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Maio | Junho 2014

Only Lovers Left Alive Não se vê a luz do dia no novo filme de Jim Jarmusch

Elle s’en va

Uma road trip pela França com Catherine Deneuve atrás do volante

Les Garçons et Guillaume, à table!

A Lancheira

Uma história de amor no meio do caos de Bombaim

Angústia sexual e conflitos familiares na autobiografia hilariante de Guillaume Galliene

História da Minha Morte

MAIO | JUNHO 2014 1 Encontro improvável entre Drácula e Casanova


editorial Em Junho, Jim Jarmusch ocupa as salas da Medeia. No Espaço Nimas pode ver ou rever oito longas-metragens do cineasta mais cool do planeta, enquanto que o Monumental irá receber Only Lovers Left Alive, considerado por muitos críticos como o seu melhor filme até à data. Se com A Lancheira, filme indiano que foge aos estereótipos de Bollywood, pode sentir o que é pedalar nas ruas caóticas de Bombaim, com Elle s’en va tem a oportunidade de lançar-se à estrada e atravessar França lado a lado com Catherine Deneuve. Les garçons et Guillaume, à table!, Mil e Uma Maneiras de Bater as Botas e O Chef trazem-nos três realizadores que se assumem também como argumentistas e protagonistas dos seus filmes. No primeiro, Guillaume Galliene revisita a sua adolescência sexualmente confusa e faz-nos rir sem medo e sem vergonha. O filme foi extremamente bem recebido em França, tanto junto da crítica como do público, e arrebatou cinco Césares, incluindo o de Melhor Filme e Melhor Actor. Com História da Minha Morte, prémio máximo no Festival de Locarno, Albert Serra confirma que os seus filmes são, como o próprio reclama, “tão radicais e especiais que não existem pontos fracos”. Serra utiliza o seu cinema para juntar duas das mais míticas personagens literárias, Casanova e Drácula, e cria “um trabalho onde a história é enriquecida pela invenção de um tempo inédito” (Le Monde).

Programação sujeita a alterações de última hora. Confirme sempre em www.medeiafilmes.com Equipa Director: Paulo Branco Edição e Textos: Teresa Pires Design: André Carvalho e Catarina Sampaio Colaboração: Frederico Batista Capa: Only Lovers Left Alive

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MAIO | JUNHO 2014

Yves Saint Laurent de

Jalil Lespert

ESTREIA 15 MAIO

Duração: 106 min

com Pierre Niney, Guillaume Gallienne, Charlotte Le Bon

A moda invade o grande ecrã, na biografia de um dos mais prodigiosos estilistas de todos os tempos. Com apenas 21 anos, Yves Saint Laurent (Pierre Niney) assume o lugar do seu falecido mentor, Christian Dior, numa das mais prestigiadas casas de alta-costura de sempre. Foi, até à sua morte, meio século depois, uma das figuras dominantes do mundo da moda. Grandes mestres, como Dior ou Balenciaga, moldaram esta indústria um pouco por todo o mundo, mas, até Saint Laurent, nenhum estilista encontrou tanta fama junto do público. Durante o seu primeiro desfile, conhece Pierre Bergé (Guillaume Gallienne), de quem se torna amante e, três anos depois, sócio na criação da marca Yves Saint Laurent, uma das mais influentes e duradouras de sempre. O filme mostra também o lado mais sombrio da personalidade do estilista, atormentado pela doença mental e pela dependência do álcool e das drogas. Foi Bergé quem o impediu de mergulhar na loucura e no vício. Em entrevista à Vogue, o actor Pierre Niney dá a sua perspectiva: “O Yves era muito inteligente e lúcido. Coisas simples do quotidiano eram difíceis e violentas para ele. Era daí que vinha a sua inspiração, mas ele não conseguia lidar com tudo isto sozinho. Ele viu em Pierre Bergé a força que não possuía.” Niney passou cinco meses a fazer pesquisa acerca da sua personagem, recolhendo testemunhos das pessoas que conheceram melhor o designer, de forma a poder recreá-lo com a maior precisão possível. O filme documenta aspectos mais excessivos do estilo de vida de alguns dos contemporâneos de Saint Laurent, como Betty Catroux, Loulou de la Falaise e Karl Lagerfeld. Está tudo lá: as festas loucas organizadas por Andy Warhol, as drogas, a violência, o hedonismo levado ao extremo. Para Marie-Elisabeth Rouchy, do Nouvelle Observateur, este é um “retrato cheio de inspiração da vida do estilista que mudou a forma como as mulheres se vestem, servido por um Pierre Niney no seu melhor”.

Sabia que... Em 1966, YSL adaptou o smoking às formas femininas, quando ainda era controverso uma mulher usar calças em público.


estreias ESTREIAS cinema

DEPOIS DE MAIO DE

Olivier Assayas

ESTREIA 15 maio

EXCLU

CINEMSIVO ME AS

DEIa

Dur: 122 min

com Clément Métayer, Lola Créton, Félix Armand, Léa Rougeron, Martin Loizillon

Olivier Assayas regressa à década de 70, depois de Carlos, para o retrato de uma geração, que é também a sua. O realizador tinha apenas 13 anos quando se deu o Maio de 68 e não estava em Paris nessa altura. Viveu a sua juventude na década seguinte: aquela que não teve de lidar com a revolução, mas sim com a sua ressaca, com o que ficou quando as pedras da calçada voltaram a assentar. “Sê realista: exige o impossível” era o mote de 68, e os adolescentes do filme de Assayas, demasiado jovens para terem participado na revolução, confrontam-se com as contradições latentes de um impulso utópico que falhou.

