Jornal de Abrantes - dezembro 2021

Page 1

/ Abrantes / Constância / Mação / Sardoal / Vila Nova da Barquinha / Vila de Rei / Diretora Patrícia Seixas DEZEMBRO 2021 / Edição nº 5610 Mensal / ANO 121

PUBLICIDADE

desconto* lingerie

*de 1 a 31 dezembro

Boas Festas Grupo

uma nova forma de comunicar. ligados por natureza. 241 360 170 . geral@mediaon.com.pt www.mediaon.com.pt

PUBLICIDADE

/ DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

Dossier Central do Pego

Central a carvão: O fim de um ciclo Págs. 3 a 6

PUBLICIDADE

/ JORNAL DE ABRANTES

a j


A ABRIR / EDITORIAL /

FOTO OBSERVADOR /

/ Patrícia Seixas / DIRETORA

Começou dezembro, o mês do Natal. Mês em que os corações tendem a ficar mais doces, mais solidários e a necessitar de uma maior proximidade com os outros. No entanto, parece que ainda não vai ser neste Natal que vamos poder voltar a abraçar os nossos como tanto queremos fazer, livres das amarras de um vírus que teima em não nos deixar. Mais uma vez, tentemos proceder da forma mais correta que nos for possível para que, em 2022, estas palavras pertençam definitivamente ao passado. As cidades e as vilas iluminam-se e ficam convidativas a um passeio noturno para apreciar as luzes e as cores que nos aquecem o coração. E tanto que precisamos desse ânimo. Nós, enquanto seres integrados numa comunidade, e o comércio local que gostamos de ver aberto mas que nem sempre ajudamos a que seja sustentável. Com a pandemia ainda no nosso caminho, esta poderá ser mais uma forma de solidariedade. Começou dezembro mas o novembro que findou vai ficar na nossa história, quer nacional, quer local. O 30 de novembro de 2021 fica na história de Portugal como o final do ciclo de produção de eletricidade a partir do carvão. E o dia fica também na história de Abrantes e do Pego como o dia em que fechou a Central a Carvão. Creio que todos concordam que é necessário cuidar do nosso planeta, com medidas ambientais que sejam sustentáveis. No entanto, creio que a grande maioria também concordará que a forma como se procedeu ao encerramento da Central Termoelétrica do Pego não foi, de todo, a mais correta. E não... ao contrário do que vi referido num órgão de comunicação, o Pego não vai ficar uma “aldeia-fantasma”. O Pego já era Pego muitos anos antes da Central ter chegado. E o Pego vai continuar a ser Pego, venha o vier no futuro. Uma aldeia onde a tradição ainda é vivida de forma sentida, com pessoas ciosas do seu património e com vontade de o fazer perdurar. A identidade da minha aldeia não sai sequer beliscada com a questão da Central. Obviamente que aguardamos por dias melhores, com uma vertente económica mais dinâmica pois significará um futuro mais risonho para todos. Até lá, vamos vivendo à nossa maneira, como sempre fizemos. E não nos esqueçamos que é Natal! Vamos aproveitar a época e, apesar das máscaras que já fazem parte do vestuário, vamos sorrir. Vamos enfrentar mais estas adversidades com um sorriso no rosto e acreditar num amanhã mais promissor. Voltamos em 2022. Até lá, Boas Festas para todos e sejam felizes! RETIFICAÇÃO Por lapso, na passada edição de novembro 2021, pág. 19, na peça com o título «Posse dos autarcas com o desafio a um “concelho que conjugue a tradição com a modernidade”», não foi referido o nome de Isilda Jana na lista de membros que tomaram posse na Assembleia Municipal de Abrantes.

ja / JORNAL DE ABRANTES

A APEOCA (Associação de Pais e encarregados de educação dos estabelecimentos de ensino do Oeste do Concelho de Abrantes), em parceria com a empresa ALTRI Florestal e com a Junta de Freguesia de Rio de Moinhos, criaram as condições para a criação de um mural artístico que é visível em frente ao referido centro escolar. O mural, da autoria de Francisco Camilo, é dedicado ao tema da consciencialização ambiental, ao futuro do planeta Terra que está nas mãos de toda sociedade, mas principalmente das crianças e à identidade da Freguesia de Rio de Moinhos.

PERFIL /

/ Profissão: Designer Industrial, na Hitachi Astemo Abrantes S.A e Treinador de Futebol (Crianças) Masculino e Feminino. / Naturalidade / Residência: Vila de Rei / Chainça - Abrantes / Qual é o seu maior medo? Alturas, tenho vertigens.

/ Cláudio Manuel Alves Pereira, 34 anos

/ Que pessoa viva mais admira? A minha Avó. É uma pessoa que já passou por tanto na vida, e que esteve tão mal há pouco tempo e, mesmo assim, ainda por aí anda com um sorriso contagiante e radiante na cara, completamente recuperada. / Onde e quando foi mais feliz? A felicidade não tem um “limite“...é uma pergunta difícil. Sou feliz, em vários momentos passados com a minha família ou com as crianças que treino todos os dias (feliz com a felicidades das mesmas). Contudo, tenho grandes recordações dos “Grandes Natais” em casa da minha Avó nas Fontes onde éramos mais de 60 pessoas (20 Tios e +/- 40

primos), eram grandes festas.

Veloso; Martinho da Vila; Norah Jones; entre muitos outros

/ Que talento mais gostaria de ter? / Quem é o seu herói da ficção? De conseguir viajar no tempo Dragon Ball (sobretudo ir ao passado) / Com que figura história mais / Se pudesse mudar uma se identifica? característica em si, o que Steve Jobs / Philipe Starck seria? Ser mais despreocupado. / Quem são os seus heróis da vida real? / Se soubesse que morria São os meus pais que se fartam de amanhã, o que faria hoje? trabalhar. O meu pai dorme 3 horas Uma grande jantarada, no topo por dia de há 20 anos para cá. A de uma montanha em Andorra minha mãe que é uma verdadeira e convidaria os meus familiares “guerreira” . e amigos todos. No fim calçaria os meus Ski´s e descia a última / Onde gostaria mais de viver? pista da minha vida aproveitando Em Andorra no cimo de uma aquela sensação de liberdade. montanha com os meus skis, mulher e filhos / O que mais valoriza nos seus “Amor e uma cabana =) “ amigos? A sinceridade e a frontalidade. O / Se fosse presidente de apoio deles nos maus momentos, Câmara, o que faria? porque nos bons momentos é fácil. Um grande Jantar de Natal para todas as pessoas residentes do / Quem são os seus artistas concelho de Abrantes no centro favoritos? da Cidade. Fechava a cidade para Jim Carrey; Zooey Deschanel; toda a gente conviver uns com os Red Hot Chili Peppers; Melim; Rui outros.

FICHA TÉCNICA Direção Geral/Departamento Financeiro Luís Nuno Ablú Dias, 241 360 170, luisabludias@mediaon.com.pt. Diretora Patrícia Seixas (CP.4089 A), patriciaseixas@mediaon.com.pt Telem: 962 109 924 Redação Jerónimo Belo Jorge (CP.7524 A), jeronimobelojorge@mediaon.com.pt, Telem: 962 108 759. Colaboradores Berta Silva Lopes, Leonel Mourato, Paula Gil, Paulo Delgado, Taras Dudnyk, Teresa Aparício. Cronistas Alves Jana e Nuno Alves. Departamento Comercial. comercial@mediaon.com.pt. Design gráfico e paginação João Pereira. Sede do Impressor Unipress Centro Gráfico, Lda. Travessa Anselmo Braancamp 220, 4410-359 Arcozelo Vila Nova de Gaia. Contactos 241 360 170 | 962 108 759 | 962 109 924. geral@mediaon.com.pt. Sede do editor e sede da redação Av. General Humberto Delgado Edf. Mira Rio, Apartado 65, 2204-909 Abrantes. Editora e proprietária Media On - Comunicação Social, Lda., Capital Social: 50.000 euros, Nº Contribuinte: 505 500 094. Av. General Humberto Delgado Edf. Mira Rio, Apartado 65, 2204-909 Abrantes. Detentores do capital social Luís Nuno Ablú Dias 70% e Susana Leonor Rodrigues André Ablú Dias 30%. Gerência Luís Nuno Ablú Dias. Tiragem 15.000 exemplares. Distribuição gratuita Dep. Legal 219397/04 Nº Registo ERC 100783. Estatuto do Jornal de Abrantes disponível em jornaldeabrantes.sapo.pt RECEBA COMODAMENTE O JORNAL DE ABRANTES EM SUA CASA POR APENAS 10 EUROS (CUSTOS DE ENVIO) IBAN: PT50003600599910009326567. Membro de:

2

JORNAL DE ABRANTES / Dezembro 2021


DOSSIER / Central do Pego

Central a carvão:

O fim de um ciclo na produção de eletricidade

// O 30 de novembro de 2021 fica na história de Portugal como o final do ciclo de produção de eletricidade a partir do carvão. E o dia ficou também na história de Abrantes e do Pego como o dia em que fechou a Central a Carvão. E neste dia o primeiro-ministro, o ministro do Ambiente e a ministra da Coesão Territorial apresentaram em Abrantes as medidas para a transição energética.

O

primeiro-ministro disse no dia 30 de novembro, em Abrantes, que o encerramento da unidade a carvão da central termoelétrica do Pego é um exemplo que dá “confiança” de que a transição energética é possível “sem deixar ninguém para trás”. António Costa falava no encerramento da sessão de apresentação das medidas de antecipação do Fundo para a Transição Justa que visam compensar os trabalhadores e o território do Médio Tejo pelo encerramento daquela unidade, no dia que marca o fim do uso do carvão como fonte de produção de energia em Portugal. Ou seja, 28 anos e oito meses depois de ter começado a produzir eletricidade a Central do Pego, oficialmente, fechou este ciclo de produção de eletricidade. Segundo António Costa, para a transição ser bem-sucedida não pode ter só bons resultados ambientais, mas “precisa também ser justa e ser inclusiva, não deixando ninguém para trás”, realçando o trabalho desenvolvido ao longo dos últimos meses com a empresa, com os sindicatos e com a Câmara Municipal de Abrantes. O primeiro ministro salientou a criação de condições para assegurar a inclusão dos trabalhadores no processo de transição e o surgimento de novas atividades económicas no território. Em particular, destacou o facto de estar já em funcionamento um gabinete do Instituto do Emprego e Formação Profissional para desenvolver programas de formação, reconversão e apoio ao emprego dos trabalhadores afetados. Por outro lado, lembrou que, com o encerramento da unidade a carvão da Tejo Energia, há um ponto de injeção de energia que ficou livre, estando aberto

um novo concurso para que se possam instalar novas fontes de geração de energia a partir de fontes renováveis. Lembrando que Portugal foi “o primeiro país do Mundo”, a assumir, em 2016, em Marraquexe, o objetivo da neutralidade de carbono em 2050, Costa salientou que, só o encerramento das duas centrais a carvão de Sines e do Pego, significa o cumprimento de 10 por cento desse caminho, sendo, por isso, “um marco histórico”. João Matos Fernandes disse na sessão que este foi um dia importante em Portugal pois representou o fim do ciclo da produção de eletricidade a partir do carvão. E adiantou o ministro do Ambiente que Portugal, que tem a meta da neutralidade carbónica apontada a 2050, até pode dar passos mais acelerados. O governante disse que o objetivo de chegar à produção de 80% da energia a partir de fontes renováveis até pode, de acordo com a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos, ser antecipada já para 2025. João Matos Fernandes indicou ainda que as centrais a carvão cumpriram, e bem, a sua função para a produção de eletricidade no país, mas que agora abre-se um novo caminho e que aponta às energia renováveis. E indicou as apostas que têm sido feitas na eólica e no solar. E neste último campo deixou a nota de que vai ser lançado um concurso muito grande para a construção de complexos solares flutuantes a instalar em sete albufeiras portuguesas. Já nos apoios aos trabalhadores, Matos Fernandes, pediu que estes entrem nos programas de formação para que possam ser “absorvidos” em 2022 nos projetos que venham a ser implementados nesta região, quer seja furto dos

vencedores para o ponto de injeção na rede quer para as empresas que venham a aproveitar as verbas deste Fundo para a Transição Justa. O ministro disse que, para já, são 28 os trabalhadores que a 15 de dezembro entram neste patamar. Vincou ainda que a formação profissional será genérica no início, passando a ser mais específica quando se conhecerem as novas realidades laborais no próximo ano. Matos Fernandes disse que espera que sejam criados 500 a 600 postos de trabalho com estas medidas, ou seja, que sejam criados mais empregos e que este processo resulte em reforço da economia da região e em mais riqueza. O Governo vai antecipar 90 milhões de euros de fundos europeus previstos para 2022 para as regiões afetadas pelo encerramento da refinaria de Matosinhos e das centrais termoelétricas a carvão do Pego e Sines, disse a ministra Ana Abrunhosa. De um bolo total do Fundo para a Transição Justa, que aponta a 224 milhões de euros, a ministra da Coesão Territorial revelou que 90 milhões são destinados à Zona de Matosinhos, onde encerrou a refinaria de Matosinhos, 74 milhões para a região de Sines onde encerrou a Central daquela localidade, e ainda outros 90 milhões a dividir pelo Médio Tejo e pelo Centro. E se no Médio Tejo os cerca de 45 milhões de euros destinam-se a colmatar o fecho da Central do Pego, os outros 45 milhões apontam à descarbonização das fileiras da cerâmica e do vidro. Nesta antecipação de fundos, apresentada em Abrantes neste dia 30 de novembro, Ana Abrunhosa explicou que serão antecipados 30 milhões de euros

por cada uma das regiões que serão beneficiadas pelo Fundo para a Transição Justa. A antecipação dos fundos visa apoiar os trabalhadores mais diretamente afetados pelo encerramento e reconversão das unidades do Pego, Matosinhos e Sines, mas também estimular o investimento e a diversificação económica nos territórios onde estão instaladas, disse a ministra da Coesão Territorial. "Esta antecipação do Fundo para a Transição Justa tem dois objetivos. O primeiro é apoiar os trabalhadores que estão afetados. Há uma parte dos trabalhadores da Central do Pego que vão ficar a desmantelar a unidade, mas haverá uma outra parte que irá para formação e a ideia aqui é fazermos formação profissional à medida, fazer a reconversão profissional dos trabalhadores, apoiar até empresas que queiram contratar estes trabalhadores, apoiar trabalhadores que queiram criar o seu próprio negócio", disse Ana Abrunhosa. Depois, para concretizar um segundo objetivo, foi publicado em Diário da República, neste dia 30 de novembro, um aviso de concurso que "permite às empresas apresentar propostas de investimento para este território do Médio Tejo" suscetíveis de serem apoiadas com verbas do Fundo para a Transição Justa. Serão, afirmou, "projetos que simultaneamente contribuam para absorver estes trabalhadores que agora vão ser libertados pelo encerramento da Central do Pego" e que "correspondam a investimento em áreas como a mobilidade sustentável, energias renováveis, economia circular, bioeconomia ou outras tecnologias limpas". Nas outras regiões beneficiárias des-

Dezembro 2021 / JORNAL DE ABRANTES

3


DOSSIER / Central do Pego do Pego, em Abrantes. E a EDP avança se conseguir uma proposta competitiva, afirmou o presidente executivo, Miguel Stilwell d’Andrade. A informação foi avançada aos jornalistas pelo líder do grupo EDP, à margem da cerimónia de inauguração do primeiro parque eólico da elétrica na Grécia, na quinta-feira dia 25 de novembro, quando questionado sobre a participação da empresa no terceiro leilão de energia solar, que arranca hoje. “Vamos participar, vamos analisar todos os processos de leilões que possam aparecer. […] Temos particular interesse em olhar para a parte dos híbridos, dos flutuantes, por exemplo, e estamos também a olhar para a oportunidade da central do Pego”, avançou Stilwell d’Andrade. No entanto, a decisão não está ainda fechada, uma vez que o concurso público lançado pelo Governo para a reconversão da infraestrutura decorre até às 23:59 do dia 17 de janeiro de 2022, após a prorrogação do prazo para a entrega de propostas por três meses.

PSD criticou forma como governo conduziu o processo

te fundo, manter-se-á a canalização de verbas para formação e reconversão profissional de trabalhadores e "o apoio à diversificação da base económica", afirmou a ministra. O FTJ está contemplado nos Programas Operacionais Regionais Portugal 2030, que têm de ser submetidos à Comissão Europeia até final do ano e depois "serão negociados em janeiro/fevereiro", explicou Ana Abrunhosa, tendo explicado ainda que Caberá às Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) a análise das propostas apresentadas. Manuel Jorge Valamatos, presidente da Câmara Municipal de Abrantes, vincou que a maior preocupação tem a ver com as pessoas, nomeadamente, os trabalhadores da Central que poderão ficar sem emprego. O autarca de Abrantes afirmou que a Câmara está a acompanhar este processo com toda a responsabilidade e está expectante daquilo que venham a ser os resultados dos dois processos em curso.

O futuro é já ali, em janeiro

O futuro da central termoelétrica do Pego, ou como quem diz do ponto de injeção na rede, define-se a após o dia 17 de janeiro. É neste dia que, às 23:59, que termina o prazo para a apresentação de propostas para este local. Não se conhecem as ideias, a certeza é de que não

4

JORNAL DE ABRANTES / Dezembro 2021

passará pelo carvão. De acordo com o jornal Expresso, de 27 de novembro, há já mais de 15 candidatos com projetos para a reconversão desta central, a mais de um mês do prazo final para a apresentação de candidaturas. As hipóteses multiplicam-se depois de os acionistas não terem concordado no caminho a seguir após o carvão. Trust Energy e Endesa não se entenderam quanto ao futuro do Pego e terá sido um dos motivos que levou o ministro do Ambiente a avançar com o concurso público para este ponto de injeção na rede, independentemente da empresa proprietária, a Tejo Energia, ter apresentado uma proposta para o futuro. Após concluída esta fase, as candidaturas apresentadas serão objeto de avaliação por um júri. Um dos requisitos do concurso é que apenas serão admitidas propostas que passem por energias renováveis. Mas a licitação também prevê a majoração da pontuação de propostas que mantenham os postos de trabalho. De notar que na composição deste júri estão um membro da Câmara Municipal de Abrantes e outro da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo.

EDP pondera concorrer ao Pego

A EDP está também a avaliar concorrer à reconversão da central a carvão

O deputado social democrata Duarte Marques criticou fortemente o governo e o ministro do Ambiente João Matos Fernandes pela forma como conduziu o processo de encerramento da Central Termoelétrica do Pego. Num artigo de opinião, publicado no jornal Expresso da última semana de novembro, intitulado “Pego – manual de como não encerrar uma central com os pés” Duarte Marques lembra que a unidade de produção de eletricidade a partir do carvão é a “mais eficiente de todas as termoelétricas da da Península Ibérica e a menos poluente do MIBEL (Mercado Ibérico de Eletricidade). À Rádio Antena Livre o deputado do PSD lembrou o projeto que existia da Trust Energy que pretendia fazer a queima de biomassa (florestal) numa fase de transição até à implementação da central solar e eólica para produção de hidrogénio verde. E depois adianta que o anúncio do ministro do Ambiente de que o Estado garante um ano de salários aos trabalhadores que vão ficar sem emprego é uma medida de campanha eleitoral. O deputado diz que não apresenta solução nenhuma e que é simplesmente por dinheiro em cima de um problema, mas que não acrescenta soluções de futuro para os atuais trabalhadores da unidade do Pego. Duarte Marques referiu-se ainda à decisão do governo espanhol de voltar a ativar centrais de produção de eletricidade a partir do carvão. Esta poderia ter sido uma solução até à existência de um novo projeto para o Pego decorrente do concurso público.

IEFP abre posto de atendimento na Junta do Pego

O Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) abriu, no dia 23 de novembro, um centro de atendimento dedicado aos trabalhadores da Central do Pego. Trata-se de um gabinete criado para receber os trabalhadores da unidade de produção de eletricidade que vão

ficar no desemprego com o encerramento da estrutura. Este centro de atendimento vai funcionar na Junta de Freguesia do Pego das 09 às 12:30 e das 14 às 17 horas e pretende ajudar as cerca de 150 pessoas que, direta o indiretamente, poderão ficar no desemprego. Manuel Jorge Valamatos, presidente da Câmara Municipal de Abrantes, explicou que a preocupação com as pessoas é uma das três áreas que estão a ser avaliadas e trabalhadas neste momento. Ao mesmo tempo, João Matos Fernandes, ministro do Ambiente, disse no fim-de-semana na RTP 3 que a área social é, neste altura, uma das vertentes em que existe uma grande preocupação. O presidente da Câmara de Abrantes vincou que a criação de um gabinete na Junta de Freguesia do Pego foi a melhor opção para que os trabalhadores da Central possam ter toda a informação possível assim como saídas profissionais ou de formação profissional.

