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ESTREIAS CINEMA

TONI ERDMANN TONI ERDMANN

DE

MAREN ADE

ESTREIA 16 FEVEREIRO

Duração: 2h 42min

COM SANDRA HÜLLER, PETER SIMONISCHEK, MICHAEL WITTENBORN

Filme-sensação em Cannes, longamente ovacionado, Toni Erdmann levou o prémio da Crítica, o primeiro de muitos que viria a conquistar nos meses seguintes

Toni Erdmann é o nome de uma personagem criada por um pai, para chamar a atenção da filha, demasiado centrada no trabalho numa grande empresa sediada em Bucareste, e que não parece ter herdado o seu sentido de humor. Este é o terceiro filme da realizadora alemã Maren Ade, que também escreveu o argumento. Na conferência de imprensa em Cannes, Ade assumiu que há muito queria fazer uma história sobre este assunto: a família. “Queria explorar os papéis que todos desempenham, os rituais que se repetem e, por outro lado, falar sobre o desejo de alguém de romper com isto tudo e começar do zero. Por isso, inventei este pai que cria a personagem Toni Erdmann, para conseguir dizer o que quer à filha.” O pai, divorciado e professor de música na reforma, decide finalmente cumprir a promessa tantas vezes feita, de visitar a filha em Bucareste. O desconforto de ambos, perante uma relação que não tem sido alimentada ao longo dos anos, resulta num fim-de-semana de pesadelo, como confessa a filha às amigas com quem se encontra num bar. O que Ines não sabe, é que o pai não voltara para casa, está sentado mesmo ali ao lado, e depois de ouvir o comentário da filha decide mudar o estado das coisas. Nos dias que se seguem, vai usar uma dentadura e uma cabeleira e manter-se em redor da filha, para conseguir que ela desperte para a vida. Toni Erdmann é interpretado pelo actor Peter Simonischek, que admitiu ter feito muitas comédias no teatro, mas nenhuma como esta, que só compreendeu verdadeiramente depois de ver o filme. 14 JANEIRO | FEVEREIRO '17

No papel da jovem executiva, que tenta ser valorizada num universo predominantemente masculino está a actriz Sandra Hüller, que assume prontamente que não se considera uma actriz de comédia — “mas a Maren Ade conseguiu tornar-me cómica, foi muito bom para mim perceber como pode resultar”. Hüller confessou que quando aceitou o papel, não sabia que ia ser este o registo: “era suposto ter um conflito com o meu pai, com o patrão, com o amante ou comigo mesma. A beleza dos filmes de Maren é que as pessoas ficam envergonhadas com o que está a acontecer e isso aproxima-nos da história”. Os dois protagonistas são constantemente confrontados com um guião repleto de situações incómodas, que Maren Ade preparou durante a rodagem com uma caixinha de pequenas surpresas: óculos, orelhas ou narizes saíam da caixa para levar os actores a um outro nível de humor e de exposição ao ridículo. A fórmula resultou e esta comédia traz uma lição que vale para qualquer sociedade moderna que esteja a perder o sentido de humor e o sentido da vida. Lara Marques Pereira [na conferência de imprensa do Festival de Cannes], Cinemax/Medeia Magazine

Prémios e Festivais: Festival de Cannes: Selecção Oficial em Competição; Prémio FIPRESCI Golden Globes: Nomeação Melhor Filme Estrangeiro European Film Awards: Melhor Filme, Realizador, Argumento, Actor, Actriz Lux Prize

Medeia Magazine - Janeiro / Fevereiro 2017  

Neste ano que começa com a promessa de grandes filmes, vários deles de entre os melhores de 2016 e cuja estreia aguardávamos ansiosamente...

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