 170 . geral@mediaon.com.pt www.mediaon.com.pt

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/ JORNAL DE ABRANTES

121 ANOS

/ Abrantes / Constância / Mação / Sardoal / Vila Nova da Barquinha / Vila de Rei

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a j ¶

VILA NOVA DA BARQUINHA


A ABRIR / FOTO OBSERVADOR /

EDITORIAL /

Numa campanha de escavação que decorreu este verão no vale do Ocreza, no concelho de Mação, foram encontradas novas gravuras rupestres paleolíticas. A escavação foi promovida pelo Instituto Terra e Memória numa parceria com a Câmara Municipal de Mação - Museu de Arte Pré-Histórica, Instituto Politécnico de Tomar e Universidade Autónoma de Lisboa. Duas décadas depois dos primeiros achados de arte Paleolítica em Mação, as novas figuras representam vários animais e vêm abrir uma nova perspetiva sobre os estudos de arte rupestre do Complexo Rupestre do Tejo e uma melhor compreensão das figuras rupestres do vale do Ocreza. Nos depósitos que cobriam as gravuras, foram igualmente encontrados alguns artefactos. A DGPC - Direção Geral do Património Cultural já visitou o local. Os primeiros resultados serão apresentados internacionalmente no Congresso da União Internacional das Ciências Pré-Históricas e Proto-Históricas, no próximo dia 5 de setembro, em Marrocos.

/ Patrícia Seixas / DIRETORA

Entramos em setembro, e após as férias, eis que o mês se afigura agitado. No dia 26 de setembro, votamos para eleger os nossos presidentes de Câmara e respetivos executivos, as Assembleias Municipais e os nossos presidentes das Juntas. As apresentações de listas sucedem-se e damos-lhe conta de mais algumas nesta edição. Vamos ter um período de campanha eleitoral e, mais uma vez, a Rádio Antena Livre, em parceria com o jornal mediotejo.net, vai realizar os debates eleitorais que poderá acompanhar no 96.7 fm. Quanto a datas, arrancamos dia 13, pelas 21 horas, com o debate entre os candidatos à Câmara de Abrantes. No dia 14, é a vez do debate entre os candidatos à Câmara de Constância, com início às 18 horas. Na quarta-feira, dia 15, ouvimos os candidatos à Câmara de Mação, pelas 21 horas e, na quinta-feira, dia 16, tem início à mesma hora, o debate entre os candidatos à Câmara de Sardoal. Ouvimos os candidatos à Câmara de Vila de Rei, na sexta-feira, dia 17, pelas 18 horas e terminamos na segunda-feira, dia 20, com o debate entre os candidatos à Câmara de Vila Nova da Barquinha, marcado para as 21 horas. Ouça os candidatos do seu concelho, conheça as suas propostas e, vote em quem votar, em quem achar que é merecedor, mas vote. É um direito conquistado mas, na minha opinião, é muito mais um dever. O desinteresse não nos leva a lado nenhum nem ajuda em nada. E terminou agosto, da pior forma possível. Diante dos nossos olhos passaram diariamente imagens horrendas vividas em Cabul, a capital do Afeganistão. Bem perto de nós, tínhamos quem lá viveu e conheceu os afegãos. Foi sobre esse estado de espírito e dos anseios e expetativas daquele povo que falámos com Bruno Neto. Uma visão “de dentro” que algumas vezes contrasta com a ideia preconcebida que temos das situações. E saber que o Bruno deseja voltar ao país para terminar a sua missão, abre-nos ainda mais os horizontes. Uma entrevista a ler. Já ouviu falar da lenda das 7 Irmãs? Este era um trabalho que andava a ser pensado na redação do seu Jornal de Abrantes já há algum tempo. Chegou a hora de lhe contarmos a história e as histórias que envolvem estas sete capelas que “olham” umas para as outras. Como o Verão ainda não acabou, descubra nas páginas do seu Jornal mais algumas atividades que ainda pode aproveitar este mês. Temos paddle nos rios Tejo e Zêzere, tinha conhecimento? Nós fomos descobrir que modalidade é esta que tanto sucesso tem feito aqui bem perto. Despeço-me por mais um mês reforçando o apelo que lhe fiz no início: vote. Não deixe que outros tomem a decisão por si.

ja / JORNAL DE ABRANTES

PERFIL / / Naturalidade / Residência: Pego

/ Helena Oliveira, 58 anos / Administrativa

impulsiva talvez tivesse evitado algumas situações menos boas na minha vida, provocadas por / Qual é o seu maior medo? essa ingenuidade. São portanto Acho que é um medo comum duas características que consia muita gente: morrer e não ter dero estarem ligadas entre si, no feito tudo o que desejaria ao lon- meu caso. go da vida. É uma ideia que me “assalta” muita vez. Não é preo- / Se soubesse que morria cupante, mas é verdade que me amanhã, o que faria hoje? lembro às vezes. Não sei nem nunca tinha pensado nisso. Mas se eu soubesse isso, / Que pessoa viva mais admira? assim de repente, acho que talvez São duas. Deram-me a vida: os me isolasse. Morreria sozinha. meus pais que tanto amo. / O que mais valoriza nos seus / Onde e quando foi mais feliz? amigos? Fui feliz em muitos sítios. Mas o A lealdade, a verdade e a Amizamomento mais feliz e indescrití- de com “A” grande. Penso que são vel da minha vida foi sem dúvida sentimentos comuns a todos nós. alguma o nascimento do meu É isso que todos queremos num filho, que ao longo da sua vida Amigo (a). E é isso que tento dar me tem dado os meus momentos aos meus e penso que consigo. mais felizes. Atualmente, são os Ter Amigos é cada vez mais raro. filhos dele (meus netos, portanto) que fazem os meus dias mais / Quem são os seus artistas felizes. favoritos? Na área da música são muitos. / Que talento mais gostaria de E ouço muitas coisas diferentes. ter? Nunca fui de ficar muito “agarTalvez escritora…Talvez escreves- rada” a um só estilo. Então, e se o livro da minha vida. conforme os estados de espírito, posso ouvir Roberto Carlos, Júlio / Se pudesse mudar uma Iglesias, Queen, Delfins, Patrick característica em si, o que seria? Swayze, entre muitos outros. A impulsividade e ao mesmo tempo, a minha genuinidade (ou / Quem é o seu herói da ficção? ingenuidade). Se não fosse tão Zorro. Toda a gente conhece.

Sempre fui fascinada. / Com que figura história mais se identifica? Não sei. Nunca pensei nisso. Não consigo responder  / Quem são os seus heróis da vida real? Uma vez mais, refiro os meus pais, foram eles que sempre lutaram comigo. Sempre estiveram (e estão) ao meu lado. Todos os dias sem exceção. / Onde gostaria mais de viver? Em Portugal, onde vivo. No Pego…a minha linda aldeia das casas baixas, o meu Pego. “Já que no Pego tivemos que nascer, somos pegachos até morrer”. / Se fosse presidente de Câmara, o que faria? Não sendo política, é difícil responder. Considero que é uma tarefa muito difícil, embora pareça fácil para muitos, segundo as redes sociais, onde toda a gente é perfeita e faz tudo muito facilmente. É incrível o que se lê. Mas, penso que qualquer presidente de Câmara quer e gosta de defender os interesses dos seus munícipes e trazer mais valias para o seu concelho.

FICHA TÉCNICA Direção Geral/Departamento Financeiro Luís Nuno Ablú Dias, 241 360 170, luisabludias@mediaon.com.pt. Diretora Patrícia Seixas (CP.4089 A), patriciaseixas@mediaon.com.pt Telem: 962 109 924 Redação Jerónimo Belo Jorge (CP.7524 A), jeronimobelojorge@mediaon.com.pt, Telem: 962 108 759. Colaboradores Berta Silva Lopes, Leonel Mourato, Paula Gil, Paulo Delgado, Taras Dudnyk, Teresa Aparício. Cronistas Alves Jana e Nuno Alves. Departamento Comercial. comercial@mediaon.com.pt. Design gráfico e paginação João Pereira. Sede do Impressor Unipress Centro Gráfico, Lda. Travessa Anselmo Braancamp 220, 4410-359 Arcozelo Vila Nova de Gaia. Contactos 241 360 170 | 962 108 759 | 962 109 924. geral@mediaon.com.pt. Sede do editor e sede da redação Av. General Humberto Delgado Edf. Mira Rio, Apartado 65, 2204-909 Abrantes. Editora e proprietária Media On - Comunicação Social, Lda., Capital Social: 50.000 euros, Nº Contribuinte: 505 500 094. Av. General Humberto Delgado Edf. Mira Rio, Apartado 65, 2204-909 Abrantes. Detentores do capital social Luís Nuno Ablú Dias 70% e Susana Leonor Rodrigues André Ablú Dias 30%. Gerência Luís Nuno Ablú Dias. Tiragem 15.000 exemplares. Distribuição gratuita Dep. Legal 219397/04 Nº Registo ERC 100783. Estatuto do Jornal de Abrantes disponível em www.jornaldeabrantes.pt. RECEBA COMODAMENTE O JORNAL DE ABRANTES EM SUA CASA POR APENAS 10 EUROS (CUSTOS DE ENVIO) IBAN: PT50003600599910009326567. Membro de:

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JORNAL DE ABRANTES / Setembro 2021


ENTREVISTA /

“Durante os últimos 20 anos, a NATO matou 75 mil civis. Os talibã mataram muito menos” // Bruno Neto, 42 anos, natural de Tramagal. Em maio rumou até Kandahar, no Afeganistão, e é para terminar o seu trabalho lá que pretende voltar, assim que estiverem reunidas as condições de segurança. É gestor de operações humanitárias e faz desta atividade a sua vida há mais de 18 anos. Já viveu na Jordânia – onde tinha projetos na Síria, no Líbano, no Egito e na Palestina - , nas Honduras – com projetos em Honduras, Nicarágua e El Salvador - , Angola, Congo, na Serra Leoa (durante o Ébola), Moçambique e Mongólia. Kandahar é a sua nova casa. // Com o Afeganistão na ordem do dia, foi sobre essa experiência que falámos e lhe damos conta nas próximas linhas.* Entrevista por Patrícia Seixas Como surge mais esta “aventura” na tua vida, agora no Afeganistão?

Eu fui para o Afeganistão em maio. Estava a trabalhar em Portugal já há dois anos e como em Portugal não havia grandes oportunidades e eu ainda ainda não tenho grande respeito institucional por aqui, quer a nível financeiro, quer mesmo de trabalho, abri o site de trabalhos internacionais e vi Kandahar. Não era só o Afeganistão, se fosse em Cabul eu não iria, mas Kandahar, por razões históricas e pela situação que já se estava a viver e que eu sabia que iria viver, não foi difícil ficar motivado para ir. Passei por vários processos de seleção e depois de um mês de testes e entrevistas, acabei por ser escolhido.

Nesta fase, viveste no Afeganistão quanto tempo?

De maio até final de julho, foram três meses.

Como é que sentiste o pulso da comunidade? Havia receios ou o sentimento dominante era a esperança?

Em termos pessoais, a minha forma de me relacionar com qualquer povo para onde vou, e tendo já trabalhado em tantos sítios e, em teoria, com tantas pessoas diferentes, não tenho dúvida nenhuma que a essência do ser humano é toda igual. No final do dia toda a gente quer ter comida na mesa, toda a gente quer que os seus filhos e filhas possam ir à escola, que possam ser homens e mulheres. A partir do momento em que vou para qualquer país, e o Afeganistão não foi exceção, a forma de eu me apresentar é como uma pessoa normal, é como alguém igual. E eu fui tratado da mesma forma que eu tratei as pessoas. Receberam-me, acolheram-me bem... a primeira vez que fui ao mercado para comprar roupas tradicionais, ninguém queria aceitar o meu dinheiro porque aquilo que eu estava a fazer era para eles uma honra. Eu queria comprar roupa, um chapéu, uns sapatos tradicionais e as pessoas não queriam mesmo receber o meu dinheiro.

É isso que fazes sempre, tentar logo inserir-te na comunidade onde estás, nos seus usos e costumes...

Sim porque eu não vou para um país para emigrar, ou seja, eu não vou ficar lá, sou quase como um visitante. Eu não me envolvo em questões políticas de fundo, eu não vou para esses países para fazer uma análise ou julgamento

/ Bruno Neto às compras no mercado em Kandahar

existencial, comportamental ou mesmo civilizacional. Portanto, o meu objetivo é ajudar a salvar vidas, é potenciar os projetos que nós temos, chegar a mais pessoas, melhorar o nível de vida. A partir desse momento, eu faço aquilo que eu analise que seja necessário para ter mais sucesso no meu propósito. Por exemplo, quando vivi no Médio Oriente, nunca tirei os brincos, nunca senti que fosse necessário. No Afeganistão, antes de aterrar, eu tirei os brincos porque achei que iria ser mais respeitado. Não vou para lá com a ideia de mudar qualquer tipo de mentalidade mas talvez possa, através da atitude, influenciar através da conversa, do diálogo e da abertura. Quando nós nos sentimos iguais, na base, podemos compreender um bocadinho melhor as diferenças.

Sentiste que já havia algum medo de que os talibã pudessem voltar ao poder?

As pessoas têm medo da guerra, as pessoas têm medo de morrer, têm medo de terem piores condições de vida, têm medo de passar fome, têm medo dessas

coisas todas. Se formos muito frios a analisar a situação, durante os últimos 20 anos, a NATO matou 75 mil civis. Os talibã mataram muito menos. Portanto, quando falamos do que é a que as pessoas querem, as pessoas não querem é morrer. As pessoas não querem viver conflitos. Ainda que, para o resto do mundo, esta transição tenha sido bastante rápida, ou melhor, que pensem que a transição não iria ser tão rápida, a verdade é que para eles, e para mim que estava lá, isto aconteceu de forma lógica. Durante 20 anos temos um sistema que não funciona, um sistema que alimentar oligarquias, que alimenta a pobreza extrema, que não construiu nada (algumas estradas) mas nada em termos de hospitais, em termos de escolas. Portanto, nestes últimos 20 anos, os triliões de dólares que chegaram ao país, foram apara alimentar as próprias estruturas e empresas ligadas a estas operações, bem como uma oligarquia afegã. Para as pessoas normais, o que querem é não morrer, eles querem é ter paz.

Isso quer dizer que a presença das

forças estrangeiras não era bem vista...

Não, claro que não. Porque a presença das forças estrangeiras sempre foi a mudança da mentalidade através da parte bélica e não é com bombas que nós levamos direitos humanos. Não é com ataques indiscriminados que nós metemos as pessoas, mais ou menos, com um sentido democrático ou de mudar comportamentos. Isso faz-se com programas de educação, faz-se com programas de acompanhamento, faz-se lado a lado e nunca contra.

Dá para acreditar, de alguma maneira, que desta vez o regime talibã venha mais moderado e que respeite os direitos humanos, essencialmente das mulheres?

Sem dúvida nenhuma que estes talibã não são os mesmos de 2001/2002. Mesmo que haja muita gente a querer fazer passar essa ideia, não são e há várias evidências que o retratam. Ou seja, a comunicação é diferente, a forma de lidar com entidades externas é diferente, a forma de lidar entre eles é

Setembro 2021 / JORNAL DE ABRANTES

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ENTREVISTA / diferente. Houve aqui um upgrade para uma outra coisa. Nós não sabemos. Tivemos quase que uma campanha eleitoral por parte dos talibã a dizer o que queriam e o que não queriam fazer. Até agora, a maior destas intenções têm sido respeitadas e eu vou sempre falar no “até agora”. Sem querer fazer projeções, até agora as coisas têm estado a funcionar bem. Não houve alterações no nosso trabalho diário, as mulheres afegãs continuam a ir ao trabalho e não houve qualquer imposição de utilização de qualquer tipo de burka. Eles próprios têm dito que não querem obrigar. Até agora, as coisas têm estado a ser normais. Normais, dentro do normal que estava a acontecer antes da tomada territorial.

Tens mantido o contacto com os afegãos?

Eu estou a trabalhar a tempo inteiro. Todos os dias tenho reuniões com as minhas equipas. Continuamos a trabalhar no terreno. Fomos das únicas organizações que não pararam de trabalhar e também por isso ganhámos o respeito destas novas autoridades locais e nacionais. Fomos das poucas que nunca parámos também durante períodos de guerra e aí ganhámos pontos, no sentido de continuarmos a poder chegar às pessoas, de continuarmos a poder prover um acesso à saúde pública e mesmo às questões mais complicadas.

Concretamente, qual é a tua missão em Kandahar?

Eu estou a chefiar uma base de operações. Sou responsável pela gestão e pelas vidas de quase 400 pessoas, quase 400 profissionais. Nós estamos a ajudar, anualmente, mais de uma centena de milhar de afegãos e afegãs com os nossos projetos e eu tenho a responsabilidade de gerir todas as operações, de assegurar que diariamente todos os nossos trabalhadores e trabalhadoras vão para o terreno em segurança, que estão em segurança, fiquem em segurança e regressem em segurança. Trabalham, aumentam a qualidade do trabalho e como consequência disto tudo, chegamos a mais pessoas e ajudamos a salvar a vida a mais pessoas. Ajudamos na nutrição, ajudamos no acesso aos serviços básicos de saúde, alguns serviços mais avançados e ainda a questão dos partos. Fazemos apoio psico-social, que foi algo que foi permitido que continuássemos a fazer, mesmo na questão da violência sobre as mulheres. Continuámos a trabalhar nisso tudo.

“Quando vemos operações militares que não têm mais do que a parte bélica, não podemos esperar grande alteração”

/ “Irei voltar assim que seja possível”

Se a vida no Afeganistão está a decorrer com normalidade, como é podemos interpretar as imagens de desespero que vimos diariamente nas televisões?

Houve um controlo de informação sobre Cabul. Enquanto nós, fora de Cabul, estávamos a ver o avanço, claríssimo, e todos nós sabíamos qual era o desenlace, o que ia acontecer, as pessoas em Cabul foram apanhadas de surpresa porque lhes foi negada a informação, não só pelo próprio Governo como pe-

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JORNAL DE ABRANTES / Setembro 2021

los próprios media internacionais. Há muito tempo que toda a gente sabia que isto ia acontecer, mas mesmo sabendo, o Governo nunca se sentou com os talibã à mesa, tal como se sentaram os americanos e se sentou a NATO. Então, com alguma naturalidade, não foi prevista nenhuma passagem, não foi previsto nada. Sem dúvida nenhuma que havia pessoas que queriam este caos para se fazer a ligação da chegada dos talibã a este desespero. Não é justo para estas pessoas, são horrendas as imagens que vemos na televisão. Tem havido por parte das novas pessoas responsáveis pela comunicação dos talibã, como por parte dos conselheiros que têm estado neste processo, inclusivamente o Hamid Karzai [ex-presidente do Afeganistão. Foi a figura política dominante no Afeganistão desde a derrubada do talibã em 2001 até meados da década seguinte], tal como anciãos que têm sido chamados para ajudar, todos estão a pedir calma às pessoas e a pedir para que as pessoas fiquem em casa. Inclusivamente e “por graça”, no dia 25 de agosto foi feita uma comunicação dos talibã a pedir às mulheres para permanecerem em casa porque muitos dos seus soldados e dos seus guerrilheiros não tinham ainda sido treinados nem capacitados para lidar com mulheres. Portanto, eles próprios estão a ter esta preocupação. Em qualquer revolução, passamos por momentos dolorosos, de violência, momentos de descontrolo e também de aproveitamento. E uma coisa muito clara para mim é que para aquilo que nós temos estado a ver, a maior parte previa que iriam morrer mais pessoas no aeroporto, que iria ser ainda mais

problemático, mas para o caos que está, a coisa até nem tem sido demasiadamente grave. Colocando, naturalmente, as coisas em perspetiva. De referir que, neste momento, cerca de 50% da vida de Cabul foi normalizada, ou seja, 50% dos negócios estão abertos. Em Kandahar, 90% dos negócios estão abertos. Falta, naturalmente, abrir os bancos mas também há um embargo por parte dos Estados Unidos da América à utilização dos dólares e à entrada dos dólares no país, o que não deixa de ser curioso. Neste momento, há muitas entidades governamentais que ainda não estão a trabalhar de forma completa. Ainda há muitos gabinetes que ainda não estão a funcionar porque se está a formar um novo Governo e a analisar as estruturas e tudo isso. Portanto, esta normalidade demonstra também que aquilo que aconteceu nos últimos 20 anos não era assim tão diferente daquilo que está a acontecer agora. Muitas das coisas que nós vemos e que aparecem nos meios de comunicação são manipuladas. Não é pelos Estados Unidos da América saírem do Afeganistão que as mulheres vão ter mais ou menos direitos. Durante o período em que estiveram lá os americanos, daquilo que eu vi nas ruas, das mulheres no Afeganistão, relativamente à utilização da burka, a um certo controlo social e em termos comportamentais, era exatamente igual àquilo que se esperaria de um sítio bastante conservador. Não é só pela questão dos talibã, porque até agora temos visto exatamente o contrário, mas é também uma questão cultural e do momento civilizacional deste país. Não querendo condicionar as análises, o Afeganistão é

um país que foi barbaramente ocupado pelos britânicos, foi ocupado pela União Soviética, foi ocupado pelos americanos e é um país que foi ocupado por uma força chamada talibã, que não existia ou não era relevante e que foram criados, alimentados e brutalmente financiados pelos americanos. Seja com os talibã, seja com o que for, o Afeganistão precisa de apoio, as pessoas precisam de apoio para continuarem a viver e precisamos de dar a mão, especialmente à sociedade civil. Isto para que possam continuar a ser ativos, para que possam continuar a querer construir um país e é a altura, creio eu, de ser o próprio Afeganistão a construir-se a ele próprio. Com cooperação e apoio das entidades externas porque nunca será pela força que nós vamos mudar mentalidades. Isso são as técnicas do século XIX e século XX. Creio eu que já não estamos nessa altura. Quando vemos operações militares que não têm mais do que a parte bélica, não há programas aliados, não podemos esperar grande alteração. Vemos é exatamente o contrário, que é um processo em que as pessoas são colocadas em ilhas, em que começam a criar cada mais preconceitos em relação ao outro e este, que é um comportamento humano perfeitamente normal, havendo um isolamento destas pessoas, os diálogos e as pontes acabam. É altura de construirmos pontes e não de as demolirmos.

