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Leitura de Bordo

www.taxicultura.com.br

Arrigo Barnabé Apaixonado pela metrópole, o compositor fala de sua trajetória e novos trabalhos

Museu de Arte Contemporânea Um dos maiores acervos da América Latina está de casa nova

Botecos

A mistura de charme e muito sabor

Piedade Edição 11

Um refúgio para quem quer escapar do cotidiano urbano, sem ter que ir tão longe


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TAXICULTURA|Novembro


EXPEDIENTE

Diretoria Adilson Souza de Araújo Davi Francisco da Silva Fábio Martucci Fornerón Isabella Basto Poernbacher (editora@portodasletras.com.br) Redação Editor Waldir Martins MTB 19.069 Edição de Arte Carolina Samora da Graça Mauro Bufano Projeto Editorial Editora Porto das Letras Reportagem Arnaldo Rocha, Estela Guerreiro, Marina Schmidt e Miro Gonçalves Colaboradores Fernanda Monteforte, Fernando Lemos, Adriana Scartaris e Mery Hellen Jacon Pelosi

Editorial

Fotografia Davi Francisco da Silva Revisão Naira Uehara

Cultura é para todos Talvez fique apenas no nível do imaginário o desejo de que um dia a população brasileira possa ter pleno acesso ao enorme acervo de cultura de excelente qualidade produzida no nosso país - seja na literatura, na dança, na música, nas artes plásticas e no cinema - sem ter que ficar restrita ao monopólio de programas de auditório e realitys shows sofríveis e deprimentes. Apesar da luta desigual, por vezes podemos comemorar algumas vitórias, como a mudança do Museu de Arte Contemporânea da USP para o Palácio da Agricultura, um edifício projetado por Oscar Niemayer e que até recentemente abrigava o Detran/SP. Realizada no final de janeiro, a mudança promete ampliar de forma significativa a interação do museu com o grande público, que passará a ter acesso mais amplo a um acervo que conta com mais de 10 mil obras, de artistas como Picasso, Matisse, Miró, Kandinsky, Modigliani, Calder, Braque, Henry Moore, Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Volpi, Flávio de Carvalho, Julio Plaza, Antonio Dias e Regina Silveira, entre tantos outros.

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Nesse processo de dar visibilidade à cultura de qualidade, realizamos nesta edição uma entrevista com o músico e arranjador Arrigo Barnabé. Dono de um trabalho de rara radicalidade dentro do contexto da MPB, Arrigo atualmente apresenta o Programa Supertônica, pela Rádio Cultura, e relata um pouco de sua trajetória e novos projetos em desenvolvimento. Em uma cidade onde o prazer da gastronomia por vezes assume o status de verdadeira arte, levamos aos leitores um breve roteiro com alternativas em que a simplicidade de bares e botecos se mistura com a sofisticação e estilo de chefs experimentados, resultando em espaços gourmet com diferentes comidinhas e bebidinhas de dar água na boca. E para quem deseja dar um tempo da loucura da nossa amada pauliceia, mas sem ter que ir muito longe, apresentamos a cidade de Piedade, onde além de esportes radicais os visitantes podem curtir o gosto da vida no campo seja realizando a colheita de caquis ou saboreando deliciosas alcachofras em diferentes formas e alternativas. Boa viagem e boa leitura! Os Editores

Diretor Fábio Martucci Fornerón Assessoria jurídica Paulo Henrique Ribeiro Floriano Comercial Suporte Administrativo Ana Maria S. Araújo Silva Bruna Donaire Bissi Assinaturas e mailling (assinatura@portodasletras.com.br) Impressão Wgráfica Tiragem 25.000 exemplares Distribuição Gratuita

TAXICULTURA é uma publicação da Editora Porto das Letras Ltda. Redação, publicidade, administração e correspondência: Rua do Bosque, 896, casa 24, CEP 01136-000. Barra Funda, São Paulo (SP). Telefone (11) 3392-1524, E-mail editora@portodasletras.com.br. Proibida a reprodução parcial ou total dos textos e das imagens desta publicação, exceto as imagens sob a licença do Creative Commons. As opiniões dos entrevistados publicadas nesta edição não expressam a opinião da revista. Os anúncios veiculados nessa revista são de inteira responsabilidade dos anunciantes.

Dezembro|TAXICULTURA

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SUMÁRIO | TAXICULTURA

06 Onde fica?

08 Especial

Trabalho, cultura e lazer

16 Capa

Arrigo Barnabé

USP

20 08 12 Agenda

Tecnologia Paulistanos Programe-se

36 32 28 30 32 São Paulo Tem Bandeira Livre 22 28 30 Beleza Piedade Agenda

42 Horizonde Vertical 44

Qualidade Bandeira de vida Teatro Drive-Thru Livre Charme e Tecnologia Beleza

Simplesmente óbvio

12 Tecnologia

14 Um Mundo Todo

Smart Window

Comida de boteco

28 30 Beleza Qualidade de vida 14 16 24 16 18 38 40 36 38 Morar Bem Mundo Cão 32 36 38

A hora do um cuidado São Paulo: mundo todo

São Paulo Oasis dentroTem de casa Morar Bem

Capa

AlicerceAgenda sólido

Qualidade de Vida

Bandeira LIvre

Morar BemIdentificação animal Mundo&Cia Capa

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A cidade imperdível

ESPAÇO LEITOR

Para nós, sua participação é fundamental. Para enviar suas críticas, elogios, sugestões ou comentários basta enviar um email para: leitor@taxicultura.com.br Assim que recebermos sua mensagem entraremos em contato para atender a sua solicitação.

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TAXICULTURA|Março

Além dos locais apresentados na matéria A cidade imperdível (Ed. 10) na agenda da revista impressa, seria legal que o site da revista pudesse manter uma agenda atualizada de eventos e atrações que a cidade oferece. Luciana Castro

Prezada Luciana, Agradecemos o seu contato e aproveitamos para informar que já realizamos esse trabalho de divulgação de eventos através do nosso endereço no facebook e estamos trabalhando para montar uma agenda semanal em nosso site, que a partir do mês de março poderá ser acessada no endereço: www.taxicultura.com.br. Atenciosamente, A redação


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Arrigo Barnabé Paulistano por opção e apaixonado pela metrópole, Arrigo Barnabé fala de sua trajetória e novos trabalhos

08 38 Museu de Arte

Contemporânea da USP

Um dos maiores acervos da América Latina está de casa nova e amplia os espaços para divulgação e ensino de arte na cidade

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Comida vegetariana Acredito que um dos grandes empecilhos para que as pessoas abandonem a carne e passem a fazer uma alimentação mais saudável é o mito que a comida vegetaria é sem gosto e sem sabor. Por isso achei muito legal a divulgação de diferentes alternativas existentes na cidade, dos mais simples e tradicionais, até outros com sofisticação e nível internacional. Reinaldo Rodrigues

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Nunc sollicitudin, nisl id curbibendum at placerat vitae, sus tempor, lorem dui conultricies et ipsum. Sed non Botecos: a mistura de sequat tellus, et placerat mi viverra lectus. Suspendisse Piedade charme muito sabor sit amet augue Estância sem sit amet quam. e Suspendlacus,Turística vitae de Piedade pode ser considerada um refúisse quam mauris venenatis ligula. Escolher o lugar para curtir o gio para quem quer escapar do happy hour ou fazer o esquenta cotidiano urbano, sem ter antes da balada é um desafio que que ir tão longe leva em conta um sem número de fatores e atrações

Abandono de animais Prezado Reinaldo, A proposta da TAXICULTURA é mostrar as diferentes alternativas que a cidade oferece nas mais variadas áreas e isso não é diferente na gastronomia. E não é à toa que a cidade desfruta do título de Capital Mundial da Gastronomia.

Atenciosamente, A redação

Inacreditável que as pessoas ainda tratem os animais como se fossem coisas e depois os descartem como se não tivessem qualquer valor ou significado. Seria importante a realização de uma grande campanha em nível nacional para conscientizar as pessoas para terminar com a violência contra os animais. Daniela Pereira

Prezada Daniela, Acreditamos que o trabalho de conscientização é uma prática de todo dia. Em nossa coluna sobre os pets buscamos oferecer informações que possam contribuir para a melhoria da qualidade de vida e pelo término de todas as violências contra todos os animais. Atenciosamente, A redação

Março|TAXICULTURA

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ONDE

FICA?

Trabalho, cultura e lazer Por Miro Gonçalves

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arquitetura impressiona pela ousadia, pelas cores e pelas formas. O complexo por si só já poderia ser considerado uma obra de arte, mas ele vai além: abriga um centro cultural com 7,5 mil m2 e sete salas para exposições, um setor educativo com quatro ateliês, espaço para seminários, área de documentação e um hall, com restaurante, livraria e loja. Mas isso tudo corresponde a apenas dois pavimentos do espaço, inaugurado em 2001.

No total são 65 mil m2, integrando trabalho, cultura e lazer em um único empreendimento. Uma das torres corresponde a um edifício de 22 andares e um heliponto. A outra, em forma de trapézio invertido, possui seis andares com equipamentos de tecnologia de última geração.

Davi Francisco

O projeto arquitetônico foi precedido por uma série de estudos e visitas a instituições culturais nacionais e internacionais. Fora isso, ainda foram realizadas pesquisas e inúmeros testes, tudo para que, ao final, as escolhas resultassem em um espaço agradável, onde a arte integra o ambiente, desde os desenhos internos até o instituto cultural que o complexo abriga. O arquiteto responsável pelo empreendimento foi premiado na 9ª Bienal de Arquitetura de Buenos Aires, em 2001.

Você sabia?

Davi Francisco

Os primeiros 10 leitores que identificarem a localização da foto acima ganharão um par de ingressos para o teatro.

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Sua resposta deverá ser enviada para o e-mail:

leitor@taxicultura.com.br

O complexo e o centro cultural homenageiam uma importante artista japonesa, naturalizada brasileira. O premiado arquiteto, responsável pelo empreendimento e um dos mais importantes profissionais do Brasil, é filho dela

O resultado sairá na próxima edição junto com os nomes dos ganhadores. Colosso do Vale Na edição passada, a TAXICULTURA mostrou o edifício Mirante do Vale ou Palácio Zarzur, considerado o prédio mais alto da cidade, com 51 andares, 170 metros de altura e 75 mil metros quadrados de área construída. O prédio está localizado no Vale do Anhangabaú, no centro de São Paulo.

