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APRESENTAÇÃO

O livro SIC Resumão foi elaborado para reformular assuntos, normalmente abordados em textos, em capítulos estruturados em tabelas, algoritmos e figuras, considerando os assuntos mais exigidos nas provas de Residência Médica. Esse é um método prático e direto, que, oferecendo uma visão geral dos temas, otimiza o tempo de estudo do candidato à Residência Médica. A edição conta com mais de 250 capítulos resumidos com as cinco cadeiras básicas da Medicina e pertence à Coleção SIC Intensivo 2012, que traz mais 7 obras: SIC Provas na Íntegra Brasil, SIC Provas na Íntegra São Paulo e Rio de Janeiro, SIC Questões Comentadas, SIC Provas na Íntegra e Questões Comentadas R3 Clínica Médica, SIC Provas na Íntegra e Questões Comentadas R3 Clínica Cirúrgica, SIC Resumão R3 Clínica Médica e SIC Resumão R3 Clínica Cirúrgica. Trata-se de um livro que conta com a assessoria didática de especialistas conceituados e experientes tanto em suas especialidades como em concursos médicos, o que o consolida como um material que oferece não só uma forte preparação para concursos, mas também uma ótima oportunidade de reciclagem de conhecimentos.

Direção Medcel A medicina evoluiu, sua preparação para residência médica também.


ASSESSORIA DIDÁTICA

Clínica Cirúrgica André Oliveira Paggiaro Graduado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Especialista em Cirurgia Geral e em Cirurgia Plástica pelo HC-FMUSP, onde é doutorando em Cirurgia Plástica e médico assistente. André Ribeiro Morrone Graduado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Especialista em Cirurgia Geral pelo HC-FMUSP e pelo Colégio Brasileiro de Cirurgiões. Especialista em Cirurgia Pediátrica pelo Instituto da Criança do HC-FMUSP e pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Pediátrica. Ex-Preceptor do Serviço de Cirurgia Pediátrica do Instituto da Criança do HC-FMUSP. Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito da USP. Bruno Peres Paulucci Graduado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Especialista em Otorrinolaringologia pelo HC-FMUSP, onde também é médico colaborador. Pós-graduado em Medicina Estética e Cirurgia Plástica Facial pelo Instituto de Tecnologia e Pesquisa (ITEP). Membro da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cervicofacial (ABORL-CCF). Daniel Cruz Nogueira Graduado em medicina pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Especialista em Oftalmologia pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Fellow em Retina pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP). Membro do Hospital dos Olhos de Dourados - Dourados - MS. Eduardo Bertolli Graduado pela Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC). Especialista em Cirurgia Geral pela PUC. Especialista em Cirurgia Oncológica pelo Hospital do Câncer A. C. Camargo, onde atua como médico titular do Serviço de Emergência e do Núcleo de Câncer de Pele e Dermatologia. Membro Adjunto do Colégio Brasilei-

ro de Cirurgiões. Instrutor de ATLS® pelo Núcleo da Santa Casa de São Paulo. Título de especialista em Cancerologia Cirúrgica pela Sociedade Brasileira de Cancerologia. Eric Thuler Graduado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo de Ribeirão Preto (FMUSP-RP). Especialista em Otorrinolaringologia pelo HC-FMUSP-RP. Título de especialista pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia (ABORL). Ernesto Reggio Graduado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Especialista em Cirurgia Geral e Urologia, e Mestre em Urologia pelo HC-FMUSP, onde foi preceptor na Divisão de Clínica Urológica. Professor colaborador da Universidade de Joinville (Univille). Research - Fellow - Long Island Jewish Hospital - Nova York. Flávio Amaro Oliveira Bitar Silva Graduado em medicina pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Especialista em Cirurgia Geral pelo Hospital da Polícia Militar de Minas Gerais e em Cirurgia do Trauma e Urgências pelo Hospital Municipal Odilon Behrens. José Américo Bacchi Hora Graduado pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Especialista em Cirurgia Geral e Cirurgia do Aparelho Digestivo pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP), onde foi preceptor da disciplina de Coloproctologia. Luciana Ragazzo Graduada pela Faculdade de Medicina do ABC (FMABC). Especialista em Cirurgia Geral e em Cirurgia Vascular pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP), onde foi preceptora da disciplina de Cirurgia Vascular. Marcelo José Sette Graduado pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Passo Fundo - RS. Especialista em Cirurgia Geral pelo Hospital São Vicente de Paulo, em


Passo Fundo. Especialista em Urologia pelo Hospital Nossa Senhora das Graças, em Curitiba-PR. Mestre em Urologia pelo HC-FMUSP. Médico convidado da cadeira de Urologia do Curso de Medicina da Universidade de Joinville (Univille). Research - Fellow - Long Island Jewish Hospital - Nova York. Márcia Angellica Delbon Atiê Jorge Graduada pela Faculdade de Medicina da Universidade de Santo Amaro (UNISA). Especialista em Ortopedia e Traumatologia pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT). Odival Timm Junior Graduado pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Especialista em Urologia pelo Hospital Governador Celso Ramos, em Florianópolis. Mestre em Urologia pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia e médico colaborador da Faculdade de Medicina da Universidade de Joinville (Univille). Roberto Gomes Junqueira Graduado pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Especialista em Urologia pelo HC-UFPR. Membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia e membro efetivo da Sociedade Europeia de Urologia. Mestre e Doutor em Urologia pela UFPR. Atualmente, médico da Uroclínica de Joinville e professor de Urologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Joinville (Univille).

Clínica Médica Aleksander Snioka Prokopowistch Graduado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Especialista em Clínica Médica e Reumatologia e doutor em Reumatologia pelo HC-FMUSP. Médico assistente da Divisão de Clínica Médica do HU-USP. Alexandre Evaristo Zeni Rodrigues Graduado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Especialista em Clínica Médica e em Dermatologia pela Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ). Professor assistente do Serviço de Dermatologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Taubaté (UNITAU). Bárbara Maria Ianni Graduada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Título de especialista em Cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia. Livre-Docente na FMUSP.

Durval A. G. Costa Graduado em medicina pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM). Especialista em Infectologia pelo Hospital Heliópolis. Doutorando em Doenças Infecciosas pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Médico Infectologista da Enfermaria de Moléstias Infecciosas do Hospital Estadual Mário Covas, de Santo André - SP. Fábio Freire José Graduado pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Especialista em Clínica Médica e em Reumatologia pela UNIFESP, onde é pós-graduando da disciplina de Reumatologia e Médico assistente da disciplina de Clínica Médica. Fabrício Martins Valois Graduado em medicina pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Especialista em Clínica Médica no Conjunto Hospitalar do Mandaqui. Especialista em Pneumologia e Doutorando em Pneumologia pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), onde é Pneumologista do Grupo de Transplante Pulmonar. Professor da disciplina de Semiologia da UFMA. Felipe Omura Graduado pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos (FCMS). Especialista em Clínica Médica e em Reumatologia pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Fernanda Maria Santos Graduada pela Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Especialista em Clínica Médica pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e em Hematologia e Hemoterapia pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP). Glaucylara Reis Geovanini Especialista em Cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia, em Marca-Passo pelo Departamento de Estimulação Cardíaca Artificial (DECA) e em Medicina do Sono pela Associação Brasileira de Medicina do Sono. Médica plantonista do Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP). Instrutora do Advanced Cardiac Life Support (ACLS). José Paulo Ladeira Graduado pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Especialista em Clínica Mé-


