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Leitura de Bordo

www.taxicultura.com.br

Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira Cavernas, salões gigantes, cachoeiras, abismos, escaladas e mergulhos: o Alto Ribeira é a natureza em todo esplendor

Ivaldo Bertazzo A paixão pelo movimento e o trabalho de reedução corporal

Museu da Pessoa As histórias de vida como fonte de conhecimento, compreensão e conexão entre pessoas e povos Edição 08

Nem só de pão vivem as padarias Com cardápios variados as padarias se tornaram novos centros gastronômicos


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TAXICULTURA|Novembro


Novembro|TAXICULTURA

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EXPEDIENTE

Diretoria Adilson Souza de Araújo Davi Francisco da Silva Fábio Martucci Fornerón Isabella Basto Poernbacher (editora@portodasletras.com.br) Redação Editor Waldir Martins MTB 19.069 Edição de Arte Carolina Samora da Graça Mauro Bufano Projeto Editorial Editora Porto das Letras Reportagem Carolina Mendes, Daniele Tavares, Miro Gonçalves e Valéria Calixto Colaboradores Fernanda Monteforte, Fernando Lemos e Adriana Scartaris

Editorial

Fotografia Davi Francisco da Silva Fotografia de Capa Divulgação

A arte do movimento

Correria, estresse, barulho, agitação. Viver em São Paulo é expor o nosso corpo ao limite, dentro de uma rotina que vai nos impondo um inexorável processo de alienação. Para fazer frente a esse feroz embrutecimento e retomar ao menos em parte a nossa capacidade sensorial é preciso nos colocarmos em movimento. Especialista em reeducação do movimento, o coreógrafo Ivaldo Bertazzo falou para a TAXICULTURA sobre a sua trajetória desde a descoberta da paixão pela dança nos idos dos anos 60 até o desenvolvimento do Método Bertazzo, idealizado sobre o conceito de que é no corpo que se realizam as nossas transformações. Seguindo nessa linha de sensorialidade e descoberta, levamos aos nossos leitores as indescritíveis maravilhas presentes no Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira com suas quase incontáveis cavernas, dunas, cachoeiras e abismos capazes de tirar o fôlego de quem busca interagir com a natureza em todo esplendor.

Revisão Naira Uehara

Para quem deseja curtir a natureza sem sair da metrópole, fica a sugestão de ir conhecer um roteiro fascinante: o Núcleo Pedra Grande, uma área integrada ao Parque Estadual da Serra da Cantareira que é uma excelente opção para quem é adepto de trilha radical e deseja ter uma visão fascinante da cidade de São Paulo. De volta à nossa conhecida e desafiadora turbulência urbana, apresentamos um pouco da história de quem vive de registrar a história: o Museu da Pessoa. Idealizado por Karen Worcman, o museu trabalha com a proposta de transformar as histórias de vida de toda e qualquer pessoa em fonte de conhecimento, compreensão e conexão entre pessoas e povos. E ainda felicitamos todos os paulistanos pela reinauguração do Teatro Sérgio Cardoso, com a expectativa que o espaço possa voltar a cumprir o melhor da sua tradição e trazer para o paulistano os melhores espetáculos. Boa viagem e boa leitura! Os Editores

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Publicidade Diretor Fábio Martucci Fornerón Assessoria jurídica Paulo Henrique Ribeiro Floriano Comercial Suporte Administrativo Ana Maria S. Araújo Silva Bruna Donaire Bissi Assinaturas e mailling (assinatura@portodasletras.com.br) Impressão Wgráfica Tiragem 25.000 exemplares Distribuição Gratuita

TAXICULTURA é uma publicação da Editora Porto das Letras Ltda. Redação, publicidade, administração e correspondência: Rua do Bosque, 896, casa 24, CEP 01136-000. Barra Funda, São Paulo (SP). Telefone (11) 3392-1524, E-mail editora@portodasletras.com.br. Proibida a reprodução parcial ou total dos textos e das imagens desta publicação, exceto as imagens sob a licença do Creative Commons. As opiniões dos entrevistados publicadas nesta edição não expressam a opinião da revista. Os anúncios veiculados nessa revista são de inteira responsabilidade dos anunciantes.


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SUMÁRIO | TAXICULTURA

08

Onde fica?

28 22 42 44 Beleza

Agenda

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Paulistanos

30 28 Qualidade de vida Charme e Beleza

Horizonte vertical

ESPAÇO LEITOR

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Tecnologia

32 30 Capa

Tecnologia

48

Para nós, sua participação é fundamental. Para enviar suas críticas, elogios, sugestões ou comentários basta enviar um email para: leitor@taxicultura.com.br Assim que recebermos sua mensagem entraremos em contato para atender a sua solicitação.

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TAXICULTURA|Novembro

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São Paulo: um mundo todo

36 32

São Paulo Tem Morar Bem

20 16 38 36 Especial

Qualidade de Vida Morar Bem

Mundo&Cia

24 18 40 38

Agenda

Bandeira LIvre Mundo Cão

Capa


32 Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira

Cavernas, salões gigantes, dunas, cachoeiras, abismos de até 240 metros de profundidade, escaladas e mergulhos: o Alto Ribeira é a natureza em todo esplendor

10 38 Ivaldo Bertazzo

A paixão pelo movimento

16 46 Nem só de pão

vivem as padarias

22 22 Museu da Pessoa

O Museu da Pessoa transforma Nunc sollicitudin, nisl id curbibendum at placerat vitae, as histórias de vida de toda e Ivaldo Bertazzo falou para a TAXICULA procura permanente pelo sus tempor, lorem dui conultricies et ipsum. Sedpessoa non em fonte de qualquer TURA sobre a sua trajetória desde a máximo de praticidade e conforto sequat tellus, et placerat mi viverra lectus. Suspendissecompreensão e conhecimento, descoberta da paixão pela dança até também chegou às padarias. Além sem sit amet quam. Suspendsit amet augue lacus, vitaepessoas e povos conexão entre o desenvolvimento do Método Berde uma variedade imensa de pães, isse quam mauris venenatis ligula. tazzo, voltado para a reeducação da passaram a funcionar como verdaestrutura corporal e seu movimento deiros centros gastronômico

O cinema em Paulínia

Redação

Parques temáticos

Redação

Muito legal ver como o cinema nacional tem realizado filmes de mais qualidade. Ao mesmo tempo fico me perguntando se isso não é apenas um evento passageiro, resultado basicamente pela política cultural adotada pela cidade de Paulínia, no interior de São Paulo, como muito bem relatou a Bruna Lombardi em sua entrevista

Prezado Osvaldo,

O problema dos parques temáticos é que na alta temporada ficam tão lotados que as visitantes gastam horas apenas nas filas e não conseguem aproveitar boa parte das atrações. Seria importante que os administradores pudessem estabelecer um número de visitantes para evitar esses congestionamentos

Prezada Márcia,

Osvaldo Barbosa

Também louvamos o inegável progresso que as produções nacionais vem alcançando nos últimos anos. Também acreditamos que, de fato, muito desse momento positivo sem dúvida deve ser creditado ao polo cinematográfico de Paulínia. Contudo acre-ditamos também que em um futuro não muito distante poderemos comemorar a existência de uma indústria cinematográfica nacional forte e independente Atenciosamente, A redação

Márcia Ribeiro

Somos solidários com sua queixa e iremos encaminhá-las para os administradores dos parques que tratamos na nossa edição 08. Contudo, talvez a alternativa para evitar eventos e locais com grande aglomeração de pessoas seja organizar um calendário buscando ir a esses locais em datas onde o fluxo de pessoas seja menor Atenciosamente, A redação

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Davi Francisco

ONDE

FICA?

Uma nova ponte na cidade Por Valéria Calixto

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epois do sucesso que a ponte estaiada Octavio Frias de Oliveira obteve, ao ser alçada como um dos novos cartões postais da cidade, a Prefeitura e o Governo do Estado de São Paulo decidiram construir outro complexo viário utilizando a mesma tecnologia. Orçado em R$ 85 milhões, a nova ponte, que teve suas obras iniciadas em novembro de 2009 e inaugurada no dia 27 de julho deste ano, foi projetada para conferir mais facilidade a quem trafega por duas das principais avenidas da cidade que fazem a ligação da capital com o Grande ABC. A nova ponte possui 660 metros de extensão e um tabuleiro com mais de 15m de largura, sendo 12 metros de espaço destinado para a circulação de veículos, o que lhe confere capacidade para receber até 20 mil veículos por dia. Para atestar a sua total segurança e evitar problemas como os da ponte Rio – Niterói, que enfrentava oscilações que chegavam até 60 centímetros em dias com ventos superiores a 55k/h, o pilar central da nova ponte - com 55m de altura, onde estão fixados os 88 cabos de cor amarela que sustentam a pista - passou por rigorosos testes realizados por técnicos do Instituto de Pesquisas Tecnológicas da USP - IPT.

Você sabia?

Para realizar as análises experimentais da nova ponte foi construído, instrumentado e monitorado um modelo na escala 1:50m, sob coordenação da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo

Davi Francisco

Os primeiros 10 leitores que identificarem a localização da foto acima ganharão um par de ingressos para o teatro.

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Sua resposta deverá ser enviada para o e-mail:

leitor@taxicultura.com.br

O resultado sairá na próxima edição junto com os nomes dos ganhadores.

Refrescar a memória O desafio publicado na edição 07 da Revista TAXICULTURA se refere ao Obelisco da Ladeira da Memória, que é o primeiro monumento da cidade de São Paulo, um projeto do engenheiro Daniel Pedro Müller, finalizado no ano de 1814. Ao lado do obelisco, um painel de azulejos pintado por Wasth Rodrigues decora a sua fonte.