GANHADORES Zete Amorim

Marivaldo Barbosa

Bruno Santos

Cassia Soares

Alexandre Pannia

Aline Silva

Madalena Curi

Marta Nascimento

Gilberto Carrascoza

Silvestre Paixão

TAXICULTURA|Março - Gostou da matéria? Você também a encontra em taxicultura.com.br


Dezembro|TAXICULTURA

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ESPECIAL Por Waldir Martins

Museu de Arte Contemporânea da USP Um dos maiores acervos da América Latina está de casa nova e amplia os espaços para divulgação e ensino de arte na cidade

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naugurado no último dia 28 de janeiro, o novo espaço do Museu de Arte Contemporânea da USP, o MAC-USP, abre importantes perspectivas para aquele que é um dos mais tradicionais museus da cidade de São Paulo, dono de um acervo composto por mais de 10 mil obras, entre pinturas, desenhos, gravuras, fotografias, esculturas, objetos e obras de arte conceitual e arte contemporânea. A relação de artistas inclui Picasso, Matisse, Miró, Kandinsky, Modigliani, Calder, Braque, Henry Moore, Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Volpi, Flávio de Carvalho, Julio Plaza, Antonio Dias e Regina Silveira, entre tantos outros. Projetado por Oscar Niemeyer no ano de 1954, o prédio, que até recentemente era ocupado pelo Detran/SP, está passando por uma total adaptação para receber as peças e contará ao final das reformas com um total de 23 mil m² de área expositiva. O espaço atende a uma antiga necessidade, que acompanha o MAC desde sua fundação, em 1963, de possuir uma sede maior. Antes de ocupar o seu novo espaço, o museu tinha disponibilidade para expor menos de 5% do seu acervo, o que dificultava em muito a realização de mostras permanentes. Situação que, segundo o curador Tadeu Chiarelli, deverá se alterar em pouco tempo. “A pretensão é que até o final de 2012 a nova sede do MAC-USP já esteja operando a todo vapor, isso se a Secretaria de Estado da Cultura não tiver problemas e consiga terminar os detalhes que faltam para a adaptação do edifício à sua função de museu”, ponderou Chiarelli. Idas e vindas A reforma no prédio começou em dezembro de 2008 e as dificuldades não foram poucas, a começar pelo processo de aprovação das alterações do projeto original, uma vez que a construção é tombada pelos órgãos do patrimônio histórico nas esferas municipal, estadual e federal. Aparentemente nada ficará de fora do processo de adaptação do prédio para sua nova função. Es-

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tão previstas obras nas instalações elétricas e hidráulicas, de ar-condicionado, modernização dos elevadores e instalações dos brises (quebra-sóis). Também serão construídas paredes expositivas e duas torres para escadas de segurança e de serviço. Além disso, o piso e a cobertura do prédio principal serão refeitos. Apesar das mudanças, ao término dos trabalhos, o edifício deverá manter as linhas traçadas por Niemeyer e, ao mesmo tempo, caracterizar-se como um museu inteiramente acessível, equipado com o que há de mais moderno em termos de tecnologia. Estrutura a serviço da arte O prédio principal tem o térreo destinado à recepção e às áreas de circulação e no mezanino, cafeteria. No 1º andar, há um auditório para 152 pessoas, salas multimídia e biblioteca. A área expositiva do museu irá ocupar do 2º ao 7º andar, além de áreas no térreo, onde hoje está instalada a exposição O Tridimensional no Acervo do MAC: Uma Antologia, e também no mezanino. No oitavo e último andar será instalado um restaurante, que irá oferecer uma vista panorâmica e privilegiada do Parque do Ibirapuera. Além do prédio principal, o anexo existente, com 3.271 m², já foi restaurado e adaptado para também receber exposições. Foram construídos ainda dois outros prédios anexos, um para reserva técnica e administração e outro para abrigar equipamentos, como geradores e ar-condicionado. Para o Secretário de Estado da Cultura, Andrea Matarazzo, a inauguração do novo espaço do MACUSP segue a filosofia de trabalho da secretaria de tornar a arte e a cultura acessível para toda a população. “O MAC-USP está agora em um espaço compatível com a importância do seu acervo e da sua história”, avalia Matarazzo. “Além disso, integra o polo cultural da região do Ibirapuera, que já conta com outros museus projetados por Niemeyer, como a Oca, o Museu de Arte Moderna e o Museu Afro Brasil.”

TAXICULTURA|Março - é leitura de bordo dos taxis paulistanos


ESPECIAL Divulgação

O Mac possui um acervo com mais de 10 mil obras entre pinturas, desenhos, gravuras, fotografias, esculturas e outros objetos

leitura de bordo dos taxis paulistanos - Março|TAXICULTURA

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ESPECIAL

Os espaços amplos e a iluminação bem cuidada permitem aos visitantes uma perfeita interação com as obras A primeira exposição Para marcar a abertura da nova sede, o museu, sob a curadoria de Chiarelli, montou a exposição O Tridimensional no Acervo do MAC: Uma Antologia, com 17 obras que ajudam a compreender a complexidade da arte entre os anos 1940 e o final dos anos 1990. Embora concisa - a exposição com dezoito obras ocupa apenas o térreo do edifício - a mostra apresenta a crise que atravessam as artes visuais, sobretudo a partir do final da Segunda Guerra, focando sua atenção no esfacelamento do conceito tradicional da escultura ocorrido nas últimas décadas. “Embora possua uma importante coleção de obras modernistas, brasileiras e internacionais, o MAC-USP é um museu cuja vocação primeira é preservar, estudar e divulgar a arte contemporânea. Foi neste sentido que, para a primeira exposição da nova sede, foi pensada uma que servisse como introdução às várias questões ligadas à produção atual”, explica Chiarelli.

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“Não tenho dúvidas de que o visitante, se percorrer a mostra com calma e ler o texto de apresentação, entrará em contato com vários dos problemas que atingem a produção artística contemporânea, brasileira e internacional, tornando-o mais familiarizado com a mesma e, portanto, preparado para usufruir de maneira mais produtiva as exposições que virão”, continua. Dentro dessa proposta, a mostra apresenta ao visitante trabalhos dos artistas Frida Baranek, Eduardo Climachauska e Paulo Climachauska, Sérvulo Esmeraldo, Carlos Fajardo, Carmela Gross, Liuba Wolf, Maria Martins, Cildo Meireles, Henry Moore, Ernesto Neto, Gustavo Rezende, Chihiro Shimotani, François Stahly, Sofu Teshigahara, Ângelo Venosa, Franz Weissmann e Haruhiko Yasuda. Além disso, ainda segundo Chiarelli, a mostra inaugural dá o tom de como o MAC-USP pretende propor a série de exposições, que terá o compromisso de com-

plementar a implantação do Museu. “Para os próximos meses está sendo preparada, pelo corpo de curadoras do MAC-USP, uma série de exposições dedicadas a artistas com forte representação no acervo: Rafael França, Julio Plaza, Leon Ferrari, José Antonio da Silva e Di Cavalcanti. Como se pode ver pelo elenco de nomes, o público terá a oportunidade de entrar em contato com obras de artistas brasileiros e internacionais, desde o modernismo até a atualidade, a partir de obras pertencentes ao acervo do museu”, destaca.

TAXICULTURA|Março - Seja gentil: deixe a revista a bordo para o próximo passageiro


ESPECIAL Um prédio que é uma atração A importância do novo espaço vai além de simplesmente abrigar o incrível e pouco conhecido acervo do MAC. Projetado por Niemeyer, o prédio, por si só, já provoca uma enorme mudança na percepção dos paulistanos em relação ao museu e suas obras, tornando-se ele próprio uma atração que termina por atrair inúmeros visitantes, inclusive aqueles que ainda não têm como hábito realizar visitas periódicas a museus. O casal formado pelo engenheiro mecânico César Gallagi e a farmacêutica Renata Rinaldi, moradores da Vila Mariana, estão entre os visitantes que, pela primeira vez, mobilizados pela beleza do prédio, decidiram realizar uma visita. “Fiquei surpreso com a reforma, realmente chama a atenção, quase tanto quanto a exposição”, declara Gallagi. “A beleza das formas, a iluminação, a acessibilidade, o resultado é um trabalho muito interessante mesmo”, pondera. Início promissor Na outra ponta, o artista Plástico Beto Paiva, que trabalha na área de cenografia e se caracteriza como um visitante contumaz de museus e espaços de cultura da cidade, observa que a adequação do MAC à sua nova sede se mostra muito promissora, mas ainda é preciso promover muitas melhorias: “Sempre frequentei o MAC e acho ótimo que ele passe a ter um espaço dele, com capacidade para ampliar suas atividades e exposições”. O cenógrafo se disse ainda bastante decepcionado com a exposição inaugural do espaço e algumas precariedades que identificou no local. “Pena que a inauguração não seja completa e que o prédio ainda apresente problemas como falta de estacionamento e todo o calçamento do entorno esteja em péssimas condições”, reclamou.

A exposição O Tridimensional no Acervo do MAC: Uma Antologia, apresenta 17 obras que ajudam a compreender a complexidade da arte entre os anos 1940 e o final dos anos 1990 Outra visitante que percorreu a exposição inaugural, a bióloga e escritora Martha Argel, também se divide entre uma expectativa muito positiva diante das enormes possibilidades que se abrem para o desenvolvimento de novas atividades no museu e certa decepção pelo fato do prédio ser inaugurado sem ter suas obras totalmente concluídas. “É um espaço incrível e muito promissor, com uma localização privilegiada e um prédio lindo. A amplidão do espaço ajuda a valorizar as peças, permitindo que você possa observar de longe; a iluminação está muito bem feita e com um excelente controle da temperatura. Mas a exposição deixa um pouco a desejar, com poucas peças e com o trabalho de reforma ainda em andamento. Espero que o restaurante do oitavo andar fique pronto logo, acho que vai ser muito bom almoçar por lá”, finaliza Argel.

A mostra inaugural dá o tom de como o MAC-USP pretende propor novas exposições

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TECNOLOGIA Por Fernando Lemos

Smart Window

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Divulgação

CES, a maior feira de tecnologia para consumidores, aconteceu nos Estados Unidos no início do ano e trouxe muitas novidades. Entre os destaques apontados pelos visitantes estava o SMART WINDOW, um dispositivo que está sendo chamado de janela do futuro.

De design arrojado, a proposta desse invento é substituir uma janela comum. Do lado externo, a janela se mostra transparente como uma janela normal e do lado interno, apesar de transparente e permitir a passagem de luz natural, vai agir também como um monitor, permitindo que o usuário assista a vídeos, veja fotos, e também navegue pela web. Na verdade, essa inovação é uma tela que vai contar com alguns widgets para ações simples como poder checar a previsão do tempo e até mais avançadas como acessar redes sociais e ler notícias. Como se trata de um gadget digital, quando o usuário quiser escurecer o ambiente, será possível fechar as cortinas virtuais e impedir a luz natural.

