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The pencil 111

Beginning its trip in the hands of Paula Rego, this pencil made a very short journey, passing by Graça Morais and ending its trip with Fátima Mendonça. Many were the limiting issues (of no interest to be discussed here) that contributed to this result. It would be reductionist to state that this is the pencil of something, be it Portuguese feminine painting or the representation of women in Portuguese contemporary art. There is no critical mass, there is no material on which to base this analysis. The three painters who had the pencil are – no doubt about it – major creators in the national artistic context. Their work is no stranger to women’s condition, but has never been exclusively defined in this axis. However, one should not forget that this is a conditioning that made the artistic paths of these women cross more than once, such as in the exhibition Five Portuguese Women, in Dublin (1999), together with Menez and Ana Vidigal, or in the exhibition 8 pintoras portuguesas (Coimbra, 2001), in which their names were joined by the names of Vieira da Silva, Ana Vieira, and Alexandra Mesquita. Impossible to dissociate from the work of these artists is the Gallery 111, the true link that unites them. The founder of the gallery, Manuel de Brito (1928-2005), is unanimously recognised as one of the most important sponsors of Portuguese contemporary art. The opening of Galeria 111 in Lisbon, in 1964, together with its equivalent in Porto, the Zen Gallery, in 1971, were fundamental moments for the creation of a national arts circuit, practically inexistent until then. The constant bet in young artists, very difficult in the context of the times, together with the avant-garde attitude of Manuel de Brito gained him problems and the hostility of the regime. Only time would show that his choices had been right, earning him a relevant position in Portuguese contemporary art and the respect of those who were lucky to have met him. After the death of the gallery owner in 2005, his personal collection was used as the base of the Manuel de Brito Arts Centre, in Oeiras, which immediately became a reference in the national arts scene. All of the aforementioned artists are represented in this collection, together with practically all of the relevant names of Portuguese art in the 20th century. An admirable and priceless collection. Rui Brito, the son of Manuel de Brito, and Maria Arlete Alves da Silva are the present directors of Galeria 111. It was from the hands of Rui Brito that this pencil of the VIARCO Express series was passed from hand to hand. Faced with the temporal and geographical restrictions – Paula Rego lives and works in England, Graça Morais spends much of her time in her homeland Vieiro, in Trás-os-Montes, and Fátima Mendonça lives in Lisboa – it was Rui Brito’s task to promote the triangle which was drawn by this pencil. Once again, the simple rule of passing on the pencil was subverted, something which was a constant in this VIARCO Express project and which originates many and interesting incidents in the sometimes idiosyncratic journeys of these ten pencils. Apart from the fact that this pencil travelled only through three hands, the choice of the artists reveals a clinical eye. With only three names, a panorama of some of the most relevant art production in Portugal is revealed, in representation of three generations of contemporary painting. An option which also reveals the diversity with which the present time is made of, and how its discourse is fashioned by the zeitgeist, and possibly indicating some directions that the future could take. In this sense, the path drawn by this pencil is much more that the sum of its individual parts, it is a whole artistic programme, well established, nurtured by time and consubstantiated through these works.

