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Feira de Enchidos, Queijo e Mel . Págs. 16 e 17

REPORTAGEM Visita cultural e “sunset” em Almourol. Págs. 20 e 21

ATÉ QUANDO? Páginas 4, 5 e 6

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CONSTÂNCIA

Casa-Memória de Camões vai ser reconhecida pelo Estado. Pág. 23 ABRANTES

Degradação da estrada de Valhascos indigna população. Pág. 9

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/ Abrantes / Constância / Mação / Sardoal / Vila Nova da Barquinha / Vila de Rei / Diretora Patrícia Seixas / AGOSTO 2019 / Edição n.º 5582 Mensal / ANO 119 / DISTRIBUIÇÃO GRATUITA


A ABRIR / FOTO OBSERVADOR /

EDITORIAL /

Na terça, dia 23 de julho, ninguém imaginava o que se seguiria a esta imagem. Eduardo Cabrita esteve, às 15 horas, com o presidente da Câmara de Mação no posto de comando de Cardigos. Ouviu as explicações dos responsáveis da Proteção Civil Municipal e falou à imprensa sobre o dispositivo montado. À noite, no Telejornal da RTP, o ministro da Administração Interna viria a acusar Vasco Estrela de não ter ativado o Plano de Emergência Municipal, aprovado pelo Governo nesse mesmo dia. O resto... é o que conhecemos.

Patrícia Seixas DIRETORA

Fartos! Até à ponta dos cabelos... “Reza-te a sina nas linhas traçadas na palma da mão, (...) Sinal de amargura, de dor e tortura, de esperança perdida...” Chega! A alma volta a pintar-se de negro. MASCARRADA! de cinza e de fumo... O monstro voltou e levou o que achava que lhe era devido, o que não tinha alcançado há dois anos. Mas será que quem insiste em investir, povoar e viver o interior não tem direito a ser feliz? Não tem direito a viver em paz? Medidas anunciam-se ano após ano. Especialistas de tudo e de nada atropelam-se a dar a receita do sucesso. Na imprensa regional, mostramos o trabalho que é feito no terreno e os planos para o futuro. Planos esses que, a maior parte das vezes, se perdem em gabinetes de Lisboa. Chega de fazer política com a infelicidade dos outros. Chega de falarem sobre realidades que desconhecem. Aqui contam as pessoas! Aqui conta a sua sobrevivência num território que se nos apresenta cada vez mais hostil. Mas é a nossa terra e NÃO DESISTIMOS dela. Quem me conhece sabe que é das poucas situações com que não consigo lidar nesta vida. Profissionalmente, não sou competente para trabalhar o tema INCÊNDIOS. Não consigo manter a distância nem tenho o discernimento que se exige para um trabalho com profissionalismo. Assumo. Não sou capaz! No terreno, sou um elemento “a menos”. Sou a primeira a entrar em pânico e a ter ataques de histeria que não acontecem em nenhuma outra situação da minha vida. Mas sou assim desde que me conheço. Se descortino uma nuvem de fumo no horizonte, o coração começa a bater acelerado e já não descanso enquanto não souber que está apagado. Portanto, é neste espaço que me compete agradecer a quem me “segura a mão” nestas situações. Mais uma vez, tivemos que fazer maratonas na Rádio Antena Livre. Mais uma vez, tivemos que dar conta do que se ia passando, dando voz a quem estava no terreno e a sentir as dificuldades que as populações enfrentaram. Desde a tarde de sábado (20 de julho) até o final de segunda-feira (22 de julho) que atualizámos, hora a hora, toda a informação disponível. E isso só foi possível porque tive ao meu lado gente mais forte do que eu. Obrigada ao Jerónimo Belo Jorge, que esteve metido lá no meio e nos trouxe o relato do que ia acontecendo, sem alarmismos. Porque isso é o que as pessoas menos precisam. Obrigada à Ana Rita Cristóvão que me acompanhou na redação e foi incansável, quer nos contactos, quer nos noticiários. O teu estágio está feito, miúda. Nota máxima! Obrigada ao Paulo Delgado pela disponibilidade que demonstrou em estar aqui connosco, a ajudar no que fosse necessário, e pela atualização do site da Antena Livre nas horas que os “guerreiros” descansavam. Termino como comecei: CHEGA! Estamos fartos! Demasiado fartos e demasiado cansados... “Que negra sina, ver-te assim Que sorte vil e degradante”

ja / JORNAL DE ABRANTES

Patrícia Oliveira

A foto é de dia 4 de julho, da rua do Pinheiro, na freguesia de Mouriscas. Terão sido efetuados trabalhos de mudança de cablagem elétrica, o que é sempre positivo. Já a forma de arrumar os “lixos” dessa operação é que não será a correta. É que além da má imagem que deixam, ainda impedem os cidadãos de poderem deixar os seus resíduos no contentor que, possivelmente, até estaria vazio.

PERFIL /

Idade: 22 anos

Um recanto diferente na região: “O Cruzeiro de Amêndoa”. É um miradouro fantástico no concelho de Mação, com uma vista repleta de verde e pela sensação de liberdade que aí se sente. Infelizmente, muitas vezes pintase de negro. Vezes demais ...

da vida pública de forma autobiográfica.

Uma viagem marcante: Uma viagem cá dentro: Braga. Acho uma cidade muito “independente” e simultaneamente muito acolhedora.

Uma música: “Sara”, de Tiago Bettencourt. Porque tem muitas lições “escondidas”: desde a urgência de deixar de julgar tão precocemente as pessoas e sermos mais compreensivos, até à esperança de que “tudo o que dói sara”. E isso aplica-se a tudo na vida.

Se fosse presidente de Câmara o que faria? Apostaria muito em atividades e iniciativas que chamassem pessoas à cidade sem ser no tempo das festas e teria especial atenção às estradas do concelho.

Um momento importante: O dia em que soube que a minha mãe sobreviveria, após uma fase muito difícil de saúde. É inexplicável.

Um Livro: “Herzog”, de Samuel Bellow. Um indivíduo inconformado que esmiúça as características

Naturalidade/Residência: Abrantes Um filme: “A Dog’s Purpose”. É um filme que retrata a enorme ligação que existe entre o ser humano e o cão – que é muito além de um animal irracional. Abre-nos os olhos ...

/ Ana Rita Cristóvão

Jornalista

Um país para visitar: Itália. Porque me transmite a ideia do intemporal, do romantismo, de ambiente de filme antigo e de uma grande sabedoria.

O que mais e menos gosta na sua localidade. Gosto do facto de Abrantes ser um bocadinho de cidade e de campo. Aquilo que menos gosto é a falta de “vida” no concelho.

FICHA TÉCNICA Direção Geral/Departamento Financeiro Luís Nuno Ablú Dias, 241 360 170, luisabludias@mediaon.com.pt. Diretora Patrícia Seixas (CP.4089 A), patriciaseixas@mediaon.com.pt Telem: 962 109 924 Redação Jerónimo Belo Jorge (CP.7524 A), jeronimobelojorge@mediaon.com.pt, Telem: 962 108 759, Ana Rita Cristóvão (CP.TP-475 A), anaritacristovao@mediaon.com.pt, Carolina Ferreira (estagiária). Colaboradores Carlos Serrano, José Martinho Gaspar, Paulo Delgado, Teresa Aparício, Paula Gil, Manuel Traquina. Cronistas Alves Jana e Nuno Alves. Departamento Comercial. comercial@mediaon.com.pt. Design gráfico e paginação João Pereira. Sede do Impressor Unipress Centro Gráfico, Lda. Travessa Anselmo Braancamp 220, 4410-359 Arcozelo Vila Nova de Gaia. Contactos 241 360 170 | 962 108 759 | 962 109 924. geral@mediaon.com.pt. Sede do editor e sede da redação Av. General Humberto Delgado Edf. Mira Rio, Apartado 65, 2204-909 Abrantes. Editora e proprietária Media On - Comunicação Social, Lda., Capital Social: 50.000 euros, Nº Contribuinte: 505 500 094. Av. General Humberto Delgado Edf. Mira Rio, Apartado 65, 2204-909 Abrantes. Detentores do capital social Luís Nuno Ablú Dias 70% e Susana Leonor Rodrigues André Ablú Dias 30%. Gerência Luís Nuno Ablú Dias. Tiragem 15.000 exemplares. Distribuição gratuita Dep. Legal 219397/04 Nº Registo ERC 100783. Estatuto do Jornal de Abrantes disponível em www.jornaldeabrantes.pt. RECEBA COMODAMENTE O JORNAL DE ABRANTES EM SUA CASA POR APENAS 10 EUROS (CUSTOS DE ENVIO) IBAN: PT50003600599910009326567. Membro de:

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JORNAL DE ABRANTES / Agosto 2019


ENTREVISTA /

A liberdade não tem preço // Eduardo Jorge é natural de Padrão, concelho de Proença-a-Nova, mas fixou-se na Concavada, mais propriamente na aldeia da Ribeira do Fernando. Aos 29 anos, um acidente de automóvel deixou-o numa cadeira de rodas. Ter ficado tetraplégico não o impediu de trabalhar até ficar sem mobilidade. Lutou pelo direito a

ter cuidadores em vez de ficar internado numa instituição. Protestou em frente ao Palácio de S. Bento e teve a visita do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. Em junho recebeu a notícia que tinha “ganhado” 16 horas de cuidadoras pessoais, através de um projetopiloto a que se tinha candidatado. A 3 de julho,

o Presidente da República e a secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes, visitaram-no, em casa, onde já faz a sua vida com o apoio das cuidadoras. Apesar das limitações, ganhou “mãos e pernas” para fazer a sua vida em casa e no trabalho, sem estar internado numa instituição.

O que é que significou a visita do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, à sua casa?

cuidadoras [Patrícia e Rafaela]. Como é o seu dia-a-dia?

Então, é fazer aquilo que eu não consigo fazer. Chegam de manhã, fazem-me a higiene, levantam-me, dão-me o pequeno-almoço, fazem-me a barba. Colocam-me na carrinha e levam-me ao trabalho [à Carregueira]. Aí dão-me apoio em contexto de trabalho. As minhas mãos não funcionam e elas fazem aquilo que eu não consigo fazer. Volto para casa. Se quiser ir ao supermercado posso ir, posso escolher os meus produtos. Já fui por diversas vezes comprar aquilo que eu quero. Posso sentar-me numa esplanada com amigos, ir ao cinema. Já me permitiu ir a uma ação de formação. Permitem-me fazer o que as, ditas, pessoas normais fazem e que nós também devíamos ter direito a fazer.

Significou muito, significa que o nosso Chefe de Estado interessa-se pelas pessoas, sejam elas de que raça ou classe social forem. E dar-se ao trabalho de vir a minha casa, com uma agenda tão preenchida, é muito importante para mim e para todas as pessoas com deficiência. Dar esperanças para que este projeto-piloto não fique por aqui, que seja uma realidade. Que o legislador faça o seu trabalho e o torne definitivo.

O ano passado o Presidente visitou-o quando esteve, em protesto, a dormir junto ao palácio de S. Bento. O que é que ele lhe disse nessa altura?

“Oh Eduardo Jorge, oh Eduardo Jorge. Sou eu. A senhora secretária de Estado está a chegar. Vamos já resolver o problema. Já vamos conversar. Temos de resolver tudo...”

Voltou a “felicidade” de poder voltar à sua casa, ao seu canto, e a poder olhar as estrelas, ali, nas traseiras da casa?

… a partir daí o processo começou a andar?

Também porque o Governo assim o entendeu. E a nossa secretária de Estado [Ana Sofia Antunes] também teve um papel muito importante nisso. Como disse o nosso Presidente, alterar um Decreto-Lei não é fácil, depende de muitas pessoas, de muitas vontades, de muitos Ministérios. Foi muito interessante também ver que eles tinham boa vontade e conseguiram alterar a Lei.

O que é que significou este junho de 2019 quando garantiu as 16 horas de cuidados para poder voltar à sua casa, à Ribeira do Fernando?

É uma liberdade muito grande. Ainda nem acredito que está a acontecer. É eu poder tomar o meu banho quando quero, comer quando quero, receber os amigos em casa quando quero. Quanto à questão das 16 horas, o coordenador e a diretora técnica vieram a minha casa para disponibilizar mais horas, deles, para poder ter

/ Marcelo Rebelo de Sousa aceitou o convite para visitar Eduardo Jorge na sua casa.

“Oh Eduardo Jorge, oh Eduardo Jorge. Sou eu. A senhora secretária de Estado está a chegar. Vamos já resolver o problema. Já vamos conversar. Temos de resolver tudo...”

mais horas. Não aceitei, nem vou aceitar essas horas para que outras pessoas possam usufruir dessas horas. Eu também tive estas horas porque houve uma desistência e beneficiei desse facto. Quanto mais pessoas forem abrangidas mais feliz eu me sinto.

O objetivo era garantir estas horas para poder ter uma vida “normalizada”. Agora já pode viver em casa e trabalhar?

Sim. Tenho a vida normalizada e o que sonhei. Alguém que é as minhas mãos e as minhas pernas. Alguém que pode fazer aquilo que eu não consigo fazer e, principalmente, não viver de esmola, de favores. A minha dignidade voltou e isso é muito importante para mim.

Vai trabalhar todos os dias para

o Centro Social da Carregueira [Chamusca]?

Sim, vou todos os dias. Enquanto lá me quiserem vou trabalhar com muito gosto. São alguns quilómetros. Mas tenho um projeto novo, de que me incumbiram. A responsabilidade do restaurante do Centro é minha, é um projeto que visa angariar fundos para a Instituição, que é uma IPSS (Instituição Particular de Solidariedade Social). Pretende aumentar o financiamento para melhorar a prestação de cuidados aos utentes. É um restaurante novo, vai chamar-se “O Algaz” e fica muito perto da Estrada Nacional 118. E quero muito que o projeto funcione.

Disse que ganhou mãos e pernas, ou seja, o trabalho das suas

Felicidade não. Já disse muita vez que não sou feliz. Tenho momentos muito felizes e vivo bem com as minhas infelicidades. Agora essa liberdade não tem preço. Eu poder viver e saber que tenho alguém por perto no caso de me acontecer alguma eventualidade dá essa liberdade. Posso explicar que já estive fechado no meu quarto, sem ninguém num raio de vários quilómetros, os aviões por cima e isto tudo a arder, aqui à volta. As pessoas muito preocupadas a bater à janela e eu não poder fazer nada. É uma impotência muito grande. Mesmo nos dias de inverno, quando vêm aquelas trovoadas com relâmpagos grandes e o quadro dispara, sinto aquele cheiro característico, e isso aflige-me um pouco. Sinto-me muito impotente de não poder sair para ver o que se passa. Ou quando há pessoas a bater à porta e eu não respondo porque não sei quem é. E ter essa mobilidade é uma liberdade tremenda e, isso sim, pode-se considerar felicidade. Jerónimo Belo Jorge

Agosto 2019 / JORNAL DE ABRANTES

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REGIÃO / Incêndios

O inferno existe Ninguém esperaria que o drama de 2017 se voltasse a repetir em Vila de Rei e Mação. Muito menos, apenas dois anos depois. Mas aconteceu. Algures na Fundada começou um fogo que nas primeiras 12 horas galgou 21 km's. Um fogo de durou 72 horas. Um fogo que atingiu dois concelhos. Um fogo que passou por dezenas de aldeias. Um fogo que deixou casas ardidas. Carros destruídos. Animais mortos. Um fogo que deixou uma enorme mancha verde (9.500 hectares) em cinzas. Começou a 20 de julho, foi controlado a 22 e apagado a 23. E acima de tudo destruiu muitas esperanças de um interior mais verde. Fotos por Jerónimo Belo Jorge

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JORNAL DE ABRANTES / Agosto 2019


REGIÃO / Incêndios

O desespero de quem perde quase tudo

Antes da meia noite (21 julho), dei uma volta pelas zonas mais complicadas da tarde e da noite. Saímos de Cardigos na companhia de um grupo de jovens, que munidos de viaturas com kit’s de combate a incêndios, ajudam as populações. A ideia era passar pelas zonas ardidas e perceber se era preciso alguma ajuda. Depois, chegar à frente de fogo. Passámos pela Roda e por Casalinho em direção à Chaveira e Casais de S. Bento. Trânsito de muitas viaturas de bombeiros e GNR. Muito fumo e algumas árvores a tombar para as estradas. Demos a volta e entrámos por Casas da Ribeira, de Cardigos. Foi ali que se detetou uma chama viva. O primeiro pensamento foi que seria um monte de lenha que ainda estaria a arder, pois o fogo já por ali tinha passado há muitas horas e a aldeia tinha os habitantes todos recolhidos. Carros parados e percebeu-se que estava era a arder o telhado de um barracão. De imediato os jovens deram corpo ao voluntarismo, ligaram as mangueiras e as moto-bombas e começaram a mandar água para apagar as chamas do telhado. Nem vivalma naquela aldeia que havia sido fustigada pelo fogo. O vereador tentou contactar algumas pessoas da aldeia para perceber se o barracão tinha alguma coisa de valor. Como o telhado estava a colapsar, resolveram arrombar as portas de chapa. Quando se abriram, percebemos que estava um carro em chamas. Dois mil litros de água e nada apagou o lume. Entretanto, juntam-se algumas pessoas em conversa e passa um GIPS da GNR. Os militares tentam, também, apagar as chamas, mas foi impossível. “Só espuma ou pó químico”, atira um dos operacionais. Já em cima da meia-noite vimos um homem de t’shirt branca a correr, aos berros, literalmente. “É o dono do carro”, diz um dos habitantes de Casas da Ribeira. “Ele vai lá tentar tirar o carro”. Os operacionais da GNR impedem-no de ir para as chamas. Não havia nada a fazer.

