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Janeiro | Fevereiro 2013

00:30 Hora Negra Kathryn Bigelow Ă  prova de bala

Django Libertado

O Western sulista de Quentin Tarantino

FERRUGEM E OSSO O novo filme de Jacques Audiard

Lincoln vs Hitchcock Duelo de biopics

Paul Thomas Anderson Regressa com O Mentor JANEIRO | FEVEREIRO 2013

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editorial Ainda bem que o mundo não acabou em 2012, caso contrário não poderia ver o regresso de Steven Spielberg, Quentin Tarantino ou Jacques Audiard. Audiard traz-nos Ferrugem e Osso, uma adaptação livre de dois contos de Craig Davidson, que junta uma vedeta internacional – Marion Cotillard- a um ilustre desconhecido - Matthias Schoenaerts. Prepare-se para um confronto de biopics que promete arrebatar alguns dos prémios mais cobiçados do cinema mundial – Hitchcock e Lincoln. O primeiro retrata a vida do mestre do cinema de suspense e terror enquanto o segundo mostra-nos Abraham Lincoln, presidente americano responsável pela abolição da escravatura. Sobre escravatura fala o último filme de Quentin Tarantino. Um western sulista, um “Southern”, com Jamie Foxx a interpretar um escravo em busca da sua carta de alforria caçando criminosos para um dentista alemão. A maior caça ao homem do século dá o mote para o filme 00:30 Hora Negra de Kathryn Bigelow. A primeira mulher a conquistar um Óscar de melhor realização volta a vestir o colete à prova de bala e é capaz de surpreender com uma história que todos conhecem o desfecho. O Espaço Nimas traz-nos Kino 2012, um ciclo que comemora os 50 anos do Goethe Institute em Portugal, a Nouvelle Vague e a reposição de Tabu, o filme de Miguel Gomes que conquistou tudo e todos.

Ágata Xavier

Equipa Director: Paulo Branco Edição e textos: Ágata Xavier Design: Catarina Sampaio Colaboração: André Carvalho e Frederico Batista Capa: Ferrugem e Osso

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JANEIRO | FEVEREIRO 2013

O MENTOR de

ESTREIA 7 Fev

Paul Thomas Anderson

Duração: 144 min

com Philip Seymour Hoffman, Joaquin Phoenix, Amy Adams, Laura Dern

Nomeado para 3 Globos de Ouro, O Mentor chega aos cinemas nacionais depois de ter estreado no Lisbon & Estoril Film Festival. Com realização, argumento e co-produção a cargo de Paul Thomas Anderson, O Mentor conta a história de um veterano da II Guerra Mundial que se tenta ajustar à sociedade pós-conflito. Acaba por conhecer e integrar o movimento filosófico A Causa e iniciar, assim, um processo de evangelização pela Costa Este. Com um elenco de luxo com interpretações de Joaquin Phoenix, Philip Seymor Hoffman e Amy Adams - o filme baseia-se livremente na história do fundador da Cientologia, L. Ron Hubbard, assim como em episódios da vida do actor Jason Robards e do escritor John Steinbeck. Paul Thomas Anderson explicou numa entrevista que o princípio, meio e fim do seu mais recente filme já estavam planeados. O que aconteceu entre isso é que não estava previsto mas estava próximo do que imaginou. Lancaster Dodd (Philip Seymour Hoffman) é o líder carismático de um culto terapêutico e semi-religioso que usa uma mistura de hipnose, Freud e sensacionalismo: a Causa. Através de uma busca interior, que escarafuncha traumas passados de uma existência anterior, procuram um significado para o comportamento negativo das pessoas. Dodd, “mais showman do que xamãn” (The New York Times) começa a questionar se esse passado ao qual querem aceder não será imaginado (ao invés de recordado). A memória por vezes é construída

“É um filme que desafia a compreensão mesmo que incite à crença absoluta” The New York Times


ESTREIAS cinema com recurso a momentos vividos ou observados, criando, a partir do que nunca aconteceu, novas memórias vívidas e realistas. Para o The New York Times, o filme de Paul Thomas Anderson é uma causa em si mesmo, “uma gloriosa e assombrosa sinfonia de cor, emoção e som” no qual a realidade dos factos é tão secundária para os protagonistas como para os espectadores. O princípio da alienação de Brecht em acção: o público está ciente do envolvimento emocional que o filme lhe proporciona ao mesmo tempo que sabe que não é real. “É um filme que desafia a compreensão mesmo que incite à crença absoluta” (NYT) e não é por isso de estranhar que tenham associado a figura de Lancaster Dodd a L. Ron Hubbard, o fundador da Cientologia. Inspirado sim, como Anderson já fizera antes em There Will Be Blood a servir-se de Edward L. Doheny para a personagem interpretada por Daniel Day-Lewis, mas não é uma biografia não oficial. Dodd inlfluenciará, e muito, Freddie Quell (Joaquin Phoenix pós–trauma I’m Still Here), um veterano a quem é diagnosticado uma doença nervosa e que se refugia no álcool. Sobrevivente de guerra e de uma infância sem amor, acaba por desenvolver uma relação próxima, e paternal, com líder do culto (a palavra que é apenas proferida uma vez em todo o filme). “Freddie precisa de salvação, de uma seta que lhe indique o caminho. “A Causa” é essa seta.” (Chicago Tribune). Exímio em criar um ambiente dos anos 50, com guarda-roupa de Jack Fisk e música de um agitado (e genial) Jonny Greenwood, Anderson consegue criar, ao mesmo tempo, uma atmosfera de ligação e distanciamento. É esse factor quase alienígena que tem fascinado a crítica que, na incapacidade de definir o filme, se mostra interessada em voltar à sala de cinema mal este termina.

