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Crescimento com responsabilidade Vocação natural para a cultura e o esporte impulsiona o desenvolvimento da nova cidade do petróleo

Convento São Boaventura

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Fábrica local de manilhas permitiu estender 41 Km de rede de esgoto em um ano

Moradias construídas com o PAC para retirar a população que vive em áreas de risco

Esporte está integrado à vida da cidade, que trabalha para instalar a sua Vila Olímpica

História rica, com raízes na cerâmica, e o horizonte no desenvolvimento do Estado

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O crescimento acelerado da população tem aumentado a demanda na área de Saúde

Arco Metropolitano produzirá um salto ainda maior na economia de toda a região

Municípios na região do Comperj terão câmeras de vigilância para segurança Edição: Cláudia Bensimon e Xico Vargas Subeditor: Mauricio Schleder Desenho: João Carlos Guedes Reportagem: Henrique Brandão e Verônica Couto

11 Exigência da expansão, 5 novas escolas oferecerão mais 7 mil vagas em 2012

Produção: Bia Pinilla Fotografia: Marcelo de Jesus/Infoglobo, Agência O Globo, Imprensa Oficial do Estado do Rio de Janeiro, Sandro Giron/ Prefeitura Municipal de Itaboraí e Sellix

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A reinvenção de uma cidade

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apuração das informações deste suplemento é de responsabilidade da Link Comunicação Integrada Ltda.

À espera da chegada dos recursos, Itaboraí se reconstrói como centro para formação de atletas olímpicos

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nquanto não começa a funcionar a primeira refinaria do Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (Comperj) e não chegam os royalties do petróleo, Itaboraí prepara sua transformação em polo esportivo e cultural. Amparada em suas raízes históricas, a cidade quer se tornar a primeira do país na formação de atletas olímpicos, com Jogos da Juventude anuais, já a partir de 2012, além de criar agenda de eventos culturais inspirada na tradição de artistas como João Caetano, no teatro, e Joaquim José de Macedo, autor de A Moreninha, na literatura. Sede do Comperj, o município vive o desafio de crescer de forma sustentável, apesar de os recursos para os investimentos públicos em infraestrutura, pelo menos num primeiro momento, não aumentarem na mesma velocidade com que a cidade se expande. Com a entrada em operação da primeira refinaria do Comperj, prevista para 2013, a expectativa do prefeito Sérgio Alberto Soares é ver o orçamento de Itaboraí passar dos R$ 603 milhões,

registrados este ano, para R$ 1 bilhão, em 2014. Por mês, o total de royalties recolhidos pela Petrobras à cidade deve aumentar dos R$ 900 mil de hoje para cerca de R$ 10 milhões. O prefeito ressalva que o cálculo considera as condições atuais de distribuição dos recursos, e não as mudanças no rateio entre os estados, em proposta que tramita no Congresso. Até que se concretize este aumento de receita, contudo, Soares destaca que é preciso administrar a delicada transição de realidade econômica, e as expectativas em torno dela. O início das obras do Comperj produziu uma sequência de lançamentos imobiliários e o crescimento acelerado da população. Tudo isso tornou mais urgentes as intervenções na infraestrutura. Só na área hoteleira, são dois hoteis e dez flats em construção na cidade. Mas ainda não foi definida a fonte para financiar os investimentos em saneamento básico – água e esgoto –, demanda urgente, estimada em R$ 350 milhões, a serem gastos possivelmente ao longo da próxima década. O prefeito afirma que o governo do estado e a Petrobras devem

anunciar em breve a maneira como os recursos serão liberados. Possivelmente, parte deles por meio de convênio com a Cedae e parte, da Petrobras. “Temos de esperar que todos os municípios envolvidos no Comperj possam se beneficiar com investimentos que as populações há muito tempo aguardam”, diz ele. Paralelamente, a Prefeitura prepara uma série de ações, como a abertura de novas escolas e hospitais, ampliação de programas sociais e obras de pavimentação, entre outras que possam resolver os problemas mais urgentes. Por exemplo, a construção de 666 moradias, com recursos próprios e verba do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), para comunidades localizadas em áreas de risco. Em outra frente, define uma estratégia concentrada em iniciativas culturais e esportivas, para desenvolver a cidade quando o dinheiro chegar, e Itaboraí der um salto em seu potencial de investimentos. “Ou mesmo independentemente dele”, diz o chefe de gabinete da Prefeitura, José Roberto Fernandes Salles.

