Jornal Medeia Nimas - Fevereiro Março 2022

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Cinema Medeia Nimas

Programa Cinema Medeia Nimas | 22ª edição | 17.02 — 16.03.2022 | Av. 5 de Outubro, 42 B - 1050-057 Lisboa | Telefone: 213 574 362 | info@medeiafilmes.com

www.medeiafilmes.com

17.02

16.03.2022

Belfast de Keneth Branagh Estreia 24 Fevereiro

Noite Incerta de Payal Kapadia Estreia 24 Fevereiro

Onoda, 10 000 Noites na Selva de Arthur Harari

Drive My Car de Ryûsuke Hamaguchi Estreia 10 Março

Estreia 3 Março Medeia Nimas 17.02 — 16.03.2022

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Estreias BELFAST

de Keneth Branagh com Judi Dench, Ciarán Hinds, Jude Hill, Caitríona Balfe Reino Unido, 2021 – 1h38 | M/12

ESTREIA – 24 FEVEREIRO

CAIXA DE MEMÓRIAS

Memory Box

de Joana Hadjithomas & Khalil Joreige

--------------------------------------------Este é um dos melhores filmes de Keneth Branagh, um projecto mais pessoal e íntimo (muitos vão lembrar-se de Roma, de Alfonso Cuarón). Buddy (Jude Hill, que vai certamente receber vários prémios) é o seu alter-ego, um rapaz de 9 anos em Belfast, onde Branagh cresceu. É através do seu olhar que vemos a cidade no início de um período conturbado da história da Irlanda do Norte, “The Troubles”, um conflito político-religioso que duraria três décadas e causaria muitas mortes, que opunha unionistas e nacionalistas-republicanos, protestantes e católicos. Com uma “escrita” dinâmica e grandes interpretações, filmado num irrepreensível P&B, onde por vezes irrompe a cor, Belfast balança entre o pesadelo e a nostalgia destes tempos ainda hoje difíceis de entender, movimentando-se entre a casa e a rua, a escola ou os pubs e o cinema, onde Buddy vê com a família os sucessos da altura. Com música de Van Morrison, também ele irlandês de Belfast, uma comovente visita a um passado, com as suas “madalenas” e epifanias, que é também uma visita às nossas ilusões.

com Rim Turki, Manal Issa, Paloma Vauthier França, Líbano, Canadá, Qatar, 2021 – 1h42 | M/14

ESTREIA – 17 FEVEREIRO

--------------------------------------------Maia vive em Montreal com a sua filha adolescente, Alex. Na véspera de Natal recebe uma caixa. Lá dentro estão os cadernos, as gravações e as fotos que enviara à sua melhor amiga, quando esta fugiu do Líbano. Maia recusa-se a abrir esta “caixa de pandora”, mas Alex não consegue resistir à tentação de, às escondidas, vasculhar a caixa de memórias da mãe. E descobre a adolescência conturbada de Maia durante a guerra civil em Beirute. Caixa de Memórias é o filme mais admirável da dupla de artistas e cineastas Joana Hadjithomas e Khalil Joreige, que têm vindo a trabalhar a questão da memória na criação de imagens e os processos emocionais associados aos traumas de guerra. Neste filme, os diários e as gravações de Maia, datados de 1982 a 1988, são os da própria Hadjithomas e as fotografias dos tempos de guerra são as de Khalil. Paralelamente, articulam os novos media e a estética das redes sociais, criando uma conversa entre o mundo digital da juventude de Alex e a presença física da juventude de Maia.

• Festival de Cinema de Toronto – Prémio do Público • Globos de Ouro – Melhor Argumento • Óscares 2022 – 7 Nomeações, incluindo Melhor Filme, Melhor Realização, Melhor Actriz Secundária (Judi Dench), Melhor Actor Secundário (Ciarán Hinds) --------------------------------------------The Guardian

• Festival de Cinema de Berlim – Selecção Oficial em Competição --------------------------------------------«A sua inteligência, força e beleza são ainda mais comoventes à luz do que aconteceu no Líbano no último ano.» Serge Kaganski Les Inrocks Libération --------------------------------------------19 Fevereiro, 22h – Projecção seguida de debate

UM HERÓI

Ghahreman

de Asghar Farhadi com Amir Jadidi, Mohsen Tanabandeh, Fereshteh Sadr Orafaie Irão, França, 2021 – 2h07 | M/12

ESTREIA – 3 MARÇO

NOITE INCERTA

A Night of Knowing Nothing de Payal Kapadia

--------------------------------------------Asghar Fahradi é seguramente o grande mestre do cinema iraniano de hoje, e Um Herói é o seu melhor filme desde Uma Separação (2011). Começa como um western. Rahim goza uma saída de dois dias da prisão onde se encontra devido a uma dívida que não conseguiu pagar. Caminha sob um sol inclemente, a passos largos. Um acontecimento inesperado poderá ser uma oportunidade para recuperar a sua liberdade. E Rahim torna-se um herói nacional, ganha um sorriso, uma nova imagem. Mas o que poderá esconder o sorriso de Rahim? O uso da câmara à mão dá-nos uma imagem quase documental e uma mise en place cheia de vitalidade. Um dos melhores filmes do ano, Um Herói mostra-nos a sociedade iraniana nas suas múltiplas inquietações e contradições. Com personagens complexas, com os seus defeitos e as suas virtudes. Como dizia Renoir, que Farhadi cita, cada homem tem as suas razões.

com Bhumisuta Das Índia, França, 2021 – 1h37 | M/14

ESTREIA – 24 FEVEREIRO

--------------------------------------------História de um amor impossível (narrada pelas cartas de L., estudante do Instituto de Cinema e Televisão da Índia, a K., o seu namorado, que a abandonara por exigência da família, porque ela pertence a uma casta inferior), manifesto político (as imagens da greve dos estudantes daquela escola contra a nomeação de um novo director, actor de televisão e cinema comercial, militante do partido no governo, que se misturam com outras, fragmentos da vida da juventude indiana), Noite Incerta é também uma obra em defesa do cinema, de um cinema livre e urgente, que vibra de mágoa e de cólera, dando-nos conta do que está a acontecer hoje na Índia, cruzando a realidade com a ficção, os sonhos, as memórias, as fantasias e as ansiedades. • Festival de Cannes, Quinzena dos Realizadores – Prémio Oeil d’Or (Documentário) • LEFFEST – Melhor Filme | Festival de Nova Iorque – Selecção Oficial • TIFF – Amplify Voices Award --------------------------------------------«Cinétract de um amor impossível e epopeia anti-fascista, o primeiro filme da cineasta Indiana Payal Kapadia incendiou o écran da Quinzaine.» Luc Chessel, Libération --------------------------------------------25 Fevereiro, 21h45 – Projecção seguida de conversa