O homem, desesperado, tentou por todos os meios fugir aos operacionais para tentar tirar o carro (um Opel Corsa) que estava totalmente a arder. Dois operacionais da GNR levam-no quase de rastos. “Ouça, o carro está perdido, não queremos que se queime. O senhor não vai lá fazer nada”, gritou em ordem de comando um dos operacionais do grupo que passava por ali para ir para a frente de fogo. A mulher daquele homem desesperado, cheia de lágrimas, explica que tinham andado fora e pouco antes das 23 horas tinham guardado o carro na garagem. “Parecia tudo calmo e apagado”. Olha para a garagem em chamas e leva as mãos ao rosto em sinal de desespero. Mas olha para o marido e vai a casa buscar um calmante. A explicação é simples, perderam as matas e assim, do nada, perderam o carro e roçadoras e outras ferramentas agrícolas. Depois do depósito de combustível do carro ter “explodido”, os mesmo jovens, que tinham ido reabastecer os depósitos do kit, descarregam mais 2 mil litros de água no carro e na garagem e apagam o fogo. O que terá acontecido, segundo os operacionais da GNR e também segundo o vereador Vasco Marques, é que terá ficado o telhado, ou uma trave, a arder em morto e fez chama aquela hora. “Isto é perigoso”, diz o vereador da Câmara de Mação, e explica: “Está tudo cansado e a dormir e não vem aqui ninguém. Não sabemos o que está ali dentro guardado. Mesmo com tudo ardido à volta podia haver aqui perigo porque ninguém estava a ver o que se passava”. E o vereador tinha toda a razão. Nem com o ruído das moto-bombas a população, seguramente cansada de 24 horas de desespero, apareceu. Só a coluna de GIP’s da GNR despertou alguma curiosidade. Quase às duas da manhã deixamos Casas da Ribeira quase na mesma tranquilidade com que a encontrámos antes da meia noite. Jerónimo Belo Jorge

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REGIÃO / Incêndios //PAULO CÉSAR

“Um dos responsáveis máximos da Proteção Civil de Vila de Rei estava no incêndio, sem meios. O primeiro-ministro não” O vice-presidente do Município de Vila de Rei, Paulo César, reagiu às afirmações proferidas pelo primeiro-ministro, António Costa, que apontou os autarcas como “os primeiros responsáveis pela proteção civil em cada concelho”. “Eu não faço comentário enquanto os incêndios e as operações estão a decorrer e, sobretudo, não digo aos que são os primeiros responsáveis pela proteção civil em cada concelho, que são os autarcas, o que é que devem fazer para prevenir, através da boa gestão do seu território, os riscos de incêndio”, disse o primeiro-ministro aos jornalistas. Em resposta a estas afirmações, o vice-presidente da autarquia de Vila de Rei disse que “isto é o senhor primeiro-ministro sendo primeiro-ministro” e que “não sei como é que houve gente admirada com essas declarações”. “A única coisa que eu tenho a comentar é que nós não fugimos às

/ Paulo César responde às declarações do primeiro-ministro

nossas responsabilidades. Só que eu também não vi o senhor primeiro-ministro em aldeias como o Vale da Urra ou São João do Peso a combater fogo sem meios de combate, só com a ajuda das

populações”, disse o autarca que acrescenta: “Eu dei a cara, eu estava presente nessas localidades sem meios de combate e o incêndio chegou e não esperou que os meios chegassem. Agora que resposta é que eu dou às populações? Porque eu estava lá e dei a cara, agora o senhor primeiro-ministro não estava lá”. Paulo César reforça que “um dos responsáveis máximos da Proteção Civil de Vila de Rei estava no incêndio, sem meios. O senhor primeiro-ministro não” e que “o senhor primeiro-ministro devia também pensar naquilo que são as suas responsabilidades (...) nós assumimos as nossas, agora estou à espera que ele assuma as suas também”. Quando questionado acerca da gestão do território e das ajudas por parte do Estado ao concelho de Vila de Rei ao longo dos últimos anos, Paulo César admite que a autarquia não tem tido o apoio

suficiente e lamenta que “nós já criticámos, suplicámos, desesperámos para que, por exemplo, o Governo incluísse Vila de Rei no projeto-piloto do cadastro, e fizeram o obséquio de nos deixar fora”. “Os agentes máximos da Proteção Civil de Vila de Rei não conseguem planear território se o Governo não nos der os instrumentos, como por exemplo o cadastro. Se o distrito de Santarém tem cadastro, se os concelhos a norte de Vila de Rei têm cadastro, ou está a ser implementado o cadastro depois de mais uma catástrofe - que é assim que nós fazemos as coisas neste país, depois da catástrofe andamos a correr - a nós não nos foi dada essa possibilidade”, defende Paulo César. O vice-presidente diz ainda que o concelho de Vila de Rei é “uma ilha ao largo de todos os concelhos que têm cadastro”. Ana Rita Cristóvão

//VASCO ESTRELA

“Se isto é correto e é forma de tratar o responsável máximo da Proteção Civil de um concelho... estamos conversados”

O primeiro-ministro António Costa afirmou a 22 de julho que os autarcas são os “primeiros responsáveis pela proteção civil em cada concelho”, ao responder a críticas como a do vice-presidente da Câmara de Vila de Rei, Paulo César, sobre a prevenção dos incêndios. Vasco Estrela disse que “sublinho e reafirmo as palavras do Paulo César. Realmente, o Estado falhou”. O autarca explicou as responsabilidades dos autarcas enquanto agentes da Proteção Civil mas lembrou quais as responsabilidades do Estado para com estes. E que António Costa “não pode ficar melindrado com essas palavras”. “Se nós [autarcas] somos os principais responsáveis pela Proteção Civil Municipal, e somos, temos direito a saber aquilo que é feito a cada momento e porque é que as decisões são tomadas em cada um dos momentos para po-

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/ Vasco Estrela e António Louro recebem o ministro Eduardo Cabrita no posto de comando de Cardigos

JORNAL DE ABRANTES / Agosto 2019

dermos também exercer as nossas competências e podermos explicar às nossas populações. Eu sei que sou uma formiga ao pé do senhor primeiro-ministro.

Que o respeito que, eventualmente têm por mim, é pouco ou nenhum mas sou representante de uma população. E se o senhor primeiro-ministro diz que nós somos os máximos responsáveis da Proteção Civil, e somos, temos que saber as decisões que são tomadas, porque é que são tomadas, com que critérios é que são tomadas, saber delas de forma atempada. Houve [a 22 de julho] aviões espanhóis a atuar neste teatro de operações, felizmente, e que muito ajudaram e que muito agradeço, mas o responsável máximo da Proteção Civil do concelho não sabia disso. Encontrei por acaso o senhor presidente da ANEPC que estava a chegar aqui (…) e o responsável máximo da Proteção Civil Municipal, a quem o senhor primeiro-ministro está a dirigir recados, não sabia dessa vinda. E ainda bem que aqui veio.

(…) Se querem que realmente sejamos os efetivos responsáveis da Proteção Civil Municipal, partilhem mais informação connosco e, mais do que isso, justifiquem as decisões que tomam. Não fui ouvido em nenhuma das decisões fundamentais, até porque o posto de comando esteve, até à meia-noite de domingo, em Vila de Rei; não fui contactado por nenhum membro do posto de comando que estava em Vila de Rei, com exceção do comandante Mário Silvestre que uma ou duas vezes teve a amabilidade de vir ter connosco e explicar mais ou menos o que se estava a passar; nunca fui convocado para ir ao posto de comando para assistir a um briefing e me explicarem o que estava a acontecer. Se isto é correto e é forma de tratar o responsável máximo da Proteção Civil de um concelho... estamos conversados”. Patrícia Seixas


SOCIEDADE /

Marcelo visitou Eduardo Jorge: “É irreversível” O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, acompanhado pela secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência, Ana Sofia Antunes, visitaram numa quente tarde de 3 de julho último Eduardo Jorge. Marcelo Rebelo de Sousa deslocou-se à aldeia de Ribeira do Fernando, Concavada, para falar com Eduardo Jorge o cidadão tetraplégico que desde junho, regressou à sua casa, ao abrigo do projeto-piloto dos cuidadores de pessoas com deficiência. Eduardo Jorge esteve quatro anos internado no Centro Social da Carregueira, onde trabalha. Em junho voltou à sua casa, onde é acompanhado pela Patrícia e pela Rafaela, duas das suas cuidadoras. “São as minhas pernas e os meus braços, fazem-me a higiene, levam-me ao trabalho, ao supermercado (…), mas permitem-me ter a minha vida, em casa”, explicou Eduardo Jorge. Marcelo Rebelo de Sousa aceitou o convite de Eduardo Jorge e veio visitá-lo. Naquela tarde esteve também “a amiga” Ana Sofia Antunes, secretária de Estado da Inclusão das Pessoas com Deficiência. Eduardo acolheu os convidados especiais de braços abertos e fez questão de mostrar a sua casa à governante [que é cega]. Descreveu ao pormenor a entrada, a sua horta, as flores, as árvores de fruto. Marcelo mostrou conhecimento de flores quando conversavam sobre

um jasmim que estava mais murcho. Depois de dar a volta à casa, Eduardo Jorge quis descrever a forma como a sua cadeira lhe permite “deitar-se” para ficar na horizontal. Disse que muitas vezes à noite é ali que fica a ver as estrelas ou a olhar os riscos dos aviões. Comentou que até tem um telemóvel com uma aplicação que lhe permite seguir as rotas dos aviões: “Assim posso viajar com eles, lá em cima”. Depois desta volta entraram, mais a sós, dentro de casa onde o tetraplégico explicou a sua vida ao Presidente e restante comitiva. Cerca de 40 minutos depois, quando saíram, e em declarações aos jornalistas, Marcelo Rebelo de Sousa revelou que este projeto está a avançar, “é uma bola de neve, vai abranger cada vez mais pessoas e é irreversível. É uma opção da vida e muito justa”. Vincou ainda que “quando se sonhou com uma democracia, também social, sonhou-se a pensar neste tipo de justiça”. O Presidente da República vincou que aceitou um convite do Eduardo Jorge para o visitar em casa: “Foi um convite dele. Como sabem, ele é muito autodeterminado, muito livre, muito independente. A senhora secretária de Estado já o conhece há muito tempo [eu conheço-o há menos], mas foi bom vê-lo mais feliz, a trabalhar com a senhora secretária de Estado e todos os que apoiam esta causa”. Marcelo revelou também que

/ Eduardo Jorge mostrou a casa e até colocou o Presidente Marcelo a cheirar a hortelã da horta

O Presidente da República levou um cabaz de produtos hortícolas da Ribeira do Fernando

este Portugal [mais no interior] é igual a tantos outros e acrescentou “que a ideia que há Portugais de primeira, de segunda e de terceira não faz sentido à luz da democracia portuguesa”. A secretária de Estado da Inclusão de Pessoas com Deficiên-

cia, Ana Sofia Antunes, explicou que este projeto-piloto “Modelo de Apoio à Vida Independente”, que coloca cuidadores 16 horas por dia na vida do Eduardo Jorge, “tem 17 centros em total funcionamento, de um total de 35 que vão existir. De um total de 870 beneficiários identificados estaremos a chegar, neste momento, a cerca de 400 pessoas”. Recorde-se que no início de dezembro do ano passado, Eduardo promoveu um protesto junto à Assembleia da República, fazendo greve de fome dentro de uma gaiola criada para o efeito. Numa placa, colocada junto ao local onde estava, podia ler-se “Aqui jaz Eduardo Jorge”. O objetivo, na altura, era promover a discussão sobre o direito a que pessoas com dependência possam ter cuidadores e, na altu-

ra, Marcelo Rebelo de Sousa foi a São Bento para falar com Eduardo Jorge. Foi depois da visita de Marcelo Rebelo de Sousa que Eduardo Jorge colocou um ponto final ao seu protesto, em frente ao Palácio de S. Bento. Eduardo Jorge ficou tetraplégico aos 29 anos, após um acidente de automóvel. Vive na Ribeira do Fernando, e trabalha como diretor Técnico da valência de Centro de Dia no Centro de Apoio Social da Carregueira, Chamusca. À chegada, na estrada principal da aldeia, Marcelo Rebelo de Sousa cumprimentou as dezenas de cidadãos que o aguardavam e que fizeram questão de lhe oferecer um cabaz de produtos da terra. Da agricultura da Ribeira do Fernando. Jerónimo Belo Jorge

Agosto 2019 / JORNAL DE ABRANTES

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REGIÃO / Abrantes

Flores na defesa do antigo mercado de Abrantes A iniciativa partiu das redes sociais, através de uma publicação de José Rafael Nascimento e com uma ideia muito simples: colocar flores nos portões do antigo mercado diário de Abrantes. O objetivo também se afigura, segundo o promotor da iniciativa, “de forma clara” impedir a demolição do edifício. Foi no dia 1 de julho e o mentor da ideia explicou porquê. “Pensamos fazê-lo duas vezes ao ano. O mercado foi inaugurado a 1 de janeiro de 1933, fez 86 anos, e entendemos que como ação cívica, aberta a toda a sociedade, todos os dias 1 de julho e 1 de janeiro vamos colocar flores no mercado. Esta ação deverá ser feita enquanto não for claramente decidida a reversão da demolição do edifício no Plano de Urbanização de Abrantes”, disse José Rafael Nascimento. Enquanto o líder deste movimento se desmultiplicava em contactos com os cidadãos que foram colocar as flores no portão, outros chegavam para deixar a sua marca ou simplesmente vincarem que se

associavam à ideia geral de impedir uma qualquer ideia de demolição deste edifício construído nos anos 30 do século passado. José Rafael Nascimento destacou o lema do grupo dos amigos do mercado de Abrantes: Não à demolição do edifício histórico e sim à valorização do nosso mercado. Mas existem outros reparos. “Aquele novo edifício não funciona, dizem comerciantes e clientes”. Por outro lado, é preciso saber como vai ser utilizado este edifício depois de reabilitado, por isso o grupo não confina a sua ação à defesa do antigo mercado. José Rafael Nascimento acrescentou que “O PUA diz que vai ser demolido. O PUA tem força de Lei e diz que vai ser demolido porque está previsto no documento o alargamento desta rua [Avenida 25 de Abril]. Esta rua que já tem menos trânsito e caso seja construída a ponte de Tramagal, vai ter ainda menos”. O líder do movimento que começou nas redes sociais vincou que a sua ação não tem qualquer ligação

/ Mais de meia centena de cidadãos aderiram a uma iniciativa convocada pelas redes sociais política e que pretende apenas impedir a demolição do edifício”. Entre as cerca de 50 pessoas que às 3 da tarde ali se deslocaram com flores nas mãos, estiveram o vereador do BE Armindo Silveira e o presidente da Junta de Freguesia de Rio de Moinhos, Rui André, líder de um movimento de independentes locais. O vereador do Bloco de Esquerda salientou que o seu partido apresentou a reversão da demolição

e a classificação como edifício de interesse municipal e, em ambos os casos, o Partido Socialista votou contra. “A classificação de interesse municipal não iria impedir a existência de obras”, vincou o vereador e garantiu que não vão desistir da luta que quer impedir a demolição do edifício. Rui André é o presidente da Junta de Rio de Moinhos mas também quis deixar a sua flor no portão. Com esta ação afirmou que

“pretende sensibilizar a Câmara Municipal para a preservação do passado, seja como mercado ou com outra utilização”. Na altura, contactado pela agência Lusa, o presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Manuel Jorge Valamatos, disse que a iniciativa foi “completamente extemporânea”, tendo assegurado que “ninguém vai derrubar mercado nenhum”. Jerónimo Belo Jorge

José Moura Neves assume liderança do Rotary Club de Abrantes José Guilherme Moura Neves é o novo presidente do Rotary Club de Abrantes. No ano em que o lema é “O Rotary Conecta o Mundo”, a cerimónia de transmissão de tarefas decorreu perante cerca de oito dezenas de rotários, e Moura Neves brincou com “o peso da responsabilidade” que tem pela frente. “É uma carga grande mas é uma carga muito gratificante”, pois, como disse o presidente do Club, “podermos ajudar os outros é algo...” que a emoção já não lhe permitiu concluir. Quanto ao principal objetivo do seu mandato, Moura Neves disse ir “manter o rumo que temos vindo a traçar. Nos últimos três anos, somos três repetentes e isso traz alguma continuidade no trabalho que temos vindo a fazer”. No entanto, o foco principal “é a ajuda aos outros, aqueles que mais necessitam, nomeadamente com as questão das bolsas, na ajuda a algumas associações que, por sua vez, prestam ajuda na

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/ Transmissão de tarefas nos clubes rotários de Abrantes comunidade e também situações de longe, como foi Moçambique”. José Guilherme Moura Neves já é repetente na liderança do Rotary de Abrantes mas “há 18 anos as definições não eram as

JORNAL DE ABRANTES / Agosto 2019

mesmas de hoje, nem de perto nem de loge. A atividade do Club era muito diferente”. No seu discurso, o presidente disse estar pronto “a pegar o touro pelos... ditos” e confirmou isso

mesmo ao afirmar “eu estou cá para isso”. O Conselho Diretor que irá dirigir o Club em 2019-20 fica composto José Guilherme Moura Neves na presidência; Júlio Miguel

(past presidente); Joaquim Melo dos Santos (presidente eleito); José Rodrigues (vice-presidente); Leal Neto (secretário); Paulo Lopes de Sousa (tesoureiro); e Luís Damas (diretor de protocolo). Tomaram ainda posse as novas presidentes do Rotaract, Carolina Peres, e do Interact, Sara Proença. Para Carolina Peres, “a recordista” como é apelidada pelos colegas, pois está no Club desde o Interact mas nunca tinha sido presidente, os objetivos do seu mandato passam por “encontrar novas e mais pessoas, novas e ideias e novas motivações”. Também no Interact o objetivo passa por “trazer pessoas mais novas para o Club porque temos muitas pessoas que vão para a universidade e não estão em Abrantes a tempo inteiro”. Sara Proença reconheceu que “faz-nos falta pessoas mais novas que tragam outras perspetivas, outros contextos, outros planos de fundo, outra forma se viver e experiências”. Patrícia Seixas


REGIÃO / Abrantes

Vereador do BE questiona maioria socialista sobre degradação da estrada que liga Barca do Pego a Valhascos / A via de trânsito é composta, em grande parte, por pedras soltas

uma avaliação desta intervenção e que contamos o mais rapidamente possível – mas não está previsto no Orçamento e temos de ver se conseguiremos – vir a resolver”, concluiu o vice-presidente da autarquia de Abrantes.

O TESTEMUNHO DE QUEM PASSA DIARIAMENTE PELA “ESTRADA DOS BURACOS”

A situação da estrada que liga a Barca do Pego a Valhascos (do lado do concelho de Abrantes) é um troço que se encontra num estado de degradação visível há já muitos anos. A situação crítica começa junto à antiga Igreja das Necessidades, que se encontra em ruínas.

/ Rebentar um pneu, estragar a suspensão dos carros ou ter um acidente são algumas da preocupações dos utilizadores

Ana Rita Cristóvão PUBLICIDADE

N a re u n i ã o d e C â m a r a d e Abrantes de 9 de julho, o vereador do Bloco de Esquerda, Armindo Silveira, questionou a maioria socialista sobre a situação da estrada que liga Barca do Pego a Valhascos. O vereador bloquista questionou sobre para quando está prevista a integração da requalificação desta estrada no Orçamento do Município, uma vez que “está degradada” e que lhe chegaram relatos de vários munícipes sobre a situação – que se arrasta há já muitos anos. Em resposta, o vice-presidente João Gomes admitiu que “esta é uma estrada que nos preocupa” e que, apesar de uma intervenção não estar prevista no Orçamento deste ano, vai ser necessário dar uma resposta. Resposta esta que “não sei se será este ano ou no princípio do próximo”, disse o vice-presidente. Recorde-se que atualmente, com o desvio resultante do corte de trânsito entre Sardoal e a Avenida António Farinha Pereira para pesados superiores a 3,5 toneladas (corte este devido a uma intervenção a realizar-se numa passagem hidráulica), muitos dos veículos têm de passar por esta estrada entre Barca do Pego e Valhascos, que liga os concelhos de Abrantes e Sardoal. Uma situação que faz com que esta estrada “sofra ainda um desgaste maior”. “Vai ter de ser uma resposta que vamos ter que dar depois deste desgaste que ainda vai sujeitar esta estrada e que não podemos deixar degradada, sobretudo para as pessoas que ali passam todos os dias”, disse João Gomes. “Neste momento vamos fazer

A partir daí, a luta para chegar até ao limite urbano que dá acesso ao Sardoal é atribulada e incerta. O Jornal de Abrantes foi ao local e ao longo do percurso são visíveis os ‘remendos’ que são feitos pontualmente nos pontos com buracos mais profundos. No entanto, estes ‘remendos’ de pouco servem para quem tem de passar por esta estrada diariamente. É o caso de Elias. Passa pela estrada que dá acesso aos Valhascos (do lado de Abrantes) há mais de 10 anos “pelo menos quatro vezes por dia” para tratar de uma horta. A distância é curta mas a viagem é longa devido aos buracos (in)esperados que obrigam a “ir devagar para não dar cabo do carro”. “É só pedras soltas na estrada, só buracos, não é preciso sair-se de um para estar logo dentro de outro”, desabafa. A situação é preocupante mas torna-se ainda mais quando “os carros, para escaparem aos buracos, se colocam em contra mão e, por vezes, quase acontecem acidentes”. Um problema que se agrava no inverno, com as chuvas que “não permitem desviar para as bermas” e “reduzem a visibilidade, acabando por passar em cima de buracos que são muito grandes” fazendo com o “carro acabe por resvalar”. A mesma situação é partilhada por ‘n’ cidadãos que utilizam este acesso. Domingos é mais um. Um cidadão que viu o vidro frontal do seu veículo atingido por uma das pedras soltas que se encontram no caminho, aquando trabalhadores faziam a limpeza das bermas naquela a que chama, inevitavelmente, de “estrada dos buracos”. Os dois quilómetros que faz são suficientes, diz, para “rebentar com a suspensão, com os amortecedores, com tudo”. No local, são visíveis pequenas ‘lombas’ resultantes dos ‘remendos’ feitos com alcatrão. No entanto, Domingos admite que não facilitam nem resolvem o problema: “Já não sei o que é que estraga mais os carros: se os buracos ou os ‘altos’. “O perigo existe, e só não vê quem não quer ver”.

