Jornal de Abrantes - janeiro 2022

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/ JORNAL DE ABRANTES

121 ANOS

/ Abrantes / Constância / Mação / Sardoal / Vila Nova da Barquinha / Vila de Rei / Diretora Patrícia Seixas JANEIRO 2022 / Edição nº 5611 Mensal / ANO 121

/ DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

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Campo Militar e RAME mudam de comandantes

Jorge Rosa deixa a liderança da MFTE 16 anos depois

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Proteja-se do frio... Térmicas

PROMOÇÕES DE -20% A -50% (de 1 de janeiro a 28 de fevereiro)

ENTREVISTA

Rotas de Mação avançam para orientação e BTT Págs 3 e 4

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“FINALMENTE!” 15 anos após a apresentação da ideia para a criação do Museu em Abrantes, e depois de várias alterações ao projeto, o MIAA já pode ser visitado. Págs. 15, 16 e 17

“Bairros Saudáveis” dá vida à Encosta da Barata Grupo

uma nova forma de comunicar. ligados por natureza. 241 360 170 . geral@mediaon.com.pt www.mediaon.com.pt

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A ABRIR / // AGORA EM LIVRO

EDITORIAL /

Estórias da Nossa História //Patrícia Seixas //DIRETORA

Há um ano desejámos que 2021 nos trouxesse a tranquilidade das nossas vidas e que a pandemia já não estivesse presente. Entramos em 2022 tal como entrámos o ano passado. O fim da doença Covid-19 é apenas e só uma esperança, um pedido que nos “gastou” uma passa no virar do ano e algo que vamos continuar a ansiar. Mas a vida continua e cá estamos nós a iniciar mais um ano. Este mês de janeiro, a Rádio Antena Livre comemora mais um aniversário, o 41.º, e, se o Covid-19 permitir, o dia será assinalado com o lançamento do livro “Estórias da Nossa História”, da autoria de Isilda Jana e que coloca agora no papel uma rubrica que dura já há mais de dez anos na antena da rádio. A ler... Ainda por Abrantes, foi inaugurado o MIAA - Museu Ibérico de Arqueologia e Arte. Nas páginas do Jornal de Abrantes mostramos um pouco do que se pode encontrar no Museu mas nada substitui a experiência de ver ao vivo. São dois pisos do Convento de São Domingos, com uma área bruta de 3.280 m2 e que pode visitar de forma gratuita até ao próximo mês de março. A visitar... Também começamos o ano com política. No final de janeiro, no dia 30, o país vai voltar a votar para eleger o Parlamento e ficar a saber quem irá formar o próximo Governo. E como cantou Zeca Afonso, “Seja bem vindo quem vier por bem”. Portugal e os portugueses precisam de gente responsável e competente à frente dos destinos do país. A saúde, a educação, a ação social, a economia e as finaças são pontos quentes nesta campanha mas o importante é que haja ideias concretas para colocar estes temas no trilho certo. Os portugueses cá estarão para os avaliar. Ou melhor, é muito importante que os portugueses se interessem em avaliar as várias propostas que nos vão sendo apresentadas. O desinteresse pela dita “política” não nos ajuda a reerguer e as elevadíssimas taxas de abstenção só demonstram que preferimos deixar o nosso destino nas mãos dos outros. É hora de tomar as nossas vidas nas nossas mãos. Votando... No entanto, importante mesmo, é que consigamos todos fazer mais esta caminhada que se chama 2022. Mantenham-se seguros porque, efetivamente, o melhor que temos é o continuarmos por cá. Saúde e um excelente ano para todos.

ja / JORNAL DE ABRANTES

Um conjunto de crónicas da rubrica semanal Estórias da Nossa História, que passa na Antena Livre, está a partir de agora disponível em forma de livro. Da autoria de Isilda Jana, a rubrica dura já há mais de dez anos. Nela se procura dar a conhecer episódios da história local ou usos e costumes que se vão perdendo da memória coletiva. O livro, já disponível, vai ser apresentado, se a pandemia deixar, a 21 de janeiro, data do aniversário da Antena Livre. O seu lançamento chegou a estar previsto para o mesmo dia do ano de 2021, quando se assinalavam os 40 anos da rádio, mas a pandemia adiou o projeto, que vem agora a público. A sessão de apresentação, na Biblioteca Municipal António Botto, às 18h00, pretende também ser uma homenagem à rádio onde estas crónicas são transmitidas. Pelo desafio colocado à sua autora, a rádio está também na sua origem.

PERFIL /

//Naturalidade / Residência: Rossio ao Sul do Tejo //Qual é o seu maior medo? A solidão //Que pessoa viva mais admira? Rui Rio, pela sua resiliência e por ser um homem sério, como faz falta na política. //Onde e quando foi mais feliz? A viajar, sem dúvida. No verão de 2019 fiz um Interrail com a minha namorada, pela Europa.

amigos? A Sinceridade. Um amigo a sério é aquele que nos diz aquilo que temos de ouvir. //Quem são os seus artistas favoritos? Michael Jackson, Ed Sheeran, Hans Christian Andersen, George Orwell e Sophia de Mello Breyner Andresen.

//Quem é o seu herói da ficção? O Robin dos Bosques. Aquele //João Morgado, 21 anos que roubava aos “ricos” para dar /Estudante de M estrado aos pobres, tentando fazer uma em Administração Público- //Que talento mais gostaria de justa redistribuição do dinheiro. Privada em Coimbra ter? Esta personagem reflete aquela Creio que a boa gestão do tempo é que deveria ser a prioridade um talento que todos gostaríamos atual, garantir uma igualdade de ter. de oportunidades entre os mais ricos e os mais pobres e fazer uma //Se pudesse mudar uma correta distribuição dos dinheiros característica em si, o que que o Estado recolhe dos cidadãos. seria? Talvez deixasse de ser tão guloso //Com que figura história mais se identifica? //Se soubesse que morria Com D. Pedro V. É a prova de que amanhã, o que faria hoje? com os meios e as informações Ia para o Porto ver um jogo do certas os jovens são capazes de Futebol Clube do Porto no Estádio muitas coisas. do Dragão. //Quem são os seus heróis da //O que mais valoriza nos seus vida real?

Sá Carneiro, pela luta contra o regime por dentro. Pelo europeísmo destaco Simone Veil e no mundo da Ciência Política Hannah Arendt. //Onde gostaria mais de viver? N a S u é c i a . Pe l a b e l e z a d a s paisagens e a preocupação com o ambiente, o desenvolvimento socioeconómico e o estilo de vida. //Se fosse presidente de Câmara, o que faria? A tomada de decisão é uma arte, principalmente quando somos eleitos para representar pessoas. Para ser Presidente de Câmara é preciso saber um pouco de muitas coisas diferentes, o que não o torna tarefa fácil. É exigido aos autarcas cada vez mais conhecimentos e responsabilidades, que afasta muitas pessoas destes lugares. Se fosse eu, tentaria envolver toda a comunidade para perceber onde querem a sua cidade e o seu município. Os objetivos dos autarcas não devem ser pessoais, mas sim coletivos, partilhados p o r to d a a co m u n i d a d e. S ó poderemos definir objetivos se toda a população for envolvida.

FICHA TÉCNICA Direção Geral/Departamento Financeiro Luís Nuno Ablú Dias, 241 360 170, luisabludias@mediaon.com.pt. Diretora Patrícia Seixas (CP.4089 A), patriciaseixas@mediaon.com.pt Telem: 962 109 924 Redação Jerónimo Belo Jorge (CP.7524 A), jeronimobelojorge@mediaon.com.pt, Telem: 962 108 759. Colaboradores Berta Silva Lopes, Leonel Mourato, Paula Gil, Paulo Delgado, Taras Dudnyk, Teresa Aparício. Cronistas Alves Jana e Nuno Alves. Departamento Comercial. comercial@mediaon.com.pt. Design gráfico e paginação João Pereira. Sede do Impressor Unipress Centro Gráfico, Lda. Travessa Anselmo Braancamp 220, 4410-359 Arcozelo Vila Nova de Gaia. Contactos 241 360 170 | 962 108 759 | 962 109 924. geral@mediaon.com.pt. Sede do editor e sede da redação Av. General Humberto Delgado Edf. Mira Rio, Apartado 65, 2204-909 Abrantes. Editora e proprietária Media On - Comunicação Social, Lda., Capital Social: 50.000 euros, Nº Contribuinte: 505 500 094. Av. General Humberto Delgado Edf. Mira Rio, Apartado 65, 2204-909 Abrantes. Detentores do capital social Luís Nuno Ablú Dias 70% e Susana Leonor Rodrigues André Ablú Dias 30%. Gerência Luís Nuno Ablú Dias. Tiragem 15.000 exemplares. Distribuição gratuita Dep. Legal 219397/04 Nº Registo ERC 100783. Estatuto do Jornal de Abrantes disponível em jornaldeabrantes.sapo.pt RECEBA COMODAMENTE O JORNAL DE ABRANTES EM SUA CASA POR APENAS 10 EUROS (CUSTOS DE ENVIO) IBAN: PT50003600599910009326567. Membro de:

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JORNAL DE ABRANTES / Janeiro 2022


ENTREVISTA /

Rotas de Mação

Nasceram do fogo para dizer que ainda há esperança!

// A Associação das Rotas de Mação tem no ano de 2022 uma mão-cheia de novas apostas e parcerias. Depois de um 2021 com homologação de algumas rotas e preparação de outras, a pandemia impediu a realização de um conjunto de atividades que a associação tinha previsto para o ano que passou. Seja como for, em 2022 há uma nova parceria com o Clube Orientação e Aventura (COA) de Abrantes para avançar nesta área, haverá uma aposta no BTT e na criação de rotas para quem gosta de bicicletas todo-o-terreno, haverá uma pista de orientação no Agrupamento de Escolas Verde Horizonte para os mais novos e Leonel Mourato, presidente da Associação das Rotas de Mação, não deixa na gaveta a ideia de recolocar na Linha da Beira Baixa, entre o Entroncamento e Vila Velha de Ródão, uma locomotiva a vapor. Entrevista por Jerónimo Belo Jorge

Depois de um 2021 com a homologação de algumas das Rotas de Mação, o que é que a Associação prepara para este ano de 2022?

As Rotas foram criadas, oficialmente, há um ano. Ainda somos uns bebés. O nosso plano de atividades para 2022 baseia-se sobretudo em quatro pontos fundamentais. As caminhadas, é este o nosso core-business, é o nosso foco principal, pois temos cinco percursos homologados e mais cinco na fase final de homologação, em Amendoa (PRMAC6), Casas da Ribeira (PRMAC7), Envendos (PRMAC8), Penhascoso (PRMAC9) e Cardigos (PRMAC10). Já estamos a finalizar a sinalização destes percursos. Vamos também dar início ao projeto do BTT, uma área para a qual temos muitas solicitações. E Mação sendo um concelho com 400 km’s quadrados é muito disponível para isso. Não sei se não será de todos os concelhos do Ribatejo aquele que tem o relevo mais acentuado. Aliás, temos o Bando dos Santos e o Bando de Codes que são o segundo e terceiro ponto mais alto do distrito.

Vamos continuar a desenvolver o geocaching. É uma atividade de natureza pura e é uma atividade muito querida no concelho. Temos muitos jogadores no concelho de Mação.

Vamos desenvolver a orientação e vamos ter uma parceria com o Clube Orientação e Aventura (COA) de Abrantes. É um tema que já queríamos trazer a Mação há algum tempo. É um tema que a Câmara Municipal de Mação acolheu de braços abertos. É um tema que o agrupamento de escolas acolheu de braços abertos. Também há um outro tema que me é querido, a mim e às Rotas de Mação, e que é o comboio a vapor na Linha da Beira Baixa. Não posso desenvolver muito este tema porque questões éticas porque tem muitas envolvências políticas e há muitos passos a dar até se chegar lá, mas estamos cientes e crentes que conseguiremos trazer ou dar um empurrão para ter um comboio a vapor na Linha da Beira Baixa.

Mas este comboio a vapor já foi levado à Assembleia Intermunicipal do Médio Tejo pelos deputados do concelho de Mação José António Almeida (PSD) e João Filipe (PS)…

… O projeto não está parado. Esteve em stand by por causa das eleições autárquicas. Eu estive envolvido no projeto do comboio da Linha do Douro, conheço os meandros do processo. Existe uma locomotiva no Entroncamento, que terá se ser recuperada, naturalmente. O investimento é elevado, cerca de

Nós nascemos do fogo. Nós somos “os filhos do fogo” Com vontade e amor consegue-se tudo. um milhão de euros. Porquê? Porque a máquina tem de ser transformada, não pode funcionar a carvão, tem de ser modificada para diesel. Tem de ir a Inglaterra para ser modificada. Por isso é que é um projeto que tem de envolver a Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, as autarquias, a CP, provavelmente o governo, operadores turísticos, fundos comunitários. Sabemos que é difícil, mas sabemos que é possível.

E como é que se liga este “comboio a vapor turístico” às Rotas de Mação?

Tudo o que seja trazer gente para o interior para nós tem valor. Tudo o que seja tornar um interior atraente, tudo o que seja mostrar o que são os nossos territórios para nós tem valor. Imaginemos um rio. O rio só fica com

mais água se os afluentes trouxerem água. Isto é a mesma coisa. Para vender um produto tenho de dar a conhecer o produto por isso, tenho de as trazer cá. Este comboio será mais uma atividade que nós, Médio Tejo, poderá oferecer. E aqui não é só Mação a ganhar. Ganha o Entroncamento, Constância, Abrantes, Mação, Gavião, Nisa e Vila Velha de Ródão. São todos estes concelhos a ser envolvidos. A próxima Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo e a da Beira Baixa terão de ser chamadas a este projeto.

E a ideia é trazer pessoas às Rotas. O projeto aponta a 14 Rotas no concelho, quatro estão homologadas, mais cinco estão a caminho. Quando é que as Rotas estarão todas homologadas?

Em princípio 2023. A pandemia também nos afetou. Não é fácil trabalhar quando não se podem organizar reuniões, grupos. As próprias eleições vieram abrandar algumas iniciativas porque poderiam ser conotadas politicamente. Mas importa não esquecer que a Associação Rotas de Mação é uma entidade apolítica, tem gente de todos os quadrantes.

As Rotas começaram com as caminhadas, mas a pandemia e, nalguns casos, o mau tempo suspendeu algu-

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ENTREVISTA / mas. Mas neste ideia do BTT como é que vão integrar as bicicletas todo-o-terreno nas Rotas?

PARCERIA COM O COA CRIAM CIRCUITOS DE ORIENTAÇÃO PERMANENTES NAS ESCOLAS DE MAÇÃO José Oliveira, do Clube Orientação e Aventura de Abrantes explicou a parceria que vai ter com a Associação Rotas de Mação. Entre os circuitos nas escolas, para os mais novos, a criação de provas de BTT orientação e a “construção” dos mapas para Orientação pedestre o objetivo é ter mais “gente” a praticar desporto em comunhão com a natureza.

ter um mapa. Nas escolas estamos alinhados. Depois, fora da escola, teremos a necessidade de ter mapas. Esse mapa, quando for “construído” não nos permite ir para dentro das Rotas. Mas permite-nos fazer um mapa mais amplo do território e incluir as Rotas que já lá estão. Depois é criar os circuitos próprios da Orientação....

José Oliveira, o objetivo é criar uma escola de Orientação “dentro” das escolas de Mação? O objetivo é começar com as escolas. A ideia é “construir” circuitos permanentes em tudo idênticos aos outros. Têm um princípio, terá pontos de passagem e um fim. O estar em permanência permite que, a qualquer momento, os professores possam agarrar nos alunos e colocá-los a praticar orientação. Uma das coisas que se está a perder muito, na infância, é a autonomia. A Orientação permite à criança criar uma autonomia e autoconfiança que permitem desenvolver outras capacidades. A ideia inicial é fazer estes percursos e teremos de dar formação aos professores e depois atividades com as crianças. A formação é feita em dois tipos. Numa primeira fase o COA vai ministrar uma formação não certificada aos professores. Depois os professores, através dos centros de formação escolares têm formações certificadas em colaboração com a Federação Portuguesa de Orientação. Depois de termos os professores capacitados para fazer as atividades com as crianças, a nossa participação [COA] é também ajudar os docentes a realizar as atividades iniciais. Ajudálos nas marcações dos circuitos permanentes. Também aqui a Federação tem um programa gratuito no qual a escola se pode inscrever. A Federação fornece as placas próprias para esses circuitos. E também os clubes, como o caso do COA, pode ter estas parcerias com outros clubes.

... Que pode coincidir com as Rotas ou não? Sim. Pode coincidir ou não. Imaginemos os pontos de interesse turístico que já integram as Rotas. Na orientação também se pode levar lá as pessoas. A diferença é que nas Rotas utilizamos os trilhos que já lá estão e são marcados com placas. Na Orientação temos um mapa, marcamos certos pontos onde as pessoas têm de ir através do mapa. Depois há evolução das tecnologias que chegaram à Orientação. Há aplicações que podemos utilizar e que nos criam autonomia de marcar pontos sem ter de andar no terreno. As pessoas têm de ter o mapa, é a base da Orientação, mas as tecnologias facilitam a marcação dos percursos, porque podemos fazer isso virtualmente. Colocamos o ponto com georreferenciação e o praticante quando chega a esse local tem a aplicação para fazer o registo em como esteve no local, sem necessidade de controlo presencial. Torna-se mais fácil levar mais pessoas a praticar atividade física e turismo.

Mas há também a ideia de levar a Orientação para fora, para as Rotas, para população? Aqui também há um projeto no seio da Federação, é um projeto que está dentro do IPDJ (Instituto Português do Desporto e Juventude) e no plano “Desporto para todos”. Mas há aqui uma dificuldade. Na Orientação precisamos de

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JORNAL DE ABRANTES / Janeiro 2022

E Mação tem a particularidade de ter terrenos muito diferentes. Tem altitude, floresta, ribeiras, o rio.... Sim. São propícios aos diferentes tipos de orientação. A orientação não é só a pé. Temos o exemplo do BTT.... ... tivemos esse exemplo há pouco tempo em Abrantes, Constância e Sardoal, com os campeonatos do mundo de Orientação em BTT? Sim. Tivemos um Campeonato do Mundo. Mas nós podemos ter o BTT, podemos ter as caminhadas e podemos ter a Orientação. Mação tem condições muito boas. Aliás, já teve uma prova de Orientação. Já tem um mapa feito, embora esteja desatualizado. Tem terrenos com características muito boas para fazer ali muitos projetos.

Nós temos em Mação vários clubes de BTT. O S. Miguel Bikes, o S. José das Matas, o Penhascoso. E o que a Associação fez foi falar com todos eles para apresentar o projeto. E o que vai acontecer é que vão existir rotas específicas para o BTT, há sinalética específica para o BTT. O que se pode fazer é aproveitar as rotas pedestres e incluir as mesmas dentro do BTT. Há ali sinergias e caminhos comuns. Este plano foi apresentado à Câmara de Mação para que não haja sobreposição de atividades. A autarquia tem um plano de atividades e a Associação assume as atividades externas. Está tudo articulado. E neste sentido a partir de 2022 vamos ter trabalhos de BTT e vamos ter trabalhos pedestres. Até ao final do ano teremos uma rota, ou mais, marcadas para as bicicletas. O Ivo Martins, praticante de BTT, está a trabalhar connosco e queremos ver se em 2023, em 2022 será complicado, fazemos já um grande prémio de Mação em BTT. É um sonho. É um objetivo.

E depois há a Orientação. E é aqui que entra o COA. É mais um grande desafio?

Nas Rotas pretendemos trazer algumas modalidades não muito comuns no dia a dia. A Orientação é um dos desportos com mais praticantes em todo o mundo. O que pretendemos é montar dois circuitos fixos de Orientação. Um na Eb1, escola primária de Mação, e outro na EB2/3, a escola secundária de Mação. Serão circuitos fixos em que as crianças poderão praticar. Queremos que eles percebam o que é a Orientação.

E entre a criação e marcação das Rotas, este ano vai ter muito trabalho, diria, administrativo com a operacionalização das parcerias e projetos no BTT e na Orientação?

O caminho é para a frente. Ponto Final. Com vontade e amor consegue-se tudo. Aquilo que estamos a desenvolver em Mação é assim: juntamos um conjunto de pessoas, têm muita vontade, empenho e dedicação. A partir daí temos as condições todas para fazer uma boa “sopa”. As Rotas tiveram alguma dificuldade. As pessoas não percebiam quem eram aqueles tipos que andavam ali de mochila às costas…

… Foi difícil as pessoas autorizarem a criar os circuitos, a colocar os marcos…

Não. Não digo isso. Foi difícil perceber quem nós éramos, o que queríamos e para onde queríamos ir. Porque dizer a uma pessoa quem éramos e o que queríamos toda a gente “nos largava os cães”. Nós tivemos situações caricatas. Nós dizíamos: queremos passar aqui com um percurso. E a resposta era tudo bem. Mas quando dizíamos queremos por uma placa a resposta passada a “nem pensar. Aí não”. Agora já não. As pessoas entenderam e agora estão connosco.

E com as caminhadas que já realizaram perceberam que pode ir “gente” às terras?

Exatamente. Este ano (2021) fizemos seis a sete caminhadas que trouxeram mais de 600 pessoas. A última que fizemos foi a noturna, agendada para 1 de novembro, mas adiada por causa do mau tempo para 20 de novembro. E foi muito bom, envolvemos o curso de cozinha do Agrupamento de Escolas Verde Horizonte e foi muito bom. Tivemos num sábado à noite uma caminhada com 117 pessoas. Não foi fácil, mas até tivemos a colaboração do Padre Amândio que foi connosco, abriu as portas das capelas e andou connosco lá dentro. Foi fantástico.