PCP enviou perguntas ao governo

O PCP também se manifestou-se preocupado com o futuro dos trabalhadores da central a carvão do Pego (Abrantes), que fecha em 30 de novembro, tendo questionado o governo por medidas sociais e económicas e se considera suspender o encerramento. Numa pergunta dirigida ao ministro do Ambiente e Ação Climática, através do presidente da Assembleia da República, o deputado do PCP eleito por Santarém, António Filipe, começou por referir que “o encerramento da Central Termoeléctrica do Pego está previsto para o final de novembro de 2021, havendo já dezenas de trabalhadores que receberam cartas de despedimento”, tendo feito notar que este encerramento “terá lugar num quadro de enorme incerteza para todos os trabalhadores” da central a carvão, a última ainda a funcionar no país. “Não se sabe qual será o futuro da Central, não se sabe quando e em que termos poderá reabrir, não se sabe qual o futuro profissional dos trabalhadores envolvidos, não se sabe em concreto que medidas serão tomadas para apoiar socialmente estes trabalhadores e as suas famílias”, afirma o deputado comunista, dando conta que este encerramento “terá consequências negativas não apenas para os trabalhadores diretos e as suas famílias”, mas que “afeta também dezenas de postos de trabalho indiretos e a economia da região de Abrantes”, onde a central se insere, no Médio Tejo, distrito de Santarém. António Filipe refere ainda na pergunta dirigida ao governo que, “recentemente, o presidente da Câmara Municipal de Abrantes anunciou a existência de 45 milhões de euros do Fundo de Transição Justa destinados a apoiar a região perante as consequências negativas do encerramento da Central, mas de concreto, nada se sabe a esse respeito”, tendo o deputado do PCP colocado três perguntas ao ministro do Ambiente. As respostas poderão ter sido dadas, indiretamente, na sessão de apresentação das medidas para o Fundo da Transição Justa, no dia 30 de novembro.


DOSSIER / Central do Pego

Trabalhadores inconformados com este processo Trabalhadores manifestaram-se e pediram suspensão do encerramento Os trabalhadores da Central Termoelétrica do Pego, em Abrantes, a única ainda a funcionar a carvão em Portugal, exigiram ao Governo que “reverta a decisão de encerramento” daquela unidade. No dia 13 de novembro no centro histórico de Abrantes, em frente à Câmara Municipal e perante cerca de uma centena de trabalhadores, nas palavras de ordem reclamava-se por “prestação de contas e garantia do dia de amanhã” e pela “manutenção dos mais de 150 postos de trabalho” da central a carvão, a par de uma outra frase onde

se lia que a “transição não pode ser destruição do emprego e da economia nacional e regional”, numa manifestação convocada pelo Siesi – Sindicato das Indústrias Eléctricas do Sul e Ilhas, da CGTP-IN. “Todos nós sabíamos que a licença acabaria agora, mas não era por isso que a central deixaria de produzir energia, pelo que era preciso antecipar e salvaguardar o futuro destes cerca de 150 trabalhadores, entre diretos e indiretos, coisa que o Governo, apesar do nosso constante alerta, não conseguiu assegurar até hoje, dando conta que apenas no dia 30, data de encerramento da central, irá anunciar algumas medidas e projetos”,

disse naquele dia aos jornalistas o coordenador do Siesi, Luís Santos. O dirigente sindical disse ainda que a central se foi “tentando adaptar para a biomassa”, lembrando que é “um projeto que existe” e que “dá algumas garantias de emprego”. “Independentemente de quem ganhe o concurso público para atribuição do ponto de injeção de energia, o que queremos é a manutenção dos postos de trabalho e do desenvolvimento da região”, acrescentou, insistindo na necessidade de suspensão do encerramento da central até haver garantias do futuro da empresa e dos trabalhadores. Rui Alcobia está na Central do

Pego desde o início. Deixou a EDP para entrar na unidade de produção de eletricidade, quando ainda só funcionava a carvão. E sente-se revoltado por uma decisão do governo que deixa 150 trabalhadores ás portas do desemprego. E um dos lamentos do Rui é a reentrada no mercado laboral. Como eletricista de profissão está desatualizado por mais de 20 anos de trabalho na produção de eletricidade. Neste momento há dúvidas sobre o futuro, tanto mais que uma nova unidade de produção só terá novidades para março de 2022, pois do final do concurso público (17 janeiro) até ser conhecido o vencedor ainda decorrerá algum tempo.

Paulo Antunes tem tantos anos de trabalho como os da unidade de produção de eletricidade. No dia da manifestação não sabia o que vai acontecer aos trabalhadores que estão na unidade a carvão. E acrescenta que com estes atrasos todos a Central poderia continuar a laborar até haver uma decisão final do concurso público. A dúvida era perceber o que vai acontecer aos empregados da Tejo Energia. Dulce Paulo é uma das empregadas da empresa que faz a limpeza da Central. O seu posto de trabalho poderá vir a ser afetado, indiretamente, pelo fecho da unidade elétrica. Até agora ninguém lhe disse nada sobre o futuro, mas tal como os empregados da elétrica está muito preocupada com o seu futuro e dos colegas que estão na mesma situação. Soube-se no dia 30 de novembro que todos os trabalhadores terão um ano de ordenados garantidos pelo Fundo Ambiental e deverão entrar em programas de formação profissional. E em 2022, a expetativa é que estes trabalhadores, ou grande parte deles possam entrar noutras empresas que venham a ser instaladas na região ou, até mesmo, na empresa ou consórcio que ganhar o concurso para o ponto de injeção na rede, cujo concurso público termina a 17 de janeiro de 2022. Jerónimo Belo Jorge PUBLICIDADE

Dezembro 2021 / JORNAL DE ABRANTES

5


DOSSIER / Central do Pego

Do arranque da primeira árvore em 1988 ao início da produção em 1993 Corriam os primeiros anos da década de 80, ano de grandes transformações em Portugal e no mundo. E foi por esses anos, até 1985, que se começou a falar numa possibilidade de ser construída em Abrantes uma central que iria produzir eletricidade a partir do carvão. E logo nessa altura foi-se instalando a polémica com grupos favoráveis à evolução, outros desfavoráveis por causa de uma alegada carga poluente que a unidade viria a causa. E depois havia os que procuravam saber o que era isto de uma central “térmica” ou “termoelétrica” e, mesmo ao lado, aqueles que eram completamente indiferentes e alheados em relação aquilo que poderia mudar muito do concelho de Abrantes. A central, diziam, vinha “corrida” de outras possíveis localizações, mas assentou, de estaca, em Abrantes. Por alturas de 1985 começaram a ser apontadas as linhas gerais do que poderia ser esta unidade e mostravam-se as primeiras cartas topográficas com a, ainda hipotética, localização da central. Foram muitas reuniões entre a EDP, que construiu a central, o Governo e as entidades locais, com a Câmara Municipal, à cabeça. E em 1986, a 15 de outubro, a Câmara Municipal de Abrantes dava o SIM à construção da Central Termoelétrica, no Pego. E o presidente da Câmara de Abrantes da altura, José Bioucas explicava: “Chegámos a uma conclusão unânime que o sim era vantajoso para o desenvolvimento da região e do país do que o não”. Depois do processo administrativo e respetivo licenciamento há um primeiro marco físico do início da história da Central do Pego. Às 15 horas e 28 minutos do dia 9 de dezembro de 1987, quase um ano depois da aprovação na Câmara de Abrantes, uma buldozer da empresa abrantina, A. Mendes irrompeu pelo terreno adquirido pela EDP, no Pego, e arrancou a primeira árvore. Era um dia histórico para o concelho de Abrantes. Seguiu-se todo o processo de limpeza dos terrenos para implementação da Central e, paralelamente, iniciava-se um outro, mais político. É que para a instalação da Central no Pego pudesse acontecer houve um conjunto de contrapartidas que a EDP apresentou à Câmara de Abrantes. Para além das rendas que viria a pagar deveria

6

construir um tabuleiro rodoviário na ponte sobre o Tejo entre Mouriscas e Alvega. Inicialmente a ponte previa o tabuleiro ferroviário para o transporte do carvão através de composições ferroviárias entre o porto de Sines e o Pego. Como tal havendo um atravessamento ficou desde logo assente que serviria para comboios e para carros. E em 5 de fevereiro de 1993, um mês antes da entrada em funcionamento da central, viria a ser celebrado um protocolo entre da EDP e a Câmara de Abrantes que passava a responsabilidade da manutenção do tabuleiro rodoviário para a autarquia. No rol das contrapartidas estava um pavilhão desportivo, no Pego, o Centro Cívico (posto médico e junta de freguesia) do Pego, a cedência a esta freguesia da azeitona, lenha e cortiça da propriedade que não iria ser alterada para a unidade industrial. E entre todos estes apoios protocolados, na altura muitos outros existiram por parte das empresas que construíram toda a estrutura e que não ficaram oficialmente documentados. Em 31 de janeiro de 1988 começaram os trabalhos de construção

JORNAL DE ABRANTES / Dezembro 2021

civil e a 30 de outubro de 1989 foi montada a primeira caldeira para queima do carvão. A 9 de agosto de 1991 foram feitos os primeiros ensaios, em 31 de janeiro de 1992 estaria construído o tabuleiro ferroviário da ponte sobre o Tejo, e a chaminé estaria dada como terminada 27 de janeiro de 1992. O primeiro comboio que fez o transporte de carvão a partir de Sines atravessou a nova ponte no dia 12 de julho de 1992. No interior da Central do Pego o primeiro vapor com a água “colhida” no Tejo chegou à turbina a 2 de novembro de 1992 e o arranque oficial, com a eletricidade a entrar na rede nacional, aconteceu a 29 de março de 1993. Esta base da Central apontou ao grupo 1. O grupo 2 viria a começar a ser construído em 1 de janeiro de 1991 e a sua conclusão terminou a 30 de setembro de 1995. Pode dizer-se que foi a partir daqui que o Pego começou a produzir eletricidade, sempre que era necessário, na potência máxima. Entre todas as questões que se levantaram do ponto de vista ambiental muito se falou e discutiu. Na altura, o secretário de Estado da Energia e Ambiente era Carlos

Pimenta que “foi da máxima exigência no que se refere à Central do Pego”. Foi desta forma que o Governador Civil da altura, Dr. Pereira da Silva, se referiu a este processo em declarações à comunicação social. Dos muitos metros de documentação consultada apontam-se as muitas queixas, depois do arranque da Central do Pego. Alegadamente a Central estaria a causar poluição que destruía vinhas e árvores de fruto. Surgiram muitas queixas de Arreciadas, Ortiga, Mação, Cadafaz, Gavião e Alvega. Por forma a aferir que a unidade não causava “destruição” de produções agrícolas a 21 de julho de 1997 um relatório do Instituto de Patologia Vegetal assinado pelo seu diretor Jorge Pinto Ganhão dá conta que os prejuízos nas culturas identificadas por causadas por geadas tardias que nesse ano ocorreram até ao mês de maio. De referir que a EDP construiu a Central do Pego, mas em novembro de 1993, sete meses depois do início da sua exploração, a vendeu à Tejo Energia, consórcio então liderado pela National Power (inglesa), Eletricité de France, Endesa e ficando a EDP com uma participação neste consórcio.

Tratou-se de um negócio de 27 milhões de contos pago através de um consórcio bancário, em escudo e marco alemão. Era presidente da Câmara de Abrantes Humberto Lopes que, em final de mandato, viria a contestar a isenção do pagamento de SISA (imposto direto que incidia sobre as transmissões, a título oneroso, do direito de propriedade) que o governo tinha concedido à empresa. Nesse sentido e no meio da contestação pediu um parecer jurídico ao gabinete de Diogo Freitas do Amaral que fez um relatório com 39 páginas em que a argumentação dava razão à Câmara de Abrantes. Só que o governo manteve a isenção não dando provimento ao que a Câmara dizia que tinha direito. Entretanto a autarquia, já liderada por Nelson de Carvalho, interpôs processos nos Tribunais Administrativos e, em paralelo, o advogado José Amaral instaurou uma ação popular, exigindo o pagamento de uma indemnização ao concelho, considerando que o município ficou lesado num valor total de mais de 50 milhões de euros. O Supremo Tribunal Administrativo, em acórdão datado de 18 de dezembro de 2002 conclui que não existe dever do pagamento de compensação financeira pela isenção do pagamento do imposto de SISA pela venda da Central do Pego. 28 anos e sete meses depois de ter começado a produzir eletricidade o 30 de novembro de 2021 fica como o marco em que a Central a carvão do Pego fechou, definitivamente. E fica a data histórica de Portugal ter deixado de produzir eletricidade a partir do carvão. Jerónimo Belo Jorge


POLÍTICA /

Alvega e Concavada avançam para repetição de eleições // E à terceira tentativa para formar a Junta de Freguesia de Alvega e Concavada voltou tudo ao início, ou seja, a devolução da palavra aos eleitores. Depois das eleições de 26 de setembro, a União de Freguesias de Alvega e Concavada viu os seus 9 mandatos serem distribuídos de igual forma pelo PS, PSD e BE. A 16 de outubro aconteceu a instalação dos órgãos da freguesia. Depois da posse dos eleitos o candidato do PS, José Felício, apresentou uma lista para o executivo de Junta de Freguesia que foi chumbada pelos eleitos do PSD e do BE. A 22 de outubro foi feita uma segunda reunião no sentido de poder eleger o novo executivo e o resultado foi o mesmo. José Felício apresentou a sua equipa e disse, na altura, que não incluía no executivo elementos dos outros partidos por uma questão de confiança. Ainda houve a tentativa de permitir ao PSD e BE assumirem a mesa Assembleia de Freguesia, ideia que foi prontamente recusada pelos dois partidos da oposição. Ficou então marcada para o dia 25 de novembro uma terceira reunião no sentido de poder ser encontrada uma solução para a Junta de Freguesia de Alvega e Concavada. A reunião realizou-se e não havendo entendimentos entre as três forças políticas os elementos das listas do PSD e do Bloco de Esquerda apresentaram renúncia ao mandato, empurrando, desta forma, a resolução da falta de entendimento para os eleitores. Armindo Silveira, do BE de Abrantes, disse que nunca o PS ou os elementos da lista da freguesia entraram em contacto com os eleitos desta força, pelo que a renúncia foi a única solução. Armindo Silveira disse ainda que esta tinha sido uma posição já assumida pelos próprios elementos da lista do BE, que são todos independentes. Agora é esperar pelos trâmites legais no sentido de ser marcado novo ato eleitoral. O PSD já reagiu em comunica-

Em três reuniões, não houve acordo e a demissão dos eleitos do PSD e BE levam a novas eleições

COMISSÃO NACIONAL DE ELEIÇÕES ESCLARECE OS PROCEDIMENTOS QUE SE SEGUEM O Jornal de Abrantes questionou a Comissão Nacional de Eleições (CNE) sobre os procedimentos a ter lugar após a demissão dos eleitos do PSD e do BE. A reposta que recebemos indica que “há lugar à realização de eleições intercalares, pese embora só possam realizar-se após seis meses a contar das eleições gerais (que ocorreram em 26.09.2021) - artigo 222.º, n.º 3 da LEOAL (Lei Eleitoral dos Órgãos das Autarquias Locais).” Depois a CNE esclarece ainda que “compete ao membro do Governo responsável pela tutela das autarquias locais a marcação do dia de realização das eleições intercalares, pelo que o facto deve ser-lhe comunicado.” Ou seja, eleições em Alvega e Concavada só após o dia 26 de março de 2022. No seguimento deste processo quisemos saber de que forma é que será feira a gestão até às eleições e à tomada de posse do novo executivo. A CNE explica que “a atividade administrativa do órgão “Junta de Freguesia”

tem que prosseguir, ainda que delimitada aos aspetos urgentes e de gestão corrente, será designada uma comissão administrativa ad hoc, até que seja nomeada a comissão administrativa prevista no artigo 223.º da LEOAL. O legislador previu duas formas de garantir “… o funcionamento do órgão executivo, quanto aos assuntos inadiáveis e correntes …”, num primeiro momento, através da constituição automática de uma comissão administrativa composta pelos membros em exercício (três membros no caso de freguesia). Imediatamente a seguir, logo que comunicada a necessidade de realizar eleição intercalar aos membros do Governo competentes, é nomeada uma comissão administrativa pelo membro responsável pela área da Administração Interna que, para o efeito, deve considerar os últimos resultados eleitorais verificados na eleição do órgão deliberativo (artigo 224.º, n.º 2 da LEOAL).”

do à renúncia de todos os elementos da lista de Alvega e Concavada. A concelhia social democrata acusa mesmo o PS de Abrantes de violar a legislação alegando que “o Presidente da Junta deve apresentar tantas propostas quantas as necessárias para que se alcance um consenso com a Assembleia de Freguesia ou com o plenário de cidadãos eleitores, conforme os casos, seja apresentando novas listas ou recorrendo à eleição uninominal dos vogais”. José Moreno Vaz disse que nunca houve dos eleitos do PS qualquer tentativa de entendimento e que, mesmo tendo o PS vencido as eleições, a votação ditou um empate dos três partidos pelo que a Junta de Freguesia deveria refletir a vontade dos eleitores. Ricardo Aparício, presidente da concelhia do PS de Abrantes, começou por refutar as acusações de violação da legislação ao dizer que o candidato vencedor apresentou as soluções que entendeu que deveria apresentar. Sem soluções governativas resta voltar a dar a palavra aos eleitores. Com a renúncia dos elementos do PSD e do Bloco de Esquerda resta agora esperar que corra todo o processo legal no sentido de serem agendadas novas eleições para a freguesia. Jerónimo Belo Jorge PUBLICIDADE

Dezembro 2021 / JORNAL DE ABRANTES

7


REGIÃO / Abrantes

Secretário de Estado da Saúde destaca 20 anos de CHMT

/ A Ressonância Magnética em Abrantes, a funcionar desde 8 de setembro, já recebeu cerca de 500 utentes

// Se o Hospital Dr. Manuel Constâncio, em Abrantes, comemorou, a 25 de outubro, o seu 36.º aniversário, o Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT) celebrou 20 anos de existência. Foi a 13 de novembro de 2001 que foi publicada no Diário da República a portaria que criava o CHMT que integra os Hospitais Distritais de Abrantes, de Tomar e de Torres Novas. Na manhã de dia 17 de novembro foram comemorados oficialmente os 20 anos do Centro Hospitalar do Médio Tejo, numa cerimónia que contou também com a inauguração oficial da Ressonância Magnética, que está em funcionamento no Hospital de Abrantes desde o dia 8 de setembro. Na presença do secretário de Estado da Saúde, Diogo Serras Lopes, o presidente do Conselho de Administração do CHMT, Casimiro Ramos, falou “de algo que era uma ansiedade das populações durante muito tempo e que eu tenho o privilégio de poder partilhar o momento convosco, dado que foram investimentos que foram preparados pelo Conselho de Administração anterior”. Adiantou que este investimento “só foi possível com o apoio incondicional das Câmaras Municipais da região e, em particular, das três Câmaras Municipais onde estão instaladas as unidades hospitalares, da CCDR Centro que permitiu a candidatura e o financiamento do FEDER num total de 2,7 milhões de euros financiados a 85% a fundos perdidos, onde está incluída a Ressonância Magnética de Abrantes mas também a remodelação da rede de águas deste edifício, cuja obra vai começar em breve, e ainda outros equipamentos em Tomar e em Torres Novas”. Casimiro Ramos reconheceu que “não fiz muito para que tudo isto acontecesse mas sei da relevância e importância que estes investimentos têm para os profissionais do Centro Hospitalar, que passam a dispor de meios bastante mais poderosos para dar resposta à população”. Para o presidente do Conselho de Administração, “essa resposta traduz-se na diminuição das listas de espera, na resolução

8

de determinadas cirurgias que agora podem ser mais rápidas, o não recurso ao exterior para fazer este tipo de exames (…) com um único foco: melhores resultados em qualidade de saúde, em prestação de cuidados à população”. No entanto, avançou Casimiro Ramos, a questão dos investimentos “não acaba aqui”, sendo este “um degrau do percurso que se faz”, lembrando que está em curso o processo de adjudicação, em fim de concurso, para a remodelação da Urgência e da Consulta Externa em Abrantes. Mas não é só, pois “temos programado para o futuro a pintura das unidades hospitalares de Torres Novas e de Tomar, toda uma requalificação técnica de mais equipamentos que permitam seguir nesta linha de aposta de remodelação dos meios disponíveis mas também na investigação, com a criação do Centro de Investigação em Tomar e com a requalificação do laboratório de Patologia Clínica para nível de segurança 3”. Casimiro Ramos adiantou ainda que “há outros projetos que temos em vista para viabilizar com o Hospital Distrital de Santarém e com o de Leiria”. O presidente do Conselho de Administração destacou que tudo isto “só é possível através do empenho e dedicação dos profissionais do Centro Hospitalar que tem sido inexcedível ao longo de todo este período e, sobretudo, naquilo que têm sido os últimos tempos”, com as dificuldades acrescidas pela pandemia. Manuel Jorge Valamatos, presidente da Câmara de Abrantes, agradeceu “o trabalho extraordinário dos profissionais do Centro Hospitalar do Médio Tejo” referindo que “não tem sido só em momentos de pandemia”. Lembrou, no entanto,

JORNAL DE ABRANTES / Dezembro 2021

que há um ano atrás o Hospital de Abrantes se tornou uma unidade de referência para a Covid-19 “para apoiar a sua comunidade, a sua região e onde foi muito patente a atitude e o esforço que fizemos para defender o país” numa altura em que “era uma questão de humanidade que estava em jogo”. Referindo-se em concreto à instalação da Ressonância Magnética no hospital, Manuel Jorge Valamatos lembrou que “já há muito anos que ouço falar deste equipamento para o Hospital de Abrantes e agora ver esta obra concretizada e ao serviço...”, evitando as deslocações que eram necessárias para conseguir fazer o exame, “é um dia de esperança para todos nós”. Fazendo ainda referência à esperada obra de remodelação da Urgência Médico-Cirúrgica em Abrantes, o autarca disse que “a comunidade de Abrantes, o Médio Tejo e até o país seguramente agradece muito que esse investimento possa surgir o mais depressa possível”.