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O lápis 111

Iniciando a sua viagem nas mãos de Paula Rego, este lápis teve um percurso muito curto, passando por Graça Morais e finalizando o seu caminho em Fátima Mendonça. Foram diversas (e desinteressantes para tratar aqui) as condicionantes que contribuíram para este resultado. Será sempre redutor dizer que este é o lápis de qualquer coisa, seja da pintura feminina portuguesa, seja da representação do papel da mulher na arte contemporânea em Portugal. Não há massa crítica, não há material que sustente qualquer análise. As três pintoras por quem o lápis passou são, indubitavelmente, criadoras maiores no contexto da arte nacional. O seu trabalho não é alheio à condição feminina, mas nunca se deixou definir exclusivamente neste eixo. Não podemos esquecer, no entanto, que esta é uma condicionante que levou a que os seus caminhos se cruzassem mais de uma vez, como na exposição Five Portuguese Women, em Dublin (1999), na qual participaram ainda Menez e Ana Vidigal, ou na exposição 8 pintoras portuguesas (Coimbra, 2001), na qual a estes nomes se juntaram os de Vieira da Silva, Ana Vieira e Alexandra Mesquita. Indissociável dos percursos destas três artistas, a Galeria 111 é o verdadeiro elo comum entre elas. O fundador da galeria, Manuel de Brito (1928-2005) é reconhecido com unanimidade como um dos maiores impulsionadores da arte contemporânea portuguesa. A abertura da Galeria 111 de Lisboa em 1964 e da sua congénere portuense, a Galeria Zen, em 1971, foram momentos determinantes na criação de um circuito de arte nacional, praticamente inexistente até então. A aposta constante em jovens artistas, difícil no contexto da época, e a atitude e postura vanguardista de Manuel de Brito criaram-lhe dissabores e atrito com o regime, mas o tempo mostraria o acerto das suas escolhas, granjeando-lhe uma posição de relevo na arte contemporânea portuguesa e a estima de quem com ele privou. Após a morte do galerista em 2005, o seu acervo pessoal formou a base do Centro de Arte Manuel de Brito, em Oeiras, tornando-se imediatamente um ponto de referência da arte nacional. Lá se encontram obras de todos os artistas já mencionados, bem como de praticamente todos os nomes relevantes da arte portuguesa do século XX. Uma colecção admirável e de valor inestimável. Rui Brito, filho de Manuel de Brito, e Maria Arlete Alves da Silva são os actuais directores da Galeria 111. Foi através de Rui Brito que este lápis da série VIARCO Express passou de mão em mão. Face às dificuldades de agenda e constrangimentos geográficos das três artistas – Paula Rego está há muito radicada em Inglaterra, Graça Morais passa muito do seu tempo na sua terra natal de Vieiro, Trás-os-Montes e Fátima Mendonça vive em Lisboa – coube a Rui Brito promover o triângulo desenhado por este lápis. Mais uma vez, a regra simples da passagem directa de testemunho foi subvertida, uma constante no projecto VIARCO Express que deu azo a muitas e interessantes peripécias nos por vezes idiossincráticos percursos dos dez lápis. Não obstante este lápis ter passado unicamente por três mãos, a escolha destas é reveladora e clínica. Em apenas três nomes, é-nos oferecida uma panorâmica de alguma da mais relevante produção artística portuguesa, representando três gerações de pintura contemporânea. Uma opção que revela também a diversidade com que se faz a contemporaneidade e como o seu discurso se molda pelo zeitgeist, dando-nos indicações sobre o que poderá ser o seu futuro. Neste sentido, o percurso desenhado por este lápis é muito mais do que a mera soma das suas partes, é todo um programa artístico com créditos firmados, nutrido no tempo e consubstanciado na obra.

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Galeria 111

Paula Rego

Graรงa Morais

Fรกtima Mendonรงa

Rui Brito

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[DP]

Paula Rego

A Musa Partida Broken Muse 42 x 59,5 cm Grafite sobre papel Graphite on Paper

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[JMCA]

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[DP]

Graça Morais

s/tĂ­tulo untitled 76 x 57 cm Grafite sobre papel Graphite on Paper

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[JMCA]

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[DP]

Fátima Mendonça

s/título untitled 30 x 32 cm Pastel e grafite sobre papel Graphite and pastel on Paper

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[JMCA]