Sabia que... O filme foi gravado em 65mm, um formato que foi utilizado pela última vez em 1996 no filme Hamlet de Kenneth Branagh, que confere uma patine antiga ao filme.

L. Ron Hubbard Polivalente, Lafayette Ron Hubbard começou por ser escritor de livros de ficção científica até os seus textos ganharem outra dimensão. Chegou a comandar dois navios durante a II Guerra Mundial mas a sua incapacidade em fazê-lo acabou por ditar o seu afastamento. Perdeu a Marinha, ganhou a escrita. Foi com um compilação de ideias de auto-ajuda, o Dianetics, que começou a desenvolver aquilo que viria a definir como Cientologia. Mais tarde escreveu aquele que considerou ser “o” livro, Excalibur, uma espécie de Bíblia escrita depois de várias expedições pelo mundo. Esta consiste, sobretudo, numa série de rituais e normas fundamentais para compreender “a ciência moderna da saúde mental”. Os temas das suas teses eram variados e abrangem a economia, a sociedade, as drogas ou a literatura. Em 1952, fundou o movimento que é actualmente conhecido como Igreja da Cientologia. Fez muitos dos seus encontros a bordo de uma frota de barcos pessoal até ver o acesso a vários portos negado pelos governos dos respectivos países (Portugal foi um deles). Regressou aos Estados Unidos em 1975 tendose refugiado no deserto californiano. A igreja que fundou descreve-o como um homem multifacetado, explorador nato e conhecedor de várias artes como a fotografia ou a poesia. Morreu em 1986 no seu rancho.

Principais festivais: Nomeado para 3 Globos de Ouro Hollywood Film Festival Festival de Cinema de Veneza

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estreias cinema

A minha Biopic é melhor do que a tua Pioneiro em várias técnicas do suspense e thriller psicológico Introduziu o termo “MacGuffin” para algo sobre o qual o enredo gira mas que no fim não significa nada

........................................................... Criou o movimento de câmara que simula a visão do próprio actor

........................................................................ O seu primeiro artigo chama-se “Gas” e é sobre as alucinações de uma mulher na cadeira do dentista

.............................................. “Actors are cattle” (“Actores são gado”) foi uma frase dita, ou mal interpretada, que perseguiu o realizador para sempre

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Glup! dividia planos para aumentar a ansiedade, o medo e a empatia

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Foi morto com um tiro na cabeça enquanto assistia à peça de teatro “Our American Cousin”

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Aboliu a escravatura e promoveu a modernização do país. Garantiu vitórias constitucionais, militares e morais

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O seu discurso de Gettysburg de 1863 é um dos mais citados da história e fala sobre o nacionalismo, os direitos igualitários, a liberdade e a democracia.

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Responsável pela instituição do Thanksiving COmo feriado nacional na última quinta-feira de Novembro. O FERIADO RELEMBRA A PRIMEIRA REFEIÇÃO ENTRE entre índios e colonos americanos

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casado com Alma Reville COM QUEM teve uma filha, Patricia.

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Um é Sir, o outro presidente dos Estados Unidos da América. O primeiro fez mais de 50 filmes e o segundo liderou um país que viria a ter 50 Estados. Vertigo de Hitchcok é considerado o melhor filme da História. O discurso de LincoLn em Gettysburg é o mais citado da História. Muita pesquisa e muita caracterização depois, chegam ao cinemas as biopics de Alfred Hitchcock e Abraham Lincoln.

Hitchcock de

Sacha Gervasi

ESTREIA 7 fev

Duração: 98 min

com Anthony Hopkins, Helen Mirren, Scarlett

de

Lincoln

Steven Spielberg

Duração: 150 min

ESTREIA 31 JAN

com Daniel Day-Lewis, Joseph Gordon-Levitt,

Johansson, Danny Huston, Toni Collette, Jessica Biel

Walton Goggins, Tommy Lee Jones, Sally Field

Principais Festivais: Nomeado para 1 Globo de Ouro – 2013 Screen Actor Guild Awards – 2013

Principais Festivais: Nomeado para 7 Globos de Ouro- 2013 Screen Actor Guild Awards – 2013

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estreias cinema

00:30 Hora Negra de

Kathryn Bigelow

ESTREIA 17 jan

Duração: 157 min

com Chris Pratt, Jessica Chastain, Joel Edgerton, Taylor Kinney, Scott Adkins, Mark Duplass

Kathryn Bygelow voltou a vestir o colete à prova de balas num filme sobre os 10 anos de perseguição a Osama Bin Laden. Kathryn Bigelow

