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Freguesia de


Freguesia A freguesia de Malhou pertenceu ao antigo concelho de Pernes, que foi extinto no ano de 1885, tendo passado então para o de Santarém e posteriormente para o de Alcanena em 1914, quando este foi criado. A freguesia de Malhou está localizada no extremo sul do concelho de Alcanena e engloba ainda o lugar de Chã de Cima e uma pequena parte da povoação da Moita, abarcando uma área de 1.218 hectares. Pouco populosa, Malhou tem lutado para suster a desertificação populacional, ameaça contida em décadas de emigração e migração de valorosos malhouenses que, procurando o melhor para as suas famílias, daqui saíram para terras de França e outros países da Europa, Canadá, Estados Unidos em termos de emigração, e os migrantes para as grandes cidades como Lisboa e seus arredores. Em 1981 residiam 844 pessoas, numero que baixou para 801 dez anos depois, e que pelos censos de 2001 passou para 854 o número de residentes, sendo 431 indivíduos do sexo masculino e 423 do sexo feminino. Em termos de edifícios existiam 463, e os alojamentos na nossa aldeia eram 480, dados estes retirados dos censos de 2001. Malhou vive uma situação privilegiada no que se refere às infra-estruturas básicas pois possui rede de abastecimento de água, electricidade e saneamento por toda a freguesia, assim como a recolha de lixo que é realizada de três em três dias.


A rede escolar abrange o pré-escolar e o 1º ciclo, com estabelecimentos próprios para o seu uso, assim como um refeitório de apoio aos seus utentes. O serviço de atendimento de saúde é feito através do posto médico localizado no edifício da casa do povo. Quanto a serviços de apoio social não existe nenhum, sendo uma das faltas a colmatar no futuro, um dos principais anseios das gentes do Malhou. A prática desportiva, tem dois espaços onde se pode realizar, faltando acabar os balneários no ringue polidesportivo existente, e no salão da Casa do Povo com o apoio da Junta de Freguesia, é dinamizada a prática de ginástica quer pela Câmara Municipal para os mais idosos, quer pelos Paladinos do Futuro – Associação de Pais da nossa terra. Em relação às vias de comunicação, tem na sua quase totalidade pavimento em asfalto nos lugares da freguesia, e os caminhos vicinais são foco de atenção e melhoramentos da junta de freguesia, todos os anos. As festividades religiosas acontecem pelo menos duas vezes por ano, no mês de Fevereiro em honra de Nossa Senhora das Candeias, que se realizam no lugar da Chã de Cima, e no mês de Agosto, em honra do Divino Espírito Santo, na matriz. Estas festividades desempenham um importante papel na animação e encontro de gerações, substanciada pelos muitos emigrantes que nestas datas retornam à aldeia para matar saudades dos seus familiares e amigos da freguesia. Apesar do carácter rural da freguesia, a agricultura é hoje um complemento para o sustento da população. Esta está agora dependente das industrias e serviços localizados na sede do concelho e outras freguesias próximas, assim como do comércio e pequenas indústrias existentes na


freguesia. Contudo, os campos circundantes continuam a ser aproveitados, quer com culturas de sequeiro, que satisfazem a produção não só de cereais como de palha utilizado para consumo dos animais que aqui em número considerável são criados. O malhouense preza também muito em ter a sua horta, onde produz culturas de regadio para seu sustento. A produção de azeite continua a ser eleita pelos malhouenses, como actividade preponderante pelo seu apego à terra. É normal que gente de cá que vive noutros lugares, aqui voltarem para a apanha da azeitona, e do azeite obtido fazerem estandarte daquilo de bom que por aqui existe. Chegaram a laborar no Malhou, seis lagares ao mesmo tempo, sendo um deles, uma

cooperativa com o que de mais moderno existia na altura por todo o país. Os homens e mulheres do Malhou, são gente laboriosa, pacata, humilde, amigos do seu amigo, que me deixa vontade de dizer: Malhou, aldeia de “gentes com bons azeites”


