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INVEJA MATA

Não recomendada < 16 anos.

EDIÇÃO 2 Ano 1 - Mar-Abr/13 DISTRIBUIÇÃO FREE


NOSSA CAPA

E cá estamos novamente! Esperou pela Revista Mazup? Deleite-se então nas páginas seguintes. Não aguardou? Então faça assim: baixe a cabecinha e leia esta. Nossa número 2, a segunda e única após o sucesso da beta, com a famigerada “Velha Rasgada”. Aliás, a matéria de capa desta vez traz algo lincado com a anterior - INVEJA. Ela mata, sabia? As interjeições sobre nossa filha impressa passada foram muitas. Viajaram entre o espanto e o mais sincero elogio. Alguns deles, inclu-

ROLÉ PELA EDIÇÃO

LETRA DE QUEM LEU

8 Trash net

O design da revista é realmente inovador, gostei muito! A qualidade da impressão, então, nem se fala. Curti todo o conteúdo e parabenizo o grupo pela redação superdescolada. Muito bom mesmo! O que mais gostei realmente foi o texto “Pensamento positivo”.

10 Preciso disso 12 Lei Seca 14 Renan calhorda! 16 Desenhos realistas 18 Horóscopo maldito 20 INVEJA MATA 26 Orgasmo feminino 28 Editorial de moda

Matheus Acácio Pereira Antônio Prado/RS

32 Música no imaginário turístico 34 Cruz Vermelha Itália

Nossa, curti muito a revista! Confesso que o estilo “revista na horizontal” me causou estranhamento, porém, o conteúdo atrativo logo me fez esquecer isso. A proposta é ser diferente, e isso vocês conseguiram! Gostei muito da entrevista com a “velha rasgada”. Parabéns, continuem assim, muito sucesso em 2013. Gian Fachini Encantado/RS

Entrevistas e artigos assinados não refletem necessariamente a opinião da Revista Mazup.

Curti muito a revista, matérias, visual e tudo. Porém, a pessoa que escreve sobre seriados quebrou a linguagem da revista, não gostei de nada que escreveram sobre as séries. No mais, aprovado!

Ficou na dúvida, tem sugestões ou quer dar letrinha? revista@mazup.com.br

Gustavo Neuhaus Bom Retiro do Sul/RS

Jhonattan Queiroz Porto Alegre/RS

38 Desabafo

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EXPEDIENTE Direção geral Maico Eckert / maico@mazup.com.br Direção editorial Ed Gomes / ed@mazup.com.br Gerência geral César Krunitzky / cesar@mazup.com.br Jornalistas Andréia Rabaiolli Cíntia Marchi / conteudo@mazup.com.br Fotografia Luca Lunardi e divulgação Ilustração Joana Heck Jéssica Bagatini

Achei muito legal a revista e adorei o layout. O conteúdo muito bem escrito e bem planejado. O texto que eu mais gostei foi sobre as séries. Achei muito legal porque encontrei lá as minhas favoritas!

36 Conversa Casual

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sive, destacamos abaixo, na seção Letra de quem Leu. O conteúdo editorial segue a mesma linha, nossa linguagem de berço. Ideologia e vontade de fazer um conteúdo “lado b” inteligente e instigante. Ousamos e crescemos, mas não perdemos a rebeldia, nem o foco, nem a coragem, muito menos a vontade de pegar você, de canto, e fomentar o lado mais crítico do jovem atual. Você é o jovem atual. E isso aqui é o seu espaço. Aceite, admita e entre na onda!

Projeto gráfico Pedro Augusto Carlessi Editoração eletrônica Felipe Rockenback Johann Comercial Diogo Bertussi / diogo@mazup.com.br Maico Eckert / maico@mazup.com.br Conteúdo on-line e relacionamento Douglas Kerber / douglas@mazup.com.br Luana Rohr / luana@mazup.com.br Projetos e eventos Cássio Bonfandini / cassio@mazup.com.br Leitura experimental Adriana Mellos Tiragem : 6 mil exemplares Impressão e CTP: Grafocem Mazup é um veículo multiplataforma de comunicação jovem. Empresa integrante do Grupo RVC. revista@mazup.com.br @tonomazup fb.com/tonomazup 51 3726 6741


TRASH NET

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YOKO ESTILISTA

URSINHOS ZUMBIS

DE CUECA

CARRO DA IGUANA

Ela inventou mais uma. Yoko Ono, conhecida como artista plástica, enveredou por outros caminhos. Deu certo? Julgue você mesmo. Ela criou uma coleção de roupas pra lá de diferentes. A princípio foi uma linha de vestuário masculino especial para o Natal, mas o burburinho se estende até os dias de hoje. O desafio é: tente entender. Demais pra sua cabeça? O que são essas mãos-bobas? E esse botõesmamilos? Polêmico.

Tá ligado naqueles bichinhos fofos, que dormem agarradinhos com as crianças ou ficam na prateleira mirando com olhar de ternura? Nas mãos do ilustrador britânico Phillip Blackman se transformaram em zumbis cheios de sangue. As coisinhas tenebrosas fizeram um sucesso estrondoso na internet. Explicação do artista: “Eles são brinquedos leves que foram transformados em horrores fofos e sanguinolentos pra manter você acordado de noite”. Quer comprar e garantir uma insônia permanente? Acesse o tumblr undeadteds.tumblr.com ou o twitter/NobbyNobody. Medo!

David Beckham. De cueca. Pois é. O jogador de futebol mais gato do mundo participou de um curta-metragem do diretor Guy Ritchie. O vídeo é megassimples: ele acaba com o roupão preso no carro e... adivinha! Fica de cueca no meio da rua. Próximo passo, se esconder? NÃO. Indignado, o galã corre atrás do roupão pela vizinhança, com direito à pantufinha nos pés. Resumindo: o que o diretor queria, conseguiu - abusar da sensualidade do jogador britânico. Tudo isso para divulgar a linha de cuecas de Beckham para a loja H&M. Deu curiosidade? Corra no YouTube e procure.

Depois do “hoje é dia de rock, bebê”, a atriz mais crazy do plim plim tascou mais uma frase que virou bordão. Desta vez, em pleno Carnaval. Christiane Torloni sabe (OU NÃO) o que diz. Durante a gravação do Carnaval no Rio de Janeiro, na concentração da Grande Rio, uma repórter perguntou para a atriz se a fantasia estava quente demais. Resposta? “Eu tô no carro da iguana... que vai chegar já, já.” Hahahah! Aliás, atenção: quando alguém perguntar algo desinteressante, que não te dá vontade de responder, pratique o discurso aleatório de Torloni. “Eu tô no carro da iguana… que vai chegar já, já”. Vídeo lindo no YouTube.


PRECISODISSO

Conhece o Ipig? É um amplificador em formato de porquinho! Com o design decorativo, a peça é portátil e combina áudio de qualidade e potência, além de ser superfácil de usar e levar pra lá e pra cá! Vem ainda com um controle remoto para você ajustar o som sem tirar a bunda da almofada. O aumento do volume pode ser por TOUCH, nas orelhas do bicho. I love it! Compatível com pen drive, SdCard, TV, CD, DVD, telefone celular c/ P1 P2, Mp3/4/5/6/7, videogame, computador, iPod/ iPhone via cabo. R$ 399,60, na Stock Shop, em Lajeado. Não é porcaria, viu?!

3 · PROTEÇÃO TAMBÉM É INVESTIMENTO, SABIA? Para os felizes donos de iPad ou tablet 10” sugerimos estas divertidas capinhas. As estampas estão pra lá de originais e garantirão muita beleza ao seu equipamento. Feitas de neoprene, 3 duram horrores e não vão te deixar na mão no quesito encanto e segurança! R$ 33,30 cada, na Stock Shop, em Lajeado.

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1 · ÓINC EM ALTO E BOM SOM!

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2 · MELHORES MOMENTOS ROLANDO A FÚ! Cansado dos porta-retratos sem diferencial? Não é só a moldura que conta na hora de valorizar suas fotos. Um jeito moderno de deixar as melhores lembranças bem visíveis sempre é o porta-retrato digital. Esta peça é linda, lembra uma carta fofa e combina com qualquer ambiente. Basta colocar seu pen drive pela entrada USB ou cartão de memória SD e deixar rolar os retratos das suas emoções! Tem ótima resolução e é superprático. Um baita presente, para os outros ou para si mesmo. Ah, eu quero! R$ 309,60 na Stock Shop, em Lajeado.


