Jornal de Abrantes - agosto 2022

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/ JORNAL DE ABRANTES

122 ANOS

/ Abrantes / Constância / Mação / Sardoal / Vila Nova da Barquinha / Vila de Rei / Diretora Patrícia Seixas AGOSTO 2022 / Edição nº 5618 Mensal / ANO 122

/ DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

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ENTREVISTA

APÓS 20 ANOS DE DIREÇÃO, ALCINO HERMÍNIO QUERPágs.3 “MUITO DAR AULAS” e4 RIO DE MOINHOS

JUNTA DE FREGUESIA TEM EDIFÍCIO EM LISBOA QUE VAI SER UM HOTEL Pág. 5

VILA DE REI

ANTÓNIO COSTA QUER “REINTRODUZIR RIQUEZA NA FLORESTA” Pág. 19

REPORTAGEM

Barbeiros: passado, presente e futuro PUBLICIDADE

Págs. 16 e 17

Grupo

uma nova forma de comunicar. ligados por natureza. 241 360 170 . geral@mediaon.com.pt www.mediaon.com.pt

Pág. 20 PUBLICIDADE

MENDES & GONÇALVES MOLHO DO MCDONALD’S É PRODUZIDO NA GOLEGÃ


A ABRIR / FOTO OBSERVADOR /

EDITORIAL /

/ Prodigy Players

/ Patrícia Seixas / DIRETORA

“A Associação Nacional dos Técnicos de Emergência Médica (ANTEM) considerou "intolerável" que alguém fique na rua uma hora e 15 minutos à espera de uma ambulância do INEM”, DN - 23 de julho de 2022 “Idosa acidentada morre após longa espera por ambulância do INEM”, RTP - 23 de julho de 2022 “CHMT abre inquérito após morte de bebé de grávida que foi assistida em Santarém”, Antena Livre - 28 de julho de 2022 “Médicos dizem que mês de agosto será crítico” - SIC Notícias - 29 de julho de 2022 Haveria muitas mais manchetes e títulos para apresentar mas estes dão já uma ideia do que se está a passar. Nos últimos tempos, podemos falar em meses, este tipo de notícias tem sido uma constante. Constrangimentos e mais constrangimentos nos serviços de urgência do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Sucedem-se os encerramentos de serviços e agora ouvimos que os chefes de equipas em hospitais “ameaçam despedir-se em bloco por falta de condições”. Afinal, o que se passa? Que aconteceu ao nosso SNS? Da falta de médicos de família passamos à falta de especialistas, da falta de serviços nos cuidados primários passamos à falta dos serviços de urgência... e a seguir? Já nos tinham avisado para não adoecermos no mês de Agosto mas isto não é demais? Atingiu-se um estado de tal maneira grave que até há bem pouco tempo era inimaginável que pudesse acontecer em Portugal. No nosso SNS. De quem é a culpa? Dos médicos? Do SNS? Das universidades? Do Governo? Não me compete a mim atribuir culpas, mas como cidadã deste país, compete-me exigir segurança numa área fulcral como é a nossa saúde. Se há leis mal feitas, refaçam-nas, mas bem. Se há médicos a sair do SNS, revejam as condições. Se há falta de médicos, abram mais vagas nas universidades. Façam tudo isso ou não façam nada disto mas, por favor, façam alguma coisa. A situação é intolerável e depois de uma pandemia, um SNS “abananado” é tudo o que não precisamos. E os médicos e enfermeiros também dispensam serem mal tratados pelos doentes ou pelos familiares. Mas com a visível falta de cuidados, é natural que em situações de extremo cansaço, tanto uns como outros não consigam assistir impávidos e serenos. E por aqui me fico para que as palavras não me azedem. Boas férias se for o caso e, por favor, não adoeça.

ja / JORNAL DE ABRANTES

A abrantina Joana Marchão, 25 anos, internacional portuguesa de futebol, assinou por duas épocas com o Parma Calcio e vai jogar na Liga Italiana. A extremo-esquerdo, ou lateral esquerdo, iniciou-se na formação no Sport Abrantes e Benfica, tendo passado pelo União de Tomar e Ouriense antes de ingressar no plantel do Sporting Clube de Portugal na época 2016/17. O novo reforço da formação italiana do Parma assinou um contrato válido até 2024 e esta será a primeira experiência no estrangeiro. Segundo informação da página ZeroZero, no clube italiano, Joana Marchão “vai encontrar a portuguesa Giovana Maia, que já integra o plantel comandado por Fabio Ulderici”. Felicidades e sucessos, Joana!

PERFIL /

/ Lígia Marques, 37 anos / Técnica superior no Município de Abrantes, no serviço de património e museus

/ Naturalidade / Residência: Natural de Abrantes, criada e residente em Crucifixo, freguesia de Tramagal.

talvez se soubesse cozinhar muito bem, além de simplificar as coisas, porventura facilitaria e gostaria mais da tarefa.

/ Qual é o seu maior medo? O “nunca mais” seja no e do que for. Não gosto desse conceito e atormenta-me.

/ Saber tocar bem um instrumento musical? Não.

/ Que pessoa viva mais admira? Neste momento, pelas atuais circunstâncias políticas, sobretudo nestes últimos dias, direi Augusto Santos Silva, presidente da Assembleia da República. / Onde e quando foi mais feliz? Profissionalmente, no Museu dos Coches em Lisboa, a 25 de maio de 2018, quando o Museu MDF (Metalúrgica Duarte Ferreira) recebeu o Prémio de Melhor Museu Português do Ano, atribuído pela APOM (Associação Portuguesa de Museologia). Pessoalmente, a 12 de julho de 2012, no dia do meu casamento. / Que talento mais gostaria de ter? Cozinhar. Acho que não cozinho mal, mas não é algo que goste particularmente de fazer, por isso

/ Se pudesse mudar uma característica em si, o que seria? Gostar e conseguir dormir e acordar cedo… / Se soubesse que morria amanhã, o que faria hoje? Uma grande festa. / O que mais valoriza nos seus amigos? A sinceridade e a frontalidade. / Quem são os seus artistas favoritos? Tenho um gosto musical bastante eclético, mas a banda que me acompanha desde a adolescência e cujos acordes reconheço em milésimos de segundo e cuja voz do vocalista me preenche totalmente o gosto do ouvido, são os Marilyn Manson. Depois as artes são vastas e variadas e gosto de muitos outros artistas em

diferentes áreas. / Quem é o seu herói da ficção? Indiana Jones. Sei as falas quase de cor dos filmes! / Com que figura história mais se identifica? Vasco da Gama. Sempre tive um fascínio e admiração por ele e pelos seus feitos. / Quem são os seus heróis da vida real? Todas e todos aqueles que de forma abnegada agem e atuam em prol do outro, seja ele humano ou animal. / Onde gostaria mais de viver? Gosto verdadeiramente do local onde vivo. Sempre aqui vivi, exatamente no mesmo sítio. / Se fosse presidente de Câmara, o que faria? Seguia e continuaria a promover uma política de proximidade às freguesias, promovendo a coesão territorial do concelho. Revejome a acredito que a “União Faz Abrantes”. Por isso, não mudaria nada em relação ao que se tem feito atualmente.

FICHA TÉCNICA Direção Geral/Departamento Financeiro Luís Nuno Ablú Dias, 241 360 170, luisabludias@mediaon.com.pt. Diretora Patrícia Seixas (CP.4089 A), patriciaseixas@mediaon.com.pt Telem: 962 109 924 Redação Jerónimo Belo Jorge (CP.7524 A), jeronimobelojorge@mediaon.com.pt, Telem: 962 108 759, Maria Francisca Carvalho (estagiária). Colaboradores Berta Silva Lopes, Leonel Mourato, Paula Gil, Paulo Delgado, Taras Dudnyk, Teresa Aparício. Cronistas Alves Jana e Nuno Alves. Departamento Comercial. comercial@mediaon.com.pt. Design gráfico e paginação João Pereira. Sede do Impressor Unipress Centro Gráfico, Lda. Travessa Anselmo Braancamp 220, 4410-359 Arcozelo Vila Nova de Gaia. Contactos 241 360 170 | 962 108 759 | 962 109 924. geral@mediaon.com.pt. Sede do editor e sede da redação Av. General Humberto Delgado Edf. Mira Rio, Apartado 65, 2204-909 Abrantes. Editora e proprietária Media On Comunicação Social, Lda., Capital Social: 50.000 euros, Nº Contribuinte: 505 500 094. Av. General Humberto Delgado Edf. Mira Rio, Apartado 65, 2204-909 Abrantes. Detentores do capital social Luís Nuno Ablú Dias 70% e Susana Leonor Rodrigues André Ablú Dias 30%. Gerência Luís Nuno Ablú Dias. Tiragem 15.000 exemplares. Distribuição gratuita Dep. Legal 219397/04 Nº Registo ERC 100783. Estatuto do Jornal de Abrantes disponível em jornaldeabrantes.sapo.pt RECEBA COMODAMENTE O JORNAL DE ABRANTES EM SUA CASA POR APENAS 10 EUROS (CUSTOS DE ENVIO) IBAN: PT50003600599910009326567. Membro de:

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JORNAL DE ABRANTES / Agosto 2022


ENTREVISTA /

“Quero muito dar aulas” // Alcino Hermínio terminou no início de julho deste ano duas décadas de direção da Escola Secundária Dr. Manuel Fernandes. Foram dois períodos de direção entre 1997 e 2022 com uma interrupção entre 2005 e 2010. Apanhou a mudança da escola para o Agrupamento de Escolas, as obras de requalificação da escola, lançou o ensino artístico e fez frente ao embate provocado pela pandemia. Aos 60 anos vai fazer um ano de ensino da matemática para S. Tomé, num outro desafio pessoal e profissional Entrevista por Jerónimo Belo Jorge O que o é que o motivou a avançar para a direção da escola?

Eu acho que uma das características pessoais é ser um sonhador e apesar de ter feito recentemente 60 anos tenho essa característica. Fui para o ensino superior fazer um curso de ensino e era isso que eu queria mesmo, o meu sonho era ser professor de matemática, ponto final. Dei aulas alguns anos e, ao mesmo tempo o bichinho começou a mexer e eu pensei, “há aqui coisas nas escolas que podiam ser diferentes. Mas para ser diferentes eu tenho de ter outra margem de manobra” e isso consegue-se, pensava eu, exercendo funções de direção. Portanto, foi essa vontade de ajudar a mudar a escola por dentro, que levou o professor a experimentar as funções de direção.

Dirigir uma escola é diferente de dirigir um agrupamento? Quando foram criados os agrupamentos quais foram os maiores problemas?

Eu só posso falar pela minha experiência. Eu fui diretor da Escola Dr. Manuel Fernandes e a seguir do Agrupamento de Escolas Dr Manuel Fernandes, que posteriormente em 2013 veio dar origem ao Agrupamento de Escolas N.º2. Isto teve várias fases. Quando se dirige uma escola, que no caso é uma escola grande (em 1997 tinha perto de dois mil alunos) é óbvio que é difícil e trabalhoso lidar com tanta gente, porque para dois mil alunos correspondem cento e muitos professores e por aí fora.

Dois mil alunos do 3.º ciclo e secundário?

Na altura era desde o 7.º ao 12.º . Passar para um agrupamento é muito mais complexo, porque temos várias escolas (agora são oito), umas pequeninas, outras maiores, e não se consegue acompanhar de perto, no dia a dia, tantas escolas, tantas realidades diferentes, de maneira nenhuma.

Qual a escola ou o processo mais difícil com que deparou?

Sem hesitação nenhuma, os últimos quatro anos, por várias razões, mas a gota de água foi a pandemia. Foi o processo mais difícil e doloroso. Um desafio de dia, de noite, sem experiência nenhuma a lidar com problemas novos.

Há muitos momentos que vão ficar registados. Um deles foi o caminho para a entrada no ensino profissional e outro a aposta no ensino artístico... porquê este caminho?

Isso faz parte dos processos de crescimento que todas as instituições. Nós,

a certa altura, temos de fazer balanços. Percebemos que havia uma oportunidade na área do ensino artístico. Havia procura de alunos e de encarregados de educação e havia muito pouca ou nenhuma oferta. Portanto, dessa análise e também de uma oportunidade interna, porque surgiram pessoas com alguma capacidade para avançar nesse caminho e também porque houve um contexto nacional a certa altura, no Ministério, houve abertura para alargar o número de escola com ensino artístico. Juntaram-se aqui vários fatores. Decidimos avançar e foi bem-sucedido. No caso do ensino profissional, o Agrupamento N.º 2 e a Escola Dr Manuel Fernandes, em particular, nunca tiveram muitos. Fomos à procura de nichos de qualidade em que podemos apostar e surgiram dois. Um que é as artes do espetáculo, que agora se chama Curso Profissional de Interprete de Ator ou Atriz. É um curso mesmo de nicho. Depois houve outro onde foi possível fazer aqui um casamento feliz num nicho que é o Curso de Manutenção Industrial.

E continua a ter procura?

Esse é um problema que ainda não se conseguiu dar a volta, porque todos os anos é difícil abrir esse curso. É uma coisa estranha, mas não é um problema de Abrantes, é um problema nacional que é o da procura de cursos profissionais.

Já muita coisa mudou, mas continua a ser difícil.

É estranho, continua a ser difícil abrir o curso. Todos os anos temos de andar à procura de alunos, é difícil de entender, são profissões bem pagas com emprego garantido, nesse aspeto não conseguimos ter sucesso. Sucesso sim, porque estes parceiros, as empresas, o agrupamento, a Câmara, a Junta de Freguesia e, a desde há dois anos, esta parte da Escola Superior de Tecnologia de Abrantes. Constituímos uma equipa muito motivada para fazer um trabalho nesta área.

Mas há momentos de festa, como as obras da escola sede ou os 50 anos da Manuel Fernandes?

Eu, é engraçado, apanhei com os 40 e apanhei com os 50. As comemorações são importantes, do ponto de vista simbólico, para reunir as pessoas, para mobilizar as pessoas.

Mas há marcas que ficam, não se refletem no trabalho do dia a dia dos alunos, mas garantem aqui uma marca da escola, até mais nos ex alunos?

Sim. Não foram propriamente nesses anos dos 40 e dos 50, mas foi todo o percurso ao longo desses anos. Se eu tivesse de escolher uma marca do Agrupamento N.º 2 de Abrantes, do ponto de vista dos alunos, é o grande dinamismo que eles têm. Apresentando propostas, desafiando

os professores, desafiando as direções, para concretizar ideias, muitas das vezes inéditas, muitas das vezes criativas, mas também a maneira como reagem prontamente à proposta e desafios dos professores. Eu não tenho uma visão muito pessimista da educação em Portugal. Acho que a generalidade dos nossos alunos aqui saem como pessoas com iniciativa, com princípios, com valores e que vão à luta por um futuro melhor. Claro que há problemas, não estou aqui a pintar nada de cor de rosa, mas não vejo as coisas tão negativas como por vezes pintam.

E a residência.... é a pedra no sapato dos seus mandatos? Não, não é. É uma pedra no sapato.

Foi uma luta muito grande que continuou até aos últimos dias de direção? Foi uma luta em que eu aproveitei todos os momentos em que era possível chamar a atenção para essa questão. A residência não é um problema. A residência é uma grande oportunidade para o agrupamento e para Abrantes. A oportunidade é porque está ali um edifício público, que se está a degradar ao longo dos anos e que podia ser muito rentabilizado pela própria escola nas várias áreas dos cursos que tem em funcionamento, nomeadamente no artístico, como acabamos de falar. Acho

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ENTREVISTA / muitas reuniões são feitas à distância, há outras que, felizmente passaram a presencial como o caso dos conselhos de turma de avaliação que são presenciais. Mas há outras que ficaram pelo digital e não se perde nada, antes pelo contrário, ganha-se sendo à distância.

Hoje fala-se muito em escola sem ser no “modo autocarro”, ou seja, cadeiras em fila. Isto é uma mudança muito grande. O ensino tem dificuldade em adaptar-se às mudanças dos novos tempos?

Não, não tem, isso é um processo. Deu o exemplo das salas de aula que não são em fila, em comboio, não é? Pode parecer estranho, mas a Escola Dr. Manuel Fernandes teve obras da “Parque Escolar”, mas as salas são pequenas, logo é muito difícil organizar que não seja em fila. Às vezes a realidade impõe outras estratégias que não as seguidas. que há ali potencial que é uma pena desaproveitado.

O ministro da Educação, João Costa, disse conhecer bem o processo pela insistência do diretor. Acredita que haverá fumo branco em breve?

Em breve não, eu acho que é um processo complexo. O ministro João Costa é uma pessoa muito dialogante que ouve muito, mas os ministros da educação não têm o poder do Ministério das Finanças e tudo passa por aí. Isso não é para o Governo e para o Ministério das Finanças uma prioridade, portanto é algo vai demorar.

Como é que foi o embate da pandemia. Primeiro ao nível de gestão da escola em casa, adaptação de programas, criação de condições técnicas para professores e alunos?

Muito complexo. Foi uma gestão de dia a dia em que fomos aprendendo uns com os outros. Quando digo uns com os outros não digo só nas escolas, mas principalmente entre direções dos vários agrupamentos, porque aprendíamos como cada um estava a resolver determinados problemas. Isto porque o próprio ministério não sabia muito bem o que havia de dizer aos diretores para resolver certos problemas, como é que em certas situações se prevenia o contágio. Nós fomos descobrindo o caminho. E muitas vezes foram as escolas que encontraram medidas que depois foram adotadas e generalizadas pelo Ministério da Educação. Foi um dia a dia difícil. Pediram-nos para dar aulas à distância num processo que foi evoluindo. De início havia muitos professores que não estavam a conseguir fazê-lo, mas pouco a pouco esses professores, com a ajuda de outros colegas, foram aprendendo.

Por vezes muito criticados por decisões...

...sim, mas eu lembro-me de receber e de fazer chamadas à uma da manhã e às duas, porque tinha surgido um caso e eu não sabia como atuar, se no dia seguinte devia manter a criança em casa, se devia a deixar vir, pronto, havia "n" situações e os médicos de saúde pública foram

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JORNAL DE ABRANTES / Agosto 2022

de uma grande disponibilidade. E eu aqui destacava a Dra Maria dos Anjos. Fabulosa. Fantástica essa senhora. Não a conheço ainda, pessoalmente, mas falei muitas vezes com ela ao telefone. Sempre disponível. Ela e os outros. Mas eu destacava o seu papel. A minha homenagem para esses médicos que foram auxiliares incríveis neste período difícil.

E o choque dos primeiros casos, na primeira vaga, ainda com muito desconhecimento do que era este vírus?

Foi incrível, nós tínhamos de nos equipar todos, igual astronautas para ir buscar o aluno à sala quando se suspeitava que o aluno estava, para o levar para a sala de isolamento. Era um aparato, uma coisa que impressionava e que depois a pouco e pouco fomos aligeirando porque as coisas não eram assim tão dramáticas, mas o receio…

Teve momentos de tensão com encarregados de educação?

Deve ter havido, mas não recordo. Acho que fomos todos adultos e muito colaborantes e compreensíveis.

Mas com muitas dúvidas? Muitas perguntas?

Sim, mas houve, certamente, um ou outro encarregado de educação que reagiu mal. Eu recordo-me que nós adotamos um procedimento que quando tínhamos um caso positivo e era preciso que a turma ficasse em isolamento, no primeiro ano era esse o procedimento, telefonávamos aos pais, se fosse preciso às 23 horas ou já depois da meia-noite, uma da manhã.

A escola adaptou-se. Mas foi uma adaptação para melhorar no futuro ou pode ir desaparecendo com passar do tempo?

A parte do trabalho com as novas tecnologias, com os computadores, com os telemóveis, veio para ficar. Há é que fazer uma aprendizagem, numa situação normal, de qual será a melhor maneira do ponto de vista pedagógico, do ponto de vista formativo, de usar esses recursos. Agora, é óbvio que neste momento,

Mas o ensino no geral demora a adaptar-se àquilo que são os novos pensamentos?

Demora, isso não é uma coisa que se decida, acredito que haja diretores que convencem o Conselho Pedagógico a que a partir de agora todas as salas são de determinada forma. As mudanças em educação são um processo demorado e às vezes temos a ideia que ficamos para trás. Eu não sei se ficamos para trás. Prefiro mudanças lentas e seguras do que mudanças rápidas em que avançamos e depois temos de recuar.

A transferência de competências, já feita em Abrantes, terá as avaliações anuais. Mas para quem acompanhou este processo quais são as mais-valias?

Abrantes é um caso especial, porque antes da descentralização de competências as escolas já trabalhavam com a autarquia, em parceria. Abrantes fui um dos primeiros municípios, não foi o primeiro, mas foi um dos primeiros que elaborou um projeto educativo municipal e isso foi fruto da vontade dos agrupamentos e da Câmara. Esses parceiros já trabalhavam em conjunto. Tudo corria às mil maravilhas? Não. Havia conflitos? Sim.

Quando chegou a parte formal da transferência de competências, foi formalizar algo que já vinha de trás?

Há áreas que eram novas. As áreas de todos os assistentes passaram para a Câmara e aí não estávamos habituados. Foi um processo que demorou algum tempo das duas partes a ver como é que podíamos articular para que esse processo não prejudicasse a escola e a facilitasse. Aí demorou algum tempo, houve alguns desencontros, mas as coisas melhoraram. Um dos problemas que eu tive ao longo dos anos que fui diretor, foi a falta de assistentes operacionais. Agora a coisa está melhor, há menos falta de assistentes operacionais. Repare que eu estou a dizer que há menos falta. Quando é que há falta? Quando em algumas alturas do ano, fruto do nível etário dos assistentes operacionais também é elevado,

as pessoas adoecem e há um maior número de pessoas que estão a faltar por doença e aí voltamos a ter problemas. Agora quando se olha para um ao letivo inteiro, os problemas são muito menores dessa parte. Houve melhorias. Depois, nas partes que passaram para a Câmara, ainda é tempo, temos de fazer o balanço mais tarde, para saber se houve assim tantas vantagens ou se não houve grande vantagem. Não estou a dizer que ficou pior em algumas áreas, acho que é cedo para dizer isso.

