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Jornal MDM

Terça-feira, 19

de

Março 2013 | Ano 1 | Número 1 | Director: David Miranda

uma aldeia desgarrada Casas Novas é uma aldeia como tantas outras da Serra do Sicó. No entanto algo a distingue. Ela encontra-se a 3 km da fronteira do concelho a que pertence, Soure. Págs. 8 e 9

Jorge Ferreira o Perfil Vendedores à Beira da Estrada 17 Perguntas a Samuel Cruz

01 de Outubro 1992

A emigração para Cromos dos o Reino Unido Anos 90

Um jovem estudante reponde a uma série de perguntas com um toque de humor.

Foi este o dia em que nasceu David Miranda. No entanto muito mais eventos ocorreram.

Ruben Paulete analisa a fuga de portugueses para terras britânicas, à luz das ciências sociais.

Uma série de recordações para todos aqueles que cresceram no final do século XX.


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Segunda Página

Editorial JORNAL MDM, A SUA NOVA ROTINA MDM é um projecto novo e fresco que promete trazer um trabalho jornalístico simples e conciso nesta sociedade sem tempo a despender. No entanto sempre factual, informativo e pertinente. Assim o destaque desta primeira edição vai para duas reportagens, estas sobre temas que a maioria dos nossos leitores nunca se terão apercebido mas que são relevantes para conhecermos o meio que nos rodeia. Neste tempo em que a imprensa perde terreno face à internet, muito graças ao self media, escrito indivíduos não profissionais que não prestam contas e estão demarcados de qualquer tipo de regras jornalísticas, e as redes sociais que os potenciam, no entanto MDM arrisca-se a lançar-se neste mar turbulento em busca do seu lugar. Casas Novas é mais uma aldeia na Serra do Sicó, no entanto algo a torna única, o facto de ser um exclave do concelho de Soure. A origem deste acaso da história ficou perdida tanto na memória como nos registos, no entanto esta eventualidade está bem presente na vida dos habitantes locais. As bancas de fruta são algo que nos habituamos a ver junto as intermináveis filas de transito. Mas os tempos mudam, a crise intensifica-se e estes vendedores ficam mais parcos. Junto às entradas da cidade de Coimbra são hoje poucos os que restam, vendo-se “forçados” a recorrer a produtos estrangeiros para concorrerem com as grandes superfícies. A emigração portuguesa é um fenómeno que ressurge em força no nosso tempo, mas com diferentes características dos anos 60. Cresceu ao longo dos anos 90? Então terá a oportunidade de relembrar coisas que lhe marcaram a infância tais como o jogo Worms, a série Rex e Tio Patinhas.

FICHA TÉCNICA Propriedade MDM Media lda Sede: Zona Industrial, Soure NIPC: 000 000 000 Capital Social: € 5.000.000 Tiragem: 000 000 002 Depósito Legal: 000 000/13

Contactos: 91 48 22 547 www.mdm.pt geral@jornalmdm.pt Impressão: Casa Tintéiros

Equipa

Redacção

Director

Ana Simões António Tomés Ivo Correia Paulo d’Almeida Maria Céu Design André Simões Joel Mateus

David Miranda

Editor Executivo Marcos Campos

Editor Fotográfico Os artigos de opinião são da exclusiva responsabilidade dos seus autores.

Manuel Pratas

Editor Reportagens Alice Tomé


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E foi um Dia

01 de Outubro de 1992 O DIA EM QUE NASCEU DAVID MIRANDA

O dia 01 de Outubro de 1992 não foi um dia muito rico em marcos históricos. No entanto algumas notícias destacam-se. Em Portugal a grande novidade do dia foi a primeira emissão experimental da SIC entre as 19h e as 21h. Foi precedida por um discurso de Francisco Pinto Balsemão no Palácio da Bolsa, Porto, e mensagens de várias personalidades. As emissões regulares começariam no dia 6 de Outubro.

Em Coimbra foram assinalados os 72 anos do Batalhão nº5 (o Batalhão da Beira) da GNR. No parlamento da Checoslováquia é decidido um reforço do poder fede-ral, indo frustrar as aspirações dos separatistas. No entanto esta medida de nada serviu e a 25 de Novembro foi acordada a divisão do país, tendo sido criadas a República Checa e a República da Eslováquia, o que viria a acontecer no dia 1 de Janeiro de 1993. Pela Europa fora muitos parlamentos retomam de férias e discutem o Tratado de Maastricht, com especial enfoque na união monetária; no Budestag começa-se a discutir a sua transferência de Bona para Berlim, o que só viria a acontecer em 1999. Ministro almão defende Euro a duas Velocidades

Jornal de Notícias - 01/10/1992

Na Amadora foi executada um operação policial de combate à droga no bairro de ciganos da Buraca, ali funcionava um verdadeiro entreposto em que os narcóticos eram vendidos à dose e ao quilo. Foram ainda encontrados muitos objectos roubados, bem como uma granada e outras armas, incluindo uma pertencente a um agente da Policia Municipal, que tinha sido reportada como desaparecida.