• Festival de Cannes – Grande Prémio --------------------------------------------Positif Transfuge

L’Humanité

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ONODA, 10 000 NOITES NA SELVA

Onoda, 10 000 nuits dans la jungle de Arthur Harari

com Yûya Endô, Kanji Tsuda, Nobuhiro Suwa, Issei Ogata FR, IT, JP, DE, BEL, KH, 2021 – 2h45 | M/14

ESTREIA – 3 MARÇO

--------------------------------------------Segunda longa-metragem de Arthur Harari, Onoda, 10 000 Noites na Selva inspira-se história real de Hiroo Onoda (1922-2014), um oficial do Exército Imperial japonês que combateu nas Filipinas durante a Segunda Guerra Mundial e passou quase 30 anos na selva da ilha de Lubang após o fim do conflito, uma espécie de Robinson Crusoé guerreiro que não tinha consciência de que a guerra tinha terminado. Neste filme brilhante e delicado, que ganhou, contra vários pesos pesados, o prémio Louis Delluc, o mais prestigiado do cinema francês, Harari retrata fielmente o carácter contraditório desta personagem: Onoda é, por um lado, o herói que recusou submeter-se aos invasores ocidentais e, por outro, o louco delirante que matou inocentes enquanto travava uma guerra imaginária. Misto de filme de aventuras e de sobrevivência, orgânico e onírico, feito com uma espécie de poesia naturalista, por vezes sumptuoso, Onoda é um fresco humanista que revisita o classicismo com graça, como afirmaram os Cahiers, e fica a remoer-nos por dentro durante dias. • Prémio Louis Delluc – Melhor Filme Francês 2021 • Festival de Cannes – Secção Un Certain Regard --------------------------------------------Les Inrocks Libération Positif Cahiers du Cinéma

Continuam em exibição O PROFESSOR BACHMANN E A SUA TURMA

Herr Bachmann und seine Klasse de Maria Speth com Dieter Bachmann, Aynur Bal, Önder Cavdar Alemanha, 2021 – 3h37 | M/12

--------------------------------------------Aplauso unânime da crítica e do público. Um “ ‘grande fresco’ sobre a educação, a pedagogia e o multiculturalismo” (LMO). “Uma das obras-primas absolutas do documentarismo do nosso séc. XXI” (JL). Um filme que não deve perder! • Festival de Berlim 2021 - Prémio do Júri e Prémio do Público --------------------------------------------João Lopes, Diário de Notícias Inês N. Lourenço, Diário de Notícias Luís Miguel Oliveira, Público Jorge Mourinha, Público Francisco Ferreira, Expresso Vasco Baptista Marques, Expresso Eurico de Barros, Time Out

A CRIANÇA

de Marguerite de Hillerin & Félix Dutilloy-Liégeois com João Arrais, Inês Pires Tavares, Alba Baptista, Maria João Pinho, Loïc Corbery (da Comédie-Française), Grégory Gadebois, Albano Jerónimo

OS PREDADORES

DRIVE MY CAR

I Predatori

Doraibu mai kâ

de Pietro Castellitto

de Ryûsuke Hamaguchi

com Massimo Popolizio, Pietro Castellitto, Anita Caprioli

com Hidetoshi Nishijima, Toko Miura, Masaki Okada, Reika Kirishima Japão, 2021 – 2h59 | M/14

Itália, 2020 – 1h49 | M/14

ESTREIA – 10 MARÇO

ESTREIA – 4 MARÇO

--------------------------------------------Ryûsuke Hamaguchi é o cineasta de que todos falam e Drive My Car um dos filmes sensação do ano, que, desde a auspiciosa estreia no festival de Cannes, tem vindo a receber vários dos mais importantes prémios internacionais, que culminaram com as 4 nomeações para os Óscares nas categorias mais importantes. O que nos cativa de forma tão intensa no cinema deste cineasta japonês, que tem o seu zénite em Drive My Car, inspirado num conto de Haruki Murakami? Desde logo, a qualidade da sua escrita, a sua perspicácia e intuição, que sentimos quando olhamos para as personagens que constrói, inteiras, corpo e verbo com uma aura de mistério; ou na forma como Hamaguchi regista o íntimo (Mathieu Macheret fala numa “cenografia da afectividade”) e aborda questões universais como o amor, a perda, a solidão, a memória. E em Drive My Car, onde o personagem principal é um actor e encenador, convidado a encenar O Tio Vânia de Tchekhov num festival de teatro em Hiroshima, as relações e a contaminação entre o teatro e a vida, entre o dentro e o fora do palco. A determinada altura, o encenador Kafuku, em conversa com o actor na peça Takatsuki, diz-lhe: “Tchekhov é aterrador. Quando dizemos as suas falas, o texto arranca-nos do nosso ‘eu’. Não sente isso?” Neste filme monumental e “luminoso”, a arte é o idioma universal que nos leva à compreensão da natureza humana.

--------------------------------------------Estreia na realização do actor Pietro Castellitto, Os Predadores foi uma das grandes revelações da 77ª edição do Festival de Veneza, onde venceu o Prémio Orizzonti para Melhor Argumento. A revista Rolling Stone, que o colocou entre os melhores filmes do ano, escreveu que Castellitto possui uma ideia de cinema muito pessoal e uma grande autenticidade e que este filme é também uma análise antropológica dos italianos travestida de sátira filosófica pronta a explodir como uma bomba-relógio, que vale mais do que mil tratados. Fulminante e irreverente, este “encontro” entre dois mundos aparentemente incompatíveis (uma família burguesa e intelectual chic e uma outra, proletária, vulgar e neofascista) vai revelar que todos têm um segredo e ninguém é o que parece. Um filme coral com personagens que não o são, como diz o realizador/actor. Um casamento feliz entre o drama e a mais grotesca commedia all'italiana. • Festival de Veneza, Secção Orizontti – Melhor Argumento