A perseguição ao saudita que perpetrou um dos ataques mais violentos da História dá o mote para o mais recente filme de Kathryn Bigelow – 00:30 Hora Negra. O título original Zero Dark Thirty é um termo militar que designa uma hora indefinida, muito cedo ou muito tarde, um período de tempo entre a meia-noite e a alvorada. É o filme que os americanos querem ver, na esperança de terem um guião visual para o que se passou, e o resto do mundo quer espreitar, sempre sem assumir qual o desfecho alternativo que gostaria de ter visto. Um filme que começou por ser apenas sobre a batalha de Tora Bora, travada em Dezembro de 2011, quando se julgava que Bin Laden estaria escondido nessa região. Pouco antes de as filmagens começarem deu-se o inesperado: Bin Laden foi encontrado e morto por tropas americanas. O guião foi reescrito e escolheu-se Jessica Chastain para Maya, uma agente da CIA cuja obsessão por encontrar o terrorista leva-na a perseguições,

interrogatórios, torturas e subornos. Faz-se acompanhar por actores como Jason Clarke, Jennifer Ehle e Jame Gandolfini (uma presença breve mas crucial). Ao contrário dos filmes, que também se estreiam, sobre Lincoln ou Hitchcock que se baseiam em factos comprovados, 00:30 Hora Negra é um exercício sobre o que poderá ter acontecido na “Maior estória da caça ao homem da História”. Os jornais mais conservadores apontam o dedo aos diálogos e ao método de recolha de informação (com dados a terem sido fornecidos por elementos da CIA). Os mais liberais falam na importância do cinema “embedded” (incorporado) que, à semelhança do jornalismo “embedded” com profissionais a integrarem missões no terreno, vêem nele o único modo de se saber o que realmente aconteceu. O argumento de 00:30 Hora Negra ficou nas mãos de Mark Boal, um antigo jornalista. Boal teve acesso a informações importantes, e confidenciais, através de

entrevistas a vários agentes da CIA. “É um filme, não é um documentário” disse Boal à The Atlantic, “não vou usar linha a linha, porque primeiro que tudo quero garantir privilégios autorais...não me rejo por uma lógica jornalística de “quem disse o quê?” Não terá sido despropositada a escolha de uma mulher para o papel principal. Bigelow foi a primeira mulher a receber o Óscar de melhor realizadora e sabe que apesar da equipa SEAL que matou Bin Laden ser formada apenas por homens, muitas mulheres participaram na orquestração da captura. “Ao contar uma história de quase três horas com um final que toda a gente conhece, Bigelow e Boal conseguiram elaborar um dos mais intensos e intelectualmente estimulantes filmes do ano”, escreve o The Guardian. Principais Festivais: Nomeado para 4 Globos de Ouro Hollywood Film Festval

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ferrugem e osso de Jacques AudiarD ESTREIA 28 FEV

Duração: 120 min

com Marion Cotillard, Matthias Schoenaerts, Armand Verdure, Céline Salette, Corinne Masiero, Bouli Lanners

Jacques Audiard apresenta Ferrugem e Osso, o seu mais recente filme desde o premiado O Profeta. Dois corpos pela metade, um filme por inteiro.

“É uma história comovente, que sai do ecrã como uma enxurrada de água que merece ser lavada em prémios.” The Guardian

“É para rir e chorar, o que mais pode pedir pelo preço do bilhete?” Thomas Bidegain (argumentista)

Principais Festivais: Globos de Ouro: Nomeado para Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Actriz Festival de Londres: Melhor Filme Festival de Cannes: Selecção Oficial – Competição Festival de Valladolid: Melhor Filme, Melhor Actor e Melhor Argumento Festival de Cabourg: Melhor Filme

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Deformar é alterar a forma primitiva de algo ou, no caso particular deste filme, de alguém. Foi isso que Jacques Audiard fez aos personagens de Ferrugem e Osso. Alain, interpretado por Matthias Schoenaerts, é um expugilista, que vai viver com o filho Sam para casa da irmã. Numa das suas saídas nocturnas conhece Stéphanie (Marion Cotillard), uma treinadora de orcas no Marineland, e tornam-se amigos. Um dia, durante uma actuação no parque aquático, Stéphanie vê a sua vida mudar por causa de um terrível acidente. Da amizade com Alain nasce uma enorme dependência que se traduz na única maneira de Stéphanie regressar à normalidade. Vemos duas personagens que, segundo Audiard, “não são feitas para amar” (L´Express). Ele, o realizador, deformou-as à sua maneira: retirou mobilidade e auto-estima a Stéphanie e deu cabo dos ossos a Alain ao pô-lo de volta nos ringues improvisados na rua. Sem grande dó e muito pouca piedade. O enredo parte de dois contos de Craig Davidson, um autor canadiano comparado a Chuck Palahniuk pelo registo sarcástico, cru, e directo com que narra as suas histórias. Davidson é um autor admirado por Audiard que vê nele um narrador nato das convulsões do seu tempo. No original não existe tratadora de orcas mas um tratador e as duas personagens da história nunca se encontram. Aqui é diferente. Em Ferrugem e Osso, confrontam-se duas figuras opostas: uma mais doce e fragilizada e outra mais bruta e intempestiva. As duas estão unidas pelo desconforto físico e, consequentemente, emocional. “É uma história comovente” escreve o The Guardian, “que sai do ecrã como uma enxurrada de água que merece ser lavada em prémios”. De um lado, uma vedeta de peso, Marion Cotillard — que viu a sua