Agosto 2019 / JORNAL DE ABRANTES

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REGIÃO / Abrantes Presidente de Câmara visitou unidades de saúde do concelho para ver ponto de situação Realizou-se dia 4 de julho uma visita às unidades de saúde de Abrantes, no âmbito da “Agenda para a Saúde”, uma iniciativa do Município que tem como objetivo analisar o ponto de situação acerca do funcionamento e da prestação de cuidados de saúde no concelho. A visita passou pela Unidade de Cuidados na Comunidade de Abrantes, pela Unidade Hospitalar de Saúde Familiar D. Francisco de Almeida, pelo Hospital de Abrantes e pela Unidade de Saúde Familiar Beira Tejo e contou com a presença do presidente do Município, Manuel Jorge Valamatos, e do presidente do Conselho Diretivo da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, Luís Pisco, para além de diversas entidades da região, como a diretora executiva da ACES Médio Tejo, Sofia Theriaga, o presidente da Assembleia Municipal de Abrantes e também presidentes de juntas de freguesias do concelho. Ao longo da visita, foram dados a conhecer os “cantos à casa” das unidades de saúde de cuidados primários e hospitalares, que atualmente estão a desenvolver uma grande aposta nos cuidados domiciliários e de proximidade. O ponto alto da visita foi a assi-

/ A Unidade de Saúde Familiar Beira Tejo, em Rossio ao Sul do Tejo, recebeu uma viatura destinada às visitas domiciliárias, num investimento municipal de 20.800€ natura do protocolo e entrega, por parte do Município, à Unidade de Saúde Familiar Beira Tejo de uma viatura de cerca de 20.000 euros destinada às visitas domiciliárias. Manuel Jorge Valamatos falou

de uma fase de “estabilização” desta nova Unidade de Saúde Familiar em Rossio ao Sul do Tejo e admitiu que se vive, atualmente, um “momento muito interessante naquilo que é a dinâmica da saúde

Utentes da saúde apresentam propostas para “reafirmação” do SNS

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em Abrantes e na nossa região”. “Temos muito gosto em ver alguns médicos a quererem deslocarem-se para Abrantes porque sabem que vêm trabalhar para sítios com qualidade, com confiança”,

A Comissão de Utentes da Saúde do Médio Tejo (CUSMT) apresentou, a 8 de julho, numa “carta aberta”, um conjunto de propostas para “a reafirmação” do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e para “marcar a agenda política” em ano de eleições. “O objetivo da iniciativa visa a reafirmação do SNS como o serviço público mais importante para as populações”, disse Manuel Soares, o porta voz da CUSMT, frente à USF Beira Tejo, em Rossio ao Sul do Tejo, sublinhando que “as eleições legislativas que se aproximam são uma excelente oportunidade para que o tema da prestação de cuidados de saúde seja introduzido, de forma consistente, no debate que, entretanto, será promovido”. A apresentação da “carta aberta”, dirigida às candidaturas do círculo eleitoral de Santarém, decorreu ao longo dessa tarde em Abrantes, Tomar e Torres Novas, tendo a CUSMT defendido a necessidade de “libertar verbas orçamentais para a resolução dos problemas de subfinanciamento do SNS” e que a “humanização dos cuidados de saúde implica a contratação de mais meios humanos”.

expressou o autarca que conclui que o mais importante são “as nossas pessoas que estão à espera que façamos um bom trabalho” a nível da saúde. Foi também nesta visita que o autarca teve o primeiro contacto com a administração do Hospital de Abrantes. O autarca mostrou-se otimista com o trabalho desenvolvido ao nível do Hospital de Dia de Medicina Interna e do serviço central do programa de Hospitalização Domiciliária. Manuel Jorge Valamatos destaca que ficou “muito sensibilizado com o trabalho que tem vindo a ser feito” e disse estar “muito otimista”, mas lembra que ainda há “muita coisa para melhorar” apesar de “termos feito grandes avanços” nos últimos anos. O autarca referiu ainda que a Câmara continuará a ser um parceiro ativo dos serviços de saúde para criar as melhores condições de acesso à saúde. Já o presidente do Conselho Diretivo da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, Luís Pisco, mostrou-se surpreendido com aquilo que viu durante a visita e afirmou que a saúde em Abrantes “está no bom caminho”. Ao longo da visita, o responsável salientou também que uma das principais fragilidades do Serviço Nacional de Saúde tem que ver com a falta de unidades que vão ao encontro das pessoas que não estão inscritas em USF’s e que não têm capacidade para se deslocarem até às mesmas. Ana Rita Cristóvão

Defendendo a “gestão pública de todas as unidades de saúde”, o “alargar a autonomia de gestão” e “garantir a execução dos orçamentos contratualizados”, a comissão reclama uma “redução progressiva de cuidados convencionados em meios complementares de diagnóstico e terapêutica, principalmente nos espaços geográficos com oferta pública”. Em termos de saúde pública, as reivindicações passam pela “promoção de boas práticas de vida e combate a todas as dependências, promoção e prevenção da sinistralidade rodoviária”, tendo os utentes defendido que “a proximidade dos cuidados de saúde primários deverá obedecer ao funcionamento regular de todas as extensões de saúde, especialmente os polos rurais, à existência de unidades móveis de saúde e à cobertura de todo o território por Unidades de Cuidados à Comunidade (UCC)”. Manuel Soares insistiu na necessidade de “mais técnicos de saúde”, como psicólogos e nutricionistas, e na instalação em todos os concelhos de um serviço de saúde oral, para além de “mais médicos, enfermeiros e mais assistentes técnicos e operacionais”.


REGIÃO / Sardoal

Regulamento do Mercado Municipal aprovado pelo Executivo

/ Requalificação custará 100mil€ e será concluída em seis meses.

“não será muito longa, será uma obra para seis meses”. Quanto ao local para onde vão transitar os comerciantes enquanto decorrem as obras, “ainda não tivemos tempo para pensar nele” pois, explicou Miguel Borges, “é

urgente a requalificação do Mercado. Tivemos esta janela de oportunidade que quisemos aproveitar e aproveitámo-la. Agora, vamos ter que arranjar soluções alternativas para os nossos comerciantes poderem vender”.

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Foi aprovado em reunião do Executivo da Câmara Municipal de Sardoal, realizada a 15 de julho, o regulamento do Mercado Municipal. Terminado o período de discussão pública, o regulamento foi enviado a algumas entidades para que se pronunciassem e que pudessem dar alguns contributos. Foi o caso da Associação Comercial e Empresarial de Abrantes, Constância, Sardoal, Mação e Vila de Rei e a DECO – Defesa do Consumidor. “A Associação Comercial disse que não tinha nada a acrescentar e a DECO fez algumas sugestões que nós já incluímos neste regulamento”, explicou Miguel Borges, presidente da Câmara Municipal que adiantou que foram acrescentados “circuitos curtos de comercialização porque é isto que o Mercado vai trabalhar. Ou seja, do produtor ao consumidor sem haver intermediários”. A obra terá um custo de 100 mil euros e o presidente acredita que

O regulamento foi depois discutido e aprovado em sessão extraordinária da Assembleia Municipal, realizada a dia 17 de julho. Outra obra que já está a andar e a correr dentro dos prazos é a empreitada da Escola Básica 1,2, 3 e Secundária de Sardoal. “Neste momento estamos num processo de reprogramação visto que os valores iniciais que estavam no pacto da Comunidade Intermunicipal para a nossa Escola era um valor mais baixo. Vamos ter mais um financiamento que não estaríamos à espera, que seria um encargo da Câmara Municipal, mas passamos a ter disponíveis mais 600 mil euros. Ou seja, não entrará dentro daquilo que é o nosso financiamento próprio através de empréstimo mas são mais 600 mil euros que vêm como fundos comunitários”, disse o presidente. A obra da Escola Básica 1,2, 3 e Secundária de Sardoal obtém assim os valores máximos de financiamento. Será comparticipada em 85%. O projeto vai contar com a construção de 22 salas de aula, sala de música, laboratórios, salas de TIC, biblioteca, salas de E.V.T, áreas exteriores cobertas, papelaria, refeitório, recreio coberto e um polidesportivo ao ar livre.

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REGIÃO / Vila Nova da Barquinha

Paulo Tavares reconduzido como diretor do Agrupamento de Escolas de VN Barquinha para quadriénio 2019-2023 Paulo Tavares foi reconduzido como diretor do Agrupamento de Escolas de Vila Nova da Barquinha para os próximos quatro anos, numa cerimónia de tomada de posse que encheu a sala do auditório da escola D. Maria II, no dia 15 de julho. No momento, a presidente do Conselho Geral do Agrupamento de Escolas de VN Barquinha, Alexandra Ribeiro, destacou a tarefa “difícil, trabalhosa e árdua” que é “colocar os interesses do agrupamento à frente dos nossos, como indivíduos” e relembrou que “grandes passos já foram dados”, tendo sido Paulo Tavares um dos “agentes e impulsionadores da mudança para que o sucesso educativo mais do que um chavão se converta numa realidade» e para que se possam continuar a construir “os sonhos dos nossos jovens”. Já o presidente do Município de VN Barquinha, Fernando Freire, deu conta de que “durante o corrente ano irá decorrer a revisão da carta educativa e a aprovação do plano estratégico educativo municipal”. O autarca falou também de ou-

/ Diretor do Agrupamento de Escolas de VN Barquinha acompanhado pela sua equipa para o próximo quadriénio e pelos representantes do Município

tros desafios, como a “escolarização de jovens e adultos que não seguiram o percurso educativo convencional e a sua integração no mercado de trabalho” e reforçou a ideia de que “todos somos importantes na escola, todos de-

vemos ser intervenientes” para que se construa uma “educação de excelência”, “mais humanizadora” e que privilegie “a partilha, o recurso a novas tecnologias, ao trabalho, ao projeto, à experimentação, nunca esquecendo as regras

inspiradoras de comportamento, o privilégio da defesa de padrões éticos, onde as intenções de favorecimento e de oportunismo não podem ter lugar”. Seguiu-se depois o esperado discurso do diretor reconduzido,

Paulo Tavares, que destacou como principal conquista a implementação do projeto-piloto de inovação pedagógica – projeto esse que o responsável garantiu ser para continuar e com “novas linhas estratégicas de atuação”. “Levámos a bom porto o nome do nosso agrupamento e do nosso concelho. Este foi um trabalho árduo e exigente mas igualmente aliciante e dinâmico, no sentido de rentabilizar e de otimizar o processo educativo”, disse, defendendo que “é possível inovar, é possível fazer diferente, visando sempre o cidadão-aluno e o desenvolvimento dos seus saberes, atendendo ao perfil do aluno do século XXI”. “Pretendo uma escola aberta, plural e inclusiva, que privilegie a inclusão social, a equidade de oportunidades e a aprendizagem para todos e cada um”, discursou o responsável. Em entrevista ao Jornal de Abrantes, Paulo Tavares revelou que os principais desafios para o novo mandato se prendem com “o pressuposto de querer inovar cada vez mais e melhorar o sucesso educativo” onde os alunos aprendam “com facilidade e que se sintam felizes e que sintam vontade de estar nestas escolas”. Entre os desejos para o próximo quadriénio está ainda a continuidade de uma “organização ágil e participada” pautando pela “transparência de procedimentos e na racionalização e sustentabilidade de recursos” de modo a “levar a bom porto” o agrupamento. Ana Rita Cristóvão

Câmara Municipal aprova projeto de loteamento da Quinta do Lagarito A Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha, reunida a 10 de julho, aprovou por unanimidade o projeto de loteamento da Quinta do Lagarito. A proposta é construir 23 lotes de habitação unifamiliar com um ou dois pisos e uma parcela sobrante com 1.788 m2, sendo a tipologia das moradias em banda. “O objetivo do promotor é construir ali, em zona escolar de grande procura, e avançar com a requalificação do edificado, que está em zona de Área de Reabilitação Urbana (ARU) e faz todo o sentido ser requalificado tendo em conta

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a degradação que a própria quinta apresenta”, disse o autarca, acrescentando que o objetivo é “criar condições, nomeadamente lotes, para que se possam tornar zona habitacional – aproveitando algumas infraestruturas que lá estão, nomeadamente paredes”, explicou o autarca Fernando Freire. O projeto de loteamento corresponde a uma área total de 14.240 m2, no espaço urbano, de acordo com o PDM e na ARU do concelho. Refere a informação técnica que “são integradas no loteamento as edificações existentes” – que se en-

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/ Planta do projeto contram em ruínas – “ que serão construídas em lotes e reabilitadas, como moradias ou como anexos às moradias”. É ainda proposta “a criação de um pequeno pátio exterior no tardoz” de modo a “garantir a abertura de vãos e dotar os fogos de

/ Reunião do executivo de VN Barquinha condições de salubridade”. O projeto propõe a execução do loteamento em duas fases: “a 1ª fase corresponde aos lotes das edificações existentes” enquanto a “2ª fase corresponde aos lotes novos a construir”. O presidente do Município fez

ainda um ponto de situação sobre a procura habitação no concelho, dando conta de que “há muita procura” e de que o problema atual é o de que “há muita gente a querer arrendar casas e não temos casas para arrendar”. Ana Rita Cristóvão


REGIÃO / Vila Nova da Barquinha Tancos: Em aniversário da Arma e do Regimento de Engenharia Nº1, CEME diz que é preciso implementar “rigorosas medidas de controlo”

/ Momento da cerimónia militar comemorativa do 372º aniversário da Arma de Engenharia e do 207º aniversário do Regimento de Engenharia Nº1, em Tancos.

/ CEME, General José Nunes da Fonseca, durante o seu discurso alusivo à cerimónia

prestado pela Engenharia Militar, nomeadamente a nível de apoio no âmbito de infraestruturas, com 152 obras de construção e reabilitação no último ano, num total de 18 milhões de euros, bem como a participação em exercícios nacionais e

O responsável destacou, no entanto, que “o Exército, em geral, e a Engenharia, em particular, são confrontados com significativas limitações, no âmbito de recursos humanos, em praças, e também no âmbito de equipamentos [viaturas] e armamento”.

internacionais, como foi o caso do trabalho desenvolvido em Moçambique, aquando do furacão Idai e das cerca de 80 missões de inativação de granadas e outras tantas ações em países como República Centro Africana, Afeganistão e Iraque.

Ana Rita Cristóvão PUBLICIDADE

No dia 12 de julho, comemorou-se o 372º aniversário da Arma de Engenharia e o 207º aniversário do Regimento de Engenharia Nº1, em Tancos. Uma cerimónia que foi presidida pelo Chefe do Estado-Maior do Exército (CEME), General José Nunes da Fonseca e que teve como um dos momentos altos a condecoração do Estandarte Nacional à guarda da Direção de Infraestruturas, com a Medalha de Ouro de Serviços Distintos. Na alocução alusiva à cerimónia, o diretor honorário da Arma de Engenharia, Major General Aníbal Alves Flambó, destacou a presença do CEME na cerimónia como representativa do “reconhecimento e incentivo do trabalho que, de forma forma competente e dedicada, diariamente é desenvolvido pelos soldados de Engenharia nos quatro cantos do mundo”. O diretor honorário da Arma de Engenharia referiu também o apoio a várias unidades do Exército

Já o CEME discursou sobre o trabalho e empenho dos militares portugueses, afirmando que “também hoje é notória a ação da engenharia militar (…) e os militares de engenharia têm-se destacado no cumprimento de missões de paz e estabilidade no exterior do território nacional”, um esforço que tem sido “metódico, quase anónimo, e parcimonioso, sempre na estreita observância das prioridades fixadas e dos limitados recursos disponíveis, nomeadamente financeiros” e que tem permitido “responder aos requisitos de racionalização, renovação e adaptação das infraestruturas do exército, enquadrando-as nos moldes próprios ao século XXI”. No entanto, o caso do roubo das armas de Tancos não ficou esquecido e está até bem presente na memória de todos. A este propósito, o CEME referiu que “importa consolidar as lições extraídas de uma realidade negativa recente e de grande impacto mediático, implementando para tal as mais adequadas práticas e rigorosas medidas de controlo, interiorizando que nada deve ser deixado ao acaso ou ao esquecimento, pois eventuais desaires começam eventualmente por aquilo que devia ser feito e acabou por não ser”.

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REGIÃO / Mação

Dados do SIRESP-GL incorporados no sistema MACFIRE A Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, a CIM da Lezíria do Tejo e a Câmara Municipal de Mação procederam, no dia 12 de julho, à assinatura do Protocolo de Cedência de Dados da Aplicação SIRESP-GL com a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC). A cerimónia realizou-se no Salão Nobre dos Paços do Concelho da Câmara Municipal de Mação e contou com a presença do secretário de Estado da Proteção Civil, José Artur Neves. Através deste protocolo, os dados da ANEPC, de todos os rádios SIRESP, vão ser incorporados no sistema MACFIRE – Gestão de Ocorrências - operacionalizando ainda mais o sistema de suporte à decisão no distrito de Santarém. Na cerimónia, Anabela Freitas, presidente da CIM do Médio Tejo, explicou que o protocolo assinado “deriva de um projeto piloto de gestão de ocorrências a nível distrital, que abrangeu as duas comunidades intermunicipais”, onde o objetivo “foi criar um sistema de suporte à decisão e de combate aos incêndios rurais, porque todos nós sabemos que as alterações climáticas e os comportamentos dos incêndios rurais já não são os mesmos desde há 20/30 anos”. “Não faz sentido que quem está num teatro de operações, e que tem de tomar decisões em segundos, não tenha na sua posse toda a informação: os meios e equipamentos que estão no terreno”, salientou a presidente da CIM do Médio Tejo, dando conta que “o trabalho de cooperação e parceria entre todos os agentes de Proteção Civil não se deve cingir aos teatros de operação. E este protocolo é um bom exemplo do trabalho daquilo que é o trabalho de cooperação entre os agentes de Proteção Civil”. Também Vasco Estrela, presidente da Câmara Municipal de Mação, salientou a existência de “um trabalho efetivo de cooperação entre os Municípios e as duas Comunidades do mesmo distrito, que estão sob a tutela do mesmo comando”. Vasco Estrela deixou um “agradecimento conjunto” a todos os presentes, vincando que no distrito de Santarém será agora possível “trabalhar de uma forma mais eficaz a partir de um sistema que pode corresponder melhor às emergências e às situações onde seja necessário fazer a sua aplicação”.

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/ Secretário de Estado ouve as explicações de Mário Silvestre e António Louro

/ Protocolo assinado entre as partes. MACFIRE incorpora dados do SIRESP Presente na cerimónia, José Artur Neves, secretário de Estado da Proteção Civil, disse que “a interconexão entre o MacFire e o SIRESP, sistema que permite geolocalizar todos os operacionais que estão no terreno de norte a sul do país, é uma ferramenta operacional de apoio à decisão”. “Vem ao encontro, na sequência dos incêndios de 2017, do primeiro relatório da Comissão Técnica Independente, que era o de introduzir mais conhecimento no sistema, robustecer o sistema do ponto de vista profissional e ter operacionais

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mais habilitados para responder a situações de emergência”, afirmou. Mário Silvestre, Comandante Distrital da Proteção Civil, explicou de que forma é que, na prática, esta fusão de dados vem ajudar os bombeiros. “No CDOS e todos os comandantes das operações, vão passar a ver todos os veículos que estão no teatro de operações e a sua localização. Do ponto de vista da gestão de meios e do comando é muito bom”, disse. Já António Louro, vice-presidente da Câmara Municipal de Mação e “pai” do sistema MacFire, disse, no

entanto, que o sistema “não apaga fogos” mas é uma ferramenta essencial à sua contenção. Quando a parte técnica estiver toda operacionalizada sempre que um rádio SIRESP entrar no território do distrito de Santarém fica imediatamente visível na cartografia digital e disponível para todos os que tenham acesso ao MacFire, seja numa sala de comando ou num teatro de operações. Quanto ao passo que agora foi dado, “significa finalmente o reconhecimento que aquele caminho que começámos a traçar em

2004/2005 estava correto e que era o caminho certo para percorrer”. “Todos nós já percebemos que o país tem bastantes recursos para fazer o combate aos incêndios mas nem sempre os resultados são adequados ao esforço, à energia e aos meios que empenhamos no combate. O MacFire pretende ser uma ajuda nesse sentido de articular os meios, de sabermos onde é que está o fogo efetivamente, de sabermos onde é que estão os caminhos no exato momento em que precisamos dessa informação para tomar decisões”, disse António Louro. O autarca explicou que “finalmente vamos passar a ter acesso aos dados nacionais, da localização das viaturas e outros dados que a rede SIRESP consegue disponibilizar. O MacFire, que já está efetivamente em uso em todos os concelhos do distrito de Santarém, vai passar a ter mais funcionalidades ainda e ser mais útil no combate”. António Louro adiantou que este “é um projeto com quase 15 anos, que nós acarinhamos muito e há esta satisfação de percebermos, ao fim destes anos anos, que não estávamos enganados e que o caminho era este”. No entanto, mais do que o reconhecimento, o vice-presidente afirmou que “mais importante é o que representa para o país, para as pessoas, para o património que temos de defender porque é uma ferramenta muito válida para quem tem que tomar decisões. Nós temos sempre a mania que os comandantes locais conhecem o terreno mas quando se tem concelhos tão grandes é muito difícil de conhecer os sítios todos. No entanto, quando chegamos ao MacFire, temos informação ao metro. Sabemos onde é que está o aceiro, como é que ele está, se está limpo ou não, se pode cortar por este caminho ou não pode, onde é que está o ponto de água, como se chama aquela aldeia pequenina que só tem sete casas... imaginem de noite, que muitas vezes nem o norte sabemos para onde fica... toda essa informação está recolhida e pode ser utilizada”. Só o concelho de Mação tem mais de 2500 quilómetros de estradões. “Agora imaginem de quantos milhares de quilómetros em estradões não existem em todo o distrito de Santarém. É muito difícil ter toda esta informação com o rigor de que nós precisamos”, declarou António Louro. A cerimónia contou ainda com a presença de Carlos Mourato Nunes, presidente da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) e de Pedro Ribeiro, vice-presidente da CIM da Lezíria do Tejo. Ambos se congratularam com o protocolo assinado e com o trabalho conjunto, que será realizado de forma mais efetiva no futuro.