À espera dos novos recursos, a Prefeitura enfrenta o cescimento acelerado da cidade com atenção às demandas mais urgentes nas áreas de saneamento, saúde, educação e habitação, como as moradias construídas com recursos próprios e participação do Programa de Aceleração do Crescimento – para moradores de áreas de risco –, a unidade do Odonto Móvel, a farmácia popular, o Hospital Municipal e a abertura de novas escolas na rede municipal

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Infraestrutura avança com recursos próprios

A fabricação própria de manilhas

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e coleta de esgoto sanitário

Apenas este ano, e com recursos próprios, a Prefeitura já asfaltou 40 quilômetros de ruas e estendeu 41 quilômetros de redes de saneamento básico

Enquanto não se definem os aportes estadual e federal para financiar a expansão da infraestrutura de Itaboraí, a Prefeitura pretende, até março, colocar asfalto, dutos de esgoto e drenagem em todo o Centro da região de Manilha. As obras já foram iniciadas pelo bairro da Vila Brasil, na mesma área. As metas para 2012 incluem mais 40 quilômetros de asfalto e 60 quilômetros de saneamento básico. Além disso, todos os 24 mil pontos de iluminação pública da cidade também serão substituídos por novos modelos, com luminosidade 60% maior e consumo 25% menor. Ao todo, a Prefeitura já concluiu este ano, com recursos próprios, mais de 41 quilômetros de rede de saneamento básico e outros 40 quilômetros de ruas asfaltadas, segundo o secretário municipal de Serviço Público, Márcio Chaves, e interino na Secretaria de Obras. Para se ter ideia, a cidade tem 1.620 quilômetros de ruas, das quais

200 quilômetros (12%) são pavimentadas e 450 quilômetros (27%) contam com saneamento básico misto (rede de drenagem e de captação de esgoto sanitário). “No caso das obras de saneamento, só foi possível atingir essa marca”, explica Chaves, “porque fizemos nossas próprias manilhas, com fábricas recuperadas nesta gestão.” Só em 2011, foram 23.406 manilhas produzidas. O orçamento municipal também permitiu estender mais 27,6 quilômetros de asfalto, que se somaram a outros 12 quilômetros pagos por meio de convênios: 6,5 quilômetros na estrada de Cabuçu, como parte do programa estadual Somando Forças; 3,1 quilômetros do Parque Industrial da Reta, também com o governo do estado; e 2,5 quilômetros com verba estadual e federal, do programa Avadan (Avaliação de Danos), destinado a reparar estragos causados pela enchente do ano passado.

permite acelerar as obras de expansão das redes de drenagem

Desde 2009, já limpamos e drenamos 6,2 mil quilômetros de córregos e canais” Sérgio Alberto Soares

Prefeito de Itaboraí

Todos os pontos de iluminação pública foram substituídos por lâmpadas com luminosidade 60% maior e consumo 25% menor

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Novas viaturas e câmeras de vigilância

A fábrica local de manilhas tem permitido acelerar as obras de saneamento básico na cidade. O crescimento da população também aumentou o número de garis (abaixo) na coleta de lixo: 10% entre 2009 e este ano

Recebidas do governo do Estado, 42 novas viaturas ampliarão a cobertura da segurança na região

Itaboraí recebeu do governo do estado 42 novas viaturas, para policiar a cidade e os municípios de Tanguá, Rio Bonito, Cachoeiras de Macacu e Silva Jardim. Além disso, a Prefeitura vai abrir concurso para dobrar o efetivo da Guarda Municipal, hoje com 60 agentes, e criar uma ronda escolar distrital. Outra providência é a instalação de câmeras de vigilância de ruas nos municípios que recebem influência do Complexo Petroquímico. O Consórcio de Desenvolvimento do Leste Fluminense (Conleste), que reúne os 15 municípios afetados pelo Complexo Petroquímico

do Estado do Rio de Janeiro (Comperj), também pretende montar em Itaboraí um Centro de Monitoramento policial para acompanhar as cidades que o compõem. A proposta será avaliada pela Fundação Getúlio Vargas, para ser apresentada aos ministérios da Justiça e das Cidades, e à Petrobras. Está orçada em R$ 6,2 milhões, incluindo 12 câmeras para os municípios do Consórcio. Modelo de Centro de Monitoramento foi instalado há três meses em Itaboraí, com 16 câmeras. Custou R$ 1,2 milhão, com financiamento do Ministério da Justiça.

A área mais avançada, em termos de infraestrutura, é a que envolve o tratamento de lixo. Entre 2009 e 2011, a coleta diária aumentou 27%, de 120 toneladas para 147 toneladas. O que significa, nos cálculos do secretário, que Itaboraí deve ter ganho, nesse período, 53.440 novos moradores. Essa conta usa a estimativa do IBGE, que aponta a média diária de meio quilo de lixo por pessoa. Mas os números em Itaboraí podem ser algo menores, observa Chaves, porque, em rendas mais baixas – como são as famílias da cidade, em sua maioria –, esse volume deve cair para 300 gramas ou menos. Ele destaca, ainda, os esforços feitos na prevenção dos estragos provocados por enchentes. ”Desde 2009, já limpamos e drenamos 1.855.288 metros quadrados (ou 6,2 mil quilômetros) de córregos e canais.”

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Crescimento exige cinco novas escolas em 2012 Serão sete mil novas vagas para somar com 32 mil existentes e três creches para ampliar a atual rede de 18

A expansão de Itaboraí tem reflexo direto no aumento da demanda educacional, que vem crescendo, nos últimos dois anos, à média de mil alunos por ano para o ensino fundamental. Por isso, a Prefeitura vai inaugurar cinco novas escolas em 2012, o equivalente a 7 mil novas vagas, que se somarão às 32 mil existentes. Também serão criadas mais três unidades para ampliar a atual rede de 18 creches, informa a secretária de Educação, Rosana da Silva Rosa. Para a comunidade de fora das escolas, a Prefeitura inaugurou, este mês, um Centro Tecnológico Educacional que oferece acesso gratuito à Internet. Além de supervisionar os laboratórios de informática, presentes em 60 das 79 escolas da rede, o espaço tem um Núcleo Tecnológico Municipal (NTM), telecentro com dez computadores, conexão banda larga e equipe de monitores para ajudar os usuários, que podem navegar na Internet durante uma hora.