Dispositivo de substituição sensorial

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Um gadget chamado DISPOSITIVO DE SUBSTITUIÇÃO SENSORIAL foi desenvolvido para permitir que pessoas que perderam a visão possam enxergar novamente. O equipamento, com o formato de óculos, usa um algoritmo para traduzir dados visuais em efeitos sonoros, ativando o córtex visual de pessoas cegas, formulando imagens.

Fernando Lemos é estrategista de Tecnologia e idealizador do Projeto Tecnologia Para Todos palestras@tecnologiaparatodos.tc www.tecnologiaparatodos.tc www.facebook.com/tecnoparatodos

Divulgação

ma das grandes preocupações no universo da tecnologia sempre foi criar possibilidades que apoiem pessoas com necessidades especiais. No caso das visuais, o progresso sempre foi muito difícil. Mas agora, uma novidade muito importante está chegando ao mercado.

Com algum treinamento, pessoas com deficiências visuais poderão interpretar esses sons, permitindo identificar, por exemplo, sua localização, forma, posição de pessoas e objetos e até chegar ao ponto de conseguir a leitura de textos.

Divulgação

History Viewer

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Muitas vezes, quando estamos operando um PC, precisamos voltar para resgatar dados ou informações em algum site ou arquivo que utilizamos há pouco. Por isso é importante ter o histórico do que fazemos no PC. Nos browsers, a função favoritos armazena sites específicos, que escolhemos como mais importantes, mas não é um histórico de fato. Uma dica interessante é o aplicativo HISTORY VIEWER que, após ser instalado, faz aparecer um menu do lado esquerdo da tela onde você escolhe as opções histórico dos sites acessados ou dos arquivos abertos ou pesquisados. Após essa seleção, o históri-

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co aparece do lado direito da tela, o que possibilita a visualização de maneira organizada de tudo o que se tem feito. O HISTORY VIEWER trabalha com as informações que já estão armazenadas no sistema e, por isso, assim que você realizar a instalação poderá acessar todas as informações agrupadas em categorias, o que ajuda bastante. E na opção do histórico do computador, você passa a ter os documentos que acessou, caminhos de acesso e até pendrives ou unidades externas que foram conectadas nas portas USB. Uma ferramenta que ajuda muito a monitorar tudo que acontece em um PC, mas, de maneira simples e gratuita. Disponível para download em www.HISTORYVIEWER.net.

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SÃO PAULO

UM MUNDO TODO Por Estela Guerreiro Divulgação

O Bar Brahma, no famoso cruzamento da Ipiranga com a São João, oferece um cardápio repleto de clássicos acompanhado por um dos melhores chopes da cidade

Botecos: mistura de charme e muito sabor Escolher o lugar para curtir o happy hour ou fazer o esquenta antes da balada é um desafio que leva em conta um sem número de fatores e atrações

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a cidade de São Paulo, a variedade de bares e botecos é impressionante: são mais de 15 mil estabelecimentos à espera da animada galera que diariamente parte em busca de diversão, boa comida e bebida.

A onda de boa comida em bares invade as tardes e noites paulistanas

E as alternativas não deixam por menos, não importa se na Vila Madalena, no Itaim Bibi, na Vila Nova Conceição, no Centro ou no Tatuapé, e o paulistano sempre encontrará um boteco com diferentes atrações de cardápio, decoração, carta de vinhos e cervejas, para encontrar os amigos e curtir momentos de descontração. Veja a seguir alguns exemplos muito charmosos e cheios de sabor. Cervejaria Patriarca Com petiscos saborosos, a Cervejaria Patriarca se destaca por especialidades como a costela no bafo, o polvo à provençal e paninis feitos no forno a lenha com massa de pizza. A casa apresenta ainda outras atrações como as costeletas de porco grelhadas e o escondidinho à gaúcha com costelas assadas no bafo e desfia-

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das, servidas com creme de mandioquinha e gratinadas com Catupiry. Para beber, além de chope sempre gelado - vindo de duas chopeiras exclusivamente desenvolvidas para a casa - também é possível encontrar uma elaborada carta de drinques com clássicos internacionais e famosas criações 100% nacionais como o Caju Amigo e o Samba Berlim.

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SÃO PAULO

UM MUNDO TODO

Eu Tu Eles O bar segue uma proposta bem ao gosto do brasileiro: batidas, cervejas e churrasco servidos com excelência, em um clima descontraído e informal, porém acolhedor. O cardápio diversificado esbanja opções como pastéis misto e especial, escondidinho no rosti, bruschetas de tomate, manjericão e pesto, ou ainda um inesquecível caldinho de feijão. Um dos destaques da carta de bebidas é a seção de batidas, que reforçam o clima de descontração do ambiente. Entre as opções estão as batidas de kiwi e a de açaí. Para as caipirinhas, algumas boas escolhas são a caipirosca de laranja com maracujá e limão, a saqueirinha com uva e hortelã e a caipirosca de carambola com manjericão. Charles Edward Um dos mais tradicionais bares da cidade de São Paulo, o Charles Edward, com sua mistura de bar novaiorquino e pub inglês, mantém clientes fiéis desde sua abertura, em outubro de 1995, e ainda atrai as novas gerações por meio de sua programação noturna, com diversas bandas do cenário musical do pop e do rock que se apresentam no palco da casa. Forneria Melograno O nome da casa é uma justa homenagem ao vistoso pé de romã (melograno, em italiano) que se encontra no seu jardim. Combinando requinte com rusticidade, a Melograno oferece uma carta de cervejas com mais de 160 rótulos e um cardápio para saborear diferentes tipos de bolinhos e paninis – como o de feijão

recheado com calabresa, de abóbora, de mandioca ou de mortadela, entre muitos outros. Do seu forno a lenha saem todos os sanduíches, feitos com massa de pizza, além de pratos como a cebola recheada com quatro queijos (parmesão, mussarela, mussarela de búfala e gorgonzola).

cremoso, perfeito para acompanhar os petiscos do cardápio. A carta de bebidas oferece caipirinhas, coquetéis, doses e uma seleção de cachaças.

Onde beber e comer:

Bar Jordão

Cervejaria Patriarca

O cardápio do Jordão faz jus à concepção de boa comida em bares que invadiu a cidade, e explora cada vez mais a combinação de bebidas com deliciosas comidinhas.

Av. Hélio Pellegrino, 198 – Vila Nova Conceição www.cervejariapatriarca.com.br

Para atender essa demanda foram criadas receitas especiais como os canapés de gorgonzola no pão preto, com queijo gouda e mostarda escura; o queijo coalho com abacaxi e mel; a panelinha de polenta mole com shimeji e parmesão e o escondidinho de carne de panela.

Av. Faria Lima, 2902 – Itaim Bibi Tel.: 11 3071-4535 www.eutuelesbar.com.br

Na seção de chopes existe um leque de opções, mas o grande chamariz é a caneca servindo 510 ml de chope Brahma claro. Bar Brahma Centro No famoso cruzamento das avenidas Ipiranga e São João, o Bar Brahma é um verdadeiro ponto turístico na cidade de São Paulo. O cardápio é repleto de clássicos de botecos como a picanha servida na pedra com pão, farofa, vinagrete, bacon e o acebolado da casa; frango à passarinho, lula à dorê, entre outros. Uma atenção especial para o chope do bar, conhecido como um dos melhores da cidade, servido na temperatura ideal, com colarinho

Eu Tu Eles

Charles Edward Av. Pres. Juscelino Kubitschek, 1426 Itaim Bibi Tel.: 11 3079-2804 www.barcharles.com.br

Melograno Rua Aspicuelta, 436 – Vila Madalena Tel.: 11 3031-2921 www.melograno.com.br

Jordão Bar Rua Apucarana, 1452 – Tatuapé Tel.: 11 2671-0670 www.jordaobar.com.br

Bar Brahma Centro Av. São João, 677 – Centro Tel.: 11 3333-3030 www.barbrahma.com.br

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CAPA Davi Francisco

Por Waldir Martins

Arrigo Barnabé N

atural da cidade de Londrina, Universitário da TV Cultura com a música DiParaná, Arrigo Barnabé é um versões Eletrônicas. paulistano por opção que, da

mesma maneira, também foi aceito e acolhido pela cidade. Dono de um estilo arrojado e totalmente experimental, sofreu influências da vanguarda da música erudita clássica e contemporânea, MPB e rock’n’roll, adentrando a cena musical paulistana no final dos anos 70, quando venceu o Festival

Já em seu primeiro álbum, Clara Crocodilo, gravado em 1980, Arrigo mostrava um estilo eclético, com uma capacidade ímpar de traduzir a metrópole e seus impensáveis personagens. Inquieto, atua em diferentes frentes, compondo para cinema e teatro, além de participar como ator em diversos filmes. Se podemos dizer que a Rita Lee tem a cara de São Paulo, não resta dúvida que Arrigo Barnabé possui a alma da urbe paulistana.


Arrigo Barnabé: Olha, fui começar mesmo a me interessar por música junto com os festivais, quando aparecem músicas como Ponteio, Roda Viva, Domingo no Parque. Também nessa época eu conheci o trabalho do Claude Debussy [compositor francês do século XIX], quando o maestro João Carlos Martins ou o irmão dele, o José Eduardo, não lembro, foi a Londrina dar um curso sobre Debussy. Na época eu namorava uma menina cuja irmã era uma das pianistas desse curso. Então fui assistir o curso sobre Debussy e comecei a me interessar, pois eu já gostava muito de Bach, começava a entender Bach.

Em seus últimos trabalho Arrigo passou também a atuar como intérprete, cantando músicas de outros autores, o que não fazia no começo de sua carreira

TAXICULTURA:

Arrigo Barnabé:

Queria que você falasse um pouco de Londrina... quando você nasceu?

Não, não tinha nada especial. Minha mãe [Ida Fórgia Barnabé] era uma pessoa muito voltada para cultura, sabe? Ela lia demais e declamava também; era uma declamadora, declamava muito bem e sua formação foi apenas até o quarto ano primário. O pai dela, nessa época em que ela terminou o primário, perdeu tudo e, então, tiveram que se mudar para o Paraná. Lá ele virou charreteiro, que, de certa forma, é um taxista (risos). Depois ele comprou um Morris [Morris Garage, automóvel inglês], um Biribinha como a gente chamava, e aí era um táxi mesmo, que ele comprou e colocou no ponto da cidade. Ele continuou com a charrete e ficou aquele Morris com um preposto.

