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Um pouco agressivo dizer que o período da vida do Caeto retratado na HQ é praticamente catastrófico. Uma vida ferrada de alguém tentando lidar com situações difíceis no início da vida adulta. Claro que a falta de dinheiro, trabalho e a vida amorosa em ruínas são situações comuns em qualquer pessoa saída da adolescência, só que em Memória de Elefante, Caeto teve que ir além da queda profissional e enfrentar uma tragédia familiar. O pai, um livreiro beirando a falência, era homossexual assumido que mais tarde descobriu ser uma vítima do vírus HIV. Caeto dedicava parte de seu tempo a cuidar do pai, que a cada dia se sentia mais fraco e não queria tratamento. A angustia é transmitida - e sentida - nessa parte da história, tornando-se desfecho para todo o livro. Por mais triste que a história seja, não há como tirar os olhos dos quadrinhos. A narrativa é simples, porém irresistível. Você quer ler mais, saber mais e conhecer muito daquele personagem que poderia ser qualquer um a cruzar o semáforo, vendendo obras de arte na rua ou simplesmente tomando uma cerveja na mesa ao lado de um boteco de esquina. Quando conheci Caeto, não participei diretamente de nenhum desses acontecimentos, apenas pude poder tomar uma cerveja e jogar conversa fora. Tive a chance de conhecer Caeto como quadrinista e como pessoa. Pude ver quem é o verdadeiro Caeto, uma pessoa com uma leve tristeza no olhar. Ele deu um longo abraço ao partir. Até a próxima história.

Rafael Roncato

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Rubato  

Revista com espaço total dedicado à Literatura.

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