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/ Diretora Patrícia Seixas JANEIRO 2021 / Edição nº 5599 Mensal / ANO 120

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/ Abrantes / Constância / Mação / Sardoal / Vila Nova da Barquinha / Vila de Rei

IMPETUS

ENTREVISTAS António Louro: “2021: O ano da floresta” Pág. 3 e 4

Miguel Borges: “2021: O ano da esperança” Pág. 10 PUBLICIDADE

/ JORNAL DE ABRANTES

a j

Proteja-se do frio... Térmicas


A ABRIR / FOTO OBSERVADOR /

EDITORIAL /

Nos últimos dias de 2020, da janela da redação do Jornal de Abrantes, pudemos olhar para a rua e ver, durante largos segundos, um arco-íris completo. Para lá do momento que a natureza nos dá, o arco-íris foi, neste ano, o símbolo escolhido para a esperança de que o futuro haverá de seguir... bem.

//Patrícia Seixas //DIRETORA

Estamos em 2021! Vitoriosos os que ultrapassaram 2020 sem perdas de maior. No entanto, bem sabemos que muitas famílias perderam entes queridos e que muitas outras vivem com dificuldades devido à situação económica que, infelizmente, não vai começar a recuperar tão cedo. Mas chegámos a 2021! O ano de todas as esperanças... esperança que a vacina consiga fazer o seu trabalho e que passemos a conseguir conviver com o vírus “horribilis”que nos transformou a vida; esperança que os nossos postos de trabalho se mantenham; esperança que muitos outros surjam para amenizar a situação. O ano que passou mostrou-nos, no entanto, que nos foi dada uma oportunidade de mudança. E o que fez o mundo com ela? Desperdiçou-a! Não soubemos ficar mais próximos quando a distância nos afastou, não soubemos ser mais justos nem criámos mais empatia com os outros. Que sentido tem uma vida que é passada atrás de um teclado a destilar ódios? Que sentido tem acusar tudo e todos, mesmo não conhecendo a realidade? Que importância tem se estamos presentes ou não numa qualquer rede social? Porque é que o importante passou a ser o “aparecer” e o comentar? Equilíbrio precisa-se mas o bom senso parece-me mais urgente. Mas também houve quem aprendesse no ano de todas as mudanças. Há, felizmente, muitos casos que nos deixam com um sorriso nos lábios e nos fazem acreditar que “ainda temos solução”. E temos! Foram lições para o futuro às quais convém não fazer “ouvidos moucos”. Vamos acreditar que 2021 nos vai ser mais suave e que vamos ser capazes de fazer deste mundo, um melhor sítio para vivermos. Temos que dar o salto de fé! Resta-me desejar a todos muita saúde no ano que agora começa e que possamos ser melhores uns com os outros. O mundo vai enfrentar desafios cada vez mais maiores e só serenidade vamos conseguir ultrapassar o que a vida nos reserva. Bom ano a todos!

Quando as recolhas de resíduos falham, por qualquer motivo, aponta-se o dedo e exige-se (e bem) correções nos serviços. Mas aqui não há correção possível a não ser uma vacina mais forte que a da COVID-19. Uma vacina que ainda não foi inventada, mas que poderia chamar-se CIVismo. Esta imagem foi registada a 27 de dezembro no trilho da PR4-MAC-ROTA DA ORTIGA SUL ou da GR 12.3 E7, ali perto da Anta da Foz do Rio Frio. E não terá sido nenhum caminhante a deixar ali esta pequena carga de lixo. Ah, a malta deve querer natureza, trilhos e história e não um monte de lixo.

PERFIL /

//Vitor de Souza, 27 anos //Gestor Comercial Meo

ja / JORNAL DE ABRANTES

//Naturalidade/Residência? Natural de Governador Valadares (estado de Minas Gerais, no Brasil), mas vim para Portugal com 1 ano de idade e sempre vivi em Constância.

//Uma figura da História Culturalmente adoro o Camões. É um símbolo da minha terra: Constância. Mas desportivamente sou fã do Messi, que marca a história a nível desportivo.

os nossos sonhos vão acontecer: viajar, ter as nossas coisas com trabalho. Mas sinceramente é isto: tenho tanto que não posso pedir mais!

//Se fosse presidente de Câmara o que faria? //Prato preferido? //Um momento marcante É uma posição complicada. É duro. Uma bela picanha Tenho 2 momentos marcantes e Ninguém está satisfeito com nada. que são os melhores da minha vida, Mas sem dúvida procuraria mais //Um recanto para descobrir? o meu casamento em primeiro lu- igualdade e ser o mais justo possíColômbia, quero muito conhecer gar e em segundo o nascimento do vel com todos. a Colômbia. meu filho. //O que mais e menos gosta na sua //Um disco //Um sonho por realizar? cidade? Sertanejo. Sou apaixonado por Tenho vários. Sempre me disseram A beleza de Constância. É uma terra música sertaneja! Transmite amor, que quem não sonha não vive! Tenho linda e cheia de história. alegria, serve para momentos feli- vindo a conquistar dia após dia todos zes e tristes. os meus sonhos com muito trabalho //Uma proposta para um dia e com Deus sempre presente. Mas diferente na região? //Um filme sonho que o meu irmão consiga ser Uma proposta diferente… Talvez a Sou um apaixonado por carros e atleta profissional. É um sonho dele e organização de um dia de história por ação. Adoro todos os filmes que irá decerto realizar o meu. Sonho em que as pessoas mais velhas da “Velocidade furiosa”. que a minha irmã consiga atingir as região falassem do seu passado, suas metas profissionais também. das suas histórias e vivências para //Uma viagem já feita ou por fazer Mas, tenho uma vida fantástica e en- que “nós”, os mais jovens, pudésPunta Cana. Foi uma viagem espe- tão só sonho que eu, a minha esposa, semos aprender algo mais do que cial porque foi o destino da minha o meu filho, os meus irmãos e a mi- jogar jogos de vídeo e mexer em lua de mel. É simplesmente lindo. nha família tenhamos saúde, e assim telemóveis.

FICHA TÉCNICA Direção Geral/Departamento Financeiro Luís Nuno Ablú Dias, 241 360 170, luisabludias@mediaon.com.pt. Diretora Patrícia Seixas (CP.4089 A), patriciaseixas@mediaon.com.pt Telem: 962 109 924 Redação Jerónimo Belo Jorge (CP.7524 A), jeronimobelojorge@mediaon.com.pt, Telem: 962 108 759. Pedro Santos (estagiário). Inês Garcia (estagiária) Colaboradores Berta Silva Lopes, Leonel Mourato, Paula Gil, Paulo Delgado, Taras Dudnyk, Teresa Aparício. Cronistas Alves Jana e Nuno Alves. Departamento Comercial. comercial@mediaon.com.pt. Design gráfico e paginação João Pereira. Sede do Impressor Unipress Centro Gráfico, Lda. Travessa Anselmo Braancamp 220, 4410-359 Arcozelo Vila Nova de Gaia. Contactos 241 360 170 | 962 108 759 | 962 109 924. geral@mediaon.com.pt. Sede do editor e sede da redação Av. General Humberto Delgado Edf. Mira Rio, Apartado 65, 2204-909 Abrantes. Editora e proprietária Media On - Comunicação Social, Lda., Capital Social: 50.000 euros, Nº Contribuinte: 505 500 094. Av. General Humberto Delgado Edf. Mira Rio, Apartado 65, 2204-909 Abrantes. Detentores do capital social Luís Nuno Ablú Dias 70% e Susana Leonor Rodrigues André Ablú Dias 30%. Gerência Luís Nuno Ablú Dias. Tiragem 15.000 exemplares. Distribuição gratuita Dep. Legal 219397/04 Nº Registo ERC 100783. Estatuto do Jornal de Abrantes disponível em www.jornaldeabrantes.pt. RECEBA COMODAMENTE O JORNAL DE ABRANTES EM SUA CASA POR APENAS 10 EUROS (CUSTOS DE ENVIO) IBAN: PT50003600599910009326567. Membro de:

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JORNAL DE ABRANTES / Janeiro 2021


ENTREVISTA / // O abandono continuado das atividades florestais, agrícolas e pecuárias levaram ao crescimento descontrolado de espécies e, consequentemente, aumentaram o combustível e puseram em perigo as aldeias.

// António Louro, vice-presidente da Câmara de Mação, andou anos a fio a dizer coisas que agora, em 2020/2021 ganham corpo nos projetos de modificação da paisagem e da resiliência, no pacote legislativo que

pode dar enquadramento legal e, o mais importante, o pacote financeiro que pode colocar a teoria no terreno. Estão reunidas todas as condições, finalmente, para poder haver uma intervenção a sério na floresta. mesmos: gerir conjuntamente. Olhar para o território num todo, sabendo que há locais onde tem de ser o proprietário a intervir e há outros em que temos de arranjar formas de articular os proprietários ausentes, mas fazer acontecer na mesma aquilo que tem de acontecer em termos de gestão.

Entrevista de Jerónimo Belo Jorge Fotos de Taras Dudnyk

2003 já lá vai. Desde essa altura que se começou a falar na mudança da paisagem, na alteração da floresta, que parece que agora vai mesmo avançar. Sente que foram 17 anos a pregar?

Aquilo que eu sinto é que só não desistimos porque o país foi caminhando cada vez mais próximo daquilo que defendemos desde 2003, que é a necessidade de pensar a paisagem num modo diferente, tentando reequilibrar algumas das consequências que o desaparecimento da agricultura e da pastorícia provocaram. Portanto, aquilo que sentimos é que finalmente o país está muito próximo daquilo que nos dizíamos nessa altura [2003] e que, provavelmente, este é o momento de arregaçarmos todos as mangas e ir para o terreno e começar a fazer o que é necessário.

Floresta,

é agora ou nunca

Foi preciso tanto tempo?

Estes processos são sempre longos e complexos. É preciso perceber que neste momento estamos a assistir ao desaparecimento da nossa ferramenta de gestão do território que funcionou durante milénios: a aldeia. E ela está a colapsar em termos de função. Ainda estão lá as casas mas, na realidade, não temos agricultores, não temos quem faça a gestão da paisagem. E nós não conseguimos ainda, enquanto, sociedade, reequilibrar este processo. Ele precisa de afinação porque os proprietários do mundo rural, agora vivem em maioria nas cidades. Portanto, temos de arranjar aqui formas de equilibrar.

Na última Assembleia Municipal, quando apresentou os investimentos da Câmara Municipal de Mação para o próximo ano, no âmbito do orçamento e plano de atividades, disse que “agora há vontade política, há dinheiro, e muito, da União Europeia”. É desta que vamos mesmo mudar a floresta?

Eu estou convencido que nunca estivemos tão perto de termos as condições necessárias para fazer a enorme mudança que se impõe, que vai ser cara de fazer. Há, neste momento, três vetores apontados nesse sentido, que é por um lado temos, infelizmente, a paisagem em branco porque na sequência dos grandes incêndios não existe grande valor no território que impeça as mudanças; em segundo, o facto de ser necessário reequilibrar e fazer qualquer coisa no sentido de evitar o retorno dos grande incêndios; e em terceiro o facto de estarmos à beira de um novo quadro comunitário que vai trazer novas ajudas. Digamos que há um envelope financeiro neste momento que pode vir a ser utilizado nos próximos anos. Há vontade

//“É o momento de arregaçarmos todos as mangas e ir para o terreno”

política e há um envelope financeiro disponível e também há condições para nós agarrarmos e fazermos aqui uma mudança de paradigma na gestão destes territórios.

As ZIF’s (Zonas de Intervenção Florestal) prometeram muito no papel, efetivamente algumas avançaram, outras nem por isso. Quando foi para as implementar no território não funcionaram. Porquê?

Não funcionaram porque não lhes foram dadas as mínimas condições para funcionar. Não adianta ter um lindo projeto e uma linda maquete da construção. Se não tivermos dinheiro

para a meter de de pé aquilo não serve para nada. A ZIF era um conceito que está subjacente àquilo que é hoje estas áreas de atuação e gestão da paisagem. O Governo pressupõe que é olhar para a paisagem e para áreas significativas do território e fazer um projeto de como se deve gerir esse território em termos de continuidade das áreas florestais. Ou seja, onde devem estar os eucaliptos, onde é que podem estar os carvalhos, onde é que têm de estar os sobreiros. E fazer esse planeamento é o que está na base em todas as medidas legislativas que o governo tem neste momento em marcha. Há outro nome mas os conceitos que estão subjacentes são os

O que é que está em causa? Quando se fala num programa de resiliência, num programa de modificação da paisagem, o que é que, se tudo correr bem, vai acontecer nos próximos anos?

Na proposta que nós temos em cima da mesa, vão ser feitos planos de gestão da paisagem, à escala territorial. Uma escala relevante que no caso do concelho de Mação vai ser praticamente as áreas das freguesias porque são áreas em que as comunidades estavam acostumadas a trabalhar em conjunto. E o desafio que vamos fazer às populações é semelhante ao que fizemos com a terceira idade. Fez-se uma instituição de solidariedade social e as pessoas entreajudaram-se, colaboraram e fizerem nascer uma instituição que hoje apoia as pessoas da freguesia nessa área. Na área florestal vão ter de existir sempre dois caminhos. Um é o caminho dos proprietários que têm condições para gerir por si, que têm de ser apoiados, que estão cá e têm condições para gerir as suas propriedades. Mas depois temos uma imensidão de território que está dividido em pequenas propriedades, que os proprietários ou estão cá e têm outras vidas profissionais e não têm condições para fazer essa gestão ou então saíram do concelho. Aquilo que nós precisamos é criar uma ferramenta que aglutine em termos funcionais estas propriedades, ou seja, as propriedades continuam a ser dos respetivos proprietários mas, em termos de gestão do seu espaço, é feita de uma forma conjunta. E precisamos de criar uma figura que não existe hoje na prática, que tem de ter uma componente social porque estamos aqui a defender valores sociais, ecológicos, da sustentabilidade, da paisagem, do equilíbrio da paisagem mas que também tem de ter uma componente ecológica muito forte porque sem a sustentabilidade económica, isto vai cair tudo por terra. Vamos tentar fazer um plano onde tem de estar as áreas de onde temos de tirar os eucaliptos mas, ao mesmo tempo, saber quais são as áreas onde nós podemos plantar eucaliptos sem ter dano ambiental. E colocá-los nos compassos certos e de forma correta a criar riqueza para potencializar o futuro. Os sítios onde nós temos de voltar a restaurar as galerias ripícolas ao longo das linhas de água, onde temos de preservar essas funções ecológicas fundamentais na paisagem, os sítios onde nós podemos agarrar nos sobreiros e valorizar territórios que hoje estão improdutivos e cheios de ▶

Janeiro 2021 / JORNAL DE ABRANTES

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ENTREVISTA / ▶ estevas. Isto não se consegue fazer

momento esse trabalho está praticamente pronto?

se não for o movimento voluntário por parte dos proprietários numa assunção de que quererem parar esta desgraça que tem sido os grandes fogos florestais e, de uma vez por todas, darmos as mãos no sentido de construir uma paisagem que seja capaz de tornar mais difícil a progressão destes incêndios.

Sim. Mação tem essa sorte de ter o cadastro realizado da propriedade rústica, portanto é fácil identificar todos os proprietários. Aqui a grande dificuldade é apenas o enorme número. Há muitas situações em que as famílias acabaram por não completar o processo de partilhas. Há qualquer coisa como 25 mil proprietários de terrenos rústicos no concelho de Mação quando já só temos cerca de 6 mil habitantes.