E a ideia do geopark?

No início, na apresentação da Associação, quando falámos num geoparque, houve um silêncio na sala. Um geopark não vamos conseguir fazê-lo porque implica uma estrutura financeira de outra ordem que a Câmara de Mação não tem. O que poderá ficar previsto, está em cima da mesa, é podermos fazer uma parceria com o Naturtejo. Ou seja, nós temos um terreno contíguo com o Geopark Naturtejo (Vila Velha Ródão e Proença-a-Nova), o próprio Instituto Terra e Memória tem um polo em Mação, e há muita semelhança entre estes territórios. Em Portugal existem cinco geoparques: Macedo Cavaleiros, Arouca, Naturtejo, Serra da Estrela e Açores. O nosso objetivo é que Mação tenha as regras de um geopark, mesmo que não tenha um geopark próprio. Na questão das parcerias temos uma muito boa. Nós somos reconhecidos pela Microsoft casa-mãe. Somos reconhecidos por eles, nível da filantropia da Microsoft. Nós não sabemos tudo, mas todos nós em conjunto sabemos muito. É esse o nosso segredo. Quando fizemos a parceria com a Microsoft, andámos quase cinco meses a ser “investigados”, o rating, a idoneidade, os estatutos, o registo...

... “Rotas de Mação” é uma marca registada?

Sim. Mas o titular é o Município de Mação. A propriedade é da Câmara de Mação. E através de protocolo cede a marca à Associação das Rotas.

E agora, em 2022, entramos num outro patamar?

Temos de tirar Mação do estigma do concelho que só arde. Nós nascemos do fogo. Nós somos “os filhos do fogo”. É muito difícil fazer uma caminhada em cima de território ardido. E nós fizemos em Cardigos. Fazer caminhadas em levadas e cascatas é muito bonito. Mas fazer uma caminhada com 200 pessoas numa zona que ardeu uma semana antes, onde ainda havia fumo e cinzas no ar, não é para todos. Nós fizemos isso.

E as próximas atividades da associação, quais vão ser?

Estamos a preparar os painéis para os percursos pedestres e iremos iniciar as atividades, de a Covid deixar, na primavera deste ano.


REGIÃO / Abrantes

Rasgo no açude já está a ser reparado // O açude insuflável de Abrantes está a sofrer uma intervenção num dos vãos e, por isso, está desinsuflado. Trata-se de duas intervenções numa única operação que será feita pela mesma empresa alemã (Floecksmühle Energietechnik GmbH) que já faz as manutenções desta infraestrutura. Por um lado vai ser feita a reparação em relação aos parafusos que apresentavam alguns problemas numa das comportas insufláveis. Mas desta vez não houve, segundo os responsáveis autárquicos, atos de vandalismo como já aconteceu anteriormente e que levou à necessidade de outras intervenções robustas. Neste caso, a autarquia vai aproveitar esta intervenção específica para fazer também a manutenção geral daquela comporta. O vereador João Gomes explicou a intervenção e que esta empresa alemã é a única, no mundo, a fazer este tipo de trabalhos. Mas para que se possa fazer a intervenção de reparação e manutenção da comporta é necessário, primeiro, fazer uma ensecadeira, ou seja, criar uma barreira em terra e areia que desvie as águas do Tejo do local onde vai ser feita a reparação. Como é uma intervenção num dos vãos mais próximos da margem sul, o vão dois, foi necessário criar

condições para a subida dos peixes durante este período. Ou seja, foi necessário criar um canal temporário que permita a passagem das espécies piscícolas para montante da infraestrutura. Esta operação de construir a ensecadeira terá um custo de 150 mil euros e começou no mês de dezembro, enquanto que a operação de reparação, a começar neste mês de janeiro, está orçamentada em 251 mil euros. Na intervenção do vão, “vamos aproveitar para melhorar as instalações e criar uma melhor condição de resistência” do vão, ou seja “iremos reforçar toda a estrutura de fixação, bem como outros aspetos a nível do açude que achamos que é de todo pertinente para evitar dissabores no futuro”. No seguimento desta informação, o vereador eleito pelo PSD, Vítor Moura, anunciou que muito em breve vai apresentar a proposta para instalação de um repuxo gi-

A operação de reparação está orçamentada em 251 mil euros.

//Açude já está a ser alvo de intervenção gante no meio do espelho de água, no Tejo. Já Manuel Jorge Valamatos, presidente da Câmara de Abrantes, indicou que está em curso um programa no âmbito da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo que

prevê a criação de dinâmicas de animação das zonas ribeirinhas, por um lado, e permitirá a criação de novas infraestruturas, por outro. Quanto à reparação e manutenção do açude, avança agora, até por forma a aproveitar a gestão de cau-

dais do rio que está a ser feita pela Infraestruturas de Portugal (IP) que já começou a intervenção na Ponte Ferroviária de Abrantes, na linha da Beira Baixa. A requalificação da ponte é um investimento da IP que vai ter uma duração de 20 meses e um custo de 2,8 milhões de euros. Segundo João Gomes, a reparação do açude vai estar completamente concluída até final de janeiro já quanto ao regresso do espelho de água no Tejo, “temos que esperar pela intervenção da IP” na ponte ferroviária. Jerónimo Belo Jorge e Patrícia Seixas PUBLICIDADE

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POLÍTICA / Abrantes

Deputado do BE renuncia ao mandato na Assembleia Municipal por causa de um acordo com partidos da direita Pedro Grave, o cabeça de lista do BE à Assembleia Municipal de Abrantes, e único eleito para este órgão por aquela força política, renunciou ao mandato no dia 13 de dezembro de 2021. De acordo com um comunicado da comissão Coordenadora Concelhia do Bloco de Esquerda de Abrantes (CCC/A), divulgado na terça-feira, 14 de dezembro, a estrutura teve conhecimento “pela comunicação social que o deputado eleito pelo Bloco de Esquerda à Assembleia Municipal integrou uma lista para a Assembleia Intermunicipal do Médio Tejo com elementos do PSD e do Chega. A CCC/A condena e distancia-se dessa decisão.” Na mesma nota da concelhia do BE de Abrantes, o deputado Pedro Grave foi “confrontado pela Coordenadora Concelhia do BE Abrantes, assumiu a sua responsabilidade exclusiva por esta decisão e comunicou que renunciará ao mandato.” Em causa esteve uma posição, entretanto do conhecimento público, assumida pela distrital do Bloco de Esquerda de Santarém a propósito de um acordo que envolveu quase todos os partidos da oposição em Abrantes na formação de uma lista para a Assembleia Intermunicipal do Médio Tejo. Nesse sentido o secretariado da Comissão Coordenadora Distrital do Bloco de Esquerda de Santarém revela, em nota enviada às redações, na noite desta terça-feira, 14 de dezembro, que ao tomou conhecimento [através da comunicação social] do acordo existente entre o Bloco de Esquerda, o Partido Social Democrata, ALTERNATIVAcom e o

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Chega para apresentar lista alternativa à do PS, para representação da Assembleia Municipal de Abrantes na Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo. Nesta mesma nota, a distrital bloquista indica que “não foi consultada nem se revê em qualquer acordo formal ou informal com partidos de direita, distanciando-se da decisão de integração de listas, ou ações que apoiem, ou promovam políticas de direita em qualquer contexto”. A distrital do BE esclarece que “reprova o acordo na Assembleia Municipal de Abrantes”. E depois a distrital vai mais longe e acrescenta que também reprova um outro acordo “levado a cabo na freguesia de Alvega e Concavada, no concelho de Abrantes, que num entendimento com o PSD inviabilizou uma solução à esquerda provocando eleições intercalares para a respetiva União de Freguesias.” Em causa parece ter estado o acordo para a elaboração de uma lista em que o PSD de Abrantes pretendeu juntar os partidos da oposição para concorrer numa lista alternativa à do PS para os 4 lugares da Assembleia Intermunicipal do Médio Tejo. A lista integra João Fernandes (PSD), José Rafael Nascimento (ALTERNATIVAcom), Pedro Grave (BE), Luís Carloto (CHEGA) e tem como suplentes, João Paulo Rosado (PSD) e Sónia Pedro (ALTERNATIVAcom). Nesta eleição, na Assembleia Municipal de dia 10 de dezembro, foram eleitos para a Assembleia Intermunicipal do Médio Tejo António Mor e Piedade Pinto, pelo PS, João Fernandes pelo PSD e José

JORNAL DE ABRANTES / Janeiro 2022

Rafael Nascimento pelo ALTERNATIVAcom. Na lista, Pedro Grave era o terceiro e primeiro substituto nas ausências dos membros eleitos para aquele órgão. Pedro Grave, em declarações à rádio Antena Livre, revelou que entre a preparação sessão e a realização da mesma não deu importância ao assunto, mas acrescentou que “não promovi o envolvimento e a discussão do mesmo pela Coordenadora Concelhia de Abrantes do Bloco de Esquerda, ferindo assim

os princípios de confiança em mim depositados, pelo partido e pelos votantes.” Pedro Grave assume que a sua decisão foi pensada no interesse de todos os que o elegeram e sublinhou que “nunca por qualquer interesse pessoal”. Depois explica que “tanto as ações como a inércia acabaram por causar danos a quem me propus representar.” Pedro Grave indicou ainda que apesar das suas justificações a que acrescem razões pessoais muito fortes, “considero estarem feridos

// OS ELEITOS PARA REPRESENTAR A ASSEMBLEIA NAS DIFERENTES ENTIDADES Para a Assembleia Intermuncipal do Médio Tejo apresentaram-se duas listas para quatro lugares naquele órgão. Votação feita pelos eleitos diretos para a Assembleia Municipal de Abrantes e após o escrutínio pelo Método de Hondt, os representantes na Assembleia Intermunicipal do Médio Tejo são António Mor e Piedade Pinto (PS), João Fernandes (PSD) e José Rafael Nascimento (ALTERNATIVAcom). Quanto à eleição de representantes paras outras entidades, as escolhas recaíram em Bruno Tomás, como presidente da União de Freguesias de Abrantes e Alferrarede para a ANMP – Associação Nacional de Municípios Portugueses; Pedro Matos, presidente da Junta de Freguesia de Mouriscas para o Conselho Cinegético Municipal; Sónia Alagoa, presidente da Junta de Freguesia de Fontes para o Conselho Municipal de Turismo.

Já o presidente de junta de freguesia eleito para participar no Conselho Municipal de Educação foi Bruno Tomás, presidente da União das Freguesias de Abrantes e Alferrarede; para a Comissão Municipal de Gestão Integrada de Fogos Rurais foram escolhidos os presidentes da Junta de Freguesia de Bemposta, Manuel João Alves, e da União das Freguesias de Aldeia do Mato e Souto, Álvaro Paulino; para a Comissão Municipal de Proteção Civil o representante das juntas de freguesia é o presidente da Junta de Freguesia de Bemposta, Manuel João Alves. Foi ainda eleito um presidente de junta de freguesia, neste caso de S. Miguel do Rio Torto e Rossio ao Sul do Tejo, Luís Valamatos, para o Conselho Municipal de Saúde. Ainda na saúde, mas para o Conselho da Comunidade no Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Médio Tejo, foi escolhido António Mor.

os princípios de confiança política estabelecidos e já comuniquei aos meus pares a decisão de renunciar ao cargo que ocupo na Assembleia Municipal de Abrantes.” Pedro Grave deixou um agradecimento aos eleitores e a quem já lhe prestou apoio no presente e para o futuro. E aqui a palavra estende-se a militantes e apoiantes do BE e de outros partidos. O, até aqui, deputado municipal do Bloco de Esquerda, concluiu a dizer que o partido “saberá como continuar a ação política da melhor forma.” E fechou esta explicação a dizer que não se sente diminuído e que revela que “continuo cidadão, crítico ou apoiante, mas sempre com o coração do lado certo.” Recorde-se que a CDU de Abrantes já tinha reagido ao acordo feito entre as quatro forças políticas e adiantou que os ativistas da coligação “decidiram declinar o convite por não se reverem nesta situação e entenderem que as populações nada teriam a ganhar com tal acordo para um lugar de 2.º suplente.” No mesmo texto a CDU lembra que os partidos “são livres de fazerem os acordos que entendem”, mas acrescenta que estranha “que Rui Rio jure a pés juntos que o acordo feito nos Açores não se repetiria no continente, traçando uma linha vermelha e Catarina Martins que acuse o PSD de dar a mão ao Partido CHEGA, a quem acusa, e bem, de ser um partido racista e xenófobo e que em Abrantes se façam estes acordos por um mero suplente numa comunidade intermunicipal.” Jerónimo Belo Jorge


SOCIEDADE /

Jorge Rosa deixou de ser o CEO da Mitsubishi Fuso em Tramagal // Arne Barden, atual responsável da cadeia logística da FUSO, assumiu a liderança da fábrica da Mitsubishi Fuso a 1 de janeiro de 2022. De acordo com informação da empresa, esta mudança “acontece num momento pós-pandemia e depois de reunidas as condições para uma transição adequada e gradual”. O novo CEO da Mitsubishi Fuso Truck Europe (MFTE), Arne Barden, está no Japão desde 2017 onde tem o cargo de diretor da cadeia de abastecimento da marca nipónica. O atual gestor da MFTE, unidade de produção de camiões pertencente à Daimler Truck, possui uma extensa experiência internacional. Arne Barden, de 50 anos, era o responsável pela cadeia de logística da FUSO. Entrou para a Daimler em 2001 e passou por vários países e cargos, tendo exercido a função de diretor de engenheira e manutenção industrial em duas importantes fábricas do grupo, na Alemanha e Índia. Posteriormente, trabalhou em Singapura e manteve uma relevante colaboração com a Daimler Truck Indonésia no lançamento de projetos de sucesso. Os conhecimentos adquiridos ao longo da carreira e a forte capacidade de liderança demonstrada na gestão da crise nas cadeias Logísticas e efeitos da pandemia foram fator preponderante para a escolha. O CEO anterior, Jorge Rosa, deixou um cargo que ocupou desde 2005, mas permanecerá na empresa para um “período de transição até abril deste ano, data a partir da qual assume funções de representação externa da MFTE.” A empresa revelou ainda que a “experiência adquirida ao longo de 42 anos na empresa e profundo conhecimento da realidade empresarial e económica portuguesa, representam um valor acrescido para a nova administração. Mantém-se ainda como presidente da MOBINOV e vice-presidente da ACAP - Associação Automóvel de Portugal.” Nos 16 anos em que conduziu a estratégia da empresa, Jorge Rosa conseguiu vários sucessos, como a produção do modelo elétrico eCanter na MFTE e o projeto de neutralidade carbónica da fábrica durante

// Jorge Rosa exerceu o cargo de presidente da MFTE durante 16 anos este ano. Etapas importantes para um futuro sustentável e com produtos limpos, aos quais o novo CEO dará continuidade. A Mitsubishi Fuso Truck Europe está localizada em Tramagal, concelho de Abrantes, e emprega cerca de 480 trabalhadores. Prevê fechar o corrente ano de 2021 com uma produção a rondar as 10 mil unidades dos modelos Canter e eCanter, devendo atingir uma faturação superior a 200 milhões de euros. É uma empresa do grupo Daimler Truck, resultado da divisão do grupo Daimler. A MFTE É a líder mundial no mercado de pesados e engloba sete marcas: Mercedes-Benz, FUSO, Setra, Bharat-Benz, Freightliner, Western Star e Thomas Built Buses.

// MITSUBISHI FUSO ANUNCIA AUMENTO SALARIAL EXTRAORDINÁRIO NA FÁBRICA DO TRAMAGAL No dia 23 de dezembro, o presidente da Mitsubishi Fuso Truck Europe (MFTE), cuja fábrica em Tramagal, no concelho de Abrantes, emprega cerca de 480 pessoas, anunciou uma atualização salarial extraordinária de até 100 euros nos próximos dois anos, a começar já em janeiro. Em comunicado, a MFTE refere que “os aumentos serão divididos em duas fases, com uma primeira a ocorrer em janeiro de 2022 e uma outra em janeiro de 2023, e com a maior subida a refletirse nos salários mais baixos”, tendo o anúncio sido feito por Jorge Rosa durante a tradicional comunicação de final de ano aos trabalhadores. “Apesar da situação pandémica e da crise de componentes, a nossa unidade tem mostrado resultados positivos”, refere a fábrica da multinacional instalada em Tramagal. Este aumento é uma forma de “premiar as nossas equipas e reforçar a atratividade de novos colaboradores, essenciais para conseguirmos responder aos projetos futuros que temos planeados”, afirmou o gestor, citado na mesma nota informativa. A comunicação dos aumentos salariais feita aos trabalhadores, além do balanço da atividade em 2021 e previsão para 2022, serviu para a despedida de Jorge Rosa dos colaboradores, depois de 16 anos como presidente da empresa.

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Janeiro 2022 / JORNAL DE ABRANTES

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REGIÃO / Saúde

Secretário de Estado inaugurou UCC do Almourol... O secretário de Estado Adjunto e da Saúde esteve na manhã do dia 6 de dezembro em Vila Nova da Barquinha para assinalar a reinstalação da Unidade de Cuidados da Comunidade (UCC) do Almourol que serve os concelhos de Barquinha, Constância e Entroncamento. Esta reinstalação tratou-se de um processo de concentração dos serviços da UCC num único edifício, uma vez que os mesmos estavam espalhados por várias unidades de saúde e em vários edifícios. Fernando Freire, o presidente da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha, destacou a parceria entre Ministério da Saúde, Ad-

ministração Regional de Saúde e Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Médio Tejo com a autarquia para a concentração desta UCC num único espaço cedido pela Junta de Freguesia da Barquinha. A Câmara Municipal fez as obras de adaptação do edifício e o ACES tratou do reequipamento. O autarca destacou a importân-

cia desta inauguração de um serviço fundamental para Vila Nova da Barquinha no apoio às populações, principalmente as populações mais idosas. Diana Leiria, diretora do ACES Médio Tejo salientou, na altura, o empenhamento de todas as partes na resolução daquilo que era um serviço espalhado por várias

unidades de saúde e vários edifícios. Depois deixou uma palavra para a equipa da UCC do Almourol que tem estado sempre da linha da frente das solicitações. Quer na Covid-19 ou quer no apoio aos refugiados que chegaram ao nosso país, quer no apoio a outros concelhos da região que não fazem parte desta unidade.