ESTREIAS CINEMA vida cinematográfica mudar ao chegar a Hollywood com A Origem de Christopher Nolan ou Batman — o Cavaleiro das Trevas Renasce, do mesmo realizador. Do outro, um ilustre anónimo, Matthias Schoenaerts, escolhido para o papel depois de Audiard o ter visto num filme. “Há muito que queria trabalhar com ela (Cotillard)”, diz o realizador “pensei pôr à sua frente um amador, um boxeur real. Vi Bullhead, com o Matthias. Para mim foi evidente”. O actor agradece a escolha e acrescenta-lhe um elogio ao afirmar que Jacques Audiard é o melhor realizador com quem já trabalhou. Conciliar os dois actores não foi difícil, o complicado foi o filme em si. “Havia um problema específico com este filme” confessou o cineasta numa entrevista ao The Guardian, “algo que vimos frequentemente durante a escrita do guião: o contraste entre realismo e estilização. Tínhamos de estar constantemente à procura de um equilíbrio. Se é demasiado realista, fica chato. Se é demasiado estilizado, ninguém acredita nele”. A verdade é que o conseguiu encontrar. Se por um lado vemos duas pessoas a refazer a sua vida dentro de uma normalidade possível e identificável no real, por outro temos momentos mais abstractos, como o acidente de Stéphanie, em que parece um sonho (ou pesadelo), com todo o distanciamento e fantasia que dele podemos ter. É esta fluidez narrativa que imprime nos seus filmes que o tem comparado a Martin Scorsese, sobretudo a Táxi Driver ou Touro Enraivecido. Um realismo com a dose certa de magia. Imaginativo e confiante. O realizador já tinha abordado o tema da diferença em Nos Meus Lábios, com uma mulher surda a tentar um relacionamento com um homem insensível. Curiosamente foi o editor que lhe apontou as semelhanças, o próprio Audiard não tinha feito a comparação. Mas assume-a, como um regressar ao local do crime. “Talvez seja um problema de vocabulário – ‘crime’ é talvez um termo demasiado específico para o que faço”. “No final temos uma história de amor entre duas pessoas que se conhecem por causa de um acidente, e que se não fosse por isso jamais estariam juntas.” É assim que o argumentista Thomas Bidegain resume tudo. O mesmo argumentista que pergunta sarcasticamente “É para rir e chorar, o que mais pode pedir pelo preço do bilhete?”.

JACQUES AUDIARD O cineasta francês, nascido em Paris em 1952, sempre se viu envolvido no mundo da sétima arte. O seu pai, Michel Audiard, era um popular argumentista e o seu tio era produtor. Começou por ser assistente em produções francesas e chegou a trabalhar em Le locataire de Roman Polanski, em 1976. Como argumentista destacou-se em adaptações de peças para teatro até começar a escrever para cinema . Mortelle Randonnee, Reveillon Chez Bob, Saxo ou Grosse fatigue têm argumentos seus. Com o dinheiro que juntou de escrever para terceiros financiou o seu primeiro filme, Regardes les homes tomber (1994) com dois dos maiores actores franceses: Jean-Louis Trintignant e Mathieu Kassovitz. Ganhou três Césares com o seu filme de estreia e um lugar na história do cinema. Seguiram-se outros sucessos como Um Herói muito discreto, De tanto bater o meu coração parou e Um profeta. Este último, ganhou um César para melhor filme e recebeu uma nomeação para os Óscares em 2010.

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DJANGO LIBERTADO de

QUENTIN TARANTINO

ESTREIA 24 jan

Duração: 165 min

com Leonardo DiCaprio, Christoph Waltz, Jamie Foxx, Jonah Hill, Samuel L. Jackson, Amber Tamblyn

Quentin Tarantino já andava a ameaçar há muito. Finalmente decidiu-se e o seu primeiro western pode ser visto já no dia 24 de Janeiro nos cinemas portugueses.

Quentin Tarantino

Sabia que... O realizador define o filme como um southern, uma fusão dos termos “south” e “western”.

Principais Festivais: Nomeado para 5 Globos de Ouro Hollywood Film Festival

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JANEIRO | FEVEREIRO 2013

Inspirado nos filmes Django de Sérgio Corbucci (1966) com Franco Nero (que faz um cameo neste filme) e Mandingo de Richard Fleischer (1975), Django Libertado conta a história de um escravo que para garantir a sua carta de alforria se vê num dilema: matar os irmãos Brittle ou não fazer nada e continuar na mesma situação. Quem lhe dá as opções é o Dr. King Schultz (Christopher Waltz), o mesmo que comprou Django num leilão. Caso o ajude a encontrar e matar o gangue de criminosos, Schultz promete também resgatar a mulher do escravo das mãos de Francophile Candie (Leonardo Dicaprio), um fazendeiro que gere a Candyland que, ao contrário do que o nome indica, obriga os homens a lutarem por desporto e as mulheres a prostituírem-se. Com este cenário não resta outra alternativa a Django senão escolher a primeira hipótese. A escravatura é o tema em destaque, facto que é realçado por Samuel L. Jackson, que disse na estreia do filme em Nova Iorque que “estou contente que seja mostrada a realidade para que as pessoas percebam o que tendem a esconder.” Tarantino, que deixou a ideia fermentar durante oito anos, avisa os críticos, “estou aqui para vos dizer que, por mais que as coisas se tornem feias no filme, a realidade foi muito pior ”. O “southern”, assim classificado pelo realizador que fundiu os termos south e western, é “dirigido por um Tarantino soberbamente provocador e audaz, com laivos de crueldade e um arrogante desprezo”, diz o The Guardian. “Django é um filme longo, sem dúvida, com duas horas e quarenta e cinco minutos, e Tarantino pode até ter estado tentado a dividi-lo em dois, como fez com Kill Bill. Mas Django relaxa e enebria na sua forma longa, equilibrando momentos inexpressivos com a mistificação da paisagem” (The Guardian). O site Rotten Tomatoes dá-lhe 100% e classifica-o como o melhor filme do realizador desde “Pulp Fiction”.


