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www.taxicultura.com.br

REVISTA

rd Leitura de Bo

Respeitável Público Na lona, no palco ou na rua o Circo é sempre uma festa!

Jussara Freire A arte que flui com a verdade

Feijoada

O prato mais tradicional continua insuperável!

Edição 05

Beleza

Hidratação: o desafio do inverno


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Agosto | REVISTA Tテ々I CULTURA

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EXPEDIENTE

Diretoria Adilson Souza de Araújo Davi Francisco da Silva Fábio Martucci Fornerón Isabella Basto Poernbacher (editora@portodasletras.com.br) Redação Editor Waldir Martins MTB 19.069 Edição de Arte Carolina Samora da Graça Mauro Bufano Projeto Editorial Editora Porto das Letras

Editorial

Reportagem Fernanda Grandino, Carolina Mendes, Miro Gonçalves e Valéria Calixto Colaboradores Fernanda Monteforte, Fernando Lemos, Ana Castro e Camila Silva

Respeitável Público!

Fotografia Davi Francisco da Silva

Cada vez menos visível dentro da paisagem urbana, a cultura do circo continua totalmente viva e em pleno processo de desenvolvimento na cidade. Um número expressivo de companhias e de artistas segue fiel ao trabalho de aprimorar e difundir a sua arte, abrindo novos espaços de apresentação, seja em teatros e casas de espetáculos, escolas, shopping centers, ou mesmo nos tradicionais picadeiros cobertos pela lona. Contudo, esse espaço de magia e encantamento esconde ainda um mundo de profissionalismo, onde tradição e modernidade se articulam para inserir esse universo dentro da atual indústria do entretenimento. No sentido de também dialogar com esse processo de criação, a entrevista com a atriz Jussara Freire, exemplo de sucesso nessa mesma indústria do entretenimento, revela a trajetória de uma artista que aposta na verdade, como o ponto fundamental para o desenvolvimento do seu trabalho. Mais do que a busca vazia pela fama e o estrelado, Jussara nos mostra a importância de investir no processo criativo.

Revisão Naira Uehara

Dentro da proposta de levar ao nosso leitor uma São Paulo nem sempre tão acessível, esta edição tem a satisfação de apresentar o clima intimista e aconchegante do Museu Lasar Segall. Um espaço praticamente escondido na Vila Mariana, onde os paulistanos podem iniciar um diálogo com as mais variadas manifestações artísticas, através de suas peculiares exposições e diferentes cursos oferecidos na área de gravura e fotografia. Na Agenda Cultural, vale à pena conferir as atrações do programa Revelando São Paulo, da Secretaria de Estado da Cultura, que, entre os dias 9 e 18 de setembro, trará para a Capital, no Parque do Trote, na Vila Guilherme, o XV Festival da Cultura Paulista Tradicional, com 140 estandes de artesanato e 90 de culinária, de várias regiões do Estado. Aproveitando que o mês de agosto marca o auge do inverno, a edição apresenta ainda algumas alternativas para quem aprecia uma boa feijoada, bem como cuidados a serem adotados para garantir uma pele macia e saudável durante o frio. No mais, leve o seu bichinho de estimação para receber a vacina contra a raiva e aproveite as dicas para deixar o seu apartamento tão confortável como se fosse uma casa de campo. Boa viagem e boa leitura! Os Editores

Fotografia de Capa Circo Benedito da Silva Divulgação

Publicidade Diretor Fábio Martucci Fornerón Assessoria jurídica Paulo Henrique Ribeiro Floriano Comercial Suporte Administrativo Ana Maria S. Araújo Silva Mayara da Silva Dias Bruna Donaire Bissi Assinaturas e mailling (assinatura@portodasletras.com.br) Impressão Wgráfica Tiragem 25.000 exemplares Distribuição Gratuita

TÁXI CULTURA é uma publicação da Editora Porto das Letras Ltda. Redação, publicidade, administração e correspondência: Rua do Bosque, 896, casa 24, CEP 01136-000. Barra Funda, São Paulo (SP). Telefone (11) 3392-1524, E-mail editora@portodasletras.com.br. Proibida a reprodução parcial ou total dos textos e das imagens desta publicação, exceto as imagens sob a licença do Creative Commons. As opiniões dos entrevistados publicadas nesta edição não expressam a opinião da revista. Os anúncios veiculados nessa revista são de inteira responsabilidade dos anunciantes.

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SUMÁRIO |TÁXI CULTURA

08

Onde fica?

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Bandeira Livre

Agenda

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Paulistanos

32 28 Beleza

Charme e Beleza

Horizonte vertical

ESPAÇO LEITOR

14

São Paulo: um mundo todo

34 30

Qualidade de vida

Tecnologia

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Especial

36 32 Morar bem

Morar Bem

22 16 38 36 Agenda

26 18 40 38

São Paulo Têm

Qualidade de Vida

Bandeira LIvre

Mundo Cão

Trilha urbana

Mundo&Cia

Capa

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Para nós sua participação é fundamental. Para enviar suas críticas, elogios, sugestões ou comentários basta enviar um email para: leitor@taxicultura.com.br Assim que recebermos sua mensagem entraremos em contato para atender a sua solicitação.

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Emanoel Araújo

Redação

Foi com surpresa que me deparei com a matéria sobre o nosso aclamado e desconhecido Emanoel Araújo nas páginas de um exemplar da revista Táxi Cultura. Não moro mais em São Paulo e ainda não fui ao Museu Afro Brasil. Contudo, ainda trago vivo comigo a emoção da visita que realizei à Pinacoteca quando da exposição do Rodin, organizada pelo atual curador do Afro Brasil.

Prezado Wellington

Wellington Martins

Nosso objetivo é abrir espaço para que a arte e a cultura possam se integrar de modo definitivo à vida da cidade. Por isso, muito nos honra poder apresentar e reconhecer o trabalho fundamental para a cultura brasileira, de personalidades como Emanoel Araújo. Atenciosamente, A redação


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Respeitável Público!

Cada vez menos visível dentro da paisagem urbana, a cultura do circo continua totalmente viva e em pleno processo de desenvolvimento na cidade.

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38 Jussara Freire

A arte que flui com a verdade

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22Bem-vindo aos

Feijoada

Embora haja controvérsia em Alpes Mineiros torno de sua origem e Nunc sollicitudin, nisl id curbibendum at placerat vitae, Monte Verde recebe as bênçãos da Jussara Freire faz parte daquele seleto invenção, a feijoada é de longe sus tempor, lorem dui conultricies et ipsum. Sed non natureza aos pés da Serra grupo de artistas que faz da arte um dos pratos mais tradiciosequat tellus, et placerat mi viverra lectus. Suspendisse da Mantiqueira e encanta os de representar um prazer para si nais da culinária brasileira. sem sit amet quam. Suspendsit amet augue lacus, vvisitantesvitae com seu ‘ar europeu’. e uma contribuição para todos nós. isse quam mauris venenatis ligula.

Gastronomia

Redação

Os ciclistas e o trânsito

Redação

Por que vocês não incluem receitas dos chefs nas matérias de gastronomia? Nem sempre as pessoas podem ir aos restaurantes, mas todo mundo pode fazer uma boa receita em casa.

Prezada Ana

Muito se fala da falta de educação dos motoristas, mas os pedestres e também os ciclistas também são responsáveis por muito dos acidentes na cidade. Outro dia um ciclista vinha cortando o trânsito e passou de forma abrupta na frente do meu carro. No farol disse que ele deveria ser mais cuidadoso. Ele então soltou um monte de palavrões para mim e chegou a me ameaçar. Fiquei quieta e segui viagem.

Prezada Maria Cláudia

Ana Paula Brito

Estamos negociando com alguns patrocinadores a publicação de um livro de receitas com os chefes que já entrevistamos nas várias edições das revistas Táxi e Táxi Cultura. Atenciosamente, A redação

Maria Cláudia Guimarães

Lamentamos profundamente o ocorrido. Não resta dúvida de que pedestres e ciclistas não estão acima da legislação de trânsito e também devem seguir as regras para transitar pelas vias públicas. Principalmente eles, que se encontram em uma situação de total desvantagem no nosso trânsito de todo dia. Atenciosamente, A redação

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ONDE

FICA?

O menino eo catavento Por Carolina Mendes

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monumento produzido pelo escultor O. M. di Palma, entregue em 1966 à cidade de São Paulo, refere-se à brincadeira e ao lazer. A obra faz parte de um acervo de três estátuas de bronze, as quais embelezam o campus da primeira instalação do curso jurídico no Brasil, junto às obras “O Idílio ou O Beijo” de William Zadig, e à “Herma de Álvares de Azevedo” de A. Zani.

Datada do início do Século XX, a obra “O menino e o catavento” é uma verdadeira homenagem a um tempo onde o brincar espontâneo ocupava livremente todos os espaços da rua

Esta obra instalada inicialmente no Parque do Anhangabaú, no início do século XX, mede 1,63 x 1,20 e seu pedestal é revestido de alvenaria de placas de granito. Em 2002, todo o conjunto arquitetônico do “Prédio Histórico”, onde está localizado, foi tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo - CONDEPHAAT.

Os primeiros 10 leitores que identificarem a localização da foto acima ganharão um par de ingressos para o teatro.

Sua resposta deverá ser enviada para o e-mail:

leitor@taxicultura.com.br

O resultado sairá na próxima edição junto com os nomes dos ganhadores.

Monumento Armênio Localizada na Praça Armênia, no Bom Retiro, o monumento foi idealizado a partir de uma homenagem às vítimas do genocídio ocorrido durante a Primeira Guerra Mundial. Produzido pelo escultor José Jerez Recalde no ano de 1966, a obra teve de ser restaurada devido constantes depredações e foi novamente entregue a população dia 25 de abril de 2010. A iniciativa partiu do Banco Induscred de Investimento S/S que decidiu patrocinar o monumento através do programa “Adote uma Obra Artística” oferecido pela Prefeitura de São Paulo.

