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stampe Nº 1 /Ano 13 /R$ 11,00

Kelly Rutherford e a moda do século XXI Os figurinos de

O diabo veste Prada

A Moda em tempos de guerra 2013 Edicao fine L’Estampe 1


Fine L’ Estampe

Sumário

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4. Entrevista Conversa com a consultora de moda Glória Kalil

9. Opinião Kelly Rutherford comenta sobre a moda do século XXI

10. Moda e estilo 6. Moda e história Estilista apresenta modelos usados Uma análise da moda interferindo

Fine L’estampe – REVISTA BRASILEIRA DE MODA Av. Princesa Isabel, 438 Centro Joinville - SC, 89201-270 (47) 3026-8000

no passado

por atrizes

Redação: Mayara Hoffmann Diretoria de Arte: Mayara Editora de Beleza: Mayara Editoras: Mayara Hoffmann

Editora de arte: Mayara Hoffmann Repórteres: Mayara Hoffmann Designers: Mayara Hoffmann Gráfica: Hoffmann’s production

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Moda

Imagem: Reprodução

gLORIA kALIL Trabalhou em quase todos os setores de moda. Iniciou sua carreira como produtora de moda, logo depois passou para a área de redação, coordenou a área de marketing e de produtos na indústria têxtil SCALAD’ORO e representou a marca FIORUCCI no Brasil por 17 anos.

Atualmente GLORIA atua como jornalista e consultora de moda.

Fine L’Estampe entrevista um dos nomes mais experientes e influentes no mundo fashion brasileiro

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omo foi a experiência FIORUCCI (1976/1992)?

Que tal falar um pouco sobre a experiência com SCALAD’ORO.

Foi uma experiência muito importante. Numa época na qual a exportação era proibida (final de 1977), a FIORUCCI foi a primeira marca de grife a entrar no mercado brasileiro. Todas as informações vinham de viagens que eu fazia a Itália e selecionava tudo que pudesse ser usado no Brasil. Absolutamente tudo era refabricado no Brasil. O mais importante é que a FIORUCCI antes de ser a primeira marca de grife a entrar no paísl, foi a primeira ligada ao segmento jovem de jeans e abriu portas para grandes marcas como FORUM e ZOOMP.

Permaneci por cinco anos na coordenação de marketing e de produtos, trabalhando diretamente com fios, estamparias e tecidos. Isto me proporcionou um grande conhecimento têxtil para a abertura da marca FIORUCCI no Brasi

Como foi representar essa marca no Brasil? Um grande sucesso e uma grande experência de indústria. O mercado necessitava de um segmento de moda jovem de grife ligada ao jeans, entretanto, todas as peças tinham que ser fabricadas no Brasil. A FIORUCCI possuía muitos fornecedores por ser uma grande lançadora de produtos industriais para a moda, ou seja, a novidade como os acessórios de plástico, roupas de nylon e uma cartela de cores bem diferenciada fez da FIORUCCI uma inovadora. Em 1993, lançamos a marca JGK (JORGE/GLORIA KALIL).

Quais as vantagens e desvantagens que o mercado brasileiro sofre hoje em dia? A indústria esta sendo extremamente prejudicada com os planos econômicos. Desde 1986 a política resume-se em racionalizar para que não haja inflação. Com a atual política anti-recessiva, consome-se apenas o necessário como proposta de baixar a inflação. Sendo assim o mercado interno brasileiro perde. Mas o comércio ainda encontra saída na exportação. Por sua vez os consumidores que ainda possuem condições econômicas encontram opções de escolha.

hábitos desde a época da corte. O que existe no Brasil é regionalismo, trajes típicos como o da baiana e de gaúcho Existe moda adaptada ao Brasil, com características adaptadas ao clima e ao gosto particular da mulher brasileira.

Na sua opinião que futuro terrá a moda feita no Brasil com a globalNum país onde as necessidades ização? básicas, como alimentação e educação não são supridas é muito difícil As tendências não esperam as suas estações. O que acontece são inforfazer moda? Basicamente uma coisa independe da outra. As atividades culturais

“Não acredito em moda brasileira. Não existe moda brasileira, não porque somos um país subdesenvolvido e sim porque não somos um país tradicionalmente produtor de moda.” de um país implicam em todas as áreas: moda, cinema, arte e educação, entre outras. A construção desta cultura se faz de um conjunto. Todas as variáveis envolvidas fazem parte de um mesmo tecido e a estrutura deste tecido é muito complicada. Você não isola um tipo de situação desta trama, tudo ocorre ao mesmo tempo...não dá pra falar que primeiro temos que cuidar da saúde, depois da educação e depois da moda...