REGIÃO / Mação

Município vai avançar com nova ação contra o Estado Depois da vitória obtida em Tribunal pela Câmara de Mação na questão dos apoios dados aos Municípios afetados pelos incêndios de 2017, onde Mação “foi discriminado”, a Câmara prepara nova ação contra o Estado. “Ponderei, ponderámos, aconselhei-me e, após o período eleitoral, vamos tentar acertar contas com o Governo, seja ele qual for, relativamente à questão do desvio de meios”, começou por anunciar o presidente da Câmara Municipal de Mação. Vasco Estrela adiantou que “não é pelo facto do senhor Rui Esteves já não estar a trabalhar para a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil que não há aqui uma responsabilidade objetiva por parte do Estado”. Questionado acerca do timing para esta tomada de decisão, dois anos após os incêndios, Vasco Estrela explicou que “havia este compasso de espera que achávamos que devia ser feito, relativamente à questão desta primeira ação e porque também tivemos um período eleitoral para o Parlamento Europeu. Estamos também numa altura de pré-campanha e depois campanha eleitoral e não é, do meu ponto de vista, a altura indicada para estarmos com ruídos que depois podem ser mal interpretados”. Recorrer aos tribunais pela questão do desvio de meios no incêndio de julho de 2017 foi ma-

/ “Não há razão nenhuma para que no concelho de Mação as pessoas não sejam vítimas de incêndios” - Vasco Estrela

“O nosso foi um grito enorme.” Saldanha Rocha

téria ponderada pelo Executivo “porque é de uma gravidade extrema”. Portanto, “se tudo correr como previsto, em outubro, após o ato eleitoral, iremos recorrer à justiça para que o caso possa ser avaliado e possamos, eventualmente, ser ressarcidos dos prejuízos decorrentes da ação de

alguém que estava ao serviço do Estado português, no Ministério da Administração Interna pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil”. Vasco Estrela falou das dificuldades sentidas “ao longo deste período” e que foi sentindo “quase que na pele do que foi passar

“Mação terá que ser um concelho de referência” O secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural esteve em Mação para a visita oficial da Feira Mostra do concelho. Miguel Freitas conversou com as pessoas “e dei comigo a perceber o quanto corajosos são aqueles que continuam a resistir nesta terra e a fazer coisas tão bem feitas”. O secretário de Estado disse que “depois da tragédia vivida neste concelho e neste território em 2017, precisamos primeiro de ter memória para não nos esquecermos e para que não se volte a repetir”. Mal sabia ele... e nós. Referindo-se ao trabalho efetuado na floresta no concelho de Mação, o secretário de Estado disse ter “a certeza de que em Mação se fazia bem. A floresta que cá tí-

nhamos era, apesar de tudo, da melhor floresta que tínhamos em Portugal. E mesmo assim, ardeu”. Para Miguel Freitas, isto “significa que não basta fazer bem, temos mesmo que fazer diferente e é esse o grande desafio que temos pela frente”. E explicou o que significa fazer diferente. Miguel Freitas disse que há que “perceber que a floresta não pode ser vista apenas à escala do Município, é mais do que isso. A escala da floresta não tem fronteiras. (…) Temos que ter uma floresta vivida e, para isso, temos que mudar a floresta que temos”. O presidente da Câmara Municipal de Mação agradeceu a presença e destacou a “simpatia e proximidade” do secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural.

/ Miguel Freitas disse ter “a certeza de que em Mação se fazia bem. A floresta que cá tínhamos era, apesar de tudo, da melhor floresta que tínhamos em Portugal”. Vasco Estrela começou, no entanto, por agradecer a todos os que apostam em viver e investir num concelho em “que apesar de todas as adversidades, as pessoas continuam a insistir em ajudar a dinamizar e a estar ao lado das forças vivas”.

“Temos que ter esperança no futuro e eu tenho esperança no futuro”, disse o presidente que revelou esperar “daqui a alguns meses poder anunciar algo de importante para este concelho”. Vasco Estrela recordou que a

a mensagem daquilo que nos tinham feito e do que nos estavam a fazer”. Reforçando a ideia que de, mais do que a Câmara ou o Município, foi a população do concelho quem foi mais seriamente afetada, o presidente da Autarquia falou do “medo do Governo” de que a população perceba que tem os mesmos direitos que os outros. “Não há razão nenhuma para que no concelho de Mação as pessoas não sejam vítimas de incêndios e nos outros concelhos todos sejam. Não há razão nenhuma para as empresas do concelho de Mação não terem sido ajudadas e nos outros concelhos terem sido ajudadas. Não há razão nenhuma para aqueles que não eram agricultores coletados não terem recebido os cheques que receberam outras zonas do país porque o Governo não fundamentou e violou o princípio da igualdade”, disse. Também o presidente da Assembleia Municipal, José Saldanha Rocha, usou da palavra para agradecer os esforços do presidente do Município e falou de um povo que “não protesta” e que “baixa as orelhas”. “O povo tem metade de si em silêncio e a outra metade um grito. Mas muito pequeno. O nosso agora foi um grito enorme. Pelo povo de Mação e que outros, por consequência, beneficiarão”, disse Saldanha Rocha. Patrícia Seixas

AGIF (Agência para a Gestão Integrada de Fogos Rurais) “tem preparadas cinco zonas piloto para que possam desenvolver no território as políticas preconizadas pelo Governo e que a Câmara Municipal de Mação, naturalmente, acompanha”. Vasco Estrela lançou o repto de que “Mação possa ser uma dessas zonas piloto. Que nos ajude, não à Câmara, não ao António Louro, mas que ajude a população deste concelho a encontrar esperança na floresta que está enraizada em todos e em cada um de nós”. Miguel Freitas esclareceu que têm que escolher “quais são os territórios mais críticos que temos em Portugal do ponto de vista florestal e o Pinhal Interior” insere-se nessa categoria. “É, portanto, mais que evidente, que qualquer projeto que tenhamos, qualquer plano que façamos para a floresta portuguesa, Mação terá que ser certamente um concelho de referência de todo esse trabalho”. Patrícia Seixas

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ESPECIAL / Feira de Enchidos, Queijo e Mel - Vila de Rei

Mais empresas para fixar população // À porta de mais uma Feira de Enchidos, Queijo e Mel, que vai já na 30ª edição, Ricardo Aires, presidente da Câmara Municipal de Vila de Rei, apresentou as novidades e preocupações do concelho mais central de Portugal. Da falta do cadastro florestal que persiste, à necessidade premente de aumentar a população, passando pelas novas empresas que vão investir no concelho. E depois, entre a feira e o turismo, um piscar de olho a quem percorre a Estrada Nacional 2. Quais as novidades deste ano da Feira de Enchidos, Queijo e Mel?

tem a patente de material de construção ambiental. Posso dizer que vai ficar instalado num armazém desocupado, junto à Fundação João e Fernanda Garcia, e em que que a Câmara teve um papel fundamental pois ajudou a desbloquear a situação do imóvel junto da Caixa Geral de Depósitos. Conseguimos desbloquear o processo. É um investimento de 3 milhões de euros, ainda não sei dizer quantos postos de trabalho. Será um investimento a ter corpo em 2020.

A Feira todos os anos tem uma pequena novidade, para melhorar a exposição, para ter uma melhor visão do que nos anos anteriores. Todos os anos fazemos questionários aos participantes e daí vamos ter, aqui, uma segunda rua com stands. No local onde estavam os divertimentos, os carrinhos de choque, vamos ter mais stands e, daí, vamos aumentar o número de presenças. Vamos aumentar, ligeiramente, os stands e queremos dar mais vida aos expositores que fiquem naquela zona.

E em relação ao investimento israelita na fábrica de Canábis?

E uma abrangência grande nos espetáculos musicais?

Sim. Tem uma grande abrangência em todo o tipo de público. Dos mais pequeninos aos “mais grandes”.

Vila de Rei continua a duplicar a população nesta altura do ano, com emigrantes e residentes fora do concelho?

A Feira, para nós vilarregenses, é um marco para estarmos com as nossas famílias e com os nossos amigos. As pessoas marcam férias neste período, na sua terra. É um marco para termos uma reunião familiar dos vilarregenses, confraternizarmos e para dar a conhecer os nossos produtos. Quer no artesanato, quer nas empresas.

/ Ricardo Aires tem como grande objetivo aumentar a população do concelho

Como correu a campanha de recenseamento para aumentar população?

Aí sou um presidente que ainda não está satisfeito. Um presidente que está a fazer um apelo à população, principalmente, de segunda habitação. Ainda não chegámos àquilo que queria. Mas os vilarregenses que amam a sua terra têm de olhar para esta questão.

As pessoas têm a noção exata do pedido para se recensearem em Vila de Rei?

Penso que estão a ter. Sabe como são as pessoas. Querem estar bem aqui e além. Mas não pode ser assim. No futuro, a próxima Câmara vai ter de olhar para esta questão de outra forma, como outras câmaras já fazem. Não quero, mas no futuro...

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...de que forma?

… se calhar com processos simples. Uma pessoa quer fazer um requerimento. Se for recenseado faz, se não for, não faz. Não quero fazer isto, mas se os níveis que pretendemos não forem atingidos vamos ter de fazer isso e espero a compreensão dos vilarregenses porque só estamos a defender Vila de Rei.

E como está o processo do Cadastro Florestal, inexistente no concelho?

O Cadastro Florestal já é falado por mim há muitos anos e, infelizmente, em 2017 antes dos incêndios desse ano falei com o secretário de Estado da Valorização do Interior. Aqui, na zona, somos o único concelho que não tem cadastro florestal. A sul, do lado de Santarém, Ferreira do Zêzere, Mação e Sardoal já têm cadastro há muitos anos. Em Castelo Branco, a Sertã já está a fazer e nós somos uma ilha. Sem cadastro, quer dizer que os outros estão a fazer ordenamento e nós não. Somos um perigo para nós e para os vizinhos, que estão a fazer o seu ordenamento.

Qual a solução?

Estou à espera. Soubemos há uma semana, pela comunicação social, que o Governo quer replicar o cadastro a todos

os concelhos do país. Mas oficialmente não sabemos de nada. Mas já deveríamos ter cadastro há muitos anos. É inconcebível que quem estuda o território deixe esta ilha [Vila de Rei] de lado.

A Zona Industrial do Souto está em alargamento. Qual é ponto de situação?

Temos a obra praticamente realizada. Faltam 10% da obra que teve um investimento de 800 mil euros. Estamos com a obra findada para irmos, internamente e fora do nosso país, mostrar as nossas condições para instalação de novos empresários ou para consolidar os que já cá existem.

E há novos empresários a caminho de Vila de Rei?

Neste momento posso dizer que existe um novo empresário suíço que

Aqui, na zona, somos o único concelho que não tem cadastro florestal.

Há uma luz ao fundo do túnel. Espero que em setembro haja a licença do Infarmed para que a empresa possa começar a laborar. A Cann10 vai ser uma realidade em 2020. Vai ser um ano muito importante para Vila de Rei e para a região. Aliás, a Cann10 é uma empresa que não existe na região e vai ter algum significado em termos de trabalho qualificado que nas nossas empresas não existe.

E o turismo, a Rota da Estrada Nacional Nº 2 tem sido uma aposta. Tem tido resultados? Mais visitantes?

Vila de Rei foi um dos primeiros municípios a aderir à Associação de Municípios da Rota da E.N. Nº 2. E esta associação tem um projeto já aprovado para colocar em todo o percurso o mesmo tipo de sinalização. Estamos a tentar ter a mesma tipologia de sinalização em toda a extensão, mas o entrave é haver troços municipais e troços da Infraestruturas de Portugal. E a ser feito, tem de ser igual em todo o percurso. Aqui, em Vila de Rei, viemos a ganhar. Temos 40 quilómetros de E.N. Nº 2 e temos pessoas que não conheciam as nossas praias fluviais, o nosso passadiço do Penedo Furado e passaram a conhecer. O mesmo acontecendo com o Centro Geodésico de Portugal, muitas pessoas não o conheciam. E ao mesmo tempo a economia local tem crescido. Tenho de destacar os nossos restaurantes que têm sido ótimos parceiros e têm aumentado a promoção da nossa gastronomia. Jerónimo Belo Jorge


ESPECIAL /

Feira de Enchidos, Queijo e Mel - Vila de Rei

Do sonho e da ousadia nasce a “Queijaria da Vila” Carla Rosa tinha o sonho. Já Carla Justo tinha a ousadia. Assim se reuniram os ingredientes necessários para dar vida a um projeto que pretende ser “um laboratório de experiências” no qual “pôr as mãos na massa” vai ser a tarefa diária. A “Queijaria da Vila” vai ser um espaço novo no concelho de Vila de Rei que, mantendo viva a tradição e as técnicas manuais, vai dar os primeiros passos na produção de queijos. Queijos frescos e curados, de leite de cabra, em que a qualidade é a chave que fará “o nosso produto diferenciar-se no mercado”, admitem as empresárias. O investimento em equipamentos foi pouco, uma vez que a queijaria já existia: mas nunca funcionara. Foi num “dia normal de trabalho” que Carla Justo, engenheira alimentar, foi fazer uma vistoria às instalações. Na altura, o proprietário queixara-se que “era uma pena não ter ninguém que dê continuidade ao projeto, e eu entretanto falei com a minha colega, que tinha o sonho de ter uma queijaria. Houve um entendimento muito bom com o proprietário e juntou-se o útil ao

/ Carla Rosa e Carla Justo são amigas e juntas pretendem tornar este projeto num “laboratório de experiências”, tendo o queijo como rei

agradável … daí surgiu a ideia”. Vão ser as duas Carlas a fabricar os queijos, pelo menos para já, com a ajuda dos saberes e dicas que foram aprendendo com

Estrela da Beira reforça produção e aponta à exportação Tem mais de 33 anos de existência e aponta, agora, a uma qualidade uniforme da matéria-prima com um piscar de olhos à exportação. A Estrela da Beira é uma empresa de cariz familiar que nasceu há 33 anos em Milreu, concelho de Vila de Rei. Os fundadores foram os pais do atual administrador, Jorge Madeiras. O avô do Jorge era empresário do setor da suinicultura. Daí à continuidade do negócio foi um passo curto. Os pais, se tinham a matéria-prima, avançaram para o setor da transformação. Jorge Madeiras explicou que a opção foi muito simples: “pegar na forma tradicional de fazer os enchidos e colocá-los no mercado”. Hoje, a Estrela da Beira é uma marca reconhecida pela qualidade dos seus produtos, ainda feitos com as receitas tradicionais. Apostam, claramente, em todos os mercados. “Temos os nossos enchidos, pre-

suntos, bacon, o bucho recheado ou os maranhos nas grandes superfícies, mas temos a rede comercial que coloca os nossos produtos nos pequenos supermercados, nas mercearias ou até nas associações e Instituições Particulares de Solidariedade Social”. Jorge Madeiras revelou que a grande aposta da empresa do Milreu tem a ver com a melhoria da matéria-prima, ou seja dos animais. Nesse sentido, está a investir nas duas unidades de produção. As suiniculturas [localizadas em Milreu – Vila de Rei e Alcaravela – Sardoal] sofreram modernização nos sistemas de ventilação e de alimentação dos animais: “A carne tem mais qualidade consoante as melhores condições dos suínos”, explicou o empresário. Neste momento, a Estrela da Beira ainda adquire carcaças no mercado, mas poderá estar a um pequeno passo para deixar de o

/ Jorge Madeiras está a investir no aumento da qualidade da matéria-prima fazer. “Temos 250 reprodutoras que quando estiverem todas em produção representa uma produção própria de 2 mil porcos. Depois da produção, segue-se o abate. Um dos dois serviços que a Estrela da Beira contrata externamente. “Antigamente tínhamos o matadouro, mas com as novas regras, temos um parceiro que nos garante os parâmetros de qualidade para o abate dos animais. O

outro serviço que contratamos é um segmento do transporte, apesar de termos frota própria”. Já na fábrica, no centro da aldeia de Milreu, é feita toda a transformação das carnes, desde o corte da carne, a cura e embalamento. Jorge Madeiras sustenta a qualidade do seu produto porquanto a cura dos enchidos e presuntos é feita com recurso a lume com madeira de azinho, “da forma tra-

familiares. A ideia inicial é, explica Carla Rosa, administrativa no CHMT, “tentar fazer a produção duas vezes por semana, porque também ainda não sabemos vão ser os clientes”. “Se calhar mais tarde podemos pensar em mecanizar qualquer coisa, mas sempre mantendo o tradicional porque o queijo tem outro valor, outro sabor”, acrescenta Carla Justo. A aposta na presença em feiras e a venda direta ao público são alguns dos meios que vão ser utilizados para promover o produto e a região. Mas as ideias não param de nascer e Carla Rosa fala já na possibilidade de “fazer uns passeios pedestres em que as pessoas passassem por aqui e que venham provar o queijo, fazer aqui um lanche e aproveitar o potencial que temos na zona – como aqui o trilho das cascatas”. E no futuro, quem sabe se não se avivarão mais tradições “com mais produtos diversificados, como manteigas ou doces” ou com outra ‘brincadeira’ que a força de vontade das duas empresárias traga à luz do dia. Ana Rita Cristóvão

dicional que aprendemos com os nossos avós”. Jorge Madeiras explicou que sempre andou “metido no meio da produção”. Desde miúdo que andava ao pé dos avós e dos pais e que, mais recentemente, teve que se dedicar à gestão da empresa, pelo que o negócio nunca lhe foi desconhecido. Nesse sentido, quando assumiu a empresa, achou que era necessário modernizar as linhas de embalamento para melhorar a colocação dos produtos no mercado. Já sobre os produtos que mais vende, destaca os enchidos, chouriço, paio e farinheira. Mas tem o presunto e o bacon e nunca esquece o bucho recheado e os maranhos, estes como produtos da gastronomia local. A Estrela da Beira apresentou no ano passado um volume de negócios da ordem de 1,5 milhões de euros e conta com 22 empregados diretos. Tem subcontratações na logística, matadouro e transportes. O desafio está agora lá fora. “Já temos uma pontinha de mercadoria a ser exportada”. O empresário de Milreu diz que é muito pouco, mas já está fora do país, o que pode ser o início de uma nova fase na empresa. Exporta para Londres e diz não ter receio com o “brexit”. Jerónimo Belo Jorge

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REGIÃO / Mação

António Colaço expõe 50 anos de carreira e uma chaimite

Cinquenta Anos a Fazer P.Arte

Intitulada “50 Anos a Fazer P.Arte” é uma exposição que pode ser visitada no Centro Cultural Elvino Pereira, em Mação, até 9 de setembro. A exposição é uma mostra dos trabalhos de 50 anos de carreira artística de António Colaço dividida em três áreas distintas. É uma exposição de 50 anos do trabalho artístico de António Colaço que tem duas componentes fortes. Uma, com a celebração dos 40 anos da Ânimo, e a outra que junta uma série de outros artistas convidados de Mação, Abrantes e Sardoal. Trata-se de juntar trabalhos naquilo que António Colaço quis fazer em modo coletivo e a que chamou “Vamos incendi’Arte Mação”. Para isso convidou os amigos Tozé Cardoso, Carlos Saramago, Luís Ribeiro, José Mexia, Vicente Lourenço e Paulo Sousa a poderem juntar-se e mostrar alguns dos seus trabalhos, a propósito dos incêndios. O artista explicou, de forma rápida, o nascimento da revista Ânimo, na altura diziam que era “o Grémio da Lavoura porque englobava os concelhos de Abrantes, Constância, Gavião, Mação e Sardoal”. Era uma revista com impressão em offset e que teve uma dezena de números. Carlos Alexandre, o mediático