Luca Lunardi

LEI SECA A SEDUÇÃO DO PROIBIDO

P

roibidos de comer a maçã no Jardim do Éden, Adão e Eva caíram em tentação: cometeram o pecado original. Envergonhados, para se redimir, taparam o sexo. Diferentemente da famosa passagem bíblica, o ex-alcoólatra Mário Fabris (65) foi apresentado muito cedo ao “fruto proibido”, quando nem sabia o que era pecado. Não que se embriagar fosse um erro, mas foi o álcool que o arrastou à sua condição mais degradante. Ele se separou da família, se distanciou das filhas, passou por cinco clínicas de tratamento, fez promessa, ingressou em religiões que prometiam a cura por meio de Deus, chegou à beira da morte. Hoje, o dono do Escort 1989, que circula pra lá e pra cá em Boqueirão do Leão, tem uma opinião bem formada em relação ao trânsito e à nova Lei Seca que não tolera nem um gole de álcool. “Esta lei é fundamental. Tem gente que diz que bebe para se socializar, mas isto é uma ilusão. A bebida traz euforia e, ao mesmo tempo, insatisfação. O álcool traz prejuízo à saúde, à vida e à moral.” Mário fala com a propriedade de quem começou a ter contato com cachaça aos 3 anos de idade. Para poder trabalhar, os pais dele molhavam o bico na aguardente, enfiavam na boca dele e o embriagavam para mantê-lo sonolento e quieto. Ele cresceu sem limites impostos em relação ao álcool, sem saber que o excesso o deixaria na sarjeta.

Acatar ou não Cada um reage de uma maneira à imposição da Lei Seca, sancionada em dezembro do ano passado. Não há perdão para aquele que for pego com o “bafo impuro”. Sanções administrativas e penais “presenteiam” o condutor malcriado. Medidas como essa geram medo. O sociólogo Renato Zanella explica que


SEMPRE ACHEI ESTE MUNDO MUITO LOUCO, DESMIOLADO, SEM NEXO E SEM SENTIDO. CHEGUEI A SER DESENGANADO PELO MÉDICO. HOJE SEI QUE O ÁLCOOL NA MINHA BOCA É TOTALMENTE VETADO MÁRIO FABRIS, EX-ALCOÓLATRA o medo leva as pessoas a demonstrar seus sentimentos seja em forma de pânico, inibição, respeito ou estímulo com o proibido. “Isto varia muito de grupo para grupo. Tem grupos familiares que são mais disciplinados, outros têm tendência a burlar as leis. É uma questão de cultura, de formação.” Zanella lembra que os jovens, especialmente, passam por vários estágios psíquicos, hormonais, individuais e, no momento em que começam a se relacionar em grupo, adquirem posturas para se mostrar ao outro. “Ele tem que dizer a que veio. Se ele é louco, se é tímido, forte, corajoso. E isso ajuda alguns a serem mais audazes. É no coletivo que o jovem se testa e, às vezes, tem aquele desejo de afrontar a lei”, analisa o sociólogo. Na visão do padre Lucas Del Osbel, afrontar e cometer erros são coisas intrínsecas ao ser humano. Erro maior, no entanto, é se vangloriar do pecado. É como se você ficasse bêbado, tirasse foto da situação torpe e postasse no Facebook para esperar comentários dos amigos. “Vangloriar-se não é de nós, humanos, é daquele outro ser”, comenta o padre tentando se referir ao personagem mais conhecido do inferno. O mais certo a fazer, na visão do religioso, é reconhecer o erro e tentar se redimir. Ele mesmo não tem deixado de beber o vinho nas celebrações que tem feito em Lajeado, mas aguarda o tempo necessário para o organismo se recompor antes de pegar a estrada.

A lei Criada em 2008, a Lei Seca ao volante surgiu com a missão de alertar a sociedade para os perigos do álcool associado à direção. Segundo a Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), o uso de bebidas alcoólicas é responsável por 30% dos acidentes de trânsito. É comprovado que aquele que bebe e pega o volante tem os reflexos prejudicados. Fica mais corajoso, mas reage de forma lenta e perde a noção de distância.

Tolerância zero A lei agora pune por qualquer quantidade de álcool encontrada no sangue do condutor. Se o bafômetro marcar até 0,33 miligrama por litro de ar expelido, esse risco merece uma sanção administrativa, com recolhimento da carteira de habilitação, multa de R$ 1.915,30, suspensão do direito de dirigir por 12 meses, além da retenção do veículo, até a apresentação de condutor habilitado. A nova resolução do Código de Trânsito Brasileiro também diz que será considerado crime quando o bafômetro marcar igual ou superior a 0,34 miligrama por litro de ar expelido. Nesse caso, o motorista embriagado merece sanção administrativa e penal, podendo responder por crime, com pena de seis meses a três anos de prisão. ................................................................................. Cíntia Marchi conteudo@mazup.com.br

Consciência coletiva O comandante do Comando Regional de Polícia Ostensiva (CRPO) do Vale do Taquari, coronel Antônio Scussel, explica que o endurecimento da lei foi necessário tendo em vista as estatísticas envolvendo a combinação álcool/direção. “As consequências são sempre as mesmas, acidentes e mortes. Ninguém está proibido de sair, de ir a uma festa. O que tem que haver é a conscientização de que se você vai beber, você não poderá dirigir. Não dá para continuar colocando a própria vida e a vida de outros em risco.” AGORA TAMBÉM EXISTEM OUTROS TIPOS DE PROVAS ALÉM DO BAFÔMETRO, NÉ? Scussel - Sim, existe o recurso de gravação de imagens por meio de microcâmeras que ficam presas ao uniforme do policial. Toda a abordagem pode ser gravada. Esta é uma prova irrefutável, porque ficam gravados todos os sinais, como a fala arrastada, o andar cambaleante. O CONDUTOR PODE CONTINUAR SE NEGANDO A FAZER O TESTE DO BAFÔMETRO? Scussel - Sim, ele pode se negar, mas o bafômetro hoje tem que ser visto como um meio de fazer prova a seu favor. NO SEU ENTENDIMENTO, A TOLERÂNCIA ZERO É ALGO EXTREMO? ATÉ MEDICAMENTO O BAFÔMETRO PODE APONTAR... Scussel - Não é uma atitude extrema. Se as medidas anteriores não tiveram os resultados desejados, tem que endurecer. Para conduzir um veículo, todos os reflexos têm que estar acionados, e o álcool os reduz.

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ISSO TE INTERESSA

RENAN CALHORDA VAI AFANAR EM OUTRA BORDA Os crimes do boi da cara preta “Qual é teu negócio, Renan?”, “O nome do sócio?”, Cazuza não sabia na época o nome corruptível porque cantava de modo generalizado. Nesse ato corrupto, sabemos. A malandragem do rei do Congresso vem desde 2007.  O brasileiro se indigna, mas não revoluciona; fazemos  ativismo sentados. É como o torcedor que assiste ao jogo na frente da televisão. Os políticos se tornam imunes às vaias. Esta é a conclusão de um doutor em Ciências Políticas, entrevistado pela Revista Mazup

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Há seis anos, Renan foi acusado pela ex-amante, Mônica Veloso, de usar dinheiro do lobista Cláudio Gontijo, da empreiteira Mendes Júnior, para pagar a pensão do filho e o aluguel da jornalista. E mostrou notas fiscais de venda de bois. Mas as notas eram frias. O caso levou o senador a deixar a presidência do Senado. Renan é que era o boi da cara preta. Tem mais, Renan  pelo jeito pouco liga para o meio ambiente, mas liga muito para suas próprias terras. Pavimentou ilegalmente, com paralelepípedos, uma estrada de 700 metros na Estação Ecológica Murici, administrada pelo Instituto Chico Mendes. A via dá acesso a uma fazenda sua, a Agropecuária Alagoas. Crime ambiental é fichinha para o boi da cara preta. O presidente que fala em ética no Senado também é alvo  do Inquérito 2.998, por tráfico de influência e improbidade administrativa, que corre em segredo de Justiça no STF. No sábado de Carnaval, brasileiros foram às ruas numa mobilização e protestaram contra Renan. Com cartazes com os dizeres “O povo na rua, Renan a culpa é sua” pediam mais transparência. A

RENAN CALHEIROS VOLTA COM A UNHA COMPRIDA PARA A PRESIDÊNCIA DO SENADO. RENAN É CALHORDA “SURFISTA”, PORQUE SABE FAZER ONDA NO DINHEIRO DO BRASILEIRO. E COM A ANUÊNCIA DO CONGRESSO

manifestação foi marcada pelas redes sociais. Calheiros está atiçando a ira do povo e a volta dos caras pintadas. Pelo menos para isso, um corrupto que se preze deve servir.

