Jornal de Abrantes - setembro 2022

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/ Abrantes / Constância / Mação / Sardoal / Vila Nova da Barquinha / Vila de Rei / Diretora Patrícia Seixas SETEMBRO 2022 / Edição nº 5619 Mensal / ANO 122

/ DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

AMBIENTE

SECA: OS EFEITOS NA AGRICULTURA, AS MEDIDAS DE REDUÇÃO EM ABRANTES E ASPágs.PROPOSTAS DO PSD 12 a 14 REPORTAGEM

CENTENÁRIO JOÃO TAVARES CELEBRA JUNTO DE FAMÍLIA E AMIGOS Págs. 20 e 21

ESPECIAL FESTAS DO CONCELHO DE SARDOAL

A Praça da nossa alegria PÁGS. 15 A 18

Grupo

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NUNO FALCÃO RODRIGUES E O SUCESSO DA QUINTA DO CASAL DA COELHEIRA Págs.3 e 4

uma nova forma de comunicar. ligados por natureza. 241 360 170 . geral@mediaon.com.pt www.mediaon.com.pt

POLÍTICA

Continua a “confusão” na governação de Alvega e Concavada Pág. 26

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/ JORNAL DE ABRANTES

122 ANOS

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a j ¶

ENTREVISTA


A ABRIR / FOTO OBSERVADOR /

EDITORIAL /

Um cidadão viu uma águia em apuros num tanque florestal, para abastecimento de viaturas dos bombeiros, no norte do concelho deAbrantes. Apesar de ser domingo (21 de agosto) o serviço Municipal de Proteção Civil de Abrantes acionou os Bombeiros Voluntários e o SEPNA da GNR. Os bombeiros Carlos Francisco e Leandro Santos fizeram o resgate da águia de asa redonda que foi entregue ao Centro de Recuperação de Animais, em Castelo Branco, até ser devolvida à natureza.

/ Patrícia Seixas / DIRETORA

Setembro. Para muitos, regresso ao trabalho ou à escola. Para outros, início de férias, como é caso por aqui na redação. Mas setembro ainda tem muito para dar e as festividades continuam um pouco por todo o lado. Em Abrantes, nos dias 9 e 10 de setembro, as escadarias do Alto de Santo António recebem a 3.ª edição do Festival ao Alto. Bárbara Tinoco é cabeça de cartaz num Festival com muitas atividades e muitas surpresas ao nível de projetos musicais. Para os mais novos, a oportunidade de fecharem as férias em grande antes de iniciarem mais um ano escolar. Em Sardoal, os 491 anos da vila são celebrados a partir de dia 22 nas Festas do Concelho. Estão de volta os grandes concertos, as tasquinhas, a mostra de artesanato, exposições, atividades desportivas e... o Festival Hípico comemora 18 anos, só interrompidos pela pandemia (por isso não contam). E por falar em festa, há uns dias o doutor João Tavares celebrou a bonita data de 100 anos de vida. E que vida! Estivemos na festa de anos e contamos-lhe tudo mais à frente neste Jornal. E se celebramos a vida, temos que reconhecer a grandeza dos que partiram. No dia em que fizemos o fecho desta edição, morreu Mikhail Gorbachev, o último presidente da União Soviética (URSS). Tinha 91 anos. Reconhecido por muitos como um homem de coragem e um “defensor incansável da paz”, por cá também houve quem lhe tecesse duras críticas e dissesse que nada havia a lamentar. Enfim, “cada um com as suas...” Já a nível local, foi o desaparecimento da doutora Amélia Vasconcelos que deixou a comunidade de luto. A “pequena mas enorme” doutora Amélia, como foi recordada nas redes sociais, foi cirurgiã do Hospital de Abrantes, pertencendo aos quadros do Serviço de Cirurgia durante cerca de 25 anos. Após a aposentação, realizou voluntariado médico na Guiné Bissau e, mais recentemente, esteve no apoio aos ucranianos que chegavam à fronteira com a Polónia. Mas voltando a setembro, também é mês de vindimas e o Jornal de Abrantes foi espreitar o andamento da campanha que recolhe o fruto que vai dar origem aos tão apreciados néctares da Quinta do Casal da Coelheira. O enólogo Nuno Falcão Rodrigues contou-nos tudo. Mas há mais para ler e tentar perceber neste Jornal. E digo tentar porque a coisa não é de fácil entendimento. Falo da Junta da União de Freguesias de Alvega e Concavada onde parece que também ninguém se entende. Já houve mais renúncias e o futuro, mais uma vez, parece incerto. Aguardam-se as cenas dos próximos capítulos. Aproveite setembro porque, como deu para ver, há muito a acontecer. Boa leitura e até outubro.

ja / JORNAL DE ABRANTES

PERFIL /

/ Naturalidade / Residência: Vale das Mós / Qual é o seu maior medo? Perder as pessoas de que mais gosto e não ter sucesso profissional e pessoal. / Que pessoa viva mais admira? Os meus pais, pois, com todas as dificuldades próprias do tempo em que cresceram, sempre conseguiram dar-me as condições necessárias para o meu desenvolvimento pessoal.

/ Tiago Miguel Gaudêncio Dias Ricardo, 20 anos / Estudante de Economia no ISEG – Lisbon School of Economics & Management

/ Onde e quando foi mais feliz? Vou optar por fazer referência à Vale das Mós SummerFest 2022, cuja organização tive o gosto de liderar. Penso que, aquilo que há pouco tempo era uma utopia e se tornou uma realidade levada a cabo por jovens, é um motivo total de orgulho para todos os locais e munícipes. Nesse sentido, ver milhares de pessoas na minha aldeia deixou-me bastante emocionado. / Que talento mais gostaria de ter? O dom da adivinhação do pensamento. / Se pudesse mudar uma característica em si, o que seria? O nervosismo, definitivamente. Sou muito stressado e perfecionista e

isso é transversal à faculdade, ao associativismo e a todas as coisas da minha vida pessoal. No entanto, considero que é também isso que faz de mim quem eu sou. / Se soubesse que morria amanhã, o que faria hoje? Em jeito de brincadeira, acho que viajaria para os Açores para aproveitar mais uma hora por cá. / O que mais valoriza nos seus amigos? Sinceridade, frontalidade e fidelidade. Penso que têm de ser estes os pilares de uma boa amizade. / Quem são os seus artistas favoritos? Penso que Ricardo Araújo Pereira sempre me conseguiu cativar por conseguir fazer aquilo que considero um humor ímpar e inteligente. / Quem é o seu herói da ficção? Robin dos Bosques pois ilustra bem aquilo que deve ser a prioridade nos tempos difíceis em que vivemos: a de proporcionar uma maior igualdade de oportunidades entre pobres e ricos. Terá de ser esse o papel de um Estado de bem-estar como o nosso.

/ Com que figura história mais se identifica? Poderia dar vários exemplos, nomeadamente reis entre outros, mas opto por mencionar Volodymyr Zelensky enquanto patriota e defensor do seu povo. / Quem são os seus heróis da vida real? Penso que, neste momento, são heróis todos os bombeiros que têm lutado contra os fogos neste verão ou todo o povo ucraniano que tem procurado defender o seu território contra a invasão russa. / Onde gostaria mais de viver? Adoro viver em Vale das Mós. Penso que não trocaria a minha terra natal por nada. / Se fosse presidente de Câmara, o que faria? Ser presidente de Câmara é uma arte que requer valores, visão e estar atento às reais necessidades da população. Na minha opinião, Abrantes tem tido essa sorte com o atual presidente, pelo que há que dar continuidade a tais princípios, continuando a desenvolver o nosso território e criando condições para a potenciação económica e social quer da sede de concelho, mas também das nossas freguesias.

FICHA TÉCNICA Direção Geral/Departamento Financeiro Luís Nuno Ablú Dias, 241 360 170, luisabludias@mediaon.com.pt. Diretora Patrícia Seixas (CP.4089 A), patriciaseixas@mediaon.com.pt Telem: 962 109 924 Redação Jerónimo Belo Jorge (CP.7524 A), jeronimobelojorge@mediaon.com.pt, Telem: 962 108 759. Colaboradores Berta Silva Lopes, Leonel Mourato, Paula Gil, Paulo Delgado, Taras Dudnyk, Teresa Aparício. Cronistas Alves Jana e Nuno Alves. Departamento Comercial. comercial@mediaon.com.pt. Design gráfico e paginação João Pereira. Sede do Impressor Unipress Centro Gráfico, Lda. Travessa Anselmo Braancamp 220, 4410-359 Arcozelo Vila Nova de Gaia. Contactos 241 360 170 | 962 108 759 | 962 109 924. geral@mediaon.com.pt. Sede do editor e sede da redação Av. General Humberto Delgado Edf. Mira Rio, Apartado 65, 2204-909 Abrantes. Editora e proprietária Media On - Comunicação Social, Lda., Capital Social: 50.000 euros, Nº Contribuinte: 505 500 094. Av. General Humberto Delgado Edf. Mira Rio, Apartado 65, 2204-909 Abrantes. Detentores do capital social Luís Nuno Ablú Dias 70% e Susana Leonor Rodrigues André Ablú Dias 30%. Gerência Luís Nuno Ablú Dias. Tiragem 15.000 exemplares. Distribuição gratuita Dep. Legal 219397/04 Nº Registo ERC 100783. Estatuto do Jornal de Abrantes disponível em jornaldeabrantes.sapo.pt RECEBA COMODAMENTE O JORNAL DE ABRANTES EM SUA CASA POR APENAS 10 EUROS (CUSTOS DE ENVIO) IBAN: PT50003600599910009326567. Membro de:

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JORNAL DE ABRANTES / Setembro 2022


ENTREVISTA /

“Até ao lavar dos cestos é vindima” // É época de vindimas e todos temos curiosidade em saber o que pensam os especialistas acerca dos vinhos que podem surgir da campanha deste ano. Fomos falar com quem gere uma das mais conceituadas adegas da região e do país. Recebeu o Jornal de Abrantes na Quinta Casal da Coelheira, em Tramagal. Falamos, naturalmente, do proprietário e enólogo do Casal da Coelheira, Nuno Falcão Rodrigues. Entrevista por Patrícia Seixas Já começou a vindima... Quando é que se percebe que a campanha vai ser boa?

Eu respondo a essa pergunta com um ditado popular: “até ao lavar dos cestos é vindima”. No entanto, naturalmente que hoje em dia há muito pouco empirismo na produção de vinho, pelo menos para quem quer trabalhar com qualidade e regularidade. Obviamente que há pessoas que continuam a fazer grandes vinhos de forma artesanal mas em que, muitas vezes, as coisas saem um pouco ao acaso. Este ano correu bem, este ano correu mal… E nem se consegue explicar o porquê de ter corrido bem ou mal. Nós não podemos andar a correr esse risco mas, obviamente que há muitas coisas que fogem ao nosso controlo. Tudo o que é agricultura, principalmente a céu aberto, está dependente de um fator muito importante que é o clima. Mas nós começamos a perceber como vai ser a campanha, ou a ter alguns indícios, logo no final da floração. Se há um bom vinhamento do fruto ou não, se há o que chamamos desavinho, que são flores que não vingaram e que se perderam. E depois, com o decorrer do ciclo da cultura, se há problemas fitossanitários, com oídios, com míldios, podridões… e nesse aspeto, este ano foi um ano que nos correu bastante bem, as uvas estão a chegar perfeitas até agora. Ainda não lavámos os cestos… Eu sei que é desejada pela maioria mas nós, neste momento, não desejamos a chuva. Agora, pode ser catastrófico nesta fase final de maturação até porque temos muitas parcelas ainda algo atrasadas, que ainda devem demorar umas três ou quatro semanas até estarem em condições de serem vindimadas e muita coisa ainda se pode

alterar naquilo que é hoje a nossa perceção de qualidade.

O que é que perspetiva para os vinhos do próximo ano?

Lá está, voltamos ao mesmo… Para já, estou bastante confiante. Este tal fenómeno climático de défice de água não foi excessivo para nós e contribuiu para uma situação que é favorável em termos de qualidade, que são bagos de pequena dimensão. Se forem excessivamente pequenos podem causar desequilíbrios na qualidade dos vinhos mas não me parece que seja o caso. Penso que será um ano, para já, de excelente qualidade e estou bastante confiante. Mas ainda estamos muito no início da campanha.

O tempo quente e seco pode ser prejudicial, mas também pode trazer boas notícias no que à uva diz respeito…

Sim. Nós temos parcelas mais antigas que não são regadas, mas as vinhas plantadas nos últimos 15 anos já todas têm sistemas de rega instalado. As vinhas mais velhas, são vinhas que já sofreram muito na terra e elas próprias acabaram por estender as suas raízes à procura dessa humidade que necessitam. E o tempo seco acabou por não ser demasiado penoso para elas pois conseguiram manter uma boa vegetação e uma produção equilibrada. As vinhas mais novas estão já muito dependentes da rega e aí tivemos que compensar de alguma forma com um pouco mais, naqueles períodos de pico de quarenta e tal graus, para que a planta sofresse menos nesses choques térmicos.

A seca também se fez sentir no Casal

da Coelheira?

Sim, sim. Para além da vinha, temos outras culturas como o milho, o trigo, a ervilha. Referindo-me concretamente ao milho, que é uma cultura de primavera/verão, que vai ser colhida dentro de 15 dias/ três semanas, aí sim, sentimos o nível freático a baixar, os caudais dos furos de captação a quebrar e a cultura a sofrer de alguma forma. Aí, a rega não conseguiu ser feita com os caudais que a planta precisava

Com a guerra, os preços aumentaram, e na produção tem um grande impacto. O que é que se avizinha para os próximos tempos?

Como consumidores, somos confrontados diariamente com aumentos de preços nas prateleiras dos supermercados. Essencialmente nos bens alimentares, combustíveis, energia… O mercado do vinho não permite que nós passemos diretamente para o produto aquilo que são os impactos económicos que nós estamos a sentir com esta crise. Eu sou um bocadinho cético relativamente à justificação total da guerra para estas situações porque a guerra não justifica tudo. Penso que haverá muito oportunismo por trás. Há aqui muitas situações em que não se justifica os acréscimos de custo que algumas matérias-primas estão a ter e nós, infelizmente, no mercado dos vinhos, não nos permite duplicar o preço do vinho de um dia para o outro como nos está a acontecer com o cartão, com a garrafa, com a energia elétrica, com os combustíveis, os fitofármacos, os adubos… tudo isso duplicou de preço. Não estou a falar com metáforas. São situações reais mesmo a multiplicar por dois. Nós fizemos alguns ajustes,

pequenos ajustes, aqueles que o mercado nos foi permitindo fazer porque se damos saltos grandes, corremos o risco de ficar com o produto em casa porque o vizinho do lado vende mais barato. Também é verdade que o mercado hoje em dia, e cada vez, mais procura qualidade.

A vindima começou com os brancos, mais propriamente com a apanha da casta Chardonnay. Este tem sido um dos grandes sucessos da Quinta...

É verdade. É uma casta relativamente antiga na nossa casa e que nos acompanha desde o início, quando os meus pais compraram a quinta. Na altura, foi necessário fazer reconversão de vinhas, modernizar a adega mas, nomeadamente nas vinhas, foi feito um trabalho muito profundo. Contudo, era uma altura em que havia pouco conhecimento sobre as castas portuguesas. Não pela sua falta de qualidade, não pela falta de qualidade dos vinhos portugueses, mas porque, tradicionalmente, as vinhas em Portugal eram plantadas naquilo que os ingleses chamam de field blend, ou seja, uma parcela tinha muitas vezes 10 castas diferentes. Era portanto difícil, para não dizer impossível, colher as castas separadamente e vinificar as castas de forma separada. De maneira que eram muito raros os vinhos monovarietais de castas portuguesas. Naquela altura conhecíamos muito melhor as castas francesas e eu também trazia um pouco essa influência francesa porque também estive a estudar, a trabalhar e a desenvolver algum conhecimento na área dos vinhos em França. O Chardonnay foi uma casta que foi introduzida aqui no início dos anos 90 e tem sido a base de uma das nossas referências, o Casal

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ENTREVISTA / fossem adequados para as vinhas, se não tivéssemos castas de qualidade, se não tivéssemos uma adega bem equipada e, principalmente, se nós não tivéssemos uma equipa fantástica, nada disto se conseguia porque eu sozinho não faria nada, o meu pai sozinho não faria nada e nenhum de nós, sozinho, conseguiria fazer o que temos conseguido fazer com algum sucesso. Claro que há sempre coisas para melhorar e é esse o nosso desafio diário, é a nossa ambição diária, é fazer amanhã melhor do que fizemos hoje. Só assim conseguimos crescer e melhorar.

O investimento na adega foi um projeto maior...

da Coelheira Reserva Branco, que tem 80% de Chardonnay.

Onde é que já estão os vinhos do Casal da Coelheira e que mercados é que gostava de alcançar?

No continente americano estamos no Canadá, Estados Unidos, Equador, Brasil obviamente e estamos com uma perninha na Costa Rica e na Colômbia, que são dois mercados que estão para abrir muito brevemente. Na Europa, onde a diversidade é maior, estamos em França, nos Países Baixos, Polónia, Reino Unido, Alemanha, Suíça, República Checa, Hungria, Letónia, Estónia, Lituânia e Dinamarca. Já estivemos na Rússia mas neste momento não estamos. Um bocadinho mais para lá, estamos na China, na Coreia do Sul e Japão.

E há algum mercado onde ainda queiram entrar ou, para já, está bom assim?

Não. Para já, está muito bom. O importante para nós neste momento é consolidar relações, consolidar mercados. Os Estados Unidos, por exemplo, é um mercado onde nós temos uma bandeirinha mas gostaríamos de expandir um pouco mais a nossa presença. O Brasil foi um mercado em que nós, também por força da Covid e problemas que surgiram com o nosso importador local, tivemos praticamente dois anos e meio fora. Reativámos esse mercado o ano passado e estamos praticamente a construir tudo de novo.

No Casal da Coelheira dá para apontar um vinho “chapéu”? Há alguma estrela ou quase todos dão muito boa conta de si? Claro que há sempre o Mythos...

Permita-me responder a essa pergunta com outra pergunta que me fazem com muita frequência em eventos: “então, para si, qual é o seu melhor vinho?” Fazem-me esta pergunta tantas vezes que eu já tenho a resposta pronta e acaba por ser uma resposta fácil e difícil ao mesmo tempo. O Mythos é, de facto, a nossa referência e o nosso cartão de visita mas se for bebido no

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JORNAL DE ABRANTES / Setembro 2022

dia de hoje ali fora (a entrevista foi feita na Quinta do Casal da Coelheira a 25 de agosto, tarde muito quente), sem um acompanhamento, vai ser um vinho desagradável. Provavelmente será muito mais agradável irmos com um Rosé fresquinho. Portanto, depende muito da época do ano, se estamos a acompanhar com comida ou não, a nossa companhia, o nosso estado de espírito… tudo isso vai influenciar. Cada vinho encaixa nesse momento, nessa gastronomia, naquele ambiente. Como agora é habitual dizer, são experiências diversificadas.

Os vinhos do Casal da Coelheira têm sido premiados ano após ano, concurso após concurso, quer a nível nacional, quer lá por fora. Desde o início desta aventura, o que é que considera ter sido o fator decisivo para o sucesso alcançado?

Não sei se há um fator decisivo, são um conjunto de fatores. Naturalmente que o que me apetece dizer é a paixão com que nós vivemos isto, pois sem essa paixão não se consegue o sucesso. Termos a vivência diária deste projeto, quase 24 horas por dia, apesar de até podermos estar à beira mar, mas estamos sempre a pensar. Vemos alguma coisa e temos ideias para o nosso projeto. É essa paixão e essa vivência. Mas obviamente que se nós não tivéssemos terrenos de qualidade, se os solos não

“Sou um bocadinho cético relativamente à justificação total da guerra para estas situações porque a guerra não justifica tudo”

Não diria que o investimento é diário, mas é quase. Quase todos os dias temos que investir numa máquina, num equipamento… há sempre qualquer coisa. Este ano fizemos um investimento muito grande numa vinha. É a área maior de vinha que plantámos num único ano, foram oito hectares – que para outros produtores é uma gota de água – mas que para a nossa dimensão, para a nossa estrutura e para a nossa tesouraria, é um peso grande. Mas lá está, o futuro faz-se hoje, como alguém disse.

O Nuno, para além dos vinhos que já conhecemos, tem entrado noutros desafios, como é o caso da parceria com o Restaurante Casa Chef Victor e a criação do vinho “Raízes”...

Como eu disse há pouco, a restauração é essencial para nós e como disse na altura do lançamento, este vinho é um filho da Covid. Nasceu da mente de uma pessoa, que estando numa fase, provavelmente, das mais complicadas da sua vida, com a sua casa fechada, teve esta ideia quando devia estar a pensar em como é que ia sobreviver com a casa fechada e pagar os encargos que tinha. Mas não. O Chef Victor estava com esse dinamismo e com a vontade de ultrapassar esta maré mais negativa e foi um desafio que me fez. A ideia foi dele e o produto correu bem e continua a correr bem. Acabámos por ter um Raízes 2, no sentido de que lançámos um novo vinho. O que veio para o mercado, inicialmente, foi um tinto da colheita de 2017 e depois renovámos esse vinho com a colheita de 2019, mas, entretanto, também lançámos um branco, um Raízes branco que está a ser um sucesso muito interessante. Traz-nos pessoas à loja, pessoas que consomem no restaurante, e o Chef Victor é um embaixador dos nossos vinhos, mas não só. É um grande embaixador da nossa terra e dos nossos produtos e penso que esse é o caminho. Da mesma forma que nós entendemos que devemos valorizar as castas portuguesas, eu penso que esse é o caminho para que o restaurante A, B ou C também se distinga dos outros, com essa visão de ter aquilo que é mais ou menos exclusivo, mais ou menos próprio da nossa região.

