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Índice

0. Introdução p-3 1. Percepção p-4 - O problema da percepção p-4

- A percepção da profundidade p-4 - A percepção do movimento p-4 - A percepção da forma p-5 - A Figura e o Fundo p-5 - O Agrupamento Perceptivo p-5 - Quando a lógica falha p-6 - A Selecção Perceptiva: Atenção p-7 - A Percepção da Constância p-7 - O empirismo e o Inatismo Reconsiderados p-7

2. Memória p-8 - Codificação, Armazenamento, Recuperação p-9 - Memória sensorial p-9 - Memória de Trabalho p-9 - Memória a Longo Prazo p-9 - Memória Implícita p-10 - Factores de Esquecimento p-10 3. Caso Prático p-12 4. Bibliografia p-13

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0.Introdução

Através dos sentidos o ser humano absorve e analisa o mundo. Contacta com pessoas, situações, objectos e acontecimentos, formando imagens a seu respeito. Esta significação designa-se de percepção, conduta psicológica pela qual a pessoa organiza as diversas sensações de modo a tomar conhecimento da realidade. A memória habilita-nos a viajar no tempo e no espaço. Não conhecemos apenas o mundo que está a nossa frente e percepcionamos no momento, mas também o que já recebemos anteriormente. A memória é o processo de fixação, retenção e recordação do que se aprendeu.

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1.Percepção Tudo o que nos chega do mundo é através de órgãos receptores sensíveis à diversidade de estímulos. A esta captação de estímulos dá-se o nome de sensação, e é com as sensações que se inicia o conhecimento do mundo. No entanto sentir é insuficiente, sendo também necessária a interpretação desses mesmos estímulos.


1. Percepção

A percepção é a função cerebral que atribui significado a estímulos sensoriais, a partir do histórico de vivências passadas. Através desta, o indivíduo organiza e interpreta as suas impressões sensoriais para atribuir significado ao seu meio. Consiste na aquisição, interpretação, selecção e organização das informações obtidas pelos sentidos. A percepção do mundo é diferente para cada um de nós, cada pessoa percebe um objecto ou uma situação de acordo com os aspectos que têm especial importância para si própria. O problema da percepção A percepção ajuda a executar operações que o ser humano identifica como simples mas tornam-se impressionantemente complicadas, e sem ela não seria possível efectua-las. No caso de observarmos uma maçã, identificamos logo como sendo um fruto que tem origem nas árvores, que faz-nos bem à saúde, porque já temos o conhecimento visual da maça. Mas em relação a alguém que nunca tenha visto aquela coisa, com certeza que irá fazer uma identificação diferente. Este problema consiste em saber como conseguimos apreender os objectos e os acontecimentos do mundo que nos rodeia, sendo no domínio da percepção visual a profundidade, o movimento e a forma os factores principais. A percepção é influenciada ainda por outros factores, a saber: Fisiologia – porque podemos não desenvolver correctamente os órgãos dos sentidos ou estes sofrerem de alguma deficiência; Atenção – esta é a capacidade que temos para seleccionar inputs e informação e incluindo-os no foco da nossa experiência: seleccionar de entre os estímulos possíveis, aquele/s que se adequa/m à nossa experiência. Portanto, quanto maior for a atenção maior é influência sobre a percepção; Memória – é a capacidade de reter informação e evocar o passado. Ora a memória influencia decisivamente a percepção através da recordação e interferência com experiências anteriores; Expectativas – são antecipações ligadas muitas vezes a estados motivacionais. O facto de alguém as ter leva a uma percepção diferente; Motivação – é uma força que nos move em direcção a algo. Ora, por exemplo, quando gostamos muito de uma banda e a vemos referida em algum lugar, o nome dela destaca-se logo. A motivação influenciou a percepção; Experiência anterior - como já se referiu na atenção, a variedade e a intensidade de certas experiências marca o indivíduo. Por exemplo, uma criança sujeita a maus tratos tem dificuldade em ver a casa como acolhedora. A percepção da profundidade Se a imagem que se forma na retina só tem duas dimensões, como é que o nosso mundo perceptivo contém três? Os indícios de profundidade vêm do facto de sermos criaturas binoculares, isto é, de termos dois olhos. Cada olho obtém uma visão ligeiramente diferente do mundo, o resultado disso é a recolha de informação importante acerca das relações de profundidade do mundo. A essa diferença dá-se o nome de disparidade binocular. Em casos de pessoas cegas de um olho, elas conseguem ter a mesma visão a três dimensões. Isto verifica-se porque têm indícios para a percepção da profundidade obtida na imagem só com um olho, denominados por indícios monoculares de profundidade. Muitos artistas exploram hà séculos estes indícios monoculares de profundidade, para criar a sensação de profundidade a partir de uma superfície plana, designados por indícios pictóricos. A percepção do movimento O corpo humano tem a necessidade de saber não só o significado de objecto e onde ele está, como também, de saber o que está o mesmo objecto a fazer.