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Hyde Park EM Hudson UM CASO REAL de

Roger Michell

ESTREIA 10 JAN

com Bill Murray, Laura Linney, Olivia Williams

Dur: 94 min

de

Nikolaj Arcel

ESTREIA 21 FEV

com Alicia Vikander, Mads Mikkelsen, Mikkel Boe

Følsgaard, Trine Dyrholm, David Dencik

Imagine-se uma sondagem para revelar qual o actor mais cool dos nossos dias. Num mundo perfeito haveria um vencedor óbvio e Bill Murray não teria problema algum em encabeçar a hipotética lista – o mínimo para quem já foi um Caça-Fantasmas, viveu e voltou a viver o mesmo dia vezes sem conta em O Feitiço do Tempo, vestiu um fato de mergulho em Um Peixe Fora de Água e viveu dias inesquecíveis nos néons de Tóquio com Scarlett Johansson em Lost in Translation. E ele está de volta (depois de já este ano o termos visto em Moonrise Kingdom) com a comédia Hyde Park em Hudson. Nesta longa-metragem de Roger Michell (o realizador de Notting Hill e O Fardo do Amor), o actor norte-americano reinventa-se como Franklin D. Roosevelt, o 32ª Presidente dos E.U.A, num papel que já lhe valeu uma nomeação como Melhor Actor de Comédia na edição deste ano dos Globos de Ouro. O filme decorre num fim-de-semana de Junho de 1939, quando o Presidente e a sua Primeira-Dama recebem o Rei George VI e a sua esposa, a Rainha Elizabeth, na sua residência em Hyde Park. Não se trata de uma mera visita oficial: estamos na véspera da II Guerra Mundial e subtilmente decide-se de que forma os E.U.A. apoiam a Inglaterra no conflito. Entretanto, nos bastidores, decorre outro jogo. Aquele que coloca Roosevelt entre as pressões da PrimeiraDama, da sua mãe e ainda da sua prima em sexto grau, Margaret Suckley, com quem alegadamente se envolveu. Os elogios à interpretação do protagonista são unânimes. “Bill Murray, que tem um alcance interpretativo mais amplo do que aquele de que muitas vezes nos lembramos, encontra a essência de Roosevelt e apresenta-a com ternura”, escreveu o influente Roger Ebert. “Bill Murray como Franklin D. Roosevelt?”, questiona o The Hollywood Reporter, esclarecendo logo de seguida: “demoramos alguns minutos a habituarmo-nos mas assim que ele se instala no papel do 32º Presidente, o idiossincrático actor cómico faz um maravilhoso e seguro trabalho.”

Dur: 137 min

Era uma vez um jovem princesa que partiu de Inglaterra para casar com o seu primo, o Rei da Dinamarca e da Noruega, um monarca absoluto mas com uma sanidade mental contestável.

À corte chega também o alemão Johann Friedrich Struensee, que se torna o médico oficial do Rei e, como se poderia prever, o amante oficioso da Rainha. Mas o “caso real” do título não se ficou apenas por um simples e apaixonado affair reservado aos aposentos reais. Saltou para a corte e para o país. Struensee e a Rainha Caroline Matilda, (para além de terem concebido um filho bastardo) foram ganhando cada vez mais poder, dada a instabilidade mental do monarca, e procuraram operar importantes transformações políticas na rígida monarquia do país, que acabou por se transformar radicalmente. Nikolaj Arcel (argumentista da adaptação original de Millenium 1: Os Homens que Odeiam as Mulheres) pegou nesta suculenta história e realizou a sua quarta longa-metragem, co-produzida pela Zentropa de Lars von Trier. Um Caso Real estreou-se no último Festival de Cinema de Berlim, onde arrecadou os prémios de Melhor Actor e Melhor Argumento. Nessa altura, o The Hollywood Reporter referiu que este “episódio emocionante da História europeia é narrado com elegância, inteligência e clareza” e “conduzido por interpretações firmes” de Mads Mikkelsen e Alicia Vikander. E pelo menos mais uns quantos parecem concordar, já que Um Caso Real está nomeado como Melhor Filme Estrangeiro nos Globos de Ouro e parece ser um dos filmes certos para encaixar na mesma categoria quando forem anunciadas as nomeações para os Óscares. Prémios: Festival de Cinema de Berlim: Melhor Actor e Melhor Argumento

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programação

espaço nimas TABU REPOSIÇÃO - 3 jan a sua sala de cinema independente

de

Miguel Gomes

Duração: 118 min.

com Teresa Madruga, Laura Soveral, Ana Moreira, Carloto Cotta

Tabu, o último filme de Miguel Gomes estreou-se em 2012 na competição oficial da Berlinale, onde recebeu o prémio Alfred Bauer. Acumulou prémios e elogios reunindo o consenso da crítica e do público. Um filme imperdível a ver no Espaço Nimas em Janeiro. O Goethe Intitute comemora 50 anos da sua presença em Portugal e resolveu assinalar a data no ciclo “Kino 2012”. O ciclo pretende dar a conhecer alguns realizadores alemães ainda obscuros e relembrar outros já consagrados. Todos os filmes remetem para a década de 60, altura em que o Instituto chegou ao nosso país. Nas décadas de 60 e 70, uma onda gigante mudou para sempre o cenário do cinema mundial. Em Paris, jovens realizadores propuseram uma nova abordagem. Um registo mais autoral, expressivo e inteligente saiu das cabeças de Jean-Luc Godard, François Truffaut, Jacques Rivette, Eric Rohmer, Alain Resnais ou Jaques Demy, entre outros. O Espaço Nimas convida a assistir aos filmes que marcaram a “Nova Vaga” do cinema francês. Continuam em exibição “Linhas de Wellington”, filme de Valeria Sarmiento sobre o episódio das invasões francesas a Portugal, e “Operação Outono”, o filme de Bruno de Almeida sobre o julgamento do caso Humberto Delgado.