A vida que pediu a Deus, ou ao diabo

Tinhoso como só ele, Calheiros já está sentado em sua casa oficial porque passou a ter mais direitos do que os outros senadores. A mansão tem pelo menos 12 funcionários, como mordomo, copeiro, cozinheiro, segurança e jardineiro. Depois que o “Jarbas” - mordomo - serve Calheiros, ele vai ao trabalho, sabem como? Com o avião da Força Aérea Brasileira. Renan tem direito de requisitar aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) para viagens de trabalho e não terá limite de passagens aéreas para viajar ao Estado. Além disso, terá à disposição um carro com motorista sem limite de gastos com gasolina e poderá indicar servidores para 24 cargos comissionados extras, com salários que variam entre R$ 2.042,00 e R$ 19.194,00. Caso aconteça uma tragédia, a Dilma morrer, e o vice Michel Temer também falecer, quem assume a direção deste país é Calheiros. É para matar, né?!


Somos carneiros de Calheiros? Doutor em Ciências Políticas pela Universidade de Portugal, Laerson Bruxel foi professor da Univates e acentua um comportamento que precisa ser modificado: se indignar com a corrupção deitado no sofá não tem efeito. É como o torcedor que assiste a jogo pela televisão. Para os políticos, a pressão da torcida é inócua, porque eles são imunes às vaias.

OS BRASILEIROS SE INDIGNAM, MAS NÃO REVOLUCIONAM. SOMOS CARNEIROS DO CALHEIROS?

Bruxel - Me arrisco a dizer que a maioria dos brasileiros talvez nem saiba que Renan Calheiros foi eleito presidente do Senado. E mais: não está nem aí. Mas, obviamente, há significativa parcela de pessoas indignadas com essa escolha. Mas entre os indignados, a maioria se iguala a torcedor que, assistindo à partida sentado no sofá ou de camarote, fica xingando os jogadores. Isso tem pouca influência prática. Em alguns casos, os jogadores podem até se sentir um pouco mais motivados ou constrangidos pela pressão da torcida, mas no caso do Senado, raramente a pressão da torcida surte efeito, seja num ou noutro sentido.

CAZUZA DISSE: “BRASIL, MOSTRA TUA CARA, QUERO VER QUEM PAGA, PRA GENTE FICAR ASSIM”. CALHEIROS É A CARA DO BRASIL?

Divulgação

Bruxel - Não se pode dizer que Sílvio Berlusconi foi ou é a cara da Itália; Adolf Hitler foi a cara da Alemanha; George W. Bush foi ou, agora, Barack Obama, é a cara dos EUA, etc.. É claro que toda liderança política, de alguma forma, expressa uma ideia, um sentimento ou práticas que estão presentes no seu país. Mas não se pode resumir uma comunidade nacional a uma pessoa. Então, Renan Calheiros é uma das caras do Brasil, mas não é a cara do Brasil.

POR QUE A CORRUPÇÃO É TÃO ARRAIGADA?

Bruxel - Os especialistas no estudo da corrupção apontam vários fatores, que vão desde aspectos culturais, que são próprios da nossa história, a aspectos estruturais e que perpassam também pelo sistema político. O Brasil ainda carece de alguns mecanismos institucionais que permitam um maior controle sobre o uso do dinheiro público e que, além disso, possam punir efetivamente quem se envolve em práticas de corrupção. Temos também uma cultura que, até certo ponto, vê essas práticas de corrupção como “normais”. Pesquisas já apontaram várias vezes que parcela significativa da população admite que faria a mesma coisa se eventualmente chegasse ao poder. Outro fator que torna práticas de corrupção muito comuns é a grande concentração do poder e a burocratização do acesso a certos serviços que o Estado disponibiliza. Ou seja, para alguém conseguir alguma coisa do Poder Público, ele só consegue com a “ajuda” de alguém. E esse tipo de prática - de precisar ter acesso a alguém que circula e conhece bem os meandros da Administração Pública e/ ou do poder - explica em boa parte a eleição de Calheiros. AS MOBILIZAÇÕES NAS REDES SOCIAIS AJUDARIAM A MELHORAR A CONDUTA DOS NOSSOS POLÍTICOS?

Bruxel - Todo tipo de manifestação que demonstre a insatisfação da população com a tomada de decisões dos agentes públicos é válida e, mais do que isso, é necessária. Mas se ficar só nisso, terá pouca eficácia. Vale aqui, novamente, a analogia com o futebol: os jogadores profissionais são, de um modo geral, imunes às vaias. A pressão que fazem lobistas, associações empresariais e outras - e que a população não vê e sequer toma conhecimento - tem muito mais efeito. ............................................................................................. Andréia Rabaiolli conteudo@mazup.com.br

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CARA, QUANDO COMEÇASTE A RABISCAR? Tinha 16 anos. Por acaso, vi na internet um desenho realista e achei muito interessante e, por curiosidade, tentei desenhar também. Aí não parei mais. O QUE TE DÁ O “PLIM” DA INSPIRAÇÃO? Minha inspiração vem do todos os lados. Ouvindo música, pensando e sentindo o que está à minha volta. E, claro, uma das minhas grandes inspirações é minha namorada. Sempre é bom estar apaixonado e passar isso para os desenhos. TÁ, MAS DESCOBRISTE ESSA HABILIDADE QUANDO? Bom, sempre diziam que eu desenhava bem na escola. Quando fiz os desenhos realistas, aos 16 anos, todos me falaram que tinha futuro como desenhista. Então continuei e sempre fui melhorando...

REALISMO A TODA PROVA Quando se tem talento, nada segura a criatividade. É o caso de Maico Vaz, natural de Poço das Antas, que faz arte com lápis e papel. Desenhos? Não somente isso. É “irrealista” o que ele apresenta. Autodidata, o jovem tem a internet como lugar de pesquisa de tendências e desenhistas de renome como exemplo. Confira aí um pouco da arte do guri, que é show!

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QUAL FOSTE TEU PRIMEIRO DESENHO? O meu primeiro desenho foi do John Lennon. Não ficou muito bom (comparado com os atuais). Mas meus amigos ficaram impressionados. Isso me deu mais motivação para continuar. ENCARAS COMO UM HOBBY OU PROFISSÃO? No começo era apenas um hobby. Fazia desenhos de cantores que gostava e tal. Apenas pra mim. Com o tempo, meus amigos começaram a pedir desenhos. E não tinha muito tempo. Então eles mesmos ofereciam um valor em troca. Não era muito. Hoje, muitas pessoas se interessam, até de outros Estados.

Encomendas para casamento, foto com o namorado e, principalmente, para presentear amigos. E ganho por isso. Agora fico boa parte do dia desenhando. O QUE COSTUMAS DESENHAR MAIS? Gosto muito de desenhar pessoas. Tentar transmitir o sentimento delas para o papel. É mágico poder demonstrar os sentimentos no desenho. QUANTO TEMPO, EM MÉDIA, UM DESENHO LEVA PARA FICAR PRONTO? Cada desenho tem seu tempo: 15 a 20 horas ou até mais. QUAIS DESENHISTAS, NA TUA VERTENTE, ACHAS MAIS F***? Alguns desenhistas, como o Armin Mersmann, Dirk Dzimirsky e Paul Cadden. Todos fantásticos e reconhecidos mundialmente. Olhando suas obras, ganho vontade de aprender mais. QUE MATERIAL USAS? Inicialmente era apenas lápis, borracha e papel. Conversando com desenhistas pela internet, conheci vários materiais específicos para desenho realista. Lápis especiais, esfuminho, boleador... FIZESTE ALGUM CURSO? QUANDO E ONDE? Nunca fiz curso. Fui aprendendo sozinho, procurando dicas na internet. EM QUE HORÁRIO COSTUMAS PRODUZIR MAIS? Curiosamente, é antes de dormir. E então fico até a madrugada desenhando, hehe!