Já o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales, destacou ainda os números relativos à vacinação, à data, contra a covid-19 em Portugal, tendo sublinhado a administração de mais de 1,5 milhões de doses de reforço e mais de dois milhões da vacina contra a gripe até ao momento, num país onde “85% da população tem o esquema vacinal completo [a 6 de dezembro de 2021]”. Quando à inauguração Lacerda Sales vincou o exemplo de parceria entre o poder central e o poder local, com um exemplo claro deste casamento. Depois de visitar a UCC do Almourol Lacerda Sales deixou claro que os serviços são necessários uma vez que a população portuguesa está cada vez mais envelhecida. A Unidade de Cuidados da Comunidade do Almourol tem capacidade total de 30 camas,e presta cuidados de saúde e apoio social e psicológico a nível comunitário e domiciliário, com especial incidência nas famílias e grupos mais vulneráveis, em situação de risco ou dependência física e funcional, atuando ainda a nível da educação para saúde e integração de redes de apoio à família. JBJ

... E extensão de saúde de Montalvo Depois de Vila Nova da Barquinha o secretário de Estado adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales, inaugurou a extensão de saúde de Montalvo. Esta estrutura está a funcionar desde abril de 2021 e resultou de uma intervenção da Câmara Municipal de Constância na antiga escola primária da freguesia. Este é mais um exemplo de uma parceria entre poder central e local como a que o governante tinha visto uma hora antes no vizinho concelho de Vila Nova da Barquinha. Sérgio Oliveira, presidente da Câmara Municipal de Constância, revelou que este investimento de 161 mil euros teve uma comparticipação de cerca de 130 mil de fundos comunitários, mas permitiu criar umas instalações condignas para a população de Montalvo. Quanto à falta de médicos de família o autarca indicou que a Câmara até tem um apartamento que cede sem qualquer custo para que um médico de família se possa

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instalar no concelho. Mas esta é uma das grandes preocupações dos autarcas de toda a região. O secretário de Estado repetiu em Constância aquilo que já tinha dito em Vila Nova da Barquinha: a satisfação de ver o exemplo de parcerias com as autarquias, como é o caso da extensão de saúde de Montalvo. E vincou que este é um trabalho de melhoria das condições para os profissionais de saúde e de dar mais e melhores condições de prestação de cuidados e de proximidade ás populações. Lacerda Sales disse claramente que “não fizemos tudo, mas fizemos muita coisa”, acrescentando que é preciso ainda um número considerável de médicos de família. E

JORNAL DE ABRANTES / Janeiro 2022

disse que voltará a haver um novo concurso para médicos com especialidade em saúde familiar. À chegada a Montalvo o governante foi abordado por um cidadão descontente com a passagem de cada vez mais serviços da saúde do setor público para o setor privado. Lacerda Sales ainda tentou conversar e justificar algumas das questões ali levantadas, mas ao não conseguir dialogar acabou por entrar na extensão de saúde de Montalvo. Em declarações aos jornalistas, Lacerda Sales reconheceu haver um “número considerável” de portugueses sem médico de família, tendo anunciado ainda para este mês de dezembro um “novo con-

curso para reforço dos quadros do SNS com mais médicos de família”. À saída, e antes de entrar no automóvel, o governante voltou a ser abordado por outra habitante do concelho que desabafou as suas preocupações pela falta de médicos de família, apontando o caso de Constância. O equipamento de saúde em Montalvo entrou ao serviço da população em abril deste ano, 12 anos depois de muita luta e reivindicação por parte da população e de autarcas, mas o problema da falta de médicos tem sido uma constante na freguesia e um pouco por todo o Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Médio Tejo, onde há atualmente 18 médicos em falta no

total dos 11 municípios servidos por este ACES. Entretanto a visita do secretário de Estado da Saúde a Constância levou a estrutura local da CDU a emitir um comunicado em que diz esperar que esta visita resolva algumas questões que estão em aberto no concelho e que preocupam a população. A CDU diz esperar que esta vista resolva “a falta de médicos, enfermeiros, técnicos de saúde, assistentes administrativos e operacionais” que permita “organizar as consultas de recurso/urgência de forma a evitar que os utentes, estejam horas à espera sem saber se serão atendidos.” A CDU aponta ainda uma falha na insuficiência no acompanhamento de doentes crónicos e saúde materno-infantil assim como a redução de tempo de espera para cirurgias, consultas e exames nos hospitais. No mesmo comunicado a CDU que tem uma vereadora eleita na Câmara Municipal de Constância espera ainda que haja uma organização dos serviços e dá o exemplo “da vacinação contra a gripe e Covid 19.” Em jeito de conclusão aponta ainda a necessidade de entrada em funcionamento do “Gabinete de Saúde Oral em que parte do equipamento foi comparticipado financeiramente pela Câmara Municipal.” A CDU concluiu a dizer que espera que esta visita não seja uma mera ação de campanha eleitoral do Partido Socialista. JBJ


REGIÃO / Abrantes

Câmara aprova tarifário dos SMA para 2022 por maioria // A Câmara Municipal de Abrantes aprovou o tarifário dos Serviços Municipalizados de Abrantes (SMA) para o ano 2022 com uma subida de 32 cêntimos para o consumidor doméstico e 3,39 euros para a média dos consumidores não domésticos. A proposta dos SMA contou com os votos favoráveis do PS, com o voto contra do vereador Vasco Damas, ALTERNATIVAcom, e a abstenção do vereador Vítor Moura, do PSD. O presidente da Câmara de Abrantes e do Conselho de Administração dos Serviços Municipalizados apresentou os novos tarifários com a necessidade de fazer uma atualização que classificou como “muito ligeira” face a um aumento de despesa de cerca de 100 mil euros só com atualizações salariais, consumos de eletricidade e de combustíveis. Neste sentido, a proposta de atualização dos preços aponta a um aumento de 0,9%. Ou seja, num consumo de 10 m3 de água, os clientes domésticos vão pagar mais 0,10 euros/mês e nos consumos de 20 m3 de água, os clientes não domésticos vão pagar mais 1,79 euros/mês. Nos resíduos sólidos urbanos, a atualização será de 0,5%. Os clien-

//Fatura do ambiente vai subir em 2022 tes domésticos num consumo de 10 m3 de água vão pagar mais 0,03 euros/mês e num consumo de 20 m3 de água, os clientes não domésticos vão pagar mais 0,63 euros/mês. No saneamento, a atualização fica em 3,2% nas tarifas variáveis (atualização de acordo contrato de concessão) e uma atualização

em 0,2% tarifas fixas (atualização de acordo contrato de concessão). Neste sentido, no saneamento, num consumo de 10 m3 de água, os clientes domésticos vão pagar mais 0,17 euros/mês enquanto que num consumo de 20 m3 de água, os clientes não domésticos vão pagar mais 0,58 euros/mês.

Somas feitas, em 2022, um cliente doméstico com consumo de 10 m3 tem um aumento na fatura de ambiente de 32 cêntimos. Já um cliente não doméstico com um consumo de 20 m3 de água por mês, terá um aumento na fatura de ambiente de de 3,15 euros. Manuel Jorge Valamatos apresentou depois uma série de indicadores comparativos entre o concelho de Abrantes e a média da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo para justificar os preços, principalmente do saneamento e dos resíduos sólidos, já que na água os valores “estão a meio da tabela”, no consumo doméstico, e “nos valores mais baixos” no consumo não doméstico. O autarca disse ainda que a dimensão do concelho, a densidade populacional, nos resíduos, e a taxa de cobertura na rede de esgotos levam a que os valores cobrados sejam superiores à média da CIM do Médio Tejo. Questionado sobre se estes tarifários já incluem as recolhas de bio-resíduos (contentor castanho) o autarca confirmou e adiantou que em 2022 tudo aponta para que as

zonas do concelho com densidade populacional mais alta possam ter este serviço. E acrescentou que implica um novo circuito de recolha, já que estes resíduos não se podem misturar com os indiferenciados. Manuel Jorge Valamatos indicou que 74% dos consumidores domésticos dos SMA consomem até 10 metros cúbicos de água por mês e numa fatura destes clientes 11,56 euros são o custo efetivo com água, o que representa 39%. Depois junta-se à fatura do ambiente 8,80 euros para pagamento de saneamento (30%), mais 6,92 (23%) dos resíduos sólidos urbanos e ainda 2,47 (8%). Ou seja, quer dizer que um consumidor doméstico que se insere neste escalão (10 metros cúbicos de água por mês) tem uma fatura de 29,75 euros. Já no que diz respeito aos consumidores não domésticos, ou seja, empresas, lojas e estabelecimentos de serviços, há 1 511 clientes divididos nos escalões da seguinte forma: pagam até 15 euros por mês 9% dos clientes, entre 15 e 25 euros 29%, entre 25 e 35 euros 18%, de 35 a 50 euros 18% e a pagar mais de 50 euros mês estão 26% dos clientes. PUBLICIDADE

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REGIÃO / Constância

Conselho Municipal de Segurança já foi empossado // Tomou posse, em 22 de dezembro, o Conselho Municipal de Segurança de Constância que tem como objetivo contribuir para o aprofundamento do conhecimento da situação de segurança na área do município. A cerimónia, realizada no Salão Nobre dos Passos do Concelho, empossou os elementos que compõem o Conselho Municipal de Segurança e que são o presidente da Câmara Municipal, Sérgio Oliveira, o presidente da Assembleia Municipal, António Luís Mendes, o presidente da Junta de Freguesia de Constância, Paulo Freitas, a presidente da Junta de Freguesia de Montalvo, Ana Luísa Manique, o presidente da Junta de Freguesia de Santa Margarida da Coutada, José Manuel Ricardo, a procuradora do Ministério Público, Vânia Moreira, o comandante do Posto da GNR de Constância, sargento-ajudante José Pinto, a coordenadora municipal do Serviço de Proteção Civil, Filipa Gomes, o comandante dos Bombeiros Voluntários de Constância, Marco Gomes, o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Constância, António Paulo Teixeira, a diretora do Agrupamento de Escolas, Olga Antunes,

// O sargento-ajudante José Pinto, comandante do Posto da GNR, na tomada de posse o representante da Associação Comercial e Empresarial, Pedro Fernandes, o representante do Espaço M, Micael Dias. O vereador Pedro Pereira não tomou posse nesta cerimónia devido, à data, estar a cumprir isolamento profilático por ordem das autoridades de saúde. O presidente da Câmara de Constância anunciou que, no início do ano, o Conselho Municipal

de Segurança iria reunir e que apresentaria a proposta de Regulamento “já atualizado com base na nova legislação (...) que atualizou o Regime Jurídico, para apreciarmos e, se houver condições, seguir para a aprovação na Câmara Municipal e, posteriormente, na Assembleia Municipal”. Assim que estiver ultrapassado este procedimento, o Conselho Municipal de Segurança poderá começar a

O Conselho Municipal de Segurança é uma entidade de âmbito municipal com funções de natureza consultiva

funcionar devidamente. O Conselho Municipal de Segurança é uma entidade de âmbito municipal com funções de natureza consultiva, de articulação, coordenação, informação e cooperação que tem como objetivos contribuir para o aprofundamento do conhecimento da situação de segurança na área do município, através da consulta entre todas as entidades que o constituem; Formular propostas de solução para os problemas de marginalidade e segurança dos cidadãos no respetivo município e participar em ações de prevenção; Promover a discussão sobre medidas de combate à criminalidade e à exclusão social do município; Aprovar pareceres e solicitações a remeter a todas as entidades que julgue oportunos e diretamente relacionados com as questões de segurança e inserção social; Proceder à avaliação dos dados relativos ao crime de violência doméstica, e tendo em conta os diversos instrumentos nacionais para o seu combate, designadamente os Planos Nacionais de Prevenção e Combate à Violência Doméstica e de Género, e apresentar propostas de ações que contribuam para a prevenção e diminuição deste crime; Avaliar os números da sinistralidade rodoviária e, tendo em conta a estratégia nacional de segurança rodoviária, formular propostas para a realização de ações que possam contribuir para a redução dos números de acidentes rodoviários no município; Promover a participação ativa dos cidadãos e das instituições locais na resolução dos problemas de segurança pública. Patrícia Seixas

Câmara restringe pernoita em autocaravanas // A Câmara de Constância aprovou o Regulamento Municipal para o Exercício de Atividade de Autocaravanismo. Devido a várias queixas de utilização irregular do parque nas margens do Zêzere com descargas para o rio e acumulação de lixo, a Autarquia aprovou a proibição de pernoite de autocaravanas naquele espaço. É habitual verem-se autocaravanas estacionadas na zona ribeirinha, em Constância, junto às margens do rio Zêzere. Contudo, essa será uma imagem que iremos deixar de ver pois o Executivo Municipal aprovou a criação de um Regulamento Municipal para o Exercício da Atividade de Autocaravanismo. “Tivemos algum feedback quer de comerciantes, quer de alguns munícipes em relação à prática de caravanismo na zona ribeirinha, em particular nas margens do Zêzere”, começou por explicar o vereador Pedro Pereira. Segundo o vereador, que citou

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algumas testemunhas oculares “e que depois foi constatado por nós”, existem muitas caravanas que pernoitam vários dias na zona ribeirinha “e despejam os resíduos diretamente para o rio”. Pedro Pereira relembrou que existe um parque para caravanas do outro lado do rio “e temos um espaço como o Parque de Campismo onde estão autocaravanas, o que em princípio também é injusto pois esses estão a pagar quando uns metros abaixo estão outros que não pagam rigorosamente nada”. Para além disto, o vereador destacou ainda “toda a logística e os problemas que causam, muitas

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vezes por mau funcionamento, o lixo que lá fazem e deixam espalhado pela zona ribeirinha”. Por todas estas razões, “e devido à Lei que foi revogada” - sobre o regime de estacionamento e aparcamento de autocaravanas que entrou em vigor em 25 de agosto de 2021 - a Câmara de Constância avançou com o início do procedimento para a criação do Regulamento Municipal para o Exercício de Atividade de Autocaravanismo. De referir que a proibição de pernoita de autocaravanas só se aplica na freguesia de Constância. Patrícia Seixas


REGIÃO / Vila Nova da Barquinha

Município recebe doação de mais de 800 peças arqueológicas // O mestre em Pré-História e Arqueologia Júlio Manuel Pereira, doou ao Município de Vila Nova da Barquinha vários “materiais arqueológicos por mim recolhidos ao longo do tempo no concelho de Vila Nova da Barquinha e agora entregues para salvaguarda”. Júlio Manuel Pereira, investigador arqueológico e com muitas obras publicadas sobre o concelho de Vila Nova da Barquinha, escreveu que, “para os não entendidos, poderá parecer um conjunto de calhaus, mas abrange um período muito lato que vai desde o Paleolítico Inferior até à Idade Média e contém peças que enriquecem qualquer exposição”. Em reunião de Câmara, o presidente da Câmara, Fernando Freire, destacou alguns desses artefactos mais significativos “tais como os discos languedocenses da Aldeinha, a magnífica enxó de pedra polida em anfibolito do Alto do Branquinho, o furador sobre lâmina e os muitos artefactos de pedra polida do Casal dos Cucos, os magníficos bifaces da Foz da Ribeira da Fonte Santa e da Mina do Alto da Fonte da Moita, uma pequena moeda de Constantino no Pedregoso, Quinta da Lameira onde, de facto, há vestígios de uma aldeia romana, um machado de pedra polida de Tarroais, o denticulado de Vale da Loura ou a lâmina de Vale Seixo...” Nos termos da Lei, “as ofertas com valor superior a 150 euros,

//Material arqueológico doado ao Município por Júlio Manuel Pereira para aceitação, têm que ser aprovadas em reunião de Câmara”. Fernando Freire disse entender “que este acervo que este barquinhense quer dar tem muito mais valor, de certeza absoluta, do que os 150 euros. O espólio é muito significativo

e tem muito a ver com a história do nosso concelho, nomeadamente com os períodos Neolítico, Paleolítico e também já com o período dos romanos no nosso território”. Fernando Freire propôs então “a aceitação da doação dos legados”

que vai ter que ser inventariada no âmbito da Divisão Cultural. A vereadora do PSD, Paula Gomes da Silva questionou acerca do espólio que a Câmara já possui e quis saber onde se encontram essas peças.

Fernando Freire explicou que “há várias peças” pois “tivemos, de facto, desde os anos 80, várias pesquisas arqueológicas até pelo Centro de Arqueologia Alto Ribatejo. Aliás, fomos os primeiros a fazer inventariação no nosso território. Muito do espólio que foi recolhido, muito se encontra numa associação privada, que o Centro de Arqueologia Alto Ribatejo, que funciona junto da Caixa Geral de Depósitos. Também temos muito material resultante de pesquisas guardado no Mercado Municipal sobre o qual teremos que discutir sobre a sua requalificação”. Quanto ao espólio guardado, a Direção Geral do Património Cultural “obriga a que tenha que haver um inventário destas peças”. Da responsabilidade da Câmara Municipal constam “as pesquisas arqueológicas feitas pelo doutor Carlos Batata em 2018 no âmbito da requalificação da ilha de Almourol, e que estão em depósito no Centro de Interpretação Templária, e vamos ter estas”. A proposta de aceitação da doação foi aprovada por unanimidade. Patrícia Seixas

Câmara transfere mais de 93 mil euros para as freguesias // O Executivo de Vila Nova da Barquinha aprovou, por unanimidade, as propostas de celebração de contratos interadministrativos e de acordos de execução com as Juntas de Freguesia do concelho, num total de mais de 93.400 euros.

Os contratos interadministrativos e os acordos de execução assinados entre a Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha e as Juntas de Freguesia tiveram início no dia 1 de janeiro de 2022 e o período de vigência do acordo de execução de competências coincide com a duração do mandado Autárquico. Para a Junta de Freguesia de Vila Nova da Barquinha, a Câmara

//Executivo aprovou por unanimidade acordos de execução com freguesias Municipal transfere 15 mil euros para aquisição de uma máquina de limpeza urbana (um aspirador de rua) no âmbito de um contrato interadministrativo. A Junta de Freguesia obriga-se, no exercício das competências delegadas, a proceder de forma diligente, à limpeza

e manutenção dos arruamentos da freguesia que lhe estão delegados. A Câmara transfere ainda o montante de 14.600 euros anuais, para cumprimento das restantes obrigações que se prendem com a gestão e manutenção de espaços verdes, limpeza urbana, gestão e

manutenção dos Jardins de Infância da Moita do Norte, de Vila Nova da Barquinha e da Escola do Cardal (Universidade Sénior). A Junta de Freguesia de Praia do Ribatejo conta com um contrato interadministrativo de 15 mil euros para construção e manutenção do Jardim das Limeiras. Há ainda um acordo de execução para gestão e manutenção de espaços verdes, limpeza urbana, gestão e manutenção de recintos escolares e colaboração da cobrança de recibos de água no valor de 16 mil euros. Neste acordo ficam excluídas a Rua de Santa Maria do Zêzere; da antiga EN358-1 (entre a ponte sobre o rio Zêzere e a localidade de Madeiras; EN3 – Castelo de Almourol; a EM 542 (entre Limeiras e Cafuz e entre Limeiras e Matos), e entre a Laranjeira e posto clínico das Limeiras. A razão prende-se com o facto da freguesia de Praia do Ribatejo “ser muito grande e há que fracionar para ajudar a Junta de Freguesia”, como explicou o presidente da Câmara, Fernando Freire.

Já a Junta de Freguesia de Atalaia vê aprovado o acordo de execução para gestão e manutenção de espaços verdes, limpeza urbana, gestão e manutenção de recintos escolares no valor de 14.250 euros e mais 15 mil euros para reparação e substituição do mobiliário do Vale da Loura. “Trata-se de uma urbanização nova que necessita de ver requalificado o jardim”, precisou Fernando Freire. Também a Junta de Freguesia de Tancos vê serem transferidos 3.560 euros para gestão e manutenção de espaços verdes, limpeza urbana, gestão e manutenção de recintos escolares e colaboração da cobrança de recibos de água. Fernando Freire explicou que, contudo, “se a Fábrica da Igreja avançar com uma candidatura para a requalificação da Igreja de Nossa Senhora da Assunção”, em Tancos, a Câmara Municipal também irá apoiar essa obra. Patrícia Seixas

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REGIÃO / Sardoal

Duas AIGP’s aprovadas para modificar a floresta // O concelho de Sardoal vai ter já uma Área Integrada de Gestão da Paisagem (AIGP) e outra a aguardar financiamento. O acordo foi assinado nesta quarta-feira, 22 de dezembro, numa cerimónia que decorreu na Sertã, na presença do ministro do Ambiente, João Matos Fernandes. Miguel Borges, presidente da Câmara Municipal de Sardoal, explicou na reunião do executivo Municipal de dia 23 de dezembro que o concelho viu duas AIGP’s aprovadas, mas que uma delas não tem dotação financeira, precisa ainda de ver algumas questões ultrapassadas. Nesta fase há, de acordo com o autarca, um financiamento de 50 mil euros para a constituição da AIGP. A autarquia avançou com duas candidaturas. O Sardoal 1 ficou em 9.º lugar a nível nacional por isso, obteve financiamento. O Sardoal 2 está aprovada, mas está em 90.º lugar em 140, “pelo que vamos ter de aguardar, porque ainda não tem dotação financeira”. No que diz respeito à atual ZIF (Zona de Intervenção Florestal) Miguel Borges destacou que a situação está ultrapassada. Neste caso, Sardoal 2, há uma sobreposição da AIGP em relação à ZIF, mas é uma questão que está ultrapassada com esta aprovação. Para o Presidente da Câmara de Sardoal são boas notícias. Agora o processo vai passar para uma entidade gestora para criar uma Operação Integrada de Gestão da paisagem (OIGP). Ou seja, estas Operações Integradas de Gestão da Paisagem é que vão desenvolver os trabalhos no terreno necessários ao ordenamento territorial e à criação de novas dinâmicas nas áreas definidas pelas AIGP’s. O Governo tem uma dotação

financeira de 217 milhões de euros (ME) para intervenções nas Áreas Integradas de Gestão da Paisagem (AIGP), cuja meta já foi superada com a constituição de 70, em 2021. “Estou muito satisfeito. Tínhamos uma meta, constituir 60 AIGP até 2023. Ter conseguido 70 ainda em 2021, é a prova de que a política é a certa e também é a prova de que os atores locais, nomeadamente as autarquias, estão muito empenhados em concreti-

zá-la”, afirmou João Pedro Matos Fernandes. O ministro do Ambiente e da Ação Climática esteve na Sertã, na quarta-feira, dia 22 de dezembro, para presidir à cerimónia da assinatura dos contratos-programa das 23 AIGP da segunda fase de candidatura. O governante realçou o papel das autarquias e dos produtores florestais na implementação destas AIGP: “É impossível ser feito por outras entidades que não as

autarquias ou os produtores florestais. 70 AIGP, que representam 140 mil hectares - isto já tem expressão - mas o que é de facto verdadeiramente relevante é perceber que dentro destes 141 mil hectares a área média da propriedade é de 0,48 hectares”. João Pedro Matos Fernandes realçou a necessidade, não só de ter aqui uma verba para as intervenções (217 milhões de euros), como também adiantou que, findas essas intervenções,

virão190 milhões de euros, a cada ano, “para remunerar serviços de ecossistemas e garantir que esta empreitada de transformação que não é inaugurável, ainda assim não se esgota no dia em que parece estar concluída”. As AIGP visam uma abordagem territorial integrada para dar resposta à necessidade de ordenamento e gestão da paisagem e de aumento de área florestal gerida a uma escala que promova a resiliência aos incêndios, a valorização do capital natural e a promoção da economia rural. Nestas áreas serão criadas as condições necessárias para o desenvolvimento de Operações Integradas de Gestão da Paisagem (OIGP) a executar num modelo de gestão agrupada da responsabilidade de uma entidade gestora e suportada por um programa multifundos, de longo prazo, que disponibiliza apoios ao investimento inicial, às ações de manutenção e gestão ao longo do tempo e à remuneração dos serviços dos ecossistemas. As 70 AIGP já constituídas abrangem 37 concelhos, sendo que 41 foram propostas por autarquias e 29 por organizações de produtores agrícolas ou florestais. Envolvem 141 mil hectares de área em territórios vulneráveis e um total de 292 mil prédios, dos quais cerca de 197 mil sem cadastro. Jerónimo Belo Jorge C/ Lusa

Política Fiscal para 2022 mantém-se inalterada // O Município de Sardoal aprovou a Política Fiscal a vigorar em 2022, mantendo exatamente os mesmos valores aplicados no no passado. A Política Fiscal foi aprovada por unanimidade em reunião de Câmara e em Assembleia Municipal. A Política Fiscal do Município de Sardoal para 2022 foi aprovada por unanimidade pela Assembleia Municipal, já depois de ter tido a mesma votação no Executivo. As taxas vão manter-se iguais às do ano anterior sendo que, no IMI Imposto Municipal Sobre Imóveis, a taxa é de 0,325% para prédios urbanos e de 0,8% para prédios rústicos. Há uma minoração de 20% sobre a taxa para prédios arrendados e uma majoração de 20% para prédios urbanos degradados. Foi ainda aprovada uma taxa fixa de 1,6% para prédios rústicos com áreas florestais que se encontrem em situação de abandono. Foi ainda aprovado fixar uma redução da taxa do IMI aos prédios ur-

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//Assembleia Municipal aprovou taxas para 2022

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banos destinado a habitação própria e permanente do sujeito passivo ou do seu agregado familiar, e que seja efetivamente afeto a tal fim, atendendo ao número de dependentes. Assim, os agregados familiares com um dependente a cargo vão beneficiar de 20 euros de dedução fixa; com dois dependentes a cargo, o valor da redução é de 40 euros e para três ou mais dependentes a cargo, a redução é de 70 euros. A Taxa Municipal de Direitos de Passagem no ano 2022 irá manter o valor máximo de 0,25% e refere-se aos encargos relativos à implantação e atravessamento de sistemas, equipamentos e demais recursos das empresas que oferecem redes e serviços de

comunicações eletrónicas acessíveis ao público, em local fixo, dos domínios públicos e privado municipal. O Município decidiu também fixar a taxa de participação variável no IRS de 5% para os rendimentos do ano de 2021. Quanto à Derrama a liquidar em 2022 referente ao ano económico 2021, foi aprovado aplicar a taxa de 1,5% para as empresas com volume de negócios superior a 150 mil euros e a taxa de 0,01% para empresas que têm um volume de negócios inferior ou igual a 150 mil euros, “por querer incentivar e apoiar a instalação de pequenas e médias empresas no concelho”. Patrícia Seixas


REGIÃO / Vila de Rei

Passadiços do Penedo Furado têm novo miradouro e baloiço panorâmico // Encontram-se já terminados os trabalhos da terceira fase dos Passadiços do Penedo Furado, que incluíram a construção de um novo miradouro e de um baloiço panorâmico, e que permitem que os Passadiços possam já ser percorridos de forma circular, num total de 2,1 km.

