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EDITORIAL

O BOSQUE DOS QUINCÔNCIOS

Neste ano que começa com a promessa de grandes filmes, vários deles de entre os melhores de 2016 e cuja estreia aguardávamos ansiosamente, há várias rimas de programação. E, se falamos em rimas, não é só porque o acaso nos trouxe várias obras onde poesia e poetas estão presentes (Paterson, Poesia sem Fim, O Bosque dos Quincôncios, As Asas dos Desejo…). Entre as chamas e as almas, o riso e o choro, o campo e a cidade, os encontros e desencontros, a fé e o desespero, a vida e a morte, e O AMOR [que] REDIME O MUNDO, como no verso de Cesariny, os cruzamentos pelos filmes que vamos poder ver são múltiplos e variados. Como nos sonhos. Dizia Jim Jarmusch que “o cinema é a forma artística mais perto dos sonhos”. Pois bem, pelo sonho é que vamos.

DE

As Nossas Salas: Cinema Monumental (Lisboa) Espaço Nimas (Lisboa) TMP Campo Alegre (Porto) Auditório Charlot (Setúbal) Theatro Circo (Braga) Teatro Académico Gil Vicente (Coimbra) Centro de Artes e Espectáculos (Figueira da Foz)

Programação sujeita a alterações de última hora. Confirme sempre em www.medeiafilmes.com

Equipa Director: Paulo Branco Coordenação Editorial: António Costa Colaboram neste número: Barry Jenkins, Diana Cipriano, Emir Kusturica, Enrique Vila-Matas, Fanny Ardant, Fátima Castro Silva, Inês Viana, Jim Jarmusch, João Luís Barreto Guimarães, Lara Marques Pereira, Maria Manuel Viana, Marta Chaves, Nicolas Rapold, Nuno Galopim, Renata Curado, Ron Padgett. Design: André Carvalho e Catarina Sampaio Capa: Toni Erdmann; O Divã de Estaline Paterson; Manchester by the Sea; Com o apoio

LA FORÊT DE QUINCONCES

GRÉGOIRE LEPRINCE-RINGUET

JANEIRO | FEVEREIRO '17

EDEIA

ESTREIA BREVEMENTE

COM GRÉGOIRE LEPRINCE-RINGUET, PAULINE CAUPENNE, AMANDINE TRUFFY

Dur: 1h 49min

Com que palavras ou que lábios é possível estar assim tão perto do fogo, Manuel António Pina

(Eve ? Bruno ?)

ONDINE ou CAMILLE ou …

Que dia admirável ! O parque imenso desmaia sob o olhar ardente do sol, como a juventude sob a dominação do Amor.1 Uma rapariga. Um rapaz. “Não me dás um beijo? Porquê?” Correm. Um atrás do outro. Rápido. Cada vez mais rápido. “Paul, pára! Mais devagar!” Corte para as árvores. O ruído de alguém que cai. Plano seguinte: Ondine no chão, joelhos e cotovelo feridos. O que aconteceu? Como caiu Ondine? O Bosque dos Quincôncios, primeira longa-metragem do autoractor Grégoire Leprince-Ringuet (que conhecemos dos trabalhos com Téchiné, Honoré ou Guédiguian, entre outros) é um filme que nos surpreende, do princípio ao fim. Escrito na sua maior parte em verso, o ritmo (da métrica, das rimas), as palavras tornadas música, enlevam-nos de forma encantatória e convidam-nos, espectadores, a dar asas à imaginação, num jogo entre o som, o sentido e a cor, que anda mais perto da verdade (quanto mais poético, mais verdadeiro2). Neste bosque (des)harmonioso, Paul (que o próprio Leprince-Ringuet interpreta), nome que homenageia o herói Paul Dédalus, de Comment je me suis disputé... (ma vie sexuelle), de Desplechin, vê-se obrigado a fazer escolhas perante a desordem que a ruptura lhe traz. Serão as melhores? Bem, o que sabemos é que é preciso tentar, correr riscos (e este filme também o faz, de uma forma que há muito não víamos), e se falharmos, e cairmos, como por várias vezes acontece com Paul, levantarmo-nos, nem que seja para cair de novo (o poema ensina a cair3), e de novo nos reerguermos. Este filme, com ecos de Demy e Honoré, reapropria-se de Paris, dos telhados e das ruas, dos teatros e dos ateliers, com uma energia contagiante, febril e sensual. Deixe-se levar. Como ao dançar. A.C. 1

2

3

Charles Baudelaire | Novalis | Luiza Neto Jorge

Prémios e Festivais: Festival de Cannes: Selecção Oficial

2

EXCLU

CINEMSIVO AS M


Medeia Magazine - Janeiro / Fevereiro 2017