Mas só o concelho de Mação tem 70 a 80 mil propriedades e 20 a 25 mil proprietários, ou seja, isto é obra?

O concelho de Mação tem cerca de 40 mil hectares, que está dividido em 80 mil propriedades. 80 mil parcelas separadas umas das outras em termos administrativos. Nós hoje já sabemos que mais de 75% destas parcelas estão hoje na posse de proprietários do concelho de Mação, mas que vivem noutros territórios. Ou seja, 75% da área do concelho de Mação está nas mãos de gente que é natural daqui, que saiu e vive hoje por todo o mundo, especialmente na área metropolitana de Lisboa. Portanto, o que temos de encontrar aqui é uma ferramenta que permita conseguir fazer com que seja possível fazermos uma gestão conjunta destas propriedades, no sentido de criar riqueza para voltar a fazer chegar essa riqueza aos proprietários das terras. E, por outro lado, criar condições para que o concelho viva de forma harmoniosa e sem esta calamidade de a cada 15 ou 16 anos de chegar mais um grande incêndio. Isso vai implicar com toda a certeza reduzirmos as áreas florestais. Temos de ter menos floresta mas, floresta muito melhor. Temos de criar descontinuidades. Provavelmente, termos áreas de pastorícia, em que temos rebanhos a limpar os combustíveis é provavelmente a forma mais barata de termos essa gestão dos combustíveis finos. E temos de ter algumas áreas agrícolas que se consigam através da junção para potencializar novas culturas que até agora não tem sido possível por em marcha.

Há um trabalho que está feito dos anos anteriores, é o cadastro. Neste

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É complicado fazer essa articulação?

Vai ser difícil. Vai ser um enorme desafio para todos nós conseguir por em marcha este processo. E é importante que se perceba isso, que este é um momento que tem de ser aproveitado. Vamos nos próximos tempos tentar despoletar a discusão pública em volta deste processo que só terá sucesso se as pessoas aderirem, se se mobilizarem, se ajudarem, se percerbemos todos que vamos ter de dar as mãos e construir em conjunto a envolvente das nossas aldeias.

Falamos de também aqui, para lá do envelope financeiro, de um pacote legislativo onde, entre outros, está a figura legal do Arrendamento Forçado. Pode ser fundamental esta legislação no sentido de não deixar criar entraves para que os programas possam mesmo ir para o terreno?

//“Ao longo destes anos, às vezes senti a vontade de baixar os braços”

JORNAL DE ABRANTES / Janeiro 2021

Essa pode ser uma figura, efetivamente, importante. Em democracia todos os proprietários têm de ser livres de gerir as suas propriedades. Nós hoje também começamos a construir uma sociedade em que sabemos que quem tem um animal de estimação tem obrigações, não tem só direitos e, portanto, nós não temos sequer o direito de tratar mal um animal que é nosso, que está em nossa casa e que nós criamos. E também temos de começar a ter consciência que não temos o direito de ter a terra abandonada, sem qualquer tipo de gestão e a constituir risco, uma propriedade que é nossa. Temos direitos, mas também

temos algumas obrigações. Temos de perceber que se não temos condições para gerir por si, se calhar temos de encontrar caminhos que proporcionem um maior equilíbrio. Vai ser muito simples: vão ser feitos estes planos de gestão em que vão estabelecer as regras de ordenamento para os territórios e os proprietários vão ser livres de ter a sua escolha, ou gerem por si ou se não tiverem condições para gerir por si ou para fazer aquilo que estiver apontado para esses territórios, têm de encontrar formas de o fazer e se não o fizerem, ou seja , se não o gerirem por si, nem associarem a ninguém, a nenhum processo para gerir, o Estado pode tomar conta dessas propriedades. Ou seja, arrendar forçadamente para aplicar aquilo que estiver então decidido para esses territórios. Eu penso que é uma medida que é importante e que tem um recado político para os proprietários: chegou o momento de pormos em marcha a mudança.

Mação apresentou 8 projetos (um por cada cada unidade territorial antes da fusão das freguesias). Porquê? Porque o concelho está quase todo ardido e pode começar a pensar-se de raiz?

Sendo Mação um concelho tão fortemente atingido pelos incêndios florestais desde 2003 para cá, estão criadas as condições para fazer esta apresentação das oito unidades, uma por cada freguesia das antigas que existiam. Eu acho que é correta, temos de tentar aproveitar este processo e é nisso que estamos a trabalhar.

O orçamento da Câmara para 2021 tem cerca de 1 milhão e meio de euros para a área da floresta. É um ajuste do Município àquilo que pode vir a ser o financiamento da União Europeia, onde estão incluídos muitos milhões da chamada “bazuca” para a área do ambiente?

Vai haver a confluência de vários projetos simultâneos. Por um lado, em consequência dos grandes incêndios, vão ser realizados investimentos na manutenção de infraestruturas, como as faixas ao longo das estradas municipais e aquelas faixas de primeira ordem dos 150m de largura em que será feita a sua manutenção. Esse concurso está no final e vai ter uma ação bastante significativa. Outra é as intervenções de estabilização de emergência do pós-incêndios que vai permitir fazer intervenções em muitos estradões florestais, em limpeza de algumas linhas de água e de algumas faixas de gestão de combustível. E simultaneamente, estamos a ultimar uma candidatura muito significativa para o controle da aqueacerosa que está a ter um comportamento invasor extremamente agressivo em grande parte do concelho de Mação. Vai ser bastante significativa durante o próximo ano a ação destas candidaturas que já estão aprovadas. Ainda não é ação efetiva na gestão do território da paisagem e da floresta, mas vai ser bastante significativa a mobilização já com estas candidaturas.

Entretanto tudo isto vai ainda demorar. Continua a crer que ainda vamos ter incêndios dentro das aldeias e a assistir ao perigo de termos mais mortes no verão com os fogos florestais?

Nós temos de nos consciencializar que vivemos numa zona com um clima muito específico, não há muitos sítios como este no mundo em que nós temos verões muito quentes e muito secos, existe aqui nesta zona do Mediterrâneo, existe na Austrália e existe na Califórnia. Noutros sítios do globo os verões acabam por ser quentes, mas também são húmidos e não há um grande risco de grandes incêndios. Agora na Califórnia, na Austrália e aqui na zona do Mediterrâneo, junta-se esta confluência de muito calor e tempo muito seco. Quando a isto juntamos grandes volumes de combustíveis acumulados, criamos as condições para os grandes incêndios e isso tem sido muito notório em Portugal, na Austrália e na Califórnia. O clima não se muda de um dia para o outro e, portanto, vamos continuar a ter verões quentes e secos. Se nós conseguirmos gerir as quantidades de combustível na paisagem, vamos proteger-nos melhor contra o risco de incêndios. Eu acredito que é possível fazer isso, é possível voltarmos a ter aqui riscos como nós tínhamos nos anos 40, 50, 60, em que não existiam estes grandes incêndios florestais porque também não tínhamos estas cargas completamente alucinadas de biomassa acumulada na paisagem, ou seja, vamos ter de ter inteligência para ter menos floresta e geri-la melhor.

Como é que o António Louro se sente hoje ao ver que as ideias que apresentou em 2003 começam a ser, mais ou menos iguais, a ser implementadas no país?

Tivemos a sorte de ter políticos em Mação que, quer da oposição quer do poder, perceberam que era esse o caminho, que as defenderam e que têm vindo a tentar implementar. Eu ao longo destes anos às vezes senti a vontade de baixar os braços. Porque não há ninguém que não se canse de dizer sempre a mesma coisa e não conseguir sair do mesmo sítio. No entanto, a certeza de que isto é uma coisa importante para este território e para estas pessoas fez-me sempre reforçar o esforço e não desistir. E é com satisfação que vejo que o discurso que Mação teve na sequência dos incêndios de 2003, é hoje o discurso totalmente assumido em termos políticos nacionais e de todas as instituições. E o caminho que nos propusemos em 2003, pelos vistos estava correto. Agora temos este enorme desafio, que já não é só do António Louro, não é só da Associação de Mação, já não é só da Câmara de Mação, mas vai ser de todos os proprietários que é aproveitarmos esta janela que aí vem e termos capacidade de darmos as mãos, de efetuarmos a mudança e de construirmos uma paisagem nas próximas décadas em Mação que nos livre dos grande incêndios florestais.


SOCIEDADE /

Jorge Ferreira Dias viu juiz decretar a prisão preventiva // Jorge Ferreira Dias vai ficar em prisão preventiva a aguardar julgamento. O juiz de Instrução Criminal de Santarém aplicou a medida de coação mais grave ao ex-empresário de Abrantes depois deste ter sido detido na sequência das agressões ao presidente, vice-presidente e a uma funcionária da Câmara Municipal de Abrantes. Jorge Ferreira Dias interrompeu a reunião do executivo municipal de Abrantes de dia 22 de dezembro, a fazer ameaças e a dizer que queria o seu assunto resolvido. Uma das ameaças que fez foi dizer que poderia voltar com “uma granada em cada mão”. Na sequência destes acontecimentos, o agressor foi detido pela PSP de Abrantes que promoveu o inquérito, tendo havido também a apresentação de queixa por parte de seis dos sete elementos do executivo municipal de Abrantes e ainda de dois funcionários da autarquia. Jorge Ferreira Dias passou a noite nas instalações da PSP de Tomar e foi apresentado no dia seguinte ao juiz de Instrução Criminal que aplicou a medida de coação mais gravosa: aguardar julgamento em prisão preventiva. Após o interrogatório, Jorge Ferreira Dias foi conduzido ao estabelecimento prisional de Leiria. Para esta decisão, terá contribuído o facto do antigo empresá-

Após o interrogatório, Jorge Ferreira Dias foi conduzido ao estabelecimento prisional de Leiria

//Imagem da invasão de Jorge Ferreira Dias na reunião de Câmara rio da construção civil já ter sido condenado anteriormente num processo crime por difamação movido pela anterior presidente da Câmara de Abrantes e hoje ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes. Na altura, Jorge Ferreira Dias foi condenado a um ano e dois meses de prisão, com pena suspensa.

A prisão preventiva é aplicada quando um juiz entende que há “fuga ou perigo de fuga, perigo de perturbação do processo (nomeadamente destruição ou deturpação de provas), perigo de continuação da atividade criminosa ou perturbação da ordem pública”. No dia dos acontecimentos,

a Câmara Municipal de Abrantes emitiu um comunicado a dar conta que “condena e repudia quaisquer atos de violência física e verbal praticados contra qualquer pessoa, independentemente das circunstâncias”, e adianta ainda que “desde a tomada de posse do presidente Manuel Jorge Valamatos, que por diversas

vezes o sr. Jorge Ferreira Dias foi recebido em reunião, onde lhe foi sempre transmitido, que caberia ao tribunal pronunciar-se sobre este caso”. A Câmara Municipal de Abrantes relembra que “a 25 de novembro de 2019 saiu o resultado da sentença que deu razão ao Município. A Câmara Municipal de Abrantes esclarece, mais uma vez, que nada deve ao Sr. Jorge Ferreira Dias, ou às suas empresas, nem estes à Câmara Municipal de Abrantes”. Ainda durante o dia 22 de dezembro, os partidos políticos (PS, quer concelhia, quer Federação Distrital e secretário-geral adjunto), PSD de Abrantes e Movimento Independente ALTERNATIVAcom) reagiram através de comunicados e todos foram unânimes no repúdio das agressões ocorridas em sessão de Câmara. Jerónimo Belo Jorge e Patrícia Seixas PUBLICIDADE

Janeiro 2021 / JORNAL DE ABRANTES

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REGIÃO / Abrantes Candidatura do Tejo a Património da Humanidade em cima da mesa // A proposta já andaria nos gabinetes mas foi dada a conhecer a 9 de dezembro, na reunião de Câmara de Abrantes: elevar o rio Tejo a Património da Humanidade. Uma proposta que, segundo o presidente da Câmara de Abrantes, já tinha sido apresentada e discutida na Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo onde, num outro projeto, poderá haver um conjunto de candidaturas para um estudo que possa levar à valorização das margens e do próprio rio Tejo. O presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, explicou que esta é uma ideia que já estava nos seus planos há algum tempo, nomeadamente devido à importância do Tejo e, por nos últimos dias ter visto algumas “notícias sobre esta matéria, o que ressuscitou esta vontade de podermos levar o nosso rio a uma projeção mundial. E obviamente com todas as consequências que com isso advêm”. Este é um desafio e um processo bastante demorado a ser consolidado devido à extensão internacional do maior rio da Península Ibérica. Porém, Manuel Jorge Valamatos referiu que “com boa vontade e empenho nós vamos conseguir. E caso não sejamos nós, diretamente, estaremos sempre ao lado para ajudar a construir esta forte possibilidade”. E expressou ainda que esta é uma “ideia ainda muito no

No sítio da internet do Ministério dos Negócios Estrangeiros encontramos a lista do Património Mundial de Portugal: “A UNESCO adotou em 1972 a Convenção do Património Mundial, Cultural e Natural, que tem por objetivo proteger os bens patrimoniais dotados de um valor universal excecional. Em 1976, foram criados o Comité do Património Mundial e o Fundo do Património Mundial, conforme determinado pelo texto da Convenção. Em 1979, foram feitas as primeiras inscrições de bens na Lista do Património Mundial. A Lista conta, em Junho de 2015, com 1007 bens inscritos em 161 Estados-parte na Convenção, sendo 779 bens culturais, 197 bens naturais e 31 bens mistos. Portugal depositou o instrumento de ratificação da Convenção em 1980. Lista do Património Mundial de Portugal Angra do Heroísmo nos Açores Jerónimos e Torre de Belém Mosteiro da Batalha Convento de Cristo Centro Histórico de Évora Mosteiro de Alcobaça Paisagem Cultural de Sintra Centro Histórico do Porto Côa e Siega Verde Floresta Laurissilva na Madeira Centro Histórico de Guimarães Alto Douro Vinhateiro Paisagem Vinha da Ilha do Pico Elvas e suas Fortificações Universidade de Coimbra Santuário do Bom Jesus do Monte em Braga Real Edifício de Mafra - Palácio, Basílica, Convento, Jardim do Cerco, Tapada”

início”, porém devido ao cargo de vereador com o pelouro do ambiente que ocupou noutros mandatos, teve ligações a várias instituições e organizações onde “esta sempre foi uma matéria que teve alguma abordagem.” Devido à grandeza da proposta e enquanto Abrantes, o presidente da Câmara deixou a ideia de estar disponível para liderar uma eventual candidatura, “mas queremos

obviamente é estar a apoiar, a articular nesse processo.” Este projeto e a ideia de liderar são duas coisas diferentes. Manuel Jorge Valamatos distinguiu os projetos e a ideia. “Uma questão é esta do rio Tejo como Património da Humanidade. Outra coisa, é um projeto que no âmbito da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo que vai ser desenvolvido e alicerçado nos seis

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Autarquia avança com concurso internacional de ideias para antigo mercado // A Câmara Municipal de Abrantes lançou um concurso de ideias internacional para a reconversão do edifício do antigo mercado diário da cidade em complexo multiusos. A autarquia prevê um investimento da ordem de 2,7 milhões de euros neste projeto. De acordo com a informação da Câmara Municipal de Abrantes, a criação de um multiusos decorre na “perspetiva da sua reutilização como equipamento de resposta a uma nova realidade”, sendo o concurso público internacional para elaboração do projeto, no valor de 135 mil euros, promovido pelo município, contando com a assessoria técnica da Secção Regional de Lis-