dica, Medicina Intensiva e Medicina de Urgência pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP). Médico plantonista das Unidades de Terapia Intensiva do Hospital Sírio-Libanês e do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. Kelly Roveran Genga Graduada pela Faculdade de Medicina do ABC (FMABC). Especialista em Clínica Médica pela Casa de Saúde Santa Marcelina. Especialista em Hematologia pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Especialista em Terapia Intensiva pelo Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE). Leandro Arthur Diehl Graduado em medicina pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Especialista em Endocrinologia e Mestre em Medicina e Ciências da Saúde pela UEL, onde foi docente de Endocrinologia e responsável pelos ambulatórios de Tireoide e Obesidade do Hospital das Clínicas. Membro da Comissão de Jovens Lideranças da SBEM e Membro Ativo da Latin-American Thyroid Society (LATS). Licia Milena de Oliveira Graduada pela Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo e em Filosofia pela Universidade São Judas Tadeu (USJT). Especialista em Psiquiatria e em Medicina Legal pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP). Especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental pelo AMBAN do Instituto de Psiquiatria do HC-FMUSP. Título de especialista pela Associação Brasileira de Psiquiatria. Médica-assistente do Instituto de Psiquiatria no HC-FMUSP. Membro da comissão científica e do ambulatório de laudos do NUFOR (Núcleo de Estudos de Psiquiatria Forense e Psicologia Jurídica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo). Perita oficial do Juizado Especial Federal de São Paulo. Mauro Augusto de Oliveira Graduado pela Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC). Especialista em Neurocirurgia pela Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN). Professor das disciplinas de Neurocirurgia e Neurologia da PUC-Campinas. Médico da Casa de Saúde de Campinas. Natália Corrêa Vieira de Melo Graduada em medicina pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Especialista em Clínica Médica pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e em Nefrologia pelo HC-FMUSP. Doutoranda em Nefrologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

Ralcyon F. A. Teixeira Graduado pela Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC). Especialista em Infectologia pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP). Médico assistente do Hospital Universitário (HMCP) da PUC-Campinas. Médico Infectologista do Hospital Sírio-Libanês. Rodrigo Antônio Brandão Neto Graduado pela Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC). Especialista em Clínica Médica, Emergências Clínicas e Endocrinologia pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP), onde é médico assistente da disciplina de Emergências Clínicas. Tarso Adoni Graduado pela Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (UNESP). Especialista em Neurologia pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP), onde foi membro da equipe de acidente vascular cerebral agudo. Membro titular da Academia Brasileira de Neurologia e médico atuante no corpo clínico dos Hospitais Oswaldo Cruz e Sírio-Libanês, em São Paulo. Médico colaborador junto ao grupo de doenças desmielinizantes do HC-FMUSP.

Ginecologia e Obstetrícia Fábio Roberto Cabar Graduado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Mestre e doutor em Obstetrícia e Ginecologia pelo HC-FMUSP, onde é médico preceptor do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia. Título de especialista em Obstetrícia e Ginecologia pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Flávia Fairbanks Lima de Oliveira Marino Graduada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Especialista e mestre em Ginecologia pelo HC-FMUSP, onde foi preceptora de Internos e Residentes de Ginecologia. Especialista em Endometriose e Sexualidade Humana pelo HC-FMUSP. Título de especialista em Obstetrícia e Ginecologia pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Membro da Sociedade Brasileira de Endometriose (SBE), da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH) e da World Endometriosis Society (WES). Rodrigo da Rosa Filho Graduado em medicina e especialista em Ginecologia e Obstetrícia e em Reprodução Humana pela


Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Título de especialista em Obstetrícia e Ginecologia pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Membro da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (SOGESP). Médico atuante no corpo clínico das Maternidades Santa Joana e Pro Matre Paulista.

Pediatria Adriana Prado Lombardi Graduada em medicina e especialista em Pediatria pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade São Francisco. Especialista em Neonatologia pela Maternidade de Campinas. Pós-graduada em Homeopatia pela Escola Paulista de Homeopatia. Marcelo Higa Graduado em medicina pelo Centro Universitário Lusíada (UNILUS). Especialista em Alergologia e Imunologia pelo Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP). Título de especialista em Pediatria pela Sociedade Brasileira de Pediatria. Vinícius Moreira Gonçalves Graduado em medicina pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Especialista em Pediatria pelo Hospital Universitário Pedro Ernesto da UERJ. Mestre em Pediatria pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Título de especialista em Pediatria e Terapia Intensiva Pediátrica. Atualmente, professor assistente do Departamento de Pediatria da UERJ e médico do setor de Terapia Intensiva Pediátrica do Instituto Nacional do Câncer do Rio de Janeiro (INCA-RJ).

Epidemiologia Alex Jones Flores Cassenote Graduado em Biomedicina pelas Faculdades Integradas de Fernandópolis da Fundação Educacional de Ferandópolis (FEF). Mestre e Doutorando em Ciências pelo Programa de Pós-Graduação em Doenças Infecciosas e Parasitárias da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Epidemiologista responsável por diversos projetos de pesquisa na FMUSP e na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Epidemiologista do Centro de Dados e Assessor da Diretoria de Comunicação do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (CREMESP). Colaborador do Laboratório de Epidemiologia e Estatística do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia (LEE).


ÍNDICE

Clínica Médica Cardiologia 1 - Arritmias cardíacas ...................................................................................................................30 2 - Parada cardiorrespiratória ........................................................................................................36 3 - Hipertensão arterial .................................................................................................................39 4 - Síndromes coronarianas agudas...............................................................................................43 5 - Insuficiência cardíaca ...............................................................................................................48 6 - Hipertensão pulmonar .............................................................................................................51 7 - Edema agudo pulmonar ..........................................................................................................54 8 - Valvopatias ...............................................................................................................................56 9 - Miocardites ..............................................................................................................................58 10 - Doenças do pericárdio............................................................................................................62 11 - Avaliação pré-operatória ........................................................................................................64 Medicina Intensiva 12 - Via aérea.................................................................................................................................68 13 - Distúrbios do equilíbrio acidobásico ......................................................................................69 14 - Insuficiência respiratória aguda .............................................................................................71 15 - Choque ...................................................................................................................................74 16 - Intoxicações exógenas ............................................................................................................76 17 - Nutrição..................................................................................................................................78 18 - Analgesia e sedação ...............................................................................................................79 Pneumologia 19 - Fisiologia respiratória .............................................................................................................84 20 - Asma brônquica......................................................................................................................87 21 - Doença pulmonar obstrutiva crônica .....................................................................................91 22 - Bronquiectasias ......................................................................................................................96 23 - Doenças pulmonares intersticiais ...........................................................................................98 24 - Pneumoconioses ..................................................................................................................103 25 - Tromboembolia pulmonar ................................................................................................... 105 26 - Neoplasias pulmonares ........................................................................................................110 27 - Derrame pleural ...................................................................................................................114 Nefrologia 28 - Fisiologia renal .....................................................................................................................120 29 - Métodos complementares ................................................................................................... 121 30 - Distúrbios hidroeletrolíticos .................................................................................................125 31 - Insuficiência renal aguda ......................................................................................................137 32 - Complicações graves da IRA e emergências dialíticas ..........................................................143 33 - Doença renal crônica e métodos dialíticos ...........................................................................145 34 - Doenças glomerulares ..........................................................................................................150 35 - Doenças tubulointersticiais ..................................................................................................164 36 - Doença renovascular isquêmica ...........................................................................................168