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GANHADORES Sérgio Bernardo

Virgílio Andrade

Saulo de Souza Freitas

Carlos Roberto Simeão

Feliciano Feliz

Madalena Fagundes

Ariane Pereira

Caio Vicente

Nati Nah

Veronice Gouvea


PAULISTANOS

Por Waldir Martins

Jussara Freire A arte que flui com a verdade

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ona de uma carreira que nasceu nos palcos de teatro amador do ABC paulista no início dos anos 70, Jussara Freire faz parte daquele seleto grupo de artistas que, mais do que a busca desenfreada pela fama, faz da arte de representar um prazer para si e uma contribuição para todos nós, que podemos acompanhar e desfrutar de seus inúmeros sucessos, que não foram poucos. Sorridente, amável, despojada, franca, totalmente acessível e dona de um senso de humor delicioso, Jussara conversou com a Revista Táxi Cultura sobre a sua carreira, destacando sua paixão pelo trabalho de atriz no teatro e na televisão, e também do desafio que é fazer da arte uma opção de vida, em um país que valoriza a fama, ao mesmo tempo em que não reconhece de forma justa o valor do verdadeiro trabalho artístico e cultural.

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PAULISTANOS Táxi Cultura: Onde tudo começou? Onde você nasceu?

Jussara Freire: Essa é uma ótima oportunidade, porque todos os usuários de táxi de São Paulo vão poder saber, principalmente aqueles que entram na internet: Jussara Freire é Paulistana! Nasci em São Paulo, no bairro de Santo Amaro! Acho que devido ao sucesso da novela Pantanal, sempre é divulgado na internet que eu sou Matogrossense, o que também seria com muita honra, mas eu sou paulistana! Fui criada pelos meus tios aqui na Alameda Jaú, esquina com a Pamplona, porque mamãe ficou doente, ela tinha tuberculose, naquela época, nos anos 50, era uma doença quase que incurável. Depois fui para Ribeirão Pires, onde comecei a fazer teatro amador e, na época, era

um bom teatro amador. Era o teatro do colégio, se chamava Felício Laurito, onde comecei a fazer o clássico. Então conhecemos algumas pessoas de São Bernardo, uma cidade vizinha de Ribeirão Pires, onde fundamos o Centro Cultural Guimarães Rosa - isso no inicio dos anos 70. Na época chamávamos bons diretores pra nos dirigir, diretores de São Paulo. Um dia, um deles, o Roberto Vignati, que na época era assistente do Antunes Filho na Record me disse: Jussara, lá na Record eles estão precisando de uma cara nova, estão fazendo testes, você não quer ir? Fiz os testes, concorrendo com umas 80 atrizes, e não conhecia ninguém, muito menos Antunes Filho; pra mim ele não era nada, e passei! O texto era da Leilah Assumpção [Venha ver o sol na estrada], e essa foi a minha primeira novela profissional. Foi um marco, entrei na Record, na época do Paulo Machado de Carvalho, e me apaixonei pelo veículo.

Táxi Cultura: O que diferencia o teatro da televisão?

Jussara Freire: Fazer televisão não é fácil como as pessoas pensam; hoje em dia talvez seja - o que tem de paraquedista por aí é uma loucura - mas fazer uma boa televisão é muito difícil. No teatro, dependendo do diretor e do tempo disponível das pessoas, podemos ter dois, três meses de ensaio. Além disso, uma peça é repetida todos os dias e todos os dias permite essa experiência maravilhosa, que possamos descobrir alguma coisa diferente para colocar no personagem. No teatro todos os dias você pode acrescentar, melhorar, descobrir coisas novas, e isso até o último dia do espetáculo. Além disso, a plateia muda todo dia, então o espetáculo não é o mesmo todo dia, a reação da plateia é diferente. Por isso que a casa do ator é o teatro, a grande escola do ator é o teatro. Mas me apaixonei pela televisão! O que eu quero dizer com difícil é que, na televisão, você só tem um momento pra acertar, o diretor falou corta!, é aquela cena que vai para o ar e que milhões de pessoas vão assistir! Só as macacas velhas como eu, como brinco, para não dizer ou-tra coisa, que, quando percebemos que a coisa não está boa, aproveitamos para dizer coisas assim: ah desculpa vamos voltar, que eu achei que não tá bom. Ou então tossir no meio da gravação, enfim, faz qualquer coisa pra reiniciar a cena.

Táxi Cultura: O seu desejo de ser atriz virou profissão com a Record. Quais outros trabalhos que você tenha se apaixonado?

Jussara Freire: São tantos. Em televisão, paixão, paixão mesmo, óbvio que foi Pantanal, que é um marco dentro da história da televisão brasileira. É uma coisa antológica, foi uma coisa que na época bagunçou com a TV Globo. Enquanto isso, nós estávamos lá, no meio do mato, sem saber de nada. Nós éramos sucesso e não sabíamos.

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PAULISTANOS Então, acho que o marco na minha carreira televisiva, não posso negar, foi Pantanal. E também, Éramos seis, que achei maravilhoso! Aliás, eu fiz as duas versões, uma na Tupi e a outra no SBT, em papéis diferentes, obviamente. Cabocla também foi uma delícia de fazer, essa na Globo. No teatro, eu me lembro que eu fiz um grande sucesso, lá atrás, chamado Allegro Desbun, do Oduvaldo Vianna Filho. Adorei fazer Inseparáveis, com a Irene Ravache e o nosso amigo querido, falecido, Eduardo Conde, um texto de Maria Adelaide Amaral. E essa peça agora, Mambo Italiano. Na verdade, para mim, foi uma surpresa porque fiz a primeira leitura, mas comecei a fazer televisão. No entanto, o Ronaldo Diaféria, que é o produtor, também não produziu naquela época. Quando ele resolveu produzir, eu estava outra vez contratada pela Record e não podia fazer teatro com novela. Agora deu certo e queremos seguir com ela por um bom tempo.

Táxi Cultura: O que é ser atriz? Uma vez conversando com Ricardo Blat ele falou que faz teatro pra desenlouquecer.

Jussara Freire: Acho que ser ator é uma profissão como qualquer outra: médico, engenheiro, advogado; é uma profissão. Mas acho que os atores deveriam, o que não acontece, ser um pouco diferentes na maneira de agir, pois essa é a única profissão que te dá o direito de errar e acertar pelo personagem. Posso fazer uma louca, uma cientista, uma prostituta, uma freira; posso caminhar por todas as personalidades humanas, por todas psicopatias humanas e continuar com a minha sanidade, mas esse passeio pelo interior humano, pelo pensar humano me permite desenlouquecer, como disse o Blat. Justamente por isso, que nós, os atores e atrizes, deveríamos ser pessoas muito boas, que não houvesse puxão de tapete, que não houvesse vaidade exagerada, porque quando a vaidade, quando o ego é maior que o ator, isso é sinal que ele não tem tanto talento. Claro que vaidade é uma coisa boa, que tem que ter, porque se não ninguém subiria no pal-

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co para receber aplauso, mas ela não pode ser maior que o teu talento. Na realidade, ser ator neste país, não chega nem a ser uma profissão, antes é uma opção de vida, porque temos os panteões, que ganham muito bem, que graças a Deus estão ótimos, mas, por exemplo, o povo que malha só em teatro, tem que correr muito atrás do dinheiro. Esse glamour foi uma coisa inventada pela televisão, como foi inventada nos anos 40 por Hollywood, mas a profissão do ator aqui no Brasil é uma opção de vida. Muitos atores que conheço, no dia a dia terminam tendo que optar: ou eu pago essa conta ou não pago essa outra, e são pessoas que não vendem a alma, isso eu acho bárbaro.

Táxi Cultura: Eles mantêm o exercício do artista...

Jussara Freire: Exatamente, eu acho que o artista, de qualquer área, o artista verdadeiro, é um médico de almas, porque queira ou não queira eu estou tocando alguém com a fala. Por exemplo, a Maria, minha personagem no Mambo Italiano, deve estar tocando alguém em algum momento na plateia, o sentimento do riso, o sentimento da alegria, o sentimento da tristeza. Olha só que loucura que é ser ator, você tem uma varinha invisível que você toca no coração. Eu só acredito em arte no momento em que ela emociona, não importa se é com o riso ou se é com a lágrima, ou que ela incomode. Ela não pode ser apenas aquela coisa apenas cerebral, de racionalizar a arte, não pode. Você acha que Picasso poderia racionalizar: agora eu vou usar a tal metragem, pra fazer a tal pintura. Ou Leonardo Da Vinci falasse: ah não, agora eu quero que a Monalisa, tenha esse tamanho exato. Não! É uma coisa que brota.

Táxi Cultura: E como que isso funciona no teatro e na televisão?

Jussara Freire: Por isso que eu falo que o teatro permite que o ator se recicle, porque a televisão não tem tempo, o ator tem que cumprir uma margem de cenas por dia. Exatamente por isso ele tem que ser muito bom, porque às vezes você tem várias


PAULISTANOS cenas no mesmo cenário, onde você entra chorando, na outra cena já está rindo, na outra está brigando, na outra está amando. E você tem que viver várias emoções no mesmo dia; é muito cansativo. O que nunca nenhum ator, nenhum artista pode esquecer, é que ele é formador de opi-nião, então se eu falar que eu gosto de amarelo e tiver uma única pessoa que é completamente enlouquecida pela Jussara Freire, ela vai usar amarelo, então você percebe a importância que você tem em ser um formador de opinião. O ator também tem que tomar muito cuidado com o que ele fala. Não é se censurar, mas se preservar e ser exemplo. Já que você é uma pessoa pública, seja exemplo.

Um Tony Ramos, uma personalidade, muitas pessoas dizem que não é possível que ele seja tão bom moço, e ele é mais do que isso, porque eu o conheço pessoalmente, ele é ainda mais do que a gente vê. O Paulo Figueiredo, a mesma coisa, as pessoas também não acham possível que seja tão bom moço, e ele é mais do que isso; o mesmo com a Laura Cardoso, que é maravilhosa, sempre foi esse ser fantástico.