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1. Percepção

Precisamos de ter a percepção dos acontecimentos como da dos objectos. Os nossos olhos estão em constante movimento, o que cria uma série contínua de mudanças na imagem retiniana, mesmo quando estamos a observar uma cena estática. Estes movimentos chamam-se movimentos oculares. A razão de vermos o mundo como estando imóvel provém da percepção do movimento dependente das posições relativas dos objectos da nossa visão. Se os nossos olhos forem movidos por outros músculos que não os deles próprios então conseguimos ver movimento. A percepção da forma No domínio da visão, os processos fundamentais para percepcionar e reconhecer o que é um objecto consistem na percepção da sua forma. Por vezes confiamos na cor, e ocasionalmente no tamanho, mas a maioria das vezes é a forma que nos possibilita identificar determinado objecto. Reconhecer uma forma, mesmo quando as suas partes constituintes sofrem alterações como no caso de termos desenhado vários triângulos diferindo na cor, no tamanho e nas linhas que podem ser de linha contínua ou de pontos. Porém isto não interfere na percepção da forma global. A psicologia gestáltica, corrente da psicologia cujos defensores insistiram em que a percepção da forma não resulta de um qualquer somatório dos componentes individuais, mas que a forma é perceptivamente sentida como uma Gestalt intacta, o todo é diferente à soma das partes. Desta forma a triangularidade das formas descritas não é uma propriedade de qualquer dos elementos da forma, mas pelo contrário é uma propriedade da forma total, tomada como unidade coerente. A Figura e o Fundo A segregação visual é a separação do objecto do seu contexto, de maneira a que o objecto seja visto como um todo separado do seu fundo. A diferenciação entre figura e fundo, tal como toda a análise perceptiva, é o resultado de um contributo do sujeito e não é uma propriedade do próprio estímulo. Isto é realçado quando o sujeito descobre que existe mais do que uma maneira de analisar um estímulo.

Fig1. Esta figura torna claro que o estímulo, em si mesmo, é neutro quanto à análise. O que é figura e o que é fundo está no olhar do observador.)

O Agrupamento Perceptivo O agrupamento perceptivo de partes da figura parece uma coisa trivial, mas o agrupamento, tal como a separação entre figura e fundo, apresentam alguma ambiguidade. Esta declaração afirma que mais uma vez revela que o agrupamento é uma realização do sujeito e não uma propriedade do estímulo. Max Wertheimer, o fundador do Gestaltismo considerava esses factores de agrupamento como as leis da organização perceptiva: a. Proximidade - quanto mais próximas estiveram duas figuras uma da outra, tendem ser agrupadas conjuntamente na percepção; b.Semelhança – mantendo-se tudo o mais constante, nós tendemos a agrupar as figuras de acordo com a sua semelhança. O nosso sistema visual também parece organizar os padrões de uma maneira que sugere uma preferência por contornos que continuam suavemente as linhas de origem. Quando a lógica falha O ser humano possui um sistema perceptivo extremamente esperto, pois consegue interpretar padrões complexos, de reconstruir linguagem incompleta e descobrir dálmatas escondidos, mas também ele fracassa. É com o exame dessas falhas, que podemos frequentemente aprender muito acerca do seu funcionamento. Neste tipo de figuras, poderíamos ter a noção tal e qual como se apre-

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1. Percepção

sentam, desenhos a duas dimensões. Mas temos tendência a não o fazer. Em vez disso vemo-las como formas tridimensionais sólidas apesar da sua impossibilidade. Aparentemente a lógica da percepção tem limites. A Selecção Perceptiva: Atenção Apesar do problema da interligação continue por resolver já conhecemos um factor que contribui para a junção dos elementos da nossa experiência perceptiva: a saber, a atenção. A atenção desempenha vários papéis fundamentais tais como a preparação: percepcionamos melhor quando estamos atentos, através da atenção é nos possível averiguar alguns aspectos de uma cena, ignorando outros, outro caso é a focagem na figura e não no fundo, e se estiverem presentes várias figuras escolhemos aquela que se preste atenção.

Fig1. Esta figura torna claro que o estímulo, em si mesmo, é neutro quanto à análise. O que é figura e o que é fundo está no olhar do observador.)

Fig1. Esta figura torna claro que o estímulo, em si mesmo, é neutro quanto à análise. O que é figura e o que é fundo está no olhar do observador.)