Arrigo Barnabé: Nasci em 1951. Em 14 de setembro de 1951, em Londrina, onde vivi até 1969, quando fui para Curitiba estudar. Em 1970 vim pra São Paulo, onde comecei a fazer arquitetura na FAU [Faculdade de Arquitetura da USP]. Depois entrei na ECA [Escola de Comunicações e Artes] para estudar música, mas também não concluí o curso. Fiquei na ECA até 1979, quando participei do Festival da TV Cultura, um festival universitário com uma divulgação intensa no meio universitário de São Paulo e também no meio musical, que todo mundo comentava. Era um festival sem vício nenhum, organizado pelo Eduardo Gudin e com júri formado por [Maurício] Kubrusli, Tom Zé, quer dizer, um pessoal com outra cabeça; eu acabei ganhando junto com a Regina Porto com a música Diversões Eletrônicas; depois consegui me classificar com a música Sabor de Veneno para o Festival da [TV] Tupi, um festival em nível nacional e que aconteceu no final do mesmo ano. A Neusa Pinheiro que cantou comigo ganhou como melhor intérprete e eu como melhor arranjo. No ano seguinte montei a banda Sabor de Veneno e comecei a fazer shows.

TAXICULTURA: Queria voltar para o começo: quando apareceu a música? Sua família tem músicos?

Nesse mesmo período estávamos eu e o Mário Lúcio, um amigo meu, falando que não existiam mulheres compositoras, que nenhuma mulher compunha; aí o Mário chegou um dia e disse: “Arrigo, descobri uma compositora: Béla Bartók” (risos). Aí eu liguei para Marta, que era a irmã da minha namorada e perguntei para ela: “Marta, você conhece essa compositora: Béla Bartók?” A Marta riu e disse: “Não! Isso é um homem. Isso é um nome húngaro, é masculino em húngaro. Estou estudando uma peça dele; se vierem aqui toco para vocês”. Nós fomos e ela tocou. Quando ela tocou senti um impacto, senti que aquilo ali, que alguma coisa naquele âmbito estético eu conseguiria fazer. Depois disso, escutando o disco branco do Caetano Veloso (1969), tinha uma faixa chamada Acrilírico, que era um negócio todo estranho e experimental, com sons gravados e tal. Quando eu ouvi aquilo eu falei: “Puxa, isso aí é demais!”

Nessa luta, minha mãe não pôde estudar, aprendeu corte e costura e virou costureira. Depois que se casou com o meu pai [Fagundes Barnabé], parou de costurar e ficou em casa. Ela queria que os filhos estudassem música, que tivessem uma formação artística. O Marcos, que era o mais velho, estudou desenho e violino, eu estudei piano e o Paulo, piano, depois violão e bateria. Antigamente isso era comum, principalmente porque não tinha televisão. Em Londrina, a televisão chegou quando eu já tinha quatorze anos. Então, você tinha outro tipo de vivência.

TAXICULTURA: Quando a música virou uma prioridade?

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CAPA TAXICULTURA: Quando veio para São Paulo?

Arrigo Barnabé: Eu já estava em São Paulo. Estudava na FAU e fui para o Festival de Inverno de Ouro Preto com alguns amigos; fiz um curso de piano e estava lá o Smetak [Anton Walter Smetak - músico suíço que viveu no Brasil a partir de 1937]. Ficávamos conversando até altas horas da noite. Aí tranquei a matrícula na FAU e voltei para Londrina. Foi quando conheci o Itamar Assumpção [compositor, cantor, instrumentista, arranjador e produtor musical brasileiro]. No ano seguinte, lá em Londrina, montamos um espetáculo chamado “Na boca do bode”, uma produção local que tinha o Itamar, eu (mas com participação bem pequena), tinha o meu irmão, o Paulinho que já tocava com o Itamar e com mais gente de lá, e outras pessoas como o Valter Guimarães e o Robson Borba, que depois produziu o Clara Crocodilo comigo. Depois participei de um festival universitário de lá também, com a Neuza Pinheiro cantando, e ganhei como melhor intérprete, melhor música, melhor arranjo e então comecei a pensar seriamente em fazer música.

TAXICULTURA: Seu trabalho tem uma relação intensa com a metrópole. Como você define a sua relação com São Paulo?

Arrigo Barnabé: Eu não sei...

TAXICULTURA: Ter vindo para São Paulo foi definitivo?

Arrigo Barnabé: Foi... nossa! Demorei a me acostumar aqui. Sei lá como se fala isso, é uma coisa... São Paulo é um lugar muito de solidão, você é sozinho aqui. Enquanto não tem um círculo, você é uma pessoa sozinha. O que aparece muito na minha música é essa solidão, eu acho. Nessa coisa frenética, um puta negócio frenético e você está sozinho. Os personagens da minha música são meio assim, pessoas sós em um universo completamente frenético.

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TAXICULTURA: Sua música é para músicos? Sua música é difícil? O que é música difícil?

Arrigo Barnabé: Eu acho o seguinte, tem músicas que você tem que entender a poética do cara, o universo estético do cara, se você não entende esse universo estético, você não entende porque ele é legal. Tem que ficar ouvindo, ouvindo, ouvindo até que: “pô, peraí! Isso aqui é bacana!” Se você não entende o universo estético do artista, você não entra na obra, não entra na música.

que tem música daqui até aqui e o diretor quer uma música assim ou assado; você vai ter que, dentro daquilo que o cara quer, encontrar uma solução. Isso é gostoso de fazer. Mas eu faço tudo: dou aula, durante muito tempo eu dei aula, faço trilha, faço programa de rádio, o Supertônica, que já estou com ele há sete anos.

TAXICULTURA: Como pintou o Supertônica?

Na minha música tem um negócio que facilita muito, porque ela tem esse negócio frenético da cidade, agitado, pulsante, e, por outro lado, tem um negócio de teatro, meio de história em quadrinhos, uma narrativa. São pequenas peças em cena, quase como histórias em quadrinhos. Minha música está amarrada na dissonância e na assimetria rítmica. E essas dissonâncias são conduzidas e atraentes pela forma com que eu uso o ritmo, que dá esse lado frenético e pulsante. E esse ritmo não é uma coisa repetitiva, tem sempre uma surpresa, um negócio inesperado. Para quem não se dispõe a escutar um pouquinho é difícil, mas para quem se dispõe a ouvir, a pessoa entende o que estou fazendo.

TAXICULTURA: E como faz para sobreviver, Arrigo?

Arrigo Barnabé: (Gargalhadas) Olhe, eu faço de tudo. Pô, já pensei várias vezes em ser motorista de táxi, mas é que eu não dirijo (gargalhadas). Nos anos 70 e 80 eu me perguntava: “putz, como vou sobreviver?” Faço tudo, tudo o que aparece. Faço trilha de filme, faço música para teatro, dou aula...

TAXICULTURA: É diferente fazer música por encomenda?

Arrigo Barnabé: Muito. Muito diferente. Você tem um tema proposto pela pessoa. No caso de uma peça de teatro há uma determinada cena, tem toda uma coisa pronta e você vai entrar naquilo. Mas é gostoso. Por exemplo, um filme tem uma cena

Entre os inúmeros trabalhos realizados merecem destaque os trabalhos Clara Crocodilo, os Tubarões Voadores e a trilha sonora do filme Cidade Oculta

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CAPA TAXICULTURA: E entre os novos talentos, quem você aponta com um trabalho de qualidade?

Arrigo Barnabé: Entre os novos, eu acho o Kiko Dinucci muito legal. Esse é um cara muito interessante. Entre as meninas, uma que também faz coisas muito legais é a Andréia Dias, que é autora e escreve. Claro que há todas essas pessoas que já são famosas, como o Chico Cesar, o Carlos Careqa, o Zeca Baleiro, já reconhecidos. Tem mais gente, mas não me lembro agora. Isso na área da composição.

TAXICULTURA: Novos projetos?

Arrigo Barnabé:

Arrigo Barnabé: O Supertônica pintou por causa, se não me engano, do João Batista, que era diretor da Rádio Cultura, e do Clodoaldo Medina, que, na época, era diretor de ELM [Escola Livre de Música]. Eles estavam conversando sobre uma parceria entre a Rádio Cultura e a ELM e o Clodoaldo apresentou os nomes que ele tinha lá. Quando ele falou meu nome o João Batista disse: “Ah, eu quero o Arrigo, vamos fazer um programa com o Arrigo” e me chamaram e eu disse que queria muito fazer. Fizemos uma reunião e eu comecei a dizer como estava pensando o programa.

TAXICULTURA: Qual é o seu público no programa?

Arrigo Barnabé: É engraçado, porque no rádio tenho um público de pessoas mais velhas, diferente do que acontece nos shows. Mas tem uma audiência legal. Outro dia recebi um e-mail da filha do Tom Jobim, a Elizabete, falando que a gente deveria entrevistar o Paulinho Jobim. O Paulinho da Viola que também ouve o programa, me disse: “Ouvi seu programa. Ouço todo do-

mingo à noite lá no Rio”. No Rio de Janeiro ele é muito bem ouvido, também em Londrina e aqui em São Paulo. Também tem um pessoal mais novo que escuta, toda semana tem alguém me dizendo que escutou o programa.

TAXICULTURA: Quais suas referências na musica popular brasileira?

Arrigo Barnabé: Gosto muito dos caras antigos, muito. Gosto muito de Lupicínio Rodrigues. Gravei agora um DVD só com músicas dele. Acho demais! Dorival Caymmi também é o máximo. Alguns caras são pouco conhecidos, como o Pedro Caetano e o Claudionor Cruz, uma dupla, que fizeram várias coisas maravilhosas. J Cascata e Leonel Azevedo também fizeram várias coisas maravilhosas. Ah, o Ismael Silva, o Wilson Batista e o Noel Rosa, muita gente. Tem também o Nelson Cavaquinho e o Cartola, que foram redescobertos; esses caras foram demais! Tem muita gente boa. Eu gosto muito do período pré anos 50. Adoro o Orlando Silva. Eu tenho esse lado sentimental brasileiro.

Estou fazendo muita coisa, estou preparando um trabalho novo para lançar este ano. No final do ano passado eu lancei o DVD “Caixa de Ódio – O universo de Lupicínio Rodrigues”, mas está em litígio com a editora, porque para cobrir o valor que eles querem para autorizar, teríamos que pegar todo o dinheiro das vendas e dar tudo para eles. A produção é do Canal Brasil e a Casa de Francisca [teatro-restaurante, localizado na Rua José Maria Lisboa, 190 Jardim Paulista]. Também no ano passado participei como protagonista do filme “Nervos de Aço”, do Mauricio Capovilla, que deve ir para o Festival de Gramado; fiz uma pontinha no filme “A primeira missa” da cineasta Ana Carolina e estou com um projeto para fazer um outro filme com o João Batista de Andrade, que será um musical e vou fazer a trilha. Agora estou também muito numa área de intérprete, cantando músicas de outras pessoas, coisa que não fazia antes.