Ainda nos vinhos, como é ser apontado como um dos melhores enólogos do país?

Isso é uma novidade para mim… (risos) Fui candidato [nomeado em 2019], mas estou muito longe disso. Se fosse convidado para um júri para eleger o melhor enólogo do país, eu não encaixaria no perfil daquilo que eu considero ser preciso para ser o melhor enólogo. Eu acho que deve ser alguém que tenha uma experiência mais ou menos alargada a nível nacional, não necessariamente fazer vinhos em todas as regiões, mas o facto de eu fazer vinho num produtor só, que sou eu próprio, acaba por limitar-me muito nessa ambição que eu não tenho. Aquilo que me move é fazer o melhor que posso, o melhor que sei, e querer amanhã saber mais e poder fazer mais. É um passinho de cada vez, o mercado tem reagido bem ao que estamos a fazer, às novidades que vamos lançando e isso alimenta-nos essa inspiração para poder ter ideias para fazer outras coisas, eventualmente.

Na Quinta do Casal da Coelheira também há cereais. Nos tempos que correm, são um bem precioso mas, mais uma vez, os custos de produção também se tornaram quase insustentáveis. Como está a ser este ano?

Relativamente aos cereais, não me posso lamentar da mesma forma como o faço relativamente ao mercado dos vinhos. O mercado dos vinhos não tem a elasticidade para reagir ao mercado nesse aspeto. E os cereais acabam por estar associados a uma bolsa mundial de commodities, não digo que haja uma cotação mundial para o cereal, mas acaba por haver uma influência grande da valorização do cereal noutros mercados, como o americano, asiático, Europa de Leste… No caso dos trigos, que é uma campanha que já terminou, houve efetivamente – e mal de nós se não houvesse – um ajuste do preço de venda àquilo que foram os aumentos dos custos dos fatores de produção. Não foi para o dobro mas acabou por acompanhar e atenuar um pouco esses aumentos do custo de matérias-primas. Relativamente ao milho, vamos ver. A campanha está para começar, não temos ainda sensibilidade para o que vão ser as cotações de mercado, mas pelas notícias que vamos vendo da Ucrânia e com a escassez de cereais que há no mercado, quero crer que, para mal do nosso mercado alimentar, haja um acompanhamento do valor do milho, relativamente às campanhas anteriores.

E para onde vão os vossos cereais?

Devido aos canais de distribuição, naturalmente que são os produtos menos mediáticos do Casal da Coelheira. No entanto, acabam por ocupar uma área maior do que a vinha. São comercializados por grosso. A ervilha vai para uma empresa de ultracongelados e os cereais são normalmente destinados a moagem, animal ou humano, em função das características que o próprio cereal tiver. São vendidos a intermediários ou diretamente à indústria.

Pode ler esta entrevista na íntegra em jornaldeabrantes.sapo.pt


REGIÃO / Abrantes

Estratégia Local de Habitação pretende melhorar condições a 100 famílias // Até ao momento, a equipa da Estratégia Local de Habitação já identificou cerca de 80 beneficiários diretos elegíveis. O objetivo é melhorar as condições de habitabilidade de 100 famílias e, por outro lado, criar rendas acessíveis para que mais pessoas possam habitar o centro histórico da cidade. Em reunião do Executivo da Câmara Municipal de Abrantes, em 23 de agosto, a vereadora Raquel Olhicas apresentou o relatório das atividades desenvolvidas pela equipa da Estratégia Local de Habitação (ELH) no último semestre. Segundo a vereadora, a Estratégia Local de Habitação foi apresentada “há relativamente pouco tempo” mas já há trabalho feito e situações identificadas. Desde o início do ano, a equipa responsável pela ELH no concelho efetuou reuniões individuais com todos os presidentes de Junta de Freguesia onde deu explicação sobre a Estratégia Local de Habitação e sobre os beneficiários diretos, porque “se pretende melhorar as condições de habitabilidade de 100 famílias e explicámos também os critérios de elegibilidade”. Realizaram-se posteriormente sessões públicas de esclarecimen-

/ A ELH vai privilegiar imóveis municipais para renda acessível para atrair população para a zona histórica to nas sedes de junta de freguesia onde os munícipes tiveram acesso à informação sobre o programa 1º Direito, o programa de apoio ao

acesso à habitação gerido pelo Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana (IHRU) e financiado pelo PRR e por fundos Europeus.

Segundo a vereadora Raquel Olhicas, até ao momento, “foram identificados, para já, cerca de 80 beneficiários diretos elegíveis” para a ELH e que a equipa da estratégia “presta apoio técnico aos mesmos e avalia as condições de habitabilidade, salubridade e segurança para obras de reabilitação”. Foram ainda efetuados 43 atendimentos a munícipes identificados para a ELH, que se dirigiram à Câmara, e feitas várias visitas às suas habitações. “Relativamente aos imóveis municipais”, avançou a vereadora, “e não só circunscritos à zona urbana de Abrantes, fizemos visitas a habitações municipais para reabilitação, onde foram identificados 16 fogos para renda apoiada, ou seja, para habitação social”. Raquel Olhicas acrescentou que foram ainda feitas visitas a imóveis de várias imobiliárias. Neste caso,

as habitações seriam “para aquisição e reabilitação”. Esta medida prevê “a aquisição de 12 fogos também para renda apoiada”. A equipa da Estratégia Local de Habitação realizou ainda “projetos de arquitetura e projetos de especialidade” que contaram com o apoio “de toda a Câmara de Abrantes, nomeadamente a Divisão de Urbanismo e de Obras Públicas”. Neste semestre, “vamos também privilegiar os imóveis municipais para renda acessível, precisamente para atrair casais jovens e outra população para a zona histórica de Abrantes”. A ELH deve priorizar a resolução de situações habitacionais indignas mas pode incidir sobre todo o tipo de carências habitacionais, ou seja, sobre as situações de dificuldade de acesso à habitação. Para efeito de candidatura a apoio ao abrigo do programa 1.º Direito, a ELH deve identificar as características e o número de situações de pessoas e agregados em condições habitacionais indignas, nomeadamente, precariedade, insalubridade e insegurança, sobrelotação e inadequação, por incompatibilidade das condições da habitação com características específicas de pessoas que nele habitam, como nos casos de pessoas com incapacidade ou deficiência. Patrícia Seixas PUBLICIDADE

Setembro 2022 / JORNAL DE ABRANTES

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REGIÃO / Abrantes

Mural em Concavada assinala 125 anos de António Botto // António Botto, o poeta natural de Concavada e dá que nome à Biblioteca Municipal de Abrantes, nasceu à 125 anos, a 17 de agosto de 1897. E no dia em que faria 125 anos do seu nascimento a efeméride foi assinalada. O poeta, contista, dramaturgo e escritor epistolar tem um busto em Concavada e ganha agora um mural que assinala esta data, ou seja, 125 anos do seu nascimento. Trata-se de um mural pintado pelo artista de arte urbana Samina e está localizado na parede traseira das casas de banho públicas, virada para o parque infantil da localidade. A criação deste mural está integrada nos Caminhos Literários, um projeto cultural e literário dos concelhos de Abrantes, Constância e Sardoal que tem o nome de “Botto, Camões Gil Vicente e outros que pro cá passaram”. O porquê da arte urbana e de um mural foi explicado por Carlos Bernardo do “Meu escritório é lá fora”. António Moutinho, presidente da União de Freguesias de Alvega e Concavada, destacou que este ato cultural é uma mais-valia para a freguesia. É um símbolo de um poeta que nasceu na freguesia. António Moutinho sublinhou que a casa onde nasceu António Botto ainda existe e que poderia vir a ser um marco na freguesia. “Para além das suas memórias é possível

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JORNAL DE ABRANTES / Setembro 2022

/ Orlando Marchão veste a pele de António Botto (em cima). João Vaz, na guitarra, e José Horta, na viola e voz, interpretaram poetas de Abrantes (ao lado). Carlos Bernardo, da empresa O Meu Escritório é Lá Fora, explica o mural pintado por João Samina (em baixo).

criar roteiros turísticos para virem pessoas de fora conhecer o poeta”, destacou o presidente da União de Freguesias acrescentando que poderiam passar pela casa onde o poeta nasceu. Pode, no futuro, na União de Freguesias ser feito um levantamento sobre os locais de António Botto na Concavada e na casa onde nasceu que existe e está fechada, ou seja, não está habitada e que poderia permitir visitas. De acordo com o presidente da Junta de Freguesia “temos de estudar outro tipo de iniciativas para deixar sempre bem viva a memória do poeta.” Manuel Jorge Valamatos, presidente da Câmara de Abrantes, destacou que o mural do aniversário de António Botto integra-se num projeto cultural mais vasto e em três concelhos. O autarca referiu o orgulho em homenagear um homem que no seu tempo estava muito à frente. Questionado sobre um eventual projeto para a casa onde nasceu António Botto referiu que Abrantes é um concelho com muitas memó-

rias e figuras e que não é possível fazer tudo em simultâneo. Mas destacou que há um trabalho que tem vindo a ser feito, e deu o exemplo de Eduardo Duarte Ferreira, em Tramagal, e do Museu Metalúrgica Duarte Ferreira. De acordo com Manuel Jorge Valamatos “no centenário de Abrantes [2016] o António Botto integrou as figuras mais marcantes do centenário da cidade” e vincou a importância de perpetuar estas figuras importantes do concelho e do país. E adiantou que esta homenagem a António Botto, com a criação do mural, é também uma homenagem às pessoas da Concavada e dos abrantinos, em geral. Para o autarca esta é uma homenagem aos poetas, aos músicos, artistas, cidadãos e coletividades. Valamatos destacou ainda as memórias e o sentimento do poeta sobre a sua terra “ele fala das casinhas pequeninas e uma terra que tinha uma fonte onde ele andava descalço e feliz. E são essas marcas que o legado do António Botto nos deixa e que queremos perpetuar e continuar a promover.” O Município de Abrantes assinalou os 125 anos do Nascimento de António Botto com duas atividades. Uma fica disponível para todas as pessoas que venham a passar pela aldeia de Concavada, é um mural evocativo desta efeméride. Depois da inauguração do mural houve ainda tempo para uma visita à Biblioteca Itinerante de Abrantes, a “BIA” que tem agora um projeto novo de promoção do livro e da leitura com sacos com palavras inscritas como “beleza”, “mãos”, “beijo” ou “felicidade”. Logo de seguida José Horta, na viola, e João Vaz, na guitarra portuguesa, interpretaram alguns temas com letras dos poetas de Abrantes. Botto, claro está, a que se juntaram Francisco Lopes, Joaquina Tavares Varandas, José-Alberto Marques e o próprio José Horta. O projeto Caminhos Literários pretende afirmar-se como um território literário onde se traçam caminhos e percursos literários. Na sua apresentação, na Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, define-se este projeto como uma marca que será desenvolvida na região e a nível nacional e internacional, através da relação de alguns dos nomes de referência como: António Botto, Camões, Gil Vicente e outros que por cá deixaram a sua marca. Ainda de acordo com esta explicação, o projeto visa a construção de um território literário entre os municípios de Abrantes, Constância e Sardoal, onde, para além das paisagens literárias associadas a cada um dos escritores, importa frisar a construção de um projeto turístico-cultural em que a literatura seja a alavanca para a descoberta de novas identidades. Jerónimo Belo Jorge


REGIÃO / Abrantes Festival ao Alto traz Bárbara Tinoco às escadarias do Alto de Santo António // Após dois anos de interregno, o Festival ao Alto realiza-se nos dias 9 e 10 de setembro, nas escadarias do Alto de Santo António, tendo no cartaz a presença de Bárbara Tinoco, outras bandas e dj’s, exposições, street food e atividades desportivas/radicais.

/ Manuel Jorge Valamatos e Luís Filipe Dias apresentaram a 3.ª edição do Festival ao Alto nas escadarias do Alto de Santo António ção de fotografia intitulada “Mapa das Pessoas”, no âmbito da atividade intermunicipal «Caminhos Literários», no jardim em frente à Unidade de Cuidados na Comunidade, roulotes de street food, copos reutilizáveis, atividades e teatro de rua e música música. Pretende-se “dar um espectro de criatividade e originalidade”, bem como um conjunto de divertimentos para proporcionar à comunidade “um Festival diferente que queremos que comece a marcar a nossa agenda no nosso território”. Voltando a dirigir o discurso para o Parque do Alto de Santo António, Manuel Jorge Valamatos contou que nas edições anteriores encontrou “pessoas que tinham saudades disto aqui mas, o pior, foi encontrar muitos miúdos que

nem sequer conheciam este local, bem como algumas pessoas que vieram morar para a cidade”. Daí também o Festival ao Alto “ter esta importância e relevância”. O vereador Luís Filipe Dias referiu igualmente que este “é o Festival de encerramento de uma temporada, com o Festival das Juventudes, as Festas de Abrantes e agora o Festival ao Alto. São três eventos que têm o condão de não só de qualificação de públicos mas também chegar a largos espectros da comunidade sempre com este espírito jovial, que acompanha este espaço, que é muito descontraído e muito bonito”. Segundo o vereador, “é também por isso que continuamos a apostar em talentos locais”. Luís Filipe Dias destacou a

apresentação, no Festival, do lançamento do álbum «Running Lights» dos Coiote, uma banda que nasceu em Abrantes e que “é um projeto muito bonito”. Vai ter lugar no dia 9 de setembro, pelas 22 horas e será antecedido pelos dj’s Kiss Kiss Bang Bang que também encerrarão a noite. No dia 10, “e à semelhança do que aconteceu nos outros anos, temos um nome sonante da música portuguesa”. Desta vez, cabe a Bárbara Tinoco subir ao palco e cantar perante uma escadaria e um jardim repletos de pessoas. Antes do concerto, com início às 22 horas, “teremos novamente dj’s de cá, os Lizard Crew, que começam e encerram a noite”. Já a anteceder o concerto de Bárbara Tinoco, “mais dois jovens

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O Parque do Alto de Santo António, em Abrantes, volta a ser o palco para mais uma edição do Festival ao Alto. Após dois anos de interregno, o 3.º Festival ao Alto tem este ano como cabeça de cartaz a cantora Bárbara Tinoco que irá encher as escadarias do Parque mas há muito mais a acontecer durante os dois dias do evento. “É um evento jovem, mas aberto a todas as gerações e públicos, num conceito que se desenvolve à volta dos festivais de verão, marcando o final da época estival e antecedendo o novo ciclo do outono e do regresso às aulas”. O presidente da Câmara de Abrantes recordou que “à semelhança” de tudo o resto, “também este Festival interrompeu” a sua periodicidade mas que “agora volta com uma grande esperança”. E a palavra foi propositadamente escolhida pois o Festival vai realizar-se debaixo da chamada “luz de esperança”. A luz que se acendeu na Torre de Telecomunicações em tempo de pandemia. Manuel Jorge Valamatos referiu “há muito tempo que olhamos para este espaço como um espaço de pertença dos abrantinos” e que “este Festival também pretende encerrar um ciclo de festividades de verão”. “Pela proximidade com as escolas secundárias” da cidade, “este é quase um sinal de que é o último fim de semana de festa para a rapaziada que a seguir vai começar a ter escola. Relembrando as duas edições anteriores, o autarca considerou que “foram bem vividas, com muita gente num ambiente familiar e descontraído”. A diversidade cultural, “que queremos continuar a valorizar”, é uma das características do evento. Vai estar patente uma exposi-

abrantinos que vão apresentar aqui um projeto novo e com o qual temos fortes expetativas”, referiu Luís Filipe Dias ao referir-se aos BeatBros - Brains.&GomesZ, de Francisco Semedo e João Gomes que irão apresentar o seu projeto de Hip-Hop. O parque urbano icónico para muitas gerações, local obrigatório durante o verão devido à localização das Piscinas Municipais na altura, situa-se no coração da cidade e é um espaço ajardinado e arborizado com boas sombras, ladeado por um conjunto de esculturas em ferro. É este o local que se prepara para receber os visitantes na próxima edição do Festival ao Alto. O Festival ao Alto tem um orçamento de cerca de 30 mil euros, “à semelhança dos anos anteriores”, tem entradas gratuitas e campismo gratuito no ParqueTejo, em Rossio ao Sul do Tejo, mediante marcação prévia. Na apresentação do Festival é ainda referido que o evento assume como compromissos “encontrar soluções culturais diferenciadoras para reforçar a notoriedade de Abrantes; valorizar espaços improváveis, criando lugares-comuns para a cultura e para a qualificação dos públicos; enaltecer as portas de Abrantes, datadas de 1959, num espaço ainda com grande simbolismo para as gerações que aqui conviveram e se enamoraram; engrandecer o Alto de Santo António como um «pulmão do centro histórico»; confirmar a aposta neste local de (re)encontros da comunidade abrantina, com um vento marcadamente dirigido não só para a(s) juventude(s), após o retumbante sucesso de 2018 e 2019, mas também para o encontro e reencontro da comunidade abrantina”. Relembrar que em 2020, o Festival ao Alto esteve nomeado para a categoria “Best New Festival”, no âmbito do Iberian Festival Awards, evento ibérico que distingue os melhores festivais de música. Pelo Festival ao Alto já passaram nomes como Carolina Deslandes ou Tiago Nacarato.

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REGIÃO / Abrantes

Centro Escolar de Abrantes e Alvega abrem este mês // O Centro Escolar de Alvega e o Centro Escolar de Abrantes, localizado no antigo Colégio Nossa Senhora de Fátima, vão entrar em funcionamento no arranque do ano letivo, já este mês. A garantia foi dada pelo presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, durante uma visita promovida pela autarquia de Abrantes a quatro obras em curso e que estarão todas concluídas este ano. Se as duas escolas vão abrir portas no ano letivo, daqui por 15 dias, o Skate Park de Abrantes, ou parque radical, junto ao Castelo, terá a intervenção concluída até final de outubro e o Museu de Arte Contemporânea (MAC) que vai acolher a coleção Charters de Almeida deverá ser inaugurado até ao final do ano.

Centro Escolar de Alvega

A antiga Escola C + S Dr. Fernando Loureiro, em Alvega, está praticamente pronta para reabrir portas como Centro Escolar de Alvega. Manuel Jorge Valamatos tem a expetativa que a requalificação desta escola sirva “para fixar os nossos alunos”. A intervenção no Centro Escolar de Alvega representa um investimento de cerca de 450 mil euros e, disse o presidente da Câmara que “vamos ter de investir mais de 100 mil euros na intervenção exterior.” O centro escolar de Alvega terá, em setembro, cerca de 70 alunos. Duas turmas de 1.º ciclo e uma de pré-escolar. “Temos a esperança que consigamos dar à comunidade aquilo que ela merece”, concluiu o autarca de Abrantes.

/ Presidente da Câmara de Abrantes espera arranque das obras do Cineteatro S. Pedro em Setembro

Centro Escolar de Abrantes

A aquisição do Colégio Nossa Senhora de Fátima à Congregação das Irmãs Doroteias aconteceu em 2014, ainda na presidência de Maria do Céu Albuquerque. Esta intervenção no edifício, construído nos anos 40 do século passado, passou pela sua adaptação a receber um piso de jardim de infância, um outro destinado a 8 salas para alunos do 1.º ciclo e tem ainda dois salões polivalentes de grande dimensão (no piso 3), para além de uma moderna cozinha e sala de recursos. A empreitada teve um custo de 2,9 milhões de euros, com 1,1 milhão financiado por verbas da União europeia. A obra começou em 2018 e transformou a antiga escola num moderno centro escolar e que é um edifício sustentável do ponto de vista energético. Quando entrar em funcionamento, em setembro, o novo Centro Escolar vai receber os alunos que frequentavam até este ano a Escola N.º 2 de Abrantes, a escola dos Quinchosos e o Jardim de Infância S. João Batista. O presidente da Câmara de Abrantes explicou que “numa fase inicial vamos aguentar os recursos humanos.

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O autarca vincou que “uma escola sem ginásio ou refeitório ou centro de recursos é mais fácil de gerir. Esperemos que seja uma vantagem para Abrantes.” Com a requalificação do Colégio Nossa Senhora de Fátima existem duas outras obras que ganharam prioridade por causa das acessibilidades. Primeiro um muro de suporte na Rua de Santa Ana, na zona exterior ao Centro Escolar, com um custo previsto de 150 mil euros, e a própria rua que está a ser redefinida para poder ser o acesso dos automóveis dos pais dos alunos do 1.º ciclo. É que, de acordo com o vice-presidente da Câmara de Abrantes, os alunos do Jardim de Infância vão fazer a sua entrada pela frente do edifício, na Rua Actor Taborda, enquanto que o grosso da comuni-

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dade escolar fará a entrada pelas traseiras. Esta intervenção deverá estar pronta quando começarem as aulas e tem um custo previsto de 149 mil euros. Em janeiro haverá ainda, de acordo com o presidente da Câmara de Abrantes, o prolongamento desta Rua de Santa Ana até à Rua 5 de Outubro com a criação de mais uma bolsa de estacionamento de 70 lugares, nas traseiras do Centro Escolar.

Skate Park de Abrantes

O Skate Park de Abrantes, ou Parque Radical como é conhecido e designado, foi construído em 1999. A intervenção em curso tem um custo de quase 150 mil euros e prevê requalificar os pavimentos e equipamentos para melhorar as

condições de prática de modalidades como skate, patins e BMX e outras, dentro do mesmo género. Esta intervenção vai permitir a realização de provas regionais e nacionais destas modalidades. A conclusão da obra apontava a dezembro, mas a mesma deverá estar concluída ainda em outubro ou no início de novembro.