A Secretaria de Educação também mantém o Itaboraí 100% Alfabetizado, parte do programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA). Atualmente, são 21 escolas do EJA - em comparação a sete, em 2009 -, com cerca de 3 mil alunos matriculados. E, para estudantes que apresentam dificuldade de aprendizado, a Prefeitura ampliou o Núcleo de Atendimento Psicopedagógico da Educação Municipal (Napem), com a abertura de dois novos polos. Da educação infantil ao EJA, as três casas do Napem (nos bairros Nancilândia, Manilha e Reta) dão assistência a mil alunos, com apoio de psicólogos, psicopedagogos, fonoaudiólogos, assistentes sociais e fisioterapeutas. Os responsáveis pelos estudantes, que, muitas vezes, precisam acompanhá-los às aulas, contam com oficinas de pintura e orientação familiar. A cidade tem uma rede de 79 escolas, das quais 19 reformadas nos

A maioria das habitações para quem hoje vive em áreas de risco será entregue ainda em 2012, com ruas pavimentadas, saneamento instalado e coleta de lixo

Casas para uma vida longe das enchentes Populações que ocupam margens de rios e córregos receberão moradias construídas fora das áreas de risco até o fim de 2013

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Um total de 666 novas habitações será entregue até o final de 2013, a maioria ainda em 2012, para moradores de Itaboraí que ocupam casas nas principais áreas de risco da cidade, principalmente às margens de rios e córregos. As obras têm recursos do PAC (Plano de Aceleração do Cescimento), contrapartida da Prefeitura, e incluem ruas pavimentadas, saneamento básico (água e esgoto), coleta de lixo e, em alguns casos, creches para crianças no entorno. “Vamos atender a população de comunidades que sofrem muito com as enchentes e as inundações”, explica o secretário de Integração Regional de Habitação, Janô Bezerra de Araújo. Ao mesmo tempo, está sendo realizado Plano Local de Habitação de Interesse Social (PLHIS), diagnóstico do setor habitacional do município, exigido pelo Ministério das Cidades para financiamento de moradias populares, previsto para início de 2012. Quando o Plano estiver pronto, diz Araújo, será possível identificar as demais áreas que são prioridade para as novas unidades.

Das construções em andamento, a de Itambi tem 63% das obras realizadas e a entrega deverá ocorrer entre maio e junho, com 256 unidades habitacionais. Terá posto de saúde, creche, centro comunitário e ciclovia. Custou R$ 18 milhões ao governo federal e R$ 2,8 milhões à Prefeitura de Itaboraí. Outra obra do PAC (R$ 10,8 milhões em recursos federais; R$ 12 milhões municipais) começou em novembro e será concluída no final do próximo ano. Será em Vila Portuense, em Porto das Caixas, e terá 160 unidades, também com creche, horta comunitária e quadra poliesportiva. Outras moradias vão contar com recursos, além do PAC, do programa Minha Casa Minha Vida, também federal. É o caso do atendimento a 160 famílias do Parque do Rato Molhado, às margens do Rio Várzea (R$ 19 milhões federais e R$ 1 milhão municipal), e a 90 moradores que ficam à beira do Canal Lava-Pés. Este último ainda aguarda parecer técnico da Caixa Econômica Federal para ser licitado. Conta com R$ 10,9 milhões do PAC, R$ 4,9 milhões do Minha Casa Minha Vida e R$ 2,2 milhões do município.

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últimos dois anos, sendo 13 delas por meio de convênio com o governo do estado, como parte do apoio para recuperação dos estragos feitos pela enchente do ano passado. A Escola de Arte também foi recuperada e atende, agora, a 1,4 mil alunos, informa Rosana. Trabalhos culturais são desenvolvidos, ainda, no Projeto Arte Balé, atualmente com 350 alunos, distribuídos em três pólos: Manilha, Centro e Reta Velha. De acordo com a secretária, uma medida importante foi a terceirização de serviços como merenda e limpeza, que permitiram concentrar a atenção no ensino e nas ações de fortalecimento pedagógico. “Conseguimos dar capacitação para todos os profissionais da rede, desde o inspetor até o diretor. Trabalhamos com questões como evasão, reforço escolar e gestão de pessoal. Isso é fundamental, porque, muitas vezes, o processo emperra por falta de pessoas mais sensíveis, envolvidas com o trabalho.”