“Depois de Maio é uma ode formidável à juventude de todas as épocas, de todos os tempos.” Serge Kaganski, Les Inrockuptibles

O antigo crítico de cinema partiu para o filme com as suas experiências bem vívidas na memória: “Muitos dos acontecimentos são reais, muitas personagens são inspiradas em pessoas específicas. Mesmo o diálogo com o pai é bastante parecido com o tipo de conversas que tinha com o meu, na altura”. Depois de Maio é, assim, uma representação, uma visita guiada a uma recriação da juventude do cineasta. O elenco do filme é composto por um conjunto de jovens actores praticamente desconhecidos do grande público. Numa entrevista à IndieWIRE, Assayas revelou ter–se apercebido de uma grande diferença no que diz respeito ao envolvimento político da sua geração e da dos seus actores. “Eles não acreditam na política. Mas é natural. Como é que podem acreditar se os políticos não param de dizer que não conseguem fazer nada? Não podem fazer nada contra o aquecimento global, não podem fazer nada contra a crise financeira, não podem fazer nada contra a especulação imobiliária…”. Aurélien Ferenczi, da Télérama, é da opinião que o filme de Assayas “vai emocionar todos aqueles que, a certa altura da sua vida, se interrogaram sobre o seu envolvimento na sociedade, sobre a sua vida afectiva e pessoal, e sobre a sua capacidade de mudar o rumo das coisas”. Prémios e Festivais: Festival de Veneza Melhor Argumento

Olivier Assayas Nos anos 90, Assayas emergiu como uma das figuras-chave de uma nova geração de realizadores franceses. Antigo crítico e cinéfilo incurável, confere aos seus filmes um cunho pessoal, ao mesmo tempo que os preenche de referências a obras dos cineastas que mais admira. Foi no final da década de 70, enquanto ainda era estudante universitário, que se juntou à equipa da revista Cahiers du Cinema, para a qual escreveu artigos acerca dos seus cineastas europeus de eleição, como Robert Bresson, Ingmar Bergman e Andrei Tarkovsky. Publicou também estudos extensivos sobre cinema de terror americano e foi uma das primeiras pessoas a dedicar a devida atenção à nova vaga do cinema asiático – chegando a realizar um documentário acerca do mestre tailandês Hou Hsiao-Hsien. Não tardou que Assayas passasse da teoria à prática, fazendo-se notar pelas suas curtas-metragens e como argumentista de Rendez-Vous, de André Téchiné. Dirige a sua primeira longa, Désordre, em 1986, à qual se seguem projectos ambiciosos e ecléticos, como Demonlover, um thriller high-tech, ou o melodrama Clean, que valeu a Maggie Cheung o prémio de Melhor Actriz no Festival de Cannes de 2004. Em 2010, realiza a minissérie Carlos, muito bem recebida junto do público e da crítica, acerca do terrorista Ilich Ramírez Sánchez (conhecido como Carlos, o Chacal), o homem mais procurado do mundo nos anos 70 e 80.

MAIO | junho maio JUNHO 2014

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ESTREIAS CINEMA

Elle s’en va de

Emmanuelle Bercot

EXCLU

CINEMSIVO ME AS

DEIa

com Catherine Deneuve, Nemo Schiffman, Gérard Garouste

ESTREIA 29 MAIO

de

Fredrik Bond

com Shia LaBeouf, Evan Rachel Wood

ESTREIA 5 junHO Duração: 108 min

Duração: 116 min

Catherine Deneuve lança-se à estrada na terceira longa-metragem da actriz e realizadora Emmanuelle Bercot.

Ao volante da sua carrinha Mercedes bege, Bettie (Deneuve) “vai”. Vai depois de, no mesmo dia, ter descoberto que o seu amante de longa data a trocou por outra mulher, 40 anos mais nova, e que o restaurante de família que gere vai abrir falência. O seu primeiro impulso é voltar a fumar. Com o pretexto de ir comprar tabaco, inicia uma viagem pela França rural, tentando encontrar a sua joie de vivre. No caminho, Bettie cruza-se com variadas personagens, entre as quais um velho camponês que lhe enrola um cigarro à moda antiga e o garanhão do bar da aldeia (Paul Hamy) com queda para mulheres mais velhas. A sua viagem encontra um significado quando a sua filha (a cantora Camille), com quem Bettie não tem a melhor das relações, lhe pede para dar boleia ao seu neto (Nemo Schiffman) até à casa do avô paterno, a centenas de quilómetros de distância. O New York Times considerou que este relacionamento é adorável e confere ao filme ainda mais “emoção e impulso cómico”. Foi Deneuve que inspirou a cineasta Emmanuelle Bercot a criar esta personagem: “Escrevi este papel para ela e a Catherine foi a minha musa ao longo da aventura que foi fazer este filme. Como para muitas pessoas da minha geração, ela sempre fez parte da minha vida. Não consigo lembrar-me de um período em que não tenha sido marcada por ela, através dos seus filmes.” Para o Nouvelle Observateur, “este é um daqueles momentos deslumbrantes que às vezes ocorrem no cinema (…). Entre Bercot e Deneuve, o filme é como uma troca de presentes maravilhosos”.

