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Reportagem /

//COLINAS DO TEJO

Reencontrar ritmos perdidos, amar a natureza, viver a vida Ir ao encontro das Colinas do Tejo é mergulhar no mundo rural e florestal da freguesia de Mouriscas. Temos de passar os lugares de Cascalhos e depois o Casal dos Cordeiros e a Rua da Bica. Temos de perder o alcatrão e, por um caminho estreito, fazer mais uns metros seguindo os postes de cimento da luz até encontrarmos os dois únicos pedaços de cimento do complexo turístico. São os portões das Colinas do Tejo. É, claro está, uma colina, que depois de subirmos ao topo podemos descer, passar a linha de caminho de ferro da Beira Baixa, para encontrarmos as águas calmas do Tejo. Terá sido este percurso simpático que num simples olhar levou João Eduardo Gouveia e a mulher, Paula, a ficarem apaixonados e a decidir que era mesmo ali que iriam implementar a ideia de criar um espaço de turismo agro-florestal cem por cento amigo do ambiente. “Podíamos ter ido para a Lousã ou Mangualde, onde herdei propriedades, mas este foi eleito o local perfeito para o projeto. E o tempo deu-nos razão”, explicou ao JA João Gouveia à porta das suas “colinas”. Já lá

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vão cinco anos quando decidiram criar o projeto. João contou que foi um processo simples, tinham de ter água, floresta e possibilidade de uma vida sustentável. Depois reuniram com as três autarquias e a de Abrantes, de acordo com os seus planos municipais, liderada, na altura, por Maria do Céu Albuquerque, foi a que deu as melhores garantias. “Como a Paula (aponta para a mulher) tem raízes ali no Souto pareceu-nos a melhor opção”, justificou o ex-professor e vereador em Alcácer do Sal e agora empresário turístico. As colinas assentam no turismo ambiental em espaço agro-florestal. Tem duas casas de madeira totalmente amovíveis, ou seja, sem fundações ou ligações à terra. Cada casa está equipada com quarto, casa de banho, e cozinha/sala. Têm todas as comodidades de uma qualquer unidade turística. Fogão, frigorífico, micro-ondas só não tem televisão e ar condicionado. “As casas foram feitas com madeira que veio da Rússia e a sua disposição permite, mesmo no pino do verão com 40º graus, abrir as janelas e de forma natu-

JORNAL DE ABRANTES / Junho 2019

ral arrefecer o interior”, contou João, mostrando de seguida, com orgulho, a vista que se tem quando se abrem as janelas da sala: O rio Tejo no seu esplendor e mata, zona rural. Lá mais para diante pode ver-se a chaminé da Central do Pego. Mas não inviabiliza a paisagem natural. Fora das duas casas, as redes presas às oliveiras e as mesas e cadeiras, de madeira, numa esplanada com vista para o rio convidam a uns finais de tarde fantásticos. “Este projeto foi todo desenvolvido com capitais próprios e pretende ser auto-sustentável”, sublinha João Gouveia que acrescenta já estar a produzir azeite totalmente biológico das oliveiras da propriedade. “Criamos programas para a apanha da azeitona, que é moída no lagar da cooperativa das Mouriscas, pelo que criamos riqueza local”, destacou com a ressalva de que muitas vezes encaminham grupos para os restaurantes da zona, O Castiço e o Serralves em Mouriscas, o Aquapolis em Abrantes ou o Bigodes na Ortiga. Descendo a colina, de volta à entrada, encontramos as árvo-

res de fruto que vão crescendo, já plantadas pelo João e equipa. Há um outro edifício de casas de banho, mini-bar que dá apoio a toda a zona de campismo: “Já aqui tivemos grupos e escolas a acampar com atividades ligadas à natureza ‘selvagem’ e temos vários desportos de lazer”, explicou apontado ainda as bicicletas de BTT que qualquer cliente pode usar. Depois também tem nos kayakes outra possibilidade mil visitantes, de atividades: “Aqui é possível em cinco anos, construir um kayak, temos essa visitaram as Colinas experiência. Podemos consdo Tejo, local onde truí-lo de acordo com todas as é possível construir normas de segurança e ir ali ao um kayak e Tejo fazer as experiências ou até experimentá-lo mesmo fazer canoagem”, salienno rio Tejo tou João Gouveia apontando o pequeno lago das rãs, a horta onde crescem as favas, o palco para a música ao vivo ou ainda o círculo do fogo de campo. “Temos tradições muito ligada aos Celtas que assinalamos, como os equinócios. É uma coisa pouco normal, um fogo de campo no meio do nada, onde se contempla o céu e se ouvem apenas os ruídos da natureza”. Saindo das Colinas do Tejo, João leva-nos pelo circuito mais selvagem de acesso à outra parte da propriedade, entre a linha do comboio e as águas do Tejo. Passamos um ribeiro onde está uma ponte de madeira e onde se assinala a passagem da grande Rota do Tejo. Depois, uma outra ponte de troncos feita por jovens. Entre canas e arbustos entramos na zona que está a ser

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trabalhada. Toda limpa, cheia de socalcos com árvores. Foi ali que construíram a cabana na árvore, uma plataforma que não “magoa” as árvores onde está encostada. “Temos a nossa praia fluvial que agora não é praia desde que construíram o travessão para a Central. Tínhamos areia até à água e agora temos a água logo aqui”, lamentou o empresário garantindo que vai avançar com a criação da praia e de condições para ter ali um rebanho de ovelhas. Já sobre a poluição prefere não adiantar muitos comentários, mas garante que a água não tem comparação com a que tivemos há um ou dois anos. As Colinas do Tejo tiveram, segundo disse, mais de dez mil visitantes em cinco anos, entre atividades lúdicas e dormidas. Trata-se de uma unidade para turistas amigos do ambiente e com poder de compra, que procuram cantos e recantos como locais de inspiração. “Já tivemos músicos norte-americanos, artistas de circo da Europa, e já tivemos clientes de todos os continentes e atividades como descidas do rio, retiros de ioga, caminhadas, caminhadas silenciosas, ou as festas do equinócio”. Entrar nas Colinas do Tejo é sair do corre-corre quotidiano e poder recuar no tempo. O tempo em que o homem vivia em sintonia com a natureza e a usava de forma sustentável e sem agressões. Jerónimo Belo Jorge

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Jornal de Abrantes junho 2019  

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