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/ Abrantes / Constância / Mação / Sardoal / Vila Nova da Barquinha / Vila de Rei / Diretora Patrícia Seixas / NOVEMBRO 2019 / Edição n.º 5585 Mensal / ANO 119 / DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

JOSÉ-ALBERTO MARQUES

O poeta que quis ser ilusionista Págs. 16 e 17 ABRANTES

CONSTÂNCIA

Estado reconhece Casa-Memória de Camões 20 anos depois Pág 10

Câmara dos Jovens chega em 2020 Págs. 14

ORFEÃO

90 anos de história e cultura Pág. 3

MUNDO RURAL

Interior manifesta-se em Lisboa

MÓVEIS

MOVÍRIS

Vegetariano e vegan. Moda ou opção? São pessoas diferentes que partilham valores semelhantes. São pais, filhos, estudantes, trabalhadores. Aquilo que os levou a mudar foi a luta contra a exploração e sofrimento por que passam os animais até chegarem ao prato. Pág. 4 e 5

Móveis . Colchões . Sofás VÁRIAS PROMOÇÕES E BONS PREÇOS 241 377 494 ALFERRAREDE

Ao lado da SAPEC, em frente às bombas combustíveis BP

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A ABRIR / FOTO OBSERVADOR /

EDITORIAL /

A elevada sinistralidade no cruzamento da Rua José Dias Simão com a rua do Tecnopolo, aliado ao fato de ter sido apontado como um dos pontos negros da cidade na circulação rodoviária, levaram a Câmara de Abrantes a reordenar o trânsito naquele local. A solução com a colocação dos pinos na rua não foi do agrado de moradores e comerciantes o que levou a Câmara a fazer nova alteração do trânsito naquela zona no final do mês de outubro, mantendo os pinos no cruzamento.

Patrícia Seixas DIRETORA

I

niciamos novembro, um mês recheado de dias comemorativos. Para além dos Dia de todos os Santos e do Pão por Deus (na minha terra é “Dia de ir aos bolinhos”), o mês iniciou com o Dia Mundial do Veganismo. Há quem diga que “é moda”, há quem faça do veganismo um modo de vida. Também há quem experimente e “fique pelo caminho”, mas há os que cumprem as regras a preceito. Nesta edição do seu JA, fomos conhecer quem faz do veganismo (e também do vegetarianismo) o seu estilo de alimentação, passámos pelos restaurantes e fomos ainda saber a opinião de nutricionistas. Pelos vistos, as opiniões dividem-se entre alimentação equilibrada e “fundamentalismo”. Eu, confesso, mantenho-me fiel à dieta mediterrânica. Mas esta edição do JA está recheada de coisas boas e para todos os gostos. Desde a comida vegan ou vegetariana, à alta cozinha que os alunos do Agrupamento de Escolas de Mação disponibilizam no Restaurante Pedagógico, passando pela novidade do bombom Palha de Abrantes e pela inovação do Bem Amanhado, uma conserva de peixe do rio que venceu a 3ª edição do Food Fab Lab e que foram apresentados na 18ª Feira Nacional da Doçaria. Descubra tudo nas páginas do seu JA. Mas novembro também trouxe, no dia 2, para além do Dia dos Fiéis Defuntos, o Dia Internacional pelo Fim da Impunidade dos Crimes contra Jornalistas. Se é necessário ter um dia para acabar com a impunidade de crimes, está tudo dito. Mas vamos à coisas boas, como o Dia de São Martinho. Porque “no Dia de São Martinho, pão, castanhas e vinho!”, já diz o provérbio. E na sabedoria popular não se mexe! Mas há mais festa. Em Abrantes, a vida do Orfeão confunde-se com a história da própria cidade. São 90 anos de existência que merecem ser celebrados. E por falar em anos. José-Alberto Marques comemorou 80 anos de vida. E que vida! Descubra-o no magnífico texto das páginas centrais desta edição do JA. Da descoberta da Vera Dias António, ao deslumbramento e à incredulidade pelo desconhecimento do “nosso poeta”. Descubra-o também! Relativamente ao que se passa no país, continuam as manifestações e reclamações nas escolas. Ou são pais que agridem professores ou são professores que agridem alunos ou alunos que agridem professores. Algo de muito grave se passa na nossa sociedade e não é bonito. Faltam também auxiliares educativos, professores, obras... mas onde não falta gente é no XXII Governo Constitucional. O maior Governo é composto por 19 ministros e 50 secretários de Estado. Se em termos de ministérios se trata do maior número de sempre, também as secretarias de Estado configuram um valor recorde na história democrática do país, tendo em conta todos os governos constitucionais. E por cá, sabíamos que Maria do Céu Albuquerque era uma das ministeriáveis mas a pasta que lhe coube foi uma surpresa para quase todos. A nova ministra da Agricultura vê, no entanto, o seu Ministério diminuído com a passagem das Florestas para o Ministério do Ambiente. E se a Reforma das Florestas foge assim à responsabilidade direta de Maria do Céu Albuquerque, a ministra tem, entre muitas outras questões, uma PAC (Política Agrícola Comum) para negociar com Bruxelas. São muitos os motivos para estarmos atentos ao que se passa à nossa volta, quer a nível interno quer externo, onde o mundo parece, cada vez mais, um local muito estranho para se estar.

ja / JORNAL DE ABRANTES

portugal.gov.pt

Maria do Céu Albuquerque foi escolhida, pelo primeiro-ministro António Costa, para liderar o Ministério da Agricultura do XXII Governo Constitucional. A expresidente da Câmara de Abrantes, e exsecretária de Estado do Desenvolvimento Regional integrou, no terceiro lugar, a lista socialista pelo distrito de Santarém. Na nova orgânica tem um secretário de estado (da Agricultura e do Desenvolvimento Rural) e o seu ministério perdeu as florestas que passou para a tutela do Ministério do Ambiente. Maria do Céu Albuquerque nasceu em 1970, em Abrantes, e é licenciada em Bioquímica pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra e pós-graduada em Gestão da Qualidade e Segurança Alimentar pelo Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz.

PERFIL / Naturalidade / Residência Escusa, Ponte de Sôr / ChainçaAbrantes Um filme The Last Samurai Uma viagem que marcou Até Espanha, na prática de Artes Marciais

/ João Alexandre de

Oliveira Mourato Especialista em Medicina Tradicional Chinesa 44 anos

Um momento importante Entre muitos, o nascimento da minha filha Um recanto diferente na região Bacalhôa Buddha Eden, Bombarral

Um livro Livro do Imperador Amarelo Um país para visitar Japão Se fosse presidente de Câmara o que faria? Procurava fazer com que todos os munícipes tivessem uma ocupação O que mais e menos gosta na sua localidade? A Paz

Uma música You Are The Reason – Calum Scott, Leona Lewis

FICHA TÉCNICA Direção Geral/Departamento Financeiro Luís Nuno Ablú Dias, 241 360 170, luisabludias@mediaon.com.pt. Diretora Patrícia Seixas (CP.4089 A), patriciaseixas@mediaon.com.pt Telem: 962 109 924 Redação Jerónimo Belo Jorge (CP.7524 A), jeronimobelojorge@mediaon.com.pt, Telem: 962 108 759, Ana Rita Cristóvão (CP.TP-475 A), anaritacristovao@mediaon.com.pt, Carolina Ferreira (estagiária). Colaboradores Carlos Serrano, José Martinho Gaspar, Paulo Delgado, Teresa Aparício, Paula Gil, Manuel Traquina. Cronistas Alves Jana e Nuno Alves. Departamento Comercial. comercial@mediaon.com.pt. Design gráfico e paginação João Pereira. Sede do Impressor Unipress Centro Gráfico, Lda. Travessa Anselmo Braancamp 220, 4410-359 Arcozelo Vila Nova de Gaia. Contactos 241 360 170 | 962 108 759 | 962 109 924. geral@mediaon.com.pt. Sede do editor e sede da redação Av. General Humberto Delgado Edf. Mira Rio, Apartado 65, 2204-909 Abrantes. Editora e proprietária Media On - Comunicação Social, Lda., Capital Social: 50.000 euros, Nº Contribuinte: 505 500 094. Av. General Humberto Delgado Edf. Mira Rio, Apartado 65, 2204-909 Abrantes. Detentores do capital social Luís Nuno Ablú Dias 70% e Susana Leonor Rodrigues André Ablú Dias 30%. Gerência Luís Nuno Ablú Dias. Tiragem 15.000 exemplares. Distribuição gratuita Dep. Legal 219397/04 Nº Registo ERC 100783. Estatuto do Jornal de Abrantes disponível em www.jornaldeabrantes.pt. RECEBA COMODAMENTE O JORNAL DE ABRANTES EM SUA CASA POR APENAS 10 EUROS (CUSTOS DE ENVIO) IBAN: PT50003600599910009326567. Membro de:

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JORNAL DE ABRANTES / Novembro 2019


ENTREVISTA /

“Farei tudo para que o Orfeão de Abrantes faça a comemoração dos 100 anos” O que é que vos continua a mover?

Tenho quase a certeza que é o gosto pelo voluntarismo nesta questão da cultura. Porque ninguém que está ali aufere qualquer remuneração, mas fartamo-nos de trabalhar. Não somos mosqueteiros, mas quase. (risos)

Qual a maior dificuldade nos dias de hoje para levar para a frente uma Associação como o Orfeão?

São variadas. Uma delas é chamar as pessoas. É a minha preocupação primeira. Há outras, claro, mas andamos a tentar angariar pessoas para o Coro Misto do Orfeão de Abrantes porque os outros grupos estão a trabalhar conforme é necessário mas o Coro Misto vai tendo uma falha de vozes. É que nós vamos envelhecendo. E os mais novos que entraram aos 15 ou 16 anos, quando chegam aos 18, 19, 20, saem de Abrantes para irem estudar para fora (este ano temos três elementos que foram para a faculdade).

// O Orfeão de Abrantes foi fundado a 20 de Janeiro de 1929. Celebra este ano o seu 90.º aniversário e ainda vai realizar um Concerto de Advento que irá encerrar as comemorações. Elisabete Pereira é a presidente da Direção desde janeiro de 2005. Falámos sobre o dia-adia da Associação Cultural Orfeão de Abrantes, a história do grupo e tentámos visualizar o futuro. São 90 anos que se confundem com a história da cidade. Como começou e porquê?

Temos documentos que comprovam o início do Orfeão com o primeiro concerto a 20 de janeiro de 1929. Iniciou como Orfeão Abrantino, com centenas de coralistas mas temos que nos reportar a uma altura em que não proliferavam muitas atividades. Estamos no Estado Novo, em que estas demonstrações de grande força eram bem-vistas.

Qual foi o evento?

Foi um concerto no extinto Cine-teatro da Misericórdia, em Abrantes. Arrebatou toda a população em Abrantes e arredores porque ao longo dos anos fomos percebendo que as conjunturas políticas e sociais têm muito a ver com este tipo de demonstrações. Mais tarde, depois de tudo estar devidamente fomentado, vieram as digressões. E estas digressões que o Coro fazia eram demonstrações políticas e sociais enormes. Envolvia-se toda a população, alugavam-se autocarros que levavam pessoas para acompanhar o Orfeão Abrantino e isso

tinha por trás o apoio do aparelho do Estado.

Desde essa época, o Orfeão nunca mais parou ou teve interrupções?

Teve interrupções e houve alguns flirt’s com outros grupos que também se chegaram à frente. E é claro que houve vários maestros. Uns estiveram um ano, outros estiveram um bocadinho mais e outros estiveram mais ainda. Sempre que essas mudanças aconteciam, provocavam sempre alguma instabilidade e paragens. As próprias Assembleias Gerais que se realizavam nessa altura também eram bastante efusivas e, até certo ponto, demonstravam que as pessoas tinham uma avidez enorme de estarem presentes nas decisões destas instituições. Instituições que eram culturais, e que continuam a ser, mas que na altura projetavam o nível social.

E também já teve várias designações…

Sim, foi Orfeão Abrantino, depois foi Orfeão Abrantino Pinto Ribeiro, em homenagem ao Pinto Ribeiro que tinha sido maestro. Curioso também, e na sequência

do que dissemos, todos os maestros até ao Henrique dos Santos e Silva eram militares. Todos. Já com o Henrique dos Santos e Silva, que fez um trabalho magnífico, passou a ser Orfeão de Abrantes.

Quantos elementos compõem atualmente o Orfeão?

A Associação Cultural Orfeão de Abrantes é um todo. Tem um conjunto de sócios, que será à volta de uma centena, e temos ainda os nossos alunos. Em termos de grupo coral, somos agora cerca de 30, mas também temos outros grupos, como o Cant’Abrantes e o Grupo de Cavaquinhos que vão gerando um conjunto de pessoas que também fazem parte dos orfeonistas de Abrantes.

“Não somos mosqueteiros, mas quase.”

Os jovens têm pouco interesse em integrar este tipo de grupos como o Orfeão?

Sim, muito pela história de repertório que nós temos. Se optássemos por fazer uma coisa mais moderna, provavelmente chamaríamos mais pessoas de idades mais jovens. Mas esse não é o nosso objetivo. Nós somos um coro polifónico que executa peças desde autores da Renascença até aos nossos dias. E é isso que nós temos que fazer, quer seja a capela quer com música. O que temos feito ultimamente é enveredar pela componente do piano. Até 2016 tínhamos muito poucas peças acompanhadas ao piano, porque não era objetivo do maestro Rui Picado (um excelente maestro que nos ensinou imenso) que gostava muito da música a capela. Atualmente, com o maestro Tiago Rodrigues, estamos a optar por ter música, instrumentais. Piano e não só.

Poderá ser um pouco mais atrativo?

Poderá ser. E é dentro dessa perspetiva que fiz um apelo muito grande e muita divulgação no início do ano letivo. Fui, inclusivamente, à ESTA (Escola Superior de Tecnologia de Abrantes), falar com a ESTATuna e chamar os seus elementos. Têm um trabalho de vozes no nosso coro e poderia ser um intercâmbio interessante se, depois, pudessem ir, acompanhar e integrar. Para já, vamos recrutando

nos nossos locais de trabalho e nos nossos ciclos de amizade.

Já o referimos nesta conversa porque faz parte desta história… em abril de 2016, a morte do maestro Rui Picado foi um golpe duro para o Orfeão...

Foi. Foi muito duro e de duas formas. Não podemos esquecer que o Rui Picado foi maestro do Coro Misto do Orfeão durante 35 anos. Isto significa que houve elementos que começaram em pequeninos com o Rui Picado, cresceram, tornaram-se adultos… foi uma vida de entrega. Portanto, quando ele desapareceu, foi um choque tanto para aqueles que estavam habituados a tê-lo à frente do Coro, como para o resto do grupo. Mas, felizmente, o Tiago começou connosco antes de o Rui falecer. O Concerto de aniversário, com o Rui doente, já foi com o Tiago Rodrigues. Foi uma transição muito complicada e penso que ainda há coralistas que não ultrapassaram esta situação. Daí a tentativa de também chamar outras pessoas para trabalhar com os que lá estão e com o maestro para continuar a levar isto para a frente.

O que é que ainda está previsto no âmbito da comemoração dos 90 anos do Orfeão?

Desde o início do ano, já fizemos duas atividades. Um concerto no dia 20 de janeiro, data do aniversário, na Igreja da Misericórdia com o Conservatório de Música de Santarém. Já em outubro, também na Igreja da Misericórdia, organizámos o 2º Concerto do Ciclo de Recitais, desta feita, “Viagem por Quatro Sonoridades Barrocas - 4 Géneros”, com o Quinteto Opus 28 + Vento D’Arco e com a Soprano Maria João Sousa. No dia 30 de novembro, faremos o último concerto do aniversário a que demos o nome de Concerto de Advento. Vamos fazer este concerto com um coro de muito perto de nós, o Charales Chorus, que pertence ao Centro de Artes e Ofícios de Minde, do maestro João Roque Gameiro. Em princípio, este concerto será na Igreja de S. João. Em dezembro, no dia 7, vamos fazer nas Caldas da Rainha um Concerto de Natal.

Onde vê o Orfeão de Abrantes daqui a 10 anos, na comemoração do centenário?

Não sei mas garanto a todos os abrantinos e aos orfeonistas que da minha parte eu farei tudo para que o Orfeão de Abrantes faça a comemoração dos 100 anos. Provavelmente já não será comigo mas com alguém que se chegue à frente para engrandecer este trabalho cultural magnífico que se tem feito com grande esforço mas que a mim, pessoalmente, me dá um grande gozo. Patrícia Seixas

Novembro 2019 / JORNAL DE ABRANTES

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REPORTAGEM / Vegetarianismo e veganismo:

Meter a carne à borda do prato pela causa animal // São pessoas diferentes que partilham valores semelhantes. São pais, filhos, estudantes, trabalhadores. Aquilo que os levou a mudar foi a luta contra a exploração e sofrimento por que passam os animais até chegarem ao prato. Mais do que uma moda, é um regime alimentar e até um estilo de vida. Seja por razões étnicas, ambientais ou até religiosas, desde os mais jovens aos mais adultos, de mulheres a homens, na última década quadruplicou o número de portugueses que decidiu adotar um regime alimentar de base vegetal, deixando a carne e o peixe à ‘borda do prato’. “Comecei a sentir-me muito mal comigo própria. Com toda a informação a que temos acesso começou a pesar-me na consciência cada vez que comia carne porque pensava que estava a comer um animal inocente e imaginava-o vivo e a ser morto para aquilo”. Esta é a experiência de Sara Coutinho. Tem 21 anos, decidiu tornar-se vegetariana em abril deste ano e admite com convicção que “é para o resto da vida”. Conta-nos que se sentia “hipócrita porque quando estava em contacto com os animais achava-os queridos e depois comia-os à refeição. Não faz sentido, era como estar a comer gato ou cão. Deixou de ter diferença para mim”. Sara é de Abrantes e admite que é “um ato de coragem mudar a alimentação numa sociedade como a nossa”. Para ela, ser vegetariana é ser “preocupada com o planeta e com os animais e isso é essencial para assegurar um futuro”.

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/ Feijoada vegetariana de tofu

JORNAL DE ABRANTES / Novembro 2019

Explica que foi o contacto com as redes sociais e com a informação disponível na Internet que a incentivou a “mudar o mais rápido possível”. Não toca em carne deste então, e o peixe, apesar de comer pouco, tem sido o maior obstáculo porque, sendo estudante, “as latas de atum são um salva vidas nas nossas refeições”. E se há quem se estreie nesta dieta, há também quem já seja veterano. É o exemplo de Pedro Freire, que desde 2015, ao “ganhar consciência sobre a

forma como os produtos de origem animal são produzidos e quão mal fazem ao ambiente” e ao se aperceber de “como a indústria da carne é por dentro” decidiu fazer uma mudança “completamente da noite para o dia”. Aos 19 anos, Pedro admite que “desistir nunca foi uma opção. Não faz sentido haver vontade de desistir de algo que salva milhares de vidas diariamente”. E acrescenta: “é impossível alguém ver a realidade da indústria da carne e não se sentir culpado por

estar a contribuir para tal. Boicotá-la é a única solução para acabar com tais níveis absurdos de poluição”. Com ideias bem definidas, Pedro considera que “ser vegetariano é lutar contra todo o tipo de preconceito e hipocrisia referente ao especismo” e “ter consciência de que há algo de errado com a norma da alimentação humana”. No entanto, não nega que antes de se interessar pelo assunto “defendia o consumo de carne cegamente e sem


REPORTAGEM / qualquer tipo de opinião informada”. Tal como Sara, Pedro partilha da ideia de que a falta de opções vegetarianas em restaurantes é algo que “felizmente está a mudar de forma notável” em cidades do interior do país como Abrantes. E desde o bacalhau à brás ao cozido à portuguesa, da caldeirada ao queijo e até ao pastel de nata, a criatividade é a chave para reformular pratos e encontrar diversas alternativas à proteína animal. No caso de Léa Rodrigues, há 15 anos que experimenta alternativas mas foi em janeiro que decidiu erradicar o consumo de carne e peixe, já com um objetivo maior em mente. Influenciada pelos pais que “desde sempre” fizeram refeições vegetarianas, passa o testemunho à filha de 4 anos, a qual “tem a hipótese de ser vegetariana em casa e faz a mesma alimentação do que eu”, e que na escola “faz a alimentação que os outros meninos fazem”. Foi depois de “ver vários documentários” que Léa se começou a aperceber de que é “uma tortura aquilo que fazem aos animais. Chocou-me de uma tal maneira que de cada vez que comia carne aquilo enojava-me. Tinha sempre aquelas imagens de tortura na minha cabeça e então decidi ‘não, isto acabou’ ”. Apesar de achar que “devagarinho as pessoas estão a começar a ter outra sensibilização”, admite que o mais difícil para si tem sido “explicar às pessoas”. “Muitas pessoas não entendem o porquê: eu faço pela minha saúde, pelos animais e pelo planeta. Mas, principalmente, pelos animais. E é essa parte que a maioria não entende. Mas as pessoas às vezes gostam muito de comer carne e não querem saber do resto”, conta-nos. Léa admite que tem percorrido o caminho sem recurso a ajuda profissional. Acredita que a pesquisa exaustiva que fez é suficiente. “Fui hoje à minha médica de família mostrar as análises e estou ótima de saúde”, revela. Em termos de alimentos, considera haver hoje “muita opção para colmatar as deficiências de proteínas, que é que o basta”, nomeadamente nos supermercados onde há “cada vez mais produtos para fazer a substituição”. Por outro lado, ir jantar fora é “complicado”, sobretudo na zona onde reside, em Sardoal, por falta de opções vegetarianas. A pensar no “bem-estar físico e psicológico”, aos 36 anos o objetivo de Léa é tornar-se vegan. Para isso, tem adotado atitudes simples como o “não comprar botas de pele de origem animal e não comprar champôs e cremes que foram testados em laboratório com animais”. Mais do que um regime alimentar, ser vegan representa “um estilo de vida”. Isto é, além de a alimentação assentar no vegetarianismo, o veganismo vai mais além e prende-se com preocupações a nível de entretenimen-

