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Débora Gomes Tomaz Iara Cristina Fonseca João Paulo Araújo Costa Jr. Marcos Oliveira Nelio Souto da Silva Raphael de Lima Batista Jota Vitor Hugo Rocha Wilton Mello

A (in)visibilidade dos movimentos sociais na cobertura das eleições 2010 do jornal “Estado de Minas”

Trabalho acadêmico apresentado como requisito de avaliação do curso de Jornalismo Multimídia do Centro Universitário UNA para obter aprovação nas disciplinas em curso do semestre 1/2010, vinculadas ao Trabalho Interdisciplinar dirigido (TIDIR). Professor orientador: Roberto Reis

Centro Universitário Una Belo Horizonte 2010


A (in)visibilidade dos movimentos sociais na cobertura das eleições 2010 do jornal “Estado de Minas” Autores: Débora Gomes Tomaz, Iara Cristina Fonseca, João Paulo Araújo Costa Jr., Marcos Oliveira, Nelio Souto da Silva, Raphael de Lima Batista Jota, Vitor Hugo Rocha, Wilton Mello.

Resumo Esse artigo pretende avaliar as características da cobertura política realizada pelo jornal “Estado de Minas” durantes a campanha para as eleições 2010 e verificar, com a ajuda do conceito de enquadramento, como se dá a inserção de alguns movimentos sociais em suas pautas eleitorais. A análise busca compreender a construção social dessas notícias, considerando o autoritarismo social que permeia as relações sociais no país. Esse artigo é parte integrante do trabalho Interdisciplinar (TIDIR) do Centro Universitário UNA realizado pelas turmas de 3° e 4° períodos do curso de jornalismo multimídia Palavras chave: jornalismo, cidadania, movimentos sociais, enquadramento.

INTRODUÇÃO Não há, no presente artigo, a pretensão de uma análise inédita ou aprofundada do universo dos movimentos sociais ou de seus desdobramentos nas coberturas dos jornais impressos brasileiros. Existe, porém, a intenção de suscitar uma avaliação do comportamento dos jornais impressos brasileiros (tendo por base o exemplo do jornal “Estado de Minas”) quanto à visibilidade dos movimentos sociais agrários na editoria “Política”, no período que antecede as eleições de 2010. No artigo, aborda-se a emergência de uma nova cidadania no país a partir da década de 80 e sua importância para a democracia no Brasil. Como pano de fundo, enfoca-se também o autoritarismo social presente nas relações sociais brasileiras. Faz-se ainda um breve histórico dos movimentos sociais de cunho agrário. Para se analisar a prática jornalística, são discutidos neste artigo os conceitos de objetividade e enquadramento, com especial atenção à construção social da notícia. A análise pretende evidenciar o entrelaçamento entre o fazer jornalístico e as contradições e desigualdades da sociedade brasileira.


Autoritarismo social e nova cidadania Cidadania pode ser compreendida, de um modo geral, como uma relação presente entre indivíduos nascidos em determinada nação e sociedade política cujas condutas são mutuamente orientadas no que se refere a leis às quais essas pessoas devem obediência. (DICIONÁRIO DE CIÊNCIAS SOCIAIS, 1986, p.176-177). Mesmo influenciado por um ponto de vista mais conservador, o conceito de cidadania conseguiu desenvolver características novas e ousadas. “A cidadania produziu maiores mudanças, estabelecendo princípios mais coletivistas e igualitários, e políticas que contrabalançavam, em certa medida, as tendências não-igualitarias da economia capitalista” (DICIONÁRIO DO PENSAMENTO SOCIAL DO SÉCULO XX, 1996, p. 73). Esse conceito formal de cidadania deve ser compreendido à luz dos contextos políticos, sociais e econômicos dos países. De fato, apenas se considerando as condições reais de existência das populações, é que se pode abarcar a efetiva dimensão de sua cidadania. Dagnino (2004) tem ressaltado o caráter autoritário e excludente presente na história da sociedade brasileira. “Esta é uma sociedade na qual a desigualdade econômica, a miséria, a fome são os aspectos mais visíveis de um ordenamento social presidido pela organização hierárquica e desigual do conjunto das relações sociais: o que podemos chamar de autoritarismo social” (DAGNINO, 2004, p.104) (grifo da autora). Esse autoritarismo social, que perpassa a trama das relações sociais no Brasil promovendo uma cultura autoritária da exclusão, reserva a cada pessoa ou grupo de pessoas o seu lugar nessa sociedade desigual: algumas atividades que são “para mulher”, o futebol e o samba “para os negros”, o elevador de serviço “para os empregados”. Para Dagnino (2004), essa noção de lugares sociais restritos perpassa a casa e rua, a sociedade e o Estado e, cabe ressaltar ainda, a escola e a mídia. Profundamente enraizado na cultura brasileira e baseado predominantemente em critérios de classe, raça e gênero, esse autoritarismo social se expressa num sistema de classificações que estabelece diferentes categorias de pessoas, dispostas nos seus respectivos lugares na sociedade (DAGNINO, 2004, p.104).