Pensas voltar ao Afeganistão?

Naturalmente. Eu tenho contrato de trabalho, esta é a minha vida e estou habituado a trabalhar em situações complexas. Não tenho nenhum complexo de herói, ou seja, não irei para o Afeganistão enquanto não houver condições mínimas de segurança mas estou habituado a trabalhar em climas de insegurança. Com alguma naturalidade, irei voltar assim que seja possível e sei que aquilo que eu faço pode também ajudar de alguma forma a melhorar o país e a melhorar a vida de muitas pessoas. *A entrevista a Bruno Neto foi feita antes do dia 31 de agosto, data limite da retirada das forças norte-americanas do país e antes dos atentados junto ao aeroporto


REGIÃO / Abrantes

Governo chama autarquia e comissão de trabalhadores para preparar futuro // O processo de encerramento dos grupos a carvão da Central do Pego continua a fazer o seu caminho, à margem do anunciado recurso aos tribunais por parte da Tejo Energia, que defende que o ponto de injeção na rede que vai ser leiloado lhe pertence. Independentemente das questões relacionadas com as batalhas jurídicas entre os acionistas e entre os acionistas e o Estado português, o concurso público faz o seu processo. O governo está a “desenhar” o caderno de encargos para este concurso público e convocou a Câmara Municipal de Abrantes, a Comissão Intermunicipal do Médio Tejo e a comissão de trabalhadores para uma reunião no dia 25 de agosto. Estas entidades foram chamadas a esta reunião através de um e-mail do secretário de Estado da Energia João Galamba e a informação foi avançada na reunião do executivo municipal de Abrantes de 24 de

“Concurso público para o ponto de injeção na rede avança mesmo – Governo”

/ As torres de refrigeração vão deixar de “largar” vapor de água a partir de dezembro agosto pelo presidente Manuel Jorge Valamatos. O autarca explicou que este é um dos passos que o governo garantiu: a participação das entidades locais na definição das estratégias do futuro deste processo. Uma coisa é certa, a 30 de novembro os dois grupos a carvão do Pego vão mesmo parar a produção de eletricidade. Manuel Jorge Valamatos foi para

esta reunião com duas grandes preocupações e com o desejo de que “o processo seja o mais célere possível para minimizar o impacto junto dos trabalhadores e da atividade económica do nosso concelho”. A reunião aconteceu no dia 25, mas não trouxe ainda qualquer novidade sobre o processo. O Jornal de Abrantes sabe que o governo, através do Ministério do Ambiente

e da Transição Energética vai enviar toda a documentação do processo para que as três entidades locais, Câmara, Comunidade Intermunicipal e Comissão de Trabalhadores, possam preparar propostas e posições para defender junto do ministério antes de ser fechado o caderno de encargos do concurso público. O autarca de Abrantes tem a expetativa de que estas reuniões possam criar um caderno de encargos para o futuro concurso público do ponto de injeção na rede que tenha em conta os profissionais ligados ao encerramento da central a carvão. Mas, por outro lado, indicou que “queremos um grande projeto de reconversão da central a carvão para o concelho e para a região (…) e com o empenho do governo para

que possa ser reforçada a atividade económica da região”. Manuel Jorge Valamatos diz que um objetivo é garantir os postos de trabalho que agora existem e tem a expetativa de poder haver um reforço de postos de trabalho ou um projeto que dinamize a economia da região. Sobre este assunto, o vereador eleito pelo Bloco de Esquerda, Armindo Silveira, disse que gostava de saber o que é que está em cima da mesa para aquele local [central do Pego] uma vez que, como já se está a elaborar o caderno de encargos, é porque já existirá um caminho a seguir. Na mesma intervenção pediu mais informação sobre aquilo que está programado. Armindo Silveira disse ainda que a três meses do final de operação já há trabalhadores que saíram, ou por medo do encerramento ou porque encontraram trabalhos similares noutras unidades. O vereador referiu ainda que não se pode ignorar que a empresa tem uma responsabilidade social para com os trabalhadores, reforçando que sempre tiveram essa responsabilidade ao longo dos anos. Depois, vincou que a solução para com os trabalhadores também terá de vir da parte das empresas que estarão a laborar ainda até 30 de novembro. Jerónimo Belo Jorge PUBLICIDADE

Setembro 2021 / JORNAL DE ABRANTES

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REGIÃO / Mação

Autarquia aprova terceira unidade de produção de Cannabis // O concelho de Mação prepara-se para a instalação da terceira unidade de produção de cannabis para fins medicinais. A Câmara Municipal de Mação aprovou o projeto para a instalação desta unidade agro-industrial de capitais canadianos no alto do Casal, ou seja, nas proximidades da aldeia de Casal da Barba Pouca. O presidente da Câmara de Mação informou que a empresa é uma unidade de produção da planta para exportação para fins medicinais. E adiantou ainda aos vereadores que a empresa já fez o arrendamento dos terrenos para a plantação e até já começou a fazer a limpeza dos mesmos. Ao Jornal de Abrantes o presidente da Câmara Municipal de Mação disse que este é um processo que finaliza agora [25 agosto], mas que já tinha começado à muito tempo. É uma unidade de produção

agro-industrial a instalar no local “a que chamamos Alto do Casal, junto à EN 3-12 [entre Mação e Ortiga, junto ao cruzamento para o Casal da Barba Pouca]”. De acordo com o presidente da Câmara Municipal de Mação, os outros dois investimentos nesta área estão a decorrer a bom ritmo, um no Alto da Caldeirinha quer em Ortiga. No projeto a implementar em Ortiga o autarca indicou que já são bem visíveis as obras de construção das respetivas unidades e deverá ser a primeira a começar a laborar, até final deste ano. O projeto para o Alto da Caldeirinha é o mais ambicioso pois prevê a plantação de cannabis, a extração do óleo e até o embalamento para consumidor final. “É um processo

que se inicia e termina aqui em Mação, enquanto nos outros dois há a plantação, mas o tratamento final será feito noutros locais”. Esta unidade deverá começar a laborar entre março ou abril. Vasco Estrela afirmou que a unidade de Ortiga tem cinco ou seis hectares, a do Alto da Caldeirinha tem um terreno adquirido de 20 hectares e este terceiro projeto mais três hectares. Estas unidades vão criar emprego e o presidente da Câmara disse que o que lhe foi transmitido pelos promotores é que cada unidade deverá ter cerca de meia centena de postos de trabalho diretos. E acrescenta Vasco Estrela, há ainda os indiretos. Deu como exemplo o caso da unidade de Ortiga em que

/ Local onde será instalada esta unidade de produção de cannabis, perto do Casal da Barba Pouca já é visível uma empresa de segurança privada. De acordo com a informação avançada pelo autarca de Mação os investimentos é privado, mas a informação de que dispõe é que os valores envolvidos na construção e operacionalização das unidades deverá rondar os 10 a 15 milhões de euros. “Acho que é importante percebermos que conseguimos

ser atrativos para este tipo de investimentos, capital estrangeiro que ajuda a criar riqueza e que ajudará, seguramente, a fixar pessoas”, vincou Vasco Estrela acrescentado a sua importância numa altura em que se percebeu pelos dados dos Censos 2021 que todo o interior do país perdeu muita população. Jerónimo Belo Jorge

Estratégia Local de Habitação com 1.4 milhões de euros // Mação já tem a Estratégia Local de Habitação aprovada pelo executivo municipal e que deverá agora seguir para o Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU), no sentido se ser alinhado o protocolo de execução da estratégia. O documento, Estratégia Local de Habitação (ELH), foi “desenhado” pelos serviços de Ação Social do Município em colaboração com as diversas entidades sociais do concelho e juntas de freguesia. Ou seja, os técnicos percorreram todas as aldeias do concelho a fazer um levantamento das necessidades dos agregados familiares. E o objetivo, de acordo com Vasco Estrela, presidente da Câmara Municipal de Mação, foi identificar “os agregados familiares que àquela data [2019] não tinham habitações dignas para viver em condições humanas, como todos temos direito”. O autarca destacou o facto deste ser um documento muito dinâmico, pelo que os casos que foram identificados em 2019 poderão já estar alterados ou solucionados. É por isso necessária uma atenção permanente naquilo que é a avaliação que tem de ser feita nesta área sensível porque a ELH não é contabilizar quantas casas ou edifícios habitáveis existem no concelho. E neste trabalho de campo foram identificados 26 agregados familiares com necessidade [em 2019] de obras nas habitações. Vasco Estrela destacou que as situações identificadas eram do conhecimento quer do da Câmara quer de parceiros sociais. Mas adiantou que mesmo

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estando em cima da mesa uma valor elevado este “não será suficiente” para cobrir as necessidades. Nesta linha de resposta às necessidades de habitabilidade existentes no concelho, a Estratégia Local de Habitação do Município de Mação prevê um investimento de 1 milhão e 400 mil euros até 2025, com o financiamento garantido através do Plano de Recu-

JORNAL DE ABRANTES / Setembro 2021

peração e Resiliência, a tão falada “bazuca europeia”. O documento, identificou 26 agregados que poderão ser elegíveis para intervenções ligadas à reabilitação de habitação mas o presidente da autarquia, Vasco Estrela, vincou que que esta é uma “situação dinâmica” e que serão encontradas soluções para “não deixar ninguém de fora”. E depois explicou que há dois pata-

mares de intervenção, sendo que a autarquia poderá avançar nalguns casos, mas noutros poderão ser mesmo os agregados a apresentar candidaturas ao IHRU e sobre as quais terão comparticipações financeiras. Agora falta a luz verde da Assembleia Municipal de Mação, que deverá ratificar esta decisão do órgão executivo, e depois a cele-

bração oficial do protocolo com o Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU). Do ponto de vista financeiro o valor global de 1.4 milhões de euros é dividido numa parcela municipal de 600 mil euros e de uma outra do IHRU de 800 mil euros através do através do Programa 1.º Direito. “O investimento total que estamos a propor que nos concedam é de 1.4 milhões de euros, que eu penso que não será suficiente mas acho também que devemos ser racionais e não devemos crer ir muito para lá daquilo que era a realidade”, justificou ainda o autarca que explicou que os patamares do investimento estão definidos anualmente até 2025, ano em que termina este programa e após o qual as intervenções têm de estar concluídas. Vasco Estrela sublinhou ainda que na altura certa cada um dos 26 casos será avaliados para saber se ainda se mantém ou não o enquadramento e manifestou esperança que “a próxima Câmara, seja ela qual for, deve ter abertura para situações que surjam paralelas a esta e que não tenham condições de aceder, para encontrar mecanismos para não deixar ninguém de fora”, acrescentou. Jerónimo Belo Jorge


REGIÃO / Constância

Vice-presidente da Câmara apresenta demissão e afirma que “já não dava mais” // No passado domingo, 22 de agosto, o vice-presidente da Câmara de Constância, Jorge Pereira, apresentou a sua renúncia ao cargo como vereador. A poucas semanas de terminar o mandato, em declarações ao Jornal de Abrantes, Jorge Pereira falou de “situações que já se arrastam há algum tempo e achei que era a altura certa até porque, profissional e pessoalmente, já não dava mais. Já não conseguia mais”. Jorge Pereira foi eleito vereador da Câmara Municipal de Constância nas eleições autárquicas de 2017, que o PS conquistou à CDU. A 22 de agosto apresentou a sua renúncia ao mandato. Questionado se esta decisão se deveu ao facto de ter sido excluído das listas do PS para a Câmara de Constância nas próximas eleições autárquicas, Jorge Pereira afirmou que “já havia algumas coisas com as quais eu não concordava”. No entanto, “foi a forma” como essa decisão lhe foi comunicada que não agradou ao ex-vereador. “Não fui só eu, mas nós fomos avisados a 4 de junho de que não faziam conta connosco. Para uma pessoa que anda aqui há 16 anos, é ingrato”, confessou Jorge Pereira que ainda disse “não estar nada incomodado com o fazer ou não parte [das listas], mas sim da forma como foi feito”. A apresentação das listas dos candidatos do PS aos órgãos autárquicos em Constância teve lugar a 16 de julho e, perante a alteração na lista da Câmara, o candidato Sérgio Oliveira justificou a mudança com “um entendimento interno”. J o r g e P e re i r a e x p l i c a q u e não foi uma votação unânime na Comissão Política Concelhia do PS de Constância. “Houve votos contra, portanto, quem decidiu foi o candidato e a Concelhia concordou. Mas houve votos contra, o que quer dizer que nem toda a gente estava de acordo”, afirmou. Quanto às razões apresentadas a Jorge Pereira por Sérgio Oliveira, presidente da Câmara de Constância, “foi-me dito que eu estava desgastado... mas se eu estou desgastado, imagino o próprio pre-

sidente. Deve estar muito mais”. Relativamente às questões em que Jorge Pereira disse não estar de acordo, o ex-vereador não admitiu estar contra decisões do presidente da Câmara de Constância, disse apenas que “não quero entrar por aí”. Depois de ter liderado a Junta de Freguesia de Montalvo e de ter integrado o último Executivo na Câmara de Montalvo, após 16 anos dedicados à política concelhia, Jorge Pereira vai voltar “ao meu local de trabalho, que será já segunda-feira [30 de agosto]”. “Vou afastar-me de vez destas coisas”, afirmou, referindo-se à intervenção política e explicando ter-se demitido em junho da Comissão Política Concelhia.

/ Tomada de Posse da vereadora Ana Paula Basílio / Jorge Pereira renunciou ao cargo de vereador por divergências

A tomada de posse da nova vereadora

Na segunda-feira, 23 de agosto, o presidente da Autarquia, Sérgio Oliveira, designou como vice-presidente a vereadora Filipa Montalvo. Jorge Pereira foi substituído por Ana Paula Basílio que tomou posse como

vereadora na reunião de Câmara de dia 26 de agosto. Na altura, Júlia Amorim, vereadora eleita pela CDU, saudou o novo elemento do Executivo mas não deixou de lembrar as declarações do PS, em 2017, aquando da renúncia do vereador Daniel Martins. “As ques-

tões internas partidárias só a essas mesmas forças partidárias dizem respeito. De todo modo, a 11 de agosto de 2017, o Partido Socialista, entre outras coisas, dizia que desejava as maiores felicidades ao vereador Daniel mas não podia deixar de considerar ser este mais um sinal de esgotamento do projeto autárquico da CDU em Constância. Dizer que o projeto autárquico da CDU em Constância decorreu após 30 e tal anos enquanto este, pelos vistos, não chegou a durar quatro anos”, atirou a vereadora. À margem da reunião de Câmara, o presidente Sérgio Oliveira falou à comunicação social mas não quis prestar explicações acerca dos motivos da saída de Jorge Pereira do Executivo. “Relativamente a esse assunto, quero apenas deixar a nota de que o vereador Jorge entendeu que era o melhor para ele renunciar ao mandato e que eu respeito essa decisão”, disse. Questionado acerca da razão da não inclusão de Jorge Pereira nas listas do PS às próximas eleições autárquicas, Sérgio Oliveira reafirmou não querer “alimentar esta questão”. Adiantou, no entanto que “as listas são construídas dentro dos partidos e sempre houve mexidas nas equipas, quer no concelho de Constância, quer noutros concelhos, e isso deve ser entendido com naturalidade”. À vereadora Ana Paula Basílio não vai ser atribuído qualquer pelouro. Filipa Montalvo assume a vice-presidência e Sérgio Oliveira acumula os pelouros de Jorge Pereira. Nas listas do PS à Câmara de Constância, para além de Jorge Pereira, também a agora vice-presidente Filipa Montalvo foi afastada da corrida às próximas eleições autárquicas. Patrícia Seixas PUBLICIDADE

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REGIÃO / Vila Nova da Barquinha

Pelourinho de Atalaia regressa à freguesia quase um século depois // “Um dia muito feliz”. Foi assim que Fernando Freire caraterizou o dia 15 de agosto, dia da Freguesia de Atalaia. Estava pensado “outro tipo de evento, mas não é possível porque, infelizmente, vivemos em pandemia”. No entanto, disse Fernando Freire, presidente da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha, “não queríamos deixar de fazer neste dia, pelo menos, uma referência”, garantindo que se fará outra, mais tarde. Foi no dia 15 de agosto, feriado e dia da Freguesia de Atalaia, no concelho de Vila Nova da Barquinha, que a pedra do Pelourinho da freguesia voltou a poder ser vista. Está exposta no Centro Comunitário de Atalaia. “Um dia importante para a Atalaia porque é o regresso de algo simbólico e que edifica o sentimento desta terra que foi concelho até à reforma de 1836”. Na presença de Andreia Galvão, diretora do Convento de Cristo, em Tomar, personalidade que “sem ela, hoje não era possível estarmos aqui”, Fernando Freire deixou “a minha gratidão eterna”. “Não sabe a alegria que sinto porque, não sendo eu desta terra, vivo aqui há muitos anos, foi para aqui que casei, mas é com muita emoção que verifiquei que, por parte de todos os dirigentes do Convento de Cristo, o denodo e responsabilidade” que depositaram neste processo. Para Andreia Galvão, “é fundamental manter a memória, trazer a memória e a identidade” pois, como afirmou, “a identidade é aquilo que faz com que nós sigamos em frente”. Destacou o “voluntarismo desta comunidade e dos autarcas”, mas salientou que “também não estaríamos aqui se não tivesse existido uma união dos Amigos da Ordem de Cristo”, bem como “o extraordinário” o trabalho da sua equipa. Os Amigos da Ordem de Cristo é uma organização “criada nos inícios dos anos 20 do século XX e que foram, de alguma maneira, mal interpretados na época”. Explicou Andreia Galvão que foram acusados “de andar a tirar as coisas das igrejas mas, na verdade, o que fizeram estas pessoas ilustradas foi fazer uma recolha porque as igrejas estavam, de facto, com a porta aberta”, à mão de semear, “e recolheram com a ideia de fazerem um futuro museu da região de Tomar”. Um museu que teria como modelo o Convento do Carmo, em Lisboa. “E é esse grande espólio que temos vindo a expor e a dar a conhecer às pessoas essa coleção”, disse a diretora do Convento de Cristo. No final, Andreia Galvão evidenciou “o dinamismo e o interesse por repor e trazer identidade

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Centro Comunitário de Atalaia. Estas informações foram explicadas pormenorizadamente na palestra que Fernando Freire deu na ocasião, explicando também as pesquisas efetuadas até se chegar ao dia 15 de agosto de 2021.

/ Destruído em 1863, a coluna que agora está de regresso à freguesia, saiu de Atalaia em 1925

Pedra de Armas dos Condes da Atalaia também está de regresso à freguesia

/ Manuel Honório, Andreia Galvão e Fernando Freire

/ António Graça Vital, 1.º presidente da Junta de Freguesia de Atalaia após o 25 de abril de 1974, e Fernando Freire, presidente da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha à vossa terra”, dirigindo-se aos atalaienses. Manuel Honório, presidente da Junta de Freguesia de Atalaia, presidente da Junta de Freguesia de Atalaia, relembrou que há várias décadas que este era um momento ansiado.