Formação tecnológica

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Itaboraí vai ganhar um Instituto Federal de Ensino Tecnológico (IF), o antigo CEFET. O decreto federal para sua criação foi assinado em setembro de 2011, e a instalação está prevista para meados de 2013. A presença do IF fortalece a capacitação profissional de jovens e, como resultado, também a empregabilidade da comunidade local, segundo o prefeito Sérgio Alberto Soares. Segundo ele, a Prefeitura vai doar terreno de 3,5 mil metros quadrados ao governo federal e as obras devem começar em janeiro.

o total de unidades

2012 terá maioria das unidades prontas

A demanda por ensino tem registrado a média de cinco mil alunos por ano, o que levará à criação de sete mil vagas em 2012

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Jogos da Juventude ajudarão a construir o sonho olímpico

‘Alzirão’ será reaberto com herança do Maracanã Com as novas instalações no estádio, Itaboraí quer receber equipes na preparação para os Jogos Olímpicos de 2016

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Como não poderia deixar de ser, o futebol é o carro chefe na preferência esportiva de Itaboraí. Pelo menos no coração do prefeito, um dos fundadores da ADI (Associação Desportiva Itaboraí), time de futebol que disputa a terceira divisão estadual. Ano passado, por muito pouco o time não subiu. Mantido com recursos da prefeitura, a prioridade é tentar de novo ano que vem. O técnico que dirigiu o time este ano é conhecido dos cariocas: Valdir Bigode, centro avante que fez carreira no Vasco. Os jogos da ADI são disputados no estádio Alziro de Almeida, carinhosamente chamado de “Alzirão”, um dos poucos estádios em pleno funcionamento para jogos oficiais no interior do Estado do Rio. “Enfrentamos dificuldades para manter o estádio aberto, cumprindo as exigências do Estatuto do Torcedor. Muitas cidades também têm estádios, mas não abrem os portões”, afirma Everardo Lindemayer, sub-secretário de Esportes. Ano que vem, o torcedor da cidade poderá acompanhar os jogos

com mais conforto. “Ganhamos mil cadeiras do antigo Maracanã. Reabriremos com elas já instaladas”, anuncia a secretária de Esportes, Rosangela Felipe Silva. Com as novas instalações, Itaboraí pretende se candidatar a receber equipes de futebol para treinamento durante as Olimpíadas de 2016, tirando proveito da sua localização privilegiada: a apenas 40 quilômetros do Rio e do aeroporto internacional. Mas não apenas de futebol vive Itaboraí. O projeto Rio 2016, desenvolvido em parceira com o governo do estado, oferece aos jovens entre sete e 17 anos futsal, vôlei, handebol e basquete. Tudo isso no Ginásio Municipal localizado em Manilha. O projeto De Bem Com A Vida põe a população para malhar. São 12 núcleos distribuídos por diversos bairros, onde duas vezes por semana são ministradas aulas matinais de ginástica, para todas as idades e ambos os sexos. Para a secretária Rosangela, além da parte física, vale destacar também o aspecto social do projeto:

“Nesta atividade promovemos a sociabilidade entre pessoas do mesmo bairro que, muitas vezes, sequer se conheciam. Isso para nós é fundamental”. Outro projeto importante é o Programa de Apoio à Escolinha Comunitária (PAEC), que a secretaria desenvolve junto às escolinhas locais, contribuindo com fornecimento de material esportivo e capacitação técnica, além de promover o intercâmbio entre as comunidades. Mas a menina dos olhos de Itaboraí é a construção de uma Vila Olímpica na cidade. “O prefeito quer que participemos intensamente de todo o processo olímpico, já que é um sonho dele a criação da Vila Olímpica, projeto que já encaminhamos ao governo federal”, afirma entusiasmada a secretária. E no que couber a Itaboraí o sonho vai virar realidade. O município já fez a sua parte e desapropriou o terreno necessário para a construção da Vila. Agora começam os entendimentos com o governo federal para levar adiante o sonho olímpico.

Itaboraí quer se tornar a primeira cidade brasileira especializada na formação de atletas olímpicos. Para isso, a Prefeitura negocia parceria com Cuba e ano que vem realiza a primeira edição dos Jogos da Juventude, que devem ocorrer anualmente na cidade. O chefe de gabinete da Prefeitura, José Roberto Fernandes Salles, informa que os Jogos vão começar sempre em maio, para fechar as comemorações do aniversário da cidade, no dia 22 de maio. Área de 80 mil metros quadrados está sendo desapropriada e o município tentará obter R$ 40 milhões do Ministério dos Esportes para a construção de uma Vila Olímpica. Para desenvolver o projeto, foi formado um grupo de trabalho com professores das redes de escolas municipais, estaduais e privadas, e também de academias e cursos de idiomas. Todos vão participar, cedendo espaços e estrutura para os Jogos, que contam, ainda, com o Estádio Municipal Alziro de Almeida (Alzirão). “Estamos montando um projeto esportivo e educacional”, resume Salles. “Já negociamos com a Câmara de Vereadores, e o prefeito vai encaminhar projeto de lei para oferecer incentivo fiscal aos estabelecimentos que oferecerem bolsas de estudo aos atletas. Vai valer para universidades, academias e cursos de idiomas.” A cidade já conta com a Faculdade Anhanguera e a Faculdade Cenecista de Itaboraí (Facnec).