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JORNAL DE ABRANTES / Janeiro 2021

boa e Vale do Tejo da Ordem dos Arquitetos. Ainda segundo a autarquia este projeto prevê um investimento global de 2 milhões e 700 mil euros e define à partida, a preservação das fachadas principais e a requalificação da área envolvente ao mercado, “nomeadamente a entrada no Centro Histórico da cidade, dotando-a de uma identidade urbana”. A reconversão deste edifício, assim como a requalificação da área envolvente convergem, segundo a autarquia, na "oportunidade de consolidação de uma estratégia que tem vindo a ser implementada" em Abrantes nos últimos anos, "centrada na regeneração urbana e na reabilitação urbanística, social e económica do centro histórico" da cidade. Neste momento sabe-se que o concurso de ideias tem prevista a

municípios ribeirinhos, em que iremos desenvolver um projeto para a valorização do rio Tejo, das margens e da sua envolvência com as nossas comunidades”, explicou o autarca. Este anúncio informal foi bem acolhido pelos vereadores da oposição, PSD e Bloco de Esquerda, que se mostraram disponíveis para colaborar neste processo. Jerónimo Belo Jorge

atribuição de prémios monetários de 10 mil euros, cinco mil euros e três mil euros, aos três concorrentes mais bem classificados. O custo previsto para execução do projeto escolhido será de 135 mil euros. O prazo final da entrega das propostas é a 24 de janeiro deste ano. O mercado municipal de Abrantes fechou portas em 2010 por imposição da ASAE (Autoridade da Segurança Alimentar e Económica) por falta de condições para a venda de produtos. Este edifício do mercado foi construído em 1933 e em 2015 a Câmara de Abrantes inaugurou um novo mercado municipal que faz a ligação entre o Largo 1.º de Maio e a Rua Nossa Senhora da Conceição. Recorde-se que depois de encerrado antigo mercado ainda foi convertido no espaço cultural 'Mercado Criativo', substituindo as bancas de peixe e hortícolas por ateliers de pintura, livrarias e artesanato, tendo encerrado essa função poucos anos depois e foi espaço onde aconteceram outros eventos como a feira de doçaria ou festas de jovens. Jerónimo Belo Jorge


REGIÃO / Vila Nova da Barquinha

BARK tem impacte ambiental em consulta pública // O BARK – Bioparque Barquinha anuncia na sua página da rede social Facebook que não está parado. Na última publicação, datada de 5 de dezembro, pode ver-se o novo logótipo e os promotores dizem “… estamos em trabalhos, lentos, mas em trabalhos”. E se a pandemia provocou um grande atraso nos processos administrativos e burocráticos, e inclusive nos investimentos, o promotor continuou com os processos de licenciamento. A Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha tem os projetos aprovados e agora o investidor avançou com o Estudo de Impacte Ambiental que está em consulta pública até o dia 2 de fevereiro de 2021. Trata-se de um processo que a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) tem numa fase obrigatória e onde os cidadãos poderão ver o projeto e deixar posição pública sobre o mesmo. O Jornal de Abrantes consultou o processo. Pode ler-se na descrição geral: “O Bark – Bioparque Barquinha é um parque temático, sobre a vida animal, a desenvolver numa área de cerca de 38,1ha, pretende constituir-se como um bioparque, onde será possível visitar uma coleção de 260 espécies (situação inicial), havendo potencial para ampliar a coleção até 3000 espécies. As coleções das espécies estarão dispersas por 10 grandes áreas que comportam 9 habitats diferentes: Savana Africana, Ásia Tropical (estufa), Pantanal, Peneda-Gerês (Ibéria), Austrália, Himalaias, Ásia, Congo, Polos e a exibição das Aves (de vários habitats)”. E é ainda na página onde podemos consultar todas as peças do projeto do parque e dos edifícios de apoio, hotel ou restaurante, que há mais alguns dados explicativos do que se pretende fazer. “O bioparque está projetado como centro de conservação, reprodução e reintrodução no habitat natural de espécies em vias de extinção. Este parque foi pensado como polo de conhecimento que alia a pesquisa científica ao

desenvolvimento de programas ambientais. Para além dos vários habitats que sustentarão as exposições animais o Projeto contará com um conjunto de infraestruturas que permitirão assegurar, todas as questões relacionadas com a saúde e bem-estar animal e todas as infraestruturas necessárias ao usufruto pleno do Parque pelos visitantes, como sejam o edifício de entrada, o centro pedagógico, os restaurantes, os vários quiosques de merchandising e o hotel”. O Jornal de Abrantes sabe que o promotor do Bioparque de Vila Nova da Barquinha não está parado, apesar dos entraves provocados pela pandemia do coronavírus. De

acordo com uma fonte próxima do processo, o BARK terá alguns ajustes, necessários, na sua calendarização, mas manterá a sua génese inicial. A fonte do JA revelou que assim que seja aprovado o EIA, e há essa convicção, os trabalhos poderão iniciar-se. Aliás, está mesmo em cima da mesa a calendarização da abertura (prevista inicialmente para março de 2021) para o ano 2022, embora não se aponte ainda para uma data específica. O BARK apresentou-se, em 2018, com uma preocupação de querer criar condições para a conservação e a reprodução de espécies em vias de extinção. O projeto, tal como foi apresen-

tado, prevê ter 260 espécies animais numa primeira fase, metade das quais em vias de extinção, com um potencial para chegar às três mil espécies diferentes. De acordo com a mesma fonte o número de espécies que deverão integrar a fase de arranque, em 2022, será inferior às 260, uma vez que a pandemia “obrigou” a alguns ajustes. Apesar de tudo, a nossa fonte garante que o BARK irá apostar numa estratégia de apresentar espécies novas todos os anos. E ao que conseguimos saber, poderá ser uma outra forma de fazer crescer as atratividades. Uma das novidades, de acordo com uma fonte ligada ao processo, é a criação de uma espécie de extensão ou de um local de serviços do Biopark na propriedade do empresário João Paulo Rodrigues em Coalhos, no concelho de Abrantes. Ainda sem ser do domínio público, esta quinta, é certo, terá serviços muito ligados ao BARK, não se sabendo, para já, se terá componente de visitas ou se será um local reservado a backstage do palco principal, localizado em Vila Nova da Barquinha. Sendo assim, o projeto prevê que os animais serão distribuídos por 43 hectares de terreno, divididos em quatro habitats representando quatro diferentes regiões mundiais: Ásia tropical, pantanal, Peneda-Gerês e savana africana. Poderemos encontrar neste espaço espécies tão portuguesas como o lince-ibérico, o grifo ou a cabra-montês, como depois o elefante, o leão, a suricata, o dragão de komodo, a cobra-capelo, o jaguar ou a chita. Continua prevista a criação de 150 postos de trabalho diretos, embora o Jornal de Abrantes saiba que ainda não começou o processo de recrutamento. O mesmo poderá ter início quando começarem as obras no terreno, ainda no decurso do próximo ano. O projeto do BARK contempla, para além dos habitats das espécies um hotel de quatro estrelas com 130 quartos, um restaurante com 300 lugares sentados, um anfiteatro com mil lugares, estacionamento para 397 lugares (390 ligeiros e sete autocarros), um centro pedagógico e uma clínica veterinária. Jerónimo Belo Jorge PUBLICIDADE

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REGIÃO / Constância Orçamento “rigoroso, claro e objetivo” não convence CDU nem MIC

OPINIÃO /

// O Orçamento Municipal para 2021 da Câmara de Constância foi aprovado por maioria em sessão de Assembleia Municipal. Sérgio Oliveira, presidente da Autarquia, explicou o documento que “tem um montante global de 7 milhões e 400 mil euros, portanto, um pequeno acréscimo em comparação com o ano transato”.

//João Pereira //PROFESSOR

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Na apresentação do Orçamento de Constância à Assembleia Municipal, o presidente da Câmara, Sérgio Oliveira, recordou que “vivemos tempos difíceis” e que “a incerteza reina” pois “diariamente lidamos com novos problemas e novos assuntos”. No entanto, afirmou que “a proposta de Orçamento consagra um conjunto de investimentos e de projetos já a pensar num futuro Quadro Comunitário de Apoio que aí vem, bem como no Programa de Resiliência e Recuperação Económica que virá de Bruxelas”. Sérgio Oliveira destacou “a inscrição e o reforço da intervenção na zona ribeirinha, no montante de 100 mil euros para a substituição da totalidade do pavimento e a substituição do fibrocimento que ainda existe na escola”. O autarca referiu que estão consagrados no Orçamento “os acessos ao Centro Escolar de Montalvo”, bem como a “criação de condições para pessoas de mobilidade reduzida na Rua Moinho de Vento, em Constância, através do programa comunitário PAMUS”. O início de negociação com vista à expansão da zona industrial de Montalvo, o desenvolvimento do projeto do Museu dos Rios e das Artes Marítimas, a requalificação da Rua Principal em Santa Margarida da Coutada e a continuidade “de um projeto estruturante” que é a Praia Fluvial são os investimentos consagrados no Orçamento Municipal. Para além dos investimentos anunciados, Sérgio Oliveira disse

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que “continuamos com uma grande aposta na área da Educação e da Ação Social e temos um conjunto de atividades culturais e desportivas mas estes dois pontos serão onde temos a maior incerteza porque ninguém sabe se no próximo ano teremos condições para as levar a efeito, atendendo à situação pandémica”. Para o autarca, este é “um Orçamento rigoroso, claro, objetivo e que tem como único objetivo melhorar a qualidade de vida das nossas populações”, sendo ainda, segundo Sérgio Oliveira, “um Orçamento de transição” pois, como explicou, o atual Quadro Comunitário de Apoio (QCA) terminou no final de 2020, “os projetos deste QCA estão praticamente executados (…) e agora há que começar a projetar e a trabalhar o futuro QCA no desenvolvimento de um conjunto de projetos que na nossa opinião, são estruturantes para o futuro do concelho”.

A Declaração de Voto da CDU

Na votação, os quatro deputados da bancada da CDU e a deputada do Movimento Independentes por Constância abstiveram-se, sendo a proposta aprovada pela maioria socialista. Rui Ferreira, líder da bancada comunista, apresentou depois uma Declaração de Voto onde afirmam que “ao analisar a proposta contida nos Documentos Previsionais para o ano de 2021, constatam os eleitos da CDU que, para além de conterem um ou outro projeto com impacto imediato na qualidade de vida da po-

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pulação, continuam a não incorporar uma visão estratégica e integrada de desenvolvimento futuro do concelho. A introdução, assinada pelo senhor presidente, dá-nos a perspetiva exata do quanto inconsistentes e erráticas são as políticas municipais, na procura de uma afirmação concelhia no contexto regional e nacional”. A abstenção na aprovação do Orçamento foi ainda justificada pela “falta de referência ao maior estrangulamento do concelho que é uma nova travessia, a atual revisão do PDM que por aquilo que conhecemos levará a maiores dificuldades de desenvolvimento, o PASM, novas ofertas urbanísticas e habitacionais em Santa Margarida, um novo Posto de Turismo, a situação das Quintas do Tejo que se quer como novo polo de atracão na freguesia de Montalvo e do concelho e uma solução para a novela dos esgotos na Pereira são apenas alguns dos projetos estruturantes «esquecidos» pelo Executivo Municipal” . Também “a forma atabalhoada e impreparada como tem sido gerido o projeto das margens do Zêzere onde se anuncia agora a substituição integral do pavimento, «independentemente ou não de virmos a ter reforço financeiro», fazendo perder mais um ano de qualidade turística que a Vila tanto precisa, é uma evidência de que a gestão praticada é contrária a uma calendarização objetiva, clara e precisa conforme é anunciado”, justificou o voto da bancada da CDU. Patrícia Seixas

as muitas decisões fulcrais no rumo profissional que encetamos ao longo da vida, talvez a mais determinante seja a escolha de um curso superior. Em Portugal, todos os anos milhares de jovens tentam escolher um curso por entre as largas centenas de opções disponíveis nas 284 instituições de ensino superior públicas e privadas (fonte: PORDATA). Não será, portanto, uma escolha fácil e óbvia para a esmagadora maioria desses candidatos. Muitas destas decisões tendem a recair em questões de praticabilidade, seja a distância da residência e/ ou um familiar com quem partilhar uma residência. Outros alunos podem seguir uma escolha pré-determinada, tanto seja por uma “tradição familiar” ou pela sugestão de professores e amigos. Muitos desses alunos afirmarão que escolhem um curso por vocação. E se, no decorrer de um curso, descobrirmos que tal não era o que pretendíamos? Podemos sempre mudar de curso, mas nada impede que tal se repita e nem nos devolve o tempo perdido no processo. Seja qual for a base decisória, quantas destas deliberações são tomadas tendo em conta as saídas profissionais do curso pretendido? Ou ao nível de uma suposta empregabilidade? Ou ainda atendendo às competências e aptidões mais requisitadas no mercado de trabalho? Quantas dessas inúmeras decisões são alicerçadas em dados concretos e em números plausíveis, por exemplo? Lançado em Setembro de 2019, o Brighter Future é um portal electrónico que se dedica exclusivamente à análise estatística destas informações de modo a consolidar uma resolução, que se quer, decisiva. Este projeto, da responsabilidade da Fundação José Neves, recorre a dados emanados pelo Instituto Nacional de Estatística, entre outros organismos e instituições de ensino superior, fornecendo informações fidedignas a questões como: quais as profissões com mais procura; quais as áreas que se destacam no mercado de trabalho; ou qual o risco de desemprego para diplomados nas diversas áreas. Este portal permite

Portal para o futuro uma análise detalhada de dados e informações com o objetivo de permitir uma imagem alicerçada sobre o estado do ensino e, em particular, do estado do mercado de trabalho num dado momento. Podemos, inclusive, escolher determinado curso e aceder ao número de diplomados, à sua nota de conclusão e à sua percentagem de empregabilidade, entre outras opções de trabalho. Sabemos que uma escolha fundamentada não será suficiente para a entrada no ensino superior. Aqui se confrontam, entre outros fatores, a nota de acesso a um curso, a primeira limitação ao nosso processo de escolha, a localização da instituição, o valor das propinas, etc. Neste portal existe igualmente a possibilidade de concorrer a bolsas de estudo para o pagamento das propinas, nomeadamente em modalidade de empréstimo, o que poderá ser extremamente apelativo para muitos candidatos, sendo que, desde o seu lançamento, já terão sido atribuídas 262 bolsas através deste programa. Ainda se afigura distante a época de candidatura ao ensino superior e a preparação para as respectivas provas de acesso. Contudo, poderá ser a altura certa para averiguar se um curso superior será o mais adequado, atendendo ao perfil específico de cada candidato. Assim, este portal representa uma mais-valia a ter progressivamente em conta no momento em que cada aluno pretende aceder ao ensino superior. brighterfuture.joseneves.org

E se, no decorrer de um curso, descobrirmos que tal não era o que pretendíamos?