Prémios e Festivais: Festival de Berlim – Selecção Oficial (Competição)

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Uma Morte Necessária

MAIO | JUNHO 2014

Uma Morte Necessária conta a extravagante aventura de Charlie Countryman, que decide abandonar a rotina e iniciar uma longa viagem pelo leste Europeu. Esta é a primeira longa-metragem de Fredrik Bond, veterano realizador de anúncios e videoclipes. Em Uma Morte Necessária, traz-nos uma visão única da dor e do êxtase do amor. Esta é a história de Charlie (Shia Lebeouf), um jovem americano que viaja até Bucareste, após a morte da sua mãe. Durante o voo para a capital romena, conhece um carismático taxista que acaba por falecer enquanto ainda estão no ar e Charlie é deixado com a incumbência de encontrar Gabi (Evan Rachel Wood), a sua filha. Assim que a conhece, apaixona-se instantaneamente por ela. Protagonizado por aclamados actores, como Mads Mikkelsen (um gangster psicopata, ex-namorado de Gabi), Til Schweiger, Aubrey Plaza e Vincent D’Onofrio, Uma Morte Necessária combina momentos de drama e thriller, com elementos ocasionais de fantástico. O realizador falou, em entrevista à IndieWIRE, das suas referências cinematográficas, que o acompanharam durante todo o processo. “Quando vi o Trainspotting pela primeira vez fui completamente arrebatado por aquela forma pouco convencional de contar uma história”, partilhou. “Tenho definitivamente de referir A Primeira Noite, por se tratar igualmente de um jovem à procura do seu caminho”. Bond confessou à Filmmaker Magazine que tudo nesta sua estreia no cinema foi um desafio, sendo que o maior foi o de “encontrar um equilíbrio entre as diversas particularidades de humor, violência e romance presentes no filme. Sinto que eu, a minha equipa e os actores trabalhámos arduamente para o conseguir e estou muito contente com o resultado”.

Prémios e Festivais: Festival de Berlim – Selecção Oficial (Competição)


estreias cinema

Les Garçons et Guillaume, à Table! DE

Guillaume Gallienne

ESTREIA 12 JUNHO

Duração: 85 min

com Guillaume Gallienne, André Marcon, Françoise Fabian, Diane Kruger

Guillaume Gallienne escreve, realiza e protagoniza esta comédia confessional, sobre a angústia sexual e os conflitos familiares, vencedora de cinco Césares.

Les garçons et Guillaume, à table! é uma adaptação da peça de Galliene ao grande ecrã, na qual o aclamado actor de teatro revisita a sua juventude sexualmente confusa. O filme estreou-se com grande sucesso em Cannes e, depois de um mês nas salas, já tinha sido visto por mais de 2 milhões de espectadores em França. Serge Kaganski, conhecido crítico de cinema francês, escreveu que: “Quando um filme me faz rir desta forma, fico muito grato pelo talento e generosidade do seu autor. Fazer as pessoas rirem sem vergonha, rir com e não contra, é provavelmente a arte mais difícil de todas.” No filme, Galliene discorre acerca da relação de amor-ódio que tem com a sua mãe opressora, que o criou mais como uma filha e o definiu como gay, mesmo antes de ele ter a certeza da sua sexualidade. Les garçons et Guillaume, à table! deve o seu título ao costume da mãe de Gallienne chamar os filhos para a mesa dizendo “rapazes e Guillaume, o jantar está pronto”, diferenciando-o inconscientemente dos dois irmãos. Seguiram-se anos de terapia, insegu-

rança e sentimento de culpa. O actor de 41 anos representa-se a si próprio, enquanto criança, adolescente e homem feito. Também desempenha o papel da sua mãe. Quando ainda era aspirante a actor, Gallienne estudava todos os seus maneirismos, desde o riso particular, à forma como segurava os cigarros. A sua linguagem corporal não é menos exacta quando tem de encarnar uma criança. Para a revista Variety, “a escolha de representar ele próprio todas estas cenas pode parecer pouco convencional, mas cria uma continuidade e identificação que outros filmes sacrificam ao escolherem diferentes actores para as várias idades da mesma personagem”. “Este é um filme sobre transformação. A transformação do teatro em cinema, do Guillaume em actor, de um homem desconfiado em alguém que encontra essa confiança em si mesmo, da dor em humor e emoção”, afirmou o realizador em entrevista ao Le Nouvel Observateur.

Perfil: Guillaume Gallienne é um actor e realizador, membro há 17 anos da companhia Comédie-Française, o único teatro francês a ter a sua própria trupe de actores. Estreou-se no cinema em 1992, no filme Tableau d’honneur e foi um dos actores principais de Marie Antoinette, de Sofia Coppola. Les garçons et Guillaume, à table! é a sua estreia na realização e foi exibido na Quinzena dos Realizadores em Cannes, onde venceu o prémio principal (o Art Cinema Award) e o prémio da Sociedade de Autores e Compositores (SACD) de França.

Prémios e Festivais: Festival de Cannes – Quinzena dos Realizadores – Prémio: Art Cinema Award Prémios César – Melhor Filme, Melhor Argumento Adaptado, Melhor Actor, Melhor Primeiro Filme e Melhor Montagem