Uma idosa temperamental, a sua empregada cabo-verdiana e uma vizinha dedicada a causas sociais partilham o andar num prédio em Lisboa. Quando a primeira morre, as outras duas passam a conhecer um episódio do seu passado: uma história de amor e crime passada numa África de filme de aventuras. Principais Festivais: Festival Inter. de Cinema de Berlim – Selecção Oficial em Competição: Prémio Alfred Bauer; Prémio da Critica FIPRESCI

KINO - MOSTRA de cinema alemão Die Endlose Nacht A Noite Sem Fim

de Will Tremper, Alemanha, 1962, P/B, 85 min., DVD, Leg. em PT

Die Rote A Ruiva

de Helmut Käutner, 1962, 90 min., DVD, Leg. em PT

Berlin, Ecke Schönhauser Berlim - Esquina Schönhauser de Gerhard Klein, 1957, RDA, 80 min., DVD, Leg. em PT

Die ParallestraSSe A estrada Paralela

de Ferdinand Khittl, 1962, 83 min., DVD, Leg. em Inglês Sessão de curtas-metragens de alguns realizadores que assinaram o Manifesto de Oberhausen em Fevereiro de 1962 (DVD, com legendas em inglês)

Brutalität in Stein

de Peter Schamoni e Alexander Kluge, 1961, 11 min

em exibição > LINHAS DE WELLINGTON de valeria sarmiento

> OPERAÇÃO OUTONO de BRUNO DE ALMEIDA

10 JANEIRO | FEVEREIRO 2013

Kommunikation de Edgar Reitz, 1962, 11 min Es muSS ein Stück vom Hitler sein de Walter Krüttner, 1963, 11 min

Notizen aus dem Altmühltal

de Hans Rolf Strobel, Heinrich Tichawsky, 1961, 17 min

Herakles de Werner Herzog, 1962, 10 min


programação

Anos 60 e 70: a grande época do cinema francês Os franceses são bons em revoluções. Com mais ou menos cabeça, atiram-se para mudanças radicais na política, na sociedade ou na cultura. As décadas de 60 e 70 marcam uma época: a da “nova vaga”. Uma onda que se tornou maremoto, com força e capacidade de mudar a história do cinema para sempre. O termo foi cunhado ainda nos anos 50 por François Giroud, na revista L´Express, para definir um novo grupo de cineastas franceses ou radicados em França que reivindicavam um cinema mais autoral e distinto daquele que definiam como comercial. Tendo como modelo o filme de Claude Chabrol Le Beau Serge, e o artigo de François Truffaut, de 1954, em que atacava a qualidade do cinema francês, um grupo de jovens cineastas desenvolveu o seu próprio manifesto. Este foi sendo mostrado nas suas obras cinematográficas e também mensalmente nas páginas dos Cahiers du Cinema. Realizadores como Jean-Luc Godard, François Truffaut, Jacques Rivette, Eric Rohmer, Alain Resnais ou Jaques Demy, deram um novo fôlego ao cinema tornando-o amoral, despegado da narrativa, mais experimental e com um romantismo latente que tinha tanto de cómico como de trágico. Não perca a oportunidade de ver alguns dos filmes fundamentais para a compreensão da história do cinema e que tanto influenciaram, e continua a influenciar, cineastas em todo o mundo.

“Uma história deve ter um princípio, um meio e um fim mas não necessariamente por esta ordem”

HIROSHIMA MON AMOUR (1959) - Alain Resnais

LA GUERRE EST FINIE (1996) - Alain Resnais

MASCULIN FEMININ (1966) - Jean-Luc Godard

Jean-Luc Godard

JANEIRO | FEVEREIRO 2013 11


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Bestas do Sul Selvagem de

Benh Zeitlin

ESTREIA 14 FEV

Duração: 93 min

com Quvenzhané Wallis, Dwight Henry, Levy Easterly, Lowell Landes, Pamela Harper, Gina Montana

Premiado no Festival de Cinema de Cannes e em Sundance, Bestas do Sul Selvagem de Benh Zeitlin chega agora a Portugal. Estreia no dia 14 de Fevereiro depois de ter passado no Lisbon & Estoril Film Festival.

Benh Zeitlin

Bestas do Sul Selvagem conta a história de Hushpuppy, uma menina de seis anos e que vive com o pai numa pequena comunidade do delta do rio Mississipi, Bathtub. De repente, a natureza altera-se, a temperatura sobe e os glaciares derretem libertando uma multidão de auroques (um bovino extinto no século XVII). Com a subida das águas, o aparecimento dos animais e a saúde do pai bastante debilitada, a menina decide ir à procura da mãe desaparecida. Bestas do Sul Selvagem está na esteira de outros 12 JANEIRO | FEVEREIRO 2013

clássicos do imaginário americano, como Tom Sawyer (de Mark Twain) ou Scout Finch (Por Favor Não Matem a Cotovia, Harper Lee), em que crianças partem à procura de alguma coisa, objectiva ou mais espiritual - jovens heróis que nos confrontam com a inocência, as expectativas e as desilusões. Quvenzhané Wallis, que interpreta Hushpuppy, foi escolhida num casting para crianças entre os seis e nove anos quando ela tinha apenas cinco. A sua rapidez de leitura, assim como a capacidade de gritar alto e arrotar quando se lhe pede (ambas utilizadas no filme) convenceram a produção. “O filme, uma explosão apaixonada e rebelde de Americana (reunião de artefactos tradicionais americanos) pisca o olho ao cepticismo, ri da análise sóbria e confronta o criticismo. É feito por um grupo com poucos meios, oriundo de Nova Orleães, animado pelo espírito de liberdade que se propôs a comemorar” (NYT).