AINDA É UM •PAÍSPORTUGAL DE CARNE E PEIXE: Portugal é ainda um país onde o bife está no prato e o peixe na travessa. Do porco à vaca, da galinha ao peru, sem esquecer os peixes, a cada hora são mortos milhares de animais que hão de chegar ao prato de milhões de portugueses. A Direção Geral de Alimentação e Veterinária divulgou que em Portugal o ano passado foram mortos quase 257 milhões de mamíferos e aves. A cada dia, quase 1 milhão de aves são mortas para consumo humano. Número ao qual se juntam 871.000 galinhas, 17.000 porcos, 16.000 patos e quase 14.000 perus mortos por dia. Além destes números, Portugal é ainda o maior consumidor de peixe da União Europeia. Dados do INE mostram que em 2018 foram cerca de 129 as toneladas de peixe retirados do seu habitat para consumo: 107 toneladas são de peixes marinhos (cavala – 50% das capturas, seguido do carapau e da sardinha). UMA REALIDADE A •GANHAR FORÇA: A tendência para dietas com base vegetal tem vindo a ganhar força. Prova disso são os atuais cerca de 120.000 portugueses que já adotaram um regime alimentar vegetariano – o equivalente a 1,2% da população portuguesa (dados de 2017 que contrastam com os 0,3% de 2007). Um estudo recente do Centro Vegetariano português dá conta de que são as mulheres e os jovens entre os 25 e 34 anos aqueles que

mais adotam este tipo de regime alimentar. Mais pequena é ainda comunidade vegana: 0,6% da população portuguesa faz parte deste estilo de vida – valor que duplicou de 2007 para 2017. QUAL O IMPACTO •NAAFINAL, SAÚDE? Eliminando os produtos de origem animal, é necessário encontrar soluções para colmatar a falta de nutrientes como a proteína, o cálcio e o ferro. Entre elas encontram-se processados como o seitan – feito a partir do glúten de trigo – ou o tofu – feito a partir do grão de soja. Mas não só. A nutricionista Célia Lopes explica que ser vegetariano “não é só comer legumes. Têm que ter uma alimentação rica em fruta, vegetais, cereais, leguminosas, frutas oleaginosas [frutos secos], porque se não tiverem toda esta variedade a alimentação vai ser deficiente”. Apesar de salientar que “ser vegetariano não é uma solução mágica para todo o tipo de problemas a nível de saúde”, reconhece que existem múltiplos benefícios “nomeadamente na redução do risco de doenças cardiovasculares, obesidade, diabetes, hipertensão, certos tipos de cancros”, havendo mesmo uma “ligação com um possível aumento da longevidade”. Como principal senão deste regime, a nutricionista destaca o aparecimento de fast food no vegetarianismo, com uma elevada “quantidade de gordura nos alimentos”. Defende também a importância do aconselhamento profissional,

to usando animais, vestuário feito a partir de animais e produtos usuais que são testados em animais. Uma filosofia de vida que Tiago Santos segue “há cerca de 3 anos”. “Foi mais por uma questão de proteção animal, de evitar o sofrimento e a morte do animal”, conta. Habituado a conviver com animais desde criança, foi em “conversas com alguns amigos que partilhavam a mesma ideia” que despertou a vontade de pesquisar como é que podia colmatar a ausência de proteína animal e acabou por “dar o passo”. Estabeleceu uma data e um mês antes da mudança foi testando “com uma ou outra receita” até que chegou ao dia e “cortei em absoluto. Foi logo

no sentido de “não faltar nada nutricionalmente”. Posição que é também defendida pela nutricionista Mariana Torres que esclarece que é “perigoso” iniciar um novo estilo alimentar autonomamente, uma vez que “todos nós tivemos uma história alimentar e ao estar, do nada, a mudar para uma corrente destas, pode estar-se a intensificar a carência de alguma vitamina”. Mariana Torres explica que no caso dos bebés é possível iniciar uma alimentação baseada numa corrente vegetariana/vegan, uma vez que “um bebé é uma tábua rasa, não tem história alimentar”. No entanto, na visão desta nutricionista, é “um mito” afirmar que existem benefícios em termos de saúde em adotar uma dieta vegetariana. Mariana Torres defende que “no pano de fundo da alimentação saudável está sempre a dieta mediterrânica, que não restringe a carne nem o peixe. Quer-se de tudo, com uma calibração muito bem-feita”. Apesar de afirmar que é possível colmatar a necessidade de nutrientes sem consumir alimentos de origem animal, a nutricionista refere que é necessária mais quantidade para cumprir os requisitos: a título de exemplo, para se conseguir igualar os nutrientes que um ovo dá é necessário consumir uma “quantidade elevada de frutos secos”. OPÇÕES VEGETARIANAS •E VEGANS NA REGIÃO Um pouco pela região começam já a aparecer nos menus dos restaurantes opções sem proteína animal. No entanto, se ir a um restauran-

radical, cortei tudo ao mesmo tempo”. Após uma consulta de nutrição para “confirmar se estava a fazer as coisas bem-feitas”, foi prosseguindo com o objetivo e hoje admite que consegue “totalmente escapar à tentação”. Além da sua ocupação principal, Tiago é também personal trainer e instrutor de ginásio. Pratica ainda futebol, musculação e muay thai e revela ser a prova viva de que “uma dieta sem qualquer tipo de proteína animal nunca foi impeditiva de atingir resultados”. Para além do obstáculo da falta de produtos no comércio local e de opções nos restaurantes, Tiago aponta a dificuldade em conseguir adotar um estilo de vida vegan em

te sem pratos vegetarianos/vegans pode ser uma dor de cabeça para uns, ir a um restaurante sem opções de carne ou peixe é um problema para outros. A prova de que é possível conjugar os dois regimes alimentares está, por exemplo, no espaço Val – Casa de Comeres. Inaugurado em agosto deste ano, a proprietária, Paula Val, revela que a adesão “tem sido boa, as pessoas vêm e ficam clientes, o que é bom” e que o chamariz desta casa se prende com o facto de oferecer “o mesmo prato, a mesma raiz, e divergir na proteína, sem fundamentalismos”. Entre o “hambúrguer e a salsicha da Beyond”, produtos americanos cuja casa de comeres é provavelmente “o único restaurante num raio de muitos quilómetros que tem estes produtos disponíveis”, os novos clientes vêm “essencialmente à procura de coisas diferentes”. Do caril de grão com tofu à feijoada vegetariana, passando pelo tofu à Zé do Pipo e pelos burritos vegan, Paula explica que “tudo o que se possa imaginar que se possa fazer com carne ou peixe pode-se fazer com seitan, tofu ou vegetais” e que é possível fazer “pratos bonitos e muito nutritivos” e com um bónus: “dou primazia aos produtores locais, com pequenas hortas”. E como as possibilidades são infinitas, as sobremesas não ficam de fora: das veganas de Berlim aos vegassants de chocolate, sem esquecer o arroz doce vegan, o difícil é escolher qual experimentar primeiro.

regiões como aquela onde vive, Vila de Rei, em que os produtos de origem animal “estão tão enraizados na sociedade que se torna complicado fugir”. Algo tão simples como comprar um sabonete pode tornar-se “muito complicado” e envolver “uma pesquisa de informação muito grande”. No entanto, tal como Sara, Pedro e Léa, a vontade de lutar contra a exploração animal e a esperança num futuro mais promissor são a alavanca que o move e que faz com que estas dietas alimentares venham a ganhar expressão num país onde a carne e o peixe ainda marcam forte presença à mesa. Ana Rita Cristóvão

Novembro 2019 / JORNAL DE ABRANTES

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REPORTAGEM /

Os capachos têm o futuro como artesanato //Os capachos já foram uma atividade industrial forte em Mouriscas. Perderam a sua importância com a modernização dos lagares. Agora ganham nova vida como património imaterial e avançam, a passos largos, para o artesanato vincado na “arte de entrelaçar” Evaristo Valente é um dos administradores da SIFAMECA e explicou que a espartaria é uma arte manual de trabalhar o esparto, uma planta que vinha do norte de África, de Marrocos mais propriamente, e da qual, depois de seca, era molhada e entrelaçada para fazer uma “corda”. O esparto é uma planta parecida com o nosso junco. E essa corda era, depois, usada para entrelaçar com uma forma específica, redonda, para ser usada nos lagares. Era ali, e é ainda hoje nos lagares tradicionais, que é colocada a massa da azeitona moída para depois ir à prensa espremer o líquido. Depois, com a dificuldade em ter esta matéria-prima, o cairo (fio de sisal oriundo da Índia) passou a ser o “cordel” usado nas fábricas. Agora usa-se também o cordel de nylon, embora continue a ser o cairo o mais tradicional. O cairo é importado em contentores, mas o nylon, mais resistente, passou a ser outra opção para a fábrica. Em Mouriscas havia muitas fábricas de seiras e capachos, nos meados do século passado. E havia muitas mulheres que trabalhavam em casa para estes empresários. Era ali, no terraço ou na varanda, que tinham a roda onde entrelaçavam o cairo. Depois, ao final da semana, passava a carrinha a recolher os capachos feitos e prontos a usar. Ainda a propósito desta produção, no início era feita a seira. Tinha uma espécie de bolsa onde era depositada a massa da azeitona moída. Como era difícil retirar o bagaço depois de extraído o azeite, o capacho acabou por ser a evolução normal. Ainda hoje, em Mouriscas, no Camarrão existe a antiga fábrica do Ferro. Um edifício com sinais evidentes de degradação que foi a primeira grande fábrica daquela aldeia. Aliás, se entrarmos no edifício, ainda podemos ver alguns dos utensílios usados para fabricar os capachos. As rodas ainda existem.

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E, mais abaixo uns metros, os mais antigos identificam a casa onde dormiam os empregados que vinham trabalhar na fábrica ou na apanha da azeitona. É destes registos que o Grupo Etnográfico “Os Esparteiros”, nome ligado à arte da espartaria, fez uma recolha por forma a colocar na sua atividade a etnografia da segunda década do século XX. Mas voltemos aos dias de hoje. A empresa SIFAMECA acabou por ter um declínio evidente de produção com a proliferação dos novos lagares de linha que não precisam de prensas, por isso, não necessitam de capachos, para extrair o azeite. Apesar de ser uma arte manual, a empresa tem três máquinas que fazem os capachos de forma mecanizada e com alguma rapidez. São essas máquinas que garantem a produção para os lagares que ainda procuram a empresa para adquirir os capachos para a produção do azeite. Deste modo avançaram na arte de entrelaçar o cairo para tapetes e carpetes, que também já faziam, embora em menor escala.

JORNAL DE ABRANTES / Novembro 2019

As mãos vão fazendo passar o cairo e vão “construindo” a peça. Evaristo Valente explicou que o trabalho da fábrica continua nos mesmos moldes. Têm a roda, que é uma espécie de tear, apropriado, que é a forma. Depois as mãos vão fazendo passar o cairo e vão “construindo” a peça. Uma das apostas atuais é a fabricação de tapetes à medida para salas, embora ainda não se saiba qual a saída que irão ter. Outra dificuldade latente é a falta de mão de obra. Embora ainda não consigam ter dados concretos desta viragem ao “artesanato por encomenda”, esta parceria com a Câmara, e por via disso com outras instituições, têm dado uma visibilidade muito maior. Quer seja pelas visitas quer pelas ações de formação que visam ensi-

nar a arte de entrelaçar para que a atividade não se perca. Neste âmbito, e como se trata de uma arte “em vias de extinção”, a Câmara de Abrantes candidatou-se ao programa Tradições 2018/2020, patrocinado pela Fundação EDP. De forma resumida o que este programa pretende é fazer o levantamento da história desta atividade de produção das seiras e capachos usados, ainda hoje, nos tradicionais lagares de azeite. Assim ao longo dos últimos meses foram feitos registos para a edição de um suporte em papel e outro em vídeo, por forma a salvaguardar esta arte de entrelaçar. Trata-se de uma parceria entre autarquia, a Escola Profissional de Desenvolvimento Rural, o Centro de Recuperação e Integração de Abrantes e o Grupo Etnográfico “Os Esparteiros”. O JA sabe que estão previstas visitas de crianças à fábrica SIFAMECA, em Mouriscas, que também já recebeu ações de formação e o programa “Caminhos” da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo. A SIFAMECA é, hoje, a única empresa no país a fabricar capa-

chos para os lagares tradicionais de azeite. Tem cerca de duas dezenas de associados, quase na totalidade herdeiros dos fundadores e espalhados por todo o país. Conta, atualmente, com duas pregadas que vão fazendo a produção e que vão ensinando quem ali se desloca para aprender. Por exemplo, nas Festas de Abrantes deste ano, a “Arte de Entrelaçar” era um dos espaços de cultura no centro histórico onde quem quis pôde experimentar a fazer o capacho. No mesmo local podia contactar com Evaristo Valente e fazer todas as perguntas sobre a arte, a matéria-prima, o produto ou a sua história. A empresa, que durante décadas liderou a fabricação de seiras e capachos, até com exportação, abriu as portas e tem sido uma presença forte em iniciativas culturais como na Fundação de Serralves ou nas Festas da Cidade de Abrantes. Desta forma, a parceria pretende salvaguardar este património imaterial de uma freguesia que liderou esta “arte industrial”. Jerónimo Belo Jorge


SOCIEDADE /

Os polícias da escola apontam à prevenção São conhecidos dos alunos e pais porque são vistos regularmente à porta das escolas, ou perto das entradas. No caso de Abrantes são três ou quatro elementos, sendo um deles chefe e o coordenador do programa que caminha para os 30 anos. O chefe Nelson Amaral coordena uma equipa que tem várias escolas sob a sua alçada, desde as do primeiro ciclo até às secundárias. Fazem o policiamento de proximidade junto dos mais novos e podem atuar em todas as áreas, desde a prevenção à criminalidade, tráfico de droga, violência doméstica ou absentismo escolar. Em Abrantes, o programa da Escola Segura da PSP tem a coordenação do Chefe Nelson Amaral e depois juntam-se dois ou três agentes para as ações concretas do programa. E as ações vão muito além de um simples controle de trânsito ou das entradas dos meninos nas várias escolas. Em Abrantes, na área urbana, a Escola Segura tem a área de abrangência das escolas do primeiro ciclo e as do segundo e terceiro ciclos e secundárias. Ao Jornal de Abrantes, o Chefe Nelson Amaral revelou que há duas componentes fortes daquilo que é

o trabalho: uma é o policiamento de proximidade, por um lado, e o outro o da prevenção, por outro. E se forem detetados casos concretos de combate ao tráfico de droga, embora não seja um problema dos mais graves, há que ter sempre uma atenção sobre esta problemática. Hoje, há outro tipo de situações que podem criar zonas de risco para os alunos. O bullying é uma destas preocupações, até porque quando existe não será de fácil deteção, se a vítima não se queixar. Mesmo assim há um trabalho conjunto com técnicos da Câmara Municipal, psicólogos das escolas e professores no sentido de perceber se os fenómenos existem ou não. Nelson Amaral revelou que Abrantes, apesar de ter incidências, não é um território complexo ou com uma elevada taxa de delinquência juvenil ou criminalidade nas escolas. E quando surgem os casos, a proximidade que os agentes da Escola Segura aplicam pode ser a solução, ou um caminho mais rápido para a sua resolução. Nesta matéria são muitas as conferências e colóquios que tem feito, em Abrantes e fora desta cidade, porque o bullying existe e o cyber bullying é cada vez mais uma situação presente no meio juvenil.

Um dos exemplos mais simples indicados pode ser um casal de adolescentes que namoram e tiram algumas fotos mais “íntimas” e quando se zangam existem as ameaças de colocar a circular essas fotos como forma de retaliação, ou simplesmente para fazer “mal” à outra parte. E nos dias de hoje qualquer criança tem um smartphone nas mãos e, muitas vezes, sem limitações na sua utilização. Nelson Amaral revelou que este trabalho tem de assentar muito na prevenção. E a esse nível são feitas todos os anos dezenas de ações que passam pelo bullying, defesa da floresta e violência doméstica. E é neste tipo de ações, com a experiência acumulada de anos de serviço, que Nelson Amaral provoca, com as suas intervenções, reações que lhe permitem detetar problemas. E o que é que se faz? No final das ações ou indicam-se as suspeitas aos professores ou psicólogos ou então de forma dissimulada, no final, abordam-se os jovens em privado que, grosso modo, acabam por revelar as situações que vivem em casa. Nelson Amaral revelou que tem presença no Conselho Municipal de Segurança e uma articulação muito grande com a Comissão de

Contactos – 96 Comportamentos inadequados – 10 Ofensas à integridade física – 2 Ofensas contra propriedade – 1 Furtos/roubos/burlas – 1

Proteção de Crianças e Jovens, a quem compete gerir os casos mais complexos que envolvem crianças. Há algumas coisas que são cada vez mais evidentes, como, por exemplo, a abertura das escolas para debater muitas destas questões em turma, o que facilita a deteção de situações de risco. Entre os jovens ou dentro das famílias. Nelson Amaral revelou que é aos agentes da Escola Segura que têm competências de tratar das questões do absentismo, quando ele existe. E mostrou a satisfação de alguns “miúdos” problemáticos que ganharam rumo depois de intervenções do programa e, hoje, o cumprimentam na rua. Mas há uma questão em que não consegue haver prevenção ou sensibilização: o trânsito. Os pais levam os filhos quase até dentro das escolas e, muitas vezes, sem qualquer bom senso, criando complicações no trânsito e estacionamento junto das escolas. Neste âmbito só

mesmo com a presença musculada dos agentes a fazer cumprir as regras de trânsito. E isso implicaria, sempre, um nível muito elevado de contestação, como de resto já aconteceu no ano letivo passado. Outra das ações que o programa proporciona são visitas à instituição Polícia, por exemplo, à Escola Prática de Polícia. Há também a área das parcerias que, em Abrantes, são feitas com a REIVA (Rede Especializada de Intervenção na Violência de Abrantes), CPCJ ou Proteção Civil Municipal. O Programa Escola Segura (PES) teve a sua origem em 1992, através de um protocolo do Ministério da administração Interna e do Ministério da Educação. O objetivo era o de “melhorar os índices de segurança objetiva e subjetiva que se verificavam no interior dos espaços escolares que, à época, foram considerados prioritários”. No âmbito deste programa a PSP ou GNR garantem a segurança nos estabelecimentos de ensino e podem reforçar as equipas com meios complementares sempre que se justifique. A Escola Segura é muito mais do que a polícia de trânsito à porta da escola. Jerónimo Belo Jorge

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ATUALIDADE / Abrantes

Padre Castanheira apresentou-se com vigília de apoio ao Cónego José da Graça na rua O adro da Igreja de S. Vicente foi o ponto de encontro dos apoiantes do Cónego José da Graça que agendaram uma vigília para o mesmo dia em que era apresentado o novo pároco de Abrantes. O pároco que assume o lugar como administrador paroquial enquanto correrem os trâmites do recurso de direito canónico que contestou a decisão do Bispo D. Antonino Dias ao afastar José da Graça. Domingos Chambel, porta-voz do MOSAR-CJG, dirigiu-se a todos os presentes e leu o último comu-

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nicado que colocaram na rua no final da semana. Domingos Chambel revelou ainda que não pode haver uma mudança brusca numa estrutura “empresarial” como nas obras sociais da paróquia. “Tinha de haver uma transição pacífica”, revelou o empresário que deixou novamente no ar a ideia que, de acordo com os pareceres de Direito Canónico que têm, o Bispo terá cometido uma ilegalidade ao nomear o administrador mesmo com um novo recurso em trânsito.