Também é interessante saber que o Ministro das Finanças alemão, Theodor Waigel, defendeu, numa entrevista, a Europa a duas velocidades, uma que entraria no Euro (com Alemanha, França, Bélgica, Holanda, Luxemburgo, Dinamarca, Áustria e Suíça), e outra “secundária” (composta por Portugal, Espanha, Grécia, Irlanda e Reino Unido). Paz em Moçambique Chega a Roma Afonso Dhlakama, para começar as negociações do tratado de paz que viria a ser assinado no dia quatro com o governo moçambicano de Joaquim Chissano; este acordo viria

Diário de Notícias - 02/10/1992

a pôr fim a 16 anos de guerra civil entre a RENAMO e a FRELIMO. No Brasil vivem-se os dias finais do caso Collor. Devido a vários escândalos políticos de corrupção e descontrolo financeiro, o parlamento de Brasília impugna o Presidente Fernando Collor de Mello. Neste dia 1 estava planeado e foi noticiado a indigitização de Itamar Franco como presidente interino, o que só veio a acontecer no dia seguinte. Em San Diego (Califórnia, EUA) a Addinson Avenue é renomeada para Portugal Avenue, isto por a sede do Banco Espírito Santo ali estar há 72 anos e também em honra da atracagem do Navio Escola Sagres na cidade, que foi visitado por milhares de pessoas enquanto.

Diário de Coimbra - 02/10/1992


04|19 de Março 2013

Reportagem

Fruta à beira do alcatrão A VENDA DE FRUTA, LEGUMES E OUTROS GÉNEROS NAS ESTRADAS Em outros tempos eram muitas, hoje nem tanto. As tradicionais bancas que vendem fruta e outros produtos à beira da estrada vão perdendo o seu fulgor para as grandes superfícies, e hoje nos principais acessos à cidade de Coimbra apenas encontramos quatro. António Fidalgo tem 50 anos e é um destes vendedores, neste caso apenas empregado. “Esta altura do ano é boa para a venda”, comenta, “as castanhas e outras frutas natalícias fazem muitas pessoas pararem quando as vêm, principalmente quando saem do trabalho. Fora da hora de ponta são mais os reformados e desempregados”. Quando questionado quanto à origem dos produtos que vende António defende que “quando há fruta portuguesa a preço justo optamos pelo que é nacional, mas infelizmente nem sempre é assim. Está aqui muita mercadoria espanhola”. O vendedor atesta que os preços são mais em conta do que os dos supermercados uma vez que “nós compramos directamente aos agricultores”. Apesar disso é bem visível nas caixas da fruta o logótipo do Mercado Abastecedor de Coimbra. Ainda comenta que o seu patrão se esta a preparar para abrir um loja. Uns metros para a esquerda, na Portela vemos, uma outra banca. Os concorrentes afirmam ser amigos e que não existem problemas entre eles.

António Fidalgo junto à sua banco na Portela

Manuel Garcia descarrega batatas para a sua banca

Nelson foi empurrado para a estrada pela CP No entanto a sua história é diferente. Nelson Rodrigues, de 57 anos, “era empresário da área dos transportes rodoviários de mercadorias e para sobreviver estou aqui desde Abril”. Mais do que fruta Nelson falou dos problemas que o levaram até àquela rotunda. “Olhe, tive de fechar a minha empresa porque não havia trabalho e porque eu já não conseguia conduzir

camiões devido a problemas com os olhos, apesar de a Segurança Social dizer que estou apto”. Para além disso o vendedor diz-nos que há alguns anos ainda tentou ser empreendedor: “Quando vi que a camionagem estava a perder negócio tentei criar uma companhia ferroviária, mas cortaram-me as pernas. O sistema está montado por forma a que a CP tenha o monopólio”. Voltando à sua venda Nelson assegura a qualidade dos seus produtos face à grandes superfícies: “eles compram a

fruta verde para se aguentar mais tempo, nós só vendemos fruta madura”, e ainda nos fala da escolha de produtos nacionais: “Tenho pena de não ter mais produtos portugueses mas, por exemplo, batata nacional, este ano, só há estragada. E em relação à fruta é toda mais cara, eu opto pelo mais barato”. Quase a chegar a Tentúgal encontramos mais uma banca de fruta, aparentemente a última numa estrada onde tantas se encontravam. É Manuel Garcia, de 65 anos, que lá encontramos


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Reportagem

a descarregar batata de uma carrinha. “Sou empregado de um senhor de Condeixa, temos lá uma banca, esta aqui e uma perto de Leiria. Mas isto está muito mau, por isso é que tivemos de nos espalhar”. Mesmo assim Manuel afirmanos que a crise não passa por algumas coisas: “Todo o ano vendemos batata e cebola, e depois depende da época, agora saem as castanhas”. “Eu era vendedor de mobiliário em feiras”, conta-nos Manuel um pouco da sua história, ”mas a construção de mobílias para completamente no nosso país e eu comecei a ver a minha situação muito complicada. Mas nessa altura o meu actual patrão ofereceu-me este emprego e eu não pensei duas vezes”.

Inquérito de Rua

Nelson Rodrigues ao lado do seu camião

Como adquire a fruta que consome? Fátima Morgado 68 anos, reformada

Umas qualidades tenho lá em casa, outras compro no mercado.

Ângela Paiva 46 anos, lojista

Normalmento compro no hipermercado.

Carla Santos 37 anos, secretária

Compro-a quando tenho tempo de passar no supermercado, outras vezes peço aos meus pais.