Herรกldica


Os moinhos

A janela da igreja


Cultura Os custumes e usos da freguesia foram-se perdendo ao longo dos anos, apesar de alguns se manterem ainda como é o caso das tradições religiosas. Do artesanato podemos destacar os bordados antigos em linho, feitos manualmente, que ainda hoje são de bastante realce e bem apreciados. Embora com já pouca ou nenhuma expressão o artesanato desta freguesia tambem passava pelo fabrico de sacos de sarrapilheira, cestos em vime e artigos de madeira. Mais raros nos dias de hoje, são os trabalhos feitos em madeira representando juntas de bois e outras actividades essencialmente agricolas os quais continuam a ter admiração pelo trabalho simples mas laborioso executado pelos nossos antepassados e alguns conterraneos, dos quais se destaca o Sr. José Frazão, utilizando apenas lixa, uma navalha e um pequeno serrote, aproveita restos de madeiras e outros materiais, para nos mostrar, com estas peças muito simples, algumas memórias dos anos da sua infância (anos 30). Os contos populares são uma das grandes riquezas das povoações, que nos inteiram dos tempos antigos em que se juntavam as pessoas e partilhavam histórias, poesias, lendas e ditados populares. … Estávamos em Março de 1147, e D. Afonso Henriques após ter conquistado Coimbra, prosseguia agora para a conquista de Santarém, batendo-se pelo crescimento da nossa pátria e do cristianismo, prestando vassalagem à Santa Sé, que anteriormente que lhe tinha conferido reconhecimento do reino. Aqui bem perto nos vales fér-


teis do Alviela, acampou com as suas tropas, como o tinha aconselhado, Mem Ramires, cavaleiro do rei que tinha por estes locais passado antes para estudar o inimigo. Deleitaram-se com as límpidas águas, aproveitaram alguns dos muitos peixes que essas águas enriqueciam, assim como dos frutos que naqueles vales cresciam. Cedo se colocaram a descansar, pois as léguas percorridas já tinham sido muitas, e o esforço de outras batalhas ainda se faziam notar nos seus corpos. Neste lugar havia um ferreiro, que havia sido abordado por alguns militares que acompanhavam o 1º Rei de Portugal, para fazer algumas reparações e melhoramentos a algumas das armas e escudos utilizados, pelas tropas. O dito ferreiro, aproveitando tão precioso trabalho que lhe tinha sido proposto e devido ao calor que da forja saia, toda a noite trabalhou, para conseguir a tempera desejada para os seus trabalhos. Malhando no ferro durante toda essa noite, trabalho esse feito com dureza suficiente que foi bem audível pelo nosso fundador e seus acompanhantes. Era já quase de madrugada, quando acabou. Quando deixou de ouvir o ferreiro a trabalhar, D. Afonso Henriques com determinação que o caracterizava logo, gritou então para as tropas: - Levantai-vos, levantai-vos e prossigamos a nossa jornada porque o ferreiro já malhou!!! E repetiu: - O ferreiro já malhou!!! E foi a partir daqui que este lugar passou a designar-se Malhou, palavras últimas que El-Rei de Portugal aqui proferiu. A gastronomia continua tambem a enriquecer a tradição malhouense. Mantêm-se ainda os tradicionais pratos confeccionados com feijão, couves, o bacalhau com batata a murro, não esquecendo os pratos de caça. Cachola, couve com feijão, bolos de canudos, broas dos santos, coscorões, parrameiros são de uma geral, pratos que se perpetuam na gastronomia desta aldeia.


Os jogos tradicionais trazem-nos a lembrança de outros tempos, em que não havia televisão, nem computadores sequer. Estes atraem ainda hoje, não só os mais idosos como também as camadas mais jovens que por curiosidade se embrenham na diversão do jogo da malha, do tiro ao alvo, do tiro aos pratos, corridas de sacos, jogo do xinquilho e os tradicionais jogos de cartas e damas. Todos estes estão ainda activos entre a população de todas as camadas que com eles se deliciam a passar os tempos livres de verão. A maior parte dos usos e costumes da região foram-se perdendo, realçando-se nomeadamente os costumes religiosos que se mantêm ainda e que os mais jovens ajudam a consolidar com a sua participação activa. A freguesia de Malhou é contemplada por altura do natal pela sua fogueira que é instalada junto a igreja, fonte de calor para o convívio dos malhouenses que ali se deslocam. Por altura do Carnaval faz-se um concurso de máscaras durante um baile que assinala o Entrudo e até a Páscoa normalmente organiza-se um Baile da Pinha, como noutras aldeias vizinhas. Os eventos que no entanto são mais importantes, são os festejos de Agosto que sendo em Honra do Divino Espírito Santo nosso Orago, são também festejos de recepção ao emigrante, e que dos quais quase toda a população residente usufrui assim como forasteiros que aqui vêem divertir-se. Há que destacar o dia dois de Fevereiro que é celebrado pelas gentes da Chã de Cima em Honra de Nª Sª das Candeias. Por altura dos Santos Populares algumas pessoas festejam com realização de fogueiras perfumadas com alecrim, e sardinhadas


2012

Malhou  

livro sobre o Malhou

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