JORNAL DE ABRANTES / Novembro 2019

No início dessa semana, 14 a 20 de outubro, o Bispo D. Antonino Dias terá tido uma reunião em Abrantes e uma conversa com o Cónego José da Graça. Conversa que não terá corrido lá muito bem, pelo que na segunda-feira, dia 15, o Bispo emitiu um Decreto que, ao abrigo da Lei Canónica, nomeia um Administrador Paroquial “Sede Plena”. Quer isto dizer que este administrador, o Padre António Castanheira, anteriormente nomeado como pároco de S. João e S. Vicente, passou a ter plenos poderes legais

sobre as paróquias e sobre o Centro Social. Ou seja, sobre toda a estrutura da Igreja nas duas paróquias. No interior da igreja de S. Vicente o Vigário-geral da Diocese apresentou o Padre António Castanheira e deixou uma mensagem de apreço ao trabalho que o Cónego José da Graça fez ao longo de mais de 30 anos de serviço na paróquia. Quase no final da celebração, o Padre António Castanheira deixou uma saudação aos paroquianos a quem agradeceu a presença referindo, mais do que uma vez, que está a cumprir os desígnios que lhe foram pedidos naquele que é o trabalho de um sacerdote. Informou que o seu número de telemóvel e o email estavam disponíveis para todos os paroquianos, indicou os horários das missas, em S. João, S. Vicente, Chainça, Barreiras do Tejo e Senhora da Luz e convocou o conselho económico, pastoral e as catequistas para reuniões de trabalho. Deixou a mensagem de querer inteirar-se e conhecer, rapidamente, as novas realidades que aqui vai encontrar. “Um bem-haja, é uma expressão beirã, de onde venho. Mas espero rapidamente aprender as vossas, as ribatejanas”. O administrador paroquial deixou ainda um pedido a todos quantos têm cerimónias, ou outros assuntos agendados, que o contactem porque, pelos indícios, não lhe foi deixada a agenda da paróquia. Por exemplo, as datas e pormenores de celebrações de casamentos ou batizados. Quando terminou a celebração eucarística, o Vigário-geral, Monsenhor Paulo Henriques Dias não se escudou e revelou que a situação que se vive em Abrantes está em

recurso na Congregação do Clero, em Roma, e que cumpriu o decreto do Bispo ao vir a Abrantes apresentar o Padre António Castanheira. “A leitura é pastoral, é essa a leitura do nosso Bispo. É assegurar o serviço pastoral das comunidades”, explicou o Vigário-geral, reconhecendo “o trabalho e a estima que todos temos”. Quanto à vigília, espera que as pessoas entendam esta viragem na pastoral desta paróquia e mostrou ter a noção de que este movimento não “ajuda muito a transição ou neste serenar para que a pastoral aconteça. Mas esperamos que as pessoas entendam esta mudança”. O Padre António Castanheira disse em exclusivo à Antena Livre que “sentiu o calor humano de muita gente que quer bem à igreja, aos padres todos.” Garantiu ter sempre a dúvida sobre como iria ser a receção, face aos acontecimentos, e mostrou-se surpreendido com a quantidade de sacerdotes que se quiseram associar a esta eucaristia, que, se calhar noutras circunstâncias, não estaria. O Padre António Martins Castanheira vai agora conhecer faces e vozes. É esse o grande trabalho e desafio do meu trabalho. “Até a minha voz vai ser nova, tal como tudo aqui que tenho para conhecer e para aprender”. Ao longo da penúltima semana de outubro, o Padre Castanheira celebrou as missas e teve as reuniões pastorais e sociais, por forma a ficar inteirado das realidades que irá lidar. O Jornal de Abrantes sabe que a direção do Centro Social demitiu-se, quase em bloco, e que terão informado o Bispo. Jerónimo Belo Jorge


ATUALIDADE / Vila Nova da Barquinha VN Barquinha celebra protocolo com ordens templárias que vai tornar CITA no “mais importante repositório mundial sobre a Ordem do Templo” O Município de Vila Nova da Barquinha celebrou um protocolo com duas ordens templárias - a Ordo Supremus Militaris Templi Hierosolimitani Universalis (OSMTHU) e a Ordre Sovereign et Militaiire du Temple de Jerusalem (OSMTJ) - a fim de declarar o município e o Centro de Interpretação Templário de Almourol (CITA) como Lugar Internacional de Interesse Cultural Templário. A proposta de celebração de protocolo veio a reunião de Câmara no dia 9 de outubro e mereceu parecer positivo do executivo. A vereadora Marina Honório explica que a iniciativa resulta da associação da OSMTHU e da OSMTJ e pretende também que Vila Nova da Barquinha seja sede de “um evento anual do tipo Congresso Internacional e recomendação de destino de acervos bibliográficos e objetos que possam enriquecer o CITA como referência internacional incontornável sobre a Ordem do Templo e suas influências culturais em todas

as épocas”. Como sinal de arranque desta colaboração, Fernando Freire explicou que ambos os ramos da Ordem aprovaram já diversas iniciativas que têm como objetivo encorajar colecionadores, arquivos e donos de bibliotecas a fazer doações e a tornar o CITA até 2021 no “mais importante, completo e extensivo repositório e acervo bibliográfico mundial sobre a Ordem do Templo”. Da parte da OSMTHU, uma das iniciativas passa pela negociação da passagem do Arquivo do Templo, constituída por múltipla documentação original relativa à Chancelaria Internacional e ao Secretariado da Aliança Federativa Internacional desde 1988, bem como objetos e arquivo diverso, sob empréstimo à localidade de Sória, Espanha desde 2007, para o CITA em Vila Nova da Barquinha. Outra das iniciativas a ser tomada pela OSMTHU é designar o CITA como a “instituição à guarda

/ Interior do CITA, que abriu portas em novembro de 2018, em Vila Nova da Barquinha do qual será entregue a atualização do Arquivo da Ordem, composto pela documentação oficial produzida pela Chancelaria Internacional anualmente” bem como da “adição de peças documentais históricas,

acervos bibliográficos e objetos de interesse arqueológico, académico ou museológicos que a esta possam ser doados”. A OSMTHU vai também oferecer uma réplica forjada, segundo

Município aprova proposta de interdição de tráfego rodoviário na Praça da República peões, sendo o acesso a viaturas automóveis restringido a situações de emergência - bombeiros ou INEM - e pontuais - que, perante pedido, poderemos autorizar". Uma medida que implica também a proibição de cargas e descargas, referiu o autarca, e que tem como objetivo principal "proteger a Praça". Para esse efeito, irá ser feita a colocação de "alguns sinais de

/ A requalificada Praça da República, no coração do concelho

Ana Rita Cristóvão

toponímia, nomeadamente de sentido proibido, quer no acesso do lado das galerias de Santo António, no largo da Igreja, quer do lado da Rua Marechal Carmona, junto da loja do cidadão e também do lado da Rua 5 de Outubro”. Fernando Freire deu conta de que, em termos de obras na Praça da República apenas faltam "umas floreiras" e que "tudo o que é empreitada está concluída". Recorde-se que a remodelação da praça mais emblemática da vila foi um investimento de cerca de 287.356.00 euros + IVA. Ana Rita Cristóvão

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Na reunião do executivo municipal de Vila Nova da Barquinha de 9 de outubro foi aprovada por unanimidade uma proposta de ordenamento de tráfego rodoviário, no âmbito da requalificação da Praça da República. O presidente do município, Fernando Freire, explicou que esta decisão se insere na "requalificação da Praça da República" e que pretende "dotá-la só para

as regras tradicionais, da espada do cruzado Godofredo Bulhões, símbolo do contexto histórico que proporcionou o surgimento da Ordem do Templo. Já a OSMTJ contribuirá com o depósito de uma coleção bibliográfica temática de relevo bem como um extenso arquivo documental sobre a atividade da Ordem na última metade do século XX. Para além das iniciativas em termos de Arquivo e Biblioteca, o protocolo prevê também trocas culturais, através do empréstimo e exposição de peças específicas. Por fim, esta colaboração pretende também a realização de uma Conferência Internacional. Um “evento anual de âmbito internacional a decorrer em 2020, 2021 e 2022”, conforme explicou o presidente da Câmara de VN Barquinha, Fernando Freire. O local escolhido para o evento anual será o CITA, cuja organização, programação e promoção será responsabilidade das duas ordens envolvidas no protocolo. Recorde-se que o Centro de Interpretação Templário de Almourol é um centro pioneiro no que respeita à Ordem do Templo em Portugal, dotado de um conjunto relevante de recursos que incluem um espaço para exposições, auditório e biblioteca temática.

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ATUALIDADE / Constância

Ministério da Cultura reconhece Casa-Memória de Camões como de Interesse Nacional O anúncio foi feito pelo presidente da autarquia de Constância na reunião de Câmara de 24 de outubro. Sérgio Oliveira deu conta de que horas antes da reunião recebeu a boa-nova de que “a senhora ministra [da cultura] despachou favoravelmente o reconhecimento de interesse nacional da Casa-Memória”. Um passo que o autarca considera ser “fundamental” para que a Associação Casa-Memória consiga “chegar a um conjunto de fundações e instituições particulares com vista a angariar fundos” para se dotar dos “conteúdos de que necessita para abrir ao público”, mas

também uma notícia importante para aquilo que é “a promoção do concelho naquilo que é a ligação íntima que Constância tem com Camões e que será mais um motivo – quando a casa estiver aberta ao público - para visitar Constância”. Recorde-se que este ano, a 9 de julho, a secretária de Estado da Cultura visitou a Casa-Memória de Camões e ouviu os técnicos que fizeram um levantamento das necessidades da Casa-Memória e de que maneira o Ministério da Cultura poderia ajudar a levar a cabo uma das missões mais difíceis no concelho: abri-la ao público e dotá-la de conteúdos. Na altura, Ângela Ferreira ad-

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mitiu que “com a informação técnica que temos, podemos fazer essa declaração e haver um despacho meu a reconhecer a importância do desenvolvimento do projeto. Sobre isso não há nenhuma dúvida”. E aí está ele. O despacho que mereceu parecer favorável, num processo que o presidente do Município considera “célere”, referindo que “ver já o processo finalizado é uma vitória de todos, do concelho como um todo, da comunidade, não só do concelho mas também da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo porque também reconhece aquele equipamento como de interesse regional”. Agora, o presidente do Município explica que se aguarda “que venha o documento em si assinado pela ministra com o reconhecimento”. O reconhecimento da Casa-Memória de Camões por parte do Estado chegou 20 anos depois da sua conclusão. Ana Rita Cristóvão

Município de Constância fixa preço de lotes em Malpique em valor simbólico de 5 euros/m² para “incentivar a fixação de pessoas” Na última reunião do executivo camarário de Constância, que decorreu a 24 de outubro na Ecoteca do Parque Ambiental de Santa Margarida, foi aprovada por unanimidade uma proposta no sentido de reduzir o preço do loteamento situado na localidade de Malpique dos até então 20€ para 5€ por m², bem como o procedimento de abertura de concurso público. O presidente da autarquia, Sérgio Oliveira, explicou que o estabelecimento daquilo que considera ser um “valor simbólico” vem no seguimento de uma outra proposta apresentada o ano passado, em que foi estabelecida a redução do preço dos lotes municipais situados na Rua da Fé e no Bairro da Serafina, ambos em Malpique, de 25€ para 20€. Uma vez que “o último lote que vendemos neste loteamento foi em 2008/2009”, ou seja, há pelo menos 10 anos que não se vende “um único lote para construção”, Sérgio Oliveira disse, em declarações ao Jornal de Abrantes, que já estava “na altura de efetivamente tomar uma opção política de rutura e colocar um preço que fosse simbólico com vista a que se fixem cá pessoas, porque no concelho de Constância a freguesia que tem perdido mais população tem sido Santa Margarida”. Considerando a importância de “dar espaço para revitalizar esta freguesia” em que a pouca

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população que existe está envelhecida, o autarca admite ser preciso “o pão para a boca” e, nesse sentido, “o município tem de lançar mão de todos os instrumentos que estejam ao seu dispor para incentivar a fixação de pessoas nesta freguesia”. O presidente do município revela que estão disponíveis para venda “entre 16 a 17 lotes” e esclarece que, com este novo preço, “um lote com 600/700 m² passará a ser vendido por 2800/2900€”. Um passo em frente que é dado na tentativa de “inverter este ciclo” e conseguir fixar população mas que o autarca considera não ser definitiva uma vez que “a questão do interior do país e, em especial, a de freguesia de Santa Margarida, não depende apenas destas medidas que o município toma. O interior tem de ser olhado pela administração central com outro olhar e com a tomada de medidas efetivamente robustas que façam com que a população se fixe nestes territórios”, defende o autarca. Em comunicado, a autarquia acrescenta ainda que uma das soluções no sentido de inverter a falta de população nas zonas do interior, nomeadamente em toda a margem sul do Tejo nesta região, passaria pela construção de uma nova travessia sobre o rio Tejo. Sérgio Oliveira fez ainda um ponto de situação relativamente

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a um regulamento que está em desenvolvimento por parte da autarquia no sentido de atribuir incentivos à construção e reconstrução no concelho: “O esqueleto das medidas que queremos tomar está pensado e agora estamos a analisar se juridicamente é possível ou não implementá-las”.

CDU vê “com bons olhos” opção política tomada:

A proposta de redução do preço/ m² nos lotes de terrenos municipais mereceu voto positivo por parte das vereadoras da CDU, Júlia Amorim e Sónia Varino,

que não deixaram de lembrar, no entanto, que aquando da redução em 2018 do valor de 25€ para 20€, tinham apresentado uma declaração em que defendiam a redução para um “valor mais apelativo”. A vereadora Sónia Varino lembrou que, na altura, a CDU defendeu que os loteamentos deveriam “ter um valor mais reduzido e também deviam ser isentos das taxas de licenciamentos, como um incentivo à captação e fixação de pessoas” e admite ficar “agradada que passado um ano [o presidente da autarquia] tivesse chegado

à conclusão de que afinal temos razão”. Apesar de esperar que esta medida agora tomada “surta efeito”, Sónia Varino assume alguma preocupação com o valor agora definido, uma vez que, diz, “nem oito nem oitenta”. Já a vereadora Júlia Amorim referiu que esta é uma “opção política” e que é “com bons olhos” que vê serem tomadas medidas de “discriminação positiva para a freguesia de Santa Margarida”, que lembrou que “perdeu 123 eleitores em quatro anos”. No entanto, a vereadora mostrou preocupação com a possibilidade de vir a existir “problemas em termos de especulação imobiliária e também de pessoas que considerem muito aliciante 5€ e comprem os terrenos e depois todos os prazos de entrega de projeto, etc, que estão no regulamento possam não ser cumpridos e que nós não tenhamos nas mãos instrumentos para sermos céleres de modo a que resulte aquilo que nós queremos, que é efetivamente vender lotes para que as pessoas se fixem, principalmente casais jovens, em idade reprodutiva, para aumentarmos a população”.. Em resposta, Sérgio Oliveira descansou a vereadora, dizendo que “existe um regulamento que foi aprovado em 2016 que tem mecanismos de resposta caso as pessoas não cumpram os casos e que a Câmara o pode ativar”. Ana Rita Cristóvão


ATUALIDADE / Constância

CEME entrega Estandarte Nacional à 10ª Força Nacional Destacada no Iraque

/ 10.ª Força Nacional Destacada no Iraque recebeu Estandarte Nacional das mãos do CEME, general José Nunes da Fonseca atingir os objetivos”. O comandante da 10ª Força Nacional Destacada falou depois para os militares, lembrando-lhes que fazem parte “do esforço internacional para estabilizar o Iraque” e pediu para que mantenham “permanentemente a exigência, o rigor, o profissionalismo, o empenho e a

dedicação no planeamento, coordenação e execução das sessões de formação que serão por nós ministradas”. Miguel Capelo reconheceu a consciência de que “o nosso trabalho naquele país não está isento de riscos” mas também referiu que “ao longo dos últimos meses, pla-

neámos e realizámos um conjunto de atividades que visaram desenvolver e adquirir conhecimentos e capacidades, orientados para as exigências do teatro de operações”. O comandante concluiu, falando de “jovens quadros munidos de uma incrível vontade de cumprir e fazer bem, com forte espírito de missão, camaradagem e responsabilidade” que construiram “uma força coesa que espelha a competência dos militares portugueses e a refulgência de Portugal”. Já o Chefe do Estado-Maior do Exército, general José Nunes da Fonseca, falou da “importância e simbolismo” da entrega do Estandarte Nacional ao contingente que em breve irá para o Iraque e destacou os desempenhos anteriores dos militares portugueses em missões no estrangeiro. “Os contingentes militares projetados por Portugal operam em prol da política de defesa nacional e de segurança do Estado além fronteiras contribuindo para o fortalecimento da solidariedade internacional”, afirmou o CEME,

assegurando que “os distintos desempenhos das nossas forças nacionais destacadas nos mais diversos teatros de operações, são publicamente reconhecidos por relevantes entidades nacionais e internacionais”. José Nunes da Fonseca confirmou que o objetivo da missão é o combate ao terrorismo, integrando uma coligação internacional de mais de 40 países. “O 10º contingente emana das unidades da Brigada Mecanizada (…) cujo objetivo é combater o terrorismo, no sentido da reposição da estabilidade e da segurança no Iraque”, declarou. O Chefe do Estado-Maior do Exército também agradeceu o apoio dos familiares dos militares e garantiu que estes terão todo o apoio do Exército para superar os desafios que se lhes apresentem. A 10ª Força Nacional Destacada Operation Inherent Resolve recebeu o Estandarte Nacional das mãos do Chefe do Estado-Maior do Exército e seguiu dias depois para o Iraque. Patrícia Seixas PUBLICIDADE

São 30 os militares que compõem a 10ª Força Nacional Destacada no Iraque que receberam, no dia 10 de outubro, o Estandarte Nacional pelas mãos do Chefe do Estado-Maior do Exército (CEME), general José Nunes da Fonseca. A cerimónia decorreu em Constância, junto à margem do rio Tejo, e no discurso do comandante da 10ª Força Nacional Destacada, no quadro da Operation Inherent Resolve, o major de Cavalaria Miguel Capelo disse-se “cientes da prioridade que o Exército atribui ao cumprimento da nobre missão que nos incumbe, o apoio à formação e treino das Forças Armadas iraquianas”. É este destacamento da Brigada Mecanizada que irá representar Portugal e o comandante garantiu que “os militares do 10ª contingente tudo farão para que a honra e o brio desta Brigada se mantenham patenteados ao mais alto nível”. Miguel Capelo dirigiu-se depois aos familiares dos militares destacados e agradeceu a estabilidade familiar para “ultrapassar os obstáculos e as dificuldades, bem como

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SOCIEDADE /

Food Fab Lab premeia conservas de peixe do rio Fotos: Tagus Valley

O Food Fab Lab pode parecer um nome esquisito, mas é um nome que começa a ganhar dimensão naquilo que é a inovação agroalimentar, ou na criação de novos produtos alimentares. Começou há três anos e ganhou uma dimensão nacional, de forma que em 2019 os quatro produtos premiados são de Castelo Branco, Figueira da Foz, Sever do Vouga e Oeiras. A ideia é abrir portas a produtos inovadores que podem depois ganhar pernas, do ponto de vista técnico, pois o troféu não é monetário ou, simplesmente, uma taça para servir de pisa-papéis. O premio é constituído por serviços do Parque de Ciência e Tecnologia de Abrantes. Marco Alves, do Tagus Valley, revelou ao Jornal de Abrantes que “o nosso trabalho é o desenvolvimento de novos produtos e fornecer esses serviços. O Food Fab Lab é isso: permitir o desenvolvimento de novas ideias”. Trata-se de uma forma de apoiar quem está para começar ou quem começou há pouco tempo e ainda está à procura das

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“O nosso trabalho é o desenvolvimento de novos produtos e fornecer esses serviços.”

linhas para melhorar os produtos. Marco Alves deu como exemplo os vencedores deste ano. Trata-se de uma empresa de Castelo Branco que já tem o produto mas que pretende “afiná-lo e colocar em testes” antes de entrar no mercado. Ou então a “Mirtilada”, uma marmelada de mirtilo que esteve em degustação na Feira Nacional de Doçaria Tradicional. Esta degustação pretende, através de um inquérito, aferir as opi-

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niões dos consumidores para a aceitação do produto. Ou seja, quem provou este doce deixou a opinião quanto à apresentação, sabor, textura e cor da “Mirtilada”. Segundo Marco Alves, o tratamento destes inquéritos permite perceber a aceitação do produto e deixar indicações para melhorias a fazer, antes de o mesmo entrar no mercado. A terceira edição do Prémio Food Fab Lab distinguiu quatro produtos. Na inovação foi vencedor o produto “Cavala Fumada” de uma empresa da Figueira da Foz. Já na categoria Potencial de Mercado os “Go Beans” de Oeiras levaram o diploma enquanto a “Mirtilada”, de Sever do Vouga, arrecadou a categoria “Degustação”. O grande vencedor foi uma empresa de Castelo Branco que pretende lançar no mercado, em 2020, as conservas com a marca “Bem Amanhado”. Trata-se de conservas de peixe do rio que, segundo Leonel Barata, não é mais do que a utilização de um produto nosso, do interior. Ainda por cima, usando espécies predadoras, “estamos a tratar bem o ambiente, porque estamos a retirá-las, na medida certa, dos rios. Falamos de Achigã, Lúcio-Perca e Carpa”. O chef Leonel Barata explicou que como é um processo de conservação a frio, e com azeite e com receitas de temperos regionais, têm prazos de validade mais curtos do que as conservas “ditas normais e mais conhecidas”. O Bem Amanhado está a ser incubado em Castelo Branco, mas ao ganhar o Food Fab Lab poderá ter sido a última “experiência” antes do lançamento no mercado, previsto para Março de 2020. Quanto ao produto a ideia passa por colocá-lo à venda em lojas específicas do comércio tradicional. E o Chef adiantou que poderão vir a criar produtos diferenciadores para cada região. “Por exemplo, se formos para o Alandroal poderemos criar as conservas com azeite do Alandroal e com receitas e temperos da mesma região”. Já no que diz respeito ao peixe revelou que “trabalhamos com um pescador que o apanha nas albufeiras”. Marco Alves destacou a importância até destas cerimónias. “Tivemos dois premiados com produtos ligados ao peixe que já começaram a trocar ideias e contactos”. O Food Fab Lab instalado em Abrantes é um espaço pré-licenciado de uso partilhado para a produção de produtos alimentares, apoio técnico nas áreas do licenciamento, rotulagem, obrigações legais, processo produtivo, uma análise sensorial de aceitação, uma análise sensorial de preferência e acompanhamento no desenvolvimento do modelo de negócio. Jerónimo Belo Jorge


SOCIEDADE / 20 anos: “Porque todos nós somos ESTA” conseguiremos chegar muito mais longe na nossa região”. Manuel Jorge Valamatos, presidente da Câmara Municipal de Abrantes, falou da “energia vibrante” que os alunos da escola dão à cidade e também das obras no Parque de Ciência e Tecnologia que irão acolher a ESTA. “Para nós, para a Câmara Municipal, para a nossa comunidade é uma honra e um orgulho fazer parte desta família da ESTA. Sentimos que, de facto, esta escola é especial, é muito familiar”. O presidente disse querer “trabalhar em conjunto para criar as melhores condições para que os vossos objetivos de futuro passem por Abrantes” e confirmou estarem “a trabalhar para concretizarmos a construção das novas instalações da ESTA no Parque de Ciência e Tecnologia”. Manuel Jorge Valamatos falou numa “ambição forte” e num “desejo que partilhamos convosco”. Sofia Silva Mota, diretora da ESTA desde 2015, falou do orgulho no passado mas da necessidade de terem os olhos postos no futuro.