Diogo Serras Lopes destacou o “papel absolutamente relevante” do CHMT

Já o secretário de Estado da Saúde, Diogo Serras Lopes, disse ser “especialmente grato estar aqui na semana em que o Centro Hospitalar do Médio Tejo comemora 20 anos e também a mostrar-nos o equipamento de Ressonância Magnética”. Afirmou conhecer bem a região e o Centro Hospitalar, lembrando que as suas raízes familiares estão em Tomar e Ponte de Sôr. Referiu o governante que a Ressonância Magnética instalada em Abrantes “faz parte de um pacote de cerca de 40 equipamentos que

têm sido substituídos ao longo do ano”, um investimento de mais de 55 milhões de euros. “Podermos melhorar e dar as melhores condições aos profissionais de saúde que todos os dias realizam este trabalho é a principal razão de ser de estarmos aqui”, afirmou o secretário de Estado. Diogo Serras Lopes não esqueceu os tempos de pandemia, que ainda não terminaram, e lembrou que o Centro Hospitalar do Médio Tejo “acaba por ser um mini exemplo do que é o SNS a funcionar em rede”. “Não me esqueço do papel absolutamente relevante que o Médio Tejo teve, ao permitir à região de Lisboa e Vale do Tejo mas não só, de gerir a pandemia no seu pico. O CHMT não se limitou a cumprir o seu serviço, foi muito mais além do que era o seu dever e isso salvou vidas, não tenho nenhuma dúvida. A vossa disponibilidade de receberem doentes, a vossa presença sempre constante de não querer saber se os doentes eram ou não da área de influência, foi extraordinariamente importante e é um exemplo para todo o país. Esta é a grande forma de comemorar os 20 anos”, salientou Diogo Serras Lopes. De seguida, o secretário de Estado da Saúde e restante comitiva deslocaram-se até à Unidade Hospitalar de Torres Novas onde visitaram e inauguraram oficialmente o novo equipamento de TAC – Tomografia Axial Computorizada, em funcionamento desde dia 18 de outubro. A Ressonância Magnética em Abrantes, a funcionar desde 8 de setembro, já recebeu cerca de 500 utentes, numa média de 25 pessoas por dia, com um total superior a 700 exames. Com um investimento na Resso-

nância Magnética de 1,297 milhões de euros, que se estima estar praticamente recuperado em 2 anos e meio, o aparelho de Ressonância Magnética foi cofinanciado pelo FEDER – CENTRO 2020 – Programa Operacional Regional do Centro 2014/2020, no valor de 1.102.992,05€. Já o investimento da TAC foi de 467 mil euros, um valor que estima recuperar-se em cerca de um ano.

Obras de remodelação da Urgência Médico-Cirúrgica em final de prazo de candidaturas

À margem da cerimónia, Casimiro Ramos disse à Antena Livre que “neste momento, está a terminar o prazo de apresentação de propostas dos fornecedores ao concurso que está aberto para a remodelação da Consulta Externa e para a Urgência. O prazo termina esta semana, depois passa-se à análise das propostas, à adjudicação e ao visto do Tribunal de Contas”. Durante o mês e meio que ainda falta de 2021, “poderão já ser feitos trabalhos de arrumação e preparação para a obra poder arrancar em 2022”. O presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Médio Tejo confirmou que “até ao momento ainda não há propostas” mas que “normalmente, deixam até à última hora”. O prazo das candidaturas foi prorrogado “porque são obras muito complexas” e foi necessário “dar mais elementos e esclarecimentos que pediram para formalizarem as propostas com mais detalhe”. Casimiro Ramos mostrou-se confiante no aparecimento de concorrentes a esta obra. Patrícia Seixas


SOCIEDADE / Prémios de Mérito reconhecem percurso académico de cinco alunos // Foram entregues no dia 5 de novembro os Prémio de Mérito aos melhores alunos do ensino secundário, regular e profissional, das escolas do concelho de Abrantes. A cerimónia de entrega dos Prémio de Mérito teve lugar no auditório da Escola Secundária Dr. Solano de Abreu, depois de no ano passado ter sido cancelada pelo facto de o país estar em Estado de Calamidade devido à pandemia de Covid-19. Tiago de Matos Fernandes e Inês Moço foram os alunos que se distinguiram na Escola Secundária Dr. Manuel Fernandes. Na Escola Secundária Dr. Solano de Abreu, os melhores alunos foram Alexandre Duarte e Patrícia Delgado. Já na EPDRA – Escola Profissional de Desenvolvimento Rural de Abrantes, o Prémio de Mérito foi atribuído a Mírcia Basílio. Jorge Costa, diretor do Agrupamento de Escolas N.º 1 de Abrantes falou em nome dos três diretores das escolas (Alcino Hermínio, do Agrupamento de Escolas N.º 2 de Abrantes e Marly Serras, da Escola Profissional de Desenvolvimento Rural de Abrantes). Começou por referir que “a escola está em mudan-

/ Valorizar o empenho que se traduz no mérito e na excelência dos resultados é o objetivos dos Prémios de Mérito ça e que o objetivo da escola é o de deixar de ser uma fábrica de alunos, privilegiando o desenvolvimento das competências individuais, da aprendizagem interativa, apostando na autonomia do aluno”. O diretor disse ainda que “a fa-

mília e em particular os pais dos alunos de sucesso, têm um papel fundamental no caminho e nas metas alcançadas pelos nossos alunos. Por isso, não posso deixar de enaltecer os pais dos alunos que hoje recebem os Prémios de Mérito”.

Parabenizou os alunos distinguidos “pelo caminho percorrido” e a quem os três diretores “desejam as maiores felicidades e a coragem para enfrentarem novos desafios”. Desejou ainda que “continuem a pautar-se por princípios éticos, valores morais, liberdade e responsabilidade, procurando novos destinos com a convicção de que o futuro não é um lugar para onde estamos indo, mas um lugar que estamos construindo”. Os Prémios de Mérito são atribuídos anualmente pela Câmara Municipal de Abrantes em parceria com a Tejo Energia, um protocolo celebrado em 2012. Em representação da Tejo Energia esteve Dulce Franco que afirmou ser necessário “pensarmos na escola como a construção de um futuro (…) de um caminho para chegar a algum lado que desejam”. Destacou o empenho e “a grande vontade que deve sempre prevalecer”. Desejou que o Prémio de Mérito “seja aquela força que vão necessitar para continuar a apostar no vosso futuro”. Manuel Jorge Valamatos, presidente da Câmara Municipal de Abrantes, iniciou o seu discurso lembrando que “o ano escolar que serve de referência para a atribuição destes Prémios foi um ano letivo muito complicado para toda a comunidade escolar (…) e com desafios nunca antes vividos”. Os professores

e os auxiliares de ação educativa não foram esquecidos nas palavras do autarca mas as “estrelas” do dia foram mesmo os alunos. “Este é realmente um dia importante para os nossos jovens que hoje vêm reconhecidos o esforço e a dedicação que têm dado ao seu percurso escolar. Este é um dia em que se devem sentir orgulhosos pelo trabalho desenvolvido, tal como os vossos professores, pais, educadores, familiares e amigos”, disse o presidente. Dirigindo-se aos alunos, Manuel Jorge Valamatos lembrou que “este vosso percurso individual é afetado positivamente por uma comunidade presente e ativa que vos permite estar a receber hoje, muito justamente, estes Prémios de Mérito”. O presidente da Câmara de Abrantes deixou ainda um pedido aos alunos para que “usem as vossas competências agora como no futuro, para levar convosco aqueles que tiveram mais dificuldades. Não deixem nenhum colega para trás”. Na sequência deste pedido, Manuel Jorge Valamatos declarou que “a solidariedade, o respeito, a responsabilidade e a união, são valores que caraterizam a nossa comunidade e que vos têm sido transmitidos. Esses são valores fundamentais que devem continuar a ser preservados durante a vossa vida, independentemente do cargo, profissão ou estatuto”. Patrícia Seixas PUBLICIDADE

Promoção válida de 16/09/2021 a 31/01/2022 na compra de óculos graduados completos com armações de 39€ a 159€ e lentes a partir de Bronze (exclui lentes base com antirrisco), o desconto incide sobre a armação, não acumulável com protocolos gerais e convencionados nem com outras promoções em vigor na loja. O 2.º par de óculos graduados de oferta depende das lentes adquiridas e tem o valor mínimo de 39€ (composto por armação de 14€ + lentes monofocais antirrisco). Informe-se sobre todas as condições junto dos nossos colaboradores e em www.multiopticas.pt

ARMAÇÃO GRÁTIS ÓCULOS PROGRESSIVOS

ÓCULOS MONOFOCAIS

50

-

%

ARMAÇÃO

OLHAR DE

ABRANTES Praça Barão da Batalha, 3/5 afM_Imprensa_Abrantes_MO_Dolores30_257x140.indd 1

13/09/2021 15:45

Dezembro 2021 / JORNAL DE ABRANTES

9


REGIÃO / Abrantes

Há um novo baloiço panorâmico na encosta do Castelo // Fica situado na encosta do castelo e, ao sentar-se no baloiço, pode observar toda a margem sul, o Tejo, as pontes, Rossio ao Sul do Tejo e por aí adiante. A estrutura foi instalada pela Junta de Freguesia de Abrantes e Alferrarede e faz parte de um conjunto de intervenções que estão a ser feitas em diversos locais para devolver alguns espaços ao cidadão. Se no Castelo de Abrantes têm existido uma série de intervenções nos espaços envolventes, outros locais há que também têm tido mão da junta para os melhorar, como no Bairro da Encosta da Barata. Mas comecemos pelo baloiço. Pode dizer-se que é mais um, que já há muitos. E isso é o que diz o presidente da Junta de Freguesia, Bruno Tomás, “há muitos e Abrantes tinha de ter um. Já tem”. Há uma outra intervenção que valorizou bastante o Jardim do Castelo que é a encosta de passadiços e zonas de descanso entre o parque de estacionamento dos Quinchosos e o Jardim do Castelo “E agora à mais um ‘upgrade’ com a instalação deste baloiço, feito por uma empresa da especialidade com certificado de segurança e seguro de responsabilidade civil”,

Bruno Tomás ressalvou que este espaço estava ao abandono e com esta intervenção o espaço ganhou um fim e foi devolvido ao uso dos cidadãos. O presidente só espera que a população o use e cuide dele. Mas há mais outras intervenções em curso. Na Chainça haverá uma intervenção num espaço também público que o autarca ainda não quis explicar, mas adiantou que em Casais de Revelhos vai ser construído um parque infantil com um pedaço de terreno em relva sintética para os mais novos poderem correr e praticar desportos. Aliás, Bruno Tomás adiantou que neste mandato quer instalar vários parques infantis.

Manutenção e limpeza do Jardim do Castelo e Aquapolis Norte continuam na União de Freguesias

/ Baloiço de Abrantes está no Jardim do Castelo com vista para o Tejo explicou Bruno Tomás, destacando a atratividade que todo o espaço pode ter com esta novidade. Mas as intervenções em espaço público não se ficam no baloiço. O bairro da Encosta da Barata tinha um espaço que estava ao abandono.

A Junta de freguesia criou um espaço verde, com plantação de árvores, criou uns corredores para que as pessoas possam circular ou fazer caminhadas e ainda incluiu equipamentos que permitem ao cidadão fazer exercícios físicos ao ar livre.

A União de Freguesias de Abrantes (S. João e S. Vicente) e Alferrarede vai continuar a assegurar a conservação, manutenção e limpeza do Jardim do Castelo e do Aquapolis Norte, através de um contrato interadministrativo estabelecido entre a Câmara e a Junta de Freguesia, através do qual é delegado à junta essa competência que vai vigorar até 31 de dezembro de 2021, contemplando uma comparticipação

financeira por parte da Câmara de 25 mil euros. A Junta de Freguesia de Abrantes e Alferrarede assumirá os “trabalhos de limpeza do lago do Jardim do Castelo, dos sanitários e caminhos pedonais dos dois espaços, reparação e conservação de portões, bancos, papeleiras e outro mobiliário urbano instalado no espaço, reposição de muros e escadas de acesso aos diferentes talhões do Jardim e outros trabalhos que se revelem necessários à boa utilização dos espaços”. Já os serviços da Câmara continuarão a assegurar a manutenção dos espaços ajardinados dos dois espaços. A despesa associada e a minuta do contrato administrativo a celebrar entre a Câmara e a Junta de Freguesia foram aprovados na reunião do Executivo Municipal de 2 de novembro e seguirão agora para votação na Assembleia Municipal que se irá realizar no dia 10 de dezembro. A aprovação foi por maioria, com a abstenção do vereador eleito pelo PPD/PSD. Desde 2019 que a Câmara delega esta competência na União de Freguesias da cidade, tendo-se verificado “um resultado muito positivo” do trabalho desenvolvido. Para o presidente da Câmara, a junta de freguesia “realiza esse trabalho com muita eficácia, por proximidade e capacidade de reação”, dando como exemplo a capacidade de resposta para reagir a episódios de vandalismo em espaço público. Manuel Jorge Valamatos concluiu afirmando ser notório que “os espaços estão muito bem cuidados”.

PUBLICIDADE

Vítor Moura é o novo presidente do CRIA Decorreram no dia 12 de novembro, as eleições para os Órgãos Sociais do Centro de Recuperação e Integração de Abrantes - CRIA, para o quadriénio de 2021 a 2025. O ato eleitoral decorreu nas instalações da Instituição e contou com grande afluência de associados. A urna encerrou às 19:00 horas e após contagem de votos, a lista A (única candidata) foi declarada vencedora com 83% dos votos. Após a assinatura de compromisso e Tomada de Posse dos novos elementos que constituem os Órgãos Sociais, o presidente da Assembleia Geral, José Luís Silva, dirigiu-se aos muitos associados presentes, agradecendo a sua participação na votação, “à forma ordeira como esta decorreu e em especial ao voto de confiança que o novo elenco dirigente recebeu

10

JORNAL DE ABRANTES / Dezembro 2021

DIREÇÃO Presidente: Vítor Moura Secretária: Maria Rosalina Reis Tesoureiro: Henrique Rosa Santos 1.º Vogal: Luís Agudo Rodrigues 2.º Vogal: Maria Paula dos Santos Ferrão ASSEMBLEIA GERAL Presidente: José Luís Silva Secretário: António Roseiro Vogal: Maria de Fátima Chambel decorrente destas eleições”. De seguida, dirigindo-se aos elementos da nova Direção, felicitou-os, desejando-lhe “boa sorte para o árduo trabalho que os espera” e pedindo-lhes que “se constituam como equipa, proporcionem condições para que o trabalho realizado no CRIA se projete para níveis de excelência no cumprimento da missão do CRIA”.

CONSELHO FISCAL Presidente: Luís Ablú Dias Secretário: António José Lourenço Vogal: Luís Silvério


REGIÃO / Sardoal Concurso, sorteio e muitas atividades de Natal // No âmbito da quadra natalícia e, como vem sendo hábito nos últimos anos, o Município de Sardoal, através da Biblioteca Municipal, promove o Concurso de Natal 2021 com o objetivo de promover hábitos de leitura e estimular o gosto pela criação artística e literária. Sob o tema “Cores e Afetos de Natal”, nesta edição os trabalhos devem incluir uma poesia alusiva ao tema e uma fotografia de um momento de Natal vivido ou observado pelo concorrente. A participação no Concurso é gratuita, aberta a todos os interessados, a partir dos seis anos e a entrega dos trabalhos pode ser efetuada até ao dia 9 de janeiro de 2022. A atribuição de prémios encontra-se dividida em quatro escalões: infantil: até aos 10 anos (cheque-prenda 40 euros); Juvenil: dos 11 aos 14 anos (cheque-prenda 60 euros); Júnior: dos 15 aos 17 anos (cheque-prenda 80 euros) e adulto, para maiores de 18 anos (200 euros). As obras vencedoras, divulgadas no dia 17 de janeiro de 2022, serão publicadas no Boletim Municipal e na página de Facebook da Biblioteca. As normas de participação do Concurso de Natal, assim como

/ Exposição Presépios do Mundo em 2019 mais informações sobre a iniciativa, encontram-se disponíveis no Portal da Autarquia. E o Município de Sardoal vai avançar novamente com o Sorteio de Natal no Comércio Local. Um sorteio de vales para compras no comércio local este Natal, que vai decorrer até 31 de dezembro.

A vereadora Patrícia Rei explicou que, em relação ao ano passado, há duas diferenças. “Uma prende-se com o número de vales atribuídos, que passou de três para cinco, num montante de 100 euros cada, e outra no montante para atribuição de uma senha, que mudou de 10 para 20 euros”.

A vereadora justificou a decisão com o facto de se ter verificado “uma entrega massiva de senhas no ano passado”. O número de estabelecimentos comerciais aderentes “superou bastante o do ano passado, em que tivemos 35 e este ano vamos ter 44” o que, para a vereadora, “nos deixa muito contentes”. O Sorteio de prémios será realizado na primeira reunião ordinária da Câmara de Sardoal do ano que vem. Mas há mais novidades este Natal em Sardoal. Patrícia Rei deu conta de que o gabinete de Apoio ao Empresário “leva a cabo uma iniciativa de promover Árvores de Natal no Comércio, Serviços e Associações abertos ao público”. Com 43 aderentes, “bastante mais do que no ano passado em que foram só 28 e ainda mais do que em 2019, em que foram 40”. Para Patrícia Rei, esta é uma iniciativa “que pensávamos que podia estar estagnada mas, na verdade, este ano teve um novo impulso”. O Município vai entregar pinheiro bravo apanhado no âmbito de uma operação de redução de densidade florestal para a proteção contra incêndios “e que serão acompanhados de um vaso, feito a partir de garrafões de água, decorados pela turma da Oficina da Amizade da Universidade Sénior”.

