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Estrela Matutina - Caderno 1 - Março de 2019

Série: Comentário Popular nº 62 Constituição Dogmática “Lumen Gentium”, Parágrafos 42/110

Os Conselhos Evangélicos

Abordando o texto Conciliar, a esta altura, denso e rico de conteúdo, supomos que o diligente leitor/estudioso tenha simultaneamente a seu lado o texto desta Constituição Dogmática para acompanhar e aproveitar melhor nosso comentário, que jamais estaria em condições de tratar e aproveitar de todas as nuanças do texto. Portanto, ao preferirmos seguir certas ideias julgadas mais importantes de que outras, nós estaríamos perdendo e empobrecendo o texto de riquezas apreciáveis.

Amar a Deus e ao Próximo Partindo da afirmação estratégica que Deus é Caridade, e Amor, a perfeição da lei, como o “vivendo da perfeição” difundido em nossos corações pela comunicação do Espírito Santo, ficamos sabendo que a caridade informa, possui, penetra e exalta todas as demais virtudes. Essa fundamental difusão faz com que se ama a Deus, e por repercussão toma conta e vitaliza todas as demais virtudes, impelindo à escuta meditativa da Palavra de Deus e à frequentação dos sacramentos. A mesma caridade é implantada na alma pelo Espírito Santo com seus dons, e por consequência, garante o amor ao próximo. Isto se manifesta numa vida de um autêntico discípulo de Cristo, que resulta numa forma ou outra de testemunho concreto entre os irmãos.

O Sublime Amor do Martírio Ora, a forma mais estupenda de amor por Cristo e pelos Irmãos, é a atitude daqueles que estão prontos para entregar até sua vida pela pessoa amada. Portanto, o martírio, que em todas as épocas, e hoje mais do que no passado, aflige a Igreja em várias partes do mundo, deve ser considerado sua maior glória, e prova de sua vitalidade como sendo o testemunho mais sublime de sua fidelidade e amor a Cristo. As endêmicas perseguições ajudam a Igreja a confessar sua fidelidade a Cristo. Mas na vida da Igreja há outra forma de vida que espelha perante todos, uma fidelidade incondicional a Cristo, acima de tudo e todos. O subparágrafo /112 merece ser lido e assimilado com muito cuidado, analisado a cada passo, quanto à sua doutrina da consagração religiosa de pessoas chamadas a viver os Conselhos Evangélicos.

Uma “Loucura” Santa Assim o texto passa abruptamente da exaltação do martírio pelo Reino de Deus, para a “loucura” radical da vivência conforme os múltiplos Conselhos Evangélicos que o Senhor Jesus nos recomendou com suas palavras e exemplos, ao cumprir os desígnios salvíficos de seu Pai, até as últimas amargas consequências da crucificação. O texto conciliar afirma que a vivência radical desses Conselhos favorece a santidade da Igreja que nem o martírio. De fato, uma vida longa de consagração religiosa, com sua luta diuturna vida

adentro, para observar uma perfeita fidelidade a Cristo, pode oferecer maior heroísmo do que o martírio normalmente suportado por breve tempo. A virtude da longanimidade nesta área tem sua importância em primeiro grau. Apesar das dores atrozes de certos sofrimentos pelos mártires, o próprio sofrimento exacerbado acelera sua passagem. De fato, somente, quem experimentou, com completa fidelidade, sua consagração religiosa, vida adentro, pode chegar a experimentar a profundidade existencial desta minha asserção.

Destacando a Virgindade Mas o texto não aplica tudo isto apenas de uma maneira genérica, mas, tenta explicar, avançar e galgar ao topo da excelência. De fato, entre os vários conselhos evangélicos que levam à santidade, indicou a virgindade, ou celibato como aquele conselho que mais eficazmente, no caso de uma fidelidade e observância quanto mais perfeita: de fato, os consagrados pela virgindade mais facilmente chegam a Deus Pai, com coração indiviso, sendo a ela o dom da divina graça que sobressai aos demais. Os bens criados por Deus podiam e deviam nos levar a Deus, porém, na atual condição de nossa realidade vivida sob o signo do pecado, os bens deste mundo nos arrastam de modo que imperceptivelmente nos tentam desviar do bom caminho. A virgindade, ou o celibato, com a formação de um coração indiviso,

consegue a façanha de exigir algo aparentemente contraditório: exige renúncia em altíssimo grau, o que chega a produzir uma forma indescritível de libertação do espírito, que introduz a alma virginal ou celibatária a um estado misterioso de plenitude de bem-estar, com uma profunda paz e gozo interior.

Fecundidade do Celibato Importante é a observação final deste subparágrafo quando afirma que tal apreciação da virgindade/celibato não é um desenvolvimento histórico posterior ou recente, mas de sempre, porque além de ser sinal e imitação da vida de Jesus Cristo, de São Paulo e de muitos cristãos da primeira geração, e de seu grande e incondicional consagração à Igreja, tal estado incentiva a caridade, e torna o apostolado mais fecundo no seio da Igreja. O celibato e a virgindade, não são algo que se assume a seu bel prazer, mas é um verdadeiro chamado da parte de Deus, um dom gratuito do Senhor Deus, na escolha de sua liberdade soberana.


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Estrela Matutina - Edição Março de 2019  

Boletim Informativo da Diocese de União da Vitória – Paraná – Brasil

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