“A ESTA tem 20 anos. São 20 anos de uma instituição de ensino superior que (…) contribuiu para a especialização inteligente, para a promoção e atratividade da região. Uma escola cada vez mais aberta à comunidade e consciente da impor-

tância do seu compromisso social e cultural”. “Orgulhosos do passado” mas “não queremos ficar por aqui”, afirmou a diretora. Para o futuro, Sofia Silva Mota diz que “a ESTA deverá ser capaz de responder aos desafios

das nossas sociedades modernas, evidenciando-se como centro de competência de transferência de conhecimento ao nível regional e nacional, propiciando o acesso a uma oferta formativa atual, versátil e em consonância com as necessidades da sua região de influência, ao mesmo tempo que terá de ser suficientemente flexível para se adaptar rapidamente aos novos estímulos e a às mudanças constantes, em benefício do desenvolvimento e da sustentabilidade da região e do país”. A diretora da ESTA reconhece que “muito trabalho nos espera” mas considera que “com a colaboração de todos nós, estou certa que não haverá desafios que não consigamos superar”. Ao longo destes 20 anos, foram já 3 mil os estudantes “que confiaram em nós e nos escolheram para os preparar para a sua nova vida de adultos”. Sofia Silva Mota destacou o papel destes estudantes na sociedade e concluiu dando “os parabéns à ESTA e, no fundo, parabéns a todos nós. Porque todos nós somos ESTA”. A cerimónia que marcou o arranque das comemorações da ESTA terminou com o hino da escola. Professores nas guitarras e alunos nas vozes. Parabéns, ESTA! Patrícia Seixas PUBLICIDADE

A Escola Superior de Tecnologia de Abrantes (ESTA) está a comemorar 20 anos de existência. A cerimónia que deu início às comemorações, que vão decorrer durante todo o ano letivo, realizou-se no dia 16 de outubro, no auditório da escola. João Freitas Coroado, presidente do Instituto Politécnico de Tomar, salientou a “resiliência, a dedicação e a comunidade académica que têm permitido o seu funcionamento e o cumprimento da nossa principal missão: preparar profissionais para contribuir para um maior desenvolvimento da região”. A ESTA “é a mais nova das três unidades orgânicas que constituem o Politécnico de Tomar”. Criada em 1999, “resultou de um conjunto de interesses e esforços, a bem do desenvolvimento da região, que possibilitou que esta unidade orgânica se implantasse em Abrantes”. O presidente do IPT falou do futuro, do crescimento da escola e da região e afirmou que “em conjunto com o empenho e comprometimento de todos, creio que

/ Orgulhosos do passado mas “não queremos ficar por aqui”, afirmou a diretora da ESTA, Sofia Silva Mota

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Abrantes vai ter Câmara dos Jovens em 2020 Foi na tarde do dia 30 de outubro, depois de uma sessão do Parlamento Jovem de Abrantes, iniciativa integrada nas Jornadas de Educação, que foi apresentado o projeto Câmara dos Jovens. De modo simples, os jovens podem agrupar-se em listas, candidatar-se, serem eleitos, tomarem posse e, no mandato de um ano, poderem desenvolver projetos no concelho num montante até dez mil euros. A ideia inicial foi apresentada numa das sessões do 25 de Abril pelo jovem João Gaio e Silva, embora noutros contornos. No entanto, Luís Filipe Dias, vereador com o pelouro da Juventude, revelou que foi feita uma adaptação à ideia original para tornar o projeto mais semelhante à realidade do concelho. Ou seja, os jovens que vierem a estar recenseados poderá eleger uma Câmara com um presidente e seis vereadores. Tal qual como acontece com a atual composição do executivo municipal de Abrantes. E a ideia é criar uma eleição com regras e prazos muito semelhantes àquilo que são as regras da Comissão Nacional de Eleições, em que haverá apresentação de

CARTÓRIO NOTARIAL EM CONSTÂNCIA A CARGO DA NOTÁRIA EM SUBSTITUIÇÃO INÊS FERNANDES GOMES RIJO Certifico que, por escritura de vinte e seis de outubro de dois mil e dezanove, no Cartório Notarial sito na Avenida das Forças Armadas, Edifício Camões, primeiro andar esquerdo, em Constância, a cargo da notária em substituição Inês Fernandes Gomes Rijo, iniciada a folhas cento e dezasseis do livro de notas dois — I, ERMELINDA MARIA DOS SANTOS PÁSCOA, NIF 203.338.553, solteira, maior, natural da freguesia de São Jorge de Arroios, concelho de Lisboa, residente habitualmente na Rua Primeiro de Maio, número 20, na freguesia de Mina de Água, concelho da Amadora, declarou que é com exclusão de outrem, dona e legítima possuidora do prédio rústico, sito em Maxieira, na união de freguesia de Aldeia do Mato e Souto, concelho de Abrantes, composto de cultura arvense, oliveiras e horta, com a área de três mil trezentos e sessenta metros quadrados, a confrontar do norte e sul com Dora Sofia da Conceição Marques Nunes Agria, nascente com Tiago Marques Gaspar e de poente com ribeiro, inscrito na matriz sob o artigo 71, secção CI, que proveio do mesmo artigo e da mesma secção, da extinta freguesia do Souto, omisso na Conservatória do Registo Predial de Abrantes. Que o bem veio à sua posse, por volta do ano de milnovecentos e noventa e seis, em data que não sabe precisar, por doação meramente verbal que lhe foi feita pelos seus antepossuidores, seus avós Arlindo Pedro dos Santos e mulher Maria da Conceição, casados que foram sob o regime da comunhão geral, atualmente falecidos, com última residência no referido lugar de Maxieira, na freguesia do Souto, concelho de Abrantes, doação essa de que não ficou a dispor de titulo formal, após o que, de facto, passou a possuir o prédio em nome próprio, avivando-lhe as extremas, cultivando-o, colhendo os seus frutos e produtos, posse que sempre foi por si exercida, durante mais de vinte anos, de forma a considerar tal prédio como seu, sem interrupção ou oposição de ninguém, à vista de toda a gente da região, sendo por isso uma posse pacífica, contínua, pública e de boa-fé, que conduz à aquisição por usucapião, não lhe sendo possível provar o seu direito de propriedade pelos meios extrajudiciais normais. Conferido está conforme. Constância, vinte e seis de outubro de 2019. A notária: Inês Fernandes Gomes Rijo

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listas, campanha eleitoral, debates, votação on-line e presencial e, depois de apurados os resultados, a tomada de posse. Luís Filipe Dias exortou os jovens a poderem agrupar-se para fazer listas e foi mais longe ao pedir para esquecerem os partidos políticos e entrarem neste projeto de cidadania por si próprios. Deixou clara a vontade de poder ver os jovens a querer participar para melhorar a sua terra, para trazerem novas ideias e debates para a comunidade. Desta forma está definida a calendarização para este projeto que pretende, segundo o vereador, “marcar Abrantes durante, pelo menos, a próxima década”. Qualquer jovem natural ou residente em Abrantes, com idade entre os 14 e os 21 anos poderá recensear-se e fazer parte das listas que se podem candidatar a esta Câmara dos Jovens. Para criar uma lista basta haver sete jovens propostos por um grupo de outros 30. Esta primeira fase vai estar a decorrer até ao dia 15 de novembro. Neste período o vereador e o serviço de Juventude da autarquia vão fazer chegar às escolas a informação para que os jovens possam

conhecer a iniciativa e possam associar-se para formar as listas e elaborar o “programa de governo jovem”. Depois, de 16 de novembro a 17 de dezembro as listas podem ser apresentadas e verificadas da conformidade. O período de campanha eleitoral será de 18 de dezembro a 19 de janeiro de 2020 e terá possibilidade de serem criados materiais de campanha, aqui com o apoio técnico dos serviços da autarquia. Entre os dias 20 a 26 de janeiro será a semana de reflexão e a votação dos jovens eleitores, estudantes ou não estudantes, vai acontecer de 27 de janeiro a 7 de fevereiro online e de forma presencial no dia 6 de fevereiro. Neste momento está apontado o dia 10 de fevereiro como o dia de apresentação dos resultados do escrutínio e a tomada de posse do executivo municipal jovem de Abrantes, um presidente e seis vereadores. A forma de apurar os eleitos será, tal como nas eleições convencionais, através do método matemático de Hondt. Luís Filipe Dias esteve a apresentar o projeto perante jovens das escolas Dr. Manuel Fernandes, Dr. Solano de Abreu, da Escola Profissional de Desenvolvimento Rural, Escola Superior de Tecnologia e Centro de Recuperação e Integração de Abrantes e “viu” potenciais candidatos ou dinamizadores de listas para esta ideia de cidadania nos jovens e, ao fim e ao cabo, na comunidade. Jerónimo Belo Jorge


ATUALIDADE / Abrantes

"A cidade não manda no campo" quer defender o interior e as suas tradições Tudo começou depois das eleições legislativas. Um grupo de cidadãos apartidários e sem apoio de qualquer estrutura associativa ou setorial está a agendar uma manifestação em defesa do interior do país. O movimento, ainda sem nome, tem à cabeça o abrantino André Grácio que, desta forma, pretende lançar o protesto nacional "A cidade não manda no campo". Nas linhas gerais do movimento espontâneo, criado após os resultados das legislativas que elegeu quatro deputados "animalistas", foi criado um grupo no Facebook que em 72 horas criou mais de 16 mil seguidores. Ao que o Jornal de Abrantes conseguiu saber, o grupo foi suspenso enquanto o seu mentor aguardou por uma autorização do Ministério da Administração Interna para a realização de uma manifestação pacífica em Lisboa, em frente à Assembleia da República, mas que afinal vai ser no Terreiro do Paço. E confirma-se que vai ser no dia 22 de novembro.

Este movimento cívico está fora de qualquer alinhamento partidário e pretende defender o interior do país e as suas tradições e não aceita que sejam feitas Leis em Lisboa por pessoas que, tendo os seus ideais, não "entendem nada do que é o campo, as suas realidades e as suas tradições". E neste grupo de cidadãos podem caber caçadores, pescadores, apicultores, agricultores, cavaleiros ou homens e mulheres do campo. Para os mentores “esta manifestação, que peca por tardia, visa demonstrar o desagrado destes sectores pelos ataques contínuos, provocatórios, ofensivos, falsos, etc emitidos por estes movimentos extremistas e apoiados, também, por vários partidos políticos”. Nas redes sociais já circula o convite para a manifestação de 22 de novembro com muitas imagens ilustrativas daquilo que são as atividades desenvolvidas no campo. Ou seja, no interior do país. André Grácio mostrou-se "descontente

com quatro anos de políticas contra o interior, contra as atividades rurais e contra as tradições. E contra a eleição de quatro animalistas/ fascistas para o parlamento, obrigam-me a ter receios de mais quatro anos ainda piores". Este grupo tanto pode ser favorável à caça como às atividades tauromáquicas como contra as portagens elevadas na A23. E querem deixar os animais de lado da discussão e da luta, pois, afirmam nada ter contra o ambiente ou a defesa dos animais. Entendem assumir-se, com a prioridade, de defender o interior e o campo. Assim que haja a devida autorização para a manifestação nacional em Lisboa o movimento vai ganhar corpo que, ao que espera o mentor, irá acontecer por todo o país. Para esse dia, pode ler-se na mesma publicação na rede social, haverá um comboio para levar os "manifestantes" desde a beira até à capital Jerónimo Belo Jorge

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DESTAQUE /

O poeta que quis ser ilusionista

e entrou em Direito para depois se licenciar Eu sei lá o que vos diga. Do tanto, atenção, que há para dizer. Decidi, entretanto, que não vou escrever numa forma normal, uma notícia ou reportagem como se deve fazer. Entrevista já tínhamos decidido que não seria. É um texto. Uma aventura. Uma não biografia resumida pois não há espaço para tão grande história. E homem. E Poeta! Falo de José-Alberto Marques. Acreditem que passei ali uns dias aborrecida com o meu outro, aquele que se acha das letras e da literatura, e que não conhecia este Poeta de tudo. Acima do nada já se é tudo e José-Alberto Marques parte sempre do nada. E consegue sempre tanto. Comecemos por aí, por um início que já não era novo, 16 anos, mas cheio de questões para o mun-

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em História do. Foi nessa altura que o miúdo, aluno no Colégio Andrade Corvo, em Torres Novas, adoeceu. Viu-se no hospital cheio de curiosidade sobre ilusionismo. Queria ser ilusionista. E o que fez? Ligou o i-phone e pesquisou na internet… Ah! Calma... Não foi nada disso. Que estamos ali nos anos 40 para 50 do século passado. E creio que hoje não compreenderemos o que fez o miúdo. Achou-se de questões e escreveu-as aos Embaixadores de vários países em Portugal questionando sobre ilusionistas dos seus países de origem. E, pasmemo-nos, o Embaixador

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do Brasil respondeu-lhe e falou-lhe não de ilusionismo mas de poesia experimental. José-Alberto voltou a responder-lhe cheio de porquês, comos e quandos a que, na falta de uma resposta certa, o seu interlocutor lhe voltou a dar resposta com vários nomes e moradas desta nova vaga de poetas brasileiros. E o miúdo, um miúdo ali de Torres Novas, o que fez? Escreveu-lhes. A todos. Sim, e depois? Aconteceu que alguns lhe responderam e passou a trocar correspondência com poetas brasileiros que se dedicavam

àquela coisa nova, vanguardista, a poesia experimental. Podia ter estado acamado e a lamentar-se aos seus botões? Podia. Mas resolveu escrever aos Embaixadores representados em Portugal. Muito mais interessante, não?! Sim, sim, o caminho faz-se. Temos que nos ir descobrindo, construindo, mas sempre a mexer, a remexer, que é assim que se descobrem coisas, pessoas e futuros. Não destinos, mas aquilo que nos quisermos destinado. Também lhe acho piada, a este miúdo de quem ainda falamos, ali de Torres Novas, quando diz que

saía do Colégio com um livro debaixo do braço e cachimbo, como sabia fazer-se em Paris. Porque nos diz, pasmemo-nos, que nesta encenação se encontrou. Parem, um pouco, releiam e vejam se percebem. “Naquela encenação, encontrei-me”. Mas houve mais vontades. Suas. De crescer e se fazer o homem que lhe apetecesse. Perguntei-lhe umas poucas de vezes “porque fez isso?” e a resposta, certa, foi sempre “porque me apeteceu”. Não é, portanto, vulgar, nem comum, nem copião, nem segui-


DESTAQUE / dor. Recusa a banalidade. Prima pela liberdade. E nesta vontade de ser e fazer o que quer foge às luzes, aquelas que se voltam para os grandes vultos que todos lêem, ou porque são moda, ou porque o querem ser. Nada de bicos de pés. Mas sempre de pé. Estivemos na rádio outro dia e até ali lhe apetece falar de pé. José-Alberto Marques, que na primeira vez que precisou falar a um público se calou, intensamente nervoso. Depois passou, voltou a tentar, porque lhe apetecia saber falar em público. E fez-se. O miúdo. Outro dia Francisco Lopes escreveu-o assim “Respirem fundo, ganhem fôlego, façam o favor de o ler e o mínimo de esforço para o compreender e nunca mais ficarão na mesma.” É isso. Façam-vos o favor! Natural de Torres Novas, José-Alberto Marques frequentou a Licenciatura em Direito, que deixou pela História. Vive em Abrantes desde a década de 1960, foi professor de Português na Escola D. Miguel de Almeida. Tem uma obra vasta e muito interessante. Escreveu, em Portugal, o primeiro poema concreto. Fez no dia 4 de outubro 80 anos e no próximo dia 12 de novembro apresenta, em Abrantes, o seu mais recente livro. Impresso. Pois há outros na calha. Tanto para fazer. Tanto por escrever. José-Alberto Marques escreveu, facto histórico e incontornável, o primeiro poema concreto publicado em Portugal, em 1958. E porque é que isto não se aprende na escola? Não sei. Desde então, e muito por isto, pelo laço com o movimento da Poesia Experimental considera-se sobretudo um poeta. Depois, ficcionista embora considere ter poucos livros de ficção. Foi também Professor e diz-nos que não seria a mesma pessoa, e o mesmo escritor, se não tivesse sido professor, se não tivesse de fazer o esforço de tornar simples para os alunos o que para ele próprio se tornava complexo. Conta, sem esforço de fazer piada ou ser engraçado que às vezes, para trabalhos de casa, dizia aos alunos “tragam uma mão cheia de pedras”. E questiono o porquê. Não sabe. Era para o que apetecesse. Depois logo se via. E depois foi performer. Tem percorrido o país com as suas apresentações, a jeito de fazer poesia com o corpo, no palco, reproduz-se num quadro de madeira e faz o público pensar nos gestos do dia-a-dia, no cortar o cabelo, no escovar os dentes, depois despe as calças, tudo tão a mesmice dos nossos dias e ali somos convidados a pensar em cada gesto, em cada ação. Desculpem mas não vos consigo explicar melhor pois nunca assisti mas achei fascinante, pelo que me explicou. Há uns anos foi ao Brasil abrir um Festival de Poesia e fazer uma das suas performances. Artes perfor-

Achou-se de questões e escreveu-as aos Embaixadores de vários países em Portugal questionando sobre ilusionistas dos seus países de origem.

mativas, em português. Na apresentação de um dos seus livros (do British Barthes), Alves Jana explicou-o assim ao público “um livro de poesia é, em muito, a leitura que dele fazemos – a vida que nele pomos. Por isso digo: Este livro não é um livro. Este livro é um vaso. À espera do que nele havemos de pôr, da vida que há-de ganhar com a re-escrita que dele fizermos na leitura. Insisto, sobretudo em voz alta. Sendo assim, este livro não é um livro, é só meio livro - à espera do outro poeta, o leitor, que há-de abri-lo para a vida. É um vaso à espera do vinho ou do sangue que nele havemos de deitar – e que dele havemos de beber.” Nesse mesmo livro José-Alberto Marques diz que “ninguém conhece as minhas palavras por dentro”. É um desafio ler este Poeta! Que escreveu sobre Abrantes, sobre o Benfica, sobre os sinais de

pontuação, livros infantis e outros que não. Teatro e, enfim, o que lhe vai apetecendo. Disse-me que gosta de fazer coisas que ainda não foram feitas. Preenche espaços que nem se sabiam em branco. Até que lhes dá forma, e cor, e palavra. Encontrei um artigo de 1992, brasileiro, em que após a publicação do seu livro Loendro, diziam assim: “São só alguns meses que medeiam entre a publicação do último livro de José-Alberto Marques, Loendro (embora datado de 1991), mas são muitos anos em que deste poeta quase se não fala, ou não fala mesmo. Isto parece-me, se não grave, pelo menos triste. Porque José-Alberto Marques é um poeta raro, numa escala de exigência que coloca na zona fria muitos dos nomes hoje (transitoriamente) bem cotados. Essa escala é a minha. E é esse meu critério de exigência (que evidentemente não está na moda) que me leva a

ficar triste com o silêncio que se abate sobre poetas como José-Alberto Marques, principalmente porque esse silêncio é um sinal do empobrecimento a que todos nós vimos estando sujeitos, em nome rigorosamente de nada. De nada, porque nada, efetivamente, pode substituir o prazer de ler um poeta de qualidade”. Quem escreveu isto, que até me parece bastante atual, convenhamos, foi Ernesto Manuel de Melo e Castro, poeta, ensaísta e Doutor em Letras pela Universidade Católica de São Paulo. José-Alberto Marques refere que foi no ensino secundário que se aproximou da literatura portuguesa. Olhando para mais de 60 anos dedicado às letras refere que o essencial foi a leitura. Depois, os mestres que teve e os contactos que foi fazendo ao longo dos anos. Como referência diz ter Mário de Sá-Carneiro, o próprio Fernando Pessoa, Herberto Hélder, ou António Ramos Rosa. Será este o grande conselho que deixa à humanidade, a cada um de nós. Não tenham medo. Atirem-se às coisas. Vão ao encontro das pessoas. Arrisquem. Referindo ter feito sempre caminhos de vanguarda diz também que ninguém está satisfeito com aquilo que fez. Mas que fez o seu melhor. Por isso, é o melhor de que foi capaz. Simples! Quando fala, além da forma que dá às frases, gesticula. Diz que tem o defeito de se armar em poeta quando fala, é uma tendência natural a que acha piada. Já com as mãos, faz um certo contorcionismo para, diz, torcer as palavras. Eu sei, caro leitor, que o texto não está bem estruturado e que, se calhar, podia ter ficado mais bem esclarecido. Mas escrevi, deixe-me que lhe diga, a conselho do próprio sobre quem vos escrevo, como me apeteceu. Como ainda não tinha sido escrito. Podem pesquisar sobre os prémios, as dezenas de obras editadas. Tudo. Mas a minha chamada de atenção eram duas: os muitos feitos a que se fez o favor, para se fazer, enquanto homem e poeta. Este ser-se arrojado, de vanguarda. E, depois, a necessidade que temos de o ler, ainda que não saibamos. Porque é diferente daquilo que já leu. E faz-nos pensar no bom que é fazer o que ainda não foi feito, escrever o que ainda não foi escrito e ser-se único, como nenhum outro. E precisamos tanto disto! Por fim, o agradecimento a Alves Jana que me ensinou que o mundo tem José-Alberto Marques. E a José- Alberto Marques por ter tanto para nos dar. E mostrar. Eu já vos disse que um dos seus livros de poesia tem formas geométricas ao longo das páginas?! Não?! Levantem-se, caras pessoas, e vão ao seu encontro. Nos livros e, claro, dia 12 de novembro, às 18 horas, na Biblioteca de Abrantes.