Vítor Silva 55 anos, técnico

de análises

Costumo comprar no supermercado


06|19 de Março 2013

Opinião

Fuga para terras bretãs EMIGRAÇÃO SOB A LUPA DAS CIÊNCIAS SOCIAS As ciências sociais estão a adquirir uma cada vez maior importância, fruto, sobretudo, dos tempos socialmente conturbados que enfrentamos. Um dos aspetos em que as ciências sociais estão a ter um especial relevo é na análise do novo fenómeno emigratório português. Apesar de Portugal ter, desde à muitos anos uma forte tradição na emigração, estamos a assistir, em tempos mais recentes, a um despertar para esta questão e para as suas consequências futuras para o nosso país. SEMELHANÇAS E DIFERENÇAS ENTRE OS SÉCULOS XX E XXI A actual migração portuguesa tem, em alguns aspectos, semelhanças com a emigração da segunda metade do século XX. No entanto, tem também alguns outros aspectos que a tornam diferente e específica da realidade do século XXI. A análise deste trabalho recai num dos países europeus com maior número de emigrantes portugueses – o Reino Unido, e que, nos últimos anos continua a ser, um dos principais destinos da emigração portuguesa, sendo mesmo, de acordo com os dados do Observatório da Emigração, o quarto destino europeu para a emigração portuguesa. Fazendo a caraterização desta “nova vaga” de emigrantes portugueses, podemos dizer que é composta por uma população bastante diversificada em termos de qualificações, de género e até de idade. Este cenário contrasta com a situação vivida em Portugal na segunda metade do século XX em que a população emigrante era constituída, numa primeira fase, por homens, com baixo nível académico e que procuravam um qualquer trabalho que lhes permitisse melhorar as suas condições de vida, bem como possibilitasse a concretização do “sonho” que era a construção de habitação própria na terra natal. A INFLUÊNCIA DA CRISE DO PETRÓLEO NOS ANOS 70 NA EMIGRAÇÃO Neste mesmo período de tempo, a emigração portuguesa teve uma fase de algum condicionamento devido à crise do petróleo (1973-1974). Esta crise provocou um desaceleramento da economia mundial, com repercussões também na europa, sobretudo nos países tidos como destinos preferenciais

dos emigrantes portugueses. Alguns países viram-se obrigados a restringir as entradas e permanências de pessoas estrangeiras de forma a preservarem a sua própria coesão económica e social. OS NOVOS ANOS 30 Actualmente, podemos referir que vivemos no rescaldo de uma situação semelhante, desta feita originada pela maior crise económica a nível mundial deste a década de 30 do séc. XX. Esta crise está a ser particularmente duradoura na europa, sobretudo nos países economicamente mais débeis, como é o caso de Portugal. Esta realidade, veio originar um aumento dos fatores de repulsão de Portugal, que, potencia o aumento da emigração e que, de certa forma condiciona o desejo ou o objetivo a um regresso futuro. Estamos, portanto, a assistir a uma “nova vaga” de emigração para europa, em parte constituída, por uma geração com elevado grau académico e que, ao contrário dos “tradicionais emigrantes portugueses” não fazem, à partida, planos para regressar ou, no mínimo, de investir em Portugal. Outro factor que possibilita e que potencia este desprendimento à terra de origem é o facto desta nova geração de emigrantes ter crescido sob a realidade da CEE que deu origem à UE, ou seja, cresceram num espaço sem barreiras físicas entre países em que a livre circulação de pessoas e bens foi sempre um dado adquirido. Assim, e também devido às novas tecnologias da informação, não existe, pelo menos num futuro próximo, planos para regressar. O INVESTIMENTO NO RECRUTAMENTO EM PORTUGAL POR EMPRESAS ESTRANGEIRAS Cada vez mais, empresas de recrutamento consideram Portugal como um óptimo fornecedor de mão de obra qualificada, não são poucas as que fazem publicidade, logo nas universidades, a mercados profissionais existentes noutros países, como o Reino Unido. Aqui notamos mais algumas diferenças com as emigrações do século XX. Esta população qualificada, muitas vezes, já vai com a garantia de emprego e sem a incerteza da obtenção de trabalho. A mobilidade é assim muito mais planeada e ponderada sendo que, a deslocação de famílias inteiras pode ser feita sem o risco da não obtenção de

