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O INFORMATIVO DO VALE

27 de julho de 2012

www.mazup.com.br

Cรกssio Bonfandini

#101

Planeta acelerado,

pessoas miojizadas


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27 de julho de 2012

Miojização

A vida em três minutos A gente nem se dá conta, mas hoje tem miojo, sexo miojo e pesquisa miojo. É só dar uma “googleada” e pronto. No nosso processo mundano, fazer comida não passa de três minutos. Até o divórcio é feito em 24 horas. É o tic-tac do tempo

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tire a primeira pedra no seu microondas quem nunca comeu Miojo, abrindo mão do sabor de uma comida bem preparada em nome da praticidade. A “vida miojo” está estabelecida nos relacionamentos, no trânsito que aborrece a gente, sempre na pressa do dia a dia. “Nós vivemos em um mundo, especialmente por conta das plataformas digitais, em que a lógica é a do ‘tudo agora, ao mesmo tempo junto’. Nós paramos de fazer polenta e passamos a comprá-la pronta em nome de algo que é prático.” A frase é do filósofo Mário Sergio Cortella, que veio a Lajeado falar da inquietude dos nativos digitais e do acelerômetro da vida. Não especificamente em conotação negativa. Uma constatação apenas. “O ‘namoro miojo’, o ‘sexo miojo’, a ‘pesquisa miojo’” - a ideia do “ficar”, comum entre os jovens, representa muitas vezes a “miojização” das relações. Eu fico contigo numa noite, tu ficas comigo na mesma noite, e nós dois curtimos todas as outras noites com outras pessoas. Até os casamentos são miojo. Quer uma prova de que o Vale do Taquari caiu na

Miojização

era “da massinha pronta”? Com a lei que implantou o divórcio a jato, há dois anos, o número de divórcios diretos teve um aumento de 48% no Cartório de Lajeado no primeiro ano que a norma entrou em vigor. É uma reação da vida moderna. Os casais descartaram a ideia de que é preciso ficar junto até que a morte os separe. Três minutos de irritação e está feita a ruptura. Hoje é possível casar num dia e separar no outro. É a era do vapt-vupt. Tem gente que gosta, se sustenta e tira proveito da “vida miojo”. Vamos conhecer a Elis.

Acelerou, acelerou, acelerou: o melô da Elis

Em um ano, a vendedora Elis Bonfante noivou, casou e teve o primeiro filho. Mas no relacionamento, a pressa parou por aí. Ela, a mulher acelerada, está há nove anos casada com o marido a quem chama de “muito lento”, mas com carinho, claro. Com 32 anos, o tempo de Elis não é parâmetro, porque seu estilo proativo não a deixa ficar quieta. Na co-

*** O filósofo Mário Sergio Cortella cunhou o termo “Miojização da vida - uma vida miojo - onde tudo é instantâneo”. *** Mais de 30% de nós temos o comportamento do coelho da Alice: “É tarde, é muito tarde”. O animal apressado de Alice no País das Maravilhas mostra que não estamos tão distantes assim desse mundo mágico. Segundo pesquisas, a pressa afeta 33% dos brasileiros. Não é exatamente uma doença, mas sim um tipo de comportamento que altera consideravelmente a vida das pessoas.

zinha da empresa, os pacotes de Miojo são a iguaria da vendedora. “Eu sempre opto por coisas práticas, massa com molho, torrada ou sanduíche. Tudo rápido. Como muito Miojo.” A inquietude de Elis é motivo de comentários entre os amigos. A colega Gisa Pereira ajuda a maneirar. Assim como é “aceleradinha”, conquista amizades com facilidade. Às vezes, a pressa lhe causa apagão. “Dia desses eu saí com uma colega e quando percebi, esqueci ela (sic) no local. Já estava saindo, pensando em outra coisa.” Deu tempo de voltar e “recolher” a amiga. O episódio virou motivo de risada. A vendedora é daquelas com habilidades múltiplas: enquanto calcula orçamento, atende o telefone e ainda vigia o ambiente. Essa é a vantagem que lhe dá produtividade. Enquanto as colegas estão cansadas em fim de expediente, Elis tem gás para mais um tempo. O lado ruim da pressa é a irritação. Se tem de esperar em fila de banco, o nervosismo ataca, o pé bate, e as horas se tornam intermináveis. Nem para ir ao cabeleireiro Elis tem paciência. “Prefiro passar tonalizante; fazer luzes demora.” A pressa não exclui seu bom humor. O jeitão agitado diverte os amigos. Mas que se cuide o amigo que for “lento” demais. “Quando sinto uma pessoa devagar demais, parece que tenho de empurrar”. Elis é de Touro, o marido de Libra, mas acredita que os signos não tenham nada a ver com personalidades opostas. O filho menor, de 3,5 anos, puxou a ela; o maior, de 8 anos, a ele. E assim, entre a pressa da Elis e a tranquilidade do seu par, a casa se equilibra. É como diz o filó-