Uma equipe de especialistas do 5º Jogos Mundiais Militares – realizado em julho, no Rio, pelo Conselho Internacional do Esporte Militar (Cism), com cinco mil participantes – visitou as instalações existentes na cidade e vai apoiar, fornecendo logística para o evento. De acordo com o chefe de gabinete, o objetivo é reunir de 3 mil a 3,5 mil atletas nos Jogos da Juventude de Itaboraí, distribuídos entre 16 a 18 modalidades esportivas, no primeiro ano. “Estamos pedindo material dos Jogos Militares às Forças Armadas, apoio da Suderj (Superintendência de Desportos do Estado do Rio de Janeiro) e das federações olímpicas, que poderão capacitar os professores, ajudar na formação do grupo de arbitragem e no treinamento para a identificação de talentos. Com essa rede de parcerias, teremos um custo baixo.” Outra colaboração importante, diz Salles, pode vir de Cuba, país de grande tradição olímpica. Conversas já foram iniciadas com o Consulado de Cuba em São Paulo e com o Minis-

tério das Relações Exteriores para formalizar acordo de intercâmbio para capacitar treinadores. A Prefeitura de Itaboraí também vai instalar cobertura em quadras esportivas de seis escolas e construir quadra em uma escola que ainda não a tem. Além disso, pretende obter recursos para um piscinão, que servirá aos treinamentos. Também vai usar a Lei de Incentivo ao Esporte para buscar patrocínio das empresas que estão chegando à cidade. Como parte da iniciativa, alunos de cursos de esporte e professores vão trabalhar juntos em outros projetos sociais. O movimento, conta Salles, começou com o Mais Esporte, programa que leva estudantes de Educação Física para trabalhar em comunidades de baixa renda nos fins de semana. “O esporte muda uma cidade”, justifica ele. ”É um caminho importante para a construção de uma identidade para Itaboraí. Trata-se de um projeto estruturante, que faz diferença.” Ele também destaca a importância da atividade no contexto econômi-

co local. Lembra que as alterações no projeto do Comperj incluíram a construção de uma segunda refinaria de combustível, mas não avançaram na definição sobre a instalação da indústria petroquímica. “O impacto principal para Itaboraí, nesse caso, está na empregabilidade. As refinarias contratam por concurso público e são altamente automatizadas; as manufaturas finalistas, de peças de plástico, é que respondem pela grande ocupação da mão de obra local, e precisariam da atração da matéria prima petroquímica.” Nesse sentido, o projeto Itaboraí Cidade Olímpica também é alternativa à indústria de plásticos. E, segundo Salles, mais afinada com o aspecto cultural que está se fortalecendo na região. De qualquer forma, ele acredita que cerca de 50 a 100 empresas devem operar em torno da refinaria, envolvendo produtos e serviços de alimentação, transporte, logística, segurança, manutenção de equipamentos, informática, tecnologia, entre outros. Isso aumentará a arrecadação do município.

Com o ‘Alzirão’ reformado e os Jogos da Juventude anuais, a cidade quer ser referência na preparação de atletas

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“Pedra Bonita” corre de novo atrás da riqueza

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Em 1650, a Ordem Fraciscana ergueu o Convento São Boaventura (abaixo), sua quinta obra no Brasil. A Matriz (ao lado) sucedeu a Capela São João Batista

Cidade guarda as lembranças na história para voltar à liderança na atração de novos investimentos Itaboraí tem muita história para contar. Sua trajetória está intimamente ligada ao desenvolvimento econômico do Estado do Rio de Janeiro. Antes de se tornar município, em 1890, a região, ainda no período colonial, já era importante entreposto comercial. Em Porto das Caixas, atual distrito de Itaboraí, às margens do Rio Aldeia, no século XVIII a produção agrícola do interior fluminense e a de açúcar dos engenhos locais eram encaixotadas rumo à Europa. Daí o nome da localidade, que não nasceu ao acaso. Com a inauguração da Estrada de Ferro Carril Niteroiense, em 1874, e a consequente decadência do

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transporte fluvial, a região entrou em declínio, mas muitas construções do período continuam de pé, a lembrar um pouco do passado importante. Além da proximidade com rios navegáveis, a região era cortada pela estrada aberta no século XVII para ligar Campos a Niterói. À beira dessa estrada, no alto da colina de Itaboraí, havia uma fonte sob um bosque, que se tornou local de descanso para os tropeiros. A história conta que, no fundo da fonte, um pedaço de quartzo chamava a atenção dos índios, que o batizaram de Itaboraí ou “pedra bonita escondida na água”. Graças ao ponto de parada das

tropas, a região foi sendo colonizada. Em 1650, foi construído o Convento São Boaventura, quinta obra da Ordem Franciscana no Brasil. Em 1672, por iniciativa dos tropeiros, a região ganhou a Capela de São João Batista, que mais tarde deu lugar à Igreja Matriz – construída em 1784. A partir de então, surgiram vários engenhos e a principal atividade econômica tornou-se a produção de açúcar, o que durou até meados do século XX. Com o declínio da produção açucareira, e seguindo a vocação agrícola, surgiu na região uma nova economia baseada na cultura da laranja. Ita-