Juiz do Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa, também esteve presente e fez questão de saudar o amigo. Ambos estiveram no grupo fundador da revista Ânimo, há 40 anos na Rua de S. Bento, em Mação. “A

ideia que animava o António Colaço quando fundou a Ânimo era a mesma quando ele liderou as rádios piratas, e que muitos dissabores lhe trouxeram. A ele e a outros. E foi a mesma ideia que animou os Capitães de Abril,

“Dez anos é muito tempo / Muitos dias, muitas horas a cantar”, ensinou-nos Paulo de Carvalho. O que serão, então, 50 anos de atividade de um artista? Para uma resposta no caso concreto de António Colaço, o melhor é visitar (até 31 de Agosto) a exposição retrospetiva da sua obra, patente em Mação. Deixo aqui três pistas de leitura. O traço. Há uma linguagem pictórica que torna reconhecível uma obra de A. Colaço. Foi essa identidade que lhe permitiu renovar a comunicação visual em Abrantes, por exemplo. A Ânimo e os múltiplos cartazes que deixou são o atestado disso mesmo. A intervenção. Não cultivou a arte pela arte, mas a intervenção artística na vida à sua volta. Por isso muitas das suas obras têm a ver com o 25 de Abril, com os incêndios… Os objetos. Sobretudo os objetos da vida comum, de preferência vindos de tempos passados, são por ele elevados à categoria de objeto de arte. Por tudo isso, e muito mais, a exposição não é sobre “arte”, mas sobre “fazer p.arte”. Participar pela arte. Relançar a vida através de uma intervenção artística. Dar forma artística a uma nova forma de vida, pessoal e coletiva. Pareceme ter sido e ser ainda a arte viva de A. Colaço. A.J.

quando avançaram com o golpe de estado. Essa ideia está testemunhada no podermos usar a palavra (…) e não perdermos o ânimo para o futuro”. A chaimite foi um sonho de três anos. “Quando o Vasco Lourenço me disse, há 3 anos, que o Chefe de Estado-maior do Exército ia abater quatro chaimites eu disse logo que queria uma para mim”, explicou o artista que depois fez uma homenagem à palavra, já que a “escreveu” toda com caligrafia da escola primária. A chaimite “Palavril” teve honras de inauguração a 5 de julho, com a presença do secretário de Estado das Florestas, Miguel João Freitas, do presidente da Câmara Municipal de Mação, Vasco Estrela, do presidente da Associação 25 de Abril, Vasco Lourenço, entre os convidados para a visita à 26ª Feira Mostra de Mação. António Colaço fez questão de dizer que apresentou uma candidatura a poder integrar o “Ninho de Empresas” de Mação, onde quer estabelecer-se e criar o seu ateliê. Antes, o autarca de Mação, Vasco Estrela, destacou que não “esquecemos ninguém da nossa terra” e realçou a história de uma parte da exposição: Os incêndios de 2017”. Vasco Lourenço, presidente da Associação 25 de Abril, deixou a satisfação por poder colaborar com o concelho de Mação, e deixar uma marca do 25 de Abril. “50 anos a fazer P.Arte” é uma exposição que pode visitar até 9 de setembro no Centro Cultural Elvino Pereira, em Mação.

Centro de Negócios vai receber nova empresa Foi anunciada em reunião de Câmara de Mação, a 28 de junho, a formalização de uma nova candidatura de uma empresa que se pretende instalar no Centro de Negócios de Mação. O presidente do município, Vasco Estrela, deu conta de que o negócio vai ser na área da “manutenção e transformação de motociclos, essencialmente para motociclos de competição 4x4, e também para adaptação de motociclos”. Relativamente ao investidor, adianta que “tem ligações ao concelho de Mação”, mostrando satisfação pela “criação desta empresa no nosso concelho”. O investimento, numa primeira fase, ronda os 30 mil euros, e corresponde sobretudo a equipamento, uma vez que “não há necessidade de gastar dinheiro em

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instalações, visto que já existem”, diz Vasco Estrela. Já no que diz respeito a postos de trabalho, o autarca diz que “estão previstos dois a três”, sendo

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facto que “este tipo de negócio não terá muitos postos de trabalho”. O Centro de Negócios de Mação, inaugurado há dois anos, encontra-

-se neste momento com nove empresas. Vasco Estrela admite que “temos empresas em crescimento, e neste momento já estamos a estudar possibilidades de irem para

outros locais porque as coisas, felizmente, estão a correr bem, é um bom sintoma”. “Aquilo que nós sempre dissemos é que vamos acompanhar e monitorizar o desenvolvimento delas [empresas] e perceber até que ponto o espaço que ali está é suficiente para a atividade que estão a realizar, por isso é que neste momento estamos no processo de finalizar o plano de pormenor de expansão da zona industrial das Lamas. Já temos alguns terrenos adquiridos, estamos num processo de iniciar a aquisição de mais lotes no sentido de haver empresas que possam estar interessadas, quer aquelas que estão no Centro de Negócios ou outras que possam surgir e é nesse sentido que vamos trabalhar”, acrescenta. Ana Rita Cristóvão


REGIÃO / Vila de Rei

Manuais escolares gratuitos para alunos do 1º ao 12º ano

A Praia Fluvial de Fernandaires vai receber, no dia 3 de agosto, a Taça de Portugal de pesca embarcada de achigã, numa iniciativa inserida no “Achigã Challenge 2019 – 3º Circuito de Pesca Aldeias do Xisto”. A iniciativa é organizada pela Federação Portuguesa de Pesca Desportiva e pela ADXTUR – Agência para o Desenvolvimento Turístico

das Aldeias do Xisto com o apoio do Município de Vila de Rei, e vai levar até Fernandaires alguns dos melhores praticantes nacionais de pesca embarcada, numa competição sem morte do achigã. Os interessados poderão obter informações adicionais (regulamento e ficha de inscrição) em https://aldeiasdoxisto.pt/evento/5371.

/ Manuais e cadernos de fichas são gratuitos em Vila de Rei de atividades, ajudar os nossos agregados familiares com a poupança na aquisição destes referidos cadernos”. Todos os Encarregados de Educação que possuam dúvidas ou necessi-

tem de apoio para aceder à plataforma MEGA poderão dirigir-se ao Gabinete de Ação Social e Educação do Município de Vila de Rei ou ao Agrupamento de Escolas de Vila de Rei. PUBLICIDADE

Os alunos matriculados nas escolas da rede pública vão poder obter os seus manuais escolares de forma gratuita. A medida foi recentemente alargada pelo Ministério da Educação a todos os alunos do país. Para poder obter de forma gratuita os manuais escolares, os Encarregados de Educação devem registar-se na plataforma online MEGA, em www. manuaisescolares.pt ou através da app móvel “Edu Rede Escolar”. Informa o Município de Vila de Rei em nota de imprensa que vai prosseguir com a medida já adotada em anos anteriores, para os alunos do concelho do 1º ao 12º ano, e vai também “adquirir e fornecer de forma gratuita os cadernos de atividades/fichas a todos os alunos matriculados na Escola Básica e Secundária de Vila de Rei, do 1º ao 12º ano, e que serão entregues no primeiro dia do novo ano letivo”. O presidente da Câmara Municipal de Vila de Rei, Ricardo Aires, refere que “para além de dotar os nossos alunos de melhores meios para atingirem o sucesso escolar, conseguimos, com a aquisição e distribuição dos cadernos

Fernandaires recebe Taça de Portugal de Pesca de Achigã

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REPORTAGEM /

V

isitar o Castelo de Almourol e o rio Tejo. A proposta para uma tarde ou um final de tarde, ali para os lados de Vila Nova da Barquinha. A marcação tinha sido feita dias antes através de telefone para a Tritejo, a empresa que, em Barquinha, tem um barco movido a energia solar. O contacto foi muito simples e o dia e hora agendados de imediato. Seria a meio da tarde, viagem de barco e visita ao monumento templário e, depois, o “sunset” a bordo, no meio do Tejo. No dia agendado, eu e a Carolina Ferreira, chegámos meia hora mais cedo ao cais de Tancos. Tarde simpática de Sol, depois de uma manhã nublada. O cais estava calmo, num dia de semana. Mas depressa ganhou movimento com uns jovens que iriam começar um treino de barcos a motor. Jovens de 12 anos que preparavam uma prova internacional na Rússia. Enquanto a Carolina se entretém com algumas fotos, vejo, mais ao longe, um homem, já com alguma idade à pesca. Quando a Carolina me faz um sinal de que um peixe tinha picado o anzol fui andando até ao local do pescador. Desci os degraus até à beira rio enquanto o homem tirava o peixe. Conversa rápida e percebi que era uma fataça. Mais três quilos, seguramente. Joaquim Morcela contou que vai ali ao Tejo quase todos os dias. “Em vez de ir beber copos, venho à pesca. Mas nem gosto de peixe. Mas veja lá, este é grande”, diz o pescador que acrescenta, “hoje é mais complicado. Há menos peixe. Olhe, antigamente apanhávamos aqui bogas, barbos e carpas e as fataças. Hoje já não é assim. Há menos peixe mas depois também vieram os lúcio-perca e os siluros e o outro peixe começou a desaparecer”. Deixamos o pescador ir à sua vida, com a fataça no saco, pois está a chegar a hora de embarcar na nossa viagem.

“Ninfa do Tejo” movida | Aa energia solar 16:38 chega ao cais o barco que nos vai fazer seguir até ao Castelo. Saem os passageiros que vinham da sua viagem, quando Paulo Lopes, um dos elementos da tripulação, nos pede para aguardar uns instantes. Quando a embarcação fica preparada, subimos a bordo com a ajuda de Filipe Bento, o “capitão” da Ninfa do Tejo. De forma simples e simpática perguntam se é o batismo em viagens de barco. Ao

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Castelo de Almourol e Tejo um casamento de séculos

negarmos, a interação de diálogo começa. E enquanto vamos a sair para o rio é feita uma apresentação sumária da Tritejo, a empresa que suporta estas viagens e visitas. “Começámos a atividade com um barco de madeira, o Chamusca, mas procurámos algo de diferente, que acrescentasse valor ao território. Foi aí que descobrimos o fabricante destes barcos, uma empresa no Algarve. Foi uma descoberta quase por acaso”, revela Filipe Bento enquanto vai rodando o “volante” do leme para nos levar para o meio do rio e, dessa forma, iniciarmos a subida de cerca de 3 quilómetros até à ilha do Almourol. Já são dois anos de experiência a fazer passeios no Tejo, pelo que os anfitriões percebem logo que tipo de interesses têm os visitantes. Mas como esta “viagem” é de jornalistas tentam perceber qual o interesse para poderem dar a experiência que procuramos. O barco tem capacidade para 12 pessoas, uma mesa

central, uma ausência total de ruído. Indicam a localização dos painéis solares e onde se encontram as baterias. E para tranquilizar os passageiros deixam a informação de que nunca ficaram parados no meio do rio. Sentados no “Ninfa do Tejo” ouvimos o rio, as fataças quando saltam na água, os pássaros que vamos vendo. “Ali está um corvo-marinho, invadiram o rio e comem o peixe mais pequeno. Além estão duas águias”, indica o Filipe enquanto subimos o rio. Começamos a ver o Castelo de Almourol e a sua ilha, com muita vegetação. Ao longe percebe-se que há uma outra embarcação a recolher e largar turistas que, de máquina fotográfica a tiracolo, circulam sozinhos pela ilha e pelo monumento. Encostamos ao cais. O Filipe Bento despede-se de nós, com “até daqui a uma hora”. Passa a ser o Paulo Lopes o nosso interlocutor.

dos Templários |Oe aCastelo lenda do tesouro escondido Assim que subimos a escadaria entramos no terrado entre arvoredo que, segundo Paulo Lopes, lá nos primórdios do Castelo não existiria. Supõe-se que o rio tivesse um

caudal com uns metros de água bem acima do que temos atualmente. O Castelo de Almourol tem cerca de 80 mil visitantes por ano e já registou este ano mais de 6 mil visitas guiadas. Há um acesso pedonal desde o parque de contemplação, mas há sempre um barco que pode levar os turistas à ilha. Depois há a possibilidade de irmos à sede de concelho, Barquinha, para explorar melhor a história do Castelo e dos Templários no novo Centro de Interpretação Templário. Deixamos essa parte para um outro dia e apontamos o foco às explicações do Paulo. O Castelo é do tempo de D. Afonso Henriques, da reconquista cristã e da Ordem dos Cavaleiros Templários. O Castelo de Almourol foi edificado em 1171 para a defesa do território a Norte do rio Tejo, quando após a reconquista se estava a estabilizar o território. “As linhas de defesa do Tejo foram fundamentais, na altura”. Paulo Lopes vai situando o Castelo antes de subirmos ao seu interior. A ideia de Gualdim Pais, o maior cavaleiro da Ordem e a quem ficou confiado este território. E adianta que a ideia de um Castelo numa ilha de difícil acesso, dado um caudal elevado do rio, pode ser a génese de que o Almourol


REPORTAGEM /

seria um posto, uma torre de vigia para o inimigo que estava do lado sul. Aliás, o Almourol tem linha de vista para a torre da Cardiga, na Golegã, e para a torre de Ozêzere que ficaria na foz do rio Zêzere perto de Constância. Paulo Lopes diz que esta teoria é sustentada naquilo que seria uma linha de comunicação visual com a sede da Ordem, o Convento de Cristo, em Tomar. “Daqui, através das atalaias, e há muitas, podia ir uma informação de forma muito rápida até Tomar onde estava concentrada a força militar dos Templários”. Quando começamos a entrar no Castelo, o Paulo chama-nos a atenção para as 8 torres que envolvem a torre central. Pode ser uma homenagem de Gualdim Pais aos 8 cavaleiros fundadores da Ordem dos Templários que estão à volta do grão-mestre fundador: Hugo de Payens”. Depois, lá dentro, percebe-se que é um espaço muito curto. O nosso guia indica-nos os três níveis de barreiras criadas para defesa do próprio castelo. O local onde dormiriam os 20 ou vinte e poucos guerreiros cristãos que seriam a guarnição. Indica o local dos celeiros. E depois a torre com 12 metros de altura e uma porta aos 8 metros. “Se fossem atacados, punham as escadas e refugiavam-se lá em cima. Era a última linha de defesa”. Como Gualdim Pais era um estratega muito bom, o Castelo teria dois túneis de fuga que passavam por baixo do rio. Um para a margem norte e outra para sul, para um local onde terá existido a Igreja de Santa Maria do Almourol. Muitos acreditam que seria nesta igreja,

que já não existe, que estaria escondido o grande tesouro dos Templários, o Santo Graal e a Mesa de Salomão. Mas isto são histórias que se contam. Aliás, da América começam a surgir muitos visitantes interessados nos Cavaleiros Templários. Aqui fazem a visita e depois podem ir ao Centro de Interpretação Templário onde têm mais informação e mais científica. Na torre central podemos ter a paisagem do Tejo a serpentear os campos. Podemos ver o miradouro da margem sul, um local que o Paulo Lopes afiança como “um dos melhores pontos de observação do castelo”.

“sunset” a meio do rio |Um com cenário medieval 18:00 saímos do Castelo de Almourol com a mente a fervilhar sobre aqueles tempos e sobre os Cavaleiros Templários. Sobre Gualdim Pais e sobre as lendas que existem desta Ordem que desapareceu por ordem do Papa Clemente XIV. De volta ao “Ninfa do Tejo” reencontramos o Filipe Bento, que já nos aguardava no rio. Entramos e o barco tem música, calma. Tocava Pink Floyd. O Filipe começa a manobrar a embarcação solar. Vamos ao centro do rio, ladeamos o Castelo para que a Carolina Ferreira pudesse fazer mais alguns registos fotográficos e, depois, vamos para uma posição em que temos um por do Sol e o castelo como cenário. É aqui que ficamos a contemplar a paisagem histórica e natural. Entre dois dedos de conversa sobre o Castelo e os visitantes, cada vez são mais, o Paulo começa a preparar a degustação num “sunset” no rio. Na mesa estende uma toalha. Coloca um suporte com guardanapos, um pote com frutos secos, um cesto com pão e tostas, um prato com queijos e um outro pote com doce de abó-

bora, este caseiro. Uma garrafa de vinho rosé e dois flutes. É a seguir que o Filipe e o Paulo nos dizem que se temos a reportagem feita é o momento de nos sentirmos uns verdadeiros turistas. Os produtos são regionais e o doce de abóbora que é uma delícia. O Filipe explica que há quem procure os serviços apenas para o passeio: “Já tivemos aniversários, despedida de solteiro (…) e apenas grupos que pretendem ficar até ao anoitecer”. E acrescenta: “Na próxima quinta-feira, temos um grupo de 8 pessoas que querem fazer o “sunset”. Já aqui ficámos até às 11 da noite”. A nossa visita ao Castelo de Almourol na “Ninfa do Tejo” terminou depois das 19 horas, três horas depois de ter começado. Despedimo-nos do Filipe e do Paulo. Dos 12,5 aos 17,5 euros por pessoa, pode ter uma tarde fantástica entre o ambiente de um barco movido a energia solar, um passeio na natureza, uma visita à história e às lendas dos Templários e terminar num pequeno lanche com sabor a qualquer coisa, tipo, cinco estrelas. E fica ali, na Barquinha, com saída do Cais de Tancos. Reportagem de Jerónimo Belo Jorge Fotografias de Carolina Ferreira

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REGIÃO / Constância Assembleia de Constância aprova Plano Estratégico Educativo A Assembleia Municipal de Constância aprovou, no dia 28 de junho, o Plano Estratégico Educatico para o concelho 20192013. O projeto foi aprovado pela maioria do socialista com as abstenções da CDU e uma do Movimento Independente. Na reunião, o Executivo convidou o ex-ministro da Educação, David Justino, a apresentar o plano, ou as ideias gerais. Este documento aponta o caminho a desenvolver, em termos educativos, no concelho nos próximos anos. A elaboração do documento foi desenvolvida pela equipa de David Justino, que explicou as ideias gerais aos deputados municipais. São 150 páginas que resultaram de entrevistas a todos os intervenientes na educação. David Justino explicou ao Jornal de Abrantes que o documento “é uma carta de marear, dá-nos as grandes rotas.” E define quais são as grandes

/ David Justino prioridades para o ensino no concelho. Quem define o tipo de ensino é o Ministério, mas já cabe à Autarquia definir apoios aos alunos, atração de novos alunos, combate ao insucesso escolar e articulação dos alunos com instituições do concelho”. Perante uma série de questões apresentadas pela bancada da CDU e a acusação de que

o documento é extenso e são apresentações concretas nem tem parecer da Assembleia do agrupamento ou do conselho municipal de educação, o ex ministro da educação garantiu que foram ouvidos todas as pessoas e instituições que integram a educação no concelho. Justino revelou que o trabalho tem três anos, que a sua equipa conhece bem o concelho, pois no trabalho no concelho já conheceu três presidentes de câmara, e que este documento é uma espécie de fio condutor que agarra todas as pontas soltas de tudo o que se faz nesse concelho. O Plano Estratégico educativo para o concelho de Constância aponta os caminhos. Não interfere nos planos curriculares e educacionais. Agora, em cima deste plano estratégico têm de ser definidas e desenvolvidas as ações concretas. JBJ

Empresário apresenta projeto “Centro Cultural das Aldeias do Tejo” para Quinta Dona Maria Nuno Cristóvão, em conjunto com o irmão, são os aventureiros que resolveram tomar as rédeas de uma ideia antiga, que vem já dos tempos iniciais da associação JICA, em Montalvo. Na AM de Constância – em que foi aprovada a isenção dos impostos IMI e IMT à empresa que vai ter o direito de superfície da quinta pelo período de 30 anos - Nuno apresentou a ideia, que consiste em criar naquele espaço um museu e um conjunto de infraestruturas ligadas a eventos públicos. O projeto vai ter uma candidatura ao Turismo de Portugal, para cofinanciamento, que valoriza a existência de um museu militar, pois foi ali, naquela quinta, que aconteceu uma “grande parada militar de saída para a grande guerra”. “Nós desenvolvemos um projeto que prevê a recuperação total da quinta”, bem como “telhados e fachadas”, admite o empresário, que explica que, para além do museu militar, o proje-

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to conta também com o museu agrícola e com um espólio considerável de antiguidades. Nuno Cristóvão revelou também que, por parte de uma ideia do Turismo de Portugal,