Infectologia 37 - HIV e AIDS ............................................................................................................................172 38 - Pneumonia adquirida na comunidade .................................................................................191 39 - Infecção hospitalar ...............................................................................................................199 40 - Endocardite infecciosa .........................................................................................................203 41 - Meningites............................................................................................................................209 42 - Bacteremia e sepse ..............................................................................................................214 43 - Tuberculose ..........................................................................................................................219 44 - Paracoccidioidomicose .........................................................................................................228 45 - Doença de Chagas ................................................................................................................231 46 - Dengue .................................................................................................................................233 47 - Icterícias febris .....................................................................................................................236 48 - Hepatoesplenomegalias crônicas .........................................................................................250 49 - Síndromes mononucleose e mono-like ................................................................................255 50 - Imunizações e terapia pós-exposição ...................................................................................258 51 - Acidentes por animais peçonhentos ....................................................................................263 52 - Parasitoses intestinais ..........................................................................................................265 53 - Principais antimicrobianos ...................................................................................................269 Neurologia 54 - Acidente vascular cerebral ...................................................................................................276 55 - Cefaleias ...............................................................................................................................280 56 - Convulsões e epilepsia .........................................................................................................283 57 - Esclerose múltipla ................................................................................................................287 58 - Paralisia flácida aguda ..........................................................................................................290 59 - Parkinson ..............................................................................................................................292 60 - Demências ............................................................................................................................294 61 - Coma ....................................................................................................................................297 62 - Tumores do sistema nervoso central....................................................................................300 Endocrinologia 63 - Diabetes mellitus ..................................................................................................................304 64 - Complicações crônicas do diabetes mellitus ........................................................................313 65 - Complicações agudas do diabetes mellitus .......................................................................... 315 66 - Síndrome metabólica ...........................................................................................................319 67 - Obesidade ............................................................................................................................321 68 - Hipotireoidismo .................................................................................................................... 325 69 - Hipertireoidismo ..................................................................................................................329 70 - Tireoidites.............................................................................................................................333 71 - Nódulos e câncer de tireoide ...............................................................................................335 72 - Doenças da hipófise .............................................................................................................340 73 - Doenças das adrenais ...........................................................................................................346 74 - Paratireoides ........................................................................................................................353 75 - Osteoporose .........................................................................................................................358 Hematologia 76 - Análise do hemograma.........................................................................................................366 77 - Anemias................................................................................................................................369 78 - Anemias por deficiência de produção ..................................................................................373 79 - Anemias pós-hemorrágica e hiperproliferativas...................................................................381 80 - Pancitopenias .......................................................................................................................392 81 - Hemostasia e trombose .......................................................................................................396


82 - Leucemias e transplante de célula-tronco hematopoética ..................................................407 83 - Linfomas ...............................................................................................................................418 84 - Mieloma múltiplo .................................................................................................................424 Reumatologia 85 - Artrite reumatoide ...............................................................................................................430 86 - Artrite idiopática juvenil .......................................................................................................435 87 - Espondiloartropatias soronegativas .....................................................................................438 88 - Osteoartrite ..........................................................................................................................446 89 - Gota ......................................................................................................................................450 90 - Febre reumática ...................................................................................................................454 91 - Lúpus eritematoso sistêmico ................................................................................................457 92 - Síndrome de Sjögren ............................................................................................................464 93 - Dermatomiosite e polimiosite ..............................................................................................467 94 - Esclerose sistêmica ...............................................................................................................470 95 - Vasculites sistêmicas ............................................................................................................474 96 - Fibromialgia ..........................................................................................................................485 97 - Síndromes reumáticas dolorosas regionais ..........................................................................488 98 - Artrites sépticas ...................................................................................................................493 Psiquiatria 99 - Exame do estado mental ......................................................................................................498 100 - Transtornos mentais orgânicos........................................................................................... 499 101 - Transtornos mentais decorrentes de substâncias psicoativas ............................................501 102 - Esquizofrenia e outros transtornos psicóticos ....................................................................505 103 - Transtornos do humor ........................................................................................................508 104 - Transtornos de ansiedade ..................................................................................................510 105 - Transtornos alimentares .....................................................................................................512 106 - Transtornos de personalidade ............................................................................................ 513 107 - Psicofarmacologia ..............................................................................................................515 108 - Transtornos somatoformes, dissociativos e factícios .........................................................520 109 - Eletroconvulsoterapia ........................................................................................................521 110 - Emergências em Psiquiatria ...............................................................................................522 Dermatologia 111 - Dermatologia normal .........................................................................................................526 112 - Doenças infecciosas e parasitárias .....................................................................................527 113 - Doenças eczematosas ........................................................................................................532 114 - Doenças inflamatórias eritematodescamativas .................................................................534 115 - Medicina interna - outras doenças .....................................................................................540 116 - Tumores malignos ..............................................................................................................541 Clínica Cirúrgica Cirurgia Geral 1 - Acesso não invasivo às vias aéreas .........................................................................................548 2 - Acesso cirúrgico às vias aéreas ...............................................................................................549 3 - Procedimentos torácicos ........................................................................................................551 4 - Procedimentos abdominais ....................................................................................................553 5 - Fios e suturas..........................................................................................................................555


6 - Avaliação pré-operatória ........................................................................................................556 7 - Resposta metabólica ao trauma ............................................................................................. 559 8 - Cicatrização de feridas............................................................................................................561 9 - Cuidados pós-operatórios .....................................................................................................564 10 - Complicações pós-operatórias ............................................................................................. 567 11 - Síndrome compartimental abdominal .................................................................................572 12 - Hérnias da parede abdominal .............................................................................................. 574 13 - Hérnias da região inguinocrural ...........................................................................................576 14 - Hemorragia digestiva alta varicosa .......................................................................................578 15 - Hemorragia digestiva alta não varicosa ................................................................................580 16 - Hemorragia digestiva baixa ..................................................................................................582 17 - Abdome agudo inflamatório ................................................................................................584 18 - Abdome agudo perfurativo ..................................................................................................587 19 - Abdome agudo obstrutivo....................................................................................................588 20 - Abdome agudo vascular .......................................................................................................590 21 - Princípios de cirurgia oncológica ..........................................................................................591 Cirurgia do Trauma 22 - Avaliação e atendimento iniciais ao politraumatizado .........................................................596 23 - Vias aéreas e ventilação .......................................................................................................598 24 - Choque .................................................................................................................................600 25 - Trauma torácico ....................................................................................................................602 26 - Trauma abdominal ...............................................................................................................605 27 - Trauma cranioencefálico ......................................................................................................609 28 - Trauma raquimedular e musculoesquelético .......................................................................613 29 - Queimaduras ........................................................................................................................615 Gastroenterologia 30 - Doença do refluxo gastroesofágico ......................................................................................622 31 - Outras patologias benignas do esôfago ...............................................................................626 32 - Câncer de esôfago ................................................................................................................630 33 - Doença péptica.....................................................................................................................633 34 - Gastrectomias ......................................................................................................................637 35 - Câncer de ânus .....................................................................................................................639 36 - Câncer gástrico .....................................................................................................................642 37 - Avaliação da função hepática ..............................................................................................647 38 - Hipertensão portal ...............................................................................................................650 39 - Hepatectomias e transplante hepático ................................................................................655 40 - Tumores hepáticos ...............................................................................................................659 41 - Colelitíase e coledocolitíase .................................................................................................663 42 - Colecistite e colangite ..........................................................................................................666 43 - Pancreatite aguda.................................................................................................................668 44 - Pancreatite crônica ...............................................................................................................671 45 - Tumores pancreáticos ..........................................................................................................673 46 - Doenças inflamatórias intestinais.........................................................................................677 47 - Doenças orificiais..................................................................................................................684 48 - Outras patologias benignas dos cólons ................................................................................687 49 - Doenças polipoides intestinais .............................................................................................692 50 - Câncer de cólon e reto .........................................................................................................695 51 - Tratamento cirúrgico da obesidade mórbida .......................................................................703


Urologia 52 - Câncer de próstata ...............................................................................................................710 53 - Câncer vesical .......................................................................................................................712 54 - Câncer renal .........................................................................................................................714 55 - Litíase urinária ......................................................................................................................714 56 - Hiperplasia prostática benigna .............................................................................................718 57 - Infecção urinária...................................................................................................................720 58 - Câncer de testículo ...............................................................................................................725 Ortopedia 59 - Ortopedia adulto ..................................................................................................................728 60 - Fraturas no adulto ................................................................................................................731 61 - Fraturas em crianças ............................................................................................................739 Cirurgia Vascular 62 - Obstrução arterial crônica de MMII .....................................................................................742 63 - Dissecção de aorta ...............................................................................................................744 64 - Obstrução arterial aguda ......................................................................................................745 65 - Aneurisma da aorta abdominal ............................................................................................747 66 - Insuficiência venosa crônica .................................................................................................750 67 - Trombose venosa profunda..................................................................................................751 Otorrinolaringologia 68 - Anatomia ..............................................................................................................................756 69 - Métodos diagnósticos em Otorrinolaringologia ...................................................................761 70 - Otologia ................................................................................................................................765 71 - Laringologia ..........................................................................................................................773 72 - Faringologia ..........................................................................................................................776 73 - Roncos e síndrome da apneia e hipopneia obstrutiva do sono ............................................777 74 - Rinologia...............................................................................................................................777 Oftalmologia 75 - Refração ...............................................................................................................................782 76 - Inflamações oculares ............................................................................................................782 77 - Catarata ................................................................................................................................784 78 - Glaucoma .............................................................................................................................784 79 - Retina ...................................................................................................................................785 80 - Estrabismo ............................................................................................................................786 81 - Traumatismos .......................................................................................................................787 82 - Manifestações oculares na AIDS...........................................................................................788 83 - Vias ópticas...........................................................................................................................789 Ginecologia 1 - Fisiologia menstrual ...............................................................................................................793 2 - Amenorreia ............................................................................................................................794 3 - Transtornos menstruais ..........................................................................................................797 4 - Endometriose .........................................................................................................................800 5 - Climatério ...............................................................................................................................803 6 - Mioma uterino .......................................................................................................................805