trabalho. Analisando mais pormenorizadamente alguns dados estatísticos, verificamos estas e outras alterações dos comportamentos, ditos habituais, dos emigrantes portugueses. De acordo com os dados do Observatório da Emigração, as remessas dos emigrantes no Reino Unido para Portugal diminuíram de 163,5 milhões de euros em 2007 para “somente” 105,3 milhões de euros em 2011. Esta situação é ainda mais relevante se tivermos em conta que, segundo dados do mesmo observatório, o número de portugueses no Reino Unido aumentou face a 2007. Isto pode significar que, existe uma vontade de investir no país de acolhimento e não no país de origem, talvez derivado do facto de o regresso a Portugal já não fazer parte dos planos dos emigrados. NOVAS GERAÇÕES, NOVAS MENTALIDADES Outra explicação pode-se prender com a idade e mentalidade da nova geração de emigrantes que, pretende viver bem nos países de acolhimento ao invés de poupar para um dia regressar a Portugal. Existem emigrantes cada vez mais novos e com mentalidades e objetivos cada vez mais dissonantes com a típica emigração portuguesa. No entanto, não podemos falar só de população qualificada. Para o Reino Unido continuam a ir muitos portugueses com baixas qualificações e que procuram um qualquer emprego, desde que com isso, possam melhorar as suas condições de vida. Apesar do aumento do número de emigrantes qualificados, a maioria da população emigrante portuguesa ainda é constituída por população com baixas qualificações. AS MULHERES JUNTAM-SE A ESTA NOVA VAGA, AO CONTRÁRIO DOS ANOS 60 Convém igualmente destacar que, ao contrário do que acontecia na segunda metade do séc. XX, as mulheres estão também a optar pela emigração, muitas vezes sozinhas, como resposta a uma necessidade de realização profissional ou de melhoria das condições de vida. De facto, mais de metade da população portuguesa residente no Reino Unido (54,7%) é do sexo feminino. Esta superioridade numérica é verficada em praticamente todos os escalões etários disponibilizados pelo mesmo

Ruben Paulete Delegado comercial Vitalaire

observatório para os anos de 2009 e 2010, mudando o paradigma do “típico emigrante português” – sexo masculino, baixas qualificações, e que provê o sustento para a família no país natal. DESTINO: REINO UNIDO Concluímos, portanto, que o Reino Unido continua a ser um dos destinos preferenciais da emigração portuguesa, mais concretamente da “nova emigração portuguesa”. Apesar de ainda serem em menor número, a percentagem de emigrantes qualificados está a aumentar face aos menos qualificados, revelando que, as necessidades de mão de obra de cada país, neste caso o Reino Unido, são cada vez mais especificas. Estas mudanças na população emigrante portuguesa poderão, no futuro, ter impacto ao nível económico, nomeadamente na diminuição das remessas dos emigrantes e no investimento destes no país de origem - Portugal. Também em termos sociais as implicações po-derão ser nefastas pois, estamos a assistir a uma saída anormalmente elevada de população em idade ativa, que, face às condições económicas e sociais de Portugal, opta por trabalhar noutro país que lhe ofereça melhores condições e garantias de futuro. A médio prazo podemos assistir a um envelhecimento da população residente, à insustentabilidade dos serviços sociais (devido à redução do valor de imposto recolhido) o que por sua vez originará ainda mais contenção económica, maiores impostos e contínuo agravamento dos fatores de repulsão do nosso país.


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Perfil

Jorge Ferreira PASTOR NA ASSEMBLEIA DE DEUS, EM SOURE Jorge Ferreira. Há trinta anos que é pastor na Assembleia de Deus, trabalhando um pouco por todo o país e não só. Nasceu em Mirandela mas bem cedo partiu para Lisboa. Teve uma infância conturbada devido ao alcoolismo do pai. Começamos por falar do momento que despoletou a ideia desta vida: “Deus começou a contender comigo bem novo com cerca de 17 anos. Mas eu não disse logo que sim e não fiquei disponível, inclusive algumas vezes pensei que era apenas emoção”. Depois de avanços e recuos rumo ao propósito delineado, em 1978, já casado e com uma vida organizada a trabalhar na Câmara de Lisboa, Jorge Ferreira aceita o desafio e entra no Instituto Bíblico (IB) em Loures, “contudo nunca tive intenção de fazer disto vida”, confessa-nos o obreiro, “e sim apenas preparar-me para servir melhor a Deus”. Ainda nos conta que “o tempo da escola bíblica não foi fácil: dificuldades psicológicas, espirituais, financeiras, pressão de pessoas e da família e também algumas diferenças com os professores americanos tendo em conta o clima pós 25 de Abril”. Estes obstáculos fizeram Jorge Ferreira pensar em desistir no fim do segundo ano, no entanto “um milagre de Deus na primeira gravidez da minha esposa

fez-me continuar até ao fim”. Aconteceu que Bruno, o filho mais velho do casal, foi por momentos considerado um nado morto; todavia um estagiário pediu para treinar massagens cárdicas no bebé e ao fazer isso a criança começou a respirar. Mesmo nesta condição de disponibilidade, ao terminar o IB em 1981, Jorge Ferreira não entra de imediato para o ministério, por falta de convites. Porém passado alguns meses, no Verão de 1981, foi convidado para se integrar na Assembleia de Deus em Braga, uma missão da igreja do Porto. “Servimos ali cinco anos a Deus, na força da idade, com muita vontade, fizemos muitos planos, projectos e iniciativas, sem dinheiro mas com muita gana” salientou com entusiasmo o pastor. Após este tempo no Minho, já com três filhos, a família parte para o Cartaxo. Este é um tempo que Jorge Ferreira relembra com pesar devido a alguns problemas, numa zona em que só permaneceram dois anos. Então chega a primeira vinda para Coimbra; o obreiro encontrou uma igreja madura sob a liderança de José Neves, em 1989. Aqui Jorge Ferreira fez um trabalho que incidia sobretudo na ju-ventude: “Foram tempos abençoados a trabalhar com estes jovens, e é uma alegria ainda hoje ver