O artista verdadeiro é um médico de almas Táxi Cultura: As pessoas querem apenas a fama? Não estão preocuparas com a dramaturgia, com a música?

Jussara Freire: Acho que se estivessem preocupados com a música, não tinha gente fazendo rebolation. Quer vender, é dinheiro, din-din.

Táxi Cultura: Além disso acha que tem também o desejo de ser celebridade?

Jussara Freire: Eu não quero ser celebridade. As celebridades têm uma coisa de boa: a celebridade ganha em dois anos o que a gente demora trinta pra ganhar. Porque hoje um ex-BBB saí e ganha em um mês o que atores batalham um, dois anos, ou mais, é uma loucura essa coisa das celebridades. Eu tenho nojo. Essa coisa de celebridade não me interessa nem um pouco.

Táxi Cultura: E daqui pra frente, pra onde vai Jussara Freire?

Jussara Freire:

contrato longo, então acredito que no começo do ano que vem eu já deva fazer alguma coisa em novela. E a gente tem uma vontade, e eu acho que quando a vontade é muito grande acho que a gente consegue; de levar a peça Mambo Italiano para o Rio de Janeiro. É um texto [que trata do tema da homossexualidade de um modo] divertidíssimo, porque, como já dizia Gil Vicente, é rindo que se corrigem os costumes. Acho que essa peça, ao discutir esse tema desse modo, presta um serviço. Você vê um pai e um filho se abraçarem em um show e um homofóbico cortar a orelha do rapaz, por julgar que eles poderiam ser homossexuais. Então, na verdade, quem sai ganhando é a família que aceita a diversidade sexual do filho: vence a verdade. A verdade brota e é como água, porque água não tem jeito, ela vem, procura e, quando você vê, ela brota nos mais diferentes lugares. A verdade é assim, como a água, quando você menos espera, ela brota.

Sanidade e loucura Posso fazer uma louca, uma cientista, uma prostituta, uma freira; posso caminhar por todas as personalidades humanas, por todas psicopatias humanas e continuar com a minha sanidade.

Eu tenho contrato agora com a Record, um

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SÃO PAULO

UM MUNDO TODO Por Fernanda Grandino Hana Czeresnia

No Pé de Manga você mesmo escolhe o que mais deseja para o seu prato

Feijoada Embora haja controvérsia em torno de sua origem e invenção, a feijoada é de longe um dos pratos mais tradicionais da culinária brasileira uruguaios e, segundo o chef Alberico Batista, a feijoada não estabelece nenhum tipo especifico de vínculo com nenhum outro prato oferecido no cardápio. “A feijoada não tem relação nenhuma com o resto do nosso cardápio, não estabelece diálogo. Mas vários de nossos clientes pediram, então resolvemos incluí-la”, conta.

Contudo, há quem diga que, na realidade, o prato é fruto direto da adaptação da culinária portuguesa aos hábitos alimentícios do Brasil colônia. Isso porque, principalmente durante a época da mineração, se consumia muitas carnes salgadas como o charque e os miúdos, os quais - tanto suínos quanto bovinos - eram consumidos como verdadeiras iguarias, pondo abaixo toda a mística do caldeirão de feijão e pés de porcos fervendo nas senzalas. Há também a ideia de que a feijoada popularizada hoje se deve muito aos cariocas, por terem sido eles os responsáveis pela utilização do feijão preto na execução do prato.

Servida aos sábados em esquema de buffet, a feijoada do Bracia Parrilla procura seguir as receitas tradicionais para agradar o público que clamou por sua integração ao menu. O preparo é longo e cheio de etapas. As carnes ficam de molho por dias e depois são fervidas separadamente para tirar o sal. Depois disso são misturadas ao feijão, mas as peças de carne continuam separadas. “Acredito que isto é algo que agrada aos clientes. Com os ingredientes dispostos em panelas separadas, é o cliente quem escolhe o que vai saborear”, afirma o chef.

Exageradamente irresistível Seja como for, não há quem resista a uma boa feijoada, daquelas bem tradicionais que deixam até uma leve tristeza no espírito depois de tamanha fartura. É tão querida e amada por todos, que os clientes do Bracia Parrilla insistiram para que o prato fosse incluído ao cardápio da casa. Como sugere o nome, o restaurante tem entre seus carros chefes pratos de carnes com inspiração na culinária de nossos hermanos portenhos e

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Adilson Araújo

Servida em esquema buffet ou na forma tradicional, o preparo da feijoada é longo e cheio de etapas

Desde pequenos ouvimos na escola que a feijoada é um dos frutos da escravidão no Brasil: os senhores não consumiam as partes tidas como “menos nobres” do porco - pés, orelhas, língua e rabo - e, portanto, ofereciam-nas aos escravos, que preparavam um cozido junto com feijão preto.


SÃO PAULO

Adilson Araújo

UM MUNDO TODO

Para atender a solicitação dos clientes, a tradicional churrascaria Bracia Parrilla se rendeu ao sabor tipicamente brasileiro da feijoada

Já o Jordão Bar aposta na apresentação mais tradicional: tudo junto e misturado numa bela cumbuca de barro, com os deliciosos acompanhamentos ao lado: farofa, bisteca, couve manteiga refogada, fatias de laranja, molhinho de pimenta e torresminhos, tudo bem quente para espantar o frio do inverno. “É muito importante servir borbulhando, para chegar à mesa com uma excelente apresentação e sabor impecável”, conta o chef Valdemiro José Duarte. Duarte diz seguir as inspirações tradicionais para a execução do prato, mas aposta bastante em sua experiência adquirida ao longo dos 13 anos em que vem trabalhando no ramo gastronômico. Exemplo disso é a elaboração de uma versão light da feijoada, na qual utiliza peças mais magras, com pedaços menores de gordura. “Vivemos na era do light e diet. Todo mundo está sempre de dieta, e a preocupação com a saúde está cada vez mais em alta. Foram essas as principais razões para elaborar a feijoada light, e desde que inauguramos tem sido um sucesso!” explica.

A aposta no sabor O chef Julio César Morillo do restaurante Pé de Manga, por outro lado, não acredita muito na possibilidade da execução de uma feijoada tradicional menos calórica. “Se queremos manter os sabores da feijoada não podemos fazer muito para deixá-la light nem diet. A gordura é quem dá sabor ao prato, embora seja inimiga de quem faz regime”, afirma. Sua sugestão para evitar os quilinhos a mais está na forma de apresentação de seu prato: “Nós servimos o nosso buffet com os pertences separados, assim as pessoas que desejam comer a feijoada podem escolher o que comer e a quantidade desejada”. Nesse esquema de servir as carnes separadas ele destaca como se relaciona com as receitas tradicionais. Segundo as tradições, são utilizadas peças do porco que poucas pessoas gostam de ver servidas, como o rabo, os pés e as orelhas, mas o chef diz que são partes importantes para conferir sabor à receita: “A gente usa esses pertences

Carolina Mendes

para ‘saborizar a feijoada’. Muita gente não suporta vê-los no buffet, mas é com eles que mantemos basicamente os sabores primários do prato. Depois servimos separados e os clientes fazem suas escolhas”. Apesar das diferenças que cercam a preparação da receita, há um ponto de convergência que ninguém contesta: a caipirinha. Eleita pelos três chefs como a bebida que melhor acompanha o prato, a tradicionalíssima caipirinha de limão e pinga, fecha com chave de ouro a composição de um almoço que tem tudo para ser de comemo-

O Jordão Bar segue as instruções tradicionais de preparado da feijoada

Adilson Araújo

A saborosa e tradicional mistura

ração entre os amigos, além de ser uma forma eficaz para espantar o frio.

Onde comer: Bracia Parrilla Rua Azevedo Soares, 1008 - Tatuapé (11) 2295-0099 www.braciaparrilla.com.br Jordão Bar Rua Apucarana, 1452 - Tatuapé (11) 2671-0670 www.jordaobar.com.br Pé de Manga Rua Arapiraca, 152 - Vila Madalena (11) 3032-6068 www.pedemanga.com.br

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CAPA Por Waldir Martins

Respeitável Público! Presente no imaginário de crianças e adultos, o universo do Circo continua formando novos artistas capazes de levar alegria e sonho a milhões de expectadores

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parentemente menos visível na paisagem urbana, por conta da dificuldade de encontrar terrenos capazes de abrigar a grande lona e as dezenas de carretas, caminhões e trailers que formam uma companhia circense, a cultura do circo continua totalmente viva e em plena sintonia com a moderna indústria do entretenimento. Um número expressivo de companhias e de artistas segue fiel ao trabalho de aprimorar e difundir a sua arte, abrindo novos espaços de apresentação, seja em teatros e casas de espetáculos, escolas, shopping centers, ou mesmo nos tradicionais picadeiros cobertos pela lona. Contudo, esse espaço de magia e encantamento exige um crescente investimento dos seus integrantes, seja em tempo, dedicação e autosuperação, como também na incorporação de novas estratégias de administração e tecnologia. Quem assiste a um espetáculo circense nem imagina o intenso trabalho que cerca a realização de um espetáculo. Na realidade, a atividade no circo é constante e a qualquer momento é possível se deparar com artistas ensaiando seus diferentes números, com o objetivo de tornar cada espetáculo único. São equilibristas, malabaristas, trapezistas, contorcionistas, acrobatas, mágicos, ilusionistas e os eternos e engraçadíssimos palhaços. Para entender um pouco mais sobre o processo de transformação que atualmente se faz presente no mundo do circo, a Táxi Cultura conversou com representantes de diferentes grupos, como Circo Spacial, Acrobático Fratelli, Namakaca, Nau de Ícaros e a Companhia Brasileira de Circo, que diariamente trabalham no desenvolvimento dessa incrível arte. Acompanhe.