Museu de Arte Contemporânea

A última foi no Edifício Carneiro, que está na fase final de um complexo e demorado trabalho de requalificação interior, exterior, com uma ampliação e a criação de uma nova acessibilidade ao Jardim do Castelo. Este edifício começou com requalificações em 2009. O objetivo é a instalação do Museu de Arte

Contemporânea de Abrantes (MAC) que vai receber o espólio artístico do escultor Charters de Almeida. Esta é uma intervenção que representa um investimento de 2,1 milhões de euros com um financiamento aprovado de 1 milhão 974 mil euros. Neste momento está em curso o trabalho de museologia em todas as salas, num total de 17 salas de exposição: o piso 0 terá 2 salas, o piso 1 contará com 8 e o piso 2 com mais 7. Depois houve, no exterior, uma ampliação do edifício, para a criação de um laboratório de restauro e investigação. Trata-se de um espaço livre que não tinha qualquer construção, pelo que é uma ampliação do MAC. Uma das grandes alterações é a ligação do pátio das traseiras ao Edifício Carneiro ao Jardim do Castelo, num “corredor” que terá uma série de esculturas exteriores de Charters de Almeida e de onde se pode avistar a “Cidade Imaginária”, obra do escultor localizada no Aquapólis, na margem norte do rio Tejo. Nota final para uma mudança de serviços por via da desativação das escolas N.º 2 de Abrantes, Quinchosos e Jardim de Infância S. João Baptista. Se a Escola N.º 2, localizada junto ao Hotel de Turismo, no Alto de Santo António, já tem destino previsto, com uma candidatura em curso para passar a ser a Creche Municipal, com capacidade para 200 crianças, a escola dos Quinchosos ainda não tem ocupantes. Já o, até aqui, Jardim de Infância S. João Batista deverá albergar serviços de Ação Social do Município, cujo processo de transferência de competências está em curso, e a equipa da Estratégia Local de Habitação. E vai ainda receber o polo de Abrantes da Agência Portuguesa do Ambiente ou ARH (administração da Região Hidrográfica). À margem desta visita Manuel Jorge Valamatos disse que a escola Otávio Duarte Ferreira deverá entrar em fase de obra dentro de pouco tempo, mas com um cronograma de trabalhos mais complexo porque implica a remoção das coberturas de fibrocimento que ainda existem nos edifícios. Quanto ao cineteatro S. Pedro estão a ser feitos todos os esforços para que o empreiteiro possa começar a requalificação cuja previsão, neste momento, aponta para setembro. Jerónimo Belo Jorge


REGIÃO / Constância Central de Biomassa tem que estar concluída até final de 2023 // Foi aprovado por maioria em reunião do Executivo da Câmara de Constância, dia 17 de agosto, o projeto de arquitetura e licenciamento de construção da nova Central de Biomassa, a instalar na CAIMA. Na discussão sobre o ponto «Licenciamento de Construção da Nova Central de Biomassa - Projeto de Arquitetura», a vereadora da CDU, Manuela Arsénio, levantou algumas questões, nomeadamente o número de postos de trabalho que a central vai criar e dúvidas respeitantes à utilização da estrada de acesso ao cais. “Prevê-se que esta Central de Biomassa venha a ser implantada numa zona onde está o atual parque de madeiras”, começou por dizer a vereadora comunista que questionou “se a empresa vai ter necessidade de alargar o parque de madeiras ou se o espaço é suficiente para a laboração” e ainda, em caso de ampliação, “qual o impacto que pode ter na via de acesso ao cais”. Manuela Arsénio referiu-se ao investimento como “bastante volumoso” e perguntou ainda “se há informação do impacto que terá

/ CAIMA vai ter em breve Central de Biomassa a funcionar no número de postos de trabalho”. Presente na reunião estava o chefe de Divisão, Jorge Heitor, que explicou a questão do parque de

madeiras e dos acessos. “Vão utilizar, necessariamente, a mesma via que atualmente já existe”, começou por explicar o chefe de Divisão que,

relativamente à ampliação do parque de madeiras, esclareceu que “a CAIMA já está a utilizar, parcialmente, um terreno que é deles já há algum tempo (...) não tenho conhecimento, quer pelo projeto, quer pela informação adicional, que esteja previsto ampliar o parque de madeiras por esta razão”. Jorge Heitor avançou ainda que a CAIMA é proprietária de mais de 18 hectares de terreno e que a Central “vai ocupar 2%”, não lhe parecendo que, “com esta dimensão, que o parque de madeiras venha a ser ampliado” mas poderá acontecer “por razões de laboração. A área vai se de 4500 m2 com todo o espaço envolvente, a área de implantação é de 1350 m2 e a área de construção é de 2174 m2. A construção da Central de Biomassa “vai ter que começar rapidamente porque a informação que eu tenho é que a obra vai ter que estar concluída antes do final do ano que vem”, concluiu Jorge Heitor. O vereador Pedro Pereira também interveio e acrescentou que, a administração da CAIMA garantiu que “em termos de funcionamento desta estrutura”, a central será “mais silenciosa” do que a empresa atual. Relativamente aos postos de trabalho, “serão à volta de 20” e ao nível da economia do concelho, realçou que “durante a construção

deste empreendimento, vão passar cá cerca de 200 trabalhadores, a maioria especializados”, e cerca de 80 estarão cá durante um ano e meio. “Serão técnicos, engenheiros, de todas as partes do mundo, que estarão na vila, em Santa Margarida, em Montalvo... o que terá sempre algum impacto a nível económico”, afirmou o vereador Na votação do ponto, Manuela Arsénio optou pela abstenção, apresentando uma Declaração de Voto com as preocupações que lhe suscita a obra. “Considerando os esclarecimentos prestados e pese embora a valorização da intervenção e do impacto económico que venha a ter, fico preocupada com a referência técnica à existência de uma sobrecarga de serviços nas infraestruturas, com o ambiente, com as vias de acesso, tráfego, parqueamento, ruído... também não é possível avaliar com certezas o impacto que pode ter na potencial via de acesso ao cais do Tejo, que irá integrar o Município. São estas, fundamentalmente, as razões porque não votei a favor”, considerou Manuela Arsénio. O projeto de arquitetura e licenciamento de construção da nova Central de Biomassa, a instalar na CAIMA, foi então aprovado pela maioria PS, com abstenção da CDU. Patrícia Seixas PUBLICIDADE

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REGIÃO / Vila Nova da Barquinha Rua de Moita do Norte volta a ser atingida por fenómeno meteorológico de vento // A mesma localidade, a mesma rua, um mês e meio depois volta a ter um caso localizado de ventos fortes que causam prejuízos em habitações. Trata-se de uma rua em Moita do Norte, no concelho de Vila Nova da Barquinha. aqui notavam-se em folhas de árvores ou no pó dos terrenos lavrados, sem intensidades que pudessem destruir telhados ou levantar telhas. Fernando Freire diz que estes casos têm de ser comunicados ao Instituto Português do Mar e da Atmosfera porque “não é normal estes casos acontecerem no mesmo local e, coincidência ou não, praticamente à mesma hora”. De acordo com Hélder Silvano, responsável pela estação meteorológica Meteoabrantes, estes fenómenos de ventos podem acontecer devido às altas temperaturas que atingem o nosso país. Por outro lado estes “devil dust” (poeiras do demónio) como são conhecidos são fenómenos de ventos rotativos, mas que ao contrário dos tornados, são criados a partir do solo. Neste caso de Vila Nova da Barquinha o fenómenos não foi visto, mas um dia depois, na sexta-feira dia 19, na zona do Cabrito, em Abrantes, verificou-se um fenómeno destes que foi fotografado e gravado em vídeo e em que os ventos criam um

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O registo para o fenómeno foi dado às 14:22 de quinta-feira, dia 18 de agosto, na rua dos Cavaleiros, precisamente a mesma em que ocorreu um fenómeno semelhante a 7 de julho deste ano. Neste dia 18 e agosto, tal como em julho, mais ou menos à mesma hora, aconteceu outro fenómeno de rajadas de vento que provocou apenas danos em duas habitações. E voltou a ser um dia de verão sem qualquer tempestade ou outra superfície frontal anunciada. Apesar de terem sido apenas umas telhas levantadas, sem registo de danos graves, trata-se de uma repetição de um fenómeno no mesmo local que Fernando Freire atribuiu, eventualmente, às alterações climáticas. De acordo com o autarca, os testemunhos de habitantes indicam o aparecimento de ventos rápidos e fortes em remoinho que depois acabam por se desvanecer. É aquilo que popularmente se designa por minitornados ou “pujinhos”. Estes fenómenos não são novos, mas até

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JORNAL DE ABRANTES / Setembro 2022

pilar de poeira, porque atingiram uma zona de terras. Muitas vezes estes “chamados mini tornados” também sã conhecidos na região por “pujinhos” embora não tenham, modo geral, a intensidade para levantar telhados. Recorde-se que no dia 7 de julho deste ano foi registada uma ocorrência semelhante que provocou hoje danos materiais avultados em telhados de cinco habitações tendo deixando uma família desalojada. Na altura o presidente da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha, Fernando Freire, disse que o fenómeno, “presumivelmente um mini tornado”, ocorreu cerca das 15:00 e terá demorado cerca de três minutos. O autarca atribuiu, nessa altura, o fenómeno a uma “consequência das alterações climáticas”, tendo alertado que estas situações “são cada vez mais recorrentes” em termos globais e que se “vão agudizar se nada for feito para mitigar as suas causas e, em sequência, os seus efeitos”. Jerónimo Belo Jorge

Requalificação do Largo Infante Santo já arrancou A Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha já deu início às obras de requalificação do Largo Infante Santo, na sede de concelho, prevendo-se que esta empreitada esteja concluída no dia 29 de janeiro do próximo ano. As obras constam na requalificação do espaço urbano, das infraestruturas de abastecimento e drenagem pública de águas residuais, das infraestruturas de iluminação pública e de baixa tensão e das infraestruturas de telecomunicações, passando-as de aéreas para subterrâneas. Na primeira fase do projeto de requalificação, está prevista a demolição de dois edifícios localizados no Largo Infante Santo, confinantes com a Rua Alfredo Martinho da Fonseca. O projeto pretende a reconversão/requalificação do Largo Infante Santo e

do passeio contiguo à Rua Alfredo Martinho da Fonseca, para utilização coletiva, incluindo espaços verdes e mobiliário urbano, numa lógica de dinamização dos espaços públicos municipais e melhoria do ambiente urbano, “criando um espaço urbano aprazível, propício ao lazer e convívio da população, bem como, procedendo à melhoria das acessibilidades a vários níveis e privilegiando a utilização pedonal do espaço a intervencionar”. Esta candidatura surge no âmbito do reforço de FEDER (Prémio) atribuído com base na avaliação de desempenho de implementação da estratégia PARU. Trata-se de um projeto definido como estruturante no Programa Estratégico de Reabilitação Urbana de Vila Nova da Barquinha. Segundo o Município, este projeto tem como objetivos “fomentar a revitalização urbana; Promover a sustentabilidade ambiental, cultural, social e económica dos espaços urbanos e a remoção de barreiras de acesso; Promover a melhoria geral da mobilidade, salvaguardando as ne-

cessidades específicas de pessoas com mobilidade condicionada; Valorizar o espaço público através da melhoria das condições de conforto urbano (ex: iluminação, mobiliário urbano, etc.); Promover a eliminação progressiva de barreiras arquitetónicas no espaço público; Projetar toda a área com acessibilidade, com espaços libertos de obstáculos e objetos supérfluos, seguros e aprazíveis, com sombras, bancos, sítios com utilizações diversas, dentro de uma uniformidade de tratamento; Tornar a zona utilizável por peões; Prever alguns lugares de estacionamento incluindo para mobilidade reduzida; Transformar a zona num local aprazível para estar”. Durante o período da obra, o Município solicita aos residentes para não estacionar os veículos automóveis no local, podendo, no entanto, aceder às respetivas garagens. A intervenção resulta da aprovação de uma candidatura ao PARU – Plano de Ação de Regeneração Urbana, com um custo total de 224.748,39 euros com taxa de financiamento de 85%.


REGIÃO / Mação Novo relvado no Campo Municipal e Ortiga deixa o pelado // O Campo Municipal Agostinho Pereira Carreira, em Mação, está a ser alvo de obras de substituição do relvado sintético que, no entanto, será aproveitado para melhorar o pelado do Campo de Jogos Alfredo Smith, em Ortiga.

/ Joaquim Diogo

Na reunião do Executivo da Câmara Municipal que se realizou a 24 de agosto, o presidente Vasco Estrela explicou que o relvado, que já tem 16 anos de existência, apesar de “ter condições razoáveis, não tem condições adequadas para a carga de treinos e jogos” que sustenta. A opção do Município foi pela substituição mas Vasco Estrela adiantou que o relvado vai ter um outro aproveitamento. Apesar de já não ser adequado para a carga de utilização que tem pelos vários escalões da Associação Desportiva de Mação (ADM), “essencialmente”, é um relvado “que com alguns retoques, é adequado para campos com menor utilização”. Assim sendo, o relvado do Campo Municipal vai ser transferido para o Campo de Jogos Alfredo Daniel Smith e vai melhorar o pelado do campo de Ortiga, cuja equipa milita na 2.ª Divisão Distrital da Associação de Futebol de Santarém.

/ Relvado sintético do Campo Municipal Agostinho Pereira Carreira vai ser substituído “Penso que esta é uma boa solução para o aproveitamento do relvado e já existe um orçamento para esse efeito, que ronda os 50 mil euros”, avançou o presidente da Câmara que disse ainda que

ia apresentar uma proposta no sentido de apoiar a Liga Regional de Melhoramentos de Ortiga ou a Junta de Freguesia de Ortiga visto ainda se estar a avaliar quem será “a dona da obra”.

E com a pré-época já em andamento, havia que encontrar um espaço para que a Associação Desportiva de Mação - que utiliza o Agostinho Pereira Carreira - pudesse continuar os treinos de início de época. Assim, como explicou Vasco Estrela, “fiz um pedido à Câmara Municipal de Sardoal para que a ADM pudesse utilizar aquele recinto de jogos. O pedido foi aceite e durante duas ou três semanas, a Câmara de Sardoal cederá o campo para esse efeito”. À margem da reunião, Vasco Estrela falou do valor da empreitada da substituição do relvado no Agostinho Pereira Carreira que “tem um custo de cerca de 150 mil euros, a que acrescentará cerca de 30 mil euros noutro tipo de arranjos, nomeadamente pinturas e pequenas reabilitações”. Relativamente a como irá decorrer a instalação do relvado em Ortiga, o autarca esclareceu que a instalação “não será suportada na íntegra pela Câmara, que dará um apoio”. Os interesses do Grupo Desportivo do Carvoeiro também foram referidos, visto terem igualmente pedido o relvado que sairia do Campo Municipal. Vasco Estrela alertou para que se perceba “a realidade do concelho”, acrescentando que “a Câmara não está fora de todo o tipo de apoios que possa e tenha condições

para dar”. No entanto, o pedido do GG Carvoeiro já foi posterior ao da Liga de Melhoramentos de Ortiga. O presidente da Câmara relembrou ainda no que diz respeito ao GD Carvoeiro que “o ano passado fizemos um investimento considerável nas melhorias do campo para que o mesmo pudesse ter condições para ter futebol sénior, porque há oito ou nove anos que não existia, houve melhoramentos nas bancadas, nos bancos de suplentes, no piso do campo e nas vedações”. Referiu ainda que o GD Carvoeiro “já fez um pedido à Câmara para uma cobertura das bancadas”, pedido que irá ser analisado “muito brevemente” e que a Câmara pretende apoiar mas, como disse Vasco Estrela, “vamos ter alguma cautela e dar passos seguros porque todos nós gostaríamos de «espalhar» relvados por todos os campos mas a nossa realidade é o que é, a nossa densidade populacional é o que é, a faixa etária de pessoas com idade para jogar futebol é o que é, as perspetivas de futuro são o que são e, portanto, temos todos que ter cautelas porque a gestão dos dinheiros públicos obriga a isso”. Certo é que, dentro de pouco tempo, o Campo Municipal Agostinho Pereira Carreira abrirá portas com melhores condições para a prática do futebol já esta época. Patrícia Seixas PUBLICIDADE

Setembro 2022 / JORNAL DE ABRANTES

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AMBIENTE /

Abrantes avança com medidas de redução de gasto de água // A Câmara de Abrantes anunciou no início do mês de agosto um conjunto de medidas para reforçar a poupança do uso da água da rede pública e a otimização dos recursos hídricos em contexto de seca. Embora não existam, até agora, problemas de abastecimento público no concelho estas medidas são tomadas para garantir uma maior sustentabilidade no tempo quente e seco que estamos a ter em Portugal. “A fiabilidade dos sistemas ainda garante em condições normais o abastecimento a toda a população do concelho, mas, perante o novo contexto nacional de seca, urge a necessidade de implementar medidas extraordinárias e preventivas”, afirmou o presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, na reunião do executivo. O autarca informou que o nível de captação, que é feita em Cabeça Gorda, Albufeira do Castelo de Bode, é inferior ao da EPAL que abastece toda a grande Lisboa, pelo que existe alguma tranquilidade nesta matéria. A haver uma crise de proporções inimagináveis o abastecimento da EPAL ficaria comprometido muito antes do

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abastecimento de Abrantes. Mesmo assim o reforço da redução dos tempos de rega em espaços verdes é uma das medidas que já avançou assim como a criação de um projeto global de captação de água de origens alternativas, como por exemplo de captações próprias ou até do uso das águas provenientes das Estações de Tratamento de Águas Residuais. A implementação de contadores inteligentes e a generalização de temporizadores em locais de acesso ao público são medidas que ganham cada vez mais força. E depois a intensificação da fiscalização dos usos da água dos fontanários públicos é outra das medidas preventivas anunciadas pela autarquia de Abrantes.

JORNAL DE ABRANTES / Setembro 2022

De acordo com a informação avançada pelo presidente da Câmara de Abrantes, o município registou perdas de água no sistema na ordem dos 20%, em 2021, a maioria das quais relacionada com ruturas em condutas. Este é, aliás, uma das áreas que, na generalidade, os municípios estão a investir. E as perdas podem reduzir ainda mais com uma sistema de telegestão, nos contadores inteligentes, que poderão mais facilmente identificar locais em que possam existir perdas por via de ruturas de condutas em locais de difícil deteção. “Queremos instalar rapidamente, ou o mais breve possível, contadores inteligentes, por forma a que, sempre que haja ruturas, esses contadores possam logo dar uma mensagem ao sistema para termos a informação que estamos perante ruturas”, disse o autarca. Manuel Jorge Valamatos que é em simultâneo o presidente do Conselho de Administração dos Serviços Municipalizados de Abrantes explicou que este projeto-piloto dos contadores inteligentes foi iniciado há dois anos, com contadores instalados na localidade de Esteveira. Desta forma, estes contadores “permitem a leitura automática do consumo da água, mas, fundamentalmente, possibilitam a identificação de fugas existentes bem como o controlo do consumo, evitando assim o desperdício de água”. Com análise positiva, a intenção do município passa agora por alargar o sistema a outras localidades, principalmente os locais de maior consumo. Manuel Jorge Valamatos des-

tacou ainda a importância da “telegestão nas redes em baixa, nas redes de água domiciliária”, com “programas e instrumentos capazes de sinalizar quando há perdas”, prometendo um “investimento contínuo” num conjunto de “projetos de reabilitação das redes em baixa para valorizar o sistema e para que haja um menor número de perdas possível”. Segundo lembrou o autarca de Abrantes, no distrito de Santarém, este é um projeto de “trabalho continuado que arrancou no início do século XXI”, quando o município e os Serviços Municipalizados de Abrantes (SMA) repensaram a rede de abastecimento de água do concelho, tendo então decidido avançar com a “opção estratégica de realizar o abastecimento de água a partir da albufeira” de Castelo do Bode. “Esta política estratégica de longo prazo foi delineada através de uma visão global em defesa da eficiência hídrica e da antecipação de períodos de seca, como o que atualmente vivemos, aumentando a disponibilidade e qualidade de água em todo o concelho”, salientou. Além disso, acrescentou, paralelamente, “todos os dias são efetuados investimentos na remodelação das redes em baixa mais antigas e com maior percentagem de perdas”. Relativamente às medidas agora anunciadas, o município de Abrantes começou a “reforçar a redução dos tempos de rega em espaços verdes para o tempo estritamente necessário à sobrevivência das plantas”, embora os de maior di-

mensão já sejam regados a partir de “furos de captação” e sistemas de rega automática, com programadores para aproveitar as horas de menor consumo (noite) e de menor evapotranspiração. Para além de “continuar a redesenhar áreas verdes, agrupando as espécies segundo as suas necessidades hídricas”, o município vai também desenvolver um projeto global de captação de água de origens alternativas para usos “menos nobres” do que a água tratada, nomeadamente para rega de espaços verdes e, em alguns casos, para lavagens e abastecimento de veículos de combate a incêndios, “evitando assim o desperdício de água tratada para consumo humano”. Trata-se da utilização das águas provenientes de Estações de Tratamento de Águas Residuais, por exemplo. Uma das medidas igualmente anunciadas neste pacote tem a ver com a desativação total ou parcial de lagos e chafarizes ornamentais que não possuam ainda sistemas de recirculação de água, por forma a evitar desperdícios. Haverá ainda a intensificação da fiscalização dos usos da água dos fontanários públicos e generalização de temporizadores nos sistemas de torneiras e chuveiros de edifícios sob gestão municipal, bem como nos fontanários públicos. Está igualmente prevista a proibição do enchimento de piscinas particulares através dos bombeiros com água fornecida pelos SMA e o reforço das campanhas de sensibilização junto da população para o uso racional da água e da energia. Jerónimo Belo Jorge