SOCIEDADE / Educação

Agrupamento Verde Horizonte quer continuar a inovar São já 12 anos à frente do Agrupamento de Escolas Verde Horizonte de Mação. Mas José António Almeida sente que ainda tem projetos para lançar e ainda tem a força para continuar, pelo menos durante mais quatro anos, a liderar as escolas do concelho. Foi desta forma que, depois de feito o juramento e assinada a posse para mais um quadriénio [no dia 17 de dezembro], o diretor do Agrupamento Verde Horizonte iniciou o seu discurso numa cerimónia minimalista pelo momento que se vive, mas com a vitalidade de quem não guarda ideias na gaveta para colocar ao serviço da comunidade. E isso ficou marcado ao longo do discurso de posse de José António Almeida que entre agradecimentos “abriu” as portas da escola à comunidade e deixou a ideia de que em Mação não se gosta de replicar ideias, o objetivo é andar na linha da frente com inovação. José António Almeida olhou depois para os 12 anos que já leva

à frente dos destinos do agrupamento deixando duas ou três notas daquilo que se tem vindo a desenrolar, desde logo um observatório de qualidade que permite aferir, de forma isenta, a qualidade da gestão e aplicação das medidas. Deixou, de forma muito vincada, a ideia de que gosta de inovar: “Gosto de trilhar caminhos novos, não gosto de replicar projetos”. O diretor deixou meia dúzia de notas de realce com algumas mensagens, por exemplo, para a autarquia de Mação quando disse que o futuro do concelho está ali, na escola, nos jovens. E entre brincadeira disse que não falava no futuro político, explicando que é o futuro social e económico que está dentro da escola, nos alunos. Os pais, ou alguns, também levaram um recado. A escola tem regras e educa e, disse o diretor, vivemos num tempo em que os pais têm menos regras para com os jovens e depois vão querer discutir esse maior rigor que existe na escola.

//José António Almeida mantém a equipa por mais quatro anos à frente das escolas de Mação E disse que esta é a forma que têm de pensar o ensino. Os alunos são a principal preocupação e prioridade. E o sucesso dos alunos é a melhor forma de evocar o trabalho que diariamente é feito dentro das paredes, ou dentro das vedações das escolas do concelho. José António Almeida deixou ainda uma outra nota de registo para os alunos. Quando se fala de sucesso não se pode falar de sucesso igual

para todos porque essa não é a realidade que existe. “O sucesso não se mede da mesma forma em todas as crianças” e um dos papeis dos professores é avaliar as capacidades dos alunos e não olhar para eles como um só. E de seguida deixou uma nota para a comunidade. Tem de haver um maior envolvimento entre todos, só assim pode haver uma escola com futuro numa comunidade do interior.

Para fechar o momento o curso profissional de cozinha e turismo preparou uma pequena receção e apresentou dois pratos (arroz cremoso de enchidos de Mação e Chave Dourada e um cheesecake de queijo de cabra de Mação, com mousse de medronho e gel fluído de poejo e com suspiro de poejo) que vão ser apresentados ao concurso Jovem Talento da Gastronomia. Jerónimo Belo Jorge PUBLICIDADE

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SOCIEDADE / tenho a noção de que me aconteceram, fui à procura delas, julgando que materialmente estariam registadas e elas não existem. Algumas ter de as repetir, porque nalguns casos era mais um olhar para as letras e passar as folhas para disfarçar as dores.

Neste tempo de internamento, quando os filhos ou a mulher testaram negativo, teve esse conhecimento? Sentiu alívio, por eles?

Levem as regras muito a sério e acreditem na vacina // Miguel Borges soube que estava contagiado com o SARS-Cov-2 e que a mulher e os filhos também apanharam o vírus. De poucos sintomas no início, os sintomas agravaram e teve de ser internado onde passou momentos difíceis. Teve de levar oxigénio e ser sujeito a uma intervenção cirúrgica por outro problema agravado pelo vírus. Quando é que descobriu que estava infetado, que sintomas é que teve para contactar a linha? Como foi esse processo antes de vir o teste positivo?

No dia 2 de novembro submeti-me a um teste que deu negativo, por precaução. Mais tarde, a minha mulher começou a ficar com sintomas idênticos a uma gripe forte, com muitas dores no corpo. Foi à urgência do Hospital onde fez o teste que foi negativo. Também comecei a ter alguns sintomas, alguma tosse, dores no corpo, isto numa quinta-feira. Na sexta-feira fomos novamente às urgências do Hospital e fizemos o teste a 13 de novembro. No dia 14, logo pela manhã, tivemos o resultado positivo.

Após o teste, quais foram os passos? Qual é o passo de um cidadão que tem um teste positivo?

Começamos a tomar a medicação, paracetamol, para aliviar algumas dores. Dia 14 os meus filhos começaram a ter sintomas, alguma febre e foram também ao Hospital e depois, no dia 15, soubemos que eles também estavam positivos. Nos mais novos passados dois, três dias os sintomas desapareceram. A minha mulher continuou com alguns sintomas fortes. No meu caso foi diferente porque comecei com algumas dificuldades respiratórias, mas o que foi estranho em tudo isto, recordo-me de na quinta-feira, dia 20, de manhã sentia-me bem, mas à tarde as coisas dispararam de uma forma incrível. Comecei a sentir

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muitas dores, comecei com febres altas, cada vez maior dificuldade em respirar e com muita tosse. Fui de urgência para o Hospital e fiquei internado. Os comentários, que soube à posteriori, foi que quando lá cheguei, tinha muito pouco pulmão por onde respirar.

No Hospital, percebeu que as coisas estavam a desenrolar-se num caminho em que era necessário ficar uma série de dias no Hospital?

Não. Sentia-me mal, com muita tosse, dificuldades respiratórias, mas a partir do momento em que entro no Hospital a minha preocupação diminui porque sabia que ia começar a ser tratado. E assim foi, começaram-me a dar medicação de várias formas para aliviar as dores, para aliviar os sintomas. No Hospital eu nunca tive a noção do perigo. Nunca tive a noção que as coisas estavam muito más porque eu não perguntei nada. Estava a ser tratado e isso é que interessava. Este vírus é tão oportunista que ataca todas as nossas fragilidades e tive também um abcesso que me deu dores terríveis. Nos últimos 6 dias em que estive internado [que foi quando o abcesso apareceu] obrigou-me a uma intervenção cirúrgica e foram dores desesperantemente fortes.

O SARS-COV-2 é uma gripe. Mas pode realmente descompensar outras patologias. Esse é um receio que existe,

que SARS-COV-2 possa despoletar outras patologias?

Eu tive sempre uma enorme confiança no Serviço Nacional de Saúde. Todos os dias sentia-me confortável, tranquilo com os tratamentos. Só depois com a questão do abcesso é que foi mesmo mais duro. Curiosamente, essa preocupação tenho agora neste momento, tenho de tentar perceber o que é que aí vem, tentar perceber o que é que vai ficar do Miguel Borges. Claro que neste momento ainda tenho um conjunto de situações que não eram normais em mim, canso-me muito, há uma dificuldade em andar e outras situações também que espero que com o tempo passe. Eu sou um homem com pensamento positivo e com fé, sinceramente nestes dias todos que lá estive nunca achei e nunca tive a noção que as coisas eram tão graves como mais tarde vim a saber.

Dias de muita leitura e escrita ou dias a passar e à espera que as dores passassem?

Muita leitura, escrita não foi tão fácil numa fase porque a posição não permitia. Mas li muita coisa. Escrevi algumas coisas, mas era mesmo também para ajudar a passar o tempo. Mas sinceramente eu hoje tenho uma grande confusão em relação aquilo que se passou naqueles dias porque não consigo distinguir alguns momentos, aquilo que foi um sonho e aquilo que foi realidade. Houve coisas que me aconteceram que

Sim. Se bem que os meus filhos não fizeram teste para saber se estavam negativos, cumpriram os dez dias, que até foram mais. Na verdade, a minha maior preocupação, mais do que as minhas dores e do que o meu tratamento, era realmente daquilo que se estava a passar em casa porque a minha mulher foi três vezes ao Hospital, das três vezes só passou lá uma noite, mas essa era a grande preocupação. Primeiro, no dia 14 de novembro, acho que ninguém devia passar por isto, de eu estar à janela da minha casa e ver os meus filhos a irem de ambulância para o Hospital. E eu sem os poder acompanhar. Foram momentos muito difíceis. E outro momento difícil foi quando a Ana teve de ir ao Hospital e foi a incógnita “será que fica internada?” E se fica internada quem é que vai tratar das crianças em casa que estão positivas, duas crianças, a Leonor tem 16 anos, o Pedro 13, mas quem é que vai tratar deles? É claro que houve logo um conjunto de pessoas que assumiram o risco, não há problemas, nós vamos lá se apanharmos não faz mal. Mas foram momentos verdadeiramente difíceis, nada comparado com o facto de ter de ser operado, nada comparado com outro tipo de coisas. Nós fisicamente temos de suportar dor e estamos preparados para suportar muita dor, mas a parte emocional, merece mesmo muito ser cuidada. Preocupamo-nos com quem está no Hospital e às vezes esquecemo-nos que o cuidador ou que a família próxima também está a sofrer bastante.

Apesar da vacina ter começado a ser administrada, vai demorar ainda algum tempo a chegar à comunidade. Que conselho quer deixar às pessoas que ainda andam por aí que não passaram por esse período?

Eu gostaria que as pessoas fizessem aquilo que eu tenho vontade de fazer, eu gostava de ser vacinado o mais depressa possível. O risco de tomar a vacina é uma coisa perfeitamente residual, uma coisa como acontece com qualquer medicamento. Não sabemos o que vai dar o futuro, tudo aquilo que são as regras que hoje utilizamos, o distanciamento, a máscara, a desinfeção das mãos, a etiqueta respiratória é para manter. Até porque nós não sabemos com quem estamos a interagir. Podemos estar a interagir com pessoas que ainda não levaram a vacina ou que dentro daquilo que é o seu direito se recusarem a levar, como se recusam a levar outras vacinas. Há pessoas que têm estes princípios, que não compreendo, mas respeito. Levem muito a sério as recomendações porque ainda vamos ter um período longo mesmo com a vacina. Jerónimo Belo Jorge


ESPECIAL / Vila Nova da Barquinha

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ESPECIAL / Vila Nova da Barquinha

Empreendedores chegam ao CAIS

ROOT4IT É uma empresa, com cerca de uma década de existência, mas com um grande background e know-how na área de Business Intelligence/Analytics. Luís Sousa, o empresário, explica que sempre apontou o foco a multinacionais. Neste momento está a trabalhar com a Vodafone e com a IBM. Luís Sousa explicou que a área da Business Intelligence é “pegar dos dados perdidos de todas as quintas de uma grande empresa (faturação, stocks, compras e outras) e numa determinada plataforma agrupá-los para que possa ser um auxiliar de gestão. Há casos em que a empresa pode aferir dados que nem sabe que os tem”, explicou o empresário que explicou de seguida a aposta em Vila Nova da Barquinha é feita com o objetivo de poder diversificar a carteira de clientes com pequenas e médias empresas. Com a pandemia ainda não foi possível divulgar da ROO4IT junto das empresas ou até nos polos de ensino superior da região. Porque um dos objetivos passa por capitalizar os recém-licenciados da região nesta área das novas tecnologias da informação e do mundo digital. O empresário destaca a vontade de fazer crescer a sua empresa na área das pequenas e médias empresas e fixar os jovens por estas bandas. E não esconde que as áreas de trabalho podem abarcar todo o mundo digital, desde o “e-comerce”, o desenvolvimento de um site, a gestão de redes sociais ou marketing digital. No que diz respeito a recursos humanos a empresa não é muito grande. “Neste momento somos quatro e a ideia inicial era colocar cinco pessoas na Barquinha. Ou seja, daqui a um ano ou dois anos queríamos ter dez pessoas a trabalhar da ROOT4IT: cinco em Lisboa e cinco na Barquinha”, sublinhou Luís Sousa. A ROOT4IT aposta na transformação digital e design ao nível das PMEs, assumindo-se estes como instrumentos imprescindíveis para um bom posicionamento no, cada vez mais, mercado global.

// O CAIS – Espaço Empresarial de Vila Nova da Barquinha não é mais do que uma incubadora dedicada a todos os empreendedores de âmbito nacional e internacional. O objetivo assenta na promoção e acompanhamento de projetos e empresas inovadoras, colocandoas num mesmo espaço físico e pondo ao seu dispor um conjunto de serviços e gabinetes, proporcionando a inserção num ambiente empresarial adequado, bem como as condições necessárias ao seu sucesso. por: Jerónimo Belo Jorge

Manuela Dias Super Lúdico Consultora e Contabilista Certificada

Manuela Dias tem uma vasta experiência em candidaturas a apoios comunitários. Com 12 anos de experiência nesta área, Manuela Dias aponta a área principal de trabalho a contabilidade, mas a empresa aponta o foco à busca de soluções para as empresas, ao apoio ao empreendedorismo e ao desenvolvimento de atividades do setor empresarial e social. Manuela Dias tem a formação base em contabilidade e gestão financeira, mas a experiência levou-a aos caminhos de dos projetos, nomeadamente, naquilo que é a complexidade das candidaturas aos fundos comunitários. Em 2020 decidiu apostar em lançar-se por conta própria e como o projeto está a correr bem espera em 2021 modificar a empresa onde se vai juntar a Teresa Barroso. Ou seja, a empresa vai manter a mesma atividade, mas agora com o trabalho de duas sócias. Os processos de candidaturas a fundos comunitários são uma das grandes áreas de trabalho assim como todos os serviços de contabilidade e assessoria na área digital. E têm ainda o propósito de poderem desempenhar um papel importante nos serviços de apoio à contratação pública. Manuela Dias e Teresa Barroso explicam que a empresa são duas pessoas, mas que contam com uma série de outros parceiros noutras áreas, como, por exemplo na área digital. Neste momento têm em curso uma série de projetos que estão envolvidas no âmbito de investigação e desenvolvimento com entidades do ensino superior, na Beira Baixa. Quanto aos clientes atuais, para “além da carteira desta zona (Barquinha) já conseguimos alavancar as zonas de Leira/Pombal e Castelo Branco. E em Lisboa tempos um ou dois clientes pontuais”. E 2021, com a alteração social, mas com os anunciados pacotes financeiros da União Europeia podem representar um grande incremento de trabalho para esta empresa.

Desenvolve trabalhos de ilustração e animação para agências de publicidade, marcas, produtoras e escritórios de design. Atualmente pretende desenvolver projetos visuais diferenciados para o setor cultural e patrimonial de Portugal. Maike Bispo dos Santos explicou que a empresa tem dez anos e começou em S. Paulo (Brasil) e com foco nos brinquedos. Depois, com a vinda de Maike para Portugal o foco deixou de ser apenas a publicidade para se assumir na área do património e história. Por exemplo, o desenvolvimento da ilustração do Gualdim Pais, para a autarquia foi um dos trabalhos porque “quando cheguei, percebi que Portugal tem uma história ampla e diversa para se poder trabalha”, explica o ilustrador que viu no CAIS as condições ótimas para lançar o seu trabalho. É que não precisa de grandes edifícios para poder fazer o seu trabalho de ilustração. Maike Santos diz que nunca pensou ficar em Portugal e muito menos na Barquinha, porque a vida sempre o levou a grandes metrópoles. E ficando neste concelho explicou que tem uma casa relativamente grande, mas que optou pelo cowork para criar relações com outros empresários e ter um espaço “físico” empresarial. O ilustrador vê na incubadora o ponto de partida para os objetivos que tem para os próximos passos: “O Bark me interessa, o licor Beirão me interessa”. E este é o espaço ideal para desenvolver estes contactos. Pode trabalhar em casa, mas no CAIS tem o espaço empresarial. Agora, para a frente, o Médio Tejo interessa muito a este ilustrador. Por exemplo, está numa parceria do designer Paulo Passos para a criação de um jogo para o Médio Tejo. E depois aponta os seus interesses aquilo que é a sua especialidade, a ilustração e o mercado publicitário.