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O Pelourinho de Atalaia foi destruído em 1863 e as pedras que o constituíam ficaram “espalhadas”. Sabe-se, no entanto, que a coluna que agora está de regresso à freguesia, saiu de Atalaia em 1925. A Pedra do Pelourinho está agora exposta, pode ser vista no

Andreia Galvão evidenciou “o dinamismo e o interesse por repor e trazer identidade à vossa terra”

Fernando Freire também avançou que no sábado, 14 de agosto, “foi desapeada a Pedra de Armas com o brasão dos Condes da Atalaia”, visto a Família Manoel, herdeiros e descendentes do Conde da Atalaia, ter assinado um protocolo com o Município de Vila Nova da Barquinha para a restituição da Pedra de Armas. Esta “deverá ser colocada na Igreja Matriz da Atalaia, devidamente enquadrada nos termos da proposta arquitetónica a apresentar (uma vez retirada a referida “pedra de armas” da sua atual localização) pelo arqtº D. Bernardo d’Orey Manoel, e que conterá os seguintes dizeres: Pedra de Armas de D. José Manoel da Câmara (Lisboa, 25 de Dezembro de 1686 – Atalaia, 9 de Julho de 1758), segundo Patriarca de Lisboa (1754), filho dos quartos condes de Atalaia, cujos restos mortais se encontram sepultados no altar-mor desta Igreja”. Originalmente, esta Pedra de Armas foi concebida para a “Casa do Patriarca”, em Atalaia. Na primeira metade do século XX, foi removida e instalada no portão principal da Quinta da família, localizada no distrito de Santarém. Em 2020, descendentes do segundo Cardeal Patriarca de Lisboa ofereceram à Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha este testemunho histórico, para que pudesse regressar à povoação da Atalaia. Na altura da assinatura do protocolo, Fernando Freire afirmou estar “muito contente”, acrescentando que “a pedra de armas também se foi embora e agora regressa e vai ficar depositada junto do túmulo do Cardeal Patriarca D. José, sumo cardeal patriarca de Lisboa, que foi 4.º filho dos Condes da Atalaia”. “Assim vamos reconstituindo a história, avocando aquilo que é património de todos nós”, disse Fernando Freire. Patrícia Seixas


REGIÃO / Vila Nova da Barquinha

“Experimenta + Ciência” com avaliação positiva // Em 2012/2013 a Escola Ciência Viva de Nova da Barquinha deu o pontapé de saída a um projeto que pretendia, e pretende, desenvolver atividades das áreas da ciência nos alunos logo a partir do ensino pré-escolar. Foi nesse ano letivo que começou a ganhar corpo a experiência “Experimenta + Ciência” junto dos alunos do ensino pré-escolar e do primeiro ciclo. / João Marques Alves

Em 2021 foi feita uma avaliação que considera este projeto uma aposta ganha e que aponta mesmo o seu alargamento aos segundo e terceiro ciclos de ensino. Esta avaliação foi feita no âmbito de um estudo desenvolvido em parceria com a Universidade de Aveiro, no âmbito da monitorização das ações de combate ao insucesso escolar do PEDIME. Este documento, divulgado pela vereadora com o pelouro da educação da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha, Marina Honório, apontou a mais-valia das experiências em laboratório para o interesse dos alunos com a consequência direta na melhoria dos resultados escolares nas disciplinas das ciências. Estes projeto “Experimenta + Ciência”, está inserido, de acordo com Marina Honório, no âmbito do Plano Estratégico de Desenvol-

/ Centro Integrado de Educação em Ciências (CIEC) vimento Intermunicipal da Educação do Médio Tejo (PEDIME), da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, e é muito simples: Todas as semanas os dos alunos do pré-escolar e do 1º Ciclo da Es-

cola Ciência Viva de Vila Nova da Barquinha têm uma deslocação ao espaço Centro Integrado de Educação em Ciências (CIEC) que está inserido na Escola Ciência Viva. Desde o ano letivo de 2012/13

que o CIEC recebe os alunos no seu laboratório de ciências que se encontra equipado para o ensino formal nos primeiros anos de escolaridade. De referir que este centro conta ainda com espaço de educação não formal aberto ao público. O objetivo é também muito simples: despertar nas crianças o gosto pela ciência. A vereadora Marina Honório explicou ao Jornal de Abrantes que “este foi um estudo que contemplou um período desde o ano letivo 2012/2013 até ao ano letivo 2020/2021 por forma a perceber qual o impacto que teve a criação da Escola Ciência Viva, nomeadamente a sua dinamização em torno do Centro Integrado de Educação e Ciências para os alunos desde o 1.º ano até ao Jardim de Infância”. Este estudo pretendeu abordar todos os segmentos do ensino pelo que foram entregues questionários a alunos, encarregados de educação e também a docentes. Os resultados, apontou Marina Honório, foram “bastante satisfatórios”. E apontou a esse sucesso “a média dos alunos em termos das disciplinas nas áreas das ciências face à media do Médio Tejo e nacional”. Marina Honório disse ainda que são iniciativas deste género que chamam os alunos para o ensino em Vila Nova da Barquinha. E disse mesmo que no próximo ano letivo

“...no próximo ano letivo 2021/2022, são já 990 os alunos matriculados no concelho.” 2021/2022, são já 990 os alunos matriculados no concelho, número que representa uma subida face ao ano anterior e que chega perto da capacidade máxima do Agrupamento de Escolas. O estudo sobre o projeto “Experimenta + Ciência”, já apresentado ao Conselho Municipal de Educação de Vila Nova da Barquinha, aponta à autarquia o caminho de futuro que passa pela necessidade de transpor a aplicação deste método nas Ciências para o 2.º e 3-º ciclo, bem como para outras áreas de conhecimento. E a vereadora confirmou que é um tema que já está a ser trabalhado na sua equipa. Este estudo foi realizado para o Município de Vila Nova da Barquinha pela Associação para a Formação Profissional e Investigação da Universidade de Aveiro (UNAVE), no âmbito da monitorização das ações de combate ao insucesso escolar, inserida no PEDIME. Jerónimo Belo Jorge

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Setembro 2021 / JORNAL DE ABRANTES

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SOCIEDADE /

Caminhada solidária desde Londres para equipamento de idosos em Rio de Moinhos // Terminou no dia 21 de agosto a caminhada solidária que Cristina Pires-Cox se propôs a fazer para angariar fundos de modo a poder ser construído na sua freguesia, Rio de Moinhos, concelho de Abrantes, um equipamento social para idosos. Foram mais de 2100 quilómetros e os donativos ainda poderão chegar durante mais um ano.

/ Rui André e Cristina Pires-Cox junto ao portão da quinta, em junho deste ano ter um desses equipamentos. “Uma pequena grande ajuda dessa senhora”, disse Rui André. A última etapa desta caminhada foi cumprida no dia 21 de agosto quando às 7 horas, na Barragem de Castelo do Bode, a Cristina Pires-Cox se juntaram outros populares

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Criar um equipamento social para idosos na freguesia de Rio de Moinhos. Foi esse o objetivo de Cristina Pires-Cox, filha dos riomoinhenses Adolfo Pires e Alda Pires, que vive em Londres mas não nega as suas raízes e o carinho que nutre pela freguesia. Cumpriu os 2103 km que separam Londres e Rio de Moinhos por esta causa solidária, em memória de seu pai e em nome de sua mãe. A viagem, com alguns quilómetros percorridos em passadeira, em casa, devido à pandemia, foi divulgada nas redes sociais onde se pôde acompanhar os quilómetros feitos por esta riomoinhense e o evoluir do percurso. Segundo Rui André, presidente da Junta de Freguesia de Rio de Moinhos, “ao olhar para a sua terra e sobretudo para a situação dos pais, cujo pai faleceu entretanto mas a mãe ainda é viva, e ao perceber a dificuldade da existências de alguns equipamentos sociais para poderem ajudar os mais idosos”, Cristina Pires-Cox, “por iniciativa própria”, avançou com uma campanha de doação de fundos para “poder iniciar um processo” que permitisse à freguesia

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JORNAL DE ABRANTES / Setembro 2021

para a acompanharem nos últimos quilómetros. A meta estava no número 39 da Rua Direita, em Rio de Moinhos, junto a um imóvel doado à freguesia e onde se pretende erguer o novo equipamento. O referido número 39 da Rua Direita, em Rio de Moinhos, é uma Quinta cuja escritura de doação foi assinada a 3 de setembro de 2020. O imóvel pertencia à benemérita Rosa Vieira da Cruz que também quis ajudar a comunidade riomoinhense ao confiar este prédio à Junta de Freguesia para fins de caráter social. Rui André explicou que “neste momento, estamos a averiguar a melhor solução de equipamento social, de acordo com aquilo que a lei exige. Estamos a falar de uma ERPI - Estrutura Residencial Para Pessoas Idosas, que poderá ser um Centro de Noite, uma Casa de Repouso, ou seja, de acordo com o espaço disponível naquela habitação, poder encontrar a melhor solução para concretizar um projeto e dar vida a um novo equipamento social de apoio à Terceira Idade em Rio de Moinhos”. São 1800 metros quadrados, uma quinta mesmo no centro da freguesia com acesso a partir das duas ruas centrais. “A quinta tem um poço, dois tanques, muitas zonas verdes e muito espaço. Foi onde viveu o doutor Manuel Pádua Ramos, desde a década de 40 até à década de 70, e era uma

Rui André garante que se irá tratar de uma reabilitação e não de uma construção nova

/ O grupo da caminhada e a chegada de Cristina Pires-Cox a Rio de Moinhos

grande referência para a freguesia de Rio de Moinhos. É uma casa que toda a gente conhece e está devoluta e será um património a valorizar. Até tem essas duas componentes: valorização do património e dar utilidade pública e social”. Questionado acerca das necessidades da freguesia na área do apoio social a idosos, o presidente da Junta de Freguesia referiu que “nós já temos o Centro de Apoio a Idosos que faz o apoio domiciliário e tem Centro de Dia. Para a noite, não há essa componente. E não quero dizer que seja a apenas as noites mas é a única IPSS que nós temos na freguesia. Com esta quinta, temos que chegar a um consenso para percebermos qual será o melhor equipamento que se possa adaptar à realidade da nossa freguesia. Como neste momento não há nenhum, haver um equipamento social na nossa freguesia...” Rui André frisa, no entanto, que “há que encontrar a melhor solução” e que já foi feito o levantamento do espaço e informado o Centro de Apoio a Idosos que, “juntamente com a Junta de Freguesia, vão ver com a área disponível e a localização do espaço”, o que poderá ser feito. Garantia é que se irá tratar de uma reabilitação “e não de uma construção nova”. Como ainda “estamos numa fase inicial, vem bem a calhar esta componente financeira para podermos iniciar todo este processo”. E foi um cheque de três mil euros que Cristina Pires-Cox entregou à Junta de Freguesia de Rio de Moinhos, um valor que, segundo disse, “ficou aquém das expetativas”. Contudo, a angariação de donativos vai ainda decorrer durante um ano e quem quiser contribuir, pode fazê-lo junto da Junta de Freguesia, bem como entrar em contacto com a página Fundraising Walk England to Portugal nas redes sociais ou em https://www.justgiving.com/crowdfunding/cristina-pirescox. Em fase de planeamento, o novo equipamento social então será concretizado em parceria com o Centro de Apoio a Idosos da Freguesia de Rio de Moinhos e com o apoio de toda a comunidade. Patrícia Seixas


REGIÃO / Sardoal

Centro Cultural credenciado na Rede de Teatros e Cineteatros Portugueses // O Centro Cultural Gil Vicente foi credenciado na Rede de Teatros e Cineteatros Portugueses (RTCP) da Direção Geral das Artes, após uma candidatura apresentada pelo Município de Sardoal em junho passado. A Rede de Teatros e Cineteatros Portugueses visa o incremento da procura e oferta culturais, o aumento da circulação de obras artísticas e das coproduções entre entidades artísticas, assim como o reforço do papel das entidades públicas e privadas de programação regular disseminadas pelo país e a promoção de ações de valorização e qualificação dos recursos humanos a elas afetos. O Município de Sardoal congratulou-se pela credenciação do Centro Cultural Gil Vicente “neste importante e decisivo momento de concretização de uma política pública no domínio da cultura e das

do Programa Revive

/ Centro Cultural Gil Vicente artes, que se pretende que tenha um impacto estruturante em todo o território nacional”. O presidente da Câmara de Sardoal deu conta do facto na reunião do Executivo de dia 25 de agosto de que a informação foi recebida na Câmara Municipal no dia 20, através da Direção Geral das Artes

/ Casa Grande ou dos Almeida e que “após avaliação pelos nossos serviços, o seu pedido foi aprovado pela ministra da Cultura, conforme o despacho de 19 de agosto de 2021”. Miguel Borges explicou que “houve uma candidatura à qual nós nos propusemos e, numa primeira fase, essa candidatura pro-

curou um conjunto de teatros e cineteatros que vão criar uma rede e essa rede será para circulação de diferentes espetáculos e atividades culturais, com a promoção da Direção Geral das Artes e do Ministério da Cultura”.

Casa Grande integra rede

Na mesma reunião de Câmara, Miguel Borges deu ainda conta de que “após a manifestação de interesse do Município e em reuniões que tive com a senhora secretária de Estado do Turismo, a Casa Grande, ou dos Almeida, vai integrar o Programa Revive”. Segundo informou o autarca, “o Programa Revive é uma iniciativa conjunta do Ministério da Economia, do Ministério da Cultura e do Ministério das Finanças, com a colaboração das autarquias locais e é coordenado pelo Turismo de Portugal”. Este Programa tem como objetivo “a recuperação de vários imóveis de reconhecido interesse, através do modelo de concessão de 50 anos”. Ou seja, explicou Miguel Borges, a Casa Grande “passa a fazer parte deste grupo de imóveis do Programa Revive e os potenciais interessados poderão candidatar-se através do Turismo de Portugal para poderem ter acesso à concessão deste nosso imóvel”. Patrícia Seixas PUBLICIDADE

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rojeto de Obras de Urbanização aprovado em reunião de Câmara de 24 de agosto

REGIÃO / Abrantes

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Câmara aprova loteamento para “expansão” do Retail Park de Abrantes // A Câmara Municipal de Abrantes aprovou na reunião do Executivo, a 24 de agosto, o loteamento de um terreno na avenida D. João I que prevê a instalação de três espaços comerciais, a criação de uma zona verde e dois novos acessos a esta zona. O loteamento agora aprovado pela Câmara Municipal de Abrantes fica situado entre a rotunda do Olival e o Retail Park de Abrantes e trata-se efetivamente de uma expansão ou um complemento àquela estrutura comercial, embora com algumas características diferentes. O projeto do loteamento prevê a instalação de três unidades comerciais que a autarquia não divulgou uma vez que este projeto é do loteamento e não tem a ver com a construção de qualquer edifício, o que acontecerá numa fase posterior do processo. Mesmo assim o vereador João Gomes indicou que sabe-se que serão três insígnias ou

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área de cedência ao espaço público, que é a zona verde mesmo encostada à rotunda do Olival e avenida Dr. Mário Soares. O vice-presidente da Câmara de Abrantes deixou claro que esta intervenção, mesmo nos acessos às avenidas é totalmente privada, ou seja, será o promotor a executar estas intervenções. O vereador disse que são “três novas insígnias que vêm para Abrantes (…) e sabemos que os promotores têm urgência em avançar com o loteamento porque têm contratos assinados com essas insígnias” e acrescentou depois que “é a economia a funcionar” e que esta instalação vai criar mais postos de trabalho.

Promotor confirma projeto

marcas conhecidas que ali terão os seus espaços comercias. E mesmo com a insistência do vereador do BE Armindo Silveira, no sentido de saber quais as cadeias que se vão instalar neste loteamento, o vereador João Gomes repetiu não ter essa informação e que caberá ao promotor, na altura certa, avançar com os projetos de arquitetura dos edifícios e a divulgação das marcas que se vão instalar naquele espaço. O loteamento prevê uma nova entrada para o espaço a partir da avenida D. João I e uma nova entrada

JORNAL DE ABRANTES / Setembro 2021

e saída “nas traseiras” a partir da avenida Dr. Mário Soares. João Gomes deixou a indicação de que este loteamento tem de ter a validação por parte da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) uma vez que há ali uma linha de água e o promotor terá de construir um pontão para o acesso à zona comercial, para além da criação de uma zona verde. Ainda de acordo com João Gomes este loteamento vem criar uma alteração, para melhor, à mobilidade naquela zona para além de haver uma

O Jornal de Abrantes contactou o promotor deste loteamento, a Isatel, empresa que construiu o Retail Park de Abrantes, que confirmou que tem compromissos assinados com três multinacionais, embora não tenha divulgado ainda quais são. José Luís Silva, um dos administradores da Isatel, disse que esta aprovação é um passo importante, dos mais importantes, mas faltam ainda mais alguns até que possam entrar os projetos para construção dos edifícios. José Luís Silva deu o exemplo para facilitar a compreensão sobre o empreendimento: “Isto é como a construção de uma casa.

Está feito e aprovado o projeto de arquitetura [loteamento] e agora faltam os projetos de especialidade”. Ainda de acordo com os promotores este não é o alargamento ou expansão do Retail Park embora possa ser entendido como tal até porque o espaço vai ficar todo ligado e a empresa promotora é a mesma. Mas se no Retail Park há espaços e serviços comuns às empresas, como sanitários, este novo loteamento terá as três unidades a laborar individualmente. José Luís Silva revelou ainda que a zona verde vai ser para utilização pública, embora não tenha equipamentos de uso coletivo, e que se enquadra no Plano de Urbanização de Abrantes que prevê a existência de uma ligação pedonal entre S. Lourenço e o Aquapolis e aquela zona, junto à rotunda, faz parte desse “itinerário”. Quanto a prazos, José Luís Silva não diz quando é que as máquinas vão para o terreno, mas garante que tudo está no ponto de partida assim que tenham todas as licenças de todas as entidades. No entanto confirma que a aprovação do loteamento, pela autarquia, é um dos passos fundamentais para fazer avançar todos os outros que ainda faltam concretizar. Mas deixou a promessa de “brevemente” poder divulgar os nomes das multinacionais que ali se vão instalar. Jerónimo Belo Jorge


Projeto de Obras de Urbanização aprovado em reunião de Câmara de 24 de agosto

REGIÃO / Abrantes Troço da EN2 vai ter novo cruzamento para os Telheiros A Avenida António Farinha Pereira ou um dos troços da Estrada Nacional n.º 2, em frente do McDonald’s e à antiga escola primária de Alferrarede,vai, brevemente, entrar em obra para redefinição do cruzamento de acesso ao restaurante e à urbanização dos Telheiros. De acordo com informação prestada pelo vereador da Câmara Municipal de Abrantes, João Gomes, o projeto de loteamento daquela zona, quando foi aprovado o projeto de construção do Intermarché, previa a construção de uma via de acesso à urbanização dos Telheiros. E no que foi aprovado, na altura pela Câmara Municipal de Abrantes, o promotor [Intermarché], teria de encontrar uma alternativa porque a Câmara de Abrantes, no Plano de Urbanização, tinha previsto uma ligação direta da Avenida António Farinha Pereira à urbanização dos Telheiros. Como aquela avenida é uma das vias de maior movimento da cidade e está ainda sob alçada da Infraestruturas de Portugal [troço entre a rotunda do Intermarché e o Olho

de Boi ainda não foi desclassificado pela Infraestruturas de Portugal] a solução foi encontrada depois de várias reuniões entre o promotor do projeto, a autarquia e a entidade que gere todas as estradas nacionais. O que é que está em causa? O promotor da obra [a empresa proprietária do Intermarché] adquiriu um terreno entre a antiga escola primária de Alferrarede e o stand de automóveis F Gil para permitir fazer o alargamento ou o novo cruzamento que vai reordenar a circulação automóvel naquela zona. Ou seja, será feita a redefinição da Rua José Saramago [o acesso da avenida à Urbanização] e o seu entroncamento à Avenida António Farinha Pereira. E será feita a requalificação naquele troço que vai sofrer já uma série de melhoramentos como vai ter passeios, que agora não existem, assim como a iluminação pública. O vereador responsável pelos serviços técnicos da autarquia revelou que para esta intervenção o promotor teve de adquirir 885

metros quadrados de terreno que vão passar, depois da intervenção, para a esfera do domínio público. Ainda de acordo com o vereador João Gomes a intervenção poderá começar quando o promotor assim o entender, uma vez que é uma obra a ser executada a 100 por cento por privados. Ou seja depois desta aprovação e após o depósito da caução, o promotor poderá levantar a licença e avançar com a execução da obras.

Antiga Escola Primária de Alferrarede McDonald’s

Jerónimo Belo Jorge

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REGIÃO / Vila de Rei

Novo Miradouro da Seada oferece vista deslumbrante sobre o Rio Zêzere Vila de Rei tem um novo miradouro pronto a deslumbrar todos os seus habitantes e visitantes. Situado no Monte Maria Tomé,

na aldeia de Seada, o miradouro oferece uma fascinante vista a 360º, com destaque para as paisagens para a Albufeira do

Castelo de Bode. Para além da fantástica vista, este novo espaço inclui escadaria de acesso ao ponto mais alto do miradouro, uma pérgula para sombreamento, mesas e bancos de piquenique, local de estacionamento e uma moldura gigante, em forma de marco geodésico, para destacar as fotografias que se podem tirar neste novo miradouro. Numa primeira fase, teve lugar a criação do acesso em estradão ao ponto mais alto do Monte Maria Tomé, com um custo de 3.880 euros, acrescidos de IVA, a cargo da empresa Aurélio Lopes, Unipessoal, Lda, e a construção da escadaria de acesso ao miradouro, realizada pela firma Calaveiras, Construções em Madeira, Lda, pelo valor de 9.875,88 euros + IVA. A segunda fase dos trabalhos incluiu a construção da pérgula, vedação, moldura, mesas de piquenique e estacionamento. A estes trabalhos, levados a cabo pela empresa MADFORALL – Construções e Infraestruturas em Madeira, Lda, junta-se a beneficiação do miradouro de Fernandaires (criação de plataforma com várias varandas sobre o rochedo, vedações, pérgula, mesas de piquenique e estacionamento), num total de 84.953,59 euros + IVA.

Município e Altice preparam expansão da rede de fibra ótica no concelho edifícios municipais de uma forma mais eficiente e com menores custos, mediante possibilidade de utilização das condutas da Altice Portugal, evitando a duplicação de infraestruturas e reduzindo o volume de intervenções no subsolo. Para além do estabelecimento de um princípio de utilização recíproca de condutas, que permitirá o desenvolvimento de projetos de interligação dos edifícios municipais e outros de utilidade pública, a Altice Portugal comprometeu-se ainda a promover a expansão de

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O Executivo Municipal de Vila de Rei aprovou por unanimidade, na sua reunião ordinária de 6 de agosto, o Protocolo de Cooperação entre o Município vilarregense e a Altice Portugal, com vista à expansão da rede de fibra ótica no concelho e de utilização recíproca das condutas já instaladas, pertencentes a cada uma destas instituições. A assinatura deste protocolo vai permitir que o Município possa desenvolver os seus projetos de interligação em fibra ótica dos

rede de fibra ótica no concelho de Vila de Rei, de forma a alcançar uma taxa de disponibilidade igual a 55% do número de fogos do concelho. As duas partes comprometeram-se ainda a criar um grupo de trabalho, coordenado pela Altice Portugal, que irá discutir a possibilidade de expandir a rede de fibra ótica a um número adicional de fogos no concelho, até ao máximo de 75%, no final de 2022, caso tal seja viável do ponto de vista técnico e económico.