AMBIENTE /

A seca e o calor afetam a agricultura e podem trazer doenças de outras latitudes // Desde outubro do ano passado até hoje choveu praticamente metade do que seria um ano hidrológico normal. Estes são dados oficiais do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). De acordo com os dados do IPMA choveu até agora neste ano hidrológico (1 de outubro a 30 de setembro) 419 milímetros (mm), 51% do que seria um valor normal. Com todo o país continental em seca, 55% em classe de seca severa e 45% em seca extrema, o IPMA considera que a seca “teria um desagravamento significativo” se nos próximos dois meses chovesse acima da média. Mas adianta que tal só acontece em 20% dos anos. Em termos médios teria de ocorrer em setembro em outubro, para que a situação melhorasse, algo como 150 mm em setembro e 175 mm em outubro. Só que esta é uma perspetiva que, para já, está distante de acontecer. Se na região as autarquias estão a tomar medidas de poupança de água nas regas há outras preocupações que se poderão agravar, e de que maneira, já a partir de setembro, como a agricultura ou pecuária. Luís Damas, presidente da Associação de Agricultores de Abrantes, Constância, Mação e Sardoal, explicou ao Jornal de Abrantes que nesta

altura, final de agosto, começam a fazer-se sentir alguns constrangimentos nesta região, mas ainda sem situações extremas. Se no rio Tejo este ano as coisas estão mais acauteladas porque o rio apresenta uma regularidade de caudais pouco normal para a época do ano, é nas zonas mais interiores que começam a anunciar-se situações mais complicadas. A ribeira do Rio Torto, de acordo com Luís Damas, começa a ter troços sem água o que só acontece em situações extremas. O dirigente revelou que na pecuária começam a surgir algumas situações com furos a ficar sem água e os empresários a fazer vendas para diminuir os efetivos. Tanto mais que para além da falta de água há dificuldades na alimentação, nomeadamente na falta de pastagens. Quanto à vinha Luís Damas revela que este será, na região, um ano de uma produção baixa, porque sem água a uva é mais pequena. Espera que possa aumentar aumente a qualidade do vinho que vier a ser produzido. Por outro lado, na olivicultura, após um dos melhores anos de sempre na produção de azeitona, este ano quente vai levar a uma produção baixa, tanto mais que as árvores entram numa espécie de “autodefesa” e começam a libertar folha por forma poderem “gerir” a água que lhes chega. Luís Damas adiantou ainda que

esta situação é tanto mais preocupante quando na floresta há árvores que começam a apresentar problemas com a falta de água e algumas mesmo a morrer. E neste ponto o dirigente da Associação de Agricultores revelou que as espécies mais afetadas são o sobreiro e depois algumas zonas de eucalipto que de cinco a seis anos plantado em terrenos de barro e ainda algum pinheiro. Luís Damas mostrou-se ainda mais preocupado, pois com árvores a morrer podem entrar nestas áreas pragas que podem causar prejuízos avultados nas árvores que ainda estão de boa saúde. Se a floresta e agricultura aparenta problemas, a área da saúde também conta com mais problemas. Este verão aconteceram três ondas de calor, mesmo que a última não tenha tido temperaturas muito extremas. Tal como as árvores o corpo humano também vai fazendo adaptações aos períodos de maior calor. Paulo Luís, o delegado de saúde de Abrantes e especialista em ondas de calor, explicou que o nosso corpo leva três semanas a fazer a adaptação ao verão. Contudo “se tivermos o stress térmico sempre em crescendo, sem o arrefecimento das nossas casas, entramos em descompensações que podem causar desidratações, golpes de calor e problemas mais agravados para quem tem doença crónica.” Paulo Luís disse ao nosso jornal

que também olham com preocupação para esta questão das alterações climáticas “até porque a saúde não é uma área isolada do resto da sociedade” e acrescentou que está presente em todas as políticas. E estas alterações, e o tempo de seca que temos tido causam preocupação, não só pela falta de água, mas pelas doenças que podem começar a afetar as nossas regiões. “Não temos certos tipos de doenças, mas prevemos que possamos vir a ter. O ‘Dengue’ já chegou à Madeira há uns anos. Certos mosquitos, sendo transmissores de doença, e que não tinham condições para fazer o seu ciclo de vida ao longo de todo o ano em Portugal poderão passar a ter. E olhamos com muita preocupação para isso.” Em termos de saúde “fazemos parte de um sistema em que regularmente colocamos armadilhas para apanhar mosquitos para enviar para o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge para perceber se estão infetados”, explicou o médico de saúde pública. Depois há uma outra preocupação que aponta à existência de, cada vez mais, ondas de calor que têm os “impactos na sociedade que todos conhecemos.” Hélder Silvano, meteorologista amador e responsável pela estação meteorológica Meteoabrantes, revelou, por seu lado, que temos cada vez mais situações de stress hídrico com

a ausência de chuva durante longos períodos. “É bastante problemático o que estamos a atravessar este ano”, disse o responsável pela estação meteorológica que mediu este mês de agosto temperaturas em Abrantes da ordem dos 45 e 46 graus celsius. Hélder Silvano referiu que tudo o que vem num futuro próximo, em termos de meteorologia, “vem cada vez mais extremo e mais perigoso. Vamos ter mais ondas de calor, mais furacões a atingir a nossa costa e, eventualmente, a progredir mais para o interior do país.” Ou seja, explicou ainda, “vamos ter fenómenos meteorológicos normais noutras latitudes na nossa” e acrescentou que “essa é uma situação que é preciso combater.” Há medidas que têm mesmo de ser tomadas e que tem de começar a ser resolvidas à escala global e não apenas ao nível de alguns países. De acordo com especialistas Portugal pode passar a ter períodos cada vez mais de seca e com episódios, cada vez mais repetidos, de chuva intensa e que pode causar prejuízos nas linhas nas encostas e em linhas água. Hélder Silvano concluiu a referir que é preciso fazer chover de novo e é possível fazê-lo e depois é preciso haver capacidade de armazenamento de água. E indicou países do médio oriente, nomeadamente Israel, onde isso já é feito. Jerónimo Belo Jorge

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AMBIENTE / / Deputados, autarcas e outras entidades junto ao rio Zêzere, em Constância

PSD defende mais armazenamento de água para minimizar efeitos da seca // A Comissão Política Distrital do PSD juntamente com os deputados eleitos pelo círculo eleitoral do distrito, realizaram um encontro que teve lugar em Constância, junto à foz do rio Zêzere, para analisar a situação de seca em Portugal e possíveis soluções para mitigar o problema. Com o objetivo de analisar o momento de seca extrema que Portugal atravessa, a Comissão Política Distrital do PSD organizou um encontro com os deputados eleitos pelo círculo eleitoral do distrito que teve lugar em Constância, junto à foz do rio Zêzere. João Moura, presidente da Distrital social-democrata, e também deputado na Assembleia da República, afirmou que o encontro não servia “apenas para verificação da situação dramática dos baixos níveis de água nas barragens e rios, como para as soluções, algumas erradas que se estão a promover como meio de minimizar os efeitos da seca extrema”. Tendo como “grande emblema” das duas comunidades do distrito, Médio Tejo e Lezíria do Tejo, o rio Tejo “beija praticamente todos os concelhos do distrito de Santarém, quer direta quer indiretamente”. Para João Moura, “é este mesmo rio Tejo que nos preocupa, não só neste ano em que estamos num período de seca extrema, mas durante todos os anos”. Para os deputados, “o rio Tejo tem, por vezes, caudais de água que são preocupantes. Não só para os ecossistemas, para a atividade da agricultura mas para tudo o que é a sua génese”. Lembrou que os caudais no rio não são constantes e

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que “há dias em que, em Santarém, se consegue atravessar o rio a pé”. Apontou então “a falta de gestão” de um dos principais cursos de água em Portugal e referiu que “em anos de seca agravada, também estes problemas são agravados na sua substância”. Para João Moura, “naquilo que está subjacente ao rio Tejo, o maior interesse é o da produção elétrica”. O deputado recordou que “a Cascata do Zêzere é uma das almofadas que consegue compensar algumas das faltas de água que no dia a dia podem vir de Espanha” mas “é manifestamente insuficiente”. Informou que, atualmente, a Barragem do Cabril está com “33% da sua capacidade máxima e está, quase em exclusivo, a alimentar a barragem que está abaixo, que é a Barragem do Castelo de Bode, que está com 66% precisamente” devido a essa situação. E “não é porque este ano choveu pouco que estas barragens estão com este défice”, afirmou João Moura. Explicou que “obviamente esse facto também contribuiu mas a principal razão foi que, a dada altura, Portugal precisou de produzir energia. E o grande pico foi precisamente quando o Governo decidiu fechar a Central Termoelétrica do Pego sem ter uma alternativa de

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produção energética”. Afirmou o deputado que “o que está em causa nas linhas de água portuguesas, ainda por cima num ano de dificuldade acrescida pelo estado de seca extrema, a principal gestão da água é feita em função da produção de energia”. Para João Moura, “o grande problema que Portugal tem é que não tem uma visão estratégica e o que está a faltar é o armazenamento de água”.

“Remediar e gastar 100 milhões de euros num túnel do Cabril para o Tejo não resolve o problema de fundo”

O deputado e presidente da distrital de Santarém do PSD disse ainda “não saber muito bem” os pormenores acerca da proposta “que tenta trazer, num túnel, água da Barragem do Cabril para Belver, para depois alimentar o rio Tejo”. Considerou que essa solução “resolve uma parte do problema mas estamos a falar da mesma água”. Os deputados do PSD de Santarém pedem então ao Governo que “rapidamente nos diga qual é o seu pensamento estratégico para o armazenamento de água em Portugal para que o país não fique dependente daquilo que os nossos vizi-

nhos espanhóis vão mandando”. Para os social-democratas, a solução passa pela criação de um melhor armazenamento de água e de transvases para levar água de um sítio para outro. “Queixamo-nos tantas vezes que Portugal é um país pequeno mas nestas oportunidades podíamos aproveitar a dimensão reduzida e o elevado número de linhas de água que temos para poder fazer transvases para todo o país”. Sendo que trazer água do Zêzere para o Tejo já acontece naturalmente, o deputado reiterou que o “que está a faltar é ter uma substância de água, um reservatório de água para os períodos em que há maior necessidade”. Quanto ao facto de ter referido que estavam a ser colocadas no terreno “soluções erradas” para combater a seca, João Moura refere que não se conhece nada dos projetos anunciados para o rio Ocreza e “o atraso no tempo que estas coisas estão a demorar. Fala-se de uma mini barragem mas o que Portugal está a precisar é de uma barragem de grande dimensão, que tenha uma sustentabilidade eficaz para servir de almofada às diferenças de caudais do rio Tejo”. Com a questão da crise energética em cima da mesa e a paragem da produção de energia através das

barragens, João Moura apontou como soluções “mais barragens, mais armazenamento de água, as fotovoltaicas e mesmo as hidroelétricas”. Questionado pelo Jornal de Abrantes pelo tempo que uma barragem demora a construir, o deputado respondeu que “andamos há demasiado tempo e a apresentar e a fazer estudos”. Já no que diz respeito ao encerramento, da Central Termoelétrica do Pego - “e nós somos defensores de que devemos fazer gradualmente a transição dos combustíveis fósseis” - o social-democrata defendeu que se “devia ter pensado que havia uma alternativa àquela produção”. Contudo, “o que é certo é que a Central fechou e Portugal está hoje a comprar energia a Marrocos, produzida através do carvão. Portanto, só afastámos o problema de nós para outros mas o ambiente não é exclusivo de um país”. Para além de João Moura, estiveram presentes em Constância a deputada Isaura Morais, os presidentes de Câmara de Mação (Vasco Estrela) e Santarém (Ricardo Gonçalves), autarcas de Torres Novas, Ourém e Tomar, bem como o presidente da Associação de Agricultores do Ribatejo, Luís Seabra. Patrícia Seixas


ESPECIAL SARDOAL / Festas do Concelho

Festas do Concelho 2022 - Programa / Fotos: Paulo Sousa

.22 (QUINTA-FEIRA)

Feriado Municipal - Comemoração dos 491 anos da Elevação do Sardoal à categoria de Vila, por Carta de Mercê, passada por D. João III, em 22 de setembro de 1531 10 horas Cerimónia Oficial do Dia do Concelho com Guarda de Honra prestada pela Filarmónica União Sardoalense e Bombeiros Municipais de Sardoal Edifício dos Paços do Concelho Entrega das Distinções aos Trabalhadores da Autarquia com 25 ou mais anos de serviço e aos que se aposentaram nos últimos anos Salão Nobre dos Paços do Concelho 15 horas Abertura das Festas do Concelho Salão Nobre dos Paços do Concelho Inauguração do Centro de Interpretação da Semana Santa e do Património Religioso e visita à Mostra de Saberes e Sabores Capela de Nª Srª do Carmo, Praça Nova e Rua Dr. David Serras Pereira Inauguração das Exposições O Inferno em Gil Vicente segundo o imaginário de José Carlos Barros Centro Cultural Gil Vicente Pontapé de Saída Espaço Cá da Terra (Centro Cultural Gil Vicente) 17 horas Showcooking com D. Clementina Vegan e Quinta dos Marias Praça Nova 21 horas Cant’Abrantes Praça Nova 22h30m MIGUEL GIZZAS - Lugar para Dois Praça da República 00 horas DJ IRS Espaço das Tasquinhas

.23 (SEXTA-FEIRA)

18 horas Abertura da Mostra de Saberes e Sabores Praça Nova e Rua Dr. David Serras Pereira 21 horas Grupo de Concertinas de Vila de Rei Praça Nova 22h30m BRIGADA VICTOR JARA Praça da República 00 horas - BRIX DJ 02 horas - Johnny Happy PT Espaço das Tasquinhas

.24 (SÁBADO)

10 horas Festival de Caminhadas (ver programa próprio) 15 horas Abertura da Mostra de Saberes e Sabores Praça Nova e Rua Dr. David Serras Pereira 16 horas Futebol - Taça da Amizade G.D.R “Os Lagartos” de Sardoal / Grupo Desportivo de Alcaravela Parque Desportivo Municipal 18 horas Vozes Locais / GETAS Praça Nova 21 horas Sombreros y Peinetas Danças Sevilhanas Praça Nova 22h30m THE BLACK MAMBA Praça da República 00 horas Tens Cóvir Espaço das Tasquinhas

.25 (DOMINGO)

9 horas Passeio Chapa Amarela (Ver programa próprio) G.D.R. “Os Lagartos” Praça da República 10 horas Festival de Caminhadas (ver programa próprio) 10 horas Festival Hípico (Ver programa próprio) 10h00m - Prova de Escolas 10h30m - Volteio e iniciação aos andamentos a cavalo (destinado a crianças e jovens) Das 11 às 16 horas - Prova pequena, média e grande 15 horas Abertura da Mostra de Saberes e Sabores Praça Nova e Rua Dr. David Serras Pereira 17 horas Filarmónica União Sardoalense Praça Nova 18h30m Apresentação do projeto Arquivo da Memória Lançamento do Livro Lendas Cá da Terra - Lendas e Contos do Concelho de Sardoal de Francisco de Sousa Centro Cultural Gil Vicente 20h30m Pedro Dyonysyo Praça Nova 22 horas VIRALATA Praça da República

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ESPECIAL SARDOAL / Festas do Concelho / Paulo Sousa

“Que se divirtam, que sejam felizes e sempre com muita saúde” // O 491.º aniversário de Elevação de Sardoal à Categoria de Vila comemora-se a 22 de setembro. O Dia do Concelho marca o arranque das Festas e o Jornal de Abrantes conversou com o presidente da Câmara, Miguel Borges, sobre festejos e a restante atualidade no concelho. O 491.º aniversário de Elevação de Sardoal à Categoria de Vila comemora-se a 22 de setembro. O Dia do Concelho marca o arranque das Festas e o Jornal de Abrantes conversou com o presidente da Câmara, Miguel Borges, sobre festejos e a restante atualidade no concelho. por Patrícia Seixas Música, gastronomia, artesanato mas, acima de tudo, “a arte de bem receber”... é bom estar de volta?

É muito bom estar de volta. É muito bom, depois destes dois anos em que houve uma pandemia que nos retirou este prazer de estarmos juntos, de conviver, de ter contacto com atividades culturais ou desportivas, ter o prazer de ver aquilo que bem se faz e que de melhor se tem no nosso concelho... é mesmo muito bom estar de volta.

O Município é a âncora das Festas do Concelho mas este é um evento que conta com o envolvimento de uma comunidade alargada...

Sim, é uma festa que gira em torno do Dia do Concelho, do Dia de Elevação do Sardoal à categoria de vila, mas é um dia comemorado com o empenho, a dedicação e com o esforço de toda a nossa comunidade. Não só o sardoalense, individualmente, mas também todas as associações, todas as entidades que se empenham nestas nossas comemorações e neste momento tão especial para nós.

O cartaz musical é, habitualmente, escolhido de modo a satisfazer as várias faixas etárias. Essa é uma preocupação na definição das Festas?

É. Juntar entretenimento com qualidade. É isso que nós pretendemos fazer e, ao mesmo tempo, uma resposta diversificada. Por vezes, trazer tendências ou grupos ou áreas que nem sempre vêm às nossas festas. É o caso da Brigada Victor Jara, que é um grupo de culto da nossa música tradicional. Arrisco-me a dizer que é o grupo que mais tem feito pela divulgação da música tradicional e popular portuguesa e vão estar cá. Pessoas que há muitos anos fazem este trabalho de tratamento daquilo que são as nossas tradições

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com muita, mas mesmo muita qualidade. As nossas festas são isso: arte, ofícios, tradições. A Brigada Victor Jara vai ser acompanhada, num outro palco, por outro grupo de música popular e tradicional. É algo que já não vinha às nossas festas já há uns anos. Depois temos os grupos de rock, como os The Black Mamba. Um grupo que teve uma notoriedade pós Festival da Canção mas é redutor pensar que os The Black Mamba são a música do Festival. É uma música muito bonita, na verdade, mas é um grupo excelente, que tem músicas fantásticas. Um grupo de música jovem mas que os menos jovens também gostam, de certeza absoluta. Miguel Gizzas é um jovem com ligações ao Sardoal, que tem estado a fazer um trabalho multi-artístico, ou seja, consegue abranger várias áreas. É músico, escritor de canções, tem um livro associado às canções que escreve e tem também apresentação de vídeo. É multifacetado em termos de apresentação cultural. Vai ser um espetáculo diferente. Aliás, o Miguel Gizzas já cá esteve no Centro Cultural e agora vai apresentar um outro espetáculo nas Festas do Concelho. No domingo, último dia, um grupo jovem, com música jovem, que são os Viralata. Isto no palco principal. Pós palco principal, temos músicas de várias tendências mas mais moderna, em que podemos estar a dançar, no palco que temos no estacionamento atrás da Câmara.

Depois desta quase interrupção nas nossas vidas, mantêm-se os artesãos do concelho? Há quem tenha desistido ou quem tenha iniciado?

De ano para ano, o número de artesãos que temos tem vindo a crescer. Considerando o espaço que temos, que não é muito, tivemos que

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decidir quem vai participar na mostra de Artes e Ofícios. A opção recaiu nos produtores, artesãos, locais, que estão representados no Espaço Cá da Terra. E só esses chegam para encher uma mostra. E faz sentido. Mas referir que temos esta mostra todos os dias do ano no Espaço Cá da Terra.

E que imagem se pretende passar nestes dias a quem vos visita? Apesar de sabermos que “em Sardoal, ninguém é de fora”...

É importante que as pessoas se divirtam, que se alimentem bem - a nossa gastronomia é um ponto forte das nossas festas -, que desfrutem da “arte de bem receber” para que as pessoas se sintam sardoalenses porque “ninguém é de fora”. Tem que haver este conjunto de recursos que temos e que transformamos neste produto onde está a simpatia dos sardoalenses de bem receberem, a boa gastronomia, os bons vinhos, a boa animação... ao “permitir” que as pessoas circulem no núcleo histórico da nossa vila, que tenham contacto com aquilo que é uma riqueza que o Sardoal tem todos os dias do ano que é o nosso património no âmbito da fé e da religiosidade.

Uma das obras de que mais se orgulha é a construção da nova escola. Para quando a obra fica definitivamente concluída?

Eu não sei se é a obra que mais me orgulha, mas é certamente a obra que mais trabalho me deu para conseguir esta aprovação. Eu lembro-me que, ainda em 2009, pouco depois de ter tomado posse como vereador e vice-presidente, foi a minha primeira reunião no Ministério da Educação, tentando convencer os decisores políticos da altura que uma escola nova para o Sardoal, ou a requalificação da escola que tínha-

A escola é a obra que “mais trabalho me deu para conseguir” mos, era muito, mas mesmo muito importante. Este convencimento foi trabalho que demorou alguns anos, até porque vínhamos daquela situação da Parque Escolar e os decisores na Câmara de Sardoal não entenderam como necessidade a recuperação da escola, apesar de já ter um diagnóstico de 2006 ou 2007 de necessidade de intervenção no valor de 1,4 milhões de euros, valores da altura e diagnóstico feito por técnicos do Ministério da Educação. Mas essa batalha foi vencida. Sempre defendi que a prioridade para o Sardoal era uma escola porque nenhum concelho se pode afirmar sem passar pela educação. E às vezes desvalorizamos a importância dos equipamentos. Só mesmo alguém de grande ignorância é que pode desvalorizar a importância que é toda a comunidade escolar ter as melhores condições de trabalho. É uma evolução fundamental, não é nenhum capricho e não é nenhum luxo.

Parque industrial esgotado, projeto de Parque de Negócios em Andreus parado... que perspetivas para quem queira investir em Sardoal?