Para a autora, a eliminação desse autoritarismo social que marca o país torna-se um “desafio fundamental para a efetiva democratização da sociedade” (DAGNINO, 2004, p. 105). Face a esse desafio a autora dá destaque a emergência, a partir dos anos 80, de uma nova noção de cidadania, que abarca novas posições políticas e a inclusão de novos atores sociais. Paoli e Telles destacam que “os anos 80 foram marcados por uma notável dinâmica associativa e organizativa que alterou o cenário político do país e introduziu fissuras importantes no pesado legado autoritário e excludente da história brasileira” (PAOLI; TELLES, 2000, p. 107). Segundo Dagnino (2004), existem duas dimensões que manifestam a emergência dessa nova cidadania. A primeira é a de que o conceito está inteiramente ligado à importância e ao crescimento dos movimentos sociais e na sua luta por direitos, tanto por direito à igualdade quanto direito à diferença. “Em segundo lugar, o fato de que, a essa experiência concreta, se agregou cumulativamente uma ênfase mais ampla na construção da democracia, porém, mais do que isso, na sua extensão e no seu aprofundamento” (DAGNINO, 2004, p.104). Aplicando as duas dimensões citadas por Dagnino surge ao mesmo tempo a organização de uma trama democrática, transformando aos poucos a sociedade, uma relação sólida entre cultura e política. Desse modo, essa nova noção de cidadania “é uma estratégia que reconhece e enfatiza o caráter intrínseco e constitutivo da transformação cultural para a construção democrática. Nesse sentido, a construção da cidadania aponta para a construção e difusão de uma cultura democrática” (DAGNINO, 2004, p.104). Como conseqüência, essa noção de cidadania que ganha força a partir dos anos 80, não pode ser pensada apenas no âmbito da relação do indivíduo com o Estado e inclui fortemente a interação com a sociedade civil. “O processo de construção da cidadania enquanto afirmação e reconhecimento de direitos é, especialmente na sociedade brasileira, um processo de transformação das práticas sociais enraizadas como um todo. Um processo de aprendizado social, de construção de novas formas de relação, que inclui de um lado, evidentemente, a constituição de cidadãos enquanto sujeitos sociais ativos, mas também, de outro lado, para a sociedade como um todo, um aprendizado de convivência com esses cidadãos emergentes que recusam permanecer nos lugares que foram definidos socialmente e culturalmente para eles” (DAGNINO, 2004, p. 109).


Desse modo, a construção de uma nova cultura democrática no Brasil requer que se estabeleçam novas relações com esses atores provenientes dos movimentos sociais. Toda a sociedade é chamada a se reposicionar, incluindo aqui também os meios de comunicação. Para que essa nova noção de cidadania ganhe espaço, é necessário que se desconstrua o autoritarismo social enraizado na sociedade brasileira. No entanto, vale ressaltar que esse autoritarismo ao longo da história do país foi diversas vezes posto em questão, questionado e enfrentado. 1. Os movimentos sociais na história do Brasil O Brasil caracteriza-se por ser um país de forte tradição autoritária, mas também é marcado historicamente por lutas sociais que buscam romper com essa tradição. Desde o período colonial, nos espaços rurais e urbanos, os movimentos sociais continuam lutando por questões de igualdade, respeito, espaço e representação perante a sociedade, cravando uma resistência que persiste até hoje. É possível encontrá-los em diversos lugares, na maioria das vezes representados em passeatas, greves e invasões de terra, buscando sempre uma maneira de afirmar seus ideais, interesses e visões ante a sociedade, articulando-se pela construção de novas formas de conhecimento, cidadania e luta. Vários movimentos receberam destaque no período republicano: a Guerra de Canudos em 1897, a Guerra do Contestado entre 1912 e 1916, a Coluna Prestes 1925 e 1927, as Ligas Camponesas em 1945, o movimento sindical às vésperas de 1964, as lutas operárias do ABC paulista na década de 60, os movimentos de bairros e o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra, na década de 80. De acordo com Neves (2000, p. 25), “na República Velha a questão social foi tratada como um caso de polícia, na década de trinta os direitos sociais foram ampliados, mas, em compensação, os direitos políticos e civis foram praticamente eliminados.” Por contestar as normas padrão impostas pelo regime da época, vários movimentos sociais foram perseguidos e derrotados em pequenos conflitos com as elites oligárquicas da Republica Velha.