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Quem assiste a um espetáculo circense nem imagina o intenso trabalho que cerca a realização de um espetáculo. São equilibristas, malabaristas, trapezistas, contorcionistas, acrobatas, mágicos, ilusionistas e os eternos e engraçadíssimos palhaços.

a cultura do circo continua viva e em plena sintonia com a modernidade

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CAPA A emoção de tocar o público Cada dia mais inserido dentro do mundo da tecnologia, Márcio destaca o espaço privilegiado que o espetáculo circense desfruta frente a outras modalidades de arte e entretenimento, ao tocar e emocionar seu público através de um contato direto e ao vivo: “O circo é um lugar onde se somam muitas artes como dança, teatro, música e as artes acrobáticas circenses propriamente ditas. Ele funciona como um oxigênio nesse mar de informação digital em que estamos afogados atualmente”.

Circo Spacial: o primeiro circo-empresa Formado por 35 famílias e mais de 200 pessoas, o Circo Spacial é um dos mais tradicionais circos do Brasil e se preserva dentro de uma proposta itinerante, com seus artistas e funcionários morando em trailers, com mobílias e divisões que compõem uma casa completa, com cozinha, banheiro, quartos, além de TV a cabo, rede para internet e outros serviços de uma residência. Ao completar 25 anos de atividades, o Spacial já percorreu mais de duas mil cidades e, segundo Marlene Olímpia, diretora geral do circo, o Spacial se caracteriza hoje como empresa moderna, que se dedica exclusivamente à arte circense e trabalha para garantir um padrão internacional de qualidade em suas atrações. “Já enfrentamos as várias crises econômicas do país e a desvalorização da imagem do circo, mas, graças à persistência e ao talento, conseguimos superar tudo. Historicamente, ajudamos a crescer a produção cultural circense brasileira”, relata Olímpia.

A vida nos bastidores

Ainda segundo Duarte, outro diferencial do circo é sua capacidade de assimilar novidades, podendo se transformar em um espetáculo tecnológico, sem nunca perder sua característica de espetáculo de variedades , seja na forma de vender seus ingressos, seja no aprimoramento do trabalho em cena. “Dentre as inovações tecnológicas que incorporamos, nosso circo possui vendas de ingressos pela internet, além de contar com inovações na área técnica, de iluminação e sonoplastia, que mudaram muito depois do advento da tecnologia digital”, relata.

Grupo Namakaca Unidos desde 2004, depois de rodarem por várias companhias de circo e teatro contemporâneo de sucesso, como Nau de Ícaros, Circo Fractons, Pia Fraus, Circodélico, Acrobático Fratelli, Parlapatões, Circo Zanni, entre outros, os atores circenses, músicos e palhaços Montanha (André Carvalho, 39), Cafi (Cafi Otta, 32) e Cara de Pau (César Lopes, 35) conseguem aliar em seus espetáculos a juventude, a fantasia e a imaginação. Diferente da estrutura tradicional do circo, a troupe do Namakaca se coloca a serviço do riso em espaços diferenciados, seja em espetáculos na rua, nas escolas, nos teatros, ou mesmo no picadeiro. Segundo Cafi Otta, responsável pelo trabalho de divulgação do grupo e uma das referências do monociclismo nacional, com seu primeiro espetáculo “É Nóis na Xita”, o

Para Olímpia, morar no circo não significa ficar só em função dele. Mas zelar pela cultura, pela família e pela tradição da vida circense. “O cuidado diário de nossos filhos inclui a saúde, a alimentação e o acompanhamento dos estudos, pois temos orgulho de ter taxa zero de analfabetismo com as crianças nascidas no Spacial nestes 25 anos. Muitas crianças chegaram a passar por mais de 40 escolas em um único ano, mas hoje, os jovens da primeira geração já terminaram a universidade, inclusive meus dois filhos Jacson e Peterson. No nosso caso, um acordo firmado há vinte e cinco anos com a Rede Adventista garante a matrícula das crianças nas cidades onde houver uma unidade da escola; com um método único, o aprendizado fica melhor e mais fácil”, argumenta. A vida no circo também inclui lazer, com idas ao cinema e ao teatro – vale lembrar que muitos artistas de circo são também atores – além de passeios pelas cidades da região. “Um grande privilégio para as crianças circenses é poder conviver com culturas diferentes”, avalia Marlene.

Academia Brasileira de Circo A Academia Brasileira de Circo é uma escola de circo e um espaço para eventos que foi fundado em 12 de outubro de 2004, por profissionais oriundos do Circo Spacial. Hoje instalada na Av. Nicolas Boer, 120 - ao lado do viaduto Pompeia - conta com uma estrutura invejável e desenvolve seus próprios espetáculos, como a Turma da Mônica no Circo, atualmente em cartaz. “O Circo Spacial foi fundado em 1985 e através dos anos sempre manteve uma escola permanente em sua estrutura, voltada para os filhos de artistas e jovens interessados na arte circense. Mas, foi em São Paulo que surgiu a oportunidade de realizar o sonho de ter uma escola fixa para melhor atender um público especificamente interessado em Circo, e aí nasceu a Academia Brasileira de Circo”, declara Márcio Duarte, responsável pela área de comunicação da companhia.

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A Academia Brasileira de Circo materializou o sonho de construir uma escola para amantes da arte circense


CAPA de através de uma pesquisa de linguagem, lançar um olhar contemporâneo para a cultura popular brasileira, que muitas vezes é retratada de forma reducionista”, explica Roberto Haathner ,Ator e produtor executivo da Cia. Cênica Nau de Ícaros.

Um grupo enxuto e adaptável

grupo realizou mais de 500 apresentações com entrada franca, levando alegria e cultura para cerca de 250.000 espectadores de todo o Brasil. “O Namakaca anda no caminho contrário das grandes mídias, e leva a sério o riso como função social. Seus espetáculos são quase sempre dirigidos à população mais carente e às comunidades com pouco ou nenhum acesso a atividades culturais”, relata Otta.

Trabalho árduo e dedicação total Mas, para quem acha que para atuar como palhaço ou artista de circo basta ficar fazendo gracinhas, Otta previne que o caminho é muito árduo e exige dedicação total: “Para se transformar em um artista de circo é preciso um envolvimento de corpo e alma. É preciso muito ensaio, muita repetição e muita responsabilidade com essa arte milenar. É imprescindível pesquisar e ensaiar muito. Artistas de circo da China começam aos 4 anos de idade e tem uma disciplina militar”. Contudo, Otta ressalta que não existe uma regra fixa e qualquer um pode se aventurar nas artes circenses. “Existe uma magia em torno do universo do circo, que atrai as pessoas, como em nenhum outro evento. O fato dos artistas circenses executarem tarefas inicialmente impossíveis aos olhos dos espectadores faz com que se crie um pacto entre artista e público. Seduzindo muita gente para levar a vida de circo”.

Nau de Ícaros A Nau de Ícaros é um grupo de teatro e circo contemporâneo, que também não utiliza a lona de circo tradicional. Aliando o conhecimento e a prática de um projeto inicialmente batizado como “Nau de Ícaros” – que terminou ficando como nome da troupe – o grupo iniciou os seus trabalhos em 1992, e foi responsável pela criação e produção de inúmeros espetáculos, bem como pela idealização e gestão de um espaço de investigação e pesquisa, que permite a realização de um processo de intercâmbio de linguagem com diversos artistas, grupos, diretores e público. “Nossas indagações e pesquisas acerca do universo circense e da cultura popular refletem o desejo de encontro com o público através da celebração, do resgate dos ritos e símbolos brasileiros e da energia festiva, elementos presentes nesses dois universos, tão esquecidos e distantes dos grandes centros urbanos. Desse modo, nosso trabalho se caracteriza pela necessidade,

Com um elenco fixo de sete artistas criadores e outros que participam de espetáculos e trabalhos realizados, dentre eles músicos, palhaços e malabaristas, a troupe aposta no desenvolvimento de novas linguagens, como forma de garantir a sua inserção dentro da atual indústria do entretenimento. “O Circo em toda a sua história sempre foi um espaço de atualização e contemporaneidade. Uma companhia estável tem que criar novos espetáculos e produtos com regularidade, até por questão de sobrevivência, senão não tem repertório para sustentar sua estrutura, pagamentos de elenco e outras inúmeras despesas. No meio cultural há espaço para todos, desde os pequenos grupos até as grandes produções, desde que haja uma organização e produção para isso”, pondera Haathner. Nesse processo, Haathner destaca ainda o circo como um espaço de experimentação onde se incluem diversos tipos de tecnologias. “Nosso grupo, que tem diversas linguagens integradas nos espetáculos, se utiliza, por exemplo, de projeções de vídeo em alguns deles. Os números aéreos se integram perfeitamente a essas tecnologias e ajudam bastante na composição e fotografia final. Desse modo, no nosso caso, as novas tecnologias ajudam de maneira positiva”, destaca.

Acrobático Fratelli O Acrobático Fratelli vem aprimorando o olhar sobre a arte circense, sendo uma dos pioneiros no Brasil na busca de uma forma contemporânea e inovadora de se fazer Circo, com toda a diversidade artístico-cultural presente nessa atmosfera. O grupo sempre valorizou e promoveu o diálogo com outras linguagens como o teatro, a dança, a música e as artes plásticas, além de priorizar a qualidade técnica e estética no processo criativo de seus números e espetáculos. Reconhecido por misturar diferentes manifestações artísticas, o Fratelli tem conseguindo recriar o circo e surpreender o público a cada apresentação. Segundo Kiko Caldas, ator e responsável técnico pelas montagens, a participação do grupo em eventos, shows, performances e oficinas, passando por áreas de atuação distintas como a do audiovisual, incluindo o cinema, a televisão, os efeitos especiais e a fotografia, foi fundamental para formatar e incrementar seu repertório, que inclui elementos com simplicidade plástica até recursos de virtuoses corporais, acrobáticas e aéreas.