A Percepção da Constância Ver o mundo real é ver as propriedades dos objectos distais: a sua cor, forma, tamanho e localização; o seu movimento através do espaço; a sua permanência ou a sua transitoriedade. Contudo os organismos não podem ter experiência directa do estímulo distal; em vez disso, toda a informação acerca do mundo exterior tem origem na configuração do estímulo proximal que os objectos distais projectam sobre os nossos sentidos. O problema é que o mesmo objecto distal pode produzir muitos estímulos proximais diferentes. a. Constância do tamanho Obtém-se a percepção da distância, com base na percepção mental do tamanho real do objecto. Um dos factores que possuem um notável papel de resistência à mudança perceptual de tamanho é a familiaridade com os objectos. b. Constância da forma A forma do objecto familiar é percebida constante, independentemente do facto de a imagem retiniana projectada por ele variar muito segundo o ângulo por que é vista. Um prato, de acordo com a linha de visão, pode projectar uma imagem oval, ou muitíssimo alongada, por vezes perfeitamente circular; no entanto, percebemos regularmente o prato como redondo. c. Constância da Luminosidade Objectos coloridos parecem brilhantes mesmo em ambientes escuros; objectos de cor escura parecem escuros, mesmo em ambientes claros como em dias cheios de sol. d. Constância da cor A constância perceptiva é particularmente importante, porque graças a ela o mundo surge-nos com relativa estabilidade. Sem estabilidade tudo nos parecia grande ou pequeno, o mundo seria uma confusão. O empirismo e o Inatismo Reconsiderados Segundo aquilo que se compreende actualmente da percepção visual, tudo indica que os empiristas subestimaram o papel activo do sujeito na organização e interpretação da estimulação visual. A perspectiva inatista desta actividade era mais adequada, embora sobrestimasse o papel dos mecanismos inatos. O sistema visual é de uma sofisticação impressionante logo à nascença, mas a experiência tem um papel decisivo na moldagem do funcionamento do sistema visual.

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2.Memória Sem memória estaríamos condenados a viver no presente, que nem sequer reconheceríamos como nosso, pois sem memória dos acontecimentos que deram forma à nossa vida não há sentido da identidade pessoal. Assim, a memória é o processo de recordar conteúdos apreendidos que foram armazenados com intuito de serem utilizados posteriormente.


2. Memória

Codificação, Armazenamento, Recuperação A memória é um processo psicobiológico estruturante que constrói de maneira dinâmica uma representação interior da realidade, através de três fases: Codificação, Armazenamento, Recuperação. Vamos começar por examinar o que estas três fases têm em comum. Muitas das falhas de memória são na realidade falhas da fase inicial de aquisição. Para se compreender a aquisição, temos primeiro que saber como é codificada a informação na nossa memória. A codificação refere-se à forma como as unidades de informação são colocadas na nossa memória. Em seguida temos o armazenamento, registo da codificação no sistema mental que é armazenado e conservado de forma mais ou menos permanente para posterior utilização; este registo é armazenado e conservado de forma mais ou menos permanente para uma utilização subsequente. A última fase é a recuperação, ou seja, o momento em que o indivíduo “tenta lembrar-se”, extrair um determinado registo de entre todos os outros armazenados. Uma das formas de se recuperar “material” é através da recordação, que diz respeito aos nossos esforços para produzir informação a partir da nossa memória. Outra forma de recuperar informação é através do reconhecimento, onde neste tipo de situação somos confrontados com um nome ou situação e perguntamo-nos se já o encontramos antes. Memória sensorial As informações provenientes dos estímulos são armazenadas no imediato (máximo de 2 segundos) na chamada memória sensorial. Esta memória desdobra-se em memória visual (icónica), auditiva (ecóica), táctil, olfactiva e gustativa. As informações são retidas momentaneamente, sem qualquer tipo de análise. Se não lhes for prestada atenção os dados perdem-se, mas no caso de essa ser prestada, os dados codificam-se e são transferidos para a denominada memória a curto prazo. Memória de Trabalho A capacidade da memória de trabalho é m uito limitada. Através de uma tarefa de extensão de memória pode-se medir essa capacidade, ou seja, o indivíduo é exposto a uma experiência onde ouve várias palavras e têm que as repetir por ordem, após uma única apresentação. Os adultos normais conseguem repetir sem erros cerca de oito itens, sendo estes números ou letras escolhidos ao acaso. A memória de trabalho ou curto prazo tem uma capacidade limitada, lida com um pequeno número de pacotes ao mesmo tempo. Se a informação for empacotada de forma eficaz, poder-se-á comprimir mais informação. Exemplo: CIAFBIIBMTWA Isto é muito difícil de ser interpretado como uma série de 12 letras não relacionadas, mas se reorganizado em agrupamentos de três letras,

Exemplo: CIA FBI IBM TWA

a tarefa de recuperação é bem mais simples. Cabe a esta memória a tarefa de seleccionar e enviar conteúdos significativos para a memória a longo prazo. (Gleitman, Fridlund & Reisberg, 2007) Memória a Longo Prazo Este tipo de memória permite-nos recordar uma quantidade enorme de informação durante períodos bastante longos: horas, dias, semanas, anos, e alguns casos, para sempre. Na memória a longo prazo encontram-se armazenados os materiais provenientes da aprendizagem que foram sujeitos à codificação na memória de trabalho.