Já entre os anos de 1945 e 1964, período em que a democracia brasileira crescia, mais precisamente no fim dos anos 50 e início dos anos 60, houve uma euforia participativa dos movimentos sociais. Receberam maior destaque as Ligas Camponesas, as Organizações Nacionalistas da sociedade civil e o movimento Sindical, com bandeiras de reformas de base e de nacionalização da economia. Porém, tudo foi suprimido em 1964, com a implantação de um regime autoritário. Neves (2000) analisa o golpe de 64 como golpe preventivo, pois, à medida que os movimentos sociais cresciam e a sociedade começava a ganhar independência, as elites dirigentes começaram a restringir a participação desses grupos. Instaurou-se, assim, um período de autoritarismo que durou cerca de vinte anos, silenciando os movimentos sociais, que só começaram a reaparecer no final dos anos 70, com o surgimento de novos movimentos. Com o fim da Ditadura Militar, na década de 80, recomeçava a surgir e ganhar força um sentimento otimista, cultural e socialmente, que atingia a maioria. Marcando esse momento transitório, surgiam as greves do ABC, os movimentos de trabalhadores na educação, os movimentos de bóias frias, o movimento feminino pela anistia e os movimentos dos sem terra. Seus articuladores e participantes podem ser identificados como novos atores e sujeitos históricos que se fizeram presentes na conjuntura de luta pela redemocratização do País. Apresentaram dois tipos de reivindicação: retorno à democracia e maior justiça social (NEVES, 2000. p. 25). De fato, é neste momento que emerge uma nova noção de cidadania, como apontado por Dagnino (2004) Cabe aqui destacar a história do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra).

Em 1984, um grupo de oitenta representantes de organizações camponesas

reúne- se decidindo pela criação de um movimento que promovia a união de camponeses, que, desde o fim dos anos 70, reivindicavam o acesso à terra que lhes foi tirada pelo processo capitalista de expansão da agricultura. Esse processo havia levado à concentração da terra na mão de poucos e a expulsão dos pobres da área rural, resultando, desse modo, no êxodo do campo para a cidade. Fortalecia- se e consolidava- se o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (TEIXEIRA, 2007. p. 47). Segundo Caldart (1997, p. 9), o dirigente do MST, João Pedro Stédile, definiu o MST como “um


movimento de massas que se organiza para conquistar basicamente três objetivos: terra, implantação da Reforma Agrária e mudanças sociais em nosso país.” Durante o processo de organização do MST, foram desenvolvidos procedimentos indispensáveis para a qualificação da luta dos Sem Terra, destacando- se a criação de setores preocupados com a educação, comunicação, administração e a formação política. Esses setores permitiram, mais tarde, o desenvolvimento de um processo de superação de desafios, firmados em estudos e reflexões que visavam a essa superação (FERNANDES, 2000. p. 172). Hoje, segundo o site oficial do MST (http://www.mst.org.br/), o movimento está organizado em 24 estados no Brasil. São cerca de 350 mil famílias organizadas em assentamentos em todo o país. Desde sua fundação, o MST se organiza em torno de três objetivos principais: Luta pela terra; Luta por reforma agrária; Luta por uma sociedade mais justa e fraterna. Esses objetivos são manifestos nos documentos que orientam a ação política deste grupo. Nos acampamentos as famílias fazem assembléias e organizam-se em núcleos que discutem a produção, a escola, as necessidades básicas de cada área. Organizam- se por setores para encaminhar tarefas especificas: Setores de Produção, Saúde, Gênero, Comunicação, Educação, Juventude, Finanças, Direitos Humanos, entre outros, são organizados desde a esfera local até a esfera nacional, de acordo com a necessidade e a demanda de cada acampamento. Nas assembléias, todos têm direito ao voto: adultos, jovens, homens, e mulheres. O maior espaço de decisões do MST é o congresso que ocorre a cada 05 anos. É no congresso que são definidas as linhas políticas do Movimento. Além do congresso, a cada dois anos o MST realiza seu encontro nacional, onde são avaliadas e atualizadas as definições deliberadas no congresso.

2. O conceito de objetividade colocado à prova Segundo o dicionário de Propaganda e Jornalismo de Mario Erbolato, o termo objetividade significa “texto jornalístico que procura relatar os fatos com imparcialidade, limitando-se a noticiar a descrição do local em que houve uma ocorrência ou a divulgar