• Óscares 2022 – 4 Nomeações – Melhor Filme, Melhor Realização, Melhor Argumento Adaptado, Melhor Filme Internacional • Golden Globes – Melhor Filme Estrangeiro • Festival de Cannes – Prémio de Melhor Argumento; Prémio FIPRESCI --------------------------------------------«Extraordinário. Uma experiência cativante e engrandecedora.» The Guardian The Guardian Les Inrocks Télérama Le Monde --------------------------------------------14 Março, 20h30 – Sessão com apresentação

Portugal, França, 2022 – 1h50 | M/14

--------------------------------------------Adaptação livre do conto “O Órfão”, de Heinrich von Kleist, transposta para Portugal no séc. XVI, quando o apogeu de um poder que a expansão trouxera começa a esboroar-se e a Inquisição a instalar-se. Um filme de época que também nos fala de hoje, com uma frescura que há muito não víamos. • Festival de Roterdão – Selecção Oficial em Competição

A PIOR PESSOA DO MUNDO

Verdens verste menneske de Joachim Trier

com Renate Reinsve, Anders Danielsen Lie, Maria Grazia Di Meo, Herbert Nordrum NO, FR, SE, DK, EUA, 2021– 2h07 | M/14

--------------------------------------------Comédia romântica ma non tropo, porque também satírica e melancólica, onde o realizador traça, com uma fluidez desarmante e uma grande frescura, o retrato da insatisfação crónica dos millenials. Renate Reinsve foi uma das revelações no festival de Cannes, recompensada com o prémio de Melhor Actriz. • Festival de Cannes – Competição Oficial; Melhor Actriz (Renate Reinsve) • Óscares 2022 – 2 Nomeações – Melhor Argumento Original; Melhor Filme Internacional --------------------------------------------The Guardian Les Inrocks Télérama Medeia Nimas 17.02 — 16.03.2022

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Cinema Medeia Nimas de Joana Hadjithomas, Khalil Joreige

15h15 Sidney Poitier Giant of the Screen

21h30

de Payal Kapadia

de Richard Brooks

de Paul Thomas Anderson

16h Estreia

17h15

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17 Fev. Quinta 13h

17h

27 Fev. Domingo 12h Estreia

13h Estreia

de Maria Speth

PENÚMBRIA + DECLIVE + URSULA + LETHES + LA ERMITA

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de Eduardo Brito A seguir à projecção Tiago Alves e Lara Marques Pereira conversam com o realizador

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O PROFESSOR BACHMANN E A SUA TURMA

19h30 CINEMAX no Nimas

CAIXA DE MEMÓRIAS

SEMENTES DE VIOLÊNCIA

A PIOR PESSOA DO MUNDO

O PROFESSOR BACHMANN E A SUA TURMA

de Joachim Trier

de Maria Speth

19h30

21h15 Vitti Eterna

de Marguerite de Hillerin e Félix Dutilloy-Liégeois

LICORICE PIZZA

24 Fev. Quinta 13h Estreia

BELFAST de Kenneth Branagh

14h Estreia

NOITE INCERTA

BELFAST de Kenneth Branagh

18h Olhares Sobre a Irlanda A FILHA DE RYAN

de David Lean

BELFAST de Kenneth Branagh

22h

de Michelangelo Antonioni Cópia Digital Restaurada 4K Projecção seguida de conversa

15h

de Paul Thomas Anderson

de Joachim Trier

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CAIXA DE MEMÓRIAS

---------------------------------------------

de Joana Hadjithomas, Khalil Joreige

17h30

28 Fev. Segunda

21 Fev. Segunda

A CRIANÇA

22h Estreia

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18 Fev. Sexta 11h

DESCERRANDO OS PUNHOS

de Kira Kovalenko

13h

A PIOR PESSOA DO MUNDO

de Joachim Trier

15h15

ALBATROS de Xavier Beauvois

17h30 Estreia

CAIXA DE MEMÓRIAS

de Joana Hadjithomas, Khalil Joreige

19h30

A AVENTURA

13h

ABRAÇA-ME COM FORÇA

de Mathieu Amalric

15h Estreia

CAIXA DE MEMÓRIAS

de Joana Hadjithomas, Khalil Joreige

17h15

A CRIANÇA

de Marguerite de Hillerin e Félix Dutilloy-Liégeois

19h45

A PIOR PESSOA DO MUNDO

A PIOR PESSOA DO MUNDO

A CRIANÇA

de Marguerite de Hillerin e Félix Dutilloy-Liégeois

20h Estreia

NOITE INCERTA

de Payal Kapadia

22h Estreia

LICORICE PIZZA

13h

CAIXA DE MEMÓRIAS

de Joana Hadjithomas, Khalil Joreige

15h

A PIOR PESSOA DO MUNDO

de Joachim Trier

BELFAST de Kenneth Branagh

17h30 Estreia

---------------------------------------------

de Payal Kapadia

25 Fev. Sexta

19h30 Olhares Sobre a Irlanda

11h Estreia

de John Ford

BELFAST de Kenneth Branagh

NOITE INCERTA

O HOMEM TRANQUILO

22h Estreia

de Joachim Trier

13h

22h Sidney Poitier Giant of the Screen

de Xavier Beauvois

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A ESCRAVA

ALBATROS

BELFAST de Kenneth Branagh

A CRIANÇA

de Raoul Walsh

de Marguerite de Hillerin e Félix Dutilloy-Liégeois

15h30

1 Mar. Terça

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de Joana Hadjithomas, Khalil Joreige