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2. Memória

Após vários estudos dos códigos da memória das imagens visuais e auditivas, associados à linguagem, chega-se a uma conclusão de que há uma grande flexibilidade na codificação dos materiais. Pode-se codificar em termos de imagem, em termos verbais, ou ambos. Estamos continuamente a recuperar informação da memória a longo prazo, sendo a recordação um processo gerido pela memória de trabalho. A capacidade da memória a longo prazo é enorme: um estudante universitário médio recorda o significado de 80 000 palavras, milhares de episódios autobiográficos, milhões de factos, centenas de competências, etc. (Gleitman, Fridlund & Reisberg, 2007) Memória Implícita A memória implícita é aquela que se refere aos casos em que sofremos a influência de experiencias passadas sem nos apercebemos que estamos a ser alvo de recordações, ou seja, situações em que evocamos a memória sem ter consciência. Um exemplo flagrante é o completamento de fragmentos quando se apresentam partes de palavras como C_O_O_I_O, prontamente é formada a palavra CROCODILO. A probabilidade de sucesso nesta tarefa é muito maior quando se teve contacto recentemente com a palavra. Factores de Esquecimento a- Decadência: Muito do que aprendemos desaparece ao longo do tempo. Relativamente ao que retemos, podem ocorrer modificações que deturpam o que inicialmente foi aprendido. Sem que se possa falar da intenção de falsear a verdade, sabemos bem como pode diferir o depoimento em tribunal de várias pessoas que presenciaram um mesmo acontecimento. Isso deve-se ao facto de cada uma delas o recordar de acordo com a significação que lhe atribuiu. b- Interferência A memória parece vulnerável a determinados tipos de interferência. Essas interferências, promotoras do esquecimento podem ser proactivas ou retroactivas. As proactivas são aquelas em que se deterioram os conteúdos mnésicos provocadas pela interferência de recordações passadas. Exemplo: Os adeptos de futebol podem esquecer-se de certos pormenores de um jogo que viram há meses por interferência das lembranças de jogos que assistiram antes desse. Já o esquecimento por inibição retroactiva consiste na deterioração dos conteúdos mnésicos provocada pela interferência de novas informações. Exemplo: Os pormenores do jogo de futebol podem ter sito esquecidos também devido ás lembranças dos jogos assistidos posteriormente.

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3.Caso Prรกtico


3. Caso Prático

Por forma, a interligar os conceitos da percepção e da memória à nossa área em questão, um campo fortemente ligado às novas tecnologias, onde se torna possível visualizar os diversos elementos gráficos captados a médio ou a curto prazo, resolvemos optar por um exercício bastante conhecido e já desenvolvido há muitos anos, em que o objectivo principal é encontrar o par corresponde, ou o par similar à imagem em questão. Foram criados centenas de jogos equivalentes ao seleccionado por nós, tendo todos eles a mesma funcionalidade e captando todos eles estímulos bastante idênticos, exercitando parte da nossa memória. O respectivo jogo escolhido pelo nosso grupo denomina-se por “QuickPic” e consiste basicamente na captação momentânea de todas as imagens presentes na tela de apresentação, ou seja, na sua memorização sensorial. Posteriormente as imagens ficam ocultas, e com um determinado tempo limite, o utilizador ou quem usufrui desse software tem que encontrar o par respectivo. O objectivo é mesmo descobrir rapidamente e se possível sem falhas todos os conjunto par.

Exemplo Prático: torna-se possível observar na imagem o tempo limite para a captação dos estímulos referentes à cor e imagem, em cada elemento gráfico.

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4.Bibliografia

Henry Gleitman, Alan J. Fridlund, Daniel Reisberg(2007).Psicologia. Fundação Calouste Gulbenkian - 7.ª Edição http://books.google.com/books?id=22ZWi-LVLDcC&printsec=frontcover&dq=eysenck& lr=&hl=pt-PT#PPA201,M1 http://www.aege.pt/Jogos_swf/14158.swf http://www.fortium.com.br/faculdadefortium.com.br/silmara_carina/material/Processos%20basicos%20para%20a%20aprendizagem.pdf http://www.prof2000.pt/users/praxis/praxiologica/dicionario/dicionario_alfabeto/C.htm http://www.scribd.com/doc/2499220/Leis-da-percepcao http://www.psicanaliseefilosofia.com.br/adverbum/Vol1_1/relacao_memo_perc_cons. pdf http://www.consuma.unb.br/pdf/aulas/amalia/cons_percep_memoria.pdf

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Percepção e Memória