MAIO | JUNHO 2014

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ESTREIAS CINEMA

Only Lovers Left Alive DE

Jim Jarmusch

Duração: 123 min

ESTREIA 12 JUNHO

com Tilda Swinton, Tom Hiddleston, Mia Wasikowska, John Hurt

Na sua 11ª longa-metragem, o icónico cineasta Jim Jarmusch volta a sua atenção para os outsiders que vivem nas sombras. Only Lovers Left Alive é uma celebração da felicidade “Provavelmente o melhor de Jarmusch conjugal entre dois vampiros que ainda estão até à data e o seu filme mais acessível apaixonados depois de séculos juntos, mas sentem-se emocionalmente”. IndieWIRE à parte do resto do mundo. Adam, um enigmático compositor de rock, tornou-se uma espécie de recluso de Eve, abastecendo-a com o sangue mais puro, uma vez na sua própria casa, numa parte abandonada da cidade que o sangue humano está cada vez mais contaminado. de Detroit. Passa os dias a ouvir clássicos em vinil e Na IndieWIRE pode ler-se que este é um filme colecciona guitarras vintage, fornecidas por Ian (Anton requintado, “provavelmente o melhor de Yelchin). O vampiro recorda os tempos que passou com Jarmusch até à data e o seu filme mais acessível Kafka e jogou xadrês com Lord Byron, lamentando emocionalmente”. Only Lovers Left Alive equilibra ter assistido ao desaparecimento dos grandes génios. cuidadosamente paixão, alma, melancolia e humor, Enquanto Adam nos é apresentado como um homem “revelando grande humanidade, tanto através com falhas e inseguro, com tendências suicidas, Eve do fascínio por tudo o que foi criado pelo (Tilda Swinton) surge quase como uma figura divina, homem, como pelo lamento de tudo o que com uma curiosidade inesgotável acerca do mundo. Vive a cultura moderna aparentemente ignora”. em Tânger, do outro lado do globo, onde convive com O realizador sempre apreciou as histórias menos o dramaturgo Christopher Marlowe (John Hurt), que convencionais de vampiros e queria fazer um filme ainda reivindica ter sido o verdadeiro autor das peças que envolvesse romance entre duas dessas criaturas. atribuídas a Shakespeare. Marlowe é também o dealer “A ideia de ver anos e anos de história através 6

MAIO | JUNHO 2014


estreias cinema dos olhos de alguém que viveu nas margens, nas sombras, observando em segredo, é muito interessante para mim”. Para a revista francesa Les Inrockuptibles, “podemos afirmar que este não é um filme de vampiros. Jarmusch desactiva todas as convenções do género (…). Os vampiros não interessam como predadores, nem como potenciais heróis de um filme de acção, mas como imortais, os espectadores do tempo imóvel que é a eternidade”. O tempo não passa, vai-se acumulando. Não se espera por nada e, portanto, não há nada a fazer senão esperar.

“Podemos afirmar que este não é um filme de vampiros. Jarmusch desactiva todas as convenções do género (…). Os vampiros não interessam como predadores, nem como potenciais heróis de um filme de acção, mas como imortais, os espectadores do tempo imóvel que é a eternidade”. Les Inrockuptibles, Sabia que... SQÜRL, a banda de Jarmusch, é responsável por grande parte da música do filme e que a cantora libanesa Yasmine Hamdan, que esteve presente na antestreia do filme no Lisbon & Estoril Film Festival, brinda os espectadores com uma performance deslumbrante.

Prémios e Festivais: Festival de Cannes – Selecção Oficial (Competição) Festival de Sitges – Prémio Especial do Júri Lisbon & Estoril Film Festival – Selecção Oficial

Perfil: Apelidado de realizador mais cool do planeta, Jim Jarmusch cedo trocou a sua terra natal, Akron (no Ohio), pela capital americana, cidade onde se tornou uma figura de proa da cena underground nova-iorquina dos anos 80. Jarmusch personifica a independência no cinema americano. Realizou a sua primeira grande produção em 1982, Para Além do Paraíso, que lhe valeu o imediato reconhecimento da crítica. Mais de 30 anos depois, Jarmusch continua fiel a si próprio. Para além de realizador, é, entre muitas outras coisas, argumentista, produtor, actor, compositor e músico. O cineasta sempre quis fazer a ponte entre o cinema e a música, tendo, desde o início da sua carreira, convidado alguns dos seus músicos favoritos para participar nos seus filmes. Joe Strummer, Iggy Pop, Tom Waits e os White Stripes foram alguns dos que trocaram o palco pela tela ao serviço do realizador. Jarmusch prepara agora um documentário sobre os Stooges, “uma carta de amor a Iggy Pop e ao resto da banda”, nas palavras do realizador.

MAIO | junho maio JUNHO 2014

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programação

espaço nimas

Die Andere Heimat

a sua sala de cinema independente

de

Maio traz ao Espaço Nimas Sacro GRA, o único documentário a vencer o Leão de Ouro em Veneza. O realizador Gianfranco Rosi passou mais de dois anos a percorrer o Grande Raccordo Anulare de Roma (GRA), a auto-estrada urbana mais extensa de Itália. Rosi vai dando a conhecer as histórias dos habitantes do GRA e, “gradualmente, a dimensão anedótica ou pitoresca vai-se aprofundando e ganhando uma profundidade existencial” (Libération). Com Heimat — Chronik einer Sehnsucht, o realizador Edgar Reitz completa aquela que foi a série mais longa da história do cinema. Uma sumptuosa crónica a preto e branco de uma aldeia alemã, no final do século XIX. A partir de 5 de Junho pode ver ou rever filmes de Jim Jarmusch, realizador que personifica o cinema americano independente. Ghost dog - O Método do Samurai, Café e Cigarros, Noite na Terra, Homem Morto, Sempre em Férias, Para Além do Paraíso, Vencidos Pela Lei e O Comboio Mistério são os oito filmes que compõem o ciclo. Não se esqueça de o completar com Only Lovers Left Alive, o mais recente filme de Jarmusch, com estreia marcada para 12 de Junho no cinema Medeia Monumental. Por último, não perca o regresso do cineasta japonês Yasujiro Ozu ao Espaço Nimas com três clássicos em cópias digitais restauradas: A Flor do Equinócio, Bom Dia e O Fim do Outono.