boraí chegou a ser o maior produtor de laranja do estado e o segundo do Brasil. O destaque como “Terra da Laranja”, que começou em 1929 e se manteve até meados do século XX, entrou em declínio como resultado de uma sucessão de equívocos que se estenderam da técnica de plantio à colheita, ao transporte e à falta de cuidados com a terra. A arte em cerâmica esteve sempre presente na cultura e na economia do município, desde os índios. Na época dos engenhos de açúcar, eles tinham pequenas olarias para confecção em argi-

la das embalagens para transporte de açúcar. A tradição se firmou e na década de 1940 ganhou novas tecnologias que modernizaram a produção. Até hoje, olarias de cerâmica têm peso econômico e cultural importante na região. Durante as últimas décadas a região passou por esvaziamento econômico e transformou-se em cidade-dormitório. Atualmente Itaboraí vive um momento de inversão econômica, atraindo novos investimentos para a região e recuperando a condição de pólo de atração dos municípios vizinhos e centro gerador de riqueza.

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O dia em que Darwin conheceu Itaboraí

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No dia quatro de abril de 1832, Charles Darwin, então um jovem naturalista, desembarcou do navio Beagle no Rio de Janeiro. Suas anotações da viagem ao redor do mundo deram origem à Teoria da Evolução das Espécies, publicada 26 anos depois, em 1858. A estadia no Rio durou três meses, durante os quais fez várias incursões pelos morros e matas da cidade. Também fez uma expedição até Macaé, passando por vários lugares no percurso de ida e volta. Um deles foi Itaboraí, assim descrito por Darwin em seu diário:

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23 de abril “Avistamos casas bonitas e alegres quando nos aproximamos da cidade. Durante o dia, passamos por uma floresta de acácias, cuja folhagem formava um delicado véu contra o céu e projetava sobre o chão um agradável tipo de sombras. Devido à delicadeza das folhas, nenhum farfalhar se ouvia, quando a brisa as movimentava.” Charles Darwin Mas não apenas as observações do pai da Teoria da Evolução garantem a Itaboraí

Charles Darwin

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destaque na história. Mais que isso, há o fato de ter sido berço de personagens de indiscutível importância na construção política e social da época. Entre esses nomes encontra-se Joaquim José Rodrigues Torres, o Visconde de Itaboraí, que veio a ser o primeiro presidente da Província do Rio de Janeiro, o que equivalia ao posto de governador hoje. Com grande influência política, Torres foi também ministro da Fazenda, ministro da Marinha cinco vezes e presidente do Conselho de Ministros, além de presidente do Banco do Brasil.

Não menos importância teve Alberto de Seixas Martins Torres, que marcou sua passagem como último presidente do Estado do Rio de Janeiro por grandes investimentos em educação e agricultura. Jurista que cultuava os fundamentos da lei, chegou a ser ministro do STF. Fundador do jornal O Povo e nacionalista convicto, Martins Torres envolveu-se com vigor nas campanhas abolicionistas e na luta pelo estabelecimento da República, além de ter influenciado inúmeras gerações de políticos.

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Outras propostas na cultura Não só de patrimônio histórico vive a cultura de Itaboraí. Preservar a memória é importante, mas dotar a cidade de equipamentos culturais também é prioridade. Para isso, entre os planos está a criação da Lona Cultural Dado Villa Lobos, em convênio com a Secretaria de Cultura, para atender a cerca de 500 crianças por dia. No cinema está prevista a construção do Cine-Ita, o

primeiro de Itaboraí, que já tem projeto, mas precisa de R$ 2 milhões. Para shows ao ar livre, pretende-se construir uma Concha Acústica com capacidade para 5.000 pessoas por fim de semana. Para ajudar os 840 artistas cadastrados no departamento de Difusão Cultural e Patrimônio Imaterial, a intenção é criar um estúdio de música e vídeo por R$ 400 mil.

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FARMÁCIA POPULAR

Remédio barato e atenção personalizada A inaguração da policlínica, o hospital municipal e o posto de saúde 24 horas atendem ao objetivo de descentralizar o atendimento para facilitar o acesso aos serviços médicos com deslocamentos menores

Esforço na Saúde para acompanhar a expansão Objetivo é

descentralizar o

atendimento para

encurtar o caminho da população em busca de exames e tratamento

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Itaboraí não para de crescer. Com o avanço da instalação do Comperj, a tendência em pouco tempo é o ritmo de crescimento da população aumentar. Isto significa novas demandas em todas as áreas de atendimento. Na Saúde, a cidade tem se esforçado para atender à exigência. Prova disto é a inauguração, há um ano, da Policlínica de Especialidades Médicas Vereador José Oliveira Filoco. Até novembro foram 72.522 atendimentos ambulatoriais nas mais diversas áreas, tais como exames laboratoriais, eletroencefalografia, eletrocardiologia, ortopedia, neurologia e dermatologia. Localizada em Manilha, a Policlínica atende também ao distrito vizinho de Itambi, uma das áreas que mais crescem em Itaboraí. “Este hospital é um projeto do prefeito para levar atendimento de saúde às populações carentes desses lugares. Descentralizando o atendimento, o morador não precisa se deslocar até o Centro de Itaboraí para ser atendido”, diz a diretora da Policlínica, doutora Simone Figueiras Pires.