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haverá também espaços neste local aptos para receber eventos dos mais variados tipos, desde “um comício político até um casamento”. Recorde-se que Sérgio Oliveira, em declarações ao Jornal de Abrantes, tinha afirmado anteriormente que “a Câmara tem a sua parte salvaguardada porque mantém o património que lá está, mantém a propriedade da quinta, e vai acompanhar de perto as intervenções que lá forem feitas”. O autarca considera ainda que este é “um passo importante não só para o concelho como um todo, mas principalmente para a freguesia de Montalvo, que tem um espaço na zona nobre da aldeia”. A Quinta Dona Maria, em Montalvo, foi, no início do século XX, uma das quintas mais prósperas do concelho de Constância. Entrou em decadência na segunda metade do século XX e vê agora uma nova ‘luz ao fundo do túnel’. Ana Rita Cristóvão

CARTÓRIO NOTARIAL DE VILA DE REI JUSTIFICAÇÃO Nos termos do artigo 100º do Código do Notariado, certifico que por escritura de 17/07/2019, lavrada a folhas 1 e seguintes do Livro de notas para escrituras diversas nº 76 – E, deste CARTÓRIO PÚBLICO, na qual, MARIA LUCIA MARQUES ROLO, NIF. 183.349.482, natural da freguesia e concelho de Vila de Rei, onde reside, na Rua Principal, nº 2, no lugar de Vilar, declarou que é dona e legítima possuidora, com exclusão de outrem, dos seguintes imóveis: UM – Três quartos indivisos do Prédio urbano, sito na Rua Estrada Municipal, nº 32, no lugar de Vilar, freguesia e concelho de Vila de Rei, composto de casa de dois pisos, destinada a habitação, com a superfície coberta de setenta e seis, vírgula, zero cinco metros quadrados e logradouro com cento e trinta e um, vírgula noventa e cinco metros quadrados, descrito na Conservatória do Registo Predial de Vila de Rei sob o número catorze mil setecentos e trinta e nove, da referida freguesia, com o registo de um quarto indiviso a favor dela justificante pela apresentação número setecentos e dezassete, de vinte e quatro de Janeiro de dois mil e treze, inscrito na matriz sob o artigo 5094; DOIS - Prédio rústico, sito em Pessegueiro, freguesia e concelho de Vila de Rei, composto de terra de pinhal e eucaliptal, com a área de sete mil e duzentos metros quadrados, que confronta pelo norte com Manuel Marques Rolo, sul, Estrada, nascente, Ribeiro e poente, José Martins Rolo, não descrito na Conservatória do registo Predial de Vila de Rei, inscrito na matriz sob o artigo 3983; TRÊS - Prédio rústico, sito em Vilar, freguesia e concelho de Vila de Rei, composto de terra de cultura arvense, com a área de duzentos metros quadrados, que confronta pelo norte com Francisco Marques Rolo, sul e nascente Herdeiros de Manuel Marques e poente, Estrada, não descrito na Conservatória do registo Predial de Vila de Rei, inscrito na matriz sob o artigo 4027; QUATRO - Prédio rústico, sito em Lagariça, freguesia e concelho de Vila de Rei, composto de terra de pinhal, com a área de nove mil setecentos e cinquenta metros quadrados, que confronta pelo norte com João Martins Rolo, sul, Manuel Marques Rolo, nascente, Alípio Alves Dias e poente, António Dias Matias, não descrito na Conservatória do registo Predial de Vila de Rei, inscrito na matriz sob o artigo 4049; CINCO - Prédio rústico, sito em Lagariça, freguesia e concelho de Vila de Rei, composto de terra de pastagem e oliveira, com a área de quarenta e cinco metros quadrados, que confronta pelo norte com Herdeiros de José Rolo, sul, Francisco Rolo, nascente, Francisco Martins e poente, João Marques, não descrito na Conservatória do registo Predial de Vila de Rei, inscrito na matriz sob o artigo 4052; SEIS - Prédio rústico, sito em Vilar, freguesia e concelho de Vila de Rei, composto de terreno de cultura arvense e oliveiras, com a área de seiscentos metros quadrados, que confronta pelo norte com a Estrada, sul, Caminho, nascente, Francisco Marques Rolo e poente, Herdeiros de José Bento Rolo, não descrito na Conservatória do registo Predial de Vila de Rei, inscrito na matriz sob o artigo 4264; SETE - Prédio rústico, sito em Vilar - Várzea, freguesia e concelho de Vila de Rei, composto de cultura arvense e oliveiras, com a área de trezentos e cinquenta metros quadrados, que confronta pelo norte e nascente, José Martins Rolo, sul, Maria da Assunção Marques Rolo e poente, Ribeiro, não descrito na Conservatória do registo Predial de Vila de Rei, inscrito na matriz sob o artigo 4291; OITO - Prédio rústico, sito em Vilar S. Martinho, freguesia e concelho de Vila de Rei, composto de cultura arvense, mato e oliveira, com a área de quatrocentos e noventa metros quadrados, que confronta pelo norte e sul, José Martins Rolo, nascente, Comissão Fabriqueira da Capela de São Martinho e poente, Ribeiro, não descrito na Conservatória do registo Predial de Vila de Rei, inscrito na matriz sob o artigo 4297; ________NOVE - Prédio rústico, sito em Sobral, freguesia e concelho de Vila de Rei, composto de terra de cultura arvense, com a área de novecentos e oitenta metros quadrados, que confronta pelo norte com Francisco Rolo, sul, José Martins Rolo, nascente, Estrada e poente, José Rodrigues, não descrito na Conservatória do registo Predial de Vila de Rei, inscrito na matriz sob o artigo 5186; DEZ - Prédio rústico, sito em Carregueira, freguesia e concelho de Vila de Rei, composto de pinhal, com a área de dois mil e cem metros quadrados, que confronta pelo norte com Manuel Marques Rolo, sul, Jorge Silva Francisco, nascente, Ribeiro e poente, Herdeiros de Manuel Bandarra, não descrito na Conservatória do registo Predial de Vila de Rei, inscrito na matriz sob o artigo 6295; Que, apesar de buscas efetuadas, desconhecem quais os artigos rústicos da anterior matriz e desconhecem se o prédio urbano foi construído em algum prédio rústico; Que os referidos prédios, rústicos, bem como a fração do urbano, com a indicada composição, vieram à sua posse, por volta do ano de mil novecentos e oitenta e sete, em dia e mês que não pode precisar, por partilha verbal com os demais interessados, por óbito de seus pais, Vicente Martins Rolo e Ermelinda Marques, já falecidos, casados que foram sob o regime da comunhão geral, residentes que foram no lugar de Vilar, freguesia e concelho de Vila de Rei, não tendo sido reduzida a escritura publica a referida partilha; Que desde essa data em que se operou a tradição material dos prédios passou a utilizar o urbano como casa de habitação, a fazer nele obras de conservação e restauro, a pintá-lo, a limpar os rústicos, a cortar os pinheiros e os eucaliptos, a apanhar a azeitona, a cultiva-los, a trazer pontualmente pagas as respetivas contribuições, a suportar os seus encargos, agindo com a convicção de ser proprietária daqueles imóveis e como tal sempre por todos foi reputada. Que nos termos expostos, vêm exercendo a posse sobre os mencionados prédios, com a indicada composição, ostensivamente, à vista de todos, sem oposição de quem quer que seja, em paz, continuamente, há mais de vinte anos. Que assim e dadas as características da sua posse, ela outorgante adquiriu os identificados prédios por usucapião, que aqui invoca por não lhe ser possível provar, pelos meios extrajudiciais normais, a aquisição do seu domínio e posse. Está conforme com o seu original Vila de Rei, 17 de Julho de 2019. O Oficial de Registos e Notariado __________________________________________________________________ (Manuel Rosa Dias) Conta: Artigo 20º ----4.5 ----23,00 € São: Vinte e três euros. Registada sob o n.º _________


REGIÃO / Constância

Casa-Memória de Camões vai ser reconhecida pelo Estado, 20 anos depois da sua conclusão A secretária de Estado da Cultura visitou, a 9 de julho, o Jardim-Horto e a Casa-Memória de Camões, em Constância. Ouviu os técnicos que fizeram um levantamento das necessidades da Casa-Memória e a maneira como o Ministério da Cultura poderia ajudar a levar a cabo uma das missões mais difíceis no concelho: abrir a Casa-Memória ao público e dotá-la de conteúdos. Por parte do vice-presidente da Direção da Associação Casa-Memória, António Mendes, e também do presidente da Câmara, Sérgio Oliveira, a secretária de Estado ouviu apenas um pedido, o reconhecimento da importância da Casa-Memória de Camões por parte do Estado. “Muito mais que a questão do financiamento, que é importante pois sem isso não se consegue fazer nada, aquilo que a Associação pretendia era que o Estado português reconhecesse a importância da constituição da Casa-Memória para que com esse documento, conseguisse ir a algumas Fundações que já mostraram disponibilidade em apoiar a Associação financeiramente. Por exemplo, a Fundação Calouste Gulbenkian e a Fundação Oriente. Sem esse reconhecimento por parte do Estado é que as Fun-

/ Ângela Ferreira assumiu o compromisso do reconhecimento da importância da CasaMemória de Camões por parte do Estado

dações dizem que não o podem fazer”, começou por explicar Sérgio Oliveira. Depois foi António Mendes quem reforçou que “a primeira pretensão da Direção é essa, o reconhecimento por parte do Mi-

nistério da Cultura. Não estamos a reivindicar financiamento, não queremos o cheque, queremos apenas uma ferramenta. Um espaço destes, que custou centenas de milhares de euros ao Estado e ainda não ter sido inaugurado passados

todos estes anos, é um desaproveitamento”. “Com a informação técnica que temos, podemos fazer essa declaração e haver um despacho meu a reconhecer a importância do desenvolvimento do projeto. Sobre isso não há nenhuma dúvida”, disse Ângela Ferreira. “Para além do apoio técnico, nomeadamente no desenho dos conteúdos e tudo aquilo que deve ser colocado neste espaço que foi sendo feito ao longo de 20 anos, nesta fase, o importante é ter essa declaração. Que o interesse fosse assumido”, pediu o presidente da Câmara. Ângela Ferreira assumiu então o compromisso e prometeu passar a tão aguardada declaração. “Comprometo-me que, de acordo com as visitas técnicas que já fizemos, pela Direção Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas e pela Direção Geral do Património Cultural, atestámos que a Casa-Memória de Camões tem capacidade para evoluir para novos passos e para novos projetos, tanto exposições temporárias como de arquivo documental do que é a biblioteca que hoje tem e, por isso, é merecido que o Estado português reconheça que a Casa-Memória de Camões é importante para o desenvolvimento cultural do país e é esse o compromisso que eu deixei aqui ao senhor presidente da Câmara e ao vice-presidente da Associação”. Questionada se esse documento vai chegar em breve, a secretária de Estado afirmou que “vai ser feito nesta Legislatura e sobre isso não há nenhum tipo de dúvida”. Patrícia Seixas

Brigada Mecanizada recebe prémio nacional de ambiente O 25º prémio da Defesa Nacional e Ambiente foi entregue no dia 15 de julho à Brigada Mecanizada do Exército (BrigMec), no Campo Militar de Santa Margarida (CMSM), pelo seu sistema de gestão ambiental desenvolvido por esta unidade militar. O Comandante do Campo Militar de Santa Margarida recebe o prémio da Defesa Nacional e Ambiente A Alferes Ângela Máximo, uma das responsáveis pelo setor ambiental do CMSM explicou ao Jornal de Abrantes que têm as duas áreas, urbana e rural, com todos os problemas que têm as zonas civis do país. A floresta precisa de ser limpa e ordenada para evitar incêndios florestais e a área urbana é em tudo igual à vida civil. Desde o tratamento de efluentes à recolha de resíduos sólidos ou à separação dos lixos. A lavagem de viaturas é uma das maiores preocupações e uma das áreas em que foi atribuído

/ Governantes e militares assistiram a uma demonstração de limpeza dos tanques o prémio e que tem a ver com as lavagens dos carros, principalmente, dos de lagartas. Esta lavagem, feita com água de circuito fechado, fica com muitos óleos que são tratados na ETAR.

Ângela Máximo revelou que o trabalho nestas duas áreas já tem pergaminhos no CMSM e agora caminha-se na eficiência energética. Há a mudança para tecnologia LED, mas confinada aos orçamen-

tos disponibilizados. A distinção deste ano foi para um conjunto não para uma ação específica. Como revelou o ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, trata-se de um trabalho na redução dos hidrocarbonetos (placas de lavagem de carros de combate, separação de hidrocarbonetos de águas residuais), depois o trabalho concreto na floresta com o seu ordenamento e limpeza com compostagem e reaproveitamento de aparas para além do trabalho do rebanho de cabras sapadoras e, por fim, o setor energético em que foi substituído o sistema de iluminação da avenida por tecnologia LED. O ministro do Ambiente disse ainda que que os portugueses são “líderes no mundo no combate e na prática” em relação às alterações climáticas, tendo referido que a média europeia de redução de emissões foi de 3%” ao passo que Portugal esteve “acima dos 9%”. Já João Gomes Cravinho, mi-

nistro da Defesa, destacou que “há um aprofundamento do conceito das boas práticas ambientais e da boa gestão energética no sentido de afirmar que isso hoje em dia faz parte da soberania que as Forças Armadas promovem e protegem”. O responsável governativo pela defesa nacional referiu ainda que o Exército e a Força Aérea estão preparados para o trabalho que têm no verão, no âmbito da prevenção e combate aos incêndios florestais. O Prémio distingue, anualmente, a unidade, estabelecimento ou órgão que, de acordo com os princípios da Defesa Nacional, melhor contributo preste para a qualidade do ambiente, numa perspetiva de desenvolvimento sustentável, através da utilização eficiente dos recursos naturais, da promoção de boas práticas de gestão de ordenamento do território, da proteção e valorização do património natural e paisagístico e da biodiversidade. Jerónimo Belo Jorge

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REGIÃO / Gavião Gavião investe 1,3ME em incubadora de empresas não tecnológicas Uma incubadora de empresas não tecnológicas vai “nascer” no concelho de Gavião, num investimento de 1,3 milhões de euros, revelou o presidente do município, José Pio. A cerimónia de lançamento da primeira pedra para a construção do novo equipamento, cuja obra já foi adjudicada, realizou-se a 12 de julho, no logradouro do antigo edifício do seminário de Gavião. Indicando que a incubadora vai ter capacidade para acolher 15 empresas, o autarca alentejano disse existirem jovens interessados em ingressar “no mundo do empreendedorismo” e desenvolver a sua atividade na região. “Os jovens não têm dinheiro para iniciar a sua atividade e a incubadora pretende criar condições para que possam ingressar no mundo do empreendedorismo e na sua profissão sem custos iniciais”, afirmou.

Segundo José Pio, o município quer criar condições, com a nova incubadora, para fixar pessoas no concelho. “Esta incubadora poderá criar, nos três maiores espaços dos 15 que vão ser construídos, 20 a 30 postos de trabalho diretos”, acrescentou. O presidente da Câmara de Gavião lembrou que, aquando da tomada de posse para este segundo mandato autárquico, que os próximos 4 anos seriam de procura de oportunidades de investimento e de realização material de candidaturas já efetuadas no âmbito do Quadro Comunitário 2014-2020, tendo como referência a melhoria do bem-estar coletivo”. “Prometemos e estamos a cumprir”, avançou José Pio, que disse ainda que “o concelho de Gavião é hoje um concelho mais preparado para enfrentar os desafios da

/ O ministro Nelson de Souza e o presidente da Câmara de Gavião, José Pio, no lançamento da 1ª pedra da Incubadora de Empresas modernidade. Lançámos hoje a primeira pedra da Incubadora de Empresas não Tecnológicas, uma infraestrutura que acreditamos ser fundamental para estancar a perda de jovens e de mão de obra qualificada que tem acontecido nos últimos anos. Ser empreendedor, criar o seu próprio posto de trabalho é um desafio que lançamos”. A incubadora vai ter, no primeiro andar, 12 espaços de dimensão

NOTARIADO PORTUGUÊS CARTÓRIO NOTARIAL DE SÓNIA ONOFRE EM ABRANTES A CARGO DA NOTÁRIA SÓNIA MARIA ALCARAVELA ONOFRE Certifico para efeitos de publicação que por escritura lavrada no dia vinte e três de julho de dois mil e dezanove, exarada de folhas cinco a folhas oito, do Livro de Notas para Escrituras Diversas CENTO E SETENTA E NOVE – A, deste Cartório Notarial, foi lavrada uma escritura de JUSTIFICAÇÃO, na qual os Senhores I- a) IRENE DA CONCEIÇÃO ROSA, viúva, natural da freguesia de Aldeia do Mato, do concelho de Abrantes, residente na Rua dos Pescadores, número 199, em Bairro Fundeiro, Aldeia do Mato, Abrantes, I- b) MARIA ROSA MARQUES, divorciada, natural da freguesia de Abrantes (São João), do concelho de Abrantes, residente na Rua Principal, número 651, em Crucifixo, Tramagal, Abrantes, II- a) GRACINDA ROSA CUSTÓDIO LOURENÇO, e marido HÉLDER LOURENÇO, casados no regime da comunhão de adquiridos, naturais, ela da freguesia de Aldeia do Mato, do concelho de Abrantes e ele da freguesia de Nogueira, do concelho de Vila Real, residentes na Estrada dos Bairros, número 934, em Bairro Cimeiro, Aldeia do Mato, Abrantes e II- b) ÁLVARO ROSA CUSTÓDIO, e mulher MARIA LUCÍLIA PEDRO MARMELO CUSTÓDIO, casados no regime da comunhão de adquiridos, ambos naturais da freguesia de Aldeia do Mato, do concelho de Abrantes, residentes na Estrada dos Bairros, número 934, em Bairro Cimeiro, Aldeia do Mato, Abrantes, DECLARARAM que, com exclusão de outrem, as I- a) e b) e os II- a) e b), são donos e legítimos possuidores (na proporção de METADE, em comum e sem determinação de parte ou direito, para as Primeiras e de METADE, em comum, para os Segundos Outorgantes), do Prédio rústico, sito em Bairro Fundeiro, em Aldeia do Mato, na união de freguesias de Aldeia do Mato e Souto, do concelho de Abrantes, composto de figueiras, oliveiras e vinha, com a área de mil duzentos e quarenta metros quadrados, a confrontar de Norte com José Manuel Batista Lasana, de Sul com José Manuel Gonçalves Malhadeiro, de Nascente com Barragem e de Poente com José Manuel Batista Lasana e José Manuel Gonçalves Malhadeiro, omisso na Conservatória do Registo Predial de Abrantes, inscrito na respectiva matriz sob o artigo 54 da secção AP. Que o prédio acima identificado veio à posse das Primeiras Outorgantes por óbito de FRANCISCO MARIA MARQUES, de quem são as únicas herdeiras, falecido no dia catorze de Fevereiro de mil novecentos e noventa e nove, na freguesia de São João, do concelho de Abrantes, no estado de casado, em primeiras e únicas núpcias, com Irene da Conceição Rosa, natural que era da freguesia de Aldeia do Mato, do concelho de Abrantes, com última residência habitual no Bairro Fundeiro, em Aldeia do Mato, Abrantes, sem testamento ou qualquer outra disposição de bens, conforme escritura de Habilitação de Herdeiros outorgada, no dia vinte de Abril de dois mil e cinco, exarada a folhas setenta e sete e seguinte, do Livro de Notas DUZENTOS E ONZE -F, do Cartório Notarial de Abrantes, cujo acervo foi transferido para este Cartório e à posse dos Segundos Outorgantes por doação, meramente verbal, por volta do ano de mil novecentos e oitenta e três, de sua mãe Maria da Conceição Rosa. Que as referidas IRENE DA CONCEIÇÃO ROSA e MARIA DA CONCEIÇÃO ROSA, por sua vez, o haviam adquirido, em comum, por doação meramente verbal, de sua mãe MARIA DA CONCEIÇÃO, por volta do ano de mil novecentos e oitenta. Que, desde a referida data de mil novecentos e oitenta, logo há mais de trinta e cinco anos, as mencionadas Irene e Maria da Conceição e posteriormente eles justificantes, exerceram continuamente a sua posse, à vista de toda a gente, usufruindo de todas as utilidades do prédio, limpando-o, colhendo a fruta, na convicção de exercer direito próprio, ignorando lesar direito alheio, sendo reconhecidos como seus donos por toda a gente da freguesia e freguesias limítrofes, pacificamente, porque sem violência, continua e publicamente, de forma correspondente ao exercício do direito de propriedade, sem a menor oposição de quem quer que seja e pagando os respectivos impostos, verificando-se assim todos os requisitos legais para que ocorra a aquisição do citado imóvel por usucapião, titulo este que, por natureza não é susceptível de ser comprovado pelos meios normais. Está conforme ao original e certifico que na parte omitida nada há em contrário ou além do que nesta se narra ou transcreve. Abrantes, 23 de Julho de 2019. A Notária Sónia Maria Alcaravela Onofre

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menor, vocacionados para arquitetos e engenheiros, e, no rés-do-chão, contará com três áreas maiores, todas elas com possibilidades de serem subdivididas. O lançamento da primeira pedra contou com a presença do ministro do Planeamento, Nelson de Souza, antes da inauguração da 26.ª edição da Mostra de Artesanato e Atividades Económicas de Gavião, que decorreu nesse fim-de-semana.