A terceira fase dos trabalhos foi adjudicada à empresa MADFORALL - Construções de Infraestruturas em Madeira, Lda, pelo valor de 149.495,56 euros + IVA, e incluiu a construção de um novo miradouro, a criação de um baloiço panorâmico e a ligação de mais 700m de passadiços de madeira, entre este novo miradouro e a Praia Fluvial do Penedo Furado (com ligação também ao fóssil da ‘Bicha Pintada’). No total, as três fases da construção dos Passadiços do Penedo

Furado apresentaram um custo de 344.036,16 euros + IVA. Da empreitada fazem parte a criação de um circuito de 2,1 km com passadiços de madeira, criação de zonas de descanso (com bancos e miradouros), remoção de grades metálicas já existentes e consequente substituição por madeira, substituição de pontes em betão por pontes em madeira, regularização de piso e, mais recentemente nesta 3ª fase, a construção de um novo miradouro e de um baloiço panorâmico. Paulo César Luís, vice-presiden-

te da Autarquia vilarregense e responsável pelo pelouro do Turismo, destaca que “desde a sua criação, os Passadiços do Penedo Furado tornaram-se, desde logo, um dos principais pontos turísticos do concelho de Vila de Rei, impulsionando o turismo da região e atraindo milhares de pessoas a este espaço”. O autarca adiantou que “a conclusão desta 3ª fase vem permitir que todo o circuito se possa fazer de forma circular, melhorando assim a acessibilidade a todos os importantes pontos e miradouros

que compõem o espaço envolvente. Juntando a isto, estamos em crer que o novo miradouro e o baloiço panorâmico agora criados vão igualmente tornar-se pontos de referência para os turistas que nos visitam. A conclusão dos Passadiços do Penedo Furado é um importante passo na afirmação do turismo como área importante e essencial na dinamização da economia local, dotando o concelho com novas infraestruturas para continuar a atrair anualmente milhares de pessoas.”

Humberto Coelho assina protocolo entre a FPF e Município // O Salão Nobre do edifício dos Paços do Concelho de Vila de Rei recebeu, no dia 3 de dezembro, a assinatura de um protocolo de colaboração entre a Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Associação de Futebol de Castelo Branco (AFCB), Município de Vila de Rei e Agrupamento de Escolas de Vila de Rei. Marcaram presença na cerimónia assinatura de um protocolo de colaboração entre a FPF, AFCB, Município e Agrupamento de Escolas de Vila de Rei, Humberto Coelho, vice-presidente da FPF, Ricardo Aires, presidente da Autarquia vilarregense, Manuel Candeias da Costa, presidente da AFCB, e a diretora do Agrupamento de Escolas de Vila de Rei, Margarida Guimarães. O protocolo prevê a implementação, em Vila de Rei, de um programa-piloto com vista à dinamização de um programa regular de ensino do futebol e do futsal nas escolas do 1º Ciclo. Os objetivos são “incorporar objetivos, conteúdos e sessões destinadas ao ensino destas duas modalidades das Atividades de Enriquecimento Curricular (AEC); promover um estilo de vida saudável e os valores positivos associados ao desporto; proporcionar às crianças e jovens uma sólida e agradável introdução ao futebol e ao futsal, contribuindo para a criação de hábitos de prática despor-

tiva ao longo da vida; estabelecer a prioridade no desenvolvimento das habilidades iniciais, proporcionando uma escolha centrada na diversão”. De acordo com o protocolo assinado, o Município de Vila de Rei vai ficar responsável por disponibilizar um monitor para lecionar

as aulas nas AECs, coorganizar eventos entre Escolas e sensibilizar os clubes/instituições a estarem representados nestes eventos. A FPF irá definir os conteúdos das aulas e disponibilizar o material para as mesmas. A AFCB será o responsável por supervisionar este projeto-piloto enquanto que

o Agrupamento de Escolas deverá garantir a realização de, pelo menos, duas aulas por mês para cada turma, durante o ano letivo, para implementação do projeto. Ao longo da sessão, o presidente da Autarquia vilarregense, Ricardo Aires, referiu ser “uma enorme honra receber em Vila de Rei a Federação Portuguesa de Futebol e, em especial, Humberto Coelho. Este protocolo que hoje assinamos tem um objetivo importantíssimo, que passa pelo serviço pedagógico em prol do desporto infantil. Espero que esta iniciativa seja bastante positiva para as quatro entidades envolvidas e, principalmente, para os nossos alunos que vão usufruir deste projeto.” Ricardo Aires aproveitou ainda para “lançar um desafio à Federação: o Município de Vila de Rei está na disposição de oferecer um terreno e os respetivos projetos de arquitetura para a criação, no nosso concelho, de uma Residência para Atletas que, após terminadas as suas carreiras, não tenham as

melhores condições de vida. Vila de Rei é reconhecida pelo seu fantástico trabalho na área social e poderíamos ser uns importantes parceiros neste projeto. Além disso, seria também importante para o nosso concelho, criando postos de trabalho e dinamizando a economia local.” Humberto Coelho, vice-presidente da FPF, realçou que “a implementação destes projetos e destas parcerias é essencial para o desenvolvimento do futebol e do futsal no nosso país. Devido à situação pandémica que vivemos atualmente, perdemos muitos atletas que deixaram de praticar desporto e é importante estabelecer novos projetos de forma a recuperar estes jovens. A prática desportiva é essencial para garantir um crescimento saudável para as crianças e jovens e, ao mesmo tempo, garante valores como trabalho em equipa e disciplina que os vão ajudar a ser melhores atletas, árbitros, espetadores e seres humanos”.

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REGIÃO / Mação

Autarquia e IP com acordo para obras na Estrada Nacional 359 // A Câmara Municipal de Mação e a Infraestruturas de Portugal (IP) chegaram a um acordo tendo em vista a requalificação do troço da Estrada Nacional 359 que liga a localidade de Envendos ao nó da A23. De acordo com a informação avançada pelo presidente da Câmara Municipal de Mação, na reunião do executivo municipal de 22 de dezembro, a estrada em causa que serve a localidade de Envendos, assim com as empresas das Termas da Ladeira (de Envendos) e da Unicer, encontra-se em muito mau estado. Trata-se de uma das entradas para o concelho de Mação a partir da A23 e, nesse sentido, é urgente que a mesma seja intervencionada. E foi nesse sentido, explicou o autarca, que teve uma reunião na IP com o objetivo de encontrar uma solução para um dos anseios da população e da autarquia. E dessa reunião saiu um princípio de acordo que foi aprovado por unanimidade pelo executivo municipal e que prevê uma divisão do investimento que vai ser feito naquela via rodoviária. O acordo tem um prazo de dois anos para o início da execução dos trabalhos no terreno, pelo que há a expetativa de que em 2023 possa iniciar-se a intervenção. Vasco Estrela, presidente da Câmara de Mação, explicou que aquilo que foi acordado é, à partida, muito simples. O Município de Mação é o “dono” da obra e avança com os trabalhos que vão incidir no alargamento da estrada, assim como a redefinição do perfil da mesma. Quer isto

Obras na EN 244 também para breve

//Problemas ao nível de expropriações de terrenos terá atrasado a obra na EN244 dizer que algumas curvas vão ser eliminadas. E para que isto possa acontecer será necessário avançar para a expropriação de terrenos. Esta é a intervenção do Município. A Infraestruturas de Portugal garantirá, depois, a pavimentação e a sinalização do troço de cerca de três quilómetros de extensão. Neste momento ainda não há

qualquer ideia dos valores envolvidos nesta futura intervenção, mas Vasco Estrela confirma que será uma obra com peso financeiro. O que vai ser feito, depois de assinado o acordo entre as duas partes, é a preparação do projeto e a quantificação dos trabalhos, no sentido de preparar a futura empreitada. Ainda na reunião do executivo

o vice-presidente da Câmara de Mação, António Louro, pediu a palavra para tecer duas considerações sobre este acordo. Uma de regozijo pela abertura da IP para aceitar esta intervenção, juntamente com a autarquia. A outra de crítica ao Estado português por não ter conseguido resolver um problema que é seu, uma vez que esta é uma estrada nacional.

À margem deste assunto, mas ainda relacional com a Infraestruturas de Portugal, o presidente da Câmara foi questionado sobre a intervenção na Estrada Nacional 244, em Chão de Codes e Chão de Lopes. De acordo com os cronogramas da IP a requalificação deveria, a esta altura, estar concluída porque a obra está consignada. Só que, disse o autarca, a IP viu-se com alguns problemas ao nível de expropriações de terrenos, o que terá atrasado a obra. Vasco Estrela disse ainda que aquilo que a IP garantiu-lhe é que esta requalificação está para breve, uma vez que os problemas estarão solucionados. De referir que a intervenção necessária na EN 244, entre Chão de Codes e Chão de Lopes, levou a que tivesse existido um diferendo durante muitos anos entre o Município de Mação e a IP. O motivo era qual das entidades tinha a responsabilidade para efetuar as obras naquela via rodoviária. O diferendo foi ultrapassado em 2014, quando ficou definido que a manutenção da via era da responsabilidade da IP. Posteriormente, desde 2018, que se espera pela obra de requalificação que, finalmente, teve carta branca em 2021, mas que, pelos vistos, só vai mesmo ser feita em 2022. Jerónimo Belo Jorge

Município entrega Bolsas de Estudo e Prémios de Mérito // O Auditório do Centro Cultural Elvino Pereira acolheu, no dia 28 de dezembro, a cerimónia de entrega das Bolsas de Estudo 2021/2022 e dos Prémios de Mérito 2020/2021 da Câmara Municipal de Mação. As Bolsas de Estudo é um projeto que a Autarquia promove há 17 anos que se traduz num apoio efetivo a jovens do concelho de Mação que frequentam o Ensino Superior público. Neste ano letivo de 2021/2022, são 22 as Bolsas atribuídas, com 15 renovações e sete novas Bolsas a alunos do ensino superior público que contam com o apoio da sua Autarquia que procura, assim, “contribuir para um maior e mais equilibrado desenvolvimento social, económico e cultural”. Com os Prémios de Mérito e Prémio de Excelência Gonçalo Ma-

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tos, a Câmara Municipal de Mação brinda também os melhores alunos do 2.º e 3.º Ciclos e Secundário no ano letivo 2020/2021 do Agrupamento de Escolas de Mação, num reconhecimento pelo seu esforço e boa prestação escolar. Os Prémios do 2.º e 3.º Ciclos são de 250 euros e o do Ensino Secundário é de 500 euros. A atribuição destes Prémios é feita com base na informação disponibilizada pela Escola EB 2,3/S de Mação. Este ano os alunos premiados foram: Ana Rita Salvador Claro, melhor aluna do 2º Ciclo – Média Final 5 valores; Luís Alexandre

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Dias Delgado, melhor aluno do 3º Ciclo – Média Final 5 valores e Manuel Carvalho Estrela, melhor aluno do Secundário – Média Final 19 valores. Já o Prémio Gonçalo Matos premeia a excelência e tem o nome do aluno do concelho que, até à data, teve a melhor média de entrada na Universidade desde a instituição dos Prémios. O aluno que superar média de acesso de 19,1 passará a dar nome a este Prémio. O premiado este ano foi Manuel Carvalho Estrela com média de acesso ao Ensino Superior de 18,05 valores.


ESPECIAL / Museu

15 anos depois o MIAA abriu as portas ao mundo A ideia inicial começou há mais de 15 anos. O projeto era muito mais ambicioso e impactante na paisagem de Abrantes. O investimento era muito superior aos 6,3 milhões de euros que foram gastos. Mas a base era e é a mesma. Um Museu Ibérico de Arqueologia e Arte (MIAA) em Abrantes que junta o passado mais longínquo (pré-história) à arte contemporânea e ao futuro. E tudo junto num edifício, também ele carregado de história, que agora está totalmente requalificado. O MIA foi inaugurado a 8 de dezembro de 2021 e para além das exposições (ver págias 16 e 17) apresenta ainda outros espaços de serviços educativos com cerca de 80 metros quadrados e capacidade para 30 pessoas, zona do Claustro com elementos gráficos da história do Convento onde está instalado e um espaço exterior sobre a cisterna que permite a realização de exposições ou eventos de ar livre. Voltando ao MIAA no que diz respeito à idealização e concretização de um projeto ambicioso começou num dos mandatos de Nelson de Carvalho, atravessou os três mandatos de Maria do Céu Antunes (saiu em 2019 para o governo, tendo sido substituída por Manuel Jorge Valamatos) e foi agora inaugurado por Manuel Jorge Valamatos. Foi mais de 15 anos e com ajustes ao projeto e, acima de tudo, uma alteração grande ao projeto inicial. O arquiteto Carrilho da Graça, presente na inauguração desta quarta-feira deixou vincada essa ideia e alguma pena de não ter sido possível edificar a sua ideia inicial. E voltou a falar dos tempos em que o projeto foi apresentado. A ideia inicial previa um grande cubo a edificar ali, no espaço do Convento de S. Domingos que iria dar corpo ao Museu. E o arquiteto voltou a explicar, afinal de contas, aquilo que pretendeu ao desenhar este Museu, que seria um edifício impactante. A ministra da Cultura, Graça Fonseca, inaugurou e, acima de tudo, visitou um Museu que irá fazer parte da Rede Nacional de Museus de Arte Contemporânea de Portugal e que, na abertura acolhe uma exposição do Estado. Graça Fonseca elogiou o Museu fazendo notar que é um dos exemplos de como a cultura pode vir a dar um impulso a uma comu-

nidade, pois, seguramente, este Museu terá muitos visitantes portugueses e do estrangeiro. E indicou também que é uma mais-valia para a comunidade científica que tem muito trabalho possível nas peças que agora ficam disponibilizadas ao público. Manuel Jorge Valamatos era um autarca satisfeito e empolgado. A importância do Museu, pelas coleções que agora disponibiliza, mas acima de tudo pelo grande investimento da autarquia, era uma das obras que faltava abrir ao público. O MIAA vai ter entradas gratuitas até março, permitindo que os habitantes de Abrantes e redondezas possam conhecer a arte que ali está disponibilizada. Mas o autarca garante que depois deste período vai ser cobrada uma

entrada, mas que a mesma será simbólica, embora necessária para fazer face à despesa que este equipamento cultural acarreta. Com um investimento global total de 6,3 milhões de euros, o montante suportado pelo Município de Abrantes foi de 3,8 milhões de euros. A Câmara Municipal contou com um apoio do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) de 2,5 milhões de euros, na obra de requalificação física do convento, cuja empreitada foi de 3,6 milhões de euros, sendo o restante investimento relativo a estudos, elaboração e conceção do projeto, a par de processos de investigação, promoção e divulgação das diversas coleções do acervo. Jerónimo Belo Jorge

O MIAA: pronto a começar por José Alves Jana O esperado MIAA abriu por fim as portas. De imediato, há dois resultados a assinalar: o Convento de S. Domingos, que ameaçava ruína, recuperado e um novo museu que não é, de modo nenhum, apenas de dimensão local. É um museu grande: no tamanho, no material apresentado e na complexidade do projeto. Com efeito, reúne várias coleções num amplo espetro de áreas temáticas: a arqueologia, desde a pré-história até ao império romano, sem esquecer as civilizações do Médio Oriente; e a arte, sobretudo a arte sacra portuguesa e depois a arte contemporânea. Desta, ganha um particular significado local a representação do percurso artístico da “nossa” Maria Lucília Moita. É um projeto ambicioso. Como é que se vai conjugar tudo isto é o que havemos de ver quando for divulgado o programa do museu. Ou do futuro museu. Porque um museu não é apenas uma coleção de peças em exposição. Segundo o ICOM – Comité Internacional de Museus, um museu é «uma instituição permanente sem fins lucrativos, ao serviço da sociedade e do seu desenvolvimento, aberta ao público, que adquire, conserva, investiga, comunica e expõe o património material e imaterial da humanidade e do seu meio envolvente com fins de educação, estudo e deleite». Podemos então dizer: o museu começa agora. Já tem uma complexa e múltipla coleção que está exposta e foi e vai ter de continuar a ser objeto de conservação. Mas os verbos investigar e comunicar implicam bem mais do que a porta aberta. Daí a importância do programa do museu. O serviço educativo é uma peça importante no museu, justamente porque é uma das chaves da comunicação com o público. Aliás, segundo foi dito na Jornada de História Local, pouco depois da abertura do MIAA, “O maior património do museu é o seu público”, citação de Mário Chagas. Ora o MIAA não tem ainda “o seu público”, tem de o criar. Porque é o público que justifica o museu. E como diz a definição do ICOM, a finalidade do museu é o “serviço da sociedade e do seu desenvolvimento” – e não apenas pela atracão de turistas. Dito de outro modo. O vasto e multifacetado acervo do museu permite múltiplas utilizações: o conhecimento da História e da História da Arte, a exploração de informação sobre técnicas de construção e de conservação das peças, o questionamento que a arte contemporânea nos faz… e muitas outras abordagens. A presença ali da arte contemporânea coloca problemas específicos. O público potencial mais próximo tem uma formação artística pobre, que o leva talvez apenas até à apreciação da arte naturalista do princípio do século XX. Daí para a frente, as coisas complicam-se. Por isso, a arte dos séculos XX e XXI, das coleções Figueiredo Ribeiro e do Estado, desafia o poder de leitura e compreensão do visitante comum. Mas justamente por isso há aí um grande trabalho a fazer, uma grande oportunidade a aproveitar. Não apenas para os jovens candidatos a um curso de arte, mas para todos os cidadãos comuns desta região, que têm direito a aceder a um bem que, por enquanto, por falta de formação, ainda não está ao seu alcance. Isto significa que o público potencial do museu não são apenas os turistas, como muitas vezes se ouve dizer ou subentender. Os primeiros destinatários do museu são os cidadãos da região próxima que ele serve. O MIAA tem já despesa garantida; falta garantir a receita, que não tem de ser em dinheiro de entradas e compras de merchandising. Porque um museu, tal como a História, não é sobre o passado, mas sobre o futuro. E esse é o trabalho maior que o MIAA tem de saber fazer. O MIAA abriu as portas. O verdadeiro trabalho do museu está pronto a começar.