Vamos falar dos famosos rankings?

Saíram os rankings e nós olhamos para as escolas e vemos aquelas posições e depois não vemos outras coisas que vêm lá. Há outros indicadores interessantes. Só se olha para os globais. Abrantes tem problemas, portanto os resultados não são satisfatórios. Esse é um dos meus insucessos. Não fui capaz de melhorar significativamente os resultados dos alunos. Mas o Agrupamento N.º 2 não é o problema. O problema é genérico e Abrantes tem de olhar para ele no sentido de tentar perceber o que é que está a causar esta dificuldade em melhorar o sucesso escolar no concelho. Mas há dados positivos.

Foram anos e anos de direção. Sentiu falta da sala de aula?

Não houve tempo para sentir falta da sala de aula, porque o dia a dia do diretor, sobretudo o do diretor Alcino Hermínio que é um bocado, enquanto pessoa, elétrico, não me permitia sentir falta da sala de aula.

Quer voltar à sala de aula?

Quero, quero muito dar aulas, agora quero.

E o que é que se segue?

Vai ser uma experiência que eu acho que vai ser fantástica, vou dar aulas de matemática, que é a minha profissão inicial e de base, para uma escola portuguesa titulada do Ministério da Educação de Portugal em São Tomé (S. Tomé e Príncipe), portanto no próximo ano estarei a dar aulas nessa escola.

É um sonho? Um desafio de vida?

Era um sonho antigo trabalhar em África, é verdade. E agora é um desafio na altura certa, porque finalizados 20 anos como diretor, feitos 60 anos recentemente, é altura de balanços e de fazer coisas diferentes, que nos mexam, que não nos deixem cair numa rotina ou na saudade daquilo que já fiz e ficou para trás, e que me vai obrigar a mexer a andar para a frente

Já estudou o país. Qual vais ser o maior desafio?

O maior desafio não sei se é com a escola ou com os alunos. Talvez seja se vou ou não ser capaz de me integrar num meio completamente diferente de cultura africana. Esse receio é também uma vontade muito grande de ir, portanto, não sei responder a essa pergunta.

* Pode ler a entrevista completa em jornaldeabrantes.sapo.pt


REGIÃO / Abrantes

Junta de Rio de Moinhos tem edifício em Lisboa que vai ser um Hotel // Ao ler o título pode pensar-se que haverá aqui algum equívoco, mas não. É assim mesmo. A Junta de Freguesia de Rio de Moinhos, de Abrantes, é a proprietária de um edifício no Campo das Cebolas, em Lisboa, quase ao lado da Casa dos Bicos, local onde está a sede da Fundação José Saramago. Fernando Vieira Ferreira era um empresário de Rio de Moinhos com uma amplitude de negócios muito variada em Lisboa e em Rio de Moinhos. Na altura em que ainda havia tráfego fluvial através do rio Tejo, este empresário construiu um património assinalável tanto em Rio de Moinhos como em Lisboa. E se em Rio de Moinhos o empresário já tinha doado várias propriedades à “comunidade”, também deixou um edifício na freguesia de Santa Maria Maior, ao lado da Casa dos Bicos. E a Junta de Freguesia de Rio de Moinhos, sendo a dona desse imóvel, resolveu criar condições para que possa constituir uma fonte de rendimento para a aldeia. Desta forma, através de um fundo imobiliário, o imóvel está arrendado para poder vir a ser um hotel que, segundo Rui André, presidente da

/ O edifício em obras vai ser um hotel 3 estrelas Junta de Freguesia de Rio de Moinhos, deverá abrir portas em 2023. Esta doação foi feita em 1999 e a partir daí começou uma longa

jornada de burocracia no sentido de poder dar rumo à “herança”. Rui André explica que este foi um processo demorado devido às ques-

tões técnicas e legais que envolvem uma autarquia. Há outro tipo de procedimentos. As obras estão a decorrer nesta altura. O autarca revela que há uma previsão que este hotel de três estrelas possa entrar em funcionamento em maio de 2023. Trata-se de uma unidade com 27 quartos, sendo 23 quartos e quatro suites, e com vista para o rio Tejo. A Junta de Freguesia prepara-se, por isso, para ver o seu orçamento começar a crescer, pois este imóvel vai permitir dois encaixes financeiros, um fixo e outro variável. O fixo já está a entrar na tesouraria desde 2020. Todos os meses há uma entrada direta de 2 mil euros mensais, ou seja, 24 mil euros por ano. E a partir de 2024 “vamos acrescentar um encaixe variável de 2% da faturação do hotel.” Quer isto dizer que a

partir de 2025 há uma expetativa de acrescentar mais uns milhares de euros em duas parcelas, março e julho. “Temos uma estimativa de, a partir de 2025, a Junta de Freguesia de Rio de Moinhos poder ter um encaixe anual de cerca de 50 mil euros”, revela o autarca que, em contas simples, diz “vamos duplicar o nosso orçamento" e espera “que a próxima junta de freguesia possa começar a dar uso a esta verba para o bem comum dos fregueses”. “Ao fim de 20 anos de processos complexos, espero poder convidar as entidades de Abrantes para a inauguração deste hotel em Lisboa”, anuncia Rui André. Recorde-se que Fernando Vieira Ferreira já tinha doado à Junta de Freguesia de Rio de Moinhos a quinta onde funcionam o Centro de Saúde e o Centro de Apoio a Idosos. Doou ainda o edifício onde atualmente funciona a Junta de Freguesia e “mais recentemente, também tivemos duas casas doadas por uma sobrinha do empresário”, revela o autarca. O empresário doou-as, em primeira instância, à sobrinha que depois as viria a doar à Junta de Freguesia. Rui André revela que a autarquia conta com um rico património que tem de começar a rentabilizar. Jerónimo Belo Jorge PUBLICIDADE

Agosto 2022 / JORNAL DE ABRANTES

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ABRANTES / Educação

Isabel Alves assumiu a Direção do Agrupamento de Escolas N.º2... // Teve lugar no auditório da Escola Dr. Manuel Fernandes, dia 4 de julho, a cerimónia da tomada de posse da nova diretora do Agrupamento de Escolas N.º2 de Abrantes, a professora Isabel Alves. Isabel Alves, natural de São Miguel do Rio Torto é professora de “português e inglês do 2º ciclo” há 31 anos. Antes de lecionar no Agrupamento de Escolas Nº2 de Abrantes, Isabel Alves passou por “Sardoal, Ponte de Sôr, Sabugal e depois sim, vim para o Tramagal e por agregação vim parar aqui”. Na cerimónia da tomada de posse, Isabel Alves disse que “agradecer é reconhecer a importância que os outros têm na nossa vida e ser grata faz parte da minha maneira de ser”. Isabel Alves homenageou a família, “em particular ao meu marido e ao meu filho”, que confessou serem o seu “suporte emocional”.

Agradeceu ainda ao Conselho Geral, “que confiou em mim” para ser a diretora deste Agrupamento que Isabel Alves abraçou em 2013 e “que hoje sinto como meu”. A diretora apresentou a visão do Agrupamento de Escolas N.º2 que tem por base “construir um Agrupamento de referência a nível local e nacional” devido ao “sucesso académico dos seus alunos, mas também por todos os seus sucessos e conquistas a nível pessoal e, mais tarde, a nível profissional”. Para que este pontos sejam conseguidos, é necessário um Agrupamento que “prime pela qualidade do seu ambiente interno” com relações de “confiança, de colaboração e en-

/ Isabel Alves tem como objetivo “que todos tenham condições de estudo” treajuda”. Outro fator que apontou foi as relações entre a comunidade envolvente. “Unidos ninguém nos poderá parar”. Isabel Alves revelou que a missão é criar “cidadãos responsáveis, críticos e conscientes, não só dos seus direitos, mas também dos seus deveres” e que tenham a capacidade de “atuar como promotores da mudança”, num ambiente que considera “aberto, participativo e inclusivo”. “Proponho-me a reconhecer a

mais valia da diversidade dos nossos alunos”, foram as palavras da nova diretora que disse que “dar a palavra, escutar os nossos alunos” é a forma de promover “a construção conjunta do sentido do trabalho escolar e das aprendizagens”. “Que todos tenham condições de estudo” e ter uma oferta formativa diversificada, conseguindo assim “ter espaços de formação curricular” em diversas áreas, são outros dos objetivos apresentados pela diretora do Agrupamento.

Isabel Alves mencionou que “temos o sonho e temos o desejo” de, nada mais, nada menos, criar uma escola que qualifique “os jovens da próxima geração para assumirem” de forma autónoma, não só a construção do seu “próprio saber, do seu destino e de um mundo bem melhor”. “Contamos convosco”, disse Isabel Alves, utilizou ao terminar o seu discurso naquela que foi a cerimónia da sua tomada de posse. Maria Francisca Carvalho

... e Olinda Sequeira é a nova diretora da ESTA // A Escola Superior de Tecnologia de Abrantes (ESTA) conta com uma nova diretora, a profª doutora Olinda Sequeira. A cerimónia da tomada de posse da nova diretora teve lugar no auditório da ESTA, no dia 12 de julho. A nova diretora da ESTA, Olinda Sequeira, é doutorada em Economia pelo ISEG, Universidade de Lisboa. Possui o título de Especialista com provas públicas na área da Economia e também na área da Estratégia. É investigadora na área da eficiência e produtividade das organizações com aplicação de técnicas de fronteira. Docente no Instituto Politécnico de Tomar (IPT) há 18 anos, possui uma vasta experiência profissional na área de projetos de investimento, estratégia e empreendedorismo. Foi diretora do Centro de Empreendedorismo e Inovação do IPT e desde 2012 que coordena o projeto Poliempreende, no qual participam todos os Institutos Politécnicos do país. “Abraço com um forte e grande abraço”. Estas foram as palavras de Olinda Sequeira, que acredita que esta é uma comunidade académica composta por “muitas pessoas interessadas” em levar a cabo um tra-

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balho conjunto, pois “percebem que efetivamente só desta forma é que conseguimos alcançar objetivos”. Perceber a cabeça dos mais novos é uma problemática que apresenta e, por isso, sente necessidade de uma “proximidade com as escolas” e até mesmo “trazê-los à nossa escola”. Considera que “ter uma escola aberta a estes jovens é uma mais valia”, pois o contacto “próximo” com estas entidades ajuda a perceber “o que se gosta”. “Enquanto diretora da ESTA, pretendo dar continuidade ao trabalho que tem sido realizado”, disse Olinda Sequeira, que não só tem esta intenção como a de “consolidar” o trabalho já desenvolvido nesta Escola Superior. A nova diretora confia que “a ESTA tem claramente um papel central para o desenvolvimento regional”. “A informação, a tecnologia e o conhecimento, são os fatores de produção.”

JORNAL DE ABRANTES / Agosto 2022

/ Olinda Sequeira pretende “dar continuidade ao trabalho que tem sido realizado” “A introdução de mestrados profissionalizantes” é um dos pontos que Olinda Sequeira pretende implementar neste Instituto, sustentando que esta é uma

das medidas para que “a oferta formativa da ESTA” continue a estar de acordo com a “procura do mercado”. “Temos um mundo cada vez

mais interligado e global.” Com vista a tornar a ESTA mais apelativa, até mesmo para estudantes “internacionais”, Olinda Sequeira informou que a “oferta formativa deverá estar assente em sessões presenciais e à distância”. “Só todos juntos e empenhados, podemos fazer crescer a ESTA”. É desta forma que a nova diretora do estabelecimento, Olinda Sequeira, se dirige aos alunos, “pessoal docente e não docente". Crê ser possível afirmar o papel desta escola a nível “regional, nacional e internacional”. “Obrigada mãe”. Olinda Sequeira terminou com um agradecimento especial a quem lhe ensinou a escrever, a ler e a contar, a “minha primeira professora”. Agradeceu também aos professores por “todo o conhecimento” que lhe passaram e que fizeram da nova diretora, “a pessoa que sou hoje”. Maria Francisca Carvalho


REGIÃO / Sardoal

CGD reduz horários de serviços em três concelhos // No início do mês de julho, foi conhecido que o balcão da Caixa Geral de Depósitos (CGD) de Sardoal, passou a encerrar às 12:30 e não às 15:00 como era habitual. Na altura, o presidente da Câmara criticou a decisão da Caixa Geral de Depósitos de reduzir o horário de atendimento, lembrando que se trata de um “serviço público essencial”. Fonte oficial da Caixa Geral de Depósitos disse ao Jornal de Abrantes (JA) que a agência do Sardoal “está adaptada às necessidades dos seus clientes”, sublinhando que “a tesouraria está disponível quatro horas por dia”, horário que afirmou ser “suficiente para a prestação de um serviço de qualidade às famílias e empresas desta região”. Quando teve conhecimento da alteração, o presidente da Câmara Municipal de Sardoal emitiu um comunicado de protesto após uma reunião com a administração da entidade bancária, e do qual deu conta aos jornalistas, à Associação Nacional de Municípios Portugueses e à ministra da Coesão Territorial. Miguel Borges disse ao JA que o novo horário “não serve os interesses do concelho, não serve os interesses da região, não serve os interesses do interior”. E numa altura em tanto se fala de proteger o interior, “na prática, a realidade não é aquilo que se apregoa”.

“A CGD não é um banco como outro qualquer” - Miguel Borges

/ Tesouraria do balcão de Abrantes passou a encerrar às 12H30 Desde finais de 2019, “o que era a agência da Caixa Geral de Depósitos passou a ser balcão e há uma perda da qualidade de serviços. Agora há ainda uma redução do horário”. O autarca explicou que a Tesouraria, desde 2019, só já funcionava das 8h30 às 12H30. Agora, “o horário da tarde deixa de existir” para qual-

quer serviço. Miguel Borges relembrou que a CGD “não é um banco como outro qualquer. É uma sociedade anónima de capitais exclusivamente públicos de que só o Estado pode ser detentor. Ou seja, há responsabilidades sociais por parte da Caixa”. Até porque, como relatou, “se lermos os Princípios

da Caixa Geral de Depósitos, diz que é uma instituição para a formação e captação de poupança para o apoio ao desenvolvimento económico e social do país. Mas é do país, não de uma parte do país”. Em Abrantes, também o horário da Tesouraria do balcão da Caixa Geral de Depósitos do centro histórico da cidade passou a ser reduzido. Manuel Jorge Valamatos disse ao Jornal de Abrantes que contactou a entidade bancária e que lhe foi comunicado que “a Caixa Geral de Depósitos colo-

cou na plataforma toda a informação, que a alteração não teve qualquer significado, do ponto de vista funcional, para os cidadãos.” De realçar que o balcão da CGD na cidade “continua a funcionar na mesma, apenas o horário da Tesouraria foi reduzido”. Segundo a informação transmitida ao autarca, a alteração “não teve qualquer reflexo” no atendimento “porque quase ninguém utilizava a Tesouraria” após aquela hora. Manuel Jorge Valamatos também não sentiu “qualquer desagrado por parte de algum cidadão”. Pelo novo horário, a Tesouraria no balcão da Caixa Geral de Depósitos do centro histórico da cidade de Abrantes passou a encerrar às 12H30. Já no mês de fevereiro deste ano, a Assembleia Municipal de Constância aprovou uma moção pelo alargamento do horário da Tesouraria do balcão da Caixa na vila que passou também a funcionar das 8H30 às 12H30. Patrícia Seixas

Ainda não há médico dentista para o concelho informou que a diretora do ACES Médio Tejo, Diana Leiria, lhe tinha dito na altura que “iria começar na semana seguinte, mas depois na tal semana seguinte, mandou um email” a notificar que “o médico dentista que estava alocado ao Centro de Saúde, desistiu do projeto”. Miguel Borges transmitiu que a empresa já está “em processo de recrutamento” com vista a encontrar um novo dentista para ocupar esta vaga, num projeto em que a Câmara investiu “cerca de 50 mil euros de uma candidatura”

e que, na opinião do presidente da Câmara, “lamentavelmente não está a ser aproveitado ao serviço dos sardoalenses”. O autarca revelou ainda que “esteve lá um médico dentista estrangeiro uma data de tempo mas como não tinha certificação para trabalhar, esteve à espera dessa certificação. Pelos vistos, desistiu de tanto esperar e estamos a começar o processo de novo”. Para já, o serviço que está a ser prestado “é o da Higiene Oral”. Miguel Borges confessou que espera que esta situação “pon-

tual” se consiga resolver “rapidamente” e ainda que a “única responsabilidade” de conseguir encontrar um médico dentista para o Sardoal é “do Ministério da Saúde, da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo e do ACES Médio Tejo”. Esclareceu que quando diz que estes são os responsáveis, não está a falar de “culpados”. Terminou com o desabafo de que “se os médicos não existem, também não os podem ir buscar assim, sem mais nem menos”. Maria Francisca Carvalho PUBLICIDADE

Na reunião do Executivo da Câmara do Sardoal, que teve lugar a 12 de julho, a vereadora socialista Patrícia Silva interpelou o presidente da Câmara Municipal sobre a chegada, já anunciada na Assembleia Municipal de 30 de junho, de um dentista ao Centro de Saúde. Pelas palavras da vereadora, “a data da vinda do dentista que se falou na Assembleia Municipal”, tinha entrada prevista para “a semana seguinte” ao que afirmou que “já devia de estar”. O presidente da Câmara Municipal do Sardoal, Miguel Borges,

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REGIÃO / Mação

44% do concelho de Mação tem má qualidade de cobertura de comunicações // Do território do concelho de Mação, 44,5% tem má qualidade no acesso aos serviços de comunicações móveis, numa média dos serviços das três operadoras existentes no mercado. Caso existisse a partilha de infraestruturas radioelétricas, ou seja, se existisse o roaming nacional a cobertura agregada das três redes, representaria 83,9% do concelho de Mação. Ou, noutro exemplo mais radical, se um cidadão comprar um cartão de uma operadora espanhola, tem uma cobertura de 83,9% em todo o concelho de Mação. Os dados foram apresentados pela ANACOM após efetuado um estudo sobre as comunicações móveis no concelho de Mação que incluiu três vetores: cobertura, chamadas de voz e utilização de dados. A reguladora das comunicações e o seu presidente, João Cadete de Matos, defendem a solução do roaming nacional ou interno para resolver grande parte dos problemas existentes no país, principalmente nas regiões do interior. E o concelho de Mação é um exemplo das melhorias que poderiam ter os cidadãos caso as operadoras fizessem um acordo, como existe no roaming internacional ou, noutro exemplo dado, como a SIBS tem a sua rede de multibancos. Pegando neste exemplo, imagine-se que o cartão de débito de um cidadão só dava para levantar dinheiro ou fazer operações numa caixa desse mesmo banco. Impensável na nossa vida. Porque é que nas comunicações não é a mesma coisa? A resposta do presidente do Conselho de Administração da ANACOM é simples: - porque as operadoras não se mobilizam para criar entendimentos para chegar a esse patamar. João Cadete Matos, Vítor Rabuge e Patrícia Gonçalves deslocaram-se a Mação para apresentar o resumo do estudo sobre o concelho, mas também para esclarecer dúvidas dos presentes, autarcas, empresários e cidadãos.

Cobertura do concelho de Mação

Indo às conclusões, a ANACOM afere que 44,5% dos valores registados apontam a má ou muito má qualidade (ou inexistente) dos serviços de comunicação no concelho, sendo que a melhor cobertura radioelétrica do concelho é da Vodafone e a pior da NOS. Já nas chamadas de voz, 1 em cada 7 chamadas não foram finalizadas. Para este número, a contribuição das operadoras é a seguinte: NOS 61,4%, MEO 27,4% e Vodafone

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“Se existisse o roaming nacional a cobertura agregada das três redes era de 83,9% do concelho”

/ João Cadete Matos, ao lado de Vasco Estrela, apresentou o estudo de cobertura da rede móvel no seu concelho 11,2%). O rácio de chamadas finalizadas apresentado pela ANACOM aponta a Vodafone com 95,4%, a MEO com 88,3% e a NOS com 74,1%. No que diz respeito aos dados móveis, de acordo com o mesmo estudo, a Vodafone apresenta 79,4% de testes concluídos, a MEO 75,6% e a NOS com 47,4%. Já no que toca aos melhores desempenhos nos serviços de voz e de dados, estão as localidades de Mação, Amêndoa, Penhascoso e Carvoeiro enquanto que no sentido inverso, nos piores desempenhos, está a zona centro do concelho em diversas localidades de Mação, Penhascoso e Aboboreira e ainda Carvoeiro e Envendos. Este estudo aponta às freguesias e não às aldeias. “Estes estudos são feitos quando recebemos queixas e muitas vezes queixas dos presidentes de junta”, realçou Vítor Rabuge que acrescentou que o primeiro concelho a ser alvo de estudo foi o de Porto de Mós e, logo depois, Ourém. E imagine-se que mesmo com o santuário de Fátima, há um défice muito grande na cobertura de comunicações. “O pior concelho que detetámos foi o de Odemira.” O estudo foi feito com base em telemóveis de gama média, que qualquer pessoa tem. São chamadas feitas, totalmente automáticas, para retirar qualquer erro humano.