Programação sujeita a alterações de última hora. Confirme sempre em www.medeiafilmes.com 8

MAIO | JUNHO 2014

Edgar Reitz

ESTREIA 26 junho

EXCLU

CINEMSIVO ME AS

DEIa

Dur: 225 min

com Jan Dieter Schneider, Antonia Bill, Maximilian Scheidt

Heimat, de Edgar Reitz, era, com 53 horas e 25 minutos, a série mais longa da história do cinema. Agora, o realizador apresenta-nos uma prequela, de nome Die Andere Heimat — Chronik einer Sehnsucht, acrescentando à narrativa a história de uma Alemanha fragilizada pelo rigor climatérico, pela escassez de alimentos e pelas investidas da Prússia. Considerado pelo Der Spiegel como um “magnífico completar de uma obra-prima”, o filme mostra o recrutamento de jovens alemães por parte da Corte Portuguesa com vista à colonização do Brasil. “Actualmente na Alemanha, é-nos difícil compreender o que significa emigração, uma vez que apenas conhecemos o outro lado do problema: tornámo-nos um país para o qual as pessoas emigram.” – Edgar Reitz

verão com yasujiro 0zu Depois de Viagem a Tóquio e O Gosto do Saké, o Nimas exibirá mais três obras clássicas do cineasta japonês em versões digitais e restauradas.

A FLOR DO EQUINÓCIO (1958)

O primeiro filme colorido realizado por Yasujiro Ozu é a história de duas adolescentes que tentam escapar ao destino, imposto pelos pais, de casamentos arranjados.

BOM DIA (1959)

Dois irmãos pedem aos pais uma televisão, para que possam acompanhar o campeonato de Sumo. Confrontados com a recusa, iniciam uma greve de silêncio…

O FIM DO OUTONO (1960)

Nesta variação de um filme anterior do cineasta, a trama gira em torno de uma viúva que procura casar a filha, ainda solteira.


PROGRAMAÇÃO

SACRO GRA

EXCLU

CINEMSIVO ME AS

Gianfranco Rosi

de ESTREIA 1 MAIO

DEIa

Duração: 93 min

O primeiro e imperdível documentário a vencer o Leão de Ouro, distinção mais importante do Festival de Veneza, chega em Maio ao Espaço Nimas. Sacro GRA foca-se nas vidas marginais dos habitantes do GRA (Grande Raccordo Anulare de Roma), a auto-estrada urbana mais extensa de Itália. Mas este não é um motivo de orgulho: todos os desafortunados que têm de entrar em Roma de carro sabem que vão gastar pelo menos uma hora das suas vidas no temível trânsito do GRA. Rosi passou mais de dois anos numa carrinha a percorrer os 68,2 quilómetros, de um lado para o outro, e a filmar o que ia encontrando: drag queens, um aristocrata falido, um botânico que tenta combater os parasitas que atacaram as palmeiras, ou um pescador que se queixa dos jornalistas. O protagonista é, de alguma forma, um jovem paramédico que frequente tem de percorrer aquela estrada para prestar auxílio às vítimas de acidentes de viação. Aquando da sua presença no

Lisbon & Estoril Film Festival, em Novembro passado, Rosi afirmou que “3 milhões de pessoas vivem, actualmente, à volta do GRA, que se tornou a nova Roma. Foi muito difícil começar a encarar este novo mundo… era esmagador. O que fiz foi criar um vazio e depois começar a preenchê-lo com pequenas histórias”. Deborah Young, do Hollywood Reporter, escreveu: “As personagens recorrentes, quase todas engraçadas de uma forma absurda e delicada, fazem deste filme inteligente um curioso outsider no panorama do cinema italiano.” Prémios e Festivais: Festival de Veneza – Leão de Ouro Lisbon & Estoril Film Festival – Selecção Oficial

RETROSPECTIVA

JIM JARMUSCH a partir de 5 de junho NO ESPAÇO NIMAS

Sempre em Férias 1980 Para Além do Paraíso 1984 Vencidos pela Lei 1986 O Comboio Mistério 1989 Noite na Terra 1991 Homem Morto 1995 Ghost dog - O Método do Samurai 1999 Café e Cigarros 2003 MAIO | junho maio JUNHO 2014

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10 MAIO | JUNHO 2014

ESPAÇO MEDEIA MONUMENTAL Edifício Monumental, piso cine-teatro Av. Praia da Vitória, nº 72 1050-183 Lisboa

ESPAÇO MEDEIA NIMAS Espaço Nimas Av. 5 de Outubro, 42 B 1050-057 Lisboa


estreias cinema

MIL E UMA MANEIRAS DE BATER AS BOTAS de

Seth MacFarlane

ESTREIA 5 jun

com Seth MacFarlane, Charlize Theron, Liam Neeson, Amanda Seyfried

O argumentista mais bem pago da televisão volta a dar cartas no cinema com uma nova comédia, da qual é realizador, produtor, co-argumentista e actor principal. Depois do sucesso de Ted, Seth Macfarlane, criador de séries de animação como Family Guy e American Dad, traz-nos um western repleto do humor politicamente incorrecto que o carateriza. O enredo desenrola-se no Arizona, no final do século XIX, e acompanha Albert (MacFarlane), um pastor de ovelhas que é abandonado pela namorada (Amanda Seyfried), quando desiste de um duelo. É então que uma bela e misteriosa mulher, Anna (Charlize Theron), surge na cidade e ensina o protagonista a encontrar a sua bravura. A relação entre ambos complica-se quando o marido de Anna (Liam Neeson), um famoso criminoso, regressa à cidade em busca de vingança. O elenco conta, para além dos actores já citados, com a colaboração de Neil Patrick Harris, Sarah Silverman e Giovanni Ribisi. Ted (2012) marcou a estreia de Macfarlane na realização e foi uma

das comédias mais vistas de sempre nos Estados Unidos. Mark Wahlberg, protagonista do filme, confessou à revista The Hollywood Reporter que passou os seis meses de rodagem à procura de falhas no realizador. “Sei que eventualmente hei-de descobrir alguma coisa má sobre ele, mas até agora não encontrei nada”, diz do homem que descreve como “visionário” e “génio criativo”. Para a actriz Amanda Seyfried, o argumento de Mil e Uma Maneiras de Bater as Botas foi dos textos mais cómicos que alguma vez leu. Em entrevista ao canal de televisão CBS, afirma que o realizador “é uma verdadeira estrela de cinema. Finalmente saiu de trás das câmaras e é tão engraçado”. Sabia que... Seth Macfarlane escreveu um romance homónimo baseado no argumento do filme, o primeiro livro da sua carreira.