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Da doçaria tradicional à inovação em busca de novos mercados //São três pastelarias que produzem doces típicos e tradicionais de Abrantes, entre outros genéricos. E são três pastelarias que estão a apostar na inovação desses mesmos doces. A propósito da Feira Nacional de Doçaria Tradicional de Abrantes, que aconteceu de 25 a 27 de outubro, o Jornal de Abrantes foi em busca dos Bombons Palha de Abrantes, da pastelaria Tágide Gourmet, das Broas de Batata Doce, da pastelaria Palha de Abrantes, e das tigeladas de Beterraba ou de spirulina, da pastelaria 2000. Por Jerónimo Belo Jorge

Recriar a tigelada com spirulina ou beterraba A pastelaria 2000 também tem apostado na inovação, mas com as tigeladas. Se o ano passado lançaram o pastel de tigelada, a massa do pastel de nata com o recheio da massa da tigelada, este ano foi a tigelada de beterraba e de spirulina. Cátia Pereira explicou ao JA que começaram a fazer testes para diminuir os açúcares e, desta forma, criar uma tigelada igualmente deliciosa, mas menos calórica. E dentro de muitas experiências o “laboratório” da 2000 entendeu substituir a farinha de trigo por farinha de beterraba ou spirulina, o leite por leite de arroz, menos açucarado e sem glúten e pela troca do açúcar por açúcar mascavado. Reduziram ainda a quantidade de açúcar destas variações, tendo apenas mantido os ovos, a canela e o limão. E a experiência correu bem, tanto que as tigeladas, ambas, a par das tradicionais voaram na feira de doçaria. Cátia Pereira explicou que “agora vamos lançar as duas no mercado, mas em dias a fixar. Por exemplo, poderemos ter ao fim de semana e usar as redes sociais para indicar a qual está disponível”. É que na feira ambas caíram no goto dos clientes, embora se perceba que é um produto novo e destinado a franjas. Tanto aos diabéticos, que podem ter aqui uma opção menos açucarada, como à moda de fugir aos doces muito calóricos. Se no sábado, 2 de novembro, já estiveram à venda, o mesmo vai acontecer no dia 8. Tanto as de beterraba como as de spirulina.

Inovar a Palha de Abrantes

Criar broas com ingredientes da moda

A pastelaria Tágide Gourmet tem apresentado novos produtos para inovar a Palha de Abrantes. Já foi um bolo-rei, um fardo de palha, um gelado de Palha de Abrantes e, este ano, foi um bombom. Fernando Correia explicou ao JA que a ideia andava, há muito, a fervilhar, mas batia sempre numa dificuldade técnica. Os ovos-moles da Palha de Abrantes acabavam por “rebentar” com a cobertura de chocolate do bombom. O Chef Fernando Correia explicou que é um “refresh” da Palha de Abrantes que já andava a ser ensaiado, embora apresentasse um problema: “A humidade dos ovos-moles, que é uma das bases do doce típico de Abrantes. Ela rebentava o bombom, porque o açúcar escorria”. Desta forma Fernando Correia juntou-se com o Chef Carlos Palmeiro, especialista em trabalhos com chocolate, para eliminar esta barreira. “Estivemos aqui na pastelaria em ensaios e, após horas e horas, conseguimos chegar ao produto final. Tivemos de escolher o chocolate, ter os ovos-moles mais cozidos, para o bombom ficar no ponto certo”. Este bombom ainda não tem rótulos e embalagens, “estamos a desenvolver a parte da comercialização”, explica Fernando Correia, garantindo que a coqueluche da Tágide Gourmet que foi lançada na Feira de Doçaria a partir deste mês de novembro pode ser adquirida na pastelaria, em Rossio ao Sul do Tejo.

As broas fervidas sempre foram um doce tradicional da região de Abrantes e desta altura do ano, do Dia de Santos, por vezes do Natal e da Páscoa. A pastelaria Palha de Abrantes, desde 2012, passou a ter estas broas o ano inteiro antes de pensar em inovar, em fazer o tradicional de forma diferente. Pedro António explicou ao JA que quando “entrou” no negócio a primeira inovação foi ter as broas fervidas todo o ano. E resultou. A partir daí começou a pensar em inovar. “Queríamos ter as broas tradicionais com variantes e começámos a experimentar, mantendo a excelência dos ingredientes como o mel, o azeite e as nozes”. Depois avançaram com a experiência de castanha e bolota, mas o resultado não foi o esperado. Seguiu-se a batata-doce, que está na moda, e como a ligação de ingredientes resultou avançaram para a abóbora. São estas duas broas que estão a ser comercializadas, embora as tradicionais sejam, sempre, a grande aposta da pastelaria Palha de Abrantes. Obviamente que se juntam aos outros doces típicos de Abrantes. Mas, mesmo assim, a inovação é uma palavra presente na vida de Pedro António. Não querendo ter uma quantidade enorme de tipos de broas fervidas, lá vai adiantando que já pensa na beterraba para uma nova experiência. Pedro António salienta que as broas têm uma boa aceitação por parte dos clientes, mesmo dos turistas quando têm as visitas à fábrica, onde podem ver todo o processo produtivo e, claro, depois fazem a degustação.

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EDUCAÇÃO / Abrantes premiou os melhores alunos do secundário e profissional do concelho O auditório da Escola Secundária Dr. Manuel Fernandes acolheu a cerimónia de entrega dos Prémios de Mérito aos melhores alunos do ensino secundário e profissional do concelho de Abrantes, referentes ao ano letivo 2018–2019. A cerimónia foi ao final da tarde de dia 11 de outubro e esteve integrada nas Jornadas da Educação de Abrantes que decorreram este mês e vão ter ações descentralizadas ao longo deste período. Os prémios aos alunos de mérito 2018/19, no valor de 1.250 euros cada um, foram entregues a Diogo Filipe da Costa Reis (Ensino Secundário – Escola Dr. Manuel Fernandes); Pedro Miguel Marques Sousa (Ensino Secundário – Escola Dr. Solano de Abreu; Pedro Afonso Correia de Sousa (Ensino Profissional – Escola Dr. Solano de Abreu); e David Gomes Moniz (Ensino Profissional - Escola Profissional Desenvolvimento Rural de Abrantes). Na cerimónia, estiveram o Pedro Miguel Sousa e o David Moniz enquanto que o Diogo Reis e o Pedro Afonso Sousa, já em aulas fora

Todos os apoios que a empresa dá na região e no país “este é, seguramente, o mais importante porque vai premiar o mérito dos estudantes”.

/ Os diretores das escolas e os premiados com os representantes dos patrocinadores, Município e Tejo Energia de Abrantes, estiveram representados pelos pais. Os Prémios de Mérito são entregues pela Câmara Municipal de Abrantes (dois) e pela empresa Tejo Energia (dois). O processo de seleção é feito pelas respetivas escolas. De acordo

com a vereadora com o pelouro da Educação da Câmara de Abrantes, Celeste Simão, esta cerimónia não tem tido data certa uma vez que não pode ser mais cedo, devido ao processo de avaliação das escolas. Ainda assim, “trata-se do reconhecimento que é feito, anualmente,

àqueles que se esforçam e que têm resultados”. Celeste Simão deixou a nota de que “este é uma das peças de todo um projeto educativo concelhio que tem visível o apoio da comunidade, dentro da palavra que está este ano na ordem do dia: Colaboração”. A vereadora destacou

que “o esforço e dedicação dos alunos é fundamental, mas é preciso que a comunidade diga presente”. Beatriz Milne, presidente executiva da Tejo Energia, empresa proprietária da Central do Pego, destacou que de todos os apoios que a empresa dá na região e no país “este é, seguramente, o mais importante porque vai premiar o mérito dos estudantes”. E depois frisou a importância que os professores têm na vida dos alunos. Alcino Hermínio, diretor da Escola Secundária Dr. Manuel Fernandes, que este ano acolheu a cerimónia, vincou a responsabilidade que os alunos têm ao receber este prémio. Passam a ser olhados como exemplo pelos outros alunos das escolas do concelho e da região. “Foram os nossos melhores alunos, quer se queira ou não”. A abrir a cerimónia atuou a orquestra de cordas com alunos do 6º, 7º, 8º e 9º anos da Escola Dr. Manuel Fernandes e o encerramento esteve a cargo da orquestra de sopros da mesma escola. Jerónimo Belo Jorge

//PUBLIREPORTAGEM

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A “qualificar para o futuro”, ILC distingue mérito escolar dos alunos

O ILC está mais uma vez a festejar os excelentes resultados obtidos pelos nossos alunos nos exames da Universidade de Cambridge. A escola entregou diplomas de mérito mas está também de parabéns por ter ficado em primeiro lugar devido aos excelentes resultados obtidos no nível B2 (FCE). Estes resultados devem-se à dedicação, trabalho de equipa e profissionalismo de todos os docentes que acompanharam cada um destes alunos ao longo do tempo que frequentam/frequentaram esta instituição. Sob o olhar atento dos professores e com o nosso método de trabalho, os alunos vão

recebendo feedback e motivação, são-lhes propostas metas que quando as atingem, sobe o seu nível de confiança e motiva-os para alcançarem mais. O nosso lema é qualificar para o futuro, mas também criarmos empatia com os alunos, fazendo com que se sintam em casa quando cá estão. Quando terminam o seu curso e partem para novas aventuras, ficam para sempre nos nossos corações e para sempre são parte da família ILC. Para todos os que ingressaram na universidade cá e no estrangeiro, desejamos-lhe as maiores felicidades e voltem sempre. Para os que ficam, os melhores sucessos. AF_CA_JOVENS_210x285mm.indd 1

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REPORTAGEM / Restaurante Pedagógico desperta o paladar com viagem gastronómica pela cozinha de excelência Mais um fado, mais uma degustação. Eis que chega à mesa o prato principal: magret de pato acompanhado por puré de marmelo, grelos e uma redução de romã e Chave Dourada. Numa prova clara de que é possível aliar inovação a tradição, terminamos a noite com morgadinhos à moda de Mação acompanhados pelas papas de carolo e um gelado de gin.

9.ª Inauguração da Escola Pedagógica comprova a “oportunidade” de estudar em Mação

/ E se uma imagem vale mais do que mil palavras, atrevermo-nos a ‘desfazer’ estas obras de arte foi uma dolorosa e ousada tarefa Chegámos à sede do Agrupamento de Escolas Verde Horizonte, em Mação. Entramos numa sala e, entre dois dedos de conversa e sorrisos espontâneos, desviam-se os olhares e prendem-se as atenções nas bandejas repletas de aperitivos que começam a chegar, elegantemente servidos por profissionais, em jeito de despertar os sentidos para aquilo que a noite reserva. Enquanto uma mão se ocupa em escolher qual das iguarias ousa saborear primeiramente, a outra é levada a aceitar a sugestão de um suave flute de champanhe com aroma de pêssego. Entre expressões faciais que atestam a qualidade e demonstram a surpresa pelo resultado das combinações degustadas, a experiência chama-nos para o lugar onde o baile de sabores, aromas e cores está prestes a começar. Entramos no ‘restaurante’ e somos recebidos por funcionários vestidos a rigor cujo à vontade e sorriso na cara nos dizem que a viagem gastronómica vai ser algo de que não nos vamos arrepender. A simples mas elegante decoração envolve-nos num ambiente

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/ Foram cerca de 50 os formandos de restauração que prepararam um menu completo para a mais de meia centena de convidados intimista, onde o requinte e a elegância fazem jus à estrela da noite: a cozinha e a pastelaria. Aviva-se o paladar com um foie gras com suspiro, um sonho de ovas e um folhadinho de lentilhas. As expectativas começam a elevar-se e eis que se baixam as luzes e se ajeitam os xailes: silêncio, que se vai cantar o fado. Ao longo da noite, pelas vozes das fadistas Beatriz Pereira e Fran-

JORNAL DE ABRANTES / Novembro 2019

cisca Correia, acompanhadas ao som das cordas por José Catarino e Manuel Correia, percorremos nomes da música tradicional portuguesa como Amália e Ana Moura. Com todos os sentidos apurados, é-nos apresentada a entrada principal. Uma cornucópia invertida que pousa de forma aprumada sobre um ceviche de peixe e manga, num prato pintado com fios de chocolate e folhas de salsa.

No final desta viagem pelo mundo da cozinha e da pastelaria, em que os sabores se fundiram das maneiras mais inesperadas, importa dar relevância ao trabalho dos profissionais envolvidos na conceção do menu. Falamos dos cerca de 50 alunos das três turmas do Curso Profissional de Restauração, Serviço de Cozinha/Pastelaria, sob a orientação dos chef’s Bárbara Vieira, Raquel Rosa e Tiago Ramos, que escolheram o Agrupamento de Escolas Verde Horizonte, em Mação, para dar asas aos seus sonhos e apostar na sua formação profissional. Jovens raparigas e rapazes que fizeram jus às expectativas e que estão a adquirir “capacidade de trabalho”, conforme contou ao JA a chef Bárbara Vieira. A chef realçou a importância de transmitir aos alunos que “o mundo real é completamente diferente daquele que eles veem na televisão, e que temos de nos adaptar à realidade que existe”, e diz que o truque é “recriar, trabalhar, desenvolver novos sabores” sem nunca esquecer a “valorização dos produtos da região”. Numa inauguração que homenageou os técnicos de todos os cursos profissionais do agrupamento, o diretor José António Almeida fez questão de sublinhar que o restaurante pedagógico inaugura todos os anos porque “somos efetivamente todos os anos um restaurante diferente”. O responsável realçou a excelência da aprendizagem neste agrupamento, que aposta “naquilo que é mais importante numa formação profissional, que é o exercício prático” bem como no trabalho diário para permitir aos alunos ter “condições de trabalho, liberdade para experimentar e experiências que de outra forma não conseguiam”. E as novidades marcam presença habitual neste agrupamento. José António Almeida anunciou que no próximo ano letivo os cursos de restauração lecionados em

Mação vão passar a ter “tanto valor em termos formais como uma formação dada em Madrid, Paris ou Bruxelas”. Uma certificação internacional que vai permitir aos alunos ter carteira profissional válida não só a nível nacional mas também no espaço europeu. Mas o lema que sobressaiu nesta noite foi o de que “não queremos que estudar em Mação seja uma fatalidade. Queremos que estudar em Mação seja uma oportunidade”. Nesse sentido, o presidente da Câmara Municipal de Mação, Vasco Estrela, lembrou que é necessário “olhar para os territórios e ver como é que é possível ultrapassar os constrangimentos que têm” e deixou uma palavra de estímulo para a direção da escola para que “não perca os bons hábitos”. “É extraordinariamente importante fixar estes alunos no nosso concelho e permitir que esta escola reúna toda a comunidade”, destacou o autarca que não ficou indiferente àquilo que tem sido “a dinâmica da escola”. Vasco Estrela deixou também uma mensagem aos protagonistas da noite, os alunos, para que “possam aproveitar a formação e percebam que estão a ficar com uma ferramenta fundamental para o vosso futuro”. “Gostaria muito que ficassem no nosso concelho - bem sei que é um bocadinho ilusão aquilo que estou a dizer - mas pelo menos espero que nunca esqueçam que foi aqui que aprenderam e que encontraram ferramentas para o vosso futuro. Nunca percam as raízes”, concluiu. Também presente no jantar esteve Francisco Neves, delegado regional da Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares de Lisboa e Vale do Tejo, que transmitiu aos alunos que “o Ministério da Educação está atento”. “É uma ilusão pensar-se que uma boa formação é aquela que se adquire em contextos urbanos e que estas formações feitas em escolas do interior não criam qualidade: muito pelo contrário”, disse o responsável. Já Luiz Oosterbeek, professor coordenador do IPT, deixou uma mensagem simples mas poderosa: “O que é preciso é ser feliz e o grande segredo é que nós somos felizes quando fazemos felizes os outros. E eu acho que isso se aprende nesta escola”. De barriga aconchegada e balanços feitos, ficou a garantia por parte de José António Almeida de que a comunidade vai poder testar e aprovar a qualidade do trabalho aqui produzido, com a abertura do restaurante pedagógico ao público ao longo do ano “para que as pessoas possam vir aqui e por preços simbólicos possam provar e experimentar alguma da formação que aqui é dada aos nossos alunos”. Ana Rita Cristóvão


SOCIEDADE /

Rotas de Mação aprovadas seguem para homologação O projeto Rotas de Mação foi oficializado entre a rede de entidades e instituições envolvidas com a assinatura de um protocolo. A cerimónia decorreu na sexta-feira, dia 11 de outubro e o protocolo foi firmado entre a Comissão Instaladora das “Rotas de Mação” e várias entidades e instituições do concelho. Leonel Mourato, “a cara e a voz” do projeto, começou por dizer que, em Mação “temos uma história” em cada uma das freguesias do concelho, são “histórias bonitas mas desligadas entre elas”. Foi uma questão de tempo até irem para o terreno, convidar as pessoas a contarem as histórias e “começámos a formar em exército”. Em maio, o projeto foi apresentado e Leonel Mourato recordou o que disse na altura, ao referir-se a um projeto “possível” e “vencedor” mas a que impôs duas condições: “não haver politiquices” pois há “um bem maior que é o concelho de Mação e isto é um tesouro que nós aqui temos e temos que o preservar”. A segunda condição diz respeito ao facto de estarem envolvidas todas as freguesias do concelho porque “só assim faz sentido, se todos participarem”. Ao todo, são 16 os percursos que integram as Rotas de Mação e um dos aspetos que as distinguem é o facto de “estarem todos interligados”. “Nunca no Médio Tejo se fez algo parecido, é uma pedrada no charco”, adiantou Leonel Mourato que confirmou que são “35 as entidades que vão ser membros fundadores das Rotas de Mação”. São elas a Câmara Municipal de Mação, as seis Juntas de Freguesia, o Agrupamento de Escolas Verde Horizonte, os Bombeiros Voluntários de Mação, a Guarda Nacional Republicana e as associações e coletividades do concelho. Já aprovadas estão quatro rotas, trabalho que foi feito “em quatro meses”. O PR2-MAC-Rota do Brejo e Bando dos Santos, PR3-MAC-Rota do Carvoeiro, PR4-MAC-Rota da Ortiga Sul e PR5-MAC-Rota da Queixoperra já viram a aprovação conseguida e propõem-se agora à homologação. Também o registo da marca já está em curso.

Os autarcas

A União de Freguesias de Mação, Penhascoso e Aboboreira tem dois percursos aprovados e o presidente da Junta de Freguesia falou em “satisfação” e de “um programa

que vai dar muito dinamismo ao concelho e, em especial, à freguesia que represento”. José Fernando Martins disse que os dois percursos da freguesia “estando ainda por lapidar, já têm alguma maturidade derivado a já se fazerem ali alguns percursos pedestres há uns anos. É com satisfação que vejo a sua homologação porque é merecido”. Na cerimónia de assinatura dos protocolos, Nuno Bragança, presidente da Junta de Freguesia do Carvoeiro, agradeceu às associações da freguesia que se envolveram no projeto e a paciência da Comissão Instaladora das Rotas para com as perguntas dos autarcas “porque nós às vezes reclamamos um pouco mas acho que isso também faz parte do processo”. Já o presidente da Junta de Freguesia de Ortiga dirigiu-se diretamente a Leonel Mourato, o grande dinamizador da iniciativa. Rui Dias disse que o trabalho efetuado em tão pouco tempo “é de louvar”. “Temos agora um caminho a percorrer no sentido de reformar a visibilidade e credibilidade deste ambicioso projeto, afirmando o nosso valor conjunto”, destacou o autarca. Rui Dias disse ainda que “temos que continuar a trabalhar no sentido de acrescentar valor e continuar a ajudar a nossa Câmara Municipal a inverter a desertificação de um interior em que nos estamos a afundar. Porém, não temos

qualquer dúvida que em face das condições e circunstâncias que temos, não vai ser fácil. Mas a união que impuseste e os valores que inicialmente traçaste, tudo têm para triunfarmos e o concelho de Mação merece”, concluiu Rui Dias. Por fim, foi a vez do presidente da Câmara Municipal de Mação usar da palavra e Vasco Estrela começou por contar o início deste projeto e do apoio da Autarquia. “O princípio foi algures em 2018 quando o Leonel levou a cabo uma iniciativa na Ortiga, pediu um pequeno apoio à Câmara (…) e foi dali que surgiu a possibilidade de se fazer alguma coisa deste género aqui no concelho e entendemos que era importante acolhermos esta iniciativa”, começou por explicar. Vasco Estrela recordou que, desde a sua candidatura à Câmara Municipal, “sempre disse que só com união e com o trabalho de todos é que conseguiríamos inverter algumas tendências extremamente negativas que o concelho estava, e está, a viver. Sempre disse que precisávamos do contributo de todos para tentar inverter estas situações. Sempre disse que não iria ser a Câmara uma força de bloqueio de iniciativas, de ideias, viessem de onde viessem. Desde que as coisas tivessem sustentabilidade mínima, a Câmara tinha obrigação de as acolher”. O presidente da Câmara Mu-

“Há “um bem maior que é o concelho de Mação e isto é um tesouro que nós aqui temos”

nicipal de Mação agradeceu depois a todos os intervenientes nas Rotas de Mação “pela vitalidade” demonstrada e falou diretamente para Leonel Mourato a quem disse que “a história far-se-á um dia, 2018 foi há um ano e meio, já fizemos alguma história e, portanto, o que foi feito até ao dia 11 de outubro de 2019 por esta hora, já está feito e já está escrito. Daqui para a frente, será feito e escrito da forma que todos nós quisermos”, declarou Vasco Estrela.