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A equipa da ANACOM percorreu o concelho durante três dias. Seis freguesias e a sede do concelho têm metade da população. Foram percorridos 550 kms, efetuadas 3000 chamadas e 1174 utilizações de dados. Foram feitos 123 mil registos de rede. Nos dados, o valor base do teste foi de 12 Mbps porque é a velocidade da tarifa social. João Cadete Matos, presidente da ANACOM, repetiu nesta sessão, várias vezes, que a solução para resolver uma parte da cobertura na-

cional de comunicações móveis no país seria o acordo das três operadoras para partilha de estruturas. Este roaming nacional permitiria aumentar em muito a qualidade do serviço das comunicações no país. Mas quando questionado sobre uma eventual obrigatoriedade de partilha de redes, o presidente da reguladora disse que as operadoras não podem ser obrigadas a fazer esta partilha. Teria de haver um entendimento. Uma das expetativas de João Cadete Matos assenta no facto de

nos leilões para o espectro do 5G haver um conjunto de obrigações que os operadores têm de cumprir. Tanto os que já estão no mercado, como os dois novos players que vão entrar. E neste campo, refere que espera alguma agitação no mercado, muito normal quando há este tipo de concursos. Patrícia Gonçalves apresentou o cenário dos serviços de rede fixa, com a indicação da meta da União Europeia e do governo que aponta para que “todas as residências de Portugal tenham uma capacidade de rede de 1 giga até 2030.” No serviço fixo, fala-se hoje do serviço de fibra. E neste cenário temos um território que anda a duas velocidades. No concelho de Mação, a freguesia de Amêndoa é a que tem pior cobertura. Já o maior número de unidades familiares (casas) sem cobertura de rede de alta capacidade é na freguesia de Mação, Aboboreira e Penhascoso. Sobre a fibra ótica, João Cadete Matos apontou perspetiva de futuro que é o acesso à internet. “Esse é o paradigma. Por isso é que ouvimos falar de gigas em vez de megas. Hoje tem de ser tudo muito rápido. O objetivo é a fibra chegar a casa de todas as pessoas. E temos dito ao governo que é um objetivo que consideramos prioritário. O governo anunciou já o concurso para levar a fibra a todo o território.” As comunicações são, nos dias de hoje, as novas autoestradas e o interior bem precisa destas para poder aspirar a fixar empresas e pessoas e, desta forma, combater ou atenuar a desertificação que continua a ser um problema da faixa interior do território português. Jerónimo Belo Jorge


REGIÃO / Mação Cartas anónimas levam a queixa na GNR // O presidente da Câmara de Mação, Vasco Estrela, e o vice-presidente da mesma autarquia, António Louro, foram visados por uma carta anónima, escrita com recurso a uma “régua de letras”, e que foi enviada para vários empresários do concelho de Mação e, pelo menos, para duas autarquias do Pinhal Interior. A denúncia foi feita pelo presidente da Câmara de Mação na sua página da rede social Facebook e onde informou que já apresentou queixa às autoridades policiais que deverão agora conduzir a investigação. Na sua publicação na rede social o autarca de Mação informa o aparecimento destas cartas e escreve: “lamento, não por mim pessoalmente, mas pela minha família, e em particular pelos meus filhos. De nada vale rebater, a estes cobardes ignorantes, as ofensas que escreveram.” E remata esta publicação com a frase: “O anonimato é, mesmo, a única arma dos cobardes.” Ao Jornal de Abrantes, Vasco Estrela confirma que vários empresários do concelho receberam cópias destas cartas, todas com o mesmo teor que o acusam de ser o “Putin” de Mação e ao vice-presidente o “Oligarca” de Mação. As cartas “acusam” os dois

/ “Já apresentei queixa junto da GNR para se poder apurar a responsabilidade destes cobardes” - Vasco Estrela autarcas de estarem a fazer um “assalto à propriedade rústica do concelho” e que “seguem-se os assaltos aos fundos comunitários.” Na mesma carta pode ainda ler-se

“agora, os fundos já não lhes chegam. Querem servir-se das AIGP para ficar com tudo.” Ou seja, os autarcas são visados pelas suas posições públicas de de-

fesa das AIGP (Áreas Integradas de Gestão da Paisagem) como sendo a última oportunidade para modificar a gestão territorial do concelho de Mação. Vasco Estrela confirmou que a Câmara Municipal não recebeu nenhuma destas cartas. As mesmas “foram enviadas para duas câmaras municipais, Vila de Rei e Proença-a-Nova, vários empresários e juntas de freguesia do concelho de Mação.” De acordo com Vasco Estrela as cartas, todas iguais, foram remetidas do mesmo código postal: Beja. Estas cartas anónimas têm, segundo o autarca, dois alcances. Um ataque pessoal ao bom nome e honorabilidade do presidente e do vice-presidente da Câmara de Mação por isso já “apresentei a queixa junto da Guarda Nacional Republicana para se poder apurar a responsabilidade destes cobardes que tiveram a coragem de escrever estas alarvidades à minha pessoa e à pessoa do vice-presidente, que nos ofendem a nível pessoal e profissional.” Há, contudo um outro patamar nestas acusações e que visam claramente o processo de constituição das AIGP, em curso no país e no concelho de Mação. Sobre este facto, Vasco Estrela revela que é curioso que estas cartas anónimas tenham vindo a público 15 dias depois da Feira Mostra

de Mação, evento onde houve um espaço dedicado a estas AIGP e no qual Vasco Estrela fez um “ataque” a todos quantos discordam destes processos e fez “um apelo veemente para as pessoas aderirem às AIGP.” Aliás, adiantou, em algumas sessões de esclarecimento foi notória a oposição de algumas pessoas a estes processos. “Evidente que há alguém que não quer que as AIGP avancem.” Vasco Estrela não quer acreditar que estas cartas possam vir a influenciar os cidadãos de Mação, ou alguns, sobre estes processos em curso. “Se as pessoas ficarem com dúvidas deste processo por causa de uma carta escrita, ainda por cima mal escrita, por anónimos que devem ser pouco mais do que analfabetos, é porque as pessoas são muito pouco inteligentes. Espero que quem tenha dúvidas sobre este processo que as procure esclarecer junto da Câmara Municipal de Mação, da Aflomação, do Instituto da Conservação da Natureza e Florestas ou junto do governo.” Vasco Estrela refere ainda que as pessoas que ficam muito comovidas com aquilo que está a acontecer no país, que são incêndios de grande dimensão, sabem que se nada for feito “é o que voltará a acontecer em Mação daqui a alguns anos.” PUBLICIDADE

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SOCIEDADE / Abrantes

“Tudo como dantes”, um audiowalk pelas ruas da cidade de Abrantes // Foi no dia 8 de julho que foi apresentado o projeto “Tudo como dantes. Quartel General em Abrantes”, um audiowalk que decorre pelas ruas da cidade de Abrantes e que está disponível na primeira paragem do percurso, a Biblioteca Municipal António Botto. A “plena capela”, atual biblioteca municipal que surgiu “em 1993 como uma requalificação”, relata o vereador da Câmara Municipal de Abrantes, Luís Filipe Dias, é um dos oito pontos deste percurso. Os outros sete são, nada mais nada menos que, a Igreja da Misericórdia, da Rua D. Nuno Álvares Pereira à Rua da Barca subindo assim para o Outeiro de S. Pedro e sucessivamente para o Coreto no Jardim do Castelo. Daqui os caminhos levam até ao teatro S. Pedro, seguido da Casa Falcão na Praça Raimundo Soares e tem a sua última paragem na Praça Barão da Batalha. “O processo é muito simples”, para o modus operandi deste audiowalk é apenas necessário “ter um telemóvel com QRcode Scanner”, “abre o link” e vai ter a uma página que “dá uma música” e é só dar play. Luís Dias explica que este é um projeto que “envolve aqui os três municípios” [Abrantes, Constância e Sardoal] e que é por este motivo que “nasceram os caminhos literários”. O percurso com audiowalk é uma transposição “para um percurso turístico, portanto, uma lógica de atração” e sucessivamente para que quem visite Abrantes, “tenha aqui um conteúdo diferenciador”.

Este projeto “não é algo que seja inovador no país”, mas é algo que “traz alguma singularidade para o nosso território”. Atualmente, o percurso conta com oito pontos de referência, mas que “amanhã podem ser 16”. Luís Dias explica que “há muitos elementos patrimoniais, materiais ou imateriais para interpretar”. O vereador destacou este percurso cultural e juntou-o a um outro, dos “Caminhos Literários” e que prevê a colocação de 22 monolitos com textos escritos por José

Luís Peixoto. Estes textos, juntamente com os de Constância e Sardoal, estão integrados num livro já lançado o mês passado, intitulado “Onde”. Ricardo Correia, organizador e criador deste projeto, descreve o percurso como sendo “um percurso sonoro que fazemos pelas ruas de Abrantes” e pede a que as pessoas acompanhem este audiowalk como quem “se adentra numa cidade e começa a conhecer o que está para além”. Esclarece que as histórias ouvidas no audio-

walk foram recolhidas por quem vive na cidade, em especial, por membros do grupo de teatro “Palha de Abrantes”. “Eu sou uma das pessoas que conhece menos de Abrantes”, conta Ricardo Correia que confessa que esta foi uma descoberta da cidade. “Sabia que Gil Vicente tinha feito aqui a pregação, mas havia imensas coisas que não conhecia”. Foi com alguns abrantinos, que lhe foram contando histórias e apresentando a cidade, que o criador do projeto escreveu os textos do audiowalk.

Concluiu que “a paisagem sonora” acaba por permitir “entrar num estado mais imersivo da caminhada”. É uma descoberta muito simples. Basta levar um smartphone com dados móveis, com a aplicação de leitor de códigos QR e uns auscultadores. Pode começar na Biblioteca Municipal António Botto e partir à descoberta dos oito locais a visitar num percurso totalmente citadino. Maria Francisca Carvalho e Jerónimo Belo Jorge

Rotary Club de Abrantes tem novos dirigentes // O Rotary Club de Abrantes realizou a 1 de Julho, a sua Transmissão de Tarefas. A cerimónia decorreu na Quinta das Oliveiras. Para celebrar o final e o início de mais um ano rotário, juntaram-se, entre membros Rotary, entidades oficiais, representantes de outros clubes e convidados, cerca de 80 pessoas, com muitos jovens. A cerimónia começou com a entrega dos diplomas de reconhecimento aos Bolseiros que desenvolveram um programa informático para as candidaturas às Bolsas de Estudo. Seguiu-se a entrega dos diplomas ao Núcleo de Formação do Centro Hospitalar do Médio Tejo, pelos cursos dados de Suporte Básico de Vida. Depois, foram emblemados nove novos membros do Rotaract e duas novas interactistas.

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Após o jantar, realizou-se a Transmissão de Tarefas. A cerimónia consiste na passagem da pasta dos antigos presidentes dos clubes aos novos presidentes. Os discursos lembraram as atividades que foram feitas, apresentando as propostas e objetivos para o novo ano rotário. Entre atividades de recolha de sangue ou tampas, até arraiais e os Cursos de Liderança ou a entrega de Bolsas de Estudo, pelos quais o Rotary já é conhecido. Os discursos de todos os presidentes, os antigos, Leal Marques Neto, Rotary, Constança Simões Diogo, Rotaract e Maria Estrada, Interact, realçaram o trabalho de equipa e a sensação de missão cumprida. Leal Neto relembrou a importância do estar disponível para o serviço e de encurtar a distância ao semelhante. O cónego José da Graça completou o pensamento, dizendo que

JORNAL DE ABRANTES / Agosto 2022

/ A saudação das bandeira é um dos momentos mais importantes das cerimónias rotárias novas tarefas não são sinónimo de poder, mas de continuidade da linha de serviço. O vice-presidente da Câmara Municipal de Abrantes, João Gomes, relembrou que o concelho é

muito diferente pela ação do Rotary nos seus 41 anos de existência. Ressalvou também que a Câmara será sempre um parceiro para o que for solicitado. No ano Rotário que agora se

inicia, cujo tema inspirador é “Imagine o Rotary”, os presidentes empossados, José Luís Rodrigues Silva, Rotary, Joana Dias Ferreira, do Rotaract e Leonor Pires do Interact, manifestaram o seu propósito de continuar a trabalhar em prol da comunidade, dando continuidade a projetos estruturantes e criando novos projetos em estreita colaboração com outras entidades. José Luís Silva fez também uma reflexão sobre o que significa ser rotário. Encerrou a cerimónia lembrando que aquela podia ser a cerimónia de início do ano, mas que o trabalho já tinha começado e que os projetos já estavam em andamento. Despediu-se dizendo que quando se quer rapidez se plantam flores, quando se quer algo que dure se plantam árvores, mas quando se querem coisas para a eternidade se semeiam ideias. Filipa Neto


REGIÃO / Abrantes

Já abriu aviso para 30 milhões do Fundo de Transição Justa // O aviso para o Fundo de Transição Justa, onde vão estar alocados 30 milhões de euros de dotação, já abriu. A informação foi dada pelo presidente da Câmara de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, que esclareceu que este aviso “destina-se exclusivamente às empresas que manifestaram intenção de apresentar projetos para a mitigação dos efeitos de encerramento da Central Termoelétrica do Pego”. Manuel Jorge Valamatos deu conta da abertura do aviso para o Fundo de Transição Justa e, questionado quanto às expetativas que tem para o concelho de Abrantes e para a região do Médio Tejo, começou por dizer que este aviso “era algo muito ansiado pelos autarcas do Médio Tejo e, em particular, pela Autarquia de Abrantes” e que “são as grandes as expectativas”. “Estamos a falar de um programa que visa mitigar aquilo que foi o encerramento da central a carvão (...) que trouxe perdas significativas” e que o Fundo de Transição Justa tem como objetivo “minimizar esses efeitos em termos económicos e profissionais” e também da “dinâmica do nosso concelho”, acrescentou. O autarca lembrou que já houve uma primeira abordagem, com a apresentação de intenções de candidaturas ao Fundo por parte das empresas “e ficámos à espera que este aviso saísse para se materializar essas intenções”. Agora, como disse Manuel Jorge Valamatos, “vamos esperar por esse resultado objetivo e ver quantas empresas

vão apresentar candidaturas para o concelho de Abrantes e para a região”. O Fundo de Transição Justa tem alocados 30 milhões de euros “e vamos estar muito atentos e temos muita esperança que haja vários projetos para Abrantes que possam, verdadeiramente, minorar o efeito do encerramento da central a carvão”. O presidente explicou ainda que o Gabinete de Desenvolvimento Económico se encontra a “acompanhar a par e passo este processo”. E neste contexto do encerramento da Central Termoelétrica, de recordar que já houve um concurso, fora do Fundo de Transição Justa, que foi a Endesa que venceu, “que há um investimento de 600 milhões de euros afirmado e que a Endesa vai ter o seu ponto de gravidade instalado no concelho”. Após “o terrível” momento do encerramento da central a carvão, neste momento “quer pelo investimento da Endesa, quer pelo Fundo de Transição Justa e o surgir de novos projetos para Abrantes, temos muita expetativa e muita esperança

de que possamos reequilibrar o dinamismo económico, quer no concelho Abrantes, quer na região do Médio Tejo”.

RPP Solar e Abrantur em andamento

Tendo em conta a proximidade dos projetos, o Jornal de Abrantes questionou Manuel Jorge Valamatos acerca do andamento da empresa que adquiriu as antigas instalações da RPP Solar e quis ainda saber em que ponto se encontra o projeto anunciado para o antigo Abrantur. No que toca ao projeto “da antiga RPP Solar”, o autarca sente que “foi muito bom perceber que a antiga RPP Solar e todas aquelas instalações” que se encontravam degradadas, por estarem “paradas” durante um longo período de tempo, foram compradas, “e há um projeto de investimento para o local”. Contou que já foram realizadas algumas reuniões “com os investidores” e que atualmente “estamos em fase de apresentação do projeto final para o arranque desta empre-

sa”. A empresa que se irá instalar na antiga RPP Solar “está ligada ao cannabis medicinal”. Manuel Jorge Valamatos acredita que este é um projeto que traz “boas expectativas para o futuro, com a criação de novos postos de trabalho e riqueza quer para o concelho, quer para a região”. De acordo com as reuniões que têm ocorrido, o presidente da Câmara informou que “estamos em vésperas de serem entregues todos os documentos de habilitação” para o projeto de reconstrução do “edificado” e, posteriormente, a fase de “laboração”. Já sobre as antigas instalações do empreendimento hoteleiro Abrantur, o autarca revelou que as instalações foram adquiridas “por uma empresa que tinha como grande objetivo a construção de uma unidade de cuidados continuados”. O facto deste projeto ser na área da saúde levou Manuel Jorge Valamatos a reunir com o Ministério da Saúde e quando o projeto já se encontrava em fase de “elaboração e de construção”, a empresa que comprou as antigas instalações da

Abrantur, acabou por vender a uma outra empresa. Esta nova empresa ” está muito mais muito focada na área da hotelaria, mas neste momento considera a possibilidade de continuar” com um projeto na área da saúde e dos cuidados continuados. Confessou que “não de forma tão evidente, [a empresa] tem esta possibilidade de olhar para a área da hotelaria e da restauração com algum interesse”. Para o autarca isto “são boas notícias”, dando conta que “não está nada parado, está tudo a andar”. Manuel Jorge Valamatos voltou a relembrar que “não anunciamos projetos sem eles estarem concretizados”. Apesar de ter transmitido a informação relativa ao projeto nas antigas instalações da Abrantur, admitiu que “não estou a anunciar nada, estou a dizer que os trabalhos estão encaminhados”. Quando houver projetos “objetivos e concretos a serem lançados”, irá informar a comunidade “como merecem”. Patrícia Seixas e Maria Francisca Carvalho

Agosto 2022 / JORNAL DE ABRANTES

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REGIÃO / Vila Nova da Barquinha

Esplanadas isentas de taxas até final do ano A isenção do pagamento de taxas de ocupação da via pública com esplanadas, por parte dos estabelecimentos de restauração e similares, foi prolongada de 1 de julho de 2022 até ao último dia do ano, 31 de dezembro de 2022. Numa proposta apresentada pela vereadora Marina Honório, na reunião do Executivo de dia 13 de julho, foi aprovada por unanimidade a isenção de pagamento de taxas de ocupação de via pública. Na proposta, lida pelo presidente Fernando Freire, o autarca alertou para o facto de existir uma “necessidade imperiosa de apoiar o setor de restauração e similares num contexto de tremenda dificuldade económica e de quebra de receitas”, o que levou ao prolongamento da isenção do pagamento de taxas. Também devido “aos constrangimentos à frequência dos estabelecimentos, a autarquia definiu igualmente o alargamento excecional e temporário das esplanadas na via pública, para uma ampliação fixada no dobro do existente”. A isenção aos estabelecimentos

Aprovada candidatura Barquinha Verde

/ Esplanadas vão continuar sem pagar taxas do pagamento de taxas por ocupação da via pública com esplanadas teve início no ano de 2020 devido à situação da pandemia Covid-19. O seu prolongamento até ao último dia do ano deve-se à “trajetória ascendente no que respeita ao número de novos casos diários de doença COVID-19, acompanhado de um crescimento acentuado da taxa de incidência e do índice de transmissibilidade do vírus SARS-CoV-2”. A “prorrogação do pagamento

de taxas de ocupação da via pública” foi aprovada por unanimidade, tendo a vereadora do PSD, Paula Gomes da Silva, congratulado-se com a proposta. “Voto a favor”, disse, justificando que “na última reunião, foi este tema debatido” e que ela própria “tinha já proposto que o mesmo fosse prorrogado”. Fernando Freire acrescentou ainda que este é um caso “para se ir avaliando”. Patrícia Seixas com Maria Francisca Carvalho

Ventos fortes provocaram danos em habitações Um “fenómeno meteorológico atípico” de ventos muitos fortes em Moita do Norte, concelho de Vila Nova da Barquinha, provocou danos materiais avultados em telhados de cinco habitações, deixando uma família desalojada, disse o presidente da autarquia. O fenómeno aconteceu na tarde do dia 7 de julho. “Na localidade de Moita do Norte, concelho de Vila Nova da Barquinha, na Rua dos Cavaleiros, do número 42 ao número 46, verificou-se um fenómeno completamente atípico nesta altura do ano (…) com ventos muito fortes que levantaram os telhados destas cinco habitações, provocando danos significativos nos telhados e também junto ao solo”, disse Fernando Freire. Segundo o autarca, que se deslocou ao local, o fenómeno, “presumivelmente um mini tornado”, ocorreu cerca das 15:00 e terá demorado cerca de três minutos, deixando uma família desalojada. “Não há danos físicos a registar, apenas danos materiais significativos, e temos uma família

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/ Já não é a primeira vez que esta região regista fenómenos meteorológicos desalojada, com cinco pessoas, composto pelos dois progenitores e três filhos menores”, disse Fernando Freire, tendo acrescentado que esta família “vai ser acolhida numa casa de emergência para situações excecionais” que o município detém na localidade de Praia do Ribatejo. O autarca atribuiu o fenómeno a uma “consequência das alterações climáticas”, tendo alerta-

JORNAL DE ABRANTES / Agosto 2022

do que estas situações “são cada vez mais recorrentes” em termos globais e que se “vão agudizar se nada for feito para mitigar as suas causas e, em sequência, os seus efeitos”. No local esteve a Guarda Nacional Republicana e os Bombeiros de Vila Nova da Barquinha, assim como os elementos da Proteção Civil Municipal. C/ Lusa

O Município de Vila Nova da Barquinha viu ser aprovada uma candidatura a fundos comunitários, no âmbito do programa Compete 2020, para a (re)arborização de espaços verdes e criação de ilhas-sombra em meio urbano. A ação intitulada “Barquinha Verde” vai permitir criar, de acordo com o Município, “um modelo de maior sustentabilidade ambiental, restaurando, valorizando e protegendo os espaços de fruição pública, mitigando o risco que a população está sujeita potenciado pelas alterações climáticas.” Esta operação de apoio à Transição Climática terá um custo de 75.000 euros, cofinanciado no âmbito do Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos (POSEUR). Os investimentos previstos, segundo informação da autarquia, caracterizam-se pela beneficiação dos sistemas de rega para sistemas mais eficientes e inteligentes e pela realização de podas e manutenção do coberto arbóreo, nos espaços verdes das freguesias de Praia do Ribatejo e de Vila Nova da Barquinha.

Nestas duas freguesias foram identificadas situações de risco para pessoas e bens: exemplares mortos, em declínio ou decrépitos, para abate, tendo sido realizadas operações de escalada, podas corretivas, podas seletivas em porte natural através remoção dos ramos mortos (partidos ou inviáveis) e de segurança, com promoção do seu equilíbrio, aclaramento e coabitação com a envolvência. Ainda de acordo com o Município, esta candidatura “não contribui para a aumento do coberto arbóreo e arbustivo em espaços verdes, mas sim para a melhoria e garantias de segurança, dado que não são realizados investimentos no âmbito da plantação. Destaca-se a conexão dos espaços em questão com a rede de percursos pedestres que atravessam o concelho, com amplas áreas de espaços verdes, conferindo áreas de sombra/descanso, com necessidade de garantir a segurança dos visitantes.” Por outro lado, vai ser implementado um sistema de rega com telegestão que “confere uma redução dos custos ambientais, sociais e económicos a longo prazo.”