Em breve, Itambi também ganhará um Posto de Saúde 24 horas. A obra está pronta e a previsão é de ser inaugurada no próximo ano. Também previsto para o início do ano que vem, Manilha ganhará uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), em convênio com o governo do estado. A unidade contará com atendimento de emergência em pediatria, ortopedia, clínica médica, cardiologia e odontologia. Além da emergência, a UPA terá com leitos para internação. A unidade está pronta; o problema é que o município não pode arcar com o custo de manutenção, de R$ 1,2 milhão mensais, e aguarda a liberação dos recursos (metade do governo do estado, metade da União). “Com a UPA, desafogaremos a emergência do Hospital Municipal Leal Jr. e iremos melhorar a qualidade da saúde”, afirma com convicção a doutora Simone. Localizado no Centro de Itaboraí, o movimento no Hospital Municipal Leal Jr., o principal da cidade, é grande. São em média 16.000 atendimen-

tos mensais em diversas áreas. Só em cirurgia geral foram 1.145 operações. Ortopedia, 2.231. Em Clínica Médica, 7.804 atendimentos, com 435 internações. Em suas instalações funciona ainda uma policlínica para atendimento ambulatorial, que chega a realizar 75.000 consultas ao ano, envolvendo o trabalho de 50 médicos em várias especialidades. Apesar dos números robustos, a doutora Simone não se apavora. “Na Policlínica que dirijo ainda não chegamos à capacidade total. Se for necessário, dá para dobrar o número de atendimentos e absorver parte da demanda do Hospital Leal Jr.”, diz. Além dos hospitais e policlínicas, o município tem 34 Postos de Saúde da Família, que contam com 45 equipes que assistem cada uma, em média, a 2.500 pessoas. Os portadores de HIV também têm atenção especial, com ambulatório próprio para atendimento, onde recebem remédios específicos e contam com dentistas, clínicos, psicólogos e assistentes sociais.

A Prefeitura de Itaboraí inaugurou este mês uma unidade da Farmácia Popular do Brasil, que oferece medicamentos a 10% do preço de mercado. Os consumidores também têm acesso a atendimento personalizado de farmacêuticos profissionais, para orientação sobre o uso correto dos remédios. O programa é mantido pelo Ministério da Saúde e executado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Conta com 97 medicamentos considerados essenciais, que, de acordo com o secretário de Saúde de Itaboraí, Luiz Cezar Faria Alonso, cobrem 80% das doenças que atingem a população. Segundo ele, um comprimido de Sinvastatina, para controle do colesterol, sai por R$ 3,00 no mercado, e por R$ 0,38 na Farmácia Popular do Brasil. Na Farmácia Popular, recéminaugurada, os medicamentos custam, em média, 10% do preço de mercado

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postos de Saúde da Família

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equipes médicas em cada posto

Odonto Móvel

O cuidado bucal sobre rodas Projeto conduzido com carinho pela Secretaria de Saúde é o Odonto Móvel. São duas unidades que percorrem as escolas do município fazendo trabalho preventivo de saúde bucal. Cada unidade tem um dentista que examina a garotada, aplica flúor, cuida de eventuais cáries e distribui um kit com escova, pasta de dente e fio dental para as crianças, além de conversar sobre a importância de fazer diariamente a higiene bucal. O projeto é feito em parceria com a Secretaria de Educação.

Em cada unidade do Odonto Móvel, além do atendimento, os jovens recebem um kit e orientação sobre higiene bucal

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milhão de reais é o custo mensal de uma UPA

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Quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

O GLOBO Projetos de Marketing

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profundidade. Dali os equipamentos seguirão até o local do empreendimento. Após a redução das operações de abastecimento do Complexo, a infraestrutura será aproveitada para um terminal de passageiros que utilizarão o transporte por barcas.

Água e esgoto

Maior obra estruturante da região, o Arco Metropolitano deverá estar pronto no final de 2012, ligando Itaboraí ao porto de Itaguaí. Pronto, atrairá dezenas de empresas por onde cruzar

Arco Metropolitano dará passagem ao desenvolvimento da região Mobilidade e logística serão os maiores atrativos na área cortada pela rodovia

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A região de Itaboraí é hoje uma das que mais crescem no Estado do Rio de Janeiro. Ali está em execução o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), que é o maior investimento da história da Petrobras e deve entrar em operação em 2014. A cidade – uma das 15 na área de influência do empreendimento – começa a receber grande volume de recursos. Para pavimentar e impulsionar o desenvolvimento da região, o poder público está fazendo grandes obras de mobilidade urbana – como o Arco Metropolitano, rodovia que interligará oito municípios, e a futura Linha 3 do metrô (Niterói-São Gonçalo-Itaboraí) – e de infraestrutura. A maior obra estruturante para a região é o Arco Metropolitano, parceria dos governos federal e estadual. A rodovia, que deve estar pronta em dezembro de 2012, terá 140 quilômetros e ligará exatamente o Comperj, em Itaboraí, ao porto de Itaguaí, unindo as principais rodovias federais que passam pelo estado. As obras do chamado trecho virgem, que tem 70,9 quilômetros de extensão e é de responsabilidade do