GANHADORES Neusa Romano

Durval Parada

Anailton Silva

Cristina M. Ferreira

Evanildo Victor Raposo

Juliana Silveira

Luiz Augusto Pires

Valeska Rister

Stephany Monteiro

Vera Sampaio

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PAULISTANOS Por Waldir Martins Divulgação

Ivaldo Bertazzo A paixão pelo movimento

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a descoberta da paixão pela dança aos 16 anos de idade, após assistir a um espetáculo no Teatro Municipal de São Paulo, ao mergulho nas mais variadas culturas do Oriente, em busca das diferentes formas do corpo humano e seu movimento, passando por países como Indonésia, Índia, Paquistão, Tailândia, Vietnã, Irã e muitos outros, Ivaldo Bertazzo é hoje uma referência que vai além da coreografia, da dança, do estudo do movimento ou da fisioterapia: ele trata da vida em movimento. Envolvido no trabalho de organizar seu próximo curso do Método Bertazzo, Ivaldo recebeu a equipe da TAXICULTURA e contou um pouco da sua trajetória e visão de mundo, onde o corpo assume um papel central, como a ferramenta primeira para encararmos com prazer e satisfação a nossa fascinante aventura terrena.


PAULISTANOS Fotos de Divulgação

TAXICULTURA: Onde é que você nasceu?

Ivaldo Bertazzo: Eu nasci em São Paulo, na Mooca, e morei em Interlagos durante a minha infância. Naquela época você podia entrar de bicicleta no autódromo, então minha mãe, algumas vezes, foi me arrancar aos tapas de lá, porque eu queria ficar andando de bicicleta o dia inteiro. Depois vim pro Brooklin, e, hoje, moro em Higienópolis; é uma verdadeira trajetória paulistana, não é? (Risos).

TAXICULTURA: Como é que a dança aconteceu na sua vida?

Ivaldo Bertazzo: É muito difícil ser preciso. Os meus tios que são sírio-libaneses eram obcecados, completamente doidos, por música clássica. E eles competiam, tinha discos, e todos nós éramos obrigados a tocar piano na família. Eu estou puxando isso porque acho que tem uma memória cultural; no domingo éramos obrigados a ouvir música clássica depois do almoço, mas a gente queria mesmo era fugir pra rua. De todo jeito, em alguma instância, isso criou uma relação, pelo menos pela escuta. Mas resolvi começar a estudar dança num impulso, quando fui ao Municipal com uma amiga assistir a um espetáculo de dança muito diferente e nós enlouquecemos. Ao sair dali disse: serei um bailarino! Nesse trajeto estudei com Tatiana Leskova, Paula Martins, Renée Gumiel, Ruth Rachou, Klauss Vianna e Marika Gidali. Só que, surpreendentemente, um dia, quando começo a dar aulas de dança pra sobreviver, sinto um grande barato: eu realmente não queria viver no palco; não era artista de palco ou intérprete. O meu barato era outro.

TAXICULTURA: Ter viajado muito e entrado em contato com diversas culturas foi fundamental para o seu trabalho?

Ivaldo Bertazzo: Importância total, porque conheci outras formas de organização corporal como a dança indiana com o uso das mãos e da face; o teatro balinês, da Indonésia, onde você tem o uso da máscara. São ações psicomotoras corporais muito distintas do jeito que o ocidental se mexe e serviram muito pra mim como professor. Por exemplo: na reeducação da mão, na Índia, pude aprender mudras, que são gestos que você realiza com as mãos e os dedos, e isso hoje se transforma em trabalhos de reeducação motora que usamos para lesões da mão. Eu digo que a utilidade disto foi extrema.

TAXICULTURA: De onde veio o conceito “Cidadão Dançante”?

Ivaldo Bertazzo: Por volta de 1974, quando ainda era a ditadura, nós queríamos criar uma expressão que fosse contrária à repressão. Existiam expressões que as pessoas criavam na música, nas artes

plásticas, mas na dança não havia nada, porque ela sofreu sempre essa rigidez do corpo, pois para subir num palco e dançar, você precisa ter corpo de bailarino - e verdadeiramente precisa - você precisa ter iniciado a dança aos 12 anos, porque tem um período como o dos atletas: aos 30 acaba. O que eu queria era uma manifestação amadora de qualquer pessoa: sua tia, seu primo, o seu avô, tudo no palco, democratizando um pouco a visão do corpo, seja ele gordo, magro, alto, redondo, azul, amarelo. A ideia era a construção coletiva de um espetáculo, todos trabalhando juntos desde a confecção de figurinos, cenários, conceitos de como seria o espetáculo, no brincar, no jogo... E isso foi muito importante. Fiz 34 anos de Cidadão Dançante. No começo, o público enlouquecia, se jogava no chão, lotava. Foi aí que eu fiz a minha fama, o meu nome, mas os dançarinos diziam: “mas que bando é esse lá no palco? O que significa isso?” Depois começaram a me copiar (risos).

leitura de bordo dos taxis paulistanos - Novembro|TAXICULTURA

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PAULISTANOS Fotos de Divulgação

Fotos de Divulgação

TAXICULTURA: Isso repercute no trabalho que realiza hoje?

Ivaldo Bertazzo: A minha grande preocupação é a seguinte: por questões de poluição, de barulho, falta de núcleo familiar, as pessoas prematuramente estão chegando a níveis neurológicos de desgaste. Nem sabemos muito quais são os fatores, que podem ser genéticos, emocionais, funcionais. Mas como eu me preparo no caso de surgir Parkinson, Alzheimer, um AVC, uma esclerose em placas? Como eu me preparo pra sobreviver? A forma como eu vou trabalhar o meu desequilíbrio, a minha manipulação dos objetos, a forma como eu me organizo, o olhar no espaço, o alcance, tudo isso pode ajudar muito. É neste foco que eu atuo hoje em dia.

TAXICULTURA: E seu trabalho com jovens de comunidades carentes?

Ivaldo Bertazzo: Comecei esse trabalho em 1999, quando um grande número de pessoas começou a trabalhar nas periferias. O aluno privilegiado que vem à minha aula, de classe média, média alta, ele é que nem eu. Minha mãe é sírio-libanesa, meu pai italiano; o outro é espanhol com a mãe polonesa; o outro é caboclo com o pai americano; são modos de dizer, e isso é uma mistura; eu não vou dizer que eu não sou brasileiro, eu sou.

Eu não conhecia o corpo do jovem da periferia e o meu desejo era trabalhar e aprendi muito com ele

O jovem da periferia tem outro corpo, é completamente diferente, mais encurtado, mais rítmico, surpreendentemente carrega muito pouca experiência cultural no seu corpo. Eu não conhecia esse corpo e o meu desejo era trabalhar e aprendi muito. Mas são experiências muito distintas o cidadão dançante e o jovem da periferia; são resultados coreográficos bem diferentes e quem se beneficiou com isso fui eu (risos). E é importante dizer que estou fazendo isso como um trabalho, pra ganhar meu salário, mas eu tô aprendendo pra cacete.

TAXICULTURA: Mas existe uma troca nisso, ou não?

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Ivaldo Bertazzo: É difícil você levar conhecimento, porque o jovem está muito engessado, muito agressivo e é muito difícil abrir novos conceitos. Quando realizamos o primeiro espetáculo, e era dança indiana, as pessoas diziam: “mas dança indiana pra um jovem da periferia? Não vai tirar a identidade cultural dele?” Olha a burrice que você tem que ouvir. Lógico que não vai, ele vai continuar sendo brasileiro, porém os dedinhos da mão usando os mudras, o rosto, modifica a sensibilidade dele.

TAXICULTURA: Como é que se desfaz essa barreira?

Ivaldo Bertazzo: Levá-lo pro psicomotor fino, ou seja, trabalhar do mesmo modo como você trabalha com uma pessoa de classe privilegiada: tirar o sapato, tirar os piercings, deitar no chão, respirar, começar a se organizar, trabalhar com músicas mais complexas, subdivisões de Stravinsky e a puta que o pariu, entendeu? Não é ficar se vendendo a um garoto que chega agressivo, bruto e não quer aprender. Você vai para o oposto, você vai para o mais difícil; é segurar touro no

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chifre. Não é fácil, porque ele traz o desconforto que vem da família e do social. Quando você começa a trabalhar com ele não vem o amor universal, vem o que ele tem.

TAXICULTURA: Você disse que são dois trabalhos distintos?

Ivaldo Bertazzo: O corpo desse brasileiro sírio-libanês com italiano e o corpo desse brasileiro que é de família africana, de família cabocla.

TAXICULTURA: Mas, mesmo que em níveis diferentes, não é o mesmo trabalho?

Ivaldo Bertazzo: Infelizmente não. O imaginário desse jovem da periferia é extremamente limitado e quando você traz uma dança indiana eles morrem de rir, acham aquilo xarope: “que porra é essa com o dedinho?” E quando você trabalha com uma pessoa de uma classe mais privilegiada, na própria casa os pais escutam Caetano Veloso ou Chico Buarque ou quiçá Dorival Caymmi, sendo que na periferia não. Não dá para desconsiderar essa construção, essa rede de cultura e dizer que todo mundo é igual, infelizmente não é.

TAXICULTURA: E como isso vira um trabalho profissional?