Trilho Panorâmico do Tejo homologado Inaugurado em fevereiro deste ano e percorrido nos últimos meses por milhares de entusiastas do desporto na natureza, o novo Trilho Panorâmico do Tejo (GR12 E7 - Grande Rota do Tejo - Etapa Panorâmica do Tejo – Almourol), no concelho de Vila Nova da Barquinha, está homologado. A Carta de Homologação do percurso, emitida pela Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal, tem validade de 5 anos. Com uma extensão de cerca de 10 quilómetros e um grau de dificuldade baixo, este percurso proporciona uma enriquecedora viagem de descoberta do património natural, paisagístico e cultural da zona ribeirinha dos rios Zêzere e Tejo. Integrado no projeto Rotas e Percursos do Médio Tejo, uma iniciativa da Comunidade Intermunicipal (CIMT), pode ser feito a caminhar ou a pedalar sempre à beira rio, em qualquer altura do ano, num percurso linear, entre a foz do rio Zêzere e Vila Nova da Barquinha.

Com passagem no Castelo de Almourol, monumento nacional que em 2021 assinalou o seu 850.º aniversário, o trajeto dispõe de passadiços, corrimões, miradouros e áreas de lazer ao longo de toda a extensão. O Fluviário Foz do Zêzere, a Igreja Matriz de Tancos, o Parque de Escultura Contemporânea e o Centro de Interpretação Templário são outras atrações deste novo produto turístico, rico em património histórico e natural.


REGIÃO / Vila Nova da Barquinha Município aprova constituição de 2.ª Equipa de Intervenção Permanente // A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vila Nova da Barquinha solicitou uma nova Equipa de Intervenção Permanente. O pedido surge por “dificuldade de recursos humanos”. A proposta da constituição de uma segunda Equipa de Intervenção Permanente (EIP) foi feita com base na situação atual e nas necessidades avaliadas da Proteção Civil Municipal, à responsabilidade do Município, “mandatando o presidente da Câmara para a sua assinatura”. “Temos uma EIP. Elas têm consagração legal nos termos do Decreto de Lei n.º 247/2007, na sua redação atual, que aprovou o regime jurídico dos corpos de bombeiros, o qual prevê que, nos municípios em que se justifique, os corpos de bombeiros voluntários detidos pelas associações humanitárias de bombeiros podem dispor de equipas de intervenção permanente”, explicou Fernando Freire, o presidente da Câmara Municipal. Com o protocolo das Condições de Contratação e Funcionamento das EIP, é promovido o desenvolvimento gradual das Equipas de Intervenção Permanente em parceria com os municípios e com as associações humanitárias de bombeiros.

/ Para a criação de mais uma EIP, é necessário que haja “profissionais disponíveis para isto” As condições de contratação e funcionamento das equipas são estabelecidas em protocolo entre a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, ANEPC, a Câmara Municipal e a Associação Humanitária de Bombeiros.

Para a criação de mais uma Equipa de Intervenção Permanente no Município, é necessário que haja “profissionais disponíveis para isto”, constatou o presidente da Câmara. Esta EIP é composta por cinco

bombeiros em regime de permanência e são recrutados de elementos voluntários, de forma a firmar as missões de socorro previstas, mesmo fora dos períodos de funcionamento destas equipas. A remuneração base mensal para cada elemento da equipa “é estabelecida em 757,01€”, valor que corresponde ao “nível seis da tabela remuneratória” única e aplicável à Administração Pública. Ao elemento do grupo que exerça funções de “chefia” é devido um suplemento mensal, “correspondente a 25% da tabela”, ou seja, sobre o valor base no n.º1 da Cláusula. Fernando Freire, informou que “são efetuados os descontos legalmente previstos”. Os elementos da equipa também têm direito a subsídios de férias e de Natal, assim como subsídio de refeição pelos dias prestados de serviço efetivo. O presidente da Câmara referiu que os custos, de remuneração, subsídios e ainda de encargos relacionados ao regime de Segurança Social e seguros de acidentes de trabalho, são suportados pelo “Ministério da Administração Interna

e também pela Câmara Municipal, em partes iguais”. Fernando Freire explicou que os contratos individuais “são celebrados juridicamente com a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Vila Nova da Barquinha” e têm uma duração de “três anos, renovável de forma automática e sucessivamente por um período igual”, caso não seja denunciado por qualquer das partes. Na Cláusula Terceira do protocolo, referente ao contrato individual de trabalho, é mencionado que “o local de trabalho a considerar durante a execução do contrato será o Corpo de Bombeiros da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Vila Nova da Barquinha”. A Equipa de Intervenção de Permanência tem exclusivamente de assegurar serviços de socorro às populações, sendo que exerce a sua missão de forma permanente, todos os dias úteis, correspondendo a 40 horas semanais, segundo o protocolo apresentado. Os elementos da equipa são submetidos, anualmente, a provas de reavaliação das condições de aptidão física, clínica e psicológica, e obter uma apreciação favorável, relativamente ao desempenho das respetivas funções, que será efetuada pelo comandante do Corpo de Bombeiros. Maria Francisca Carvalho PUBLICIDADE

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REGIÃO / Constância

Município inaugurou praia fluvial no Zêzere.... // Muito antes das 11 da manhã do domingo, 10 de julho, já os carros esgotavam os lugares de estacionamento à sombra, na marginal de Constância. Ali, pouco antes de onde Camões, sentado contempla o rio Zêzere, iam saindo os veraneantes, banhistas ou turistas que haveriam de estar a banhos ou ao sol quando acontecesse a inauguração oficial da Praia Fluvial de Constância. Os pais acalmavam os petizes que queriam era correr para a praia. É que praia é sinal de festa. E esta de Constância ganha o nome agora, porque ao longo de décadas o local já era procurado pelos habitantes da região. A Praia Fluvial de Constância sempre foi um anseio de décadas destas gentes da vila ribeirinha. Primeiro até se pensou num açude para represar a água, mas as entidades oficiais do ambiente nunca autorizaram essa possibilidade. A Câmara Municipal de Constância decidiu avançar para a criação de uma praia fluvial e antes de qualquer título, foi preciso instruir um processo junto da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) no sentido de analisar as águas do local durante dois anos, para garantir que todos os pressupostos de qualidade estariam assegurados. E foi isso que aconteceu em maio, com a criação oficial da Praia Fluvial de Constância. O Município avançou depois com os procedimentos de criar a zona balnear. Criou uma zona para colocar areia e chapéus de sol e a infraestrutura para um nadador-salvador, obrigatório nestes locais. Sérgio Oliveira, presidente da Câmara Municipal de Constância, deixou bem claro que sabe que a areia vai ser levada todos os invernos

área de areal de 3.500 m2 que permite uma ocupação máxima de 350 pessoas. O espaço de lazer possui vários equipamentos de apoio localizados nas suas imediações, designadamente estacionamento, zonas verdes, áreas de lazer, parque de merendas, estabelecimentos de restauração e bebidas, parque de campismo e instalações sanitárias, num local central da vila e com facilidade de acessos a outras infraestruturas. De acordo o autarca, o Município fez um investimento global de 60 mil euros.

O vandalismo

/ Sempre foi uma zona muito procurada e agora é, finalmente, uma praia fluvial pelos caudais mais rápidos do Zêzere. Mas não é por isso que, afirmou, não deixará de haver a praia fluvial. Também explicou que a zona balnear não é mais extensa, como alguns terão alvitrado, porque não há capacidade de colocar nadadores-salvadores em toda essa extensão de praia, se assim acontecesse.

Depois ainda apontou às críticas sobre as descargas de efluentes no Tejo, cuja solução está encaminhada para breve, com a construção de um emissário para a ETAR da CAIMA. Mas isso acontece no Tejo e não no Zêzere, onde está situada a praia fluvial. Afinal de contas, o local que sempre foi procurado

para os banhos nos dias quentes de verão. A praia fluvial de Constância, fica localizada na margem esquerda do rio Zêzere, “cumpre todos os requisitos respeitantes à qualidade das águas balneares e à assistência a banhistas”, tem dois nadadores-salvadores em permanência e uma

Doze dias depois da inauguração, o presidente da Câmara dava conta de atos de vandalismo na praia. Na rede social Facebook, Sérgio Oliveira escreveu: “Esta manhã encontrámos este cenário na nossa Praia Fluvial. Dois chapéus partidos e atirados ao rio e a vedação do lado da foz arrancada. Lamento profundamente estes atos de destruição do património público que é de todos.” Foram muitos os comentários de cidadãos que deixaram transparecer a revolta pelo que aconteceu que não é mais do que “maldade pura” pois, seguramente, que os chapéus de sol no meio do areal não incomodam ninguém.

... e obras de requalificação do cineteatro Começou a funcionar no início da década de 90 do século passado e em 2009 começou a precisar de intervenções que o presidente da Câmara classificou como alguns “cuidados paliativos” até ter fechado em 2018. Voltou a abrir portas no dia 22 de julho depois de uma intervenção de cerca de 215 mil euros a que se vai juntar a aquisição e implementação do equipamento de som, num valor estimado de 127 mil euros, com financiamento garantido a 100% pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). No global, esta intervenção é superior a 300 mil euros, mas o presidente da Câmara de Constância, Sérgio Oliveira, já deixou o alerta, daqui a cinco anos pode acontecer a necessidade de ajustamentos face a eventuais novas regras ou necessidades deste tipo de equipamentos. Sérgio Oliveira vincou no seu discurso ser um dia de festa para Constância, com a reabertura de

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/ Sérgio Oliveira e António Mendes inauguraram as obras de requalificação do cineteatro uma infraestrutura necessária para a oferta cultural do concelho, e da região. É uma sala de cerca de uma centena de lugares que tem a dimensão adequada às necessidades do concelho, sendo que existe ainda o

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auditório Rómulo de Carvalho, no Centro de Ciência Viva de Constância, que pode acolher alguns eventos de maior dimensão. Para já, adiantou o autarca, não faz parte dos planos do Município construir ou criar um equipamento

similar de maior dimensão. Sérgio Oliveira revelou que agora há que criar um plano de atividades que vai passar pelo regresso do cinema a Constância, para além das instituições do concelho poderem ter o espaço para as suas atividades. De referir que o Cineteatro de Constância não estava registado no nome do Município até 2018. Este facto levou a alguns contratempos na concretização da requalificação do imóvel. Sérgio Oliveira revelou ainda que se registaram “alguns atrasos com o empreiteiro” e, na vistoria final, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil fez “exigências que não constavam inicialmente do projeto”. Mas o presidente da Câmara de Constância “lamenta” hoje não ter feito na altura o projeto total de requalificação de todo o espaço. É por isso que teve a necessidade de avançar agora com um projeto de

som, luz e vídeo que está concluído e será candidatado ao PRR com financiamento garantido na totalidade. A cerimónia de reabertura do Cineteatro Municipal de Constância, a 22 de julho, aconteceu às 18 horas e às 19 teve lugar o primeiro evento, por parte do Agrupamento de Escolas de Constância: a apresentação do livro “Pana Paná” escrito pelos alunos do Agrupamento de Escolas de Constância, ilustrado por crianças, na altura, internadas no IPO. A receita da venda deste livro reverte na totalidade a favor da Acreditar – Associação de Pais e Amigos de Crianças com Cancro. À noite, às 21h30 foi exibido, em antestreia nacional, o filme “Por quem os Sinos tocam”. Trata-se de uma história com epicentro na família Elias, de Constância, e da aventura épica que viveram para construir o maior carrilhão itinerante do mundo, o Lvsitanvs. Jerónimo Belo Jorge


REGIÃO / Constância Autarquia aprova contratação de empréstimo para alargamento do cemitério // A Câmara Municipal de Constância aprovou, por unanimidade, a contratação de um empréstimo de médio/longo prazo de 215 mil euros, tendo em vista a execução de uma empreitada necessária à vila.

/ O alargamento do cemitério é uma obra estruturante para a vila de Constância O presidente disse ainda que este empréstimo cumpre com os limites de endividamento do Município, que nesta fase é superior a 1 milhão de euros. “Recorremos à banca porque entendemos que este é um projeto prioritário e estruturante e porque não podemos manter a situação

atual. Já não temos disponíveis muitas sepulturas”, explicou o presidente da Câmara de Constância. Por outro lado, há uma outra justificação para esta operação e que tem a ver com o facto de estar em execução a empreitada de acessos ao Centro Escolar de Montalvo, num investimento de 300 mil

euros, e que está a ser executada totalmente a partir do orçamento municipal. O vereador da CDU, Rui Ferreira, referiu ser a favor da contração do empréstimo porque, afirmou, “os empréstimos fazem parte. É um elemento de gestão. Não posso, no entanto, de deixar de notar as críticas que os anteriores executivos tiveram com empréstimos. É normal e não vejo problema nenhum nisso. Rui Ferreira notou ainda uma disparidade entre o valor total da obra (280 mil euros) para um valor “curto” (62 mil euros) na comparticipação do PARU. Nesse sentido, questionou como é que foram encontrados estes valores. Sérgio Oliveira respondeu e começou pelas posições assumidas pelo anterior executivo de crítica e alegado desacordo em relação à contratação de empréstimos. E por forma a “clarificar a sua posição”, o atual autarca vincou que nunca foi contra a contratação de empréstimos. Mas logo de seguida, disse

Jerónimo Belo Jorge PUBLICIDADE

O presidente do executivo apresentou a necessidade do alargamento do cemitério de Constância como sendo uma obra estruturante e que o recurso à banca é assumido, embora tenha destacado que é uma prática que não quer que seja quotidiana. Trata-se de uma obra em duas fases e aponta a uma candidatura ao Plano de Ação para a Regeneração Urbana (PARU) tendo em vista a requalificação da zona envolvente da antiga escola primária de Constância. Sérgio Oliveira explicou que o Município lançou o procedimento para ampliação do cemitério de Constância e o arranjo do largo envolvente ao cemitério. Houve uma comparticipação do PARU a rondar os 62 mil euros e a proposta é a de contratar um empréstimo para a parte não comparticipada desta obra. Segundo o autarca, este empréstimo terá um prazo de pagamento a dez anos, pelo que terá um encargo anual para o Município no valor de 21 mil euros.

“reafirmo que nesta casa, como em qualquer outra, não se deve recorrer à banca para tudo e mais alguma coisa. Deve recorrer-se à banca para projetos estruturantes e essenciais para o concelho. Mas, em simultâneo, deve ser feito um esforço para fazer obras sem ser necessário recorrer à banca.” Depois avançou com as obras que foram executadas sem recurso à banca, como os acessos ao Centro Escolar de Montalvo (300 mil euros), arruamentos em Santa Margarida (150 mil euros) sem pedir nada à banca. E repetiu que não pode andar sempre a recorrer à banca porque isso vai limitar a gestão que virá a seguir a esta. Sobre o valor do financiamento, de ser apenas de 62 mil euros, o presidente explicou que “o Município de Constância no âmbito do PARU teve um bolo de 500 mil euros, que não foi negociado pela maioria que gere a Câmara Municipal. Foi negociado pela maioria que nos antecedeu. E estes 62 mil euros foram as migalhas que sobraram desse dinheiro e de acordo com a distribuição proporcional feita na altura. Agora do que sobrou, calhou-nos 62 mil euros que encaixamos neste projeto.” A contratação do empréstimo foi aprovada por unanimidade.

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Barbeiros Os tempos mudam

REPORTAGEM /

e as modas revivem-se // Ser barbeiro é uma profissão bastante comum, assim como ser cabeleireiro ou cabeleireira. No centro histórico de Abrantes existem barbeiros de diferentes idades e que, apesar de partilharem a profissão, os cortes de cabelo que lhes são pedidos são bastante diferentes.

por Maria Francisca Carvalho

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o antigamente para o agora, quais serão as maiores diferenças nos cortes de cabelo masculino e até mesmo na barba, ou bigode? Eduardo Charneca trabalha como barbeiro há cerca de três anos e Manuel Lopes Serras, que trabalha como barbeiro “há coisa de 66 anos”, falam sobre este ofício e como se iniciaram na profissão. Manuel Serra começou a sua jornada pelos cabelos e penteados aos 17 anos de idade, quando se iniciou como aprendiz de barbeiro com o seu vizinho da época, “o Afonso Filipe”. Aos 19 anos, Manuel era barbeiro e cabeleireiro “lá em baixo no João Martins”. Foi ali que trabalhou por “oito anos, ia ao salão, ia à barbea-

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ria” e assim sucessivamente. “Vinha a pé das Mouriscas para Alferrarede para ganhar 15 escudos por dia”. Confessa que saiu do primeiro estabelecimento onde trabalhou por se ter casado, “tinha outras responsabilidades”. Acabou por se fixar no centro da cidade de Abrantes, onde passou a “trabalhar das 09h00 às 21h00” e a receber “30 escudos por dia”. Pouco tempo depois, Manuel Serra abriu o seu primeiro estabelecimento. “Estive ali 45 anos”. Relata que a primeira barbearia que abriu foi ao lado da Câmara Municipal e foi o local onde ficou mais tempo. Atualmente, Manuel Serra, trocou a barbearia de local. “Es-

/ Manuel Serras começou a aprender a “arte” de fazer barbas aos 17 anos tou aqui há dois ou três anos, estou aqui há pouco tempo”, referindo-se às instalações no Largo João de Deus. Diz ainda que o sítio onde estabeleceu a barbearia “é uma casa airosa”. Manuel Serra é reformado e mantém o seu estabelecimento aberto. Tentou trabalhar apenas por marcação, mas “tem pessoas que não têm telemóvel, chegam ali, veem o papel e acabam por ir embora”, o que levou Manuel Serra a manter-se na barbearia durante o

período da manhã e, por vezes, da parte da tarde. “Isto está muito fraco, porque agora há aí mais barbeiros”. Confessa que nos dias que correm acaba por não ter tanto trabalho como antigamente. Ao contrário dos tempos que se vivem, o barbeiro ilustra que em tempos “era o único em Abrantes, fiquei muitos anos naquela barbearia”. Por motivos de saúde, Manuel Serra acabou por deixar o espaço onde ficou durante muitos anos. Mesmo reformado continua a trabalhar e explica que “descontei durante 41 anos e já me custava pagar 20 contos por mês” à Segurança Social. Passado “pouco tempo” depois de se ter refor-


REPORTAGEM / / Eduardo Charneca fez um curso de 6 meses e abriu a barbearia em 2021

mado, Manuel Serra começou “a receber 35 contos”. Refere que se reformou ainda no tempo dos escudos. “Eu corto mais à antiga”, é assim que Manuel Serra descreve os cortes de cabelo que faz “com máquina” e “passa-se a navalha assim à volta do cabelo e fica direitinho”, ou seja, um corte de cabelo “a direito”. A maior diferença que encontra é que nos dias de hoje os cortes de cabelo são “à tesoura” e “são cortes de cabelo que eu não gosto de fazer, mas se pedem, eu faço”. No que toca à barba, Manuel Serra foi “considerado o melhor barbeiro a fazer barbas na cidade, há uns anos”. O tipo de barba que faz é, tal como o cabelo, “à antiga, cara toda limpinha”. Confessa que, “para mim uma cara lavada tem todo o valor”. Os clientes de Manuel Serra são uma “rapaziada já de uma certa idade”, o que faz com que os cortes que lhe pedem são nomeadamente do estilo que prefere. Menciona ainda que “tem pessoas que vêm de longe para cortarem o cabelo”, por terem gostado do seu trabalho. Dá o exemplo de clientes que vêm “do Pego, de Alvega, da Abrançalha”. Fala sobre uma cliente, que por ser cabeleireiro, também tem clientes do sexo feminino, que “já veio aqui duas vezes e quando chega à terra as pessoas perguntam-lhe onde arranjou o cabelo, porque lhe assenta muito bem”. Descreve que quando era mais novo juntava “lá em casa” diversas amigas da namorada da época e que “cortava o cabelo a todas”. Dos tempos antigos para os atuais, Eduardo Charneca é barbeiro em Abrantes e tem a sua própria barbearia na cidade, há quase um ano. Eduardo Charneca fez o curso de barbeiro durante seis meses, numa “Academia em Lisboa, ao lado do Campo Pequeno”. Foi “entre aulas e o ir e vir entre Lisboa e Abrantes” que em março de 2020 acabou o curso. “Basicamente, uma semana antes disto tudo fechar por causa do Covid e de entrarmos todos no primeiro confinamento”. Acontece que, durante uma “conversa de café com familiares que estão na área, mas como cabeleireiros, e com o meu antigo barbeiro”, Eduardo Charneca viu o seu gosto pela barbearia ganhar vida. “Decidi voar um bocadinho”. Eduardo Charneca abriu a sua própria barbearia a “15 de agosto de 2021”. Descreve que depois de arranjar o espaço onde está agora, “fiz algumas obras e acabei por abrir o meu próprio espaço”. Contudo, antes deste passo, trabalhou “em part-time, por estar a estudar” na barbearia de quem lhe fez ganhar o gosto pela área. O antigo barbeiro de Eduardo Charneca “que depois passou a

entidade patronal, precisava de alguém para trabalhar” e acabou por pensar “porque não?”. Falando sobre o corte de cabelo que mais lhe pedem para fazer, revela que é “os dégradés do zero, a fazer quase uma gradação de cor”. No que toca à barba, sente que “ultimamente tem mais gente com barba, mas sinto que não dá para fugir tanto como no cabelo. É o que é”. Eduardo Charneca diz que estas “são as tendências, são as modas” e sente “que a moda é cíclica e que o que se faz hoje em dia já se fazia nos anos 40 ou 50, que depois se deixou de fazer e isso deu lugar a outras coisas”. Tal como agora, a moda são os “dégradés”. Acredita que, eventualmente, a moda vai voltar “aos cabelos grandes”. Conta que em inícios dos anos 2000 começaram a usar-se cabelos mais compridos “e as cabeleireiras começaram a ganhar muito mais espaço e muito mais terreno do que os barbeiros da altura”. Explica que um dos maiores motivos pelos quais isto aconteceu, foi o facto do trabalho feito pelos barbeiros da época ser “aquela chapa cinco”. A faixa etária de pessoas que Eduardo Charneca costuma atender é, “não quero exagerar, mas entre os dois anos e maioritariamente até aos 30” e as idades dos seus clientes não vão muito mais além disso. Conta que os “pequenos pedem” o corte de cabelo com dégradé, mas que muitas das vezes “não é por eles, mas pelos pais. Os pais acabam por ver outras crianças, ou as tendências, e acabam por querer isso para os seus filhos”. Apesar de não trabalhar como cabeleireiro, Eduardo Charneca confessa que tem “quatro ou cinco clientes do sexo feminino” que utilizam o cabelo curto “e que lhes fica bastante bem”. “Acontece diariamente”, serem-lhe pedidos cortes como os de algumas celebridades. Os nomes das celebridades que Eduardo Charneca mais ouve na barbearia são o de Cristiano Ronaldo, diz que as pessoas pedem muito os cortes “com riscos” e, ultimamente, “o do DiCaprio na década de 90”. Este último corte é um “cabelo um bocadinho maior e a puxar para os lados”. Atualmente, por estar a tirar uma licenciatura, Eduardo Charneca trabalha apenas por marcação, “mesmo estando em época de aulas ou não”. Confessa que prefere “funcionar assim, tanto para me orientar a mim, como para o próprio cliente não ficar muito tempo à espera”. “Ando aqui a jogar entre uma coisa e a outra” e por vezes tem de escolher priorizar “entre algumas cadeiras e a barbearia”.