O que você pode nos dizer sobre a questão: “Existe moda brasileira”? Não acredito em moda brasileira. Não existe moda brasileira, não porque somos um país subdesenvolvido e sim porque não somos um país tradicionalmente produtor de moda. Os países lançadores de moda, são países que cultivaram

mações instantâneas e este é o papel da moda, trazer para hoje o que foi ontem.

Como avalia de um modo geral o trabalho dos novos estilistas? Temos pessoas muito interessantes que vão dos clássicos aos modernos. Quando digo clássicos são todos os estilistas e confecções que seguem as tendências internacionais de moda. Modernos são os que mais ou menos criam suas própria. Na sua opinião que futuro terrá a moda feita no Brasil com a globalização? As tendências não esperam as suas estações. O que acontece são informações instantâneas e este é o papel da moda, trazer para hoje o que foi ontem. Tem algum trabalho novo em vista? Estou preparando o lançamento do novo livro que se chamará O HOMEM CHIC. Uma mensagem para os apaixonados por moda. Eu entendo perfeitamente que as pessoas sejam apaixonadas por moda. Moda esta ligada a vida, na parte mais delicada e estética da vida, onde se faz um depoimento mais criativo e personalizado, o que se faz você ser reconhecido. 2013 Edicao fine L’Estampe 5


Moda Imagem: Reprodução

Audrey Tautou, do “Fabuloso Destino de Amelie Poulain”, no papel principal

Coco Chanel

A Moda

em Tempos de Guerra O filme “Coco antes de Chanel” passa além da biografia da estilista: sua colaboração com os nazistas

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Mary Del Priore

abrielle Chanel - ou Coco, “queridinha”, nome que adotara quando cantava em cafés entre os anos de 1905 e 1908 - já era bastante conhecida quando, martelando as botas no famoso passo de ganso, as tropas do Führer cruzaram o Arco do Triunfo, em Paris. Os chapéus, o look masculino, as roupas confortáveis e o famoso “pretinho básico”, tudo recendendo ao perfume Chanel no 5, lançado em 1922, a tinham consagrado. Mas foi durante a Segunda Guerra que seu papel chamou a atenção dos historiadores. Foi quando a já famosa estilista ligouse, como tantos franceses, aos alemães. Tal tipo de ligação ao longo dos anos ficou conhecida como “colaboração”. Chanel passou toda a ocupação no famoso Hotel Ritz, quartel-general dos nazistas em Paris e bem pertinho de sua loja, na rue Cambon. Já havia algum tempo ela era simpática aos nazistas - um de seus ex-namorados, o cartunista Paul Iribe, era partidário de que uma estreita relação com os alemães podia ser benéfica à França. Antes da guerra, Chanel já se alinhava à direita e era descrita como alguém de ideias racistas. No Ritz, sua companhia permanente era o alemão Hans Gunther von Dinck­lage, um misto de playboy, oficial e espião enviado à França para preparar a invasão nazista. Spatz, ou pardal como era chamado em referência ao pássaro que está em toda a parte -, era 13 anos mais jovem do que ela. Nessa época, a estilista tentou se aproveitar do antissemitismo reinante para espoliar os sócios Pierre e Paul Wertheimer, judeus, que a ajudaram no início da carreira. Alta traição, na medida em que os Wertheimer eram seus parceiros no negócio de essências e responsáveis pelo sucesso do perfume Chanel no 5. Coco movimentava-se nos mais altos círculos militares alemães e desempenhou um papel decisivo num dos episódios mais bizarros da Segunda Guerra, a chamada Operação Modelhut. “Modelhut”,