Charlotte Weiss, joalharia de autor Desenha, produz e comercializa jóias de autor com design único, feitas com materiais nobres e de qualidade, técnicas diferentes e com a possibilidade de personalizar o trabalho por encomenda. Em paralelo à joalharia, também realiza trabalhos de conservação e restauro de bens culturais, nas áreas de madeira, madeira policromada, talha, cerâmica e pintura de cavalete.

Procurement Concept Consulting Empresa de consultadoria, que pretende complementar ou ser o departamento de Procurement das empresas num regime de outsourcing. Atua sobre todos os pontos do processo de compras, tendo como principal compromisso a interligação entre organizações, oferecendo serviços de excelência e tornando-os acessíveis a qualquer empresa. Procura ainda apresentar as melhores soluções do mercado com o objetivo de proporcionar reduções de custo aos seus clientes.

Código Luminoso, Unipessoal, Lda Empresa de apoio à gestão, consultoria e formação, que visa apoiar as empresas ao nível contabilístico de consultoria e de formação, promovendo a qualificação do quadro de pessoal dos seus clientes, com o intuito de orientar, promover e qualificar contribuindo para o seu desenvolvimento e competitividade.

Noop (NoOperation, Lda.) Empresa tecnológica dedicada à implementação de soluções e serviços inovadores na área das tecnologias da informação e da comunicação através do desenvolvimento web e mobile, com diversos projetos de sucesso à escala nacional e internacional.

FOLIUM PROPRIUM LDA Empresa que pretende instalar-se na zona centro de Portugal, mais concretamente em Vila Nova da Barquinha, com a finalidade de produzir Canábis medicinal.

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ESPECIAL / Vila Nova da Barquinha Em 2020, cancelaram-se eventos, viveram-se outros de forma diferente... como sente o pulso à população barquinhense?

A primeira questão é que houve uma atitude de ponderação e de bom senso por parte das populações que, em tempo, perceberam todo o complexo da própria pandemia. Devido também à questão cultural e provavelmente também face ao tecido que temos em termos de dados do INE, com qualificações acima da média. Os últimos dados de 2018 mostram que temos muita gente ligada ao setor empresarial do Estado e também ao setor empresarial do Estado indireto, com 42%, ou seja, muito perto de metade da nossa população está neste naipe. E isso significa que é gente que lê e que são pessoas informadas e isso também leva a que a atitude perante uma pandemia e perante os alertas, seja uma atitude mais consistente e mais atenta. Eu acho que é aí que está a mensagem, porque não é fácil. Fomos o primeiro concelho a ter um surto de Covid num lar ilegal, que eu desconhecia. Atacámos logo e mais nenhuma situação se veio a verificar noutras instituições. Isso tem a ver com a atitude dos dirigentes e dos próprios trabalhadores que fizeram o chamado espelho nas áreas das IPSS. Houve muita gente, e eu sei que é verdade, a dormir nos estabelecimentos de ERPIS, no sentido de não vir a contaminar os seus utentes. Mais do que um sistema voluntário, é uma questão cultural e de mentalidades.

“Estamos a colher aquilo que semeámos” // Fernando Freire cumpre o seu segundo mandato como presidente da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha. Nos últimos anos o concelho tem aumentado a população e visto instalar-se novas empresas. Fomos tentar perceber a receita deste sucesso. recolhe esta riqueza. Estando numa zona de baixa densidade permite-nos que façamos estas candidaturas, porque também provavelmente com o orçamento que temos, se não fosse financiado pelos fundos europeus não tínhamos possibilidades. Felizmente, com a dinâmica do ninho de empresas e com a grande procura que estamos a ter na zona industrial, provavelmente vêm mais receitas, mas até este momento temos de ser muito contidos com as nossas despesas. E desde 2014 até 2020 reduzimos mais de 50% nas despesas da Câmara Municipal que, atualmente, ronda os dois milhões de euros. Identificamos uma necessidade para o território, verificamos que havia muita gente a procura e já tínhamos pessoas inscritas quase um ano antes da obra começar.

O Centro de Negócios está com 70% de ocupação, mas há novidades na calha. Grandes investimentos estão a caminho de Vila Nova da Barquinha?

Em tempos difíceis, Barquinha vê aumentar o número de habitantes. A que se deve este sucesso?

Estamos a colher aquilo que semeámos. A aposta que fizemos na educação, na regeneração urbana, a aposta cultural e de qualidade de vida, tornou o tecido urbano de Vila Nova da Barquinha apelativo. Isto é público e notário e basta ver as últimas intervenções urbanas que fizemos.

A requalificação urbana foi a alavanca?

Não. O parque de Esculturas, as infraestruturas, o parque escolar... foi toda uma panóplia de situações de bem-estar que foram criadas pela Câmara Municipal, o que levou a que as populações se sentissem atraídas pelo concelho. Isso é visível, por exemplo no Parque Escolar que aumentou em 110 alunos este ano e é visível com a regeneração urbana em que as pessoas começaram de repente a comprar casas e a inflacionar os preços na baixa da Vila Nova da Barquinha. São pessoas com capacidade financeira para as comprarem, porque as casas têm algum valor significativo, e isso é fruto de uma política que não de agora, é uma política que vem da aposta na qualidade de vida, da aposta na cultura, na criação de

infraestruturas apelativas para que as pessoas se sintam bem, sintam conforto.

Há muita gente que veio de fora? Que não era do concelho e mudou para cá?

Sim, 90% das pessoas que estão neste momento a fixar-se, quer na zona da encosta da Atalaia, quer na zona da Moita do Norte, do Cardal ou da baixa de Vila Nova da Barquinha, são pessoas que vieram para aqui, não eram de cá. Temos muita gente que trabalha na região e que, por opção, escolheu viver aqui. Tem a ver com a qualidade que nós damos, quer a qualidade no ensino, na qualidade de vida, nas infraestruturas e nas ofertas culturais. É apelativo, para além de outra vantagem que tem a ver com a centralidade da região. De facto, ficamos perto de tudo. Nos dias de hoje, as pessoas também jogam muito com a questão da proximidade, quer da cidade de Coimbra, quer da cidade de Lisboa, da cidade de Torres No-

vas, quer da cidade de Tomar, ou seja, tudo é perto. Estamos a falar de uma distância relativa de quilómetros, mas depois em questão de tempo isto conta.

Inaugurado em outubro e só com vagas no espaço de coworking, o CAIS – Ninho de Empresas foi a aposta que faltava ao empreendedorismo do concelho?

Não é o que faltava, eu acho que era uma necessidade que estava identificada no concelho. Havendo a possibilidade - e tínhamos aquele prédio degradado que já tínhamos comprado em 2008 ou 2009 -, faria todo o sentido alocá-lo àquele projeto. Até porque tínhamos a funcionar algo similar a uma incubadora, na Associação de Arqueologia e onde já tínhamos sete ou oito empresas. Elas continuam lá a funcionar mas entretanto também cativámos outros empresários a vir trabalhar para aqui. São estas oportunidades que nos surgem e Vila Nova da Barquinha, em termos estratégicos,

Neste momento, felizmente para o Centro de Negócios houve empresários que repensaram a sua estratégia, até alguns estrangeiros que resolveram apostar em Portugal, na região centro e numa zona de baixa densidade. Temos empresas de fora da nossa região que se querem fixar em Vila Nova da Barquinha devido à sua centralidade, a A13, a A23 e na expectativa jurídica de um novo mercado no aeroporto de Tancos. São “cerejas” que podem atrair o investimento e não podemos ser negligentes nesta temática. Temos muitas empresas da área do mobiliário, da robótica, da metalomecânica, da farmácia e da cannabis. Para além das empresas que já estão instaladas. Neste momento, temos 160 postos de trabalho na zona industrial e penso que no próximo ano estamos em condições de duplicar. Tivemos de fazer um alargamento que também já está comprometido. É que do outro lado está o projeto do BioPark que já entrou no estudo de impacte ambiental e que está também em consulta pública. Temos mesmo de pensar no alargamento da zona industrial.

Bark - Biopark Barquinha. Em 2022?

O caminho faz-se caminhando. O investimento é privado e as pessoas têm de perceber isso. Não é pela Câmara Municipal que ele foge,

a Câmara está a fazer tudo para ele aconteça, mas tem a ver com a conjuntura. Estamos a falar de um investimento de 70/80 milhões de euros, onde o promotor é o privado e é quem obviamente arrisca o seu negócio. A Câmara Municipal só tem de abrir portas, pegar no empresário e ir com ele aos contactos, como o fizemos junto da CCDRLVT. Facilitar dentro do princípio da legalidade. Depois, a escolha é sempre do promotor e tem muito a ver com a conjuntura. Num projeto deste tipo, que envolve público, como é que o promotor vai arriscar avançar quando não sabe quando é que a pandemia vai acabar? Veja-se, por exemplo, o que aconteceu com a DisneyLand em Paris que não tem tido visitas, ou seja, tem milhares de funcionários que provavelmente estão em lay-off. O empresário tem de escolher, a Câmara tem é de facilitar.

Não perde a esperança de um aeroporto em Tancos?

Não. Eu acho que é muito importante termos a noção que temos uma pista de 2440 metros. E para que é que queremos aquele equipamento? Na nossa região temos o luxo de termos um equipamento daqueles e temos outra coisa de que ninguém fala que são as servidões. Ali está tudo, agora temos é que pensar o que é que a Administração Central quer fazer com aquele edifício. Se disserem que está dedicado para as missões internacionais das tropas portuguesas e esse é objetivo prioritário, muito bem. A opção política é esta, vamos dotar aquela infraestrutura no sentido de daqui a três ou quatro anos não estar nas lonas, que já está. Se não houver uma manutenção de conservação das pistas e em toda a panóplia envolvente quer nas gares e nos meios de acesso, vamos gastar uma fortuna. Ou seja, uma coisa que se pode resolver com três ou quatro milhões, provavelmente nem 60 milhões chegam. Por outro lado, também existem privados interessados na aquisição do aeródromo de Tancos. A questão que temos de fazer ao governo português é se é possível conciliar a questão militar (que para Vila Nova da Barquinha é fundamental) com uma infraestrutura privada a explorar o aeródromo de Tancos? Se o Governo, através do Ministério da Defesa, nos disser que sim, excelente. Porque não há oposição por parte do Ministério das Infraestruturas nesta temática. Temos é de ouvir o Ministério da Defesa porque este é que é um parecer fundamental. Para mim era maravilhoso que a Força Aérea viesse para cá, mas o que eu quero é que não deixem morrer esta infraestrutura porque ela é central. Patrícia Seixas Foto: Pérsio Basso

Pode ler a entrevista na íntegra em www.jornaldeabrantes.pt

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ESPECIAL / Vila Nova da Barquinha

Vegigreen inicia laboração no Centro de Negócios A centralidade do Centro de Negócios

Trata-se de um espaço que dispõe de rápidas acessibilidades aos grandes itinerários rodoviários e ferroviários do país e da Europa. Este é, sem dúvida, um dos seus pontos fortes. À rede rodoviária existente – A1, A23 e A13 – junta-se a Estação de Caminhos-de-ferro de Entroncamento, a cinco minutos, o principal nó ferroviário do país. O porto e aeroporto de Lisboa estão somente a uma hora de distância. Está em curso um estudo de viabilidade para a abertura do Aeródromo Militar de Tancos ao tráfego civil e comercial. A poucos quilómetros, existe também a possibilidade de utilização da Plataforma Multimodal de Riachos, Torres Novas. A gestão está a cargo de uma Sociedade Gestora, com a missão de proporcionar a instalação de um tecido empresarial forte e oferta de emprego abundante. Com cerca de 30 hectares de terreno, este polo empresarial “atrativo e bem estruturado” constitui um investimento estruturante para a criação de riqueza. Vila Nova da Barquinha é um

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Instalada nos lotes 5 e 6 do parque de localização empresarial “Centro de Negócios”, na freguesia de Atalaia, concelho de Vila Nova da Barquinha, iniciou no final do mês de novembro a laboração a empresa “Vegigreen”, dedicada à importação, preparação e distribuição de frutas e legumes (produtos exclusivamente biológicos) para as grandes superfícies comerciais. Por agora, com 10 postos de trabalho, a unidade de preparação, seleção e acondicionamento de produtos agrícolas representa um importante investimento no concelho de Vila Nova da Barquinha, com impacto económico e social significativo, sobretudo nesta crise que atravessamos, provocada pela pandemia de Covid-19. Entretanto, a empresa vai expandir a sua atividade, pelo que, no mês de janeiro de 2021 irá adquirir um novo lote para concretizar o seu crescimento. No dia 24 de novembro, Fernando Freire, presidente da Câmara Municipal, visitou as instalações para acompanhar de perto o início da laboração, a convite da gerência.

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Incentivos ao investimento

território de baixa densidade, o que significa um acesso privilegiado aos fundos comunitários. Nos últimos anos, é um dos poucos concelhos do interior do país a registar um aumento da sua população. “Simultaneamente tranquilo e moderno, é sinónimo de qualidade de vida. O seu excelente nível de acessibilidades e o seu rico património natural e cultural fazem deste concelho o lugar ideal para viver e para investir”.

Com 10 postos de trabalho, a unidade representa um importante investimento no concelho

O Município de Vila Nova da Barquinha tem implementados alguns incentivos ao investimento no concelho. Os incentivos estão diretamente relacionados com o Regulamento “Barquinha Mais Investimento”, um regulamento municipal de incentivo à fixação de empresas. Assim sendo, há isenção de derrama sempre que se trate de entidades empresariais sem atividade direta ou indireta com o concelho de Vila Nova da Barquinha à data da apresentação da candidatura, nem nos três anos económicos anteriores. Esta isenção é concedida pelo prazo máximo de 5 anos. As empresas têm ainda isenção de Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis; isenção de IMI - relativamente aos prédios destinados e efetivamente utilizados pela entidade beneficiária no âmbito específico do projeto empresarial apoiado; isenção de taxas municipais pela concretização das operações urbanísticas associadas ao projeto empresarial e condições de acesso a preços reduzidos.


