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pessoal, Dick tivera experiências com psicodélicos como parte da busca por novas experiências sensoriais que marcaram as décadas de 60 e 70. Ele, inclusive, desenvolvera uma dependência crônica de anfetaminas da qual se reabilitara pouco tempo antes de começar a escrever O Homem Duplo. O livro, segundo ele, foi o primeiro romance completo escrevera sem estar sob efeito da droga. O ponto forte do enredo do romance começa quando Fred, cumprindo parte de sua rotina profissional, é incumbido de espionar a si mesmo, ou melhor, o personagem que criou no submundo das drogas. O alter-ego Bob Arctor é suspeito de ser um elo na corrente de abastecimento da Substância D. Fred implanta aparelhos de monitoramento em sua própria casa com o objetivo de editar o conteúdo do material armazenado e entregá-lo às autoridades. Essa sua vida dupla só se torna possível - e esse é um dos poucos elementos de ficção científica pura no livro - devido ao uso que Fred faz de uma roupa especialmente desenvolvida com aparatos tecnológicos. A scramble suit transforma aqueles que a usam em verdadeiros “borrões” ambulantes e falantes. Sua identidade como policial permanece anônima graças ao uso que faz da roupa quando está em serviço, mas é garantida sob o preço de colocar o próprio protagonista em uma aguda crise de identidade, agravada à medida que sua dependência da Substância D aumenta. Isso causa uma separação entre seus dois hemisférios cerebrais, um efeito colateral da droga que o faz confundir a percepção que tem de si mesmo, bipolarizando sua personalidade em dois indivíduos diferentes: Fred e Bob Arctor.

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Rubato  

Revista com espaço total dedicado à Literatura.

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