Foi das nossas prioridades para o próximo Quadro Comunitário e que está no PDM. Ainda neste mandato, queremos aprovar o novo Plano Diretor Municipal, que está a ser construído e contempla o alargamento da Zona Industrial, o que não

substitui o Parque de Negócios de Andreus. O Parque de Negócios tinha o financiamento e todo o processo aprovados mas o concurso ficou deserto. A obra foi a concurso num valor de cerca de 900 mil euros e, claro, com o disparar de preços nos materiais da construção civil, o que nos foi dito foi que, se calhar, nem o dobro chegava. Havia duas coisas a fazer: fazer um novo processo que incluiria os novos preços, pedir novo parecer ao Tribunal de Contas, e entraria ainda dentro deste Quadro Comunitário. Só que este Quadro Comunitário tem que estar encerrado em junho. Não havia tempo para tudo isto e ainda fazer a obra. Então, o que falámos com a CCDR foi que seria uma boa opção adiar a obra e esperar pelo próximo Quadro Comunitário. São estas as prioridades referenciadas por nós: Parque de Negócios de Andreus e alargamento da Zona Industrial.

Após dois anos de ausência, qual a palavra a deixar aos sardoalenses nesta altura?

Que se divirtam, que sejam felizes e sempre com muita saúde. E esta palavra, saúde, é muito importante porque não podemos dizer, de todo, que isto passou. Não podemos dizer que o Covid não volta ou que não aprece outra coisa parecida. É muito imporante que possamos compreender, interiorizar e pôr em prática alguns ensinamentos forçados que tivemos, por causa destes dois anos de pandemia. Que passem a fazer parte da nossa vida a partir deste momento. Divertirmo-nos, sermos felizes, mas sempre com a preocupação de termos a saúde em primeiro lugar.

Entrevista será publicada na íntegra, dia 22 de setembro, em jornaldeabrantes.sapo.pt


ESPECIAL SARDOAL / Festas do Concelho Centro de Interpretação da Semana Santa é o novo cartão de visita // Foi em 2016 que a Câmara Municipal de Sardoal anunciou que se tinha candidatado a um financiamento comunitário com o objetivo de criar o Centro de Interpretação da Semana Santa. A obra iniciou-se com a recuperação da Capela de Nossa Senhora do Carmo. Será no dia 22 de setembro, Dia do Concelho, que será inaugurado o Centro de Interpretação da Semana Santa e do Património Religioso. Com a Capela de Nossa Senhora do Carmo já recuperada e de portas abertas, o Centro de Interpretação demorou um pouco mais. “Tivemos uma grande dificuldade de entrega de materiais nestes anos de pandemia”, começou por explicar o presidente da Câmara de Sardoal, Miguel Borges, adiantando que “não é uma desculpa, é a realidade” e dando como exemplo os painéis de identificação de todas as igrejas e capelas. Também a dificuldade no fornecimento de papel foi um problema quando se pretendeu imprimir mapas e folhetos de informação do Centro de Interpretação da Semana Santa. “Temos constrangimentos novos que fez com que todo o proces-

Preservar a nossa Identidade, perpetuando as nossas memórias A identidade de um povo, de uma região, de um Concelho constrói-se a partir da sua História, das suas Tradições, das suas Gentes e da sua Cultura. É no conjunto destes elementos e da sua interligação que reside a essência daquilo somos enquanto comunidade. Consciente desta importância, o Município de Sardoal tem vindo a desenvolver um trabalho de fundo por forma a perpetuar as Memórias daqueles que contribuem para a constante construção da nossa História. Desta forma, o Município apresentará no dia 25 de setembro, no âmbito das Festas do Concelho 2022, o Arquivo da Memória – um projeto que tem vindo a ser desenvolvido desde 2013 e que tem como principais objetivos preservar, registar e documentar a memória daquilo que são, por exemplo, as nossas Festividades, Tradições,

/ Paulo Sousa

/ Capela de Nossa Senhora do Carmo é o ponto de partida para a descoberta do património religioso so se atrasasse. Mas já está concluído”, afirmou o autarca. Quem passar pelo Sardoal e entrar numa capela ou igreja, “já tem

uma explicação daquilo que vai encontrar lá dentro. Através de um QR Code pode ter acesso à explicação das obras que estão expostas,

de uma forma histórica, cultural e patrimonialmente rigorosa”. A Capela de Nossa Senhora do Carmo é o ponto de partida para esta descoberta do património religioso Sardoal. Mas mesmo antes de entrar, à porta, tem dois painéis informativos: um sobre o Centro de Interpretação e outro sobre a própria capela. “Com o QR Code, pode entrar e ir ouvindo a explicação do que está a ver”. Na sacristia “há imagens e vídeos sobre o nosso património, a nossa fé e a nossa religiosidade”. Estará disponível informação “desde o início do trabalho de ir ao campo fazer a recolha das flores para os tapetes, a construção do próprio tapete, o trabalho da Filarmónica, as exposições... a pessoa está lá e, em qualquer momento do ano, pode estar dentro do que são as nossas cerimónias na Semana Santa”. Miguel Borges divulgou ainda

que o visitante tem ainda a possibilidade de “virtualmente, construir o seu próprio tapete de flores”. A partir da Capela de Nossa Senhora do Carmo, munidos de mapas e guias, o visitante é convidado a iniciar o percurso que o levará a conhecer o património e a perceber a intensidade da Semana Santa de Sardoal. "Em poucas localidades do país, sejam elas cidades, vilas ou aldeias, poderemos encontrar, num curto percurso de 1.500 metros, no seu centro histórico, três igrejas e sete capelas, com um valiosíssimo espólio artístico e que importa potenciar numa lógica de património de fé e religiosidade", salientou o presidente da Câmara. O Centro de Interpretação da Semana Santa e do Património Religioso é o novo cartão de visita para quem vem ao Sardoal.

caso das tradições ligadas à malaria, à extração de resina, ao azeite ou à olaria. Resumindo, trata-se de construir a Memória do Sardoal e dos Sardoalenses, recorrendo, muitas vezes, à história contada na primeira pessoa por aqueles que, tendo já idade avançada, guardam conhecimento digno de ser perpetuado. O Arquivo da Memória estará disponível, a partir de 25 de setembro, numa plataforma acessível a todos, sendo que esta plataforma é dinâmica e estará em constante atualização e crescimento ao nível de conteúdos, preservando e conservando para a posteridade aquilo que nos constrói enquanto coletivo.

cela do Município. Na introdução deste livro, intitulado “Lendas Cá da Terra”, pode ler-se “Ao Sardoal, sendo um concelho recheado de história, favorecido pela nobreza e mencionado pelo grande dramaturgo Gil Vicente, não lhe falta folclore popular. Parte desse folclore, claro, são as lendas e os mitos da nossa região. Originalmente passada de boca-em-boca, apresenta-se neste livro o registo de quatro dessas velhas histórias para pessoas dos oito aos oitenta anos”. Desta forma, “A Lenda do Poço do Talha”, “A Lenda da Pegada do Burro”, “A Lenda das Pedras de Ouro” e a “Lenda da Fonte Velha” são apresentadas com uma linguagem leve e acessível a todos e criativamente ilustradas. O lançamento do livro decorrerá no dia 25 de setembro, no âmbito das Festas do Concelho, vindo enriquecer o trabalho desenvolvido no Arquivo da Memória. Sobre a obra que irá ser lançada, Francisco de Sousa diz que “É um livro que me deixa bastante contente. Estou bastante orgulhoso. É um trabalho que é 99% meu, uma vez que o tio, Mário Jorge de Sousa escreveu o prefácio de todas as lendas”, acrescentando ainda que “é o culminar de um projeto que está há vários anos na minha cabeça, no computador e que, finalmente, está cá fora com o apoio da Câmara Municipal”. Sobre o autor e o seu trabalho pode ficar a conhecer mais no Instagram @frankomudo.

Patrícia Seixas

/ Paulo Sousa

Lendas e Contos de Sardoal em livro ilustrado

/ Paulo Sousa

/ Arquivo da Memória é apresentado dia 25 de setembro / Francisco de Sousa lança livro de Contos e Lendas de Sardoal Gastronomia, Pessoas, Profissões, Cultura e Arte ou Património de grande interesse Concelhio. Este trabalho dá principal enfoque a registos fotográficos, documentos antigos, vídeos disponíveis na plataforma Youtube e entrevistas em vídeo que têm vindo a ser feitas nos últimos anos. Algum deste trabalho já teve o seu reflexo em exposições no espaço Cá da Terra como é o

Em 2016 o Município de Sardoal lançou o desafio ao jovem ilustrador sardoalense Francisco de Sousa para que recriasse, através do desenho, algumas Lendas do Concelho. O resultado culminou na Exposição “Era uma vez…” que esteve patente no espaço Cá da Terra entre setembro de 2016 e março de 2017. Perante o resultado altamente positivo da mostra, o jovem apresentou um projeto, no âmbito do programa de Ocupação de Tempos Livres (OTL) do Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), para a elaboração de um livro ilustrado sobre as lendas e contos do Concelho. O projeto foi aprovado, tendo ficado concluído em 2020 e “saindo agora da gaveta” com a sua publicação com a chan-

C.M.S.

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ESPECIAL SARDOAL / Festas do Concelho

Exposição de escultura retrata “O Inferno em Gil Vicente” / Paulo Sousa

// O Centro Cultural Gil Vicente acolhe, entre 22 de setembro e 30 de outubro, a exposição “O Inferno em Gil Vicente segundo o imaginário de José Carlos Barros”. Uma mostra escultórica de marionetas que resulta de um meritório trabalho de investigação do autor. Gil Vicente (1465-1532), representou pela primeira vez em 1517, perante o rei D. Manuel I e a Rainha D. Leonor o “Auto da Barca do Inferno”. Primeira parte da trilogia das Barcas – “Auto da Barca do Purgatório” (1518) e “Auto da Barca da Glória” (1519). Texto intemporal, de atualidade permanente, face aos retratos sociais, que o autor expõe com uma genial transparência, cuja transposição para as realidades dos nossos tempos conseguimos visualizar, na denúncia dos poderes políticos, económicos e religiosos. As marionetas expostas, peças escultóricas de elevado recorte e requinte, resultam do apurado trabalho de investigação do seu autor José Carlos Barros.

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do permanente comunicação, ampliando quer o cómico de linguagem, quer o cómico de situação, tão caros na obra de Gil Vicente. Se não fosse suficiente, pela importância no património cultural nacional, a justificação para o “Auto da Barca do Inferno” ser o objeto de intervenção no território do Sardoal, é acrescida pelo facto desta vila ser várias vezes referida nos textos de Gil Vicente, dos quais se podem destacar a “Tragicomédia Pastoril da Serra da Estrela” e justamente o “Auto da Barca do Inferno”. A dificuldade científica de situar o lugar de nascimento de Gil Vicente, permite a especulação de ser o Sardoal esse hipotético lugar perante as múltiplas referências a esta terra. As marionetas expostas foram criadas para a produção das Marionetas de Lisboa (1985-2010) estreada na Sala Experimental do Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa, no dia 22 de abril de 1986 e esteve em carreira até 18 de maio do mesmo ano. O Município do Sardoal consciente da sua responsabilidade na capacitação e qualificação do seu território e corroborando a estratégia de democratização no acesso à Cultura das suas populações, apresenta esta Exposição no âmbito das Festas do Concelho, que estará patente ao público de 22 de setembro a 30 de outubro de 2022, no Foyer do Centro Cultural Gil Vicente. Promover o território faz-se fundamentalmente pelas práticas culturais ativas!

Se olharmos para este evento, houve um pico em termos de espetáculo. “Recordo-me da presença da Reprise de Mafra que é só das melhores da Europa e do mundo, houve uma demonstração de horseball. Só que são espetáculos muito caros”, explica Jorge Gaspar que adianta que o objetivo do festival é não dar prejuízo “e houve anos que deu.” O presidente da direção da Associação Recreativa da Presa diz que é “obrigação” as associações colaborarem nas Festas do Concelho, e por muitos motivos, até mesmo “para ir buscar dinheiro.” Jorge Gaspar entrou para a associação em 2002 e no ano seguinte pensou em apresentar a proposta de um evento que seria diferenciador. “Apresentei a proposta e a Câmara acolheu-a de braços abertos”, diz o dirigente associativo ao mesmo tempo que salienta o que isso permitiu criar. “Hoje temos um terreno que é privado, mas que nos e cedido à troca de limpeza” e houve ali um período em que havia muitos apoios, a associação estava ao rubro e eis que chega a crise. É nessa altura que Jorge Gaspar, oficial do Exército, e com a diminuição dos apoios se vira para o Exército. E nesta ideia havia duas áreas, por

um lado ajudava a organização e, por outro, havia a forma de mostrar o que faz o exército. E se não fosse esta parceria da associação com o Exército, Jorge Gaspar, diz que se calhar já não existiria. O dirigente, numa análise muito clara, diz que sabe que houve uma diminuição de interesse do público quando deixou de haver um grande espetáculo de encerramento. Mas garante que teve de ser assim porque o espetáculo de encerramento abarcava metade do orçamento do Festival. Aquilo que se sabe é que este evento fez com que haja mais gente a praticar hipismo. Jorge Gaspar enfatiza que estamos a entrar numa nova crise e já se nota nos apoios, mas o que pedimos é que as “pessoas nesse dia venham até ao Festival Hípico comer uma bifana e ajudar a Associação da Presa”. Temos um piso a necessitar de algum reforço, mas a melhor mensagem para os 18 anos do Festival Hípico de Sardoal é pensar “que ele vai continuar a existir.” Este ano o Festival vai acontecer no dia 25 de setembro, um domingo, a partir das 10 horas.

José Ramalho

/ Paulo Sousa

Festival Hípico de Sardoal atinge a maioridade “Isto tudo começa numa altura em que eu, fruto de um acidente, deixei de montar a cavalo, em termos desportivos.” É desta forma que Jorge Gaspar apresenta o pontapé de saída do Festival Hípico que se realiza no concelho de Sardoal, por alturas das Festas do Concelho e que em 2022 avança para a 18.ª edição. Esta ideia de avançar com um evento hípico começa a ganhar forma e força quando as atividades equestres começam a ter peso na região, nomeadamente na quinta de Santa Bárbara, em Constância, e na quinta do Cabrito, em Abrantes. Jorge Gaspar diz que pensou em organizar um evento destes “aqui na terra” quando há “mercado”.

Nos idos de 1519 foi inaugurado o transepto da Igreja de Santa Maria de Belém, ato contemporâneo do “Auto da Barca do Inferno”, o que motivou um olhar criativo sobre as gárgulas do Mosteiro dos Jerónimos. Fotografadas, estudadas, selecionadas e distribuídas para cada figura do “Auto da Barca do Inferno”, exceção feita à figura do Anjo, cuja escultura facial deriva de um Anjo da Igreja de Alfeizerão no concelho de Alcobaça, foram modeladas a barro, feitos os respetivos moldes em gesso, replicadas a fibra de vidro e os corpos de arame e esponja. Os figurinos das marionetas foram criados a partir de exaustivo trabalho de observação sobre as iluminuras do “Livro de Horas de D. Manuel”. O corpo da figura do Diabo é inspirado nas representações dos seus congéneres na pintura “O Inferno” de autor português anónimo do séc. XVI, patente no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa. Estas marionetas de varão, obrigam o marionetista a colocar-se num plano superior, no ato de manipulação, permitindo uma viva e histriónica ação física que acompanhe o ritmo e a vivacidade do texto vicentino. A articulação do varão junto da cabeça, assim como a articulação da boca, por via de comando superior de gatilho, solidário ao comando da mão do marionetista, permitem dar corpo à teatralidade vicentina e garantir a empatia com o público na sua representação, apesar de serem esculturas inanimadas, estabelecen-

E afirmou que não tinha dúvidas de que havia público para estes eventos, porque começavam a despontar eventos hípicos na região e no Sardoal não havia nada. Na altura em que começou o Festival Hípico de Sardoal começaram mais quatro ou cinco, mas o que distingue este dos outros é que o objetivo não é meramente competitivo. Neste Festival, de acordo com Jorge Gaspar, os monitores aproveitam para dar rodagem aos

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cavaleiros mais novos e também aos cavalos mais jovens, porque no hipismo “o conjunto é que conta”. Apesar de haver escolas pequenas, médias e grandes, designação oficial, o “nosso objetivo passa por termos todos, mas com uma incidência maior dos conjuntos mais novos.” E a prova de que este tipo de provas é necessária é que de todos os festivais do mesmo género o de Sardoal é o único que ainda resiste.

Jerónimo Belo Jorge


REGIÃO / Constância

Apoio às obras de recuperação da Igreja da Misericórdia chumbado por “indisponibilidade financeira” // Maioria PS rejeitou proposta da CDU para apoiar a Santa Casa da Misericórdia de Constância no pagamento de cerca de 60 mil euros que ainda faltam para pagar a totalidade das obras de recuperação de que foi alvo a Igreja da Misericórdia. “O aumento generalizado dos custos em todos os setores que é evidente na vida diária de todos nós” levou à justificação de indisponibilidade financeira por parte do Município. A Igreja da Misericórdia em Constância foi alvo de uma intervenção de recuperação do património. Sem obras de vulto desde 1960, a Santa Casa da Misericórdia viu agora a possibilidade de realizar a sua recuperação, cujo valor ascende a mais de 210 mil euros. Entre o financiamento a fundo perdido por parte da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, no valor de cerca de 150 mil euros e o custo total, existe um diferencial aproximado de 60 mil euros. Perante esta quantia, a CDU de Constância apresentou em julho uma proposta à Câmara Municipal para que a entidade pudesse apoiar a instituição neste montante. Na altura, a proposta foi apresentada pelo vereador em substituição, Rui Ferreira. Na proposta pode ler-se que “como é do conhecimento de todos, a Santa Casa da Misericórdia de Constância, à semelhança da generalidade da maioria das IPSS, debate-se com grandes dificuldades financeiras na sua gestão diária, no âmbito da sua função essencial que é a assistência a idosos. A não realização da receita em falta levará a que esta obra fique, eventualmente, inacabada, podendo inviabilizar temporariamente a sua reabertura ao público”. A CDU propôs então “o apoio da Câmara Municipal na procura de mecenas de forma a juntar as verbas necessárias” e “caso não seja viável a solução proposta anteriormente, a Câmara Municipal assuma as verbas em falta para a conclusão desta importante recuperação, de acordo com as regras em vigor”. Já na reunião pública do mês de agosto, a proposta voltou para

/ Igreja da Misericórdia está a ser alvo de obras de recuperação no valor de cerca de 150 mil euros ser discutida e votada. A vereadora Manuela Arsénio explicou o teor da proposta comunista e da necessidade da recuperação da Igreja da Misericórdia, classificada como Património de Interesse Público desde 1978. “Este é um património que deve ser valorizado pois todo o conjunto da talha que está a ser recuperada tem um valor notável ao nível do património do nosso concelho”, referiu Manuela Arsénio que explicou ainda “que o detalhe com que as peças estão esculpidas, revela um trabalho de pormenor e qualidade”. A vereadora da CDU adiantou também que “a qualidade da madeira, segundo os técnicos que lá estão a trabalhar, é relevante. Trata-se de

madeira exótica da qual veio pouca para o nosso país”. Na ausência do presidente, foi a vice-presidente da Câmara, Helena Roxo, quem dirigiu a reunião e a votação que iria chumbar a proposta da CDU com os três votos contra do PS. Helena Roxo leu depois a declaração que justificou o voto dos socialistas. Reconhecendo que “a Igreja da Santa Casa da Misericórdia de Constância faz parte de um conjunto de edifícios históricos do nosso concelho que contribui para a valorização e afirmação do mesmo” e que “a sua reabilitação, conservação e restauro deve-nos deixar a todos satisfeitos”, a maioria socialista

afirmou que “é de todo impossível ao Município assumir o apoio de 60.000,00€ para a parte não comparticipada referente à obra na Igreja. Não se trata de querer ou não apoiar, mas sim da realidade factual de que o Município não tem disponibilidade financeira para o fazer, tendo em conta a diminuição das transferências, o aumento de custos generalizado e os compromissos já assumidos”. Recorda a maioria socialista no Executivo da Câmara de Constância que “a Santa Casa da Misericórdia de Constância tem órgãos próprios com total independência da Câmara Municipal a quem compete procurar apoios e mecenas para as suas necessidades” e que

“a Câmara Municipal não se pode, nem quer, substituir o papel que deve ser desempenhado pela Mesa Administrativa da Santa Casa”. Helena Roxo deu ainda conta dos apoios concedidos pela Câmara à Santa Casa da Misericórdia de Constância nos últimos três anos (2020,2021 e 2022). Na Declaração de Voto apresentada pode ler-se que os apoios atingem um valor de mais de 135 mil euros. Concretamente, “o projeto de ampliação do Lar de Constância – 17.484,45€; Nova Estrutura Residencial para Pessoas Idosas – 19.008,50€; Obras na Igreja da Misericórdia – 7.080,00€; Centro de Apoio em Montalvo – 14.472,00€; Contentores para a recolha de resíduos do grupo III – 2.844,00€; Estrutura residencial para pessoas Idosas – 18.650,00€; Apoio financeiro no âmbito do COVID – 19 – 56.000,00€”. Avançou ainda a vice-presidente que “não estão aqui contabilizados os apoios em termos logísticos e materiais”. Justifica ainda o Executivo que “o Município viu serem reduzidas as transferências provenientes do orçamento geral do estado em mais de 300.000,00€” e que “os custos da faturação energética devem ter um acréscimo próximo dos 300.000,00€”. De recordar que o Município de Constância tem neste momento três empreitadas “de volume considerável a decorrer”. São elas os acessos ao Centro Escolar de Montalvo (300.000,00€ /100 % do orçamento municipal); Av. das Forças Armadas (500.000,00€/financiada a 85%) e o novo emissário de águas residuais para a ETARI do CAIMA (184.000,00€/ financiamento de 130.000,00€, o restante assegurado pelo orçamento municipal). Patrícia Seixas PUBLICIDADE

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REPORTAGEM / // CENTENÁRIO DE JOÃO TAVARES

Laboratório Silva Tavares é exemplo na Europa e EUA // 100 anos é uma data redonda, bonita, notável. Representa 1 200 meses, mais de 36 500 dias ou mais de 876 mil horas. Foi precisamente esta marca que João Dias da Silva Alves Tavares assinalou a 20 de agosto. // O Dr. Tavares, como é conhecido, fundou a farmácia Silva Tavares e o laboratório Silva Tavares em Alferrarede.