tantos na igreja em Coimbra e nas missões”. Em 1996 a família ruma a Montreal, no Canadá. Ali foi desenvolvido um trabalho junto ao emigrantes lusos. “Encontramos uma igreja difícil devido a más lideranças passadas, mas Deus ajudou-nos a voltar a unir os irmãos”, afirma-nos o pastor. “Para mim e para o meu filho Bruno não foi uma adaptação fácil, devido principalmente ao isolamento, isto porque os emigrantes vivem para o trabalho. Foi bastante desgastante”. Em 1999 voltam a Portugal com destino ao Alentejo, à cidade de Montemor-o-Novo. “Uma igreja interessante, com um bom grupo de jovens, também devido ao Lar de Betânia (um orfanato das Assembleias de Deus) em Vendas Novas, o que nos permitiu realizar muitos trabalhos de rua e trabalhar com o Café Convívio (trabalho com toxicodependentes), que trouxe várias pessoas à igreja e inclusive alguns seguiram o ministério”. De volta a Coimbra em 2002, Jorge Ferreira fala-nos em grandes reestruturações face à sua primeira passagem no que toca à organização das áreas de missão. E assim, com a supervisão do actual pastor, João Pedro Carvalho, em 2006 chegam à igreja em Soure.

Ao olhar para trás o obreiro realça o papel da família ao longo do ministério, em especial da esposa Teresa: “Em algumas alturas em que pensei em desistir foi graças a ela que não o fiz, porque ela bateu o pé”. Também não esconde um sorriso ao ver os três filhos a seguir as suas pisadas, sendo Bruno já pastor, os outros dois filhos encontram-se a estudar no Instituto Bíblico, quando “tantos problemas os podiam ter afastado de Deus e derrubado a nossa família”. Jorge Ferreira confessa-se um grande apreciador de gastronomia, especialmente da sua terra natal, Trás-os-Montes, também não dispensa um bom vinho tinto à mesa, especialmente se for um Touriga Nacional. Apesar dos seus 56 anos, é um grande fã de jogos de computador, especialmente FIFA, mas também não dispensa uma boa leitura. Quanto ao futuro, Jorge Ferreira deixa a porta aberta “à vontade de Deus”, confessando o desejo “de um dia ter a experiência de servir a Deus em África e gostava de terminar o meu ministério numa das nossas ilhas”. Jorge Ferreira termina declarando que “servir a Deus é uma honra, e este serviço é das coisas mais gloriosas, mas mais difíceis, mas mais abençoadoras”.


08|19 de Março 2013

Reportagem

Presa por um fio

CASAS NOVAS, UMA TERRA LONGE DO SEU CONCELHO

O concelho de Soure é cheio de contrastes. Num extremo tem as planícies alagadas dos campos de arroz do Mondego, no outro extremo a Serra do Sicó. Nessa mesma serra encontrase uma peculiaridade do concelho, a aldeia de Casas Novas.

Esta descontinuidade de concelho não é singular em Portugal, no entanto o que torna este caso único é de se tratar apenas de uma aldeia isolada. As razões históricas para tal perdem-se no tempo.

ficou conhecida por todos os habitantes votarem em Cavaco Silva para as presidenciais. Este facto, garantem vários habitantes, fez com que o Presidente da Câmara, que pertence a um partido rival, se esquecesse da aldeia. Casas Novas possui 81 eleitores registados, no entanto mais de metade não vive de facto ali, que a meio do século passado tinha quase 200 moradores.

SOU MAIS PENELENSE QUE SOURENSE” Albino Rodrigues

Albino Rodrigues e outro aldeão

Quando entramos na aldeia temos a sensação de que estamos numa entre muitas outras desta serra, estrada calcetada, muitas casas degradadas e abandonadas, gado a atravessar as ruas, uma pequena capela; então o que distingue esta povoação das outras? O facto de estar, na prática, territorialmente separada do concelho a que pertence. O lugar embora pertença a Soure, encontra-se encrustado na fronteira entre os concelhos de Penela e Ansião, sem estar em contacto com o seu município.

81

É o número de eleitores registados na aldeia

UMA ALDEIA ESQUECIDA E PARADA Silvério de Sá foi o ultimo empreendedor na terra: “Foi com gosto que investi para ter um café digno na aldeia, de acordo com todos os regulamentos”. O homem de 64 anos leva-me a ver o café, com satisfação pelo seu estabelecimento bem arranjado, no entanto as portas encontram-se cerradas: “há uma ano tive de fechar porque simplesmente não tinha clientes”. Para além do ter tido o café também é taxista: “a ultima corrida que tive foi há um mês”, conta-nos Silvério, “isto porque estou registado na praça de Pombalinho onde quase não há clientes”, Pombalinho é a sede da freguesia a que pertence Casas Novas: “em Penela tinha muito mais fregueses, por certo, mas não tive hipótese de me registar lá, e Soure é demasiado distante”. A sede de concelho fica a vinte e seis quilómetros da aldeia que em 2010