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MIAA ESPECIAL / Museu

Da pré-história às “Memórias Futuras”

por Jerónimo Belo Jorge

Não é uma torre gigante que foi anunciada, e muito discutida, mas são 13 salas de exposição a que podemos juntar os corredores, os claustros e uma receção cheia de merchandising e edições municipais. O Museu Ibérico de Arqueologia e Arte de Abrantes abriu portas a 8 de dezembro. É um dos maiores investimentos culturais do Município de Abrantes e disponibiliza ao visitante uma viagem de milhares de anos. Começa na pré-história, passa pelas idades do Bronze e do Ferro, pelas esculturas romanas, pela antiguidade, tem uma sala do tesouro com peças em ouro de diferentes épocas e entra na Idade Média até ao Renascimento em Abrantes. Depois, dos nossos tempos, conta com a Coleção Maria Lucília Moita, a pintora e escritora natural de Alcanena, mas vivida em Abrantes. Na contemporaneidade apresenta duas salas com peças da Coleção Figueiredo Ribeiro. E conta ainda com duas salas de exposições temporárias, uma delas com a Coleção de Arte Contemporânea do Estado. Se a ideia é do Município de Abrantes, começando com Nelson de Carvalho, passando por Maria do Céu Antunes e finalizada por Manuel Jorge Valamatos, a requalificação dos Claustros do Convento de S. Domingos tem a mão do Arquiteto Carrilho da Graça. A museologia do espaço foi da responsabilidade do Município de Abrantes, Fernando António Batista Pereira e Luiz Oosterbeek e a Museografia, ou seja, todo o de-

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sign do Museu e design de comunicação foi da empresa P-06 Atelier, Ambientes e Comunicação. O MIAA apresenta uma riqueza tal na pré-história que encontramos peças de ourivesaria, utensílios agrícolas, outros que serviam como reservatórios até à arte da guerra, com as pontas de setas em sílex ou os machados de pedra, passando às espadas, armaduras e elmos. Já a coleção de Arte Sacra e esculturas da época romana são outra marca do Museu. E uma das novidades foi a descoberta de alguns frescos originais da fundação do Convento de S. Domingos, que ficaram à mostra para poderem ser apreciados, nos corredores do piso térreo. A curadoria da exposição de Maria Lucília Moita é de Fernando António Batista Pereira e a da Coleção Figueiredo Ribeiro é de Ana Anacleto e João Silvério e junta obras de artistas portugueses e estrangeiros. Quanto à coleção de Arte Contemporânea do Estado, adquirida em 2019, tem a curadoria da Comissão de Aquisição de Arte Contemporânea 2019/2020, David Santos, Manuel João Vieira, Sandra Vieira Jürgens e Sara & André. O MIAA é um museu diferente dos outros. Tem história e arte. E precisa de um bom par de horas para poder ser visitado e para apreciar o espólio que este espaço disponibiliza. Está aberto de terça-feira a domingo das 10 às 12:30 e das 14 às 17:30. A última entrada é feita 30 minutos antes da hora de encerramento. Até final de março as entradas são gratuitas.

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ESPECIAL / Museu

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SOCIEDADE /

Encosta da Barata com projeto dos “Bairros Saudáveis” até agosto O projeto chama-se “Encosta Viva” e junta uma mão-cheia de parceiros com um objetivo comum: Dinamizar sob quatro pilares o bairro de maior densidade populacional do concelho de Abrantes e um dos maiores do distrito de Santarém. Este projeto “Encosta Viva”, foi apresentado pela Tagus ao programa nacional “Bairros saudáveis” e, em 752 candidaturas, ficou classificado em 11.º lugar. O projeto “Encosta Viva” tem como principal objetivo contribuir para a melhoria da qualidade de vida da comunidade residente no bairro da Encosta da Barata, em Abrantes, “despoletando mecanismos de auto-organização para fomentar o aparecimento de uma Associação de Moradores, procurando melhorar a visibilidade deste local, criar sentimentos de pertença, orgulho e interajuda por parte dos moradores, através da dinamização de atividades culturais, económicas, desportivas, recreativas e de saúde”. No arranque das ações do projeto, Bruno Tomás, presidente da Junta de Freguesia de Abrantes e Alferrarede destacou a dimensão da Encosta da Barata. São 550 fogos e é, por isso, o bairro de maior densidade populacional do concelho de Abrantes. O projeto ganhou corpo num conjunto de parcerias, mas o autarca já deixou claro que não o vai deixar acabar em agosto de 2022. O financiamento garantido para este projeto no programa nacional é de 50 mil euros. O “Encosta Vida” será dinamizada pela TAGUS em parceria com a Escola Básica António Torrado, do Agrupamento de Escolas nº2 de Abrantes, a sua Associação de Pais e Encarregados de Educação, o Grupo em Formação de Abrantes – AEP Escoteiros de Portugal, Agrupamento 172 do Corpo Nacional de Escutas, a Cres.Ser – Associação de Desenvolvimento Pessoal e Comunitário, a União de Freguesias de Abrantes (S. Vicente e S. João) e Alferrarede e o Município de Abrantes. Já Manuel Jorge Valamatos, presidente da Câmara de Abrantes, esteve presente neste lançamento e fez questão de notar que há necessidade de que a Encosta da Barata possa vir a ganhar uma associação, seja de que índole for, para agregar aquilo que são as gentes deste bairro. O presidente da Câmara deixou as expetativas daquilo que poderá

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ser este projeto que não se deve esgotar nesta parceria liderada pela Tagus ou apenas durante o período em que o mesmo durar.

As quatro ideias base do “Encosta Viva”

O “Encosta Viva” prevê uma aposta na “coesão social, o aumento de competências e da em-

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pregabilidade e o livre acesso à cultura, sensibilizar a comunidade para hábitos de vida saudáveis e combater o isolamento são os objetivos específicos que foram delineados pelos parceiros, tendo sido definidas quatro tipologias de atividades para ir ao seu encontro”. “Pensar a Encosta”, a primeira

área, prevê a elaboração de um diagnóstico participado de reflexão e auscultação daqueles que residem e intervêm no bairro. “Encosta Empreendedora” tem como objetivo auxiliar pessoas em situações de vulnerabilidade económica a (re)definirem o seu percurso profissional. Segue-se a “Encosta Saudável”

com promoção de ações de animação cultural, desportiva e recreativa de promoção de hábitos de vida saudáveis e combate ao isolamento. Por último, a “Encosta com Arte”, tem como linha orientadora a realização de iniciativas de animação que visam proporcionar o acesso livre e gratuito à cultura. Há já um conjunto de ações programadas para os próximos meses com um planeamento de acontecimentos para levar a efeito até agosto de 2022, em que o encerramento terá a apresentação de um documentário “Ser Encosta da Barata”. O Programa Bairros Saudáveis foi criado pela Resolução de Conselho de Ministros 52-A/2020, de 1 de julho, retificada pela Declaração de Retificação 25-B/2020, de 23 de julho, como um “instrumento participativo que promove iniciativas de saúde, sociais, económicas, ambientais e urbanísticas junto das comunidades locais mais atingidas pela pandemia, ou por outros fatores que afetam as suas condições de saúde e bem-estar.” Todas as candidaturas admitidas e que tiveram avaliação de 76,5 pontos ou mais foram aprovadas para financiamento pelo programa. Jerónimo Belo Jorge


SOCIEDADE /

Gripe das aves detetada em exploração de perus em Limeiras // A Direção-Geral de Alimentação e Veterinária anunciou no dia 31 de dezembro que foi detetado um terceiro foco de gripe das aves em Portugal, numa exploração de perus, em Limeiras, freguesia Praia do Ribatejo, concelho de Vila Nova da Barquinha, tendo sido ativado o plano de contingência. Em comunicado, a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV) indicou que “foi confirmado um terceiro foco de Gripe Aviária de Alta Patogenicidade (GAAP) pelo Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (laboratório nacional de referência para as doenças dos animais), em exploração de perus, em Praia do Ribatejo”, no concelho de Vila Nova da Barquinha. Os dois focos anteriores foram detetados a 1 de dezembro, numa capoeira doméstica em Palmela, e a 23 de dezembro, numa exploração de perus em Óbidos, com cerca de 18 mil aves, existindo “uma ligação” entre essa exploração e o terceiro foco detetado a 30 de dezembro em Vila Nova da Barquinha, refere a DGAV, dando conta que, os primeiros dois focos “estão contidos, ainda que sob vigilância”.

//Vírus H5N1 foi responsável pelo abate de mais de seis mil perus Na exploração de perus em Praia do Ribatejo o plano de contingência foi ativado e as medidas de controlo estavam a ser implementadas. Estas medidas, segundo a mes-

ma nota, incluem a “inspeção aos locais onde foi detetada a doença e a eliminação dos animais afetados, assim como a inspeção às explorações pecuárias existentes nas zonas de proteção, num raio de 3

km em redor do foco, e notificação de vigilância num raio de 10 km”. Fernando Freire, presidente da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha lembrou que na zona existem outras explorações agrícolas e avícolas, “nomeadamente em Santa Cita, com a Citiaves, a Caça Brava, e muitos outros aviários na zona do Castelo de Bode”, confirmando ainda que o caso de Limeiras se trata da estirpe H5N1. As autoridades também já procederam à “eliminação dos animais afetados”, que se estima em cerca de seis mil, com os detentores das explorações a serem “indemnizados pelo abate sanitário dos animais, conforme previsto na legislação em vigor”. A DGAV lembrou que “não existem evidências de que a gripe aviária seja transmitida para os humanos através do consumo de alimentos”, como carne de aves de capoeira ou ovos, tendo dado conta que “os trabalhadores envolvidos na eliminação dos focos registados e que lidaram diretamente com as aves infetadas foram rastreados” e estão “até agora com resultados negativos”. “Na origem da doença estará a regular migração de aves selvagens na Europa, provenientes da Ásia e do leste da Rússia, que têm permitido a circulação viral e a sua

transmissão a longas distâncias”, adiantou. Face à “situação epidemiológica atual”, a DGAV defendeu ser importante cumprir as regras de biossegurança, assim como as boas práticas de produção avícola, evitando contactos entre aves domésticas e selvagens. Devem ser cumpridos os procedimentos de higiene das instalações, equipamentos e materiais e mantida uma observação “diária e atenta” das aves de capoeira, incluindo os consumos de água, alimentos e os índices produtivos. “Recorde-se que os operadores que detêm aves de capoeira ou aves em cativeiro são os primeiros responsáveis pelo estado sanitário dos animais por si detidos e, perante uma qualquer suspeita de doença, a mesma deverá ser imediatamente comunicada à DGAV. A deteção precoce de focos de infeção por vírus gripe aviária de alta patogenicidade (GAAP) é absolutamente essencial para a rápida e eficaz implementação no terreno das medidas de controlo da doença destinadas a evitar a sua disseminação”, concluiu. À hora do fecho da edição do Jornal de Abrantes, os técnicos ainda se encontravam no terreno, não sendo possível fazer um ponto da situação no que respeita aos casos detetados. Patrícia Seixas c/ Lusa PUBLICIDADE

Bebé do Ano 2022 nasceu em Abrantes um minuto depois da meia-noite //CHMT

Ainda os foguetes estouravam no ar quando nasceu o primeiro bebé do ano 2022. Nasceu no Centro Hospitalar Médio Tejo (CHMT), na maternidade da unidade de Abrantes, pelas 00h01. Chama-se Martim Ferreira, nasceu com 4220 kg e é o primeiro bebé do ano 2022 de Portugal. É o primeiro filho de Andreia Sousa e Telmo Ferreira, de 32 anos, que residem em Longra, no concelho de Tomar. A mãe nunca esperou dar à luz ao primeiro minuto do ano de 2022, pois encontrava-se em trabalho de parto desde manhã. Estava muito feliz e o telefone não parava de tocar. A mãe revelou que apesar de ter poucas horas de vida, toda a gente quer conhecer o Martim, o que a deixa, naturalmente, muito feliz. Mãe e bebé estavam bem, entregues aos cuidados dos profissionais de saúde do CHMT, que com muito orgulho ajudaram a dar à luz ao primeiro bebé de 2022, que encerra em si toda a esperança de um ano melhor. Ao Martim e família, desejamos as maiores felicidades. AF CA_Imprensa NATAL 2021 21x28,5cm.indd 1

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Janeiro 2022 / JORNAL DE ABRANTES


SOCIEDADE / Trabalhadores da Central do Pego já receberam primeiro pagamento do Mecanismo de Compensação // O Fundo Ambiental já procedeu ao primeiro pagamento da compensação remuneratória aos 25 trabalhadores da Central Termoelétrica do Pego que se candidataram ao Mecanismo de Compensação para uma Transição Justa. Este mecanismo, anunciado a 30 de novembro, tem como objetivo garantir a manutenção do rendimento dos trabalhadores afetados, direta e indiretamente, pelo fim da produção de eletricidade a partir de carvão na Central Termoelétrica do Pego. Atribuído durante uma fase transitória, até que os trabalhadores encontrem emprego, a compensação vigora até 31 de dezembro de 2022, com uma dotação máxima estimada de 3,5 milhões de euros. A sua atribuição exige a frequência de ações de formação e é atribuída aos trabalhadores que optem por a solicitar em alternativa ao subsídio de desemprego, sendo complementada pela respetiva bolsa de formação. Em nota de imprensa, o Ministério do Ambiente e da Ação Climática, afirma que a abordagem do Governo a uma transição climática justa “inclui respostas sociais, económicas e ambientais”. Assim, para

além deste mecanismo de compensação remuneratória, e a pensar na criação de emprego na região do Médio Tejo, foi aberto o aviso “Diversificação Económica para uma Transição Justa”, ao abrigo do “Mecanismo de Antecipação de Verbas do Fundo para uma Transição Justa”. Aguardam-se também os resultados do concurso para “atribuição de reserva de capacidade de injeção na rede elétrica de serviço público do Pego”, cujo prazo para a apresentação de candidaturas termina a 17 de janeiro. De salientar que na última Assembleia Municipal de Abrantes, de 10 de dezembro, a bancada do PSD apresentou a proposta para que a Assembleia aprovasse a criação de uma Comissão de Acompanhamento da Central do Pego. A ideia seria, segundo o deputado do PSD João Fernandes a criação de um grupo de trabalho liderado pelo presidente da Assem-

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JORNAL DE ABRANTES / Janeiro 2022

Votação para Árvore do ano suspensa //A compensação vigora até 31 de dezembro de 2022, com uma dotação máxima estimada de 3,5 milhões de euros bleia Municipal, António Mor, com representantes de todas as forças políticas eleitas para o órgão. O objetivo, como explicou João Fernandes, seria o de acompanhar todo o processo relacionado com o presente e futuro de um processo que se prevê longo, tanto mais que há muitas questões envolvidas. Desde logo com a preocupação de acompanhar da situação de mais de uma centena de trabalhadores, diretos e indiretos. O PSD queria também que esta comissão pudesse acompanhar toda a informação que vá surgindo até porque, como referiu o deputado social democrata, há promessas muito grandes do governo para o futuro. O Bloco de Esquerda, através de Pedro Grave, mostrou-se disponível para avançar com este grupo, não deixando de dizer que tem acompanhado de perto todo o processo. Mesmo assim Pedro Grave salientou que o BE não se esconde daquilo que estão as suas posições relacionadas com o am-

biente e com a energia. António Veiga, do PS, justificou o chumbo da proposta pelos socialistas, referindo que o processo está a correr. Há contactos da CIMT (Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo) e Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) com o governo, assim como os próprios sindicatos que estão a ser envolvidos no processo de transição da Central do Pego. Desta forma, em alternativa a uma comissão de acompanhamento, o PS propôs ao presidente da Assembleia Municipal, António Mor, que sempre que haja necessidade ou novidades em relação ao processo possa convocar os partidos para lhes prestar as informações que entenda. António Mor, presidente da Assembleia Municipal, depois da votação que rejeitou a criação da comissão de acompanhamento, vincou a disponibilidade para intensificar as reuniões com os partidos para prestar as informações sobre o processo da Central do Pego.

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A votação para Árvore do Ano 2022, na qual está a concurso a Oliveira do Mouchão, de Mouriscas, está suspensa. A cotação que começou em novembro de 2021 deveria fechar esta quarta-feira, dia 5 de janeiro de 2022, mas foi suspensa, alegadamente por irregularidades detetadas na votação. Na página onde deveríamos votar ou consultar os resultados estão apenas duas frases a dar conta da suspensão. “Por motivos alheios à UNAC, as votações para eleição da Árvore do Ano 2022 estão suspensas até janeiro, por se ter verificado no site a existência de votos irregularmente gerados. Lamentamos esta situação que tentaremos resolver com maior brevidade, prolongando posteriormente o período de votações.” De referir que esta suspensão aconteceu ainda antes de ter terminado o ano 2021 e, na véspera do encerramento das votações, ainda não há qualquer indicação do problema, da sua solução e de quando é que as votações serão reabertas e qual o novo prazo. A organização do concurso em Portugal é da UNAC – União da Floresta Mediterrânica. Assim que ficar apurada a árvore vencedora em Portugal a UNAC coloca-a como representante nacional no concurso para Árvore Europeia do Ano, organizado pela Environmental Partnership Association (EPA). A Oliveira Milenar do Mouchão, com mais de 3.350 anos, é a mais antiga de Portugal e é um exemplar digno de se ver. Fica situada no lugar de Cascalhos (39°28'23.0"N 8°04'51.1"W), na freguesia de Mouriscas. À hora de fecho desta edição não havia qualquer indicação sobre a data previsível para a resolução deste problema ou para a reabertura da votação. JBJ


REGIÃO /

CIM da Lezíria, Médio Tejo e Oeste saúdam anúncio de proposta de NUT II // As comunidades intermunicipais da Lezíria, Médio Tejo e Oeste saudaram o anúncio da proposta de criação da nova NUT (Nomenclatura das Unidades Territoriais para fins estatísticos) de nível 2 nesta região, feito no dia 11 de dezembro pelo primeiro-ministro. António Costa afirmou, no congresso da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP), que o Governo vai apresentar a Bruxelas a proposta de criação de duas novas NUT II, a da Península de Setúbal e a do Oeste e Vale do Tejo, aproveitando o calendário, até 01 de fevereiro de 2022, para alterar unidades estatísticas no Eurostat. “O Governo entende que deve ser apresentada a proposta de criação de duas novas NUT II, a Península de Setúbal e o Oeste e Vale do Tejo”, porque “cumprem os critérios demográficos que permitem autonomizá-las”, disse. António Costa afirmou que a decisão “é útil para criar condições ótimas para mobilizar fundos comunitários”, salientando que a criação de duas novas NUT II não implica mais regiões administrativas, as quais, frisou, “devem ser as atuais cinco regiões plano”. As três CIM (Lezíria do Tejo, Médio Tejo e Oeste) dependem da CCDR de Lisboa e Vale do Tejo em termos de ordenamento do território, mas integram as CCDR Centro (OesteCIM e CIMT) e Alentejo (CIMLT) para os fundos comunitários. A presidente da CIMT, Anabela Freitas, disse que as três comunidades têm vindo a trabalhar, nos últimos dois anos, numa estratégia de Intervenção Territorial Integrada, com um instrumento financeiro próprio para cada uma das sub-regiões, para o próximo quadro comunitário de apoio, salientando que o memorando que assinaram há um ano já tinha

subjacente a reforma com vista à criação da NUT II. Os autarcas queixam-se das dificuldades criadas pela obrigação de responder a duas CCDR e a estruturas da administração central de diferentes distritos, dando o exemplo da pandemia da covid-19, que obrigou a uma articulação, em duplicado, com entidades da Saúde, da Segurança Social e da Proteção Civil. No caso do Médio Tejo, Anabela Freitas afirmou que, a avançar a nova NUT II, os municípios que aderiram mais tarde a esta Comunidade (como Sertã e Vila de Rei, do distrito de Castelo Branco) terão de decidir se se mantêm ou não. “Há alguma discussão que temos de fazer”, disse a também presidente da Câmara de Tomar, adiantando que, na proposta a apresentar por Portugal, tem de vir “bem definida” a área da nova região a criar. Na sequência da assinatura do memorando, as três CIM criaram um grupo de trabalho que tem reunido quinzenalmente e que tem já “muito trabalho feito”, nomeadamente quanto à Intervenção Territorial Integrada, assunto que tem sido debatido com as três CCDR (Lisboa, Alentejo e Centro) e com a ministra da Coesão Territorial, acrescentou. O presidente da Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo, Pedro Miguel Ribeiro, salientou que o anúncio vem responder a uma “luta muito antiga” e que a criação desta nova NUT II “é fundamental” para a vida das pessoas. “Desde que sou presidente de

Câmara que este era um objetivo. Um objetivo que teve muitos revezes, que teve muita gente contra, mas [contou com] a resiliência dos autarcas que sempre acreditaram”, declarou Pedro Ribeiro. O também presidente da Câmara de Almeirim realçou que, por ter sido autarca, António Costa “percebeu bem a importância desta medida”. Por outro lado, destacou a “insistência, a resiliência e o otimismo crónico do secretario de Estado [Adjunto e do Desenvolvimento Regional] Carlos Miguel”, que foi “fundamental para este desfecho”, fazendo questão de deixar o seu “obrigado público e sentido”. Para Pedro Ribeiro, “esta é uma reforma estrutural que visa permitir uma estratégia integrada de desenvolvimento ao Oeste, à Lezíria e ao Médio Tejo”. Também Pedro Folgado, que preside à CIM Oeste, disse que a NUT

II Oeste e Vale do Tejo “é um anseio antigo”, que permitirá uma “clarificação” do que se pretende para a região e colocar “um ponto final” na diversidade de procedimentos, imposta pela necessidade de concertação com diferentes CCDR e serviços estatais de âmbito distrital. A ideia, disse o também presidente da Câmara de Alenquer, é afirmar este território, mantendo-o complementar à Área Metropolitana de Lisboa. Pedro Folgado sublinhou ser necessário “ver para crer” se é desta que se concretiza a criação da nova região, salientando haver consciência de que “não é para amanhã” e de que só vigorará para o quadro de apoio a iniciar em 2027. A saída da Lezíria, do Médio Tejo e do Oeste da Região de Lisboa e Vale do Tejo, para fins estatísticos, foi decidida em 2002, permitindo que estas regiões voltassem a beneficiar de fundos comunitários

no Quadro Comunitário de Apoio que vigorou a partir de 2007, já que a Grande Lisboa ultrapassava o índice per capita médio da comunidade europeia, perdendo fundos destinados às regiões mais carenciadas. O Oeste, o Médio Tejo e a Lezíria do Tejo englobam 36 concelhos dos distritos de Santarém, Leiria, Lisboa e Castelo Branco: Abrantes, Alcanena, Alcobaça, Alenquer, Almeirim, Alpiarça, Arruda dos Vinhos, Azambuja, Benavente, Bombarral, Cadaval, Caldas da Rainha, Cartaxo, Chamusca, Constância, Coruche, Entroncamento, Ferreira do Zêzere, Golegã, Lourinhã, Mação, Nazaré, Óbidos, Ourém, Peniche, Rio Maior, Salvaterra de Magos, Santarém, Sardoal, Sertã, Sobral de Monte Agraço, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Vila de Rei e Vila Nova da Barquinha. C/ Lusa PUBLICIDADE

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Janeiro 2022 / JORNAL DE ABRANTES

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REGIÃO /

Deputados tomam posse e aprovam orçamento da CIM para 2022 // A Assembleia Intermunicipal da CIM do Médio Tejo reunida no passado dia 27 de dezembro, na Biblioteca Municipal de Tomar, aprovou por maioria o Plano e Orçamento para 2022 da CIM do Médio Tejo. Para além da apresentação, discussão e votação deste documento estratégico, a sessão da Assembleia contou com a tomada de posse de todos os deputados dos diferentes quadrantes políticos dos treze municípios do Médio Tejo para o mandato 2021-2025, tendo tomado posse na sessão todos os deputados presentes. Na ocasião foi votada e aprovada, com 32 votos a favor e 6 abstenções, a mesa da Assembleia Intermunicipal, presidida por José Trincão Marques (PS – Torres Novas), Ana Vieira (PSD - Ourém) e Piedade Pinto (PS – Abrantes). De seguida, procedeu-se à votação e aprovação, com 34 votos a favor e 4 abstenções, do secretariado intermunicipal entregue para mais um mandato a Miguel Pombeiro.