A história baseia-se numa peça de Lucy Alibar, que escreveu o argumento com Zeitlin, e é um trabalho de realismo mágico e, no limite, um exercício de wishful thinking, uma resposta ao estilo de Terrence Malick à catástrofe do furacão Katrina. “O primeiro filme de Benh Zeitlin é parte filme, parte alucinação: algo que poderia ser chamado de “Gótico Sulista Apocalíptico”, ambicioso e com falhas mas que corrercom energia” (The Guardian). Bestas do Sul Selvagem é um retrato vívido e mágico de uma das maiores tragédias americanas e consegue, sob o olhar de um criança, devolver a esperança na mais caótica das realidades.

Principais Festivais: Festival de Cannes: Prémio FIPRESCI, Un Certain Regard e Prémio Camera D’Or Festival de Sundance: Grande Prémio do Júri Prémios do AFI – Filme do Ano


estreias cinema

IN ANOTHER COUNTRY vous n’avez de hong sang-soo ESTREIA 10 JAN encore rien vu com Isabelle Huppert, Kwon Hye Hyo, Jung Yu Mi,Moon

So-ri, Moon Sung Keun, Yu Jun-Sang

Duração: 89 min

de

ALAIN RESNAIS

ESTREIA 2 FEV

Uma história dividida em três partes, com três narrativas distintas e um nome próprio que passa a ser comum: Anne.

com Sabine Azéma, Anne Consigny, Mathieu Amalric,

Todas as diferentes Annes são representadas pela francesa Isabelle Huppert. O filme é do coreano Hong-Sang-Soo (HSS) que convidou a actriz sem que houvesse história definida. Transportada para um outro mundo (na verdade uma outra longitude) Huppert rendeu-se à narrativa sem texto e ao improviso. O realizador é conhecido por esse método, que muitos podem considerar não-método, de encontrar um local primeiro, depois as pessoas certas e por último definir um guião. Em entrevista ao The New York Times, Isabelle Huppert revela como é trabahar com o Hong Sang-Soo: “Ele tem uma relação curiosa e atípica com os seus filmes. É muito exacto, e preciso, e faz sempre muitos takes, sem a mínima pressa.”. Em In another Country, assistimos à construção e maturação de uma ideia até esta se tornar real, numa espécie de enredo meta-fílmico. Uma jovem estudante de cinema escreve três histórias diferentes com uma única personagem. Na primeira, Anne é uma famosa realizadora de visita à Coreia, na segunda é uma mulher adúltera que se encontra com o amante numa casa de hóspedes coreana e, no terceiro, é uma divorciada que decide visitar um amigo num país distante para recuperar do divórcio recente.

Alain Resnais, o cineasta de Hiroshima, Meu Amor, O Último Ano em Marienbad, É Sempre a Mesma Cantiga e As Ervas Daninhas, regressa agora com esta longa-metragem apresentada em competição no último Festival de Cannes. Tudo começa com a morte de Antoine d’Anthac, um célebre dramaturgo. Um a um, os seus amigos são convocados a juntarem-se na casa do autor. Em comum, todos eles têm o facto de terem interpretado a sua peça Eurídice em dado momento das suas vidas. A proposta é assistirem às filmagens de uma nova encenação da mesma peça por uma companhia de jovens actores e este é apenas o ponto de partida para uma viagem que atravessa a vida de todos eles, cruzando memórias, paixões, vida, morte, realidade e ficção. O crítico J.B. Morain, da Les Inrockuptibles, rendeuse à mestria do cineasta. “Resnais assina um grande filme, um elogio discreto e comovente ao imaginário, ao cinema, à ficção e sobretudo, aqueles que lhes dão vida: essas criaturas um pouco bizarras e monstruosas que são os actores.” Alain Resnais juntou inúmeros exemplares dessas “criaturas um pouco bizarras”, reunindo os actores que com ele têm trabalhado ao longo dos anos. Nada mais nada menos do que Sabine Azéma, Pierre Arditi, Anne Consigny, Lambert Wilson, Mathieu Amalric, Michel Piccoli.

Principais Festivais: Festival de Cinema de Cannes – 2012 Oslo Films from the South Festival 2012

Lambert Wilson, Pierre Arditi

Duração: 112 min

O título, que nos remete imediatamente para um anúncio de um espectáculo de ilusionismo de outros tempos, prepararnos para o que vamos ver durante as próximas duas horas: “Ainda não viu nada!”. E vinda de quem vem, não duvidamos da exclamação.

Principais Festivais: Festival de Cinema de Cannes – 2012

JANEIRO | FEVEREIRO 2013 13


em exibição

HOLY MOTORS

lme or fi Melh ara os op do an o cinema sd r e i e Cah iewir e Ind

de LEOS CARAX com Denis Lavant, Edith Scob, Eva Mendes

Kylie Minogue Cordelia Piccoli, Elise Lhommeau Duração: 115 min

JÁ EM EXIBIÇÃO

“Holy Motors está vivo, fervilha de emoção, malícia e calamidade. Não se vê o filme, ele simplesmente acontece” Indiewire