“Vamos fazer da nossa maior fraqueza a nossa maior oportunidade” Leonel Mourato

No final, Leonel Mourato, por-

ta-voz das Rotas de Mação, falou do significado desta primeira formalização que considerou “um dia incrível”. “Nós somos bebés, temos quatro meses disto embora tenhamos andado desde julho de 2018 até maio de 2019 a percorrer o terreno de mochila às costas, chapéu e GPS na mão. Em quatro meses temos quatro rotas prontas. Há muito trabalho de muita gente”, afirmou Leonel Mourato. O dinamizador das Rotas de Mação conta que “o projeto vai até 2025” e que a colocação de sinalética já começou esta segunda-feira. “Temos já três propostas do portal informático (…), temos que preparar as candidaturas a fundos europeus, quer da sinalética, quer do portal, dia 21 vão arrancar os quatro percursos para homologação, depois temos 60 dias para colocar as placas no terreno, preparar tudo e convidar as pessoas de Mação a irem passear”, disse. Na organização, estão 40 pessoas envolvidas e diz Leonel Mourato que são mãos suficientes para o trabalho que tem que ser feito. No entanto, reconhece que “Mação tem um problema: começou lá muito do fundo. Eu conheço Portugal caminhando e sei que há territórios que têm muito potencial. Infelizmente Mação não tem porque ardeu tudo”. Leonel Mourato explicou que “já tivemos zonas marcadas e mapeadas que, pura e simplesmente, desapareceram. E isso dói”. “Mas vamos fazer da nossa maior fraqueza a nossa maior oportunidade”, proferiu. Leonel Mourato disse que “vamos pegar num concelho ardido e vamos dizer que temos aqui pessoas que querem fazer o concelho renascer. E daquilo que sei e conheço, acredito sinceramente que isso será muito bem acolhido”. Leonel Mourato assumiu também a vontade de, um dia, em 2025, conseguir constituir um Geoparque em Mação. “O Geoparque é para andar, não tenho a mínima dúvida”, afirmou, convicto. “Neste momento, para nos podermos candidatar ao Geoparque, falta-nos uma vertente que é o conhecimento. E o Instituto Terra e Memória (ITM), tem uma rede de contactos suficientes para lá chegar”, lembrou. O dinamizador das Rotas de Mação disse ainda que “temos um sonho e enquanto não nos derem com a parede na porta, vamos andando”. Agora, “é pegar no chapéu, na mochila, no GPS e seguir o caminho” porque “temos três pontos: o ponto C, que é o ponto final; o território B que é aquele que nós percorremos; mas o único ponto que sabemos é o ponto A que é de onde partimos. O resto é desconhecido”. Patrícia Seixas

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ATUALIDADE / Sardoal Município aprova Grandes Opções do Plano e Orçamento para 2020

Sardoal vai ter consultas de saúde oral no SNS abertas à população

Na última reunião de Câmara de Sardoal, que aconteceu a 30 de outubro, o executivo aprovou por maioria, com duas abstenções dos vereadores do Partido Socialista, a proposta de grandes opções do plano e de Orçamento para 2020. O presidente da autarquia, Miguel Borges, apresentou as previsões para o próximo ano, dando conta de que o Orçamento Municipal se situará na casa dos 13 milhões de euros – valor que representa um crescimento de quase um milhão face ao documento previsional do orçamento de 2019. Um orçamento que "tem muito a ver com aquilo que é o quadro comunitário que está ainda em curso" e que envolve "um esforço enorme para aproveitar um conjunto de possibilidades que estamos a ter [em termos de fundos comunitários] e que não sabemos se voltamos a ter". Quanto aos principais investimentos previstos para o ano de 2020, o autarca destaca a requalificação do parque escolar como “o maior investimento” previsto. Do plano de investimentos para 2020 consta também a “segunda fase da requalificação da capela de Nossa Senhora do Carmo”, considerada “o segundo grande investimento” e que acontece no âmbito do projeto do Centro de Interpretação da Semana Santa e do Património Religioso. Mas são também investimentos previstos a recuperação do externato Rainha Santa Isabel, o “projeto de recu-

O Município anunciou a celebração de um protocolo de cooperação com a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo no sentido de implementar consultas de saúde oral no Centro de Saúde de Sardoal. O assunto veio a reunião de Câmara no dia 30 de outubro, onde o presidente da autarquia, Miguel Borges, deu conta de que o papel do Município passa por “adquirir a cadeira e os materiais de dentistas” enquanto a ARSLVT fica responsável por “colocar os técnicos”, de modo a operacionalizar a futura valência que vai existir no centro de saúde. Em declarações ao JA, o autarca referiu que as consultas de den-

peração do mercado diário, que já está aprovado”, o projeto de na piscina descoberta, que já começou este ano, no sentido de aumentar a eficiência energética do espaço, e a “construção de um parque de autocaravanas com estação de serviço”, no âmbito da rota da EN2. No âmbito social, o Município vai dar continuidade ao ‘programa abem: Rede Solidária do Medicamento’, assim como a “gratuitidade das refeições escolares de forma universal para todas as crianças [do pré-escolar ao 6.º ano] independentemente das suas condições económicas, bem como os 5€ de auxílio económico por período”, conforme explicou o autarca. Destaque para uma novidade no orçamento para 2020: a construção de uma casa para a Proteção Civil. Miguel Borges explica que “fruto da nossa necessidade e da opor-

tunidade de fundo comunitário”, pretende “adaptar-se o espaço onde hoje são os bombeiros municipais para que ele possa ter mais valências, ou seja, o Centro Municipal de Proteção Civil e o Centro de Meios Aéreos”, com a existência também de um espaço “em casa de catástrofe, para realojar alguém”. Um projeto no valor de 400.000€, com 85% de financiamento comunitário. 2020 será também um ano em que a autarquia sardoalense prevê re-implementar o Orçamento Participativo e apostar na requalificação a nível de saneamento e pavimentação. Em jeito de balanço das projeções apresentadas para 2020, o presidente do Município de Sardoal admite que "estamos a andar muito devagarinho, mas estamos a andar" e que a principal aposta “é nas pessoas”.

CARTÓRIO NOTARIAL DE CONCEIÇÃO RIBEIRO MARTINS, RUA DR. EDUARDO DE CASTRO, N.º19, R/C, EM VILA DE REI EXTRACTO DE JUSTIFICAÇÃO

Certifico narrativamente, para efeitos de publicação, que por escritura lavrada em dezoito de outubro de dois mil e dezanove, exarada a folhas SESSENTA E DOIS do livro de notas para escrituras diversas número UM – A, ALBERTO FARINHA MARTINS, NIF 145.482.472 casado com Paula Cristina Melo da Silva Neves Martins, NIF 113.576.960, sob o regime da comunhão de adquiridos, natural da freguesia e concelho de Vila de Rei, residente habitualmente na Rua Diogo de Arruda, número 22, 1º direito, freguesia de Santa Maria dos Olivais, concelho de Tomar, declarou que é dono e legítimo proprietário, com exclusão de outrem, do seguinte imóvel: Prédio rústico, composto de terra de eucaliptal e mato, sito em Chã, freguesia e concelho de Vila de Rei, com a área de três mil e oitocentos metros quadrados, a confrontar do norte com Estrada, do sul com Laura da Conceição Perdiz Simão, do nascente com herdeiros de António Pires e do poente com Albertina da Silva Perdiz, omisso na Conservatória do Registo Predial de Vila de Rei, inscrito na matriz em nome do justificante sob o artigo 15.916, com o valor patrimonial tributário de 137,31 euros. Que o imóvel acima identificado lhe pertence por doação meramente verbal que dele lhe fez, a sua avó Luísa de Jesus, viúva, já falecida, residente que foi no lugar de Ladeira, freguesia e concelho de Vila de Rei, feita em data que não sabe precisar mas que situa no ano de mil novecentos e oitenta e quatro e portanto há mais de vinte anos, na data da doação no estado de solteiro, maior. Que desde que a mesma foi efetuada até esta data, sempre ele justificante usufruiu do citado imóvel, ininterruptamente, à vista de toda a gente, sem oposição de quem quer que seja, com a consciência de utilizar e fruir coisa exclusivamente sua, adquirida de anterior proprietária, limpando-o e dele retirando os seus normais frutos, produtos e utilidades. Que em consequência de tal posse, em nome próprio, pacífica, pública e contínua, adquiriu sobre o dito imóvel o direito de propriedade por usucapião, não tendo em face do modo de aquisição, documento que lhe permita comprovar o seu direito de propriedade perfeita. Está conforme. Cartório Notarial de Vila de Rei, a cargo da Notária Maria da Conceição Fernandes Ribeiro Martins, dezoito de outubro de dois mil e dezanove.

Certifico narrativamente, para efeitos de publicação, que por escritura lavrada em dezoito de outubro de dois mil e dezanove, exarada a folhas SESSENTA do livro de notas para escrituras diversas número UM – A, MARIA DE LOURDES DE OLIVEIRA DIAS MARTINS, NIF 120.834.200 casada com Manuel Martins Francisco, NIF 149.968.825, sob o regime da comunhão de adquiridos, natural da freguesia e concelho de Vila de Rei, residente habitualmente na Rua do Funchal, número 30, freguesia de Casal de Cambra, concelho de Sintra, declarou que é dona e legítima proprietária, com exclusão de outrem, do seguinte imóvel:

JORNAL DE ABRANTES / Novembro 2019

Ana Rita Cristóvão

Ana Rita Cristóvão

CARTÓRIO NOTARIAL DE CONCEIÇÃO RIBEIRO MARTINS, RUA DR. EDUARDO DE CASTRO, N.º19, R/C, EM VILA DE REI EXTRACTO DE JUSTIFICAÇÃO

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tista são “para toda a população” e gratuitas - com o pagamento da respetiva taxa moderadora do SNS. Esperançoso de que o investimento seja “100% assumido por fundos comunitários”, Miguel Borges explica que, se tal não vier a acontecer, o Município apenas ficará com o encargo de 15% do investimento total que ronda os 40.000€. Não deixando de afirmar que a falta de aposta na saúde oral tem sido “uma falha muito grande no nosso Serviço Nacional de Saúde”, o autarca considera ainda que esta iniciativa é uma “mais-valia” e uma medida “muito importante para uma franja da população”.

Prédio rústico, composto de terra de olival e mato, sito em Vale da Porta, freguesia e concelho de Vila de Rei, com a área de mil metros quadrados, a confrontar do norte com Caminho, do sul com José de Oliveira Dias, do nascente com Apolinário da Silva e do poente com Joaquim Dias Urbano, omisso na Conservatória do Registo Predial de Vila de Rei, inscrito na matriz em nome da justificante sob o artigo 13.962, com o valor patrimonial tributário de 57,36 euros. Que o imóvel acima identificado lhe pertence por doação meramente verbal que dele lhe fizeram, seus pais, Joaquim Dias e Lucília de Oliveira, casados sob o regime da comunhão geral, residentes na Rua Vale Gamito, número 14, lugar de Eira Velha, na aludida freguesia de Vila de Rei, feita em data que não sabe precisar mas que situa no ano de mil novecentos e oitenta e um, portanto há mais de vinte anos. Que desde que a mesma foi efetuada até esta data, sempre ela justificante usufruiu do citado imóvel, ininterruptamente, à vista de toda a gente, sem oposição de quem quer que seja, com a consciência de utilizar e fruir coisa exclusivamente sua, adquirida de anteriores proprietários, limpando-o e dele retirando os seus normais frutos, produtos e utilidades. Que em consequência de tal posse, em nome próprio, pacífica, pública e contínua, adquiriu sobre o dito imóvel o direito de propriedade por usucapião, não tendo em face do modo de aquisição, documento que lhe permita comprovar o seu direito de propriedade perfeita. Está conforme. Cartório Notarial de Vila de Rei, a cargo da Notária Maria da Conceição Fernandes Ribeiro Martins, dezoito de outubro de dois mil e dezanove.

NOTARIADO PORTUGUÊS CARTÓRIO NOTARIAL DE SÓNIA ONOFRE EM ABRANTES A CARGO DA NOTÁRIA SÓNIA MARIA ALCARAVELA ONOFRE. Certifico para efeitos de publicação que por escritura lavrada no dia dezasseis de Outubro de dois mil e dezanove, exarada de folhas quinze a folhas dezasseis verso, do Livro de Notas para Escrituras Diversas CENTO E OITENTA E DOIS – A, deste Cartório Notarial, foi lavrada uma escritura de JUSTIFICAÇÃO, na qual os Senhores ABEL ROSA DE JESUS e mulher EMÍLIA ROSA MATIAS ANTUNES DE JESUS, casados no regime de comunhão de adquiridos, ambos naturais da freguesia de Souto, do concelho de Abrantes, residentes na Rua João Lopes Batista, número 65, no Maxial, Fontes, Abrantes, DECLARARAM, que, com exclusão de outrem, são donos e legítimos possuidores do Prédio rústico, sito em Furadouro, na freguesia de Fontes, do concelho de Abrantes, composto de pinhal, com a área de quatro mil quinhentos e sessenta metros quadrados, inscrito na matriz sob o artigo 14 da secção Q (anterior artigo 14 da secção Q da extinta freguesia de Souto). Que o prédio encontra-se descrito na Conservatória do Registo Predial de Abrantes sob o número SETENTA/Souto e lá inscrito a favor de MARIA ROSA, pela inscrição Ap. 11, de 25/07/1985. ---Que, o prédio ora justificado veio à posse dos Justificantes por o terem adquirido por partilha verbal da herança aberta por óbito de seu pai e sogro Mateus de Jesus, por volta do ano 1996, que o havia adquirido, por compra meramente verbal, a Maria Rosa, por volta de 1985. ---Que a titular inscrita foi notificada por carta registada com aviso de recepção, para a morada dela conhecida, e editalmente nos termos do artigo 99º do Código do Notariado, nomeadamente pela afixação de editais na Junta de freguesias de Fontes, do concelho de Abrantes e na Conservatória do Registo Predial de Abrantes, cujo Processo se encontra arquivado sob o número 03/2019, do ano de 2019, no Maço de Notificações de Titulares Inscritos. ---Que, desde, pelo menos, mil novecentos e oitenta e cinco, sendo os justificantes, por si desde 1996 e os seus pais e sogros desde 1985, logo há mais de vinte anos, vêm exercendo continuamente a posse do prédio, à vista e com o conhecimento de toda a gente da freguesia e freguesias limítrofes, usufruindo de todas as utilidades do mesmo, amanhando-o, cultivando-o, apanhando a fruta, na convicção de exercer direito próprio, ignorando lesar direito alheio, sendo reconhecidos como seus donos por toda a gente, pacificamente, porque sem violência, continua e publicamente, de forma correspondente ao exercício do direito de propriedade, sem a menor oposição de quem quer que seja e pagando os respectivos impostos, verificando-se assim todos os requisitos legais para que a aquisição do citado imóvel seja por usucapião, título este que, por natureza, não é susceptível de ser comprovado pelos meios normais. ---Está conforme ao original e certifico que na parte omitida nada há em contrário ou além do que nesta se narra ou transcreve. Abrantes, 16 de Outubro de 2019


REPORTAGEM /

Chanfana da Queixoperra

voltou à mesa em forma de festival Sábado, 19 de outubro. O relógio marcava 19:20. O chão molhado, as nuvens escuras indiciava as chuvadas outonais do dia. Em Queixoperra, pequena aldeia do concelho de Mação, a associação da terra ganhava uma vida muito mais agitada. O bar estava cheio. No snooker agitava-se a boa disposição e olhava-se, incessantemente, para o relógio. Ainda faltavam alguns minutos, algum tempo para as 20 horas. Do outro lado uma mesa na rua, ao fresco da noite, esperava dezenas, centenas, de pessoas que se haviam inscrito para o Festival da Chanfana da aldeia. Seriam 350 inscritos. E foram mesmo. E não foram mais porque a logística não permite. O salão estava cheio, com mesas corridas. Até o palco da associação tinha mesas. E do lado de fora do salão havia um outro espaço com mais mesas. Às 20 horas, o presidente do Centro Cultural e Recreativo de Queixoperra, Flávio Santos, olhava à volta e tentava perceber se tinha tudo a postos para poderem abrir as portas e permitir a entrada dos convivas que se “amontoavam” no exterior do edifício.

O Festival ganhou forma depois dos jantares de chanfana das festas de verão, ali em meados de julho. Sempre foi a grande tradição da aldeia oferecer um jantar de cabra-velha, ou ovelha-velha, aos festeiros e respetivas famílias. Essa tradição ganhou fama e começou a fazer aparecer na Queixoperra “muitos vizinhos e amigos” a quem “nós não fechámos a porta”, explicou o presidente da coletividade. Este dia, a segunda-feira da festa, começou a ter tanta fama que “decidimos criar, em 2014, o Festival da Chanfana. Um evento dedicado a este prato, bem confecionado na aldeia, e que, em outubro, permite abrir inscrições a quem quiser provar o pitéu. E ganhou tanta expressão que as inscrições f e cha m po uco tempo depois da abertura. Flávio Santos revelou que não pensam em aumentar a capacidade porque a logística já é pesada, com 350

pessoas. Mas adianta que, se pudessem ter mais capacidade, não faltariam pessoas interessadas em vir jantar á Queixoperra. “A aldeia tem menos de 200 pessoas e neste dia nós chamamos cá 350. Temos pessoas de Mouriscas, Abrantes, Sardoal, Torres Novas, Lisboa.” Flávio Santos confirmou que endereçou convite ao Presidente da República para vir provar a chanfana. E, apesar de saberem que será uma visita difícil, mantêm essa esperança, de que

Marcelo Rebelo de Sousa possa visitar Queixoperra e degustar o prato, que é a iguaria da terra. “Este ano ainda pensámos que pudéssemos ter cá o Presidente, pelos afetos, pela forma de ser. Sabemos que não será possível, mas nunca se sabe. Podemos não o esperar e ele aparecer de repente.” Nove ovelhas que são 150 quilos de carne, trabalhados por elas, da forma como sabem para que a cozedura seja feita daquela forma que só Regina Martins sabe. “A nossa chanfana é boa, as pessoas gostam porque não tem aquele sabor mais intenso do borrego ou da cabra. Há quem venha e coma frango (prato alternativo para quem não gosta do prato principal), e acabe a comer a chanfana, porque provam e gostam”. Se os tachos com a chanfana estão prontos a ser servido, ainda se ultimam as batatas e o arroz branco para acompanhar o frango. A equipa da cozinha da Associação da Queixoperra foi crescendo durante a tarde porque é preciso fazer a salada, cortar o pão, preparar as entradas. Ali, noutra sala ao lado da cozinha, já estão as centenas de taças com o arroz doce que foi feito durante a tarde. Foram cinco quilos de arroz para confecionar outra iguaria da Queixoperra: “O nosso arroz doce também é famoso. Olhe está ali preparado para servir”, diz a dona Lurdes enquanto lida com uma fritadeira industrial. E o cheiro do arroz doce e da canela ainda estão presentes. A dona Regina não diz qual é o “truque” que usa para a chanfana que é apreciada por todos os que a provam. Apenas revela que é feita como “reza a tradição e com muitas ervas” como tempero, e como é habitual nas “aldeias” do interior. Entre a boa disposição reinante lá confirmaram que há sempre um prato alternativo. Mas há que provar. Grande parte dos que pensam que não gostam da chanfana acabam por provar, a medo, e tornam-se apreciadores. Pelo menos na Queixoperra dizem que é assim. Jerónimo Belo Jorge

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SOCIEDADE /

CUSMT lança abaixo-assinado para desbloqueio de obras nas urgências do hospital de Abrantes

de “pressionar o poder político no sentido de dar prioridade às obras no hospital de Abrantes, nomeadamente nas urgências”. Com esta iniciativa a CUSMT pretende “legitimar uma pretensão que tem a ver com isto: não é justo, não é credível que se tenha concentrado a urgência médico-cirúrgica nestas instalações, sabendo que estas instalações não tinham condições para isso, muito embora os pequenos melhoramentos que tiveram”. E dá um exemplo: “Pela porta que entram estropiados, pela porta que podem entrar doenças contagiosas é exatamente a mesma porta por onde entra toda a gente, sejam eles acompanhantes sejam eles simples visitantes da urgência”. A CUSMT assume que está aberta a iniciativas que valorizem os profissionais e o próprio Serviço Nacional de Saúde mas que “isso não implica que nós não denunciemos e chamemos a atenção para questões que têm de ser resolvidas com alguma pressa”. Nesse sentido, para além da luta pelas obras de requalificação das instalações da urgência de Abrantes, a CUSMT defende várias medidas a serem aplicadas, entre as quais a contratação de mais profissionais, a melhoria da comunicação aos utentes e familiares e a atribuição da urgência médico-cirúrgica ao CHMT. A CUSMT tem lutado também pela “necessidade de se adquirir um equipamento de Ressonância Magnética para que no Médio Tejo haja Ressonância Magnética pública”.