Documento estratégico foi apresentado e discutido entre deputados

O orçamento da CIM do Médio Tejo, que ascende a mais de 11 milhões de euros, já tinha sido aprovado, por unanimidade, pelos treze presidentes no passado dia 25 de novembro, na reunião do Conselho Intermunicipal desta CIM, tendo sido agora aprovado por maioria em Assembleia Intermunicipal, com 36 votos a favor e 2 abstenções. Para Anabela Freitas, presidente da CIM do Médio Tejo, “este é um orçamento que prepara a CIM para os desafios do próximo ano e que está focado em conferir mais qualidade de vida a todos os cidadãos da região, através da continuidade e execução de novos projetos da área da Mobilidade, Educação, Turismo, Cultura, Social, Proteção Civil, Empreendedorismo, entre muitas outras, onde a continuidade da gestão criteriosa de fundos comunitários será uma máxima”. Recorda a presidente que “a CIM do Médio Tejo, enquanto entidade supramunicipal, juntamente com os seus municípios, está a assumir um papel cada vez mais preponderante na governação da região e, por isso, pretende dar continuidade a uma estratégia que preveja sempre o desenvolvimento do Médio Tejo em várias frentes”. Assim, o ano de 2022 ficará marcado pela conclusão dos trabalhos de

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diminuir o seu impacto causado nas zonas onde já se encontra instalada, prevenir a disseminação da espécie para outras áreas e erradicar novos focos na região do Médio Tejo. No domínio da gestão do território, pretende-se também dar continuidade à promoção do Sistema de Informação Cadastral Simplificado, nos territórios dos Municípios, que não dispõem de cadastro geométrico de propriedade rústica ou cadastro predial. Alinhada com a Estratégia Nacional de Adaptação às Alterações Climáticas (ENAAC 2020), a CIM do Médio Tejo levará a efeito, em 2022, mais ações de comunicação e sensibilização, de modo a trabalhar os temas relacionados com os riscos associados às alterações climáticas, tendo como público-alvo as crianças e jovens em contexto escolar.

· Modernização Administrativa

elaboração da estratégia de desenvolvimento para a Região do Médio Tejo 2030.

Áreas de intervenção da CIM do Médio Tejo em 2022 · Mobilidade e Transportes

Na área da Mobilidade e Transportes pretende-se dar continuar aos serviços de transporte flexível já em funcionamento no território do Médio Tejo com o Transporte a Pedido e o LINK. No âmbito do PART – Programa de Apoio à Redução Tarifária, prevê-se a continuidade das medidas de redução tarifária implementadas nos serviços ferroviários e rodoviários, com descontos na ordem dos 40% nos passes mensais. Em curso está a elaboração do Estudo Estruturado da Rede de Percursos Cicláveis do Médio Tejo, que inclui a definição de traçados da rede de percursos cicláveis de âmbito intermunicipal, prevendo-se a conclusão do estudo em 2022. Caso venha a ser aprovada a candidatura apresentada ao Centro2020, espera-se ainda a implementação do Sistema Intermunicipal de Bicicletas para Uso Público no Médio Tejo.

· Educação

A segunda fase do projeto PEDIME – Plano Estratégico de Desenvolvimento Intermunicipal da Educação do Médio Tejo está a decorrer neste ano letivo. O PEDIME fase 2 representa um investimento elegível de cerca de 4,5 milhões de euros e estará vigente até agosto de 2022, contando com 21 medidas intermunicipais e 64 medidas municipais.

JORNAL DE ABRANTES / Janeiro 2022

· Turismo/Cultura

Nas áreas do turismo e da cultura, a CIM do Médio Tejo pretende dar sequência às ações previstas no Plano de Ação para os Produtos Turísticos Integrados de Base Intermunicipal, assente nos seguintes produtos turísticos âncora: O Turismo Náutico, com a promoção da Albufeira do Castelo de Bode, enquanto destino e através do Wakeboard e demais produtos turísticos integrados, que continuarão a ser trabalhados no seio da Estação Náutica de Castelo do Bode. O Turismo Religioso dando continuidade à promoção de dois destinos com grande potencial turístico na região: Fátima e Tomar, afirmando-se um projeto em desenvolvimento que serão os Caminhos de Fátima na região. E o Turismo Cultural, através de projetos a implementar em 2022 como é o caso da Rota dos Templários, do projeto Castelos do Tejo e de ações a retomar com o Museu Nacional Ferroviário, no Entroncamento. No âmbito cultural, prevê-se a continuidade do projeto CAMINHOS, com a realização do ciclo do ferro em abril e da água em julho de 2022. Em 2022, também se prevê dar continuidade ao projeto intermunicipal “Os Caminhos das Pessoas”, a desenvolver em parceria com os Municípios e com o envolvimento e participação das comunidades locais. Na área do património natural, o objetivo está centrado na nova fase do projeto Rotas e Percursos no Médio Tejo, com ações de âmbito intermunicipal e municipal que envolvem a requalificação de recursos natu-

rais, criação de percursos pedestres e promoção turística do Médio Tejo.

· Empreendedorismo

Neste âmbito, prevê-se a implementação do Plano de Ação de Empreendedorismo e o desenvolvimento das ações previstas no Protocolo de Colaboração entre a CIM do Médio Tejo e a Câmara de Comércio de Pequenas e Médias Empresas Portugal-China, celebrado em janeiro passado. Como também, espera-se a execução da candidatura “Promoção do Espírito Empresarial”, que será um projeto a concretizar em copromoção com a NERSANT – Associação Empresarial da Região de Santarém, tendo várias ações previstas, entre as quais os ENCONTROS PNAID, que foram adiados para 2022.

· Florestas/Proteção Civil/ Alterações Climáticas

No próximo ano a continuidade da atividade das duas brigadas de sapadores florestais da CIM Médio Tejo será uma realidade. Também na área da gestão florestal, será dada continuidade à atividade do Gabinete Técnico Florestal Intermunicipal, criado em 2018, nomeadamente na gestão integrada de fogos rurais no âmbito do Sistema de Gestão Integrada de Fogos Rurais (SGIFR), pela Constituição de Comissão sub-regional do Médio Tejo. O próximo ano ficará ainda marcado pela execução da candidatura destinada à deteção e combate da vespa velutina, através da destruição de ninhos e colocação de rede de armadilhas estruturada de forma a

O próximo ano vai ficar marcado por uma nova fase de implementação de projetos ligados à modernização administrativa, com o Médio Tejo Online 2020 e Médio Tejo Desenvolvimento Territorial Estratégico – 2ª Fase, que têm como objetivo a implementação de ferramentas, informação e conhecimentos que permitam à Administração Pública Local uma maior eficiência, flexibilidade e qualidade dos seus serviços públicos municipais.

· Social

Em 2022 dar-se-á continuidade ao projeto Maria II que tem como objetivo apoiar intervenções que visem a consolidação da rede de prevenção e combate à violência doméstica e à violência de género, através do apoio direto e especializado às vítimas. Existirá um reforço das equipas técnicas das Estruturas de Apoio e Atendimento à Vítima de Violência Doméstica, mediante o recrutamento de psicólogos/as, com o perfil técnico exigido. No domínio da Igualdade e Não Discriminação, o ano de 2022 ficará caraterizado pelo desenvolvimento de diagnósticos, elaboração, implementação, divulgação e avaliação de planos para a igualdade, em cada um dos Municípios do Médio Tejo.

· Formação

Será também um desafio para a CIM Médio Tejo o desenvolvimento do seu Plano de Formação. O Plano tem como objetivo contribuir para o aumento da qualificação dos recursos humanos, promovendo o desenvolvimento pessoal e profissional dos mesmos em várias áreas. Em resumo, a presidente da CIM, Anabela Freitas salienta que o Plano e Orçamento para 2022 é um documento “realista, que tem em conta as exigências dos tempos, com uma noção exata das necessidades das populações da região, mas também com olhos postos nos desafios futuros”.


GALERIA /

Luiz Horta traz-nos nesta Galeria o Tejo em Tramagal e as margens do Aquapolis em Abrantes.

Tramagalense, nascido em 1970, “desenvolvi o interesse pela fotografia durante os tempos de estudante. Um dia, pedi emprestada a um vizinho uma camera Zenit e a partir daí começou um processo de aprendizagem que continua nos dias de hoje. Sempre que posso alio a viajem com a fotografia, mas, no essencial, a fotografia é apenas um passatempo e uma curiosidade”.

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SOCIEDADE /

Projeto "Transporte a Pedido" do Médio Tejo premiado em concurso da Comissão Europeia // O projeto “Transporte a Pedido”, implementado em 13 municípios do Médio Tejo, venceu o prémio de “Valorização da mobilidade verde na ferrovia das regiões”, dos RegioStars, um concurso da União Europeia que premeia projetos financiados por fundos europeus. O prémio insere-se na categoria “Escolha do Público”. Os vencedores foram anunciados no dia 2 de dezembro em Bruxelas, pela Comissão Europeia, na Cerimónia oficial dos RegioStars. “Este prémio destaca, uma vez mais, o esforço que se faz na região Centro para aplicar os fundos comunitários em projetos que verdadeiramente alteram a qualidade de vida dos seus cidadãos, nomeadamente em territórios de menor densidade populacional”, salientou a presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional da Região Centro (CCDRC), Isabel Damasceno. Para Isabel Damasceno, trata-se de um reconhecimento europeu. “[…] Certamente permitirá à CIM [Comunidade Intermunicipal] do Médio Tejo inspirar outros territórios, um pouco por toda a Europa demonstrando que é possível apostar em novas soluções para fazer face ao desafio de tornar a mobilidade dos territórios mais ecológica”, afirmou. Este é o quinto prémio RegioStars conquistado pela região Centro, depois dos projetos “Centro BIO: Bioindústrias, Biorrefinarias e Bioprodutos" (2016), “Centro de Negócios e Serviços Partilhados do Fundão”, projeto de “Reabilitação do lugar da Vista Alegre” (2018) e o “Centro de Incubação de Negócios da Agência Espacial Europeia” (ESA BIC) (2020). “O dia de hoje representa um marco para a Comunidade Intermunicipal [CIM] do Médio Tejo e para o Transporte a Pedido, pois conseguimos realizar um grande feito ao alcançarmos este prémio em tão prestigiado concurso europeu”, atentou a presidente da CIM do Médio Tejo, Anabela Freitas. De acordo com Anabela Freitas, o projeto “Transporte a Pedido”, além de ser de mobilidade, é “também de inclusão social, amigo do ambiente e que é essencial para a qualidade de vida dos nossos cidadãos”. “Vamos prosseguir com o investimento e a aposta neste projeto para continuarmos a unir uma região”, acrescentou. Já o secretário executivo da CIMT, Miguel Pombeiro, disse também ao Jornal de Abrantes que este prémio “é uma grande alegria pois percebemos que estamos a trabalhar no bom sentido. Há elementos que são uma solução alternativa e inovadora relativamente ao trans-

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//Transporte a Pedido: “um projeto de mobilidade que é também um projeto social” porte público que se faz, essencialmente, nas zonas de mais baixa densidade e onde há mais escassez de transporte”. Miguel Pombeiro destacou ainda “a capacidade de replicação deste projeto” pois, atualmente, “há outras regiões em Portugal que estão a aplicar o Transporte a Pedido”. Lembrou que a própria CIMT começou num concelho “e fomos evoluindo, sempre adaptando a cada território as respetivas soluções”. O secretário executivo da CIMT referiu que este projeto “é algo que ajuda a alterar a vida das pessoas, que lhes dá mais qualidade de vida, que lhes permite não estarem tão dependentes de familiares ou vizinhos para se poderem deslocar”. O projeto “Transporte a Pedido” foi criado, em 2013, pela Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIMT), com o intuito de “aumentar a cobertura da rede de transportes coletivos” existente na região.

JORNAL DE ABRANTES / Janeiro 2022

//Representantes da região na entrega do prémio Para Miguel Pombeiro, para além de um projeto de mobilidade, o “Transporte a Pedido” é um “projeto social”. O “Transporte a Pedido” foi o único projeto português a integrar a lista de 25 projetos finalistas do RegioStars. Os prémios RegioStars contemplam os melhores projetos da política de coesão em cinco categorias, nomeadamente “Europa inteligente: Aumentar a competitividade das empresas locais num

Este projeto “é algo que ajuda a alterar a vida das pessoas, que lhes dá mais qualidade de vida” mundo digital", "Europa verde": Comunidades verdes e resilientes em meio urbano e rural", "Europa justa: Fomentar a inclusão e a antidiscriminação", “Europa Urbana: Promover sistemas alimentares verdes, sustentáveis e circulares em áreas urbanas funcionais" e "Reforçar a mobilidade verde nas regiões”. Miguel Pombeiro, secretário executivo da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, destacou o trabalho dos técnicos da CIMT

e das autarquias envolvidas neste mecanismo de mobilidade. À Antena Livre destacou diz que este prémio é o reconhecimento de um projeto que está a ser replicado noutras regiões do país, em zonas de baixa densidade populacional. Atualmente, o serviço “Transporte a Pedido” está em operação em todos os 13 municípios do Médio Tejo, com 78 circuitos e cerca de 1.400 paragens. O projeto abrange os municípios de Abrantes, Alcanena, Constância, Ferreira do Zêzere, Entroncamento, Mação, Ourém, Sardoal, Santarém, Tomar, Torres Novas, Vila de Rei e Vila Nova da Barquinha. À semelhança do transporte coletivo regular, o ‘Transporte a Pedido' tem circuitos, paragens e horários definidos. No entanto, os serviços de transporte a pedido distinguem-se do transporte regular, porque o cliente é que desencadeia a viagem, através do seu pedido para uma central de reservas.


SOCIEDADE / Chef Victor Felisberto volta a ser distinguido com um Bib Gourmandde Natal!

OPINIÃO /

// O Restaurante Casa Chef Victor Felisberto, em Alferrarede, no concelho de Abrantes, foi distinguido, pelo terceiro ano consecutivo, com o prémio Bib Gourmand 2022 do Guia Michelin. Os restaurantes premiados em Portugal e Espanha no Guia Michelin de 2022 foram anunciados na Gala de atribuição das estrelas Michelin para a Península Ibérica, no dia 14 de dezembro, no Palau de les Arts Reina Sofía em Valência, Espanha. Portugal chegou à edição de 2022 com sete restaurantes com duas estrelas Michelin e vinte e um com uma. O Chef Victor Felisberto voltou a ser distinguido com um Bib Gourmand, uma honra reservada pelos inspetores do centenário guia gastronómico como um local com “refeições extraordinárias” com uma boa relação qualidade/preço. Os Bib Gourmand são a segunda referência mais importante do Guia Michelin e este ano Portugal contou com 41 restaurantes nesta categoria que abarca restaurantes com preços abaixo dos 35 euros por pessoa.

O guia deste ano inclui 1362 restaurantes de Espanha, Portugal e Principado de Andorra, entre os quais encontram-se 11 restaurantes com três Estrelas, 40 com duas Estrelas, 211 com uma Estrela e 284 Bib Gourmand. Chef Víctor Felisberto, natural da Golegã, estudou em França na famosa escola de

culinária Le Cordon Bleu, no curso de maître cuisinier patisserie ouvrier. Passou pelo restaurante Aquarius Caldea em Andorra, e conseguiu a primeira estrela Michelin e vários outros prémios. Trabalhou como chef executivo em Barcelona e também no Portal em Londres, onde conseguiu a segunda estrela Michelin. Em 2018 abriu o Restaurante Casa Chef Victor Felisberto. O seu restaurante já mereceu estar entre os cinco no distrito de Santarém referidos pelo TripAdvisor, venceu o galardão Revelação 2019 pelo Tejo Gourmet – Concurso de Iguarias e Vinhos do Tejo e em 2021 de Melhor Harmonização; galardão Ouro também pelo Tejo Gourmet; prémio de Melhor Tradicional; e galardão Prata no 10º concurso Gastronomia com Vinho do Porto 2018, sendo restaurante recomendado pelo guia Boa Cama, Boa Mesa do jornal Expresso.

Vinhos Vale do Armo e Casal da Coelheira premiados pelo Crédito Agrícola // O Crédito Agrícola, em parceria com a Associação dos Escanções de Portugal, distinguiu quatro vinhos da Região do Tejo com Medalha de Ouro no 8.º Concurso de Vinhos do Crédito Agrícola. A cerimónia de anúncio decorreu no Ritz Four Seasons Hotel, em Lisboa. A cerimónia de entrega dos prémios, que contou com a presença de Maria do Céu Antunes, ministra da Agricultura, Bernardo Gouvêa, presidente do IVV- Instituto da Vinha e do Vinho, entidade que certifica o Concurso desde a primeira edição e Licínio Pina, presidente do Crédito Agrícola, foi conduzida por Sílvia Alberto e reuniu produtores, representantes de cooperativas, enólogos, escanções e responsáveis do Crédito Agrícola de todo o país. Na categoria de vinhos brancos, foi distinguido o Vila Jardim Reserva 2020 da Quinta Vale do Armo, em Sardoal. No que respeita aos vinhos tintos, foi reconhecido o Herdade dos Templários Touriga Nacional Grande Escolha 2018 da Quinta do Cavalinho, de Tomar, e o Mythos 2019 do Casal da Coelheira, de Tramagal, concelho de Abrantes. Além destas medalhas, o Casal da Coelheira Limited Edition Vinho Regional Tejo 2020 do Casal da Coelheira foi ainda premiado, na categoria de vinhos brancos, com a Grande Medalha de Ouro. Dos 167 vinhos brancos, tintos e espumantes colocados à prova por 101 produtores nacionais das várias

regiões vitivinícolas do país, o júri distinguiu, durante as provas cegas realizadas a 5 e 6 de novembro, 53 vinhos com a Tambuladeira dos Escanções de Portugal, três com a Grande Medalha de Ouro e 50 com medalhas de ouro. Entre o painel de Júri, destaque para William Wouters, presidente da ASI – Associação Internacional de Escanções. À semelhança das medalhas entregues à Região do Tejo, foram ainda distinguidos vinhos oriundos das regiões vitivinícolas de Vinhos Verdes (duas medalhas), Trás-os-

-Montes (uma medalha), Douro (onze medalhas), Beira Interior (uma medalha), Dão (nove medalhas), Bairrada (duas medalhas), Lisboa (quatro medalhas), Península de Setúbal (três medalhas), Alentejo (quinze medalhas) e Algarve (uma medalha). A iniciativa do Crédito Agrícola pretende “apoiar o sector vitivinícola e o desenvolvimento das economias locais, especialmente as Cooperativas e os produtores, promovendo e colocando à prova a qualidade dos vinhos nacionais”.

O Museu

H

//Armando Fernandes

á poucos dias foi inaugurado em Abrantes o Museu Ibérico de Arqueologia e Arte, o qual foi objecto de intensa e até obscena polémica desenvolvida desenfreadamente por um arquitecto actualmente desaparecido da cidade, o advogado Leonardo bolsando opiniões num blogue especializado no arremesso de palavras a roçarem o insulto cujo principal autor faleceu há um mês por isso entendo não adjectivar mais o seu permanente azedume contra várias pessoas de diferentes convicções ideológicas, estéticas, éticas e morais. Enquanto fui membro da Assembleia Municipal acompanhei com minúcia o projecto onde avultava como coordenador Fernando António Batista Pereira, historiador e museólogo cujos trabalhos nessa área por ele realizados em Setúbal e Macau me mereceram aplauso e reconhecimento. Se neste ponto focal aplaudi e defendi a vontade de o executivo camarário (eu pertencia à bancada opositora de se construir esse Museu na cidade, já vários conteúdos obrigaram-me a colocar em causa os modelos de estudo, exposição e promoção dos semióforos que constituem o acervo museológico. Deixei de dedicar atenção ao projecto, continuei a visitar, observar e perscrutar museus em quatro partes do Mundo, a seguir as polémicas envolvendo a gestão de vários museus nacionais, a ler e pensar sobre as observações relativamente a esse fascinante universo produzidas entre outros por Diogo Ramada Curto, José Luís Porfírio, Luís Raposo, Raquel Pais da Silva e do meu querido amigo Victor Serrão. Este deliberado alheamento foi quebrado ao saber via RAL ter o questionado e contestado Museu ter sido inaugurado há duas semanas. Por essa razão, logo que a pandemia esmoreça vou visitar, espero que demoradamente, o Templo das Musas abrantino na

esperança deste equipamento cultural seja pulcra incubadora de formação do gosto artístico em múltiplas valências artes puras e aplicadas existentes e as que venham a existir. Já por várias ocasiões tenho criticado o pasmo rugoso do múnus autárquico no que tange à cultura seja enquanto «agricultura» tão bem descrita Terry Eagleton bem como a magistral Teoria da Cultura do meu saudoso Mestre Manuel Antunes. O Museu está aí – saúde-se –, e solicite-se ao Presidente da Câmara um aliciante e coerente programa de actividades capazes de a breve trecho transformarse num instrumento capaz de fomentar indústrias da cultura (leia-se Allan Bloom) a originarem reconhecimento e orgulho de nós próprios. É pedir muito? Penso que não!