13h

21h30

22 Fev. Terça

17h30 Estreia

BELFAST de Kenneth Branagh

de Paul Thomas Anderson

13h15

de Marguerite de Hillerin e Félix Dutilloy-Liégeois

O PROFESSOR BACHMANN E A SUA TURMA

19h30 Olhares Sobre a Irlanda

15h30 Sidney Poitier Giant of the Screen

19 Fev. Sábado

de Maria Speth

de Neil Jordan

de Richard Brooks

11h

17h15 Estreia

CAIXA DE MEMÓRIAS

21h45 Estreia

17h30 Estreia

de Joana Hadjithomas, Khalil Joreige

de Payal Kapadia Projecção seguida de conversa

19h30 Os filmes de Julião Sarmento

LICORICE PIZZA

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MÃES PARALELAS

de Pedro Almodóvar

13h15

O PROFESSOR BACHMANN E A SUA TURMA

19h15 Sessão Especial

SILVESTRE PESTANA NO MEIO DO INVERNO

A CRIANÇA

Uma Certa Falta de Coerência (André Sousa, Mauro Cerqueira e Silvestre Pestana) Projecção seguida de conversa com os artistas

de Marguerite de Hillerin e Félix Dutilloy-Liégeois

21h45

19h30

de Joachim Trier

de Joachim Trier

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22h Estreia

23 Fev. Quarta

de Maria Speth

17h15

A PIOR PESSOA DO MUNDO

CAIXA DE MEMÓRIAS

de Joana Hadjithomas, Khalil Joreige Projecção seguida de conversa

A PIOR PESSOA DO MUNDO

15h

A PIOR PESSOA DO MUNDO

de Joachim Trier ---------------------------------------------

20 Fev. Domingo 11h

A CRIANÇA de Marguerite de Hillerin

e Félix Dutilloy-Liégeois

17h30 Estreia

CAIXA DE MEMÓRIAS

de Joana Hadjithomas, Khalil Joreige

CAIXA DE MEMÓRIAS

JOGO DE LÁGRIMAS

NOITE INCERTA

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26 Fev. Sábado

A CRIANÇA

SEMENTES DE VIOLÊNCIA

BELFAST de Kenneth Branagh

LACAN'S ASSUMPTION + PARASITE + COMMERCIAL BREAK + TOILE + CROMLECH

11h30

de Julião Sarmento Projecção seguida de conversa com Alexandre Melo, João Pedro Vale e Nuno Alexandre Ferreira

de Maria Speth

22h Estreia

O PROFESSOR BACHMANN E A SUA TURMA

15h30

NOITE INCERTA de Payal Kapadia

A PIOR PESSOA DO MUNDO

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de Joachim Trier

2 Mar. Quarta

18h Estreia

NOITE INCERTA

de Payal Kapadia

20h Olhares Sobre a Irlanda GENTE DE DUBLIN

de John Huston

22h Estreia

BELFAST de Kenneth Branagh

11h30 Estreia

NOITE INCERTA de Payal Kapadia

13h30

O PROFESSOR BACHMANN E A SUA TURMA

de Maria Speth

17h30

A CRIANÇA

de Marguerite de Hillerin e Félix Dutilloy-Liégeois www.medeiafilmes.com

4


19h30

Olhares Sobre a Irlanda

MICHAEL COLLINS

14h Estreia

OS PREDADORES

de Neil Jordan Leitura de Poemas de W.B. Yeats

de Pietro Castelitto

22h15 Estreia

UM HERÓI

16h30 Estreia

BELFAST de Kenneth Branagh

de Asghar Farhadi

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19h Estreia

3 Mar. Quinta

de Arthur Harari

12h Estreia

22h Olhares Sobre a Irlanda

UM HERÓI de Asghar Farhadi

14h30 Sidney Poitier Giant of the Screen

ONODA, 10 000 NOITES NA SELVA

DOMINGO SANGRENTO

de Paul Greengrass

A ESCRAVA

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de Raoul Walsh

7 Mar. Segunda

16h45

BELFAST de Kenneth Branagh

12h30

18h45 Estreia

de Marguerite de Hillerin e Félix Dutilloy-Liégeois

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10 Mar. Quinta

14 Mar. Segunda

12h Estreia

11h

DRIVE MY CAR

de Ryûsuke Hamaguchi

15h30

UM HERÓI

de Asghar Farhadi

18h

ONODA, 10 000 NOITES NA SELVA

de Arthur Harari

21h Estreia

DRIVE MY CAR

de Ryûsuke Hamaguchi ---------------------------------------------

BELFAST de Kenneth Branagh

13h Olhares Sobre a Irlanda DOMINGO SANGRENTO

de Paul Greengrass

15h15 Estreia

DRIVE MY CAR

de Ryûsuke Hamaguchi

18h30 Olhares Sobre a Irlanda O SALÃO DE JIMMY

de Ken Loach

20h30 Estreia

DRIVE MY CAR

11 Mar. Sexta

de Ryûsuke Hamaguchi Sessão com apresentação

11h

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14h30

de Kenneth Branagh

15 Mar. Terça

UM HERÓI de Asghar Farhadi

de Payal Kapadia

13h

12h

---------------------------------------------

16h30 Estreia

de Asghar Farhadi

de Asghar Farhadi

4 Mar. Sexta

de Asghar Farhadi

15h30 Estreia

14h30 Estreia

12h15

19h Olhares Sobre a Irlanda

de Ryûsuke Hamaguchi

de Ryûsuke Hamaguchi

de Neil Jordan

19h Olhares Sobre a Irlanda

18h

21h15 Estreia

de John Houston

de Arthur Harari

de Arthur Harari

21h Estreia

21h Estreia

UM HERÓI de Asghar Farhadi

---------------------------------------------

de Ryûsuke Hamaguchi

de Ryûsuke Hamaguchi

19h Estreia

8 Mar. Terça

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de Pietro Castelitto

12h

12 Mar. Sábado

16 Mar. Quarta

21h15 Estreia

de Joachim Trier

11h30 Estreia

13h Estreia

de Arthur Harari

14h30 Olhares Sobre a Irlanda

de Ryûsuke Hamaguchi

de Ryûsuke Hamaguchi

---------------------------------------------

de Neil Jordan

15h Olhares Sobre a Irlanda

16h15

5 Mar. Sábado

17h

de David Lean

de Pietro Castelitto

11h

de Kenneth Branagh

18h30

18h30 Estreia

de Payal Kapadia

19h Estreia

de Asghar Farhadi

de Ryûsuke Hamaguchi

13h

de Arthur Harari

21h Estreia

22h Olhares Sobre a Irlanda

de Marguerite de Hillerin e Félix Dutilloy-Liégeois

22h Estreia

de Ryûsuke Hamaguchi

de Joseph Strick

de Asghar Farhadi

---------------------------------------------

ABRAÇA-ME COM FORÇA

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de Mathieu Amalric

13 Mar. Domingo

9 Mar. Quarta

11h Olhares Sobre a Irlanda

12h

de John Ford

de Payal Kapadia

13h30

BELFAST de Kenneth Branagh

14h Estreia

BELFAST

6€ — Desconto para Cartão Jovem /

de Kenneth Branagh

22h Estreia

de Arthur Harari

15h30 Estreia

Estudante, Terceira Idade e Entidades Parceiras ( Não aplicável na venda de bilhetes online através plataforma ActiveTicket.pt )