Vive ainda em Alferrarede e no dia 20 foi recebido em festa nas instalações da empresa que fundou, local onde família e amigos lhe cantaram os parabéns e o viram soprar as velas do seu centenário. E o Dr. João Tavares teve ainda oportunidade para ter muitas conversas e para agitar muitas memórias, mesmo que algumas sejam mais antigas e possam já surgir com algumas confusões à mistura. Mesmo assim, foram três horas de reunião e de festa porque afinal de contas 100 anos são 100 anos. João Tavares não sabia o que o esperava. À rádio Antena Livre contou que estava “perdido” nos dias, até “pensava que ainda estávamos em julho, e quando o foram buscar para almoçar não lhe disseram ao que ia. Contou que foi o neto que o transportou depois para as instalações da perfumaria onde foi cumprimentando os convidados, amigos e funcionários da

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empresa.

O homem da farmácia e das análises clínicas

João Silva Tavares é farmacêutico com especialização em Análises Químico Farmacêuticas, vulgarmente o que se designa por análises clínicas. Numa nota biográfica divulgada na festa do centenário é revelado que iniciou os estudos na Escola Luís de Camões e no Colégio da Broa, em Abrantes, e mais tarde no Colégio Manuel Bernardes, em Lisboa. Esteve na Marinha Portuguesa entre 1939 e 1945, durante a 2ª. Grande Guerra. Depois entrou para a vida universitária na Faculdade de Farmácia de Lisboa, terminando a licenciatura na Faculdade de Farmácia do Porto. Foi trabalhador-estudante durante este período. Foi convidado para a carreira académica em Coimbra pelo Dr.

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João Porto em 1952, recusando por ter constituído família, tendo casado a 24 de Dezembro de 1950 com a Maria Salomé Margarido e Silva Falcão. Tem quatro filhos, tendo o primeiro nascido em 1951. Recuamos no tempo a 1950 ano em que João Silva Tavares constituiu a Farmácia e Laboratório de Análises Clínicas. Foi este o ponto de partida para o que viria a ser o início do seu Grupo Empresarial Silva Tavares. Entre 1950 e 1970, o Dr. João Tavares na Farmácia Silva Tavares ofereceu à “população dos concelhos de Abrantes e limítrofes um verdadeiro serviço de urgência durante 24 horas. Vivia no 1.º andar, e tinha a farmácia aberta no rés-do-chão com a porta encostada.” Cinco anos depois da fundação, em 1956, o laboratório de análises Silva Tavares começou a prestar serviço às Caixas de Previdência dos Metalúrgicos, dos Ferroviá-

"João Tavares foi o primeiro presidente de Junta de Freguesia de Alferrarede"

rios, dos Lanifícios, à Companhia da União Fabril, e à União Fabril do Azoto; estas últimas que viriam a dar origem ao atual Grupo CUF, fundado em Alferrarede e no Barreiro. O laboratório de análises Silva Tavares iniciou colaboração com a Santa Casa da Misericórdia de Abrantes, com a Casa de Saúde de Abrantes, com várias empresas a quem realizava análises de água, leite e azeite. Em 1979, esteve na origem de um avanço significativo para a sua classe, “os farmacêuticos analistas passaram a ser considerados técnicos superiores na Função Pública, contando com a sua intervenção.” Foi já na década de 80, que o João Tavares fundou com o Henrique Santos Silva e outros colegas a Associação Portuguesa de Analistas Clínicos (APAC). Mas não foi apenas na vida profissional ou na área das análises


REPORTAGEM / clínicas que João Silva Tavares se destacou. Recorde-se que em 1959, João Tavares foi o primeiro presidente da Junta de Freguesia de Alferrarede, criada naquela ano. E foi no seu mandato que “Alferrarede Velha e Chainça passaram a ter água canalizada.” Em 1981, foi fundador do Rotary Clube de Abrantes ao lado do Coronel Augusto Morgado, de José Rodrigues e do Coronel Carreiras. Do ponto de vista empresarial João Silva Tavares com a ajuda de familiares criou a Casa Samy, a perfumaria Silva Tavares, a Staffiali e o restaurante e bar Comércio e Indústria. Nenhuma destas empresas já existe, mas as marcas permanecem nas memórias de quem as conheceu e frequentou. João Tavares brincou com a apresentação feita por Margarida Lourenço e apontou ao filho José Manuel Tavares qualquer esclarecimento sobre datas ou sobre a sua vida. E foi precisamente José Manuel Tavares que revelou que este encontro é sempre “um momento alegre, mas desta vez é o culminar de uma caminhada longa.” E depois acrescentou que o momento torna-se particularmente feliz ao constatar que o pai ainda se encontra bem disposto, com memórias e capaz de falar às pessoas. E depois disse ainda que é muito bonito ver que ainda é capaz de corrigir as pessoas quando algum facto não está totalmente correto. José Tavares destacou ainda o percurso de vida do pai e a vontade que sempre teve, juntamente com a mãe, em dar empresas e emprego á comunidade de Alferrarede. E vincou, em relação ao Grupo Silva Tavares, o cariz internacional que a mesma granjeou a nível internacional, o que pode não ser tão reconhecido pela região.

O presidente da Junta de Freguesia e a vida social

Para além da vida empresarial e profissional João Tavares foi presidente de Junta de Freguesia de Alferrarede e fundou o Rotary Clube de Abrantes. E José Tavares destacou o facto deste clube social ser aquele que no país atribuiu mais bolsas de estudo a alunos universitários. E permite a estes jovens bolseiros terem uma possibilidade de estudar, coisa que ele não teve e que teve de ir à Marinha fazer uma comissão para poder, mais tarde, pagar os estudos universitários. Entre os muitos convidados presentes na festa, a que não faltaram os funcionários do Grupo Silva Tavares, coube a Luís Salgado, administrador fazer as honras da casa e receber todos os convidados. Luís Salgado que destacou o

trabalho apurado que foi preciso ter ao longo do tempo, mesmo nas alturas mais difíceis. Luís Salgado evocou essa vontade do Dr. João Tavares e ligou de seguida ao sucesso que a empresa tem registado na área das análises clínicas com a robotização do laboratório e, mais recentemente, com a introdução de inteligência artificial. A Câmara Municipal de Abrantes esteve representada pela vereadora Raquel Olhicas. A vereadora destacou a vida do aniversariante e a sua importância na comunidade do concelho, quer a nível social quer ao nível médico.

Da farmácia oficinal à robotização e IA

Entrando no percurso empresarial, Ana Teresa Fragoso apresentou o percurso técnico de João da Silva Tavares. Começou por explicar que a farmácia oficinal teve “quatro colaboradores nos primeiros anos de vida, destacando-se na região do centro do país pela aptidão em preparar manipulados para tratar situações de doença.” Na atual Farmácia, foi instalado nos anos 90 um dos primeiros robôs em Portugal, o de maior dimensão na Europa, no sector das Farmácias, desenhado de modo a aproveitar a ação da gravidade.

"A robotização do laboratório permite o processamento de 96 amostras (SARSCOV-2) a cada 12 minutos"

A informatização deste sector foi iniciada sete anos anos antes do processo desencadeado, entretanto, pela Associação Nacional de Farmácias. Já sobre o laboratório, Ana Teresa Fragoso, explicou que o Dr. João Tavares, durante 72 anos de atividade, “preparou, formou e apoiou a formação contínua e especializada de técnicos superiores que vieram a fornecer os Hospitais Distritais e até laboratórios de análises concorrentes.” No 1º semestre de 1999, foi criado e posto em prática o Cartão do Utente através de um sistema de comunicação de dados Online/ RDIS (processo similar do acesso às caixas de multibanco). Nesta linha de trabalho “o laboratório desenvolveu, para substituir o papel e criar maior segurança nos dados o Portal do Utente, o eco-boletim e o envio de resultados previamente protocolados por mensagem.” Sendo um dos mais antigos Laboratórios do País (1950-2022) com 72 anos de existência continua a fazer investigação há várias décadas nomeadamente num portal de análises clínicas, com informação partilhada para utente, Médico e Instituições Saúde; transfere, instantaneamente, os resultados obtidos, para qualquer plataforma médicas, do registo das análises, com sigla e valores nos dois sistemas de unidades (CGS e SI); é um dos Laboratórios Internacionais, com Departamento de Desenvolvimento Tecnológico e Científico. A Gripe das Aves (H1N1) e a pandemia COVID19 (SARS-Cov2), foram as situações que constituíram maior desafio para a empresa, e a melhor oportunidade para revelar a sua capacidade de resposta. Foram criados centros de atendimento telefónico (call center) para agendar o horário e o dia das colheitas necessárias. O laboratório Silva Tavares é o único no mundo com quantificação do vírus SARS-CoV-2 (técnica PCR-ST). Ana Teresa Fragoso vincou que “o nosso laboratório desenvolveu, e ofereceu à comunidade científica internacional, a plataforma informática para a execução robótica dos TragP-ST (antigénios covid-19). Na mesma linha, o LST concebeu um simulador de carga viral, e desenvolvimento tecnológico, a patentear como PCR-ST. ” Ainda nesta linha de explicações técnicas, explicadas ao Jornal de Abrantes por Pedro Tavares “o LST abriu uma janela inovadora na monitorização dos vírus. Os maiores avanços foram conseguidos no estudo das infeções provocadas por aqueles agentes em ambiente familiar e comunitário, conhecer a gravida-

de daquelas, e detetar o caso zero em cada família.” Ainda nesta área da investigação e inovação “a nossa Equipa Técnica (incluindo o nosso Departamento IT Support) , desenvolveu o primeiro e único mecanismo de monitorização do vírus (PCR-ST) QUANTITATIVO - com expressão numérica e gráfica, em todo o Mundo, responsável pela pandemia Covid19. A nossa descoberta científica, CRIOU um simulador da carga viral, que traz uma abordagem inovadora para o diagnóstico clínico, como auxilia na deteção da linha de contágio, seja em ambiente familiar, social ou laboral.” E depois ficou a nota daquilo que são os “os primeiros passos, no desenvolvimento da inteligência artificial, na área dos exames complementares no diagnóstico clínico.” Pedro Tavares acrescentou que muitas vezes não se sabe o que está a ser desenvolvido dentro do grupo, mas o nome Silva Tavares está, claramente, internacionalizado, quer na Europa quer nos Estados Unidos da América, por via da investigação desenvolvida e da introdução da inteligência artificial que o neto de João da Silva Tavares, Luís Pedro, está a introduzir no laboratório. E é com enfoque numa empresa que está já na terceira geração que Pedro Tavares aponta a um futuro que continua a ser desenhado pelas bandas de Alferrarede. A robotização do laboratório foi uma das grandes apostas no período da pandemia, tendo aumentado a capacidade laboratorial e a diminuição do erro humano. E a título de exemplo, um dos robôs mais recentes pode fazer, de forma automática, o processamento de 96 amostras a cada 12 minutos. João da Silva Tavares já não acompanha esta aposta no futuro, porque como disse o filho, do microscópio, que ainda existe, passou-se para a linha da inteligência artificial que muda o mundo das análises laboratoriais. Mas o ADN de João da Silva Tavares continuam nos seus descendentes e o grupo continua apostado no desenvolvimento tecnológico e apresenta-se na linha da frente da inovação e investigação. Quanto ao fundador, esteve alegre, bem disposto, conversador e soprou as três velas do bolo de aniversário, tendo feito questão de cortar a primeira fatia. O grupo, os amigos e a comunidade de Alferrarede disseram presente e cantaram os parabéns. Afinal 100 anos são mais de 36500 dias. Jerónimo Belo Jorge

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SAÚDE / CUSMT reclama mais médicos de família e as obras na urgência de Abrantes

dados primários de saúde, também abordados nesta iniciativa, Manuel Soares salientou que o Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Médio Tejo regista um défice de 30 médicos de família para cerca de 50 mil utentes, num universo de 225 // A Comissão de Utentes da Saúde do Médio Tejo (CUSMT) continua a sua batalha na mil cidadãos inscritos neste ACES. reivindicação de “mais e melhores cuidados de saúde primários”, na “valorização da maternidade” De acordo com Manuel Soares, “para o último concurso nacional, e no “anúncio da calendarização das obras na urgência” do hospital de Abrantes. foi pedida a abertura de 22 vagas Foi numa conferência de im[para médicos de família], foram prensa realizada à porta da unidaatribuídas 12 e só foram preenchide de Abrantes do Centro Hospitadas cinco” vagas. É neste âmbito que lar do Médio Tejo que o porta-voz Manuel Soares defende a necessida CUSMT, Manuel José Soares, dade de serem tomadas “medidas defendeu ser hora de o Conselho de excecionais para garantir cuidados Administração do CHMT e da Admédicos de proximidade e pensar, ministração Regional de Saúde de envolver, todas as entidades na preLisboa e Vale do Tejo apresentarem paração de uma solução duradoura publicamente um calendário minique respeite as populações e as legímamente exequível para as obras timas aspirações dos profissionais.” na Urgência Médico-Cirúrgica da De acordo com a informação, unidade de Abrantes. Trata-se de avançou que Diana Leiria, direuma obra que já teve concurso pútora do Agrupamento de Centros blico e que está em fase de análise de Saúde do Médio Tejo, lhe teria de propostas depois da reclamação garantido que para as vagas que de uma empresa concorrente. não foram preenchidas até final / Comissão de utentes reclama campanha de prevenção de quedas Manuel Soares disse ainda que de agosto iria ser aberto novo condepois de muitos anúncios e apre- na safra da azeitona curso para médicos de família para sentações, em 2019 o CHMT tinha esta região. Nesta mesma ação a comissão ternidades, mas “voltamos a declainvestimentos programados de cerca Ficou marcada uma nova reude 6,5 milhões de euros, com a obra de utentes abordou ainda a ques- rar a necessidade da valorização nião com o ACES no mês de setemde ampliação da Urgência Médico- tão da maternidade do hospital de da maternidade, assegurando o bro para “debater, entre outros, a -Cirúrgica orçada em cerca de 1,5 Abrantes. De acordo com o porta- seu funcionamento 24 horas dia/ questão dos gabinetes de saúde oral milhões de euros. O que defendem -voz da CUSMT há um estudo que sete dias por semana”, defendeu e saber quais são as perspetivas AFm_Edital D-27781_126x140.pdf 1 viar 25/08/2022 a indicar16:12 a possibilidade Manuel Soares. é que seja tornado público o calen- pode o futuro imediato e25/08/2022 o futuro AFm_Edital para D-27780_126x140.pdf 1 Já no que diz respeito aos cui- a médio prazo, nomeadamente no do encerramento de algumas madário da concretização das obras..

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que respeita às contratações de médicos” de família, tendo em conta que “houve médicos que recusaram a majoração do seu salário para o dobro, porque não aceitaram onde iam ser colocados”.O ACES Médio Tejo tem 2.706 quilómetros quadrados e abrange 11 municípios com cerca de 225 mil utentes/frequentadores, sendo composto pelos municípios de Abrantes, Alcanena, Constância, Entroncamento, Ferreira do Zêzere, Mação, Ourém, Sardoal, Tomar, Torres Novas e Vila Nova da Barquinha, todos no distrito de Santarém. O porta-voz da comissão sublinhou que há um “défice de 28 profissionais” para os cuidados médicos e “mais de 20% da população sem médico atribuído”, cerca de 50 mil utentes, numa situação que classificou de “preocupante”.O porta-voz da CUSMT adiantou ainda que que a comissão irá repetir a ação que tem vindo a tomar nos últimos anos e que é a de enviar um documento à Assembleia da República para que, em sede do Orçamento do Estado para 2023, sejam adotadas medidas de discriminação positiva nas dotações de mais recursos financeiros, na agilização dos processos administrativos para a contratação de trabalhadores e organização e articulação entre todas as áreas do Serviço Nacional de Saúde. 16:11 Jerónimo Belo Jorge


GALERIA / Maria João Grácio

Nasceu em Angola onde cresceu até aos 10 anos. Viveu em Oeiras, na Madeira e, atualmente, vive no Sardoal onde é professora do ensino básico. Herdou do avô materno o “bichinho” da fotografia; apesar de não ser um fotógrafo profissional, dedicava-se com paixão à fotografia, sobretudo de animais selvagens, tendo publicado um livro, vários artigos e fotografias, com destaque para “National Geographic”. Desde cedo teve o gosto pela fotografia e diz que o faz “por prazer e com o coração. A sensibilidade sobrepõe-se à técnica e tento de algum modo transmitir emoções.” Como professora e associativista do Grupo Desportivo “Os Lagartos” fotografa mui-tas das atividades que ocorrem ao longo do ano. E continua também, e sempre, a fotografar por aí…

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SOCIEDADE /

Escritora percorre a Nacional 2 de “pasteleira” // A escritora resolveu abraçar o percurso da Estrada Nacional 2, a mais longa de Portugal, para dar a conhecer o seu livro “Ainda não é desta.” Sandra May tem 28 anos, nasceu em Viana do Castelo, mas vive na Chamusca. Aos 12 anos começou a escrever um diário. Uma rotina que mantém desde essa altura. Foi bailarina profissional durante vários anos, depois ingressou no exército durante três anos e meio. Mas foram estas passagens na sua vida que a fizeram avançar para aquilo que realmente a fazia feliz: escrever. A viagem da escritora Sandra May começou no dia 31 de julho e pretende pedalar sozinha os 730 km que ligam o norte ao sul do nosso país, entre Chaves e Faro, para divulgar o seu livro. E neste itinerário tem paragens agendadas 17 municípios, onde faz a apresentação do livro “Ainda não é desta”. Este livro aborda as histórias, vidas e aventuras de duas amigas: Lara e Maria que vivem juntas num apartamento no Porto. “De bailarina optei por ir para carreira no exército e depois resolvi voltar às artes como professora de dança e yoga e escrita”, disse a jovem escritora na Biblioteca Municipal de Abrantes no dia 11 de agosto. Sandra May chegou a pedalar acompanhada por dois ciclistas da de Abrantes. Já no interior da biblioteca explicou o seu percurso de vida, antes de chegar ao projeto de percorrer a Nacional 2 numa “pasteleira” “Sempre escrevi muito, mas em diários, para ficar com as memórias porque tenho muito medo do Alzheimer, por presença da doença na família. Por isso as memórias são muito importantes”, destacou Sandra May ainda ofegante pela subida a pedalar até à biblioteca de Abrantes. Perante a plateia explicou que teve o desafio de escrever motivado pela sua vida militar. “Escrevi um romance e o projeto surge por forma a vender o livro. É fácil escrever um livro. Mais difícil é vende-lo.” E continuou a explicar: “Punha dez exemplares num cesto e chegava a casa com os mesmos livros. Decidimos, por isso, fazer algo mais louco que foi fazer a Nacional 2.” Sandra May revelou que este era um projeto íntimo, “muito meu”, mas acabou por ganhar dimensão quando começou a ter feedback das câmaras municipais,

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/ Sandra May nunca tinha andado de bicicleta antes deste desafio

“Antes que seja tarde” aponta a uma espécie de abre olhos destinado aos mais jovens

naquilo que foi o arranque do projeto. Quanto à história do “Antes que seja tarde” aponta a uma espécie de “abre olhos destinado aos mais jovens”. Mas acrescentou “os mais velhos se revêm muito naquilo que passaram” ao lerem a história. A escritora não tem problemas em dizer que o sé livro é, para os mais jovens, “como uma ferramenta de abrir portas para o seu caminho. E a Lara (personagem principal) é o exemplo do auto descobrimento. “Eu própria passei por várias etapas até perceber ser este o caminho.”