Grace de Monaco DE Olivier

Dahan

ESTREIA 22 MAIO

Dur: 103 min

com Nicole Kidman, Tim Roth, Frank Langella, Paz Vega

Depois de La Vie en Rose, sobre a extraordinária vida da cantora Édith Piaf, Olivier Dahan é responsável pela biografia de uma das maiores lendas do cinema, Grace Kelly. Em Grace de Monaco, filme de abertura da 67ª edição do Festival de Cannes, Nicole Kidman lidera um excelente grupo de actores que inclui Tim Roth, Paz Vega, Parker Posey, Frank Langella e Milo Ventimiglia. Grace Kelly casou-se com o príncipe Rainier III em 1956, naquela que foi apelidada de “boda do século”. Antes de conhecer o seu futuro marido, era já uma estrela de cinema consagrada, com a certeza de uma carreira extraordinária pela frente. Protagonista de filmes de alguns dos maiores realizadores da história do cinema, como John Ford, Alfred Hitchcock e Fred Zinnemann, tinha já sido galardoada com dois Óscares. O filme desenrola-se seis anos depois, em 1962, quando o casamento enfrenta sérias dificuldades. Hitchcock pede a Grace Kelly para voltar para Hollywood, oferecendo-lhe o papel de Marnie no seu próximo filme. Este é também o momento da disputa entre o príncipe do Mónaco e Charles de Gaulle, que ameaçava invadir o pequeno principado.

Grace sente-se dividida e tem de escolher entre a chama artística que ainda a consome, ou abandonar esse mundo e tornar-se definitivamente Grace do Mónaco, Sua Alteza Sereníssima. Nicole Kidman contou à Vanity Fair como foi encarnar a radiante actriz de Hollywood que se tornou princesa. “Grace Kelly teve de aceitar que ia interpretar o maior papel da sua vida. Uma princesa é um cargo muito particular e ela teve de desistir de muita coisa para o desempenhar. Como o filme de alguma forma sugere, ela esteve à altura das circunstâncias porque percebeu que aquele era o seu destino”. Sabia que... O realizador francês insurgiu-se contra o intervencionismo exagerado do distribuidor Harvey Weinstein. Dahan considera “catastrófica” a versão que Weinstein queria exibir.

MAIO | JUNHO 2014 11


ESTREIAS CINEMA

A Lancheira de

Ritesh Batra

ESTREIA 1 maio

Duração: 104 min

com Irrfan Khan, Nimrat Kaur, Nawazuddin Siddiqui

A Lancheira, estreia de Ritesh Brata na realização, é uma história de amor passada no meio do caos de Bombaim, mas tem pouco de Bollywood.

Batra revelou ao jornal The Guardian que não esperava que o filme fosse tão bem recebido na Índia. “Mas é muito bom sinal que as audiências no meu país estejam a mudar – as pessoas querem, cada vez mais, ver as suas histórias no grande ecrã. Os meus pais ficaram preocupados quando lhes mostrei o filme. A minha mãe não conseguia compreender porque é que eu não tinha incluído nenhuma dança nem nenhuma canção.” A Lancheira contraria a grande

“A minha mãe não conseguia compreender porque é que eu não tinha incluído nenhuma dança nem nenhuma canção.” Ritesh Brata

maioria dos blockbusters indianos, que habitualmente são dramas melodramáticos, romances musicais emotivos, com heróis e heroínas pouco complexos. A ideia inicial de Brata era fazer um filme sobre os cerca de 5000 homens cuja profissão é entregar lancheiras em Bombaim, os dabbawallahs. Há mais de 125 anos que, todos os dias úteis do ano, eles transportam milhares de marmitas de um lado para o outro, das cozinhas para os escritórios, numa das cidades com maior densidade populacional do mundo. A Lancheira conta a história de Ila Vaid (Nimrat Kaur), uma dona de casa da classe média que tenta trazer um novo fôlego ao casamento, através dos seus dotes culinários. Espera desesperadamente que a sua nova receita consiga provocar alguma reacção no marido 12 MAIO | JUNHO 2014

negligente. Porém, a lancheira que prepara com o repasto é entregue por engano a outro trabalhador do escritório, Saajan Fernandes (Irrfan Khan), um homem solitário à beira da reforma. Este erro faz com que os dois iniciem uma troca de correspondência, que, gradualmente, os vai aproximando, levando-os a confessar os seus medos, a solidão, os arrependimentos, as memórias e pequenas alegrias. Ambos encontram naquela amizade improvável um refúgio na grande cidade de Bombaim, que muitas vezes esmaga a esperança e os sonhos. O actor Irrfan Khan, conhecido pelos seus papéis em filmes como Quem Quer Ser Bilionário e A Vida de Pi, sempre teve a vontade de explorar formas diferentes de romance. “Muitas vezes utiliza-se o conceito de amor erradamente. Amor é uma ligação pura, um anseio forte”. O jornal francês Le Parisien escreve que “a partir de uma ideia simples, Ritesh Brata realiza a sua primeira longa-metragem com grande mestria, conseguindo a proeza de o fazer com subtileza, humanidade e uma grande ternura”. A IndieWIRE considerou A Lancheira “desarmante” e que as interpretações de Irrfan Khan e Nimrat Kaur “fazem com que seja um verdadeiro prazer assistir a este grande filme”.