17h Estreia

de Ryûsuke Hamaguchi

5€ — Preço de todas as sessões,

6 Mar. Domingo

de Asghar Farhadi

19h

sem excepção, até às 13h30 e Sessão especial CINEMAX NO NIMAS

10h

19h30 Olhares Sobre a Irlanda FOME de Steve Mcqueen

de Marguerite de Hillerin e Félix Dutilloy-Liégeois

21h30 Estreia

21h Estreia

de Pietro Castelitto

de Ryûsuke Hamaguchi

ONODA, 10 000 NOITES NA SELVA

de Arthur Harari

21h45 Estreia

BELFAST de Kenneth Branagh

14h15

A PIOR PESSOA DO MUNDO

de Joachim Trier

16h30 Estreia

OS PREDADORES

ONODA, 10 000 NOITES NA SELVA

NOITE INCERTA

A CRIANÇA

15h

17h Estreia

ONODA, 10 000 NOITES NA SELVA

de Arthur Harari

20h

UM HERÓI de Asghar Farhadi

---------------------------------------------

O PROFESSOR BACHMANN E A SUA TURMA

de Maria Speth

A CRIANÇA

NOITE INCERTA

UM HERÓI

JOGO DE LÁGRIMAS

ONODA, 10 000 NOITES NA SELVA

A PIOR PESSOA DO MUNDO

MICHAEL COLLINS

BELFAST

ONODA, 10 000 NOITES NA SELVA

UM HERÓI

NOITE INCERTA

ONODA, 10 000 NOITES NA SELVA

UM HERÓI

OS PREDADORES

BELFAST

UM HERÓI

DRIVE MY CAR

GENTE DE DUBLIN

DRIVE MY CAR

DRIVE MY CAR

A FILHA DE RYAN

UM HERÓI

DRIVE MY CAR

UM HERÓI

DRIVE MY CAR

ONODA, 10 000 NOITES NA SELVA

DRIVE MY CAR

DRIVE MY CAR

OS PREDADORES

DRIVE MY CAR

ULYSSES

Cópia com legendas em PT BR

O HOMEM TRANQUILO

DRIVE MY CAR

A CRIANÇA

DRIVE MY CAR

Programação sujeita a alterações. Consulte o site www.medeiafilmes.com

Bilhetes Medeia Nimas: 8€ — Preço Normal

Horário da Bilheteira: Abre 30 min antes da primeira sessão e encerra 30 min depois da última sessão. Uso obrigatório de máscara. O Cinema Medeia Nimas segue as directrizes definidas pelas autoridades de Saúde. Medeia Nimas 17.02 — 16.03.2022

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In Memoriam

Cinemart OS FILMES DE JULIÃO SARMENTO

“SIDNEY POITIER, GIANT OF THE SCREEN”

LACAN´S ASSUMPTION (2003) + PARASITE (2003) + COMMERCIAL BREAK (2011) + TOILE (2006) + CROMLECH (2010)

Sidney Poitier (1924-2022) foi um pioneiro em Hollywood, ajudou a mudá-la e a mudar a representação afro-americana na indústria do cinema. O jovem Sidney, que, como tantos outros, trabalhou num restaurante, começou pelo teatro, e, nos anos 50, estreia-se no cinema com Joseph L. Mankievicz, mas tornou-se notado sobretudo com Sementes de Violência (1955), de Richard Brooks. Foi o primeiro actor negro a ser nomeado para os Óscares, em 1959, num filme de Stanley Kramer. Depois veio um BAFTA, prémios nos festivais de Berlim e San Sebastián, entre outros. Ele, que desbravou um imenso caminho, e chegou a ser votado como o actor mais popular na América, seria finalmente consagrado com um Óscar pelo conjunto da sua obra em 2002. Vamos evocá-lo em dois dos seus papéis mais célebres.

SEMENTES DE VIOLÊNCIA

A ESCRAVA

Blackboard Jungle

Band of Angels

de Richard Brooks

de Raoul Walsh

com Glenn Ford, Anne Francis, Sidney Poitier, Vic Morrow

com Clark Gable, Yvonne de Carlo, Sidney Poitier

EUA, 1955 – 1h41 | M/16

EUA, 1957 – 2h05 | M/12

--------------------------------------------Ancorado na tensa relação entre um professor de inglês e um grupo interracial de alunos rebeldes (liderados por Sidney Poitier, num papel que lhe alavancou a carreira), Blackboard Jungle gerou controvérsia por ter sido alvo de uma feroz censura aquando da sua estreia. Para tal muito contribuiu o tema “Rock Around the Clock”, de Bill Haley, estrondosa nota de abertura ao filme e rastilho imediato para o êxtase colectivo dos adolescentes da época, que se levantavam das cadeiras e começavam a dançar, sob o olhar apreensivo dos gerentes dos cinemas. Cápsula temporal e comentário social sobre os ventos de mudança na cultura juvenil dos anos 50, Blackboard Jungle veio também expor, de forma corrosiva, a perversidade do “sonho americano”, rompendo com a percepção idílica que o mundo tinha acerca dos Estados Unidos do pós-Guerra.

--------------------------------------------Adaptado de um romance de Robert Penn Warren, A Escrava é, para muitos, o apogeu da carreira de Walsh. Num cenário que evoca E Tudo o Vento Levou a mais do que um título, com o pano de fundo do “Old South” antes, durante e após a guerra civil, e Clark Gable noutro papel de aventureiro sem raízes, o filme de Walsh é a história de uma jovem sulista de uma família aristocrática arruinada que se descobre ser filha de uma escrava negra e é, por isso, vendida a um misterioso aventureiro, Hamish Bond (Gable). “A personagem de Poitier (outra excepção implausível) fala eloquentemente sobre a instituição monstruosa da escravatura em quaisquer circunstâncias e sobre a imoralidade estrutural da discriminação racial em que foi baseado – inclusive a descriminação que marcou a época do lançamento do filme” (Richard Brody, The New Yorker)

• 4 Nomeações Óscares 1956 – Melhor Argumento; Melhor Fotografia; Melhor Direcção de Arte; Melhor Montagem, Ferris Webster

Foi com Monica Vitti (1924-2022) que nasceu o cinema moderno. Foi Vitti que inventou, com Michelangelo Antonioni, com quem trabalhou e viveu, “um rosto da modernidade”, como afirmou Olivier Assayas. Que se revelou em quatro obras-primas. A primeira delas foi A Aventura (1960), onde a grande actriz de teatro nascia para o écran, numa rodagem épica improvisada numa simbiose artística e amorosa.