JORNAL DE ABRANTES / Setembro 2022

Quanto ao projeto da Nacional 2 a escritora começou por dizer, de forma divertida, que começou como todos, em Chaves, no km 0 da mítica estrada que atravessa todo o território nacional. Mas logo depois suspirou e confidenciou que “ao terceiro dia estive para desistir na subida para Lamego.” Sandra May disse que esta viagem está a ser muito física, mas também muito psicológica. É um percurso numa pasteleira, que comprei.” A bicicleta pesa 19 quilos. Mesmo com a carreira militar Sandra May revelou que até há dois meses “não sabia que

a bicicleta tinha mudanças”. Depois acrescenta mais dez quilos na bagagem. “Tive de aprender a conduzir numa bicicleta com mudanças”. Apesar das dificuldades afirmou ganhar “uma nova energia quando apresento o projeto. Não tenho a noção daquilo que é o mediatismo deste projeto”. Quanto à possibilidade desta viagem proporcionar um novo livro a resposta é simples: não era esse o objetivo. “Temos um percurso muito bonito. E depois podemos ver que dentro da cultura portuguesa há muitas outras culturas, pelo menos é o que me

tocou. Gostava de poder escrever um livro sobre as pessoas que me tocaram na vida”. Sandra May revelou ter três pessoas que a apoiam. “Tenho um localizador que permite que estas pessoas me liguem se eu parar tempo a mais num sítio, porque faço as viagens sozinha”. O ponto final está agendado para a Sandra chegue dia 20 a Faro para uma última apresentação do seu livro. A escritora revelou ainda que a velocidade mais elevava que fez foi de 55 km/hora e que não teve furos ou quedas. Tem receio de um furo numa curva porque “é perigoso” e explicou que teve aulas de como mudar uma câmara de ar a Decathlon apoia o projeto cultural com a cedência da bicicleta e “perguntam todos os dias como é que ela se comporta”. Sandra May disse ainda que foi na biblioteca de Abrantes que comprou o passaporte na Nacional 2 e que, pelo percurso, para muito nos bombeiros a pedir carimbos. Sobre escrever um livro sobre a viagem respondeu “não sei. Quando acabar vou descansar.” Jerónimo Belo Jorge


REGIÃO / Vila de Rei EN2 vai ter marco que assinala o centro da Rota

OPINIÃO /

// A Estrada Nacional 2 vai ter um marco para assinalar a metade do percurso, que se situa em Vila de Rei, e nova sinalética para levar os transeuntes a circularem pelo trajeto original, passando assim pelo Penedo Furado e pelo concelho de Sardoal. Levar a que todos os que percorrem a Estrada Nacional 2 (EN2) o façam pelo trajeto original é uma das apostas do Município de Vila de Rei. Paulo César Luís, vice-presidente da Câmara de Vila de Rei, disse ao Jornal de Abrantes que já está em curso a legalização das placas sinaléticas junto das entidades responsáveis e que o meio da Nacional 2, situado no concelho, vai ter um marco a assinalar a localização. “O centro do país é em Vila de Rei, o centro da rota também é Vila de Rei... faz todo o sentido que em Vila de Rei haja um marco de passagem obrigatória, como o é o Centro Geodésico”, afirmou o autarca. No entanto, a maioria dos visitantes que percorrem a Nacional 2, fá-lo pelo traçado da variante e não pelo trajeto original da Estrada Nacional 2, que passa junto ao Penedo Furado e entra pelo concelho de Sardoal. Conseguir “desviar” os visitantes “é algo que temos reivindicado”. Para Paulo César Luís, “Vila de Rei é extraordinariamente especial e, como tal, tem duas Nacional 2. (...) Desde o início que procurámos levar a que os visitantes percorressem a original”, porque os faz passar no Penedo Furado “mas não só”. “Também por uma questão de interesse da própria Rota, fazer

com que o visitante entre no Sardoal pelo sítio certo, para poder entrar, efetivamente, em Sardoal. Pela variante, vai por fora, nem entra em Sardoal”. Para o vice-presidente, “interessa-nos visitantes no Penedo Furado, claro que sim, mas há dias em agosto em que não precisamos lá de mais ninguém, até porque não cabem”, gracejou o autarca. No entanto, “o que interessa é que os visitantes percorram a original e temos trabalhado nisso”. Foi em meados da década de 90 que foi construída a variante, atual EN2, que faz uma ligação entre Abrantes e a Sertã de forma muito mais rápida. Mas que, nesta zona, foge à estrada original. Paulo César Luís referiu que “nos últimos meses, demos passos muito importantes com a consolidação da sinalética junto das várias Direções de Estradas ao nível distrital e conseguimos a aprovação de uma sinalética nova”. Contudo,

Do total de 738,5 km, o km 369 (metade do percurso), está em Vila de Rei

/ Marco do km 369, situado em Vila de Rei, no trajeto original da EN2

parece estar “para breve a identificação da Rota pela antiga estrada”, sendo que o próprio Município de Vila de Rei “já colocou sinalização no sentido de as pessoas percorrerem a antiga”. Mas uma das principais razões que leva o Município a apostar na EN2 antiga é o facto de o meio do percurso se situar exatamente neste troço. Do total de 738,5 km, o marco central que assinala a metade do percurso, o km 369, está no concelho de Vila de Rei, “muito próximo da Zona Industrial do Souto”. Segue-se o Penedo Furado, Brescovo, Salgueira, S. Domingos, Andreus e depois Sardoal. A estrada é estreita e sinuosa, não é para grandes velocidades, mas é a melhor para quem vem efetivamente para conhecer os territórios. E para reforçar o apelo à passagem pelo trajeto original, “já está praticamente pronto o projeto que vamos realizar. Trata-se de um investimento que marca e simboliza o centro da Rota da Nacional 2 e que eu considero bastante engraçado”, avançou Paulo César Luís. Portanto, “a Rota vai ter mais um marco importante, não é só o princípio e o fim. Vai ter o do meio também”. Passaremos então a referir-nos ao percurso da EN2 como “Chaves -Vila de Rei - Faro”. Patrícia Seixas

Viver numa Europa sem recursos

H

á uma nova ordem mundial a emergir e nela a Europa terá grandes dificuldades em conseguir desempenhar o papel de destaque que assumiu na economia internacional no mundo pós-guerra. Este novo contexto económico é pautado pela necessidade de uma rápida transição energética devido à crescente agressividade dos efeitos das alterações climáticas, pelo retrocesso da globalização e consequente diminuição das trocas comerciais a nível internacional, inovação tecnológica e também pela crescente consciencialização da necessidade de cada Estado conseguir garantir um nível de autossuficiência em recursos, que assegure a sua estabilidade interna a nível político e económico. Neste novo novo contexto, a Europa tem um problema grave para resolver: a Europa é um continente que praticamente não dispõe dos recursos naturais de que necessita para manter o seu nível de sofisticação e atividade económica ou sequer manter o nível de conforto e qualidade de vida de que os seus habitantes desfrutam. Graças à globalização e à possibilidade de obter os recursos de que necessita noutras partes do mundo, a Europa pobre fez vida de rica. Atualmente, a Europa está extremamente dependente de um limitado número de países para obter os recursos naturais de que necessita. E isso é perigoso, especialmente porque não deixa margem para grande alternativa e permite a esses países usar a posse dos recursos naturais como instrumento de retaliação política ou económica. Nesta matéria, a Europa continua a depender fortemente de países que definitivamente não são os parceiros económicos mais desejáveis ou fiáveis para a Europa. Ao nível da energia, a Europa continua a depender fortemente de países como a Rússia, a Argélia, a Nigéria, Arábia Saudita

/ Nuno Alves / MESTRE EM RELAÇÕES INTERNACIONAIS / nmalves@sapo.pt

ou Cazaquistão. Na agricultura, a procura mundial por rochas fosfatadas para a produção de fertilizantes fosfóricos é cada vez mais maior. Contudo, a Europa quase não possui depósitos deste minério tão essencial à produção agrícola. Por isso, importa a quase totalidade daquilo que usa na sua agricultura de países como Marrocos, China ou Rússia. No campo tecnológico, a produção mundial das chamadas “terras raras”, um conjunto de minerais metálicos extremamente valiosos para o sector tecnológico e para a indústria, é maioritariamente controlada pela China. No mundo da geologia, a distribuição geográfica dos recursos naturais não é democrática. Boa parte dos recursos naturais de que o mundo e a Europa hoje necessitam situamse em países governados por ditaduras, por regimes autoritários ou plutocratas, por regimes que alimentam divisões sociais internas. A Europa não deve depender destes países. Por oposição, está na altura de a Europa repensar o seu modelo económico. Em vez de indústrias de consumo e desperdício, devemos cada vez mais focar a atenção política em industrias de reutilização, reciclagem e uso eficiente e sustentável dos recursos. Mas até lá, o tempo do conforto esbanjador poderá ter os dias contados e muitos europeus irão deparar-se com uma realidade que poderá por em causa o estilo de vida a que estão habituados.

Setembro 2022 / JORNAL DE ABRANTES

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POLÍTICA / OPINIÃO /

Não podemos ignorar

Eleitos do PS renunciaram e Assembleia de Freguesia aprovou orçamento só com votos do MIUFAC Depois das renúncias de eleitos do Movimento Independente da União de Freguesias de Alvega e Concavada (MIUFAC), do pedido de renúncia do secretário da Junta de Freguesia e da renúncia, em bloco, de todos os eleitos pelo partido Socialista a noite de ontem tinha uma sessão extraordinária da Assembleia de Freguesia de Alvega e Concavada interessante. Sem Mesa da Assembleia, que se tinha demitido na última reunião, e com as renúncias da oposição interessava perceber como é que MIUFAC, movimento vencedor das eleições intercalares de março deste ano, iria resolver aquilo que poderia ser um problema de governabilidade na freguesia. Vamos por pontos. O MIUFAC esteve representado por cinco membros eleitos. São os restantes dos 9 efetivos e 9 suplentes que se apresentaram ao ato eleitoral de março deste ano. A lista do MIUFAC até tinha 30 nomes, mas ditam as regras legais que são admitidos tantos suplentes quanto o número de efetivos. Ou seja, são 9 efetivos e, por isso, 9 suplentes. Com 11 renúncias da lista do movimento, sobram apenas cinco membros na Assembleia de Freguesia e o executivo da Junta. E com cinco elementos na Assembleia, esta pode funcionar porque há quórum. No limite, mas há. Assim a nova mesa é constituída por José Conceição Bento, Maria Cristina Calado e José Manuel Mourão. António Moutinho, presidente

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da Junta de Freguesia, explicou então que recebeu a renúncia de todos os eleitos do PS. Mas este pedido de renúncia deveria ser endereçada ao presidente da Assembleia de Freguesia e não ao presidente da Junta de Freguesia estes elementos iriam ser considerados como estando em falta à sessão. A Assembleia de Freguesia, com apenas eleitos do MIUFAC, aprovou o orçamento, uma alteração orçamental e a adesão à Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE). A proposta de substituição do secretário da Junta de Freguesia, Eduardo Jorge, foi chumbada. É que a haver substituição do secretário da Junta a Assembleia ficaria sem quórum e caía, havendo necessidade de realização de novas eleições intercalares. Quer isto dizer que o presidente da Junta de Freguesia, na interpretação legal de António Moutinho, deve fazer todas as tentativas para ter o executivo constituído. O que quer dizer que, a cada reunião da Assembleia, o presidente da Junta poderá apresentar uma proposta de substituição do secretário. No entanto, se esta não for aprovada Eduardo Jorge não deixará o órgão executivo de Alvega e Concavada. António Moutinho disse aos jornalistas, no final da reunião extraordinária, que está a fazer as coisas de acordo com Lei e com um parecer jurídico que tem na sua posse. O presidente da Junta de Freguesia apontou ainda ao partido socialista a quem acusa

JORNAL DE ABRANTES / Setembro 2022

de andar a tentar fazer com que elementos do MIUFAC pedissem a renúncia para fazer cair a Assembleia de Freguesia. A estrutura do PS informa que a renúncia surge na “sequência da instabilidade provocada pela governação do executivo maioritário da União de Freguesias de Alvega e Concavada, liderado pelo Movimento de Independentes da União de Freguesias de Alvega e Concavada (MIUFAC).” Ainda de acordo com o mesmo documento, na carta de renúncia apresentada, os eleitos pelo PS justificam a posição considerando que “depois de umas eleições intercalares em que o MIUFAC venceu com maioria absoluta, logo, com todas as condições para governar, é inexplicável que neste momento nos encontremos sem orçamento, com demissões, com renúncias de grande parte dos eleitos por este movimento, mas também sem contratos interadministrativos assinados e sem Kits de 1.ª intervenção.” Ricardo Aparício, presidente da Comissão Política da Concelhia do Partido Socialista de Abrantes, classifica a decisão como “a única solução possível para dar resposta ao estado governativo para o qual o MIUFAC levou a Freguesia”, apontando à necessidade de “pôr fim a este mandato, dando a palavra novamente aos eleitores para que seja possível encontrar uma solução política capaz de devolver a estabilidade a Alvega e Concavada”. Jerónimo Belo Jorge

Vimos, ouvimos e lemos” que as previsões dos cientistas estão a ser cumpridas. As ondas de calor sucedem-se e alargam. A água já falta – e vai faltar ainda mais para nós quando for (se não é já) escassa para as explorações agrícolas intensivas, que vão deixar o país quando o retorno do capital já não compensar (o ministro também previu). A agricultura já mostrou os estragos inevitáveis do calor intenso e assim anuncia o muito que irá suceder. As espécies vegetais que sustentam as nossas bocas e a nossa economia estão adaptadas ao clima que foi, não àquele que se anuncia. As mortes em excesso intrigam uns e ferem outros. Os incêndios continuarão a ser um emblema nacional enquanto houver o que possa arder? Fomos avisados a tempo, não temos por que ficarmos surpreendidos. Fomos também avisados de que não vai ficar por aqui. Queremos isso que se anuncia e avizinha ou preferimos fazer alguma coisa para evitar que a catástrofe se concretize? Há dois anos charneira: 2030 e 2050. Em 2050 temos de ter deixado de lançar na atmosfera mais gazes com efeito de estufa do que a Terra consegue digerir. Para que isso seja possível, em 2030 temos de já ter reduzido as emissões a metade. Ora 2030 é já amanhã: as medidas têm de ser tomadas hoje – com rigor e em proporção ao que está em jogo. E é a todos os níveis que é necessário tomar medidas: desde o global, por exemplo na ONU, até ao local, ao familiar e ao individual. “Mas que posso eu fazer?” Tudo – tudo o que for possível. Estima-se que em França, os aparelhos em stand by consomem a eletricidade de uma central nuclear. E é só um exemplo. Eu multiplicado por um milhão somos um milhão. Estamos a matar os oceanos. Destruímos as florestas ao ritmo de 30 campos de futebol por minuto. Por minuto! E a destruição das florestas começa nos nossos pratos, naquilo que neles pomos para as nossas refeições e nos alimentos que

/ José Alves Jana / FILÓSOFO

desperdiçamos. Quando os humanos se sedentarizaram, eram uns 10.000 em todo o mundo. Hoje somos 8.000.000.000. Que estragos podiam eles fazer? Que estragos fazemos nós? Estamos a aquecer o ambiente, a matar (acidificar) os oceanos e a destruir as florestas. É de loucos! Como vamos respirar e viver? Sobre tudo isto pesa um silêncio criminoso. E nós somos cúmplices. Nós e os nossos governantes, a nível local, nacional e global. Temos de mudar o nosso estilo de vida: a bem, porque queremos, ou a mal por já não ser possível mantê-lo. Estamos a suicidar-nos coletivamente e a assassinar os nossos descendentes. E dizemo-nos boas pessoas? A resposta começa em casa. E como formos aí, vamos, ou não, exigir aos nossos políticos. A situação é grave e o problema é complexo. Mas nós sabemos lidar com problemas complexos: basta querer, saber e organização. O saber existe: falta querermos e organizarmo-nos. E se não o fizermos a tempo, o extremismo político vai destruir as condições de podermos fazê-lo. Estamos à altura do desafio do nosso tempo? Ainda é possível. Mas só se fizermos – sem demora – “o que ainda não foi feito”. Temos de salvar a condições de vida no planeta num futuro já próximo, no tempo dos nossos filhos e netos. Dizemos que fazemos tudo por eles… “Vimos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar.” Que respondemos – hoje – à pergunta que os nossos filhos e netos vão fazer-nos no futuro? “Por que razão sabiam e não fizeram?”

Ainda é possível. Mas só se fizermos – sem demora – “o que ainda não foi feito”.


CULTURA / Zahara: A revista de História Local com 20 anos de publicações

OPINIÃO /

// A entrar nos 20 anos de edição da revista Zahara, o que representa 39 edições da revista de história local, há mais uma mão-cheia de histórias para ler e guardar.

Exílios forçados

P

ve sobre gastronomia, ligando a gastronomia à área geográfica e cultural da freguesia, porque tem algumas especificidades. Vai buscar as características ao Alentejo com as migas, mas vai ao Tejo buscar a lampreia e a sopa de peixe e à beira os maranhos, muito embora estas sejam apresentadas de uma forma diferente. José Manuel de Oliveira Vieira foi conhecer melhor os esquecidos do republicanismo abrantinos. Nomeadamente de Manuel Fernandes pequeno é um desses nomes. E com uma referência a espólio valioso desta época que existe em casa do filho. Joana Margarida Carvalho dá a conhecer a salsicharia MF de Rio de Moinhos. Conta se a forma como se faziam, e fazem, os enchidos nesta freguesia e tem um conjunto de imagens como se faziam as matanças dos porcos. Joaquim Candeias da Silva apontou baterias para o Rei D. Manuel foi o rei que mais dias passou em Abrantes. “O paço real no século XVI era aqui nesta praça (edifício da Câmara Municipal)”. É um artigo sobre este período em que, por causa da peste, o rei passou mais de 200 dias em Abrantes.

Maria Lurdes Vicente e Vasco Marques entraram na aldeia da Queixoperra para fazerem uma reflexão sobre o homem e o trabalho na terra. “E se o hipermercado nos deixar de fornecer alimentos onde os vamos buscar?” Foi a reflexão que ambos deixaram. No final da apresentação da revista o vereador da Câmara de Mação, Vasco Marques, deixou o apelo para se ter atenção ao património imaterial que se vai perdendo e para a necessidade de ser salvaguardado. Miguel Borges, presidente da Câmara Municipal de Sardoal, apontou a uma necessidade, cada vez maior, de haver um registo em papel para perdurar no tempo. É que, de acordo com o autarca, a geração de hoje tem tudo em digital, em discos, em nuvens que podem ser perdidas. Manuel Jorge Valamatos, presidente da Câmara de Abrantes, destacou o confronto com o futuro e com uma aposta no arquivo em forma digital, aludindo ao serviço do Arquivo Municipal Eduardo Campos. Depois vincou que “o Município vai continuar a apoiar esta edição da revista.” Jerónimo Belo Jorge

or norma os exílios são forçados, Alexandre Herculano e TeixeiraGomes fazem parte das excepções, tal como não há regras sem as ditas cujas excepções. No entanto, atrevo-me a tecer considerações acerca dos meus vizinhos, em iguais condições como tantos outros, o facto de terem ficado desprovidos de regular apoio familiar, os levou para forçado exílio em lares nos quais a pandemia e suas sequelas interditaram a visita por parte de quem como eu teria gosto em os visitar. Nas redondezas da casa que habito viviam três cordiais vizinhos, distintos dos restantes por ultrapassarem em muito os 90 anos de idade. O Senhor Álvaro, o Senhor Elói e o Senhor Ramiro. Falava com eles acerca de tudo e de nada, sentados num banco protegido do vento apanhavam farrapos de sol no Inverno e na Primavera, discutiam espaços, cousa de há dezenas de anos, quando observavam desmandos, lixos e desacertos pediam a minha intervenção na RAL para posteriormente glosarem o dito quantas vezes redito. O tratamento de uma teimosa dureza cutânea num pé tem impedido o peripatético passeio, não vejo os outros dois vizinhos, ou seja: estou de igual modo no exílio pelo menos até a dureza passar a macieza e ardência do Sol ser menor. Os televisivos discípulos de Nostradamus não se cansam em repetir os alertas contra a exposição

/ Armando Fernandes

luz da galáxia que nos ilumina. O Sr. Álvaro «emigrou» para uma casa de repouso existente na vila cantada por Camões quando o Tejo levava água e era estava polvilhado de embarcações e peixes, o poeta referiu as lampreias. O Senhor Elói aos 95 anos zela pala propriedade, carta e apanha lenha, fala do passado sem queixumes os quais solta a propósito das mazelas do presente, sendo nessa matéria imitado pelo Senhor Ramiro, dono de boa memória a que recorre lestamente quando lhe pergunto o muito que desconheço no referente a Rio de Moinhos. Este exílio de forçados exílios, por um lado levou-me a escrever este texto na esperança dos meus vizinhos saberem quão os estimo, por outro a procurar aconchego nos textos dos clássicos, em particular na obra Consolação Pela Filosofia.