Janeiro 2022 / JORNAL DE ABRANTES

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SOCIEDADE / Coronel António Ferreira é o novo comandante do Campo Militar de Santa Margarida

OPINIÃO /

// O Coronel António Almeida Ferreira tomou posse no dia 20 de dezembro como Comandante do Campo Militar de Santa Margarida, numa cerimónia que teve lugar nas instalações daquele campo militar. //Exército Português

A cerimónia militar que empossou o Coronel António Ferreira, que substitui no cargo o Coronel Pedro Alexandre Faria Ribeiro, foi presidida pelo Comandante das Forças Ter-restres, Tenente-General Martins Pereira, e contou com as presenças do presidente da Câmara Municipal de Constância, Sérgio Pereira de Oliveira, do presidente da Assem-bleia Municipal, António Fernandes Mendes, do presidente da Junta de Freguesia de Santa Margarida da Coutada, José Manuel Ricardo, e do Comandante da Brigada Me-canizada, Brigadeiro-General Valente Marques. A assinatura do Termo de Posse de Comando, bem como a entrega do Estandarte Nacional à guarda do Regimento ao novo Comandante, pelas mãos do Brigadeiro-General Valente Marques, são os momentos marcantes que assinalaram o início do Comando. A finalizar, o Coronel António Almeida Ferreira procedeu à as-

Ano novo, vida nova. Nova?

T sinatura da primeira Ordem de Serviço, enquanto Comandante da Unidade. António Almeida Ferreira é natural da aldeia de Bicas, freguesia de S. Miguel do Rio Torto e Rossio ao Sul do Tejo, tem 55 anos, estudou no Instituto Militar dos Pupilos do Exército e na Academia Militar. Desempenhou funções na Bri-

gada Mecanizada Independente (BMI), foi segundo comandante do Regimento de Apoio Militar de Emergência de Abrantes (RAME) e no início de 2021 regressou à BMI, em Santa Margarida. Desde 20 dezembro que é o novo Comandante do Campo Militar de Santa Margarida.

Coronel Estevão da Silva é o novo Comandante do RAME //Exército Português

O Coronel Joaquim José Estevão da Silva é o novo Comandante do Regimento de Apoio Militar de Emergência, sediado em Abrantes, substituindo no cargo o Coronel Machado Barroso. A cerimónia militar, que decorreu esta terça-feira, dia 28 de dezembro, foi presidida pelo Comandante das Forças Terrestres, Tenente-General António Martins Pereira, e contou com as presenças do presidente da Câmara Munici-

Lurdes Martins do Espalhafitas preside à Federação Portuguesa de Cineclubes Lurdes Martins, do cineclube de Abrantes Espalhafitas, é a nova presidente da Direção da Federação Portuguesa de Cineclubes (FPCC). Esta estrutura que agrega os cineclubes de Portugal realizou o seu encontro nacional, na Póvoa de Varzim, no dia 5 de dezembro. Com o objetivo claro de promoção “pelo interesse do cinema, no interesse do espetador, na defesa da difusão cinematográfica pelos

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pal de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos dos Reis e do presidente da Assembleia Municipal de Abrantes, António Gomes Mor, entre outras entidades militares e civis. A assinatura do Termo de Posse de Comando, bem como a entrega do Estandarte Nacional à guarda do Regimento ao novo Comandante, pelas mãos do Comandante das Forças Terrestres, foram os momentos marcantes que assinalaram o início do Comando. cineclubes, no reforço da FPCC” a lista vencedora do ato eleitoral, para o biénio 2022/2023, que ali ocorreu, cuja tomada de posse está agendada para 10 de janeiro de 2022, é presidida pelo Cineclube de Abrantes. A direção, para além da presidente Lurdes Martins, integra ainda como vice-presidentes Isa Catarina Mateus (cc Ao Norte) e Bernardo Cabral (cc Ribeira Grande). O tesoureiro é Candela Varas (cc Tavira) e a secretaria é Rita Correia (cc Santarém). A lista conta com os vogais Alexandra Grilo (cc Chaves), Cristiano Jesus (cc Bairrada) e como suplentes Manuel Carvalho (cc Amarante) e António Osório (cc Avanca). Para a Assembleia-Geral foram eleitos Paulo Martins do cc Amarante como presidente, António

JORNAL DE ABRANTES / Janeiro 2022

Costa Valente do cc de Avanca como vice-presidente e como secretário Carlos Coelho do cc Abrantes. Já para o Conselho Fiscal, a lista é composta Nuno Guedelha (cc Torres Novas) como presidente, Mário Ventura (cc Barreiro) e Joaquim Diabinho (cc ABC) como secretários e Rogério Sousa do (cc Ilha Terceira) como suplente.

odos sabemos: a mudança de ano é apenas uma convenção ritual para desarmadilhar o eterno retorno. Nada de novo, portanto. Se observarmos o mundo, não vemos nada de verdadeiramente novo. A pandemia, o aquecimento global, a xenofobia, a criminalidade organizada, o crescente empobrecimento dos pobres, a ameaça económica, a saúde mental cada vez mais deteriorada, a crise da democracia, os vários radicalismos… E, a nível regional e local, o progressivo envelhecimento, o desastre da floresta, a debilidade económica, o definhamento do Tejo, o empobrecimento dos solos, a morte das aldeias, a ameaça crescente aos pequenos concelhos e às cidades médias… Tudo isto é mais do mesmo e não a “vida nova” que a convenção do ano novo teima em anunciar. Uma coisa parece certa: as velhas ameaças parecem muito maiores do que toda a nossa capacidade para enfrentá-las. Daí o sentimento generalizado de impotência, a tendência para desistir do futuro e fecharmo-nos da concha de um presente pequenino mas que parece protetor. Ou então, uma vida pública envenenada. Pela comunicação social que sabe que vende mais se semear perigos e medos e pela política partidária que herdou do puritanismo cristão a acusação dos pecados, agora pecados de civilização, e a exigência de um comportamento ideal a tender para o impossível. Não há alternativa? Estamos condenados a esta vida velha? “Pelo sonho é que vamos” (Sebastião da Gama), dizem todos os movimentos a favor de um mundo mais humano. Um sonho, porém, que não signifique esquecimento da realidade, mas um elevar – pela ação – da realidade para um nível superior. Não nos é fácil sonhar com eficácia um mundo global que dê corpo ao sonho. Por isso é fácil ouvirmos dizer “isto não muda o mundo” ou mesmo acusar alguém de “querer mudar o mundo”. Não há alternativa? Há. Não é preciso mudar o mundo todo de uma vez. O mundo à nossa volta está-nos ao alcance da mão.

//José Alves Jana //FILÓSOFO

Podemos mudar a cidade, a vila ou a aldeia que habitamos. E fazê-lo, para já sob a forma de exercício: vamos imaginar a nossa terra como aquela onde as ameaças do mundo são superadas através da criação de uma cidade (polis) que valha a pena habitar. Uma cidade onde a vida pessoal e coletiva seja gratificante, onde as pessoas sintam que vale a pena viver, porque aqui realizam o seu potencial. Uma cidade de que as pessoas – elas próprias – se sintam parte e sintam que contam para os processos da via coletiva. As nossas pequenas aldeias, vilas e cidades, porque têm uma dimensão humana, são ótimas para isso. Esta nova cidade, no sentido de polis, é já parte do mundo novo desejado. Há em todos nós e em cada uma das nossas comunidades locais uma força criadora que pode mudar as coisas. Mais do que acusar os “pecados do mundo”, há que mobilizar essa força, criar sinergias e reconstruir o mundo à medida das nossas possibilidades. Esta é a grande aventura que vale a pena viver. Em vez da política puritana, precisamos de uma poética social que por definição é criativa. Somos ou não capazes de imaginar e contribuir para uma cidade melhor? É que se não somos, não temos direito a mais nada que aos restos daqueles que são capazes de fazer o mundo que eles sonham mas que só a eles interessa. Somos capazes? É claro que somos! Resta saber se queremos!

Somos ou não capazes de imaginar e contribuir para uma cidade melhor? É claro que somos! Resta saber se queremos!


SOCIEDADE / OPINIÃO / O mundo está melhor ou pior?

A Vivemos numa era em que o tempo livre assume cada vez mais uma importância acrescida. O significativo aumento médio da esperança de vida, entre muitos outros factores, conduz, sem margem para dúvidas, a um crescente aumento do tempo livre. Mas, o grande problema, na nossa opinião, é que a geração que hoje vive esta realidade, sobretudo o idoso, não foi educada nos princípios do tempo livre, mas sim numa verdadeira sociedade do trabalho, em que o trabalho era o fundamento da vida, pelo que vive, naturalmente, esta situação com uma certa angústia. É, pois, fundamental que a sociedade de hoje prepare as nossas crianças e os nossos jovens para esta nova realidade social, qual seja a emergência do tempo livre. O final do séc. XIX, verdadeiro século do trabalho, exigia do homem trabalhador verdadeiras jornadas de trabalho. Horas e horas, semanas e semanas de verdadeiro trabalho. Não existia, ou, pelo menos, era praticamente inexistente, nessa altura, tempo livre. O trabalho era, pois, o fundamento da vida. Esta era uma realidade global e típica dos tempos de uma revolução industrial. Contudo, com o advento da luta de trabalhadores, com a intervenção dos sindicatos, ou mesmo sem a sua intervenção, bem como com a tomada de consciência por parte dos patrões para uma diminuição da mão-de-obra fruto, fundamentalmente, de uma diminuta esperança de vida dos trabalhadores, começou, embora paulatinamente, a dar-se alguma importância ao tempo livre, isto é, ao tempo destinado a actividades não produtivas. Vários são os factores que propiciam o aparecimento, com uma importância cada vez mais acrescida, do tempo livre, dos quais gostaríamos de destacar os seguintes: o aumento médio da esperança de vida; a entrada mais tardia no mundo do trabalho face,

José Mário Cachada, é licenciado em Educação Física (com especialização em Futebol), mestre em Ciências do Desporto – Ramo de Gestão Desportiva e doutorado em Ciências do Desporto, pela Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. É professor de Educação Física na Escola Secundária de Almeida Garrett, Coordenador nacional da modalidade de Judo no Desporto Escolar, Professor Coordenador no ISCE Douro e Embaixador do Plano Nacional de Ética no Desporto.

sobretudo, às necessidades crescentes de um maior e melhor nível de educação e formação profissional. Isto, apesar de um, ainda que aparente, ou pelo menos, momentâneo, aumento do número de horas de trabalho diárias, semanais, mensais e, concomitantemente, anuais e de uma cada vez mais tardia entrada na aposentadoria. Tendo em atenção esta nova realidade social é, pois, fundamental, que a sociedade dos nossos dias prepare as nossas crianças e os nossos jovens para que, um dia mais tarde, quando adultos, ou idosos, não sintam a angústia de viver o tempo livre. É que, se o idoso pode ser considerado a ponta do novelo, a criança pode, sem dúvida, ser vista como o início desse mesmo novelo. É, por isso, fundamental, e necessário, que as nossas crianças e os nossos jovens sejam, desde muito cedo, educados face a esta nova realidade social com importância cada vez mais crescente: o tempo livre.

E isto, fundamentalmente, para que, um dia mais tarde, quando adulto, ou, sobretudo, quando idoso, não sinta a angústia de nada ter para fazer. E, é aqui que, na nossa opinião, o desporto assume uma grande importância. É nos valores do desporto que nós podemos, e devemos educar as nossas crianças e os nossos jovens, desde logo para os valores do tempo livre. No fundo, educar as nossas crianças e os nossos jovens, desde logo, para o tempo livre de que vai usufruir quando adulto e, mais tarde, quando idoso. Só, deste modo, poderemos preparar as nossas crianças e os nossos jovens para a nova realidade social, qual seja a emergência do tempo livre. Esperamos, pois, que o desporto assuma o papel, que nós consideramos muito importante, quiçá determinante, face a esta nova realidade social: a emergência do tempo livre. Livre de trabalho e de angústias, na verdade, um imperativo ético.

pergunta parece ter uma resposta óbvia. A grande maioria de nós dirá que tudo caminha para pior. Contudo, a resposta que inevitavelmente daremos resulta, quase totalmente, da percepção que construímos do mundo com base nas informações que nos chegam ou às quais selectivamente damos atenção, bem como da nossa experiência de vida. Depende também dos parâmetros que utilizamos para medir, na nossa óptica, o que faz com que o mundo esteja melhor ou pior. E, de acordo com o nosso estatuto social, cultura ou origem nacional, esses parâmetros podem mudar. Mas olhemos para o mundo de uma forma mais objectiva e foquemo-nos na evolução registada pela história, à luz de factores considerados como fundamentais para o bem-estar e dignidade humana, de acordo com o relatório do Our World In Data, “The short history of global living conditions and why it matters that we know it” (Uma breve história das condições de vida no mundo e porque nos interessa sabê-la): pobreza, literacia, saúde, liberdade e educação. A redução da pobreza extrema tem registado uma evolução acentuada. Por exemplo, em 1950, 75% da população mundial vivia na pobreza extrema. Hoje, de acordo com o Banco mundial, esse valor é de 9,2%. Isto significa que uma em cada dez pessoas no mundo continua a viver na pobreza extrema. Contudo, não deixa de ser notável que países que há poucas décadas atrás viviam na pobreza são agora ricos, apesar de estarem em níveis diferentes: Noruega, Singapura, Irelanda, Coreia do Sul, Portugal. No campo da literacia, oito em cada dez pessoas consegue ler e escrever. Há duzentos anos atrás, 90% da população mundial era analfabeta. Na saúde, graças à medicina moderna e à descoberta dos diversos agentes patogénicos, mas também devido às melhorias na habitação, alimentação

//Nuno Alves //MESTRE EM RELAÇÕES INTERNACIONAIS //nmalves@sapo.pt

e higiene, a mortalidade infantil foi drasticamente reduzida. No início do século XIX, quase 50% das crianças morrriam antes de atingirem os cinco anos de idade. Esse valor hoje ronda os 5%. De acordo com a OMS, entre 1990 e 2019, a mortalidade infantil caiu 59%. Portugal é, há já vários anos, um bom exemplo mundial nesta área. No campo da liberdade, hoje , mais de metade da população mundial vive em democracias que asseguram os direitos, liberdades e garantias fundamentais aos seus cidadãos. Importa reconhecer que uma parte substancial das pessoas que hoje vive sob autocracias é oriunda de um único país: a China. Em comparação, há duzentos anos atrás, a regra era nascer e morrer sob ditaduras e autocracias. No campo da educação, com o aumento dos recursos fincanceiros e políticas nacionais de educação passou a ser possível providenciar educação básica e secundária quase universal e gratuita em muitos países do mundo. Mas o maior feito das últimas décadas foi a inclusão dos mais desfavorecidos e das mulheres no mapa da educação. Assim sendo, porque temos a percepção de que o mundo caminha a passos largos para o abismo. Bem, é uma opinião que resulta, por um lado, de expectativas pessoais elevadas e não concretizadas que culminam com um sentimento crónico de decepção, mas também da informação que nos chega. Para os meios de comunicação é mais fácil vender a desgraça. Vende bem e vende rápido. Contudo, o progresso é lento e muitas vezes imperceptível ao olhar da nossa ansiedade por resultados imediatos. E isso não faz capas de jornais. PUBLICIDADE

Tempo livre, livre de trabalho e de angústias, um imperativo ético…

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Médico Fisiatra Dr. Jorge Manuel B. Monteiro

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PATRIMÓNIO / TAGUS financia projetos de valorização do património local A TAGUS - Associação para o Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Interior encontra-se com um novo período de candidaturas, até dia 14 de janeiro de 2022, que visam financiar projetos a implementar em Abrantes, Constância e Sardoal, que se enquadrem na operação 10.2.1.6. Renovação de Aldeias. O concurso tem disponível uma dotação de 153.000,00€ e destina-se a coletividades locais, associações, autarquias, juntas de freguesia (com exceção das freguesias consideradas não rurais, designadamente, a União de Freguesias de Abrantes e Alferrarede e a União de Freguesias de Rossio e São Miguel do Rio Torto) e pessoas singulares ou coletivas de direito privado. Com esta candidatura os destinatários têm a oportunidade de obter um apoio de 80% do investimento total, desde que o custo total elegível seja igual ou superior a 5.000,00€ e inferior ou igual a 200.000,00€. Esta medida do PDR2020 - Programa de Desenvolvimento Rural destina-se a apoiar investimentos que visam preservar, conservar e

valorizar os elementos patrimoniais locais, paisagísticos e ambientais, bem como os elementos que constituem o património imaterial de natureza cultural e social dos territórios. Neste campo de ação estão abrangidos os seguintes investimentos, obras de recuperação e beneficiação do património local, bem como a sinalética de itinerários paisagísticos, ambientais e agroturísticos, a elaboração e divulgação de material documental referente ao património que será intervencionado, contemplando também, ações de sensibilização, produção

e edição de publicações ou registos videográficos e fonográficos e ainda outros investimentos relativos aos património imaterial, designadamente, a aquisição de trajes, estudos de inventariação do património rural, incidindo nas artes tradicionais, da literatura oral e de levantamento de expressões culturais. Este novo aviso permite ainda a criação ou melhoria de infraestruturas de coletividades locais, onde as populações possam desenvolver atividades culturais, desportivas, bem como atividades de empreendedorismo social de base comunitária.

AGRADECIMENTO

Na impossibilidade de o fazer pessoal e individualmente a todos quantos

cerimónias fúnebres

ou

sensibilizada e expressar o seu reconhecimento pelas manifestações de carinho e pesar recebidas aquando do falecimento do seu ente querido.

FUNERAL A CARGO DE AGENCIA FUNERARIA PAULINO – 241 362 737

EXTRATO NOTARIAL DE ESCRITURA PÚBLICA DE “JUSTIFICAÇÃO”

EXTRATO NOTARIAL DE ESCRITURA PÚBLICA DE "JUSTIFICAÇÃO"

Certifico narrativamente, para efeitos de publicação, que por escritura lavrada na presente data a folhas vinte e cinco e seguintes, do livro de notas para escrituras diversas número vinte e cinco, do Cartório Notarial em Abrantes, sito na Avenida 25 de Abril, número duzentos e quarenta e oito, freguesia de União das Freguesias de Abrantes (São Vicente e São João) e Alferrarede, da Notária, Andreia Soraia Martins Silva: ENGRÁCIO DA LUZ FERNANDES, NIF 103.833.323, natural da freguesia de Bemposta, concelho de Abrantes, e mulher MARIA LUÍSA BISPO, NIF 153.031.921, natural da freguesia de Bemposta, concelho de Abrantes, casados sob o regime da comunhão geral, residentes na Rua Doutor Manuel Rodrigues, número 22, 2205-179 Bemposta, freguesia de Bemposta, concelho de Abrantes. DECLARARAM OS OUTORGANTES SOB SUA INTEIRA RESPONSABILIDADE: Que, são donos e legítimos possuidores, com exclusão de outrem, do seguinte imóvel, não descrito na Conservatória do Registo Predial de Abrantes:— Prédio urbano, composto de casa para habitação que se compõe de rés-do-chão com cozinha, uma divisão assoalhada e primeiro andar com duas divisões assoalhadas, localizado ou denominado Rua Doutor Manuel Rodrigues, número 10, Bemposta, freguesia de Bemposta, concelho de Abrantes, com a área de superfície coberta de quarenta e cinco metros quadrados, a confrontar de norte com Luís Maria Rosa, de sul com Francisco Maria Rosa, de nascente com Próprio, Engrácio da Luz Fernandes, e Mulher Maria Luísa Bispo, e de poente com Estrada Nacional, inscrito na matriz predial urbana da dita freguesia sob o artigo 1252, com o valor patrimonial correspondente de 24.299,10€, a que atribuem igual valor.------—----—------—--- Que desconhecem o artigo anterior a este imóvel, nomeadamente, o artigo rústico onde foi implantado o urbano. MAIS DECLARARAM: Que, este imóvel veio à posse deles justificantes no estado de casados, por doação meramente verbal, feita pelos pais do outorgante marido, António Fernandes Margarido e mulher Maria Luísa Bispo, casados que foram entre si sob o regime da comunhão geral de bens, e residentes que foram na Bemposta, Abrantes, no ano de mil novecentos e setenta e cinco, em dia e mês que não podem precisar, data em que entraram na posse do mesmo, nunca tendo formalizado o respetivo contrato por Escritura Pública, de modo a proceder aos seu registo na Conservatória do Registo Predial. Que desde esse ano, ou seja, há mais de vinte anos, entraram eles na posse do mencionado bem, e de imediato o ocuparam e passaram a usufruí-lo, ligaram-no às redes públicas de eletricidade e água, tratando da sua limpeza, fazendo obras de manutenção, guardando nele os seus pertences, haveres e utensílios, suportando e pagando as respetivas contribuições e impostos, isto é, gozando de todas as suas utilidades, direitos, e benefícios por ele proporcionadas. Que sempre administraram o mencionado imóvel, sem qualquer interrupção, com o conhecimento de toda a gente, sem oposição de quem quer que seja, e com o ânimo de quem exerce direito próprio, ou seja, exercendo essa mesma posse de forma contínua, pública, pacífica, e de boa-fé. POR FIM DECLARARAM. - Que dadas as características de tal posse, invocam a aquisição desse imóvel por usucapião, justificando o seu direito de propriedade, para efeitos de inscrição na “Conservatória do Registo Predial”, dado que esta forma de aquisição não pode ser comprovada por qualquer outro título formal extrajudicial.