Dono de um estilo arrojado, Arrigo inovou ao trazer o dodecafonismo de Schöenberg para o universo da MPB

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AGENDA Março Divulgação

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EVENTOS

A mega produção The Wall Um dos mais aguardados shows internacionais previstos para ocorrer este ano no Brasil é o do fundador e um dos principais compositores da banda Pink Floyd, Roger Waters. A concepção do espetáculo The Wall, apresentado por Waters no Brasil entre 25 de março e 3 de abril, é de autoria do próprio músico. A turnê passa por Porto Alegre (25/3), Rio de Janeiro (29/3) e São Paulo (1º e 3/4). Um muro, de 137 metros de largura e 11 metros de altura, dá forma ao telão que estará presente em cada um dos estádios onde as apresentações serão realizadas. Os efeitos especiais criados por Waters também vêm na bagagem.

A tão aguarda mostra individual do artista plástico Alberto Giacometti (1901–1966) é apresentada pela primeira vez no Brasil a partir de 24 de março na Pinacoteca do Estado. A exposição Alberto Giacometti: Coleção da Fondation Alberto et Annette Giacometti, Paris traz para São Paulo cerca de 280 trabalhos, sendo 80 esculturas de tamanhos variados, 40 pinturas, 80 trabalhos sobre papel, 56 fotografias e documentos. Considerado um dos mais importantes artistas do século 20, o suíço Giacometti ganha espaço de destaque na Pinacoteca, onde a exposição permanece até 17 de junho. Pinacoteca do Estado De 24 de março a 17 de junho Terça a domingo, das 10h às 18h Praça da Luz, 02 Tel.: 11 3324-1000

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Arquivo do Museu Arqueológico Nacional de Florença

Estádio do Morumbi Dias 1º de abril, às 19h30, e 3 de abril, às 21h Praça Roberto Gomes Pedrosa, nº 1 — Morumbi Ingressos: www.ticketsforfun.com.br Telefone para vendas: 4003 5588 (válido para todo o país), das 9h às 21h, segunda a sábado Bilheteria: Credicard Hall - diariamente, das 12h às 20h (Av. das Nações Unidas, 17.981 Santo Amaro – São Paulo/SP)

Giacometti na Pinacoteca

Visita aos Imperadores Romanos Até 22 de abril é possível conferir a exposição Roma – A Vida e os Imperadores, em cartaz no Museu de Arte de São Paulo (MASP). De Júlio Cesar à conquista dos continentes europeu, africano e asiático, os núcleos expositivos, divididos em quatro, retratam em ordem cronológica o processo de estabelecimento do Império até o seu apogeu. O acervo exposto saiu da Itália pela primeira vez, vindo de importantes instituições culturais italianas, como o Museu Arqueológico Nacional de Florença, o Museu Nacional Romano, o Museu Nacional de Nápoles, o Antiquário de Pompeia, o Museu Arqueológico de Fiesole e a Galeria Uffizi, e inaugura a programação do MASP no Momento Itália Brasil 2011-2012. MASP Até 22 de abril Avenida Paulista, 1578 Terças a domingos e feriados, das 11h às 18h Quintas, das 11h às 20h Tel.: 11 3251-5644 www.masp.art.br

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Família Addams O Brasil é o primeiro país, fora dos Estados Unidos, a fazer uma montagem para o musical A Família Addams, uma das produções mais bem sucedidas da Broadway, onde estreou em 2010. O espetáculo entra em cartaz em São Paulo a partir de 2 de março, no Teatro Abril, com Marisa Orth e Daniel Boaventura representando o casal Morticia e Gomez Addams. Quem completa o elenco são: Laura Lobo, como Wandinha; Nicholas Torres, no papel do filho Feioso; Iná de Carvalho é a Vovó Addams; Claudio Galvan é Fester; e Rogério Guedes faz o mordomo Lurch. A versão brasileira do musical é assinada por Claudio Botelho. Teatro Abril Estreia: 02 de março de 2012 Av. Brigadeiro Luís Antônio, 411 – Bela Vista Quintas e sextas, às 21h Sábados, às 17h e 21h Domingos, às 16h e 20h Vendas por telefone: 4003-5588 (válido para todo o país), das 9h às 21h, de segunda a sábado Vendas pela internet: www.ticketsforfun.com.br Site oficial: www.afamiliaaddams.com.br

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EVENTOS

A mostra fotográfica Ameaçados – Lugares em Risco no Século 21, do fotógrafo Érico Hiller, no Museu da Casa Brasileira, conta com 45 imagens, em grandes e médios formatos, e fica em cartaz até 25 de março. Entre os pontos ameaçados, as fotografias revelam o impacto do derretimento do manto de gelo groenlandês sobre o estilo de vida no Ártico. Dos lugares em risco neste século, talvez o caso mais emblemático seja o das Ilhas Maldivas, país mais baixo do mundo, que pode ser a primeira nação a ficar submersa pelo aumento no nível da água dos oceanos.

Baseado na biografia do cantor Tim Maia, escrita por Nelson Motta (que também assina o texto do espetáculo), o musical estreia em São Paulo neste mês, após temporada de sucesso no Rio de Janeiro. Com direção de João Fonseca e o jovem Tiago Abravanel (neto de Silvio Santos) como protagonista, a peça narra a trajetória do cantor em blocos temáticos. O espetáculo é conduzido de forma surpreendente pelo protagonista que, aos 24 anos, já conta com sete musicais no currículo. Fica em cartaz no Teatro Procópio Ferreira até junho. Teatro Procópio Ferreira De 9 de março a 24 de junho Rua Augusta, 2823 Tel.: 11 3083-4475 Bilheteria: 14h às 19h (terças, quartas e domingos); 14h às 21h (quinta a sábado) http://timmaiaomusical.com.br

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Museu da Casa Brasileira Até 25 de março De terça a domingo, das 10h às 18h Av. Faria Lima, 2705 - Jardim Paulistano Tel.: 11 3032-3727 www.mcb.org.br

Tim Maia: Vale Tudo, o Musical

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Arte e consciência

SESC Belenzinho Até 29 de abril Terça a domingo R. Padre Adelino, 1000 – Belém Tel.: 11 2076-9700 www.sescsp.org.br Entrada franca

Índia! – Lado a Lado Com obras inéditas no Brasil, a exposição Índia! – Lado a Lado, em cartaz no SESC Belenzinho até 29 de abril, exibe o trabalho de 20 artistas indianos que vêm obtendo destaque no cenário internacional. Fotografias, esculturas, pinturas, vídeos e instalações revelam momentos distintos da cultura indiana ligados a questões históricas, sociais, econômicas e urbanísticas.

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Para lidar com o preconceito Está em cartaz, no Centro Cultural Banco do Brasil, a peça Filha, Mãe, Avó e Puta, adaptada do livro homônimo escrito pela ex-prostituta Gabriela Leite. A autora da obra é interpretada nos palcos por Alexia Deschamps, que revela ao público as aventuras e experiências da mulher, na época estudante universitária da USP, que decidiu se prostituir. Hoje, Gabriela Leite encabeça a luta para conquista de direitos e dignidade das prostitutas. Centro Cultural Banco do Brasil Até 19 de abril de 2012 Terça a quinta, às 20h Rua Álvares Penteado, 112 - Centro Tel.: 11 3113-3651/52

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EVENTOS

Quem quer ser Marilyn Monroe? Um mês é o tempo que os fãs da diva do cinema Marilyn Monroe (1926-1962) têm para conferir a exposição que chega ao Brasil após grande sucesso de público nos principais museus da Europa, Estados Unidos e Canadá. Em cartaz até 1º de Abril na Cinemateca Brasileira, Quero Ser Marilyn Monroe! celebra os 50 anos de morte da protagonista de “Os Homens Preferem as Louras” e “O Pecado Mora ao Lado”. Pinturas e fotografias completam a exposição, que conta com trabalhos de Andy Warhol, Allen Jones, Peter Blake e Henri Cartier-Bresson. No total, os visitantes podem ver 125 obras, entre elas a famosa imagem de Marilyn Monroe sobre as grades de ventilação do metrô.

O sertão no Museu Afro Brasil Este é o último mês para conferir, no Museu Afro Brasil, a exposição O sertão: da caatinga, dos santos, dos beatos e dos cabras da peste. Com curadoria de Emanoel Araújo, diretor executivo do museu, a mostra é um dos destaques na comemoração do sétimo aniversário da instituição. Composta por 800 obras, entre pinturas, esculturas, gravuras, roupas, fotografias, instalações e documentos, reproduz o universo do homem sertanejo. A exposição pode ser vista até 1º de abril.

Convite à viagem Uma mostra com mais de cem trabalhos de 45 artistas brasileiros inaugura a programação 2012 do Itaú Cultural. A exposição Convite à Viagem – Rumos Artes Visuais 2011/2013 tem curadoria de Agnaldo Farias e é resultado do último edital do programa Rumos Artes Visuais. O convite da instituição é para uma viagem pelo Brasil e por sua diversidade na produção de arte contemporânea, em todas as linguagens artísticas.

Itaú Cultural Até 22 de abril 2012 Terça a sexta, das 9h às 20h Sábado, domingo e feriado, das 11h às 20h Avenida Paulista, 149 – Paraíso Tel.: 11 2168-1777 www.itaucultural.org.br

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Museu Afro Brasil Até 1º de abril De terça a domingo, das 10h às 17h Av. Pedro Alvares Cabral, s/n - Pq. Ibirapuera Tel .: 11 3320-8900 Entrada gratuita www.museuafrobrasil.org.br

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Íris Helena

Ana Mokarze

Cinemateca Brasileira Até 1º de Abril Diariamente, das 10h às 22h Consultar programação de filmes em www.cinemateca.gov.br Largo Sen. Raul Cardoso, 207 – Vila Clementino Tel.: 11 3512-6111 Grátis

Uma semana para prestigiar o teatro ibero-Américano Entre 13 e 18 de março, a Fundação Memorial da América Latina realiza o 5º Festival Ibero-Américano de Teatro de São Paulo (Festibero). De terça-feira a domingo, com entrada franca, o público poderá conferir espetáculos como O Beijo no Asfalto, de Nelson Rodrigues, dirigida por Marco Antonio Braz, e peça espanhola Katastrophe, de Alex Serrano e Pau Palacios. Memorial da América Latina – Auditório Simón Bolívar De 12 a 18 de março Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664 - Barra Funda Tel.: 11 3823-4600 www.memorial.sp.gov.br Entrada gratuita

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Novembro|TAXICULTURA

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INFORMATIVO

Foi bonito!

