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MEDICINA INTENSIVA

MEDICINA INTENSIVA

CAPÍTULO

3

Ventilação mecânica e desmame ventilatório José Paulo Ladeira / Kelly Roveran Genga

1. Introdução A ventilação mecânica teve início na década de 1950, com o advento dos “pulmões de aço” (Figura 1) nas epidemias de poliomielite, em que principalmente as crianças apresentavam insuficiência respiratória. Foi o 1º ventilador com aplicação prática, que criava um ambiente de pressão negativa ao redor do tórax do paciente, possibilitando o influxo de ar (ventilação) para os pulmões. Seu uso foi disseminado durante as epidemias de poliomielite nos EUA. O objetivo principal de todo Ventilador Mecânico (VM) é proporcionar uma ventilação alveolar e uma oxigenação arterial do paciente, que atenda à sua demanda metabólica. O VM leva o ar aos pulmões por meio de pressão positiva nas vias aéreas, ou seja, o inverso do que ocorre fisiologicamente. A ventilação mecânica por pressão positiva baseia-se na utilização de tubo endotraqueal ou cânula de traqueostomia no caso da Ventilação Mecânica Invasiva (VMI), ou via máscara nasal ou facial na Ventilação Mecânica Não Invasiva (VMNI). A ventilação mecânica deve obedecer a 2 princípios básicos: evitar pressões muito elevadas na inspiração (barotrauma) e evitar pressões muito baixas na expiração (atelectasias). Para melhor compreensão da relação ventilador mecânico–paciente e a lógica por trás dos ajustes do aparelho, são necessários alguns conceitos gerais sobre trocas gasosas, histerese pulmonar, PEEP e auto-PEEP e mecânica ventilatória.

Figura 1 - Pulmão de aço

2. Trocas gasosas Todos os seguintes fatores influenciam a troca gasosa pulmonar: a quantidade e a qualidade do ar inalado, a sua distribuição pulmonar, a pressão alveolar, a relação ventilação/perfusão pulmonar (V/Q), a difusão por meio da membrana alveolocapilar e o shunt pulmonar arteriovenoso (Qs/ Qt). Abordaremos cada aspecto a seguir.

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R3 Clinica Medica Vol. 4  

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