Liquid Core Portugal investe em unidade fabril no concelho O concelho de Vila de Rei vai passar, muito em breve, a dispor de uma unidade fabril da empresa Liquid Core Portugal, do grupo americano Liquid Core, especializada na produção de pastilhas energéticas. A empresa adquiriu os lotes número 16 e 17 da Zona Industrial do Souto, com o objetivo de criação de uma fábrica com vista a produção, pesquisa e desenvolvimento de logística de exportação para a região da Europa. A Liquid Core Portugal pretende abrir as suas instalações ainda em 2021, com seis funcionários, e prevê criar 10 a 17 postos de trabalho em cinco anos. Ricardo Aires, presidente do Município vilarregense, afirma que “a chegada a Vila de Rei de uma empresa como a Liquid Core Portugal só é possível graças ao forte investimento que, ao longo dos últimos anos, temos vindo a realizar nas Zonas Industriais do concelho. O nosso concelho está já dotado de espaços com capaci-

dade e potencial para atrair novas empresas e, com isso, contribuir para o desenvolvimento social e económico de Vila de Rei”. Troy Widgey, fundador da Liquid Core, refere que “desde o início, toda a gente em Portugal acreditou nos nossos objetivos e na nossa equipa. O presidente Aires e a sua equipa em Vila de Rei têm sido incríveis e a sua localização, com as florestas e as quedas de água, vão tornar a visita a Vila de Rei uma prioridade para todos os nossos parceiros pela Europa e por todo o mundo”.

Limpeza e desinfeção dos contentores de resíduos já começou O Município de Vila de Rei iniciou no dia 17 de agosto de 2021 uma nova operação de lavagem e desinfeção dos contentores de resíduos por todo o concelho, tendo para o efeito recorrido ao aluguer de uma viatura apropriada para a execução do serviço. Esta é uma operação de lavagem mecânica que se realiza nos locais de instalação dos contentores, contrariamente à lavagem manual, os quais são recolhidos e transportados para o local de lavagem. A lavagem e desinfeção é realizada tanto no interior como no exterior destes equipamentos e os produtos de lavagem e desinfeção

têm ação bactericida, repelente de insetos e com odor agradável. A operação irá decorrer ao longo das próximas semanas e pode originar alguns transtornos e demoras na recolha habitual de lixo. O Município de Vila de Rei solicita, desde já, a compreensão de todos os munícipes e apela a que se evitem os “amontoados” de lixo junto aos contentores. Esta intervenção “implica um esforço económico para a autarquia, pelo que apelamos aos munícipes que tenham os devidos cuidados na deposição do lixo, utilizando sempre sacos bem fechados e evitando despejar matérias líquidas, brasas ou cinzas nos contentores”.

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REPORTAGEM /

Rota das Sete Irmãs

// Sete irmãs que são sete locais de culto religioso ligados entre si por meio visual ou auditivo. Há a história e também as lendas. Duas continuam a ter celebrações regulares, duas anuais, duas são privadas, uma já não existe outra está abandonada. Este verão fomos à procura das Sete Irmãs. por Jerónimo Belo Jorge

CAPELA DE N. SRA. DO TOJO CAPELA DE N. SRA. DA LAPA CAPELA DE N. SRA. DA GRAÇA CAPELA DE N. SRA. DA LUZ

CAPELA DE N. SRA. DOS MATOS CAPELA DE N. SRA. DAS NECESSIDADES CAPELA DE N. SRA. DA GUIA

Não há muitas histórias sobre a rota das Sete Irmãs, mas há muitas histórias em torno de cada um destes locais de culto religioso. Diziam que as “Irmãs” se viam ou ouviam (os seus sinos), criando esta rota que ziguezagueia por Concavada, Mouriscas, Sardoal, Valhascos, Abrantes e Souto. Já lá vão alguns anos que a Tagus, Associação para o Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Interior, criou uma brochura turística em torno destas sete capelas ou ermidas que já tiveram, todas, celebrações litúrgicas e que nos dias de hoje têm realidades distintas. As origens de cada um destes locais são distintos, diversos e localizados no tempo em diversos períodos. Todos têm a devoção Mariana e por isso as Nossa Senhora surge nesta Rota das Sete Irmãs em cada uma destas localidades. Em tempos idos todas estas capelas tinham as suas celebrações litúrgicas, as suas imagens, os sinos que podiam tocar durante esses períodos e, claro, as festas de cariz mais popular em que a celebração a Nossa Senhora era o ponto alto, sempre com procissões e romarias. É, aliás, desses tempos que ficam as memórias dos cidadãos mais velhos que ainda se recordam destas festividades que, nalguns casos, foram perdendo fulgor. Uma das capelas já não existe, ficando a memória do local,

outra é propriedade privada e está ao abandono. Há uma segunda, propriedade privada, que não tem festas, mas continua com a imagem presente no local. Depois, nesta rota, há duas que têm celebrações uma vez por ano, embora nestes tempos de pandemia nem sempre tenham acontecido e há duas delas que mantém a atividade com celebrações litúrgicas regulares. É desta forma que fomos em busca da Rota das Sete Irmãs para perceber, afinal de contas, quem são e onde as podemos encontrar. Podemos (como se vê no mapa) começar pela Senhora da Guia (Concavada), seguindo para a Senhora dos Matos (Mouriscas), indo depois à Senhora da Lapa (Sardoal), desviando para a Senhora da Graça (Valhascos). Continuando em direção a

Diz-se que as “Irmãs” se viam ou ouviam os sinos, criando esta linha de Concavada, Mouriscas, Sardoal, Valhascos, Abrantes e Souto

Abrantes está a Senhora das Necessidades (entre Valhascos e Barca do Pego), depois em Abrançalha (Abrantes) a Senhora da Luz e a rota termina com a Senhora do Tojo (Souto). Neste roteiro as celebrações litúrgicas ainda se fazem nos locais das capelas ou, em sua substituição, nas igrejas paroquiais pelos Padres Manuel Mendonça (Alvega), Francisco Valente (Mouriscas), Carlos Almeida (Valhascos), António Castanheira (Abrantes) e Pedro Tropa (Souto). Francisco Valente escreveu, numa descrição deste roteiro da Tagus, editado em 2014 que esta quantidade de templos Marianos “manifesta uma relação de intimidade e proximidade afetiva dos portugueses à Virgem Maria e uma referência incontornável de âmbito cultural, poderíamos afirmar que a História da nossa nação, em muitas circunstâncias, se concretizou com a certeza da inspiração e proteção desta presença”. E nessa mesma brochura aponta à sua localização: “implantam-se na área territorial da região norte do Concelho de Abrantes e do Sardoal, espaço relativa¬mente reduzido para número tão significativo de edificações”. A 15 de agosto a Festa/Romaria de Nossa Senhora dos Matos, em Mouriscas, não se realizou por causa da pandemia. Celebrou-se a Nossa Senhora

dos Matos, mas na igreja paroquial de Mouriscas. A esta do 15 de agosto era uma Festa da terra onde os habitantes levavam as famílias para um piquenique nos pinhais onde está situada a capela. A celebração litúrgica terminada com uma procissão em volta da Capela com fogaças com as dádivas que as pessoas recolhiam e que eram depois leiloadas para angariação de dinheiro para a igreja. As famílias levavam as maiores melancias para partir e servir após as refeições. São tradições que se vão perdendo com os novos tempos, mesmo sem a pandemia, até porque ao longo de anos as tradições mantiveram-se, mas o valor da história foi-se perdendo. Felizmente que hoje se vai “achando” revelou ao JA o Padre Francisco Valente. E recordou que há algumas décadas as pessoas que “tomavam conta” da capela “deitaram fora” numa limpeza umas arcas velhas. Francisco Valente revelou que eram as arcas que outrora seriam “a origem dos bebés das Mouriscas”. E explicou que, “antigamente as pessoas não diziam que os bebés vinham de Paris sou numa cegonha. Dizia-se que vinham das arcas da Senhora dos Matos”. E este é um dos exemplos que tratar bem do património, mas sem

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REPORTAGEM / o conhecimento do valor cultural de determinados locais ou objetos pode ditar na destruição dos mesmos. E depois deu o exemplo dos sinos que não podem estar nestas capelas que ficam em locais isolados, pois o seu bronze é apetecível para os ladrões poderem vender no mercado negro da arte ou então pelo próprio valor mineral. Francisco Valente explicou que a Capela de Nossa Senhora dos Matos pode ainda ter celebrações. Foi um local onde já se realizaram matrimónios. E isso pode acontecer nos dias de hoje. Tem é custos muito elevados

Romaria da N. Sra. da Guia Na segunda-feira de Páscoa

A capela situa-se na margem esquerda ou sul do rio Tejo em Concavada e é visível para quem circula na ponte a partir de Mouriscas. No arvoredo está a edificação arredondada de cores branca e azul. De acordo com as pesquisas do Padre Francisco Valente a capela de N. Sra. da Guia “foi provavelmente erigida em 1626, por Lourenço Godinho e sua mulher Isabel Freire”. De acordo com a investigação este pequeno exemplar maneirista, “formosamente pintado de branco, azul e amarelo, possui uma planta circular com cobertura em domo. Presentemente detém uma pequena sineira, uma fachada com portal de verga reta, findada por frontão interrompido com as armas da família Godinho, ladeada e encimada por cornija e pináculos”. No interior sobre uma mesa singela ornada por azulejos, erguer-se um altar policromado, com uma réplica da N. Sra. da Guia, acompanhada pelas imagens de Sta. Teresinha e S. José. De acordo com o texto da Rota “este raro monumento da arquitetura portuguesa primitivamente disponha ainda de um alpendre suportado por um conjunto de colunatas e um gradeamento de ferro, com lanternim e catavento”. E faz depois uma descrição da imagem de uma devoção que será de certeza bem mais antiga, pois está intimamente associada aos perigos decorrentes da travessia do rio Tejo. “A Virgem delicadamente esculpida, surge representada com o menino sobre o braço esquerdo, e ambos possuem mãos em marfim”. Atualmente, esta imagem de grande veneração encontra-se na Igreja Paroquial de Alvega, e é aí que prossegue o seu culto, com romaria anual na segunda-feira de Páscoa. Mesmo assim a capela tem uma imagem que pode ser observada por entre as pequenas janelas de ferro.

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e como é um local diminuto não será indicado para receber os convidados destas cerimónias. Quanto á Romaria do 15 de agosto, Francisco Valente espera que passada a pandemia, em 2022, possa voltar a realizá-la no local onde os mourisquenses gostam de ir. Tanto mais que o queimador de velas tem, frequentemente, velas a arder, sinal que as pessoas devotas ainda ali vão cumprir as promessas que fazem. A Senhora da Luz, em Abrançalha, é juntamente com a Senhora do Tojo a que mantém as celebrações litúrgicas regulares e normais, sem ser apenas

nos dias dedicados às suas romarias. Já o Padre Carlos Almdeida destacou que a Nossa Senhora da Graça, apesar de não ter capela edificada, continua a ter em setembro a sua celebração, agora na Igreja de Valhascos. E apontou a outros locais na região, para além das capelas das sete irmãs. Seriam por aqui os caminhos de tempos idos, pelo que existem nesta região, onde seria uma confluência de trilhos, ou um ponto central, tantos locais de culto religioso. Mas essa seria uma conversa de história que até nos poderia levar aos tempos dos romanos, já que por esta

Capela de Nossa Senhora dos Matos

Originalmente, a romaria ocorria no 1º domingo de outubro, mas hoje decorre no dia 15 de agosto. De acordo com o Padre Francisco Valente, a capela de N. Sra. dos Matos foi provavelmente erigida no 1º quartel de seiscentos e posteriormente reformulada por um fidalgo de origem anglossaxónica, presumivelmente Francisco Naper, antigo Governador Militar de Abrantes. Possui uma capela mor belíssima, adornada por azulejo padrão do séc. XVII, por um retábulo em talha policromada dedicado à Virgem e por um teto em abobada de berço, com pintura mural. No texto da investigação sobre a origem desta capela pode ler-se que “a estreita ligação entre o monumento e os ingleses está patente no painel azulejar da mesa do altar, onde a figura de N. Sra. dos Matos, surge circundada pela frase “Dña intercede pro Anglia ut convertatr” – “Senhora intercede por Inglaterra e converta-a” e pelo brasão de armas do teto, um brasão composto, de escudo de ponta redonda, esquartelado (dividido em quartéis provavelmente das famílias Naper, Coutinho, ?, e Lencastre), encimado por coroa e envolto pela frase “N.(?) mandou fazer esta capela à sua custa, pede um padre nosso e uma avé-maria”. O cronista, Frei Agostinho de Santa Maria (1721), retrata a imagem como sendo angelical, “a sua altura é palmo e meio; tem em seus braços ao Menino Deus e é muito linda e também o Menino, e na sua formosura se está vendo que o Artífice não era cá do mundo (...).” Infelizmente da primitiva imagem apenas nos resta esta narração”.

região passaria uma das estradas mais importantes deste território. Voltando ás capelas das Sete Irmãs há, duas delas que são privadas. A Ermida das Necessidades e a Nossa Senhora da Lapa. A Ermida das Necessidades é, talvez, menos conhecida como capela, pois o mais visível é uma torre quadrada sem qualquer símbolo religioso. Está abandonada e quase toda ela envolta em vegetação, árvores e balsas. Mesmo assim entrando naquela que seria a porta (inexistente) principal podemos identificar o altar e os frescos pintados na abóbada.

Capela de Nossa Senhora da Lapa

Romaria da N. Sra. da Lapa, Quinta de Arecês no último domingo de maio (já não se realiza) A capela de N. Sra. da Lapa, classificada como Imóvel de Interesse Público (1996), situa-se num pequeno vale sereno e aprazível, serpenteado pelas calmas águas da ribeira de Arecês. É propriedade privada, a capela em geral esta fechada, mas a gruta onde terá acontecido a aparição continua com um altar e com uma imagem nesse local vedado por um gradeamento de ferro. De acordo com as pesquisas do Padre Francisco Valente, publicadas no roteiro, é referido que há referências a esta capela em escritos do cronista Frei Agostinho de Santa Maria, autor da obra “Santuário Mariano” (1721). A capela terá sido edificada em meados do século XVII, pelo abade João Cansado, “…a fundação deste Santuário não é muito antiga, porque ainda hoje há pessoas que se lembram de o fundar o Abade.” A descrição da capela é feita pelo Padre Francisco Valente desta forma: “a simplicidade do seu exterior contrasta com a riqueza do seu interior. As paredes laterais estão totalmente revestidas por azulejos do séc. XVII, de padrão polícromo de maçaroca e com um pequeno quadro em madeira, com a temática da Salvação das Almas do Purgatório, que contém a seguinte inscrição: “Este altar he privilegiado por breve concedido pelo Papa Alexandre Septimo a 28 de março do anno de 1659. Todos os sacerdotes que nele celebrarem todas as 6ªs feiras de cada huma somana e dia da comemoração dos defuntos (...) tiram hua alma do purgatório”. O teto está decorado por belíssimas cenas bíblicas, da Natividade, da Adoração dos Reis Magos, da Adoração dos Pastores, da Anunciação e da Assunção. Na parede fundeira surge um retábulo oitocentista, com um nicho para a Senhora da Lapa”. A afluência de peregrinos à sua gruta persiste e ali encontramos flores e velas que os peregrinos deixam quando vão fazer as suas preces.


REPORTAGEM / A outra é a de Nossa Senhora da Lapa. Fica no concelho de Sardoal, junto á Ribeira da Lapa, local procurado para lazer. É privada e por isso não tem as celebrações litúrgicas regulares. Mesmo assim ainda há pessoas desta zona, Cabeça das Mós e Mouriscas, que se recordam das últimas Festas que ali se realizaram por alturas do mês de maio. Mas se a capela tem os azulejos intactos assim como o altar, a porta fica virada á gruta onde, dizem, terá aparecido a Nossa Senhora. E é nessa gruta que podemos encontrar (fechada com barras de ferro) as escadas de acesso ao nicho onde se encontra uma réplica de

Capela de Nossa Senhora da Graça

Festa de N. Sra. da Graça, Valhascos a 8 de setembro Este é um edifício que já não existe. Há resquícios do que foi este Templo que os habitantes das redondezas conhecem. A imagem encontra-se na Igreja Paroquila de Valhascos e a 8 de setembro realiza-se a sua festa. De acordo com a investigação do Padre Francisco Valente para a Rota das Sete Irmãs não se sabe ao certo a data de edificação da ermida de N. Sra. da Graça. “Já em 1721, Frei Agostinho de Santa Maria escrevia na sua crónica “... que é tão antiga, que de seus princípios, e origem já hoje não há quem possa dar dela a menor noticia.”. Apenas sabemos que era muito bonita, que possuía casa de romeiros, alpendre, coro, uma nave com 30 palmos de comprimento e uma capela mor com um retábulo de três nichos, onde sobressaíam as imagens de N. Sra. da Graça, S. Salvador do Mundo e Sta. Teresa. Porém, o sentimento antirreligioso dos primeiros anos da República (1910), a negligência dos homens e as intempéries, provocaram a sua derrocada nos anos 80. Hoje em dia, da ermida apenas persistem alguns vestígios, pedras mais ou menos trabalhadas dispersas pela área envolvente e a venerada imagem da padroeira, que atualmente se encontra na Igreja Paroquial de Valhascos, inaugurado a 18 de outubro de 1904. O cronista descreve também a escultura da virgem, “… de madeira, e tem de altura três palmos, adornada por um manto, e coroa imperial de prata, nos braços tem o Menino Jesus, olhando para a Senhora, mas com tal proporção, e modo, que juntamente parece, que até está olhando para o povo…”.

Nossa Senhora da Lapa. Se nos casos da Guia, Matos, Graça e Necessidades as imagens estão nas igrejas paroquiais, neste caso esta está na posse da família. Mesmo assim, à “porta” da gruta encontram-se, ainda hoje, flores de velas dos devotos que ali vão fazer as suas preces. Nestes tempos de pandemia as celebrações litúrgicas têm tido muitas limitações. Mas no Souto, no Santuário de Nossa Senhora do Tojo há muito espaço para a realização da missa. Foi isso que testemunhámos na manhã de 15 de agosto. Antes das 10 da

manhã as pessoas das aldeias do Souto e daquela região dirigiam-se umas a pé, outras de carro para o espaço da Nossa Senhora do Tojo. Sem a Festa de Verão do Souto, que seria neste fim-de-semana, os devotos foram-se espalhando por entre os carros parados, por baixo das sombras das árvores. Com os distanciamentos necessários, as famílias foram-se agrupando em frente à porta da capela. Era daquele local que o Padre Pedro Tropa iria conduzir a celebração com a imagem de Nossa Senhora do Tojo colocada num andor, ao lado do santuário, para depois da missa percorrer as ruas das aldeias do Souto.

Ermida de Nossa Senhora das Necessidades

Festa de N. Sra. das Necessidades, realiza-se em Casais de Revelhos a 15 de agosto É um dos dois edifícios que é privado e este está completamente ao abandono. Situado na estrada que liga a freguesia de Valhascos à povoação de Barca do Pego o edifício não se assemelha a templo religioso e, mesmo à beira da estrada, está cada vez mais envolto em vegetação. Nas pesquisas feitas pelo Padre Francisco Valente ficamos a saber que a Ermida de N. Sra. das Necessidades terá sido edificada no segundo quartel do século XVII. “Este edifício de tipologia arquitetural mista possui uma pequena capela, que fica no sopé da imponente torre quadrangular que detém cerca de 13 metros de altura. Historicamente terá sido construída nos finais dos anos 20 de seiscentos, por um fidalgo abrantino, apelidado de João Pereira de Betencourt, que integrou a expedição de auxílio e expulsão dos holandeses da Baía, no Brasil. Depois do seu regresso, tornou-se meirinho da vila de Abrantes e construiu-a, provavelmente em honra do nascimento da sua filha. Com o decorrer dos anos e o progressivo aumento de devoção, adquiriu grande notoriedade, como aliás se pode ler no relato de Frei Agostinho de Santa Maria “…tão grande é o concurso das romagens, que raro é o dia santo ou domingo que se não vejam naquela casa pessoas que vão a pagar e a satisfazer as suas promessas, e ainda nos dias da semana.” Outrora o seu interior detinha um retábulo de talha dourada, com esculturas primorosas de Nosso Senhor Jesus Cristo, S. Pedro, Sta. Maria Madalena e da N. Sra. das Necessidades, que agora se encontra na Igreja de Casais de Revelhos”.

Ainda antes da celebração, e enquanto se preparava, Pedro Tropa abriu a porta da sacristia e do acesso ao local original da capela. Descendo uns degraus está o nicho, pequenino, por cima de uma fenda na construção. Seria ali, naquela fenda, que estará o Tojo que deu origem à lenda e à história contada sobre a Nossa Senhora do Tojo. A Rota existe. Seis dos sete locais de culto também. As imagens estão nas paróquias. Esta pode ser uma sugestão para um fim-de-semana diferente em busca de história. De religião. De tradições. De saber popular. Abrimos-lhe aqui a porta para essa viagem!