7 - Vulvovaginites e cervicites .....................................................................................................807 8 - Moléstia inflamatória pélvica aguda ......................................................................................808 9 - Incontinência urinária ............................................................................................................810 10 - Planejamento familiar ..........................................................................................................811 11 - Infertilidade conjugal............................................................................................................815 12 - Doenças benignas da mama................................................................................................. 817 13 - Câncer de mama ..................................................................................................................819 14 - Câncer de colo uterino .........................................................................................................822 15 - Câncer de endométrio..........................................................................................................824 16 - Câncer de ovário ..................................................................................................................825 Obstetrícia 17 - Fisiologia da gestação ...........................................................................................................829 18 - Modificações locais e sistêmicas no organismo materno.....................................................831 19 - Assistência pré-natal ............................................................................................................834 20 - O trajeto ...............................................................................................................................836 21 - Relações uterofetais .............................................................................................................839 22 - O parto .................................................................................................................................840 23 - Puerpério..............................................................................................................................843 24 - Síndromes hemorrágicas da 1ª metade da gestação ...........................................................844 25 - Síndromes hemorrágicas da 2ª metade da gestação ...........................................................847 26 - Síndromes hipertensivas na gestação ..................................................................................849 27 - Diabetes e gestação..............................................................................................................851 28 - Prematuridade .....................................................................................................................854 29 - Restrição do crescimento fetal .............................................................................................856 30 - Isoimunização Rh..................................................................................................................858 31 - Amniorrexis prematura.........................................................................................................859 32 - Cardiopatia e gravidez ..........................................................................................................860 33 - Síndrome da imunodeficiência adquirida e gestação ...........................................................862 34 - Sífilis e gestação ...................................................................................................................864 35 - Toxoplasmose e gestação .....................................................................................................865 36 - Rubéola e gestação ..............................................................................................................866 Pediatria 1 - Nutrição do lactente...............................................................................................................869 2 - Desnutrição energético-proteica e desvitaminose .................................................................873 3 - Imunizações............................................................................................................................879 4 - Crescimento e desenvolvimento ............................................................................................897 5 - Neonatologia ..........................................................................................................................910 6 - Síndrome do lactente chiador (ou lactente sibilante) ............................................................922 7 - Doença diarreica e desidratação ............................................................................................928 8 - Pneumonias............................................................................................................................936 9 - Meningites..............................................................................................................................944 10 - Infecções de vias aéreas superiores na infância ...................................................................949 11 - Infecção do trato urinário.....................................................................................................952 12 - Convulsão febril ou crise epiléptica febril ............................................................................953 13 - Doenças exantemáticas ........................................................................................................955


14 - Cardiopatias congênitas .......................................................................................................958 15 - Alergias .................................................................................................................................961 16 - Acidentes ..............................................................................................................................968 17 - Notificação de maus-tratos contra crianças e adolescentes pelos profissionais de saúde ......970 18 - Normas para comunicantes de doenças infecciosas ............................................................972 19 - Parada cardiorrespiratória ....................................................................................................975 20 - Arritmias cardíacas na emergência pediátrica .....................................................................978 21 - Insuficiência respiratória ......................................................................................................984 22 - Choque no paciente pediátrico ............................................................................................ 986 23 - Cirurgia pediátrica ................................................................................................................991 Epidemiologia 1 - O processo saúde-doença, modelos de prevenção e teoria de causalidade ........................1009 2 - Indicadores de saúde em Epidemiologia ..............................................................................1021 3 - Vigilância em saúde com ênfase em vigilância epidemiológica ...........................................1035 4 - Políticas de saúde ................................................................................................................. 1050 5 - Estudos epidemiológicos ......................................................................................................1073 6 - Bioestatística básica e aplicada à análise de estudos epidemiológicos ................................1084 7 - Medicina baseada em evidências.........................................................................................1093 8 - Estratégias de prevenção de agravos e promoção da saúde ...............................................1105 9 - Ética médica e Medicina legal ..............................................................................................1113


SIC

Resumão

CLÍNICA MÉDICA


Clínica Médica CARDIOLOGIA


INTENSIVO

1

Arritmias cardíacas

1. Avaliação do eletrocardiograma (ECG) Passo 1 - Avaliar frequência cardíaca 2 - Avaliar onda P

O que pesquisar - <60bpm – bradiarritmia; - >100bpm – taquiarritmia. - Verificar se há presença ou ausência de onda P; - Verificar se há ondas P com origem não sinusal.

3 - Avaliar intervalo PR

- Aumento do intervalo PR pode sugerir bloqueio AV 1º grau.

4 - Avaliar relação P x QRS

- Verificar se todo QRS é precedido de onda P.

5 - Avaliar duração do QRS

- QRS largo pode significar condução ventricular ou bloqueio de ramo (esquerdo ou direito).

6 - Avaliar onda T

- Onda T apiculada pode sugerir isquemia ou hipercalemia.

- QRS estreito significa estímulo de condução supraventricular;

7 - Avaliar segmento ST

- Desnivelamentos (supra ou infra) podem significar isquemia cardíaca.

8 - Avaliar intervalo QT

- O aumento deste intervalo pode levar a taquiarritmias ventriculares.

Figura 1 - Traçado eletrocardiográfico normal

Figura 2 - Eletrocardiograma normal

2. Bradiarritmias Bradicardia sinusal

P semelhante ao P sinusal. Toda onda P leva a um complexo QRS. Em geral, é secundária ao uso de drogas ou à doença cardíaca intrínseca. Na maioria das vezes, não requer tratamento específico.

Bradicardia juncional

Sem onda P ou com onda P retrógrada. Aparece após o QRS com orientação invertida. Como a bradicardia sinusal é secundária, não requer tratamento específico.

Bloqueio AV de 1º grau

Aumento do intervalo PR >0,20seg. Alteração benigna, na maioria das vezes, ligada ao uso de medicações ou à degeneração senil.

Bloqueio AV de 2º grau - Mobitz I

O intervalo PR aumenta gradativamente, até que uma onda P deixa de conduzir, ou seja, não é seguida de um complexo QRS; conhecido como fenômeno de Wenckebach.

Bloqueio AV de 2º grau - Mobitz II

O intervalo PR é constante, e o bloqueio tem um ritmo próprio, por exemplo, 2:1, 3:1 ou 4:1. A cada número determinado de ondas P, 1 não conduz.

Bloqueio AV de 3º grau ou bloqueio AV total

Existe uma dissociação completa entre a onda P e o complexo QRS; elas batem independentemente umas das outras.

30


CARDIOLOGIA

CLÍNICA MÉDICA

SIC - RESUMÃO

Figura 3 - BAV de 1º grau

Figura 4 - BAV de 2º grau Mobitz I

Figura 5 - BAV de 2º grau Mobitz II

Figura 6 - BAVT

Causas Medicações

Betabloqueadores, bloqueadores do canal de cálcio, antiarrítmicos, antidepressivos tricíclicos.

Intoxicação digitálica

Em geral, cursa com o aparecimento de ritmos juncionais.

IAM

BAV, geralmente, é decorrente de obstrução de coronária direita em 90% dos casos; a circunflexa é responsável pelos 10% restantes.