Para além destas, o Natal em Sardoal vai ainda contar com um Mercadinho alusivo à época, no Mercado Municipal, nos dias 11 e 12 de dezembro das 10:30 às 13:00 e das 14:00 às 17:30, com presença de produtores locais e Associações do concelho. Vai ainda decorrer uma sessão fotográfica “natalícia” gratuita para famílias, feita por uma fotógrafa profissional. Esta é uma iniciativa em parceria com o CLDS4G. O Espaço Cá da Terra vai acolher um workshop de macramé “Em Tempo de Natal”, no dia 4 de dezembro, das 15h às 18h. As capelas e igrejas do concelho vão ter Presépios expostos entre os dias 11 de dezembro a 5 de janeiro e está programada uma visita de autocarro no dia 18 de dezembro, com partida do Centro Cultural Gil Vicente. Ainda no CCGV, vai estar patente a Exposição Presépios do Mundo que será inaugurada no dia 18 de dezembro e uma Feira do Livro, a decorrer de 13 a 18 de dezembro. Na manhã de dia 19 de dezembro, vai realizar-se um Percurso Pedestre alusivo à quadra natalícia. E como é Natal, “a vila estará iluminada como já esteve em anos anteriores mas de uma forma mais alargada”. Patrícia Seixas PUBLICIDADE

Orfeão de Abrantes regressa ao ativo com Concertos de Natal O Orfeão de Abrantes está de regresso aos concertos após os tempos de confinamento. O Concerto de Natal 2021 em Abrantes vai contar com a participação do Orfeão do Entroncamento e vai ter lugar no dia 19 de dezembro na Igreja de S. Vicente. Esta participação resulta do intercâmbio cultural que nasceu há muitos anos entre o falecido maestro Rui Martins Picado do Orfeão de Abrantes e o maestro e diretor artístico do Orfeão do Entroncamento, Luiz Manuel Antunes. O Orfeão de Abrantes retomou as suas atividades no mês de outubro e neste momento o grupo coral tem três concertos agendados: dia 12 de dezembro na freguesia de Fundada, a convite do Município de Vila de Rei; 19 de dezembro, Concerto de Natal em Abrantes, organizado pelo Orfeão; e dia 8 de janeiro de 2022, na igreja da freguesia de Bemposta com o Concerto de Reis, organizado pelo Orfeão de Abrantes com o apoio da junta de freguesia. O Orfeão de Abrantes é uma associação que faz parte do tecido cultural do concelho de Abrantes, bem conhecida de todos. A Instituição completou em janeiro deste

ano 92 anos de existência. Hoje, com três valências em atividade, Escola de Música, Grupo Cant'Abrantes e o Coro Misto de adultos, movimenta cerca de uma centena de participantes. Após quase dois anos de interregno provocado pela pandemia de SARS-CoV-2, voltou em toda a sua plena atividade. Neste momento “com uma grande exigência, preocupação e cuidado no que diz respeito à proteção dos que fazem parte do Coro Misto do Orfeão de Abrantes e sob a direção do maestro Tiago Vitória Rodrigo temos a alegria de publicamente informar que vai realizar o seu habitual Concerto de Natal 2021”.

Dezembro 2021 / JORNAL DE ABRANTES

11


REGIÃO / Sardoal

Aprovada Estratégia Local de Habitação com investimento superior a 4 milhões // A Estratégia Local de Habitação (ELH) do Sardoal foi aprovada, primeiro na Câmara Municipal de Sardoal por unanimidade e depois na Assembleia Municipal de Sardoal por maioria, com os votos dos deputados municipais do PSD. E esta estratégia assenta em dois patamares distintos. Um deles para implementar já e que teve um exaustivo levantamento das necessidades de melhoramentos nas habitações de famílias mais carenciadas do concelho de Sardoal. Tanto nas habitações que são propriedade do Município como noutras que são propriedade privada. Este levantamento foi feito pelos técnicos do Município de Sardoal e no âmbito do programa 1.º Direito e aponta a um investimento de 2 milhões 540 mil euros. E neste caderno de encargos está a a reabilitação de cinco fogos devolutos, do Município, a que se acrescenta a reabilitação de 47 fogos de habitação social, também pertença do Município no bairro da Tapada da Torre, nos prédios do bairro Rainha Santa Isabel e Milheiriço. No mesmo documento estão ainda identificadas 15 fogos de famílias carências financeiras. De notar que nestes casos serão os proprietários das habitações a avançar com o processo de reabilitação das casas. Apesar da aprovação por unanimidade na reunião do executivo Municipal, em reunião da Assembleia Municipal de Sardoal, o deputado Fernando Vasco levantou muitas questões sobre o estado de conservação dos fogos cuja pro-

priedade é municipal porque afirmou que o relatório indica muitos muitos problemas, alguns deles de salubridade. Miguel Borges, presidente da Câmara de Sardoal, respondeu e disse que nenhum destes fogos está

sem condições de habitabilidade, mas que precisam de obras no sentido de os melhorar. Indicou ainda que o Município tem vindo a fazer intervenções nas habitações, sempre que é necessário. A Estratégia Local de Habita-

ção de Sardoal conta ainda com uma fase, ainda sem financiamento garantido, embora haja a possibilidade de poder vir a ser enquadrada no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e que aponta à criação de soluções habitacionais

para arrendamento acessível. E segundo Miguel Borges, presidente da Câmara Municipal de Sardoal, neste campo a ideia é a construção nova de 12 habitações a custos controlados. Será um investimento de 1 milhão e 600 mil euros para construção de seis fogos T2 e outros seis em tipologia T3. Esta segunda fase poderá criar condições para ajudar a fixar população no concelho, sendo que o mercado de arrendamento é muito parco no concelho de Sardoal. O Programa de Apoio ao Acesso à Habitação (1.º Direito), visa apoiar a promoção de soluções habitacionais para pessoas que vivem em condições habitacionais indignas e que não dispõem de capacidade financeira para suportar o custo do acesso a uma habitação adequada. O programa assenta numa dinâmica promocional predominantemente dirigida à reabilitação do edificado e ao arrendamento. Aposta também em abordagens integradas e participativas que promovam a inclusão social e territorial, mediante a cooperação entre políticas e organismos setoriais, entre as administrações central, regional e local e entre os setores público, privado e cooperativo. Jerónimo Belo Jorge

Autarquia quer projeto para construção de nova creche // A Câmara Municipal de Sardoal está a preparar o lançamento de um concurso para a conceção do projeto de arquitetura para construção de um edifício novo destinado à creche da vila. Ainda não é um projeto para avançar em obra, antes a preparação do projeto de engenharia e arquitetura que permita recorrer a financiamentos do PRR. O presidente da Câmara de Sardoal explicou a intenção em reunião do Executivo Municipal, no dia 10 de de novembro. O autarca explicou que “nós temos a creche a funcionar e sabemos que no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) vem financiamento para a construção de creches.” E com base nesta informação o autarca diz que a Câmara vai trabalhar para ter, na altura em que eventualmente seja aberto o procedimento possa estar o trabalho de casa feito. Ainda de acordo com Miguel Borges, muitas vezes quando

12

saem os avisos dos procedimentos de candidaturas os prazos são muito curtos de dois ou três

JORNAL DE ABRANTES / Dezembro 2021

meses. “O que estamos a fazer é o trabalho de casa nesse sentido. Preparar tudo, porque sabemos

que é uma necessidade que temos. Se queremos aumentar população temos de ter uma creche. A creche é fundamental para qualquer localidade que queira crescer.” O autarca não esquece o problema que existiu anteriormente com o encerramento da creche da Misericórdia e que levou a Câmara a avançar para a criação de uma creche municipal para evitar que as crianças tivessem de mudar de concelho. Neste momento há que dar passos em frente notou o presidente da Câmara que destacou a necessidade de construir uma nova estrutura “para já municipal, mas que pode no futuro ter uma gestão de uma Instituição Particular de Solidariedade Social.”

Miguel Borges adiantou ainda que cada vez mais se ouve falar das creches gratuitas, até por parte dos governantes, mas sublinhou que sabe que “há cada vez mais municípios a assumir a responsabilidade das creches.” O importante, para o autarca de Sardoal, é que o concelho tenha creche e que funcione com qualidade. A Câmara de Sardoal quer jogar na antecipação e quer ter o projeto de execução de uma nova creche pronto para que quando o PRR lançar os procedimentos dos concursos a Câmara de Sardoal esteja em condições de fazer a sua candidatura para poder ter um edifício novo para a sua creche comparticipado a 100%. Jerónimo Belo Jorge


REGIÃO / Vila de Rei

Expansão da Zona Industrial do Souto pode atrasar mas autarca garante que a obra vai ser feita // Na reunião do Executivo de Vila de Rei de dia 5 de novembro, o presidente Ricardo Aires deu conta que o concurso público para as obras da expansão da zona industrial do Souto ficou deserto. A comunicação surgiu na sequência da necessidade do alargamento dos espaços de coworking devido à muita procura no concelho, como começou por dizer o vice-presidente Paulo César Luís. “Para além destes que lá têm estado, várias pessoas têm contactado o Município no sentido de continuarem a usufruir do espaço”, disse Paulo César Luís. Perante esta declaração, Luís Santos, vereador eleito pelo PS, afirmou que “provavelmente, tem que se apostar nisso no futuro”. Ricardo Aires explicou que é “por isso que temos já a candidatura do CIES – Centro de Instalação de Empresas e Serviços para a Zona Industrial. É um edifício que está candidatado para termos um espaço maior do que aquele que temos atualmente pois estamos a verificar que o espaço é cada vez menor”. O presidente da Câmara adiantou ainda que “o CIES vai servir

/ Zona Industrial do Souto vai mesmo ser aumentada

também para empresas de transformação, ou seja, não são apenas serviços” e deu como exemplo alguém que queira “começar a laborar de imediato e precisa, por exemplo, de uma oficina. Durante um certo número de meses, que iremos depois colocar em Regulamento, poderá estar ali até encontrar um outro espaço”. “Agora precisamos é que os preços de mercado desçam porque os

tinha feito o pedido de audiência à presidente da CCDR, Isabel Damasceno, “para verificar se há hipótese de aumentar a nossa comparticipação ou então prorrogar a candidatura até 2023 pois a validade vai terminar em 2022”. À margem da reunião, a Antena Livre questionou o presidente Ricardo Aires acerca da situação da expansão da zona Industrial do Souto e o autarca afirmou que,

Patrícia Seixas

Município e Agrupamento de Escolas promovem campanha "Papel por Alimentos"

Pelouros foram votados e aprovados Em reunião do Executivo de dia 5 de novembro, foi dado conhecimento da designação de Paulo César Luís como vereador a tempo inteiro, assumindo também as funções de vice-presidente da Câmara. O presidente Ricardo Aires colocou ainda para deliberação a designação de outro vereador a tempo inteiro. Segundo o autarca, “com o decurso do tempo as necessidades vão-se multiplicando e a autarquia debate-se cada vez mais com novos desafios, sendo o seu leque de intervenção cada vez mais diversificado. Assim, perante esta realidade considero necessário, para além da existência de um vereador a tempo inteiro”, a designação da vereadora Rosa Martins como vereadora a tempo inteiro. A proposta foi aprovada por unanimidade. Foi também aprovado com os cinco votos favoráveis o despacho do presidente com a distribuição de pelouros. O presidente da Câmara Municipal de Vila de Rei, Ricardo Aires,

preços na construção civil estão elevadíssimos”, disse Ricardo Aires que anunciou de seguida que a empreitada colocada em concurso público para as obras da expansão da zona industrial do Souto tinha ficado deserta. O autarca deu como causa o facto de “serem números de 2020” que foi “quando a candidatura foi submetida na CCDR Centro”. Ricardo Aires adiantou que já

“neste momento, vamos averiguar qual o preço justo a que os materiais estão para analisar outra vez o projeto mas temos aqui um senão... é que trata-se de uma empreitada candidatada no âmbito do Portugal 2020 e tem aquele preço. Nem aumenta nem diminui”. Depois das diligências a que se propõe fazer, “a curto prazo, sairá novo concurso, com o mesmo montante ou não”. Ricardo Aires não se quis comprometer com novo montante da empreitada, “antes de saber algumas coisas”. No entanto, questionado se o Município poderá avançar com a obra mesmo sem a comparticipação de fundos europeus, o presidente da Câmara de Vila de Rei garantiu que “a obra vai avançar e disso não tenham dúvidas. O que vamos ver é se será de imediato ou um bocadinho mais tarde, mas vai avançar”. Quanto ao possível atraso da obra e sobre se isso irá condicionar a instalação de alguma empresa, Ricardo Aires explicou que “as pessoas que estão neste momento com uma perspetiva de investir no concelho de Vila de Rei, sabem que o concurso ficou deserto mas já lhes garanti que a obra vai avançar, de uma maneira ou de outra”.

fica responsável pelos pelouros das Finanças e Aprovisionamento; Proteção Civil; Educação; Ação Social e Saúde; Apoio à dinamização da atividade económica; Desporto/ tempos livres/ Férias Desportivas; Planeamento; Parque automóvel; Transportes. Ao vice-presidente Paulo César Luís, cabem os pelouros das Obras Publicas; Obras Particulares; Obras municipais por administração direta; Modernização Administrativa; Inovação, Informática e Informação; Associativismo; Turismo; Juventude; Entidade gestora da água e saneamento em alta e em baixa; Juntas de Freguesia; Sinalização e trânsito. Já a vereadora Rosa Martins assegura os pelouros da área Administrativa e Recursos Humanos; Património; Cultura; Apoio Jurídico; Ambiente, espaços verdes e cemitérios; Toponímica; Lagar e destilaria; Componente de Apoio à Família (CAF). Patrícia Seixas

A Campanha "Papel por Alimentos" é uma ação promovida pela Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares, com contornos ambientais e de solidariedade em que todo o papel recolhido é convertido em produtos alimentares a distribuir pelos mais carenciados. O valor obtido pela venda do papel a operadores de resíduos certificados é convertido pela Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares em produtos alimentares básicos, para distribuir localmente às diferentes instituições do concelho de Vila de Rei. A Campanha "Papel por Alimentos" integra-se num ideal mais vasto de sensibilização para a importância do papel de cada pessoa na sociedade e no mundo e para a possibilidade de recuperar e reutilizar coisas que parecem não ter valor. “É uma oportunidade para que, com um pequeno gesto, cada pessoa possa desempenhar um papel essencial na luta contra

a fome, contribuindo ao mesmo tempo para a proteção do ambiente e da natureza”. O Município de Vila de Rei, juntamente com o Agrupamento de Escolas do concelho desafiam todos os munícipes a participar doando

papel, livros, jornais, entre outros, entregando-os nos seguintes locais: Escola Básica Integrada do Centro de Portugal; Câmara Municipal de Vila de Rei; Junta de Freguesia da Fundada; Junta de Freguesia de São João do Peso; Junta de Freguesia de Vila de Rei; Estaleiro Municipal ou Unidade Móvel Esperança porta a Porta. Nestes locais pode entregar todo o tipo de papel, nomeadamente jornais/revistas; fotocópias; papel de rascunho; impressos e folhetos publicitários; envelopes; papel de fax; papéis timbrados; arquivos mortos... Esta campanha “é uma oportunidade para que cada pessoa possa, apenas com um pequeno gesto, desempenhar um papel essencial na luta contra a fome, contribuindo ao mesmo tempo para a proteção da natureza”, acrescenta o Município. No final do mês de janeiro de 2022 serão tornados públicos os resultados desta campanha.

Dezembro 2021 / JORNAL DE ABRANTES

13


SOCIEDADE /

SMA distinguidos com Prémio de Excelência e selos de qualidade de água e resíduos // Um Prémio de Excelência do Serviço de Gestão de Resíduos Urbanos (consumidor), distinção única a nível nacional, e três selos de qualidade – um para os serviços de abastecimento de água e dois para os resíduos – foram atribuídos aos Serviços Municipalizados de Abrantes pela Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR). As distinções referentes a 2020 e 2021 destacam o bom desempenho daquela que foi a 2ª entidade mais premiada do país. Os Serviços Municipalizados de Abrantes (SMA) foram a 2ª entidade mais distinguida a nível nacional nas cerimónias de entrega dos Prémios e Selos dos Serviços de Águas e Resíduos 2020 e 2021, nas vertentes de águas e resíduos. No âmbito do 15.º Fórum de Resíduos, os SMA foram galardoados com o “Prémio de Excelência do Serviço de Gestão de Resíduos Urbanos (consumidor) do ano 2020”, distinção única a nível nacional, e com os Selos de Qualidade do serviço de gestão de resíduos urbanos (ao consumidor) referentes ao ano de 2020 e 2021. No âmbito da 16.ª Expo Conferência da Água, os SMA foram agraciados com os Selo de “Qualidade exemplar de água para consumo humano – 2021”. Nas cerimónias que se realizaram em Lisboa nos dias 11 e 15 de novembro, respetivamente, estiveram presentes Manuel Jorge Valamatos, presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Ricardo Aparício, diretor-delegado dos Serviços Municipalizados de Abrantes, Sandra Rodrigues, chefe da Divisão de Resíduos Sólidos Urbanos e Mariz Marques, chefe da Divisão de Obras e Serviços de Águas dos Serviços Municipalizados de Abrantes. Na ocasião, Manuel Jorge Valamatos, considerou que “estas distinções são o fruto do trabalho que tem vindo a ser realizado ao longo dos últimos anos e que hoje os nossos Serviços Municipalizados sejam dados como exemplo nacional pelo desempenho de excelência”. Os prémios são uma iniciativa da Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos (ERSAR), organizada em parceria com o jornal Água&Ambiente, e visam distinguir as entidades gestoras que, no exercício do ano 2019 e 2020, se destacaram pelo seu bom desempenho. Ao Jornal de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos disse que estas distinção são “um motivo de grande orgulho e satisfação” e reconheceu que “fomos surpreendidos na cerimónia de entrega de prémios relativos aos resíduos sólidos urbanos. Em princípio, íamos receber o Selo de Qualidade relativos aos anos de 2019 e 2020 e fomos surpreendidos com o Pré-

14

/ Prémio de Excelência do Serviço de Gestão de Resíduos Urbanos

/ Equipa dos SMA com os prémios mio de Excelência, o que corresponde a dizer que foi a entidade gestora mais bem posicionada no país em 2019 e isso deixa-nos, obviamente, muito orgulhosos e satisfeitos com o trabalho que temos vindo a fazer”. O presidente da Câmara de Abrantes afirmou que a questão dos resíduos sólidos urbanos “é uma matéria de grande sensibilidade mas, apesar de tudo, temos feito um trabalho de forma continuada e de forma muito empenhada, que culminou com esta

JORNAL DE ABRANTES / Dezembro 2021

apreciação de várias entidades do país ligadas ao Ministério do Ambiente, ao ERSAR”. Foi então “com grande satisfação” que o Município de Abrantes viu esta distinção “que coloca os Serviços Municipalizados como uma das entidades que melhor faz esta gestão dos resíduos sólidos urbanos”. Questionado acerca do descontentamento dos munícipes relativamente ao valor das faturas de Ambiente praticadas pelos SMA, Manuel Jorge Valamatos lembrou que “antigamente, e não foi assim há tanto tempo, o lixo era depositado numa lixeira a céu aberto e era queimado. Hoje já não é assim. Temos oito carros de recolha de lixo em permanência diária na rua que levam para uma estação de transferência na Barrada e depois esse lixo é todo transportado para Avis para ser tratado. Obviamente que isto tem custos enormes”. Também a água, hoje em dia “é tratada com um pormenor e um cuidado elevadíssimo e também isso tem custos”. Contudo, Manuel Jorge Valamatos avançou que “as nossas tarifas não são das mais baratas mas também não são das mais caras e temos todas as condições para não elevar o valor das tarifas nos próximos anos. Tentamos fazer

uma gestão o mais equilibrada e racional possível para não penalizar as pessoas”. A tonelada do lixo vai aumentar de preço em 2022 “com um acréscimo de custos aos Serviços Municipalizados e isso vai-se repercutir nas tarifas dos nossos munícipes. O que procuramos é

uma gestão equilibrada para mitigar o valor das faturas do Ambiente e é isso que estamos a fazer e que continuaremos a fazer”. “Na certeza porém”, adiantou, que “esta distinção revela que os Serviços Municipalizados de Abrantes quer ao nível dos resíduos sólidos urbanos e também ao nível da água – e é muito importante este Selo da Qualidade da Água – tem um serviço de excelência. Obviamente que reconhecemos que é caro, porque há muitos anos que as pessoas estavam habituadas a não pagar nada de água, lixo e saneamento e hoje em dia são pagas porque os sistemas regulamentares obrigam a que os sistemas sejam diferentes”. Manuel Jorge Valamatos está, no entanto, “confiante que as pessoas percebam o trabalho de eficiência e eficácia em termos do trabalho dos Serviços. Claro que tentamos que as nossas tarifas sejam o mais baixo possível mas têm que ser racionais e as contas têm que bater certo até porque os Serviços Municipalizados precisam e obrigam-se a ter contas sustentáveis e equilibradas, em função daquilo que são as candidaturas aos fundos comunitários”. Patrícia Seixas

Constância recebeu Selo de Qualidade Exemplar de Água para Consumo Humano O Município de Constância foi distinguido com o Selo de Qualidade Exemplar de Água para Consumo Humano 2021, numa cerimónia que decorreu no dia 15 de novembro, em Lisboa, no âmbito da 16º Expo Conferência da Água, um evento que contou com a presença do presidente da Câmara Municipal, Sérgio Oliveira e do vereador do Ambiente, Pedro Pereira. O Selo de Qualidade Exemplar de Água para Consumo Humano é uma iniciativa da Entidade Reguladora dos Serviços de Água e Resíduos (ERSAR) e do jornal Água & Ambiente, a qual distingue anualmente as entidades com desempenhos de referência na prestação destes serviços. Para o presidente da Câmara

Municipal, Sérgio Oliveira, «o Selo de Qualidade Exemplar de Água para Consumo Humano» revela “o grande esforço que o Município desenvolveu para cumprir todos os critérios previstos no respetivo regulamento, mas sobretudo é o reconhecimento pelo trabalho desenvolvido pelos funcionários do Município em prol da excelência na prestação deste serviço à comunidade”.