governo estadual, tiveram o ritmo acelerado a partir do segundo semestre de 2011, depois da solução de problemas de arqueologia, licenciamento ambiental e desapropriações. Para o governador Sérgio Cabral, a rodovia vai atrair dezenas de empresas dos mais variados setores econômicos. “O governo do Rio está fazendo o dever de casa, que é estimular o empreendedor e trabalhar para levar mais infraestrutura para os municípios do nosso estado. É o caso do Arco Metropolitano, que será uma grande artéria em uma região que terá ocupação inteligente por parte de dezenas de empresas comerciais, industriais, de serviços e de logística, interligando todas as rodovias federais que passam pelo estado”, diz Cabral. O vice-governador e coordenador de Infraestrutura do estado, Luiz Fernando Pezão, destaca mobilidade e logística como os dois maiores atrativos de empresas para a região cortada pelo Arco Metropolitano. “A concretização do sonho do Arco Metropolitano já desencadeou o

processo, esperado, de aproximação de grandes empresas devido às excelentes perspectivas de mobilidade e acessibilidade. O arco vai viabilizar o Comperj, na cabeceira leste, em Itaboraí, e o complexo industrial e portuário de Itaguaí, na cabeceira oeste”, garante Pezão. A médio e longo prazos, dois projetos prometem transformar a qualidade de mobilidade urbana da região. Um deles é a Linha 3 do metrô, que ligará Niterói a Itaboraí, passando por São Gonçalo. A via, cujo custo total deve chegar a R$ 2,5 bilhões – incluindo obras civis, equipamentos, sinalização e material rodante –, poderá transportar 40 mil passageiros/hora. A fase de obras vai gerar cerca de 15 mil empregos diretos e indiretos. O outro é o porto Praia da Beira, que será construído em parceria do governo estadual com a Petrobras em São Gonçalo e possibilitará, primeiramente, que os grandes equipamentos do Comperj sejam transportados. O porto terá um cais de 100 metros e dragagem que atingirá 40 metros de

As frentes de obras são muitas. No último mês de outubro, o Governo do Rio inaugurou a ampliação da Estação de Tratamento de Água (ETA) de Porto das Caixas, em Itaboraí. O empreendimento, que contou com recursos da ordem de R$ 70 milhões, abastecerá a fase de obras do Comperj e também parte da população da região. Com a ampliação, a produção de água na ETA passa de 160 para 260 litros por segundo. Metade destes 100 litros de água a mais por segundo será encaminhada para a rede distribuidora da Cedae, beneficiando diretamente mais de 20 mil moradores da região. Além disso, um acordo firmado entre a Secretaria Estadual do Ambiente e a Petrobras definiu que, como contrapartida ao Comperj, a empresa será responsável pela implantação de rede de esgoto em Itaboraí.

Qualificação de mão de obra Um ciclo de investimentos como esse gera uma enorme demanda por mão de obra qualificada. Em Itaboraí, a secretaria estadual de Ciência e Tecnologia possui um Centro Vocacional Tecnológico (CVT), com dezenas de cursos nas áreas de construção civil, informática e idiomas. A área de construção civil é uma que tem demanda diretamente influenciada pelo Comperj. Já em São Gonçalo, o governo tem um CVT na área de pesca. Alguns cursos formam profissionais para atuar em embarcações, também atendendo a demandas do Complexo. Em Niterói, a Escola Técnica Estadual Henrique Lage forma profissionais de nível técnico, com cursos de construção naval, máquinas navais, edificações, eletrotécnica e eletrônica. Os cursos de construção e máquinas navais, especificamente, formam profissionais que já são aproveitados por empresas da região, exatamente por causa do Comperj.

Com a inauguração da Estação de Tratamento de Porto das Caixas, mais 20 mil moradores da região foram atendidos com abastecimento

Linha 3 do metrô A Secretaria estadual de Obras deve iniciar a construção da Linha 3 do metrô no primeiro trimestre de 2012. Com uma de suas estações projetada por Oscar Niemeyer, a Linha 3 vai atender 1,7 milhão de moradores e servirá a 350 mil passageiros por dia.

O trecho Niterói-São Gonçalo terá 14 estações, com custo estimado de R$ 1,5 bilhão. A ideia do governo do estado é fazer, numa primeira etapa, seis estações: Araribóia, Jansen de Melo, Barreto, Neves, Vila da Laje e Paraíso. Ao todo, serão 22 quilômetros, sendo 17,7 quilômetros sobre viadutos e 4,3 quilômetros em superfície.Numa segunda etapa,

deverá ser construída uma extensão até Itaboraí. “A Linha 3 será grande obra de mobilidade, que dará rapidez e conforto para as populações de Niterói e São Gonçalo. Com isso, teremos o desenvolvimento de novas atividades e também o incremento de antigas vocações econômicas das regiões impactadas”, afirma Luiz Fernando Pezão.

No caminho do metrô entre Niterói e Itaboraí, Guaxindiba, bairro de São Gonçalo, terá uma das 14 estações previstas para a Linha 3

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