A busca pela excelência “O circo trabalha muito com a alegria e com a superação do ser humano; através do riso, que sempre fascinou e sempre vai fascinar o homem, o circo viaja por universos oníricos que encantam principalmente as crianças, mas não menos os adultos. Ele é um exlcelente progrma familiar”, ressalta Caldas. Focado na busca da excelência em cada nova atração, o responsável pelas montagens do Fratelli destaca o uso da tecnologia como um elemento que a cada dia ganha espaço no desenvolvimento de novos números da troupe. “Alem dos equipamentos de luz e som cada vez mais modernos, temos usado muito toda tecnologia virtual disponível; as projeções estão cada vez mais presentes nos espetáculos, mas o que destaco é a evolução nos equipamentos de segurança, que nos permite ousar mais, mesclar números”, finaliza.

Serviços Circo Spacial Locais, horários e reservas www.spacial.com.br fone: 11 7820 7697 Academia Brasileira de Circo Avenida Nicolas Boer, 120 – Viaduto Pompeia – São Paulo www.academiadecirco.com.br Fone: 11 2076 0087 / 0001 Grupo Namakaca Locais, horários e reservas www.namakaca.com.br Fone: 11 2945-2127 Nau de Ícaros Locais, horários e reservas www.naudeicaros.com.br/ contato.html Fone: 11 3213-0270 / 7810-9944 / 9799-4713 Acrobático Fratélli Rua Nápolis, 345 – Cotia www.acrobaticofratelli.com.br Fone: 11 4612-9960 / 2698

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AGENDA Agosto XV Festival da Cultura Paulista Tradicional A cultura e a arte paulistana podem ser conferidas em sua forma mais tradicional no XV Festival da Cultura Paulista Tradicional, evento realizado pela Secretaria de Estado da Cultura dentro do programa Revelando São Paulo, como uma forma de apoiar a preservação do patrimônio imaterial composto por folguedos, danças, festas, artesanato, culinária e outras manifestações essencialmente paulistas. A produção é feita pela organização social Abaçaí Cultura e Arte. O XV Festival da Cultura Paulista Tradicional acontecerá no Parque do Trote, na Vila Guilherme, zona norte da Capital, com 140 estandes de artesanato e 90 de culinária, de várias regiões do estado. Ao longo dos 10 dias de festival, estão previstas dezenas de apresentações folclóricas e artísticas.

Danças, festas, culinária e outras manifestações

Parque do Trote – Vila Guilherme De 9 a 18 de Setembro

Das 09 às 21h | Informações: www. revelandosaopaulo.org.br

Fone: (11) 2627 8166

EVENTOS “Hiroshima e Nagasaki: um agosto para nunca esquecer”

Exposição – “No Ateliê de Portinari: 1920-45”

Para retratar o momento mais trágico da história mundial vividos h á 65 anos, o curador Dr. Ruy Tanigawa, secretário-geral da Associação Paulista de Medicina, reuniu um acervo de imagens, textos informativos, documentários e animações japonesas.

Sob Curadoria de Annateresa Fabris, o MAM recebe uma mostra de Candido Torquato Portinari. Com 90 obras, separadas em cinco módulos.

Associação Paulista de Medicina Brigadeiro Luís Antônio, 278 – São Paulo 2 de agosto a 30 de setembro Entrada gratuita As visitas devem ser agendadas mediante inscrição pelo fone ou e-mail no período das 12h às 21h; Fone: (11) 3188-4304 Informações: pinacoteca@apm.org.br

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Museu de Arte Moderna Parque do Ibirapuera, portão 3 - s/nº Terça á Domingo - das 10hrs ás 17hrs Até 11 de Setembro Preço: 5,50 - Aos domingos a entrada é franca - Sócios do MAM, crianças até 10 anos e adultos acima de 65 anos não pagam. Fone: (11) 5085-1300 Informações: www.mam.org.br/2008/portugues/default.aspx


AGENDA AGOSTO

EVENTOS Espetáculo “O Disfarce do Ovo” O grupo Coletivo Teatro Dodecafônico cria uma reação ao universo epifânico de Clarice Lispector a partir dos contos “A Legião Estrangeira” e “O ovo e a Galinha” Centro Cultural São Paulo Vergueiro Rua Vergueiro, 1000 – Paraíso Espaço Missão (40 lugares) Estréia: 6 de agosto á 11 de Setembro Sábados, às 21h; domingos, às 20h Preço: R$10,00 Fone: (11) 4003-2050 Faixa Etária 14 anos Informações: www.centrocultural.sp.gov.br

“Carne – Patriarcado e Capitalismo” Um espetáculo politico, contestador e critico que apresenta a realidade de muitas mulheres que fazem do seu dia uma tripla jornada de trabalho.

Krajcberg, o Homem e a Natureza no Ano Internacional das Florestas Em comemoração ao 90º aniversário do artista plástico polonês – naturalizado brasileiro – Frans Krajcberg, o curador Emanuel Araújo reúne entre esculturas, relevos e fotografias 31 trabalhos do artista. Museu Afro Brasil Av. Pedro Álvares Cabral, s/n - Parque do Ibirapuera, Portão 10 – São Paulo 8 de julho a 6 de novembro Terça a domingo – das 10h às 17h Entrada franca Fone: (11) 3320 8900 Informações:www.museuafrobrasil.org.br

Teatro Coletivo Rua da Consolação, 1623 – Centro – São Paulo 13 de Julho á 28 de Agosto Sextas e Sábados ás 21hs – Domingos ás 20hs Preço R$ 12 Fone: (11) 1617 1690/ (11) 7177 3810

Era Uma Vez

Exposição “Olhar com outro olhar” Uma mostra que pretende explorar o universo dos deficientes visuais através de recursos sensoriais – braile, relevo, alto-contraste, maquete tátil e áudio descrição – integrando-os ao “mundo da bola”. Museu do Futebol Praça Charles Miller, s/nº - Estádio do Pacaembu 18 de Junho a 18 de Setembro – das 9h as 18h Preço: R$3 a R$6 – às quintas é gratuito Fone: (11) 3664-3848 Informações: www.museudofutebol.org.br

Todos os domingos, o Continental Shopping promove o projeto Era Uma Vez, com apresentações teatrais infantis que prometem diversão para toda família. Dia 07 – Uma princesa em apuros Dia 14 – Um dia inesquecível para papai Dia 21 – Saciricando com as Lendas Dia 28 – Um fantasma carente que tem medo de gente Continental Shopping Av. Leão Machado, 100 (altura do 6.300 da Av. Corifeu de Azevedo Marques) Jaguaré - São Paulo - 3º piso – Palco Continental Todos os domingos - às 11h30 Entrada Gratuita Agosto | REVISTA TÁXI CULTURA

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Divulgação

SP

TEM Por Fernanda Grandino

Museu Lasar Segall Mais do que uma obra, o artista plástico Lasar Segall legou um museu e centro de arte e cultura para a cidade de São Paulo

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ascido na Lituânia em 1891, Lasar Segall chegou ao Brasil em 1912, e rapidamente se integrou à cena modernista que emergia na cidade de São Paulo, conquistando amigos como Mário de Andrade e Manuel Bandeira. Até sua casa, projetada por seu cunhado, o arquiteto Gregori Warchavchik, no bairro da Vila Mariana, zona sul de São Paulo, onde mantinha seu ateliê, era uma obra modernista. Muito versátil em seu processo criativo, a obra de Segall conta com peças de pintura, gravura, escultura, desenho, além de móveis, cenários para produções cênicas, bem como figurinos, que criou para produções como o “O mandarim maravilhoso” e “Sonho de uma noite de verão”, encenadas no Teatro Municipal. Devido ao fato de Segall não vender muitas de suas obras, o acervo que mantinha em casa e no ateliê era riquíssimo.

Um museu em casa Com sua morte em 1957, graças ao empenho de sua esposa Jenny Klabin Segall, teve início um árduo trabalho de sistematização de sua obra. O propósito era fundar um museu com todas suas obras na casa da Vila Mariana e, junto com isso, criar um espaço de fomento à cultura e arte de forma geral, disponibilizando diversas atividades e cursos em várias áreas da expressão artística. Inaugurado em 1967, o museu se manteve até o ano de 1984 como uma iniciativa privada, gerida principalmente pela família Segall, quando, naquele ano, a família decidiu doar todo o acervo da instituição, que incluía a própria casa, para o Governo Federal, tornando o museu uma instituição pública.

Um centro de produção e difusão cultural PPara Selene Cunha, 49 anos, assessora de comunicação do museu, o caráter de casa de cultura, tão forte no Lasar Segall, é o maior diferencial do espaço, que oferece uma gama de alternativas culturais gratuitas e de excelente qualidade. Além 26

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de exposições, no geral de artistas que estabelecem algum diálogo com a obra de Segall, o frequentador pode curtir sessões de cinema e cursos nas áreas de gravura (em metal, xilogravura, litografia), criação literária e fotografia. Para unir todos esses universos, o Café Segall proporciona uma atmosfera de confraternização entre o público. “Muitas pessoas acabam conhecendo o museu por acaso. Vêm ver um filme que só está em cartaz aqui, aí tomam um café, dão uma olhada na exposição, leem algo na biblioteca, e acabam se encantando pelo espaço. E voltam”, explica Selene.

Cultura e diversidade Toda a atmosfera do museu é agradável e aconchegante. A Biblioteca é especializada na temática “A arte do espetáculo” com publicações sobre cinema, teatro, dança, ópera, circo, rádio e televisão, além de diversos documentos sobre a vida de Lasar Segall. O Cine Lasar Segall, que teve papel crucial na história dos cine-clubes de São Paulo, ao exibir filmes proibidos durante o regime militar, hoje atrai um público diferenciado, que procura fugir do lugar comum dos shopping centers. Finalmente, os cursos são oportunidades para quem busca ter um maior contato com a arte e a cultura. Com aulas semanais e duração semestral, as inscrições estão abertas e podem ser feitas na recepção do museu. Basta levar um documento com foto e pagar a taxa de matrícula de R$120,00, para auxílios burocráticos.