A AVENTURA

L’avventura

de Michelangelo Antonioni com Monica Vitti, Gabriele Ferzetti, Lea Massari Itália, França, 1960 – 2h24 | M/12 CÓPIA DIGITAL RESTAURADA

20 Fevereiro, 21h15 Projecção seguida de debate

Produção e realização: Uma Certa Falta de Coerência [um projeto de André Sousa e Mauro Cerqueira] em estreita colaboração com Silvestre Pestana com Silvestre Pestana e a participação especial de Angel Calvo Ulloa e Celeste Cerqueira Portugal, 2021 – 1h07 | M/14 | Inédito

--------------------------------------------Aquele que brinca com o vento e caminha através do tempo, confronta-se com os elementos, a escala da natureza, os nervos e a legalidade. Aquele que ousa medir o Universo, não teme a liberdade ou o ridículo. Silvestre percorre trilhos em serras do Minho para descobrir que as rectas do deserto californiano não são menos tortuosas. A viagem e o encontro com diferentes vozes alimentam uma reflexão sobre a figura do artista, o seu percurso, as suas contendas e a importância de saber reconhecer companheiros e ameaças. Realizado ao longo de cinco anos, com a liberdade de quem retrata e a curiosidade de quem documenta, este filme conta com Silvestre Pestana interpretando Silvestre e tem a participação especial de Celeste Cerqueira e Angel Calvo Ulloa. ---------------------------------------------

1 Março, 19h30 Projecção seguida de conversa com Alexandre Melo, João Pedro Vale e Nuno Alexandre Ferreira

22 Fevereiro, 19h15 A seguir à projecção conversa com os artistas André Sousa, Mauro Cerqueira e Silvestre Pestana

Cinemax no Nimas

“VITTI ETERNA”

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SILVESTRE – NO MEIO DO INVERNO

Poderíamos dizer, como Delfim Sardo, que “toda a obra de Julião Sarmento é, matricialmente, tributária do cinema”. Pelo qual teve desde sempre uma grande paixão. E na sua pintura ou nas séries fotográficas podemos ver processos que vêm da “gramática” do cinema, alusões, citações, reapropriações. Para além disso, começou a fazer filmes desde o início da década de 70. Afirma Julião: “[a imagem em movimento] é uma extensão, um braço dos vários que constituem a minha obra. A minha relação com o cinema não é mais nem menos importante do que o meu trabalho em pintura, desenho, instalações, som ou escultura. No fundo, são instrumentos para eu construir uma realidade. E essa realidade é o meu discurso. É isso que me interessa e é isso que procuro dizer. Depois tenho de perceber qual é a melhor maneira de interpretar ou representar esse discurso. Umas vezes é fazer uma pintura, outras um desenho. Mas outras tenho mesmo de fazer um filme ou um vídeo.” [Julião Sarmento – The Complete Film Works] ---------------------------------------------

--------------------------------------------Anna, uma jovem burguesa, desaparece misteriosamente durante uma viagem de iate. Sandro, o namorado, e Claudia, uma amiga, partem em sua busca e acabam por se tornar amantes. “Cada dia vive-se L’avventura, seja ela uma aventura sentimental, moral ou ideológica.” (Michelangelo Antonioni) • Festival de Cannes 1960 – Prémio Especial do Júri; Prémio da Crítica • Globos de Ouro 1961 – Melhor Actriz Revelação (Monica Vitti)

CURTAS DE EDUARDO BRITO

PENÚMBRIA (2016) + DECLIVE (2018) + URSULA (2020) + LA ERMITA (2021) + LETHES (2021) de Eduardo Brito Duração total: 43min | M/12

Eduardo Brito, fotógrafo, escritor e realizador, gosta de filmar histórias que nunca ficam fechadas e cultivar o cinema como uma linguagem misteriosa. Nas cinco curtasmetragens que realizou há um enquadramento rigoroso que decorre do seu olhar fotográfico e uma narrativa de pequeno conto que expande uma escrita delicada e sugestiva. É um cinema de lugares, espaços, declives, casas, profundidade, fixação, com planos marcados pela arquitetura, a paisagem e as condições metereológicas. Normalmente é nos lugares de fim de terra, onde somos levados por uma estrada sem saída, que o seu cinema começa. Vamos à Costa da Morte (Galiza), Scrabster (Escócia), Longyearbyeen (Svalbard), São Jacinto (Portugal), Castilla La Mancha (Espanha), Pitões das Júnias (Gerês). Neste programa iremos (re)descobrir Penúmbria, Declive, La Ermita e Ursula, como quem percorre um curso narrativo que desagua em Lethes, o seu mais recente filme. Iremos encontrá-lo no final da sessão para uma conversa sobre esta viagem. Tiago Alves

--------------------------------------------23 Fevereiro, 19h30 A seguir à projecção Tiago Alves e Lara Marques Pereira conversam com Eduardo Brito

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Olhares sobre a Irlanda O HOMEM TRANQUILO

The Quiet Man

MICHAEL COLLINS

de Neil Jordan

de John Ford com John Wayne, Maureen O'Hara, Barry Fitzgerald, Victor McLaglen, Ward Bond EUA, Irlanda, 1952 – 2h09 | M/12 CÓPIA DIGITAL RESTAURADA

--------------------------------------------• Óscares 1953 – Melhor Realizador, Melhor Direcção de Fotografia • Festival de Veneza 1952 – Prémios International, OCIC e Pasinetti

ULYSSES

com Liam Neeson, Aidan Quinn, Stephen Rea, Alan Rickman, Julia Roberts UK, IR, EUA, 1996 – 2h13 | M/12

--------------------------------------------• Festival de Veneza 1996 – Leão de Ouro, Prémio Volpi Cup para Melhor Actor (Liam Neeson)