sofo Cortella, a “vida miojo” acelera, e para contrapor, só alguém com síndrome de “polenta”. Para fazer Miojo são necessários três minutos; para fazer polenta, uma hora: tem que ter força, paciência e resistência. A “miojização do mundo” corresponde a uma “despolentização da vida”. Juntando os dois, dá um cardápio sensato. Elis está até mudando para melhor. Sem deixar de ser acelerada, mas pensando mais em si mesma, ela engrenou uma dieta e emagreceu sete quilos. A amiga Gisa estimula. Dá para emagrecer com Miojo? Dá sim.

Você sabe o que é SPA?

Não, não é aquele lugar maravilhoso que os famosos vão para emagrecer e relaxar do estresse. Na medicina moderna, a sigla equivale à Síndrome do Pensamento Acelerado. A SPA provoca sintomas mesmo que os pensamentos não tenham conteúdo perturbador. Ela é epidêmica, atinge grande parte da população mundial. O psiquiatra Augusto Cury, autor de livros nacionais, diz que ela é gerada pelo excesso de estímulos produzidos pela imprensa escrita, pela mídia, pela ciência, pela educação, pelo trânsito de informações e preocupações nas relações sociais. “Trilhões de informações são produzidas anualmente. Precisaríamos de mil anos para receber o que se produz em um mês


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no mundo.” Então, como a gente está sempre no Facebook, no canal da televisão e de ouvido no MP3 e atento ao chefe, o resultado é este: não desligamos nossas mentes, não desaceleramos os pensamentos. O humor fica flutuante e irritadiço. Cury, numa sacada de bom humor, faz uma ótima brincadeira. Costuma dizer que tais pessoas “fazem o velório sem ter o morto”. Identificou-se com a síndrome? Então se controla: não precisa parar de comer Miojo (coma com moderação) e se ligue na dica de Cury: dá

para treinar a mente e desacelerar o pensamento.

Pensamento acelerado

A SPA está ligada à velocidade exagerada de construção do pensamento. A construção do pensamento deve ter uma velocidade adequada para garantir a saúde psíquica. Por causa das pressões sociais, das preocupações cotidianas, da competição no trabalho e, principalmente, do excesso de informações que recebemos diariamente e não temos tempo para processar, essa velocidade é alterada. Isso produz diversos sintomas, como irritabilidade, insatisfação, dificuldade de concentração, déficit de memória, fadiga excessiva, sono alterado, dificuldade de extrair prazer nos estímulos da rotina diária, flutuação emocional excessiva, gerando uma ansiedade doentia e as mais variadas doenças psíquicas.


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curtimos fotos divulgação

Luca Lunardi

Ação em prol da solidariedade

A gurizada do time SER Falcatrua, do CTC, organiza, com a Promo Eventos e a Projeta Eventos, a 4ª Feijoada Beneficente. Para este ano, segundo um dos organizadores, o Tiago Nicaretta, o valor da venda de cartões da feijoada, que ocorre no dia 18 de agosto, será entregue para a entidade Abaquar de Lajeado. Cada cartão tem o investimento de R$ 20 e pode ser adquirido no Clube Tiro e Caça, Lojas Prata, Bloom’s Burguer, DCE Univates, Tombado e com os promoters da iniciativa. No dia do evento haverá mesas no CTC para almoçar por lá ao som de Pitty, Brunetto e Ismael com saxofone e piano. divulgação

Beleza em evidência

Dois concursos de beleza, em especial, movimentam uma galera pelas redes sociais. Entrou em votação popular o Miss Rio Grande do Sul Latina, certame em que a Julia Cristina Schneider representa Lajeado, e vai entrar, a partir deste finde, para votação popular ao Mister Brasil 2012, Vagner Oliveira. Para dar uma mão pra Julia é só acessar o link e procurar pela foto da gata. Para ajudar o Vagner é só entrar no http:// migre.me/a2wsO. divulgação

Bariloche é pop; San Martin é cool! Nas férias de inverno, a lajeadense Kátia Eckert pegou suas malas e partiu, na companhia de amigos e da família, para San Martin de Los Andes, Patagônia, na Argentina. Com aproximadamente dez dias de estada por lá e 5°C, a guria e toda sua turma aproveitaram o tempo para esquiar nas montanhas congeladas da região. Ela conta que já fazem isso há um bom tempo, cerca de seis anos. O grupo ainda brinca que Bariloche é um lugar pop, onde é mais badalado, e San Martin, por ser mais reservado, é cool.


Caderno Mazup do dia 27.07, ed 101