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Restauração 07

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Tranquilidade é ‘Chave d’Ouro’ na hora de um bom café Há 85 anos ao serviço da comunidade abrantina, o café ‘Chave d’Ouro’ é visto como um estabelecimento de referência na cidade. Filipe Gomes é proprietário do espaço há mais de 30 anos, procurando sempre que os clientes se sintam “tranquilos” na hora de um bom café.

RAFAEL GRAU ESTA D COMUNICAÇÃO SOCIAL

Quem desejar um café e um momento de repouso, em Abrantes, deve procurar a Praça Barão da Batalha. Numa das esplanadas, por baixo de grandes chapéus de sol brancos, Filipe Gomes, de 58 anos, está apressado a levar cafés e garrafas de cerveja refrescantes. Os cabelos até aos ombros, volta e meia empurrados para trás com a mão, revelam uma figura praticamente inconfundível junto dos abrantinos. Igualmente atarefada está Telma Dias, o grande apoio de sempre. A simpatia e a boa disponibilidade dos proprietários para com os clientes perfumam o ar agradável que se respira naquele café. Entramos no Chave D’Ouro, estabelecimento histórico e emblemático da cidade de Abrantes. “Inaugurado em 1934”, bem antes do nascimento de Filipe Gomes e dos seus próprios pais, foram eles que, “em 60, tomaram o espaço…” Nascido um ano depois, conta que o seu envolvimento no café, enquanto jovem adolescente, era a ajudar a sua mãe: “A responsabilidade pelo estabelecimento só aconteceu após o falecimento do meu pai, em 1986.” Naquela altura, sentiu que deveria virar a página e escrever uma nova história ilustrada de outra forma, dando uma cara nova ao espaço, “sem alterar o desenho original”. Hoje, as paredes espelhadas a toda a volta e a disposição da mobília de cores acastanhadas dão a sensação de grande profundidade. As mesas de madeira com superfícies em

mármore fazem tilintar os vidros das garrafas e as porcelanas das chávenas que são servidas ao longo do dia. “O que é que vai ser?” é pergunta sempre dirigida a quem entra no ‘Chave’. E de pronto lhe é trazido “o pequeno-almoço, se ainda não o tiverem tomado, um café, um chá, uma refeição ligeira”. A tranquilidade é ‘Chave D’Ouro’ num estabelecimento com reconhecimento e referência na cidade. Filipe Gomes diz que “desde sempre, neste espaço”, procurou que “fosse um local onde as pessoas pudessem sentir-se tranquilas”. Aquelas que chegam pela primeira vez a Abrantes, como os estudantes da ESTA, de imediato são apresentadas ao “Sr. Filipe” e à “Dona Telma”. Durante a semana, à hora de almoço, “ainda é o pessoal trabalhador” e pessoas mais velhas que aproveitam para tomar café antes de iniciar o período da tarde, como fazem Maria de Lurdes Carvalho e Fernanda Aparício, na esplanada, à conversa. Dizem que aquele é um local “espetacular” e

“ ”

Quem está no café por volta das dez da noite percebe que o convívio é feito ao redor das mesas

“acolhedor”, “um sítio onde a pessoa sabe que é bem recebida e se sente em casa”. Recordam com entusiasmo alguns momentos marcantes: “Venho ao Chave há uns 60 anos” – diz Maria de Lurdes Carvalho. E apontando com o indicador esquerdo para a varanda do segundo piso do estabelecimento recorda-se de “umas eleições em que eles falaram de uma destas janelas… algo que fez história, nessa altura”. Fernanda Aparício completa, lembrando as “tardes de poesia, de leitura e conversas interessantes” que o Chave D’Ouro recebia e que fizeram parte da sua juventude. Quem está no café por volta das dez da noite percebe que o convívio é feito ao redor das mesas, normalmente ocupadas por chávenas de café e/ou duas ou três cerveja. Em reunião, jovens e clientes mais velhos vão-se juntando para aproveitar a companhia e o espaço acolhedor. A televisão está sempre ligada e, se não estiver a dar futebol àquela hora, os canais de informação e de cultura geral são as opções que muitas vezes prendem os olhos da clientela ao ecrã em cima, encostado a uma das paredes, junto ao balcão. Ainda assim, Filipe Gomes lamenta que alguns importantes serviços na cidade tenham sido deslocados para a periferia. Hoje, “o grande problema na zona do centro histórico é que temos poucas pessoas a viver.” Refere também que já não existe “a hora de café”, como antigamente. “Agora, com a tecnologia, através dos telemóveis e dos computadores, as pessoas mandam mensagens umas às outras para se encontrarem. No meu tempo, ninguém telefonava a ninguém. O ponto de encontro era no café, onde se encontravam pessoas de todas as classes, os pequenos grupos de café, as tertúlias…” Filipe Gomes defende que “quanto mais estabelecimentos houver, mais gente frequenta essa zona”, não a deixando “morrer”. O Chave d’Ouro promete estar de portas abertas e “surpreender quando houver disponibilidade” para festas e ocasiões de maior convívio no espaço, que são “benéficas” para se ter o café “cheio” e “maior lucro”, mas que não permite uma aproximação tão forte dos próprios clientes quanto estes estão acostumados. O recado fica dado: “Detesto ficar nervoso e criar rotinas, gosto que as coisas sejam descontinuadas…” n