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REGIÃO / Vila de Rei Vila de Rei e Crosne avançam com Protocolo de Geminação O Executivo Municipal de Vila de Rei aprovou, por unanimidade na sua reunião ordinária de 15 de julho, a proposta de Protocolo de Geminação entre os Municípios de Vila de Rei e de Crosne, em França, com vista à cooperação e estabelecimento de redes capazes de fomentar a economia e potenciar as empresas dos dois Municípios. De acordo com a proposta de protocolo aprovada, a cooperação entre as duas entidades prevê o desenvolvimento mútuo na base dos interesses e opções de cada Município e de acordo com as disponibilidades existentes em cada momento, nos domínios empresariais e económicos, da cultura, ciência, desporto, meio ambiente, social e outros temas que possam ser de comum interesse. De entre os acordos previstos, está a divulgação e participação em feiras e exposições, divulgação de produtos regionais, cedência de um espaço/ armazém comum para reco-

lha, armazenamento e distribuição de produtos, criação de uma rede de oferta de agentes turísticos e o fomento de intercâmbio entre as pessoas e, em particular, os jovens. Para Ricardo Aires, presidente da Autarquia vilarregense, “com este Protocolo de Geminação, através de uma estreita e valiosa colaboração entre os dois Municípios, poderemos beneficiar de importantes mais-valias transfronteiriças para as nossas empresas e institui-

ções, assim como no foro turístico, científico, social ou ambiental. Prevemos que esta cooperação intermunicipal assuma uma elevada importância, proporcionando uma rede mais extensa e diversificada de parceiros, desenvolvendo o sentimento de fraternidade, cooperação e desenvolvimento.” A assinatura deste Protocolo de Geminação foi marcada para o dia 30 de julho, dia da abertura da XXXI Feira de Enchidos, Queijo e Mel.

Município disponibiliza compostores domésticos à população O Município de Vila de Rei tem em curso o Projeto “Reduzir para criar mais valor”, que se traduz no desenvolvimento de soluções mais verdes e sustentáveis, alinhadas com a promoção de uma economia circular assente na redução, reutilização, recuperação e valorização dos resíduos. Neste âmbito, a Autarquia prevê a entrega de 369 compostores domésticos, a distribuir pela comunidade vilarregense residente, com o objetivo de promover a valorização dos biorresíduos (resíduos biodegradáveis alimentares e provenientes de espaços verdes), reduzindo a quantidade de resíduos enviados para aterro. O compostor doméstico a entregar tem a capacidade para 280 litros, fabricado em PEAD, leve, fácil de transportar e de montar pelo utilizador. Os cidadãos interessa-

entrega de compostores está limitada ao stock existente. Após terminado o prazo de inscrição, os cidadãos registados serão convocados para participar numa ação de formação. No final da sessão, os utilizadores poderão levantar o compostor e um guia da compostagem impresso ou em formato PDF nas instalações do Estaleiro Municipal de Vila de Rei.

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Há um novo mural de arte urbana junto à EN 2 Vila de Rei tem um novo mural de arte urbana, elaborado pela artista vilarregense Marta Domingos, situado na entrada da Vila no sentido Norte – Sul e mesmo junto à Estrada Nacional 2, numa iniciativa integrante no projeto ‘Caminhos da Natureza: Património Natural – Novas Experiências de Vista’. Encontra-se já em execução a pintura de um mural de arte urbana na fachada do Pavilhão Desportivo Municipal. O mural, pintado na fachada do Pavilhão Desportivo Municipal, apresenta 9,1m de altura por 19,4m de largura, e aborda quatro temáticas principais: Estrada Nacional 2, Centro Geodésico de Portugal, Rio Zêzere e o Rei D. Dinis. O vice-presidente da Autarquia vilarregense e responsável pelo pelouro do Turismo, Paulo César Luís, realça que “temos já à disposição dos milhares de visitantes que anualmente percorrem o nosso concelho,

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dos em obter gratuitament e u m d o s c o m p o s t o re s ainda disponíveis, e que cumpram os requisitos de atribuição, devem formalizar a sua inscrição. As condições de atribuição do compostor passam por ter que ser residente no concelho de Vila de Rei e ser cidadão com idade igual ou superior a 18 anos. Será atribuído um compostor por cada agregado familiar e a

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um novo e entusiasmante ponto de interesse turístico. O mural inclui quatro dos marcos mais representativos do concelho de Vila de Rei, conseguindo juntar fatores históricos e turísticos. Os meus parabéns à artista Marta Domingos pelo fantástico trabalho que conseguiu reproduzir”. O projeto “C aminh os da Natureza” é composto por 68 ações que percorrerão diversos locais dos concelhos de Vila de Rei, Sertã, Ferreira do Zêzere

e Mação, assentando no desenvolvimento de novas experiências e na dinamização, promoção e desenvolvimento de bens culturais e naturais – materiais e imateriais, como forma de diferenciação, competitividade, diminuição de assimetrias e reforço da coesão territorial, através da atratividade e promoção da imagem da região. O projeto é cofinanciado pelo Centro 2020, Portugal 2020 e União Europeia, através do FEDER.


REGIÃO / Vila de Rei

“Temos que reintroduzir riqueza na floresta para que deixe de ser uma ameaça” // O primeiro-ministro, António Costa, defendeu, em Vila de Rei, que tem de ser reintroduzida riqueza na floresta para que deixe de ser uma ameaça para o país. “Temos que atacar a causa estrutural, a raiz do problema. Temos que reintroduzir riqueza na floresta para que deixe de ser uma ameaça e passe a ser uma riqueza do país”, afirmou António Costa. O primeiro-ministro falava em Vila de Rei, durante uma visita em que se fez acompanhar pela ministra da Justiça e pela coordenadora para a Estrutura de Missão para a Expansão do Sistema de Informação Cadastral Simplificado (eBUPi). António Costa realçou que grande parte da mancha florestal está abandonada, “infelizmente, por hiper fragmentação da propriedade que foi perdendo valor económico”. António Costa referiu que o cadastro parou a norte do Tejo, ainda no tempo da ditadura e nunca mais foi feito. E deixou a nota de que “ninguém vai pagar mais impostos. O cadastro permite é a cada cidadão saber o que tem.” O primeiro-ministro foi ainda mais incisivo ao dizer que se um cidadão “quiser vender, arrendar, ter apoios à plantação, ver a criação de associações de produtores ou com uma renda de garantia dos ecossistemas” terá de fazer o registo das terras. Concluiu a dizer que “só podemos pagar [o arrendamento de garantia do ecossistema] se soubermos quem são os proprietários dos terrenos”. O primeiro-ministro indicou depois o primeiro passo dado em 2017 nesta matéria, com o projeto-piloto em dez concelhos, oito dos quais do Pinhal Interior. “Só com um trabalho na floresta é que vamos reduzir o risco de incêndio”. Ainda em relação à necessidade de se trabalhar na estrutura da flo-

/ António Costa quis ver “in-loco” o BUPi de Vila de Rei e fez muitas perguntas sobre o seu funcionamento resta, o líder do governo sublinhou que “temos de ter condições para que tenha valor, porque com valor cada um cuidará das propriedades como cuida da sua casa. Esta é uma grande riqueza e não pode ser uma grande ameaça sempre que as temperaturas sobem”. Após repetir os apelos para não se usar fogo ou atividades que signifiquem riscos para a floresta, António Costa indicou que no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) “temos verbas que se destinam aos proprietários” para diversas áreas como o uso das resinas ou uma aposta na biotecnologia, para utilizar as fibras de resíduos florestais para as mais variadas áreas. António Costa vincou ainda que “valorizar a massa florestal é dar rendimento ao proprietário florestal”. Acrescentou ainda que tanto o PRR como o Fundo Ambiental têm “verbas para o apoio dos ecossiste-

mas para garantir a neutralidade carbónica”. Também a ministra da Justiça, Catarina Sarmento e Castro, que tutela este serviço do BUPi, referiu que é fundamental para o país. E fez questão de notar que “fui com o meu avô ver as marcas dos terrenos. Felizmente que há uma ferramenta que com um telemóvel consegue reunir a georreferenciação das propriedades”. Acrescentou que só se conhecermos o território “é que o país pode planear. Nós, Portugal, podemos ter uma visão do que é o nosso território incluíndo as florestas”. A coordenadora do BUPi, Carla Mendonça, explicou que Vila de Rei foi o primeiro município a acolher um destes balcões, de um serviço inovador. “Há 11 milhões de matrizes que temos de levar para a plataforma. O grande desafio é harmonizar os

registos das Finanças com a georreferenciação dos prédios. Estamos a identificar o domínio do Estado, a ocupação e uso dos solos tendo em vista a criação das AIGP (Áreas Integradas da Gestão da Paisagem) que vão originar as OIGP (Operações Integradas da Gestão da Paisagem), indicou a responsável pelo Grupo de Missão. O BUPi está implantado em 140 municípios. 95 mil cidadãos já foram a um balcão identificar a sua propriedade. O serviço tem 790 técnicos registados. De acordo com a coordenadora há registo de 3.100 processos diários e 62 mil processos finalizados em junho. Há mais de 579 mil matrizes, de um total de 8 milhões, georreferenciadas. Este processo vai permitir criar Número Identificação do Prédio (NIP) para as novas formas de gestão do território. “Queremos começar em 2023 com as AIGP”.

O NIP terá tem um elemento descritivo com georreferenciação e confere certeza e rigor à informação registada. E vai permitir o “acesso e partilha de informação junto de todos os serviços”. Ricardo Aires, presidente da Câmara Municipal de Vila de Rei, indicou que o seu concelho tem o maior número de matrizes registadas na plataforma. Explicou que “fizemos esclarecimento porta a porta, sessões de esclarecimento, mas ainda há muito trabalho a fazer. Houve atrasos em todo o processo por causa da pandemia”. O autarca de Vila de Rei apelou ao prolongamento do prazo para os registos numa região de minifúndio como a de Vila de Rei e concluiu a referenciar a necessidade de o cadastro estar feito para poder ser concluído o processo das OIGP. “Aguardamos a publicação das áreas técnicas”. Ricardo Aires deixou o convite a António Costa: “espero que um dia possa vir a Vila de Rei para podermos ter uma conversa sobre o tanto que havia para dizer”. Em agosto de 2017, o Governo criou o Sistema de Informação Cadastral Simplificado e o BUPi – um plano que arrancou com um projeto-piloto aplicável na área territorial de dez municípios, oito dos quais do Pinhal Interior e dois da região norte. Depois do projeto-piloto, o Governo procurou alargar o sistema de informação cadastral simplificado a todo o território nacional. “O objetivo foi integrar a informação de planeamento territorial, do registo predial e do cadastro, tendo em vista identificar todos os proprietários. No Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), na componente relativa a florestas, está previsto um investimento de 55 milhões de euros no projeto”, revelou uma fonte do executivo de Vila de Rei. Jerónimo Belo Jorge PUBLICIDADE

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ECONOMIA /

Molho das batatas fritas do McDonalds é produzido na Golegã // O McDonald's é uma das marcas mundiais mais conhecidas e tem centenas de restaurantes em Portugal, que se juntam aos milhares espalhados pelo mundo inteiro. A multinacional americana tem, contudo, a particularidade de colocar nos seus menus produtos específicos de cada país onde está instalado. Essa adaptação aos mercados leva a empresa a procurar em cada um dos territórios parceiros locais para poder levar avante esta ideia. Em Portugal, quando em 2012 a multinacional quis lançar a McBifana, procurou nas empresas nacionais a parceira de eleição para este passo. E veio ao encontro da Mendes & Gonçalves, na Golegã, que com as suas marcas base, Paladin e Penínsular, já calcorreava os mercados dos vinagres e molhos, alguns dos quais em nome próprio. Carlos Gonçalves, administrador da Mendes & Gonçalves, revelou que foi ali que começou esta ligação entre o “gigante e uma pequena empresa da Golegã”. Mas queria o destino que esta ligação ganhasse outros contornos, porquanto a Mendes & Gonçalves apontou a sua estratégia à inovação e ao alvo de nichos de mercado. Carlos Gonçalves é claro. A empresa não poderia ombrear com os gigantes do setor, pelo que procurou outros mercados e outras formas de poder crescer. E, neste momento, entre as marcas próprias da Mendes & Gonçalves trabalham para muitas outras cadeias de consumo. Ao nível de supermercados e de criação de produtos específicos. “Tivemos uma empresa de hambúrgueres da Irlanda que nos pediu para desenvolvermos uma maionese cor de rosa”, explica o empresário.

// A MENDES & GONÇALVES EM NÚMEROS • Produção de molhos em 2021 15.000.000 kgs (15.000 tons) • Produção de vinagres em 2021 - 16.000.000 lts (aprox. 16.000 tons)

• Total artigos em produção

Os molhos de alho e das batatas fritas

O primeiro pedido foi o molho para o lançamento da McBifana. A partir desde primeiro passo a empresa foi desenvolvendo outros molhos para a cozinha da multinacional. Molhos utilizados na cozinha, em vários produtos da companhia. Mesmo assim a parceria desenvolveu-se ainda mais e “começámos a fazer o molho para as batatas fritas, para os restaurantes portugueses, mais ou menos ao mesmo tempo que desenvolvemos o molho de alho.” De acordo com o empresário, estes molhos são irmãos. Mesmo não adiantando os consumos, nota que “toda a relação com a McDonald's é importante, sejam esses os promocionais, os temporários ou os de linha permanente.” Carlos Gonçalves explica que as novidades da multinacional em Portugal contam sempre com os

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molhos produzidos na fábrica da Golegã. Neste momento a empresa não produz apenas para o mercado nacional. Vão fazendo alguns molhos para outros países, ao nível das promoções, e isso permitiu de tal forma sedimentar processos que “temos com a McDonald's em Israel a mesma relação como temos em Portugal, com produtos diferentes (a maioria), naturalmente.” Para criar os molhos para Israel, Carlos Gonçalves esclarece que “essa é sempre a nossa vida. A preocupação é conhecer as necessidades do consumidor e, neste caso, quem o faz ainda melhor que nós. Aqui temos essa proximidade.

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No caso de Israel foi quase igual. Vieram pessoas ter connosco para a produção dos molhos.” Carlos Gonçalves acrescentou que essa delegação passou uma semana na Golegã com o departamento de inovação a elaborar esses molhos que permitiram à Mendes & Gonçalves passar a fazer a sua exportação. “Duas ou três semanas depois voltaram até à conclusão do processo. E é assim que continuamos este trabalho. Sempre que é preciso eles vêm cá para estudar e desenvolver os nossos molhos.” Com Portugal é mais simples, aponta o empresário porque “eles estão cá.” Carlos Gonçalves diz ter ficado surpreso com a forma simples com

- 1.700 SKUs/referências diferentes • Média de 300 projetos de I&D por ano 220 receitas de molhos em portfólio 26 receitas de vinagres em portfólio

• Faturação de 37 milhões de euros (2021)

• Cerca de 300 empregados (2022)

Já em 2022 numa análise YTD (year-to-date), até Junho, a empresa está a crescer em ambos os segmentos - tanto nos molhos como nos vinagres.

que lidam com a multinacional, processos simples, já ao nível das auditorias são mais exigentes do que os parâmetros da maior parte das certificações que a empresa tem. E têm-nas para o mundo ocidental, como para o árabe ou israelita. É sempre tudo muito rápido porque a McDonald's “sabe o que quer” e isso eleva-nos para outro patamar de desenvolvimento, de rapidez, de chegar ao mercado. “Hoje é tudo muito rápido e temos de nos adaptar.” Esta parceria “obrigou” a fábrica a fazer adaptações e a criar uma linha própria e exclusiva para a McDonald's e isto é “uma relação sempre exigente.” Por outro lado, acrescenta muito à empresa, mesmo ao nível do conhecimento. “Por exemplo, nas auditorias, das mais exigentes, a McDonald's acrescenta a responsabilidade social. Se calhar pouca gente fala nisso. Desde o primeiro dia que a McDonald's nos exige isso. Temos as nossas marcas, a Peninsular e a Paladin, mas o conhecimento fica cá e é transversal a todos os níveis da empresa.”

A empresa da Golegã com 40 anos

A Mendes & Gonçalves tem duas fases. Uma primeira, desde a fundação, ao nível só dos vinagres. E depois, uma segunda, “quando apontámos ao conhecimento e à aposta nos molhos. A Paladin é a mais visível ao nível das cadeias de consumo e agora “temos o ‘sacana’ que é uma submarca, mas que tem o património muito nosso, dos picantes.” Este picante, originário de Moçambique, traz com ele também o nome. “Lá chamam à planta Olho de Pássaro ‘o sacana’ porque é uma vagem pequenina, mas que depois pica muito. Achámos piada e registámos a marca.” “Temos uma gama muito grande e como fazemos inovação, vamos também para a sustentabilidade”, tanto mais que o próximo produto a ser lançado será um vinagre natural para limpeza, o Dona Pureza. Quase a comemorar 40 anos o administrador diz que não fez nenhum pedido à inovação da Mendes & Gonçalves: “Se há alguém que faz pedidos é o mercado, através dos departamentos comercial ou de marketing.” Jerónimo Belo Jorge


REPORTAGEM /

Food Fab Lab distingue inovação alimentar // Sal verde ou vegetal, um pó verde que resulta do aproveitamento da colheita da sali-cornia e que pretende entrar pela porta do mercado como alternativa ao sal que to-dos temos à disposição. Este foi o produto vencedor da edição deste ano, do Food Fab Lab, um concurso de inovação e potencial de mercado para produtos alimenta-res que é lançado todos os anos pelo Tagusvalley, através do INOV.LINEA, o laborató-rio de inovação alimentar do Parque de Ciência e Tecnologia de Abrantes. Jerónimo Belo Jorge A 5.ª edição deste Food Fab Lab recebeu 17 candidaturas, das quais duas foram ex-cluídas por não ser possível realizar prova sensorial, uma desistiu pelo que houve 14 candidaturas validadas e avaliadas. Na sessão de apresentação dos vencedores, Paula Grijó, presidente do Tagusvalley, destacou a projeção que este concurso começa a granjear pelo país, tanto mais que a olhar para os vencedores há uma presença muito variada de empresas do país que querem participar. Já Marta Evangelista, coordenadora do INOV.LINEA destacou que nas cinco edições deste prémio de inovação alimentar já houve 66 candidaturas, das quais 53 foram válidas. É um prémio que vive porque há empresas que se candidataram e desde logo, mes-mo sem serem finalistas, acabam por ter feedback das provas sensoriais feitas pelo júri. A coordenadora disse que nestes cinco anos já foram apoiadas 16 pessoas no desenvolvimento dos seus produtos. O júri foi constituído por Carlos Lopes de Sousa (Agrocluster do Ribatejo), Helena Mira, (Instituto Politécnico de Santarém), Nelson Félix (Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril), Miguel Teixeira, Associação Colab4Food, Tânia Calçada, (SONAE MC) Teresa Batista (Confraria Enófila do Tejo) e Teresa Mariano (Associação Portu-guesa de Nutrição). Os prémios do Food Fab Lab são serviços do INOV.LINEA e do Tagusvalley que pre-tendem desenvolver os produtos ou apontar à sua colocação no mercado. E a INOV.LINEA lançou já a imagem do que será a sexta edição deste prémio, que acontecerá em 2023.

O sal verde e vegetal

O grande vencedor do Food Fab Lab foi o projeto Sal Verde SALIVITAE de Portimão. O empresário Hugo Mariano que este produto é a “nossa salicornia desidratada e

O interior tem mesmo recheio de medronho puro e medronho nacional, sublinhou a empresária ao mesmo tempo que explicou que os doces vão brevemente para o mercado. “O produto foi feito para o concurso e agora vamos para o mercado. As caixas vão ser mistas, ou seja, vão ter trufas e bombons”, explicou Susana Azevedo que foi desafiada a dizer qual a reação das pessoas ao provar os bombons. “Dizem que gostam, que sabe a medronho e não sabe muito a chocolate. E a ideia é essa, não saber muito a chocolate e as pessoas saberem que estão a comer medronho e medronho nacional”, rematou a empresária de Vila Nova de Famalicão.