Capela de Nossa Senhora da Luz

Festa da N. Sra. da Luz, Abrançalha a 8 de setembro Há uma ideia generalizada que o local onde se encontra a Ermida de N. Sra. da Luz surge associado à própria lenda de atribuição do nome a Abrantes. Nas pesquisas feitas pelo Padre Francisco Valente, pode ler-se que “existem documentos que comprovam a existência de uma estrutura cultural, na década de 20 do período quinhentista, antes mesmo da vinda dos religiosos de Sto. António da Província da Piedade. Durante o séc. XVI, o imóvel foi adquirido pela Ordem de Cristo e posteriormente por António Pimenta de Almeida. Ao longo das décadas seguintes, a fama da Senhora foi aumentando, fomentando o crescimento das romagens e das honras a si associadas, como narra o cronista Frei Agostinho de Santa Maria, “… em todos os tempos foi venerada e a sua casa frequentada por romagens, porque sempre está fazendo mercês e favores aos seus devotos…”. Em 1726, foi novamente remodelada, mas com a extinção das ordens religiosas (1834), acabou por ser vendido em hasta pública. Só nos anos 50 é que foi restituído à população de Abrançalha”. Depois o Pároco de Mouriscas deixa uma descrição sobre esta capela: “a fachada principal dispõe de uma pequena galilé e uma sineira incrustada, com um óculo e um relógio ladeado por dois sinos, encimados por pequenos pináculos. O interior deste espaço religioso é singelo, apenas possui um retábulo onde desponta a imagem do orago, em pedra Ançã, datada do séc. XVI”.

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REPORTAGEM / Santuário de Nossa Senhora do Tojo

Romaria de N. Sra. do Tojo, no primeiro domingo de agosto e festa de Verão do Souto, no terceiro domingo de agosto; Segundo o Padre Francisco Valente o surgimento do culto a N. Sra. do Tojo é ainda hoje desconhecido. Sabe-se apenas que a edificação do templo remonta aos séc. XIV / XV. No trabalho que fez para o roteiro editado pela Tagus escreve que “Frei Agostinho de Santa Maria, com base na descrição de um clérigo abrantino, refere que a imagem aparecera sobre uma tojeira, mas que a sua manifestação é tão antiga, que “…não há quem de seu aparecimento dê a menor noticia…”. No entanto, relata que os milagres da

Senhora eram grandiosos, “…os mortos que tem ressuscitado, os cegos a quem tem dado vista e aos aleijados, pés, e braços não tem número …”, aludindo à grande multidão de romeiros que aí se deslocava e dormitava. Em rigor, sabemos que as esmolas angariadas eram elevadas, pois os mordomos conseguiram erigir um santuário e pagar a um capelão, para celebrar missa todos os domingos e dias de preceito do ano”. O atual templo foi reconstruído em 1978. Possui alpendre, nave e capela-mor ornamentada por um altar policromado e dourado, com nicho ao centro onde desponta uma réplica da N. Sra. do Tojo. Na sacristia temos acesso a um nicho (quase uma cave) onde o visitante pode tocar no primitivo tojo da Senhora.

Lendas e Tradições Neste trabalho da Tagus a investigação anotou e preservou as lendas, ou algumas lendas, que estão associadas a estes locais de culto. Até porque nalguns casos as edificações das capelas ou ermidas não estão no local exato onde terão ocorrido os fatos que levaram, noutros séculos, à construção dos templos para homenagem e veneração a Nossa Senhora.

Nossa Senhora da Guia

“Reza a lenda que a imagem da N. Sra. da Guia foi encontrada num poço cheio de água. Mas, para espanto de todos, permanecia totalmente seca. A partir desse dia os populares começaram a suplicar à Virgem, sempre que surgiam cheias, tempestades ou simplesmente navegavam no rio, pois reconheciam que a Santa os guiava nessas penosas ocasiões. Ainda hoje, muitos populares ao passar em frente à capela saúdam a N. Sra. e rogam-lhe que os guie no caminho da salvação”.

de uma guerra. Esse inglês jurou que se um dia voltasse para a sua terra construiria uma capela. E assim fez. Optou por edificá-la mais abaixo, junto a uma nora. Mas, a santa continuava a aparecer mais acima, junto ao freixo. Resolveu então fazer a vontade à santa, erigindo a capela no local do dito freixo. Ainda hoje, junto à capela existem três dessas árvores da família das oleáceas. A verdade é que no frontal do altar mor, existe um painel de azulejo com a seguinte inscrição “Dña intercede pro Anglia ut convertatr” (Senhora intercede por Inglaterra e converta-a), o que clarifica o objetivo principal do seu fundador: pedir a ajuda de Nossa Senhora para por termo à expansão do protestantismo em Inglaterra”.

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Nossa Senhora das Necessidades

“Segundo a tradição, a edificação deste templo está intimamente relacionado com o nascimento da primeira filha do meirinho de Abrantes (1628 a 1639), João Pereira de Betencourt, que casou com Catarina Pais.”

Nossa Senhora da Lapa

“A tradição afirma que a imagem da Senhora apareceu num local isolado, entre umas “lapas”, do maciço rochoso da ribeira de Arecês. Como o local era de difícil acesso, optou-se por edificar a capela num lugar mais acessível. Mas, a imagem voltava sempre para a sua “lapa”. Este facto anómalo aconteceu tantas vezes, que os crentes fizeram a vontade à Virgem, construindo um

Nossa Senhora dos Matos

“As lendas alusivas ao aparecimento de N. Sra. dos Matos proliferam e todas associam a imagem à presença anglossaxónica, em Mouriscas. Uma afirma, que um grupo de ingleses perderam-se no mar e no meio de tanta aflição pediram auxílio à Nossa Senhora, prometendo que se avistassem terra erigiriam uma capela num sítio onde aparecesse uma santa. Quando desembarcaram em Portugal souberam do aparecimento de uma santa em Mouriscas e decidiram então cumprir a promessa. Outra, relata o aparecimento de uma santa muito baixinha e coberta por um manto, na toca de um freixo. Julga-se que a Senhora falou com o proprietário das terras, que era um inglês fugido

sempre para a gruta. Em honra da voz que falou com o bispo, chamou-se à ribeira, de Arcês e à capela, de Nossa Senhora da Lapa, propagando assim a memória da Imagem que teimava em voltar à sua gruta.”

altar na dita gruta. Ainda hoje é nessa gruta, que os devotos prestam culto à Virgem. Uma outra, afirma que há muito tempo atrás, um bispo foi castigado e desterrado para este local ermo e isolado. Quando soube da sua punição ficou em pânico. Ao partir para o exílio ouviu uma voz que lhe disse: - Vai não recês!! Quando chegou à Lapa, construiu um altar com as pedras da ribeira e começou a celebrar missa, para os pastores das redondezas. Mais tarde, mandou edificar uma capela e diz-se que então, terá aparecido a imagem da Senhora numa gruta do outro lado da ribeira. Decidiu trazer a dita Imagem para a sua capela, mas ela voltava

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Nossa Senhora da Luz

“Abraham-Zaid, alcaide de Tubucci (Abrantes) e proprietário de quase todas as terras da ribeira de N. Sra. da Luz, tinha uma filha muito formosa chamada de Záhára e um filho bastardo, Samuel, que amava perdidamente a sua irmã. Depois de D. Afonso Henriques ter conquistado Abrantes aos mouros, nomeou D. Pedro Afonso, alcaide e mandou libertar toda a família do anterior alcaide. D. Pedro Afonso entregou a administração do castelo ao valente cavaleiro Machado, que tinha ficado apaixonado por Záhára. Záhára pensava em Samuel, mas já se tinha apercebido que o cavaleiro estava apaixonado por ela. Receando o conflito disse a seu pai e ao monge, que o cavaleiro olhava para ela, mas o monge reiterou a honradez do cavaleiro. Então, Záhára perguntou a seu pai como havia de reagir se o cavaleiro aparecesse em sua casa. Ao que ele respondeu, que nada temia nem receara da virtude de Záhára e da honradez do

cavaleiro, por isso, ABRE ANTES a porta. Samuel, ouvindo estas palavras perdeu o juízo e começou a desacreditar Záhára e seu pai, fazendo crer na desonra da donzela. Desatou a correr gritando ABRE ANTES, ABRE ANTES. Estas palavras, na boca do povo, causaram também má fama ao cavaleiro. Daí em diante, o Castelo deixou de ser conhecido como o Castelo Tubucci para passar a ser de ABREANTES. Mais tarde, o monge conseguiu que Samuel deixasse de difamar Záhára e o cavaleiro Machado, que viriam a casar e ter muitos filhos.”

Nossa Senhora do Tojo

“São duas as lendas que fornecem uma explicação plausível para o surgimento da romaria e da posterior capela de N. Sra do Tojo. Uma afirma que há muito, muito tempo, um grupo de crianças que guardavam um rebanho encontrou, no meio de um tojo uma bonita imagem de N. Sra., que levaram para casa. Mas, a imagem desaparecia e voltava sempre para o seu tojo. Isto, repetiu-se tantas e tantas vezes que os moradores do Souto decidiram edificar uma ermida em sua honra. Já a segunda indica que durante um grave período de seca, um pastor resolveu sair com as suas ovelhas em busca de alimento. Enquanto procurava deparou-se com um tojo viçoso que se distinguia de todas as demais plantas, mas as ovelhas não conseguiam comê-lo. O pastor estranhou e decidiu averiguar. Ao chegar perto da planta reparou numa boneca que de imediato colocou na sacola. Quando chegou a casa a imagem tinha desaparecido. Baralhado decide voltar ao local onde a tinha encontrado e qual não é o seu espanto quando a encontra no mesmo tojo. Decidiu então atar a boneca ao braço, mas ela voltou a desaparecer. No dia seguinte voltou outra vez ao tojo, mas desta vez a boneca parecia-lhe a imagem de Nossa Senhora. A notícia espalhou-se e a população da aldeia acabou por fazer nesse mesmo local uma capela, dedicada à Senhora do Tojo.”


ECONOMIA /

Restaurante Almourol está há 30 anos a namorar o Tejo

é um lutador. Parabéns Zé!” José Ferreira confessou ainda ao JA que consegue visualizar o Restaurante Almourol daqui a 30 anos. “Claramente que sim. É um projeto que tem pernas para andar, comigo ou sem mim. Mas depende das pessoas que vierem. Eu não sei se vou cá estar amanhã, daqui a um mês, daqui a um ano... mas uma coisa é certa: o projeto está bem construído, está bem planeado e está de uma forma sólida e estruturada.

Ou seja, qualquer pessoa pode pegar no projeto. Nós, em 2001, fizemos a Certificação de Qualidade no restaurante e isso já era com o objetivo de qualquer pessoa poder fazer qualquer tarefa, desde a gestão a simples ajudante de serviços. O importante aqui é a continuidade”. Com o Tejo aos pés, foi no pátio exterior que José Ferreira e família receberam os convidados, onde houve registos musicais de Tina Jofre e Candinho e onde se ouviram os

parabéns e votos de longa vida ao Restaurante Almourol. Para já, conta 30 de vida... “Quero fazer um agradecimento claro a quem me ajudou nestes últimos anos. Um agradecimento a todos os parceiros, a todos os fornecedores e aos nossos clientes. É um obrigado de coração, de um coração cheio de alegria e vontade de querer”, concluiu José Ferreira ao final de um dia de emoções. Patrícia Seixas PUBLICIDADE

“Há 30 anos estava eu neste mesmo espaço a inaugurar, a agradecer e a iniciar um trabalho que se veio a desenrolar ao longo deste tempo”, começou por dizer ao Jornal de Abrantes, acrescentando que “valeu a pena pelo trabalho produzido, pelo que entregámos aos nossos clientes, aos nossos fornecedores e aos nosso parceiros. Não é só o negócio que é importante, obviamente que o é, mas há também a vertente do desenvolvimento regional. Para mim é muito importante estarmos e participarmos naquilo que é regional, naquilo que é nosso, e ajudar quem nos ajuda”. Olhando para trás, é sem qualquer dúvida que José Ferreira afirma que “o principal objetivo está largamente cumprido. Há 30 anos o objetivo era sermos um restaurante de referência no Ribatejo norte. E, de facto, somos um restaurante de referência não só no Ribatejo norte mas numa área mais alargada”. O último ano e meio não foram tempos fáceis para a restauração mas agora há que festejar com “amigos, fornecedores, clientes, parceiros, é importante sublinhar isso”. “Não foi fácil mas não costumo gastar energias naquilo que nos atira para baixo. Não foi fácil, claramente. Não tivemos muitas ajudas. As ajudas que tivemos ao dispor e que todos nós sabemos, não eram nem de perto nem de longe para nós sobrevivermos ou de avançarmos no projeto mas uma coisa é certa, a nossa resiliência, a nossa maneira de

ser e aquilo que nós queremos para a frente, fizeram-nos ultrapassar um momento. Vamos ultrapassar outros momentos menos bons, em função da nossa experiência e também do nosso querer e da nossa vontade”, afirmou o resiliente proprietário do Restaurante Almourol. No meio dos convidados, muitas foram as histórias que saltaram das memórias dos presentes. No entanto, houve uma que, apesar de se tratar de um momento dramático, ainda conseguiu arrancar algumas gargalhadas. Fernando Francisco foi o primeiro cozinheiro do Restaurante Almourol e recordou o dia da inauguração, há 30 anos. “Eu tive o privilégio de vir abrir a cozinha do Restaurante Almourol e nesse dia, que era um dia de alegria, para nós foi quase de tristeza”, começou por contar. É que, conforme explicou, “incendiou-se a cozinha. Eu tinha tudo preparado e a cerca de três horas da abertura, tivemos que dar a volta à situação toda outra vez. Começou numa fritadeira, não sei como porque estava a uma temperatura de 100 graus e não era para se incendiar. Mas incendiou e pegou fogo à cozinha. Foi terrível”. “Por isso é que eu tenho estes cabelos brancos”, gracejou. Acrescentou ter sido “um prazer trabalhar aqui com o José e a família Ferreira que sempre me acolheram bem e eu fiz o que pude, o melhor que sabia. Hoje estou estou orgulhoso do José Ferreira que, apesar de todas as dificuldades porque passou,

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/ 30 anos de história e de histórias / Ao pôr do sol, cantaram-se os parabéns

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// Foi há 30 anos que o Restaurante Almourol, em Tancos, no concelho de Vila Nova da Barquinha, abriu portas. Com algumas dificuldades pelo meio e a sair devagarinho de uma época de pandemia, cheia de restrições na restauração, foi entre amigos que José Ferreira e a família fizeram a festa possível. O proprietário do Almourol é, acima de tudo, um homem grato pelo que conseguiu e pela história e histórias que carrega ao longo destes 30 anos.

/ José Ferreira, um homem grato pelo que conseguiu

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Setembro 2021 / JORNAL DE ABRANTES

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SOCIEDADE / // O PERCURSO DO JOVEM ABRANTINO DIOGO TEIXEIRA PEREIRA, DESDE AS BOLSAS DE ESTUDO ATÉ AO LOUVOR MINISTERIAL

“Estudar e melhorar as condições de vida são dois lados da mesma moeda” // Aos 26 anos Diogo Teixeira Pereira tem já uma vida cheia de estórias para contar. Quando é desafiado a olhar para trás, reconhece um “jovem curioso, determinado e resiliente por querer melhorar as suas condições de vida”. E acrescenta: “O eu presente é o mais improvável dos futuros que podia imaginar naquela altura.” Quando, em julho passado, recebeu um louvor da ministra da Saúde, a primeira coisa que lhe veio à cabeça foi um trecho de Camões: “E aqueles que por obras valerosas - Se vão da lei da morte libertando”. Diogo Teixeira Pereira fez parte de uma equipa que, no âmbito da Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia, elaborou um documento sobre o ‘Acesso aos Medicamentos para uma Europa mais Forte e Resiliente’. Foi esse trabalho “árduo” que lhe valeu o reconhecimento. Para além da satisfação pelo louvor, o jovem realça a importância que o estudo terá na vida dos outros. Criado pelo pai e pela avó paterna, Diogo Teixeira Pereira cresceu em Alferrarede e estudou na Escola Secundária Dr. Solano de Abreu. “Venho de origens humildes e, à partida, não havia condições para ir para a faculdade. Mas depois comecei a estudar e a aplicar-me. Do básico para o secundário senti o chamamento para estudar e para ir para a faculdade, porque estudar e melhorar as condições de vida são dois lados da mesma moeda.” - conta Diogo. Enquanto descobria o gosto pelos discursos, pela organização de eventos e pelo voluntariado, Diogo empenhava-se cada vez mais nos estudos. A sua dedicação foi reconhecida pelo Rotary Club de Abrantes, que lhe atribuiu uma bolsa desde o 12º ano. Já a pensar num futuro internacional, investiu o valor das bolsas em cursos de línguas. O aperfeiçoamento do Inglês foi fundamental para o período de Erasmus na Holanda e para o estágio em Nova Iorque, mas o Francês também foi importante para o mês de voluntariado que fez na cidade francesa de Parthenay, com deficientes físicos. Diogo fez o secundário na área das Ciências Socioeconómicas. Andou aqueles três anos a pensar que seria gestor ou economista, mas no 12º ano tudo mudou. Um “desaire” na Matemática levou-o a procurar uma alternativa. Como foi desenvolvendo o gosto pela política, entrou em jogo uma das suas principais características – a flexibilidade – que levou a fa-

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JORNAL DE ABRANTES / Setembro 2021

“Foi preciso ir para uma cidade mais acelerada do que eu para eu olhar para mim próprio e para perceber que tenho de recentrar o meu aceleramento estrutural”

zer uma viragem no percurso, da Economia para a Ciência Política. Em 2016 licenciou-se em Ciência Política e Relações Internacionais pela Universidade Nova de Lisboa, tendo sido o melhor aluno do curso e recebendo bolsas nos três anos de estudo. Fez Erasmus em Haia, na Holanda, experiência que o “ajudou a expandir os horizontes”. Dois anos depois concluiu o Mestrado na mesma instituição, especializando-se em Estudos Europeus. Entre outubro de 2018 e outubro de 2019 fez um estágio no Consulado-Geral de Portugal em Nova Iorque. “Foi preciso ir para uma cidade mais acelerada do que eu para eu olhar para mim próprio e para perceber que tenho de recentrar o meu aceleramento estrutural. Foi aí que ganhei a apetência pelo desenvolvimento pessoal, pelo Reiki e pela meditação.” A nova forma de estar na vida ajudou Diogo no período da pandemia: aproveitou os confinamentos para aprofundar o autoconhecimento e para passar a fazer exercício físico. “Sempre tive uma relação complicada com o desporto, tinha medo de explorar os limites do corpo. Mas o nosso corpo é a nossa casa, só temos uma e temos de cuidar bem dela. E pensei: eu tenho que conferir sustentabilidade de longo prazo ao corpo.” Atualmente segue um plano de treino e pratica boxe, o que ajuda a aliviar o stress. Em todo este percurso, Diogo reconhece a importância da avó paterna. “Passou-me aquele

lado da importância da interação com os outros. Ia com ela para as excursões e hoje dou valor a isso. Ela sempre me disse: vai, vai, aprende e explora para teres uma vida melhor. A última vez que vi a minha avó foi no dia em que defendi a tese de Mestrado. O momento é cheio de simbolismo, porque lhe disse que concretizei a missão.” Os outros membros da família de Diogo também são peças importantes na sua vida. “O meu pai está sempre surpreendido com o que vou alcançando e isso também me estimula a continuar.” A pequena irmã Margarida emocionou-o quando, com nove anos, lhe disse que o considerava um herói. “Se eu a puder inspirar para ela procurar algo mais, eu vou fazê-lo” – diz, com a determinação que o caracteriza. No seu percurso guarda especial agradecimento à professora de Educação Visual que o envolveu numa atividade de solidariedade relacionada com o cancro e à professora de Economia do ensino secundário. Com a primeira voltou aos ensinamentos da avó: “Não há objetivo central que possamos atingir sem interagirmos com os outros.” Com a segunda começou a “ganhar o gosto pela ideia de que está tudo ligado, que as coisas estão todas relacionadas”, o que veio a ser determinante em todo o seu percurso académico. O reconhecimento que Diogo foi tendo pelo seu trabalho leva-o a refletir sobre a importância de se ser proativo. “Não podemos esperar que as coisas nos caiam de bandeja. Temos de andar à procura e não podemos ficar só dependentes de uma coisa. É importante sermos fixos, mas flexíveis. Eu fui fixo porque queria ir para a faculdade, mas fui flexível na abordagem para lá chegar.” Desde maio de 2020 que Diogo Teixeira Pereira é ‘Policy Analyst’ no Gabinete de Relações Internacionais e Desenvolvimento no INFARMED. A entrada no mundo do trabalho permitiu-lhe concretizar alguns sonhos, como o de conhecer o resto do país. Braga e Guimarães foram a primeira etapa, o Porto vem já a seguir. Hália Costa Santos


SOCIEDADE /

Paddle Azul...

alegria e frescura no verão 2021 Os desportos radicais ganharam uma nova modalidade na região do Médio Tejo. Com sede em Arripiado, concelho da Chamusca, a “Paddle Azul” chegou no início do verão e já conquistou centenas de adeptos que através seu criador, João Vieira, se ligaram com a mais pura natureza que a região oferece, descobrindo novos locais de forma diferente, com visitas a locais históricos e impactantes da região, com viagens inesquecíveis pelas águas dos rios Zêzere e Tejo. “Paddle”, o que é? Fomos conversar com o proprietário da “Paddle Azul”. João Vieira, tem formação em Desporto, realizada em França, na região da Costa do Azur Antibes, pratica surf há mais de 25 anos e paddle há mais de 15. Para poder operar em Portugal, fez ainda formação na Academia Desportiva SUP, em Óbidos.