textualmente as declarações de pessoas ouvidas” (ERBOLATO, 1985, p.224). Por sua vez, Rabaça e Barbosa (2002, p.626) definem objetividade como “qualidade de um texto informativo que procura retratar fielmente os fatos, sem a interferência de valores subjetivos e opiniões pessoais no processamento da informação”. O decorrer do pensamento da contemporaneidade, esse paradigma primordial do jornalista vem sendo entendido como um mito, assim como o mito da neutralidade e o mito da imparcialidade. De acordo com Erbolato (1985), a objetividade não pode ser conseguida, devido a diversos fatores que influem para que não aconteça, por exemplo, a posição dos interlocutores, a política editorial do veículo ou o próprio repórter. Porém, apesar do conceito de objetividade ser colocado em questão com o passar do tempo, ele ainda é visto como técnica jornalística para grande parte de profissionais. É necessário, portanto, compreender o porquê disso. “A objetividade pode ser vista como um ritual estratégico, protegendo os jornalistas dos riscos da sua profissão” (TUCHMAN,1972, p.74). Esses riscos apontados por Tuchman seriam o de possíveis processos por difamação, repressões ou críticas. Nas palavras de Tuchman (1972), diferente do cientista social, o jornalista tem um “repertorio limitado” para defender e definir o conceito de objetividade. Entretanto, os jornalistas precisam de práticas operacionais da objetividade, para pormenorizar os possíveis riscos ditados pelo tempo, por possíveis ações judiciais ou repressões oriundas dos seus superiores (TUCHMAN, 1972). Na perspectiva de Tuchman (1972,p.78), “os jornalistas lutam contra estas pressões ao realçar a ‘objetividade’, argumentando que os perigos podem ser minimizados se eles seguirem estratégias de trabalho que eles identificam com as notícias objetivas”. A autora ainda afirma que os jornalistas defendem a objetividade com base na idéia de que, se todos os profissionais organizarem as notícia de forma imparcial e impessoal, os riscos maiores serão afastados (TUCHMAN,1972). De acordo com Schudson,1 (1978, p.122 apud TRAQUINA,1988, p.168), “com a ideologia da objetividade, os jornalistas substituíram uma fé simples nos fatos por uma fidelidade as regras e procedimentos criados para um mundo no qual até os fatos eram postos em dúvidas”. 1

SCHUDSON,Michael.Discovering the news.New York: Basic books, 1978.


Hoje, as novas definições sobre os conceitos e as práticas da objetividade no jornalismo fazem repensar seu caráter mítico e inviável. Depois disso, precisa-se considerar que o “fim último dos jornalistas” a ser alcançado, deixou de ser a objetividade e passou a ser a “honestidade da expressão da subjetividade” (DICIONÁRIO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO, 2000). Mesmo assim a objetividade é utilizada para “salvaguardar” a prática do jornalismo como forma de alcançar a representação fidedigna dos fatos. Quando um jornalista usa as aspas numa declaração de outrem, ele automaticamente pretende retirar sua opinião da discussão proposta, alcançando assim a objetividade. Ao fornecer a matéria citações de outras pessoas para justificar um determinado ponto de vista, o profissional da comunicação realiza um trabalho subjetivo que, por muitas vezes, pode expressar sua própria opinião sobre o tema. (TUCHMAN,1972, p.81). O mito da objetividade ainda faz parte dos processos de construção das notícias e integra o dia a dia de jornalistas nas variadas redações. De fato, um conceito mais rico para se compreender como se elaboram as notícias pode ser o enquadramento, que será discutido a seguir. 3. Enquadramento: a notícia em perspectiva Este artigo prioriza a noção de enquadramento de Carvalho (2009), com base nos estudos de Goffman (1974) e Tuchman (1978), definindo o enquadramento como uma prática jornalística de analise de interpretação de um determinado acontecimento, considerando o contexto social que a noticia está inserida, uma busca em construir um sentido correspondente ao real dentro das práticas jornalísticas. Este artigo pretende analisar o conceito a fim de adequar o enquadramento na produção do sentido do real papel do jornalismo na construção social. “Por essa razão, tomaremos o jornalismo e os seus operadores como atores sociais em interação” (Carvalho,2009,p.2) Segundo Carvalho (2009), o enquadramento é uma prática jornalística recorrente nos meios de comunicação e consiste nos modos como as notícias são enquadradas pelo jornalista a partir de referências, tornando assim as narrativas inteligíveis aos leitores. O