REGIÃO / Sardoal Assembleia aprovou orçamento de 12 milhões para o próximo ano A Assembleia Municipal de Sardoal reuniu na terça-feira, dia 29, numa nova experiência em tempos de pandemia, uma vez que foi feita remotamente através da plataforma digital Zoom. Quanto ao Orçamento para 2021 e às Grandes Opções do Plano 2021–2025, o vice-presidente Jorge Gaspar revelou a visão que é apresentada para os próximos cinco anos, sendo depois, no orçamento para 2021, apresentados os projetos para o ano que vem. Jorge Gaspar destacou os pacotes financeiros que poderão advir da União Europeia que podem dar de 100% na cultura e sem financiamento noutras áreas, que poderá ter de haver investimentos municipais. O vice-presidente explicou que por vezes sabe-se que há obras necessárias, mas que muitas vezes tem de se esperar a oportunidade para tentar fazer candidaturas a apoios. E deu o exemplo do Bairro da Tapada da Torre. Se daqui a um ano não existir abertura de possibilidade de candidatura, terá de ser a Câmara Municipal a avançar com o investimento. Trata-se, por exemplo, de um investimento que pode chegar ao meio milhão de euros. O vice-presidente da Câmara deixou esta indicação como expli-

cação deste plano de cinco anos. Outro exemplo que deu foi o Plano de Resiliência que ainda não tem as definições claras do que vai ser. O Orçamento para 2021 tem um valor de 12 milhões de euros, um valor mais baixo em cerca de um milhão de euros em relação ao orçamento para 2020. Adérito Garcia, deputado municipal do PS, elencou uma série de propostas apresentadas para poderem ser incluídas no orçamento e “não foram atendidas”. Por outro lado, revelou que há uma fatia do orçamento cada vez mais reduzida

para os investimentos. Depois analisou os documentos onde revela existir um aumento das despesas correntes, das despesas com comunicações ou energia e, como tal, referiu “que este documento não defende os interesses do concelho”. Conclui depois que “este não é o orçamento que o PS gostava de ver”. Não houve outras intervenções dos deputados municipais e quando Miguel Alves Pita, presidente da Assembleia Municipal, devolveu a palavra ao vice-presidente da Câmara, Jorge Gaspar diz que era justo fazer referências a ou-

tras propostas apresentadas pelos socialistas e que fazem parte dos documentos. E acrescentou que as contou e das 24 apresentadas só 10 é que não integram o Orçamento. Jorge Gaspar respondeu a todas as questões levantadas pelo deputado municipal Adérito Garcia, revelando que foi um ano muito complicado em termos financeiros e disse que tem de haver limites e tem de haver opções. Noutro exemplo, revelou que há opção diferente entre PSD e PS no que diz respeito à “criação” de uma praia fluvial no concelho. Afirmou ainda que há outras decisões que têm de esperar para que possam depois decidir a construção da tão ansiada praia fluvial, na barragem da Lapa. Joana Ramos, da bancada do PSD, vincou que algumas críticas do PS são injustas face à realidade do concelho de Sardoal, nomeadamente em relação à dependência das receitas do Estado. Rui Valente (PS) questionou o facto de algumas obras que já deveriam ter sido orçamentadas noutros anos e não o foram, mas estão este ano porque é ano de eleições. Jorge Gaspar mostrou-se incomodado e disse que não respondia a questões de campanhas eleitorais

e que é preciso tesouraria para fazer obras que já deveriam estar feitas há vários anos. Miguel Alves pediu a palavra para dizer que o PS também não anda a brincar e que tem é uma visão estratégica diferente da do PSD. Há várias obras equacionadas, por exemplo: Externato Santa Isabel; a requalificação da piscina coberta; parque de autocaravanas; a segunda fase das ruas do centro histórico (PARU); Parque de Negócios de Andreus; o alargamento do Parque Empresarial em sede de PDM; a requalificação do Mercado Diário; a requalificação do Lagar dos Paulinos; requalificação da área de Lazer da Rosa Mana; a construção do Centro de BTT; a requalificação da área de lazer da Lapa; manutenção do parque infantil e de manutenção na Tapada da Torre; a praia fluvial e parque de campismo da Lapa.O Orçamento e Grandes Opções do Plano foi aprovado com 10 votos favoráveis do PSD e com seis votos contra do PS. Na Câmara Municipal, o Orçamento para 2021 foi aprovado pela maioria social-democrata com os votos contra dos vereadores socialistas. Jerónimo Belo Jorge PUBLICIDADE

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GALERIA / Pedro David Profissional na área do Turismo e Fotógrafo profissional. Natural de Abrantes, reside em Casais de Revelhos. É sócio gerente da agência de Viagens Pelo Mundo. Na área da fotografia e vídeo trabalha atualmente com a marca Fotografia Pelo Mundo onde tem um espaço no Intermarché de Alferrarede. Enquanto amador desenvolveu um gosto especial por registar as várias expressões que o teatro de rua proporciona. De todos os registos que já fez, a Paixão de Cristo dos Getas no Sardoal, foi o que o mais apaixonou, fotografando-o ano após ano, perpetuando uma vivência quase real do mistério da Páscoa. Do seu enorme portefólio foram escolhidas estas imagens que a todos nos transportam.

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REGIÃO / Vila de Rei

Município já apoiou a criação de 59 postos de trabalho // Desde a entrada em vigor, em setembro de 2016, do Regulamento de Estímulos ao Investimento no concelho de Vila de Rei, o Município apoiou já a criação de 59 novos postos de trabalho, num investimento total de 29.550 euros. O Regulamento de Estímulos ao Investimento no concelho de Vila de Rei inclui diversas medidas de apoio à criação de emprego, empresas e modernização do comércio local, com destaque para a concessão de um subsídio de 500 euros às empresas por cada posto de trabalho criado. Foram igualmente apoiadas 64 empresas vilarregenses, no âmbito do apoio prestado à modernização do comércio local, num total de 27.179,34 euros, usados para a realização de pequenas obras, aquisição de material informático, de escritório e/ou material expositor. No ano de 2020, os apoios prestados neste âmbito ascenderam a 7.033,36 euros. Para o presidente da Câmara Municipal de Vila de Rei, Ricardo Aires, “os números deste ano apresentam uma importância especial face a todas as limitações causadas pela pandemia da Covid-19. Os empresários vilarregenses continuaram a apostar no reforço das condições das suas firmas e tiveram no Município um importante parceiro nesse investimento”. O apoio prestado à plantação de árvores, também incluído neste Regulamento, foi de 6.200,54 eu-

ros, dividido por 17 produtores, e englobou maioritariamente a plantação de novas oliveiras e medronheiros. Em relação ao apoio para a aquisição de ruminantes, o valor já atribuído foi de 292,56 euros. Desde a entrada em vigor do Regulamento, o Município de Vila de Rei, no âmbito das matérias nele englobadas, investiu já 63.222,44 euros.

“Empresários vilarregenses continuaram a apostar no reforço das condições das suas firmas”

As medidas deste Regulamento de Estímulo ao Investimento no concelho incluem ainda apoios como a isenção ou redução de taxas e preços municipais para a fixação de novas empresas ou novos investimentos em função do número de postos de trabalho criados, bonificação no pagamento de taxas e preços municipais para empresários que acolham

estágios profissionais, apoios à criação de plantações (oliveiras, medronheiros, car valhos, nogueiras, castanheiros, pinheiras mansas, aveleiras, sobreiros ou azinheiras) ou apoios às explorações agropecuárias (aquisição de animais ruminantes e apoio na construção/reconstrução de edificações destinadas a melhorar as condições de exploração agrícola), entre outros. Ricardo Aires destaca que “ao longo dos últimos anos, desde a aprovação do Regulamento de Estímulos ao Investimento, temos vindo a apresentar resultados muito positivos no reforço do investimento em áreas diversificadas como a comercial, industrial, agroindustrial, agrícola ou turística. Continuamos convictos que estas medidas vieram reforçar as condições para a atração de novas empresas, criação de novos postos de trabalho e, consequentemente, para o crescimento e desenvolvimento económico do nosso concelho. Este Regulamento vem assim robustecer o comércio vilarregense, tornando-o mais forte, mais atrativo e mais empreendedor, o que se traduz em melhores condições para empresários e clientes”.

Apoio ao Arrendamento Jovem foi aprovado O Regulamento de Apoio ao Arrendamento Jovem tem o objetivo de “reforçar as condições com vista ao aumento do número de residentes em permanência no concelho de Vila de Rei, com especial enfoque na população jovem”. O valor de apoio ao jovem, previsto no Regulamento para a fixação de residência na modalidade de arrendamento, equivale ao valor correspondente a 20% do valor da renda mensal paga pelo

jovem. Esta percentagem pode aumentar até aos 35%, caso haja dois ou mais dependentes a cargo e/ou um dependente a cargo seja portador de deficiência com grau de incapacidade igual ou superior a 60%. A atribuição de apoios destina-se à habitação própria permanente, a jovens e jovens casais com idades entre os 18 e os 35 anos, podendo um dos elementos do casal ter até 37 anos de idade. O imóvel

tem de estar situado no concelho de Vila de Rei, com os apoiados a não poderem ser proprietários de prédios urbanos habitáveis ou arrendatários/senhorios de outra habitação situada no concelho. O valor da renda não pode ultrapassar os 60% do valor global mensal dos rendimentos. Os proprietários que afetem edificações para habitação ao arrendamento urbano, no âmbito do presento Regulamento, pode-

rão também usufruir de isenção de 50% de IMI, até ao máximo de cinco anos, ou isenção total de IMI, até ao máximo de cinco anos, caso realizem obras de construção, reconstrução, alteração, ampliação ou conservação nestas habitações. Os pedidos de concessão de apoio terão de ser apresentados junto dos serviços da Divisão Financeira e do Património do Município de Vila de Rei, entre os dias 1 e 30 de abril de cada ano.

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// A Assembleia Municipal de Vila de Rei aprovou por unanimidade, sob proposta do Executivo Municipal, o Regulamento de Apoio ao Arrendamento Jovem no concelho de Vila de Rei – ‘Viver no Centro’, que engloba um conjunto de medidas que visam facilitar o arrendamento de habitações no Concelho.

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REGIÃO / Mação OPINIÃO /

//José Alves Jana //FILÓSOFO

Ortiga já mostra a sua história É um picareto (bote de madeira típico do rio Tejo) no alpendre da antiga escola primária de Ortiga, concelho de Mação, que convida a entrar na antiga escola primária, agora Núcleo Museológico. As duas salas da antiga escola primária de Ortiga, depois das obras de requalificação de 230 mil euros, custeadas a cem por cento pela Câmara Municipal de Mação albergam os conteúdos materiais e imateriais (em vídeo) da história da aldeia Piscatória. Logo à entrada encontramos dois mapas do rio Tejo, antigos, com o “desenho” do rio Tejo entre Barca da Amieira e Abrantes, com a Barca de Ortiga como ponto de união entre os dois documentos. Foi o arqueólogo Luiz Oosterbeek que explicou aquilo que se pode ver neste museu que pretende que seja dinâmico. Quando entramos, à direita está a sala que se pode ver do lado do picareto que tem uma janela para se poder ver o picareto. Esta sala tem o nome de “extrair, transformar e transportar” porque, segundo Luiz Oosterbeek, “foi isso que as pessoas fizeram. Extrair da terra e do rio o que lá havia, a dada altura começaram a transformar a matéria-prima e os próprios produtos a partir da domesticação e de artes como metalurgia. E depois transportar as trocas ou só o transporte. Claro que isto começa logo com o picareto”. Esta é, de acordo com o investigador, esta é uma sala para visitar, para observar, para circular, mas com um convite para que se possam trocar as peças por outras que a comunidade queira disponibilizar. “Não há nada de rígido, tudo foi pensado para trocar

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as peças que aqui estão hoje por outras que a comunidade queira colocar. Tudo está pensado para que, com toda a flexibilidade, a comunidade de Ortiga quando quiser possa trocar as peças, fazer outras exposições, e a muito baixo custo”, explicou Luiz Oosterbeek que depois acrescentou: “na outra sala pode encontrar-se a memória da escola, que sendo um espaço de cultura e de educação continuará a ser”. Nesta outra sala pode-se encontrar um conjunto de peças que têm a ver com a abertura ao mundo. O rio e a linha do comboio podem ser vistos como a abertura para o mundo, há ainda o espaço doméstico, com loiças da cozinha, o andarilho para as crianças poderem andar e depois há um espaço amplo. E disse que este espaço é para os encontros, para conversar e para se pensar no futuro, naquilo que se pode fazer no Núcleo e na aldeia.

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Já Vasco Estrela, presidente da Câmara de Mação começou por destacar a participação de toda a população de Ortiga neste projeto que custou cerca de 230 mil euros e que foi realizado com investimento cem por cento municipal. Ou seja, é um investimento sem qualquer verba do governo ou da União Europeia. Mas, disse o presidente da autarquia, que era um projeto que era muito ambicionado pelo executivo. E agora defende, haja vontade, na comunidade, para fazer coisas e dinamizar o novo espaço da freguesia e do concelho. A este investimento de cerca de 230 mil euros, suportado exclusivamente pela Câmara junta-se agora um outro de cerca de 400 mil euros que é a requalificação da praia fluvial de Ortiga e zona envolvente e pela construção de passadiços na margem do rio Tejo, numa extensão de cerca de 1.100 metros. Jerónimo Belo Jorge

O

Festival de Filosofia de Abrantes, na sua última edição, que a pandemia obrigou a ter um formato apenas digital, trouxe-nos, entre outros, um contributo importante. António Covas afirmou estranhar que as Câmaras ainda não tenham percebido que a cooperação é “um recurso abundante e barato”. Oxalá a Câmara de Abrantes tenha recebido a mensagem. Porque ela é verdadeira e estratégica e porque o próprio Festival é a negação disso que proclamou. Nomeadamente, porque a Câmara dispensou, sem sequer avisar, o Clube de Filosofia de Abrantes (CFA), e outros, de cooperar na organização que o Clube concebeu e propôs à Câmara, que o aceitou. A Câmara tem toda a legitimidade para organizar o Festival como entender, mas não segue o bom caminho ao desconstruir a cooperação, em vez de a construir. O que interessa aqui não é o CFA ou a sensibilidade dos seus membros, é o método de fazer cidade que se pratica. O Festival foi concebido como um projeto de cooperação em construção. Se a Câmara quisesse, ou soubesse fazê-lo, tinha ali um ponto de apoio para um projecto sistémico à volta de um produto e uma atividade de reconhecida importância. Assim, “orgulhosamente sós”, a cidade que se constrói é apenas aquela que assim é possível. Curta, limitada, efémera. Não há milagres. É certo que António Covas, na sua comunicação, referia-se à cooperação entre cidades, mas o método é o mesmo dentro de um concelho. Recordo duas grandes realizações em que Abrantes marcou pontos: o Festival do Imaginário e o Juntos pela Vida. Foram dois momentos altos tanto para dentro como para fora. Quase sem recursos. Como foi possível? Através da cooperação – da cooperação construtiva daquilo que se quer alcançar. Abrantes, e não é só na Câmara, esquece a ditado africano: “Se queres ir depressa, vai sozinho; se queres ir longe, vai acompanhado”. Ah, sim, é sabedoria africana e nós estamos na Europa, em Abrantes. Ponho-me a pensar e recordo projetos que, em Abrantes, não

Segredo: a cooperação foram longe: Encontro de Literatura Infanto-Juvenil, Festival do Imaginário, Encontros de Abrantes, Festa da Flor, Feira da Ladra, Feira Franca, Jornadas Pedagógicas, Prémio de Investigação Histórica, Prémio António Botto, Prémio de Ensaio Jovem Filósofo, Prémio Vida de Filosofia, Mercado Criativo, Festival Nacional do Gelado, Centro Comercial a Céu Aberto, Circuito de Manutenção do Castelo, Autocross Cidade de Abrantes, Praia Fluvial do Tejo, Desfile de Carnaval, Provedor do Munícipe, Encontro Nacional do Azeite, Mocho, Centro de Novas Tecnologias, Feira de Artesanato, OLA – Orquestra Ligeira de Abrantes. Se procurasse mais, encontrava mais; se procurasse com outros, ia ainda mais longe. Tudo apostas que não foram longe, embora por razões diversas. Abrantes, neste campo, circula na rotunda: por mais que ande, não sai do mesmo sítio. Se não, passados 45 anos, o que construiu? Que vamos deixar para a próxima geração ir ainda mais longe? O que está aqui em causa, volto a dizer, não é o CFA (que a Câmara tem tratado abaixo de cão desde o primeiro momento), é a cidade, é a forma ou método de construir cidade. Dentro em pouco já nenhum de nós cá estará, mas a cidade continua. Melhor ou pior, dependendo do que nós fizermos. Estamos a fazer mal, diz António Covas e subscrevo: a cooperação é um recurso abundante e barato e não estamos a saber usá-lo. Ou melhor, construí-lo. Porque a cooperação não está aí como o mármore, é preciso construí-la.