A proposta que a Paddle Azul faz é que venham ter connosco e conhecer. Queremos que cada saída seja um momento de alegria e bem-estar e esquecer as preocupações da vida quotidiana, e enquanto se pratica este desporto isso acontece mesmo. Resumidamente, a nossa proposta é mesmo que venham conhecer a região através dos nossos passeios na água..

João, comecemos por saber exatamente o que é o Paddle…

No entanto a Paddle Azul tem também as portas abertas a empresas e/ou grupos, certo?

O Paddle é uma disciplina ancestral que nasceu na costa da Polinésia. Resumidamente, trata-se de movimento na água usando “apenas” uma grande prancha e um remo.

Sendo uma empresa recente e uma atividade nova na região do Médio Tejo, a adesão das pessoas foi surpreendente. Estavas à espera?

Confesso que foi com grande surpresa que vi as pessoas com muita vontade de praticar este desporto, principalmente por ser uma nova atividade, não habitual aqui na região. Estava otimista mas foi realmente uma surpresa boa.

Qual é a proposta que a Paddle Azul faz aos amantes desta prática?

/ João Vieira, criador da Paddle Azul, propõe a descoberta de novos locais na região

Sim claro. Estamos já a trabalhar com empresas e clubes desportivos. Recebemos grupos de férias, ou aniversários, por exemplo.

Desde que estás a desenvolver esta atividade, o que mais te surpreendeu?

Foi mesmo o entusiasmo das pessoas ao praticar uma nova atividade desportiva. O Paddle é para mim uma paixão e não há nada melhor que poder partilhá-la desta forma com as outras pessoas..

E já aconteceu aparecerem pessoas...com medo?

Não diria com medo, mas apreensivas por terem que ficar em pé em cima da água. Já tem havido situações hilariantes.

Apesar de teres a tua vida estabelecida em França, apostas nesta modalidade a partir do “teu berço”, que é o Arripiado, onde tens as tuas raízes, que também estão nos concelhos de Torres Novas e Abrantes. És portanto um bom conhecedor e apaixonado pela região. Foi isso que te levou a fazer esta aposta aqui?

Sempre fui apaixonado pela minha aldeia e criei uma nova atividade que ajuda a torná-la conhecida, o que é um grande prazer pois vivo num lugar tranquilo, rodeado pela natureza, o que poucas pessoas sabem. E quero que muitas outras pessoas venham a saber isso.

A quem é essencialmente dirigida esta prática desportiva? Jovens? Adultos? Todos? Quais são as condições para poder fazer uma inscrição?

Todas as idades são bem-vindas. Dos 10 aos 70 anos. É essencial saber nadar e não existirem condições de saúde que não sejam propícias a este desporto.

os receios existiam confesso. Mas ver o sorriso de pessoas felizes depois de um passeio é a minha maior recompensa. Agradeço a Deus todos os dias.

É importante que se diga que não és apenas um curioso. Esta atividade é realizada totalmente em segurança, sendo que tu e a tua equipa têm a formação necessária para a desenvolver, certo?

A segurança sempre e acima de tudo. Nós queremos que as pessoas se sintam seguras quando estão a praticar o SUP. Queremos que essa seja uma imagem de marca nossa, além de uma obrigação e um dever.

Além de percursos nos rios Zêzere e Tejo, a Paddle Azul também tem as suas atividades no mar. Peniche é uma paixão e o mar é bem diferente do rio...

Sim, é verdade. O mar no geral é uma paixão e Peniche também, sim! O mar está sempre em movimento e com as suas ondulações é outra sensação. Igualmente boa, mas diferente. A energia não é a mesma.

E já aconteceu conseguirem cativar alguém do rio, para o mar?

Sim, já! Já houve quem quisesse passar do rio para o mar e... o mar

é viciante. Não se consegue explicar com palavras. É preciso sentir.

Como sentiste a recetividade das entidades oficiais da região perante a perspetiva de desenvolver aqui esta atividade?

Muito boa. Todos ficaram entusiasmados e expectantes. A Câmara Municipal da Chamusca, concelho onde a Paddle azul está sediada, foi incansável e agradeço muito, bem como à comunicação social da região que tem tido curiosidade e claro, a minha aldeia: Arripiado.

O verão foi cheio e vamos ainda ter muito calor pela frente. Sabemos que as marcações continuam a acontecer, mas qual o balanço que podes fazer até agora? Pelo que já conversámos, deduzo que a aposta esteja ganha...

Sim. Sem dúvida que foi uma boa aposta. Estou muito feliz porque para desenvolver esta atividade foi necessário um investimento pessoal avultado e em tempos de pandemia,

Além dos desportos radicais, há também uma forte aposta na área da restauração, em Arripiado, onde depois duma atividade no rio, se pode desfrutar de um bom gelado e uma bebida fresquinha. Outra aposta ganha?

Sim, a atividade de restaurantes e hotéis é importante para não deixar morrer a nossa linda aldeia. Temos o “Airblue Café”, na zona ribeirinha do Arripiado, onde, tal como disseste, podemos saborear excelentes gelados e muitas outras coisas.

E isto quer dizer que é um regresso definitivo a Portugal?

Definitivamente não sei! Mesmo. Só Deus sabe. No inverno trabalho em França, mas se estiver no caminho certo... Sim!

Quem quiser fazer uma inscrição, como o pode fazer?

O mais prático é mesmo fazerem uma visita ao nosso site, para ficarem a conhecer-nos um pouco melhor e onde estão todas as informações: www.padlleazul.com Paulo Delgado

Setembro 2021 / JORNAL DE ABRANTES

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DESPORTO / Abrantes e Benfica inicia época na Taça de Portugal

CARTÓRIO NOTARIAL EM ABRANTES A CARGO DA NOTÁRIA ANDREIA SORAIA MARTINS SILVA Extrato Notarial de Escritura Pública de “Justificação” _____ Certifico narrativamente, para efeitos de publicação, que por escritura lavrada na presente data a folhas setenta e três e seguintes, do livro de notas para escrituras diversas número dezoito, do Cartório Notarial em Abrantes, sito na Avenida 25 de Abril, número duzentos e quarenta e oito, freguesia de União das Freguesias de Abrantes (São Vicente e São João) e Alferrarede, da Notária, Andreia Soraia Martins Silva: MARIA JOSÉ ROSA MARTINS, NIF 184.633.370, natural da freguesia de Abrantes (São Vicente), concelho de Abrantes, e marido JORGE ROSA DIAS, NIF 187.966.761, natural da freguesia de Abrantes (São Vicente), concelho de Abrantes, casados sob o regime da comunhão geral, residentes na Rua Principal, número 314, Sentieiras, 2200-507 Abrantes, União das Freguesias de Abrantes (São Vicente e São João) e Alferrarede, concelho de Abrantes. -----------------------------------------------------------------------------------------DECLARARAM OS OUTORGANTES, SOB SUA INTEIRA RESPONSABILIDADE:------------------- Que são donos e legítimos possuidores, com exclusão de outrem, do PRÉDIO RÚSTICO, composto por olival, denominado ou localizado “Vale de Ferreiros”, freguesia de União de freguesias de São Vicente e São João) e Alferrarede, concelho de Abrantes, com a área de três mil setecentos e sessenta metros quadrados, a confrontar de norte com António Rodrigues Marques, de sul com Américo Marques Ventura, de nascente com Joaquim Bação Bonito e poente com Maria João Simões Rodrigues Dono Roseiro, não descrito na Conservatória do Registo Predial de Abrantes, inscrito na matriz predial rústica da freguesia de União de freguesias de (São Vicente e São João) e Alferrarede, sob o artigo 75, secção 1R, anteriormente inscrito sob o artigo 75, da secção R, da extinta freguesia de São Vicente, com o com o valor patrimonial para efeitos de IMT de 259,94€, a que atribuem igual valor.---------------------------------------------------------------------- ---------Que desconhecem os artigos anteriores deste imóvel, nomeadamente os que vigoraram na antiga matriz. --------------------------------------------------------------------------------------------------------PELOS OUTORGANTES MAIS FOI DITO SOB SUA INTEIRA RESPONSABILIDADE: -------------------- Que, o imóvel supra identificado, veio à posse da justificante mulher no estado de solteira, menor (tendo posteriormente casado com o outorgante marido sob o regime da comunhão geral) por doação meramente verbal, no ano de mil novecentos e oitenta e um, em dia e mês que já não pode precisar, feita por Augusto Martins e mulher Maria José Silva Mendes, casados entre si sob o regime da comunhão geral, residentes que foram na Rua da Palmeira, lugar de Chainça, Abrantes.------------------------------------------------------------------------------------------------------- Que desde esse ano, ou seja, há mais de vinte anos, entraram eles justificantes, na posse do mencionado bem, e de imediato o ocuparam e passaram a usufruí-lo, sendo que exerceram de imediato e de aí em diante todos os atos de posse, vedando-o, plantando-o, semeando-o, lavrando-o, cultivando-o, colhendo os respetivos frutos, isto é, gozando de todas as utilidades, direitos, e benefícios por ele proporcionadas.----------------------------------------------------------------------Que, sempre administraram o bem, sem qualquer interrupção, com o conhecimento de toda a gente, sem oposição de quem quer que seja, e com o ânimo de quem exerce direito próprio, ou seja, exercendo essa mesma posse de forma contínua, pública, pacífica, e de boa-fé. -------------- MAIS DECLARARAM OS OUTORGANTES:--------------------------------------------------------------------- Que dadas as características de tal posse, invocam a aquisição desse bem por Usucapião, justificando o direito de propriedade deste, para efeitos de inscrição na “Conservatória do Registo Predial de Abrantes”, dado que esta forma de aquisição não pode ser comprovada por qualquer outro título formal extrajudicial.--------------------------------------------------------------------------------------- Que do ato de aquisição verbal e da posse que em consequência, eles ora justificantes, têm vindo a exercer no prédio acima identificado e que agora justificam, não decorreu qualquer fracionamento proibido por lei porquanto os ante possuidores de quem os justificantes adquiriram o referido prédio, não possuíam outros prédios rústicos contíguo ao acima identificado----------------- Está conforme o original. _____Abrantes, 13 de agosto de 2021. _____A Notária, Andreia Soraia Martins Silva

/ António Carvalho

Com as competições de futebol nacionais em curso, o primeiro jogo oficial da época do Sport Abrantes e Benfica vai ser a 11 de setembro na primeira eliminatória da Taça de Portugal. A equipa de Abrantes, que ficou em segundo lugar no campeonato distrital da primeira divisão da Associação de Futebol de Santarém, vai defrontar no dia 11 de setembro, às 19:30 horas, a equipa do Caldas da Rainha, da Liga 3. Esta será a primeira vez que o Abrantes e Benfica terá um jogo com transmissão em direto na televisão. O jogo vai ter transmissão em direto no Canal 11. O Abrantes e Benfica faz saber que brevemente vai divulgar as condições de aquisição de bilhetes para o jogo, uma vez que o embate já vai contar com público nas bancadas. De referir que este jogo marcará

igualmente o regresso das emissões de Antena Desportiva ao 96.7fm da Antena Livre depois do período de férias. Esta primeira eliminatória da Taça de Portugal está divida por oito séries e conta com 32 equipas isentas que, desta forma, entram diretamente para a segunda eliminatória, como é o caso do Coruchense.

Raid TT Ferraria, Wakeboard, Swimrun e muito mais... De 3 a 5 de setembro o Centro Cultural Recreativo e Desportivo da Ferraria organiza a 33.ª edição do RAID TT Ferraria que este ano tem três etapas numa presença mais privilegiada no concelho de Abrantes. Neste sentido, a Câmara de Abrantes aprovou a atribuição de um apoio de seis mil euros à organização desta prova. O vereador Luís Dias explicou que esta edição conta com a realização de com três etapas e 120 quilómetros “que terão o acolhimento de veículos no Aquapolis Sul”, em Rossio ao Sul do Tejo. Depois, com a colaboração do Clube Aventura Motorizado do Pego, “que tem sido sempre incansável no apoio a esta articulação com o Clube do concelho vizinho do Gavião”, as classificativas partem desta freguesia até Gavião, passando também este ano por territórios do concelho de Ponte de Sôr. O vereador destacou ainda o “papel fundamental” dado pelas Juntas de Freguesia de S. Miguel do Rio Torto e Rossio ao Sul do Tejo, Pego, Alvega e Concavada, S. Facundo e Vale das Mós que “têm dado um apoio cada vez maior a esta prova”. Ainda na reunião do executivo Municipal de Abrantes o vereador com o pelouro do desporto da autarquia indicou que no fim de semana de 4 e 5 de setembro estão agendadas para o concelho de Abrantes, nomeadamente para a Albufeira do Castelo de Bode atividades náuticas. Uma das atividades insere-se no

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/ Wakeboard gratuito na praia fluvial de Aldeia do Mato Open Days da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo e tem a ver com a prática gratuita de Wakeboard na praia fluvial de Aldeia do Mato. A outra, segundo informou Luís Dias, realiza-se no domingo, dia 5 de setembro, é uma atividade de Swimrun, em plena Grande Rota do Zêzere. “Também esta é uma prova recente e inovadora. Uma modalidade em que os atletas correm e nadam”, neste caso, na albufeira do Castelo do Bode. Ainda na área do desporto, a Câmara Municipal aprovou, por unanimidade, a atribuição de um apoio no valor de cinco mil euros para a Casa

JORNAL DE ABRANTES / Setembro 2021

do Benfica de Abrantes. É um pedido de apoio feito fora do FinAbrantes, o programa de financiamento às associações ou ao desporto porque estas provas não estão enquadradas naquilo que são as calendarizações de outras competições, porque os clubes e atletas são convidados a participar nas competições. Este pedido de apoio da Casa do Benfica de Abrantes tem a ver com as despesas de deslocações por via aérea para os campeonatos da Europa de Laser Run, Biatle e Triatlo, a realizar em Castelldefels, Barcelona (Espanha), entre os dias 21 a 27 de setembro.

CARTÓRIO NOTARIAL DE MARIA DA CONCEIÇÃO RIBEIRO Rua Dr. Eduardo de Castro, N.º19, R/c, 6110-218 Vila de Rei Telf: 274.898.162 Tlm: 927.735.540 E-mail: cartorio.crm@gmail.com EXTRACTO DE JUSTIFICAÇÃO Certifico narrativamente, para efeitos de publicação, que por escritura outorgada em três de agosto de dois mil e vinte e um, exarada a folhas CENTO E DOZE do livro de notas para escrituras diversas número OITO – A, LAURA NUNES DE OLIVEIRA, NIF 122.901.010, e marido JOSÉ MANUEL MADUREIRA, NIF 163.219.486, casados sob o regime da comunhão de adquiridos, naturais ela da freguesia de Fundada, concelho de Vila de Rei, ele da freguesia de São Pedro de Serracenos, concelho de Bragança, residentes habitualmente na Rua Campo das Parretas, número 6, segundo andar esquerdo, união de freguesias de Braga (Maximinos, Sé e Cividade), concelho de Braga, declararam que são donos e legítimos proprietários, com exclusão de outrem, dos seguintes imóveis, todos sitos na freguesia de Fundada, concelho de Vila de Rei, omissos na Conservatória do Registo Predial de Vila de Rei: UM - Prédio rústico, composto de olival e pinhal, sito em Porto Carro, com a área de oitocentos e setenta e sete vírgula dezanove metros quadrados, a confrontar do norte e poente com José Cardoso Domingos, do sul com Estrada Municipal e do nascente com Ribeiro, inscrito na matriz em nome da herança de Clementina Maria, sob o artigo 2768, com o valor patrimonial tributário de 144,18 euros. Tem o prédio Representação Gráfica Georreferenciada com o processo número 188662, emitida em 03.08.2021, pelo Balcão Único do Prédio. DOIS - Prédio rústico, composto de olival e fruteiras, sito em Fouto, com a área de trezentos e vinte e dois vírgula quarenta e sete metros quadrados, a confrontar do norte com Filipe Cipriano Morgado, do sul com António da Silva Pires, do nascente com Caminho e do poente com Rosa do Carmo Dias, inscrito na matriz em nome da justificante mulher, sob o artigo 2831, com o valor patrimonial tributário de 68,21 euros. Tem o prédio Representação Gráfica Georreferenciada com o processo número 188776, emitida em 03.08.2021 pelo Balcão Único do Prédio. TRÊS - Prédio rústico, composto de terra de cultura arvense, pinhal e oliveiras, sito em Tapada Nova e Lameira Vales, com a área de mil cento e vinte e seis vírgula quarenta e seis metros quadrados, a confrontar do norte com Manuel Nunes e Outros, do sul e poente com Estrada Municipal e do nascente com Virgílio António da Silva, inscrito na matriz em nome da herança de Clementina Maria, sob o artigo 2848, com o valor patrimonial tributário de 225,79 euros. Tem o prédio Representação Gráfica Georreferenciada com o processo número 188643, emitida em 03.08.2021 pelo Balcão Único do Prédio. Que desconhecem quaisquer outros artigos anteriores aos ora indicados, em virtude de não terem obtido qualquer informação nesse sentido, apesar das buscas efetuadas. Que os imóveis acima identificados, foram adquiridos pelos justificantes por doação meramente verbal, que lhes foi feita já no estado de casados entre si no indicado regime de bens, por Manuel de Oliveira e mulher Clementina Maria, casados sob o regime da comunhão geral, já falecidos, residentes que foram no lugar de Fouto, freguesia de Fundada, concelho de Vila de Rei, feita em data que não sabem precisar, mas que situam no ano de mil novecentos e oitenta, e portanto há mais de vinte anos. Que desde que a mesma foi efetuada até esta data, sempre eles justificantes usufruíram dos citados imóveis, ininterruptamente à vista de toda a gente, sem oposição de quem quer que seja, com a consciência de utilizarem e fruírem coisas exclusivamente suas, adquiridas de anteriores proprietários, pagando as respetivas contribuições, cultivando-os, limpando-lhes o mato e deles retirando os seus normais frutos, produtos e utilidades. Que em consequência de tal posse, em nome próprio, pacífica, pública e contínua, adquiriram sobre os ditos imóveis o direito de propriedade por usucapião, não tendo em face do modo de aquisição, documento que lhes permita comprovar o seu direito de propriedade perfeita. Está conforme. Cartório Notarial de Vila de Rei, a cargo da Notária Maria da Conceição Fernandes Ribeiro, três de agosto de dois mil e vinte e um. A Notária, (Maria da Conceição Fernandes Ribeiro)


GALERIA /

Sandra Santos natural de S. João - Abrantes Primeiro surgiu a curiosidade pela fotografia, desde criança, através do meu pai que serviu também de fonte de inspiração, mais tarde cresce a minha paixão pela fotografia! Em 2008 adquiri a minha primeira Reflex depois de ter usado duas compactas. Desde então que vou tirando fotos pelos locais por onde passo, participando em eventos temáticos, e de momento até tenho uma equipa a que pertenço no Gurushots, uma plataforma para fotógrafos. Tento sempre tirar aquele momento que toca a alma das pessoas! A fotografia para mim é mais do que uma paixão, é o alimento da minha alma, do meu ser! O meu percurso: - Tenho várias publicações em revistas, nomeadamente a Zoom e OMF, sendo que fui vencedora com publicação de capa na revista OMF; - Participação no maior álbum do Mundo da Dreambooks certificado pelo Guinness, com uma fotografia do Alto Alentejo; - 3.º Lugar e Vencedora de concurso organizado pelo Município de Abrantes; - Seleção de uma foto e sua publicação no concurso Transversalidades pelo Centro de Estudos Ibéricos; - Participação em várias Exposições; - Finalista e publicação no concurso Rostos, com publicação na revista CAIS, em 2017; - Recentemente fui vencedora de topo na plataforma Gurushots, ao qual adquiri o status de Guru I; - Vários destaques em páginas nas redes sociais e sites; - Em 2017 participação no 3rd International annual photo award - 35Awards, tendo ficado no Top 10 Lisboa e Top 100 Portugal, com respetivo certificado

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POLÍTICA / AUTÁRQUICAS / VILA DE REI

Candidato do PS quer “desenvolvimento económico sustentado” O professor Luís Santos é o candidato do PS à presidência da Câmara Municipal de Vila de Rei nas autárquicas deste ano, com um projeto assente no “desenvolvimento económico de forma sustentada e diversificada”. Licenciado em Engenharia, Luís Manuel Martins Ferreira dos Santos, 60 anos, natural de Angola, com residência na Sertã e professor do ensino básico e secundário em Vila de Rei, disse que as “linhas mestras” da sua candidatura assentam também “na ação social, na educação e na cultura”. O militante socialista, atual vereador eleito em 2017 pelo PS, destacou “a centralidade, as boas acessibilidades para os grandes centros, o turismo de natureza, a gastronomia, as praias fluviais, a Estrada Nacional 2 e o centro geodésico” como

fatores positivos e indutores de desenvolvimento no município. Por outro lado, as debilidades apontadas por Luís Santos em Vila de Rei assentam no facto de ser um “concelho interior e com despovoamento populacional”, na “baixa oferta de empregos qualificados” e no “acentuado envelhecimento populacional”, notando que “a média salarial do concelho é baixa, pois predominam os empregos com baixos salários”. Com o lema “Vila de Rei pode ser melhor”, os objetivos da candidatura do PS passam por “potenciar e criar mais ofertas culturais, apoiar os jovens que vão tirar cursos superiores, promover os produtos locais, apoiar e acompanhar os idosos e as famílias mais carenciadas”, e “criar condições para a fixação de empresas, em especial com empregos qualificados”. O PS concorre à Assembleia Municipal de Vila de Rei com António Domingos como cabeça de lista, e a duas das três Assembleias de Freguesia do concelho - em Vila de Rei concorre Luís Branco como cabeça de lista e na Fundada concorre São Jorge Crisóstomo.