Ivaldo Bertazzo: Depois de três anos de experiência, de aprendizado, da construção de três espetáculos, entendemos que era inevitável passá-los pro segundo setor, para a CLT, se não você não está fazendo um serviço completo. De outro modo, você fica no vale coxinha, que é um vício, uma armadilha onde muitos caem: “vamos lá que vai ter R$150 por mês e tem refeição”. E cadê a vocação? Ele nasceu pra isso? Então você tem que forçá-lo a se profissionalizar e se ele não quiser tem que colocar fora, porque senão você está sendo pernicioso. Veja bem, é diferente quando você vai trabalhar com jovens envolvidos com drogas,

por exemplo, que estão comprometidos, aí você segura a barra. Mas esses são jovens que bateram na porta da ONG dizendo: “eu quero ser dançarino ou ator”. Então ele vai ter que mostrar serviço. Se em um ano ele não produzir, ele sai.

TAXICULTURA: E qual trabalho vocês desenvolvem na Escola do Movimento?

Ivaldo Bertazzo: É uma escola de reeducação motora, voltada para fisioterapeutas, fonoaudiólogos, professores de educação física, psicólogos, enfermeiros e, principalmente, para o professor de escola pública. Meu sonho é ensinar a psicomotricidade a esses diferentes setores.

TAXICULTURA: Por que principalmente o professor de escola pública?

Ivaldo Bertazzo: Coitado, ele que enfrenta as coisas mais violentas, seria o grande psicólogo social, e precisa de subsídios, de ferramentas para poder olhar: “puxa, esse menino não está confortável nesse corpo; é psíquico ou é motor? Como ajudá-lo?” Ele não tem que ser um terapeuta, aliás, esse é o grande medo da escola pública quando você chega pra propor esse trabalho, acham que a

gente quer mexer no ensino formal, não quero nada disso. Quero ter uma sala dentro de um colégio pra ter um atendimento sobre a psicomotricidade desse menino, e que não seja jogar futebol - futebol é muito bom, porque cria outros ganhos – pois o nosso interesse é o psicomotor fino mesmo.

TAXICULTURA: Qual seria o caminho para uma sociedade mais civilizada?

Ivaldo Bertazzo: Eu acho que você tem que ter um cuidado com a sua afetividade, sexualidade, sua alimentação, sobre a forma como você se comunica, são muitos fatores e se você não cuida disso, você vai para o caos mesmo. Sexualidade com afeto, alimentação, decorar sua casa, aprender a cantar, a tocar um instrumento, aí você se torna um ser civilizado.

TAXICULTURA: Em uma cidade como São Paulo é possível estabelecer esses novos paradigmas?

Ivaldo Bertazzo: A gente sonha em conseguir mais refinamento na cidade, não é? Mas é difícil com tanta população e um organismo tão conflitante. Tomara que sim, eu não sou pessimista, mas em compensação é difícil pensar em São Paulo, a cidade é muito grande.

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TECNOLOGIA Por Fernando Lemos

Divulgação

Smart Bird

Calibre

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ada vez mais os eBooks, ou livros e textos em formato digital, fazem parte do nosso cotidiano, especialmente pela praticidade de poderem ser lidos em vários dispositivos diferentes. Mas, como no mundo digital a organização também é necessária, uma dica de ajuda para organizar e acessar rapidamente os seus eBooks é um aplicativo gratuito chamado Calibre, disponível em sites comuns de download. Você instala, informa uma pasta no seu sistema onde estará todo o seu material e esse aplicativo faz todo o gerenciamento e organização de seus livros, apostilas, tutoriais, enfim, qualquer

arquivo com a característica de eBook. Os arquivos podem até estar em diferentes formatos como HTML ou PDF, por exemplo. Ou ainda estar compactados, com extensões RAR ou ZIP. Uma das principais vantagens é poder fazer uma pesquisa rápida para localizar um conteúdo. Não apenas procurando pelo título, mas também pelo autor, data, editora ou notas, uma vez que você pode incluir essas informações para facilitar a pesquisa.

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Fernando Lemos é estrategista de Tecnologia e idealizador do Projeto Tecnologia Para Todos palestras@tecnologiaparatodos.tc www.tecnologiaparatodos.tc www.facebook.com/tecnoparatodos

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esse mês de outubro foi concluído um projeto muito importante no universo da tecnologia biônica. Cientistas de Edinburgh, na Escócia, tornaram realidade um dos sonhos de Leonardo da Vinci, decifrando totalmente e pela primeira vez o código do voo dos pássaros. E usando como inspiração e base dos seus estudos uma gaivota, criaram um pequeno robô voador chamado Smart Bird. Completo e perfeito, o equipamento consegue levantar voo, voar com total autonomia e voltar ao solo, repetindo exatamente o que faria a ave de verdade. Mesmo sendo leve, pesando apenas 450 gramas em uma estrutura baseada em fibra de carbono, o Smart Bird traz uma tecnologia complexa, com uma unidade motora de articulação torcional, que funciona em conjunto com um sistema de controles. Além de bater asas perfeitamente, o robô é capaz de trabalhar direções, sentidos e inclinações, exatamente como se comportaria o organismo de uma ave de verdade. Uma conquista muito importante que, a partir de 2012, passa a servir de base a novos estudos do desenvolvimento de próteses para seres humanos e animais.

Linguee

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S

mo tendo escrito a palavra de maneira errada. E ainda recebe variações e derivações da palavra que você está buscando. O aplicativo disponibiliza extensões para navegadores como Internet Explorer, Firefox e também um plugin para ambientes MAC. São ferramentas que mostram a opção de tradução quando você clica sobre as palavras. A sua única limitação é que suas traduções ainda se restringem ao idioma inglês.

Divulgação

O Linguee garante que você chegue à tradução correta, mesmo tendo escrito a palavra de maneira errada

e você às vezes busca ajuda nos tradutores do BING, GOOGLE ou algum dos sites de busca na web, vai gostar de conhecer o Linguee. Um site que traz esse serviço de maneira rápida, mais aprimorada e gratuita. O endereço na web é www.LINGUEE.com.br e, ao se cadastrar, você passa a ter vários recursos como sinônimos, gírias, conceitos, exemplos de frases e até classes gramaticais em que a palavra se enquadre. Pode também ouvir o áudio com a pronúncia correta, avaliar cada item como positivo ou negativo e também sugerir mais traduções. Outro ponto forte no Linguee é um dicionário redacional que garante você chegar à tradução correta, mes-

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SÃO PAULO

UM MUNDO TODO Por Daniele Tavares Mauro Holanda

Nem só de pão vivem as padarias A procura permanente pelo máximo de praticidade e conforto também chegou às padarias: sirva-se e bom apetite!

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oje as filas que se formam dentro das padarias deixaram de ser apenas para esperar o pão quentinho no começo da manhã ou no final da tarde. Agora, essas mesmas filas se formam em frente ao balcão de self-service, onde, expostos com esmero e arte, estão vários tipos de pães, diferentes sabores de sucos, tábuas de frios e frutas, sopas, além da mordomia de ter uma banca de jornal ao lado da mesa para começar ou terminar o dia bem informado. Depois de uma grave crise que o setor enfrentou nos anos 1980, quando passou a perder clientes para supermercados e lojas de conveniência, a indústria de panificação e, principalmente suas lojas, as padarias, iniciaram uma verdadeira revolução, passando a oferecer novos produtos e serviços, cardápios diversificados, além de um cuidadoso layout da fachada e uma esmerada decoração do ambiente interno, tornando seu espaço acolhedor e agradável. Nascia o conceito de “boutique de pães”.

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Contudo, para que essa reviravolta no mundo dos pães pudesse acontecer, as padarias tiveram que mudar suas regras e se adequar a um novo consumidor, muito mais dinâmico, prático e, sobretudo, exigente. “Mudamos o conceito do negócio; abolimos o consumo de bebida alcoólica na padaria e informatizamos a empresa”, disse Luiz Bento, gerente da padaria Bella Paulista. De um lugar simplório, onde o comerciante atendia seus clientes com a caneta atrás da orelha, as padarias se transformaram em pontos de encontro e reunião para empresários e Divulgação Bella Paulista

Um novo conceito

Inovação e tecnologia

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SÃO PAULO

UM MUNDO TODO

E não restam dúvidas que as mudanças foram compensadoras. Segundo dados do Programa de Desenvolvimento da Alimentação, Confeitaria e Panificação - Propan promovido pela Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria - ABIP e a Associação Brasileira da Indústria de Trigo – ABITRIGO, o setor alcançou um aumento de 60% no faturamento médio com a implantação dos novos serviços.

Uma verdadeira Bella Paulista

A padaria fabrica mais de 20 mil pães por dia e conta com a ajuda de 300 funcionários, entre eles um sommelier devidamente capacitado para ajudar os clientes na leitura da carta de vinhos disponíveis na adega do estabelecimento.

Com lojas em locais nobres da cidade como Higienópolis e Jardins, a rede oferece ainda outras delícias como minicupcakes de trufas, brigadeiro e bicho de pé, docinhos de macadâmia com cookies e bombons com recheio de creme de coco, que são vendidos em unidades instaladas em universidades como Mackenzie, Uninove e PUC. O povo simplesmente adora!

Bella Paulista

Rua Haddock Lobo, 354 Cerqueira César Tel. 3214-3347 | 3214-4520 www.bellapaulista.com.br

Divulgação Bella Paulista

Para Luiz Bento, gerente do estabelecimento, a tendência é investir em tecnologia e pessoal, criando as condições para permanentemente oferecer novidades aos clientes. Localizada na Rua Haddock Lobo, região da Avenida Paulista, a padaria adotou uma cara nova e cosmopolita, onde se misturam toques nova-iorquinos e parisienses. Na sua fachada, uma sofisticada vitrine expõe os mais diferentes e deliciosos tipos de pães e doces. Outro destaque fica por conta do restaurante que ganhou mais lugares, entre mesinhas e confortáveis sofás.

