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ESTREIAS CINEMA

LA LA LAND: MELODIA DE AMOR LA LA LAND

DE

DAMIEN CHAZELLE

ESTREIA 26 JANEIRO

Duração: 2h 08min

COM EMMA STONE, RYAN GOSLING, J.K. SIMMONS, FINN WITTROCK, JOHN LEGEND

Valores clássicos em tempos modernos Gostamos de celebrar os “regressos”. E um dos “regressos” de que mais se costuma falar no cinema é o do musical. Não as novas experiências, pelas temáticas diferentes ou formas musicais menos habituais, como as que nos deram John Cameron Mitchell em Hewdig and The Angry Inch, ou Christophe Honoré em Les Chansons d’Amour, isto para nem falar na oferta de Bollywood, que pelos vistos para muitos são cartas fora deste baralho... Fala-se normalmente do “regresso” do musical quando o tom evoca a dimensão das grandes produções clássicas de Hollywood e, com filmes como Chicago ou Les Misérables, o discurso repetiu de facto os velhos efeitos de encantamento. Contudo, não se tratava realmente de “regressos”, já que nenhum um desses dois títulos gerou uma sucessão de produções semelhantes no imediato, como em tempos sucedia quando grandes musicais surgiam em cartaz uns atrás dos outros. Na verdade, mais do que esses dois casos que tanto brado deram no momento, coube à Disney, nos anos 90, fazer de filmes como A Pequena Sereia, A Bela e o Monstro ou O Rei Leão, a recriação mais evidente de uma aposta recorrente no trabalho de relacionamento do espírito clássico do musical com o grande ecrã.

Tudo isto para chegarmos a La La Land, o novo filme de Damien Chazelle que poderá, mesmo se colher os muitos galardões para o qual está já nomeado, não ser mais do que um episódio sem continuidade garantida nesta mesma história. Um episódio que promete contudo grande visibilidade, bilheteira e prémios. Sucessor de Whiplash na obra do realizador, contando novamente com a ajuda de Justin Hurwitz na composição (que desta vez junta climas jazz a sabores clássicos do musical americano), e com os nomes de Ryan Gosling, Emma Stone e John Legend no elenco, La La Land retoma uma história antiga: a de wannabees que querem vingar em Hollywood. Uma actriz e um músico de jazz... Com a âncora em fundo seguro, o filme aposta no aparato técnico. E basta ver o efeito da sequência de abertura (e mais clássica não podia ser, mesmo com ecos modernos pelo meio) para perceber porque aposta no efeito de deslumbramento. A cor, as danças e as canções são depois o tempero certo para que a coisa não falhe o alvo. Nuno Galopim

Prémios e Festivais: Festival de Veneza: Selecção Oficial em Competição; Melhor Actriz (Emma Stone) TIFF: Melhor Filme, Escolha do Público Golden Globes: 7 Nomeações Sattelite Awards: Melhor Filme; Melhor Banda Sonora Original; Melhor Direcção Arte

JANEIRO | FEVEREIRO '17 11


Medeia Magazine - Janeiro / Fevereiro 2017