Leos Carax assina mais um filme excêntrico e irreverente: Holy Motors. O filme surrealista de Leo Carax é um ensaio sobre a arte de representar e o que é, afinal, ser-se actor. Sr. Oscar, o personagem principal, é um homem de várias caras e várias realidades mas um único ofício, actuar. Este hino à representação enquanto metáfora da vida é o melhor filme do ano para os Cahiers du Cinema e para a Indiewire. Diz o crítico desta última, “Holy Motors está vivo, fervilha de emoção, malícia e calamidade. Não se vê o filme, ele simplesmente acontece”. Para os Cahiers, Carax retoma a poética do cinema francês, o impacto de uma força aleatória que, sem explicação, nos cola ao ecrã. O filme figura ainda nos TOP10 de publicações como o The Guardian, a Sight&Sound, a Little White Lies, o The New York Times (na lista de Manohla Dargis), entre outras. Durante duas horas , o actor Denis Levant viaja de personagem em personagem, cada uma nos antípodas da outra, com cenários, guarda-roupa e estéticas diferentes. O fio condutor é aqui uma condutora, Céline: uma motorista de cabelo e roupa branca que leva Oscar aos diferentes trabalhos. De pedinte a pai de família, de sexo cibernético a musical com Kylie Minogue, a vida de Oscar desdobra-se em várias sequências. No início Carax aparece de pijama num cinema em que o público assiste ao The Crowd de King Vidor. Era uma aviso do realizador: o público está no seu lugar, o espetáculo vai começar.

Principais Festivais: Festival de Cinema de Cannes 2012 Festival de Cinema de Chicago 2012

14 JANEIRO | FEVEREIRO 2013


estreia brevemente

JÁ À VENDA Cosmopolis DVD e Edição Especial DVD um filme de David Cronenberg com Robert Pattinson, Paul Giamatti, Sarah Gadon EXTRAS NA EDIÇÃO ESPECIAL:

DVD-ROM; Making Of, Citizens of Cosmopolis; Working with David Cronenberg - Masterclass; Antestreia em Portugal; Biofilmografias; Entrevista Robert Pattinson e David Cronenberg.

Elena dvd um filme de Andrey Zvyagintsev com Nadejda Markina, Andrey Smirnov, Elena Liadova

Elena e Vladimir conheceram-se tardiamente na vida mas, apesar dos passados bem distintos, formam um casal sólido. Enquanto Vladimir é abastado e frio. Elena provém de um meio modesto e é uma esposa dócil.

brevemente Cosmopolis BLU-RAY um filme de David Cronenberg com Robert Pattinson, Paul Giamatti, Sarah Gadon

Nova Iorque, num futuro próximo: Eric Packer, um milionário de 28 anos que sonha viver numa civilização mais avançada do que a actual, assiste a uma transformação negra que se abate sob o universo de Wall Street, do qual é o incontestado rei.

Adeus, Minha Rainha dvd um filme de Benoît Jacquot com Diane Kruger, Lea Swydoux, Virginie Ledoyen

Versalhes, Julho de 1789. A turbulência está a crescer na corte do Rei Luís XVI. No palácio real, toda a gente está a pensar em fugir, incluindo a Rainha Marie Antoinette (Diane Kruger) e a sua «entourage».

O Meu Maior Desejo dvd um filme de Kore-eda Hirokazu com Maeda Koki, Maeda Ohshiro, Odagiri Joe

Koichi tem doze anos e uma curiosidade imensa acerca do mundo. Vive com a mãe e avós maternos em Kagoshima, uma cidade que vive sob a ameaça de um enorme vulcão que emite regularmente nuvens de cinza.

O Futuro dvd um filme de Miranda July com Miranda July, Hamish Linklater

Quando um casal decide adoptar um gato abandonado, a perspectiva de vida de ambos muda radicalmente. Uma mudança que vai alterar literalmente o curso do tempo e do espaço.

PHOTO De Carlos saboga Não perca em Abril a estreia de Photo, o primeiro filme de Carlos Saboga, argumentista de Mistérios de Lisboa de Raul Ruiz e, do mais recente, Linhas de Wellignton de Valeria Sarmiento. O filme estreou-se no Festival de Cinema de Roma e no Lisbon & Estoril Film Festival e chega agora ao grande público. Sinopse: A mãe acaba de morrer. O pai não é aquele que ela julgava. Elisa sente-se perdida entre um passado incerto e um futuro fechado pela perspectiva do casamento. 
A sua busca de um pai improvável, que é também uma fuga ao presente, leva-a de Paris a Lisboa, do fantasma dos anos 70 do século passado aos primeiros anos de um novo século. Este itinerário leva-a a cruzar mortos que falam, memórias que vacilam, torcionários reformados e revolucionários arrependidos. No fim do percurso, uma verdade dúbia aberta para um novo mistério, como uma história de que se não conhece a última palavra. Actores: Anna Mouglalis Simão Cayatte, Marisa Paredes Johan Leysen, Didier Sandre Rui Morrison, Ana Padrão Argumento e Realização: Carlos Saboga Produtor: Paulo Branco

Programação sujeita a alterações de última hora. Confirme sempre em www.medeiafilmes.com

JANEIRO | FEVEREIRO 2013 15


JÁ EM

DVD, BLU-RAY E EDIÇÃO ESPECIAL (2 DVD com mais de 2h de extras)

‘UM CONTO VISIONÁRIO E ALUCINANTE’ TÉLÉRAMA

16 JANEIRO | FEVEREIRO 2013 WWW.LEOPARDOFILMES.COM

‘SINAL DOS TEMPOS, SINAL DE ALERTA, SINAL DE MESTRE’ O GLOBO

WWW.COSMOPOLISTHEFILM.COM


Medeia Magazine 3 - Janeiro e Fevereiro 2013