Presidente da Câmara de Abrantes diz que assunto “preocupa imenso” a autarquia:

/ A conferência de imprensa da CUSMT aconteceu junto à entrada principal do hospital de Abrantes No início deste mês de outubro, a Comissão de Utentes da Saúde do Médio Tejo (CUSMT) reuniu-se frente ao hospital de Abrantes para uma conferência de imprensa relativa ao não-desbloqueio do processo das obras nas urgências deste hospital. Perante os jornalistas, o porta-voz da CUSMT, Manuel Soares, deu conta de que “em quatro anos, apesar de todas as resoluções na Assembleia da República, apesar de todas as tentativas, mesmo em termos orçamentais, de resolver a situação, não se avançou, colocando em causa as prioridades do Ministério da Saúde e do Ministério das Finanças”. “Isto está parado nos meandros burocráticos”, disse o responsável. Apesar de nada ter sido feito nesta legislatura, Manuel Soares

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relembra que não são há quatro mas sim “pelo menos há 15 anos que as urgências precisam de obras”. “É um processo moroso, a concentração aqui das urgências médico-cirúrgicas veio complicar uma situação que já era complicada, mas nós sempre pensámos que, persistentemente, o processo podia ir evoluindo”, disse o porta-voz, acrescentando que “chegámos a uma situação em que o projeto está pronto, está aprovado, e pura e simplesmente nem o lançamento do concurso é feito”. Manuel Soares explica que para a CUSMT aquilo que impede que o investimento seja feito “é só uma questão de prioridades. Já não se coloca a questão de falta de dinheiro, porque não é uma verba que não chega aos 3 ME – e que tem

JORNAL DE ABRANTES / Novembro 2019

um valor social, económico e até de cativação de profissionais para trabalhar nesta casa – que vem pôr em perigo as contas nacionais. É uma questão de prioridades”. E alerta: “Um dia que haja um grande azar vão-se lembrar que têm efetivamente de fazer [as obras]. Nós não queremos que haja o azar, queremos que este serviço de saúde continue a prestar o melhor serviço possível”. Nesta conferência de imprensa, a CUSMT deu conta de quem tem reunido com a administração do CHMT e com o “conselho consultivo onde estão representados os ministérios e todas as Câmaras e já nem sequer nos apresentam data para a abertura do concurso, como a dizer ‘já não sabemos o que é que havemos de fazer para dar seguimento a este projeto’ ”.

Note-se que o CHMT, EPE é uma empresa que tem como acionistas o Ministério das Finanças e o Ministério da Saúde. Defende a CUSMT que, apesar de nos últimos anos se ter avançado “no acesso e prestação de cuidados de saúde de proximidade”, em quatro anos “os ministérios da Saúde e das Finanças não desbloquearam o processo das obras na urgência do Hospital de Abrantes”, facto que “prejudica populações e profissionais”. Manuel Soares realça a “necessidade que este serviço tem de ser requalificado para bem das populações de todo o Médio Tejo e não só – porque há concelhos que não pertencem ao distrito de Santarém e que têm como referência esta urgência”. Nesse sentido, a CUSMT lançou um abaixo-assinado no sentido

Na última Assembleia Municipal de Abrantes, o presidente do município de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, abordou este tema relativo às obras da urgência médico-cirúrgica, afirmando que “sabemos que há uma intervenção muito robusta para ali acontecer, estamos a falar de alguns milhões de euros, e estamos a acompanhar a todo o tempo esta intervenção”. “Para a administração do CHMT é algo extremamente importante para o futuro, e sobretudo nesta linguagem da urgência e emergência. (...) Sabemos que há muito para melhorar, mas muito se avançou nos últimos anos”, disse o autarca que divulgou tempo depois em reunião de Câmara que o assunto “nos preocupa imenso. Há imenso tempo que temos tido várias conversas com o doutor Carlos Andrade”. Manuel Jorge Valamatos diz ainda que a Câmara tem feito o seu trabalho e que tem “diligenciado junto dos diferentes ministérios” no sentido de “manifestar as nossas preocupações” Ana Rita Cristóvão


CULTURA / NOMES COM HISTÓRIA / Grupo

É ainda hoje o espaço verde mais emblemático do nosso centro histórico e foi, desde há muito, um lugar de divertimento e convívio para os abrantinos. Era também chamado Rossio de Abrantes. Em 1863, por deliberação da Câmara, passou a denominar-se Largo do Príncipe Real, D. Carlos Fernando, e logo a seguir à implantação da República, em 17 de Outubro de 1910, o município atribuiu-lhe a actual designação. Era neste espaço que se corriam touros em ocasiões festivas, quando ainda não fora construída a praça para esse fim, se jogava à bola e ocorriam outras manifestações de carácter popular. Foi aqui e nas imediações que, durante vários séculos, se realizou a nossa feira anual, razão pela qual era também conhecido por Terrado da Feira. Integrado nesta, em 1907, aqui se instalou o animatógrafo, com sessões de cinema numa altura em que este dava ainda os primeiros passos. Em 1908, a empresa Martins & Ribas construiu, no mesmo sítio, uma barraca com condições para lá poder funcionar, durante todo o ano, o animatógrafo e por ali se manteve até 1922, saindo apenas porque a Câmara lhe subiu o preço do terrado. O centro deste jardim é hoje ocupado por um imponente monumento dedicado aos mortos da Grande Guerra (1914 – 1918), da autoria do escultor Rui Roque Gameiro e dos arquitectos Francisco Nogueira e E. Korrodi e que, como acontece frequentemente em Abrantes, teve um historial complicado. Em 1924, já na cidade e arredores eram pedidos donativos e os militares faziam grandes festejos para angariar fundos destinados à construção deste monumento que era então para ser erigido no Outeiro de S. Pedro. Em 1928, a encomenda estava feita e veio mesmo a Abrantes um dos arquitectos, Francisco Nogueira, para visitar o local e ver se este se adequava ao monumento projectado, tendo sido o seu parecer positivo. Em

Jardim da República

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uma nova forma de comunicar. ligados por natureza. 241 360 170 . geral@mediaon.com.pt www.mediaon.com.pt

Queres fazer parte da nossa equipa comercial? Envia o teu currículo para: geral@mediaon.com.pt Juntos fazemos uma região muito mais forte! 1930, noticiava-se que as esculturas iriam chegar em breve a Abrantes. Com muitas polémicas e impasses pelo meio, a escultura chegou mas ficou num dos quartéis da cidade, à guarda dos militares. O tempo foi passando e, em Junho de 1939, ainda continuava no quartel, pelo que o comandante militar de então, coronel José Garcia Marques Godinho, já cansado de tanta polémica, resolveu entregá-la à Câmara. Perante esta situação, a resolução agora foi rápida. Logo no mês seguinte, foi deliberada a construção do monumento, não no Outeiro de S. Pedro, por ser bastante periférico, mas no local onde agora se encontra, tendo sido finalmente inaugurado em 4 de Junho de 1940. Para lhe dar dignidade, projectou-se um jardim para o enquadrar e a feira foi dali retirada e deslocada para o chamado então Largo do Ramal, hoje 1ª de Maio, onde se manteve por várias décadas. Com o jardim concluído e inaugurado em 1943, este local tornou-se num agradável centro de convívio, sobretudo nas noites amenas de Verão. O Regimento de Infantaria 2 estava então instalado no Convento de S. Domingos e à noite os militares, na hora do recolher, desfilavam ao som da banda militar

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na rua anexa, o que constituía um polo de atracção para as crianças e raparigas casadoiras. Estas vinham para ali depois do jantar e passeavam em grupos, para trás e para a frente, nessa mesma rua que chegava a fechar ao trânsito, tal era o movimento, e as mães (as raparigas nessa altura não saíam à noite sozinhas) conversavam sentadas nos bancos do jardim. Enquanto isso, as miúdas mais pequenas faziam bailes de roda e cantavam: Fui ao jardim da Celeste, Ai ai minha machadinha, A borboleta branca … etc. Por volta das 23.30 voltavam para casa e tudo ficava em sossego. Em 1955, o quartel deslocou-se para as novas instalações, perto de S. Lourenço e com ele levou grande parte da vida e animação deste jardim. Agora tem um parque infantil e até há pouco funcionou ali um quiosque de comes e bebes, com uma pequena esplanada à sombra das árvores, que levava gente a este local. Há pouco, não sei porquê, fechou, mas não há dúvida que faz falta, para não transformar o jardim num simples lugar de passagem. Consultas: - Campos, Eduardo, Toponímia Abrantina, C.M.A. 1989 - Jornais da época

Novembro 2019 / JORNAL DE ABRANTES

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ATUALIDADE / Distrito

Distrito de Santarém com menos população e menos emprego

OPINIÃO /

As associações José Alves Jana FILÓSOFO

O Um estudo da União dos Sindicatos de Santarém divulgado no mês de outubro desde ano mostra que o distrito tem vindo a perder população e postos de trabalho, bem como poder de compra, sendo o salário médio 13% inferior à média nacional. O “retrato socioeconómico do distrito de Santarém”, foi feito a partir de dados oficiais para servir de base de trabalho para o XI Congresso da União dos Sindicatos do Distrito de Santarém (USS/CGTP-IN), que se realizou no final do mês em Alpiarça. O estudo foi apresentado em conferência de imprensa, em Santarém e em Tomar. Rui Aldeano, coordenador da USS, afirmou, na altura, que o estudo “confirma as preocupações que há muito o movimento sindical tem manifestado relativamente à desertificação, envelhecimento, degradação de serviços públicos e empobrecimento geral da população no distrito de Santarém”. Segundo os dados divulgados, o distrito perdeu 22.500 habitantes entre 2011 e 2018 (5% da sua população, o dobro do restante país em termos percentuais) e assistiu a uma queda do emprego – menos 24% entre 2002 e 2013 -, existindo em 2017 menos 43.600 empregos que em 2002 (menos 19%), “apesar da recuperação” iniciada em 2014. O setor mais afetado foi a indústria, com menos 34.000 postos de trabalho entre 2002 e 2016, tendo

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a agricultura registado uma quebra de 17.600 empregos, afirma. Para a USS, é “preocupante” o que está a acontecer no setor agrícola, com os postos de trabalho disponíveis a serem ocupados por trabalhadores migrantes “em situação de precariedade e com salários que, apesar de melhores aos praticados nos seus países de origem, apenas lhes permitem sobreviver, por vezes, em condições consideradas entre nós como desumanas”. Salientando que o problema não reside na ocupação de postos de trabalho, mas sim “na exploração” a que os trabalhadores imigrantes estão sujeitos e na “forma como os patrões se aproveitam das suas fragilidades”, a USS atribui a precariedade no setor à sazonalidade e ao “investimento na monocultura”. Contudo, afirmou, “o retrato da precariedade é transversal a todos os setores e atinge níveis bastante preocupantes no distrito”, com o peso dos contratos a termo a atingir os 33%, com maior incidência nos homens (35%) e nos jovens (mais de 50% até aos 35 anos e 70% no escalão 18-24 anos). Além da precariedade, a situação é também geradora de diferenças salariais entre vínculos precários e vínculos permanentes (menos 20% a menos 40%). “Estamos certos de que os efeitos da precariedade se refletem no salário médio do distrito, sendo

JORNAL DE ABRANTES / Novembro 2019

este de 823 euros, menos 13% que a média nacional”, e, no caso das mulheres, de apenas 760 euros, declarou. Os baixos salários têm impacto no poder de compra, “abaixo do ano 2010 em sensivelmente 22 euros”, sendo nos concelhos de Mação e de Ferreira do Zêzere inferior aos 70% da média nacional, acrescentou. “O distrito está envelhecido, existindo mais de 95.000 reformados por velhice e onde, na esmagadora maioria dos concelhos, a pensão de velhice é abaixo dos 435 euros da média nacional”, fruto dos “baixos salários praticados”. A USS refere ainda a sua “preocupação” com “os números da sinistralidade laboral”, apontando os 159.000 acidentes de trabalho comunicados entre 2000 e 2016, ano em que foram registados 8.100. “É preocupante que entre 2000 e 2016 tenham morrido 270 trabalhadores em acidentes de trabalho no distrito de Santarém”, afirmou Rui Aldeano. A USS aponta os “maus tratos que os serviços públicos têm sofrido” no distrito, referindo o encerramento de 251 estabelecimentos de ensino entre 2009 e 2018 e de 24 estações dos CTT entre 2011 e 2017, e “a enorme falta de médicos”, refletida nos 49.000 utentes sem médico de família e no exemplo do Sardoal em que “apenas 23% dos utentes tem médico de família”.

movimento associativo é um dos indicadores da vitalidade da sociedade civil. As associações surgem quando um grupo de pessoas se associam para resolverem um problema coletivo. Ou seja, as pessoas tomam nas mãos um problema social e criam uma resposta em falta. Hoje, parece que este modelo está em crise. Por outro lado, estão a surgir associações que visam antes de mais criar um posto de trabalho dos que promovem… uma empresa disfarçada de estatuto associativo. Etc. Durante muito tempo, tivemos muitas associações de base local, para resolver os problemas da terra. Mas o poder local veio, em grande medida, esvaziar a sua razão de ser. Algumas associações morreram, outras tornaram-se meros centros de lazer, mas como o entretenimento é hoje uma indústria poderosa, muitas associações resistem numa morte lenta com cada vez menos sentido. Uma ou outra, poucas, souberam reinventar-se e satisfazer novas necessidades. A nossa região gaba-se de ter muitas associações, mas valem mais pelo número que pela criatividade. Muitas insistem em respostas para as quais já não há procura e por vezes com padrões de (ou falta de) qualidade que são dum passado perdido. Olhemos à volta. Onde estão as associações com novas formas de fazer as coisas ou a trabalhar em novos objetivos? Por exemplo, a construir alternativas ambientais, a levar a leitura a novas franjas da sociedade, a fazer integração social através da arte, a trazer até ao centro da cultura populações marginais, a defender espécies em risco… Enfim, a construir alternativas de futuro. Por exemplo, a banda filarmónica nasceu como forma de os operários ganharem mais alguma coisa fora da fábrica. Hoje, o que faz de novo e de facto importante? Continua com grande dificuldade em encontrar o seu lugar na sociedade. Nos países desenvolvidos o trabalho da associação tem a sua base em profissionais que enquadram um conjunto de voluntários. Entre nós, o trabalho da associação tem a sua base na direcção constituída por voluntários que, às vezes, enquadram algum

raro profissional, ou então é a direção que faz tudo, até caírem exaustos, até porque deste modo há cada vez menos voluntários. Assim, não se pode ir longe. Um dos problemas das nossas associações é a falta de conhecimentos e prática de boa gestão. Ora, sem gestão não se vai longe. Não há uma aposta na formação de dirigentes associativos. E, se há, “eles não aparecem”. Sabem tudo. Nada de anormal, numa sociedade que não aposta no conhecimento. Por outro lado, o financiamento das associações raia o caricato, quase inexistente e incapaz de impulsionar a subida das associações na produção de valor, tanto financeiro como social. A falta de qualidade é a norma, a falta de público é a consequência, a crise é um modo de vida. Onde estão as exceções? É muito difícil, cada vez mais difícil, dirigir uma associação. E sem formação, a repetir o que se fazia há décadas, é suicida. A moda das associações juvenis veio estimular a gestão sem experiência nem possibilidades de aprender. Não é solução. Talvez por isso, as apostas sociais são ou no Estado ou na empresa privada que visa o lucro do empresário. Estamos, assim, a deitar borda fora as potencialidades do terceiro setor, que outros países desenvolvem com empenho e profissionalismo. Nós, como somos ricos, não estamos interessados. P.S. – Por opção, não são aqui tidas em consideração nem as IPSS’s, nem o setor do desporto.

A falta de qualidade é a norma, a ausência de público é a consequência, a crise é um modo de vida.


SOCIEDADE / //TRAMAGAL

Museu Metalúrgica Duarte Ferreira reconhecido no “The Best in Heritage”, na Croácia

//VILA DE REI Edifício dos antigos CTT vai dar origem a hostel e apartamentos O edifício dos antigos Correios, situado na freguesia de Vila de Rei, vai ganhar nova vida com um projeto para a criação de um hostel e de apartamentos para arrendar. A notícia foi avançada na última Assembleia Municipal de Vila de Rei pelo presidente do município, Ricardo Aires, que deu conta de que “houve um privado” que mostrou interesse em “fazer apartamentos e um hostel” naquele espaço. Ricardo Aires recorda que o município, quando adquiriu o edifício,

Os custos da indefinição Nuno Alves MESTRE EM RELAÇÕES INTERNACIONAIS nmalves@sapo.pt

N O Museu Metalúrgica Duarte Ferreira marcou presença neste evento como "consequência de ter sido galardoado como Museu do Ano da Associação Portuguesa de Museologia em 2018", refere. Luís Filipe Dias realça que "a forma como o projeto foi reconhecido como projeto de influência enaltece tudo aquilo que é feito para as pessoas, para as comunidades e que influenciam projetos

tinha um projeto que se prendia com a criação de “uma residência para estudantes, um hostel e uma casa de artistas”. Ao Jornal de Abrantes, o vice-presidente da autarquia, Paulo César, confirmou que o município vendeu o edifício por 50.000€ - o mesmo valor pelo qual o tinha adquirido anteriormente. Já Ricardo Aires mostrou-se confiante quanto à realização deste projeto, não fazendo para já previsões no que diz respeito a datas. Face à necessidade de mais habitação no concelho, o autarca, em Assembleia Municipal, apelou à iniciativa privada “para fazer o seu trabalho”, nomeadamente no que diz respeito à criação de habitação e consequente fixação de população no concelho. “Temos ótimos terrenos e também temos terrenos de particulares com loteamentos já feitos”, disse, reforçando as "ótimas condições para vender, e havendo loteamentos privados dentro da sede de concelho e também no Milreu é ótimo para investimentos”. Ricardo Aires salienta ainda que “o município de Vila de Rei está a

nos nossos territórios”. No final, o museu foi distinguido com o certificado de “Best in Heritage Excellence Club Member”, para o Município de Abrantes, para Tramagal, para o Museu MDF e para todos os abrantinos e tramagalenses que continuam a honrar esta caminhada que se vem a desenrolar ao longo dos anos. Ana Rita Cristóvão

os últimos 25 anos, 1,2 mil milhões de pessoas foram retiradas da pobreza. Contudo, em 2030, a ONU estima que mais de 100 milhões de pessoas irão cair na pobreza em resultado do agravamento das alterações climáticas. A pobreza está intrinsecamente associada às alterações climáticas. Em todo o mundo, mais de quatro mil milhões de pessoas situam-se na base da pirâmide económica, onde a vulnerabilidade às alterações climáticas é notória. No entanto, por mais paradoxal que seja, a pobreza poderá vir a aumentar em consequência da implementação de políticas económicas que mitiguem os efeitos das alterações climáticas. Muitos países têm apresentado estratégias nacionais para a redução das emissões de gases com efeitos de estufa avaliadas em muitos milhares de milhões de euros. Contudo há um risco aqui. Mesmo com planos de acção, muitos países continuam sem saber muito bem o que fazer e ignoram os custos dessa indecisão. A Alemanha, por exemplo, espera investir cerca de 40 mil milhões de euros nos próximos quatros para reduzir as suas emissões de dióxido de carbono. Contudo, estima-se que um investimento tão elevado apenas consiga levar a uma redução na temperatura global de 0,00018º nos próximos cem anos! O Acordo Climático de Paris consumar-se-á certamente como o acordo multilateral mais caro da história pois pretende remover a dependência económica do petróleo

sem que, contudo, as alternativas energéticas renováveis existentes consigam ocupar esse lugar com a mesma eficiência. Em resultado disso, ao desviar vastas somas de riqueza para os planos de acção climática conforme foram desenhados, há um serio risco de se verificar um abrandamento da economia global, aumento da pobreza e da desigualdade. Isto porque são estratégias que capturam os recursos do Estado sem que, contudo, esses planos definam como poderão gerar a riqueza necessária para a repor na economia. As estimativas de vários estudos, inclusive de conclusões divulgadas pelo Painel Intergovernamental das Nações Unidas para as Alterações Climáticas admitem agora uma possível aumento da pobreza mundial em 4%, fruto das políticas climáticas. Por isso, antes de pensarmos num mundo sem petróleo, talvez seja importante pensar num mundo sem pobreza. Porque é a pobreza que sustenta muitos dos atentados ambientais disseminados pelo mundo. Antes de pensar apenas no corte de emissões, talvez valha a pena investir, e certamente com menores valores, numa melhor educação ambiental que capacite as pessoas para escolhas mais sustentáveis, numa alteração nos hábitos de consumo ou na valorização das cadeias locais de produção e consumo assentes em boas práticas.

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O Museu Metalúrgica Duarte Ferreira, situado em Tramagal, no concelho de Abrantes, esteve representado na conferência "The Best in Heritage 2019", que decorreu entre os dias 25 e 27 de setembro em Dubrovnik, na Croácia. Esta iniciativa, organizada pela European Heritage Association, pela Europa Nostra e pela ICOM, consiste numa conferência anual na qual são reconhecidos projetos de influência a nível de museus, património e conservação, que apresentam as suas histórias de sucesso. O objetivo passa por promover esses projetos. Este ano, foram apresentados 28 projetos estando representadas 19 nacionalidades. Em representação do Município de Abrantes no evento esteve a museóloga Lígia Marques e o vereador Luís Filipe Dias que destaca o facto de "o museu nacional ter sido escolhido entre cerca de 300 museus premiados de todo o mundo" e de ser "um dos 28 escolhidos para estar na 'Liga dos Campeões' dos museus".