Antenado com as novas tendências do mercado, Felipe Abrahão, que possui um blog onde divulga receitas e dá dicas para quem deseja se aventurar na cozinha, aposta em uma peculiar combinação entre tradição e modernidade. Dentro desse conceito, desenvolve receitas inovadoras, como o pão Baguete Bordeaux, crocante e levemente ácido, feito com fermento à base de mosto de uvas da região francesa e a sua linha de panetones salgados com destaque para o de presunto e queijo, calabresa, e de peito de peru com queijo branco.

Divulgação Benjamin Abrahão

Um exemplo perfeito dessa mudança e que deu certo é a Bella Paulista, uma casa que não para: funciona 24 horas por dia. O local se divide em restaurante, boulangerie (padaria), gelateria, laticínios, adega e pizzaria, sempre a postos para atender as cerca de seis mil pessoas que passam por ali diariamente.

referência na região, pela qualidade de seus produtos e a sua obsessão por higiene e limpeza. Atualmente administrado pelo neto do fundador, o jovem chefe Felipe Benjamim Abrahão, o Grupo Abrahão conta com uma rede de 12 lojas e produz mais de 250 mil pães por mês.

Divulgação Bella Paulista

executivos, que têm ao seu dispor serviços como acesso à Wi–Fi, além de uma excelente estrutura para um delicioso happy hour.

Tradição de pai para filho Na rede Benjamin Abrahão, tudo começou há três gerações no bairro da Barra Funda, quando o patriarca Abrahão decidiu alugar um forno e iniciar a produção de pães. Em pouco tempo, a sua banca de pães, conhecida como La Espanhola, nome dado em homenagem à sua esposa, Dona Maria Luisa, passou a ser uma

Benjamin Abrahão Higienópolis

Rua: Maranhão, 220 - São Paulo Tel. 3120-8070 | 3258-1855 3258-1385 www.benjaminabrahao.com.br

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ESPECIAL Por Waldir Martins

Divulgação

Teatro Sérgio Cardoso Depois de uma reforma que consumiu R$7,6 milhões, o Teatro Sérgio Cardoso volta a assumir seu espaço como uma das maiores casas de espetáculos da cidade

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cone da história da cidade de São Paulo e da arte paulistana, o Teatro Sérgio Cardoso está ligado ao bairro do Bixiga desde a sua origem, na década de 1950, quando ainda se chamava Teatro Bela Vista. Fundado pelo casal de atores Sérgio Cardoso e Nydia Licia, o teatro contribuiu para que São Paulo se firmasse como um dos principais polos da dramaturgia nacional. Incorporado ao patrimônio cultural do Governo do Estado de São Paulo no ano de 1971, o espaço passou por sua primeira grande reforma, quando, na ocasião, passou a adotar o nome atual em homenagem ao seu fundador, que havia falecido recentemente.

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Desgastado pelo tempo e necessitando incorporar novas tecnologias para atender a demanda das atuais companhias de espetáculos, no ano de 2004 o Sérgio Cardoso passou a ser administrado pela Associação Paulista dos Amigos da Arte - APAA que iniciou uma série de ações com vistas a modernizar o teatro, culminando na reforma iniciada em 2010, sob o patrocínio da Secretaria de Estado da Cultura, e que no último mês de outubro o devolveu à cena cultural paulistana com todo seu esplendor.

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ESPECIAL Divulgação

Um novo Teatro Para o Secretário Andrea Matarazzo, o investimento de R$ 7,6 milhões para a reforma cumpre o papel de devolver para a cidade um espaço que tem como principal característica a pluralidade, com capacidade para abrigar desde musicais e espetáculos teatrais de grande porte, como também produções menores e experimentais.

A arte da rua dentro do teatro Para dinamizar o novo momento do teatro, toda sua área pública foi decorada com 17 obras de artistas plásticos e grafiteiros selecionadas a partir do acervo do programa Metrópolis, da TV Cultura. A lista inclui nomes como Gonçalo Ivo (RJ), Leda Catunda (SP), Rui Amaral (SP), Siron Franco (GO), GNC79 (RS), Goms (SP) e Anjo (PR). As obras foram cedidas por empréstimo pela Fundação Padre Anchieta à Secretaria de Estado da Cultura para a exposição temporária.

30 anos de Museu do Bixiga Ainda durante a temporada de inauguração, o público pode conferir uma exposição sobre a história do Museu Memória do Bixiga, que em 2011 comemora 30 anos de existência. Ao todo estão expostos 10 painéis com fotos e textos sobre a trajetória do museu, fundado em 1981 por Armando Puglisi, o “Armandinho do Bixiga”, considerado o primeiro museu de bairro da cidade.

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Totalmente modernizado, o Sérgio Cardoso passou a oferece mais conforto, segurança e acessibilidade aos frequentadores. A reforma eliminou riscos de infiltração que ameaçavam o teatro e provocavam problemas na manutenção do espaço. Toda a cobertura do prédio foi refeita, assim como os sistemas de exaustão e climatização. As duas salas de espetáculo tiveram o piso de concreto reconstruído para possibilitar uma melhor fixação das poltronas e receberam cobertura de carpete.

Totalmente modernizado, o Sérgio Cardoso oferece mais conforto, segurança e acessibilidade aos seus frequentadores e exibe obras de artistas plásticos e grafiteiros em seus espaços Divulgação

“O teatro possui duas salas de espetáculo: a sala Sérgio Cardoso, com 835 lugares, que é uma das maiores salas da Capital e pode receber tanto espetáculos musicais e teatrais de grande porte quanto de dança e concertos; e a sala Paschoal Carlos Magno, com 144 lugares, que foi reaberta no último dia 8 de outubro e é ideal para peças de teatro de menor porte. Esta sala é a sede do programa Teatro de Dança, que apresenta produções inovadoras marcadas pela pesquisa de novas linguagens da dança”, ressalta Matarazzo.

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ESPECIAL Por Waldir Martins Divulgação

Museu da Pessoa Inédito e absolutamente contemporâneo, o Museu da Pessoa transforma as histórias de vida de toda e qualquer pessoa em fonte de conhecimento, compreensão e conexão entre pessoas e povos

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udo teve início em meados de 1991, quando um grupo de amigos que participava de um evento no Museu da Imagem e do Som – MIS começou a convidar pessoas para que contassem suas histórias de vida. Mais tarde, o grupo se associou a um pessoal de multimídia e no ano de 1994 nascia o Museu da Pessoa, um espaço virtual de histórias de vida, que é aberto à participação de qualquer cidadão. Para a diretora do Museu e idealizadora do projeto, Karen Worcman, a proposta surgiu com o objetivo de articular uma rede internacional de histórias de vida, capaz de contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e democrática, ao ampliar a participação dos indivíduos na construção da memória social. “O Museu da Pessoa nasceu da percepção de que a história de cada um de

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nós tem valor e deve ser parte da história de nossa sociedade”.

A história a partir de milhares de histórias O acervo é impressionante e guarda hoje em torno de 14 mil histórias, que narram a história do Brasil nos últimos 100 anos. Como são as pessoas que constroem a vida e a sociedade, parte deste acervo inclui a memória das mais variadas empresas e instituições - como a Vale S/A, Votorantim, Banco do Brasil e Petrobras - organizações não governamentais - como a Fundação Gol de Letra - ou ainda de cidades – como São Paulo e Rio de Janeiro – além dos grupos sociais mais diversos, com destaque para mulheres rurais da América Latina, imigrantes de São Paulo e muitos outros. “São 200 projetos realizados, 46 livros publicados e uma média de 480 mil visitantes únicos por ano no portal”, relata Worcman.

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ESPECIAL Divulgação

A arte de colher memórias A historiadora ressalta que qualquer pessoa pode registrar sua história de vida no estúdio do Museu, que conta com todo aparato técnico para realizar os registros. “Os entrevistadores do Museu da Pessoa são formados para auxiliar o entrevistado a organizar suas lembranças em uma narrativa própria. Trata-se de uma entrevista fluida e descontraída onde o entrevistado é convidado a relembrar sua trajetória de vida e suas vivências pessoais sem se preocupar em narrar uma verdade histórica absoluta. É fundamental que o entrevistado entenda o propósito da entrevista e tenha vontade de registrar sua história e dividi-la com o público”.

Conte sua história

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São 11 profissionais fixos envolvidos na coordenação de projetos, gestão administrativa, sustentabilidade e comunicação. Soma-se a este número cerca de 30 profissionais que prestam serviço para projetos de memória institucional e formação metodológica. Ou seja, basicamente quase 40 pessoas envolvidas no trabalho do Museu da Pessoa. Desse total, praticamente a metade está envolvida diretamente no trabalho de pesquisa.

O Museu da Pessoa é aberto à visitação para aqueles que queiram conhecer mais sobre a memória oral ou realizar pesquisas

Para quem tem interesse, é bem simples agendar uma entrevista de história de vida no Museu da Pessoa. O entrevistado receberá toda orientação de dois pesquisadores habilitados na metodologia de história oral, que irão trabalhar o resgate de sua trajetória de vida, desde suas raízes familiares até os dias de hoje. Tudo é registrado pelas câmeras e gravado num DVD. O agendamento pode ser feito por fone ou e-mail.

Compartilhar histórias de vida

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Além de se caracterizar como um espaço virtual, o Museu da Pessoa funciona em uma casa localizada na Vila Madalena e é aberto à visitação de pessoas, grupos e instituições que queiram conhecer mais sobre a metodologia de memória oral, bem como realizar pesquisas no acervo de histórias de vida ou diversos materiais produzidos pelas equipes de trabalho (livros, CD’s, DVD’s e outros). “Temos muita procura do público acadêmico e de pessoas da área de comunicação, em especial, jornalistas, roteiristas e produtores, que têm interesse em boas histórias e personagens inspiradores. Também temos procura de editoras em busca de conteúdo complementar para materiais didáticos e empresas que buscam subsídios para pesquisas em seus segmentos de atuação”, explica Worcman.