Serviço Endereço : Rua Afonso Celso, 362 Vila Mariana - São Paulo, 04119-000 Telefone: (11) 5574-7322


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O Pico Selado é um dos pontos mais altos de toda região e atrai inúmeros visitantes que podem desfrutar de uma visão incrível da serra

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Acervo AHPMV

BANDEIRA

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Por Celina Cardoso

Monte Ve r de Bem-vindo aos Alpes Mineiros

Monte Verde recebe as bênçãos da natureza aos pés da Serra da Mantiqueira e encanta os visitantes com seu ‘ar europeu’

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penas 170 km separam São Paulo desta vila mineira emoldurada pela Serra da Mantiqueira. Com paisagens e ares alpinos, Monte Verde é capaz de promover um encontro raro e harmônico entre bucolismo e aventura. Sob as bênçãos da natureza, tornou-se destino consagrado por casais, famílias e amigos, especialmente na temporada de inverno. Distrito pertencente à cidade de Camanducaia, Monte

Verde justifica a fama de estância climática por numerosas credenciais. Está a 1.554 metros acima do nível do mar e apresenta temperaturas muito baixas no inverno (algumas noites podem chegar bem próximo a zero). Mas o clima típico é apenas parte da associação com a Europa. Colonizada por letões, alemães e italianos, a vila conserva a gastronomia e a arte do Velho Mundo, muito bem casadas com a hospitalidade de excelência e a culinária mineira.

Administrado com toda competência, o ecoturismo é uma das marcas registradas da região

Os ares de Monte Verde formam a atmosfera certa para o romance. O clima frio atrai casais apaixonados em busca do cenário ideal para o namoro, com benesses como o pôr do sol nas montanhas, as lareiras, as caminhadas e os passeios a cavalo. Os restaurantes da vila também dão sua contribuição, deixando as luzes baixas e a iluminação por velas, com direito a uma variada carta de vinhos.

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BANDEIRA

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Romance, caminhadas e delícias na mesa

A vista de Monte Verde a partir do cume de seus picos é uma das atrações para os turistas

Além do romantismo, as montanhas e a natureza inspiram aventura. O destino compreende 700 alqueires, dos quais 500 fazem parte da Área de Proteção Ambiental (APA) Fernão Dias. Exibe rios, cachoeira, picos e trilhas para caminhadas, quadriciclos, motocross e mountain bike. As trilhas mais famosas são as que levam para a Pedra Redonda, Platô, Chapéu do Bispo, Pico Selado e Pedra Partida, de onde é possível ter uma vista panorâmica. A vila tem também circuito de escalada, boiacross e arborismo. Monte Verde surpreende não só pelas belezas naturais. A união entre a gastronomia e as influências europeias fazem da vila uma parada obrigatória para quem aprecia uma boa comida. Mas, se tivéssemos de eleger pratos típicos, com certeza seriam a truta e o fondue. O peixe - que só sobrevive em águas puras, livres de poluição - está presente em diversos cardápios e alguns restaurantes contam, inclusive, com viveiro próprio. Já o fondue não teria lugar melhor para se estabelecer. Impossível ir embora sem provar um dos dois.

Na trilha da aventura

Acervo AHPMV

O ecoturismo é uma das marcas registradas da região. Beneficiada por sua geografia, montanhas, morros, picos, trilhas e cachoeiras, a vila não decepciona o visitante em busca de uma boa aventura. E tem para todo mundo, dos sedentos por um desafio àqueles que preferem evitar a fadiga. Além das atrações naturais, Monte Verde conta com uma pista de patinação no gelo que funciona o ano inteiro.

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Para começar a caminhada, a sugestão é seguir a trilha para a pedra Chapéu do Bispo. O início é íngreme, mas a rota torna-se plana ao longo do caminho. Por ser a mais fácil e mais curta, é indicada para toda a família. Antes de chegar ao topo, algumas bifurcações dão acesso a pequenos mirantes. O Platô, segunda trilha mais movimentada com 1900 metros, é o próximo destino a ser explorado. O acesso ao Platô é inclinado até o topo e dura em média duas horas. Durante o percurso, é aconselhável parar para descansar, tomar uma água e aproveitar os mirantes, sempre tomando os devidos cuidados com as pedras irregulares. Depois do aquecimento pelas trilhas mais fáceis, chega o momento de encarar a Pedra Redonda. É a trilha mais conhecida e frequentada de Monte Verde, mesmo com a subida acentuada. O caminho até o cume é revestido por contenções para garantir ainda mais segurança. Por conta da altitude, 1.990 metros, os ventos são fortes e exigem um agasalho. A pedra também pode ser escalada. As dificuldades da subida são todas esquecidas quando se alcança o topo, completamente plano.

Desafios do Ecoturismo Quem não dispensa uma vista verdadeiramente espetacular não pode deixar de ir para a Pedra Partida e para o Pico Selado. O começo da caminhada para a Pedra Partida apresenta trechos com piso bem irregular e possibilita avistar alguns abismos. A recompensa é quase


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LIVRE

O Pico Selado é para os mais dispostos. São cinco horas rumo ao ponto mais alto de Monte Verde. Quem chega lá pode deixar seu nome escrito no ‘livro do cume’, que fica guardado em uma caixa no topo do Pico, de onde muita gente costuma reverenciar o pôr do sol. Além das trilhas, Monte Verde conta com uma boa infraestrutura para o ecoturismo e o visitante pode requerer um guia junto às diversas empresas do ramo para aproveitar melhor as atrações.

Para repor as energias Monte Verde oferece um saboroso prêmio para quem se aventura por suas montanhas. Depois de tanta atividade física, nada melhor do que repor as energias com uma comidinha bem gostosa. São mais de 100 restaurantes que oferecem pratos típicos brasileiros, alemães, portugueses, italianos e franceses. Os visitantes também podem se deliciar nas casas de chá e nas lojas de queijos, doces e geleias espalhadas pelas ruas. Não é incomum sermos abordados na rua para provar um ‘tantinho’ das delícias da vila. A hospitalidade dos moradores deixa as receitas ainda mais gostosas, como as cervejas e chocolates artesanais.

Um lugar que também respira arte Sobram também opções culturais para arejar as ideias. É impossível caminhar pela vila sem notar os diversos ateliers e os trabalhos dos artesãos locais. São trabalhos com técnicas e materiais variados, que revelam a forte influência europeia. Mesmo antes do crescimento do turismo, os artis-

Onde ficar Para se hospedar, a cidade conta com uma moderna estrutura hoteleira, capaz de atender os mais diferentes gostos e bolsos. Desde pousadas mais simples até chalés diferenciados, com hidromassagem e vista panorâmica. Junte-se a isso uma rede de hotéis que unem sofisticação e excelentes serviços, cozinha com padrão internacional e construídos no meio da serra. De maneira geral as tarifas incluem café da manhã, internet sem fio, TV a cabo, acesso a espaços como piscina, salão de jogos, sauna e vagas de estacionamento.

tas já costumavam receber os poucos visitantes em seus ateliers. Ainda hoje Monte Verde conserva essa tradição, que proporciona ao visitante poder acompanhar a arte em seu desenvolvimento.

Acervo AHPMV

indescritível. Com visão de 360º, o topo nos faz poderosos e oferece a privilegiada sensação de termos o Vale do Paraíba e a Serra do Mar aos nossos pés.

O bauernmalerei é a técnica artística em cerâmica mais presente. De origem alemã e disseminado na Hungria e Suíça, este estilo traz motivos campestres com traços bem definidos e diversidade de cores fortes que retratam flores, pássaros e frutas.

Cursos e exposições A ceramista húngara Ilona Koltai foi o nome mais evidente do bauernmalerei em Monte Verde até sua morte. Por sua importância, Ilona foi homenageada com uma placa no Muro da Fama, situado na Rua da Represa, 1.307. Hoje em dia, Carmen Osterne é a mais importante representante da técnica em Monte Verde. Entusiasta do bauernmalerei, Osterne já fez várias viagens ao exterior para pesquisar o estilo. Além de ministrar cursos sobre o assunto, a artista já expôs seus trabalhos em museus e centros culturais especializados. Adelino Macedo Rodrigues, o Lelé, é filho e mestre de ceramistas e instalou-se em Monte Verde depois de morar em São Paulo e outras cidades. Todos são bem recebidos em seu local de trabalho, onde Lelé ministra aulas de cerâmica e biscuit. Quem aprecia obras de arte não tem do que reclamar. Além dos ateliers sempre dispostos a receber viajantes, a vila abriga a Unger’s Pottery House Art Gallery. O espaço recebe os trabalhos tanto de artistas da região quanto internacionais. Cenário de forte influência japonesa, lá expõem as artistas japonesas Yuko Fusse e Miyako Harada, a sansei Yvone Shirahata, e a nissei Massaco Koga.

O clima é ameno o ano todo. Quando fizer as malas, coloque roupas para o calor e para o frio. É importante levar um agasalho para as caminhadas mesmo nos dias quentes, pois no fim da tarde as temperaturas baixam de forma brusca.

O bauernmalerei é uma das artes tradicionais de Monte Verde

Antes de embarcar, não deixe de visitar o site

www.monteverde.com.br

Como chegar Chegar a Monte Verde é fácil. Quem vai de carro a partir de São Paulo deve deslocar-se da Fernão Dias até Camanducaia (utilize a saída 918). A partir daí, basta seguir as placas de sinalização. De Camanducaia a Monte Verde são 30 quilômetros. Para quem planeja ir de ônibus, a viação Cambuí

tem partidas diárias do Terminal Rodoviário do Tietê com destino a Camanducaia e em seguida para o distrito. O carro das 15h é o último que garante ao visitante chegar a tempo de pegar ônibus para Monte Verde.