HORÓSCOPO MALDITO DOS SIGNOS DO ZODÍACO

ÁRIES

(21 de maio a 20 de junho)

Você é metido a honesto, sincero e se acha um líder natural. O problema é que você faz tudo ao contrário e não consegue influenciar ninguém. Isso faz de você um ignorante completo. Na verdade, você arruma confusão em todo lugar que passa, simplesmente porque quer fazer as coisas do seu jeito, nem que seja na base da porrada. Você quer chegar ao poder nem que tenha que f... todos à sua volta. A sorte dos outros signos do zodíaco é que você nunca consegue chegar ao poder. Falta inteligência.

Você é um falso, “duas caras”, fofoqueiro, mentiroso e um grande cara de pau. Você não é confiável. É sinistro! No trabalho, faz amizade com todos como se fosse o melhor amigo e depois entrega todo mundo para o chefe. Você é tão safado que ninguém desconfia de você. É um galinha! Não tem nenhum conceito de moral e tem caráter duvidoso. Além disso, todos o consideram um canalha mal resolvido. Geminianos costumam ter muito sucesso para chifrar... e também na prostituição e na cafetinagem.

TOURO

(21 de junho a 21 de julho)

(21 de abril a 20 de maio)

MUA HA HA HA HA HA HA!

HORÓSCOPO SERVE PARA QUÊ? PREVISÕES DIÁRIAS. FICA POR AÍ? NÃO.

H

á “outro” lado de cada signo que deve ser levado em conta: o NEFASTO. Para o astrólogo professor Nathanael, é relevante levar em consideração as questões obscuras de cada signo. “Como tudo na vida tem um lado bom e ruim, na astrologia não seria diferente”, garante. Não necessariamente os traços maléficos são os citados a seguir, mas convenhamos: faz sentido pra você, né? Curta a brincadeira. Aliás, o texto é de autoria desconhecida. Boa sorte!

GÊMEOS

(21 de março a 20 de abril)

Você é materialista e trabalha como um condenado. As pessoas pensam que você é um pão-duro, cabeça-dura, mão de vaca. Estão certas. Além disso, você é um teimoso desgraçado que faz só burrada na vida e continua fazendo, fazendo, fazendo... Você deve estar se perguntando: por que eu trabalho tanto e só me ferro? A resposta é simples: sua cabeça dura não deixa você enxergar um palmo além do seu nariz. Por isso que você trabalha como um condenado e nunca consegue subir na vida.

CÂNCER

Você é um chorão desgraçado, e as pessoas que convivem com você são obrigadas a ficar aguentando você reclamar da vida. Você se acha solidário e compreensivo com os problemas dos outros, o que faz de você um baba-ovo e puxa-saco. Só quer saber de se dar bem, custe o que custar, e acaba sempre ficando numa boa, apesar de não valer nada. É, na verdade, um canalha com cara de santo. Quando pressionado, chora e faz da sua vida a pior de todas. Por isso, os outros signos do zodíaco nunca desconfiam de você. E o pior é que todos gostam de você.


LEÃO

(22 de julho a 22 de agosto)

Se acha o máximo, um líder natural. Isso é o que você acha! Sabia que todos o acham um idiota? A sua prepotência é insuportável para os outros signos e até para você mesmo. Não passa de um puxa-saco incompetente querendo se promover a todo custo. Quer ter status, ser o “rei da cocada preta”, mesmo sabendo que não tem condição alguma de ser. Você quer sempre a atenção de todos, mas como não tem inteligência, nem sempre consegue. Daí a sua agressividade. VIRGEM

(23 de agosto a 22 de setembro)

Você é metido a perfeccionista, observador e detalhista. Você é um bitolado e não tem nenhuma imaginação ou criatividade. Gosta mesmo é de tomar conta da vida dos outros. Critica, “mete o pau”, mas não enxerga o próprio rabo. Quando as pessoas dos outros signos do zodíaco preenchem aquele maldito formulário de 15 vias carbonadas, de cinco cores diferentes, que devem ser batidas à máquina, elas não têm dúvida: só pode ser um virginiano que fez. LIBRA

(23 de setembro a 22 de outubro)

Você se acha equilibrado, idealista e justo. Parece sentir a necessidade de proteger os outros. Na verdade, você só pensa em si mesmo. Gosta de coisas sofisticadas e de alto nível, mas não passa de um ignorante

desinformado. Nas conversas dificilmente entra em assuntos polêmicos. Quer ser politicamente correto. Na realidade, você é um grande “fazedor de média”. Dessa forma, os outros signos nunca saberão seu real interesse, que é f... os outros. ESCORPIÃO

(23 de outubro a 21 de novembro)

Você é o pior de todos. Você é desconfiado, vingativo, obsessivo, rancoroso, vagabundo, frio, cruel, antiético, sem caráter, traidor, orgulhoso, pessimista, racista, egoísta, materialista, falso, malicioso, mentiroso, invejoso, cínico, ignorante, fofoqueiro e traiçoeiro. Você é um canalha completo. Escorpianos são tiranos por natureza. São ótimos nazistas ou fascistas. Adoram pisar nos outros e têm um orgasmo quando veem alguém no buraco. SAGITÁRIO

(22 de novembro a 21 de dezembro)

Você é um otimista e tem uma forte tendência a confiar na sorte. Isso é bom para você, já que não possui nenhum talento. Como não tem competência, sempre arruma uma forma de se desculpar de suas burradas na vida. E sempre põe a culpa nos outros. Você é um teimoso, ambicioso e metidinho. Na verdade, você é um idiota fracassado. Além do mais, seu conceito de ética e moral é limitado. Você é um puxa-saco, galinha e gosta mesmo é de sacanagem.

CAPRICÓRNIO

(22 de dezembro a 20 de janeiro)

Você é metido a sério, conservador e politicamente correto. Na verdade, é um materialista, falso, ambicioso e safado. É frio, não tem emoções e frequentemente dorme enquanto está transando. Quando encontra um “amigo”, abraça, deseja tudo de bom, mas na primeira oportunidade, puxa o tapete dele e depois vai dormir de consciência tranquila. Nunca joga limpo, e sua frieza faz de você um sanguinário completo. Mas que importa? Se a grana está entrando... ótimo! AQUÁRIO

(21 de janeiro a 19 de fevereiro)

Você provavelmente não é desse planeta. Tem uma mente inventiva e dirigida para o progresso. Mente e comete os mesmos erros repetidamente porque é imbecil e teimoso. Adora ser o “do contra”. Pensa que tem opinião formada sobre tudo. Na verdade, gosta mesmo é de aparecer. Mesmo que esteja entre um milhão de pessoas, quer ser o diferente. Nunca segue os padrões. Se acha o moderninho. Não tem nenhuma moral. Se você for homem, deve ser um galinha, e se for mulher, aposto que nem perguntou o nome do último cara com quem transou!