em alemão, significa “chapéu da moda”, referência ao fato de Chanel ser uma estilista e confeccionar para mulheres chapéus masculinos. A ideia estapafúrdia consistia em promover uma aproximação entre o alto-comando germânico e o primeiro-ministro britânico Winston Churchill, com o objetivo de cooptar os ingleses - acredite! - para a causa nazista. Chanel foi escolhida para a missão estapafúrdia pelo estreito contato que mantinha, de um lado, com um ex-amante, o inglês Hugh Richard Arthur Grosvenor, o duque de Westminster, que era próximo de Churchill, e, de outro, com Walter Schellenberg, chefe do serviço de espionagem e inteligência nazista e assistente direto de Heinrich Himmler, uma das figuraschave na execução do Holocausto. Por desempenhar serviços como esse, Chanel prosperou durante a guerra. Abriu lojas em Deau­ville e Biarritz. Segundo alguns autores, o logotipo CC tem a ver com a suástica e com o conhecido SS que ornamentava as roupas negras desses conhecidos oficiais. Nesta nova onda de interpretações, Coco Chanel entra repaginada. No filme, a personagem é totalmente detetizada, desinfetada, limpa. Não se toca em sua cooperação com

o inimigo nem nos desdobramentos que sua atitude teria tido. Afinal, é preciso preservar o fenomenal negócio que são suas bolsas, compradas pelas apreciadoras de moda do mundo inteiro, e o rostinho de Audrey Tautou, garota-propaganda do perfume Chanel no 5. Se Coco antes de Chanel é um comercial bem chatinho, pelo menos nos faz lembrar de questões importantes. E, quando se comemoram 70 anos do maior conflito mundial, um pouco de história não faz mal a ninguém.

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Moda Coco movimentava-se nos mais altos círculos militares alemães e desempenhou um papel decisivo num dos episódios mais bizarros da Segunda Guerra, a chamada Operação Modelhut. “Modelhut”, em alemão, significa “chapéu da moda”, referência ao fato de Chanel ser uma estilista e confeccionar para mulheres chapéus masculinos. A ideia estapafúrdia consistia em promover uma aproximação entre o alto-comando germânico e o primeiro-ministro britânico Winston Churchill, com o objetivo de cooptar os ingleses - acredite! - para a causa nazista. Chanel foi escolhida para a missão estapafúrdia pelo estreito contato que mantinha, de um lado, com um ex-amante, o inglês Hugh Richard Arthur Grosvenor, o duque de Westminster, que era próximo de Churchill, e, de outro,

com Walter Schellenberg, chefe do serviço de espionagem e inteligência nazista e assistente direto de Heinrich Himmler, uma das figuraschave na execução do Holocausto. Por desempenhar serviços como esse, Chanel prosperou durante a guerra. Abriu lojas em Deau­ville e Biarritz. Segundo alguns autores, o logotipo CC tem a ver com a suástica e com o conhecido SS que ornamentava as roupas negras desses conhecidos oficiais. Os estudiosos identificam dois tipos de colaboracionismo. O primeiro, “de Estado”, teria o objetivo de salvaguardar os interesses franceses, assegurando ao país uma posição confortável na Europa ocupada. O governo do marechal Philippe Pétain, sediado em Vichy - a cidade que se tornou a capital administrativa do país depois da queda de

Paris -,disseminava a ideia de que a colaboração era um caminho para a liberação. Fazia isso por meio de documentários de propaganda oficial como os La France en Marche - “A França a Caminho”. Esse tipo de colaboracionismo de Estado via a cooperação com os nazistas como única salvação contra a expansão do comu nismo. Tal fato levou milhares de franceses a vestir o uniforme do Reich e integrar a Legião dos Voluntários Franceses contra o Bolchevismo. Para além dessa capitulação oficial, havia também o colaboracionismo anônimo, praticado por franceses que se aproveitaram da situação com finalidades mesquinhas. Esse colaboracionismo era aquele das cartas dedurando judeus, simpatizantes esquerdistas, homossexuais ou comerciantes do mercado negro.