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BELEZA

Divulgação

Por Carolina Mendes

Hidratação: o desafio do inverno Durante o período de frio é fundamental estabelecer uma rotina diária de cuidados para garantir uma pele bonita e saudável

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esta época de frio e muita poluição é preciso dedicar cuidados especiais para a cobertura mais importante que temos: a nossa pele. Para isso é preciso estar atento a alguns detalhes importantes como evitar vento gelado, buscar formas de hidratação na baixa umidade, fugir dos banhos super quentes e também evitar ficar o tempo todo com o corpo coberto de roupas, caso contrário não há pele que sobreviva saudável, macia e perfumada. Para aliviar a sensação de ressecamento causada por todos estes fatores é importante contar com produtos de qualidade para o corpo e banho, ricos em nutrientes e desenvolvidos especialmente para aquelas áreas que mais precisam de hidratação – joelhos, calcanhares e cotovelos.

Saiba escolher seus aliados A correria do dia a dia não é mais desculpa para que as mulheres deixem de adotar esse conceito de beleza e saúde. Mesmo as executivas mais atarefadas podem dispor de alguns minutos para higienizar, tonificar e hidratar a pele de forma adequada. 32

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BELEZA Para a dermatologista Isabel Luiza Piatti, diretora técnica de estética da Buona Vita, os cosméticos que prometem maior eficácia devem ser elaborados a base de óleos e manteigas vegetais, ricos em nutrientes e que hidratam toda a pele, pois criam um manto muito semelhante à camada hidrolipídica da pele que, por suas propriedades naturais, facilitam a absorção de outros ativos. “Já os óleos minerais têm grande potencial de desencadear reações adversas, como irritabilidade e sensibilização à pele; além de tapar os poros, os óleos não permitem a permeabilidade dos ativos, pois apenas lubrificam a pele, dando falsa sensação de hidratação”, relata.

Uma rotina de cuidados Segundo Piatti, uma boa rotina de cuidados do rosto começa logo pela manhã, pela higienização da pele com um sabonete neutro, seguida de aplicação de uma loção tônica. A finalização é feita com hidratantes ricos em ativos nutritivos, geralmente encontrados com filtros solares em sua composição, que cumprem as funções de revitalizar e proteger a pele contra os raios UVA e UVB.

No período da noite a pele precisa ser igualmente vitalizada com um mínimo de conforto. Nesta ocasião a dermatologista recomenda o uso de um bom demaquilante e produtos indicados para a regeneração do tecido cutâneo (confira se os produtos de sua confiança estão de acordo com a tabela abaixo). Para melhor absorção do produto, profissionais aconselham hidratar-se sempre após o banho, que é o momento em que os poros estão mais dilatados, ideal para repor a camada lipídica – proteção natural da pele que é retirada durante o banho.

Raios Solares do Inverno Mais importante do que o hidratante, só o protetor solar, que, por sua vez, deve ser utilizado tanto no corpo como no rosto. “Principalmente nas mãos para quem está sempre dirigindo, exposto a raios solares”, recomenda Piatti. A dermatologista ainda explica a importância de esfoliar a pele semanalmente: “A esfoliação é fundamental para que as células mortas sejam retiradas da pele e o tecido esteja sempre pronto para receber novos princípios ativos”.

Retardar o envelhecimento Para outra especialista, Vanessa Schroeder, gerente da categoria de cuidados pessoais d’O Boticário, a falta de cuidados termina por deixar a pele mais vulnerável perante agressores externos. No entanto, destaca que é possível conseguir uma pele saudável agregando uma rotina equilibrada de acordo coma seu tipo de pele, mantendo-se feminina e sensual o ano inteiro.

Veja qual a finalidade dos principais ativos que contribuem para uma pele hidratada: Physiogenyl – extremamente nutritivo; Phicojuvenine – Faz a proteção das células-tronco adultas e previne o envelhecimento; Hidroxiprolisilane CN – rico em aminoácidos e silícios orgânicos, elementos fundamentais para a revitalização cutânea; Ureia - potencializa a retenção da água; Silicone ou dimethicone — impede a perda de água, mantendo a pele hidratada ao longo do dia; Ácido glicólico - promove um amaciamento da camada de pele mais dura, indicado para regiões mais ressecadas, como os pés e as mãos; Óleo de avelã — funciona como um lubrificante, assim como glicerina; Pantenol - tem ação cicatrizante e regeneradora.

Para Schoroeder, outra boa alternativa de beleza para pele pode vir através de produtos derivados de vegetais, gingko biloba, ou ainda de frutas como uva e laranja, por sua capacidade de proporcionar uma ação antioxidante para pele, mantendo-a firme e livre de problemas. “A textura leve e agradável dos produtos para o rosto é um incentivo para as mulheres que querem iniciar um tratamento de beleza de forma prática e segura. Eles também possuem tamanho adequado para carregar na bolsa e refil prático para reposição”, explica a gerente d’O Boticário. Para finalizar, a dermatologista Piatti recomenda uma dose diária de vinho – uma taça – como forma de combate aos radicais livres, graças à ação de polifenóis existentes na uva.

Alguns hábitos saudáveis são essenciais em todas as épocas do ano, mas devido à correria do dia a dia acabamos nos esquecendo; mas não se preocupe, a Revista Táxi Cultura lembra você: - Tome água regularmente; - Mantenha uma alimentação equilibrada, rica em frutas e verduras; - Evite cigarro e bebidas alcoólicas; - Tenha boas noites de sono.

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QUALIDADE

DE VIDA

Por Fernanda Monteforte

Viver bem é uma questão de escolha Você já parou para refletir que a realidade nada mais é do que a leitura que se faz dela?

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iver bem é apenas uma questão de escolha. A mesma situação adversa que poderia ser motivo de lamúrias incessantes, reclamações e constante processo de autovitimização pode se transformar em um degrau rumo ao sucesso e ao aprimoramento pessoal. Já que os obstáculos estão presentes na vida de todos, sempre é muito mais saudável optar por aprender com eles, do que ficar imobilizado em uma situação de subserviência. Afinal, são as adversidades que nos trazem agilidade e reforçam nosso poder interno; são elas que resgatam nosso espírito de luta e de defesa, chacoalham nossa existência temperando-a com a possibilidade de, a cada dia, nos tornarmos pessoas melhores. Se nos colocamos passivamente à mercê das circunstâncias, a vida nunca irá acontecer de forma plena e sempre ficará faltando um pedaço. Mas, se conseguimos enfrentar um infortúnio de frente, sem justificativas para fugir do revés, teremos ao menos a satisfação de saber que somos donos da nossa própria vida, e que sim, temos condições de enfrentar as contrariedades. Ganhar e perder faz parte do jogo.

Assuma as suas escolhas: basta um piscar os olhos e a realidade será outra! Fernanda Monteforte é consultora de qualidade de vida e ministra aulas do Método DeRose. fernanda.monteforte@metododerose.org

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Ao travar contato com um problema evite reagir por impulso. Aprenda a confiar na sua capacidade de superação e não se lastime. Se mantiver a calma e o foco na questão, sem se dispersar na busca por culpados, por exemplo, logo perceberá que as res-

postas estão acessíveis e que você sempre terá alternativas frente às mais diferentes crises. Contudo, para tirar o melhor de cada situação, é preciso abandonar a ideia infantil de que o mundo existe apenas para atender as suas solicitações e necessidades. Nada pode ser mais pueril e contraproducente. De outra forma, a realidade pode se transformar em um piscar de olhos, quando assumimos a responsabilidade por nossas escolhas. Essa mudança de atitude é fundamental para que possamos perceber que os momentos de crise podem ter um duplo significado: risco e oportunidade. Não desperdice seu valioso tempo: aproveite todas as situações e disponha-se à maturidade. Dessa maneira você estará se colocando à prova e abrindo espaço para a sua incrível capacidade de realizar. Já diziam os hindus antigos: “Se o chão tem espinhos, não queira cobrir o solo com couro. Cubra os seus pés com calçados e caminhe sobre os espinhos sem se incomodar com eles”.

Risco e oportunidade duplo significado dos momentos de crise assumimos a responsabilidade por nossas escolhas e decisões para atingirmos a maturidade


MORAR

BEM

Por Waldir Martins

Jogo americano em crochê e flores naturais dão o toque campestre na cozinha moderna

Casa de campo na cidade Já pensou em morar em um apartamento com todas as funcionalidades da vida moderna e, ao mesmo tempo, com todo o conforto e aconchego da vida no campo?

O perfil da família definiu o conceito que norteou toda proposta de trabalho

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esenvolvido pela arquiteta Adriana Scartaris, para atender um casal de 60 anos, o projeto apresentado nesta edição busca realizar, de forma integral, esse verdadeiro sonho de consumo em plena metrópole paulistana. Coube à dona da casa conduzir a conversa inicial sobre o projeto e já na primeira reunião foi possível traçar o perfil da família e o conceito que iria nortear o trabalho: uma avó moderna que administra a empresa da família, mas, que não perde de vista as delícias de viver rodeada dos netos, fazendo bolos deliciosos e curtindo a casa.

Toda alquimia começa na cozinha Dentro dessa busca por articular a casa no campo com modernidade, Scartaris projetou uma cozinha com todos os eletrodomésticos que a vida moderna pede, propiciando muita praticidade na hora de encarar o fogão. Já nesse ambiente é possível identificar em diversos detalhes os toques campestres da proposta: o jogo americano em crochê e as flores naturais estão sempre presentes e em várias opções de cor. Além disso, todos os detalhes de produção da cozinha compõem a mesma linguagem.


MORAR

BEM

Peças feitas sob medida e detalhes com fibras naturais conferem aconchego aos ambientes

Simplicidade, sofisticação e memória afetiva Na entrada do apartamento, um móvel construído sob medida abriga nas suas prateleiras livros guardados e diversos objetos como recordações de viagens realizadas pelo casal, contribuindo para fortalecer o clima de intimidade e acolhimento. Com revestimento em vidro semiespelhado bronze e laca of White, a peça se articula com o home theater e o living. Integrado ao grande living, o home theater, também feito sob medida, tem design contemporâneo e o ambiente ganha uma maior sensação de aconchego em detalhes como as poltronas em couro, os cubos em madeira de demolição lavada, as mantas em lã sobre o grande sofá em couro marrom, o tapete em pelo e as faixas em porcelanato rústico no piso. Cortinas em linho completam a proposta.