enquadramento baseia- se em “quadros de referência” 2, ou seja, em como a matéria deve ser compreendida de acordo com um ponto de vista determinado, dentre várias outras possibilidades de compreensão. No âmbito jornalístico, essa pratica é capaz de tornar compreensível a perspectiva de certos jornais quanto a pensamentos ideológicos dominantes e na manutenção do status quo. O enquadramento não corresponde apenas a um conceito tecnicista, mas sim a uma conjuntura de ocorrências e definições que não só correspondem a termos técnicos ou práticos dentro dos ambientes corporativos da empresa de comunicação (CARVALHO, 2009). De acordo com Hall et al. (1974), no enquadramento,o processo de criação de significados dentro de uma matéria também constitui e ajuda a construir um consenso na sociedade que está inserida. No processo denominado enquadramento, procura-se encontrar esse “consenso social”. Supõe- se que todos nós, pertencentes à mesma sociedade, sabemos usar esse enquadramento fornecido pelos media, no qual todos os grupos sociais e públicos dividem da mesma opinião (HALL et al,1974). Desse modo, o jornalismo não espelha a realidade, mas sim ajuda a construir os signos que definem a construção do real. Ele é também parte integrante da sociedade, na participação da compreensão da realidade, que se dá por meio do enquadramento. “Está neste processo a especificidade da sua participação nas dinâmicas de construção social da realidade” (CARVALHO, 2009, p.3). No processo que consiste em produzir a noticia e suas narrativas peculiares, o enquadramento pode ser entendido como um processo que perpassa os conceitos técnicos ou teóricos. De acordo com Carvalho (2009), a partir do enquadramento, pode-se entender os valores subjetivos impressos pelo veiculo ou pelo profissional. Para o autor, esse procedimento, que aparenta certa simplicidade, pode revelar muito sobre a linha editorial seguida pelo jornal e das ideologias presentes nas matérias do veículo. O processo de construir uma notícia como algo compreensível é também um processo que tem correlação social, constituído de práticas jornalísticas que compreendem a sociedade como ele é ou funciona. (HALL et al, 1974). A notícia é um produto que não está à parte da sociedade, não se mantém inerte aos acontecimentos sociais e nem pode ser entendida fora do contexto em que ela se encontra. “Enquanto o 2

GOFFMAN,Erving.Frame Analysis: los marcos de la experiencia Madri: Siglo XXI, 2006.


acontecimento cria a noticia, a noticia também cria o acontecimento” (TRAQUINA,1988, p.168). De acordo com Hall et al (1978), o processo que envolve a construção social de uma noticia esbarra no contexto em que ela é inserida, numa sociedade capitalista, os ideais dessa mesma sociedade são reproduzidos nas notícias. Em uma sociedade como a brasileira marcada pelo autoritarismo social (DAGNINO, 2004), os meios de comunicação tendem a repercutir essa forma de exclusão. Uma das maneiras de se reproduzir os valores dominantes nas notícias se dá por meio da escolha das fontes. “Os media não criam autonomamente as noticias; melhor estão dependentes de assuntos noticiosos específicos fornecidos por fontes institucionais regulares e credíveis” (HALL et al,1974, p.228). Essa dependência das fontes ditas oficiais resulta num enquadramento que privilegia o ideário dominante. Uma análise empírica sobre as matérias veiculadas no jornal “Estado de Minas” tende a revelar qual é o enquadramento utilizado nas matérias de um dos principais jornais do Estado de Minas Gerais. 4. Metodologia Este estudo procurou analisar como o jornal Estado de Minas promoveu o enquadramento de movimentos sociais - com especial atenção aos movimentos agrários em suas matérias da editoria de política presentes no caderno “Eleições”. Foram analisados 30 exemplares no período compreendido entre 13 de abril de 2010 até 13 de maio do mesmo ano. Para a confecção deste artigo foi fundamental a visita realizada pelos autores, no dia 29 de maio deste ano, ao assentamento da Comunidade Camilo Torres, localizada na região do Barreiro, em Belo Horizonte. A visita teve como intuito vivenciar e analisar a situação da comunidade, que representa uma parcela dos movimentos urbanos na cidade de Belo Horizonte e que, de certa maneira, representa de forma bem concreta o autoritarismo social a que estão submetidas largas parcelas da população no Brasil. A Comunidade Camilo Torres é um conjunto de assentamentos formado por um grupo de sem moradia. Atualmente, 142 famílias residem numa região com 11 mil metros quadrados na região do Barreiro. Desde 16 de fevereiro de 2008, a população sem teto


ocupa um terreno da Prefeitura de Belo Horizonte e enfrenta processos judiciais e ameaça de despejo do terreno onde está situada. A Camilo Torres é interligada a outros assentamentos, como a Ocupação Irmã Dorothy, também localizada no Barreiro, e a Ocupação Dandara, na região da Pampulha. Essas ocupações são organizadas pelas Brigadas Populares, movimento vinculado ao MST e a Pastoral da Terra. Todos esses movimentos ocupam áreas na região de Belo Horizonte e se denominam assentamentos rururbanos3. No mês de maio de 2010, as comunidades ligadas às Brigadas Populares realizaram uma passeata, que percorreu as principais vias de acesso ao centro de Belo Horizonte.

