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ESTREIAS CINEMA

SILÊNCIO

ESTREIA 19 JANEIRO

SILENCE

DE

MARTIN SCORSESE

Duração: 2h 41min

COM LIAM NEESON, ADAM DRIVER, ANDREW GARFIELD

O novo e aguardado filme de Martin Scorsese decorre no Japão do séc. XVII. Dois jesuítas portugueses, Sebastião Rodrigues (Andrew Garfield) e Francisco Garupe (Adam Driver), procuram o seu mentor espiritual, o padre Cristóvão Ferreira (Liam Neeson), que, vítima de perseguição e tortura, terá renunciado publicamente à sua fé Scorsese conta que há quase três décadas queria fazer este filme, desde que descobrira o romance homónimo de Shusaku Endo, um cristão japonês, na altura em que participava como actor em Sonhos, do seu amigo Akira Kurosawa. Aquela história de perseguição e resistência (e os seus limites) dos missionários jesuítas portugueses no Japão dos séculos XVI e XVII (que, entre nós, já João Mário Grilo abordou em Os Olhos das Ásia, 1996) tocou fundo o realizador, em cuja obra as questões religiosas estão sempre, de alguma forma, presentes, ou são mesmo nucleares, como em

A Última Tentação de Cristo e Kundun, tendo o primeiro sido fonte de enorme controvérsia. Como serão agora as reacções a este filme, que tanto tem que ver connosco e a nossa história a Oriente? Na estreia americana, entre o deslumbramento e o encanto, a revista Slate escrevia que este é um filme sobre o dilema da fé e da religião, onde a dúvida paira permanentemente. “Será que é verdade que as nossas preces desaparecem perante um Deus silencioso, será possível que o acto de rezar ainda funcione?” E a Rolling Stone remata: “Ninguém que tenha fé nos mistérios do mundo e do cinema poderá pensar em perder Silêncio.”

MOONLIGHT MOONLIGHT

DE

BARRY JENKINS

ESTREIA 2 FEV

Duração: 1h 51min

COM MAHERSHALA ALI, SHARIFF EARP, TREVANTE RHODES,

DUAN SANDERSON JANELLE MONÁE, NAOMIE HARRIS

Uma das sensações do ano, Moonlight fez parte das várias listas dos melhores filmes de 2016. Publicamos um excerto de uma entrevista ao realizador Barry Jenkins, realizada por Nicolas Rapold para a revista Film Comment (Set/Out '16) O filme acompanha três fases na vida de Chiron: enquanto rapaz, adolescente e adulto. É quase como uma peça de música com movimento. Existe esta personagem que está numa espécie de recuo dentro de si próprio, e a música dentro do filme diz-nos o que ele não consegue. No início começa por ser muito baixa. No momento em que chegamos à terceira história, a música (a própria banda-sonora) começa por ser muito mais expressiva e sensual.

Cresci a um quarteirão de distância do apartamento do filme. E daí algumas das vozes, a forma como a pele das pessoas está sempre brilhante — dissemos ao maquilhador: sem pós, precisamos de brilho. Mas o principal é a personagem da mãe, interpretada por Naomie Harris. O dramaturgo Tarell McCraney escreveu o texto-base, cerca de 40-45 páginas, sem ser linear. Saltava para a frente e para trás no tempo, metade entre o ecrã e o palco. E assim que o li, pensei imediatamente: isto é um filme. Não conhecia o Tarell antes, mas crescemos literalmente a um quarteirão de distância. Andámos na mesma escola básica, e a mãe dele e a minha mãe passaram pelo terrível vício do crack e da cocaína. E não existe uma cena com ela que não tenha acontecido ao Tarell ou a mim. Trata-se de falar de coisas sobre as quais eu sempre quis falar. E foi muito libertador porque é realmente difícil fazer uma autobiografia, colocar as nossas próprias merdas no ecrã. Prémios e Festivais: Golden Globes: 6 Nomeações

E em que medida é que o filme tem uma sensação de lar para si? 6

JANEIRO | FEVEREIRO '17

Bristish Independent Film Awards: Best Inter. Independent Film Gotham Awards: Melhor Filme; Prémio do Júri; Prémio do Público


Medeia Magazine - Janeiro / Fevereiro 2017