Albino Rodrigues, um dos mais velhos da povoação com 85 anos, recorda as dificuldades de outros tempos: “Quando por algum motivo tínhamos que ir até Soure eram quatro horas de caminhada para cada lado, mas quando se tratava de feira íamos a Penela, que é bem mais perto”. O ancião expressa com algum desgosto o descontentamento para com Sou-re: “Fomos sempre esquecidos! Se não fosse Penela a estrada que liga Pombalinho a Casas Novas ainda era de terra batida. Nunca aparece aqui ninguém da Junta de Freguesia. Quando tenho

de ir ao médico vou a Penela. Sou mais penelense que sourense!”. Quando lhe pergunto se queria de facto que a aldeia mudasse de concelho diz que se fala muito no assunto mas nunca ninguém se chega à frente. Ainda estava à conversa com Albino quando um carro da GNR entra na aldeia. De repente várias pessoas saem das suas casas e começam a reunir-se à volta do veículo, comentando que é a primeira vez que os vêm ali em Casas Novas. Os guardas encontram-se à procura de individuo para o intimar a tribunal, mas ao que parece, à semelhança de muitos outros, apenas aparece ali um vez por semana. No entanto rapidamente todos começam a comentar sobre a vida do “bandido”, como muitos se lhe referem. Quando a GNR arranca a população volta a dispersar-se. Licínia Antunes tem 56 anos. Também ela se considera mais de Penela que de Soure: “Vou ao Centro de Saúde a Penela, os meus filhos estudaram lá e já nenhum vive cá! Agora com a primária fechada disseram-nos que as crianças iam para as Degracias (Soure), só uma

Silvério de Sá comtempla o seu empreendimento falhado


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Reportagem

Um rebanho de ovelhas atravessa a aldeia

foi, o resto os pais matricularam-nos no Rabaçal (Penela)”. Licínia argumenta que Soure nunca fez nada pela aldeia à excepção de calcetar as ruas, ainda durante a presidência de Firmino Ramalho, e a restauração da capela da aldeia. “De facto fica-nos tão longe ir até Coimbra como a Soure”, continua a agricultora, “como é que esperam que fôssemos a Soure tratar da nossa vida? Em Soure só pago impostos, mais nada”. “Têm sempre uma desculpa, antigamente era a falta de terreno, agora, que a escola está abandonada, dizem que não lhes pedimos, óbvio que não vamos lá, Soure é tão longe!”, José Dias mostra-se revoltado pelo facto de Casas Novas não ter um espaço de convívio e enumera um sem fim de aldeias nas redondezas que o têm, “somos os únicos que não temos nada,

os nossos domingos limitam-se a ir beber um copo na casa de um e na casa de outro”. Toda a vida calceteiro, agora com 66 anos encontra-se reformado, “o padre aparece cá de quinze em quinze dias, para a catequese não há autocarros sequer, e mesmo para o resto só mesmo um que vai para Penela de manhã”. NÃO HÁ AUTOCARROS PARA SOURE, UM TÁXI FICA EM 45 EUROS

lembra-se, “e pertencer à freguesia do Rabaçal é que não mesmo! Não posso com as gentes de lá”. Joselina sempre com o seu sorriso lamenta, como todos os outros uma série de situações com Soure: “veja lá que há uns tempos tive de ir tratar de uns assuntos a Soure e foram 45 euros de táxi”. No entanto a anciã fica irritada quando se fala na escola: “Eles que nem pensem vender a escola como fizeram em Malhadas aos ingleses! Aqui em Casas Novas foi o povo que ergueu a escola! Eles que a aproveitem para fazer um centro de dia, por exemplo”. Quando falamos com o Presidente da Junta, em Pombalinho, as respostas tornam-se muito mais conservadoras. Carlos Pimenta rapidamente corrige quando se menciona Casas Novas como um exclave: “existe um pequeno curso de água até à aldeia, esse fio de água pertence a Soure, logo o lugar está ligado ao concelho”. Quanto ao problema da distância o economista afirma que existem aldeia mais distantes ainda que Casas Novas. Casas Novas encontra-se assim presa por um fio de água a Soure. Embora nunca tenham existido negociações é clara a vontade dos habitantes que não gostam de se sentir presos a fronteiras desenhadas por razões já esquecidas.

Joselina de Jesus tem 82 anos, com o marido acamado, encontra-se a lavar roupa à mão e sempre com um sorriso na cara: “Isto de nós sermos de Soure foi uma coisa muito mal feita”, comenta, “em Penela tinha muito mais lógica, mas depois ficava com pena de deixar a freguesia de Pombalinho”, e de repente

CASAS NOVAS

• SOURE

Joselina de Jesus lava a roupa à mão

03 Km Distância que separa

Casas Novas do resto do Concelho

26 km Distância entre Casas Novas e à vila de Soure

13 km Distância entre Casas Novas e à vila de Ansião

06 km Distância entre Casas Novas e à vila de Penela


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XVII Perguntas

Samuel Cruz em 17 perguntas Samuel Cruz é um jovem estudante, guitarrista e membro da Assembleia de Deus em Soure. Tem 20 anos e é natural de Casal do Missa, em Condeixa. Todos os dias... olho ao espelho e digo “Pobre mãe onde é que tu erraste...?” Sempre

com... falta de dinheiro.

O mais difícil: Encontrar-me num bar de música electrónica. O mais fácil: Foi a última e mais difícil questão de responder, talvez tocar guitarra. O melhor: Vai pesquisar sobre um homem chamado Jesus, ok? O pior: Musica dubstep, é horrivel ver ao ponto a que isto chegou! Um

percurso: Los Angeles.

