Page 4

ESTREIAS CINEMA

O DIVÃ DE ESTALINE LE DIVAN DE STALINE

DE

FANNY ARDANT

ESTREIA 26 DE JANEIRO

Duração: 1h 32min

COM GÉRARD DEPARDIEU, EMMANUELLE SEIGNER, PAUL HAMY, LUNA PICOLI-TRUFAUT

A partir do romance O Divã de Estaline, de Jean-Daniel Baltassat, Fanny Ardant realiza um filme que é “uma fábula sobre a relação entre o poder e a arte”, onde a verdade interessa mais que a realidade e a poesia resiste à escuridão.

Fanny Ardant — É verdade que não À frente, um abismo informe, tenho respostas, mas quis fazer Atrás, vazia, a gaiola. perguntas. E quis, precisamente, Ossip Mandelstam [Poesia da recusa, trad. Augusto de Campos] submeter à psicanálise ou colocar numa posição vulnerável um de nós, nesta nossa época, escadas para se juntar à comitiva um homem que desatava a falar, possa estar sempre prestes de Estaline que parte para mentindo a si próprio, isto é, não a perder a sua alma, se não Moscovo, “será que pode descer querendo encontrar soluções prestar atenção. Já não se trata as escadas a deslizar?”, porque para ele mesmo. Mas, como de fascismo puro e duro, como também isso era metafórico, ele diz a Lidia, gostaria muito o de Hitler ou Estaline, mas é, ele vai a deslizar. Já nunca mais de saber como fez Freud para talvez, mais pernicioso, talvez a irá sair dali, porque creio que extorquir todos aqueles segredos sociedade materialista nos faça todos os compromissos com aos burgueses ricos. Então, perder a nossa alma ainda mais um poder que nos degrada são servi-me desta dita psicanalista definitivamente. para deixar filtrar aquilo que mesmo um homem monstruoso "Todos os compromissos com um poder que nos degrada como Estaline poderia possuir, são o princípio de uma decadência" Fanny Ardant juntamente com os seus pecados; algo nele que seria inconsolável. Essa era uma das questões. E o princípio de uma decadência. O miúdo, primeiro, a mulher claro, peguei em arquétipos, ou […] E era também uma pequena que ele amara, e que se tinha seja, Lidia que, durante muito metáfora a do pequeno cão que suicidado — o pecado supremo tempo, se envolvera com o poder corre, corre e que, no último para a União Soviética, que é e de repente diz “não”, tal como minuto, é salvo dos cães que decidir quando se quer morrer. nós todos podemos dizer “não” iriam matá-lo. Portanto, no meu a uma dada altura. Mesmo não filme, faço muito mais perguntas Portanto, em todas estas histórias sendo santos ou mártires, há, por do que respostas. Mas sempre que contei, no fundo, tudo vezes, momentos na vida em que pensei que ver filmes que não permanece em aberto. Tinha a dizemos “não”. E depois, o outro têm respostas me permitia impressão de que, para mim, o arquétipo, o pintor Danilof, que sonhar mais, e quando o Gérard turning point era quando Lidia faz compromissos, desenrasca- disse “operático”, penso que se dirige ao espectador dizendo -se. É por isso também que, compreendo porquê, como uma “E tu, o que fizeste para perder quando pedi ao jovem actor, no espécie de ritual inexorável em a tua alma?”. […] Como se cada momento em que ele desce as direcção a qualquer coisa. 4

JANEIRO | FEVEREIRO '17

Medeia Magazine - Janeiro / Fevereiro 2017  

Neste ano que começa com a promessa de grandes filmes, vários deles de entre os melhores de 2016 e cuja estreia aguardávamos ansiosamente...

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you