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Relat贸rio Anual 2013


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Nirma Damas Carla Wstane Daniela Campolina Vieira

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Responsáveis: Nirma Damas - Presidente do Núcleo Cascatinha. Jornal Caiçaras. Carla Wstane Vice-Presidente Núcleo Integrado Cascatinha. Geógrafa mestre em Geografia. Daniela Campolina Vieira – Manuelzão Comunidade e 1ª Secretária Núcleo Integrado Cascatinha. Bióloga mestranda em Educação

Formação: *Inicial: Associação Comunitária dos Moradores do Alto Caiçara (ACOMAC), Grupo de ação e Reflexão Política (GRAP) e Associação Comunitária dos Moradores do Jardim Caiçara (ACMJC), Grupo de Reflexão Fé Política; Jornal Caiçaras *Núcleo Brejinho (comunidade e escolas) *Núcleo Engenho Nogueira (UFMG, empresas)

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A bacia:

melhorias locais. Conheça o mapa da Bacia.

Mapa ribeirão da onça

Queda d’água do Parque Ecológico do bairro Caiçaras

O Núcleo Integrado Cascatinha trabalha à montante, ou seja, na região em que se encontra as nascentes principais do córrego Engenho Nogueira. Sua área de abrangência comporta parcial ou integralmente os bairros Caiçaras, Alto Caiçaras, Minas Gerais/Jardim Montanhês, Jardim Alvorada, Padre Eustáquio, Monse-nhor Messias, Pedro II e Adelaide. O Núcleo é chamado de integrado devido aos 3 córregos da região: Prentice Coelho, Pandiá Calógeras/Antônio Henrique Alves e Cascatinha. Os problemas da bacia esgoto a céu aberto e poluição dos córregos Cascatinha e Prentice Coelho; disposição inadequada de lixo; retirada de mata ciliar e assoreamento de rios; e falta de envolvimento maior da comunidade em prol de 4

O núcleo O Núcleo Integrado Cascatinha formou-se em 2003 quando moradores da região tiveram seu primeiro contato com o Manuelzão e perceberam como sua luta estava ligada à proposta do Projeto. O Núcleo é formado principalmente por associações de bairro que desde 1986 lutam em prol de causas ambientais como, por exemplo, a preservação de áreas verdes e cursos d’água em leito natural. Um exemplo de conquista destas associações foi o Parque Ecológico do Bairro Caiçara área verde na qual há vegetação nativa e espaços de lazer, além de uma queda d’água natural. Já como Núcleo, este grupo formado por associações de bairro, escolas, centros de


saúde, instituições religiosas e grupo de escoteiros, realizou várias ações junto à comunidade, escolas e poder público. Recentemente sua a área foi contemplada pelas obras do Projeto Drenurbs (PBH) que visa a revitalização de fundos de vale em Belo Horizonte. O Cascatinha lutou pela não canalização de trechos do córrego e conquistou representação jurídica por meio da Associação Cascatinha que visa se tornar em breve uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP). Organizaram o Programa Pampulha Viva desde 2010 e atualmente suas ações são integradas com os demais Núcleos da bacia: Núcleo Engenho Nogueira e Núcleo Brejinho.

Acões realizadas:

• Obras do Drenurbs; • Caminhadas Ecológicas; • Trechos de rios não canalizados; • Miniexpedições com alunos de escolas da região. • Visitas Técnicas para reconhecimento da bacia e levantamento dos seus principais potenciais e problemas; • Participação em eventos ambientais como o FestiVelhas, Expedições do Projeto Manuelzão, Seminário Internacional de Revitalização de Rios; e acadêmicos como Seminário Claudio Peres (Geografia –PUC), Congresso de Ecologia do Brasil; • Participação no Subcomitê de Bacia Hidrográfica do Ribeirão Onça; • Auxilio em monografias de final de curso realizadas por estudantes universitários que tem interesse em conhecer e estudar sobre a mobilização do Núcleo; • Organização e coordenação do Programa Pampulha Viva;

Miniexpedições com alunos de escolas da região.