Distúrbios eletrolíticos

Atenção para K, Mg, Ca e função renal.

Reflexo vagal

Algumas bradicardias podem ser iniciadas após esforço miccional, vômitos, manobra de Valsalva etc. Costumam responder bem à administração de atropina.

Doenças cardíacas

Geralmente irreversíveis. Degeneração senil, doença do nó sinusal, doença de Chagas, alterações congênitas.

Abordagem - Monitorização de PA, FC e SatO2;

1 - Estabilização do paciente

- Oxigênio, se necessário;

2 - Diagnóstico

- ECG de 12 derivações.

3 - Avaliação de sinais de instabilidade clínica

- Alteração do estado mental (mesmo que transitória), dor torácica, hipotensão, choque e má perfusão periférica.

- Veia para coleta de exames e administração de medicações.

4 - Medidas farmacoló- - Pode-se tentar a administração de atropina, dopamina ou epinefrina como ponte até a pasgicas sagem do marca-passo. 5 - Passagem de marca-passo

- Indicada na presença de sinais de instabilidade clínica. O marca-passo deve ser sempre solicitado, sendo que enquanto se prepara para passar o transvenoso temporário, pode-se utilizar o transcutâneo.

31


SIC

Resumão

Clínica Cirúrgica

CLÍNICA CIRÚRGICA


Clínica Cirúrgica CIRURGIA GERAL


INTENSIVO

1

Acesso não invasivo às vias aéreas

Pontos essenciais – Via aérea definitiva e não cirúrgica; – Complicações, prevenções e condutas.

1. Introdução As manobras de assistência ventilatória não invasivas são prioridade no suporte básico de vida de pacientes semiconscientes ou inconscientes. Uma vez diagnosticada a Parada Respiratória (PR), ou respirações agônicas tipo gasping, o socorrista deve estar preparado para manter uma ventilação adequada ao paciente, até o início dos cuidados avançados (Tabela a seguir). Diagnóstico de PR

Manobras para via aérea pérvia

Suporte não invasivo

- Posicionamento sobre a cabeça do paciente, para verificação dos movimentos respiratórios, bem como audição e sensação das inspirações e expirações (ver, ouvir, sentir). - Elevação do queixo (chin lift), tração da mandíbula (jaw thrust) e cânulas nasofaríngea e orofaríngea (Guedel); - Na suspeita de trauma ou lesão cervical, a cabeça deve ser mantida em posição neutra, e a imobilização da coluna cervical deve ser precoce. - Máscara facial, conectada ao fluxo adequado de O2, e ventilação com AMBU (Figura 1).

Pacientes que permaneçam em parada respiratória, ou que não sejam capazes de manter a via aérea protegida, necessitam de uma via aérea definitiva, a qual se define como um tubo endotraqueal, com cuff insuflado, devidamente fixado, ligado a uma fonte de oxigênio a 100%, que permita a adequada oxigenação dos pulmões. Pode ser cirúrgica (cricotireoidostomia, traqueostomia) ou não (intubação naso ou orotraqueal).

Figura 1 - Material necessário para o suporte respiratório: (A) máscaras faciais valvuladas conectadas ao balão para oxigenação manual temporária (AMBU), e (B) ventilação não invasiva

2. Via aérea definitiva não cirúrgica As indicações de intubação traqueal estão resumidas na Tabela a seguir. A intubação nasotraqueal é contraindicada na suspeita de lesão na base do crânio e na apneia. Na impossibilidade da intubação oro ou nasotraqueal, o paciente torna-se candidato a uma via aérea definitiva cirúrgica. - Apneia; - Proteção das vias aéreas contra aspiração por vômitos ou sangue; - Trauma cranioencefálico com escala de coma de Glasgow ≤8; - Risco de obstrução por lesão de traqueia ou laringe, hematoma cervical ou retrofaríngeo, estridor;

548


CIRURGIA GERAL

SIC - RESUMÃO

- Fraturas maxilofaciais graves; - Convulsão persistente; - Incapacidade de manter oxigenação com máscara de O2; - Necessidade de ventilação: paralisia neuromuscular, movimentos respiratórios inadequados, trauma cranioencefálico grave com necessidade de hiperventilação.

3. Complicações, prevenções e condutas

Trismo bucal Escape de ar bucal

Prevenções Verificar se existem dentes móveis e removê-los antes do procedimento. --

Utilizar medicamentos miorrelaxantes.

Checar o balonete antes do procedimento.

Manter a cabeça na posição adequada, Impossibilidade de visualizar as utilizar lâmina do laringoscópio cordas vocais mais apropriada e manter aspiração orotraqueal.

2

Condutas Realizar raio x de tórax após a intubação para verificar se houve aspiração. Injetar mais ar no balão ou trocar a cânula e utilizar um fio-guia. Reposicionar, escolher uma lâmina diferente, manter sucção adequada e realizar compressão extrínseca da laringe (assistente).

Acesso cirúrgico às vias aéreas

Pontos essenciais – Cricotireoidostomia; – Traqueostomia.

1. Cricotireoidostomia A 1ª escolha para o acesso imediato das vias aéreas é a intubação orotraqueal (IOT), entretanto há situações em que o acesso cirúrgico dessas vias deve ser considerado, como as lesões maxilofaciais, as queimaduras orais e o edema importante de glote. Nesses casos, está indicada a cricotireoidostomia, que pode acontecer por punção ou cirurgia e deve ser realizada sobre o ligamento cricotireóideo, localizado entre a cartilagem tireoide superiormente e a cartilagem cricoide inferiormente. A cricotireoidostomia por punção (Figuras 1A e B) garante oxigenação adequada por até 45 minutos e deve ser substituída pela cricotireoidostomia cirúrgica ou traqueostomia. A cricotireoidostomia cirúrgica (Figura 1C), apesar de ser o procedimento a ser realizado na Emergência, é contraindicada a crianças <12 anos e trauma de laringe, situações em que deve ser realizada a traqueostomia de urgência.

Figura 1 - Cricotireoidostomia: (A) e (B) por punção e (C) cirurgia

549

CLÍNICA CIRÚRGICA

Complicações Quebra de dentes e perda dentro da boca


GINECOLOGIA


SIC - RESUMÃO

1

GINECOLOGIA

Fisiologia menstrual

a) O ciclo menstrual pode ser dividido em esteroidogênese ovariana, ciclo menstrual propriamente dito, ciclo endometrial e muco cervical. b) A molécula-chave para a produção dos hormônios esteroides nos ovários e nas suprarrenais é o colesterol, principalmente, o colesterol LDL. c) Nas suprarrenais, o colesterol é transformado em androgênios: androstenediona e sulfato de deidroepiandrosterona (S-DHEA). Nos ovários, a esteroidogênese acontece em diferentes camadas do órgão (teca interna e granulosa), com produção de estrogênios e progesterona.