Rede de memória internacional Outra ação apontada por Worcman como uma grande vitória foi a articulação de uma rede internacional de memórias, com a criação de museus similares em três diferentes países: Canadá, EUA e Portugal. “As primeiras ideias para a criação da rede de museus surgiram em 1999, durante a conferência “Museums and Web” em Nova Orleans, EUA. A proposta deu tão certo que resultou em uma rede de organizações nacionais e internacionais para uso da memória e histórias de vida. Junto com isso, conseguimos também instituir o Dia Internacional de Histórias de Vida, comemorado em 16 de maio e que já mobiliza cerca de 240 organizações em 22 países”, comemora.

Museu da Pessoa

Rua Natingui, 1100 Vila Madalena - São Paulo Tel: 11 2144-7150 Fax: 11 2144-7151 email: portal@museudapessoa.net

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Exposição “Arte em Movimento – mecanismos, máquinas, aparatos” Os artistas plásticos Adriana Salazar (Colômbia), Guto Lacaz (Brasil) e a dupla Federico Joselevich Puiggrós e Julia Vallejo Puszin (Argentina), constróem uma fantástica relação analógica entre o homem e as máquinas imaginárias, em apresentação a um mundo traquitano que emociona, faz rir e pensar. Galeria Marta Traba/ Fundação Memorial da América Latina Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664 12 de Outubro a 12 de Novembro Terça a Domingo, das 9h às 18h Entrada Franca Fone: 11 3823-4600 Informações: www.memorial.sp.gov.br

Exposição “Percursos e Afetos – Fotografias, 1928/ 2011” Uma coleção de Rubens Fernandes Júnior reúne décadas de fotografia brasileira, com cerca de 80 imagens (cor e PB). A mostra tem como ponto de partida um retrato de Mário de Andrade, tirada em 1928, por Michelle Rizzo, um dos primeiros fotógrafos a atuar em São Paulo. A partir desta imagem são apresentadas cenas do cotidiano da cidade e uma série de retratos de artistas e personalidades como Geraldo de Barros, Pierre Verger, Thomas Farkas, entre outros.

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EVENTOS

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AGENDA Novembro

Pinacoteca do Estado de São Paulo Praça da Luz, 2 – São Paulo 8 de Outubro a 15 de Janeiro de 2012 Terça a Domingo, das 10h ás 18h, entrada até as 17h30 Entrada Franca aos sábados Fone: 11 3324-1000 Informações: www.pinacoteca.org.br

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Em comemoração ao Día de los Muertos - celebração popular mexicana, equivalente ao nosso dia de finados - a mostra composta por um altar presta homenagem a uma das maiores personalidades do México e do mundo das artes plásticas, Frida Kahlo.

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Memorial da America Latina Pavilhão da Criatividade 27 de outubro a 27 de Novembro Terça a Domingo, das 9h às 18h Entrada Franca Fone: 11 3823-4600 Informações: www.memorial.sp.gov.br

Instituto Tomie Ohtake Rua Coropés, 88 – Pinheiros 19 de Outubro a 27 de Novembro Terça a Domingo, das 11h às 22h Entrada Franca Fone: 11 2245-1900 Informações www.institutotomieohtake.org.br

Teatro para Bebês - “Bailarina” e “Meu Jardim” O Grupo Sobrevento apresenta dois espetáculos voltados para o público de seis meses a três anos através do teatro lúdico, surpreendente e provocador. O objetivo é despertar nos pequenos a capacidade poética inata ao ser humano, estimulando a cultura e o convívio social entre as crianças. Espaço Sobrevento Rua Coronel Albino Bairão, 42 Belenzinho 15 de Outubro a 18 de Dezembro Bailarina – Sábados e Domingos, às 10h Meu Jardim - Sábados e Domingos às 11h Entrada Franca Fone: 11 3399-3589 | 11 5434-0434 Informações www.sobrevento.com.br

“Chaplin e a Sua Imagem” O curador francês Sam Stourdzé retrata as facetas do ícone do cinema mundial Charles Chaplin, como de ator, produtor, comediante, dançarino e roteirista. Para recordar a passagem do artista do cinema mudo ao cinema falado são relembradas situações políticas do período que vai da Primeira Guerra à ascensão do nazismo.

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“Oferenda do Dia dos Mortos - Homenagem a Frida Kahlo”


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Mostra “ArteFatos Indígenas” A Secretaria Municipal de Cultura reuniu 270 peças para expor coleções de arte indígena, salientando entre obtejos rituais e cotidianos a diversidade das tradições estéticas e a importância da manutenção contemporânea preservada por eles num processo de reafirmação de identidade de 12 povos da região da Amazônia, dos Estados do Amapá. Artesanatos produzidos com a incorporação de materiais modernos, como os desenhos feitos sobre papel com canetas hidrográficas e o cocar da tribo Kayapó, feito com canudos ao invés de penas, mas mantendo os esquemas de cores e tamanhos tradicionais.

O grupo Choro da Casa ao volta a se apresentar no Teatro Coletivo, e a novidade é que, desta vez, à cada nova apresentação, eles terão convidados especiais, como Marcel Martins (cavaquinho de cinco cordas), Felipe Soares (acordeon e piano), Sérgio Audi (flauta transversal), Carlinhos Amaral (violão sete cordas) e Marquinhos Mendonça (violão, bandolim e cavaquinho). Regados pela percussão e bateria empolgante de Pimpa, eles expõem as nuances e variações de gafieira, samba, baião, maxixe, forró, polca, valsa do gênero e, claro, choro. Teatro Coletivo Rua da Consolação, 1623 Todas as quintas até dia 24 de Novembro, às 21h Entrada Franca Fone: 11 3255-5922 Informações: www.teatrocoletivo.com.br

Seresta de Sexta Os Trovadores Urbanos percorreram com seus shows quase todo o país e cruzaram o Atlântico em várias turnês internacionais, além de compor uma carreira fonográfica expressiva e reconhecida. A seresta de sexta é voltado para turistas e moradores da cidade de São Paulo.

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Parque do Ibirapuera - Pavilhão das Culturas Brasileiras Avenida Pedro Álvares Cabral, s/nº – Portão 10 Até 08 de janeiro de 2012 Terça a domingo, das 9h às 17h Entrada gratuita Fone: 11 5083-0199 Informações: www.culturasbrasileiras.sp.gov.br Agendamento de visitas pelo e-mail: educativopcb@prefeitura.sp.gov.br

Choro da Casa

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OUTUBRO

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EVENTOS

AGENDA

Rua Aimberê, 651 - Perdizes Todas as sextas feiras do ano, das 20 às 22 h Entrada Franca Fone: 11 2595-0100

Espetáculo “As Bruxas de Eastwick”

Teatro Bradesco Rua Turiassú, 2100, Piso 3 do Shopping Bourbon Pompeia Até 11 de Dezembro Quinta e Sexta-feira às 21h, sábado às 17h e 21h e domingo às 16h e 20h Preço:De R$ 10 às R$ 190 Censura: 12 anos Informações: http://ticketsforfun.com.br

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Exposição “Oswald de Andrade: o culpado de tudo” O projeto expográfico destaca a vida e obra do escritor paulistano que entre tantas implicações revolucionou a literatura e inseriu São Paulo no mapa mundial das artes. A mostra contempla três dimensões de leitura: poética, histórico-biográfica e filosófica. Museu da Língua Portuguesa Praça da Luz, s/no – Centro Até 30 de Janeiro Terça a Domingo, das 10h às 18h Preço: R$6 Entrada Franca aos sábados Fone: 11 3326-0775 Informações www.poiesis.org.br/mlp/exposicoes.php

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A comédia musical conta a história das amigas Alexandra, Jane e Sukie. Entediadas e frustradas com a pacata rotina da cidade de Eastwick elas dividem o desejo pelo mesmo homem que consideram ideal. Darryl Van Horne, extremamente sedutor, acaba por se envolver com as três e desperta nelas a necessidade de liberar seus “poderes”, que acaba por escandalizar a cidade.

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BELEZA Divulgação

Por Carolina Mendes

Operação Verão Torne a atividade física um hábito: além de conquistar uma melhor qualidade de vida, quem se movimenta é muito mais feliz

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A prática de atividades físicas deve estar aliada ao trabalho de reeducação alimentar, pois a flacidez decorrente da perda de gordura é a pior inimiga pós-dieta

reparar o corpo para o verão nunca foi tarefa fácil, mas, enfrentar a estação mais quente do ano deixando de lado aqueles quilinhos extras pode ser gratificante para quem sonha em exibir uma bela silhueta.

tais para o adequado funcionamento do organismo. “É preciso analisar os gostos e aversões do paciente para evitar deficiências ao retirar algum alimento importante, o que pode reverter em uma posterior doença”, afirma Fontanezi.

Entre tantos tratamentos estéticos oferecidos no mercado, estão conquistando espaço alguns tipos de dietas que, para alcançar a tão sonhada perda de peso, apostam no melhor funcionamento geral do organismo, fugindo de receitas milagrosas que, normalmente, têm efeito temporário, além de serem danosas à saúde.