OPINIÃO /

Fisabrantes

Centro de Fisioterapia Unipessoal, Lda. fazer tudo por tudo para que haja novas empresas no concelho” e que a chegada de novas empresas implica também a chegada de “pessoas de fora”, uma vez que o município tem “um desemprego baixo e com certeza que terão de vir pessoas de fora do concelho”. Ana Rita Cristóvão

Terapia da Fala Dr.ª Sara Pereira

Médico Fisiatra Dr. Jorge Manuel B. Monteiro

Psicóloga Clínica Aconselhamento

Fisioterapeuta Teresinha M. M. Gueifão

Audiologia / aparelhos auditivos

Ana Lúcia Silvério Dr.ª Helena Inocêncio

Acordos: C.G.D., SAMS, PSP, SEGUROS, PT - Consultas pela ADSE -------------------------------------------------Telef./Fax 241 372 082 Praceta Arq. Raul Lino, Sala 6, Piso 1 - 2200 ABRANTES Novembro 2019 / JORNAL DE ABRANTES

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DESPORTO /

Abrantes Destino desportivo de excelência // Luís Filipe Dias encontra-se a meio do segundo mandato enquanto Vereador do Desporto da Câmara Municipal de Abrantes. Entrevistámo-lo sobre o que é liderar este pelouro, que acumula com o da Cultura, e ficámos a conhecer melhor a ação e as propostas do Município neste domínio.

/ Luís Filipe Dias à esquerda na imagem Quais são as prioridades da Divisão do Desporto da Câmara Municipal de Abrantes?

Garantindo o necessário apoio às linhas de intervenção dos instrumentos de planeamento estratégico do Município de Abrantes, as prioridades da Divisão de Desporto, da Juventude e do Associativismo passam, sinteticamente, pela definição, execução e avaliação das políticas ativas de “Desporto para Todos”. Associado a uma gestão sustentável das infraestruturas desportivas municipais, todos os que constroem a Divisão preocupam-

-se diariamente com o desenvolvimento de programas especiais e integrados, de promoção da diversidade da oferta desportiva e da atividade física, em particular junto dos grupos específicos com menor índice de prática desportiva, disponibilizando meios técnicos, humanos e financeiros de suporte a todos os atores do território. As áreas de intervenção passam diariamente pelo continuar de uma aposta duradoura de promoção da marca “Abrantes” como destino desportivo de excelência, de formação e de capacitação constante dos nossos agentes desportivos. Um

plano de desenvolvimento desportivo municipal, em estreita articulação com a academia, é uma das prioridades para a próxima década. As prioridades passam ainda pela rentabilização e pela capitalização dos investimentos efetuados e a efetuar, pela contínua articulação com federações desportivas e com outras entidades promotoras de iniciativas de recreação e lazer de referência e pela organização, apoio e atração de eventos desportivos de âmbito regional, nacional e internacional, catalisadores dos projetos da coesão social, da consciencialização ambiental e da

valorização turística. As questões da ética e da igualdade de género e de oportunidades, da educação parental, do apoio estruturante ao associativismo e ao voluntariado, da ocupação plena dos tempos livres e a mobilização e intervenção dos jovens e menos jovens para os diferentes domínios da vida social, são fundamentais no quotidiano de todos os que fazem esta Divisão, em estreita harmonia com o apoio à decisão e em articulação plena com as outras unidadesorgânicas municipais.

Abrantes pode ser considerada uma referência pela quantidade e diversidade de eventos desportivos que recebe? Os abrantinos têm consciência disso?

As questões suscitadas podem ser entendidas como declarações. A resposta é duplamente afirmativa. Há muito anos que a atividade desportiva em Abrantes é entendida como uma necessidade estratégica e estruturante na vida dos nossos cidadãos, quer como forma de assegurar o seu desenvolvimento pessoal, quer como garantia de

Para realizar eventos é necessário dispor de infraestruturas e de recursos, mas não basta... Um pavilhão na cidade é uma necessidade? Ter-se-á falhado nas prioridades?

Como se pode utilizar a palavra “falhar” quando reforçamos continuadamente o investimento na Cidade Desportiva, nas Piscinas Municipais e nos Pavilhões Municipais do Pego e de Tramagal, para além do apoio reiterado à melhoria das infraestruturas dos nossos clubes, numa lógica plena de igualdade de oportunidades. Na cidade, dispomos do Pavilhão da Escola Solano de Abreu (propriedade da Parque Escolar,

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JORNAL DE ABRANTES / Novembro 2019

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Continuaremos a formar, a apoiar, a investir e a valorizar, humana e socialmente.

uma vida saudável e com mais qualidade para todos. O Município de Abrantes tem procurado, ao longo das últimas décadas anos, proporcionar as melhores condições para a prática desportiva, quer do ponto de vista das infraestruturas, quer no apoio diversificado e continuado aos diferentes agentes (pais, professores, treinadores, dirigentes e atletas, clubes e associações). O desporto em Abrantes, seja numa vertente de lazer, recreação ou bem-estar ou na sua extensão competitiva, granjeia, por parte da nossa comunidade, de uma dimensão de participação, de promoção e de diversidade de práticas de largo espectro. Voltando à questão, pela quantidade e diversidade de eventos desportivos que Abrantes promove e recebe, só os mais descuidados é que poderão questionar tal desígnio e tal referência de Abrantes como território de prática desportiva de excelência.


DESPORTO /

com protocolo de parceria com o Município, onde por exemplo o Clube Náutico de Abrantes promove o basquetebol diariamente), e do Pavilhão Municipal da Escola D. Miguel de Almeida, abertos diariamente à comunidade. A procura é intensa, desde as artes marciais, à patinagem, do futsal ao ténis de mesa, entre tantas outras modalidades de pavilhão, para além dos múltiplos polidesportivos (ou ringues) existentes. Contundo, há muito que se afirma a necessidade de um novo pavilhão desportivo ou multiusos para suprir a elevada procura das instalações desportivas municipais e o garante de condições de excelência para os diversos eventos municipais, para as nossas coletividades e para os diferentes eventos que ocorrem e que acorrem a Abrantes. Não sendo um imperativo organizativo, aguarda-se por oportunidades de financiamento para a edificação de um Pavilhão Desportivo, algo que ocorrerá seguramente a curto ou médio prazo, no pleno respeito pelo equilíbrio das contas públicas, pela sensível evolução dos tempos e com a confirmada capacidade de resposta e de adaptação à forma como o fenómeno desportivo se enquadra no nosso território e nas nossas políticas.

Abrantes tem alguns atletas que levam o nome do concelho às mais importantes provas nacionais e mesmo ao estrangeiro. Que apoio recebem da Câmara?

Atletas que muito nos honram, que muito nos desafiam e que muito nos responsabilizam. O apoio que recebem é o estipulado no Programa Municipal de Apoio a Coletividades, FinAbrantes, que perdura há quase 20 anos e que contempla o apoio regular das entidades que desenvolvem atividades de prática desportiva e recreativa, nas vertentes formativa e da competição. Este Programa ocorre anual-

mente e disponibiliza cerca de €200.000,00 (num total de €500.000,00 para o FinAbrantes em todas as 5 medidas) para a Medida 2 – Desporto, tendente a apoiar a atividade regular para desportos coletivos, para desportos individuais e para o apoio a atletas com participação em provas de âmbito europeu ou mundial. Contempla ainda o apoio à promoção de atividades desportivas ou recreativas de lazer, meramente lúdicas, quando o Município entender terem relevante interesse para a promoção da educação para a saúde e bem-estar, de modo a promover hábitos de vida ativa e estilos de vida saudáveis, ou por outras razões consideradas de interesse municipal. Continuaremos a formar, a apoiar, a investir e a valorizar, humana e socialmente, todos os nomes e todas as coletividades que fazem do Desporto em Abrantes uma referência incontornável do nosso pulsar comunitário.

No final do século passado, Abrantes tinha habitualmente equipas de futebol de formação nos Campeonatos Nacionais. Desde que se construiu a Cidade Desportiva isso deixou de acontecer. Qual a explicação?

Nenhuma autarquia, nem nenhuma Divisão de Desporto, tem equipas de futebol ou de outra qualquer modalidade, cabendo-lhes sim apoiar com a disponibilização de meios técnicos, humanos e financeiros de suporte a todos os atores do território. Passado um quarto de século, outras autarquias também melhoraram as suas infraestruturas, a Lei de Bases do Desporto e da Atividade Física vigente permitiu combater assimetrias regionais e contribuir para a inserção social e para a coesão nacional, contudo a complexificação dos quadros competitivos tornou o acesso aos

lação entre a autarquia, os clubes e a Escola, mormente ao nível do Desporto Escolar para um desenvolvimento integrado. Presentemente, voltámos a ter um plano de água excecional, complementado com a extraordinária albufeira de Castelo do Bode, pelo que antecipamos o regresso da canoagem ao Aquapolis nos próximos meses.

E a prática desportiva do Vereador, como foi no passado e como é na atualidade?

Há muito anos que a atividade desportiva em Abrantes é entendida como uma necessidade estratégica e estruturante na vida dos nossos cidadãos. campeonatos nacionais mais difícil. O Município de Abrantes tem procurado apoiar a melhoria das infraestruturas desportivas municipais e dos nossos clubes (por exemplo o apoio à colocação dos pisos sintéticos em Alferrarede, Pego e Tramagal e a recente requalificação do Campo nº 2 da cidade desportiva), algo que contribuirá decisivamente para a avanços nas performances dos nossos atletas e no aproveitamento desportivo dos

nossos clubes. O recente exemplo do centenário Sport Abrantes e Benfica revela princípios de gestão desportiva que poderá trazer bons augúrios para recuperar tal desiderato. Contudo, há outras modalidades desportivas para além do futebol que têm marcado presença em Campeonatos Nacionais. Basta apoiarmos e estarmos despertos para estes outros notáveis projetos, sempre na senda da valorização da diversidade da oferta desportiva em Abrantes.

Temos um plano de água excecional no Aquapolis, uma abrantina que esteve nos Jogos Olímpicos, mas não temos canoagem. Como é que isto se explica?

Explica-se pelos ciclos de vida dos nossos atletas e pelo seu percurso académico e desportivo, pela falta de disponibilidade dos nossos treinadores e pela necessidade de certificação de outros candidatos, pelas prioridades dos clubes e pelos problemas recentes com o açude insuflável e com a qualidade e a quantidade da água do Tejo, entretanto debelados e melhorados. Explica-se pela imperativa triangu-

A prática desportiva do “Vereador” no passado foi como a de alguns outros que tiveram a oportunidade de ser escolhidos para debutarem no futebol no Sport Abrantes e Benfica, onde foi atleta federado até ao escalão júnior. Para além dos míticos torneios de futebol de 5 dos nossos diferentes ringues e pavilhões, ainda jogou futebol sénior em equipas distritais e futsal no C. D. Os Patos. Joelhos e prioridades académicas e profissionais ditaram o fim prematuro de uma “carreira” de alguém que sempre amou o Desporto, enquanto fervoroso adepto e espetador. Ainda havia o futebol de rua no Pego, o ténis e o ténis de mesa. Hoje, para lá de umas caminhadas irregulares e de umas idas pontuais ao ginásio ou às Piscinas, a prática desportiva é mais ligada à função política atual: a de pensador, a de gestor, a de programador, a de observador atento e crítico, a de membro de uma extraordinária equipa que pensa e de um coletivo que faz acontecer. Contudo, sem jamais descurar algumas práticas de recreação e de lazer promotoras e indutoras de uma vida saudável, embora nem sempre com regras firmadas e momentos definidos. Mas nunca é tarde para voltar a ter uma prática desportiva mais regular, não é verdade? José Martinho Gaspar

Novembro 2019 / JORNAL DE ABRANTES

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SAÚDE /

Segurança alimentar em casa

Define-se toxinfeções alimentares como doenças infeciosas de origem alimentar. Estas constituem um problema grave de Saúde Pública, sendo uma importante causa de morbilidade e mortalidade em todo o mundo, principalmente nos países de baixo e médio rendimento. Já nos países de elevado rendimento, como Portugal, são os grupos populacionais de risco, como os idosos ou as crianças, que mais sofrem com este tipo de infeções. A Unidade de Saúde Pública do ACES Médio Tejo, possui um programa de vigilância sanitária, onde efetua vistorias a diversos estabelecimentos de alimentação e bebidas, de forma a promover a segurança alimentar e prevenir possíveis toxinfeções. No entanto, também em nossas casas devemos adotar medidas para uma alimentação segura, nomeadamente na forma como adquirimos, armazenamos, preparamos e confecionamos alimentos, reduzindo o risco de desenvolver estas infeções de origem alimentar. Aquisição de alimentos e das matérias primas Preferencialmente, devem ser adquiridos produtos alimentares e matérias primas seguras, cujas embalagens não estejam danificadas, opadas, que se encontrem dentro do prazo de validade e, no caso dos congelados, sem sinais de descongelação (cristais de gelo). Também aquando da compra, deve-se tentar manter o alimento o menos tempo possível fora da temperatura adequada. Assim, devemos iniciar as compras pelos alimentos que não necessitam de frigorífico, seguindo-se os alimentos refrigeradas e por fim os congelados. Todo o processo de compra e transporte até casa deve ser feito o mais depressa possível, recorrendo ao uso de sacos térmicos para os alimentos refrigerados ou congelados. Armazenamento dos alimentos Os produtos congelados devem ser os primeiros a serem armazenados, seguindo-se os refrigerados e só por fim os da temperatura ambiente. O armazenamento deve ser efetuado seguindo as instruções do rótulo, nomeadamente quanto à temperatura de conservação, e tendo em conta os prazos de validade, sendo que os produtos cuja validade acabe primeiro, devem ser os primeiros a serem utilizados. Os alimentos cozinhados devem ser mantidos separados dos alimentos não cozinhados, por forma a evitar a transferência

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de microrganismos, através do uso de recipientes com tampa. As prateleiras mais altas do frigorifico são aquelas com temperatura mais alta (4-5ºC) comparativamente as prateleiras mais baixas (2ºC). Assim, nas prateleiras mais altas devem ser guardados os alimentos já cozinhados em recipientes fechados e nas mais baixas os alimentos crus. Nas gavetas devem ser colocadas as frutas e verduras, e na porta (zona menos fria), devem ser armazenados produtos que não precisam de temperaturas tão baixas. É importante ressalvar que não se deve encher muito o frigorífico/congelador com alimentos, por forma a que o ar frio circule. Preparação e confeção dos produtos alimentares Idealmente a manipulação dos alimentos cozinhados e crus, deve ser feita separadamente e utilizando utensílios distintos, nomeadamente as tábuas de corte, podendo se utilizar um esquema de cores para a identificação

JORNAL DE ABRANTES / Novembro 2019

das mesmas. A cor azul para peixe e marisco cru, a vermelha para carne crua, a verde para vegetais e frutas crus, a amarela para os alimentos confecionados e, por último, a cor branca para pão e lacticínios. Os alimentos congelados devem ser descongelados no frigorífico, e quando retirados do frio devem ser manipulados e confecionados o mais rapidamente possível. Já os alimentos que são ingeridos crus, como os vegetais e as frutas, devem ser lavados e, em certas situações desinfetados adequadamente. Relativamente à segurança na confeção dos alimentos, estes devem ser cozinhados a uma temperatura acima dos 70ºC e deverão ser mantidos quentes (acima dos 60ºC) até à hora de servir. Após a refeição deve-se armazenar as sobras dos alimentos no frigorífico, não se devendo deixar os mesmos mais de 2 horas à temperatura ambiente. Desta forma, a segurança dos alimentos também começa e termina na nossa casa, desde o simples ato de ir às compras até a confeção do alimento.

O Centro Hospitalar do Médio Tejo, EPE, tem aumentado o número de atendimentos a cidadãos fora da área geográfica de influência do Médio Tejo. Uma situação que vai, diz a entidade em comunicado, ao encontro “da performance da Instituição nos indicadores de acesso e que colocam o CHMT, EPE, na primeira posição a liderar o grupo C, que inscreve 14 entidades hospitalares equiparáveis, todas pertencentes ao SNS”. Só referente a 2019, desde 1 de janeiro até 31 de julho, 8,5% do total das consultas médicas foram realizadas a utentes fora da área geográfica do CHMT, EPE. No mesmo período deste ano, o atendimento em Urgência recebeu 12, 41% de cidadãos residentes também fora da área de influência do Centro Hospitalar do Médio Tejo. O mesmo aconteceu com a cirurgia programada que teve um acesso de 10,64% de utentes provenientes de fora da área geográfica de influência do CHMT. Também nas consultas provenientes do Cuidados de Saúde Primários (CSP) o acesso de cidadãos de fora da área do CHMT, EPE tem uma percentagem de 8,3, o que significa a referenciação para o CHMT, EPE de outras estruturas de cuidados de saúde primarias, que não o ACES Médio Tejo. Recorda o CHMT, EPE que desde maio de 2016 o mecanismo de livre acesso e circulação no Serviço Nacional de Saúde (SNS) permite que o utente possa escolher o Hospital onde quer ser atendido, independentemente da sua área de residência. O presidente do Conselho de Administração, Carlos Andrade Costa, sublinha “o contributo, a dedicação e enorme espírito de serviço de todos os profissionais do Centro Hospitalar do Médio Tejo” na concretização do aumento do acesso ao CHMT, EPE, por parte de população proveniente de zonas geográficas de fora da área de influência do CHMT. Para esta realidade contribuiu, igualmente, o “investimento e modernização tecnológicas, que permitiu um salto qualitativo muito significativo no equipamento disponível e afeto à funções de diagnóstico e de tratamento no âmbito da assistência clínica prestada pelos profissionais”, diz a nota. Desde 2015 e até 31 de julho de 2019, o Centro Hospitalar do Médio Tejo, EPE, investiu mais de 6 milhões de Euros em equipamentos e instalações, o que ultrapassa o objetivo de investimento de 1 milhão de euros por ano.

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CHMT aumenta atendimento a cidadãos que residem fora da área de influência geográfica


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Novembro 2019 / JORNAL DE ABRANTES

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ACONTECE... EXPOSIÇÃO

DESPORTO

EXPOSIÇÃO INTERATIVA

ATÉ DIA 09 BIB. MUN. ANTÓNIO BOTTO

DIA 09 // 14:30 J. FREGUESIA DE MARTINCHEL DIA 23 // 14:30 LARGO DO CORETO ROSSIO AO SUL DO TEJO

DE 18 A 24 PARQUETEJO

Histórias para crianças de Sophia de Mello Breyner Andresen DESPORTO

DIA 01 // 10:00 DIAS 02 E 03 // 09:00 HIPÓDROMO DOS MOURÕES

Agility

Campeonato Nacional 2019 DESPORTO

DIA 03 // 10:00 MIRADOURO DAS FONTES DIA 16 // 10:00 LARGO DAS FESTAS DO PEGO

Jogos Tradicionais Abrantes 2019

Caminhadas Abrantes 2019 AÇÃO PROMOCIONAL

DIA 12 // 14:00 WELCOME CENTER

Vinhos da Quinta da Parrada

Promoção de produtos locais LER OS NOSSOS COM

DIA 12 // 18:00 BIB. MUN. ANTÓNIO BOTTO

José–Alberto Marques

ANIMAÇÃO

Apresentação do livro Homeóstatos

DIA 09 // 08:00 MERCADO MUN. DE ABRANTES

ENCONTRO INFANTOJUVENIL COM

Celebração do S. Martinho Castanhas gratuitas durante a manhã

DIA 14 // 10:30 E 14:00 BIB. MUN. ANTÓNIO BOTTO

Bruno Magina Apresentação do livro A vila das cores

Vaivém Oceanário

Educação ambiental ACADEMIA DO MERCADO

DIA 23 // 10:30 MERCADO MUN. DE ABRANTES

Sardinha fora da lata Com produtor local EVENTO

DIA 25

Dia Internacional da Eliminação da Violência Contra as Mulheres Programa a consultar

ENTRE NÓS E AS PALAVRAS COM

DIA 28 // 21:30 BIB. MUN. ANTÓNIO BOTTO

Delano Valentim Apresentação do livro Todo mundo é jhow! EVENTO

DIA 29 // 09:30–18:30 BIB. MUN. ANTÓNIO BOTTO

COMÉDIA

DIA 29 // 21:30 SAT — SOCIEDADE ARTÍSTICA TRAMAGALENSE

Rouxinol Faduncho Mais do mesmo

VII Jornadas Biblioteconómicas de Abrantes Arte de ler e ler com artes Programa a consultar

nov

‘19

EM DESTAQUE... ESPETÁCULO INFANTIL DIA 09 // 15:00 MERCADO MUNICIPAL DE ABRANTES

P.U.D.I.M

Companhia de Teatro Cepa Torta DESPORTO DIAS 15 E 16 // 08:30 HIPÓDROMO DOS MOURÕES

I Concurso Hípico — Cidade de Abrantes E III Concurso Nacional Combinado do RAME

Consultar programa específico DESPORTO DIA 17 // 10:00 TAGUSVALLEY — TECNOPOLO DO VALE DO TEJO

Mini e Meia Maratona de Abrantes ART’ANDANTE DIA 23 // 21:30 CASA DO POVO DE S. FACUNDO

Entremezes Teatro das Beiras

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Jornal de Abrantes novembro 2019  

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