5. Análise das reportagens do jornal Estado de Minas Dos 30 exemplares analisados no caderno “Eleições” do Estado de Minas, foram selecionadas nove matérias que trouxeram ou deveriam trazer as falas de integrantes de movimentos sociais, em especial os agrários. A análise buscou desvendar como se deu a construção dos enquadramentos (quem e o que foi privilegiado, mas também quem e o que foi negligenciado) nessas matérias. A apresentação e análise de cada matéria segue uma ordem cronológica. a. “Campo pressiona candidatos”, publicada em 24 de abril de 2010. A matéria da jornalista Daniela Almeida trata da cobrança feita pelos produtores rurais de Uberaba, no Triângulo Mineiro, aos então pré-candidatos à Presidência da República. Foram levantadas questões apenas relacionadas às necessidades daqueles produtores rurais. A importância dada na matéria arrastou-se de maneira enfática para o terreno das cobranças em relação a uma postura segura por parte da União quanto a uma maior fiscalização e rigor contra as invasões no campo. O que se depreende da matéria é que o jornal enfatizou as principais cobranças do setor agropecuário. Foram colocadas fotos e ressaltados argumentos sobre os custos de produção, código florestal e tecnologia. No entanto, os movimentos agrários da 3

O conceito de rururbano é utilizado pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Teto para definir assentamentos localizados no perímetro urbano que possuem características agrícolas.


região não são chamados a expor seus pontos de vista ou interesses, não se configuraram como interlocutores legítimos dentro da matéria. Fala-se sobre eles (de forma crítica), mas eles não têm voz. O enquadramento construído na matéria, de certa forma, reverbera o “lugar social” destinado a esses movimentos sociais na sociedade brasileira: o da invisibilidade. b. “Serra desmente boatos”, publicada no dia 25 de abril de 2010. A matéria publicada pelos jornalistas Rizzo e Ivan Lunes mostra o então précandidato a presidência José Serra, defendendo incentivos fiscais na Amazônia e criticando a então pré-candidata Dilma Rousseff sobre licenciamentos de rodovias na região. O jornal ainda mostra uma foto, publicada pelo fotógrafo Paulo Figueiredo com Jose Serra em cima de um palanque, dando a perceber que está em franco debate na corrida eleitoral. O que se percebe da matéria é que foi dada demasiada importância às críticas diretas feitas por José Serra a Dilma Rousseff. Nesta matéria, o que destoou foram às críticas de um pré-candidato a outro. Tal fato corroborou para se desviar categoricamente do objetivo do encontro do pré-candidato José Serra com seguimentos interessados na questão da Amazônia. As demasiadas críticas tomaram o espaço das questões de difícil resolução quanto ao desmatamento da Amazônia. Não foram ouvidos os possíveis interlocutores da matéria, ou seja, os movimentos ambientalistas. Fora valorizado mais um ataque eleitoral que uma discussão sobre melhorias na região. c.

“Dia de Gravação e de muito segredo”, publicada em 28 de abril de 2010. Na matéria realizada pelo jornalista Leonardo Augusto, cobria-se a então pré-

candidata do PT à presidência Dilma Rousseff em um assentamento de produtores rurais, em Brumadinho, Minas Gerais. O objetivo era gravar um programa de Governo que sairá a partir do segundo semestre no horário eleitoral gratuito. A matéria enfatizou que a candidata se irritou ao perceber carros de reportagens chegando ao local e que não soube responder quando foi questionada por uma


lavradora se o Governo Federal tinha algum programa para compensar reservas de mata nativa conservadas por trabalhadores rurais. Fora dada grande importância de como Dilma recebeu os questionamentos por parte de agricultores rurais e as reações da pré-candidata. No entanto, não foram entrevistados os próprios agricultores e moradores sobre o que estava ocorrendo e suas possíveis reivindicações. O jornal apenas analisou a reação da candidata, deixando de lado ou não ressaltando outras perguntas relevantes como incentivos ao produtor rural que conserva por sua própria iniciativa matas nativas. Tal fato poderia até mesmo ser o “gancho” da matéria. d. “Serra de novo na Bahia”, publicada em 28 de abril de 2010. Esta matéria trata da cobertura da viagem que o então pré-candidato Jose Serra fez a Salvador, Feira de Santana e Lagoinhas no estado da Bahia. Nestes encontros com lideranças do PSBD, o pré-candidato falou sobre a criação do Ministério da Segurança Pública e citou a pré-candidata do PT Dilma Rousseff como sendo contrária a esta criação. Foi ressaltado que o pré-candidato visitou o arcebispo Dom Itamar Viana em Feira de Santana e ganhou um artigo e mensagens contrárias às obras de transposição do Rio São Francisco. Percebe-se que o jornal, mais uma vez, enfatizou a agenda do pré-candidato não promovendo um debate com a população local. Não se pode esquecer a necessidade de uma maior segurança pública para os brasileiros, contudo, o que foi validado foi a opinião pessoal do pré-candidato a respeito da criação de um novo ministério. Sobre os questionamentos da transposição do Rio São Francisco, nada foi mencionado e, tão pouco, foram ouvidos os possíveis interlocutores e representantes de movimentos preocupados com a questão.

Denota-se exacerbada preocupação em continuar

mostrando ataques políticos e olvidam-se os movimentos sociais ligados à questão da transposição do Rio São Francisco. e.