Reeducação alimentar

Para a nutricionista Thais Fontanezi, do Espaço Terapêutico, é possível conquistar uma boa forma física sem passar fome ou expor sua saúde a situações de risco, através de mudanças de hábitos e estilo de vida e o estabelecimento de uma dieta equilibrada. A profissional alerta que os maiores perigos de se elaborar uma dieta por conta própria é que algumas vezes podemos deixar de fora nutrientes que são fundamen-

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O fundamental é estabelecer um programa de educação alimentar que se adapte com perfeição às suas necessidades, sem investir em uma restrição excessiva de calorias ou na exclusão de alimentos que podem debilitar o organismo provocando sensação de fraqueza, cansaço, indisposição, além de deficiência de nutrientes. Fontanezi lembra, ainda, que uma alimentação equilibrada também irá refletir no nosso humor e na forma como nos posicionamos frente ao mundo e aos desafios do nosso cotidiano: “Alimentos como massas, pães, frutos do mar, raízes, frutas, alho, espinafre e aveia contribuem para o nosso bom humor, pois eles elevam a serotonina [neurotransmissor produzido em nosso

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dratação adequada, ingerindo de dois a três litros de líquidos por dia, e incluir na sua dieta saladas coloridas e alimentos crus, como frutas e legumes.

Exercício físico, seu aliado do bem Embora o verão dure apenas três meses, outra especialista em beleza, a diretora de treinamentos e P&D, da Buona Vita Cosméticos, Dra. Isabel Luiza Piatti, explica que é preciso aliar a prática de hábitos saudáveis durante todo o ano, com o uso diário de produtos estéticos que contenham princípios ativos de qualidade, conservando a pele nutrida, hidratada e bem cuidada. cérebro], responsável por regular o sono, o prazer, o apetite e até a alegria de viver. Mas é preciso cuidado, pois comer em demasia pode provocar o efeito inverso”.

Mudança de hábitos Para a nutricionista, cada pessoa funciona de modo particular, mas a orientação geral é ir mudando aos poucos pequenos hábitos como, por exemplo, trocar o leite ou o iogurte integral pelo semidesnatado e alimentos calóricos pelos menos calóricos, e procurar comer mais vezes ao longo do dia porções em menores quantidades. Outro aspecto fundamental apontado por Fontanezi é a importância de realizar uma hi-

A dermatologista lembra a importância de associar atividades físicas ao trabalho de reeducação alimentar, pois a flacidez decorrente da perda de gordura é a pior inimiga pós-dieta. Outra vantagem que a prática continuada de atividades físicas ou esportivas proporciona é contribuir para a diminuição do estresse e da ansiedade que podem surgir dessa mudança de hábitos.

Gessoterapia Uma novidade no segmento de estética que, de acordo com a Dra. Piatti, tem proporcionado excelentes resultados para quem procura aliados para combater celulite,

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BELEZA

flacidez e gordura localizada é a chamada gessoterapia. “Nesse tipo de tratamento são colocadas bandagens nas regiões dos braços, abdômen, glúteos e coxas, de modo que o gesso modele e intensifique a penetração dos ativos cosméticos”, explica. Para a representante da Buona Vita Cosméticos, o tratamento pode ainda ser mais potencializado quando associado a um trabalho de desintoxicação realizado à base de argila e sais térmicos, conhecido como destoxi e redução, que intensifica o metabolismo do corpo. “O resultado final desses dois tratamentos é a redução de medidas e uma silhueta mais curvilínea e enxuta, mas, tão importante quanto o tratamento em cabine é a sua manutenção diária”, alerta a esteticista.

Serviços Espaço Terapêutico Fone: 11 3461-1571 www.espacoterapeutico.psc.br

Buona Vita Cosméticos www.buonavita.com.br

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QUALIDADE

DE VIDA

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Por Fernanda Monteforte

Descomplicar a existência

“Qualidade de vida é tornar sua existência descomplicada; é fazer o que lhe dá prazer, com alegria, saúde e bem-estar” - DeRose

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eria irreal e um tanto imaturo acreditar que podemos nos abster dos percalços da vida, entretanto, descomplicar a existência e as formas que utilizamos para administrar um embaraço, é uma questão de escolha e posicionamento perante as circunstâncias. Por mais que consideremos vivenciar uma experiência turbulenta como algo indigno de nós, as adversidades não deixarão de existir. Pelo contrário, os obstáculos estão sempre ao nosso redor sacudindo nossas estruturas para transformar nossos paradigmas mais profundos e reavivar a nossa capacidade de realizar.

Fernanda Monteforte é consultora de qualidade de vida e ministra aulas do Método DeRose Maiores informações: Tel.: 4125-6658 fernanda.monteforte@ metododerose.org

É importante acreditar que as coisas podem ter um final positivo, por uma razão bastante simples: porque é possível. Mas, para isso, é preciso despertar uma interna e profunda convicção acerca das nossas reais capacidades. Uma atitude crucial para consolidar essa mudança é aprender a perceber que nos problemas estão encerradas as nossas mais preciosas oportunidades de crescimento.

O prazer de agir Ao invés de ficarmos trôpegos ou paralisados perante o infortúnio, lamentando-nos pelo revés, podemos nos sentir privilegiados a cada desafio. É isso mesmo, sentirmo-nos privilegiados por ter problemas! Se uma determinada situação chega às nossas mãos, certamente é porque somos fortes, eficientes e capazes para administrá-la. Encará-la de

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frente, sem temer, fingir ou fugir é a grande oportunidade de aprender e mudar. Assumindo a responsabilidade por fazer diferente conquistamos novas habilidades para reconstruir nosso castelo em um alicerce ainda mais firme. A realidade nada mais é do que a leitura que se faz dela. Manter o coração confiante perante as intempéries e extrair contentamento de todas as situações é descomplicar a existência. Isso nos permite preservar a estabilidade interna mesmo nos maiores vendavais. A cada bonança conquistada, a manhã de sol será ainda mais linda.

Dicas:

1. Simplifique. Estabelecer prioridades e cumpri-las é importante para o seu crescimento e estabilidade 2. Aprenda a dizer não e a colocar limites de forma cordial e elegante, sem se justificar 3. Querer agradar a todos é o primeiro passo para dispersar sua atenção de seus objetivos 4. Avalie “o que” precisa ser feito para desenvolver a habilidade de “como” fazer 5. Desenvolva proatividade no momento de adversidade 6. Assuma a responsabilidade por fazer as coisas acontecerem 7. Quem fica parado afunda, mova-se 8. Adote uma metodologia de aprimoramento pessoal que desenvolva suas habilidades através da boa alimentação, boa forma e boa cabeça

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CAPA

Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira

Ricardo Martinelli

Por Carolina Mendes

Cavernas, salões gigantes, dunas, cachoeiras, abismos de até 240 metros de profundidade, escaladas e mergulhos: o Alto Ribeira é a natureza em todo esplendor

A

pontado como o parque espeleológico mais importante do Brasil e tombado como um patrimônio da humanidade, reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura - UNESCO, o Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira - PETAR, também conhecido como Parque das Cavernas, destaca-se pela sua riqueza de belezas naturais e arqueológicas.

Localizado no sul do Estado de São Paulo, a 320 km da capital, entre os municípios de Apiaí e Iporanga, possui uma área de 35.712 hectares onde se localiza a maior concentração de cavernas cadastradas pela Sociedade Brasileira de Espeleologia. Contudo, das 300 cavernas mapeadas, somente 12 estão abertas para visitação. Mas não só de cavernas é composto o PETAR, que exibe uma rica e exuberante biodiversidade remanescente da Mata Atlântica permitindo que o visitante possa desfrutar de inúmeras cachoeiras, trilhas, comunidades tradicionais da região, como os quilombolas, além de sítios arqueológicos, paleontológicos e culturais que remete a um verdadeiro paraíso escondido.

Origem nativa O parque foi criado por decreto no ano de 1958 e aberto ao público para visitação nos anos 1980. Estudos arqueológicos revelam vestígios de aproximadamente 2 mil anos com a descoberta de sambaquis - sítios préhistóricos formados pela acumulação de

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conchas e moluscos, ossos humanos e de animais – e outros sítios ceramistas, tornando possível identificar uma tradição local caçadora, posteriormente agrícola e que terminou por se caracterizar como uma rota migratória de populações indígenas. Por volta do século XVII e XVIII, com o início da colonização da região por parte dos portugueses que vinham em busca de minerais preciosos e utilizavam a mão de obra escrava, a região passou a funcionar então como refúgio de escravos, que terminaram por constituir muitos quilombos por toda essa área.

Paraíso intocável Por entre montanhas, vales, cachoeiras, rios de águas cristalinas, cavernas, e uma fauna e flora únicas, o parque logo se tornou referência na exploração de cavernas, prática de esportes radicais, como rapel, boiacross, cascading, trekking e ainda algumas atividades ligadas à educação ambiental e a fotografia da natureza. Há para todos os gostos: cavernas com água, escaladas, mergulhos, cavernas com escadas e ainda passarelas para facilitar o acesso dos visitantes de primeira viagem. As áreas permitidas para visitação ficam concentradas em quatro diferentes núcleos: Santana, Ouro Grosso, Caboclos e Casa da Pedra.