PEIXES

(20 de fevereiro a 20 de março)

Você pensa que todo mundo é cabeça de bagre e só você é o esperto. O que não sabe é que você é o grande cabeça de bagre. Se acha o sujeito mais inteligente do mundo e tem a maldita mania de achar que os outros precisam de sua ajuda. Adora reprimir tudo. É impaciente, mal-educado e fica dando conselhos fúteis e sempre consegue afundar as pessoas que seguem seus conselhos idiotas. Quando alguém o questiona, recorre ao misticismo. VOCÊ VAI RIR MUITO Veja o vídeo do seu signo maldito acessando o código ao lado.

ilustrações Jéssica Bagatini

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INVEJA MATA

Luca Lunardi


PERVERSOS OU INOFENSIVOS, OS INVEJOSOS ESTÃO POR TODA A PARTE. INCLUSIVE LENDO A REVISTA MAZUP. É inadmissível sentir inveja. Certo? Errado. Som de corneta repreensiva, vamos de novo. Invejar não só é aceitável como também faz parte da natureza humana. Negar isso é, no mínimo, burrice. Se você não for invejoso, de duas, uma: ou é mentiroso por não admitir ou tapado porque não entende que esse sentimento tem raízes no seu subconsciente. Longe de ser escolha, é condição estabelecida pelo cérebro. Por mais que seja raro admitir a característica negativa, a inveja é um “amigo próximo”. Oh, que horror! Meu Deus! ACALMESE. O mais perigoso está por vir: olhe ao redor, agora mesmo. Todos invejosos. O que os distingue entre danosos ou inofensivos não é o fato de terem ou não inveja (é um sentimento recíproco entre vocês, meu caro pudorento). A questão aqui é como lidar com isso, o que fazer com esse limão-galego e como usá-lo em seu benefício. Tire a inveja do armário e tenha uma DR com ela, antes que se torne um monstro. Para o seu próprio bem. Só para diferenciar - ciúme e cobiça não são inveja, ok?. Irmãzinhas próximas, mas nada além disso. Ciúme é a vontade de manter o que se tem, e cobiça é desejar aquilo que não lhe pertence. A inveja vem depois, e mais

corpulenta. Uma gata de curvas suntuosas, batom vermelho e lábios carnudos. O mais renegado dos sete pecados capitais é inerente à condição humana, por mais que pareça inconfessável. Juan Luis Vives, um filósofo do século XVI, descreveu a inveja como uma espécie de encolhimento do espírito causado pelo bem alheio. Na Bíblia, Caim matou Abel porque não soube lidar com o fato de se sentir diminuído pelo irmão. A Branca de Neve, coitada, foi fadada à morte porque sua beleza instigou negativamente uma rainha sem escrúpulos. Talvez por isso vovó já dizia, parafraseando a sabedoria antiga: INVEJA MATA. Seja em fábulas, histórias improváveis ou na vida real. Ela pode causar grandes danos. De fato, o calor inquietante que se sente perante o sucesso do outro é um sentimento bastante sério, e não é nada bonzinho. Não há inveja branca, como muita gente defende. Todos sofremos desse dissabor nada ingênuo. Invejosos natos, precisamos aprender a controlar esse sentimento para não sacanear ninguém - nem a si mesmo -, por mais que essa não seja a intenção. Ou seja, enfim...

Sabe como nasce a inveja? Da comparação. Por isso é bem mais comum senti-la por pessoas do mesmo sexo, faixa etária e profissão. Tem relação com o sentimento de inferioridade. Quando temos inveja, é porque nos comparamos e perdemos. Simples assim! Invejosos e invejados sentem na pele os estragos. Cargas de energia negativa? Pilhas e pilhas. Bom, curiosamente vamos ao Aurélio, o amansa-burro mais famosinho. Ele define da seguinte maneira: “s.f. Sentimento de cobiça à vista da felicidade, da superioridade de outrem...” Trocando em miúdos, inveja é um desgosto por não ter o que o outro tem, sejam bens materiais ou capacidade de sentir, agir e lidar com acontecimentos inerentes à vida. Recalque. Uma vibração que parece bateria de escola de samba, deixando o invejoso no posto de destaque de ala na “Unidos da Invejinha S.A.”. É necessário saber bailar ao ritmo do incontrolável, para neutralizar a sensação de “querer mal”. E nem adianta se fantasiar como no Carnaval - ela vai te encontrar e te chamar para a folia. Você não seria o que é sem a sua inveja.

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QUAL A ORIGEM? Psíquica, meu bem! Problema interno que repercute de forma efetiva nas relações humanas. É um sentimento ligado à emoção, que não chega a ser um desvio de comportamento. Algo que está marcado a ferro quente “em pele de gado”, no inconsciente individual e coletivo. Falta de caráter e má-formação social podem contribuir, mas não são responsáveis sozinhos. Você está fadado a sentir inveja dos outros e ser invejado; assuma e enfrente! Somos atingidos por ela ainda quando bebês, quando nutrimos esse sentimento pelo seio materno, que é capaz de nos alimentar e confortar. Mais pra frente, na infância, surgem os primeiros traços de cobiça, disputa pela atenção da mãe e os brinquedos de outras crianças. Após, ela se diferencia e se molda ao nosso estilo de vida. Para facilitar o entendimento, podemos classificar os invejosos em dois grupos:

Luca Lunardi

INVEJOSO CAMUFLADO - Aquele mais perigoso, que atrás de um rostinho bonito (ou não, nem sempre a natureza ajuda) esconde seus sentimentos. Não mostram de cara a inveja, mas são incapazes de se alegrar com o sucesso alheio. Principais armas: picuinhas, comentários maldosos e um olharzinho bem ao estilo “43”, seguido de uma risada sarcástica, amarela. O bem do outro é uma afronta pessoal, e a reação é diminuir ou desprezar o mérito do irmão, amigo ou colega. Erva daninha bem disfarçada, uma bomba-relógio prestes a explodir a qualquer momento. E, sim, ela está disposta a detonar tudo ao seu redor sempre que vir alguém feliz e realizado. INVEJOSO EVIDENTE - Não perde tempo dando letrinha. Corrói-se por dentro, como se cada evidência do seu sucesso fosse um gole de ácido sulfúrico para ele. E não se importa em demonstrar.


Principais armas: para tentar camuflar o sentimento negativo, é comum o mau humor. Além de corriqueiro, é inerente, porque mau humor e inveja seguem de mãos dadas pelo bosque, com uma cesta de docinhos e chapéu vermelho. Lobo mau, que nada. A inveja está mais para neta boazinha, com carinha de anjo. O invejoso evidente é um “sem sorte” que se estraçalha, se anula e é incapaz de aproveitar seus frutos porque os do vizinho parecem mais carnudos e suculentos. Não importa o que a vida lhe der, o do outro sempre será mais viçoso. O bem invejado é motivo de rancor, isqueiro aceso em pólvora. “Por que fulano tem isso?” é o seu lema. Como característica, tem a acomodação e espera alcançar, sem o mínimo esforço, o que o outro conseguiu.

ARMADILHA Não se pode generalizar e afirmar que a inveja é a arma dos incompetentes. A história particular é muito relevante para esse sentimento, dada a inconsciência dele. A diferença acontece na maneira como o invejoso trabalha com a questão. Encara como estímulo para chegar ao objetivo ou canaliza como ódio e toda a sorte de sentimentos negativos. Independentemente da maneira como é tratado, nunca deixa de ser um comportamento nocivo, já que torna o invejoso diminuído, complexado e frustrado. Para Ney Bruck, doutor em Psicologia e professor do curso de Psicologia na Universidade Federal de Pelotas, a inveja acontece em todos os grupos e organizações, e o importante é saber quais questões a alimentam. “Identificar quais as forças restritivas e quais as impulsionadoras da inveja é um grande passo. Agindo assim, podemos criar condições para ver se as impressões e atitudes minhas e as dos outros estão levando ao meu fracasso e ao do meu grupo de trabalho ou, ao contrário, levam ao desenvolvimento.”

CIÊNCIA DA INVEJA DOLOROSO. PESQUISA REVELA QUE ESSE SENTIMENTO ATIÇA A MESMA REGIÃO DO CÉREBRO QUE A DOR FÍSICA. AUTOFLAGELO? A inveja tem endereço certo. Seu cérebro. Mais especificamente, na região do córtex central. O mesmo lugar onde é processada a dor física. Ao ver o corpaço da colega de academia, bem melhor do que o seu, a inveja ativa o córtex cingulado anterior do cérebro. Para se ter uma ideia, se um peso de 20 quilos caísse bem no seu dedão direito, enquanto baba de ódio da outra pessoa, a dor física ativaria o mesmo local do cérebro (A).

Ou seja, inveja e dor são parentes. O QUE ASSUSTA - A inveja dá prazer. Tem até um termo específico para definir essa onda no cérebro - SHADENFREUDE, palavra de origem alemã que define o gostinho de vitória falso que sentimos quando alguém se dá mal. Quando acontece isso, entra no processo a região do estriado ventral do cérebro. Aí são processados todos os nossos sentimentos de prazer (B).