e) O FSH e o LH são secretados pela hipófise sob o estímulo do GnRH, que é liberado pelo hipotálamo de maneira pulsátil (um pulso a cada 90 minutos na fase folicular e a cada 220 minutos na fase lútea), ou seja, o que muda é o padrão de pulsatilidade na secreção. Durante a 1ª e a 2ª fases do ciclo menstrual, diversos fatores estimulam a secreção do GnRH: noradrenalina, histamina, aminoácidos, neuropeptídios, adenosina, substância P, óxido nítrico e os próprios esteroides ovarianos. f) Teoria das 2 células – 2 gonadotrofinas: o LH encontra receptor na membrana celular da célula da teca interna e estimula a transformação de colesterol em androstenediona e testosterona. Por difusão, esses androgênios atingem a camada granulosa. O FSH liga-se ao seu receptor específico e estimula a aromatase, possibilitando a transformação dos androgênios em estrogênios: a androstenediona se transforma em estrona, e a testosterona, em estradiol. g) O ciclo menstrual normal começa no 1º dia de sangramento menstrual e tem duração média de 25 a 35 dias. h) Na ausência de fecundação, ocorre a degeneração do corpo lúteo, levando à diminuição da produção de estrogênios e progesterona. Essa diminuição provoca a parada na inibição da secreção de FSH, consequentemente o hormônio aumenta. i) O aumento progressivo do FSH dá início ao processo de recrutamento folicular que se desenvolverá até as fases pré-antral e antral, secretando quantidades progressivamente maiores de estradiol. Um desses folículos será o folículo dominante. j) Os fatores determinantes da dominância folicular são o maior número de receptores para FSH em sua membrana celular e fluxo sanguíneo preferencial. O folículo dominante inibe o crescimento dos outros folículos pela secreção de inibina B e produz quantidades crescentes de estradiol. k) O pico de estradiol acontece em aproximadamente 24 a 36 horas antes da ovulação e sinaliza para o pico de LH, que ocorre 12 horas antes da ovulação. l) No ovário, o que restou do folículo dominante transforma-se em corpo lúteo e passa a produzir estradiol e progesterona. A partir do momento da ovulação, inicia-se a 2ª fase do ciclo menstrual, chamada de fase lútea. m) Quando não há fecundação nem gravidez, as células do corpo lúteo sofrem apoptose, e ocorre atresia do corpo lúteo, determinando queda acentuada dos níveis de estradiol e progesterona. Tal diminuição da concentração hormonal resulta em alteração endometrial irreversível. n) Na 1ª fase do ciclo menstrual, ocorre proliferação endometrial sob estímulo do estrogênio. O endométrio aumenta de espessura e suas glândulas apresentam-se estreitas e tubulares. Essa 1ª fase é conhecida como fase proliferativa. o) Na 2ª fase do ciclo, há um acúmulo de glicogênio, e as glândulas endometriais ficam edemaciadas e tortuosas, com arteríolas dilatadas e espiraladas. Essa fase denomina-se secretora.

793

GINECOLOGIA

d) Os folículos ovarianos contêm 2 camadas funcionais envolvidas na esteroidogênese: a teca interna, com receptores para o hormônio luteinizante (LH), e a granulosa, com receptores para o hormônio folículoestimulante (FSH).


INTENSIVO

p) A 3ª e última fase endometrial é a menstruação, que ocorre por atresia do corpo lúteo, levando à isquemia e à necrose do endométrio secundário a vasoespasmos das arteríolas espiraladas. q) Menstruação normal: duração de 2 a 8 dias; intervalo de 25 a 35 dias; volume de 20 a 80mL por ciclo. r) O muco cervical também sofre alterações de acordo com as variações hormonais, para tornar-se mais receptivo à passagem dos espermatozoides na fase pré-ovulatória e menos receptivo na pós-ovulatória. s) Na 1ª fase do ciclo, as concentrações crescentes de estradiol determinam o aumento na quantidade de muco, que fica também mais fluido e com maior filância. O muco cristaliza-se em forma de “folha de samambaia” quando é colocado sobre uma lâmina e aquecido. Na 2ª fase, o aumento progressivo da progesterona torna o muco mais viscoso e espesso, com aspecto opaco.

Figura 1 - Concentrações hormonais durante o ciclo menstrual

Figura 2 - Ciclo endometrial

2

Amenorreia

1. Introdução Classificação Primária Secundária

Ausência de menarca e caracteres sexuais secundários até os 14 anos ou presença destes, porém ausência de menarca até os 16 anos Ausência de menstruação por 3 ciclos consecutivos ou por 180 dias em pacientes com ciclos menstruais irregulares

2. Amenorreia primária Causas - Hipogonadismo hipogonadotrófico (não há gonadotrofinas para estimular os ovários para a produção dos esteroides sexuais); - Hipogonadismo hipergonadotrófico (as gonadotrofinas estão elevadas, tentando “bombardear” os ovários, mas, por falta de capacidade ovariana, a produção de esteroides não ocorre); - Malformações müllerianas (por exemplo, hímen imperfurado, septo vaginal transverso ou oblíquo), síndrome de Mayer-Rokitansky-Kuster-Hauser); - Hiperandrogenismo (hiperplasia adrenal congênita não clássica); - Tumores virilizantes; - Síndrome de Cushing.

A - Diagnóstico Anamnese + exame físico - Idade de início (telarca/pubarca); - Desenvolvimento ponderal e estatural;

794


OBSTETRÍCIA


OBSTETRÍCIA

SIC - RESUMÃO

17

Fisiologia da gestação

1. Desenvolvimento da gestação e decidualização O embrião alcança a cavidade uterina por volta do 4º dia pós-fecundação, em um estágio chamado mórula. Quando se encontra no estágio de blastocisto, o embrião fixa-se no endométrio, ocorrendo a nidação. Esse processo ocorre cerca de 7 a 10 dias após a ovulação. As células endometriais sofrem transformação decidual. Morfologicamente, as células deciduais são volumosas, poliédricas ou arredondadas, com núcleo arredondado e vesicular, citoplasma claro e circundado por membrana translúcida. As decíduas parietal e basal apresentam 3 camadas: superficial, média e profunda (ou basal). As 2 primeiras camadas destacam-se com a dequitação. A zona basal remanescente irá refazer o endométrio após o parto. São funções da decídua: proteger o ovo da destruição e assegurar-lhe o alimento na fase inicial da placentação.

2. Hormonologia gestacional A produção esteroidogênica da placenta começa entre 35 e 47 dias após a ovulação. Antes desse período, a gravidez depende da produção de progesterona pelo corpo lúteo. Durante as 4 primeiras semanas de gestação, o aumento da progesterona na circulação materno-fetal é decorrente da sua produção pelo corpo lúteo, sendo, posteriormente, produzida pelas células do sinciciotrofoblasto na placenta. A placenta é fonte de hormônios esteroides, enzimas fetais e enzimas placentárias que trabalham conjuntamente na produção de estrogênios. O colesterol materno é o principal precursor da progesterona produzida pela placenta. A produção de progesterona não depende das enzimas fetais, mas de enzimas placentárias. Funções dos hormônios na gestação Progesterona OBSTETRÍCIA

- Manutenção da quiescência do miométrio; - Inibição dos receptores de prolactina na mama; - Desenvolvimento do parênquima mamário; - Responsabilidade pela imunossupressão relativa.

Estrogênio - Crescimento uterino; - Aumento de fluxo sanguíneo local.

Gonadotrofina coriônica humana (HCG) - Produzida pelo sinciciotrofoblasto a partir do 3º dia pós-fertilização; - Principal função: manter o corpo lúteo; - Detectada no sangue materno a partir do 8º dia após a fecundação; - Atinge seu pico entre 60 e 90 dias de gestação e declina a partir do 2º trimestre; - Sua concentração é duplicada a cada 48 a 72 horas no 1º trimestre.

3. Diagnóstico de gestação Os sinais, sintomas e achados laboratoriais que sugerem ou determinam a gravidez podem ser classificados em evidência presuntiva, sinais de probabilidade e sinais de certeza de gravidez.

A - Sinais de certeza – Batimento cardíaco fetal: • • • •

USG TV = embrião com CCN ≥5mm (7 a 8 semanas); Sonar = 12 semanas; Pinard = 18 a 20 semanas; Movimentação fetal (16 a 20 semanas de gestação).

829


INTENSIVO

B - Sinais e sintomas de presunção – Atraso menstrual (principalmente em mulheres com ciclos menstruais regulares); – Presença de náuseas ou vômitos (supostamente pelo aumento do HCG); – Polaciúria (a anteflexão acentuada do útero comprime a bexiga e causa micção frequente); – Alterações mamárias (mastalgia, aumento da circulação venosa). C - Evidências prováveis de gestação Eram usadas no passado para diagnóstico. Esses sinais podem ser notados nos órgãos genitais e em outros órgãos e sistemas do organismo materno e são conhecidos por epônimos. Órgãos

Face

Características - Cloasma (máscara gravídica). Pigmentação difusa ou circunscrita, de tonalidade escura e mais nítida nas áreas muito expostas à luz (face, nariz e região zigomática). A hiperpigmentação parece ser consequente a uma hiperfunção do lobo anterior da hipófise, com hipersecreção de hormônio melanotrófico; - Sinal de Halban consiste em lanugem na testa, juntamente aos limites do couro cabeludo. - Runter (aréola secundária);

Mamas

- Rede venosa de Haller; - Tubérculos de Montgomery (hipertrofia de glândulas sebáceas). - Holzapfel – preensibilidade uterina aumentada – peritônio rugoso; - Consistência uterina amolecida; - Contrações de Braxton-Hicks; Superfície

- Regar – amolecimento do istmo, permitindo sua movimentação; - MacDonald – o útero pode ser refletido como dobradiça, pelo amolecimento do istmo; - Landin – amolecimento localizado do istmo.