A começar acordar.

o dia... Tomar banho para

Ao fim do dia... Descalçar e ler um bocado, é cá um alívio! Não saio essa.

de casa sem... estar vestido, ora

Na estante: Papelada sem interesse, os livros normalmente andam espalhados pelo chão do quarto. No ecrã: American Horror Story, é cá um vício! Nos No

headphones: Rock e Blues.

prato: Tudo o que é bacalhau

No pão: Bifana bem à portuguesa ou tulicreme que é tipo viciante. No pacote das rebentar.

bolachas: Oreo! Até

No horizonte... Vai lá ver o que lá há e depois diz-me... Não não, no horizonte eu vejo os meus sonhos...


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Entrevista Fictícia

À conversa com uma estátua Estamos em vésperas do centenário da Primeira Guerra Mundial, e como tal fomos falar com um dos últimos soldados ainda vivos, o seu nome é Desconhecido. David Miranda – Muito boa tarde e obrigado ter aceite esta entrevista. Soldado Desconhecido – Obrigado eu! Passo os meus dias aqui neste jardinzinho e ninguém me dirige a palavra! DM – Então há quanto é que ninguém lhe fala? SD – Eh pá... tirando o bêbado ocasional, é o primeiro desde que estou aqui. Não está bêbado pois não? DM – Não. SD – Cheira-me a álcool, o senhor. DM – Deve ser o aftershave. SD – Eu vi logo! Bebidas finórias! No meu tempo só bebíamos tinto! E era o que apetecia, os maricas dos ingleses lá nas trincheiras só queriam era uma mistela qualquer com uma cor amarelada. Nada era melhor que um tinto do nosso Alentejo. DM – E havia muito disso lá na trincheiras? SD – Conhecia um alferes que arranjava, mas eram uns belos contos de reis cada garrafa. DM – E era isso de que mais sentia falta lá em baixo? SD – Sim, claro! DM – E da sua mulher não? SD – Havia umas meninas francesas que me faziam esquecer dela. Se é que me entende. DM – Pois. E qual foi o seu posto? SD – Nunca passei de praça, mas era cabo-assistente! DM – E porque não subiu mais? SD – Lembra-se do alferes que arranjava o tinto? DM – Sim. SD – Ainda lhe estou a dever umas duas garrafas. DM – Então foi ele que o impediu de ascender mais? SD – Claro! Era um sacana dos lados de Vagos! Covão qualquer coisa acho eu. E depois tinha um primo Major o que foi ainda pior! Eh lá até rimei! DM – Mas foi um bom soldado? SD – Claro que era! Metia os boches todos a correr! Os meus camaradas diziam que eu parecia de ferro! Claro que não era bem assim... DM – Então? SD – Então não vê que sou de pedra?! O senhor está mesmo bêbado não está? DM – Já lhe disse que não! SD – Está a esconder a garrafa, não está?! DM – Bolas, o senhor é chato! SD – Eu, chato?! É isso que fazem aos veteranos deste país! Depois de combater tão bravamente para defender a minha pátria é assim que me pagam...! DM – Peço desculpa, não queria ofender. SD – Vocês os jovens não sabem nada! Haviam de ter estado lá em Lys para verem o que era sofrer! Fogo de artilharia cerrada de manhã à noite! DM – Pronto, tome lá o tinto! SD – Eu sabia! Então quer saber mais alguma coisa? DM – Não, deixe lá. Dê cá o vinho que eu vou andando. SD – Não! DM – Desculpe? Isso é meu! SD – Não! DM – Mas... SD – Não!


12|19 de Março 2013

Caderneta

Worms Quando penso na minha infância lembro-me sempre do meu velhinho computador, que me foi dado pelo meu primo, com Windows 95 e uns fantásticos 32 Mb de RAM. Mas o mais marcante desse computador foi o meu primeiro grande vício: o mítico jogo Worms. Ainda tinha que percorrer intermináveis linhas de código no MS-DOS, para lançar o jogo, meticulosamente rascunhadas pelo meu primo numa folha, isto até as saber de cor. Realmente é preciso puxar pela imaginação para criar um jogo em minhocas andam em guerra umas com as outras. Os produtores criam novas versões, cada vez com melhores gráficos e até algumas em 3D. No entanto, mais que esses vermes bem desenhados, na memória e na nostalgia vão ficar as minhocas mais antigas, que no fundo eram apenas um conjunto de retângulos rosa. O Worms é o chegar junto do inimigo e ao invés de usar uma arma segura para curtas distâncias utilizar uma bazuka na força máxima só por um instinto assassino-suicida; também o grito de “kamikaze!!!” fica na memória aquando o ataque suicida dos bichos, que diga-se tinha muito pouco efeito, era mais para ouvir o grito que outra coisa. Outro som fantástico era o “Aleluia”, ao estilo de Handel, aquando a explosão da poderosa Holy Granade. Para meu desgosto os meus pais mandaram formatar o computador porque entenderam que eu necessitava do Word para a escola, e apenas o Word ocupava praticamente todo o disco. No entanto ao longo de vários computadores o Worms foi sempre uma constante, ainda instalado no que uso actualmente, e mesmo instalado na memória.