Para além da Incubadora de Empresas, o autarca anunciou ainda outros investimentos, nomeadamente “o PR 8 – Percurso Pedestre Rota da Sirga, será lançado muito brevemente e ligará o passadiço do Alamal ao PR 2 numa extensão de 7500m; A casa do antigo seminário também e tão breve quanto possível entrará em obra e ali veremos nascer um espaço destinado a albergar a maravilhosa coleção de Carros de Atrelar de José Hipólito Raposo; a regeneração urbana da Rua 23 de Novembro, junto do Agrupamento de Escolas, com ligação pedonal à Rua Dr. Dias Calazans, outro projeto que muito acarinhamos e tudo faremos para conseguir realizar; o arranjo da Fonte Nova, transformando um espaço degradado, numa estação de serviço para Auto caravanismo será uma realidade em obra ainda a iniciar no decorrer do corrente ano”. José Pio acrescentou ainda que “a afirmação do nosso concelho no exterior começa a ser uma realidade que notamos todos os dias. Assim, e depois de muitos anos em busca de investidores no nosso concelho, a tendência agora é começarmos a ser procurados por empresários disponíveis a investir”.

Piscina descoberta irá ser uma realidade Gavião é o único município do norte-alentejano que não tem uma piscina municipal descoberta nos seus equipamentos. Situação que vai mudar, em breve. José Pio, presidente da Câmara Municipal, confirmou que o projeto já foi aprovado e que esta foi a única promessa eleitoral que fez aos gavionenses. “Só fiz uma promessa quando me candidatei no primeiro ano: tudo faria para que quando tivesse que sair da Câmara, deixar uma piscina descoberta feita e aprestamo-nos para conseguir concretizar esse objetivo”, explicou. O autarca adiantou que já há projeto, “temos candidatura a caminho, temos financiamento”. No entanto, o financiamento não contempla a piscina que “não tem possibilidades de candidatura”. A piscina descoberta irá ser assumida “na sua totalidade pela Câmara Municipal” num investimento de cerca de 700 mil euros. Mas José Pio não quer uma “piscina tradicional” na sede de concelho. “Não esperemos dali um tanque, uma piscina tradicional mas sim um espaço diferente, um espaço apelativo”, esclareceu o presidente. A piscina irá ficar localizada junto ao Agrupamento de Escolas de Gavião, na antiga casa de João Ascensão, e vai implicar um projeto de requalificação. “Existe uma casa

que vai ser adaptada a Posto de Turismo, vai ter uma loja de produtos tradicionais e, na parte superior, vamos criar uma sala polivalente onde vamos divulgar a nossa Banda Juvenil, tudo o que é o seu espólio e o maestro Sílvio Pleno, que foi o fundador da Banda Juvenil do Gavião, a par com o antigo presidente da Câmara, Jaime Estorninho”, esclareceu o presidente. José Pio não quis arriscar uma data para a conclusão dos trabalhos mas adiantou que a candidatura será submetida na próxima quarta-feira e espera que “dentro de um mês esteja aprovada” de forma a que seja possível “lançar concursos e pedir autorização ao Tribunal de Contas, que é sempre o que demora mais tempo”. A candidatura a fundos europeus para a requalificação da casa de João Ascensão representa uma comparticipação de 85%. O autarca disse esperar que “no primeiro trimestre do próximo ano” a obra terá início, e que “sabemos que é uma obra para 365 dias, um ano, portanto só em 2021 é que estaremos em condições de mergulhar naquele espaço”. Um investimento de 1 milhão e 200 mil euros que, segundo o presidente da Câmara Municipal de Gavião, “é aquilo que sinto que podemos fazer”. Patrícia Seixas


REPORTAGEM /

Na terra das velas, há uma arte que é para “a vida toda” Fotos por Carolina Ferreira

Onze da manhã em ponto. O cheiro a vela paira no ar e envolve inevitavelmente quem sobe a Ladeira de São Bernardo, em Cardigos. Para lá da porta ouve-se tocar na rádio a música “A Vida Toda”, de Carolina Deslandes. Entramos. O espaço transporta-nos inevitavelmente para um ambiente acolhedor, onde o tempo parece não passar e a religiosidade do trabalho se sente a cada canto, não fossem também as velas produzidas enviadas, em grande parte, para Fátima. Lá dentro ouve-se o senhor António a mexer nas tábuas de cera. Cada segundo importa e por isso não há tempo para grandes conversas. Do antigo lagar “tal e qual como um de azeite antigo”, onde se “transforma a cera em bruto para apurar” e se derrete a cera suja, para as ceiras de onde “pressionadas escorre a cera líquida”, para as caixas onde se moldam as barras, divididas por travessas - porque “pegar numa barra inteira é muito pesado” - até chegar à máquina que molda e dá forma à cera “conforme aquilo que a gente pretende”, o processo é repetido vezes sem conta, movido pela força, pela vontade e pelo gosto que de quem há 67 anos faz das velas vida. É sem horários e sem fins de semana que a Fábrica de Velas Condestável se mantém “há cerca de 35/40 anos” em atividade, como uma das mais antigas na região. Nasceu pelas mãos de António Silva e produz cerca de 2500 velas por dia. Com um sorriso na cara e um espírito positivo, todos os dias às sete da manhã já está na fábrica porque “quem trabalha com gosto não cansa”. Este ‘amor para a vida toda’ começou aos 17 anos, quando António foi “trabalhar para uma fábrica de velas aqui em Cardigos, a terra das velas”, ao mesmo tempo que trabalhava num café. O destino assim quis que, tempo depois, pensasse em “pôr uma fábrica por minha conta e foi indo pouco a pouco, até que hoje já é uma boa fábrica”. “Calhou assim. A minha vida tem sido sempre com muitas horas de trabalho mas com gosto”, conta-nos António enquanto coloca as travessas a dividir as tábuas. Hoje, tem a ajuda “daquelas máquinas, em que a gente mete lá as barras e está sempre vela a sair”, mas ainda tem a máquina “à moda antiga” onde se punham 16 velas a secar, com a qual já foi até ao Algarve, para dar a conhecer a sua arte em feiras. Produz para “todo o país”, com destaque para o Norte, mas é para Fátima que vão mais velas. A Con-

/ O senhor António Silva trabalha com velas desde os 17 anos. Apesar do muito trabalho e de ter cada segundo contado, diz admite que “ quem trabalha com gosto não cansa”

/ Com 27 anos, André Flores acompanha o avô na sua fábrica e juntos estão a começar a percorrer o país para dar a conhecer a arte de fazer velas

destável é uma das quatro fábricas do país que produzem para o Santuário. “Agora as fábricas estão a ter uma crisezinha porque não se gastam velas nas Igrejas. Em Fátima gasta-se muito e eu tenho a sorte de ter o cliente de Fátima, senão…”, conta António, enquanto aponta para um depósito grande com o qual vai buscar “cera líquida que há lá nos depósitos para depois para a semana ir lá levar uns 300 e tal quilos de velas”. Numa altura em que matéria-prima “há em todo o lado”, o senhor António diz que apenas usa “matéria-prima boa para fazer placas para as abelhas, cera pura” e foge à moda da parafina, o derivado do petróleo que muito se usa para fabricar velas. A conversa está boa, mas o tempo corre e a cera já está a ficar fria. Enquanto o senhor António foi tirar as barras para irem para a máquina, falamos com o neto. André Flores tem 27 anos e representa já a terceira geração da família. Acompanha o avô todos os dias, seja nas deslocações pelo país fora seja na fábrica, a produzir as velas de duas qualidades: as de Fátima, com um tom mais amarelo, e as brancas “de primeira qualidade”, como diz o avô António. Diz sem rodeios que “se não gostasse não vinha para cá” e vê a fábrica como “uma oportunidade” de dar seguimento ao negócio de família. André pode ser a personificação da renovação, da tipicamente conhecida ‘lufada de ar fresco’. Isso é bem visível no seu discurso, quando conta que “não podemos localizar-nos só na região“ e que “estamos num processo de renovação, porque a fábrica ainda está muito parada no tempo”. E o relógio está mesmo a começar a andar: “Para já, estamos a criar uma fábrica nova [na zona industrial de Cardigos]. Depois é preciso criar mais procedimentos dentro da fábrica. A própria imagem da empresa precisa de ser mais atual. Vamos entrar na Internet agora, já temos um site quase pronto e vamos começar a diversificar um bocadinho mais os produtos, com velas aromáticas, velas decorativas. Depois disso, iremos iniciar mais presenças em feiras”. As ideias são muitas, a vontade de as concretizar ainda maior e o futuro está à bater à porta. Um futuro com novas instalações, com mais diversidade e com a certeza dada pelo senhor António de que vai continuar a “trabalhar com gosto para dominar as dificuldades” naquele que é o seu trabalho para ‘A Vida Toda’. Ana Rita Cristóvão

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POLÍTICA /

CRIA e Grupo de Teatro Palha de Abrantes vão trabalhar em conjunto O Centro de Recuperação e Integração de Abrantes (CRIA) assinou, a 23 de julho, um protocolo com o Grupo de Teatro Palha de Abrantes (GTPA). “O Grupo de Teatro Palha de Abrantes vai passar a colaborar connosco na organização, na gestão e na direção do nosso Grupo de Teatro”, começou por dizer o presidente da Direção do CRIA, Nelson de Carvalho. Depois de se ter procedido à leitura do protocolo, trabalho assegurado pelo Sérgio, um utente da instituição, foi a vez da assinatura entre ambas as partes. A Teresa, presidente da Comissão de Utentes do CRIA e uma das atrizes do CRIARTE, o Grupo de Teatro do CRIA, fez-se ouvir através do computador para dizer que estavam “muito felizes por terem aceite este desafio para podermos desenvolver o grupo de Teatro do CRIA”. Helena Bandos, presidente da Direção do Grupo de Teatro Palha de Abrantes, confessou que “há muitos anos que pensava em oferecer os serviços do GTPA para trabalhar aqui, porque nós já colaborámos várias vezes no FNATES (Festival Nacional de Teatro Espe-

cial) com espetáculos nossos”. Disse sentir-se “feliz porque é mais um desafio na minha vida mas não é só um desafio meu mas de todos. E todos estamos, de facto, com vontade de trabalhar convosco”. A presidente do GTPA assumiu que “não vamos fazer maravilhas porque não sabemos fazer maravilhas mas vocês vão fazer maravilhas, não nós”, dirigindo-se diretamente aos utentes do CRIA. Helena Bandos disse que o GTPA iria “criar condições para que vocês se sintam felizes e realizados. E que quando chegarmos ao Natal, possamos ter já qualquer coisa que se possa ver e que se diga que valeu a pena assinar este protocolo. E quando chegarmos ao FNATES, que saia um espetáculo de que as pessoas digam que o CRIARTE continua a criar arte”. O presidente do CRIA também usou da palavra para “agradecer a oportunidade que nos dão de crescer. O objetivo da Direção, e desde há muitos anos, foi sempre o de que o Grupo de Teatro é um projeto fundamental e precisa de se desenvolver”. Nelson de Carvalho também constatou que “às vezes há dificuldades, é verdade. Mas quando há

/ Helena Bandos e Nelson de Carvalho após a assinatura do protocolo

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OPINIÃO /

dificuldades nós temos também a obrigação de superá-las por cima para fazer mais e melhor. E daí que, na dificuldade em que estávamos, este convite ao GTPA parecia-nos óbvio. E agradeço à Helena Bandos que, assim que a contactei, disse-nos logo que sim”. “Estamos agora todos convocados para participar, como sempre participámos, nos trabalhos de expressão artística no âmbito do CRIARTE para fazermos mais, para fazermos melhor, para, eventualmente, entrarmos em projetos com atores e atrizes nossos e atores e atrizes do GTPA. Fazermos coisas juntos”, afirmou o presidente do CRIA. Nelson de Carvalho disse ainda que “a nossa expetativa com este Protocolo é darmos um grande salto em frente na qualidade e nas possibilidades do trabalho que aqui vamos fazer”. No final da sessão de assinatura do protocolo, os utentes do CRIA e os membros do GTPA foram convidados a deslocarem-se até ao átrio da instituição onde fizeram alguns exercícios, coordenados por Helena Bandos, e onde terminaram a dançar, para alegria de todos. Patrícia Seixas

José Alves Jana FILÓSOFO

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ão há uma literatura abrantina. Por isso não há uma história da literatura abrantina. Mas podemos fazer o exercício de pensar como se houvesse. Então, como exercício, literatura abrantina seria a literatura escrita e publicada por pessoas a viver no concelho (ou região) de Abrantes. Este exercício permite-nos um olhar mais focado sobre uma das dimensões da nossa vida coletiva. Olho para trás e o mais longe que consigo ver é “Lançando ao vento”, de Joaquim M. Valente, publicado em 1963 em edição de autor. É um livro de memórias que apresenta um valor sobretudo histórico. Depois, recordo os nomes de Maria Lucília Moita, poesia e memórias, e Tereza de Mello, contos e novelas: como autoras, caíram no esquecimento. José Alberto-Marques chega a Abrantes no final da década de 60 do século passado e aqui continuou, sobretudo poesia e romance, uma obra que é hoje a mais extensa e a que maior projeção, mesmo internacional, alcançou. José Falcão Tavares nasce na poesia, mas depois emigrou para o ensaio e para a narrativa médica. Augusto Mendes tinha uma voz poética singular e chegou a dirigir, a partir de Abrantes, a revista ibérica de poesia Canal, mas a sua morte prematura cortou cerce o que havia ainda a esperar. Também Mário Cordeiro era senhor de uma escrita madura, de prosa poética. Entretanto, o fenómeno da escrita literária publicada diversificou-se. Explodiu. Muitas são as pessoas, mais e menos jovens, que deram à estampa sobretudo ficção, algumas memórias e pouca poesia. De qualidade muito desigual, como seria de esperar. De entre todas, destacaram-se José Manuel Heleno, novela, que entretanto migrou para a escrita filosófica, e José Martinho Gaspar, que continua a afirmar-se através de alguns prémios que tem vindo a ganhar e a que o JA deu justo destaque no último número. Entretanto, alguns poetas populares chegaram à edição, destacando-se Joaquina Tavares Varandas, de Conca-

A História da Literatura Abrantina vada, e Maria da Piedade Anselmo, de Abrantes. Eurico Heitor Consciência foi caso único na recolha e edição de crónicas de jornal. Fora do concelho de Abrantes, pouca coisa tem sido dada à luz, pelo menos que brilhe até estas páginas. Para lá deste cenário de figuras autorais, o panorama local e regional caracteriza-se sobretudo pela falta… De crítica: há alguma informação sobre o que vai sendo publicado, mas não uma avaliação sobre a obra, o que induz a confusão de que tudo tem igual valor. De ensino: a escola ensina (talvez) a escrever o português corrente e a literatura com valor reconhecido, mas não há onde quem queira possa aprender e melhorar a escrita literária, ficando-se uma vez ou outra pela indigência casada com a suposição de que se é já um escritor por ter publicado um livro (mau). De edição: se há alguma recetividade para textos históricos por parte das câmaras municipais, a escrita literária apenas recorre à edição de autor ou a uma editora que publica desde que paguem, logo sem critério. De estudo: não há, minimamente, uma atenção, de arquivo, de análise, de divulgação, sobre o que aqui atrevidamente designamos por História da nossa literatura. De estímulo: tirando o prémio da Medio Tejo Edições, não há outro tipo de apoios, nem sequer páginas juvenis ou literárias, instrumento de revelação e aprofundamento de muitos jovens escritores a nível nacional. Está, portanto, quase tudo por fazer. Apesar disso, muita gente tem publicado. Falta elevar a fasquia da qualidade do ecossistema literário local. É neste panorama que José Alberto-Marques (1939) se prepara para fazer 80 anos com lugar assegurado na História da Literatura Portuguesa, que José Falcão Tavares tem agora mais tempo (?) para a escrita e que José Martinho Gaspar continua a consolidar a sua obra.


PATRIMÓNIO / OPINIÃO /

Teresa Aparício

Largo João de Deus

Nuno Alves MESTRE EM RELAÇÕES INTERNACIONAIS nmalves@sapo.pt

E

ncontramos este pequeno largo mesmo no coração do centro histórico de Abrantes, outrora rodeado por pequenos estabelecimentos de comércio, muitos dos quais hoje infelizmente fechados. Chamou-se em tempos Largo do Pasteleiro ou Pasteleiros, topónimo possivelmente ligado a esta actividade profissional. Em 12 de Janeiro de 1890, um grupo de sócios da Sociedade João de Deus apresentou à Câmara um requerimento no sentido de alterar o nome deste local para Largo João de Deus, o qual foi deferido e o referido topónimo assim se conservou até aos nossos dias. Mas quem foi João de Deus e o que teve ele a ver com Abrantes? Este ilustre poeta e pedagogo nasceu em S. Bartolomeu de Messines a 8 de Março de 1830 e faleceu em Lisboa, a 11 de Janeiro de 1896. Na sua juventude passou pelo seminário, mas reconhecendo que não tinha vocação, saiu e foi para Coimbra onde ingressou na faculdade de Direito. Aqui teve uma vida algo boémia e, começando a ficar conhecido pela facilidade com que versejava, chegou mesmo a vender os seus poemas para poder sobreviver. Passou depois pelo jornalismo, foi também deputado, mas era pela sua poesia lírica que continuava a ser conhecido. O casamento em 1868, com Guilhermina das Mercês Battaglia, uma senhora de boas famílias, trouxe-lhe estabilidade emocional e económica e o seu comportamento a partir daí mudou completamente, revelando-se muito mais amadurecido. Começou a envolver-se em campanhas de alfabetização e a interessar-se profundamente por esta actividade, numa altura em que uma grande parte da população portuguesa era analfabeta. Na sequência deste interesse, publicou, em 1876, a Cartilha Maternal, na qual era aplicado um método de aprendizagem da leitura e da escrita, bastante inovador para a época, com influências do pedagogo suíço Pestalozzi. A Cartilha teve desde o início imenso sucesso e foi mesmo saudada com entusiasmo por alguns dos intelectuais da época,

F entre os quais Alexandre Herculano. Pouco depois da sua publicação, foi aprovada como método nacional da aprendizagem da leitura e da escrita e João de Deus tornou-se, nas últimas décadas do século XIX, numa das figuras mais conhecidas e carismáticas do país. Em Maio de 1882, foi fundada em Lisboa a Associação de Escolas Móveis, com o fim de ensinar a ler e escrever, por este método, a todos os indivíduos que o solicitassem. Para a sua divulgação foram enviados a diversas povoações do país, professores devidamente habilitados que o ensinariam aos professores locais. A sua fama chegou também rapidamente a Abrantes. Logo em 1878, a Câmara mandou a Lisboa o professor primário, Joaquim de Soveral Tavares, com o fim de aprender o método de ensino preconizado por João de Deus, que depois iria aplicar numa escola a abrir numa das dependências do antigo Convento da Esperança, na altura entregue aos militares. Em Março de 1884, já em Abrantes funcionava uma Escola Móvel onde se estavam a realizar os primeiros exames, tendo sido escolhido para presidente do júri o Dr. Ramiro Guedes, pessoa de grande prestígio a nível local e grande admirador de João de Deus, em cuja honra publicou um texto de homenagem, na altura em que o poeta comemorava 65 anos de vida.