Recolhimento e intimidade Na área íntima, o piso é em madeira de demolição e os detalhes dos armários em madeira natural.

A penteadeira, repaginada com design mais leve e contemporâneo, permite que a moradora mantenha seu ritual diário de arrumar os cabelos. Os tecidos, todos em fibras naturais como linho, algodão e seda, compõem o conjunto de colcha, porta travesseiros e cortina, feitos especialmente para o ambiente. Por solicitação da moradora, a varanda recebeu o status de lugar mais importante da casa. Idealizada para ser o local de recolhimento, conta com todo o conforto para quem deseja realizar trabalhos manuais, leituras de jornais, revistas ou livros, meditar ou simplesmente curtir a suavidade e a sensação de acolhimento que o espaço proporciona, com sua variedade de plantas e flores. Um autêntico oratório mineiro, adquirido entre muitas idas e vindas à cidade de Embu das Artes, completa o espaço, conferindo um clima de simplicidade e devoção. Um lugar perfeito para se conviver em harmonia e muito sossego.

Detalhes em madeira natural em harmonia com design contemporâneo

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MUNDO

CÃO&CIA

Por Fernanda Grandino

Vacine!

Esse cuidado tão simples pode garantir a saúde de muita gente

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m diversas regiões do mundo o mês de agosto é considerado o período do ano mais propício a superstições e misticismos, uma ideia que vem desde a época dos romanos. Seja como for, entre nós, o mês de agosto costuma ser lembrado como “o mês do cachorro louco”. Talvez por isso tenha se instituído nesse período, todos os anos, a realização das campanhas de vacinação contra a raiva. Todos os anos são realizadas campanhas para alertar sobre a importância de que os animais domésticos, principalmente cães e gatos, sejam vacinados. Para o Dr. Mário Marcondes dos Santos, do Hospital Veterinário Sena Madureira, esse esforço de divulgação se justifica. “As campanhas servem principalmente para promover maior conscientização contra as principais doenças que acometem os animais. Aproveitamos para divulgar também as diferentes vacinas para cães e gatos, que previnem contra outras viroses que atingem essas espécies”, explica.

E as campanhas têm dado resultado. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, desde 1981 não há registro de contaminação de humanos pelo vírus da raiva através de mordida de cães ou gatos. Contudo, embora controlada, a raiva continua sempre no foco das campanhas, e merece muita atenção, pois pode estar presente em outros animais silvestres que acabam convivendo em meio a centros urbanos.

a vacina contra raiva é de aplicação obrigatória

Serviços: Centro de Controle de Zoonoses Telefone: 156 Site: www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/ secretarias/saude/vigilancia_em_saude

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Não prevenir pode ser fatal Estar em dia com a vacinação é mais uma das atitudes que compõe a posse responsável, e a vacina contra raiva é de aplicação obrigatória. A partir dos quatro meses de idade os animais devem ser vacinados e esse processo deve se repetir anualmente durante toda sua vida. A aplicação é via subcutânea e não há nenhuma contraindicação, sendo que o efeito colateral mais grave que pode ocorrer é um momentâneo aumento da sensibilidade na região onde a vacina foi aplicada.

Atenção com morcegos

Um exemplo disso são os morcegos, que podem ser portadores do vírus da raiva. No caso de se deparar com um desses animais em sua casa, a Secretaria Municipal de Saúde orienta que nunca se deve tentar pegálos com as mãos, sem proteção. O ideal é tentar imobilizá-lo, cobrindo-o com uma caixa ou balde e então chamar o Centro de Controle de Zoonoses pelo telefone 156, para que o animal seja diagnosticado. Os morcegos são animais protegidos por lei federal e tem importância fundamental na polinização de árvores, portanto, matá-los, além de não ser necessário, é um crime contra o meio ambiente. A Secretaria de Saúde de São Paulo disponibiliza em seu site os endereços de postos fixos de vacinação, além de diversas orientações de como proceder em caso de mordida de cães, gatos ou animais silvestres, e também sobre como evitar que seu animal corra o risco de ser contaminado pelo vírus.

Fique ligado: Vacinar seu animal pode salvar não só a vida dele, mas de todos a sua volta.


TRILHA

URBANA

Por Carolina Mendes

Monumento às Bandeiras

Adote uma obra artística Programa criado pelo Departamento do Patrimônio Histórico em 1994 busca a participação da iniciativa privada para a preservação de obras e monumentos de São Paulo

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o percorrer as ruas e avenidas de São Paulo é fácil perceber que recuperar e preservar obras e monumentos sempre foi um desafio na cidade. Nada mais comum do que se deparar com peças de enorme valor histórico em estado de completo abandono, alvo da depredação de vândalos e também da falta de prioridade na sua manutenção por parte do poder público.

Monumento em homenagem a Pedro Álvaro Cabral

Contudo, a cidade conta com um mecanismo que poderia ajudar de forma significativa a viabilização de projetos de restauro de diferentes trabalhos, caso pudesse receber o mínimo de apoio que merece: o Programa Adote uma Obra Artística.

Segundo Calil Bernardes, dentro do programa já foram restauradas sessenta e quatro obras de arte no total, das quais trinta sob o patrocínio do Grupo Votorantim. “Quando uma obra é restaurada é sempre motivo de celebração. As pessoas identificam esse cuidado e passam a observar a obra de arte com olhos curiosos. No entanto, a grande mudança que precisa existir é da relação dos indivíduos com a obra de arte que fica em áreas públicas. Algumas peças so-frem com depredações e ficam em mau estado” previne Rafaela.

A participação da iniciativa privada

Responsabilidade pública

Lançado em setembro de 1994 pelo Departamento do Patrimônio Histórico da Prefeitura de São Paulo - DPH, o programa busca angariar apoio para a recuperação e conservação de obras e monumentos artísticos da cidade, mas depende exclusivamente do interesse e boa vontade da iniciativa privada, uma vez que não conta com qualquer trabalho de divulgação.

A última restauração realizada na cidade através do programa de adoção foi patrocinada pelo Banco Induscred de Investimento S/A e teve como objeto o monumento localizado ao lado da Estação Armênia do Metrô. Criado pelo escultor José Jeres Recalde, em homenagem às vítimas do genocídio Armênio de 1915, a obra foi Inaugurado em 1966 e, após o intenso processo de restauro, foi novamente entregue á população no dia 25 de abril de 2010.

E as necessidades são imensas. O próprio DPH possui em seu site uma relação das esculturas, monumentos, chafarizes, estátuas e painéis que mais necessitam de restauro entre os existentes na cidade. Mas não é necessário seguir essa orientação à risca, uma vez que todas as obras pertencentes à Prefeitura e implantadas no espaço público podem ser adotadas. Primeiro passo A arquiteta Rafaela Calil Bernardes, uma das responsáveis do DPH pelo desenvolvimento do projeto, destaca que a restauração pode ser feita tanto por pessoas físicas como jurídicas, mas o projeto só pode 40

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ser realizado através de um profissional habilitado e será analisado e fiscalizado pela equipe do DPH.

São Paulo tem cerca de 400 obras de arte espalhadas pela cidade, em praças, parques e vias públicas esperando para serem restauradas. Adote a sua!

Serviço Secretaria Municipal de Cultura Departamento do Patrimônio Histórico Telefone: (11) 3331-3813 Email: dphgabinete@prefeitura.sp.gov.br


HORIZONTE

VERTICAL Crônicas de uma São Paulo que ninguém vê Por Ivan Forneron Ilustração: Gabriel Stippe

ERA UMA VEZ…

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Quando entrou na loja, era um cérebro encoleirado por dois olhos, e não escutou nem mesmo a voz do vendedor informando o preço exorbitante da coisa

ara os dentes, a cárie; para os cabelos, a calvície; para as mãos, o roubo; para os pés, a mancada; para a língua, a mentira, e assim por diante: tudo tem a sua moléstia correspondente. A moléstia para a visão, por exemplo, são as vitrines. Diante de uma dessas, com seus produtos exibidos como se dissessem “Me compra!”, lá estava ele: um senhor beirando seus sessenta anos, fantasiado de adolescente, preso à vitrine feito ímã. Boquiaberto em crescente; era uma mudez sem interrupções. Sua surdez contínua, por fim, defendia-o de todos os ruídos e burburinhos do shopping. Quando entrou na loja, era um cérebro encoleirado por dois olhos, e não escutou nem mesmo a voz do vendedor informando o preço exorbitante da coisa. Seus olhos tinham muita sede, e para saciá-la afogavam os demais sentidos. Queria a coisa, estava enlouquecido por ela. Não importava se não lhe servia: amputar-se-ia por ela se fosse preciso. Também não interessava se as cores da coisa combinassem com ele ou não: se descoloraria por completo se a coisa assim o exigisse. Que a coisa que lhe tirava a personalidade? E daí? Arranjaria uma que se identificasse plenamente com a coisa. Era a coisa ou nada, e ponto final. Comprou a bendita da coisa e seguiu pela cidade como uma sombra sem corpo, pois desejava a coisa mais que a própria vida. Não era a primeira vez que enlouquecera por uma coisa. Já havia traído, matado, roubado, xingado, corrompido e outros ‘ados’ e ‘idos’ inomináveis para ter e ser a coisa. Já não lhe era estranho que tudo nele se definhasse e apodrecesse. No seu caminho, enquanto andava vidrado com a coisa, ia aumentando e diminuindo de tamanho, iam inchando e murchando braços e pernas, orelhas derretiam e outros furos saíam-lhe ao redor do nariz… Quando entrou em casa, ele era dois olhos opacos, escurecendo, escurecendo… até se transformar em dois buracos que tateavam a própria casa, repleta de coisas de vitrine e empilhadas na perdição do inútil.

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Revista Táxi Cultura Edição 05