Bolacha de aveia sem glúten e mel

/ Os vencedores da edição deste ano antes de explicarem como fazem os produtos alimentares moída, em pó, que usamos para fazer o sal verde. Muito enriquecido porque tem muitos minerais, vitamina C, 14% de proteína. Resulta da ação maximizada sobre a nossa planta.” De acordo com o empresário, neste processo agrícola há desperdícios do aproveitamento da planta e este produto não é mais que esse aproveitamento, pois “pegamos nessa parte e aproveitamos para este produto.” O sal verde ainda não chegou ao mercado porque “quando avançarmos queremos um produto que tenha pernas para andar, daí que este prémio é muito importante para esse caminho.” Hugo Mariano revelou que a empresa vai aproveitar o prémio e os serviços que vão ter no Tagusvalley para poder construir uma imagem porque “sabemos que este não é um produto fácil. As pessoas nem sabem o que é a salicornia e o mercado portu-guês é muito relutante a produtos novos e que não entende, pelo que temos de o explicar primeiro.” O principal mercado da empresa é a exportação da salicornia fresca para os merca-dos francês, belga e dos Países Baixos. E, depois do lançamento no mercado nacio-nal, a aposta pode ser por colocar nestes países o sal verde porque ali já consomem a salicórnia. Fica a dica, este sal vegetal tem um travo a algas e, de acordo com o empresário, po-de temperar saladas ou requeijão.

Barras energéticas com grilos

O prémio inovação foi para Viana do Castelo. A Sustainabug, de Ana Coelho, criou uma barrinha hiperproteica vocacionada para um estilo de vida muito ativo, mas que, em simultâneo, “fosse de encontro

de arranjar uma forma de dar de comer a toda a gente e de termos uma alimentação equilibrada e ser acessível a toda a gente.” Ainda há muito trabalho pela frente principalmente nos testes de aceitação do pro-duto no mercado. E fica a nota que uma barra de 100 gramas desta produto tem 21 gramas de proteí-na, um quarto da dose diária de fibra. É quase como consumir um bife.

Na categoria degustação o prémio foi atribuído às amêndoas, aveia e mel da empre-sa Miss Beekeeper, de Montalvo. Sendo esta uma empresa de apicultura, produção de mel e subprodutos do mel, Vanessa Marques explicou o motivo de ter avançado com a produção destas bolachas. Primeiro porque utilizam o mel da Miss Beekeeper e depois porque são bolachas sem glúten e que foram desenvolvidas tendo em conta

Os bombons e trufas de medronho

às necessidades que vamos ter em pouco tempo, como o descobrir fontes mais sustentáveis de proteína e outras formas de obter uma alimentação rica que não sejam as normais.” Foi daí que numa parceria com a empresa The Cricket Farming começou a ser desenhado este novo produto. A barrinha é desenvolvida com produtos locais, porque há um trabalho que tem vin-do a ser desenvolvido desde outubro, embora ainda haja muito trabalho pela frente. E uma das particularidades da matéria-prima é o uso de grilos (Acheta domesticus) que permite ter esta quantidade de proteína. Há só uma nota é que quem é alérgico a mariscos não pode consumir esta barrinha energética. “Decidimos seguir esta ideia

A categoria potencial de mercado apontou a uma guloseima: bombons e trufas de medronho. Ou seja, chocolate com recheio de medronho. O projeto é da empresa SIM CHOCOLATE de Vila Nova de Famalicão, numa parceria com a empresa Medronho & Canela (vencedora do Food Fab Lab de 2021 com o pão de medronho). Susana Azevedo, da SIM CHOCOLATE, revelou que fizeram a experi-ência com o bombom e com a trufa e “como ambos resultaram ficaram os dois, am-bos com medronho e chocolate.”

que “há cada vez mais pessoas com problemas alimentares. Tenho uma irmã com problemas alimentares. Por isso tinha de ser uma bolacha diferente do que já há no mercado.” Vanessa Marques explicou que pensou nesta bolacha porque a apicultura não pode ser só o mel e o pólen. “Temos de perceber os novos tempos, há mais desafios. Es-tamos num ano de seca. E temos de perceber que temos de desenvolver novos pro-dutos e abranger mais o mercado, nacional e internacional”, sublinhou a apicultora. E depois reforçou que tem de haver uma aposta maior fora de Portugal. “Temos de apostar mais na exportação. Temos muitos produtos e estamos a sentir que lá fora cada vez mais procuram os nossos produtos”, concluiu Vanessa Marques.

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SOCIEDADE

proTEJO denuncia "bloom" de algas no Tejo // O movimento ambientalista proTEJO constatou, em 27 de julho, que o bloom de algas (de cianobactérias) identificado na barragem de Alcântara em 26 de junho, já chegou ao rio Tejo em Vila Velha de Ródão e irá progredir contaminando todo o rio Tejo a montante da barragem do Fratel. De acordo com o proTEJO, este episódio repete o ocorrido em setembro de 2021, identificado pela Agência Portuguesa do Ambiente na albufeira de Cedillo no dia 7 de outubro, que já provinha da barragem de Alcântara, ambas em Espanha. Este bloom de algas que deixa o rio com uma cobertura verde resulta de vários fatores, de acordo com os ambientalistas. Pelas palavras de Paulo Constantino, porta voz do movimento proTEJO, “este fenómeno já ocorreu no ano passado, depois de um ano húmido, porque no ano 2020/21 as barragens, em fevereiro, encheram plenamente e ficaram a mais de 86% da sua capacidade”. Primeiro, a concentração elevada de nutrientes, nomeadamente fósforo, depositados no fundo das albufeiras da Extremadura espanhola, Azutan, Torrejon, Valdecañas, Alcantâra e Cedillo, em resultado de décadas de descargas de águas residuais sem adequado tratamento e das escorrências de fertilizantes agrícolas, que “tiveram este tempo todo e estão agora no verão, efetivamente com a mesma carga tóxica, com a mesma pouca água e com o mesmo calor”. Paulo Constantino acredita ter sido este fenómeno que gerou a “quantidade de algas” que agora “começou a ser despejado a partir de Cedilho para Vila Velha de Ródão e que se vai propagar para jusante da barragem do Fratel, atingindo Belver e a seguir atingindo todo o Tejo até à Foz”. Segundo, a ausência de precipitação significativa durante os 10 meses do ano hidrológico de 2021/22, não permitiu a reposição dos baixos níveis de armazenamento gerados pelo esvaziamento das barragens de Alcântara e Valdecañas de cerca de 80% da sua capacidade em 15 de março para cerca de 40% e 21% no mês de junho, respetivamente, com a finalidade de produzir energia hidroelétrica quando o preço da energia no mercado espanhol estava em níveis bastante elevados. O proTEJO aponta ainda um terceiro fator e que terá a ver com “as condições de temperatura e luminosidade elevadas, que ocorreram no Verão de 2021, e desde aí até hoje, em que estas barragens armazenavam pouca água em resultado do seu esvaziamento artificial, criaram as condições propí-

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"Estas algas são prejudiciais a todos os seres vivos, nomeadamente para o ser humano”

/ Tejo em Belver em setembro de 2021

/ Tejo em Vila Velha de Ródão em julho de 2022 cias à proliferação deste bloom de algas que também dispunha dos nutrientes necessários.” O porta voz do movimento proTEJO refere que esta situação “se deve a esta má gestão da água” que surgiu no contexto de uma investigação por parte do governo espanhol “à Iberdrola, da qual não se conhecem resultados, do ano passado, por causa dessa descarga abrupta por suspeitas de especulação com o preço da energia”. Acrescenta que não foram tiradas conclusões desta investigação e que “efetivamente, a Iberdrola faz o que lhe apetece, porque a Convenção de Albufeira lhe permite

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e os planos de gestão da região hidrográfica do Tejo de Espanha e Portugal não contemplam caudais ecológicos ”. Paulo Constantino informa que estas algas “são prejudiciais a todos os seres vivos, nomeadamente para o ser humano”, acrescentando que “especialmente quando se rega a partir do Tejo, quando se capta água para abastecimento humano” a partir deste rio. O movimento de defesa do rio Tejo, sediado em Vila Nova da Barquinha, considera que o ministro do Ambiente e Ação Climática deve exigir explicações ao seu congénere espanhol. Paulo

Constantino revela que o ministro Duarte Cordeiro deve atuar “visto que esta situação constitui um agravamento adicional do estado ecológico das massas de água do rio Tejo em Portugal, em incumprimento da Convenção de Albufeira quanto à obrigatoriedade de garantir o bom estado ecológico das massas fronteiriças e transfronteiriças e em incumprimento da Diretiva Quadro da Água que impõe o objetivo de alcançar um bom estado ecológico das massas de água”. Recorde-se que já quatro associações ambientalistas apelaram nos últimos tempos ao ministro

do Ambiente para a “urgência” de uma intervenção para por termo à poluição no rio Ocreza, “que mais uma vez se encontra extremamente poluído”, um episódio que dizem repetir-se anualmente. “O que o Governo devia fazer era exigir que fosse cumprida a Diretiva Quadro de Água” que tanto Portugal como Espanha são obrigados a cumprir e o porta voz do movimento diz que “não se pode recusar aquilo que é uma diretiva europeia”. Assegura que “caso isso não venha a acontecer, estamos a ponderar, efetivamente, abrir uma ação judicial popular contra os Estados português e espanhol, por omissão, por não estabelecer os caudais ecológicos”. Numa carta aberta, o proTEJO – Movimento pelo Tejo, a Associação para o Desenvolvimento de Sobral Fernando (ADSF), o Movimento de Ação Ecológica (MAE) e a Plataforma de Defesa da Albufeira de Santa Águeda / Marateca (PDASA), deixaram um apelo a Duarte Cordeiro para efetivar uma ação que ponha termo à poluição no rio Ocreza, “que mais uma vez se encontra extremamente poluído neste mês de julho, com um nível de eutrofização e ‘bloom’ de algas significativo, episódio que se repete ano após ano”. “Esta situação ocorre após as descargas de água da barragem da Marateca (ou Albufeira de Santa Águeda) e, tal como no ano passado, foi reportado ao Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente - GNR e à Agência Portuguesa do Ambiente, município de Proença-a-Nova, Vila Velha de Ródão e Castelo Branco”, sublinharam os movimentos.


GALERIA / Jorge Sousa Lopes

Decorreram largos anos desde as primeiras memórias dos fotógra-fos “à la minute” que nos visitavam em dias de feiras e festas, até à minha primeira máquina fotográfica, uma Kodak automática, nu-ma época em que, em Vila de Rei, só conseguíamos ver o resultado dos nossos “cliks” uma semana depois. Jorge Sousa Lopes não tem formação na área, e já na era do digi-tal, manteve-se o gosto pela fotografia, agora utilizando só as câ-maras do telemóvel, muitas vezes para captar as belezas do seu concelho, como aqui pretende mostrar.

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SOCIEDADE /

Proprietários e indústrias querem plantar eucaliptos em matos para reduzir riscos

CARTÓRIO NOTARIAL DE MARIA DA CONCEIÇÃO RIBEIRO Rua Dr. Eduardo de Castro, n.º19, r/c, 6110-218 Vila de Rei Telf: 274.898.162 Tlm: 927.735.540 EXTRACTO DE JUSTIFICAÇÃO

// Proprietários florestais e indústrias da celulose pediram o aumento da área de eucalipto e de outras espécies de árvores de crescimento rápido em zonas de mato abandonadas para reduzir o risco de incêndio e desenvolver o setor. “A área devia ser aumentada e não reduzida”, afirmou Luís Damas, presidente da Federação Nacional das Associações de Proprietários Florestais (FNAPF), como também defendeu a Associação da Indústria Papeleira - Celpa. Segundo a FNAPF, as condicionantes à plantação ou replantação de eucaliptos tem vindo a contribuir para o abandono de anteriores povoamentos, após o corte da madeira. “Esta proibição provocou desinteresse e abandono por parte de muitos proprietários, que deixaram de cuidar daquilo que é seu”, explicou o dirigente, acrescentando que essas “são áreas de floresta sem produção onde têm custos de manutenção” e, por falta de limpeza por não serem áreas produtivas, é por aí que entram os fogos. Luís Damas explicou que “são áreas que têm custos de manutenção porque não produzem e temos que as manter. Não tendo lá as árvores, temos que limpar os matos, as linhas de água...” ‘Guardiões da floresta’, por serem os primeiros a querer proteger o seu negócio, os pro-

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prietários florestais querem transformar matos em floresta, para estas áreas passarem a ter uma gestão profissional, minimizando o risco de incêndio. “Temos muitas áreas que são matos e nestes dias estão a ser tomadas pelos fogos porque não têm gestão”, justificou a FNAPF. Na mesma perspetiva, o diretor-geral da Associação das Indústrias Papeleiras - Celpa, Francisco Gomes da Silva, lembrou que “quase metade da área ardida corresponde a matos e pastagens, seguindo-se o pinheiro-bravo e só depois o eucalipto”, concluindo que os incêndios ocorrem sobretudo em áreas de “ausência generalizada de práticas de silvicultura”. Para a FNAPF, a proposta poderia ser uma solução para resolver os problemas do minifúndio. “Posso ter dois hectares e geri-los bem, mas, se os meus vizinhos não fizerem nada à volta, o incêndio vem e eu com dois hectares não os consigo salvaguardar”, advertiu Luís Damas. As duas associações alertaram também que as restrições

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ao aumento da área de eucalipto, uma das espécies onde há maior investimento por ser de crescimento rápido, tem causado “prejuízos económicos” ao país. Desde logo, restringem o potencial de produção e de exportação e contribuem para o aumento das importações de madeira (25% da madeira transformada pelas indústrias), para a escassez de produtos e para o aumento dos preços. “O aumento de produção nacional só não se concretiza por existir uma clara ‘perseguição’ a esta espécie”, apontou a FNAPF. Para o aumento da área, a associação defendeu a existência de “áreas de compensação”, que ainda não estão regulamentadas, exemplificando que, num projeto de 100 hectares, 50 seriam de espécies de crescimento rápido e os restantes de espécies autóctones. A área de eucalipto passou de 810 mil hectares, em 2010, para 845 mil hectares, em 2015, de acordo com os últimos dados, dos quais cerca de 300 mil são certificados. Contudo, as associações estimam que esta área tem vindo

a reduzir desde 2017, em resultado dos incêndios de 2017 e 2018 e das condicionantes impostas. O eucalipto representa 26% da floresta portuguesa. O setor da produção possui um potencial de produção de 340 milhões de euros/ano em valor de madeira de eucalipto e emprega 100 mil trabalhadores. A indústria da pasta e do papel produz por ano 1,9 milhões de toneladas de papel e cartão, possui cerca de 4.500 postos de trabalho e um volume de negócios de 2,9 mil milhões de euros, dos quais 2,3 mil milhões ao exportar metade da sua produção. Portugal é o terceiro maior produtor europeu de pastas e o segundo de papel. O país é um dos cinco principais produtores mundiais da espécie de eucalipto ‘ Eucalyptus globulus’, de onde é extraída a melhor fibra para o fabrico de papel, a par da Espanha, Austrália, Chile e Uruguai, o que torna a indústria da celulose competitiva a nível mundial e constitui uma enorme oportunidade para o crescimento de todo o setor. C/Lusa

Certifico narrativamente, para efeitos de publicação, que por escritura outorgada em vinte e nove de julho de dois mil e vinte e dois, exarada a folhas OITENTA E NOVE e seguintes do livro de notas para escrituras diversas número dezasseis – A, SÉRGIO MANUEL MATEUS FRANCISCO, NIF 227.047.150 casado com Carina Alexandra Ribeiro Santos (NIF 227.929.349), sob o regime da comunhão de adquiridos, residente habitualmente na Urbanização de Santo António, lote 15, terceiro andar, letra D, freguesia e concelho de Vila de Rei, RITA SOFIA MATEUS FRANCISCO, NIF 232.137.668 casada com Carlos Filipe da Silva Firmino (NIF 244.119.759), sob o regime da comunhão de adquiridos, residente habitualmente na dita Urbanização de Santo António, lote 14, rés-do-chão direito e ANA LÚCIA MATEUS FRANCISCO, NIF 232.137.692 casada com Hugo Fernandes Louro (NIF 210.465.166), sob o regime da comunhão de adquiridos, residente habitualmente na referida Urbanização de Santo António, lote 14, primeiro andar direito, todos naturais da freguesia e concelho da Covilhã, declararam Que, com exclusão de outrem, são donos e legítimos possuidores, em partes iguais, do seguinte bem imóvel: Prédio urbano, composto por casa de um piso destinado a arrecadação e arrumos, sito em Freixoeiro, freguesia de Cardigos, concelho de Mação, com a área total igual à superfície coberta de quarenta metros quadrados, a confrontar do norte e do sul com herdeiros de Augusto Alves de Oliveira, do nascente com Filomena da Silva e do poente com Margarida Maria, omisso na Conservatória do Registo Predial de Mação, inscrito na matriz a favor da herança de Diamantino Delgado, sob o artigo 211, com o valor patrimonial tributário de 1.380,40 euros. Declararam ainda que este imóvel não sofreu obras de alteração ou de ampliação, que impliquem a emissão de licença de utilização e que desconhecem a proveniência do artigo, apesar das buscas efetuadas.______ Que o imóvel acima identificado veio à posse dos justificantes, na proporção de um terço indiviso para cada um, no estado de solteiros, maiores, por doação meramente verbal, que seus pais, Henrique Dias dos Santos Francisco e mulher Maria de Lurdes Catarino Mateus dos Santos, casados sob o regime da comunhão de adquiridos, residentes na Avenida Doutor Francisco Sá Carneiro, número 10, freguesia e concelho de Vila de Rei, lhes fizeram, em data que não sabem precisar, mas que situam no ano de dois mil e um, e, portanto, há mais de vinte anos. Que desde que a mesma foi efetuada até esta data, sempre os justificantes usufruíram o citado imóvel, ininterruptamente à vista de toda a gente, sem oposição de quem quer que seja, com a consciência de utilizarem e fruírem coisa exclusivamente sua, adquirida de anteriores proprietários, utilizando-o e procedendo às obras necessárias à manutenção e conservação do mesmo. Que em consequência de tal posse, em nome próprio, pacífica, pública e contínua, adquiriram sobre o dito imóvel o direito de propriedade por usucapião, não tendo em face do modo de aquisição, documento que lhes permita comprovar o seu direito de propriedade perfeita. Está conforme. Cartório Notarial de Vila de Rei, a cargo da Notária Maria da Conceição Fernandes Ribeiro, vinte e nove de julho de dois mil e vinte e dois. A Notária, Maria da Conceição Fernandes Ribeiro


POLÍTICA / Jorge Gaspar arrancou em Abrantes candidatura à distrital do PSD

OPINIÃO /

// Jorge Gaspar, militante do PSD no Cartaxo, anunciou a candidatura à liderança distrital do partido. Neste desafio, Jorge Gaspar conta já com um apoio de peso, Vasco Estrela, que será o candidato a primeiro vice-presidente. E no que diz respeito a nomes é para já o único confirmado porque, como afirmou o próprio candidato a líder da distrital laranja, mais importante do que ter um conjunto de nomes é ter uma proposta, um projeto, um programa de trabalho. Após ter apresentado a sua candidatura, o candidato veio a Abrantes no início de julho e ganhou o apoio da concelhia de Abrantes. Aos jornalistas, o candidato a líder da distrital social-democrata disse que antes de ter apresentado publicamente a candidatura ligou ao atual presidente da distrital, João Moura, a dizer que iria lançar-se neste movimento. Depois, garantiu, esta é uma candidatura para ir até ao fim, ou seja, não haverá uma qualquer desistência a meio do caminho, mesmo que ainda não haja uma data concreta para as eleições para a Comissão Política Distrital do PSD. “O PSD está numa fase de mudança e essa mudança não deve acontecer apenas na Comissão Política Nacional. O partido tem problemas internos que tem de resolver, tem de ter uma ação política menos centrada nas lógicas do partido e mais virada para o exterior, para os cidadãos, para as empresas”, afirmou Jorge Gas-

par, insistindo que tem de olhar “para os problemas concretos dos cidadãos.” Acrescentou que este arranque em Abrantes pretende simbolizar isso mesmo, estar com militantes, estar com esses militantes no terreno, próximo dos seus problemas. “Estivemos no Pego, numa visita à Central, uma infraestrutura que está numa fase de reconversão. A energia é também um problema do país. Estivemos no Tramagal para demonstrar o nosso apoio aos bombeiros, autarcas (independentemente da sua ideologia partidária) no sentido de que vêm aí tempos difíceis.” Neste momento o candidato ainda não tem uma equipa formada ou não andou, segundo disse, a “espalhar” convites a militantes. Para além dele próprio, há mais um nome oficializado. Vasco Estrela, atual presidente da Câmara Municipal de Mação, avança como primeiro vice-presidente. E adiantou que esta “é uma candidatura pelo PSD e não contra ninguém. Naturalmente se me candidato é porque julgo que tenho condições de ter melhores resultados para o partido.” Jorge Gaspar acha que tem condições pessoais, profissionais e políticas para liderar a Comissão Política Distrital. Depois, porque ter capacidade de arregimentar pessoas para projetos e objetivos comuns, constitui outro fator para dar esse contributo ao partido.