“Ela era uma mentirosa, então é difícil saber quem ela era antes de ficar famosa e ter algum sucesso.” Audrey Tautou sobre coco antes de chanel

Audrey Tautou em Coco antes de Chanel

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Rutherford

Ouse ter sua opinião O acesso fácil a informação tornou a moda aparentemente fácil de ser entendida e acompanhada. Revistas de moda estampando as últimas novidades e uma infinidade de blogs ditando como se vestir. Com tantas dicas e inspirações parece ser impossível errar. Mas na hora de se vestir a maioria das pessoas se sentem frustradas ao tentar seguir as lindas e impecáveis blogueiras. Isso acontece porque essa enxurrada de informação é apenas copiada e não interpretada. Infelizmente essa super acessibilidade vem jogando as tendências como obrigatoriedade para se “estar na moda”. Forjando uma criatividade que não existe. Mas como entender a moda diante de tanta informação? Entender a moda na verdade é uma coisa simples, pense na moda como uma opinião. tenha conhecimento do seu corpo e saiba valoriza-lo. Ouse ter sua opinião.O acesso fácil a informação tornou a moda aparentemente fácil de ser entendida e acompanhada. Revistas de moda estampando as últimas novidades e uma infinidade de blogs ditando como se vestir. Com tantas dicas e inspirações parece ser impossível errar. Mas na hora de se vestir a maioria das pessoas se sentem frustradas ao tentar seguir as lindas e impecáveis blogueiras. Isso acontece porque essa enxurrada de informação é apenas copiada e não interpretada. Infelizmente essa super acessibilidade vem jogando as tendências como obrigatoriedade para se “estar na moda”. Forjando uma criatividade que não existe. Mas como entender a moda diante de tanta informação? Entender a moda na verdade é uma coisa simples, pense na moda como uma opinião. tenha conhecimento do seu corpo e saiba valoriza-lo. Ouse ter sua opinião.Sustrud dolor sum nim doloreet alit dolorem zzrilis numsan er init non

ut endre mincil iliquis ciduissi. Ibh eraessit niamcom modignis ea facip eriuscinci blaorem er sis dolenisl inibh elestrud exeros num inisi erit num ip eugait nos esed magnit irilit atin ut ver si. Senis exeril dio dolore et venit augait lum zzrit lum nostrud ero od eliscidunt dolesed do conse consequ ametuerate tio od euguerci exerit ing ex ex el dio odoloreet praesequat venisl iure consequat lut ullaorem estions equiscin hent iure ming eriureetuer ate ming ex eniscip ea con ero eugait iurem ing el ectet augiat incillan heniat. Andionsenit, quat. Ut ulput prat, quipit ea consent wis nisi ea facidunt volendre magna aut ute ea faci te core magna facidunt prat utet nibh ecte dolum in ut lum nos et nit ilismodipis amcommy nos aut veriurem velit Kelly Rutherford utat. Nis nullaor irit nulla para a revista adion veros ex exeros- Fine’l’Estampe tis ad magnibh endigna commodo loreetum exerostisim am, vullam, veraessim zzrit enisl dio ea conummy nullaorem iure te min verci blaor acip et nim iniamet wismodi atuerit, sit, con volorpero conse consequi enisi. Elendignis digna consent nonumsan utat. Oboreet nos acinci tio et num velit prat pratie modolum quat dolorpero odolorper ad tat. Olessequat accum ver si. Feuguer cilissequat, commod doloborper iureet etIt wisl ute faciduis nonullute feugi 2013 Edicao fine L’Estampe 9


Moda

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O espetacular figurino da estilista Patrícia Field que, além de Prada, tem presente várias peças de grifes.

Meryl Streep como Miranda Priestly em “O diabo veste Prada”

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Junior de Barros Motta

igurino é o traje usado por uma personagem de uma produção artística (cinema, teatro ou vídeo) e o figurinista é o profissional que idealiza ou cria o figurino. Cinema e moda sempre andaram juntos; um figurino bem elaborado tem papel de extrema importância no resultado do filme. É necessário que o figurinista conheça a fundo a história a ser tratada no trabalho, pois o figurino tem que revelar muito dos personagens. Para elaborá-lo, o figurinista deve levar em conta uma série de fatores como a época em que se passa a trama, o local onde são gravadas as cenas, o perfil psicológico dos personagens, o tipo físico dos atores e as orientações de luz e cor feitas pelo diretor de arte. Sabe aqueles filmes bonitos de assistir? Aqueles que além de ter uma boa história são visualmente apelativos? Quem não viajou nas roupas maravilhosas e cheias de estilo de filmes como “Sex and the City”, “O Diabo Veste Prada”, no estilo decadente de “Maria Antonieta” ou nos looks anos 50 de “O Diário de Uma Paixão”? O espetacular figurino da estilista Patrícia Field (ou Pat Field), que, além de Prada, tem presente várias peças de grifes famosas. O filme é um deleite para quem é interessado em moda, e principalmente para os que gostam, mas não entendem muita coisa. Com ajuda de três assistentes, Patrícia montou cerca de quarenta conjuntos de roupas e acessórios para a diabólica editora de moda Miranda Priestly, interpretada por Meryl Streep, e outros sessenta para a assistente-capacho Andrea Sachs (Anne Hathaway). Rechearam as araras dos camarins das duas atrizes vestidos, casacos e outras peças com etiquetas como Louis Vuitton, Calvin Klein, Giorgio Armani, Hermès, Louboutin, Gucci, Valentino e Chanel, num total de 1 milhão de dólares em roupas e acessórios. Prada, a marca do título, aparece até com parcimônia, em sapatos (quatro em cada dez usados por Meryl Streep), um conjunto e um-