DOMINGO SANGRENTO

Bloody Sunday

de Paul Greengrass

de Joseph Strick

No contexto da estreia de Belfast, o filme “autobiográfico” de Keneth Branagh onde este revisita a sua infância nos finais da década de 60, nos anos que ficaram conhecidos como “The Troubles”, propomos uma “viagem” pela Irlanda em 9 filmes. O que fizeram e o que fazem os cineastas irlandeses da Irlanda, que tantos e tão bons escritores nos deu, que tantos e tão bons realizadores viu nascer? É uma viagem pelo tempo e pelos lugares, pela história e pelas estórias. Nove grandes filmes, clássicos e contemporâneos, que fazem parte do património universal da história história do cinema, filmes que inquietam o rio da vida. Comecemos pelo clássico de John Ford, O Homem Tranquilo (1952, filmado em Technicolor), regresso do realizador à sua Irlanda, com John Wayne e Maureen O’Hara, uma história que começa como um conto de fadas e termina numa memorável luta entre dois homens, uma história de amor e desejo (Ford dizia que demonstrava aqui não ser o puritano que todos achavam que ele era), com o mais belo beijo da história do cinema. É a hora de revermos a A Filha de Ryan (1970), de David Lean, que de novo colabora com Robert Bolt num argumento inspirado na Madame Bovary de Flaubert. Incompreendido na altura, apesar dos dois Óscares que arrecadou, o filme ganhou com o tempo e é hoje considerado uma das obras-primas do realizador e o seu projecto mais íntimo. Lean explora a beleza e a diversidade da paisagem irlandesa, as falésias, as praias, os rochedos e os campos, e mostra-nos a vida de uma pequena comunidade, com a guerra civil irlandesa em pano de fundo. Com Robert Mitchum, Sarah Miles e John Mills, uma história de amor com uma dimensão épica, um filme que nos ajuda a compreender o humano, as pessoas e as suas posturas éticas sobre as quais as comunidades se fundam ou se destroem. Veremos duas adaptações a partir da obra de James Joyce, génio maior da literatura irlandesa do século XX: Ulysses, adaptação feita em 1967, por Joseph Strick do romance mais importante do século XX, publicado há cem anos, que rompeu com tudo e se diria infilmável. É um filme raro, apesar da sua estreia em competição no festival de Cannes, e mesmo das nomeações para os Óscares, BAFTA e Golden Globes, e praticamente desconhecido por cá. Foi uma grande aventura filmá-lo, disse o realizador, e, tal como o livro de Joyce que foi várias vezes recusado, e depois de editado, censurado, também este Ulysses, com actores de Dublin, born to do Joyce, foi banido e vítima dos censores. Só a partir de 2000 pôde ser visto na Irlanda. Chegou a ser exibido com as audiências separadas por género, e conta-se que na Austrália, onde foi proibido, se organizavam voos para se ir vê-lo à Nova Zelândia. Ainda a partir de Joyce, veremos a adaptação, por John Huston, do conto “The Dead”, publicado no livro The Dubliners. Último filme de Huston é uma obra-prima elegíaca, também uma espécie de encenação da despedida do próprio realizador (o filme seria distribuído postumamente). Filmado na Irlanda, também com um elenco irlandês (os Huston e alguns actores dos teatros Abbey e Gate), The Dead (1987) mostra-nos um homem na sua descoberta da memória que a mulher guarda de um falecido amor. A história da Irlanda sempre foi uma história de luta, de luta pela independência, finalmente alcançada no século XX, mas através de um acordo que a deixaria dividida em duas. Por isso, muitos dos filmes irlandeses se debruçam sobre essas questões (assim como, por exemplo, a poesia de W.B. Yeats, um dos poetas maiores na viragem do séc. XIX para o XX). Desde logo, Michael Collins (1996), de Neill Jordan (Leão de Ouro e Taça Volpi para Melhor Actor – Liam Neeson – no festival de Veneza), sobre o carismático herói da independência da Irlanda. O filme começa com os acontecimentos da Páscoa de 1916, quando, como escreveu Yeats, “Tudo mudou, tudo mudou completamente / Uma terrível beleza nasceu”. Ainda de Neil Jordan, veremos aquele que é um dos seus melhores filmes, o que lhe lançou a carreira, Jogo de Lágrimas (1992), história de um sequestro de um soldado britânico pelo IRA, e, como escreveu António Cabrita, “um dos mais belos filmes sobre o amor e os conflitos que este pode gerar se toma uma feição desviante em relação à intratabilidade da educação que nos condicionou”. Acabam de passar 50 anos sobre um domingo fatídico na história da Irlanda, e que os U2 cantaram na sua canção “Sunday, Bloody Sunday”: “I can't believe the news today / Oh, I can't close my eyes and make it go away”. Nesse domingo trágico morreram 13 civis e 14 ficaram feridos durante uma manifestação pacífica pelos direitos humanos na Irlanda do Norte, brutalmente reprimida pelas tropas de choque da polícia britânica. Em Domingo Sangrento (2002), Paul Greengrass reconstruiu esse episódio através de várias personagens-chave, a preparação da manifestação, o acontecimento, os incidentes e a revolta dos irlandeses contra o poder britânico. O filme conquistou o Urso de Ouro no Festival de Berlim. Ken Loach também tem vários filmes sobre a Irlanda. Em O Salão de Jimmy (2014) adapta uma peça de Donal O’Kelly para retratar a luta de James Gralton, figura-chave do Grupo de Trabalhadores Revolucionários que deu origem ao Partido Comunista Irlandês, e que, após ter emigrado para os EUA, regressa à Irlanda e à sua terra natal, anos depois da Guerra Civil, quando há no ar ventos de mudança. Abre um salão de baile onde se pode dançar, estudar e debater ideias. Mas o “salão de Jimmy” começa a ser incómodo para os poderes instalados. Foi com o dramaturgo irlandês Enda Walsh que Steve McQueen, até aí conhecido como um dos mais importantes artistas britânicos (Prémio Turner em 1999) fez o seu primeiro (e talvez o melhor) filme: Fome (2008), com Michael Fassbender no papel de Bobby Sands, que começa uma greve de fome na prisão de Maze, em Belfast, pelo reconhecimento do estatuto de prisioneiros políticos para os militantes do IRA encarcerados. Apresentado em Cannes e premiado com a Caméra d’Or, Fome é um filme sobre o IRA e sobre os seus mártires das décadas de 70/80, mas é também um filme sobre a religião e a sociedade, a fé, a crença e a dedicação a uma causa. Procurando nelas uma expressão de humanidade. É cinema em grande.