/ Vasco Estrela, Jorge Gaspar e José Moreno Vaz

Vasco Estrela, candidato a primeiro vice-presidente da lista de Jorge Gaspar, começou por agradecer o convite e destacou a forma como está a ser construído o projeto. E explicou porquê: “faço parte de uma Concelhia pequena por isso não tenho um saco de votos. Não fui convidado pelo saco que votos que tenho no Mação e, desse ponto de vista, fico satisfeito.” Por outro lado, explicou que há uma grande necessidade de dar um abanão no PSD a nível distrital. “É preciso haver uma muito maior proximidade com os eleitos locais, com as concelhias e os problemas serem mais apreendidos por aqueles que lideram a Comissão Distrital, porque se tem sentido um grande distanciamento”. Disse que há causas públicas que o PSD tem de agarrar e avançou com um exemplo, quer para o Médio Tejo, quer para a Lezíria, e que tem a ver com a falta de médicos de família. “Naturalmente que sabemos que é problema transversal, mas também um problema local com especificidades em cada concelho. O PSD deve ter uma voz para nós, autarcas, e para os cidadãos. Falo de outro problema que estamos a viver e que são os fogos florestais”. Jorge Gaspar personifica, segundo Vasco Estrela, uma pessoa “que quer estar próxima.” Jerónimo Belo Jorge

A fome voltou

A

fome no mundo está novamente em expansão. Depois de décadas em declínio, após 2014, o número total de pessoas no mundo que sofre de subnutrição tem estado a aumentar consecutivamente todos os anos. Atualmente, apesar de o mundo já produzir alimentos suficientes para alimentar 10 mil milhões de pessoas, mais de 800 milhões terminam o seu dia com fome. Mas os números não se ficam por aqui. De acordo com o programa alimentar mundial, em apenas dois anos, o número de pessoas vítimas de insegurança alimentar em todo o mundo passou de quase 150 milhões de pessoas para quase 450 milhões de pessoas. Este fenómeno não é exclusivo apenas dos países mais pobres. Esta realidade expande-se agora nos países mais ricos. O problema reside na conjugação de vários fatores que permitiram a criação da tempestade perfeita dentro do sistema internacional de produção alimentar. Primeiro veio a pandemia, com a disrupção das cadeias de distribuição internacionais e a perda de rendimentos de muitas famílias nos países mais pobres e também nos países mais ricos. Mas, em 2022, o impensável aconteceu; uma guerra entre duas das maiores potências agrícolas do mundo, o aumento desmesurado dos custos da energia e dos alimentos, aumento da inflação como não se via há décadas, más colheitas agrícolas provocadas pelas alterações climáticas, falta de fertilizantes agrícolas e bloqueio das exportações ucranianas de cereais pelo exército russo. Globalmente, os efeitos da pandemia em conjugação com os impactos das alterações climáticas provocaram uma quebra da produção mundial de trigo pela primeira vez em quatro anos. Devido a este contexto, 23 países países em todo o mundo, como a Índia, a Indonésia, a Rússia ou a

/ Nuno Alves / MESTRE EM RELAÇÕES INTERNACIONAIS / nmalves@sapo.pt

Argentina, já anunciaram bloqueios parciais ou totais às exportações de algumas das principais matérias primas agrícolas do mundo, como o trigo, soja ou óleo de palma. Agora, há um novo desafio à frente: com a inflação fora de controlo, os principais bancos centrais do mundo inverteram a tendência e estão a subir os juros. Isso significa um dólar mais caro e, por consequência, a incapacidade de muitos países, especialmente os mais pobres, de poderem pagar todas as suas importações de alimentos e produtos necessários para a manutenção da sua atividade agrícola, como os fertilizantes. O mundo mudou em meses. Muitos países começam agora a perceber que a sua dependência da economia global deve ser reduzida e devem procurar uma diversificação de fornecedores e apostar no aumento da produção agrícola nacional. Vivemos num mundo dependente de muito poucos países para produzir os alimentos de que necessitamos. Menos de 10 países são responsáveis por 90% de todas as exportações mundiais de produtos agrícolas. Qualquer disrupção num desses países, como uma crise económica, conflitos ou fenómenos climáticos adversos, pode levar muitos à fome. A história diz-nos que a fome facilmente se transforma em raiva. Caso disso foi a Revolução Francesa e, também, em parte, a Primavera Árabe. Hoje, mais do que nunca, essa raiva deve ser contida.

Agosto 2022 / JORNAL DE ABRANTES

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SOCIEDADE / OPINIÃO /

Reunir e Organizar é potenciar

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Trabalhos de alunos do IPT em exposição no Centro de Arte e Imagem // Abriu no dia 27 de julho e tem as portas abertas até 16 de outubro. O Centro de Arte e Imagem, Galeria do IPT, exibe a 3ª edição da Mostra Criativa que conta com trabalhos realizados por alunos dos cursos das áreas artísticas do Instituto Politécnico de Tomar. Foi em julho que o Centro de Arte e Imagem Galeria do Instituto Politécnico de Tomar (IPT) abriu portas com mais uma mostra criativa, uma exposição com trabalhos de alunos dos cursos de fotografia, cinema documental, design e tecnologias das artes gráficas e ainda do “mestrado de design editorial”. Vítor Jesus, professor e responsável pela galeria do IPT, explica que é habitual haver “uma calendarização e uma programação da galeria durante o ano inteiro” e que “este é um momento chave dos trabalhos dos alunos da nossa oferta formativa nas áreas criativas”. Os trabalhos em exposição são de alunos do “primeiro ao último ano dos cursos”. O tema desta mostra baseia-se no “fruir e fluir”. Vítor Jesus ilustra que esta ideia surge com base “nas ideias fluírem ou fruírem em termos criativos”. Diferente do habitual, em que as exposições na área da fotografia apresentavam trabalhos de “técni-

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ca de analógica ou digital tratada em suporte físico”, a presente edição da mostra criativa conta com “processos históricos e processos técnicos históricos, monotipias e por aí fora”. Vítor Jesus refere que “é outro tipo tradicional de fotografia que nem sempre é muito usual podermos ver” e que se pode ver “a fotografia monocromática sobre diferentes suportes que não o papel fotográfico ou então a impressão, seja ela cromática ou monocromática”. “Já conseguimos alguma tradição em termos artísticos, porque já trouxemos alguns autores consagrados, autores emergentes”, mas um dos principais objetivos do Centro de Arte e Imagem Galeria do Instituto Politécnico de Tomar é “precisamente dar a conhecer o trabalho dos nossos alunos que se integram, alguns já emergentes, alguns já consagrados, mas que não deixam de ser nossos antigos alunos ”. Esta galeria tem como linhas estruturantes o desenvolvimento de projetos

JORNAL DE ABRANTES / Agosto 2022

nas áreas das artes e imagem em parceria com os meios artísticos e culturais da região, nacionais e internacionais. Vítor Jesus acredita que esta exposição começa por ser “uma ponte entre os aspetos curriculares e académicos e a vertente profissional que eles no futuro têm por objetivo vir a exercer”. “Os jovens e os menos jovens”. O professor reflete que a área de fotografia tem tido “bastante procura” e que “às vezes acabam por ser fenómenos cíclicos” no que toca à procura das diversas áreas, mas “nos últimos anos, sem dúvida alguma, que as áreas artísticas têm tido cada vez mais procura”. A 3ª edição desta mostra criativa pode ser visitada até ao dia 16 de outubro, “no horário normal de funcionamento, de quinta a domingo, das 10h30 às 12h30 e das 14h30 às 18h”, na Galeria do IPT no centro de Tomar. “A entrada é gratuita e livre”, ou seja, aberta à comunidade. Maria Francisca Carvalho

Tagus – Associação para o Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Interior, com sede em Abrantes, liderou o projeto Encosta Viva, que termina neste mês de agosto. Vamos um pouco atrás. A nível nacional foi lançado o programa Bairros Saudáveis, a que vários tipos de entidades se podiam candidatar – mas em parceria. Só em parceria. A Tagus reuniu um conjunto de parceiros: a Câmara Municipal de Abrantes, a União de Freguesias de Abrantes e Alferrarede, a Escola António Torrado, a Associação de Pais da Escola António Torrado, a Cres. Ser – Associação de Desenvolvimento Pessoal e Comunitário, o Grupo 280 dos Escoteiros de Portugal e o Agrupamento 172 do CNE. Trabalhando em conjunto, elaboraram um projeto de intervenção na Encosta da Barata, que a Tagus burilou e depois apresentou como candidatura. E ganhou. Ficou entre os melhores do país. E, por isso, ganhou 50.000€ para financiar o projeto. Durante cerca de oito meses, o bairro da Encosta da Barata ganhou uma animação que nunca tinha visto: atividades desportivas e musicais, cinema e formação, celebrações religiosas e uma Festa com muita animação distribuída por três dias. A Encosta da Barata tornou-se um a Encosta Viva como nunca se tinha visto. Como é que foi possível? Os vários parceiros construíram, em conjunto, um projeto com aquilo que tinham. Juntos puderam concorrer a um programa de financiamento. Juntos construíram uma “coisa” maior do que aquilo que cada um teria sido capaz: o todo é maior que a soma das partes. E foram ainda buscar outros parceiros, como os vários condomínios e os comerciantes do bairro. Como quem pega em peças Lego e com elas faz uma construção, Sim, uma construção. No caso, construíram um projeto de intervenção urbana. Peça a peça, passo a passo. Não é fácil. A nossa cultura organizacional é de trabalho isolado,

/ José Alves Jana / FILÓSOFO

cada um com as suas coisas e os seus poderes; de cima para baixo, de chefia mais que de liderança. E cada um com a sua linguagem, os seus métodos e os seus interesses. A parceria exige outra cultura, outros procedimentos, outra arte de trabalhar em conjunto e em pé de igualdade. É isso que são os parceiros: iguais. Parceria entre iguais, apesar de todos diferentes. Correu tudo bem? A avaliação ainda não foi feita, porque o projeto ainda não terminou. Mas nunca corre tudo bem. E num campo – a parceria – em que os hábitos não são muitos, há muito a aprender. Mas é assim que se faz: começar, fazer, avaliar, aprender e seguir em frente. O projeto está a terminar, mas os parceiros já decidiram continuar, apesar de o atual financiamento acabar agora. Mas está visto: quando as pessoas e as organizações unem esforços e olham na mesma direção, as coisas acontecem. Querer, organizar e agir. Se olharmos à volta, há muitos recursos disponíveis, como peças de Lego à espera de imaginação e criatividade. E como dizia alguém, para realizar uma obra, mesmo uma obra grande, “só são necessárias duas coisas: tempo e pessoas”. Tempo há: 24 horas por dia, 365 dias por ano. E há pessoas. As que temos e as que podemos cativar para os nossos projetos. O resto é uma questão de metodologias. E os milagres acontecem. Como se vê em muitos casos que confirmam o que aqui fica dito. Uma nota para terminar: uma cidade não é apenas o todo, mas composta por bairros. É outro modo de pensar a cidade e de agir nela. Trabalhar os bairros é uma forma de fazer a cidade. Vale a pena pensar nisso.

Num campo – a parceria – em que os hábitos não são muitos, há muito a aprender.


ECONOMIA / Margarido’s abriu Meu Super em Tramagal

OPINIÃO /

// A empresa Margarido’s, de Abrantes, reforçou a sua parceria com o grupo Sonae e abriu no dia 14 de julho a segunda loja com a insígnia “Meu Super”. / CIM Médio Tejo

Os Santos Proletários

/ Armando Fernandes

/ A abertura da loja em Tramagal representou a criação de uma dúzia de novos postos de trabalho Depois do Pego, agora foi a vez da abertura da loja na vila de Tramagal, à beira da Estrada Nacional 118, mesmo ao lado, da Sociedade Artística Tramagalense. E volta a ter a mão dos empresários Natália Margarido e Luís Mesquita. Esta loja tem duas particularidades. Uma, é no interior e difere das lojas “Meu Super” porque conta com um talho de venda direta ao público, naturalmente com produtos da empresa Margarido’s. A segunda particularidade assenta no facto de ter um parque de estacionamento nas traseiras do edifício, que permite que a loja tenha duas entradas e saídas, ambas com caixas. Natália Margarido, na cerimónia de abertura, emocionou-se ao fazer referência ao pai, Eduardo Margarido [que faleceu há menos de três meses], e que gostaria de ver, com toda a certeza, esta nova loja. Depois apontou aos 80 anos da empresa Margarido’s e ao caminho que começa a abrir-se a uma nova geração [apontando aos filhos]. Nesta abertura estiveram presentes representantes do grupo Sonae que reforçam esta parceria com a Margarido’s e acrescentam mais uma loja ao seu portfólio, neste caso, de supermercados de bairro. Natália Margarido realçou que a abertura desta nova loja “Meu Super” também pretendeu revitalizar um pouco o comércio tradicional

de Tramagal. “Vamo-nos apercebendo que quem tem comércio tradicional tem cada vez mais idade e a geração mais nova não tem tanta apetência para estes negócios. Então, o comércio tradicional vai fechando as suas pequeninas lojas”, disse a empresária que acrescentou ainda sentir “ao fim de 80 anos, ainda temos produtos de qualidade, e que as pessoas apreciam e reconhecem, por isso voltámos a fazer a aliança com o “Meu Super” para podermos ter os nossos produtos, bem como a marca Continente.” Natália Margarido destacou o facto desta loja ter espaço de talho, para venda dos produtos da Margarido’s, porque nas lojas normais “estes espaços têm talhos pequeninos ou espaços para cuvetados.” Salientou que é uma forma de aliar os produtos de reconhecida qualidade dos Margarido’s, carnes e enchidos, à insígnia. O espaço onde nasceu esta loja estava degradado e foi todo revitalizado e “penso que também vem trazer movimento ao centro da vila.” Esta loja implicou o reforço de pessoal com a contratação de dez funcionários, mas há a possibilidade de alargar ainda mais o quadro, com mais duas ou três pessoas. Neste momento, para além da empresa base, a Margarido’s, conta com mais duas lojas “Meu Super”, em Pego e Tramagal, tendo

um quadro de pessoal de “cerca de 70 colaboradores.” Natália Margarido revelou que a empresa vai crescendo cada vez mais e, para já, não há ideias de alargamento da rede de negócios. Por agora, o objetivo passa por consolidar os segmentos que já estão no mercado, sem perder de vista o negócio principal que são as carnes e enchidos. A empresa Margarido’s começou em 1942, quando a família Margarido iniciou o seu percurso na transformação de carne de suíno pelas mãos de António Dias Margarido e Jacinta de Matos Melo Margarido. Nessa primeira fase, ainda embrionária do que viria um dia a ser a empresa “Margarido e Margarido, Lda”, a produção de enchidos acontecia em casa do casal, na freguesia de Mouriscas. No início da década de 50, a empresa rumou a Chainça, e em 1966, foi criado um pequeno matadouro com loja em Rossio ao Sul do Tejo. Em 1988, com a entrada na Comunidade Europeia, optou-se pela construção de um novo matadouro de maiores dimensões no parque industrial de Alferrarede. Em 2012 avançam com a abertura da segunda loja, desta vez na cidade de Abrantes e em 2020 abrem a loja “Meu Super” na freguesia do Pego. Jerónimo Belo Jorge

é o grande pilar da Igreja na prova provada de o pundonor se sobrepor à jactância das falas do fácil falar. Se a imponente Catedral de …São Pedro na capital italiana é arquétipo dele próprio, o Mundo regista milhares e milhares de outras referências em sua honra. Os sibaritas do poder da cidade de Rómulo e Reno ordenaram que, fosse eliminado depois de padecer infames torturas. As festas são do mesmo molde das joaninas sem os estaladiços alhos-porros!

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a crónica do mês passado, dedicada a Santo António que os italianos pretendem acoimar de Pádua, escrevi que na comparação (são odiosas) com os outros Santos populares, São João e São Pedro, os dois últimos não passam de proletários apesar de genuinamente e retintamente populares. O senhor São João, padroeiro das gentes nortenhas de Braga, Porto e adjacências também logra farta representação no Centro e Sul, verifique-se o dicionário da Toponímia, dá miolo anímico de representação festiva de várias tonalidades alimentares primacialmente de sardinhas assadas, de frangos grelhados estilo churrasco põe, encrua, retira pois não se permitem demoras. Saladas a trouxe-mouxe coroam as comezainas ensopadas em vinho, sangria e cerveja. Portugal no seu melhor sem esquecer as mocadas de alhos-porros na noitada portuense. O Santo que baptizou Jesus Cristo acabou mal devido a violenta paixão do sátrapa judeu, ficou sem cabeça cujo martírio tem inspirado artistas de múltiplos matizes e géneros. O chaveiro celestial São Pedro, pragmático, descuidado quando lhe parecia (adormeceu em momentos cruciais) não lhe interessava a filosofia, a retórica, apenas o motivava o desígnio de cumprir a promessa feita a Cristo, ser exímio pescador de almas. Peregrinou por Roma onde cortou com a espada uma orelha a um soldado romano,

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REGIÃO / Abrantes Freguesias do norte do concelho mostraram artesanato e doces Carvalhal acolheu, durante três dias, a 9.ª edição do Festival de Artesanato e Gastronomia, uma iniciativa que junta as cinco freguesias do norte do concelho de Abrantes. Sendo um evento itinerante pelo território que abrange, a feira pretende ser a montra do artesanato, doçaria e gastronomia de Aldeia do Mato e Souto, Carvalhal, Fontes, Martinchel e Rio de Moinhos. E dentro das várias atividades, entre a gastronomia e a mostra de artesanato, a edição deste ano previa uma caminhada, cancelada porque o país estava em Estado de Contingência pela perigosidade relacionada com os incêndios, e manteve os concursos de doçaria e de artesanato. João Vermelho, presidente da Junta de Freguesia de Carvalhal, notou que esta mostra permite dar a conhecer um território que tem muito mais por explorar do que apenas a albufeira do Castelo de Bode. E é sempre com essa expetativa que as juntas de freguesia se juntam para apresentar o melhor de cada uma.

/ Autarcas inauguraram a Feira Mostra em Carvalhal Já João Gomes, vice-presidente da Câmara de Abrantes, deixou a nota da importância deste evento porque é outra forma “de mostrar o que melhor se faz” nestas freguesias. E são muito importantes as associações que também se juntam a esta iniciativa. No caso de 2022, foram os “Lobos” de Carvalhal a colaborar com a freguesia. O júri foi constituído por João

CAIXA DE CRÉDITO AGRÍCOLA MÚTUO DE RIBATEJO NORTE E TRAMAGAL, CRL Sede: Praça 5 de Outubro, 37, 2350-418 Torres Novas Matriculada na Conservatória do Registo Comercial de Torres Novas com o número único de matrícula e pessoa coletiva 503.584.312 Capital social 12.268.550,00 (variável) ASSEMBLEIA GERAL ELEITORAL Informação sobre a realização de Eleições para os Órgãos Sociais e Estatutários Nos termos e para os efeitos do disposto no nº 2 do artigo 2º do Regulamento Eleitoral em vigor, aprovado na Assembleia Geral de 10 de Dezembro de 2021, informo os Associados da Caixa de Crédito Agrícola de Ribatejo Norte e Tramagal, CRL, (doravante Caixa Agrícola) que irão ser realizadas eleições para os Órgãos Sociais e Estatutários desta Caixa Agrícola, para o triénio 2023 - 2025, durante o próximo mês de Dezembro de 2022, sendo para o efeito convocada, oportunamente e com a antecedência legal e estatutária, a Assembleia Geral que, entre outros pontos de agenda, conterá o ponto destinado à eleição dos Membros dos Órgãos Sociais e Estatutários desta Caixa Agrícola. O procedimento da apresentação e admissão de candidaturas está previsto no artigo 5º do Regulamento Eleitoral, o qual se encontra disponível, para consulta, na sede da Caixa Agrícola e na sua página de internet consultável em www.creditoagricola.pt. Em consequência e a partir da data de publicação deste meu anúncio, encontra-se em curso, nos termos do previsto no artigo 5º do Regulamento Eleitoral, o prazo para a entrega de listas candidatas às eleições aos Órgãos Sociais e Estatutários da Caixa Agrícola, prazo esse que termina às 16 horas do dia 02 de setembro de 2022. Também e a partir da presente data, qualquer Associado, no pleno gozo dos seus direitos, poderá consultar, para fins exclusivamente eleitorais, a lista actualizada dos Associados no pleno gozo dos seus direitos, nos termos previstos nos n.º 3 e n.º 4 ambos do artigo 19.º dos Estatutos da Caixa Agrícola, bem como, querendo, solicitar-me, para esses mesmos fins, a disponibilização dessa lista, o que poderá ser efectuado através de carta a ser entregue ou enviada para a sede da Caixa Agrícola ou através de mensagem de correio electrónico para o endereço ribatejonorte@creditoagricola.pt. Só serão admitidas, preliminarmente, as candidaturas que, para além da respectiva entrada dentro do prazo mencionado, estejam em conformidade com o disposto nos Estatutos e no Regulamento Eleitoral da Caixa Agrícola, bem como nas demais disposições legais e normativos em vigor, designadamente na Instrução do Banco de Portugal nº 23/2018 e no Aviso do Banco de Portugal n.º 3/2020, ao abrigo do qual todos os Candidatos se deverão vincular ao cumprimento do Código de Ética e de Conduta do Grupo Crédito Agrícola e da Política de Prevenção, Comunicação e Sanação de Conflitos de Interesses e de Transacções com Partes Relacionadas do Grupo Crédito Agrícola. Os Estatutos, o Regulamento Eleitoral, a Política Interna de Selecção e Avaliação da Adequação dos Membros dos Órgãos de Administração e de Fiscalização da Caixa Agrícola, o Código de Ética e de Conduta e a Política de Prevenção, Comunicação e Sanação de Conflitos de Interesses e de Transacções com Partes Relacionadas do Grupo Crédito Agrícola, estão disponíveis para consulta na sede da Caixa Agrícola e na sua página de internet consultável em www.creditoagricola.pt. Igualmente, estarão disponíveis para recolha na sede da Caixa Agrícola a lista de documentos e minutas de declarações exigíveis no âmbito da legislação e dos normativos vinculativos actualmente em vigor e supra enunciados, os quais serão entregues a Associados no pleno gozo dos seus direitos devidamente identificados, podendo, também, os mesmos ser enviados por correio postal ou correio electrónico, caso tal me seja requerido através de carta entregue ou enviada para a sede da Caixa Agrícola ou através de mensagem de correio electrónico para o endereço electrónico acima indicado. Reitero que o prazo para a entrega das listas candidatas às eleições aos referidos Órgãos Sociais e Estatutários da Caixa Agrícola termina às 16 horas do próximo dia 2 de setembro de 2022. Torres Novas, 8 de julho de 2022 O Presidente da Mesa da Assembleia Geral

José Jacinto Freire Rodrigues

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JORNAL DE ABRANTES / Agosto 2022

Gomes, vice-presidente da Câmara de Abrantes, Raquel Olhicas, vereadora da Câmara de Abrantes, Vera Falcão, da Tagus, e o Chef Fernando Correia, da pastelaria Tágide Gourmet. Depois da prova dos doces que foram apresentados a concurso, que se realizou após a abertura, o júri decidiu. As classificações, e entrega de prémios, foram divulgados na tarde de domingo.