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Neste número 39, o Museu Ibérico de Arqueologia e Arte (MIAA) está em destaque na revista pela importância do edifício em si (Convento de S. Domingos) e pelas coleções que disponibiliza aos visitantes, quer seja a coleção municipal de arqueologia e arte sacra, o espólio de Maria Lucília Moita ou a coleção de arqueologia da Fundação Estrada. José Martinho Gaspar, diretor da revista editada pela Palha de Abrantes, destacou os textos publicados nesta edição e revelou um desejo grande ter poder ver gente jovem a bater à porta para publicar textos. E depois adiantou que esta revista, sendo de história local, ou usos e costumes, não é feito por um grupo de investigadores ou historiadores. Tem contributos de todas as pessoas que queiram deixar registo de temas que podem ter a ver com património material ou imaterial, com costumes ou com pessoas de cada um dos concelhos que abrange. O Centro de Estudos de História Local de Abrantes (CEHLA) abraça os concelhos de Abrantes, Sardoal, Mação, Constância, Gavião e Vila Nova da Barquinha. José Martinho Gaspar apresentou a edição e disse que Teresa Aparício foi em busca dos barqueiros. Um que ainda trabalha em Constância, pago pela Câmara Municipal, e outros que perduram nas memórias de quem usava as barcas para passar o Tejo. Fosse na Barca da Amieira, Ortiga/Alvega, Barca do Pego ou Rio de Moinhos, sem esquecer que na década de 50 havia também um barqueiro em Água das Casas. João Filipe, de Ortiga, aprofundou a figura do Vitorino Fernandes, contando algumas histórias de “um homem que respeitava o rio, mas que o rio também o respeitava.” Dulce Figueiredo escreveu sobre a biblioteca de Sardoal, que está em obras e a comemorar 25 anos. Mário Jorge Sousa escreve sobre uma rua de 200 metros e era uma das ruas mais importantes de Sardoal. Em 1961 foi lá que o meu pai montou a tipografia. Trata-se da atual Rua Gil Vicente. Na Comenda, Gavião, está a renascer o “Clube Castelanense”. De acordo com Jorge Branco só perduravam memórias dos pais sobre este clube. Com os arquivos do Governo Civil de Portalegre houve a recuperação da informação e com os estatutos de 1950 um grupo de habitantes da Comenta refundou esse clube. Carlos Grácio, de Belver, escre-

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REGIÃO / Abrantes CARTÓRIO NOTARIAL EM ABRANTES A CARGO DA NOTÁRIA ANDREIA SORAIA MARTINS SILVA Extrato Notarial de Escritura Pública de “Justificação”

O seu jornal há 122 anos

Grupo

CARTÓRIO NOTARIAL DE MARIA DA CONCEIÇÃO RIBEIRO Rua Dr. Eduardo de Castro, n.0 19, r/c, 6110-218 Vila de Rei Telf: 274.898.162 Tim: 927.735.540 EXTRATO DE JUSTIFICACÃO Certifico narrativamente, para efeitos de publicação, que por escritura outorgada em trinta de agosto de dois mil e vinte e dois, exarada a folhas SETENTA E SEIS e seguintes do livro de notas para escrituras diversas número dezassete - A, MARIA DO ROSARIO ALVES PIRES DE OLIVEIRA GONÇALVES, NIF 128.424.338, e marido JOSÉ GONÇALVES GALINHA, NIF 121.162.621, casados sob 0 regime da comunhão adquiridos, naturais ela da freguesia de Cardigos, concelho de Mação e ele da freguesia e concelho de Gavião, residentes habitualmente na Rua José Torres Pereira, número 18, freguesia de Tramagal, concelho de Abrantes, declararam que são donos e legítimos proprietários, com exclusão de outrem, do seguinte imóvel: Prédio rústico, composto de olival, cultura arvense em olival e cultura arvense, com a área total de mil novecentos e sessenta metros quadrados, sito em Tapada, freguesia de Cardigos, concelho de Mação, a confrontar do norte com Maria Isabel Farinha Custódio Martins da Silva e Adelina Maria Martins da Silva, do sul com Nuno Gonçalo Farinha da Silva e Estrada Nacional 244, do nascente com Passagem Pedonal e Rosa Maria da Conceição Martins Alves e do poente com João Manuel Martins Mendes, omisso na Conservatória do Registo Predial de Mação, inscrito na matriz em nome do justificante marido, sob o artigo 44, secção BQ, com o valor patrimonial tributário de 218,89 euros. Que o imóvel acima identificado foi adquirido pelos justificantes, por partilha meramente verbal feita com os demais interessados da herança aberta por óbito da tia da justificante mulher, Sofia de Jesus Pires Oliveira, solteira maior, já falecida, residente que foi em Freixoeirinho, na dita freguesia de Cardigos, feita em data que não sabem precisar, mas que situam no ano de mil novecentos e setenta, e portanto, há mais de vinte anos, ao tempo os justificantes já no estado de casados entre si no indicado regime de bens. Que desde que a mesma foi efetuada até esta data, sempre os ora justificantes, usufruíram o citado imóvel, ininterruptamente, à vista de toda a gente, sem oposição de quem quer que seja, com a consciência de utilizarem e fruírem coisa exclusivamente sua, adquirida de anterior proprietária, pagando as respetivas contribuições, plantando-o, limpandolhe o mato e dele retirando os seus normais frutos, produtos e utilidades. Que em consequência de tal posse, em nome próprio, pacífica, pública e contínua, adquiriram sobre o dito imóvel o direito de propriedade por usucapião, não tendo em face do modo de aquisição, documento que lhes permita comprovar o seu direito de propriedade perfeita. Está conforme. Cartório Notarial de Vila de Rei, a cargo da Notária Maria da Conceição Fernandes Ribeiro, trinta de agosto de dois mil e vinte e dois. A Notária, Maria da Conceição Fernandes Ribeiro

CARTÓRIO NOTARIAL DE MARIA DA CONCEIÇÃO RIBEIRO Rua Dr. Eduardo de Castro, n.º19, r/c, 6110-218 Vila de Rei Telf: 274.898.162 Tlm: 927.735.540 EXTRACTO DE JUSTIFICAÇÃO Certifico narrativamente, para efeitos de publicação, que por escritura outorgada em vinte e seis de julho de dois mil e vinte e dois, exarada a folhas SESSENTA e seguintes do livro de notas para escrituras diversas número dezasseis – A, JOÃO DA SILVA DELGADO, NIF 120.908.204 e mulher MARIA NATÁLIA DA SILVA ALEIXO DELGADO, NIF 151.331.880, casados sob o regime da comunhão de adquiridos, ambos naturais da freguesia e concelho de Vila de Rei, onde residem habitualmente na Rua do Monte, número 2, lugar de Eira Velha, declararam que com exclusão de outrem, são donos e legítimos possuidores do seguinte imóvel: Prédio rústico, composto de pinhal e eucaliptal, sito em Vale da Silveira ou Vale da Silvéria, freguesia e concelho de Vila de Rei, descrito na Conservatória do Registo Predial de Vila de Rei sob o número quatro mil cento e quarenta e dois, da mencionada freguesia de Vila de Rei, inscrito na matriz em nome da herança de Maria Rosa, sob o artigo 13700, com o valor patrimonial tributário de 869,70 euros. Que este imóvel se mostra registado em comum e sem determinação de parte ou direito a favor daqueles Jorge Pereira Martins, Maria Luísa Pereira Martins e de Maria Rosa, pela apresentação um, de vinte e nove de janeiro de dois mil e um. Que o mencionado imóvel foi adquirido pelos justificantes, por compra meramente verbal que deles fizeram àqueles titulares inscritos Jorge Pereira Martins, Maria Luísa Pereira Martins e Maria Rosa, feita em data que não conseguem precisar, mas que situam no ano de mil novecentos e noventa e sete, os justificantes já no estado de casados entre si, no indicado regime de bens. Que em consequência do dito negócio, os justificantes estão na posse e fruição dos mencionados prédios, em nome próprio há mais de vinte anos, cultivando, limpando-lhe o mato e dele retirando os seus normais frutos, produtos e utilidades, tudo isto ininterruptamente, sem violência ou oposição de quem quer que seja e à vista de toda a gente. Esta posse de boa-fé, contínua, pacífica e pública, conduziu à aquisição do direito de propriedade dos mencionados prédios por usucapião. Que pretendendo fazer o registo a seu favor e, por não terem documento que lhes permita fazer o trato sucessivo no Registo Predial, requereram, nos termos do disposto no artigo 99°, do Código do Notariado a notificação postal dos titulares inscritos JORGE PEREIRA MARTINS, casado com Crisália Maria Soares Pedro Martins, sob o regime da comunhão de adquiridos e com morada em 3091 Sinclair S.T. Winnipeg, MAN, R 2 V, 4 N 5, no Canadá, embora não tivessem conhecimento da sua morada atual, MARIA LUÍSA PEREIRA MARTINS, casada com Cândido José Maria Garanhel, sob o regime da comunhão de adquiridos, residente na Rua Dom Francisco Child Rolim de Moura, número 16, Código Postal 2050-003, Azambuja, por ser titular inscrita e por ser cabeça de casal da herança daquela Maria Rosa e notificação edital dos titulares inscritos para a Junta de freguesia da situação do imóvel e para a Conservatória do Registo Predial competente. Afixados os editais não foi deduzida qualquer oposição. Está conforme. Cartório Notarial de Vila de Rei, a cargo da Notária Maria da Conceição Fernandes Ribeiro, vinte e seis de julho de dois mil e vinte e dois. A Notária, Maria da Conceição Fernandes Ribeiro

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JORNAL DE ABRANTES / Setembro 2022

_____ Certifico narrativamente, para efeitos de publicação, que por escritura lavrada na presente data a folhas setenta e duas e seguintes, do livro de notas para escrituras diversas número trinta e sete, do cartório Notarial em Abrantes, sito na Avenida 25 de Abril, número duzentos e quarenta e oito, freguesia de União das Freguesias de Abrantes (São Vicente e São João) e Alferrarede, da Notária, Andreia Soraia Martins Silva: ARMANDO JOSÉ ALMEIDA MAGINA, NIF 110.251.407, natural da freguesia de São Sebastião da Pedreira, concelho de Lisboa, e mulher MARIA CRISTINA DE SOUSA DA COSTA MAGINA, NIF 136.868.932, natural da freguesia de Encarnação, concelho de Lisboa, casados sob o regime da comunhão de adquiridos, residentes na Rua Joaquim Valentim Correia, número 28, primeiro andar direito, Vale de Gatos, Cruz de Pau, 2845-184 Amora, freguesia de Amora, concelho de Seixal; DECLARARAM OS OUTORGANTES SOB SUA INTEIRA RESPONSABILIDADE: --------- Que, são donos e legítimos possuidores, com exclusão de outrem, do seguinte imóvel:---------- Prédio urbano, composto por casa de primeiro andar para palheiro com uma divisão no primeiro andar e duas no rés do chão, situado em Vilar de Lapa, freguesia de Envendos, concelho de Mação, descrito na Conservatória do Registo Predial de Mação, sob o número oitocentos e trinta e cinco, da freguesia de Envendos, inscrito na matriz predial urbana da freguesia de Envendos, sob o artigo 456, com o valor patrimonial de1.380,40 a que atribuem igual valor. --------- Mais declaram sob sua inteira responsabilidade que o prédio acima referido, não sofreu obras de alteração, reconstrução ou ampliação sujeitas a licenciamento posteriores à entrada em vigor do Decreto-lei 38 382/51, de sete de Agosto. ---------- Que, não são detentores de qualquer título formal que legitime o domínio deste prédio;-------- Que pela presente Escritura Pública os Primeiros Outorgantes, vêm outorgar Justificação Notarial para Estabelecimento de Novo Trato Sucessivo, a fim de poderem registar o direito de propriedade que invocam. --------- Que foi devidamente efetuada a notificação prévia dos Titulares Inscritos, nos termos do Código do Notariado. --------- Que este prédio tem a aquisição registada a favor de António Heitor Martins e mulher Dorassi Ometo Martins, casados sob o regime da comunhão geral, residentes que foram na Avª Edgar Conceição 888, Piracicaba, São Paulo 13400 Brasil, e com residência conhecida atualmente, na Rua da Constituição, número 13, Tercena, Barcarena, Sintra, pela apresentação número oito de oito de julho de mil novecentos e noventa e dois. ------- Que os titulares inscritos António Heitor Martins e mulher Dorassi Ometo Martins, transmitiram o referido prédio aos ora justificantes, por compra e venda meramente verbal efetuada no ano de mil novecentos e noventa e três, em dia e mês que já não conseguem precisar, tendo sido esta transmissão meramente verbal, inexistindo, portanto, qualquer título formal que legitime o seu domínio e o comprove. ------------ Que desde esse ano, ou seja, há mais de vinte anos, entraram eles na posse do mencionado bem, e de imediato o ocuparam e passaram a usufruí-lo, a limpá-lo, ligaram-no às redes públicas de eletricidade e água, tratando da sua limpeza, fazendo obras de manutenção, guardando nele os seus pertences, haveres e utensílios, suportando e pagando as respetivas contribuições e impostos, isto é, gozando de todas as suas utilidades, direitos, e benefícios por ele proporcionadas. ------------ Que sempre administraram o bem sem qualquer interrupção, com o conhecimento de toda a gente, sem oposição de quem quer que seja, e com o ânimo de quem exerce direito próprio, ou seja, exercendo essa mesma posse de forma contínua, pública, pacífica e de boa-fé. ---------- Que dadas as características de tal posse, eles justificantes, invocam a aquisição por usucapião do prédio supra descrito, justificando o seu direito de propriedade, para efeitos de inscrição da sua aquisição na “Conservatória do Registo Predial”, dado que esta forma de aquisição não pode ser comprovada por qualquer outro título formal extrajudicial. Está conforme o original. _____Abrantes, 22 de agosto de 2022 _____A Notária, Andreia Soraia Martins Silva


PATRIMÓNIO / NOMES COM HISTÓRIA / Grupo

Este estabelecimento de ensino, também conhecido por Escola da Encosta da Barata, devido ao local onde se encontra situado, foi inaugurado em 2003 e alberga turmas de Jardim de Infância, 1º Ciclo e também as chamadas AECS, ou sejam Actividades de Enriquecimento Curricular. Faz parte do Agrupamento de Escolas nº 2 de Abrantes, sediado na escola Dr. Manuel Fernandes. Contrariamente ao que é mais habitual, o nome do seu patrono foi escolhido não por este ter alguma ligação com Abrantes, a não ser por algumas visitas ocasionais às nossas escolas, mas por ser um conhecido escritor português de literatura para crianças. Através da sua vasta obra, pretendia levar às crianças de forma viva e quase sempre cheia de humor, valores tão importantes como os da liberdade e do respeito pela diferença. E se o objectivo de dar o seu nome a esta escola foi levar os alunos que a frequentam a conhecerem e a viverem a sua obra, esse motivo foi mais que justificado. António Torrado nasceu em Lisboa em 1939 e faleceu também em Lisboa em Junho de 2021, mas tinha raízes familiares na Beira Baixa. Começou a escrever cedo e da sua vasta bibliografia constam mais de cento e vinte títulos, de géneros variados: contos, novelas, teatro, poesia e recolhas várias oriundas da tradição popular. Nesta última bebeu os ecos dos velhos contadores de histórias, marcantes nas suas raízes beirãs, que conseguiam transmitir às crianças o encanto e a magia que iam enriquecendo o seu imaginário, numa época em que os serões ainda não eram preenchidos com os conteúdos massificadores da televisão e da internet. As pessoas funcionavam então muito como actores participantes, hoje são sobretudo espectadores passivos. Reclamamo-nos muito de viver numa época de progresso mas, neste campo, parece-me que houve mais um retrocesso, embora no nosso país, já comecem a aparecer muitos contadores de histórias. Tendo em vista a sua valorização, realizou-se em Beja, no fim de semana de 26 a 28 de Agosto, a 16º edição do evento Palavras Andarilhas, ou a Festa da Palavra

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uma nova forma de comunicar. ligados por natureza. 241 360 170 . geral@mediaon.com.pt www.mediaon.com.pt

Contada que tem como objectivo a celebração da tradição oral e onde se pretende dar voz aos contadores de histórias que pelo país fora partilham os nossos contos tradicionais. Nesta linha, António Torrado recuperou e actualizou alguns dos nossos contos populares, de que são exemplo: O Macaco do Rabo Cortado, A Bela Micaela e o Monstro da Pata Amarela, História da Carochinha e do João Ratão, etc. Os seus livros de poesia, com versos bem ritmados que entram facilmente no ouvido, divertem mas através deles também são transmitidos conhecimentos e valores. Em 1988, a sua então já vasta obra foi galardoada com o Grande Prémio Calouste Gulbenkian de Literatura para Crianças e em 1974 e 1996 viu livros seus serem reconhecidos internacionalmente, ao serem incluídos na lista de honra do International Board on Books for Young People. José António Gomes, crítico e investigador, diz sobre Torrado: Impôs-se como uma das figuras de maior relevo da nossa literatura para crianças e dificilmente se encontrará hoje um autor que, de forma tão equilibrada, saiba dosear em livro o humor, a crítica e os sinais de um profundo conhecimento do imaginário infantil. Dos muitos títulos da sua vasta bibliografia saliento: Histórias à Solta

na Minha Rua, Salta para o Saco, Milagre de Natal, O Veado Florido (um conto pequeno, mas para mim dos mais interessantes), Vamos Contar Um Segredo e Outras Histórias, À Esquina da Rima Buzina… A propósito de rima termino, a título de exemplo, com algumas quadras divertidas de António Torrado:

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/ Teresa Aparício

Escola Básica António Torrado

Era um gato era um cão. Os dois não cabem na mesma canção. Era um velho e uma rapariga. Os não cabem na mesma cantiga. Era uma pulga era uma dama. As duas não cabem na mesma cama. Era uma laranja era um melão. Os dois não cabem na mesma estação. (…)

Setembro 2022 / JORNAL DE ABRANTES

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SAÚDE /

/ Paulo Lessa Técnico de Saúde Ambiental, Unidade de Saúde Pública do Médio Tejo

Fontanários, Seca e Saúde Ambiental

Existe um potencial risco para a saúde dos consumidores da água proveniente dos fontanários, podendo a qualidade da mesma estar ainda mais comprometida nesta altura de seca extrema. Os fontanários são uma fonte de água gratuita e bastante utilizada. Esta água deve obedecer a vários parâmetros físico-químicos e microbiológicos para ser considerada potável. Nem todos os fontanários, que se encontram distribuídos pelo Médio Tejo, são controlados, pelos serviços municipalizados ou por empresas que prestam o serviço de rede pública de água ao município. Geralmente, os fontanários cuja água não é controlada, estão identificados, sendo que deve ser evitado o seu consumo pois pode levar a problemas de saúde como diarreia, febre, vómitos entre outros. Estes sintomas acontecem por presença de microrganismos prejudiciais para a saúde, uma vez que não existe uma barreira sanitária, como na rede pública, promovida pela injeção de desinfetante na rede. A Saúde Ambiental é a parte da Saúde

Pública que engloba os problemas resultantes dos efeitos que o ambiente exerce sobre o bem-estar físico e mental do ser humano, como parte integrante de uma comunidade. Assim sendo, é da responsabilidade destes profissionais assegurar que a comunidade aceda a fontes de água com padrões de qualidade. Esta qualidade, nos dias de hoje, com a seca extrema que está a passar Portugal, pode estar ainda mais comprometida, nomeadamente, pela

diminuição do volume das massas de água subterrânea que servem como “alimento” dos fontanários de origem não controlada. Esta diminuição do volume pode levar à concentração de elementos químicos nocivos para a saúde, como nitratos, chumbo, mercúrio, cadmio, entre outros. Assim sendo, é recomendado que o uso destas fontes não seja para consumo humano, devendo o cidadão optar por outros recursos, como a água da rede pública.

CHMT reforça quadros com 11 médicos especialistas

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JORNAL DE ABRANTES / Setembro 2022

No princípio do mês de agosto, o Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT) anunciou a contratação de 11 médicos especialistas no âmbito de um concurso que abriu 25 vagas para reforçar os quadros dos hospitais de Abrantes, Tomar e Torres Novas, no distrito de Santarém. O Conselho de Administração do CHMT – Centro Hospitalar do Médio Tejo realizou uma sessão de acolhimento e boas-vindas a quatro especialistas de medicina interna, a duas especialistas de pediatria, a uma especialista de psiquiatria, a um especialista de anestesiologista, a um especialista de medicina física e de reabilitação, a uma especialista de nefrologia e a um especialista de patologia clínica. “Apesar de não terem sido preenchidas a totalidade das vagas autorizadas, é muito significativo o CHMT ter preenchido a totalidade das quatro vagas da especialidade de Medicina Interna, bem como o reforço de dois especialistas na área da Pediatria, preenchendo igualmente as vagas que estavam autorizadas”, disse o presidente do Conselho de Administração. Em “áreas especialmente carenciadas a nível nacional, como é o caso da especialidade de Anestesiologia ou Psiquiatria, também o CHMT conseguiu atrair especialistas para reforçar a capacidade assistencial à população do Médio Tejo”, frisou Casimiro Ramos. No concurso aberto pelo Governo, no final de junho, para a contratação de médicos a nível nacional, o CHMT foi autorizado a contratar 25 especialistas - entre os quais se evidenciavam

as quatro vagas em Medicina Interna, as duas em Pediatria e duas em Psiquiatria, a que somavam um em cada uma das restantes áreas clínicas, entre elas a Ginecologia e Obstetrícia, cuja vaga não foi preenchida. Casimiro Ramos entende que"este reforço de especialistas vai permitir aumentar a capacidade assistencial à população do Médio Tejo”, sublinhando que "este ano, claramente, o CHMT vai superar a capacidade de resposta face a 2019 - um ano recorde a nível assistencial em todo o Serviço Nacional de Saúde” (SNS). Neste concurso nacional, em que todos os hospitais do SNS foram autorizados a reforçar os seus quadros, “o CHMT evidenciou-se como a primeira escolha de vários especialistas médicos de áreas muito carenciadas a nível nacional, como é o caso da Medicina Interna, Pediatria, Anestesiologia e Psiquiatria", afirmou o administrador hospitalar, para quem a atratividade do CHMT é uma “realidade incontestável”. “Acreditamos que estes profissionais escolheram o CHMT porque sabem que aqui encontrarão todas as condições para desenvolver a sua missão”, afirmou o representante, destacando a “qualidade das equi-

pas de profissionais” e o “nível dos equipamentos e infraestruturas, bem como no âmbito da investigação e desenvolvimento”. Na sessão de apresentação foi também acolhida uma recém-licenciada na área dos recursos humanos e que irá realizar um estágio profissional no serviço de recursos humanos do CHMT. Esta sessão de acolhimento a todos os novos profissionais “é uma boa-prática de recursos humanos instituída por proposta da Comissão de Humanização do CHMT, e ocorre sempre no primeiro dia de trabalho de um novo colaborador ao serviço das unidades hospitalares da instituição”. Para além de uma mensagem de acolhimento e apreço pela dedicação dos profissionais, o Conselho de Administração apresenta as três unidades e promove uma reflexão sobre os valores da instituição. “Estamos empenhados em dar-vos as melhores condições de trabalho para que possam prestar os melhores cuidados aos nossos utentes. É esse o nosso lema”, afirmou Casimiro Ramos, presidente do Conselho de Administração do CHMT. Nas suas palavras, Casimiro Ramos evidenciou ainda que o foco diário da Instituição é a prestação de cuidados de saúde de excelência a todos os nossos utentes. “Cada pessoa que entra nesta Instituição é sempre acolhida, independentemente da sua categoria profissional”, concluiu. Nesta sessão o Conselho de Administração esteve ainda representado por Ivone Caçador, diretora-clínica, Carlos Gil, vogal executivo e Carla Oliveira, vogal executiva.


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Setembro 2022 / JORNAL DE ABRANTES

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