“Dia de campanha explícita”, publicada em 30 de abril de 2010.

A matéria da jornalista Alanza Rizzo mostra os então pré-candidatos à Presidência da República Dilma Rousseff e José Serra em visita a maior feira de agronegócios do


país, que fica na cidade de Ribeirão Preto, no Estado de São Paulo. Fica claro a intenção por parte dos pré-candidatos de arrecadar votos dos agricultores e amenizar possíveis desavenças entre o setor e decisões um tanto quanto arbitrárias do Governo Federal em aumentar taxação de juros em relação às iniciativas do seguimento. A matéria relata a opinião dos dois pré-candidatos em relação ao MST que seria conforme colocado na matéria, “a pedra no sapato dos agricultores”. Da maneira como foram mencionados os fatos, Dilma Rousseff se posicionou contrária a qualquer tipo de violência por parte dos Movimentos Sem-terra e José Serra sequer os mencionou, citando apenas problemas e reivindicações dos agricultores. Foi recorrente a ausência de opinião dos representantes dos movimentos sociais relacionados a reforma agrária e questão de terra na matéria. Percebe-se ênfase à agenda dos candidatos e as roupas que eles estavam usando, sendo deixando de lado o debate com os representantes do MST, diminuídos em sua importância e sem direito a voz ao serem taxados categoricamente como “pedras no sapato dos agricultores” pela matéria. f.

“Palanque na festa do trabalhador”, publicada no dia 2 de maio de 2010. A matéria publicada pelo jornalista Ulisses Campbell mostra a participação do

Presidente da República Luís Inácio Lula da Silva, junto a primeira dama Marisa Letícia e a então pré-candidata Dilma Rousseff em festividade das centrais sindicais no Estado de São Paulo. Percebe-se pela matéria que o Presidente não perdeu a oportunidade para fazer campanha para a ex-ministra Dilma que ainda fez um discurso voltado para as mulheres trabalhadoras e para as conquistas de Lula na área trabalhista. A foto publicada por AFP/Nelson mostra os três de mãos dadas para o alto significando a união do partido e com a legenda “Vocês sabem quem eu quero (para presidente)”. Analisando todo o contexto da matéria, percebemos a falta de debate político, já que o jornal não se preocupou em saber a opinião de nenhuma representante da classe trabalhadora feminina ou movimentos relacionados. O que foi ressaltado foi apenas o discurso de Dilma.


g.

“Cobrança contra invasões”, publicada em 4 de maio de 2010. A matéria da jornalista Denise Rothenburg mostra participação dos précandidatos à presidência da república Dilma Rousseff e José Serra em um dos maiores eventos agropecuários do país que fica na cidade Uberaba, no triângulo mineiro. Foi ouvido o presidente da Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ), que cobrou a criação de um programa nacional para proteger propriedades agrícolas das ações de grupos do MST. O jornal colocou as declarações do pré-candidato José Serra favorável às demandas dos produtores rurais. Foi mencionado enfaticamente também, a não adesão por parte da então pré-candidata Dilma Rousseff a um abaixo-assinado proposto por empresários do setor do agronegócio que pleiteava ações do Governo de proteção às invasões de movimentos agrários brasileiros. Contata-se aqui, mais uma vez, a falta de debate político. A matéria não traz nenhum representante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra ao contexto, já que o MST é um dos interessados diretamente neste abaixo-assinado.

h. “Sonho da casa nova adiada”, publicada em 10 de maio de 2010. Na matéria do jornalista Leonardo Augusto, foi mostrado que a obra de urbanização da vila São José em Belo Horizonte está atrasada e com a previsão de término adiada para o ano de 2011. Nas informações contidas na matéria, foi mencionado que a obra seria inaugurada pelo presidente em novembro de 2010. Na matéria, aparece a foto de prédios inacabados, ruas sujas de entulhos e cercas. Há por parte da matéria um tom de denúncia, no entanto, a matéria apenas informa a situação da área citada e menciona vagamente possíveis períodos para conclusão das obras. O que chama a atenção é que nenhum morador da região citada, no caso os sem-teto, foram chamados para serem ouvidos. i.

“De olho nos votos dos evangélicos”, publicada no dia 2 de abril de 2010. O jornal publicou a matéria no caderno “política”, em retranca, mostrando a então

pré-candidata do PV Marina Silva em Ribeirão Preto, no interior paulista. Como foi


colocada a matéria, a pré-candidata afirma que o país precisa de uma democratização da posse da terra, sendo imperiosa uma distribuição de terras devolutas aos trabalhadores do campo. Outra ênfase dada foi o posicionamento da mesma quanto ao seu não apoio a movimentos rurais que extrapolam o estado de direito e invadem propriedades alheias. Não se ouve a opinião de representantes dos movimentos dos trabalhadores rurais que foram mais uma vez marginalizados e genericamente julgados, sem direito de defesa em face da matéria veiculada.