Rex, o cão polícia As séries norte americanas dominam a maioria dos canais temáticos das nossas televisões desde há largos anos. No entanto a série que com mais saudade recordo da minha infância era nada mais nada menos que austríaca: Rex, o cão policia, ou Kommissar Rex no alemão original. Todas as aventuras do pastor alemão pela ruas de Viena, o seu famoso vício por sandes de fiambre, as trocas horrivelmente mal feitas de actores, numa temporada eram criminosos na outra tornavam-se os protagonistas (sendo personagens diferentes), tudo isto ficou na memória. Ainda hoje a raça de cães que mais aprecio são os pastores alemães. Sempre foi aquela raça que insistentemente pedi aos meus pais, mas sem qualquer resultado. De facto ainda hoje sonho ter um e poder chamar-lhe Rex, o que é bastante original.


19 de Março 2013

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Caderneta

Tio Patinhas Tio Patinhas, ou Uncle Scrooge McDuck no inglês original, talvez tenha sido a personagem de ficção à qual mais afeiçoei na infância. Para o leitor menos frequente de banda desenhada, Patinhas não passa de um velho multimilionário forreta que se recusa a ajudar os familiares mais próximos apesar das suas grandes posses. O leitor aficionado da personagem, por seu turno, entende que a sovinice pato mais rico do mundo vai muito além de não querer gastar o seu dinheiro. Quando lemos as obras sobre esta figura, especialmente as de autoria do criador Carl Barks e de Don Rosa, considerado o sucessor de Barks, percebemos que o amor ao dinheiro, em especial ao que está na sua Caixa Forte, se deve ao facto de cada moeda, cada nota contar uma história da sua vida e ter um significado. Prova disso é que para além de dinheiro na Caixa Forte guarda outras relíquias de aventuras pelo mundo, as quais se recusa a vender, bem como outros objectos com valor apenas sentimental, como material dos seus tempos de garimpeiro ou a famosa Moeda nº1, a primeira moeda ganhou com o suor do seu trabalho em Glasgow. Por esta veemente defesa do carácter de Patinhas entendem como ele marcou a minha infância. Outra coisa que sempre me fascinou foi o facto das aventuras do pato estarem ligadas à história real, desde exploração de templos perdidos à biografia de Patinhas, em que o mostra inserido em cenários tão diversos como nos espectáculos de Buffalo Bill, a trabalhar no veleiro Cuty Sark, a fazer negócios com o ultimo Czar ou no naufrágio do Titanic, entre dezenas de outros contextos. Tudo isto formou o meu imaginário infantil, e devo confessar que ainda hoje tenho uma vasta colecção das histórias do Tio Patinhas no meu tablet, e é provavelmente o principal responsável por ser hoje tão aficionado por história e por ter desenvolvido em mim o gosto pela leitura.

1947

Em Dezembro desse ano dá-se a primeira aparição do Tio Patinhas pela caneta de Carl Barks na história “Christmas in Bear Moutain”, no quadrado que vemos em cima.


14|19 de Março 2013

Fotolegendas

Parece que o Tritão perdeu a cabeça com o constante vandalismo no Jardim da Sereia

o tritão sem cabeça Este é um problema sério que atinge um dos mais icónicos jardins da cidade de Coimbra. Conhecido por Jardim da Sereia, no entanto o seu nome oficial é Parque de Santa Cruz, foi construído no século XVIII, onde anteriormente se localizava uma quinta dos cónegos de Santo Agostinho.


19 de Março 2013

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Fotolegendas

o estacionamento perfeito

Os condutores de Coimbra dão exemplo no respeito aos sinais de trânsito e ao patrimonio

Afigura-se a queda do concelho de Soure

Soure quase por terra o kiwiado de Paleão Belmiro de Azevedo mostra como rentabilizar os estádios do EURO 04: plantar kiwis no relvado, como fez no campo do CDEF Norte e Soure


Inquérito de Rua

O ministro Vítor Gaspar afirmou que os portugueses são o melhor povo do mundo. Concorda? Carlos Gomes 41 anos, empresário

Somos o melhor povo do mundo porque temos andado calmos. Mas com as novas medidas de austeridade anunciadas é natural que a população tome outro tipo de atitude, porque mais impostos só estagna a economia.

Amélia Mata 67 anos, reformada

Não ouvi, isto porque evito ouvir tudo o que vem deste ministro, já tenho preocupações a mais para ainda me irritar com esse senhor.

Carlos Silva 34 anos, técnico

M M

MDM promete ser o seu novo jornal, a sua nova fonte de notícias. Mesmo num mundo em que velocidade atravessa o imaginável e a informação não para uma segundo este jornal aposta a cada manhã levar-lhe a informação que lhe interessa, da maneira que lhe agrada e para o tempo que dispõem.

Diário de Notícias 1864

de

telecomunicações

Realmente ele tem razão. Somos um povo que obedece a tudo, tudo o que eles exigem nós cumprimos contra a nossa vontade. Mas de facto não está a proceder bem.

Regina Cordeiro 53 anos, lojista

Muito provavelmente tem razão, porque estas com condições noutros outros países, a coisa não ficava assim.

Jornal de Notícias 1888

Correio da Manhã 1979

Público 1990

Manuel Neves 70 anos, reformado

Isso é de facto assim porque é um povo pacifico. Se fosse no meu tempo de tropa já tinha havido revolução.

Jornal i 2009

Jornal MDM 2013

Jor

Jornal MDM  
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