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Memória de Elefante

caeto

companhia das letras

HÁ UMA SENSAÇÃO estranha na hora que se conhece o autor de uma obra. Maior ainda é a estranheza se você leu e, principalmente, admirou o que preenchiam aquelas páginas que inicialmente se encontravam em branco, pedindo histórias e tintas. Quando conheci o ilustrador e quadrinista Caeto, já havia lido e relido seu livro-diário de estreia pela Companhia da Letras, Memória de Elefante. Engraçado que, no momento do aperto de mão, todo o livro me veio à cabeça. Ele havia escrito e ilustrado um catatau; chamativo, encorpado, que, na capa, possuía um elefante que ao mesmo tempo era envolto - e bem possivelmente engolido - por uma grande cidade. Na época do lançamento, o livro estava na boca da crítica: as resenhas e opiniões de especialistas falavam sobre uma certa originalidade e também delicadeza na forma de retratar a própria história de vida; acho que até diziam palavras como "cru" e "marcante", mas não lembro ao certo se "brilhante" aparecia como uma definição. Na graphic novel, nada de personagem principal inventado e uma narrativa com toques de realidade. Ali há simplesmente o próprio criador num autorretrato extenso, 232 páginas de preto no branco. Nas memórias quadrinísticas de Caeto vemos o autor duro, vivendo em São Paulo, tentando sobreviver tanto na vida quanto na arte, lidando com pais divorciados, a bebedeira, os relacionamentos conturbados e uma banda punk que parecia dar certo.

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Rubato  

Revista com espaço total dedicado à Literatura.

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