A cooperação é um recurso abundante e barato


AMBIENTE / “É fundamental impulsionar uma mudança de mentalidades”

OPINIÃO /

// Com a reciclagem na ordem do dia, fomos conhecer um pouco melhor a realidade da região e de como está a ser preparado o futuro. O Jornal de Abrantes falou com Nuno Heitor, administrador delegado da Valnor.

A //Nuno Heitor, ao centro, na companhia de Manuel Jorge Valamatos e Bruno Tomás, em Abrantes Reciclagem, reutilização e redução... estes conceitos já entraram na vida dos portugueses?

Os portugueses têm vindo a dar sinais positivos, mas é preciso ter consciência que ainda não é suficiente para mudar o atual paradigma que vivemos. O planeta continua em défice e a responsabilidade pela sustentabilidade do meio ambiente está em cada um de nós. É muito importante que a população não abandone os bons hábitos de reciclagem que tem vindo a criar, continuando a produzir e a consumir de forma social e ambientalmente responsável e equilibrada. No regresso à normalidade, pós covid-19, teremos todos novos desafios para superar e o compromisso com a reciclagem e a sustentabilidade ambiental será ainda mais desafiante. Reduzir, reutilizar, renovar e reciclar terá de fazer parte das rotinas diárias de todos os portugueses, pois o futuro do planeta não é reciclável.

Em tempos de pandemia, com as pessoas mais tempo em casa, notou-se um aumento dos materiais reciclados?

Sim, notámos um aumento significativo de materiais recicláveis depositados nos ecopontos. Este crescimento da recolha seletiva demonstra os bons hábitos de reciclagem dos municípios que pertencem à área de abrangência da Valnor (Abrantes, Alter do Chão, Arronches, Avis, Campo Maior, Cas-

telo Branco, Castelo de Vide, Crato, Elvas, Fronteira, Gavião, Idanha-a-Nova, Mação, Marvão, Monforte, Nisa, Oleiros, Ponte de Sôr, Portalegre, Proença-a-Nova, Sardoal, Sertã, Sousel, Vila de Rei e Vila Velha de Rodão), mas também valoriza o trabalho desenvolvido pela EGF e pelas suas concessionárias, entre as quais a Valnor, em matéria de educação e sensibilização para a reciclagem. Uma missão implementada desde o inicio da pandemia, que teve o objetivo de reforçar o papel dos cidadãos na reciclagem e alertar para a importância da correta gestão dos resíduos domésticos. Este aumento da recolha seletiva deve-se ainda ao tempo que os munícipes permaneceram em casa, o que gerou um aumento de consumo de alimentos e consequentemente uma maior deposição de embalagens nos ecopontos. Numa altura em que o mundo se debate com a pandemia da COVID-19 é fundamental impulsionar uma mudança de mentalidades em prol do ambiente e continuar a passar a mensagem da importância do papel de cada cidadão na reciclagem. A Valnor sempre esteve, e estará, grata pelo esforço e empenho de toda a população.

Reciclar vai começar a ser obrigatório em todas as casas até 31 de dezembro de 2023 e, para os setores da restauração e indústria, esta medida será obrigatória

a partir de 2021. Está a empresa preparada para este aumento de materiais para reciclagem?

A Valnor assume diariamente um papel fundamental no apoio à estruturação e definição das políticas de ambiente na área dos resíduos, assumindo como eixo prioritário contribuir para o cumprimento das estratégias e metas nacionais e comunitárias para o setor – com destaque para o aumento da recolha seletiva de embalagens multimaterial e do desvio de resíduos urbanos biodegradáveis da deposição em aterro. Atendendo às metas estipulados pelo Plano Estratégico de Resíduos Sólidos Urbanos - PERSU 2020, a Valnor encontra-se a otimizar o seu serviço, reforçando a rede de recolha seletiva. Prova disso foi o aumento da frota de viaturas afetas à recolha seletiva para servir o Polo de Avis e Abrantes. O objetivo passa por reforçar e melhorar o serviço a todas as populações, garantindo, deste modo, o correto encaminhamento dos resíduos para reciclagem. A gestão dos resíduos é uma forte preocupação da Valnor, que deve ser igualmente partilhada por todos os munícipes. Valorizar os resíduos é fundamental em termos ambientais, refletindo-se também a nível económico: a taxa de resíduos paga pelo munícipe refere-se ao resíduo indiferenciado, não tendo o tratamento dos recicláveis qualquer custo para a população.

ascensão das redes sociais, como o Facebook, Twitter ou Instagram, ou de plataformas digitais, como o YouTube, caminhou de mãos dadas com o desenrolar de eventos políticos que marcaram os últimos anos. Essa relação tornou-se de tal maneira estreita que difundiu-se a ideia de que as redes sociais seriam um aliado de peso da democracia. Mas há, contudo, um lado negro cada vez mais preocupante: censura, controlo dos cidadãos ou manipulação das intenções de voto, são receios cada vez mais associados às plataformas sociais. As queixas crescem em todo o mundo contra, não só as redes sociais como também contra o YouTube, quanto às razões que levam estas plataformas a eliminar conteúdos. Em particular, as queixas incidem sobre questões políticas. As redes sociais e o YouTube reiteram a sua luta contra publicações associadas ao discurso de ódio. Mas aqui, há espaço para uma interpretação abrangente que leva a que muitas publicações de cariz político contra corrente e sem conexões com o discurso de ódio sejam muitas vezes eliminadas. Aliás, neste lado negro das redes sociais, é agora claro que elas se tornaram ferramentas prediletas de governos populistas ou mesmo ditatoriais para conseguirem determinados resultados políticos ou garantirem o controlo das populações. Nas últimas eleições italianas, Mateo Salvini agradeceu publicamente a vitória ao Facebook; no Brasil, o

Instagram foi amplamente usado pela candidatura de Bolsonaro para garantir a vitória, nos EUA, a britânica Cambridge Analytics foi determinante na vitória de Trump, em 2016, através do tratamento de dados de milhões de utilizadores de redes sociais. As redes sociais são agora ferramentas determinantes na vida democrática, em particular, na esfera dos protestos, manifestações e resistência pacífica. Curiosamente, o efeito tem sido contrário ao pretendido: este modo de resistência política, que se organiza agora através das redes sociais, apresenta agora uma taxa de sucesso nas suas reivindicações, desde 2010, de apenas 30%, quando durante os anos 90 essa taxa rondava os 70%. As redes sociais pura e simplesmente não conseguem gerar o efeito agregador. Ao mesmo tempo, regimes autoritários tornam-se especialistas em redes sociais. Na Rússia, por exemplo, o governo infiltrou-se nos canais de comunicações dos movimentos que se opõem ao regime, o que lhe conferiu a capacidade de se antecipar e controlar qualquer protesto. Mesmo nos EUA, a Yahoo trabalha agora com o governo para a recolha de dados pessoais dos seus utilizadores. No fundo, a crescente dependência das redes sociais, os campeões da democracia, está a conduzir à perda das liberdades mais fundamentais.

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DESPORTO / //Joaquim Diogo

Associação ROTAS DE MAÇÃO promove primeiro Plogging // O evento PLANETA A, organizado e promovido pelas Rotas de Mação, marcou o arranque das iniciativas destinadas a promover a consciência cívica e a preservação da natureza neste concelho. A caminhada decorreu em dois locais: Pego Negro do Cabril (Vale da Mua) e na zona da Bica da Cabroeira (Zimbreira), ambos na freguesia de Envendos, e contou com cerca de 10 voluntários. Ao longo dos percursos foram recolhidos e devidamente encaminhados para as entidades competentes alguns quilos de resíduos. O primeiro plogging organizado pela Associação Rotas de Mação (ARM) teve lugar na freguesia de Envendos, mais concretamente nas zonas do Pego Negro do Cabril (Vale da Mua) e na da Bica da Cabroeira (Zimbreira), na sequência de uma denúncia via facebook dando conta da existência de algum lixo nos locais. Identificadas as zonas e informadas as entidades oficiais, incluindo a empresa responsável pela recolha de lixo no concelho, o grupo avançou para o terreno. Além de vários membros da ARM, e apesar do mau tempo que

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se fazia sentir, a iniciativa contou ainda com a ajuda de alguns habitantes locais nesta recolha de resíduos, sobretudo plástico, muito plástico, inadvertidamente abandonado. A ação teve o apoio do Centro Cultural e Social de Vale da Mua, Associação Cultural e Recreativa da Zimbreira, Centro Cultural e Recreativo de Envendos, FOCO – Envendos, Pedro Pereira (Puzzle Proeza), da Junta de Freguesia de Envendos e do Município de Mação. Durante uma manhã, além dos músculos, o pequeno grupo de

JORNAL DE ABRANTES / Janeiro 2021

voluntários trabalhou também a consciência cívica. Ao juntar exercício e ecologia, o plogging parece ganhar cada vez mais adeptos a cada dia que passa. A palavra é estranha, mas já entrou no vocabulário de muitos portugueses, sobretudo aqueles que praticam desporto com regularidade, nomeadamente corridas e/ou caminhadas, e desde há uns meses começaram a ouvir falar em plogging. O termo alia jogging (corrida em inglês) e plocka upp (que em sueco significa apanhar do chão). O exercício é simples. Basta ir

apanhando o lixo que se encontra pelo caminho enquanto se corre ou caminha. O objetivo? Fazer exercício físico e ajudar o planeta, simultaneamente. Segundo o jornal The Washington Post, a ideia surgiu na Suécia em 2016 e espalhou-se por toda a Europa rapidamente, principalmente através das redes sociais. Em Portugal, tal como em vários outros países do mundo inteiro, são cada vez mais os praticantes da modalidade, até porque requer apenas força de vontade e, já agora, luvas e sacos do lixo. Depois deste primeiro evento

dedicado à ecologia, a ARM pretende dar continuidade a eventos semelhantes nos próximos meses e pede ajuda no sentido de identificar locais que necessitem da brigada de limpeza da ARM (contacto através do email geral@rotasdemacao.pt) e convida todos os que queiram juntar-se aos eventos de plogging a seguir a página de eventos da Associação no Facebook. A ARM visa contribuir assim para o despertar de uma consciência coletiva que promove, simultaneamente, a saúde individual e a sustentabilidade ambiental do nosso planeta.


PATRIMÓNIO / NOMES COM HISTÓRIA / Grupo

Teatro de S. Pedro

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//Teresa Aparício

uma nova forma de comunicar. ligados por natureza. 241 360 170 . geral@mediaon.com.pt www.mediaon.com.pt

o pintor Serra da Motta, falecido em 1943, organizou uma exposição de trabalhos seus e das suas alunas, que frequentavam um centro de desenho, por ele criado precisamente na Sociedade dos Artistas. Quando da destruição do que fora outrora a capela de S. Pedro, já dela poucos vestígios existiam. Além do edifício, apenas o sino, cujo toque os abrantinos tão bem conheceram (para além de anunciar os serviços religiosos servira também para tocar a rebate) se encontrava ainda no seu pequeno campanário, tendo sido então levado para Santa Maria do Castelo. Uma vez destruída, não demorou muito que o espaço fosse preenchido pelo imponente edifício que hoje ali vemos e que ainda mais o era na época da sua construção. Na década de quarenta do século XX, Abrantes não dispunha de uma sala de espectáculos condigna. O velho Teatro Taborda que durante muitos anos deu vida ao há muito desactivado Convento da Esperança e que por decisão régia fora cedido à Câmara em 1835, fora encerrado, porque não oferecia condições de segurança. O cinema funcionava num barracão anexo à Misericórdia, quente no Verão e no Inverno a sinfonia da chuva a bater na frágil cobertura acompanhava a música dos filmes. Os abrantinos mais activos há muito que, nos jornais da região, clamavam pela necessidade urgente de construir em Abrantes uma sala de espectáculos condigna. Em face disto, a Sociedade de Iniciativas de Abrantes, presidida pelo Dr. Manuel

Fernandes, lançou mãos à obra e a 18 de Março de 1947, foi assinado o contrato da empreitada do que seria a futura casa de espectáculos de Abrantes. O preço combinado foi de 1 387 000$00, os trabalhos iniciar-se-iam no prazo de 20 dias a partir da assinatura da escritura e passados 210 dias deviam estar concluídos. A obra esteve a cargo da Construtora Abrantina que se não cumpriu rigorosamente os dias mencionados, em pouco os ultrapassou, pois no início de 1949 já a nova casa de espectáculos estava pronta e equipada de modo a poder ser inaugurada. Edifício imponente e moderno, com traços arquitectónicos arrojados para a época, levantou acesas polémicas na altura e marcou de forma indelével a paisagem da nossa cidade. O importante evento que marcou a sua inauguração teve lugar a 19 de Fevereiro de 1949, com muita adesão da população local. Foi escolhida a companhia de Amélia Rey Colaço, com a peça de Júlio Dantas “Outono em Flor”, então em cena no Teatro Nacional D. Maria II, seguindo-se-lhe um baile de gala, com trajes a rigor que durou até de madrugada. No dia 22, teve lugar a primeira sessão de cinema. O filme escolhido foi a comédia musical “A Dama do Arminho”que só daí a uns dias seria estreada no cinema Tivoli em Lisboa. O pequeno espaço em frente da entrada principal do teatro e onde se situara em tempos o adro da igreja de S. Pedro-o-Novo, também ainda conserva o nome de Largo de S. Pedro. São as marcas do tempo na toponímia.