• Conquista da Revitalização do Parque Ecológico do Bairro Caiçaras;

Fauna do Rio das velhas

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Desafios • Mobilizar a comunidade, empresas e poder público em prol do fim do assoreamento de nascentes, lançamento clandestino de esgoto no rio, disposição inadequada de lixo; • Expandir a disseminação de informações sobre a bacia, potenciais e problemas desta visando à maior participação da comunidade na luta por melhorias locais; • Identificar e estimular a preservação de nascentes na região; • Envolvimento maior das escolas em ações contínuas de mobilização e conscientização. Construir junto aos alunos e à comunidade, o sentimento de pertencimento à micro-bacia, criando-se assim a necessidade de cuidar e responsabilizar-se pelo local onde estão inseridos; • Introduzir noções de gestão participativa de uma bacia hidrográfica; • Dividir com as escolas as propostas do Núcleo, para ações de melhoria da região em que vivem; • Organizar e promover ações de melhoria das condições do ambiente na micro-bacia; • Formar multiplicadores que possam estimular a construção e promoção de ações para a melhoria deste ambiente; • Envolver alunos e familiares na gestão participativa da bacia, e buscar conscientiza-los para o fato de que suas ações positivas remeterão a melhoria de qualidade de suas vidas. Escola Municipal Aurélio Pires e Associação de moradores; • Grandes mobilizações em torno da criação do Parque em área com nascentes – projetos escolares, passeatas, seminários, visitas técnicas; • Orçamento participativo; 6

• poluição industrial. • Miniexpedição

Cascatinha em números: Ações realizadas pelo núcleo de 2006 a 2013

80 70 60 50 40 30 20 10 0

2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013

Além do envolvimento com o poder público nas discussões que se desenrolavam em torno dos projetos de saneamento da região,;


Integração com o projeto:

Concientização da população:

50

15%

40 50%

30 35%

20

10

0 Poder público Usuários Comunidade Começava assim a formar-se enquanto um grupo mobilizador em defesa dos córregos da região. Ainda em 2006 começou a construir seus primeiros planos de ação ligados às questões de “educação”,

De 50% da população que é conciente, 15% não faz nada para ajudar, Um dos maiores desafios é fazer com que as pessoas em geral se sintam pertencentes ao meio em que estão inseridos. A construção coletiva e a gestão participativa do espaço são processuais. Inicia-se com a necessidade de melhorias da qualidade de vida e cresce na medida em que vários atores sociais estejam ligados por ações que possam alcançar definitivamente o objetivo de pensar globalmente e agir localmente. Para que seja compreendido e aceito, cada vez maiso paradigma ecológico, cuja proposta é a compreensão da realidade em suas inter-relaçõese não apenas pura soma de entidades individuais. que se desenrolavam em torno dos projetos de saneamento da região, as atividades desenvolvidas pelo grupo podem ser observadas na promoção de caminhadas para ajudar na concientizaçao.. 7


Escolas alcançadas

2008 2009 2010 2011 2012 2013 0

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10

15

20

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35

Para o autor “é necessário assumir umaracionalidade dialógica, bioempática e holística paraacercar-se da realidade natural e social, e dessamaneira fazer frente aos desafios ambientais”. Baseado em diagnósticos socioambientais,elaborados ao longo dos últimos dois anos porestudantes do curso de Medicina e da percepção dos moradores envolvidos em trabalhos do Núcleo, foram detectados os principais problemas da microbacia, a saber: esgoto a céuaberto (30%) e poluição dos córregos (25%), não valorização do Parque local(15%); deposição de lixo e entulho em locais indevidos 15%,falta de coleta seletiva (15%), violência, desmobilização e desinformação da comunidade em geral sobre os problemas locais (5%). representado no gráfico:

Poluição

10%

15% Comunidades alcançadas

2007

15%

2008

25%

2009 2010

5%

2011 2012

30%

2013 0

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80


A falta de informação dos moradores que sofrem diretamente os problemas ambientais resultantes de suas próprias práticas cotidianas,. Portanto, torna-se necessário estimular o envolvimento da comunidade com sua realidade local, podem-se trazer melhoras nas condições de vida da população e em suas vivências cotidianas. Diante disso, o Núcleo definiu como uma de suas principais metas, a realização de trabalho de educação ambiental nas escolas da região, buscando integrar a comunidade e a escola em objetivos comuns. Inicialmente apresenta-se a proposta de realização do projeto de educação ambiental aos diretores e equipe pedagógica da escola. O gráfico mostra como isso tem mudado as atitudes das pessoas de um colégio:

O projeto se desenvolve através de palestras com a apresentação no Núcleo, sua missão, visão e valores, os diagnósticos sobre a região e são traba-lhadas noções de: conceito de bacia hidrográfica (35%), ciclo hidrológico (25%), equilíbrio ecológico(25%), degradação ambiental (15%), ética e cidadania (5%), dentre outros. Objetivos implantados