CONSIDERAÇÕES FINAIS Este artigo partiu do conceito de uma nova cidadania para entender o surgimento dos novos movimentos sociais brasileiros a partir da década de 80. Redefinindo essa nova cidadania e entendendo-a como conceito mais abrangente, pode-se considerar a significativa participação dos movimentos sociais na construção democrática do país – ainda marcado pela gramática de exclusão de um autoritarismo social que perpassa sua história. Movimentos como o MST lutam por mudar esse quadro, tendo como uma das principais reivindicações a reforma agrária. Esses novos atores sociais com suas demandas, no entanto, parecem não adentrar com a devida importância nas pautas diárias do caderno de político do jornal “Estado de Minas”, reflexo das contradições presentes na sociedade brasileira na qual a alguns se dá o direito à voz - as fontes oficiais - e a outros se busca impingir o silêncio. Como se viu, a história do país é marcada por uma luta constante de diferentes movimentos sociais para saírem do lugar no qual a elite busca confiná-los. Segundo análise deste artigo, os produtos midiáticos, em especial a notícia, devem ser entendidos não como meros produtos dos media, mas também como reverberações da sociedade em que se vive. Observa-se, portanto, que o conceito de objetividade, neutralidade e imparcialidade correspondem a conceitos um tanto quanto deturpados em face da prática jornalística. Esta mesma prática, em tese, deveria se carregada de um agudo senso ético. Porém, na prática diária, os produtos midiáticos são constituídos de pressões mercadológicas e interesses políticos e econômicos. Nesse jogo de pressões e contrapressões, constroem-se os enquadramentos. Assim, o enquadramento é mais do que um conceito técnico das práticas jornalísticas, na verdade, diz muito sobre questões de ideologia dos jornais e da sociedade em geral. Enquadramentos podem ser mais ou menos plurais, dar voz a poucos ou muitos atores sociais, trazer para as matérias a complexidade e dinamismo da vida social ou simplificá-la ao excluir a diferença e o confronto de interesses. Conforme analisado, observa-se que o jornal “Estado de Minas” reproduz o panorama da sociedade brasileira em conceder demasiado espaço em suas matérias para detentores do poderio econômico


e/ou político. A cobertura em seu caderno “Eleições”, no período selecionado, por exemplo, tende a seguir a agenda dos então pré-candidatos. Existe uma falta de aprofundamento nas discussões de relevância social em suas matérias no que se refere a grupos minoritários. Não se estimula o debate, o confronto dos diferentes pontos de vista no interior das notícias. A perspectiva dos movimentos sociais permanece invisível e, muitas vezes, os próprios movimentos sociais são invisíveis. Percebeu-se que os movimentos agrários, por exemplo, tornam-se presentes quando um pré-candidato à eleição 2010 é instigado por alguma reivindicação de algum grupo que se opõe a esses movimentos. Fala-se sobre o MST, mas não com o MST. À ausência de um interlocutor marginalizado socialmente corresponde a ênfase excessiva nas fontes oficiais - vistas como portadoras de maior credibilidade. Essa característica não é somente peculiar ao “Estado de Minas”, mas, como estudado, presente no modo de fazer jornalístico (HALL et al., 1978). Aqui, no Brasil, ganha contornos próprios devido ao histórico autoritarismo social. Dessa forma, o jornalista também não pode ser encarado com um profissional acima da sociedade ou alheio a ela, nem tão pouco como profissional desinteressado: é um ator social em constante interação com a sociedade. Também o jornalismo não pode ser visto como simples espelho da sociedade, já que também é parte constituinte dessa sociedade. Essas tensões por que perpassam tanto a sociedade brasileira quanto a prática jornalística podem ser esboçadas pelo par antinômico visibilidade/invisibildiade (um outro par que ilustraria bem essa dinâmica seria voz/silêncio). Considerando esse par, os autores deste artigo pensaram em trazer essa tensão para o ensaio fotográfico que compõe as atividades deste Trabalho Interdisciplinar. Baseando- se no conceito semiótico de “presença da ausência”, seis fotos buscam trazer as ambigüidades, tensões e contradições das relações entre os movimentos sociais - considerando aí a noção de nova cidadania - e os poderes e instituições da sociedade brasileira, em especial, a mineira - tendo como pano de fundo a idéia de autoritarismo social. Um ator, caracterizado na cor branca, cor essa que também se simboliza a ausência de cor, representa a ausência dos movimentos sociais Foram escolhidas as locações para foto de acordo com a importância política na cidade de Belo Horizonte e


em Minas Gerais. O ator representado nas fotos ĂŠ um signo para os Movimentos Sociais. Sem caracterizar nenhum, representa todos indistintamente.


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A (in)visibilidade dos movimentos sociais na cobertura das eleições 2010