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Este teatro que já viveu momentos de glória, onde durante anos foram projectados filmes famosos que emocionaram e divertiram muita gente e por onde passaram artistas conhecidos dos mais variados sectores artísticos, encontra-se há já bastante tempo solitário e triste, sem público que lhe dê vida. Felizmente que agora já se vê alguma luz ao fundo do túnel, pois há uns meses atrás foi comprado pela Câmara que, esperamos dentro em pouco, irá empreender algumas obras de restauro e pô-lo de novo ao serviço da comunidade. Embora seja um equipamento muito conhecido e acarinhado pela população abrantina, poucos já sabem porque lhe foi dado este nome. O hoje denominado Teatro de S. Pedro, que originariamente se chamou cineteatro de S. Pedro, foi inaugurado em19 de Fevereiro de 1949 e o nome do apóstolo que lhe foi atribuído não foi escolhido ao acaso. No local existira anteriormente uma igreja chamada de S. Pedro-o-Novo, isto para se distinguir de uma outra mais antiga, a de S. Pedro-o-Velho, que se situara no Outeiro de S. Pedro. Sabemos que aquele pequeno templo já existia em 1731, pertencia à paróquia de S. Vicente e ali esteve sediada durante muitos anos a Irmandade dos Clérigos. Quando em Abril de 1946 se iniciou a sua demolição, para ali ser construído o Teatro de S. Pedro, já há muito que se encontrava dessacralizado. No velho edifício funcionou, durante muitos anos, a chamada Sociedade dos Artistas, também conhecida por Sociedade Artística 1º de Maio, criada em 1905, fruto dos ventos republicanos que já então por aqui se faziam sentir. Foi extinta arbitrariamente em 1940, dada a antipatia do Estado Novo por este género de instituições. Durante o seu tempo de vida foi um importante centro de convívio, recreio e cultura, possuindo uma boa biblioteca, proveniente de doações várias, devendo-se talvez o maior contributo ao Dr. António Eduardo de Moura, que em 1907 lhe legou todos os seus livros. Depois de extinta esta sociedade, os livros foram integrados na Biblioteca Municipal. Também neste centro cívico funcionaram vários cursos. Em 1910,

Janeiro 2021 / JORNAL DE ABRANTES

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SAÚDE / Mais 80 novos profissionais nos quadros do CHMT

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O Centro Hospitalar do Médio Tejo,EPE (CHMT), vinculou até ao final do mês de dezembro, 66 novos profissionais de saúde, de diferentes categorias ligadas diretamente à prestação de cuidados. Um reforço de pessoal que “é mais um expressivo contributo para a contínua melhoria da prestação de cuidados de saúde e atendimento à população abrangida pelo CHMT, EPE”. Em comunicado, o CHMT refere que estas contratações, “conseguidas em estreita colaboração com o Ministério da Saúde e com a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, com integração no quadro de pessoal, só são possíveis devido à rapidez do reforço de Recursos Humanos que o CHMT, EPE, levou a cabo no início da pandemia, desde logo, a partir mês de março”. A entrada destes profissionais contribuiu, ao longo dos últimos nove meses, para a resposta na organização dos diferentes serviços face ao Plano de Contingência à Covid-19, e permite agora a possibilidade de vincular estes mesmos profissionais com inclusão nos quadros de pessoal do Centro Hospitalar, em diferentes categorias tais como enfermeiros, assistentes operacionais, técnicos de diagnóstico, entre outros grupos profissionais. Além da vinculação destes 66 profissionais, o Centro Hospitalar do Médio Tejo, EPE, no mês de dezembro, concluiu ainda os processos de contratação de cerca de 14 novos médicos, entre os quais dois especialistas de Pediatria (situação que há muito não acontecia), três especialistas de Medicina Interna, três especialistas de Cardiologia, dois especialistas de Psiquiatria, um especialista de Nefrologia, um especialista Oftalmologista e um especialista em Medicina no Trabalho, entre outras especialidades. Foi ainda possível contratar uma especialista em otorrinolaringologia, especialidade com particular relevo, pois até à data existiam no CHMT, EPE, apenas dois médicos com esta especialidade. Esta contratação possibilita a redução da lista de espera nesta especialidade cirúrgica “que é particularmente procurada por crianças e idosos”.

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JORNAL DE ABRANTES / Janeiro 2021

Qualidade do ar interior em tempos COVID-19 / Elsa Duarte Curado / Técnica Superior de Diagnóstico e Terapêutica / Saúde Ambiental Uma boa qualidade do ar interior (QAI) é tida como um dos parâmetros que mais contribui para a produtividade, conforto, saúde e bem-estar. No âmbito da pandemia que atualmente se instalou, em termos de QAI o que interessa é baixar tanto quanto possível a contaminação a que as pessoas possam estar expostas. A ventilação com entrada de ar novo permite diminuir a exposição à carga viral que possa existir no ambiente, a partir de um potencial infetado. A adoção de práticas seguras é essencial para garantir uma boa QAI. Neste sentido, é importante ter em atenção algumas medidas simples e gerais, nomeadamente: ÎÎ Renovar frequentemente o ar interior dos espaços, abrindo as janelas durante o dia e sobretudo durante a realização de algumas atividades como por exemplo durante e após a prática de exercício físico e durante a realização de pinturas. ÎÎ Modificar atitudes dos ocupantes, como por exemplo: ÎÎ Evitar comportamentos não essenciais como fumar, acender velas, ambientadores ou purificadores de ar. ÎÎ Reduzir a exposição prolongada a um determinado espaço. ÎÎ Fechar a tampa das sanitas durante a realização de descargas para minimizar a libertação de gotículas e resíduos de gotículas para o ar. ÎÎ Proceder à limpeza e desinfeção dos espaços de acordo com as orientações da DGS e promover a abertura de janelas e evitar a permanência imediata nessa divisão, após realizar as operações de higienização. ÎÎ Manter boas praticas de operação e manutenção dos sistemas de climatização. Neste âmbito: ÎÎ Propor se possível a ventilação 24 horas por dia, 7 dias por semana, nos espaços mesmo com taxas de ventilação reduzidas (mas não desligadas) enquanto as pessoas estiverem ausentes. ÎÎ Recomendar o fecho das portas de comunicação dos diversos setores que são servidos por diferentes unidades de tratamento de ar, evitando a possível contaminação cruzada. ÎÎ Utilizar os sistemas apenas no modo de extração, nunca em modo de recirculação do ar. ÎÎ Adotar cuidados quando viajar de carro, nomeadamente: ÎÎ Utilizar máscaras, quando viajarem duas pessoas sobretudo se ambas forem no banco da frente. ÎÎ Manter uma abertura simétrica das janelas laterais do veículo para promover o padrão normal de escoamento no interior do veículo e evitar a contaminação de um lado para o outro.

CONSERVATÓRIA DO REGISTO CIVIL, PREDIAL, COMERCIAL E CARTÓRIO NOTARIAL DE SARDOAL CERTIFICO, narrativamente para efeitos de publicação, que no dia onze de dezembro de dois mil e vinte, foi lavrada uma escritura de Justificação, exarada de folhas sessenta e nove a folhas setenta e três do Livro de Notas para escrituras diversas número Cento e três — D, na qual Augusto da Conceição Timóteo, e mulher Maria Hélia do Rosário Pimenta, casados sob o regime da comunhão geral, residentes na Estrada Principal, no 291, Entre Serras, Mouriscas, Abrantes, DECLARARAM que são donos e legítimos possuidores, com exclusão de outrem, dos seguintes prédios não descritos na Conservatória de Registo Predial de Mação e de Abrantes. - Prédios situados na freguesia de PENHASCOSO, concelho de MAÇÃO: 1) Rústico, sito em Conheira, composto por Olival, solo subjacente de cultura arvense em olival, cultura arvense de regadio, mato e pinhal, com a área de oito mil quinhentos e quarenta metros quadrados, a confrontar a Norte com Maria Regina Clara Lourinho Marques e Herdeiros de Francisco Pedro Paisana e outros; Sul João Lourenço e Clementina Clara de Matos Serrenho; Nascente Arsénio Gomes Marques e Clementina Clara de Matos Sreenho e Poente Ribeiro, inscrito na matriz sob o artigo 2 secção IAL; ---2) Rústico, sito em Quinta dos Merlos, composto por Mata, com a área de oito mil setecentos e sessenta metros quadrados, a confrontar a Norte com Ribeira das Boas Eiras, Sul com Caminho, Nascente Herdeiros de Augusto Fernandes e Herdeiros de Francisco Maia e outro e Poente com Herdeiros de Manuel Marques Godinho, inscrito na matriz sob o artigo 53 secção IAN; ---3) Rústico, sito em Outeiro do Galo, composto por Mato, com a área de dois mil novecentos e quarenta metros quadrados, a confrontar a Norte com Arsénio Rosa da Anita e João Rito da Anita, Sul com Maria do Céu Lopes Bica, Nascente com Maria Fernanda Canas de Matos e Poente com Paulo Batista Maia Marques e outro, inscrito na matriz sob o artigo 73 secção IAM; união de freguesias de Mação, Penhascoso e Aboboreira, anterior artigo 73 secção AM da extinta freguesia de Penhascoso. ---4) Rústico, sito em Barrada, composto por Mata, com a área de dois mil quatrocentos e quarenta metros quadrados, a confrontar a Norte com Caminho e Manuel Pereira Matos, Sul com Ribeiro, Nascente com Arsénio Rosa da Anita e João Rito da Anita e Poente Construmação — Construções e Terraplanagens, Unipessoal, Lda, inscrito na matriz sob o artigo 154 secção 1 AO; 5) Rústico, sito em Corga Cega, composto por Pinhal, com a área de dois mil metros quadrados, a confrontar a Norte com Caminho, Sul e Poente com Isilda da Conceição Rosa Timóteo Cruz e Nascente com Maria Isabel Gomes Marques dos Reis, inscrito na matriz sob o artigo 116 secção IV, união de freguesias de Mação, Penhascoso e Aboboreira, anterior artigo 116 secção V da extinta freguesia de Penhascoso;---Prédios situados na freguesia de MOURISCAS, concelho de ABRANTES. 6) Rústico, sito em Covas, composto por cultura arvense e sobreiros, com a área de seis mil seiscentos e oitenta metros quadrados, a confrontar a Norte com Caminho, Sul com Benjamim Pimenta , Nascente com Augusto Pereira de Matos e outro e Poente com Severino da Silva Bento, inscrito na matriz sob o artigo 21 secção B; 7) Rústico, sito em Covas, composto por mato e pinhal, com a área de dois mil duzentos e quarenta metros quadrados, a confrontar a Norte com Limite da freguesia de Alcaravela, Sul com Herdeiros de Luizio Marques Branco, Nascente com Herdeiros de Luizio Marques Branco outro e Poente com Luis Manuel Ladeira Rego, inscrito na matriz sob o artigo 30 secção B; 8) Rústico, sito em Horta dos Veiros, composto por mato e pinhal, com a área de trinta e oito mil quatrocentos e oitenta metros quadrados, a confrontar a Norte e Sul com Caminho, Nascente com Elisa Neves Carda, Mário Jorge Milho e António Lopes Carda e Poente com Aida Pereira Esperto dos Santos Jorge, inscrito na matriz sob o artigo 36 secção C; 9) Rústico, sito em Lameirancha, composto por mato e pinhal e cultura arvense, com a área de trinta mil quatrocentos e oitenta metros quadrados, a confrontar a Norte com Estrada, Sul com Fernando Manuel Graça de Matos Lopes, Nascente com José Alberto de Jesus Dias Duque e Caminho e Poente com Caminho, inscrito na matriz sob o artigo 67 secção C; 10) Rústico, sito em Cimo do Vale, composto por cultura arvense, citrinos, figueiras, oliveiras e mato, com a área de três mil quarenta metros quadrados, a confrontar a Norte e Nascente com Adélia Maria de Matos Bica, Sul com Alda Maria de Matos Bica e Maria do Céu Lopes Bica e Poente com Caminho, inscrito na matriz sob o artigo 11 secção D; --- 11) Rústico, sito em Varzea da Aroeira, composto por mato e pinhal, com a área de dois mil setecentos e vinte metros quadrados, a confrontar a Norte com Estrada, Sul com com Herdeiros de Joaquim Oliveira Rodrigues e Evangelina Canas Serras Silva, Nascente Arsénio Gomes Marques e Poente com Jerónimo Pereira, inscrito na matriz sob o artigo 22 secção F; 12) Rústico, sito em Rio Frio, composto por duas dependências agrícolas, mato, oliveiras, pinhal, olival, cultura arvense de regadio, figueiras, pastagem ou pasto, cultura arvensee citrinos, com a área de quarenta e seis mil metros quadrados, a confrontar a Norte e Nascente com Limite da freguesia de Penhascoso, Sul com Francisco Reis, Maria do Céu Lopes Bica e Herdeiros de António Lourenço Pereira e Poente com Fernando Lourinho Casola Martins, Maria dos Anjos Jesus Bica Dias e outro, inscrito na matriz sob o artigo 45 secção F; --- 13) Rústico, sito em Telheiro, composto por cultura arvense e mato, com a área de mil oitocentos e quarenta metros quadrados, a confrontar a Norte com Estrada, Sul com Aida Pereira Esperto dos Santos Lage e Herdeiros de António Dias Casola, Nascente com Arsénio Gomes Marques e outros e Poente com Abilio Lopes Clérigo, inscrito na matriz sob o artigo 54 secção F; 14) Rústico, sito em Alagoa, composto por mato, oliveiras e cultura arvense, com a área de oito mil e quarenta metros quadrados, a confrontar a Norte com António Manuel Cruz Lopes, Herdeiros de Amável Pereira Marques Bica e outro, Sul com Estrada e F. Ramada II- Imobiliária, S.A., Nascente com Alipio de Matos Fernandes e Poente com F. Ramada II- Imobiliária, S.A, inscrito na matriz sob o artigo 25 secção G; 15) Rústico, sito em Corticinho, composto por dependência agrícola, mato, cultura arvense e oliveiras, com a área de onze mil e duzentos e oitenta metros quadrados, a confrontar a Norte com Manuel Lopes Paulo, Sul com F. Ramada II- Imobiliária, S.A, Nascente com Herdeiros de Maria Helena Cadete Mendes Filipe e F. Ramada II- Imobiliária, S.A e Poente com Francisco Chambel, inscrito na matriz sob o artigo 14 secção H; --- 16) Rústico, sito em Entre Serras, composto por cultura arvense e construção rural, com a área de mil e oitenta metros quadrados, a confrontar a Norte com Herdeiros de Armando Inácio, Sul e Poente com José Joaquim Chambel e Nascente com Herdeiros de Severino da Silva Bento e Augusto da Conceição Timóteo, inscrito na matriz sob o artigo 106 secção B. ---Que os referidos prédios, com a indicada composição, vieram à posse, dos justificantes, por Partilhas verbais efetuadas por volta do ano de mil novecentos e oitenta, sendo os primeiros cinco prédios por Partilha verbal de seus pais e sogros Manuel Timóteo e mulher Conceição Maia, casados que foram na comunhão geral e residentes em Lercas, Mouriscas, e os restantes prédios por Partilha verbal de seus pais e sogros António Pimenta e mulher Engrácia do Rosário, casados que foram na comunhão geral e residentes em Entre Serras, Mouriscas, não tendo porém, sido reduzidas a escritura pública as referidas partilhas.---Que desde essa data, em que se operou a tradição material dos prédios, passaram a trata-los como se fossem seus, nomeadamente, cultivando-os e colhendo os respetivos frutos, a usufruir de todas as suas utilidades e rendimentos, a suportar os seus encargos, agindo com a convicção de serem proprietários daqueles imóveis e como tal sempre por todos foram reputados. ---Que nos termos expostos, vêm exercendo a posse sobre os mencionados prédios, com as indicadas composições, ostensivamente, à vista de todos, sem oposição de quem quer que seja, em paz, continuamente, há mais de vinte anos. ---Que assim e dadas as características da sua posse, adquiriram os identificados prédios por usucapião, que aqui invocam por não lhe ser possível provar, pelos meios extrajudiciais normais, a aquisição do seu domínio e posse. 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Tel.: 241 379 850 Fax: 241 379 859 Av. 25 de Abril, 675 2200-299 Abrantes Portugal geral@abranfrio.pt

NUTRICIONOSTA DRA. MARIANA TORRES

ENFERMAGEM ENF. MARIA JOÃO LANÇA; ENF. BRUNO FERREIRA; ENF. HUGO MARQUES

OBSTETRÍCIA/GINECOLOGIA DRA. LÍGIA RIBEIRO; DR. JOÃO PINHEL

FISIOTERAPIA/OSTEOPATIA DRA. PATRICÍA MASCATE

OFTALMOLOGIA DR. LUÍS CARDIGA

OSTEOPATIA DR. GONÇALO CASTANHEIRA

PENEUMOLOGIA DR. CARLOS LOUSADA PROVA F. RESPIRATÓRIA TÉCNICA PATRÍCIA GUERRA PSICOLOGIA DRA. ODETE VIEIRA; DRA. ANA TORRES PSIQUIATRIA DR. CARLOS ROLDÃO VIEIRA; DRA. FÁTIMA PALMA REUMATOLOGIA DR. JORGE GARCIA TERAPIA DA FALA DRA. SUSANA CORDA UROLOGIA DR. RAFAEL PASSARINHO

Janeiro 2021 / JORNAL DE ABRANTES

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Jornal de Abrantes - janeiro 2021  

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