ESPECIAL / Constância

Constância dá as boas-vindas ao Natal

Visando que o espírito do Natal estivesse presente em todo o concelho, quer seja nos que cá vivem quer naqueles que visitam Constância, Montalvo e Santa Margarida da Coutada, a Câmara Municipal voltou a colocar as iluminações natalícias nos locais habituais nas três freguesias. Não sendo possível realizar a exposição de árvores de Natal e presépios, que habitualmente marca presença no centro histórico de Constância, decidiu a Autarquia instalar um presépio no Largo Cabral Moncada.

Dezembro 2021 / JORNAL DE ABRANTES

15


ESPECIAL / Constância

“No que diz respeito à fixação de pessoas, o concelho está a duas velocidades”

// Sérgio Oliveira iniciou o segundo mandato como presidente da Câmara de Constância. Não só venceu as eleições autárquicas no concelho como reforçou a maioria socialista no Executivo. O Jornal de Abrantes esteve à conversa com o autarca sobre os projetos estruturantes para os próximos anos na liderança do Município. por Patrícia Seixas

Começou um novo mandato à frente da Câmara de Constância. Certamente tem novos desafios mas, do anterior, o que ficou por fazer?

Ficaram algumas coisas por resolver, como um problema estrutural que é a perfuração do rio Tejo para a passagem do emissário que leva o saneamento da vila para tratamento na ETAR do Caima. Esse é um processo que ficou por fazer mas que vamos fazer porque obtivemos um pequeno financiamento do Estado Central. Foi de 25% para uma obra de 220 mil euros mas vamos ter que avançar. Ficou também por fazer uma programação cultural mais profunda do que aquilo que tivemos mas, neste caso, a culpa não foi só da ação do Executivo, foi também fruto da Covid. Com as atuais circunstâncias, também não sabemos se vamos conseguir. Pelo menos, vamos tentar e temos já um conjunto de iniciativas nesse sentido para dinamizar o centro histórico e a vila. Grosso modo, foram essas as coisas que ficaram por fazer, a par da praia fluvial que foi um processo iniciado no mandato anterior onde pedimos a classificação das águas e nos disseram que não. Já voltámos a submeter novo pedido, há poucas semanas, e estamos a aguardar que seja em 2022 que o Conselho de Acompanhamento nos diga que as águas do Zêzere têm condições para serem classificadas como águas balneares para podermos avançar com o projeto de execução da praia fluvial. Mas o que eu sempre disse às pessoas é que este será um mandato de continuidade daquilo que vinham sendo já os projetos delineados, alguns no mandato anterior. A requalificação da Rua Moinho de Vento, que já está a ser executada, os acessos ao Centro Escolar de Montalvo que, se correr tudo como previsto, terão início na segunda semana de janeiro e a requalificação da Avenida das Forças Armadas, uma obra que ronda quase um milhão de euros e que, muito provavelmente, também terá início em janeiro.

Olhando agora para o futuro, a aposta no desenvolvimento do concelho passa, prioritariamente, por que áreas?

O desenvolvimento do concelho passa por duas áreas fundamentais. Por um lado, alavancar e conseguir ampliar a Zona Industrial de Montal-

16

vo e com isso fixar ali mais empresas e mais pessoas no concelho. Por outro lado, através da conclusão do loteamento municipal na aldeia de Santa Margarida, com a venda dos lotes para habitação própria permanente ao preço simbólico de 5€ o metro quadrado, conseguir fixar ali mais famílias. Estes sãos os principais desafios que temos: fixar mais empresas e fixar mais pessoas.

A Câmara já está a trabalhar na expansão da Zona Industrial de Montalvo. É uma necessidade devido à procura ou é já a olhar para o futuro?

Nos últimos oito ou nove meses, não houve procura. Mas está lotada e nós temos que avançar o quanto antes para termos lotes disponíveis caso apareça alguma empresa a querer fixar-se. É que, neste momento, não há nenhum lote disponível na Zona Industrial. Uma empresa de capital marroquino comprou os últimos quatro lotes. Foi uma imposição da empresa assegurar já o espaço para se fixarem aqui. Não irão avançar com construção imediata nos quatro lotes mas sim em dois e está

JORNAL DE ABRANTES / Dezembro 2021

previsto arrancar em 2022.

Como está a questão da central de biomassa a instalar na Caima?

O Estudo de Impacte Ambiental está em audiência prévia e, finalizado esse processo, há condições para a Caima avançar com o início da obra em 2022. Pelas indicações que tenho, é uma obra que vai durar três anos. É importante para o concelho porque é mais um investimento que fica aqui, e penso que estamos a falar de um investimento de cerca de 40 milhões de euros. Para além disso, durante estes três anos, o alojamento e a restauração também ganham. São empresas do exterior que vêm para Constância fazer essa obra, com áreas muito específicas e que vão ter que ficar cá e comer cá.

A habitação também tem tido visibilidade no concelho. Se do lado de Constância e Montalvo parece não haver problemas, como está a correr com a freguesia de Santa Margarida, que até tem incentivos por parte da Câmara?

Tem estado a correr bem a partir do momento em que conseguimos

dar dois passos fundamentais, a questão da fibra ótica e a melhoria da rede móvel, porque hoje em dia ninguém se fixa onde não tenha estas condições. A par destas medidas estruturantes,o loteamento em Malpique onde já foram vendidos todos os lotes e já estão a ser construídas vivendas. Estivemos 10 anos sem ser vendido um único lote, estavam disponíveis 16 e, no espaço de um ano, foram todos vendidos. Ressalvar que houve pessoas que adquiriram dois lotes. A par disto, a Câmara já tinha procedido a uma alteração no regulamento de taxas para isentar quem construir habitação própria permanente em Santa Margarida. Estas são as medidas imediatas que temos implementadas mas, para além dos loteamentos municipais, em Santa Margarida também se tem sentido a procura de terrenos privados para construção, bem como a reconstrução de algumas habitações devolutas. Neste momento e infelizmente, no que diz respeito à fixação de pessoas e à reabilitação do parque habitacional, o concelho está a duas velocidades. Montalvo e Constância não são preocupação mas Santa Margarida continua a ser na questão da reabilitação dos imóveis, muitas vezes por culpa dos próprios proprietários que os mantêm fechados durante anos, vão-se degradando, e não há uma lei que nos habilite a fazer seja o que for. A obrigar o proprietário a fazer obras ou, se não o fizer, o Estado a tomar conta do imóvel por posse administrativa.

O turismo é um dos pontos fortes de Constância. O que está a ser feito para projetar a vila e o concelho? Há uma estratégia?

Em primeiro lugar, o intensificar das atividades culturais no centro histórico da vila. Uma forma de chamar cá as pessoas. Por outro lado, o projeto da Praia Fluvial é importantíssimo para a projeção do concelho, nomeadamente no período de verão. Se no verão, em termos turísticos, a vila tem muita gente, no inverno vai sempre um bocadinho abaixo. Daí o intensificar de um conjunto de atividades culturais agora neste período para que as pessoas continuem a vir à vila. Tenho a perceção que com um conjunto de investimentos privados que estão a acontecer no centro histórico, através da reabilitação de edifícios e em que a larga maioria vai ser direcionado para alojamento de uma qualidade superior, fará

com que a vila que hoje conhecemos, daqui por dois ou três anos esteja completamente diferente. O papel da Câmara é promover as suas infraestruturas como o Parque Ambiental, o Borboletário, o Centro de Ciência Viva, os rios e todas as atividades à volta da vila.

O saneamento básico na aldeia da Pereira pode vir a ser uma realidade neste mandato? Está previsto no Orçamento?

Não lhe consigo responder a essa questão, mas a Pereira tem saneamento básico, é é através de fossas séticas. É preciso deixar claro que a Pereira tem saneamento, só que com base num sistema antigo. Como já referi, a nossa prioridade neste momento é resolver o problema do emissário que leva os esgotos da vila à ETAR da Caima. Estamos a falar de um investimento de 220 mil euros em que, como disse, só vamos ter 25% ou 26% de financiamento do Estado Central. O resto é com receitas próprias da Câmara. Quando este processo estiver finalizado, e conto que esteja nos próximos tempos, podemos estudar uma solução para a Pereira. Contudo, passará sempre por outro tipo de sistema com fossas séticas ou um outro sistema de tratamento que permita resolver algumas situações que existam na localidade.

Mas qual é a maior dificuldade? A distância, os terrenos privados...

Na altura, a maior dificuldade foi a questão dos terrenos. Obviamente que a distância e o investimento que é necessário fazer, sem qualquer tipo de apoio, é impossível só com receitas próprias da Câmara. O problema da Pereira não é de agora e alguns dos que neste momento bradam aos céus pelo saneamento na Pereira, tiveram responsabilidades no concelho durante 32 anos. Há 20 ou 30 anos atrás, quando todo o concelho foi infraestruturado com saneamento, teria sido muito mais fácil nessa altura terem feito o saneamento básico na Pereira. É que nessa altura havia financiamento a fundo perdido, a 80 e a 90%, para se fazer infraestruturas de saneamento. E mais, para fazer infraestruturas de saneamento e para alcatroamento das estradas, coisa que hoje não existe. Nota: Pode ler a entrevista na íntegra em jornaldeabrantes.sapo.pt


PUBLICIDADE

»

»

» » »

»

» »

»

» »


ESPECIAL / Constância

Museu dos Rios e das Artes Marítimas com atividades de Natal // Nesta época natalícia, o Museu dos Rios e das Artes Marítimas vai organizar algumas atividades que têm como objetivo manter vivas as tradições. No intuito de manter uma das mais belas tradições de Natal, o Museu dos Rios e das Artes Marítimas irá promover, durante a quadra natalícia que se aproxima, uma mostra de presépios online no sentido de dinamizar e preservar esta antiga tradição cultural. Habitualmente são construídos por todo o concelho presépios aos quais o Museu vai agora dar visibilidade e reconhecimento, através da divulgação desse trabalho que poderá ser individual ou coletivo. Assim, se construir um presépio em casa, no jardim ou varanda, na rua, no exterior do seu local de trabalho, participe nesta iniciativa bastando para tal enviar uma foto. Não se esqueça. Envie uma foto do seu presépio para o Museu dos Rios e das Artes Marítimas através do email museus. rios@cm-constancia.pt até ao dia 20 de dezembro. Paralelamente, o Museu dos Rios e das Artes Marítimas, irá realizar, no dia 8 de dezembro,

/ Jardim do Museu dos Rios e das Artes Marítimas um atelier sobre a construção de um presépio tradicional elaborado com elementos encontrados na natureza, como musgo, pedras, vegetação seca, frutos e

as figuras de barro avulsas habituais. E s t a c o n s t r u ç ã o p re t e n d e mostrar o significado do Natal, desde o caminho a percorrer

pelos Reis Magos, até à cabana onde tradicionalmente se atribui o nascimento do Menino Jesus, passando pelo enquadramento do mesmo no meio rural.

Esta iniciativa que irá estar em exposição no Jardim do Museu, tem como finalidade a recuperação do simbolismo do presépio de Natal e das tradições natalícias.

6ª Corrida São Silvestre levanta a bandeira da solidariedade // A Brigada Mecanizada e a Câmara Municipal de Constância mantêm o espírito da Corrida São Silvestre Solidária, promovendo a recolha de bens em proveito da Santa Casa da Misericórdia - Loja Social e a Associação para o desenvolvimento social e comunitário da Pereira - Quatro Cantos do Cisne. O Campo Militar de Santa Margarida, em Constância, acolhe a 6ª Edição da Corrida São Silvestre Solidária da Brigada Mecanizada, a realizar dia 11 de dezembro, pelas 11 horas. Mantendo o espírito solidário e de angariação de bens para instituições sociais, a edição deste ano conta com Marcos Tenório Bastinhas como Padrinho da Corrida São Silvestre Solidária. Correndo ou caminhando, pode ajudar quem mais precisa. O custo da inscrição é apenas feito em bens alimentares, produtos de higiene pessoal e produtos de limpeza. Os bens doados reverterão a favor da Santa Casa da Misericórdia - Loja Solidária de Constância e a

18

JORNAL DE ABRANTES / Dezembro 2021

/ Marcos Tenório Bastinhas é o Padrinho da Corrida São Silvestre Solidária

Associação para o desenvolvimento social e comunitário da Pereira Quatro Cantos do Cisne. Organizada em parceria com o município de Constância, a São Silvestre Solidária da Brigada Mecanizada angariou em 2019 cerca de cinco toneladas de produtos alimentares e mais de 1.300 pessoas participaram nas várias provas desportivas. A 6ª edição da São Silvestre Solidária da Brigada Mecanizada vai ser uma prova de corrida com 8,8 quilómetros ou uma caminhada de 7,7 quilómetros. Há lugar para escalões jovens e as inscrições podem ser efetuadas até às 23:59 horas do dia 8 de dezembro em https://qrco. de/bcaLUI. A prova está limitada a 1000 inscrições.


REGIÃO / Mação

Autarquia lança empreitadas de milhão e meio de euros… // A Câmara de Mação está em processo de lançamento de três empreitadas para obras no concelho com um valor de cerca de 1 milhão meio de euros. Trata-se, segundo o presidente da Autarquia de três obras importantes para o concelho e, por outro lado, pelo aproveitamento dos fundos de apoio disponíveis.

/ Escola Básica e Secundária de Mação vai ter obras de requalificação

Vão ser melhoradas as acessibilidades, vai ser construído um espaço para bar, que não existe atualmente, e vai haver uma melhoria das condições de segurança. Ainda em novembro foi aberto o concurso para a requalificação do pavilhão desportivo municipal José Maia Marques, num investimento da ordem dos 230 mil euros. Trata-se de um edifício com cerca de 30 anos, com necessidades como a substituição da cobertura que ainda é a fibrocimento, ou como os balneários que já apresentam sinais visíveis de degradação. Por outro lado, o pavilhão vai ser acessibilidades melhoradas para pessoas com dificuldades de locomoção. Ou seja, é tornar o pavilhão mais moderno e, nunca se pode esquecer que este pavilhão serve

Jerónimo Belo Jorge

… e aprova apoios à fatura de Ambiente O executivo municipal de Mação aprovou os incentivos do Município à fatura de ambiente para 2022. Trata-se de um apoio municipal criado para o ano 2021 para fazer face a um aumento substancial na fatura de ambiente, depois da adesão do Município à Tejo Ambiente. Era um aumento de preço expectável por isso para 2021 a Câmara concedeu um apoio do pagamento de 100% das faturas de janeiro e julho aos munícipes e 25% nos mesmos meses aos agentes económicos do concelho. Apesar de ainda não estarem apurados os valores de 2021 os serviços estimam que ronde os 90 a 100 mil euros. Para 2022 Vasco Estrela apresentou uma proposta, aprovada por unanimidade, de redução destes apoios em 50%. Ou seja, no próximo ano a Câmara volta a conceder um apoio ao pagamento das faturas de ambiente nos meses de janeiro de julho, mas de 50% aos munícipes e de 12,5% aos agentes económicos. Trata-se do “amortecimento da subida dos preços da fatura do ambiente, depois da nossa adesão à empresa intermunicipal Tejo Ambiente”, explicou o autarca. Esta proposta terá ainda de ser submetida à aprovação da Assembleia Municipal. A Tejo Ambiente é uma empresa intermunicipal que trabalha nos concelhos de Ferreira do Zêzere, Mação, Ourém, Sardoal, Tomar e Vila Nova da Barquinha no abastecimento público de água, na recolha de resíduos sólidos urbanos e na gestão das redes de águas residuais e estações de tratamento de águas residuais. Na estrutura acionista da Tejo Ambiente Mação assume uma posição de 10,9%.

PUBLICIDADE

Vasco Estrela só espera que os concursos públicos para as empreitadas não fiquem vazios, já que começa a ser recorrente esta situação não apenas na região como em todo o país. Com os custos de matéria-prima a disparar, muito por causa da escalada de preços dos combustíveis, há muitas obras que ficam sem interessados. E depois ou há revisões de preços ou então ajustes dos trabalhos que fazem parte dos respetivos cadernos de encargos. E o autarca de Mação vincou que este é um problema que se agravou com a pandemia, tanto mais que também escasseia a mão-de-obra para que as empresas possam colocar no terreno as suas capacidades. O autarca reeleito para o terceiro e último mandato nas autárquicas de setembro de 2021 revela que estas dificuldades nas adjudicações de empreitadas, uma situação recorrente, podem criar problemas na execução dos planos de investimento dos municípios numa altura em que se conclui o Portugal 2020 e que se começam a dar os primeiros passos no PRR – Plano de Recuperação e Resiliência e no programa de investimentos Portugal 2030. Uma das empreitadas é a da requalificação da piscina descoberta de Mação. Trata-se, de acordo com o presidente Vasco Estrela, de uma intervenção necessária num equipamento com meio século de existência e que é um daqueles que já teve um concurso que ficou vazio. Ou seja, nenhuma empresa concorreu para fazer a obra. Agora o Município refez o procedimento concursal, com reajustamentos no caderno de encargos, para recolocar de novo no mercado. Esta intervenção tem um prazo de execução de execução de 240 dias e um custo de 550 mil euros. O autarca espera que a obra arranque no início do próximo ano. Mesmo assim, esta situação poderá comprometer a abertura das piscinas descobertas de Mação na época balnear do próximo ano. Mas a intervenção é mesmo necessária, porque as piscinas têm meio século de funcionamento sem que tenha sido necessária uma intervenção mais “pesada”.

os alunos do Agrupamento de Escolas Verde Horizonte. Uma terceira empreitada de cerca de meio milhão de euros prevê a requalificação da Escola Básica e Secundária de Mação. Ainda segundo Vasco Estrela trata-se de mais uma requalificação em material que já apresenta “desgaste destes 16 anos de funcionamento. É uma intervenção de cerca de meio milhão de euros e esperamos lançar a empreitada no primeiro trimestre de 2022. E esperemos que haja empresas que possam agarrar estas obras”. De fora nesta fornada fica a extensão de saúde de Cardigos. Trata-se, segundo Vasco Estrela, de uma obra necessária, mas que não tem enquadramento financeiro em programas, para já, pelo que a autarquia aguarda o PRR ou no Portugal 2030 para perceber se pode ir aí buscar a ajuda necessária para esta requalificação. Mas não havendo “garantia que possa haver financiamento vamos para já guardar o projeto até termos essa possibilidade”, justificou o presidente da Câmara de Mação. São três empreitadas que estão a ser lançadas e que, a correr tudo nos trâmites normais vão a avançar para execução no início de 2022.

NATALEM SARDOAL Mercadinho de Natal Exposição Presépios do mundo Percurso Pedestre Workshop Enfeites de Natal em Macrame Feira do Livro Presépios nas Capelas e Igrejas Concurso de natal de fotografia e poesia Sorteio de Natal no Comércio Local Concerto de Reis mais informações em

www.cm-sardoal.pt

Jerónimo Belo Jorge

Dezembro 2021 / JORNAL DE ABRANTES

19


REPORTAGEM /

No Arquivo de Abrantes trabalha-se o futuro Q

20

uando se fala em arquivo, o senso comum (ao contrário dos arquivistas e investigadores) aponta a um depósito onde se vão deixar umas caixas cheias de papéis. Não são destruídos, são “para ali” empurrados. E alturas houve em que se ouvia falar em arquivo intermédio, arquivo histórico e até arquivo morto. Luís Filipe Dias, vereador com o pelouro do arquivo na Câmara de Abrantes, diz nem poder ouvir falar desta forma de um serviço que, afinal de contas, é o guardador das memórias e da história de um concelho, neste caso de Abrantes. Manifesta a sua proximidade, por formação académica, com o conteúdo do edifício que fica numa das pontas da zona industrial de Abrantes. E quando lhe vem à memória algumas vozes que criticaram a construção do Arquivo de Abrantes numa zona industrial, Luís Filipe Dias aponta a uma visão de futuro. De um futuro que pode está já ali a bater à porta, no primeiro ou segundo trimestre de 2022, o mais tardar. E depois explica. É que um arquivo é um serviço vivo e dinâmico e que exige um rigor e um critério enorme por forma a receber todo o tipo de documentação. É a receção dos caixotes com documentos, que têm de ser separados, catalogados, digitalizados e depois sim guardados nos gavetões onde vão ficar em repouso até que uma qualquer necessidade faça com que saiam para as salas de estudo ou de leitura. E neste edifício há todo o tipo de documentos. Quando se fala em documentos, hoje fala-se nos diversos suportes e

JORNAL DE ABRANTES / Dezembro 2021

não apenas em papel. Há áudios, vídeos, fotografias, sem esquecer, claro, o papel. E nestas salas de depósito de documentação a temperatura e a luminosidade são, criteriosamente, definidas para permitir uma vida longa aos documentos que vão sendo guardados. E depois há uma das salas em que estão guardados documentos mais sensíveis. São os mais antigos, aqueles que têm uma necessidade suprema de quem os consulta de terem de utilizar luvas. Também nesta sala as condições de temperatura e humidade são importantíssima. É, porventura, uma das áreas que desperta maior curiosidade. São os documentos dos nossos antepassados, dos tempos idos da monarquia, da formação do Reino de Portugal. Alguns dos mais antigos são papiros. Outros têm o selo que atesta a veracidade do documento.