Pedra Grande da Cantareira Nosso passeio à Serra da Cantareira, desafiando a lógica da meteorologia que previa um domingo chuvoso, teve clima ameno, excelente para a caminhada, e luminosidade na medida para ver, do alto, a imensa metrópole. Aliás, no corre-corre paulistano, às vezes a gente até esquece que no princípio, mais que o verbo, era a mata. E não percebemos que aqui mesmo no município, temos uma área como a Serra da Cantareira com sua Pedra Grande, que nos oferece diariamente, sem cobrar nada, um respiro a todos e a cada um de nós. Vale uma visita; vale uma reverência. Sempre.

Próxima Parada: Serra do Lopo – Extrema-MG

Programação

Março

Serra do Lopo – Extrema-MG

Dia 18/03/2012 | 08:00 hrs

Abril

Em Extrema-MG, a cerca 1h30min de São Paulo, a Serra do Lopo, se eleva majestosamente a 1.750 metros de altitude.

Maio

De seu ponto mais alto, o Pico do Lopo, tem-se uma privilegiada vista de 360 graus que abrange a Serra da Mantiqueira, vilas e cidades do entorno. A caminhada em si, na trilha que leva ao Pico do Lopo, dura cerca de 3 horas, com dificuldade baixa e que pode ser feita por qualquer pessoa que tenha disposição para participar e não tenha dificuldades de locomoção.

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Santos – SP Parque Estadual da Serra do Mar (EMAE)

Junho

São Luiz do Paraitinga

Julho

Campos do Jordão

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BELEZA Julio Kantovitz

Por Marina Schmidt

A hora do cuidado Aproveite o período do outono para recuperar sua pele dos excessos do verão e prepare-se para os rigores do inverno

T

rês meses de sol, praia e calor. Foi muito bom, mas o verão está acabando, deixando, em alguns casos, mais do que saudade. Algumas queixas em relação à pele são comuns depois deste período e agora é o momento de correr para sanar o prejuízo e prepará-la para os dias mais frios.

Marcas do verão

Ingestão de líquidos e aplicação de protetores solares ajudam a manter a pele sempre saudável, não importa em que estação do ano

“Após o verão, pode ser comum a ocorrência de micoses, causadas pelo calor e umidade, principalmente em áreas de dobras como virilha; bicho geográfico, resultado do contato com areia contaminada por fezes de cachorros, e também de brotoejas, decorrentes do entupimento das glândulas do suor pelo calor”, explica a dermatologista Lena Figueiredo, especialista em medicina estética e diretora do Instituto Brasileiro de Dermatologia e Estética Médica (Ibderma). “Além disso, pode haver uma piora da acne (espinhas), principalmente pelo uso de filtros solares oleosos, e aumento de man-

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chas na pele, pela falta de uso do protetor solar ou aplicação inadequada”, acrescenta. Mas não adianta colocar a culpa apenas no calor ou no sol, a melhor maneira de escapar desses problemas ainda é a prevenção. “O correto seria usar protetor solar e evitar exposição ao sol nos horários de maior incidência de radiação ultravioleta (UV), entre 10h e 16h”, explica a médica. Quem costuma perder a medida e exagerar na dose já deve conhecer bem pelo menos uma dessas situações. O consolo é que quando não há prevenção ainda é possível remediar. “No caso de queimaduras podem ser utilizadas loções calmantes”, sugere Lena. Já quando não há uniformidade do bronzeado, a saída é manter o uso do filtro solar e usar a base como aliada (alguns filtros já têm essa característica) ou, ainda, usar um bronzeador para igualar o tom de pele. Em casos extremos, é necessário consultar um médico, adverte Lena. “As manchas são tratadas com aplicação correta de protetor solar e

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BELEZA

clareadores de pele, que devem ser indicados por um dermatologista”.

utilizados sabonetes hidratantes e loções

Transição

emolientes, que formam uma barreira pro-

Entre o período mais quente para o mais frio do ano há uma trégua entre as temperaturas extremas, época ideal para recuperar a pele e iniciar a prevenção. Alguns cuidados devem ser mantidos por todo o ano e outros reforçados em épocas sazonais, como o verão e o inverno. O outono começa nesse mês e é importante conhecer o impacto do frio e como evitá-lo para manter a pele saudável. “No frio, a pele está mais propensa ao ressecamento e alergias resultantes dele”, alerta Lena. “Os vasinhos na pele, no caso de quem tem tendência a telangiectasias, podem dilatar e aumentar”. Aprenda a se proteger Em geral, para garantir uma pele bonita e saudável durante o ano todo, basta ingerir bastante água; consumir frutas, legumes e verduras; evitar exposição ao sol nos horários não recomendados, e usar filtro solar adequadamente. E atenção: esses cuidados devem ser mantidos sempre. “Embora a tendência seja sentirmos menos sede no frio e ingerirmos menos água, é importante manter o consumo de líquidos”, reforça.

Fora isso, no período do frio, “podem ser

tetora e evitam o ressecamento excessivo”, indica a médica. Para quem tem pele seca é necessário um pouco mais de cuidado, pois é durante os dias mais frios que a pele tende a ressecar mais. “Essas pessoas devem evitar banhos muito quentes ou prolongados, aumentar a ingestão de líquidos e a aplicação de hidratantes”, sugere. Além da prevenção contra os efeitos do frio, é possível, ainda, aproveitá-lo para melhorar o aspecto da pele. “O inverno é uma ótima época para utilizar ácidos que auxiliam a renovação celular e estimulam

tratamento e a prevenção de tais problemas”. Portanto, na hora de recorrer à farmácia ou aos cremes estéticos, é sempre recomendável conferir antes a opinião de um dermatologista, que saberá indicar qual é o melhor produto de acordo com cada tipo de pele.

a produção de colágeno. Porém, isso deve ser feito sob orientação e acompanhamento do dermatologista”. No consultório “O principal agente preventivo é o protetor solar, que evita manchas, envelhecimento precoce e, principalmente, o câncer da pele”, reforça Lena. “Mas se há flacidez, ressecamento, linhas de expressão, manchas ou oleosidade em excesso é importante consultar um dermatologista, pois

Rotina diária de cuidado • Beba bastante água • Consuma frutas, verduras e legumes • Evite a exposição ao sol entre 10h e 16h • Nos horários de maior intensidade, use protetor solar

ele indicará produtos adequados para o

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QUALIDADE

DE VIDA

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Por Fernanda Monteforte

Sólido alicerce para voar Não há como pensar em transformação, renovação e liberdade sem que esteja implícita a necessidade de mudança

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esde que nascemos até o final de nossas vidas, nossa estrutura fisiológica segue mudando a cada segundo. Seguindo esse exemplo que se processa no âmbito corporal, nossas emoções, percepções, intelecto e ações também precisam seguir esse natural mote de transformação.

Fernanda Monteforte é consultora de qualidade de vida e ministra aulas do Método DeRose Maiores informações: Tel.: 11 4125-6658 fernanda.monteforte@ metododerose.org

Nesse contexto, a atitude ética e responsável liberta e fomenta mudanças profundas. Sustentados por esse alicerce, conquistamos o poder interno necessário para alçar voo em Se um membro físico não é utilizado ele en- direção de nossos sonhos. fraquece. Da mesma maneira, uma emoção não Fácil e prazeroso gerenciada termina por inibir o potencial interMuitas vezes as pessoas se perdem em verdadeiros círculos no. O cérebro atrofia se não for estimulado. Até viciosos e não sabem como iniciar um processo de renovação mesmo a água, se ficar parada, apodrece. na própria vida. Uma boa sugestão é olhar para a ferramenta Por mais assustador que possa ser sair de uma mais básica que dispomos para fazer uma boa travessia na área de conforto e enfrentar novos desafios, in- vida: o nosso corpo. ternos e externos, nada pode ser pior do que Se estivermos atentos à nossa necessidade de mudança, alestagnar, ficar inerte, paralisado pelo medo ou, gumas práticas bem simples podem ser definitivas para que pior ainda, por preguiça, em um conformismo você descubra que isso pode ser bem mais fácil do que papernicioso. Mudar dá trabalho, exige esforço e rece, e também muito prazeroso. Aproveite. é preciso querer. A mudança cobra reflexão sobre o que somos e sobre o que queremos ser, o que realizamos em nossa vida até então e até onde pretendemos chegar, como estão os relacionamentos que construímos e como gostaríamos que estivessem. Requer cautela para planejar e estruturar as ações. Mais do que tudo, implica em muita predisposição e humildade para aprender. A ética como alicerce para qualquer mudança sustentável Quando pensamos em edificar qualquer construção, sabemos que é o alicerce que torna a obra sólida. O mais imponente edifício corre grandes riscos de desabar se estiver assentado numa base vulnerável.

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Na fronteira entre o eu e os outros pulsa o desejo de ser plenamente humano. É justamente nesse liame onde estão encerradas as maiores responsabilidades, e também, as melhores possibilidades de realização pessoal.

Dicas:

1. Desenvolva suas habilidades através da boa alimentação, boa forma e boa cabeça 2. Assuma a responsabilidade por suas escolhas, palavras e ações; é a única forma de conquistar autoconfiança que lhe traga prazer 3. Construa hábitos alinhados aos seus objetivos. Eles se tornarão grandes facilitadores para você convergir ações em resultados 4. Desenvolva estabilidade emocional e proatividade, torne-se responsável pelo seu próprio destino 5. Seja solidário e generoso, agregando sempre respeito e carinho em todas as relações humanas

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Novembro|TAXICULTURA

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BANDEIRA

LIVRE Por Marina Schmidt

Piedade: tão perto e tão longe de São Paulo A Estância Turística de Piedade é refúgio para quem quer escapar do cotidiano urbano, sem ter que ir tão longe

A

pesar da curta distância da Capital (100 km), as diferenças entre a vida na metrópole e o município de Piedade são nítidas. Não acredita? Pois, então, troque as compras do supermercado pela colheita; isso mesmo, basta experimentar o “Colha e Pague do Caqui Fuyu” para notar a diferença. Abra mão da correria diária por passeios no tranquilo Jardim Oriental ou caminhadas ao ar livre em áreas remanescentes de Mata Atlântica. Pronto! Em questão de minutos, você está em outro mundo.

capital paulista? Então, visite Piedade entre os meses de junho e julho para conferir o florescimento das Cerejeiras do Japão. Todos os anos, em julho, a comunidade japonesa promove a Festa da Cerejeira, que conta com comércio de artesanato, produtos da região e comida japonesa. Mas ao longo do ano todo é possível aproveitar a cidade.