O doce aroma de Abrantes JOANA FELÍCIO ESTA D COMUNICAÇÃO SOCIAL

O aroma adocicado já paira no ar mal viramos a esquina para o Largo Doutor Ramiro Guedes, no centro histórico da cidade de Abrantes. Mesmo na esquina, depois de subir alguns degraus, encontra-se a Anita Gulosa – Casa de Chá. De ambiente acolhedor, aroma convidativo e um sorriso por detrás do balcão, com que se brinda cada nova chegada ao estabelecimento. Corria o ano de 2016 quando Ana Matos decidiu embarcar nesta doce aventura. “Sempre adorei tudo o que é doçaria, culinária e, por outro lado, sou muito aventureira. Comecei a pensar nisto quando a minha filha era pequenina, porque tinha mais tempo disponível para pensar no projeto, e só cinco anos depois é que decidi avançar” - começa por contar Ana, a proprietária do estabelecimento. Anita é o nome pelo qual Ana sempre foi carinhosamente tratada desde pequena. “Quando era miúda eu era de facto muito gulosa. Saltava para os armários dos meus avós frequentemente, eles tinham sempre doces e guloseimas para mim lá guardados e trepava até lá chegar. O meu avô estava-me sempre a chamar Anita gulosa e, pronto, ficou este o nome. Além de me pertencer, é também uma forma de homenagear os meus”, confidencia. Apesar de se chamar Casa de Chá, este estabelecimento não tem apenas chá na sua carta. Apresenta também diversos bolos, a maioria feitos por Ana, crepes, waffles, batidos, sumos naturais e gelados entre muitas outras coisas para adoçar o paladar. “Tento sempre apostar em produtos de qualidade, em produtos diferenciados das outras casas que estão aqui à volta e tentei apostar, essencialmente, num ambiente diferente”, explica a “Anita do avô”. “É um espaço onde as pessoas se podem reunir, às vezes até em grupos, pois não havia hipótese noutros estabelecimentos aqui na zona.” “Os waffles com a bola de gelado e com o topping por cima são excelentes, sem dúvida os melhores”, comenta Patrícia

Diogo, que é cliente na Anita Gulosa. “No início não achava que iríamos ter tanto sucesso com os crepes e com os waffles. Achei que os produtos chave da casa seriam outro tipo de produtos e não esses, mas a tendência revelou-se essa”, confessa Ana entre risos típicos da sua boa disposição. A hora de almoço também é muito movimentada neste espaço. Existem menus de almoço, que combinam comida saudável com uma infusão de ervas, que pode ser consumida quente ou fria. “O chá e o almoço são muito bons. É um espaço acolhedor, pode-se estudar em paz enquanto comemos um bom lanche”, elucida Ana Santos, cliente habitual do espaço, enquanto arruma os talheres no prato após a sua refeição. A decoração conta também com elementos que remetem ao próprio nome, casa de chá. Na lateral do balcão podemos observar um bule e uma chávena de louça. Os chás são uma grande aposta da Anita. Há dois ou três chás que se destacam, mas há um mais especial. “Era um chá que o meu fornecedor tinha, mas houve uma restruturação na empresa e esse chá foi eliminado. Eu tinha a lista de ingredientes dessa infusão e consegui arranjar ali a combinação perfeita.” É o ‘Oriente Português’, “uma combinação maravilhosa de ervas tradicionais e especiarias”. Não é novidade que uma casa não se faz apenas de produtos, quem dá a cara ao público também tem que ter uma motivação especial e um certo dom para envolver os clientes. Podemos dizer que Ana Matos tem esse dom: “Sempre gostei muito de trabalhar com o público. Outras experiências profissionais que tive anteriormente sempre foram em contacto com o público.” Margarida Paulino, frequentadora do espaço, confirma que “o atendimento aqui é muito bom, as pessoas que cá trabalham são muito simpáticas”. A hora de almoço aproxima-se a passos largos e Ana tem que ajudar a servir as refeições. O doce aroma característico da Anita Gulosa paira no ar e, pelo que parece, esta doçura de estabelecimento veio para Abrantes e está para ficar. n

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Jornal de Abrantes junho 2019  

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