AUTÁRQUICAS / CONSTÂNCIA

Francisco Morgado concorre pelo Chega “para fixar pessoas” O perito técnico do setor automóvel Francisco Morgado, 79 anos, é o candidato do Chega à presidência da Câmara Municipal de Constância, defendendo uma aposta nas empresas, na formação e na captação de investimento para criar emprego e fixar pessoas. “Desenvolver Constância tem vários caminhos, em nosso entender, sendo que, geograficamente, a localização junto à A23 e com duas saídas coloca o concelho numa posição privilegiada para captação de mais investimento e, consequentemente, emprego e fixação de populações”, disse Francisco Morgado. Notando a importância de investir na formação e em “mão de obra qualificada”, o candidato do Chega defendeu a criação de uma rede de transportes intermunicipal e de polos de escolas de formação profissional. “Os empresários de turismo queixam-

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-se de falta de mão de obra qualificada, tantas vezes existente nos concelhos limítrofes, mas economicamente inviável para os trabalhadores por falta de transportes públicos que sirvam a vila”, notou. No caso das escolas profissionais, para se obter a formação correspondente às necessidades dos empresários, devem ser aproveitados, no seu entender, fundos comunitários. Com o lema “Chega + o melhor para Constância!”, Francisco Morgado quer “potenciar a fixação de populações e incentivar os jovens a vir viver para o concelho” (distrito de Santarém) desenvolvendo “ações económico-financeiras ao nível dos impostos e taxas municipais”, e aproveitar a geografia e a história da vila para “incentivar o turismo, doando ‘vouchers’ para consumo nas empresas, integrando valências, como o rio, a paisagem envolvente”. Francisco Morgado, natural de Constância, concorre pelo Chega como independente, depois de ter exercido o cargo de vereador na Câmara Municipal de Constância eleito pelo PSD. Questionado a quais órgãos autárquicos concorre o Chega em Constância, Francisco Morgado disse que o partido “concorre apenas à Câmara” Municipal.

AUTÁRQUICAS / SARDOAL

Candidata do Chega quer mais emprego e habitação Raquel Marques, 36 anos, é a candidata do Chega à Câmara Municipal de Sardoal nas eleições autárquicas e aposta num “desenvolvimento sustentável” assente na criação de emprego e de mais habitação. “A nossa candidatura baseia-se principalmente no desenvolvimento do concelho criando inicialmente condições e oportunidades ao nível do emprego e habitação para todos, não só para os sardoalenses, mas também no sentido de atrair pessoas para se fixarem”, disse a cabeça de lista do Chega. “Após o objetivo principal concluído”, referiu, a ideia é “continuar este desenvolvimento de forma sustentável em outras áreas”. Segundo afirmou a candidata, natural e residente em Sardoal e supervisora de projetos, “ao longo destes anos as prioridades foram invertidas” e chegou-se a “um ponto de estagnação”. “Sem uma base sólida, nada que seja construído depois irá ter futuro”, salientou.

Raquel Margarida Navalho Marques, que concorreu às autárquicas de 2013 pelo Grupo de Independentes de Sardoal (GIS) e foi presidente do Conselho Fiscal da Associação de Jovens de Sardoal entre 2013 e 2016, disse ainda que concorre à presidência da Câmara com o objetivo de mudar o rumo da realidade local. Raquel Marques apontou como pontos negativos do concelho “a falta de emprego, falta de habitação e a falta de saneamento básico em algumas localidades”, sublinhando que são matérias “fundamentais para o desenvolvimento e também para as necessidades básicas da motivação humana” e das populações. “Não conseguimos manter, nem atrair pessoas, quando não temos o básico”, acrescentou. Com o lema ‘CHEGA de promessas, vamos à obra’, a candidata destacou ainda como “pontos com potencial de afirmação e crescimento” o turismo, já que “o Sardoal é um diamante por lapidar no que toca ao mesmo e com diferentes vertentes”, a revisão do Plano Diretor Municipal (PDM) e a floresta. “Temos uma riqueza florestal enorme, na qual podemos intervir de forma benéfica para o concelho”, exemplificou. O Chega só apresenta candidatos à Câmara Municipal de Sardoal.

AUTÁRQUICAS / SARDOAL

Candidata da CDU diz que é “urgente” fixar população Fernanda Castelo Branco, assistente operacional hospitalar, concorre pela CDU à Câmara Municipal do Sardoal nas eleições de 26 de setembro, tendo defendido ser “urgente” criar medidas que permitam fixar e atrair pessoas no território. “É urgente criar condições de atratividade à fixação e captação de famílias, principalmente mais jovens, condições essas que passam, entre outras medidas, pela criação de emprego, pela existência de um plano de municipal de habitação a custos acessíveis e infraestruturas de apoio às famílias a custos compatíveis com os baixos salários”, afirmou a candi-

data da CDU, coligação que junta o PCP e o Partido Ecologista os Verdes. Tendo como lema ‘Com a CDU- Confiança no Futuro’, a cabeça de lista disse que “compromete-se a ouvir a população e ser a porta-voz dos seus problemas e aspirações”, tendo apelado à “participação dos sardoalenses na vida quotidiana” do concelho. A candidata, com 60 anos, frequentou o curso de Jornalismo na Escola Superior de Jornalismo do Porto, tendo exercido jornalismo em alguns jornais locais, regionais e nacionais, e é formada em Massoterapia e ativista em vários movimentos de proteção dos animais e da natureza. Como candidato à Assembleia Municipal de Sardoal, a CDU apresenta Júlio Manuel Santos, 67 anos, técnico administrativo (aposentado), ex-dirigente do Grupo Desportivo e Recreativo “Os Lagartos” e antigo dirigente sindical. A CDU só apresenta candidatos à Câmara e Assembleia municipais de Sardoal.


POLÍTICA / AUTÁRQUICAS / SARDOAL

PSD apresenta candidatos e pede votação para 4.º vereador A apresentação dos candidatos do PSD aos órgãos autárquicos de Sardoal teve lugar no dia 21 de agosto, num Centro Cultural Gil Vicente com limitação de lugares devido à pandemia. Para além dos candidatos, a cerimónia contou com a presença de Luís Marques Mendes, ex-dirigente social-democrata, com Isaura Morais, vice-presidente do Partido e João Moura, presidente da distrital do PSD. Presenta notada e referida por todos foi a de Fernando Moleirinho, antigo presidente da Câmara de Sardoal, eleito nas listas do PSD. Foram apresentados os candidatos do PSD às Juntas de Freguesia e Paulo Casola volta a encabeçar a lista à Junta de Alcaravela. Dora Santos é candidata a Santiago de Montalegre, Duarte Batista à Junta de Valhascos e César Grácio é o cabeça de lista à Junta de Freguesia de Sardoal. Miguel Pita Alves volta a ser o candidato do PSD à presidente da Assembleia Municipal de Sardoal. Luís Marques Mendes, militante do PSD e ex-líder do Partido, pediu aos sardoalenses que Miguel Borges obtenha uma votação reforçada nestas eleições “porque

é um autarca que sabe o que quer , sabe o que o concelho precisa e está já muito à frente”. O antigo líder dos social-democratas lembrou que faltam quatro anos para completar um círculo e que “é necessário uma votação renovada e reforçada” para poder ter mais poder na defesa do concelho a nível nacional.

Mas o discurso da tarde estava reservado ao candidato à Câmara Municipal de Sardoal. Miguel Borges começou mesmo por apelar ao reforço na votação para que Pedro Rosa possa continuar a fazer parte da equipa, visto que entra na quarta posição na lista que se candidata. “Pedro, eu quero que tu continues vereador. Vamos lutar e trabalhar até à nossa última gota de suor para que possamos ter quatro vereadores”, disse o candidato, falando diretamente para Pedro Rosa. Voltando oito anos atrás, Miguel Borges identificou as necessidades do concelho de Sardoal, relembrou a obra feita e falou de uma linha que tem vindo a ser construída “e que não foi pisada”. Não escondeu que “temos que lutar contra algumas adversidades” e, mencionando a obra destes últimos anos, declarou que “nem tudo é perfeito, nem tudo está bem, nem tudo é tão maravilhoso como gostaríamos que fosse” e é “por isso que estamos cá”. Seguem Miguel Borges na lista à Câmara Municipal, Jorge Gaspar, Patrícia Rei, Pedro Rosa e Cláudia Dores Costa. Patrícia Seixas

AUTÁRQUICAS / CONSTÂNCIA

PSD quer ser a alternativa O PSD de Constância escolheu a Aldeia de Santa Margarida para a apresentação dos candidatos aos órgãos municipais do concelho. Manuel Lapa é o candidato à Câmara que não disse “não” ao desafio que o João Moura e a Isaura Morais, presentes na apresentação, lhe lançaram. O candidato destacou a localização do maior polo militar do país no concelho, mas depois deixou aquilo que entende como necessário. Afirmou que não pretende um polo militar como instrumento, mas sim como um centro de investigação científica. E neste, que afirmou ser um desafio, fez a ligação ao Centro de Ciência Viva e para dizer que esta ligação, afinal, também precisa de uma ponte, a tão falada travessia sobre o Tejo que, disse, em Constância precisa apenas de mil metros de tabuleiro e estrada para fazer a ligação das margens. Manuel Lapa começou por falar na perda de população dos Censos

2021, depois avançou com meia dúzia de ideias ou propostas que diz serem as batalhas que o PSD terá pela frente, sejam quais forem os resultados do dia 26 de setembro.

Manuel Lapa aponta à modernização dos serviços para eliminar deficiências, refere a necessidade de formação profissional adequada às empresas que se fixem em Santa Margarida e quer ainda valorizar a ligação à instituição militar. Quanto a Constância, alinha-a numa vertente cultural que precisa de valorizar o património cultural e disse que tem de haver uma aposta forte de Camões que “tem de ser o hino de Constância”, assim como a dinamização da Casa Memória de Camões. Manuel Lapa é o candidato à Câmara Municipal, Madalena Botelho de Sousa avança para a Assembleia Municipal e para as freguesias, Gabriela Peixinho entra na corrida por Santa Margarida, Vasco Botelho de Sousa por Montalvo e Luís Gonçalves por Constância. A apresentação dos candidatos do PSD em Constância contou com a atuação dos duo “Tens Cóvir” de Telma e Nuno Damas. Jerónimo Belo Jorge

OPINIÃO /

Demografia

/ Armando Fernandes

A

s primeiras novas do Censo deste ano informam-nos ser real a queda da população nos últimos dez anos, de molde a fazer soar as campainhas de alarme na governação do País. Em vários escritos tenho referido o dito por um homem simples, prosaico, experiente quer como emigrante no Brasil, quer na qualidade de professor nos tempos das Escolas móveis, quer ainda no ter ficado privado de uma enorme soma de cruzeiros em virtude de inopinada desvalorização. Observador do Mundo e das transformações sociais quando lhe falavam no despovoamento da sua região exclamava: os meninos pelo feitio não ficam caros! O problema reside nos custos subsequentes: alimentação, cuidados de saúde, educação e por aí fora até chegarem ao patamar da despedida da casa paterna. Ora, nos tempos de hoje as gerações nem nem…preferem permanecer no remanso da bonançosa vida de filho a procurar mudar de estatuto de forma a constituir família, a deixas descendência, a alegrar os Pais dando-lhe netos. Pois, falar e escrever é fácil, procurar e conseguir emprego é extremamente difícil numa sociedade em transição para a inteligência artificial, a robotização, a planificação ao milímetro no mercado de trabalho onde a competição é implacável e, em Portugal, os salários médios são mínimos comparando-os aos de outros países da Comunidade Europeia. Além disso prevalece o referencial de um estilo de vida a imitar o dos países prósperos ficando as tarefas pesadas, sujas, sórdidas, sarnentas para os desgraçados dos migrantes vindos de teatros de guerra, gritantes desigualdades, nações cujo futuro é miserável incógnita. Há anos tive a sorte de participar num projecto multidisciplinar em que o reputado demógrafo José Manuel Nazarethe que com eloquência deu largas ao seu saber evidenciando as dificuldades de rejuvenescimento das Comunidades portuguesas, não sem ter colocado vários pontos de referência da maneira a estancar-se a sangria e paulatinamente inverter-se

o rosário de perdas demográficas. Os ensinamentos do Professor Catedrático ajudam-me a intuir a magnitude das informações agora vindas à tona da água e, sem surpresas, verificar quão adormecidos têm estado os autarcas do Médio Tejo a prenunciar que quando acordarem estremunhados já não vão conseguir suscitar o interesse dos jovens em permanecerem e os forçados a saírem do terrunho natal volverem. Porquê? Porque escasseiam as ofertas de trabalho compatíveis com as suas qualificações, para além da aridez da qualidade de vida na comparação do que lhes é oferecido nas localidades das suas actuais residências. A propaganda do poder badala a torto e a direito benesses, hossanas e louvores para todos quantos decidam ir povoar o interior, só que, na prática a realidade é bem diferente, veja-se na ocupação de vagas nos Politécnicos, os detentores de melhores notas preferem as Universidades e, no antecedente, as vagas têm sido ocupadas por alunos provenientes dos PALOPS, sendo o IP de Bragança (cidade do interior) expoente do atrás escrito. Dada a proximidade das eleições autárquicas o tema da Demografia parece-me ser um dos mais prementes para ser analisado, discutido e objecto de propostas de actuação a inserir nos programas eleitorais. Fica o alvitre.

“O tema da Demografia pareceme ser um dos mais prementes para ser analisado e discutido”

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POLÍTICA / AUTÁRQUICAS / ABRANTES

PSD apresentou candidatos com o objetivo de “Acordar Abrantes” Com o lema “Acordar Abrantes”, o empresário Vítor Moura, de 68 anos, candidato do PSD à Câmara Municipal, definiu como objetivo principal da sua ação o “combate à perda de população” tendo apontado “o investimento privado” como solução. Vítor Moura frisou que “é esse o desígnio do PSD”, tendo referido que “a solução número um” passa pelo “investimento privado”, apoiado pelo investimento público. “O indispensável investimento público deve infraestruturar, apoiar, cuidar, garantir o bem-estar das pessoas e instalar e cuidar as empresas para que o investimento privado aqui aporte”, afirmou, tendo defendido que “é o investimento privado que produz, que cria riqueza, que exporta, que dá lucros, que reinveste, que cria emprego”, e que “faz crescer e desenvolver Abrantes”. Tendo feito notar que “ninguém escolhe morar onde não há trabalho”, o militante do PSD disse, assim, que “o segundo mote da candidatura é ‘Desenvolver Abrantes Sustentável’”, tendo apontado ainda

a “coesão, inovação, e ambiente” como questões centrais. Depois deixou uma nota daquilo que pode ser num futuro uma aposta do PSD, criar linhas de transportes gratuitos entre a cidade e das freguesias por forma a poder potenciar a fixação de pessoas nas zonas mais rurais do concelho. Vitor

Moura diz que se há pouca receita dos poucos passageiros dos transportes públicos, então é aplicar esses transportes sem qualquer tarifa. José Moreno Vaz, é o candidato do PSD à Assembleia Municipal de Abrantes. Como mandatário da candidatura social democrata foi apresentado José Bartolomeu e como mandatário financeiro José Rocha, que também é candidato à Junta de Freguesia de Mouriscas, e como diretora de campanha Anabela Matias. O PSD avança com candidaturas a nove das 13 freguesias do concelho de Abrantes. Para a UF Abrantes e Alferrarede avança João Miguel Salvador; em Fontes Marina Alagoa; na UF Concavada e Alvega António Moutinho; Tramagal João Cravo; UF S. Miguel do Rio Torto e Rossio ao Sul do Tejo João Morgado; Martinchel José Freitas; Mouriscas José Rocha; Carvalhal Filipe André e UF Aldeia do Mato e Souto Álvaro Paulino. O PSD não apresenta lista às assembleias de freguesia de Bemposta; Pego; Rio de Moinhos e UF S.Facundo / Vale das Mós. Jerónimo Belo Jorge

AUTÁRQUICAS / VILA DE REI

Enfermeira Isilda Silva concorre à Câmara pela CDU A enfermeira Isilda Silva, 47 anos, é a candidata da Coligação Democrática Unitária (CDU) à Câmara Municipal de Vila de Rei, prometendo apresentar propostas para a fixação de jovens no concelho. Segundo Isilda Silva, a equipa da CDU quer “transformar Vila de Rei num concelho onde os jovens se fixem, onde os adultos possam trabalhar e onde os mais idosos encontrem segurança, apoio e luta contra a solidão”, num programa e projeto eleitoral assente num “desenvolvimento de forma sustentável e integrado, respeitando as pessoas e a natureza”. Com o lema ‘Desenvolvimento sustentável e compromisso com as pessoas’, os pontos centrais da candidatura passam por “fomentar a agricultura familiar”, por “projetos de reflorestação envolvendo a população, nomeadamente os pequenos proprietários”, por “apoios aos produtores de produtos endógenos”, por “combater a iliteracia informática” e pela “aposta na

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cultura” e em “projetos de turismo sustentável”. Como pontos negativos em Vila de Rei, Isilda Silva apontou a “desertificação, os empregos precários e com baixos salários”, a “aposta em empresas com pouca competitividade a nível nacional, e muitas sem respeito pelos direitos dos tra-

JORNAL DE ABRANTES / Setembro 2021

balhadores”, o “pouco interesse no fomento dos produtos endógenos” e o “muito pouco apoio à cultura”. Isilda Cristina Laranjeira da Silva, 47 anos, militante do PCP, é enfermeira no Centro Hospitalar do Médio Tejo, sendo natural de Fundada, freguesia do município de Vila de Rei, onde reside. Com licenciatura em Enfermagem, uma pós graduação em Dor/ Cuidados Paliativos e mestrado em Gestão e Economia da Saúde, a candidata da CDU teve entre os anos 2002 e 2018 participação nos órgãos sociais da Liga Cultural Amigos do Vilar do Ruivo e concorre a eleições autárquicas no concelho de Vila de Rei desde 2001. A CDU concorre à Assembleia Municipal de Vila de Rei com Carlos Manuel Rosa Almeida, médico, 69 anos, e a duas das três freguesias do concelho, com Horácio Mendes e Alfredo Gaspar, ambos aposentados, a apresentarem-se como cabeças de lista às Assembleias de Freguesia de Fundada e de Vila de Rei, respetivamente.

OPINIÃO /

Obrigado / José Alves Jana / FILÓSOFO

O

tempo de eleições, no caso as autárquicas, é sempre um momento de renovação. De caras, por vezes; mas sobretudo de ideias, de programas… e de críticas. Críticas que prolongam e amplificam as que foram sendo feitas ao longo do mandato. Não é fácil conviver com as críticas, mesmo quando se tem uma postura teórica que as aceita. Menos ainda quando – e é tão frequente – a crítica a uma decisão se transforma em crítica à pessoa que a tomou e, mais ainda, quando essa crítica à pessoa se manifesta como condenação moral: “TU moralmente não vales nada, porque não decidiste como EU acho que devias decidir”. Não é fácil exercer um cargo de poder… numa democracia. Os eleitores nunca estão satisfeitos, sempre encontram razões para reclamar. Cito Jeff Bezos, o líder da Amazon: “Os clientes sentem-se sempre linda e maravilhosamente insatisfeitos, mesmo quando se dizem contentes e o negócio é bom”. Um dos grandes princípios de gestão de Bezos foi fazer dessa insatisfação dos clientes o instrumento vital para a melhoria contínua do serviço prestado. O mesmo se pode e deve dizer da relação entre os políticos e os cidadãos: a insatisfação e as críticas dos cidadãos são sinais de trânsito que os políticos podem usar na definição dos seus programas de trabalho. (Coisa que, por definição, não acontece numa ditadura.) Mas aceitar uma crítica não é fácil. Menos fácil ainda quando a crítica é feita de um ponto de vista que ignora uma grande parte daquilo que está em jogo. O tempo de eleições é, neste aspecto, particularmente violento. É um tempo ainda mais difícil para quem exerce o poder. Por isso, este é também um tempo oportuno para, contra a corrente, dizer “Obrigado” a quantos, durante quatro anos, ocuparam os cargos de poder em que nos governaram. E – é importante dizê-lo – “Obrigado” também a quantos estiveram na oposição. Talvez de modo sublinhado, pois os lugares da oposição não

têm as compensações que têm os do poder. Se não há saúde democrática sem boa oposição, a verdade é que não somos bons a reconhecer à oposição o seu contributo para a nossa saúde política. Mas é necessário dizer também que não podemos agradecer os maus exercícios, tanto do poder como da oposição, pois degradam, a vários níveis, a qualidade da nossa vida comum. Por isso, estes ficam de fora deste nosso gesto de gratidão. Não há democracia sem eleições e não há eleições sem um processo administrativo e burocrático que permita aos cidadãos escolher de acordo com a lei. Ora esse processo administrativo é muito trabalhoso, anónimo, invisível e sem recompensas. Aos responsáveis, em cada um dos partidos e movimentos, por estes processos que nos permitem ter eleições formalmente limpas, também o nosso “Obrigado”. Quem acompanha os homens e mulheres tanto do poder como da oposição, a nível local, pode ver como se dedicam com amor e compromisso à nossa “coisa comum”. O que não significa que seja sempre perfeita a sua atuação – até porque a perfeição não existe. Por isso, o nosso “Obrigado” em nada desmente ou invalida as críticas justas que possam ter sido feitas. Também não há saúde política sem o escrutínio cívico do exercício do poder político. Mas, sim, “Obrigado” a todos pelo cuidado que puseram na nossa vida comum.