O documento mais antigo é do Século XIII, uma carta de venda de S. Miguel do Rio Torto. E há o Foral Manuelino de 1510 [validado em 1518] guardado numa caixa e devidamente desembrulhado para consulta. Entre outros documentos da parte histórica encontramos um livro de registos do Século XVIII ou uma carta a atestar que um cidadão poderia exercer medicina, Esta é uma das componentes do arquivo. Mas entre documentos históricos, mais antigos, o arquivo trata, afinal, todos documentos do concelho de Abrantes

O futuro mora já ali

Mas o Arquivo de Abrantes está num processo de transformação que o coloca como pioneiro no panorama nacional. E de forma muito simples em 2022 vai ser assim: Um qualquer

cidadão que esteja na Nova Zelândia, por exemplo, munido de um simples computador portátil poderá aceder em tempo real a qualquer documento que esteja depositado no arquivo. Este é um trabalho que Paulo Rego destaca e no qual coloca todo o seu orgulho. O desafio que teve, há uns anos, foi o de gerir o arquivo. Paulo Rego não é historiador, arquivista ou um qualquer homem de investigação. É o chefe de divisão de informática e conhecimento do Município. E é neste patamar [dos megas, gigas, teras e por aí fora] que se joga o futuro. Um futuro assente num software que se chama Zahara [como a princesa moura da lenda de Abrantes] e num outro de inteligência artificial que vai assentar o arquivo. Voltamos ao cidadão que hipoteticamente estará na Nova Zelândia e que pode pesquisar todo o tipo de documentação que exista no repositó-


REPORTAGEM /

//FOTOLEGENDA No dia 23 o Jornal de Abrantes fez um pedido ao Arquivo Municipal Eduardo Campos por e-mail. Gostaríamos de consultar a documentação existente sobre a construção da Central do Pego. No dia 24 o Arquivo respondeu a dizer que poderíamos passar no arquivo. E assim aconteceu. E à espera do jornalista estava este carrinho com documentação sobre a Central do Pego. Depois uma das técnicas ainda acrescentou três pastas de arquivo de jornais regionais de 1993.

rio de Abrantes. Desde que não sejam reservados ou confidenciais, porque também os há, poderá consultar o que quiser. Documentos, planos de ordenamento, plantas, atas de reuniões de Câmara, passando por documentação mais histórica. Tudo num simples click. Sim, parece uma campanha publicitária, mas Paulo Rego diz que será assim, sem da secretária de trabalho. “Neste momento já temos a maior parte das freguesias de maior dimensão do concelho completamente desmaterializadas neste âmbito”, explica Paulo Rego ao mesmo tempo que acrescenta que “se calhar o papel [futuro] do arquivo é estar a ser fundido na gestão da informação. E é isto que em Abrantes já estamos a fazer.” Paulo Rego acrescenta mesmo que Abrantes “vai ser o primeiro concelho do país a ter uma estratégia com cabeça tronco e membros do ponto de vista da gestão da informação”. Neste momento, reforça Luís Filipe Dias, falando na linguagem arquivista temos muitos quilometros de papel completamente desmaterializado em arquivos virtuais. E acrescenta que, por exemplo, na Câmara de Abrantes, hoje, não há papel, todos os circuitos são feitos através de circuitos digitais e

// SÃO 38 ANOS A TRABALHAR DOCUMENTOS A 20 de fevereiro de 1983 a Câmara Municipal de Abrantes deliberou, em reunião extraordinária, que fosse criado o Arquivo Histórico do Concelho de Abrantes (AHCA), afetando-lhe uma sala do Convento de São Domingos. Nesta mesma deliberação fez-se transferir toda a documentação que existia no seu arquivo anterior a 1933, no sentido de lhe dar corpo. 30 anos depois da sua criação o então Arquivo Histórico do Concelho de Abrantes ampliou a sua capacidade e mudou a sua designação, passando a usar a nomenclatura de Arquivo Municipal Eduardo Campos (AMEC), em homenagem àquele que foi o seu zeloso técnico e destacado estudioso da história local. Hoje o Arquivo Municipal Eduardo Campos ocupa hoje uma área total de 9.200m2, dividido da seguinte forma: “área de implantação 1.663m2, área bruta de construção 1.663m2. A edificada está distribuída por 4 depósitos, estando 2 equipados com estanteria compacta

(3.164 ml) e com 180 gavetões para formatos especiais; duas salas de expurgo; um gabinete; uma sala de apoio administrativo; uma sala de transferência de suportes; uma sala para tratamento documental; cinco instalações sanitárias, sendo duas para o público em geral, uma para deficientes e duas só para uso dos funcionários; além de uma copa e um espaço expositivo”. O Arquivo de Abrantes tem muitos depósitos particulares de de instituições. Foram ali entregues para sua salvaguarda e para integrarem a história do concelho de Abrantes. Montepio Abrantino Soares Mendes (1988), pela Santa Casa da Misericórdia (1991), Prof. Arquiteto Duarte Castel Branco (2007), Marquês de Abrantes (2010), Juntas de Freguesia de Pego, São Miguel do Rio Torto [ant. a 2000], São Facundo, Vale das Mós e Bemposta (2010), os Serviços Municipalizados de Abrantes (2011), e outros confiaram os seus documentos ao Arquivo de Abrantes.

informáticos. O tempo da gestão digital da informação está aí e a adaptação tem de ser feita. Tanto Luís Filipe Dias como Paulo Rego dão o exemplo: “O documento que é a transmissão em vídeo da reunião do executivo municipal desta manhã [23 de novembro] já está agora [16 horas de 23 de novembro] arquivada e devidamente catalogada.” E se os sistema já estivesse a funcionar estaria já disponível para consulta, ou visualização, em qualquer parte. Paulo Rego aponta ao futuro e entre os desafios da finalização da desmaterialização de todo o arquivo físico para o mundo virtual deixa o apelo a quem queira guardar a sua documentação. Sejam empresas, associações ou até cidadãos particulares. “É importante que as pessoas entendam que o Arquivo é do concelho de Abrantes e não da Câmara de Abrantes. E é importante que percebam que ao depositar aqui os documentos estão a garantir a sua salvaguarda e a contribuir para a história do concelho”, frisa Paulo Rego que diz que os serviços estão disponíveis para reunir com as entidades que pretendam “guardar” os seus documentos. Jerónimo Belo Jorge PUBLICIDADE

A ABRANCOP está a recrutar trabalhadores na área da construçao civil Precisa de trabalho? Consulte-nos: 914 992 719

Rua de Angola, nº 35 - 2205-674 Tramagal - Abrantes Tel. 241 890 330 - Fax: 241 890 333 - Tm: 91 499 27 19 geral@abrancop.pt - www.abrancop.pt

Dezembro 2021 / JORNAL DE ABRANTES

21


REGIÃO / Vila Nova da Barquinha

António Luís Roldão homenageado no 185.º aniversário do concelho // Eram 09:30 da manhã, de dia 6 de novembro, quando arrancou a cerimónia com “a presença Rainha D.ª Maria II que sempre muito sorridente fez as honras da cerimónia de inauguração de um equipamento que pretende preservar os documentos do concelho”. Antes do descerramento da placa com o novo nome do arquivo barquinhense foi entregue uma medalha ao investigador agraciado que ouviu ainda três jovens do concelho a dizer três poemas da sua autoria e que vão integrar o livro “Ritornelo” a sair no início do próximo ano. Mas coube a Fernando Freire, presidente da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha, começar por ressalvar o trabalho do investigador: “Sabemos que muito falta por narrar e dar a conhecer desta terra banhada pelo rio Tejo, essa via civilizacional que, ora em correria, ora em mansidão, nos acompanha na longa jornada de séculos. Com as suas pesquisas neste arquivo, em Santarém e Lisboa, que lhe queimaram as pestanas e anos de vida estamos cientes que muita da nossa história local foi feita, e bem-feita!” Fernando Freire, também ele um apaixonado pela investigação da história local, destacou alguns dos trabalhos que António Luís Roldão tratou ao longo da sua vida. “A investigação de estruturas de longa duração inscritas na natureza (as visitas régias, o convento do Loreto, os estrangeiros do Entroncamento, histórias e memórias da Moita e da Atalaia, figuras impares como Carlos Barral Filipe, os forais, os marcos, a estrada de neveiros, os relógios, as varandas, o chafariz, NS Reclamador, os inventários, os expostos, as ruas, os cais, as quintas; As paisagens materiais: o casal Iria Teresa; o Pedregoso, o Soveral da Lameira, os Torroais, etc. etc.” E foi em relação a estes dois últimos locais [Soveral da Lameira, os Torroais] que Fernando Freire brincou, na presença, da Rainha D.ª Maria II ao dizer que “estes dois últimos lugares, já extintos, foram sujeitos a visita obrigatória com o regedor do reino imposta por convite irrecusável do Cronista Mor! Uma bela manhã, de cumplicidade, Sr. Roldão!” Fernando Freire vincou ainda o agradecimento, como autarca, ao investigador quando disse “desviando a névoa das coisas, procurando a

22

/ Sob olhar atento da “Rainha D. Maria II” Fernando Freire e António Luis Roldão descerram a placa do Arquivo barquinhense claridade, somos justos quanto sabemos agradecer aqueles que tanto nos dão”. António Luís Roldão fez questão de falar aos presentes referindo desde logo aquela que foi a sua paixão pela investigação e pela terra. E começou logo por uma curiosidade em relação ao edifício que tinha atrás de si, agora pintado em tons bordeaux. “Este edifício que aqui está (…) foi o primeiro sitio onde se matavam os animais, sobretudo os porcos, e aqui se recolhiam e retalhavam para venda. Poucos de devem lembrar desta particularidade. O investigador disse que foi, porventura, o primeiro querer um arquivo municipal e explicou de seguida que trabalhava para a Câmara Municipal e no sótão dos serviços encontrou uma série de livros diversos que estariam amontoados. E teve o cuidado de os organizar todos. Mais tarde, disse, no Centro Cultural também foram encontrados livros diversos que ele próprio inventariou e catalogou. “Foi com uma pá carregadora que trouxeram os livros para aqui e os descarregaram como lixo. Como se fosse simples lixo. Era um atentado contra a cultura e contra o passado desta terra”. António Luís Roldão revelou que depois houve uma equipa nomeada

JORNAL DE ABRANTES / Dezembro 2021

para fazer o trabalho que agora “aqui está. É um trabalho notável.” O investigador lembrou que “ia atrevidamente aos arquivos”, de tal forma que no de Santarém, os funcionários já o conheciam e manifestavam logo a vontade de o ajudar a ir buscar os que precisava. “Ninguém me pagou. Ninguém me obrigou. Era [a investigação] uma necessidade muito minha. E fui buscar muitos documentos para a Barquinha. Felizmente hoje [o arquivo] funciona como deve ser”, numa referência ao serviço que, agora, ali funciona.

O investigador da história local e poeta

António Luís Roldão, nascido a 19 de novembro de 1934, na Rua da Barca, em Vila Nova da Barquinha, é poeta, músico, jornalista, associativista, autarca e investigador da história local. Muitas são as suas facetas. No jornalismo, foi um dos impulsionadores do jornal “Folha Paroquial”, nos anos 60, que mais tarde deu origem ao “Novo Almourol”, publicação com a qual ainda hoje colabora, chegando a desempenhar o cargo de subdiretor. Na vida associativa, desempenhou cargos na Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vila Nova da Barquinha, Sporting Clube Barqui-

nhense, Clube União de Recreios de Moita do Norte, Santa Casa da Misericórdia e Paróquia de Vila Nova da Barquinha. Como músico filarmónico, pertenceu durante 50 anos à Banda de Música dos Bombeiros da Barquinha. Na poesia, publicou três livros de sua autoria, participou em duas publicações coletivas editadas pela Câmara Municipal, a ainda no CD “Barquinha, Poesia e Fado”, outra iniciativa da autarquia. Para além da investigação e da história e tradições locais, António Luís Roldão em também uma presença na poesia. De tal forma que a Câmara Municipal irá editar, no início de 2022 o livro “Ritornelo”. Trata-se de uma obra de poesia de António Luís Roldão e terá ilustração da pintora Isabel Fescrata (Isafre).

Um serviço que junta o acervo histórico da autarquia

Verdadeira memória histórica do município, o Arquivo Municipal é constituído por fundos documentais de natureza administrativa e histórica, particularmente ricos, sobretudo para o período posterior a meados do século XIX, procedentes dos diferentes serviços municipais. Tem como principais objetivos, preservar e conservar a documentação, qualificar e va-

lorizar o seu espólio e divulgar a história local. O Arquivo Municipal de Vila Nova da Barquinha ocupa o espaço de um antigo edifício municipal existente na Rua de Cabo Verde. Com dois pisos, está dotado de sala de leitura, sala de tratamento de classificação documental, atendimento e área para depósito da documentação. Neste dia da homenagem a António Luís Roldão pode perceber-se que ainda há muito trabalho pela frente, embora grande parte do acervo esteja já a começar a ser separado e, depois, catalogado, antes de “subir” ao primeiro piso para ser “guardado” nos “gavetões” certos para consulta futura. A criação deste equipamento é fruto de um acordo de colaboração celebrado entre o Município de Vila Nova da Barquinha e o Instituto dos Arquivos Nacionais – Torre do Tombo, no âmbito do Programa de Apoio à Rede de Arquivos Municipais (PARAM). O concelho de Vila Nova da Barquinha assinalou no dia 6 de novembro, os seus 185 anos. Foi a 6 de novembro de 1836 que a rainha D.ª Maria II assinou um decreto que criava o concelho de Vila Nova da Barquinha, composto pelos extintos concelhos de Atalaia, Paio de Pele e Tancos. Jerónimo Belo Jorge


Feliz Natal As seguintes Juntas de Freguesias do concelho de Abrantes, desejam a todos os seus fregueses FESTAS FELIZES

União de Freguesias de Abrantes e Alferrarede

Dezembro 2021 / JORNAL DE ABRANTES

23


GALERIA /

Flávio Catarino Nasceu em Abrantes, em Abril de 1973, assume-se como entusiasta e amante da fotografia, bem como da Natureza, e, sempre que possível tenta aliar ambas as coisas. Na Natureza, perde a noção do tempo, podendo ficar horas à espera do momento certo para carregar no botão e imortalizar o momento. Esse Momento que foi sentido na Alma, pensado com o coração, amado no cérebro ainda antes de acontecer, e que a máquina somente regista para que todos o possam apreciar. Considera-se um “eterno aprendiz” na fotografia e “aprendendo todos os dias, quer por teimosia e erros, quer com todas as pessoas que me rodeiam. Nestes mais de 25 anos a evoluir nesta paixão da fotografia, quero sempre aprender o máximo sobre todos os tipos de fotografia”. O seu maior sonho seria o de poder trabalhar em fotografia, e se possível, em fotografia da Natureza. Como diria Confúcio : “ Escolhe um trabalho que amas, e não terás que trabalhar um único dia da tua vida!”…

24

JORNAL DE ABRANTES / Dezembro 2021


SOCIEDADE / OPINIÃO /

/ Armando Fernandes

Mortos e vivos

O E Abrantes iluminou-se… de Natal! Chega o final de novembro, nas rádios e nos sistemas sonoros de estabelecimentos comerciais multiplicam-se as músicas “com sininhos” alusivas à quadra festiva que começa a entrar pelas nossas casas dentro cada vez mais cedo. E n o d i a 3 0 d e n o v e m b ro , Abrantes ganhou mais luz noturna quando o presidente da Câmara Municipal, Manuel Jorge Valamatos, carregou no botão da aplicação informática no seu telemóvel e ligou a iluminação de Natal, no centro histórico da cidade. Só a torre já se mostrava imponente no Alto de Santo António, com as fitas de led que a transformam até dia 6 de janeiro numa das maiores árvores de Natal do País. São muitos milhares de led que se fazem mostrar lá longe, nos locais onde se começa a ver a colina da cidade. Quanto ao Natal no centro histórico, o presidente fez questão de salientar que os 30 mil euros investidos na iluminação têm este ano mais locais “enfeitados”. Apontou depois à praça Barão da Batalha onde estão pinheiros naturais para os cidadãos poderem levar e criar, cada um à sua maneira, a árvore de Natal. Estes pinheiros são oferecidos e resul-

tam de operações de desbaste de plantações florestais. Manuel Jorge Valamatos afirmou que a Autarquia e a Associação Comercial e Empresarial (ACE) têm um compromisso de “no próximo ano lançar em conjunto campanhas capazes de mobilizar, ainda mais, a comunidade em torno deste momento festivo”. Ainda antes de ter percorrido

todas as ruas iluminadas, o presidente da Câmara deixou a informação de que há um conjunto de atividades programadas até 31 de dezembro, ainda muito condicionadas pelos tempos de pandemia. Há um concerto de Natal, o concerto dos Vox Populi (aconteceu na manhã de dia 1 de dezembro, na praça Barão da Batalha), ações com alunos, férias jovens, ações para

início do mês começa com a epifania de Todosos-Santos celebrada em muitas localidades portuguesas de baixo de variados registo – festas religiosas, feiras francas profanas, feiras/festejos locais matizados com o passado no presente. No dia imediato é dia consagrado à evocação dos mortos, dos nossos, de todos quantos guardamos boas e más memórias, não por acaso vários países estabeleceram como feriado nacional o memorial day, a 2 de Novembro, todos quantos possuem memória (está a desaparecer a olhos vistos) reflectem sobre a perenidade da vida chegando a conclusões díspares relativamente ao «não andar por aí» como a literatura de vários géneros e pensadores qualificados a têm exposto e demonstrado ao longo dos séculos. O mês de Novembro também assinala a umbilical ligação entre os mortos e os vivos ao glorificar o vinho novo, o vinho da novidade, dos Deuses da Mitologia, das religiões do livro, mesmo quando interdito acoimado de causador de toda a casta de malefícios para o corpo e para a alma. O vinho dos mortos terá sido um artifício do povo de Boticas, o milagre de Santa Vitória é o resultado da argúcia dos habitantes de uma cidade italiana ocupada pelos nazis, Marcelino pão e vinho, a real/ realidade do Homem vivo e morto.

contar histórias. E vincou ainda o lançamento de uma campanha “Neste Natal compre no comércio local”. O autarca deixou claro que ainda estamos muito condicionados pelos números da pandemia, mas mesmo assim notou que há um conjunto de ações que pretendem dinamizar o comércio local. Jerónimo Belo Jorge

Dezembro 2021 / JORNAL DE ABRANTES

25


SOCIEDADE / Gelataria e sala de eventos irão nascer na Quinta dos Telheiros N a re u n i ã o d a C â m a r a d e Abrantes realizada no dia 19 de outubro, o Executivo aprovou por unanimidade o projeto de arquitetura referente ao licenciamento de obras de demolição, alteração e ampliação, da reconversão da Quinta dos Telheiros destinado a empreendimento turístico, estabelecimento industrial, sala de eventos, ginásio, piscina e habitação, apresentado por By Ondalux II,Lda. Já na reunião de dia 2 de novembro, o vereador do movimento ALTERNATIVAcom questionou acerca dessa deliberação e quis saber se o que aprovaram, não colide com a lei e com o PUA – Plano de Urbanização de Abrantes. Vasco Damas lembrou que “aprovámos a proposta (…) com base na informação que nos foi enviada pela Autarquia. O imóvel

do séc. XVII não está classificado mas, de acordo com a informação que recolhemos, no Plano de Urbanização, o conjunto está protegido nos termos do artigo 8.º e 64.º. A questão que coloco é saber se não aprovámos algo que, eventualmente, poderíamos não ter aprovado e como é que o que aprovámos no dia 19 se coaduna com o Plano de Urbanização que está em vigor”. Foi o vice-presidente quem esclareceu o vereador do ALTERNATIVAcom, explicando que, “para que fique tranquilo, o que aprovámos teve em conta o Plano de Urbanização de Abrantes”. João Gomes explicou que “o edifício-mãe, o que lá está”, vai sofrer obras de reabilitação e conservação do edificado. “Vão é ser construídas infraestruturas novas mas sempre ao abrigo do PUA”, adiantou.