O parque tem a maior concentração de cavernas do Brasil

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As cavidades naturais horizontais são denominadas grutas ou cavernas, e as verticais são chamadas de abismos

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CAPA Ricardo Martinelli

PONTOS TURÍSTICOS Núcleo Santana Caverna de Santana A segunda maior caverna do Estado de São Paulo, possui 7 km de extensão, sendo que apenas 800 metros são turísticos, facilitado por escadas e pinguelas. As galerias ricas em formações são utilizadas para aulas de fotografia e educação ambiental. Nível fácil /Duração média: 2hs

Caverna do Morro Preto Impressionante pelo tamanho e beleza de sua boca. Logo na entrada uma coluna formada por escorrimentos da dissolução do calcário encanta os visitantes. Adentrando, o visitante irá se deparar com um mirante interno que deu origem ao cartão postal do parque. Nível médio /Duração média: 1h30

Caverna do Couto Possui um pórtico bem pequeno, mas à medida que se caminha é possível notar um aumento progressivo de suas dimensões, em meio a uma pequena parte escura percorridos pelo interior da montanha. A visão interna segue pelo conduto de drenagem de águas provenientes da Serra da Onça Parda. Nível fácil /Duração média: 1h Evandro Monteiro

Caverna da Água Suja Em 800 metros disponíveis para visitação, o desafio é atravessar os grandes salões que cortam o rio para desfrutar de um delicioso banho em plena escuridão. Nível médio /Duração média: 2h40m

Cachoeira das Andorinhas (35 metros) Sua beleza é caracterizada pela força das águas que formam um gigante redemoinho. Não é permitido nadar devido à forte queda. Em determinados momentos do dia andorinhas saem em revoada, o que trouxe sua denominação. Nível médio/ Duração média: 3hs

Cachoeira do Beija-Flor ou Betarizinho (45 metros) Em meio a subidas, descidas, algumas escadas, obstáculos e a travessia do rio, a generosidade da natureza deságua em uma deliciosa piscina natural que permite banhos e saltos. Nível médio/ Duração média: 3hs

Caverna Água Suja

Núcleo Ouro Grosso Localizado no Bairro da Serra, em Iporanga, o núcleo serve como base de apoio a cursos, seminários, reuniões e alojamento para escolas públicas. Seus principais atrativos aliam a beleza das formações ao espírito aventureiro.

Caverna do Ouro Grosso

Cachoeira Araponga

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trechos mistos, secos e molhados. Nível médio/ Duração média: 2h40m

Cachoeira Sem Fim (6 metros) Conhecida como o “camping das cachoeiras”, possui três cachoeiras de fácil acesso para crianças e idosos, e lagos e pedras coloridas. Não deixe de ficar descalço.

Caracterizada pela sequência de cachoeiras e pelos vários poços profundos de água que elas formam, é a caverna da adrenalina, preferida por escaladores. Nível difícil/ Duração média: 2hs

Cachoeira Passa Vinte ou Arapongas (65 metros)

Caverna do Alambari de Baixo

mata adentro. É possível retroceder

A bela vista dos raios solares ao amanhecer proporciona momentos emocionantes. Para enfrentá-la é preciso estar preparado para encarar

caminhando, ou ainda aproveitar a al-

Nível fácil/ Duração média: 30 min

Para chegar ao topo é preciso passar por aproximadamente 1000 metros

tura íngreme para descer de uma maneira mais radical: de rapel e cascading. Nível médio/ Duração média: 30 min

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CAPA Fotos de Divulgação

Núcleo Casa de Pedra Caverna da Casa de Pedra Feito uma linda piscina natural em frente ao maior pórtico do mundo, com 250 metros de altura que descem formando uma imponente cachoeira caverna adentro. Não é permitida a travessia pelo seu interior, mas a trilha promete um desfecho surpreendente. Nível difícil/ Duração média: 3hs

Núcleo Caboclos Situado no Bairro Espírito Santo, a primeira sede do parque é o núcleo mais isolado do restante do PETAR. Ponto de partida para algumas das mais difíceis trilhas, com acesso à área de camping com sanitários e lavanderia.

Caverna Teminina O que a torna diferente e exótica são as suas mais belas dolinas (aberturas no teto). Para ter acesso ao salão superior é necessário cruzar o Rio Teminina, um rio largo e raso, de fácil travessia, sem a necessidade de nado. Nível difícil/ Duração média: 4hs

Caverna Desmoronada (Fechada para visitação) Há milhões de anos atrás um desmoronamento no teto de uma de suas galerias provocou uma pequena entrada de luz que forma um visual magnífico. O trajeto exige um bom preparo físico, cerca de 5 horas caminhando.

Cachoeiras Maximiniano e Sete Reis A caminhada desta vez é rio acima. A Cachoeira Maximiliano possui duas quedas pequenas que deságuam em duas piscinas naturais com profundidade superior a 4 metros. A Sete Reis possui uma queda de 10 metros de águas cristalinas inseridas no meio da Mata Atlântica. Nível médio/ Duração média: 3hs

Como chegar Chegar ao PETAR é simples. Para quem vai de carro desde São Paulo, a melhor opção é pegar a Régis Bittencourt sentido Curitiba. São 320 km de via duplicada pela BR 166, exceto um trecho na altura de Juquitiba onde a pista é simples. Entre na cidade de Jacupiranga e acesse a Rodovia José Edgard Carneiro dos Santos (SP193) e observe as placas de indicação até o trevo da Caverna do Diabo. Chegando ao trevo indicado, acesse a Rodovia SP-165 e siga até a

cidade de Iporanga. Quem prefere ir de ônibus deve procurar a empresa Viação Transpen, com destino a Apiaí, que sai do terminal rodoviário Barra Funda.

Onde comer Algumas pousadas em Iporanga possuem restaurantes próprios, geralmente com comidas caseiras. Você tem a opção de escolher a meia pensão, mas a completa inclui, além do café da manhã, o lanche trilha, o jantar e o pernoite. As reservas devem ser feitas com antecedência, pois a maioria delas faz compras em supermercados em cidades vizinhas. Na cidade de Apiaí o que predomina são os hotéis, todos de pequeno porte.

Instruções gerais Não deixe de levar lanterna, tênis fechado, calça até o tornozelo e camisa manga média para as atividades, além de uma boa dose de energia e animação. O clima úmido propicia chuvas em outubro e novembro. Para entrar nos núcleos é cobrada uma taxa de R$5 por pessoa (Pagamento somente em dinheiro). Não pagantes: Crianças abaixo de 5 anos, acima de 60 e portadores de necessidades especiais. Os núcleos ficam abertos para visitação de terça-feira a domingo, das 8h às 17hs.

Mais informações: www.petaornline.com.br www.parqueaventuras.com.br www.ambiente.sp.gov.br/ecoturismo

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SP

TEM

Por Valéria Calixto

Núcleo Pedra Grande Integrado ao Parque Estadual da Serra da Cantareira - a maior floresta urbana do mundo - o Núcleo da Pedra grande é uma excelente opção para quem deseja uma trilha radical

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Aos poucos, a Mata Atlântica voltou a ocupar a área e hoje é possível encontrar as mais variadas espécies vegetais como a embaúba, o pau-jacaré, a imbuia, a canela-preta, a samambaia-açu e o jacarandá-paulista. Os animais também retornaram, sendo comum encontrar exemplares de macaco-bugio, veado-mateiro, bicho-preguiça, gato-do-mato e jaguatirica, alguns, infelizmente, ameaçados de extinção. No Núcleo Águas Claras já se registrou até mesmo a presença de suçuarana, ou onça parda, como é mais conhecida. Vale registrar que, nos últimos dois meses, dois exemplares desse felino foram resgatados, um no Jardim Rincão, na Zona Norte de São Paulo e outro em Franco da Rocha, na Região Metropolitana. Em ambos os casos as autoridades acreditam que os animais estavam fugindo de queimadas ocorridas na região.

Núcleo da Pedra Grande A partir da portaria do núcleo, você pode escolher três trilhas distintas. A mais suave é a Trilha da Bica, com um percurso de 1,5 km que leva a uma fonte d’água, frequentada por pássaros e quatis. A Trilha das Figueiras é um pouco mais longa, com 2 km, variando entre suave e íngreme, onde é possível ver macacos bugios se alimentando dos frutos das grandes figueiras que deram nome à trilha. A mais extensa das três é a Trilha da Pedra Grande, que possui 9,5 km de extensão, e que consome até três horas para ser percorrida entre ida e volta. A Pedra Grande é um grande afloramento rochoso de granito, a 1.010 m de altitude e que oferece uma vista única da cidade de São Paulo.

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om uma área de 8 mil ha - equivalente a 8 mil campos de futebol - o Parque Estadual da Cantareira é a maior floresta urbana nativa do mundo. Uma região onde o trabalho de preservação começou há mais de cem anos, com a desapropriação de fazendas de café, chá e cana-deaçúcar, com o estrito objetivo de recuperar a mata, proteger mananciais e garantir o fornecimento de água da cidade de São Paulo.

O espaço conta ainda com um pequeno museu, com animais empalhados, diferentes tipos de rocha e uma maquete do parque. Esta trilha dá acesso ao Lago das Carpas, uma área tranquila e agradável, onde se podem fazer exercícios ou apenas relaxar. Durante a semana e aos sábados, o parque oferece o serviço Circuito Integrado de Educação Ambiental, voltado primordialmente para quem tem alguma limitação física que impeça enfrentar as trilhas. Quando há vagas, o serviço pode ser usado por outros visitantes. Área de preservação, no parque não é permitido entrar com bola, churrasqueira, instrumentos ou aparelhos sonoros, pipas e animais domésticos. Núcleo da Pedra Grande Rua do Horto, 1.799, Tremembé Telefone: 11 6232-5049 Horário: Sáb, dom e feriados das 8h30 às 17h (menos em dias de chuva) Site: www.iflorestsp.br/cantareira/index.htm Fonte: Secretaria de Estado do Meio Ambiente

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MORAR

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Por Valéria Calixto

Casa Sustentável Rede de Home Center Leroy Merlin mostra que construir uma casa sustentável não é mais coisa do futuro

Já existem no mercado materiais para quem deseja construir uma casa ecologicamente correta

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C

riar uma casa totalmente sustentável é um desafio que a cada dia vai conquistando mais destaque e importância entre os profissionais de arquitetura, design e decoração. Sintonizada com essa nova e importante tendência do mercado, a Rede de Home Center Leroy Merlin montou no estacionamento de sua loja da Barra da Tijuca/RJ uma casa toda projetada com produtos sustentáveis e reciclados. Idealizada por Walmir Prada, gerente comercial da empresa, a casa foi construída com o objetivo de provar que já existem alternativas disponíveis no mercado para

quem deseja construir uma casa ecologicamente correta. “A casa tem cerca de 120 m² de área útil e 60m² de área construída. Internamente foram utilizados somente produtos sustentáveis que já estão à venda nas nossas lojas. São itens que ajudam a reduzir o consumo de água, como cisternas que coletam água da chuva e bacias sanitárias com fluxo duplo, tijolos ecológicos e produtos e estruturas que utilizam madeiras de reflorestamento. Há também itens que minimizam o uso de energia elétrica, como aquecedores solares, e no acabamento foram utilizadas tintas à base de água”, relata.