Útero Forma

- Piskacek – abaulamento localizado no local de implantação do ovo; - Noble-Budin – preenchimento dos fundos de saco laterais. - Puzos – rechaço fetal;

Outros

Vulva e vagina

- Oslander – pulso vaginal; - Hartmann – sangramento decorrente de implantação ovular que ocorre após cerca de 17 dias da concepção.

- Jacquemier, Jacquemier-Kluge ou Chadwich (coloração violácea da vagina, vestíbulo a meato urinário).

4. USG no início da gestação Permite identificar o saco gestacional intraútero quando os níveis séricos de beta-HCG estão entre 1.000 e 2.000mUI/mL. Os batimentos cardíacos do embrião devem ser identificados quando atingirem 5mm de comprimento (entre 7 e 8 semanas). A frequência cardíaca fetal deve estar entre 110 e 160bpm. O saco gestacional pode ser avaliado quanto à sua forma, regularidade, local de implantação e medida de seus diâmetros. A gestação será dita anembrionária quando não se identificar embrião em saco gestacional com diâmetro médio ≥17mm ou quando o maior diâmetro for ≥20mm.

5. Resumo de conceitos Fecundação

União dos gametas

Segmentação

Série de divisões celulares sucessivas no zigoto

Nidação

Fixação e invasão do embrião no endométrio

Transformação decidual

Modificação histológica sofrida pelo endométrio

830


PEDIATRIA


PEDIATRIA

SIC - RESUMÃO

1

Nutrição do lactente

1. Definições importantes Alimentação complementar adequada e oportuna

Iniciada como complemento ao aleitamento materno a partir dos 4 aos 6 meses de vida com dietas adequadas

Alimentos complementares ou de transição

Oferecidos à criança como complementação ao leite materno a partir dos 4 aos 6 meses de vida; nunca antes do 4º mês

Alimentos in natura

Ofertados e consumidos em seu estado natural, sem sofrer alterações industriais que modifiquem suas propriedades físico-químicas (textura, composição, propriedades organolépticas – leites e frutas)

Aleitamento materno exclusivo

Oferta de leite materno diretamente da mama ou extraído, e nenhum outro líquido ou sólido, com exceção de medicamentos

Aleitamento materno predominante

Oferta de, além do leite materno, água ou bebidas à base de água, como sucos de frutas e chás

Aleitamento materno

Oferta de leite materno, diretamente do seio ou extraído, mesmo que esteja recebendo qualquer alimento ou líquido, incluindo leite não humano

Uma alimentação infantil adequada compreende aleitamento materno + alimentos introduzidos no momento adequado para complementar o aleitamento materno.

2. Introdução

Passo 1

Dar somente leite materno até os 6 meses, sem oferecer água, chá ou quaisquer outros tipos de alimentos.

Passo 2

A partir dos 6 meses, introduzir, de forma lenta e gradual, outros tipos de alimento, mantendo o leite materno até os 2 anos.

Passo 3

Após os 6 meses, dar alimentos complementares (cereais, tubérculos, carnes, leguminosas, frutas, legumes), 3 vezes ao dia se a criança receber leite materno e 5 vezes se estiver desmamada.

Passo 4

A alimentação complementar deverá ser oferecida sem rigidez de horário, respeitando a vontade da criança.

Passo 5

A alimentação complementar deverá ser espessa desde o início e oferecida com colher. Começar com alimentos pastosos e gradativamente aumentar a consistência, até chegar à alimentação da família.

Passo 6

Oferecer à criança diferentes alimentos no dia. Uma alimentação variada é também uma alimentação colorida.

Passo 7

Estimular o consumo diário de frutas, verduras e legumes nas refeições.

Passo 8

Evitar açúcar, café, enlatados, frituras, refrigerantes, balas, salgadinhos e outras guloseimas no 1º ano de vida. Usar sal com moderação.

Passo 9

Cuidar da higiene no preparo e no manuseio dos alimentos e garantir o seu armazenamento e conservação adequados.

Passo 10

Estimular a criança doente e convalescente a se alimentar, oferecendo sua alimentação habitual e seus alimentos preferidos, respeitando a sua aceitação.

3. Vantagens do aleitamento materno 1

Aumenta a sobrevida das crianças, principalmente as que nascem em condições desfavoráveis e/ou com baixo peso (<2.500g).

869

PEDIATRIA

Para melhorar e normatizar a alimentação infantil, a OPAS/OMS e MS do Brasil elaboraram e recomendaram os “10 passos para uma alimentação saudável” para crianças menores de 2 anos:


INTENSIVO

2

O leite materno atende a todas as necessidades nutricionais e metabólicas até os 6 meses de vida, reduzindo a desnutrição e as patologias dela decorrentes.

3

É absolutamente viável do ponto de vista econômico devido ao baixo custo, sem riscos de contaminação, acessível a qualquer momento.

4

Confere proteção imunológica eficaz contra os patógenos prevalentes na infância, reduzindo significativamente a morbimortalidade infantil <2 anos.

5

Confere proteção para as doenças alérgicas. O tubo digestivo é mais permeável a proteínas estranhas.

6

Oferece condições ideais para a interação mãe-filho, reforçando o vínculo entre ambos.

7

Contribui para o desenvolvimento cognitivo.

8

Reduz o sangramento pós-parto e leva à involução uterina mais rápida.

9

Aumenta o intervalo entre as gestações.

10

Retorna mais rapidamente ao peso pré-gestacional.

11

Reduz o risco de câncer de mama e de ovário e pode reduzir o risco de osteoporose no período pós-menopausal.

– Tempo de aleitamento materno exclusivo recomendado pela OMS e MS Brasil: 4 a 6 meses; – Duração do aleitamento materno (OMS): preferencialmente por 2 ou mais anos. A - Principais características do leite humano O leite humano maduro apresenta menor quantidade de proteína, o que diminui a sobrecarga renal do lactente, além de fornecer aminoácidos essenciais. Os lipídios são responsáveis por cerca de 50% das calorias do leite materno e fornecem ácidos graxos essenciais e colesterol em quantidades suficientes. Os ácidos graxos exercem importante função no transporte de vitaminas lipossolúveis e no desenvolvimento do sistema nervoso.

B - Técnica de amamentação 1

Amamentar em livre demanda. Oferecer um seio a cada mamada, esvaziando-o por completo. Isso estimula a produção do leite e favorece a sucção do leite posterior, mais rico em gorduras, o que garante a saciedade e o ganho ponderal.

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A mãe deve estar sentada, com as costas apoiadas.

3

O Recém-Nascido (RN) deve abocanhar o mamilo e a parte da aréola para ter uma sucção efetiva e evitar fissuras. Habitualmente, nessas condições, o queixo do bebê toca a mama. Os lábios devem estar evertidos.

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O abdome do RN deve tocar o abdome materno.

5

Em caso de excesso de leite com ingurgitação mamária, realizar massagem suave e ordenha, esvaziando parcialmente. Fazer o mesmo em caso de mastite asséptica e quando o RN não consegue sugar devido à ingurgitação.

6

Em casos de fissura do mamilo, aplicar o próprio leite e realizar exposição solar. Não utilizar cremes ou pomadas.

C - Contraindicações absolutas ao aleitamento materno - Galactosemia; Relativas à criança

- Fenilcetonúria (caso não seja possível a monitorização do nível sérico de fenilalanina); - Síndrome do xarope de bordo.