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COITADINHO DO INVEJOSO Ok, inveja é uma m****. Conviver com esse parasita costuma gerar sofrimento. Ficar preso à dependência do sucesso alheio para conseguir o próprio é um traço característico de gente insegura. Passível de tratamento, diga-se de passagem. Já que todos somos invejosos, o importante aqui é parar com essa ladainha de afirmar aos quatro cantos “Eu? Nunca”, ou ainda, “Eu só tenho invejinha branca”. Bobagem. Branca, rosa, vermelha, dourada... seja lá qual a cor, não queira escondê-la. Seja esperto e use-a para crescer e conquistar objetivos. A inveja é um combustível, a questão é como usá-lo. Os burros utilizam como artigo inflamável; os inteligentes, como propulsor para conquistar seus objetivos. Casos crônicos necessitam de ajuda profissional, sabia? Aconselhe aquele amigo “com aura pesada” a procurar um psicólogo. Um toque pode ser uma boa saída para a resolução de conflitos internos que norteiam o invejoso para a ruína.

E SE NÃO É? A casa do meu primo é lindíssima. A roupa da minha colega de trabalho está um charme. Que cabelo tem a vizinha do 308. Normal, gente, sempre admiraremos o que os outros têm de belo aos nossos olhos. “Que bom seria se eu tivesse isso.” Frase curinga para definir até

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“IDENTIFICAR QUAIS AS FORÇAS RESTRITIVAS E QUAIS AS IMPULSIONADORAS DA INVEJA É UM GRANDE PASSO. AGINDO ASSIM, PODEMOS CRIAR CONDIÇÕES PARA VER SE AS IMPRESSÕES E ATITUDES MINHAS E DOS OUTROS ESTÃO LEVANDO AO MEU FRACASSO E AO DO MEU GRUPO DE TRABALHO OU, AO CONTRÁRIO, LEVAM AO DESENVOLVIMENTO” NEY BRUCK

onde iremos e como lidaremos com o sucesso alheio. Se é possível pensar assim, você não causará danos à sociedade. No entanto, a inveja permanece como algo negativo, mas é canalizada de forma diferente. Surge aí a vontade de ter o que o outro tem sem prejudicar ninguém.

INVEJA E A CORRESPONDÊNCIA COM A REALIDADE Além de invejar coisas “palpáveis”, é natural ainda que o invejoso se morda por algo que não exista, a não ser no próprio imaginário dele. Pra matar! Sabe aquele medo que tínhamos ao olhar embaixo da cama, procurando algo que nos assustava? Pois é. Por mais que se olhe e constate que não há nada lá, algumas vezes o medo não passa. Essas emoções podem ser projeções a serviço de um script de vida. Tipo pega-ratão, que se confirma como um jogo cujo resultado final sempre é a autodesvalorização. Como exemplo, o fato de querermos sempre o que não temos. “Tudo dá errado comigo, somente os outros conseguem” ou “eu sabia que não ia dar certo, isto só acontece comigo”. Invejar o que se julga realidade a serviço de como eu me vejo.

Luca Lunardi

FRUSTRADINHO, NÉ? O invejoso vive cerrado em um vício criado pela sua cabeça. Labirinto: fracasso. Este leva à frustração, que deixa o mané complexado. Batata para seguir ao próximo passo, o sentimento puro de inveja que, por sua vez, fecha o círculo na frustração. Desta maneira, se torna uma pessoa tóxica, extremamente nociva a si mesmo e aos outros. Como influências, contam o ambiente social e atuação dos pais, entre outras questões.


DE CARA COM ELA

NEUROCIÊNCIA E ANTROPOLOGIA O neurocientista japonês Hidehiko Takahashi, do Instituto Nacional de Ciência Radiológica, de Tóquio, resolveu cutucar a ferida da inveja e descobrir como ela funciona. Fez, então, o estudo Quando a Sua Conquista É a Minha Dor e a Sua Dor É a Minha Conquista: Correlações Neurais da Inveja e do Shadenfreude. O sucesso foi grande. Como ele mexeu com nossa não tão queridinha inveja? Pessoas com faixa etária de 20 anos foram submetidas à ressonância magnética para identificar onde os sentimentos são processados no cérebro. Para garantir que os voluntários ficariam “mordidinhos”, pediu-se para imaginarem um cenário que envolvia outros três personagens, do mesmo sexo, faixa etária e profissão que eles. Detalhe: os outros dois eram mais capazes e inteligentes. Putz, daí é covardia, né? Eles se remoeram, e o resultado foi obtido - ao sentir inveja, a região do córtex cingulado anterior era ativada. Bingo! Saindo da esfera do reducionismo biológico, o professor Manfred FR Kets de Vries, do Centro de Pesquisa de Desenvolvimento de Liderança, e membro fundador da Sociedade Internacional para o Estudo Psicanalítico de Organizações, na França, refere que também utilizamos mecanismos

de defesa para evitar esse sentimento por meio dos recursos chamados pela psicanálise de “negação” e de “formação reativa”. Por meio da negação, como o nome diz, não aceitamos aquilo que é cobiçado, e na formação reativa, partimos para o polo oposto, enxergando somente os aspectos negativos do que o outro tem e nós não temos. Esse autor também nos lembra do tema da “inveja entre gerações” que se observa, principalmente entre pais e filhos. Outra vez bingo!

Ou seja, pessoas: inveja é um sentimento doloroso, já que envolve o mesmo local do cérebro onde se processam as dores físicas. Aceite! É importante, então, eliminar os sentimentos de inferioridade e baixa autoestima para lidar com a inveja. Se não somos tão bons em algo, certamente temos outras qualidades. O segredo é identificar os focos de inveja e neutralizá-los. Desta maneira, você poderá ficar tranquilo quando finalmente conseguir o que o outro tem, porque sabemos que você o quer. Só torcemos, realmente, que consiga de forma saudável para todos. Rá! .............................................................................. Ed Gomes ed@mazup.com.br

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ORGASMO FEMININO

Vamos falar de orgasmo, meninas? Sensação de prazer e satisfação. Oh, yes. Oh, no! O coração bate mais forte, o corpo relaxa por completo, e a gente fica radiante. Isso já é de conhecimento da galera. Só que assim, o clímax possui outras propriedades características, algumas até curiosas. Abra a mente e feche o resto para ler as linhas abaixo.

1. Olha o choque! No momento do

A PROVA DOS “SETE”

orgasmo, as paredes da vagina soltam uma pequena descarga elétrica. “Cinco mulheres, neste momento, poderiam produzir energia suficiente para acender uma lâmpada de 1 volt”, estima o ginecologista Jairo Bouer, autor do livro Guia dos Curiosos - Sexo. Eletrizante!

2. Transar “tontinha” não ajuda muito, acredite. Deixe aquela taça de vinho para outra ocasião. A inibição diminui, mas o álcool pode retardar o orgasmo. Atinge o sistema nervoso e, já viu. Melhor é brindar com um copo de água ou suco, para garantir um brinde bem melhor mais tarde.

3. O orgasmo feminino pode ser mais longo que o masculino? Verdade. Que bom para elas!

4. A palavra orgasmo vem do grego “orgasmós”, que significa “ferver de ardor”. Muitos graus Celsius, diga-se de passagem.

5. Pesquisadores escoceses e belgas defendem que é possível determinar se uma mulher tem orgasmos vaginais pela maneira como ela anda. Eles defendem

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a ideia de que a capacidade de gozar é estimulada pelo seu órgão sexual. Portanto, é só cuidar o jeito que a moça se locomove para saber se é propensa a mais ou menos orgasmos. Músculos da pélvis mais tensionados ao caminhar podem indicar dificuldades sexuais, enquanto um andar confiante mostra satisfação e facilidade para chegar lá.

6. Outra pesquisa, feita na King’s College, em Londres, afirma que as mulheres mais inteligentes emocionalmente têm mais orgasmos. Aquelas que lidam melhor com seus sentimentos e entendem os dos outros gozam mais e melhor. Nunca demos tanta importância à compreensão como agora!

7. Salto alto dá mais prazer. É sério. Além de sofisticado e sexy, pés alguns centímetros acima do solo as levam mais fácil ao céu. Um levantamento feito na Universidade de Verona mostrou que andar com um sapato moderadamente alto condiciona os músculos - inclusive os da região pélvica, que ajudam a sentir prazer. E você, na academia, achando que fazia exercícios localizados.

Foi bom pra você?