com Milo O'Shea, Barbara Jefford, Maurice Roëves Reino Unido, EUA, 1967 – 2h12 | M/12 Cópia com legendas em PT BR

--------------------------------------------• Festival de Cannes 1967 – Selecção Oficial em Competição

A FILHA DE RYAN

com James Nesbitt, Tim Pigott-Smith, Nicholas Farrell Reino Unido, Irlanda, 2002 – 1h47 | M/12

--------------------------------------------• Festival de Berlim 2002 – Urso de Ouro, Prémio do Júri Ecuménico

FOME

Ryan’s Daughter

Hunger

de David Lean

de Steve McQueen

com Robert Mitchum, Trevor Howard, Christopher Jones, John Mills, Leo McKern, Sarah Miles

com Michael Fassbender, Liam Cunningham, Stuart Graham, Laine Megaw, Brian Milligan

EUA, 1970 – 3h26 | M/12

Reino Unido, Irlanda, 2008 – 1h30 | M/16

CÓPIA DIGITAL RESTAURADA

--------------------------------------------• Festival de Cannes 2008 – Prémio FIPRESCI e Vencedor Câmara de Ouro • Festival de Toronto 2008 – Vencedor Discovery Award • BAFTA 2009 - Prémio Carl Foreman para Melhor Promessa (Steve McQueen)

--------------------------------------------• Óscares 1971 – Melhor Actor Secundário (John Mills), Melhor Direcção de Fotografia

GENTE DE DUBLIN

The Dead

de John Huston com Anjelica Huston, Donal McCann, Helena Carroll

O SALÃO DE JIMMY

Jimmy’s Hall de Ken Loach

Reino Unido, EUA, 1987 – 1h29 | M/12

JOGO DE LÁGRIMAS

The Crying Game de Neil Jordan

com Barry Ward, Simone Kirby, Andrew Scott, Jim Norton, Francis Magee, Aisling Franciosi UK, IR, FR, BEL, JP, 2014 – 1h49 | M/12

--------------------------------------------• Festival de Cannes – Selecção Oficial em Competição

com Stephen Rea, Forest Whitaker, Jaye Davidson, Miranda Richardson Irlanda, 1992 – 1h52 | M/16

--------------------------------------------• Óscares 1993 – Melhor Argumento Original • BAFTA 1993 – Melhor Filme

Medeia Nimas 17.02 — 16.03.2022

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Últimas oportunidades

Próximas estreias

LICORICE PIZZA

de Paul Thomas Anderson com Alana Haim, Cooper Hoffman, Bradley Cooper, Tom Waits, Sean Penn, Benny Safdie EUA, 2021 – 2h13 | M/12

--------------------------------------------Capa dos Cahiers a abrir 2022, a crítica e o público rendidos, um dos melhores filmes do ano que acabou e do ano que começa. Paul Thomas Anderson surpreende-nos e desarma-nos com a simplicidade de Licorice Pizza, a história de um primeiro amor. Um filme que nos faz bem. Cahiers du Cinéma Le Monde

A HISTÓRIA DA MINHA MULHER

CORDEIRO

de Ildikó Enyedi

de Valdimar Jóhannsson

ESTREIA — 17 MARÇO

ESTREIA — 31 MARÇO

OUISTREHAM ENTRE DOIS MUNDOS

de Jacques Audiard

Les Inrocks

ABRAÇA-ME COM FORÇA

Serre moi fort

de Mathieu Amalric com Vicky Krieps, Arieh Worthalter França, Alemanha, 2021 – 1h37 | M/14

--------------------------------------------Íntimo, delicado, comovedor, sensorial, Abraça-me com Força é como uma espécie de música, num crescendo, e à procura, como escreveu Jacques Mandelbaum, “de forma impetuosa de um pedaço de céu para mitigar a sua ferida”. • Festival de Cannes – Secção Cannes Premières --------------------------------------------Télérama Le Monde Cahiers du Cinéma Les Inrocks

de Emmanuel Carrère

ALBATROS

PARIS 13

ESTREIA — 7 ABRIL

ESTREIA — 24 MARÇO

de Xavier Beauvois com Jérémie Renier, Marie-Julie Maille, Victor Belmondo, Iris Bry França, Alemanha, Bélgica 2021 – 1h55 | M/14

--------------------------------------------Retrato íntimo e universal de pessoas normais que têm muito de extraordinário, Albatros é também um retrato realista da França profunda e das dificuldades que atravessa. • Festival Berlim – Selecção Oficial em Competição --------------------------------------------Le Parisien Le Figaro Le Nouvel Obs Télérama

MÃES PARALELAS

Madres Paralelas

de Pedro Almodóvar com Penélope Cruz, Milena Smit, Rossy de Palma Espanha, França, 2021 – 2h | M/14

--------------------------------------------Uma reflexão sobre a ancestralidade, a descendência e a presença inevitável da memória num dos melhores filmes de Almodóvar, que acaba de receber 2 Nomeações para os Óscares. • Festival de Veneza – Selecção Oficial em Competição | Taça Volpi para Melhor Actriz (Penélope Cruz) • Óscares – 2 Nomeações – Melhor Actriz (Penélope Cruz); Melhor Banda Sonora

ÉRIC RHOMER OU O GÉNIO DO MODERNO CINEMA FRANCÊS

de Nicole Garcia

AMANTES

ESTREIA — 31 MARÇO

ESTREIA — 7 ABRIL

Os Contos das Quatro Estações Conto de Primavera (1990), de Éric Rohmer Conto de Inverno (1992), de Éric Rohmer Conto de Verão (1996), de Éric Rohmer Conto de Outono (1998), de Éric Rohmer

Programa Cinema Medeia Nimas | 22ª Edição | Depósito legal 466849/20 | Av. 5 de Outubro, 42 B - 1050-057 Lisboa | Telefone: +351 213 574 362 | info@medeiafilmes.com Director: Paulo Branco | Coordenação editorial e redacção: António M. Costa | Revisão: Manuela Mina, Alexandra Fonseca | Design: Catarina Sampaio, André Carvalho com o apoio www.medeiafilmes.com Programação sujeita a alterações. Consulte o site www.medeiafilmes.com

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