Relativas à mãe

- Infecção pelo HIV e HTLV (atualmente em discussão, porém mantida); - Doenças sistêmicas maternas com risco de vida para a mãe (ICC, eclâmpsia etc.). - Isótopos radioativos; - Quimioterápicos;

Drogas usadas pela mãe

- Amitriptilina; - Lítio; - Drogas de abuso.

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EPIDEMIOLOGIA


EPIDEMIOLOGIA

SIC - RESUMÃO

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O processo saúde-doença, modelos de prevenção e teoria de causalidade

Para pensar: Lidar com “doença”, em seu sentido mais amplo, sempre remete o profissional da saúde a pensar em um conjunto dinâmico de alterações que modificam um status individual ou da coletividade. Trata-se então da modificação de saúde que acarreta doença. Um ponto primordial para a Medicina é explicar e organizar as inter-relações do agente, do suscetível e do meio ambiente, ou seja, entender desde as primeiras forças que criam o estímulo patológico no meio ambiente ou em qualquer outro lugar, passando pela resposta do homem ao estímulo, até as alterações que levam a um defeito, invalidez, recuperação ou morte. Conheça, neste capítulo, os modelos que sintetizam o estudo do processo saúde-doença.

Para que seja possível a compreensão de saúde e de doença, é necessário conhecer os conceitos que permeiam esse processo, são eles:

1. Conceito de saúde e doença A - Definição de doença O conceito de doença, sob a ótica médica, refere o aposto de saúde da mesma ideologia, a chamada teoria negativa do processo saúde-doença. Segundo essa doutrina, a distinção entre o normal e o patológico se dá de maneira quantitativa, tanto para os fenômenos orgânicos, quanto para os mentais. A doença constitui em falta ou excesso de excitação dos tecidos abaixo ou acima do grau que constitui o estado normal (COELHO; ALMEIDA FILHO, 1999). Do ponto de vista social, a melhor forma de comprovar empiricamente o caráter histórico da doença não é conferida pelo estudo de suas características nos indivíduos, mas sim quanto ao processo que ocorre na coletividade humana. A natureza social da doença não se verifica no caso clínico, mas no modo característico de adoecer e morrer nos grupos humanos. Ainda que provavelmente a “história natural” da tuberculose, por exemplo, seja diferente, hoje, do que era há 100 anos, não é nos estudos dos tuberculosos que se apreende melhor o caráter social da doença, mas nos perfis patológicos que os grupos sociais apresentam (LAURELL, 1976). Doença não é mais que um constructo que guarda relação com o sofrimento, com o mal, mas não lhe corresponde integralmente. Quadros clínicos semelhantes, com os mesmos parâmetros biológicos, prognóstico e implicações para o tratamento, podem afetar pessoas diferentes de forma distinta, resultando em diferentes manifestações de sintomas e desconforto, com comprometimento diferenciado de suas habilidades de atuar em sociedade. O conhecimento clínico pretende balizar a aplicação apropriada do conhecimento e da tecnologia, o que implica que seja formulado nesses termos. No entanto, do ponto de vista do bem-estar individual e do desempenho social, a percepção individual sobre a saúde é que conta (EVANS; STOODART, 1990; OLIVEIRA; EGRY, 2000).

A conceituação de saúde proposta pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em 1948, refere-se a esta não apenas como a ausência de doença, mas também como o completo bem-estar físico, mental e social. Embora antiga, uma vez que data da origem da própria OMS, essa definição continua a ser utilizada pelo órgão (OMS, 2011). Contudo, Segre e Ferraz (1997) avaliam que essa definição, até avançada para a época em que foi realizada, é, no momento, qualificada como irreal, ultrapassada e unilateral, uma vez que atingir o “completo” refere uma utopia. A definição da OMS pode ser tratada mais como um símbolo ideal, um compromisso ou um horizonte a ser buscado.

C - Constituição Brasileira (1988) A saúde, no texto da Constituição de 1988, reflete o ambiente político de redemocratização do país e, principalmente, a força do movimento sanitário na luta pela ampliação dos direitos sociais: “A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos, e ao acesso universal igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação” (BRASIL, 1988:37). O grande mérito dessa concepção reside justamente na explicitação

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B - Definição de saúde pela OMS (1947)

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INTENSIVO

dos determinantes sociais da saúde e da doença, muitas vezes negligenciados nas concepções que privilegiam as abordagens individual e subindividual.

D - Saúde por Nahas (2003) Saúde como uma condição humana com dimensões física, social e psicológica, caracterizada num continuum com polos, positivo e negativo (Figura 1). A saúde positiva seria caracterizada com a capacidade de ter uma vida satisfatória e proveitosa, confirmada geralmente pela percepção do bem-estar geral; a saúde negativa estaria associada a morbidade e, no extremo, à mortalidade prematura. Portanto, a saúde pode assumir uma posição tanto positiva como negativa, a depender do comportamento dos indivíduos. No entanto, podemos relacionar os fatores que afetam negativamente a saúde, como drogas, fumo, o álcool; também as doenças infecciosas como a AIDS e as doenças crônicas degenerativas não transmissíveis que, por sua vez, estão fortemente associadas ao estilo de vida negativo (NAHAS, 2003).

Figura 1 - Saúde: o contínuo. Fonte: NAHAS, 2003; com modificações

E - Conceito ampliado e positivo de saúde O processo saúde-doença é um processo social caracterizado pelas relações dos homens com a natureza (meio ambiente, espaço, território) e com outros homens (por meio do trabalho e das relações sociais, culturais e políticas) num determinado espaço geográfico e num determinado tempo histórico. Nesse sentido, a saúde é um conceito positivo que enfatiza os recursos sociais e pessoais, bem como as capacidades físicas. É resultante das condições de alimentação, habitação, educação, renda, meio ambiente, trabalho, transporte, emprego, lazer, liberdade, acesso e posse da terra e acesso a serviços de saúde. É assim, antes de tudo, o resultado das formas de organização social da produção, as quais podem gerar grandes desigualdades nos níveis de vida (BRASIL, 1987). Essa definição procura resgatar a importância das dimensões econômica, social e política na produção da saúde e da doença nas coletividades. Contrapõe-se à concepção biomédica, baseada na primazia do conhecimento anatomopatológico e na abordagem mecanicista do corpo, cujo modelo assistencial está centrado no indivíduo, na doença, no hospital e no médico (BATISTELLA, 2007; CARNEIRO, 2010).

2. Modelos que explicam o processo saúde-doença A - Modelo biomédico O discurso da medicina, via de regra, apoia suas observações e formulações, exclusivamente, a partir da perspectiva do modelo biomédico. Este modelo, refletindo o potencial técnico-instrumental das biociências, exclui o contexto psicossocial dos significados, dos quais uma compreensão plena e adequada dos pacientes e suas doenças depende mesmo de outras formas alternativas de compreensão de saúde e doença. A formação do médico, bem como de outros profissionais da saúde, está ancorada no modelo biomédico, fato que favorece a construção de uma postura de desconsideração aos aspectos psicossociais tanto dele próprio quanto do paciente (DE MARCO, 2006). De acordo com o modelo biomédico (Figura 2), as doenças advêm de agentes externos (químicos, físicos ou biológicos) que causam mudanças físicas no homem. O modelo biomédico vê o corpo humano como uma máquina muito complexa, com partes que se inter-relacionam, obedecendo às leis natural e psicologicamente perfeitas. O modelo biomédico pressupõe que a máquina complexa (o corpo) precise constantemente de inspeção por parte de um especialista. Historicamente, há 2 perspectivas da doença no modelo biomédico, a Patologia, que considera o mecanismo etiopatogênico, e, dessa forma, existiriam 2 categorias de doenças: infecciosas e não infecciosas; e a Clínica, que privilegia a abordagem dos sinais e sintomas, caracterizando por sua vez as doenças em agudas e crônicas. Esse modelo arremete o pensamento ao início dos estudos cursados na faculdade. Nesse sentido, o estudante deve conhecer a Anatomia e a Fisiologia e, após, a Patologia e a Clínica, pois sem conhecer os aspectos fisiológicos ou normais não seria possível identificar aqueles ditos patológicos.

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