Em 1887, foi fundada a Biblioteca Histórico – Científica, que pouco tem depois passar-se-ia a denominar Sociedade de João de Deus. Foi presidida por algumas figuras ilustres entre as quais se conta precisamente Ramiro Guedes e muito iria contribuir para o desenvolvimento cultural da população de Abrantes. Em 1889, já tinha um grupo dramático a funcionar e, nesse mesmo ano, comemorou o aniversário do poeta com um sarau musical e literário para o qual foram convidadas todas as crianças das escolas do concelho. Em 1908, a conhecida escritora Ana de Castro Osório veio aqui fazer uma conferência intitulada: Instrução e Escolas Maternais. É neste contexto de grande entusiasmo em relação a João de Deus e ao seu método, que em 1890 é feita à Câmara a proposta de integrar o seu nome na toponímia da então vila de Abrantes. Hoje, este método já se encontra bastante desactualizado, mas não devemos esquecer contudo a grande importância que teve no seu tempo e o seu papel de pioneiro numa altura em que poucos se preocupavam com a alfabetização não só das crianças mas da população em geral. Consultas: - Campos, Eduardo, Cronologia de Abrantes no século XIX, C.M. de Abrantes, 2005. - https:pt.wikipedia.org/wiki/João de Deus de Nogueira Ramos

oi com muito gosto que, recentemente, fui abordado por um leitor das minhas crónicas publicadas no Jornal de Abrantes sobre a eventualidade de uma guerra entre os EUA e o Irão. Vai ou não haver guerra? Há muitos factores que determinam uma guerra. Podemos começar pela preparação, dimensão e sofisticação tecnológica de um exército, interesses geopolíticos ou económicos ou mesmo rivalidades de origem étnica, clânica, tribal ou mesmo religiosa. Há também a perspectiva da guerra como um fim e não como um meio. O Império Otomano era um predador militar que vivia da guerra e para a guerra e que nunca se dedicou à integração económica do seu vasto império. Em resultado disso, grande parte das conquistas territoriais otomanas nunca geraram a riqueza suficiente para, do ponto de vista racional, justificar a sua conquista. O mesmo se podia dizer das elites aristocráticas europeias que acreditavam que apenas pela guerra e pelos feitos heróicos a que ela induz se podiam notabilizar. Contudo, no mundo contemporâneo das democracias, da caça ao voto e da procura pela reeleição, a guerra é um trunfo jogado com cuidado. No caso americano, muitos factores favorecem ou limitam o uso da guerra. Na esfera da opinião pública, a propensão americana para o isolamento faz com que seja dificil colocar a opinião pública a favor de uma guerra, especialmente se for para intervir num conflito externo

Vai uma guerra?

que pouco diga ao povo americano. A economia também é um factor a equacionar, já que a guerra, pelos recursos económicos que movimenta, poderá ser um trunfo usado para voltar a por a economia a mexer. Vejam-se os benefícios económicos que a II Guerra Mundial e a Guerra Fria providenciaram à economia americana depois da Grande Depressão. O caso já piora se essa guerra sorver o crescimento gerado internamente pela economia ou se puser em causa uma reeleição, o que seria o cenário mais provável actualmente. Por outro lado, a guerra é útil quando se pretende distrair a opinião pública face à impopularidade de um governo. Em paralelo, tendo em conta a base eleitoral, a guerra poderá ser um trunfo a jogar se isso aumentar o número de votos. Por último, há a imprevisibilidade do factor psicológico. Estados de loucura e ignorância têm sido muitas vezes associados publicamente às decisões políticas de Trump. Ainda assim dificilmente teremos uma guerra até ao fim do primeiro mandato de Trump, já que ele quer garantir a reeleição. E, neste momento, no contexto económico e político americano, uma guerra é um trunfo que não convém jogar já. Já no segundo mandato...

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DESPORTO /

Entrevista com Octávio Vicente, tramagalense que na última década se assumiu como atleta de referência na região, concretizando o seu sonho. Numa conversa bem disposta, contou-nos como tem construído este percurso, com várias vitórias em provas nacionais, representação de Portugal no estrangeiro e o que ainda podemos esperar dele. Octávio, como é que um futebolista mediano construiu o sonho de se tornar atleta de referência?

Isso é um elogio, eu era mesmo medíocre! [gargalhada] Mas fiz grandes amigos nessa fase. O sonho veio depois, comecei por pedalar para emagrecer... e numa fase mais avançada, quando me senti mais leve, a corrida foi inevitável. A natação, embora seja o meu dia a dia no cais da piscina só a “experimentei” quando realizei o meu primeiro XTERRA em 2010. A partir daí não mais parei...

Neste percurso tens mudado várias vezes de clube, umas vezes representando equipas do concelho, noutros casos clubes de outras regiões. Porquê?

Entretanto, não te ficaste pelo BTT e avançaste para outras modalidades...

Serei sempre, enquanto pessoa e atleta, um defensor da humildade, gratidão e saber estar. E quando essas três qualidades deixam de estar presentes eu sinto que estou a mais. Luto por um desporto saudável, por boas condições e que um “Boa sorte!”, “Como correu?” ou “Precisas de algo?” será sempre mais importante que o dinheiro. Seja com que camisola for, é isto que defendo.

O BTT, pelo meu passado, será sempre o desporto que adoro fazer. O XTERRA é sem dúvida a modalidade que mais me completa. Todas as modalidades que pratico são essencialmente para desfrutar e experimentar algo novo.

No triatlo, a natação é o teu calcanhar de Aquiles e impediu-te de chegar mais longe?

A natação será sempre o meu maior handicap, seja no passado ou no futuro. É claro que isso faz com que não vença provas de triatlo, mas quando agarro na bike e passo para a corrida posso perfeitamente esquecer essa parte. Por outro lado, adoro o treino de natação e adoro chegar a qualquer país e nadar naqueles sítios maravilhosos. Acredito que um dia vou nadar melhor e ser mais competitivo... até aos 40 anos vou acreditando e sonhando [risos].

Esta época começaste a aparecer no Swimrun, onde já subiste várias vezes ao pódio. De que estamos a falar?

Participas em algumas provas e campeonatos de referência a nível nacional, mas também internacional. Obténs, através da prática desportiva, rendimentos suficientes para uma vida desafogada?

/ fdfsdfs O SwimRun consiste em correr e nadar alternadamente várias vezes. A parte interessante é que nadamos de sapatilhas e podemos nadar com a ajuda de flutuadores e material propulsivo. É uma modalidade nova em Portugal. Consigo-me defender bem na corrida e

procurar o desafio na água... sem esquecer as paisagens maravilhosas onde decorrem as provas.

Quais consideras os momentos mais altos do teu trajeto enquanto atleta?

Já tive momentos muito mar-

Um pergunta que muitas pessoas me colocam. Poderia ter uma vida desafogada se não praticasse desporto? Talvez... Mas foi uma questão que nunca coloquei a mim próprio. O desporto tirou-me da vida banal que tinha, deu-me saúde, fez de mim a pessoa que hoje sou. Tenho os meus patrocínios, as equipas que represento ajudam, mas, sem rodeios, 70% das despesas de época são supor-

tadas por mim. As provas internacionais têm custos elevados, mas comparando com a importância de viajar, conhecer o mundo, ir por vezes acompanhado da família e ainda fazer o que se ama... aí esses 70% não fazem diferença. É claro que tenho um trabalho que sempre sonhei ter, que me permite viajar e treinar o suficiente para estar a um nível interessante. Mas não tenho uma vida desafogada, tenho sim uma vida feliz ao lado e com o apoio das pessoas que mais amo.

Quais os pontos altos desta época?

Sem dúvida um dos pontos altos foi o XTERRA Portugal, onde consegui um terceiro lugar na geral a nível internacional, lutei e persisti vários anos e o momento aconteceu. O outro foi ter sido campeão nacional de LaserRun. Foi um momento único, fazendo uma prova atrás do prejuízo e quando tudo parecia perdido aquela faixa surgiu à minha frente. Transmiti para fora (miúdos e graúdos da minha equipa) que a palavra acreditar continuará a estar sempre presente na minha vida...

Quais os teus próximos objetivos e até quando vamos continuar a ver-te correr, pedalar e nadar?

Tem um sido um época cansativa e ainda vamos a meio. Provas quase todos os fins de semana, viagens e o corpo ressente-se da intensidade que a cabeça quer impor. Tenho o Campeonato do Mundo de LaserRun, em setembro, e a médio e longo prazo será sempre a evolução no XTERRA principal objetivo. Confesso que é um tema a que tento fugir, que mexe bastante comigo e me deixa de lágrima no olho, esse do dia em que eu tenha de dizer “hoje acaba”. Sempre disse que competição para mim só tinha significado se fosse para lutar pela vitória. No dia em que terminar é de vez. Nesse dia, passo para o outro lado da barricada e quero formar homens e atletas com a mesma essência, que é a humildade, a gratidão e o saber estar. Até lá vamo-nos vendo por aí... José Martinho Gaspar

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JORNAL DE ABRANTES / Agosto 2019

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Um tramagalense a pedalar, a nadar e a correr por um sonho

cantes, tanto altos como baixos, mas considero três momentos chave. O primeiro foi quando ganhei a minha primeira prova a nível nacional, Duatlo BTT em Estremoz, e duas semanas depois estava no Havai na finalíssima do XTERRA, ainda hoje sinto arrepios quando recordo estar na partida e o helicóptero por cima... O segundo foi a minha primeira participação com as cores da selecção como elite num mundial de Triatlo Cross. Fiquei em antepenúltimo lugar, uma experiência que me marcou imenso. Dias depois, em Portugal, vencia a minha segunda prova (Duatlo BTT) e levantava a faixa com a minha filha ao colo. O terceiro momento mais marcante foi a vitória no Duatlo das Lezírias, onde tudo tinha começado com um 44.° lugar 8 anos antes...


DESPORTO /

3ª etapa da Volta a Portugal atravessa o Médio Tejo DR

A 3ª etapa da 81ª Volta a Portugal em bicicleta vai ligar as cidades de Santarém e Castelo Branco e terá passagem por Barquinha, Constância, Abrantes, Mação e Gavião, no dia 3 de agosto. A etapa começa em Santarém às 12:35 e se o pelotão fizer uma média de 38 kms por hora deverão passar por Alpiarça, Chamusca (13:14), Ponte da Chamusca para Golegã (13:24), Riachos (13:34), Entroncamento (13:48), Barquinha (13:50), Tancos (13:58), Ponte sobre o Zêzere em Constância (14:08), Rio de Moinhos (14:23), meta volante em Abrantes junto ao RAME (14:28), Abrantes – Rotunda do Olival (14:31), Mouriscas (14:46), Penhascoso – prémio Montanha 4ª categoria (15:01), Mação – junto à escola (15:10), Belver (15:33), Gavião – prémio de montanha de 3ª categoria (15:41), seguindo depois para Nisa em direção a Castelo Branco, onde a etapa termina por volta das 17:41. Os ciclistas vão a 3 de agosto percorrer 194,1 kms pelas estradas nacionais, percorrendo grande parte da EN Nº 3. Este ano o prólogo da prova acontece em Viseu (1 de agosto), a segunda etapa vai ligar Marinha Grande a Loures (3 agosto) e a 3ª Santarém a Castelo Branco (3 agosto). O pelotão ruma depois a norte com a 4ª etapa a ligar Pampilhosa da Serra à Torre, na Serra da Estrela (4 de Agosto) e no dia seguinte Oliveira do Hospital à cidade da Guarda (5 agosto). O dia 6 de agosto será de pausa para depois a volta seguir de Torre de Moncorvo para Bragança (7 agosto), Bragança – Montalegre (8 agosto), Viana do Castelo – Felgueiras (9 agosto), Fafe – Alto da Senhora da Graça (9 agosto) e o contra relógio individual final vai ligar Gaia ao Porto (10 agosto).

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Jorge Santiago/mediotejo.net

12ª Volta a Portugal de Cadetes arranca em Abrantes

Organizada pela Federação Portuguesa de Ciclismo, a Volta a Portugal de Cadetes Liberty Seguros, na estrada entre 2 e 4 de agosto, é a primeira da série de Voltas a Portugal, antecedendo a de elite. É uma prova para jovens ciclistas de 15 e 16 anos. A apresentação das equipas vai ter em lugar em Abrantes, pelas 11:30 horas de dia 2 de agosto, no Castelo da cidade, de onde arrancará, simbolicamente, às 13 horas, a 1ª etapa da prova. A partida oficial está prevista para as 13h00, na Rua do Tecnopolo, rumo à Rua do Cana-Verde, seguindo-se um percurso por

várias localidades do concelho: Barca do Pego (13h05); Casal das Mansas, Mouriscas (13h16); ponte sobre o Tejo, Mouriscas/Alvega (13h28); Concavada (13h32); Barrada (13h40); Vale de Zebrinho (13h45); Pego/EN118 (14h00), Coalhos; Rossio ao Sul do Tejo/EN 118 (14h07); Cruzamento para o Tramagal; Arrifana/ EN2 (14h11); Bemposta (14h28); Vale de Açor (14h33); Bicas (14h44); Caniceira; Tramagal (15h00); Rossio ao Sul do Tejo/Santo António (15h11); Barreiras do Tejo/EN 2; Avenida António

Farinha Pereira (15h17), Meta Final na Rua do Tecnopolo (15h19). Numa distância de 83,5 km, os ciclistas terão uma Meta Volante no Pego e um Prémio de Montanha de 4ª categoria em Vale de Açor. No dia seguinte, 3 de agosto, a etapa irá percorrer o o concelho de Castelo de Vide, distrito de Portalegre. Já a terceira etapa da Volta, no dia 4, sai de Tomar às 10 horas, culminando na meta instalada junto à Câmara Municipal de Ourém. No total, os cadetes vão percorrer mais de 233 quilómetros.

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SAÚDE / CHMT diminui dívida total em quase 6 Milhões de Euros (Hipócrates) Lourdes León

Médica Interna de Saúde Pública Unidade Saúde Publica do Médio Tejo

Alimentação Saudável (parte 2) A alimentação é um fator fundamental para nossa saúde e tem um papel importante na prevenção de doenças. Para além de incorporar na nossa alimentação diária os grupos de alimentos da roda dos alimentos, é necessário saber o que escolher e ter em consideração as quantidades e qualidade dos alimentos para conseguir, ao longo do dia, satisfazer as necessidades do nosso organismo consoante a atividade diária e conseguir manter o peso recomendado. Quase 6 em cada 10 portugueses, ou 5,9 milhões, são obesos ou já exibem características de pré-obesidade, segundo o último Inquérito Alimentar Nacional. A hipertensão arterial, com uma taxa de prevalência de 26,9%, de acordo com a Direção-Geral da Saúde, integra o grupo das doenças cardiovasculares com números inquietantes. Estas e outras doenças, como a diabetes, encontram-se ligadas ao excesso de açúcares, de gorduras (lípidos), de gorduras saturadas e de sal. Cada vez mais as população ociden-

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tais apresentam a incidência de doenças relacionadas com a alimentação, que está a aumentar devido à maior disponibilidade de comida hipercalórica e rica em sal. Cada vez mais, as pessoas têm uma vida agitada, pelo trabalho, escola e múltiplos desafios que se apresentam e as 24 horas do dia não são suficientes, o que implica que temos a tendência a consumir alimentos hipercalóricos e ricos em sal; pelo que cada vez mais as escolhas que fazemos devem ser pensadas. Além de pensar no aspeto e sabor dos alimentos, é igualmente importante estar atentos ao aporte nutricional, já que com a moda dos alimentos com informação de light ou magro, importa saber principalmente as quantidades de açúcar, sal e gorduras além dos conservantes que podem fazer a diferença na saúde a longo prazo. A rotulagem é uma ferramenta fundamental no acesso dos consumidores à informação sobre os géneros alimentícios, permitindo-lhes realizar escolhas mais conscientes e informadas e efetuar uma utilização mais segura e adequada dos mesmos. A rotulagem alimentar e nutricional é

JORNAL DE ABRANTES / Agosto 2019

de extrema importância, na medida em que permite aos consumidores fazerem escolhas alimentares mais adequadas às suas necessidades e preferências, contribuindo igualmente para um correto armazenamento, preparação e consumo dos alimentos. Fonte: www.alimentacaosaudavel. dgs.pt O descodificador de rótulos representa uma forma simples e prática para escolher alimentos ou bebida por 100 g ou 100 ml de acordo com a informação disponibilizada. Propõe-se que opte por alimentos e bebidas com nutrientes maioritariamente na categoria verde, modere aqueles com um ou mais nutrientes na categoria amarela e evite aqueles com um ou mais nutrientes na categoria vermelha Quando se pretende comparar dois alimentos da mesma gama (por exemplo: duas embalagens de cereais) o correto será comparar o valor nutricional apresentado por 100g de alimento. O valor energético indica a quantidade de calorias que o alimento em causa fornece.

/ Os montantes da dívida têm-se mantido estáveis PUBLICIDADE

“Somos o que comemos”

O Centro Hospitalar do Médio Tejo, EPE, efetuou, no mês de junho, o pagamento a fornecedores no montante de 5.885.736,79 euros. A mais recente diminuição da dívida insere-se na estratégia de consolidação e controlo das contas do CHMT, EPE, “numa rigorosa gestão financeira” que acompanha o acréscimo da atividade assistencial, o desenvolvimento e o investimento em novos equipamentos. “Temos o montante da dívida sob controlo, com mais atividade, mais investimento e o mais baixo volume de dívida dos últimos 10 anos” afirma Carlos Andrade Costa, presidente do Conselho de Administração. O presidente do Conselho de Administração do CHMT, EPE, sublinha “o reforço da aposta da Tutela, na prestação de cuidados de saúde na Região do Médio Tejo, visível na injeção periódica de capitais que revelam igualmente o investimento que a Tutela tem feito de forma contínua no CHMT, EPE”. Recorde-se que no passado dia 26 de fevereiro de 2019, o CHMT, EPE, teve um aumento de capital visando exclusivamente o pagamento, por ordem de maturidade, de dívida vencida no montante de 10.300.000€. Esse valor foi transferido em duas tranches, sendo a primeira de 2.935.500€ creditada na conta do CHMT a 27/02/2019 e cujo montante foi utilizado para liquidação de dívidas a fornecedores externos nesse mesmo dia. Carlos Andrade Costa, presidente do Conselho de Administração do CHMT, EPE, frisa que “os montantes da dívida se têm mantido estáveis fruto dos reforços ligeiros realizados pela Tutela nos hospitais do SNS. Sendo que no caso concreto do CHMT, EPE, nem o aumento da atividade assistencial, nem o aumento do investimento em novos equipamentos de diagnóstico e tratamento dos doentes têm desequilibrado o montante da dívida, mantendo-se em patamares sustentáveis para o futuro do CHMT,EPE.

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Agosto 2019 / JORNAL DE ABRANTES

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EVENTO

ANIMAÇÃO DE VERÃO

EXPOSIÇÃO

DIA 08 // 22:00 CENTRO HISTÓRICO

DIA 12 // 10:00–19:00 PISCINA AO AR LIVRE

DIA 22 // 22:00 CENTRO HISTÓRICO

DE 09 DE AGOSTO A 20 DE SETEMBRO BIBLIOTECA MUNICIPAL ANTÓNIO BOTTO

Comemorações

de Intervenção Artística

A grande floresta Teatro do Mar

Dia Internacional O2 PIA — Projetos da Juventude

DESPORTO

LEITURA

DESPORTO

DIA 02 // 11:30

DIA 22 // 15:30 // ÁGUA TRAVESSA DIA 26 // 15:30 // RIO DE MOINHOS DIA 30 // 15:30 // VALE DAS MÓS

DIA 25 // 10:00 PARQUE URBANO DE ABRANTES

12.ª Volta a Portugal em Cadetes 1.ª Etapa - Ciclismo

11:30 — Apresentação das Equipas 13:00 — Partida simbólica do Castelo 15:00 — Meta final no Parque Tecnológico do Vale do Tejo PERCURSO ARTÍSTICO

DIA 03 // 19:00 CASTELO / FORTALEZA

Abrantes que já cá não moura

Com Francisco Goulão DESPORTO

DIA 03 // 14:15 JUNTO AO RAME (QUARTEL)

81.ª Volta a Portugal Ciclismo

BIAgens com livros

A BIA (Biblioteca Itinerante de Abrantes) — Atividades e ateliers de promoção da leitura

7.ª Resistência Branquinhos do Pedal BTT

Cartografia militar de Abrantes: séculos XVIII a XX De José Vieira

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ANIMAÇÃO DE VERÃO

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Jornal de Abrantes - agosto 2019  

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