CARTÓRIO NOTARIAL DE MARIA DA CONCEIÇÃO RIBEIRO Rua Dr. Eduardo de Castro, n.º19, r/c, 6110-218 Vila de Rei Telf: 274.898.162 Tlm: 927.735.540 EXTRACTO DE JUSTIFICAÇÃO Certifico narrativamente, para efeitos de publicação, que por escritura outorgada em sete de julho de dois mil e vinte e dois, neste cartório notarial, exarada a folhas VINTE E DOIS e seguintes do livro de notas para escrituras diversas número DEZASSEIS – A, JOÃO DE JESUS ALVES, NIF 100.020.780, e mulher NARCISA ALVES, NIF 100.021.441, casados sob o regime da comunhão de geral, naturais ele da freguesia de Souto, concelho de Abrantes, ela da freguesia e concelho de Sardoal, residentes habitualmente na Praceta Moinho da Boba, número 5, nono andar direito, freguesia de Mina de Água, concelho de Amadora, declararam que são donos e legítimos proprietários, com exclusão de outrem, dos seguintes imóveis, todos sitos na freguesia de Santiago de Montalegre, concelho de Sardoal e omissos na Conservatória do Registo Predial de Sardoal: UM - Prédio rústico, composto de pinhal, cultura arvense de sequeiro, macieiras, horta, oliveiras e cultura arvense de regadio, sito em Outeiro, com a área total de dois mil metros quadrados, a confrontar do norte com herança de Maria de Lurdes, do sul com Maria Teresa Dias Silva, do nascente com Ribeiro e do poente com António Pedro e outros, inscrito na matriz em nome do justificante, sob o artigo 149, secção L, com o valor patrimonial tributário de 211,77 euros; DOIS - Prédio rústico, composto de cultura arvense de sequeiro e oliveiras, sito em Lobata, com a área total de trezentos e sessenta metros quadrados, a confrontar do norte com David Alexandre Ricardo Macieira, do sul e do poente com Ribeiro e do nascente com Herdeiros de Joaquim da Silva, inscrito na matriz em nome do justificante, sob o artigo 195, secção L, com o valor patrimonial tributário de 15,55 euros; TRÊS - Prédio rústico, composto de cultura arvense de sequeiro, citrinos, oliveiras e construção rural, sito em Lobata, com a área total de seiscentos e oitenta metros quadrados, a confrontar do norte com Paulo Jorge Jesus dos Santos, do sul com Vicente Alves, do nascente com Estrada e do poente com Maria Teresa Dias Silva, inscrito na matriz em nome do justificante, sob o artigo 201, secção L, com o valor patrimonial tributário de 28,75 euros. Que desconhecem a proveniência dos artigos, em virtude de não ter obtido qualquer informação nesse sentido, apesar das buscas efetuadas. Que os imóveis acima identificados foram adquiridos pelos justificantes por doação meramente verbal que deles lhes fizeram os pais da justificante mulher, António Alves e Henriqueta Martins, já falecidos, casados que foram sob o regime da comunhão geral, residentes que foram no lugar de Lobata, freguesia de Santiago de Montalegre, concelho de Sardoal, feita em data que não sabem precisar, mas que situa no ano de mil novecentos e sessenta e cinco, e, portanto, há mais de vinte anos. Que desde que as mesmas doações foram efetuadas até esta data, sempre eles justificantes usufruíram dos citados imóveis, ininterruptamente à vista de toda a gente, sem oposição de quem quer que seja, com a consciência de utilizarem e fruírem coisas exclusivamente suas, adquiridas de anteriores proprietários, cultivando-os, limpando-lhes o mato, pagando as respetivas contribuições e deles retirando os seus normais frutos, produtos e utilidades. Que em consequência de tal posse, em nome próprio, pacífica, pública e contínua, adquiriram sobre os ditos imóveis o direito de propriedade por usucapião, não tendo em face do modo de aquisição, documento que lhes permita comprovar o seu direito de propriedade perfeita. Está conforme. Cartório Notarial de Vila de Rei, a cargo da Notária Maria da Conceição Fernandes Ribeiro, sete de julho de dois mil e vinte e dois. A Notária, Maria da Conceição Fernandes Ribeiro

CERTIFICO, PARA EFEITOS DE PUBLICAÇÃO: Que, neste Cartório da Amadora, da Notária Vanessa Santa Rosa Miguel Corte Rebello de Andrade, sito na Avenida Conde Castro Guimarães, número 26-A, na Amadora, foi outorgada, em 13/07/2022, a folhas 103 e seguintes do livro de notas n.0 64, uma escritura de justificação na qual FRANCISCO DA SILVA SOBREIRA, NIF 153.644.150 e mulher, MARIA MATILDE SERRAS, NIF 153.644.168, casados sob o regime da comunhão geral de bens, naturais, ele da freguesia e concelho de Sardoal, ela da freguesia de Alcaravela, concelho de Sardoal, residentes na Praceta Cristóvão Falcão, lote 56, terceiro A, Massamá, Sintra, declararam que são donos e legítimos possuidores, com exclusão de outrem, do seguinte direito: VINTE E QUATRO / wNTE E CINCO AVOS INDIVISOS do PRÉDIO RÚSTICO situado em Lameira dos Cachopos, freguesia de Alcaravela, concelho de Sardoal, composto por pinhal, cultura arvense de regadio, figueiras, macieiras, oliveiras, mato, olival e solo subjacente de cultura arvense de regadio com olival, com a área de quatro mil oitocentos e oitenta metros quadrados, descrito na Conservatória do Registo Predial de Sardoal, sob o número dois mil cento e frês, da dita freguesia, com 0 registo de aquisição de UM / vmTE E AVOS NDIV1sos a favor de Vanessa Tatiana Marques Gonçalves e Rafaela Catarina Marques Mendes, nos termos da apresentação CNCO, de dezassete de Maio de dois mil, sem registo de aquisição dos restantes VINTE E QUATRO / VINTE E CINCO AVOS INDIVISOS, inscrito na matriz predial rústica da referida freguesia de Alcaravela, sob o artigo 1 IO, da secção U. Que adquiriram os citados vinte quafro / vinte e cinco avos indivisos do prédio, em meados de mil novecentos e noventa e oito, por compra meramente verbal, no valor de oitocentos contos, efectuada a Jesuvino Dias Duque Panascos, que também usava e era conhecido por Jesuvino Dias Duque, e mulher Maria José Duque, casados sob o regime da comunhão geral de bens, com última residência conhecida em Panascos, Alcaravela, Sardoal, actualmente já falecidos. Que não foi oportunamente lavrada aquela escritura, pela excessiva burocracia a ela associada. Que os ora primeiros outorgantes vêm possuindo o referido direito sobre o prédio rústico, desde então, tendo entrado na posse e fruição do mesmo, em nome próprio, posse que assim detêm há mais de vinte anos, sem interrupção ou ocultação de quem quer que seja. Que essa posse foi adquirida e mantida sem violência e sem oposição, ostensivamente, com conhecimento de toda a gente, em nome próprio e com o aproveitamento de todas as utilidades do imóvel, tendo sempre suportado todos os encargos e zelando pela sua conservação, cultivando a terra, limpando o terreno e dele têm retirado todas as utilidades possíveis, agindo de forma correspondente ao exercício do direito de propriedade. Que essa posse em nome próprio, pacífica, contínua e pública há mais de vinte anos, conduziu à aquisição do referido direito por USUCAPIÃO, direito que invocam para efeitos de inscrição no registo predial, dado que esta forma de aquisição não pode ser comprovada por qualquer oufro título de formal extrajudicial.

Maria João Gonçalves dos Santos Pereira, Notária e Oficial Público com Cartório Notarial no concelho de Sintra, sito na Rua Anta de Agualva, número 8 C, loja 3, Agualva-Cacém, CERTIFICA, para efeitos de publicação, que por escritura de cinco de Julho de dois mil e vinte e dois, lavrada a folhas oitenta e três do livro de notas para escrituras diversas número trezentos e noventa e três, deste Cartório, -----FRANCISCO DA SILVA SOBREIRA, com o NIF 153 644 150 e mulher MARIA MATILDE SERRAS com o NIF 153 644 168, casados sob o regime da comunhão geral de bens, naturais do concelho de Sardoal, ele da freguesia do Sardoal e ela da freguesia de Alcaravela, residentes na Praceta Cristóvão Falcão, lote cinquenta e seis, terceiro A, Massamá, Sintra, declararam-se, com exclusão de outrem, donos e legítimos possuidores do seguinte prédio, não descrito na respectiva Conservatória do Registo Predial: prédio rústico com área de seis mil e quarenta metros quadrados, composto de pinhal, que confronta de norte com Augusto Conceição Duque, de sul e nascente com caminho público e de poente com Elias Lopes Louro, sito em Reimonda, freguesia de Alcaravela t concelho do Sardoal, e inscrito na matriz da referida freguesia de Alcaravela sob o artigo 20 secção U em nome da herança de Rita Serras, com o NIF 704 542 643.-----Que, invocam como justa causa de aquisição a USUCAPIÃO por estarem na sua posse ininterrupta, pública e pacífica há mais de 20 anos a qual sempre exerceram sem qualquer interrupção, à vista de toda a gente e sem oposição de quem quer que ---Que, em data que não podem precisar, mas certamente no ano de mii novecentos e noventa e oito compraram o identificado prédio a António Albino Lobato e mulher Rita Serras, casados sob o regime da comunhão geral, residentes em Presa, Alcaravela, Sardoal/ contrato esse que revestiu a forma meramente verbal, pelo que não dispõem de qualquer título formal para o registar na Conservatória e que, desde aqueia data os justificantes entraram na posse e fruição do mencionado prédio, limpando-o e conservando-o à vista de toda a gente, posse essa que exerceram até hoje, usufruindo ainda de todas as suas utilidades, actuando em tudo o mais, em correspondência . perfeita com o exercício do direito de propriedade, o quai sempre exerceram sem quãlquer interrupção, à vista de toda a gente e sem oposição de quem quer que fosse,numa actuação correspondente em toda a linha com o exercício do direito de propriedade.-------- -----Razão porque invocam como justa causa de aquisição a USUCAPIÃO por estar na sua posse ininterrupta, pública e pacífica há mais de 20 anos a qual sempre exerceram sem qualquer interrupção, à vista de toda a gente e sem oposição de quem quer que Assim nos termos da legislação aplicável, justifica aquele seu direito de propriedade invocando a usucapião como causa de aquisição,------------------(Qualquer interessado que se sinta lesado nos seus direitos ao mencionado prédio deverá impugnar judicialmente esta justificação, no prazo de trinta dias após publicação). ESTÁ CONFORME.

Amadora, 13 de Julho de 2()22

Agualva-Cacém, 05 de Julho de 2022

A Notária, Vanessa Santa Rosa Miguel Corte Rebello e Andrade

A Notária Maria João Gonçalves dos Santos Pereira

EXTRATO


PATRIMÓNIO / NOMES COM HISTÓRIA / Grupo

Encontramos esta povoação a seguir a Alferrarede Velha, quando seguimos na direção de Mouriscas. Como povoação ribeirinha que é, situada na margem direita do rio Tejo, teve em tempos uma barca de passagem para o Pego, situado em frente na outra margem e foi tal a sua importância que deu o nome à povoação anexa. Em tempos antigos, quando não existiam outros meios de transporte, os barcos eram o meio mais rápido e fácil para o transporte de pessoas e mercadorias. Os rios eram as autoestradas da época Até meados do século XX, a povoação da Barca do Pego era conhecida pela indústria da cal hidráulica (chegaram a funcionar ali cinco fornos) muito utilizada na construção antes da vulgarização do cimento. O porto da Barca do Pego era então um dos mais movimentados da região, pois era dali que partiam os barcos que levavam a cal rio abaixo até aos arredores de Lisboa. Alguns eram muito grandes, chegavam a transportar cerca de 20 toneladas. Para cima traziam sobretudo sal e outros produtos que por aqui faltavam. Esta viagem de regresso era mais difícil, tinham de utilizar sempre remos ou até varas que eram mais fortes, enquanto no sentido descendente bastavam as velas. As barcas de passagem públicas transportavam para a outra margem as pessoas em geral, com as suas bagagens e animais e eram leiloadas pela Câmara, mas havia também outras particulares, destinadas apenas aos trabalhadores da cal que funcionavam de acordo com os seus horários. Da outra margem vinham muitas raparigas que trabalhavam na cal. Transportavam-na dos fornos até aos barcos, em gamelas de madeira que punham à cabeça sobre uma rodilha, para não se magoarem. Eram jovens e cantavam durante todo o dia quadras populares ou cantigas de improviso à desgarrada, uma forma de amenizarem o seu duro trabalho. Manuela Joaquim mais conhecida por Manuela Torrada, que hoje com 86 anos ainda dirige o seu comércio, composto por um pequeno café e uma mercearia, que já herdou dos seus pais, recorda esses tempos anti-

A Barca do Pego

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gos e conta com grande precisão os pormenores dessa vida de então, tão diferente da de hoje. O último barqueiro da barca e passagem foi o ti Chico Afonso que já morreu há mais de trinta anos. Os homens com a sua profissão eram geralmente muito populares, pois contactavam com muita gente, mas este ainda hoje é recordado por todos os que com ele contactaram. Polifacetado e cheio de vida, desenvolvia atividades várias: quando era mais novo, andou nos barcos grandes de transporte da cal, foi pescador e vendedor de peixe e com este sabia fazer caldeiradas como ninguém. Os ingredientes variavam, dependiam do que tinha à mão, podiam até levar maçãs e marmelos, mas saíam sempre maravilhosas. Confecionava-as na cozinha pertencente ao comércio da então jovem Manuela Torrada, e num anexo reuniam-se os comensais que as saboreavam, animados com as cantigas à desgarrada do ti Chico Afonso, que era a alma daqueles convívios. Às vezes aparecia a mulher, conhecida por a Pitorra, pequenina mas de mau génio que ele sabiamente sabia controlar. Quando a idade começou a pesar, mudou-se para a barca de passagem, cujas viagens eram mais curtas e menos perigosas. Atendia todos com prontidão e simpatia e não era raro vir da outra margem o grito Ó barqueiro e logo ele acorria a fazer o serviço pretendido. Não se consta que alguma vez tivesse havido qualquer acidente

nestas barcas, nos barcos grandes de transporte de mercadorias é que sim, sobretudo no Inverno, quando as correntes eram fortes e os temporais frequentes, aí é que os desastres eram habituais. Por vezes morriam pessoas e os seus corpos nem sempre eram encontrados. Os familiares desesperavam e então as pessoas de Fé iam a Constância buscar a chamada Vela Maria. Esta era acesa e colocada juntamente com uma imagem da Virgem, num barco pequeno que não excedia o meio metro. Este era posto à deriva no Tejo e quando ele parasse, acreditava-se que corpos dos afogados se encontravam por perto, o que, dizia-se, acontecia com frequência, mas nem sempre acrescentavam os mais céticos. Mas os anos sessenta do século XX chegaram, o cimento substituiu na construção a cal hidráulica, os fornos foram fechando, os transportes rodoviários vulgarizaram-se e substituíram em definitivo os barcos de transporte de mercadorias e as barcas de passagem a pouco e pouco foram também desaparecendo do Tejo. Os calafates, que construíam e reparavam os barcos, deixaram de ter trabalho e foram fechando as suas portas. Aqui, como em muitos outros lugares, tudo se foi transformando e hoje os mais novos nem sonham como era a Barca do Pego, no tempo da juventude dos seus avós e bisavós. Dessa vida de outrora não resta nem uma pálida sombra. Apenas Manuela Torrada continua firme no seu comércio e todo este mundo há muito perdido continua bem vivo na sua memória.

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/ Teresa Aparício

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Agosto 2022 / JORNAL DE ABRANTES

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SAÚDE /

/ Paula Gil Enfermeira, USP do Médio Tejo

Raios Ultravioletas … O preço da exposição solar

Se pequenas quantidades de Sol trazem benefícios para a saúde, a exposição humana excessiva aos raios ultravioletas(UV) podem trazer efeitos graves nesta. Conhecer o Índice Ulta Violeta (IUV) é uma medida de proteção importante antes de sair de casa, mesmo com o dia nublado. Para trabalhar ou para lazer – lembre-se que “o sol quando nasce é para todos”. Este índice orienta-nos sobre medidas adicionais de proteção. Quando o IUV é igual ou superior a três, recomenda-se adaptar as atividades ao ar livre e usar sempre proteção solar. Pessoas com pele, cabelo e olhos claros requerem sempre proteção adicional independentemente do IUV. A OMS lançou em junho 2022 em Genebra um aplicativo móvel gratuito, SunSmart Gobal UV que oferece previsão meteorológica e raios ultravioleta para ajudar a consciencializar as pessoas sobre proteção solar e reduzir a carga global de cancro da pele e lesões oculares relacionadas com os raios UV. A exposição inadequada aos raios UV é um dos principais fatores de risco para cancro da pele, envelhecimento precoce desta, problemas oculares como cataratas e também da conhecida “queimadura” solar. Além da luz visível, a luz solar é composta por raios com diferentes comprimentos de onda e energia, da qual fazem parte os conhecidos UVA e UVB. O Índice Ulta Violeta “é uma medida dos

níveis da radiação solar ultravioleta que efetivamente contribui para a formação de uma queimadura na pele humana (eritema), sendo que a sua formação depende dos tipos de pele (I, II, III, IV) e do tempo máximo de exposição solar com a pele desprotegida” (IPMA). É um parâmetro ambiental variável no espaço e no tempo, indicador do nosso comportamento face a esta radiação. Se a quantidade de radiação ultravioleta exceder os limites de segurança poderá causar graves danos na saúde. O índice ultravioleta varia entre 1 e 11+, que vai de um risco baixo a um risco extremo. Ele indica-nos “a força” dos raios UV do sol para que possamos proteger a pele ao ar livre. O índice UV é um

bom indicador de quando o sol é mais perigoso, quanto maior o índice maior o risco de danos à pele e olhos e menor é o tempo em que esses danos ocorrem. A Organização Mundial de Saúde validou uma escala, com cores iguais internacionalmente de forma a facilitar a sua interpretação, onde relaciona o IUV com os cuidados a ter, para a população em geral. Esta escala é um forte aliado na proteção da saúde. A imagem apresentada é um guia onde se pretende adaptar a escala da OMS e informação do IPMA (Instituto Português do Mar e Atmosfera), facilitadora de uma leitura rápida sobre cuidados a adotar face ao IUV. Antes de sair de casa consulte o Índice Ulta Violeta!!!

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CHMT reforça atividade assistencial à população nos primeiros seis meses do ano

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JORNAL DE ABRANTES / Agosto 2022

O Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT) – constituído pelas Unidades de Torres Novas, Abrantes e Tomar – reforçou nos seis primeiros meses do ano a atividade assistencial à população dos 14 concelhos da sua área de influência. A recuperação da atividade cirúrgica foi uma das prioridades assumidas pelo CHMT para 2022, e os números do primeiro semestre revelam o esforço da instituição e dos seus profissionais, num contexto pandémico que se manteve de grande pressão para as instituições hospitalares, devido variante Ómicron da COVID-19. Apesar da situação epidemiológica da COVID-19 muito ativa, foram realizadas no CHMT mais 1087 cirurgias do que no semestre homólogo de 2021, num total de 4.588 atos cirúrgicos, expressando um crescimento de 31% face ao mesmo período do ano passado. Deste total de cirurgias há a destacar as 721 cirurgias urgentes executadas pelo CHMT – um acréscimo de 8% face aos atos cirúrgicos que foram realizados no período homólogo de 2021, e 5% acima das cirurgias realizadas em 2019, ano de referência assistencial do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Os profissionais de saúde dos Serviços de Urgência das três unidades do CHMT reforçaram a sua assistência à população em níveis históricos, dando pronta resposta a 75.059 episódios de

urgência nos seis primeiros meses de 2022, um aumento de 47% face ao período homólogo de 2021, e 2% acima dos níveis recorde registados em 2019. Na valência da consulta externa, no primeiro semestre deste ano foram realizadas um total de 89.502 consultas, um número que revela um aumento de seis por cento face ao mesmo período de 2021. O reforço da atividade assistencial é mais expressivo nas primeiras consultas: foram realizadas 33.801 primeiras consultas, um crescimento de 13% face ao período homólogo de 2021. Já as consultas domiciliárias cresceram 29% homólogos, e realizaram-se 15.829 sessões de “Hospital de Dia” nas três unidades do CHMT – mais 15% do que nos primeiros seis meses de 2021. Na Maternidade da Unidade de Abrantes foram realizados 352 partos (mais 4% de nascimentos do que aqueles que se registaram no mesmo período de 2021). A COVID-19 manteve-se muito presente ao longo do primeiro semestre de 2022 na região do Médio Tejo. Passaram pelo internamento dedicado à COVID do CHMT 968 utentes, dos quais 65 precisaram de cuidados de saúde altamente diferenciados prestados na Unidade de Cuidados Intensivos da instituição. O pico de internamentos COVID-19 do primeiro semestre do ano ocorreu nas primeiras duas semanas de ju-

nho, com uma média semanal de 54 doentes internados. Esse valor desceu na última semana de junho, para 32 utentes internados em enfermaria, e mantém uma tendência decrescente na primeira semana de julho. Há a lamentar 212 óbitos de utentes com COVID-19. Cerca de metade (48%) dos óbitos ocorreram na faixa etária acima dos 90 anos de idade. “O nosso compromisso com a população do Médio Tejo é muito claro, e mantemo-nos focados em levar mais e melhores cuidados de saúde a todos os nossos utentes, contando para tal com uma equipa coesa, inovadora e com elevado sentido de missão”, afirma Casimiro Ramos, presidente do Conselho de Administração do CHMT, que realça que “apesar das dificuldades e desafios mais recentes, mantemos como objetivo igualar ou mesmo superar o nível assistencial de 2019, ano de referência do SNS. Em alguns indicadores, como a cirurgia urgente, o serviço de urgência e a hospitalização domiciliária, já estamos acima dessa fasquia, o que revela cuidados de saúde emergentes, esforço dos profissionais envolvidos no desígnio da saúde pública”. Casimiro Ramos afirma ainda que “durante os próximos seis meses do ano vamos continuar a trabalhar com a mesma dedicação, para garantir à população que podem contar com o SNS e com o CHMT em qualquer circunstância”.


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