Turismo rural e esportes radicais

Um exemplo é a propriedade de George Osako e sua esposa Regina, donos das Conservas Regina, e um dos mais importantes produtores de alcachofra da região. A marca surgiu de forma espontânea, baseada na receita caseira que, de tanto sucesso, começou a receber pedidos. A imigrante japonesa e seu marido investiram em uma cozinha industrial, sem perder o cuidado de estudar cada ingrediente agregado ao produto. Além da visita, os turistas também podem levar alcachofras in natura, conservas ou o botão de alcachofra no azeite.

Piedade é uma cidade com cerca de 52 mil habitantes. Mesmo não sendo um dos maiores municípios do Estado, é responsável por 30% do abastecimento de hortifruti da Grande São Paulo. Só por aí já dá para notar que ali a vida rural e o contato com a natureza são intensos, tornando possível realizar uma série de atividades, dos esportes mais radicais, como rapel e tirolesa, a visitas aos sítios da cidade. A essa altura você nem se lembra mais da Selva de Pedra. Localizada entre montanhas e abundante em rios e represas, Piedade oferece, além da paisagem verde, um clima ameno. Quer se sentir ainda mais distante da

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Visitar e saborear Um dos grandes destaques de Piedade é a alcachofra, que representa 90% da produção nacional. Para quem a aprecia, vale a pena visitar um dos quatro mil sítios da cidade, alguns dos quais oferecem ao turista a possibilidade de conhecer as plantações e o processo produtivo.

Além da alcachofra, Piedade é reconhecida pela diversidade de produtos cultivados, com destaque para o morango, o caqui e cogumelos das espécies shitake, shimeji e agaricus. A gastronomia, portanto, também não deixa a desejar. Nos restaurantes e pousadas da cidade, as opções de pratos preparados com alcachofra é grande, especialmente em setembro, quando ocorre o Roteiro Gastronômico da Alcachofra.

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Localizada entre montanhas e abundante em rios e represas, Piedade oferece paisagem verde e clima ameno

Anderson Bianchi

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BANDEIRA

LIVRE

As cerejeiras florescem entre os meses de junho e julho

Natureza nunca é demais As opções para quem quer curtir a natureza, longe das produções agropecuárias, também são variadas. Trilhas, rapel, tirolesa, arvorismo e incursões em grutas e cavernas, além da diversidade de rios e cachoeiras, fazem com que a viagem ganhe um pouco de aventura aliada a momentos de contemplação. No alto de uma pedra de granito com 20 metros de altura, uma casinha desponta como um alvo a ser alcançado, pelo menos, para os praticantes de montanhismo, trekking e rapel. Mas o ponto turístico também atrai pela beleza. Situado no bairro Ciríaco em frente a um vale, o alto da pedra proporciona uma vista privilegiada da cidade. Para quem curte o contato com o meio ambiente, um dos melhores lugares para visitar é o Horto Florestal, ideal para trilhas entre plantas nativas da Mata Atlântica e lagos. Além das 15 mil mudas de plantas cultivadas anualmente, há também uma pequena área para plantas medicinais. Cachoeiras e outras atrações Nos dias mais quentes, as cachoeiras

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figuram entre as atrações principais do município e arredores. A principal delas é a Cachoeira da Fumaça, cujo nome foi dado pelos próprios moradores da cidade por conta da impressão de que uma névoa encobre o local. Em meio a tantas opções verdes, uma se destaca: a árvore Paineira. Considerada o símbolo ecológico de Piedade, a árvore tem 250 anos e fica bem no centro da cidade, um dos principais pontos de encontro e de lazer dos habitantes. Outros pontos turísticos que não devem passar batido na visita são o Mirante do Cruzeiro e a Pedra do Elefante. Conhecido como “Cruzeirão”, o mirante fica em um dos pontos mais altos da cidade, de onde se avista boa parte de Piedade. Já a Pedra do Elefante, a 2,5 km do centro, é referência da cidade porque a formação rochosa se assemelha ao formato de um elefante. Comer, meditar e descansar Piedade, no entanto, pede um pouco menos de agito do turista. Claro que os passeios, aventuras e lazer não devem

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BANDEIRA

LIVRE

ser deixados de lado, mas a tranquilidade também merece ser exercitada. E, talvez, resida aí o segredo e a grande vantagem da viagem. Afinal, paz e silêncio são fundamentais para recarregar as energias. Tanto é assim que um espaço para meditação também integra a diversificada gama de pontos turísticos da cidade: o Jardim Oriental. O ambiente fica dentro da Igreja Messiânica, a 18 km do centro, e é ideal para a busca de paz em contato com a natureza. Quer agregar um pouco mais à viagem? Então, prove os sabores e o visual do restaurante Estação Boca do Monte. Uma estação ferroviária dá a cara do lugar, onde é possível comer tanto dentro do trem, nos trilhos, como na estação. A boa comida é o atrativo principal, é claro, mas a arte não fica de lado. O espaço, idealizado pelo artista plástico gaúcho Paulo de Andrade, possui um acervo permanente de esculturas, telas e ilustrações. Um mergulho na tranquilidade E para não sair do clima nem mesmo na hora de dormir, a dica é a hospedagem no Ronco do Bugio, lugar que concentra boa gastronomia e lazer em um ambiente rústico e sustentável, com o uso de materiais de demolição vindos de antigas fazendas de Minas Gerais ou das casas de tropeiros paulistas, que relembram parte da história colonial do país. Mas nem por isso o conforto é deixado de lado. Além de quartos bem equipados, o espaço possui piscina natural com dois decks, sauna, sala de fitness e de jogos, espaço terapêutico e DVDteca, além da oferta de passeios que podem ser contratados na chegada. O destaque, claro, vai para o espaço terapêutico, inspirado nos fundamentos da filosofia oriental e da tradicional medicina chinesa. Luz e ambiente naturais fazem com que as massagens e os banhos, realizados por equipe qualificada, ganhem um toque a mais. A opção de estadia acaba se mostrando uma extensão confortável do contato com a natureza. Pertinho da capital, Piedade parece um mundo bem distante de São Paulo.

Alternativas para curtir Piedade Ronco do Bugio – Pouso e Gastronomia Tel.: 11 8259-7788 | 15 3299-8600 www.roncodobugio.com.br Restaurante Boca do Monte Tel.: 15 3244-1699 www.estacaobocadomonte.com Conservas Regina – propriedade de George Osako Tel.: 15 3299-4242 www.conservasregina.com.br Passeios – Agência Sem Fronteiras Tel.: 15 3244-2513

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Divulgação

SP

TEM

Por Arnaldo Rocha

Havia um teatro no meio do caminho

E

strategicamente disposta no meio do caminho como a pedra inesquecível de Drummond, a cabine convida para uma experiência diferente, expressa e intensa. Lá dentro, separados por uma divisória de acrílico, ator e expectador se observam. Aqueles poucos minutos que compartilham só fazem sentido porque um está diante do outro. Eles trocam olhares, experiências e sentimentos. Não serão mais os mesmos depois daquele momento.

De que a arte tem um poder transformador ninguém duvida, mas encenar um monólogo para um único expectador em cinco minutos é realmente novidade. E a Cia. Teatro Enlatado é a criadora dessa inovação. Há três anos, o grupo montou a cabine Drive-Thru pela primeira vez, na Praça Roosevelt, e conquistou o público. Depois disso, o Drive não saiu mais de cena e passou a rodar o país. “E se a gente colocasse o público dentro da peça? Porque é basicamente isso que acontece. Não tem como ser passivo”, relata Maíra de Grandi, uma das idealizadoras do projeto e integrante do elenco. “O mais legal é falar para um público que não costuma frequentar teatro”, afirma, atestando que o Drive-Thru acabou tornando-se um formador de público.

mas essa ideia perdura só até a apresentação. Na chegada, o cliente-expectador encontra um menu com as opções de monólogos disponíveis. Até aí, a oferta do serviço é feita de maneira comum. “Bem vindo ao Drive-Thru, o único serviço de teatro expresso do Brasil e do mundo”, e você já está embarcando em algo novo. A expectativa aumenta dentro da cabine escura e, de repente, a luz se acende. Nada mais será como antes. O serviço fast food se dissolve na medida em que o texto avança. “O Drive é uma porta no meio do caos”, afirma Maíra. Ao abrir essa porta, há o impacto do olho no olho e os sentimentos são colocados à prova. “Os temas abordados são questões pertinentes, como a morte, a solidão, entre outros”, detalha a atriz.

Não deixa de ser algo rápido, expresso, talvez mais rápido do que o atendimento nos drive-thrus das redes de comida fast food. Mas, ao apagar da luz, ao fim daquela breve relação entre o ator e seu único expectador, fica a certeza de que ali aconteceu algo que não acontece o tempo todo ou em qualquer lugar. É, talvez, como deparar-se com uma pedra no meio do caminho, que surpreende até as retinas fatigadas de um nobre poeta. Saiba onde o Drive-Thru está: www.prontoparaconsumo. blogspot.com.br Elenco: Fernanda Mandagara Maíra De Grandi Mariana Mantovani Marcio Bueno Dias

“Não recebemos crítica”, destaca a idealizadora. “A gente tem um público que acompanha o nosso blog para saber onde vamos estar. Eles não só assistem aos monólogos, como também gostam de acompanhar o movimento das pessoas que entram na cabine e ver como elas saem modificadas dali”.

Estilo fast food, mas é intimista A estética, as cores e a abordagem lembram muito o serviço das redes de fast food,

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Novembro|TAXICULTURA

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MORAR

BEM

Carlos Torres

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Por Adriana Scartaris

Banheiros

Aprenda a fugir da mesmice e desfrute um verdadeiro oásis dentro de casa

N

ormalmente colocados em segun-

tar e conforto que um projeto arquitetôni-

Um olhar atento poderá garantir mais praticidade, além de aumentar a sensação de espaço. Confira algumas sugestões para deixar o seu banheiro com o máximo de estilo, charme e conforto. Aproveite!

co pode oferecer.