5% 20%

15%

Escola conciente: 80

25%

70

35%

60 50 40 30 20 10 0

2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013

O sentimento de pertencimento é despertado através de apresentação de mapas, e imagens locais dos córregos e da bacia como um todo. Figuras ilustrativas em data-show são utilizadas nesta etapa, além de dinâmicas em grupo que possam despertar para o sentimento de cooperação mútua entre os seres. Posteriormente realiza-se atividadede percepção ambiental em áreas protegidas(nascentes localizadas próximas às escolas), áreas degradadas (córregos poluídos) e em recuperação. 9


Poluição em nascentes proximo as escolas. 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013

0

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20

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40

50

60

70

Concientização dos alunos em relação aos corregos poluidos. 80

80

Atividades posteriores são realizadas pelos professores e membros do Núcleo envolvendo discussões sobre a situação atual da bacia e possíveis ações envolvendo a escola na melhoria deste espaço sócio-econômico-ambiental. Nestas reuniões ocorre o detalhamento de atividades a serem realizadas, estruturação do Projeto de acordo com a realidade da escola, compartilhamento de experiências, orientações e/ou suporte necessários aos professores assim como confecção de materiais educativos de apoio como cartilhas, banner’s e mapas, garantindo a continuação do projeto ao longo do ano. Antes do término do ano letivo os resultados serão avaliados a partir de desenhos e questionários aplicados aos alunos. Disseminando um sentimento de pertencimento à microbacia, instigados pelos desejos de gestão participativa.

Resultados alcançados

70

35%

60

20%

50 40 30

5%

20 10 0

25% 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 10

15%


Para que seja compreendido e aceito, cada vez mais o paradigma ecológico, cuja proposta é a compreensão da realidade em suas interrelações e não apenas pura soma de entidades individuais, Junges (2004, p. 55) declara a emergência de um novo paradigma de percepção e compreensão da realidade. Para o autor “é necessário assumir uma racionalidade dialógica, bioempática e holística para acercar-se da realidade natural e social, e dessa maneira fazer frente aos desafios ambientais”. O desafio ambiental consiste, entre tantas outras coisas, em construir uma realidade que considere todos os tipos de vivências, em que um novo modelo de conhecimento pelo qual a razão aberta, crítica e criativa, livre de certezas insustentáveis.

Participação da comunidade 80 70 60 50 40 30 20 10 0

2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013

Pessoas dispostas a ajuda:

10%

20%

35%

10%

5% 45% Há, portanto, a necessidade de incluir, nessa perspectiva, a visão transdisciplinar e intersetorial necessária à compreensão dos problemas ambientais no que diz respeito ao planejamento de ações nesse âmbito. As propostas de planejamento advindas diretamente da administração pública, que buscam promover ações de melhoria nas condições ambientais ainda não absorvem integralmente a opinião e vivência da comunidade, reafirmado por Hissa (2002, p. 251), quando menciona que“planejadores tradicionais são incapazes de compreender as complexidades da trama”. Vê-se a necessidade de incluir, os saberes populares, pessoas disposta a ajudar nessa caminhada. 11


Diante disso, o Núcleo Integrado Cascatinha, um grupo informal de pessoas (comunidade, poder público e universidades) tem como objetivo o envolvimento com a questão ambiental e o desenvolvimento de atividades relacionadas à melhoria da qualidade de vida no território da microbacia hidrográfica do Córrego Cascatinha, localizado no município de Belo Horizonte. Essa microbacia integra a bacia do Rio das Velhas. Em 2005 reuniram-se várias lideranças, definiram sua missão, valores e visão, detectaram problemas e planejaram ações para melhorias ambientais onde vivem. Em 2007 foi iniciado um projeto de educação ambiental, integrando a comunidade e as escolas inseridas na microbacia, em consonância com a Política Nacional de Educação Ambiental, Participação das escolas: 80 70 60 50 40 30 20 10 0

2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013

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Concientização da população: 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013

0

10

20

30

40

50

60

70

80

Lei 9795/ 99 que “entende por educação ambiental os processos por meio dos quais os indivíduos e a coletividade constroem valores sociais, [...] atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente. [...] de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do progresso educativo, em caráter formal e não formal”. Neste trabalho traçaremos as principais idéias que nortearam a elaboração do projeto de educação ambiental denominado Projeto Integração Comunidade / Escola, desenvolvido pelo Núcleo Cascatinha como uma de suas principais ações para a melhoria da qualidade de vida da sua região, buscando Construir junto aos alunos e à comunidade, osentimento de pertencimento à micro-bacia, criando-se assim a necessidade de cuidar e responsabilizar-se pelo local onde estão inseridos; Idéias que nortearam a elaboração do projeto de educação ambiental denominado Projeto Integração Comunidade / Escola,

Annual report final  
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