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A Radiant Future

Given to Julião Sarmento, the last of the VIARCO Express project’s pencils would circulate amongst some of the names that constitute the youngest generation of Portuguese artists. The transition from Julião Sarmento to Ana Anacleto will open ways to an intense exchange between very diverse creators, who nevertheless share deep affinities in their work. Contrary to what happened with many other pencils, it is not possible in this group to identify classes, closed friendship circles or the determining weight of a gallery. Apart from the unavoidable exceptions (which also occur here, were this not an orthodox pencil), the transmission of this pencil seems to have obeyed a logic of interest for the developed work rather than to friendship criteria. The name Vasco Barata coincides with Daniel Barroca in the Gulbenkian Program for Creativity and Artistic Creation, in exhibitions promoted by the Vera Cortês Art Agency and in the Empty Cube space (owned by the Filomena Soares gallery and curated by João Silvério), where they met with Mauro Cerqueira. This artist is also represented in the independent project Salad Days, in which participated, amongst others, the artists Julião Sarmento, Ana Anacleto and Vasco Barata. With the transition to Mauro Cerqueira, the pencil travels to Porto, where it will be used by Manuel Santos Maia, the curator of the space Uma Certa Falta de Coerência owned by Mauro Cerqueira and André Sousa. From Santos Maia the pencil goes to Paulo Mendes, the artist who was responsible for projects such as the W.C. CONTAINER, IN.TRANSIT (1999 – 2009) and TERMINAL (2005), influential moments for the dissemination of the generation of artists that is represented in this group. Paulo Mendes suggests the name of André Alves, who in turn gives it to Ana Torrie who, together with him and Emanuel Santos, Marta Bernardes, Carlos Pinheiro and Nuno de Sousa (see pencil 3), forms the groups of founders of the Senhorio art collective, started in 2004 as one of the various independent spaces that emerged in Porto form 1999 on. From Ana Torrie, the pencil travelled to Paulo Patrício and António Jorge Duarte, returning to Lisbon. This passage is due to an intervention by Maus Hábitos that, in an attempt to accelerate the process of finalizing the journey, suggested the first name to Torrie, who immediately accepted it. The choice was based on the proximity of some members of the Senhorio group (Carlos Pinheiro and Nuno de Sousa) with the comics and illustration scene. Patrício and Jorge Duarte, both teachers at IADE, have developed some collaborative projects and are well-known authors in the milieu. This pencil foreshadows a generation. Escaping the definition of groups imposed by schools, which are commonly encountered in the history of Portuguese art, and leveraging from the multiplication of curated projects and independent exhibitions for the creation of a circuit of permanent exchange, indifferent to the geographical condition, the group of artists represented here enjoys an unprecedented freedom of circulation. Important components of this bridge are Paulo Mendes, who has relentlessly promoted his projects both in Porto and Lisbon, and the diversity of alternative spaces managed by artists, such as the Senhorio, Espaço Campanhã (Manuel Santos Maia) and Uma Certa Falta de Coerência projects, that have contributed strongly for this informal system in which works are presented to the public. Although with no intervention in the selection of the artists who used this pencil – as happened in other cases – the map created by this journey lets us anticipate the presence of the gallery Reflexus, founded by Nuno Centeno in 2007, which has increasingly captured these artists affirming itself as a strongly generational project. It is interesting to recognize that a pencil initiated by Julião Sarmento, one of the most internationally represented Portuguese artists, ends up by producing a cartography of a group that, enjoying unprecedented mechanisms in our history, works for the construction of a dynamic and innovative network in the national panorama, with great responsibility in the surpassing of geographical and economical constraints that the peripheral position of Portugal has imposed and still imposes on the national production of art. 274