Soluções para ampliar o espaço

do plano dentro de um trabalho de decoração, os banheiros são

fundamentais quando se pensa em bem-es-

Adriana Scartaris Designer desenvolve projetos de design de interiores aplicando técnicas acadêmicas e de terapias espaciais www.adrianascartaris.com.br

Independente de seu tamanho e formato, alguns cuidados podem transformar o seu banheiro em um verdadeiro refúgio onde você poderá desfrutar momentos de prazer e relaxamento, mesmo que possua um espaço reduzido.

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Espelhos sempre irão transferir ao projeto o resultado desejado quando a proposta é ampliar a sensação de espaço. Colocados de maneira estratégica, também trazem ao ambiente um ar sofisticado. Experimente grandes espelhos atrás da bancada da pia

TAXICULTURA|Março - Uma excelente leitura para você e para o próximo passageiro


MORAR

BEM

ou em meia parede com um imponente rodameio como acabamento. Apenas evite refletir o vaso sanitário para que fique mais elegante. Cores claras são outra opção interessante e de ótimos resultados. Se optar por uma parede com cor forte ou estampa, o ideal é que as demais paredes sejam neutras.

Para ampliar o espaço de circulação, uma solução é utilizar a cuba de semiencaixe, de modo a permitir uma bancada menos profunda. A aplicação de filme adesivo no box confere charme.

Banheiro com banheiras

A utilização de cromoterapia em banheiros e chuveiros tem conquistado tamanho sucesso, que já estão saindo direto de fábrica diversos acessórios para esse fim. Caso prefira uma solução mais simples e também charmosa para seu banheiro, instale sobre a banheira um embutido com lâmpada azul, que tenha acionamento independente das demais lâmpadas. A banheira cheia de espuma e apenas a luz azul acesa resulta em uma atmosfera super relaxante.

Banheiros com banheiras pedem atenção especial para que possam oferecer praticidade com conforto. Caso o espaço não seja suficiente para instalar banheira separada do box, o aconselhável é abrir mão da banheira e criar um box maior, pois não é nada prático utilizar chuveiros ou duchas dentro de banheiras, que dificulta muito a limpeza no dia a dia.

Para completar o clima, uma pequena tv pode ser instalada, adotando-se cuidados para evitar umidade e proteger o equipamento. Com muito espaço, o banheiro permite instalar banheira dupla, tv e uma grande bancada para a pia. Nas paredes porcelanato 120 x 60 com faixas em pastilhas de vidro e piso e acabamentos em marmoglass completam o projeto.

Paredes claras, espelho e bancada na parte superior do rodameio e cuba em vidro são alternativas que contribuem para tornar o conjunto mais leve. A parede abaixo do rodameio revestida em couro e o piso em porcelanato espanhol, padrão croco, conferem suntuosidade ao lavabo.

Aumentar o colorido Banheiros para adolescentes pedem aplicação de cor. Contudo é preciso que a intervenção seja realizada de modo adequado, cuidando de todos os detalhes para que o espaço continue leve visualmente. Várias são as paginações possíveis para aplicação de revestimentos coloridos como cerâmicas, pastilhas de vidro, mosaicos e outros. A base dos revestimentos deve ser neutra e lisa como cerâmicas e porcelanatos para um resultado harmonioso.

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MUNDO Por Dra. Mery Hellen Jacon Pelosi

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CÃO&CIA

Identificação Animal Obrigatória por lei na cidade de São Paulo, a identificação animal confere mais segurança e tranquilidade para os animais e seus donos

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o ano passado, ganhou destaque nacional a história do cão “Pimpoo”, tido como membro da família, extraviado no aeroporto durante um voo entre Porto Alegre e Vitória. O caso ganhou destaque na televisão, jornais e revistas. O animal permaneceu desaparecido por duas semanas, até ser encontrado e entregue à sua dona. No Brasil existem cerca de 82 milhões de animais de estimação, mas a grande maioria sofre de um grave problema: a falta de identificação. Registro Animal

Dra. Mery Hellen Jacon Pelosi Especialista em clínica médica e cirúrgica de pequenos animais, integra a equipe da Clínica Veterinária Estação Zoo Fone: 11 5084-6912 | 5083-6495 www.estacaozoo.com.br

Atualmente, existem duas formas de identificar o seu animal. A forma mais comum é a obtenção do Registro Geral Animal (RGA), um registro fornecido pelas prefeituras de algumas cidades. Na cidade de São Paulo, por exemplo, o RGA é obrigatório por lei, tanto para cães quanto para gatos. Para adquirir o RGA do seu animal, você deve procurar o Centro de Controle de Zoonoses ou estabelecimentos veterinários credenciados. O RGA é uma maneira eficiente para identificação do animal, pois é a sua carteira de identidade. O animal registrado recebe uma plaqueta com um número e deve usá-la permanentemente presa à coleira. O número do RGA do animal é único e permanente. Microchip Outra forma de identificação é o “Microchip”, um sistema moderno de identificação homologado não só no Brasil como em grande parte dos países. Do tamanho de um grão de arroz, o microchip é implantado nas costas do animal, sob a pele.

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O procedimento é simples e indolor. É como se o animal estivesse sendo vacinado. Uma seringa descartável, de calibre pequeno, introduz o chip, que dura por toda a sua vida. Nele há informações como sexo, idade, histórico de vacinas, dados do proprietário e castração. Assim que aplicado no animal, o número do microchip e os dados do animal são cadastrados em um banco de dados mundial. A base de dados é disponível para consulta via internet, facilitando a procura de animais perdidos e também a localização dos donos de animais encontrados. O cadastramento é rápido, simples e seguro. Na cidade de São Paulo, existe uma lei que garante a obrigatoriedade da implantação de microchip em animais que forem comercializados ou doados. Para implantar um microchip em seu animal você deve procurar por estabelecimentos veterinários que ofereçam o serviço. Fique atento! A aplicação do microchip em seu animal deve ser realizada por um médico veterinário devidamente registrado no Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV). Por lei, todos os cães e gatos encontrados nas ruas devem ser apreendidos. Se o animal estiver devidamente identificado, seja através da plaqueta com o número do RGA ou através de microchip, o proprietário é facilmente encontrado e chamado para retirá-lo. Lembre-se: não é raro encontrar animais perdidos sem nenhuma forma de localizar sua origem. Nem sempre o destino deles tem um final feliz. Com a identificação do seu animal, isso pode ser facilmente evitado.

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Crônicas de uma São Paulo que ninguém vê

HORIZONTE

VERTICAL

Texto: Ivan Forneron

SIMPLESMENTE ÓBVIO

(ou quando chove forte em São Paulo)

E

le riu quando lhe contaram que todo mundo, sem exceção, tem um sósia, alguém de aspecto físico bem semelhante a nós mesmos. Depois de rir, disse que sabia o que era um sósia e que não precisava explicar, mas foi interrompido quando o alertaram que mais do que a aparência física, era o idêntico da nossa personalidade, do nosso gesto, do nosso pensamento e da nossa atitude o que realmente nos aproxima desse sósia, e é por isso que a aparência física torna-se evidente, chegando mesmo a mudar de cor se for necessário.

nosso rosto parece uma metáfora e um enigma de formas iguais e diferentes que se dedica a esconder e a revelar nós para nós mesmos e para os outros

Aí ele desatou a rir e foi custoso voltar a esse pensamento sem que o deboche não participasse de qualquer consideração sua. Seu riso, no entanto, não escondia o medo que travestia todas as suas fugas, pois homem de fugas ele também era, daí o riso largo de dentes grandes procurando espantar o que cedo ou tarde ele já sabia que o arrastaria. O que o intrigou foi a ameaça do encontro: “Quando a gente encontra este outro eu, o tal do sósia, um dos dois se anula, pois o encontro de si é a morte do que era. O que nunca se sabe é quem fica e quem vai.” Achava mais engraçado ainda a última sentença e repetia pra si mesmo: “O que nunca se sabe é quem fica e quem vai.” Foi então que o outro, ou ele mesmo, começou a se aproximar sem que ele soubesse, apenas sentisse, uma vez que sua sombra denunciava aproximações inusitadas. Tornou-se comum, por exemplo, a reclamação de amigos que diziam que o haviam cumprimentado, fosse na rua ou em qualquer outro lugar, sem que ele retribuísse a saudação passando por orgulhoso, tendo sempre que se desculpar alegando que não era ele. Apesar de incômodo, a princípio não relacionava tais ocorrências com a tal história do sósia que, para ele, era tão só uma lenda e, portanto, fantasmagoria popular. Mesmo assim, os encontros desencontrados, ou desencontros que se encontram iam aumentando até fazer do seu riso de deboche um conjunto de rugas sérias que retesavam e alteravam os principais traços

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do seu rosto. Principiou a sentir um cheiro forte e estranho em si mesmo, e após confusões e horizontes chuvosos constatou ser o cheiro do grande e velho medo que dele se apropriava com domínio cruel e irrestrito. Suava, como se diz, em bicas, e também em tripas e em calafrios. Até mesmo sua voz começou a ficar úmida de tanto suor. Falava como débil, gaguejava e mergulhou, por fim, em desatino atrás de desatino. Começou a mentir, a mentir muito. Tosou a vasta cabeleira que tinha, fugindo em busca de uma piedade para a sua própria agonia. Por onde passava, deixava sua marca de dúvida e desgosto. Suas mãos frias adquiriram um aspecto gelatinoso e se debatiam em pontos de fuga e poças de ácido que as gotas do seu suor formavam nos transcorrer dos seus passos. As criaturas abjetas, mesmo elas, já recusavam um mero contato seu. Sabia de tudo sem pronunciar uma só palavra: era incrivelmente burro e inteligente ao mesmíssimo tempo, e 25 anos ele envelheceu num só. “Ah, desatino da dúvida que eu segui, mentira que eu bebi sem vomitar, mágoa que engendrei no mundo com o amor que me deram!” Ele repetia ao fim de cada dia, em feitio de mantramaldição e reza, e seu aspecto nem ele jamais sabia por tanta alma e espelhos em luto. Cada vez mais só no mundo, a sua mentira o vestia de verdade, e como companhia desde o café da manhã ele respirava a seu lado com a ofegância de um mamífero caçado. Uma última reflexão, já tardia, pois ele se decompunha, desvendou o simplesmente óbvio de que todo drama, na verdade, reside na indagação: quem é sósia de quem, quem é o original e quem a cópia? A ameaça de ser igual o incapacitou para saber o que era melhor ou pior, mas principalmente o orgulho e a vaidade em ser ou não ser o que queria ou o que não queria anteciparam uma cordilheira de abismo. Não querer ser parecido com o outro fez pesar a máscara forjada com tanta estupidez cega e existência reticente. Foi uma lástima. Disseram que era bonito.

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TAXICULTURA EDIÇÃO 11  

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