Certifico narrativamente, para efeitos de publicação, que por escritura lavrada na presente data a folhas oitenta e uma e seguintes, do livro de notas para escrituras diversas número vinte e cinco, do Cartório Notarial em Abrantes, sito na Avenida 25 de Abril, número duzentos e quarenta e oito, freguesia de União das Freguesias de Abrantes (São Vicente e São João) e Alferrarede, da Notária, Andreia Soraia Martins Silva: FRANCISCO ROSA SOARES NIF 108.429.245, natural da freguesia de Souto, concelho de Abrantes, e mulher MARIA DO ROSÁRIO ANDRÉ, NIF 151.152.535, natural da freguesia de Souto, concelho de Abrantes, casados sob o regime da comunhão de adquiridos, residentes no Beco da Fonte, número 58, Fontes, Abrantes DECLARARAM OS OUTORGANTES SOB SUA INTEIRA RESPONSABILIDADE: Que, são donos e legítimos possuidores, com exclusão de outrem, do seguinte imóvel, não descrito na Conservatória do Registo Predial de Abrantes, Prédio urbano, composto de casa de habitação em condições muito deficientes de habitabilidade, localizado ou denominado Beco da Fonte, freguesia de Fontes, concelho de Abrantes, com a área total de cento e trinta e quatro metros quadrados, com a área de superfície coberta de oitenta e sete metros quadrados, área descoberta de quarenta e sete metros quadrados, confrontar de norte com Francisco Rosa Soares, de sul com Isidro Pedro e Luís Francisco, de nascente com Estrada e de poente com Isidro Pedro, inscrito na matriz predial urbana da freguesia de Fontes sob o artigo 1446, com o valor patrimonial correspondente de 3.860,00€, a que atribuem igual valor. Que desconhecem outros artigos anteriores a este imóvel, nomeadamente, o artigo rústico onde foi implantado o urbano. MAIS DECLARARAM: Que, este imóvel veio à posse deles justificantes por compra e venda meramente verbal, já no estado de casados, efetuada em dia e mês que não podem precisar, mas no ano de mil novecentos e oitenta e sete, feita a Martinho Mendes e mulher Conceição Maria Mendes, casados sob o regime da comunhão geral, residentes em Fontes, Abrantes, nunca tendo formalizado o respetivo contrato por escritura pública, de modo a proceder ao seu registo na Conservatória do Registo Predial de Abrantes. Que desconhecem os segundos ante possuidores devido ao lapso de tempo decorrido. Que desde esse ano, ou seja, há mais de vinte anos, entraram na posse do mencionado bem, e de imediato o ocuparam e passaram a usufruí-lo, ligaram-no às redes públicas de eletricidade e água, tratando da sua limpeza, fazendo obras de manutenção, guardando nele os seus pertences, haveres e utensílios, suportando e pagando as respetivas contribuições e impostos, isto é, gozando de todas as suas utilidades, direitos, e benefícios por ele proporcionadas. Que sempre administraram o mencionado bem, sem qualquer interrupção, com o conhecimento de toda a gente, sem oposição de quem quer que seja, e com o ânimo de quem exerce direito próprio, ou seja, exercendo essa mesma posse de forma contínua, pública, pacífica, e de boa-fé. POR FIM DECLARARAM: Que dadas as características de tal posse, invocam a aquisição desse bem por usucapião, justificando o seu direito de propriedade, para efeitos de inscrição na Conservatória do Registo Predial, dado que esta forma de aquisição não pode ser comprovada por qualquer outro título formal extrajudicial Está conforme o original. Abrantes, 27 de dezembro de 2021. A Notária, Andreia Soraia Martins Silva

JORNAL DE ABRANTES / Janeiro 2022

às

de Matos Caldeira, vem por este meio manifestar-se profundamente

CARTÓRIO NOTARIAL EM ABRANTES A CARGO DA NOTÁRIA ANDREIA SORAIA MARTINS SILVA

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associar-se

endereçaram mensagens de condolências, a família de Jorge Miguel

CARTÓRIO NOTARIAL EM ABRANTES A CARGO DA NOTÁRIA ANDREIA SORAIA MARTINS SILVA

Está conforme o original. Abrantes, 21 de dezembro de 2021 A Notária, Andreia Soraia Martins Silva

se dignaram

CARTÓRIO NOTARIAL DE MARIA DA CONCEIÇÃO RIBEIRO Rua Dr. Eduardo de Castro, n.º19, r/c, 6110-218 Vila de Rei Telf: 274.898.162 Tlm: 927.735.540 EXTRACTO DE JUSTIFICAÇÃO Certifico narrativamente, para efeitos de publicação, que por escritura outorgada em trinta de novembro de dois mil e vinte e um, exarada a folhas OITENTA E CINCO e seguintes do livro de notas para escrituras diversas número ONZE – A, ANTÓNIO DA SILVA CARAPUÇO, NIF 104.346.140 e mulher MARIA ISILDA DA COSTA ZAMBUJO CARAPUÇO, NIF 104.346.132, casados sob o regime da comunhão de geral, naturais ele da freguesia e concelho do Sardoal e ela natural da freguesia e concelho do Cartaxo, residentes habitualmente na Estrada Nacional 205-1, Mem-Martins, união de freguesias de Algueirão e Mem-Martins, concelho de Sintra, declararam que são donos e legítimos proprietários, com exclusão de outrem, dos seguintes imóveis: UM - Prédio rústico, composto de terra de cultura arvense de sequeiro, oliveiras e construção rural, sito em Celões, freguesia e concelho do Sardoal, com a área de dois mil cento e vinte metros quadrados, a confrontar do norte, do sul e do poente com Caminho Público e do nascente com Susana Trindade C. F. Clemente, omisso na Conservatória do Registo Predial de Sardoal, inscrito na matriz em nome de António da Silva Carapuço, ora justificante marido sob o artigo 219, secção AC, com o valor patrimonial tributário de 165,99 euros; DOIS-Prédio rústico, composto de terra de cultura arvense de sequeiro e oliveiras, sito em Celões, freguesia e concelho do Sardoal, com a área de mil metros quadrados, a confrontar do norte com Susana Trindade C. F. Clemente, do sul com caminho público, do nascente com Maria Luísa C. Aparício Carapuço e do poente com António da Silva Carapuço, omisso na Conservatória do Registo Predial de Sardoal, inscrito na matriz em nome de António da Silva Carapuço, ora justificante marido, sob o artigo 192, secção AC, com o valor patrimonial tributário de 93,37 euros. Que desconhecem quaisquer outros artigos anteriores aos ora indicados, em virtude de não terem obtido qualquer informação nesse sentido, apesar das buscas efetuadas. Que os imóveis acima identificados, foram adquiridos pelos justificantes por compra meramente verbal que deles fizeram a Francisco Marques Diogo e mulher Florinda de Jesus, já falecidos, residentes que foram na Rua da Escola, lugar de Entrevinhas, freguesia e concelho de Sardoal, feita em data que não sabem precisar, mas que situam no ano de mil novecentos e oitenta e nove, e, portanto, há mais de vinte anos, os justificantes já no estado de casados entre si no indicado regime de bens. Que desde que a mesma foi efetuada até esta data, sempre eles justificantes usufruíram dos citados imóveis, ininterruptamente à vista de toda a gente, sem oposição de quem quer que seja, com a consciência de utilizarem e fruírem coisas exclusivamente suas, adquiridas de anteriores proprietários, cultivando-os, limpando-lhes o mato e deles retirando os seus normais frutos, produtos e utilidades. Que em consequência de tal posse, em nome próprio, pacífica, pública e contínua, adquiriram sobre os ditos imóveis o direito de propriedade por usucapião, não tendo em face do modo de aquisição, documento que lhes permita comprovar o seu direito de propriedade perfeita. Está conforme. Cartório Notarial de Vila de Rei, a cargo da Notária Maria da Conceição Fernandes Ribeiro, trinta de novembro de dois mil e vinte e um. A Notária, Maria da Conceição Fernandes Ribeiro


PATRIMÓNIO / NOMES COM HISTÓRIA /

No passado dia 8 de Dezembro foi inaugurado o Museu de Arte e Arqueologia de Abrantes (MIAA), na parte que ainda se encontrava devoluta do velhinho convento de S. Domingos. A história deste convento já conta longos anos e, depois dos frades, as suas paredes já albergaram muitas e variadas instituições: quartéis, escolas e outras, nos anos noventa foi lá instalada a Biblioteca Municipal e agora finalmente o MIAA. O primeiro mosteiro fundado pelos monges dominicanos na nossa região localizou-se em Alferrarede, num sítio antigamente denominado Rio Pombal e mais tarde Mosteiro Velho. A data da sua fundação é incerta, sabe-se, no entanto, que foi anterior a 1472 e que já ali existia uma capela dedicada a Nossa Senhora da Consolação. Este local era contudo bastante insalubre e “os frades morriam muito”, pelo que, passados poucos anos, D. Lopo de Almeida, 1º Conde de Abrantes, projectou mudá-lo para um local próximo, apenas um pouco mais alto, o que não resolveu a situação, pois os frades continuavam a morrer. Foi então que o prior do convento, Frei João de São Vicente, começou a desenvolver esforços para o transferir para um local mais saudável, bem exposto ao sol e dentro da vila, onde iria ficar definitivamente. As obras iniciaram-se em 1509, tendo ajudado muito na sua edificação o próprio D. Manuel I, rei muito ligado a Abrantes, onde nasceram alguns dos seus filhos. Um deles, o infante D. Fernando, fez importantes doações a este convento, tendo, após a sua morte, ficado sepultado na capela-mor da igreja. Mais tarde, Filipe II tomou a iniciativa de trasladar os restos mortais do infante para o Mosteiro dos Jerónimos, mas os de sua mulher, D. Guiomar Coutinho, teriam ali permanecido. Com as mais variadas intervenções que o convento sofreu ao longo do tempo, o rasto do seu túmulo perdeu-se definitivamente. O edifício ficou concluído, segundo parece em 1527 (esta é a data mais consensual) embora Frei Luís de Sousa, talvez por engano, refira a data de 1517. Sobre a porta da igreja, mandou o prior colocar uma pedra comemorativa do evento, de que resta apenas uma parte. Hoje, sobre a porta de entrada da Biblioteca Municipal encontra-se uma cópia completa, executada pelo artista abrantino Euclides Reis, sob a orientação do

O Convento de São Domingos e o novo Museu de Arte e Arqueologia

Desejamos a todos os nossos leitores, ouvintes, colaboradores, anunciantes e parceiros um Feliz Ano Novo.

Um 2022 recheado de sucessos.

Doutor Candeias Silva. O texto da pedra, na versão de Manuel António Morato, militar no Regimento de Infantaria 11 que esteve sedeado neste convento e que, segundo ele, ainda em 1860 se encontrava sobre a porta principal, rezava o seguinte: “El-rei D. Manuel, o primeiro, houve por bem mudar-se este Mosteiro do sítio onde estava longe da Vila, edificado pelo Conde D. Lopo d’Almeida, por ser lugar doentio e isto a requerimento de Fr. João de S. Vicente, Prior d’ele, o qual com esmolas do dito Senhor Rei e poderes para outras pedir, o fez na Vila, começou-se no derradeiro dia de Janeiro de 1509 e acabou-se a 20 de Março de 1527.” Este convento teve o seu fim em 1834, quando da extinção das Ordens Religiosas em Portugal. Dos vários conventos que existiram em Abrantes, o de São Domingos é o único que preserva ainda grande parte da sua estrutura original, o que se pode considerar quase um milagre. Já bastante arruinado, esteve para ser demolido em 1960, para ali se edificar o novo Palácio da Justiça, como pretendiam alguns, inclusivamente o Ministro da Justiça de então, Antunes Varela. Essa atitude não era de espantar pois já havia precedentes : no início do século XX fora destruído integralmente o vizinho Convento da Graça, para no local se construir o edifício destinado às repartições públicas, inaugurado em 1904. Agora a história estava prestes a repetir-se

Foi salvo no último momento por algumas figuras de visão, à frente das quais estava o arquitecto Duarte Castel-Branco, que se empenharam fortemente para que não se concretizasse mais um crime contra o nosso património. Este e o Presidente da Câmara de então, Dr. Agostinho Batista, recorreram ao Ministro das Obras Públicas, engenheiro Arantes de Oliveira e conseguiram deste um despacho favorável à manutenção do edifício, com a condição de apresentarem um projecto que redefinisse o uso e valorização do espaço, para que no futuro fosse utilizado com fins culturais. Demorou, mas o projecto cumpriu-se. Primeiramente foi recuperada a parte onde em 1993 foi instalada a Biblioteca António Botto e agora a obra está completa com a recuperação do resto do edifício onde, também depois das habituais polémicas, foi instalado este museu que vale a pena visitar. As obras expostas são bastante diversificadas: peças de arqueologia da colecção Estrada e outras, arte sacra, quadros da pintora Maria Lucília Moita, obras representativas da arte contemporânea, etc. As entradas por enquanto são gratuitas e se programar para lá uma visita, vai ver que não se vai arrepender.

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//Teresa Aparício

Grupo

Consultas: - MORATO, Manuel António, Memória Histórica da Notável Vila de Abrantes, edição da Câmara Municipal de Abrantes, 1982. - CANDEIAS SILVA, Joaquim, Jornal de Alferrarede, Janeiro 1995

Janeiro 2022 / JORNAL DE ABRANTES

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SAÚDE /

/ Paula Gil / Enfermeira, Unidade Saúde Pública do ACES Médio Tejo

“Depois da bonança (da época festiva) vem a tempestade”

A época Natalícia é de consumos excessivos e nem sempre os mais saudáveis. Prolongada muito para além do dia de Natal, com a celebração do Fim de Ano e dos Reis e com o pretexto de celebrar a vida, está associada a excessos, onde o açúcar e as gorduras são reis! As calorias fornecidas pelo açúcar são consideradas calorias vazias! Significa que os açúcares simples (dos produtos de pastelaria ou refrigerantes, por exemplo), ao serem adicionados a um alimento aumentam-lhe o valor energético sem lhe adicionar qualquer valor nutricional (como vitaminas ou minerais). Por outro lado, os alimentos fritos onde se enquadram as filhoses e azevias, tão características da época, são ricos em gordura, e logo maior valor calórico. O consumo destes alimentos não contribuiram para a qualidade da alimentação em geral. Que o começo do Novo Ano seja o pretexto para o começo de uma alimentação mais saudável e assim possamos prolongar mais saúde aos anos de vida. Falemos de açúcar - o total diário adicionado aos alimentos (em croissants, sumos, sobremesas, cereais de pequeno-almoço, etc.) não deveria ultrapassar as 6 colheres de chá de açúcar. Para termos uma ideia, apenas uma lata de refrigerante tradicional pode conter 10 colheres de chá de açúcar. (Fonte: Nutrimento) “A ingestão excessiva de açúcares simples,

CHMT instala quiosques para avaliação da satisfação dos Utentes

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O Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT) inicia amanhã a disponibilização de quiosques informáticos para que os utentes possam proceder avaliação de satisfação dos serviços. Esta primeira fase vai contemplar a avaliação da satisfação relativamente aos Serviços Farmacêuticos do CHMT, sendo a mesma efetuada de forma totalmente informatizada e garantindo o anonimato dos avaliadores. A disponibilização dos quiosques tem como objetivo dar continuidade à promoção da Avaliação da Satisfação dos Utentes. Vai permitir também a eliminação do questionário disponibilizado, até agora, em papel, “sendo assim uma medida que tem impacto ambiental”. Neste Sistema de Avaliação integrado num quiosque, o utente avalia o serviço prestado de forma rápida e interativa, promovendo-se uma maior dinâmica na visualização dos resultados, “o qual permite transformar o feedback dos utentes em melhoria contínua da organização”. A utilização dos quiosques tem, assim, várias vantagens: a rapidez na resposta, a interatividade e, finalmente, a facilidade e rapidez na resolução de problemas e respetivas causas.

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JORNAL DE ABRANTES / Janeiro 2022

per si ou adicionados a alimentos, acrescentando apenas valor energético, tem sido associada ao excesso de peso/obesidade e consequentemente ao risco de desenvolvimento de doenças crónicas associadas. Por outro lado, o consumo de açúcar constitui também um dos principais fatores de risco para as cáries dentárias, uma das doenças não transmissíveis mais prevalentes a nível mundial.” (Fonte: Nutrimento) Fazer escolas saudáveis permite juntar saúde com prazer à mesa: Privilegie os preparados culinários mais simples! Evite os fritos os refogados! Prefira estufados, cozidos a vapor ou grelhados a outros preparados que degradam mais os nutrientes presente nos alimentos. Inicie as suas refeições com uma sopa. Privilegie os legumes/hortaliça e reduza a batata. Lembre-se das leguminosas como feijão, o grão ou as ervilhas. A sopa é rica em vitaminas, fibra, minerais e antioxidantes. É rica em água. Promove a saciedade por períodos mais longos. É pouco calórica se comparada com outros canapés e entradas. Acompanhe as refeições com hortícolas e vegetais cozidos ou crus. Prepare pratos coloridos com os legumes da época reduzindo a quantidade de batata, arroz e massa. Os legumes são excelentes formas de reduzir a ingestão de calorias, gordura animal e colesterol.

Invista na fruta. É fonte de vitaminas, de fibra e água. Privilegie a fruta da época e preencha o “vazio do estomago” quando lhe apetecer comer as bolachinhas, os fritos do Natal, verdadeiras “bombas calóricas”. Opte por frutos secos oleaginosos (nozes, amêndoas, pinhões, pistácios, etc.) ou frutos secos desidratados (passas de uva, ameixas secas, figos secos, etc.). Estes podem ser uma alternativa às bolachas, aperitivos doces e bolos ainda restantes da época festiva. Os frutos secos oleaginosos são ricos em vitaminas, minerais e fitoquímicos. São ricos em gorduras “boas” - Omega-3 e Omega-6 - benéficos à nossa saúde. Devem ser comidos com moderação pois também são calóricos. Lembre-se da água!! É uma opção saudável de hidratação, não calórica, que favorece uma melhor diurese e a regulação da pressão arterial. Os refrigerantes são riscos em açúcar e o seu consumo está relacionado com o risco de desenvolvimento de doenças crónicas. Neste novo ano opte por fazer uma alimentação completa, variada e equilibrada, seguindo os princípios da Roda dos Alimentos. Planeie uma ementa semanal para a família. Não esqueça a preferência por produtos da época!! Acrescente Atividade Física, já diz o ditado “parar é morrer” mexa-se! Bom Ano 2022.

CHMT assegura transporte dos utentes com alta clínica no regresso à unidade da sua área de residência O Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT) passa a assegurar, a partir do próximo dia 3 de janeiro, o transporte aos utentes com alta clínica no regresso à unidade mais próxima da sua área de residência. Esta medida pode também ser utilizada pelos utentes que venham à Consulta Externa, a qualquer uma das unidades “e visa melhorar a resposta às necessidades dos utentes, melhorando o seu conforto e diminuindo as despesas destes no regresso a casa”. O CHMT é constituído por unidades hospitalares: Abrantes, Tomar e Torres Novas, com uma área de influência que engloba 15 concelhos, servindo uma população de cerca de 266 mil habitantes. Cada uma das unidades concentra as enfermarias de internamento de diversas especialidades, pelo que os utentes que necessitem de internamento hospitalar são encaminhados internamente para a unidade adequada ao seu tratamento, sendo esse transporte assegurado pelo CHMT. Assim, caso o utente resida num concelho diferente daquele em que tenha estado internado, o CHMT passa também a assegurar o transporte de regresso à unidade de saúde mais perto da residência do utente. Para o efeito vai ser criado um transporte entre as três unidades duas vezes por dia, às 11h00 e às 19h00 e de segunda a sexta-feira, no itinerário Torres No-

vas » Tomar » Abrantes e Abrantes » Tomar » Torres Novas, podendo assim os utentes regressar comodamente à unidade hospitalar mais perto da sua residência. Para Casimiro Ramos, presidente do Conselho de Administração do CHMT, “a questão do transporte de regresso após internamento é uma necessidade há muito sentida pela comunidade servida pela Instituição”. Nesse sentido, “houve a preocupação de encontrar uma resposta que desse

resposta a essa necessidade, tornando mais cómodo e fácil o regresso a casa dos utentes internados em qualquer um dos hospitais que integram o CHMT”, acrescenta. O transporte irá funcionar a título experimental durante três meses, período no final do qual será efetuada uma avaliação da adesão dos utentes a esta medida. “Fica assim consolidada a premissa ‘três unidades, um Centro Hospitalar’, servindo-se melhor a população”, conclui Casimiro Ramos.


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