COIOTE, de Abrantes para o mundo A edição física do novo e 1º disco dos abrantinos COIOTE,"Running Ligths" está prevista para 20 de dezembro, mas as novas músicas estão já disponíveis em todas as plataformas digitais desde 1 de dezembro. Som peculiar, marcado pela mistura cinemática do Indie Pop / Rock com Folk e Soul. Os COIOTE são de Abrantes e pretendem chegar ao mundo com a sua música que agora vê a luz do dia. Compõem os COIOTE Daniela Elias (voz), João Jerónimo (guitarra), Nelson Duque (guitarra), Filipe Fernandes (baixo) e Duarte Rosa (bateria). Descubra-os em COITEMUSIC.

26

JORNAL DE ABRANTES / Dezembro 2021

Vasco Damas reportou ainda ao PUA para referir que o artigo 64.º lembra que “podem ser feitas melhorias desde que não sejam instalações industriais. E nós aprovámos algo que diz expressamente estabelecimento industrial”. João Gomes confirmou e disse que se está a falar de “um estabelecimento de comércio e serviços que vai ficar associado mas não no edificado existente. É na parte sobrante do terreno”. João Gomes disse ainda que “o projeto tem três fases, a conservação do edificado existente com a construção de novo edificado que será depois concessão de gelataria e venda ao público e outro negócio associado que será uma sala para eventos. Tudo isto separado do edificado que tem o tal valor patrimonial”. Patrícia Seixas

EXTRACTO PARCIAL Certifico, para efeitos de publicação, que por escritura de Justificação de 04/11/2021, exarada a folhas 12, do Livro de Notas n.º 139, do Cartório Notarial de Tomar, da notária Paula Viegas Ferreira, compareceu como outorgante, JOSÉ DA CONCEIÇÃO ROSA, NIF 126.692.130, natural da freguesia de Aldeia do Mato, concelho de Abrantes, residente na Rua das Terras da Eira, n.º3, 3.º esquerdo, Amadora, casado sob o regime de comunhão de adquiridos com GEORGINA MARIA CASEIRO MANUEL ROSA, NIF 129.878.588, natural da indicada freguesia de Aldeia do Mato, o qual declarou, com a devida autorização constante do mesmo acto, prestada pelo respectivo cônjuge, que com exclusão de outrem, é dono e legítimo possuidor dos seguintes prédios: Sitos na União das freguesias de Aldeia do Mato e Souto, concelho de Abrantes: UM: Prédio rústico, sito em Braçal, composto de pinhal, vinha e horta, com a área de 2.720,00 m2, a confrontar do norte com António do Carmo Custódio, do sul com Leonel Caseiro Antunes, do nascente com Deolinda da Conceição Rosa e do poente com Vanda Margarida Custódio Lopes, inscrito na matriz sob o artigo 65 secção AM (o qual proveio do artigo 65 secção AM, da extinta freguesia de Aldeia do Mato, do mesmo concelho), com o valor patrimonial de € 16,70, ao qual atribuem o valor de 203,00 €; DOIS: Prédio rústico, sito em Vale da Ladeira, composto de cultura arvense, figueiras, oliveiras, mato e pinhal, com a área de 4.240,00 m2, a confrontar do norte com Deolinda da Conceição Rosa, do sul e nascente com Maria de Lurdes Caseiro Antunes e do poente com José Vicente da Silva, inscrito na matriz sob o artigo 13 secção AN (o qual proveio do artigo 13 secção AN, da indicada extinta freguesia de Aldeia do Mato), com o valor patrimonial de € 19,92, ao qual atribuem o valor de 242,00 €; TRÊS: Prédio rústico, sito em Oliveirinha, composto de cultura arvense, figueiras, macieiras e oliveiras, com a área de 560,00 m2, a confrontar do norte e poente com João Manuel Malhadeiro, do sul e nascente com Maria Henriqueta Caseiro Baleizão, inscrito na matriz sob o artigo 40 secção AN (o qual proveio do artigo 40 secção AN, da mesma extinta freguesia de Aldeia do Mato), com o valor patrimonial de € 10,51, ao qual atribuem o valor de 127,00 €; QUATRO: Prédio rústico, sito em Bairro Fundeiro, composto de mato, com a área de 52,00 m2, a confrontar do norte e poente com Albufeira do Castelo de Bode, do sul e nascente com Fernando Caseiro Lopes, inscrito na matriz sob o artigo 62 secção AP (o qual proveio do artigo 62 secção AP, da indicada extinta freguesia de Aldeia do Mato), com o valor patrimonial e atribuído de € 0,25; CINCO: Prédio rústico, sito em Furnecas, composto de pinhal, com a área de 3.720,00 m2, a confrontar do norte com João Maria Perdigão, do sul com Filipe Manuel Rosa, do nascente com João Marques Custódio e do poente com João Maria José, inscrito na matriz sob o artigo 59 secção AQ (o qual proveio do artigo 59 secção AQ, da indicada extinta freguesia de Aldeia do Mato), com o valor patrimonial de € 10,02, ao qual atribuem o valor de 122,00 €; SEIS: Prédio rústico, sito em Varzea do Barreiro, composto de pinhal, com a área de 3.320,00 m2, a confronta do norte e sul com Leonel Caseiro Antunes, do nascente com via pública e do poente com José Vicente do Carmo, inscrito na matriz sob o artigo 274 secção AR (o qual proveio do artigo 274 secção AR, da indicada extinta freguesia de Aldeia do Mato), com o valor patrimonial de € 20,66, ao qual atribuem o valor de 250,00 €; Todos não descritos na Conservatória do Registo Predial de Abrantes. SETE: um terço do prédio rústico, sito em Ladeira do Mato, composto de mato e oliveiras, inscrito na matriz sob o artigo 171 secção CF (o qual proveio do artigo 171 secção CF, da extinta freguesia de Souto, do mesmo concelho), com o valor patrimonial de € 3,96, ao qual atribuem o valor de 68,00 €, descrito na Conservatória do Registo Predial de Abrantes sob o número 4305/ Souto, sem qualquer inscrição em vigor quanto à referida quota parte. Que, os referidos prédios vieram à posse dele justificante, ainda no estado de solteiro, maior, em 1964, por partilha verbal por óbito de seus pais, Álvaro Antunes Rosa e mulher Patrocínia da Conceição, casados sob o regime de comunhão geral, já falecidos, residentes que foram no lugar de Marmelais, Tomar, não possuindo tal herança outros prédios rústicos contíguos a estes partilhados, após o que, de facto, passaram a possuir os aludidos prédios em nome próprio, cultivando-os e plantando árvores, limpando-os ou mandando limpar, posse que sempre foi exercida por eles de forma a considerarem tais prédios como seus, sem interrupção, intromissão ou oposição de quem quer que fosse, à vista de toda a gente do lugar e de outros circunvizinhos, sempre na convicção de exercer um direito próprio sobre coisa própria. Que, esta posse assim exercida ao longo de 57 anos se deve reputar de pública, pacífica e contínua. Assim, na falta de melhor título, ele outorgante adquiriu o mencionado prédio para o seu património, por usucapião, que aqui invoca, por não lhe ser possível provar pelos meios extrajudiciais normais. Está conforme. Tomar, 04/11/2021. A Colaboradora Autorizada,□ ANDREIA ISABEL SANTOS CORREIA, n.º de inscrição na Ordem dos Notários: 294/09

OPINIÃO /

Pela nossa saúde

C

onsta que se aproxima nova transferência de competências do Governo para as autarquias locais no domínio da saúde. Se acontecer, vai sair reforçado (ou instituído) o pelouro da saúde nos executivos municipais. Nada contra. Sim, a proximidade permite ganhos de eficiência que a distância a partir do centro desconhece. Mas talvez seja, mais uma vez, uma transferência de despesa mais do que de eficiência. O pouco que sei sobre isso impedeme de ir por esse caminho. Mas há outro caminho que não devemos descurar e que só pode ser assumido numa lógica de muita proximidade. Estamos habituados a pensar a saúde em termos de médicos e hospitais, ou seja, de medicina curativa e de serviços e tecnologia reparadores. E há boas razões para isso. Mas esse cuidado não é suficiente. Nem sequer o mais eficiente. Precisamos de prestar a maior atenção ao que devemos chamar de medicina preventiva e às práticas que nos permitem evitar adoecer. A pandemia ainda em curso pode ser para nós uma boa lição de como a nossa saúde não pode estar apenas confiada a médicos e hospitais, indispensáveis mas não suficientes. É preferível evitar adoecer que ter que curar-se de uma doença indesejável. Nisto, creio eu, podemos concordar com relativa facilidade. Então, prestemos a melhor atenção ao que podemos chamar de sistema local de medicina preventiva. Isso, digo eu, é uma urgência tanto para as autarquias como para a sociedade civil. A obesidade é hoje uma pandemia reconhecida, embora nem façamos ideia de quais serão os custos que teremos de suportar. A ansiedade e mesmo a depressão são ameaças de largo espectro de que ninguém se pode considerar livre. Aliás, toda a saúde mental é um campo minado não só pelas circunstâncias da vida atual, ela própria stressante e tantas vezes deprimente, mas sobretudo pelos preconceitos que a atravessam. Pensamos que “eu não”, eu não posso ter problemas, porque quem tem problemas é “maluco” e “eu não sou maluco”. Afinal, a saúde mental é

/ José Alves Jana / FILÓSOFO

uma das dimensões da saúde global, como a saúde motora ou a saúde digestiva. E voltamos à alimentação, área da vida que se encontra sujeita a mil fatores que devemos equacionar. Não podemos também esquecer uma outra pandemia, a do sono não dormido. Nós, portugueses, estamos a dar cabo da nossa saúde sem darmos por isso. Da nossa saúde física, se me é permitido dizer assim (de modo incorreto) e da nossa saúde mental, com forte impacto tanto na economia como na qualidade de vida pessoal e familiar. E que dizer dessa outra pandemia que grassa tão silenciosa como o cancro, embora mais visível? Falo da dependência dos múltiplos ecrãs que nos seduzem de dia e de noite. Quanto estamos a hipotecar a nossa saúde? Está aí disponível toda a informação necessária, embora haja sempre muito a conhecer. O que falta mesmo é a organização de proximidade e um trabalho também de proximidade para transitarmos de um modelo de dominação da medicina curativa para a prioridade à medicina preventiva. Isso implica envolver as pessoas, as organizações locais, os serviços locais de saúde… e, sem dúvida, o pelouro da saúde das autarquias. Aí está um desafio para o mandato que agora se inicia. E não há como falar do nosso bem-estar, da qualidade de vida, do desenvolvimento… sem boa saúde.

Não há como falar do nosso bemestar, da qualidade de vida, do desenvolvimento… sem boa saúde


SOCIEDADE / OPINIÃO /

O trunfo de Taiwan

Ordem da Cabidela entronizou cavaleiros O “galo” entrou na sala com um ceptro na mão e, um a um, e n t ro n i z o u m a i s d e d u a s d e zenas de membros na Ordem da Cabidela. Ao som de uma orquestra e sob olhar atento dos chef’s os presentes atenderam à chamada para receber o colar vermelho com a pena prateada e assim poderem entrar numa família de milhares de membros que degustam os pratos de cabidela, que vão muito além do frango o galo de ou à cabidela. Foi em 2016 que foi criada a Ordem da Cabidela. “Trata-se de um movimento de amantes da cabidela, um prato tradicionalmente português, emblemático e sujeito a muitas interpretações. Tantas quantas as vontades de o reproduzir ou reinventar. Queríamos criar a maior estrutura de amantes da gastronomia em Portugal”. De acordo com as regras desta Ordem da Cabidela: “Um elogio a tão adorada iguaria, em que são alvo de distinção, no grau de cavaleiros, os seus fiéis seguidores, com direito a cerimónia de entronização”. Por convite ou aquisição, os comensais marcam presença nos jantares de Cabidela e são ordenados “Cavaleiros da Ordem da Cabidela”, recebendo uma “pena ” prateada, num colar vermelho que simboliza e concretiza a sua entronização. Este ano de 2021, a Ordem apontou a 6 jantares em restaurantes portugueses: Restaurante “Vai-me à Loja”, em setembro “Restaurante Osso Bento” e “ Restaurante Xisto”, em novembro “Restaurante Casa Chef Vitor Felisberto”, “Restaurante Mugasa” e “Restaurante “Stramuntana”.

O jantar da Ordem da Cabidela na Casa Chef Vitor Felisberto

A noite de 15 de novembro juntou cerca de três dezenas de futuros Cavaleiros da Ordem da Cabidela no Restaurante Casa Chef Vitor Felisberto. E para esta “reunião da Ordem” prepararam o repasto para os novos membros os chef’s Rodrigo Castelo, Vítor Adão, Margarida Bessa Rego e Victor Felisberto. Estava prevista a presença do chef Hélder Diogo que estaria responsável pela sobremesa, mas por questões de confinamento decorrentes da pandemia não pode estar presente. Mesmo assim deixou a ideia da sua sobremesa de cabidela a que os restantes chef’s deram corpo. E nestes jantares, a cabidela tradicional fica sempre para o “dono” da casa e para fechar a degustação, cabendo aos chef’s convidados apresentar as suas criações nesta iguaria.

A entronização dos novos “Cavaleiros da Ordem”

Após a degustação dos quatro pratos de cabidela, e antes da sobremesa, o chef Vítor Adão vestiu a pele do “Galo” que entroniza e aceita na “Ordem” os novos membros. Um a um, todos os convivas foram chamados ao centro da sala do restaurante para receber o colar de “Cavaleiro da Ordem da Cabidela”. O colar de fita vermelha e com uma pena prateada é colocado no pescoço do “novo cavaleiro da ordem” que depois leva três pancadas com o ceptro que o “galo” tem na mão. No final das entronizações todos os “cavaleiros” gritam “Pela Ordem” e segue-se a degustação da sobremesa de cabidela. Este jantar foi um dos seis agendados pela Ordem para este ano de 2021. Victor Felisberto mostrou a satisfação de receber a Ordem na sua casa e disse que era bom para a região e para esta iguaria que outros restaurantes pudessem entrar neste projeto. Jerónimo Belo Jorge

/ Nuno Alves / MESTRE EM RELAÇÕES INTERNACIONAIS / nmalves@sapo.pt

considera que qualquer disrupção das cadeias mundiais de produção de semicondutores equivale a colocar milhões de vidas de americanos em risco e mesmo os governos do Japão e da Coreia do Sul já compararam a sua importância à do arroz, o alimento base da dieta alimentar no leste asiático. Taiwan, através da Taiwan Semiconductor Manufacturing Co. detém o quase monopólio mundial da produção de chips, em particular os que exigem mais sofisticação tecnológica. A China, por sua vez, nos últimos vinte anos assumiu-se como um líder mundial na produção de produtos e componentes eletrónicos mas ainda não possuí as capacidades, a tecnologia e o conhecimento para satisfazer as suas necessidades económicas internas por completo. Por exemplo, em 2019, a China apenas conseguiu produzir 16% das suas necessidades domésticas. Mas isso não quer dizer que o governo chinês não pretenda reverter essa dependência. Ao abrigo da política “Made in China 2025”, Pequim espera, por essa altura, produzir o suficiente para garantir 70% das suas necessidades internas. Depois disso, permanece a incógnita. Para já, a preponderância de Taiwan nesta indústria vital para a economia internacional funciona como um escudo protetor contra qualquer eventual ameaça externa. Até lá, a China nada poderá fazer sob o risco de colocar a produção de chips em causa. Isso poderia ser a ruína da sua economia e, eventualmente, arrastando com ela o regime comunista chinês. PUBLICIDADE

O

s alertas soam há já algum tempo: a China planeia invadir e recuperar o controlo de Taiwan, a “província rebelde, ainda durante esta década. O tema não é novo, mas se em anos anteriores o explícito apoio americano a Taiwan induziu o governo chinês a optar por uma postura mais cautelosa e discreta, já sob a liderança de Xi Jinping a postura chinesa registou um viragem no sentido oposto. Pequim reclama agora, alto e bom som, o seu direito histórico sobre o controlo da ilha. Taiwan é parte indiscutível do território soberano chinês. Taiwan n u n c a d e c l a ro u o f i c i a l m e nte a sua independência, mas Pequim recomenda muita cautela a qualquer governo que ocupe o seu lugar em Taipé para não o fazer, caso contrário isso poderá ditar uma intervenção militar chinesa para recuperar o território e terminar com a “rebeldia” da ilha. Contudo, se até hoje Taiwan permanece autónoma do controlo chinês, não o deve apenas ao apoio a m e r i c a n o, e s p e c i a l m e n t e a t é porque nos últimos anos esse apoio americano tem permanecido pouco claro. Boa parte desta autonomia devese, na realidade, a um sector muito particular da economia de Taiwan, que é visto como um fator decisivo e dissuasor para uma intervenção chinesa: a indústria de semicondutores eletrónicos, também conhecidos por chips. Os semicondutores são vitais para a economia mundial como a conhecemos e a sua importância vai desde a produção de eletrodomésticos, passando pelas telecomunicações, g a d g e t s, i n d ú s t r i a a u t o m ó ve l, aeronáutica ou militar. O presidente americano Joe Biden

Fisabrantes

Centro de Fisioterapia Unipessoal, Lda. Terapia da Fala Dr.ª Sara Pereira

Médico Fisiatra Dr. Jorge Manuel B. Monteiro

Psicóloga Clínica Aconselhamento

Fisioterapeuta Teresinha M. M. Gueifão

Audiologia / aparelhos auditivos

Ana Lúcia Silvério Dr.ª Helena Inocêncio

Acordos: C.G.D., SAMS, PSP, SEGUROS, PT - Consultas pela ADSE -------------------------------------------------Telef./Fax 241 372 082 Praceta Arq. Raul Lino, Sala 6, Piso 1 - 2200 ABRANTES Dezembro 2021 / JORNAL DE ABRANTES

27


DESPORTO /

ROTAS DE MAÇÃO apresentam Plano de Atividades para 2022 // Caminhadas temáticas, organização de eventos direcionados para empresas, passeios pedestres e de BTT, investimento nas redes sociais e produção de um vídeo promocional do concelho são apenas algumas das iniciativas das Rotas de Mação previstas para 2022. Todas as atividades têm por objetivo a preservação e valorização do património material e imaterial do concelho e a promoção do turismo de natureza em Mação. Na sequência daquilo que tem vindo a ser o seu percurso – ainda pueril –, a Associação ROTAS DE MAÇÃO (ARM) continuará, no ano de 2022, a desenvolver todos os esforços humana e materialmente suportáveis para a prossecução do objecto social e objectivos estabelecidos no artigo segundo dos seus estatutos. Assim, no seguimento dos trabalhos em curso, o plano de atividades para o próximo ano inclui a organização de trabalhos diversos para manutenção dos percursos já homologados (reposição/ reforço de sinalética

28

e desmatações) e conclusão dos trabalhos de instalação dos percursos designados por PR6 (Rota da Amêndoa), PR7 (Rota Casas da Ribeira/ Caratão), PR8 (Rota dos Envendos), PR9 (Rota do Penhascoso) e PR10 (Rota de Cardigos Praia), bem como, por fim, início dos trabalhos de instalação do PR11 (Rota das Matas e Vale do Ocreza) e PR12 (Rota das Aldeias de Cardigos); Está igualmente previsto dar continuidade às atividades que constituem o foco principal da referida Associação, tais como caminhadas, eventos de BTT, de geocaching e plogging,

JORNAL DE ABRANTES / Dezembro 2021

entre outros; além da aposta na divulgação da diversidade territorial (de locais e temas de interesse) – algo que pode, também, ser instrumento para o não “esgotamento” do património, na perspetiva da sua gestão e de uma fruição com qualidade. No que diz respeito às caminhadas de carácter temático, alusivas a atividades e/ou contextos tradicionais, destaque para o património nas rotas já homologadas e naquelas que se encontram agora em fase de instalação. Falamos de passeios pedestres que incluam, por exemplo, visitas

a lagares de azeite, à fábrica de velas Condestável (Cardigos) à Central Meleira (Queixoperra) ou às instalações da Sociedade Agrícola Terras da Gama. Por fim, destaque ainda para a apresentação oficial da Grande Rota BTT de Mação, já em desenvolvimento, e da total abertura para apoiar todas e quaisquer entidades do concelho no sentido de ajudar a promover o seu desenvolvimento socioeconómico e, para tanto, contribuir para a organização e realização dos seus próprios eventos. Dentro da estratégia

estabelecida propõe-se, igualmente, a divulgação da marca ROTAS DE MAÇÃO, dentro e fora do território concelhio, mediante o desenvolvimento de uma série de ferramentas e ações que viabilizem esse propósito, nomeadamente através da produção de um vídeo promocional do concelho. O acompanhamento dos trabalhos, a agenda de eventos e demais informação sobre as Rotas de Mação podem ser consultados através das redes sociais e também no site em www.rotasdemacao.pt.