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EDITORIAL DE MODA

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MÚSICA NO IMAGINÁRIO TURÍSTICO

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Turista é bicho estranho. Quando motivado a viajar, é comum criar uma fantasia acerca dos lugares, idealizar o que quer encontrar e desfrutar. Entre os elementos que ajudam a “bater o martelo” sobre o destino está a música. O som, melodia e letra de canções características de cada país ganham destaque e ajudam a decidir, mesmo inconscientemente, a rota que será traçada. Quando se viaja é natural buscar sensações agregadas aos locais. A música é considerada um correspondente sonoro da vida emotiva. É um fenômeno social que revela comportamentos coletivos e constitui aspectos fundamentais de qualquer civilização, desde as mais antigas até os grupos sociais modernos.

ANÁLISE Fomos às ruas e entrevistamos homens e mulheres em Porto Alegre para entender na prática a ligação da música com as viagens. Consideramos o tango como imaginário turístico de Buenos Aires, um exemplo para facilitar. Queríamos entender a relação do ritmo com o imaginário da viagem. Bora lá ao que concluímos: A palavrinha de 5 letras - TANGO - realmente tem forte ligação com a capital portenha. Quando questionados sobre “o que vem à sua cabeça quando ouve tango?”, as respostas foram várias, mas algo ganha destaque. Observe o gráfico abaixo:

- Os termos mais ouvidos estão divididos em tamanhos. Maiores, mais citados. Ou seja, no alvo! O termo Buenos Aires foi, disparado, o mais lembrado. Em seguida, “Argentina” e “duas pessoas dançando tango” foram as mais citadas pelos entrevistados. Atenção à relação! A música como importante indicador cultural de determinadas localidades é um rentável produto turístico, como é o caso do tango e Buenos Aires. Esse estilo musical é uma

das vertentes culturais que mais captam turistas para a capital argentina, e como foi possível perceber, o imaginário, a partir do tango, é provavelmente o responsável por boa parte das pessoas que vão à cidade, assim como o samba no nosso Brasil. Antes de decidir-se pela próxima viagem, busque indicações musicais típicas de onde pretende visitar. Isso vai ajudar a escolher e mostrar novas opções incríveis que poderiam passar despercebidas!


A VIDA NÃO É UM FILME E ISTO ELE JÁ ENTENDEU

UM MÉDICO NA CRUZ VERMELHA Guilherme Augusto Andrade Machado passou metade da juventude em Lajeado até que decidiu morar com a mãe na Itália. Lá, se prepara para ser médico da Cruz Vermelha. Mas descobriu que a vida não funciona como Grey’s Anatomy e despreza jovens que matam por estar alcoolizados. Com 21 anos, Guilherme Augusto Andrade Machado ganhou uma maturidade absurda juntando gente acidentada nas ruas de Sassari, na Sardenha, Itália. Muitos jovens de lá morrem por overdose de heroína. Guilherme pega um caso por semana, pelo menos. O jovem gaúcho que viveu no Vale do Taquari uma boa parte do tempo está na Europa com a mãe há dois anos. Ele foi para lá a fim de fazer gastronomia, mas acabou entrando para a Cruz Vermelha movido pelo desejo de ajudar as pessoas. Guilherme esteve em Lajeado há alguns meses, visitou o sistema de saúde, falou da morte do pai e conta como é a vida lá na Itália. É preciso que se diga, Guilherme está sendo treinado para se tornar um dos melhores médicos do mundo, no estilo militar. Na Itália, os médicos da Cruz Vermelha são do Exército e aptos a enfrentar situações de guerra e todos os tipos de trauma. Guilherme começará a faculdade em setembro. Ele já é pago pelo Estado para enfrentar situações difíceis nas ruas, mas antes de entrar na faculdade percebeu muitas coisas, apesar da pouca idade: a vida não é um filme. “Muito do que vi nos filmes é mentira. Não funciona como no seriado Grey’s Anatomy”, (famosa série médica que passa na TV a cabo).

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Ele é o mais novo da turma de paramédicos. Com o ingresso na instituição, veio a quebra da ilusão. Os filmes não ensinam nada. Ele imaginava que fosse mais fácil lidar com situações de emergência. “Tem momentos em que a pessoa está gritando de dor, e você não pode fazer nada por ela, não pode dar morfina. Tem que aprender a lidar com isso na marra. A gente vê alguém sofrendo e quer ajudar, mas em cena real, você tem de aprender a ficar calmo. Nos filmes, eles pegam e tiram as pessoas do carro e correm para o hospital, suando, e isso não é verdade.”

Um certo cinismo

Em dois anos na Cruz Vermelha, Guilherme presenciou acidentes terríveis: mortes, decapitação, traumas diversos. Na Itália, os jovens morrem por overdose de heroína, enquanto a chaga brasileira é o crack. “Eles se injetam muito”, conta. “Uma vez por semana, a gente acaba pegando um caso. Geralmente em fim de semana.” O futuro médico reconhece que com a “overdose” de acidente, acabou ficando “cínico”. “É muito fácil se acostumar. Você fica cínico para se preservar.” Uma vez ao mês, a trabalho, Guilherme frequenta a psicóloga para contar se está bem. Durante uma hora, ele conversa no divã. É nesse tempo que admite o cinismo em relação à morte. “Quando as famílias perdem alguém, você vê toda a tristeza delas, mas fica impassível. É como se fosse apenas um dia qualquer. A vida é isso.”


arquivo pessoal

O desprezo

“O que eu desprezo são pessoas que causam acidente por alcoolismo.” A frase sai feroz da boca de Guilherme. Conta que há muitos acidentes em decorrência de motoristas alcoolizados. “Fim de semana é horrível, eu tenho muito desprezo por pessoas assim. Muito mesmo. Acho muito besta. Geralmente o alcoolizado não vai ser a vítima, ele vai causar a vítima. É difícil encontrar um alcoolizado que morra no acidente. Eles sobrevivem, e isso parece até uma piada de mau gosto.” Muitas vezes, ele teve de vencer o próprio impulso para poder salvar a vida. Ele conta como foi: “Um dia, peguei um paciente que matou duas meninas, mas tive de atendê-lo. Eu queria era jogá-lo de dentro da ambulância. Mas eu tinha de ser impassível e tratá-lo como a qualquer outra pessoa. Isso é complicado também”.  Guilherme conta que não perdeu o idealismo, mas percebeu que é preciso muito mais do que ideias para conviver em um mundo assim. Ele diz que leis mais rígidas pouco vão mudar as estatísticas de morte. “A lei pode mudar um pouco, mas sempre terá o rapazinho bêbado que acabou de pegar o carro do pai e que decidiu: ‘Ah, legal, vou dar um cavalinho de pau’, e pegar alguém, causar algum acidente e não terá a mínima noção do que está fazendo. Isso é o pior. Não é questão de lei. É de conscientização.”  

“APRENDA A SER ESPONTÂNEO” DOIS ANOS NA CRUZ VERMELHA, SUA VIDA MUDOU? E VOCÊ BEBE?

Guilherme - É uma experiência incrível. Eu já não bebia antes de entrar lá. Depois que entrei, então, nunca mais bebi. Acabei criando asco da bebida, cigarro, drogas. Não tem nada que possa fazer alcoolizado que você não possa fazer sóbrio. É só aprender a ser mais espontâneo com as pessoas.

VOCÊ VIU OS SERVIÇOS DE SAÚDE DE LAJEADO? O QUE ACHOU?

Guilherme - As pessoas reclamam dos serviços daqui. Na Itália, fora a parte da emergência, que é excelente, o resto é complicado. Nisso, o Brasil supera a Itália. Depende também da região da Itália; o norte é mais preparado e bem equipado, enquanto o sul tem sérias deficiências no sistema. Muda de região para região. Aqui os equipamentos são limitados e há muita burocracia. Uma vez, eu presenciei um acidente de moto e chamei o Samu, e eles tiveram a audácia de perguntar: ‘Você não pode levar a pessoa para o hospital?’ A pessoa tinha sido atingida por um ônibus, e a telefonista me pediu para eu levar ao hospital. Na Itália, nos chamam até por um corte facial, que pode parecer besteira, mas vamos sempre.   O NOSSO SAMU AQUI É A CRUZ VERMELHA DE VOCÊS?