escancaradamente legendada bolsa de 1.445 dólares logo na abertura. Patrícia Field explica: “O filme mostra o mundo da moda pelos olhos de uma revista de moda. Precisei ter muito cuidado para não montar um figurino compreensível apenas por quem vive nesse mundo. O importante era criar um estilo original para a Miranda e usar marcas conhecidas para Andrea. A moça, que era simplesinha de doer e tinha orgulho disso, ganha acesso ao fantástico guarda-roupa amealhado pela revista e, com a ajuda de uma espécie de fada madrinha fashion – o editor de moda Nigel (Stanley Tucci),vira outra pessoa, chique, bem penteada e bem maquiada. “No começo ela é uma garota comum. Não feia, nem uma caricatura da falta de estilo, apenas comum. Quando se transforma em uma pessoa fashion, passa a usar as grandes marcas que são fotografadas pela revista”. Quem gosta de moda perderá a pose e ficará de queixo caído do meio até o fim do filme, quando Andrea, já de franja e cabelos escorridos, desfila, um depois do outro e não necessariamente nesta ordem, um sobretudo de lã creme com boina de tweed Chanel, uma bolsa-saco Calvin Klein de pele de cobra dourada, sapatos de tweed cinza Marni e luvas, um sobretudo de lã de carneiro Rebecca Taylor com saia de veludo berinjela Gucci, meia-calça preta trabalhada, bolsa de couro Chanel, botas de couro Louboutin e gorro de cashmere, um blazer justo de crepe de lã Chanel com minissaia de tweed marrom Kristina Ti, top com aplicações metalizadas, botas de couro preto até a coxa e colares de ouro vintage, uma camisa branca Miu Miu sobreposta por blusa preta, boina Chanel e dois colares de pérolas com pingentes também Chanel, um vestido de jérsei verde Calvin Klein com cinto de couro, sapatos em verde dourado, bolsa dourada, óculos escuros Chanel – uma vertiginosa sequencia de tirar o fôlego e desviar a atenção do resto da cena. O auge da elegância é atingido na festa de gala em que ela surge deslumbran-

te em um longo preto John Galliano (Miranda veste na mesma ocasião um Valentino confeccionado especialmente para o filme). “Amei o vestido. Toda vez que o vestia, cantava Rich Girl, da Gwen Stefani. Fiquei emocionada de usar algo tão lindo”, suspira Anne Hathaway. Durante a filmagem, Patrícia conta que uma de suas maiores dificuldades foi o orçamento de $100.000 dólares, limitadíssimo para as ambições do figurino. A solução, diz, foi apelar para “a ajuda de meus amigos da indústria da moda”, que emprestaram roupas e colaboraram sem cobrar nada. Isso mesmo que vocês leram, $100.000, muita grana para ser usado em figurino, mas o resultado valeu a pena. espetacular figurino da estilista Patrícia Field (ou Pat Field), que, além de Prada, tem presente várias peças de grifes famosas. O filme é um deleite para quem é interessado em moda, e principalmente para os que gostam, mas não entendem muita coisa.

Os modelos de Anne Hathaway

“Meu trabalho é fazer com que o ator esteja confortável com o figurino, porque caso contrário, isso vai tirar o foco dele do trabalho e o nosso é fazer as pessoas se sentirem bem”, afirma Patrícia Field

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Moda

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Revista produzida pela aluna Mayara Hoffmann na disciplina de Meios Impressos. Curso: Comunicação Social/Jornalismo Instituição: Bom Jesus/I...

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