PATRIMÓNIO / NOMES COM HISTÓRIA /

Grupo

Rua D. Miguel de Almeida – antiga rua dos Açoitados / Teresa Aparício

Desejamos a todos os nossos leitores, ouvintes, anunciantes, parceiros e colaboradores, um Feliz Natal e um Ano Novo cheio de sucessos.

do Conselho de Estado e concedeu-lhe o título de 4º conde de Abrantes. Esta rua, em 1707 era uma das mais populosas de Abrantes com moradores das mais variadas profissões como mareantes (e só estes eram nove, o que prova a importância do Tejo na vida dos abrantinos) mas também alfaiates, almocreves, ferreiros, hortelãos, serralheiros, etc. Quando o século XX chegou a meio, era ainda uma rua alegre e movimentada, com as varandas cheias de flores que as donas de casa tratavam com esmero, muitas crianças a brincarem na rua e onde trabalhavam profissionais de vários ofícios. Habitavam ali, entre outros, dois sapateiros, uma leiteira, um canalizador e uma modista de cintas, algumas vulgares mas outras mais complicadas, a que chamamos hoje ortopédicas. Pessoas com problemas de coluna vinham de longe procurá-la. Ainda aprendera a fazer espartilhos, mas como estes caíram em desuso teve de se adaptar às modas que os novos tempos ditavam. Havia também um lugar onde se vendia fruta e hortaliça e em cima à direita, num prédio hoje demolido, estava a Pensão Santos, muito procurada pelos caixeiros-viajantes que, como Abrantes tinha então bastante comércio, vinham até aqui vender os seus produtos.

PUBLICIDADE

Esta rua situa-se em pleno centro histórico de Abrantes, confina a nascente com a rua José Estêvão, perto do edifício da Câmara e a poente com a rua D. João IV. O antigo nome advém-lhe certamente de ali se ter aplicado este castigo antigo, muito usual na Idade Média e não lhe deve ser estranho o facto de estar próxima da sede do município. D. Pedro I, cognominado o Justiceiro e por outros o Cruel, ficou conhecido por o aplicar frequentemente, sobretudo após a morte de Inês de Castro, acontecimento que, como é sabido, o deixou bastante perturbado. O local de aplicação de determinados castigos, sobretudo os mais violentos, está frequentemente assinalado na toponímia, como é também o caso do Outeiro da Forca, sítio onde se encontra hoje o Bairro Municipal. Esta rua teve entretanto vários outros nomes que não sobreviveram, até que em 1940 lhe foi atribuída a sua actual designação. D. Miguel de Almeida nasceu em 1560 e morreu em 1650, com a bonita idade de noventa anos, o que na altura era raríssimo. Era filho de D. Diogo de Almeida e de D. Leonor Coutinho e sobrinho de D. Francisco de Almeida, 1º vice-rei da Índia. Apesar de já contar oitenta anos, destacou-se na coordenação da fase preparatória da revolução de 1640, que afastou os reis espanhóis e levou D. João IV, até então duque de Bragança, ao trono de Portugal. Desempenhou também papel importante na ligação entre Lisboa e Vila Viçosa, onde se encontrava o duque, ainda bastante indeciso e que era preciso convencer a tomar uma decisão rápida. Na manhã de 1 de Dezembro, participou no assalto aos Paços da Ribeira e foi o indicado para disparar o primeiro tiro, sinal combinado para dar início à revolução. Também parece que foi ele que de uma das janelas do Paço gritou a primeira aclamação de D. João IV como rei de Portugal, indo seguidamente comunicar à duquesa de Mântua, representante do rei espanhol, a notícia do novo estado de coisas no país. D. João IV, reconhecendo o seu importante papel na revolução, nomeou-o vedor da Fazenda, membro

Em Junho, pelos Santos Populares, a rua animava-se com os festejos organizados pelos moradores. À tarde ia-se buscar rosmaninho e alecrim para a fogueira, que se queria grande e duradoira. O altar em honra do santo festejado era armado pela dona do lugar da fruta, que para isso tinha um espaço adequado. Logo ao princípio da noite, acendia-se a fogueira, que depois as raparigas saltavam para ficarem abençoadas e junto da qual, ao som da música, velhos e novos dançavam animados. Os jovens queimavam alcachofras que colocavam em vasos com terra húmida e no dia seguinte, logo de manhã, iam ver se ela estava florida. Se fosse esse o caso, o amor era correspondido pela pessoa a quem a flor era dedicada. E assim se iniciavam muitos namoros… Eram noites de festa e a rua enchia-se com o perfume das ervas perfumadas queimadas na fogueira! Hoje tudo isso passou à história, as poucas pessoas que por ali vivem podem talvez viver melhor, mas não me parece que sejam mais felizes. Consultas: - Campos, Eduardo, Toponímia Abrantina, Câmara Municipal de Abrantes, 1989 - Dicionário da História de Portugal, sob a direcção de Joel Serrão, editorial Figueirinhas, Porto, 1971 - Jornais da época

Dezembro 2021 / JORNAL DE ABRANTES

29


SAÚDE / / Paula Gil / Enfermeira, Unidade Saúde Pública do ACES Médio Tejo

Estou com Gripe! Ou será Covid...?

PUBLICIDADE

“Pingo no nariz” ou obstrução nasal, dor/irritação na garganta e tosse ... sintomas comuns de infeções respiratórias, frequentes na constipação na gripe e na infeção por Covid-19! Até descobrir do que se trata, ISOLE-SE NO DOMICÍLIO para evitar infetar outras pessoas. Use medidas de proteção individuais (mascara, distância física e lavagem/desinfeção das mãos) se tiver necessidade de contactar com outras pessoas ou familiares. Não partilhe o horário das refeições. Ligue SNS24 (808 242 424) ou contacte o seu médico para fazer o diagnóstico e adequar o tratamento. Frequentemente achamos que se trata de uma simples constipação ou gripe, porque relacionamos estes sintomas com o frio, com o facto de ter apanhado chuva ou outros comportamentos comuns que, anteriormente, estavam relacionados com estas queixas. Se até então era verdade, hoje em dia com a Covid-19 é preciso descartar a presença desta infeção. Estar infetado com o vírus do Covid-19 não tem que ser necessariamente febre, falta de paladar ou cheiro! Sobretudo depois da vacinação, muitas pessoas apresentam sintomas mais leves como “Pingo no nariz” ou obstrução nasal, dor garganta, tosse ou cansaço. Nem sempre é fácil distinguir do que se trata, mas o diagnostico faz toda a diferença, quer a nível individual, mas também de saúde publica. Fazer um teste Covid-19 é a melhor forma de perceber se estamos infetados ou se não passa de uma simples constipação. Existem vários tipos de testes: o Autoteste, de fácil acesso e realização, pode ser o primeiro passo para detetar o vírus; estão também disponíveis os Testes Rápidos de Antigénio (TRAg): normalmente disponíveis na farmácia, realizados por profissionais, cujos resultados são conhecidos após 15 a 30 minutos, são também uma opção útil e bastante fidedigna perante uma pessoa com sintomas (consulte o Infarmed - Lista de farmácias de oficina que realizam testes rápidos antigénio (TRAg) de uso profissional comparticipados); por ultimo temos os Testes Moleculares de Amplificação de Ácidos Nucleicos (TAAN), conhecidos por testes PCR, são o método de referência para o diagnóstico e rastreio e confirmam a presença do vírus SARS-CoV-2 responsável pela doença COVID-19. Sabemos que com a chegada do tempo frio chegam as conhecidas constipações e gripes, situações normais nesta altura, mas não deixe correr o tempo sem descartar outras possibilidades, sobretudo se teve múltiplos contactos ou frequentou espaços de maior risco. Isole-se, faça um teste e peça ajuda especializada! Não facilite!

Boas Festas c

a ontinu

A SU A V I DA

30

E M BOAS M ÃO S

JORNAL DE ABRANTES / Dezembro 2021

Urgência Médico Cirúrgica já dispõe de espaço para expansão em Abrantes No dia 11 de novembro, a ARSLVT procedeu à entrega formal das chaves do antigo Centro de Saúde de Abrantes, que se encontrava situado, fisicamente, nas instalações da Unidade hospitalar de Abrantes do CHMT, através de Isabel Durão, do Serviço de Administração Patrimonial daquela Entidade. O Centro de Saúde foi instalado na Unidade de Abrantes no 1º trimestre de 1994, onde funcionou durante 27 anos. Encerra-se assim “um ciclo de colaboração institucional entre as

/ As chaves foram entregues no dia 11 de novembro

duas Instituições, que permitiu que a resposta aos utentes, no âmbito dos Cuidados de Saúde Primários, - que representam o primeiro nível de contacto da comunidade com o Serviço Nacional de Saúde -, fosse realizada e desenvolvida num espaço adequado, proporcionando as condições apropriadas para o correto atendimento dos utentes”. Futuramente, o espaço será objeto de intervenção estrutural, no âmbito do projeto de expansão da Urgência Médico Cirúrgica, da Unidade hospitalar de Abrantes do CHMT.

TAC disponível a utentes do ACES Médio Tejo

Consulta de Desenvolvimento regressa à Unidade de Tomar

É agora possível aos utentes dos Centros de Saúde da área de influência do ACES Médio Tejo realizarem exames de TAC (Tomografia Axial Computorizada) nas Unidades de Tomar ou Torres Novas. Para isso, basta terem a credencial passada pelo médico de família e marcarem o exame, através do Centro de Saúde, ou presencialmente no CHMT, dirigindo-se ao secretariado do Serviço de Imagiologia das Unidades de Tomar ou de Torres Novas. “Mais uma medida importante de integração de cuidados e de aproximação entre instituições que integram o Serviço Nacional de Saúde”, adianta o CHMT.

À semelhança do que tem vindo a acontecer com outros serviços e na continuidade do plano de normalização dos diferentes Serviços, a Consulta de Desenvolvimento regressa esta segunda-feira, dia 8 de novembro, ao piso 3 da Unidade de Tomar. Apesar de a pandemia ainda não estar ultrapassada, segundo o CHMT, “a diminuição do número de infetados e o processo de vacinação que foi implementado, permitem o regresso desta valência ao seu local habitual, em condições de segurança”. Com mais esta medida, o Conselho de Administração pretende que a atividade nas Unidades Hospitalares que constituem o CHMT, Abrantes, Tomar e Torres Novas, “possam recuperar a sua dinâmica, mantendo sempre o foco na melhor prestação de cuidados de saúde à população do Médio Tejo”.

/ Os utentes dos Centros de Saúde já podem realizar a TAC nos hospitais

Equipa multi e interdisciplinar implementa plano de intervenção em ortopedia Esta equipa, multi e interdisciplinar, inicia a sua intervenção com uma avaliação global dos doentes, imediatamente após a sua admissão no Serviço de Urgência, conseguindo prevenir grande parte das complicações peri-operatórias e possibilita a programação precoce da intervenção e da reabilitação futura, com rápido retorno ao nível funcional anterior. O plano entrou em funcionamento no dia 6 de outubro, com a disponibilização diária de uma sala de orto trauma, para abordagem precoce das fraturas proximais do fémur (FPF), dispondo de 12 camas de ortogeriatria, no 8º piso da Unidade de Abrantes, sob supervisão da Medicina Interna, dedicadas ao tratamento destes doentes. Como resultado da estratégia im-

plementada, entre o dia 6 de outubro e 23 de novembro, foram realizadas 175 cirurgias de ortopedia no Bloco Operatório de Abrantes, das quais 130 em contexto de orto traumatologia (aguardando, no momento, para cirurgia somente dois doentes com diagnóstico de fratura proximal do fémur). Com a continuidade deste trabalho, esta equipa está a providenciar o tratamento adequado, a todos os casos sem exceções, em menos de 48 horas. Para dotar este serviço de ainda melhores condições de trabalho e maior capacidade de resposta, também só possível com o reforço de recursos humanos que o serviço de ortopedia teve nos últimos dois meses, o Conselho de Administração tem prevista a aquisição, no início de 2022, de uma nova mesa

operatória de tração ortopédica. Esta mesa possibilitará “uma maior facilidade de tração dos membros inferiores, permitindo mais flexibilidade no posicionamento do paciente e com opções de proteção contra sobrecarga e prevenção e reconhecimento de colisão controlada por sensores que ajudam a aumentar a segurança do paciente”. Desta conjugação de condições de trabalho, recursos humanos qualificados e trabalho interdisciplinar, “em breve será uma realidade a afirmação do CHMT como uma referência, a nível nacional, na abordagem das fraturas de fragilidade”, uma patologia que se diagnostica em pacientes com idade média de 80 anos e que, em Portugal, calcula-se que conduza a uma taxa de mortalidade de cerca de 10% aos três meses e de 30% aos 12 meses, após a fratura. De realçar que menos de 50% dos doentes retornam ao seu nível de mobilidade prévio.


PUBLICIDADE / CLINICA MÉDICA E REABILITAÇÃO CONSULTAS

FISIATRIA - Dr. Joaquim Rosado - Dra. Almerinda Dias - Dr. Pedro Caetano - Dr. Duarte Marcelo - Dra. Carolina Barbeiro ORTOPEDIA - Dr. António Júlio Silva - Dr. Gonçalo Martinho PEDIATRIA - Dra. Isabel Knoch CIRURGIA GERAL - Dr. Germano Capela DERMATOLOGIA - Dr. José Alberto Dores PSICOLOGIA CLINICA - Dra. Ana Torres - Dra. Fátima Carvalho NUTRIÇÃO | OBESIDADE - Dra. Carla Louro REUMATOLOGIA - Dr. Jorge Garcia

IMAGIOLOGIA RESSONÂNCIA MAGNÉTICA TAC TOMOGRAFIA AXIAL COMPUTORIZADA

RADIOLOGIA GERAL DIGITAL ORTOPANTOMOGRAFIA DIGITAL CEFALOMETRIA DENTAL SCAN DENSITOMETRIA ÓSSEA E CORPORAL

ECOGRAFIA GERAL ECOGRAFIA ENDOCAVITÁRIA ECO-DOPPLER COLORIDO ECOCARDIOGRAFIA

Acordos em TRATAMENTOS FISIOTERAPIA Caixa de Previdência (ARS Santarém), ADSE, ADMFA, ADME, ADMG, CTT, SAMS, P. TELECOM,EDP, Seguradoras, Medis Saúde, Espirito Santo Seguros, Seguros Acidentes Pessoais, MultiCare, Tranquilidade Seguros etc.

CHAMBEL

MÓVEIS E ELETRODOMÉSTICOS, LDA. Móveis em todos os estilos, e por medida.

Tapada Chafariz, Lote 6 r/c Esq.- 2200-235 ABRANTES Telef. 241 371 715 - 932 904 773 Fax 241 371 715 - geral@abranfir.pt

A23 TORRES NOVAS

CHAMBEL ZONA INDUSTRIAL NORTE ABRANTES

R. D. Afonso Henriques, 31 - 2200 Abrantes Tel.: 241 360 270 - Fax: 241 366 681

SARDOAL

Via Industrial 1, Abrantes 241 098 114 . 967 135 840

A23 CASTELO BRANCO

ABRANTES - VILA DE REI

afunerariapaulino@hotmail.com SEDE

ANTÓNIO PIRES DE OLIVEIRA

Rua Nossa Senhora da Conceição, 40 2200-392 Abrantes Tel/Fax.: 241 362 737 Telm.: 914 612 714 Telm.: 917 595 537

SERVIÇO PERMANENTE FUNERAIS TRASLADAÇÕES FLORES ARTIGOS RELIGIOSOS CAMPAS

FILIAL Largo da Devesa, Lt 3 6110-208 Vila de Rei Tel/Fax.: 274 898 569 Telm.: 914 975 840

ADVOGADO ESCRITÓRIO: ABRANTES: Rua de Santa Isabel, n.º1 - 1.º Dt.º - Tel.: 241 360 540 - Fax: 241 372 481 Tel: 966026783 - e-mail: dr.a.oliveira-355e@adv.oa.pt

CENTRO MÉDICO E ENFERMAGEM DE ABRANTES

Largo de São João, N.º 1 - Telefones: 241 371 690 - 241 094 143 e-mail: geral@misericordiadeabrantes.pt

J. A. CARDOSO BARBOSA

CONSULTAS

OTORRINOLARINGOLOGISTA (Ouvidos, Nariz Garganta)

Consultas e Exames de Audição

Edifício Tejo/Sopadel, Sala 1 - 1.º Piso (Junto ao novo Terminal Rodoviário)

OURIVESARIAHeleno OURO . PRATA . RELÓGIOS . CASQUINHAS . TAÇAS

QUEREMOS SER VENDA: MONTAGEM: ASSISTÊNCIA TÉCNICA:

A solução... com confiança A dedicação... com objectivos futuros A prontidão... com preocupação

SOMOS

.

Tel. 241 366 393

ORTOPEDIA DR. MATOS MELO

ALERGOLIGIA DRA. GRAÇA PIRES

EXAMES ENDOSCOPIA DIGESTIVA ALTA DR. RUI MESQUITA

OTORRINOLARINGOLOGISTA DR. RUI CORTESÃO

CIRURGIA DR. FRANCISCO RUFINO

COLONOSCOPIA TOTAL DR. RUI MESQUITA

CLÍNICA GERAL DR. ANTÓNIO PROA; DR. PEREIRA AMBRÓSIO; DRA. ROSA MENDES

HOMEOPATIA DRA. MARIA LUÍS LOPES NEUROCIRURGIA DR. ARMANDO LOPES

DERMATOLOGIA DRA. MARIA JOÃO SILVA

NEUROLOGIA DRA. AMÉLIA GUILHERME; DRA. ISABEL LUZEIRO

EEG – ELETROENCEFALOGRAMA TÉCNICA HÉLIA GASPAR

Representante oficial dos artigos

RUA MONTEIRO DE LIMA, 16-A. ABRANTES

GASTROENTEROLOGIA DRA. CLÁUDIA SEQUEIRA; DR. RUI MESQUITA

CARDIOLOGIA DRA. MARIA JOÃO CARVALHO

Marcação de Consultas pelo Telefone 241 363 111

Relógios

ACUPUNCTURA Tradicional Chinesa/ Fisioterapia DRA. ANA RITA LUTA

• ESTUDO • PROJECTO

• FORNECIMENTO • MONTAGEM

• ASSISTÊNCIA TÉCNICA

Tel.: 241 379 850 Fax: 241 379 859 Av. 25 de Abril, 675 2200-299 Abrantes Portugal geral@abranfrio.pt

NUTRICIONOSTA DRA. MARIANA TORRES

ENFERMAGEM ENF. MARIA JOÃO LANÇA; ENF. BRUNO FERREIRA; ENF. HUGO MARQUES

OBSTETRÍCIA/GINECOLOGIA DRA. LÍGIA RIBEIRO; DR. JOÃO PINHEL

FISIOTERAPIA/OSTEOPATIA DRA. PATRICÍA MASCATE

OFTALMOLOGIA DR. LUÍS CARDIGA

OSTEOPATIA DR. GONÇALO CASTANHEIRA

PENEUMOLOGIA DR. CARLOS LOUSADA PROVA F. RESPIRATÓRIA TÉCNICA PATRÍCIA GUERRA PSICOLOGIA DRA. ODETE VIEIRA; DRA. ANA TORRES PSIQUIATRIA DR. CARLOS ROLDÃO VIEIRA; DRA. FÁTIMA PALMA REUMATOLOGIA DR. JORGE GARCIA TERAPIA DA FALA DRA. SUSANA CORDA UROLOGIA DR. RAFAEL PASSARINHO

Dezembro 2021 / JORNAL DE ABRANTES

31


PUBLICIDADE


Millions discover their favorite reads on issuu every month.

Give your content the digital home it deserves. Get it to any device in seconds.