Um Futuro Radioso

Entregue a Julião Sarmento, o último lápis VIARCO Express vai acabar por circular entre nomes que configuram a mais jovem geração de artistas portugueses. A transição de Julião Sarmento para Ana Anacleto abrirá o caminho para uma troca intensa entre criadores muito diversos mas com afinidades profundas ao nível do trabalho. Ao contrário do que aconteceu em muitos outros lápis, aqui não se adivinham turmas, círculos fechados de amizade ou o peso determinante de uma galeria. Salvo as necessárias excepções (tudo isso existe também aqui, não fora este ser um lápis ortodoxo), a passagem do lápis parece obedecer mais a uma lógica de interesse pelo trabalho desenvolvido do que a um critério de amizade. O nome de Vasco Barata coincide com Daniel Barroca no Programa Gulbenkian Criatividade e Criação Artística, em exposições promovidas pela agência Vera Cortês e no espaço Empty Cube (da galeria Filomena Soares, comissariado por João Silvério), onde se vão cruzar com Mauro Cerqueira. Este último está ainda presente no Salad Days, um projecto independente onde participam, entre outros nomes, Julião Sarmento, Ana Anacleto e Vasco Barata. Na transição para Mauro Cerqueira o lápis empreende uma viagem até ao Porto, onde irá passar pelas mãos de Manuel Santos Maia, que neste momento comissaria o espaço Uma Certa Falta de Coerência de Mauro Cerqueira e André Sousa. De Santos Maia o lápis passa a Paulo Mendes, artista responsável pela dinamização de projectos como W.C. CONTAINER, IN.TRANSIT (1999 – 2009) e TERMINAL (2005), que se estabeleceram como momentos determinantes na difusão da geração de artistas que acaba por estar aqui representada. Paulo Mendes sugere o nome de André Alves, que por sua vez o transmite a Ana Torrie, que compõe com ele e com Emanuel Santos, Marta Bernardes, Carlos Pinheiro e Nuno de Sousa (ver lápis 3) o grupo fundador do Senhorio, um colectivo artístico que nasce em 2004 e se insere na vaga de espaços independentes que começou a surgir no Porto a partir de 1999. De Ana Torrie o lápis seguirá para Paulo Patrício e António Jorge Duarte, voltando a Lisboa. Esta passagem é intervencionada pelo Maus Hábitos que, numa tentativa de acelerar o processo de finalização do percurso, sugere o primeiro nome a Torrie, que o aceita prontamente. A escolha é feita pensando na proximidade de alguns dos membros do Senhorio (Carlos Pinheiro e Nuno de Sousa) com o registo da banda desenhada e da ilustração. Patrício e Jorge Duarte, ambos docentes no IADE, desenvolvem vários projectos em conjunto e são autores considerados no meio. Este lápis acaba por prefigurar uma geração. Escapando aos grupos impostos pela escola, que tantas vezes temos encontrado na história da arte portuguesa, e aproveitando a multiplicação de projectos de comissariado e exposição independentes para criar um circuito de troca permanente, indiferente à condição geográfica, o conjunto de artistas aqui representados goza de uma liberdade inédita de circulação. Peças importantes desta ponte são Paulo Mendes, que tem promovido incansavelmente os seus projectos tanto no Porto como em Lisboa, e a diversidade de espaços alternativos geridos por artistas, como aqui são exemplo o Senhorio, Espaço Campanhã (Manuel Santos Maia) e Uma Certa Falta de Coerência, que têm contribuído para este sistema informal de apresentação de trabalho. Ainda que não tenha interferido na selecção dos artistas que usaram este lápis – como aconteceu noutros casos – através do mapa criado por este percurso podemos entrever a presença da Galeria Reflexus, fundada por Nuno Centeno em 2007, que começa a captar estes artistas e a afirmar-se como um projecto marcadamente geracional. Não deixa de ser interessante que o lápis iniciado por Julião Sarmento, um dos criadores portugueses mais representados internacionalmente, acabe por produzir a cartografia de um grupo que, dotado de mecanismos inéditos na nossa história, trabalha na construção de uma rede dinâmica e inovadora no panorama nacional, muito fazendo para ultrapassar os constrangimentos geográficos e económicos que a posição periférica de Portugal impôs e impõe à produção artística nacional. 275


Salad Days

Programa Gulbenkian Criatividade e Criação Artística

FBAUL

Julião Sarmento

Ana Anacleto

Vasco Barata

Daniel Barroca

Empty Cube

Vera Cortez

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Mauro Cerqueira


Uma Certa Falta de Coerência

Senhorio Maus Hábitos

Manuel Santos Maia

Paulo Mendes

André Alves

Ana Torrie

Paulo Patrício

António Jorge Gonçalves

IADE

Reflexus

FBAUP

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[DP]

Julião Sarmento “O trabalho dos artistas é muito solitário. No que diz respeito ao trabalho, não existe cumplicidade, ela existe apenas num nível pessoal. É uma cumplicidade que advém do contacto diário, de estarmos juntos e trabalharmos no mesmo sítio.” “The artist’s work is a lonely work. When it comes to work, there is no complicity; complicity only exists at the personal level. It is a complicity that comes with the daily contact, from being together and working at the same place”.

s/título untitled 48 x 33 cm Grafite sobre papel Graphite on paper

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[JMCA]

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[DP]

Ana Anacleto “O desenho é uma coisa que me acompanha sempre e é o primeiro médio que eu uso quando preciso de trabalhar uma determinada ideia ou projectar e conceber as várias hipóteses para um projecto de fotografia ou de vídeo.” “Drawing is always close to me, and it is the first medium I resort to when I need to work on a specific notion or to establish and develop the different hypotheses for a photography or video project.”

small monochrome (using map schemeposition) show as a memoir of Mie´s Neue Galerie at potsdamer strasse, berlin 57 x 45,5 cm Grafite sobre papel Graphite on paper

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[JMCA]

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[DP]

Vasco Barata “O desenho é o meu trabalho e ocupa um enorme espaço na minha vida.” “Drawing is my work, and it takes an enormous space in my life.”