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Criatividade em containers Realizado em parceria com a empresa Planeta Container, o projeto considerou a preservação do meio ambiente em todas as suas etapas e utilizou dois contêineres de 40 pés cada, conferindo uma nova forma de aproveitamento a essas peças que têm vida útil aproximada de oito anos e são descartadas. A Planeta Container se responsabilizou pela reciclagem dessas estruturas, adaptando-as para poder abrigar os cômodos e espaços da nova casa.

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Totalmente inovador, o projeto contou com a contribuição dos arquitetos Vânia Sant´Ana e Érico Santos do Nascimento e buscou alinhar conceitos de sustentabilidade e qualidade de vida com funcionalidade, conforto e beleza. No trabalho de criação, Vânia Sant´Ana cuidou mais especificamente do banheiro e da sala, enquanto Érico Santos foi responsável pela cozinha Gourmet e o conceito aplicado ao jardim.

Sustentabilidade na prática Banheiro No banheiro foi utilizado piso produzido a partir de matéria-prima 50% reciclável. O revestimento de parede teve em sua fabricação uma economia de 70% de água e 20% de energia. Ao mesmo tempo, o vaso sanitário reaproveita a água do lavatório para a descarga, enquanto o espelho e utensílios como porta-escova, lixeira, porta-papel e saboneteira também são produzidos a partir de material reciclado.

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Sala de estar A sala também recebeu piso e revestimento produzidos a partir de material reciclado; o sofá teve toda sua estrutura construída em madeira de reflorestamento; as portas são de alumínio 100% reciclável e que, nesse caso específico, teve todos os resíduos decorrentes do processo de fabricação reaproveitados; além disso, a água utilizada foi tratada para ser descartada sem agredir o meio ambiente. Espaço Gourmet A bancada e adega do espaço gourmet tiveram na sua elaboração folhas de portas produzidas com madeira de reflorestamento. A proposta é oferecer novas alternativas

de uso para aquela porta sem utilidade, que fica ocupando espaço na garagem ou no espaço destinado para depósito de materiais. O nicho decorando a parede é fabricado com resto de madeiras de demolição tamanho 5x5cm colada em tela e depois aplicada na parede. Água e energia Todo espaço é iluminado com lâmpadas LED, que possuem luminosidade equivalente a uma lâmpada incandescente de 60 watts, mas capazes de proporcionar uma economia de 96% no total de energia consumida. A água captada da chuva é outro ponto de destaque e permite substituir totalmente a água potável que seria utilizada para a limpeza do quintal, irrigar jardim entre outros. Para finalizar, o projeto conta com placas solar que garantem o aquecimento da água em todos os pontos internos da casa como lavatório, pia da cozinha e banho, dispensando em boa parte do ano, a utilização de energia elétrica ou gás para aquecimento.

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MUNDO CÃO&CIA

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Por Daniele Tavares

Acabe com os pelos pela casa

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ada pode ser mais desagradável para os Outra modalidade de queda de pelos dos anidonos do que ver seu bichinho de esti- mais, a Alopecia, tem os mesmo sintomas da mação com uma pelagem maltratada, patológica, com a queda de pelos em regiões localizadas, causada pelo comprometimento imucaindo e se espalhando por toda a casa. nológico do animal, fruto de estresse, gestação Pior ainda se alguns dos moradores, ou ou uso de medicamentos. mesmo visitantes, forem alérgicos a pelos, o que pode tornar praticamente impossível o Uma rotina de cuidados simples ato de respirar. Para garantir a saúde do pelo do seu animal, Existem diversas razões para esse proble- é importante que o dono estabeleça uma rotina de higiene e escovama e a mais comum delas é ção. Além de proporcionar chamada de queda fisiológimaior qualidade de vida ca, que ocorre normalmenpara o animal, irá facilitar te por envelhecimento do a identificação de alguma próprio pelo ou de sua raiz modificação na sua pela(folículo), que cai para ser gem. Em caso de dúvidas, subs-tituído por outros mais procure um veterinário rajovens e bem nutridos. pidamente e evite levar o animal apenas quando a siSegundo a Dra. Mery Hellen, tuação se tornar crítica. da Clínica Veterinária Estação Zoo, a queda costuma atingir O dono também deve ser todo o corpo do animal, mas cuidadoso com a sua própria pode ficar tranquilo que ele não ficará care- saúde, uma vez que esse tipo de doença pode ca, pois o processo é passageiro e geralmente ser transmi-tido pelo contato direto com o aniacontece durante o verão: “Pode ocorrer de mal. “Em humanos a manifestação clínica das forma mais intensa e breve em alguns animais infecções é uma resposta inflamatória intensa, ou ao longo do ano todo de forma mais branda com lesões circulares de bordas elevadas e coem outros, principalmente aqueles que ficam ceiras, normalmente em áreas de contato corporal entre dono e o bichinho, como braços, tronco o tempo todo expostos à luz artificial”. e couro cabeludo”.

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A queda de pelos em pequenas ilhas pelo corpo é alerta de fungos!

Quando a queda é doença

A escovação diária é o melhor modo de assegurar a pelagem do seu animal saudável

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Há também a queda denominada patológica, que é a queda anormal, quando os pelos caem de apenas algumas regiões. De acordo com a Dra.Mery, essa enfermidade pode ocorrer por vários motivos: doenças do próprio pelo ou da pele, como micoses e sarnas; doenças nutricionais, como a ausência da vitamina A; infecções, devido à presença de febre, e até mesmo autotraumatismo, quando o próprio animal causa a lesão ao se coçar ou esfregar.

Cães e gatos Para estes animais, a escovação é o melhor modo de assegurar uma muda de pelo saudável. Se o seu animal tiver uma boa pelagem e uma pele bem conservada, o ideal é a escova de arame, e se tiver uma pele mais sensível, opte pela de nylon. Nos gatos de pelos compridos, experimente escová-los todos os dias ou, pelos menos, duas vezes por semana. Quanto mais os escovar, menor a probabilidade de encontrar pelo na casa ou nas suas roupas.

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HORIZONTE

VERTICAL

Crônicas de uma São Paulo que ninguém vê Texto e Ilustração: Ivan Forneron

UM DEDO DE PROSA INTERROMPIDA

O

uvir a conversa alheia é sempre o ines-

enxerida que àquela altura já torcia

perado com a curiosidade dando voltas.

olhos, arrancava cabelos e tinha von-

Inesperado porque você não sabe o que

tade de esticar o dedo e pedir pra re-

virá, já que não participa dela e, dependendo do

bobinar a conversa na íntegra. E, pra

assunto que trata, a curiosidade pode chegar a

minha sorte, ele retomou o raciocínio:

níveis insuportáveis. Por que é que escutamos

“só tem um jeito, é…” Nesse momen-

certas coisas em certos momentos é algo que

to, um ônibus com um motor dos

não tem explicação. Na maioria das vezes você não quer bisbilhotar a vida de ninguém, mas eis que uma frase chega aos seus ouvidos e pronto: sua atenção é sequestrada. E foi extamente esse o caso. No ponto de ônibus, fim de tarde, dois rapazes conversavam sobre diversos assuntos que eu nem sabia o que era, apenas ouvia o som das suas vozes. Até que um deles soltou a frase que foi como anzol na minha orelha: “Só tem um jeito de manter a amizade depois de um relacionamento íntimo…” E pra reforçar aquele segredo que a sua experiência tinha conquistado, ainda repetiu a bendita frase mais duas vezes, sempre aumentando a gravidade da situação, procurando trazer na voz a autoridade dos sábios. Enquanto ele repetia, eu dava minúsculos passos e encaminhava meu ouvido esquerdo

Minha curiosidade subia com a fumaça e como fastasma ia me atormentando

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infernos, vinha que vinha, como se anunciasse uma guerra, e tudo o que pudesse ter som no mundo o maldito ônibus ensurdeceu. A minha curiosidade fazia tsss e fritava junto com o churrasquinho de gato próximo ao ponto de ônibus. Minha curiosidade subia com a fumaça e como fantasma ia me atormentando. Não tem a menor graça: curiosidade não saciada deforma a gente. A palavra-chave que me daria paz já havia sido pronunciada e não voltaria a ser dita. Senti que estava com cara de tacho e com os sentidos em desalinho. Faltou-me vestir a cara de pau e perguntar diretamente a eles o segredo que eu perdi. Por isso, agora, ou invento uma conclusão para mim mesmo, à guisa de alívio, ou fuço no Google, horas e horas, tentando encontrar algum texto que conclua a frase inacabada. Ou, talvez, quem sabe, eu prefira a com-

o máximo possível pra não perder aquela receita

panhia de uma interrogação. Meu

mágica de preservar a amizade em circunstância

ônibus chegou e, contrariado, segui

tão delicada. Fui me aproximando com mais cui-

meu destino.

dado ainda pra não demonstrar minha curiosidade

É preciso mais metrô nessa cidade!

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Revista Taxicultura - Edição 08  

Revista de Bordo para passageiros de táxi