Prémios e Festivais: Festival de Cannes – Semana da Crítica Festival de Sundance – Selecção Oficial


estreias cinema

História da Minha Morte de

Albert Serra

EXCLU

CINEMSIVO ME AS

DEIa

Dur: 148 min

ESTREIA 22 Maio

O Chef de Jon

ESTREIA 29 maio

Favreau

Duração: 115 min

com Jon Favreau, John Leguizamo, Sofia Vergara,

Scarlett Johansson, Robert Downey Jr.

com Vicenç Altaió i Morral, Lluis Serrat Masanellas, Noelia Rodenas

Do catalão Albert Serra, realizador de culto e enfant terrible do cinema espanhol, chega-nos o seu mais recente filme, História da Minha Morte, vencedor do Leopardo de Ouro no último Festival de Locarno. Depois de ter utilizado como sujeitos Dom Quixote e os Reis Magos nas suas primeiras longas-metragens, Serra criou o encontro cinematográfico entre duas das mais míticas personagens literárias do continente Europeu: Casanova e Drácula. O filme centra-se na transição do século XVIII para os cem anos seguintes; das luzes, do racionalismo e da sensualidade para o romantismo, as trevas e a violência. Casanova e Drácula surgem como personificação de cada uma dessas eras. Serra é conhecido pela sua aversão aos actores profissionais e pela busca da improvisação e da espontaneidade que daí advém. Em entrevista ao blogue À Pala de Walsh, aquando da sua presença no Lisbon & Estoril Film Festival, o cineasta explicou a sua preferência: “Eu não filmo personagens, nem actores. Filmo pessoas. (…) Como eles não sabem nada acerca do filme, vão aproximando-se fisicamente da personagem, através das roupas, das palavras que lhes digo para usar, da passagem do tempo… Não há nenhum trabalho intelectual. Mas depois, quando vês o filme, miraculosamente parece que assistimos a uma transformação e empossamento espiritual.” “Os filmes são tão radicais e especiais”, afirmou o cineasta acerca da sua obra, “que não existem pontos fracos. É impossível criticá-los”. Sobre esta constatação, o Village Voice escreveu que “incrivelmente, e com bastante irritação, só nos resta concordar com ele”. Para a publicação, o filme “é tão radical e especial quanto ele alega; é uma conquista singular e, talvez, uma espécie de obra-prima esotérica”.

Prémios e Festivais: Festival de Locarno – Leopardo de Ouro Lisbon & Estoril Film Festival – Selecção Oficial

Jon Favreau é um chef de cozinha divorciado, que se despede do seu trabalho para ir em busca de inspiração através dos Estados Unidos.

O chef Carl Casper (Jon Favreau) despede-se subitamente do seu trabalho num conceituado restaurante, depois de se recusar a comprometer a sua integridade criativa – condição imposta pelo dono do restaurante (Dustin Hoffman). Junta-se à sua ex-mulher (Sofia Vergara), a um amigo (John Leguizamo) e ao seu filho (Emjay Anthony) e abre um novo negócio de restauração: uma rulote de venda de comida. Carl lança-se à estrada e regressa às suas raízes, para tentar reavivar a sua paixão pela cozinha e o entusiasmo pela vida e pelo amor. Na antestreia

O Chef “é cozinhado com afecto, servido com elegância e apresentado com orgulho” The Guardian

do filme, no festival South by Southwest, o realizador, argumentista e protagonista, afirmou que sempre foi “fascinado por chefs – o que eles fazem é incrivelmente cinematográfico”. Mas o filme não é só acerca de culinária. É sobre o que acontece quando uma pessoa criativa é forçada a trabalhar segundo um determinado conjunto de parâmetros institucionais, sobre a forma como interagimos com as redes sociais e o que significa ser pai depois de um divórcio. Em entrevista ao The Huffington Post, Favreau revelou que o seu maior motivo de orgulho “é que o filme mostra que existe uma receita para o sucesso se se investir nas coisas que vão tornar a nossa vida melhor. É contra-intuitivo, mas se retirares tempo à tua carreira e o investires na vida pessoal, a tua carreira vai prosperar. É uma lição que aprendi há dez anos e é a verdadeira mensagem escondida do filme”. Para o jornal inglês The Guardian, O Chef “é cozinhado com afecto, servido com elegância e apresentado com orgulho”. MAIO | JUNHO 2014 13


programação

TEATRO municipal. CAMPO ALEGRE As estreias em exclusivo nos meses de Maio e Junho privilegiam filmes independentes, oriundos de várias cinematografias e geografias, falados em diversas línguas, premiados nos melhores festivais de cinema do mundo. Maio é também o mês do ciclo A JUSTIÇA NO CINEMA, já em IX edição, uma parceria da Medeia filmes com a Associação Jurídica do Porto, o SMMP e o Conselho Distrital do Porto da Ordem dos Advogados, e a colaboração do jornalista Mário Augusto, com filmes seguidos de debate. As Terças-feiras Clássicas irão ser dedicadas a um dos grandes mestres do cinema, que nos deixou recentemente: ALAIN RESNAIS. Em Junho teremos um ciclo dedicado a Jim Jarmusch, o rosto do “cinema independente americano”. Refira-se ainda a sessão especial de um filme que diríamos quase secreto, sobre o Porto e a sua história, a curta-metragem A Propósito da Inauguração de uma Estátua – Porto 1100 anos, de Albino Baganha, Artur Moura, António Lopes Fernandes, com supervisão e montagem de Manoel de Oliveira), que exibiremos no âmbito do programa “Um Objecto e seus discursos por semana” promovido pela Câmara Municipal do Porto.