Lovers / Fuckers 42,5 x 29,5 cm Grafite sobre papel Graphite on paper

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[JMCA]

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[DP]

Daniel Barroca

s/tĂ­tulo untitled 29 x 20,5 cm Grafite e carvĂŁo sobre papel Graphite and charcoal on paper

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[JMCA]

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Mauro Cerqueira

Estudo para “boy who was too clever to live” Study for “boy who was too clever to live” 12,5 x 21 cm Grafite sobre papel Graphite on paper

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[JMCA]

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[DP]

Manuel Santos Maia “O desenho permite-me explorar e aprofundar plástica e conceptualmente o meu trabalho. É uma ferramenta que utilizo para projectar e elaborar com algum rigor as minhas instalações.” “Drawing allows me to explore and deepen my work from the visual and conceptual aspect. It is a tool I use to project and develop my installations with some strictness.”

Alheava_Moçambique Branco e Portugal Negro Alheava_White Mozambique and Black Portugal 70 x 50 cm Grafite sobre K-line Graphite on K-line

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[JMCA]

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[DP]

Paulo Mendes “Os lápis são permanentemente vários sobre a minha secretária de trabalho. Sempre gostei de escolher lápis singulares, ou pelo seu desenho exterior ou pelas suas qualidades técnicas. O lápis é o primeiro utensílio na elaboração de um novo trabalho ou apontamento de uma ideia. Desses rascunhos iniciais, desses desenhos preparatórios resultam obras que envolvem muitas vezes tecnologias mais complexas e um aparato de produção que escapa à pureza da folha de papel riscada a grafite onde tudo começou.” “I always have several pencils on my desk. I always liked unusual pencils, whether because of their external design or for their technical quality. The pencil is the first tool when developing a new work or noting down an idea. Those initial drafts, those preparatory drawings develop into works that often use complex technology and a production apparatus that escapes the purity of the paper sheet with some graphite doodles where it all began.”

Museu de Arte Popular Popular Art Museum 59,5 x 42 cm Grafite sobre papel Graphite on paper

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[JMCA]

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[DP]

André Alves “Hipóstase. O desenho ímpar nessa realização de si mesmo. Esta auto-suficiência centra-o na minha pesquisa estética como ferramenta privilegiada para me deixar engolir pela descoberta e o risco. O desenho é tarefa impossível; e a mais aliciante.” “Hypostasis. The drawing, unique in the realization of itself. This self-sufficiency brings it to the centre of my aesthetic research as privileged tool to let myself be swallowed by discovery and risk. Drawing is an impossible task; and the most seductive.”

Vi Arco 66 x 51 cm Grafite sobre papel Graphite on paper

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[JMCA]

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[DP]

Ana Torrie “O desenho tem um papel determinante no meu trabalho. Pelo seu carácter experimental, é um espaço para o risco e para a dúvida. Processo de procura, de encontros e desencontros. Não sei se consigo fazer a distinção dos vários papéis que o desenho desempenha no meu processo de trabalho; não consigo fazer a separação entre aquilo que vulgarmente se tenta definir como processo (esse estado de transição que não é coisa nenhuma) e aquilo que pode, em muitos momentos, parecer Obra ou vontade de o ser. Talvez fosse acertado dizer: quando um desenho começa, nunca mais acaba.” “Drawing is central to my work. Because of its experimental nature, it creates a space where to take risks and to doubt. A process of search, of encounter and divergence. I’m not sure I can discriminate the different roles played by drawing in my working process; I can’t differentiate between what we try to define as process (the transitory condition that is nothing specific) and what may often look like Work or the will to be it. Maybe one should say: when a drawing starts, it never ends.”

Lápis a Lápis Pencil by Pencil 70 x 63,5 cm Grafite sobre papel Graphite on paper

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[JMCA]

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[DP]

Paulo Patrício “O desenho, seja digital ou tradicional, directa ou indirectamente, ocupa uma grande parte do trabalho que faço, se não quase toda.” “Drawing, be it digital or conventional, occupies directly or indirectly a large part of my work, not to say all of it”.

Canção do Sossego Song of Quiet 45 x 35 cm Grafite sobre papel Graphite on paper

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[JMCA]

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[DP]

António Jorge Gonçalves “O Desenho ocupa todo o espaço que lhe posso dedicar, só não ocupa mais porque me falta tempo para tudo o que gostava de fazer.” “Drawing takes all the space I can dedicate to it. The only reason it doesn’t take more space is because I don’t have the time to do everything I would like to do.”

De Pé Standing 21 x 26 cm Grafite sobre papel Graphite on paper

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[JMCA]

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Espaรงo do desenho Drawing space



Livro Viarco 260-303