“Obrigado” a todos pelo cuidado que puseram na nossa vida comum.


POLÍTICA / AUTÁRQUICAS / VILA NOVA DA BARQUINHA

OPINIÃO /

João Filipe Ricardo, 68 anos, funcionário administrativo, é o candidato da CDU - Coligação Democrática Unitária à Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha. A sessão de apresentação pública de todos os cabeça de lista aos órgãos autárquicos do concelho do Vila Nova Barquinha teve lugar no dia 30 de julho, no Jardim Público da freguesia de Atalaia. Paula Vieira Duarte, 39 anos, assistente administrativa, é a cabeça de lista à Assembleia Municipal e começou por afirmar que um dos objetivos é “tentar manter o equilíbrio de forças da política no nosso concelho”, onde “há tantos anos temos uma esmagadora maioria socialista”. João Filipe Ricardo é atualmente deputado eleito pela CDU na Assembleia Municipal de Vila Nova da Barquinha e candidata-se agora à Câmara Municipal. Começou por se identificar como militante comunista e falou das razões da sua candidatura. Lembrou os 100 anos do PCP, da luta contra o fascismo e do “aparecimento no nosso país e também por toda a Europa de

movimentos e partidos de direita reacionária fascista, disfarçados de democratas”. Afirmou que “neste momento, não há lugar para a neutralidade”. No seu discurso, João Filipe Ricardo falou do que considerou ser também “uma espécie de contas sobre o que tem sido a intervenção da CDU e o que pensamos que devemos fazer”. João Filipe Ricardo prometeu

que “na Barquinha, como não pode deixar de ser, a CDU vai dar prioridade a uma vivência coletiva de partilha e participação, indispensáveis à realização humana e à felicidade. As preocupações que temos tido, as intervenções e propostas efetuadas, a oposição firme, mas responsável, são a prova disso”. Na lista para a Câmara Municipal, para além do cabeça de lista João Filipe Ricardo, estão Maria José Martinho e José Guilherme Silva Luís. Para a Assembleia Municipal, Paula Duarte é acompanhada por Paulo Nunes Frade e João Filipe Ricardo. Quantos às freguesias, concorre à Junta de Atalaia Joaquim Mendes Moura, 66 anos, maquinista da CP “e grande atleta”. À Junta de Freguesia de Praia do Ribatejo é candidato José dos Santos Simões, 64 anos, carpinteiro. Paulo Nunes Frade, 32 anos, motorista, é o cabeça-de-lista à Junta de Freguesia de Tancos. À Junta de Freguesia de Vila Nova da Barquinha concorre José Lino Duarte, 61 anos, assistente operacional.

AUTÁRQUICAS / MAÇÃO

CDU candidata motorista José Matos à Câmara José Henriques de Matos, motorista, com 61 anos e sem filiação partidária, é o cabeça de lista da Coligação Democrática Unitária (CDU) à Câmara Municipal de Mação e defende uma “intervenção crítica” e “propostas alternativas” de desenvolvimento. “Faz falta no concelho de Mação uma intervenção crítica que fiscalize, denuncie os problemas na defesa do interesse da população e apresente propostas alternativas que promovam o desenvolvimento local”, afirmou o candidato da CDU. Entre as medidas a implementar, José Matos disse ser “necessário criar incentivos à promoção turística, ao comércio local e à captação de empresas promotoras do desenvolvimento económico”, assim como “lutar pela abolição do pagamento das portagens da autoestrada 23” e “melhorar a rede de transportes públicos entre as freguesias e a sede do concelho e com os concelhos limítrofes”. Os “pontos negativos” identifica-

dos em Mação pelo candidato e que “dificultam o desenvolvimento” do concelho passam pela “perda de população, dificuldade de fixação e captação de famílias, falta de emprego e dificuldade da fixação de empresas” Um “outro ponto negativo para a vida da população”, notou, “foi o fornecimento da água e a gestão do saneamento básico deixar de ser da responsabilidade direta da Câma-

ra Municipal, com a consequente perda de controlo na aplicação dos tarifários”. Natural e residente na freguesia de Mação, a vida profissional José Henriques de Matos foi durante anos ligada à restauração, como chefe de cozinha, exercendo atualmente a profissão de motorista. Com a frase ‘Com a CDU Futuro de Confiança’ como mote da campanha, o primeiro candidato à Assembleia Municipal é José Manuel Lourenço Simões, 57 anos, Técnico de Administração Tributária, natural de Lisboa e residente na freguesia de Envendos, concelho de Mação. A CDU, que não concorre às freguesias de Amêndoa e Cardigos, apresentou listas às Assembleias de Freguesias de Envendos, Carvoeiro, Ortiga e à União de Freguesias de Mação, Penhascoso e Aboboreira cujos primeiros candidatos são, respetivamente, José Simões, Delfina Fernandes, José Paulo Santos e João Luís Branco.

/ Nuno Alves / MESTRE EM RELAÇÕES INTERNACIONAIS / nmalves@sapo.pt

A

s alterações climáticas deixam-me aterrorizado. Para mim, que estou a meio dos meus trintas, deixa-me ansioso pensar como será viver na nossa região dentro de vinte anos? Em particular, para nós, abrantinos, este deveria ser um tema no topo da agenda eleitoral para estas eleições autárquicas, já que a nossa região está entre aquelas que sofrerão das consequências mais graves. E será que a política de carbono zero, proposta por tantos governos a nível mundial, bem como pela Comissão Europeia até 2050, conseguirá ser implementada com sucesso ou sem contestação pública? Bem, a resposta é simples: depende daquilo a que estivermos dispostos a abdicar em prol do nosso futuro. Graças aos combustíveis fósseis, a Humanidade nunca viveu um período economicamente tão próspero. Em particular, desde a descoberta da refinação do petróleo, a nossa sociedade alcançou em cento e cinquenta anos um nível de prosperidade, conforto e bem-estar que nunca sonhou alcançar nos milhares de anos antecedentes. Tudo isto, graças ao petróleo, uma fonte energética que combina uma elevada eficiência energética com um relativo baixo custo de exploração, quando comparado com outras fontes energéticas. De acordo com os cientistas, temos até 2030 para inverter a tendência de aquecimento do planeta. Contudo, conter as alterações climáticas não se pode limitar a uma visão simplificada e baseada na ideia de que basta passar a usar carros elétricos e colocar painéis solares nos nossos te-

A utopia de uma rápida transição energética lhados. É bem mais complexo do que isso. O problema é que o petróleo não só é a base do nosso modelo energético, mas também a base da nossa cultura de consumo, de gestão dos recursos naturais e do modelo económico que nos providenciou o tão apreciado nível de conforto e facilitismo em que hoje vivemos. O petróleo permite a produção industrial que alimenta o consumismo barato e desenfreado como o conhecemos, mas também permite a cultura do desperdício tão visível nas sociedades ocidentais. Na prática, o petróleo está presente em tudo: produtos manufaturados, produção energética, transportes, cadeias de distribuição e produção agrícola. Mas ao mesmo tempo é também o recurso energético com a relação custo/ eficiência mais elevada que conhecemos. Nada, até ao momento, nem as renováveis, conseguem, de longe, igualar essa relação. A avançar para um outro modelo energético, teremos de aceitar o encarecimento inevitável e substancial do custo de vida. O petróleo foi, sem dúvida, a maior descoberta da história da humanidade. Sem as transformações sociais, políticas e económicas que ele provocou, o progresso económico que vivemos e o conforto de que gozamos não seria possível. Contudo, foi um progresso demasiado rápido e conseguido à custa da nossa sustentabilidade futura. Agora, para reverter esse mal, é preciso também rapidez na ação e na alteração imediata dos hábitos de vida. Estamos dispostos a isso?

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CDU apresenta candidatos aos órgãos autárquicos

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DESPORTO /

Mais de 350 caminhantes percorrem trilhos das Rotas de Mação em agosto - Caminhada aquática na Ribeira de Eiras é para repetir já em setembro -

Foi (ainda mais) animado o verão em Mação este ano. Vários caminhantes predispuseram-se a conhecer melhor este território e inscreveram-se para os vários passeios pedestres organizados pelas Rotas de Mação e associações locais, sempre com o apoio do município e respetivas juntas de freguesia. Com uma média de 50 participantes por caminhada, de todas as idades, os passeios mobilizaram não apenas os habitantes locais como turistas a passar férias na região. Ortiga (PR4 MAC) e Penhascoso (PR9 MAC) marcaram o arranque deste conjunto de caminhadas de verão, nos dias 14 e 15 de agosto, respetivamente, no fim de semana das habituais festas de verão em ambas as aldeias, a que se seguiu a caminhada aquática ao longo do

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PR7 MAC – Rota das Casas da Ribeira/Caratão. Seguindo os antigos carreiros usados pelas populações locais, sobretudo agricultores e moleiros, a Rota das Casas da Ribeira/Caratão é a rota das ribeiras, açudes e levadas por excelência. Os caminhos seguem quase sempre junto aos cursos de água que serpenteiam os vales e embalam o caminhante. Ribeira de Eiras, do Caratão, do Aziral e do Carvoeiro: são elas as grandes responsáveis pelos encantos desta rota. O dia começou cedo nesse sábado que se antevia quente e seco, reunindo assim as condições ideias para atividades dentro de água. O grupo, composto por participantes de todas as idades, iniciou o percurso junto à aldeia de Casas da Ribei-

JORNAL DE ABRANTES / Setembro 2021

ra, sendo que houve quem tivesse optado por acompanhar a caminhada percorrendo as levadas entretanto limpas e desimpedidas. Para isso, muito contribuiu a colaboração do Campo Estival ADH e a Associação Casas das Ribeiras, dois anfitriões exímios na arte de bem receber. Também a aldeia da Zimbreira

(na freguesia de Envendos) (PR8 MAC), Cardigos (PR10 MAC) e Chão de Lopes (esta última na freguesia da Amêndoa) (PR6 MAC) receberão caminhantes até ao final deste mês. Para a realização destes novos passeios, a Associação Rotas de Mação conta com o apoio da A.D.R. de Chão de Lopes, da A.D.C. Os Galitos

e C.C.D. da Roda (estes últimos pertencentes a Cardigos). Todas as caminhadas foram autorizadas pela DGS e pelo CODIS de Santarém não havendo limite de participantes deste que assegurado o cumprimento das normas de segurança. Tudo foi plenamente conseguido. E o sucesso foi tal que já estão previstos novos passeios, incluindo uma nova caminhada aquática no dia 18 de setembro. O fascínio destas caminhadas reside sobretudo na possibilidade de podermos realizar pequenos mergulhos, nadar, efetuar apneia, caminhar junto a levadas e acima de tudo desfrutar de uma envolvente natural relaxante e fantástica visto que o percurso é quase todo feito dentro do leito de um rio. Inscreva-se e experimente.


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uma nova forma de comunicar. ligados por natureza. 241 360 170 . geral@mediaon.com.pt www.mediaon.com.pt

um centro de desenho, por ele criado precisamente na Sociedade dos Artistas. Quando da destruição do que fora outrora a capela de S. Pedro, já dela poucos vestígios existiam. Além do edifício, apenas o sino, cujo toque os abrantinos tão bem conheceram (para além de anunciar os serviços religiosos servira também para tocar a rebate) se encontrava ainda no seu pequeno campanário, tendo sido então levado para Santa Maria do Castelo. Uma vez destruída a capela não demorou muito que o espaço fosse preenchido pelo imponente edifício que hoje ali vemos e que ainda mais se tornava notado na época da sua construção. Na década de quarenta do século XX, Abrantes não dispunha de uma sala de espectáculos condigna. O velho Teatro Taborda, que durante muitos anos deu vida ao há muito desactivado Convento da Esperança e que por decisão régia fora cedido à Câmara em 1835, fora encerrado, porque não oferecia condições de segurança. O cinema funcionava num barracão anexo à Misericórdia, quente no Verão e no Inverno a sinfonia da chuva a bater na frágil cobertura acompanhava a música dos filmes. Os abrantinos mais activos há muito que, nos jornais da região, clamavam pela necessidade urgente de construir em Abrantes uma sala de espectáculos condigna. Em face disto, a Sociedade de Iniciativas de Abrantes, presidida pelo Dr. Manuel Fernandes, lançou mãos à obra e a 18 de Março de 1947, foi assinado o contrato da

empreitada do que seria a futura casa de espectáculos de Abrantes. O preço combinado foi de 1 387 000$00, os trabalhos iniciar-se-iam no prazo de 20 dias a partir da assinatura da escritura e passados 210 dias deviam estar concluídos. A obra esteve a cargo da Construtora Abrantina que se não cumpriu rigorosamente os dias mencionados, em pouco os ultrapassou, pois no início de 1949 já a nova casa de espectáculos estava pronta e equipada de modo a poder ser inaugurada. Edifício imponente e moderno, com traços arquitectónicos arrojados para a época, levantou acesas polémicas na altura e marcou de forma indelével a paisagem da nossa cidade. O importante evento que marcou a sua inauguração teve lugar a 19 de Fevereiro de 1949, com muita adesão da população local. Foi escolhida a companhia de Amélia Rey Colaço, com a peça de Júlio Dantas “Outono em Flor”, então em cena no Teatro Nacional D. Maria II, seguindo-se-lhe um baile de gala, com trajes a rigor que durou até de madrugada. No dia 22, teve lugar a primeira sessão de cinema. O filme escolhido foi a comédia musical “A Dama do Arminho”que só daí a uns dias seria estreada no cinema Tivoli em Lisboa. O pequeno espaço em frente da entrada principal do teatro e onde se situara em tempos o adro da igreja de S. Pedro-o-Novo, também ainda conserva o nome de Largo de S. Pedro. São as marcas do tempo na toponímia.

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Este teatro que já viveu momentos de glória, onde durante anos foram projectados filmes famosos que emocionaram e divertiram muita gente e por onde passaram artistas conhecidos dos mais variados sectores artísticos, encontra-se há já bastante tempo solitário e triste, sem público que lhe dê vida. Felizmente que agora já se vê alguma luz ao fundo do túnel, pois há uns meses atrás foi comprado pela Câmara que, esperamos dentro em pouco, irá empreender algumas obras de restauro e pô-lo de novo ao serviço da comunidade. Embora seja um equipamento muito conhecido e acarinhado pela população abrantina, poucos já sabem porque lhe foi dado este nome. O hoje denominado Teatro de S. Pedro, que originariamente se chamou cineteatro de S. Pedro, foi inaugurado em19 de Fevereiro de 1949 e o nome do apóstolo que lhe foi atribuído não foi escolhido ao acaso. No local existira anteriormente uma igreja chamada de S. Pedro-o-Novo, isto para se distinguir de uma outra mais antiga, a de S. Pedro-o-Velho, que se situara no Outeiro de S. Pedro. Sabemos que aquele pequeno templo já existia em 1731, pertencia à paróquia de S. Vicente e ali esteve sediada durante muitos anos a Irmandade dos Clérigos. Quando em Abril de 1946 se iniciou a sua demolição, para ali ser construído o Teatro de S. Pedro, já há muito que se encontrava dessacralizado. No antigo templo funcionou, durante muitos anos, a chamada Sociedade dos Artistas, também conhecida por Sociedade Artística 1º de Maio, criada em 1905, fruto dos ventos republicanos que já então por aqui se faziam sentir. Foi extinta arbitrariamente em 1940, dada a antipatia do Estado Novo por este género de instituições. Durante o seu tempo de vida foi um importante centro de convívio, recreio e cultura, possuindo uma boa biblioteca, proveniente de doações várias, devendo-se talvez o maior contributo ao Dr. António Eduardo de Moura, que em 1907 lhe legou todos os seus livros. Depois de extinta esta sociedade, os livros foram integrados na Biblioteca Municipal. Também neste centro cívico funcionaram vários cursos. Em 1910, o pintor Serra da Motta, falecido em 1943, organizou uma exposição de trabalhos seus e das suas alunas, que frequentavam

Consultas: Jornais da época

Setembro 2021 / JORNAL DE ABRANTES

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SAÚDE / / Patrícia Nascimento Marques / Técnica Superior de Diagnóstico e Terapêutica – Área Saúde Ambiental

Agentes biológicos

Os exames de TAC aos primeiros doentes na unidade de Torres Novas do Centro Hospitalar do Médio Tejo já estão já marcados. O Equipamento de Tomografia Axial Computorizada (TAC) encontra-se em fase final de instalação naquela Unidade. Depois da fase de testes, das parametrizações do equipamento e da formação aos profissionais que operam diretamente com este novo equipamento, são definidos os circuitos e procedimentos a adotar pelos profissionais do CHMT, na utilização do TAC, na Unidade Hospitalar de Torres Novas, que receberá os doentes a partir dia 8 de setembro. Com a conclusão destas obras, o CHMT fica dotado com equipamento de TAC nas suas três unidades hospitalares, em Abrantes, Tomar e Torres Novas. Um reforço em Equipamen-

tos de Diagnóstico que valoriza a prestação de cuidados prestados à população na área da Imagiologia. A instalação deste equipamento representa um investimento de cerca de 480 mil euros. Este equipamento de TAC fará ainda exames de Tomografia Axial Computorizada prescritos pelo Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Médio Tejo, reforçando assim os mecanismos de articulação entre os cuidados de Saúde Primários e os cuidados de Saúde Hospitalares, dando expressão à integração de cuidados por parte das instituições do Serviço Nacional de Saúde.

Ortopedia aumenta número de camas

O Serviço de Ortopedia, do Centro

Hospitalar do Médio Tejo, instalado na Unidade Hospitalar de Abrantes, viu a sua capacidade aumentada em número de camas. Um aumento de 20% que se traduz em mais 6 camas, o que acrescenta capacidade de intervenção, nomeadamente, cirúrgica. Este aumento para 36 camas, concretizado no inicio deste mês de agosto, acontece com a perspetiva de, a curto prazo, o Serviço de Ortopedia ter um novo aumento de camas para cirurgia ortopédica programada. Esta dinâmica de crescimento do Serviço de Ortopedia o CHMT “permitirá retomar com maior expressão a atividade cirúrgica” e, desta forma, reduzir os tempos de espera para a realização de cirurgia ortopédica.

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Agentes biológicos? Não, nunca ouvir falar. Os agentes biológicos são microrganismos suscetíveis de infeções, alergias, intoxicações ou outra alteração na saúde humana. E o que é isso de microrganismos? Os microrganismos são entidades microbiológicas celulares ou não celulares, dotadas de capacidade de se reproduzir ou de transferir o seu material genético. Estes pequenos seres que não são visíveis a olho nu, estão presentes em todos os meios que nos rodeiam e coabitam com todos os seres vivos. Ok, acho que já começamos a entender, mas e exemplos? Os microrganismos podem ser vírus, bactérias, parasitas, fungos ou algas. Por exemplo: a gripe é causada por um vírus? Exatamente, tal como a varicela, o sarampo a COVID-19, entre muitas outras doenças. Os vírus são as formas de vida mais simples e precisam sempre de um hospedeiro (ser vivo que é infetado) para se poderem reproduzir. Estou a perceber, mas e as bactérias também podem provocar doenças? Sim, as bactérias podem provocar doenças como: o tétano, a febre tifoide, a pneumonia, a cólera, tuberculose e mesmo a doença dos legionários que é provocada pela bactéria legionella pneumophila. Como é que os agentes biológicos podem entrar no nosso organismo? Temos de ter em consideração as características de cada agente biológico, mas as vias de entrada no organismo humano são: - Via respiratória - É a principal via de entrada dos agentes biológicos. A exposição deve-se à presença de agentes biológicos no ambiente na forma de bioaerossóis, que podem ser inalados. - Via dérmica ou cutânea - a entrada do agente biológico é possível por meio da pele, pele ferida ou por meio das mucosas (olhos, nariz, boca). A exposição pode ocorrer durante o manuseamento de materiais contaminados como, ferramentas, superfícies, matéria-prima ou, com pessoas ou animais contaminados. - Via digestiva ou oral: o agente biológico entra no organismo através da ingestão de alimentos, água ou outro tipo de elementos contaminados. Em ambiente profissional acontece sobretudo por práticas desadequadas de higiene (por exemplo: não lavar as mãos frequentemente). - Via percutânea: a entrada do agente biológico dá-se por perfuração nas camadas profundas da pele. A exposição pode ocorre como consequência de acidentes com materiais corto-perfurantes, como uma picada de agulha, corte, mordedura ou picada de animal.

Unidade de Torres Novas com TAC instalado

CHMT com candidatura de 2,7 ME aprovada O Centro Hospitalar do Médio Tejo viu ser aprovada uma candidatura ao Programa Operacional do Centro, no âmbito do Fundo Europeu para o Desenvolvimento Regional, no valor total de 2,7 milhões de euros. Este valor de candidatura aprovado integra duas componentes de investimento, edifícios e equipamento básico.

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JORNAL DE ABRANTES / Setembro 2021

/ Equipa dos Serviços de Apoio à Gestão do CHMT Os equipamentos a incluídos nesta candidatura são a Ressonância Magnética, a colocar na unidade hospitalar de Abrantes; o Microscópio para cirur-

gia de oftalmologia, a colocar na unidade hospitalar de Tomar; o Ecógrafo para cirurgia pediátrica, a colocar na unidade hospitalar de Torres Novas; o Esterilizador de dispositivos médicos a vapor, a colocar na unidade hospitalar de Tomar. Ao abrigo desta desta candidatura está ainda prevista a remodelação da rede de águas na unidade hospitalar de Abrantes, que se encontra degradada e que poderia colocar em causa a salubridade e segurança na sua utilização.


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Setembro 2021 / JORNAL DE ABRANTES

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Jornal de Abrantes - setembro 2021  

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