ESTREIAs exclusivas SACRO GRA Gianfranco Rosi LIÇÕES DE HARMONIA Emir Baigazin de

de

PRINCE AVALANCHE de David Gordon Green

DEPOIS DE MAIO Olivier Assayas A VIDA INVISÍVEL Vítor Gonçalves DIE ANDERE HEIMAT Edgar Reitz de

de

de

IX ciclo A JUSTIÇA NO CINEMA Filmes seguidos de debate 7 Maio às 21h30 EFEITOS 14 Maio às 21h30 REGRA

SECUNDÁRIOS de Steven Soderbergh

DE SILÊNCIO de Robert Redford

21 Maio às 21h30 HANNAH 28 Maio às 21h30

ARENDT de Margarethe von Trotta

AS NEVES DE KILIMANJARO de Robert Guédiguian

Parceria da Associação Jurídica do Porto com a Medeia Filmes, o SMMP e o Conselho Distrital do Porto da Ordem dos Advogados

RETROSPECTIVA JIM JARMUSCH Sempre em Férias 1980 Para Além do Paraíso 1984 Vencidos pela Lei 1986 O Comboio Mistério 1989 Noite na Terra 1991 Homem Morto 1995 Ghost dog - O Método do Samurai 1999 Café e Cigarros 2003

Ciclo ALAIN RESNAIS

LA VIE EST UN FILM (OU BIEN) Consultar programação no site da Medeia Filmes

SessÃO especiaL - 24 Maio, 18h

A PROPÓSITO DA INAUGURAÇÃO DUMA ESTÁTUA - PORTO, 1100 ANOS Programação sujeita a alterações de última hora. Confirme sempre em www.medeiafilmes.com 14 MAIO | JUNHO 2014

de Albino Baganha, Artur Moura, António Lopes Fernandes (supervisão e montagem de Manoel de Oliveira), 1970. Integrado no programa “Um Objecto e seus discursos por semana” promovido pela CMP. Convidados: António Costa, António Preto.


OUTRAS espaço ESTREIAS medeia

Novo Espaço Medeia no Espaço Nimas O Espaço Medeia, que pode ser visitado diariamente no Cinema Medeia Monumental, tem agora uma extensão no Espaço Nimas, a emblemática sala de cinema da Avenida 5 de Outubro. A partir de agora é possível encontrar também no Nimas uma selecção de DVD com as últimas novidades, filmes marcantes e promoções imperdíveis. O Espaço Medeia é o espaço privilegiado para comprar as edições em DVD do catálogo da Leopardo Filmes. Desde 24 de Fevereiro, o Nimas tem também um novo espaço de cafetaria igualmente aberto durante o período de funcionamento do cinema.

lançamentos em dvd

Transcendence De Wally Pfister A primeira realização de Pfister, apresenta a história de um cientista que é assassinado por terroristas anti tecnologia, mas cuja mulher incorpora no seu cérebro um supercomputador que criou, permitindo-lhe a habilidade de comunicar através dele e continuar a conduzir a sua pesquisa.

ESTREIA 1 maio

JOE De David Gordon Green

NINFOMANÍACA - VOL. 1 + VOL. 2 um filme de Lars von Trier com Charlotte Gainsbourg, Stellan Skarsgård Stacy Martin, Shia LaBeouf, Jamie Bell

Ninfomaníaca é a história selvagem e poética da viagem de uma mulher desde o nascimento até aos 50 anos, contada pela personagem principal, Joe. Numa noite fria de Inverno, um solteiro velho e encantador, Seligman, encontra Joe num beco, espancada. Leva-a para o seu apartamento onde cuida das suas feridas enquanto procura saber mais da sua vida. Escuta atentamente enquanto Joe, durante 8 capítulos, revela a multifacetada história da sua vida. Já em DVD! Numa edição limitada de dois discos.

Baseado no livro homónimo de Larry Brown, Joe conta a história de Joe Ransom, um senhor de cinquenta anos que tenta esquecer seu passado levando uma vida tranquila numa pequena cidade do Texas. Durante o dia trabalha numa empresa madeireira, e à noite bebe. Um dia, conhece Gary, de 15 anos, que anda desesperadamente à procura de trabalho para sustentar a família. A partir desse momento, uma forte ligação afectiva nasce entre os dois e Joe decide ser o protetor e mentor do jovem.

ESTREIA 8 MAIO

CADÊNCIAS OBSTINADAS um filme de Fanny Ardant com Asia Argento, Nuno Lopes, Ricardo Pereira Franco Nero, Gérard Depardieu

Maléfica De Robert Stromberg

Na noite da passagem do ano, um pequeno grupo embrenha-se na sala dum velho hotel em ruínas. Carmine, o mais velho do grupo, lança um desafio a um dos homens, Furio: tem 4 meses para restaurar o hotel e inaugurá-lo com grande pompa. Consciente das dificuldades, mas desejoso de se mostrar à altura, Furio aceita, encorajado pela sua mulher Margo que acredita que esta missão permitirá ao casal reencontrar o ímpeto perdido.

O conto A Bela Adormecida é contado a partir da perspectiva da vilã Maléfica e olha para os acontecimentos que endureceram o seu coração, e a levaram a amaldiçoar a jovem princesa Aurora.

ESTREIA 5 JUNHO

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16 MAIO | JUNHO 2014


Medeia Magazine 11 - Maio e Junho 2014