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LECTORIUM ROSICRUCIANUM ESCOLA INTERNACIONAL DA ROSACRUZ ÁUREA TRABALHO PÚBLICO · CURSO DE INTRODUÇÃO MÓDULO 1 · TEMA 3

O AUTOCONHECIMENTO

É verdade! É certo! É a verdade toda! O que está embaixo é como o que está em cima, o que está em cima é como o que está embaixo, Para que os milagres do Uno se realizem. (Tabula Smaragdina, Hermes Trismegisto)

dito que, no antigo Egito, o caminho que levava o candidato até o templo da iniciação o conduzia inexoravelmente ante a Esfinge. Ali, ela o interrogava sobre seu passado, seu presente e seu futuro, perguntando-lhe: Homem, quem és?», De onde vens?» e Para onde vais?». Somente se o candidato demonstrasse conhecer os princípios básicos de si mesmo, ou seja, de sua dupla natureza, mortal e imortal, era-lhe permitido o acesso ao interior do santuário.

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Desde sempre, o autoconhecimento tem sido a chave de acesso às escolas de mistérios. Do mesmo modo que o carpinteiro pode levar a cabo seu trabalho (porque, como fruto de uma ampla aprendizagem, conhece suas ferramentas e a técnica adequada para seu uso), somente quem conhece a si mesmo pode prosseguir com êxito o desenvolvimento espiritual. Todavia, como já foi apontado, esse conhecimento não é um saber teórico, mas sim o fruto de um vasto caminho de experiências. Nesse caminho de crescimento contínuo, experiência e consciência caminham de mãos dadas. Somente quando há consciência pode-se falar em responsabilidade. Nesse sentido, ser responsável é responder às per­ guntas da Esfinge  que são formuladas por cada pessoa em algum momento da vida  e agir em conformidade com essas respostas. Um aspecto que já foi tratado na carta anterior é o princípio do «não-destino», ou dito de outra maneira, o princípio de causa e efeito. Ao longo da vida, as pessoas vão se conscientizando de que qualquer ato gera determinada conseqüência. Levando esse princípio um pouco mais adiante, também podemos dizer que qualquer conseqüência 1


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antecipada  ou seja, qualquer intenção ou expectativa  também ocasiona determinado estado de ser. Dissemos anteriormente que a queda é uma experiência que pode e deve ser considerada também no presente atual. Do mesmo modo, a lei de causa e efeito, conhecida como a lei do carma, somente adquire sentido quando o ser humano sabe que está colhendo, no presente, o fruto de suas ações passadas. Com base nesse estado de consciência, é possível percorrer o caminho que o libertará, pois liberdade e responsabilidade são conceitos que se explicam reciprocamente. Dito com outras palavras: passado e futuro confluem no presente e o constroem. E apenas é possível descobrir isso verdadeiramente com base em um novo estado de consciência. No último século, a humanidade foi confrontada fortemente com um fato inegável: a existência do invisível em cada pessoa. O ser humano não é tão dono e senhor de seus atos como pretendia. Seu inconsciente o subjuga! Assim, o autoconhecimento implica em levar à consciência tudo o que domina o ser humano; ou seja, ser consciente dos medos, das verdadeiras intenções, do velado egocentrismo. Mesmo que esse processo possa ter aspectos psicológicos, na realidade essa tomada integral de consciência apenas é possível com base no despertar do núcleo espiritual latente. Por que isso é assim? Por­ que o subconsciente é um tirano oculto, o dominador da personalidade. Sua existência surgiu no momento em que a consciência perdeu sua ligação com o Espírito original. O ser humano já foi chamado pelos gregos de microcosmo  que quer dizer «pequeno mundo». Seguindo o princípio hermético de correspondência «o que está em cima é como o que está embaixo», o microcosmo é um reflexo do macrocosmo. Assim como o cosmo apresenta duas possibilidades de manifestação – ou seja, duas naturezas (uma dialética, caracterizada pela alternância dos opostos, e outra original, que se explica pela eterna manifestação na luz de Deus)  também o ser humano apresenta essa dupla condição: mortal segundo sua natureza animal e imortal segundo seu núcleo espiritual latente. Talvez nos perguntemos por que motivo existe essa natureza dual no ser humano. A Escola da Rosacruz Áurea é clara a esse respeito: a personalidade natural, mortal, é fruto do plano de salvação para os microcosmos divinos, decaídos. O filho de Deus, tendo perdido sua capacidade de manifestação, necessita de um ser provisório que, em deter­ minado momento, se torne consciente de seu ser espiritual latente e, por meio de um processo alquímico de regeneração, permita o renascimento desse ser, adormecido em seu interior. Durante infinidades de encarnações, o átomo-centelha-do-espírito permanece à espera, como uma semente que necessita de solo e alimento adequados para crescer e mani­ festar sua capacidade. Essa semente é imortal: a morte da personalidade não a destrói. Mas o mesmo não acontece com a personalidade natural, formada dos materiais físicos e etéricos da natureza da morte. Após uma vida de experiências mais ou menos intensa, que pode durar algumas décadas, seguida da morte da personalidade e um tempo de 2


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assimilação e de repouso, o ser espiritual do microcosmo deve adotar outra personali­ dade e manifestar-se, novamente, neste mundo do espaço-tempo. Esse ciclo de vida e morte, de manifestação visível e de não-manifestação do microcosmo, é o que desde tempos remotos se conhece como a roda das encarnações ou a roda da vida e da morte. Cada encarnação, mediante a adoção de uma nova personalidade natural, oferece ao microcosmo uma nova oportunidade. A vida e o mundo são sua escola. Os conflitos, os sofrimentos e as alegrias deixam um peso de experiências que faz com que o ser humano, a personalidade, possa um dia escutar a voz que, desde um passado remoto, busca chamar sutilmente sua atenção. Como o leitor compreenderá, aqui não estamos falando nada novo. Afinal, o verdadeiro conhecimento não vem de fora. Todas as informações necessárias já existem no interior de cada um de nós. Somente é necessário redescobri-las, recuperá-las, relembrá-las. O leitor consegue sentir esse chamado interior? Tem o pressentimento de que é possível existir uma vida bem outra da que conhecemos, uma vida cuja essência não é varrida pelos ventos alternantes do tempo, mas que se desenvolve de glória em glória, de mag­ nificência em magnificência? Percebe que esta leitura pode ser, de alguma forma, um auxílio para ir ao encontro desse chamado interior? Então, é para esse leitor que a Escola da Rosacruz Áurea vem falar sobre um caminho de absoluta regeneração, de um novo nascimento! Latente no interior da terra, a semente recebe o alimento que lhe permite crescer, romper a casca que a encerra, e desabrochar na luz. Esse exemplo, mesmo que bem limitado, sempre foi o símbolo do nascimento do novo ser humano. A semente, adormecida no reino das trevas  a flor que deve desenvolver-se, a excelsa rosa imaculada  pertence ao reino da luz. E a ele deve retornar.

Atenciosamente, Seus amigos do Trabalho Público do LECTORIUM ROSICRUCIANUM Escola Internacional da Rosacruz Áurea

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