Guilherme - Cruz Vermelha é um grupo parte militar, parte civil (voluntários), encarregado de cuidar de situações de emergências nacionais e zonas de crise ou conflitos, sejam nacionais ou internacionais, que presta serviço terceirizado ao 118, o número de emergência italiano, que é todo terceirizado. Grupos como Cruz Vermelha, Cruz de Malta e Misericórdia prestam esse serviço. A maioria são médicos e enfermeiros; outros, paramédicos. VOCÊ DIZ QUE É PRECISO QUE AS PESSOAS SEJAM TREINADAS PARA AJUDAR?

Guilherme - Na Itália, as pessoas aprendem a fazer massagem cardíaca nas escolas. Há desfibrilador em prefeituras, shoppings, cinemas e locais públicos. É lei. Meu pai teve um infarto em casa, em Lajeado, e faleceu. Tenho certeza de que foi bem atendido pelo Samu. Não sei se ele teria tido chance de sobreviver com uma massagem cardíaca, afinal, estava sozinho, mas se ele estivesse em um local público, não sei se ele teria tido chances. No Brasil, as pessoas não têm essa cultura de ajudar, acham que nunca vai acontecer com elas. ............................................................................................. Andréia Rabaiolli conteudo@mazup.com.br


conversa casual “NÃO VOU QUEIMAR MEUS FILHOS” O CARRO VERMELHO ESTACIONA NA FRENTE DO CEMITÉRIO. SÃO 18H DE SEGUNDA-FEIRA, UMA SEMANA APÓS O CARNAVAL. CABELO CHANEL, VESTIDO FLORIADO E UM BALDE VERDE, A SENHORA PERDE-SE ENTRE OS TÚMULOS. ABRE A TORNEIRA, DEBRUÇA-SE SOBRE A SEPULTURA DE MÁRMORE E LIMPA COMO SE FOSSE O ASSOALHO DE CASA. - Oi, tudo bom, posso conversar com a senhora - pergunto. - Fala, diz ela, acessível. - Hoje, em uma segunda-feira, por que a senhora limpa o túmulo? - Minha mãe morreu em 26 de dezembro, e a gente voltou da praia na sexta-feira e eu não consegui vir antes. Ela me conta que possui oito familiares enterrados ali e que visita o local toda semana, desde que o pai morreu, há 40 anos. Tem pai, mãe, irmã, sobrinho, tias. Eu me surpreendo quando ela diz que todos são limpos todas as semanas. Com dois baldes, panos e água, a senhora tira o pó e coloca flores novas. - A senhora tem consciência de que isso não é algo que todo mundo faz? - indago espantada. - Tem gente que nenhuma vez por ano. Tenho um monte de tios. Eu

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compro flores e coloco porque meus primos não vão visitar (os túmulos). O espírito de religiosidade vem da infância. - Eu tenho fé, fé, fé, fé - enfatiza a doce senhora. Semanalmente, vai à igreja, hábito tão arraigado quanto limpar túmulos. Moradora do Bairro Moinhos, em Lajeado, diz que deixou de frequentar o templo da matriz em razão do inchaço do estacionamento. Mudou de casa de Deus, mas não de fé. O senhor aceita todas as orações. Voltando ao papo da limpeza, ela me garante que carrega sempre dois baldes. Cada “assepsia” dura 20 minutos. No total, gasta uma hora e meia fazendo “faxina” nos mortos. Em algumas sepulturas, demora mais, em outras, nem tanto. “Algumas (sepulturas) têm pedrinhas”. É que no lugar de tampo de mármore, as mais

ilustração Joana Heck


antigas são cobertas com minúsculas pedras brancas, logo não necessitam de tanto tempo para limpar. Eu pergunto como quem não quer nada: - A senhora gosta de ficar no cemitério? Ela é convicta: - Eu não gosto. Só faço isso por aqueles que me deram tudo. É uma homenagem. Tem gente que não valoriza. Morreu, morreu. Minha filha diz que quer ser cremada, eu digo que não. Jamais vou te queimar. - A senhora não vai “queimar” nenhum filho? - Ninguém dos meus. A cremação é o extermínio do corpo. Percebo então que a senhora de fé é também inflexível com os filhos de Deus. Cutuco: - E a senhora nem aceitaria doar órgãos dos filhos? - Já me perguntaram. Depende do momento, hoje tu me perguntas, eu digo não. Não ia deixar arrancar os olhos, o coração. Não. Eu nem entendo por que minha mãe está aqui embaixo. - Mas a sua fé em Deus é muito forte? - A fé e o amor são duas palavras fortes para quem acredita. Olha o

jovem, o que é o jovem hoje... Ela deixa no ar o que pensa da juventude. Nem tão no ar assim. Continuo: - O jovem não limpa túmulo... - Não vejo ninguém mais limpar! A chuva começa a cair de mansinho, talvez para ajudar a aposentada de 64 anos a “limpar” sua mãe. Eu me despeço. Penso que ela também iria embora. Ela me diz: - Eu agora vou lá embaixo limpar meu irmão - Com chuva? - pergunto - Eu não tenho medo de chuva! - Boa limpeza, então - me despeço - Obrigada, tchauzinho. Bom trabalho. Lá se foi a senhora loira, entre os jazigos com o balde verde-limão. A chuva caía às 18h30min da tarde. Ela não queria queimar, nem doar os órgãos dos filhos. Foi zelar pelo irmão que jazia putrefato, socado ao chão. O céu azul-escuro caindo para a noite dava o contorno dentro do muro da cidade dos mortos. ...................................................................... Andréia Rabaiolli conteudo@mazup.com.br

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DESABAFO Mais uma. De muitas. A Revista Mazup segue sua trajetória e incrementa ainda mais as discussões vigentes. Fazer uma revista não é fácil, mas dá um baita tesão. Descabela valendo. Escrever, ilustrar, engrenar, misturar, mostrar e “remostrar” o que a gente bem entender. A responsabilidade é grande, e sabemos disso. Nossa utopia, que se transforma em objetivo, nem é tão fantasiosa assim é chegar em você e mostrar o que vale a pena ler. O que ver, sugerir o que sentir e com o que se horrorizar. Mostrar o “que tem para hoje”, o que escolhemos num cardápio vasto de possibilidades de assuntos. Baita garimpo. Qualquer detalhe vira motivo de conversa pra nós. Trocar ideia com você é o que a gente faz de melhor. Verbo impresso, pintado e desenhado para ter a sua voz e vez. Revista Mazup, nossa filha pródiga que retorna ao lar: suas mãos. Chega mais requintada, pesada de opinião e robusta de assunto. Pega com cuidado, de canto, senão pode queimar! E a inveja? Ah, o tema desta edição foi um lapso unânime de ironia. Inclusive, um beijo para todos os invejosos de plantão. A gente ama de paixão! Nos encarnamos no assunto e botamos aqui o que gostaríamos de saber. Com restrições de espaço, obviamente. Mas a revista não termina aqui, tá ligado? Continua no site, no caderno semanal impresso, nas redes sociais e na cabeça de quem não tiver preguiça de sugerir e baixar a lenha quando achar necessário. Ao escrever estas linhas, nunca temos a grandeza do projeto pronto. Abrimos um documento em Word e vomitamos o que vem à mente. E a gente nunca mente. É tão gratificante pensar em como ela vai ficar pronta e, depois de ver, não conseguir parar de cheirá-la e abraçála como se fosse caderno novo de capa dura no Ensino Médio. Putz, temos o melhor trabalho do mundo.

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E outra, galera - a sua participação foi especial. Quando acessamos o revista@mazup.com.br e nos deparamos com inúmeras opiniões sobre o nosso material, deu friozinho na barriga, porque a gente faz, mostra para nossas mães e elas adoram. Agora, saber o que você pensa sobre nossas divagações faz sentir que o buraco é mais embaixo. O buraco infinito, assim como nossa intenção de arregalar seus olhos e azedar sua língua com “verdade de verdade”. Clichês à parte, a revista vem diferentemente igual. E igualmente diferente. Embarca e rema com a gente, porque a maré taí e disso não podemos fugir!


2ª Revista Mazup - Inveja mata  

A segunda edição da revista Mazup toma conta da galera. Ela tem um conteúdo mais ácido e ela já está te esperando para ser devorada